Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 35439.000501/2004-62
Data da sessão: Fri May 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CESSÃO DE MÃO-DEOBRA, EMPREITADA EXCLUSIVAMENTE DE MÃO DE OBRA.
VEDAÇÃO.
Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que exercem atividades de locação de mão de obra, de cessão de mão-de-obra ou de empreitada exclusivamente de mão de obra.
Numero da decisão: 1401-000.249
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao presente recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Allanin Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sandra Maria Nunes Dias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201005
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CESSÃO DE MÃO-DEOBRA, EMPREITADA EXCLUSIVAMENTE DE MÃO DE OBRA. VEDAÇÃO. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que exercem atividades de locação de mão de obra, de cessão de mão-de-obra ou de empreitada exclusivamente de mão de obra.
numero_processo_s : 35439.000501/2004-62
conteudo_id_s : 5811760
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-000.249
nome_arquivo_s : Decisao_35439000501200462.pdf
nome_relator_s : Fernando Luiz Gomes de Mattos
nome_arquivo_pdf_s : 35439000501200462_5811760.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao presente recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Allanin Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sandra Maria Nunes Dias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
dt_sessao_tdt : Fri May 21 00:00:00 UTC 2010
id : 7074390
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076779602247680
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-02T11:56:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-02T11:56:27Z; Last-Modified: 2010-09-02T11:56:30Z; dcterms:modified: 2010-09-02T11:56:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1adef2c4-2af4-486d-97e7-0d813cc4e9de; Last-Save-Date: 2010-09-02T11:56:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-02T11:56:30Z; meta:save-date: 2010-09-02T11:56:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-02T11:56:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-02T11:56:27Z; created: 2010-09-02T11:56:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2010-09-02T11:56:27Z; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-02T11:56:27Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fi, 1 .,.," .1.)..,., MINISTÉRIO DA FAZENDA •-.:.,,.. L. ... (,:4. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ,.. -.. , . Processo n" 35439,000501/2004-62 , N ) Recurso n' 340.813 Voluntário Acórdão n° 1401-00.249 — 4" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente RIO PARDO SERVIÇOS RURAIS SC LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CESSÃO DE MÃO-DE- OBRA, EMPREITADA EXCLUSIVAMENTE DE MÃO DE OBRA. VEDAÇÃO. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que exercem atividades de locação de mão de obra, de cessão de mão-de-obra ou de empreitada exclusivamente de mão de obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao presente recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Allanin Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sandra Maria Nunes Dias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. araMbr -, .--- Viviane Vidal Wagner - Presidente , -.J,),,I4J.).;v4 O - ) ' v I) . L,G, Vir I Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator,. EDITADO EM: 09/07/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Allanim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Sandra Maria Dias Nunes. i Relatório A Recorrente foi excluída do Simples, mediante Ato Declaratório Executivo no 18 (Es. 80), de 8/9/2005, emitido pelo Sr, Delegado da Receita Federal em Franca. A causa da exclusão foi o exercício de atividade econômica vedada, no caso, locação de mão-de-obra (cessão de mão-de-obra e/ou empreitada exclusiva de mão de obra), consoante Lei n° 9.317196, art. 9°, XII, "f', A exclusão do Simples foi motivada por Representação Fiscal do INSS, em anexo, encaminhada à Secretaria da Receita Federal em face da situação de vedação/exclusão à opção pelo SIMPLES. Aos autos foram juntados cópia de representação fiscal, contrato social e alterações, notas fiscais e contratos firmados entre a Recorrente e seu único cliente (Irmãos Biaggi S/A Açúcar e Álcool). Cientificada do Ato Declaratório, a interessada ingressou com a manifestação de inconformidade, fis. 170/175. Em sua defesa, alegou que não pratica locação de mão de obra e sim prestação de serviços de mecanização agrícola (v. fia 174. Com fundamento na IN MPS/SRP n° 3/2005, arts. 140 e seguintes, sustentou que a empreitada é o conceito que melhor define a sua forma de prestação de serviços. Fez referência a diversas decisões administrativas da Receita Federal (Es. 174), que alegadamente reforçariam seu entendimento. A DRi Curitiba indeferiu a solicitação da contribuinte, por meio do Acórdão n,° 14-16.371 — 1" Turma (fis.. 186-191), do qual transcrevo o seguinte trecho (grifado): Algumas empresas, por outro lado, trabalham através do contrato de empreitada, que tem por objeto a produção de um resultado a ser promovido pelo contratado. A empreitada, tanto na lei civil (CC art.1.237 e segs), quanto na Lei comercial (CC., art, 226 e segs.), é admitida como modalidade do contrato de locação (locação de obra, contrato de obra). E admissível a existência das seguintes espécies de empreitada: de materiais e mão-de-obra; exclusivamente de mão-de-obra (lavor) e por administração. Sua principal característica é o trabalho autônomo, possuindo utilização corrente na construção civil e no meio rural.. A distinção entre os diferentes tipos de empreitadas far-se-á pela natureza da prestação de trabalha Fundamental para caracterizar-se a empreitada é que o empreiteiro assuma o risco de realizar a obra contratada, por si ou seus prepostos, segundo as especificações estabelecidas de tempo e preço, O empreiteiro é responsável pela organização dos meios necessários e a gestão do próprio risco, além da obrigação de executar a obra ou o serviço para o qual .foi contratado. Como regra geral, todos os contratos de empreitada pressupõem a assunção, por parte do contratado, do ônus relativo à . fiscalização, orientação e planejamento do bem objeto da contrafação 2 M. Processo n° 354.39.000501/2004-62 S1-C4T1 Acórdão n ° 1401-0U49 Fl 2 Observe-se que os artigos citados se referem ao Código Civil de 1916 e da Parte Primeira do Código Comercial de 1850, revogados pela Lei n° 10406, de 10/01/2002, cujo conteúdo foi mantido com matizes em seus artigos 610 a 623, razão pela qual os fundamentos continuam aplicáveis ao caso em exame. A diferenciação básica existente entre a empreitada e a locação de mão-de-obra, portanto, é obtida pelo modo de encarar a obrigação de fazer. Se o que é ajustado limita-se ao fornecimento da mão-de-obra, sob controle e supervisão do locatário, temos a locação de mão-de-obra Se o que é ajustado restringe-se à apresentação de um resultado, defrontamos com a empreitada No caso da empreitada exclusivamente de mão-de- obra, o resultado é a própria execução do serviço, estabelecendo-se, assim, sua similitude com a locação de mão- de-obra Por conseguinte, dedicando-se a empresa à execução de empreitada exclusivamente de nzão-de-obra, não poderá optar pelo Simples A interessada foi cientificada desse Acórdão em 19/09/2007 (fls. 194), Irresignada, interpôs Recurso Voluntário em 18/10/2007 (fls. 195-205), argumentando basicamente que: a) a representação fiscal do INSS, que motivou a expedição do ADIE de exclusão do Simples, é contraditória em relação a urna Instrução Normativa emitida pelo próprio órgão (IN MPS/SRP n° 3/05), além de contrariar o Parecer COSIT rf 23/99; b) o ADE de exclusão do Simples foi emitido sem prévia manifestação da Recorrente, além do que não contém uma análise técnica dos fatos relatados pela autoridade do INSS; c) as decisões proferidas em face da "SRS" (pela DRF Franca) e em face da manifestação de inconformidade (pela DRJ Ribeirão Preto) não apreciaram as provas e argumentos apresentados, razão pela qual merecem ser anuladas; d) o contrato social da Recorrente dispõe que sua atividade é "carregamento de cana-de-açúcar e serviços rurais em geral". Nos contratos de prestação de serviços anexados ao SRL, consta que os serviços prestados pela Recorrente são "reboque de carretas containeres de cana-de-açúcar". Por sua vez, nas Notas Fiscais emitidas pela Recorrente, constam os seguintes serviços prestados: "reboque de conteineres", "preparo do solo" e "reboque de julietas — colheita de cana". Tais elementos de prova, em sua opinião, demonstram a ocorrência de prestação de serviços a título de empreitada, com fornecimento de máquinas. Afirma, textualmente, que "em nenhum momento ocorreu o fornecimento de mão-de-obra para a contratada", 4k. )1 :. 3 e) novamente fez referência a diversas decisões da Receita Federal e do Conselho de Contribuintes que, no seu entender, demonstrariam a possibilidade de a Recorrente optar pelo Simples (v. fis. 202-204); f) nestes termos, requereu: a) a declaração de nulidade do Acórdão recorrido, por não ter apreciado as razões constantes da impugnação; b) a realização de diligência, para confirmar que os serviços prestados não caracterizam cessão de mão-de-obra; c) que seja dado provimento ao presente recurso, declarando-se a nulidade do ADE de exclusão do Simples. É o sucinto relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Relator Trata o presente processo de exclusão do Simples, em razão do exercício de atividade econômica vedada, caracterizada pela realização da atividade de locação de mão-obra (cessão de mão-de-obra e/ou empreitada exclusiva de mão de obra), PRELIMINARES Nulidade formal da representação fiscal do INSS e do Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples A Recorrente, em sua peça recursal, alegou que a representação fiscal do INSS, que originou a expedição do ADE de exclusão do Simples, é contraditória em relação a uma Instrução Normativa emitida pelo próprio órgão (IN MPS/SRP n" 3/05), além de contrariar o Parecer COSIT n° 23/99. Adicionalmente, a Recorrente afirmou que o ADE de exclusão do Simples foi emitido sem prévia manifestação da Recorrente, além do que não contém uma análise técnica dos fatos relatados pela autoridade do INSS. Não assiste razão à recorrente. A representação fiscal do INSS constitui um simples documento interno, cuja única finalidade foi de comunicar a autoridade competente sobre a necessidade de expedição de Ato Declaratório Executivo de exclusão da Recorrente do Simples. Tal comunicação foi motivada pelo fato de a referida pessoa jurídica supostamente desenvolver atividade vedada no âmbito do referido sistema. O referido ato administrativo compõe a fase inquisitiva do presente processo, na qual apenas se estava investigando a necessidade de expedição de ato administrativo de exclusão da Recorrente do Simples. Vale dizer que a expedição do ADE não requer a prévia oitiva da pessoa jurídica. Somente após a efetiva expedição do referido ato é que tem início a fase contraditória do processo admnistrativo, com a apresentação sucessiva de SRS, manifestação de inconformidade e demais meios de recurso postos à sua disposição AR 4 Processo n° 35439.000501/2004-62 S1-C4TI Acórdão n." 1401-00.249 Fl 3 No caso concreto, verifica-se que, sob o ponto de vista formal, foi inteiramente regular a expedição do competente Ato Declaratório Executivo de exclusão da Recorrente do Simples. Posteriormente, na análise de mérito, iremos analisar se o referido ADE também foi regular sob o ponto de vista material. Nulidade das decisões anteriores, que negaram o pedido formulado pela Recorrente Ainda em sede de preliminar, a Recorrente alegou que as decisões proferidas em face da "SRS" (pela DRF Franca) e em face da manifestação de inconformidade (pela DM Ribeirão Preto) não apreciaram todas as provas e argumentos apresentados, razão pela qual merecem ser anuladas. Novamente, não assiste razão à Recorrente. Sobre a "SRS", vale dizer que se trata de simples instrumento de análise sumária, visando a correção de possíveis erros de fato ou de situações que não demandem apreciação pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento-DM, não se constituído esta análise uma primeira instância de julgamento. Na apreciação da referida SRS, procurou-se tão somente verificar a eventual ocorrência de erros flagrantes, tais como: a) erro na identificação do sujeito passivo; b) erro na identificação da atividade desenvolvida pelo sujeito passivo; c) verificação se a atividade identificada pelo Fisco efetivamente se enquadrava no rol de atividades vedadas à opção pelo Simples etc.. Sobre o terna, assim se manifestou a autoridade responsável pela apreciação da SRS (grifado): - trata-se de processo originado por Representação Fiscal da Auditoria Fiscal do Ministério da Previdência Social não se constatando, em análise, evidências que permitam?? comprovadamente reconhecer alguma inconsistência do Ato Declara/ária Executivo n" 18, de 08/09/2005, não sendo de competência desta unidade da Secretaria da Receita Federal análise de matéria de direito; e - cabe salientar que, a Previdência Social dispõe entre outras bases legais, o art 31,"caput" e áç 3" da Lei n° 8.212/1991 e o art. 219, "caput" e §2" do Decreto n" 3.048/1999, Desta forma, não foi evidenciado qualquer inconsistência cio ADE A atividade econômica vedada ora [analisada] ainda constitui fator impeditivo para adesão pelo sistema Simples, conforme discrimina o ADE, com base na redação vigente da Lei n°9.317, de 05/12/1996, No que tange ao Acórdão recorrido, verifica-se que a referida decisão considerou, sim, todos os argumentos e elementos de prova colacionados aos autos, à luz da profunda e extensa análise de cunho doutrinário e jurisprudenciaL Para bem demosntrar este fato, transcrevo um pequeno excerto do Acórdão recorrido: 45 Verificada claramente nestes autos a situação de fato descrita na lei, sem que a interessada lograsse infirmar sua inocorrência, impõe-se a confirmação da exclusão da en2presa do sistema e corrobora-se a validade do ato administrativo de exchusão. Diante do exposto, não vislumbro qualquer motivo para decretar a nulidade das decisões anteriores, seja aquela que analisou a SRS, seja aquela que apreciou a manifestação de inconformidade. Realização de diligência Por fim, a Recorrente requereu a realização de diligência, visando confirmar que os serviços por ela prestados não caracterizam cessão de mão-de-obra. Tal pedido merece ser indeferido, por se revelar totalmente desnecessário para formação de convicção sobre os fatos de que trata o presente processo. Os elementos constantes dos autos (contrato social da Recorrente, notas fiscais, contratos de prestação de serviços etc,) são suficientes para se conhecer a natureza das atividades efetivamente desenvolvidas pela Recorrente. No presente processo, o litígio restringe-se a uma questão de direito, ou seja, a lide se resume a verificar se as atividades desenvolvidas pela Recorrente (matéria incontroversa) se enquadram ou não no rol de atividades vedadas para opção pelo Simples. De uma maneira mais especifica, a lide se resume a analisar se a atividade ralizada pela Recorrente, nos termos dos diversos contratos juntados aos autos, pode ou não ser enquadrada em alguma das seguintes modalidades: locação de mão de obra propriamente dita; de cessão de mão-de-obra ou de empreitada exclusivamente de mão de obra. Para tanto, passo à análise do mérito. MÉRITO Delimitação da lide Para maior clareza, transcrevo o inteiro teor do inciso XII, "f" do artigo 9" da Lei n° 9317/96, devidamente grifado: Art 92 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII - que realize operações relativas a: .1) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mão-de-obra; Para fins tributários, já se encontra pacificado o entendimento de que a expressão genérica "locação de mão-de-obra" abrange três espécies distintas de prestação de serviços: locação de mão-de-obra propriamente dita, cessão de mão de obra e empreitada exclusivamente de mão-de-obra, Sobre o tema, encontramos dezenas de julgados unânimes deste Conselho, dentre os quais destacamos (e grifamos) os seguintes: .6 Processo tr" 35439M00501/2004-62 S1-C4T1 Acórdão o.* 1401-00,249 Ft. 4 Acórdãos versando sobre as três modalidade de prestação de serviços vedadas para o Simples.' Processo n° 10650.000829/00-76 Acórdão n° : 303-30.8.59 SIMPLES. EXCLUSÃO. Empresa dedicada à locação de mão-de-obra, empreitada de mão de-obra ou cessão de mão de obra. Pessoa jurídica que presta serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais — caracterizada a prestação de serviço profissional de engenharia. Processo n." 13558,000778/2004-04 Acórdão n.." 302-38. 699CO3/CO2 Assunto Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ementa: INEXISTÊNCIA DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA, EXCLUSÃO INDEVIDA. Analisando o objeto social, as notas . fiscais de prestação de serviços e os contratos celebrados pela empresa, nota-se que não há como caracterizar as atividades da empresa como sendo locação ou cessão ou empreitada de mão-de-obra simplesmente, dessarte, nenhum impedimento à opção pelo SIMPLES Acórdão versando sobre as modalidades "locação de mão-de- obra" e "cessão de mão-de-obra": Processo n." 10980.001096/2004-22 Acórdão n." 302-39830 Assunto; Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples ANO-CALENDÁRIO: 2002 SIMPLES LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃO-DE- OBRA .VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce atividades que envolvem locação de mão-de-obra ou cessão de mão-de-obra não pode optar pelo Simples. Acórdão versando sobre a modalidade "empreitada exclusivamente de mão-de-obra": PROCESSO N; 10665.000110/2001-09 7 ACÓRDÃO N° : 303-31.083 SIMPLES EXCLUSÃO, Em caso de empreitada exclusivamente de meio-de-obra fica caracterizada situação excludente a que se refere o artigo 9", inciso XII, alínea da Lei n° 9.317/96 Acórdão versando sobre a modalidade "cessão ele mão-de- obra": Processo n.