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Numero do processo: 10980.008963/2001-16
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1996 a 31/10/1996, 01/11/1996 a 30/11/1996
IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA-IRPJ. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. CRÉDITO SUPLEMENTAR. ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.262
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Claudemir Rodrigues Malaquias, Alberto Pinto Souza Junior, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. CRÉDITO SUPLEMENTAR. ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Claudemir Rodrigues Malaquias, Alberto Pinto Souza Junior, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Elias Sampaio Freire. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Assinado digitalmente Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Assinado digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 31/01/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffman, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Julio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Pedro Anan Junior. Relatório JUSTUS CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 19/12/2001 (AR de fl. 93), exigindolhe crédito tributário suplementar concernente ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, em relação ao período de 01/10/1996 a 31/10/1996, 01/11/1996 a 30/11/1996, conforme peça inaugural do feito, às fls. 87/91, e demais documentos que instruem o processo. De conformidade com a Descrição dos Fatos, a presente autuação decorreu de procedimento de revisão interna da declaração entregue pela contribuinte, de onde se apurou: a) compensação de prejuízo fiscal, na apuração do lucro real, superior a 30% (trinta por cento) do lucro real antes das compensações (meses de outubro e novembro); e b) adicional do imposto de renda calculado a menor (mês de novembro). Após regular processamento, interposto Recurso Especial pela Procuradoria contra Acórdão nº 10322.738, da 3a Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, acolhendo a preliminar de decadência suscitada, a Egrégia 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 27/07/2009, por maioria de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 910100.204, sintetizados na seguinte ementa: “DECADÊNCIA. O direito da Fazenda Pública de realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do CTN, sendo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Se caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, o prazo Fl. 516DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.008963/200116 Acórdão n.º 9900000.262 CSRFPL Fl. 257 3 decadencial deve ser contado em conformidade com o art. 173, I, do CTN.” Ainda irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 203/210, com arrimo no artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Inicialmente, pretende seja conhecido seu Recurso Extraordinário, uma vez observados os requisitos para tanto, eis que o Acórdão atacado, ao aplicar ao caso a decadência insculpida no artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, independentemente da ocorrência de antecipação de pagamento, divergiu de outras decisões exaradas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão nº CSRF/0203.331, ora adotado como paradigma. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão guerreado, sustentando que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. No caso vertente, assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, não se cogitando em decadência em relação ao crédito tributário sub examine. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Extraordinário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu por bem admitir o Recurso Extraordinário do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no decisum paradigma, Acórdão nº CSRF/02 03.331, consoante se positiva do Despacho CSRF nº 224/2009, às fls. 216/218. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Extraordinário do Procurador, a contribuinte não apresentou suas contrarrazões, às fls. 227/244, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, ressaltando, ainda, a existência de antecipação de pagamento, ao contrário do que sustenta a recorrente. É o Relatório. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da CSRF, a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conheço do Recurso Extraordinário e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso, pretende a recorrente a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outra decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº CSRF/02 03.331, ora adotado como paradigma, em relação à contagem do prazo decadencial, mormente quando não se constata a ocorrência da antecipação de pagamento. A fazer prevalecer seu entendimento, aduz, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Não obstante as substanciosas razões da recorrente, seu insurgimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 518DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.008963/200116 Acórdão n.º 9900000.262 CSRFPL Fl. 258 5 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses dois artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando o Imposto de Renda Pessoa Jurídica sujeito ao lançamento por homologação, com o advento da Lei n° 8.383/1991, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Fl. 519DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em dezembro de 2009. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que o Imposto de Renda Pessoa Jurídica deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 520DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.008963/200116 Acórdão n.º 9900000.262 CSRFPL Fl. 259 7 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, consoante se infere do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 87/91, de onde se extrai que a presente exigência fiscal decorre de diferenças apuradas a partir de procedimento de revisão da declaração entregue pela contribuinte, constatandose a) compensação de prejuízo fiscal, na apuração do lucro real, superior a 30% (trinta por cento) do lucro real antes das compensações (meses de outubro e novembro); e b) adicional do imposto de renda calculado a menor (mês de novembro). Mais a mais, na DIPJ, às fls. 63, consta imposto de renda a pagar e, os extratos de fls. 104 e 105 apresentam recolhimentos efetuados pelo contribuinte a título de IRPJ. Na esteira dessas considerações, vislumbrase à ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , em face dos recolhimentos procedidos pela contribuinte em sua Declaração, fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Assim, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Destarte, tratandose de empresa submetida ao regime de tributação do Lucro Real Mensal, na forma dos artigos 25 a 27 da Lei n° 8.981/1995, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 19/12/2001, com a devida ciência da contribuinte constante do Aviso de RecebimentoAR, às fls. 93, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores do tributo em comento ocorreram em 31/10/1996 e 31/11/1996, fora, portanto, do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência do feito. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, ratificado pela 1ª Turma da CSRF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.008963/200116 Acórdão n.º 9900000.262 CSRFPL Fl. 260 9 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Assinado digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 523DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10909.900189/2008-28
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
Numero da decisão: 3803-000.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 01 89 /2 00 8- 28 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.787, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 56 a 59, que indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas por insuficiência de crédito, em face da incidência de multa de mora por extinção do débito fora do prazo. Contra a não homologação integral de sua compensação, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade des folhas 08 a 17, na qual discordou do critério de imputação adotado pela DRF/Itajaí/SC. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Consignou que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Juntou jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Manifestouse pela ilegalidade ou inconstitucionalidade do que está expressamente previsto no artigo 61 da Lei n.o 9.430/1996, segundo o qual “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” A DRJFlorianópolis, refutou os argumentos da impugnante assentando que em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações deste juízo, sobretudo quando se trata de disposição literal de lei regularmente editada. Citou tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de n.o 10607.303, de 05/06/95, n sentido desta limitação de competência, verbis: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Aduziu, ainda, que não tem efeito sobre a aplicação da penalidade o fato de o valor devido ter sido ou não declarado em DCTF ou a circunstância de o sujeito passivo encontrarse já em procedimento de ofício ou não. Ciente da decisão em 27 de maio de 2009, irresignada apresenta recurso voluntário de fls. 63 a 75, em 26 de junho de 2009, manejando os mesmo argumentos acima relatados trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900189/200828 Acórdão n.º 3803000.650 S3TE03 Fl. 97 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Toda a controvérsia restringese à possibilidade ou não do uso do instituto da denúncia espontânea para o fato presente. A responsabilidade que refere o art. 138 do CTN é relativa a infrações tais como os ilícitos tributáriospenais, dolosos (sonegação, fraude, conluio e outros crimes contra a ordem tributária), e outros ilícitos tributários, não dolosos (nãoprestação de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à existência do fato gerador, declarações inexatas, etc). Não ao mero inadimplemento de tributo. Dessa distinção resulta a graduação de penalidades, diferenciandose em multa de ofício e multa de mora, esta, mais branda, que visa indenizar o Erário pela demora no recebimento do seu crédito, aquela, punitiva, aplicável às infrações relativas à obrigação tributária principal. A demonstrar o caráter de indenização da multa de mora, o seu percentual é proporcional à quantidade de dias de atraso, até o limite de vinte por cento do valor do tributo, conforme fixados em lei. Se não é atípico que haja possibilidade de previsão de multa de mora nas obrigações contratuais privadas, comumente pactuada, além dos juros, pelo atraso no cumprimento das obrigações, assim também acontece na obrigação tributária, com a diferença de que nesta a multa é estabelecida em lei, face ao caráter ex lege da obrigação tributária. Se um contribuinte declara o tributo e por alguma razão não pode pagálo no prazo, sujeitase à multa de mora. Outro, que sequer declara e espera a inércia do sujeito ativo, ao sobrevir um procedimento fiscal, na espécie, arca com penalidade maior, segundo a previsão legal. É esta última penalidade que é excluída pela denúncia espontânea, quando o contribuinte se antecipa a qualquer procedimento fiscal. A primeira, não. Ora, isto é que é razoável: o contribuinte meramente inadimplente arca com uma multa menor, e aquele que pratica as demais infrações tributárias será punido com uma multa maior, submetendose à multa menor caso promova a autodenúncia. Escorome no escólio de Zelmo Denari, in Infrações Tributárias e Delitos Fiscais, Paulo José da Costa Jr. e Zelmo Denari, 2ª ed., São Paulo, Saraiva, 1996, p. 24, para apreender a distinção entre multa punitiva e multa indenizatória, para, ao fim, entender em que se aplica o instituo da denúncia espontânea: “A nosso ver, as multas de mora – derivadas do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída – são sanções inconfundíveis com as multas por infração. Estas são cominadas pelos agentes administrativos e constituídas pela Administração Pública em decorrência da violação de leis reguladoras da conduta fiscal, ao passo que aquelas são aplicadas em razão da violação do direito subjetivo de crédito. (...) Como é intuitivo, a estrutura formal de cada uma dessas sanções é diferente, pois, enquanto as multas por infração são infligidas com caráter intimidativo, as multas de mora são aplicadas com caráter indenizatório. De uma maneira mais sintética, Kelsen refere que, ao passo que o Direito Penal busca intimidar, o Direito Civil quer ressarcir, (...). Como derradeiro argumento, as multas de mora, enquanto sanções civis, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 qualificamse como acessórias da obrigação tributária, cujo objeto principal é o pagamento do tributo. Essa acessoriedade, em contraposição à autonomia, as tornam inconfundíveis com as multas punitivas.” A respeito da incidência da multa de mora na denúncia espontânea, cumulativamente com os juros de mora, assim se pronuncia Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 6ª edição, 1993, p. 348/351, verbis: “Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito (...). A confissão do infrator, entretanto, haverá se ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. O art. 138 do CTN, ao determinar que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, precisa ser interpretado em conjunto com o art. 161 do mesmo Código, que informa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (negrito acrescentado). Consoante o art. 161, transcrito, seja qual for o motivo determinante do atraso a parcela do crédito tributário não pago no vencimento é acrescida de juros de mora e das penalidades cabíveis. Dentre essas penalidades, que precisam estar estabelecidas em lei, encontrase exatamente a multa de mora. E é cediço que as leis sempre estipularam, ao lado dos juros de mora, também a multa moratória. Assim, é que veio compor o ordenamento jurídico pátrio idêntica previsão, no artigo 61, e parágrafos, da Lei n.o 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900189/200828 Acórdão n.º 3803000.650 S3TE03 Fl. 98 5 Com o respeito que é devido à Corte Superior de Justiça, divirjo do seu entendimento e penso ser indiferente, para afastar ou não a denúncia espontânea, o fato de o contribuinte apresentar ou não a DCTF. Considerar este evento o ponto de corte entre ambos os efeitos só é possível se se desconsiderar a mecânica de apresentação desta obrigação acessória. Para o período que cobre a apuração dos débitos deste processo, julho e agosto/2003, a obrigação de apresentar a DCTF era trimestral, e a partir do anocalendário 2005, semestral, salvo a exceção prevista, de apresentação mensal. Não há razoabilidade, cogito, em considerar que dois contribuintes que recolheram tributos com um ou dois meses de atraso, um esteja coberto pela denúncia espontânea pelo fato de descumprir a obrigação acessória de apresentar a DCTF, destaquese, três ou seis meses depois do fato gerador, e após o pagamento atrasado, e o outro não esteja, pelo fato de têla cumprido. Segundo este critério, quem errou mais será mais beneficiado do que quem errou menos. De imaginarse, ainda, que seguro da cobertura do dito instituto, o primeiro contribuinte pode executar um atraso deliberado de seus recolhimentos, enquanto o segundo, que pode têlos executado por dificuldade financeira, submeterse a um ônus maior com o pagamento da multa, sendo correto no cumprimento de sua obrigação acessória. Por isso, não vejo nenhuma razão para a dicotomia. Depreendo que o efeito deste lapso de tempo entre o pagamento atrasado e a posterior apresentação da DCTF pode não ter sido sintonizado pela E. Corte Superior. Destaquese uma vez mais, ante a mecânica descrita acima, que a lei conferiu ao contribuinte a prerrogativa de substituir o Poder Público no procedimento de apurar o próprio quantum debeatur e recolhêlo “sem prévio exame da autoridade administrativa”, mantida a (prerrogativa) da Fazenda de, “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” dentro do prazo “de cinco anos a contar do fato gerador.”. Ademais, no caso concreto, como remate de todos os argumentos expendidos, na data da transmissão da DComp, 08/10/2004, ela tinha o mesmo efeito de confissão de dívida da DCTF, consoante o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...]. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Em conseqüência, os débitos por ela compensados podem ser objeto de remessa à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição na Dívida Ativa, tal como o que ocorre com os confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Noutra palavra, isto significa que cai por terra o argumento da recorrente de que efetuou a extinção do débito, por meio da compensação, antes de ser declarado/constituído, pois a própria declaração de compensação foi o meio dessa constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13808.000688/96-91
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: null
