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Numero do processo: 11330.001096/2007-92
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Tendo em vista que o acórdão embargado omitiu-se na apreciação de matéria sobre a qual deveria manifestar-se, os embargos merecem acolhida.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OCORRÊNCIA APENAS COM RELAÇÃO A PARTE DO LANÇAMENTO. MULTA ÚNICA. AFASTAMENTO. Tendo em vista que no caso dos autos a multa aplicada é única para infrações ocorridas em uma ou mais competências, a existência de período não atingido pela decadência, por si só, tem o condão de manter o lançamento efetuado.
AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE FATOS GERADORES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de contabilizar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma pormenorizada, os fatos geradores e não geradores de contribuições previdenciárias, em conformidade com o que disciplina o art. 225 do Decreto 3.048/99, resta configurada infração à legislação previdenciárias.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-003.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para re-ratificar o acórdão recorrido. Apreciadas as questões de mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Tendo em vista que o acórdão embargado omitiu-se na apreciação de matéria sobre a qual deveria manifestar-se, os embargos merecem acolhida. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OCORRÊNCIA APENAS COM RELAÇÃO A PARTE DO LANÇAMENTO. MULTA ÚNICA. AFASTAMENTO. Tendo em vista que no caso dos autos a multa aplicada é única para infrações ocorridas em uma ou mais competências, a existência de período não atingido pela decadência, por si só, tem o condão de manter o lançamento efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE FATOS GERADORES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de contabilizar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma pormenorizada, os fatos geradores e não geradores de contribuições previdenciárias, em conformidade com o que disciplina o art. 225 do Decreto 3.048/99, resta configurada infração à legislação previdenciárias. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para re-ratificar o acórdão recorrido. Apreciadas as questões de mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Tendo em vista que o acórdão embargado omitiuse na apreciação de matéria sobre a qual deveria manifestarse, os embargos merecem acolhida. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OCORRÊNCIA APENAS COM RELAÇÃO A PARTE DO LANÇAMENTO. MULTA ÚNICA. AFASTAMENTO. Tendo em vista que no caso dos autos a multa aplicada é única para infrações ocorridas em uma ou mais competências, a existência de período não atingido pela decadência, por si só, tem o condão de manter o lançamento efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE FATOS GERADORES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de contabilizar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma pormenorizada, os fatos geradores e não geradores de contribuições previdenciárias, em conformidade com o que disciplina o art. 225 do Decreto 3.048/99, resta configurada infração à legislação previdenciárias. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 10 96 /2 00 7- 92 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para reratificar o acórdão recorrido. Apreciadas as questões de mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001096/200792 Acórdão n.º 2402003.927 S2C4T2 Fl. 182 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos por pela FAZENDA NACIONAL em face do v. acórdão n. 240201.609, proferido por esta Eg. Turma, o qual reconheceu a decadência da totalidade do lançamento com fundamento no art. 173, I do CTN., o qual restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido.” Sustenta a embargante que ao reconhecer a decadência da totalidade do lançamento, o v. acórdão deixou de se manifestar sobre a extinção das competências de 08/2001 a 12/2001 também incluídas no presente lançamento. E assim justificou a omissão sob a alegação de que o lançamento principal, no qual são cobradas as contribuições que deixaram de ser registradas em títulos próprios da contabilidade da contribuinte, o de n. 37.090.9445, contemplava o período até 12/2001. É o que bastava relatar. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. Sem preliminares. MÉRITO Ao analisar os embargos de declaração, de fato, verifico ter sido caracterizada a omissão apontada. Apesar de o relatório fiscal da presente infração não apontar qualquer ponto acerca do período do lançamento, fato é que o lançamento principal englobou o período até 12/2001, assim como indicado no TEAF. Logo, tais competências deveriam ser analisadas quando do julgamento do recurso voluntário. Como no presente caso se trata do lançamento de obrigação acessória, nos termos do julgamento ora embargado, há de ser aplicado ao caso o art. 173, I, do CTN, de modo que as competências de 08/2001 a 12/2001 não foram abarcadas pela decadência. Todavia, mesmo com a aplicação parcial do descrito no art. 173, I, a multa lançada não sofrerá qualquer alteração, pois é uma multa definida pela legislação de regência, como única para o caso da não escrituração correta da contabilidade, sejam em um, dois, três ou tantos quantos forem os períodos nos quais a infração fora cometida. Assim, deixou de aplicar ao caso a decadência, desde já retificando o julgamento embargado neste aspecto. Passo, portanto, a analisar a matéria de recurso voluntário, no que se refere, apenas a tais competências. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 62/76), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls.179/190, através do qual sustentou: (1) que o relatório fiscal não estabelece o que seriam títulos próprios de sua contabilidade, não competindo a autoridade fiscal determinar de que forma o contribuinte efetuará sua contabilidade, principalmente sem comprovar por que a mesma estaria equivocada; (2) que de acordo com o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação –CST 347/70, resta claro que a forma de escrituração é de livre escolha do contribuinte, não podendo ser simplesmente impugnada pelas repartições fiscais se a mesma está de acordo com os princípio ditados pela ciência contábil; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001096/200792 Acórdão n.º 2402003.927 S2C4T2 Fl. 183 5 (3) que o valor da multa aplicada é maior do que aquele estabelecido pelo Regulamento da Previdência Social. Em que pesem as alegações, entendo que o recurso não merece acolhimento. Inicialmente, há de se apontar que o Decreto 3.048/99, em seu art. 225 aponta de forma clara a obrigação de a contribuinte lançar em títulos próprios da sua contabilidade os fatos geradores e não geradores de contribuições previdenciárias de forma discriminada. Confirase o teor de referido artigo: “Art.225. A empresa é também obrigada a: [...] II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos” Ademais o próprio art. 225, mais a frente, em seu §13o, não deixa dúvidas acerca de como o lançamento deve ser realizado, na contabilidade de todo e qualquer contribuinte, inclusive a empresa recorrente, apontando de forma clara a necessidade de adoção do princípio de competência, bem como pormenorizar em contas separadas todos os valores de pagamentos sobre os quais deveriam incidir ou não as contribuições previdenciárias. Vejamos: “ §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços.” Logo, diante do não atendimento de referido comando, outra conclusão não pode ser adotada, a não ser a da manutenção da multa aplicada. Assim, a meu ver, não deveria estar descrito no relatório fiscal quais seriam os títulos próprios da contabilidade em que deveriam estar descritos os fatos geradores e não geradores de contribuições, pois tal determinação decorre de expressa disposição legal, cujo não conhecimento, neste caso, não pode ser considerado como escusa ao descumprimento da legislação. A forma de escrituração é livre, todavia, deve obedecer aquilo o que disposto na legislação relativa ao lançamento das contribuições previdenciárias, o que não ocorreu no presente caso. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Por fim, cumpre asseverar que o valor cobrado não é superior ao estabelecido pela infração, constante do Regulamento da Previdência Social. Ocorreu, apenas, que no momento do lançamento, o valor da multa fora corrigido em conformidade com a legislação de vigência e Portaria correspondentes foi atualizado, no caso, com base no artigo 9o, inciso VI, da Portaria n o 142 de 11/04/07, (DOU de 12/04/07), conforme determinação do art. 102 da Lei n. 8.212/91 e do art 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n o 3.048/99. Ante todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para sanando a omissão apontada, retificar o acórdão embargado, anulando o, para, então, CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE E NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000034/88-11
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 1988
Ementa: IRPJ - SUPRESSÃO,: DE INSTANCIA - O aperfeiçoamento da exigência pela decisão da autoridade julgadora singular impõe a apreciação por ela, como impugnação, de defesa dirigida a este
Conselho.
Numero da decisão: 103-08.425
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em determinar o retorno dos autos ã repartição de origem a fim de que a peça de fls 34/38 seja apreciada como impugnação, no tocante a parte inovada
Nome do relator: Carlos Augusto de Vilhena
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Sessão de...9.1...de.43inba..de asa.... ACÕRDÃO N2..103=.0.8-.4 2 5 Recurso n(2 92.282 - IRPJ - EX: DE 1986 Recorrente FÁBRICA DE TECIDOS SANTA ROSÁLIA S.A. Recorrida: DRF em SOROCABA - SP. IRPJ - SUPRESSÃO,: DE INSTANCIA - O aperfeiçoa mento da exigência pela decisão da autoridade julgadora singular impõe a apreciação por ela, como impugnação, de defesa dirigida a . este Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FABRICA DE TECIDOS SANTA ROSÁLIA S.A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em determinar o re- torno dos autos ã repartição de origem a fim de que a peça de fls. 34/38 seja apreciada, como impugnação, no tocante ã parte inovada. 1t" Sala *as Sessões:DE4, 07 de ju o de 1988. -.,r • c" .c› „. • To IO DA SILVA CABRAL - PRESIDENTE 'RLOS AUGUS , DE VILHENA - RELATOR VISTO EM I, IZ CA OS I PAKkj - PROCURADOR DA FAZENDA NA- SESSÃO DE: i 9JUN1988 CIONAL Participaram, ainda, do Presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: AMAURY JOSÊ DE AQUINO CARVALHO, TARGIO RIBEIRO, D1CLER DE ASSUN ÇAO, FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUIMARÃES e RICHARD ULRICH KREUTZER.Au sente poq motivo justificado, o Conselheiro SEBASTIÃO RODRIGUES CA- BRAL. . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10855/000.034/88-11 Recurso n9: 92.282 Acórdão n9: 103-08.425 Recorrente: FABRICA DE TECIDOS SANTA ROSÁLIA S.A. RELATÓRIO FÁBRICA DE TECIDOS SANTA ROSÁLIA S/A, CGC 71.446.686/0001-97, recorre a este Conselho da decisão do Delega- do da Receita Federal em Sorocaba que manteve o lançamento suple- mentar para o exercício de 1986. 2. A matéria tributável pode ser assim descrita, com base no demonstrativo de fls. 09: a) provisão parao imposto de renda, considerada como parcela redutora do lucro líquido; b) prejuízo fiscal indevidamente compensado, uma vez que no exercício de 1984 houve lucro real. 3. Em sua impugnação de fls. 01/06, tempestivamente apresentada, alega a contribuinte, em resumo, que: deduziu, equi- vocadamente, a provisão para o imposto de renda do lucro líquido do exercício; não sabe de onde teria a autoridade lançadora conse guido o lucro real de Cr$ 3.702.186, no exercício de 1984, ao in- vés do prejuízo fiscal de Cr$ 192.542, conforme consta da respec- tiva declaração de rendimentos; esse prejuízo fiscal, depois de corrigido, transformou-se no valor de Cr$ 1.938.591, compensadora declaração do exercício de 1986, em discussão; há aqui, portanto, um outro erro de fato, só que, desta feita, da autoridade lançado ra. A impugnante faz, ainda, considerações sobre a aplicação do Decreto-lei n9 2.323/87, entendendo que o mesmo não pode ter efei to retroativo e, assim, discorda da exigência de correção monetá- ria. 4. A autoridade julgadora de primeira instância funda menta e conclui sua decisão de fls. 27/29 nos seguintes termos: j--- ael.......... , SERVIÇO MILICO FEDERAL Processo n9 10855/000.034/88-11 2. Acórdão n9 103-08.425 "CONSIDERANDO que a impugnação é tempestiva; ... que, no exercício de 1984, ano-base de 1983, a empresa teve lucro real no valor de Cr$... 3.702.186, ao invés do prejuízo no valor de Cr$... 192.542, uma vez que, ao preencher o seu Formulá- rio I, fez consignar no item 04, do quadro 13, a importância de Cr$ 555.013.406, ao invés de Cr$... 551.118.678; ... que, por conseguinte, está correto o De- monstrativo do Lançamento Suplementar de fls. 09; ... que não compete a esta Delegacia da Recei ta Federal, como órgão administrativo de primeira instância, argumentar sobre a retroatividade ou não do Decreto-lei n9 2.323/87 que reintroduziu a atua lização monetária dos débitos fiscais não liquida r. dos nas épocas próprias; ... que o valor do crédito tributário expres- so em OTN já era previsto nos artigos 39 e 18, do Decreto-lei n9 1.967/82, cujo efeito ficoususpenso, temporariamente, com a introdução do "Plano Cruza- do" pelo Decreto-lei n9 2.284/86; ... tudo o mais que do processo consta • DEIXO DE ACOLHER a impugnação e DETERMINO que se prossiga na cobrança do crédito tributário ..." 5. Cientificada a contribuinte dessa decisão em 10 de fevereiro do corrente ano, no dia 19 de março seguinte deu ela en trada em seu recurso de fls. 34/38 sustentando, em síntese, que: a divergência observada, em relação às parcelas de Cr$ 555.013.406 e Cr$ 551.118.678, já fora dirimida, anteriormente, pelo processo n910855/002.223/85-11, instaurado quando a recorrente impugnou o lançamento suplementar para oexercício de 1984; naquela oportuni- dade, através de diligência, inclusive com exame da contabilidade e documentos pertinentes, constatou-se que o valor correto era o primeiro e não o segundo, conforme a cópia da decisão, em anexo; requer a requisição do correspondente processo administrativo, se assim entender necessário o conselho. A contribuinte volta a in- sistir,também,na questão da exigência de correção monetária, ta- xando-a de inconstitucional. E o relatório. i Ét-r4 MFCT. . . SERVIÇO SUCO FEDERAL Processo n9 10855/000.034/88-11 3. Acórdão n9 103-08.425 VOTO Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE VILHENA, Relator. O recurso foi interposto com base no artigo 33 do Decreto n9 70.235/72 e dentro do prazo ali previsto. 2. E por demais evidente que o lançamento suplementar somente foi aperfeiçoado com a decisão da autoridade julgadora sin_ guiar. 3. Com efeito: o demonstrativo de fls. 09 apenas con- signa que o prejuízo fiscal, apontado pela contribuinte como sendo pertinente ao exercício de 1984, sequer existia porque naquele exercício o lucro real apresentara-se positivo. Somente com a deci são fica-se sabendo que, na realidade, a declaração de rendimentos do exercício de 1984 também sofrera uma retificação "ex officio" por parte da autoridade administrativa que, alterando determinado item que compõe o resultado, transformou o lucro real de negativo em positivo. 4. Caracterizada, portanto,. sem dúvida alguma, a inova ção do feito. A própria comparação entre o que foi dito na impugna ção e o que foi dito no recurso, demonstra essa inovação: na impus nação a contribuinte limitou-se a reclamar que não sabia de onde teria a autoridade lançadora obtido o lucro real de Cr$ 3.702.186; já no recurso, aperfeiçoado o lançamento, aponta um decisão ante - ror, da própria autoridade julgadora singular, que teria confirma do o acerto do prejuízo fiscal registrado na declaração de rendi - mentos do exercício de 1984. 5. O julgador singular precisa conhecer essas razões, tendo em vista, principalmente, asseverar pie, de fato, a diferen- ça indicada em sua decisão não tem razão de ser. VOTO, pois, no sentido de devolver os autos ã repar tição de origem para que a autoridade julgadora de primeira instán l- cia aprecie a petição de fls. 34/38 como impugnação, na parte ino- C vada. er......„.. v.v. - Bras111a-DF, 07 de junho de 1988. CARLOS AUGUSTO DE VILHENA - RELATOR. MFCT. 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Numero do processo: 10920.004860/2010-74
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O prazo decadencial corre a partir do momento em que surge o direito potestativo de o fisco lançar o tributo. Antes que se possa exigir algo, não há prazo decadencial ou prescricional correndo. Não houve, portanto, decadência simplesmente porque se passaram cinco anos entre a operação societária, ou o registro do ágio, e a intimação acerca do lançamento.
ÁGIO INTERNO. ÁGIO DE SI MESMO. INDEDUTIBILIDADE.
Quando o ágio é gerado dentro de um mesmo grupo (ágio interno), com utilização de empresa veículo de existência efêmera e sem qualquer outra função comprovada, sem fluxo financeiro e com mera reavaliação de participações societárias (ágio de si mesmo), configurada está a artificialidade do ágio, que, então, quando amortizado, não pode ser deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Deve ser mantida a glosa do ágio.
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. MESMO FATO GERADOR. CONCOMITÂNCIA. PERÍODOS ANTERIORES A 2007.
Até o advento da Lei nº 11.488/2007, que, no seu art. 14, modificou a redação da Lei nº 9.430/1996, aplica-se a jurisprudência construída no CARF e que se cristalizou na Súmula nº 105 no sentido de simplesmente cancelar a multa isolada quando ela for aplicada por conta de estimativas não pagas ou pagas a menor concomitantemente à aplicação de multas de ofício por não pagamento ou pagamento a menor de IRPJ e CSLL do período de apuração no qual as estimativas mensais eram devidas. Ficam canceladas as multas isoladas aplicadas nos anos calendários 2005 e 2006.
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. MESMO FATO GERADOR. CONCOMITÂNCIA. PERÍODOS A PARTIR DE 2007.
Após a Lei nº 11.488/2007, ou seja, a partir do ano calendário 2007, cuja apuração final acontece em 2008, a interpretação da Súmula nº 105 do CARF deve ser no sentido de cancelar a multa isolada apenas quando a sua base de cálculo seja igual ou menor à base de cálculo da multa de ofício. Em outras palavras, isso significa multiplicar a multa de ofício por 2/3 e verificar se o valor resultante da multiplicação é igual ou maior do que o valor da multa isolada. Caso o resultado dessa multiplicação seja menor do que o da multa isolada, então a multa de ofício é que será cancelada ou, caso se prefira, será cancelada a multa isolada até o valor da multa de ofício multiplicado por 2/3, mantendo-se a exigência da diferença entre elas. Ficam canceladas as multas isoladas aplicadas nos anos calendários de 2007 e 2008.
JUROS MORATÓRIOS ISOLADOS. PRECLUSÃO. PORTARIA MF Nº 3/2008.
Se não houve Recurso de Ofício, a Fazenda Nacional não pode pretender discutir a matéria suscitando-a em Contrarrazões. Matéria preclusa. Além disso, acertou a DRJ ao não interpor Recurso de Ofício quando a matéria era apenas juros isolados, conforme a Portaria MF nº 3/2008.
