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Numero do processo: 18088.000254/2009-17
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jun 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2006
PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO. NULIDADE.
É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa, sem a análise de argumentos relevantes da impugnação, que seriam capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador.
Numero da decisão: 2201-008.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar nula a decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa ao se omitir sobre questão levantada na impugnação. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que rejeitou a citada preliminar de nulidade.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Wilderson Botto (Suplente convocado), Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Daniel Melo Mendes Bezerra
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DECISÃO. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa, sem a análise de argumentos relevantes da impugnação, que seriam capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar nula a decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa ao se omitir sobre questão levantada na impugnação. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que rejeitou a citada preliminar de nulidade. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Wilderson Botto (Suplente convocado), Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra acórdão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por sua completude e proximidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de piso quanto aos motivos que levaram ao lançamento, ora em análise: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 02 54 /2 00 9- 17 Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-008.587 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000254/2009-17 Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2007 do contribuinte acima identificado, procedeu-se ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 38/41. Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido Descrição Valores em Reais 1) Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados 192.052,58 2) Omissão de Rendimentos Apurada 81.815,12 3) Total das Deduções Declaradas 27.586,40 4) Glosa de Deduções Indevidas 0,00 5) Prev.Oficial sobre Rendimento Omitido 0,00 6) Base de Cálculo Apurada (1+2-3+4-5) 246.281,30 7) Imposto Apurado após as Alterações (Calculado pela Tabela Progressiva Anual) 61.733,62 8) Dedução de Incentivo e/ou Contrib. Prev. Emp. Doméstico Declarado 536,00 9) Glosa de Dedução de Incentivo 0,00 10) Total de Imposto Pago Declarado 37.822,60 11) Glosa de Imposto Pago 0,00 12) IRRF sobre infração e/ou Carnê-Leão Pago 1.839,35 13) Saldo do Imposto a Pagar Apurado após Alterações (7-8+9-10+11-12) 21.535,67 14) Saldo do Imposto a Pagar Declarado/calculado 875,86 15) Imposto já Restituído 0,00 16) Imposto Suplementar 20.659,81 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 81.815,12, compensado o Imposto de Renda Retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 1.839,35. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 90/94, e dos documentos de fls. 95/123, alegando, em síntese, que: PRELIMINARMENTE DA IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO POR ATENTAR CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A “Descrição dos Fatos” viola os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade ao dever de ofício do Auditor Fiscal, quando descreve categoricamente “...Constatou-se Omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos Acumuladamente em Virtude de Processo Judicial Trabalhista, no valor de R$ 17.638,40, auferidos pelo titular...”; Isto significa uma mentira; Afora a improbidade administrativa cometida, ainda, afronta a ética pública, ou seja, também, viola, macula, ofende, o artigo VIII do Decreto n. 1.171, de 22/junho/1994; Isto é o suficiente para ficar demonstrado que a mentira da afirmação do descrito nos fatos, a expressão: "PROCESSO JUDICIAL TRABALHISTA (sic)"; para deixar de maneira expressa e objetiva a nulidade de pleno direito da notificação de lançamento 2007/608450477945071, como revela a realidade processual; A Nulidade de pleno direito existente na notificação de lançamento 2007/608450477945071 é por si só uma nulidade intrínseca/extrínseca de forma e conteúdo; DO DIREITO A INSTRUÇÃO [ARTS. 29/47 LEI N. 9.784, de 29/01/1999] E OS COMANDOS CONSTITUCIONAIS [ INCISOS LIV E LV, ART. 5° CF] E 0 DEVIDO PROCESSO LEGAL Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-008.587 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000254/2009-17 A Administração Publica não deu oportunidade de demonstrar através do capitulo X, artigos 29 a 47 da Lei n. 9.784, de 29/01/1999, a instrução para verificar se os ganhos omitidos eram, realmente, originários de "processo judicial trabalhista", no valor de R$ 17.638,40; Basta fazer uma observação nos autos, compulsando e compilando, para notar-se que não existiu nenhuma oportunidade para o contribuinte apresentar documentos ou esclarecimentos, a respeito da acusação de: 'ter omitido ganhos originariamente de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 17.638,40; Esta omissão da administração pública em proporcionar ao contribuinte ampla defesa e o contraditório, inerentes ao devido processo legal, nega-se, também, o 'principio da isonomia processual; Não houve a instrução, como prevê o capitulo X, artigos 29 a 47 da Lei 9384 de 29/01/1999. e, como, a administração pública vem conduzindo de maneira parcial, este processo administração, também, os direitos e garantias fundamentais do contribuinte foram postergados, tornando-se um juízo ou tribunal de exceção. com isto, novamente, encontra-se nulo de pleno direito este processo tributário administrativo sem os pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo [inciso IV, art. 267 CPC], devendo ser, simplesmente, extinto; NO MÉRITO DA RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA DOS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS E QUE É A FONTE PAGADORA DOS RENDIMENTOS DO CONTRIBUINTE, QUE É ADVOGADO Se houvesse a instrução, poderia, perfeitamente, demonstrar que os ganhos foram de processos previdenciários, de uma relação jurídica continuativa, onde ha um início do benefício previdenciário e um fim, isto dentro de um procedimento judicial, no qual o contribuinte, na qualidade de advogado previdenciário encontra-se vocacionado em seu mister; Somente com a instrução [incisos LIV, LV, artigo 5° CF e os artigos 29 a 47 da Lei n. 9.784/1999] é que poderá ser revelado, através de uma perícia contábil, quais os valores dos ganhos previdenciários estarão sujeitos a tributação do imposto de renda; pois, deve-se, também, levar em conta, que nesta relação jurídica continuativa previdenciária, que haverá a necessidade, primeiramente, em excluir, expurgar os juros morat6rios [de 0,5% a 1% a.m.] e a atualização monetária, para, somente, ficar o valor mensal do beneficio previdenciário percebido pelo cliente. estes critérios para os cálculos dos valores da relação jurídica continuativa do beneficio objeto da ação previdenciária, e, agora, objeto da tributação do imposto de renda; Faz-se necessário, de maneira urgente, ser suspenso o curso deste processo tributário administrativo, para ser dada a oportunidade de garantia de defesa do contribuinte, para demonstrar e comprovar ser os seus ganhos provenientes de processos exclusivamente previdenciarios e, ainda, os recolhimentos do contribuinte ao imposto de renda, encontram-se, ainda, realizados, erroneamente, ou seja: de maneira cumulativa, sem a exclusão dos juros de mora e a atualização monetária. Assim, com esta comprovação, ou melhor, com a contraprova, o contribuinte não é devedor, mas, sim credor do Fisco Federal. Requer, diante do exposto, o acolhimento da defesa apresentada para que seja-lhe devolvida a instrução, para salvar este processo tributário administrativo de ser totalmente nulo de pleno direito e, ainda, constituir-se em um abuso de direito, como consagra o artigo 187, do Novo Código Civil. A decisão de primeira instância (fls. 135/141), julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-008.587 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000254/2009-17 Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do ato administrativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se ao contribuinte é concedido direito e oportunidade de apresentar defesa e documentos e provas relacionados ao pleito nela contido. AUDIÊNCIA PRÉVIA DO CONTRIBUINTE - Sendo o procedimento de lançamento privativo da autoridade lançadora, não há qualquer nulidade ou sequer cerceamento do direito de defesa pelo fato de a fiscalização lavrar um auto de infração após apurar o ilícito, mesmo sem consultar o sujeito passivo ou sem intimá-lo a se manifestar, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo. O contribuinte foi cientificado da referida decisão em 14/03/2013 (fl.145) e apresentou Embargos de Declaração em 20/05/2013 (fls. 147/149). O referido recurso, apesar de não previsto na primeira instância, foi julgado pela DRJ e rejeitado (fls.163/164). Intimado do resultado dos Embargos de Declaração, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls.169/172), cujos excertos principais são abaixo transcritos: A decisão 'a quo' não acolheu a prova material, apresentada em nosso último embargos declaratórios, que foi o DARF [Documento de Arrecadação de Receitas Federais ], onde demonstra de maneira legal e incontestável, irretorquível, indiscutível, que recolheu o tributo, mas, de maneira a maior, mas, não houve uma prova pericial contábil, para ficar evidente: se havia a necessidade de ser feito o recolhimento do 'DARF' ou não. Por ser uma 'ação indenizatória, de relação jurídica continuativa, iniciando em novembro/1980 até os anos 2.000, indexada com juros de mora e atualização monetária, respeitando, legalmente, o ano-calendário. O acidente do trabalho ocorreu em novembro/1980 e diante do 'princípio da legalidade’ e da previsão legal do art. 69, IV, da lei 7.713/88 e o decreto n. 3.000/99, que 'excluem da incidência do imposto de renda as indenizações por acidente do trabalho. E existem inúmeras ementas, que reafirmam esta situação jurídica seja no âmbito constitucional e infra-constitucional, como requer a juntada de outras decisões, para demonstrar a ilegalidade, a ilicitude em exigir a 'tributação'; quando não e devida. Assim, para ficar bem caracterizado um 'ato ilícito' este processo administrativo, além, dos cuidados acima descrito, os julgadores, também, violaram normas processuais, tanto, administrativas, como judiciárias, no curso deste procedimento administrativo. Estes erros, na atividade julgadora são denominados: 'error in procedendo', pois, deveria ser resolvidas as 'questões preliminares', antes do mérito! E, havendo 'questões prejudiciais', que, somente, uma 'perícia contábil' iria ou irá constituir a 'prova pericial [ arts. 420 a 439 cpc ]', pois, ficou comprometido o mérito, pelo 'error in judicando', por ocorrer a apreciação dos autos, mas, em desconformidade com a realidade e pela incorreta aplicação do direito, em face de ter: 'recolhido indevidamente e apresentado oDARF, como prova material, incontestável. A r. Decisão proferida, infelizmente, não respeitou o comando constitucional do inciso IX, art. 93 da carta magna, que exige a 'motivação' e a 'fundamentação' e perante o processo civil, as decisões tornaram-se: 'extra petita', é aquela que decide 'causa diferente da que foi posta ã apreciação do órgão julgador, por recair sobre objeto diverso do pugnado'. E, sendo passível de anulação, como dispõe o art. 460 do CPC: "É Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-008.587 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000254/2009-17 defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantia superior ou em debito diverso do que lhe foi demandado". Por isso, requer, novamente, a v. Exa., se digne em fazer: 'conversão do julgamento em diligência', para apreciar o 'DARF', juntado, para ser feita a perícia contábil', para auferir o crédito do recorrente, em virtude dos recolhimentos indevidos! E, fazer uma 'correição', em razão dos erros de direito e de abusos, que importarem na inversão tumultuaria dos atos e fórmulas da ordem legal das legislações substantiva e adjetiva civil e a legislação tributária. Por derradeiro, aguarda-se o acolhimento deste recurso, pelo CARF e anulando este processo administrativo, bem como, a devolução do crédito tributário a pós apuração da prova pericial. Pois, até o presente momento, neste feito, foi-se ' induzido a erro de direito e das fórmulas processuais, participado de uma fraude [ art. 347 cp ], através de várias nulidades insanáveis e insanas, que desafiam e violam os 'princípios da administração pública, o art. 37 'caput', da carta republicana e caso contrário, também, seria perpetuar, os 'abusos de direito e de poder', totalmente, condenado pelo art.187 CC/02; e, pelo 'desvio de poder', como alude o art. 49 'caput', alínea "h", da lei n. 9 4.898/65. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Decisão Proferida com Preterição ao Direito de Defesa O recorrente destaca que a decisão de primeira instância deixou de analisar argumentos apresentados em sede de impugnação e nos embargos de declaração. Não é exaustivo repisar: A decisão 'a quo' não acolheu a prova material, apresentada em nosso último embargos declaratórios, que foi o DARF [Documento de Arrecadação de Receitas Federais ], onde demonstra de maneira legal e incontestável, irretorquível, indiscutível, que recolheu o tributo, mas, de maneira a maior, mas, não houve uma prova pericial contábil, para ficar evidente: se havia a necessidade de ser feito o recolhimento do 'DARF' ou não. Por ser uma 'ação indenizatória, de relação jurídica continuativa, iniciando em novembro/1980 até os anos 2.000, indexada com juros de mora e atualização monetária, respeitando, legalmente, o ano-calendário. Examinando-se detidamente a peça impugnatória e a decisão de piso, verifica-se que não há menção na decisão recorrida quanto a não inclusão na base de cálculo do tributo, dos juros de mora e da atualização monetária, de sorte que o argumento renovado em sede recursal não pode ser apreciado nessa instância, quando não houve o enfrentamento da matéria pelo julgador a quo. Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-008.587 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000254/2009-17 Em relação aos DARF apresentados por ocasião dos Embargos de Declaração, não obstante o recorrente não tê-los apresentado por ocasião do protocolo da impugnação, não houve manifestação por parte da Delegacia de Julgamento. Apesar de a manifestação do contribuinte após a intimação do acórdão de impugnação não ser de conhecimento obrigatório, já que não existe previsão de cabimento de Embargos de Declaração nos atos normativos que regulam o funcionamento das DRJ, a autoridade julgadora optou por conhecê-los para, alfim, rejeitá-los. Diante da opção da autoridade julgadora de primeira instância de conhecer os Embargos de Declaração, entendo que os documentos apresentados pelo contribuinte às fls deveriam ter sido apreciados. Destarte, entendo que a decisão recorrida deixou de abordar ponto essencial ao deslinde do feito. A omissão verificada consubstancia-se em cerceamento ao direito de defesa do recorrente e macula a decisão com vício que gera a sua nulidade. Prevê o art. 59, do Decreto n° 70.235/1972, verbis: Art. 59. São nulos: os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Dessa forma, os autos devem retornar à DRJ de origem para proferimento de nova decisão, integrando-a com manifestação expressa acerca das matéria tratada na impugnação e não analisada pela decisão de piso, bem como expressa manifestação acerca dos DARF colacionados às fls. 152/157. Conclusão Diante de todo o exposto, voto conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe parcial provimento, no sentido de anular a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida, nos termos da fundamentação supra. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-008.587 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000254/2009-17 Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.905529/2008-44
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Não se homologa Declaração de Compensação quando inexiste o crédito alegado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
APURAÇÃO DE CRÉDITO. IMPROPRIEDADE.
A apuração de crédito tributário antecede a apresentação de Declaração de Compensação, a qual extingue o crédito tributário sob condição resolutória, não sendo instrumento adequado para se perquirir eventual existência de direito creditório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.014
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa Declaração de Compensação quando inexiste o crédito alegado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITO. IMPROPRIEDADE. A apuração de crédito tributário antecede a apresentação de Declaração de Compensação, a qual extingue o crédito tributário sob condição resolutória, não sendo instrumento adequado para se perquirir eventual existência de direito creditório. Recurso Voluntário Negado.