° 10920000848200108 Acórdão o," 302-35994 CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. IMPEDIMENTO À OPÇÃO. Está legalmente impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica dedicada à cessão de mão-de-obra para trabalhar em estabelecimento de terceiro. Esta atividade não se confunde com industrialização por encomenda, realizada no estabelecimento da contratada, que é permitida o ingresso e permanência no Simpes. Consequentemente, o julgamento do presente recurso consiste apenas em se decidir se as atividades desenvolvidas pela Recorrente efetivamente se enquadram nos conceitos de locação de mão-de-obra e/ou de cessão de mão-de-obra e/ou de empreitada exclusivamente de mão de obra. Em caso afirmativo, deve-se negar provimento ao presente recurso. Em caso negativo, o presente recurso deve ser provido, com a declaração de nulidade do ADE que excluiu a Recorrente do Simples. Conceitos legais e doutrinários de "locação de mão-de-obra", "cessão de mão-de-obra" e "empreitada exclusivamente de mão-de-obra" Antes, ainda, de se apreciar o mérito do presente recurso, torna-se necessário identificar claramente os conceitos legais e/ou doutrinários de "locação de mão-de-obra", "cessão de mão-de-obra" e "empreitada exclusivamente de mão-de-obra", que serão adotados para fins de enquadramento ou não das atividades efetivamente desempenhadas pela Recorrente. Nesse sentido, locação de mão-de-obra doutrinariamente costuma ser definida corno o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do trabalho ou do serviço. Os trabalhos são realizados sem a obrigação de executar a obra completa, ou seja, sem a produção de um resultado determinado. Na locação de mão-de-obra, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratados ficam à disposição da tornadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. Já a definição legal de cessão de mão-de-obra encontra-se no art. 31 da Lei if 8.212, de 24 de julho de 1991, regulamentado pelo art. 219 do Regulamento da Previdência B Processo e 35439000501/2004-62 S1-C41-1 Acórdão n.° 1401-00.249 F1 5 Social (Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999) e pelo art. 143 da IN SRP n' 3, de 14 de julho de 2005, que assim dispõe: Art. 143. Cessão de mão-de-obra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a .forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n" 6.01 9, de 1974. §1" Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. §2" Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. §3" Por colocação à disposição da empresa contratante entende- se a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato Quanto à empreitada, trata-se de instituto regulado pelos arts, 610 e seguintes do Código Civil (Lei n° 10,406, de 10 de janeiro de 2002), e pelo art, 144 da IN SRP n° 3, de 2005, que assim dispõe: Ar!, 144. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido. Registre-se que é admissivel a existência das seguintes espécies de empreitada: de materiais e mão-de-obra; exclusivamente de mão-de-obra (lavor) e por administração. Sua principal característica é o trabalho autônomo, possuindo utilização corrente na construção civil e no meio rural. A distinção entre os diferentes tipos de empreitadas far-se-á pela natureza da prestação de trabalho. Fundamental para caracterizar-se a empreitada é que o empreiteiro assuma o risco de realizar a obra contratada, por si ou seus prepostos, segundo as especificações estabelecidas de tempo e preço. O empreiteiro é responsável pela organização dos meios necessários e a gestão do próprio risco, além da obrigação de executar a obra ou o serviço para o qual foi contratado, Como regra geral, todos os contratos de empreitada pressupõem a assunção, por parte do contratado, do ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento do bem objeto da contratação. A diferenciação básica existente entre a empreitada e a locação de mão-de- obra, portanto, é obtida pelo modo de encarar a obrigação de fazer. Se o que é ajustado limita- se ao fornecimento da mão-de-obra, sob controle e supervisão do locatário, temos a locação de mão-de-obra. Se o que é ajustado restringe-se à apresentação de um resultado, defrontamos com a empreitada. 10— No caso da empreitada exclusivamente de mão-de-obra, o resultado é a própria execução do serviço, estabelecendo-se, assim, sua similitude com a locação de mão-de- obra. Análise do caso concreto O contrato social da Recorrente dispõe que sua atividade é "carregamento de cana-de-açúcar e serviços rurais em geral". Nos contratos de prestação de serviços anexados ao autos, consta que os serviços prestados pela Recorrente são "reboque de carretas containeres de cana-de-açúcar". Por sua vez, nas Notas Fiscais emitidas pela Recorrente, constam os seguintes serviços prestados: "reboque de conteineres", "preparo do solo" e "reboque de julietas — colheita de cana". Tais elementos de prova, na opinião da Recorrente, demonstram a ocorrência de prestação de serviços a titulo de empreitada, com fornecimento de máquinas. Afirma, textualmente, que "em nenhum momento ocorreu o fornecimento de mão-de-obra para a contratada". As atividades de "preparo de solo" e "reboque de julietas" constam apenas de algumas Notas Fiscais emitidas pela Recorrente e anexadas ao processo, por ocasião da apresentação da "SRS". Os autos não fárnecem maiores informações sobre a natureza destas atividades, as quais não foram citadas nos diversos contratos de prestação de serviços anexados aos autos. Por esta razão, estas duas atividades ("preparo de solo" e "reboque de julietas") serão desconsideradas na presente análise, tendo em vista a inexistência de elementos suficientes para caracterizá-las como atividades impeditivas à opção pelo Simples. A desconsideração destas atividades em nada prejudica a Recorrente, posto que, na prática, tal providência equivale a considerar que tais atividades não a impedem de optar pelo Simples. Nossa análise irá se deter apenas na atividade principal da Recorrente, descrita corno "serviço de reboque de carretas containeres de cana-de-açúcar". Esta parece ser a atividade básica ou principal da Recorrente, conforme consta do seu contrato social original, cuja cláusula segunda dispunha (v. fis, 05): SEGUNDA — ATIVIDADES A sociedade ora constituída tem por objetivo operacional de (sic) CARREGAMENTO DE CANA-DE-AÇÚCAR E SERVIÇOS RURAIS EM GERAL", A primeira Alteração Contratual da sociedade, ocorrida em 15/12/2003, modificou o objeto social da pessoa jurídica, que passou a ser a seguinte (v. fls. 89): CLÁUSULA 3"- OBJETO SOCIAL Processo n 35439 000501/2004-62 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.249 Fl 6 O objetivo da sociedade será a exploração do ramo de: Carregamento de Cana-de-Açúcar e Serviços Rurais de produção de colheita (CNAE 7499.3/99). As Notas Fiscais emitidas pela Recorrente (v, fls. 09-39) trazem a seguinte inscrição, logo abaixo da sua razão social: "Carregamento de Cana-de-Açúcar e Serviços Rurais em Geral", A Folha de Pagamentos da Recorrente, referente ao mês de setembro de 2003, indica 19 funcionários registrados. Destes, 16 exercem a função de "tratorista" e estão lotados no Departamento de "Transporte de Cana". Além desses, existe 1 funcionário que exerce a função de "escriturário" junto ao Departamento Contábil e 2 funcionários que exercem a função de "motorista carreteiro", lotados no Departamento de Transporte de Vinhaça. A forma de execução dos serviços de transporte de cana encontra-se detalhadamente descrita nos diversos contratos constantes dos autos, fis, 94-158, A Recorrente, em sua peça recursal, sustentou que os elementos constantes dos autos, na sua opinião, demonstram a ocorrência de "prestação de serviços a título de empreitada, com fornecimento de máquinas", Afirmou, textualmente, que "em nenhum momento ocorreu o fornecimento de mão-de-obra para a contratada". Não assiste razão à Recorrente„ Analisando-se os referidos contratos, verifica-se que por meios deles a Contratada (Recorrente) se compromete a prestar à Contratante "serviços de transporte de vinhaça" ou então "serviços de reboque de carretas containers de cana-de-açúcar picada". Estas duas espécies de serviços são prestados em "diversas propriedades agrícolas e/ou áreas indicadas pela Contratante"„ No capítulo relativo à "obrigações da contratada", nos diversos contratos, consta que "os serviços objeto deste contrato serão executados exclusivamente por empregados da Contratada", "sob 'fiscalização de prepostos desta última", que se obrigava a mantê-los em número suficiente ao completo desempenho das atividades, supostamente "sem a necessidade de avaliação ou solicitação da Contratante". No entanto, convém destacar o fato de que a Folha de Pagamentos da Recorrente, anexada aos autos, não indicava a existência de nenhum funcionário contratado para exercer a função de preposto junto à Contratada, fiscalizando a adequada prestação dos serviços contratados. Tal fato faz presumir que a Contrantante (Irmãos Biaggi S/A — Açúcar e Álcool) na prática exercia pleno poder de fiscalização e de controle sobre os serviços prestados pelos funcionários da Recorrente, colocados à sua disposição„ Reforçando esta presunção, cumpre transcrever a seguinte cláusula padrão, incluída em todos os contratos de prestação de serviços firmados entre a Recorrente e a pessoa jurídica Irmãos Biaggi S/A — Açúcar e Álcool (grifado): 4+11 A Contratada, ou seu preposto, deverá instruir seus empregados no sentido de cumprir e fazer cumprir, fielmente, as normas internas e instruções da Contratante. Por meio desta cláusula, constata-se que a Contratante efetivamente repassava instruções diretamente aos empregados da Contratada, instruções essas que deveriam ser "fielmente cumpridas", sob pena de multa por inadimplemento contratual. Merece destaque, também, o fato de que a pessoa jurídica Irmãos Biaggi S/A — Açúcar e Álcool figura como única contratante dos serviços prestados pela Recorrente. Em outras palavras, tudo indica que a pessoa jurídica da Recorrente foi criada com a única finalidade de terceirizar o serviço de transporte de cana-de-açúcar e vinhaça, que são essenciais e inerentes às atividades de uma usina de açúcar e álcool, tal como a Irmãos Biaggi S/A. Esse detalhe reforça, ainda mais, a conclusão de que os funcionários da Recorrente exerciam suas tarefas sob plena e irrestrita dependência, orientação e fiscalização da pessoa jurídica Contratante dos seus serviços (Irmãos Biaggi S/A — Açúcar e Álcool). Vale dizer que essa relação de absoluta dependência também se verifica na relação entre as duas pessoas jurídicas envolvidas nesse contrato (a Recorrente e a pessoa jurídica Irmãos Biaggi S/A — Açúcar e Álcool, única contratante dos seus serviços). Para ilustrar esse fato, convém transcrever mais algumas cláusulas padrão desses contratos, que demonstram o enorme poder de mando e fiscalização exercido pela Contratada sobre a ora Recorrente: - A Contratada elaborará e entregará .folha de pagamento mensal, devidamente assinada, que conterá exclusivamente os empregados que contratou para a execução dos serviços objeto deste contrato, .fornecendo à Contratante, até o dia 15 (quinze) do mês subsequente ao de referência, cópia autenticada da referida folha, nas quais deverão constar discriminadas todas as verbas e títulos trabalhistas pagos aos mesmos. - Os recolhimentos dos encargos sociais, tais como, guias do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, contribuição revidenciária, contribuição sindical, etc.. serão efetuadas pela Contratada, com base nas . folhas de pagamentos de que trata a Cláusula anterior, - Juntamente com a cópia autenticada da folha de pagamento, a Contratada entregará à Contratante cópias autenticadas das guias de recolhimento, mencionadas na Cláusula anterior., devidamente quitadas, assim como da Relação de Empregados do FGTS, até o dia 15 (quinze) do mês subsequente. De todo o exposto, conclui-se que os serviços prestados pela Recorrente se subsumem, perfeitamente, ao conceito de cessão de mão de obra, uma vez que a Recorrente, cumulativamente "coloca à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, trabalhadores (motoristas) que realizam serviços contínuos (transporte de cana-de- açúcar e vinhaça), relacionados com sua atividade fim (usina de açúcar e álcool)". É este, precisamente, o conceito de "cessão de mão-de-obra", constante do art. 143 da IN SRP n° 3, de 14 de julho de 2005, que regulamenta o disposto no no art. 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, anteriormente transcrito no corpo do presente voto. Processo n' 35439 000501/2004-62 S1-C4T1 Acórdão n,' 1401-01L249 Fl. 7 Vale dizer que o conceito legal de cessão de mão de obra abrange até mesmo serviços não relacionados com a atividade fim da empresa contratante e independe da natureza e forma de contratação dos empregados, conforme consta expressamente do caput do retrocitado art. 14.3 da IN SRP n° 3/2005. Por fim, cumpre ressaltar que, mesmo se os serviços prestados pela Recorrente efetivamente se caracterizassem como empreitada, ainda sim a Recorrente continuaria impedida de optar pelo Simples. Isso ocorreria porque a modalidade de empreitada assumida pela Recorrente seria a modalidade de "empreitada exclusivamente de mão-de-obra", a qual recebe o mesmo tratamento da "locação de mão-de-obra" e da "cessão de mão-de-obra" em relação à vedação para o Simples, conforme pacifica e remansosa jurisprudência desta Corte. Vale dizer que o simples fato de a Recorrente utilizar um caminhão de sua prorpiedade na prestação dos serviços não teria o condão de tranformar a "empreitada exclusiva de mão-de-obra" em "empreitada mista". A "empreitada exclusivamente de mão-de-obra" caracteriza-se por envolver apenas uma obrigação de fazer (prestação de serviços, com ou sem a utilização de equipamentos de propriedade da prestadora do serviço). Por outro lado, a "empreitada mista" caracteriza-se por envolver uma obrigação de fazer (prestação de serviços, com ou sem a utilização de equipamentos de propriedade da prestadora do serviço) aliada a uma obrigação de dar (fornecimento de materiais que serão definivarnente agregados à obra contratada ou que serão consumidos durante o processo de prestação de serviços). Em suma: a "empreitada mista" é aquela em que a prestadora de serviços, além de fornecer a mão-de-obra, também fornece materiais que serão definitivamente incorporados à obra contratada ou então que serão consumidos durante a fase de prestação de serviços. Esta espécie de empreitada (mista) é muito comum no ramo da construção civil, onde a empresa pode ser contratada para fornecer apenas a mão-de-obra (empreitada exclusivamente de mão-de-obra) ou então para fornecer a mão-de-obra bem como os materiais de construção utilizados naquela obra (tijolos, ferro, cimento, areia, revestimentos cerâmicos etc.). O simples emprego de equipamentos convencionais de trabalho (tais como caminhões, betoneiras, tratores, pás, enxadas, peneiras etc.) não têm o condão de, por si só, transformar uma "empreitada exclusivamente de mão-de-obra" em uma "empreitada mista", Isto ocorre porque tais equipamentos continuam sendo de propriedade da empresa prestadora de serviços, que apenas os utiliza durante a prestação de serviços, sem transferir sua propriedade à empresa contratante. Assim, no caso presente, ainda que as atividades desenvolvidas pela Recorrente pudessem ser caracterizadas como "empreitada", ainda assim estaríamos diante de uma "empreitada exclusivamente de mão-de-obra", razão pela qual a Recorrente continuaria impedida de optar pelo Simples, pelas razões exaustivamente expostas no corpo deste voto, jk,k 13 Finalmente, cumpre analisar as diversas decisões da Receita Federal e do Conselho de Contribuintes, colacionada pela Recorrente e que, no seu entender, demonstrariam a possibilidade de a Recorrente optar pelo Simples (v. fls. 202-204). Ora, nenhum das decisões transcritas é útil para a Recorrente, na medida em que nenhuma delas trata de situação similar à dos presente autos. No caso em análise, resultou fartamente comprovado que a Recorrente se dedica à "cessão de mão-de-obra", atividade claramente impeditiva à opção pelo Simples. Mesmo que a atividade desempenhada fosse de empreitada, estaríamos diante de uma "empreitada exclusivamente de mão-de-obra", que igualmente se inclui entre as atividades vedadas para as empresas optantes pelo Simples. Por outro lado, os diversos precedentes transcritos no corpo deste voto, todos eles unânimes, demonstram, à exaustão, o posicionamento claro e pacífico deste Egrégio Conselho em relação à presente matéria, no sentido de que "não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que exercem atividades de locação de mão de obra, de cessão de mão-de-obra ou de empreitada exclusivamente de mão de obra". Conclusão Por todos o exposto, voto por negar o pedido de diligência, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso. FERNANDO L IZOMES DE MATTOS 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF l a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35439.00050112004-62 Interessado(a) : RIO PARDO SERVIÇO RURAIS SC LTDA. TERMO DE JUNTADA a Seção Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1401-00,249, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / ASSINATURA
score : 1.0
Numero do processo: 10783.921127/2009-02
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CABIMENTO DE DISCUSSÃO SOBRE MATÉRIA FORMAL E MATERIAL. ADEQUAÇÃO. A manifestação de inconformidade é o instrumento adequado para defesa do contribuinte contra aspectos formais e materiais do despacho decisório exarado pela autoridade competente. Não é cabível o afastamento dos argumentos levantados na manifestação de inconformidade sob a justificativa de que o contribuinte está trazendo fatos novos ao processo, pois tal ato configuraria cerceamento de defesa. Antes do despacho decisório não há processo, mas sim procedimento fiscalizatório, no qual não há ampla defesa e nem contraditório. A manifestação de inconformidade é a primeira oportunidade que o contribuinte possui de se defender no processo. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO MAIOR OU INDEVIDO. AFASTABILIDADE. Afasta-se o reconhecimento do direito creditório postulado pelo contribuinte, se não há nos autos a demonstração do pagamento a maior ou indevido
Numero da decisão: 1802-001.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Marco Antonio Nunes Castilho
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CABIMENTO DE DISCUSSÃO SOBRE MATÉRIA FORMAL E MATERIAL. ADEQUAÇÃO. A manifestação de inconformidade é o instrumento adequado para defesa do contribuinte contra aspectos formais e materiais do despacho decisório exarado pela autoridade competente. Não é cabível o afastamento dos argumentos levantados na manifestação de inconformidade sob a justificativa de que o contribuinte está trazendo fatos novos ao processo, pois tal ato configuraria cerceamento de defesa. Antes do despacho decisório não há processo, mas sim procedimento fiscalizatório, no qual não há ampla defesa e nem contraditório. A manifestação de inconformidade é a primeira oportunidade que o contribuinte possui de se defender no processo. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO MAIOR OU INDEVIDO. AFASTABILIDADE. Afasta-se o reconhecimento do direito creditório postulado pelo contribuinte, se não há nos autos a demonstração do pagamento a maior ou indevido
numero_processo_s : 10783.921127/2009-02
conteudo_id_s : 5760996
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.165
nome_arquivo_s : Decisao_10783921127200902.pdf
nome_relator_s : Marco Antonio Nunes Castilho
nome_arquivo_pdf_s : 10783921127200902_5760996.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
id : 6901967