Numero da decisão: 1401-001.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: I) por unanimidade, manter a glosa do ágio; II) por unanimidade, cancelar as multas isoladas relativas a 2005 e 2006, por aplicação da Súmula nº 105 do CARF; III) por maioria de votos, cancelar as multas isoladas relativas a 2007 e 2008, vencidos os Conselheiros Antônio Bezerra Neto e Fernando Mattos, que as mantinham, sendo que os Conselheiros Ricardo Marozzi e Aurora Tomazini acompanharam o relator pelas conclusões.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Ricardo Marozzi, Marcos Villas-Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
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Ágio interno. Recorrente CIA INDUSTRIAL H. CARLOS SCHNEIDER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial corre a partir do momento em que surge o direito potestativo de o fisco lançar o tributo. Antes que se possa exigir algo, não há prazo decadencial ou prescricional correndo. Não houve, portanto, decadência simplesmente porque se passaram cinco anos entre a operação societária, ou o registro do ágio, e a intimação acerca do lançamento. ÁGIO INTERNO. ÁGIO DE SI MESMO. INDEDUTIBILIDADE. Quando o ágio é gerado dentro de um mesmo grupo (ágio interno), com utilização de empresa veículo de existência efêmera e sem qualquer outra função comprovada, sem fluxo financeiro e com mera reavaliação de participações societárias (ágio de si mesmo), configurada está a artificialidade do ágio, que, então, quando amortizado, não pode ser deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Deve ser mantida a glosa do ágio. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. MESMO FATO GERADOR. CONCOMITÂNCIA. PERÍODOS ANTERIORES A 2007. Até o advento da Lei nº 11.488/2007, que, no seu art. 14, modificou a redação da Lei nº 9.430/1996, aplicase a jurisprudência construída no CARF e que se cristalizou na Súmula nº 105 no sentido de simplesmente cancelar a multa isolada quando ela for aplicada por conta de estimativas não pagas ou pagas a menor concomitantemente à aplicação de multas de ofício por não pagamento ou pagamento a menor de IRPJ e CSLL do período de apuração no qual as estimativas mensais eram devidas. Ficam canceladas as multas isoladas aplicadas nos anos calendários 2005 e 2006. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. MESMO FATO GERADOR. CONCOMITÂNCIA. PERÍODOS A PARTIR DE 2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 48 60 /2 01 0- 74 Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 2 Após a Lei nº 11.488/2007, ou seja, a partir do ano calendário 2007, cuja apuração final acontece em 2008, a interpretação da Súmula nº 105 do CARF deve ser no sentido de cancelar a multa isolada apenas quando a sua base de cálculo seja igual ou menor à base de cálculo da multa de ofício. Em outras palavras, isso significa multiplicar a multa de ofício por 2/3 e verificar se o valor resultante da multiplicação é igual ou maior do que o valor da multa isolada. Caso o resultado dessa multiplicação seja menor do que o da multa isolada, então a multa de ofício é que será cancelada ou, caso se prefira, será cancelada a multa isolada até o valor da multa de ofício multiplicado por 2/3, mantendose a exigência da diferença entre elas. Ficam canceladas as multas isoladas aplicadas nos anos calendários de 2007 e 2008. JUROS MORATÓRIOS ISOLADOS. PRECLUSÃO. PORTARIA MF Nº 3/2008. Se não houve Recurso de Ofício, a Fazenda Nacional não pode pretender discutir a matéria suscitandoa em Contrarrazões. Matéria preclusa. Além disso, acertou a DRJ ao não interpor Recurso de Ofício quando a matéria era apenas juros isolados, conforme a Portaria MF nº 3/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: I) por unanimidade, manter a glosa do ágio; II) por unanimidade, cancelar as multas isoladas relativas a 2005 e 2006, por aplicação da Súmula nº 105 do CARF; III) por maioria de votos, cancelar as multas isoladas relativas a 2007 e 2008, vencidos os Conselheiros Antônio Bezerra Neto e Fernando Mattos, que as mantinham, sendo que os Conselheiros Ricardo Marozzi e Aurora Tomazini acompanharam o relator pelas conclusões. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Ricardo Marozzi, Marcos VillasBôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10920.004860/201074 Acórdão n.º 1401001.570 S1C4T1 Fl. 23 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra acórdão da 3ª Turma da DRJ de Florianópolis que julgou procedente em parte a Impugnação apenas para afastar os juros de mora exigidos isoladamente por entender que foram aplicados em desacordo com a legislação. O restante do Auto de Infração foi julgado procedente. A Autuação referese aos anos calendário de 2005 a 2008, exigindo IRPJ e CSLL por conta de amortização de ágio, tido por artificial, como despesas para efeito de redução da base de cálculo dos tributos em tela. O lançamento foi de um crédito tributário de R$ 62.841.007,16 (valor principal de IRPJ, juros de mora, multa proporcional, multa exigida isoladamente e juros de mora exigidos isoladamente), de R$ 19.051.388,46 (valor principal de CSLL, juros de mora e multa proporcional) e de R$ 3.568.579,20 (multa isolada CSLL e juros de mora). Os fatos que ensejaram o Auto de Infração estão bem descritos no Termo de Verificação Fiscal, conforme segue: Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 4 Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10920.004860/201074 Acórdão n.º 1401001.570 S1C4T1 Fl. 24 5 Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 6 O Agente Fiscal entendeu que a Rio Bonito Participações S/A era uma mera "empresa de passagem", mais comumente chamada de "empresa veículo", que serve unicamente como canal para passar um patrimônio ou um recurso a outra pessoa, pois ela foi criada e logo depois cindida com incorporação pela Recorrente. Além disso o Agente Fiscal afirma que não houve pagamento do ágio, ou seja, não houve qualquer fluxo financeiro. Segundo o Agente Fiscal, os requisitos para aproveitamento do ágio são aquisição de participação societária e fundamento econômico. Quanto ao primeiro, não houve, pois a Recorrente não teria recebido qualquer participação societária, tendo em vista que recebeu quotas de seu próprio capital, e nenhuma empresa participa de si mesma. Citou, inclusive, precedente do CARF para reforçar o seu entendimento. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10920.004860/201074 Acórdão n.º 1401001.570 S1C4T1 Fl. 25 7 Por fim, o Agente Fiscal afirma que um ágio gerado dentro do mesmo grupo, com uma empresa incorporando parte de outra da qual já teria quotas, sem nenhum fluxo financeiro, é uma operação sem resultado, meramente formal. Devido a isso, foi glosado o valor de R$ 2.105.125,93, deduzido a título de despesa, de 31 de janeiro de 2005 a 31 de dezembro de 2008, pela Recorrente. Inconformada, a ora Recorrente apresentou sua Impugnação, conforme relatado pelo acórdão da DRJ: Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 8 Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10920.004860/201074 Acórdão n.º 1401001.570 S1C4T1 Fl. 26 9 Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 10 A DRJ analisou, então, o caso e exarou acórdão ementado da seguinte forma: Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10920.004860/201074 Acórdão n.º 1401001.570 S1C4T1 Fl. 27 11 Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 12 Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10920.004860/201074 Acórdão n.º 1401001.570 S1C4T1 Fl. 28 13 Inconformada com o julgamento da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário pela contribuinte. Não houve Recurso de Ofício. O Recurso Voluntário, basicamente, repetiu os argumentos já trazidos na Impugnação. Em seguida, houve interposição de Contrarazões pela Fazenda Nacional, por meio do qual se alegou o seguinte: a) Apesar de não ter havido Recurso de Ofício, a Fazenda Nacional tenta rediscutir o cancelamento dos juros isolados realizado pela DRJ, alegando que esta errou ao não propor o Recurso de Ofício sob o fundamento de que não caberia discutir apenas juros por meio dele. O art. 34 do Decreto 70.235/72, segundo a Fazenda Nacional, determina que haja Recurso de Ofício quando a DRJ cancelar o tributo e seus decorrentes. b) Alega, então, que os juros de mora seriam devidos por conta do entendimento do CARF acerca da natureza dos pagamentos de estimativa feitos pelos contribuintes. Citando a Súmula nº 84, afirma que o pagamento maior de estimativa é considerado indébito e são aplicados juros sobre ele. Deste modo, também deveriam ser aplicados juros no caso de pagamentos a menor de estimativa. c) Alega que não pode haver tratamento diferenciado entre fisco e contribuinte nesse caso, requerendo, portanto, o restabelecimento dos juros isolados cancelados em primeira instância. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 14 d) Quanto à alegação de decadência da contribuinte, sustenta que o pagamento e o registro do ágio não são fatos geradores de tributo e, portanto, não dão início à contagem do prazo decadencial. e) Afirma que o ágio é registrado como despesa por conta de uma expectativa de ganho futuro. Não há qualquer ganho imediato que enseje tributação e, portanto, prazo decadencial. f) Alega que o ágio seria um benefício fiscal e que o prazo decadencial não se refere diretamente a ele, mas ao seu aproveitamento para redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. g) Por fim, quanto à decadência, cita inúmeros precedentes, de diferentes órgãos. h) Sobre o ágio, alega que se trata de "ágio de si mesmo", gerado dentro de um mesmo grupo e sem tributação do ganho de capital gerado na contrapartida do ágio. i) Passa a discorrer, então, sobre os detalhes fáticos do caso e destaca que o ágio é a geração de uma expectativa de riqueza nova no futuro, e não a reavaliação de uma riqueza já existente. Por isso se chama de ágio de si mesmo, pois é apenas a reavaliação de participações societárias da própria empresa. j) Afirma que se trata de uma simulação de aquisição de participação societária e cita o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, que reforça a ideia sobre não ser possível reconhecer economicamente e contabilmente uma riqueza gerada pelos acionistas entre eles próprios. l) Cita também o item 50 da Orientação Técnica OCPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que tem entendimento semelhante ao do ato normativo da CVM. m) Afirma que, no momento em que o ágio foi registrado pela Rio Bonito, a "família Schneider" (por meio das empresas HCS e CS PAR) detinha o controle tanto da alienante quanto da adquirente. Segue quadro demonstrativo das operações que fora apresentado nas ContraRazões: n) Se o ágio era "de si mesmo", um ágio interno, então, segundo a Fazenda Nacional, não pode haver dedutibilidade dele da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de modo que cita precedentes do próprio CARF para reforçar o seu entendimento. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10920.004860/201074 Acórdão n.º 1401001.570 S1C4T1 Fl. 29 15 o) Por último, a Fazenda Nacional defende a aplicação de multa isolada e de ofício, pois cada uma se aplicaria a fatos diferentes. A primeira seria uma sanção pelo descumprimento dos deveres impostos pelo regime de estimativa, enquanto que a segunda seria uma sanção pelo não pagamento dos tributos após a apuração. p) Alega que as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício também seriam diferentes. A primeira incide sobre o valor dos tributos não pago, ao passo em que a segunda incide sobre os valores das estimativas não pagos em cada mês. q) Afirma que há dois fatos ilícitos e que não há hipótese de dispensa da sanção pela não realização da estimativa corretamente. A não aplicação da multa isolada seria uma aplicação da equidade, mas que carece de previsão legal. Além disso, haveria injustiça com aqueles que cumpriram seus deveres de antecipar os tributos por meio da estimativa mensal. r) Ao final, cita precedentes que se aplicam ao caso. É o relatório. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 16 Voto Conselheiro Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual passo a analisálo. Decadência Não assiste razão à Recorrente no tocante à sua alegação de decadência, uma vez que o mero registro do ágio não desperta um direito potestativo (ou um poderdever, caso se prefira) na Receita Federal, não correndo, portanto, o prazo decadencial. Não há qualquer previsão legal determinando que o ágio seja analisado em um prazo "x". O que existe na legislação tributária é a prescrição do art. 150, §4º e a do art. 173, I, ambas do CTN. A decadência começa a ser contada do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Deste modo, o prazo decadencial de cinco anos começou a correr, conforme o art. 150, §4º, do CTN, quando houve o pagamento tido por "a menor" do IRPJ e da CSLL por conta do aproveitamento do ágio antes registrado. Sendo assim, considerando que a intimação acerca do lançamento se deu em 16/12/2010, poderiam ser lançadas diferenças de tributos que deveriam ter sido pagos a maior desde 2005, tendo em vista que se trata aqui de tributos apurados anualmente, com incidência em 31 de dezembro de cada ano. Não interessa se os negócios jurídicos ou mesmo se os seus registros foram realizados antes de 2005. A Receita Federal não podia, mesmo que quisesse, lançar nenhum tributo por conta dos negócios jurídicos e dos seus registros. O direito do fisco de lançar não tinha ainda sido constituído e, portanto, o seu prazo não corria. Em que pesem os precedentes do antigo Conselho de Contribuintes citados pela Recorrente, os precedentes atuais do CARF são maciços no sentido aqui firmado, inclusive os desta 1ª Turma, da 4ª Câmara, da 1ª Seção, do CARF: "DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FATOS GERADORES DISTINTOS. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original" (CARF, Processo nº 13629.002812/201034, Acórdão nº 1401001.299, Sessão de 24 de setembro de 2014, Rel. Cons. Fernando Luiz Gomes de Mattos). Deve ser afastada, portanto, a prejudicial de mérito levantada pela Recorrente. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10920.004860/201074 Acórdão n.º 1401001.570 S1C4T1 Fl. 30 17 Mérito Segundo o entendimento deste Relator, nem sempre que se trate de um ágio gerado dentro de operações do mesmo grupo, nem sempre que se utilize uma empresa veículo e nem sempre que haja pagamento por meio de participações societárias, as despesas relativas ao ágio deverão ser glosadas. No entanto, cada uma dessas hipóteses, que às vezes aparecem dentro de uma mesma situação, como é o caso concreto aqui analisado, sugerem práticas que não permitem a dedutibilidade do ágio, pois tendem a não revelar propósito negocial a justificálas. Os precedentes do CARF vêm, há algum tempo, sedimentando a linha de que as operações societárias passíveis de dar ensejo ao ágio precisam ter propósito negocial, ou seja, não podem acontecer apenas com o objetivo de gerar o ágio e permitir a sua dedução da sua amortização como despesa para efeito de redução do IRPJ e da CSLL devidos. Em outras palavras, a operação precisa ter fins comprovados que estejam relacionados ao negócio, como ganhos comerciais ou financeiros claros, que não apenas o fim de reduzir a tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Não havendo um investimento com base em real expectativa de rentabilidade futura, não há porque permitir a dedução do ágio. Operações sem substância, que apenas reavaliam participações da própria empresa e, para isso, criam e extinguem empresas em prazos curtos, que somente tiveram a função de permitir a geração do ágio, não podem ensejar a dedutibilidade para efeitos de redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse único caso concreto, há elementos que indicam com clareza a artificialidade do ágio: a) ele foi gerado dentro de um mesmo grupo (ágio interno); b) é de si mesmo, criado pela reavaliação das participações da própria Recorrente; c) utilizouse empresa veículo que existiu apenas formalmente, para que pudesse permitir a operação em questão; d) o desenho final da estrutura do grupo é o mesmo do desenho antes das operações; e) não houve fluxo financeiro; f) não houve tributação do ganho de capital. O contexto fático contado pela Recorrente, de que a Rio Bonito, empresa que gerou inicialmente o ágio, foi cindida e quase toda incorporada por ela, iria concentrar os investimentos do grupo, e que depois o projeto não deu certo, não justifica a dedutibilidade do ágio. É de se notar que a fundamentação da operação foi se modificando ao longo do processo administrativo fiscal, tendo sido acrescentados novos fundamentos em sede até mesmo de memorial de julgamento protocolado no CARF, quando procurou se reforçar a ideia de um planejamento sucessório. Os argumentos de que se tinha o objetivo de fazer um planejamento sucessório não dão fundamento econômico ao ágio. Eles não são capazes de justificar rentabilidade futura numa operação realizada entre empresas do mesmo grupo, sendo uma delas uma holding que fez claro papel de empresa veículo. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 18 Ainda que existam brigas na família e reais interesses de proteção sucessória, o fato de se criar uma holding e extinguir em alguns meses, não dá propósito negocial a uma operação com geração de ágio, que precisa refletir a expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirente das participações. Somese o fato de que não houve pagamento em dinheiro, mas por meio de subscrição de quotas que também pertenciam a uma empresa do grupo. Por ser uma operação clássica de ágio artificial, a foto inicial e final do grupo é exatamente a mesma, uma vez que apenas surgiu uma holding no meio da foto e sumiu logo depois. Se o projeto sucessório não deu certo, o ágio deveria ter sido baixado da contabilidade e não deveria ter sido aproveitado para fins tributários. Houve uma mera reavaliação de participações societárias com geração de um ágio de si mesmo. A Rio Bonito, empresa veículo, registrou ágio por reavaliação das quotas da Recorrente que recebeu de H. Carlos e CS. O ágio foi gerado em empresa criada e extinta em período total de aproximadamente 8 meses, que não realizou qualquer tipo de operação e não teve qualquer outra função, senão permitir a geração do ágio e sua incorporação pela Recorrente. Esse ágio não pode ser relacionado comprovadamente a uma expectativa de rentabilidade futura. Tem razão a Recorrente ao afirmar que nem todo ágio interno impede a dedutibilidade. Esse óbice apenas foi prescrito expressamente na legislação por meio da Lei nº 12.973/2014, resultado da Medida Provisória nº 627/2013. Por tal razão, em caso de operações societárias que, de fato, reestruturem grupos societários com registro de ágio por real expectativa de rentabilidade futura, com efetivo pagamento, sem utilização de empresaveículo meramente formal e com claros fins negociais, antes que o óbice viesse a estar previsto e vigente na legislação, seria possível realizar a dedutibilidade do ágio. É preciso tomar cuidado para não se impedir a dedutibilidade em casos nos quais o ágio interno gerado antes da proibição legal tem fundamento. É comum, por exemplo, se confundir o ágio interno com o ágio de si mesmo, porém nem sempre que o ágio é interno ele representa uma reavaliação de participações societárias da própria empresa que aproveitou o ágio. Sobre o ágio de si mesmo, esta 1ª Turma, da 4ª Câmara, da 1ª Seção, do CARF, já decidiu o seguinte: "ÁGIO DE SI MESMO. USO DE EMPRESA VEICULO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não produz o efeito tributário almejado pelo contribuinte a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Neste caso, restou caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veiculo" para transferência do ágio à incorporadora, com a subseqüente amortização de ágio de si mesma" (CARF, Processo nº 13629.002812/201034, Acórdão nº 1401001.299, Sessão de 24 de setembro de 2014, Rel. Cons. Fernando Luiz Gomes de Mattos). Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10920.004860/201074 Acórdão n.º 1401001.570 S1C4T1 Fl. 31 19 Quanto à alegação da Recorrente de que teria havido ofensa ao princípio da segurança jurídica, fazendo menção à impossibilidade de ferir o ato jurídico perfeito (art. 5º, XXXVI, da CF/88), a Súmula nº 2 do CARF não permite a análise de matéria constitucional pelo órgão, motivo pelo qual se deixa de examinar tal alegação, apesar de ser entendimento deste Relator que é um completo contrasenso aplicar direito sem interpretar e aplicar a Constituição. Não se trata nem de uma escolha. É simplesmente impossível fazer isso. A Súmula nº 2 do CARF termina sendo um cheque em branco ao julgador para rejeitar alegações dos contribuintes baseadas na Constituição, onde estão prescritos boa parte dos princípios mais caros ao Direito Tributário, assim como os direitos dos contribuintes. Deste modo, ainda que contra o entendimento deste Relator, o CARF não é competente para analisar inconstitucionalidades. No que toca à alegação de ofensa ao princípio da legalidade, fazendo menção aos arts. 5º, II, 150, I e 37, todos da CF/88, também não poderá ser examinada por conta da Súmula nº 2 do CARF. Quanto aos dispositivos do CTN citados pela Recorrente a respeito do lançamento e da desconstituição de simulação, não houve qualquer erro do Agente Fiscal ou da DRJ. Tratase de procedimento corriqueiro no âmbito da tributação federal, que sequer é discutido na grande maioria dos inúmeros precedentes existentes no CARF sobre a glosa de despesas deduzidas indevidamente a título de ágio. Diante do exposto, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantido o acórdão da DRJ no que toca à dedutibilidade do ágio. Concomitância das multas isolada e de ofício Conforme múltiplos precedentes do CARF que resultaram na Súmula nº 105, a multa isolada e a multa de ofício não podem ser cobradas concomitantemente quando se tratarem de ilícitos tributários relativos aos mesmos fatos geradores. Se as estimativas deixaram de ser realizadas e a apuração do IRPJ e da CSLL se deram a menor pela mesma razão, a dedução indevida do ágio; uma vez encerrado o período de apuração fiscal, aplicase apenas a multa de ofício. Vide enunciado da Súmula nº 105 do CARF: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". Vide dois acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais que trataram do tema: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 20 Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 Ementa: CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF" (CARF, CSRF, Processo nº 10840.000220/200356, Acórdão nº 9101001.693, Rel. Cons. Susy Gomes Hoffmann). "APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA — MATÉRIA PACIFICADA — ARTIGO 67, § 10 0 DO RICARF Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo". No entendimento deste relator, no entanto, a partir da vigência do art. 14 da Lei nº 11.488/2007, que modificou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, a interpretação da Súmula nº 105 do CARF deve ser outra. Quando o valor da base de cálculo da multa isolada superar o valor da base de cálculo da multa de ofício, devese cancelar a multa de ofício e manter a isolada para evitar a concomitância. Outra forma de se fazer essa verificação é multiplicar o valor da multa de ofício por 2/3, tendo em vista que o seu percentual é de 75%, mas o da multa isolada é de 50%. Caso o resultado da multiplicação da multa de ofício por 2/3 seja igual ou maior do que o valor da multa isolada, haverá cancelamento total da multa isolada, não havendo diferença, quanto ao resultado, do entendimento aplicado para o período anterior a 2007. Caso o resultado da multiplicação da multa de ofício por 2/3 seja menor do que o valor da multa isolada, então o cancelamento será da multa de ofício ou, sob outra ótica, mantémse a multa de ofício, porém cancelase a isolada apenas até o seu valor multiplicado por 2/3, o que gera uma diferença de multa isolada a ser somada à de ofício. Na verdade, entendo que essa é a posição que melhor acomoda a questão, mais justa, pois não se aplica duas multas por conta de não pagamento de tributo em relação a uma mesma matéria, a um mesmo período de apuração de IRPJ e CSLL, mas também não se afasta indiscriminadamente as multas isoladas, o que poderia trazer um benefício não merecido pelo contribuinte, tendo em vista que, de fato, descumpriu normas legais. Não aplico essa posição aos períodos anteriores a 2007, pois concluo que, para eles, o entendimento construído pela jurisprudência do CARF, e que se cristalizou bem mais tarde na Súmula nº 105, impõe o simples cancelamento da multa isolada nesses casos. O entendimento de absorver a multa menor para períodos a partir de 2007 é um desdobramento da própria Súmula nº 105 do CARF, pois ele evita o problema de se afastar Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10920.004860/201074 Acórdão n.º 1401001.570 S1C4T1 Fl. 32 21 a multa isolada e manter a multa de ofício quando aquela tinha valor muito maior do que essa. Assim, o contribuinte é sancionado de maneira muito branda, mesmo apesar de ter deixado de recolher altos valores a título de estima mensal. Outra maneira de se ver essa conclusão é manter sempre a multa de ofício, como determina a súmula, mas acrescêla da diferença entre ela e a multa isolada, quando esta última for maior. Essa parece ser a interpretação mais mediadora, mais justa, pois evita a concomitância de multas ao mesmo tempo em que evita a aplicação de sanções muito brandas quando o contribuinte deixa de recolher ilegalmente valores altos, o que poderia levar, inclusive, a uma perda de eficácia social da norma que impõe o recolhimento da estimativa mensal. Ainda que este Relator tenha um entendimento pessoal no sentido de que a estimativa mensal é uma complexidade injustificável gerada no sistema com o objetivo de antecipar tributos à União Federal, o fato é que ela está prevista na lei e há uma sanção para o caso de descumprimento. No presente caso, nem se pode cogitar da aplicação da multa de ofício e mais a diferença entre a multa isolada e a multa de ofício, tendo em vista que os valores desta (R$ 18.915.492,72) superam em muito os valores daquela (R$ 8.915.044,20), diferença essa que se reflete na análise ano a ano. Deste modo, no que diz respeito às multas isoladas relativas aos anos de 2005 e 2006, cancelase as multas isoladas independentemente da análise dos valores, conforme a jurisprudência do CARF se firmou e se cristalizou na Súmula nº 105. No que toca às multas isoladas relativas aos anos de 2007 e 2008, analisouse os valores das multas isoladas e de ofício, de modo que se concluiu, também, pelo cancelamento das multas isoladas, que tinham valores menores. Pelo exposto, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário quanto a esse item, devendo ser cancelada a cobrança das multas isoladas aplicadas relativamente a todos os anos calendários. Cancelamento dos juros de mora exigidos isoladamente preclusão Não houve Recurso de Ofício e, portanto, não foi trazida ao CARF a discussão a respeito dos juros de mora exigidos isoladamente, de modo que a matéria se encontra preclusa. A Fazenda Nacional tentou trazêla por meio de suas ContraRazões, mas essa tentativa não é apta a desconstituir a preclusão ocorrida. Assim como o contribuinte não pode trazer matéria nova em sede de Recurso Voluntário, nem pode pretender alegar em Memorial matéria não trazida em sede de Recurso, a Fazenda Nacional não pode pretender discutir matéria que sequer foi objeto de Recurso de Ofício. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 22 Apesar de o objetivo do processo administrativo ser a busca da verdade material, ele precisa ter um mínimo de formalidades que mantenham a sua ordem e lhe deem segurança. Como se não bastassem os argumentos acima, a Portaria MF nº 3/2008, no seu art. 1º, prescreve que os recursos de ofício serão interpostos quando a decisão da DRJ exonerar o sujeito passivo do pagamento de principal e encargos de multa, não mencionando juros isolados. Foi com esse entendimento que a DRJ não interpôs Recurso de Ofício e o faz corretamente. Concluise que não cabe mais analisar a aplicação dos juros isolados, matéria, aliás, amplamente decidida no CARF no mesmo sentido do acórdão da DRJ. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de decadência e dar provimento parcial a ele, reformando o acórdão da DRJ apenas para cancelar as multas isoladas. Como não houve Recurso de Ofício, o cancelamento dos juros isolados pela DRJ ficam mantidos, tendo sido rejeitado o pedido realizado pela Fazenda Nacional em sede de Contrarrazões ao Recurso Voluntário. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS
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Numero do processo: 10909.900223/2008-64
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
Numero da decisão: 3803-000.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 02 23 /2 00 8- 64 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.806, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 62 a 65, que indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas por insuficiência de crédito, em face da incidência de multa de mora por extinção do débito fora do prazo. Contra a não homologação integral de sua compensação, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade des folhas 08 a 17, na qual discordou do critério de imputação adotado pela DRF/Itajaí/SC. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Consignou que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Juntou jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Manifestouse pela ilegalidade ou inconstitucionalidade do que está expressamente previsto no artigo 61 da Lei n.o 9.430/1996, segundo o qual “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” A DRJFlorianópolis, refutou os argumentos da impugnante assentando que em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações deste juízo, sobretudo quando se trata de disposição literal de lei regularmente editada. Citou tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de n.o 10607.303, de 05/06/95, n sentido desta limitação de competência, verbis: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Aduziu, ainda, que não tem efeito sobre a aplicação da penalidade o fato de o valor devido ter sido ou não declarado em DCTF ou a circunstância de o sujeito passivo encontrarse já em procedimento de ofício ou não. Ciente da decisão em 27 de maio de 2009, irresignada apresenta recurso voluntário de fls. 69 a 81, em 26 de junho de 2009, manejando os mesmo argumentos acima relatados trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900223/200864 Acórdão n.º 3803000.670 S3TE03 Fl. 103 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Toda a controvérsia restringese à possibilidade ou não do uso do instituto da denúncia espontânea para o fato presente. A responsabilidade que refere o art. 138 do CTN é relativa a infrações tais como os ilícitos tributáriospenais, dolosos (sonegação, fraude, conluio e outros crimes contra a ordem tributária), e outros ilícitos tributários, não dolosos (nãoprestação de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à existência do fato gerador, declarações inexatas, etc). Não ao mero inadimplemento de tributo. Dessa distinção resulta a graduação de penalidades, diferenciandose em multa de ofício e multa de mora, esta, mais branda, que visa indenizar o Erário pela demora no recebimento do seu crédito, aquela, punitiva, aplicável às infrações relativas à obrigação tributária principal. A demonstrar o caráter de indenização da multa de mora, o seu percentual é proporcional à quantidade de dias de atraso, até o limite de vinte por cento do valor do tributo, conforme fixados em lei. Se não é atípico que haja possibilidade de previsão de multa de mora nas obrigações contratuais privadas, comumente pactuada, além dos juros, pelo atraso no cumprimento das obrigações, assim também acontece na obrigação tributária, com a diferença de que nesta a multa é estabelecida em lei, face ao caráter ex lege da obrigação tributária. Se um contribuinte declara o tributo e por alguma razão não pode pagálo no prazo, sujeitase à multa de mora. Outro, que sequer declara e espera a inércia do sujeito ativo, ao sobrevir um procedimento fiscal, na espécie, arca com penalidade maior, segundo a previsão legal. É esta última penalidade que é excluída pela denúncia espontânea, quando o contribuinte se antecipa a qualquer procedimento fiscal. A primeira, não. Ora, isto é que é razoável: o contribuinte meramente inadimplente arca com uma multa menor, e aquele que pratica as demais infrações tributárias será punido com uma multa maior, submetendose à multa menor caso promova a autodenúncia. Escorome no escólio de Zelmo Denari, in Infrações Tributárias e Delitos Fiscais, Paulo José da Costa Jr. e Zelmo Denari, 2ª ed., São Paulo, Saraiva, 1996, p. 24, para apreender a distinção entre multa punitiva e multa indenizatória, para, ao fim, entender em que se aplica o instituo da denúncia espontânea: “A nosso ver, as multas de mora – derivadas do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída – são sanções inconfundíveis com as multas por infração. Estas são cominadas pelos agentes administrativos e constituídas pela Administração Pública em decorrência da violação de leis reguladoras da conduta fiscal, ao passo que aquelas são aplicadas em razão da violação do direito subjetivo de crédito. (...) Como é intuitivo, a estrutura formal de cada uma dessas sanções é diferente, pois, enquanto as multas por infração são infligidas com caráter intimidativo, as multas de mora são aplicadas com caráter indenizatório. De uma maneira mais sintética, Kelsen refere que, ao passo que o Direito Penal busca intimidar, o Direito Civil quer ressarcir, (...). Como derradeiro argumento, as multas de mora, enquanto sanções civis, Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 qualificamse como acessórias da obrigação tributária, cujo objeto principal é o pagamento do tributo. Essa acessoriedade, em contraposição à autonomia, as tornam inconfundíveis com as multas punitivas.” A respeito da incidência da multa de mora na denúncia espontânea, cumulativamente com os juros de mora, assim se pronuncia Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 6ª edição, 1993, p. 348/351, verbis: “Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito (...). A confissão do infrator, entretanto, haverá se ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. O art. 138 do CTN, ao determinar que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, precisa ser interpretado em conjunto com o art. 161 do mesmo Código, que informa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (negrito acrescentado). Consoante o art. 161, transcrito, seja qual for o motivo determinante do atraso a parcela do crédito tributário não pago no vencimento é acrescida de juros de mora e das penalidades cabíveis. Dentre essas penalidades, que precisam estar estabelecidas em lei, encontrase exatamente a multa de mora. E é cediço que as leis sempre estipularam, ao lado dos juros de mora, também a multa moratória. Assim, é que veio compor o ordenamento jurídico pátrio idêntica previsão, no artigo 61, e parágrafos, da Lei n.o 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900223/200864 Acórdão n.º 3803000.670 S3TE03 Fl. 104 5 Com o respeito que é devido à Corte Superior de Justiça, divirjo do seu entendimento e penso ser indiferente, para afastar ou não a denúncia espontânea, o fato de o contribuinte apresentar ou não a DCTF. Considerar este evento o ponto de corte entre ambos os efeitos só é possível se se desconsiderar a mecânica de apresentação desta obrigação acessória. Para o período que cobre a apuração dos débitos deste processo, julho e agosto/2003, a obrigação de apresentar a DCTF era trimestral, e a partir do anocalendário 2005, semestral, salvo a exceção prevista, de apresentação mensal. Não há razoabilidade, cogito, em considerar que dois contribuintes que recolheram tributos com um ou dois meses de atraso, um esteja coberto pela denúncia espontânea pelo fato de descumprir a obrigação acessória de apresentar a DCTF, destaquese, três ou seis meses depois do fato gerador, e após o pagamento atrasado, e o outro não esteja, pelo fato de têla cumprido. Segundo este critério, quem errou mais será mais beneficiado do que quem errou menos. De imaginarse, ainda, que seguro da cobertura do dito instituto, o primeiro contribuinte pode executar um atraso deliberado de seus recolhimentos, enquanto o segundo, que pode têlos executado por dificuldade financeira, submeterse a um ônus maior com o pagamento da multa, sendo correto no cumprimento de sua obrigação acessória. Por isso, não vejo nenhuma razão para a dicotomia. Depreendo que o efeito deste lapso de tempo entre o pagamento atrasado e a posterior apresentação da DCTF pode não ter sido sintonizado pela E. Corte Superior. Destaquese uma vez mais, ante a mecânica descrita acima, que a lei conferiu ao contribuinte a prerrogativa de substituir o Poder Público no procedimento de apurar o próprio quantum debeatur e recolhêlo “sem prévio exame da autoridade administrativa”, mantida a (prerrogativa) da Fazenda de, “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” dentro do prazo “de cinco anos a contar do fato gerador.”. Ademais, no caso concreto, como remate de todos os argumentos expendidos, na data da transmissão da DComp, 08/10/2004, ela tinha o mesmo efeito de confissão de dívida da DCTF, consoante o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...]. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Em conseqüência, os débitos por ela compensados podem ser objeto de remessa à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição na Dívida Ativa, tal como ocorre com os confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Noutra palavra, isto significa que cai por terra o argumento da recorrente de que efetuou a extinção do débito, por meio da compensação, antes de ser declarado/constituído, pois a própria declaração de compensação foi o meio dessa constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 17460.001025/2007-91
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/10/2002
VÍCIO FORMAL.
