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6474231 #
Numero do processo: 10830.000586/2005-14
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: PERC - PRAZO PARA APRESENTAÇÃO Nomeadamente quando não há nos autos comprovação da data de recebimento do extrato de indeferimento da opção, o prazo para se apresentar o PERC escoa com o decurso do prazo decadencial de cinco anos para o pedido de restituição do indébito tributário, o qual é de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, conforme o art. 168,1, do CTN. No caso, há o direito da contribuinte de ver apreciado o PERC pela DRF de origem.
Numero da decisão: 1103-000.140
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Marcos Takata

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Numero do processo: 16004.720677/2012-18
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 COMPETÊNCIA DA 1ª SEÇÃO. AUTOS DE INFRAÇÃO DE PIS/PASEP E COFINS REFLEXOS DO IRPJ. Cabe à 1ª Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação relativa ao PIS/PASEP ou à COFINS, quando apurados, no mesmo procedimento fiscal, elementos comuns de prova da prática de infração à legislação do IRPJ, juntados aos autos. RECURSO EX OFFICIO. DILIGÊNCIA. EMPREGO DE METODOLOGIA INVÁLIDA. CONCLUSÕES DUVIDOSAS. CONSTRANGIMENTO DO COLEGIADO. O emprego de metodologia inválida, pelo prisma da lógica, na apuração do crédito de PIS/PASEP e de COFINS sobre fretes, levada a efeito em diligência fiscal requerida pela instância julgadora a quo, conduziu o julgador da DRJ a conclusões duvidosas. Isso, entretanto, não pode prejudicar a Fazenda Nacional, em sede de recurso ex officio. Nessas circunstâncias, é impossível deferir ao contribuinte, no reexame necessário, valor de crédito superior ao que já havia sido deferido, no julgamento da impugnação. Por outro lado, a reprovação da metodologia empregada desautoriza o provimento do aludido recurso. Em face do mencionado cenário, não se pode avançar para um lado ou para o outro, pois as normas do processo administrativo fiscal, constrangendo o colegiado, impõem que se adote a solução que fora proclamada pela DRJ. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 INSUMOS. CRÉDITOS. LEIS Nº 10.637/2002. A teor do artigo 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, é possível o reconhecimento do direito de crédito de PIS/PASEP em relação a bens e serviços utilizados em etapa prévia ainda não exatamente industrial e realizada no interior da própria pessoa jurídica, se essa etapa prévia faz parte do processo produtivo. Isso não significa que se deva alargar o conceito de insumos, para fins de apuração do PIS/PASEP do regime não cumulativo, de tal forma a abarcar as despesas operacionais de que trata o artigo 299 do RIR/99. BENS DO ATIVO PERMANENTE. CRÉDITOS. Os bens do ativo permanente, distintos de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, quando diretamente aplicados na prestação de serviços e na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, podem gerar créditos de PIS/PASEP, desde que estes sejam apropriados com base nos encargos mensais de amortização ou depreciação. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DO ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITOS. Máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, quando diretamente aplicados na prestação de serviços e na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, podem gerar créditos de PIS/PASEP, desde que estes sejam apropriados com base nas parcelas mensais de 1/48 do valor de aquisição do bem. MANUTENÇÃO DE BEM DO ATIVO PERMANENTE. AUMENTO DA VIDA ÚTIL. POSTERGAÇÃO. PROVA. Infere-se a ocorrência de postergação do PIS/PASEP quando o contribuinte deduz, de uma só vez, crédito calculado sobre o valor integral dos bens adquiridos para emprego em serviços de manutenção de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, em relação a bem do ativo permanente diretamente aplicado na prestação de serviços e na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou, ainda, em relação a máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Todavia, o argumento que defende a ocorrência de postergação, nesses casos, não pode prosperar, por si só, se inexistir prova do recolhimento do tributo efetivamente postergado. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Demonstrada a importância de seu transporte entre os estabelecimentos da recorrente, os fretes configuram serviços utilizados como insumo no processo de industrialização desenvolvido pela recorrente. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE CAVALOS-MECÂNICOS Devem ser revertidas as glosas da fiscalização quanto ao item em comento, pois o cavalo-mecânico é indiscutivelmente uma máquina, pois se utiliza da energia produzida pelo motor para desempenhar as suas funções. Os veículos alugados pela recorrente consistem insumos utilizados no processo produtivo e no transporte de seus produtos, pois sem o transporte dos referidos produtos, resta inviabilizada a atividade desenvolvida pela recorrente. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 INSUMOS. CRÉDITOS. LEIS Nº 10.833/2003. A teor do artigo 3º, II, da Lei nº 10.833/2003, é possível o reconhecimento do direito de crédito de COFINS em relação a bens e serviços utilizados em etapa prévia ainda não exatamente industrial e realizada no interior da própria pessoa jurídica, se essa etapa prévia faz parte do processo produtivo. Isso não significa que se deva alargar o conceito de insumos, para fins de apuração da COFINS do regime não cumulativo, de tal forma a abarcar as despesas operacionais de que trata o artigo 299 do RIR/99. BENS DO ATIVO PERMANENTE. CRÉDITOS. Os bens do ativo permanente, distintos de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, quando diretamente aplicados na prestação de serviços e na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, podem gerar créditos de COFINS, desde que estes sejam apropriados com base nos encargos mensais de amortização ou depreciação. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DO ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITOS. Máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, quando diretamente aplicados na prestação de serviços e na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, podem gerar créditos de COFINS, desde que estes sejam apropriados com base nas parcelas mensais de 1/48 do valor de aquisição do bem. MANUTENÇÃO DE BEM DO ATIVO PERMANENTE. AUMENTO DA VIDA ÚTIL. POSTERGAÇÃO. PROVA. Infere-se a ocorrência de postergação da COFINS quando o contribuinte deduz, de uma só vez, crédito calculado sobre o valor integral dos bens adquiridos para emprego em serviços de manutenção de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, em relação a bem do ativo permanente diretamente aplicado na prestação de serviços e na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou, ainda, em relação a máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Todavia, o argumento que defende a ocorrência de postergação, nesses casos, não pode prosperar, por si só, se inexistir prova do recolhimento do tributo efetivamente postergado. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Demonstrada a importância de seu transporte entre os estabelecimentos da recorrente, os fretes configuram serviços utilizados como insumo no processo de industrialização desenvolvido pela recorrente. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE CAVALOS-MECÂNICOS Devem ser revertidas as glosas da fiscalização quanto ao item em comento, pois o cavalo-mecânico é indiscutivelmente uma máquina, pois se utiliza da energia produzida pelo motor para desempenhar as suas funções. Os veículos alugados pela recorrente consistem insumos utilizados no processo produtivo e no transporte de seus produtos, pois sem o transporte dos referidos produtos, resta inviabilizada a atividade desenvolvida pela recorrente. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 IRPJ. CSLL. DEDUÇÃO DE BEM DO ATIVO PERMANENTE. POSTERGAÇÃO. PROVA. Infere-se a ocorrência de postergação do IRPJ e da CSLL quando o contribuinte deduz, de uma só vez, na apuração da base de cálculo desses tributos, o valor integral de aquisição de bem do ativo permanente. Todavia, o argumento que defende a ocorrência de postergação, nesses casos, não pode prosperar, por si só, se inexistir prova do recolhimento do tributo efetivamente postergado. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 PRAZO PARA A DECISÃO ADMINISTRATIVA. DESCUMPRIMENTO. SUSPENSÃO DOS JUROS MORATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Carece de suporte em lei a suspensão da incidência dos juros moratórios, para os casos de descumprimento, pela Administração Tributária, do prazo fixado no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007.
Numero da decisão: 1301-002.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR questão preliminar, suscitada da tributa pelo patrono da interessada, acerca da competência da 1ª Sessão de Julgamento para decidir sobre a matéria dos autos, vencido o Conselheiro Roberto Silva Júnior; (ii) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício; (iii) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em relação aos itens despesas “extras” (item 3.1.2 do TDF) e despesas com hospedagem, passagem rodoviária e diárias (item 3.1.6 do TDF); e (iv) por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar as exigências dos itens 1.1 (serviços de manutenção de pallets), 4 (fretes entre estabelecimentos da fiscalizada), 5 (locação de cavalos mecânicos) e 8 (multas exigidas isoladamente por falta de recolhimento de estimativas mensais), vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que davam provimento em menor extensão, afastando tão somente a exigência correspondente ao primeiro desses itens. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA