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Numero da decisão: 3801-001.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimdade dos votos em DAR provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer a decadência da constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período de maio de 1990 a junho de 1991 e afastar a multa de oficio nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, José Luiz Feistauer, Sidney Eduardo Stahl e Marco Antônio Borges votaram pelas conclusões. O conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Autorizase o lançamento de ofício efetuado para prevenir a decadência não se está a discutir a procedência ou não do valor lançado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC . De acordo com precedentes já definidos pela Súmula nº 4 do CARF, é inquestionável a aplicação da taxa SELIC. FIANÇA BANCÁRIA. A determinação judicial de fiança bancária possui o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário tal como a moratória, o depósito do seu montante integral, as reclamações e os recursos, a concessão de medida liminar em mandado de segurança, a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial e o parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimdade dos votos em DAR provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer a decadência da constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período de maio de 1990 a junho de 1991 e afastar a multa de oficio nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, José Luiz Feistauer, Sidney Eduardo Stahl e Marco Antônio Borges votaram pelas conclusões. O conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 06 88 /9 6- 91 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13808.000688/9691 Acórdão n.º 3801001.857 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJSalvador (BA), fls. 331335 que transcrevo a seguir: “Tratase de Auto de Infração (fls. 1213) emitido contra a contribuinte acima identificada, visando a cobrança da contribuição para o FINSOCIAL, decorrente da falta de recolhimento dos valores devidos, pertinentes ao período 31.05.1990 a 31.03.1992, conforme enquadramento legal mencionado na autuação. Consta do Termo de Constatação Fiscal, parte integrante do auto de infração, que o crédito tributário foi constituído para evitar decadência, tendo sua exigibilidade suspensa em razão da empresa estar amparada por liminar concedida para efetuar depósito do FINSOCIAL. Acrescenta que posteriormente, inúmeros depósitos foram levantados e substituídos por carta de fiança, e em outros mesmo sem a existência desta garantia (fl.03). Inconformado com a exigência fiscal a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1621), pedindo a nulidade do auto de infração sob o argumento de ter sido lavrado na vigência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário e que, seria incabível a imposição de multa de ofício e juros de mora.” A Delegacia de Julgamento em Salvador (BA) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 31/05/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. O crédito tributário, ainda que questionado e depositado judicialmente, deve ser regularmente constituído de ofício, mediante auto de infração, tendo, porém, suspensa sua exigibilidade. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE. A fiança bancária não substitui o depósito judicial para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sendo cabível, no caso de lançamento de ofício, a imposição de multa e juros de mora. Lançamento Procedente em Parte” Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 342357. Em suas razões: Inicialmente, requer seja reconhecida a extinção do crédito tributário relativamente aos fatos geradores de maio de 1990 a janeiro de 1991, nos termos do artigo 156, inciso VI, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a conversão em renda da União dos depósitos judiciais. Argumenta a decadência da constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores supostamente ocorridos no período de maio de 1990 a julho de 1991, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que entre a data de ocorrência dos fatos geradores e a data de cientificação do auto de infração (12.07.1996) pelo contribuinte, havia transcorrido mais de 5 (cinco) anos. Refere que o lançamento não deveria ter contemplado a multa de ofício, conforme disposto no artigo 63 da Lei n. 9.430/96, uma vez que havia sido consignado expressamente no termo de verificação fiscal a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com base no artigo 151, inciso IV, do código Tributário Nacional, razão pela qual tal multa deveria ter sido cancelada integralmente para todo período autuado. Alega que cabe à autoridade julgadora apenas decidir se o auto de infração lavrado com exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso IV, do CTN, e para prevenir a decadência, deveria ou não contemplar a multa de ofício face ao disposto no artigo 63 da Lei n. 9.430/96, e não caberia opinar quanto a existência ou não de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário apontada pela fiscalização no termo de verificação fiscal. Afirma que estando vigente na data da lavratura do auto de infração a decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança n. 91.00096636, conforme reconheceu expressamente a fiscalização ao constituir o crédito tributário com a exigibilidade suspensa, é de rigor o cancelamento da multa de ofício, pouco importando a existência das fianças bancárias ou não naquela época, pois na verdade essas representavam mera garantia do juízo, que nunca condicionaram a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Aduz que a taxa é composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN. Requer seja reformada a decisão vergastada, para que seja dado provimento ao recurso para reformar parcialmente a r. decisão recorrida. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13808.000688/9691 Acórdão n.º 3801001.857 S3TE01 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Dos termos relatados, o contribuinte apresenta em seu recurso as seguintes questões: (i) decadência em relação a constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores supostamente ocorridos no período de maio de 1990 a julho de 1991; (ii) refere que a autoridade julgadora deveria julgar apenas quanto ao que foi exposto no auto de infração; (iii) ressalta existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário na data da lavratura do auto de infração; (iv) assevera a impossibilidade de se computar juros de mora com base na Taxa Selic. Vejamos cada um destes pontos controversos em detalhe. Inicialmente, merece guarida o pleito do contribuinte, visto que o prazo decadencial do PIS segue a regra geral do CTN, ou seja, cinco anos a contar do fator gerador. Não se aplica a regra da contagem do prazo de 10 anos constante da Lei 8.212/91, por decisão definitiva do STF que determina a inconstitucionalidade de tal norma, constante da Súmula Vinculante n. 8. No mesmo sentido se pronunciou o CARF que: Processo 13840.000703/200349 Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/1998, 31/05/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. PIS. DECADÊNCIA. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO REGIMENTO DO CARF. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários da Cofins e do PIS/PASEP nos casos em que se confirma a existência de pagamento antecipado dessas contribuições é § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar do fato gerador, consoante, inclusive, decisão do STJ proferida na sistemática do artigo 543C, do Código de Processo Civil. Aplicação ainda do art. 62A, do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Por outro lado, não assiste razão ao contribuinte ao pleitear a nulidade do Auto de Infração se destina tão somente a prevenir a decadência do lançamento de ofício efetuado para prevenir a decadência. Processo 10380.007515/200318 Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No julgamento administrativo sobre a validade do lançamento de ofício efetuado para prevenir a decadência não se está a discutir a procedência ou não do valor lançado, pois essa é uma discussão que está sendo travada na esfera judicial, devendo o mesmo ser validado se formalizado com a observância dos requisitos essenciais previstos na legislação de regência. Ocorrendo o trânsito em julgado da sentença judicial favorecendo a autuada, o lançamento preventivo será cancelado pela repartição da RFB encarregada da sua execução. Recurso a que se nega provimento. No mesmo sentido: Processo 10855.002048/200730 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/07/2004 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA JUROS DE MORA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE SEM DEPÓSITO JUDICIAL. Quando a causa suspensiva da exigibilidade é a concessão de medida liminar em mandado de segurança, sem que tenha sido realizado depósito judicial da quantia em discussão, é cabível a aplicação de juros de mora sobre o montante principal, sob pena de impedir a atualização monetária do débito. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DAS NORMAS VIGENTES. Ainda que a matéria de mérito esteja sob discussão judicial, o agente fiscal deve observar a legislação vigente ao promover o lançamento para prevenção da decadência. Se no caso em análise há norma determinando a aplicação de alíquota zero do tributo, a disposição legal deve ser observada e a não aplicação desta pelo Fisco deve ser analisada na esfera administrativa, pois relacionase a aspecto formal da constituição do crédito tributário suspenso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Por outro lado, tornase insustentável a alegação do contribuinte sobre o questionamento da Selic, visto que se encontra pacificado no CARF, visto se tratar de matéria constitucional, cuja análise é vedada. No mesmo sentido: Processo 10280.005558/200800 Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com precedentes já Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13808.000688/9691 Acórdão n.º 3801001.857 S3TE01 Fl. 5 7 definidos pela Súmula no 4 do CARF, vigente desde 22/12/2009. INCONSTITUCIONALIDADE É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula no 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. A jurisprudência do CARF é vacilante sobre a possibilidade de aceitação de fiança bancária substitui o depósito judicial para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Alegam determinados julgados que as hipóteses de suspensão cingemse aos casos expressos explicitamente no art. 151 do CTN, dentre os quais não se encontra a fiança bancária. Seguimos, contudo, o entendimento de que existindo decisão judicial autorizativa da mesma, esta permite a suspensão da exigibilidade, por se configurar em medida acautelatória judicial. No mesmo sentido no CARF: Processo 13808.000617/9561 FINSOCIAL. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO/SUSPENSÃO Nos termos do artigo 151 do CTN, suspendem a exibilidade do crédito tributário a moratória, o depósito do seu montante integral, as reclamações e os recursos, a concessão de medida liminar em mandado de segurança, a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial e o parcelamento. FIANÇA BANCÁRIA – A aceitação de carta de fiança bancária fica condicionada à existência de determinação judicial nesse sentido. MULTA É pertinente a cobrança da multa de 75% no lançamento de ofício, acrescidos de juros de mora. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Por último, considerando que a fiança bancária se considera como sendo medida acautelatória e, portanto, suspensiva da exigibilidade do crédito, se aplica a Súmula CARF n° 17: “Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo”. No mesmo sentido encontramos os seguintes julgados do CARF: Acórdãos nº 20174351; nº 20307480; nº 20215710; nº 20215782 e nº 20216437. No presente caso tal discussão não se torna necessária, visto que o débito tinha a sua exigibilidade suspensa por força de liminar em Mandado de Segurança n. 91.0096636 (f. 176), garantida ou por depósito judicial ou mediante fiança bancária, conforme Termo de Constatação (fl. 03). Entendo pelo PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reformar o acórdão da DRJ. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13808.000688/9691 Acórdão n.º 3801001.857 S3TE01 Fl. 6 9 Declaração de Voto Em que pese o entendimento brilhantemente apresentado pelo Ilustre Relator, entendo que o processo se resolve com base em um raciocínio distinto. Com relação aos argumentos referentes à decadência, nada tenho a acrescentar, mas com relação ao lançamento da multa de ofício, gostaria de apresentar meu raciocínio. Conforme se pode ver o auto de infração em discussão foi lançado para prevenir a decadência e a exigibilidade estava suspensa quando do lançamento do auto de infração por conta de liminar, nos termos do inciso IV do artigo 151 do Código Tributário Nacional, inclusive nos termos apontados pela fiscalização no próprio auto de infração (fls. 03), verbis: Desta forma, embora suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força do disposto no inciso IV do art 151 do CTN, e imperativa a formalização do lançamento constitutivo, de modo a acautelar os interesses e direitos de Fazenda Nacional; Como se sabe, nos lançamentos efetuados somente para prevenir a decadência, quando a exigibilidade esteja suspensa por força de liminar (art. 151, IV do CTN), não caberá lançamento de multa de ofício. Esse é, inclusive, o teor da Súmula 17 desse Conselho, assim expressa: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Isso decorre do próprio mandamento da Lei n° 9.430/1996, que em seu artigo 63, expressa que “na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício”. Este comando legal determina que a multa de ofício não será lançada se a exigibilidade estiver suspensa com base nos incisos IV e V do artigo 151 CTN e, ainda, se a suspensão da exigibilidade tenha ocorrido anteriormente a qualquer procedimento de ofício nos termos do § 1º1 do artigo 63 da Lei 9.430/1996. No presente caso, portanto a multa de ofício, sequer poderia ter sido lançada. 1 § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 Além disso, se isso já não fosse suficiente para dar procedência total ao Recurso, cuja questão pendente é somente a multa de ofício, para mantêla a DRJ de Salvador/BA alterou o fundamento do auto, o que lhe é defeso. Vejase que o lançamento foi realizado para “prevenir a decadência” isso porque nem a concessão de medida liminar, nem o depósito integral do tributo substituem o lançamento, que é vinculado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. A DRJ, entretanto, para manter a multa de ofício trouxe outro fundamento que não constava do auto de infração, que nem todos os créditos tributários estavam garantidos por depósitos judiciais na data em que se efetuou o auto de infração, conforme consta às fls. 334 dos autos, alterando o “motivo determinante” do lançamento do auto. Tenho que quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, deve ser lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, nunca ajustado o motivo. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopes (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p. 184), recomenda o seguinte: “Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do .fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o .fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração”... Ora, uma vez notificado do lançamento não se pode mais alterar os motivos que lhe deram azo porque conforme nos ensina Hely Lopes Meirelles, “tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade” 2. Portanto, por esses dois motivos voto por julgar procedente o presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl 2 Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001787/2008-91
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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score : 1.0
Numero do processo: 13016.000362/2007-58
Data da sessão: Tue Oct 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 24/05/2007
GFIP. DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.
VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não possui competência legal para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2402-000.225
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do cálculo da multa as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, com fundamento no artigo 173, I do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de recalcular a multa conforme a Lei 11.941/2009, para utilização do novo cálculo, caso seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/05/2007 GFIP. DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não possui competência legal para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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GFIP. Recorrente CÂMARA DA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE GARIBALDI (CIC) Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/05/2007 GFIP. DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não possui competência legal para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. i‘p Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os membros da 4a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do cálculo da multa as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, com fundamento no artigo 173, I do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de recalcular a multa conforme a Lei 11.941/2009, para utilização do novo cálculo, caso seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do relator. 7‘lorOP ;_z," e • EIRA "residente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Rogério de Lellis Pinto, Cleusa Vieira de Souza (Convocada) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Convocada). 2 Processo n° 13016.000362/2007-58 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.225 Fl. 263 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ), Porto Alegre/RS, fls. 0200 a 0203, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 004 a 0005, a autuação refere-se a recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. No caso em questão houve equívoco na informação sobre cooperativa de trabalho. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos da autuação. Em 24/05/2007 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 090 a 098, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0214 a 0224, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: O prazo decadencial deve ser o determinado pelo Código Tributário Nacional (CTN); A exigência de contribuição sobre os valores pagos à cooperativa de trabalho é inconstitucional; Os Tribunais administrativos podem decidir quanto à Constitucionalidade da legislação; Diante do exposto, a recorrente requer a reforma da decisão, para ver extinta a autuação fiscal. Posteriormente, a Delegacia enviou os autos para o Conselho, para análise e decisão. É o relatório. 3 Processo n° 13016.000362/2007-58 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.225 Fl. 264 Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, ou na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, 4 0, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Como não se trata de lançamento por homologação, pois não há recolhimentos há homologar, aplica-se a regra do lançamento de oficio, já que por ser autuação e não lançamento sua natureza sempre será de oficio. Portanto: o direito de constituir o crédito extingue-se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Na presente autuação, a ciência do sujeito passivo ocorreu em 05/2007 e o fatos geradores ocorreram nas competências 03/2000 a 03/2007. Logo, a recorrente não poderia ter sido autuada pelos motivos posteriores a 11/2001, pois o direito do Fisco nas competências até 11/2001 já estava extinto. Esclarecemos que a competência 12/2001 não deve ser excluída porque a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que ocorreram nessa competência somente ocorrerá a partir de 01/2002, quando poderia ter sido efetuado o lançamento. Quanto à apreciação de matéria constitucional, esclarecemos à recorrente que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III, do Título IV, da Constituição Federal, especificamente que trata do controle da constitucionalidade das normas, observa-se que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercê-la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 5 Permitir que órgãos colegiados administrativos o reconhecimento da constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: "A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerá-la inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional." Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poder-se-ia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciar-se em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula os Conselhos de Contribuintes se auto-impuseram regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária" Portanto, não há razão no argumento. Por todo o exposto, acato, parcialmente, as preliminares ora examinadas, somente na questão da decadência, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, devemos apreciar questão. A Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, alterou a forma de cálculo da aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória em questão. Em muitos casos, o novo cálculo torna o valor da multa mais benéfico à recorrente, por conduzir a um menor valor. 6 Processo n° 13016.000362/2007-58 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.225 Fl. 265 A legislação determina medidas a serem tomadas no caso. CTN: A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: II. tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, por determinação do Art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN) - a Receita Federal do Brasil deve calcular a forma de aplicação da multa, conforme previsto pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, e compará-la com a multa aplicada, para verificar qual o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo, a fim de adotá-lo. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para, nas preliminares, excluir as contribuições presentes nas competências anteriores a 12/2001, atingidas pela decadência, e, no mérito, determinar o recálculo da multa, conforme a nova legislação, para e comparar com a multa aplicada, a fim de que se utilize a forma de cálculo de multa mais benéfica ao sujeito passivo. Sala das Sessõ -, e 27 de outubro de 2009 RCE •OLIVEIRA — Relator Si 7
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Numero do processo: 13634.000118/87-76
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRF - DECORRÊNCIA. Lucro automaticamente distribuído
tem sua tributação na fonte confirma
da pelo julgado no mesmo sentido no Processo-
-matriz, sobre a omissão de receita correspondente, bem como pela ausência de fatores capazes de impedir a aplicação plena do principio
da decorrência.