Se o lançamento apresentar vício em seu processo de produção não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso para anular o processo por vicio formal. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Ivacir Júlio de Souza Presidente-Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza.Ausentes os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Marthius Sávio Cavalcante Lobato.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1993 a 31/10/2002 VÍCIO FORMAL. Se o lançamento apresentar vício em seu processo de produção não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso para anular o processo por vicio formal. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Ivacir Júlio de Souza – PresidenteSubstituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza.Ausentes os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 10 25 /2 00 7- 91 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, correspondente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte dos segurados empregados, da empresa, para o financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho SAT (competências até 06/1997), financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (competências a partir de 07/1997), e as destinadas a Tiros (SalárioEducação,INCRA SENAI, SESI eSEBRAE). O montante lançado, incluindo juros e multa, é de R$ 529.377,93 (quinhentos e vinte e nove mil e trezentos e setenta e Sete reais e noventa e três centavos), abrangendo o período de 01/1993 a 11/1994, 0111995, 03/1995 a 03/2002, 06/2002, 08/2002 e 10/2002, consolidado em 09/03/2007. O Relatório Fiscal, às fls. 67 a 70, informa que: A presente NFLD n° 37.083.954 4 foi lavrada em substituição às NFLD's n° 35.580.3330 e 35.580.3348, as quais foram anuladas através das DecisõesNotificações n° 21.038/0002/2006 e 21.038/003/2006, de 04/01/2006, em função da impossibilidade técnica de saneamento de vício formal nas suas constituições, qual seja, a falta de fundamentação legal relativa à aferição indireta das bases de cálculo das contribuições lançadas; A empresa, apesar de devidamente intimada a apresentar toda a documentação relacionada no TIAD de 07/02/2007, novamente deixou de apresentar o termo de adesão ao PAT, do MTE; o Livro Diário de1993; e os Livros Caixa de 1994 e 1995; Relativamente aos Livros Caixa de 1996 a 2002, foram apresentados com as mesmas irregularidades verificadas na auditoria fiscal anterior, pois continuaram sem as formalidades intrínsecas exigidas pela legislação: os históricos dos lançamentos não contêm a discriminação clara e precisa dos fatos que os originaram, impossibilitando a verificação, na contabilidade, dos valores reais pagos aos segurados empregados, a título de salárioutilidade (alimentação); o Livro Caixa de 2001 não contém escrituração dos meses de agosto a dezembro, foi escriturado somente até julho/2001; Portanto, os levantamentos relativos ao fornecimento de salárioutilidade foram integralmente mantidos nesta NFLD substitutiva, nos termos da legislação previdenciária vigente à época, artigo 208 da IN n°70/2002, cujo conteúdo foi preservado nos atos normativos posteriores (artigo 788 da IN INSS/DC n° 100/2003, e artigo 758 da IN/SRP n° 03/2005; Manifestandose sobre as notas fiscais no relatório de primeira instância a Autoridade Julgadora manifestou que : “A apresentação de Notas Fiscais/Faturas de compra de cestas básicas não faz prova a favor da empresa, pois os documentos não foram devidamente escriturados, com histórico identificador dos fatos contábeis, sendo impossível a sua correta identificação Fl. 480DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 17460.001025/200791 Acórdão n.º 2403000.666 S2C4T3 Fl. 480 3 na contabilidade, motivo da aferição indireta da base de cálculo, no montante de 20% do total da remuneração paga em Folha de Pagamento, subtraídas eventuais parcelas descontadas dos segurados” Foram anexadas pela fiscalização: Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), fl. 77; Contrato Social e Alterações, fls. 78/90; cópias de documentos dos sócios e comprovante de endereço, fls. 91/93; Declarações de Ajuste Anual Simplificadas, fls. 94/109; recibos de pro labore, tls. 110/134; e GFIP's e Protocolo de Envio de Arquivos Conectividade Social, fls. 135/171. DA IMPUGNAÇÃO Tendo sido cientificada da NFLD em 09/03/2007, a teor da fl. 01, a Notificada, dentro do prazo regulamentar, conforme despacho de fl. 426, contestou o lançamento de crédito através do instrumento de fls. 175/187, PT 37299.001124/200707, juntou documentos: ( Anexo n° 1 : Notas Fiscais de aquisição de cestas básicas, fls. 188/307; Anexo n° 2: Comprovantes de exibição de Notas Fiscais, fls. 308/312; Anexo n°3 : Dissídios da Categoria, fls. 313/418; e Anexo n°4 : Comparativo Base Cálculo real x Base de Cálculo da ação, fls. 419/4230 e alegou em síntese que: cumprindo acordo firmado no Dissídio da Categoria, a empresa forneceu cesta básica a seus empregados, no período de 1993 a 2002, não as integrando na base de cálculo da incidência previdenciária, conforme reiterada jurisprudência; as atitudes do Contribuinte foram de colaboração, e nada justifica a aplicação de arbitramento, o Código Tributário Nacional (CTN) só o autoriza "quando não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados", artigos 148 e 149. Transcreveu jurisprudência; as cestas básicas foram legalmente adquiridas e estão efetivamente registradas no Livro Registro de Entradas de Mercadorias (apresenta relação às fls. 4); o valor arbitrado é aproximadamente o triplo do valor das compras de cesta básica; que mesmo sabendo que a empresa forneceu cestas a seus empregados, em todos os meses do período abrangido pela auditoria, a fiscalização não lançou nenhuma base nos meses em que não houve desconto dos empregados, como, por exemplo, em 12/1994 e 02/1995; tal fato constitui uma ilegitimidade: quando a empresa descontou valores simbólicos dos empregados, é tida como fraudadora; contudo, quando nada descontou, as cestas básicas deixam de constituir base de incidência. Ou seja, a ação é ilíquida e incerta; que a empresa cumpriu o prescrito pelo artigo 28, § 9°, letra c), da Lei n° 8212/91, pois cumpriu os objetivos do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, estabelecido na Lei n° 6321/76, e, cabe no caso, a regra do artigo 108 do CTN, que trata de interpretação tributária; até mesmo os estabelecimentos fornecedores das cestas básicas estavam regularmente inscritos no MTE, e as composições nutricionais correspondiam às exigências da II, Lei; Fl. 481DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 a exclusão do salário contribuição não decorre de um carimbo da ECT, e sim do atendimento da necessidade alimentar do empregado; Conforme o item 42 do Dissídio formalizado através do Sindicato da Indústria do Vestuário de Sorocaba (documento anexo), é obrigatório o fornecimento de cesta básica, com o desconto de 1% do valor em folha de pagamento, descaracterizandoa como salário; o refazimento da Ação, ao invés de buscar a justiça fiscal, teve apenas o cuidado de rechear o procedimento com novas citações de normas.Apresenta demonstrativo da Legislação indicada, às fls. 184/186; Apresenta a síntese da argumentação desenvolvida , Preliminarmente, o arbitramento se converteu em arbítrio; como faz parte de acordo trabalhista, a cesta básica tem caráter indenizatório, não integrando o salário de contribuição;e todos os demais sujeitos ativos da tributação conferem à cesta básica um tratamento especial, com redução de base de cálculo e de alíquota, sem limitação a registros no Ministério do Trabalho. Transcreveu o artigo da IN INSS/DC n° 070/2002 que fundamentou a apuração da base de incidência de 20% da folha de pagamento, e alega que esta não é a situação fática efetiva, o contribuinte forneceu o documentário de suas compras de cestas básicas, nada justificando que se aplique outro valor como base de incidência. Anexou as cópias dos documentos fiscais das compras efetivas, que instruem demonstrativo da divergência entre a base efetiva e a aplicada na ação fiscal. Remetese ao artigo 112 do CTN, afirmando que seu item II aplicase à hipótese do auto lavrado. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 11ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil SDRJ/SPOI, São Paulo I (SP), em 19 de fevereiro de 2008, às fls. 432, emitiu o Acórdão n ° 1616.392 11 , mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.451, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 17460.001025/200791 Acórdão n.º 2403000.666 S2C4T3 Fl. 481 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registros de fls. 467, o Recurso é tempestivo. Portanto, dele tomo conhecimento. DO FATO GERADOR De plano, não resta dúvidas de que a presente Notificação de Lançamento de Débito – NFLD, teve como fatos geradores o fornecimento de cestas básicas aos segurados empregados, em desacordo com a forma prevista na legislação específica, pois não foi comprovada a inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego MTE. Em resumo, as cestas básicas foram fornecidas em desacordo com o disposto no parágrafo 9°, alínea "c", do artigo 28, da Lei n° 8212/91, citado pela própria Defendente, que estabelece que somente a parcela recebida de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho não comporá a base de cálculo das contribuições previdenciárias. DOS MANDADOS DE PROCEDIMENTOS FISCAIS – MPF’S Como se observa às fls. 74 o Mandado de Procedimento fiscal – MPF n° 09373580F00, expedido em SOROCABA, 30 de janeiro de 2007, cientificado em 07.02.07, designou a Auditora NADIA MARA SOUSA OLIVEIRA ANDRADE para proceder a ação fiscal que resultou na presente autuação. A recorrente pretendendo fazer prova de que a autoridade fiscal tomou conhecimento das notas fiscais, juntou documentos de fls. 460 a 474. Ocorre que analisando atentamente os documentos apresentados, notase que estes registram recibos referemse a uma Fiscal cujo nome é “Desihe”, estranha à ação fiscal em comento, datados de 22/05/2003. Aduz que não há consignado matrícula, origem e demais dados que possam identificar a “fiscal” em foco. Resta claro que tais documentos, extemporâneos,vide fls. 461, não se referem à ação fiscal ora em apreço realizada no ano de 2007. DO ARBITRAMENTO Do Artigo 112, II O Julgador da instância ad quod assim se pronunciou no enfrentamento da alegação da então impugnante: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 “Ante o exposto, não há como ser acatado o pedido da Impugnante, para que seja aplicado o artigo 112 do CTN. Isto porque não trata o presente processo de definição de infração (obrigação acessória), mas sim de notificação de lançamento (NFLD), que objetiva exigir da Notificada contribuições previdenciárias não recolhidas à Seguridade Social nos prazos previstos em lei (obrigação principal). Portanto, não há que se falar em aplicação de interpretação mais favorável ao acusado, no caso em análise.” Neste caso, é flagrantemente equivocado interpretar o artigo 112 do CTN atribuindose ao ali preceituado caráter restritivo para ser observado somente quando a infração se referir às obrigações acessórias. O artigo é genérico e reportase às infrações tributárias e às penalidades em casos de serem suscitadas dúvidas: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;” Das Notas Fiscais A nota fiscal é um documento fiscal, como o próprio nome indica, que tem por fim o registro de uma transferência de propriedade sobre um bem ou uma atividade comercial prestada por uma empresa e uma pessoa física ou outra empresa. A nota fiscal é o documento legal que o comerciante, obrigatoriamente, deve dar ao comprador e que contém o preço unitário e o total das mercadorias compradas. O lançamento contábil é o registro do fato contábil. Todo fato que origina um lançamento contábil deve estar suportado em documentação hábil e idônea. A nota fiscal é um desses documentos. O lançamento contábil sem o devido documento de origem é motivo de desconsideração e não o inverso. A existência da documentação do fato contábil, a nota fiscal, por exemplo, não pode ser ignorada por eventualmente não ter sido corretamente efetivado o registro. Em inúmeras oportunidades, corretamente, lavraramse autos de infração sustentados nos registros comprovados pelas emissões das notas fiscais. Tratandose de pagamento de cestas básicas aos empregados da empresa autuada, nas circunstâncias do auto em comento, em presença das notas fiscais que registraram as compras, não há que falar em lançamento por arbitramento por ausência de base de cálculo informada na contabilidade, mas sim pelo valor efetivamente pago conforme as notas fiscais. Ademais, às fls 75, a auditora fiscal requereu, cfe. TIAD, as notas fiscais de compras de cestas básicas que, se infere, lhe foram apresentadas para , paradoxalmente, vide relatório fiscal item 2.5, fls 69 afirmar que tais documentos não prestam para registrar o fato: “2.5 Importante ressaltar que a apresentação, pela defesa, nos autos da NFLD tornada nula, de Notas Fiscais/Faturas de compra de cestas básicas não faz prova em favor da empresa, Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 17460.001025/200791 Acórdão n.º 2403000.666 S2C4T3 Fl. 482 7 eis que tais documentos não foram devidamente escriturados, com histórico identificador dos fatos contábeis, sendo impossível a sua correta identificação na Contabilidade, motivo da aferição indireta da base de cálculo no montante de 20% (vinte por cento) do total da remuneração paga” em Folha de Pagamento, subtraídas as eventuais parcelas descontadas dos segurados, conforme determina a legislação supracitada. LEGISLAÇÃO INSS SOBRE LEVANTAMENTO POR NF. A lei 8.212, de 24 de julho de 1991, com as alterações da Lei 11.098/2005, artigo 33, parágrafo 3°), considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou ainda, que omita informação verdadeira (Decreto 3.048/99, artigo 233, parágrafo único). A base de cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados pode ser apurada mediante arbitramento, com base nos contratos e nas notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, com fundamento no parágrafo 3° do artigo 33 da Lei 8.212, de 1991, na hipótese de a contabilidade da empresa não registrar a real remuneração paga aos segurados que laborarem, por exemplo, nas eventuais obras da empresa autuada. A Lei 8.212/91, no artigo 33, parágrafo 6°, autoriza a fiscalização a aferir indiretamente as contribuições, se a contabilidade não registrar o movimento real da remuneração dos segurados, do faturamento e do lucro. Dentro desta mesma ótica, o Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 148, estabelece que quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos, ou não mereçam fé, as declarações ou esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Não é novidade e não representa nenhuma irregularidade, comprovar os registros mediante confrontação com as notas fiscais vinculadas e assim se utilizar dos valores registrados nas notas como base de cálculo para eventuais lançamentos posto que de acordo com a previsão do artigo 447, b, e c , da IN MPS/SRP 03/2005 , reiterados pelo artigo 355, I e II da INRFB 971, tipificamse situações em que se empregam tais registros fiscais na forma das retenções de 11% prevista na Lei 9.711/98 incidentes sobre as notas fiscais ou faturas de serviço emitidas. Na mesma linha, a base de cálculo do débito, de acordo com o disposto no artigo 600, inciso I, da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14 de julho de 2005, reiterado pelo artigo 450 da IN RFB 971 pode ser apurada utilizandose como parâmetro valores das notas fiscais : Fl. 485DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 Art. 600: “ Para fins de aferição, a remuneração da mão de obra utilizada na prestação de serviços por empresa correspondente ao mínimo de : I – quarenta por cento dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação dos serviços; ” Assim, por analogia conforme previsão do artigo 108, inciso 1 da Lei 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) não havendo critério específico a aferição se dá através dos valores pagos e informados nas notas fiscais. “ Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia;” A Autoridade fiscal, referendado pela Autoridade Julgadora de primeira instância, entendeu que as notas fiscais específicas das compras de cestas básicas solicitadas no TIAD não representavam documentos capazes de alterar as bases de cálculo lançadas. Neste sentido, a instância ad quod, às fls 440, assim se manifestou: “Ainda em conformidade com o Relatório Fiscal a apresentação de Notas Fiscais/Faturas de compra de cestas básicas não faz prova em favor da empresa pois tais documentos não foram devidamente escriturados, com histórico identificador dos fatos contábeis, o que torna impossível sua correta identificação na Contabilidade. Pelo exposto, a relação de Notas Fiscais contida na defesa às fls. 177/179 bem como os Anexos n° 1 Notas Fiscais de aquisição de cestas básicas (fls. 188/307) n° 2 Comprovantes de exibição de Notas Fiscais (fls. 308/312), e n°4 Comparativo BC real x BC ação (fls. 419/423 não são documentos capazes de ilidir o procedimento fiscal, ou alterar as bases de cálculo lançadas. ” As notas fiscais oferecidas à fiscalização no documento 188/307 contêm elementos que informa as quantidades mensalmente adquiridas e o valor entre outros servindo, inclusive de suporte para se efetuar um cruzamento entre a quantidade informada e número de empregados registrados na empresa. Assim, entendo que as notas fiscais representam efetivamente as bases dos fatos geradores. DO MÉRITO SOBRE AS FOLHAS DE PAGAMENTO Como descrito no Relatório Fiscal, tratase de NFLD lavrada em substituição anulada por vício formal. Entretanto, não foi colacionado nos autos o Relatório fiscal da primeira e tampouco juntado documentos que eventualmente embasaram aquele lançamento. Assim em ação fiscal nova com MPF e TIAD próprios e específicos lavrou se a notificação em comento. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 17460.001025/200791 Acórdão n.º 2403000.666 S2C4T3 Fl. 483 9 Muito embora solicitadas as folhas de pagamento no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD de fls. 75 – e aqui abrase parêntesis para revelar que não fora reiterado o que caracterizaria a não entrega e justificaria o arbitramento é relevante observar que no Relatório fiscal de fls. 69, item 3, registra os elementos analisados na ação fiscal e essas, as folhas, não se afiguram listadas : “ 3 Elementos examinados na auditoria fiscal: Durante a auditoria fiscal foram examinados os Livros Caixa de 1996 a 2002, GFIPs, recibos de pagamentos, Livro Registro de Entrada Livro Registro de Saída, Declarações para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Pessoa Física dentre outros .” Também, no Termo de encerramento da Ação Fiscal – TEAF de fls. 72, no rol de documentos analisados na ação fiscal, não constam incluídas as folhas de pagamento. Somente na planilha anexada às fls. 71, confeccionada pelos Auditores, se verificam campos com a abreviação FP, presumidamente significando folha de pagamento, e ainda assim sem informação de que fora juntado por amostragem cópias dos eventuais documento originais probatório. Ademais, também não consta no rol de documentos juntados na instrução da NFLD, cópias de folhas de pagamento: Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), fl. 77; Contrato Social e Alterações, fls. 78/90; cópias de documentos dos sócios e comprovante de endereço, fls. 91/93; Declarações de Ajuste Anual Simplificadas, fls. 94/109; recibos de pro labore, tls. 110/134; e GFIP's e Protocolo de Envio de Arquivos Conectividade Social, fls. 135/171. Na forma do acima destacado, não parece razoável afirmar que o levantamento se processara com base nas informações das folhas de pagamento do período conforme também aduziu a Autoridade julgadora na instância primeira: “Assim, o critério adotado pela fiscalização no arbitramento está calcado no principio da razoabilidade, uma vez que foi utilizado, como base de cálculo, o percentual de 20% do total da remuneração paga em Folha de Pagamento, subtraídas as eventuais parcelas descontadas dos segurados.” Isto exposto, a dúvida suscitada propõe razão à Recorrente quando alude em seu socorro o preceituado no artigo 112, II do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;” QUANTO A INSTRUÇÃO DOS PROCESSOS FISCAIS Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 O Relatório Fiscal, às fls. 67 a 70, informa que: “A presente NFLD n° 37.083.954 4 foi lavrada em substituição às NFLD's n° 35.580.3330 e 35.580.3348, as quais foram anuladas através das DecisõesNotificações n° 21.038/0002/2006 e 21.038/003/2006, de 04/01/2006, em função da impossibilidade técnica de saneamento de vício formal nas suas constituições, qual seja, a falta de fundamentação legal relativa à aferição indireta das bases de cálculo das contribuições lançadas.” Do registro acima, aduz que se verificaram duas decisões distintas DecisõesNotificações n° 21.038/0002/2006 e 21.038/003/2006, de 04/01/2006 para dois processos distintos representados pelas NFLD's n° 35.580.3330 e 35.580.3348 anuladas por vício formal em razão da falta de fundamentação legal. Ao juntar os elementos de processos distintos em uma única Notificação cujo motivo alegado para fazêlo foi a impossibilidade de se proceder ao saneamento determinado, ou seja a impossibilidade de fundamentar legalmente a aferição indireta das bases de cálculos das contribuições lançadas, caracterizouse duplo vício na medida em que se confirmou que não existia fundamentos e não individualizaramse os processos na forma do requerido no artigo 9 do Decreto 70.235/72. O artigo 9 do Decreto 70.235/72, na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009 preceitua que a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo e mais: “ Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito .. ” Aduz que, já em 1993, vigorando alhures, o mesmo artigo determinava o idêntico procedimento: “ Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ” DA OBSERVAÇÃO DO DECRETO 70.235/72 Na edição do Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, o artigo 304 dispunha que as normas do procedimento e do contencioso administrativo observariam, no que coubesse, o disposto no Decreto n 70.235/72. Tal redação só veio a ser, tardiamente, alterada pelo Decreto 6.722, de 2008, quando então vigia a Lei 11.457/2007: “Art. 304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Previdência Social, bem como estabelecer as Fl. 488DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 17460.001025/200791 Acórdão n.º 2403000.666 S2C4T3 Fl. 484 11 normas de Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e suas alterações. ( revogado) Art. 304. Compete ao Ministro de Estado da Previdência Social aprovar o Regimento Interno do CRPS. ( Redação dada pelo Decreto n° 6.722, de 2008). ( grifei) ” Com a edição da Lei 11.457, na forma do artigo 25, se procedeu alteração onde a norma específica de regência do processo administrativo fiscal passou a ser a o Decreto 70.235/72 que antes era observado, no que coubesse, conforme artigo 304 do Decreto 3.048/99: “ LEI 11.457/2007 (...) DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no § 1o do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2o desta Lei. ” Desse modo, mediante o artigo 25 da lei 11.457/2007, a legislação só veio tornar específico aquilo que já se praticava, na forma do artigo 304 do decreto 3.048/99, no que coubesse. Aurélio Buarque De Holanda Ferreira em sua obra Novo Dicionário da Língua Portuguesa, 2ª edição, define subsidiário como sendo algo “de importância menor, secundário, assessório”. Pedro Nunes na sua obra denominada Dicionário da Tecnologia Jurídica, na página 255 define que complementar é o “que serve de complemento ou para completar”. Assim, quando o legislador levou para o bojo do Decreto 3.048/99, então norma específica, todo o Decreto 70.235 instalandoo no artigo 304, no que coubesse, descaracterizou a anterior natureza subsidiária, de ajuda, do decreto instalado para traduzilo em mais do que mero complemento posto que se infere que ao passar a integrar doravante o corpo do Decretomãe, 3.048/99, o decreto introduzido adquiriu personalidade de norma específica em razão de compor um dos artigos do albergante. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 Neste diapasão, é relevante notar que o Decreto 3.048/99 não foi revogado.Sendo assim, considerando que legislação deve ser observada de forma sistêmica, nada impede que a partir da lei 11.457, este, na eventualidade, seja subsidiariamente aludido, no que couber. Em razão de todo o exposto, entendo que o legislador não quis definir um marco no sentido de só se observar o preceituado no Decreto 70.235/72 após a edição da lei 11.457. Desse modo, é lícito exortar o preceituado no artigo 9 do Decreto 70.235 até porque é questão procedimental obrigatória na instrução dos autos. DO VÍCIO FORMAL É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. Analisandose as notas fiscais das compras das cestas básicas colacionadas nos autos, não se tem dúvidas de que o fato gerador inequivocamente ocorreu. O que não ocorreu foi a devida forma de demonstração dos fatos. A nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD é declarada quando se constata na análise dos aspectos formais a existência instalada de vícios insanáveis na NFLD em apreço ( grifei) Isto posto, o vício só pode ser sanado mediante nova NFLD utilizandose as bases de cálculo reais e individualizandose os processos. Na oportunidade poderá se efetuar o cruzamento ente a quantidade de cestas adquiridas, informadas no corpo das notas fiscais e nos registros do livro de entrada e saída de mercadorias, com a quantidade de empregados declarada nas folhas e nas GFIP’s e assim aferir a veracidade dos documentos pela coerência ou não resultado do confronto. Em face à circunstância relatada, deixo de enfrentar demais alegações da Recorrente por economia processual 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 17460.001025/200791 Acórdão n.º 2403000.666 S2C4T3 Fl. 485 13 CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso e , no mérito, DARLHE PROVIMENTO determinando a nulidade da Notificação de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.083.954 4 por VÍCIO FORMAL AB INITIO.Ivacir Júlio de Souza É como voto, Ivacir Julio de Souza Relator Fl. 491DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 10882.001430/2007-07
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DESTE CONSELHO. A jurisprudência deste Conselho se consolidou no sentido de que a análise de constitucionalidade de atos normativos é de competência exclusiva do Poder Judiciário.
MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 14 E 25 DO CARF. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE DOLOSA. Como é pacífico neste Conselho, a qualificação da multa de ofício só é possível quando restar cabalmente comprovada alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A mera constatação de movimentação financeira não contabilizada não possui o condão de qualificar a multa de ofício aplicada.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO RELATIVA. É cabível a presunção de omissão de receitas e a consequente tributação dos valores omitidos quando o contribuinte, apesar de intimado, não fornecer ao Fisco condições de analisar a procedência de tais valores.
MULTA REGULAMENTAR. Se o contribuinte é intimado nos termos do art. 11 da Lei nº 8.218/91 a apresentar ao Fisco os arquivos magnéticos que tem o dever de escriturar e não os apresenta tempestivamente, é legítima a aplicação da multa prevista no art. 12, III, da Lei nº 8.218/91.
Numero da decisão: 1801-002.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DESTE CONSELHO. A jurisprudência deste Conselho se consolidou no sentido de que a análise de constitucionalidade de atos normativos é de competência exclusiva do Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 14 E 25 DO CARF. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE DOLOSA. Como é pacífico neste Conselho, a qualificação da multa de ofício só é possível quando restar cabalmente comprovada alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A mera constatação de movimentação financeira não contabilizada não possui o condão de qualificar a multa de ofício aplicada. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO RELATIVA. É cabível a presunção de omissão de receitas e a consequente tributação dos valores omitidos quando o contribuinte, apesar de intimado, não fornecer ao Fisco condições de analisar a procedência de tais valores. MULTA REGULAMENTAR. Se o contribuinte é intimado nos termos do art. 11 da Lei nº 8.218/91 a apresentar ao Fisco os arquivos magnéticos que tem o dever de escriturar e não os apresenta tempestivamente, é legítima a aplicação da multa prevista no art. 12, III, da Lei nº 8.218/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 14 30 /2 00 7- 07 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de nº 1418.061, prolatado pela 3a Turma da DRJ de Ribeirão Preto, que, por unanimidade de votos, manteve as cobranças veiculadas pelos lançamentos objeto de discussão nestes autos. Em resumo, os fatos são os seguintes: Durante o trâmite da ação fiscal que subsidiou os lançamentos discutidos nestes autos, a Receita Federal do Brasil teve conhecimento de movimentações bancárias no exterior que (i) ou beneficiavam a Recorrente através de depósitos em seu favor; (ii) ou eram destinadas a outras pessoas em virtude de ordens de pagamento dadas pela Recorrente. Essas informações foram obtidas em razão da ordem de quebra de sigilo bancário de várias contas no exterior, determinada pelo Juízo da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, nos autos do Inquérito Policial de nº 1026/2006 (antigo nº 207/98), que foi autuado no Judiciário sob o nº 2003.70000303334. No que se refere especificamente ao caso destes autos, constatouse que, através da subconta LE MANS CORPORATION (de nº 310079), a Recorrente foi beneficiada por um depósito no valor de US$11.496,24 e fez um depósito no valor de US$27.861,10 (conforme demonstram os documentos de fls. 112 e 113), sem registrar em sua escrita quaisquer dessas duas movimentações. Diante dessas constatações, a Fiscalização intimou a Recorrente para prestar esclarecimentos (fls. 111 e 124) sem obter, contudo, retorno. Pois bem, diante da constatação dessas movimentações e da inércia da Recorrente, a Fiscalização, dando aplicação ao disposto no art. 24 da Lei nº 9.249/95 e no art. 281 do RIR/99, considerou os valores das movimentações citadas acima como receitas omitidas e lavrou os autos de infração de fls. 154171, que cobram da Recorrente valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, incidentes sobre os valores omitidos, acrescido de multa de ofício qualificada (de 150%), por ter a Fiscalização entendido que houve fraude na omissão dessas receitas. Vale destacar que os valores de IPRJ e CSLL não estão sendo cobrados, pois foram compensados com o saldo negativo do exercício anterior. Além desses valores (referentes aos tributos e à multa qualificada), cobrase ainda, da Recorrente (essa cobrança é feita no auto de infração relativo ao IRPJ), multa regulamentar no valor de R$471.568,41, com base no art. 12, III, da Lei nº 8.218/91 (com redação dada pela MP nº 2.15835/01), pois a Recorrente foi intimada duas vezes (conforme Fl. 608DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10882.001430/200707 Acórdão n.º 1801002.157 S1TE01 Fl. 608 3 fls. 05/06 e 116) para apresentar arquivos magnéticos contendo determinados dados e também não os apresentou (conforme Termo de Esclarecimento de fl. 117). Ou seja, os autos de infração podem ser divididos e analisados em dois grupos: (i) cobrança do principal dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), acrescido da multa qualificada; e (ii) multa regulamentar prevista no art. 12, II, da Lei nº 8.218/91. Quando recebeu os autos de infração, a Recorrente apresentou as impugnações de fls. 178189, 229240, 241252, 253264 (uma para cada auto de infração), na qual alegou o caráter confiscatório das multas aplicadas e impossibilidade de o Fisco lançar os tributos por meio de presunção de ocorrência dos fatos geradores. Ao conhecer das impugnações, a DRJ de Ribeirão Preto, através da decisão de fls. 269275, julgou procedentes os lançamentos alegando: (i) quanto ao caráter confiscatório das multas, que não teria competência para analisar a constitucionalidade dos dispositivos que as preveem; (ii) quanto à presunção de omissão das receitas, disse que a presunção levada a cabo pela Fiscalização realmente é relativa, mas que foi dada a oportunidade para a Recorrente de afastála, que quedouse inerte, sendo, portanto, devida a presunção; e (iii) quanto à multa regulamentar, afirmou que a hipótese de incidência do art. 12, III, da Lei nº 8.218/91 mostrouse presente e, portanto, a multa é devida. É contra essa decisão que se volta o recurso ora analisado, através do qual a Recorrente pede a reforma da decisão da DRJ e a consequente anulação dos lançamentos com base nos seguintes argumentos: (i) que os autos de infração são nulos, porque partem de uma presunção de que os fatos geradores efetivamente ocorreram, sem que restasse comprovada a efetiva ocorrência desses fatos; (ii) que o Fisco deveria ter realizado uma auditoria (prevista no art. 286 do RIR/99), pois esse seria o procedimento adequado para verificar efetivas omissões de receita; e (iii) que a multa de 150% aplicada sobre o valor dos principais é confiscatória e não deve ser mantida no presente caso. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Antes de passar à análise do mérito do Recurso, é importante destacar que a alegação da Recorrente de inconstitucionalidade das multas aplicadas não será objeto de análise neste voto, pois, conforme dispõe a Súmula nº 2 deste Conselho, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pois bem, a meu ver, a situação dos autos enseja provimento apenas parcial do recurso ora analisado, para se reduzir o percentual da multa de ofício para 75% ante o cabimento, no presente caso, de aplicação das Súmulas nº 14 e nº 25 deste Conselho, que dizem, respectivamente: Fl. 609DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Como se nota dos autos, os únicos fatos efetivamente comprovados foram que a Recorrente foi beneficiária de algumas movimentações financeiras e ordenou outras. Em momento algum foi sequer ventilado nestes autos que a Recorrente teria agido com intuito de fraude, o que é indispensável para o agravamento da multa. É ver que no termo de verificação fiscal de fls. 146150 a Autoridade Fiscal sequer cita as multas aplicadas e muito menos justifica as respectivas qualificações, ou seja, nem mesmo a autoridade que lavrou os autos de infração ora analisados suscitou a presença de sonegação, fraude ou conluio. E como já adiantado acima, a jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que o intuito fraudulento do contribuinte deve estar cabalmente comprovado para se admitir a qualificação da multa. É ver alguns precedentes que seguem esse entendimento: MULTA QUALIFICADA INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista, à época, no artigo art. 44, II, da Lei n 9,430/96 quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O desiderato fraudulento deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos da Súmula n° 14 do Conselho Administrativo de recursos Fiscais, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem devida comprovação das hipóteses legais de fraude. (CARF, 1ª Sessão, 3ª Turma Especial, acórdão nº 180300.346, de 07/04/2010) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL SIGILO BANCÁRIO QUEBRA NULIDADE Tendo os elementos de prova sido obtidos via ordem judicial, simplesmente inexiste o pretenso ilícito relacionado com quebra de sigilo bancário. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO É tributável como omissão de rendimentos o descompasso observado no estado patrimonial do contribuinte, não acobertado por recursos com origem comprovada. IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumem omissão de rendimento os valores creditados em conta bancária cuja origem não restar comprovada, mormente quando a base tributável foi tida como recurso na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. IRPF MULTA QUALIFICADA FRAUDE A simples omissão de receitas não representa, por si só, fato relevante para a caracterização de fraude, que não se presume, devendo ser comprovada conduta material suficiente para sua caracterização. Preliminar acolhida. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 283.100052/200280, Acórdão nº 0419.855, sessão de 17 de março de 2004) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF N. 14. A simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, devendo a autoridade fiscal fundamentar a caracterização do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, não podendo os órgãos julgadores suprirem tal falta, conforme já consagrado no enunciado da Súmula CARF n 25: A presunção legal de omissão de Fl. 610DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10882.001430/200707 Acórdão n.º 1801002.157 S1TE01 Fl. 609 5 receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, acórdão nº 9202003.281, de 29/08/2014) Ou seja, a efetiva comprovação do intuito fraudulento do contribuinte é condição para a qualificação da multa. No entanto, no presente caso tal comprovação não se mostra presente, de modo que a desqualificação da multa é medida impositiva. Quanto aos demais argumentos levantados pela Recorrente, a meu ver nenhum merece a guarida deste Conselho. Não há que se falar, como pretende a Recorrente, que a presunção levada a cabo pela Fiscalização foi irregular e que a ocorrência dos fatos geradores deveria ter ficado comprovada nestes autos. Isso porque, como bem salientado pela instância a quo e até mesmo pela Recorrente, a presunção de omissão de receitas é mesmo relativa, cabendo provas em contrário. No entanto, nestes autos a Recorrente em momento algum apresentou essas provas, muito embora tenha tido várias oportunidades de fazêlo, como, por exemplo: (i) nas duas vezes em que foi intimada ainda na ação fiscal a dar explicações sobre as movimentações financeiras que deram ensejo às autuações sob análise; (ii) no momento em que apresentou sua manifestação de inconformidade, quando poderia têla instruído com documentos ou informações que esclarecessem os fatos; ou (iii) até mesmo ao interpor o recurso ora analisado. Todavia, apesar de todas essas oportunidades, a Recorrente mantevese omissa na ação fiscal e, em suas peças de defesa (manifestação de inconformidade e recurso voluntário), não apresentou qualquer documento que pudesse lhe socorrer e nem mesmo levantou a mais pueril justificativa acerca das movimentações financeiras. A Recorrente apenas invoca em seu favor uma suposta nulidade, sem ao menos indicar o menor dos indícios de que não teria preenchido as hipóteses dos artigos 24 da Lei nº 9.249/95 e 281, II, do RIR/99. Ora, fosse assim bastaria aos contribuintes nunca prestarem qualquer informação ao Fisco que suas movimentações financeiras estariam salvas. Bastaria omitir informações ao Fisco acerca da procedência dos valores e pronto, se o Fisco não conseguisse descobrir minuciosamente o que ensejou tais movimentações (o que nos dias atuais é mesmo muito difícil) o dinheiro estaria salvo. Enfim, entendo que aceitar a tese da Recorrente, com a devida vênia, seria um convite à sonegação. E também não há que se falar em aplicação do disposto no art. 286 do RIR/99 (auditoria de produção), como pretende a Recorrente, pois o presente caso não suporta sua aplicação. Isso porque, essa é uma forma de verificar, através da produção dos contribuintes e dos produtos constantes do seu estoque, se eles venderam mais do que declararam. Ou seja, é uma forma de verificar se houve ou não alguma entrada financeira não contabilizada. No entanto, no presente caso, a efetiva existência dessa entrada não contabilizada já é patente e dispensa qualquer procedimento prévio para sua comprovação. Não faz sentido qualquer auditoria de produção quando a entrada não contabilizada já se mostra presente de per se pela simples existência de um depósito não contabilizado. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 6 Portanto, o Fisco fez bem em presumir as omissões de receita nestes autos, dando aplicabilidade ao disposto nos artigos 24 da Lei nº 9.249/95 e 281, II, do RIR/99. Por fim, apesar de não ter sido expressamente abordada pela Recorrente, insta salientar que a multa regulamentar do art. 12, III, da Lei nº 8.218/91 foi bem aplicada, pois sua hipótese de incidência foi claramente preenchida no presente caso, já que a Recorrente, muito embora tenha sido duas vezes intimada para tanto, não apresentou os arquivos magnéticos solicitados, conforme atesta o Termo de Esclarecimento de fl. 117. Portanto, em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para desqualificar a multa de 150% aplicada sobre o valor dos tributos cobrados, reduzindoa para o seu valor ordinário, e manter integralmente o restante das autuações, que cobram da Recorrente os valores principais dos tributos e aplicam a multa regulamentar prevista no art. 12, III, da Lei nº 8.218/91. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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Numero do processo: 11080.009582/2005-86
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRRI LUCRO REAL CANCELAMEN10 DE, VENDAS
Inadmissível a redução do resultado do exercício mediante o
estorno de receitas supostamente canceladas, sem a devida
comprovação do cancelamento, ainda mais quando as vendas
alegadamente canceladas ocorreram em anos-calendários.
anteriores
IRPJ LUCRO REAL TÍTULOS DE CAPITALIZAÇÃO
DESPESAS INDEDUTÍVEIS Não caracterizam despesas
dedutíveis de apuração do lucro real os valores aplicados em
sistemas de capitalização e resgatados para conta corrente
bancária do contribuinte
IRRJ LUCRO REAL. DESPESAS NÃO COMPROVADAS Não
comprovado que o lançamento contábil de ajuste de conta de
passivo se refere a despesas financeiras, as quais, pelos
contratos apresentados pelo contribuinte já haviam sido
contabilizadas anteriormente, incabível a dedução desse valor
na apuração do lucro real.
IRPJ LUCRO REAL. DESPESAS DESNECESSÁRIAS São
indedutíveis as despesas financeiras derivadas de empréstimos e
financiamentos em relação aos quais não se comprovou serem
necessários para a atividade da empresa e à manutenção da
fonte produtora.