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076779668307968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 49 1 48 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.921127/200902 Recurso nº 919.343 Voluntário Acórdão nº 180201.165 – 2ª Turma Especial Sessão de 16 de março de 2012 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente NEXA TECNOLOGIA & OUTSORCING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CABIMENTO DE DISCUSSÃO SOBRE MATÉRIA FORMAL E MATERIAL. ADEQUAÇÃO. A manifestação de inconformidade é o instrumento adequado para defesa do contribuinte contra aspectos formais e materiais do despacho decisório exarado pela autoridade competente. Não é cabível o afastamento dos argumentos levantados na manifestação de inconformidade sob a justificativa de que o contribuinte está trazendo fatos novos ao processo, pois tal ato configuraria cerceamento de defesa. Antes do despacho decisório não há processo, mas sim procedimento fiscalizatório, no qual não há ampla defesa e nem contraditório. A manifestação de inconformidade é a primeira oportunidade que o contribuinte possui de se defender no processo. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO MAIOR OU INDEVIDO. AFASTABILIDADE. Afastase o reconhecimento do direito creditório postulado pelo contribuinte, se não há nos autos a demonstração do pagamento a maior ou indevido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10783.921127/200902 Acórdão n.º 180201.165 S1TE02 Fl. 50 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10783.921127/200902 Acórdão n.º 180201.165 S1TE02 Fl. 51 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ I (“DRJRJI”), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão recorrido, verbis: “Em 31.07.2009, a Nexa Teconologia & Outsourcing Ltda. formalizou o Per/Dcomp (PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO) Nº 22326.41605.310709.1.3.044506 (fls. 20/24), com o objetivo de ver reconhecido o direito creditório de R$ 43.031,16, parte do pagamento feito a maior em 30.04.2009, de R$ 52.000,00, relativo a estimativa de IRPJ (código 5993) do mês de março de 2009, e compensar com débito de estimativa de IRPJ do mês de junho de 2009. Em 20.11.2009, por meio de análise eletrônica, foi emitido o Despacho Decisório de fls. 03/04, pela DRF Vitória – ES, que não reconheceu o direito creditório porque o pagamento apontado no pedido, apesar de ter sido localizado, foi integralmente utilizado para quitar o débito de R$ 52.000,00, relativo ao código de receita 5993 (estimativa de IRPJ) de março de 2009. Cientificado do Despacho Decisório em 01.12.2009 (fl. 25), o interessado apresentou, em 21.12.2009, a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, na qual alegou, em síntese, que retificou sua DCTF do 1º semestre de 2009 em 16.12.2009, uma vez que os valores constantes estavam equivocados, conforme documentos anexos. É o relatório. Em sua decisão, a DRJRJI houve por bem manter o entendimento do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES por meio do Acórdão n° 1235.773, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10783.921127/200902 Acórdão n.º 180201.165 S1TE02 Fl. 52 4 O direito creditório deve ser apurado e demonstrado antes da apreciação do pedido pela autoridade administrativa. Não cabe à Delegacia de Julgamento examinar o direito creditório não analisado pela DRF. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” Direito Creditório não reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no sentido de que seja reconhecido seu Direito Creditório pleiteado. É o relatório, passo a decidir. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10783.921127/200902 Acórdão n.º 180201.165 S1TE02 Fl. 53 5 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Um dos argumentos utilizados para negar provimento à manifestação de inconformidade se refere a questões de competência. Assim, cumpre esclarecer quais matérias podem ser alegadas e qual objetivo empregado a este recurso administrativo. Nos termos do art. 74, § 9º, da Lei n. 9.430/96, da decisão que não homologar um pedido de compensação, cabe manifestação de inconformidade. Embora o dispositivo não trate explicitamente, é evidente que esta espécie recursal se presta à discussão tanto de questões procedimentais quanto de matéria de mérito, pois, se assim não fosse, haveria flagrante cerceamento de defesa. Isto porque, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Ou seja, os contribuintes têm direito de se insurgir contra qualquer decisão que lhe seja desfavorável, podendo, para tanto, fazer uso de todos os instrumentos processuais que a legislação administrativa lhes confere. Contudo, há que se observar que a ampla defesa não possui caráter meramente formal. Além da garantia a todos os meios de defesa, ao contribuinte também deve ser garantida a possibilidade de discutir qualquer aspecto dos atos que lhe prejudiquem, sejam eles formais ou materiais. Logo, em sede de manifestação de inconformidade, pode o contribuinte alegar tanto vícios formais, tais como irregularidades procedimentais, quanto vícios materiais concernentes à legalidade da decisão em si. Já ao julgador, dependendo do argumento apresentado, compete declarar a nulidade da decisão anterior ou reformar seu posicionamento. No caso em tela, notase que a autoridade julgadora, além da questão de competência acima analisada e já afastada, rejeitou os argumentos e provas trazidas pela ora Recorrente sob o fundamento de que, não foi afastado o fundamento utilizado no despacho decisório, qual seja, as informações constantes na DCTF do contribuinte não demonstram que houve pagamento a maior no mês de março de 2009 (IRPJ no valor de R$ 52.000,00), de modo a justificar a compensação realizada com o débito do mês de junho de 2009 (IRPJ no valor de R$ 43.031,16). Ocorre que, da análise dos documentos juntados pela Recorrente aos autos (Razão Analítico de fls. 05/08 e trecho da DCTF, indicando apenas o débito de IRPJ de junho de 2009 no valor de R$ 8.695,89, que não confere com o que o montante do mesmo débito apontado da PER/DCOMP de fls. 20/24, qual seja, R$ 21.583,49 de valor principal), não é possível concluir se houve pagamento a maior de IRPJ no mês de março de 2009, a fim de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10783.921127/200902 Acórdão n.º 180201.165 S1TE02 Fl. 54 6 justificar o crédito utilizado para compensar o débito de IRPJ de junho de 2009 no valor total de R$ 43.031,16 (valor principal de R$ 21.583,49). Isso porque não há nos autos documentos demonstrativos dos pagamentos realizados e dos débitos declarados das estimativas mensais de IRPJ do anocalendário de 2009. Sem sombra de dúvidas, seria necessária a apresentação pelo contribuinte de documentos que comprovem a existência do crédito objeto de discussão, tais como, DCTFs completas, DIPJ e respectivos DARFs de pagamentos, de todo anocalendário de 2009. Assim, diante da ausência de elementos probatórios, não é possível reconhecer o direito creditório da Recorrente. Nesse sentido: “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTEIRRF (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÕES CORRESPONDENTES. O pedido de restituição não realizado de acordo com as exigências legais não deve ser acatado pela autoridade administrativa, mormente quando o contribuinte não anexa ao pedido, dentre outros documentos e/ou informações, planilha demonstrativa do valor reclamado a título de crédito. O ônus de provar a liquidez e certeza do direito creditório pugnado cabe ao contribuinte. Recurso negado.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão n° 10249.447, Sessão de 17 de dezembro de 2008) (grifouse). Desse modo, fica claro que o direito creditório somente pode ser deferido se provado mediante a juntada de documentos fiscais e contábeis hábeis à demonstração do pagamento maior ou indevido. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, tendo em vista a falta de documentos materiais probatórios. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 54DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10783.921127/200902 Acórdão n.º 180201.165 S1TE02 Fl. 55 7 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720420/2007-71
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2000
SALDO NEGATIVO IRPJ - COMPENSAÇÃO -A existência do crédito é o primeiro pressuposto do instituto da compensação, nos termos do artigo 74 da Lei 9430/1996.
PAF - PREJUDICIALIDADE - PROCESSOS CONEXOS - Provado, em sede de diligência, que o crédito pretendido tem origem em processos, julgados e negados, já conclusos no âmbito administrativo, este seguirá a sorte daqueles.
PAF -LIMITES DO LITÍGIO - Nos termos do artigo 471 do CPC não se decidirá novamente SOBRE “ as questões já decididas, relativas à mesma lide”.
PAF - CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS - MESMA CAUSA DE PEDIR - a discussão judicial do crédito tributário, sob qualquer modalidade de ação, antes ou posteriormente à autuação, importa na renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto.
PAF - INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS -.SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF No- 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS.- Legítima a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos indevidamente compensados com direito creditório, cuja certeza e liquidez teria ficado comprometida após lançamento de ofício, julgado procedente em decisão definitiva na esfera administrativa, e validado por sentença denegatória em mandado de segurança.
Numero da decisão: 1103-000.791
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões.
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000 SALDO NEGATIVO IRPJ - COMPENSAÇÃO -A existência do crédito é o primeiro pressuposto do instituto da compensação, nos termos do artigo 74 da Lei 9430/1996. PAF - PREJUDICIALIDADE - PROCESSOS CONEXOS - Provado, em sede de diligência, que o crédito pretendido tem origem em processos, julgados e negados, já conclusos no âmbito administrativo, este seguirá a sorte daqueles. PAF -LIMITES DO LITÍGIO - Nos termos do artigo 471 do CPC não se decidirá novamente SOBRE “ as questões já decididas, relativas à mesma lide”. PAF - CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS - MESMA CAUSA DE PEDIR - a discussão judicial do crédito tributário, sob qualquer modalidade de ação, antes ou posteriormente à autuação, importa na renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. PAF - INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS -.SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF No- 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS.- Legítima a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos indevidamente compensados com direito creditório, cuja certeza e liquidez teria ficado comprometida após lançamento de ofício, julgado procedente em decisão definitiva na esfera administrativa, e validado por sentença denegatória em mandado de segurança.
numero_processo_s : 10830.720420/2007-71
conteudo_id_s : 6030498
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.791
nome_arquivo_s : Decisao_10830720420200771.pdf
nome_relator_s : Mário Sérgio Fernandes Barroso
nome_arquivo_pdf_s : 10830720420200771_6030498.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
id : 7816061
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076779910529024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2391; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 596 1 595 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720420/200771 Recurso nº 170.467 Voluntário Acórdão nº 1103000.791 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 SALDO NEGATIVO IRPJ COMPENSAÇÃO A existência do crédito é o primeiro pressuposto do instituto da compensação, nos termos do artigo 74 da Lei 9430/1996. PAF PREJUDICIALIDADE PROCESSOS CONEXOS Provado, em sede de diligência, que o crédito pretendido tem origem em processos, julgados e negados, já conclusos no âmbito administrativo, este seguirá a sorte daqueles. PAF LIMITES DO LITÍGIO Nos termos do artigo 471 do CPC não se decidirá novamente SOBRE “ as questões já decididas, relativas à mesma lide”. PAF CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS MESMA CAUSA DE PEDIR a discussão judicial do crédito tributário, sob qualquer modalidade de ação, antes ou posteriormente à autuação, importa na renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. PAF INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS .SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. COMPENSAÇÃO NÃOHOMOLOGADA. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Legítima a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos indevidamente compensados com direito creditório, cuja certeza e liquidez teria ficado comprometida após lançamento de ofício, julgado procedente em decisão definitiva na esfera administrativa, e validado por sentença denegatória em mandado de segurança. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 20 /2 00 7- 71 Fl. 599DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 597 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Retorno da diligência requerida através da Resolução 1102.00019, de 02 de setembro de 2010, inserta às fls. 450/454. Naquela ocasião, o julgamento foi convertido em diligência, para que fossem prestados os esclarecimentos necessários ao deslinde do litígio e saneada suposta falha processual argüida pelo Contribuinte. O litígio se deu pela negativa de homologação das compensação constantes das DCOMPs de número, 01185.71103.261103.1.3.020907,(retificadora) transmitida em 26/11/2003 e 0296589753.121203.1.3.020220, transmitida em 12/12/2003, utilizandose do saldo negativo do IRPJ referente ao ano calendário de 1999. O Despacho decisório de fls.45/47 consigna que no tocante ao saldo negativo do IRPJ no ano de 1999, tanto nas PER/DCOMPs, quanto na ficha 13A da DIPJ/2000, n°1166437 (fl. 27), a Contribuinte declara possuir crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 24.366.381,97, oriundo de IRRF no valor de R$ 16.893.901,81, e de pagamento das estimativas de IRPJ, as quais somam R$ 32.833.568,35, conforme tabela que apresenta referente a ficha 12 (Cálculo do IRPJ mensal por Estimativa), conforme fls. 2126. Informa que as estimativas de maio a novembro foram compensadas com saldo negativo de IRPJ do ano de 1997 (fl. 10). A empresa, em sua Declaração de IRPJ/1998, n° 3561410, aponta um saldo negativo de 1RPJ de R$ 54.110.176,17 no ano de 1997 (fls. 2829). Opôs a pretensão da Contribuinte o auto de infração, processo 10830.002286/00 95, tendo por objeto, entre outros, IRPJ do ano de 1997, sendo lançado o valor total de R$ 97.830.504,06 fls.34. Neste, o motivo de não confirmar as quitações realizadas sobre as estimativas do 1RPJ referente aos meses de maio a novembro de 1999, Foi a utilização do suposto saldo negativo relativo ao ano calendário de 1997. Fl. 600DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 598 3 Aponta, também, a lavratura de outro auto de infração, através do processo 10830.0094444/200342, tendo por objeto IRPJ do próprio ano de 1999, sendo lançado o valor de R$ 19.931.145,98, sendo R$ 11.398.226,56 de IRPJ e R$ 8.541.919,92 de multa de oficio (fl. 44). A empresa impugnou o auto de infração, porém a Delegacia de Receita Federal de Julgamento — Campinas, decidiu pela procedência deste, conforme folhas 0102 e 16 do acórdão n° 056049, extraída do sistema DecisõesW (fls. 3941). Não conformada, a interessada recorreu ao Conselho de Contribuintes, o qual reconheceu em parte o recurso, dando provimento parcial a fim de afastar a imposição da multa de oficio, conforme mostram as fls. 4243. Porém, a empresa impetrou recurso especial o qual aguarda julgamento (fl. 44). Por esses motivos, a decisão de primeiro grau, fls.391/402 confirma o despacho decisório e não homologa as compensações. A Recorrente apontou vários vícios no procedimento e no acórdão vergastado, principalmente por não ver analisados os argumentos expendidos no âmbito do processo n° 10830.002286/0095, pediu, desta Turma, a nulidade do acórdão e a competente análise desses motivos. Afirma que demonstrara a ilegitimidade da glosa do saldo credor de IRPJ, por configurar mudança de critério jurídico e violar, frontalmente a legislação em vigor (arts. 100, I parágrafo único, 109, 110 e 146 CTN, O II, 50 XXXVI, LIV e 37 "caput" da CF). Apontara, ainda, que a embasar seu direito creditório havia, quando do oferecimento da PERD/COMP que deu origem ao presente processo, liminar concedida em sede de mandado de segurança e suspensão da exigibilidade tributária por força de processo administrativo pendente. Obteve do Secretário da Receita Federal aceitação da consulta que lhe foi formulada, sem quaisquer óbices formais e respondeu às suas indagações emitindo a Nota 157, juntada a esses autos, em face do negócio jurídico celebrado entre ela e a Fundação CESP. Reclama que a consulta formulada e a respectiva Nota 157 tenham dado origem a procedimento administrativo, com a formação e autuação do respectivo processo, sendo justamente esse processo que pleiteia a juntado a esses autos para que os órgãos julgadores tivessem visão do conjunto dos fatos. Reconheceu a decisão recorrida As fls. 400, que o presente processo é "mera repercussão dos lançamentos de IRPJ e CSLL efetuados nos anoscalendários de 1997, 1998 e 2000, nos processos n° 10.830.002286/0095, 10.830.009444/200342", dai a razoabilidade do seu pedido de juntada dos feitos. A alegação de que as principais peças já foram carreadas aos autos seria motivação insuficiente para o indeferimento do seu pedido. Menciona que a Nota 157 fez expressa menção ao negócio jurídico celebrado com a Fundação CESP, o que evidencia a orientação nela contida, que não se revestiu de caráter genérico mas versou, especificamente, sobre o negócio jurídico ao qual reconheceu a natureza jurídica de novação. Transcreve o comando do artigo 37 da Lei 9784/99, para dizer que o julgador deveria providenciar, de oficio, a juntada do procedimento que deu origem à. Nota 157 e conclui que esses motivos bastariam para demonstrar a nulidade da decisão recorrida, por ofensa aos princípios do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal, previstos nos Fl. 601DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 599 4 arts. 50 LIV e LV CF, art. 2° "caput" e parágrafo único X da Lei 9784/99; ao principio da informalidade, consagrado no art. 2°, parágrafo único, inciso IV e art. 22 da Lei 9784/99 e ao art. 37 da Lei 9784/99, motivos para retorno dos autos à origem para saneamento. Pelos mesmos motivos argui nulidade da decisão, no tocante à falta de análise da ilegalidade da exigência da SELIC. Por isto a conversão do julgamento em diligência pela douta 2.ª Turma da 1.ª Câmara. Da diligência retornam os seguintes documentos: Às fls. 456 /58consta cópia do processo 10830.002286/0095; às fls. 461/462, consta certidão de objeto e pé Mandado de Segurança 2003.61.05.0056568. Às fls. 463 MEMORANDO N° 10830/240/2004MS Campinas, 26 de Julho de 2004, encaminhando a sentença para as providências cabíveis. Às fls. 464/476 consta o ofício 409/2004 –ARS da 6a.Vara Federal de Campinas (cópia da sentença acima mencionada) . Às fls. 477/481, cópia do despacho 101195/2008, que negou seguimento ao recurso especial interposto contra o processo 10830.009444/200342. Às fls.482/484, cópia do despacho decisório proferido no âmbito do processo 10830.720148/200720,que negou a compensação ali pleiteada. Às fls.485, AR do despacho e às fls. 486, termo de revelia deste processo. O Despacho de fls.487 reencaminha os autos ao CARF e está assim vazado: Em atendimento à diligência solicitada pelo CARF no processo em epígrafe (Reso11100110200.019) informo que juntei ao presente as peças que tornaram definitivas as decisões constantes dos processos abaixo: 1 Processo 10830.002286/0095: folhas 456 a 476 nesse PAF o Recurso Voluntário foi considerado perempto, e decisão judicial no mandado de segurança 2003.61.05.0056568 acostada ao Auto indeferiu o pedido da empresa. Após, o processo foi inscrito em DAU, onde permanece em fase de execução. 