- Rejeitadas as preliminares.
- Negado provimento ao Recurso.
Numero da decisão: 103-09.163
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Dícler de Assunção (Relator) Antonio Passos Costa de Oliveira e Wilson José de Andrade. Designa para redigir o voto vencedor o Conselheiro Braz Januário Pinto
Nome do relator: Braz Januário Pinto
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SelMãode.-11 .. (1.9 ACóRDÃONe 103-094163 Reamon2 52.987 - IRF - ANOS DE 1984 e 1985 Recorrente TAMIL - TAVARES MINÉRIOS E EXPORTAÇÃO LTDA Remaid DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM GOVERNADOR VALADARES - MG IRF - DECORRÊNCIA. Lucro automaticamente dis- tribuído tem sua tributação na fonte confirma da pelo julgado no mesmo sentido no Processo- -matriz, sobre a omissão de receita correspon dente, bem como pela ausência de fatores capa zes de impedir a aplicação plena do principio da decorrência. - Rejeitadas as preliminares. - Negado provimento ao Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por TAMIL - TAVARES MINÉRIOS E EXPORTAÇÃO LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de vótos, em rejeitar a prelimi nar de nulidade do auto de infração, por maioria de votos, negar pro- vimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Dícler de Assunção (Rela tor), ntonio Passos Costa de Oliveira e Wilson José de Andrade. De- signa para redigir o voto vencedor o Conselheiro Braz Januário Pin- to. S. a das Sessões, -1 11 de maio de 1989 --"," ON O DA SILVA ABRAL PRESIDENTE NUÁRIO PINTO RELATOR DESIGNAD( 1.42,/4W3/41) VISTO EM ZAINITO HOLAND RAGA PROCURADOR DA FAL.c., SESSÃO DE 2 1JUN1990 DA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: AYRES DE OLIVEIRA, LóRGIO RIBEIRO, FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUIMARÃES e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. , SERVIÇO ~CO FEDERAL Processo n9 13634/000.118/87-76 Recurso n9 52.987 Acórdão n9 103-09.163 Recorrente: TAMIL-TAVARES MINÉRIOS E EXPORTAÇÃO LTDA RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (f is. 27/32) ã deci- são de primeira instância do Sr. Delegado da Receita Federal em Governador Valadares - MG (fls. 22/24) que, acatando as pondera - ções da informação fiscal trazida ao processo (f is. 12), houveIxpr bem em julgar improcedente a impugnação oferecida pela contribuin te (f is. 04/10) a auto de infração contra si lavrado (fls. 01),em virtude de tributação reflexa na fonte, nos termos do art. 89 do Decreto-Lei n9 2065/83, por omissão de receitas, caracterizadapcir suprimentos de caixa cuja origem e efetiva entrega não teriam res tado devidamente comprovadas, nos anos de 84 e 85. As fls. 12 consta requerimento de prorrogação no prazo para apresentação da peça de defesa, o que foi deferido pe- la autoridade competente. A impugnação (f is. 04/10) foi protocolizada com as mesmas razões apresentadas no processo principal, n9 13634/000.117/87-11. . A informação fiscal (f is. 12), cópia da matriz, con siderou parcialmente procedente a exigência, propondo a correção dos valores tributáveis constantes do auto de infração do IRPJ e, consequentemente, diminuindo, também, proporcionalmente, a base de cálculo do IRF. As fls. 14/17 vem fotocópia da decisão monocrátic proferida no processo matriz. A autoridade de primeira instância julgou parcial mente procedente o feito fiscal, determinando os ajustes necessf rios na base de cálculo do IRF, porém, não acarretando o cancel- L mento da exigência, como corrido nos autos principais. Os fun. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 13634/000.118/87-76 2. Acórdão n9 103-09.163 mentos da decisão estão assim expostos (f is. 22/24): "Pelo exame da decisão SERTRI n9 10630-368/88(3.6 pia de fls. 14 a 17) proferida no processo matriz; verifica-se que foram mantidas, como omissão de re- ceitas, as parcelas de Cz$ 6:865,00 no exercício de 1984 e Cz$ 21.300,00 no exercício de 1985. O interessado nada anexou aos autos que ilidis- se a presunção de omissão de receitas caracterizada por suprimento de caixa. O enquadramento legal apontado no auto de infra ção artigo 89 do Decreto-Lei n9 2.065/83, está exa- to e em consomincia com o fato nele espelhado. Cum pre,aqui, ressaltar que o que constitui o fato geri dor do- IRF - reflexo é a simples existência da dife rença na determinação dos resultados da pessoa juri dica, que será considerada automaticamente distri- buida, sendo irrelevante que essa diferença tenha sido ou não incorporada ao patrimônio do beneficiá- rio. Assim, a compensação das receitas com prejuí - zos fiscais não acarreta o cancelamento do auto la_ vrado por reflexo, na fonte. Assim posto, segue o lançamento reflexo o deci- dido no processo que lhe deu causa." Ainda insatisfeita, a empresa interpôs recurso (fls. 27/32), levantando, preliminarmente, a nulidade deste lançamento por ser decorrente do principal, que seria nulo. No mérito, expôs que, mesmo se incomprovados os suprimentos, não haveria provas de que os sócios se beneficiaram das quantias omitidas. Citou juris- prudência do TFR, bem como entendimentos doutrinários a respeito do assunto. b'Este, o relatório. /t\ \ SERVIÇO POMO FEDERAL Processo n9 13634/000.118/87-76 3. Acórdão n9 103-09.163 VOTO VENCEDOR Conselheiro BRAZ JANUÁRIO PINTO, Relator Designado: Tomo conhecimento do Recurso, pela sua tempestivida de e interposição na forma da lei. 2. Trata-se, como relatado, de exigência decorrente do mesmo fato-infração apurado no Processo-matriz, ou seja, a omis- são de receita descrita, cuja procedência foi confirmada pela E. Câmara. 3. Pelo principio da decorrência, aqui, pacificamente aplicado, bem como considerando a inexistência de fatos ou cir- cunstâncias que impliquem no não reconhecimento da procedência do valor lançado, Voto pela rejeição das preliminares arguidas e, no mérito, Nego provimento ao Recurso. //-- Brasília-DF., em 11 de maio de 1989 /4 - Lie4rIÁRI-.0 PINTO RELATOR DESIGNADO acas. e. SERVIÇO RORUCO FEDERAL Processo n9 13634/000.118/87-76 4. Acórdão n9 103-09.163 VOTO Conselheiro D1CLER DE ASSUNÇÃO, Relator: O recurso é tempestivo (f is. 27/32), devendo, pois, ser conhecido. A alegação preliminar de nulidade deste lançamen to por ser decorrente de um lançamento principal nulo deve ser re jeitada, uma vez que no processo principal (n9 13634/000.117/87 - -11) foi afastada a hipótese de nulidade. Quanto ao mérito, por se tratar de tributação re flexa na fonte, face ao princípio da decorrência, a decisão profe rida no processo principal reflete-se até aqui. Assim é que pelo acórdão n9 103-09.161 ,11.05.89, essa Câmara rejeitou as preliminares de nulidade do auto de infra cão e da decisão de primeira instância, negando-se, no mérito,pro vimento ao recurso. Como relator, ficado vencido. Então, estendendo os efeitos da minha orientação até os presentes autos de exigência de IRF, também se deve dar provimento ao recurso, em obediência ao princípio de causa e e- feito. Entretanto, vale ressaltar, ainda, que para se tributar na fonte basta, apenas, a caracterizaçãO da infração do IRPJ, considerando-se as receitas omitidas como automaticamente distribuídas aos sócios (art. 89, DL n9 2065/83), independentemen te de qualquer prova de benefício efetivo aos sócios ou entrada real dessas quantias em seu patrimônio. O PN 20/84, quanto a esse ponto, encerra a ques- tão: )1 ift * SERMO ~CO FEDERAL Processo n9 13634/000.118/87-76 5. Acórdão n9 103-09.163 "Para fins de incidência do imposto ã alíquota de 25%, o que constitui o fato gerador não é o efetivo, pagamento ou crédito da diferença apurada na deter- minação dos resultados da pessoa jurídica, mas, sim, a mera existência dessa diferença, (constatada pelo fisco), que, em conformidade com o dispositivo le- gal sob exame, "será considerada automaticamentedis tribuide t •Portanto é irrelevante, para caracteri- zar a presunção legal, que a mencionada diferença tenha ou não sido incorporada ao patrimônio do bene ficiario designado na lei." Face ao exposto, voto no sentido de rejeitar a pre- liminar de nulidade do auto de infração, é no mérito, dar provi- , mento ao recurso. Brasília-DF., em 11 de maio de 1989 d, D1C ER DE ASSUN AO RELATOR acas. 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Numero do processo: 11040.001005/95-80
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL: INEXISTÊNCIA.
Eventual equívoco ou deficiência no enquadramento legal da infração não acarreta a nulidade do auto de infração, exceto se demonstrado ocasionar cerceamento ao direito de defesa, o que não ocorreu no caso dos autos, tendo o contribuinte se defendido plenamente e demonstrado saber exatamente as razões de autuação.
PERÍCIA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA.
O procedimento pericial pressupõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, visando à solução de dúvidas que não possam ser resolvidas pelo julgador a partir de provas documentais que podem ser acostadas aos autos.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DE SÚMULA.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF n° 11)
Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995
OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO.
Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a efetiva entrada do dinheiro e sua origem, coincidente em datas e valores, a importância suprida será tributada como omissão de receita. O registro contábil sem qualquer documento emitido por terceiros que o lastreie não é meio de prova.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. IRRF.
Tratando-se de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal — IRPJ, aplica-se àqueles a mesma decisão adotada quanto à exigência deste, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.320
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR as preliminares e no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo das exigências baseadas em suprimentos de caixa não comprovados, excluindo da receita omitida os valores tributáveis de Cr$ 37.133.024,41 em março/93; de Cr$ 30.000.000,00 em junho/93; e de CR$ 32.533,00 em fevereiro/94, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1993, 1994, 1995 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL: INEXISTÊNCIA. Eventual equívoco ou deficiência no enquadramento legal da infração não acarreta a nulidade do auto de infração, exceto se demonstrado ocasionar cerceamento ao direito de defesa, o que não ocorreu no caso dos autos, tendo o contribuinte se defendido plenamente e demonstrado saber exatamente as razões de autuação. PERÍCIA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. O procedimento pericial pressupõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, visando à solução de dúvidas que não possam ser resolvidas pelo julgador a partir de provas documentais que podem ser acostadas aos autos. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DE SÚMULA. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF n° 11) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1993, 1994, 1995 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a efetiva entrada do dinheiro e sua origem, coincidente em datas e valores, a importância suprida será tributada como omissão de receita. O registro contábil sem qualquer documento emitido por terceiros que o lastreie não é meio de prova. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. IRRF. Tratando-se de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal — IRPJ, aplica-se àqueles a mesma decisão adotada quanto à exigência deste, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR as preliminares e no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo das exigências baseadas em suprimentos de caixa não comprovados, excluindo da receita omitida os valores tributáveis de Cr$ 37.133.024,41 em março/93; de Cr$ 30.000.000,00 em junho/93; e de CR$ 32.533,00 em fevereiro/94, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-07T11:10:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-01-07T11:10:38Z; Last-Modified: 2011-01-07T11:10:40Z; dcterms:modified: 2011-01-07T11:10:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7b32a11d-e846-449b-8806-09826607f700; Last-Save-Date: 2011-01-07T11:10:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-01-07T11:10:40Z; meta:save-date: 2011-01-07T11:10:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-01-07T11:10:40Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-01-07T11:10:38Z; created: 2011-01-07T11:10:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2011-01-07T11:10:38Z; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-01-07T11:10:38Z | Conteúdo => S1-C1T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11040.001005/95-80 Recurso n° 513.614 Voluntário Acórdão n° 1102-00.320 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 02 de setembro de 2010 Matéria IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - PRESUNÇÃO LEGAL - Ex(s): 1993, 1994 e 1995 Recorrente FARMÁCIA DERMATOLÓGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1993, 1994, 1995 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL: INEXISTÊNCIA. Eventual equívoco ou deficiência no enquadramento legal da infração não acarreta a nulidade do auto de infração, exceto se demonstrado ocasionar cerceamento ao direito de defesa, o que não ocorreu no caso dos autos, tendo o contribuinte se defendido plenamente e demonstrado saber exatamente as razões de autuação. PERÍCIA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. O procedimento pericial pressupõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, visando à solução de dúvidas que não possam ser resolvidas pelo julgador a partir de provas documentais que podem ser acostadas aos autos. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DE SÚMULA. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF n° 11) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1993, 1994, 1995 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a efetiva entrada do dinheiro e sua origem, coincidente em datas e valores, a importância suprida será tributada como omissão de receita. O registro contábil sem qualquer documento emitido por terceiros que o lastreie não é meio de prova. 1-0. ;.:; O L-1 TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. IRRF. Tratando-se de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal — IRPJ, aplica-se àqueles a mesma decisão adotada quanto à exigência deste, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR as preliminares e no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo das exigências baseadas em suprimentos de caixa não comprovados, excluindo da receita omitida os valores tributáveis de Cr$ 37.133.024,41 em março/93; de Cr$ 30.000.000,00 em junho/93; e de CR$ 32.533,00 em fevereiro/94, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o conselheiro João Carlos de Lima Júnior. Pl/UA-4' IVETE gALAQ IAS PESSOA MONTEIRO - Presidente , ---, , JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Relator EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Otávio Opperman Thomé (Relator), José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), Silvana Rescigno Guerra Barreto, e Frederico de Moura Theophilo. 