Numero da decisão: 1202-000.336
Decisão: ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade, negar provimento ao recurso voiuntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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DESPESAS NÃO COMPROVADAS Não comprovado que o lançamento contábil de ajuste de conta de passivo se refere a despesas financeiras, as quais, pelos contratos apresentados pelo contribuinte já haviam sido contabilizadas anteriormente, incabível a dedução desse valor na apuração do lucro cai 11/RI. LUCRO REV., DESPESAS DESNECESSÁRIAS São ind&utíveis as despesas financeiras derivadas de ernprstimos e financiamentos em relação aos quais não se comprovou serem necessários pata a atividade da empresa e à manutenção da fbnie produtora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade, negar provimento ao recurso voiuntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado„ Processo n'' 1 1080 009582/2005-Mi SI-C2.12 Acórdão ri '1202-00.336 1.1 2 élson Loss . Fil - Presidente / / \ Orlan I osé 'or çalves Bueno - Relator \\ — EDITADO EM: o ;'.1' A o 20 0. Participaram da sèssão de Julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente), Carlos Alberto Donassolo, Valei ia Cabral Oco Verçoza, Darei Mendes de Carvalho Filho (Suplente Convocado),, Nereida de Miranda Finamoie Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Vice Presidente da Turma) Of _ r -• 'i ,) Processo n" II 050. 009552/2005-86 51-C212 Acórdão n " 1202-0(1,3:36 H .3 Relatório Trata-se de autuação de IRI).1, referente ao exercício de 2003, levada a efeito pela fiscalização e cientificado ao contribuinte em 18.11..2005, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário, acrescido de multa de oficio equivalente a 75% e .juros de mora. Ao tempo dessas verificações, foram constatadas a ocorrência das seguintes irregularidades fiscais: (i) redução indevida da base de cálculo do IRRI, uma vez que contabilizou despesas não comprovadas ou não necessárias à atividade econômica da sociedade; e (ii) redução indevida da base de cálculo do IRPJ, pois efetuou estornos de receita não comprovados ou sem amparo legal. Inconformado com a imposição tributária, o contribuinte, apresentou, tempestivamente, sua impugnação 782/790. Reconhece o contribuinte o cometimento de erros e declara não ter agido de má-Fé ou com intenção de lesar o Fisco. Ademais, faz breve digressão sobre o processo de reestrutura.ção a que se viu submetido por contingências comerciais, eleneando as seguintes razões pelas quais entende deva ser desconstituida a exação: (i) em relação aos estornos de receitas sem comprovação, justifica-os em face da não renovação de contrato de prestação de serviço, com cancelamento da fatura emitida, ou em virtude de os clientes discordarem da qualidade do serviço; estorno de faturas não pagas pelo cliente com emissão de novas, em valor atualizado; desistência do trabalho por parte do cliente e outros ajustes que ocasionaram a re-emissão das faturas. Todavia, o contribuinte não apresentou qualquer documentação que comprove as alegações acima. (ii) que os valores relativos aos títulos de capitalização correspondiam a. aplicações "coercitivas" no sistema bancário e que, vencidos, eram creditados em conta corrente da autuada, funcionando como redutores das despesas financeiras Tendo cru vista terem sido imobilizados indevidamente, foram baixados à conta de despesas por ocasião da conciliação contábil; (iii) que os valores lançados em conta de despesas financeiros e tidos por não comprovados correspondem à diferença entre os encargos contabilizados pelo agente financeiro (Finansinos) e os contabilizados por ela, os quais, ante a impossibilidade de identi licação item a item, foram contabilizados pela diferença total; (iv) que as despesas consideradas não necessárias correspondem a valores transferidos para a empresa Unipaper S/A para elaboração de parte de projeto de C91 j(-- 3 Processo n" 1 1O80.009582/2005-86 Sl-C2•12 Acórdão n 1202-00336 4 gerenciamento de negócios e desenvolvimento dos trabalhos de auditoria.. P:ntretanto, não houve acerto final com aquela empresa e o projeto não foi finalizado, havendo a intenção de transtOrrna-lo em produto a ser comercializado para outras empresas. Não .podendo, assim serem classificadas como desnecessárias.. Por fim e com base nos esclarecimentos acima, requereu o acolhimento de suas razões e a declaração de insubsisU.,'ncia do auto, desconstituindo o respectivo crédito tributário.. Em vista aos argumentos apresentados pelo contribuinte, a DR.1 — Porto Alegre/RS -manifestou-se, cru fis. 863/865, nos termos seguintes: ANSUlliO. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica Ano-calendário. 2003 LUCRO REAL. CANCELAMENTO DE VENDAS. Inadmissível a redução do resultado do exercício mediante o estorno de reCeita.5 mum.stauwnte. canceladas, .sem a devida comprovação do cancelamento, ainda mais quando as vendas alegadamente canceladas ocorreram em ano.s-calendários ameriore.s. LUCRO REAL lll'ULOS DE CAPITALIZA.(ÃO DESPESAS INDEDUTiVEIS Não (.....aracterizam despesas dedutiveis de apuração do lucro real o.s valores aplicados em sistemas de capitalização e resgatados para conta corrente bancária do contribuinte. JRPI. LUCRO REAL.. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Não comprovado que o lançamento contábil de ajuste de conta de passivo se afere a despesas financeiras, as iluais, pelos contratos apresentados pelo contribuinte . já haviam sido contabilizados anteriormente, incabível a dedução desse valor na apuração do lucro real. LUCRO REAL. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. São indedutiveis as despesas financeiras derivadas de empréstimos e financiamentos em relação aos quais não se comprovou serem necessários para a atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. Lançamento Procendente O contribuinte, tempestivamente, interpôs seu recurso voluntário reproduzindo as alegações apresentada em sua impugnação, sem, contudo, contestar substancial parcela da autuação.. É o Relatório, 4 Processo n" 1 1080 009582/2005-86 SI-C2T2 Ac(n dão n o 1202-00336 ri 5 Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Relator Por presentes os pressupostos de admissibilidade reeursal dele torno conhecimento A autoridade de primeira instância em voto bem lavrado, conscienciosamente descreveu os fatos e o direito aplicável à questão posta perante essa E. Turma Inicialmente, cumpre destacar que os membros da 1" Turma de Julgamento da DR.1 em Porto Alegre/RS, nas razões preliminares de seu voto destacou que "substancial parcela da autuação não foi contestada pela impugnante, não se instaurando o litígio em relação a esses pontos do lançamento", registrando como matérias não impugnada, a saber: 001 — ESTORNO DE RECEITAS NÃO COMPROVADO (EM PARTE); 003 CUSTOS OU DESPES'AS _NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS NiO COMPROVADAS— BAIXA DE CRÉDITOS PARA COM OS SÓCIOS, 004 — CUSTOS OU DESPESAS /VA ó COMPROVADAS GLOSA DE .1 WSPESAS NAO COMPROVADAS BAIXA DE ATIVO PARA DESPESA, 007 DESPESAS INDEDUTiVEIS DESPESAS INDEDUTIVEIS — BAIXA DE MÚTUO PARA DESPESA e 008 — DESPESAS INDEDUTIVEIS DESPESAS INDEDUTIVEIS - BAIXA DE CRÉDITOS DE MENTES PARA DESPESA Da mesma tbrma, em sede de Recurso Voluntário, deixou a contribuinte de manifestar expressamente suas razões contrárias às matérias acima descritas, incorrendo no disposto do art., 17, do Decreto 70.235/72, que determina -considerar-se-á não impugnada a matéria que não lenha sido expressamente contestada pelo impugnante" Por estas razões acima demonstradas, passo somente ao exame das matérias expressamente impugnadas pela contribuinte, seguindo, inclusive, sua disposição seqüencial. ITEM 001 — OMISSÃO DE RECEITAS. ESTORNO DE RECEITA NÃO COMPROVADO Em que pese as alegações trazidas pela Contribuinte, não lhe assiste razão ao entender descabida e exorbitante o valor ora autuado, em razão da inexistência (Te provas Processo n" li080 009582/2005-86 51-C2•12 Acórdão n " 1202-00336 H. 6 documentais efetivas nesse sentido, a fim de corroborar com o quanto alegado, como já asseverado no voto da autoridade julgadora de primeira instância. Inicialmente, cumpre ressaltar que, conforme verifica-se pelos Termo de Intimação Fiscal às .fls. 31 e 36, datados em 0510812005 e 31/08/2005, durante o procedimento de fiscalização a Contribuinte fbi intimada para "apresentar justificativa e documentação comprobatória (cópia de .faturas, contrato, etc) para cada uru dos valores contabilizados como estornos de receitas durante os anos calendários de 2003 e 2004", sendo que tão somente apresentou justificativas desprovidas de qualquer documentação lega comprobatória, trazendo aos autos apenas impressões de controle interno, conforme fls.40 a 65, .lblhas essas sem qualquer respaldo em documentos outros fiscais ou comerciais nos termos da legislação fiscal/comercial, ou seja, não apresentou quaisquer as faturas e/ou duplicatas devidamente emitidas, nem sequer os mencionados termos de "distratos" e "rescisões contratuais", "adiantamento de faturamentos erijas duplicatas já estavam envolvidas em sistema bancário", dentre outros documentos hábeis e idôneos definidos em preceitos legais, capaz de fazer prova do quanto alegado a lavor do contribuinte. Não obstante, uma vez lavrada a presente autuação ora combatida, a Contribuinte apresentou suas razões de impugnação e, novamente, não apresentou qualquer. prova documental capaz de afastar a pretensão da presente autuação, em inobservância ao que dispõe o Decreto n." 70.235/72 , em,. seu art. 16, inciso I e 84", ia -verbis: Art. 16. A impugnação illeflelOrlará, ) — OS motivos de fato e de direito em que .se fundamenta, as pontos de discordância e as razões e provas' que p0,5',5111 F 4" A prova documental será apresentada na innignação, precluindo o direito de o impugnar/tu fazê-lo em outro momento processual, a menos que.- (• • .) Não obstante, há que se lembrar ainda que o art.. 9", §1° do Decreto Lei n." I 598177 ainda determina que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, .segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". Seguindo o que determina os mencionados textos legais, incumbe a Recorrente apresentar cópias de faturas, duplicatas, contratos e distratos firmados, dentre outros docum.entos, a fim de demonstrar expressamente cada um dos valores contabilizados como estornos de receita, afastando assim a pretensão tributária. Porém, assim não O fez, • .pautando-se em meras folhas de controles interno, sem qualquer indicio confirmatório da veracidade e efetividade do quanto demonstrado! • Mesmo em sede recursal, a fls.. 886 até 890 demonstra., em planilha., seu interesse que os "cancelamentos" de vendas, ou estornos, relacionados a fis, 889 e 890, sejam considerados à luz do disposto no art. 9" da Lei a.' 9.430/96, ou seja, compreendidos corno perdas dedutíveis e excluídos da exigência fiscal. Contudo seja sua alegação contendo algo de 6 Processo 11" 11080.009582/2005-X6 s I-C212 Acórdãori " 1202-00.336 Fl 7 fundamento legal, posto que os valores ali relacionados se encontram abaixo do limite legal de R$ 5,000,00 (cinco mil reais) por operação, o problema se evidencia novamente na questão probatória, haja vista que inexistem nos autos as faturas, contratos, c/ou quaisquer outros documentos de fatura e cobrança que possam guarnecer e confirmar a alegação da Recorrente.. Ademais em simples análise de conferência, por exemplo, referente a operação com "Sabaralcool" , da fatura 18.692/01, com data de emissão 05/03/2001 e data de estorno 02/09/2003, no valor de R$ 9.589,93 (dados informados pela Recorrente a fls. 899), sendo que apenas se verifica, a fls. 239, cópia do Livro Razão o registro da aludida fatura no valor de .R$ 8.126,25, sem correspondência exata e correta sobre o suposto estorno e sem qualquer outra. documentação comprobatória dá operação em comento.. Outrossim, mais um exemplo relacionado ao cliente '\/1, Cardoso & Cia.." referente a fatura relacionada pela Recorrente a fls.. 889, de n" 20.850/02, com data de emissão de 07/06/2002, data de estorno de 30/05/2003, no valor declarado de R$ 3,900,00, sendo que, a fls. 306, se verifica na cópia do E avio Razão da Recorrente, o lançamento a débito no valor de R$ 3,841,50, em 03/06/03, denotando outra. discrepância que mais unia vez exibe a inconsistência e inexatidão contábil e temporal sobre o quanto alegado neste item em sede recursal.Tais circunstâncias, constantes dos autos, afetam substancialmente a confiabilidade das assertivas, absolutamente desamparadas de qualquer outra documentação probante a seu favor para evidenciar a veracidade do quanto alegado.Desta feita, não há como acolher sua pretensão de aplicação do previsto no artigo 9" da Lei n" 9,430/96, pois cabia a Recorrente trazer aos autos os documentos legais e validamente previstos, a demonstrar a legitimidade dos estornos e cancelamentos de vendas como procedidos, mas glosados, corretamente, pela autoridade fisealizadora. Ademais, segundo suas razões defensórias apresentadas em sede de impugnação e muito bem abordada pela l Turma de julgamento da DRj em Porto Alegre/RS, não poderia o contribuinte estornar, simplesmente, no Ano-Calendário ora fiscalizado, receitas contabilizadas em períodos anteriores, em descompasso com o regime de competência em matéria tributária. Por exemplo, menciona-se os estornos relativos às vendas de serviços para o cliente V.L. Cardoso e Cia Ltda que, embora alegue a Recorrente tratar-se de estorno de receitas de 2.002 e 2,003, a conta de receitas somente aponta vendas para o referido cliente nos meses de setembro a dezembro do ano de 2.003, embora efetuado lançamento de estorno, sem qualquer lastro documental, na data de 30/05/200.3. Por estas razões, rejeito os fundamentos recursais deste item para manter a exigência fiscal. ITEM 002 — CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS — BAIXA DE ATIVO FINANCEIRO PARA DESPESA Mais uma vez, as alegações da impugnante encontram-se totalmente desamparadas de comprovação documental, inexistindo qualquer documento hábil e idôneo capaz de comprovar o quanto alegado, fundamentando sua não aceitação como despesas contabilizadas. Ademais, ressalta-se, a própria argumentação apresentada pela Recorrente ao afirmar que "que os valores lançados eram referente aos títulos de capitalização que Carre,Tondiam a aplicações "coercitivas" no sistema bancário e que, vencidos, eram Utt (9t, 7 Processo n0 11080. 009582/2005-86 SI-C2-12 Acórdão " 1202-00,336 . 8 creditados em conta corrente da autuada, servindo como redatores das despesas .financeiras" já afastam,- por si só, sua dedutibilida.de, pois os valores sequer configurariam com despesas financeiras da contribuinte! São consideradas despesas financeiras os juros pagos ou .incorridos, os quais serão dedutiveis como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas (RIR/1999, art.. 374): i. os .juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de créditos e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito, deverão ser apropriados proporcionalmente ao tempo decorrido (pro rata tempore), nos períodos de apuração a que competirem; os juros de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens do ativo .perinanente, incorridos durante as fases de construção e pré-operacional, podem ser registrados no ativo diferido, pala serem amortizados. Como verifica-se, titulo de capitalização não se enquadra nas permissivas legais e nem pode ser escriturado como despesas financeiras, por serem consideradas como não atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos • do art. 299 do RIR/99, Por estas razões, julgo improcedentes as razões recursais para este item, com a manutenção da respectiva exigência fiscal. ITEM 005 — CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS NÃO COMPROVADAS. Não assiste razão à Recorrente quando procura justificar os dois lançamentos efetuados na data de 31/12/2003 à conta de "Encargos s/ títulos descontados", no valor total de R$ 435,637,54, senão vejamos.. 1.)rimeiramente, a suscitada informação da .Vinansinos SM que amparou o lançamento "por diferença" (11, 834) não indica a exigência de encargos, correspondendo tão somente ao saldo em aberto dos títulos descontados pela impugnante junto àquela instituição. Não há neste documento nada que ampare o vultoso lançamento de encargos financeiros, nem tão pouco outro documento que comprove o quanto alegado. Por outro lado, conforme entendimento muito bem proferido pela 1" Instância Julgadora, o exame documental das operações revela que as despesas financeiras relativas aos contratos de desconto de títulos elencados pela instituição financeira já haviam sido escriturados contabilmente quando do lançamento da operação de desconto.. Reproduza-se o demonstrado pela 1" Turma de Julgamento de DRT em Porto Alegre/RS. "Veja-se, a título de exemplo, o contrato 519.33/03 (11 855) . a impugnante apresentou para desconto titules no montante de .R$326. 429,00, resultando a disponibilização de R$3 10.236,51 líquidos. Os encargos, incluídos o 10F, totalizaram R$16..192,49, que foram contabilizado.s à conta de despesayna 8 Processo n" 11080.009582/2005-26 S1-C2T2 Acórdão n.' 1202-00.336 Fl 9 data da operação, em 17/12/03 (fl. 5/5) .Amo.stragene dos demais contratos que lastreavam o .saldo devedor junto à Finansinos no final de 2003 (fl. 513/514) também confirma que os eneargo.s financeiros respectivos firam reconhecidos por ocasião do desconto dos títulos Deste modo, evidencia-se a inexistência de qualquer razão à Recorrente para que ao final do período, lançasse, novamente, despesas que equivalem à quase 35% do valor da dívida, restando demonstrado a correção do presente lançamento, razão pela qual julgo improcedente às razões de Recurso -Voluntário para assim manter o lançamento do crédito tributário ., também quanto a este item.. • ITEM 006 — CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. DESPESAS FINANCEIRAS. Argumenta a Contribuinte que no ano d.e 2.000 iniciou o desenvolvimento do software S1GES1 > e que o aporte de recurso financeiro nos anos de 2.001 e 2.002 para a UNIPAPFR S/A, que se destinava à elaboração do referido software de gerenciamento d.e negócios e desenvolvimento dos trabalhos de auditoria, para futura. utilização pela. própria. Recorrente e comercialização a terceiros, Entretanto, a única documentação apresentada pelo Recorrente refere-se às apresentações acerca do programa e seu funcion.amento, sem trazer aos autos nenhuma prova com probatória da existência deste programa, nem ao menos uma versão preliminar e experimental, conhecida como versão beta, apesar do vultoso montante investido.. Ademais, constatou-se que a referida empresa UNIPAPER. S/A tinha como atividade principal o comércio atacadista, sendo seu sócio responsável o senhor Antônio Carlos Nasi, pessoa esta também sócio-gerente da empresa ora autuada — Nard.on, Nasi — Auditores Independentes. Diante destes fatos, a baixa para despesas de crédito para com outra. pessoa. jurídica, uma vez justificada como -acordo entre paites", sem contudo trazer documento com.probatório deste próprio acordo, e ainda, considerando que as pessoas jurídicas envolvidas são controladas pelos mesmos sócios, são consideradas estas despesas indedutiveis na determinação da base de cálculo do 11Z1).1 e CSIL, conforme dispõe o art. 301 do RI..R/99 que assim determina que: "Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional„ salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais c .sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano. ( • / Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realize-tdas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para .ser depreciado ou amortizado" Proccs:o n" II0M 0095S2/2005-8( St-C2T2 Acórdão n° 1202~3:36 H 10 Nessa linha, tem-se que o valor declarado para desenvolvimento e aquisição do bem foi de R$ 653..740,00, ou seja, valor este muito superior ao previsto na referida norma. Não obstante, é de conhecimento público e notório que o referido software possui uma vida útil muito superior a um ano. Por estas razões, os custos e despesas de desenvolvimento de software para futura utilização ou comercialização pelo contribuinte não podem ser contabilizados diretamente em contas de resultado do exercício, mas sim devem, ser registrados em conta do ativo permanente para futuras amortizações Diante do exposto, julgo improcedente as razões de Recurso Voluntário neste item, para assim manter o respectivo credito tributário lançado.. ACERCA DOS "CANCELAMENTOS D.E VENDAS" DA APLICAÇÃO DO AR.1 .9" DA LEI N."9.430/19.96. Reporte-se ao entendimento exarado no item 01,acima, pois que expressa exatamente os fundamentos de rejeição para aplicação do art. 9" da Lei n." 9.430/96, para afastar a pretensão da Recorrente. DO CLIENTE ELE(..ii ALIMENTOS S/A Em que pese as alegações trazidos pela Contribuinte, não lhe assiste razão ao entender descabido a glosa do estorno indevido de receitas, em razão da inexistência de provas nesse sentido, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto rr" 70..235/72, a fim de conoborar com o quanto alegado. A Recorrente alega ter emitido vários títulos de fomo antecipada, em nome da ELEGE' ALIMENTOS S/A, buscando o desconto dos mesmos no mercado financeiro. Alega que, em razão da incorporação da ELECiÊ ALIMENTOS S/A pela AV1P.AL AVICULTURA E .AGROPECUÁR IA S/A teve que proceder o estorno dos valores .já faturados contra a primeira, substituindo as referidas faturas por novas, emitidas, entretanto, nominalmente à segunda.. Em que pese o alegado pela Recorrente, a mesma limitou-se tão somente a trazer aos presentes autos Os livros de registros contábeis da ELEGE, ALIMENTOS S/A, sendo que não traz nenhuma informação . que permita confirmar a razão e a ocorrência dos alegados cancelamentos de vendas e substituição das faturas, conforme informado. Ademais, a alegação de que os valores em referência fizeram parte do monte tributável em exercícios anteriores e já foram objeto de oferecimento à tributação nos respectivos exercícios e que a proibição de dar baixa no momento em que restou à Recorrente a certeza de não haver o recebimento de tais recursos representaria a imposição de obrigação de pagar tributo em dobro, também não procede pois, tendo em vista que a Recorrente adota o regime de apuração pelo lucro real, incorrendo, neste caso, à diminuição do oferecimento à tributação das receitas auferidas no ano calendário) de 2.003, e não às referenciadas em anos anteriores, inexistindo assim qualquer "tributação" em dobro do quanto estornado. o Processo o" 1080.009582/2005-S6 S1-C212 Acórdão n." 1202-00.336 Fl. 11 Neste sentido, considerando o todo já proferido referente aos arts. 15 e 16 do Decreto 70..235/72, bem como ao art. 9', §1" do Decreto Lei n.." 1.598/77, .julgo improcedentes as razões de Recurso Voluntário para este item. ACERCA DAS DESPESAS FINANCEIRAS NÃO COMPROVADAS E INDEDUTÍVEIS O conceito de despesa operacional em uma atividade econômica insere todas as despesas pagas ou incorridas para a consecução da venda de seu produto, objeto do empreendimento, ou. de administrar a empresa, bem como financiar suas operações.. Este conceito está devidamente insculpido no art.. 299 do RIR/99, que determina como operacionais as despesas não computadas como custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da Conte produtora, o que em outras palavras significa dizer aquelas pagas ou incorridas para a. realização das transações ou operações exigidas pela atividade econômica do empreendimento empresarial„ A autoridade -fiscal, em seu Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.9/28), analisando as contas contábeis da Recorrente no ano de 2.003, diz que concomitantemente com a tomada de recursos no mercado financeiro, a empresa possuía. contas de mútuos para com o sócios ou empresas ligadas à estes, sem nenhuma fluência de juros, incorrendo ainda em •alguns casos, em montante muito inferior ao custo de captação destes recursos no mercado financeiro. Diante dessa circunstancial constatação, não negada pela Recorrente, contigura.-se a liberalidade e, portanto, desnecessidade, o que conduz a indedutibilidade das despesas relativas aos empréstimos contraídos junto às instituições financeiras por não demonstrarem justificáveis à atividade fim da em.presa, mas sim utilizada para tranferêneia sem maiores ônus aos sócios e empresas ligadas, caracterizando um favorecimento incomum e além do objeto social da Recorrente, não corroborando a alegação de despesas necessárias, -Neste exato sentido a jurisprudência deste órgão colegiado também já pacificou entendimento, conforme demonstrado nas ementas abaixo transcritas: DESPESAS FINANCEIRAS --- O upas...sr de valores mutuados, sem a cobrança de fiam-, torna de,s-neces..s ár ia e, portanto, indedufivel, as despesas financeiras- relativas- ao empréstimo .financeiro contraído. 1" Conselho de Contribuintes- / 8" Camara /. Acórdão .108-08.060. DESPESAS FINANCEIRAS — O repasse de Mulas para empresas ligadas, sem a incidência de juros de mercado, possibilita a glosa de parte das despeças financeiras incorridas ou pagas nos empréstimos obtidos. I" Conselho de Contribuintes- / 3" Câmara / Acórdão 103-21. 850 O procedimento adotado pela Recorrente evidencia-se quando analisado o quadro comparativo às fls., 153/185, no qual o auditor fiscal analisa e compara a soma dos saldos diários de todas as contas de mútuos com os sócios com às somas dos recursos tomados no mercado financeiro com geração das supostas "despesas financeiras", sendo que a. primeira. Ii 979 Processo 11.' 11080.009582/2005-86 Acórdão a 1202-00..336 1.1. 12 supera em muito os empréstimos e financiamentos recolhidos pela Recorrente no .mercado financeiro. Assim, diante destes fatos e comprovações obtidas durante o procedimento de fiscalização, entendo correta a glosa das despesas financeiras desnecessárias, .julgando improcedente às razões de Recurso Voluntário quanto ao item atacado. No que tange ao pedido de que a referida autuação se proceda pelo regime de lucro presumido, tendo em vista a Contribuinte entender ser esta menos onerosa, carece competência legal a este órgão julgador administrativo, como instância recursal, para pi oceder tal alteração, ainda que, em tese, poderia ser benéfico a Recorrente, tendo em vista a comprovação nos autos da opção pela Recorrente do regime de tributação pelo lucro real, sendo que, por expressa disposição legal deveria a mesma ter exercido a opção pela tributação • cum base no lucro presumido, inclusive previamente a qualquer procedimento fiscalizatorio, com o pagamento da primeira ou única quota do imposto correspondente ao primeiro per iodo de apuração de cada Ano-Calendário, ou seja, no mês de abril de cada ano corrente, nos termos do art. 26, §1", da Lei n." 9.430/96, o que não foi efetuado, restando mantido a opção pelo regime do lucro real, nos estritos termos legais. Por lim, não há que se talar também no regime de lucro arbitrado tendo em vista a ri;i0 ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no art. 530 do RIR/99, a saber: Art 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, .será determinado com base 1-10 . y critérios do lucro arbitrado, quando (Lei r12 8 981, de 1995, art. 47, e Lei n2 .9 430, de 1996, (iri I). - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e.fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela 1.e.,,,islação - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte, revelar evidentes indícios de .fraudes ou contive) Vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real; 111- o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou O Livro Caixa, na hipótese do parágrafb único do ar!. .527, IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido,. V- o comissário Ou representante,' da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da. sua atividade „separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. VI - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas. contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas 19 Plocemo ne 1[080 009582/2005-86 SI-C212 Acórdão n 1202-00336 11 13 utilbados para 1V511tilir e totalizar, por conta 00 subcontet, lançamentos efetuados no Diário. Por estas razões, julgo também improcedentes os argumentos relativos aos regimes de tributação pleiteados pela Recorrente.. Diante do exposto, sou por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo, portanto, a exigibilidade integral do crédito tributário lançado • Sala das Sessões, em. 06 de .julho de 201(1 Ot lane ," osé G-or ça ves Bueno 1 3
