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Numero do processo: 14120.000046/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR.
É devida a contribuição do empregador pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, para o Serviço Nacional Rural, calculada sobre a receita bruta proveniente da venda de produtos rurais.
CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE
A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº
363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos
após a Emenda Constitucional nº 20/98.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.511
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que votaram pelo provimento do recurso.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. É devida a contribuição do empregador pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, para o Serviço Nacional Rural, calculada sobre a receita bruta proveniente da venda de produtos rurais. CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. É devida a contribuição do empregador pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, para o Serviço Nacional Rural, calculada sobre a receita bruta proveniente da venda de produtos rurais. CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que votaram pelo provimento do recurso. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 19/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000046/200913 Acórdão n.º 230201.511 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente levantamento de contribuições destinadas ao SENAR, incidentes sobre a comercialização de produção rural apuradas com base nas notas fiscais de entrada, no período de 01/2005 a 12/2005. O auto de infração foi lavrado em 01/04/2009 e cientificado ao sujeito passivo na mesma data. Após a impugnação, Acórdão de fls. 94/105, julgou procedente a exação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso argüindo, em síntese: a) que o AI foi lavrado com fundamentação genérica e incompleta; b) que a instância administrativa deve apreciar a inconstitucionalidade das leis e o artigo 30, inciso IV da Lei n.º 8.212/91 é inconstitucional; c) que não pode vislumbrar como foram aplicados os juros e multas. Requer a reforma da decisão para anular o Auto de Infração, que não obriga a empresa a recolher as contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo a seu exame. A recorrente argúi que a fundamentação exposta no auto de infração é genérica e que por decorrência não pode vislumbrar a aplicação do juros e da multa. Informo à recorrente que o discriminativo Fundamentos Legais do Débito às fls. 11 e 12 do processo traz todos os dispositivos legais que sustentaram o crédito lançado, por rubrica e por competência, estando expresso o artigo legal que ampara a multa aplicada, assim como consta expressamente que os juros foram aplicados com base na SELIC, se tornando inócua a alegação. Quanto ao fato de que o Contencioso Administrativo deve apreciar a inconstitucionalidade das leis, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000046/200913 Acórdão n.º 230201.511 S2C3T2 Fl. 3 5 Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Especificamente, quanto a alegação de inconstitucionalidade do artigo 30, inciso IV da Lei n.º 8.212/91, que impõe à empresa adquirente às obrigações do empregador rural pessoa física e segurado especial, no que se refere as exações do artigo 25 da mesma lei, tenho a expor o seguinte: Recentemente o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal – STF, julgou o Recurso Extraordinário n.º 363852, declarando inconstitucional a exação tributária do artigo 1º da Lei n.º 8540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VIII, 25, I e II e artigo 30, IV da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n.º 9.528/97. Entretanto, o julgado ressalva “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n.º 20/98, venha a instituir a contribuição...”. No caso presente, o lançamento se refere à contribuição para o SENAR incidente sobre a comercialização dos produtos rurais adquiridos de produtor rural pessoa física, no período de 01/2005 a 12/2005, quando já estava em vigor a Emenda Constitucional n.º 20, de 15/12/12998, que incluiu a receita e o faturamento como base de incidência contributiva previdenciária. Portanto, é de se asseverar que a recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal pela inconstitucionalidade formal do artigo 25 da Lei n.º 8.212/91, não se aplica ao presente processo, já que a Lei n.º 10.256/2001, apesar de Ordinária, é suficiente para respaldar o lançamento após a EC n.º 20/98. Inclusive, no anexo Relatório de Fundamentos Legais do Débito às fls.11 e 12, verificase que a contribuição foi lançada com fundamento nos dispositivos da redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Sobre a questão peço licença e reproduzo o voto da ilustre Conselheira Ana Maria Bandeira, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que já abordou a questão, cujos fundamentos passo a adotar: É sabido que está em julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Ou seja, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não estava albergada na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97. Tal inconstitucionalidade residiria no fato de que seria necessária lei complementar para a instituição da contribuição incidente sobre a comercialização da produção do empregador rural pessoa física. Esta exigência decorreria do art. 195, §4º, da Carta Magna Até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável. Assim, a Lei nº 8.540/1992 ao instituir contribuições sobre receita bruta sobre a comercialização da produção dos produtores rurais pessoas físicas levou ao questionamento sobre sua constitucionalidade, culminando com a decisão plenária do STF no julgamento do RE 363.852. No entanto, a Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao art. 195, inciso I da CF/88, a qual passou a dispor que: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000046/200913 Acórdão n.º 230201.511 S2C3T2 Fl. 4 7 serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Como se vê, a partir da EC nº 20/1998, a própria Constituição Federal passa a admitir a receita como base tributável para as contribuições previdenciárias. Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Cumpre enfatizar que o fundamento jurídico adotado pelo Relator no julgamento do RE 363.852 demonstra que apenas foi abordada a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei 8.212/91 conferida pela Lei 8.540/92, não havendo apreciação da constitucionalidade da redação atual do art. 25 da Lei de Custeio, conferida pela Lei 10.256/01 e, segundo o Ministro Marco Aurélio, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC 20/98 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, ao menos no que tange à necessidade de Lei Complementar para sua instituição, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito: ...conheço e dou provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. (g.n.) Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Asseverese que a contribuição lançada com fulcro no dispositivo com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 já teve a constitucionalidade confirmada pelo Judiciário conforme se depreende da decisão abaixo colacionada: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) No presente caso, a contribuição cuja omissão em GFIP levou à lavratura do presente Auto de Infração, referese a período posterior à edição da Lei nº 10.256/2001, portanto, sob a vigência da mesma. Além disso, no anexo Relatório de Fundamentos Legais do Débito que ampararam o lançamento da obrigação principal correspondente, cujo recurso também foi objeto de análise por parte desta conselheira, verificase que a contribuição foi lançada com fundamento nos dispositivos já na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Assim, a meu ver, não há que se sobrestar os presentes autos em razão de não estarmos diante recurso que se enquadre no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Portanto, no período lançado neste auto de infração de obrigações principais a contribuição relativa ao SENAR, criado pela Lei 8.315, de 23 de dezembro de 1991, nos termos do artigo 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que determinou sua criação nos moldes do SENAI e SENAC, sendo, posteriormente, regulamentado pelo Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, com alterações introduzidas pelo Decreto 790/93, e pelas Leis 9528/97, e 10.256/2001. está expressamente prevista no ordenamento jurídico posterior à Emenda Constitucional n.º 20/98, não cabendo o afastamento da exação pelo argumento de inconstitucionalidade. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000046/200913 Acórdão n.º 230201.511 S2C3T2 Fl. 5 9 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13807.010402/00-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Renda de Pessoa Física
Exercício: 1996
ISENÇÃO DIREITO ADQUIRIDO GANHO
DE CAPITAL Decretolei 1.510/76.
Lei superveniente pode revogar a outorga de isenção, para fatos meramente com expectativa de direito, sem a efetiva ocorrência do fato gerador, para incidência do tributo, desde que não subordinada sua fruição a qualquer condição.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.544
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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Lei superveniente pode revogar a outorga de isenção, para fatos meramente com expectativa de direito, sem a efetiva ocorrência do fato gerador, para incidência do tributo, desde que não subordinada sua fruição a qualquer condição. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 EDITADO EM: 15/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente – Substituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em 01/03/2007, a então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 106-16.146 [fls.259-271] que decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte: ISENÇÃO DIREITO ADQUIRIDO GANHO DE CAPITAL Decretolei 1.510/76. Lei superveniente pode revogar a outorga de isenção, para fatos meramente com expectativa de direito, sem a efetiva ocorrência do fato gerador, para incidência do tributo, desde que não subordinada sua fruição a qualquer condição. Recurso provido. Inconformada com o r. acórdão supracitado, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial, com fulcro no art. 7º, I, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n. 47/2007) – fls. 276/284. A r. PGFN alega que o decisum recorrido contraria o art. 178 do CTN, visto que o art. 4º, “d”, do DecretoLei n. 1.510, de 1976, em que o contribuinte fundamenta seu direito a isenção, foi revogado pela Lei n. 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975). Ato contínuo, a então Presidente da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em análise de admissibilidade, proferiu Despacho de n° [fls.285286], que deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade. Ciente do acórdão e do Recurso Especial da Fazenda, o Contribuinte apresentou contrarazões (fls. 291/310) que ratifica os termos dispostos no acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13807.010402/0052 Acórdão n.º 920201.544 CSRFT2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência entre as decisões, pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda. Segundo consta dos autos, tratase de pedido de restituição referente a parte correspondente a 84,5627% do imposto de renda recolhido na venda das ações da OSA S/A, pelo motivo de que foram adquiridas anteriormente ao prazo de cinco anos contados da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, é evidente que o Contribuinte tinha direito a nãoincidência do IRPF: Art. 4° Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1°: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação Considerando que a subscrição ocorreu em 1982 (com integralização até janeiro/1983), é evidente que o Contribuinte havia cumprido, antes da mudança da regra (31/12/88, com a Lei 7713), a condição para que o IRPF não incidisse sobre o ganho de capital na venda de suas quotas, qual seja: alienar a participação após 5 anos de sua subscrição ou aquisição (passaram mais do que 5 anos entre a doação das ações e a entrada em vigor da Lei 7713); Assim, se cumprida a condição dos 5 anos, tinha o Contribuinte o direito adquirido de não recolher o imposto na ocasião da venda das ações correspondentes à 84,5627% de sua participação na OSA S/A; Isto porque não se trata, no caso, de hipótese de retirada de competência para instituição de tributo sobre determinado fato jurígeno. E, neste ponto, realmente, a norma isencional em questão se aplica ao momento de ocorrência de eventos relativos à alienação de ações. Alegase, para justificar o afastamento de sua aplicação, por revogação na forma do CTN, que não havia condição onerosa. Porém, entendo que tal condição está presente, uma vez que, para sua fruição, era requisito essencial a aquisição ou a subscrição de capital de Sociedade. Entendo ser esta uma condição de cunho eminentemente econômico, uma vez que aquele que comprometesse recursos com sociedades, seja adquirindo participação de terceiros, seja comprometendoos com a própria Sociedade, para que estas desenvolvessem suas atividades, fariam jus à isenção na hipótese de venda com ganho de capital. Vincular a fruição da isenção, ainda, à circunstância de ter sido instituída por prazo certo, seria não privilegiar no mínimo a segurança jurídica e o princípio da moralidade da Administração, posto que o legislador poderia acenar com determinado beneficio, restar Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 satisfeito com o cumprimento da obrigação pelo contribuinte e, após, simplesmente extinguir a contrapartida originariamente oferecida. Dessa forma, o contribuinte procedeu a comprovação dos fatos por meio de documentos hábeis a tal finalidade e a DRJ não apresentou qualquer questionamento quanto à legitimidade da situação fática exposta no que diz respeito à titularidade e período que as ações da empresa ficaram em poder do recorrente, a alienação referida e o valor de IRPF recolhido. Portanto, voto por conhecer do recurso, para no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10768.906197/2006-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/07/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO. “CINCO MAIS
CINCO”.