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Nessas circunstâncias, é impossível deferir ao contribuinte, no reexame necessário, valor de crédito superior ao que já havia sido deferido, no julgamento da impugnação. Por outro lado, a reprovação da metodologia empregada desautoriza o provimento do aludido recurso. Em face do mencionado cenário, não se pode avançar para um lado ou para o outro, pois as normas do processo administrativo fiscal, constrangendo o colegiado, impõem que se adote a solução que fora proclamada pela DRJ. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 INSUMOS. CRÉDITOS. LEIS Nº 10.637/2002. A teor do artigo 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, é possível o reconhecimento do direito de crédito de PIS/PASEP em relação a bens e serviços utilizados em etapa prévia ainda não exatamente industrial e realizada no interior da própria pessoa jurídica, se essa etapa prévia faz parte do processo produtivo. Isso não significa que se deva alargar o conceito de insumos, para fins de apuração do PIS/PASEP do regime não cumulativo, de tal forma a abarcar as despesas operacionais de que trata o artigo 299 do RIR/99. BENS DO ATIVO PERMANENTE. CRÉDITOS. Os bens do ativo permanente, distintos de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, quando diretamente aplicados na prestação de serviços e na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, podem gerar créditos de PIS/PASEP, desde que estes sejam apropriados com base nos encargos mensais de amortização ou depreciação. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DO ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITOS. Máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, quando diretamente aplicados na prestação de serviços e na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, podem gerar créditos de PIS/PASEP, desde que estes sejam apropriados com base nas parcelas mensais de 1/48 do valor de aquisição do bem. 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MANUTENÇÃO DE BEM DO ATIVO PERMANENTE. AUMENTO DA VIDA ÚTIL. POSTERGAÇÃO. PROVA. Infere-se a ocorrência de postergação da COFINS quando o contribuinte deduz, de uma só vez, crédito calculado sobre o valor integral dos bens adquiridos para emprego em serviços de manutenção de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, em relação a bem do ativo permanente diretamente aplicado na prestação de serviços e na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou, ainda, em relação a máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Todavia, o argumento que defende a ocorrência de postergação, nesses casos, não pode prosperar, por si só, se inexistir prova do recolhimento do tributo efetivamente postergado. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Demonstrada a importância de seu transporte entre os estabelecimentos da recorrente, os fretes configuram serviços utilizados como insumo no processo de industrialização desenvolvido pela recorrente. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE CAVALOS-MECÂNICOS Devem ser revertidas as glosas da fiscalização quanto ao item em comento, pois o cavalo-mecânico é indiscutivelmente uma máquina, pois se utiliza da energia produzida pelo motor para desempenhar as suas funções. Os veículos alugados pela recorrente consistem insumos utilizados no processo produtivo e no transporte de seus produtos, pois sem o transporte dos referidos produtos, resta inviabilizada a atividade desenvolvida pela recorrente. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 IRPJ. CSLL. DEDUÇÃO DE BEM DO ATIVO PERMANENTE. POSTERGAÇÃO. PROVA. Infere-se a ocorrência de postergação do IRPJ e da CSLL quando o contribuinte deduz, de uma só vez, na apuração da base de cálculo desses tributos, o valor integral de aquisição de bem do ativo permanente. 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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 133; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 28.106          1 28.105  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16004.720677/2012­18  Recurso nº           De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  1301­002.207  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de fevereiro de 2017  Matéria  CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS  Recorrentes  LINDE GASES S/A              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2009  COMPETÊNCIA DA 1ª SEÇÃO. AUTOS DE INFRAÇÃO DE PIS/PASEP  E COFINS REFLEXOS DO IRPJ.   Cabe à 1ª Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão  de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação relativa ao  PIS/PASEP ou à COFINS, quando apurados, no mesmo procedimento fiscal,  elementos  comuns  de  prova  da  prática  de  infração  à  legislação  do  IRPJ,  juntados aos autos.   RECURSO EX OFFICIO. DILIGÊNCIA. EMPREGO DE METODOLOGIA  INVÁLIDA.  CONCLUSÕES  DUVIDOSAS.  CONSTRANGIMENTO  DO  COLEGIADO.   O emprego de metodologia  inválida, pelo prisma da  lógica, na apuração do  crédito  de  PIS/PASEP  e  de  COFINS  sobre  fretes,  levada  a  efeito  em  diligência fiscal requerida pela instância julgadora a quo, conduziu o julgador  da  DRJ  a  conclusões  duvidosas.  Isso,  entretanto,  não  pode  prejudicar  a  Fazenda  Nacional,  em  sede  de  recurso  ex  officio.  Nessas  circunstâncias,  é  impossível  deferir  ao  contribuinte,  no  reexame  necessário,  valor  de  crédito  superior  ao  que  já  havia  sido  deferido,  no  julgamento  da  impugnação.  Por  outro  lado,  a  reprovação  da  metodologia  empregada  desautoriza  o  provimento do aludido recurso. Em face do mencionado cenário, não se pode  avançar  para  um  lado  ou  para  o  outro,  pois  as  normas  do  processo  administrativo  fiscal,  constrangendo  o  colegiado,  impõem  que  se  adote  a  solução que fora proclamada pela DRJ.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2009  INSUMOS. CRÉDITOS. LEIS Nº 10.637/2002.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 06 77 /2 01 2- 18 Fl. 28108DF CARF MF     2 A teor do artigo 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, é possível o reconhecimento do  direito de crédito de PIS/PASEP em relação a bens e serviços utilizados em  etapa prévia ainda não exatamente industrial e realizada no interior da própria  pessoa jurídica, se essa etapa prévia faz parte do processo produtivo. Isso não  significa que se deva alargar o conceito de insumos, para fins de apuração do  PIS/PASEP  do  regime  não  cumulativo,  de  tal  forma  a  abarcar  as  despesas  operacionais de que trata o artigo 299 do RIR/99.  BENS DO ATIVO PERMANENTE. CRÉDITOS.  Os  bens  do  ativo  permanente,  distintos  de  máquinas  e  equipamentos  destinados ao ativo  imobilizado, quando diretamente aplicados na prestação  de serviços e na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à  venda,  podem  gerar  créditos  de  PIS/PASEP,  desde  que  estes  sejam  apropriados com base nos encargos mensais de amortização ou depreciação.  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS  DO  ATIVO  IMOBILIZADO.  CRÉDITOS.  Máquinas  e  equipamentos  destinados  ao  ativo  imobilizado,  quando  diretamente  aplicados  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  na  fabricação de bens ou produtos destinados à venda, podem gerar créditos de  PIS/PASEP,  desde  que  estes  sejam  apropriados  com  base  nas  parcelas  mensais de 1/48 do valor de aquisição do bem.  MANUTENÇÃO DE BEM DO ATIVO PERMANENTE. AUMENTO DA  VIDA ÚTIL. POSTERGAÇÃO. PROVA.  Infere­se  a ocorrência de postergação do PIS/PASEP quando o contribuinte  deduz,  de  uma  só  vez,  crédito  calculado  sobre  o  valor  integral  dos  bens  adquiridos para emprego em serviços de manutenção de que resulte aumento  da  vida  útil  superior  a  um  ano,  em  relação  a  bem  do  ativo  permanente  diretamente aplicado na prestação de serviços e na produção ou na fabricação  de bens ou produtos destinados à venda ou, ainda, em relação a máquinas e  equipamentos  destinados  ao  ativo  imobilizado.  Todavia,  o  argumento  que  defende a ocorrência de postergação, nesses casos, não pode prosperar, por si  só, se inexistir prova do recolhimento do tributo efetivamente postergado.  FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA  Demonstrada  a  importância  de  seu  transporte  entre  os  estabelecimentos  da  recorrente, os fretes configuram serviços utilizados como insumo no processo  de industrialização desenvolvido pela recorrente.  DESPESAS COM LOCAÇÃO DE CAVALOS­MECÂNICOS  Devem ser  revertidas as glosas da fiscalização quanto ao  item em comento,  pois o cavalo­mecânico é indiscutivelmente uma máquina, pois se utiliza da  energia produzida pelo motor para desempenhar as suas funções.  Os  veículos  alugados  pela  recorrente  consistem  insumos  utilizados  no  processo  produtivo  e no  transporte de  seus  produtos,  pois  sem o  transporte  dos  referidos  produtos,  resta  inviabilizada  a  atividade  desenvolvida  pela  recorrente.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2009  Fl. 28109DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.107          3 INSUMOS. CRÉDITOS. LEIS Nº 10.833/2003.  A teor do artigo 3º, II, da Lei nº 10.833/2003, é possível o reconhecimento do  direito  de  crédito  de  COFINS  em  relação  a  bens  e  serviços  utilizados  em  etapa prévia ainda não exatamente industrial e realizada no interior da própria  pessoa jurídica, se essa etapa prévia faz parte do processo produtivo. Isso não  significa que se deva alargar o conceito de insumos, para fins de apuração da  COFINS  do  regime  não  cumulativo,  de  tal  forma  a  abarcar  as  despesas  operacionais de que trata o artigo 299 do RIR/99.  BENS DO ATIVO PERMANENTE. CRÉDITOS.  Os  bens  do  ativo  permanente,  distintos  de  máquinas  e  equipamentos  destinados ao ativo  imobilizado, quando diretamente aplicados na prestação  de serviços e na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à  venda, podem gerar créditos de COFINS, desde que estes sejam apropriados  com base nos encargos mensais de amortização ou depreciação.  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS  DO  ATIVO  IMOBILIZADO.  CRÉDITOS.  Máquinas  e  equipamentos  destinados  ao  ativo  imobilizado,  quando  diretamente  aplicados  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  na  fabricação de bens ou produtos destinados à venda, podem gerar créditos de  COFINS, desde que estes sejam apropriados com base nas parcelas mensais  de 1/48 do valor de aquisição do bem.  MANUTENÇÃO DE BEM DO ATIVO PERMANENTE. AUMENTO DA  VIDA ÚTIL. POSTERGAÇÃO. PROVA.  Infere­se  a  ocorrência  de  postergação  da  COFINS  quando  o  contribuinte  deduz,  de  uma  só  vez,  crédito  calculado  sobre  o  valor  integral  dos  bens  adquiridos para emprego em serviços de manutenção de que resulte aumento  da  vida  útil  superior  a  um  ano,  em  relação  a  bem  do  ativo  permanente  diretamente aplicado na prestação de serviços e na produção ou na fabricação  de bens ou produtos destinados à venda ou, ainda, em relação a máquinas e  equipamentos  destinados  ao  ativo  imobilizado.  Todavia,  o  argumento  que  defende a ocorrência de postergação, nesses casos, não pode prosperar, por si  só, se inexistir prova do recolhimento do tributo efetivamente postergado.  FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA  Demonstrada  a  importância  de  seu  transporte  entre  os  estabelecimentos  da  recorrente, os fretes configuram serviços utilizados como insumo no processo  de industrialização desenvolvido pela recorrente.  DESPESAS COM LOCAÇÃO DE CAVALOS­MECÂNICOS  Devem ser  revertidas as glosas da fiscalização quanto ao  item em comento,  pois o cavalo­mecânico é indiscutivelmente uma máquina, pois se utiliza da  energia produzida pelo motor para desempenhar as suas funções.  Os  veículos  alugados  pela  recorrente  consistem  insumos  utilizados  no  processo  produtivo  e no  transporte de  seus  produtos,  pois  sem o  transporte  dos  referidos  produtos,  resta  inviabilizada  a  atividade  desenvolvida  pela  recorrente.  Fl. 28110DF CARF MF     4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009  IRPJ.  CSLL.  DEDUÇÃO  DE  BEM  DO  ATIVO  PERMANENTE.  POSTERGAÇÃO. PROVA.  Infere­se  a  ocorrência  de  postergação  do  IRPJ  e  da  CSLL  quando  o  contribuinte  deduz,  de  uma  só  vez,  na  apuração  da  base  de  cálculo  desses  tributos, o valor integral de aquisição de bem do ativo permanente. Todavia,  o argumento que defende a ocorrência de postergação, nesses casos, não pode  prosperar,  por  si  só,  se  inexistir  prova  do  recolhimento  do  tributo  efetivamente postergado.   MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO  PROPORCIONAL.  CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE.  É  inaplicável  a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas  quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo  devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da  Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009  PRAZO PARA A DECISÃO ADMINISTRATIVA. DESCUMPRIMENTO.  SUSPENSÃO DOS JUROS MORATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE.  Carece de suporte em lei a suspensão da incidência dos juros moratórios, para  os casos de descumprimento, pela Administração Tributária, do prazo fixado  no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  REJEITAR  questão preliminar, suscitada da tributa pelo patrono da interessada, acerca da competência da  1ª Sessão de Julgamento para decidir sobre a matéria dos autos, vencido o Conselheiro Roberto  Silva Júnior; (ii) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício; (iii) por  unanimidade  de  votos,  não  conhecer  do  recurso  voluntário  em  relação  aos  itens  despesas  “extras” (item 3.1.2 do TDF) e despesas com hospedagem, passagem rodoviária e diárias (item  3.1.6 do TDF); e (iv) por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário  para  afastar  as  exigências  dos  itens  1.1  (serviços  de manutenção  de  pallets),  4  (fretes  entre  estabelecimentos  da  fiscalizada),  5  (locação  de  cavalos  mecânicos)  e  8  (multas  exigidas  isoladamente  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas  mensais),  vencidos  os  Conselheiros  Flávio  Franco  Corrêa,  Milene  de  Araújo  Macedo  e  Waldir  Veiga  Rocha,  que  davam  provimento em menor extensão, afastando tão somente a exigência correspondente ao primeiro  desses  itens.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  José  Eduardo Dornelas  Souza.   (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Flávio Franco Corrêa ­ Relator.    Fl. 28111DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.108          5 (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza – Redator designado.     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha,  Flávio  Franco  Corrêa,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Roberto  Silva  Junior,  Marcos  Paulo  Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.  Relatório    Trata­se de autos de  infração mediante os quais  lavraram­se exigências  de  PIS/PASEP  não  cumulativo,  COFINS  não  cumulativa,  IRPJ,  CSLL  e multa  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  relativamente  ao  período  compreendido  entre  01/01/2009  e  31/12/2009.   Conforme o relatado no Termo Fiscal de Descrição dos Fatos – TDF, às fls.  7.201/27.284, a recorrente foi autuada em razão das seguintes infrações:  a)  insuficiência  no  recolhimento  das  contribuições  PIS/PASEP  e  COFINS  não cumulativas (item 3 do TDF);  b) exclusão  indevida do  lucro  líquido e da base de cálculo da Contribuição  Social,  referente  a  tributos  com  exigibilidade  suspensa  e  aquisições  de  bens  do  ativo  permanente deduzidos indevidamente como despesa operacional (item 4 do TDF).  Tal  é  teor  do  item  3  do  TDF  ­  DAS  INFRAÇÕES  REFERENTES  À  APURAÇÃO  DOS  CRÉDITOS  RELATIVOS  ÀS  CONTRIBUIÇÕES  PIS/COFINS  NÃO  CUMULATIVAS:  “Por  intermédio  do  arquivo  magnético  apresentado  pela  contribuinte  (formato  excel)  intitulado  "PIS Cofins AGA DACON 2009.xls", na  planilha  "apuração"  ­  fis.  742/1950,  verifiquei  que  os  valores  lançados  a  título  de  receitas  (Mercado  Interno  e  Mercado  Externo)  estão  corretos.  Ou  seja,  os  débitos  das  contribuições  PIS/COFINS,  relativos  às  saídas  de  produtos  no  mercado  interno  estão  corretos.  Todavia,  conforme  veremos  abaixo,  a  fiscalizada  apropriou  créditos  indevidos,  os  quais  serão  glosados.  Passo  a  relatar todas as glosas efetuadas, de forma individualizada.   3.1  GLOSA  DE  PRODUTOS  ADQUIRIDOS  QUE  NÃO  SÃO  UTILIZADOS NA PRODUÇÃO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS  (NÃO SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE INSUMO)  Já  relatei  que  foi  solicitado  à  contribuinte  que  apresentasse  diversos  comprovantes  de  aquisições,  selecionados  por  amostragem  (Termo  de  Intimação Fiscal n° 03) ­ fls. 23603/23608.  Foi  necessária  a  solicitação  de  algumas  notas  fiscais  em  razão  de  os  demonstrativos  apresentados  não  permitirem  a  identificação  do  bem  ou  insumo  adquirido. É  que  nos  demonstrativos mensais  de  créditos  apurados,  são  apenas  informadas  as  contas  contábeis  sintéticas,  cujos  valores  são  compostos por inúmeros lançamentos contábeis.  Vejamos um exemplo:  Fl. 28112DF CARF MF     6 Consta  no  arquivo  magnético  intitulado  "Pis  Cofins  AGA  DACON  2009.xls" , na planilha referente ao crédito do mês de maio/2009, o seguinte  lançamento, na linha 79 (fl. 964):    O valor de R$91.759,91 (sintético) relativo à conta 51310807602 é composto por  inúmeros lançamentos:  Data  Conta  Conta  D/C  Débitos  Créditos  Histórico  06/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  2.691,17    HOSPITAL ANCHIETA  06/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  2.053,12    HOSPMEO  06/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.163,32    HOSPITAL SANTA MARTA LTDA  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.135,20    VALVULANIPLE...COE 140334 15 04/CASA IRACEMA  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  789,36    COTOVELO,BUCHA...COE 140421 17.04.09 /ACS  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.900,00    05BD TUTELA ­PETRONAS 3391 20.04.09  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  346,72    TUBO...COE 140422 1 7.04.09  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  74,80    BUCHA,COTOVELO...COE 140500 20.04.09  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  325,77    TUBO,JOELHO,COTOVELO...COE 217377 2 0 04.09  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.662,32    VÁLVULA ­ATLAS 716354 1 7.04.09 MC03857  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  117,05    LUBRIFICANTE ­ATLAS 716354 1 7.04.O9 MC03857  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  750,00    NF 5298 PEDRO E JULIA ­ TUBO DE COBRE  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.152,50    NF5285 PEDRO E JULIA ­JOELHO/TUBO DE COBRE  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  391,00    PRESSOSTATO ­COFERMETA 269064 24 04 09  07/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.099,80    SILENCIADORES...VACUOLU 2186 23.04 09  08/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.243,10    NF 564 HYDRAULICS LTDA ­ TEE/UNIAO  08/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.196,50    NF 554 HYDRAULICS LTDA ­  TEE/CONECTORA/ALVULA  08/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.672,00    NF 3296 PETRONAS S/A ­ TUTELA 20 LTS  08/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  3 275.78    DISTRITO FEDERAL SECRECTARIA DE SAUDE  11/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.195,30    NF 5309 PEDRO E JULIA ­  JOELHO/BUCHA/TUBO/TE/ETC.  11/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.150,00    NF5313 PEDRO E JULIA ­ TUBO  COBRE/ABRACADEIRA  11/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.199,45    NF 5314 PEDRO E JULIA ­ JOELHO/CURVA/TUBO  12/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  476,00    NF 21517 DIRIFLUX LTDA ­ TERMÓMETRO P/BOMBA VÁCUO  12/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  858,70    INTENSICARE UTI IOP LTDA  12/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  858,70    HOSPITAL RENAISSANCE LTDA  12/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  858,70    INTENSICARE OSVALDO CRUZ LTDA  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.520,00    NF886 NZ SERV.TEC.LTDA ­ MONTAG /INST. 16  RÉGUAS  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.195,15    NF 5322 PEDRO E JULIA LTDA ­  CONECTOR/JOELHO/ETC.  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.161,60    NF 5318 PEDRO E JULIA ­  CONECTOR/LUVA/TUBOS/ETC...  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.200,00    NF 5319 PEDRO E JULIA LTDA ­ TUBO  COBRE/JOELHO  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.196,00    NF 5312 PEDRO E JULIA ­ TUBO DE COBRE  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  153,10    NF 5323 PEDRO E JULIA ­ CONECTOR  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.161,60    NF 5325 PEDRO E JULIA ­ TUBO/FITA/CONECTOR  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1 178,40    NF 5328 PEDRO E JULIA ­  LUVA/TEE/ABRACADEIRA/ETC  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  5 863,44    INSTIT NAC CÂNCER UNIDADE  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  317,47    MEDCENTER RESSONÂNCIAS BARBACENA LTDA  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  691,01    HOSP EDUARDO RABELLO  13/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  2,909,06    DISTRITO FEDERAL SECRECTARIA DE SAÚDE  15/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  901,20    NF 5331 PEDRO E JULIA ­ TUBO/LUVA/BUCHA/TEE  Fl. 28113DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.109          7 15/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  860,99    NF 19443 MALTUS LTDA ­ VENTILADOR AXIAL  15/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  92,93    NF 19443 MALTUS LTDA ­ GRADE P/RT265  15/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  563,33    STA CASA MISERICÓRDIA SAO JOÃO DEL REI  18/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  3.707,35    TUBOS...ELEUMA 478885 28.04.09 MC 03699  18/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  2.344,24    NF 716432 ATLAS COPCO LTDA ­ LUB MIN.ROTO  INJECT  18/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  2.108,87    NF 716432 ATLAS COPCO LTDA ­ KIT SERV FILTROS  18/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  C    2.412,17  EST PARC ELUMA 478885 REF DEV PARCIAL­ 02150O86 MAI  18/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  C    0,01  ACERTO/AJUSTE 02150086 MAI09 ELUMA 478885  20/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL ME0IC  D  1.869,60    06BD TUTELA ­ PETRONAS 6781 06,05.09  20/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  274,07    RELE DE TEMPO, RELE BIMET ­NORMA ELET 1388  11,05  20/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  203,20    RELE DE TEMPO ­ NORMA ELETRICA 1390 11.05 09  20/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  11,73    HOSPITAL ANTONIO PEDRO  20/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  760,26    HOSPITAL ANTONIO PEDRO  20/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.381,22    HOSP ANTONIO PEDRO  20/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  245,32    HOSPMED  20/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  4,616,00    INSTIT NAC CÂNCER UNIDADE  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  345,90    NF 5350 PEDRO E JULIA ­  TUBO/UNIAO/BUCHA/ETC...  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  64,00    NIPLE, JOELHOSO... PEDRO E JULIA 005354  06.05.09  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  710,00    TUBO, VÁLVULA... PEDRO E JULIA 005392 13 05.09  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  74,50    TUBO, JOELHO ­ PEDRO E JULIA 005404 14.05.09  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  584,40    TF. VALVUI A... PEDRO E JULIA 0O5311 24.04.09  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.038,90    TUBO, JOELHO...PEDRO E JULIA 005308 22,04.09  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.199,40    TUBO, BUCHARED... PEDRO E JULIA 005306 20.04  09  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.291,58    TUBO ­ELUMA 478435 28.04.09 MC03699  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES­INSTAL  MEDIC  D  225,77    COMPL ELUMA478435 28 04.09 MC03699  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.049,17    LUVA.BUCHA,COTOVELO...ELUMA 478439 24.04  MC03699  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  183,43    COMPL ELUMA NF 478439 24.04 09 MC03699  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  262,06    COTOVELO.TE.LUVA ­ELUMA 479051 29 04 MC3699  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  45,30    COMPL NF 479051 ELUMA 29.04,09  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  23,46    RM DIAGNOSTICO POR IMAGEM LTDA  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  4.601,70    RM DIAGNOSTICO POR IMAGEM LTDA  21/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES­INSTAL  MEDIC  D  940,95    SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE JUIZ FORA  22/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  2.691,17    HOSPITAL ANCHIETA  22/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  C    2.691,17  ESTORNO LANÇAMENTO 18010025 DO DIA 06/05/09  22/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  5.979,34    LUVA, BUCHA... ELUMA SA 478886 28.04.09  MC3669  22/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIO  D  111,76    TE COBRE, COTOVELO...COE COELHO 141291 03 05  09  22/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  304,29    PERFILADO, TIRANTE...EQUIFLEX 020292 11.05.09  22/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  2.284,60    CASA DE SAÚDE SANTA MARIA  25/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  1.481,83    NF576 HYDRAULICS LTDA ­  BUCHA/VALVULA/JOELHO/ETC  25/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  105,16    PERF L ALUM ­ METALMAR 114712 08.05.09  25/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  684,00    SANFONADO P/ ACCUFLA ­ H2M RUBBER 03285  14.05.09  25/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  23,46    INTENSIDADE OSVALDO CRUZ LTDA  25/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  23,46    INTENSIDADE UTI IOP LTDA  25/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  247,20    INTENSIDADE OSVALDO CRUZ LTDA  25/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  247,20    INTENSIDADE UTI IOP LTDA  Fl. 28114DF CARF MF     8 26/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  398,04    VÁLVULA REG ­ GASCAT 043532 12.05.09  26/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  213,52    STA CASA MISERICÓRDIA SAO JOÃO DEL REI  28/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  420,00    CONECTOR ­ HYDRAULICS 000601 21.05.09  28/05/2009  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  446,40    CORDA NYLON ­ CASA DAS CORDAS 037478  11.05.09  29/05/200  9  51310807602  MAT P/CENT GASES ­INSTAL  MEDIC  D  437,31    HOSPMED          96.863,26  5.103,35    Valor Líquido (Débito menos Crédito)    91.759,91        Com  efeito,  cumpre  informar  que  os  lançamentos  analíticos  somente  são  possíveis  de  serem  identificados  por  intermédio  dos  lançamentos  escriturados  no Livro Diário. Ou seja,  todos os créditos que serão glosados neste  tópico,  oriundo  (sic)  da  aquisição  de  bens  e  insumos  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumos  foram  obtidos  dos  lançamentos  escriturados  no  Livro  Diário.  Portanto, para verificar se os créditos apropriados pela  fiscalizada são  devidos, se faz necessária a análise de cada bem adquirido. Esta constatação  só  é  possível mediante  a  verificação  de  alguns  comprovantes  de  aquisições  feitas pela fiscalizada (contratos, notas fiscais etc).  Destarte,  a  partir  da  análise  das  notas  fiscais  apresentadas  pela  fiscalizada (por amostragem), foi possível identificar aquelas que não geram  direito ao crédito relativo às contribuições PIS/COFINS não cumulativas.  Com  base  no  histórico  destas  notas  foi  estendida  a  verificação  para  todos  os  lançamentos  escriturados  no  Livro  Diário  e  consolidadas,  desta  forma,  a  glosa  dos  créditos  pleiteados  indevidamente  (Termo  de  Intimação  Fiscal n° 07 ­ fls. 24567/24582).  Passo então a relatar os produtos adquiridos que não se enquadram no  conceito  de  "insumo"  (por  não  serem  aplicados  na  produção  dos  bens  destinados  à  venda  e  também  na  prestação  dos  serviços),  razão  pela  qual  estão sendo glosados os créditos incidentes sobre estas aquisições, senão (sic)  vejamos:  O art. 3o das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 define os bens e serviços  que geram direito ao crédito de PIS/COFINS não cumulativos:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a: (...)  II  ­ bens  e serviços, utilizados  como  insumo na prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata  o  art.  2º  da Lei  n°  10.485,  de 3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições 87.03 e 87.04 da Tipi;  (...) (grifei)  Por  outro  lado,  entende­se  como  insumo  (art.  8o,  §  4o  da  IN  RFB  404/04):  Fl. 28115DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.110          9 §  4°  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se como insumos:  I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados  à venda:   a) a matéria­prima, o produto intermediário, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste,  o dano ou a perda de propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  esteiam incluídas no ativo imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação  do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  esteiam  incluídos  no  ativo  imobilizado: e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.  Portanto,  considera­se  insumo  toda  matéria­prima,  produto  intermediário,  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação e, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.   Da mesma  forma,  considera­se  insumo  os  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  do  serviço,  desde  que  referidos  bens  não  estejam incluídos no ativo imobilizado.   Os insumos, abaixo relacionados, não são aplicados diretamente sobre  o  produto  em  fabricação  ou  deveriam  estar  incluídos  no  ativo  imobilizado.  Vejamos:  3.1.1 SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM PALLETS  Os  pallets  são  utilizados  no  transporte  de  cilindros  de  gás  e  estão  contabilizados no ativo  imobilizado. Vejamos algumas aquisições de pallets  contabilizadas no imobilizado:  Data  Cód.Conta  Conta  D/ C  Débitos  Histórico  31/12/2009  13206010029  EQUIPAMENTOS HEALTH CARE  D  72.765,00  ACOTEC NF 47315­PALLET CILINDRO MEDICINAL  31/12/2009  13206010029  EQUIPAMENTOS HEALTH CARE  D  24.255,00  ACOTEL NF 47315­PALLET CILINDRO MEDICINAL    De  fato,  de  acordo  com  o  art.  301  do  Decreto  n°  3.000/99  (Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR/99), o custo de aquisição de bens  do  ativo  permanente  não  poderá  ser  deduzido  como  despesa  operacional,  salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e  seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse  um ano.  Fl. 28116DF CARF MF     10 Estes produtos  (pallets  feitos de aço­carbono) possuem preço unitário  superior ao limite estabelecido no artigo supra, e  também possuem vida útil  acima de um ano.  Portanto,  está  correta  a  classificação  da  aquisição  do  bem  no  ativo  imobilizado.  Os  serviços  de  reparo  e  manutenção  dos  referidos  bens  também deveriam ser contabilizados no imobilizado, já que aumentam a  vida útil do bem. (grifei)  Ademais,  os  serviços  de  reparo  e manutenção  destes  bens  não  se  enquadram no conceito de insumos. (grifei)  Portanto, os valores despendidos na manutenção de bens integrantes do  ativo  imobilizado  também  geram  créditos  relativos  às  contribuições  PIS/COFINS não cumulativas, todavia, o crédito é apurado de acordo com os  encargos de depreciação, nos termos do art. 3o, incisos VI e VII, das Leis n°s  10.637/2002 e 10.833/2004. (grifei)  A  base  de  cálculo  dos  valores  glosados  está  relacionada  no  demonstrativo de fls. 24583/24585. Abaixo consolido os valores das bases de  cálculo que estão sendo glosados:  Mês  Base de Cálculo  dos Débitos  jan/09  997,50  fev/09  7.409,22  mar/09  26.681,64  abr/09  11.846,04  mai/09  997,50  jun/09  8.533,10  jul/09  15.735,24  ago/09  2.825,84  out/09  20.346,66  nov/09  27,450,43  dez/09  9.673,59  TOTAL  132.496,76    3.1.2 DESPESAS EXTRAS:  Dentre  os  comprovantes  de  aquisições  solicitados,  apuramos  alguns  pagamentos,  feitos  principalmente  para  transportadoras,  com  a  descrição  "despesas extras" ­ fls. 23603/23608.  Com  efeito,  as  "despesas  extras"  comportam  as mais  variadas  formas  de  despesas:  serviços  de  táxi,  deslocamentos,  hospedagens  em  hotéis/pousadas, passagem de ônibus, pesagem etc. ­ fls. 24586/24806.  Identificamos todos os lançamentos feitos no Livro Diário, a débito das  contas  51300000000  (Materiais  e  Insumos),  51400000000  (Serviços  Prestados por Terceiros) e 51500000000 (Despesas com Veículos) contendo  no  histórico  a  palavra  "extra",  e  elaboramos  o  demonstrativo  de  fls.  24807/24810,  no  qual  estão  relacionadas  todas  as  aquisições  cujos  créditos  foram apropriados indevidamente pela fiscalizada.  É  cristalino  que  este  tipo  de  despesa,  também  não  se  enquadra  no  conceito  de  insumos,  nos  termos  da  legislação  acima  mencionada.  A  jurisprudência administrativa é neste sentido:  [...]  Fl. 28117DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.111          11 A base de cálculo dos valores glosados está  relacionada no demonstrativo  de fls. 24807/24810. Abaixo consolido os valores relativos às bases de cálculos que  estão sendo glosados:  Mês  Base de Cálculo  dos Débitos  jan/09  20.136,48  fev/09  53.245,79  mar/09  63.967,62  abr/09  38.362,58  mai/09  39.209,07  jun/09  48.347,81  jul/09  54.430,32  ago/09  46.754,36  set/09  113.806,38  out/09  73.340,80  nov/09  71.846,48  dez/09  61.406,61  TOTAL  684.854,30    3.1.3 COMPRA DE ÓLEO DIESEL:    Dentre as notas fiscais apresentadas pela fiscalizada apuramos que algumas  delas referem­se à compra de óleo diesel ­ fls. 24811/24826.  No dia 14/06/2012 foi solicitado à fiscalizada que apresentasse os contratos  firmados  com a empresa Gafor  relativos ao  fornecimento de óleo diesel  (email  ­  fls. 24827/24830).  O atendimento à solicitação foi feito no dia 10/07/2012 ­ fls. 24831/24850.  Com efeito, a fiscalizada informou que o óleo diesel é fornecido à empresa  GAFOR,  responsável  por  parte  do  transporte  dos  gases  produzidos,  conforme  previsto no anexo II do aditivo contratual assinado no dia 1o de outubro de 2009 ­  fl. 24835:  "Para formação do preço final foi considerado que o abastecimento  dos  Cavalos  Mecânicos  referente  a  50%  do  consumo  total  será  efetuado  em  tanque  interno  da  LINDE  (Cubatão)  ao  preço  de  R$1,5614 / litro (sem 12% de Subst. Tributária) e os restantes 50%  em  tanque  externo,  de  forma  que  a  LINDE  terá  obrigatoriamente  que  garantir  a GAFOR  a  possibilidade  de  abastecimento  interno.  Caso tal abastecimento seja impossibilitado, respectivas diferenças  serão repassadas ao Contrato para ajuste do preço."  Cumpre  esclarecer  que  o  óleo  diesel  não  se  enquadra  no  conceito  de  insumo, já que não é utilizado no processo produtivo da empresa.  Ademais,  mesmo  se  admitíssemos  que  o  óleo  diesel  se  enquadra  no  conceito  de  insumo,  ainda  assim  não  teria  direito  ao  crédito,  já  que  apenas  há  previsão  legal  para  a  obtenção  de  créditos  relativos  aos  fretes  na  operação  de  vendas.  Finalmente,  veremos,  no  item  3.7,  que  parte  do  contrato  firmado  com  a  GAFOR (locação de veículos) não gera direito ao crédito relativo às contribuições  PIS/COFINS não cumulativas.  Fl. 28118DF CARF MF     12 A base de  cálculo dos valores glosados  está  relacionada no demonstrativo  de fls. 24851/24855. Abaixo consolido os valores relativos às bases de cálculos que  estão sendo glosados:  Mês  Base de Cálculo  dos Débitos  j'an/09  261.007,44  íev/09  247.120,47  mar/09  408.699,24  abr/09  285.139,01  mai/09  256.702,87  jun/09  292.601,48  jul/09  215.612,94  ago/09  297.287,51  set/09  332.262,52  out/09  210.342,81  nov/09  228.175,27  dez/09  289.751,12  TOTAL  3.324.702,68    3.1.4  DESPESAS  COM  MONITORAMENTO  E  RASTREAMENTO:  Dentre  as  notas  fiscais  solicitadas  verificamos  que  algumas  delas  continham despesas de monitoramento e rastreamento ­ fls. 24856/24862.  Destarte,  identificamos todos os lançamentos feitos no Livro Diário, a  débito  das  contas  51300000000  (Materiais  e  Insumos),  51400000000  (Serviços Prestados por Terceiros) e 51500000000 (Despesas com Veículos)  contendo  no  histórico  as  palavras  "monitoramento"  ou  "rastreamento",  e  elaboramos o demonstrativo de fls. 24863/24868, no qual estão relacionadas  todas  as  aquisições  cujos  créditos  foram  apropriados  indevidamente  pela  fiscalizada.  Com  efeito,  as  despesas  com monitoramento  e  rastreamento  não  são  considerados  "insumos",  já  que  não  são  aplicados  ou  consumidos  na  fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Vejamos a  Solução de Consulta n° 395, de 06 de novembro de 2008:  [...]  Portanto,  serão  glosados  os  créditos  apropriados  com  as  despesas  de  monitoramento e rastreamento, cujas bases de cálculos, apresento a seguir:   Mês  Base de Cálculo  dos Débitos  jan/09  14.065,86  fev/09  4.286,00  mar/09  5.142,74  abr/09  17.807,64  mai/09  10.330,45  jun/09  5.024,45  iul/09  11.414,17  ago/09  11.867,07  set/09  4.945,28  out/09  6.718,50  no v/0 9  11.844,38  dez/09  16.380,47  TOTAL  119.827,01    3.1.5 DESPESAS COM PEDÁGIO:  Fl. 28119DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.112          13 A  fiscalizada  também apurou  créditos  tendo  como base  de  cálculo  as  despesas pagas a título de pedágios ­ fls. 24869/24875.  Conforme a Solução de Consulta n° 395/2008, cuja ementa está acima  transcrita,  os  pedágios  não  geram  direito  aos  créditos  relativos  às  contribuições PIS/COFINS não cumulativas. Vejamos a razão:  Com efeito, cabe esclarecer que de acordo com o disposto no art. 150  da Constituição Federal de 1988 (CF/88) o valor pago a título de pedágio é a  contra  partida  (sic)  da  utilização  de  via  pública,  e  não  da  prestação  de  um  serviço:  Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte,  é vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:  (...)  V ­ estabelecer  limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de  tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio  pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público;(g.n.)  As empresas concessionárias, por meio de concessão prevista no artigo  175 da CF/88, firmada em contratos com a Administração Pública, obrigam­ se à construção e ou conservação de rodovias, recebendo do poder público o  direito de  exploração destas vias, que consiste no direito de cobrar pedágio  pela sua utilização. Sendo assim, independentemente da natureza jurídica do  valor do pedágio (tributo, tarifa ou preço público) o valor pago é sempre pelo  direito  de  passagem  pela  via  pública  e  não  por  serviço  realizado  pela  concessionária para sua construção ou conservação.  Os  artigos  3º  das  Leis  nº  10.637  de  2002,  e  nº  10.833,  de  2003,  ao  dispor  sobre  o  desconto  de  crédito  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins no regime não cumulativo, em nenhum de seus itens enumerou como  insumo, o gasto com a utilização de vias públicas, como fez, por exemplo, no  seu  inciso  IV,  relativamente  ao  gasto  com  uso  de  bens,  como  aluguéis  de  prédios, máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa.  Portanto,  resta  clara  a  impossibilidade  de  cálculo  de  créditos  de  PIS/Pasep e de Cofins também em relação às despesas com pedágios.  Vejamos outra Solução de Consulta (SC) proferida pela Receita Federal  do Brasil ­RFB:  [...]  Por todo o exposto, a base de cálculo dos valores glosados, relativos às  despesas  com  pedágios,  está  demonstrada  na  planilha  de  fls.  24876/24879.  Abaixo consolido os valores que estão sendo glosados:  Mês  Base de Cálculo  dos Débitos  jan/09  191.767,30  fev/09  248.638,52  mar/09  201.281,30  abr/09  223.714,24  mai/09  226.340,84  jun/09  259.783,44  jul/09  475.190,15  ago/09  304.419,42  set/09  273.330,99  Fl. 28120DF CARF MF     14 out/09  43.795,45  nov/09  476.325,57  dez/09  261.782,82  TOTAL  3.186.370,04    3.1.6  DESPESAS  COM  HOSPEDAGEM,  PASSAGEM  RODOVIÁRIA E DIÁRIAS:  As  despesas  com  hospedagem,  passagem  rodoviária  e  diárias  não  se  enquadram no conceito de  insumo,  já que não são aplicadas ou consumidas  na produção dos bens ou na prestação dos serviços (fls. 24880/24892).  As soluções de consultas, acima transcritas, trazem este entendimento.  As  despesas  glosadas  foram  relacionadas  no  demonstrativo  de  fls.  24893/24895 e 24896/24898, cujos valores foram extraídos dos lançamentos  escriturados no Livro Diário, nas contas 51300000000 (Materiais e Insumos),  51400000000  (Serviços  Prestados  por  Terceiros),  51500000000  (Despesas  com Veículos) e 514603 (Transporte Contratado).  Abaixo  consolido  os  valores  das  bases  de  cálculo  que  estão  sendo  glosadas relativas às despesas com hospedagem e passagem rodoviária:      Base de Cálculo  Mês  dos Débitos  jan/09  4.501,18  fev/09  32.749,62  mar/09  28.234,66  abr/09  13.726,33  mai/09  43.110,06  jun/09  38.264,24  M/09  58.343,10  ago/09  46.718,08  set/09  49.342,56  out/09  25.087,62  nov/09  21.337,20  dez/09  37.939,54  TOTAL  399.354,19    3.1.7 DESPESAS COM CONSULTORIA:  Dentre  os  insumos  cujos  créditos  foram  apropriados  pela  fiscalizada,  identificamos que  alguns deles  são  relativos  a despesas  com "consultorias".  Referidas despesas foram obtidas após a solicitação de alguns comprovantes  de aquisições, selecionados por amostragem ­ fls. 24899/24904.  Com  efeito,  as  despesas  consignadas  nos  referidos  comprovantes,  abaixo informadas, não se enquadravam no conceito de insumo:  NF  985  ­  Prolab  Ambiental  Análise  e  Assessoria  Ltda  ­  Serviços  Técnicos de Consultoria ­ caixa de incêncio;  NF  44  ­  Prolab  Ambiental  Análise  e  Assessoria  Ltda  ­  Serviços  Técnicos de Assessoria para estudos do Passivo Ambiental ­ Inv. Detalhada;  NF  3  ­  Prolab  Ambiental  Análise  e  Assessoria  Ltda  ­  Serviços  de  Consultoria e Assessoria Ambiental.  Desta  forma,  por  intermédio  do Termo  de  Intimação  Fiscal  n°  05  foi  intimada a fiscalizada para (fls. 23617/23618):  Fl. 28121DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.113          15 Apresentar  cópia  de  todos  os  contratos  de  consultoria  (em  meio  magnético)  em  que  foram  apropriados  créditos  relativos  às  contribuições  PIS/COFINS não cumulativas;  Informar, pormenorizadamente, para cada contrato firmado, os serviços  executados pela consultoria.  Os  documentos  forma  apresentados  pela  fiscalizada  nos  dias  03  e  31/07/2012 ­ fls. 23619/24496.  Vamos  transcrever  os  principais  serviços  de  "consultoria"  cujos  créditos foram apropriados:  • Prolab Ambiental Análise e Assessoria Ltda  ­ Serviços Técnicos de Assessoria para Estudos do Passivo Ambiental;  ­  Serviços  Técnicos  de  Assessoria  para  Destinação  Final  da  Peneira  Molecular;  ­ Serviços Técnicos de Assessoria Ambiental ­ Avaliação de Passivo;  ­ Serviços Técnicos de Consultoria ­ Saída do Sistema de Lavagem de  Peças Oficina;  ­  Serviços  Técnicos  de  Assessoria  para  assessoria  RT  junto  ao  CRQ  para H2 e ASU;  ­ Serviços Técnicos de Análises dos Poços de Monitoramento ­ Área de  Abastecimento;  ­  Serviços Técnicos  de Assessoria  para Coleta  e Análise  da Água  do  Poço Tubular.  ­  Serviços  Técnicos  de  Assessoria  para  Execução  do Mapa  de  Risco  2009 ­ Gases do Ar;  ­ Serviços Técnicos de Assessoria para Análises de Efluentes dos Poços  de Monitoramento da área da AKZO NOBEL;  ­ Serviços Técnicos de Assessoria ­ Saída Posto Abastecimento;  ­ Serviços Técnicos de Assessoria para Registro no CRQ;  ­ Serviços Técnicos de Consultoria ­ Cx. de Incêndio;  ­ Serviços Técnicos de Assessoria para Publicação da LO CETESB do  Posto de Abastecimento;  • Criotec Consultoria e Serviços Auxiliares de Transporte Ltda:  ­ Reembolso de despesas (reembolso de KM, refeições, aluguel de sala,  pedágios,  cópias,  Hospedagens,  passagem  aérea,  combustível,  aluguel  de  carro);  ­ Consultorias Práticas;  ­ Consultorias Teóricas.  • Delta Serviços e Investimentos em Energia Elétrica Ltda:  ­  Prestação  de  serviços  de Assessoria  na  comercialização  de  Energia  Elétrica.  • Projeforma Serviços Ltda:   Fl. 28122DF CARF MF     16 ­ Serviço de desenho conforme orçamentos 066/2009;  ­ Serviço de digitação conforme orçamento;  ­ Serviço de Computação Gráfica em DWG conforme orçamento;  •  Upway Projetos e Desenhos Ltda:  ­  Organização  do  Arquivo  Técnico  de  Projetos  da  Gerência  de  Project  Execution,  conforme  Proposta  n°  UP­89/09  e  ordem  de  serviço  n°  1184.  •  JAB Engenharia e Consultoria Ltda:  ­  Serviços  de  engenharia  elétrica  ­  estudo  s/acidente  na  Unidade  Cubatão.  •  Leila Restaurante (Wellington Luís Andrade Cubatão ­ ME)  ­  Despesas com Almoço, Lanches e "cocas".  •  Marcelo Eduardo de Souza e Advogados Associados  Serviço  de  Atualização  da  consultoria  jurídica  de  requisitos  legais  aplicáveis a Sistema de Gestão Ambiental ­ SGA;  Auditoria de requisitos legais nos dias 09 a 12 de março de 2009.  •  Exergy Engenharia (Asturiano & Favaretto Ltda)  ­ Reunião  de Engenharia Votorantim  e Oxymix  ­  02/04/2009  ­  obras  USUR e Cargil Uberlândia;  ­ Arquivos RAT's Industriais;  ­ Assistência Técnica Filmagem central  (montagem da central  reserva  utilizada na filmagem do vídeo de segurança);  ­ Arquivos diversos;  ­ Desenhos Detalhamento e Projetos;  ­ Elaboração de Listas de Materiais e orçamento;  ­ Visita para  levantamento  técnico e elaboração de orçamento ­clínica  Anália Franco;  Desenhos de Fluxogramas para clientes.  •  Serviços Especializados Ltda  ­  Obtenção  de  Visto  temporário  13  ­  item  V  ­  RN  61/2004  ­ Válido por 90 dias ­ Sr. Ingebret Joraedal.  •  Amilton de Oliveira Ramos  ­  Assessoria  Comercial  ­  (autorização  para  passar  na  Ponte  Rio­ Niterói, certidões ICMS/FGTS, Atualização de FGTS).  •  Lume Sistemas  ­  Elaboração de Programa para Computador  sob encomenda, para  Fornecimento de mão­de­obra especializada em PC Nematron (Scada Ifix) ­  site Feira de Santana.  •  VIP Engenharia e Arquitetura Ltda  ­  Elaboração de Projeto Arquitetônico para Fins de Aprovação na  Vigilância Sanitária.   •  Target Engenharia e Consultoria Ltda  Fl. 28123DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.114          17 Normas  Internacionais  ­  serviço  de  assessoria  na  compra  de  normas  técnicas internacionais conforme detalhamento da nota fiscal em anexo;  Prestação de Serviços de licença de uso de normas técnicas em formato  digital ­ NBR12160.  •  Cobracentro Serviços Ltda  ­  Serviço Especial de Documentação para RH.  •  M. Alves dos Santos Silva ME  ­  Impressão de cópias de desenhos em ploter.  •  International Busines Consultoria e Assessoria Ltda  ­  Prestação de Serviços: emissão do CRC e CIF junto ao D.P.F.  •  Vera Rosas Registro e Legalização Ltda  ­  Renovação do Certificado de Responsabilidade Técnica.  Analisando os serviços de "consultorias" prestados pelos  fornecedores  da fiscalizada, verifica­se que não se enquadram no conceito de insumo.  Com efeito, de acordo com o art. 8o, § 4o, da IN RFB 404/04, entende­ se  como  insumos  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica,  aplicados  ou  consumidos na produção ou  fabricação do produto  ou na prestação  de  serviços.  As  despesas  com  os  serviços  de  consultorias  não  são  aplicadas  ou  consumidas  na  produção  ou  fabricação  dos  produtos  produzidos  pela  fiscalizada  ou  na  prestação  dos  serviços.  São  despesas  aplicadas  nas  atividades  "meio"  da  fiscalizada  (projetos,  recursos  humanos,  departamento  jurídico, informática, despesas com alimentação, viagens etc).  Administrativamente, é pacífico que somente geram direito ao crédito  os  insumos  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  fabricação  dos  bens  destinados à venda ou na prestação de serviços:  [...]  Os  valores  relativos  às  despesas  com  consultoria  que  estão  sendo  excluídos  da  base  de  cálculo  dos  créditos  das  contribuições  PIS/COFINS  estão consignados no demonstrativo de  fls. 24905/24922. Abaixo consolido  os valores relativos às bases de cálculo que estão sendo glosados:  Mês  Base de Cálculo dos  Débitos  jan/09  62.242,06  fev/09  119.050,96  mar/09  55.485,06  abr/09  85.766,07  mai/09  71.047,18  jun/09  76.520,80  jul/09  82.701,53  nov/09  133.684,32  TOTAL  686.497,98    3.1.8 DESPESAS COM CONDOMÍNIO:  Fl. 28124DF CARF MF     18 A legislação que rege os créditos das contribuições PIS/COFINS (Leis  10.637/2002  e  10.833/2004)  determina  que  somente  geram  créditos  as  seguintes despesas de locação (ou aluguel):  Art.  3a  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2°  a  pessoa  jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:  (.. .)  IV ­ aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos  à pessoa  jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  (...)  Logo,  não  há  previsão  legal  para  que  as  despesas  com  condomínios  possam  servir  de  base  de  cálculo  para  o  crédito  relativo  às  contribuições  PIS/COFINS não comulativas, razão pela qual os créditos apropriados serão  glosados (amostragem ­ fls. 24923/24932).  No mesmo sentido são as decisões administrativas. A título de exemplo  cito a Solução de consulta n° 266, de 31 de julho de 2009:  [...]  Abaixo  consolido  as  bases  de  cálculo  relativas  às  despesas  com  condomínio que estão sendo glosadas (fls. 24933/24938):   Mês  Base de Cálculo  dos Débitos  jan/09  42.021,08  fev/09  48.529,08  mar/09  42.437,07  abr/09  45.497,89  mai/09  45.573,43  jun/09  44.421,91  jul/09  44.192,56  ago/09  44.181,27  set/09  44.441,27  out/09  46.720,04  nov/09  46.428,87  dez/09  45.920,17  TOTAL  540.364,64    3.1.9 CONCLUSÃO  Conforme  relatado,  os  demonstrativos  apresentados  não  permitem  a  identificação  do  bem  ou  insumo  adquirido.  É  que  nos  demonstrativos  mensais  de  créditos  apurados,  são  apenas  informadas  as  contas  contábeis  sintéticas, cujos valores são compostos por inúmeros lançamentos contábeis.  Com efeito, conforme já relatado, cumpre informar que os lançamentos  analíticos  somente  são  possíveis  de  serem  identificados  por  intermédio  dos  lançamentos  escriturados  no  Livro  Diário.  Ou  seja,  todos  os  créditos  que  foram glosados neste tópico, oriundo da aquisição de bens e insumos que não  se  enquadram  no  conceito  de  insumos  foram  obtidos  dos  lançamentos  escriturados no Livro Diário.  Para confirmar  se os créditos glosados  foram, de  fato, pleiteados pela  fiscalizada, relacionamos todos os créditos que foram glosados e intimamos a  empresa  para  confirmar  se  as  despesas  consignadas  nos  referidos  itens,  Fl. 28125DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.115          19 serviram  de  base  de  cálculo  para  a  apuração  de  créditos  relativos  às  contribuições PIS/COFINS  não  comulativas  (Termo de  Intimação Fiscal  n°  07 ­ fls. 24567/24582).  Por intermédio da resposta protocolada no dia 13/07/2012, a fiscalizada  informou que ­ fls. 24939/24956:  "o demonstrativo anexo ao termo de intimação (ANEXO I) representa  lançamentos contábeis, os quais serviram de base de cálculo para a apuração  dos créditos de PIS e COFINS, no ano de 2009".  Portanto,  serão  glosadas  as  despesas  relacionadas  nos  itens  3.1.1  a  3.1.8,  por  não  se  enquadrarem  no  conceito  de  insumo,  conforme  exaustivamente comprovado.  3.2  GLOSA  DE  DESPESAS  COM  ALUGUÉIS  PAGAS  A  PESSOAS FÍSICAS  Conforme  citado  no  item  anterior,  a  base  legal  que  possibilitou  o  crédito  relativo às despesas de aluguel de prédios é o art. 3o,  inciso  IV, das  Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2004:    Art.  3º Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2°  a  pessoa  jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:  (...)  IV ­ aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos  a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;   (...)  Depreende­se da  análise do  referido dispositivo  legal que  as despesas  com locação de prédios deverão ser contratadas com pessoas jurídicas.  Com  efeito,  dentre  os  contratos  de  locação  apresentados  pela  fiscalizada, apuramos que alguns deles foram contratados com pessoas físicas  ­ fls. 24957/24988:  CONTA L.  RAZÃO  DESCRIÇÃO  LOCADOR  CPF  51420106714  ALUG ESCR/FILIAIS­BLUMENAU ADM  Ivan Correia  020.377.269­53  51420106715  ALUG.ESCR/FILIAIS­CHAPECO ADM  Altair Wagner  004.743.719­72  51420106752  ALUG ESCR/FILIAIS­S.J.CAMPOS  Angel Guillem Pico  001.851598­34  Albino de Oliviera Nunes  691.184.188­72 51420106771  ALUG ESCR/FILIAIS­BAURU ADMINI  Manoel dos Santos Silva  045.462.108­68  Gilvane Monteiro  719.346.856­15 51420106777  ALUG ESCR/FILIAIS­BAURU ADMINI  Bernardo Nascimento Monteiro  012.948.116­57  Destarte,  os  créditos  apropriados,  cujos  contratos  de  locação  foram  firmados  com  pessoas  físicas  serão  glosados  (demonstrativo  da  base  de  cálculo de fls. 24989/24994).  Vejamos  a  Solução  de  Consulta  n°  492/2009,  exarada  pela  SRRF/8a  Região Fiscal, publicada no DOU do dia 29/01/2010:  [...]  Fl. 28126DF CARF MF     20 Abaixo consolido as bases de cálculo das glosas feitas pela fiscalização  relativas  às  despesas  com  aluguéis  firmados  com  pessoas  físicas,  cujos  créditos serão glosados:  Mês  Base de Cálculo  dos Débitos  jan/09  27.014,44  fev/09  27.106,28  mar/09  27.106,28  abr/09  27.106,28  m ai/09  27.527,08  jun/09  27.527,08  iul/09  27.527,08  ago/09  30.632,26  set/09  32.714,79  out/09  34.797,32  nov/09  |34.797,32  dez/09  34.797,32  TOTAL  358.653,53    3.3 GLOSA DE DESPESAS COM ALUGUÉIS  ­  IMÓVEL QUE  JA INTEGROU O PATRIMÔNIO DA CONTRIBUINTE  Os imóveis, objeto da conta Razão n° 51420102301 (Salas n° 301 e 701  ­ Botafogo/RJ), de acordo com o contrato apresentado pela fiscalizada, foram  vendidos e depois locados para a fiscalizada ­ fls. 24995/25000:    CONTA L.        RAZÃO  DESCRIÇÃO  LOCADOR  CPF  51420102301  ALUG ESCR/FILIAIS­SERV ADMINIS  Banco Opportunity S/A  33.857.830/0001 ­99     Destaca­se,  todavia,  que  é  vedado,  a  partir  de  31.07.2004,  o  crédito  relativo  a  aluguel  de  bens  que  já  tenham  integrado  o  patrimônio  da  pessoa  jurídica (art. 31 da Lei na 10.865/2004).  Desta  forma, os  créditos  relativos  às despesas de  locação apropriados  junto  a  estes  imóveis  também  serão  glosados  (demonstrativo  da  base  de  cálculo de fls. 25001/25002).  Consolido,  abaixo,  as  bases  de  cálculo  das  glosas  feitas  pela  fiscalização  relativas  às  despesas  com  aluguéis  que  já  integraram  o  patrimônio da pessoa jurídica:  Mês  Base de Cálculo dos  Débitos  jan/09  31.424,40  fev/09  31.424,40  mar/09  31.424,40  abr/09  31.424,40  mai/09  31.424,40  jun/09  31.424,40  iul/09  31.424,40  aqo/09  31.424,40  set/09  31.424,40  out/09  31.424,40  nov/09  31.011,43  dez/09  31.011,43  Total  376.266,86    Fl. 28127DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.116          21 3.4 FRETE DE PRODUTOS ACABADOS E EM ELABORAÇÃO  ENTRE OS ESTABELECIMENTOS DA CONTRIBUINTE  Também  foi  apurado  que  estão  sendo  apropriados  créditos  sobre  despesas  com  fretes  relativos  ao  transporte  de  produtos  acabados  e  em  elaboração entre os estabelecimentos da fiscalizada ­ fls. 25003/25013.  Destarte,  foi  intimada a  informar o n° contábil das contas em que são  escrituradas as despesas  com fretes  relativas ao  transporte de  insumos, bem  como  de  produtos  em  elaboração  e  acabados  entre  os  estabelecimentos  da  fiscalizada (Termo de Intimação Fiscal n° 04) ­ fl. 23609.  Por  intermédio  da  petição  datada  de  21/05/2012  (recebida  no  dia  05/06/2012) a  fiscalizada  informou o n° das contas do Livro Razão em que  são escrituradas a movimentação de produtos entre as filiais da empresa ­fls.  23610/23612.  Com efeito, apresentou as contas em 2 (dois) grupos:  ­ Linde entre Filiais (Gasoso);  ­ Todos os fretes (Líquido).  Tendo em vista que restaram dúvidas quanto ao transporte de "líquido",  já que a empresa escreveu "todos os fretes", solicitei que fosse esclarecido se  todas as contas  integrantes do segundo grupo  (Todos os  fretes  ­  líquido)  se  referiam a transporte entre estabelecimentos da empresa.  Em  resposta  ao  questionamento  feito,  o  contador  da  fiscalizada,  sr.  Newton Ostrock, informou o seguinte (fls. 23613/23616):  Atendendo  solicitação  telefônica  sobre  o  assunto  em  referência, informo que as contas contábeis informadas são  exclusivamente  utilizadas  para  registrar  operações  comerciais de  transporte em  transferência entre filiais da  Linde Gases Ltda.  Essas  transferências  são  de  produtos  fabricados  nas  diversas  plantas  operacionais  que  poderão  ser  armazenadas  nas  diversas  filiais  recebedoras  para  posterior  venda  a  cliente  da  região  ou  serem  utilizados  como matéria prima intermediária na operação industrial  de gaseificação e enchimento de cilindros que são vendidos  a  clientes  pela  operação  de  venda  ambulante  ou  que  venham retirar os cilindros diretamente na porta da filial.  Questionado  pela  fiscalização  sobre  o  motivo  pelo  qual  o  produto  fabricado  é  utilizado  como  matéria­prima  na  operação  industrial  de  gaseificação e enchimento de cilindros, a fiscalizada esclareceu o seguinte ­fl.  23613:  O produto quimicamente está pronto em sua versão líquida  e  é  neste  estado  que  ele  é  armazenado  nos  tanques.  Fisicamente,  ainda  pode  passar  por  um  processo  de  gaseificação,  para  que  apenas  então  siga  para  o  consumidor final.  Fl. 28128DF CARF MF     22 Para  que  os  produtos  sejam  colocados  nos  cilindros  tem  (sic) que sofrer esta alteração na sua condição física.  Portanto, as contas contábeis apresentadas pela empresa se referem aos  fretes entre os estabelecimentos da contribuinte dos seguintes produtos:  ­ Linde entre Filiais (Gasoso) ­ transporte de produtos acabados;  ­ Todos os fretes (Líquido) ­ transporte de produtos em elaboração.  Apesar de o contribuinte ter informado que o transporte de líquidos se  referia  à  "matéria­prima  intermediária",  demonstraremos  que,  de  fato,  se  tratam de produtos em elaboração, senão vejamos:  De  acordo  com  o  art.  8o,  §  4o,  da  IN  RFB  404/04,  entende­se  como  insumo:  §  4°  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se como insumos:  I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados  à venda:  a)  a matéria­prima, o produto  intermediário, o material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde  que não estejam incluídas no ativo imobilizado:  b)  os  serviços prestados por pessoa  jurídica domiciliada  no  País,  aplicados  ou  consumidos  na  produção  ou  fabricação do produto;  (.. .)  Portanto,  considera­se  insumo  toda  matéria­prima,  produto  intermediário, material  de embalagem e quaisquer outros bens que  sofram  alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação e, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.  A definição do produto líquido transportado (se é produto intermediário  ou produto em elaboração) é relevante, pois se chegarmos à conclusão que os  produtos  transportados  são  produtos  intermediários  (ou  seja  insumo)  a  fiscalizada poderá apropriar créditos  relativos às contribuições PIS/COFINS  não  comulativas.  Por  outro  lado,  se  ficar  comprovado  que  os  produtos  líquidos transportados se referem a produtos em elaboração, ou seja, não são  insumos, os fretes não deverão gerar créditos à fiscalizada.  De acordo com o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações  (FIPECAFI)4, produtos em elaboração representam a totalidade das matérias­ primas que estão em processo de transformação.   Ou  seja,  o  produto  em  elaboração  é  o  resultado  da  utilização,  no  processo  produtivo,  das  matérias­primas  e  dos  produtos  intermediários.  Somente  não  se  enquadram  como  produto  acabado  em  razão  de  ainda  necessitar de algum tipo de industrialização, ou mesmo algum evento futuro  (resfriamento, secagem etc).  Fl. 28129DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.117          23 Logo,  não  se  confundem  produtos  intermediários  com  produtos  em  elaboração.  Aliás, a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI, faz  com  propriedade  esta  distinção.  Vejamos  alguns  exemplos  em  que  o  legislador faz a distinção entre referidos produtos:  • Decreto n° 7.212/2012 (RAIPI ­ Regulamento do IPI):  Art.  444.  Os  contribuintes  manterão,  em  cada  estabelecimento,  conforme  a  natureza  das  operações  que  realizarem, os seguintes livros fiscais:  I ­ Registro de Entradas, modelo 1;  II ­ Registro de Saídas, modelo 2;  III  ­  Registro  de  Controle  da  Produção  e  do  Estoque,  modelo 3;  IV  ­  Registro  de  Entrada  e  Saída  do  Selo  de  Controle,  modelo 4;  V ­ Registro de Impressão de Documentos Fiscais, modelo  5;  VI ­ Registro de Utilização de Documentos Fiscais e  Termos de Ocorrências, modelo 6;  VII ­ Registro de Inventário, modelo 7; e   VIII­ Registro de Apuração do IPI, modelo 8.  (...)  §  6a  O  livro  Registro  de  Inventário  será  utilizado  pelos  estabelecimentos  que  mantenham  em  estoque  matéria­ prima, produto  intermediário e material de embalagem e,  ainda,  produtos  em  fase  de  fabricação  e  produtos  acabados.  (...)  Art. 472. 0 livro Registro de Inventário, modelo 7, destina­ se  a  arrolar,  pelos  seus  valores  e  com  especificações  que  permitam sua perfeita identificação, as matérias­primas, os  produtos  intermediários,  os  materiais  de  embalagem,  os  produtos  acabados  e  os  produtos  em  fase  de  fabricação,  existentes em cada estabelecimento à época do balanço da  firma. § 1o Serão também arrolados, separadamente: (...)  II  ­  as  matérias­primas,  os  produtos  intermediários,  os  materiais de embalagem, os produtos acabados e produtos  em  fabricação  pertencentes  a  terceiros,  em  poder  do  estabelecimento.  § 2o A escrituração atenderá à ordem de classificação na  TIPI.  •  Instrução  Normativa  RFB  n°  948/2009  (trata  do  registro  das  PJ  Preponderantemente Exportadoras:  Fl. 28130DF CARF MF     24 Art. 18. 0 cancelamento do registro ocorrerá:  I  ­ a pedido; ou  II  ­  de  ofício,  na  hipótese  em  que  o  beneficiário  não  satisfazia  ou  deixou  de  satisfazer,  ou  não  cumpria  ou  deixou de cumprir os requisitos para registro.  (...)  § 6o O cancelamento do registro implica: (...)  II ­ pagamento, pelo adquirente ou importador, do imposto  suspenso  com  os  acréscimos  e  penalidades  cabíveis,  calculado  a  partir  da  data  de  aquisição  ou  do  desembaraço:  (.. . );  b) relativamente aos produtos acabados ou em elaboração,  nos  quais  as matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem  adquiridos  ou  importados  com  suspensão  tenham  sido  utilizados,  e  que  no  prazo  de  60  (sessenta)  dias,  contados  da  data  da  ciência  do  cancelamento do registro, não forem exportados.    Portanto,  não  há  a menor  dúvida  que  os  produtos  intermediários  são  utilizados na produção dos produtos em elaboração, não se confundindo com  estes.  Ademais,  os  líquidos  transportados  pela  fiscalizada  já  estão  "quimicamente"  prontos.  Ou  seja,  falta  apenas  uma  etapa  de  industrialização  (processo  de  gaseificação)  para  serem  considerados  como  produtos acabados.  Concluindo,  os  líquidos  transportados  pela  fiscalizada,  para  venda  a  clientes  ou  para  serem  submetidos  ao  processo  de  gaseificação  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumos,  já  que  se  tratam  de  produtos  em  elaboração.  O inciso II do artigo 3o das Leis 10637/02 e 1083303 estabelecem que o  contribuinte  poderá  descontar  créditos  referentes  aos  "bens  e  serviços  utilizados  como  insumo na  prestação  de  serviços  ou  na  produção  de  bens  destinados à venda".  Portanto, não se enquadrando no conceito de insumos as despesas com  os  fretes  relativos  ao  transporte  de  líquidos  (produtos  em  elaboração)  não  podem  gerar  créditos  referentes  às  contribuições  PIS/COFINS  não­ cumulativos.  O tema já foi objeto de Soluções de Consultas junto à RFB:  [...]  Tendo  em  vista  que  os  fretes  de  produtos  em  elaboração,  entre  os  estabelecimentos  do  contribuinte  não  geram  direito  ao  crédito  das  contribuições  PIS/COFINS  não  comulativas,  restou  apreciar  a  questão  do  frete  entre  os  estabelecimentos de produtos acabados. Vamos à legislação que rege o assunto:  Primeiramente,  cumpre  esclarecer  que  as  despesas  de  fretes  empregadas  nas vendas de mercadorias produzidas geram direito aos créditos não porque são  Fl. 28131DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.118          25 considerados  insumos,  mas  porque  a  lei  expressamente  assim  determinou,  no  artigo 3o, IX das Leis 10637/02 e 10833/03, in litteris:  "Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  (...)  IX  ­  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação  de  venda,  nos  casos  dos  incisos  I  e  II,  quando  o  ônus  for  suportado pelo vendedor." (grifamos)  Em  relação  à  despesa  com  o  transporte  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  não  há  a  transferência  de  propriedade do produto, ou seja, não ocorreu a venda da mercadoria,  razão,  pela  qual  não  há  previsão  legal  que  possibilite  a  apropriação  de  crédito  relativa a estas despesas.  O  frete  de  mercadorias  acabadas  entre  estabelecimentos  de  uma  mesma empresa, por óbvio, não se enquadra no conceito de insumo. Ora, se a  lei determina que só geram créditos os bens e serviços usados como insumos  na  produção  de  mercadorias,  o  intérprete  não  pode  ampliar  o  espectro  de  aplicação dessa regra para alcançar também os bens e serviços utilizados na  distribuição das mesmas.  Com efeito, o frete de mercadorias acabadas é um serviço utilizado na  distribuição  das mercadorias  produzidas,  e não  na  produção  delas.  Por  isso  referidos  fretes  não  podem  ser  considerados  insumos  e  gerar  créditos  com  base no inciso II do artigo 3o das Leis 10637/02 e 10833/03.  Também não estariam inseridos na hipótese do inciso IX do artigo 3o da  Lei 10833, já que tal dispositivo é bastante claro ao limitar os créditos apenas  aos fretes vinculados às operações de armazenagem e venda.  Aliás, esse inciso IX do artigo 3o é mais uma evidência de que, de fato,  os custos de distribuição de mercadorias não se subsumem ao conceito de  insumo utilizado no processo produtivo, para fins do crédito do inciso II. Ora,  se  o  conceito  de  insumos  utilizados  na  produção  envolvesse  também  os  custos  de  distribuição  da  mercadoria,  seria  completamente  desnecessária  a  previsão  do  inciso  IX,  que  menciona  custos  específicos  desta  etapa,  razão  pela qual, repita­se, o frete usado para a distribuição das mercadorias não está  inserido na hipótese do inciso II.  Tratando­se, então, do  inciso  IX, mister  registrar que ele  também não  alcança  o  valor  do  frete  contratado  para  a  realização  de  transferências  de  mercadorias  dos  estabelecimentos  industriais  aos  estabelecimentos  distribuidores,  já  que  tais  custos  não  integram  a  operação  de  venda  a  ser  realizada  posteriormente. Apenas  daria  direito  ao  crédito  o  frete  contratado  para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes.  Essa  questão,  aliás,  foi  pacificada  pela  COSIT,  em  Solução  de  Divergência  n°  11,  de  2007,  cujas  conclusões  estão  resumidas  na  seguinte  ementa:  [...]  Fl. 28132DF CARF MF     26 A  1a  turma  da  2a  Câmara  da  2a  Seção  de  julgamento  do  CARF  manifestou  entendimento  semelhante  por meio  do  acórdão  n°  2201­00.081,  de 5 de março de 2009:  [...]  No mesmo sentido:  [...]  Logo, não se  tratando de despesas com fretes utilizados no  transporte  de insumos adquiridos para fabricação de bens destinados à venda e nem de  fretes  nas  operações  de  vendas  desses  bens  diretamente  ao  adquirente  (comprador),  referidas  despesas  não  geram direito  à  apuração  de  créditos  a  serem descontados das mencionadas contribuições.  Assim sendo, chega­se à conclusão de que as despesas realizadas com  fretes  utilizados  no  transporte  interno  de  produtos  em  elaboração  e  de  produtos  acabados  entre  os  estabelecimentos  industriais  e  os  centros  distribuidores da mesma empresa, com a finalidade de colocar referidos bens  mais  próximos  de  seus  clientes  (compradores),  não  geram  créditos  da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.  As  bases  de  cálculo  dos  fretes  glosados  estão  relacionadas  no  demonstrativo  de  fls.  25014/25291.  Abaixo,  consolido  as  despesas  com  os  fretes que estão sendo glosadas:   Mês  Base de Cálculo dos  Débitos  l'an/09  4.983.297,82  fev/09  5.388.184,07  mar/09  5.434.720,93  abr/09  5.187.142,27  mai/09  4.504.048,70  jun/09  5.651.804,92  iuí/09  5.705.928,97  ago/09  5.729.179,91  set/09  5.744.955,40  out/09  5.908.385,65  nov/09  5.856.901,00  dez/09  6.740.416,22  TOTAL  66.834.965,86      3.5  RECLASSIFICAÇÃO  DOS  CRÉDITOS  RELATIVOS  AOS BENS INTEGRANTES DO ATIVO IMOBILIZADO   Conforme relatado, verificamos que a fiscalizada apurou créditos sobre  os  Bens  do  Ativo  Imobilizado  com  base  no  valor  de  aquisição  ou  de  construção, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 7,6% (Cofins)  e 1,65% (Pis), sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos)  do valor de aquisição do bem.  Por intermédio do Termo de Constatação e  Intimação Fiscal n° 02 foi  cientificada  a  fiscalizada  que  o  critério  utilizado  (1/48  sobre  o  valor  de  aquisição)  não  pode  ser  aplicado  para  todos  os  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  mas,  tão  somente  para  as  aquisições  de  máquinas  e  equipamentos.  Os  demais  bens,  incluindo  as  edificações  e  benfeitorias  somente podem ser apurados créditos relativos aos encargos de depreciação.  Fl. 28133DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.119          27 Desta  forma,  foi  intimada para  refazer os demonstrativos de apuração  de  forma  a  apurar  os  créditos  relativos  às  contribuições  PIS/COFINS  da  seguinte forma:  ­   Máquinas  e  Equipamentos  adquiridos,  classificados  no  Ativo  Imobilizado:  apurar  o  crédito  com  base  no  valor  de  aquisição,  mediante  a  aplicação, a cada mês, das alíquotas de 7,6% (Cofins) e 1,65% (Pis) sobre o  valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição  do  bem,  conforme  opção manifestada  pela  fiscalizada  quando  da  apuração  dos referidos créditos;  ­   Outros bens adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou  para utilização na produção de bens destinados  à venda ou na prestação de  serviços, bem como as edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da  empresa,  classificados  no  Ativo  Imobilizado:  apurar  o  crédito  mediante  a  aplicação  das  alíquotas  de  7,6%  (Cofins)  e  1,65%  (Pis)  sobre  o  valor  correspondente aos encargos de depreciação incorridos no mês.   ­   Segregar, ainda, os créditos relativos aos encargos de depreciação  de  bens  não  utilizados  na  produção  dos  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação dos serviços. É o caso, por exemplo, dos créditos apurados sobre as  aquisições de pallets utilizados no acondicionamento de cilindros;   ­ Por fim, excluir os créditos relativos aos encargos de depreciação de  bens que não estão classificados no Ativo Imobilizado, ou justificar a razão  pela qual referidos créditos estão sendo apropriados.  Na resposta, datada de 23/04/2012 (protocolada no dia 05/06/2012), a  fiscalizada apresentou o arquivo magnético no formato excel, intitulado "_P/s  e Cofins Aga e Aganor ­ Recalculo Apropriação 2009.xlsx", oportunidade em  que segregou os créditos conforme solicitado pela fiscalização ­ (ANEXO I).  Analisando  o  demonstrativo  de  recálculo  dos  créditos  apresentado,  apurei  que  o  recálculo  dos  créditos,  feitos  com  base  nos  encargos  de  depreciação,  utiliza  como  base  de  cálculo  a  coluna  "BM",  denominada  de  "residual", da planilha "Pis Cofins Linde ­ Detalhes".  Com  efeito,  a  base  de  cálculo  ­  "residual",  refere­se  aos  valores  acumulados  relativos  a  todas  as  aquisições  dos  bens  integrantes  de  determinada rubrica.  Tendo  em  vista  que  até  dezembro  de  2008  a  fiscalizada  utilizou  créditos  relativos  às  aquisições  de  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  com  base  no  valor  de  aquisição  (1/48  sobre o valor de compra), não está correto utilizar como base de cálculo os  valores relativos a TODAS as aquisições efetuadas. Devem ser estornados os  valores relativos aos créditos já apropriados pela contribuinte (até dezembro  de 2008), sob pena de se creditar duas vezes, do mesmo crédito. Ou seja, o  valor  que  servirá  de  base  de  cálculo  para  as  depreciações  (chamado  de  "residual")  deve  ser  ajustado,  de  forma  a  serem  expurgados  os  valores  que  serviram de base para os créditos já apropriados.  Desta  forma,  por  intermédio  do  Termo  de  Constatação  e  Intimação  Fiscal  n°  05  foi  intimada  a  fiscalizada  para  novamente  refazer  os  Fl. 28134DF CARF MF     28 demonstrativos  de  apuração,  apresentados  no  dia  05/06/2012,  de  forma  a  ajustar  a  base  de  cálculo  da  depreciação  (chamada  de  "residual"  ­  coluna  "BM"  da  planilha  "Pis  Cofins  Linde  ­  Detalhes"),  de  forma  a  expurgar  os  valores que serviram de base para os créditos já apropriados (até 31/12/2008).  Na resposta, protocada (sic) no dia 27/07/2012, a contribuinte ajustou a  base  de  cálculo  da  depreciação  (coluna  "residual")  e  apresentou  um  novo  demonstrativo.denominado  "Recalculo  Crédito  2009  ­  Termo  5.xlsx"  (ANEXO I)  Com  efeito,  apurei  que  ao  longo  do  ano­calendário  de  2009,  foi  apropriado indevidamente pela fiscalizada créditos relativos às contribuições  PIS/COFINS  no montante  de R$556.956,25  (quinhentos  e  cinquenta  e  seis  mil, novecentos e cinqüenta e seis reais e vinte e cinco centavos) ­ (Planilha  denominada de "Recalculo Crédito 2009 ­ Termo 5.xlsx" ­ ANEXO I) e fls.  25298/25300.  Abaixo, consolido as diferenças apurada:            (A)   (B)   (C) = (A) /1,65% (D)=(B) / 7,6%  MÊS/ANO  GLOSA  BC DA GLOSA      PIS  COFINS  PIS  COFINS  jan/09  15.583,73  71.881,79  944.468,48  945.813,03  fev/09  15.533,46  71.547,91  941.421,82  941.419,87  mar/09  15.503,80  71.411,63  939.624,24  939.626,71  abr/09  14.765,24  68.002,81  894.863,03  894.773,82  m ai/09  14.695,34  67.688,50  890.626,67  890.638,16  jun/09  1.568,53  7.213,41  95.062,42  94.913,29  jul/09  1.279,37  5.886,56  77.537,58  77.454,74  ago/09  731,33  3.375,96  44.323,03  44.420,53  set/09  (4.755,54)  (21.894,65)  (288.214,55)  (288.087,50)  out/09  (8.717,30)  (40.159,43)  (528.321,21)  (528.413,55)  nov/09  16.168,21  74.465,09  979.891,52  979.803,82  dez/09  16.974,86  78.205,64  1.028.779,39  1.029.021,58  TOTAL  99.331,03  457.625,22  6.020.062,42  6.021.384,47    3.6  GLOSA  DE  CRÉDITOS  RELATIVOS  À  AQUISIÇÃO  DE  BENS IMPORTADOS  Já citamos que a contribuinte apurou créditos relativos às contribuições  PIS/COFINS  não  comulativas  referentes  às  aquisições  de  insumos  importados (total no a/c de 2009 ­ R$ 878.523,031).  Intimada a comprovar os créditos apropriados (Termos de Reintimação  Fiscal  n°  01  e  02  ­  fls.  23224/23225  e  23251/23254)  a  fiscalizada  encaminhou  o  demonstrativo  analítico  dos  insumos  importados  (em  meio  magnético)  bem  como  a  função  destes  insumos  no  processo  produtivo  (arquivo denominado "ANÁLISE Importação ­ 2009.xls" ­ fls. 23259/23468).  Com efeito,  apesar de a  fiscalizada  ter apropriado créditos  relativo  às  contribuições  PIS/COFINS  no  montante  de  R$  878.523,03,  somente  conseguiu comprovar uma parte destes créditos (R$ 774.245,32). De acordo  com  o  demonstrativo  apresentado,  a  fiscalizada  "marcou"  em  verde  os                                                              1 Valor referente ao PIS (R$160.787,21) mais a COFINS (R$717.735,82) ­ planilha denominada de "'Pis Cofins  AGA DACON 2009.xls" ­ fls. 742/743.  Fl. 28135DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.120          29 créditos  apropriados. Referidos  créditos  estão  discriminados  na  coluna  "M"  ("Para Fiscal") do citado arquivo em excel, com os seguintes históricos (fls.  23469/23555):  OK ­ Despesa;  OK ­ Estoque;  OK ­ Manutenção Máquina e equipamento;  OK ­Compra pra industrialização e Revenda.  Segue  o  valor  consolidado  dos  créditos  constantes  do  referido  demonstrativo:  CRÉDITO MÊS/ANO  COFINS  PIS  jan/09  54.746,50  11.885,71  fev/09  58.737,05  12.752,02  mar/09  31.306,37  6.796,68  abr/09  121.836,06  26.451,10  m a¡/09  74.450,03  16.163,38  jun/09  68.749,01  14.920,35  jul/09  62.043,02  13.469,63  ago/09  31.568,56  6.853,62  set/09  23.111,36  5.017,50  out/09  51.808,22  11.247,77  nov/09  28.164,01  6.114,48  dez/09  29.621,96  6.430,93  TOTAL  636.142,15  138.103,17  TOTAL GLOBAL  774.245,32  Portanto,  serão  glosados  os  créditos  não  comprovados  pela  fiscalizada  (diferença  entre  o  valor  apropriado  ­  R$878.523,03  e  o  valor  comprovado  ­  R$774.245,32).  Abaixo  demonstramos a base de cálculo dos créditos que estão sendo glosados:   (A) (B)     (C) (D)  (E)=(A)–(C) (F)=(B)­(D) (G)=(E)/1,65% (H)=(F)/7,6%   MÊS/ANO  Créditos de Insumos  Importados  Apropriados  Créditos de Insumos  Importados  Comprovados  Créditos a serem  glosados  Base de Cálculo dos  Créditos a serem  glosados      PIS  COFINS  PIS  COFINS  PIS  COFINS  PIS  COFINS jan/09  30.673,18  141.286,72  11.885,71  54.746,50  18.787,47  86.540,22  1.138.634,55  1.138.687,11 fev/09  32.134,86  49.044,15  12.752,02  58.737,05  19.382,84  (9.692,90)  1.174.717,58  (127.538,16) mar/09  12.681,02  53.532,28  6.796,68  31.306,37  5.884,34  22.225,91  356.626,67  292.446,18 abr/09  26.288,95  138.069,94  26.451,10  121.836,06  (162,15)  16.233,88  (9.827,27)  213.603,68 mai/09  13.320,04  61.352,24  16.163,38  74.450,03  (2.843,34)  (13.097,79)  (172.323,64)  (172.339,34) jun/09  1.740,90  87.559,79  14.920,35  68.749,01  (13.179,45)  18.810,78  (798.754,55)  247.510,26 jul/09  12.511,18  57.627,71  13.469,63  62.043,02  (958,45)  (4.415,31)  (58.087,88)  (58.096,18) ago/09  5.262,31  24.238,52  6.853,62  31.568,56  (1.591,31)  (7.330,04)  (96.443,03)  (96.447,89) s et/O 9  6.363,84  29.312,35  5.017,50  23.111,36  1.346,34  6.200,99  81.596,36  81.591,97 out/09  4.548,85  14.232,22  11.247,77  51.808,22  (6.698,92)  (37.576,00)  (405.995,1 5)_  (494.421,05) nov/09  - - 6.114,48  28.164,01  (6.114,48)  (28.164,01)  (370.574,55)  (370.579,08) dez/09  15.262,08  61.479,90  6.430,93  29.621,96  8.831,15  31.857,94  535.221,21  419.183,42 TOTAL  160.787,21  717.735,82  138.103,17  636.142,15  22.684,04  81.593,67  1.374.790,30  1.073.600,92 GLOBAL  878.523,03  774.245,32  104.277,71      Analisando os bens  adquiridos,  relacionados no demonstrativo  "ANÁLISE  Importação  ­  2009.xls"  ­  fls.  23259/23468,  verificamos  que  nem  todos  os  bens  adquiridos geram direito ao crédito apropriado pela fiscalizada. Vejamos:  Fl. 28136DF CARF MF     30 Com efeito, em razão de a classificação NCM de muitos bens  importados  estar situada nos códigos de máquinas (capítulos 84 e 85) e instrumentos (capítulo  90),  intimamos  a  fiscalizada  para  (Termo  de  Intimação  Fiscal  n°  08  ­  fls.  23556/23557)  apresentar  os  elementos  abaixo  relacionados,  relativos  aos  lançamentos  de  valor  unitário  mais  significativo  (acima  de  R$326,61)  e  com  possibilidade de não se enquadrarem no conceito de  insumo (ou seja,  como bens  integrantes  do  ativo  imobilizado)  ­  Valor  total  dos  lançamentos  igual  a  R$  4.258.449,40:  ­  Informar o prazo de vida útil dos bens adquiridos (bens, partes e peças  de manutenção);  ­  Caso o prazo seja inferior a 1 (um) ano, apresentar documentação hábil  e  idônea  comprovando  a  vida  útil  do  bem  adquirido  (laudos,  notas  fiscais de reposição etc).  Após  solicitar  prorrogação  de prazo  (Petição  datada  de  04/07/2012)  ­ prontamente  deferida  pela  fiscalização,  no  dia  17/08/2012  a  contribuinte  apresentou as suas informações:  ­  apresentou  arquivo  magnético  em  excel,  denominado  "Relação  de  outros  bens  importados  ­  intimação.xls"2,  contendo  03  (três)  planilhas  denominadas  de  "Totalizador";  "Anexo  II  ­  Estoque"  e  "Anexo  III  ­  Manutenção";  ­  alegou  que  na  planilha  denominada  de  "Anexo  II  ­  Estoque"  há  produtos  destinados  à  revenda  e  insumos,  ambos  contabilizados  no  estoque  (valor total igual a R$3.067.690,76). Na planilha denominada de "Anexo III ­  Manutenção" há bens que foram lançados em conta de resultados, por não se  tratarem  (sic)  de  ativos  contábeis,  mas  de  manutenções  e  outras  despesas  efetivas (valor total igual a R$1.190.758,64);  ­ em relação aos bens adquiridos para revenda alegou que se tratavam  de produtos comprados com a finalidade de revenda;  ­  já,  em  relação aos  insumos  importados,  entende que  teria direito  ao  crédito,  pois,  segundo  a  fiscalizada,  são  consumidos  na  sua  linha  de  produção;  ­  em  relação  aos  bens  adquiridos  para  manutenção  dos  ativos  da  empresa,  afirmou  que  são  despesas  incorridas  para  a  manutenção  das  condições de uso, sem agregar qualquer valor adicional, maximizar ou inovar  potencialmente os ativos e ainda sem aumentar a vida útil dos mesmos.  Portanto, apesar de ter sido intimada a informar o prazo de vida útil dos  bens  adquiridos  (bens,  partes  e  peças  de  manutenção)  e  a  apresentar  documentação  hábil  e  idônea  comprovando  a  vida  útil  informada  (Laudos,  notas  fiscais  de  reposição  etc),  nada  foi  apresentado. Ou  seja,  a  fiscalizada  ficou apenas nas argumentações, não trazendo aos autos nenhum documento  que corroborasse as suas alegações.  De  acordo  com  o  art.  333  do  Código  de  Processo  Civil  (Decreto  n°  5.869/73),  bem como art.  36 da Lei 9.784/99, o ônus da prova  incumbe ao  autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito.  Portanto,  em  relação  aos  bens  relacionados  no  Termo  de  Intimação  Fiscal n° 08 (valor  total  igual a R$ 4.258.449,40), somente serão aceitos os                                                              2 Esta planilha foi anexada fisicamente ­ ANEXO I  Fl. 28137DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.121          31 créditos apropriados relativos às aquisições de bens para revenda3, já que há  previsão  legal  para  a  sua  apropriação  (art.  3o,  inciso  I,  das  Leis  n°s  10.937/2002 e 10.833/2004).  Os  créditos,  relativos  às  aquisições  de  bens  importados  como  "insumos" (R$ 2.028.214,73 ­ ANEXO I ­ planilha denominada de "Relação  de  outros  bens  importados  ­  intimação.xis")  e  como  despesas  destinadas  à  manutenção  dos  ativos  da  empresa  (R$  1.190.758,64  ­  ANEXO  I),  serão  glosados por não se enquadrarem no conceito de "insumos", já que são bens  que deveriam ser classificados no ativo  imobilizado da fiscalizada. Ou seja,  os créditos poderiam ser apropriados de acordo com as depreciações dos bens  (outros  bens  e  direitos  importados)  ou  de  acordo  com o  custo  de  aquisição  (1/48 avos ­ para as máquinas e equipamentos), senão (sic) vejamos:  Basta  dar  uma  breve  pinçada  (sic)  nos  bens  adquiridos  que  restará  comprovado que se tratam (sic) de bens que deveriam estar contabilizados no ativo  imobilizado da fiscalizada. Vejamos alguns exemplos:  Cód. NCM  Descrição do Prod. Importado  BC COFINS/PIS  Valor Unitário  90192090  SYNCHRONY 2 BIPAP PARA SUPORTE VENTILATORIO RESPIRONICS  (RESPIRADOR/VENTILADOR­BIPAP) REG. DO PRODUTO: 80102510228 ­VALIDADE  DO PRODUTO: 10/07/2011 CONDIÇÃO DO PRODUTO: NOVO COD.: 7S0O36 /  LA1029756  68.148,64  4.868,69  90192090  BIPAP RESPIRONICS MODELO: BIPAP AUTO COM BI­FLEX M SERIES REGISTRO:  80102510238 VENCIMENTO: 07/08/2011 CONDIÇÃO DO PRODUTO: NOVO  FORNECER PRESSÃO AÉREA POSITIVA INTERMITENTE AO PACIENTE MATERIAL  PREDOMINANTE PLÁSTICO.TRABALHA COM A PRESSÃO ENTRE (4CMH20 A  25CMH20) PRODUTO NOVO. FINALIDADE CONSUMO.  65.975,94  4.398,40  Cód. NCM  Descrição do Prod. Importado  BC COFINS/PIS  Valor Unitário  90192090  SYNCHRONY 2 BIPAP PARA SUPORTE VENTILATORIO RESPIRONICS  (RESPIRADOR/VENTILADOR­BIPAP) REG. DO PRODUTO: 80102510228 ­VALIDADE  DO PRODUTO: 10/07/2011 CONDIÇÃO DO PRODUTO: NOVO COD.: 7S0O36 /  LA1029756  68.148,64  4.868,69  90192090  BIPAP RESPIRONICS MODELO: BIPAP AUTO COM BI­FLEX M SERIES REGISTRO:  80102510238 VENCIMENTO: 07/08/2011 CONDIÇÃO DO PRODUTO: NOVO  FORNECER PRESSÃO AÉREA POSITIVA INTERMITENTE AO PACIENTE MATERIAL  PREDOMINANTE PLÁSTICO.TRABALHA COM A PRESSÃO ENTRE (4CMH20 A  25CMH20) PRODUTO NOVO. FINALIDADE CONSUMO.  65.975,94  4.398,40    Pesquisando  pelas  palavras  "SYNCHRONY  2  BIPAP  PARA  SUPORTE  VENTILATORIO  RESPIRONICS"  no  sitio  de  buscas  google  encontrei diversas informações sobre este produto.  Com efeito, numa das páginas encontradas8, restou comprovado que o  produto é destinado à inalação de gases medicinais:   BIPAP RESPIRONICS SYNCHRONY II AVAPS                                                              3 Valor dos produtos adquiridos para revenda é igual a R$ 1.039.476,03 ­ demonstrativo de fls. xxx/xxx.  Fl. 28138DF CARF MF     32   Ou seja, tendo em vista que um dos objetos da fiscalizada é a locação  de  produtos  e  equipamentos  para  a  saúde,  restou  evidente  que  o  produto  adquirido  é  utilizado  na  prestação  dos  serviços.  Todavia,  o  equipamento  deveria ser contabilizado no seu ativo imobilizado,  já que o valor unitário é  superior a R$326,61 e a vida útil do bem é superior a um ano.  Já  relatei  que  o  conceito  de  insumo  definido  pelo  art.  8o,  §  4o  da  IN  RFB 404/04, exclui os bens adquiridos incluídos no ativo imobilizado.  Destarte,  as  aquisições  de  bens  que  deveriam  estar  contabilizados  no  ativo imobilizado não são consideradas insumos nos termos da legislação das  contribuições  PIS/COFINS.  A  fiscalizada,  se  desejar,  poderá  apropriar  créditos  em  relação  a  estes  bens  adquiridos,  mas,  se  utilizando  de  outros  critérios admitidos pela legislação (com base nos encargos de depreciação ou  com base no valor de aquisição), conforme já relatado ao longo deste termo.  Vejamos  outros  exemplos  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  "insumos":  Cód. NCM  Descrição do Prod. Importado  BC COFINS/PIS  Valor Unit.  90192090  BASE AQUECIDA MODELO M. SERIES CÓDIGO: 1049110 PRODUTO NOVO  REGISTRO:801O251O207 FINALIDADE CONSUMO  171.194,95  17.119,50  90330000  1002071 (081226)­ PLACA DE ALIMENTAÇÃO DE ENERGIA  129.566,48  4.322,22  90330000  1006239 ­ TURBINA  121.005,60  4.033,52  90330000  1003519 ­ TECLADO ADESIVO  69.674,61  3.483,73  90330000  1006239 ­ TURBINA  25.553,07  2.555,31  Em  relação  aos  bens  utilizados  na  "manutenção"  das  atividades  da  empresa  (relacionados  no  Anexo  III  da  planilha  "Relação  de  outros  bens  importados  ­  intimação.xis"),  também  não  podem  ser  lançados  como  despesas,  já  que,  contabilmente,  deveriam  ser  ativados.  Vejamos  alguns  exemplos que saltam aos olhos:  Cód. NCM  Descrição do Prod. Importado  BC COFINS/PIS  Valor Unit.  84186999  EX 006 ­ TÚNEIS DE CONGELAMENTO CRIOGENICO POR ASPERSÃO DE  NITROGÊNIO LIQUIDO COMPACTOS, EM FORMATO OCTOGONAL COM ESTEIRA  EM ESPIRAL AUTO­EMPILHAVEL DE LARGURA DE 320MM, COM CAPACIDADE  NOMINAL DE 1.000KG/H, TOTALMENTE EM AÇO INOX, PARA CONGELAMENTO E R  ESFRIAMENTO CONTINUO DE ALIMENTOS, PODENDO ATINGIR TEMPERATURAS  DE ­196"C, COM SISTEMA AUTOMÁTICO DE CONTROLE DA INJEÇÃO E DA  EXAUSTÃO DO GASCONTROLADO POR FREQÜÊNCIA E SISTEMA DE LAVAGEM  POR ASPERSÃO DE AGUA E DETERGENTE ATRAVÉS DE 55 BICOS DE  ASPERSÃO.(USADO). TÚNEL DE CONGELAMENTO MODELO: CRYOLINE CS080­ 022 NUMERO DE SERIE: 022 ANO DE FABRICAÇÃO: 30/03/2006  475.745,67 475.745,67  90271000  ANALISADOR MULTI­GAS PARA ANALIZAR AR/N2/CH4/CO EM OIXIGENIO,  02+AR/N2/CH4/CO EM HIDROGÊNIO E, 02+AR/N2/CH4/CO EM HÉLIO.  IDENTIFICADA COMO AM60. CUSTOMER 1­1218  167.277,00 167.277,00  90271000  ANALISADOR MULTI­GAS ­ MODELO PGA 3500 CÓDIGO DO PRODUTO 13103  PART NUMBER: 13103 SERIAL NUMBER: PGA 0609092 VOLS: 90­230 PLACA  56.257,09 56.257,09  Fl. 28139DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.122          33 ATIVO: 064304  90261019  FLOWCOM 2000 PARA DIÓXIDO DE CARBONO(C02)SERIAL NUMBER 20096065  ,ELEMENTO PRIMÁRIO DE MEDIÇÃO DE VAZÃO SERIAL NUMBER 8710171, PECA  QUE RECONHECE O FLUXO 01 UNIDADE. NUMERO SERIE NR. 1D801600  (1121109)  38.543,96 38.543,96  85049090  CURRENT TRANSFORMER FORMAÇÃO DE CORRENTE FINALIDADE: SISTEMA DE  CONTROLE DE UPS COD.: 607439  11.488,51 11.488,51  90330000  10562066 ­ ADAPTADOR DE CONEXÃO  39.671,89 7.934,38  90318099  ANALISADOR DE UMIDADE ­ FUNCAO,VERIFICAR A UMIDADE ­MATERIAL  PREDOMINANTE,FERRO ­ ESPECIFICAÇÃO TÉCNICAS, CAPACIDADE PARA  ANALISE EM PPMS DE UMIDADE ­ SCALE: 80/0 & 0­6000 VPM N SENS: 08­2893  N INST: 1290 8 NUMERO DE SERIE:  09­4182  7.863,01 7.863,01  84149034  A15­A7459 ­ VÁLVULA COMPLETA 3" ESTAGIO  27.578,02 6.894,51  90279099  PLACA REGULADORA DE TENSÃO ORT275 ( CORT123)  4.201,34 4.201,34    Com  efeito,  as  aquisições  de  equipamentos  de  vultosos  valores  não  podem  ser  contabilizadas  como  despesas,  a  não  ser  que  a  contribuinte  demonstre que a vida útil dos bens adquiridos é inferior a um ano.  Conforme já relatado, a fiscalizada foi intimada (sic) para comprovar a  vida útil dos bens adquiridos  (Termo de  Intimação Fiscal n° 08) e nada  foi  apresentado (nenhum laudo ou documento equivalente).  Portanto,  não  só devem ser glosados os  créditos  apropriados  relativos  às  aquisições  de  bens  importados  a  título  de  "manutenção",  como  também  deverão ser  incluídos  à base de cálculo do  IRPJ  e da CSLL  tendo em vista  que não se enquadram no conceito de despesas, conforme contabilizado pela  fiscalizada. Vejamos:  De  acordo  com  o  art.  179,  (sic)  da  Lei  n°  6.404/76  devem  ser  classificados no ativo imobilizado os seguintes bens:  Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo:  (...)  IV ­ no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto  bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da  companhia  ou  da  empresa  ou  exercidos  com  essa  finalidade,  inclusive  os  decorrentes  de  operações  que  transfiram  à  companhia  os  benefícios,  riscos  e  controle  desses bens;  Extrai­se desta definição que no ativo imobilizado são incluídos todos  os bens de permanência duradoura destinados à manutenção das atividades  da companhia.  De  acordo  com  a  Resolução  n°  1177/09,  do  Conselho  Federal  de  Contabilidade, ativo imobilizado é o item tangível que:  a) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou  serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e   b) se espera utilizar por mais de um período.  Prossegue  a  referida  Resolução  transcrevendo  que  as  peças  sobressalentes e de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são  classificados  como  ativo  imobilizado  quando  a  entidade  espera  usá­los  por  mais de um período. Da mesma  forma,  se puderem ser utilizados  somente  Fl. 28140DF CARF MF     34 em  conexão  com  itens  do  ativo  imobilizado,  também  são  contabilizados  como ativo imobilizado.  De acordo com o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações  (FIPECAFI)4,  dependendo  das  circunstâncias,  as  peças  ou  conjuntos  de  reposição podem ser classificados no Imobilizado ou em conta de Estoques  no Ativo Circulante,  em  função das  características específicas de uso,  vida  útil, destinação contábil etc.  O Regulamento do  Imposto de Renda ­ RIR/99 (Decreto n° 3.000/99)  prevê o seguinte tratamento para os bens integrantes do ativo imobilizado:  Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente  não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo  se  o  bem  adquirido  tiver  valor  unitário  não  superior  a  trezentos e vinte e  seis  reais e  sessenta e um centavos, ou  prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (Decreto­Lei  n° 1.598, de 1977, art. 15, Lei n° 8.218, de 1991, art. 20,  Lei n° 8.383, de 1991, art. 3o,  inciso II, e Lei n° 9.249, de  1995, art. 30).  §  1o  Nas  aquisições  de  bens,  cujo  valor  unitário  esteja  dentro  do  limite  a  que  se  refere  este  artigo,  a  exceção  contida  no  mesmo  não  contempla  a  hipótese  onde  a  atividade  exercida  exija  utilização  de  um  conjunto  desses  bens.  §  2o  Salvo  disposições  especiais,  o  custo  dos  bens  adquiridos  ou  das  melhorias  realizadas,  cuia  vida  útil  ultrapasse o período de um ano, deverá  ser ativado para  ser depreciado ou amortizado  (Lei n° 4.506, de 1964, art.  45, § 1°).  O Parecer Normativo CST n° 2/84 disciplinou o assunto:  "As contas que registram recursos aplicados na aquisição  de partes, peças, máquinas e equipamentos de reposição de  bens  do  imobilizado,  quando  referidas  partes  e  peças  tiverem  vida  útil  superior  a  um  ano,  devem  ser  classificadas no ativo imobilizado. (...)  2.1.  A  manutenção,  em  almoxarifado,  de  partes,  peças,  máquinas e equipamentos de reposição  tem por  finalidade  manter  constante  o  exercício  normal  das  atividades  da  pessoa jurídica, enquadrando­se perfeitamente na hipótese  descrita  no  dispositivo  legai  citado.  Portanto,  a  conta  em  que  tais  valores  são  registrados  deve  ser  classificada  no  ativo imobilizado.  2.2.  Todavia,  certas  partes  e  peças,  quando  incorporadas  às  respectivas  máquinas  ou  equipamentos,  têm  vida  útil  não superior a um ano, intervalo de tempo no qual devem  ser  substituídas.  Assim,  os  recursos  aplicados  na  sua  aquisição  não  chegam  a  revestir  características  de  permanência,  razão  porque  as  contas  que  registrem  esses                                                              4  6a Edição, página 203  Fl. 28141DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.123          35 recursos  devem  ser  classificadas  fora  do  ativo  permanente."  A jurisprudência administrativa segue o mesmo entendimento:  [...]  Portanto,  a  questão  principal  a  ser  determinada  para  a  correta  classificação  contábil  das  partes,  peças  e  serviços  de  manutenção,  empregados nos bens integrantes do ativo imobilizado, é saber a vida útil do  bem ou serviço adquirido10.  E  para  esclarecer  o  assunto  foi  dada  oportunidade  à  fiscalizada  para  comprovar a vida útil dos bens importados (Termo de Intimação Fiscal n° 08  ­ fls. 23556/23557).  Conforme já relatado, a fiscalizada não apresentou nenhum documento  que comprove que a vida útil dos bens adquiridos é inferior a um ano.  Com  efeito,  o  art.  310,  §°  2o,  do  Decreto  n°  3.000/99  (RIR  ­ Regulamento  do  Imposto  de  Renda)  determina  que  em  caso  de  dúvida  a  contribuinte  poderá  solicitar  laudo  técnico  idôneo  ao  Instituto  Nacional  de  Tecnologia ou outra entidade oficial de pesquisa científica ou tecnológica.  Todavia, nada foi apresentado ficando a mesma nas meras alegações.  Ademais,  basta  verificar  o  código  NCM  dos  bens  importados,  informados  nas  DI  ­  Declarações  de  Importações  e  veremos  que  se  tratam  (sic)  de  bens  que  deveriam  estar  contabilizados  no  ativo  imobilizado.  Vejamos:  De acordo com o art. 310, § 1o, do RIR/99, cabe à Receita Federal do  Brasil publicar o prazo de vida útil para cada espécie de bem. Este prazo é  importante para fixar a taxa anual de depreciação (prazo de vida útil durante  o qual  se pode esperar a utilização econômica do bem pelo  contribuinte na  produção de seus rendimentos).  E o ato instituído pela Receita Federal que definiu o prazo de vida útil  de cada bem foi a  Instrução Normativa SRF n° 162, de 31 de dezembro de  1998.  De  acordo  com  os  anexos  I  e  II  desta  IN,  os  bens  importados  pela  fiscalizada, acima relacionados, possuem os seguintes prazos de vida útil:   Cód. NCM  Prazo de Vida útil  (anos)  84186999  10  90271000  10  90261019  10  85049090  10  90330000  10  90318099  10  84149034  10  90279099  10  90192090  10    Portanto,  não  podem  ser  classificados  como  despesas  ou  como  "insumos",  os bens  adquiridos para a utilização na produção de bens ou na  Fl. 28142DF CARF MF     36 prestação  de  serviços,  cuja  vida  útil  seja  superior  a  1  (um)  ano, mormente  quando a vida útil econômica é de 10 (dez) anos.  Por  todo  o  exposto,  serão  glosados  os  créditos  apropriados  pela  fiscalizada  a  título  de  "insumos"  e  "manutenção  dos  ativos",  relativos  aos  bens importados relacionados na planilha denominada de "Relação de outros  bens  importados  ­  intimação  ­  arquivo de  trabalho.xls"  ­ ANEXO  I,  abaixo  consolidados:  MÊS/ANO  BC: GLOSA DE "BENS  IMPORTADOS ­ NÃO INSUMOS"  BC GLOSA"BENS  MANUTENÇÃO"  TOTAL  jan/09  192.969,79  6.741,13  199.710,92  fev/09  257.513,63  ‐ 257.513,63  mar/09  12.710,12  79.836,18  92.546,30  abr/09  110.581,25  523.525,75  634.107,00  mai/09  351.108,15  ‐ 351.108,15  jun/09  255.896,72  83.746,71  339.643,43  jul/09  180.161,52  66.568,35  246.729,87  ago/09  292.716,33  220.297,88  513.014,21  set/09  12.279,46  103.711,63  115.991,09  out/09  123.397,92  ­  123.397,92  nov/09  45.612,34  13.706,13  59.318,47  dez/09  193.267,50  92.624,88  285.892,38  TOTAL  2.028.214,73  1.190.758,64  3.218.973,37    3.7  GLOSA  DE  DESPESAS  COM  LOCAÇÃO  DE  CAVALOS­ MECÂNICOS CONTRATADOS JUNTO À EMPRESA GAFOR  O  fornecedor  Gafor  Ltda,  CNPJ  62.288.940/0001­12  é  uma  empresa  especializada em transporte de cargas, tributada pelo lucro real.  A  fiscalizada  apresentou  o  "Contrato  de  Prestação  de  Serviços  de  Operação  de Cavalos­Mecânicos  e Manutenção  de Equipamentos",  firmado  em  01/08/1997,  cujas  principais  cláusulas  passo  a  transcrever  ­  fls.  24840/24850:  1 .  DO OBJETO  1 . 1  Em decorrência do Contrato de Locação de Cavalos  Mecânicos  ("Contrato  de  Locação'''),  firmado  nesta  data  entre  as  partes  contratantes,  por  este  instrumento,  a  GAFOR  se  obriga  a  fornecer  à  AGA,  motoristas  para  operação  dos  cavalos  mecânicos  e  demais  serviços  ­ necessários  à  distribuição  de  gases  aos  cientes  da  AGA,  bem  como,  serviços  de manutenção  dos  semi­reboques  de  propriedade da AGA, a fim de garantir sua conservação e  bom funcionamento ("SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO''). A  GAFOR se obriga a fornecer a relação desses motoristas e  mantê­la sempre atualizada.  1.2  Os  motoristas  utilizados  neste  contraio,  serão  todos  empregados  da  GAFOR,  devidamente  registrados,  na  classe de habilitação "E", pelos quais a GAFOR, neste ato,  assume  integral  responsabilidade,  mantendo­os  com  exames médicos periódicos atualizados e cumprindo  todas  as  obrigações  trabalhistas  e  previdenciárias,  legalmente  previstas.  (...)  Fl. 28143DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.124          37 2) SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO  Sempre  que  for  necessário  realizar  manutenção  EM  QUALQUER  EQUIPAMENTO  pertencente  à  AGA,  a  GAFOR  deverá  antes  apresentar  à  AGA  orçamento,  contendo  preços  e  a  forma  de PAGAMENTO  e  só  deverá  executar  os  serviços após a aprovação dada pela AGA.  Por  intermédio  do Termo de  Intimação Fiscal  n°  06,  a  fiscalizada  foi  intimada  a  apresentar  o  "Contrato  de  Locação  dos  Cavalos  Mecânicos",  citados  no  contrato  supra,  ainda  não  apresentados  à  fiscalização  ­  fls.  25301/25303.  Referido contrato foi entregue no dia 10/07/2012. Transcrevo, a seguir,  as principais peças deste contrato ­ fls. 25304/25348:  "Na  condição  de  legítima  proprietária  dos  cavalos­ mecânícos  relacionados  no  Anexo  I  do  presente  instrumento,  (a  seguir  designados  "CAVALOS­ MECÂNICOS", a GAFOR os cede em locação à AGA, por  intermédio  de  sua  filial  situada na Alameda Amazonas  n°  868­A  ­  Alphaville  ­  Barueri/SP,  na  forma  e  condições  estabelecidas neste instrumento, para fins de transporte dos  produtos  fabricados  e/ou  comercializados  pela  AGA,  a  seguir  designados  "PRODUTOS",  obedecida  a  programação por ela estabelecida. (...)  Expirada  a  vigência  do  contrato,  os  cavalos­mecânicos  deverão ser devolvidos à GAFOR, no mesmo estado em que  foram entregues, salvo desgaste normal de uso, totalmente  livres  e desembaraçados,  sem qualquer  ônus  ou  gravame.  (...)  Pela  locação  dos  cavalos­mecânicos,  a  AGA  pagará  à  GAFOR  a  importância  mensal,  calculada  nos  termos  do  Anexo  II,  que  faz  parte  integrante  deste  instrumento,  ("VALOR DE LOCAÇÃO"). (...)  Tendo  em  vista  que  a  GAFOR  terá  que  acoplar  aos  cavalos­mecânicos  locados,  equipamentos  denominados  "Gerador de Corrente Elétrica" e "Caixa Multiplicadora de  Rotação"  e  considerando  que  a  AGA  possui  esses  equipamentos, fica combinado o seguinte:"  Da  análise  dos  referidos  Contratos,  bem  como  dos  comprovantes  de  aquisições  apresentados  pela  contribuinte,  relativos  ao  ano  calendário  de  2009, apurei que a empresa estava se creditando:  ­ das despesas com locações de cavalos­mecânicos;  ­ das despesas com prestação de serviços  (motoristas para os cavalos­ mecânicos);  ­ do Reembolso de pedágios;  ­ do Reembolso de despesas operacionais (monitoramento);  Fl. 28144DF CARF MF     38 ­ do Reembolso de despesas extras.  Neste  tópico  trataremos apenas das despesas com  locação de cavalos­ mecânicos, já que as demais despesas foram relatadas em tópicos distintos:  ­ despesas com pedágios (tópico 3.1.5);  ­ despesas com monitoramento (tópico 3.1.4);  ­ despesas extras (tópico 3.1.2).  Em  relação  às  despesas  com  prestação  de  serviços  (fornecimento  de  motoristas para dirigir os cavalos­mecânicos), serão reconhecidos os créditos  apropriados pela fiscalizada.  3.7.1 GLOSA DE DESPESAS COM LOCAÇÃO DE CAVALOS­ MECÂNICOS  Já  relatamos que somente são admitidos créditos  relativos às despesas  de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica,  utilizados nas atividades da empresa.  Com  efeito,  restou  comprovado  que  a  fiscalizada  locou  da  GAFOR  CAVALOS­MECÂNICOS, que é um conjunto formado por cabine, motor e  rodas  de  tração  do  caminhão,  que  pode  ser  engatado  em  vários  tipos  de  carretas  e  semi­reboques,  para  o  transporte  (no  caso  foram  engatados  os  equipamentos  denominados  "Gerador  de  Corrente  Elétrica"  e  "Caixa  Multiplicadora de Rotação", de propriedade da Linde Gases).  Não  há  dúvidas  de  que  os  cavalos­mecânicos  alugados  não  se  classificam como "máquinas ou equipamentos". Os cavalos­mecânicos estão  classificados  no  código  8704  da  tabela  TIPI  (Veículos  Automóveis  para  o  Transporte de Mercadorias), enquanto que as máquinas e equipamentos estão  classificados nos capítulos 84 e 85 da TIPI.  Este entendimento é pacífico administrativamente:    [...]  Ademais,  o  legislador,  ao  atribuir  ao  aluguel  de  "máquinas  e  equipamentos" o direito ao locatário de apurar créditos de Contribuição para  o PIS/Pasep e de Cofins sobre o valor dessa despesa NÃO quis, no emprego  da  expressão,  alcançar,  também,  as  despesas  com  aluguel  de  veículos  automotores. Quando  especifica  os  três  tipos  de  bens  passíveis  de  aluguel:  prédios, máquinas e equipamentos, já deixa claro serem coisas diferentes.  Assim  também o  são  veículos. A  legislação  tributária  não  demonstra,  com o emprego desses termos, seja em atos legais, seja em atos normativos,  entender que um se confunda com o outro. Vejamos exemplos do emprego,  pelo  legislador  ordinário,  dos  termos  máquina,  equipamento  e  veículo,  incluindo alguns de suas espécies, em alguns atos legais que dispõem sobre a  Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins:    Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002:  Art. 1º As pessoas  jurídicas  fabricantes e as  importadoras  de máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Fl. 28145DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.125          39 Industrializados  ­  TIPI,  aprovada  pelo  Decreto  no  4.070,  de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta  decorrente  da  venda  desses  produtos,  ficam  sujeitas  ao  pagamento  da  contribuição  para  os  Programas  de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  ­  PIS/PASEP  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  às  alíquotas  de 2%  (dois  por  cento)  e 9,6%  (nove  inteiros  e  seis  décimos  por  cento),  respectivamente.  (Redação  dada  pela Lei n° 10.865, de 2004) (negritei)  (...)  Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores,  relativamente  às  vendas  dos  produtos  relacionados  nos  Anexos  I  e  II  desta  Lei,  ficam  sujeitos  à  incidência  da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas  de: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004)  I  ­  1,65%  (um  inteiro  e  sessenta  e  cinco  centésimos  por  cento)  e  7,6%  (sete  inteiros  e  seis  décimos  por  cento),  respectivamente,  nas  vendas  para  fabricante:  (Incluído  pela  Lei  n°  10.865,  de  2004)de  veículos  e  máquinas  relacionados no art. Ia desta Lei; ou (Incluído pela Lei n°  10.865, de 2004) (negritei);   de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando  destinadas  à  fabricação  de  produtos  neles  relacionados;  (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004)  (...)  Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002:  Art. 2° Para determinação do valor da contribuição para o  PIS/Pasep  aplicar­se­á,  sobre  a  base  de  cálculo  apurada  conforme  o  disposto  no  art.  Ia,  a  alíquota  de  1,65%  (um  inteiro  e  sessenta  e  cinco  centésimos  por  cento).  (Vide  Medida Provisória n° 497, de 2010)  §  1º  Excetua­se  do  disposto  no  caput  a  receita  bruta  auferida  pelos  produtores  ou  importadores,  que  devem  aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei n° 10.865,  de 2004) (Vide Medida Provisória n° 497, de 2010)  (...)  III  ­  no art.  Ia  da Lei na  10.485, de 3 de  julho de 2002,  e  alterações  posteriores,  no  caso  de  venda  de máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  TIPI;  (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) (negritei)  (...)    Fl. 28146DF CARF MF     40 Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003:  Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar­se­ á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no  art. Ia, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por  cento). (Vide Medida Provisória n° 497, de 2010)  § 1º Excetua­se do disposto no caput deste artigo a receita  bruta  auferida  pelos  produtores  ou  importadores,  que  devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei n°  10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória n° 497, de 2010)  (...)  III  ­ no art.  Io da Lei n° 10.485, de 3 de  julho de 2002, e  alterações  posteriores,  no  caso  de  venda  de máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  TIPI;  (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) (Vide Lei n° 11.196,  de 2005) (negritei)  (...)  Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004:  Art. 1° A base de cálculo será:  (...)  § 3º A base de cálculo fica reduzida:  ­  em  30,2%  (trinta  inteiros  e  dois  décimos  por  cento),  no  caso  de  importação,  para  revenda,  de  caminhões  chassi  com  carga  útil  igual  ou  superior  a  1.800  kg  (mil  e  oitocentos  quilogramas)  e  caminhão  monobloco  com  carga  útil  igual  ou  superior  a  1.500  kg  (mil  e  quinhentos  quilogramas), classificados na posição 87.04 da Tabela de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  TIPI,  observadas  as  especificações  estabelecidas  pela  Secretaria da Receita Federal; e (negritei)  ­  em  48,1%  (quarenta  e  oito  inteiros  e  um  décimo  por  cento), no caso de importação, para revenda, de máquinas  e veículos classificados nos seguintes códigos e posições da  TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  8702.10.00  Ex  02,  8702.90.90  Ex 02, 8704.10.00, 87.05  e 8706.00.10 Ex 01  (somente os  destinados  aos  produtos  classificados  nos  Ex  02  dos  códigos 8702.10.00 e 8702.90.90). (negritei)  (. . . )  Art.  8º  As  contribuições  serão  calculadas  mediante  aplicação,  sobre  a  base  de  cálculo  de  que  trata  o  art.  7fl  desta Lei, das alíquotas de:  (...)  § 3º Na  importação de máquinas e veículos, classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80,00,  8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04,  87.05  e  87.06,  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  ­  NCM, as alíquotas são de: (negritei)  Fl. 28147DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.126          41 (...)  § 9º Na importação de autopeças, relacionadas nos Anexos  I  e  II  da  Lei  n°  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  exceto  quando  efetuada  pela  pessoa  jurídica  fabricante  de  máquinas  e  veículos  relacionados  no  art.  Ia  da  referida  Lei, as alíquotas são de: (negritei)  (. . . )  Art.  15.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos  dos arts. 2o e 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata  o  art.  lfl  desta  Lei,  nas  seguintes  hipóteses:  (Redação  dada  pela  Lei  n°  11.727, de 2008)  (.. . )  IV  ­  aluguéis  e  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  embarcações  e  aeronaves,  utilizados  na  atividade  da  empresa; (negritei)  V  ­ máquinas, equipamentos e outros bens incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação a  terceiros  ou para utilização na produção de bens destinados à venda  ou  na  prestação  de  serviços.  (Redação  dada  pela  Lei  n°  11.196, de 2005) (negritei)  (...)  Art.  17.  As  pessoas  jurídicas  importadoras  dos  produtos  referidos nos §§ 1ºi a 3ºi, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8a desta  Lei e no art. 58­A da Lei n º 10.833, de 29 de dezembro de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  em  relação  à  importação  desses  produtos,  nas  hipóteses: (Redação dada pela Lei n° 11.727, de 2008)  (...)  § 7a O disposto no inciso III deste artigo não se aplica no  caso de  importação efetuada por montadora de máquinas  ou veículos  relacionados no art.  Ia da Lei nº 10.485, de 3  de  julho  de  2002.  (Incluído  pela  Lei  n°  11.051,  de  2004)  (negritei)  ( . . . )   Art. 38. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e  da  COFINS  fica  suspensa  no  caso  de  venda  a  pessoa  jurídica  sediada  no  exterior,  com  contrato  de  entrega  no  território  nacional,  de  insumos  destinados  à  industrialização,  por  conta  e  ordem  da  encomendante  Fl. 28148DF CARF MF     42 sediada no  exterior,  de máquinas e veículos  classificados  nas posições 87.01 a 87.05 da TIPI. (negritei)  (...)  Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004:  Art.  14.  As  vendas  de máquinas,  equipamentos, peças  de  reposição  e  outros  bens,  no  mercado  interno  ou  a  sua  importação, quando adquiridos ou importados diretamente  pelos  beneficiários  do  Reporto  e  destinados  ao  seu  ativo  imobilizado  para  utilização  exclusiva  em  portos  na  execução de  serviços  de  carga,  descarga  e movimentação  de mercadorias, na execução dos serviços de dragagem, e  nos Centros  de Treinamento Profissional,  na  execução do  treinamento e  formação de  trabalhadores, serão efetuadas  com suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados  ­  IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  e,  quando  for  o  caso,  do  Imposto  de  Importação.  (Redação  dada pela Lei n° 11.726, de 2008) (negritei)  §  7º  O  Poder  Executivo  relacionará  as  máquinas,  equipamentos  e  bens  objetos  da  suspensão  referida  no  caput deste artigo, (negritei)  § 8o O disposto no caput deste artigo aplica­se também aos  bens  utilizados  na  execução  de  serviços  de  transporte  de  mercadorias em ferrovias, classificados nas posições 86.01,  86.02 e 86.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul, e aos  trilhos e demais elementos de vias férreas, classificados na  posição  73.02  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul,  relacionados  pelo  Poder  Executivo.  (Incluído  pela  Lei  n°  11.774, de 2008)  (...)  §  10. Os  veículos adquiridos  com  o  benefício  do Reporto  deverão receber identificação visual externa a ser definida  pela  Secretaria  Especial  de  Portos.  (Incluído  pela  Lei  n°  11.726, de 2008) (negritei)  (...)  Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004:  Art. 10. Na determinação do valor da Contribuição para o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  incidentes  sobre  a  receita  bruta  auferida  pela  pessoa  jurídica  encomendante,  no  caso  de  industrialização  por  encomenda,  aplicam­se,  conforme  o  caso, as alíquotas previstas:  (...)  II  ­  no art.  1o  da Lei n° 10.485, de 3 de  julho de 2002,  e  alterações  posteriores,  no  caso  de  venda  de máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  Fl. 28149DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.127          43 84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.O0,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  TIPI;  (negritei)  Também  em  atos  de  regulamentação  tributária  não  se  vê,  na  prática  legislativa,  o  emprego  de  um  termo  pelo  outro.  Vejamos,  como  exemplo,  dispositivos do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do  Imposto  de Renda  ­ RIR,  e  do Decreto  n°  7.217,  de  15  de  junho  de  2010,  Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados ­ RTPI:  Decreto n° 3.000, de 1999:  Art.  62. Os  investimentos  serão  considerados  despesas  no  mês do pagamento (Lei na 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e  2º).  (...)  §  2º  Considera­se  investimento  na  atividade  rural  a  aplicação  de  recursos  financeiros,  durante  o  ano­ calendário, exceto a parcela que corresponder ao valor da  terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para  expansão da produção ou melhoria da produtividade e seja  realizada com (Lei n9 8.023, de 1990, art. 6º):  (...)  III­ aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e  equipamentos,  máquinas, motores,  veículos  de  carga  ou  utilitários de emprego exclusivo na exploração da atividade  rural; (negritei)  (...)  Decreto nº 7.217, de 2010:  Art. 48. Serão desembaraçados com suspensão do imposto:  (...)  I  ­  as  máquinas,  os  equipamentos,  os  veículos,  os  aparelhos  e  os  instrumentos,  sem  similar  nacional,  bem  como suas partes, peças, acessórios e outros componentes,  de  procedência  estrangeira,  importados  por  empresas  nacionais de engenharia, e destinados à execução de obras  no exterior, quando autorizada a suspensão pelo Secretário  da Receita Federal do Brasil (Decreto­lei n° 1.418, de 3 de  setembro de 1975, art. 3o); (negritei)  (...)  Art. 54. São isentos do imposto: (...)  XXIII­  os  veículos  automotores  de  qualquer  natureza,  máquinas,  equipamentos,  bem  como  suas  partes  e  peças  separadas,  quando  destinadas  à  utilização  nas  atividades  dos  Corpos  de  Bombeiros,  em  todo  o  território  nacional,  nas  saídas  de  estabelecimento  industrial  ou  equiparado  a  Fl. 28150DF CARF MF     44 industrial  (Lei  n°  8.058,  de  2  de  julho  de  1990,  art.  1o);  (negritei)  (...)  Art. 135. Poderá ser concedido às empresas referidas no §  1a,  até  31  de  dezembro  de  2010,  o  incentivo  fiscal  do  crédito  presumido  do  IPI,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis Complementares n° 7,  de 7 de setembro de 1970, n° 8, de 3 de dezembro de 1970,  e  n°  70,  de  30  de  dezembro  de  1991,  no  montante  correspondente  ao  dobro  das  referidas  contribuições  que  incidiram sobre o  valor  do  faturamento  decorrente  da  venda de produtos de fabricação própria (Lei n° 9.440, de  14 de março de 1997, art. 11, caput e inciso IV).  §  1º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se  exclusivamente  às  empresas  que  sejam  montadoras  e  fabricantes  de  (Lei  n°  9.440, de 1997, art. 1o, § 1o):  I ­ veículos automotores terrestres de passageiros e de uso  misto de duas rodas ou mais e jipes; (negritei)  II ­ caminhonetas, furgões, picapes e veículos automotores,  de  quatro  rodas  ou mais,  para  transporte  de mercadorias  de  capacidade  máxima  de  carga  não  superior  a  quatro  toneladas; (negritei)  III­  veículos  automotores  terrestres  de  transporte  de  mercadorias  de  capacidade  de  carga  igual  ou  superior  a  quatro toneladas, veículos terrestres para transporte de dez  pessoas ou mais e caminhões­tratores; (negritei)  IV ­ tratores agrícolas e colheitadeiras;  V  ­  tratores,  máquinas  rodoviárias  e  de  escavação  e  empilhadeiras; (negritei)  VI ­ carroçarias para veículos automotores em geral; (...)  Para  finalizar,  vejamos,  ainda,  a  forma  de  empregos  dos  termos  em  questão em atos disciplinadores exarados pela Secretaria da Receita Federal  do Brasil:  Instrução Normativa SRF n° 459, de 18 de outubro de 2004:  Art. 1o Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de  direito  privado  a  outras  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  pela  prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação,  manutenção,  segurança,  vigilância,  transporte  de  valores  e  locação  de  mão­de­obra,  pela  prestação  de  serviços  de  assessoria  creditícia,  mercadológica,  gestão  de  crédito,  seleção  e  riscos,  administração  de  contas  a  pagar  e  a  receber,  bem  como  pela  remuneração de serviços profissionais,  estão  sujeitos  à retenção na  fonte da Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade  Social  (Cofins)  e  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep.  (...)  Fl. 28151DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.128          45 §  2°  Para  fins  do  disposto  neste  artigo,  entende­se  como  serviços: (...)  II ­ de manutenção todo e qualquer serviço de manutenção  ou  conservação  de  edificações,  instalações,  máquinas,  veículos automotores, embarcações, aeronaves, aparelhos,  equipamentos,  motores,  elevadores  ou  de  qualquer  bem,  quando destinadas a mantê­los em condições eficientes de  operação,  exceto  se  a  manutenção  for  feita  em  caráter  isolado,  como  um  mero  conserto  de  um  bem  defeituoso;  (negritei)  (...)  Instrução Normativa SRF n° 635, de 24 de março de 2006:  Art.  23  As  sociedades  cooperativas  de  produção  agropecuária  e  de  consumo  sujeitas  à  incidência  não­ cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins  podem  descontar,  do  valor  das  contribuições  incidentes  sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação  a:  I ­ bens para revenda, adquiridos de não associados, exceto  os decorrentes de: (...)  e) máquinas  e  veículos  relacionados  no  art.  12  da  Lei n­  10.485, de 2002; (negritei)  (...)  III ­ despesas e custos incorridos no mês, relativos a: (...)  b) aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades  da  sociedade  cooperativa; (negritei)  (...)  Art. 24 Na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep  e  da  Cofins  a  pagar  no  regime  de  não­cumulatividade,  a  sociedade  cooperativa  de  produção  agropecuária  ou  de  consumo que efetuar importações pode descontar, do valor  das  contribuições  incidentes  sobre  sua  receita  bruta,  créditos calculados mediante a aplicação, respectivamente,  dos  percentuais  de  1,65%  (um  inteiro  e  sessenta  e  cinco  centésimos  por  cento)  e  de  7,6%  (sete  inteiros  e  seis  décimos por cento) sobre a base de cálculo de que trata o  art.  22,  acrescido  o  IPI  vinculado  à  importação,  quando  integrante do custo de aquisição.  §1°  Na  hipótese  de  importação  de  gasolinas  e  suas  correntes,  exceto  gasolina  de  aviação,  óleo  diesel  e  suas  correntes,  gás  liquefeito  de  petróleo  (GLP),  derivado  de  petróleo e de gás natural, querosene de aviação, bíodiesel,  álcool  para  fins  carburante,  produtos  farmacêuticos,  de  perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal de que trata  Fl. 28152DF CARF MF     46 o  art.  1o  da  Lei  n°  10.147,  de  2000,  e  alterações  posteriores, máquinas, veículos, pneus novos de borracha  câmaras­de­ar de borracha de que  tratam os arts. 1o  e 5o  da  Lei  n°  10.485,  de  2002,  e  alterações  posteriores,  e  de  autopeças relacionadas nos Anexos I e  II da citada Lei n°  10.485, de 2002, as sociedades cooperativas devem apurar  os  créditos  a  descontar  mediante  a  utilização  dos  percentuais  previstos  na  legislação  específica  aplicável  à  matéria, (negritei)  Ato Declaratório SRF n° 48, de 15 de maio de 1998:  2. Poderão ser admitidos no OEA, sem cobertura cambial,  com suspensão de tributos, exclusivamente, exclusivamente,  partes,  peças  e  materiais  de  reposição  ou  manutenção,  para  veículos,  máquinas,  equipamentos,  aparelhos  e  instrumentos,  assim  como,  de  seus  componentes  estrangeiros,  nacionalizados  ou  não  e  empregados  na  prestação de serviços de:  a)  pesquisa,  prospecção  e  exploração  de  recursos  minerais;  b)  transporte,  na  manutenção  de  locomotivas,  vagões  e  equipamentos ferroviários.  Como se verifica nos  excertos  transcritos,  que não esgotam uma  lista  exemplificativa,  sempre  que  um  dispositivo  da  legislação  tributária  quer  alcançar os bens classificados como veículos, cita­os expressamente e, como  muitas vezes acima se vê, quando outros bens, além de veículos, devem ser  alcançados  pelo mesmo  dispositivo,  o  termo  veículos  aparece  junto  a  eles,  como é o caso de máquinas ou de equipamentos, demonstrando que, para fins  de interpretação e aplicação da legislação tributária, são coisas diversas.  Por  todo  o  exposto,  serão  glosados  os  créditos  apropriados  pela  fiscalizada  a  título  de  aluguel  de  "equipamento",  já  que para o  bem  locado  (cavalo­mecânico) não há previsão legal que permita o creditamento.  Ademais, se assim não fosse, o bem locado possibilitaria a obtenção de  créditos de  forma duplicada,  já que  a GAFOR, por  ser uma pessoa  jurídica  tributada pelo Lucro Real, e em razão do bem locado pertencer ao seu ativo  imobilizado,  pode  se  apropriar  dos  créditos  relativos  aos  encargos  de  depreciação [...].  Passo  a  relacionar,  de  forma  consolidada,  as  bases  de  cálculos  dos  créditos relativos às locações de cavalos­mecânicos que serão glosadas ­ fls.  25434/25437:  Mês  Débitos  jan/09  1.293.318,10  fev/09  1.395.775,68  mar/09  1.344.084,97  abr/09  1.438.553,14  m ai/09  1.426.459,90  jun/09  1.455.338,83  jul/09  1.495.725,63  ago/09  1.466.077,97  set/09  1.527.948,09  out/09  1.676.914,55  nov/09  2.273.447,56  dez/09  1.677.875,21  Fl. 28153DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.129          47 TOTAL  18.471.519,63    3.8  GLOSA  DE  DESPESAS  COM  MANUTENÇÃO  DE  MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS  Já  citei  que  os  demonstrativos  de  apuração  dos  débitos  e  créditos  referentes  às  contribuições  PIS/COFINS  não  comulativas  (arquivo  magnético,  no  formato  excel,  intitulado  "Pis  Cofins  AGA  DACON  2009.xls")  apresentados  não  permitem  a  identificação  do  bem  ou  insumo  adquirido  ­fls.  742/1950.  É  que  nos  demonstrativos  mensais  de  créditos  entregues, são apenas informadas as contas contábeis sintéticas, cujos valores  são compostos por inúmeros lançamentos contábeis.  Por esta  razão é que foram solicitados à contribuinte que apresentasse  diversos comprovantes de aquisições (Termo de Intimação Fiscal n° 03 ­ fls.  23603/23608).  Dentre  os  documentos  entregues,  estão  as  notas  fiscais,  abaixo  relacionadas,  integrantes  das  contas  513201  e  513202,  ambas  contas  de  despesas  relativas  à  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  ­  fls.  24497/24534:     Com  efeito,  analisando  o  histórico  das  referidas  notas  fiscais  apurei  que  os  bens adquiridos deveriam ser escriturados no ativo  imobilizado, nos  termos do art.  301 do RIR/99. É o caso, por exemplo, da NF n° 235888 (reforma de ponte rolante  existente) e da NF n°854 (reforma de carreta). O trabalho efetuado aumentou a vida  útil do bem em mais de um ano.  Por  intermédio  do  Termo  de  Constatação  e  Intimação  Fiscal  n°  04  (fls.  24535/24542),  foi  intimada  a  contribuinte  para  apresentar  os  elementos  abaixo  relacionados,  relativos  às  aquisições  de  bens  contabilizados  nas  contas  513201  e  513202, de valor superior a R$10.000,00 (valor total dos bens relacionados igual a  R$ 4.985.463,03):  ­ Informar o prazo de vida útil dos bens adquiridos (partes, peças e serviços de  manutenção);  ­ Caso  o  prazo  seja  inferior  a 1  (um)  ano,  apresentar  documentação  hábil  e  idônea comprovando a vida útil do bem adquirido (laudos, notas fiscais de reposição  etc).  Após  solicitar  prorrogação  de  prazo  (deferida  no  dia  13/07/2012),  a  contribuinte apresentou suas informações no dia 17/08/2012:  Alegou  que  os  bens  relacionados  no  anexo  do  Termo  de  Constatação  e  Intimação Fiscal n° 04 foram utilizados na produção e se tratam de aquisições com o  fim de manutenção dos ativos imobilizados que ocorrem periodicamente;  Fl. 28154DF CARF MF     48 Informou que de acordo com a melhor prática contábil o custo de manutenção  periódica não deve ser ativado, já que deverão ser reconhecidos no resultado quando  incorridos;  Apresentou  uma  relação  exemplificativa  de  casos  tentando  demonstrar  a  periodicidade da manutenção dos bens do ativo permanente;  Disse que as aquisições listadas se tratam de peças e serviços de manutenção  utilizada nos bens para que estes se mantenham em normais condições de uso, sem  agregar  qualquer  valor  adicional,  maximizar  ou  inovar  potencialmente  o  ativo  e  ainda sem aumentar a vida útil do mesmo;  Apresentou a Solução de Consulta n° 22, de 12 de março de 2012, alegando  que a própria Receita Federal do Brasil se posicionou no sentido de reconhecer que  se os dispêndios com serviços de manutenção não resulte em aumento da vida útil  superior a um ano, então não há impeditivo no aproveitamento do crédito de PIS e  COFINS por se tratar de uma aquisição de insumo.  Não podem prosperar os argumentos utilizados pela fiscalizada de que os bens  adquiridos,  utilizados  na  manutenção  de  seu  ativo  imobilizado,  devam  ser  contabilizados em conta de resultado, bem como que não há óbice para que sejam  aproveitados,  sobre  estas  aquisições,  os  créditos  relativos  às  contribuições  PIS/COFINS como se insumos fossem. Vejamos:  A primeira observação a ser feita se refere à periodicidade das manutenções  informadas pela fiscalizada.  Com efeito, os exemplos apresentados não permitem identificar a ocorrência  de manutenções periódicas em máquinas e equipamentos de forma individualizada.  É que as descrições são genéricas [RM P/MANUT MÁQ EQUIP MEDC. 5443, NF  839  LUME  SISTEMAS  ­  SERV. MÃO  DE  OBRA  (FAB.  VELHA),  RODMAR  TEC NF  98  ­ MANUTENÇÃO  PREVENTIVA,  SERV  TROCA MANÓMETRO  NFS 597 ­ ELTEC, etc], não possibilitando a comprovação que as manutenção são  realizadas periodicamente, no mesmo equipamento.  Não  é  razoável  a  aplicação  de  vultosos  valores  na  manutenção  de  máquinas e equipamentos, como citado anteriormente (NF n° 235888 ­reforma de  ponte rolante existente; NF n°854 ­ reforma de carreta), num período inferior a um  ano.  Ademais  a  fiscalizada  foi  intimada  a  informar  a  vida  útil  de  cada  bem  adquirido, comprovando o prazo mediante a apresentação de documentação hábil e  idônea (laudos, notas fiscais etc). Nenhum documento que demonstrasse a efetiva  vida  útil  do  bem  foi  apresentado.  A  fiscalizada  se  limitou  a  informar  alguns  exemplos de manutenções, alegando serem periódicas, sem, no entanto, comprovar  e individualizar os bens em que foram aplicadas.  Em relação à Solução de Consulta apresentada (n° 22, de 12 de março de  2012) ao contrário do alegado pela fiscalizada, o acórdão deixa claro que:  [...]  Ou seja, se a manutenção realizada aumentar a vida útil do bem, num prazo  superior  a um ano,  as  aquisições de bens  (partes,  peças  e  serviços) utilizadas na  manutenção também deverão compor o ativo permanente.  Quanto  à  Comissão  de  Pronunciamento  Contábil  ­  CPC  n°  27,  cabem  alguns esclarecimentos:  A primeira observação é o teor do item 12 do CPC n° 27:  12. Segundo o princípio de reconhecimento do item 7, uma  entidade  não  reconhece  no  valor  contábil  de  um  item  do  ativo  imobilizado  os  custos  da  assistência  periódica  ao  Fl. 28155DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.130          49 item.  Pelo  contrário,  esses  custos  são  reconhecidos  no  resultado  quando  incorridos.  Os  custos  da  assistência  periódica  são  principalmente  os  custos  da mão­de­obra  e  de  produtos  consumíveis,  e  podem  incluir  o  custo  de  pequenas peças. A finalidade desses gastos é muitas vezes  descrita  como  sendo  para  reparos  e  manutenção'  de  um  item do ativo imobilizado.  Com  efeito,  se  classifica  como  periódica  os  custos  da  mão­de­obra,  produtos consumíveis e os custos de pequenas peças.  