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011273/2007-51
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/08/2007
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. OCORRÊNCIA. SOLIDARIEDADE. DETERMINAÇÃO EM LEI. DESNECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA RICARF. EXCLUSÃO PESSOAS FÍSICAS. MANUTENÇÃO PESSOAS JURÍDICAS. MULTA VALOR FIXO. MANUTENÇÃO DE SUA EXPRESSÃO ECONÔMICA. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para:
I - dar provimento para excluir as pessoas físicas da relação jurídico tributária, na seara administrativa - tributária;
II negar provimento ao recurso das pessoas jurídicas, mantendo o crédito em relação a estas , inclusive, mantendo o valor atual da autuação fiscal.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: I - dar provimento para excluir as pessoas físicas da relação jurídico tributária, na seara administrativa - tributária; II negar provimento ao recurso das pessoas jurídicas, mantendo o crédito em relação a estas , inclusive, mantendo o valor atual da autuação fiscal. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/08/2007 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. OCORRÊNCIA. SOLIDARIEDADE. DETERMINAÇÃO EM LEI. DESNECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA RICARF. EXCLUSÃO PESSOAS FÍSICAS. MANUTENÇÃO PESSOAS JURÍDICAS. MULTA VALOR FIXO. MANUTENÇÃO DE SUA EXPRESSÃO ECONÔMICA. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: I dar provimento para excluir as pessoas físicas da relação jurídico tributária, na seara administrativa tributária; II – negar provimento ao recurso das pessoas jurídicas, mantendo o crédito em relação a estas , inclusive, mantendo o valor atual da autuação fiscal. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. –Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 12 73 /2 00 7- 51 Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.812 2 Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.813 3 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.120.5652, CFL.38, objetiva a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 23/10/2007, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração AI, de fls. 01. Os sujeitos passivos solidários foram cientificados por intermédio das Cartas Nº 01 a 05; 08 e 09; 11 a 13, – Serviço de Fiscalização/Grupo 5, datada de 29/10/2007, fls. 586 a 605, recebidas, conforme AR’s, de fls. 607 a 616, abaixo listados. · DENER ÁLVARES JUSTINO; · ADRIANO ÁLVARES JUSTINO; · WANDERLEY BORGES DE MELO; · CLEUNER TEIXEIRA DE SOUZA; · ANA CÉLIA CARVALHO DE BARROS AMORIM; · OPUS INCORPORADORA LTDA; · ELBIO MOREIRA; · BENTO ODILON MOREIRA FILHO; · EBM INCORPORAÇÕES S/A; · ORBX INCORPORADORA S/A. O contribuinte principal apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 618 a 632, recebida, em 22/11/2007, estando acompanhada dos documentos, de fls. 633 a 649. Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.814 4 As empresas solidárias EBM Incorporadora S/A; ORBX Incorporadora S/A; República Gestão de Recursos Humanos S/A e Opus Incorporadora Ltda apresentaram impugnação conjunta, as fls. 1.008 a 1.016, acompanhado dos documentos, de fls. 1.017 a 1.022. A empresa OPUS Incorporadora Ltda apresentou impugnação, as fls. 1.025 a 1.033, acompanhada dos documentos, de fls. 1.034 a 1.066. A empresa EBM Incorporações S/A apresentou impugnação, as fls. 1.067 a 1.073, acompanhada dos documentos, de fls. 1.074 a 1.129. A empresa ORBX Incorporadora S/A apresentou impugnação, as fls. 1.126 a 1.133, acompanhada dos documentos, de fls. 1.134 a 1.191. As pessoas físicas impugnaram o lançamento, conforme a seguir descrito. Bento Odilon Moreira Filho, as fls. 650 a 657, acompanhada dos documentos, de fls. 658 a 695; Wanderley Borges de Melo, as fls. 696 a 706, acompanhada dos documentos, de fls. 707 a 795; Cleuner Teixeira de Souza, as fls. 796 a 805, acompanhada dos documentos, de fls. 806 a 842; Adriano Álvares Justino, as fls. 845 a 853, acompanhada dos documentos, de fls. 854 a 902; Dener Álvares Justino, as fls. 903 a 911, acompanhada dos documentos, de fls. 912 a 960; Élbio Moreira, as fls. 961 a 968, acompanhada dos documentos, de fls. 969 a 1.007; Ana Célia Carvalho de Barros Amorim, as fls. 1.192 a 1.202, acompanhada dos documentos, de fls. 1.202 a 1.2019; O Senhor Wanderley Borges de Melo pediu prioridade na tramitação dos autos em razão do estatuto dos idosos – requerimento, as fls. 1.218, acompanhado do documento, de fls. 1.219. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 1.221 e 1.222. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0326.673 5ª Turma da DRJ/BSA, em 02/09/2008, fls. 1.223 a 1.242, no qual o lançamento foi considerado procedente. Os contribuintes, citados abaixo, tomaram conhecimento desse decisório. Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.815 5 Wanderley Borges de Melo, em 25/11/2008, pelo AR, de fls. 1.259 e pelo Edital 004/2009, afixado, em 05/01/2009, fls. 1.276; EBM Incorporações S/A, em 26/11/2008, pelo AR, de fls. 1.260; ORBX Incorporadora S/A, em 27/11/2008, pelo AR, de fls. 1.261; OPUS Incorporadora S/A, em 25/11/2008, pelo AR, de fls. 1.262; Elbio Moreira, em 26/11/2008, pelo AR, de fls. 1.263; Ana Célia Carvalho de Barros Amorim, em 25/11/2008, pelo AR, de fls. 1.264 e pelo Edital 004/2009, afixado, em 05/01/2009, fls. 1.276; Adriano Álvares Justino, em 25/11/2008, pelo AR, de fls. 1.265; Dener Álvares Justino, em 25/11/2008, pelo AR, de fls. 1.266; Daniel Flávio Balsanulfo e Janaína Modesto dos Santos, em 25/11/2008, pelo AR, de fls. 1.267; José Guilherme Mauger, em 25/11/2008, pelo AR, de fls. 1.268; Bento Odilon Moreira Filho, em 08/12/2008, pelo AR, de fls. 1.272; Cleuner Teixeira de Souza, pelo Edital 004/2009, afixado, em 05/01/2009, fls. 1.276; Irresignada a autuada Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A, as fls. 1.277 a 1.296, bem como as solidárias EBM Incorporadora S/A, as fls. 1.297 a 1.304, Opus Incorporadora Ltda, as fls. 1.305 a 1.316, ORBX Incorporadora S/A, as fls. 1.317 a 1.324, Elbio Moreira, as fls. 1.325 a 1.334, Bento Odilon Moreira Filho, as fls. 1.335 a 1.344, Ana Célia Carvalho de Barros Amorim, as fls. 1.345 a 1.357, Cleuner Teixeira de Souza, as fls. 1.358 a 1.370, Adriano Álvares Justino, as fls. 1.371 a 1.382, Dener Álvares Justino, as fls. 1.383 a 1.394, apresentaram recurso voluntário, desacompanhados de quaisquer documentos. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas. Recurso da Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A. Preliminares. · que o lançamento fixou contribuições sociais e contribuições sociais previdenciárias em razão da mão de obra utilizada no CEI 43.280.0120979, sendo lavrado o presente AI, no absurdo valor de R$ 11.951,21, estando o lançamento equivocado, pois atribui a recorrente responsabilidade que não é dela, bem como pela aplicação de critérios legais anacrônicos para a fixa da multa; · que a DRJ não avaliou as alegações e as provas, especialmente, dos itens II.1.2; II.1.3: II.1.4 e II.1.5, não encontrando a decisão suporte fático ou jurídico, merecendo reforma; Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.816 6 · que não ficou caracterizado qualquer elemento que demonstre interesse comum e justifique a formação de grupo econômico, uma vez que não está demonstrado direção, controle ou administração entre as partes arroladas; · que o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 não oferece maiores esclarecimentos para definir o que é grupo econômico, sendo tal situação fixada nos termos do artigo 748, da IN 03/2005; · que com apoio na CF/88 princípio da legalidade e legalidade estrita, bem como no artigo 97, do CTN, que dizer o fato gerador e a sujeição passiva, só podem ser definido por lei, não pode a solidariedades ser estabelecida por portaria, resolução, instrução normativa, ordem de serviço e outro ato administrativo, por usurpação da funções do poder legislativo; · que a inclusão de sócio de SCP no grupo econômico não pode prevalecer, pois em verdade não existe sociedade e os sócios ocultos só respondem em face do ostensivo e nos limites do contrato, pois em relação a terceiros só o sócio ostensivo assume obrigações é o que diz o artigo 991, do Código Civil, bem como antigo código comercial, artigo 326, sendo ilegal a inclusão dos sócios ocultos como as impugnantes pessoas físicas ou jurídicas, da SCP, na formação do inexistente grupo econômico; · que o fisco desconsiderou a contabilidade e aplicou a aferição indireta de forma descomedida, sob o argumento de que a recorrente não contabilizava sua despesas de forma adequada, não podendo prosperar tal entendimento, pois a recorrente têm projetos de responsabilidade social, cita doutrina, estando todos os lançamentos contábeis adequados as princípios e normas aplicadas a ciência contábil; · que a sociedade foi organizado para propósito específico, sob o CEI 39.380.0260778, vedando a sua participação em negócios estranhos a obra, adotando padrões de governança e contabilidade padronizada, sendo possível verificar a consistência dos lançamentos contábeis, que nem eventual diferença entre o DISO e os lançamentos abalam tal constatação, sendo tal declaração meramente informativa sem valor administrativo ou judicial; · que o fisco deveria ter notificado as demais empresas citadas no relatório fiscal, conforme Parecer MPS/CJ 2.36/2000, assim não havendo a notificação em relação a elas, inválido ao AI combatido, pois tais pareceres são vinculantes nos termos do artigo 19, da PT 520/2004, que a 4ª CaJ do CRPS pronunciouse negativamente a possibilidade de bis in idem; · que o fisco não tem competência para se pronunciar sobre os processos trabalhistas, pois a CF vincula a execução à justiça federal especializada, cita Estevão Mallet e André Ramos Tavares sobre a Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.817 7 competência da justiça trabalho, não podendo o fisco invadir tal competência, desconsiderando dando contábeis com base em processo trabalhistas; Mérito. · Que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido está dispensada de apresentar escrituração contábil, conforme artigo 516, do RIR, combinado com o artigo 60, § 6º, III, da IN SRP/03/2005 e este é o caso da recorrente, não podendo o fisco utilizar estes apontamentos, apesar de a sua escrituração atenderem as normas de contabilidade, devendo as autoridades fiscais terem solicitado o livro caixa e não as demonstrações contábeis, não o fazendo suas considerações são invalidas; · que a multa deve ser reduzida ante a ausência de lesão ao erário, que não se pode admitir multa de trinta por cento, pois falta razoabilidade, uma vez que o valor R$ 120.121,49 é excessivo e confiscatório, não podendo a multa ser usado como meio de arrecadação, devendo ser observada a falta de prejuízo e a ausência de má fé por parte da recorrente; · conclusões: a) não existe grupo econômico sob a égide de SCP; b) a contabilidade é válida e respeitam as convenções; c) que as empresa citadas no relatório fiscal deveria ter sido notificadas; d) que o fisco não poderia se envolver com as questões relativas as relações de trabalho; e) que apesar de válidas a recorrente não precisaria ter as demonstrações contábeis, mas apenas o livro caixa; f) que a multa deve ser reduzida; · Pede e requer a recorrente: a) conhecimento e provimento do recurso, reconhecendose os vícios formais e decretando a nulidade da autuação; b) decretação da improcedência e insubsistência no mérito; c) acolhimento dos fundamentos do recurso e reconhecimento da insubsistência do AI; · Requer, ainda, que: a) as intimações sejam remetidas ao endereço que declina, bem como sejam simultânea e concomitantemente remetidas ao causídico informado, no outro endereço apontado; b) informações sobre local, data e hora de julgamento para sustentação oral. Recurso da solidária EBM Incorporadora S/A e da ORBX Incorporadora S/A. · que a responsabilidade solidária atribuída não pode prevalecer, pois apenas alicerçada na qualidade de sócia da empresa autuada, pois nos termos do artigo 135, do CTN, quando ocorrido excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatuto, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis, revelandose claro que a responsabilidade dos sócios é a atribuídas as pessoas em função dos atos de gestão, Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.818 8 sendo isso responsabilidade tributária por substituição, não sendo a responsabilidade do artigo 135, do CTN solidária, mas por substituição, decorrendo esta da qualidade de gestor e não sócio, cita decisões judiciais, que quando muito poderiase falar em responsabilidade subsidiária, caso o devedor principal não pague o débito, não podendo prevalecer a responsabilização solidária; · Pede e requer: a) provimento do recurso com a exclusão da solidariedade; b) que a intimações/notificações e outros comunicados sejam remetidas ao causídico informado, endereço apontado; c) informações sobre local, data e hora de julgamento para sustentação oral. Recurso Opus Incorporadora Ltda. · que não existe o grupo econômico caracterizado pelo fisco, pois não corresponde a realidade dos fatos, bem como a solidariedade deve estar expressa em lei artigo 124,II, do CTN, sendo que o artigo 3, IX, da Lei 8.212/91 regula a matéria na seara previdenciária, mas não oferece maiores detalhes, ficando tal caracterização para o artigo 748, da IN 03/2005, porém no caso em questão não ficou caracterizado direção, controle ou administração entre as pessoas físicas e jurídicas; · que com apoio na CF/88 princípio da legalidade e legalidade estrita, bem como no artigo 97, do CTN, que dizer o fato gerador e a sujeição passiva, só podem ser definido por lei, não pode a solidariedades ser estabelecida por portaria, resolução, instrução normativa, ordem de serviço e outro ato administrativo, por usurpação da funções do poder legislativo; · que a inclusão de sócio de SCP no grupo econômico não pode prevalecer, pois em verdade não existe sociedade e os sócios ocultos só respondem em face do ostensivo e nos limites do contrato, pois em relação a terceiros só o sócio ostensivo assume obrigações é o que diz o artigo 991, do Código Civil, bem como antigo código comercial, artigo 326, sendo ilegal a inclusão dos sócios ocultos como as impugnantes pessoas físicas ou jurídicas, da SCP, na formação do inexistente grupo econômico; · que a recorrente não pode ser responsabilizada, pois jamais figurou no rol de sócios da autuada, fato este comprovado pelos documentos de constituição da autuada, sendo arbitrária sua inclusão no suposto grupo econômico; · que em conclusão: a) não pode prevalecer o grupo econômico, pois não caracterizado fática ou legalmente; b) incluir sócio de SCP no grupo afronta a lei; c) é irregular incluir no grupo econômico pessoa que nunca figurou como sócio; Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.819 9 · Pede e requer: a) conhecimento e provimento do recurso com a exclusão da recorrente do grupo econômico; b) informações sobre local, data e hora de julgamento para sustentação oral; c) que a intimações/notificações e outros comunicados sejam remetidas ao causídico informado, endereço apontado. Recurso das pessoas físicas Elbio Moreira, Bento Odilon Moreira Filho, Adriano Álvares Justino e Dener Álvares Justino. · que não existe o grupo econômico caracterizado pelo fisco, pois não corresponde a realidade dos fatos, bem como a solidariedade deve estar expressa em lei artigo 124,II, do CTN, sendo que o artigo 3, IX, da Lei 8.212/91 regula a matéria na seara previdenciária, mas não oferece maiores detalhes, ficando tal caracterização para o artigo 748, da IN 03/2005, porém no caso em questão não ficou caracterizado direção, controle ou administração entre as pessoas físicas e jurídicas; · que com apoio na CF/88 princípio da legalidade e legalidade estrita, bem como no artigo 97, do CTN, que dizer o fato gerador e a sujeição passiva, só podem ser definido por lei, não pode a solidariedade ser estabelecida por portaria, resolução, instrução normativa, ordem de serviço e outro ato administrativo, por usurpação da funções do poder legislativo; · que a inclusão de sócio de SCP no grupo econômico não pode prevalecer, pois em verdade não existe sociedade e os sócios ocultos só respondem em face do ostensivo e nos limites do contrato, pois em relação a terceiros só o sócio ostensivo assume obrigações é o que diz o artigo 991, do Código Civil, bem como antigo código comercial, artigo 326, sendo ilegal a inclusão dos sócios ocultos como as impugnantes pessoas físicas ou jurídicas, da SCP, na formação do inexistente grupo econômico; · que a recorrente não pode ser responsabilizada, pois jamais figurou no rol de sócios da autuada, fato este comprovado pelos documentos de constituição da autuada, sendo arbitrária sua inclusão no suposto grupo econômico; · que em conclusão: a) não pode prevalecer o grupo econômico, pois não caracterizado fática ou legalmente; b) é irregular incluir no grupo econômico pessoa que nunca figurou como sócio; · Pede e requer: a) conhecimento e provimento do recurso com a exclusão da recorrente do grupo econômico; b) informações sobre local, data e hora de julgamento para sustentação oral; c) que a intimações/notificações e outros comunicados sejam remetidas ao causídico informado, endereço apontado. Recurso das pessoas físicas Ana Célia Carvalho de Barros Amorim, Cleuner Teixeira de Souza. Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.820 10 · que não existe o grupo econômico caracterizado pelo fisco, pois não corresponde a realidade dos fatos, bem como a solidariedade deve estar expressa em lei artigo 124,II, do CTN, sendo que o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 regula a matéria na seara previdenciária, mas não oferece maiores detalhes, ficando tal caracterização para o artigo 748, da IN 03/2005, porém no caso em questão não ficou caracterizado direção, controle ou administração entre as pessoas físicas e jurídicas; · que com apoio na CF/88 princípio da legalidade e legalidade estrita, bem como no artigo 97, do CTN, que dizer o fato gerador e a sujeição passiva, só podem ser definido por lei, não pode a solidariedade ser estabelecida por portaria, resolução, instrução normativa, ordem de serviço e outro ato administrativo, uma vez que vige a estrita legalidade , artigo 150, I, da CF/88 no campo tributário; por usurpação da funções do poder legislativo; · que a inclusão da recorrente no grupo econômico não pode prevalecer, pois tratase de diretor de Sociedade por Ações, nos termos do artigo 158, da lei de sociedades por ações, responde este pessoalmente apenas no caso de excesso de poderes, infração ao estatuo social ou às leis, não sendo infração à lei o mero não pagamento de tributo, artigo 135, do CTN, sendo a obrigação do pagamento da pessoa jurídica e não física, cita decisão do STJ, sendo ilegal a inclusão da pessoa física no rol dos solidários; · que em conclusão: a) não pode prevalecer o grupo econômico, pois não caracterizado fática ou legalmente; b) não prevalece a inclusão de sócio de S/A no grupo econômico; · Pede e requer: a) conhecimento e provimento do recurso com a exclusão da recorrente do grupo econômico; b) informações sobre local, data e hora de julgamento para sustentação oral; c) que a intimações/notificações e outros comunicados sejam remetidas ao causídico informado, endereço apontado. O órgão preparador reconheceu a tempestividade dos recursos, fls. 1.396. Os autos subiram ao 2º Conselho de Contribuintes, fls. 1.397. A Sociedade Residencial Vaca Brava Um Ltda peticionou, as fls. 1.398, acompanhada dos documentos, de fls. 1.399 a 1.412. Surgiram nos autos e estão anexados, as fls. 2.748 a 2.810, (numeração digital) diversos documentos, mas se que seja possível identificar o autor da anexação. É o Relatório. Fl. 2820DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.821 11 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Ressalto que os recursos apresentados em cinco blocos distintos, a saber: a) sujeito passivo principal; b) demais empresas solidárias em dois grupos; e c) pessoas físicas solidárias em dois grupos, serão julgados em conjuntos, pois de uma forma geral contestam a formação do grupo econômico com teses iguais ou assemelhadas. Equivocase a recorrente, pois não há contribuição social ou contribuição social previdenciária lançada neste autos, pois ele não cuida do lançamento de obrigação principal tributo, mas apenas tão somente de multa por descumprimento de dever instrumental. O valor do AI por certo não tem o atributo de ser absurdo como alega a recorrente, pois seu valor é de módicos R$ 11.951,21, o que por certo para uma empresa que constrói prédios orçados em milhões de reais não deve representar muita coisa. De qualquer forma é o valor que o legislador em seu prudente arbítrio entendeu mensurável para a infração tributária que o origina. Os alegados critérios anacrônicos de fixação, que não foram demonstrados e em verdade não existem, tendo em vista que a multa é corrigida anualmente nos termos do artigo 102, da Lei 8.212/91. A DRJ não deixou de analisar as questões dos itens II.1.2 – Sociedade em Conta de Participação; II.1.3 – Validade dos Lançamentos Contábeis: II.1.4 – Documentos e Contabilidade e II.1.5 – Relações do Trabalho, como suscita a recorrente na realidade o que se deu e de fácil percepção. A questão da Sociedade em Conta de Participação está dentro do contexto do grupo econômico e a um longo capítulo sobre este assunto no acórdão a quo, no que tange a reclamatória trabalhista ocorre uma misto, ora faz parte da justificação do grupo econômico e assim englobado no contexto e ora justifica a própria infração e assim, também, englobada na parte do acórdão, que explicita a questão da escrituração contábil, ainda, que não explicitamente citado. O auto é decorrente da não apresentação de quaisquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3 , da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, isto é, a matéria alegada II.1.3 – Validade dos Lançamentos Contábeis: II.1.4 – Documentos e Contabilidade, não têm relação com a autuação, sendo impertinentes, ocorrendo divórcio Fl. 2821DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.822 12 ideológico entre a autuação e a impugnação, não estando obrigado o julgador a analisar questão fora do contexto. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) O agente lançador em seu Relatório Fiscal da Infração, de fls. 574 a 585, deixou claro que o liame entre os indicados, configura um grupo econômico pelos motivos que expôs e que a seguir transcrevo. 34 A Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A, que, de fato, nunca teve seu estabelecimento, foi constituída, em 05.06.2003, fls.46 a 57, pela EBM Incorporadora S/A, CNPJ 03025881/000193, e Orbx Incorporadora S/A,CNPJ 05082800/000112, com prazo de “tempo determinado (Sociedade de Propósito Especifico) limitado pela conclusão do objetivo Social, que se realizará após a incorporação, construção, venda e recebimento das unidades imobiliárias do empreendimento", ou seja, da Obra 131, Edifício Chateau du Parc, na Av T5, esquina com T66, Qd 131, Lts 1/16, Setor Bueno, GoiâniaGO. Portanto, esta empresa foi constituída nos mesmos moldes de diversas outras do Grupo EBM, que vem documentando uma Sociedade Anônima de Capital Fechado para cada um de seus empreendimentos, normalmente no mesmo endereço/terreno em que será construída a obra, outro exemplo às fls.114 a 119, 154 a 159. Cada uma das obras, uma para cada uma das S/A constituída com esta finalidade especifica, é lançada, vendida e construída sob a responsabilidade da EBM, marca presente nas obras, folders, fls.124 a 126, propagandas e cartazes nos topos de cada prédio em construção ou já entregue aos seus compradores. Logo no início das obras é assinado contrato da EBM com a nova S/A constituída para aquele Fl. 2822DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.823 13 empreendimento, possibilitando que a EBM execute a obra, fls.80 a 97. 35 Em 13.02.2004, após a constituição da empresa Vaca Brava, foi concedido o Alvará de Construção nº 330/2004, Processo n.23521270, possibilitando que a empresa LOGICAL Participações Ltda construísse o Chateau du Parc, com 14800,59 m², mesma área contida em sua matricula na Previdência Social e no Habitese n.284/2007 de 17.04.07, o qual, também, foi concedido para a Logical Participações Ltda. Apesar de não ter sido apresentada toda a documentação do terreno da obra 131, ou seja, endereço da empresa Vaca Brava, deduzse que o lote foi adquirido pela Logical em data anterior à constituição da empresa Vaca Brava. A empresa Logical Participações Ltda, CNPJ 05437233/000170, que é de um dos Diretores da EBM, Dener Álvares Justino, fls.132, 150 a 153, teve sua denominação posteriormente alterada para OPUS Incorporadora Ltda. 36 Na contabilidade, contas 2.4.1.1.01.0001 e 2.4.1.1.01.0003, verificase que, apesar da empresa ter sido constituída em 05.06.03, apenas em 01.09.2003 foi subscrito o Capital Social de R$ 200.000,00, sendo 90% da empresa ORBX Incorporadora S/A e 10% da empresa EBM Incorporadora S/A. Foi integralizado este pequeno Capital em relação ao porte do empreendimento/incorporação. A contabilidade cita outro sócio, Dener Álvares Justino (Diretor da EBM Incorporadora S/A), conta 2.4.1.1.01.0002, mas não consta aporte de capital de Dener. 37 Após a constituição do Residencial Vaca Brava S/A na T5 do Setor Bueno, terreno da Logical, em 20.08.03, foi realizada uma doação para o Município de Goiania de 38 lotes no Setor Estrela DaIva de propriedade de terceiros avaliados em R$114.000,00, com a finalidade de adquirir "o direito de transferência do direito de CONSTRUIR em 2420,00 m²....à favor do Residencial Vaca Brava Um S/A", fls.58 a 61. Em 01.03.2004, a empresa Logical Part.LTDA, representada pelos seus dois sócios, Dener Álvares Justino e Adriano Álvares Justino, escritura a venda daquele terreno para a Vaca Brava, o terreno em que a empresa já havia sido constituída, fls.62 a 79. 0 preço ajustado foi de R$420.000,00, a ser pago com a entrega de 4 apartamentos tipos e a cobertura, os quais tinham valor orçado bem superior ao do terreno. Conforme estipulado na escritura, fls.69, as unidades 12, 16, 20, 22 e Cobertura eram os apartamentos permutados pelo lote. Naquela escritura, consta que cabe exclusivamente à Logical consentir com a venda das frações ou unidades do Chateau du Parc a ser construído pela Vaca Brava. Também, na escritura, foi conferido poderes à Logical, sendo nomeada procuradora para alienar as 5 unidades permutadas pelo lote. Não foram apresentados contratos de alienação dessas unidades permutadas pelo lote da obra 38 Através de documentos e informações na contabilidade, "Republica Oeste Offices", e na cópia de contrato as fls.120 a 123, verificouse que recursos financeiros da EBM vêm sendo Fl. 2823DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.824 14 movimentados em conta bancária de uma de suas empresas, Republica de Gestão de Recursos S/A, CNPJ05138866/000187, cadastrada no mesmo endereço da filial goiana da EBM, Av.136, n'.960, 15 ° andar, Edf.Executive Tower, S.Marista, Nesta Capital. Constatouse, também, que o grupo empresarial EBM é composto pelas seguintes pessoas físicas: Bento Odilon Moreira CPF00262617153; Bento Odilon Moreira Filho, CPF 44028857104; Elbio Moreira, CPF10108416100; Cleuner Teixeira de Souza, CPF35479655191; Dener Alvares Justino, CPF43899374134; Adriano Alvares Justino, CPF597840591 34; Wanderley Borges de Melo, CPF 01149989653; Ana Celia Carvalho de Barros Amorim, CPF49152106187; e João Batista Vieira de Jesus, CPF35488832149. 