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa Declaração de Compensação quando inexiste o crédito alegado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITO. IMPROPRIEDADE. A apuração de crédito tributário antecede a apresentação de Declaração de Compensação, a qual extingue o crédito tributário sob condição resolutória, não sendo instrumento adequado para se perquirir eventual existência de direito creditório. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10980.905529/200844 Acórdão n.º 3301001.014 S3C3T1 Fl. 60 2 Relatório SÃO JOSÉ DOS PINHAIS PREFEITURA, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 58/72 contra o acórdão nº 0630.381, de 16/02/2011, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba PR, fls. 48/49v, que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, por meio de PER/Dcomp transmitida em 15/06/2004 (fl. 01), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: A Interessada transmitiu a declaração de compensação (Dcomp) n.º 20542.32175.150604.1.3.049006 (fls. 05/11), informando crédito original de R$ 419.703,04, que adviria de pagamento indevido ou a maior (DARF descrito à fl. 07), utilizandoo para extinguir débitos de Pasep indicados na referida declaração. O titular da DRF/Curitiba exarou o Despacho Decisório de fl. 01, no qual consta que “analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal”, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada. Cientificada em 31/07/2008, a interessada apresentou, em 13/08/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 12/17, instruída com os documentos de fls. 18/41, a seguir sintetizada. Afirma que o valor indicado na Dcomp como pagamento via DARF, na verdade se refere a um valor solicitado em um pedido de restituição. Sustenta a existência de suposto direito creditório, que foi argüido no precitado pedido de restituição, e que adviria de pagamentos a maior feitos com base nos DecretosLei n.º 2.445 e n.º 2.449, ambos de 1988, os quais, por sua vez, foram retirados do mundo jurídico por Resolução do Senado Federal, posto que inconstitucionais. Alega que haveria carência no software da RFB para “aceitar o caso não de equivoco no recolhimento de um ou dois DARFs, mas por recolhimento à maior por culpa de uma legislação inconstitucional assim mesma reconhecida pelo Senado Federal pela Resolução n. 49 e considerando o princípio da economia processual, o que fez o município foi somar todo o período que lhe gerou crédito – descrito na planilha anexa – e preencher o DARF com o valor desta soma.”; anexa, assim, planilha de cálculos (fls. 18/21) onde estariam demonstrados os valores dos DARF de todo o período objeto do referido pedido de restituição; diz, ainda, que esse procedimento permitiria a compensação declarada, ainda que pendente de ulterior homologação. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10980.905529/200844 Acórdão n.º 3301001.014 S3C3T1 Fl. 61 3 No seguimento, discorre sobre a evolução da legislação do PASEP, fazendo ênfase na edição dos referidos decretosleis e no julgamento da inconstitucionalidade dos mesmos pelo STF, bem como na edição da Resolução do Senado Federal n.º 49, de 1995, que teria “suspendido” a execução dos mesmos, e consagrado a aplicabilidade das Leis Complementares n.ºs 07 e 08, ambas de 1970, e o Decreto n.º 71.618, de 1972, para o período de vigência dos referidos normativos. Argumenta que sua compensação, decorrente dos referidos pagamentos indevidos ou a maior, foi regulada pela IN SRF n.º 210, de 2002, e que a partir da “protocolização” da Dcomp , os créditos tributários, correspondentes às parcelas compensadas, estariam extintos, sob condição resolutória. Pede, por fim, o reconhecimento de seu procedimento de compensação. Junto com essa peça de defesa, consta dos autos o arrazoado de fls. 26/40, protocolizado na mesma data, onde a interessada além de repetir considerações já feitas na manifestação de inconformidade, sobre a inconstitucionalidade dos DecretosLei n.º 2.445 e n.º 2.449, de 1988, sobre a legislação que passou a dar validade à exigência do PASEP, sobre a legislação que permitiria a compensação declarada, cita também jurisprudência acerca da semestralidade do PIS/Pasep, que teria vigorado entre julho/1988 e março/1996, bem como acerca da prescrição e decadência da recuperação, pelos contribuintes, de eventuais valores pagos a maior a título de PIS/Pasep, além de repetir alegação sobre a impossibilidade de instruir a Dcomp com a documentação que comprovaria a origem do crédito, bem como que não seria possível indicar o número gerado pelo programa PER/DCOMP para o pedido de restituição, mas que deveria ser fornecido um número de processo administrativo À fl. 42, despacho do Seort/DRF/Curitiba atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade. A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Comprovada a inexistência do crédito apontado em DCOMP como compensável, considerase não homologada a compensação declarada pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 83DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10980.905529/200844 Acórdão n.º 3301001.014 S3C3T1 Fl. 62 4 Tempestivamente, em 23/03/2011, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 58/72, apresentando os seguintes argumentos: a) promoveu a compensação de valores recolhidos com base nos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, com observância do art. 66 da Lei nº 8.383/91, art. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 e IN SRF nº 210/2002. Assim, o crédito decorrente de valores pagos entre jan/92 a fev/96 não podem ser desconsiderados sob a alegação de erro no preenchimento do PER/Dcomp, vez que atenta contra vários princípios que norteiam o processo administrativo, dentre os quais o da verdade material, oficialidade, informalidade, eficiência e razoabilidade. Ademais, o não reconhecimento do crédito acarreta, ainda, o enriquecimento sem causa da União; b) inocorrência de decadência dos valores compensados, consoante a chamada tese dos 5 + 5, inaplicandose a LC nº 118/05, com vigência a partir de 09/06/2005, vez que o pedido de compensação referese à pagamentos anteriores à vigência da lei. Por fim, requer seja homologada a compensação efetuada e consequente extinção do crédito tributário. Sucessivamente, novo julgamento pela instância a quo, com a devida análise da totalidade das provas veiculadas aos autos pela Recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Compulsando os autos verificase a sequência de acontecimentos, conforme a seguir se relata. A interessada transmitiu declaração de compensação de fls. 05/11, em 15/06/2004 (fls. 01 e 05), indicando a existência um crédito de valor original de R$419.703,04 (fls. 01 e 06), o qual adviria de pagamento indevido ou a maior (fl. 05), efetuado por meio do DARF descrito à fl. 07, cuja data de arrecadação fora registrada como sendo 30/11/2003. Após analisar os dados fornecidos pela contribuinte na precitada Declaração de Compensação, em 12/09/2006 (fl. 47), a interessada fora intimada pelo fisco a prestar esclarecimentos, vez que o DARF indicado pela contribuinte não fora localizado no sistema (fl. 46). Tendo em vista a ausência de manifestação por parte da contribuinte, foi lavrado o Despacho Decisório de fls. 01/04 que, diante da inexistência de crédito, não homologou a compensação declarada. Vez que teve sua pretensão obstaculizada pelo fisco por meio do precitado Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 12/17 acompanhada dos documentos de fls. 18/41, mencionando que “o Pedido de Restituição somente foi preenchido com a informação de um único recolhimento, atualizado em 30/11/2003, por limitação do sistema PER/DCOMP, que impossibilita a informação de mais de um DARF simultaneamente.” (fl. 39). Fl. 84DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10980.905529/200844 Acórdão n.º 3301001.014 S3C3T1 Fl. 63 5 Não procede a alegação da interessada, conforme se observa a partir dos artigos baixo transcritos da IN SRF nº 210/02, que à época tratava da matéria: Art. 3o A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; [...] Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". [...] Art. 44. Ficam aprovados os formulários "Pedido de Restituição", "Pedido de Pagamento de Restituição", "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", "Pedido de Ressarcimento de IPI", "Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito" e "Declaração de Compensação" constantes, respectivamente, dos Anexos I, II, III, IV, V e VI desta Instrução Normativa. Parágrafo único. A SRF disponibilizará, no endereço <www.receita.fazenda.gov.br>, os formulários a que se refere o caput. (grifei) [...] Posteriormente, a IN SRF nº 210/02 foi revogada pela IN SRF nº 600/04, que passou a tratar da matéria nos seguintes termos: Art. 3º [...] § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (grifei) Portanto, não procede a alegação da interessada de que o seu Pedido de Restituição somente foi preenchido com a informação de um único recolhimento, atualizado em 30/11/2003, por limitação do sistema PER/DCOMP, dado que tal pedido deveria ter sido apresentado mediante o formulário Pedido de Restituição. Ademais, inexiste previsão para alteração da natureza do crédito informado pela interessada, na Dcomp. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10980.905529/200844 Acórdão n.º 3301001.014 S3C3T1 Fl. 64 6 Portanto, a questão que se apresenta é a não homologação da declaração de compensação em decorrência de inexistência do crédito alegado, pela contribuinte, que declarou um crédito de valor original de R$419.703,04, que atualizado corresponderia a R$1.144.320,34 (fls. 01 e 06), o qual adviria de pagamento indevido ou a maior (fl. 05), efetuado por meio do DARF descrito à fl. 07, cuja data de arrecadação fora registrada como sendo 30/11/2003. Contudo, com a negativa de seu pleito, a interessada altera o que havia declarado, argumentando que o crédito advém de valores pagos indevidamente entre jan/92 a fev/96, recolhidos com base nos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais. Desse modo, caberia a contribuinte apurar seus créditos em consonância com a normas que regem a matéria. A declaração de compensação extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Logo, tratase de um instrumento que extingue o débito da contribuinte perante o fisco e não de um primeiro passo para apuração de eventual indébito que o sujeito passivo possua. A instância julgadora não se presta a suprir a inércia da contribuinte que deveria ter observado o prazo e as normas aplicáveis ao caso de modo a não perecer eventual direito que pudesse possuir. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Portanto, fica prejudicada a apreciação das demais questões, visto que o crédito indicado na Dcomp diz respeito a pagamento via DARF, sem fazer menção a processo de restituição sendo, portanto, inadequada a análise de eventuais indébitos de recolhimentos efetuados entre jan/92 a fev/96, conforme citado anteriormente. Afinal, repisese, inexiste previsão para alteração da natureza do crédito informado pela interessada, na Dcomp e a apuração de crédito tributário antecede a apresentação de Declaração de Compensação, a qual extingue o crédito tributário sob condição resolutória, não sendo instrumento adequado para se perquirir eventual existência de direito creditório. Assim, tendo em vista a inexistência do DARF indicado e, consequentemente, do crédito alegado, não há como homologar a compensação declarada, não havendo reparos a fazer à decisão recorrida. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Fl. 86DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10980.905529/200844 Acórdão n.º 3301001.014 S3C3T1 Fl. 65 7 Fl. 87DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 37311.011874/2006-92
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 07/06/2006
ARTIGO 58, § 4º DA LEI N.' 8213/1991 C/C ARTIGO 28.3, II, "o" DO
RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3,048/99 -NÃO ENTREGA DO
PPP QUANDO DA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO,
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenci ária.