No  presente  caso,  além  de  não  terem  sido  comprovadas  que  as  manutenções são realizadas de forma periódica (troca de peças num intervalo  inferior  a  um  ano),  as  peças  adquiridas  não  são  de  pequenos  valores  (R$326,61  ­  art.  3015  do  RIR/99).  Ou  seja,  as  aquisições  relacionadas  no  demonstrativo de fls. 24535/24542 não se enquadram no item 12 do CPC n°  27.  Ademais,  o  mesmo  CPC  (item  8)  define  que  as  partes  e  peças  de  manutenção  deverão  ser  classificadas  no  ativo  imobilizado  sempre  que  a  entidade espera utilizá­las durante mais de um período:  8.  Sobressalentes  e  equipamentos  de  serviço  são  geralmente  contabilizados  como  estoques  e  reconhecidos  no resultado quando consumidos. Porém, os sobressalentes  principais  e  equipamento  de  reserva  classificam­se  como  ativos  imobilizados  quando  uma  entidade  espera  usá­los  durante mais do que um período. Da mesma forma, se os  sobressalentes  e  os  equipamentos  de  serviço  puderem  ser  utilizados  em  ligação  com  um  item  do  ativo  imobilizado,  eles são contabilizados como ativo imobilizado, (grifei)  De  acordo  com  o  art.  179,  (sic)  da  Lei  n°  6.404/76  devem  ser  classificados no ativo imobilizado os seguintes bens:  Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo:  (...)  IV ­ no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto  bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da  companhia  ou  da  empresa  ou  exercidos  com  essa  finalidade,  inclusive  os  decorrentes  de  operações  que  transfiram  à  companhia  os  benefícios,  riscos  e  controle  desses bens;  Extrai­se desta definição que no ativo imobilizado são incluídos todos  os bens de permanência duradoura destinados à manutenção das atividades da  companhia.                                                              5  Art. 301. O cuslo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o  bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil  que não ultrapasse um ano (Decreto­Lei n° 1.598, de 1977, art. 15, Lei n° 8.218, de 1991, art. 20, Lei n° 8.383, de 1991, art. 3o,  inciso II, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 30).  Fl. 28156DF CARF MF     50 De  acordo  com  a  Resolução  n°  1177/09,  do  Conselho  Federal  de  Contabilidade, ativo imobilizado é o item tangível que:  c) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou  serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e   d) se espera utilizar por mais de um período.ç  [...]  Por  todo  o  exposto,  restou  exaustivamente  comprovado  que  a  fiscalizada  se  apropriou  de  créditos  relativos  às  contribuições  PIS/COFINS  referentes  a  aquisições  de  bens  (partes,  peças  e  serviços)  que  deveriam  ser  contabilizados no ativo imobilizado. Ou seja, aproveitou créditos relativos às  citadas aquisições como se insumos fossem.  Conforme  já  relatamos,  não  se  classificam  como  insumos  os  bens  adquiridos classificados no ativo imobilizado. É que para os bens integrantes  do  ativo  imobilizado  (edificações,  benfeitorias,  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens)  a  apropriação  de  créditos  é  feita  com  base  nos  encargos  de  depreciação ou com base no valor de aquisição (art. 3o, incisos VI e VII, c/c §  1o, inciso III e § 14, das Leis 10.833/2004 e 10.637/2002).  Desta  forma,  serão  glosados  os  créditos  relativos  às  aquisições  de  bens  contabilizados  nas  contas  513201  e  513202,  relacionados  no  demonstrativo  anexado ao Termo de Intimação Fiscal n° 03 ­ valor total igual a R$ 4.985.463,03 ­  fls. 24535/24542 e 25438/25440.  Abaixo com consolido os valores glosados:  Mês  Débitos  jan/09  393.566,34  fev/09  164.529,82  mar/09  134.842,80  abr/09  255.097,77  m ai/09  635.171,83  jun/09  314.892,64  iul/09  376.430,40  ago/09  1.151.890,64  set/09  350.212,79  out/09  299.782,87  nov/09  344.714,47  dez/09  564.330,66  TOTAL  4.985.463,03    3.9. CONCLUSÃO  Em  razão  das  glosas  efetuadas  pela  fiscalização  (itens  "3.1"  a  "3.8"  deste  termo),  refiz  os  demonstrativos  de  apuração  dos  créditos  das  contribuições  PIS  e  COFINS  não  comulativas,  conforme  demonstrativo  abaixo:  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições  PIS/COFINS  não  comulativas ­ fls. 25692/25695:  Neste demonstrativo estão relacionados:  ­ os débitos apurados pela fiscalizada [linhas (A) e (B)];  ­  os  créditos  relativos  às  contribuições  PIS/COFINS  apurados  pela  fiscalizada [linhas (C) e (D)];  ­ as bases de cálculo das glosas de créditos efetuadas pela fiscalização  [linhas (E) e (F)];  ­ os créditos glosados pela fiscalização [linhas (G) e (H)];  Fl. 28157DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.131          51 ­ os créditos deferidos (aceitos) pela fiscalização [linhas (I) e (J)];  ­ as contribuições PIS/COFINS devida [linhas (K) e (L)];  ­ as contribuições declaradas em DCTF [linhas (M) e (N)];  ­  as  contribuições  exigidas  de  ofício  ­  mediante  Auto  de  Infração  [linhas (O) e (P)].  Tendo  em  vista  que  no  referido  demonstrativo,  nos  meses  abaixo  relacionados, os débitos relativos às contribuições PIS e COFINS superaram  os  créditos  apurados,  será  efetuado  o  lançamento  de  ofício  do  saldo  não  declarado em DCTF nem recolhido:  MÊS/ANO  PIS  COFINS  jan/09  158.534,87  730.327,40  fev/09  167.348,49  671.845,72  mar/09  151.704,26  693.881,47  abr/09  151.475,39  714.678,78  m ai/09  138.391,35  637.438,62  iun/09  130.200,00  679.213,87  jul/09  146.277,55  673.756,33  ago/09  158.847,03  731.666,10  set/09  138.898,34  639.783,51  out/09  124.899,69  568.568,16  nov/09  168.775,53  777.383,29  dez/09  191.790,57  874.598,50  TOTAL  1.827.143,07  8.393.141,75    4 ­ DEDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E  DA CSLL  4.1  ­  EXCLUSÃO  INDEVIDA  DA  RECEITA  BRUTA  DE  TRIBUTOS COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA  Em  resposta  ao  item  "4"  do  Termo  de  Início  de  Ação  Fiscal  a  fiscalizada  apresentou  vários  documentos  relativos  ao  PIS/COFINS  com  exigibilidade  suspensa13  (Petição  Inicial,  Agravos,  Embargos,  Sentença,  Apelação, Recursos, Certidão de Objeto e Pé etc.) ­ fls. 20261/20393.  Com  efeito,  dentre  os  documentos  entregues,  verificamos  que  a  fiscalizada  está  discutindo,  judicialmente,  a  possibilidade  de  exclusão  do  ICMS  incidente  sobre  as  operações  de  venda,  da  base  de  cálculo  das  contribuições PIS/COFINS não comulativas.  A liminar, obtida em 21/12/2007, suspendeu a exigibilidade do crédito  tributário  até  o  dia  07/04/2008,  quando  foi  dado  provimento  ao  agravo  de  instrumento interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional.  Tendo em vista a decisão desfavorável obtida, a contribuinte optou em  depositar judicialmente os valores discutidos, suspendendo a exigibilidade do  crédito  tributário  nos  termos  do  art.  151,  inciso  II,  do  Código  Tributário  Nacional ­ CTN.  No  dia  09/09/2008  foi  proferida  a  Sentença  concedendo  a  segurança  pleiteada  pela  fiscalizada  (exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  do  PIS/COFINS).  Todavia,  após  apelação  da  Procuradoria,  esta  decisão  foi  reformada pelo Tribunal Regional Federal, no dia 26/04/2011.  Fl. 28158DF CARF MF     52 Atualmente,  referida ação  judicial encontra­se pendente de  apreciação  dos Recursos Especial e Extraordinário interpostos pela fiscalizada.  Cotejando  o  objeto  da  ação  judicial  (exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  das  contribuições  PIS/COFINS)  com  as  informações  constantes  da  DIPJ (ficha 07A ­ linhas 12 e 13 ­ fls. 11), com o demonstrativo de apuração  dos  débitos  apresentados  pela  fiscalizada  ­  fls.  742/743,  e  com  as  DCTF  apresentadas ­ fls. 1957/2460, apuramos que a fiscalizada está deduzindo da  receita bruta, para fins de determinação da receita líquida de suas atividades,  as  contribuições  PIS/COFINS  discutidas  judicialmente  (cuja  exigibilidade  está suspensa):  • Débitos e créditos apurados pela fiscalizada e saldo a pagar declarado  em DCTF:  Demonstrativo de Apuração do PIS ­ fl. 743  Débito PIS  Créditos ­ PIS  Saldo a pagar  PIS a pagar (DCTF)  10.602.572,50  5.803.389,00  4.799.183,50  4.799.181,69        Demonstrativo de Apuração da COFINS ­ fl. 743  Débito COFINS  Crédito COFINS  Saldo a pagar  COFINS a pagar  (DCTF)  48.836.091,52  26.701.633,72  22.134.457,80  22.134.457,79    • PIS/COFINS com exigibilidade suspensa:   DCTF ­ PIS A PAGAR  MÊS/ANO  PIS A PAGAR  (DCTF)  PGTO Cl DARF  EXIG. SUSPENSA OUTRAS COMPENSAÇÕES  jan/09  370.632,04  248.233,44  122.398,60    fev/09  325.926,30  215.697,90  110.228,40    mar/09  406.596,30  279.034,01  127.562,29    abr/09  321.551,96  202.401,76  119.150,20    m ai/09  396.424,42  268.335,97  128.088,45    jun/09  389.739,19  262.159,68  127.579,51    jul/09  422.998,91  284.595,50  138.403,41    ago/09  427.308,08  ­  134.911,15  292.396,93  set/09  412.359,67  274.241,69  138.117,98    out/09  526.212,24  386.542,72  139.669,52    nov/09  453.288,40  316.390,17  136.898,23    dez/09  346.144,18    138.701,15  207.443,03  TOTAL  4.799.181,69  2.737.632,84  1.561.708,89  499.839,96    COFINS A PAGAR  DCTF ­ COFINS A PAGAR MÊS/ANO  (DCTF)  PGTO Cl DARF  EXIG. SUSPENSA OUTRAS COMPENSAÇÕES  jan/09  1.707.590,29  1.143.814,93  563.775,36    fev/09  1.600.966,75  1.093.248,05  507.718,70    mar/09  1.878.435,60  1.290.875,94  587.559,66    abr/09  1.464.166,69  915.353,63  548.813,06    mai/09  1.827.819,54  1.237.836,40  589.983,14    jun/09  1.717.872,47  1.130.233,53  587.638,94    jul/09  1.948.008,34  1.310.513,85  637.494,49    ago/09  1.968.214,48  - 621.408,92  1.346.805,56  set/09  1.899.434,81  1.263.255,03  636.179,78    out/09  2.430.621,39  1.787.295,13  643.326,26    nov/09  2.087.997,52  1.457.435,97  630.561,55    Fl. 28159DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.132          53 dez/09  1.603.329,91    638.865,92  964.463,99  TOTAL  22.134.457,79  12.629.862,46  7.193.325,78  2.311.269,55  Com efeito, apurei que havia uma pequena divergência entre os débitos  deduzidos pela fiscalizada na ficha 06A da DIPJ (linhas 12 e 13 ­para fins de  apuração  da  Receita  Líquida  ­  fl.  11)  e  os  débitos  apresentados  no  Demonstrativo de Apuração das contribuições PIS/COFINS ­ fl. 743:    Demonstrativo de Apuração  do Débito ­ PIS  Dedução ­ PIS (Linha  13 ­ ficha 06A)  Diferença  10.602.572,50  10.673.011,29  70.438,79    Demonstrativo de Apuração  do Débito ­ COFINS  Dedução­COFINS  (Linha 12 ­ ficha 06A)  Diferença  48.836.091,52  49.151.533,30  315.441,78    Questionada,  a  fiscalizada  apresentou  o  demonstrativo  de  fls.  25699/26444 e informou, por intermédio de email, que (fls. 25696/25698):  "identificamos que a maior parte da diferença  se  trata de  uma constituição de provisão que  foi  lançada na conta de  despesa de PIS e Cofins"  Em uma das planilhas entregues a fiscalizada informou que (fl. 25699):  "trata­se de uma provisão que foi constituída nestas contas  de forma equivocada."  Portanto,  além  do  PIS/COFINS  discutidos  judicialmente  (com  exigibilidade suspensa), a fiscalizada também está se creditando de provisões  não admitidas pela legislação do IRPJ/CSLL.  Por  intermédio  da  planilha  denominada  "DEMONSTRATIVO  DAS  DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DO PIS/COFINS DEDUZIDOS EM  DIPJ  E  APURADOS  PELA  FISCALIZAÇÃO"  foram  apuradas  as  divergências  que  serão  adicionadas/excluídas  da  base  de  cálculo  do  IRPJ/CSLL ­ fl. 26445.  Estas  divergências  foram  somadas  ao PIS/COFINS  com exigibilidade  suspensa e,  assim,  foram consolidadas  as adições a  serem feitas na base de  cálculo do IRPJ/CSLL:    (A)  (B)  (C)=(A)+(B)  (D)  (E)  (G)=(C)­(D)+(E) MÊS/ANO  PIS Cl EXIG.  SUSPENSA  COFINS Cl EXIG.  SUSPENSA  TOTAL  Exclusão da BC  da IRPJ/CSLL  Adição à BC do  IRPJ/CSLL  Adição Final à BC do  IRPJ/CSLL  Jan/2009  122.398,60  563.775,36  686.173,96  5.030,41    681.143,55 Fev/2009  110.228,40  507.718,70  617.947,10  30.191,22    587.755,88 Mar/09  127.562,29  587.559,66  715.121,95  5.155,97    709.965,98 Abr/09  119.150,20  548.813,06  667.963,26    15.222,00  683.185,26 Mai/09  128.088,45  589.983,14  718.071,59  2.358,16    715.713,43 Jun/09  127.579,51  587.638,94  715.218,45  1.962,05    713.256,40 Jul/09  138.403,41  637.494,49  775.897,90  5.091,80    770.806,10 Ago/09  134.911,15  621.408,92  756.320,07    17.424,09  773.744,16 Set/09  138.117,98  636.179,78  774.297,76  769,86    773.527,90 Out/09  139.669,52  643.326,26  782.995,78    404.360,51  1.187.356,29 Fl. 28160DF CARF MF     54 Nov/09  136.898,23  630.561,55  767.459,78  1,82    767.457,96  Dez/09  138.701,15  638.865,92  777.567,07  484,08    777.082,99  TOTAL  1.561.708,89  7.193.325,78  8.755.034,67  51.045,38  437.006,60  9.140.995,89  OBS:  Colunas  (A)  e  (B):  Valores  relativos  às  contribuições  PIS/COFINS com exigibilidade suspensa ­ conforme DCTF  ­  fls.  1957/2460;  Colunas  (D)  e  (E):  Valores  apurados  conforme  planilha  denominada  de  "DEMONSTRATIVO  DAS  DIFERENÇAS  ENTRE  OS  VALORES  DO  PIS/COFINS DEDUZIDOS EM DIPJ E APURADOS PELA  FISCALIZAÇÃO" fl. 26445.  Referidas  contribuições,  discutidas  judicialmente,  também  não  estão  sendo adicionadas ao lucro líquido para fins de apuração da base de cálculo  do Imposto de Renda e da Contribuição Social.  De acordo com o art. 41, § 1o, da Lei n° 8.981/95, as contribuições e  tributos, cuja exigibilidade esteja suspensa são indedutíveis na determinação  do Lucro Real:  Art.  41.  Os  tributos  e  contribuições  são  dedutíveis,  na  determinação  do  lucro  real,  segundo  o  regime  de  competência.  §  1o  O  disposto  neste  artigo não  se  aplica aos  tributos  e  contribuições  cuja  exigibilidade  esteja  suspensa,  nos  termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25  de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial.  Ademais,  é  cediço  que  os  tributos  e  contribuições  com  exigibilidade  suspensa  são  obrigações  fiscais  condicionadas  à  exigência  futura  e  incerta.  Ou  seja,  por  configurar  uma  situação  de  solução  indefinida  à  época  do  encerramento  do  ano­calendário  a  que  se  refere,  a  qual  ainda  depende  de  eventos futuros que poderão ou não ocorrer, subsume­se numa situação de  contingência  que  poderá  resultar  em  efeitos  futuros  favoráveis  ou  desfavoráveis  à  pessoa  jurídica. Ou  seja,  à  época  do  balanço,  tal  ganho  ou  perda é apenas potencial, não  representando, evidentemente, uma obrigação  incondicional.  Logo,  decorre  daí  a  necessidade  da  formação  da  provisão  para  o  registro  contábil  dos  tributos  com  exigibilidade  suspensa  por  concessão  de  medida liminar ou de tutela antecipada, em outros tipos de ação judicial, em  função  de  sua  contingência  passiva  em  exercício  futuro,  cujos  valores  apropriados como despesa no ano­calendário devem ser adicionados ao lucro  líquido  para  fins  de  determinação  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  contribuição social sobre o lucro, por força do disposto no artigo 13, inciso I,  da Lei n° 9.249/95:  Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de  cálculo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  são  vedadas  as  seguintes  deduções,  independentemente  do  disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de  1964:  I  ­  de  qualquer  provisão,  exceto  as  constituídas  para  o  pagamento  de  férias  de  empregados  e  de  décimo­terceiro  Fl. 28161DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.133          55 salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981, de 20 de  janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20  de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias  de  seguro  e  de  capitalização,  bem  como das  entidades  de  previdência  privada,  cuja  constituição  é  exigida  pela  legislação especial a elas aplicável;  Portanto,  nos  termos  do  art.  13,  inciso  I,  da  Lei  n°  9.249/95,  com  exceção das provisões constituídas para pagamento de férias de empregados e  de décimo  terceiro  salário  e das provisões  técnicas  exigidas por  legislações  especiais, ficaram vedadas para efeito de apuração do lucro real e da base de  cálculo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  qualquer  provisão,  nesta  incluídas as provisões constituídas em função de tributo e contribuição com  exigibilidade suspensa.  A vista de  tal entendimento, a Secretaria da Receita Federal do Brasil  emitiu  a  IN  SRF  n°  390,  de  30  de  janeiro  de  2004,  cujo  artigo  50  traz  a  seguinte disposição:  "Art.  50.  Os  tributos  e  contribuições  são  dedutíveis,  na  determinação do  resultado ajustado,  segundo o  regime de  competência.  Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  tributos  e contribuições  cuja  exigibilidade esteja  suspensa  em virtude de:  I  ­  depósito,  ainda  que  judicial,  do montante  integral  do  crédito tributário;  II  ­ impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das  leis reguladoras do processo tributário administrativo;  III  ­  concessão  de  medida  liminar  em  mandado  de  segurança;  IV  ­ concessão de medida liminar ou de tutela antecipada  em outras espécies de ação judicial." (grifei)    Por todo o exposto, foi elaborado o Termo de Constatação e Intimação  Fiscal n° 01 e intimada a contribuinte para (fls. 20448/20451):  •  Justificar o motivo pelo qual  estão sendo excluídas as  contribuições  PIS/COFINS  (discutidas  judicialmente)  da  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda  e  da  Contribuição  Social,  informando  a  base  legal  das  referidas  exclusões;  •  Informar, mensalmente, os valores das contribuições PIS e COFINS  que  estão  sendo  excluídos  das  receitas  brutas,  segregando  as  contribuições  com exigibilidade suspensa;  • Apresentar os balancetes mensais de suspensão/redução para  fins de  apuração do IRPJ e da CSLL;  • Apresentar cópia digitalizada do Livro de Apuração do Lucro Real ­  LALUR;  Fl. 28162DF CARF MF     56 No  dia  02/05/2012  a  fiscalizada  protocolou  a  resposta  ao  Termo  de  Constatação e  Intimação Fiscal n° 01 e apresentou os seguintes documentos  fls. 20457/23178:  ­ Arquivo magnético, no formato excel, contendo os balancetes mensais  de  suspensão/redução  para  fins  de  apuração  do  IRPJ  e  da  CSLL  ­  fls.  20457/23149;  ­  Arquivo  magnético,  no  formato  pdf,  contendo  a  DIPJ/2O10  Retificadora, apresentada no dia 22/03/2012 (sob ação fiscal) ­ fls. 350/695;  ­ Arquivo magnético, no formato excel, contendo o Livro de Apuração  do Lucro Real ­ LALUR ­ fls. 23150/23178.  Com efeito, na resposta apresentada não constou nenhuma justificativa,  nem  foi  informada  a  base  legal  que  fundamentou  as  exclusões  das  contribuições  PIS/COFINS  (discutidas  judicialmente),  da  receita  bruta  apurada pela fiscalizada.  Nem  poderia  ser  diferente,  pois  conforme  demonstrado  as  contribuições, cuja exigibilidade está suspensa, são indedutíveis para fins de  determinação  da  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda  e  da  Contribuição  Social.  Administrativamente, este entendimento é pacífico:  [...]  Portanto, serão adicionadas à base de cálculo do imposto de renda e da  Contribuição  Social  as  contribuições  discutidas  judicialmente,  cuja  exigibilidade estão (sic) suspensa:  MÊS/ANO  PIS A PAGAR  (DCTF)  DCTF ­ PIS A PAGAR          PGTO C/ DARF  EXIG. SUSPENSA  OUTRAS  COMPENSAÇÕES  jan/09  370.632,04  248.233,44  122.398,60    íev/09  325.926,30  215.697,90  110.228,40    mar/09  406.596,30  279.034,01  127.562,29    abr/09  321.551,96  202.401,76  119.150,20    mai/09  396.424,42  268.335,97  128.088,45    jun/09  389.739,19  262.159,68  127.579,51    jul/09  422.998,91  284.595,50  138.403,41    ago/09  427.308,08  ­  134.911,15  292.396,93  set/09  412.359,67  274.241,69  138.117,98    out/09  526.212,24  386.542,72  139.669,52    nov/09  453.288,40  316.390,17  136.898,23    dez/09  346.144,18    138.701,15  207.443,03  TOTAL  4.799.181,69  2.737.632,84  1.561.708,89  499.839,96    MÊS/ANO  COFINS A  PAGAR (DCTF)  DCTF ­ COFINS A PAGAR          PGTO C/ DARF  EXIG. SUSPENSA  OUTRAS  COMPENSAÇÕES  jan/09  1.707.590,29  1.143.814,93  563.775,36    fev/09  1.600.966,75  1.093.248,05  507.718,70    mar/09  1.878.435,60  1.290.875,94  587.559,66    abr/09  1.464.166,69  915.353,63  548.813,06    mai/09  1.827.819,54  1.237.836,40  589.983,14    Fl. 28163DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.134          57 jun/09  1.717.872,47  1.130.233,53  587.638,94    jul/09  1.948.008,34  1.310.513,85  637.494,49    ago/09  1.968.214,48  ­  621.408,92  1.346.805,56  set/09  1.899.434,81  1.263.255,03  636.179,78    out/09  2.430.621,39  1.787.295,13  643.326,26    nov/09  2.087.997,52  1.457.435,97  630.561,55    dez/09  1.603.329,91    638.865,92  964.463,99  TOTAL  22.134.457,79  12.629.862,46  7 193.325,78  2.311.269,55  Também  serão  adicionados  à  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda  e  da  Contribuição  Social  as  diferenças  apuradas  entre  os  valores  da  COFINS/PIS  deduzidos  pela  fiscalizada  em  DIPJ  (ficha  06A­  linhas  12  e  13)  e  os  valores  de  PIS/COFINS apurados no demonstrativo de fls. 742/743.  Portanto,  apresento  abaixo  os  valores  consolidados  das  adições  que  estão  sendo feitas à BC do IRPJ/CSLL:      Cumpre esclarecer que a fiscalizada efetuou o recolhimento mensal do IRPJ e  da  CSLL  por  estimativa,  com  base  nos  balancetes  levantados  (fls.  364/372  e  fls.  20457/20463).  Os  valores  pagos/declarados  em  DCTF  (fls.  1957/2460)  foram  superiores ao IRPJ/CSLL apurados (fls. 364 e 370):  Tributo  Valor Declarado/pago a maior  Valor Utilizado (PER/DCOMP)  Saldo  IRPJ  2.686.978,10  485.956,55  2.201.021,55  CSLL  862.524,70  ­  862.524,70  Com efeito, parte do saldo negativo do IRPJ foi utilizado no PER/DCOMP n°  30443.42764.1405142.1.7.02­3301:  Fl. 28164DF CARF MF     58   Desta  forma, para  fins de determinação da CSLL e do  IRPJ devido,  iremos  abater  o  saldo  negativo  apurados  do  IRPJ  (R$  2.201.021,55)  e  da  CSLL  (R$862.524,70).  4.2 ­ EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO E DA BASE  DE CÁLCULO DA CSLL RELATIVA ÀS AQUISIÇÕES DE BENS DO  ATIVO  PERMANENTE,  DEDUZIDOS  INDEVIDAMENTE  COMO  DESPESA OPERACIONAL  4.2.1 MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS (CONTAS  513201 E 513202)  Já demonstrei, no item "3.8", que a contribuinte adquiriu diversos bens  utilizados  na  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  que  foram  contabilizados  indevidamente como despesas operacionais  (contas 513201 e  513202), sendo certo que deveriam estar classificados no ativo imobilizado.  Conforme visto, a fiscalizada foi intimada a informar a vida útil de cada  bem  adquirido,  comprovando  o  prazo  mediante  a  apresentação  de  documentação hábil e idônea (laudos, notas fiscais etc). Nenhum documento  que demonstrasse a efetiva vida útil do bem foi apresentado.  De  acordo  com  o  art.  301  do  Decreto  n°  3.000/99  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  ­  RIR/99),  o  custo  de  aquisição  de  bens  do  ativo  permanente  não  poderá  ser  deduzido  como despesa  operacional,  salvo  se  o  bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais  e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano.  Desta forma, serão adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL as  aquisições  de  bens  contabilizados  indevidamente  em  conta  de  resultado  (despesa), conforme demonstrativo anexado ao Termo de Intimação Fiscal n°  03 ­ valor total igual a R$4.985.463,03 ­ fls. 23603/23608.  Fl. 28165DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.135          59 Abaixo com consolido os bens adquiridos que deveriam ser ativados:  Mês  Bens que deveriam ser  ativados  jan/09  393.566,34  fev/09  164.529,82  mar/09  134.842,80  abr/09  255.097,77  mai/09  635.171,83  jun/09  314.892,64  jul/09  376.430,40  ago/09  1.151.890,64  set/09  350.212,79  out/09  299.782,87  no v/0 9  344.714,47  dez/09  564.330,66  TOTAL  4.985.463,03    4.2.2  MANUTENÇÃO  DE  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS  (BENS  IMPORTADOS)  Conforme  demonstrado  no  item  3.6,  supra,  a  fiscalizada  importou  bens  utilizados na manutenção de seus ativos que deveriam estar contabilizados no ativo  imobilizado  (arquivo  magnético  em  excel,  denominado  "Relação  de  outros  bens  importados ­ intimação.xis", planilha denominada "Anexo III ­Manutenção" ­ valor  total igual a R$ 1.190.758,64) ­ ver ANEXO I.  Com  efeito,  dentre  os  bens  relacionados,  parte  deles  foram  (sic)  contabilizados  em  conta  de  resultado  (despesa)  ­  R$  366.681,51  ­  planilha  denominada "Despesas importação.xis" ­ ANEXO I.  De acordo com o art. 301 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto  de Renda ­ RIR/99), o custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá  ser  deduzido  como  despesa  operacional,  salvo  se  o  bem  adquirido  tiver  valor  unitário  não  superior  a  trezentos  e  vinte  e  seis  reais  e  sessenta  e  um  centavos,  ou  prazo de vida útil que não ultrapasse um ano.  Desta  forma,  serão  adicionados  à  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  as  aquisições  de bens  contabilizados  indevidamente  em  conta  de  resultado  (despesa),  conforme planilha denominada "Despesas importação.xis" ­ANEXO I.  Abaixo com consolido os bens adquiridos que deveriam ser ativados:  Mês  Bens que deveriam ser  ativados  jan/09  6.741,13  abr/09  47.780,08  jun/09  83.746,71  M/09  66.568,35  ago/09  46.401,98  set/09  47.454,54  nov/09  617,91  dez/09  67.370,81  TOTAL  366.681,51  Por  intermédio  da  planilha  denominada  "DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO  DO  IRPJ  E  DA  CSLL  REDUZIDA"  foram  adicionadas  à  base  de  Fl. 28166DF CARF MF     60 cálculo do IRPJ/CSLL as infrações acima descritas, tendo sido apurado o IRPJ e a  CSLL devidos, os quais estão sendo exigidos de ofício (ANEXO11).    5 ­ MULTA ISOLADA ­ IRPJ MENSAL RECOLHIDO A MENOR  Já  relatamos  que  o  regime  de  apuração  do  IRPJ  e  da  CSLL  adotado  pelo  contribuinte é do LUCRO REAL ­ ANUAL, com recolhimentos mensais feitos por  estimativa, com base em balancetes levantados (fls. 364/372 e fls. 20457/20463).  Com efeito, a apuração mensal do IRPJ  tem previsão  legal no 35, da Lei n°  8.981/95 (art. 230 do Decreto 3.000/99):  "Art.  35.  A  pessoa  jurídica  poderá  suspender  ou  reduzir  o  pagamento  do  imposto  devido  em  cada  mês,  desde  que  demonstre,  através  de  balanços  ou  balancetes  mensais,  que  o  valor  acumulado  já  pago  excede  o  valor  do  imposto,  inclusive  adicional,  calculado  com  base  no  lucro  real  do  período  em  curso. § 1o Os balanços ou balancetes de que trata este artigo:  a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e  fiscais e transcritos no livro Diário;  b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do  Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos  no decorrer do ano­calendário.  (...)    De acordo com a DIPJ relativa ao ano­calendário de 2009, o imposto de renda  mensal  da  pessoa  jurídica  foi  apurado  com  base  nos  balanços  de  suspensão  ou  redução ­ fls. 364/372.  Os balanços mensais elaborados pela fiscalizada foram transcritos na parte A  do LALUR ­ Fls. 23150/23178, sendo idênticos aos declarados na DIPJ.  Veremos, abaixo, que a falta de recolhimento do IRPJ se deu em virtude da  adição,  ao  lucro  líquido,  das  infrações  apuradas  no  item  anterior,  conforme  exaustivamente comprovado neste termo.  Destarte,  a  fiscalização  precedeu  à  retificação  da  apuração  do  Lucro  Real  mensal,  conforme  planilha  denominada  "DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO  DO IRPJ E DA CSLL REDUZIDA" ­ ANEXO I, cuja síntese informamos abaixo:  MÊS/ANO  MULTA ISOLADA  (IRPJ)  ian/09  135.181,38  fev/09  94.035,71  mar/09  105.601,10  abr/09  78.489,10  m ai/09  213.629,45  jun/09  138.986,97  jul/09  151.725,61  ago/09  211.345,59  set/09  181.558,41  out/09  185.892,40  TOTAL  1.496.445,72    6­ MULTA ISOLADA ­ CSLL MENSAL RECOLHIDA A MENOR  Fl. 28167DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.136          61 A  apuração mensal  da CSLL  tem  previsão  legal  no  35,  da Lei  n°  8.981/95  (art. 230 do Decreto 3.000/99):  "Art.  35.  A  pessoa  jurídica  poderá  suspender  ou  reduzir  o  pagamento  do  imposto  devido  em  cada  mês,  desde  que  demonstre,  através  de  balanços  ou  balancetes  mensais,  que  o  valor  acumulado  já  pago  excede  o  valor  do  imposto,  inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1o Os  balanços ou balancetes de que trata este artigo:  a)  deverão  ser  levantados  com  observância  das  leis  comerciais  e  fiscais  e  transcritos no livro Diário;  b)  somente  produzirão  efeitos  para  determinação  da  parcela  do  Imposto  de  Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano­calendário.  (...)  De  acordo  com  a  DIPJ  relativa  ao  ano­calendário  de  2009,  a  CSLL  da  contribuinte  foi  apurada  com  base  nos  balanços  de  suspensão  ou  redução  ­fls.  364/372.  Os  cálculos  dos  balanços  mensais  elaborados  pela  fiscalizada  foram  apresentados  nos  demonstrativos  de  fls.  23150/23178,  sendo  idênticos  aos  declarados nas DIPJ.  Veremos,  abaixo,  que  a  falta  de  recolhimento  da  CSLL  mensal  se  deu  em  virtude da  adição,  ao  lucro  líquido, das  infrações  apuradas  no  item  "4",  conforme  comprovado neste termo.  Destarte,  a  fiscalização  precedeu  à  retificação  do  cálculo  de  apuração  da  CSLL  mensal,  conforme  planilha  denominada  "DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO  DO  IRPJ  E  DA  CSLL  REDUZIDA"  ­  ANEXO  I,  cujos  valores,  consolidamos abaixo:  MULTA ISOLADA MÊS/ANO  (CSLL)  jan/09  48.665,30  fev/09  33.852,86  mar/09  38.016,40  abr/09  44.372,84  mai/09  60.789,84  jun/09  50.035,31  jul/09  54.621,22  set/09  66.498,82  out/09  66.921,26  TOTAL  538.720,47    Isto posto, será lançada a multa isolada de que trata o art. 44, inciso II da Lei  n° 9.430/96, sobre o valor recolhido a menor da CSLL calculada por estimativa ou  por balanços de suspensão/redução levantados pela empresa.  7 ­ DO AUTO DE INFRAÇÃO  Face a todo o exposto no presente termo, lavro o competente Auto de Infração  (do qual este Termo de Descrição dos Fatos é parte integrante), em 02 (DUAS) vias  de  igual  forma e  teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil  e  pelo contribuinte/representante legal, que neste atr. recebe uma das vias.”  Fl. 28168DF CARF MF     62 Decisão de primeira instância às fls. 27919/27943, assim ementada:  “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009  PRELIMINAR  DE  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  POR  INSUFICIÊNCIA  NA  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS.  INOCORRÊNCIA.  Verificada  a  correta  descrição  das  irregularidades  atribuídas  ao  contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.  MULTA DE OFICIO  ISOLADA.  FALTA DE RECOLHIMENTO DAS  ESTIMATIVAS.  CONCOMITÂNCIA  COM  A  MULTA  DE  OFICIO  PROPORCIONAL.  À  luz  da  legislação  vigente,  inclusive  Instrução  Normativa  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  que  deve  ser  observada  pelo  julgador  administrativo  de  1ª  Instância,  é  cabível  a  exigência  da  multa  de  oficio  isolada  concomitante  com  a  multa  de  oficio  proporcional,  em  face  das  mesmas infrações.  INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA  ISOLADA APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CABIMENTO.  Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita  ao  pagamento  mensal  do  IRPJ,  determinada  sobre  a  base  de  cálculo  estimada,  deixar  de  efetuar  o  seu  recolhimento  dentro  do  prazo  legal  de  vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando  a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de  cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II,  b da Lei n° 9.430/96.  ALEGAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  ALEGAÇÃO  DE  ILEGALIDADE.  Não  compete  ao  julgador  administrativo  conhecer  de  pretensa  ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Pelo contrário,  ao  julgador  administrativo  compete,  apenas,  verificar  se  a  lei  e  os  atos  normativos  do Poder Público  foram aplicados  conforme editados,  uma  vez  que são dotados de presunção de legitimidade e legalidade. O conhecimento e  julgamento de eventual vício formal ou material da legislação aplicada e em vigor  compete,  apenas,  ao  Poder  Judiciário,  o  qual  tem  a  última  palavra  em  face  do  princípio da unidade de jurisdição.  PIS/COFINS  NÃO  CUMULATIVO  ANTECIPAÇÃO  DO  CÔMPUTO  DE INSUMOS. POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DE TRIBUTOS.  A  inobservância  do  período  de  apuração  no  cômputo  de  insumos  (créditos), quando comprovado pelo contribuinte que o tributo que deixou de  ser  pago  em  razão  desse  procedimento  o  foi  em  período  posterior,  caracteriza postergação do pagamento do Tributo, o que implica em excluir  da exigência a parcela paga posteriormente.  PIS  E  COFINS.  RETIFICAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  LANÇAMENTO DE OFICIO.  Confirmado, mediante diligência fiscal, o equivoco na determinação da base  de cálculo do PIS/Cofins não cumulativo, cumpre ajustar as exigências.”  Ciência da decisão de primeira instância no dia 05/02/2015, à fl. 27957.  Fl. 28169DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.137          63 Recurso voluntário às fls. 27986/28068, com entrada na repartição de origem  no dia 09/03/2015.  Nesta oportunidade, aduz o seguinte:  1) os motivos das glosas efetuadas pelo Fisco podem ser verificados na tabela  abaixo:  Natureza da glosa    Item do  TDF  Objeto  Base de glosa  (R$)  3.1.1  Serviço de manutenção em pallets  132.496,76  3.1.2  Despesas extras  684.854,30  3.1.3  Compra de óleo diesel  3.324.702,68  3.1.4  Despesas  com  monitoramento  e rastreamento  119.827,01  3.1.5  Despesas com pedágio  3.186.370,04  3.1.6  Despesas  com  hospedagem,  passagem rodoviária e diárias  20.780,50  3.1.7  Despesas com consultoria  686.497,98  Bens  ou  serviços  que  supostamente não se enquadram  no conceito de insumo  3.1.8  Despesas com condomínio  540.364,64      Natureza da glosa  Item do TDF  Objeto  Base da glosa  3.4  Frete  de  produtos  acabados  e  em  elaboração  entre  os  estabelecimentos  da  contribuinte  66.834.965,86 Bens ou serviços que  supostamente  não  se  enquadram  no  conceito de insumo  3.7.1  Despesas  com  locação  de cavalos­mecânicos  18.471.519,63  3.2  Despesas com alugueis  pagos a pessoas físicas  358.653,53 Créditos  vedados  pela  legislação  do  PIS e da COFINS  3.3  Despesas  com  aluguel  de  imóvel  que  já  integrou  o  patrimônio  do contribuinte  376.266,86  3.5  Reclassificação  dos  créditos  relativos  aos  bens  integrantes  do  ativo imobilizado  6.020.062,42   (PIS) e   6.021.384,47 (COFINS)  Cálculo  de  créditos  sobre  valor  de  bens  que  deveriam  ser  classificados no ativo  imobilizado  3.6  Créditos  relativos  à  aquisição  de  bens  importados  como  insumo  1.374.790,30   (PIS)   1.073.600,92 (COFINS)  Fl. 28170DF CARF MF     64   3.6  Créditos  relativos  à  aquisição  de  bens  importados  utilizados  na  manutenção  de  ativos  1.190.758,64  Natureza da glosa  Item do TDF  Objeto  Valor da glosa  Cálculo  de  créditos  sobre  valor  de  bens  que  deveriam  ser  classificados no ativo  imobilizado  3.8  Despesas com  manutenção de  máquinas e  equipamentos  4.985.463,03  Exclusão indevida da  receita  bruta  de  tributos  com  a  exigibilidade  suspensa  4.1  Exclusão  indevida  da  receita bruta de tributos  com  a  exigibilidade  suspensa  9.140.995,89  4.2.1  Manutenção  de  Máquinas  e  equipamentos  4.985.463,03 Exclusão indevida do  lucro  líquido relativa  às aquisições de bens  do  ativo  permanente,  deduzidos  indevidamente  como  despesa operacional  4.2.2  Manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  (bens  importados)  366.681,51  2) Regularmente notificada do lançamento, a Recorrente optou pelo pagamento  dos  valores  exigidos  nos  itens  3.2,  3.3  e  4.1  do  "TDF"  e,  em  relação  aos  demais  itens,  apresentou impugnação em 14.02.2013;  3)  recebidos  os  autos  pela  3a  Turma  da  DRJ,  converteu­se  o  julgamento  em  diligência, por meio da Resolução n° 1.717, de 06 de junho de 2013. Isso porque a recorrente  afirmara, em sede de impugnação, que nem todos os valores glosados no  item 3.4 do "TDF"  referiam­se  a  fretes  entre  estabelecimentos  da  própria  empresa.  Na  conta  analisada  pela  autoridade fiscal, também constavam despesas com fretes relativos a operações de venda, cujo  crédito é admitido pelo inciso IX do artigo 3o das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003;  4)  seguiu­se,  então,  a  diligência  para  identificar  o  valor  dos  fretes  entre  estabelecimentos da própria recorrente e assim distingui­lo do montante relacionado à venda de  produto acabado, o que levou a autoridade julgadora, ao final, a reduzir a glosa relativa a este  item, passando de R$ 66.834.965,86 para R$ 4.782.824, 07;   5) na decisão proferida pela DRJ, objeto do presente recurso voluntário, julgou­ se  procedente  em  parte  a  impugnação,  cancelando­se  o  crédito  tributário  parcialmente  em  relação ao item 3.4, e integralmente em relação aos itens 3.5, 3.6 e 3.8 do TDF;  6) em relação aos itens 3.5, 3.6 e 3.8, a DRJ concluiu que, embora a recorrente  tenha calculado o crédito sobre o valor  total dos bens adquiridos e não sobre os encargos de  depreciação  e  amortização,  inexistiu  prejuízo  ao  Fisco.  De  fato,  a  utilização  antecipada  do  crédito  gerou  mero  efeito  de  postergação  no  pagamento  das  aludidas  contribuições,  não  havendo razão, portanto, para se manter a autuação;   7)  já  quanto  aos  demais  itens  do  TDF,  restou  mantido  o  crédito  tributário  exigido;  Fl. 28171DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.138          65 8)  o  quadro  a  seguir  sintetiza  o  decidido  pela  DRJ:     Item do  "TDF"  Objeto  Decisão da  DRJ  Motivo  3.1.1  Manutenção em pallets  Mantido  As despesas não se  enquadram no conceito de  insumo previsto na IN/RFB n°  404/04  3.1.2  Despesas extras          3.1.3  Óleo diesel          3.1.4  Despesas com monitoramento e  rastreamento          3.1.5  Despesas com pedágio          3.1.6  Despesas com hospedagem, passagens  rodoviárias e diárias          3.1.7  Despesas com consultoria          3.1.8  Despesas com condomínio          3.7.1  Locação de cavalos­mecânicos          3.4  Fretes entre estabelecimentos  Exonerado  parcialmente  Acolhimento do resultado da  diligência fiscal e canceladas  as glosas relativas às  operações de venda. Mantidas  as glosas relativas aos fretes  entre estabelecimentos da  recorrente  3.5 Reclassificação dos créditos relativos aos  bens integrantes do ativo imobilizado  Exonerado  Mero efeito de postergação no  recolhimento do PIS/COFINS ­  Ausência de prejuízo ao Erário  3.6 Glosa dos créditos relativos à aquisição de  bens importados          3.8 Glosa de despesas com manutenção de  máquinas e equipamentos          4.2.1  Dedução indevida, como despesa  operacional, de bens do ativo permanente  utilizados para a manutenção de  máquinas e equipamentos  Mantido  Contribuinte não comprovou  que a vida útil dos bens era  superior a um ano e não alegou  o efeito de postergação  Fl. 28172DF CARF MF     66 4.2.2  Dedução indevida, como despesa  operacional, de bens do ativo permanente  utilizados para a manutenção de  máquinas e  equipamentos (bens importados)          5 e 6  Multa isolada em razão do recolhimento a  menor de estimativas de IRPJ e CSL  Mantido  Hipótese de incidência distinta  da multa de ofício (75%)    9)  no  tocante  aos  itens  3.1,  3.4  (na  parte mantida)  e 3.7,  a DRJ  concordou  com  a  tese  do  autuante,  de  acordo  com  a  qual  o  conceito  de  insumo  é  aquele  previsto  na  IN/RFB  n°  404/04.  Nesse  sentido,  somente  gerariam  o  direito  ao  crédito  (página  n°  18  do  acórdão recorrido) "matéria­prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer  outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades  físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação";   10)  os  itens  4.2.1  e  4.2.2  foram  mantidos  em  razão  da  ausência  de  comprovação, pela recorrente, de que a vida útil dos bens não é inferior a um ano. Se assim o  fosse, permitir­se­ia a dedução integral dos respectivos valores da base de cálculos do IRPJ e  da CSSL,  uma  vez  admitidos  entre  as  despesas  operacionais. Ademais,  não  se  considerou  o  efeito da postergação, já que a Recorrente deixara de suscitá­lo na impugnação;  11)  por  fim,  a  multa  isolada,  exigida  nos  itens  5  e  6,  foi  mantida,  ao  argumento de que se trata de sanção distinta daquela prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n°  9.430/96;   12) no presente recurso Voluntário, insurge­se parcialmente contra a decisão  da DRJ na parte em que manteve as glosas efetuadas nos  itens 3.1.1 a 3.1.8, 3.4, 3.7, 4.2.1 e  4.2.2. Ademais, a despeito de terem sido canceladas as glosas dos itens 3.5, 3.6 e 3.8, o acórdão  incorreu  em  dois  pequenos  lapsos  de  ordem  formal,  que  deverão  ser  corrigidos  por  este  Conselho;  13) já tratando das questões, no mérito, vale lembrar que as Leis n° 10.637/02  e 10.833/03 instituíram o regime de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS e da  COFINS, objetivando estimular a eficiência econômica e desonerar a tributação cumulativa da  receita;  14) para concretizar os objetivos estipulados, referidos diplomas previram um  rol de despesas que poderiam originar créditos para o contribuinte, assim reduzindo o montante  tributável, eliminando, por conseguinte, o indesejado "efeito cascata";  15) dentre as hipóteses de aproveitamento de crédito, importa aquela prevista  no inciso II do artigo 3o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verbis:  "Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2°  a  pessoa  jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata  o art. 2° da Lei no 10.485, de 3 de  julho de 2002, devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  Fl. 28173DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.139          67 intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições 87.03 e 87.04 da Tipi;" (destacado)  16) pelo exposto, os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de  serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda geram créditos  passíveis de desconto da receita obtida no mesmo período;  17) a grande controvérsia está em definir o alcance semântico da expressão  "insumo". Isso porque a utilização de um conceito mais abrangente pode gerar maior crédito, a  implicar menor valor de  tributo a pagar. Por outro  lado, a  restrição excessiva do conceito de  "insumo"  produz  efeito  inverso,  ou  seja,  a  redução  do  montante  de  créditos  apropriáveis,  acarretando o aumento do valor final do tributo a pagar;  18) a Receita Federal do Brasil estabeleceu o conceito de insumo para fins de  incidência das contribuições sociais em questão, consoante o disposto na Instrução Normativa  RFB n° 404/2004, em seu artigo 8o, § 4o, incisos I e II:  "Art. 8o. [...]    §  4 º .   ara os efeitos da alínea "b" do  inciso  I do caput,  entende­se como insumos:  I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados  à venda:  a) a matéria­prima, o produto intermediário, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste,  o dano ou a perda de propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam incluídas no ativo imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação  do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço."  (destacado)  19)  de  acordo  com  essa  disciplina  normativa,  a  autoridade  fiscal  glosou  diversos  créditos  aproveitados  pela  Recorrente,  calculados  sobre  despesas  com  óleo  diesel,  pedágios,  monitoramento  e  rastreamento,  fretes,  locação  de  cavalos­mecânico,  e  outras.  Também a DRJ curvou­se ao preceito normativo constante da IN SRF nº 404/2004, adotando o  conceito  de  insumo  firmado  no  mencionado  ato,  que  é  obediente  ao  conceito  dado  pela  legislação do IPI.  Fl. 28174DF CARF MF     68 20)  entretanto,  a  interpretação  adotada  pelo  acórdão  recorrido  não  pode  prevalecer,  já  que  o  conceito  previsto  no  citado  ato  infralegal  reduz  substantivamente  as  possibilidades de créditos passíveis de aproveitamento, burlando o espírito da lei;  21) o insumo que gera créditos para fins de abatimento do montante apurado  a  título  de  IPI  é  aquele  que  compõe,  de  alguma  forma,  o  produto  final.  Isso  fica  claro  pela  obrigatoriedade de que o bem seja aplicado e consumido (ou sofra algum tipo de desgaste, no  mínimo) diretamente sobre o produto em fabricação, consoante redação do §4°, incisos I e II,  do artigo 8o da referida Instrução Normativa;  22)  por  outro  lado,  a  legislação  instituidora  do  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativos permite que um determinado  serviço  seja utilizado como  insumo na produção e  fabricação de bens destinados à venda ou até mesmo na prestação de outros serviços, o que é  suficiente para infirmar o entendimento da Fiscalização;  23)  é  possível  verificar  que  a  própria  legislação  do  PIS  e  da  COFINS  reconhece  que  o  "termo"  insumo  tem  abrangência  maior,  uma  vez  que  não  limita  os  seus  créditos  tão  somente  aos  bens  que  compõem  diretamente  o  produto  ou  que  se  desgastam  durante o processo produtivo;  24) ademais, a matéria sobre as quais  incidem as contribuições do PIS e da  COFINS não se confunde com a do IPI, pois, enquanto as primeiras recaem sobre a receita do  contribuinte, o IPI recai sobre operações com produtos industrializados;  25) considerando que a contribuição para o PIS e a COFINS oneram a receita  oriunda de determinada atividade econômica, imprestável o conceito de insumo utilizado pela  legislação  do  IPI,  que  onera  exclusivamente  os  produtos  industrializados.  Uma  vez  que  a  tributação recai sobre a receita, o bem ou serviço utilizado como insumo deve guardar relação  com a sua geração, ao passo que, para o IPI, importa saber kjse o insumo é ou não relevante no  processo de industrialização.   26)  atualmente,  prevalece  o  entendimento  de  que  o  termo  "insumo",  positivado pelas  leis que  instituíram o regime não cumulativo das contribuições para o PIS e  para COFINS, possui um conceito próprio, a ser construído pelo  intérprete em conformidade  com  a  materialidade  desses  tributos  e  com  o  objetivo  almejado  pelo  regime  da  não  cumulatividade;  27) O CARF  tem  buscado  estabelecer  requisitos  que  permitam  caracterizar  determinado  bem  ou  serviço  como  insumo  hábil  a  gerar  créditos  da  aludidas  contribuições  sociais. Esses requisitos, no entanto, não são uniformes;  28)  da  análise  dos  acórdãos  que  cuidaram  do  assunto,  a  recorrente  estabeleceu  três  requisitos  que  são  comumente mencionados  pelos Conselheiros,  podendo­se  afirmar, portanto, que insumo é o bem ou serviço:   (i)  necessário  e  essencial  (ou,  em  outros  termos  utilizados,  "pertinente",  "indispensável" e "dependente") ao desenvolvimento da atividade econômica do contribuinte e  à obtenção da receita tributável;   (ii)  empregado,  direta  ou  indiretamente,  no  processo  produtivo  ou  na  prestação do serviço, de modo que a sua subtração impede o próprio processo produtivo ou a  prestação  do  serviço  ou,  ainda,  implica  evidente  perda  de  qualidade  do  produto  ou  serviço  final; e   (iii) relacionado ao objeto social do contribuinte;  28)  vale  destacar  que  o  raciocínio  exposto  acima  começou  a  aflorar  no  Superior Tribunal de Justiça (STJ), quando do julgamento do Recurso Especial n° 1.246.317,  Fl. 28175DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.140          69 de  relatoria  do Ministro  Campbell Marques.  Para  o  referido  Colegiado,  a  essencialidade  do  bem ou serviço ao processo produtivo é fundamental para a caracterização do insumo;  29)  a  recorrente  pretende  demonstrar  a  improcedência  da  autuação  e  o  equívoco do acórdão proferido pela DRJ, a partir dos requisitos extraídos de diversos acórdãos  do CARF, os quais delinearam o que é necessário para que determinado bem ou serviço possa  ser considerado insumo e, consequentemente, tenha aptidão para gerar créditos;  30)  consoante  o  contrato  social,  a  recorrente  se  dedica  à  fabricação,  industrialização,  comercialização, distribuição  e,  ainda,  ao  transporte de  uma ampla  linha de  gases industriais, tendo como principais clientes empresas do setor industrial e hospitalar, que  adquirem  uma  quantidade  maior  ou  menor  de  produtos  de  acordo  com  a  exigência  do  seu  processo fabril ou na prestação de seus serviços;  31) para a manutenção da sua atividade, a  recorrente oferece  três diferentes  modalidades  de  fornecimento  e  distribuição  de  seus  produtos,  que  variam  de  acordo  com as  necessidades de cada cliente. São elas:   (a)  tonnage:  fornecimento  de  grandes  quantidades  de  gás  diretamente  às  plantas construídas dentro das fábricas dos clientes, realizado por meio de tubulações;   (b) bulk: fornecimento de gases a granel, transportados em estado líquido, em  caminhões, até o reservatório localizado nas fábricas ou estabelecimentos dos seus clientes;   (c)  cilindros:  fornecimento  em  menores  quantidades,  em  estado  gasoso,  e  acondicionado  em  cilindros,  após  a  gaseificação  e  envasamento,  realizados  nos  estabelecimentos denominados Filling Stations — Estações de Envasamento;  32)  com  exceção  da  modalidade  de  tonnage,  cujo  transporte  é  realizado  diretamente  aos  clientes  por meio de  tubulações,  as demais  se utilizam de  caminhões para o  transporte  das  mercadorias  aos  consumidores  finais  ou  para  o  transporte  do  gás  em  estado  líquido para  as  estações  de  envasamento,  a  fim de viabilizar  a  continuidade do  seu processo  produtivo;  33)  assim,  pode­se  perceber  que,  para  o  regular  desenvolvimento  de  suas  atividades, a recorrente adquire diversos bens e serviços necessários e essenciais, empregados,  direta  ou  indiretamente,  em  seu  processo  produtivo  ou  nos  serviços  de  transporte  prestados,  gerando­lhe  créditos  de  PIS/COFINS,  nos  termos  do  artigo  3o,  inciso  II,  das  Leis  n°s.  10.637/02 e 10.833/03;   34) compreendidas as atividades desempenhadas pela  recorrente, passa­se a  verificar  se os bens e  serviços adquiridos, cujos valores  serviram de base para o cálculo dos  créditos glosados pela autoridade fiscal, caracterizam, ou não, insumos hábeis a gerá­los;  35)  quanto  ao  serviço  de manutenção  em  pallets  (item  3.1.1  do  "TDF"):  a  autoridade  fiscal entendeu que as despesas  referentes aos  serviços de manutenção em pallets  não  poderiam  gerar  créditos,  pois  (i)  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo  (aquele  da  IN/RFB n° 404/04) e, além disso, (ii) como os pallets deveriam ser classificados como bens do  ativo imobilizado, os gastos com sua manutenção só poderiam gerar créditos sobre os encargos  de  depreciação  e  amortização,  nos  termos  dos  incisos  VI  e  VII  do  artigo  3o  das  Leis  n°s.  10.637/02 e 10.833/03;  36)  tal  conclusão  é  equivocada,  devendo  ser  afastada,  tendo  em  vista  a  inaplicabilidade  do  conceito  de  insumo  previsto  na  IN/RFB  n°  404/04,  como  já  explicado  anteriormente;  Fl. 28176DF CARF MF     70 37)  os  pallets  são  utilizados  no  armazenamento  dos  cilindros  de  gás  produzidos pela recorrente. Sua utilização não só é necessária para o transporte dos cilindros de  gás,  como  também  o  é  para  cumprir  a  legislação  específica  aplicável  (p.  ex.:  ANVISA,  CONATRAN, ANTT, MOPP ­ Movimentação e Operação de Produtos Perigosos);   38)  tanto  é  assim  que  a  Norma Brasileira  ABNT NBR  15514  (doc.  06  da  impugnação),  ao  regular  os  critérios  de  segurança  relativos  à  área  de  armazenamento  de  recipientes  transportáveis  de  gás  liquefeito  de  petróleo  (GLP)  destinados  ou  não  à  comercialização,  confere  a  necessidade  do  transporte  desses  produtos  exclusivamente  em  pallets;  39)  diante  disso,  resta  indiscutível  a  necessidade  da  utilização  dos  pallets  para o transporte de gases em cilindros, sendo imprescindível que sejam mantidos em perfeito  estado, principalmente por razões de segurança, como visto em linhas precedentes;  40) uma vez que os pallets são bens empregados como insumo no transporte  dos gases, vendidos aos clientes da recorrente, é evidente que os valores gastos com os serviços  para a sua manutenção também caracterizam insumos e, portanto, geram o direito ao crédito do  PIS/COFINS;  41) em alinhamento à jurisprudência do CARF e do STJ, assevera­se que os  pallets  são  essenciais  à  atividade  econômica  da  recorrente,  além  de  serem  empregados  diretamente  no  transporte  dos  cilindros  de  gás,  cuja  comercialização  constitui  uma  das  atividades do objeto social da recorrente;  42)  caso  a  Turma  Julgadora  entenda  que  os  serviços  de  manutenção  em  pallets não  configuram  insumo,  ainda  assim  deve  ser  restabelecido  o  crédito  aproveitado,  já  que o seu aproveitamento não trouxe prejuízos ao Erário, causando mero efeito de postergação  no pagamento dos tributos;  43)  isso  porque  a  autoridade  fiscal  entendeu  que  os  pallets,  por  estarem  contabilizados  como  bens  do  ativo  imobilizado,  não  poderiam  ser  considerados  insumos.  Igualmente, os serviços de manutenção nos referidos bens também deveriam ser contabilizados  no ativo imobilizado;   44) nessa ordem de idéias, a Recorrente deveria calcular os créditos sobre os  encargos  de  depreciação  e  amortização  incorridos  no  mês,  consoante  disposto  no  artigo  3o,  inciso VI e § 1o, inciso III, das Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03;  45)  note­se,  a  esse  respeito,  na página  20  do TDF,  que  a  autoridade Fiscal  admite o cálculo do crédito sobre o valor dos serviços tomados. Não de uma só vez, enquanto  insumos, mas fracionadamente, sobre os encargos de depreciação e amortização;  46) nesse caso, deve ser aplicado o mesmo raciocínio utilizado pela DRJ para  cancelar  os  itens  3.5,  3.6  e  3.8  do  TDF,  afinal  a  temática  é  a  mesma,  ou  seja,  os  créditos  poderiam  ser  aproveitados  desde  que  calculados  sobre  os  encargos  de  depreciação  e  amortização incorridos no mês e não de uma só vez, como se insumos fossem;  47) assim, terá havido mera postergação no pagamento do tributo e completa  ausência  de  prejuízos  ao  Erário,  pois,  nos  meses  seguintes,  a  recorrente  recolheu  as  contribuições  sociais  em  montante  superior  ao  que  seria  devido,  caso  se  apropriasse  dos  créditos calculados sobre os encargos de depreciação;   48)  a  recorrente  fez prova do  recolhimento posterior do  tributo postergado,  conforme  apontam  as  DACON  acostadas  aos  autos,  e  a  DRJ,  por  sua  vez,  acolheu  esse  raciocínio ao cancelar os itens 3.5, 3.6 e 3.8 da autuação;  49)  quanto  às  despesas  extras  (item  3.1.2  do  TDF):  a  autoridade  Fiscal  identificou  diversas  "despesas  extras"  nas  contas  51300000000  (Materiais  e  Insumos),  Fl. 28177DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.141          71 51400000000 (Serviços Prestados por Terceiros) e 51500000000 (Despesas com Veículos) do  Livro  Diário  da  Recorrente.  Trata­se  de  reembolsos  de  despesas  com  serviços  de  táxi,  deslocamentos  de  motoristas,  hospedagens,  passagens  de  ônibus,  pesagens,  taxas  de  fiscalização,  refeições,  dentre  outras,  todas  diretamente  relacionadas  ao  serviço  de  transportadoras  de  cargas  que  contrata  para  viabilizar  a  distribuição  de  seus  produtos  aos  clientes, o que permite caracterizá­las como insumos;   50)  é  evidente  que  o  preço  pago  pelo  serviço  de  transporte  caracteriza  insumo. Se a recorrente não contratasse tais serviços, tornar­se­ia impossibilitada de atender a  demanda  de  seus  clientes  e  distribuir  os  gases  por  ela  fabricados.  Obviamente,  as  despesas  extras são acessórias ao preço pago pelo serviço de transporte, porém necessárias para a regular  prestação dos serviços;  51)  no  caso  das  despesas  com  hospedagem,  sabe­se  que,  nem  sempre,  o  transportador consegue percorrer todo o trajeto em um dia. Nessa situação, a hospedagem em  hotel/pousada é imprescindível, seja em razão do necessário repouso, seja para evitar acidentes  de  trânsitos,  tão  comuns  no  país.  Aliás,  o  Estatuto  do  Motorista  Profissional  (Lei  n°  12.619/2012)  incluiu na CLT o artigo 235­D, assim determinando que, nas viagens de  longa  distância, o empregador garanta repouso diário em hotel;  52) as despesas com táxi e passagens de ônibus foram incorridas para atender  exigências  específicas  da  recorrente,  permitindo  o  deslocamento  do  motorista  ao  ponto  de  carregamento,  isto  é,  de  onde  sairá  o  caminhão  com  os  produtos  a  serem  transportados.  Naturalmente,  sem que o motorista  se desloque até o ponto de carregamento,  fica  inviável o  transporte e, consequentemente, a geração da receita tributável;  53)  igualmente  relevantes  são  as  despesas  com  a  pesagem  dos  caminhões.  Ora, ter conhecimento do peso da carga do caminhão é obrigatório. Eventual excesso de peso  pode  acarretar  a  aplicação  de  elevadas  multas  ao  transportador,  o  que  é  suficiente  para  demonstrar a natureza de insumo de tais serviços;  54)  da  mesma  forma,  as  taxas  de  fiscalização  cobradas  pelos  Estados  constituem  não  apenas  despesas  necessárias  e  essenciais,  mas  também  obrigatórias,  não  havendo qualquer dúvida quanto à possibilidade de creditamento dos valores desembolsados a  esse título;  55) quanto às despesas com óleo diesel (item 3.1.3 do TDF): o óleo diesel é  adquirido pela recorrente para abastecer os cavalos­mecânicos alugados da empresa GAFOR,  conforme  contrato  acostado  às  folhas  n°  24831/24850.  Esses  veículos  são  utilizados  pela  recorrente  para  transportar  e  distribuir  parte  dos  gases  por  ela  produzidos  aos  seus  clientes  finais, ficando evidenciada a sua utilização como insumo na prestação dos referidos serviços;  56) basta subtrair o óleo diesel do serviço de transporte para se concluir pela  sua  necessidade  e  essencialidade,  afinal,  sem  ele,  o  transporte  dos  gases  é  impossível,  inviabilizando a continuidade de sua atividade econômica;   57) o cálculo do crédito  sobre combustíveis está expressamente previsto no  inciso II do artigo 3o das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, sendo que a Receita Federal do  Brasil corrobora esse entendimento, conforme a Solução de Divergência n° 37, de 9 de outubro  de 2008;  58)  quanto  às  despesas  com monitoramento  e  rastreamento  (item  3.1.4  do  "TDF): no entender da autoridade fiscal, os serviços de monitoramento e rastreamento também  não  poderiam  ser  considerados  insumos,  já  que  não  utilizados  no  processo  produtivo  ou  na  prestação  de  serviços  da  recorrente.  Baseou­se,  para  tanto,  na  Solução  de  Consulta  n°  395/  2008, o que a conduziu à glosa dos créditos;   Fl. 28178DF CARF MF     72 59)  uma  vez  que  a  recorrente  desempenha  atividades  de  transporte,  distribuição  e  comercialização  de  gases,  é  evidente  que  as  despesas  com  monitoramento  e  rastreamento caracterizam insumos empregados na prestação dos serviços. Sua necessidade e  essencialidade é patente, pois propiciam o controle e a proteção da carga transportada;  60)  trata­se,  pois,  de  serviços  empregados  diretamente  no  transporte  dos  produtos da Recorrente, cabendo salientar que o referido transporte tem por objetivo viabilizar  a entrega dos gases no estabelecimento do consumido final ou nos pontos de venda, onde são  retirados pelos clientes;  61)  se  impossibilitado  o  aproveitamento  de  créditos  sobre  as  referidas  despesas,  torna­se  demasiadamente  insegura  a  atividade  de  transporte  de  cargas,  sabendo­se  que o roubo de cargas é bastante comum nas rodovias do país;  62)  quanto  às  despesas  com  pedágio  (item  3.1.5  do TDF):  guiando­se  pela  Solução  de Consulta  n°  395/2008,  acima mencionada,  a  autoridade  fiscal  também glosou  os  créditos  calculados  a  partir  das  despesas  incorridas  com  pedágio  sob  o  argumento  de  que  o  valor pago refere­se ao direito de passagem pela via pública e não à prestação de serviço pela  concessionária;  63) com base no conceito de insumo ora adotado, cabe a reforma do acórdão  para que se cancele a glosa efetuada pela Fiscalização, já que o transporte dos gases fabricados  pela recorrente depende do pagamento do pedágio, sob pena de se inviabilizar o regular tráfego  pelas vias públicas;   64)  com  efeito,  além  de  necessária,  a  despesa  com  pedágio  é  também  obrigatória, pois prevista em lei;  65) portanto, o pedágio é utilizado como insumo na prestação do serviço de  transporte dos gases e, ademais, constitui custo que compõe o seu preço final, de modo que sua  subtração o inviabilizaria por completo;  66) quanto às despesas com hospedagem, passagens e diárias (item 3.1.6 do  TDF):  a  autoridade  fiscal  glosou  créditos  calculados  sobre  despesas  com  hospedagem,  passagem  rodoviária  e  diárias,  pois  não  seriam  "aplicadas  ou  consumidas  na  produção  dos  bens  ou  na  prestação  dos  serviços  ".  A  Recorrente  demonstrou,  no  item  "II.4.2  ­  Despesas  Extras  (item  3.1.2  do  TDF),  que  referidas  despesas  caracterizam  insumos  empregados  na  prestação  do  serviço  de  transporte  de  gases.  Assim,  os  argumentos  lá  expostos  aplicam­se  perfeitamente ao item em questão;  67)  quanto  às  despesas  com  consultoria  (item  3.1.7  do  TDF):  os  serviços  técnicos de assessoria e consultoria objetivam auxiliar os gestores e proprietários da empresa  na tomada de decisões estratégicas e de grande impacto sobre os resultados atuais e futuros da  organização.  Assim,  contratam­se  assessores  e  consultores,  especializados  em  determinados  assuntos, a fim de implementar melhorias no processo produtivo e nos serviços prestados pela  empresa  ou  até  mesmo  para  atender  determinadas  normas  que  dizem  respeito  à  atividade  econômica desenvolvida;  68)  dito  isso,  é  fácil  visualizar  que  as  despesas  incorridas  com  serviços  de  assessoria e consultoria devem gerar créditos da contribuição para o PIS e da COFINS, pois se  trata  de  serviços  utilizados  como  insumos  e  empregados  indiretamente  na  produção  e  fabricação dos gases e, ainda, na prestação dos serviços de transporte;  69) a necessidade e a essencialidade da consultorias são patentes, porquanto,  sem  os  referidos  serviços,  a  recorrente  não  conseguiria melhorar  e  tornar mais  eficaz  o  seu  processo  produtivo,  muito  menos  alcançar  níveis  maiores  de  qualidade  do  produto  final.  Ademais, alguns serviços dessa natureza foram contratados com o objetivo de atender normas  de segurança no transporte dos gases ou até mesmo para diminuir o impacto ambiental de sua  atividade;   Fl. 28179DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.142          73 70)  além  dos  serviços  acima  citados,  a  própria  autoridade  fiscal  menciona  vários  outros  serviços  dessa  natureza  nas  páginas  28/30  do  TDF,  tais  como  assessoria  para  estudos do passivo ambiental, coleta e análise da água do poço tubular, renovação de licenças  de operação junto à CETESB, consultorias relacionadas ao transporte de cargas, renovação de  certificados de responsabilidade técnicas, dentre outros;  71)  como  se  percebe,  todos  os  serviços  de  assessoria  e  consultoria  contratados pela  recorrente  são necessários  à melhoria de  seu processo  produtivo, mormente  por torná­lo mais eficiente, seguro, econômico e ambientalmente adequado;  72) quanto  às despesas  com condomínio  (item 3.1.8 do TDF):  a autoridade  fiscal também considerou que as despesas com condomínio decorrentes de contrato de locação  firmado  pela  recorrente  (doc.  08  da  Impugnação)  não  poderiam  gerar  créditos,  visto  que  o  inciso IV do artigo 3o das Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03 apenas permite o cálculo sobre os  alugueis de prédios;   73)  ocorre  que  os  referidos  créditos  não  se  fundamentam  no  dispositivo  supracitado e,  sim, no  inciso  II do artigo 3o das Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03, ou seja,  as  despesas com condomínio enquadram­se no já explicitado conceito de insumo;  74)  isso  porque  o  condomínio  é  cobrado  dos  condôminos  como  rateio  de  diversas  despesas  do  prédio,  tais  como  energia  elétrica,  água,  mão  de  obra  própria  ou  terceirizada, manutenção das áreas comuns, dentre outras;   75)  significa,  portanto,  que  a  despesa  condominial  é  obrigatória  aos  ocupantes  do  imóvel  e  não  meramente  facultativa.  O  não  pagamento  do  condomínio  pela  recorrente  a  impediria  de  manter  seu  estabelecimento  no  prédio  e,  consequentemente,  desempenhar  suas  atividades  econômicas.  Daí  restar  caracterizada  a  necessidade  e  a  essencialidade  da  despesa,  o  que  permite  o  seu  enquadramento  como  insumo  empregado  indiretamente na produção e fabricação de seus produtos;   76)  quanto  aos  fretes  de  produtos  acabados  e  em  elaboração  entre  estabelecimentos  da  recorrente  (item  3.4  do  TDF):  no  item  3.4  do  TDF,  a  autoridade  fiscal  questionou o suposto aproveitamento indevido de créditos calculados sobre fretes relativos ao  transporte  de  produtos  acabados  e  em  elaboração  entre  os  estabelecimentos  da  recorrente.  Nesse  diapasão,  intimou­a  a  informar  o  número  das  contas  em  que  tais  despesas  foram  escrituradas;   77) em resposta, a recorrente apresentou dois grupos de contas, quais sejam:   ­ Linde entre filiais (Gasoso); e  ­ Todos os fretes (Líquido).  78)  persistindo  dúvida  em  relação  ao  segundo  grupo,  a  autoridade  fiscal  intimou  novamente  a  recorrente  para  que  esta  informasse  se  todas  as  contas  se  referiam  ao  transporte  entre  estabelecimentos  da  empresa,  obtendo  resposta  positiva  na manifestação  de  folhas n° 23613/23616;  79) diante dos esclarecimentos prestados, a Fiscalização quis saber o motivo  pelo qual o gás  em estado  líquido seria  considerado matéria­prima na operação  industrial de  gaseificação  e  enchimento  de  cilindros.  Na  mesma  manifestação,  a  Recorrente  trouxe  as  elucidações solicitadas:  “O produto quimicamente está pronto em sua versão líquida e é neste  estado que  ele  é armazenado nos  tanques. Fisicamente, ainda pode passar  Fl. 28180DF CARF MF     74 por  um  processo  de  gaseificação,  para  que  apenas  então  siga  para  o  consumidor final.  Para  que  os  produtos  sejam  colocados  nos  cilindros  tem  que  sofrer  esta  alteração  na  sua  condição  física".(folha  n°  23.613  ­  destaques  do  original)”  80) assim, a autoridade fiscal concluiu que as contas contábeis apresentadas  se referiam aos fretes entre os estabelecimentos da recorrente dos seguintes produtos:  ­ Linde entre filiais (Gasoso): transporte de produtos acabados; e  ­ Todos os fretes (Líquido): transporte de produtos em elaboração;  81) nessa ordem de  idéias,  ao  assumir o conceito de  insumo da  IN/RFB n°  404/04,  a  Fiscalização  entendeu  que  tais  despesas  não  poderiam  gerar  créditos  passíveis  de  desconto das bases de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS;   82) o acórdão ora recorrido, por sua vez, endossou as glosas efetuadas, já que  adotou o mesmo conceito previsto no ato infralegal supracitado;  83)  a  recorrente  demonstrará  que  as  despesas  com  fretes  entre  estabelecimentos  de  produtos  acabados  ou  em  elaboração  tem  respaldo  na  legislação  da  contribuição para o PIS e da COFINS, bem como na própria jurisprudência do CARF;   84)  antes,  contudo,  para  que  se  compreendam  a  necessidade  e  a  essencialidade  das  referidas  despesas,  bem  como  o  seu  inegável  emprego  nas  atividades  econômicas  desenvolvidas,  é  imprescindível  descrever  minuciosamente  todas  as  etapas  envolvidas na modalidade de distribuição "cilindro" de seus produtos. Confira­se:  • Etapa 01: os gases produzidos pela Recorrente saem de suas Fábricas  em  estado  líquido  e  são  transportados,  por  caminhões  tanque,  para  as  estações de envasamento, onde são acondicionados em tanques.  •  Etapa  02:  os  gases  em  estado  líquido  passam  por  um  processo  de  gaseificação em vaporizadores e, posteriormente, são transportados por meio  de gasodutos até os equipamentos de envasamento.  •  Etapa  03:  agora  em  estado  gasoso,  os  gases  são  envasados  em  cilindros de diversos tamanhos e acondicionados em pallets que viabilizam o  transporte aos clientes;  •  Etapa  04:  após  o  envasamento  e  acondicionamento  em  pallets,  o  produto  acabado  é  finalmente  transportado  aos  clientes  por  meio  de  (i)  venda direta, (ii) "ambulante" ou (iii) para os pontos de venda da Recorrente.  85)  como  se  percebe,  a  referida  modalidade  de  distribuição  contempla  dois  momentos  de  transporte  dos  gases,  que  são  absolutamente  necessários  e  essenciais  ao  desenvolvimento de seu processo produtivo:  (i)  Momento  n°  01:  transporte  do  gás  líquido  para  as  estações  de  envasamento,  onde  o  produto  passa  pelo  processo de gaseificação; e   (ii)  Momento  n°  02:  transporte  do  produto  acabado  para  venda ou para pontos de venda da recorrente, onde serão  retirados pelos clientes.    86) quanto  aos  fretes nas operações de venda: o  inciso  IX do artigo 3o  das  Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 permite o aproveitamento do crédito. É importante salientar que  Fl. 28181DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.143          75 tais  glosas  já  foram  canceladas  após  longa  diligência  realizada  pela  autoridade  fiscal,  razão  pela qual não serão discutidas no presente Recurso Voluntário;  87)  a  autoridade  fiscal  glosou  os  referidos  créditos,  calculados  sobre  as  despesas com fretes no  transporte dos gases em estado  líquido do estabelecimento fabricante  para  as  estações  de  envasamento,  sob  o  argumento  de  que  não  se  trata  de  "matéria­prima  intermediária", tal como informado pela recorrente, e sim "produtos em elaboração";  88)  segundo  a  Fiscalização,  o  "produto  intermediário"  é  aquele  passível  de  sofrer desgaste, dano ou perda de propriedades  físicas ou químicas em função de ação direta  exercida sobre o produto em fabricação. Já o "produto em elaboração" consistiria no resultado  da  utilização,  no  processo  produtivo,  das  matérias  primas  e  dos  produtos  intermediários,  necessitando, ainda, de algum tipo de industrialização para se tornar produto acabado;  89)  assim,  os  gases  líquidos  já  estariam  "quimicamente"  prontos,  faltando  apenas  uma  etapa  de  industrialização  (o  processo  de  gaseificação)  para  que  se  considere  produto acabado;  90) em outras palavras, tratando­se de produto em elaboração, e considerando  a  definição  contida  na  IN/RFB  n°  404/04,  o  frete  relativo  ao  seu  transporte  não  poderia  caracterizar insumo;  91)  O  entendimento  do  Fisco,  no  entanto,  não  pode  prevalecer.  Impõe­se  verificar se o serviço de frete é necessário e essencial ao processo produtivo do recorrente, bem  como se é empregado direta ou indiretamente na atividade desempenhada;   92) a distribuição dos gases em cilindros aos clientes da recorrente só é viável  e possível se eles passarem pelo processo de gaseificação, que permite o posterior envasamento  em  cilindros.  Nesses  termos,  o  transporte  dos  gases  em  estado  líquido  para  as  estações  de  envasamento  é  necessário  e  essencial.  Se  subtrairmos  o  transporte  dos  referidos  produtos,  ficam inviabilizadas as demais etapas de seu processo produtivo e a consecução dos objetivos  pretendidos com a realização da atividade econômica;   93)  em  outras  palavras,  o  transporte  do  gás  em  estado  líquido  do  estabelecimento fabricante para as estações de envasamento é imprescindível à consecução do  produto final que será vendido aos seus clientes;   94)  por  conseguinte,  pouco  importa  se  o  gás  em  estado  líquido  é  matéria  prima intermediária ou "produto em elaboração". Demonstrada a importância de seu transporte  entre os estabelecimentos da recorrente, claro está que os fretes configuram serviços utilizados  como insumo no processo de industrialização executado pela recorrente;  95)  demonstrado  que  os  fretes  em  questão  se  enquadram  no  conceito  de  insumo  referido pela  legislação das  contribuições  sociais  incidentes  sobre a  receita,  deve ser  reformado o acórdão da DRJ, a fim de que se cancele a glosa efetuada;  96)  quanto  ao  frete  pago  pela  recorrente  no  transporte  do  produto  acabado  (cilindros de gás) até os postos de venda  (Etapa 04): a autoridade  fiscal considerou que, por  não  se  tratar  de  operação  direta  de  venda,  descaberia  o  aproveitamento  do  crédito.  Para  tal  mister,  invocou o inciso IX do artigo 3o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, o qual prescreve  que  apenas  o  frete  na  operação  de  venda  gera  créditos  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  COFINS;  97) ainda no entendimento da Fiscalização, as referidas despesas também não  se enquadram no conceito de insumo, pois "a  lei determina que só geram créditos os bens e  Fl. 28182DF CARF MF     76 serviços  usados  como  insumos  na  produção  de  mercadorias",  de  modo  que  não  poderia  o  intérprete  "ampliar  o  espectro  de  aplicação  dessa  regra  para  alcançar  também  os  bens  e  serviços utilizados na distribuição das mesmas" (página n°. 40 do TDF);  98) ocorre que, ao contrário do sustentado pela autoridade fiscal e endossado  pelo acórdão ora recorrido, os referidos fretes caracterizam insumos passíveis de gerar créditos.  99)  na  última  etapa  anteriormente  descrita,  a  recorrente  transporta  os  cilindros de gás das estações de envasamento até os diversos pontos de venda que possui, onde  são  retirados  pelos  clientes.  É  inegável,  portanto,  que  o  frete  contratado  constitui  despesa  diretamente  relacionada  com  a  operação  de  venda,  já  que  objetiva  levar  o  produto  ao  consumidor final, ainda que lhe caiba retirar a mercadoria nos pontos de venda da Recorrente;  100) quanto ao frete no transporte do produto acabado (cilindros de gás) para  os  postos  de  venda  (Etapa  04):  a  autoridade  Fiscal  considerou  que,  por  não  se  tratar  de  operação direta de venda, descaberia o aproveitamento do crédito, uma vez que o inciso IX do  artigo  3o  das  Leis  n°  10.637/02  e  10.833/03,  invocado  como  fundamento  para  a  glosa,  prescreve que apenas o frete na operação de venda gera créditos da contribuição para o PIS e  da COFINS;  101)  ainda  no  entendimento  da  Fiscalização,  as  referidas  despesas  também  não se enquadram no conceito de insumo, pois "a lei determina que só geram créditos os bens  e  serviços usados  como  insumos na produção de mercadorias", de modo que não poderia o  intérprete  "ampliar  o  espectro  de  aplicação  dessa  regra  para  alcançar  também  os  bens  e  serviços utilizados na distribuição das mesmas " (página n° 40 do TDF);   (102) ocorre que a  recorrente transporta os cilindros de gás das estações de  envasamento até os diversos pontos de venda que possui, onde são retirados pelos clientes. É  inegável,  portanto,  que  o  frete  contratado  constitui  despesa  diretamente  relacionada  com  a  operação de venda,  já que objetiva  levar o produto ao consumidor  final,  ainda que  lhe  caiba  retirar a mercadoria nos pontos de venda da recorrente;   (103)  assim,  a  exegese  do  inciso  IX  do  artigo  3o  das  Leis  n°  10.637/02  e  10.833/03 é consentânea com o aproveitamento de créditos, pelo contribuinte, decorrentes dos  serviços de frete destinados ao transporte do produto acabado até o consumidor final, mesmo  que isso não signifique a entrega da mercadoria em seu estabelecimento e sim nos pontos de  venda mencionados;  (104) mesmo que não se concorde com esse argumento, é de se admitir que  as  referidas  despesas  podem  gerar  créditos  com  fundamento  no  inciso  II  do  artigo  3o  dos  diplomas  legislativos mencionados,  já que o  transporte dos cilindros de gás até os pontos de  venda  da  recorrente  integra  o  seu  processo  produtivo,  uma  vez  que,  sem  o  referido  deslocamento, os cilindros de gás não chegariam ao consumidor final, frustrando o objetivo de  toda a atividade desenvolvida pela recorrente;   (105) ademais, as anteditas despesas compõem o custo de produção e estão  inegavelmente inseridas no ciclo produtivo da recorrente, reforçando a ideia de que se tratam  de serviços utilizados como insumo na obtenção e venda do produto final;   (106)  não  se  deve  esquecer,  outrossim,  que  a  recorrente,  dentre  outras  atividades  previstas  em  seu  objeto  social,  comercializa  e  distribui  os  produtos  por  ela  fabricados. Segue daí que o frete pago para o transporte do produto acabado é utilizado como  insumo na prestação do serviço de distribuição e comercialização dos gases;   (107)  sob  essa  ótica,  considerando  que  tais  despesas  integram  o  custo  do  serviço  de  distribuição  dos  gases  nos  diversos  pontos  de  venda  da  recorrente,  é  de  se  reconhecer a possibilidade de apropriação dos créditos;  Fl. 28183DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.144          77 (108)  quanto  às  despesas  com  locação  de  cavalos­mecânicos  (item  3.7  do  TDF): a recorrente mantém contrato de locação de cavalos­mecânicos com a empresa GAFOR.  Sobre  o  valor  dos  alugueis  pagos  foram  calculados  créditos,  depois  descontados  da  base  de  cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS;  (109)  contudo,  os  créditos  apropriados  pela  recorrente  foram  glosados  pela  autoridade fiscal sob o argumento de que apenas as despesas de alugueis de prédios, máquinas  e  equipamentos  confeririam  o  direito  ao  crédito.  Isto  é,  os  cavalos­mecânicos,  para  a  Fiscalização, não poderiam ser considerados máquinas;  (110)  para  sustentar  tal  argumento,  a  autoridade  fiscal  cita  diversos  dispositivos da  legislação  tributária em que os  termos "máquinas" e "veículos" são utilizados  em conjunto, o que denotaria conteúdos semânticos distintos para cada palavra;  (111) com efeito, o inciso IV do artigo 3o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03  autoriza o  contribuinte  a  apurar  créditos  calculados  em  relação aos valores pagos  a  título de  aluguel de máquinas;   (112)  a  própria  Fiscalização  define  cavalo­mecânico  como  o  conjunto  monolítico  formado pela  cabine, motor  e  rodas de  tração do caminhão. E, de  acordo,  com o  dicionário Caldas Aulete, motor é o "engenho mecânico cujo movimento, gerado por alguma  fonte de energia, se transmite a uma máquina ou mecanismo. " O dicionário Michaelis, por sua  vez,  define  motor  como  "tudo  o  que  imprime  movimento  a  um  maquinismo”.  Os  mesmos  dicionários ajudam a definir o que seja máquina;  (113) O  cavalo­mecânico,  nesse  sentido,  é  indiscutivelmente  uma máquina,  pois se utiliza da energia produzida pelo motor para desempenhar as suas funções;   (114) a ideia da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da COFINS  reside  em  desonerar  a  receita  das  empresas  mediante  concessão  de  créditos  que  podem  ser  calculados  sobre  determinadas  despesas.  Essas  despesas,  por  óbvio,  guardam  relação  com  a  receita obtida pelo contribuinte, auferida em razão do desempenho de suas atividades;   (115) nesse  sentido,  não  é  necessário muito  esforço  para  se  concluir  que  o  inciso IV do artigo 3o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 objetivou permitir que toda e qualquer  máquina ­ em sentido amplo ­, utilizada nas atividades da empresa, possa gerar crédito. Assim,  nada  mais  lógico  que  admitir  o  cálculo  do  crédito  sobre  tais  despesas,  já  que  diretamente  relacionadas à atividade desenvolvida e à própria receita obtida;   (116)  ainda  que  não  seja  esse  o  entendimento  da  Turma,  é  notório  que  os  veículos alugados pela  recorrente  configuram  insumos utilizados no processo produtivo e no  transporte de seus produtos. Como já se demonstrou, sem o transporte dos referidos produtos,  resta inviabilizada a atividade desenvolvida pela recorrente;  (117)  quanto  aos  pequenos  lapsos  do  acórdão  recorrido:  não  obstante  o  cancelamento  das  glosas  consubstanciadas  nos  itens  3.5,  3.6  e  3.8  do  TDF,  a  recorrente  identificou dois pequenos lapsos que deverão ser corrigidos por este CARF, quais sejam:   (i)  ao cancelar integralmente os itens 3.5 e 3.6, a DRJ  não  percebeu  que,  em  alguns  períodos  de  apuração,  a  recorrente  apurou  saldo  credor,  devidamente  reconhecido  pela  autoridade  fiscal.  Assim,  o  cancelamento  integral  do  item  ensejou  também  o  cancelamento  integral  de  saldo  credor  que deveria ser mantido e considerado quando do  recalculo de eventual débito remanescente; e   Fl. 28184DF CARF MF     78 (ii)  o  acórdão  recorrido  cancelou  integralmente  as  glosas  do  item  3.6  do  TDF,  malgrado  consignou  apenas  parte  dos  valores  glosados  no  referido  ponto,  consoante  tabela  apresentada  no  corpo  do  acórdão;  (118) nos itens subsequentes, a recorrente demonstrará com maiores detalhes  os referidos lapsos identificados no acórdão recorrido. Antes, é necessário observar que o laudo  para  comprovação  de  que  os  bens  adquiridos  pela  recorrente,  objeto  dos  itens  3.5,  3.6,  3.8,  4.2.1 e 4.2.2 do TDF, possuem vida útil inferior a um ano já não se faz mais necessário, visto  que foi aceito o argumento do efeito de postergação;  (119) o cancelamento das glosas especificadas nos  itens 3.5 e 3.6 não pode  incluir  o  saldo  de  créditos  mantidos  pela  recorrente  e  reconhecidos  pela  Fiscalização:  o  primeiro  lapso  identificado  no  acórdão  recorrido  diz  respeito  ao  cancelamento  integral  das  glosas  consolidadas  nos  itens  3.5  e  3.6  do TDF.  Isso  porque,  como  já  adiantado,  em  alguns  meses a recorrente apurou saldo de créditos da contribuição social para o PIS e da COFINS,  devidamente  reconhecidos  pela  autoridade  fiscal.  Confira­se,  nesse  sentido,  as  tabelas  apresentadas pela própria fiscalização nos itens 3.5 e 3.6 do TDF, que demonstram a existência  de saldo credor em alguns meses:                Reclassificação dos Créditos Relativos aos Bens Integrantes do Ativo Imobilizado      Glosa de Créditos Relativos à Aquisição de Bens Importados  Fl. 28185DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.145          79    (120)  corroboram  o  exposto  as  planilhas  acostadas  às  folhas  n°  23.469  a  23.555  (para o  item 3.6) e 25.298 a 25.300  (para o  item 3.5), nas quais a própria autoridade  fiscal apura os saldos credores mencionados;  (121) nesse tom, ao determinar o cancelamento integral dos referidos itens do  TDF, a DRJ acabou por anular os referidos saldos credores apurados pela Recorrente. Ou seja,  embora louvável a postura da C. Turma Julgadora em reconhecer o mero efeito de postergação  no recolhimento dos tributos, deveria a glosa atingir apenas os períodos em que apurada base  de glosa positiva, mantendo­se, assim, saldos credores apurados;  (122) reconstituindo­se a tabela acima colacionada, constata­se que o acórdão  recorrido deveria glosar o valor de R$ 6.836.598,18, referente à contribuição social para o PIS,  e de R$ 6.837.885,55, referente à COFINS. Por outro lado, deveria reconhecer saldo credor no  valor  de  R$  816.535,76,  referente  à  contribuição  social  para  o  PIS,  e  de  R$  816.501,05,  referente à COFINS:  Valores apontatados pelo acórdão da  DRJ  Valores apontados pela  Recorrente    PIS  COFINS  PIS  COFINS  BC­ Glosa  6.020.062,42  6.021.384,47  6.836.598,18  6.837.885,55  Saldo credor  Cancelado Can Cancelado  816.535.76  816.501,05      (123)  evidentemente,  o  cancelamento  puro  e  simples  das  glosas,  sem  a  consideração dos  saldos credores apurados, causa distorções na apuração das contribuições a  pagar, pois a recorrente ficaria impossibilitada de aproveitar os referidos créditos no desconto  da base de cálculo do tributo. Não faz sentido compensar os créditos apurados com as glosas  promovidas pela autoridade fiscal, tendo em vista o seu cancelamento;   (124) assim, o lapso apontado deve ser corrigido por este Colegiado a fim de  que se retifiquem os valores das glosas a serem canceladas, e que se reconheça a existência dos  saldos credores apontados;  (125) por oportuno, a recorrente requer a reapuração de débito das referidas  contribuições sociais, mediante o cômputo dos créditos em questão;  (126) quanto à exclusão parcial do valor da base de cálculo da glosa no item  3.6.  do  TDF:  o  acórdão  ora  recorrido  andou  bem  ao  cancelar  as  glosas  relativas  aos  itens  Fl. 28186DF CARF MF     80 3.5,3.6 e 3.8 do TDF, em razão do reconhecimento da mera postergação no recolhimento da  contribuição social para o PIS e da COFINS.  (127)  nesses  termos,  acolhido  o  argumento  da  mera  postergação  no  pagamento  dos  tributos  incidentes  sobre  a  receita,  a  DRJ  excluiu  das  bases  de  cálculo  tributadas os seguintes valores:  Item Valor a excluir da Base de  Cálculo do PIS  Valor a excluir da Base de  Cálculo da COFINS  3.5  6.020.062,42  6.021.384,47  3.6  1.374.790,30  1.073.600,92  3.8  4.985.463,03  4.985.463,03    (128) no  entanto,  ao  transcrever  os  valores  que  deveriam  ser  excluídos  das  glosas  efetuadas  pela Autoridade  Fiscal,  a DRJ  incorreu  em  um pequeno  lapso  de  digitação  plenamente sanável por este Colegiado;  (129) como  se pode ver,  no  item 3.6 do TDF  (glosa de créditos  relativos  à  aquisição de bens importados), a autoridade fiscal veiculou dois valores de bases de cálculo de  créditos glosados distintas:  (i)  as bases de cálculo consideradas pelo acórdão da DRJ,  acima mencionadas, e   (ii)  as  bases  de  cálculos  mencionadas  na  página  54  do  TDF, relativas aos bens por ela importados;  (130) também no caso do item (ii) a autoridade fiscal entendeu que os bens  importados, tratados como insumo pela recorrente, deveriam ser contabilizados no ativo fixo e  os respectivos créditos calculados sobre os encargos de depreciação;  (131) todavia, uma vez que o acórdão recorrido reconheceu ter havido mera  postergação  no  recolhimento  dos  tributos  para  o  caso  do  item  (i)  ­  cujas  glosas  foram  expressamente  canceladas  pela  Turma  Julgadora  ­,  então  também  se  faz  necessário  o  reconhecimento  desse mesmo  efeito  para  os  valores mencionados  no  item  (ii),  sob  pena  de  incoerência;  (132)  de  fato,  se  o  efeito  de  postergação  foi  reconhecido  integralmente  no  item 3.6, não faz sentido que a glosa atinja apenas parte dos valores ali consignados;  (133) por conseguinte, o valor que deveria constar na tabela mencionada no  acórdão recorrido é a que segue:  Item Valor  a  excluir  da  Base  de  Cálculo do PIS  Valor a excluir da Base de Cálculo  da COFINS  3.5  6.020.062,42  6.021.384,47  3.6  4.593.763,67  4.292.574,29  3.8  4.985.463,03  4.985.463,03    (134)  quanto  ao  cancelamento  dos  itens  4.2.1  e  4.2.2  do  TDF:  mera  postergação  no  pagamento  do  IRPJ  e  da  CSL.  Nos  itens  3.5,  3.6  e  3.8,  a  autoridade  fiscal  glosou  créditos  apropriados  pela  recorrente  sobre  o  valor  da  aquisição  de bens  utilizados  na  manutenção de máquinas e equipamentos que deveriam ser classificados no ativo imobilizados;   (135) nesse caso,  a  recorrente poderia  calcular os  créditos com  fundamento  no artigo 3o, VI e § 1o,  III, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, sobre os encargos de  depreciação e amortização incorridos nos mês;   Fl. 28187DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.146          81 (136) em decorrência dessa constatação, a autoridade fiscal também verificou  que os valores dos bens adquiridos pela  recorrente  teriam sido  indevidamente contabilizados  como despesas operacionais (páginas n° 80/81 do TDF), o que deu ensejo à redução do lucro  real  apurado  e  o  consequente  valor  do  IRPJ  e  da  CSL  a  pagar.  Por  isso,  citada  autoridade  adicionou à base de cálculo dos referidos tributos o valor das aquisições dos bens que deveriam  ser ativados;   (137) em sua impugnação, a recorrente demonstrou que, nos itens 3.5, 3.6 e  3.8, apesar de ter havido recolhimento a menor da contribuição para o PIS e da COFINS nos  períodos fiscalizados, houve aumento no valor destes mesmos tributos nos períodos seguintes;   (138)  isso  porque,  ao  invés  de  calcular  o  crédito  sobre  os  encargos  de  depreciação, a recorrente calculou o crédito sobre o valor da aquisição e o descontou da base  de cálculos das contribuições sociais de uma só vez;   (139) na  prática,  portanto,  inexistiu  ausência  do  pagamento  de  tributo, mas  mera postergação. Tal conduta gerou valor menor a pagar nos meses em que os créditos foram  apropriados  e  valor  maior  nos  meses  seguintes,  já  que  não  ocorreu  o  aproveitamento  dos  encargos de depreciação nos períodos subseqüentes;  (140) se tal lógica foi aceita e aplicada para cancelar os itens 3.5, 3.6 e 3.8 do  TDF, com maior razão deve ser aceita e aplicada para cancelar os itens 4.2.1 e 4.2.2, afinal o  efeito verificado na apuração das contribuições  sociais é exatamente o mesmo, no  IRPJ e na  CSLL;  (141) ao considerar os valores da aquisição dos referidos bens como despesas  operacionais,  a  recorrente  as  deduziu  integralmente  de  sua  receita,  apurando  lucro  real  tributável  inferior ao que teria apurado, caso deduzisse apenas a  taxa de depreciação prevista  em lei;  (142) portanto,  é  evidente que não houve  falta de pagamento do  IRPJ  e da  CSL, mas mera postergação decorrente do aproveitamento integral de despesas que deveriam  ser amortizadas pouco a pouco, nos termos da legislação tributária. Ou seja, se por um lado a  recorrente  aproveitou  integralmente  a  despesa  em  determinado  ano­calendário,  deixou  de  aproveitá­la nos anos seguintes;  (143) estranhamente, o acórdão recorrido deixou de aplicar essa lógica para o  IRPJ e a CSL sob o argumento de que a recorrente não o teria alegado em sua impugnação. No  entanto,  basta  a  leitura  do  item  I  (“Indevida  glosa  de  despesas  operacionais")  da  Parte  B  ("Exigências  relativas ao  IRPJ e CSLL") da  impugnação para que se constate o equívoco da  DRJ;  (144)  na  absurda  hipótese  da  rejeição,  por  este  Conselho,  de  todos  os  argumentos  acima  expostos,  ao  menos  deverão  ser  acolhidos  os  argumentos  subsidiários  adiante expostos pela recorrente:  (144.1) impossibilidade de concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada  por  não  recolhimento  das  estimativas  (itens  5  e  6   do   TDF):  incidência  do  princípio  da  consunção  (também  conhecido  como  princípio  da  absorção),  amplamente  utilizado  na  esfera  penal,  aplicável  quando  há  uma  sucessão  de  condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas;  (144.2) o  legislador quis garantir que não se atribuísse ao contribuinte o ônus da  incerteza,  nas  situações  em  que  o  próprio  Fisco  reconhece  a  impossibilidade  de  Fl. 28188DF CARF MF     82 precisar a  interpretação adequada da norma  tributária: aplicação ao artigo 112 do  CTN, em caso de voto de qualidade, diante da existência de dúvida concreta;   (144.3)  tendo em  conta  a  inegável morosidade dos processos  administrativos  em  geral, em confronto com a exigência de atendimento à eficiência da Administração  Pública,  conforme  disposto  no  artigo  37  da  Constituição  Federal  de  1988,  prescreve  a  lei  federal  que  o  órgão  administrativo  de  julgamento  contencioso  tributário  está  obrigado  a  proferir  decisão  no  prazo  de  360  dias  contados  do  protocolo  de  petições,  defesas  ou  recursos  administrativos.  Em  caso  de  descumprimento  desse mandamento, deve  cessar  a  incidência  de  juros  após  360  dias do protocolo do recurso voluntário, porque, desde de então, a Fazenda Pública  está em mora;  Por  todo  o  exposto,  requer­se  o  provimento  integral  do  recurso  voluntário,  a  fim  de  que  seja  reformado  o  acórdão  recorrido  na  parte  atacada  e,  consequentemente, integralmente cancelado o auto de infração.   Na hipótese de restarem superados os argumentos principais, pugna  pelo acolhimento dos argumentos subsidiários.  A recorrente protesta, ainda, por provar o alegado mediante os meios  em Direito admitidos, notadamente pela  juntada de novos documentos,  realização  de diligência e sustentação oral de suas razões de defesa.  Linde  Gases  Ltda,  agora  como  recorrida,  apresenta  as  seguintes  contrarrazões:  1)  uma vez cientificada do lançamento, impugnou o  feito  com  a  advertência  de  que  nem  todos  os  valores glosados no item 3.4 do TDF referiam­se  a frete entre seus estabelecimentos, o que levou a  Turma  julgadora  da  primeira  instância  a  converter o julgamento em diligência;  2)  seguiu­se,  então,  a  diligência  para  identificar  e  segregar  o  valor  dos  fretes  entre  estabelecimentos  da  recorrida  daqueles  referentes a produtos acabados;  3)  ao  final,  a autoridade  fiscal admitiu que a glosa  deveria  ser  reduzida,  passando  de  de  R$  66.834.965,86  para  R$  4.782.824,07,  com  a  anuência da Turma julgadora;   4)  em  relação  aos  itens  3.5,  3.6  e  3.8,  a  DRJ  concluiu que, embora a recorrida tenha calculado  o crédito sobre o valor total dos bens adquiridos  e  não  sobre  os  encargos  de  depreciação  e  amortização,  inexistira  prejuízo  ao  Fisco,  porquanto  a  utilização  antecipada  do  crédito  gerou mero efeito de postergação, no pagamento  das aludidas contribuições;   5)  quanto  ao  item 3.4:  como  já  adiantado,  o Fisco  glosou créditos apropriados pelo sujeito passivo,  referentes  ao  transporte  de  produtos  acabados  e  em  elaboração  entre  estabelecimentos  da  recorrida,  sob  o  argumento  de  que  não  haveria  previsão legal nesse sentido;   Fl. 28189DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.147          83 6)  com  efeito,  durante  a  fiscalização,  intimou­se  a  recorrida  intimada  a  informar  o  número  das  contas  do  Livro  Razão  em  que  foram  escrituradas as movimentações de produtos entre  suas filiais, particularmente aquelas pertencentes  ao grupo “Todos os fretes” (líquido);  7)  o  responsável  da  recorrida  que  prestou  a  informação  equivocou­se,  ao  responder  que  todas  as  contas  do  citado  grupo  registraram  operações de frete entre seus estabelecimentos;   8)  ocorre  que,  na  peça  impugnatória,  a  recorrida  informou o equívoco cometido e asseverou que,  nas  contas  mencionadas,  também  constaram  registros  de  fretes  vinculados  a  operações  de  venda de mercadorias ­ cuja tomada de crédito é  prevista  pelo  artigo  3o,  inciso  IX,  das  Leis  n°.  10.637/02  e  10.833/03  ­  e  não  somente  fretes  entre  estabelecimentos,  fazendo  prova  do  alegado mediante juntada de alguns documentos  que demonstravam algumas operações de venda  de  mercadorias  (nas  modalidades  "direta"  e  "ambulante" — doc. 10 e 11 da impugnação);   9)  a  Turma  julgadora  determinou  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  por  meio  da  Resolução  n°  1.717/2013,  a  fim  de  que  a  recorrida  fosse  intimada  "a  apresentar  relação  discriminada  das  glosas  que  seriam  indevidas  neste  item,  com  justificativas  e  valores  individualizados,  bem  como  apontando  a  documentação comprobatória "  (página n° 5 da  referida Resolução);  10)  uma  vez  intimada,  a  recorrida  apresentou  planilha  com  o  nome  de  alguns  clientes  para  quem  efetuara  vendas  na  modalidade  "ambulante",  esclarecendo,  ainda,  que  o  levantamento de todos os documentos solicitados  pela  Fiscalização  demandaria  tempo,  porquanto  se tratava de material excessivamente volumoso,  a  justificar  o  prazo  complementar  de  120  dias,  então requerido, comprometendo­se a entregar, a  cada  30  dias,  planilha  que  demonstrasse  a  evolução dos trabalhos;   11)  posteriormente,  adveio  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  n°  02,  lavrado  com a  exigência de  que  a  recorrida  providenciasse  a  segregação  dos  "registros  constantes  do  arquivo  'Frete  entre  filiais.xls  ',  de  forma  a  separar  os  fretes  entre  estabelecimentos  da  fiscalizada  dos  fretes  Fl. 28190DF CARF MF     84 oriundos  das  vendas  ambulantes",  tudo  com  o  objetivo  de  facilitar  os  trabalhos  realizados  em  diligência,  além  de  guardar  a  pretensão  de  se  adequar ao princípio da verdade material;  12)  a despeito da lavratura dessa segunda intimação,  a  recorrida  deparou­se  com  a  dificuldade  de  cumprir a nova exigência dentro do prazo fixado,  embora  conseguisse  elaborar  demonstrativo  em  Excel no qual apresentou a análise de 51,04% do  valor  total  do  crédito glosado pela Fiscalização,  sendo que, desse total, 46,83% diziam respeito a  fretes  incorridos  em  operações  de  vendas,  enquanto 0,78% correspondiam a fretes internos;  13)  dada  a  resposta  à  Fiscalização,  em  consonância  com  o  exposto  no  item  anterior,  ainda  assim  explicou­se, na oportunidade, que a apresentação  dos  demais  documentos  demandaria  o  prazo  de  um  ano,  em  virtude  do  elevado  número  de  documentos  a  ser  apreciados  (em  torno  de  104.500);  14)  ante  este  cenário,  a  recorrida  solicitou  que  fossem indicadas, por amostragem, as operações  para  comprovação  das  vendas  ou,  alternativamente, que houvesse a substituição do  critério  empregado  para  a  verificação  do  montante  de  fretes  em  operações  de  venda,  como, por exemplo,  levantamento por meio dos  Códigos  Fiscais  de  Operações  e  Prestações  (CFOP), a  fim  de  se  identificar o  percentual  de  vendas  e  de  transferências  entre  estabelecimentos;   15)  o critério alternativo proposto pela recorrida foi,  contudo,  rejeitado  pela  Fiscalização,  que  concluiu, ao final, que o contribuinte apropriara­ se de créditos  em duplicidade,  tendo em vista  a  existência de despesas comuns com o fornecedor  GAFOR, quando do confronto entre as despesas  glosadas  a  título  de  locação  de  cavalos­ mecânicos e a planilha acima mencionada;  16)  em  manifestação  de  27.11.2013,  a  fiscalizada  demonstrou  que,  em  realidade,  as  despesas  provenientes  do  contrato  com  a GAFOR  foram  glosadas  em  duplicidade,  uma  vez  que  as  despesas  dos  itens  3.1.2,  3.1.4,  3.1.5  e  3.7.1  também constaram no item 3.4 do TDF;  17)  reconhecendo  o  erro,  a  autoridade  fiscal  procedeu  ao  cancelamento  das  glosas  em  duplicidade,  reduzindo­a  de  R$  66.834.965,86  para R$ 40.510.542,12;   Fl. 28191DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.148          85 18)  pelo  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  03,  a  Fiscalização  relacionou,  por  amostragem,  algumas  operações  com  fretes  que  compuseram  os valores glosados com base em demonstrativo  anteriormente apresentado pela própria recorrida,  para,  em  seguida,  intimá­la  a  :  (i)  apresentar  demonstrativo  em  Excel  com  a  segregação  dos  fretes das operações de venda e a informação do  número do conhecimento de transporte relativo a  cada  viagem;  e  (ii)  comprovar,  por  meio  de  documentos,  que  os  valores  segregados  se  referem aos fretes em operações de vendas;   19)  em  manifestação  de  27.11.2013,  a  recorrida  informou  que  a  relação  de  amostragem  produzida  pelo  Auditor­Fiscal  se  baseara  em  planilha anteriormente apresentada por ela, cujas  informações  eram  sintéticas,  porquanto  cada  linha da planilha comportava diversas operações  que, em conjunto, conformavam a totalidade dos  fretes  glosados,  anulando  o  efeito  por  amostragem  pretendido  (já  que  ampliava  significativamente  o  universo  de  informações  solicitadas);   20)  diante  de  tal  fato,  foi  apresentado  um  demonstrativo  analítico das  operações  de  venda  ("Doe  OIResumo  Analítico  Frete  2009_sem  GAFOR.xlsx"),  requerendo­se à  recorrida que o  Auditor Fiscal solicitasse alguns documentos por  amostragem;  21)  em  02.12.2013,  a  Recorrida  tomou  ciência  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  n°.  04, pelo  qual  se  solicitou  a  segregação,  no  demonstrativo  apresentado  ("Doc  01_Resumo  Analítico  Frete  2009_sem GAFOR.xlsx"), das despesas de fretes  nas operações de venda;   22)  a  resposta  da  recorrida  foi  apresentada  em  06.02.2014,  oportunidade  em  que  apresentou  a  planilha  denominada  "DOCUMENTO  1  ­  Resumo  dos  fretes  por  transportadora  ­  Linde  Gases.xlsx",  com  a  demonstração  de  que  comprovara  parcela  das  despesas  de  fretes  incorridas. Confira­se:   ­  Base  de  cálculo  glosada:  R$  40.510.542,12; ­ Identificado: R$ 13.967.931,36  (34,76%), sendo: ­ R$ 11.996.304,52, relativos a  fretes nas operações de venda — 85,88%; e R$   1.971.626,8  relativos  a  fretes  intercompany­ 14,12%;   Fl. 28192DF CARF MF     86 23)  em petição de 07.04.14, a Recorrida noticiou que  estava  elaborando  um  novo  demonstrativo  que  possibilitaria segregar os fretes das operações de  venda  dos  demais  fretes  por  estabelecimento.  Para  tanto,  utilizaria  como  referência  a  proporção  entre  a  movimentação  financeira  de  vendas e  transferências realizadas durante o ano  de 2009;   24)  a  planilha  foi  apresentada  em  reunião  realizada  na  DRF  de  São  José  do  Rio  Preto/SP,  no  dia  05.06.2014,  quando  autoridade  fiscal  sugeriu  a  inclusão  de  algumas  informações,  a  fim  de  que  os  dados  apresentassem  maior  consistência.  Na  mesma oportunidade, foi solicitada a inserção de  outros  valores  relativos  a  outras  operações,  aumentando,  assim,  a  sua  precisão  e  nível  de  detalhamento;  25)  por fim, a autoridade fiscal também solicitou que  fosse  aplicada,  sobre o  valor  das  transferências,  uma margem média,  a  fim de equalizar o preço  das  transferências  internas  com  os  de  venda,  já  que nestes estão embutidos impostos, margem de  lucro e outros custos que não estão presentes nos  fretes entre estabelecimentos;   26)  em  atendimento  às  solicitações  do  Auditor­ Fiscal, a recorrida apresentou, em 09.06.2014, a  planilha  denominada  "Movimento  2009  ­  Planilha Final ­ TIF 4 02.06.2014.xlsx", na qual  apurou  que  88,07%  de  seu  movimento  total  estava  relacionado  à  operações  de  venda.  Para  chegar  a  este  denominador,  a  recorrida  se  utilizou  de  outras  planilhas  auxiliares,  valendo  detalhar cada uma delas:   ­  Planilha  "Movimento  2009  Filialx Operação":  relação  de  todas  as  operações  da  Recorrida  durante  do  ano­calendário  de  2009,  divididas  pelo  CFOP  e  estabelecimento.  As  informações  foram extraídas dos respectivos livros fiscais;  ­ Planilha  "Margem média por  filial": média de  todas  as  operações  de  venda  e  transferência,  a  fim  de  equalizar  o  preço  das  transferências  internas em relação ao preço das vendas;  ­  Planilha  "Base  Proporção  Texto":  valor  das  operações  de  transferência  equalizadas,  isto  é,  após a aplicação da margem média obtida;  ­  Planilha "Proporção por filial — Equalizada":  aplicação do percentual equivalente à proporção  do  movimento  por  filial  na  base  de  cálculo  da  glosa,  obtendo­se  o  valor  proporcional  dos  fretes;  Fl. 28193DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.149          87 27)  vale salientar, que nesta última planilha, constam  os valores dos fretes aceitos pelo Auditor Fiscal.  Para entender o seu racional, deve­se considerar  o  seguinte:  (i)  as  colunas  "D",  "F"  e  "H"  informam  os  valores  dos  fretes  entre  estabelecimentos,  nas  operações  de  venda  e  de  outros  tipos  de  operações.  Sua  soma,  portanto,  resulta nos valores da coluna "J", que espelha o  total movimentado  em  casa  filial;  (ii)cada  valor  da coluna "J" é dividido pelo total informado na  célula"J34".  Assim,  obtêm­se  os  percentuais  de  proporção do movimento por filial da coluna "I";  (iii)  esses  percentuais  são  multiplicados  pelo  valor  total  dos  fretes  glosados  (célula  "C37"),  a  fim  de  se  obter  o  valor  proporcional  dos  fretes  (coluna "R"). Finalmente, são eles multiplicados  pelos  percentuais  relativos  às  vendas,  transferências e outras operações, alcançando­se  o  valor  do  frete  de  cada  um,  segregados  por  filial. A soma dos valores das colunas "L", "N" e  "P"  traz o  total de cada operação e o percentual  em relação ao valor da glosa;   28)  em conclusão, da base de cálculo da glosa de R$  40.092.296,83  (já  excluídos os valores  glosados  em  duplicidade  das  operações  envolvendo  a  empresa  GAFOR),  verificou­se  que  R$  35.309.472,76  (88,07%)  do  valor  glosado  se  refere  aos  fretes  em  operações  de  venda  e  o  restante aos fretes de outras operações, inclusive  entre os estabelecimentos da recorrida. Destarte,  a  diligência  foi  encerrada  com  o  acolhimento  integral  da  planilha  apresentada  e  com  a  consequente  retificação  da  base  de  cálculo  da  glosa dos créditos para R$ 4.782.824,0;  29)  como  se  depreende  da  planilha  "Proporção  por  Filial­Equalizada"  (arquivo  Excel  denominado  "Movimento  2009  ­  Planilha  Final  –  TIF  4  02.06.2014"),  os  critérios  utilizados  pela  recorrida,  e  aceitos  pela  autoridade  fiscal,  possibilitaram  a  segregação  dos  fretes  de  operações  de  vendas  dos  demais  fretes  (transferências entre filiais ou outras operações),  mediante  o  estabelecimento  de  valores  proporcionais  obtidos  a  partir  do  movimento  registrado pelas filiais, com base nos respectivos  CFOP;  30)  é  importante  destacar  que  os  documentos  levantados  pela  Recorrida,  bem  como  os  demonstrativos  apresentados  durante  o  curso  da  Fl. 28194DF CARF MF     88 diligência,  lograram  êxito  em  comprovar  o  equívoco do montante glosado pela Fiscalização,  pois  dentro  do  grupo  "Todos  os  Fretes  (Liquido)" existem, de fato, fretes relacionados a  operações  de  venda,  tal  como  alegado  e  comprovado em sede de impugnação;  31)  ademais,  os  dois  primeiros  demonstrativos  apresentados  pela  recorrida  corroboram  o  percentual obtido na planilha final acolhida pelo  Auditor  Fiscal.  Vejamos:  (i)  no  primeiro  levantamento  apresentado  (demonstrativo  em  Excel  PLANILHA_CRTC_46%_DOCOl.xlsx"),  a  Recorrida  havia  analisado  51,04%  do  total  glosado,  sendo  46,83%  de  fretes  em  operações  de venda e apenas 0,78% de fretes em operações  de  transferência  interna.  Se  levarmos  em  consideração  apenas  o  total  analisado  à  época,  verifica­se que 91,75% consistem em operações  de  venda  e  apenas  1,52%  em  operações  de  transferência; (ii)  no  segundo  levantamento  apresentado  (demonstrativo  em  Excel  "DOCUMENTOl  ­  Resumo  dos  Fretes  por  transportadora  –  Linde  Gases.xlsx"),  em  que  identificadas 34,76% das operações, o percentual  de fretes em operações de venda foi de 85,88%,  enquanto o de fretes em operações internas foi de  11,22%; (iii) o último levantamento apresentado  (demonstrativo  Excel  "Movimento  2009  ­  Planilha Final ­ TIF4 02.06.2014.xlsx") alcançou  o percentual de 88,07% relativo às operações de  venda  e  de  11,09%  relativo  às  operações  de  transferência;  32)  nesse  diapasão,  a  diligência  realizados  logrou  êxito  em  estabelecer  uma  segregação  segura  e  aceitável das operações  informadas no grupo de  contas analisado a partir das informações de sua  contabilidade.  Daí  concordar  a  recorrida,  integralmente,  com  a  conclusão  da  autoridade  fiscal no sentido de que "o critério utilizado pela  fiscalizada  é  bem  razoável,  representando  com  bastante precisão o  rateio das despesas com os  fretes nas operações de venda ";   33)  quanto  aos  itens  3.5,03.6  e  3.8  do  TDF,  não  merece provimento o recurso de ofício, visto que  a  decisão  de  1a  instância  corrobora  a  jurisprudência  pacificada  deste  CARF,  bem  como a sua súmula n° 36;   34)  com efeito,  a  recorrida demonstrou,  em sede de  impugnação, que nos itens 3.5, 3.6 e 3.8, apesar  de  ter  havido  recolhimento  a  menor  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  COFINS  nos  Fl. 28195DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.150          89 períodos  fiscalizados,  houve  aumento  nos  valores  recolhidos  nos  meses  e  anos  subseqüentes. Isso porque, ao invés de calcular o  crédito  sobre  os  encargos  de  depreciação,  a  recorrida  calculou  o  crédito  sobre  o  valor  da  aquisição  dos  bens  e  serviços  e  o  descontou  da  base  de  cálculos  das  contribuições  sociais  de  uma só vez;   35)  na  prática,  portanto,  inexistiu  ausência  do  pagamento de tributo, mas mera postergação. Tal  conduta gerou valor menor a pagar nos meses em  que os créditos foram apropriados e valor maior  nos  meses  seguintes,  já  que  não  se  aproveitou  dos  encargos  de  depreciação  nos  períodos  subseqüentes;  36)  frise­se,  ainda,  que  o  próprio  CARF  encerrou  qualquer controvérsia com a edição da súmula n°  36.  Dessa forma, deve ser negado provimento ao recurso de ofício, mantendo­se  a decisão proferida pela DRJ.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator  De  início,  a  apreciação  do  recurso voluntário,  interposto dentro do  trintídio  legal.  A recorrente foi autuada em razão das seguintes infrações:  a)  insuficiência  no  recolhimento  das  contribuições  PIS/PASEP  e  COFINS  não cumulativas (item 3 do TDF);  b) exclusão  indevida do  lucro  líquido e da base de cálculo da Contribuição  Social Sobre o Lucro, referente a tributos com exigibilidade suspensa e aquisições de bens do  ativo permanente deduzidos indevidamente como despesa operacional (item 4 do TDF).  A primeira infração decorreu da glosa de créditos de PIS/PASEP e COFINS  que a Fiscalização julgou indevidos em 8 situações retratadas entre os itens 3.1 e 3.8 do TDF.  Desse  grupo,  cabem  ressaltar  certos  fatos  indicativos  da  ocorrência  de  violação  às  normas  jurídicas que regem a tributação do IRPJ e da CSLL.   Com  efeito,  as  despesas  destinadas  à  manutenção  de  ativos  –  referidas  no  item 3.6 do TDF – foram objeto de averiguação para fins de verificação do atendimento aos  preceitos  legais  concessivos  de  crédito  de  PIS/PASEP  e  de  COFINS.  A  conclusão  da  autoridade  fiscal  convergiu para  a denegação dos  créditos  fundados nesses  gastos. Por outro  Fl. 28196DF CARF MF     90 lado, considerou­se que a recorrente infringira a legislação do IRPJ e da CSLL, ao contabilizar  parte de tais gastos entre as despesas redutoras das bases de cálculo desses tributos, conforme  item 4.2.2 do TDF.  No mesmo roldão, mencionou­se, no item 3.8 do TDF, que a autuada apurou  créditos de PIS/PASEP e COFINS com base em gastos contabilizados como despesas com a  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos.  Para  o  autuante,  esses  créditos  carecem  de  fundamentação válida. Outrossim, de acordo com o item 4.2.1 do TDF, a Fiscalização também  entendeu que os gastos em referência deveriam ser adicionados às bases de cálculo do IRPJ e  da CSLL, tendo em conta a circunstância segundo a qual a recorrente anteriormente lançara o  total desses desembolsos em conta contábil de despesa operacional.  Como se vê, há um ponto comum de fato entre os lançamentos do IRPJ, da  CSLL, do PIS/PASEP e da COFINS. Consoante a narrativa do autuante, esse ponto comum é  classificação de determinados gastos em conta contábil de despesas; isso é o que, faticamente,  tangencia os quatro lançamentos (itens 3.6; 3.8; 4.2.1; 4.2.2). Por isso, as provas sobre esse fato  estão  atreladas  aos  autos  de  infração  do  IRPJ,  da  CSLL,  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS.  Malgrado  existam,  em  sua maioria,  questões  exclusivas  ao  PIS/PASEP  e  à  COFINS,  assim  como uma única questão exclusiva ao IRPJ e à CSLL, os elementos de provas constantes dos  autos,  comuns  aos  quatro  lançamentos,  atraem  a  competência  jurisdicional  da  1ª  Seção,  nos  termos do artigo 2º,  inciso  IV, Anexo  II, do vigente Regimento  Interno do CARF, aprovado  pela Portaria MF nº 343, de 2015:   “Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos  de ofício e voluntário de decisão de 1ª  (primeira) instância que  versem sobre aplicação da legislação relativa a:  [...]  IV  ­  CSLL,  IRRF,  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  ou  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins),  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  Contribuição  Previdenciária  sobre  a  Receita  Bruta  (CPRB),  quando  reflexos  do  IRPJ,  formalizados  com  base  nos  mesmos  elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de  2016).”  Assim, afirmadas a competência da 1ª Seção e a  tempestividade do  recurso  voluntário, dele conheço.  Em seguida, o mérito.  1) GLOSA DE PRODUTOS ADQUIRIDOS QUE NÃO SÃO UTILIZADOS  NA  PRODUÇÃO  OU  NA  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  (NÃO  SE  ENQUADRAM  NO  CONCEITO DE INSUMO)  À  recorrente  exigiu­se  a  exibição  de  diversos  comprovantes  de  aquisições,  selecionados por amostragem (Termo de Intimação Fiscal n° 03). A partir do exame das notas  fiscais  apresentadas  pela  fiscalizada,  pôde­se  identificar,  conforme  as  palavras  do  autuante,  aquelas que, para a Fiscalização, referiam­se a gastos que não geram direito a crédito relativo  ao PIS/PASEP e  à COFINS não cumulativas. Nesse  contexto,  a autoridade  fiscal  sentenciou  que alguns produtos adquiridos não se enquadravam no conceito de "insumo", razão por que se  decidiu pela glosa dos créditos incidentes sobre essas aquisições.  Fl. 28197DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.151          91 A solução da lide reclama o necessário exame dos subitens que compõem o  quadro das infrações justificadoras das glosas reunidas pela Fiscalização entre os subitens 3.1.1  a 3.1.8.   Antes  de  prosseguir,  importa  trazer  à  luz  que  a  atuação  fiscal,  no  que  se  refere aos subitens 3.1.1 a 3.1.8, escorou­se no sentido normativo que se pode descortinar do  artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/3003:   “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  .....   II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2ª da Lei no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”  Já  de  plano,  vislumbra­se  o  conflito  interpretativo  entre  a  Fiscalização  e  a  recorrente, precisamente no que se refere ao conceito de insumo. Pelo lado da Administração  Tributária, adotou­se o conceito traduzido pelo artigo 8º § 4º, da IN SRF nº 404/04:  “§  4° Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se como insumos:  I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados  à venda:  a) a matéria­prima, o produto intermediário, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam incluídas no ativo imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação  do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado: e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço   Alinhada à disciplina instituída pelo Secretário da Receita Federal, a DRJ não  divergiu do entendimento do autuante, quanto à interpretação do texto do artigo 3º das Leis nº  10.637/2002 e 10.833/2003.   A recorrente, por sua vez, defende que a própria legislação do PIS/PASEP e  da COFINS reconhece que o  termo “insumo”  tem abrangência maior,  já que não  limita  seus  Fl. 28198DF CARF MF     92 créditos aos bens que compõem diretamente o produto ou que se desgastam durante o processo  produtivo.  Diante  do  fato  de  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  oneram  a  receita  oriunda  de  determinada  atividade econômica,  conclui que não  se deve adotar o  conceito de  insumo que  ressai da  IN SRF nº 404/2002, porquanto derivado da legislação do IPI. Por conseguinte, em  face da circunstância de que a tributação recai sobre a receita, o bem ou serviço utilizado como  insumo deve guardar relação com a geração desta, ao passo que, para o IPI, importa saber se o  insumo é ou não relevante no processo de industrialização.   A recorrente afirma, outrossim, que prevalece atualmente o entendimento de  que  o  termo  "insumo",  positivado  pelas  leis  que  instituíram  o  regime  não  cumulativo  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  possui  um  conceito  próprio,  a  ser  construído  pelo  intérprete  em  conformidade com a materialidade desses tributos e com o objetivo almejado pelo regime da  não cumulatividade. Nessa linha, assumindo tal perspectiva, a jurisprudência do CARF sobre o  tema  autorizaria  a  dedução  de  três  requisitos  que  são  comumente  mencionados  pelos  Conselheiros, a partir dos quais pode­se dizer que insumo é o bem ou serviço: (i) necessário e  essencial  (ou,  em  outros  termos  utilizados,  "pertinente",  "indispensável"  e  "dependente")  ao  desenvolvimento da atividade econômica do contribuinte e à obtenção da receita tributável; (ii)  empregado,  direta  ou  indiretamente,  no  processo  produtivo  ou  na  prestação  do  serviço,  de  modo que a sua subtração impede o próprio processo produtivo ou a prestação do serviço ou,  ainda,  implica evidente perda de qualidade do produto ou serviço final; e (iii) relacionado ao  objeto social do contribuinte.   A  recorrente  também destaca a decisão do STJ proferida no  julgamento do  REsp  nº  1.246.317,  relator  Ministro  Campbell  Marques,  o  qual  teria  definido  que  a  essencialidade do bem ou serviço ao processo produtivo é fundamental para a caracterização  do insumo.   Já  no  arremate  da  tese  defensiva,  assinala,  ainda,  que,  para  o  regular  desempenho de suas atividades, adquire bens e serviços necessários e essenciais, empregados  direta ou  indiretamente em seu processo produtivo ou nos  serviços prestados, o que  lhe gera  créditos de PIS/PASEP e COFINS.   Por oportuno, diga­se de antemão que o acórdão do REsp nº 1.246.317 não é  vinculante, pois não decorreu de julgamento realizado sob o rito dos recursos repetitivos de que  trata o artigo 543­C do extinto Código de Processo Civil. Mesmo assim não se despreza que se  trata da decisão mais  recente da 2ª Turma do STJ, proferida na  sessão de 19/05/2015, assim  ementada:  "PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538,  PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.  98/STJ.  CONTRIBUIÇÕES  AO  PIS/PASEP  E  COFINS  NÃO  COMULATIVAS.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA  LEI  N.  10.833/2003.  ILEGALIDADE  DAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004.  1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma  suficientemente  fundamentada  a  lide,  muito  embora  não  faça  considerações  sobre  todas  as  teses  jurídicas  e  artigos  de  lei  invocados pelas partes.  2. Agride o  art.  538,  parágrafo  único,  do CPC, o  acórdão que  aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente  com  o  propósito  de  prequestionamento.  Súmula  n.  98/STJ:  Fl. 28199DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.152          93 "Embargos  de  declaração  manifestados  com  notório  propósito  de prequestionamento não têm caráter protelatório".  3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa  SRF n. 247/2002 ­ Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa  SRF  n.  358/2003)  e  o  art.  8º,  §4º,  I,  "a"  e  "b",  da  Instrução  Normativa  SRF  n.  404/2004  ­  Cofins,  que  restringiram  indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das  Leis  n.  10.637/2002  e  n.  10.833/2003,  respectivamente,  para  efeitos  de  creditamento  na  sistemática  de  não­cumulatividade  das ditas contribuições.  4.  Conforme  interpretação  teleológica  e  sistemática  do  ordenamento  jurídico  em  vigor,  a  conceituação  de  "insumos",  para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da  Lei  n.  10.833/2003,  não  se  identifica  com  a  conceituação  adotada  na  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  posto  que  excessivamente  restritiva.  Do  mesmo  modo,  não  corresponde  exatamente  aos  conceitos  de  "Custos  e  Despesas  Operacionais"  utilizados  na  legislação  do  Imposto de Renda ­ IR, por que demasiadamente elastecidos.  5.  São  "insumos",  para  efeitos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.637/2002, e art. 3º,  II, da Lei n. 10.833/2003,  todos aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  ao,  ou  que  viabilizam  o  processo  produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção,  isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  ou  serviço  daí  resultantes.  6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros  alimentícios  sujeita,  portanto,  a  rígidas  normas  de  higiene  e  limpeza.  No  ramo  a  que  pertence,  as  exigências  de  condições  sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria  impossibilidade  da  produção  e  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  resultante.  A  assepsia  é  essencial  e  imprescindível  ao  desenvolvimento  de  suas  atividades.  Não  houvessem  os  efeitos  desinfetantes,  haveria  a  proliferação  de  microorganismos  na  maquinaria  e  no  ambiente  produtivo  que  agiriam  sobre  os  alimentos,  tornando­os  impróprios  para  o  consumo.  Assim,  impõe­se  considerar  a  abrangência  do  termo  "insumo"  para  contemplar,  no  creditamento,  os  materiais  de  limpeza  e  desinfecção,  bem  como  os  serviços  de  dedetização  quando aplicados no ambiente produtivo de empresa  fabricante  de gêneros alimentícios.  7. Recurso especial provido."   Em outro norte, há julgados do STJ que repelem o argumento de que a  IN  SRF nº 404/2004 padece de vício de ilegalidade, a exemplo do acórdão do REsp nº 1.020.991­ 3, julgado pela 1ª Turma do STJ no dia 09/04/2013, rel. Ministro Sergio Kukina:  "PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CREDITAMENTO. LEIS Nº  10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO­ CUMULATIVIDADE.  ART.  195,  §  12,  DA  CF.  MATÉRIA  EMINENTEMENTE  CONSTITUCIONAL.  INSTRUÇÕES  Fl. 28200DF CARF MF     94 NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO  CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS  OU  UTILIZADOS  DIRETAMENTE  NO  PROCESSO  PRODUTIVO.  BENEFÍCIO  FISCAL.  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN.  1.  A  análise  do  alcance  do  conceito  de  não­cumulatividade,  previsto  no  art.  195,  §  12,  da  CF,  é  vedada  neste  Tribunal  Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional,  sob  pena  de  usurpação  da  competência  do  Supremo  Tribunal  Federal.  2. As  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04  não  restringem,  mas  apenas  explicitam  o  conceito  de  insumo  previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.  3.  Possibilidade  de  creditamento  de PIS  e COFINS apenas  em  relação  aos  bens  e  serviços  empregados  ou  utilizados  diretamente sobre o produto em fabricação.  4.  Interpretação  extensiva  que  não  se  admite  nos  casos  de  concessão  de  benefício  fiscal  (art.  111  do  CTN).  Precedentes:  AgRg  no  REsp  1.335.014/CE,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra  Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10.  5. Recurso especial a que se nega provimento." (grifei)  Na  linha do  julgado  anterior,  segue  o Resp  nº  1.121.801­8,  julgado  pela  1ª  Turma no dia 09/04/2013, rel. Ministro Sérgio Kukina:  “PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  DO  CPC.  INCIDÊNCIA  DA  SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº  10.637/2002  E  10.833/2003.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  ART.  195,  §  12,  DA  CF.  MATÉRIA  EMINENTEMENTE  CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02  e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO.  BENS  E  SERVIÇOS  EMPREGADOS  OU  UTILIZADOS  DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO.  BENEFÍCIO  FISCAL.  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA.  IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN.  1.  Inexiste  violação  do art.  535  do CPC quando o Tribunal  de  origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que  lhe  foram  submetidas,  apreciando  de  forma  integral  a  controvérsia posta nos presentes autos.  2.  "Inadmissível  recurso  especial  quanto  à  questão  que,  a  despeito  da  oposição  de  embargos  declaratórios,  não  foi  apreciada pelo tribunal a quo" (Súmula 211/STJ).  3.  A  análise  do  alcance  do  conceito  de  não­cumulatividade,  previsto  no  art.  195,  §  12,  da  CF,  é  vedada  neste  Tribunal  Superior  sob  pena  de  usurpação  da  competência  do  Supremo  Tribunal Federal.  4. As  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04  não  restringem,  mas  apenas  explicitam  o  conceito  de  insumos  previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.  Fl. 28201DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.153          95 5.  Possibilidade  de  creditamento  de PIS  e COFINS apenas  em  relação  aos  os  bens  e  serviços  empregados  ou  utilizados  diretamente sobre o produto em fabricação.  6.  Interpretação  extensiva  que  não  se  admite  nos  casos  de  concessão  de  benefício  fiscal  (art.  111  do  CTN).  Precedentes:  AgRg  no  Resp  1.335.014/CE,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra  Eliana Calmon, Segunda Turma, Dje 22/9/10.  7. Recurso especial a que se nega provimento.” (grifei)  Como se pode depreender, o cerne da questão prejudicial em exame se situa  sobre a compreensão do termo "insumo", diante da colisão entre a tese da acusação, que adotou  o que dispôs a IN SRF nº 404/2004 a tal respeito, e a tese da recorrente, que se afastou desse  ato normativo ao argumento de  ilegalidade, sustentando que a  IN SRF nº 404/2004 restringe  indevidamente  o  conceito  de  insumo  que  estaria  contemplado  no  artigo  3º  das  Leis  nº  10.637/2002 e 10.833/2003.  A jurisprudência judicial que se consolidou sobre o conceito de insumo está  refletida no texto da IN SRF nº 404/2004, como se pode inferir do voto do Ministro Campbell  Marques,  no  acórdão  prolatado  no  julgamento  do  REsp  nº  1.049.305,  na  sessão  do  dia  22/03/2011:  "Prosseguindo,  a  questão  de  se  definir  se  a  aquisição  de  energia  elétrica,  gás  natural,  lubrificantes  e  óleo  diesel  consumidos  no  processo  produtivo  pode  ensejar  o  direito  ao  crédito  presumido  de  IPI  ou  não  se  transporta para uma outra que diz respeito à classificação ou não da energia  elétrica  e  dos  citados  combustíveis  como  matéria­prima  ou  produtos  intermediários pela legislação do IPI.  Neste ponto, assim tratou do  tema o Decreto nº 87.981/82 (RIPI/82)  ­  em vigor quando da edição da MP nº 674/94 ­ que, naquilo que nos interessa,  foi repetido pelo art. 147, I, do Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98), pelo art. 164,  I,  do  Decreto  nº  4.544/2002  (RIPI/2002)  e  pelo  art.  226,  I,  do  Decreto  nº  7.212/2010 (RIPI/2010), transcrevo o primeiro:  Decreto nº 87.981/82 (RIPI/82)  Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são  equiparados,  poderão  creditar­se  (Lei  nº  4.502,  de  1964,  art. 25):  I  ­  do  imposto  relativo  a  matérias­primas,  produtos  intermediários  e material  de  embalagem,  adquiridos  para  emprego  na  industrialização  de  produtos  tributados,  incluindo­se,  entre  as  matérias­primas  e  produtos  intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao  novo  produto,  forem  consumidos  no  processo  de  industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do  ativo permanente;  [...]  Como  sabido,  a  expressão  "consumir­se  no  processo  de  industrialização"  significa  consumo,  desgaste  ou  alteração  de  suas  propriedades físicas ou químicas durante o processo de industrialização  Fl. 28202DF CARF MF     96 mediante  ação  direta  (contato  físico)  do  insumo  sobre  o  produto  em  fabricação, ou deste sobre aquele.  Sendo  assim,  a  legislação  tributária  considera  como  insumo  aquilo  que  se  integra  de  forma  física  ou  química  ao  novo  produto  ou  aquilo  que  sofre  consumo,  desgaste  ou  alteração  de  suas  propriedades  físicas  ou  químicas durante o processo de industrialização mediante contato físico com  o produto.  Desse modo, a energia elétrica, o gás natural, os lubrificantes e o óleo  diesel  consumidos no processo produtivo, por não  sofrerem ou provocarem  ação direta mediante contato físico com o produto, não integram o conceito  de  "matérias­primas" ou  "produtos  intermediários" para  efeito da  legislação  do  IPI  e,  por  conseguinte,  para  efeito da obtenção do crédito presumido de  IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, na forma do  art.  1º,  da  Lei  n.  9.363/96.  Esse  entendimento  já  se  encontra  pacificado  na  seara administrativa pelo enunciado nº 12, da Súmula do Segundo Conselho  de Contribuintes do Ministério da Fazenda, com o seguinte teor:  "Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363,  de 1996,  as  aquisições de combustíveis  e  energia  elétrica uma vez que não  são  consumidos  em  contato  direto  com o  produto,  não  se  enquadrando nos  conceitos de matéria­prima ou produto intermediário " (Súmula nº 12, do 2º  CC)." (grifei)  Apenas para fins de localização temporal, traz­se à colação a disciplina do IPI  expressa  no  Regulamento  vigente  à  época  dos  fatos  da  acusação  (RIPI/2002  ­  Decreto  nº  4.544/2002):   “Art.  164.  