Anteriormente à vigência da Lei Complementar no 118, de 2005, o prazo para
pedido de restituição e, portanto, para determinar se um crédito é ou não
compensável era de cinco anos, contados da data de homologação tácita de
lançamento (“cinco mais cinco”), conforme entendimento pacífico do STJ,
referendado pelo Supremo Tribunal Federal.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/07/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. DARF. ERRO NA
INFORMAÇÃO.
O erro nas informações do Darf constante da declaração de compensação não
é motivo suficiente para não homologação da compensação efetuada.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.266
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/07/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO. “CINCO MAIS CINCO”. Anteriormente à vigência da Lei Complementar no 118, de 2005, o prazo para pedido de restituição e, portanto, para determinar se um crédito é ou não compensável era de cinco anos, contados da data de homologação tácita de lançamento (“cinco mais cinco”), conforme entendimento pacífico do STJ, referendado pelo Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. DARF. ERRO NA INFORMAÇÃO. O erro nas informações do Darf constante da declaração de compensação não é motivo suficiente para não homologação da compensação efetuada. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/07/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO. “CINCO MAIS CINCO”. Anteriormente à vigência da Lei Complementar no 118, de 2005, o prazo para pedido de restituição e, portanto, para determinar se um crédito é ou não compensável era de cinco anos, contados da data de homologação tácita de lançamento (“cinco mais cinco”), conforme entendimento pacífico do STJ, referendado pelo Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. DARF. ERRO NA INFORMAÇÃO. O erro nas informações do Darf constante da declaração de compensação não é motivo suficiente para não homologação da compensação efetuada. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Fl. 75DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10768.906197/200678 Acórdão n.º 330201.266 S3C3T2 Fl. 76 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 48 a 57) apresentado em 21 de janeiro de 2009 contra o Acórdão no 1322.059, de 30 de outubro de 2008, da 4ª Turma da DRJ/RJO II (fls. 40 a 45), cientificado em 22 de dezembro de 2008, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de 30 de julho de 2003, indeferiu a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/07/2003 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO Poderão constar de um Pedido Eletrônico de Restituição ou de uma Declaração de Compensação dados relativos a apenas um pagamento indevido ou a maior (dados de apenas um DARF). RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito do contribuinte pleitear a restituição de contribuição paga em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada A declaração de compensação foi transmitida em 30 de julho de 2003. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo do PER/Dcomp nº 19004.98642.300703.1.3.046510, fls. 5 a 9, por meio do qual a interessada pleiteia a compensação de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior da Cofins, no valor de R$ 928,86, com débito da CSLL relativa ao 2º trimestre de 2003. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária DERAT/RJ, por meio do despacho decisório de fl. 2, não homologou a compensação pleiteada e determinou a cobrança dos débitos indevidamente compensados. Cientificada do despacho, a interessada inconformada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 12 e 13, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela Fl. 76DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10768.906197/200678 Acórdão n.º 330201.266 S3C3T2 Fl. 77 3 DERAT, alegando que o despacho proferido preteriu flagrantemente seu direito de defesa, na medida em que desconsiderou a resposta apresentada ao Termo de Intimação 628931158, pela qual foi esclarecida a origem do crédito utilizado na compensação, bem como apresentados os DARF correspondentes a esse crédito (fls. 33 a 37). Argumenta que o crédito utilizado na Dcomp referese a pagamento a maior de Cofins relativo ao período de apuração dezembro de 1993. Para este período foram efetuados os pagamentos anexados à folha 37, nos valores originários de CR$ 1.495.050,13 (7.493,61 UFIR) e CR$ 5.666.805,61 (31.050,99 UFIR), recolhidos em 07/01/1994 e 30/12/1993, respectivamente. Como o débito declarado (fl. 35) totalizou 38.103,13 UFIR, apurou indébito no valor de 439,47 UFIR, que em junho de 2003 equivalem a R$ 928,86. No recurso, a Interessada alegou ser nulo o processo a partir do despacho decisório, uma vez que o referido despacho teria cerceado o direito de defesa da defendente e desconsiderado a resposta apresentada ao termo de intimação. O acórdão da DRJ teria, ademais, deixado de manifestarse a respeito da questão. No mérito, alegou que o crédito teria sido plenamente identificado e que a inobservância de requisitos formais teria sido superada com a resposta apresentada. Alegou, ainda, aplicarse o princípio da informalidade moderada e requereu a aplicação do princípio da verdade material. A seguir, tratou dos pagamentos a maior da Cofins do período de dezembro de 1993, afirmando que o crédito utilizado na declaração transmitida em 30 de julho de 2003 não teria sido abrangido pela decadência, por se aplicar o prazo de “cinco mais cinco”. Por fim, requereu a análise de toda a matéria discutida no prazo, caso fosse afastada a decadência. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Preliminarmente, discutese a nulidade do despacho e do acórdão de primeira instância. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10768.906197/200678 Acórdão n.º 330201.266 S3C3T2 Fl. 78 4 Ao contrário do alegado pela Interessada, o acórdão de primeira instância não tergiversou sobre a matéria, descrevendo precisamente o que ocorreu, conforme abaixo reproduzido: A impugnante informou no PER/Dcomp crédito a compensar originário de pagamento indevido ou maior de Cofins, para o período de apuração 31/12/1993, com vencimento em 30/07/2003 e arrecadado nesta mesma data. Tal pagamento não foi localizado nos sistemas da RFB, o que motivou a expedição do Termo à folha 32, intimando a contribuinte a retificar o PER/Dcomp, caso houvesse erro nos dados informados, ou, se corretos os dados, comparecer a uma unidade da RFB com o original do DARF informado. Em resposta, a impugnante apresentou, em 07/11/2006, a correspondência anexada à folha 33, na qual informa que o crédito utilizado na Dcomp referese a pagamento a maior de Cofins relativo ao período de apuração dezembro de 1993. Para este período foram efetuados os pagamentos anexados à folha 37, recolhidos em 30/12/1993 e 07/01/1994. O “Ajuda” do programa gerador da PER/Dcomp traz a seguinte orientação acerca do preenchimento da Declaração para créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior: Ficha Pagamento Indevido ou a Maior Essa ficha será disponibilizada ao contribuinte, dentro da pasta “Crédito”, na hipótese de elaboração de Pedido Eletrônico de Restituição ou de Declaração de Compensação de crédito relativo a tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, lançado ou não lançado de ofício, inclusive multa e juros moratórios exigidos isoladamente ou juntamente com o tributo ou contribuição, que não tenha sido objeto de reconhecimento judicial. Ressalvados os casos de pagamento indevido ou a maior de quotas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), poderão constar de um Pedido Eletrônico de Restituição ou de uma Declaração de Compensação dados relativos a apenas um pagamento indevido ou a maior (dados de apenas um DARF). (grifei) Como se vê, a impugnante deveria ter apresentado uma PER/Dcomp para cada DARF considerado indevido, e não consolidálos em um único pagamento fictício que obviamente não seria localizado nos sistemas de controle. Assim, correta a motivação da não homologação. Entretanto, ainda que a impugnante encaminhasse uma PER/Dcomp para cada um dos pagamentos considerados indevidos, tais declarações seriam igualmente não homologadas. Portanto, o Darf informado era simplesmente inexistente. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10768.906197/200678 Acórdão n.º 330201.266 S3C3T2 Fl. 79 5 Mas, considerando os esclarecimentos prestados pela Interessada, qual seria, então, o próximo passo a ser dado no âmbito do processo? Exatamente as análises efetuadas pela DRJ, relativamente ao mérito do pedido, concluindo que já se haveria esgotado o prazo. Não houve, assim, nulidade nem do despacho, nem do acórdão. Quanto ao prazo para o pedido, cabe razão à Interessada, pois o prazo estabelecido pelo art. 150, § 4º, do CTN foi alterado pela Lei Complementar no 118, de 2005. No Recurso Extraordinário no 566.621, apresentado pela União contra decisão do Tribunal Regional Federal da 1a Região, o STF reconheceu a repercussão geral da matéria. O recurso foi julgado em 04 de agosto de 2011, estabelecendo que a disposição do art. 3º da referida LC somente se aplicaria a partir da sua vigência, que ocorreu 120 dias após a publicação, que ocorreu em 10 de fevereiro de 2005. Somente aos pedidos apresentados após a vigência é que se aplicaria o novo prazo. Como o STJ decidiu, em sede de recurso repetitivo, que o prazo seria de “cinco mais cinco”, então, por força dos arts. 62 e 62A do Regimento Interno, tal entendimento tem que ser aplicado pelo Carf. Referindose os Darf ao período de dezembro de 1993, a homologação tácita ocorreu em 31 de dezembro de 1998, esgotandose o prazo para restituição em 31 de dezembro de 2003. Portanto, não houve perda de prazo. Resta, então, analisar a matéria relativa ao procedimento adotado pela Interessada, de informar um Darf fictício em vez de apresentar duas declarações de compensação, cada uma relativamente a um dos Darf. É descabida a consideração da DRJ de que teriam que ser apresentadas duas DCOMP. De fato, o saldo de crédito pleiteado referese tãosomente a parte do segundo Darf recolhido e não aos dois. Dessa forma, simplesmente a Interessada cometeu um erro ao informar os dados relativos ao segundo Darf, não havendo erro na formalização do pedido. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para declarar a homologação da compensação efetuada, que deverá ser efetivada com o saldo do segundo Darf recolhido. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 79DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10768.906197/200678 Acórdão n.º 330201.266 S3C3T2 Fl. 80 6 Fl. 80DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10830.005910/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Confirmado o pagamento vinculado a débito declarado em DCTF, cancela-se a exigência fiscal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SEMANA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de
apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DCTF.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2102-001.768
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. Confirmado o pagamento vinculado a débito declarado em DCTF, cancela-se a exigência fiscal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SEMANA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DCTF. Recurso de Ofício Negado.