A empresa é obrigada a manter atualizado o PPP, bem como fornecer cópia autenticada quando da FeSeiSãO do contrato de trabalho do segurado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-000.560
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 ARTIGO 58, § 4º DA LEI N.' 8213/1991 C/C ARTIGO 28.3, II, "o" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3,048/99 -NÃO ENTREGA DO PPP QUANDO DA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO, A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenci ária. A empresa é obrigada a manter atualizado o PPP, bem como fornecer cópia autenticada quando da FeSeiSãO do contrato de trabalho do segurado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-14T19:29:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-14T19:29:22Z; Last-Modified: 2010-12-14T19:29:23Z; dcterms:modified: 2010-12-14T19:29:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:3c1ada0c-36de-49bf-9ef6-8cb365fe876b; Last-Save-Date: 2010-12-14T19:29:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-14T19:29:23Z; meta:save-date: 2010-12-14T19:29:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-14T19:29:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-14T19:29:22Z; created: 2010-12-14T19:29:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2010-12-14T19:29:22Z; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-14T19:29:22Z | Conteúdo => EIRA — Presidente e Relator S2-C312 Fl MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 37311,011874/2006-92 Recurso n° 249,88.3 Voluntário Acórdão n" 2302-00560 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente JUL INDUSTRIAL, LTDA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIAR1A ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 ARTIGO 58, § 4.." DA LEI N.' 8213/1991 C/C ARTIGO 28.3, II, "o" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N," .3,048/99 -NÃO ENTREGA DO PPP QUANDO DA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO, A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenci ária. A empresa é obrigada a manter atualizado o PPP, bem como fornecer cópia autenticada quando da FeSeiSãO do contrato de trabalho do segurado, Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Participaram do present'e julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Edgar Silva Vidal (suplente), Arlindo Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Thiago Davila Melo Fernandes e Marco André Ramos Vieira (presidente) Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 58, § 4" da Lei n ° 8..213/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 283, II, "o" do RPS, aprovado pelo Decreto n 1048/1999, Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar e manter atualizado perfil protissiográlico abrangendo as atividades dos trabalhadores que lhes prestam serviços, e de fornecer a estes, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento, tis. 38 a 46. Não conformado com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 68 a 84. O órgão previdenciário emitiu a Decisão-Notificação (DN), fls. 105 a 116, mantendo a autuação com relevação parcial da multa aplicada. A recorrente, não concordando com a DN emitida pela Previdência Social, interpôs recurso, tis, 121 a 143. Em síntese a recorrente alega o seguinte: a) Há cerceamento de defesa pelo exíguo prazo para impugnação; b) Foram aplicadas multas progressivas na forma da Lei n 8,620; c) Não há MPF regular devendo ser reconhecida a nulidade do procedimento; d) O PPP somente foi exigido a partir de 2004; requerendo a anulação da multa para os exercícios anteriores; e) Os PPP foram entregues aos segurados; O Requerendo a reforma da decisão recorrida. A unidade da SRP apresentou contra-razões às fls. 146 a 147 pugnando pela manutenção da decisão. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à ti, 145. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito, DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Quanto ao argumento de que houve cerceamento do direito de defesa pelo exíguo prazo para impugnação, não lhe assiste razão. Á ti. 02 foi cientificado à empresa de que teria o prazo de 15 dias para apresentar defesa. Os prazos no processo administrativo são peremptórios, não podendo ser alterado pelas partes, tampouco a administração pode alterá-los para um determinado contribuinte_ Assim, independentemente da quantidade de autuações 2 Processo n°37311 011874/2006-92 52-C31-2 Acórdão n " 2302-00.560 1=1 2 lavradas, tal quantidade não tem o condão de alterar o prazo para apresentação de defesa administrativa. O prazo para apresentação de impugnação é erk- lege, e justamente para não ferir o princípio da isonomia, o prazo de 15 dias deveria ser observado em qualquer. caso. Nesse sentido, dispunha o art., 37, § 1 0 da Lei n ° 8,212/1991: Art 37, Constatado o atraso total ou parcial no ecolhimento contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de filha de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavraiá notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento § 1" Recebida a notificação do débito, a empresa ou segui ado terá o prazo de 1.5 (quinze) dias para apresentar deksa, observado o disposto em regulamento (Parágralb remunerado pela Lei n'9 711, de 20/11/98) Sendo aplicada a lei da forma como prevista, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. O argumento recursal de que teriam sido aplicadas multas progressivas na forma da Lei n ° 8,620, não guarda relação com a presente autuação. O valor da multa aplicada não sofre alteração, e foi aplicada com fundamento na Lei Ft ° 8,212 de 1991, conforme expressamente consignado à fl. 01. Quanto ao argumento da recorrente de que o lançamento não está coberto por. MPF; não lhe assiste razão. O MPF à fl. 08 foi cientificado ao contribuinte em 8 de agosto de 2005, e conferia cobertura até 3 de dezembro de 2005, Posteriormente foi emitido o MPF complementar, cuja ciência ocorreu em 14 de novembro de 2005, fl. 09, E em 18 de novembro de 2005 foi conferida ciência de novo MPF complmentar que prorrogou a ação fiscal até 2 de janeiro de 2006 (ti. 10). O MPF à ti. 11 cuja ciência ao contribuinte foi realizada em 14 de dezembro de 2005, conferiu cobertura até 7 de fevereiro de 2006. Por sua vez, o MPF à ti, 12 prorrogou a ação fiscal até 17 de março de 2006, e posteriormente houve nova prorrogação até 7 de maio de 2006, por meio do MPF à ti. 13. Por fim, o MPF à fl. 14 prorroga a possibilidade da ação fiscal até 25 de junho de 2006.. In casu, todos os MPF foram regularmente emitidos, e todos foram devidamente cientificados ao sujeito passivo. O auto de infração foi cientificado ao sujeito passivo em 7 de junho de 2006, fl. 01; desse modo dentro do período coberto por MPF, Assim, havia cobertura para ação fiscal e principalmente para a realização do lançamento. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe cia culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer. deseumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Nesse sentido é o disposto no art. 136 do CTN,. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2" do CTN, nestas palavras: AH 113 A obrigação tributária é principal ou acessória 1" A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, leni por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente 2" A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos 3" A obrigação acessória, pelo simples . fato da sua inob.servância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Ao contrário do afirmado pela recorrente, a exigência do formulário PPP não foi exigida somente a partir de 2004.. A exigência do documento perfil profissiográfico está disposta no art. 58, § 4" da Lei n° 8.213/1991, nestas palavras: íiii 58( 4" A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil mafissiognifico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e , fOrnecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autentica deste documento (Parágrafb acrescentado pela Medida Provisória 1.523/96, reeditada até a conversão Lei a" 9 528, de 10/12/97) Regulamentando a Lei n ° 8.213/1991, publicou-se o Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n 3.,048/1999. Em seu artigo 68, o RPS na redação original, antes da alteração introduzida pelo Decreto n ° 4..032/2001, assim dispunha: Ari 68. A relação dos agentes nocivos químicos, .físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados para fins de concessão de aposentadoria especial, consta do Anexo IV. I" As dúvidas .sobre o enquadramento dos agentes de que trata o cama, para efeito do disposto nesta Subseção, serão resolvidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério da Pi evidência e Assistência Social 2" A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante fbrandário, na .fbrma 4 Processo n' 37311 .01 1874/2006-92 S2-C312 Acórdão n ." 2302-00360 H 3 estabelecido pelo Instituto Nacional do Seguro Social, emitido pela empresa ou seu pi «posto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista esç 3" Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo 4" A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com O respectivo laudo estará sujeita à multa prevista no m t 283 ,sç 5" Para fins de concessão de beneficio de que trata esta Subseção e observado o disposto no parágrafo atuei-UH, a perícia médica do Instituto Nacional do Segui o Social deverá analisar o . formulário e o laudo técnico de que tratam os 2" e 3", bem como inspecionar o local de trabalho do segurado para confirmar as infonnaçõe.s contidas nos referidos documentos ,sç 6" A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fbrnecer a este, quando da rescisão do comi ato de trabalho, cópia autêntica deste documento, sob pena da multa prevista no art. .283 ár 7" O Ministério da Previdência e Assistência Social baixará instruções definindo parâmetros com base na Norma Regulamentadora 12" 6 (Equipamento de Proteção Individual), Norma Regulamentadora n" 7 (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), Norma Regulamentdora n" 9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e na Norma Regulamentruhnv n" 15 (Atividades e Operações Insalubres), aprovadas pela Portaria/MTb n" 3.214, de 8 de ¡unho de 1978, para . fins de aceitação do laudo técnico de que tratam os 2" e 3" (Redação dada pelo Decreto n" 3 265, de 29/11/99) Conforme acima disposto, no § .2" do art.. 68 do RPS, há a remissão para urna forma a ser estabelecida pelo INSS.. A Ordem de Serviço INSS/DSS n 564 de 9 de maio de 1997, em seu item 12.2, assim dispunha em relação aos requisitos exigidos no documento: 12.2 Além da comprovação do tempo de trabalho, a prova de exposição a agentes nocivos, lar-se-á através do formulário Informações sobre Atividades com Exposição a Agentes Agressivos-Aposentadoria Especial - modelo DSS-8030 (antigo SB-40), sendo obrigatórias, dentre outras, as .seguintes informações.. a) Descrição do local onde os serviços fbram realizados, b) descrição minuciosa das atividades executadas pelo segui ado; c) agentes nocivos à solide ou à integridade física a que o .N e gu ra da ficava c..xposto durante a jornada de trabalho, cl) se a exposição ao agente nocivo ocorria de modo habitual e permanente Posteriormente, a Ordem de Serviço INSS/DSS n ° 600, de 2 de junho de 1998, assim dispôs em seu item 2, informando os requisitos básicos exigidos: 2 COMPROPAÇÃO DO E -XE -W.1.M DE- ATIVIDADE ESPECIAL 2 I Formulário Informações sobre Atividades com Exposição a Agentes Agressivos - Aposentadoria Especial - Modelo DSS - 8030 (antigo SB - 40) 2 1 I Além da comprovação do tempo de trabalho e da carência, a prova de exposição a agentes nocivos, prejudiciais à saúde ou à integridade física, far-se-á através do fOrmulário InfOrmaçães sobre Atividades com Exposição a Agentes Agressivos - Aposentadoria Especial - modelo DSS - 8030 emitido pela empresa ou seu ['reposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho, sendo obrigatórias, dentre outras, as seguintes tufar/nações. a) de.scrição do local onde os serviços finam realizados; b) descriçãe:»ninuciosa das atividades executadas pelo euurado; c) agentes nocivos prejudiciais à saúde ou ri integridade física a que o segurado ficava exposto durante ajornada de trabalho; d) se a