2 Processo 10830.009444/200342: folhas 477 a 481 nesse PAF o contribuinte apresentou Recurso Especial, ao qual foi negado seguimento conforme despacho do Primeiro Conselho de Contribuintes. Após, o processo foi inscrito em DAU, onde permanece em fase de execução. 3 Processo 10830.720148/200720: folhas 482 a 486 nesse PAF o contribuinte teve ciência do despacho decisório deste SEORT/DRF/Campinas, mas não apresentou manifestação de inconformidade, sendo considerado revel. Após, o processo foi inscrito em DAU, onde permanece em fase de execução. Fl. 602DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 600 5 Retorno o presente processo ao CARF para continuidade. Informo que nos termos da Nota eprocesso 11 de 21/06/2011, por conter separadores plásticos numerados, este processo não foi digitalizado, seguindo em papel. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Como anteriormente relatado, tratase de pedido de compensação cujo crédito se respalda em suposto saldo negativo do IRPJ apurado no ano calendário de 1999. O litígio se deu pela negativa de homologação das compensação constantes das DCOMPs de número, 01185.71103.261103.1.3.020907,(retificadora) transmitida em 26/11/2003 e 0296589753.121203.1.3.020220, transmitida em 12/12/2003, utilizandose do saldo negativo do IRPJ referente ao ano calendário de 1999. A Recorrente ofereceu, em síntese, as seguintes questões para análise: a) nulidade da autuação/decisão por cerceamento do direito de defesa: (i) por indeferimento do pedido de juntada “dos processos administrativos dos quais o presente é decorrencial”; (ii) por falta de apreciação da ilegalidade da exigência(Selic);(iii) por desconsiderar suspensão da exigibilidade tributária;(iv) nulidade da autuação por representar alteração de critério jurídico constante de ato individual aperfeiçoado e cientificado ao contribuinte, relativamente ao mesmo fato gerador; b), alternativamente, se mantido o lançamento , a exclusão dos encargos por força do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Tanto nas razões impugnatórias quanto recursais é também argüida a prejudicialidade do conhecimento deste processo desapartado dos PAFs. 10830.002286/0095, 10830.009444/200342 e 10830.720148/200720. Por isto, na sessão de 02 de setembro de 2010 houve a Conversão do julgamento em diligência para esclarecer este ponto. O Relatório de diligência bem esclareceu a sorte desses processos. Informou sua conclusão, no âmbito administrativo e para o primeiro, também no judicial, conforme relatório de fls.487 e documentos antecedentes, cujo despacho é na ordem seguinte: 1 Processo 10830.002286/0095: folhas 456 a 476 nesse PAF o Recurso Voluntário foi considerado perempto, e decisão judicial no mandado de segurança 2003.61.05.0056568 acostada ao Auto indeferiu o pedido da empresa. Após, o processo foi inscrito em DAU, onde permanece em fase de execução. 2 Processo 10830.009444/200342: folhas 477 a 481 nesse PAF o contribuinte apresentou Recurso Especial, ao qual foi negado seguimento conforme despacho do Primeiro Conselho de Fl. 603DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 601 6 Contribuintes. Após, o processo foi inscrito em DAU, onde permanece em fase de execução. 3 Processo 10830.720148/200720: folhas 482 a 486 nesse PAF o contribuinte teve ciência do despacho decisório deste SEORT/DRF/Campinas, mas não apresentou manifestação de inconformidade, sendo considerado revel. Após, o processo foi inscrito em DAU, onde permanece em fase de execução. O processo 10830.002286/0095, já foi concluído. A sentença proferida responde às várias questões postas nas razões de recurso, por terem sido, também, objeto de pedido de tutela judicial, fl. 464 e ss.: Eis o teor da sentença: (...) Tratase de mandado de segurança, com pedido de liminar, no qual a impetrante alega ter realizado pedido de consulta endereçada ao Secretário da Receita Federal, pretendendo deduzir da base de cálculo do 1RPJ e da CSL valores a serem pagos ã Fundação CESP. Informa que realizou instrumento particular de contrato de ajuste das reservas matemáticas do plano misto de benefícios previdenciários para pagamento, no prazo de 20 anos, de uma divida oriunda de parcela devida pela empresa em relação ao plano de previdência privada de seus empregados. Por meio da Nota/MF/SRF/COSIT/GA n. 157/1998, concluiuse que tais valores (R$ 426.115.364,24), ern razão de novação, poderiam ser deduzidos nos termos do artigo 301 do Regulamento do IR/ 1994. A Delegacia da Receita Federal em Campinas, por não concordar com o resultado da consulta, deu inicio a ação fiscal e a encaminhou ao Secretário da Receita Federal; houve pronunciamento da Procuradoria da Fazenda Nacional e foi emitida outra resposta à consulta Nota MF/SRF/COSIT/DIRPJ n. 21/2000. Agentes da Delegacia da Receita Federal em Campinas lavraram auto de infração n.10.830.0002286/0095 no montante de R$ 209.359.545,59. Ingressa a impetrante com este mandado de segurança alegando, em breves palavras, basicamente: 1. Que houve novação, existindo nova divida; 2. Obrigatoriedade da Receita Federal em se vincular ao resultado da consulta originalmente respondida; 3. A autuação realizada pela Receita Federal violou o disposto no Código Tributário Nacional, artigo 100 e 146.(Destaques do voto) Pede, em liminar e ao final, a suspensão da exigibilidade do auto de infração. Em pedido subsidiário, pede a exclusão da multa moratória e de juros. Foram apresentados documentos. A liminar não foi concedida de inicio. A impetrante apresentou pedido de reconsideração, enfatizando os mesmos argumentos da petição inicial e destacando o periculum in mora. Fl. 604DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 602 7 Em nova análise, a liminar foi deferida em parte (fls. 1452/1453) para determinar a suspensão da seguintes medidas: inscrição em divida ativa, negativacão do nome no CADIM, imposição de restrições ao CNPJ ou na expedição de CND, e a adoção de quaisquer outras medidas que efetivem a cobrança do crédito tributário constante do auto de infração. Desta decisão, a União Federal, por meio da Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou recurso de agravo (autos n. 2003.03.00.0317262), no qual foi rejeitado o pedido de efeito suspensivo. As informações foram prestadas. Sustenta a improcedência da pretensão e a legalidade da autuação fiscal. O Ministério Público Federal, em parecer elaborado pela Procuradora da República Dra. Letícia Pohl, deixou de opinar sobre o mérito em razão do interesse envolvido. Vieram os autos em conclusão. Passo a decidir por estar em exercício na titularidade da 6a. Vara Federal de Campinas, conforme Ato 8597/2004. É o relatório. Decido. (...) Antes da exposição dos fundamentos de base desta decisão, necessárias algumas considerações, as quais podem revelar o substrato de fatos precedentes ao ajuizamento da ação. Importante mencionar que, neste caso, houve erros de ambas as partes; tanto a impetrante, na qualidade de contribuinte, quanto a Receita Federal agiram de forma equivocada. A impetrante apresentou consulta à Receita Federal dirigida ao Secretário da Receita Federal (fls.217/224), autoridade diversa daquela prevista na Lei 9430/1996, artigo 48, em vigor já naquela data; com isso, enfraquecese os argumentos quanto à validade da consulta, uma vez que o endereçamento da impetrante foi incorreto. Nem mesmo se apresentou qualquer justificativa para este erro na peça inicial. A Receita Federal, por seu turno, aceitou se pronunciar em uma consulta fora dos padrões legais no tocante à competência administrativa; e posteriormente, ainda pior, deixou de publicar o resultado em órgão oficial de imprensa, conforme noticia em fls. 1478, remetendo oficio ao contribuinte (fls. 285). Mediante a provocação da Delegacia da Receita Federal em Campinas, houve a revisão desta resposta à consulta, com outra nota em sentido contrário. Alega o órgão de consulta da Receita Federal que não lhe foram prestados todos os elementos e que a resposta ocorreu para atender uma necessidade urgente do contribuinte (fls. 308/313). E esta resposta foi dada de forma informal, como se noticia em fls. 313, item 19. Atentase contra inúmeros principias da administração pública (impessoalidade, moralidade, eficiência). Fl. 605DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 603 8 Nem poderia a Receita Federal aceitar a consulta dita informal, fora dos padrões da lei; nem poderia se pronunciar sem exigir todos os elementos; não poderia a Receita Federal se precipitar em um pronunciamento para atender a urgência do contribuinte; e muito menos conceder pareceres informais, isto é, tornandose atividade consultiva privada. Estes fatos, graves no entender deste Magistrado, ficam expostos como análise preliminar dos fundamentos da ação e serão oportunamente analisados pelo Ministério Público Federal, que terá ciência obrigatória desta sentença. Como os equívocos se sucederam de parte a parte, este Magistrado compreende que ambas as partes, em alguns aspectos, agiram movidas pela boafé e acreditam nas suas razões, almejando o acatamento de seu pleito. A impetrante, ao proceder conforme resposta da consulta, entendia estar agindo no sentido do pronunciamento da Receita Federal e, por isso, espera ver seu pedido inicial atendido, o que lhe reconheceria um direito baseado na sua atuação cautelosa e legitima. A Receita Federal, particularmente por meio dos integrantes da Delegacia da Receita Federal em Campinas, agem com plena convicção de estarem atendendo a sua função pública e esperam a improcedência da demanda em razão de terem se convencido do desacerto dos atos praticados pela impetrante (que se baseava em pronunciamento da própria Receita Federal). E se lê nas entrelinhas que os auditores da Delegacia da Receita Federal em Campinas não se resignaram em face do posicionamento adotado pela cúpula da Receita Federal em Brasília. Esta conclusão, retirada por este Magistrado da leitura dos autos e análise da questão, está indicada por meio da manifestação da Delegada da Receita Federal em Campinas fls. 288/296, o que bem demonstra seu correto e digno apego ao interesse público. Estes fatos foram mencionados para demonstrar as partes, impetrante e Receita Federal, que o Magistrado refletiu sobre todos os aspectos da questão, inclusive aqueles de ordem moral que não se mostram suficientes claros nos autos. Contudo, mesmo ao se considerar tais elementos, o julgamento há que ser jurídico segundo o Direito e os principio gerais do sistema normativo. No mérito, o pedido é improcedente. Não verifico a existência de direito liquido e certo a sustentar o pedido da impetrante. Dos pontos levantados na petição inicial, a questão em julgamento passa pela análise prioritária de um especifico, o qual deve ser apreciado em primeiro lugar em razão da prejudicialidade. Primeiramente necessário se apreciar a existência ou não de novação na realização do instrumento particular de contrato de ajuste das reservas matemáticas do Fl. 606DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 604 9 plano misto de benefícios previdenciários da CPFL, ora impetrante, com a Fundação CESP. Em regra, nos termos dos artigos 360 e 361 do Código Civil de 2002, dispositivos já. constantes do Código Civil de 1916, artigos 999 e 1000, há necessidade de algo novo, ânimo de novar, em relação a uma divida anterior para que haja novação. A simples ampliação do prazo de pagamento não é suficiente a gerar novação. (...) No caso em questão, há discussão nos autos sobre a ocorrência ou não da novação. Somente pela prorrogação do prazo de pagamento, não haveria novação, como acima citado. Por outro lado, há elementos novos a indicar a novação a nova divida foi alterada em elementos substanciais, tais como taxa de juros e obrigações (benefícios estipulados por contribuição). Entretanto, como consta da noticia dada pela Delegacia da Receita Federal em Campinas (fls. 291, item 16), em ação fiscal (ato administrativo com presunção de veracidade e certeza), não havia, nos registros da impetrante, divida anterior a ser extinta. Expressamente menciona que os balanços patrimoniais da CPFL (até 31/ 12/ 1996) não registravam dividas vencidas para com a Fundação CESP Havia um déficit técnico no plano de previdência que poderia ser coberto de várias formas. Em razão deste fato ser controvertido havia ou não divida anterior, seria necessário esclarecimentos por meio de perícia judicial, instrumento impróprio em sede de mandado de segurança. Prevalece, em principio, a posição do Fisco que indica não existir divida anterior, baseandose na presunção de veracidade e certeza. Contudo, mesmo que houvesse divida anterior, o que indicaria a existência de novação (já que há elementos novos, como acima foi dito), os seus efeitos não seriam aqueles expostos na petição inicial. Tanto o parecer opinativo do ilustre Professor Ives Gandra da Silva Martins como o minucioso parecer formulado pela Procuradoria da Fazenda Nacional analisam a existência de novação e não discutem seus efeitos. E esta questão pode ser considerada o ponto nuclear da discussão para o deslinde da demanda. Pouco importa se houve novação ou não, importante afirmar que a novação promove a quitação da divida anterior, isto e, não pagamento e sim meio de extinção das obrigações. A novação, como instituto de Direito Civil, não apresenta os efeitos considerados no parecer do ilustre Professor Ives Gandra da Silva Martins em fls. 40 e 42 (fls. 267 e 269 dos autos), acolhido na Nota 157/1998 item 04. Fl. 607DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 605 10 Há equívocos quanto aos efeitos da novação que não foram discutidos neste caso. Novação poderia até mesmo ter ocorrido no caso, no entanto não há quitação, não houve pagamento e por isso, sem a disponibilização dos valores, não há possibilidade de se aplicar o beneficio da Lei 9249/1995, artigo 13, inciso V. A novação não é pagamento e sim forma alternativa de extinção de obrigação. A nova obrigação nasce para substituir a primeira, extinguindoa. Entretanto, pagamento, quitação, não há. Partilha desta opinião Caio Mário da Silva Pereira ao escrever: Em linha de raciocínio, com a novação o devedor exonerase sem cumprir a obrigação, e é por isso que se diz que a novação realiza a sua extinção sem pagamento, enquanto que o credor adquire um novo crédito, em substituição ao antigo ... (in Instituições de Direito Ciuil. 19 n ed. Rio de Janeiro:Forense, 2000, vol. II, p. 146.). (...) E ressalto, como já referido, tanto no Código de 1916 quanto no Código Civil de 2002, o instituto da novação é tratado de forma semelhante. Pouco importa se houve ou não novação; a Nota 157/1998 não poderia ter emitido tal resposta, está equivocada em seus fundamentos jurídicos, uma vez que, mesmo que houvesse novação, não poderia deduzir os valores nos termos previstos na Lei 9249/1995, artigo 13, inciso V. E o artigo 301 do Regulamento do IR/ 1994 faz expressa menção ao pagamento para se efetivar a dedução; no caso, pagamento, no sentido empregado pelo Direito Civil, não existiu. Aliás a lei trazia tal beneficio como forma de estimular a formação de fundos de previdência privada pelas empresas, visando a promover a poupança interna. Se os valores não foram disponibilizados não houve integralização para o fundo e, com isso, a poupança não se fez. E, por estes argumentos, afastase qualquer contrariedade ao artigo 110 do Código Tributário Nacional. Em seguida, analiso os efeitos da consulta. O resultado da consulta é um ato administrativo e, por isso, passível de revisão de oficio ou mediante provocação a partir da constatação de ilegalidade, resultando em cassação por invalidade. Ou mesmo é possível, sob a alegação de interesse público, procederse a. revisão com a revogação do ato administrativo. No caso presente, constatado que a consulta feita pela impetrante foi realizada em desacordo com a Lei 9430/1996, poderseia atribuir natureza de invalidade do resultado da primeira consulta. E esta constatação seria fortalecida pela Fl. 608DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 606 11 verificação de imprecisões, para não se dizer inverdades, no requerimento formulado pela impetrante (fls.217/224), induzindo a Secretaria da Receita Federal em erro houve alegação de que se tratava de novação quando, na verdade, não possuiria este contorno, como acima já referido. Há decisão da Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes (Autos n. 11065.001117/0091) que estabelece a vinculação da consulta, certa ou errada, até a sua revisão. Admitese, nesta linha de raciocínio, a possibilidade de revisão da consulta tributária se baseada em parâmetros equivocados. Expõe Luis Eduardo Schoueri (in Algumas Reflexões sobre a consulta em matéria fiscal. Cadernos de Direito Tributário e Finanças Públicas. São Paulo, RT, n. 10, p. 119140, jan.mar. de 1995) item 82: Do mesmo modo, não merece censura a solução do legislador pátrio, de não abrir mão do tributo, no caso de ser errada a resposta à consulta. .