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FALTA DE RECOLHIMENTO. Confirmado o pagamento vinculado a débito declarado em DCTF, cancelase a exigência fiscal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SEMANA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DCTF. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 02/02/2012 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.005910/200311 Acórdão n.º 210201.768 S2C1T2 Fl. 208 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra IBM GLOBAL SERVICES LTDA foi lavrado Auto de Infração, fls. 10/51, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), relativa ao primeiro, segundo e quarto trimestres de 1998, no valor total de R$ 2.272.362,73, incluindo multa de ofício, juros de mora e multa e juros isolados. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram falta de recolhimento (anexo III do Auto de Infração, fls. 47) e recolhimentos efetuados fora do prazo legal (anexo IV do Auto de Infração, fls. 48/51). Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/05, esclarecendo que não houve falta de pagamento ou pagamento em atraso e que o lançamento resultou de erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, improcedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/CPS nº 0528.145, de 04/02/2010, fls. 199, e recorreu de ofício de sua decisão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/03/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 201. É o Relatório. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.005910/200311 Acórdão n.º 210201.768 S2C1T2 Fl. 209 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. Do relatório acima, verificase, em resumo, que a autuação se deu em razão de auditoria interna na DCTF, apurandose (i) falta/insuficiência de recolhimento de IRRF e (ii) recolhimento de IRRF com atraso, desacompanhado da multa e dos juros de mora. Na impugnação, a contribuinte esclareceu que o lançamento decorreu de erro de preenchimento da DCTF e que todos os pagamentos foram efetivados dentro do prazo legal. De acordo com a decisão recorrida, em relação ao crédito tributário apurado, conforme anexo III do Auto de Infração, fls. 47, temse que: Conforme relatório de auditoria interna de pagamentos informados na DCTF, fls 12/13, não foram localizados os seguintes pagamentos: Cód. Rec. Per. Apuração Vencimento Vl. Informado DCTF Vl. Confirmado Vl. não confirmado 0588 0506/98 08/07/98 5.798,46 3.195,20 2.603,26 1708 0506/98 08/07/98 98.121,30 14.536,04 83.585,26 Ocorre que os DARF juntados por cópia às fls. 57 e 59 atestam o recolhimento exatamente nos valores/datas de vencimento indicados nas respectivas DCTF (R$ 5.798,46 e R$ 98.121,30). Logo, não pode prosperar o crédito tributário exigido da contribuinte, no que se refere ao anexo III do Auto de Infração. Já no que concerne ao crédito tributário apurado no anexo IV do Auto de Infração, decorrente de recolhimentos de IRRF com atraso, desacompanhado da multa e dos juros de mora, importa observar que conforme disposto no art. 83, inciso I, “d”, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o pagamento do IRRF deverá ser efetuado até o terceiro dia útil da semana subseqüente à de ocorrência dos fatos geradores. Importa, ainda, saber que para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Dos documentos acostados aos autos pela contribuinte, na fase de impugnação e durante a diligência, verificase que assiste razão à defesa quando afirma que houve erro de preenchimento da DCTF. Na verdade, a contribuinte tomou as semanas incorretamente, pois deixou de considerar que a semana começa no domingo e termina no Fl. 355DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.005910/200311 Acórdão n.º 210201.768 S2C1T2 Fl. 210 4 sábado e que o mês têm tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Ou seja, para o mês de agosto de 1998, por exemplo, a primeira semana foi de 26/07/1998 (domingo) a 01/08/1998 (sábado). Tomese como exemplo, o valor de R$ 4.176,72 informado na DCTF como 1ª semana de maio de 1998. No DARF, fls. 62, está indicado período de apuração 09/05/1998, que corresponde a 2ª semana de maio de 1998 (03/05/1998 a 09/05/1998). Logo, o prazo para o recolhimento (até o terceiro dia útil da semana subseqüente à de ocorrência dos fatos geradores) se esgotou em 13/05/1998, data em que a contribuinte efetuou o recolhimento. O mesmo fato se repete para os demais débitos registrados no anexo IV. Portanto, também, não pode prosperar o lançamento, no que se refere aos créditos tributários listados no anexo IV do Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 356DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007192/2006-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-001.192
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso suscitada pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Valmar Fonseca de Menezes e Alberto Pinto Souza Júnior. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Susy Gomes Hoffmann. Designado
para redigir o voto vencedor o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1986; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.007192/200621 Recurso nº 10.815.9430 Especial do Contribuinte Acórdão nº 910101.192 – 1ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2011 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente S. SANTOS ASSESSORIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso suscitada pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Valmar Fonseca de Menezes e Alberto Pinto Souza Júnior. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Redator designado. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 8/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS , Assinado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.007192/200621 Acórdão n.º 910101.192 CSRFT1 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo contribuinte em face do Acórdão n° 10809.826, proferido pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ, e CSLL, relativo ao anocalendário de 2002, em razão da omissão de receitas escrituradas e não declaradas pelo contribuinte. O contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgado o lançamento procedente em parte. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão nº 10809.826, o qual, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, negou provimento ao recurso, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO ACÓRDÃO Rejeitase preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância que negou pedido de perícia, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento ao direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INDEFERIMENTO DE PERICIA O pedido de realização de perícia está sujeito ao que determina o inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. Além disso, ela também se submete a julgamento, não implicando deferimento automático, mormente quando a negativa é fundamentada na inexistência de início de prova que a justificasse. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS – CONFRONTO ENTRE DADOS DA DECLARAÇÃO E DA ESCRITURAÇÃO Caracteriza a ocorrência de omissão no registro de receitas a constatação de diferença entre o total das receitas informado nas declarações entregues à Receita Federal do Brasil em confronto com aquele escriturado, mormente quando ela não é contestada pela autuada. INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 8/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS , Assinado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.007192/200621 Acórdão n.º 910101.192 CSRFT1 Fl. 3 3 atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC – JUROS DE MORA PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula n° 04 do 1° Conselho de Contribuintes. MULTA DE OFÍCIO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO A multa de ofício constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, não se aplicando a ela o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. CSLL LANÇAMENTO DECORRENTE – O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Em face do acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Especial (fls. 598/652), reiterando todos os argumentos de seu Recurso Voluntário. Entretanto, conforme se verifica do Despacho de fls. 654/655, o contribuinte apenas apresentou divergência quanto à incidência de juros sobre multa, única matéria a que foi dado seguimento ao Recurso Especial. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 658/668, alegando que o crédito tributário não pago no vencimento inclui principal e multa, pelo que nela incidiriam os juros. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo, e estando devidamente demonstrada a divergência, foi determinado seu seguimento em juízo de admissibilidade no tocante à incidência de juros sobre a multa de ofício, pelo que, nesse aspecto, dele conheço. Cumpre inicialmente fazer uma análise da legislação que regula a matéria. A aplicação de taxa de juros lastreada em indicadores do mercado financeiro foi, inicialmente, determinada pela Lei n° 8.981/95, por meio do art. 84, que assim dispunha: Art 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.) Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 8/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS , Assinado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.007192/200621 Acórdão n.º 910101.192 CSRFT1 Fl. 4 4 A taxa referida pelo artigo 84 da Lei nº 8.981/95 foi substituída pela taxa SELIC, conforme se verifica pela leitura do disposto no artigo 13 da Lei n° 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei n°8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n°8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°8.981, de 1995, o art. 84, inciso 1, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Por fim, a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 61 passou a dispor que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidirão juros de mora à taxa SELIC, leiase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Partindo do disposto no referido artigo, a discussão centrouse na interpretação da expressão débitos decorrentes de tributos e contribuições. A d. Porcuradoria da Fazenda Nacional defende que a multa de oficio também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. No entanto, este Conselho Administrativo, por meio de diversos julgados – Acórdão nº 140200.213, sessão de 06/07/2010 e Acórdão nº 10709526, sessão de 16/10/2008, por exemplo – interpretando a citada expressão do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, asseverou o seguinte: “Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata.” Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 8/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS , Assinado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.007192/200621 Acórdão n.º 910101.192 CSRFT1 Fl. 5 5 Em outras palavras a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 refere se à incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão dos referidos acórdãos, dentre outros, foi no sentido de que juros de mora só incidem sobre as multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A meu ver não poderia ser outra a conclusão e, nesse ponto, reforçoa a partir de duas premissas básicas. A uma, tributo não se confunde com penalidade, porquanto o ordenamento jurídico é regido sistemicamente pelos códigos lícito/ilícito e claramente assevera que o tributo é devido por motivo lícito, sendo jamais cobrado por motivação ilícita. A ilicitude não é per si suporte fático tributário. Já a penalidade é devida em razão da prática de uma ilicitude, por exemplo, pelo pagamento em atraso, pelo não pagamento ou pela não declaração. É bem verdade que o crédito tributário pode corresponder à cobrança de um tributo ou de uma penalidade, mas é o ordenamento jurídico que diz quando ele toma para incidência de juros de mora o tributo ou a penalidade, ou ambos. A duas, porque o crédito tributário não pode ser cobrado senão ex lege, cumprindo ao julgador preservar o direito subjetivo do contribuinte de ser cobrado apenas e tão somente na medida da lei, que deve ser interpretada segundo todo o contexto jurídico em que inserida. Ora, é nesse contexto que vislumbramos que o ordenamento tratou, para efeito de incidência dos juros de mora calculados à taxa SELIC, o termo débitos para com a União (artigo 61 da Lei nº 9.430/96), quando decorrente de tributos e contribuições, não abarcando a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, ao mesmo tempo em que tratou da incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário (artigo 43 da Lei nº 9.430/96) que formaliza exigência exclusiva de multa ou juros de mora cobrados isoladamente ou estes em conjunto. Enfim, a distinção é clara. Incide juros de mora sobre tributo, aí incluídas as contribuições, e sobre os lançamentos exclusivamente de multa (isolada) e/ou juros de mora. Com relação à interpretação dos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430/96, importante, ainda, apontar relevante consideração feita em alguns julgados deste Conselho Administrativo (por exemplo no Acórdão nº 10422.508, sessão de 13/06/2007), no sentido de que “se a expressão ‘débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições’ constante no ‘caput’ do artigo 61 contemplasse também a multa de oficio, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 8/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS , Assinado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.007192/200621 Acórdão n.