exposição ao agente nocivo ocorria de modo habitual e permanente, não ocasional nem intermitente; e) dssinana a e identificação do responsável pelo preenchimento do formulário, CGC ou matricula da empresa no INSS,. g) esclarecimento sobre alteração de razão social da empresa, no caso de sucessora; h) transcrição integral ou sintética ria conclusão do laudo a que se refere a alinea "i" do subitein 2 2 4 Mais tarde, a Ordem de Serviço INSS/DSS n ° 623, DOU de 26/5/1999, em seu item 25.2, assim dispunha: 2.5.2 - A einpre.sa deverá elaborar e manter atualizado perfil prolissiogiáfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fbinecer a este, quando da rescisão do contrato de 6 7 Processo n" 37311 011874/2006-92 S2-C3T 2 Acórdão n." 2302-00360 Fi 4 trabalho, cópia autêntica deste documento, sob pena da multa prevista no artigo 283 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 25.2.1 - Enquanto não lbr definido modelo próprio para emissão do documento referido no subitem 25 2, a empresa poderá fbrnecer ao empregado o fbrinulállo DSS-8030 .2.5.2 .2 - Na inexistência de laudo técnico e do documento citado no subi/eu: 2.5.2, deverá o fato ser comunicado ao setor de Arrecadação e Fiscalização. Por sua vez, a Ordem de Serviço Conjunta INSS/DAF/DSS n ° 98 de 9 de junho de 1999, assim dispunha em seu item 11: 11. A empresa deverá fornece, cópia do perfil profissiográfico ao trabalhador que exerça atividade sujeita à aposentadoria especial, quando da rescisão do contrato de trabalho 11,1 - A comprovação da entrega do documento poderá ser kita no próprio instrumento de rescisão Ou em recibo à parte 11.2 - A falta de apresentação do perfil profissiográfico do trabalhador ou a falta de comprovante de entrega da cópia deste ao segurado, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, incorre na infração do disposto nu 4" do art 58 da Lei mi" 8.213/91, observado o subitem seguinte 11.2.1 - Até que seja definido modelo próprio, o !emulara.) DSS 8030 poderá ser utilizado como perfil profissiográfico A Instrução Normativa - IN INSS/DC ri c' 57, DOU de 11/10/2001 dispõe em seu art. 180, § 1" que até que sejam estabelecidos os parâmetros para a elaboração do documento referido no inciso V (PPP), será aceito o formulário DIRBEN-80.30. Art. 180. Considera-se, para efeito desta insn ução, que. 1 - o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), nos termos da NR-09, visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, pela antecipação, pelo reconhecimento, pela avaliação e, conseqüentemente, pelo controle da ocomineia de riscos ambientais, sendo sua abrangência e profundidade dependentes das características dos riscos e das necessidades de controle, devendo ser elaborado e implementado pela empresa, por estabelecimento,. II - o Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT), nos teimas da N.R-18, obrigatório para estabelecimentos que desenvolvem incluso ia da construção, grupo 45 da tabela CNAE, com vinte trabalhadores ou mais, implementa medidas de controle e .sistemas preventivos de segurança nos plocessos, nas condições e no meio ambiente de trabalho,. III - o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMS0), nos termas da NR-07, objetiva promover e preservar a saúde dos trabalhadores, a .ser elaborado e implementado pela empresa ou pelo estabelecimento, a partir do PPRA e do PCMAT, com o caráter de promover prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive de natureza subclinica, além da constatação da e.xistência de casos de doenças profissionais ou danos irreversiveis à saúde, IV - o Laudo Técnico para fins de Concessão de Aposentadoria Especial é uma declaração pericial emitida por engenheiro de segurança 011 médico do trabalho habilitado pelo respectivo órgão de registro profissional, que, respaldada na avaliação periódica do . PPRA e no Perfil Prqfissiográfico, identifica, entre outras especificações, as condições ambientais de trabalho, o registro dos agentes nocivos, a avaliação do trabalho como permanente, não-ocasional nem interiniterne, concluindo se a atividade exercida está, ou não, sujeita a agentes nocivos à saúde ou à integridade fisica, V - o perfil profissiográfico previdenclário é o documento histórico de laboração, personalissimo, do trabalhador que presta serviço à empresa, que, entre outras informações, registra dados administrativos, parâmetros ambientais e indicadores biológicos I" Até que sejam estabelecidos os parâmetros para a elaboração do documento referido no inciso V, será aceito o DIRBEN-80.30. 2" O PPR/1 encerra fonte primária de todos os dados, documentos e programas relativos aos riscos ambientais, possui caráter dinâmico, sendo retroalimentado pelo PCMSO, por - intermédio do relatório anual de exames médicos, com os respectivos resultados de anormalidades na saúde dos trabalhadores 3" No estabelecimento em que não forem identificados riscos ambientais nas fases de antecipação e reconhecimento, o PPRA resumir-se-á ao registro e à divulgação dos dados 40 A empresa contratante de serviços de terceiros intramuros deverá informar à contratada os riscos ambientais relacionados à atividade que desempenha e auxiliá-la na elaboração e na implementação dos respectivos PPRA, PCMS0 e PCMAT, os quais terão de guardar consistência entre si, ficando a contratante responsável, em última instância, pelo fiel cumprimento desses programas. Posteriormente, a Instrução Normativa 1NSS/DC n '" 78, DOU de 18/7/2002 dispôs sobre a elaboração do PPP em seu art. 148, instituindo este documento. A própria Instrução faculta a emissão do PPP ou dos antigos formulários até 30/6/2003.. Art 148 A comprovação do exercido de atividade especial será feita pelo PPP — Perfil Profissiogre-Vico Previdenciário, emitido pela empresa com base em laudo técnico de condições ambientais de trabalho e..: npedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança , confim-me Anexo XV— ou alternativamente, até .30 de junho de 2.003, pelo formulário, antigo 5I3 - 40, D1SES BE 5235, DSS-8030, DIRBEN 8030 Processo n" 37311 011874/2006-92 Acórdão o 2302-00.560 S2-C3 Í2 H 5 § I" Fica instituído o PPP - Perfil Profis.siogrr-Uico Previdênciário, que contemplará, inclusive, infOrmaçães pertinentes aos formulários em epígrafe, os quais deixarão de ler eficácia a partir de 01 de julho de 2003, ressalvado o dispo.sto no § 2" deste artigo § 2" Os formulários em epígrafe emitidos à época em que o segurado exerceu atividade, deverão ser aceitos, exceto no caso de dúvida justificada quanto a sua autenticidade § 3" Para a análise dos documentos vão obrigatórias, entre outras, as seguintes infbrmaçães: 1 — nome da empresa e endereço do local onde fbi exercida a atividade, — identificação do trabalhador,. III — nome da atividade profissional do segurado — contemlo descrição minuciosa das tarefas executadas, IV—descrição do local onde fbi exercida a atividade,. V—duração da jornada de trabalho, VI — período trabalhado; VII — informação sobre a existência de agentes nocivos prejudiciais à saúde ou à integridade física a que o segurado ficava exposto durante a jornada de trabalho; VIII — ocorrência ou não de exposição a agente nocivo de modo habitual e permanente, não ocasional nem intermitente; IX — assimatura e identificação do responsável pelo preenchimento do . formulário, podendo ser firmada pelo responsável da empresa ou seu preposto; X — NPJ ou matrícula da empresa e do estabelecimenu»io INSS,- — esclarecimento sobre alteração de razão social da empresa, no caso de sucessora, XII — transcrição integral ou sintética da conclusão do laudo a que se refère o inciso IX do cat. 1.56 desta Instrução, se for o caso Mais recentemente foi publicada a IN INSS/DC li° 90, de 16/6/2003, alterando o prazo para exigência do formulário PPP, sendo facultativa a sua elaboração até 30/101200.3, e obrigatório a partir de 1"/11/2003. Conforme demonstrado, a empresa era obrigada a elaborar, manter atualizado e a fornecer o documento perfil profissiográfico a seus empregados durante o período compreendido na presente ação fiscal. O documento em tela poderia ser o DSS-8030 ou o 9 DIRBEN 8030, conforme modelos estabelecidos pelo INSS, mas caso a empresa não seguisse o modelo, deveria, pelo menos, conter os requisitos exigidos, quais sejam: a) descrição do local onde os serviços foram realizados; b) descrição minuciosa das atividades executadas pelo segurado; c) agentes nocivos prejudiciais à saúde ou à integridade fisica a que o segurado ficava exposto durante a jornada de trabalho; d) se a exposição ao agente nocivo ocorria de modo habitual e permanente, não ocasional nem intermitente; e) assinatura e identificação do responsável pelo preenchimento do formulário; f) CGC ou matricula da empresa no INSS; g) esclarecimento sobre alteração de razão social da empresa, no caso de sucessora; h) transcrição integral ou sintética da conclusão do laudo a que se refere a alínea "i" do subitem 2,2.4 da Ordem de Serviço INSS/DSS n 600, de 2 de junho de 1998. O subitem 2.2.4 da referida Ordem de Serviço INSS/DSS n ° 600, assim dispõe: 2 2 4 Dos laudos técnicos emitidos a partir rle 29.04.95, deverão constar os seguintes . elementos,. a) dados da empresa, b) setor de trabalho, descrição dos locais e dos serviços. realizados em cada setor, condiçõe.s ambientais do local de trabalho, d) registro dos agentes nocivos, sua concentração, intensidade, tempo de ()Aposição conforme limites previstos em normas de segurança e medicina do trabalho, e) duração do trabalho que exponha o trabalhador aos agentes noci f) infOrmação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerrincia e recomendação de sua adoção pelo estabelecimento respectivo, g) métodos, técnica, aparelhagem e equipamentos utilizados na civalicição pericial, h) (lata e local da realização da perícia, ccmclusão do perito, devendo conter infbrmação, clara e oiyeliVa, se os agentes noci VOS .são, ou não, prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador. De acordo com a Instrução Normativa/INSS/DC n 99, de 5/12/2003, a partir de 1" de janeiro de 2004 a comprovação do exercício de atividade especial será feita pelo PPP, emitido pela empresa com base em laudo técnico de condições ambientais de trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança, 10 / VIEIRA - Relatar Processo o' 37311.011874/2006-92 S2-C312 Acórdão ri" 2302-00560 FI ó A exigência da apresentação do LTCAT será dispensada a partir de 1" de janeiro de 2004, data da vigência do PPP, devendo, entretanto, permanecer na empresa à disposição da Previdência Social, Desse modo, o formulário PPP, com essa denominação, previsto no Regulamento da Previdência Social com a alteração pelo Decreto ri ° 4,032/2001, somente foi criado pelo INSS a partir de 18/7/2002 (IN INSS/DC n ° 78/2002). Assim, o PPP poderia ser exigido a partir de 18/7/2002, sendo de elaboração facultativa pelos contribuintes, mas a faculdade limita-se entre a elaboração do formulário DIRBEN 8030, S13 - 40, DISES BE 52.35, DSS-8030, ou o PPP, e a partir de 1"/1/2004, tornou-se de elaboração obrigatória_ O próprio relatório fiscal, item 4.1 à fi. 44, faz menção aos demais formulários de exigência obrigatória, e não somente ao PPP. Quanto ao argumento recursal de que os PPP já teriam sido entregues aos segurados; tal fato já considerado pela decisão de primeira instância, o que gerou a relevação da multa aplicada, conforme fi. 115. Para os casos em que a recorrente provou a entrega dos formulários antes da emissão da decisão de primeira instância já houve a relevação em relação a esses segurados, Dessa forma, não merece reparo a decisão de primeira instância, CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE. PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2010. I 1
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003466/2003-46
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/01/2000, 31/03/2000, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 30/11/2002
DIFERENÇAS APURADAS E NÃO DECLARADAS
As diferenças entre a contribuição declarada nas respectivas DCTFs mensais e a efetivamente devida, apurada com base nos documentos fiscais e na escrita contábil do contribuinte, estão sujeitas a lanpçamento de ofício, acrescidas das cominações legais.