Os  estabelecimentos  industriais,  e  os  que  lhes  são  equiparados,  poderão  creditar­se  (Lei  nº  4.502,  de  1964, art. 25):  I  ­  do  imposto  relativo  a MP, PI  e ME  ,  adquiridos  para  emprego  na  industrialização  de  produtos  tributados,  incluindo­se,  entre  as  matérias­primas  e  produtos  intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao  novo  produto,  forem  consumidos  no  processo  de  industrialização,  salvo se compreendidos entre os bens do  ativo permanente;” (grifei)  Portanto,  segundo  a  legislação  do  IPI  e  em  consonância  com  a  decisão  supracitada,  estão  compreendidos  no  conceito  de  insumo  a  matéria­prima,  os  produtos  intermediários e os materiais de embalagens adquiridos para emprego na industrialização de  produtos tributados,  incluindo­se, entre as matérias­primas e produtos intermediários, aqueles  que,  embora  não  se  integrando  ao  novo  produto,  forem  consumidos  no  processo  de  industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.  Por esse enfoque e à  luz das razões que sedimentaram o voto do relator, no  julgamento do REsp nº 1.049.305, percebe­se que  a  expressão  "consumir­se no processo de  industrialização",  constante  do  artigo  82,  inciso  I,  do  RIPI/1982  (Decreto  87.981/1982),  posteriormente veiculado pelo artigo 164, I, do RIPI/2002, significa:   [...]consumo, desgaste ou alteração de suas propriedades físicas ou químicas  durante o processo de industrialização mediante ação direta (contato físico) do  insumo  sobre  o  produto  em  fabricação,  ou  deste  sobre  aquele.  Sendo  assim,  a  legislação tributária considera como insumo aquilo que se integra de forma física  ou química ao novo produto ou aquilo que sofre consumo, desgaste ou alteração de  Fl. 28203DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.154          97 suas  propriedades  físicas  ou  químicas  durante  o  processo  de  industrialização  mediante contato físico com o produto. Desse modo, a energia elétrica, o gás natural,  os lubrificantes e o óleo diesel consumidos no processo produtivo, por não sofrerem  ou provocarem ação direta mediante contato físico com o produto, não  integram o  conceito de "matérias­primas" ou "produtos intermediários"." (grifei)  Todavia,  no  que  se  refere  ao  PIS/PASEP  e  à  COFINS  não  cumulativos  regidos pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, impõem­se algumas ressalvas, relativamente  ao  que  se  consolidou  na  província  do  IPI,  quanto  ao  que  se  pode  depreender  do  termo  “insumo”.   De plano, manifesto que não adoto a  tese de que o conceito de insumo seja  aquele que é dado pela IN SRF nº 404/2002. Atenho­me, para tanto, ao artigo 3º, inciso II, das  Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: somente geram créditos de PIS/PASEP e COFINS, os bens  e serviços utilizados:  ­ (i) na prestação de serviços, e   ­ (ii) na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda   Logo,  não  se  defere  o  direito  de  crédito  de  PIS/PASEP  e  de  COFINS  em  relação a bens e serviços utilizados em finalidades outras, distintas daquelas que estão acima  indicadas, a não ser que exista previsão legal autorizativa – é óbvio.  A regra legal que fixa a concessão de crédito de PIS/PASEP e de COFINS,  em  relação  a  bens  e  serviços  utilizados  na  produção,  ao  lado  da  concessão  de  crédito  em  relação  a  bens  e  serviços  utilizados  na  fabricação,  converge  para  a  assertiva  de  que  a  legislação da contribuição do PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas não  tem em mira o  reconhecimento do direito ao desconto do crédito exclusivamente em favor de contribuinte do  IPI,  em  sentido  estrito.  Isso  porque o  termo  “produção”,  em paralelo  ao  termo  "fabricação",  traz  à  luz  que  uma  das  possibilidades  de  se  gerar  crédito  não  corresponda  a  uma  “industrialização”, conforme o que está disciplinado pela legislação do IPI. Ou seja, tomando  as  palavras  do Conselheiro  Júlio César Alves Ramos  no  acórdão  nº  9303­003.478,  "não me  parece  que  o  legislador  da  10.833  (assim  como  o  da  10.637)  tenha  buscado  equiparar  as  expressões, atento que estava à possibilidade de que a "produção" ensejadora de crédito no  âmbito das contribuições não corresponda a uma efetiva industrialização nos termos do IPI.  Como é cediço, fora daquele contexto produção pode se referir, e no mais das vezes se refere,  a  um  conjunto  de atividades  bem maior,  que  inclui,  entre  outras,  a  atividade agropecuária,  bem como a agroindustrial."  Por essa óptica, a teor do artigo 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003,  é possível o reconhecimento do direito de crédito de PIS/PASEP e de COFINS em relação a  bens  e  serviços  utilizados  em  etapa  prévia  ainda  não  exatamente  industrial  e  realizada  no  interior  da  própria  pessoa  jurídica,  se  essa  etapa  prévia  faz  parte  do  processo  produtivo.  Basta pensar, por exemplo, nos gastos com material de desinfecção e higienização do ambiente  de  produção  de  uma  empresa  que  prepara  alimentos  industrializados  para  a  venda.  Nesse  cenário,  a  etapa  prévia  “não  tipicamente  industrial”  pode  ser  tão  relevante  quanto  a  etapa  tipicamente  industrial, para  fins de  reconhecimento do direito de crédito de PIS/PASEP e de  COFINS, o que acena para a rejeição de uma exigência há muito formulada para o IPI: que o  bem gerador de crédito entre em contato físico com o bem que está sendo industrializado. Se  assim não  fosse,  os  serviços não poderiam constar  entre  as  espécies de  insumo  refletidas no  artigo 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.  Por  outro  lado,  se  o  deferimento  do  direito  de  crédito  depende  do  cumprimento da exigência de que os bens e serviços adquiridos sejam utilizados na fabricação  Fl. 28204DF CARF MF     98 ou na produção, os bens que devem compor o ativo permanente, por conseguinte,  só podem  gerar créditos, calculados mediante a aplicação da alíquota da contribuição respectiva sobre o  encargo de depreciação do bem, desde que este seja utilizado na fabricação ou na produção, a  teor do artigo 3º, § 1º, inciso III, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. De qualquer forma, a  legislação não concede a tomada de crédito de uma vez só, calculada sobre o valor integral da  aquisição do bem do ativo permanente.  Quanto  à  essencialidade  do  bem  ou  do  serviço,  acompanho  novamente  o  pensamento  do  Conselheiro  Júlio César Alves Ramos,  na  elaboração  do  voto  vencedor  expresso no acórdão nº 9303­003.478, já destacado em linhas precedentes:  “De  outra  banda,  não  adiro  à  noção  de  essencialidade  que  é  por  muitos  advogada.  Como  primeiro  contra­argumento,  porque,  preservada  a  premissa  econômica  de  racionalidade  do  empresário,  seria  difícil  encontrar  algum  item  efetivamente  empregado  no  processo,  e  portanto  gerador  de  custo,  sem  que  haja  necessidade  para  tal,  no  mínimo,  para  que  o  produto  final  seja  aceito  pelo  consumidor. De fato, esse critério apenas nos leva a uma nova dificuldade, qual seja,  a  delimitação  do  grau  de  necessidade  do  item  em  consideração:  seria  ela  estritamente técnica ou também econômica, no sentido acima? A primeiro opção nos  levaria a ter de nos embrenhar nas minúcias de cada processo produtivo; a segunda,  a aceitar praticamente todo e qualquer gasto. Em segundo lugar, porque há inúmeros  itens,  especialmente  de  serviços,  que  são  "essenciais  ao",  mas  não"utilizado  no",  processo produtivo.””  Essa  ordem  de  idéias  repele  a  corrente  que  pretende  introduzir,  pela  vias  jurisprudencial  e doutrinária,  a  tese de que o  conceito de  insumos, para  fins de  apuração do  PIS/PASEP e da COFINS do regime não cumulativo, abarca as despesas operacionais de que  trata  o  artigo  299  do  RIR/99.  Sem  dúvida,  a  disciplina  legal  das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003 não permite o  alargamento do  conceito de  insumos até que  estes  se  confundam  com despesas operacionais.  Em síntese, mais uma vez  seguindo as  considerações  já  assentadas no voto  vencedor do acórdão nº 9303­003.478, sou da opinião de que o serviço ou o bem sobre o qual  se pergunta se é ou não insumo deve responder afirmativamente a duas indagações:   a) participa efetivamente do processo produtivo?   b) tratando­se de bem, desgasta­se em menos de um ano?   Uma  vez  decidida  a  questão  prejudicial  sobre  a  aplicação  da  IN  SRF  nº  404/2004, no que afeta ao conceito de insumo, passa­se ao exame das questões subordinadas.  1.1)  Serviços  de manutenção  de pallets  –  a  glosa  dos  créditos  decorreu  de  dois  fundamentos:  a)  os  serviços  de  reparo  e  manutenção  desses  bens  deveriam  ser  contabilizados no ativo imobilizado, já que propiciam aumento de vida útil superior a um ano,  conforme  artigo  301  do RIR/99;  b)  os  serviços  de  reparo  e manutenção  desses  bens  não  se  enquadram no conceito de insumos.  Para  a  recorrente,  tal  conclusão  é  equivocada,  tendo  em  vista  a  inaplicabilidade  do  conceito  de  insumo  previsto  na  IN/RFB  n°  404/04,  como  já  explicado  anteriormente.  No  mais,  acrescenta  a  recorrente  que  os  pallets  são  utilizados  no  armazenamento dos cilindros de gás produzidos pela recorrente, conforme legislação específica  aplicável  (p.  ex.:  ANVISA,  CONATRAN,  ANTT,  MOPP  ­  Movimentação  e  Operação  de  Produtos  Perigosos).  Diante  disso,  sustenta  a  necessidade  da  utilização  dos  pallets  para  o  transporte de gases em cilindros, sendo imprescindível que sejam mantidos em perfeito estado,  principalmente por razões de segurança. Assim, considerando que são bens empregados como  insumo  no  transporte  dos  gases  vendidos  aos  clientes,  revelar­se­ia  evidente  que  os  valores  gastos com os serviços para a sua manutenção também caracterizam insumos, os quais devem  gerar o direito ao crédito do PIS/PASEP e da COFINS.   Fl. 28205DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.155          99 Em  caráter  subsidiário,  a  recorrente  salienta  que,  caso  se  entenda  que  os  pallets  devam  estar  contabilizados  no  ativo  imobilizado,  dever­se­ia,  por  consequência,  reconhecer que  fazem  jus a créditos de PIS/PASEP e COFINS calculados  sobre os encargos  mensais de depreciação. Nessa hipótese, à semelhança do que restou decidido pela instância a  quo  quanto  aos  itens 3.5,  3.6  e 3.8 do TDF,  terá havido mera postergação do pagamento do  PIS/PASEP e COFINS, conforme apontam as DACONS acostadas aos autos.  Anoto que  a  recorrente não contestou, nesta  instância  recursal,  a  afirmativa  de que tais gastos implicaram aumento de vida útil do bem em prazo superior a um ano, motivo  por  que  estaria  obrigada  a  registrar  os  valores  pagos  a  esse  título  em  conta  do  ativo  imobilizado,  na  forma  do  artigo  301,  §  2º,  do  RIR/99.  Uma  vez  não  refutado  o  fato  mencionado, considero,  nesses  termos, que a  recorrente  fazia  jus a  créditos de PIS/PASEP e  COFINS na proporção de 1/48 avos do valor de aquisição desses bens, jamais de uma vez só,  sobre  o  valor  integral  contabilizado.  Disso,  pode­se  concluir  que  ocorreu  postergação  no  recolhimento  da  diferença  entre  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  que  deveriam  ser  pagos  mensalmente,  calculados  com  desconto  de  crédito  de PIS/PASEP  e COFINS  proporcional  à  fração citada, e os valores daquelas contribuições efetivamente pagos em cada mês, tendo em  conta  as  provas  acostadas  aos  autos  da  realização  de  pagamentos  postergados.  Em  face  do  exposto,  sigo  o  raciocínio  da  autoridade  a  quo,  ao  admitir  que  “restou  comprovado  na  impugnação,  às  fls.  27558  e  27559,  que  a  contribuinte  realizou  recolhimentos  dos  (sic)  PIS/Cofins em 2010 e 2011 em valor bem acima de tais glosas.” À vista do exposto, provejo o  recurso, quanto ao tema em debate.  1.2) Despesas extras – de acordo com o relatório fiscal, as "despesas extras"  comportam as mais variadas formas de despesas: serviços de táxi, deslocamentos, hospedagens  em  hotéis/pousadas,  passagem  de  ônibus,  pesagem  etc.  ­  fls.  24586/24806.  A  Fiscalização  alega  que  identificou  todos  os  lançamentos  feitos  no  livro  Diário,  a  débito  das  contas  51300000000  (Materiais  e  Insumos),  51400000000  (Serviços  Prestados  por  Terceiros)  e  51500000000 (Despesas com Veículos) contendo no histórico a palavra "extra". Em seguida,  elaborou  o  demonstrativo  de  fls.  24807/24810,  onde  estão  relacionadas  todas  as  aquisições  cujos créditos foram apropriados indevidamente pela fiscalizada.  A recorrente diz, a tal propósito, que esses gastos se referem a reembolsos de  despesas  com  serviços  de  táxi,  deslocamentos  de  motoristas,  hospedagens,  passagens  de  ônibus,  pesagens,  taxas  de  fiscalização,  refeições,  dentre  outras,  todas  diretamente  relacionadas ao serviço de transportadoras de cargas que contrata para viabilizar a distribuição  de  seus  produtos  aos  clientes.  Nesse  sentido,  adverte  que,  se  não  contratasse  tais  serviços,  tornar­se­ia impossibilitada de atender a demanda de seus clientes e distribuir os gases por ela  fabricados. Assim, ressalta que as despesas extras são acessórias ao preço pago pelo serviço de  transporte, porém necessárias para a regular prestação dos serviços.  No  caso  das  despesas  com  hospedagem,  aduz  que,  nem  sempre,  o  transportador consegue percorrer todo o trajeto em um dia. Nessa situação, a hospedagem em  hotel/pousada é imprescindível, seja em razão do necessário repouso, seja para evitar acidentes  de trânsitos, tão comuns no país. Nessa ordem de idéias, informa que o Estatuto do Motorista  Profissional (Lei n° 12.619/12) incluiu na CLT o artigo 235­D, que passou a garantir o repouso  diário em hotel, nas viagens de longa distância.  Já as despesas com táxi e passagens de ônibus foram incorridas para atender  exigências  específicas  da  recorrente,  permitindo  o  deslocamento  do  motorista  ao  ponto  de  carregamento,  isto  é,  de  onde  sairá  o  caminhão  com  os  produtos  a  serem  transportados.  Naturalmente,  sem que o motorista  se desloque até o ponto de carregamento,  fica  inviável o  transporte e, consequentemente, a geração da receita tributável.   Fl. 28206DF CARF MF     100 No  mesmo  tom,  relata  que  igualmente  relevantes  são  as  despesas  com  a  pesagem dos  caminhões,  afinal  ter  conhecimento  do  peso  da  carga  do  veículo  é obrigatório,  pois eventual excesso de peso pode acarretar a aplicação de elevadas multas ao transportador, o  que  é  suficiente  para  demonstrar  a  natureza  de  insumo  de  tais  serviços.  Da mesma  forma,  advoga que  as  taxas  de  fiscalização  cobradas  pelos Estados  constituem não  apenas  despesas  necessárias  e  essenciais,  mas  também  obrigatórias,  não  havendo  qualquer  dúvida  quanto  à  possibilidade de creditamento dos valores desembolsados a esse título.  O  que  se  vê,  no  presente  recurso,  é  a  tentativa  de  se  valer  do  conceito  de  despesa operacional, dado pelo artigo 299 do RIR/99, para fins apuração de PIS/PASEP e da  COFINS.  Os  gastos  em  exame  não  são  insumos,  sob  o  ponto  de  vista  da  legislação  do  PIS/PASEP e COFINS não cumulativos, porque não foram aplicados na aquisição de bens ou  na prestação de serviços efetivamente utilizados no processo produtivo. Conforme confessa a  recorrente,  trata­se de despesas assumidas para a entrega de produto próprio por ela vendido.  Portanto,  são  gastos  decorrentes  da  comercialização,  ou  seja,  desembolsos  efetuados  após  a  produção ou após a fabricação, razão por que se deveria negar provimento ao recurso, quanto  ao  item  ora  apreciado.  Ocorre,  entretanto,  que  este  item  da  autuação  não  foi  objeto  de  impugnação, o que impõe o não conhecimento das respectivas razões recursais.  1.3) Compra de óleo diesel ­ a fiscalizada informou que fornece óleo diesel à  empresa GAFOR, responsável por parte do transporte dos gases produzidos, conforme previsto  no  anexo  II  do  aditivo  contratual  assinado  no  dia  1o  de  outubro  de 2009  ­  fl.  24835.  Para  a  Fiscalização,  óleo  diesel  não  se  enquadra  no  conceito  de  insumo,  já  que  não  é  utilizado  no  processo produtivo da empresa.   Ao  seu  turno,  a  recorrente  declara  que  o  óleo  diesel  é  adquirido  para  abastecer os cavalos­mecânicos alugados da empresa GAFOR, conforme contrato acostado às  folhas n° 24.831/24.850. Nessa  toada,  a  recorrente  expõe que  tais veículos  são utilizados no  transporte  e  na  distribuição  de  parte  dos  gases  por  ela  produzidos  aos  seus  clientes  finais,  ficando  evidenciada  a  sua  utilização  como  insumo  na  prestação  dos  referidos  serviços.  De  acordo com tal raciocínio, basta subtrair o óleo diesel do serviço de transporte para se concluir  pela  sua  necessidade  e  essencialidade,  afinal,  sem  ele  o  transporte  dos  gases  é  impossível,  inviabilizando a continuidade de sua atividade econômica. Ademais, o cálculo do crédito sobre  combustíveis está expressamente previsto no inciso II do artigo 3o das Leis n° 10.637/2002 e  10.833/2003, sendo que a Receita Federal do Brasil corrobora esse entendimento, conforme a  Solução de Divergência n° 37, de 9 de outubro de 2008.  Também  aqui  não  pode  prosperar  a  pretensão  recursal,  pois  o  óleo  diesel  comprado não  era  utilizado  no  processo  produtivo e,  sim,  no  transporte  e  na distribuição  de  gases comercializados aos clientes finais. Tal aspecto fático toma vulto em face das exigências  estipuladas  no  inciso  II  do  artigo  3º  das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003,  em  ordem  a  destacar  que  a  destinação  que  fora  dada  ao  combustível  implica  impedimento  ao  enquadramento no conceito de insumo.  1.4)  Despesas  como  monitoramento  e  rastreamento  –  a  Fiscalização  identificou  todos  os  lançamentos  feitos  no  livro  Diário,  a  débito  das  contas  51300000000  (Materiais  e  Insumos),  51400000000  (Serviços  Prestados  por  Terceiros)  e  51500000000  (Despesas  com  Veículos)  contendo  no  histórico  as  palavras  "monitoramento"  ou  "rastreamento".  Em  seguida,  elaborou  o  demonstrativo  de  fls.  24863/24868,  no  qual  estão  relacionadas  todas  as  aquisições  cujos  créditos  foram  apropriados  indevidamente  pela  fiscalizada. Isso porque, no entendimento da autoridade fiscal, as despesas com monitoramento  e  rastreamento não  são  considerados  "insumos",  já que não  são  aplicados ou  consumidos na  fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.   Em sua defesa, a recorrente explica que desempenha atividades de transporte,  distribuição  e  comercialização  de  gases,  motivo  por  que  as  despesas  com monitoramento  e  Fl. 28207DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.156          101 rastreamento  revelam­se  essenciais,  pois  propiciam  o  controle  e  a  proteção  da  carga  transportada.  Nesse  rumo,  salienta  que  o  referido  transporte  tem  por  objetivo  viabilizar  a  entrega dos gases no estabelecimento do consumidor  final ou nos pontos de venda, onde são  retirados  pelos  clientes.  Portanto,  se  impossibilitado  o  aproveitamento  de  créditos  sobre  as  referidas despesas, a atividade de transporte de carga torna­se demasiadamente insegura, uma  vez que o roubo de cargas é bastante comum nas rodovias do país.  Tais  despesas  podem  ser  necessárias  à  manutenção  da  fonte  produtora,  e  normais e usuais às atividades da pessoa jurídica, à luz do que prevê o artigo 299 do RIR/99, o  que não as torna automaticamente geradoras de crédito de PIS/PASEP e de COFINS. Como já  foi  dito,  para  gerar  crédito de PIS/PASEP  e de COFINS não cumulativos,  é  essencial  que o  bem ou serviço seja aplicado no processo produtivo, em consonância com o disposto no artigo  3º,  II,  das Leis  nº  10.637/2002  e  10.833,  de  2003. No  entanto,  a  recorrente  sublinha  que  os  gastos ora examinados decorreram do implemento de meios tecnológicos voltados à proteção  da  carga  a  ser  entregue  a  clientes  finais  ou  em  ponto  de  venda,  onde  são  retirados  pelos  adquirentes,  clientes  da  recorrente.  Por  conseguinte,  tais  desembolsos  eram  aplicados  em  serviços utilizados pela recorrente após o processo produtivo. Patente, pois, a procedência da  autuação e do acórdão da DRJ. Nesse sentido, deve­se negar provimento à pretensão recursal,  no tocante ao item em debate.  1.5)  Despesas  com  pedágio  ­  a  fiscalizada  também  apurou  créditos  tendo  como base  de  cálculo  as  despesas  pagas  a  título  de pedágios  ­  fls.  24869/24875. Segundo  a  Fiscalização,  o  valor  pago  a  título  de  pedágio  é  uma  contrapartida  pela  utilização  de  via  pública.  Em  outras  palavras,  o  pedágio  não  constitui  remuneração  pela  prestação  de  um  serviço. Isso porque as empresas concessionárias, por meio de concessão prevista no artigo 175  da Constituição  da República  de  1988,  firmada  em  contratos  com  a Administração  Pública,  obrigam­se à construção ou à conservação de rodovias, recebendo do poder público o direito de  cobrar pedágio por sua utilização. Logo,  independentemente da natureza  jurídica do valor do  pedágio  (tributo,  tarifa ou preço público), o valor pago constitui  remuneração pela passagem  pela  via  pública  e  não  por  serviço  realizado  pela  concessionária  para  sua  construção  ou  conservação.  Por sua vez, no presente apelo, a recorrente afirma que o transporte dos gases  que  fabrica depende do pagamento do pedágio,  sob pena de  se  inviabilizar o  regular  tráfego  pelas vias públicas. Por tal perspectiva, a despesa com pedágio é necessária e obrigatória, pois  prevista  em  lei. Além  disso,  o  pedágio  é  utilizado  como  insumo  na  prestação  do  serviço  de  transporte dos gases, constituindo custo que compõe o preço final de seu produto, de modo que  sua subtração o inviabilizaria por completo.  Entendo que é despecienda a discussão sobre a natureza jurídica do pedágio.  O que interessa para a solução da questão posta é saber se o gasto com pedágio foi aplicado no  processo  produtivo.  Para  tal  resposta,  observo  que,  na  impugnação,  a  recorrente manifestou  que,  “sem  o  pagamento  do  pedágio,  não  é  possível  que  as  empresas  transportadoras  contratadas  pela  Impugnante  desloquem­se  pelas  rodovias  para  efetuar  a  entrega  de  seus  bens  e  produtos  aos  seus  clientes,  sendo  certo  que  tais  despesas  configuram­se  como  necessárias à manutenção de sua atividade.” (grifei)  Novamente, cabe afastar a tese de necessidade da despesa para a manutenção  da  fonte  produtora. O pagamento  de pedágio  era,  sim,  necessário  à  realização  da  entrega  de  bens a clientes, o que não tem a menor importância para fins de reconhecimento do direito de  crédito.  Como  já  se  disse,  é  imprescindível  descortinar  se  o  gasto  desembolsado  com  o  pagamento do pedágio foi aplicado, ou não, no processo produtivo, e a resposta a essa pergunta  Fl. 28208DF CARF MF     102 é “não”, porquanto pagou­se o pedágio para tornar possível o aperfeiçoamento de suas vendas,  com a tradição da mercadoria alienada. Em tal cenário, não há como prover o recurso, uma vez  que os pedágios foram pagos após o término do processo produtivo.  1.6) Despesas com hospedagem, passagem rodoviária e diárias – segundo a  Fiscalização,  as despesas com hospedagem, passagem rodoviária e diárias não se enquadram  no conceito de insumo,  já que não são aplicadas ou consumidas na produção dos bens ou na  prestação dos serviços (fls. 24880/24892). Explique­se, ainda, que as despesas glosadas foram  relacionadas  no  demonstrativo  de  fls.  24893/24895  e  24896/24898,  cujos  valores  foram  extraídos dos lançamentos escriturados no livro Diário, nas contas 51300000000 (Materiais e  Insumos),  51400000000  (Serviços  Prestados  por  Terceiros),  51500000000  (Despesas  com  Veículos) e 514603 (Transporte Contratado).  Diz a recorrente que já demonstrara, no item “despesas extras”, que os gastos  em apreço constituem despesas com insumos empregados na prestação do serviço de transporte  de gases. Nesses termos, conclama pela consideração sobre as razões de defesa já exposta no  item 1.2, supra.  No entanto, à semelhança do que restou assentado quanto ao item 1.2, não é  possível conhecer das razões recursais, já que este item não foi impugnado perante a primeira  instância.  1.7) Despesas com consultoria – segundo a Fiscalização, dentre os  insumos  cujos  créditos  foram  apropriados  pela  recorrente,  alguns  deles  são  relativos  a  despesas  com  "consultorias".  Referidas  despesas  foram  comprovadas  após  a  solicitação  de  alguns  documentos de aquisições, selecionados por amostragem ­ fls. 24899/24904. De acordo com o  relato fiscal, as despesas com os serviços de consultorias não são aplicadas ou consumidas na  produção ou fabricação dos produtos produzidos pela fiscalizada ou na prestação dos serviços;  são  despesas  aplicadas  nas  atividades­meio  da  fiscalizada  (projetos,  recursos  humanos,  departamento jurídico, informática, despesas com alimentação, viagens etc).  Para a recorrente, os serviços técnicos de assessoria e consultoria objetivam  auxiliar os gestores e proprietários da empresa na tomada de decisões estratégicas e de grande  impacto  sobre  os  resultados  atuais  e  futuros  da  organização.  Desse  modo,  contratam­se  assessores  e  consultores,  especializados  em  determinados  assuntos,  a  fim  de  implementar  melhorias  no  processo  produtivo  e  nos  serviços  prestados  pela  empresa  ou  até mesmo  para  atender determinadas normas que dizem respeito à atividade econômica desenvolvida. Trata­se,  pois,  de  serviços  utilizados  como  insumos  e  empregados  indiretamente  na  produção  e  fabricação dos gases e, ainda, na prestação dos serviços de transporte.   Nessa mesma linha, a recorrente anuncia que a necessidade e a essencialidade  da consultorias são patentes, porquanto, sem os referidos serviços, não seria possível melhorar  e  tornar  mais  eficaz  o  seu  processo  produtivo,  muito  menos  alcançar  níveis  maiores  de  qualidade do produto final. Ademais, alguns serviços dessa natureza foram contratados com o  objetivo de atender normas de segurança no transporte dos gases ou até mesmo para diminuir o  impacto ambiental de sua atividade. A própria autoridade fiscal menciona vários serviços dessa  natureza nas páginas 28/30 do TDF,  tais como assessoria para estudos do passivo ambiental,  coleta e análise da água do poço tubular, renovação de licenças de operação junto à CETESB,  consultorias  relacionadas  ao  transporte  de  cargas,  renovação  de  certificados  de  responsabilidade técnicas, dentre outros. Portanto, todos os serviços de assessoria e consultoria  contratados  eram  necessários  à melhoria  de  seu  processo  produtivo,  mormente  por  torná­lo  mais eficiente, seguro, econômico e ambientalmente adequado.  Mais  uma  vez  a  recorrente  insiste  com  a  tese  de  que  tais  despesas  são  necessárias para a consecução de seu objeto social. O argumento da autoridade fiscal se baseia  no fato de que os gastos em referência foram aplicados em atividades­meio. Atividade­meio é  Fl. 28209DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.157          103 aquela  que  não  é  inerente  ao  objetivo  principal  da  pessoa  jurídica,  ou  seja,  é  um  serviço  necessário, embora sem relação direta com a atividade principal, ao passo que a atividade­fim é  aquela  que  caracteriza  o  objetivo  principal  da  pessoa  jurídica,  sua  destinação,  normalmente  expressa no contrato social.   No rol de notas fiscais citadas pela Fiscalização, descortinam­se serviços de  técnicos na caixa de incêndio, assessoria para estudo de passivo ambiental, lavagem de peças  de  oficina,  assessoria  para  registro  junto  ao  CRQ,  análise  de  poços  de  monitoramento,  assessoria para coleta e análise da água do poço tubular, serviços e investimentos em energia  elétrica,  organização  do  arquivo  técnico  de  projetos  da  gerência,  assistência  técnica  de  filmagem  central,  elaboração  de  projeto  arquitetônico  para  fins  de  aprovação  na  vigilância  sanitária etc.  À vista do exposto, não há como acolher a pretensão da recorrente, uma vez  diante de gastos não aplicados ou  consumidos diretamente na  fabricação de produtos ou na  prestação de serviços da pessoa jurídica, conforme reza o artigo 3º, II, das Leis nº 10.637/2002  e 10.833/2003. Segue, nessa linha, a jurisprudência dominante na CARF:   “PIS E COFINS.CREDITAMENTO. INSUMO.CONSULTORIAS  Insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou  serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão  somente  aqueles  bens  ou  serviços  intrínsecos  à  atividade,  adquiridos  de  pessoa  jurídica  e  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  fabricação  do  produto  ou  serviço  prestado.”  (Acórdão  nº  1402002.337  –  4ª  Câmara/2ª  TO,  sessão  de  05/10/206,  rel.  Conselheiro  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto)  (grifei)  1.8) Despesas com condomínio – para a Fiscalização, não há previsão  legal  concessiva  do  direito  de  crédito  de  PIS/PASEP  e  Cofins  não  cumulativas  às  despesas  com  condomínio.   A  recorrente,  a  esse  respeito,  afirma que  faz  jus  aos  créditos  glosados  com  fulcro no inciso II do artigo 3o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em síntese, ela se defende  com o discurso de que as despesas com condomínio enquadram­se no já explicitado conceito  de  insumo.  Isso  porque  o  condomínio  é  cobrado  dos  condôminos  como  rateio  de  diversas  despesas  do  prédio,  tais  como  energia  elétrica,  água,  mão  de  obra  própria  ou  terceirizada,  manutenção das áreas comuns, dentre outras. Além disso, a despesa condominial é obrigatória  aos  ocupantes  do  imóvel  e  não  meramente  facultativa.  Assim,  se  deixasse  de  pagar  a  cota  condominial,  não  poderia  se  estabelecer  no  prédio  onde  desempenha  suas  atividades  econômicas. De acordo com essa linha de entendimento, a necessidade e a essencialidade da  despesa  mostrar­se­iam  inquestionáveis,  o  que  autorizaria  enquadrá­la  como  insumo  empregado indiretamente na produção e na fabricação de seus produtos.  Como já se disse em vários momentos anteriores deste voto, não se admite a  extensão do conceito de despesa operacional do artigo 299 do RIR/99 para fins de apuração de  PIS/PASEP e COFINS não cumulativos. Também o fato de ser compulsória não transforma a  despesa em insumo, do ponto de vista das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. É preciso que o  gasto  relacionado  a  essa  despesa  seja diretamente  utilizado  no  processo  produtivo  para  ser  considerado insumo.   No mais, mencione­se que a partilha das despesas comuns  traz a  reboque a  ideia de consumo dividido, e não há como se admitir que algo que se consome em conjunto  seja  ao mesmo  tempo  utilizado  em  processo  produtivo  realizado  por  condômino  que  possui  Fl. 28210DF CARF MF     104 gigantescas  instalações  de  produção,  uma das maiores  empresas mundiais  do  ramo de  gases  industriais, atrás apenas da Air Liquide, da França, como noticia The Wall Street Journal, em  sua página em português na Internet, em matéria escrita por Robert Wall, no dia 21/12/20166.  Assim, não há como acolher a alegação de que tal contribuinte rateie com terceiros despesas de  suas unidades de fabricação ou de produção com energia elétrica, água, mão de obra própria ou  terceirizada, dentre outras. Se houve, de alguma forma, partilha de despesas condominiais com  a recorrente, tais despesas certamente não são relacionadas à produção ou à fabricação.   De  qualquer  sorte,  o  condômino  se  torna  devedor  da  quota  que  lhe  cabe,  sendo credor o condomínio (art. 1336, II, do vigente Código Civil), que poderá executá­lo, em  caso  de  inadimplência  (art.  1348,  II,  do  vigente Código Civil,  c/c  art.  75, XI,  do CC/2015).  Essa  nota  de  autonomia  da  quota  condominial,  em  relação  às  despesas  que  lhe  dão  causa,  denota que o produtor institucional não quis inclui­la entre as despesas geradoras de crédito de  PIS/PASEP e COFINS não cumulativos, pois do contrário teria agido à semelhança do que fez  em  relação  à  energia  elétrica  consumida,  às  benfeitorias  e  às  edificações  em  imóvel  de  terceiros, aos aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, todos incluídos em incisos do artigo  3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002. Tal conclusão repele a procedência do recurso, no  que diz respeito às despesas condominiais.  2)  Glosa  de  créditos  baseados  em  despesas  com  aluguéis  pagos  a  pessoas  físicas  ­ não  foi  impugnada a exigência  fundada na glosa dos créditos baseados em despesas  com aluguéis pagos a pessoas físicas.  3) Glosa  de  créditos  baseados  em  despesas  com  aluguéis  de  imóvel  que  já  tenha  integrado o patrimônio da pessoa  jurídica ­ não  foi  impugnada a  exigência  fundada na  glosa  dos  créditos  baseados  em  despesas  com  aluguéis  de  imóvel  que  já  tenha  integrado  o  patrimônio da pessoa jurídica.  4) Glosa de créditos baseados em despesas com fretes relativos ao transporte  de  produtos  acabados  e  em  elaboração  entre  os  estabelecimentos  da  fiscalizada  ­  fls.  25003/25013  ­  a  recorrente  foi  intimada  a  informar  o  nº  contábil  das  contas  em  que  são  escrituradas  as  despesas  com  fretes  relativas  ao  transporte  de  produtos  em  elaboração  e  acabados  entre  os  estabelecimentos  da  fiscalizada  (Termo  de  Intimação  Fiscal  n°  04)  ­  fl.  23609. Em resposta, apresentou as contas em dois grupos: a) Linde Entre Filiais (gasoso); b)  Todos os Fretes (líquido). Em seguida, esclareceu que, no grupo “Todos os Fretes” (líquido),  são  registradas exclusivamente operações de  transporte de produtos  fabricados entre  filiais  da  pessoa  jurídica.  Tais  produtos  fabricados  podem  ser  armazenados  nas  diversas  filiais  recebedoras para posterior venda a cliente da região ou, então, utilizados como matéria­prima  intermediária em operação  industrial de gaseificação e  enchimento de cilindros, para  serem  vendidos de forma ambulante ou na porta da filial, de onde são retirados pelos clientes. Isto é, o  produto está pronto quimicamente, em sua versão líquida, e é nesse estado que é armazenado  em  tanques.  Porém,  ainda  pode passar  por um  processo  de gaseificação para  seguir,  daí,  ao  consumidor final. Portanto, em síntese, constatou­se que o grupo “Todos os Fretes” (líquido) se  refere ao transporte de produtos em elaboração, ao passo que o grupo “Linde Entre Filiais”  (gasoso) se refere ao transporte de produtos acabados.   Malgrado tenha sido informado pela fiscalizada que o transporte de líquidos  se referia à "matéria­prima intermediária", a Fiscalização concluiu que, de fato, o produto em  estado  líquido  deve  ser  visto  como produto  em elaboração.  Isso  porque,  de  acordo  com  o  artigo 8o,  § 4o,  da  IN SRF 404/2004,  insumo é  toda matéria­prima, produto  intermediário,  material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o  dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida  sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.                                                               6 <http://br.wsj.com/articles/SB12629385496040284455304582509521599307232>. Acesso em 10/01/2017.   Fl. 28211DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.158          105 Ocorre que, em consonância com o Manual de Contabilidade das Sociedades  por  Ações  (FIPECAFI),  produtos  em  elaboração  representam  a  totalidade  das  matérias­ primas  que  estão  em  processo  de  transformação.  Ou  seja,  o  produto  em  elaboração  é  o  resultado  da  utilização,  no  processo  produtivo,  das  matérias­primas  e  dos  produtos  intermediários. Assim, o produto em elaboração se distingue do produto acabado em razão de  necessitar,  ainda,  de  algum  tipo  de  industrialização  ou  de  algum  outro  evento  futuro  (resfriamento,  secagem  etc).  Ademais,  os  líquidos  transportados  pela  fiscalizada  já  estão  quimicamente  prontos,  ou  seja,  falta  apenas  uma  etapa  de  industrialização  (processo  de  gaseificação) para serem considerados produtos acabados.   Concluindo, do ponto de vista da Fiscalização, os líquidos transportados pela  fiscalizada, tanto para venda como para o posterior processo de gaseificação, não se enquadram  no  conceito  de  insumos,  pois  são  produtos  em  elaboração.  Em  consequência,  o  frete  dos  líquidos entre estabelecimentos da pessoa jurídica não gera crédito de PIS/PASEP e COFINS  não cumulativos, uma vez que o § 4º do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004 dispõe no sentido de  que somente são considerados insumos a matéria­prima, o produto intermediário e o material  de embalagem.  No que diz respeito aos produtos acabados, o raciocínio da Fiscalização é o  seguinte: as despesas de fretes derivadas das vendas de mercadorias produzidas geram direito  a créditos de PIS/PASEP e COFINS não cumulativos, não por serem consideradas insumos, e,  sim,  porque  constam  do  artigo  3o,  IX,  das  Leis  10637/2002  e  10833/2003.  Entretanto,  a  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  não  implica  transferência  de  propriedade do  produto  acabado;  significa  dizer  que,  nesses  casos,  não  há  venda  de produto  acabado, razão pela qual não há que se falar em direito de crédito de PIS/PASEP e COFINS.  Por  outro  ângulo,  todavia,  se  chega  à mesma  conclusão:  o  frete  de  produtos  acabados  é  um  serviço utilizado na distribuição das mercadorias, e não na produção ou fabricação delas. Por  isso, referidos fretes não podem ser considerados insumos e gerar créditos com base no inciso  II do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.   Portanto,  em  suma,  para  a  Fiscalização,  não  se  admite  o  crédito  de  PIS/PASEP  e  de COFINS  não  cumulativos  em  relação  às  despesas  de  frete  de  produtos  em  elaboração (líquidos) ou acabados (gasoso), entre estabelecimentos da pessoa jurídica.  A  defesa  da  fiscalizada,  antes  de  avançar  no  mérito,  requer  que  se  compreendam  a  necessidade  e  a  essencialidade  das  referidas  despesas,  bem  como  o  seu  inegável  emprego  nas  atividades  econômicas  desenvolvidas.  Para  isso,  destaca  que  é  imprescindível  descrever  minuciosamente  todas  as  etapas  envolvidas  na  modalidade  de  distribuição "cilindro" de seus produtos:   • Etapa 01: os gases produzidos pela recorrente saem de suas fábricas  em  estado  líquido  e  são  transportados,  por  caminhões  tanque,  para  as  estações de envasamento, onde são acondicionados em tanques.  •  Etapa  02:  os  gases  em  estado  líquido  passam  por  um  processo  de  gaseificação em vaporizadores e, posteriormente, são transportados por meio  de gasodutos até os equipamentos de envasamento.  •  Etapa  03:  agora  em  estado  gasoso,  os  gases  são  envasados  em  cilindros de diversos tamanhos e acondicionados em pallets que viabilizam o  transporte aos clientes;  •  Etapa  04:  após  o  envasamento  e  acondicionamento  em  pallets,  o  produto  acabado  é  finalmente  transportado  aos  clientes  por  meio  de  (i)  venda direta, (ii) "ambulante" ou (iii) para os pontos de venda da recorrente.  Fl. 28212DF CARF MF     106 Como  se  pode  perceber,  as  etapas  da  referida  modalidade  de  distribuição  [cilindro]  atravessam  dois  momentos  de  transporte  dos  gases,  que  são  absolutamente  necessários e essenciais ao desenvolvimento de seu processo produtivo:  Momento n° 01: transporte do gás líquido para as estações de envasamento,  onde o produto passa pelo processo de gaseificação; e   Momento n° 02:  transporte do produto acabado para venda ou para pontos  de venda da recorrente, de onde serão retirados pelos clientes.  A  recorrente  assinala  que o  transporte  dos  gases  em  estado  líquido  para  as  estações de envasamento é necessário e essencial, porque, se subtraído do processo produtivo,  ficam  inviabilizadas  as  demais  etapas  e  a  consecução  dos  objetivos  pretendidos  com  a  realização da atividade econômica. Em outras palavras, o transporte do gás em estado líquido  do estabelecimento fabricante para as estações de envasamento é imprescindível à obtenção do  produto final que será vendido aos seus clientes. Por conseguinte, pouco importa se o gás em  estado  líquido  é  matéria  prima  intermediária  ou  "produto  em  elaboração".  Demonstrada  a  importância de seu transporte entre os estabelecimentos da recorrente, torna­se indiscutível que  os  fretes  configuram  serviços  utilizados  como  insumo  no  processo  de  industrialização  executado pela recorrente. Demonstrado que os fretes em questão se enquadram no conceito de  insumo  referido pela  legislação das  contribuições  sociais  incidentes  sobre a  receita,  deve ser  reformado o acórdão da DRJ, a fim de que se cancele a glosa efetuada.  Quanto  ao  serviço  de  frete  pago  para  o  transporte  do  produto  acabado  (cilindros de gás) até os postos de venda (Etapa 04), a recorrente afirma que está diretamente  relacionada  com  a  operação  de  venda,  já  que  a  respectiva  despesa  objetiva  a  condução  do  produto  ao  consumidor  final,  ainda  que  a  este  caiba  a  retirada  da mercadoria  nos  pontos  de  venda da recorrente. Desse modo, sustenta que a exegese do inciso IX do artigo 3o das Leis n°  10.637/02  e  10.833/03  é  consentânea  com  o  aproveitamento  de  créditos  decorrentes  dos  serviços de frete destinados ao transporte do produto acabado até o consumidor final, mesmo  que  isso  não  signifique  a  entrega  da  mercadoria  no  estabelecimento  do  cliente  e,  sim,  nos  pontos de venda mencionados.   Mais além, declara que, ainda que não se concorde com o argumento exposto  no  parágrafo  anterior,  é  de  se  admitir  que  as  aludidas  despesas  podem  gerar  créditos  com  fundamento no inciso II do artigo 3o dos diplomas legislativos mencionados, já que o transporte  dos  cilindros  de  gás  até  os  pontos  de  venda  da  recorrente  integra  o  seu  processo  produtivo,  porquanto,  sem  o  referido  deslocamento,  os  cilindros  de  gás  não  chegariam  ao  consumidor  final,  frustrando  o  objetivo  de  toda  a  atividade  desenvolvida  pela  recorrente.  Ademais,  as  anteditas  despesas  compõem  o  custo  de  produção  e  estão  inegavelmente  inseridas  no  ciclo  produtivo  da  recorrente,  reforçando  a  ideia  de  que  se  referem  a  serviços  utilizados  como  insumo na obtenção e venda do produto final.  Por  outra  perspectiva,  a  tese  defensiva  salienta  que  não  se  deve  esquecer,  outrossim,  que  a  recorrente,  dentre  outras  atividades  previstas  em  seu  objeto  social,  comercializa  e  distribui  os  produtos  por  ela  fabricados.  Segue  daí  que  o  frete  pago  para  o  transporte do produto acabado é utilizado como insumo na prestação do serviço de distribuição  e comercialização dos gases. Por esse ponto de vista e considerando que tais despesas integram  o custo do serviço de distribuição dos gases nos diversos pontos de venda da recorrente, é de se  reconhecer a possibilidade de apropriação dos créditos.  Não  se  pode  deixar  de  mencionar  que  a  recorrente,  ainda  na  fase  de  impugnação,  esclareceu  que  cometera  um  equívoco,  ao  prestar  informação  à  Fiscalização,  inserindo, na resposta à intimação, valores que efetivamente se referem a despesas de frete na  venda,  e não a despesas de  frete  entre estabelecimentos da própria  fiscalizada. Diante disso,  converteu­se o julgamento em diligência para confirmação do que a então impugnante revelara.  Em cumprimento à resolução de diligência aprovada pela DRJ, o autor do feito reconheceu a  Fl. 28213DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.159          107 glosa  a maior na  base  de  cálculo  da  autuação,  por  ter  havido  a  inclusão,  no  lançamento,  de  importância  relacionada  à  despesa  de  frete  na  venda de  produtos,  o  que  bastou  à  autoridade  julgadora  para  excluir  da  glosa  tal  diferença  indevidamente  incluída.  Portanto,  o  recurso  voluntário  só  abrange  o montante  da  glosa  que  remanesceu  incólume,  após  a  apreciação  da  autoridade julgadora de primeira instância.  A  recorrente  não  tem  razão.  Com  o  advento  da  Lei  nº  10.833/2003,  que  instituiu  o  regime  de  apuração  não  cumulativa  para  a  COFINS,  admitiu­se  o  desconto  de  crédito calculado sobre o valor dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete,  na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria pessoa jurídica vendedora, à  luz do disposto no artigo 3, inciso IX, verbis:  “Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  [...]  IX  ­  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação  de  venda,  nos  casos  dos  incisos  I  e  II,  quando  o  ônus  for  suportado pelo vendedor.    O artigo 15 da citada Lei nº 10.833/2003  também autorizou o desconto de crédito de  PIS/PASEP  calculado  sobre  despesas  com  fretes  pagos  ou  creditados  à  pessoa  jurídica  domiciliada no país, na operação de venda, conforme se depreende da transcrição a seguir:  “Art. 15. Aplica­se à contribuição para o PIS/PASEP não­ cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro  de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de  2004)  I ­ nos incisos I e  II do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído  pela Lei nº 10.865, de 2004)  II ­ nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20  do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de  2004)”  Sublinhe­se que, até a edição da Lei nº 10.833/2003, não havia previsão legal  para a concessão de crédito de PIS/PASEP ou COFINS sobre o frete pago. No entanto, a Lei nº  10.833/2003  só  passou  a  autorizar  o  desconto  de  crédito  sobre  as  despesas  de  fretes  nas  operações de venda, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. Por conseguinte, o  gasto com transporte entre estabelecimentos da pessoa jurídica não gera crédito de PIS/PASEP  ou COFINS,  seja  para produtos  acabados,  seja  para  produtos  em  elaboração. O discurso  em  torno da necessidade da despesa para o  auferimento de  receitas pode  ter  êxito no  âmbito do  IRPJ  ou  da CSLL,  jamais  no  plano  do PIS/PASEP  e da COFINS não  cumulativos,  como  já  explicado neste voto em várias passagens.   Perante  os  fundamentos  aduzidos,  o  recurso  é  improcedente,  no  tocante  ao  item debatido.  5) Glosa de despesas com locação de cavalos­mecânicos contratados junto à  empresa Gafor ­ a fiscalizada apresentou à Fiscalização o "Contrato de Prestação de Serviços  de Operação de Cavalos­Mecânicos e Manutenção de Equipamentos", firmado em 01/08/1997,  cujas principais cláusulas são as seguintes ­ fls. 24840/24850:  1 .  DO OBJETO  Fl. 28214DF CARF MF     108 1 . 1  Em decorrência do Contrato de Locação de Cavalos  Mecânicos  ("Contrato  de  Locação'''),  firmado  nesta  data  entre  as  partes  contratantes,  por  este  instrumento,  a  GAFOR  se  obriga  a  fornecer  à  AGA,  motoristas  para  operação  dos  cavalos  mecânicos  e  demais  serviços  ­ necessários  à  distribuição  de  gases  aos  cientes  da  AGA,  bem  como  serviços  de  manutenção  dos  semi­reboques  de  propriedade da AGA, a fim de garantir sua conservação e  bom funcionamento ("SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO''). A  GAFOR se obriga a fornecer a relação desses motoristas e  mantê­la sempre atualizada.  1.2  Os  motoristas  utilizados  neste  contraio  serão  todos  empregados  da  GAFOR,  devidamente  registrados,  na  classe de habilitação "E", pelos quais a GAFOR, neste ato,  assume  integral  responsabilidade,  mantendo­os  com  exames médicos periódicos atualizados e cumprindo  todas  as  obrigações  trabalhistas  e  previdenciárias,  legalmente  previstas.  (...)  2) SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO  Sempre  que  for  necessário  realizar  manutenção  EM  QUALQUER  EQUIPAMENTO  pertencente  à  AGA,  a  GAFOR  deverá  antes  apresentar  à  AGA  orçamento,  contendo  preços  e  a  forma  de PAGAMENTO  e  só  deverá  executar  os  serviços após a aprovação dada pela AGA  Devidamente  intimada,  a  então  fiscalizada  apresentou  o  "Contrato  de  Locação  dos  Cavalos Mecânicos"  ­  fls.  25301/25303,  acima  citado.  A  seguir,  as  principais  cláusulas desse contrato:  "Na  condição  de  legítima  proprietária  dos  cavalos­ mecânicos  relacionados  no  Anexo  I  do  presente  instrumento,  (a  seguir  designados  "CAVALOS­ MECÂNICOS", a GAFOR os cede em locação à AGA, por  intermédio  de  sua  filial  situada na Alameda Amazonas  n°  868­A  ­  Alphaville  ­  Barueri/SP,  na  forma  e  condições  estabelecidas neste instrumento, para fins de transporte dos  produtos  fabricados  e/ou  comercializados  pela  AGA,  a  seguir  designados  "PRODUTOS",  obedecida  a  programação por ela estabelecida. (...)  Expirada  a  vigência  do  contrato,  os  cavalos­mecânicos  deverão ser devolvidos à GAFOR, no mesmo estado em que  foram entregues, salvo desgaste normal de uso, totalmente  livres  e desembaraçados,  sem qualquer  ônus  ou  gravame.  (...)  Pela  locação  dos  cavalos­mecânicos,  a  AGA  pagará  à  GAFOR  a  importância  mensal,  calculada  nos  termos  do  Anexo  II,  que  faz  parte  integrante  deste  instrumento,  ("VALOR DE LOCAÇÃO"). (...)  Tendo  em  vista  que  a  GAFOR  terá  que  acoplar  aos  cavalos­mecânicos  locados  equipamentos  denominados  Fl. 28215DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.160          109 "Gerador de Corrente Elétrica" e "Caixa Multiplicadora de  Rotação"  e  considerando  que  a  AGA  possui  esses  equipamentos, fica combinado o seguinte:"  Da  análise  dos  precitados  contratos,  bem  como  dos  comprovantes  das  aquisições apresentados pela fiscalizada, relativos ao ano calendário de 2009, apurou­se que a  pessoa jurídica descontou créditos de PIS/PASEP e de COFINS não cumulativos em relação a  despesas com locações de cavalos­mecânicos, despesas com prestação de serviços (motoristas  para  os  cavalos­mecânicos),  reembolso  de  pedágios,  reembolso  de  despesas  operacionais  (monitoramento) e reembolso de despesas extras.   A  Fiscalização  reconheceu  os  créditos  relacionados  às  despesas  com  prestação de serviços (fornecimento de motoristas para dirigir os cavalos­mecânicos).  Neste  tópico, serão examinados apenas os créditos  relacionados às despesas  com  locação  de  cavalos­mecânicos,  já  que  as  demais  despesas  foram  relatadas  em  tópicos  distintos:  tópico 3.1.5  ­ despesas com pedágios;  tópico 3.1.4  ­ despesas com monitoramento;  tópico 3.1.2 ­ despesas extras.  5.1) Glosa de despesas com locação de cavalos­mecânicos ­ cavalo­mecânico  é  um  conjunto  formado  por  cabine,  motor  e  rodas  de  tração  do  caminhão,  que  pode  ser  engatado em vários tipos de carretas e semi­reboques para transporte (no caso, foram engatados  os  equipamentos  denominados  "Gerador  de  Corrente  Elétrica"  e  "Caixa  Multiplicadora  de  Rotação", de propriedade da Linde Gases).   Para a Fiscalização, tais cavalos­mecânicos alugados não se classificam como  "máquinas ou equipamentos": cavalos­mecânicos estão classificados no código 8704 da tabela  TIPI  (Veículos Automóveis para o Transporte de Mercadorias),  enquanto que  as máquinas e  equipamentos estão classificados nos capítulos 84 e 85 da TIPI.   A partir disso, a Fiscalização aduz, ao atribuir ao locatário o direito de apurar  crédito de PIS/PASEP e COFINS pela despesa de aluguel de "máquinas e equipamentos", que  a lei não quis alcançar, também, com o emprego dessa expressão, as despesas com aluguel de  veículos automotores. A  título de exemplo,  ressalta alguns diplomas  legais que evidenciam a  distinção entre o conteúdo semântico dos termos máquina, equipamento e veículo.   Com  base  no  exposto,  a  Fiscalização  glosou  os  créditos  apropriados  pela  fiscalizada a título de aluguel de "equipamento", já que, para o bem locado (cavalo­mecânico),  não há previsão legal que permita o creditamento. E se assim não fosse ­ acrescenta ­ o bem  locado  possibilitaria  a  obtenção  de  créditos  de  forma  duplicada,  pois  a  GAFOR,  por  ser  tributada  pelo  Lucro  Real  e  ter  registrado  o  mesmo  bem  em  ativo  imobilizado,  pode  se  apropriar dos créditos relativos aos encargos de depreciação.  Já para a recorrente, o cavalo­mecânico é,  indiscutivelmente, uma máquina,  pois  se  utiliza  da  energia  produzida  pelo  motor  para  desempenhar  as  suas  funções.  Adicionalmente, argumenta que a  ideia da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS  reside  em  desonerar  a  receita  das  empresas  mediante  concessão  de  créditos  que  podem  ser  calculados  sobre  determinadas  despesas.  Essas  despesas,  por  óbvio,  guardam  relação  com  a  receita obtida pelo contribuinte, auferida em razão do desempenho de suas atividades. Por esse  viés, não é necessário muito esforço para se concluir que o inciso IV do artigo 3o das Leis nº  10.637/2002 e 10.833/2003 objetivou permitir que toda e qualquer máquina ­ em sentido amplo  ­, utilizada nas atividades da empresa, possa gerar crédito. Nada, pois, mais lógico que admitir  o  cálculo  do  crédito  sobre  tais  despesas,  já  que  diretamente  relacionadas  à  atividade  desenvolvida e à própria receita obtida.  Fl. 28216DF CARF MF     110 Ainda que não seja esse o entendimento da Turma, adverte a recorrente que é  notório que os veículos  alugados pela  recorrente  configuram  insumos  utilizados no processo  produtivo  e  no  transporte  de  seus  produtos.  Como  já  se  demonstrou,  sem  o  transporte  dos  referidos produtos, resta inviabilizada a atividade desenvolvida pela recorrente.  Engana­se  a  recorrente.  Em  primeiro  lugar,  como  destacado  pela  Fiscalização,  várias  leis  que  afetam  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  exaltam  a  distinção  entre  máquinas e veículos. Repare­se:  a) Lei n° 10.485/2002:  Art. 1º As pessoas  jurídicas  fabricantes e as  importadoras  de máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados ­ TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de  28  de  dezembro  de  2001,  relativamente  à  receita  bruta  decorrente  da  venda  desses  produtos,  ficam  sujeitas  ao  pagamento  da  contribuição  para  os  Programas  de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  ­  PIS/PASEP  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  às  alíquotas  de  2%  (dois  por  cento)  e  9,6%  (nove  inteiros  e  seis  décimos  por  cento),  respectivamente.  (Redação  dada  pela Lei n° 10.865, de 2004)  (...)  Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores,  relativamente  às  vendas  dos  produtos  relacionados  nos  Anexos  I  e  II  desta  Lei,  ficam  sujeitos  à  incidência  da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas  de: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004)  I  ­  1,65%  (um  inteiro  e  sessenta  e  cinco  centésimos  por  cento)  e  7,6%  (sete  inteiros  e  seis  décimos  por  cento),  respectivamente,  nas  vendas  para  fabricante:  (Incluído  pela Lei n° 10.865, de 2004)  a)  de  veículos  e máquinas  relacionados  no  art.  1º  desta  Lei; ou (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004)   b)  de  autopeças  constantes  dos  Anexos  I  e  II  desta  Lei,  quando  destinadas  à  fabricação  de  produtos  neles  relacionados; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004)    b) Lei n° 10.637/2002:  Art. 2° Para determinação do valor da contribuição para o  PIS/Pasep  aplicar­se­á,  sobre  a  base  de  cálculo  apurada  conforme  o  disposto  no  art.  Ia,  a  alíquota  de  1,65%  (um  inteiro  e  sessenta  e  cinco  centésimos  por  cento).  (Vide  Medida Provisória n° 497, de 2010)  §  1º  Excetua­se  do  disposto  no  caput  a  receita  bruta  auferida  pelos  produtores  ou  importadores,  que  devem  Fl. 28217DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.161          111 aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei n° 10.865,  de 2004) (Vide Medida Provisória n° 497, de 2010)  (...)  III  ­ no art. 1º da Lei na 10.485, de 3 de  julho de 2002, e  alterações  posteriores,  no  caso  de  venda  de máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  TIPI;  (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004)     c) Lei n° 10.833/2003:  Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar­se­ á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no  art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por  cento). (Vide Medida Provisória n° 497, de 2010)  § 1º Excetua­se do disposto no caput deste artigo a receita  bruta  auferida  pelos  produtores  ou  importadores,  que  devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei n°  10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória n° 497, de 2010)  (...)  III  ­ no art. 1º da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, e  alterações  posteriores,  no  caso  de  venda  de máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  TIPI;  (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) (Vide Lei n° 11.196,  de 2005)     d) Lei n° 10.865/2004:  Art. 7º A base de cálculo será:  (...)  § 3º A base de cálculo fica reduzida:  I ­ em 30,2% (trinta inteiros e dois décimos por cento), no  caso  de  importação,  para  revenda,  de  caminhões  chassi  com  carga  útil  igual  ou  superior  a  1.800  kg  (mil  e  oitocentos  quilogramas)  e  caminhão  monobloco  com  carga  útil  igual  ou  superior  a  1.500  kg  (mil  e  quinhentos  quilogramas), classificados na posição 87.04 da Tabela de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  TIPI,  observadas  as  especificações  estabelecidas  pela  Secretaria da Receita Federal; e   II  ­  em  48,1%  (quarenta  e  oito  inteiros  e  um  décimo  por  cento), no caso de importação, para revenda, de máquinas  e veículos classificados nos seguintes códigos e posições da  Fl. 28218DF CARF MF     112 TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  8702.10.00  Ex  02,  8702.90.90  Ex 02, 8704.10.00, 87.05  e 8706.00.10 Ex 01  (somente os  destinados  aos  produtos  classificados  nos  Ex  02  dos  códigos 8702.10.00 e 8702.90.90).   (. . . )  Art.  8º  As  contribuições  serão  calculadas  mediante  aplicação,  sobre  a  base  de  cálculo  de  que  trata  o  art.  7fl  desta Lei, das alíquotas de:  (...)  § 3º Na  importação de máquinas e veículos, classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80,00,  8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04,  87.05  e  87.06,  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  ­  NCM, as alíquotas são de:   (...)  § 9º Na importação de autopeças, relacionadas nos Anexos  I  e  II  da  Lei  n°  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  exceto  quando  efetuada  pela  pessoa  jurídica  fabricante  de  máquinas  e  veículos  relacionados  no  art.  1º  da  referida  Lei, as alíquotas são de:   (. . . )  Art.  15.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos  dos arts. 2o e 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata  o  art.  lfl  desta  Lei,  nas  seguintes  hipóteses:  (Redação  dada  pela  Lei  n°  11.727, de 2008)  (.. . )  IV  ­  aluguéis  e  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  embarcações  e  aeronaves,  utilizados  na  atividade  da  empresa;  V  ­ máquinas, equipamentos e outros bens incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação a  terceiros  ou para utilização na produção de bens destinados à venda  ou  na  prestação  de  serviços.  (Redação  dada  pela  Lei  n°  11.196, de 2005)  (...)  Art.  17.  As  pessoas  jurídicas  importadoras  dos  produtos  referidos nos §§ 1ºi a 3ºi, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8a desta  Lei e no art. 58­A da Lei n º 10.833, de 29 de dezembro de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Fl. 28219DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.162          113 Cofins,  em  relação  à  importação  desses  produtos,  nas  hipóteses: (Redação dada pela Lei n° 11.727, de 2008)  (...)  § 7a O disposto no inciso III deste artigo não se aplica no  caso de  importação efetuada por montadora de máquinas  ou veículos relacionados no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3  de julho de 2002. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004)   ( . . . )   Art. 38. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e  da  COFINS  fica  suspensa  no  caso  de  venda  a  pessoa  jurídica  sediada  no  exterior,  com  contrato  de  entrega  no  território  nacional,  de  insumos  destinados  à  industrialização,  por  conta  e  ordem  da  encomendante  sediada  no  exterior,  de máquinas e veículos  classificados  nas posições 87.01 a 87.05 da TIPI.     e) Lei n° 11.033/2004:  Art.  14.  As  vendas  de máquinas,  equipamentos, peças  de  reposição  e  outros  bens,  no  mercado  interno  ou  a  sua  importação, quando adquiridos ou importados diretamente  pelos  beneficiários  do  Reporto  e  destinados  ao  seu  ativo  imobilizado  para  utilização  exclusiva  em  portos  na  execução de  serviços  de  carga,  descarga  e movimentação  de mercadorias, na execução dos serviços de dragagem, e  nos Centros  de Treinamento Profissional,  na  execução do  treinamento e  formação de  trabalhadores, serão efetuadas  com suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados  ­  IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  e,  quando  for  o  caso,  do  Imposto  de  Importação.  (Redação  dada pela Lei n° 11.726, de 2008)   §  7º  O  Poder  Executivo  relacionará  as  máquinas,  equipamentos  e  bens  objetos  da  suspensão  referida  no  caput deste artigo,   § 8o O disposto no caput deste artigo aplica­se também aos  bens  utilizados  na  execução  de  serviços  de  transporte  de  mercadorias em ferrovias, classificados nas posições 86.01,  86.02 e 86.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul, e aos  trilhos e demais elementos de vias férreas, classificados na  posição  73.02  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul,  relacionados  pelo  Poder  Executivo.  (Incluído  pela  Lei  n°  11.774, de 2008)  (...)  §  10. Os  veículos adquiridos  com  o  benefício  do Reporto  deverão receber identificação visual externa a ser definida  Fl. 28220DF CARF MF     114 pela  Secretaria  Especial  de  Portos.  (Incluído  pela  Lei  n°  11.726, de 2008)     f) Lei n° 11.051/2004:  Art. 10. Na determinação do valor da Contribuição para o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  incidentes  sobre  a  receita  bruta  auferida  pela  pessoa  jurídica  encomendante,  no  caso  de  industrialização  por  encomenda,  aplicam­se,  conforme  o  caso, as alíquotas previstas:  (...)  II  ­  no art.  1o  da Lei n° 10.485, de 3 de  julho de 2002,  e  alterações  posteriores,  no  caso  de  venda  de máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.O0,  8433.5,  87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI;   Em  segundo  lugar,  mas  não  menos  importante,  a  diferença  de  posição  na  TIPI traduz a distinção entre máquinas e veículos, com o detalhe de que a própria legislação do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  leva  em  consideração  essa  mesma  distinção.  Para  comprovação,  basta verificar as várias referências aos códigos da TIPI para máquinas e veículos, explicitados  no texto dos atos normativos acima colacionados. Ora, se os textos legais evocam máquinas e  veículos de tal forma a distingui­los pelas posições na tabela TIPI, não pode o aplicador ignorar  essa  diferença,  tratando­os  como  se  fossem  a  mesma  coisa,  do  ponto  de  vista  das  Leis  nº  10.637/2002 e 10.833/2003. É preciso deixar transparente que a interpretação dada ao inciso IV  do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não é condescendente com a pretensão de  elastecer  o  conteúdo  semântico  dos  termos  “máquinas”  ou  “equipamentos”  para  abarcar  o  “conjunto formado por cabine, motor e rodas de  tração do caminhão”, conhecido por cavalo­ mecânico   Também  aqui  se  rejeita  o  argumento  da  necessidade  da  despesa  para  a  obtenção  da  receita,  a  teor  do  que  já  se  discorreu  em  linhas  já  passadas  sobre  esse  tema.  Indubitavelmente, a despesa com frete derivada da movimentação de produtos acabados e em  elaboração, entre estabelecimentos da recorrente, é estranho à fabricação ou à produção.   6)  Exclusão  indevida  da  receita  bruta  de  tributos  com  a  exigibilidade  suspensa – não houve a apresentação de  impugnação contra a exigência  fundada na glosa da  exclusão da receita bruta de tributos com exigibilidade suspensa.  7) Exclusão indevida do lucro líquido e da base de cálculo da CSLL relativa  às  aquisições  de  bens  do  ativo  permanente,  deduzidos  indevidamente  como  despesa  operacional – em sequência, os subitens 7.1 e 7.2, ambos objeto dos mesmos argumentos, no  recurso voluntário.  7.1) Manutenção de máquinas  e  equipamentos  (contas 513201 e 513202) –  conforme o descrito no item nº 3.8 do TDF, a fiscalizada adquiriu diversos bens utilizados na  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  que  foram  contabilizados  indevidamente  como  despesas  operacionais  (contas  513201  e  513202),  sendo  certo  que,  do  ponto  de  vista  da  Fiscalização, deveriam estar classificados no ativo imobilizado. Diante disso, a fiscalizada foi  intimada  a  informar  a  vida  útil  de  cada  bem  adquirido,  mediante  a  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea  (laudos,  notas  fiscais  etc).  Entretanto,  nenhum documento  que  demonstrasse a efetiva vida útil do bem foi apresentado. Por tais motivos, as aquisições de bens  contabilizados  indevidamente em conta de resultado (despesa) foram adicionadas às bases de  cálculo  do  IRPJ  e da CSLL,  de  acordo  com  demonstrativo  anexado  ao Termo de  Intimação  Fl. 28221DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.163          115 Fiscal  n°  03,  no  total  de  R$4.985.463,03  ­  fls.  23603/23608,  tendo  como  supedâneo  o  que  dispõe o artigo 301 do Decreto nº 3.000/99.  7.2) Manutenção de máquinas e equipamentos (bens importados) ­ conforme  demonstrado no item nº 3.6 do TDF, a fiscalizada importou bens utilizados na manutenção de  seus ativos. Parte desses bens foi contabilizada em conta de resultado (despesa) – no valor de  R$ 366.681,51. Por tal motivo, as aquisições de bens contabilizados indevidamente em conta  de resultado (despesa)  foram adicionadas à base de cálculo do  IRPJ e da CSLL,  tendo como  suporte o que dispõe o artigo 301 do RIR/99.  Segundo  a  tese  defensiva,  os  subitens  7.1  e  7.2  não  passam  de  mera  postergação no pagamento do IRPJ e da CSLL. Na impugnação, a recorrente demonstrou que,  em  relação  aos  itens  3.5,  3.6  e  3.8  do  TDF,  apesar  de  ter  havido  recolhimento  a menor  do  PIS/PASEP e da COFINS nos períodos fiscalizados, houve aumento no valor destes mesmos  tributos nos períodos seguintes. Isso porque, ao invés de calcular o crédito sobre os encargos de  depreciação, a recorrente calculou o crédito sobre o valor da aquisição e o descontou da base  de cálculos das contribuições sociais de uma só vez. Na prática, portanto, inexistiu ausência do  pagamento de tributo, mas mera postergação. Tal conduta teria gerado valor menor a pagar nos  meses  em que  os  créditos  foram  apropriados  e  valor maior  nos meses  seguintes,  já  que não  ocorreu o aproveitamento dos encargos de depreciação nos períodos subsequentes  Quanto  aos  subitens  agora  em  exame,  a  autoridade  fiscal  verificou  que  os  valores  dos  bens  adquiridos  pela  recorrente  teriam  sido  indevidamente  contabilizados  como  despesas operacionais, o que deu ensejo à redução do lucro real apurado e da base de cálculo  da CSLL. Tais foram as razões pelas quais citada autoridade adicionou à base de cálculo dos  referidos tributos.   O  que  se  discute  é  que,  se  tal  lógica  foi  aceita  e  aplicada  para  cancelar  os  itens  3.5,  3.6  e  3.8  do TDF,  também deveria  prevalecer  para  cancelar  os  subitens  7.1  e  7.2,  afinal o efeito verificado é exatamente o mesmo, no IRPJ e na CSLL. Ao considerar os valores  da  aquisição  dos  referidos  bens  como  despesas  operacionais,  a  recorrente  as  deduziu  integralmente de sua receita, apurando lucro real tributável inferior ao que teria apurado, caso  deduzisse  apenas  a  taxa  de  depreciação  prevista  em  lei.  Portanto,  é  evidente  que  não  houve  falta de pagamento do IRPJ e da CSSL, mas mera postergação decorrente do aproveitamento  integral  de  despesas  que  deveriam  ser  amortizadas  pouco  a  pouco,  nos  termos  da  legislação  tributária.  Ou  seja,  se  por  um  lado  a  recorrente  aproveitou  integralmente  a  despesa  em  determinado ano­calendário, deixou de aproveitá­la nos anos seguintes.  Para a recorrente, o acórdão recorrido, estranhamente, deixou de aplicar essa  lógica para o IRPJ e a CSLL sob o argumento de que a recorrente não o teria alegado em sua  impugnação. No entanto, basta a leitura do item I (“Indevida glosa de despesas operacionais")  da  Parte  B  ("Exigências  relativas  ao  IRPJ  e  CSLL")  da  impugnação  para  que  se  constate  o  equívoco da DRJ.  Na  verdade,  o  acórdão  recorrido  valeu­se  de  dois  motivos:  a)  falta  de  alegação da ocorrência de postergação; b) falta de prova da ocorrência da postergação. Não há  dúvida  de que  houve,  sim,  a  alegação  da  postergação;  o  que  não  há  nos  autos  é  a  prova da  postergação, e isso tem um peso substantivo.   Quando se discutiu sobre validade dos créditos de PIS/PASEP e COFINS em  relação  às  despesas  de manutenção  dos pallets,  a  recorrente  ergueu  a  voz  para  anunciar  que  fazia prova nos autos do recolhimento posterior do tributo postergado, indicando, para tanto, as  DACON acostadas. O que se repara, agora, no tópico em debate, é o completo silêncio sobre a  eventual  apuração  de  imposto  a  pagar,  em  períodos  posteriores,  como  comprovação  da  Fl. 28222DF CARF MF     116 postergação. Silêncio esse, diga­se de passagem, que não pode ser superado pela iniciativa da  autoridade julgadora, afinal consta do artigo 16,  inciso III, do Decreto n° 70.235/1972, que a  impugnação mencionará "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de  discordância e as razões e provas que possuir." Vale dizer, em suma, que, na espécie, a prova  dos fatos extintivos do direito do Fisco cabia à então impugnante, como também cabia agora à  recorrente apresentar a prova do suposto tributo postergado.  Em face do exposto, é impossível prover o recurso, quanto ao item em lume.  8) Impossibilidade de concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada  por  não  recolhimento  das  estimativas  (itens  5  e  6   do   TDF)  ­  a  recorrente  reclama  que  a  concomitância da aplicação da multa de ofício e da multa  isolada configura bis  in idem, pois  ambas as sanções objetivam punir a mesma conduta, qual seja, o não recolhimento do IRPJ e  da CSLL. Por isso, a jurisprudência do CARF é pacífica no sentido de que, encerrado o ano­ calendário, não há mais espaço para a multa isolada pelo não recolhimento de estimativas.  Ademais, o não recolhimento de estimativas implica falta de antecipação do  IRPJ  e da CSLL, motivo por que  a defesa  sustenta que  a punição  aplicada pela  ausência de  recolhimento do IRPJ e da CSLL deve absorver a punição aplicável pelo não recolhimento das  respectivas antecipações. Em outras palavras, a recorrente suplica a incidência do princípio da  consunção  (também conhecido  como princípio  da  absorção),  amplamente  utilizado  na  esfera  penal,  aplicável quando há uma  sucessão de  condutas  típicas  com existência de um nexo de  dependência entre elas.    No mais, a recorrente traz à baila o artigo 112 do CTN, segundo o qual,  havendo dúvida sobre a interpretação em caso de aplicação de penalidade, deve ser adotada a  que for mais favorável ao contribuinte. A recorrente advoga que o legislador quis garantir que  não  se  atribuísse  ao  contribuinte  o  ônus  da  incerteza,  nas  situações  em  que  o  próprio  Fisco  reconhece  a  impossibilidade  de  precisar  a  interpretação  adequada  da  norma  tributária.  De  acordo  com  a  recorrente,  essa  perspectiva  desnuda  que  a  existência  de  dúvida  também  se  manifesta  sempre  que  o  julgamento  de  órgãos  colegiados  resultem  em  empate  de  votos.  Portanto, nessas situações, o colegiado deve cancelar a multa duvidosa com base no já citado  artigo 112 do CTN.  O pagamento do imposto por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, e  é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento  do  imposto  por  estimativa,  o  Estado  aguarda  a  entrada  desses  recursos.  O  contribuinte,  por  outro lado, pode ser autuado com a imposição de uma multa  isolada, caso deixe de efetuar o  recolhimento  das  estimativa  sem  o  amparo  de  balanço  de  suspensão  ou  redução  previsto  no  artigo  35  da  Lei  nº  8.981/1995.  Entretanto,  para  o  julgamento  da  questão  aqui  articulada,  mostra­se indispensável retornar à redação original da Lei nº 9.430/1996 para confronto com o  texto  atual,  daí  entrecortando  com  a  jurisprudência  antiga  até  a  exegese  que  ressai  da  disposição normativa hoje em vigor.  Repare­se  a  redação  original  do  inciso  IV,  §  1º,  do  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/1996, verbis:  "Art.44. Nos casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  [...]  § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas:   Fl. 28223DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.164          117 [...]  IV  ­ isoladamente,  no  caso  de  pessoa  jurídica  sujeita  ao  pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o  lucro  líquido, na  forma do art.  2º,  que deixar de  fazê­lo,  ainda  que  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­ calendário correspondente; "  Uma  posição  majoritária  defendia  que  tal  disposição  prescritiva  era  compatível com a  interpretação de que, sendo o recolhimento por estimativas antecipação do  tributo apurado na declaração de ajustes, não poderia ser aplicada a multa isolada em questão  depois de encerrado o período­base de apuração, porque, desde então, já  teria ocorrido o fato  gerador do IRPJ, sendo conhecido o tributo definitivo a ser recolhido.   Para  essa  corrente,  o  disposto  no  inciso  IV,  §  1º,  do  artigo  44,  da  Lei  9.430/1996  tinha  como  propósito  obrigar  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  ao  recolhimento mensal de antecipações de um provável  imposto de renda e contribuição social  devidos ao final do ano­calendário, a denotar o inerente dever de antecipar o cumprimento de  uma obrigação futura. De acordo com essa linha, a partir do encerramento do ano­calendário,  desaparecia o dever de efetuar a antecipação e, com isso, a penalidade perdia sua razão de ser,  pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado.   A  posição  então  dominante  consagrou­se  neste  Conselho,  nos  termos  da  Súmula CARF nº 105:  "A  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  lançada  com  fundamento  no  art.  44  §  1º,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa  de  ofício  por  falta  de  pagamento  de  IRPJ  e  CSLL  apurado  no  ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício."  A posição doutrinária e jurisprudencial então prevalecente desprezava que o  inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelecia, em sua redação original, que a  multa  isolada  decorrente  da  falta  ou  insuficiência  do  recolhimento  de  estimativas  também  deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa  de CSLL. Isso, por si só, já revelava que a multa isolada em apreço poderia ser aplicada mesmo  depois  de  levantado  o  balanço  de  encerramento  do  ano­calendário,  pois  sua  incidência  não  dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço.  Acontece que, em 2007,  foi editada a Lei nº 11.488 (MP nº 351/2007), que  alterou o texto do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, que passou a ter a seguinte redação:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;  Fl. 28224DF CARF MF     118 b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica."  Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a  totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do  artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a  incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na  forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja  justificada  em  balanços  de  suspensão  ou  redução,  estabelecidos  pelo  artigo  35  da  Lei  nº  8.981/95. Tal entendimento está alinhado ao pensamento do Conselheiro Alberto Pinto Silva  Júnior, conforme acórdão nº 1302­001.8263, sessão de 06/04/2016, assim anunciado:  “Ressalte­se  que  o  simples  fato  de  alguém,  optante  pelo  lucro  real  anual,  deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação  da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ  mensal  sobre  a  base  estimada,  o  contribuinte  deixar  de  levantar  balanço  de  suspensão, conforme dispõe o art 35 da Lei nº 8.981/95. Assim, a multa isolada não  decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância  das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime .”  A  alteração  legislativa  decorreu  do  claro  propósito  de  contornar  a  jurisprudência dominante,  ao  trazer ao mundo  jurídico que a multa  isolada não mais  incidirá  sobre  um  tributo  antecipado,  como  o  próprio  caput  do  artigo  44  sugeria,  em  sua  redação  original, ao prescrever que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes  multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº  11.488/2007,  a multa  isolada  é  aplicada  sempre  que  o  contribuinte não  efetuar o  pagamento  integral  da  estimativa  que  compõe  o  esperado  fluxo  de  caixa  da  União,  embora  não  mais  incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente  sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure  prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do ano­calendário, caso lhe falte  o devido suporte em balanço de suspensão ou redução  A nova disposição  do  artigo  44  da Lei  nº  9.430/1996,  com a  redação  dada  pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no  inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício),  aplicável nos  casos de  falta de pagamento ou  recolhimento,  falta de declaração e declaração  inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento  de  estimativa  que  deixar  de  ser  efetuado,  devida  sempre  que  o  contribuinte  não  efetuar  o  pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço  de suspensão ou redução.   A  ressalva  constante  da  redação  atual  do  inciso  II  do  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida  isoladamente do  tributo devido ao  final do  ano­calendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto  com  o  tributo  devido.  Tanto  é  assim  que  a  multa  do  inciso  I  não  é  aplicada  em  caso  de  apuração, no balanço do encerramento do ano­calendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  de  CSLL,  ao  passo  que  a  multa  do  inciso  II  independe  da  apuração  de  lucro  ou  prejuízo  fiscal,  ou  de  base  de  cálculo  positiva  ou  negativa  de  CSLL.  Esta  última  deve  ser  exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura  de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao  final do ano­calendário, seja apurado  prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL.  Pode­se ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I  do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em  declaração  de  ajuste,  falta  de  declaração  e  declaração  inexata;  para  o  inciso  II,  falta  de  Fl. 28225DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.165          119 pagamento,  ou  pagamento  insuficiente,  das  estimativas  apuradas,  desprovida  de  lastro  em  balanço de suspensão ou redução.  Portanto,  são  infrações  distintas,  com  graduações  distintas  e decorrentes  de  fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem.  Se  o  contribuinte  opta  pela  apuração  anual,  o  que  implica  submissão  às  normas determinantes do recolhimento por estimativa, não poderá alegar que, sem o amparo de  balanço de  suspensão ou  redução, não estará sujeito à multa  isolada após o encerramento do  ano­calendário,  tendo  em  conta  que  dessa  proposição  resultaria  inegável  desestímulo  à  realização  de  recolhimentos  mensais  apurados  sobre  bases  de  cálculo  estimadas  ou  mesmo  sobre bases de cálculo efetivas apuradas trimestralmente, colocando em risco o fluxo de caixa  da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação  de recolhimentos definitivos de tributos federais.   Complemente­se  o  exposto  com  a  orientação  extraída  do  acórdão  nº  9101­ 002.438 da CSRF, 1ª Turma, relatora Conselheira Adriana Gomes Rego, sessão de 20/09/2016,  no sentido de que, “sob essa ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito  de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do  recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração  anual  do  lucro  tributável,  e a  obrigação acessória,  nos  termos  do  art.  113,  §  2º  do CTN,  é  medida  prevista  não  só  no  interesse  da  fiscalização,  mas  também  da  arrecadação  dos  tributos.”  A  tese  de  que  a  infração  que  motiva  a  multa  isolada  é  absorvida,  por  consunção, pela infração que dá causa à multa de ofício, não pode prosperar, por sua própria  fraqueza.  Consoante  o  magistério  de  Luiz  Regis  Prado7,  na  consunção,  “determinado  crime  (norma  consumida)  é  fase  de  realização  de  outro  (norma  consuntiva)  ou  em  uma  forma  regular de transição para o último – delito progressivo”. Destaquem­se, pois, as infrações do  caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 que dizem respeito à lide, com a redação dada pela Lei  nº 11.488/2007, para a devida análise:   a)  no  inciso  I,  falta  de  pagamento  do  tributo,  falta  de  recolhimento  do  tributo,  falta  de  declaração  ou  apresentação de declaração inexata;   b)  no  inciso  II,  alínea  “b”,  deixar  de  efetuar  o  pagamento  de estimativas.   De modo  algum  é  possivel  asselar  que,  deixar  de  efetuar  o  pagamento  de  estimativa constitui fase de realização da falta de pagamento de tributo apurado na declaração  de ajuste. Em outras palavras, não se pode dizer que, aquele não pagou o  tributo apurado na  declaração de ajuste, anteriormente deixou de efetuar o pagamento de estimativas.   Em outro sentido, deixar de efetuar o pagamento de estimativas também não  constitui  regular  transição  para  a  falta  de  pagamento  do  tributo  apurado  na  declaração  de  ajuste. Deixar de  efetuar o pagamento de  estimativa não é uma etapa antecedente necessária  pela qual o agente antes atravessa para deixar de realizar o pagamento do  tributo apurado na  declaração.   De  igual modo, é  impossível afirmar que deixar de efetuar o pagamento de  estimativas é fase de realização da entrega de declaração inexata ou da omissão da entrega da  declaração de ajuste, tanto quanto é impossível sustentar que deixar de efetuar o pagamento de                                                              7 Curso de direito penal brasileiro, volume I ­ parte geral, arts. 1º a 1º a 120, 3ª ed. São Paulo: Editora Revista dos  Tribunais, 2002, p. 190.   Fl. 28226DF CARF MF     120 estimativas é uma forma regular de transição para a apresentação de declaração inexata ou para  a omissão de declaração de ajuste.   Inequivocamente, não há interligação por necessariedade entre quaisquer das  modalidades de  infração do  inciso  I do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, na  redação  atual, e a infração do inciso II, alínea “b”, do mesmo artigo. A pessoa jurídica pode ser omissa  em  relação  à  entrega  de  declaração  de  ajuste,  ou  pode  ter  apresentado  declaração  de  ajuste  inexata, e ter efetuado corretamente os pagamentos de estimativas.   Também não  há  necessariedade  entre  deixar  de  pagar  o  tributo  apurado  na  declaração  de  ajuste  e  deixar  de  pagar  a  estimativa,  ou  seja,  uma  pessoa  jurídica  pode  ser  omissa em relação ao pagamento do tributo apurado na declaração de ajuste sem ter deixado de  efetuar os pagamentos devidos de estimativa.  À vista do exposto, repele­se o argumento que pretende escorar­se na tese da  consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir  o  campo  de  aplicação  da multa  isolada  com  lastro  no  suposto  concurso  de  normas  sobre  o  mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos  fatos  relacionados  no  inciso  I  do  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/1996  não  absorvem  o  fato  relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de  aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada.   De  resto,  não  se  deve  acolher  o  pedido  de  que,  em  caso  de  empate,  no  julgamento da questão  sobre  a  concomitância da multas  isolada  e de ofício,  aplique­se­lhe o  disposto  no  artigo  112  do  CTN,  provendo­se  o  recurso  voluntário  ante  a  incerteza  administrativa. Isso porque, em primeiro plano, a pretensão ora lançada colide com o preceito  constante do artigo 54 do anexo II do vigente Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº  343/2015, o qual estabeleceu que “as turmas só deliberarão quando presente a maioria de seus  membros,  e  suas  deliberações  serão  tomadas  por  maioria  simples,  cabendo  ao  presidente,  além do voto ordinário, o de qualidade”. Portanto, tal disposição regimental não está assentada  no  sentido  de  que,  em  caso  de  empate,  dever­se­á  reconhecer  a  vitória  ao  recorrente,  desconsiderando o peso qualitativo atribuído pelo Regimento Interno ao voto do presidente, em  caso de empate.   Ademais, em reforço ao entendimento acima esposado, traz­se à baila o § 9º  do artigo 25 do Decreto nº 70.235/1972, inserido pela Lei nº 11.941/2009, fonte normativa do  citado dispositivo regimental, que tratou do voto de qualidade.   “Art. 25 ...  [...]  § 9o Os cargos de Presidente das Turmas da Câmara Superior de  Recursos  Fiscais,  das  câmaras,  das  suas  turmas  e  das  turmas  especiais  serão  ocupados  por  conselheiros  representantes  da  Fazenda  Nacional,  que,  em  caso  de  empate,  terão  o  voto  de  qualidade,  e  os  cargos  de  Vice­Presidente,  por  representantes  dos contribuintes. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) ”  Nesse prumo, a pretensão manifestada no recurso voluntário, consistente com  o pedido de provimento do recurso em caso de empate, na votação, independentemente do peso  adicional do voto do presidente, também conflita com o Decreto nº 70.235/1972, o que reforça  o  argumento  adrede  apresentado,  em  convergência  com  a  conclusão  de  que  não  há  como  acolher a pretensão da recorrente.  Todavia, atine­se para o fato de que a questão em tela só pode ser conhecida  se houver empate na votação a respeito da concomitância das multas isolada e de ofício. Já se  não houver empate, não inexistirá – é óbvio – razão para se debater o assunto.  Fl. 28227DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.166          121 Finalmente,  o  pedido  de que  seja  cessada  a  incidência  de  juros moratórios,  caso a pendência administrativa ultrapasse o interregno de 360 dias, contados do protocolo de  petições, defesas ou recursos administrativos, em face da transgressão ao artigo 37 da vigente  Constituição republicana e ao artigo 24 da Lei nº 11.957/2009.   De  fato,  vale  anotar  que  o  artigo  24  da  Lei  nº  11.457/2009  prescreveu  a  obrigatoriedade de se proferir decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias, a contar do  protocolo  de  petições,  defesas  ou  recursos  administrativos  do  contribuinte,  malgrado  tenha  deixado de fixar qualquer espécie de sanção à Administração, caso superado o lapso temporal  estabelecido para a resposta do Fisco federal ao contribuinte, quando este estiver no exercício  de  seu  direito  constitucional  de  peticionar.  Na  verdade,  tal  dispositivo  instituiu  um  direito  subjetivo  do  contribuinte  a  uma  resposta  da  Administração  Tributária  da  União  em  prazo  compatível  com o mandamento  constitucional  que  assegura  a  razoável  duração  do  processo,  previsto no  inciso LXXVII do artigo 5º da Constituição da República de 1988. Desse modo,  ultrapassado o prazo dado pela lei, o contribuinte pode recorrer ao Judiciário, que agora dispõe  de  um  parâmetro  legal,  para  manifestar  a  pretensão  a  uma  resposta  imediata  por  parte  da  Administração Tributária da União.   Seja  como  for,  não há na Lei nº 11.457/2009, ou  em qualquer outra norma  legal,  a  estipulação  da  suspensão  da  incidência  de  juros  moratórios,  para  os  casos  de  descumprimento do prazo  fixado ao Fisco  federal  para  atendimento  aos  pleitos  apresentados  pelos  contribuites,  em  geral.  A  despeito  disso,  o  contribuinte  poderia  efetuar  o  depósito  extrajudial  de  que  trata  o  artigo  1º  da  Lei  nº  9.703/1998,  regulamentado  pelo  Decreto  nº  2.850/1998,  pela  Instrução  Normativa  SRF  nº  421/2004  e  pelo  Ato  Declaratório  Executivo  Codac  nº  16/2016.  Tal  procedimento  garante  ao  recorrente  a  proteção  contra  os  efeitos  da  demora do julgamento administrativo, pois os depósitos extrajudiciais sofrem a incidência de  juros calculados com base na variação da taxa Selic, a teor do disposto no § 4º do artigo 39 da  Lei nº 9.250/1995.   Considerando os fundamentos anunciados neste voto, propõe­se não conhecer  das  razões  recursais  em  relação  às  despesas  “extras”  (item  3.1.2  do  TDF)  e  em  relação  às  depesas com hospedagem, passagem rodoviária e diárias (item 3.1.6 do TDF) e, no mérito, dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  afastar  a  glosa  dos  créditos  de  PIS/PASEP  e  COFINS em relação às despesas com serviços de manutenção em pallets (item 3.1.1 do TDF).  Agora, o recurso ex officio.  A  DRJ  desconstituiu  integralmente  o  lançamento  fundado  nos  motivos  reunidos nos itens 3.5, 3.6 e 3.8 do TDF. Também desconstituiu­se em parte o lançamento que  estava escorado nos motivos de fato e de direito descritos no item 3.4 do TDF.   Diante do valores exonerados apresentados no Demonstrativo de Exoneração  do Crédito Tributário constante do item V do acórdão recorrido, conheço do recurso.  Primeiramente,  a  exoneração  de  créditos  decorrentes  da  glosa  de  créditos  anunciada no item 3.4 do TDF.  Como  já  adiantado,  a  Fiscalização  glosou  créditos  apropriados  pelo  sujeito  passivo  referentes  aos  fretes  no  transporte  de  produtos  acabados  e  em  elaboração  entre  os  estabelecimentos  da  recorrida,  ao  argumento  de  que  inexistia  previsão  legal  nesse  sentido.  Ocorre que, durante a fiscalização, a recorrida foi intimada a informar o número das contas do  livro  Razão  em  que  foram  escrituradas  as  transferências  de  produtos  entre  suas  filiais.  Em  resposta, esclareceu­se que essas transferências estavam registradas em dois grupos de contas:  (a)  linde  entre  filiais  (gasoso)  e  (b)  todos os  fretes  (líquido). Ainda  em dúvida,  a autoridade  fiscal  novamente  indagou  se  o  segundo  grupo  (todos  os  fretes)  se  referia  a  transporte  entre  Fl. 28228DF CARF MF     122 estabelecimentos da pessoa jurídica fiscalizada. Na resposta acostada às  fls. 23.613/23.616, o  funcionário  encarregado  da  resposta  informou  equivocadamente  que  todas  as  contas  do  segundo grupo  registravam operações de  fretes  entre estabelecimentos  filiais. Diante disso, a  Fiscalização  considerou  que  todas  as  contas  do  citado  grupo  refletiam  operações  entre  estabelecimentos da recorrida, fato que motivou a referida glosa.  Na  peça  impugnatória,  a  recorrida  explicou  o  equívoco  cometido,  asseverando que nas  contas mencionadas  também constavam registros de  fretes vinculados a  operações  de  venda  de  mercadorias,  e  não  somente  fretes  entre  estabelecimentos.  Sendo  assim,  assinalava  que  fazia  jus  à  parcela  do  crédito  glosado.  Todavia,  segundo  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  a  impugnante  deixou  de  exibir  a  relação  discriminada  dos  valores indevidamente glosados, como também não juntou documentação comprobatória, o que  justificou a conversão do julgamento em diligência, no curso da qual intimou­se a contribuinte  a  apresentar  o  rol  das  glosas  que  seriam  indevidas,  além  dos  documentos  comprobatórios,  acompanhados das explicações necessárias.    Nesses  termos,  desceram  os  autos  para  realização  da  diligência,  com  a  expedição  de  intimação  para  a  entrega  de  demonstrativos  de  fretes  nas  vendas  e  juntada  de  documentos. A partir daí, a autoridade local  tomou ciência da dificuldade de  levar a efeito o  trabalho  que  lhe  incumbia,  diante  da  documentação  “exorbitantemente  volumosa”  a  ser  examinada,  o  que  exigiria  o  dispêndio  de  um  tempo  de  execução  em  torno  de  um  ano,  conforme  o  alegado  pela  fiscalizada.  Desde  então  seguiram­se  outras  intimações,  todas  marcadas  pela  tentativa  de  se  atingir  o  objetivo  mediante  o  melhor  critério,  como  tal  considerado o que pudesse propiciar respostas razoavelmente seguras, ao longo de um tempo  de execução aceitável.   Nesse  intercurso,  a  autoridade  incumbida  da  diligência  descobriu  que  a  Fiscalização  inserira,  na  glosa  de  créditos  decorrentes  de  fretes,  valores  que  já  haviam  sido  glosados nos  itens  referentes  a  “despesas  extras”,  “despesas  com monitoramento”,  “despesas  com  pedágio”  e  “despesas  com  locação  de  cavalos­mecânico”.  Além  desses,  a  Fiscalização  também  incluíra,  no  cômputo  dos  créditos  de  fretes  excluídos,  valores  de  descontos  que  aprovara, relacionados ao fornecimento de motoristas para dirigir cavalos­mecânico. Portanto,  descortinou­se, num primeiro momento, glosa em duplicidade, de um lado, e glosa de crédito  já deferido, de outro. Com a eliminação dessas  falhas,  o  total  das  glosas derivadas de  fretes  passaria de R$ 66.834.495,86 para R$ 40.510.542,12.   Entretanto,  uma  vez  intimada  novamente  a  segregar,  em  demonstrativo,  as  despesas  de  frete  nas  operações  de  venda,  alusivas  ao  montante  explicitado  de  R$  40.510.542,12,  reunindo,  ainda,  notas­fiscais,  conhecimentos  de  transporte  e  demais  documentos  comprobatórios,  veio  a  recorrida  expor  uma planilha  com  apuração  parcial  pela  qual evidenciava a  identificação, em caráter  temporário, de despesas de frete no valor de R$  13.967.931,36,  equivalente  a  34,76%  do  total,  sendo  que,  dessa  parcela,  o  montante  de  R$  11.996.304,52 correspondia a fretes em operações de venda, equivalendo a 85,88% do universo  já segregado de 34,76%, ao passo que o restante, na quantia de R$ 1.971.626,84, dizia respeito  a frete intercompany.  Por  meio  de  petição  datada  de  07/04/2014,  a  recorrida,  então  fiscalizada,  informou  que  estava  preparando  outro  demonstrativo  com  vistas  a  possibilitar  a  segregação,  por  estabelecimento,  entre  os  fretes  nas  operações  de  venda  e  os  demais  fretes.  Na  oportunidade,  mencionou  que  iria  utilizar,  para  tanto,  como  referência,  a  proporção  entre  a  movimentação financeira relativa às transferências e a movimentação financeira total ao longo  do  ano­calendário  de  2009,  considerando  que  esta  última  é  a  soma  entre  a  movimentação  financeira relativa às transferências e a movimentação financeira relativa às vendas. De acordo  com a referida petição, desse modo estabelecer­se­ia a proporção de despesas com fretes nas  operações de venda, distinguindo­a da proporção da despesas com fretes intercompany.   Fl. 28229DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.167          123 Cumpre esclarecer que a planilha proposta pela fiscalizada foi apresentada à  Fiscalização em reunião realizada na DRF/São José do Rio Preto/SP, quando, então, sugeriu­se  a  inserção  de  informações  que  pudessem  conferir  maior  segurança  à  proporção  encontrada  entre  a movimentação  financeira  de  fretes  nas  operações  de  venda  e  as  transferências  entre  estabelecimentos. Nesse contexto, a Fiscalização solicitou que se aplicasse uma margem média  sobre o valor das transferências com o fim de equalizar o valor das transferências com os de  venda, já que no valor das vendas estão embutidos outros custos (impostos, margem de lucro  etc.) que não estão presentes no valor relativo às transferências. No mesmo rumo, solicitou­se  que se acrescentassem, para fins de rateio, os valores relativos a outras operações (devoluções,  remessas  para  conserto  etc),  tudo  para  tornar  as  informações  da  planilha  o mais  consistente  possível, assim viabilizando a segregação entre os  fretes nas operações de venda e os frentes  nas transferências intercompany.   Finalmente,  por  intermédio  da  petição  protocolada  no  dia  09/06/2014,  a  contribuinte apresentou a planilha da aba denominada “Base Proporção Tabela Dinâmica”, do  arquivo  “Movimento  2009  –  Planilha  Final  ­  TIF4  02.06.2014.xlsx”,  à  fl.  27862,  na  qual  apurou­se,  em  relação  ao  movimento  total  da  fiscalizada  (vendas,  transferências  e  outras  operações), o percentual de 88,07% relativo às operações de venda. Ato contínuo, a fiscalizada  requereu  a  aplicação  deste  percentual  para  fins  de  determinação  do  valor  dos  fretes  nas  operações de venda, separando­os dos fretes intercompany (fls. 27861/27862). Essa conclusão  só foi possível com o auxílio das planilhas abaixo:  1) Planilha “Movimento 2009 Filial x Operação”:   Segundo  a  recorrida,  na  aba  “Movimento  2009  Filial  x  Operação”,  estão  relacionadas, por Código Fiscal de Operações e Prestação (CFOP) e estabelecimentos, todas as  operações  ocorridas  ao  longo  do  ano­calendário  de  2009,  e  em  conformidade  com  os  livros  fiscais. Tal apuração pode ser resumida no seguinte:   ­ Valor total das vendas: R$ 509.196.571,19;  ­ Valor das transferências: R$ 55.507.408,29;  ­ Valor de outras operações: R$ 4.869.112,51;  2) Planilha “Margem Média por Filial”:  Na  aba  denominada  “Margem  Média  por  Filial”,  constam  os  percentuais  utilizados para equalizar o valor das transferências em relação ao preço das vendas, conforme  já  relatado.  Esses  percentuais  representam  a  diferença  entre  o  preço  de  venda  e  o  da  transferência de produtos.  3) Planilha “Base Proporção Texto”:  Na aba denominada “Base Proporção Texto”, consta a aplicação da margem  média sobre o valor das  transferências. Ao cabo da aplicação, os valores a considerar são os  seguintes:  ­ Valor das vendas: R$ 509.196.571,19;  ­ Valor das transferências ("equalizado"): R$ 64.103.812,57;  ­ Valor de outras operações: R$ 4.869.112,51.  4) Planilha denominada “Proporção por Filial ­ Equalizada”:  Na aba “Proporção por Filial ­ Equalizada”, aplica­se sobre o total dos fretes  o percentual entre o valor das vendas e o movimento total da fiscalizada (valor das vendas +  valor das transferências com margem + valor de outras operações).   Fl. 28230DF CARF MF     124 Em  primeiro  lugar,  determinou­se  o  percentual  de  88,07%,  mediante  a  relação entre o valor das vendas e movimento total da fiscalizada:   ___________509.196.571,19________________ = 88,07%    509.196.571,19 + 64.103.812,57 + 4.869.112,51  Em  seguida,  o  percentual  de  88,07%  foi  aplicado  sobre  o  total  dos  fretes.  Nesse ponto, a recorrida indicou que o valor total dos fretes é de R$ 40.092.296,29, conforme  planilha  “Proporção  por  Filial  –  Equalizada”.  Assim,  calculou­se  que  88,07%  do  total  dos  fretes referem­se ao valor do frete sobre vendas, o que resultou na quantia de R$ 35.309.472,76  (=  88,07%  X  40.092.296,29).  Por  conseguinte,  segundo  a  recorrida,  R$  35.479.972,26  correspondem ao valor a ser excluído da glosa de créditos de PIS/PASEP e COFINS, no total  anual de 2009.   A  autoridade  fiscal,  ao  cabo  da  diligência  requisitada  pela  autoridade  julgadora de primeira instância, anuiu com o valor referente ao total anual a ser excluído da  glosa,  apurado  pela  pessoa  jurídica,  na  importância  de R$ 35.309.472,76,  de  acordo  com  fl.  27870. No entanto, é preciso assinalar que a autoridade fiscal elaborou demonstrativo com a  distribuição desse valor pelos meses do ano­calendário de 2009, na coluna "vendas", conforme  o quadro  abaixo. Nesse mesmo quadro, na  coluna "transferência/outros",  consta o montante  mensal da glosa que remanesce, cujo total, no ano­calendário de 2009, alcançou a cifra de R$  4.782.824,07.  Para  não  restar  dúvida,  a  soma  entre  o  valor  anual  a  ser  excluído  da  glosa,  conforme a proposta da recorrida, de R$ 35.309.472,76, e o valor anual da glosa a ser mantido,  de R$  4.782.824,07,  é  de R$  40.092.296,29,  justamente  o  valor  total  do  frete,  apurado  pela  recorrida na planilha "Proporção por Filial ­ Equalizada".  No entanto, não se pode esquecer que se deve imputar à própria recorrida as  referências a dois valores distintos, referentes ao total das despesas de frete, no ano­calendário  de  2009.  Num  primeiro  momento,  ela  mencionou  que  esse  total  seria  de  R$  R$  40.510.542,12; num  segundo momento,  de R$ 40.092.296,29. O primeiro valor  resultou da  constatação  de  que,  no  montante  de  R$  66.834.495,86  que  havia  sido  glosado  pela  Fiscalização, estava indevidamente inserida uma importância em duplicidade, pois fora objeto  de  glosa  anterior,  e  outra  parcela  de  crédito  precedentemente  deferido.  Já  num  segundo  momento,  a  recorrida  informou  que  o  total  do  frete  era  de  R$  40.092.296,29,  depois  de  elaborar a planilha "Proporção por Filial ­ Equalizada", para a qual mostrou­se necessária a  prévia apuração do  total do frete de cada filial  (observar a coluna "R"). Entretanto, entre um  valor  e  outro,  a  autoridade  fiscal  admitiu  aquele  que  decorrera  da  montagem  da  planilha  "Proporção  por  Filial  ­  Equalizada",  concordando  com  a  recorrida. A  propósito,  a  diferença  entre ambos é de R$ 418.245,83, o que equivale a 1,03% do maior valor (R$ 40.510.542,12).   Tal foi a tabela elaborada pela autoridade fiscal, com a distribuição mensal do  valor total anual a ser excluído da glosa (coluna "vendas"), bem como a distribuição mensal do  valor anual da glosa a ser mantido (coluna "transferência/outros"), em relatório apresentado à  autoridade a quo, elaborado a partir do método proposto pela recorrida:  Fl. 28231DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.168          125   Agora  no  enfrentamento  da  questão,  não  vejo  como  estabelecerem­se  correlações  entre  as  despesas  de  frete  e  os  valores  de  vendas,  de  transferências  e  de  outras  operações. O valor do frete é função dependente de variáveis8 como a distância percorrida, os  custos operacionais do transporte, a possibilidade de retorno da carga, o tempo de carga e de  descarga, a sazonalidade da demanda por transporte, a especificidade9 da carga transportada e  do  veículo  utilizado,  a  probabilidade  de  perdas  e  avarias,  o  estado  de  conservação  das  vias  utilizadas, os pedágios e a fiscalização, o prazo de entrega e aspectos geográficos. A despeito  da irrelevância (ou da pouca relevância) do valor das vendas para a determinação do valor do  frete, não há o que se possa fazer, em sede de recurso ex officio, pois a rejeição à metodologia  empregada resultaria no emprego de nenhuma metodologia,  já que a Fiscalização e a própria  recorrida não acordaram qualquer outra.   Além  disso,  a  autoridade  fiscal,  na  execução  da  diligência,  acolheu  a  alegação  de  que  a  glosa  que  efetuara  estava  impregnada  com  valores  indevidos,  os  quais  deveriam  ser  extirpados,  porque  uma parcela  já  havia  sido  glosada  em outro  item,  enquanto  outra  parcela  já  havia  sido  deferida.  Uma  terceira  parcela  restante  ainda  deveria  ser  "purificada",  porquanto  contaminada  com  as  despesas  de  fretes  incidentes  nas  vendas.  A  questão sobre a qual se discute, nesse ponto, está na aplicação de metodologia substitutiva em  decorrência  do  juízo  que  reprova  a  validade  lógica  da  metodologia  utilizada  para  a  "purificação".  Se  se  disser  que  essa  metodologia  é  inválida,  não  haverá  qualquer  outra.  E,  efetivamente, a metodologia empregada é, do ponto de vista da lógica, inválida.                                                              8  <https://wmsalogistica.wordpress.com/2012/11/14/fatores­determinantes­do­valor­do­frete/>.  Acesoso  em  14/01/2016.  9  Aqui,  o  valor  da  carga  transportada  pode  ter  alguma  relevância,  em  decorrência  da  prática  de  roubos  nas  estradas, a  implicar a contratação de escolta, por exemplo.  Fl. 28232DF CARF MF     126 Ocorre  que,  por  um  lado,  a  recorrida  não  pode  ser  prejudicada  pela  deficiência da metodologia  adotada pela autoridade  fiscal, que se certificou do  fato de que a  glosa  inicialmente  efetuada estava errada  e que havia necessidade de  "purificar" o valor que  remanescesse da eliminação da glosa em duplicidade e do crédito que havia sido anteriormente  deferido; por outro lado, o recurso ex officio não pode agravar a situação do recorrente. Nessa  toada, não se pode dizer que o valor das despesas de frete no transporte entre estabelecimentos  é  ZERO,  ou  seja,  não  se  pode  dizer  que  a  recorrida,  em  razão  do  emprego  de metodologia  inválida,  pode  contar  com  a  integralidade  do  valor  de  R$  40.092.296,29,  a  título  de  fretes  incidentes nas vendas, pois tal conclusão afirmaria uma piora para quem recorre.  O processo administrativo fiscal constrange o Colegiado, nas circunstâncias  do caso concreto, impedindo­o de avançar para um lado ou paro o outro. Sou da opinião de que  as regras do devido processo legal exigem que a solução da questão seja aquela que que já fora  dada pela DRJ. Assim, propõe­se o desprovimento ao recurso ex officio.   Em seguida, os itens 3.5, 3.6 e 3.8 do TDF:  1)  o  item  3.5  do  TDF  ­  reclassificação  dos  créditos  relativos  aos  bens  integrantes do ativo imobilizado ­ está assim narrado:  "Tendo  em  vista  que  até  dezembro  de  2008  a  fiscalizada  utilizou  créditos  relativos  às  aquisições  de  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  com  base  no  valor  de  aquisição  (1/48  sobre o valor de compra), não está correto utilizar como base de cálculo os  valores relativos a TODAS as aquisições efetuadas. Devem ser estornados os  valores relativos aos créditos já apropriados pela contribuinte (até dezembro  de 2008), sob pena de se creditar duas vezes, do mesmo crédito. Ou seja, o  valor  que  servirá  de  base  de  cálculo  para  as  depreciações  (chamado  de  "residual")  deve  ser  ajustado,  de  forma  a  serem  expurgados  os  valores  que  serviram de base para os créditos já apropriados.  Desta  forma,  por  intermédio  do  Termo  de  Constatação  e  Intimação  Fiscal  n°  05  foi  intimada  a  fiscalizada  para  novamente  refazer  os  demonstrativos  de  apuração,  apresentados  no  dia  05/06/2012,  de  forma  a  ajustar  a  base  de  cálculo  da  depreciação  (chamada  de  "residual"  ­  coluna  "BM"  da  planilha  "Pis  Cofins  Linde  ­  Detalhes"),  de  forma  a  expurgar  os  valores que serviram de base para os créditos já apropriados (até 31/12/2008).  Na resposta, protocolada (sic) no dia 27/07/2012, a contribuinte ajustou  a base de cálculo da depreciação  (coluna  "residual")  e  apresentou um novo  demonstrativo.denominado  "Recalculo  Crédito  2009  ­  Termo  5.xlsx"  (ANEXO I)  Com  efeito,  apurei  que  ao  longo  do  ano­calendário  de  2009,  foi  apropriado indevidamente pela fiscalizada créditos relativos às contribuições  PIS/COFINS  no montante  de R$556.956,25  (quinhentos  e  cinquenta  e  seis  mil, novecentos e cinqüenta e seis reais e vinte e cinco centavos) ­ (Planilha  denominada de "Recalculo Crédito 2009 ­ Termo 5.xlsx" ­ ANEXO I) e fls.  25298/25300."  Como  se  depreende  do  relato  fiscal,  até  2008,  a  recorrida  apropriou­se  de  créditos de PIS/PASEP e COFINS à razão de 1/48 ao mês, calculado sobre o valor de aquisição  de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, sendo certo que  essa  opção  só  pode  ser  exercida  em  relação  às  maquinas  e  aos  equipamentos  do  ativo  imobilizado, na forma do § 14 do artigo 3º e artigo15 da Lei nº 10.833/2003. Já os créditos de  PIS/PASEP  e  COFINS  sobre  os  demais  bens  são  calculados  sobre  os  encargos  mensais  de  depreciação, em atendimento ao artigo 3º,  incisos VI e VII; § 1º,  inciso III, e § 9º,  todos das  Fl. 28233DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.169          127 Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Por isso, a Fiscalização determinou o expurgo dos créditos  excedentes já apropriados até 2008, relativos aos demais bens, assim como o ajuste, para esses  mesmos  bens,  dos  valores  que  serviram  de  base  de  cálculo  dos  créditos  já  apropriados,  de  forma a serem expurgados os excedentes da base de cálculo correta da depreciação.   Uma  vez  apurada  a  base  de  cálculo  correta,  determinou­se  o  crédito  que  excedesse,  em  2009,  ao  valor  do  desconto  calculado  sobre  essa  base  de  cálculo,  que  é  o  encargo mensal de depreciação apoiado na lei. Ora, esses excedentes mensais são consequentes  ao  emprego de uma base de  cálculo maior que  a base de  cálculo  correta. Logo,  inevitável  a  conclusão  de  que  ocorreu  postergação  dos  tributos,  uma  vez  comprovado  o  recolhimento  posterior dos mesmos tributos, à luz dos documentos às fls. 27.558/27.559, os quais explicitam  que a recorrida efetuou recolhimentos de PIS/PASEP e COFINS em 2010 e 2011. Nos dizeres  da recorrida, em suas contrarrazões, "tal conduta gerou valor menor a pagar nos meses em que  os créditos foram apropriados e valor maior nos meses seguintes, já que não se aproveitou dos  encargos de depreciação nos períodos subsequentes".  2) item 3.6: glosa de créditos relativos à aquisição de bens importados.  "Portanto,  não  podem  ser  classificados  como  despesas  ou  como  "insumos",  os bens  adquiridos para a utilização na produção de bens ou na  prestação  de  serviços,  cuja  vida  útil  seja  superior  a  1  (um)  ano, mormente  quando a vida útil econômica é de 10 (dez) anos.  Por  todo  o  exposto,  serão  glosados  os  créditos  apropriados  pela  fiscalizada  a  título  de  "insumos"  e  "manutenção  dos  ativos",  relativos  aos  bens importados relacionados na planilha denominada de "Relação de outros  bens  importados  ­  intimação  ­  arquivo de  trabalho.xls"  ­ ANEXO  I,  abaixo  consolidados:"    3) item 3.8: glosa de despesas com manutenção de máquinas e equipamentos.  "Por  todo  o  exposto,  restou  exaustivamente  comprovado  que  a  fiscalizada  se  apropriou  de  créditos  relativos  às  contribuições  PIS/COFINS  referentes  a  aquisições  de  bens  (partes,  peças  e  serviços)  que  deveriam  ser  contabilizados no ativo imobilizado. Ou seja, aproveitou créditos relativos às  citadas aquisições como se insumos fossem.  Conforme  já  relatamos,  não  se  classificam  como  insumos  os  bens  adquiridos classificados no ativo imobilizado. É que para os bens integrantes  do  ativo  imobilizado  (edificações,  benfeitorias,  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens)  a  apropriação  de  créditos  é  feita  com  base  nos  encargos  de  depreciação ou com base no valor de aquisição (art. 3o, incisos VI e VII, c/c §  1o, inciso III e § 14, das Leis 10.833/2004 e 10.637/2002).  Desta  forma,  serão  glosados  os  créditos  relativos  às  aquisições  de  bens  contabilizados  nas  contas  513201  e  513202,  relacionados  no  demonstrativo  anexado ao Termo de Intimação Fiscal n° 03 ­ valor total igual a R$ 4.985.463,03 ­  fls. 24535/24542 e 25438/25440."  Para  os  itens  3.6  e  3.8  do  TDF,  repete­se  o  raciocínio  anteriormente  desenvolvido, neste voto, para o  item 3.5 do TDF, assim como  também se conclui de  forma  absolutamente igual. Aliás, não foi outra a conclusão da DRJ, verbis:  "Por fim, em relação ao argumento de que as glosas relativas aos itens  3.5,  3.6  e  3.8  do  TDF  não  devem  prevalecer,  tendo  em  vista  que  o  efeito  tributário realmente verificado teria sido em face das irregularidades foi o da  Fl. 28234DF CARF MF     128 Postergação  no  recolhimento  do  PIS/Cofins,  e  não  a  falta  de  recolhimento,  considerando  que  “seja  de  uma  só  vez,  seja  paulatinamente,  o  crédito  advindo desses bens e despesas seria totalmente amortizado”, cabe razão ao  contribuinte. Isso porque restou comprovado na impugnação, às fls. 27558 e  27559 que  a contribuinte  realizou  recolhimentos dos PIS/Cofins  em 2010 e  2011 em valor bem acima de tais glosas."  Em  face de  tudo o que  se  expôs,  propõe­se o desprovimento do  recurso de  ofício.  (assinado digitalmente)  Flávio Franco Corrêa ­ Relator.  Voto Vencedor  Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado  O  presente  voto  vencedor  refere­se  unicamente  à:  (i)  Glosa  de  créditos  baseados em despesas com fretes entre estabelecimentos da fiscalizada; (ii) Glosa de despesas  com locação de cavalos­mecânicos contratados junto à empresa Gafor; (iii) Impossibilidade de  concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada por não recolhimento das estimativas.  Quanto aos demais itens, o voto do Relator fora mantido pelo Colegiado.  De  início  ressalto  o  desvelo  com  o  que  o  I.  Relator  conduziu  seu  voto,  trazendo para discussão aprofundado estudo sobre o assunto em exame.   A matéria em exame advém da edição das Lei nºs 10.637/02 e 10.833/03, que  instituíram  o  regime  de  apuração  não  cumulativa  da  contribuição  para  o  PIS  e  da COFINS,  com  o  intuito  de  estimular  a  eficiência  econômica  e  desonerar  a  tributação  cumulativa  da  receita. Para atingir  seus objetivos, o  legislador  fez previu um  rol de despesas que poderiam  originar créditos para o contribuinte que, descontados da receita obtida no período, reduziriam  o montante tributável, eliminando, por conseguinte, o indesejado efeito cascata que a cobrança  cumulada das contribuições ensejava.  A discussão travada em derredor deste tema encontra seu cerne na definição  do  alcance  semântico  da  expressão  "insumo".  Isso  porque  a  utilização  de  um  conceito mais  amplo  gera  maior  número  de  créditos,  o  que  conseqüentemente  resulta  em  menor  valor  de  tributo  a  pagar.  Por  outro  lado,  a  restrição  excessiva do  conceito  de  "insumo"  produz  efeito  inverso, ou seja, a redução do montante de créditos apropriáveis e o aumento do valor final do  tributo a pagar.  Por  sua  vez,  o  I.  Relator  do  presente  acórdão  menciona  que  não  adota  o  conceito  de  insumos  previsto  na  Instrução Normativa RFB nº  404/04,  e,  ao  interpretar  o  3º,  inciso  II,  das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003,  entende  que:  somente  geram  créditos  de  PIS/PASEP e COFINS, os bens e serviços utilizados: ­ (i) na prestação de serviços, e ­ (ii) na  produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda .  Com referência à noção de essencialidade, pontuou que não se deve adotá­la,  sob pena do  caminho nos  levar  a uma nova dificuldade, qual  seja,  a delimitação do  grau de  necessidade do item em consideração: ou estritamente técnica ou econômica. A primeiro opção  levaria  o  interprete  a  embrenhar­se  nas  minúcias  de  cada  processo  produtivo;  a  segunda,  a  aceitar praticamente todo e qualquer gasto.   Fl. 28235DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.170          129 Embora  a  maioria  da  Turma  convirja  com  o  I.  Relator  quanto  ao  entendimento de que o conceito previsto na referida IN/RFB nº 404/04 reduz sobremaneira o  âmbito de créditos passíveis de aproveitamento, frustrando o desiderato do legislador, e que a  leitura  do  inciso  II  do  artigo  3º  das  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03  deixa  evidente  que  o  conceito de insumo é necessariamente mais amplo do que aquele utilizado pela legislação do  IPI e previsto na referida instrução normativa, a divergência ocorre quando deixa de reconhecer  os  créditos  baseados  em  despesas  com  fretes  entre  estabelecimentos  da  fiscalizada  ­  e  com  locação  de  cavalos­mecânicos  contratados  junto  à  empresa  Gafor,  as  quais  serão  a  seguir  analisadas.  Fretes entre estabelecimentos da recorrente  Conforme  se  depreende  dos  autos,  o  acórdão  recorrido  glosou  créditos  calculados sobre fretes relativos ao transporte de produtos acabados e em elaboração entre os  estabelecimentos da recorrente.   Em  suas  razões  recursais,  preocupou­se  a  recorrente  de  descrever  minuciosamente  todas  as  etapas  envolvidas na modalidade de distribuição  "cilindro" de  seus  produtos, de forma a demonstrar a necessidade e a essencialidade das referidas despesas, bem  como o seu inegável emprego nas atividades econômicas desenvolvidas, demonstrando que a  referida modalidade de distribuição contempla dois momentos de transporte dos gases que são  absolutamente necessários e essenciais ao desenvolvimento de seu processo produtivo:  (i)  Momento  nº  01:  transporte  do  gás  líquido  para  as  estações  de  envasamento, onde o produto passa pelo processo de gaseificação; e  (ii) Momento nº 02: transporte do produto acabado para venda ou para pontos  de venda da recorrente, onde serão retirados pelos clientes.  Quanto  aos  créditos  calculados  sobre  as  despesas  com  fretes  no  transporte  dos gases  em estado  líquido do estabelecimento  fabricante para  as estações de envasamento,  entendeu a fiscalização que tratando­se de produto em elaboração, e considerando a definição  contida  na  IND/RFB  nº  404/04,  o  frete  relativo  ao  seu  transporte  não  poderia  caracterizar  insumo.  Quanto  ao  frete  pago  pela  recorrente  no  transporte  do  produto  acabado  (cilindros de gás) até os postos de venda (Etapa 04), considerou a fiscalização que, por não se  tratar  de  operação  direta  de  venda,  descaberia  o  aproveitamento  do  crédito,  nos  termos  do  inciso  IX  do  artigo  3º  das  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03,  que  prescreve  apenas  o  frete  na  operação de venda gera créditos da contribuição para o PIS e da COFINS.  Sobre o ponto, entendeu o I. Relator que a Lei nº 10.833/2003 não autoriza o  desconto de crédito sobre as despesas de fretes entre estabelecimentos da pessoa jurídica, seja  para produtos acabados, seja para produtos em elaboração, e arremata que o discurso em torno  da necessidade da despesa para o auferimento de receitas pode ter êxito no âmbito do IRPJ ou  da CSLL, jamais no plano do PIS/PASEP e da COFINS não cumulativos.   Porém, não foi este o entendimento que prevaleceu.  Conforme demonstrado em suas  razões de recurso, a distribuição dos gases  em cilindros aos clientes da recorrente só é viável e possível se eles passarem pelo processo de  Fl. 28236DF CARF MF     130 gaseificação que permite o posterior envasamento em cilindros. Logo, o  transporte dos gases  em estado líquido para as estações de envasamento é necessário e essencial. Se subtrairmos o  transporte  dos  referidos  produtos,  fica  inviabilizadas  as  demais  etapas  de  seu  processo  produtivo  e  a  consecução  dos  objetivos  pretendidos  com  o  desempenho  da  atividade  econômica.  Em outras palavras, o transporte do gás em estado líquido do estabelecimento  fabricante para as estações de envasamento é imprescindível à consecução do produto final que  será vendido aos seus clientes.  Assim,  pouco  importa  se  o  gás  em  estado  líquido  é  "matéria­prima  intermediária" ou "produto em elaboração". Demonstrada a importância de seu transporte entre  os estabelecimentos da recorrente, claro está que os fretes configuram serviços utilizados como  insumo no processo de industrialização desenvolvido pela recorrente.  Quanto ao frete pago pela recorrente no transporte do produto acabado até os  postos de venda, igualmente, entendo, que ao contrário do sustentado pelo acórdão recorrido,  os referidos fretes caracterizam­se insumos passíveis de gerar créditos.  É  inegável que o  frete  contratado constitui  despesa diretamente  relacionada  com a operação de venda, já que objetiva levar o produto ao consumidor final, ainda que lhe  caiba retirar a mercadoria nos pontos de venda da recorrente, vez que o transporte dos cilindros  de gás até os pontos de venda da recorrente integra o seu processo produtivo, de modo que sem  o referido deslocamento, os cilindros de gás não chegariam ao consumidor final, frustrando o  objetivo de toda a atividade desenvolvida pela recorrente.  Ademais,  as mencionadas  despesas  compõem  o  custo  de  produção  e  estão  inegavelmente inseridas no ciclo produtivo da recorrente, reforçando a idéia de que se tratam  de serviços utilizados como insumo na obtenção e venda do produto final, devendo­se, assim,  afastar a referida glosa.  Assim, dou provimento neste item, pra restabelecer os créditos apropriados.  Glosa de despesas com locação de cavalos­mecânicos  A situação fática aqui é a seguinte: a recorrente perfez contrato de locação de  cavalos­mecânicos  com  a  empresa  GAFOR  e  sobre  o  valor  dos  alugueis  pagos  calculou  créditos e os descontou da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS. Contudo,  os créditos apropriados foram glosados pela fiscalização sob o entendimento de que apenas as  despesas de alugueis de prédios, máquinas e equipamentos confeririam o direito ao crédito. Os  cavalos­mecânicos, no seu entendimento, não poderiam ser considerados máquinas.   Então, a presente discussão será em torno da aplicação do inciso IV do artigo  3º  das  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03,  vez  que  este  dispositivo  permite  que  o  contribuinte  apure  créditos  calculados  em  relação  aos  valores  pagos  a  título  de  aluguel  de  máquinas.  Confira­se a redação do referido artigo:  "Art.  3º.  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  (...)  IV ­ alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica,  utilizados nas atividades da empresa. "  Fl. 28237DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.171          131 Veja­se que inexiste discussão quanto a existência e validade do contrato de  locação  firmado  com  outra  pessoa  jurídica  (GAFOR),  e  não  se  discute  que  os  cavalos­ mecânicos  são utilizados nas  atividades desenvolvidas pela  recorrente,  qual  seja o  transporte  dos produtos por ela fabricados e comercializados.  Resta saber, portanto, se os cavalos­mecânicos se enquadram no conceito de  "máquina".  É princípio  fundamental da hermenêutica que onde a  lei não distingue, não  pode o  intérprete distinguir. A  respeito do  tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o  texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicá­lo a todos  os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não  tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem  acrescentar  condições  novas,  nem  dispensar  nenhuma  das  expressas"  (in  "Hermenêutica  e  Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). 10  Desta forma, no caso concreto, cabem ser revertidas as glosas da fiscalização  quanto ao item em comento, pois o cavalo­mecânico é indiscutivelmente uma máquina, pois se  utiliza da energia produzida pelo motor para desempenhar as suas funções.  A  idéia  da  não­cumulatividade  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  COFINS  reside  em  desonerar  a  receita  das  empresas  mediante  concessão  de  créditos  que  podem  ser  calculados  sobre  determinadas  despesas.  Essas  despesas,  por  óbvio,  guardam  relação  com  a  receita obtida pelo contribuinte, auferida em razão do desempenho de suas atividades.  Nesse  sentido,  conclui­se que  o  inciso  IV dos  citados  diplomas  normativos  objetivou permitir que toda e qualquer máquina ­ em sentido amplo ­, utilizada nas atividades  da empresa, possam gerar crédito. Assim, deve ser admitido o crédito sobre  tais despesas,  já  que diretamente relacionadas à atividade desenvolvida e à própria receita obtida.  Mas, não só por este fundamento deve ser revertida a citada glosa, pois ainda  que não se permitisse o cômputo do crédito através do inciso IV, poderia ser aplicado ao caso o  inciso II, pois é notório que os veículos alugados pela recorrente consistem insumos utilizados  no  processo  produtivo  e  no  transporte  de  seus  produtos.  Como  já  se  demonstrou,  sem  o  transporte dos referidos produtos, resta inviabilizada a atividade desenvolvida pela recorrente.  Dessa forma, seja por se tratar de máquina (inciso IV), seja por se enquadrar  no  conceito  de  insumo  (inciso  II),  dou  provimento  neste  item,  pra  restabelecer  os  créditos  apropriados.    Impossibilidade de concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada por não  recolhimento das estimativas    A recorrente contesta a aplicação de multa isolada, cumulada com a multa de  ofício, sob o argumento de que representaria dupla penalização sobre o mesmo fato.                                                              10 STJ REsp: 853086 RS 2006/01380157, Relator: Ministra DENISE ARRUDA, Data de Julgamento: 25/11/2008,  T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: <!DTPB:  20090212<br> > DJe 12/02/2009.  Fl. 28238DF CARF MF     132 Os  valores  recolhidos  a  título  de  estimativas  são  antecipações  do  tributo  apurado no  final do  exercício. Assim, quando  se  estabelece obrigação do  sujeito passivo  em  recolher  estimativa,  deve­se  ter  em  mente  que  o  fato  gerador  do  IRPJ  e  CSLL  ainda  não  ocorreu e, encerrado o período de apuração, pode haver situações em que sequer se verificará a  existência da situação descrita em lei que resulte na obrigação de pagar estes tributos.  Contudo, encerrado o ano­calendário não há o que se falar em recolhimento  de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente das estimativas, tem­ se infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade  mais grave. Nestes casos a multa devida é a de ofício  incidente sobre o  tributo devido e não  pago. Não sendo apurado tributo devido não há o que se falar em multa isolada.  Quando  se  fala  em  multa  isolada  esta  só  pode  estar  relacionada  ao  não  recolhimento  das  estimativas  devidas  durante  o  ano­calendário.  É  devida  até  o  momento  previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça  lucros à tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos  devidos com multa de 75%.  Por  esta  razão,  não  subsiste  o  argumento  de  que  a  multa  isolada  deve  ser  exigida após o encerramento do período de apuração, ainda que em concomitância com a multa  de  ofício,  em  virtude  de  estar  prevista  em  norma  autônoma  e  por  não  ter  o  sujeito  passivo  adimplido a obrigação na data do vencimento.  Não  se  pode  interpretar  um  dispositivo  legal  desconsiderando  as  demais  normas  que  integram  o  sistema.  Se  assim  fosse,  pressupondo  atraso  do  sujeito  passivo  em  relação  ao  vencimento  do  tributo,  chegaríamos  ao  ponto  de  formar  raciocínio  equivocado  cumulando multa  de  ofício  com multa moratória.  Para  tal,  bastaria  dizer  que  sendo  a multa  moratória devida nos casos de atraso no pagamento e que nos casos de omissão há atraso, ter­ sei­a  situação  em  que  ambas  as  multas  seriam  devidas.  Mais,  sempre  que  uma  conduta  de  menor  gravidade  se  constituir  em  pressuposto  para  que  ocorra  uma  infração  punida  com  penalidade  mais  grave,  esta  absorve  a  menor.  Neste  sentido  basta  observar  o  princípio  da  consunção, expresso na súmula 17 do STJ.  Ainda  em  relação à multa  isolada,  na  interpretação do artigo 44,  II,  alíneas  “a”  e  “b”  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  com  a  redação  atribuída  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007,  resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não se pode desprezar a exposição  de motivos que ao tratar da necessidade de alteração da lei apresentou a seguinte justificativa:  8. A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada  pelo art. 14 do Projeto,  tem o objetivo de  reduzir o percentual da multa de ofício,  lançada  isoladamente,  nas  hipóteses  de  falta  de  pagamento  mensal  devido  pela  pessoa física a título de carnê­leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem  como  retira  a hipótese de  incidência da multa de ofício no  caso de pagamento do  tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora.  Pelo  que  se  depreende  da  exposição  de  motivos,  ao  usar  as  expressões  “multa de ofício,  lançada  isoladamente”, se está a  falar de uma única multa, pois se assim  não  fosse  não  teria  usado  as  expressões  “lançada  isoladamente”,  mas  sim,  “lançada  em  concomitância com a multa de ofício.  Desta forma, é incabível a exigência de multa isolada pelo não recolhimento  de estimativas, devendo ser mantida a multa de ofício e excluída a multa isolada.  Conclusão  Fl. 28239DF CARF MF Processo nº 16004.720677/2012­18  Acórdão n.º 1301­002.207  S1­C3T1  Fl. 28.172          133 Sendo assim, em conformidade com as razões acima descritas, decide­se:  (i)  RESTABELECER  os  créditos  baseados  em  despesas  com  fretes  entre  estabelecimentos da fiscalizada;   (ii)  RESTABELECER  os  créditos  baseados  em  despesas  com  locação  de  cavalos­mecânicos contratados junto à empresa Gafor;   (iii)  RECONHECER  a  impossibilidade  de  concomitância  entre  a multa  de  ofício e a multa isolada por não recolhimento das estimativas.  Em  todos  os  demais  aspectos,  a decisão  se deu  conforme o  voto  do  ilustre  Relator.   (documento assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza                  Fl. 28240DF CARF MF