º 910101.192 CSRFT1 Fl. 6 6 de oficio lançada isoladamente nos termos do ‘caput’ do artigo já decorreria diretamente do artigo 61.” Por fim, peço vênia também para reproduzir as conclusões da Conselheira Sandra Maria Faroni, no Acórdão nº 110200.060 (sessão de 28/08/2009), que resumem os argumentos que concluem pela não incidência dos juros sobre a multa de ofício: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. De mais a mais, a fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: "JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 8/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS , Assinado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.007192/200621 Acórdão n.º 910101.192 CSRFT1 Fl. 7 7 sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005)". "JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007)”. “INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008)”. No mesmo sentido, foi recentemente julgado acórdão de minha relatoria sobre o mesmo tema por esta colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão CSRF/910100.706, sessão de 08/11/2010. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. Sala das Sessões,. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Voto Vencedor Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, Redator Designado Com a devida vênia, ouso divergir do entendimento manifestado pela nobre Relatora quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa lançada de ofício. O cerne da discussão submetida à apreciação deste Colegiado cingese em saber se à luz das normas vigentes, é cabível a incidência dos juros de mora sobre a multa lançada de ofício. Em seu arrazoado, a i. Conselheira sustenta ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, com base no abaixo transcrito art. 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 8/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS , Assinado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.007192/200621 Acórdão n.º 910101.192 CSRFT1 Fl. 8 8 Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...)” Ao que me parece, os “débitos” de que cuida o caput da norma não são “referentes a”, mas sim “decorrentes de” tributos e contribuições administrados pela SRF. O termo “débitos”, na acepção jurídica empregada pelo legislador, deve ser entendido à luz do Código Tributário, no sentido de que se equivale à “obrigação tributária principal”, relativa aos tributos e contribuições administrados pela SRF. A “obrigação tributária principal” tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, sendo forçoso concluir que os “débitos” para com a União, referenciados pelo aludido art. 61, abrange não somente os tributos, mas também as penalidades correspondentes. Como se verifica pelo disposto no Código Tributário, a “obrigação tributária principal” compreende não só o tributo, mas também a penalidade pecuniária. É isso que se depreende do art. 113, § 1º do CTN, cuja redação merece ser transcrita, verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...)” (destacouse) Ora, a multa lançada de ofício constitui uma penalidade e, portanto, integra o que se define como “obrigação principal”, não sendo possível atribuirlhe outra natureza que não esta conferida pelo próprio CTN. Pois bem, nos termos do art. 139 do CTN, a “obrigação principal” dá origem ao chamado “crédito tributário”, porquanto o crédito de natureza tributária decorre da obrigação principal, verbis: “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 8/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS , Assinado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.007192/200621 Acórdão n.º 910101.192 CSRFT1 Fl. 9 9 [...]” (destacouse) Assim, conforme a terminologia utilizada pelo Código, podese afirmar que o “crédito tributário” é decorrente da “obrigação principal” (art. 139) que, por sua vez, abrange o tributo e a penalidade (art. 113, § 1º). Ou seja, o “crédito tributário”, por ser decorrente da obrigação principal, é constituído pelo montante dos tributos e das penalidades aplicadas. Pois bem, é considerando esta acepção do termo “crédito tributário”, que o art. 161 do CTN estabelece a incidência dos juros de mora, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Em razão desta expressa disposição legal, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. Ao se referir ao “crédito”, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. Nesse sentido, não se pode afirmar que a multa lançada de ofício, assim como toda e qualquer penalidade tributária, não são decorrentes da exigência de tributos e contribuições, pois nitidamente integram a obrigação principal e o crédito tributário. Logo, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas. Por outras palavras, com base nas disposições do próprio Código, a multa lançada de ofício possui natureza de débito para com a União e, por decorrer de tributos e contribuições, está sujeita à incidência dos juros de mora, definidos pelo art. 61, da Lei nº 9.430/1996. Ou seja, quanto à natureza jurídica, a multa de ofício é inequivocamente um débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições e, em consequência, sujeitase, da mesma forma que os demais débitos de natureza tributária, à incidência de juros de mora a partir de seu vencimento. Ademais, como bem destaca a Conselheira Relatora, a própria Lei nº. 9.430, de 1996, o já citado art. 43, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa de mora e os juros de mora devidos, isolada ou conjuntamente, e não teria sentido admitir a incidência dos juros de mora sobre a multa de mora e sobre os próprios juros de mora lançados de ofício e afastar sua incidência nos casos de multa objeto de lançamento de ofício. Este tratamento distinto não se justifica frente ao sistema sancionatório tributário vigente. Por fim, cumpre assinalar que os julgados deste Conselho vêm seguindo este entendimento, como se verifica das ementas de acórdãos recentes, verbis: “JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96.” (Acórdão 120200.138– 1a. Seção. 2a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 8/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS , Assinado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.007192/200621 Acórdão n.º 910101.192 CSRFT1 Fl. 10 10 “JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa.” (Acórdão 140100.155 – 1a. Seção. 4a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). No mesmo sentido é o julgado recente da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido no Acórdão 910100.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010 de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner, verbis: “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” No âmbito do Poder Judiciário, tem prevalecido este mesmo entendimento, no sentido de que os juros de mora incidem sobre a obrigação tributária principal não quitada no vencimento, aí incluída a multa lançada de ofício. O Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita, assentou serem devidos os juros de mora sobre a multa de ofício: “TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (STJ Segunda Turma Acórdão REsp 1.129.990/PR, Relator Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Por todo exposto, e renovando o pedido vênia à ilustre Conselheira Relatora, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso da Contribuinte, mantendo a aplicação dos juros sobre a multa lançada de ofício. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Redator designado. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 8/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS , Assinado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.007192/200621 Acórdão n.º 910101.192 CSRFT1 Fl. 11 11 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 8/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS , Assinado digitalmente em 15/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 11309.001659/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/04/2006
Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da
Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
SAT. LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE.
Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em ralação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante, nem de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; que são elementos essenciais na definição do tributo, não confiro razão à recorrente.
A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998; Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repele-se
a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma
vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma.
Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação.
Numero da decisão: 2302-001.471
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente MOURA VIGILANCIA E SEGURANÇA LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2003 a 30/04/2006 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. SAT. LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em ralação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante, nem de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; que são elementos essenciais na definição do tributo, não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998; Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11309.001659/200809 Acórdão n.º 230201.471 S2C3T2 Fl. 334 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa aos Terceiros, cujos valores foram declarados em GFIP e ou constaram em folhas de pagamento, referente ao período compreendido entre as competências maio de 2003 a abril de 2006, fls. 96 a 98. Segundo o relatório fiscal foram apuradas diferenças de acréscimos legais, e de contribuições patronais devidas pela empresa na matriz e na filial. Há valores declarados em Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social, sendo apuradas diferenças de INSS , SAT/RAT — Seguro de Acidente de Trabalho/Riscos ambientais do Trabalho. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 172 a 187. A Delegacia da Receita Previdenciária exarou a Decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 213 a 218. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 224 a 275. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • Não foram especificados os segurados; • Se faz necessária a comprovação dos fatos pela fiscalização; • É indevida a contribuição para o Salárioeducação; • Não é devida a contribuição para o Incra; • É inconstitucional a contribuição para o Sebrae; • É indevida a contribuição para o Sat; • Não pode ser cobrado juros à taxa Selic; • A multa não poderia ultrapassar 12% ao ano; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 278 e 304. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Ao contrário do afirmado pela recorrente, a fiscalização não tem que identificar um por um os segurados, pois os valores foram encontrados nos documentos elaborados pela própria autuada. Os valores foram retirados das folhas de pagamento e da GFIP que são registros elaborados da própria recorrente. Assim, já é de conhecimento da recorrente quais foram os segurados que ela própria remunerou. Os fatos já se encontram provados pela fiscalização, pois os valores recolhidos não foram suficientes para cobrir o crédito tributário. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, chegando ao ponto de o STF ter publicado o verbete de Súmula de n ° 732, nestas palavras: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. A legislação que lastreia a cobrança da contribuição social do Salário educação encontrase discriminada às fls. 77 a 81. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11309.001659/200809 Acórdão n.º 230201.471 S2C3T2 Fl. 335 5 No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdadesregionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. Em relação às contribuições destinadas ao Sebrae as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11309.001659/200809 Acórdão n.º 230201.471 S2C3T2 Fl. 336 7 Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11309.001659/200809 Acórdão n.º 230201.471 S2C3T2 Fl. 337 9 administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Não possui natureza de confisco a exigência da multa pelo atraso, tendo previsão expressa no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. É bem verdade que o art. 35 da Lei n º 8.212 foi alterado por meio da Medida Provisória n º 449, tendo, inclusive, sido acrescentado o art. 35A à Lei n º 8.212. Assim, a partir da MP n º 449, convertida na Lei n º 11.941, há que se diferenciar se os valores constaram ou não em lançamento de ofício. Se não houver lançamento de ofício e o contribuinte recolher espontaneamente os valores devidos aplicase a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212, caso os valores tenham sido apurados por meio de lançamento de ofício, aplicase o disposto no art. 35A da Lei 8.212. In casu, os valores constam em lançamento de ofício. Atualmente, para esses casos, deve ser observada a multa prevista no art. 44 da Lei n º 9.430 de 1996, que prevê aplicação de multa de no mínimo 75%. Desse modo, foi correta a aplicação da multa pelo órgão fazendário, não cabendo alteração do lançamento. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10680.011756/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2000 a 30/04/2005
PRELIMINAR NULIDADE AUTUAÇÃO
Não há que se falar em nulidade quando a autuação cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência.
RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS
A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores.
DIVERGÊNCIAS GFIP X SEFIP.
A legislação previdenciária impõe às empresas a obrigação de declarar à Receita Federal do Brasil, por meio de GFIP, todos os dados relacionados a fatos geradores, bases de cálculo e valores devidos de contribuições previdenciárias (artigo 32, inciso IV da Lei 8.212/91). Ou seja, é ônus da autuada zelar pela correção das informações prestadas em suas GFIPs, não cabendo imputar a culpa (lato sensu) a terceiros
EXORBITÂNCIA DA MULTA APLICADA.
Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decidir acerca da inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do disposto na Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2301-002.362
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. DIVERGÊNCIAS GFIP X SEFIP. A legislação previdenciária impõe às empresas a obrigação de declarar à Receita Federal do Brasil, por meio de GFIP, todos os dados relacionados a fatos geradores, bases de cálculo e valores devidos de contribuições previdenciárias (artigo 32, inciso IV da Lei 8.212/91). Ou seja, é ônus da autuada zelar pela correção das informações prestadas em suas GFIPs, não cabendo imputar a culpa (lato sensu) a terceiros EXORBITÂNCIA DA MULTA APLICADA. Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decidir acerca da inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do disposto na Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de co responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração nº 35.724.1762, a qual exige multa pelo fato de a fiscalização constatar que a empresa deixou de declarar em GFIP, no período de 03/2001, 11/2001, 12/2001, 03/2002, 04,/2002, 07/2002, 10/2002, 01/2003, 06/2003, 07/2003 a 09/2004, 11/2004, 01/2005, 03/2005 E 04/2005, os salários integrais dos empregados e contribuintes individuais. A autuada apresentou impugnação alegando os seguintes pontos: i) anulação da autuação por falta de elementos informativos necessários à perfeita análise e compreensão; ii) ilegitimidade passiva dos coobrigados; iii) que o fato de haver as omissões apontadas decorre de divergências entre os valores constantes na base de dados da empresa e as GFIP's originadas pelo aplicativo SEFIP, mantido pela Caixa Econômica Federal; e iv) sustenta a ilegalidade da multa exigida; A Secretaria da Receita Previdenciária de Belo Horizonte manteve integralmente a autuação. A ora recorrente, devidamente intimada, interpôs recurso voluntário renovando os argumentos suscitados na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011756/200719 Acórdão n.º 2301002.362 S2C3T1 Fl. 121 3 Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Nulidades na NFLD que violam a ampla defesa Sustenta a recorrente que a autuação não trouxe os elementos que permitissem a compreensão da autuada e a sua plena defesa. Em princípio devemos destacar que quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” “Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do notificado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. “Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 I – pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.535, de 10.12.1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III – por edital, quando resultarem improficuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)” Verifico, pela análise dos autos, que o lançamento identificou os períodos em que houve divergência nas GFIPs, apresentando ainda planilha (Anexo A1) identificando os segurados e a divergência verificada entre os valores lançados na folha de salários da empresa e aqueles declarados em GFIP. Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Assim, rejeito a preliminar de nulidade da autuação. Inclusão dos sócios como coresponsáveis pelo crédito tributário. Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de co responsáveis, procede o argumento da recorrente. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, não podendo servir de base para configurar a responsabilidade do artigo 135 do CTN. Acolho, portanto, essa alegação. Divergências nas GFIPs – responsabilidade objetiva Alega a recorrente que não pode ser penalizada pela multa aplicada haja vista que as divergências apontadas decorrem da transmissão de dados pelo programa SEFIP mantido pela Caixa Econômica Federal. Isto é, segundo a recorrente não pode ela ser penalizada por culpa de terceiros. A argumentação não procede pelo fato de que a legislação previdenciária impõe às empresas a obrigação de declarar à Receita Federal do Brasil, por meio de GFIP, todos os dados relacionados a fatos geradores, bases de cálculo e valores devidos de Fl. 128DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011756/200719 Acórdão n.º 2301002.362 S2C3T1 Fl. 122 5 contribuições previdenciárias (artigo 32, inciso IV da Lei 8.212/91). Ou seja, é ônus da autuada zelar pela correção das informações prestadas em suas GFIPs, não cabendo imputar a culpa (lato sensu) a terceiros. Aliás, conforme previsto no artigo 136 do Código Tributário Nacional, não cabe averiguar, na apuração de infrações à legislação tributária, o grau de culpabilidade daquele que a comete, tampouco a sua intenção. Multa – exorbitância – efeito confiscatório Avaliar se a multa aplicada dentro dos parâmetros legalmente estabelecidos é exorbitante e possui efeito confiscatório implica em ingressar, a meu ver, no campo da relação de pertinência entre a lei que a instituiu e a Constituição da República. Ocorre que a esse órgão julgador administrativo falece competência para analisar a constitucionalidade de normas, conforme se depreende da Sumula CARF nº 02, in verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, apenas para reconhecer que a relação de coresponsáveis é meramente informativa não podendo servir de base para configurar a responsabilidade do artigo 135 do CTN. No mais, fica mantida a autuação fiscal. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.004326/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
BASE DE CÁLCULO.
Na declaração de ajuste anual, compõem a base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva.
Do valor lançado deduz-se o valor já recolhido, equivocadamente, em nome da esposa do recorrente.
Numero da decisão: 2101-001.344
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para deduzir do valor devido o montante equivocadamente recolhido em nome da cônjuge do recorrente.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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Na declaração de ajuste anual, compõem a base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva. Do valor lançado deduzse o valor já recolhido, equivocadamente, em nome da esposa do recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para deduzir do valor devido o montante equivocadamente recolhido em nome da cônjuge do recorrente . (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Fl. 41DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 2 Relatório Em desfavor do contribuinte MATHEUS MENDES VALERA foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 13 a 16, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente ao anocalendário de 2003 (exercício 2004), no valor total de R$ 3.680,52 (três mil, seiscentos e oitenta reais e cinquenta e dois centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/06/2008, perfazendo um crédito tributário total de R$ 8.594,75 (oito mil, quinhentos e noventa e quatro reais e setenta e cinco centavos). As infrações apontadas encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 14. Com base nos artigos 1.º a 3.º e §§, e 8.º da Lei n.º 7.713, de 1988; artigos 1.º a 4.º da Lei n.º 8.134, de 1990; artigos 1.º e 15 da Lei n.º 10.451, de 2002 e artigos 43 e 45 do Decreto n.º 3.000, de 1999 (RIR/99), a Fiscalização alega ter havido omissão de rendimentos do trabalho, sujeitos à Tabela Progressiva, no valor de R$ 19.291,32, recebido pelo titular, da fonte pagadora Cerezini Transportes e Representações Ltda, CNPJ 11.999.570/000153. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou, em 31 de julho de 2008, impugnação às fls. 01, na qual pede o cancelamento da notificação, alegando não ter omitido rendimento no valor de R$ 19.291,32, da fonte pagadora Cerezini Transportes e Representações Ltda. Sustenta que os referidos rendimentos foram declarados e os impostos pagos, mas na declaração de usa esposa, de acordo com o que lhe faculta o artigo 6° do Decreto n.º 3000, de 1999, e faz prova do alegado com cópia da declaração da esposa e DARF correspondentes. Ao examinar o pleito, a 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 0628.638, de 08 de outubro de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 BASE DE CALCULO. TOTALIDADE DOS RENDIMENTOS. Todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte, compõem a base de cálculo do imposto de renda pessoa física sujeito ao ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não se conformando, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 26 de novembro de 2010 (fls. 35 e 36), no qual diz não ter havido omissão de rendimentos. Esclarece que referidos rendimentos foram informados e declarados à razão de 50% em sua própria declaração e 50% na declaração da sua esposa, Aparecida de Lourdes Cerezini Valera, CPF 894.067.02991, com base no que lhe faculta o artigo 6.º do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999. Complementa ter recolhido os valores devidos, calculados à alíquota máxima de 27,5% em ambas as declarações, sem prejuízo ao Fisco. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10950.004326/200896 Acórdão n.º 210101.344 S2C1T1 Fl. 40 3 Caso não logre êxito em suas alegações, pergunta como ficará o imposto pago sobre os rendimentos informados na declaração de sua esposa. Não tendo aceitado a forma como declarou, entende que o Fisco deveria ter instruído a contribuinte Aparecida de Lourdes Cerezini Valera sobre como obter a devolução do que pagou indevidamente. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Em sua peça recursal, o Recorrente defende não ter havido omissão de rendimentos, e o que ocorreu é que os rendimentos pagos por Cerezini Transportes e Representações Ltda foram declarados à razão de 50% em sua própria declaração e 50% na declaração da sua esposa, com base no artigo 6.º do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999. O artigo 6° do Decreto n.º 3.000, de 1999, assim prescreve, verbis: Art. 6.º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhe forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Depreendese, do exame do dispositivo acima transcrito, que a tributação dos rendimentos no percentual de 50% para cada cônjuge diz respeito à renda decorrente da exploração econômica de bens comuns do casal. No presente caso, os rendimentos não decorrem de bens comuns, mas do trabalho sem vínculo empregatício prestado pelo Recorrente, a teor do que consta da DIRF enviada pela empresa Cerezini Transportes e Representações Ltda, anexa às fls. 29. Inaplicável, portanto, à espécie, a regra do inciso II do artigo 6.º do Decreto n.º 3.000, de 1999. A apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda auferida no ano calendário é feita conforme a regra prevista no artigo 83 do mesmo Decreto n.º 3.000, de 1999, a seguir transcrito: Art. 83. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 82, e Lei n.º 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): Fl. 43DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 4 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74, 75, 78 a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente. Parágrafo único. O resultado da atividade rural apurado na forma dos arts. 63 a 69 ou 71, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto (Lei n.º 9.250, de 1995, arts. 9.º e 21). Como visto, a forma que o contribuinte utilizou para declarar os rendimentos recebidos de Cerezini Transportes e Representações Ltda. não encontra respaldo na legislação do imposto sobre a renda. Todavia, existe, nos autos, a alegação e a prova de que o valor tido por omitido na declaração de ajuste do recorrente foi declarado e tributado na declaração de ajuste de sua esposa, que recolheu o tributo tempestivamente. A alegação do contribuinte e o conjunto probatório acostado aos autos merecem ser considerados. É que não é justo e muito menos legítimo tributar duas vezes a mesma renda, uma vez em nome do interessado e outra em nome de sua esposa. Refazendose as duas declarações de ajuste, considerando as informações prestadas pelo contribuinte e as constantes da Notificação de Lançamento, encontramos o seguinte: Matheus Mendes Valera Valor apurado pelo contribuinte Valor ajustado Rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelo titular 42.329,54 61.620,86 Rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelos dependentes 0 0 Rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física/exterior 3.250,00 3.250,00 Resultado tributável da Atividade Rural 8.754,41 8.754,41 TOTAL DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS 54.333,95 73.625,27 Desconto Simplificado 9.400,00 9.400,00 Base de cálculo do imposto 44.933,95 64.225,27 IMPOSTO DEVIDO 7.279,93 12.585,04 Imposto retido na fonte do titular 4.036,11 5.660,70 Imposto retido na fonte dos dependentes 0 0 Carnêleão e imposto complementar (mensalão) 0 0 IMPOSTO A RESTITUIR 0 0 SALDO DO IMPOSTO A PAGAR 3.243,82 6.924,34 Aparecida de Lourdes Cerezini Valera Valor apurado pelo contribuinte Valor ajustado Fl. 44DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10950.004326/200896 Acórdão n.º 210101.344 S2C1T1 Fl. 41 5 Rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelo titular 48.115,32 28.824,00 Rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelos dependentes 0 0 Rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física/exterior 3.250,00 3.250,00 Resultado tributável da Atividade Rural 8.754,41 8.754,41 TOTAL DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS 60.119,73 40.828,41 Desconto Simplificado 9.400,00 8.165,68 Base de cálculo do imposto 50.719,73 32.662,73 IMPOSTO DEVIDO 8.871,02 3.905,35 Imposto retido na fonte do titular 4.036,11 2.411,52 Imposto retido na fonte dos dependentes 0 0 Carnêleão e imposto complementar (mensalão) 0 0 IMPOSTO A RESTITUIR 0 0 SALDO DO IMPOSTO A PAGAR 4.834,91 1.493,83 Em decorrência do lançamento levado a efeito junto ao contribuinte, a Fiscalização apurou um valor de imposto suplementar devido da ordem de R$ 3.680,52. No entanto, o contribuinte alega que, se o valor do rendimento correspondente for lançado em seu nome, deve ser excluído da declaração de sua esposa, por se tratar de um rendimento único. Levandose em consideração as alegações e as provas apresentadas pelo contribuinte, verificase que, em razão dos reflexos do lançamento suplementar levado a efeito junto ao recorrente na declaração de ajuste de Aparecida de Lourdes Cerezini Valera, o valor do seu imposto de renda deveria ser menor do que, efetivamente, foi. Considerandose que o imposto sobre a renda de pessoa física correspondente ao exercício 2004 da esposa do Recorrente foi integralmente pago em seis quotas de R$ 805,81 (principal) (fls. 3 a 5), a diferença recolhida a maior foi de R$ 3.341,08. Este valor deve ser utilizado para amortizar o imposto suplementar lançado neste processo. Fazendose o encontro de contas, considerandose que, dos R$ 3.680,52 lançados, já foram tempestivamente recolhidos R$ 3.341,08 (em nome da cônjuge do recorrente), somente deve permanecer em cobrança a diferença de imposto ainda não paga. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor do imposto suplementar para R$ 339,44. (assinado digitalmente) ________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 45DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 6 Fl. 46DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001079/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE.