É certo que não seria certo impor ao contribuinte zeloso e de boa fé qualquer punição; ao mesmo tempo, arrepiaria ao principio da igualdade, admitir que dois contribuintes com igual capacidade contributiva e incorrendo em mesmo fato gerador, fossem onerados com tributos diferentes, conforme tivessem ou não consultado antes o Fisco. Notese que tal problema somente surgiria no caso de respostas a consultas, não se estendendo a outras orientações do Fisco que, por sua generalidade servem de guarida a todos os contribuintes. Entende o tributarista que é cabível a exigência do tributo no caso de ser errada a resposta à consulta, devendo o contribuinte de boafé (que segue a consulta) ficar isento de multa moratória e juros de mora, uma vez que o atraso do pagamento ocorreu por um comportamento que se imaginava licito. De outro lado, partilho da mesmo opinião do professor da Universidade de São Paulo não seria isonômico que um determinado contribuinte, por ter realizado a consulta (mesmo que o resultado fosse equivocado), ficasse amparado e os demais contribuintes fossem levados ao pagamento de um determinado tributo. A incidência tributária objeto antecedente da consulta realizada não se discute no caso. Nos termos da Lei 9249/1995, artigo 13, inciso V, houve autorização para a dedução do lucro real e da base de cálculo da CSL dos valores das contribuições destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; operava o beneficio em regime de caixa. Com a Lei 9532/1997, artigo 11, § 2°, limitouse a dedução a vinte por cento dos valores pagos como salário dos empregados Fl. 609DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 607 12 e remuneração dos dirigentes, vigorando a partir do ano de 1998, atuando em regime de competência. Alias, tal ponto é incontroverso. Os valores pagos ate o ano de 1997 são integralmente dedutíveis; os valores pagos a partir de 1998 sofrem a limitação acima mencionada. Também o artigo 146 do Código Tributário Nacional não é obstáculo para se admitir a revisão da resposta à consulta formulada. O dispositivo legal rege que a modificação introduzida, ... , nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercido do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. No caso, não houve alteração dos critérios jurídicos. Houve sim informação equivocada por parte da impetrante nos elementos fornecidos à Receita Federal; a partir de explanações realizadas pela Delegada da Receita Federal em Campinas, em ação fiscal, reformulou o órgão de consulta da Receita Federal a resposta a partir da constatação de que havia outros fatos, particularmente a não existência de divida anterior contabilizada pela CPFL para com a Fundação CESP. Volto a mencionar para este Magistrado não importa tais fatos no meu entender, havendo ou não novação o resultado seria o mesmo, pela rejeição do pedido. No caso, a apreciação versa sobre a possibilidade de revisão do resultado da consulta a partir da verificação de inverdade, ou melhor, narração incompleta dos fatos pela impetrante na sua formulação. A Receita Federal pode, até mesmo deve, fazer esta revisão de oficio e isto não significa alteração de critérios jurídicos, significa sim aferição dos critérios verdadeiros em relação ao caso concreto na apreciação na consulta. Não há, por este motivo, possibilidade de se atender ao pedido subsidiário, afastandose a incidência de juros de mora e multa moratória. O resultado equivocado da consulta, por meio da Nota 157/1998, foi provocado pela própria impetrante ao formular o requerimento dirigido à autoridade errada (fls. 217/224), deixando de mencionar fatos que depois seriam levantados na ação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Campinas. Se a impetrante tivesse formulado corretamente a consulta, muito provavelmente tais transtornos teriam sido evitados. Com isso, concluo a fundamentação desta decisão para enumerar as seguintes conclusões: 1. A consulta formulada pode ser revista desde que haja equívocos na sua formulação ou mesmo a Administração Tributária pode revisar posicionamentos jurídicos e fáticos baseadas em informações equivocadas; 2. Constitui fato controvertido a existência de Fl. 610DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 608 13 novação no contrato entre a impetrante e a Fundação CESP;3.Independentemente de se configurar novação com extinção de divida anterior, o referido contrato não operou qualquer pagamento, não foi quitada nenhuma divida; 4. Não há possibilidade, sob nenhum enfoque, de se verificar o direito da impetrante em aplicar o beneficio previsto na Lei 9249/1995, artigo 13, inciso V, e no Regulamento do IR/ 1994, artigo 301. Por estas razões, julgo improcedente o pedido e denego a ordem pleiteada. Fica cassada a liminar anteriormente deferida — fls. 1452/1453. Não que na esfera administrativa se possa discordar dos fundamentos exarados por uma instância judicial, mas adotase neste voto integralmente as razões jurídicas do mesmo, inclusive quanto a exclusão de juros e multas. Contudo, não é demais transcrever parte da decisão atacada a respeito do tema: “Reiterese: ainda que a contribuinte pretenda haver observado uma norma complementar à legislação tributária com relação à dedutibilidade da despesa discutida no processo n° 10830.002286/0095, pelo que estaria excluída a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, tal amparo não respalda a compensação de direito creditório sem qualquer atributo de liquidez e certeza. Salientese que, no âmbito dos presentes autos, não se está mais a discutir a dedutibilidade da despesa da base de cálculo do IRPJ, mesmo porque já há decisão administrativa definitiva acerca da procedência da glosa. A discussão agora afeta a compensação de saldo negativo de IRPJ, cuja existência teria ficado completamente comprometida pelas autuações, para extinção de outros débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. Nesse contexto, perfeitamente cabível a incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos indevidamente compensados.” Aqui, também, rejeitase a preliminar de nulidade pela não juntada dos requeridos PAFs anteriormente, pois, a matéria tratada nos outros processos administrativos, foram devidamente enfrentadas naqueles PAFs, sem nenhum prejuízo a defesa da contribuinte. Da mesma forma, quanto a suspensão da exigibilidade, que funciona, por causa do recurso. Quanto ao critério jurídico, esta argumentação não se refere a estes autos, mas sim, aos processos já em execução. Quanto a taxa Selic a decisão atacada enfrentou o assunto não tendo, assim, sentido a argüição de nulidade. Quanto ao tema principal, bom lembrar que esta turma já enfrentou a matéria no acórdão n.º 1103000.748, no dia 11 de setembro de 2012, em que o Ilustre relator José Sérgio Gomes escreveu: Fl. 611DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 609 14 “Nada obstante a existência de ato administrativo fiscal declaratório de ineficácia dessas deduções, consubstanciado no lançamento instrumentalizado por auto de infração lavrado no ano de 2000 e que se encontra abrigado no processo administrativo nº 10830.002286/0095, pelo qual veiculouse a reversão desses resultados negativos para a figura de lucros, verificouse que a contribuinte enveredou pela continuidade de compensações dos respectivos estoques nos anos subseqüentes, seguindo o teto legal de 30% (trinta por cento) a que alude o artigo 510 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Depreendese que assim agiu em razão da oposição aviada contra aquele lançamento, na seara administrativa (e até judicial) aonde pediu, especificamente, a vinculação da Administração à resposta inserta na NOTA/MF/SRF/COSIT/GAB nº 157. Assim, ante a possibilidade de desconstituição do ato fiscal originário, salvaguardou os direitos compensatórios a cada ano subsequente. Ocorre que o sujeito ativo da relação tributária também atentou para a defesa de seus interesses e interferiu em cada um desses procedimentos compensatórios, declarandoos igualmente ineficazes, tudo em razão da ligação umbilical àquele primeiro. Contra a exigência em debate, afeta ao último procedimento compensatório, já que trata do saldo final daqueles estoques, trouxe a Recorrente suas razões quanto ao direito de deduzir as despesas com contribuições para fundo de previdência complementar e também a validade da resposta à consulta formulada diretamente ao Secretário da Receita Federal. Tenho que há óbice na apreciação dessa específica matéria. Com efeito, a presente exigência não declarou a reversão do alegado estoque de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL em lucros, mas sim, tão somente, diz que o procedimento compensatório agora efetuado pela contribuinte é de todo ineficaz em razão do ato administrativo anterior, este sim quem exteriorizou, a tempo e modo, a invalidade da ação da contribuinte em deduzir despesas por conta de novação de dívida e que resultou na figura de prejuízos fiscais. Noutras palavras: o presente lançamento decreta a figura da estreita decorrência. Portanto, no particular, o presente decisório deve lhe seguir a sorte.” Dessa forma, provado, em sede de diligência, que o crédito pretendido tem origem em processos, julgados e negados, já conclusos no âmbito administrativo, este seguirá a sorte daqueles. Pois, o que se questiona nestes autos não podem mais ser questionados na esfera administrativa, pois, os PAFs 10830.002286/0095, 10830.009444/200342, 10830.720148/200720, todos já se encontram em execução. Ademais, como a discussão judicial do crédito tributário, sob qualquer modalidade de ação, antes ou posteriormente à autuação, importa na renúncia às instâncias Fl. 612DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.720420/200771 Acórdão n.º 1103000.791 S1C1T3 Fl. 610 15 administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, mais ainda, quando há perfeita identidade entre o objeto do processo administrativo e o objeto do processo judicial, nada mais há a responder a Recorrente. Porque, ao questionar judicialmente o crédito tributário objeto de lançamento fiscal, ela perdeu o direito de vêlo conhecido na esfera administrativa. A utilização concomitante das vias administrativa e judicial, com o mesmo objetivo, afigurase juridicamente impossível, em razão da primazia das decisões judiciais sobre as decisões administrativas. Também, pretender a Contribuinte rediscutir a matéria de fundo, a Nota 157, nos demais processos anteriormente mencionados e ditos prejudiciais ao conhecimento deste, não avança. Cabe ressaltar os limites objetivos do litígio, nos termos do artigo 471 do CPC , que deixa claro a impossibilidade de se decidir novamente “as questões já decididas, relativas à mesma lide”. De todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 613DF CARF MF Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09249.6TX1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO em 21/12/2012 10:24:24. Documento autenticado digitalmente por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO em 21/12/2012. Documento assinado digitalmente por: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA em 03/01/2013 e MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO em 21/12/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/07/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.0719.09249.6TX1 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: BA727559547EDC6BA82832696E7A0AEF5BE4A0AC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10830.720420/2007-71. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 00768.015571/82-41
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 1983
Ementa: CÉDULA C - RENDIMENTOS - PROVENTOS ACUMULADOS DE APOSENTADORIA - Admissível a distribuição, pelos respectivos exercícios, na forma do art. 88 do RIR/80, de proventos acumulados de aposentadoria
percebidos em virtude de mandado judicial.
Numero da decisão: 104-04.102
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho,de Contribuintes, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Mário Rodrigues Teixeira e Tereso de Jesus Torres.
Nome do relator: Sergio Gomes Velloso
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 198311
ementa_s : CÉDULA C - RENDIMENTOS - PROVENTOS ACUMULADOS DE APOSENTADORIA - Admissível a distribuição, pelos respectivos exercícios, na forma do art. 88 do RIR/80, de proventos acumulados de aposentadoria percebidos em virtude de mandado judicial.
numero_processo_s : 00768.015571/82-41
conteudo_id_s : 5863588
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 104-04.102
nome_arquivo_s : Decisao_007680155718241.pdf
nome_relator_s : Sergio Gomes Velloso
nome_arquivo_pdf_s : 007680155718241_5863588.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho,de Contribuintes, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Mário Rodrigues Teixeira e Tereso de Jesus Torres.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 10 00:00:00 UTC 1983
id : 7287789
ano_sessao_s : 1983
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076779961909248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 1044102_07680155718241_198311; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2018-03-14T20:11:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 1044102_07680155718241_198311; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 1044102_07680155718241_198311; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2018-03-14T20:11:50Z; created: 2018-03-14T20:11:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2018-03-14T20:11:50Z; pdf:charsPerPage: 1049; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2018-03-14T20:11:50Z | Conteúdo => PROCESSO N9 0768/015.571/82-41 MINISTÉRIO DA FAZENDA , f I Sessão delO ..de..novembro .. deI19--:.a.~.:-:,.---- ~ Recurso'no: 41.611 - IRPF - EX. 1982 ! j 1 .- . ACORDÃO N° .1.o..4:::.4..~JQ.~ Recorrente: ESMERALDa ALVES DA SILVA Recorrido : DELEGADO DA RECEITA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO - RJ l \ I'Ç~DUL:A .,_C '- 'RENDIMENTOS''-''PRO:V..EJ~TOS'ACUMULADOS_DE AP'()S'ENT1\'D'ÔR!,/\:u":-A"'ãmissiveL,a dI.stri'5"uTcao~; pelos--respect.lvos exercícios, na fOr~él,do 'art. 88 do RIR/80; ,de proventos acumulados de -apo- sentadoria percebidos em virtude de mandado judicial. Vistos, relatados edi,scutidos os presentes autos de recurso interposto por ESMERALDa ALVES DA SILVA, ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Con- selho,de Contribuintes, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Mário Rodrigues Teixeira e Tereso de lJesus Torres. Sala das Sessões, em 10 de novembro de'1983. PRESIDENTE - RELATOR PROCURADOR DAFA ZENDA NACIONAL. VISTO EM SESSÃO DE: RECURSO DA FAZENDA NACIONAL: RPjl04-0.124. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: Carlos Walberto Chaves Rosas, Eugênio Botinelly Soares, Helena Cristina Lana de Paula e Luiz Miranda. .~. () ~:i ~;ue;o /t- ~,f~6I'D ~ /1=>/1-- I!.M CSR-F/01- o. 450.) ~. <9Ú~ <9Ú ?-j=;"';t. xUrt-: 4"" «-~ 'lU. :w..,. -4££- ~ vo:f4!,} jl/ € 6" I?- fw '-'< ~ "'" /'-'-C<A-V>-O;> ~ i",-~<>? £O ;ddo;u" L vot:o r ~ Q.. ~~,(~ .~ ~7i ~.eo. ~.'. .~----'.. \: .-:' . SERViÇO POBLlCO FEDERAL PROCESSO N<? RECURSO N9: 41.611 ACÓRDÃO N9: 104-4.102 RECORRENTE: ESMERALDO ALVES DA SILVA 0768/015.571/82-41 R E L A T O R I O Esmeraldo Alves da Silva, jurisdicionado da DRF no Rio de Janeiro-R,T, requereu a distribuição por cinco exercí- cios da importância de Cr$ 989.220,00, demonstrados às fls. 2,pe.£ cebidos por.força do Acórdão de 19.12.80 da 2a. Turma do TFR que regularizou seu enquadramento assegurando-lhe maiores proventos de aposentadoria a partir do exercício de 1976 a 1980. Apreciando a,matéria a,'autoridade de.primeiro grau decidiu por indeferir a pretensão do recorrente, com base na in- formação fiscal de fls. 52-v, do seguinte teor: "O interessado indica o art. 88 do RIR/80 para suporte legal à sci~~retensão. Ocorre, porém, que o citado art9 88 não prevª a distribuição por v~rios exerci cios de ren dimentos oriundos de revisão deaponsentadori'a,em anos anteriores. '. Pr090mos,'considerando-se o exposto,oin deferimento do pedido, atribuindo-se ao exercí=- cio de 1982, ano-base de 1981, os rendimentos de Cr$ 9.89.220,00, por terem sido auferidos no ano-base de 1981, conforme constado documento de fls. L Para esse fim preenchemos a presente mi- nuta de c~lcul0 que evidencia o imposto suplemen- tar de-Cr$ 403.7j9,00." - Tomando ciªncia da decisão supra em 15•01. 83 e nao se conformando apresentou recurso a este Conselho em 02.02.~~----- DMF. DF/1' c.c . S,,,,,f .:l)5 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0768/015.571/82-41 Acórdão n9 104-4.102 as~im se manifestando: 2. "O requerente não sofreu revisão de apo- sent~doria,muito pelo contrário,foi barbaramen- te violentado em seu lídimos direitos; face não ter recebido os seus proventos, na época oportu- na, nos exatos valores a que fazia jus, por força do art. 197 da constituição Federal e demais le- gislação complementar. a requerente postulou perante a Justiça Federal C doc. de fls. ) e obteve ganho de causa, quer seja em primeira instância, bem como, por unanimidadeno'Egrégio Tribunal de Recurso. assegurando-lhe perceber, em inatividade,como se em atividade permanecesse, matéria esta mansa e pacífica, e,-acolhida por todos os Tribunais Na- cionaise Estrangeiros no caso de Ex-Combatentes da ,11 Guerra MundiaLCdoc. em anexo) • O que o requerente recebeu,foi Cr$ 989.220,00 Cnovecentose oitenta e nove mil e du- zentos e vinte cruzeiros), concernentes ao exercí oio de 1976 a 1980, e, que o Poder Estatal ne= gou-se a pagar-lhe à época, o que era de seu de- ver fazer, pois o requerente é Ex-Combatente da Força Expedicionária Brasileira no Teatro de Ope- rações na Itália, bem como onde sofreu ferimentos na frente de combates. o l~çamento, como,veio -por .,'" ."inteiro não é admissível, porque engloba períodos de exe~ cícios sucessivos recebidos por força de decisão judicial, razão pela quml, encontra amparo o re- querente no art. 88 - I - :letra b do R.I.R. ,Dec. 85.450 de 04.12.80 e m.ais conforme Ac. ,104-1.456, 4a~ Câmara la. CC. 2404/80 CEFIR 158/80 ,pág. 123. Isto posto, requer o cancelamento da No tificação expedida,face ao consignado às fls. 102 datada de 07.01.83 e determinar a locação dos re- feridos rendimentos nos exercício que lhe são pertinentes, em. razão de que os mencionados paga- mentos decorrem de Decisão Judicial - Administra tivCl,;'que impôs ao Governo observar o capituladõ no dispositivo constitucional, acima citado por ser ato de inteira e salutar " :t;o relatório. v O T O Conselheiro S:t;RGIOGOMES VELLOSO Rel.ator O recurso é te~pestivo, eis que protocolizado na ~ .~., SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0768/015.571/82-41 3. Acórdão n9 104-4.102 guarda do prazo regulamentar (art. 33 do Dec. 70.235/72), por isso dele tomo conhecimento. Anat~ria em litigio restringe-se ~ pret~nsão do recorrénte em distribuir'porcincoexercícios a parcela de Cr$ 989.220,00 percebida por força de decisão judicial (ACóE dão da 2a. Turma do TFR de 19.12.80). A C!l.utoridadede primeiro. grau indeferiu o pedi...; do do recorrente, entendendo que a parcelaper:bebida refere-se a revisão de aposentadoria e como.tal não estaria enquadrada no art. 88 do RIR/80. Analisando-se as peças que instruem o presente processo chega-se a conclusão de que" decisão de primeiro grau deve ser reformada. Z\nosso ver, assiste razao.ào recorrente em ver distribuída a importMcia percebida,. uma vez que,enquadra'"'"se perfei.tamente no preceito do art. 88, I letra b do RIR/80.Enten- demos que os proventos de aposentadoria por serem provenientes: éb trabalho efeti vamenteprestado., tamb~m se enquadram naquele dis- positivo legal. Pelo exposto, voto no sentido ,de dar provimento ao recurso. BraSíli/l{ j;J :veml>rode 1983c Sf'.f:frk.S.VELLOSO . RELATOR • 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001565/2002-11
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO
FINANCEIRA. POSSIBILIDADE.
Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão
requisitar, às instituições financeiras, registros e informações relativos a
contas de depósitos e dê investimentos de contribuinte sob fiscalização,
sempre que essa providência for considerada indispensável por autoridade
administrativa competente.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei
tributária.
APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATIVIDADE DA LEI N°
10.174, de 2001.
O art. 11, § 3°, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N°
10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição
do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula
CARF n° 35)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os
valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado,
não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos
utilizados em tais operações.