2 Processo o' 11040M01005/95-80 Si-C1T1 Acórdão o.' 1102-00.320 FL 2 Relatório Trata-se de auto de infração lavrados contra a empresa acima identificada, para exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ (fls. 415), Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 436), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 457), Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF (fls. 480) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSL,L, (fls. 503), em razão da constatação de omissão de receitas pela falta de comprovação de empréstimos de sócio (suprimentos de caixa) e pela ocon-ência de saldo credor de caixa. A contribuinte impugnou a exigência, arguindo em síntese, o seguinte: • Em sede de preliminares, argúi a nulidade do auto de infração de IRPJ, e, por consequência, dos seus reflexos, por erro insanável no enquadramento legal, eis que os dispositivos invocados pelos autuantes não se referem à definição da infração ("omissão de receitas") atribuída à autuada, mas sim às consequências tributárias de sua apuração; • Também argúi a nulidade dos autos de infração por não terem os autuantes observado o procedimento preconizado pelo art. 6° da Lei n" 8.846/95, que determina que as receitas devem ser apuradas em procedimento fiscal que ateste o movimento diário das vendas, e que o fisco teria considerado, apressadamente, como omissão, valores efetivamente supridos ao caixa; • Às fls. 511/524 apresenta um "demonstrativo da origem dos recursos e da efetividade da entrega", elaborado mês a mês, no qual contesta os fatos geradores apontados. Anexa documentos de fls. 529 a 874; • Transcreve jurisprudência administrativa a respeito das duas infrações apontadas; • Pede que caso a autoridade entenda necessária, seja realizada perícia, para concluir acerca da origem e efetividade dos valores aportados pelos sócios. Indica perito e formula um quesito. O processo foi baixado em diligência para que o contribuinte fosse intimado a apresentar cópia dos cheques que foram mencionados na impugnação e cópia dos extratos bancários dos supridores e da empresa, com indicação das transferências ocorridas entre as partes. Em 27.06.2007 a empresa solicitou prorrogação de prazo por mais trinta dias (fls. 993), e, em 24.07.2007, novamente por mais quarenta dias (fls. 998), ambas concedidas. Ao final, a empresa entregou as cópias dos cheques que lhe foram encaminhadas pelas instituições financeiras, as quais encontram-se anexas entre as fls. 888 e 1007. O relatório de diligência consta às fls. 1008/1010, com ciência à interessada. A autoridade julgadora de primeira instância afastou as preliminares, tendo em vista que o eventual equívoco ou omissão no tocante ao enquadramento legal, somente viciaria a exigência se houvesse prejuízo ao contribuinte, por impossibilitar a sua defesa, o que não ocorreu. Também rejeitou a alegação de nulidade em razão do procedimento do fisco, pois 3 o dispositivo invocado pela requerente (art. 6° da Lei n° 8.846/1994) não é aplicável ao caso. Também rejeitou o pedido de perícia, por inexistir matéria cuja apreciação dependesse de conhecimento técnico especializado. No mérito, a DRJ cancelou a infração de saldo credor de caixa, por duplicidade, tendo em vista que o mesmo pagamento que teria dado origem ao saldo credor de caixa também havia sido computado como empréstimo de sócio não comprovado. Explicando: houve um Termo de Apreensão de Mercadoria da Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul. O fisco, não identificando no Livro Caixa o pagamento da multa ao fisco estadual, recompôs o saldo da conta caixa e apurou saldo credor. Contudo, a empresa comprovou que a multa ao fisco estadual fora paga com o cheque do sócio, que assim teria efetuado um suprimento de recursos à empresa, e foi nestes termos que a operação foi contabilizada pela empresa, ainda que em data posterior. Assim, o mesmo valor havia também sido base de cálculo da omissão de receitas por suprimentos de caixa não comprovados. No mérito, quanto aos suprimentos de caixa não comprovados, o julgador a quo teceu considerações acerca do "demonstrativo da origem dos recursos e da efetividade da entrega" apresentado, contestando diversos dos itens ali elencados, apontando inconsistências, e concluindo ter o mesmo boa dose de caráter ficcional, em especial porque não seria possível "fechar a conta" da capacidade financeira do sócio, nem mesmo se aos recursos por ele possuídos fossem acrescidos os valores dos empréstimos que a empresa alega ter feito a ele, os quais, de resto, também julgou em sua grande maioria incomprovados. A seguir, efetuou uma minuciosa análise mês a mês dos suprimentos, inicialmente analisando a questão da comprovação ou não da transferência de recursos do sócio para a empresa, e, a seguir, se comprovada, analisando a capacidade do sócio naquele momento para efetuar o suprimento. Assim, deu parcial provimento à impugnação com relação aos valores dos suprimentos cuja origem e efetividade foram comprovadas pela autuada. A multa de oficio foi reduzida para 75% em face da retroatividade benigna. Cientificada desta decisão em 13/10/2009 (lis. 1097), e com ela inconformada, a empresa apresenta recurso a este Conselho, fis. 1098/1115, no qual aduz, em síntese, o seguinte: e Tendo em vista que a impugnação foi apresentada em 05/10/1995 e a decisão de 1" instância foi cientificada à recorrente somente em 13/10/2009, ou seja, 14 anos depois, teria havido a prescrição intercorrente, cujo efeito principal é a extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inciso V, do CTN, de acordo com a melhor doutrina e jurisprudência, que transcreve; G Reitera as alegações formuladas na peça impugnatória, como se aqui estivessem transcritas, quanto: (1) à nulidade do auto de infração, (2) ao pedido de realização de perícia, e (3) à inocorrência da suposta omissão de receita por suprimentos do sócio, visto que comprovadas, à saciedade, tanto a "origem dos recursos" quanto a "efetividade da entrega"; e É draconiano — e, por isso, deve ser revisto — o posicionamento adotado pelo Relator da r. decisão recorrida de, ao considerar o fluxo financeiro apresentado pela contribuinte, "não levar em conta os saldos de meses anteriores" nem os suprimentos feitos em espécie por estarem assentados tão-somente em documentos internos (registro no caixa, chips(sic) de lançamento e recibos); 4 É o relatório. Processo n° 11040.001005/95-80 SI-C1T1 Acórdão n.° 1102-00.320 Fl. 3 • Contesta, mês a mês, valores que deixaram de ser reconhecidos pela decisão recorrida, os quais deixo de citar individualmente para que sejam tratados no voto a ser proferido. Voto Conselheiro João Otávio Oppennann Thomé, O recurso apresentado em 12/11/2009 é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. legal da infração. A recorrente alega nulidade por falta de indicação do correto enquadramento Conforme se verifica pelo conteúdo da impugnação e do recurso apresentados pela empresa contra as imputações que lhe foram feitas, resta evidente que o eventual equívoco ou omissão no tocante ao enquadramento legal não provocou qualquer prejuízo à sua defesa. Os fatos que deram origem à tributação estão perfeitamente descritos no trabalho fiscal e possibilitaram à empresa o pleno exercício do seu direito ao contraditório. Assim, deve ser rejeitada esta alegação. A recorrente alega nulidade em razão de não terem os autuantes observado o procedimento preconizado pelo art. 6° da Lei n° 8.846/95 para a apuração da omissão de receitas. Esta alegação também deve ser rejeitada, pois o fisco dispõe de vários instrumentos previstos em lei para aferir a omissão de receitas, os quais podem ser utilizados conforme as circunstâncias fáticas de cada caso. No caso, há claras evidências de omissão de receitas por parte da empresa, e uma das formas de que dispõe o fisco é justamente a que tem por base os valores dos suprimentos fornecidos à empresa pelos sócios, cuja efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem demonstradas. O pedido de perícia também é de ser rejeitado, pois está claro que os fatos e alegações a serem apreciados não exigem conhecimento técnico especializado de que não disponham os membros deste Colegiado, pressuposto de sua necessidade, não podendo a perícia servir para suprir prova que pode ser produzida pela juntada de documentos por parte do interessado. A recorrente alega a prescrição intercorrente. Sem a necessidade de maiores digressões, observo que tal pleito encontra resistência na Súmula CARF n° 11, pelo qual não deve ser aceito. "Súmula CARF n" 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo ,fiscal," Rejeitadas as preliminares, passo ao mérito. Em primeiro lugar, importante ressaltar que no caso presente estamos tratando de presunção legal, por certo que relativa ou juris tantum, contudo, compete à recorrente constituir prova suficiente a que se possa afastá-la. Ademais disto, no caso da presunção de que aqui se trata, é necessário que a empresa comprove não apenas que os recursos ingressaram na sociedade, mas também que os mesmos foram percebidos pelos sócios ou de origem estranha à sociedade ou, se dela oriundos, que foram submetidos à regular contabilização. 6 Processo if 11040001005/95-80 SI-C1T1 Acórdão o.° 1102-00.320 FL 4 No caso concreto, a julgar pelos registros contábeis da recorrente, há uma intensa troca de recursos entre sócio e empresa. Em quase todos os períodos há a anotação de recebimento de empréstimos pelo sócio, tendo a empresa como origem. E estes empréstimos recebidos pelo sócio constituem, por sua vez, expressiva fonte dos recursos que são alegados como origem para justificar, na outra ponta, os empréstimos feitos pelo sócio à empresa. Não há nada de incomum no procedimento de manter um conta-corrente desta natureza entre a empresa e os seus sócios. Mas a comprovação do efetivo fluxo financeiro, apta a elidir a presunção legal de omissão de receitas, há de ser feita com documentos idôneos, coincidentes em datas e valores, consoante a sólida jurisprudência administrativa construída ao longo dos anos. Neste sentido, reproduzo a ementa abaixo (Acórdão CSRF/01-0.220/82): "SUPRIMENTO DE CAIXA — Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a efetiva entrada do dinheiro e sua origem, coincidente em datas e valores, a importância suprida será tributada como omissão de receita. O registro contábil sem qualquer documento emitido por terceiros que o lastreie não é meio de prova." Bem se vê, portanto, que não podem ser aceitos como comprovados os registros de supostas transferências de recursos do sócio para a empresa quando efetuados em moeda corrente, e assentados somente em documentos internos da própria empresa, tais como o registro no Livro Caixa, "slips " de lançamento, e recibos. Esta foi também a lógica adotada pela decisão ora recorrida, no que não merece, portanto, reparos. No tocante à comprovação da origem dos recursos, cuja análise se fará necessária quando se estiver diante de uma transferência comprovadamente feita do sócio para a empresa, tomo a liberdade de reproduzir os fundamentos da decisão recorrida, por entender que a questão foi devida e minuciosamente ali analisada. "2.2,1, Capacidade , financeira dos sócios Às fls. .511/524, na impugnação, a empresa traz o que seria um ""fluxo financeiro" do sócio supridor, para tentar demonstrar que ele tinha capacidade de efetuar os suprimentos. É de se considerar, inicialmente que, em todos os períodos elencados na defesa, exceto em dois, há a anotação do "recebimento de empréstimos" pelo sócio tendo a empresa como origem. Para comprovação, a impugnante traz três relatórios manuscritos, os de fls. 626/630, 738/741 e 823/82.5, com a anotação das datas, valores e forma de transferência de recursos da empresa para o sócio e os pagamentos por ele efetuados, também especificando datas, valores e forma de transferência. Junta documentos para comprovar o teor das anotações manuscritas. Haveria, então, uma intensa troca de recursos entre sócio e empresa, um conta-corrente. A capacidade de o sócio aportar recursos na empresa fica dependente de a empresa ter efetuado, também, vários pagamentos em favor da pessoa ,física. Exemplificativamente podemos tomar o mês de abril/1993. O sócio teria emprestado à autuada, Cr$ 218.060_280,00 e 7 recebido pagamentos da empresa num total de Cr$ 112187.328,00 (fls. 627). Temos que, então, verificar a efetividade desse fluxo ,financeiro entre sócio e empresa. Haveria a impugnante que comprovar, tanto a transferência dos recursos do sócio para empresa, quanto desta para o sócio. Vejamos, inicialmente, se há comprovação de o sócio ter recebido recursos da empresa, que na impugnação são chamados de "recebimento de empréstimos" pelo sócio. A impugnante trouxe cópias do livro caixa com o registro de pagamento em apenas alguns períodos (fls. 531/556). Os empréstimos da empresa ao sócio que constam do caixa estão abaixo relacionados, com forma de ser verificar se estão, ou não, comprovados. N" Fls. Data Valor Forma transferência Transferência comprovada? 01 534 30/08/93 64.000,00 Cheque 110517 do Meridional, fls. 629 Não. Não há cópia do cheque ou extratos bancários. 02 540 30/12/93 120.514,00 Dep. Itaú, fls.630 Sim, recibos de depósito de fls. 737. 03 540 31/12/93 236.656,48 Em moeda, Es 630 Não. Traz depósitos fls. 736, mas sem coincidência de data e valor 04 541 21/01/94 125.000,00 Em moeda, Es 738 Não. Traz depósito de 200 mil, fls. 747, em cheque, sem coincidência data/valor 05 541 24/01/94 197.011,85 Crédito Banco do Brasil, Es. 738 (I) Não. ver anotação adiante. 06 542 22/02/94 201.228,44 Crédito no Banco do Brasil, fls. 738 Não. Idem item anterior, considerando o recibo de bônus de fls. 753 07 555 08/04/94 122.622,22 Em moeda, fls. 738 Não. Apenas documento interno de fls. 764. 08 547 10/08/94 193,84 Retirada no Barwisul, fls. Não. Apenas documento interno de fls. 795 740 09 549 02/09/94 1.300,00 Depósito Banco Nacional, fls. 740 Sim. Recibo de depósito com coincidência de data e valor, fls. 802. (1) O "recibo de bônus" de ,f1s. 748 refere que o depósito será efetuado na agência indicada no contrato. Tal contrato não consta do processo, de forma que não há a inlbrmação de os créditos serem efetuados na conta do sócio ou da empresa. Se a creditada é a empresa, haveria necessidade de mostrar a migração dos valores desta para o sócio. Tenho que, das transferências acima, pode-se aceitar como comprovadas as de número 2 e 9. Nenhum outro recebimento de empréstimo pelo sócio pode ser considerado, por inexistir prova da origem dos recursos - qual seja, a empresa — e por .falta de demonstração da transferência dos recursos. Além disso, é de se considerar que as declarações de rendimentos do sócio, vindas com a impugnação, fls. 622/624, relativas aos anos-calendário 1993 e 1994, não trazem a informação de que o sócio teria dividas ou direitos creditórios em „ face da empresa. Adiante teço mais considerações acerca do fluxo financeiro do sócio que veio com a impugnação. 2.2.2 Acerca do fluxo .financeiro dos sócios 8 Processo n" 11040.001005/95-80 Si-C1T1 Acórdão n." 1102-00.320 Fl. 5 Às fls. 511/524, na impugnação, a empresa traz o que seria um "fluxo financeiro" do sócio supridor para tentar demonstrar que ele tinha capacidade de efetuar os suprimentos. Estão incluídos também rendimentos da sócia Áurea Maria Machado Alano. Para viabilizar o tal "fluxo financeiro", além dos já referidos empréstimos, são incluídos outros rendimentos dos sócios, tais como aposentadoria, pró-labore e recebimento de aluguéis, Há uma perceptível dificuldade em demonstrar que os sócios teriam rendimentos suficientes para os suprimentos alegadamente efetuados, dada a necessidade de incluir integralmente rendimentos como os de aposentadoria, sem considerar a eventual fruição desses recursos no dia a dia. Os saldos mensais vão se acumulando e, mesmo assim, há necessidade da "percepção" de empréstimos, sem os quais o sócio não teria recursos para os suprimentos. Exemplificativamente podemos ver o que traz o contribuinte acerca dos suprimentos de dezembro de 1994. O valor suprido de R$ 18.909,75, é assim justificado: Saldo do mês anterior 9.713,21 INAMPS (extrato BB) 1.628,64 Aluguel (loja 23) 218,14 Aluguel (loja 31) 217,81 Recebimentos de empréstimos 8.779,13 TOTAL20.556,9.3 Além disso, há outras ,fontes de recursos que merecem observações. O início do ,fluxo financeiro apresentado pelo contribuinte acontece em janeiro/1993. Nesse mês o contribuinte pretende incluir como "recurso", a venda de dois imóveis. A transação ocorreu em novembro/1992 e está comprovada nos autos, ,fls. 5.57/560. Acontece que a impugnante pretende ,fazer crer que esse valor continuava, em espécie, com o sócio, dois meses após a realização da transação, numa época em que a inflação andava em torno dos 25% mensais (fonte: IBGE, variação do INPC, em http://www,ibge.gov.br). Do total suprido (Cr$ 57.040.000,00), 51 milhões teriam ocorrido em dinheiro. Esse valor é superior ao obtido com a venda de dois imóveis em novembro/1992, Ora, dada a inflação do período, não é crível que os fatos tenham ocorrido dessa maneira. O julgador tem liberdade para firmar a sua convicção e a minha é que tais pagamentos em espécie não podem ser aceitos como efetivos, dadas as particularidades desse caso. O contribuinte poderia ter trazido extratos bancários seus mostrando o trânsito dos valores pela conta bancária, mas não o ,fez. Não é crível, também, que o sócio recebesse a aposentadoria creditada em conta corrente bancária (comprovantes de 562/590), sacasse o valor e posteriormente, fosse fazendo aportes em dinheiro na empresa. É de se perceber, por tal ,fluxo 9 financeiro, que em janeiro/1993 o sócio teria usado recursos da aposentadoria relativos a dezembro/1992 e a janeiro/1993. Há ainda a tentativa de o sócio incluir como "rendimento", em janeiro/93 e janeiro/94, valores de "moeda estrangeira" que declarou em sua Declaração de Bens e Direitos, Acontece que na declaração, o valor apontado como "moeda estrangeira em espécie" aumenta em 31/12/1993 em relação ao montante que havia em 31/12/1992, levando a crer ter havido