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Numero do processo: 15374.938746/2008-82
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2008 RESOLUÇÃO PARA SANEAMENTO PROCESSUAL. ANULAÇÃO PARA DETERMINAÇÃO DE OUTRAS PROVIDÊNCIAS. Se, com o decorrer do tempo, as providências determinadas em resolução para saneamento de situação processual não mais se revelam adequadas ou se mostram mesmo inexeqüíveis, impõe-se anular a resolução para determinação de outras providências, mais adequadas. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. PROCESSO PRINCIPAL. Sendo identificado outro processo, principal em relação a este, inclusive com informação nesse sentido da unidade preparadora, o processo acessório deve seguir o principal, seja para julgamento conjunto, seja para determinação da solução processual mais adequada.
Numero da decisão: 1302-001.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha

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1302­001.553  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de outubro de 2014  Matéria  Processo Administrativo Fiscal  Recorrente  RH INTERNACIONAL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2008  RESOLUÇÃO  PARA  SANEAMENTO  PROCESSUAL.  ANULAÇÃO  PARA DETERMINAÇÃO DE OUTRAS PROVIDÊNCIAS.  Se,  com  o  decorrer  do  tempo,  as  providências  determinadas  em  resolução  para saneamento de situação processual não mais se revelam adequadas ou se  mostram  mesmo  inexeqüíveis,  impõe­se  anular  a  resolução  para  determinação de outras providências, mais adequadas.  COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. PROCESSO PRINCIPAL.  Sendo identificado outro processo, principal em relação a este, inclusive com  informação nesse sentido da unidade preparadora, o processo acessório deve  seguir o principal, seja para julgamento conjunto, seja para determinação da  solução processual mais adequada.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer  do recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.  (assinado digitalmente)  Alberto Pinto Souza Junior ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha ­ Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 87 46 /2 00 8- 82 Fl. 10DF CARF MF Processo nº 15374.938746/2008­82  Acórdão n.º 1302­001.553  S1­C3T2  Fl. 11          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros Waldir Veiga Rocha,  Márcio  Rodrigo  Frizzo,  Guilherme  Pollastri  Gomes  da  Silva,  Eduardo  de  Andrade,  Hélio  Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.    Relatório  O  presente  processo  foi  originalmente  distribuído  a  este  Conselheiro  em  29/09/2011, mediante sorteio, para relato e julgamento. Ao iniciar seu exame, constatei o que  segue:  · O processo apenas possui alguns poucos (quatro) despachos e telas no e­ processo, de forma que não é possível identificar de que se trata.  · De  toda  forma,  o  último  despacho  informa  sua  "vinculação  com  o  processo de crédito de nº 15374.920603/2008­14".  O  processo  foi,  então,  levado  a  julgamento  perante  a  Primeira  Turma  Ordinária  desta  Terceira  Câmara  em  16/03/2012.  Durante  a  sustentação  oral  realizada  na  sessão  de  julgamento,  a  patrona  da  recorrente  trouxe,  da  tribuna,  informações  e  esclarecimentos  relevantes,  afirmando  que  o  processo  de  nº  15374.920603/2008­14  é  o  processo  principal,  que  trata  de  declaração  de  compensação,  e  que  este  processo  de  nº  15374.938746/2008­82 é processo de cobrança dos débitos daquele outro, não havendo, aqui,  um litígio propriamente dito. Acrescentou ainda a patrona da recorrente informações acerca da  existência  dos  processos  nº  15374.922807/2008­90  e  nº  15374.938747/2008­27,  ambos  igualmente  de  cobrança de  débitos  do mesmo processo principal. Todos os quatro processos  mencionados se encontrariam no CARF, e nenhum deles teria sido julgado até aquela data.  Diante dessas informações, mediante a Resolução nº 1301­00.049 (fls. 8/9), a  Turma determinou as seguintes providências com finalidade saneadora:  (i)  Os processos de cobrança nº 15374.938746/2008­82 (o presente), nº  15374.922807/2008­90 e nº 15374.938747/2008­27 sejam juntados  ao processo principal nº 15374.920603/2008­14.  (ii)  Após a devida digitalização de todas as peças processuais de todos  os  quatro  processos,  o  processo  nº  15374.920603/2008­14  seja  distribuído  a  este  Conselheiro,  por  conexão,  para  relato  e  julgamento.  Transcorridos  mais  de  dois  anos  sem  o  cumprimento  das  determinações  acima, por motivos que não cabe aqui perquirir, a situação dos processos acima mencionados  se modificou. Segundo pesquisas nos sistemas da RFB e do CARF, a situação em 15/09/2014  era a seguinte:  · Processo  “principal”  nº  15374.920603/2008­14:  localizado  na  1TE/3CAM,  distribuído mediante sorteio ao Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, situação  “para relatar” desde 17/02/2014.  Fl. 11DF CARF MF Processo nº 15374.938746/2008­82  Acórdão n.º 1302­001.553  S1­C3T2  Fl. 12          3 · Processo  nº  15374.938746/2008­82  (o  presente  processo):  localizado  na  Secam/3CAM,  atividade  “verificar  procedimentos”.  No  que  tange  às  peças  processuais,  situação  inalterada,  não  há  peças  processuais  que  permitam  a  correta  identificação da natureza do processo e do litígio.  · Processo  nº  15374.938747/2008­27:  localizado  na  Secam/3CAM,  atividade  “verificar procedimentos”. Também não tem conteúdo processual. Da mesma forma  que  o  processo  anterior,  não  tem  conteúdo  processual  e  há  despacho  da  unidade  preparadora  no  sentido  de  que  seja  apensado  ao  processo  15374.920603/2008­14  (“principal”).  · Processo  nº  15374.922807/2008­90:  localizado  na  DERAT/SP  para  realização  de  diligência  determinada mediante  a Resolução  nº 1802­000.086, de 05/07/2012, da  2TE/1SJ deste CARF, relator Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.   O presente processo foi, então, encaminhado a este Conselheiro, para que o  Colegiado decida sobre a solução processual mais adequada.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  Conforme se verifica do relatório, a demora no cumprimento da Resolução nº  1301­00.049, de 16/03/2012, e as alterações na situação dos processos envolvidos fez com que  as  providências  saneadoras  ali  determinadas  não mais  se  revelem  aquelas  adequadas  para  o  deslinde da questão. Na verdade, algumas delas se mostram de cumprimento quase impossível,  a esta altura dos  acontecimentos.  Impõe­se, portanto, a anulação da mencionada resolução nº  1301­00.049.  No  que  toca  ao  processo  dito  “principal”  nº  15374.920603/2008­14,  tenho  que seja ele a chave para o entendimento do que de fato ocorre. Somente a partir de seu exame  é que será possível confirmar as informações (vide relatório) sobre a inexistência de litígio no  presente  processo  e,  a  partir  daí,  adotar  a  solução  processual  adequada.  Relevante,  nesse  sentido,  a  existência  de  despacho  (fl.  5)  proferido  pela  Unidade  Preparadora,  informando  a  vinculação com o processo de crédito nº 15374.920603/2008­14 e a necessidade de juntada dos  processos.  Por todo o exposto, voto no sentido de:  a)  Anular a Resolução nº 1301­00.049, de 16/03/2012.  b)  Declinar da competência de julgamento do presente processo (se é que existe  julgamento  a  ser  aqui  realizado)  para  a  Primeira Turma Especial,  ligada  a  esta  Terceira Câmara. O  processo  deverá  ser  encaminhado para  a  relatoria  do Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, para julgamento conjunto com  o processo nº 15374.920603/2008­14.  Fl. 12DF CARF MF Processo nº 15374.938746/2008­82  Acórdão n.º 1302­001.553  S1­C3T2  Fl. 13          4 Adicionalmente, a Secretaria desta Terceira Câmara deverá observar, no que  diz  respeito  ao  processo  nº  15374.938747/2008­27,  a  existência  de  despachos  da  Unidade  Preparadora,  às  fls.  2  e  3  daquele  processo,  informando  sua  vinculação  com  o  processo  de  crédito nº 15374.920603/2008­14 e a necessidade de juntada dos processos. Em assim sendo, o  processo  nº  15374.938747/2008­27  deverá  ser  encaminhado  para  a  relatoria  do  Conselheiro  Alexandre Fernandes Limiro, na Primeira Turma Especial, ligada a esta Terceira Câmara.  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha                                Fl. 13DF CARF MF