39 A situação aqui descrita caracteriza o GRUPO ECONÔMICO, visto têm interesse comum na construção e situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais das contribuições sociais. Portanto, os componentes do grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias, conforme artigos 243 e 116 da Lei 6404/75, art.124 do CTNLei 5172/66, art.2 ° da CLTDecreto Lei 5452/43, art.30, inciso IX, da Lei 8212/91, art.222 do Decreto 3048/99 e art. 13 da Lei 8620/93. Consequentemente, o presente Auto de Infração foi lavrado em nome dos responsáveis solidários: ORBX Incorporadora S/A, EBM Incorporadora S/A, Opus 1ncorporadora Ltda (Logical), Dener Alvares Justino, Adriano Alvares Justino, Cleuner Teixeira de Souza, Ana Celia Carvalho de Barros Amorim, Elbio Moreira, Bento Odilon Moreira Filho e Wanderley Borges de Melo. O órgão julgador de primeiro grau, assim, manifestouse sobre a questão: O que claramente se percebe da análise dos autos é que as empresas estão de certa forma interligadas, que urna não existiria sem a outra. A empresa EBM não só presta serviços à notificada/contribuinte, mas, na realidade, funciona corno verdadeiro setor produtivo desta, pois a Empresa Residencial Vaca Brava Um S/A nem escritório próprio possui. Não possui autonomia administrativa e sua formação foi totalmente direcionada à manutenção da atividade produtiva do grupo. A caracterização do grupo econômico ficou demonstrada pelas passagens acima quando o agente lançador e o decisão a quo apontaram interesse comum, direção conjunta, objetivos conjugados e outros. Ficou demonstrada que a instituição de solidariedade não exige lei complementar e mesmo que exigisse o artigo 124, I e II, da Lei 5.172/66 cuidaram do assunto, assim o interesse comum esta contemplado no inciso I, do artigo 124, citado acima, e o inciso IX, do artigo 30, da Lei 8.212/91 atende, que exigido pelo inciso II, do artigo 124, citado acima, ou seja, pelo dois prismas a situação está conforme a lei. Fl. 2824DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.825 15 Como demonstrado não há violação ao princípio da legalidade, pois a solidariedade não está suportada por IN esta foi suscitada apenas a título de esclarecimento e não fundamentação. A caracterização do grupo não foi baseada em instrução normativa esta apenas foi citada para demonstrar o pensamento do órgão previdenciária sobre a matéria, mas tal caracterização está suportada na lei artigo 30, IX, da Lei 8.212/91; artigo 124, da Lei 5.172/66 e outros citados nos autos. Mas, ainda, que assim não fosse o artigo 100, I, da Lei 5.172/66 admite que atos normativos complementem ou esclareçam o que a lei já diz. Não é obrigatório que as empresas que componham grupo econômico de fato sejam parte do corpo societária da outra, a solidariedade pode ocorrer mesmo sem este elemento. Quanto a SCP não há provas nos autos de sua existência e nem em relação a quem ela existiria, artigo 333, II, da Lei 5.869/73. Aliás, ainda, que existisse seria irrelevante nos termos do artigo 123, caput, da Lei 5.172/66. A questão da contabilidade já foi abordada, ou seja, tal matéria não tem adequação com os autos, pois não temos neste obrigação principal, mas apenas descumprimento de dever instrumental, assim a alegação de aferição indireta é irrelevante. O fato de a empresa notificada ser sociedade de fins específicos e que se encerra com o recebimento de todas as parcelas não altera em nada a situação do lançamento e do crédito, pois o lançamento se rege pela legislação em vigor na ocorrência do fato gerador e a situação fática se subordina a legislação, isto é, o procedimento fiscal busca e materializa o que de fato e de direito foi comprovado, dando efetividade ao princípio da verdade material. A Portaria 520, do MPS não tinha mais aplicação no âmbito do procedimento fiscalizatório ou da ação fiscal e nem na fase do contencioso administrativo fiscal previdenciário, uma vez que com a entrada em vigor da Lei 11.457/2007 e do Decreto 6.103/2007, tais atividades passaram a ser regidas pelo Decreto 70.235/72. Além disso, tais Parecer diz respeito a redação do artigo 31, da Lei 8.212/91 antes da redação dada pela Lei 9.711/98 e no presente lançamento tanto os fatos geradores, quanto o lançamento é posterior a nova redação do artigo 31, assim por mais este motivo o citado parecer não se aplica, não havendo possibilidade de bis in idem. O fisco não se pronunciou sobre processo trabalhista, pois nada ele decidiu o fisco apenas, fez o que qualquer pessoa minimamente esclarecida poderia fazer, isto é, pegou os processos leu e com base no que consta da sentenças extraiu as conclusões que eram possíveis e as conjugou com as demais informações para formar seu entendimento sobre o situação. Entretanto, ainda, que o fisco tivesse feito “caracterização de segurado”, o que aqui não ocorreu, mas que se diz ad argumentantum tantum apenas a título informativo, o Superior Tribunal de Justiça – STJ já decidiu que o fisco pode usar de tal prerrogativa. TRIBUTÁRIO – AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL – INSS – COMPETÊNCIA – FISCALIZAÇÃO – AFERIÇÃO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1. A autarquia previdenciária, por meio de seus agentes fiscais, tem competência para reconhecer Fl. 2825DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.826 16 vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária. 2. O acórdão recorrido decidiu manter a validade das NFLDs, com base em provas fáticas. Aferir a documentação que instruiu a causa, para efeito de análise do enquadramento de terceirizados como empregados, demandaria o reexame de todo o contexto fáticoprobatório dos autos, o que é defeso a esta Corte em vista do óbice da Súmula 7/STJ. Recurso parcialmente conhecido e improvido.(RESP 200602188458, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 13/10/2008) No que tange a necessidade de escrituração fiscal a questão foi resolvida em primeiro grau, conforme explanou o I. Relatora no acórdão e que aqui adoto como razão de decidir, que transcrevo abaixo. Entretanto, mesmo que a empresa não tivesse a obrigatoriedade de apresentar, a fiscalização, a escrituração contábil, conforme explicitado no Relatório Fiscal e transcrito no Relatório desta decisão, não foi apenas o Livro Diário que a empresa deixou de apresentar, sem as formalidades legais exigidas. Ela deixou de apresentar, também: Contrato assinado com todas as empreiteiras/prestadoras de serviço (fls. 171 c 172); Listagem mensal das premiações repassadas pela empresa Incentive Premier para trabalhadores da obra 132; Diário de Obra — segundo informação de trabalhadores da obra 132, o Diário de Obra é elaborado e repassado pela Internet pelos responsáveis e engenheiros da obra; Pagamento para Tânia Tomé, que prestou serviço na obra 132, de 03 a 11/2004, período em que foi ressarcida de despesas realizadas para aquela construção; Pagamentos referentes aos projetos das obras, conforme ART — Anotações de Responsabilidade Técnica nº 045040023509 e 03159200601513310, no CREA/GO; Contrato de venda das unidades 5 e 7 conforme informações em relatórios financeiros, os dois apartamentos foram vendidos em 13/06/2007, para Antônio Nery da Silva e as Informações sobre a mesma caligrafia nas NFS — Notas Fiscais de Serviço de dezessete empreiteiras diferentes. Além do que dito acima e que por si só é suficiente para afastar a alegação feita pela recorrente, também, devese ter em mente, que não há nos autos provas de que empresa está vinculada ao regime de tributação do lucro presumido, artigo 333, II, da Lei 5.869/73. A recorrente se equivoca com relação a multa. A uma, por que esta não é fixada em percentual, mas sim um valor fixo determinado na legislação. A duas, por que a multa não é de R$ 120.121,49, mas sim de R$ 11.951,21 como supramencionado. A três, por que em termos de autuação aplicação o artigo 136, da Lei 5.172/66. Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011273/200751 Acórdão n.º 2803002.577 S2TE03 Fl. 2.827 17 A responsabilidade solidária não está calçada no artigo 135, da Lei 5.172/66, mas sim no artigo 124, desta lei c/c o artigo 30, IX, da Lei n8.212/91, conforme consta do Relatório Fiscal da Infração, de fls. 11, abaixo transcrito. Conforme art. 124 do CTN e art.30, IX, da Lei 8212/91, as pessoas físicas e pessoas jurídicas abaixo citadas constituem um Grupo Econômico e têm interesse comum na incorporação e situação que constituiu os fatos geradores das obrigações das contribuições sociais, sendo responsáveis solidários pelas obrigações tributarias. Portanto, foi lavrado o presente crédito previdenciário em nome dos seguintes sujeitos passivos: A inclusão da pessoas físicas no rol das pessoas intimadas e portanto incluídas no polo passivo da relação tributária foi estabelecido pelo artigo 13, da Lei 8.620/93. Diante disso, nos termos do RE 562.276 – PR do Supremo Tribunal Federal que aplicou o regime do artigo 543 – B, da Lei 5.869/73, o qual é de aplicação obrigatória, segundo o artigo 62 – A, do RICARF, bem como pela aplicação da retroatividade benigna do artigo 106, III, “c”, da Lei 5.172/66, uma vez que a Lei 11.941/2009 revogou o artigo 13, da Lei 8.620/93, deixando de haver suporte legal para a responsabilização solidária das pessoas físicas, entendo que estas devem ser excluídas do presente Processo Administrativo Fiscal – PAF, mas sem influência no que tange a possibilidade desta na via judicial até por que as instâncias não se comunicam. Indefiro o pedido de intimação para realização de sustentação oral, ante as disposições do RICARF. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito: I dar provimento para excluir as pessoas físicas da relação jurídico tributária, na seara administrativa tributária; II – negar provimento ao recurso das pessoas jurídicas, mantendo o crédito em relação a estas , inclusive, mantendo o valor atual da autuação fiscal. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11128.006472/2003-15
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato Gerador: 20/11/2002 ,03/12/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTOS MISTURADOS. FATOR EXCLUDENTE,
A mistura de substâncias que tomem o produto particularmente apto a ser utilizado em finalidades específicas de preferência a sua aplicação geral, constitui-se em fator excludente à sua inclusão no capítulo 29.
APLICAÇÃO DE MULTAS
As multas previstas em lei são exigidas em conformidade com a legislação de regência, não há que se falar em confisco.
JUROS DE MORA, EXIGIBILIDADE.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, por expressa previsão legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-000.460
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Mercia Helena Trajano D'Amorim
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materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
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PRODUTOS MISTURADOS. FATOR EXCLUDENTE, A mistura de substâncias que tomem o produto particularmente apto a ser utilizado em finalidades específicas de preferência a sua aplicação geral, constitui-se em fator excludente à sua inclusão no capítulo 29, APLICAÇÃO DE MULTAS As multas previstas em lei são exigidas em conformidade com a legislação de regência, não há que se falar em confisco. JUROS DE MORA, EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, por expressa previsão legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. IIP,,,----„. • JUDITH - O ' , RAL MARCONDES ARMANDO Presidente 1 Processo n° 11128006472/2003-15 S3-C211 Acórdão ti • Õ 3201-00.460 P1. 154 ,éTiL6Z. ERCIA E ENA T JANO D'AMORIM — Relatara FORMALIZADO EM: 25 de junho de 2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Tatiana Miciari Migiyarna (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira 2 Processo o' 11128.006472/2003-15 53 -C2T1 Acórd5o n_° 3201-00.460 Fl. 155 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SR Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, às fis, 109/111 que transcrevo, a seguir: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 20/10/2003, em face do contribuinte em epígrafe, .formalizando a exigência de imposto de importação, multa de mora e multa por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro mercadoria descrita como — Lutavit E 50 (Acetato de dl-alfa- tocoferol); Concentração: 50% min. de Vitamina de Acetato; Densidade: 0,45-0,60 g/cm 3; Qualidade: Industrial Feed Grade; Estado Físico; Sólido em pó, Finalidade: Fabricação de Ração Animal - por meio das declarações de importação n" 02/1030770-0, registrada em 20/11/2002 (cópia de fls. 22 a 25), e n" 02/1072224-4, registrada em 03/12/2002 (cópia de .11s. 42 a 45), clas,sificando-as no código NCM 29.36.28.12, sujeitas à alíquota de hnposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados de 0%. Em ato de conferência física, foram coletadas amostras das mercadorias para análise laboratorial. Da análise do Laudo n" 2092.01/2002, às fls. 35/36, e Laudo n" 0015.01/2003, às .fls 64/6.5, elaborados pelo Laboratório de Análises do Convênio 1Q/RF/FUNCAMP-132, esclarecendo que as mercadorias analisadas tratavam-se de "Preparação constituída de Acetato de Tocoferol; (Acetato de Vitamina E) e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica (excipiente), na .forma de microesfera.s, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias .formuladora.s de ração", a autoridade .fiscal classificou a mercadoria no código NCM 2309.90.90, sujeita à alíquota de 9,5% de imposto de importação. Reproduzo dos laudos referidos as informações de interesse para a solução do presente litígio: "RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata de somente de Acetato de Vitamina E. Trata-se de Preparação constituída de Acetato de Tocoferol; (Acetato de Vitamina E) e Substâncias Inorgânicas à base de 3 Processo n" 11128.006472/2003-15 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.460 F1. 156 Sílica (excipiente), na forma de nzicroesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias fonnuladoras de ração.. 2. Trata-se de Preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ott pré-misturas. 3. Segundo Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal (cópia anexa), preparações contendo 50% de Acetato de Vitamina E são utilizadas exclusivamente na produção de ração animal, após pré-mistura sobre um suporte adequado. 4. A Sílica na quantidade presente não tem função antiaglomerante, impureza, estabilizante e nem de agente antipoeira. De acordo com Referências Bibliográficas, a Sílica é um excipiente cuja função nesta preparação é de adsorvente ou suporte, Adsorvido dessa forma, o Acetato de Tocoferol, que é uni líquido oleoso, pode ser manuseado como um pó com alta , fluidez. Essa transformação facilita a administração e o doseamento uniforme da vitamina aos animais, que normalmente é misturada à ração ou aos alimentos secos. Ressaltamos que a Sílica também ajuda manter a integridade da vitamina, principalmente na presença de oligoelenzentos e, quando é submetida às condições adversas durante estocagem, em termos de umidade, temperatura e contra agressões físicas como na moagem. O Acetato de Tocoferal de constituição química definida é um líquido amarelo-claro, viscoso, conforme a mercadoria referente ao Laudo de Análise 0626/00, que tomamos a liberdade de anexar," Diante do não pagamento do crédito tributário apurado conforme o Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar n" 16 e 1 7, cópia às .fls. 69 e 40, .foi lavrado o presente auto de infração, formalizando a exigência do recolhimento do imposto de importação apurado em razão da alteração de aliquota tarifária, da multa de mora e da multa por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercostd, preceituada no inciso 1 do artigo 84 da Medida Provisória n" 2. 158-35, de 24/08/2001, totalizando, com .juros calculados até 30/09/2003, o valor de R$ 93,2 73,13. Cientdicado da lavratura do auto de infração em 04/11/2003 (fl. 104), o contribuinte por intermédio de seus advogados e procuradores (instrumento de Mandato às fls. 92/93) protocolizou impugnação, tempestivamente, em 17/11/2003, de fls. 72 a 91, alegando, resumidamente, que: 4 Processo ri 11128.006472/2003-15 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.460 Fl. 157 1) a classificação adotada pela autoridade .fiscal afronta o entendimento administrativo exarado na Decisão Coana n" 002/99, cópia de fls, 97 a 102, consulta .formulada pela Sindirações, pois da mera verificação do objeto da referida consulta, não pode haver dúvida de que o entendimento exarado naquela decisão é plenamente aplicável ao caso; 2) decisão do Comitê do Sistema Harmonizado classifica preparação de vitamina E 50% adsorvida em sílica na subposição 2936.28; 3) não são devidos juros e multa de mora enquanto se está discutindo a legitimidade e a legalidade da cobrança efetuada pelos órgãos públicos, uma vez que o crédito tributário está suspenso não podendo ser exigível; que a constituição definitiva do crédito tributário .somente ocorre com o encerramento do processo administrativo; 4) resta claro o caráter conliscatório das multas na.s proporções que foram aplicadas; 5) incabível a aplicação de .juros de mora, posto que o crédito tributário sequer .foi definitivamente constituído e, ainda que se pudesse lançá-lo, não poderia sobre ele incidir a taxa SELIC, em razão da sua clara inconstitucionalidade. É o Relatório." O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DIU/SPO II 119- 17-21_901, de 06/12/2007, proferida pelos membros da P Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, às fls.108/117, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Imposto sobre a Importação - Data do fato gerador 20/11/2002,0.3/12/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Preparação constituída de Acetato de Tocoferol (Acetato de Vitamina E) e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica (excipiente), na forma de micro esferas, a ser utilizada pelas indústrias ,formuladora.s de ração, conforme laudo técnico oficial, classifica-se no código NCM 2.309. 90.90. Cabível a multa de mora, aplicada aos débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, conforme art. 61, parágrafo 2" da Lei n" 9.430/96. Cabível a multa por classificação . fiscal incorreta da mercadoria na Nomenclatura COMUM do Merco sul, conforme prevê o inciso Ido artigo 84 da MP 2.158-35, de 24/08/2001. JUROS DE MORA - TAXA SELIC.- Legítima a exigência de juros de mora com base na equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, por . força do disposto no artigo 61, .§ .3" da Lei n"94.30/96. 5 Processo n0 11128 006472/2003-15 S3-C211 Acórdão n 3201-00.460 F1. 158 LANÇAMENTO PROCEDENTE" O julgamento foi no sentido de classificar a mercadoria na posição 2309, com base nas RGIs 1 e 6." (textos da posição 2309 e da subposição 2309,90), combinadas com RGC-1, e com os esclarecimentos das Notas Explicativos do Sistema Harmonizado. Encontra- se o produto compreendido na subposição 2309.90, por falta de subposição mais específica, e no código 2309.90.90, por falta de código mais específico, ou seja, pela procedência do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido no presente auto de infração. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, às fls. 120/144 e documentos às fls. 145/149, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta: que a multa de mora imposta tem caráter confiscatório, protesta contra aplicação da multa por erro de classificação fiscal e dos juros de mora; bem como, defende a inconstitucinalidade da taxa Selic, O processo foi distribuído a esta Conselheira para dar continuidade, à fl. 152 (última), É o relatório. 6 Processo nu 11128 006472/2003-15 53-C21-1 Acórdão n..° 3201-00460 Fl. 159 Voto Conselheiro MÉRC1A HELENA TRAJANO D'AMOR1M, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de discussão da correta classificação tarifária do produto denominado- Lutavit E 50 (Acetato de dl-alfa-tocoferol); Concentração: 50% min. de Vitamina de Acetato; Densidade: 0,45-0,60 g/cm 3 ; Qualidade: Industrial Feed Grade; Estado Físico: Sólido em pó; Finalidade: Fabricação de Ração Animal. Na importação, a contribuinte classificou as mercadorias na NCM 2936.28.12, A fiscalização desclassificou a mercadoria, reclassificando-a na NCM 2309.90.90, No caso, há laudos periciais elaborados, a pedido da fiscalização, atestando que a mercadoria tratava-se de "Preparação constituída de Acetato de Tocoferol; (Acetato de Vitamina E) e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica (excipiente), na forma de microesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração". Observa-se, através das resposta aos quesitos 2 e 4, às fls. 36 e 65, que as mercadorias em tela: "2. Trata-se de Preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou pré-misturas.", e que, "4.. A Sílica na quantidade presente não tem .função de antiaglomerante, impureza, estabilizante e nem de agente antipoeird De acordo com Referências Bibliográficas, a Sílica é um excipiente cuja função nesta preparação é de adsorvente ou suporte. Adsorvido dessa forma, o Acetato de Tocoferol, que é um líquido oleoso, pode ser manuseado como um pó com alta .fluidez Essa transformação facilita a administração e o doseamento uniforme da vitamina aos animais, que normalmente é misturada à ração ou aos alimentos secos." As NESH da posição 2936 estabelecem que nela se incluem: "a)As provitaminas e as vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese, bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas. b) Os concentrados de vitaminas naturais - (os de vitaminas A ou D, por exemplo), forma enriquecida dessas vitaminas; estes concentrados são utilizados quer no estado natural (como produtos de adição dos alimentos do gado, etc ), quer depois de submetidos a tratamento ulterior para isolamento da vitamina. c) As misturas entre si de vitaminas, de provitaminas ou de . concentrados, tais como os concentrados naturais contendo 7 Processo o° 11128,006472/2003-15 S3-C211 Acórdão n 3201-00.,460 Fl 160 vitaminas A e D em proporções variáveis, adicionados posteriormente de um suplemento de vitaminas A ou D. d) Os produtos acima mencionados diluídos em qualquer solvente (oleato de etila, propan-1-2-diol, etanodiol, óleos vegetais, por exemplo). Os produtos da presente posição podem ser estabilizados para torná-los aptos à conservação ou transporte.. - por adição de agente antioxidante, - por adição de agentes antiaglomerantes (hidratas de carbono, por exemplo), - por revestimento com substâncias apropriadas (gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), por exemplo), mesmo plastificadas, ou - por adsorção em substâncias apropriadas (ácido silícico, por exemplo), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem ,nodifiquern o caráter do produto de base nem os tornem_particularmente aptos para usos de orefèrência à sua aplicação geral." (sublinhei) Verifica-se que a adição de adsorventes ao produto principal não promove a sua exclusão do Capítulo 29, desde que tais adsorventes sejam adicionados com a finalidade de estabilizá-lo, propiciando a sua conservação e transporte, e de tal sorte que não modifiquem o caráter do produto base e nem o torne particularmente apto para usos específicos. Portanto, diante das considerações do laudo técnico oficial, conclui-se que sílica suficiente foi adicionada à vitamina E para torná-la apta para um fim específico: uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou pré-misturas. Ante todo o exposto, identificado fator excludente para classificação do produto do capitulo 29, verifica-se que a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil agiu corretamente ao classificá-lo NCM 2309.90.90, código no qual se incluem as preparações destinadas a entrar na fabricação dos alimentos completos e alimentos complementares para nutrição animal, tal como bem decidido em primeira instância de julgamento administrativo. Ressalto que com relação à Decisão Coana ne' 002/1999, exarada em processo protocolizado pela Sindirações, a classificação fiscal atribuída ao produto objeto daquela decisão baseia-se em informações prestadas pela consulente, ou melhor, o produto não foi submetido à análise laboratorial, como no caso vertente. E, mais, o produto classificado pela Coa.na não é o mesmo objeto da autuação, pois possuem características merceológicas distintas. Por conseguinte, incabíveis as conclusões da referida decisão ao produto objeto desse processo. Da mesma forma, o produto objeto do presente processo tem características merceológicas distintas do produto descrito na decisão do Comitê do Sistema Harmonizado, não sendo, portanto, aplicável a mesma classificação fiscal para ambos. Processo n° 11128 006472/2003-15 S3-C2T1 Acórdão n032O1OO.46O F1 161 Superada a classificação fiscal, passo ao exame das demais alegações trazidas aos autos. Em sede de julgamento administrativo fiscal não se pode afastar a aplicação da lei e mesmo da legislação em geral por motivos de ilegalidade e inconstitucionalidade. Esse entendimento está há muito tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, conforme ementas transcritas a seguir: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS — Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS — Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da legalidade das leis e normas administrativas (Ac. 1" CC 106-07. 303, de 0.5/06/95). Finalmente, existe a determinação do Parecer Normativo da Cosit/SRF de IV 329/70: Iterativamente tem esta Coordenação se manifèstado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Em suma, os julgadores e conselheiros da administração fazendária encontram-se restritos a proceder à exegese da legislação tributária sem adentrar nos campos da ilegalidade e ineonstitucionalidade, conforme art 62 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. Ocorre que as multas estão previstas em lei. Se exigidas em conformidade com a legislação de regência, não há que se falar em confisco. A multa de mora deve ser calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento, de acordo com o art. 61, § 2" da Lei n° 9,430/96. Também por força das disposições legais vigentes à época da ocorrência da infração, cabe a aplicação da multa por erro de classificação, tipificada no inciso 1 do artigo 84 da Medida Provisória n° 2,158-35, de 24/08/2001. Quanto aos juros de mora, como os tributos não foram pagos totalmente no momento do registro da Dl, como deveria ter sido, é cabível a cobrança dos juros de mora em função do atraso ocorrido A cobrança de juros de mora está prevista no Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: "Art. 161 — O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo 9 Processo n" 11128 006472/2003-15 S3-C211 Acórdão n." 3201-00A60 Fl. 162 determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. sç. 1" Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês," Conforme prevê o § I' supracitado, a Lei 9.065195, por sua vez, de modo diverso, relativamente aos juros de mora, determinou: "Ari, 13 —A partir de 1" de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850 de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8 981 de 1995, o art, 84, inciso I e o art 91, parágrafo único, alínea a2, da Lei 8981 de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito do contribuinte, incide na hipótese a Súmula ri° 4 do Conselho Administrativo Fiscal, in verbis: Súmula 3°CC n°4 - A partir de 1' de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, Destarte, não cabe reparo a decisão de primeira instância. Dessa foruia, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário; mantendo, assim, a exigência fiscal objeto deste contencioso Sala das Sessões, em 25 de maio de 2010 M CIA:RE ENA TRAI O D'AMORIM 10
score : 1.0
Numero do processo: 10680.016082/2003-15
Data da sessão: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE
DA LEI N° 10.174, DE 2001 - Ao suprimir a vedação existente
no art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, a Lei n° 10.174, de 2001,
nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do
Fisco, aplicando-se, no caso, a hipótese prevista no § 1º do art.