a compra de moeda estrangeira e não a venda (declaração ,fls. 622, verso). Nenhum comprovante de venda de moedas consta do processo. Para fins de compor o ,fluxo financeiro de 1994, novamente o sócio acrescenta, no mês de janeiro, como moeda estrangeira, o total indicado na sua declaração de bens em 31/12/1993. Novamente sem qualquer comprovação. Também são incluídos, em janeiro/1993, recursos de aplicação financeira que constou na declaração de rendimentos. Também aqui não há qualquer demonstração que tal aplicação .foi sacada no período considerado e de que Migrou para a conta da empresa. E, também nesse caso é demasia considerar que recursos aplicados em banco sejam sacados em espécie pela pessoa física para futuros aportes na empresa. Tudo isso que vou relatando imprime um caráter ficcional ao tal fluxo financeiro, lembrando que, mesmo com todas essas incongruências, não é possível fechar a conta sem que se acresça, praticamente em todos os meses, os tais empréstimos, em sua maioria incomprovados. Em outras palavras, não lbssem os alegados empréstimos ao sócio, ele não conseguiria demonstrar capacidade financeira para fazer os aportes que estão registrados na contabilidade." Com base nos fundamentos acima transcritos, os quais ora subscrevo, é que não pode ser aceita como suposta origem de recursos os saldos de meses anteriores, que iriam passando continuamente de um mês para outro, conforme deseja a recorrente. Cumpria a ela trazer aos autos provas efetivas de que os valores alegados houvessem efetivamente transitado por contas bancárias de titularidade dos sócios, contudo não há nos autos extratos bancários que confirmem as suas alegações. Expostos os fundamentos, resta agora verificar, pormenorizadamente, as alegações especificas relativas a cada transferência mencionada na peça recursal. É o que passo a fazer. Janeiro/93 Dos empréstimos efetuados em janeiro/93, somente um, conforme a própria recorrente, teria sido efetuado em cheque. Trata-se do suprimento de Cr$ 6.040.000,00, que alega a recorrente ter sido efetuado através do cheque 253113, do BCN, emitido em 29/01/93, com relação ao qual "o Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 28/05/2007, no entanto, refere-se ao aludido cheque como sendo de janeiro/2003, o que certamente, dificultou a sua localização pelo estabelecimento bancário," 10 Processo o' 11040,001005/95-80 Si-C1T1 Acórdão o." 1102-00.320 F1, 6 Ora, se de fato isto causou dificuldades naquele momento, este problema poderia ter sido sanado com a apresentação do referido cheque por ocasião do recurso voluntário, uma vez que entre a referida intimação e o recurso passaram-se mais de dois anos, mas a empresa sequer demonstrou iniciativa para sua obtenção. Assim, não tendo trazido aos autos qualquer prova das transferências de recursos do sócio para a empresa, relativas ao mês de janeiro/93, é de ser mantida a decisão recorrida com relação a este mês. Fevereiro/93 Com relação a uma transferência entre contas correntes de Cr$ 3.000.000,00 o julgador a quo não aceitou a alegação de que ela teria origem no sócio, porque o documento anexo às fls. 643 para comprovação não permite identificar quem é o supridor dos recursos, já que "a única conta bancária mencionada no documento (393958-9) não é a mesma do sócio supridor que, conforme os cheques constantes dos autos, é a conta n" 393.971-6." A recorrente ora junta às fls. 1111 uma comprovação de que a conta bancária 393958-9 mencionada no documento de fls. 643 é da própria recorrente, "o que evidencia não se tratar de 'suprimento' do sócio mas de mera 'transferência' entre contas correntes da mesma pessoa jurídica" A alegação não pode ser aceita, pois o documento de fls. 643 justamente não identifica quem é o supridor, mas tão somente o beneficiário, que é portanto a empresa, titular da única conta citada no referido documento. Ademais, se se tratasse de mera transferência entre contas correntes da mesma pessoa jurídica, este fato contrariaria frontalmente o registro contábil efetuado, uma vez que a própria empresa contabilizou o referido valor como se fosse um empréstimo do sócio para ela. Assim, improcede a alegação da recorrente quanto a esta transferência, uma vez que não demonstrada a origem dos recursos. Com relação a um aporte que teria sido efetuado por meio do cheque BCN 444954, no valor de Cr$ 7.625.603,17, o julgador a quo não o aceitou por tratar-se de documento nominal a terceira empresa e por não haver documentos nos autos que estabeleçam nexo entre esses pagamentos e as atividades da empresa. A recorrente ora esclarece que o mesmo "foi emitido nominal à CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações), destinando-se, obviamente, ao pagamento da conta telefônica da ora recorrente." Ora, é cediço que, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, incumbe ao réu o ônus da prova, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Simples alegação de que a conta telefônica seria da empresa, desacompanhada da prova de sua veracidade, tornam a referida alegação sem valor, pois não há nada de óbvio ou notório no fato alegado que pudesse ensejar a dispensa de sua prova. Assim, improcede a alegação da recom-ente quanto a este pagamento, posto que não está comprovado que o mesmo tenha sido feito em proveito da autuada. Alega ainda a recorrente que "nesse mês, ocorreu a venda de um veículo do sócio, cujo produto (Cr$ 161.292.292,80) não pode deixar de ser computado entre os 'recursos' por ele disponíveis e utilizados nos suprimentos feitos no período." 11 Contudo, conforme visto, sequer restou comprovada a efetividade da entrega dos recursos por parte do sócio à empresa neste mês, pelo que não merece reparos a decisão recon-ida. Março/93 Com relação a este mês, a autoridade julgadora a quo não reconheceu uma transferência de Cr$ 37.133.024,41, feita por meio do cheque do BCN n° 710527, fls. 891, porque este, embora nominal à empresa, fora endossado. No recurso, informa a recorrente que o referido cheque destinou-se ao pagamento da contribuição previdenciária devida ao INSS pela recorrente, conforme anotação constante do verso do cheque, e junta a devida comprovação, anexando a correspondente GRPS da empresa às fls. 1114, neste exato valor. Assim, deve ser excluído da receita omitida neste mês o suprimento no valor de Cr$ 37.133.024,41. Maio/93 Com relação a este mês, constava da impugnação da empresa o seguinte: "Do valor suprido (Cr$ 110.837.458,64), Cr$15.912.458,64 em 03/05, Cr$17.000.000,00, em 11/05, e Cr$16.925.000,00, em 28/05, o firam através dos cheques 9087491750, do Banco liaú, 640819 e 121386, do BC1V. O restante, em dinheiro, mediante recibos e escrituração no Livro Caixa," O cheque IV 640819 é o de Cr$ 17.000.000,00 e foi acatado pela DRJ. O cheque n° 121386 é o de Cr$ 16.925.000,00 (fls. 897). Assim, por exclusão, o mencionado cheque de n° 9087491750, do Banco liai", haveria de ser o de Cr$ 15.912.458,64, o qual a DRJ observou que não teria sido apresentado pela empresa. Protesta a recorrente, contudo, que o referido cheque "foi, sim, apresentado, só que nas precárias condições (quanto à sua legibilidade) em que a cópia do cheque foi recebida, do Banco 'dá (v. cópia em anexo), em 2007." A cópia do cheque ora anexo às fls. 1112, conquanto de precária legibilidade, permite verificar ser o mesmo documento já anexo, após a diligência efetuada, às fls. 912, e que corresponderia ao cheque n° 908749, do Banco Itaú. Neste caso, o valor nele expresso seria de Cr$ 6.000.000,00, e não de Cr$ 15.912.458,64, conforme o documento anexo às fls. 911, também do Banco Itaú, apresentado em atenção à solicitação da empresa. Neste mesmo documento, consta informação daquela instituição financeira de que a forma de desconto deste cheque foi "cheq. pag. no caixa". Assim, além da contradição entre os valores constantes da impugnação e do documento apresentado, e do fato de não ser o mesmo legível, não permitindo identificar o seu beneficiário, de qualquer forma não poderia o mesmo ser aceito como prova da transferência de recursos do sócio à empresa, porque descontado diretamente no caixa, e não compensado. Junho/93 Com relação a este mês, consta da decisão recorrida: "São dois os cheques que teriam servido para suprimento. O primeiro é o de fls. 898, no valor de Cr$ 29.495.520,82, nominal à autuada e compensado, o que comprova a entrega do numerário. Já o outro cheque, de fls. 899, no valor de Cr$ 30.000.000,00, apesar de nominal à empresa, não se presta para 12 Processo 11 0 11040.001005/95-80 Acórdão 1102-00.320 Si-CIT1 Fl. 7 comprovação, pois não está demonstrada a titularidade da conta em que foi depositado, constante do verso (conta 393,9584). Os rendimentos do sócio (Inamps e alugueis) são suficientes para comprovar a origem dos recursos." Por ocasião da presente contestação, juntou a empresa às fls. 1111 comprovação de que a referida conta bancária é da própria recorrente. Assim, deve ser excluído da receita omitida neste mês o suprimento no valor de Cr$ 30.000.000,00. Julho/93 Com relação ao cheque no 888740, do Banco Itaú, no valor de Cr$ 30.566.992,87, torna a recorrente a se utilizar do argumento de que o mesmo não poderia deixar de ser considerado, posto que nominal à CRT (Cia. Riograndense de Telecomunicações) para pagamento, "obviamente, da conta telefônica da recorrente." Contudo, conforme já antes referido, alegar sem provar é o mesmo que não alegar, portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente. Agosto/93 Com relação ao cheque n° 951991, do BCN, no valor de CR$ 35.084,53, e ao cheque n° 888798, do Banco Itaú, no valor de CR$ 11.495,14, torna a recorrente a se utilizar do argumento de que os mesmos não poderiam deixar de ser considerados, posto que nominais à CRT (Cia. Riograndense de Telecomunicações) para pagamento, "obviamente, da conta telefônica da recorrente." Contudo, conforme já antes referido, alegar sem provar é o mesmo que não alegar, portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente. Setembro/93 Com relação ao cheque n° 568858, do Banco baú, no valor de CR$ 48.623,33, torna a recorrente a se utilizar do argumento de que o mesmo não poderia deixar de ser considerado, posto que nominal à CRT (Cia. Riograndense de Telecomunicações) para pagamento, "obviamente, da conta telefônica da recorrente." Contudo, conforme já antes referido, alegar sem provar é o mesmo que não alegar, portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente. Novembro/93 Com relação ao cheque n° 539753, do Banco Itaá, no valor de CR$ 157.728,42, torna a recorrente a se utilizar do argumento de que o mesmo não poderia deixar de ser considerado, posto que nominal à CRT (Cia. Riograndense de Telecomunicações) para pagamento, "obviamente, da conta telefônica da recorrente." Contudo, conforme já antes referido, alegar sem provar é o mesmo que não alegar, portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente. Dezembro/93 Nesta mesma linha de raciocínio, com relação ao cheque n° 539814, do Banco Itaú, no valor de CR$ 246.431,31, argumenta a recorrente que o mesmo não poderia deixar de ser considerado, posto que nominal à Auxiliadora Predial para pagamento de aluguel de sala ocupada pela filial da recorrente na Praça Dom Feliciano, imobiliária encarregada da I 3 administração de imóvel pertencente à recorrente. Contudo, conforme já antes referido, alegar sem provar é o mesmo que não alegar, portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente. Além disto, no caso deste mês, conforme demonstrado na decisão recorrida, a capacidade financeira dos sócios já se encontrava exaurida em razão de outras transferências de recursos que foram julgadas comprovadas, portanto, de qualquer forma, não seria possível acatar a pretensão da recorrente. Janeiro/94 Nesta mesma linha de raciocínio, com relação ao cheque n° 249744, do Banco Itan, no valor de CR$ 354.694,68, argumenta a recorrente que o mesmo não poderia deixar de ser considerado, posto que nominal à CRT, para pagamento da conta telefônica da recorrente; assim também o de n° 392276, do Banco do Brasil, no valor de CR$ 98.515,00, que foi emitido nominal à PURIFARMA DIST. QUIM. FARM. LTDA, fornecedora da recorrente; e o de n° 114156, do BCN, no valor de CR$ 58.932,73, nominal ao Tesouro do Estado do RGS, obviamente, para pagamento de tributo devido pela recorrente. Contudo, conforme já antes referido, alegar sem provar é o mesmo que não alegar, portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente. Fevereiro/94 Nesta mesma linha de raciocínio, com relação ao cheque n° 164803, do Banco Itan, no valor de CR$ 32.533,00, argumenta a recorrente que o mesmo não poderia deixar de ser considerado, posto que emitido para pagamento de DARF, naturalmente de interesse da recorrente, o que pode ser confirmado por consulta ao C/C da SRF; que o de n" 164186, do Banco ItaU, no valor de CR$ 469.598,73, é nominal à CRT, para pagamento da conta telefônica da recorrente; que o de n° 164849, do Banco Mi, no valor de CR$ 318.000,00, é nominal a MULTILABOR EQUIP. PRODS. LABOR. LTDA., fornecedora da recorrente; e que o de n° 041006, no valor de CR$ 462.997,94, é nominal à Auxiliadora Predial, em pagamento do aluguel da filial então loCalizada na Praça Dom Feliciano, em P. Alegre. Em que pese caiba ao interessado a prova dos fatos que alegue, tendo em vista que, com relação ao cheque n° 164803, no valor de CR$ 32.533,00, a confirmação do fato alegado encontrar-se-ia na posse da própria administração, em prestígio ao direito de ampla defesa do administrado, efetuei pesquisa no sistema SINAL10, que registra os pagamentos efetuados no âmbito da 10 a Região Fiscal, no qual constatei que no dia 07/02/94 houve o recolhimento de um DARF exatamente nesta importância por parte da recorrente, CNPJ 87.448.833/0001-06. Uma vez que os rendimentos do sócio neste mês são suficientes para comprovar a origem de recursos neste montante, deve ser excluído da receita omitida neste mês o suprimento no valor de CR$ 32.533,00. Contudo, com relação aos demais cheques, conforme já antes referido, alegar sem provar é o mesmo que não alegar, portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente. Março/94 Nesta mesma linha de raciocínio, com relação ao cheque n° 164843, do Banco Itan, no valor de CR$ 597.977,69, argumenta a recorrente que o mesmo não poderia deixar de ser considerado, posto que emitido nominal à Auxiliadora Predial S/A., para pagamento do aluguel antes referido; que o de n° 164848, do Banco liai', no valor de CR$ 536.811,59, é nominal à CRT, para pagamento da conta telefônica da recorrente; e que o de n° 14 Processo n° 11040.001005/95-80 SI-C1T1 Acórdão n." 1102-00.320 Fl. 8 565006, do Banco do Brasil, no valor de CR$ 366.923,77, é para pagamento da Cofins referente ao período de apuração 02/94, conforme anotação constante do verso. Em que pese caiba ao interessado a prova dos fatos que alegue, tendo em vista que, com relação ao cheque n° 565006, no valor de CR$ 366.923,77, a confirmação do fato alegado encontrar-se-ia na posse da própria administração, em prestígio ao direito de ampla defesa do administrado, efetuei pesquisa no sistema SINALA O, que registra os pagamentos efetuados no âmbito da 10' Região Fiscal, abrangendo todo o mês de março/94, porém não localizei nenhum recolhimento de DARF nesta importância por parte da recorrente, CNPJ 87.448.833/0001-06, matriz, ou CNPJ 87.448.833/0003-60, filial, nem tampouco a soma da Cofins dos dois estabelecimentos perfaz aquele valor. Portanto, conforme já antes referido, alegar sem provar é o mesmo que não alegar, portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente. Abril/94 Nesta mesma linha de raciocínio, com relação ao cheque n° 392866, no valor de CR$ 707.050,00, argumenta a recorrente que o mesmo não poderia deixar de ser considerado, posto que emitido nominal à PURIFARMA DIST. QUIM. FARM. LTDA., fornecedora da recorrente. Contudo, conforme já antes referido, alegar sem provar é o mesmo que não alegar, portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente. Maio/94 Nesta mesma linha de raciocínio, com relação ao cheque II° 383417, do BCN, no valor de CR$ 975.446,23, argumenta a recorrente que o mesmo não poderia deixar de ser considerado, posto que emitido nominal à CRT, para pagamento da conta telefônica da recorrente; e que os demais não foram trazidos ao processo por causa da não localização pelos estabelecimentos bancários, devido ao enorme tempo transcorrido desde a sua emissão. Contudo, conforme já antes referido, alegar sem provar é o mesmo que não alegar, portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente. De se observar ainda que o cheque citado pela recorrente, cuja cópia encontra-se às fls. 909, na verdade está emitido nominal ao próprio BCN, e não à CRT, conforme alegado. Junho/94 Com relação ao cheque n° 221591, do Banco do Brasil, no valor de de CR$ 1.200.000,00, argumenta a recorrente que o mesmo "não foi apresentado, quando da intimação fiscal no ano de 2007, porque o banco — embora solicitado (v. correspondência em anexo) — não forneceu a microfilmagem. Certamente, devido ao tempo transcorrido (13 anos) desde a sua emissão." Em que pese o tempo transcorrido, o fato é que na mesma solicitação de reprodução de cheques, ora anexa às fls. 1115, constam também dois outros cheques com data de emissão ainda mais antigas, com relação aos quais o Banco localizou e entregou cópias microfilmadas, as quais encontram-se anexas de fls. 971 a 976. No documento de fls. 970, em que a recorrente encaminha os documentos para a Receita Federal em atendimento à diligência, consta a informação de que a recorrente traria cópia dos extratos bancários relativos ao cheque n° 221591, não localizado pelo Banco. 