O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária.
Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal.
RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua
apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
As provas a serem produzidas mediante diligência têm como destinatária final a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado
indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.446
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foram excluídos os valores relativos ao Rebocador “Valente de Deus”.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal. RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. As provas a serem produzidas mediante diligência têm como destinatária final a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 271 1 270 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.001079/200886 Recurso nº 001.446 Voluntário Acórdão nº 230201.446 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de novembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente C. A. MARTINS NAVEGACAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal. RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constituise motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. As provas a serem produzidas mediante diligência têm como destinatária final a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendolhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foram excluídos os valores relativos ao Rebocador “Valente de Deus”. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006. Data da lavratura da NFLD: 27/12/2007. Data da Ciência da NFLD: 03/01/2008. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida aos segurados que lhe prestaram serviços no mês, apuradas mediante aferição indireta, conforme minudente narrativa no Relatório Fiscal a fls. 86/91 e anexos. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.001079/200886 Acórdão n.º 230201.446 S2C3T2 Fl. 272 3 Relata a Autoridade Lançadora que o contribuinte, embora tenha sido intimado a apresentar os documentos constantes no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, deixou de exibir à fiscalização os Livros Diário/Caixa acompanhado do Livro de Inventário, como também não ofereceu as Folhas de Pagamento, no período de 01/2001 a 10/2005, Recibos de Férias, Rescisão de Contrato de trabalho, Ficha de Salário Família, dentre outros. Informa a autoridade fiscal que, em virtude da não apresentação dos elementos fiscais constantes do TIAD, procedeuse à apuração do crédito previdenciário por Aferição Indireta da base de cálculo, em observação ao que determina a lei. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 100/115. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa a fls. 212/221, julgando procedente em parte a Notificação Fiscal, excluindose do lançamento as obrigações tributárias fulminadas pela decadência, retificandose o crédito tributário remanescente na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 222/240. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 02/10/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 242. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 245/259, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que a autoridade fiscal procedeu à apuração dos fatos geradores com base nas informações fornecidas pela Capitania dos Portos, tendo como parâmetro a tripulação mínima exigida por embarcação de propriedade da empresa, sem levar em conta que algumas daquelas embarcações já não pertenciam a empresa, embora ainda permaneçam em seu nome na Capitania, bem como, não levando em consideração o fato de algumas estarem fretadas; • Que o fiscalizado deve ser ouvido sobre as circunstâncias e eventos relacionados ao objeto da investigação durante o transcurso do próprio procedimento, visando à obtenção da verdade material; • Que o princípio da verdade material deve iluminar o procedimento de fiscalização para permitir lógica entre hipótese normativa e a realidade fática considerada, sob pena de o ato administrativo de lançamento quedarse sem o necessário motivo; • Que o Estado deve comprovar a culpabilidade do contribuinte, que é constitucionalmente presumido inocente, presunção que só poderia ceder ante um mínimo de provas produzidas por meio de um devido processo legal e com a garantia de ampla defesa; • Que embora a fiscalização disponha de amplos poderes para aferir a ocorrência do fato imponível, não pode ir além do legal e constitucionalmente permitido, significando que a recusa, desde que justificada, dos documentos solicitados pelos agentes, se configura bom Fl. 285DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 argumento para a nãoapresentação dos mesmos, em vista da garantia constitucional contra a autoincriminação; • Que não é proprietário de todas as embarcações arroladas pela fiscalização, bem como, nem todas navegam regularmente, portanto, não necessitam de tripulação e empregados, o que torna o demonstrativo de aferição inconsistente e, por conseguinte, o lançamento nulo; • Requer a realização de diligência para a produção de provas testemunhais visando a comprovar suas alegações. Ao fim, requer a declaração de nulidade do lançamento ora guerreado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/02/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 20/03/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA MOTIVAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO Sustenta o Recorrente que o princípio da verdade material deve iluminar o procedimento de fiscalização para permitir lógica entre hipótese normativa e a realidade fática considerada, sob pena de o ato administrativo de lançamento quedarse sem o necessário motivo. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.001079/200886 Acórdão n.º 230201.446 S2C3T2 Fl. 273 5 Pondera que o Estado deve comprovar a culpabilidade do contribuinte, que é constitucionalmente presumido inocente, presunção que só poderia ceder ante um mínimo de provas produzidas por meio de um devido processo legal e com a garantia de ampla defesa. Acrescenta que, embora a fiscalização disponha de amplos poderes para aferir a ocorrência do fato imponível, ela não pode ir além do legal e constitucionalmente permitido, significando que a recusa, desde que justificada, dos documentos solicitados pelos agentes se configura bom argumento para a sua nãoapresentação, em vista da garantia constitucional contra a autoincriminação; As alegações deduzidas pelo Recorrente não encontram respaldo no Ordenamento Jurídico brasileiro. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, o art. 22 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como encargo da empresa as contribuições sociais Fl. 287DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Cumpre neste comenos destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.001079/200886 Acórdão n.º 230201.446 S2C3T2 Fl. 274 7 Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa preparo de folhas de pagamento das remunerações pagas a seus segurados, bem como o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) No que pertine à elaboração das folhas de pagamento, ouvimos em alto e bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 que a folha de pagamento deve ser elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, devendo, necessariamente, discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais e indicar o número de quotas de salário família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Citese que tal documento deve ser mantido pela empresa à disposição da fiscalização, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, até que ocorra a decadência das obrigações tributárias a eles associadas ou deles decorrentes. De outro canto, mas ária de outra ópera, a lei ordena que sejam lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mostrase auspicioso destacar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar Fl. 289DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Enganase aquele que acredita serem os livros contábeis exigíveis apenas pela legislação comercial. A legislação Tributária é aquela que mais impõe modulações e padrões aos lançamentos contábeis e à estruturação e formalização dos livros, não sendo por outro motivo também conhecidos como “Livros Fiscais”. No tocante à escrituração contábil, a não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária sujeita o contribuinte ao pagamento de penalidades pecuniárias a lhe serem impostas mediante o competente Auto de Infração. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais. Em ádito, impôs à empresa a obrigação de exibir à fiscalização todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias estatuídas na lei em realce. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.001079/200886 Acórdão n.º 230201.446 S2C3T2 Fl. 275 9 §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência; b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias; c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida; d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não se mostra demasiado enaltecer que o registro dessas informações na contabilidade, assim como nas folhas de pagamento, não se constitui faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei Fl. 291DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que os livros contábeis e as folhas de pagamento equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.001079/200886 Acórdão n.º 230201.446 S2C3T2 Fl. 276 11 No caso vertente, a Autoridade Lançadora intimou a empresa mediante Termo próprio a apresentar, no prazo assinalado, uma série de documentos do interesse da fiscalização e da arrecadação, conforme discriminado nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos a fls. 80/83, deixando o Recorrente de exibir à fiscalização os Livros Diário/Caixa do período fiscalizado, acompanhados dos Livros de Inventário, assim como as Folhas de Pagamento, no período de 01/2001 a 10/2005, Recibos de Férias, Rescisão de Contrato de trabalho, Ficha de Salário Família, dentre outros. Nessas circunstâncias, as omissões perpetradas pelo Recorrente, da estatura das que foram verificadas pela Autoridade Fiscal, frustraram os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos, títulos diversos da contabilidade, etc. De fato, dispõe a fiscalização de amplos poderes para aferir a ocorrência do fato imponível, mas ela não pode ir além do legal e constitucionalmente permitido. Nessa prumada, é inquestionável que a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. Defende o Recorrente que “a recusa, desde que justificada, dos documentos solicitados pelos agentes configura bom argumento para a nãoapresentação dos mesmos (sic), em vista da garantia constitucional contra a autoincriminação”. Ao contrário do que entende o Recorrente, a C. A. Martins Navegação não se encontra inserida na classe dos cidadãos, eis que pessoa jurídica. A filosofia defendida pelo contribuinte se revela de ampla e incontestável aplicação no campo dos direitos e garantias individuais da pessoa física, mas não se aplica, com a abrangência e o alcance vislumbrado pelo notificado, no ramo do direito tributário à pessoa jurídica. Neste caso, a lei prevê expressamente que a recusa objetiva de qualquer documento ou informação ou a sua apresentação deficiente autoriza de per se a autoridade fiscal a inscrever de ofício a importância reputada devida, transferindose para a empresa recusante o ônus da prova em contrário. ... E assim se deu ! Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP e na escrita fiscal. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Diante desse quadro, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer Fl. 293DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, figura como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Diante desse panorama, outra alternativa não se abriu à fiscalização que não apurar o montante devido por aferição indireta da base de cálculo, autorizada que estava pelo permissivo legal encartado nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.001079/200886 Acórdão n.