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6521608 #
Numero do processo: 10580.720490/2009-81
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-004.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 11          1 10  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10580.720490/2009­81  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­004.205  –  2ª Turma   Sessão de  21 de junho de 2016  Matéria  IRPF ­ RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE ­ URV  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  WANDA VALBIRACI CALDAS FIGUEIREDO    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005, 2006, 2007  IRPF.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  ACUMULADAMENTE.  MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI  FEDERAL.  Inexistindo  lei  federal  reconhecendo  a  isenção,  incabível  a  exclusão  dos  rendimentos  da  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda,  tendo  em  vista  a  competência da União para legislar sobre essa matéria.  IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.  Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas  na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são  de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de  Renda nos termos do art. 43 do CTN.  Recurso Especial do Procurador Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 04 90 /2 00 9- 81 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 12          2   Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  o  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade,  em  dar­lhe  provimento, com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no  recurso  voluntário,  vencidos  os  conselheiros Rita Eliza Reis  da Costa  Bacchieri,  Patrícia  da  Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe  negaram  provimento.  Designada  para  redigir  o  voto  vencedor  a  conselheira  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira.  (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes ­ Relatora    (Assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva ­ Redatora Designada    Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri,  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Elaine  Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson  Macedo Guerra.  Fl. 362DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 13          3 Relatório  O  presente  Recurso  Especial  trata  de  pedido  de  Análise  de  Divergência  motivado  pela  Fazenda  Nacional  face  ao  Acórdão  2102­002.459,  proferido  pela  2º  Turma  Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção de Julgamento/CARF.  Em  desfavor  da  contribuinte,  WANDA  VALBIRACI  CALDAS  FIGUEIREDO, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/11.   Trata­se  de  Auto  de  Infração  lavrado  para  formalização  de  exigência  de  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  (IRPF),  relativo  aos  anos­calendário  2004  a  2006,  exercícios 2005 a 2007, no valor total de R$ 155.784,74, incluindo multa de ofício e juros de  mora, estes últimos calculados até 30/01/2009.  Segundo  descrição  constante  do  Auto  de  Infração,  o  sujeito  passivo  classificou  indevidamente  como  Rendimentos  Isentos  e  Não  Tributáveis  na  Declaração  de  Ajuste os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de “Valores  Indenizatórios  de URV”,  a  partir  de  informações  a  ele  fornecidas  pela  fonte  pagadora.  Tais  rendimentos  decorrem  de  diferenças  de  remuneração  ocorridas  quando  da  conversão  de  Cruzeiro Real  para  a Unidade Real  de Valor  – URV em 1994,  reconhecidas  e pagas  em 36  parcelas  iguais  no  período  de  janeiro  de  2004  a  dezembro  de  2006,  com  base  na  Lei  Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003.  Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, a qual  restou  procedente  em  parte,  conforme  julgamento  da  DRJ/SDR  nº  1527.277,  fls.  169/175,  excluindo da tributação as parcelas relativas à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º  salário.  Às  fls.  178/269,  a Contribuinte  interpõe Recurso Voluntário onde  repisa  os  mesmos  argumentos  trazidos  na  impugnação,  acrescentando  que  a  decisão  recorrida  é  nula,  pois  deixou  de  enfrentar  a  arguição  de  ilegitimidade  ativa  da União  para  cobrar  o  valor  do  Imposto de Renda incidente na fonte, que não foi objeto de retenção pelo Estado Membro e a  arguição de quebra da capacidade contributiva.  Em análise do Recurso Voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª  Seção  de  Julgamento  do  CARF,  fls.  283/291,  deu  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  cancelar  o  crédito  tributário  exigido  no  Auto  de  Infração,  sob  o  entendimento  de  que  as  diferenças auferidas pelos membros do Ministério Público Federal, com base no art. 2º da Lei  nº 10.477/2002,  têm caráter indenizatório, sem a incidência do imposto de renda, e que igual  raciocínio deveria  ser  aplicado às diferenças  auferidas pelos membros do Ministério Público  estadual  da  Bahia.  Assim,  tornou­se  desnecessária  a  análise  das  demais  argumentações  apresentadas pela contribuinte no recurso. Eis a ementa:  “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF  Exercício: 2005, 2006, 2007  Fl. 363DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 14          4 RESOLUÇÃO  STF  Nº  245/2002.  DIFERENÇAS  DE  URV  CONSIDERADAS  PARA  A  MAGISTRATURA  DA  UNIÃO  E  PARA  O MINISTÉRIO  PÚBLICO  FEDERAL  COMO  VERBAS  ISENTAS  DO  IMPOSTO  DE  RENDA  PELO  PRETÓRIO  EXCELSO.  DIFERENÇAS  DE  URV  PAGAS  AO MINISTÉRIO  PÚBLICO DA  BAHIA.  NÃO  INCIDÊNCIA DO  IMPOSTO DE  RENDA.  A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de  URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso  dos  Membros  do  Ministério  Público  Federal,  tinham  sido  excluídas  da  incidência  do  imposto  de  renda  pela  leitura  combinada  das  Leis  nº  10.477/2002  e  nº  9.655/98,  com  supedâneo  na  Resolução  STF  nº  245/2002,  conforme  Parecer  PGFN  nº  923/2003,  endossado  pelo  Sr.  Ministro  da  Fazenda.  Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do  art.  2º  da Lei  federal  nº  10.477/2002 nos  termos  da Resolução  STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda,  exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV,  não parece juridicamente razoável sonegar  tal  interpretação às  diferenças  pagas  a  mesmo  título  aos  Membros  do  Ministério  Público  da  Bahia,  na  forma  da  Lei  complementar  estadual  nº  20/2003.  Recurso Voluntário Provido.”  A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial às fls. 293/301, suscitando  ser vedada a interpretação com base em analogia em sede de incidência tributária para isentar  as diferenças de rendimentos pagos aos membros do Ministério Público estadual da Bahia da  incidência do Imposto de Renda Pessoa Física.  No  exame  de  admissibilidade  do Recurso Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional, a presidência da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais, às fls. 303/304, deu seguimento ao recurso especial para reapreciação da  controvérsia  suscitada  pela  recorrente  referente  à  tributação  das  diferenças  de  rendimentos  pagos  aos  membros  do  Ministério  Público  estadual  da  Bahia.  Conforme  entendimento  divergente do  acórdão paradigma, descabe excluir  as diferenças  auferidas pelos membros  do  Ministério Público  estadual da Bahia da base de  cálculo do  imposto de  renda, haja vista  ser  vedada a extensão com base em analogia para verificar a incidência tributária.   Apresentadas contrarrazões pela Contribuinte,  fls. 311/322, vieram os autos  conclusos.  Fl. 364DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 15          5 Voto Vencido  Conselheira Ana Paula Fernandes, Relatora.  O Recurso Especial  interposto  pela Contribuinte  é  tempestivo  e  atende  aos  pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser admitido.   Trata­se  de  Auto  de  Infração  lavrado  para  formalização  de  exigência  de  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  (IRPF),  relativo  aos  anos­calendário  2004  a  2006,  exercícios 2005 a 2007, decorrente da classificação indevida como Rendimentos Isentos e Não  Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado  da Bahia,  a  título de “Valores  Indenizatórios de URV”,  a partir de  informações  fornecidas  à  Contribuinte pela fonte pagadora.  Na decisão recorrida, deu­se provimento ao recurso voluntário para cancelar  o  crédito  tributário  exigido  no  Auto  de  Infração,  sob  o  entendimento  de  que  as  diferenças  auferidas  pelos  membros  do  Ministério  Público  Federal,  com  base  no  art.  2º  da  Lei  nº  10.477/2002,  têm  caráter  indenizatório,  sem  a  incidência  do  imposto  de  renda,  e  que  igual  raciocínio deveria  ser  aplicado às diferenças  auferidas pelos membros do Ministério Público  estadual da Bahia.  O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional, trouxe para análise  a divergência jurisprudencial no tocante à vedação de interpretação com base em analogia em  sede de incidência tributária, para isentar as diferenças de rendimentos pagos aos membros do  Ministério Público estadual da Bahia da incidência do Imposto de Renda Pessoa Física.  Para discutir a natureza da verba percebida pelo contribuinte, mister se faz a  ponderação de diversos institutos e conceitos tributários os quais passo a analisar para construir  a solução que julgo aplicável ao caso concreto.    IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES   Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída  a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o  enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda.   A  interpretação  da  Fazenda  Nacional  é  a  de  que  na  medida  em  que  a  legislação  federal,  prevê  expressamente  a  isenção  ou  não­tributação  de  certas  verbas  indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só  estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência,  todas as demais verbas de  caráter  indenizatório  não  expressamente  contempladas  estariam  sujeitas  à  tributação  pelo  imposto sobre a renda.   Para  os  doutrinadores  esta  afirmação  é  incompatível  com  os  dispositivos  constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional.  Fl. 365DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 16          6 Para Aliomar Baleeiro,  "  a  renda se destaca da  fonte  sem empobrecê­la",  e  Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é  acrescê­lo, é recompô­lo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não  é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do  âmbito de incidência do imposto sobre a renda".   Isto  significa  que  o  fato  de  não  haver  na  legislação  federal  regra  expressa  prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua  tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta  indenização  não  estar  alcançada  pela  norma  constitucional  (art.  153,  Ill).  Por  definição,  está  fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que  existirem  terão  caráter  explicitador,  por  vezes,  resultantes  de  dúvidas  surgidas  quanto  à  natureza jurídica de determinada verba.   O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição  de  patrimônio  passado  economicamente  identificável  (ou  seja,  sem  haver  acréscimo  patrimonial),  não  configura  hipótese  de  incidência  do  imposto  sobre  a  renda.  A  verba  paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a  depender das circunstâncias que a cercam".   A  questão  primordial  a  ser  debatida  aqui  é  saber  a  quem  cabe  afirmar  a  natureza jurídica de determinada verba para  fins de enquadramento na  legislação do  imposto  sobre a renda.   Três situações podem ser identificadas:   a)  partes  privadas  (contratualmente  ou  por  outro  instrumento)  qualificam determinada verba como de caráter indenizatório;   b)  o  Poder  Judiciário,  no  bojo  da  prestação  jurisdicional,  qualifica  a  verba como indenizatória; e   c) a Lei qualifica a verba como indenizatória.   Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do  imposto  sobre  a  renda,  importante  compreender  em  quais  hipóteses  o  Fisco  Federal  pode  recusar  a  qualificação  oriunda  de  qualquer  das  situações  acima  e  afirmar  a  natureza  não  indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto.  A  terceira  hipótese  é  a  que  nos  importa  no  caso  em  tela,  uma  vez  que  o  contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de  Lei Estadual.  É  de  se  destacar  o  fato  de  a  qualificação  indenizatória  dada  a  verba  ­  foi  editada pelo legislador através de uma lei específica.   Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma  lei federal, o Fisco,também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois  não  lhe  é  dado  substituir­se  ao  legislador,  nem  tem  competência  para  declarar  a  inconstitucionalidade de uma norma.  Fl. 366DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 17          7 Tratando­se de lei estadual abre­se o debate, pois a qualificação jurídica por  ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que ­ por decorrência e  em  função  do  caráter  de  Direito  de  superposição  de  que  se  reveste  o  Direito  Tributário  ­  repercute na aplicação da lei  tributária federal, ao afastá­Ia no caso de indenizações (que não  impliquem acréscimo patrimonial).   Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei  estadual  interferir  com  a  interpretação  e  aplicação  da  lei  tributária  federal?  Embora  pareça  questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de  que  não  cabe  a  Lei  estadual  interferir  nas  hipóteses  de  incidência|(fato  gerador)  de  tributo  federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias.  Para  alguns  juristas,  nos  quais  novamente  cito  Marco  Aurélio  Greco,  a  pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados  não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda.   A  questão  legítima  aqui  discutida  é,  se  o  Fisco  Federal  pode  afastar  a  qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no  ordenamento jurídico.  E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de  constitucionalidade  de  que  se  reveste  toda  lei.  Portanto,  enquanto  subsistir  o  preceito  normativo,  o  Fisco  federal  não  possui  competência  para  afastar  a  qualificação  jurídica  ali  contida.  Para  afastá­la  é  preciso,  previamente,  buscar  a  declaração  da  sua  inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do  Poder Judiciário.  Ainda  que  a  alegação  do  fisco  fosse  de  que  o  preceito  nela  contido  é  manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se  seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de  configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no  caso  em  tela,  pois  a  disposição  sobre  a  verba  submetida  ao  regime  estatutário  é  de  plena  competência do ente estadual.  Assim, não há que se  falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n.  8.730/2003,  possua  qualificação  jurídica  teratológica  que  possa  afastar  de  plano  sua  aplicabilidade.  Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis  em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito  ao  funcionamento  das  respectivas  Instituições.  Portanto,  não  é  estranho  que  seja  a  lei  a  reconhecer a natureza  jurídica de determinada verba, à  luz do contexto do  respectivo  regime  estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que:     “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da  União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios  de  legalidade,  impessoalidade, moralidade,  publicidade  e  eficiência  e,  também,  ao  seguinte:   (...)  Fl. 367DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 18          8 XI ­ a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos  públicos  da  administração  direta,  autárquica  e  fundacional,  dos  membros  de  qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,  dos  detentores  de mandato  eletivo  e  dos  demais  agentes  políticos  e  os  proventos,  pensões  ou  outra  espécie  remuneratória,  percebidos  cumulativamente  ou  não,  incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder  o  subsídio  mensal,  em  espécie,  dos  Ministros  do  Supremo  Tribunal  Federal,  aplicando­se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no  Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o  subsídio  dos Deputados Estaduais  e Distritais  no  âmbito  do Poder Legislativo  e  o  subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e  vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do  Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos  membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;  (...)  §  11. Não  serão  computadas,  para  efeito  dos  limites  remuneratórios  de  que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório  previstas em lei." (grifo nosso)     Ou  seja,  podem  existir  pagamentos  a  agentes  públicos  que  tenham  caráter  indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas  podem existir,  a própria  lei  também pode afirmar esse  caráter,  "especialmente"  em relação a  verba submetida ao regime estatutário.  Ad  argumentandum  tantum,  ainda  há  que  se  salientar  que,  sendo  da  competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência  a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade  o direito de cobrá­la. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma  menção neste sentido.  Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a  titularidade não é  sobre o  resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que ­ de acordo com a  legislação pertinente ­ deva ser submetido ao regime de retenção na fonte.   Esta  titularidade  é  atribuída  em  caráter  exclusivo  ao  Estado  o  que  afasta  qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua  natureza,  deve  submeter­se  à  retenção,  o  simples  fato  de  esta  ser  a  respectiva  qualificação,  afasta por si só a titularidade da União.   Ou  seja,  a  União  não  tem  titularidade  sobre  a  parcela  do  imposto  sobre  a  renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte.   A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta  qualificação  jurídica  da  titularidade  sobre  esse  montante,  posto  que  a  qualificação  advém  diretamente da CF/88 e  a eventual  inação do Estado em reter não configura  transferência de  titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado,   Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação  jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da  União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o  Fl. 368DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 19          9 contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à  retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado.    PRINCIPIO DA LEGALIDADE    Por  fim  o  julgamento  do  caso  em  tela  implica  na  aplicação  de  princípio  basilar  do  Direito  Administrativo,  qual  seja  o  respeito  a  legalidade.  Assim,  enquanto  a  Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em  tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido.  Ainda, para Hely Lopes Meirelles:    Na Administração Pública não há  liberdade nem vontade pessoal. Enquanto  na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração  Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito  Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005).    A Legalidade é intrínseca a idéia de Estado de Direito, pensamento este que  faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse  princípio  ser  tão  importante,  um  dos  pilares  do  ordenamento.  É  na  legalidade  que  cada  indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres.  A  administração  não  tem  fins  próprios,  mas  busca  na  lei,  assim  como,  em  regra  não  tem  liberdade, escrava que é do ordenamento.  O  Princípio  da  Legalidade  é  uma  das  maiores  garantias  para  os  gestores  frente o Poder Público. Ele  representa  total  subordinação do Poder Público  à previsão  legal,  visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o  administrador  público  não  pode,  mediante  mero  ato  administrativo,  conceder  direitos,  estabelecer obrigações ou  impor proibições  aos  cidadãos. A criação de um novo  tributo,  por  exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a  limitação de direitos não poderá ser feita por  via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma.  Na  fiscalização,  o  Princípio  da  Legalidade  possui  atividade  totalmente  vinculada,  ou  seja,  a  falta  de  liberdade  para  a  autoridade  administrativa.  A  lei  define  as  condições  da  atuação  dos  Agentes  Administrativos,  determinando  as  tarefas  e  impondo  condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas.   Por  fim,  esse  princípio  é  vital  para  o  bom  andamento  da  Administração  Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua  eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à  norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que  seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça.  Fl. 369DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 20          10 No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma  intromissão  quanto  ao  tributo  federal  de  competência  da  União  ­  imposto  de  renda  pessoa  física.  Mas  que houve  sim,  uma natureza  indenizatória  dada  a  verbas  oriundas  do  regime  estatutário  daquele  Estado,  as  quais  são  de  competência  exclusiva  do  mesmo,  responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência.  A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito  que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública,  face ao pacto federativo constitucionalmente imposto.  Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita  Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico  prescinde  de  um  conjunto  de  medidas  dispostas  na  Constituição  Federal,  as  quais  não  contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais, negar validade ou aplicabilidade.  Observo  que  o  controle  de  constitucionalidade  pode  ser  realizado  de modo  preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei  já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é  jurisdicional,  logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso.   Assim resume Zeno Veloso:     (...)  O  controle  jurisdicional  da  constitucionalidade,  no  Brasil,  utiliza  o  método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser  julgada  pelo  Supremo  Tribunal  Federa,  tendo  por  objeto  leis  e  atos  normativos  federais  e  estaduais,  em  confronto  com  a  Constituição  Federal,  que  nos  Estados­ membros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos  estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimo­nos, também, do  controle difuso, concreto,  incidenter  tantum, exercido por qualquer órgão,  singular  ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35)    Assim,  resta  evidente  que  no  caso  em  apreço,  ainda que  fosse  caso  de  não  aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder  Judiciário,  pois  por  uma  questão  de  competência  constitucional,  legal  e  regimental,  este  Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei.   Ressalte­se aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no  âmbito  judicial  e  administrativo.  Enquanto  o  juiz  é  dotado  de  equidade,  o  conselheiro  do  Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade.  Neste sentido, inclusive, o tema restou sumulado pelo CARF:    “Súmula  CARF  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.”    Fl. 370DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 21          11 Contudo,  compreendo  que  a  melhor  solução  da  questão  não  prescinde  de  Juízos  de  constitucionalidade,  vez  que  conforme  explanado  acima,  a  natureza  das  verbas  percebidas  pelo  contribuinte  foram  legitimamente  declaradas  indenizatórias  por  força  de  lei  estadual,  sendo  que  conforme  previsão  constitucional  é  da  competência  do  Ente  Federado  responsável pelo Regime estatutário fazê­lo, não usurpando assim competência da União para  declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar  que  o  imposto  era  devido  sobre  verbas  remuneratórias,  excluindo  as  indenizatórias,  sem  no  entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra.  Ainda,  e  não menos  importante,  uma  segunda  questão  foi  recepcionada  no  despacho  de  admissibilidade  do  Recurso  Especial,  qual  seja  a  aplicação  por  analogia  da  resolução  N.  245/2002  emitida  pelo  STF,  assim  considerando  o  aceite  da  matéria  para  discussão  de  divergência  jurisprudencial,  ressalto  brevemente  que  entendo  ser  a  solução  juridicamente mais correta ao caso concreto, nos termos proferidos no acórdão nº 2102­01.687,  conforme excerto que segue:  RESOLUÇÃO  STF  N°  245/2002.  DIFERENÇAS  DE  URV  PARA  A  MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL  COMO  VERBAS  ISENTAS  DO  IMPOSTO  DE  RENDA  PELO  PRETÓRIO  EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MINISTÉRIO PÚBLICO DA  BAHIA.  NÃO  INCIDÊNCIA  DO  IMPOSTO  DE  RENDA.  A  Lei  complementar  baiana n° 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público  local,  as  quais,  no  caso  dos  membros  do  ministério  público  federal,  tinham  sido  excluídas  da  incidência  do  imposto  de  renda  pela  leitura  combinada  das  Leis  n°  10.477/2002  e  n°  9.655/98,  com  supedâneo  na  Resolução  STF  n°  245/2002,  conforme  Parecer  PGFN  n°  923/2003,  endossado  pelo  Sr.  Ministro  da  Fazenda.  Ora,  se o Sr. Ministro da Fazenda  interpretou as diferenças do art. 2º da Lei  federal n° 10.477/2002 nos termos da Resolução STF n° 245/2002, excluindo da  incidência  do  imposto  de  renda,  exemplificadamente,  as  verbas  referentes  às  diferenças  de  URV,  não  parece  juridicamente  razoável  sonegar  tal  interpretação  às  diferenças  pagas  a mesmo  título  aos membros  do Ministério  Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual n° 20/2003.    A aplicação da resolução do STF ao caso concreto garante isonomia tributária  aos servidores estatutários de um mesmo ente federativo.  Pelo  exposto,  voto no  sentido de negar provimento  ao Recurso Especial  da  Receita Federal para manter a não  incidência do  imposto de renda sobre as parcelas pagas  a  Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente  indenizatória, conforme previsto em Lei específica do Estado da Bahia.  É como voto.    (Assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes    Fl. 371DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 22          12 Voto Vencedor  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Redatora Designada   DO MÉRITO  Peço  licença a  ilustre conselheira para divergir do seu entendimento quanto  ao mérito da incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente  de diferenças de URV, bem como aplicação do princípio da isonomia no presente caso.  Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cinge­se a discussão ao  caráter  indenizatório dos  rendimentos  relativos  aos pagamentos  recebidos pelos membros do  Ministério Público da Bahia.  Competência para legislar sobre IR.  Primeiramente, conforme descrito no lançamento, a Lei Complementar nº 20  do  Estado  da  Bahia,  de  08  de  setembro  de  2003,  consignaria  o  caráter  indenizatório  dos  rendimentos,  todavia,  entendo  que  a  competência  para  legislar  sobre  imposto  de  renda  é  da  União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, faz­se necessário realizar a  análise  da  natureza  jurídica  dos  valores  recebidos,  de  forma  a  se  determinar  seu  caráter  indenizatório ou salarial.   Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:  [...]  III ­ renda e proventos de qualquer natureza;  [...[  § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os  limites  estabelecidos  em  lei,  alterar  as  alíquotas  dos  impostos  enumerados nos incisos I, II, IV e V.  § 2º O imposto previsto no inciso III:  I  ­  será  informado  pelos  critérios  da  generalidade,  da  universalidade e da progressividade, na forma da lei;  Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subsume ao citado  dispositivo  face  a  configuração  de  nítido  acréscimo  patrimonial  das  verbas  com  natureza  indenizatórias,  cujo  fundamento  para  exclusão  configura­se  como  a  reparação  por  um  dano  sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias.  Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por  meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido  pelo  contribuinte,  mas  a  compensação  em  razão  da  ausência  da  devida  correção  salarial  decorrentes  de  alteração  da moeda.  Portanto,  tais  valores  integram  a  remuneração  percebida  pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos.   Concluindo, em relação a este  item, entendo incabível  tomar como absoluta  para exclusão da incidência do IR lei de outro ente da federação (no caso, o Estado da Bahia),  face a competência instituída pelo texto constitucional.     Fl. 372DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 23          13 Incidência sobre valores de diferenças de URV.  Ainda quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores  Indenizatórios  de  URV”  advêm  de  diferenças  salariais  decorrentes  da  conversão  da  remuneração dos  servidores  beneficiados,  quando da  implantação do Plano Real. Em  função  disso, constata­se que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a  remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao  longo dos anos subseqüentes.   Nesse  sentido, podemos concluir que o objetivo de ações  judiciais  sob esse  fundamento ou mesmo da Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que  apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou  de ser pago, ou seja, diferença de salários.   Considerando o nítido caráter salarial  ­ diferenças pagas a posteriori, penso  que a verba trazida à discussão encontra­se sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art.  43 do CTN:  Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou  da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza,  assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos  no inciso anterior.  §  1o  A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita  ou  do  rendimento,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.  (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)  Nesse  sentido,  está­se  diante  de  acréscimo  patrimonial  tributável  pelo  Imposto  de  Renda,  entendimento  que  fora  inclusive  salientado  pelo  acórdão  proferido  pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.  Frente as considerações acima, também afasto os fundamentos adotados pelo  julgador da  turma a quo  para definir  a natureza das diferenças de URV. Segundo o  acórdão  recorrido  a  verba  recebida  pelos  servidores  estaduais  possui  a  mesma  natureza  daquela  percebida  pelos  seus  pares  da  União  e,  portanto,  não  se  poderia  dispensar  tratamento  diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação.  Entendo, que não há como  igualar  as  situações dos membros do Ministério  Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia,  haja vista inexistir  lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que  concede  isenção deve ser  interpretada sempre literalmente, conforme inciso  II do art. 111 do  CTN.   Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de  interpretações  extensivas  para  alcançar  sujeitos  passivos  em  situação  semelhantes.  Pensar  diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art.  150  da CF  e  o  art.  176  do CTN. Dessa  forma,  ao  contrário  do  exposto  pelo  julgador a quo  entendo  que  ao  adotar  mesmo  tratamento  tributário,  alterando  a  natureza  dos  pagamentos,  estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob  a competência da União.   Fl. 373DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 24          14 A  Resolução  do  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  nº  245/2002  conferiu  natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário  Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e  Lei nº 10.474/2002). No mesmo  sentido,  a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003,  aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para  a Magistratura Federal e MP Federal,  respeitando a  interpretação do STF, contudo,  tal verba  não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV, ora sob análise.  Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da  forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que  trata  o  art.  2º  e  parágrafos  da  Lei  n.º 10.474/2002,  considerando­o como de natureza indenizatória. Neste sentido, o  inciso  I  do  art.  1º  trouxe a  forma de  cálculo  deste abono: “I  ­  apuração, mês  a mês,  de  janeiro/98  a maio/2002,  da  diferença  entre  os  vencimentos  resultantes  da  Lei  nº  10.474,  de  2002  (Resolução  STF  nº  235,  de  2002),  acrescidos  das  vantagens  pessoais,  e  a  remuneração mensal  efetivamente  percebida  pelo  Magistrado,  a  qualquer  título,  o  que  inclui,  exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV,  PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”.  A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do  abono  as  verbas  referentes  à  diferença  de  URV,  de  onde  se  interpreta  que  esta  não  tem  natureza  indenizatória,  mas  de  recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo  Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as  diferenças  entre  o  abono  salarial  tratado  pela  norma  e  a  diferença  da  URV,  conforme  se  verifica  de  voto  da  Ministra  Eliana Calmon:  “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes,  que  sempre  distinguiram  as  hipóteses  de  percepção  das  diferenças  remuneratórias  da  URV  do  abono  identificado  na  Resolução  245/STF:  (...)”  (STJ,  Recurso  Especial  n.º  1.187.109/MA,  Segunda  Turma,  Ministra  Relatora  Eliana  Calmon, julgado em 17/08/2010)  E  tal  também  foi  o  entendimento  do  Ministro  Dias  Toffoli,  do  Supremo  Tribunal  Federal,  em  decisão  monocrática  proferida  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário  n.º  471.115,  do  qual  se  colaciona o seguinte excerto:  “Os  valores  assim  recebidos  pelo  recorrido  decorrem  de  compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal  do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem  parte integrante de seus vencimentos.  As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago,  no  momento  oportuno,  são  dotadas  dessa  mesma  natureza  jurídica  e,  assim,  incide  imposto  de  renda  quando  de  seu  recebimento.  No  que  concerne  à  Resolução  no.  245/02,  deste  Supremo  Tribunal  Federal,  utilizada  na  fundamentação  do  acórdão  recorrido, tem­se que suas normas a tanto não se aplicam, para  o  fim  pretendido  pelo  recorrido  (...)”  (STF,  Recurso  Fl. 374DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 25          15 Extraordinário  n.º  471.115,  Ministro  Relator  Dias  Toffoli,  julgado em 03/02/2010)  Conclui­se, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos  acumuladamente  pelo  Recorrente,  razão  pela  qual  deverão  compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa  Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional.  Pelos  fundamentos  expostos,  entendo  que  a  verba  em  exame  deve  ser  tributada.  Quanto ao caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou  este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o  encaminhamento aqui formulado:  ACÓRDÃO 9202­003.659  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF.   VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS  A  PARTIR  DE  INFORMAÇÕES  PRESTADAS  PELA  FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.  Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em  virtude de sua natureza remuneratória.  Recurso especial provido.  ACÓRDÃO 9202.003.585   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF.   VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS  A  PARTIR  DE  INFORMAÇÕES  PRESTADAS  PELA  FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.  Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em  virtude de sua natureza remuneratória.  Precedentes do STF e do STJ.  Recurso especial provido.  ACÓRDÃO 2201­002.491   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2005, 2006, 2007   PAF.  NULIDADE  DA  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.  O  julgador  administrativo  não  está  obrigado  a  rebater  todas as questões levantadas pela parte, mormente quando  Fl. 375DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 26          16 os  fundamentos  utilizados  tenham  sido  suficientes  para  embasar a decisão.  INCONSTITUCIONALIDADE.  APRECIAÇÃO.  INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.  Falece  competência  a  este  órgão  julgador  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE.  RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.  “Constatada  a  omissão  de  rendimentos  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  é  legítima  a  constituição  do  crédito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário,  ainda  que a  fonte  pagadora  não tenha procedido à respectiva retenção”.  IRRF. COMPETÊNCIA.  A  repartição  do  produto  da  arrecadação  entre  os  entes  federados  não  altera  a  competência  tributária  da  União  para  instituir,  arrecadar  e  fiscalizar  o  Imposto  sobre  a  Renda.  IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.  Os  valores  recebidos  por  servidores  públicos  a  título  de  diferenças  ocorridas  na  conversão  de  sua  remuneração,  quando  da  implantação  do  Plano  Real,  são  de  natureza  salarial,  razão  pela  qual  estão  sujeitos  aos  descontos  de  Imposto de Renda.  ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.  Inexistindo  lei  federal  reconhecendo  a  isenção,  incabível  a  exclusão  dos  rendimentos  da  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda.  IRPF.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  ACUMULADAMENTE.  TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF.  O  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente  deve  ser  calculado  com  base  nas  tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam  ter  sido  adimplidos,  conforme  dispõe  o  Recurso  Especial  nº  1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC.  Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).  IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.  “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de  renda,  causado  por  informações  erradas,  prestadas  pela  fonte  pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”.  IRPF.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  VERBAS  TRIBUTADAS.  INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.  Fl. 376DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 27          17 No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do  CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os  juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em  ação  de  natureza  trabalhista,  por  se  tratar  de  verba  indenizatória  paga  na  forma  da  lei,  são  isentos  do  imposto  de  renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.  Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título  de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de  IR,  sendo  incabível  acatar  a  argumentação  de  que  a  natureza  salarial  da  referida  verba  seja  alterada por  legislação estadual, qual  seja,  a Lei Complementar nº 20, de 08 de  setembro de  2003,  ou  mesmo  que  Resolução  nº  245  do  STF  lastreada  em  Lei  federal  com  destinação  específica  possa  ser  aplicada  por  analogia  a  outros  casos  que  não  os  expressamente  nela  descritos.  Quanto a necessidade de prévia declaração de  inconstitucionalidade da  lei estadual.  Quanto a argumentação de que necessário, antes de efetivar ao  lançamento,  ter  declarada  a  inconstitucionalidade  da  lei  Estadual,  entendo  não  ser  esse  o  melhor  entendimento  aplicável.  Conforme  acima  esclarecido,  a  competência  para  legislar  sobre  IR  recai  sobre  a  União,  não  podendo  ser  alterada  a  natureza  jurídica  da  verba  para  efeitos  de  definição do fato gerador.  Contudo,  não  pode  o  agente  fiscal  entender  ou  mesmo  questionar  a  constitucionalidade  de  lei  Estadual,  cujo  ente  Estadual  possui  competência  para  definir  não  apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja competência para  legislar  esteja  sob  sua  égide.  Por  exemplo,  a  definição  da  natureza  jurídica  para  efeitos  de  definição  da  natureza  tributos  de  contribuição  previdenciária  para  regime  próprio  de  previdência. Assim, ao fisco Federal compete apreciar se a verba recebida pelos Membros do  MP da Bahia,  encontra­se  abarcada  como  fato  gerador de  IR, utilizando­se dos  fundamentos  dessa legislação para apuração do fato gerador, da natureza jurídica do pagamento e da base de  cálculo  e  montante  do  tributos  apuráveis.  Dessa  forma,  afasto  a  argumentação,  de  que  necessário primeiramente declarar a constitucionalidade da legislação estadual.  Quanto  a  incompetência  do  CARF  para  afastar  lei  sob  o  fundamento  de  inconstitucionalidade,  entendo não  ser  essa  a  questão  aplicável  ao  caso  concreto. Realmente  nos  termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das  turmas de julgamento afastar a  aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento  de  inconstitucionlidade",  todavia,  a  competência  básica  dos  membros  desse  colegiado  é  identificar se o lançamento se amolda as exigências legais e se os argumentos apontados pelo  recorrente seriam suficientes para a desconstituição do lançamento.   Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado  pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da  legislação aplicável  ao  caso  concreto,  quais  sejam, CF/88, CTN e  legislação do  IR  incorreto  considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento  algum  descumpri  ou  fere  dispositivo  regimental,  pelo  contrário,  entendo  que  ao  acatar  os  argumentos  do  recorrente  pela  aplicabilidade  da  legislação  estadual  e  resolução  245/STF,  aí  sim, estaria afastando dispositivo legal.   Quanto  as  demais  questões  trazidas  em  sede  de  contrarrazões  deixou  de  apreciá­las, considerando a existência de outros argumentos trazidos ainda em sede de recurso  Fl. 377DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720490/2009­81  Acórdão n.º 9202­004.205  CSRF­T2  Fl. 28          18 voluntário, mas não apreciados pela  turma a quo  frente ao encaminhamento do relator de no  mérito dar provimento ao recurso.  CONCLUSÃO  Diante  do  exposto,  voto  por  conhecer  do Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional,  para no mérito DAR­LHE PROVIMENTO, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para  analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte.  É como voto.    (Assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.                    Fl. 378DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 06/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 13830.001509/2002-19
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998, 1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Não existe cerceamento do direito de defesa, uma vez que o contribuinte tem acesso às cópias do processo na repartição fiscal. DECADÊNCIA - Estando configurada fraude, dolo ou simulação, inclusive com aplicação de multa qualificada de 150%, não pode ser utilizada a nonna do ~ 40 do art. 150 do CTN, por cxpressa previsão. Nesse caso, aplica-se a regra prevista no mi. 173, I, do mesmo diploma legal. OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA - É plenamente aplicável a presunção legal nos termos previstos no artigo 42 da Lei 9.430/96. ARBITRAMENTO DOS LUCROS - OMISSÃO DE RECEITAS - A presunção legal de omissão de receitas é nonna que autoriza o auferimento, por parte da fiscalização, da receita omitida, ao passo que o arbitramento do lucro é fomla de, com base na receita declarada e não declarada, apurar o lucro passivel de tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES - Os efeitos do decidido sobre o Imposto de Renda aplicam-se aos lançamentos decorrentes, ante a estreita relação de causa e cfeito. IRPJ e CSL - DECADÊNCIA - TERMO INICIAL - Uma vez que a base de cálculo do IRPJ e da CSL é o lucro do período ajustado e não cada componente do resultado, a regra a ser aplicada na identificação do tenno inicial da decadência é única e a presença de fraude contamina o lançamento cm relação ao fato gcrador como um todo. IRPJ - CSL - DECADÊNCIA - CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - O Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro, tributos cuja legislação prevê a antecipação de pagamcnto sem prévio exame pelo Fisco, estão adstritos à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como tenno inicial a data da oconência do fàto gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, desloca-se esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como inicio de tal prazo o primeiro dia do exercíeio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Oconendo a ciência do auto de infração pela contribuinte em 09/12/2002, é incabível a preliminar de decadência suscitada para os tributos lançados no ano-calendário de 1997. IRPJ E CSL - OMISSÃO DE RECEITAS - CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE INTERPOSTAS PESSOAS - VINCULAÇÃO - Provada nos autos a vinculação com a autuada das contas bancárias em nome de interpostas pessoas, cabivel a tributação do total dos depósitos bancários de origem não justificada como omissão de receitas da pessoa jurídica vinculada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 108-09.585
Decisão: ACORDAM os Membros da OITAVA CÃMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de decadência e NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), Orlando José Gonçalves Bueno, João Francisco Bianco (Suplente Convocado) e Valéria Cabral Géo Verçoza, que acolhiam parcialmente a decadência e davam provimento parcial ao recurso
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Nelson Lósso Filho