15 De fato, na impossibilidade de apresentação da cópia microfilmada do referido cheque, acaso demonstrado que tal fato decorresse de circunstância alheia à vontade da requerente, a apresentação de extratos bancários comprovando o débito na conta do sócio e o crédito na conta da fiscalizada também atenderiam aos fins de comprovação da transferência efetuada, tendo a recorrente sinalizado que assim procederia. Contudo, não foram anexos aos autos os referidos extratos, de modo que, por falta de comprovação, não merece acolhida a pretensão da recorrente. Agosto e Setembro/94 Com relação aos meses de agosto e setembro/94, aduz a recorrente: " a decisão recorrida concluiu que "não há comprovação de o sócio ter suprido a empresa com recursos." Ora, se a omissão de receita f.bi apurada devido a suprimentos do sócio e nesse mês não há comprovação de o sócio ter suprido a empresa com recursos, não há que falar em omissão de receita por suprimento do sócio, no período." O argumento não procede. O legislador estabeleceu esta presunção legal de omissão de receitas justamente por conhecer o fato de que o sócio, sendo ao mesmo tempo gestor dos seus próprios recursos, bem como dos recursos da pessoa jurídica, possui facilidade para utilizar-se do artificio de alegar ter efetuado suprimento de caixa pela pessoa fisica, quando na verdade estaria mascarando a utilização de recursos que são provenientes de omissão de receitas anterior. Por isto mesmo é que a lei exige que o sócio faça prova de que foi ele quem supriu a empresa com recursos. Assim, se não é feita a comprovação de o sócio ter suprido a empresa com recursos, sendo que a própria empresa alega e contabiliza esta operação como se estes recursos tivessem sido supridos pelo sócio, ora, é justamente nestas circunstâncias que se tem por configurada a presunção legal de omissão de receitas em questão. Janeiro/95 Com relação ao cheque n° 968935, do Banco Nacional, no valor de R$ 2.678,11, argumenta a recorrente que o mesmo não poderia deixar de ser considerado, posto que emitido nominal à PROD. QUIMS. FARMACS. S/A., fornecedora da recorrente. Contudo, conforme já antes referido, alegar sem provar é o mesmo que não alegar, portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente. Fevereiro a Junho/95 Com relação aos meses de fevereiro a junho/95, não manifestou-se a recorrente, pelo que, quanto aos mesmos, deve ser mantida a decisão recorrida. CONCLUSÃO Em conclusão, portanto, quanto ao mérito, deve ser dado parcial provimento ao recurso para cancelar parcialmente a exigência baseada em suprimentos de caixa não comprovados, excluindo da receita omitida os valores tributáveis de Cr$ 37.133.024,41 em março/93; de Cr$ 30.000.000,00 em junho/93; e de CR$ 32.533,00 em fevereiro/94. Quanto aos lançamentos decorrentes ou reflexos (no caso, CSLL, PIS, COFINS e IRRF), tendo em vista que efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem 16 Processo n O 11040,001005/95-80 Acórdão n.° 1102-00.320 SI-C1T1 Fl, 9 ao lançamento principal, deve-se aplicar a eles a mesma decisão adotada quanto à exigência do IRPJ, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. É como voto. JOÃO O2lAX/I0 OPPERMANN THOMÉ 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF PRIMEIRA CÂMARA Processo n° : 11040.001005/95-80 Acórdão n° : 1102.00.320 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, „.1 5 DEZ 2510 1 JOSÉ ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da 1' Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; ]
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001132/2003-79
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
ITR - MATÉRIA LEVADA À APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO -
CONCOMITÂNCIA.
O fato de o contribuinte estar questionando, perante o Poder Judiciário, matéria exigida em auto de infração importa em renúncia à esfera administrativa. Aplicável ao caso o Enunciado de Súmula CARF n° 01, que deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 40, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso especial conhecido e em razão da concomitância, deixa-se de apreciar o mérito da controvérsia.
Numero da decisão: 9202-000.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, deixando de apreciar o mérito em razão da concomitância com a discussão na ação anulatória de débito fiscal n° 2005.5L11.000088-9, ajuizada junto à Vara Federal de Angra dos
Reis-RJ
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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O fato de o contribuinte estar questionando, perante o Poder Judiciário, matéria exigida em auto de infração importa em renúncia à esfera administrativa. Aplicável ao caso o Enunciado de Súmula CARF n° 01, que deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 40, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial conhecido e em razão da concomitância, deixa-se de apreciar o mérito da controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, deixando de apreciar o mérito em razão da concomitância com a discussão na ação anulatória de débito fiscal n° 2005.5L11.000088-9, ajuizada junto à Vara Federal de Angra dos Reis-Ri e 1 Processo n°10735.001132/2003-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.475 Fl. 459 i CARLOS ALB • II • ITAS B' " • TO – Presidente a r t GONÇALO :• ' . ALLAGE – • elator EDITADO EM: - 23 ABB 2010 _ Participaram, do présente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justiflcadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Em face de Industrial Agrícola Fazenda Barra Grande S.A., CNPJ n° 29,171.782/0001-03, foi lavrado o auto de infração de fls. 03-06, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1998, em razão da glosa de áreas declaradas _ como sendo de preservação- ambiental e de utilização-limitada, por ausência de tompnivação, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Barra Grande, situado no município de Parati (RJ). As áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas, respectivamente, de 9.145,0 ha e de 825,0 ha para 0,0 ha. A l a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) considerou o lançamento procedente (fls. 209-234). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte na sessão de 01/12/2004, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 301-31.585, que se encontra às fls. 307-320, cuja ementa é a seguinte: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do (IR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental — ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que sua existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Á comprovação da área de reserva legal para efeito de sua k exclusão da base de cálculo do 117? independe de sua prévia 2 Processo o° 10735.001132/2003-79 CSRF-T2 Acórdão n/ 9202-00.475 Fl. 460 averbação no cartório competente, uma vez que seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO PROFERIDA EM I a INSTÂNCIA. NULIDADE. Não restando configurado nos autos que a decisão tenha sido proferida por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, não há que se falar em sua nulidade. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não cabe declarar a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente e de acordo com os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar a alegação de inconstitucionalidade das leis, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, por força do disposto no art. 102, I "a", e III, "b", da Constituição Federal RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito deu parcial provimento ao recurso, para determinar a exclusão da base de cálculo do ITR de 8.195,0 ha a titulo de área de preservação permanente e de 950,0 ha a titulo de reserva legal. Intimada do acórdão em 01/03/2005 (fls. 321), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 322-331, acompanhado dos documentos de fls. 332-353, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A primeira discussão que se trava nestes autos cinge-se a saber se restando não cumprida a exigência de averbação tempestiva da área declarada como de reserva legal, para fins de não incidência do VER, como no caso em tela, deve ser mantida ou não a glosa efetuada pela fiscalização; b) Diferentemente do que concluiu o acórdão recorrido, a 1a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes decidiu que se faz necessária a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel para a isenção do ITR; c) Demonstrada está a divergência jurisprudencial; d) Tal obrigação está prevista na Lei n° 4.771/65 (Código Florestal) e foi mantida pela legislação superveniente; e) A Lei n° 9.393/96, ao se reportar a essa lei ambiental, para efeito de cálculo da área tributada do imóvel, está condicionando, implicitamente 3 Processo e 10735.00113212003-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.475 Fl. 46 f a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimento dessa exigência; Q Ademais, deve ser levado em conta que o lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador; g) Assim, para fazer jus à não tributação das áreas declaradas como de utilização limitada (reserva legal), a exigência de averbação da referida área deve ser cumprida até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício, o que, no caso, não ocorreu; h) A decisão recorrida diverge do acórdão n° 302-35.928 quanto à questão da qualidade do laudo técnico a autorizar a revisão da área de preservação permanente; i) Sendo a área de preservação permanente uma excepcionalidade, é dever do contribuinte trazer laudo técnico idôneo que autorize a perfeita comprovação do alegado; j) A exigência do cumprimento dos requisitos da ABNT não se mostra como rigorismo exacerbado e descabido, mas, sim traduz-se como o atendimento mínimo técnico que autoriza o reconhecimento da idoneidade do documento. Por intermédio do Despacho n° 301-715/11/05 (fls. 357), que levou em conta a Informação Técnica de fls. 354-356, segundo a qual "... restou, pois, manifestamente configurada a divergência, na medida em que, enquanto o Acórdão da l a Câmara recorrido alega que a comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR independe de sua averbação no cartório competente, uma vez que seu reconhecimento pode ser feito por Laudo Técnico e outras provas documentais idóneas, a P' Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes diz que as áreas de reserva legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente, prevista no artigo 11, inciso 1, da Lei n° 88.47/94.", o recurso foi admitido. Na seqüência, a Procuradoria da Fazenda Nacional trouxe aos autos cópias de documentos (fls. 361-419) extraídos da ação anulatória de débito fiscal n° 2005.51.11.000088- 9, movida pela contribuinte Industrial Agrícola Fazenda Barra Grande S.A. em face da União Federal, perante a Vara Federal de Angra dos Reis (RJ), cujo ajuizamento ocorreu em 25102/2005, tendo como objeto o débito constituído no processo administrativo n° 10735.001132/2003-79 (exatamente o caso em apreço). O representante da Procuradoria da Fazenda Nacional no extinto Conselho de Contribuintes foi cientificado (fls. 425). Em sede de contra-razões ao recurso especial (fls. 429-438) a contribuinte alegou, fundamentalmente, que: 1. Ocorreu o trânsito em julgado no que se refere à área de preservação permanente; 2. Não se pode conhecer do recurso, pois a matéria em apreço está pacificada perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido do acórdão recorrido; 4 Processo n° 10735.001132/2003-79 CSAF-T2 Acórdão n.° 9202-00.475 Fl. 462 3. Existe, efetivamente, a área de preservação permanente declarada, sendo desnecessária a averbação na matrícula do imóvel. É o Relatório. Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte, para determinar a exclusão da base de cálculo do 11K de 8.195,0 • ha a título de área de preservação permanente e de 950,0 ha a título de reserva legal. A recorrente insurgiu-se contra a exclusão da base de cálculo do ITR da area de reserva legal e questionou o laudo técnico considerado para fins de reconhecimento da área de preservação permanente, sendo que o seguimento do recurso cingiu-se à primeira matéria. Esta deveria ser a matéria em litígio. Contudo, os documentos juntados aos autos às fls. 361-419 dão conta de que há coincidência entre o objeto da ação judicial n° 2005.51.11.000088-9 (movida pela contribuinte Industrial Agrícola Fazenda Barra Grande S.A. em face da União Federal, perante a Vara Federal de Angra dos Reis — RJ) e do lançamento contido neste processo administrativo fiscal. Extraio da inicial da referida ação anulatória de débito fiscal as seguintes passagens (fls. 363 e 373): A AUTUAÇÃO IMPUGNADA Não obstante, em 26 de maio de 2003, a Requerente foi notificada do Auto de Infração n° 10735.001132/2003-79, datado de 24 de maio de 2003, contra si lavrado em procedimento fiscal, pela Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu, RI, por meio do qual a autoridade fiscal lhe determinou que efetuasse o recolhimento de crédito tributário nele apurado e constituído, referente ao exercício de 1998, calculado com base na área total do imóvel, do valor de R$ 10.535.4898 (Dez milhões, quinhentos e trinta e cinco mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e novena e oito centavos), compreendendo principal (R$ 4.117.033,60), juros de mora de 80,90% (R$ 3.330.680,18) e multa de 75% (R$ 3.087.775,20), no prazo de trinta dias ou o impugnasse (doc. n° 16). QUESTÕES DE MÉRITO Processo n° 10735.001132/2003-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.475 Fl. 463 Contudo, se ultrapassadas as preliminares atrás argüidas, o julgador entendesse legal e constitucional a autuação, ainda assim, no MÉRITO, não procederia a exação nela consignada por exigir da Requerente tributo em demasia do que o realmente devido. Pois o Fisco não poderia ter glosado as áreas declaradas pela Requerente, a titulo de preservação permanente e de utilização limitada, com suporte nos artigos 14 e 15 da lei n° 9.393/96 e pelo rito previsto no decreto 70.235/72. Sob minha ótica, há flagrante coincidência entre os objetos das demandas, motivo pelo qual tenho como aplicável ao caso o artigo 38, § único, da Lei n° 6.830/80, que assim determina: Art. 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição de indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa — desistência do recurso acaso interposto. (Gnfez) Portanto, a matéria questionada perante o Poder Judiciário não pode ser discutida, de forma concomitante, na esfera administrativa. Nesse sentido, ressalto que no mês de dezembro de 2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° I tem o seguinte conteúdo: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Por força do que dispõe o artigo 72, § 4 0 , combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Assim, no âmbito deste Colegiado não se pode apreciar matéria também questionada perante o Poder Judiciário. 6 Processo n° 10735.0111132/2003-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.475 Fl. 464 Nessa ordem de juizos, voto no sentido de reconhecer a concomitância deste feito com a ação anulatória de débito fiscal n° 2005.51.11.000088-9, movida pela contribuinte Industrial Agrícola Fazenda Barra Grande SÃ. em face da União Federal, perante a Vara Federal de Angra dos Reis (RJ), deixando, conseqüentemente, de analisar o mérito da controvérsia. Gonçalo Bone • lage- Relator 7
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Numero do processo: 10920.003282/2004-19
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. INDENIZAÇÃO.