º 230201.446 S2C3T2 Fl. 277 13 Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta, a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, como se deu ocorrer no presente, a fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muitas vezes, tão somente, o principio da razoabilidade. Usualmente, valese a fiscalização de um critério de analogia da empresa fiscalizada com as demais empresas atuantes no mesmo ramo e que se encontram em situações similares. Muitas outras ocasiões, tem a autoridade fiscal que extrair de outras fontes de informações o montante da base de cálculo do tributo, para determinar o montante devido. Com efeito, o princípio da verdade material deve iluminar o procedimento de fiscalização para permitir lógica entre hipótese normativa e a realidade fática considerada. Mas tal princípio deve ser observado não somente pela administração tributária, como também, pelo administrado, que tem por obrigação legal registrar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias tanto nas folhas de pagamento como nas GFIP e na sua escrita fiscal. Falhando o contribuinte em sua obrigação, a lei prevê um procedimento alternativo, consistente na apuração indireta da base de cálculo, como assim procedeu a fiscalização. No caso em apreciação, a autoridade fiscal procedeu à apuração dos fatos geradores com base nas informações fornecidas pela Capitania dos Portos da Amazônia Ocidental, a fls. 95/96, consistente na Relação de embarcações de propriedade da empresa e a tripulação mínima, por categoria profissional, exigida por essa Capitania dos Portos para compor cada tipo de embarcação em atividade fluvial. A base de cálculo das contribuições em relevo, fruto do aludido procedimento de aferição acima especificado, encontrase explicitada no Demonstrativo de Aferição a fl. 97. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. Restou igualmente comprovado nos autos que o contribuinte não exibiu à fiscalização os documentos regularmente dele exigidos mediante termo próprio, fato que se Fl. 295DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 consubstancia bastante, suficiente e determinante para a apuração da matéria tributável mediante arbitramento, como assim sucedeu no caso presente, impondo a lei a refiguração do ônus probatório para o notificado e lhe assegurando toda a garantia do contraditório e da ampla defesa mediante o assentamento de prazo para o sujeito passivo oferecer impugnação ao lançamento, apresentando os motivos de fato e de direito em que se fundamenta sua defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, assim como as diligências ou perícias que pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, sob pena de preclusão, tudo de acordo com o devido processo administrativo fiscal fixado na lei. Nada obstante, nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos, o Recorrente fez introduzir extensa peça impugnatória, conjecturando acerca de princípios constitucionais visceralmente associados a direitos e garantias individuais que, de forma alguma se revelam aplicáveis às empresas em matéria de direito tributário, mal aproveitando assim a adequada oportunidade concedida pela lei para atacar a tese e espancar os fatos sobre os quais se escorou o órgão a quo, no juízo negativo de desconstituição do crédito tributário objeto da presente NFLD. Em sua defesa, argumentou o Recorrente não ser o proprietário de todas as embarcações arroladas pela fiscalização, bem como, nem todas navegarem regularmente, não necessitando, portanto, de tripulação e empregados, o que tornaria o demonstrativo de aferição inconsistente e, por conseguinte, o lançamento nulo. Mas não é bem nesse tom que a banda toca. Nas circunstâncias em que se sucedeu o presente lançamento, a recusa na exibição de documentos autorizou o fisco a inscrever de ofício montante de tributo considerado devido, o qual foi apurado mediante arbitramento, transferindose para o notificado o ônus da prova em contrário. No exercício do seu encargo, a empresa demonstrou que houvera procedido a venda do rebocador/empurrador de nome “Valente de Deus”, Inscrição nº 0010192140, em 30 de outubro de 2000, ou seja, em data já atingida pelo instituto da decadência, ao Sr. Elilanio Farias dos Santos, conforme contrato de compra e venda a fls. 193/194. Em ádito, corroborando tal informação, na Relação de vistorias de embarcações de propriedade da C. A. Martins Navegações, fornecidas pela Capitania dos Portos, referente ao exercício de 2006, não consta o registro do Rebocador em realce. Não se revela razoável, portanto, que no montante tributável apurado mediante arbitramento pela fiscalização estejam incluídos fatos geradores relativos ao rebocador “Valente de Deus”, eis que as provas coligidas aos autos indicam que, no período remanescente de apuração, a referida nave não mais integrava o patrimônio do notificado. Quanto aos demais fatos geradores, não havendo o sujeito passivo produzido qualquer indício de prova material com pujança bélica poderosa o suficiente a desintegrar os sólidos fundamentos do presente lançamento, este há de ser mantido. Assim, quedouse inerte o Recorrente, não produzindo as provas necessárias à elisão integral do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, Fl. 296DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.001079/200886 Acórdão n.º 230201.446 S2C3T2 Fl. 278 15 tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores da presente autuação, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir por completo a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não logrando dessarte o Recorrente produzir meios de prova hábeis a desconstituir o lançamento que ora se opera. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. 3.2. DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Pondera o Recorrente que o fiscalizado deve ser ouvido sobre as circunstâncias e eventos relacionados ao objeto da investigação durante o transcurso do próprio procedimento, visando à obtenção da verdade material. Razão não lhe assiste. Cumpre, de plano, destacar que o lançamento tributário se configura legalmente como um procedimento administrativo, privativo da autoridade fiscal competente, com o objetivo de apurar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O procedimento administrativo delineado no parágrafo precedente é inaugurado, em regra, por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Durante a fase oficiosa, os atos ex officio praticados pelo agente fiscal bem como os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização, sendo juridicamente inexigível a presença do contraditório na fase de formalização do lançamento. A fase oficiosa ou não contenciosa encerrase com a ciência do contribuinte do lançamento tributário levado a cabo, podendo ele, aquiescendo, nada alegar, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe é exigido, ou, numa atitude diametralmente oposta, discordando da exigência, impugnar o lançamento, exercendo assim o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, inaugurando, assim, a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal, a teor do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 Nessa perspectiva, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem ao contraditório e à ampla defesa nessa fase inquisitorial, mas, sim, posteriormente, com a impugnação ao lançamento pelo sujeito passivo, quando então se instaura o contencioso fiscal. Ao contrário do que entende o Recorrente, em virtude de sua natureza inquisitiva, a ausência do contraditório na fase preparatória do lançamento não o nulifica. Pela mesma razão, o fato de o Auditor Fiscal, durante a ação fiscal, não ter solicitado esclarecimentos ao contribuinte também não invalida o procedimento. Anotese que o auditor fiscal possui a prerrogativa, mas não a obrigação, de exigir do sujeito passivo a prestação de esclarecimentos e informações de interesse da fiscalização. O contribuinte, sim, encontrase jungido pelo dever jurídico de prestar à autoridade fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme assim preceitua o inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91. 3.2. DA PRODUÇÃO DE PROVAS Por derradeiro, requer o notificado a realização de diligência para a produção de provas testemunhais visando a comprovar suas alegações. A rogativa acima esposada não reúne condições de prosperar. Conforme reverenciado e demonstrado alhures, a conduta omissiva perpetrada pelo Recorrente representou ofensa direta à obrigação acessória ordenada no art. 32, §2º da Lei Orgânica da Seguridade Social, autorizando ao fisco a inscrição de ofício importância reputada devida, mediante a apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias por aferição indireta, transferindose aos ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrario. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a realização de diligências ou perícias tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de provas revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia ou diligências aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista Fl. 298DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.001079/200886 Acórdão n.º 230201.446 S2C3T2 Fl. 279 17 somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de diligência para produção de provas desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. De outro eito, mostrase auspicioso destacar que os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide desenvolvese o presente Processo Administrativo Fiscal, estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as diligencias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, sob pena de o pedido ser tido como não formulado. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Impende observar, ademais, que os efeitos fixados no §1º do art. 16 do precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da autoridade fazendária. Eles decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas. No caso vertente, o contribuinte vem aos autos com pedido de diligência para que esta Corte produza provas documentais e testemunhais em favor das alegações ofertadas pela empresa. Ora, a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo, muito menos requerer que este Colegiado determine a conversão do feito em diligência, para que seja produzida prova do interesse exclusivo do Recorrente. Não é nesse ritmo que se baila nesta dança. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tem o Recorrente, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Quanto à produção de prova testemunhal, há que se considerar que a legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal não contempla a realização dessa modalidade de prova, eis que de pouca ou nenhuma valia no processo fiscal, já que a oitiva de pessoas estranhas ao processo não possui vigor probatório robusto o suficiente a combater ou comprovar questões técnicas ou contábeis, cuja solução se busca pela análise de documentos ou realização de diligências periciais, uma vez que a lei determina que os fatos geradores tributários sejam consignados e registrados em documentos próprios. Verba Volant, scripta manent. Citese, ademais, que no requerimento de diligência consta apenas no nome da pessoa a ser ouvida, sem que tal requerimento encontrese ornado com os quesitos referentes aos exames desejados, circunstância que torna imperiosa a incidência do preceito inscrito no §1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, impondose que seja considerado como não formulado o aventado pedido de diligência. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluído do lançamento os fatos Fl. 300DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.001079/200886 Acórdão n.º 230201.446 S2C3T2 Fl. 280 19 geradores referentes ao rebocador/empurrador de nome “Valente de Deus”, Inscrição nº 001 0192140. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 301DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10950.002939/2004-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições
das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES
Ano-calendário: 2002
Ementa: SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. DESMEMBRAMENTO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA E PREVIDENCIÁRIA.
A caracterização do contribuinte como pessoa jurídica sucessora de outra não implica sua exclusão junto ao Simples Federal. Não se confunde esta hipótese com aquela estatuída pelo artigo 9º, inciso XVII, da Lei nº 9.317/96, responsável por vedar o enquadramento às empresas decorrentes de desmembramento societário.