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I" TURMA/DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998, 1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Não existe cerceamento do direito de defesa, uma vez que o contribuinte tem acesso às cópias do processo na repartição fiscal. DECADÊNCIA - Estando configurada fraude, dolo ou simulação, inclusive com aplicação de multa qualificada de 150%, não pode ser utilizada a nonna do ~ 40 do art. 150 do CTN, por cxpressa previsão. Nesse caso, aplica-se a regra prevista no mi. 173, I, do mesmo diploma legal. OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA - É plenamente aplicável a presunção legal nos termos previstos no artigo 42 da Lei 9.430/96. ARBITRAMENTO DOS LUCROS - OMISSÃO DE RECEITAS - A presunção legal de omissão de receitas é nonna que autoriza o auferimento, por parte da fiscalização, da receita omitida, ao passo que o arbitramento do lucro é fomla de, com base na receita declarada e não declarada, apurar o lucro passivel de tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES - Os efeitos do decidido sobre o Imposto de Renda aplicam-se aos lançamentos decorrentes, ante a estreita relação de causa e cfeito. IRPJ e CSL - DECADÊNCIA - TERMO INICIAL - Uma vez que a base de cálculo do IRPJ e da CSL é o lucro do período ajustado e não cada componente do resultado, a regra a ser aplicada na identificação do tenno inicial da decadência é única e a presença de fraude contamina o lançamento cm relação ao fato gcrador como um todo. IRPJ - CSL - DECADÊNCIA - CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - O Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro, tributos cuja legislação prevê a antecipação de pagamcnto sem prévio exame pelo Fisco, estão adstritos à sistemática de lançamento dita por 1fJffy Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como tenno inicial a data da oconência do fàto gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, desloca-se esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como inicio de tal prazo o primeiro dia do exercíeio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Oconendo a ciência do auto de infração pela contribuinte em 09/12/2002, é incabível a preliminar de decadência suscitada para os tributos lançados no ano-calendário de 1997. IRPJ E CSL - OMISSÃO DE RECEITAS - CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE INTERPOSTAS PESSOAS - VINCULAÇÃO - Provada nos autos a vinculação com a autuada das contas bancárias em nome de interpostas pessoas, cabivel a tributação do total dos depósitos bancários de origem não justificada como omissão de receitas da pessoa jurídica vinculada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CONSTRUTORA MENIN LTDA. ACORDAM os Membros da OITAVA CÃMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de decadência e NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), Orlando José Gonçalves Bueno, João Francisco Bianco (Suplente Convocado) e Valéria Cabral Géo Verçoza, que acolhiam parcialmente a decadência e davam provimento parcial ao recurso. Designado o Conselheiro Nelson Lósso Filho, para redigir o voto vencedor. Presidente ~~ /'- - NELSON L' SO FIL O Redator Designado FORMALIZADO EM: Q 2 SE T 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CÃNDIDO RODRIGUES NEUBER e JANIRA DOS SANTOS GOMES (Suplente Convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros MARIAM SEIF e JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA. ~ /~ Processo n.o13830.001509/2002-19 Acórdão n.o108-09.585 Relatório Trata-se de Autos de Infração de IRPJ/CSLLlPIS e Cofins. O lançamento de IRPJ versa sobre: 001 - Depósito não contabilizado e de origem não comprovada; 002 - Receita de venda de imóveis, receitas de obras para empreitada e incorporação de imóveis; 003 - Receita de prestação de serviços; 004 - Rendimentos de aplicação financeira de renda fixa; 005 - Rendimentos de aplicação financeira de renda fixa - Receita omitida; 006- Rendimentos de aplicação financeira de renda fixa - outro periodo. Para a CSLL foram lançados os mesmos itens. Já para a Contribuição ao PIS e a Cofins, foram lançados os montantes correspondentes aos itens 001, 004 e 005 do lançamento principal. Apenas para esclarecimento, a DIPJ (exercício 1998 - ano calendário 1997) foi entregue em 29.04.98 (t1s. 121). Os autos retomaram de diligência solicitada por esta Câmara, quando da análise do Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte. Por economia processual, utilizo-me do relatório do Voto que determinou a diligência, para esclarecer do que trata a questão. Em 09. I2.02, a contribuinte CONSTRUTORA MENIN LTOA., foi intimada da lavratura de quatro autos de Infração e da correspondente constituição dos créditos tributários relativos a IRPJ e ret1exos, confonne segue: i) Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, no montante de RS 992.021,07 (novecentos e noventa o dois mil, vinte e um reais e sete centavos); ii) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, no valor de R$ 122.041,83 (cento e vinte e dois mil, quarenta e um reais e oitenta e três centavos); iii) Contríbuição ao Programa de Integração Social - PIS, no valor de R$ 54.397,22 (cinqüenta e quatro mil, trezentos e noventa e sete reais e vinte e dois centavos); e iv) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, no valor de R$ 167.377,57 (cento e sessenta e sete mil, trezentos e setenta e sete reais e cinqüenta e sete centavos). Em decorrência do procedimento fiscal, foi constatada OImssao de receitas, tendo em vista que a fiscalizada possuía depósitos bancários de origem não comprovada, cujos recursos foram movimentados em nome de interpostas pessoas. Além da infração acima citada, foi constatada omlssao de rendimentos de aplicação financeira de renda fixa, de recursos aplicados em nome de interposta pessoa relativamente aos trimestres de março de 1997 a setembro de 1998 (item 005), bem como de omissão de rendimentos de aplicação financeira de renda fixa, relativamente às aplicações financeiras, em nome do autuado, referente a todos os trimestres dos anos-calendário de 1997 e 1998, conforme demonstrativos de t1s. 934, 1009 e 1075 (item 004); e daquelas em nome do Processo n.o 13830.001509/2002-19 Acórdão n.o108-09.585 autuado, cujas aplicações e resgates não foram contabilizados, compreendido entre março de 1998 e dezembro de 1998 (item 006). relativamente ao período Como o autor do procedimento fiscal considerou imprestável a escrituração mantida pela fiscalizada, foram arbitrados os lucros sobre as receitas de venda de imóveis e prestação de serviços, percebidas durante os anos-calendário de 1997 e 1998, confonne demonstrativo de fls. 934 e 1009 (itens 001 e 003). Em relação às omissões de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de receitas decorrentes de rendimentos de aplicação financeira de renda fixa, cujos recursos foram movimentados ou aplicados em nome de interpostas pessoas, foi aplicada a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), nos tennos do inciso II do artigo 44 da Lei nO9.430, de 1996. Como as infrações constatadas apresentam reflexos na apuração das contribuições sociais, foram lavrados, ainda, Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, totalizando crédito tributário no montante de R$ 343.8[6,62, calcu[ado até 29111/2002. Os beneficiários, MR Paisagismo S/C Ltda., Concremac Concreto Ltda., M 5 Incorporadora Ltda., Roque Furtado, Gustavo Lorenzetti Menin, dos recursos movimentados nas contas, cujos titulares são pessoas interpostas, foram responsabilizados solidariamente, nos tennos do inciso I, art. [24, da Lei nO5.172, de 1966. Por outro lado, os sócios da MR Paisagismo S/C Ltda., Marina Lorenzetti Menin e Roque Furtado, foram responsabilizados solidariamente, nos termos do inciso 1Il, artigo 135, da Lei n° 5172 de 1966. Considerando que os fatos apurados pela fiscalização configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, definido pelo art. I° da Lei nO8.137, de 1990, fonnalizou-se Representação Fiscal para Fins Penais, que tramita mediante o processo administrativo nO 13830.001508/2002-74. Cientificada dos lançamentos, na pessoa do sócio Gustavo Lorenzetti Menin, e cientificados, também, Concremac Concreto Ltda., M5 Incorporadora Ltda., Gustavo Lorenzetti Menin e MR Paisagismo S/C Ltda. e seus sócios, a autuada apresenta contestação aos autos de infração, documentos de fls. 119811235, assinado pelo sócio Gustavo Lorenzetti Menin, onde apresenta suas razões de defesa. Ainda verifica-se a existência de manifestação das seguintes pessoas fisicas e/ou jurídicas, para as quaís foi atribuída responsabilidade: M5 Incorporadora Ltda (11. 1236), MR Paisagismo S/C Ltda (fl. 1253), Concremac Concreto Ltda (fl. 1264), Marina Lourenzetti Menin (fl. 1279) e Gustavo Lourenzetti Menin (fl. 1286). Inicialmente, a Impugnante invoca a nulidade do procedimento fiscal, por imprecisa detenninação do infrator. Alega que a fiscalização não comprovou, de maneira precisa e induvidosa, que os recursos movimentados na contas investigadas pertencem à autuada, e que a falta de prova irretorquível macula o lançamento tributário. Rechaça a acusação de que as contas mantidas em nome de empregados se prestavam à movimentação de recursos da empresa e reclama a inexistêncía de prova rP Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 inquestionável que demonstre qualquer operação praticada pela empresa, cujos recursos foram ali depositados, ou que tenha sido ela a promotora de transferências ou autorizadora de saques. Atirma que, assim procedendo, a autoridade tiscal agiu em desacordo com os artigos 112, 121 e 142 do Código Tributário Nacional, demonstrando descaso com os princípios norteadores do lançamento, e aos direitos do contribuinte. Alega que, na ânsia de tributar, mesmo não dispondo das provas necessárias, elegeu a autuada como titular de fato das contas investigadas, arrolou pessoas fisicas e juridicas interligadas ou ligadas a ela e seus sócios como responsáveis solidários pelo recolhimento dos tributos lançados, camuflando a falta de elementos probantes. Com essa conduta, atinna, houve violação do seu sigilo fiscal, pois a cada uma das pessoas fisicas ou jurídicas arroladas como responsáveis solidárias foram encaminhadas cópias dos autos de infração e seus anexos. Credita à imaginação do auditor fiscal responsável a titulação da MR Paisagismo Ltda. como interposta pessoa da Construtora Menin Ltda., o que revela uma acusação vazia e compromete a credibilidade dos autos de infraçâo, fato que, aliado a todas as razões aduzidas, determinam a nulídade de todos os autos de infração. Alega, ainda, que houve cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que o autor do procedimento fiscal não lhe entregou todos os documentos e componentes fonnadorcs da convicção tiscal, bem como os demonstrativos elaborados, tàto que acarreta transtornos ao exercício do direito a ampla defesa. Alega, também, a decadência do direito de a autoridade tiscal efetuar os lançamentos relativos aos periodos compreendidos entre janeiro a novembro de 1997, tendo em vista que a intimação da lavratura dos Autos de Infração só ocorreu em dezembro de 2002. Também as contribuições sociais, por terem caráter tributário, atinna, sujeitam- se às nonnas de caducidade aplicáveis ao Imposto de Renda, de acordo com recentes decisões dos Conselhos de Contribuintes, ainda que sob o argumento de traude ou sonegação, pois, aflora dos autos a imprecisa detenninação do infrator, o que resulta dúbia sua penalização e também porque não se incluem no contexto de infrações qualiticadas aquelas sujeitas a multa de 75% (setenta e cinco por cento). Em relação ao mérito, afinna que os lançamentos do PIS e da COFINS padecem de vício ínsanável, uma vez que houve a aplicação retroativa das Leis nOs9.715 e 9.718, ambas de 1998, cujos efeitos só surgiram a partir de fevereiro de 1999, não podem alcançar tàtos geradores nos meses dos anos de 1997 e 1998, sendo, portanto, improcedente a inclusão da receita financeira na base de cálculo de tais contribuições. Afirma que não há provas de que a movimentação bancária toi realizada no interesse da autuada ou que tenha havido o desvio de recursos da Construtora Menin Ltda. para referidas contas, e que caberia à Fiscalização detectar e provar, por meios e elementos precisos, a efetiva ocorrência do ilícito tiscal e sua autoria, não sendo indícíos circunstâncias capazes de ensejar a pretendida exigência tributária. Argumenta que a omissão de receitas deveria ser exaustivamente demonstrada e comprovada pela autoridade fiscal, ainda mais em se tratando de movimentação bancária em Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 contas de terceiros. Nesse sentido, o art. 58 da Lei nO 10.637, de 2002, veio acrescentar OS 5° ao art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, para deixar claro que é preciso ser provado que os recursos creditados pertencem a terceiros. Com isso, todos os autos de infração devem ser cancelados, inclusive representação fiscal para fins penais, pois o procedimento fiscal está eivado de ilegalidades. Rechaça, ainda, o arbitramento do lucro perpetrado pela Fiscalização, pois não há qualquer irregularidade em sua contabilidade e a ação fiscal não apontou qualquer falha, vício ou deficiência capaz de motivar o abandono da escrita. Alega que não havendo omissão de detalhes tidos por indispensáveis à detem1inação do lucro tributável e tendo a escrita do contribuinte respeitado os principios técnicos ditados pela contabilidade, as receitas omitidas, quando apuradas em empresas de lucro real, são tributadas adicionando-as ao lucro liquido, sem rejeitar os registros contábeis. Como não houve motivação fundamentada da impossibilidade de se aferir a verdadeira base de cálculo do Imposto de Renda, circunstância essa indispensável, sua ausência compromete o lançamento por arbitramento fonnalizado. Aduz que a legislação prevê que os lucros decorrentes das atividades imobiliárias serão arbitrados, deduzindo-se da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado, aplicando-se a tributação na proporção da receita recebida ou cujo recebimento esteja previsto para o próprio trimestre, não devendo prosperar o arbitramento mediante a aplicação do coeficiente de 9,6% sobre as receitas de igual natureza. Chama a atenção, também, para a omissão do procedimento fiscal quanto à receita considerada, se regime de caixa ou de competência. Afirma que o autor do procedimento não segregou, do total das receitas omitidas, as parcelas das receitas que seriam submetidas ao arbitramento pelo coeficiente de 9,6%, das receitas que seriam submetidas ao arbitramento pelo coeficiente de 38,4%, limitando-se a adotar o percentual mais oneroso, relativamente à omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, como se tivesse identificado e vinculado cada crédito à atividade submetida ao arbitramento mais gravoso, razão pela qual há de ser refonnado esse entendimento, em beneficio do direito e da justiça. Alegando, mais uma vez, a omissão da fiscalização quanto à entrega de cópias de demonstrativos de compensação dos recolhimentos por estimativa, dos saldos credores de exercicios anteriores e do Imposto de Renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, afirma estar impossibilitada de contestar, tendo em vista não ter elementos para verificar sua exatidão, restando-lhe reiterar o embaraço à defesa. Baseando sua tese de que o procedimento fiscal não logrou comprovar, efetivamente, que os créditos movimentados em contas de terceiros tiveram origem em receitas auferidas pela autuada, rechaça a aplicação da multa "alo,'Tavada", por entender que sua incidência pressupõe a perfeita identificação do agente e do seu elemento volitivo. No caso relatado, há indefinição do autor e ausência de elementos confim1atórios da presunção de que os depósitos bancários não contabilizados são de Processo n.o 13830.001509/2002-19 Acórdão n.o 108-09.585 titularidade da pessoa juridica, não havendo, ainda, qualquer comprovação de que a autuada sonegou tributos, razão pela qual sua exigência não pode prevalecer. Em reforço aos seus argumentos, reproduz ementas de acórdão dos Conselhos de Contribuintes, que não admitem a imposição de multa qualificada sem que esteja cabalmente demonstrado no processo, de fonna minuciosa e inequívoca, o verdadeiro agente e seu intuito fraudulento. Argumentou que no presente caso sequer a ocorrência da infração foi configurada, quanto mais o intuito fraudulento, razão pela qual é incabível a multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento). Ao final, requer a nulidade dos autos de infração pelos vícios citados, ou, se acaso não acatada, a improcedência dos lançamentos pelas razões de mérito. São apresentadas, ainda, manifestações das pessoas arroladas como responsáveis solidários pelo pagamento dos tributos lançados. Dizendo-se desentendida das razões da atribuição da responsabilidade solidária pelo débito fom1alizado em fàce da autuada, a empresa MS Incorporadora LIda. alega que para se constituir o vínculo obrigacional solidário é preciso demonstrar que os sujcitos integrados no pólo passivo tenham interesse comum na situação de fato que deu origem ao nascimento da obrigação tributária. Alega que não mantém qualquer relação negociaI com a Construtora Menin e que o fato de a fiscalização afinnar a existência de dois pagamentos oriundos de contas cujas titularidades foram atribuídas à autuada, por si só, não constitui elemento de prova a configurar a responsabilidade solÍdária que lhe é atribuída. Tendo em vista a tributação ter se pautado em meros indícios e em razão do arbitramento do lucro, alega, é impossível a responsabilização da peticionária, já que nada tem a ver com os recursos das aplícações financeiras e com o arbitramento dos lucros. Afirma que, ainda que se vislumbre algum "interesse comum" entre a peticionária e a Construtora Menin LIda., qualquer tributação deveria se limitar às grandezas com as quais a fiscalização houvesse comprovado, de fonna cabal, a existência de vínculo juridico. Diante de suas argumentações, requer sua exclusão da responsabilidade solidária imputada pela fiscalização. Utílizando-se dos mesmos argumentos tecidos pela M5 Incorporadora LIda., são apresentadas contestações pelas empresas MR Paisagismo S/C LIda., Concremac Concreto LIda. e pela pessoa fisica, Sr. Roque Furtado. Foi apresentada, também, contestação em nome de Marína Lorenzetti Menin, onde são trazidos os mesmos argumentos apresentados pelos outros responsáveis solidários, afirmando que pelo simples fàto de compor quadro societário da empresa MR Paisagismo LIda., que foi imputada como responsável solidária pelos débitos formalizados fàce a Construtora Menin LIda., foi arrolada como pessoalmente responsável pelos créditos tributários Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 exigidos da autuada, em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Alega que o destinatário da norma insculpida no art. 135, 1lI do CTN é o diretor, gerente ou representante de pessoa juridica que pratica atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Nesses termos, questiona a imputação da prática de atos a quem não detém qualquer poder ou participação na sociedade acusada. Entende que para caracterizar a responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes à obrigação tributária resultante do excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos é necessária a efetiva comprovação desses atos. Em reforço aos seus argumentos, transcreve entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que entendeu que a responsabilidade do sócio não é objetiva, e que, nesses casos, há necessidade de comprovação. Alega que a titularidade das contas investigadas foi atribuída à Construtora Menin LIda. e para que houvesse a responsabilidade solidária descrita no art. 135, 1lI do CTN, a titularidade daquelas contas deveriam ter sido atribuídas, também, à MR Paisagismo LIda., da qual a reclamante é sócia. Afinna que, ainda que se vislumbre a prática dos atõs previstos no art. 135 do CTN, eventual responsabilização deveria se limitar às grandezas com as quais a fiscalização houvesse comprovado, de forma cabal, a existência de vinculo juridico entre a Construtora Menin LIda. e a MR Paisagismo LIda. Nestes termos, requer sua exclusão da responsabilidade tributária imputada pela fiscalização. Por derradeiro, é apresentada contestação em nome de Gustavo Lorenzetti Menin, onde rechaça a existência de interesse comum entre a Construtora Menin e o peticionário e afirma que se houvesse convicção desse fato por parte da Fiscalização, teria certamente imputado responsabilidade ao reclamante, alicerçada no art. 135, 1lI do CTN, que trata da responsabilidade dos sócios em relação aos débitos da pessoa juridica. Aduz que em decorrência da precariedade das provas obtidas, a fiscalização camuflou a falta de elementos probantes sob o manto da responsabilidade solidária por "interesse comum", já que não dispunha de elementos para subsumir a conduta do administrador aos ditamcs do mi. 135, inciso 1lI, do CTN. Afirma que, ainda que se vislumbre algum "interessc comum" entrc o peticionário e a Construtora Menin LIda., qualquer tributação deveria se limitar às grandezas com as quais a fiscalização houvesse comprovado, de fonna cabal, a existência de vínculo juridico. Ao final requer sua exclusão da responsabilidade solidária imputada pela fiscalização. Nesse passo, a Ia Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento cm Ribeirão Preto/SP, ao apreciar a Impugnação apresentada, houve por bem julgar procedente o lançamento com relação ao IRPJ e à CSLL, e parcialmente procedente os lançamentos relativos à COFINS e ao PIS e afastar a responsabilidade dos beneficiários dos recursos movimentados e também dos Srs. Roque Furtado e Marina Lorenzetti Menin, em decisão assim ementada: Processo n.o 13830.001509/2002-19 Acórdão n.O 108-09.585 Assun/o: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica -IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998 Ementa: DEPÓSITas BANCÁRIas. aMIssia DE RECEITA. Evidenciam omissão de receita os depósitos realizados em conta de ;ntelposta pessoa, em relaçcio aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante dOCllmentaçcio hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operaç(]es. ARBITRAMENTO. Da LUCRO. A não escrituraçcio do movimento financeiro e bancário denota que a contabilidade da pessoa juridica não atende aos principios consagrados pela legislação comercial e pela técnica contábil, evidenciando a não confiabilidade do lucro real apurado e tornando correto o procedimento fiscal de arbitrar os lucros do exercício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tribwário Ano-calendário: 1997, 1998 Ementa: DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. a fato gerador do IRPJ e da CSLL, quando apurados anualmente, completa-se no último dia do ano-calendário, ou seja, em 31 de dezembro, sentlo este o marco inicial para a contagem do prazo decadencial. Em relação às contribuições para a seguridade social, a Lei nO8.212, de 1991, art. 45,jixouum prazo de Ia anos para o Fisco proceder à constituição do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Evidenciada a utilizaçdo de conta-corrente bancária em nome de intelposta pessoa para movimentação de recursos da empresa, caracterizando o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, materializa-se a hipótese prevista na Lei nO 4.502, de 1964, dando lugar à aplicação da multa qualificada. REspaNSABILIDADE SaLIDÁRIA. Não se admite a re.\ponsabilidade solidária pelo crédito tributário quando ni"iodemonstrado o interesse comum na situaçào que con.'aitua ofato gerador da obrigaçüo. REspaNSABILIDADE PESSOAL. INFRAçia DE LEI au CaNTRATO SaCIAL. Não se admite a re.\l'0nsabilidade pessoal pelos créditos tributários da autuada quando niio demonstrada a prática de atos com excesso de poderes ou i'r(raçüo de lei em relação aos fatos que motivaram a injiYlção. Assunto: Processo Administrativo Fiscal " Processo n.o 13830.001509/2002-19 Acórdão n.O 108-09.585 Ano-calendário: 1997. 1998 Ementa: NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nO 70.235/72. PROCEDIMENTO DECORRENTE. CSLL. A solução dada ao litígío principal. relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se aos lançamentos da CSLL, quando não llOuver fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa, pela mesma relaçcio de causa e efeito. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1997, 1998 Ementa: BASE DE CALCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. No período autuado, a base de cálculo da Cofins é a receita bruta da empresa, equivalente à soma de todos os ingressos derivados do exercício da atividade comercial 011 econômica a que se dedica. na qual não se incluem as receitas financeiras. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1997, 1998 Ementa: BASE DE CALCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. No período autuado, a base de cálculo do PIS é a receita bruta. equivalente à soma de todos os ingressos derivados do exercício da atividade comercial ou econômica a que se dedica a pessoa jurídica, na qual n(IO se incluem as receitasjinanceiras. Lançamento Procedente em Parte Para tanto, consignaram que com relação à preliminar de nulidade alegada, relativa à imprecisa determinação do infrator, restou cabalmente comprovado que o verdadeiro interessado nos recursos movimentados nas contas em nome de Edson Aparecido de Paula da Silva e Valter Nilson da Silva era a Construtora Menin LIda, reforçando que tal conclusão é pautada na análise das operações que davam origem à movimentação dos recursos nas contas em nome das interpostas pessoas. Cita, ainda, algumas movimentações efetuadas nas aludidas contas existentes e movimentadas pela autuada em nome de interpostas pessoas, inclusive cheques emitidos pela conta-corrente de Edson Aparecido de Paula da Silva para beneficiários que são funcionários da Construtora Menin LIda. e que declararam nunca terem recebido para si tais importâncias. Ainda, consignaram que, como noticiado nos autos, a empresa MR Paisagismo LIda. nunca funcionou no endereço indicado no Contrato Social e o próprio contador responsável pela empresa declarou que jamais lhe foram apresentados quaisqucr documentos ou informações de operações realizadas pela aludida empresa para fins de escrituração. Processo n.o 13830,001509/2002-19 Acórdão n,o 108-09,585 No tocante aos recursos movimentados em nome de Valter Nilson da Silva, está perfeitamente demonstrado que estes beneticiaram a então Impugnante, pois os saques rcalizados eram basicamente em espécies tcndo como beneficiários funcionários da autuada que declararam que tàziam realmente este serviço para a empresa junto ao banco, ficando cvidenciada a titularidade dos recursos movimentados. Foram detectados, ainda, pagamentos realizados a partir desta conta em beneí1cio da empresa M5 incorporadora LIda., que, devidamente intimada, não logrou comprovar a tinalidade dos pagamentos, nos valores de R$ 7.500,00 em 04.02.98 e R$ 7.500, 00 em 04.06.98. E, também, foi identificada a utilização de recursos desta conta para efetuar recolhimento de GRPS em nome de Gustavo Lorenzetti Menin, sócio da Construtora Menin LIda. Diante disso, tem-se a convicção plena de que os Srs. Edson Aparecido de Paula e Silva e Valter Nilson da Silva são interpostas pessoas da autuada e que os recursos movimentados em suas contas-concntes pertencem à Construtora Menin LIda. Com relação à decadência alegada pela Impugnante, consignaram que a Impugnante optou pela apuração do lucro mediante a modalidade de lucro real, de maneira que o fato gerador reputa-se ocorrido no último dia do periodo a que se refere, sendo, no caso, 31.12.97 para o ano-calendário de 1997 e 31.12.98 para o ano-calendário de 1998. Dessa maneira, considerando-se os fatos geradores oconidos em 31.12.97 e 31.12.98 o término do prazo decadencial seria 31.12.2002 e 31.12.2003, respectivamente. Com relação às contribuições sociais, entenderam que o prazo decadencial a ser aplicado é de dez anos, nos tennos do artigo 45 da Lei n° 8.212.191. No mérito, com relação à aplicabilidade das Leis nO 9.715/98 e 9.718/98, entenderam que com relação à inclusão das receitas tinanceiras na base de cálculo para o lançamento, as mesmas devem ser excluidas, em razão de não integrarem base de cálculo daquelas contribuições nos periodos autuados. Quanto ao arbitramento do lucro, entenderam que a OImssao de receitas verificada em razão da existência de depósitos de origem não identificadas administrados em nome de interposta pessoa, aliado à tàlta de contabilização de receitas financeiras, toma a escrituração imprestável, pois lhe retira totalmente a contiabilidade dos lançamentos e a prestabilidade da apuração de qualquer resultado pautado em tais lançamentos contábeis. Dessa fonna, veritica-se a aplicabilidadc da hipótese prevista no artigo 47, inciso lI, da Lei n° 8.981/95, impondo-se o arbitramento como a única medida restante para a apuração da basc dc cálculo do imposto. Destacaram, nesse ponto, que os valorcs movimentados nas contas mantidas por intcrposta pessoa giram em tomo de aproximadamente RS 2.120.000,00, sendo aproximadamentc R$ 1.279.000,00 em 1997 e o restante em 1998. Ademais, fosse pouco tal inegularidade, a tiscalização apurou receitas tinanceiras não contabilizadas durante o ano- calendário de 1998. De outra parte, consignaram que os coeficientes de arbitramento utilizados estão em pleno acordo com o que detennina a legislação de regência, de maneira que devem ser rejeitados quaisquer argumentos de que a autoridade fiscal, desprovida de fundamentos e de parâmetros lógicos, buscou apenas a llibutação mais onerosa. Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 Quanto ao arbitramento de receitas de atividades imobiliárias, aduziram que a regra prevista no artigo 534 do RIR/99 é aplicável quando o custo do imóvel é devidamente comprovado, tàto que não se vislumbra no caso vertente. Afirmaram que os recolhimentos efetuados por estimativa e o imposto sobre a renda retido na fonte foram devidamente computados na apuração do imposto de renda devido e, também, na Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Quanto à multa qualificada, afirmaram que ficou evidenciado o intuito de fraude por parte do contribuinte, mormente em razão da utilização de contas bancárias em nome dos Srs. Edison Aparecido de Paula da Silva e Valter Nilson da Silva, ambas na Caixa Econômica Federal, cujos recursos pertencem à Construtora Menin LIda, razão pela qual é pertinente a aplicação da multa qualificada nos moldes inciso lI, artigo 44, da Lei n° 9.430/96. Quanto aos lançamentos decorrentes entenderam que o decidido no lançamento principal deve ser aplicado aos lançamentos decorrentes. Com relação à contribuição ao PIS e à COFINS, entendeu pela inaplicabilidade retroativa das Leis n° 9.715 e 9.718, excluindo, portanto, os lançamentos referentes às receitas financeiras. Aduziram, ainda, que inexiste hipótese de interesse comum entre os recursos movimentados e as pessoas interpostas, sendo possivel somente a admissão de responsabilização solidária se referidas contas albergassem recursos pertencentes aos arrolados como responsáveis solidários, hipótese que fica totalmente afastada, haja vista a evidente titularidade da Construtora Menin LIda. Finalmente, consignaram que pelos mesmos motivos não se sustenta a hipótese de vinculação de Roque Furtado e de Marina Lorenzetti Menin com tàto gerador da obrigação tributária em nome da Construtora Menin LIda. O contribuinte foi intimado do Acórdão em 07.05.03 e, em 06.06.03 apresentou Recurso Voluntário, basicamente reiterando os argumentos trazidos na peça Impugnatória, acrescentando que: i) Não há nenhuma identificação de que qualquer recurso da Recorrente tendo sido encaminhado às contas de intel]JOstas pessoas. li) Não há prova nos autos de que os valores tran~feridos da conta do Sr. Edson Aparecido de Paula da Silva para conta da empresa MR Paisagismo LIda. o foram mediante ordem da Recorrente. o mesmo com reiaçeio aos pagamentos efetuados à empresa M5 Incorporadora Lida. iii) Os recolhimentos efetuados em nome do Sr. Gustavo Lorenzetti Menin e o pagamento dos veículos adquiridos em nome da empresa Concremac Concretos L{(ia. somente interessam a seus beneficiários e não à Construtora. i\) Os lançamentos estão alcançados pela decadência; v) O arbitramento ~fetuado desatendeu a Lei e as decisões administrativas. Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09,585 Os autos foram distribuídos a esta Relatoria, sendo que em sessão realizada em 22.03.2006, após votação na Câmara, decidiu-se por converter o então julgamento em diligência para que a autoridade competente: i) aponte conclusivamente e individualizadamente o fato que demonstra o vinculo de cada um dos recebimentos por cada uma das pessoas fisicas e/ou jurídicas acima identificadas com a Recorrente; ii) esclareça se a Recorrente mantinha à época dos tàtos conta própria na Caixa Econômica Federal; iii) esclareça se quaisquer das pessoas tisicas e/ou juridicas acima identificadas manifestaram-se no sentido de que movimentaram ou receberam, por qualquer natureza, valores por conta e ordem da Construtora Menin LIda; iv) individualize os pagamentos em que ficou caracterizado o beneficio direto da Construtora Menin LIda., como por exemplo no caso do saque de R$ 50.000,00 (cínqüenta mil reais) da conta-corrente do Sr. Edison (pagamento de R$ 20.000,00 pela aquisição imobilíária e depósito do restante); e, v) quanto as contas das interpostas pessoas, juntar cópias das tichas de assinaturas dos correntistas (ticha de autógrafo). Diante da Resolução nO108.00.309, a Secretaria da Receita Federal respondeu aos quesitos formulados da Sel,'1Jintefoona: i) Vincula à Recorrente os seguintes ben£f.ficiários: Concremac Concretos Ltda., Meire Imaculada Conceição Guillen, Flaviano Marcos Diomedes, MR Paisagismo S/C Ltda., Roque Furtado, José Eduardo Rossignoli, Celso Luiz Escaquette, Maria Aparecida Gomes de Brito, Marcus Vinicius da Silva e Doraei Regazo/i Fernandes do Nascimento; li) Em relaçüo ao Sr. Roberto Vilalba Moura - Echaporü - ME, relaciona apenas a atividade de prestação de serviços; ili) A época dos fatos a Recorrente movimentava diversas contas correntes na Caixa Econômica Federal (fI. /094 a //20); iv) Que nenhum dos jimciontÍrios contatados negou ter ~retuado operações em contas bancária.\'de terceiros. A Recorrente, por sua vez, devidamente intimada em 31.07.2006 (tl. 1.405), apresentou manifestação no sentido de que: i) O relatório da SRF 11([0 atende a pretensüo do item "(i)" do voto, limitando-se 11 apontar a composiçeio societária das empresas Concremac Concretos Ltda. e MR Paisagismo S/C Ltda., sendo incapaz de caracterizar o pretendido vínculo entre recebimentos e pessoas físicas e/ou jurídicas. li) Destaca que 'nenhuma das pessoas físicas negou ter efetuado operações bancárias a mando de terceiros, dos quais nria eram jimciontÍrios, constituindo filiO inibidor da vinculaçüo pretendida nos autos. iii) Que o simples filio da empresa Construtora Menin Ltlla. ser a ben~ficitÍria dos serviços prestados pela empresa Roberto Vilalba Moura ME, não autoriza a presunção de que aquela assumiu o fornecimento de recursos para os recolhimentos devidos à previdência social. Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 Em 20.09.2006 os presentes autos foram novamente encaminhados a esta Relatoria como retomo de diligência. Em sessão realizada em 23.05.07, decidiu este Conselho, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, a íim de que: (i) se esclareça quais os documentos juntados aos autos ou que outros sejam anexados - inclusive oíiciando a instituição financeira competente, se necessário - suíieientes a evidenciar as pessoas que tinham autorização para assinar cheques e/ou movimentar as contas correntes em questão; (ii) a partir da identificação das pessoas, conforme acima requerido, se demonstre a vinculação de tais pessoas com a recorrente; (iii) seja elaborada planilha quantificando, separadamente, os seguintes montantes: (a) valores relativos aos pagamentos que caracterizam beneficio direto da recorrente, apontados no item (iv) da diligência (fls. 1403), (b) valores relativos a cada uma das pessoas tlsicas/juridicas enumeradas no item (i) da diligência (fls. 1401/1403), apontados de fonna segregada, e (c) demais valores constantes das contas correntes, objeto de lançamento. Diante da Resolução nO 108-00.444, a Delegacia da Receita Federal de Marilia respondeu (fls.1435 a 1442) aos quesitos fonnulados da seguinte fonna: (i) Iníonnou que dentre os documentos de fls. 377 a 446 e 572 a 844, representando uma pequena amostragem dos lançamentos constantes nos extratos de movimentação tlnanceira de fls. 219 a 254 (conta 34155-8 - Edson Aparecido de Paula da Silva) e fls. 261 a 349 (conta 33723-2 - Valter Nilson da Silva), destacam os documentos de fls. 399, 404, 418, 440, 705 e 800, que indicam MEIRE IMACULADA CONCEIÇÃO GUILLEN como solicitante da operação bancária de saque em espécie, transferência entre contas, emissão de cheque administrativo e regularização de depósito feito indevidamente em outra conta. Ademais, consta na Ficha de Abertura e Autógrafos de Pessoa Física - Individual, de fl. 570, a observação "cartão em 29.10.96 - Meire I. C. Guillen", o que evidencia que a mesma tinha autorização para movimentar as contas correntes. (íi) Informou também que as contas correntes mencionadas foram abertas mediante fraude, com uso indevido de documentos e íàlsificação de assínaturas, concluindo que inexistia procuração outorgada já que os titulares sequer tinham conhecimento das contas, tendo inclusive o titular Edson Aparecido de Paula da Silva declarado no Termo de Declarações de fls. 350/351 que não deu nenhuma autorização. (iíi) Informou que a declaração de próprio punho e a íicha de Registro de Empregados de fls. 492 a 494, provam que MEIRE IMACULADA CONCEIÇÃO GUILLEN, trabalhou para a Recorrente como escriturária, constando ainda como testemunha nas alterações do contrato social, (fls. 108 a 123), evidenciando trabalhar próximo dos dirigentes. (iv) Infonnou que foi juntada (fls. 1435 a 1439), a planilha requerida no item (iii) da Resolução 108-00.444, elaborada através dos documentos de fls. 377 a 446 e 572 a 844 (pequena amostragem). Em 17.10.07, estes autos foram novamente encaminhados a esta Relatoria como retomo de diligência. É o Relatório. Processo n.o 13830.001509/2002-19 Acórdão n.o 108-09.585 Voto Vencido Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS, Relatora o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais necessários, pelo que dele tomo conhecimento. Foram excluidos da autuação ainda no julgamento efetuado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP: (i) a responsabilidade solidária, (ii) a responsabilidade pessoal dos sócios e (iii) o lançamento correspondente às receitas financeiras para composição da base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim, resta analisar apenas as questões relativas (i) à sujeição passiva; (ii) à localização de depósitos bancários de origem não comprovada, cujos recursos foram movimentados em nome de interpostas pessoas; (iii) à omissão de receitas tinanceiras em contas próprias e de terceiros; (iv) ao arbitramento do lucro em razão da imprestabilidade dos documentos contábeis da autuada; (v) à decadência do lançamento relativo aos anos de 1997 e 1998; (v) ao cabimento da aplicação de multa qualificada; e, (vi) à extensão do lançamento principal aos lançamentos retlexos. Sujeição Passiva O contribuinte alega que haveria imprecisa definição do SUjeito passivo porquanto a fiscalização não comprova que as operações teriam sido realizadas pela Recorrente, deixando de vincular os créditos bancários com as suas operações. Sobre este aspecto, deixo para me manifestar quando abordada a questão da "omissão de receitas". Cerceamento do Direito de Defesa Inicialmente, o contribuinte alega o cerceamento do seu direito de defesa, vez que a decisão recorrida não teria se manifestado sobre tal preliminar, embora tivesse sido prejudicado por não lhe terem sido entregues cópias de demonstrativos imprescindíveis à conferência, e perfeita compreensão, dos valores compensados pela ação fiscal na mudança de regime de tributação - do lucro arbitrado e também em relação à Contribuição Social. Confonne atesta a própria autoridade tiscal, os presentes autos encontraram-se à disposição do contribuinte, inclusive para extração de cópias, de maneira que é insustentável a alegação de cerceamento de defesa pelo contribuinte. Não bastasse a compensação dos valores pagos, pautou-se exatamente nas infonnações outrora fornecida pela ora Recorrente ao Fisco. Ademais, da veriticação das razões de Impugnação do contribuinte, reiteradas na apresentação do competente Recurso Voluntário, veritica-se que este teve plena ciência dos elementos da acusação tiscal, não tendo, sobremaneira, sido cerceado o seu direito de apresentação de defesa hábil e eticaz. Eventual documento adicional poderia ser juntado, pelo contribuinte, inclusive em tàse recursal. Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 Pelas razões expostas, defesa suscitada pelo contribuinte. voto por não acolher a preliminar de cerceamento de Da Decadência do Direito dc Lançar e da Aplicação da Multa Qualificada Consoante se verifica, a autuação referente aos anos-calendário de 1997 e 1998 se deu em razão das informações obtidas a partir da investigação da movimentação financeira de contas correntes da Recorrente e de movimentação financeira da pessoa juridica, realizada em nome de pessoas fisicas, ou seja, palie do lançamento está fulcrado em movimentação financeira efetuadas por meio de interpostas pessoas. Ao lançamento efetuado com base em movimentação financeira efetuada por meio de interposta pessoa foi imputada multa qualificada de ISO % (cento e cinqüenta por cento), dada a movimentação financeira ter sido efetuada de modo fraudulento, com vistas a omitir movimentações de valores próprios do contribuinte. Sustenta o contribuinte que houve a decadência do direito da autoridade fiscal promover o lançamento dos valores relativos ao período de apuração de janeiro a novembro de 1997, dada a reb'ra decadencial contida no parágrafo 4° do artigo ISO do Código Tributário Nacional, bem como que a multa qualificada não deve prosperar tendo em vista a falta de prova nos autos que demonstre a atuação dolosa e/ou fraudulenta do contribuinte. Pois bem, confonne acima mencionado, em se tratando de hipótese em que há movimentação financeira por intennédio de interposta pessoa, devidamente comprovada está a materialidade da conduta (fraudulenta) do contríbuinte, o que justifica a aplicação da multa qualificada, conforme reiteradamente decidido por esta Câmara Julgadora. Assim, deve ser mantida a multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), evidentemente apenas em relação àqueles lançamentos que forem entendidos como procedentes (principal e reflexos). Por decorrência, a regra decadencial se desloca para o disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, confonne consta da parte final do parágrafo 4° do artigo 150 do mesmo codex. Se assim é, não há como acatar a alegação de decadência para os itens que sofreram a qualificação da penalidade. De outra parte, no caso dos lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS com multa de 75%, ou seja, sem fraude, dolo ou simulação - itens 002, 003, 004 e 006 do lançamento príncipal - não compactuo com o entendimento de que estaria o período contaminado pela multa qualificada empregada aos demais itens. Existindo multa qualificada para o mesmo período, entendo que deve ser aplicada a regra decadencial do artigo 173, [ para os itens objeto de qualificação, aplicando-se a regra do artigo ISO, S 4° para os demais itens, mormente porque se trata de bases apuráveis em separado. Se assim é, entendo que ocorreu a decadência para o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins para os seguintes períodos de apuração e bases tributáveis, considerando que o lançamento foi notificado em 09.12.02: - itens 001 e 005 do lançamento principal não tem decadência para nenhum tributo em razão da multa qualificada; - itens 002 e 003 do lançamento principal (receita de venda de imóveis, receitas de obras para empreitada, incorporação de imóveis e de prestação de serviços) verifica-se, para '" ,,'h",o, (IRPJoeSLL) ,d~,""d, "I"'''mo",,,,, "" primdro,'rim,""" d, 1997, ~ .. Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 itens 004 do lançamento principal (rendimentos de aplicação financeira de renda fixa), verifica-se a ocorrência da decadência relativamente aos três primeiros trimestres de 1997. Desnecessário tratar da decadência das contribuições ao PIS e à Cofins, uma vez que já desonerado, por outras razões, pela decisão recorrida. Por fim, verifico inexistir decadência referente ao item 006, visto que refere-se exclusivamente ao ano-calendário de 1998. Da Omissão de Receita o contribuinte alega que a omlssao de receitas é descabida, pois lhe falta preCIsa0, especificidade e consistência, o que viria a revelar a utilização de presunção não autorizada, alegando, ainda, imprecisão na sujeição passiva. É cediço que nos casos em que há a presunção legal de omissão de receitas o ônus da prova é invertido, cabendo ao contribuinte demonstrar através de elementos probatórios a inocorrência da omissão de receitas. Vale notar que, uma vez preenchida a hipótese de presunção legal de omissão de receitas por parte do contribuinte, cumpre a este a comprovação da inexistência de tal fato. Ocorre que, deve ser comprovada a utilização pela autoridade administrativa da conta da interposta pessoa para que a presunção legal possa ser aplicada. Neste passo, foi detenninado na Resolução n° 108.00.309 que os autos fossem baixados em diligência, a fim de que a autoridade competente esclarecesse sobre a existência de vínculos entre a Recorrente e as interpostas pessoas constantes dos autos. Posterionnente, houve nova Resolução de nO 108.00.444. Assim, em retomo de diligência e considerando o conjunto probatório constante dos autos, restou comprovado, por diversos elementos probatórios, que as contas de interpostas pessoas eram de fato movimentadas pela Recorrente. De outra parte, restou afastada a comprovação da utilização exclusiva pela Recorrente em três casos (Concremac, MR Paisagismo e Roque Furtado), nos quais apesar de existir relação com a recorrente, existe a possibilidade de estas pessoas jurídicas e fisica terem, nesta parte, movímentado por sua própria conta e risco recursos que transitaram nas contas correntes de interpostas pessoas. Do exposto, concluo o quanto segue, confonne planilha apresentada pela fiscalização, na parte em que procedente o lançamento: Beneficiário Meire Imaculada Conceição Guillen Flavíano Marcos Diomedes José Eduardo Rossignoli Vinculação cl recorrente Valor Empregada docs. Fls. 465 a 494 69.706,27 Empregado docs. fls. 495 a 503 81.566,00 Em. cheque adm. sol. pl empregada 18.000,00 Meire I. C. Guillen " Processo n.o 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 Maria Aparecida Gomes de Brito Empregada docs. fls. 851 a 853 36.979,77 Roberto Vilalba Moura Prestadora de Serviços pl recorrente 3.237,12 docs. fls. 856 a 864 Marcus Vinicius da Silva Empregado docs. fls. 504 a 510 20.006,85 Doraci Regazoli F. do Nascimento Empregada docs. fls. 784 56.087,90 Celso Luiz Escaquette Empregado docs. fls. 845 a 850 62.348,67 Recorrente O próprio 50.000,00 Outros, não identificados e ilegiveis. 683.357,35 Resta acatada a preliminar de sUJelçao passiva para os valores em que não comprovado o vinculo, confonne planilha na parte em que não procedente o lançamcnto: Beneficiário Vinculação cl recorrente Valor Concremac Concreto LIda. Mesmos sócios docs. fls. 1269 a 1272 48.015,00 MR Paisagismo LIda. Pais dos sócios docs. fls. 511 a 529 1.212.685,00 Roque Furtado Sócio da MR Paisagismo LIda. e pai do 9.002,00 sócio da recorrente - docs. fls. 523 a 526 e 530 a 532 Arbitramento dos Lucros Com relação ao arbitramento dos lucros, entendo que, confonne os fatos descritos, este foi efetuado em razão de terem sido constatadas pela fiscalização diversas movimentações de recursos financeiros em contas de interpostas pessoas, além da falta de contabilização, por parte da empresa, das receitas financeiras obtidas em 1998. Apesar de estar sedimentado que a omissão de receitas, por si só, não toma a contabilidade imprestável, e, portanto, não autoriza o arbitramento do lucro, fato é que se a movimentação mantida à margem da escrituração é significativa se comparada à movimentação financeira escriturada nos livros fiscais, cabivel o arbitramento do lucro. Isto porque, a vasta e significativa movimentação financeira mantida à margem da escrituração deixa desprovida de segurança a escrituração do contribuinte, não só quanto às suas receitas, como também quanto aos seus custos e despesas escriturados. Se assim é, o arbitramento é forma menos onerosa de tributação para estes casos. Existindo previsão legal para o arbitramento do lucro e existindo, também, previsão legal para que se utilize, na dúvida, em relação às circunstâncias materiais do fato, a Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 fonna de tributação mais benéfica ao contribuinte, entendo que andou bem a fiscalização ao arbitrar o lucro. Nem há que se negar que não é possivel aplicar, concomitantemente, a presunção legal de omissão de receitas e o arbitramento do lucro. A presunção legal de omissão de receitas é norma que autoriza o auferimento, por parte da fiscalização, da receita omitida, ao passo que o arbitramento do lucro é forma de com base na receita declara e na receita não declarada, apurar o lucro passivel de tributação. Assim, rejeito neste ponto as alegações da Recorrente. Lançamentos Decorrentes Aplicam-se aos lançamentos decorrentes as mesmas disposições relativas ao lançamento principal, em razão da estreita relação de causa e efeito. Por todo o exposto, voto no sentido de: (i) rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa; (ii) acatar parcialmente a preliminar de decadência até o terceiro trimestre de 1997 para o IRPJ e a CSLL, apenas no que tange aos itens 002, 003 e 004; (iii) manter, a multa qualificada de 150%, para os itens em que aplicada e quando mantido o lançamento principal e, por conseqüência, rejeitada, nesta parte, a preliminar de decadência (itens 00 I e 005); e no mérito, voto por DAR parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo dos tributos em tela, as receitas decorrentes de vínculos não comprovados nos presentes autos, nos termos do voto. Sala das Sessões-DF, em 16 de abril de 2008. Processo n.o 13830.001509/2002-19 Acórdão n.o 108-09.585 Voto Vencedor Conselheira NELSON LÓSSO FILHO, Redator Designado Em que pese o merecido respeito a que fàz jus a ilustre relatora, peço vênia para dela discordar quanto ao reconhecimento da decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar a exigência para as infrações apenadas com multa de ofício de 75% nos três primeiros trimestres do ano-calendário de 1997 e da exelusão do lançamento de valores relativos à omissão de receitas. Do relato verbal apresentado pela Conselheira Relatora, extraio que a matéria que me cabe discutir gira em tomo da re!,'fa de decadência a ser aplicada quando são constatadas num mesmo periodo infrações caracterizadoras de fraude e outras assim não tipificadas c a vinculação de omissão de receitas tendo por base contas bancárias de interpostas pessoas. Quanto à possibilidade de a Fazenda Nacional realizar os lançamentos do IRPJ e da CSL, não posso concordar com os fundamentos apresentados pela Relatora para acolher parcialmente a preliminar dc decadência para os fàtos geradores acontecidos até o terceiro trimestre do ano-calendário de 1997 para os itens 002, 003 e 004 do auto de infração, de que a análise do regime decadencial deve levar em consideração o fàto apurado, podendo coexistir num mesmo periodo as regras contidas nos artigos 150 c 173 do CTN, aplicando a cada fàto apurado de per si, provada a ocorrência de fraude ou não, o termo inicial do prazo de decadência neles indicado. O Fisco constatou a ocorrência de fraude com a aplicação da multa de 150% em todos os periodos autuados no ano-calendário de 1997, como também nos trimestres desse ano detectou infrações com a imposição da multa de 75%. A regra decadencial deve levar em conta o período autuado, no caso os trimestres do ano-calendário de 1997, e não cada infração detectada pelo Fisco, com a observação da existência ou não de fraude, pois a análíse para a determinação do termo inicial da decadência é única, haja vista que a soma de todos os fàtos acontecidos irão ao final do periodo fonnar a base tributável do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, o lucro liquido ajustado, único e indivisível. Segregar para efeito de decadência cada infração é afàstar a ocorrência do fàto gerador e entender que a tributação ocorre sobre cada fato apurado, cada componente do lucro, quando na verdade o que está sujeito à incidêncÍa do IRPJ e da CSL é o lucro. Entender de fonna diversa é transfonnar o seu aspecto temporal, deixando o fàto gerador de ser trimestral ou anual para se tomar diário. A constatação de fraude contamina o lançamento como um todo em relação ao fato gerador apurado, pois a base de cálculo do IRPJ e da CSL é o lucro líquido ajustado de todo o pcriodo em questão e não cada componente do resultado. • I r • Processo n.o 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 Portanto, comprovada a fraude em todos os períodos do ano-calendário de 1997, o regime decadencial a ser seguido deve ser aquele previsto pelo art. 173, I, do CTN. Tem esta E. Câmara assentado o entendimento de que o Imposto de Renda da Pessoa Juridica insere-se entre os tributos cuja modalidade de lançamento é definida pelo CTN no art. 150, vale dizer, lançamento por homologação. o Código Tríbutário Nacional (Lei nO 5.172/66) adotou três modalídades distintas de lançamento dos tributos, que são identificadas, dentre outros fatores, segundo o grau de partícípação do sujeito passivo, a saber: lançamento por declaração (art. 147), lançamento díreto ou de oficio (art. 149), lançamento por homologação (art. 150). Lançamento por declaração é aquele efetuado pela autoridade administrativa com base em infonnações prestadas pelo sujeito passívo ou por terceiros. Lançamento direto ou de oficio é efetuado pela autoridade administrativa quando a declaração retromencionada deixa de ser apresentada, quando contém erros, fàlsidades etc., e noutras circunstâncias referidas no ar!. 149 do CTN. Lançamento por homologação, de confonnidade com o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa". Referida autoridade ao conhecer, a posteriori, a atividade assim exercida pelo sujeito passivo, homologa-a. declaração. Por muitos anos firmou-se, como regra, a modalidade de lançamento por Contudo, já há algum tempo, seja por convel1lencia da administração, por fàcilitar os procedimentos arrecadatórios, pelo ingresso mais célere dos recursos, a quase totalidade dos tributos passou a submeter-se àquele regime de constituição do crédito tributário conhecido como "lançamento por homologação". Destarte, nos tributos cuja exigência assim se opera, ocorrido o fàto jurídico tributário descrito hipoteticamente na Lei, independentemente de manifestação prévia da administração tributária, deve o próprio sujeito passivo detem1inar o quantum debeatur do tributo e providenciar seu pagamento. A autoridade tributária fica com o direito de verificar, a posteriori, a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo em relação a cada fàto gerador, sem que, previamente, qualquer informação lhe tenha sido prestada. A definição do regime de lançamento, ao qual se submete o tributo, é indispensável para detenninar qual a regra relativa à decadência será aplicada em cada caso. Em se tratando de lançamento por declaração, para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência, impõe-se a observância do estatuido no art. 173, I, do CTN, verbis: "O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ler sido efetuado; Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 (Omissis) ., A regra prefalada, relativamente aos tributos lançados por homologação, é afastada, aplicando-se, nesse caso, o disposto no parágrafo 4" do art. 150 do CTN, verbis: "Se a lei não .lixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado e,')'seprazo sem que a filzenda pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e d(dinitivamenfe extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de doloJi"Glule ou simulação . ., Como se percebe, o termo inicial da contagem do qüinqüênio decadencial passa a ser o momento da ocorrência de cada tàto gerador que venha a ensejar o nascimento da obrigação tributária, pois desde esse momento dispõe o sujeito ativo da relação juridica tributária do direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. Em defesa dessa tese, à qual nos alinhamos, trazemos à colação a sempre lúcida lição de PAULO DE BARROS CARVALHO: "Prevê o Código o prazo de cinco anos para que se dê a caducidade do direi/o da fazenda de constitui o crêdito tributário pelo lançamento. Nada obstante, fixa termos iniciais que dilatam por período maior o alta/ido prazo, lima vez que são posteriores ao acontecimento do fato jurídico tributário. O exposto já IIOS permite uma i1lferência: é incorreto mencionar prazo qiiinqüenal de decadência, a 11(;0 ser 110.S' casos em que o lançamento não é da essência do tributo - hipóteses de lançamento por homologação - em que o marco inicial de contagem é a data do filiO jurídico tributário." (Curso de Direito 7hbutário - Saraiva -IO"ediçtio - p. 314). Do mesmo mestre, em reforço da idéia por nós esposada de tratar-se o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de tributo lançado por homologação, pedimos vênia para transcrever: ..... O IPI, o ICMS, o IR (atualmente, nos três regimes -jurídica, física e fonte) são tributos cujo lançamento é/dto por IlOmologação ... ( Op. Citop. 284). Entretanto, ocorrendo fraude, dolo ou simulação, provada pelo Fisco c perfeitamente imputável ao sujeito passivo da obrigação tributária adstrita ao lançamento por homologação, o marco inicial para a contagem da decadência deixa de ser a data do fato gerador para deslocar-se para aquele previsto no art. 173, o primeiro dia do exerCÍcio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim se manifesta a respeito do assunto o mestre Luciano Amaro, em seu livro Direito Tributário Brasileiro, Editora Saraiva, 1997, às fls. 383 e seguintes: ";I Segunda questtio diz respeito à ressalva dos casos de dolo, paude ou simulaçilo, presentes os quais mio há a homologaçiio tácita de que trata o di,'positivo, surgindo a questão de se saber qual seria o prazo dentro do qual o Fisco poderia (demonstrando que houve dolo, paude ou simulaçiio) recusar a homologação e efetuar o lançamento de oficio. Em e:';ludoanterior, concluímos que a solução é aplicar a regra geral do art. 173, I. Es.,:;asolução nclo é boa, mas continuamos niio vendo '." I. Processo n.' 13830.001509/2002-19 Acórdão n.' 108-09.585 outra, de lege lata. A possibilidade de o lançamento poder ser feito a qualquer tempo é repelida pela inte/pretação sistemática do Cádigo Tributário Nacional (arts. 156, V, /73, 174 e 195, parágrafo lÍnico). Tomar de empréstimo prazo de direito privado também não é soluçiio feliz, pois a aplicaçcio supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dentro do próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro do Código. Aplicar o prazo geral (cinco anos, do art. /73) contado após a descoberta da prática dolosa, Faudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, por protrair indefinidamente o inicio do lapso temporal. Assim, resta aplicar o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito. Nlel/wr seria nclose ter criado a ressalva. (Omissis). A norma do art. 173, 1, manda contar o prazo decadencial a partir do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ora, o exercicio em que o lançamento pode ser efetuado é o ano em que se inaugura, em que se instaura a possibilidade de o Fisco lançar, e lUlO o ano em que termina essa possibilidade. Supondo, por exemplo, que ofato gerador ocorreu em 10 de junho de 1995, e a lei dá ao sujeito passivo trinta dias para efetllar a "anteClj)(lçào" do pagamento, se, até 30 de julho de 1995, o recolhimento mio tiver sido feito, ou tiver-se realizado com insl!ficiência, graças a artUício do devedor (dolo, fraude ou simulação), o Fisco poderia ter lançado de o./icio já no dia 31 de julho de 1995. Ou seja, o exercício em que o lançame11lo poderia ter sido efetuado é o exercício de 1995 . Portanto, segundo a regra do art. 173, 1, o prazo se contaria a partir de 1" de janeiro de 1996. (Omissi.\) Em suma: a) se, nesse exemplo, tiver havido antecipaçào de pagamento (e não se constatando dolo, Faude ou simulação), o prazo decadencial (dentro do qual cabe ao Fisco homologar expressamente o pagamento, ou, se discordar do valor recolhido, lançar de oficio) co11la-se da data do./ilto gerador (10-06-1995), nos termos do art. 150, ,f 4"; b) se não ocorreu o pagamento, não se aplica nem o caplt! nem os parágrafos do art. 150, mas sim o art. 173, 1, iniciando-se o prazo decadencial para o lançame11l0 de o./icio a partir de 1" de janeiro de 1996, mio se discriminando situaçàes de dolo, Faude ou simulação, pelo simples motivo de que o art. /73 não contempla essas discriminaçàes; c) finalmente, se o pagamento foi efetuado a menor, masfor constatada a existência de dolo, fraude ou sinlulaçcio, não ocorre (l homologação ficta, nos moldes do art. 150, f 4", e o caso vai para a regra geral do art. 173, 1, contando-se o prazo para lançamento de oficio, também aí, de 1" de janeiro de 1996. " Os mesmos fundamentos são aplicáveis à Contribuição Social sobre o Lucro. Pelo exposto, tenho como não ocorrida a decadência das exigências relativas ao IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro nos três primeiros trimestres do ano-calendário de 1997, pois o marco inicial para sua contagem aconteceu em 01/01/1998 e a ciência das exigências pela contribuinte em 09 de dezembro de 2002, menos de cinco anos, portanto. i • ••••.. Processo n.o 13830.001509/2002-19 Acórdão n.o 108-09.585 No que conceme à vinculação à empresa Construtora Menin LIda. da omissão de receitas caracterizada por depósito bancários cuja origem não foi justificada, é incontroverso que existiu movimentação financeira em contas bancárias em nome de interpostas pessoas. Existe inequívoca vinculação entre a recorrente, Construtora Menin LIda., e as contas de titularidade de interpostas pessoas, senhores Edson Aparecido de Paula e Silva c Valter Nilson da Silva, seja por meÍo de beneficio direto, saques e pagamentos a seu favor, ou por movimentação financeira capitaneada por funcionários da construtora, Sr' Meire Imaculada Conceição Guillen e cinco outros empregados, destinação de recursos a pessoas fisicas c jurídicas relacionadas à autuada e empresa sem existência de fàto, constituída em nome de parentes de sócios da recorrente, MR Paisagismo S/C LIda. Esse conjunto probatório constante dos autos veio a ser confimlado pelo resultado das duas diligências propostas por esta Câmara, principalmente a última, que em seu relatório de fls. 144011442 infonna que a SI" Meire Imaculada Conceição Guillen participou ativamente da movimentação das contas bancárias questionadas, como solicitante de saque em espécie, transferência entre contas, emissão de cheque administrativo e regularização de depósito feito indevidamente em outra conta e outras evidencias como seu nome constar em observação na ficha de autógrafos do banco, c que ela fora empregada da recorrente no período de O1/08/95 a 16/09/97 c mesmo após esse período atuou junto à direção da empresa ao constar como testemunha nas alterações do contrato social nos anos de 1997, 1999 e 2000, além de receber na sede da contribuinte o Tenno de Intimação lavrado pela fiscalização em 08110/2001. A planilha de fls. 1441 e 1442, produzida na diligência fiscal, demonstra que pagamentos com base em recursos provenientes das contas bancárias questionadas foram realizados em favor de empregados da autuada: Celso Luiz Escaquete, Doraci Regazolli F. do Nascimento, Flaviano marcos Diomedes, Marcus Vinicius da Silva, Maria Aparecida Gomes de Brito e Meire hnaculada Conceição Guillen num total de R$ 326.695,46, além de pagamentos à: Concremac Concreto LIda, que tem como sócios os mesmos da autuada, MR Paisagismo LIda, empresa que não opera de fàto e cujos sócios são pais dos sócios da recorrente e Roque Furtado, sócio da MR Paisagismo e pai de um dos sócios da Construtora Menin LIda., no montante de R$ 1.269.702,00, além de outras ali relacionadas. Ficou, portanto, demonstrado nos autos que a movimentação financeira nas contas bancárias em nome de interpostas pessoas teve por objetivo beneficiar diretamente a empresa Construtora Menin LIda., ou indiretamente por meio de pessoas fisieas ou jurídicas ligadas a seus sócios. Pelos fundamentos expostos, divirjo da ilustre Relatora quanto ao reconhecimento da decadência do direito de a Fazenda Nacional efetivar os lançamentos do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, entendendo não estar esgotado o prazo para a exigência desses tributos e da vinculação parcial da omissão de receitas à empresa autuada, e voto por ncgar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões-DF, em 16 de abril de 2008. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024