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.623
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito,negar provimento recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar, às instituições financeiras, registros e informações relativos a contas de depósitos e dê investimentos de contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência for considerada indispensável por autoridade administrativa competente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001. O art. 11, § 3°, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF n° 35) DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
numero_processo_s : 19515.001565/2002-11
conteudo_id_s : 6094169
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-000.623
nome_arquivo_s : 220100623_164809_19515001565200211_008.PDF
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001565200211_6094169.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito,negar provimento recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2010
id : 7987989
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076780124438528
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:44:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:44:02Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:44:02Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:44:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4df2104e-190d-484d-bdfa-8194bc1a0c64; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:44:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:44:02Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:44:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:44:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:44:02Z; created: 2010-07-13T13:44:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-07-13T13:44:02Z; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:44:02Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA = CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO - Processo n° 19515.001565/2002-11 Recurso n° 164.809 Voluntário Acórdão n° 2201-00.623 — 2 Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2010 Matéria IRPF - Ex(s).: 1999 Recorrente RAIMUNDO MOREIRA CÂNDIDO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar, às instituições financeiras, registros e informações relativos a contas de depósitos e dê investimentos de contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência for considerada indispensável por autoridade administrativa competente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001. O art. 11, § 3°, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF n° 35) DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam es membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, egar pr. ento recurso, nos termos do voto do Relator. í) ranci co Assis de Oliveira Júnior — Presidente à j(-,) • 1,74",u,Ail\--, , e edr. Pau o Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 2 ij 20A, Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. 2 Processo n° 19515.001565/2002-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201--00.623 Fl. 2 Relatório RAIMUNDO MOREIRA CÂNDIDO interpôs recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls. 56/67. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 184.745,58, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 433.099,05. A infração que ensejou o lançamento e que está detalhadamente descrita no Tetino de Verificação Fiscal de fls. 56/62 foi a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano-calendário de 1998. Na impugnação de fls. 73/82 o Contribuinte arguiu a nulidade do lançamento por alegada quebra irregular do seu sigilo bancário; insurgiu-se contra a Lei Complementar n° 105, de 2001, que seria, segundo seu entendimento, inconstitucional; também se rebelou contra o que chamou de aplicação retroativa da Lei n° 10.174, de 2001. A Delegacia de Julgamento - DRJ julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Considerou regular o acesso pelos agentes do Fisco ás infolinações sobre a movimentação financeira do Contribuinte, ressaltando que há previsão legal neste sentido e destacando que as informações prestadas ao Fisco são protegidas pelo sigilo fiscal. E sobre a alegada inconstitucionalidade da LC n° 105, a DRJ enfatizou que não é competente para apreciar este tipo de manifestação. Quanto à retroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, anotou a decisão de primeira instância que o dispositivo impugnado tem natureza procedimental, aplicando-se o disposto no art. 144, § 1° do erN e, portanto, não houve qualquer irregularidade no lançamento também quanto a este aspecto. O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 14/11/2007 (fls. 100v) e, em 04/12/2007, interpôs o recurso de fls. 103/105, que ora se examina e no qual reitera as manifestações da impugnação e acrescenta que o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 é contrário à Constituição. E o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Sobre a quebra do sigilo bancário, entendo, acompanhando a jurisprudência já pacificada neste Conselho no sentido de que, atendidas as condições fixadas na lei, o Fisco pode ter acesso às infolinações sobre a movimentação financeira dos contribuintes e utilizá-las como base para o lançamento tributário. É verdade que o art. 5 0, inciso X, da Constituição Federal garante o direito à privacidade, no qual se inclui o sigilo bancário, mas esse direito não é absoluto e ilimitado, a ponto de se opor aos próprios agentes do Estado, na sua atividade de controle, por exemplo, do cumprimento das obrigações fiscais por parte dos contribuintes. Isto é, não se pode pretender, por exemplo, que o sigilo bancário se preste ¡para acobertar irregularidades passíveis de apuração pelos agentes do Fisco. O ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, embora sempre reconhecendo o sigilo das informações bancárias, tem uma larga tradição em franquear o acesso a essas informações aos agentes do Fisco. Assim, a Lei n° 4.595, de 1964, já prescrevia no seu art. 38, verbis: Lei n°4.595, de 1964: Art. 38 — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (.) § 5' Os agentes .fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6' O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. O próprio Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172, de 1966, recepcionado pela Constituição de 1988 como lei complementar, expressamente determina que as instituições financeiras devem prestar informações sobre negócios de terceiros, o que, obviamente, inclui as operações financeiras, silenciando, inclusive, sobre a exigência de prévio processo administrativo instaurado: G' Processo n° 19515.001565/2002-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201--00.623 Fl. 3 Lei n° 5.172, de 1966: Art. 197 Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (.) II — os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. Ainda nesse mesmo sentido, foi editada, posteriormente, a Lei n° 8.021, de 1990, ampliando, inclusive, o rol das instituições obrigadas a prestar informações ao Fisco: Lei n°8.021, de 1990: Art. 7° - A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8' - Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único — As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicando-se, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1" do art. 7". Finalmente, a Lei complementar n° 105, de 2001, a qual versa expressamente sobre o dever de sigilo das instituições financeiras em relação às operações financeiras de seus clientes, fez a ressalva quanto ao acesso a essas informações pelos agentes do Fisco, a saber: Lei Complementar n° 105, de 2001: Art. 1° — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (-) § 3' Não constitui violação do dever de sigilo: (.) VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2", 3°, 4", 5', 6', 7° e 9° desta Lei • Complementar. (.) Art. 6" As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Como se vê, o ordenamento jurídico brasileiro de há muito vem estabelecendo, em caráter sempre excepcional e em detelininadas condições previamente estabelecidas, o acesso a informações bancárias dos contribuintes pelos agentes do Fisco. Assim, a legislação brasileira tem, insistentemente, se inclinado no sentido da relativização do alcance do sigilo bancário, prevendo expressamente as situações excepcionais em que se admite a abertura daquelas informações. - Por outro lado, não se deve esquecer que os agentes do Fisco, assim como os auditores do Banco Central do Brasil, e as próprias instituições financeiras, estão sujeitos ao dever de manter sigilo das informações a que tenham acesso em função de suas atividades. Desse modo, a rigor, sequer se pode falar em quebra de sigilo, mas em mera transferência deste. Finalmente, cumpre ressaltar que os dispositivos legais acima transcritos são normas válidas e, portanto, plenamente aplicáveis, eis que não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Não há falar, portanto, em violação ilegal ou ilegítima de sigilo bancário, razão pela qual rejeito esta preliminar. Quanto à utilização dos dados da CPMF com base na Lei n° 10.174, de 2001, a matéria já está pacificada no âmbito deste Conselho com a edição da súmula n° 35 de aplicação obrigatória e cuja ementa a seguir reproduzo: O art. 11, áç 3", da Lei N" 9.311/96, com a redação dada pela Lei 1\7"" 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito ti,ibutário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Não há qualquer irregularidade no lançamento, portanto, quanto a este aspecto. Como se disse no início deste voto, trata-se aqui de lançamento com base em presunção legal de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários tem previsão em disposição expressa de lei a qual prevê como conseqüência para a verificação de depósitos bancários cuja origem, regularmente intimado, o Contribuinte não logre comprovar como documentos hábeis e idôneos, a de se presumir que se trata de rendimentos subtraídos ao crivo da tributação, autorizando o Fisco a exigir o imposto correspondente. e Processo n° 19515.001565/2002-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201--00.623 Fl. 4 - Cuida-se do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei n° 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, a saber: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II -no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4" Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6' Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se vê, é a própria lei que considera como rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada, instituindo, assim, uma presunção, no caso, relativa, que é um instrumento ao qual o Direito lança mão para alcançar certos tip9- d \ / situações que sem ele lhe escapariam. Como ensina Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3' Ed. — São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As preSunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidos pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificam-se em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (lúris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidos senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o ;áual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseando-se no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina foi feito com base em presunção . legal do tipo juris tanturn, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. E, no caso, como relatado, o autuado não trouxe aos autos nenhum elemento que demonstrasse a origem dos depósitos. Paira incólume, pois, a presunção de omissão de rendimentos. Quanto à retroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, já está consolidado neste Colegiado o entendimento de que a referida Lei se aplica aos fatos pretéritos no que se refere à utilização dos dados da CPMF, conforme Súmula CARF n° 35, a saber: O art. I I , áç' 3 0, da Lei N" 9.311/96,-com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Sobre as alegadas inconstitucionalidades da Lei Complementar n° 105, de 2001 e do art. 42 da lei n° 9.430, de 1996, trata-se de alegação cujo exame refoge à competência deste Conselho, conforme entendimento consolidado na sumula CARF n° 02, segundo a qual, "O CAR_F não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. I,1 ÃI' ÕL.API/tA214:5 ' il c.ik,-, e ro Pau or Pereira ?arbo7a . 8
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900297/2008-38
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Ano-calendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES CONTIDOS NA DCOMP E NA DIPJ. REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO INDICADO. Certeza e liquidez exigidas pela legislação de regência do instituto da compensação tributária se aferem no tocante à materialidade dos créditos e não apenas pelos aspectos formais de manuseio do sistema de formulação da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1301-000.648
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Ano-calendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES CONTIDOS NA DCOMP E NA DIPJ. REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO INDICADO. Certeza e liquidez exigidas pela legislação de regência do instituto da compensação tributária se aferem no tocante à materialidade dos créditos e não apenas pelos aspectos formais de manuseio do sistema de formulação da declaração de compensação.
numero_processo_s : 10980.900297/2008-38
conteudo_id_s : 5886800
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.648
nome_arquivo_s : Decisao_10980900297200838.pdf
nome_relator_s : Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
nome_arquivo_pdf_s : 10980900297200838_5886800.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
id : 7374639
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076780203081728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1525; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.900297/200838 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.648 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de agosto de 2011 Matéria IRPJ. Recorrente HSBC CORRETORA DE SEGUROS (BRASIL) S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES CONTIDOS NA DCOMP E NA DIPJ. REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO INDICADO. Certeza e liquidez exigidas pela legislação de regência do instituto da compensação tributária se aferem no tocante à materialidade dos créditos e não apenas pelos aspectos formais de manuseio do sistema de formulação da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Curitiba/PR. Em análise da declaração de compensação emitida pela recorrente foi proferido despacho decisório (n° de rastreamento 749313184 fls. 01 03), que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 10283.24053.281103.1.3.021735 (fls. 111 117), assentando em síntese, que analisadas as informações prestadas constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Devidamente notificada (fls. 05), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 06 – 18), alegando em resumo, que o crédito indicado se trata de saldo negativo de IRPJ apurado por empresa que incorporou, sustentando assim, que o despacho decisório se encontra eivado de nulidade em razão da superficialidade da busca de informações necessárias para adequada decisão o que feriria o princípio da verdade material. Argumentou ainda, que o despacho foi proferido eletronicamente, sem assinatura da autoridade fiscal, e que as autoridades não procederam às diligências para apurar o que de fato ocorreu quanto à gênese do saldo negativo pleiteado, assegurando que não foi intimada a apresentar explicação acerca da situação e que, caso isto tivesse sido feito pelo Fisco, terseia constatado a legitimidade do saldo negativo, evitandose a instauração do presente contraditório. Seguiu arrazoando que é dever de estrita obediência, pelo Fisco, aos princípios que regem a Administração Pública, com ênfase para o da motivação e o da legalidade, o que impediria a fiscalização de desconsiderar direitos creditórios sem o levantamento completo de toda a documentação contábil e fiscal. Quanto ao mérito, argumentou a recorrente acerca da formação do saldo negativo na empresa incorporada, para ao final, concluir tratarse de mero erro material, que deve ser retificado de ofício, afirmando ainda, que uma vez reconhecida a integral legitimidade do saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 13.102,30, devendose afastar a utilização, pelas autoridades fiscais, do método de imputação proporcional para compensar seu crédito com o débito cuja compensação declarou e que a imputação deve ser feita na forma prevista no artigo 354 do Código Civil, ou seja, deve se fazer a imputação primeiramente nos juros e depois no principal. Também requereu a realização de perícia, que se justificaria pela complexidade da matéria, para o quanto nomeia seu perito e formula os quesitos que pretende ver respondidos sendo juntados os documentos de folhas 19 a 117. A 1ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, nos termos do acórdão e voto de folhas 132 a 134, indeferiu a solicitação, fundamentando em síntese, que os saldos negativos de IRPJ e CSLL, para que sejam oponíveis à Administração em compensações, devem ser apurados pelos contribuintes e informados em suas DIPJ, de sorte que não reuniria condições de ser Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10980.900297/200838 Acórdão n.º 1301000.648 S1C3T1 Fl. 2 3 homologada a compensação, quando a DIPJ acusa inexistência de saldo negativo e a contribuinte, intimada a promover as retificações cabíveis, abstémse de qualquer providência. Quanto ao pedido de perícia, assentou a decisão recorrida que ao submeter a homologação da Administração a compensação que declarar, o interessado deveria ser detentor do crédito líquido e certo, não gozando o crédito alegado de tais atributos, a compensação deve ser não homologada, não sendo cabível no curso do processo respectivo a realização de perícia para aferir e mensurar o crédito alegado, mormente se já foi, no curso do processo intimado a promover as retificações que lhe competiam. Devidamente cientificada (fl. 137), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 138 – 161), insistindo na nulidade do despacho decisório e da DRJ, porquanto não teria investigado a existência efetiva do crédito utilizado, pertencente à empresa incorporada, alegando nessa toada, que em vista do princípio da verdade material o enfrentamento da matéria posta à análise da autoridade de julgamento em sede de processo administrativo fiscal é um direito do contribuinte, inclusive em duplo grau de jurisdição, sob pena de nulidade da decisão e como não houve o empenho necessário para a busca da verdade Material por parte da Turma Julgadora, no que tange à necessária análise dos argumentos da Recorrente e indispensável verificação da liquidez e certeza de seu crédito, o feito estaria maculado de nulidade por cerceamento do direito de defesa da Recorrente, devendose reconhecer a tal nulidade. Quanto ao mérito, argumentou a recorrente que ao analisar a DCOMP, entenderam as Autoridades Fiscais, que a empresa Parisul (incorporada pela recorrente) não teria apurado saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 1999, no valor original de R$ 13.102,30, todavia, não mereceria guarida este entendimento, uma vez que a Parisul legitimamente apurou o referido saldo negativo de IRPJ, porquanto no ano calendário 1999, apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 15.504,13, desconsiderandose as antecipações (estimativas mensais e retenções na fonte), como se pode constatar pela DIPJ, ocorrendo que naquele ano calendário, a Parisul detinha autorização judicial, concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 95.00516764, para proceder à compensação de seus prejuízos fiscais em até 100% do lucro real apurado, ao invés da limitação de 30% estatuída pela legislação de regência e desse modo, ao realizar tal compensação de 100% de seu lucro real, a recorrente teria ficado com um IRPJ a pagar de R$ 0,00 (zero). Argumentou na sequência que justamente por esta razão, não fez consignar em sua DIPJ, qualquer Imposto de Renda a pagar e para confirmar esta informação, bastaria analisar a DCTF do 4º trimestre de 1999, na qual se declarou, para o mês de dezembro, o valor de IRPJ por estimativa mensal com base em balanço de redução de R$ 15.504,13, com a exigibilidade suspensa por força do aludido mandado de segurança. Ademais, afirmou que não tendo apurado qualquer valor de IRPJ a pagar, todos os valores antecipados a título deste imposto tornaramse saldo negativo, passível de restituição ou compensação e que no ano calendário de 1999, a Parisul antecipou aos cofres públicos a quantia de R$ 13.102,30, coincidente àquela pleiteada. Demonstrando a formação do indicado crédito, assentou a recorrente que se pode constatar pela DIPJ, que a Parisul apurou o montante de R$ 9.351,88 como IRPJ devido por estimativa mensal, o qual foi compensado com saldo negativo de períodos anteriores e que naquele ano, a Parisul sofreu retenções na fonte no valor total de R$ 3.750,42, dos quais R$ 3.587,61 5 foram retidos pela empresa HSBC INVESTMENT BANK BRASIL S/A, CNPJ n° Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 33.254.319/000100 e os R$ 162,81 restantes pelo Banco CCF S.A., de sorte que somandose os R$ 9.351,88 pagos a título de estimativa e os R$ 3.750,42 de retenções sofridas na fonte, chegase ao referido valor de R$ 13.102,30, que compõe o saldo negativo de IRPJ utilizado no presente processo. Consignou ainda, que conforme os acórdãos do Tribunal Regional Federal da 3ª Região comprovariam, a Parisul, em 29.03.2006, teve a segurança definitivamente negada nos autos do mandado de segurança n° 95.00516764, razão pela qual o valor de R$ 15.504,13 (IRPJ a pagar no anocalendário de 1999, sem considerar as antecipações) passou a ser exigível e tendo isso em vista, assinalou que a Parisul procedeu, em 28.06.2006, ao recolhimento de tal montante, acrescido de multa de mora e juros de mora desde o vencimento, consoante a anexa guia DARF (doc. 10 do recurso voluntário). Destacou assim, que o recolhimento do valor de R$ 15.504,13, com os devidos acréscimos legais, implicou, evidentemente, na manutenção do direito ao saldo negativo apurado no ano calendário de 1999, uma vez que se trata, repitase, de valor devido no ano calendário sem considerar as antecipações e caso estas tivessem sido compensadas com tal valor, de modo a reduzilo, a Parisul realmente não teria direito ao saldo negativo, porém, como visto, não foi isso o que ocorreu. No mais, teceu outros tantos argumentos no mesmo sentido, pugnou pela realização de perícia e pelo provimento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10980.900297/200838 Acórdão n.º 1301000.648 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Abstraio as alegações de nulidade do primitivo Despacho Decisório bem como da decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, porquanto o mérito, ao meu sentir, resolvese em favor do contribuinte. Cumpre destacar que o óbice imposto para reconhecerse o crédito indicado pela recorrente consistiuse no fato não se ter verificado a indicação na respectiva DIPJ de imposto a pagar no ano calendário em que reputou ter crédito. Entretanto, ao analisar os argumentos da recorrente, bem como os documentos por ela encartados, observase que a empresa Parisul (incorporada pela recorrente), no ano calendário 1999, apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 15.504,13, desconsiderandose as antecipações (estimativas mensais e retenções na fonte), como se pode constatar pela Ficha 13 da anexa DIPJ de folha 195. A partir daí, o caso dos autos reclama detida atenção, porquanto afirma a recorrente que naquele ano, dispunha de autorização judicial, concedida nos autos do mandado de segurança n° 95.00516764, para compensar integralmente, em vez da limitação de 30%, e que diante de tal fato, ao realizar a compensação de 100% de seu lucro real, ficou com um IRPJ a pagar equivalente a zero e que por tal fato deixou de consignar, em sua DIPJ, qualquer Imposto de Renda a pagar. Afirmei acima que o presente processo merece detida atenção, precisamente porque a despeito de a DIPJ de fato não informar qualquer IRPJ a apagar, obstando assim a o reconhecimento do direito creditório por via de uma análise eletrônica tal como efetivada no Despacho Decisório e, verificando o argumento da autorização para compensação integral dos prejuízos fiscais, a própria recorrente assinala que perdeu a ação judicial que lhe conferiu tal possibilidade, mas, recolheu espontaneamente, vide DARF de folha 273, o coincidente tributo. Sendo assim, o apontado crédito, sem prejuízo de não ter constado na DIPJ original, demonstrase satisfatoriamente comprovado, sendo certo afirmar que a certeza e liquidez exigidas pela legislação de regência do instituto da compensação tributária, se aferem no tocante à materialidade dos créditos e não apenas pelos aspectos formais de manuseio do sistema de formulação da declaração de compensação. Voto no sentido de Dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001284/2006-86