PARCELAS LANÇADAS. EXCLUSÃO. COMPENSAÇÃO. PROVAS
A exclusão de parcelas do crédito tributário sob a alegação de compensação depende da sua efetiva comprovação, mediante o lançamewnto em DCTFs e sua escrituração contábil.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.752
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar o recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/01/2000, 31/03/2000, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 30/11/2002 DIFERENÇAS APURADAS E NÃO DECLARADAS As diferenças entre a contribuição declarada nas respectivas DCTFs mensais e a efetivamente devida, apurada com base nos documentos fiscais e na escrita contábil do contribuinte, estão sujeitas a lanpçamento de ofício, acrescidas das cominações legais. PARCELAS LANÇADAS. EXCLUSÃO. COMPENSAÇÃO. PROVAS A exclusão de parcelas do crédito tributário sob a alegação de compensação depende da sua efetiva comprovação, mediante o lançamewnto em DCTFs e sua escrituração contábil. Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 19515.000251/2002-92
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998, 1999
VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR.
Esta 2ª Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN.
Recurso especial provido
Numero da decisão: 9202-000.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior, que negava provimento ao recurso
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998, 1999 VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. Esta 2ª Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. Recurso especial provido
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Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiada por maioria de votos, em dar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencido o Consell ‘iro Francisco Assis de Oliveira Junior, que negava provimento ao recurso. Carlos .,;et Eli as Sari-ipa-iia rfas Barreto - Presidente Relator\ EDITADO EM: 2:2 10 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo contribuinte por divergir de Acórdão assim ementado: RENDIMENTOS TRIBUIÀUEIS AUXILIO-ENCARGOS GERAIS DE GABINETE E' HOSPEDAGEM As verbas recebidas mensalmente em valor . fixo por parlamentar como auxilio de gabinete e hospedagem, sem que exista qualquer controle sobre os gastos efetuados-, estão contidas no âmbito da incidéncia tributária e devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual RENDIMENTOS PAGOS PELOS ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E MUArICIPIOS IMPOSTO DE RENDA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA. Compete à União instituir o imposto sobre a renda e proventos de qualquer' natureza e estabelecer a definição do fato gerador da respectiva obrigação, bem como a fiscalização e a arrecadação do imposto de renda incidente sobre os rendimentos pagos pelos Estados, Distrito Federal e Municípios RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL A responsabilidade da . fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento de sujeitá-lo a tributação na declaração de ajuste anual, conforme Súmula do 1 2 CC rt 12, em vigor deste 28/07/2006.. MULTA DE OFICIO - CONTRIBUINTE INDUZIDO EM ERRO PELA FONTE PAGADORA - EXCLUSÃO - Deve ser excluída do lançamento a multa de oficio quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Recurso voluntário provido parcialmente. O contribuinte alega em síntese que a) pede-se reconhecimento da inexistência d fato imponível para o reclamo do IRFON, assim como depreendido do acórdão paradigma; b) os valores recebidos, pelo recorrente, da Assembléia Legislativa de São Paulo eram para o trabalho e não pelo trabalho; e e) há o reconhecimento, por parte do v, recorielo k 2 3 Processo n" 19515 000251/2002-92 CSRF-T2 Acárd5o n " 9202-00.962 Fl 2 acórdão, de que não se tratava de espécie de aquisição patrimonial, mas devido a ausência de provas, restou validada a presunção fiscal, transformando, dessa forma, o que não é renda em renda. A Fazenda Nacional, cientificada do recurso especial do contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento, apresentou contra-razões. Argumentando em síntese que: a) não há duvidas que os valores destinados ao exercício da nobre função legiferante não estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda por não constituírem acréscimo patrimonial, mas estes devem ser comprovados e não é a identificação nominal no contra-cheque do parlamentar que distingue uma verba tributável de uma verba que não é; e b) a falta de prova no processo não muda a realidade fática, apenas não permite que ela seja considerada tal como é no julgamento por falta de demonstração. É o relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Esta 2" Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 4.3 do CTN, A propósito: "VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCiCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR - Nf0 INCIDÊNCIA Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar; não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos paia o trabalho e não pelo trabalho A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apular que o parlamentar utilizou ditos recursos em beneficio próprio não relacionado à atividade parlamentar Recurso Especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado" (Acórdão 9202-00 690, da 2" Turma da CSRF, relator: conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, em 13/04/2010) Ressalvo, contudo, ponto de vista em sentido contrário, entendendo que não logrando o contribuinte comprovar que verbas recebidas foram utilizadas para custear despesas incorridas no exercício da do Poder Legislativo Estadual, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda. Pelo exposto, atento ao entendimento dominante nesta 2 Turma da CSRF, consoante explicitado, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003341/2004-31
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
IRPF - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96.
Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em conta mantida junto a instituição financeira, incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Nos termos da Súmula CARF n° 26, “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.267
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 IRPF - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96. Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em conta mantida junto a instituição financeira, incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Nos termos da Súmula CARF n° 26, “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Recurso especial provido.
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Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em conta mantida junto a instituição financeira, incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Nos termos da Súmula CARF n° 26, “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10840.003341/200431 Acórdão n.º 920202.267 CSRFT2 Fl. 1.424 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Dagmar Antônio Tahan foi lavrado o auto de infração de fls. 18 23, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 1999, em razão da omissão de rendimentos do trabalho assalariado (prólabore) e da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com multa de ofício qualificada e agravada para o patamar de 225%. Com relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, no Termo de Verificação Fiscal n° 32 (fls. 2436), a autoridade lançadora asseverou que: 11) OS DEMAIS VALORES QUESTIONADOS, para os quais o contribuinte apresentou justificativas de "recebimento de empréstimo" e "reembolso da empresa às despesas pagas pelo sócio", sem apresentar documentação hábil e idônea comprobatória, coincidente em datas e valores, e que, pelo fato da FISCALIZAÇÃO NÃO TER IDENTIFICADO SEREM PROVENIENTES DAS CONTAS BANCÁRIAS DA EMPRESA Brasmontec Controles Industriais Ltda., SERÃO CONSIDERADOS COMO OMISSÃO DE RENDIMENTOS, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96; Medida Provisória n° 1.5631/97 e reedições posteriores convalidadas pela Lei n° 9.481/97; artigo 58 da Medida Provisória n° 66/2002, IN SRF n° 246/02 e art. 849 do RIR/99, a saber: A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) II considerou o lançamento procedente (fls. 1.2831.320, Volume VII). Por sua vez, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10709.233, que se encontra às fls. 1.3481.368 (Volume VII), cuja ementa é a seguinte: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10840.003341/200431 Acórdão n.º 920202.267 CSRFT2 Fl. 1.425 3 IRPF — TRIBUTAÇÃO DE VALORES PAGOS POR PESSOA JURÍDICA A PARTIR DE CONTA BANCÁRIA MANTIDA À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO — Se os créditos apurados em conta bancária da pessoa jurídica, mantida à margem da escrituração, já foram objeto de tributação pela presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, não prevalece o lançamento fiscal contra a pessoa física do sócio beneficiário de valores originados daquela conta bancária, ainda que o fisco, por presunção, atribua aos pagamentos a natureza de pro labore. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Em seu voto, o Relator, Conselheiro Luiz Martins Valero, fez as seguintes ponderações (fls. 1.3561.368): Supero as preliminares de nulidade, as alegações de decadência, bem assim a questão da aplicação da multa de ofício, qualificada e agravada, em função do meu voto no mérito. O autuado é sócio da pessoa jurídica BRASMONTEC – CONTROLES INDÚSTRIAS LTDA cuja conta bancária mantida à margem da escrituração contábil, é a origem dos valores a ele creditados pela referida empresa no anocalendário de 1998, conforme constatou a própria fiscalização. Aludida conta bancária teve seus créditos, no mesmo ano calendário de 1998, analisados pela fiscalização e tributados por presunção legal de omissão de receitas, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96. O lançamento contra a pessoa jurídica foi julgado e mantido nesta Câmara, veja: IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1998 DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. Presunção Legal. Ônus Da Prova. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. (1° Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara / ACÓRDÃO 10707.744 em 12.08.2004. Publicado no DOU em: 02.03.2005). Em última análise o que a fiscalização fez foi também valorar as saídas de recursos da conta corrente que fora objeto de lançamento pela aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Com efeito, a fiscalização considerou que os valores creditados ao fiscalizado, embora tenham origem na conta corrente da pessoa jurídica, não se referem a lucro nem a reembolso de despesas, como alegado, presumiu que a natureza dos rendimentos é de pro labore. Não há base legal para tal presunção. Os elementos carreados aos autos também não permitem que se presuma de forma Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10840.003341/200431 Acórdão n.º 920202.267 CSRFT2 Fl. 1.426 4 indiciária tal natureza. Pro labore ou remuneração de administradores é a remuneração mensal e fixa por prestação de serviços. Da mesma forma, aplicar a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 aos pagamentos tidos como reembolso, sem destruir consistentemente as alegações do fiscalizado não encontra guarida no bom direito. Não se pode argumentar de maneira simplista que a não tributação dos lucros distribuídos por pessoa jurídica a seus sócios, prevista no art. 10 da Lei n° 9.249/95, somente alcançaria os lucros devidamente contabilizados e, por isso, seriam tributáveis efetivos pagamentos a sócios, não contabilizados, comprovadamente originados de recursos mantidos pela pessoa jurídica à margem da escrituração, pois a tributação de receitas omitidas na pessoa jurídica equivale a trazer para a legalidade, com as devidas penalidades e acréscimos legais, recursos até então mantidos à margem da tributação, criando assim uma reserva livre em seu patrimônio líquido. Esse lucro, agora tributado, deve ter o mesmo tratamento dispensado ao lucro apurado contabilmente pela pessoa jurídica. Devese lembrar que a administração tributária já se deparou com esse tema nos idos anos de 1992 a 1995. Com efeito, quando da instituição da tributação na fonte do lucro líquido pelo extinto pelo ILL, então previsto no art. 35 da Lei n° 7.713/88, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação expediu o Parecer COSIT n° 4/94, assim redigido: (...) Entretanto este Parecer foi tornado insubsistente pela própria COSIT, à vista do Parecer n° 736/96 da CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. O ADN n° 6/96 foi assim redigido: (...) Nessa ordem de juízo, não há como manter o lançamento, porque calçado em presunção não legal e em presunção simples não ancorada em prova cabal, ainda que indiciária. Por isso, voto por se dar provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 17/04/2008 (fls. 1.369, Volume VII), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 1.3721.388, acompanhado dos documentos de fls. 1.3891.410 (Volume VIII), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A fiscalização considerou que parte dos valores descobertos nas contas de depósito do autuado deveriam ser tratados como retiradas prolabore, eis que possuíam origem em conta de titularidade da pessoa jurídica da Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10840.003341/200431 Acórdão n.º 920202.267 CSRFT2 Fl. 1.427 5 qual o contribuinte é sócio, mantida à margem da sua escrituração e, pelas provas dos autos, não correspondiam a distribuição antecipada de lucros pela empresa ou a valores de despesas e de reembolsos relativos à mesma pessoa jurídica; b) Os demais valores questionados, para os quais o contribuinte apresentou justificativas de "recebimento de empréstimo" e "reembolso da empresa às despesas pagas pelo sócio", sem apresentar documentação hábil e idônea comprobatória, coincidente em datas e valores, e que não foram identificadas como sendo provenientes das contas bancárias da empresa Brasmontec Ltda., foram consideradas como omissão de rendimentos nos termos do art. 42, da Lei ° 9.430/96; c) Embora conste da ementa do r. acórdão, como fundamento da decisão, o fato de já ter havido tributação dos mesmos valores na pessoa jurídica, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96 (processo 10840.004422/2003 77), o argumento principal do voto, conforme conclusão de fl. 20, referese ao entendimento de que o lançamento teriase calçado em presunção não legal e em presunção simples não ancorada em prova cabal, ainda que indiciária, de recebimento de pro labore pelo sócio/contribuinte (fl. 1.367); d) A Colenda Câmara entende que o Fisco não poderia, por presunção sem amparo legal, atribuir a natureza de pro labore ao rendimento auferido pelo sócio/contribuinte oriundo de conta bancária à margem da escrituração de pessoa jurídica; e) No mesmo diapasão, cancelou o lançamento fundado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, relativo aos depósitos bancários não justificados e não relacionados à conta bancária de titularidade da empresa, ao entendimento de que "aplicar a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 aos pagamentos tidos como reembolso, sem destruir consistentemente as alegações do fiscalizado não encontra guarida no bom direito"; f) O r. acórdão proferido pela Câmara a quo, nos termos em que proferido, merece pronta reforma, conforme restará demonstrado a seguir, eis confere interpretação divergente da de outras Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao mesmo dispositivo de lei tributária; g) Cabível a interposição do presente recurso especial, uma vez que o entendimento esposado pela eg. Câmara a quo, em relação ao lançamento por omissão de rendimentos do trabalho assalariado e assemelhados retiradas pro labore (art. 1° a 3° e §§, da Lei n° 7.713/88), encontrase divergente do firmado pela eg. Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, consubstanciado no acórdão de n° 10611.805; h) Em posicionamento jurisprudencial diverso do adotado pela eg. Câmara a quo, a Colenda Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, admitiu o lançamento efetuado com base em presunção de omissão de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10840.003341/200431 Acórdão n.º 920202.267 CSRFT2 Fl. 1.428 6 receitas (pro labore) a partir de indícios veementes, ponderando que tal procedimento é permitido no Processo Administrativo Fiscal, pelo artigo 29 do Decreto 70.235/72, pelo que faz menção a outros julgados do 1° CC, (acórdãos n° 10417.025 e 10191.758); i) Em ambos os casos analisados pelos acórdãos recorrido e paradigma, o lançamento se pautou na verificação de omissão de rendimentos que, por presunção baseada em indícios veementes, se qualificou como pro labore, sendo que em nenhum dos casos o contribuinte logrou êxito em demonstrar que tais rendimentos omitidos não se tratava de pro labore; j) Também, em ambos os casos, o contribuinte aduz que tais valores recebidos da pessoa jurídica da qual é sócio (através de cheques, no caso do paradigma, ou através de depósito bancário, no caso do presente processo), devemse a "reembolso de despesas" efetuadas pelo sócio, sendo que não trouxe aos autos provas cabais da efetividade/valoração dessas despesas; k) Ocorre que, similarmente à hipótese analisada pelo acórdão paradigma, a presente autuação se baseou em indícios fortes de que os valores recebidos pelo contribuinte da empresa da qual é sócio, mediante depósito, bancário, se caracterizavam como pro labore, sendo que as alegações de que seriam "distribuição de lucro" e "reembolso de despesas" não foram acompanhadas de comprovação mediante provas (recibos, etc.); l) Basta, para tanto, verificar que a Fiscalização, a fim de investigar a veracidade das justificativas dadas pelo sujeito passivo, efetuou diligência junto à aludida empresa, onde constatou, ante a análise da documentação obtida, que aquela pessoa jurídica não efetuara distribuição de lucro aos seus sócios no anocalendário de 1998; m) No entanto, devido à semelhança de datas e valores, a fiscalização constatou que parte dos recursos insertos nas contas do fiscalizado possuíam origem em conta de titularidade da pessoa jurídica que, frise se, era mantida à margem da escrituração; n) Dessa forma, encontrase demonstrada a divergência jurisprudencial entre os julgados apresentados, eis que, diversamente ao entendimento esposado pela eg. Câmara a quo, a eg. Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes concluiu que "não logrando o contribuinte comprovar que os cheques emitidos em seu favor por empresa da qual é sócio não se referem a retirada de prolabore, cabível a autuação por omissão de receitas baseado em indícios veementes de sua existência"; o) Igualmente, cabível o presente recurso especial, uma vez que o entendimento esposado pela Câmara a quo, em relação ao cancelamento da exigência formalizada com base no art. 42, da Lei n° 9.430196, encontrase divergente do firmado pelas egs. Primeira e Sexta Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, consubstanciado nos respectivos acórdãos de n° 10196.413 e 10614.361; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10840.003341/200431 Acórdão n.º 920202.267 CSRFT2 Fl. 1.429 7 p) A eg. Câmara recorrida cancelou o lançamento calcado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, sob o entendimento de que "aplicar a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 aos pagamentos tidos como reembolso, sem destruir consistentemente as alegações do fiscalizado não encontra guarida no bom direito" (fl. 1.357); q) Ora, não restou devidamente comprovado nos autos, através de documentação hábil e idônea, que os aludidos pagamentos, objeto de autuação, tiveram como origem "reembolso da empresa às despesas pagas pelo sócio" ou "recebimento de empréstimo", conforme alega o contribuinte, de forma que, não competia ao Fisco "destruir consistentemente as alegações do fiscalizado", que sequer estavam respaldadas em provas robustas; r) Referido posicionamento transfere ao Fisco o ônus de demonstrar a origem dos depósitos bancários autuados, obrigação essa que caberia ao contribuinte, por determinação legal; s) Já nos acórdãos paradigmas (n° 10196.413 e 10614.361), proferidos pelas doutas Primeira e Sexta Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, respectivamente, adotouse o entendimento segundo o qual, se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações; t) Tanto no acórdão ora recorrido quanto nos apresentados como paradigmas, tratase de hipótese de lançamento por omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada, com esteio no art. 42, da Lei n° 9.430/96; u) Há, portanto, clara divergência jurisprudencial entre os julgados, eis que, segundo o acórdão ora recorrido, ao Fisco é que caberia o ônus da prova da origem dos rendimentos, cabendolhe "destruir consistentemente as alegações do fiscalizado" enquanto nos acórdãos paradigmas, tal ônus é atribuído legalmente ao contribuinte; v) Requer seja dado provimento ao presente recurso especial, para que seja restabelecido o lançamento, em sua totalidade, nos exatos termos da r. decisão de primeira instância. No despacho n° 27 (fls. 1.4121.416, Volume VIII), proferido pela então Presidente da 4ª Turma da 1ª Seção do CARF em 14/07/2009, está consignado, ao final, que foi dado seguimento ao recurso. No entanto, salvo engano, tal conclusão não expressa o teor do referido despacho, onde consta que: A Fazenda Nacional, com base nos então vigentes regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial n°. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10840.003341/200431 Acórdão n.º 920202.267 CSRFT2 Fl. 1.430 8 147, de 28 de junho de 2007, como base no inciso II do artigo 7° desse regimento, intenta reformar o julgado. Afirma, em síntese, que, embora conste da ementa do recorrido o fato de já ter sido tributada a pessoa jurídica nos mesmos valores, (PAF 10.840.004422/200377) "o argumento principal do voto, conforme conclusão de fl. 20, referese ao entendimento de que o lançamento teria se calçado em presunção não legal e em presunção simples não ancorada em prova cabal, ainda que indiciária , de recebimento de prólabore pelo sócio contribuinte (fl. 1367)". A decisão, em relação ao lançamento por omissão de rendimentos do trabalho assalariado e assemelhados retiradas pro labore (art.1°. a 3°. e § da Lei 7713/88), encontrase divergente do firmado pela Sexta Câmara, no acórdão 106 11.805. Passo ao exame da admissibilidade do especial, nos termos da Portaria N .256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: (...) Importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência. Nesse passo, a alegada divergência se caracteriza quando, em situação idêntica à do acórdão recorrido, verificase a adoção de solução diversa. Vejase a divergência quanto à matéria oferecida ao confronto, Primeiro acórdão oferecido ao confronto: Ac.10611805, de 21/03/2001, assim ementado: (...) No paradigma o lançamento é para exigência do Imposto de Renda Pessoa Física, a título de prólabore, porque o contribuinte não comprovou que os cheques emitidos em seu favor, por empresa da qual é sócio, teria outra origem. Os fatos geradores dizem respeito aos anoscalendário de 1993 e 1994, como se vê da transcrição de fls. 1391: (...) Isto mostra que o dissenso jurisprudencial não se verifica, quanto a este acórdão, porque as bases legais são outras. Em que pese tratarem do mesmo fato — depósitos bancários cuja origem não restou comprovada — a base legal do paradigma é anterior à edição da Lei 9430/1996. Quanto ao argumento de que a "autuação se baseou em indícios fortes de que os valores recebidos pelo contribuinte da empresa da qual é sócio, mediante depósito bancário, se caracterizavam prolabore, sendo que as alegações de que seriam distribuição Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10840.003341/200431 Acórdão n.º 920202.267 CSRFT2 Fl. 1.431 9 de lucro e reembolso de despesas não foram acompanhadas de comprovação mediante provas”, resta prejudicada sua análise. A Câmara Superior de Recursos Fiscais é órgão uniformizador da jurisprudência e não outra instância de julgamento. Noutro momento das razões vem ao confronto a matéria sob o aspecto da inversão do ônus da prova, do fisco para o Contribuinte, quando a exigência se respalda no art.42 da Lei 9430/96. Oferece à comparação os acórdãos 10196.413 e 10614361. Passo primeiro à análise do 10614361, a partir de sua ementa: (...) Entendo que o confronto resta estabelecido porque enquanto o paradigma, à luz do comando do artigo 42 da Lei 9430/96, transfere para o Contribuinte a obrigação de provar suas alegações o recorrido assevera que tal dever é do fisco. Diante do exposto, com fundamento no § 1°.do artigo 68 da Portaria N. 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, DOU seguimento ao recurso. Portanto, segundo penso, o recurso teve seguimento apenas com relação à presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que a divergência jurisprudencial quanto à omissão de rendimentos de pró labore não estaria comprovada. Conseqüentemente, o recurso teve seguimento parcial. A conclusão deste julgador está expressa no despacho de fls. 1.4191.422 (Volume VIII), que foi devidamente cientificado à recorrente. O contribuinte foi intimado e não apresentou contrarrazões, conforme informou a repartição de origem às fls. 1.418 (Volume VIII). É o Relatório. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10840.003341/200431 Acórdão n.º 920202.267 CSRFT2 Fl. 1.432 10 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido, mas apenas na parte relativa à presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Reitero que o acórdão proferido pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Segundo a recorrente, quanto ao item 002 do auto de infração, o contribuinte não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários efetivados em sua conta corrente, de modo que se mantém incólume o lançamento cujo fundamento é o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Eis a matéria em litígio. O artigo 42 da Lei n° 9.430/961 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Esse dispositivo legal atribui ao sujeito passivo o ônus de provar a origem dos depósitos bancários constatados pela autoridade fiscal, sob pena de se presumir que referidos valores configuram omissão de rendimentos. A legislação complementar autoriza a incidência do imposto de renda sobre base presumida, conforme artigo 44 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.” No caso em tela, segundo a autoridade lançadora (fls. 32): 11) OS DEMAIS VALORES QUESTIONADOS, para os quais o contribuinte apresentou justificativas de "recebimento de empréstimo" e "reembolso da empresa às despesas pagas pelo sócio", sem apresentar documentação hábil e idônea comprobatória, coincidente em datas e valores, e que, pelo fato da FISCALIZAÇÃO NÃO TER IDENTIFICADO SEREM PROVENIENTES DAS CONTAS BANCÁRIAS DA EMPRESA Brasmontec Controles Industriais Ltda., SERÃO CONSIDERADOS COMO OMISSÃO DE RENDIMENTOS, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96; Medida Provisória n° 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10840.003341/200431 Acórdão n.º 920202.267 CSRFT2 Fl. 1.433 11 1.5631/97 e reedições posteriores convalidadas pela Lei n° 9.481/97; artigo 58 da Medida Provisória n° 66/2002, IN SRF n° 246/02 e art. 849 do RIR/99, a saber: A base de cálculo relativa à presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com a identificação dos depósitos bancários sem origem comprovada, está demonstrada às fls. 32. A presunção de omissão de rendimentos em apreço tem sido utilizada com muita freqüência pelas autoridades fiscais e, em vários desses casos, os recursos que chegam ao CARF geram acaloradas discussões sobre a correta interpretação da legislação que rege a matéria. Salvo melhor juízo, segundo o acórdão recorrido, a improcedência desta parte do lançamento decorre, única e exclusivamente, do fato de que “... aplicar a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 aos pagamentos tidos como reembolso, sem destruir consistentemente as alegações do fiscalizado não encontra guarida no bom direito.” (fls. 1.357, Volume VII). Com o devido respeito, não posso concordar com tal conclusão. A regra do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 permite à fiscalização tributar os depósitos bancários sem origem comprovada como rendimentos presumidamente omitidos. Em razão desta previsão legal, invertese o ônus da prova e cabe ao sujeito passivo provar a origem dos depósitos bancários constatados pela autoridade fiscal, sob pena de se presumir que referidos valores configuram omissão de rendimentos. De acordo com o que consta na decisão recorrida, o contribuinte alegou, mas não comprovou, que os depósitos bancários referemse a “recebimento de empréstimo” e “reembolso da empresa às despesas pagas pelo sócio”. Reafirmo que a presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 incide sobre a totalidade dos depósitos bancários sem origem comprovada, respeitadas as exceções dos incisos I e II, do § 3°, desse dispositivo, sendo irrelevante a existência ou não de variação patrimonial. Nos termos da Súmula CARF n° 26, “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Com estas singelas considerações, concluo que a decisão recorrida merece ser reformada no que se refere à presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, pois o contribuinte apenas argumentou, mas não provou, que tais créditos têm origem no “recebimento de empréstimo” e/ou no “reembolso da empresa às despesas pagas pelo sócio”. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10840.003341/200431 Acórdão n.º 920202.267 CSRFT2 Fl. 1.434 12 Voto, portanto, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devendo os autos retornar à Câmara a quo a fim de que sejam apreciados os demais argumentos contidos no recurso voluntário (exceto com relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, pois nesta parte a improcedência do lançamento já é definitiva). (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 19515.001532/2007-77
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.149
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório PAULO LEITE DE LIMA, contribuinte inscrito no CPF/MF 022.468.18850, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, à Rua Vinte e um de Abril, nº 315, Bairro Brás, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância (fls. 393/409), prolatada pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 415/438. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 21/06/2007, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 304/311), com ciência através de AR, em 28/06/2007 (fls. 313), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.249.803,47 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo aos exercícios de 2003 a 2005, correspondente aos anoscalendário de 2002 a 2004, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente aos exercícios de 2003 a 2005, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que fica fazendo parte integrante do Auto de Infração. Infração capitulada no 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 300/303), entre outros, os seguintes aspectos: que mediante Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 21/11/2006 e cuja ciência do epigrafado, por via postal, registrouse em 27/11/2006 AR às fls. t.,k , o procedimento foi instaurado e o fiscalizado intimado a, no prazo de 20 (vinte) dias, apresentar os extratos das contas bancárias que deram origem a citada movimentação financeira e, bem como, a comprovar, por meio de documentação hábil, a origem dos recursos creditados nestas contas; que em 19/1212006, o fiscalizado apresentou cópia dos extratos bancários do Banespa e postulou dilação de prazo de 30 (trinta) dias para atender a interpelação inicial desta fiscalização; o pleito foi atendido por esta fiscalização. Posteriormente, em 23/01/2007, foram apresentados os extratos bancários do Banco Bradesco S/A; que do exame dos extratos bancários exibidos, resultou na lavratura, em 22/02/2007 (AR de 28/02/2007), do Termo de Intimação para, novamente, reiterar a comprovação da origem dos recursos creditados; desta vez, nas anexas planilhas, foram Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 3 3 individualizados estes recursos. Novamente, o fiscalizado permaneceu silente quanto à origem dos recursos creditados; que se ressalte que, do rol dos créditos individualizados, foram excluídos os decorrentes de transferências entre contas do fiscalizado, de resgates de aplicação financeiras (já submetidos à tributação), de cheques depositados e devolvidos e de estornos de lançamentos, de cuja origem esta auditoria considerou comprovada; que quanto aos recursos creditados e individualizados, embora regularmente intimado, o fiscalizado deixou de demonstrar, por meio de documentação hábil, a sua origem. Em decorrência, foram considerados rendimentos omitidos, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelas Leis de nºs 9.481/97 (art. 4°) e 10.637/02 (art. 58), e serão submetidos à tributação do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, nos meses em que os créditos foram efetuados, com base na tabela progressiva vigente à época (§§ 1° e 4° do artigo 42). Em sua peça impugnatória de fls. 319/339, instruída pelos documentos de fls. 319/339, apresentada, tempestivamente, em 30/07/2007, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, em novembro de 2006, o Defendente recebeu um Termo de Início de Fiscalização requerendo informações quanto a sua movimentação bancária dos anos de 2002 a 2004, bem como a apresentação de extratos bancários das suas contas bancárias e comprovantes de origem dos recursos depositados; que não obstante a ilegalidade da exigência de apresentação dos extratos bancários, a fiscalização acabou tendo acesso aos extratos do Banco Bradesco e do Banespa, mas nunca intimou o Defendente a apresentar explicação quanto aos depósitos realizados no Bradesco (c/c n° 30.5340) e no Banespa (c/c n° 01.0018775). Aliás, não há em todo o procedimento de fiscalização a relação de depósitos (individualizados) cuja origem não foram comprovadas pelo contribuinte; que, ademais, não há a intimação datada de 28 de fevereiro de 2007 mencionada no Termo de Verificação Fiscal na qual supostamente haveria a intimação do Defendente para se manifestar acerca de uma relação de depósitos ocorridos; que no Termo de Verificação Fiscal encontramos a falsa informação de que houve a individualização dos créditos bancários nos anexos ao Auto de Infração, o que igualmente é uma mentira. Reafirmamos que não foi encaminhado qualquer anexo junto ao Auto de Infração; que claramente há cerceamento de defesa e por conseqüência a nulidade do auto de infração, o que obrigará o Defendente a apresentar as suas justificativas de forma bastante precária, vez que não conhece quais depósitos dos Bancos Bradesco e Banespa foram considerados na lavratura do presente auto de infração; que sem prejuízo das irregularidades apontadas, o presente auto de infração jamais poderia ter sido lavrado quanto aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2002 e junho de 2002, devido ao decurso do qüinqüênio decadencial entre as datas em que, Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 4 4 supostamente, teriam se verificado os fatos geradores e a data do lançamento, uma vez que o contribuinte somente foi intimado do auto de infração em 28 de junho de 2007; que, ademais, e também, não seria possível usar como base de cálculo para o lançamento do IRPF os valores dos depósitos bancários, primeiramente, porque a movimentação financeira não significa a existência de rendimento tributável, ainda mais no presente caso as justificativas oferecidas a fiscalização nas próprias declarações de imposto de renda apresentadas; que todos os valores que ensejaram o lançamento de oficio estão perfeitamente justificados nas Declarações de Imposto de Renda entregues, sendo que a movimentação bancária é absolutamente compatível com as declarações de ajuste anual do contribuinte; que no anocalendário 2002 o valor tomado por base de cálculo para o indigitado lançamento de oficio foi de R$ 448.811,74, entretanto, verificase da declaração de bens e direitos apresentada pelo contribuinte que, neste anocalendário: (i) o Defendente teve R$ 57.640,00 em rendimentos tributáveis; (ii) a conta corrente do Banespa tinha um saldo inicial no ano de R$ 40.598,09; (iii) a conta corrente do Bradesco um saldo inicial de R$ 49.059,29; (iv) havia uma disponibilidade de dinheiro em poder do contribuinte na ordem de R$ 1.190.000,00 e que no decorrer do ano foram depositadas em suas contas correntes diversas quantias, o que justifica a movimentação ocorrida; que no anocalendário 2003 o valor tomado por base de cálculo para o indigitado lançamento de oficio foi de R$ 819.012,27, entretanto, verificase da declaração de bens e direitos apresentada pelo contribuinte que, neste anocalendário: (i) o Defendente teve R$ 68.200,00 em rendimentos tributáveis; (ii) a conta corrente do Banespa. tinha um saldo inicial no ano de R$ 37.050,02; (iii) a conta corrente do Bradesco um saldo inicial de R$ 94.299,04; (iv) havia uma disponibilidade de dinheiro em poder do contribuinte na ordem de R$ 1.180.000,00 e que no decorrer do ano foram depositadas em suas contas correntes diversas quantias, o que justifica a movimentação ocorrida; que no ano calendário 2004 foi movimentado nas contas correntes do Defendente o valor de R$ 819.012,27, considerando o valor tomado por base de cálculo para o indigitado lançamento de oficio (R$ 819.012,27), verificase da declaração de bens e direitos apresentada pelo contribuinte que, neste anocalendário: (i) o Defendente teve R$ 45.400,00 em rendimentos tributáveis; (ii) a conta corrente do Banespa tinha um saldo inicial no ano de R$ 38.211,16; (iii) a conta corrente do Bradesco um saldo inicial de R$ 60.667,02; (iv) resgate de renda fixa do banco Bradesco, cujo valor em 1/1/2004 era de R$ 718.743,49 e ao final do ano restara apenas R$ 26.987,45; (v) havia uma disponibilidade de dinheiro em poder do contribuinte de R$ 1.200.000,00 e que no decorrer do ano foram depositadas em suas contas correntes diversas quantias, o que justifica a movimentação ocorrida; (vi) houve resgate de poupança do Bradesco cujo saldo inicial em 2004 era de R$ 2.235,87; (vii) resgate de Fundo de Investimento FBQ DI TOP Banespa cujo saldo inicial em 2004 era de R$ 8.434,16; que o auto de infração em questão foi finalizado e devidamente intimado o contribuinte em 28 de junho de 2007, sendo que parte do valor lançado como devido reportase aos fatos geradores de janeiro a junho de 2002, os quais já se encontravam atingidos pela decadência; que ainda em atenção ao princípio da eventualidade, a aplicação da taxa Selic dever ser expurgada da cobrança em tela. Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 5 5 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Décima Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – SP II conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: que o contribuinte alega que não há em qualquer dos anos fiscalizados aumento patrimonial ou a indicação de sinal exterior de riqueza, não prosperando a presunção dos depósitos com rendimentos omissos. No entanto, não assiste razão ao impugnante, como a seguir demonstraremos; que a base legal deste lançamento é a Lei n° 9.430/96, art. 42 e o art. 849 do RIR/99 que tratam da omissão de receita decorrentes de depósitos bancários sem origem comprovada, não se reportando a acréscimo patrimonial a descoberto ou sinais exteriores de riqueza que encontram outra guarida legal, dentre elas, os arts. 1°., 2°., 3°. e parágrafos, da Lei n°7.713/88 e arts. 55, XIII, parágrafo único e 846 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99; que, assim, o procedimento fiscal foi levado a efeito sob a égide do art. 42 da Lei 9.430/96, com alteração posterior introduzida pelo art. 4° da Lei n°9.481/97, o qual estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; que é a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário; que informa, para os anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, os valores declarados, a saber: os rendimentos tributáveis, saldo inicial do contacorrente Banespa e Bradesco e disponibilidade em dinheiro, esclarecendo que no decorrer dos anos citados foram depositadas diversas quantias, justificando a movimentação ocorrida, acrescentando para o anocalendário de 2004 o resgate de renda fixa e poupança Bradesco e resgate de Fundo de Investimento Banespa; que tais alegações não justificam a origem dos valores depositados em conta corrente do contribuinte, devendo o mesmo manter a guarda de todos os documentos pertinentes às suas declarações de rendimentos, para comprovação junto ao fisco, quando solicitado, o que não ocorreu até a presente data. Verificase do exame das peças constituintes dos autos que o interessado não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias; que a auditoria fiscal procedeu à análise de toda a documentação apresentada pelo contribuinte demonstrando, através do Termo de Intimação, às fls. 264/296, todos os valores a serem comprovados em movimentação financeira bancária, bem como no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 300/303, apurando os rendimentos tributáveis descontando tudo o quanto foi comprovado, conforme consta do referido Termo, às fls. 301. Portanto, correto o lançamento; Fl. 494DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 6 6 que o contribuinte requer nulidade do Auto de Infração por ilegalidade da exigência de apresentação de extratos bancários, falta de indicação/data dos depósitos bancários no Auto de Infração, ferindo princípios constitucionais da ampla defesa, devido processo legal e contraditório; que acrescenta que a fiscalização nunca intimou o Defendente a apresentar explicação dos extratos bancários, não há relação de depósitos individualizados e não há a intimação datada de 28 de fevereiro de 2007 mencionada no Termo de Verificação Fiscal o que implica na impossibilidade da aplicação da presunção do art. 42, da Lei n° 9.430/96, sendo surpreendido com a autuação arbitrária e ilegal; que da leitura da legislação de regência (Lei nº 9.784, de 1999 e Decreto nº 70.235, de 1972), concluise que a nulidade do auto de infração poderá ser declarada no caso de não constar, ou constar de modo errôneo no mesmo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito à defesa; que, no entanto, no caso em tela observase que o impugnante teve conhecimento de todo o procedimento administrativo desde o início da ação fiscal em 27/11/2006, às fls. 22, com descrição dos fatos e enquadramento legal, às fls. 300/303 e 307/312, permitindo que desenvolvesse com tranqüilidades us argumentos. Ademais, o auto de infração contém os elementos necessários e suficiente para o atendimento do art. 10 do Decreto 70.235/72, não ensejando declaração de nulidade; que o impugnante alega ainda que há falta de indicação/data dos depósitos bancários no Auto de Infração, bem como a não intimação do Defendente a apresentar explicação dos extratos bancários, não havendo a relação de depósitos individualizados e não intimação datada de 28 de fevereiro de 2007, mencionada no Termo de Verificação Fiscal o que implica na impossibilidade da aplicação da presunção do art. 42, da Lei n° 9.430/96, sendo surpreendido com a autuação arbitrária e ilegal; que totalmente improcedentes tais alegações. O Termo de Intimação datado de 22/02/2007, às fls. 264, com ciência do contribuinte em 28/02/2007, conforme Aviso de Recebimento às fls. 297, comprova que o contribuinte recebeu a intimação para informar e comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias do Banespa e Bradesco, conforme extratos de créditos que acompanham o referido Termo de Intimação, às fls. 265/296, inclusive com discriminação individualizada por data, histórico da movimentação e valor do crédito; que no presente caso apurouse infração à legislação tributária consubstanciada em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem a devida comprovação da origem pelo contribuinte. Sendo assim, o imposto de renda que deixou de ser pago foi objeto de lançamento de ofício pela autoridade administrativa, motivo pelo qual há que ser aplicada a regra contida no artigo 173, 1, do Código Tributário Nacional; que os créditos das competências janeiro a junho de 2002, objeto de questionamento pelo impugnante, inequivocamente, referemse a períodos cujos fatos geradores não haviam sido alcançados pela decadência qüinqüenal na data da lavratura do presente Auto de Infração; Fl. 495DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 7 7 que tendo sido o auto de infração lavrado em 21/06/2007e o contribuinte cientificado em 28/06/2008, às fls. 313, constatase que o lançamento ocorreu dentro do prazo qüinqüenal, não havendo que se falar, portanto, em decadência do direito de lançar; que o impugnante apresenta declaração da instituição financeira Bradesco salientando a necessidade de intimação de todos os cotitulares da conta para informação sobre a origem dos recursos e divisão dos depósitos na proporção de correntistas; que analisando os documentos constantes dos autos, verificase que os extratos bancários do Banespa fornecidos pelo contribuinte à época do lançamento, às fls. 25/199 e 202/232, fazem referência a dois nomes no campo cliente: Paulo Leite de Lima e Beatriz Almeida Elias de Lima o que não comprova a titularidade de mais de uma pessoa ou se seriam somente duas pessoas titulares da mesma conta, à época dos fatos geradores; que quanto aos extratos bancários do Bradesco fornecidos pelo contribuinte à época do lançamento, às fls. 234/263, não há referência a outro titular da conta a não ser o próprio impugnante; que as declarações, ambas do Bradesco e datadas de 24/09/2007, às fls. 377 e 385, não esclarecem se, à época dos fatos geradores, a conta corrente n° 30.5340, Agência 1252, objeto de parte deste lançamento, era conjunta, limitandose a informar que o Sr. Paulo Leite de Lima possui conta em conjunta com Sra. Beatriz Almeida Elias de Lima e que é correntista desde período anterior ao mais antigo anocalendário apurado; que, além disso, observase que as declarações são divergentes quanto ao período em que o impugnante era correntista da instituição financeira, constando, às fls. 377, a expressão: ( ...) sendo correntista desde Março de 2000 e às fls. 385: (... ) sendo correntista desde Março de 1982. Tal fato, demonstra a incerteza da informação constante dessas declarações; que se observe que os documentos apresentados às fls. 377 e 383/385, bem como os extratos bancários do Banespa não são suficientes para comprovarem o pretendido pelo contribuinte. Além de suas características extrínsecas já reportadas, não constam deles expressamente a titularidade da conta a que se reportam. O fato de os nomes Paulo Leite de Lima e Beatriz Almeida Elias de Lima constarem no canto superior esquerdo dos extratos não significam necessariamente que esses sejam os titulares da conta a que se reportam os extratos; que, portanto, tendo em vista que não restou comprovada a alegação da titularidade conjunta, não sendo o documento trazido pelo interessado suficiente para derrogar as provas em que se baseou o Fisco para efetuar o lançamento, permanecem inalterados os seus pressupostos. As ementas que consubstancia a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. DISPONIBILIDADE. RENDA. Fl. 496DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 8 8 A presunção legal de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada, caracterizada como omissão de receitas, está prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/96 e autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de inobservância do devido processo legal, na medida em que o processo em análise, até o presente momento, caracterizouse pelo cumprimento de todas as fases e prazos processuais dispostos no Processo Administrativo Fiscal e o interessado, ciente dos fatos que lastrearam a presente ação fiscal, teve, tanto na fase de autuação, regida pelo princípio inquisitório, quanto na interposição da impugnação, que inaugurou a fase do contraditório, amplo direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, tendo oportunidade de carrear as autos elementos/comprovantes no sentido de tentar ilidir, parcial ou totalmente, a tributação em análise. SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito ao fisco, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, nos termos da LC n° 105/2001. DECADÊNCIA. Constatase que o lançamento ocorreu dentro do prazo qüinqüenal em face de aplicarse a regra geral prevista no art. 173, I do CTN, nos casos de lançamentos de oficio. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. Não havendo comprovação de que a conta de depósito ou de investimento era conjunta, à época dos fatos geradores, não há que se falar em divisão dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Em se tratando de solidariedade passiva, os devedores respondem, cada qual, pela dívida toda. O credor tem o direito de escolher e de exigir de dado devedor a dívida em sua integralidade. ACRÉSCIMOS LEGAIS. TAXA SELIC. NÃO CONFISCO. Os créditos tributários vencidos e não pagos a partir de 01/04/1995, sofrem a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa SELIC, sendo cabível, por expressa disposição legal, a sua exigência em percentual superior a 1%. Fl. 497DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 9 9 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei n° 11.417/2006, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 30/04/2009, conforme Termo constante às fls. 412/413, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (25/05/2009), o recurso voluntário de fls. 415/438, instruído pelos documentos de fls. 439/458, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, conforme dito, após a apresentação da sua Impugnação, o ora Recorrente obteve vistas dos autos do processo administrativo, ocasião em que constatou que os extratos bancários carreados aos autos pelo Banco Banespa S/A e banco Bradesco S/A dão conta de que as contas correntes mantidas pelo ora Recorrente junto àquelas instituições financeiras são conjuntas com a Sra. Beatriz Almeida Elias de Lima; que, diante disso, o ora Recorrente aditou a sua defesa para fazer contar mais essa nulidade, uma vez que a cotitular das contas correntes não foi intimada dos atos do processo administrativo, em claro desrespeito ao quanto disposto no artigo 42, § 6°, da Lei 9.430/96; que se frise ainda que a Senhora Beatriz Almeida Elias de Lima apresentou a sua declaração de renda em todos os anos autuados em separado do Recorrente; que como se não bastasse a ausência de intimação da cotitular do presente procedimento administrativo, tendo em vista que a cotitularidade das contas correntes estava expressa nos documentos apresentados pelos bancos, a autoridade fiscal não poderia ter imputado a totalidade das movimentações financeiras nelas havidas ao ora Recorrente, já que o mesmo artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430/96 determina a divisão do valor dos rendimentos; que, naquela oportunidade, o ora Recorrente carreou aos autos a declaração emitida pelo Banco Bradesco S/A dando conta de que ele é correntista desde 2000 e que a conta por ele mantida junto àquela instituição financeira é conjunta com a Sra. Beatriz Almeida Elias de Lima; que, entretanto, o julgador em primeira instância administrativa desconsiderou por completo todas as alegações do ora Recorrente, alegando de forma genérica e desarrazoada que não haveria comprovação de que há época dos fatos geradores a conta seria conjunta. E o que é pior, sustentou que os cotitulares das contas bancárias seriam devedores solidários, razão pela qual o lançamento de oficio poderia ser em face de ambos ou de qualquer um deles. Fl. 498DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 10 10 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão teve início em razão da movimentação financeira do recorrente e que pela análise dos extratos bancários apurouse a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações já na vigência do artigo 42, da Lei 9.430, de 1996. Notase, ainda, que foi o contribuinte que apresentou os extratos bancários em atendimento a intimação fiscal. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, apresenta a argüição de decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativo ao período de janeiro a junho de 2002, suscita preliminares de nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito sobre lançamentos efetuados sobre depósitos bancários. O recorrente, nesta fase recursal, insiste na alegação de que após a apresentação da sua Impugnação, o ora Recorrente obteve vistas dos autos do processo administrativo, ocasião em que constatou que os extratos bancários carreados aos autos pelo Banco Banespa S/A e banco Bradesco S/A dão conta de que as contas correntes mantidas pelo ora Recorrente junto àquelas instituições financeiras são conjuntas com a Sra. Beatriz Almeida Elias de Lima e que diante disso aditou a sua defesa para fazer contar mais essa nulidade, uma vez que a co titular das contas correntes não foi intimada dos atos do processo administrativo, em claro desrespeito ao quanto disposto no artigo 42, § 6°, da Lei 9.430, de 1996. A decisão recorrida, nesta parte, se fundamentou basicamente nas alegações abaixo: O impugnante apresenta declaração da instituição financeira Bradesco salientando a necessidade de intimação de todos os cotitulares da conta para informação sobre a origem dos recursos e divisão dos depósitos na proporção de correntistas. A analisando os documentos constantes dos autos, verificase que os extratos bancários do Banespa fornecidos pelo contribuinte à época do lançamento, às fls. 25/199 e 202/232, fazem referência a dois nomes no campo cliente: Paulo Leite de Lima e Beatriz Almeida Elias de Lima o que não comprova a titularidade de mais de uma pessoa ou se seriam somente duas pessoas titulares da mesma conta, à época dos fatos geradores. Fl. 499DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 11 11 Quanto aos extratos bancários do Bradesco fornecidos pelo contribuinte à época do lançamento, às fls. 234/263, não há referência a outro titular da conta a não ser o próprio impugnante. As declarações, ambas do Bradesco e datadas de 24/09/2007, às fls. 377 e 385, não esclarecem se, à época dos fatos geradores, a conta corrente n° 30.5340, Agência 1252, objeto de parte deste lançamento, era conjunta, limitandose a informar que o Sr. Paulo Leite de Lima possui conta em conjunta com Sra. Beatriz Almeida Elias de Lima e que é correntista desde período anterior ao mais antigo anocalendário apurado. Além disso, observase que as declarações são divergentes quanto ao período em que o impugnante era correntista da instituição financeira, constando, às fls. 377, a expressão: ( ...) sendo correntista desde Março de 2000 e às fls. 385: (... ) sendo correntista desde Março de 1982. Tal fato, demonstra a incerteza da informação constante dessas declarações. Observese que os documentos apresentados às fls. 377 e 383/385, bem como os extratos bancários do Banespa não são suficientes para comprovarem o pretendido pelo contribuinte. Além de suas características extrínsecas já reportadas, não constam deles expressamente a titularidade da conta a que se reportam. O fato de os nomes Paulo Leite de Lima e Beatriz Almeida Elias de Lima constarem no canto superior esquerdo dos extratos não significam necessariamente que esses sejam os titulares da conta a que se reportam os extratos. Portanto, tendo em vista que não restou comprovada a alegação da titularidade conjunta, não sendo o documento trazido pelo interessado suficiente para derrogar as provas em que se baseou o Fisco para efetuar o lançamento, permanecem inalterados os seus pressupostos. Da análise preliminar das peças contida nos autos resta claro de que, pelo menos, a conta bancária do Banespa é conta conjunta com a Sra. Beatriz Almeida Elias de Lima, cujo nome não consta nas Declarações de Ajuste Anual do recorrente. A Súmula CARF nº 29 estipulou que todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Ora, o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Nesta linha de pensamento, é de se observar que à dedução da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos legais que permitam a livre formação de convicção do julgador. Assim sendo, o Estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Fl. 500DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 12 12 Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (artigos 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidade essenciais, inerente ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei n.º 5.172. de 1966. Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1º, do Decreto n.º 70.235, de 1972). Sob a verdade material, citemse: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei n.º 5.172/66); as diligências que a autoridade determinar, quando entendêlas necessárias ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto n.º 70.235/72); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto n.º 70.235/72). Como substrato dos pressupostos acima mencionados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no artigo 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas comina sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos, em princípio, por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Nesse contexto, e levando em conta, principalmente, as alegações do recorrente de que as contas bancárias questionadas são contas conjuntas e no intuito de melhor instruir os autos para a formação de convicção final sobre o assunto, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido do julgamento seja convertido em diligência para que a Repartição Origem tome as seguintes providências: 1 – Que a autoridade fiscal lançadora intime a instituição bancária do Bradesco – agência 012252 – conta nº 30.5340, cujo titular é o recorrente (Paulo Leite de Lima) a informar se esta conta bancária foi conta conjunta no período de 01/01/2002 a 31/12/2004 e quem são os demais cotitulares; 2 – Realização de intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; 3 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 05 (cinco) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Fl. 501DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001532/200777 Resolução n.º 220200.149 S2C2T2 Fl. 13 13 É o meu voto. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 502DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15338.5OTJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por NELSON MALLMANN em 31/01/2012 16:54:55. Documento autenticado digitalmente por NELSON MALLMANN em 31/01/2012. Documento assinado digitalmente por: NELSON MALLMANN em 31/01/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/08/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0820.15338.5OTJ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: AF99D0A9FF37961A27A0137B7EDE259C63D52CB9 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.001532/2007-77. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 19515.720624/2014-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sat Sep 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2010
CSLL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. APURAÇÃO ANUAL E ESTIMATIVAS MENSAIS. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE.
A aplicação de duas penalidade para a mesma infração configura concomitância inadmissível. A alteração legislativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96 não afetou a sistemática de recolhimento da CSLL , de modo que as estimativas ainda configuram mera antecipação de pagamento. Aplicável ao caso o enunciado da Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. PEDIDO DE LIMITAÇÃO A 20%. DECORRÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO E DE APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A multa de ofício de 75% decorre de expressa previsão legal, no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, de modo que não pode ser afastada, e em nada se confunde com a multa de mora de 20% prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE TODO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.
As multas integram o crédito tributário, nos termos do art. 113, § 1º do CTN, e os juros de mora, que incidem sobre a sua totalidade, tem seu termo inicial fixado no art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96.
ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe ao CARF analisar alegações de violação a princípios constitucionais. Aplicação da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-005.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522, de 2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988, de 2020, em face do empate no julgamento, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para afastar a imposição da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Marcelo Cuba Netto e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que negavam provimento integralmente ao recurso.