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Numero do processo: 10980.007704/98-30
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 201-00.255
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Gilçberto Cassuli

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DRJ em Curitiba - PR RESOLUÇÃO N° 201-00.255 .Vistos, relatados e discutidos os' presentes autos de recurso interposto por: GABARDO & TOSIN LTDA. ' RESOLVEMos Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgàmento do recurso em diligência,. nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2002 '~ J1ç~C\I 'M,aJv~:. fo-s~iavMaria Coelho Marques ,O Presidente Ia%vrs 1 ' .~. bJ 10980.007704/98-30 113.890 1 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Co?tribuintes Processo n.o Recurso n. o :' Recorrente GABARDO & TOSIN LTDA. RELATÓRIO ) I I I l j I ~. A contribuinte foi autuada em 09/06/98 (notificado em 12/06/98), conforme Auto de Infração. de fls. 120/124 e anexos, por ~'FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL", referente aos .períodos de 06/90, e 12/90 a 09/95; e por "MULTA EXIGIDA'ISOLADAMENTE", referente ao período de 06/97 a 03/98. Foi lançado o vaJor do crédito apurad'9 de R$213.397,57, refer~nte à contribuição devida, juros de mor.a, multa proporcional 'emulta isolada. No Termo de Verific~ção Fiscal, fls. 02/04, está consignado tratar-se de "compensação realizada a,maior pela 'Gabardo', com base no pressuposto de que a base de cálculo do PIS de um mês era ofaturamento de'seis meses atrás . . e queportanto teria direito'à compensaçãi/de toda indexação contida nos recolhimentos desde março de 1990". Com relação à falta de recolhimento dos valores declarados em DCTF, ter o, contribuinte, embora declarado em DCTF, não recolhido "a Contribuição desde junho de 1997, 'por conta das compensaç.ões indevidas descritas no item I, sujeitando-se à multa isolada prevista no artigo 44, ~ ]O inciso V da Lei 9430/96. ". 'Observa que o, contribuinte ingressou com. açãojudicial, havendo, às fls. 94/99, cópia da sentença proferida nos-autos da Ação 'Ordinária n° 96.0013403-0, julgando procedente a ação, deferindo o pedido de c<?mpensação, nos moldes como autorizado pelo art. 66 da Leis nO8:383/91, com débitos de PIS. Inconforinada, a empresa apresentou sua impugnação, fls. 127/132, aduzindo que efetivamente "procedeu a compensação dos valores recolhidos a maior a ,título de PIS com os valores devidos do próprio PIS". Alega possuir o direito à diferença entre o que pagou com base dos decretos leis declarados inconstitucionais e o estabelecido na LC nO7170, e fundamenta seu direito à compens!ição. Resolveu, então, a Delegacia da Receita Federal de Jlllgamento de Curitiba - PR, às fls. 1371i49, julgar procedente; em parte, b là.nçam~nto, conforme a em~nt'a: . 'iCOMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS ' Não prospera a alegação de haverem sido compensados os débitos lançados no auto de infração com crédito advindos de interpretação equivocada da legislação do PIS.' . PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. 2J.., J:lormas legais supervenientes alteraram o prazo de rec()lhimellto da, contribuição ao pjs previsto originariamente em seis meses pelo art. 6° d.aLei Complementar nO7/1970. ~.L . ' '. .MULTA ISOLADA. VALORESCONFESSADOSEM DCTF. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE". l::-J2QCC-MF.. :FI. , .. - . JULGAMENTO ADMINISTRATIVO COMPETENCIA. 10980.007704/98-30 . 113.890 . ' É o relatório. ~ A confissão de dívida mediante "Saldo a Pagar Df!clarado~'em Declarações de Tributos e Contribuições federàis .(DCTF) não possibilita exigência da .. multa de ofício isolada,prevista pela falta de recolhimento de valor lançado. Compete à autoridade administrativa. de julgamento' a análise .da conformidade da atividade de lançamentp com as normas vigentes, não .podendo decidir, em âmbito adininisirativo,' pela ilegalidade ou inconstitucionalidade de.leis ou atos normativos. Ministério da Fazenda Segund6 C9nselho de Contrilmintes Processo 0.0 Recurso 0.0 Em recurso voluntário, acompanhado de depósito recursal, às fls; 155/164, a recorrente manifesta sua inconformidade com a decisão' atacada, apresentando suas razões sob os furidamentos já traZidos,' alegando, ainda, que "a presente éxigência fiscal encontra-se fulminadapela decadência" . Decidiu "cancelar, O lançamento, por incabível, da exigência de multa de . ofício isolada sobre os valores confessados em DCTF", determinando; entretanto, o prosseguimento na cobrançá do PIS, da;multa de oficio, .e dos encargos legais. . ; I . " I . ~ gl. \ \ '. 3.. ' " Miriistério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes ~"',, Ld Processo n. o Recurso n.o 10980.007704/98-30 113.890 VOT,O DO CONSELHEIRO-RELATOR GILBERTO CASSUÜ J J . O recurso voluntário é tempestivo. O. estabelecido no ~. 20 do art. 33 do Decreto nO70.235/72, com a redação dada pela MP nO1.621/97, atualmente MP nO2.176-79, de 23 de agosto de 2001 (ainda em vigor por força do art. 2° da Emenda Constitucional n° 32, de 11/0912001), referente ao depósito de, no mínimo, 30% da exigência fiscal definida nà decisão, foi cumprido. Assim, conheço.do recurso.. ", . A empresa contribuinte, ora recorrente, foi autuada pelo recolhimento a menor do PIS, no período de. 06/90, e 12/90 a 09/95; foram ainda lançados ,valores de multa de oficio isolada, o que restou cancelado, com acerto, pela decisão da 'DRJ. O Auto Qe Infração fpi atacado, sendo aduzido mat~ria preliminar - de~adência - e de mérito T direito à compensação e , base de cálculo da contribuição. , . A contribuinte ingressou com ação judicial, a Ação Ordinária nO96.0013403-0, que foi julgada procedepte. Não há, porém, nestes autos, notícia de decisão transitada em julgado Qa ação judicial interposta pela contribuinte. É necessário que se' tenha notícia do julgamento definitivo da referida aç~o judicial. . " E~ respeito ao princípio da segurança jurídica e da unicidade da jurisdição, porque sempré pr.evalecerá a decisão judicial sobre a administrativa, deve-se ter conhecimento da decisão da referida ~ção jl.idiêial interposta pelo co~tribuinte. O lançamento fica recebido para fins de prevenir á decadência. ~ Assim, pelo exposto, e por tudo ~ais que dos autos constá, voto pela BAIXA EM DILIGENCIA dos autos, ttido nos termos da ,fundamentação. É como voto.' . Sala das sessões, em 19 de fevereiro de 2002 I GIL I~, , 4 00000001 00000002 00000003 00000004

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Numero do processo: 10860.001706/2001-10
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 20/01/1993 a 31/12/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF. SÚMULA No. 91 - CARF - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 3201-004.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão apreciada no voto, analise o direito com relação aos demais períodos de apuração. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1529; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 368          1 367  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10860.001706/2001­10  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­004.714  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de janeiro de 2019  Matéria  COFINS  Recorrente  ALTERNATIVA PROMOÇÕES DE VENDAS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 20/01/1993 a 31/12/1998  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  DE  PIS.  PRESCRIÇÃO.  10  ANOS  (5+5).  LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF.   O  pedido  de  restituição  (PER)  de  tributo  por  homologação,  que  tenha  sido  pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05,  o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF.  SÚMULA  No.  91  ­  CARF  ­  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a  lançamento  por  homologação,  aplica­se  o  prazo  prescricional  de  10  (dez)  anos, contado do fato gerador.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário,  para  que  a  unidade  preparadora,  ultrapassada  a  questão apreciada no voto, analise o direito com relação aos demais períodos de apuração.  CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente  (assinado digiltamente)   LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator  (assinado digiltamente)       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 17 06 /2 00 1- 10 Fl. 367DF CARF MF     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz  Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)    Relatório  Trata­se  de  pedido  de  Restituição  de  COFINS  pago  indevidamente  protocolado anteriormente 09/06/05, que assim foi relatado pela DRJ:  (...)  Trata­se  de  Pedido  de  Restituição  da  Contribuição  para  Financiamento da Seguridade Social­COFINS , fl. O1, no valor  de  R$  32.841,42,  protocolado  em  20/04/2001.  O  pedido  é  fundamentado no Art. 11, parágrafo único da Lei Complementar  n° 70, de 1991, art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991,  art. 22 § 1° do Ato Declaratório Normativo Cosit 23, de 1993, e  Parecer  Normativo  Cosit  n°  01,  de  1993.  Os  documentos  de  arrecadação estão juntados às fls. 101/128.  Examinando  o  pleito,  a  autoridade  jurisdicionante  intimou  o  sujeito  passivo  a  comprovar  que  as  receitas  aufizridas,  nos  periodos de apuração para os quais se pleiteía a restituição da  Cofins,  tenham  sido  provenientes  da  atividade­fim  da  empresa,  conforme  contrato  social  e  alterações  juntados  aos  autos.  Solicitou ainda a comprovação da regularidade de sua inscrição  junto ao órgão fiscalizador de suas atividades.  No  documento  de  fls.  226/227  a  interessada  afirma  juntar  declaração  da  receita  auferida  e  autorização  para  funcionamento  emitida  pela  Superintendência  de  Seguros  Privados  do Ministério  da  Fazenda.  Segundo  a  declaração,  fl.  228,  as  receitas  são  provenientes  de  serviços  de  corretagem  recebidas  exclusivamente  da  Sul  América  Cia  Nacional  De  Seguros.  A  autoridade  jurisdicionante,  por meio  do Despacho Decisório  de fls.  233/235, indeferiu 0 pedido, com os seguintes fundamentos:  a) prescrição do direito de pleitear a restituição dos pagamentos  realizados  até  a  data  de  20/04/1996,  nos  termos  do  Ato  Declaratório  Normativo  SRF  n°  96,  de  1999,  e  da  Lei  Complementar n° 118, de 2005;  b)  falta  de  comprovação das  condições  de  gozo  da  isenção  em  função de atividade diferenciada.  Cientificada  em  15/01/2009,  a  interessada  apresentou  em  16/02/2009,  Manifestação  de  Inconformidade,  fls.  238/244,  alegando, em síntese, que:  Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10860.001706/2001­10  Acórdão n.º 3201­004.714  S3­C2T1  Fl. 369          3 a) erro na aplicação do instituto da prescrição, pois a mesmo é  aplicada quando a Fazenda Pública deixa de exercer o direito de  cobrança,  no  contexto  do  art.  1  74  do  Código  Tributário  Nacional;  b)  Para  comprovar  que  o  faturamento  é  da  atividade  de  profissão  regulamentada,  além  dos  documentos  constantes  dos  autos, juntamos à presente os seguintes documentos:  a)  ­  Cópia  da  Inscrição  de  corretor  de  seguros  de  vida  e  capitalização  sob  n"  15.613  da  Superintendência  de  Seguros  Privados ­ SUSEP, datado de 29.05.1992;  b)  ­  Diversos  extratos  de  comissões  e  demonstrativo  de  pagamento efetuado pela Sul América Seguros relativos aos ano­ calendário 1996 e 1997;  c)  ­  Cópias  dos  (informes  de  rendimentos)  Comprovantes  de  Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte  do  ano­calendário  1993  a  1998,  emitidos  pelas  empresas  fonte  pagadora (..);  d)  Cópia  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  referente  ao  anocalendário 1993 a 1996, onde consta o nome da empresa Sul  América como principal fonte pagadora.  Pelos  documentos  anexados  à  presente,  o  D  Julgador  de  primeira  Instância  terá  suporte  e  elementos  suficientes  para  o  convencimento da alegação de que a  requerente e' Empresa de  Sociedade Civil de Profissão Regulamentada em todo o periodo  referente  ao  Pedido  de  Restituição  e  que  seu  faturamento  é  exclusivo de seguradora.  Seguindo a marcha processual normal, a DRJ julgou parcialmente o pleito:  SOCIAL  ­  COFINS  Período  de  apuração:  20/01/1993  a  31/12/1998  RESTITUIÇÃO  DE  INDÉBITO.  EXTINÇÃO  DO  DIREITO. ­ O direito de O contribuinte pleitear a restituição de  tributo ou contribuição pago  indevidamente extingue­se após O  transcurso  do  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  data  do  pagamento,  inclusive  nos  casos  de  tributos  sujeito  à  homologação ou de declaração de inconstitucionalidade.  SOCIEDADES CORRETORAS. COFINS. RESTITUIÇÃO.  As sociedades corretoras não são contribuintes da Contribuição  para Financiamento da Seguridade Social. Demonstrada ser esta  a natureza das atividades desenvolvidas pela requerente, faz esta  jus à repetição dos valores que recolheu indevidamente.  Manifestação  de  Inconformidade  Procedente  em  Parte  Direito  Creditório Reconhecido em Parte  Posteriormente  o  Contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  requerendo  em suma que seja  aplicado o prazo prescricional/decadencial  de 10  (dez) anos do pedido de  restituição, diante do fato que seu pleito é anterior a data da entrada em vigor da LC 118/05.  Fl. 369DF CARF MF     4 É o relatório.  Voto             Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR  O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido.  Inicialmente, compreendeu a DRF e a DRJ compreenderam que a prescrição  para pleitear o PER era de 05 (cinco) anos do pagamento, e não da homologação tácita, que tal  fundamentação estaria disposto no art. 3º. da LC 118/05.  Contudo, sem mais digressões, é de notório conhecimento que a LC 118/05,  inovou em razão da contagem da prescrição, existindo grande debate sobre o termo inicial da  aplicação do prazo quinquenal da prescrição ao invés do decimal. Contudo, o assunto encontra­ se sumulado com efeito vinculante por este CARF, vejamos:    Súmula CARF nº 91  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente  antes de 9 de  junho de 2005, no  caso de  tributo  sujeito a  lançamento  por  homologação,  aplica­se  o  prazo  prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.   De tal sorte, deve­se afastar a prescrição do presente caso, uma vez, que não  decorreu  o  período  de  10  (dez)  anos  do  lançamento,  e  o  pleito  sendo  anterior  a  09/06/05,  ressalta­se  que  nos  termos  do  Art.  75,  §  2º,  Anexo  II,  do  RICARF,  a  mencionada  súmula  encontra­se com efeito vinculante.  Diante disso, deve prosperar o pleito do Contribuinte de poder questionar o  direito ao crédito no prazo de 10 (dez) anos.  Concluo, o voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso  Voluntário,  afastando  o  prazo  decadência,  ,  para  que  a  unidade  preparadora,  ultrapassada  a  questão apreciada no voto, analise o direito com relação aos demais períodos de apuração.  LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator  (assinado digitalmente)                                Fl. 370DF CARF MF

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6934005 #
Numero do processo: 10835.001991/2004-11
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003 OPÇÃO. ATIVIDADE PERMITIDA. Permitida a opção pelo Simples pela pessoa jurídica que exerça, ainda que parcialmente, atividade de transporte interestadual ou intermunicipal. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes

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Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003 OPÇÃO. ATIVIDADE PERMITIDA. Permitida a opção pelo Simples pela pessoa jurídica que exerça, ainda que parcialmente, atividade de transporte interestadual ou intermunicipal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. j ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente (C),.., ,...../(4.y-..e..-3-\.,, ,O- pARwN FERREIRA SARAIVA - Relatora EDITADO EM: 12 AG() 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, André Almeida Blanco e Ana de Barros Femandes. 1 Relatório Na Representação Fiscal apresentada pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS à Secretaria da Receita Federal – SRF, fls. 01/03, está registrado: A empresa inicialmente constituída como Agência de Viagens e atualmente como Agências de Viagens e Turismo, inclusive Transporte Turístico de Superfície, Fretamento Contínuo e a Distribuição, Compra e Venda de Passaportes de Parque de Diversões e Ingressos em Geral, está prestando serviço de transporte de liencionários, caracterizando assim Cessão de Mão de Obra, conforme cópias dos Contratos de Prestação de Serviço e cópias de algumas Notas Fiscais de Prestação de Serviços, .juntadas à presente Representação. Analisando os Contratos de Prestação de Serviços, em que a Recorrente está identificada corno Contratada, fls. 17/24, está registrado: Cláusula 1 — A CONTRATADA se obriga a transportar em regime Ièchado, utilizando 03 (três) ônibus de sua propriedade, os funcionários da CONTRATANTE com destino final à sua Fábrica localizada na Rodovia Raposo Tavares (SP 270). Km 555,5 município de Regente Feijó-SP, conforme a necessidade ora apresentada de _fluxo de funcionários fixos, temporários, prestadores de serviço autônomo, prestadores de serviço terceirizados e estagiários nos diversos horários de expediente, perfazendo os itinerários e _freqüência de ida e volta [ . ] Também foram anexadas aos autos Notas Fiscais de Prestação de Serviços, fls. 29/38, onde está discriminado o serviço de transporte intermunicipal de funcionários. Por estas razões, a Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/PPE/SP n° 28, de 13 de setembro de 2006, fl. 53, com efeitos a partir de 01/02/2002, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: [. .] por desenvolver atividade de Locação de Mão de Obra, que se enquadra nas vedações previstas no art. 9", Inciso X11, "f" da Lei n" 9. 317/96 Cientificada em 25/09/2006, fl.. 60, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 23/10/2006, fls. 61/66. Defende que presta serviço de transporte rodoviários de passageiros com veículos próprios, o que não caracteriza locação de mão-de- obra. Indica a jurisprudência em seu favor. . Está registrado como resultado do Acórdão da 1" TURMA/DRI/RIBERÃO PRETO/SP n° 14-16,360, de 16/10/2007, fls., 110/115: "Solicitação Indqferida", Restou esclarecido que a Recorrente exerce atividades de locação de mão-de-obra, porque não logrou comprovar o exercício de oficio diverso. Por esta razão não pode optar pelo Simples.. Notificada em 21/08/2007, fl. 117, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 118/127, em 17/09/2007, esclarecendo a peça atende aos pressupostos deCV 2 Processo ri' 10835.0019912004-11 Si-TE01 Acórdão n." 1801-00.206 Fl 133 admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Argumenta que não se pode inferir que a prestação de serviços de transporte interrnunicipal de passageiros com a utilização de veículos próprios seja locação de mão-de-obra. Fundamenta sua pretensão no Ato Declaratório Interpretativo SRF n" 5, de 4 de maio de 2007, que expressamente permite a atividade por ela exercida. Acrescenta que o ato administrativo é nulo. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos, interpreta a legislação que rege a questão litigiosa e cita jurisprudência administrativa. Em face do exposto requer o deferimento de sua solicitação.. É o Relatório. 3 • Voto Conselheira CARMEN FERREIRA SARAIVA O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A defesa alega que o ato administrativo é nulo, O Ato Declaratório Executivo DRF/PPE n" 28, de 13 de setembro de 2006, fl. 53, foi lavrado por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal,. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Além disso, foram asseguradas à Recorrente, as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 50 da Constituição da República e art. 59 do Decreto if 70.215, de 1972). Logo, não lhe cabe razão, A Recorrente discorda do procedimento de oficio. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às mieroempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas, A Lei n" 9..317, de 1996, fixa: Art. 9" Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: r XII - que realize operações relativas a • r f) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mão-de-obra; A hipótese de indeferimento da opção da requerente pelo Simples com efeito desde 01/02/2002 fundamentada na prestação de serviço de locação de mão-de-obra, pressupõe a obtenção de receita proveniente da atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica., A Instrução Normativa SRF n°34, de 30 de março de 2001, prevê: Ar!. 62 O Simples poderá incluir o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal (ICMS) ou o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) devido por microempresa ou empresa de pequeno porte, ou por ambas 4 Processo n" 10835.001991/2004-11 S1-TE01 Acórdão n." 1801-00206 Fl 1.34 desde que a unidade federada ou o município em que esteja estabelecida venha a ele aderir mediante convénio 22 Não poderá pagar o ICMS, na forma do Simples, ainda que a unidade federada onde esteja estabelecido seja conveniáda, a pessoa jurídica.: 11 - que exerça, ainda que parcialmente, atividade de transporte interestadual ou intermunicipal ,§ 32 A restrição constante do parágrafo anterior não impede a opção pelo Simples em relação aos impostos e contribuições da União. Este mesmo entendimento consta no art. 6" da Instrução Normativa SRF n" 250, de 26 de novembro de 2002, no art, 6' da Instrução Normativa SRF n" 355, de 29 de agosto de 200.3 e no art. 6' da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006. Por seu turno, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 5, de 4 de maio de 2007, interpreta a questão nos seguintes termos: Artigo único. Pode optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei n" 9.317, de .5 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica que explore contrato de locação de veículos, independe.ntemente do fárnecimento concomitante de mão-de-obra de motorista, desde que não se enquadre em qualquer das demais vedações legais a tal opção, Assim, cabe razão à Recorrente, porque é permitida a opção pelo Simples pela pessoa jurídica que exerça, ainda que parcialmente, atividade de transporte interestadual ou intermunicipal, • Em face do exposto voto, em preliminar, rejeitar a nulidade, e, no mérito, dai- provimento ao recurso voluntário. CgA-r-A-À1-9 ak..) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora 5

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Numero do processo: 18471.000897/2006-94
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 31/07/2004 LANÇAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, ainda que o contribuinte tenha proposto ação judicial. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. TRIBUTAÇÃO. As variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, integram, como tal, a base de cálculo da Cofins, aplicando-se o mesmo regime adotado da apuração do IRPJ e da CSLL - caixa ou competência. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80.818
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator) e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento no regime cumulativo, e Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Antônio Ricardo Accioly Campos, que davam provimento no regime da não-cumulatividade a partir de 12/2002). Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente, Dr. Marcus Vinícius Souza Mamede, OAB/DF 16615.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça

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AÇÃO JUDICIAL. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, ainda que o contribuinte tenha proposto ação judicial. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. TRIBUTAÇÃO. As variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, integram, como tal, a base de cálculo da Cofins, aplicando-se o mesmo regime adotado da apuração do IRPJ e da CSLL - caixa ou competência. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator) e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento no regime cumulativo, e Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Antônio Ricardo Accioly Campos, que davam tip çik MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• Processo n.• 18471.000897/2006-94 CONFERE COM O 012GINAL CCOVCO 1 Acórdão rt.• 201-80.818 Fls. 379 Brasília, - ssio árt. 45 3 provimento no regime da não-cumulativttc-(a paitiraàéliffniuu2). uesignado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente, Dr. Marcus Vinícius Souza Mamede, OAB/DF 16615. 4 e. jkleviku JA(30(yr t o SE A MARIA COELHO MARQUES Presidente WALBE 0SáVA Relator- signado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maurício Taveira e Silva e José Antonio Francisco. Processo n.° 18471.000897/2006-94 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 • Acórdão n.• 201-80.818 CONFERE COM O OR:GINAL Fls. 380 Brasília. 09 rbosa Mat : Slape 91745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 343/371, vol. II) contra o Acórdão DRJ/RJOII n2 13-15.256, exarado em 27/02/2007 (fls. 331/339, vol. II) pela 5'1 Turma da DRJ no Rio de Janeiro - RS, que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar procedente o lançamento original de Cotins (MPF n2 0719000/01022/05, fls. 39/45, vol. I), notificado em 31/08/2006 (fl. 43, vol. I), no valor total de R$ 59.297.865,78 (Cofins: R$ 38.568.580,07; juros: R$ 20.729.285,71), que acusou a ora recorrente de falta de recolhimento de Cofins/Faturamento e Cofins/Receita não cumulativa nos períodos de 28/02/2002 a 30/11/2002 e 31/12/2002 a 31/07/2004, em razão de diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado pela exclusão da base de cálculo da contribuição de receitas contabilizadas Em razão dos fatos relatados, a d. Fiscalização considerou infringidos os arts. 12 da LC n2 70/91; 22, 32 e 82, da Lei n2 9.718/98, na redação das MPs n2s 1.807/99 e 1.858/99; 1 2, 32 e 42, da Lei n2 10.637/2002; 22, inciso I, alínea "a", parágrafo único, 32, 10, 26 e 51, do Decreto n2 4.524/2002, devidos juros à taxa Selic nos termos do art. 61, § 3 2, da Lei n2 9.430/96. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. Decisão de fls. 331/339 (vol. II) da 52 Turma da DRJ no Rio de Janeiro - RJ houve por bem julgar procedente o lançamento original de Cofins, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: "ASSUNTO: Contriuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins Período de apuração- 01/02/2002 a 31/07/2004 Concomitância de Processos Havendo concomitância de processos - administrativo e judicial - é cabível a aplicação do princípio da unicidade de jurisdição, conforme disposto no inciso ..30017 do art. 5° da CE, concretizado pelo ADN Cosit n° 03/96, em relação às questões submetidas à apreciação de ambas esferas. Regime de Competência Adotado o regime de competência quanto às receitas resultantes de variação cambial, estas devem compor a base de cálculo do PIS e da Cotins na medida em que são auferidas, não importando a época da efetiva liquidação do contrato. Lançamento Procedente". Em suas razões de recurso voluntário (fls. 343/371, vol. II) a ora recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1 2 instância na parte em que a manteve, tendo em vista: a) preliminarmente, a nulidade da r. decisão por omissão, vez que não teria ocorrido a alegada concomitância, em face da ausência de identidade entre as ações judicial e fiscal; b) inocorrência do fato gerador da contribuição e do conceito de receita tributável e exclusão da base de cálculo de meras variações cambiais antes da liquidação dos contratos‘ .c0 1(‘Ii"L • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 18471.000897/2006-94 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.818 Brasiba, n Fls. 381 Una SS-T, grbosa Mat.: Sapo 91745 externos; e c) a regularidade do regime de caixa para os efeitos de apuração da base de cálculo5 1, da Cofins. É o Relatório. áfi iw Processo n.• 18471.000897/2006-94 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 Acórdão o.' 201-80.818 CONFE RE COM O entIN41 Fls. 382 4dBrasIk .1a, / (2 i 2908 • Sstá ara Mat. Stape 91745 Voto Vencido Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso voluntário (fls. 343/371, vol. II) reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece provimento. Inicialmente, verifica-se que a mera existência de sentença concedendo a segurança para assegurar a compensação antes da autuação já impede o reexame da mesma matéria de mérito objeto do recurso administrativo, que sequer poderia ser reapreciada na instância administrativa, seja porque, de acordo com a lei processual, "nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide" (art. 471 do CPC), sendo "defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas" (art. 473 do CPC), seja ainda porque, havendo concomitância de discussão, esta Colenda Câmara tem reiteradamente proclamado que "a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição" (cf. Acórdão n2 201- 77.493, Recurso n2 122.188, da 1 .1 Câmara do 22 CC em sessão de 17/02/2004, rel. Antonio Mario de Abreu Pinto; cf. também Acórdão n2 201-77.519, Recurso n2 122.642, em sessão de 16/03/2004, rel. Gustavo Vieira de Melo Monteiro). Nesse sentido a jurisprudência dominante do 1 2 CC cristalizada na Súmula n2 1, recentemente aprovada, que expressamente dispõe: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. " (cf. DOU-1 de 26/06/2006, p. 26, e RDDT, vol. 132/239). Note-se que, nem mesmo a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário poderia obstar o lançamento tributário, pois, como já assentou a jurisprudência uniforme do Egrégio STJ, "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar" (cf. Acórdão da 1! Seção do STJ nos Emb. de Divergência no REsp n2 572.603-PR, Reg. n2 2004/0121793-3, em sessão de 08/06/2005, rel. Min. Castro Meira, publ. in DJU de 05/09/2005, p. 199, e in RDDT, vol. 123, p. 239), eis que "o prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judiciar (cf. Acórdão da 2-1 Turma do STJ no REsp n2 119.986-SP, Reg. n2 1997/0011016-8, em sessão de 15/02/2001, rel. Min. Eliana Calmon, publ. in DJU de 09/04/2001, p. 337, e in RSTJ, vol. 147, p. 154), sendo certo que a procedência ou improcedência do débito principal objeto do lançamento já se encontra adredemente vinculada à sorte da decisão final do processo judicial. Entretanto, não há concomitância ou óbice no exame de certas matérias objeto da impugnação ou recurso administrativo que, sendo meras conseqüências do processo judicial \Áe, prendendo-se a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa (ex-vi dos arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN) - como é o caso da exigibilidade do crédito itii iSseu- MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO uR.;0:NAL Processo n.• 18471.000897/2006-94 CCO2/C01 Acórdão n.• 201-80.818 Brunia, F1s. 383 SIN 6.atbosa Ma: Sina 91745 tributário constituído através do lançamento e dos consectários lógicos do seu inadimplemento (multa e acréscimos moratórios) -, não forem objeto da sentença. Da mesma forma não há concomitância quando não coincidentes os objetos dos processos judicial e administrativo ou quando o objeto do processo administrativo for mais abrangente que o judicial, tal como já reconheceram as jurisprudências administrativa e judicial e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: "TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI N° 6.830/80. I. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei n° 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: 'O parágrafo em questão tem como pressuposto o principio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo judiciário e que apenas a decisão deste é que se toma definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial'. (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 349). 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatária do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência. 4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus - tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) - com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior (pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato). 5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjuga- se ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicionat 6. Mutatis mutandis, mencionada exclusão não pode ser tomada com foros absolutos, porquanto, a contrario sensu, torna-se possível demandas paralelas quando o objeto da instância administrativa for mais amplo que a judicial. 7. Outrossim, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinta sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não estará solucionado a relação do direito material. • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIG/NAL Processo n.• 18471.000897/2006-94CCO2/C01 - Acórdão n.• 201-80.818 Brasília, _AL ,....:S ta7CIe Fls. 384 S'olarbon Mal. StaPe 91745 8. Recurso Especial provido, divergindo do ministro relator." (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STJ no REsp n2 840.556-AM; Reg. n2 2006/0085196-9, em sessão de 26/09/2006, rel. Min. Francisco Falcão, Rei p/Ac Min. Luiz Fux, publ. in DJU de 20/11/2006, p. 286) "IR? Aplicações financeiras de renda fixa Instituições de Previdência Privada Pessoas jurídicas imunes opção pela via judicial as questões postas ao conhecimento do judiciário implica a impossibilidade de discutir o mesmo mérito na instância administrativa, (...), posto que a decisão daquele Poder detém, no sistema jurídico pátrio, o poder jurisdicional, ou seja, somente ao Poder Judiciário é outorgado o poder de examinar as questões a ele submetido de forma definitiva, com efeito, de coisa julgada. Todavia, sendo a autuação posterior à demanda judicial, nada obsta que se conheça o recurso quanto à legalidade no lançamento em si, que não o mérito litigado no judiciário. (...)." (Acórdão unânime da 42 Câmara do 1 2 CC n2 104- 18.397, rel. Conselheiro Nelson Mallmann, j 17/10/2001, DOU 1 de 07/01/2002, p. 61, ementa oficial, publ. in REOB-1 Trib., Const. e Adm. n2 02/2001, E-1-16839) Exatamente este é o caso dos autos, onde se verifica que o Mandado de Segurança (fls. 134/160, vol. 1) invocado pela r. decisão recorrida versa sobre restituição e compensação de importâncias recolhidas indevidamente em razão da base de cálculo prevista na Lei n2 9.718/98, sem ter qualquer relação direta com a presente autuação. Superada a questão da concomitância, passo ao exame do mérito, que envolve a base de cálculo da Cofins, tanto no período de vigência da Lei n2 9.718/98 como no período de vigência da Lei n2 10.833/2003. Relativamente ao primeiro período, já é do domínio público que, "ao julgar os RREE 346.084, limar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Int/STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3 0, 51°, da L. 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal" (cf. Acórdão da 11 Turma do STF no Ag.Reg. no RE n2 330.226-PR, em sessão de 23/05/2006, rel. Min. Sepúlveda Pertence, publ. in DJU de 16/06/2006, pág. 17, Ement Vol-02237-03, PP-00481; Acórdão da 1 1 Turma do STF nos Emb. de Dec. no RE n2 368.468-PR, em sessão de 23/05/2006, rel. Min. Sepúlveda Pertence, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, Ement Vol- 02238-03, PP-00428; Acórdão da 1 1 Tunna nos Emb. de Dec. no RE n2 410.691-MG, em sessão de 23/05/2006, rel. Min. Sepúlveda Pertence, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, Ement Vol-02238-03, PP-00538), anteriormente à EC n 2 20/98. Nesse particular, releva notar que o pronunciamento do STF sobre a inconstitucionalidade de uma lei ou exigência administrativa tinha efeito vinculante e eficácia subordinante, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado (cf. Acórdão do STF-Pleno na Reclamação n2 1.770-RN, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ 187/468; cf. Acórdão do STF-Pleno na Reclamação n2 952, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ 183/486). Analisando os efeitos reflexos da declaração de inconstitucionalidade do § 12 do art. 32 da Lei n2 9.718/98 sobre os lançamentos fiscais, o Egrégio STJ recentemente esclareceu ii , que "a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade a tune do ato normativo, que, por isso tl çe 4110 I ' — -- ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAI Processo n.° 18471.000897/2006-94 O CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.818 Brasília. _.2Y/ /7 y a 17- Fls. 385 Shearbosa Ma: Lapa 91745 mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito" e, "embora tomada em con role difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475-L, § 1°, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § I° do art. 3 0 da Lei 9.718/98, que ampliara a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC 70/91 (art. 2°), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF." (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STJ no REsp n2 828.106-SP, Reg. n2 200600690920, em sessão de 02/05/2006, rel. Min. Teori Albino Zavascici, publ. in DJU de 15/05/2006, pág. 186). Consubstanciando atividade essencialmente realizadora do Direito, inteiramente vinculada e subordinada ao princípio da legalidade do tributo (arts. 150, inciso I, da CF/88; e 97 e 142 do CM), a atividade administrativa do lançamento tributário necessariamente há de conformar-se com a Constituição e com a interpretação que lhe empresta a Suprema Corte, só podendo se efetivar nas condições e sob os pressupostos estipulados em lei válida, donde decorre que, ante a formal declaração de inconstitucionalidade ou invalidade da lei pela Suprema Corte, deslegitimam-se todos os lançamentos findados nas referidas disposição e base de cálculo inconstitucionais (§ P do art. 3 2 da Lei n2 9.718/98); em suma, são ilegítimos todos os lançamentos que refujam às base de cálculos da Cofins e do PIS/Pasep adotadas pela legislação anterior e ao conceito de faturamento em sentido estrito por ela adotado e equivalente à receita bruta decorrente de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou de serviços de qualquer natureza. No caso concreto verifica-se que as acusações fiscais do lançamento fiscal excogitado se fundamentam na disposição legal inconstitucional e versam sobre receitas não operacionais ("variações cambiais ativas") que se inserem na base de cálculo julgada inconstitucional, o que, nos termos da jurisprudência citada, toma ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Melhor sorte não está reservada ao lançamento no período posterior à vigência da Lei n2 9.718/98, eis que a jurisprudência do Egrégio STJ já proclamou a inexigibilidade do PIS e da Cofins decorrente da variação cambial dos contratos de mútuo firmados em moeda estrangeira, antes de sua liquidação, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. COFINS E PIS. CONTRATOS EM MOEDA ESTRANGEIRA (DÓLAR). INCIDÊNCIA NO MOMENTO DA LIQÜIDAÇÃO DA OPERAÇÃO, OPORTUNIDADE EM QUE DEVERA SER VERIFICADA A VARIAÇÃO CAMBIAL. OFENSA AO ART. 535, II, DO CPC REPELIDA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. 1. Cuidam os autos de mandado de segurança preventivo impetrado por DEL MONTE FRESH TRADE COMPANY BRASIL LTDA. contra ato a ser praticado pelo Delegado da Receita Federal em Fortaleza no sentido de exigir-lhe a COFINS e o PIS sobre a variação cambial decorrente de contratos de empréstimos firmados em moeda estrangeira. A sentença denegou a segurança. A autora interpôs apelação e o TRF deu-lhe provimento, reconhecendo que, embora a variação cambial integre o conceito de receita, o que comporta a 448 • ME - SEGUNDO CONSELHO Dr. CONTRIBUINTES CONFERE COM O OrtI.).NAL Processo n.• 18471.000897/2006-94 CCO2/C01 Acórdão n.• 201-80.818 Brasiba. ___d_y_k_ay____/.. Fls. 386 Sists SOWL"Sa Mai: Som 917145 incidência da COF1NS e do PIS, não é razoável entender que se possa tributar a expectativa de receita, pois, enquanto não liquidada a obrigação contraída, não se pode apurar a existência de saldo positivo no caixa da empresa. Recurso especial da Fazenda Nacional, pela alínea 'a', apontando violação dos arts. 535, 11, do CPC, 2° e 9° da Lei 9.718/98 e 1° da Lei 10.637/02. Sustenta, em suma: a) anulação do acórdão por ofensa ao art. 535, II, do CPC, por haver deixado de se manifestar acerca da aplicação dos arts. 2° e 9° da Lei 9.718/98 e 1° da Lei 10.637/02; b) todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica devem ser consideradas quando da determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS; c) por expressa determinação legal, art. 9° da Lei 9.718/98, as variações monetárias em função da taxa de câmbio deverão ser consideradas como receitas. 2. Não se constata infringência do art. 535, II, do CPC se o Tribunal de segundo grau aprecia todos os pontos nucleares para a decisão da causa, fundamentando a entrega da prestação jurisdicional Não há necessidade de se rebater individualmente todas alegações das partes nem se pronunciar especificamente sobre cada uni dos dispositivos legais listados nas peças processuais se já encontrou fundamentos suficientes para embasar a conclusão. In casu, verifica-se que o cerne da controvérsia, quanto ao momento da incidência da COFINS e do PIS sobre variações cambiais decorrentes de contratos pactuados em moeda estrangeira, foi efetivamente analisado, não se cogitando na hipótese de ser anulado o aresto proferido. 3. A matéria já foi objeto de discussão nesta Casa Julgadora, culminando-se com o entendimento firmado na linha de que a exigibilidade do PIS e da COFINS, decorrente da variação cambial dos contratos de mútuo, firmados em moeda estrangeira, só ocorre por ocasião de sua liqüidação. Precedentes: REsp 640.069/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 08/11/04; REsp 872.492/RS, ReL Min. Francisco Falcão, DJ 14/12/06. 4. Recurso especial não-provido." (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STJ no REsp n2 898.372-CE, Reg. n2 2006/0239556-6, em sessão de 03/05/2007, rel. Min. José Delgado, publ. in DJU de 28/05/2007, p. 299) Realmente, do v. aresto retromencionado resulta claro que, embora as variações cambiais dos contratos de mútuo em moeda estrangeira possam, em tese, integrar o conceito de "receita" (base de cálculo tributável pela Cofins), o fato gerador da respectiva obrigação tributária somente se considera ocorrido com a liquidação total do contrato em moeda estrangeira (art. 116, inciso I, do CTN), vez que não é licito tributar a mera expectativa de receitas que, por não se terem ainda incorporado definitivamente ao patrimônio do contribuinte, somente podem ser definitivamente aferidas após a liquidação total das obrigações objeto do contrato externo, quando então se pode apurar a existência (ou não) de eventual receita residual, a titulo de variação cambial, então tributável pela Cofins. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para reformar a r. decisão recorrida e, preliminarmente, na esteira das jurisprudências administrativa e judicial citadas, afastar a concomitância e, no mérito, julgar kkd5 kit IV' MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRGU:NTES CONFERE COM O ORiGi NAL Processo n.• 18471.000897/2006-94 CCO2/C0 I Acórdão 201-80.818 Brasirta. ir Fls. 387 Silvio Sit -,arbosa Siape 91 745 improcedente o lançamento da contribuição e juros incidentes sobre as variações cambiais ativas, tal como pacificamente reconhecido pela jurisprudência judicial retromencionada. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de dezembro de 2007. 00~010Vd;l4d/ FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA 401)1 Processo n.° 18471.000897/2006-94 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.818 CONFERE COMO ORIGINAL Fls. 388 ensina, y / CIL2 4209. Mat: Slapo 91745 Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator-Designado A empresa recorrente levanta a preliminar de ausência de identidade de objeto entre o Mandado de Segurança e a discussão neste Processo e postula a nulidade do Acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa (inciso II do art. 50 do Decreto n2 70.235/72) sob o fundamento de que a autoridade julgadora não enfrentou seus argumentos sobre a natureza da variação cambial ativa e sobre o regime de tributação da mesma (caixa ou competência). É absolutamente injustificado o fundamento da recorrente para anular a decisão recorrida. Basta ler, nem que seja superficialmente, a partir do quarto parágrafo do voto condutor do Acórdão recorrido para se constatar que o mesmo abordou todos os questionamentos da recorrente sobre a tributação da Cofins sobre a variação cambial ativa, antes e depois da edição da Lei n2 10.833/2003. Por tais razões, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão recorrido. Concordo com o ilustre Conselheiro-Relator que não cabe a este Colegiado analisar matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e que este fato não é empecilho à formalização do crédito tributário, o qual, consoante o art. 142 do CTN, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a Fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximir-se de efetuá-lo, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Também concordo com a recorrente quando afirma que no Mandado de Segurança discute-se o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e aqui se discute a tributação da Cofins sobre a variação cambial ativa e, sendo tributável, qual o regime aplicável: caixa ou competência. Não vejo reparos a fazer na decisão recorrida. Por expressa previsão legal (art. 92 da Lei n2 9.718/98), a variação cambial ativa equipara-se a receita financeira e será tributada pelo PIS da mesma forma que for tributada pelo IRPJ e pela CSLL: regime de caixa ou de competência (art. 30 da MP n 2 1.858-10/99, com redação da MP n2 1.991-14/2000 - hoje MP n2 158-35/2001). Como a recorrente tributou a receita de variação cambial (ativa e passiva) no IRPJ e na CSLL pelo regime de competência, deve, também, tributar na Cofins. No voto condutor do Acórdão recorrido, cujos fundamentos adoto integralmente como se aqui estivessem escritos, foi transcrito o dispositivo legal que criou a equiparação da variação cambial ativa e passiva à receita ou despesa financeira, bem como o que instituiu a opção pelo regime de tributação: caixa ou competência. Quanto à Cofins não cumulativa lançada (Lei n2 10.833/2003), não há questionamento judicial sobre esta Lei e, portanto, o crédito tributário deve ser mantido e ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.• 18471.000897/2006-94 CONFERE COM O ORIGNAL CCO2/031 Acórdão n.• 201-80.818 Brasilio icte Fls. 389 slioe Seg Save 9174S exigido da recorrente, confirmando que as imanas nnanceiras, inclusive a decorrente de variação cambial ativa, integram a base de cálculo da exação, como bem destacou a decisão recorrida. Esclareça-se, por oportuno, que no cálculo do crédito tributário lançado a partir de 02/2004 foi considerado o crédito da Cofins sobre as despesas financeiras. Pelas razões abaixo indicadas, a decisão judicial que suspendeu a exigibilidade dos créditos tributários devidos em face do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovida pela Lei n2 9.718/98, não alcança os seguintes créditos tributários lançados neste auto de infração, que permanecem com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação do recurso voluntário: 1 - a parcela do débito dos meses de 02/2002,08/2002, 10/2002, 12/02, 03/2003, 04/2003, 06/2003, 10/2003 e 12/2003, calculando o valor devido com base na Lei Complementar n2 70/91, que ultrapassar o valor declarado na DCTF. Nestes periodos de apuração o valor declarado na DCTF é inferior ao devido com base na legislação vigente antes da Lei n2 9.718/98. Sobre estas parcelas não há questionamento judicial; e 2 - os valores devidos com base na Lei n2 10.833/2003, ou seja, para os períodos de apuração de 02/2004, 06/2004 e 07/2007. Sobre estas parcelas não há questionamento judicial. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessõe em 12 de S ezembro de 2007. WALBER Jjel É DA SIL • 3694k. Page 1 _0032500.PDF Page 1 _0032700.PDF Page 1 _0032900.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1 _0033300.PDF Page 1 _0033500.PDF Page 1 _0033700.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1 _0034500.PDF Page 1

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Numero do processo: 12448.731271/2012-82
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997 INCOMPETÊNCIA. REGIMENTO INTERNO DO CARF. A 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para julgar o Imposto de Renda Retido na Fonte quando não se tratar de antecipação do IRPJ, nos termos do art. 2º do anexo II do Regimento Interno deste Conselho (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009).
Numero da decisão: 1302-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos recursos de ofício e recurso voluntário,para declinar competência para a Segunda Sejul/CARF. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO E WALDIR VEIGA ROCHA. Declarou-se impedido o Conselheiro GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO

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1302­001.345  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de março de 2014  Matéria  IRRF  Recorrente  OCEANUS AGENCIA MARITIMA S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 1997  INCOMPETÊNCIA. REGIMENTO INTERNO DO CARF.  A 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é  incompetente para julgar o Imposto de Renda Retido na Fonte quando não se  tratar de antecipação do IRPJ, nos termos do art. 2º do anexo II do Regimento  Interno deste Conselho (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos  recursos de ofício e recurso voluntário,para declinar competência para a Segunda Sejul/CARF.   (assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  ALBERTO  PINTO  SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA  ARAUJO,  MARCIO  RODRIGO  FRIZZO,  LUIZ  TADEU  MATOSINHO  MACHADO  E  WALDIR VEIGA ROCHA. Declarou­se impedido o Conselheiro GUILHERME POLLASTRI  GOMES DA SILVA.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 12 71 /2 01 2- 82 Fl. 1389DF CARF MF   2   Relatório  Trata­se de recurso voluntário.   Inicialmente, a Colenda 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento  deste  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  por  unanimidade  de  votos,  converteu  o  julgamento do processo administrativo fiscal nº 15374.002181/2001­27 em diligência a fim de  que a autoridade preparadora tomasse as providências necessárias para desmembrar o referido  processo  administrativo  fiscal,  nos  termos  da  Resolução  nº  1302.000.064,  proferida  em  16/12/2010 (fls. 1228/1234):  (...)  Neste  caso  específico,  o  imposto  de  renda  na  fonte  sobre  pagamento  ou  crédito  de  frete  a  não  residente  não  configura  antecipação do IRPJ e também os  fatos não guardam qualquer  conexão com o mútuo ativo da autuada  junto a empresa  ligada  que  levou  à glosa  integral  de  suas  despesas  financeiras. Nessa  medida,  os  fatos  que  ensejaram  a  tributação  do  IRPJ  não  guardam  qualquer  relação  com  os  fatos  que  ensejaram  a  tributação  do  IRF,  razão  pela  qual  esta  primeira  Seção  é  incompetente  para  julgar  a matéria  relacionada ao  imposto  de  renda na fonte. Inexistindo previsão regimental para julgamento  parcial  do  feito  com  envio  do  processo  à  2ª  Seção,  vejo  a  necessidade  de  converter  o  processo  em  diligência  para  que  a  autoridade preparadora possa por favor efetuar o seguinte:  1 – Copiar na  íntegra o  teor deste processo e desmembrar este  processo,  abrindo  um  novo  processo  com  as  cópias  do  inteiro  teor deste para que nele possa  ser  levada à diante a discussão  relacionada ao Imposto de Renda na Fonte.  2  –  Citar  o  contribuinte  para  que  tome  ciência  do  desmembramento  do  processo  para  que  este  processo  possa  prosseguir com o recurso voluntário no que tange ao Imposto de  Renda  e  o  processo  criado  por  desmembramento  possa  prosseguir com o recurso voluntário no que tange ao Imposto de  Renda na Fonte.  3 – Conceder o prazo necessário ao contribuinte para o pedido  de  cópia  administrativa  do  novo  processo  criado  por  desmembramento  e  para  eventual  pronunciamento  sobre  seu  conteúdo, se oportuno.  4 – Juntar a cópia da citação e da manifestação de que tratam os  itens 2 e 3 neste e no novo processo e encaminhar este processo  novamente para julgamento do recurso voluntário no que tange  o  IRPJ  por  esta  1ª  Seção,  bem  como  encaminhar  o  processo  desmembrado  para  julgamento  do  recurso  voluntário  no  que  tange o IRF pela 2ª Seção.  Encerrada  a  diligência,  a  autoridade  preparadora  propôs  o  envio  deste  processo  à  2ª  Seção  de  Julgamento  deste  CARF  para  julgamento  do  IRRF,  nos  termos  da  referida resolução (fls. 1387/1388). Contudo, o processo não foi enviado à 2ª Seção.  É o relatório.  Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 12448.731271/2012­82  Acórdão n.º 1302­001.345  S1­C3T2  Fl. 1.390          3   Voto             Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo  O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos  de admissibilidade, então dele conheço.  1. Do Recurso Voluntário  1.1. Da Incompetência desta 1ª Seção de Julgamento  Conforme  exposto  na  Resolução  nº  1302.000.064  (fls.  1228/1234),  no  presente caso e com fulcro nos arts. 2º e 3º do anexo II do Regimento Interno deste Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), esta 1ª Seção de  Julgamento é órgão  incompetente para  julgar a matéria  relacionada ao  IRRF, uma vez que o  imposto de renda na fonte sobre os rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior não  configura  antecipação  do  IRPJ,  bem  como  os  fatos  que  ensejaram  a  tributação  do  IRPJ  não  guardam qualquer relação com os fatos que ensejaram a tributação do IRRF.  Ainda,  conforme  exposto  acima  no  relatório,  encerrada  a  diligência,  a  autoridade preparadora propôs o envio deste processo à 2ª Seção de Julgamento deste Conselho  para  julgamento  do  IRRF  (fls.  1387/1388).  Contudo,  o  presente  processo  foi  encaminhado  indevidamente  a  esta  1ª  Seção  de  Julgamento,  órgão  que  é  incompetente  para  a  análise  da  matéria em questão.  Dessa forma, voto no sentido de declinar a competência, a fim de que o feito  seja redistribuído entre as turmas competentes.  2. Da Conclusão  Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, nos  termos do relatório e voto.    (assinado digitalmente)  Márcio Rodrigo Frizzo ­ Relator                            Fl. 1391DF CARF MF

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