Data da sessão: Fri May 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de areas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA
Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter panes e não erga onmes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-000.636
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: RUBENS MAURÍCIO CARVALHO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201005
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de areas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter panes e não erga onmes. Recurso Voluntário Negado
numero_processo_s : 10240.001284/2006-86
conteudo_id_s : 6041024
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-000.636
nome_arquivo_s : Decisao_10240001284200686.pdf
nome_relator_s : RUBENS MAURÍCIO CARVALHO
nome_arquivo_pdf_s : 10240001284200686_6041024.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Fri May 14 00:00:00 UTC 2010
id : 7839544
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076780420136960
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-25T11:19:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-25T11:19:26Z; Last-Modified: 2011-08-25T11:19:26Z; dcterms:modified: 2011-08-25T11:19:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c58864b8-16b5-4aac-ac9a-1c9538e5a607; Last-Save-Date: 2011-08-25T11:19:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-25T11:19:26Z; meta:save-date: 2011-08-25T11:19:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-25T11:19:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-25T11:19:26Z; created: 2011-08-25T11:19:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-08-25T11:19:26Z; pdf:charsPerPage: 1257; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-25T11:19:26Z | Conteúdo => S2-M2 FL I Processo Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 10240.001284/2006-86 344.194 Voluntário 2102-00.636 — 1° Câmara / 2' Turma Ordinária 14 de maio de 2010 ITR ALDO ALBERTO CASTANHEIRA SILVA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de areas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter panes e não owl onmes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discu .65§-"Iresentes autos. ACORDAM os Mtmbros do NEGAR provimento ao recurso, no's termos do v • Giovanni/Christian N / Colegiada, por unanimidade de votos, em to do Relator. esidente 1. Não concordando com a exigência, o contribuint apresentou impugnação em 08/11/2006, Es. 34/51, alegando, em síntese: 2 EDITADO EM: 30/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Niabia Matos Moura, Carlos Andre Rodrigues Pereira, Rubens Mauricio Carvalho e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de oficio. Os valores declarados, retificados de oficio e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2002 Declarado, fl. 25 Retificação de oficio Acórdão DRJ Area de Preservação Permanente 29.973,4 ha 0,0 ha 0,0 ha Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (PRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 56 a 64 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 21/28, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2002, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Escalerita", localizado no município de Porto Velho - RO, com Area total de 29.973,4 ha, cadastrado na SU' sob o n° 5.368.842-2, no valor de R$ 409.498,40 (quatrocentos e nove mil quatrocentos e noventa e oito reais e quarenta centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados ate 31/08/2006, perfazendo um crédito tributário total de R$ 998.193,29 (novecentos e noventa e oito mil cento e noventa e três reais e vinte e nove centavos).. 2. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2002 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do ITR, E. 25, a fiscalização apurou a seguinte infração: a) exclusão, indevida, da tributação de 29.973,4 ha de Area de preservação permanente. 3. 0 Contribuinte foi intimado a apresentar comprovação de que as Areas de preservação permanente atendiam aos requisitos legais para serem consideradas áreas não tributáveis pelo FIR, fl. 07, com ciência em 31/07/2006 através do AR de E. 08. 4. Em resposta o Intimado apresentou esclarecimentos e documentos, fls. 09/13 5. Dando prosseguimento a ação fiscal, o auditor emitiu novo Termo de Intimação Fiscal — TIP, fl. 14, com ciência em 25/08/2006, fl. 15. 6. Em resposta o Intimado apresentou esclarecimentos e documentos, fls. 16/18. 7. 0 Auto de' Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 09/10/2006, conforme fl. 29. Processo n° 10240.001284/2006-86 S2-C1T2 Acórdão n ° 2102-00.636 Fl 12 I — que pela Lei de Zoneamento Ecológico do Estado de Rondônia a Fazenda Brasileira está incluída em área totalmente de preserva cão permanente; II — que o auto de infração decorreu tão somente porque um papelzinho chamado ADA não foi exibido oportunamente ao .fisco federal,' III — que a multa é indevida e inexeqiifvel, porque fadada ao fracasso processual se levada para o judiciário analisá-la sob a ótica dos princípios constitucionais. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a ausência do ADA tempestivo, impedem a reforma do lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo delas no Ibtuna ou em órgão estadual competente do Ato Declaratório Anzbiental - ADA, no . prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve -ser interpretada liteiahnente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 68 a 78, alegando em síntese que a ausência do ADA tempestivo não pode ser óbice para o reconhecimento das areas de preservação permanente, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Apresenta vários julgados para fundamentar as suas razões. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o para julgamento de segunda instância administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. 3 ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto e 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AID DECLARAT ORLO AMBIENTAL (ADA). No recurso, os recorrentes afirmam que as existências das referidas Areas estão devidamente comprovadas de sorte que a glosa da Area de Preservação Permanente foi desconsiderada somente em razão da não-apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Verifica-se, portanto, que o que se discute no presente feito não e a existência ou não das referidas Areas, mas a obrigatoriedade da utilização dos documentos exigidos em lei para a concessão da isenção, em contraposição à admissibilidade de outros meios de prova capazes de comprovar a existência das Areas de preservação. Afirmam, ainda, os recorrentes que a apresentação do ADA estaria dispensada em razão do disposto no parágrafo 7° do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, incluído pela Medida Provisória 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, nos seguintes termos: § 7" A declaragiio para ,fim de isenção do IT.!? relativa ás áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II,§ 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto con espondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Medida Provisória na 2.166-67, de 24 de agosto de 2001) A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN) assim se refere à responsabilidade de fazer prova para concessão da isenção de tributos: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado face pm ova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifei) ) Por outro lado, o artigo 147 do mesmo diploma legal previu as situações em que o lançamento seria efetuado sem a necessidade de que a autoridade fiscal obtivesse, pelos seus próprios meios, as informações especificadas no artigo 142 . Art, 142 - Compete privativamente it autoridade administrative constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a ver ificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação penalidade cabível.. ( ) 4 Processo n° 10240001284/2006-86 S2-C1T2 Acórdão n,° 2102-00.636 Fl. 13 Art. 147 - O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legisla çâo tributária, presta a autoridade administrativa informa cães sobre matéria de fato, indispensáveis a sua efetiva cão § 1 0 - A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só admissivel mediante comprovação do erro em que se . funde, e antes de notificado o lançamento, ,§ 2" - Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. No mesmo sentido, o artigo 150 estabeleceu as regras que norteiam o lançamento realizado por homologação. Art, 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição re,solutória da ulterior homologação do lançamento. § 2" - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores a homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando ei extinção total ou parcial do crédito. § 3°- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porénz, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Dos artigos acima transcritos, verifica-se que o CTN, visando à simplificação da estrutura necessária b. fiscalização e arrecadação de tributos, previu as hipóteses em que o sujeito passivo prestaria à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento e anteciparia o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Tal modalidade de pagamento/lançamento, denominada de lançamento por homologação, hodiemamente, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto Territorial Rural. Foi, sem dúvida, com base nesses preceitàs legais que o legislador atribuiu ao contribuinte a responsabilidade prevista nos artigos 8° e 10° da Lei n°9.393, de 1996, in verbis: Art. 8" 0 contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - MAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1" 0 contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua - VTN correspondente ao imóvel. 5 § 2" 0 IITN refletirá o prego de »zeroed° de terras, apurado em I" de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado auto-avaliação da term nua a preço de mercado. § 3" 0 contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 20 e 3°, fica dispensado da apresenta cão do DIA T. Art 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. Corn efeito, mais do que o dever geral de colaboração, a isenção de caráter especial, impõe ao beneficiário o ônus de provar o preenchimento das condições para fruição do tratamento diferenciado. Esta claro que o parágrafo 70 apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, no caso o ADA, como necessários à fruição da isenção do ITR quanto as areas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Contudo, inarreddvel é a competência da autoridade fiscal para solicitá-lo posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando a verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte. No que diz respeito à obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar, tem-se que, a partir da vigência da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação a Lei n°6.938, de 31 de agosto de 1981, tal exigência passou a ter expressa disposição legal. • "Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, coin base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei le 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria, (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) § A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez pot cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA(Incluido pela Lei n" 10,165, de 2000) 1 2 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagai. do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10,165, de 2000)" (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA 6 condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do 1TR quanto as areas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Convém citar, aqui, entendimento jurisdicional que confirma este entendimento. Em sentença denegatória de segurança, datada de 15 de dezembro de 2005, no âmbito do MS no 2005.36.00.008725-0, impetrado pela Federação da Agricultura Pecuária do 6 Processo if 10240.001284/2006-86 SI-CIT2 Acórdfio n.° 2102-00,636 Fl. 14 Estado de Mato Grosso — FAMATO, o Dr. Jeferson Schneider, Juiz da 2" Vara Federal de Mato Grosso, asseverou pela legalidade da exigência do ADA: "(..) Seguem os dois artigos para perfeita análise da questão controvertida: (transcreve art. 17-0 da Lei no 6.938/81 e art. 10, § 7", da Lei n° 9.393/96 ) Os ibis dispositivos acima colacionados são perfeitamente compativeis, ao contrário do que sustenta a impetrante.. A Receita Federal em nenhum momento está exigindo previamente a declaração, para fins de isenção do ITR, a comprova cão dessa declaração por meio do ADA — Ato Declaratório Ambiental Como es/alui a Lei n° 9.393/96, que trata do Imposto Territorial Rural — ITR, com a redação da Medida Provisória n° 2_166-67/01, a apuração e o pagamento do ITR são efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento administrativo. Assim, nenhum óbice há em que a administração exija do contribuinte o ADA, »o prazo razoável de até em seis meses após o pagamento do tributo, pois é a partir desse Ato que poderá definir a exata dimensão da área tributada, assim como o acerto do valor pago. 0 que a impetrante pretende é que seja permitido aos substituidos reduzirei?: as áreas de tributação, mediante a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal do total da área, sem que a administração tenha qualquer espécie de controle sobre essa redução. Ora, qual o problema que existe para o contribuinte em declarar ao IBAMA a dimensão da lima de preservação permanente e a área de reserva legal mediante o ADA. Nenhum. (...) Dai a necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental para verificação posterior pelo Fisco, por tratar-se de lançamento por homologação („)" (grzfamos) Nestes Autos, não foi apresentado qualquer ADA. Assim, a não-apresentação deste documento implica em descumprimento de requisito necessário para a concessão da isenção, de tal forma que o lançamento deve prosperar nos termos em que foi consubstanciado no Auto de Infração. Registro que julgados administrativos ou judiciais somente tem efeito vinculantes As partes e não vinculam o presente processo, especialmente, pelo fato que estamos diante de análise de provas que são distintas em cada caso. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Ruben/Mauricio Carvalho - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000193/00-77
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP e RE 410.054 - AgR/MG. (sob a sistemática do art. 543-B do CPC). Vencido o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10925.000193/00-77
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5610245
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-000.288
nome_arquivo_s : Decisao_109250001930077.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 109250001930077_5610245.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP e RE 410.054 - AgR/MG. (sob a sistemática do art. 543-B do CPC). Vencido o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
id : 6444911
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076780572180480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1610; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000193/0077 Recurso nº 000.001Voluntário Resolução nº 1401000.288 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 07 de novembro de 2013 Assunto pedido de restituição Recorrente SADIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP e RE 410.054 AgR/MG. (sob a sistemática do art. 543B do CPC). Vencido o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 19 3/ 00 -7 7 Fl. 829DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10925.000193/0077 Resolução nº 1401000.288 S1C4T1 Fl. 3 2 Tratase de retorno de diligência, por meio da qual esta 1ª Turma Ordinário da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF baixou o feito em diligência, com o objetivo de verificar a “certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado, elaborando parecer conclusivo acerca da compensação postulada”. Em resposta à diligência, a Autoridade Fiscal argumentou a ilegalidade de a Recorrente postular a devolução do saldo negativo de terceiros, uma vez que a empresa detentora do crédito objeto de restituição foi incorporada pela Recorrente. Sem entrar no mérito, por ora, da questão de direito posta pela douta Autoridade Fiscal, entendo necessária a manutenção dos termos da diligência consolidada na resolução nº 1401000.128, de 16 de março de 2012. As demais questões de direito serão tratadas pelo Colegiado do CARF, quando do oportuno julgamento de mérito do pedido de restituição. Assim, sem entrar no mérito das questões tecidas pela Autoridade Fiscal que serão abordadas quando do julgamento do feito, proponho, assim, a renovação da diligência, para que seja identificada a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado, elaborando parecer conclusivo acerca da compensação postulada. Após ciência da Recorrente, que terá o prazo de 30 dias para se pronunciar, retornem os autos para este Conselho para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 830DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720060/2005-26
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. DÉBITO VENCIDO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS A partir de 1º de outubro de 2002, em razão das modificações introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, não há que se falar em realização de compensação enquanto não apresentada a correspondente DCOMP. É precisamente na data da transmissão da DCOMP que se dá o encontro de contas, e se o débito estiver vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros Selic sobre o crédito até esta mesma data. O dia de transmissão da DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Totalmente irrelevante que os fatos geradores relativos ao crédito e ao débito tenham ocorrido antes da vigência da IN SRF 323/2003, porque esta IN não criou nenhuma regra nova, mas apenas explicitou o que já constava da Lei. Se o débito venceu em 31/01/2003 e sua quitação somente ocorreu em 29/07/2003, é o art. 61 da Lei 9.430/1996 que prevê a exigência de acréscimos moratórios, e não a IN SRF 323/2003, até porque ela não poderia fazê-lo sem que a Lei primeiramente o fizesse.
Numero da decisão: 1802-001.140
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro relator Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que dava provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. DÉBITO VENCIDO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS A partir de 1º de outubro de 2002, em razão das modificações introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, não há que se falar em realização de compensação enquanto não apresentada a correspondente DCOMP. É precisamente na data da transmissão da DCOMP que se dá o encontro de contas, e se o débito estiver vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros Selic sobre o crédito até esta mesma data. O dia de transmissão da DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Totalmente irrelevante que os fatos geradores relativos ao crédito e ao débito tenham ocorrido antes da vigência da IN SRF 323/2003, porque esta IN não criou nenhuma regra nova, mas apenas explicitou o que já constava da Lei. Se o débito venceu em 31/01/2003 e sua quitação somente ocorreu em 29/07/2003, é o art. 61 da Lei 9.430/1996 que prevê a exigência de acréscimos moratórios, e não a IN SRF 323/2003, até porque ela não poderia fazê-lo sem que a Lei primeiramente o fizesse.
numero_processo_s : 10670.720060/2005-26
conteudo_id_s : 5760380
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.140
nome_arquivo_s : Decisao_10670720060200526.pdf
nome_relator_s : Gustavo Junqueira Carneiro Leão
nome_arquivo_pdf_s : 10670720060200526_5760380.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro relator Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que dava provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
id : 6901942
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076780583714816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 188 1 187 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.720060/200526 Recurso nº 176.605 Voluntário Acórdão nº 180201.140 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de março de 2012 Matéria IRPJ Recorrente COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS COTEMINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. DÉBITO VENCIDO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS A partir de 1º de outubro de 2002, em razão das modificações introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, não há que se falar em realização de compensação enquanto não apresentada a correspondente DCOMP. É precisamente na data da transmissão da DCOMP que se dá o encontro de contas, e se o débito estiver vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros Selic sobre o crédito até esta mesma data. O dia de transmissão da DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Totalmente irrelevante que os fatos geradores relativos ao crédito e ao débito tenham ocorrido antes da vigência da IN SRF 323/2003, porque esta IN não criou nenhuma regra nova, mas apenas explicitou o que já constava da Lei. Se o débito venceu em 31/01/2003 e sua quitação somente ocorreu em 29/07/2003, é o art. 61 da Lei 9.430/1996 que prevê a exigência de acréscimos moratórios, e não a IN SRF 323/2003, até porque ela não poderia fazêlo sem que a Lei primeiramente o fizesse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro relator Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que dava provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 189 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 190 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que conheceu apenas em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo a totalidade do direito creditório pleiteado. A Recorrente transmitiu a PER/DCOMP n° 32319.59399.290703.1.3.04 0986, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido de sua incorporada TOALIA SA INDUSTRIA TÊXTIL. Essa declaração foi selecionada para tratamento manual por meio do presente processo. A SAORT/DRF Montes Claros/MG emitiu Despacho Decisório, no qual reconheceu o direito creditório no valor de R$ 452.073,82 e, posteriormente, concluiu pela não homologação parcial da compensação pleiteada (fls. 51/55 e 66/67), tendo por base o disposto no art. 28 da IN SRF n° 210/02, alterada pela IN SRF n° 323/03, a qual estabelece que na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, ou seja, na forma estabelecida pelo art. 61 da Lei n° 9.430/96, até a data de transmissão da DCOMP. A DCOMP foi transmitida em 29/07/2003, portanto, na vigência da IN SRF n° 323/03, sendo aplicadas as regras de compensação mencionadas no artigo 28. Em razão disso, o valor do crédito utilizado, que foi totalmente reconhecido, não foi suficiente para quitar o débito confessado na DCOMP, o que causou apenas a homologação parcial. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alega (fls. 70 e seguintes), em síntese, o seguinte: a) em relação ao débito de IRPJ, no valor de R$ 380.000,00, compensado em 30/08/2002, declara que o procedimento utilizado para compensação do crédito pago a maior foi a compensação sem requerimento, sendo que, desnecessariamente, entregou a DCOMP em 29/07/2003, fazendo referência ao mesmo débito e crédito tributários da referida compensação. Assim, como a compensação ocorreu em 30/08/2002, resta configurado que a requerente incorreu em erro material, isto é, tanto o débito quanto o crédito restaram em duplicidade de informação, 1ª informação evidenciada na DCTF do 3º trimestre/02 e a segunda, na referida DCOMP, devendo prevalecer a 1ª informação, nos termos da IN SRF n° 21/97. E, em se tratando de erro material, de acordo com diversos julgados do CC, entende que este poderá ser corrigido a qualquer tempo; b) em relação ao débito de IRPJ, no valor de R$ 150.355,38, compensado em 31/01/2003, a impugnante questiona, tão somente, a aplicação retroativa da IN SRF n° 323/03, que deu nova redação ao art. 28 da IN SRF n° 210/02, no qual estabelece a incidência de encargos moratórios sobre o débito a compensar, caso a entrega da DCOMP tenha ocorrido após o vencimento do tributo a compensar, mesmo que os fatos geradores das obrigações tributárias a compensar tenham ocorrido anteriormente à publicação da referida IN, ou seja, aplicouse a IN SRF n° 323/03 a fatos geradores de obrigações tributárias perfeitamente constituídas e acabadas, antes de sua entrada em vigor pela publicação no DOU, donde se Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 191 4 conclui que os encargos cobrados são insubsistentes, vez que não havia lei prevendo a exigência de multa e juros quando da ocorrência do fato gerador, o que, estarseia, ferindo o principio da Legalidade. Cita, nessa linha de raciocínio, o inciso I do art. 103, o art. 106 e o inciso II do art 116, todos do CTN. Para finalizar, faz referência ao julgado do STJ, REsp 520760, que entende que o principio da informalidade e o prejuízo estão intrinsecamente ligados. A DRJ de Juiz de Fora (MG) deferiu em parte a manifestação da Recorrente, determinando a exclusão dos juros e multa inseridos pela Fiscalização na homologação da compensação referente ao primeiro débito. Isso por ter reconhecido que a inclusão dessa compensação na DCOMP teria sido desnecessária e em nada afetava a extinção do débito verificada já quando da entrega da DCTF referente ao 3º trimestre de 2002. No que se refere ao segundo débito, entendeu a decisão recorrida que seria efetivamente o caso de aplicação dos acréscimos moratórios introduzidos pela IN/SRF n° 323/03, uma vez que a DCOMP em análise fora transmitida pela Recorrente já sob a sua vigência. Assim está transcrita a ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. Compensação efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie, declarada em DCTF, é considerada como efetuada na data de vencimento do débito, nos termos da IN SRF n° 21/97, e não necessitava de requerimento do interessado. Pedido de compensação apresentado posteriormente, não altera a data de sua efetivação. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se trata de aplicação do principio da irretroatividade das normas. Na data de transmissão da DCOMP, encontravase em pleno vigor a IN SRF n° 323/03, preconizando que os débitos a serem compensados sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Solicitação Deferida em Parte Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/03/2009, a Contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 24/04/2009, onde basicamente reitera as mesmas alegações de forma mais detalhada. Este é o Relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 192 5 Voto Vencido Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase da análise de compensação de dois débitos de IRPJ apurados pela Recorrente (vencimentos em 30.08.2002 e 31.01.2003), com crédito daquele mesmo tributo, decorrente de recolhimento indevido verificado em 28.09.2001. As duas compensações foram declaradas pela Recorrente na DCOMP n.° 32319.59399.290703.1.3.040986, cuja análise pela Fiscalização deu origem ao presente processo administrativo. Por meio do Despacho Decisório n° 180/2005, a DRF de Montes Claros reconheceu o direito creditório pleiteado pela Recorrente no valor de R$ 452.073,82, parcela do recolhimento a maior no valor de R$ 575.170,15, requerida na DCOMP. Reconhecida a existência do crédito pleiteado pela Recorrente, a Fiscalização passou à análise das compensações declaradas, reconhecendo a extinção total do débito com vencimento em 30.08.2002, no valor de R$ 380.000,00, mas indicando saldo devedor para o segundo débito indicado na DCOMP e que apresentava o valor total de R$ 150.355,38. Pelo que pudemos depreender do Despacho Decisório n° 180/2005 esse saldo devedor, em sua totalidade, deriva da aplicação dos acréscimos moratórios previstos no art. 28 da IN SRF n° 210/2002, após as alterações promovidas pela IN SRF n° 323/2003. Assim, o crédito pleiteado pela Recorrente foi deferido em sua totalidade, mas em face da aplicação de juros e multa de mora entre a data de vencimento dos débitos e a data da entrega da DCOMP (29.07.2003), aquele crédito não foi suficiente para liquidar a totalidade dos débitos apontados na declaração. Na Manifestação de Inconformidade a Recorrente demonstrou que se não fosse a aplicação da IN SRF n.° 323/2003 suas compensações seriam integralmente homologadas. E indicou que a aplicação daquela norma seria indevida, em síntese, pelas seguintes razões: a) em relação ao débito de R$ 380.000,00, a compensação já havia sido promovida por meio da DCTF referente ao 3° trimestre de 2002, sendo que a legislação vigente à época reputava como suficiente esse procedimento, de modo que a DCOMP entregue em julho de 2003 não alterava em nada a extinção anterior do débito, não havendo como se falar em inclusão de acréscimos moratórios, b) no que se refere ao débito de R$ 150.355,38, também não seria o caso de aplicação de juros e multa moratórios entre a data do vencimento do débito e a entrega da DCOMP, haja vista que o débito e o crédito já se encontravam perfeitamente constituídos em momento anterior ao advento da IN SRF n° 323/03, de modo que ela não poderia gerar efeitos retroativos. A DRJ de Montes Claros (MG) acatou o primeiro pleito da Recorrente, excluindo a parcela de multa e juros sobre o débito de R$ 380.000,00, frente a legislação Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 193 6 original, contudo entendeu que a segunda parte deveria prosperar. Isto porque, no que se refere ao segundo débito, entendeu que cabia a aplicação dos acréscimos moratórios introduzidos pela IN SRF n° 323/03, uma vez que a DCOMP em análise fora transmitida pela Recorrente já sob a sua vigência. A compensação de tributos está disciplinada pela CTN, art. 165, I in verbis: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;” No caso dos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil há regulamentação específica na Lei nº 9.430/96, art. 74: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.” O direito do contribuinte nasceu com o recolhimento a maior do tributo, em 29/01/2001, e, com base no CTN, art. 165, I, e foi efetivado com a entrega da DCTF, onde manifestou a compensação. Considerando que o recolhimento a maior ocorreu em 28/09/2001, tendo sido devidamente comprovado pela Secretaria da Receita Federal; que o débito em questão ocorreu em 31/01/2003, à época declarado em DCTF; que embora na visão desse julgador fosse irrelevante, mas que ambos tiveram fatos geradores em datas anteriores à alteração promovida no art. 28 da IN nº 210/02, entendo que ocorreu um mero atraso na entrega da DCOMP, não podendo gerar tamanha onerosidade à Recorrente que desse causa a não homologação total da declaração. Cabe salientar que não houve qualquer procedimento fiscalizatório entre a data da constituição do crédito tributário e a entrega da DCOMP, de modo que o procedimento adotado pelo contribuinte deve ser configurado como denúncia espontânea, prevista no CTN, art. 138, sendo afastada assim a multa imposta pela autoridade administrativa. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 194 7 O procedimento sugerido pela autoridade fiscal e mantido pela DRJ de atualizar o valor do crédito tributário até a data da compensação e do débito até o momento da entrega da DCOMP, com fulcro na IN 210/02, art. 28, com alterações da IN nº 323/03 tem natureza ilegal, pois também afronta o CTN, art. 165, I, com regulamentação na Lei nº 9.430/96, art. 74, § 14. Resta claro no diploma legal que a autorização dada pela norma ordinária à Secretaria da Receita Federal é de disciplinar os procedimentos para compensação dos créditos e débitos, mas nunca de estabelecer onerosidades que confiscam o crédito do contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para determinar a reforma parcial da decisão recorrida e a homologação integral das compensações indicadas. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 195 8 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto ao critério adotado para compensação realizada após 1º de outubro de 2002, ou seja, já na vigência das normas introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996. Conforme relatado, o presente processo surgiu em razão da compensação de dois débitos de IRPJ, vencidos respectivamente em 30/08/2002 e 31/01/2003, com crédito deste mesmo tributo, decorrente de recolhimento indevido verificado em 28/09/2001. Estas duas compensações foram declaradas pela Recorrente na DCOMP n.° 32319.59399.290703.1.3.040986, transmitida em 29/07/2003. A Delegacia de origem reconheceu o direito creditório pleiteado, mas como a DCOMP foi transmitida na vigência da IN SRF n° 323/03, o valor do crédito acabou não sendo suficiente para quitar integralmente os débitos, porque estes sofreram incidência de acréscimos moratórios até a data do envio da DCOMP. A compensação, portanto, foi homologada parcialmente. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, deferiu em parte a manifestação de inconformidade da Contribuinte, para afastar os acréscimos moratórios em relação ao primeiro débito, vencido em 30/08/2002, entendendo que a inclusão deste débito na DCOMP foi desnecessária, porque ele já estava extinto por compensação desde a data de seu vencimento, conforme as regras vigentes àquela época. Deste modo, a controvérsia que remanesceu para análise do CARF diz respeito apenas à compensação do segundo débito, vencido em 31/01/2003. Primeiramente, é preciso registrar que a Lei 10.637/2002 introduziu profundas modificações para os procedimentos de compensação realizados a partir de 1º de outubro de 2002. As novas regras foram inseridas no art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 196 9 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação:(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Não há dúvidas de que até setembro de 2002, os contribuintes podiam realizar compensações entre tributos de mesma espécie na sua própria contabilidade, a chamada autocompensação, independentemente de apresentação de pedido de compensação, de instauração de processo administrativo, etc., enfim, independentemente de maiores formalidades, com base no art. 66 da Lei 8.383/1991. Este, inclusive, foi o fundamento utilizado pela Delegacia de Julgamento para afastar os acréscimos moratórios em relação ao primeiro débito, vencido em 30/08/2002, por considerar que sua quitação por compensação ocorreu nesta mesma data, de acordo com as regras então vigentes. Contudo, este tipo de procedimento não foi mais admitido a partir de 1º de outubro de 2002. Desde então, todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no art. 74 da Lei 9.430/1996 (acima transcritas), especialmente aquela prevista em seu § 1º, segundo a qual, a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. A Declaração mencionada no referido dispositivo legal é justamente a DCOMP, e não qualquer outra. Portanto, a compensação do segundo débito, vencido em 31/01/2003, somente ocorreu em 29/07/2003, com o envio da DCOMP. Diferentemente do entendimento manifestado pelo Conselheiro relator, não considero que esta compensação poderia ter ocorrido antes disso, seja por meio do registro em contabilidade ou apresentação de DCTF, porque em 31/01/2003, data de vencimento do débito, não mais havia essa possibilidade. Com as referidas modificações na Lei 9.430/1996, a Declaração de Compensação DCOMP configurou um instrumento totalmente novo no Direito Tributário, porque a ela foi conferido o efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (§2º do art. 74 da Lei 9.430/1996). A compensação deixou de ser um mero procedimento de encontro de contas a ser homologado pelo Fisco, e se tornou equivalente à quitação por moeda, com efeitos semelhantes àqueles previstos no art. 150 do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação). Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 197 10 No novo e atual contexto, enquanto não apresentada a DCOMP, não há que se falar em realização de compensação. Por conseqüência, é precisamente na data da transmissão da DCOMP que se dá o encontro de contas, e se o débito estiver vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros selic sobre o crédito até esta mesma data. O dia de transmissão da DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Totalmente irrelevante que os fatos geradores relativos ao crédito e ao débito tenham ocorrido antes da vigência da IN SRF 323/2003, porque esta IN não criou nenhuma regra nova, mas apenas explicitou o que já constava da Lei. Com efeito, a referida IN não poderia instituir acréscimos moratórios, como sugere a Recorrente. Os acréscimo moratórios para débitos vencidos já estavam previstos muito antes dessa instrução normativa, precisamente no art. 61 da mencionada Lei 9.430/1996, em sua redação original. Se o débito venceu em 31/01/2003 e sua quitação ocorreu em 29/07/2003, é o próprio art. 61 da Lei 9.430/1996 que prevê a exigência de acréscimos moratórios, e não a IN SRF 323/2003, até porque ela não poderia fazêlo sem que a Lei primeiramente o fizesse. De acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional, “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, (....) autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”, e estas foram as condições definidas pela Lei 9.430/1996, após as alterações da Lei 10.637/2002. Portanto, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida quanto à incidência dos acréscimos moratórios no momento do encontro de contas. Sobre os acréscimos moratórios propriamente ditos, o Conselheiro relator, ao mesmo tempo em que informa que o débito foi declarado em DCTF, suscita a espontaneidade para afastar a multa moratória pelo atraso no pagamento (compensação). Mas o Superior Tribunal de Justiça, ao editar a Súmula 360, em 27/08/2008, consolidou o entendimento de que o instituto da denúncia espontânea não se aplica à mera inadimplência, para fins de afastar a multa de mora: Súmula STJ nº 360: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Sendo assim, também nesse caso divirjo das conclusões do Conselheiro relator. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 198 11 Deste modo, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.009337/00-16
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1992, 1993 e 1994 ANTECIPAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PRAZO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09 DE JUNHO DE 2005. Pedidos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005 estão sujeitos a “tese dos cinco mais cinco”, conforme precedente do STJ, com repercussão geral, que declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005.
Numero da decisão: 1802-001.153
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e devolver a DRF para que proceda com a análise do mérito alegado pela Recorrente.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
ementa_s : IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1992, 1993 e 1994 ANTECIPAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PRAZO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09 DE JUNHO DE 2005. Pedidos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005 estão sujeitos a “tese dos cinco mais cinco”, conforme precedente do STJ, com repercussão geral, que declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005.
numero_processo_s : 10580.009337/00-16
conteudo_id_s : 5760800
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.153
nome_arquivo_s : Decisao_105800093370016.pdf
nome_relator_s : Gustavo Junqueira Carneiro Leão
nome_arquivo_pdf_s : 105800093370016_5760800.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e devolver a DRF para que proceda com a análise do mérito alegado pela Recorrente.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
id : 6901957
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076780620414976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.009337/0016 Recurso nº 159.249 Voluntário Acórdão nº 1802001.153 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de março de 2012 Matéria IRPJ Recorrente NACIONAL IGUATEMI EMPREENDIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Anocalendário: 1992, 1993 e 1994 ANTECIPAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PRAZO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09 DE JUNHO DE 2005. Pedidos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005 estão sujeitos a “tese dos cinco mais cinco”, conforme precedente do STJ, com repercussão geral, que declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e devolver a DRF para que proceda com a análise do mérito alegado pela Recorrente. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.009337/0016 Acórdão n.º 1802001.153 S1TE02 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.009337/0016 Acórdão n.º 1802001.153 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que manteve o indeferimento do pedido efetuado pela Recorrente. O processo tem por escopo, pedido de compensação de débitos de responsabilidade da Recorrente com saldo a restituir relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte correspondente aos anos calendários de 1992, 1993 e 1994, no valor total de 103.051,66 UFIR (cento e três mil, cinqu enta e um inteiros e sessenta e seis centésimos de Unidades Fiscais de Referência), constituído na forma a seguir: Exercício Anocalendário Valor (UFIR) 1993 1992 20.569.52 1994 1993 37.274,46 1995 1994 45.205,71 Foram anexados na instrução do processo os Pedidos de Compensação (fls. 04/05, 74, 81/182 e 86/87), onde figuram os débitos a serem compensados; os demonstrativos de atualização monetária do crédito pleiteado elaborados pela empresa (fls. 06/08, 76/80 e 83/85), e as cópias das declarações de rendimentos dos exercícios de 1993 a 1995 (fls. 14/58). Às fls. 02/03 a Recorrente alega ser detentora de crédito relativo ao imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos auferidos durante os anos calendários de 1992 a 1994 e que tal fato já havia sido comunicado à Receita Federal em petição datada de 29/10/98 através da qual postulou a revisão de oficio de débitos referentes ao IRPJ do ano calendário de 1996, inscritos em Divida Ativa da União no processo n° 10580.243621/9842 (fls. 09/13). Tendo recebido o pleito, a DRF em Salvador (BA) proferiu o despacho decisório n° 19, de 25 de janeiro de 2006 (fls. 94/97), indeferindo o pedido sob a justificativa de ter ocorrido a decadência do direito de solicitar a compensação/restituição, com base nos artigos 165 e 168 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), com a previsão do prazo máximo de 5 anos para interposição da petição. Por tal motivo, não foram apreciadas as demais razões de mérito. Inconformada com a solução dada ao seu pedido, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade tempestiva de fls. 103/108, argumentando, em síntese, o seguinte: 1) o IRRF arrolase entre aquelas exações apuradas e recolhidas diretamente pelo próprio contribuinte sujeitandose ao posterior lançamento homologatório, ocasião em que ocorre a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 142 c/c artigo 150 do CTN; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.009337/0016 Acórdão n.º 1802001.153 S1TE02 Fl. 39 4 2) no lançamento por homologação, a extinção somente ocorre após a homologação, que, se tácita, reputase ocorrida em cinco anos a contar do fato gerador; 3) transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça favorável à sua tese; 4) a nova interpretação à questão do prazo para os contribuintes requererem a restituição/compensação de créditos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação trazida pela Lei Complementar 118/2005 entrou em vigor apenas em 09 de junho de 2005, citando julgado do STJ com esse entendimento. A DRJ de Salvador (BA) manteve o indeferimento da solicitação efetuada pelo contribuinte, expressando suas conclusões na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1992, 1993, 1994 Ementa: RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Extinguese em cinco anos, contados da data do recolhimento, o prazo para pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, recolhido indevidamente ou em valor maior que o devido. Solicitação Indeferida” Ciente da decisão em 29/12/2006, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo a este Conselho, reiterando as alegações inciais e rebatendo os pontos alegados pela DRJ de Salvador (BA) que indeferiu o seu pleito. O processo em 14/06/2007 foi encaminhado para o Primeiro Conselho de Contribuintes que declinou da competência por entender que não se tratava de Imposto Retido na Fonte (IRRF), mas de Saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). O despacho assim está instruído: “No entanto, entendo que falece competência a este Colegiado para o julgamento da questão, pois, salvo melhor juizo, a hipótese dos autos está relacionada a pedido de restituição de saldo negativo do IRPJ, relativo aos exercícios 1993, 1994 e 1995. Isso porque nos termos do § 1°, do artigo 23, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, "§ 1°. A competência para o julgamento de recurso voluntário em processo administrativo de apreciação de compensação é definida pelo crédito alegado." O crédito, reitero, referese a saldo negativo de IRPJ.” Este é o Relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.009337/0016 Acórdão n.º 1802001.153 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Como já relatado, tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que manteve o indeferimento do pedido efetuado pela Recorrente, que almeja compensar débitos de responsabilidade da Recorrente com saldo a restituir relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) correspondente aos anos calendários de 1992, 1993 e 1994, no valor total de 103.051,66 UFIR (cento e três mil, cinqu enta e um inteiros e sessenta e seis centésimos de Unidades Fiscais de Referência). A argumentação dada para o indeferimento do pedido pela DRJ de Salvador (BA) sob a justificativa de ter ocorrido a decadência do direito de solicitar a compensação/restituição, não deve prosperar, senão vejamos. As retenções de IRRF durante os anoscalendários em questão foram meras antecipações do imposto devido, sendo certo que naquelas ocasiões não houve qualquer extinção de crédito tributário, eis que o lançamento sequer havia sido constituido. Tanto essa premissa é verdadeira que os valores retidos são classificados nas contas do ativo da empresa, permanecendo nessa rubrica até que seja feita a declaração final de ajuste. Assim, em se tratando de recolhimento por estimativa, o fato gerador do tributo ocorre em 31 de dezembro do anocalendário de correspondência, conforme já decidiu por unanimidade a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0106.000, de 12/8/2008, Relator Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes). Sobre o tema da repetição de indébito tributário, dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.009337/0016 Acórdão n.º 1802001.153 S1TE02 Fl. 41 6 Diante dos textos legais acima transcritos, concluise que o dia 31 de dezembro de 1992, 1993 e 1994 efetivamente deve ser considerado como o termo inicial para contagem do prazo decadencial para pleitear restituição, sendo que o Pedido de Restituição/ Compensação no dia 31 de outubro de 2000 (fl. 1). A principal razão das negativas, tanto da DRF, quanto da DRJ foi o esgotamento do prazo para a apresentação do pedido de restituição, conforme interpretação que era adotada à época pela Administração Tributária, relativamente aos dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam dessa matéria. Entretanto, na Sessão Plenária de 04/08/2011, ao julgar o RE 566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, matéria de repercussão geral, o STF por maioria de votos declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, validando, deste modo, a chamada “tese dos cinco mais cinco” do STJ, a ser aplicada aos procedimentos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e devolver a DRF para que proceda com a análise do mérito alegado pela Recorrente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 195DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