144 do Código Tributário Nacional. Ressalva do entendimento
pessoal do relator.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/04-00.980
Decisão: ACORDAM os Membros da quarta turma da Camara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que deram provimento ao recurso. 0 Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva apresentará
declaração de voto.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
1.0 = *:*
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materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, DE 2001 - Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, a Lei n° 10.174, de 2001, nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, aplicando-se, no caso, a hipótese prevista no § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. Ressalva do entendimento pessoal do relator. Recurso especial negado
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da quarta turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que deram provimento ao recurso. 0 Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva apresentará declaração de voto.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-01-29T13:26:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2014-01-29T13:26:59Z; Last-Modified: 2014-01-29T13:26:59Z; dcterms:modified: 2014-01-29T13:26:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c85c72cb-a3f7-4fe6-abbe-e3bf72a359d1; Last-Save-Date: 2014-01-29T13:26:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-01-29T13:26:59Z; meta:save-date: 2014-01-29T13:26:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2014-01-29T13:26:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-01-29T13:26:59Z; created: 2014-01-29T13:26:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2014-01-29T13:26:59Z; pdf:charsPerPage: 1239; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2014-01-29T13:26:59Z | Conteúdo => CSRFrf04 Fls. 366 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS QUARTA TURMA Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Interessado 10680.016082/2003-15 106-143.208 Especial do Contribuinte IRPF 04-00.980 04 de agosto de 2008 CHARLES GONÇALVES DA COSTA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N°. 10.174, DE 2001 - Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n°. 9.311, de 1996, a Lei n°. 10.174, de 2001, nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, aplicando-se, no caso, a hipótese prevista no § 1 0 do art. 144 do Código Tributário Nacional. Ressalva do entendimento pessoal do relator. Recurso especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da quarta turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que deram provimento ao recurso. 0 Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva apresentará declaração de voto. NT NIO PRAGA Presidente GUS VO LIAN HADDAD Relator FORMALIZADO EM 9 DE 2009 Processo n° 10680.016082/2003-15 Acórdão n.° 04-00.980 CSRF/T04 Fls. 367 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO, GONÇALO BONET ALLAGE, ANA MARIA RIBEIRO DOS REIS, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, JOSÉ RAIMUNDO TOSTA DOS SANTOS (Substituto Convocado), GUSTAVO LIAN HADDAD E ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. Ausente justificadamente a Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatório Em face de Charles Gonçalves da Costa foi lavrado o auto de infração de fls. 04- 19, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 1999, ano-calendário 1998, tendo sido apurada a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. A Sexta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 106-14.408, que se encontra As fls. 238-251, cuja ementa é a seguinte: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários, cuja origem em rendimentos já tributados, isentos e não tributáveis o sujeito passivo não comprova mediante prova hábil e idônea. NULIDADE DO LANÇAMENTO. EXTRATOS BANCÁRIOS. MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVAS - 0 uso de informações relativas a movimentação financeira prestadas a Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, ,5S. 3° da Lei n° 9.311, de 24.10.1996, com a redação dada pela Lei n° 10.174, de 2001, são meios lícitos de obtenção de provas tendentes a apuração de crédito tributário na forma do art. 42 da Lei n°9.430/96. Recurso negado. A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara rejeitou a preliminar de irretroatividade da Lei n° 10.174/2001 e, no mérito negou provimento ao recurso. Intimado pessoalmente do acórdão em 08/03/2005 (fls. 256) o contribuinte interpôs recurso especial de divergência As fls. 257-262, em que alegou, em apertada síntese, que: (z) é ilegítimo o lançamento do imposto de renda com base apenas em depósitos bancários se não houver demonstração da utilização da renda; e (ii) a Lei n° 10.174/2001 não pode retroagir, pois até 08/01/2001 estava vigente a norma do 3°, do artigo 11, da Lei n° 9.311/96, que vedava a utilização dos dados da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. Processo n° 10680.016082/2003-15 Acórdão n.° 04-00.980 CS R.F/T04 Fls. 368 Para as duas matérias acima buscou o Recorrente demonstrar a divergência entre o entendimento adotado pela Camara recorrida e o adotado por outras câmaras do Conselho de Contribuintes em acórdãos paradigmas. Nos termos do Despacho n° 106-064/2005 (fls. 321-323) da Presidência da Sexta Camara o recurso restou admitido tão-somente com relação à matéria relativa a aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001, não tendo sido admitida a demonstração de divergência em relação ao tema da necessidade de comprovação da utilização da renda pelo contribuinte para a efetivação do lançamento com base em depósitos bancários. Irresignado o Recorrente interpôs agravo pleiteando o reexame da admissibilidade do recurso especial, quanto à matéria não admitida. Distribuídos os autos A Conselheria Maria Helena Cotta Cardozo foi proferido o Despacho 104A-197/2007 (fls. 358- 363), que não acolheu o agravo e confirmou a conclusão exarada no exame anterior de admissibilidade, no sentido de dar seguimento parcial ao recurso especial tão-somente para admitir a rediscussão da matéria relativa á. nulidade do lançamento tendo em vista a aplicação retroativa da Lei n. 10.174, de 2001. Intimada sobre a admissão do recurso especial a Fazenda Nacional apresentou contra-razões às fls. 324-344, em que defende a manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Relator 0 recurso especial interposto pelo contribuinte restou admitido com relação à discussão acerca da irretroatividade da Lei n° 10.174/2001. Inicialmente, verifico que a divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial com relação a esta matéria está caracterizada pelo confronto entre a decisão recorrida e o acórdão n° 104-19.455, que não havia sido reformado pela CSRF ao tempo do protocolo da manifestação em apreço. Ultrapassado o obstáculo do conhecimento do recurso cabe examinar a possibilidade de aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001 para fatos geradores ocorridos anteriormente a sua edição. A redação original do § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, era a seguinte, verbis: "Art. 11. (.) § 3° A Secretaria da Receita Federal resg,uardará, na forma da legislação aplicada a matéria, o sigilo das informações prestadas, S14 3 Processo n° 10680.016082/2003-15 Acórdão n.° 04-00.980 CSRF/T04 Fls. 369 vedada sua utilização para constituição do credito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." 0 art 10 da Lei no 10.174, de 2001, alterou o referido dispositivo, nos seguintes termos: "Art. 1° 0 art. 11 da Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 11... § 3° A secretaria da Receita Federal resguardará, na forma aplicável matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para o lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1966, e alterações posteriores'.' A questão a ser enfrentada é se a alteração introduzida pela Lei n° 10.174, de 2001, ao modificar dispositivo legal que vedava a utilização das informações da CPMF para fins de constituição de crédito tributário relativo a outros tributos poderia retroagir aplicando-se a fatos geradores anteriores a sua vigência. 0 deslinde da questão depende precipuamente da determinação da natureza da norma sob comento, mais precisamente se ela se reporta à própria materialidade do fato gerador, hipótese em que sua retroação estaria vedada nos termos do art. 150, III, "a" da Constituição Federal e do art. 144, caput do CTN, ou se regula procedimentos de fiscalização para a apuração de fato gerador já definido em lei anterior, situação que permitiria sua aplicação imediata a qualquer procedimento em curso, ainda que relativo à apuração de fatos anteriores a sua vigência, nos termos do art. 144, § 1 0 do C'TN, litteris: "Art. 144. 0 lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente revogada. § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maior garantia ou privilégio, exceto, neste último caso, para efeito de atribuir responsabilidade a terceiros." Embora se trate de tema bastante tormentoso e com ressalva da minha posicão pessoal em sentido contrario, curvo-me ao entendimento prevalente no âmbito desta Camara Superior de Recursos Fiscais, segundo o qual a alteração introduzida pela Lei no 10.174 no § 3 0 da Lei do art. 11 da Lei no 9.311, de 1996 tem natureza meramente procedimental, podendo alcançar fatos geradores anteriores a sua vigência. De fato, é predominante neste Colegiado o entendimento de que a norma em exame somente ampliou os poderes de investigação do Fisco que, a partir de então, passou a poder utilizar-se de novos meios para a identificação de fatos geradores já anteriormente colhidos pela lei tributária. 4 Processo n° 10680.016082/2003-15 Acórdão n.° 04-00.980 csRFrro4 F1s. 370 Nessa linha de raciocínio, o que a nova lei fez nada mais foi que possibilitar as autoridades fiscais a utilização de um novo recurso para a consecução de sua tarefa de fiscalização, não havendo qualquer relação entre tal procedimento e o direito material aplicável ao lançamento. Dessa forma, aplicar-se-ia, na espécie, o disposto no § 1 0, do art. 144 do CTN, acima referido. Nesse sentido há vários julgados desta Camara Superior de Recursos Fiscais, do qual cito como exemplo o Acórdão CSRF 04.500, Relatora a Conselheria Maria Helena Cotta Cardozo, julgado em 20/03/2007 AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF — APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174, DE 2001 — E legitimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei n°. 10.174, de 2001, já que se trata do estabelecimento de novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas (precedentes do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais). Recurso especial negado. Voto, portanto, no sentido de conhecer do recurso especial interposto pelo contribuinte apenas com relação à irretroatividade da Lei n° 10.174/201, para, nessa parte, negar-lhe provimento. • Sala das Sessões, em 04 de agosto de 200804 de agosto de 2008 GUSTAISLIAN HADDAD 5 Processo no 10680.016082/2003-15 Acórcido.n. ° 04-00.980 CSRF/T04 Fls. 371 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Conforme tenho afirmado de forma reiterada, a norma que suprime direito não é norma de natureza instrumental, mas sim lei material. Imaginar que a lei nova tenha eficácia para desconsiderar direitos, que de forma plena se verificaram na vigência da lei revogada, é o mesmo que admitir que a norma revogada não produziu efeitos em relação aos fatos que se concretizaram durante sua vigência. Em 25 de outubro de 1996, ingressou no ordenamento jurídico brasileiro a Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, que instituiu a contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira - CPMF, e dá outras providências, sendo que o artigo 11, § 3 0. desta Lei, possuía a seguinte redação: "§ 3°. A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada a matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." Posto o conteúdo da norma, cabe analisar a quem se destinam as expressões: "vedada sua utilização para constituição do credito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." Tais expressões estariam conferindo algum tipo de direito aos jurisdicionados? Em caso afirmativo, qual a natureza deste direito? Antes de responder estas indagações, algumas considerações se fazem necessárias para que possamos compreender as regras de proteção do sigilo bancário existentes até 1996. Assim, vamos retroagir ao ano de 1964 para analisar as disposições da Lei n° 4.595, norma esta com status de Lei Complementar, que dispõe sobre a Política e as Instituições monetárias, bancárias e crediticias, cria o Conselho Monetário Nacional, e dá outras providências. Dita norma, no artigo 38 e respectivo § 70 , possui os seguintes comandos: "Art. 38. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1°. As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestados pelo Banco Central do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juizo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legitimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos a mesma. § 7°. A quebra de sigilo de que trata este artigo constitui crime e sujeita os responsáveis a pena de reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, aplicando-se, no que couber, o Código Penal e o Código de Processo Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis." 6 Processo n° 10680.016082/2003-15 Acórdão n.° 04-00.980 CSRF/T04 Fls. 372 As indagações feitas anteriormente em relação a Lei n° 9.311, de 1996, valem para as disposições do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964. A quem destinam-se as expressões: "as informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário", contidas no § 1 0 . do artigo 38 e a previsão do § 70, de que se constitui crime a quebra do sigilo bancário? Qual a natureza desta norma: instrumental ou material? Se tais dados estão sob o controle do Estado, ente soberano, é preciso que se compreenda o porquê este impõe limitação à sua atuação, instituindo dois outros poderes, um com a função de criar leis e outro com a tarefa de verificar a legalidade dos atos praticados pelo próprio Estado, por meio do Poder Executivo. A propósito deste assunto e sem nos ater a digressões doutrinárias, a história revela que a humanidade percebeu que era necessário limitar as ações do Estado-soberano como forma de proteção dos indivíduos frente ao próprio Estado. Inicialmente concebido para proteger seus súditos, houve período na história em que os indivíduos passaram a ter medo das ações ilimitadas do Estado. Para regular a ação do Estado adotou-se a conhecida teoria dos "freios e contra-pesos", por meio do qual um órgão do Estado-soberano limita e fiscaliza a atuação do outro órgão. Nesta linha, o Judiciário tem sua atuação limitada pelo Poder Legislativo, o Poder Executivo, quando age em desconformidade com a lei, tem seus atos corrigidos pelo Judiciário, sendo que os limites de atuação do Poder Legislativo são fixados por meio do Pacto Social instituidor do Poder Constituinte que aprova norma de hierarquia superior a ser observada por todos. Voltando as disposições do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, quando tal norma prevê que somente o Poder Judiciário poderá quebrar o sigilo bancário, não nos resta dúvida que se trata de uma norma que limita a atuação do Estado-soberano e confere direito aos indivíduos, cabendo perquirir, qual a natureza deste direito: material ou instrumental? Partindo da singela concepção de que direito material deve ser compreendido como sendo a norma que confere determinado bem jurídico a alguém e de que direito instrumental se constitui da norma de que se valem os jurisdicionados para exigirem do Estado- jurisdição o bem da vida que lhes foi subtraído ou espontaneamente não lhes foi alcançado pelo obrigado, tenho que o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, era norma de natureza material. Assim, por meio do dispositivo legal aqui citado, antes de sua alteração, integrava o rol de direito de todos os indivíduos, a garantia de que, sem ordem judicial, ninguém teria acesso aos seus dados bancários. Chegando a conclusão de que o artigo 38 da Lei n° 4.595, era norma de natureza material, é preciso que se diga que as normas desta natureza só podem ser alteradas por leis de idêntica qualidade, sendo vedado, em qualquer hipótese a aplicação retroativa. Ao se admitir a aplicação retroativa de norma de natureza material voltar-se-ia aos primórdios em que os súditos não mais acreditavam no Estado que passou a ser visto como o Estado-tirano. Nenhuma garantia teria o indivíduo se o Estado, a qualquer momento, viesse elaborar leis para subtrair direitos ou prerrogativas decorrentes de relações jurídicas concebidas sob a égide de norma anterior. Diante de tais considerações, volto ao texto do § 3° . do artigo 11 da Lei n° 9.311, de 1996, antes de sua alteração pela Lei n° 10.174, de 2001, e peço vênia para comparar com o artigo 38 da Lei n°. 4.595, de 1964, sendo que estou grifando as expressões em relação as quais quero fazer considerações: § 3° . do artigo 11 da Lei n° 9.311/96, em sua Artigo 38 da Lei no 4.595/64, em sua redação 7 Processo n° 10680.016082/2003-15 Acórdão n.° 0400.980 CSRF/T04 Fls. 373 redação primitiva primitiva "§ 3°. A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada A matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para "Art. 38. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços Prestados. 6S 1°. As informações e esclarecimentos ordenados pelo constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." Poder Judiciário, prestados pelo Banco Central do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juizo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legitimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos a mesma. Inequivocadamente, as expressões acima grifadas possuem a mesma natureza. Conferem aos administrados a garantia de que, salvo por ordem judicial, toda e qualquer movimentação bancária feita na vigência de tais normas, em momento algum será utilizada para quaisquer fins, que não os previstos nas leis vigentes na época em que ocorreram os depósitos bancários. Sabidamente as leis existem e produzem efeitos até que norma subseqüente, de idêntica hierarquia, as revogue. Entretanto, é preciso que se tenha presente que a lei que vier modificar norma anterior destina-se a regular os atos da vida que se efetivarem a partir de sua vigência. Imaginar que a lei nova tenha eficácia para desconsiderar direitos, que de forma plena se verificaram na vigência da lei revogada e o mesmo que admitir que a norma revogada não produziu efeitos em relação aos fatos que se concretizaram durante sua vigência. Concluindo que o § 3°. do artigo 11 da Lei n° 9.311, de 1996, é norma de natureza material que confere aos administrados o direito de que ninguém it'd investigar suas movimentações financeiras, salvo por ordem judicial. A Lei Complementar n°. 105, de 2001 e a Lei n°. 10.174, de 2001, não têm aplicação a fatos ocorridos antes de sua vigência, sob pena de violar o principio da irretroatividade das leis. Dado que tramita no Supremo Tribunal Federal as Ações Diretas de Inconstitucionalidade de no 2406; 2397 e 2390, cabe-nos fazer algumas considerações em relação aos argumentos utilizados por aqueles que admitem a aplicação das referidas leis para investigar fatos ocorridos antes do inicio de sua vigência que, em síntese, assim sustentam o entendimento que defendem: A Lei no. 10.174, de 2001 e a Lei Complementar n°. 105, de 2001, que introduziram, respectivamente, alterações nos artigos 11, ,f 3 0 . da Lei 9.311, de 1996 e artigo 38 da Lei 4.595, de 1964, ampliaram as hipóteses de prestação de informações bancárias, permitindo a utilização de dados a partir da arrecadação da CPMF para a apuração e constituição de crgdito referente a outros tributos. Havendo ampliação dos poderes em busca de informações, à luz do artigo 144, ,¢ 1°., a seguir transcrito, tratam-se de normas de natureza instrumental. Art. 144 Processo n° 10680.016082/2003-15 Acórdão n. ° 04-00.980 CSRET04 Fls. 374 ss' I° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente ci ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Ao meu sentir, mostra-se destituído de fundamento constitucional o argumento de que o art. 144, § 1°, do CTN, autoriza a aplicação da legislação posterior A ocorrência do fato gerador que instituiu novos critérios de apuração ou processos de fiscalização ao lançamento do crédito tributário, visto que este dispositivo refere-se a prerrogativas meramente instrumentais, não podendo ser interpretado de forma colidente com as garantias de inviolabilidade de dados e de sigilo bancário, decorrentes do direito a intimidade e A vida privada, elencadas como direitos individuais fundamentais no art. 5°, incisos X e XII, da Constituição de 1988. Aos fundamentos anteriormente transcritos, destaco que é preciso se ter presente que toda a norma que suprime direito não é norma de natureza instrumental, mas sim lei material. Na linha do que colocamos anteriormente, quando o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, garantiu aos correntistas a inviolabilidade do sigilo bancário, salvo mediante determinação judicial, dita norma outorgou aos administrados garantia de natureza material. Idêntico entendimento aplica-se em relação ao § 3 °. do artigo 11 da Lei 9.311, de 1996. Não se pode dizer que o citado dispositivo possuía natureza instrumental. Tratava-se de norma de caráter material que limitava o poder do Estado-soberano frente ao indivíduo. A limitação do poder do Estado-Administração frente ao cidadão é para este uma garantia de natureza material que, se violada, legitima o ofendido a recorrer ao Judiciário, usando-se para tal as normas de natureza instrumental como, por exemplo, o mandado de segurança. A Lei n° 10.174, de 2001 e a Lei Complementar n° 105, de 2001, ao admitirem a utilização de dados bancários a partir da arrecadação da CPMF para a apuração e constituição de crédito referente a outros tributos, não possuem natureza instrumental porque extinguiram direito de natureza material que conferia aos contribuintes a segurança que, durante a vigência das normas que resultaram modificadas, salvo por decisão judicial, não seriam utilizados os dados referentes ás operações bancárias para exigência de qualquer tributo além da CPMF. A propósito do assunto, o ilustre advogado paulista José Antônio Minatel, em recurso patrocinado junto A Segunda Turma do Primeiro Conselho, enfrenta o tema com a seguinte precisão: "Com efeito, a Lei n° 10.174/01 revogou expressamente a proibição contida na Lei n° 9.311/96, criando novo direito para a Administração tributciria. Logo, verifica-se que o ordenamento posterior não se amolda ao contexto delimitado no § 1°. do artigo 144 do Código Tributário Nacional, pois a inovação legislativa não ampliou os poderes de fiscalização pré-existentes, mas sim trouxe novo poder de investigação para as autoridades administrativas, permitindo a utilização de dados da CPMF para a constituição do crédito tributário, quando na legislação anterior tal procedimento era expressamente proibido." 9 Processo n° 10680.016082/2003-15 Acórdão n.° 04-00.980 CSRF/704 Fls. 375 Em oposição aos que utilizam o § 1 0. do art. 144, do CTN, para justificarem a retroatividade da Lei n°. 10.174 e da Lei Complementar n°. 105, ambas de 2001, para investigar a existência de outros tributos que não a CPMF, ao meu sentir, precisariam identificar, de forma prévia, a ocorrência do fato gerador, pois o artigo 144 § 1 0, do CTN, faz referência "a legislação posterior a ocorrência do fato gerador". Ora, se o depósito bancário, não é fato gerador do imposto sobre a renda, não se pode falar em ocorrência de fato gerador para justificar a aplicação retroativa de tais normas. Até o presente momento, em busca de síntese, fugi das citações doutrinárias, entretanto, em face da pertinência ao tema, não posso deixar de citar artigo de Manoel Gonçalves Ferreira Filho, publicado na Revista da Faculdade de Direito da LTNG Vol. 1 - 1999, pág. 197, sob o titulo ANOTAÇÕES SOBRE 0 DIREITO ADQUIRIDO DO ANGULO CONSTITUCIONAL, texto este também existente no CD Júris Síntese JOB, n. 57, da Editora Thomson — JOB, de onde transcrevo a seguinte paisagem: 2. A lei no tempo Como primeiro passo, registre-se o óbvio. Consiste ele em apontar que, ao tornar-se obrigatória, a lei incide no tempo. Ora, ao fazê-lo, ela "divide" o tempo em relação ao seu império. Separa o passado, anterior a ela que então não vigorava, de um novo período, presente, e futuro de duração indefinida, que persistirá enquanto ela vigorar. 6. Revogação Esta é o ato por que deixa de existir uma lei, ou uma norma (embora tecnicamente se fale em derrogação quando é colhida pela "revogação" parcial) apenas uma ou algumas normas da lei até então em vigor. A revogação concerne, pois, à existência da norma. Em principio, findando a existência da norma, cessa a sua eficácia, mas nem sempre, porque pode ocorrer a ultratividade de suas regras. 11. Fundamentos da irretroatividade A principal razão que justifica a irretroatividade é ser ela necessária a segurança jurídica. De fato, esse principio assegura que um ato praticado em determinado momento, de acordo com as regras então obrigatórias, será considerado sempre válido, mesmo que mudem as normas legais. Em conseqüência, os direitos e as obrigações que dele decorrem também serão considerados como tendo valor. Outra razão é de índole lógica. Já está nas Novelas de Justiniano, segundo o recorda Carlos Maximiliano: 'Semi absurdo que o que fora feito corretamente seja pelo que naquela época ainda não existia, posteriormente mudado.' 14. Exceção a irretroatividade 10 Processo n° 10680.016082/2003-15 Acórdão n.° 04-00.980 CSR.F7T04 Fls. 376 Há, porém, uma exceção a irretroatividade, sobre a qual não existe controvérsia. Trata-se da irretroatividade da "lei mais branda", ou in melius. Conforme escreve Roubier, citado por Manoel Gonçalves Ferreira Filho no artigo anteriormente apontado, se a lei pretender aplicar-se a situações em curso será preciso estabelecer uma separação entre as partes anteriores A data da mudança da legislação, que não podem ser atingidas sem retroatividade, e as partes posteriores, para as quais a lei nova, pode ser aplicada. Nesta linha de raciocínio, conclui-se que as Leis n°. 10.174 de 2001 e a Lei Complementar n° 105, de 2001, ao serem aplicadas, devem estabelecer a separação entre os períodos posteriores a 10 de janeiro de 2001, data que entraram em vigor, e os períodos anteriores a 10 de janeiro de 2001, época em que o artigo 38 da Lei n°. 4.595, de 1964 e o § 3 ° . do artigo 11 da Lei n°. 9.311, de 1996, conferia aos jurisdicionados a garantia material de inviolabilidade de seus dados bancários, salvo, no último caso, para fins de cobrança da CPMF. Para este conselheiro, com a devida vênia dos que pensam em contrário, conforme observado por TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR. "a doutrina da inetroatividade serve ao valor da segurança jurídica: o que sucedeu já sucedeu e não deve, a todo momento, ser juridicamente questionado sob pena de se instaurarem intermináveis conflitos. Essa doutrina, portanto, cumpre a função de possibilitar a solução de conflitos com o mínimo de perturbação social. Seu fundamento é ideológico e se reporta A concepção liberal do direito e do Estado." Na mesma linha dos fundamentos até aqui expostos, das lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello, colhe-se a seguinte lição: "...a regra superveniente regula situações presentes e futuras. 0 que ocorreu no tempo transacto está a salvo de sua incidência. Em suma, porque visa reger aquilo que ora existe ou que ainda vai existir, não atinge o que já sucedeu. Respeita fatos e situações que se criaram no passado e cujos efeitos nele se esgotaram ou simplesmente se perfizeram juridicamente. Com isto em nada se afeta aquilo que já se passou e comodou na poeira dos tempos, ressalvada uma possível retroagdo benéfica." (In. Ato Administrativo e Direitos dos Administrados. Ed. Revista dos Tribunais, 1981, p. 112). Pelo exposto, entendo que apenas a partir da vigência da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, é possível o acesso às informações bancárias do contribuinte na forma instituída pela Lei n° 10.174, de 2001, ou seja, sem a requisição judicial. A aplicação desse conjunto de normas para a obtenção de dados relativos a exercícios financeiros anteriores sem autorização judicial, implica ofensa ao principio da irretroatividade das Leis. Assim, não pode a autoridade fazendária ter acesso direto as operações bancárias do contribuinte anteriores a 10 de janeiro de 2001, como preconiza a Lei Complementar n° 105, de 2001, sem o crivo do judiciário." É o voto. DA SILVA 11
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