Numero da decisão: 1101-000.643
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira
Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão, votando pelas conclusões a conselheira Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Anocalendário: 2002 Ementa: SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. DESMEMBRAMENTO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA E PREVIDENCIÁRIA. A caracterização do contribuinte como pessoa jurídica sucessora de outra não implica sua exclusão junto ao Simples Federal. Não se confunde esta hipótese com aquela estatuída pelo artigo 9º, inciso XVII, da Lei nº 9.317/96, responsável por vedar o enquadramento às empresas decorrentes de desmembramento societário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão, votando pelas conclusões a conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Trata o processo de exclusão da ora reclamante junto à sistemática do Simples Federal, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 56 (fl. 135), de 04 de dezembro de 2008, emitido pelo Delegado da Receita Federal em Maringá / PR, com efeitos desde 01/01/2002, fundamentado na pretensa comprovação de que o contribuinte resultara de desmembramento de pessoa jurídica, em afronta ao disposto no inciso XVII do artigo 9° da Lei n° 9.317/96. A ação que culminou com a exclusão em comento teve origem em Representação Administrativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por meio de sua gerência executiva em Maringá / PR. A referida representação foi instruída com os documentos de fls. 11/108. Cientificada do feito em 17/12/2008 (fl.137), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fl. 152/180), na qual alegou: que tem por objeto social indústria e facção de artigos de vestuário; que sua exclusão foi motivada pelo fato de a autoridade fiscal ter entendido que resultara do desmembramento da empresa Cheina Indústria de Confecções Ltda. (“Cheina”), de um lado, e da sucessão da empresa G4 Indústria e Comércio de Confecções Ltda. (G4), de outro; que os fatos não ocorreram da forma como sustentado pelo Fisco; que a empresa G4, fundada em 10/10/1992, sob a denominação de Nabhan & Cia Ltda, possuiu personalidade distinta da empresa Cheina, e a única ligação existente entre ambas é que a empresa G4 industrializava, por encomenda, para a Cheina; que a empresa G4 funcionou até 16/12/2001, quando transferiu seus funcionários para a ora reclamante, que passou a utilizar o prédio antes ocupado pela empresa G4; que as duas empresas lavraram termo de responsabilidade e a assunção de encargos trabalhistas, passivo social e adesão de empregados; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10950.002939/200465 Acórdão n.º 110100.643 S1C1T1 Fl. 2 3 que a sucessão de funcionários ocorreu apenas para fins trabalhistas, afastandose qualquer assunção de obrigações tributárias e civis; que, desta forma, resta afastado o argumento de que é sucessora da G4. Sobre si mesma, alega que foi fundada em 10/07/2001, tendo por objeto social indústria e facção de artigos de vestuário para diversas empresas tomadoras de serviços; que negociou com a empresa G4 e adquiriu seus maquinários e absorveu seu quadro funcional a partir de 16/12/2001; que não é oriunda do desmembramento da empresa Cheina, nem sucessora da G4. Adentrando ao mérito, alega não existir prova material contra si de assunção de responsabilidade trabalhista. Algumas alterações do contrato social das duas empresas não seriam suficientes, no mais, para comprovar os fatos que originaram sua exclusão do Simples. O parecer que deu suporte à edição do ato está baseado em indícios e presunções, devendo ser declarada a nulidade do ato atacado. Transcreve manifestações doutrinárias e jurisprudenciais e pede a aplicação do disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional. Na sequência, alega ter havido erro formal na lavratura do Ato Declaratório, por incompatibilidade entre o motivo e a motivação, posto que a autoridade fiscal, ao reelaborar a representação, além de "construir" a' figura da sucessão, fundamentou, ainda, que um dos sócios da G4 participava com mais de 10% do capital social de outras empresas. Contudo, o ADE foi emitido, apenas, com base na suposta sucessão, fato alheio à ora impugnante. Sustenta que o ato contém vícios formais, devendo, pois, ser anulado. Contesta a tese de que ocorreu desmembramento de empresas e transcreve o conceito estabelecido pela Receita Federal; faz uma análise pormenorizada da pergunta n° 125, constante do site da Receita, e busca aplicála ao caso em concreto; ao final, reafirma que não ocorreu nenhum desmembramento, nem sucessão tributária. Mais uma vez, lança mão de manifestações administrativas para ilustrar os requisitos necessários para caracterizar a sucessão entre empresas. Ao final, pede a nulidade do ADE por ter sido emitido com base em meras presunções, bem como tendo em vista o vício formal caracterizado pela incompatibilidade entre o motivo e a motivação, ou sua improcedência, uma vez que restou descaracterizado o desmembramento da empresa Cheina, bem como a sucessão em relação à empresa G4. Protesta por todos os meios de prova e requer que seja cientificado o patrono da causa. Juntou os documentos de fls. 181/199 e 202/385. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 A 2ª TURMA – DRJ EM CURITIBA – PR, ao decidir a respeito da manifestação apresentada, houve por bem manter a exclusão da postulante junto ao Simples Federal, assim ementando suas conclusões: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2002 NULIDADE O fato de a representação administrativa ter aprofundado suas pesquisas abrangendo outras hipóteses de vedação que não foram mencionadas no ato de exclusão não tem o condão de tornálo nulo. EXCLUSÃO DO SIMPLES. É vedado optar pelo Simples empresa resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, de conformidade com artigo 9°, inciso XVII da Lei 9317/96. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS. Está precluso o direito de apresentação de novas provas desde a interposição da manifestação de inconformidade.” Cientificado da decisão em 26/03/2009 (fl. 392), apresentou o contribuinte, em 27/04/2009, recurso voluntário a este conselho, reiterando considerações similares àquelas apontadas em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Versa a presente controvérsia a respeito da possibilidade de se enquadrar a operação de criação da recorrente como uma daquelas arroladas pelo artigo 9º, inciso XVII, da Lei nº 9.317/96, in verbis: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10950.002939/200465 Acórdão n.º 110100.643 S1C1T1 Fl. 3 5 “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XVII que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei;” Os labores que redundaram na prolação do Ato Declaratório Executivo nº 56 (fl. 135), de 04 de dezembro de 2008, calcaram início em Representação Administrativa do Instituto Nacional da Seguridade Social – INSS. Àquela época, como se explicou, a d. Auditoria Fiscal da Previdência Social da Gerência Administrativa de Maringá/PR declinou (fls. 04 e ss.), originalmente, o entendimento de que a exclusão da recorrente, perante o Simples Federal, decorreria dos fatos de: i) a postulante ter sido criada a partir de desmembramento da sociedade Cheina Indústria de Confecções Ltda. (“Cheina”); ii) a recorrente ter sucedido, para fins tributários e previdenciários, a sociedade G4 Indústria e Comércio de Confecções Ltda. (“G4”), mediante aquisição de seu estabelecimento industrial – inclusive com manutenção do quadro laboral – e preservação da exploração das atividades; e iii) a pessoa física de Chebli Mitre Abou Nabhan, sócio da G4, ser detentor de mais de 10% dos títulos representativos do capital social de outras sociedades. A despeito da ereção destas 03 (três) alegadas circunstâncias, a prolação do ADE em debate desconsiderou a justificativa referente ao item iii), acima explicitado. Logo, cuidaremos apenas da aventada criação da postulante por meio de operação societária de cisão ou de desmembramento em geral, banda uma, e da aduzida sucessão de outra sociedade, banda outra. Antes disso, contudo, é essencial pisar que o fato de a Representação Administrativa ser mais ampla que a fundamentação do Ato Declaratório Executivo não importa em nulidade. Aquela peça, afinal, apenas informa esta – que, por sua vez, é quem enuncia a efetiva justificação do ato de exclusão. Noutro vernáculo, ainda que as investigações perpetradas enunciem conclusões variadas, o motivo determinante da exclusão, a ser levado em consideração, é somente aquele incrustado no ADE. Pois bem. Primeiramente, essencial é estudar se a constituição da recorrente se deu, de fato, por meio de desmembramento (cisão) da Cheina. A circunstância em tela é mencionada, ao longo de todo o trabalho fiscal, apenas en passant, sem que a ela se dediquem quaisquer elementos de prova. Assim é porquanto nenhum dos elementos documentais carreados aos autos evidencia esta pretensa operação societária. Sequer informa a representante previdenciária os indícios que a levaram a concluir nesse sentido, para fins de proposição do desenquadramento debatido. Ora, para caracterizar a cisão da Cheina (ou qualquer ajuste análogo), deveria o Fisco trazer à baila os instrumentos sociais correlatos, preceituados pela legislação comercial Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 (em especial, o Protocolo e a Justificativa de Cisão Parcial, os Laudos de Avaliação e as respectivas alterações de contrato social). Eventualmente, acaso quisesse demonstrar a realização de desdobramento irregular ou informal, doutro lado, caberia a ele coletar indícios fáticos capazes de denotar a origem cindida da peticionária, operada à margem dos registros mercantis. Nada disso está posto nos autos. Logo, de forma similar ao que ocorreu no seio do acórdão recorrido, cinjo a justificação do ADE infirmado ao debate da pretensa sucessão da G4 pela recorrente, para fins de averiguar se tal circunstância se enquadra, ou não, na hipótese obstaculizadora do artigo 9º, inciso XVII, da Lei nº 9.317/96. Sobre este ponto, creio estar bem delineada a responsabilidade por sucessão da recorrente, naquilo que se reporta às esferas previdenciária e tributária. De fato, é de clareza solar o fato de a peticionária responder pelos encargos trabalhistas e securitários imanentes ao quadro funcional da G4, por ela avocado. Tanto é assim que a primeira, em nenhum momento, tenta deslegitimar o Termo de Responsabilidade e Assunção de Encargos Trabalhistas, Passivo Social e Adesão de Empregados de fls. 32 e ss., por ela firmado. No que toca à responsabilidade tributária por sucessão, doutra banda, parece evidente que a recorrente, ao adquirir os direitos materiais e imateriais ínsitos ao estabelecimento industrial da G4, colocouse sob os efeitos do artigo 133 do CTN. Não há dúvidas de que a recorrente, em princípio, assumiu os passivos tributários vinculados à empresa da sucedida, para todos os fins de direito. Tais considerações, todavia, não me parecem ter nenhum reflexo na discussão pertinente à exclusão da postulante junto ao Simples Federal. O cânone esculpido pelo acima citado artigo 9º, inciso XVII, da Lei nº 9.317/96 versa, exclusivamente, sobre o impedimento de adesão ao Simples de sociedades que sejam criadas por meio de operações societárias de cisão ou assemelhadas, segundo as quais há versão patrimonial de uma sociedade em prol de outra, com assunção de ativos e passivos definidos a priori. Vejase que este não é o caso. Embora sucessora tributária da G4, a recorrente foi constituída autonomamente. Sua personalidade jurídica não é decorrência de outra, à conta de desdobramento. O dispositivo legal em análise, insta ressaltar, busca evitar que pessoas jurídicas de porte econômico elevado, incapazes de gozar das benesses da sistemática simplificada, cindamse em variadas sociedades, para que cada uma delas se enquadrasse, isoladamente, no regime favorecido. Sucessão tributária isto não é. Não decorre ela, necessariamente, de reestruturação societária. Uma vez que nenhum dos documentos juntados aos autos fez crer que a recorrente se originara de desmembramento da G4, parece evidente que não se aperfeiçoou a hipótese excludente aduzida pela Fazenda. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para fins de cancelar o Ato Declaratório Executivo nº 56, de 04 de dezembro de 2008. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10950.002939/200465 Acórdão n.º 110100.643 S1C1T1 Fl. 4 7 Sala das Sessões, em 25 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
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