A verba denominada auxílio combustível constitui ressarcimento de custos e, por força de sua natureza indenizatória, encontra-se fora ao campo de incidência do imposto de renda.
Numero da decisão: 2201-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza e Maria Helena Cotta Cardozo votaram pela conclusão. A Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo fará declaração de voto.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Odmir Fernandes, Walter Reinaldo Falcao Lima, Nathalia Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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INDENIZAÇÃO. A verba denominada “auxílio combustível“ constitui ressarcimento de custos e, por força de sua natureza indenizatória, encontrase fora ao campo de incidência do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza e Maria Helena Cotta Cardozo votaram pela conclusão. A Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo fará declaração de voto. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Odmir Fernandes, Walter Reinaldo Falcao Lima, Nathalia Mesquita Ceia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 32 82 /2 00 4- 19 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 15/18), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, no qual se apurou o pagamento da importância de R$ 3.753,66 a título de restituição indevida a devolver corrigida, acrescida da multa de oficio de 75% e dos juros de mora. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física, em decorrência da glosa da verba denominada “auxílio combustível”, considerada pelo contribuinte como verba indenizatória. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 1/14), alegando, conforme se extrai de parte da transcrição do relatório de primeira instância, verbis: 1. Da preliminar de nulidade do ato fiscal O interessado alega que o enquadramento legal constante do Auto de Infração é totalmente desconexo, gerandolhe impossibilidade de ampla defesa. Aduz que pela observação atenta do enquadramento legal evidenciase a ausência de dispositivo de lei que se coadune com a infração imputada; e que a autoridade administrativa fundamentou a exigência tributária em dispositivos regulamentares. (...) Afirma teria agido em consonância com a jurisprudência e a doutrina acerca da ilegalidade da incidência do Imposto de Renda sobre as verbas recebidas a título de “auxílio combustível/indenização pelo uso de veículo próprio”. Menciona decisão no Mandado de Segurança nº 2002.0139918, que teria determinado que o Secretário Estadual da Administração se abstivesse de incluir a indenização pelo uso de veículo próprio na base do Imposto de Renda Retido na Fonte. Assim, reforça que não omitiu ou deixou de declarar qualquer valor recebido, mas que pretendeu, apenas, por meio de retificação excluir dos valores tributáveis a indigitada indenização. 2. Da natureza indenizatória da verba auxílio combustível Segundo o impugnante, “para Hugo de Brito Machado, na expressão do Código Tributário Nacional – CTN, ‘renda é sempre um produto, um resultado, quer do trabalho, quer do capital, quer da combinação desses dois fatores. Os demais acréscimos patrimoniais que não se comportem no conceito de renda são proventos”’. Diz, ainda, que, diante dos dispositivos do CTN, o eminente doutrinador teria afirmado que ‘não há renda, nem provento, sem que haja acréscimo patrimonial’. Esclarece que a “indenização pelo uso de veículo próprio” foi instituída pela Lei Estadual nº 7.881, de 22 de dezembro de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10920.003282/200419 Acórdão n.º 2201002.218 S2C2T1 Fl. 3 3 1989. À vista do que dispõe o art. 1º da referida lei, o interessado infere que a verba visa recompor o servidor das despesas incorridas no desempenho de suas atividades, possuindo, portanto, natureza indenizatória. Ampara seu entendimento em manifestação do Ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, em voto proferido nos autos da ADIn nº 1.404SC, na qual foram apreciadas questões acerca das vantagens excluídas do limite máximo de remuneração aos servidores estaduais pela Lei Complementar nº 100, de 1993. Ressalta que a verba em debate não se incorpora aos vencimentos para fins de adicional por tempo de serviço, férias, licenças, aposentadoria, pensão, disponibilidade ou contribuição previdenciária. Não representando renda nem acréscimo patrimonial, a verba não poderia integrar a base de cálculo do Imposto de Renda. Reportase ainda a súmulas do Superior Tribunal de Justiça em que se declaram que os pagamentos de férias e licençaprêmio não gozadas, não se sujeitam ao imposto de renda. Menciona manifestação do tributarista Leandro Paulsen, segundo o qual ‘verbas efetivamente indenizatórias apenas reparam uma perda, não constituindo acréscimo patrimonial. Não dão ensejo, pois, à incidência do Imposto de Renda’. Ante o exposto, entende ser “forçoso reconhecer que a verba auxílio combustível/indenização pelo uso de veículo próprio paga ao impugnante, não representa acréscimo patrimonial a autorizar a imposição da exação prevista no art. 153, inciso III, da Constituição Federal, posto que representa ressarcimento que a fonte pagadora realiza em virtude de despesa suportada pelo servidor no desempenho de sua atividade funcional”. 3. Do princípio da legalidade e da subsunção do caso concreto à hipótese de incidência tributária Sob este tópico, o interessado discorre sobre o princípio da estrita legalidade em matéria tributária. Após o que, conclui que a lei deve descrever exatamente o fato imponível para que a prestação pecuniária pretendida possa ser exigida; e que se o fato no mundo real não coincidir com a hipótese legal, não se instala a relação jurídicotributária, e não há como exigir o pagamento. Salienta que o recebimento do auxílio combustível não configura o fato imponível do Imposto de Renda, uma vez que o fato concreto não se subsume a norma do art. 43 do CTN. (...) 4. Do direito à restituição O impugnante alega que a verba é igualmente paga aos servidores públicos federais sob a denominação de “indenização de transporte”, e é devida ao servidor que realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos, por força das atribuições próprias do cargo, conforme disposições do art. 60 da Lei nº 8.112, de 1990. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Acrescenta que a referida verba não integra o rendimento bruto dos servidores federias para efeito do Imposto de Renda, nem se incorpora aos proventos de aposentadoria ou às pensões. Dessa forma, deduz que a Receita Federal ao aplicar a exação estaria desrespeitando frontalmente o princípio da igualdade tributária, estabelecendo tratamento desigual entre servidores estaduais e federais (Constituição Federal, art. 151, inciso II). Afirma ter sido pelo exercício do direito de petição, previsto no art. 5º, inciso XXXIV, alínea “a”, que apresentou declaração retificadora, objetivando defenderse daquilo que se apresenta como uma ilegalidade – a imposição de exação sem previsão legal. E que ao informar a decisão proferida no Mandado de Segurança nº 2002.0139918, interposto por sua entidade sindical na Justiça Estadual, a autoridade fiscal entendeu que “a decisão não pode produzir efeitos na esfera federal, não gerando conseqüências quanto à definição da natureza jurídica da referida verba perante a Secretaria da Receita Federal, de forma a fundamentar o pedido de restituição”. Ante tal entendimento do fisco, o impugnante questiona se “para obter a restituição a que tem direito, o contribuinte somente pode utilizar a via judicial, onerosa, que não dispensa o pagamento de taxas e honorários advocatícios”. 5. Do pedido Requer, por fim, o acolhimento das razões de impugnação para o fim de julgar insubsistente a pretensão fiscal, declarandose a nulidade por vício formal, ou a improcedência do Auto de Infração quanto ao seu mérito. A 4ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou integralmente procedente o lançamento, conforme se extrai da transcrição de parte do voto condutor do julgamento singular: Conforme se depreende desse texto, a legislação estadual, apesar de estabelecer distinção entre as diversas atividades exercidas pelos seus servidores a fim de definir o valor a ser pago, não estabelece como requisito para seu pagamento que as atividades sejam desenvolvidas fora da unidade de lotação, com a utilização de meio próprio de locomoção. Dessa forma, tanto o servidor que realiza trabalhos externos, como o de auditoria dos livros fiscais na sede do contribuinte, quanto aquele que desempenha atividades dentro do órgão de lotação, inscrição e alteração cadastral, por exemplo, percebem o mesmo valor a título de auxílio combustível. Apesar de a legislação atribuir a essa verba a denominação de “indenização”, o fato de ser paga indistintamente a quem efetua e não efetua gastos com transporte no exercício de suas funções exclui o caráter compensatório, de ressarcimento pela despesa incorrida a bem do serviço público. Ressaltase, por outro lado, seu cunho remuneratório, uma vez que é paga a todos os servidores ativos que exercem funções inerentes à fiscalização, quer realizem ou não despesas com locomoção durante o exercício de suas atividades. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10920.003282/200419 Acórdão n.º 2201002.218 S2C2T1 Fl. 4 5 A fórmula de cálculo do benefício tem como variáveis o preço do automóvel e o do litro de gasolina, mas também não há vinculação ao gasto efetivo ou à condição de que o beneficiário tenha como atribuição própria do cargo o desempenho de serviços externos. Mais recentemente, o art. 1º do Decreto nº 3.062, de 11 de abril de 2005, incluiu o § 3º ao art. 3º do Decreto nº 4.606, de 1990, estendendo o pagamento da verba em análise para os auditores fiscais em funções de confiança ou em comissão, na Administração Pública direta ou indireta, in verbis: (...) Intimado da decisão de primeira instância em 31/08/2007 (fl. 31), Walter Rosenau apresenta Recurso Voluntário em 12/09/2007 (fls. 32/44), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos apresentados em sua Impugnação. O processo em apreço foi incluído na pauta do dia 27 de outubro de 2011 e os membros a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, por meio da Resolução nº 2201 00.051, decidiram converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora providencie: 1 – Cópia da DIRF ou extrato eletrônico relativo ao ano calendário de 1999; 2 – Cópia da Declaração de Ajuste, inclusive a retificadora, relativa ao anocalendário de 1999; 3 – Intimação ao contribuinte para apresentação dos contrascheque referente ao anocalendário de 1999; 4 – Intimação ao contribuinte para apresentação da cópia do ato legal que determinou a instituição da verba denominada “auxilio combustível”; 5 – Intimação ao contribuinte para apresentação do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte alusivo ao anocalendário de 1999; 6 – Demais providências que a autoridade administrativa entender pertinentes para esclarecer os fatos em litígio; Realizouse a diligência, conforme solicitado, e vieram aos autos os documentos de fls. 85/99. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 A matéria em debate nos autos é por demais conhecida pelos membros deste Conselho, já que se trata da verba denominada “auxíliocombustível” conferida aos fiscais estaduais de Santa Catarina. Em diversas ocasiões este Órgão Administrativo já se manifestou, no sentido da não incidência do imposto, conforme se observa de alguns julgados idênticos ou similares que transcrevo: AUXÍLIO COMBUSTÍVEL INDENIZAÇÃO A verba paga sob a rubrica “auxílio combustível“ constitui ressarcimento de custos, ônus do sujeito passivo e, por força de sua natureza indenizatória, encontrase externa ao campo de incidência do tributo. (Acórdão nº 10247.799 Processo nº: 10920.002553/200419) ...... AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. INDENIZAÇÃO. A verba paga sob a rubrica "auxílio combustível" tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. (Acórdão nº 210201.176 Processo nº 10920.001914/200400) ........ AUXÍLIO COMBUSTÍVEL INDENIZAÇÃO A verba paga sob a rubrica “auxílio combustível” tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. Recurso provido. (Acórdão nº 19200045 Processo nº 10920.002428/200409) Neste mesmo sentido, foi a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em processo semelhante envolvendo o mesmo contribuinte, conforme se extrai da ementa transcrita: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: AUXÍLIO COMBUSTÍVEL INDENIZAÇÃO A verba paga sob a rubrica “auxílio combustível” tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202 001.632 Processo nº 10920.002429/200445) No caso dos autos, como a fiscalização não logrou comprovar que o contribuinte utilizava o veículo em benefício próprio, não relacionado com a atividade de fiscalização e auditoria, funções inerentes ao cargo de Fiscal de Tributos do Estado de Santa Catarina, correto o entendimento sedimentado neste Órgão Administrativo em considerar a verba denominada “auxíliocombustível” fora do campo de incidência do Imposto de Renda. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10920.003282/200419 Acórdão n.º 2201002.218 S2C2T1 Fl. 5 7 Ressaltese que os documentos coligidos comprovam que a verba recebida pelo recorrente foi a título de “auxíliocombustível” por uso de veículo próprio para as atividades de inspeção e fiscalização de tributos do Estado de Santa Catarina, conforme dispõe art. 1º, §2, inciso VIII, da Lei Estadual nº 7.881/89 e regulamentada pelo art. 3º do Decreto n° 4.606/90. Ante a todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 135DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Declaração de voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Divergi do bem articulado voto do Ilustre Conselheiro Relator, por entender que o Auxílio Combustível em tela, por si só, não constitui uma das hipóteses de rendimentos não tributáveis. A meu ver, tal natureza está condicionada ao efetivo exercício de função externa, em veículo próprio. Nesse aspecto, a decisão recorrida muito bem assentou a problemática: “O pagamento do auxílio combustível destinado aos servidores do Estado de Santa Catarina encontrase regulamentado pelo art. 3º, incisos I e II do Decreto Estadual n° 4.606, de 6 de fevereiro de 1990, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto n°663, de 19 de setembro de 1991, e pelo art. 1° do Decreto n° 2.402, de 27 de agosto e 2004. Dessa norma destacase: (...) A título exemplificativo, as atividades previstas no item I do Anexo I a que se refere o inciso I acima, são as seguintes: "Pelo exercício das funções inerentes à fiscalização de tributos, inclusive informação em processos, inscrição e alteração cadastral, verificação em máquina registradora e/ou terminal ponto de venda, plantões fiscais em: Coordenadorias Regionais, Setores Fiscais, Postos Fiscais fixos e móveis ou em volantes devidamente certificados pelo Corfe." (grifos acrescidos) Conforme se depreende desse texto, a legislação estadual, apesar de estabelecer distinção entre as diversas atividades exercidas pelos seus servidores a fim de definir o valor a ser pago, não estabelece como requisito para seu pagamento que as atividades sejam desenvolvidas fora da unidade de lotação, com a utilização de meio próprio de locomoção. Dessa forma, tanto o servidor que realiza trabalhos externos, como o de auditoria dos livros fiscais na sede do contribuinte, quanto aquele que desempenha atividades dentro do órgão de lotação, inscrição e alteração cadastral, por exemplo, percebem o mesmo valor a título de auxílio combustível. Apesar de a legislação atribuir a essa verba a denominação de "indenização", o fato de ser paga indistintamente a quem efetua e não efetua gastos com transporte no exercício de suas funções exclui o caráter compensatório, de ressarcimento pela despesa incorrida a bem do serviço público. Ressaltase, por outro lado, seu cunho remuneratório, uma vez que é paga a todos os servidores ativos que exercem funções inerentes à fiscalização, quer realizem ou não despesas com locomoção durante o exercício de suas atividades. A fórmula de cálculo do beneficio tem como variáveis o preço do automóvel e o do litro de gasolina, mas também não há vinculação ao gasto efetivo ou à condição de que o beneficiário tenha como atribuição própria do cargo o desempenho de serviços externos. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10920.003282/200419 Acórdão n.º 2201002.218 S2C2T1 Fl. 6 9 Mais recentemente, o art. 1° do Decreto n° 3.062, de 11 de abril de 2005, incluiu o § 3° ao art. 3° do Decreto no 4.606, de 1990, estendendo o pagamento da verba em análise para os auditores fiscais em funções de confiança ou em comissão, na Administração Pública direta ou indireta (...) Como se vê, cargos administrativos como o de diretor em empresa pública ou sociedade de economia mista, cuja atividade é desempenhada essencialmente no interior dos órgãos, também foram agraciados com tal verba, indicando mais uma vez que há desvinculação do pagamento do rendimento com o efetivo desempenho de serviços externos inerentes às atribuições próprias do cargo ou função.” Destarte, uma vez que a verba é paga indistintamente, e não apenas para aqueles que efetivamente desempenham funções externas em veículo próprio, somente estes últimos poderiam usufruir do benefício da não tributação, já que para os demais dita verba tem caráter nitidamente salarial. Assim, caberia à Fiscalização diligenciar para que restasse comprovado nos autos que o Contribuinte exerceria funções internas, e que portanto a verba recebida não teria caráter indenizatório. Entretanto, o Contribuinte sequer foi intimado a comprovar a natureza de suas funções. Com efeito, o Auto de Infração foi lavrado mediante Revisão Interna, sem qualquer pedido de esclarecimentos ao autuado. Diante do exposto, embora concorde com a conclusão do voto vencedor, não comungo com o seu fundamento, no sentido de que a verba, por si só, deve ser considerada como não tributável, sem a necessidade de perquirir se, no caso concreto, ela se revestiria efetivamente do caráter indenizatório. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10920.003282/200419 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.218. Brasília/DF, 15 de agosto de 2013. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10920.003282/200419 Acórdão n.º 2201002.218 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10920.721726/2011-12
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para julgar matéria inerente à exclusão da empresa do SIMPLES.
FALHA NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há cerceamento de defesa quando o auto de infração foi devidamente instruído com os relatórios necessários para a adequada compreensão fática e jurídica das obrigações.
GRUPO ECONÔMICO. COMUNHÃO SOCIETÁRIA, ADMINISTRATIVA, CONTÁBIL, ESTABELECIMENTO E FATORES DE PRODUÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
Havendo comunhão societária, de estabelecimento, fatores de produção, estrutura administrativa e financeira, bem como unicidade de comando entre todas as empresas apontadas, configura-se, de fato, a existência de grupo econômico.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tendo-se em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que em relação à multa seja observado o limite de 75%.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para julgar matéria inerente à exclusão da empresa do SIMPLES. FALHA NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há cerceamento de defesa quando o auto de infração foi devidamente instruído com os relatórios necessários para a adequada compreensão fática e jurídica das obrigações. GRUPO ECONÔMICO. COMUNHÃO SOCIETÁRIA, ADMINISTRATIVA, CONTÁBIL, ESTABELECIMENTO E FATORES DE PRODUÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. Havendo comunhão societária, de estabelecimento, fatores de produção, estrutura administrativa e financeira, bem como unicidade de comando entre todas as empresas apontadas, configura-se, de fato, a existência de grupo econômico. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo-se em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para julgar matéria inerente à exclusão da empresa do SIMPLES. FALHA NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há cerceamento de defesa quando o auto de infração foi devidamente instruído com os relatórios necessários para a adequada compreensão fática e jurídica das obrigações. GRUPO ECONÔMICO. COMUNHÃO SOCIETÁRIA, ADMINISTRATIVA, CONTÁBIL, ESTABELECIMENTO E FATORES DE PRODUÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. Havendo comunhão societária, de estabelecimento, fatores de produção, estrutura administrativa e financeira, bem como unicidade de comando entre todas as empresas apontadas, configurase, de fato, a existência de grupo econômico. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendose em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 17 26 /2 01 1- 12 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que em relação à multa seja observado o limite de 75%. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10920.721726/201112 Acórdão n.º 2402003.567 S2C4T2 Fl. 561 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 31/08/2011 (fl. 21), decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal), da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/SAT) e da contribuição a cargo da empresa incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais, no período de 01/01/2007 a 30/06/2007. Os Recorrentes interpuseram impugnações (fls. 303/416, 417/437, 438/460 e 461/472) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis – SC, ao analisar o presente caso (fls. 476/498), julgou o lançamento parcialmente procedente, entendendo que: (i) o processo que discute a exclusão do SIMPLES é prejudicial à presente demanda, motivo pelo qual as demais autuações lavradas foram reunidas para evitar julgamentos contraditórios; (ii) há grupo econômico; (iii) devem ser afastados os valores exigidos a título de contribuições previdenciárias devidas sobre valores pagos a contribuintes individuais, pois foi aplicada incorretamente a aferição indireta para a apuração da base de cálculo destes montantes; (iv) foi aplicada corretamente a multa mais benéfica ao contribuinte; e (v) o servidor público tem o dever de formular representação fiscal para fins penais quando constatar que possa ter ocorrido fato que constitua crime. A Recorrente Usimega interpôs recurso voluntário (fls. 530/554) argumentando que: (i) deve ser suspensa a presente demanda até o julgamento do processo que discute a exclusão da Recorrente do SIMPLES; (ii) é nula a autuação por não especificar o dispositivo legal que fundamentou a autuação; (iii) não procedem nenhum dos motivos que justificaram a sua exclusão do SIMPLES; (iv) inexiste grupo econômico; e (v) deve ser aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente argumenta que não procedem nenhum dos motivos que justificaram a sua exclusão do SIMPLES, e que inexiste grupo econômico. Ocorre que, a competência para julgamento das matérias que versam sobre a exclusão do SIMPLES é da 1ª Seção de julgamento, conforme prevê o art. 2º, inc. V, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009, não podendo esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção se manifestar sobre a procedência ou não do ato de exclusão do SIMPLES. É mister destacar que o ato de exclusão do SIMPLES está sendo discutido pela Recorrente nos autos do Processo Administrativo nº 10920.721359/201157, estando este processo atualmente pendente de análise pelo CARF. Assim, será dado prosseguimento ao julgamento do presente recurso exclusivamente no que concerne à matéria de competência desta turma, condicionandose, contudo, a aplicação do resultado desse julgamento ao desfecho do processo que versa sobre a exclusão do SIMPLES (PAF nº 10920.721359/201157). A Recorrente sustenta que houve falha na fundamentação legal da presente autuação, motivo pelo qual deve ser julgada totalmente nula, tal como foi feito com os valores lançados a título de contribuição patronal incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Neste ponto, vale considerar que, conforme decidiu a DRJ, foi afastada a exigência dos lançamentos referentes aos contribuintes individuais pelo fato da autoridade tributária ter realizado equivocadamente o procedimento da aferição indireta, mesmo dispondo de todos os elementos que lhe poderiam auxiliar na apuração da base de cálculo real. Entendo, contudo, na mesma linha do que decidiu a DRJ, que os demais valores autuados o foram de forma regular, sem a existência de qualquer vício. Destacase, inclusive, que a Recorrente sequer traz qualquer argumento ou prova no seu recurso a fim de tentar afastar os valores autuados. Ademais, como é possível observar no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 29/30), todos os dispositivos que justificaram a presente autuação foram corretamente apresentados pela fiscalização, não merecendo provimento o argumento do contribuinte de que haveria cerceamento de defesa em razão de existir falha na fundamentação legal. Ainda, a Recorrente afirma que inexiste grupo econômico entre ela e as demais empresas mencionadas na presente autuação. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10920.721726/201112 Acórdão n.º 2402003.567 S2C4T2 Fl. 562 5 Ocorre que, como também ficou consignado pela r. decisão da DRJ, há comunhão de sócios, estabelecimento, fatores de produção, estrutura administrativa e financeira, etc., entre todas as empresas apontadas. Neste sentido, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009, em seu artigo 494, define grupo econômico nestes termos: “Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”. Ainda, o art. 243 da Lei 6.404/76, regulamenta a questão acerca da formação do grupo econômico, através da figura das sociedades coligadas, controladoras e controladas, in verbis: “Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. § 1º São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores”. Ou seja, não basta a mera participação societária para que esteja configurado um grupo econômico, mas sim, conforme preceitua o art. 243, § 1º da Lei nº 6.404/76, haja a flagrante influência no processo decisório e estratégico que uma empresa exerce sobre outra. Assim, conforme prescreve o art. 142 do CTN, compete à autoridade fiscal, por ocasião do lançamento, verificar se de fato há essa influência no processo decisório e estratégico. Analisando o entendimento deste CARF no voto condutor do processo 11474.000151/2007921, verificase que: “No presente caso, ao contrário do entendimento da recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório da Notificação Fiscal, corroborado pela decisão recorrida, de onde vênia para transcrever excerto por bem resumir a situação contemplada nos autos, especialmente quando a peça recursal da contribuinte traz em seu bojo os mesmos argumentos da impugnação, in verbis: 1 Processo 11474.000151/200792, Rel. Conselheiro Rycardo Henrique M. de Oliveira, julgado em 09.10.2008, acórdão 20601.463 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 ´Ademais, em relação às alegações da notificada de que a fiscalização não apresentou provas suficientes para comprovar a sua tese de simulação, temos que, os elementos trazidos aos autos pela fiscalização, tais como: a empresa possui sócios em comum e são membros da mesma família; as empresas funcionam no mesmo endereço; a prestação de serviços se dá "exclusivamente" a Engecass; as máquinas e equipamentos utilizados pelas prestadoras de serviços (empresas B e C), encontramse escriturado apenas no ativo imobilizado da empresa A, mesmo após a terceirização da atividade industrial desta; as elétricas, águas e esgoto das três, também são lançadas, somente, na "conta despesa" da empresa A, confirmam que se trata simulação ou constituição de empresas por interpostas pessoas, as quais ao contrário do que argumenta a impugnante não são autônomas e independentes entre si.´ Verificase, portanto, que o fisco previdenciário não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizalas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente elencados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam”. Desta forma, considerando que vários fatores deixaram claro a relação existente entre a Recorrente e as demais empresas envolvidas, dentre eles a gestão unificada, não merece provimento o recurso neste ponto em razão de estar configurado de fato a existência de grupo econômico. Por fim, a Recorrente pretende que seja aplicada a multa moratória prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Contudo, a penalidade aplicada à presente autuação é a multa de ofício, e não a multa de mora, haja vista que a irregularidade cometida pela Recorrente resultou em um lançamento de ofício pela autoridade tributária (auto de infração). Analisando a penalidade trazida pela MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a multa de ofício passou a ser regulada pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96, que prevê um montante de 75% a título de penalidade sobre o valor devido à Seguridade Social. Assim, é correta a aplicação da penalidade vigente à época dos fatos geradores (24%), prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, por ser mais benéfica ao contribuinte. Ademais, em que pese a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96 limitase ao percentual de 75% do valor principal, deve esta ser aplicada caso a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) supere o seu patamar. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10920.721726/201112 Acórdão n.º 2402003.567 S2C4T2 Fl. 563 7 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando que na cobrança da multa imposta nos termos da fundamentação acima, apliquese a que for mais benéfica. Por fim, pontuase que o valor devido só deve vir a ser exigido da Recorrente caso a decisão final proferida nos autos nº 10920.721359/201157 (onde se discute a sua exclusão do SIMPLES) lhe seja desfavorável. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 566DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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