Assinado Digitalmente
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente
Assinado Digitalmente
Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Andréia Lúcia Machado Mourão
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2010 CSLL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. APURAÇÃO ANUAL E ESTIMATIVAS MENSAIS. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação de duas penalidade para a mesma infração configura concomitância inadmissível. A alteração legislativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96 não afetou a sistemática de recolhimento da CSLL , de modo que as estimativas ainda configuram mera antecipação de pagamento. Aplicável ao caso o enunciado da Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. PEDIDO DE LIMITAÇÃO A 20%. DECORRÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO E DE APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A multa de ofício de 75% decorre de expressa previsão legal, no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, de modo que não pode ser afastada, e em nada se confunde com a multa de mora de 20% prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE TODO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. As multas integram o crédito tributário, nos termos do art. 113, § 1º do CTN, e os juros de mora, que incidem sobre a sua totalidade, tem seu termo inicial fixado no art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe ao CARF analisar alegações de violação a princípios constitucionais. Aplicação da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. APURAÇÃO ANUAL E ESTIMATIVAS MENSAIS. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação de duas penalidade para a mesma infração configura concomitância inadmissível. A alteração legislativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96 não afetou a sistemática de recolhimento da CSLL , de modo que as estimativas ainda configuram mera antecipação de pagamento. Aplicável ao caso o enunciado da Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. PEDIDO DE LIMITAÇÃO A 20%. DECORRÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO E DE APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A multa de ofício de 75% decorre de expressa previsão legal, no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, de modo que não pode ser afastada, e em nada se confunde com a multa de mora de 20% prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE TODO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. As multas integram o crédito tributário, nos termos do art. 113, § 1º do CTN, e os juros de mora, que incidem sobre a sua totalidade, tem seu termo inicial fixado no art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe ao CARF analisar alegações de violação a princípios constitucionais. Aplicação da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 24 /2 01 4- 89 Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.668 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720624/2014-89 Acordam os membros do colegiado, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522, de 2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988, de 2020, em face do empate no julgamento, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para afastar a imposição da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Marcelo Cuba Netto e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que negavam provimento integralmente ao recurso. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Assinado Digitalmente Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face de acórdão (e-fls. 160-172) que julgou improcedente a impugnação e manteve crédito tributário lançado de ofício por insuficiência de recolhimento de CSLL no ano-calendário 2010, acrescido de multa de ofício relativa ao ajuste anual e multa isolada pelo não recolhimento de estimativas mensais. Em impugnação (e-fls. 114-128), a contribuinte argui preliminar de nulidade e cerceamento de defesa pela imprecisão da acusação fiscal na descrição dos fatos, pois no auto constou que a contribuinte não justificou a diferença entre os valores informados em DIPJ, superiores aos informados em DCTF ou recolhidos aos cofres públicos. Alega que a conjunção “ou” teria retirado a clareza quanto aos fatos, e que a acusação fiscal deve ser clara e objetiva. Defende ter havido cerceamento de defesa pela ausência de fundamento legal na autuação. No mérito, combate a dupla penalidade representada pela aplicação concomitante das multas de ofício e isolada relativa às estimativas mensais não recolhidas, uma vez que haveria a absorção desta pela penalidade concernente ao não pagamento do ajuste anual. Insurge-se contra a multa de ofício de 75%, a qual afirma seria confiscatória e lesiva à proporcionalidade e razoabilidade. Pede aplicação de critério justo e equitativo se mantida a dupla penalização. Ademais, rebate a aplicação de juros sobre multas, e defende, em síntese, que “não se pode admitir, portanto, que uma obrigação acessória, qual seja, juros moratórios, incida sobre outra obrigação, também de natureza acessória, qual seja, multa.” O último ponto de insurgência da impugnação diz respeito ao termo inicial dos juros moratórios, que no seu entender seria a data do lançamento por meio do auto de infração, e não a data da ocorrência do fato gerador. O acórdão recorrido (e-fls. 160-172) afastou a preliminar de nulidade, pois o termo de verificação fiscal fora claro ao consignar que a infração decorre de valor a título de CSLL apurado em DIPJ e não registrado em DCTF nem recolhido por meio de DARF, sendo estes os Fl. 209DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.668 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720624/2014-89 motivos da autuação, e que foram observados os requisitos legais na lavratura do auto de infração. No acórdão recorrido, fixou-se inicialmente que a contribuinte não impugnou o mérito da autuação que gerou as infrações, o que a tornou definitivas. Sobre os pontos veiculados na impugnação, o acórdão recorrido assentou o quanto segue: 10.1 A defesa se limita aos seguintes pontos: a) duplicidade da cobrança das multas de 50% e de 75%; b) violação aos princípio constitucionais da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade, em decorrência da aplicação das multas; c) impossibilidade de aplicação de juros sobre multa; e d) termo inicial para incidência dos juros de mora. 11. Sobre a exigência simultânea da multa de 75% e da multa isolada de 50%, observa- se que tais multas seguem a disciplina do art. 44, incisos I e II, aliena “b”, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: (...) 11.1 A denominação “multa isolada” tem por objetivo distinguir essa espécie de penalidade daquela que é cobrada conjuntamente com o tributo. A redação da alínea “a” transcrita contém uma oração subordinada adverbial concessiva: “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente”. Com tal texto, o legislador deixa claro que a punição em exame (multa isolada de 50%) é dirigida a coibir o descumprimento da obrigação de antecipar o tributo no transcurso do período de apuração, independentemente da constatação futura de eventual saldo a pagar. Assim, observando- se que cabe a aplicação da multa isolada mesmo quando o contribuinte apura prejuízo fiscal ou base de cálculo negativo no período de apuração, logicamente a punição também alcançará o sujeito passivo que é alvo de lançamento de ofício para constituição de CSLL a pagar e consequente cobrança de multa de ofício de 75%. 11.2 No presente caso, a contribuinte optou pelo lucro real anual, conforme o art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, que determina o recolhimento de estimativas mensais como forma de antecipação do tributo durante o período de apuração. Obviamente, no Direito, uma obrigação legal descumprida há de ser sancionada. Já dizia o clássico jurista alemão Rudolf Von Ihering que “uma regra jurídica sem coação é uma contradição em si, um fogo que não queima, uma luz que não ilumina”. Admitir que a contribuinte poderia optar por oferecer à tributação somente na apuração anual suas receitas seria ter como ineficaz o citado art. 2º, o que, do ponto de vista da hermenêutica jurídica, é inadmissível. Nessa direção, o legislador estabeleceu, como sanção para o descumprimento da obrigação principal de antecipar o tributo mensalmente, uma multa exigida isoladamente do valor da própria exação. Como base de cálculo da penalidade, foi instituída a quantia de tributo que deixou de ser paga por antecipação. Nada mais lógico, pois essa importância expressa exatamente a dimensão do prejuízo causado ao Erário pelo contribuinte infrator. 11.3 Vale observar que a multa isolada de 50% e a multa de ofício de 75% constituem duas espécies de penalidades, com hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. A primeira possui como origem o descumprimento do dever de antecipar mensalmente o tributo, princípio basilar do sistema de lucro real anual, tendo como base de cálculo justamente o valor do recolhimento mensal não efetuado. A última decorre de Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.668 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720624/2014-89 lançamento de ofício para constituição de CSLL a pagar apurada ao fim do ano- calendário, sendo o valor desta a sua base de cálculo. 11.4 Registre-se que, matematicamente, as duas multas somente têm bases de cálculos de valores coincidentes quando a CSLL a pagar apurada de ofício pela autoridade fiscal possui o mesmo montante do total de CSLL que deveria ter sido antecipada via estimativa mensal. 11.5 Portanto, as comentadas penalidades se referem a ilícitos distintos e inconfundíveis, cabendo a exigência da multa isolada de 50% incidente sobre o valor da estimativa mensal que deixar de ser recolhida, independentemente da multa de ofício de 75% incidente sobre a CSLL a pagar apurada em procedimento de ofício. 12. A respeito da alegada violação de princípios constitucionais, especialmente da vedação ao confisco, cumpre dizer que as multas aplicadas encontram respaldo no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Nesse ínterim, vale observar que o exame de validade de multa prevista em lei, tendo por parâmetros princípios constitucionais, demandaria controle de constitucionalidade de normas, atividade exercida de maneira exclusiva pelo Poder Judiciário e expressamente vedada no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a teor do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972: (...) 12.1 Por não se enquadrar em nenhum dos casos previstos no § 6º acima, não há como afastar a cobrança da multa exigida com base em fundamento de inconstitucionalidade. 13. Quanto ao questionamento da incidência de juros com base na taxa SELIC sobre multa, deve ser esclarecido que, na constituição de ofício do crédito tributário, são lançados o tributo, a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre o valor do tributo. Juros sobre multa não integram o lançamento originalmente formalizado, referem-se a momento posterior relativo à cobrança do crédito tributário. Sendo assim, não há litígio instaurado quanto a referido aspecto, motivo pelo qual não cabe pronunciamento dos órgãos administrativos de julgamento acerca do tema. 13.1 Não obstante, a título de esclarecimentos, é importante notar que a multa, no caso, faz parte do crédito tributário, conforme se pode verificar nos arts. 113, § 1º, e 139 do Código Tributário Nacional (CTN), instituído pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, a seguir transcritos: (...) 13.2 Por conseguinte, tem-se que a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Cabe registrar, então, que a fundamentação para a futura cobrança dos juros de mora sobre a multa é sustentada pelos seguintes dispositivos: (...) 13.3 Cumpre reiterar, no caso, que o conceito de crédito tributário abrange a multa de ofício, de forma que, não efetuado o pagamento no prazo legal, o contribuinte caracteriza-se em débito para com a União, incidindo juros de mora sobre o principal e a multa de ofício. 14. Ainda sobre os juros, a contribuinte aduz que sua incidência deveria ocorrer apartir do lançamento e não a partir do fato gerador como consignado no auto de infração. Nesse ponto, cabe explicar que os juros do presente caso estão sendo calculados a partir do mês subsequente ao vencimento da exigência (e não desde o fato gerador), justamente como determina o art. 61 transcrito anteriormente. Fl. 211DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.668 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720624/2014-89 No recurso voluntário (e-fls. 183-203), de início, a recorrente alega ter sido indevida a autuação da CSLL por estimativa, que os juros de mora foram indevidamente aplicados desde o fato gerador e não do lançamento; e que foi duplamente penalizada com multa isolada exorbitante, bem como por multa de 75% que entendeu extorsiva. A seguir, defende que o mero não recolhimento de tributos por estimativa não seria causa para autuação, que não permitiria a aplicação de penalidades de ofício e isolada. Entende que sobre o débito somente poderia incidir multa moratória de 20% e SELIC. No ponto, requer o cancelamento da autuação e que “seja mantido tão somente o importe do tributo, com os encargos de multa de mora de 20% e de juros da SELIC incidentes.” Em novo tópico, discorre longamente sobre a dupla penalidade representada pela aplicação concomitante das multas de ofício e isolada relativa às estimativas mensais não recolhidas, uma vez que haveria a absorção desta pela penalidade concernente ao não pagamento do ajuste anual. Transcreve precedentes do STJ que afastam a exigência concomitante das penalidades aqui discutidas e ao final, pleiteia seja mantida apenas multa moratória de 20% Insurge-se contra a multa de ofício de 75%, a qual afirma seria confiscatória e lesiva ao direito de propriedade. Que inexistiria tipicidade entre a conduta infracional e aquela punível com multa de 75%, o que seria causa de nulidade. Afirma que o julgador deve se valer de outros critérios, inclusive constitucionais e jurisprudenciais. Discorre longamente sobre o tema, cita doutrina e jurisprudência e defende ter havido violação à proporcionalidade e razoabilidade. Ademais, rebate a aplicação de juros sobre multas, e em longo arrazoado defende, em síntese, que “não se pode admitir, portanto, que uma obrigação acessória, qual seja, juros moratórios, incida sobre outra obrigação, também de natureza acessória, qual seja, multa.” O último ponto de insurgência da recorrente diz respeito ao termo inicial dos juros moratórios, que no seu entender seria a data do lançamento por meio do auto de infração, e não a data da ocorrência do fato gerador. Alfim, requer o cancelamento integral do auto de infração, afirma que jamais poderia prosperar a aplicação de dupla penalidade e destaca que as matérias tratadas no recurso são de ordem pública. É o relatório. Voto Conselheira Fabiana Okchstein Kelbert, Relatora. Do conhecimento O recorrente teve ciência eletrônica do acórdão em 09/03/2020 (e-fl.180), e protocolou o recurso voluntário em 18/03/2020 (e-fl.183), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, observada, assim sua tempestividade. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015. Fl. 212DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.668 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720624/2014-89 Desse modo, verificada a tempestividade e os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário e passo a analisar o seu mérito. DO MÉRITO I - Da aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada Conforme relatado, a recorrente defende a impossibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e isolada, esta relativa às estimativas mensais não recolhidas, uma vez que haveria sua absorção pela penalidade concernente ao não pagamento do ajuste anual. Assevera que “a sanção decorrente do descumprimento de antecipação e do pagamento definitivo se confundem, se absorvem e se eliminam entre si, devendo incidir / substituir apenas a multa moratória de 20% (vinte por cento).” Tenho que assiste razão à recorrente quanto à impossibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Até a alteração legislativa promovida pela Lei nº 11.488/2007, não havia qualquer dúvida quanto à vedação da concomitância na aplicação das penalidades aqui discutidas, tanto que a matéria restou pacificada neste órgão julgador, como se vê do enunciado da Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. No caso concreto, o ano-calendário é 2010, momento em que já se havia alterado o art. 44 da Lei nº 9.430/96, que conta desde a vigência da Lei nº 11.488/07 com a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 213DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7713.htm#art8 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.668 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720624/2014-89 Como se vê, a redação não prevê a aplicação concomitante, pois a penalidade do inciso II pode ser facilmente identificada naquela do inciso I, quando se refere à diferença de imposto, infração cometida por quem não recolhe estimativas mensais ou o faz a menor, como no caso concreto. O tema não é novo neste órgão, e os posicionamentos se dividem em face das alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007. Dentre os Conselheiros que entendem pela impossibilidade de concomitância após a alteração legislativa, há consenso no sentido de que as estimativas representam mera antecipação do imposto, de modo que a aplicação de penalidade pelo não recolhimento das estimativas e do imposto devido no final do período de apuração, importa em dupla punição. Estou de acordo com este entendimento, especialmente porque se trata exatamente da mesma infração decorrente do mesmo fato: não recolhimento da CSLL ou recolhimento insuficiente. Assim, entendo incabível a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Esse, aliás, é o racional que se extrai do enunciado da Súmula CARF nº 105, o qual entendo remanescer perfeitamente válido e aplicável à hipótese concreta. A alteração legislativa efetuada pela Lei nº 11.488/2007 não importou em alteração da sistemática de recolhimento da CSLL, de modo que as estimativas ainda configuram mera antecipação de pagamento. Como bem destacado pelo Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, relator do acórdão 1402-004.017, e vencido no ponto: (...) não podem tais penalidades coexistirem no mesmo lançamento, independentemente da alteração legislativa que se procedeu no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, que teria invalidado a aplicação da Súmula CARF nº 105 para fatos geradores ocorridos após fevereiro de 2007. A alteração promovida pela Lei nº 11.488/2007 não modificou o teor jurídico da prescrição das penalidades do art. 44 da Lei nº 9.430/96, apenas vindo para cambiar algumas de suas características, como a percentagem da multa isolada e afastar a sua possibilidade de agravamento ou qualificação. A dinâmica de aplicação e a coexistência de ambas penalidades não foi afastada e, por sua vez, o cenário de possibilidade de dupla penalização do contribuinte prevaleceu. Como dito, não há consenso sobre o ponto. Todavia, são numerosas as decisões que afastam a concomitância da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais com a multa pela falta de recolhimento do mesmo imposto, devido por ocasião do ajuste anual, como se infere dos seguintes exemplos: Numero do processo: 10380.722928/2012-17 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção Câmara: Quarta Câmara Fl. 214DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-005.668 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720624/2014-89 Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Jun 15 00:00:00 BRT 2021 Data da publicação: Tue Jul 20 00:00:00 BRT 2021 Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA DE OFÍCIO. DUPLA PENALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. SUBSISTÊNCIA DO EXCESSO SANCIONATÓRIO. MATÉRIA TRATADA NOS PRECEDENTES DA SÚMULA CARF Nº 105. ADOÇÃO E APLICAÇÃO DO COROLÁRIO DA CONSUNÇÃO. Não é cabível a imposição de multa isolada, referente a estimativas mensais, quando já aplicada multa de ofício no mesmo lançamento. É certo que o cerne decisório dos Acórdãos que erigiram a Súmula CARF nº 105 foi precisamente o reconhecimento da ilegitimidade da dinâmica da saturação punitiva percebida pela coexistência de duas penalidades sobre a mesma exação tributária. O instituto da consunção (ou da absorção) deve ser observado, não podendo, assim, ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar o valor de um determinado tributo concomitantemente com outra pena, imposta pela falta ou insuficiência de recolhimento desse mesmo tributo, verificada após a sua apuração definitiva e vencimento. Numero da decisão: 1401-005.598 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Letícia Domingues Costa Braga, André Severo Chaves e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira. Nome do relator: André Severo Chaves Numero do processo: 15956.720092/2012-78 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 BRST 2016 Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 BRT 2016 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. MÁQUINAS AGRÍCOLAS. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 314 do RIR/99. Isso independe do fato de o produto agrícola ser empregado como insumo na atividade industrial pelo mesmo contribuinte. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do ano-calendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano-calendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Recurso Voluntário Provido Numero da decisão: 1401-001.523 Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO Fl. 215DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-005.668 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720624/2014-89 Assim, entendo que o recurso deve ser provido no ponto, para que seja afastada a multa isolada aplicada pelo recolhimento insuficiente das estimativas mensais. II – Da multa de ofício e dos juros de mora sobre a multa No caso concreto, o lançamento impôs a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, segundo o qual, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75%: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) Portanto, a multa exigida decorre de expressa previsão legal, de modo que não pode ser afastada, e em nada se confunde com a multa de mora de 20% prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. O mesmo se diga em relação aos juros de mora exigidos no lançamento, pois conforme expressa previsão legal (art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996), incidem juros de mora sobre todos os débitos tributários relativos aos impostos e contribuições de competência da União, calculados pela Taxa Selic (§ 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996). Não é demais lembrar que as multas integram a totalidade do crédito tributário, nos termos do art. 113, § 1º do CTN, e por isso recebem o mesmo tratamento dispensado a este, conforme art. 161 do CTN. O não pagamento do tributo e da multa, portanto, são igualmente débitos do contribuinte, e sobre a sua totalidade incidem juros moratórios calculados pela SELIC, como fixou o enunciado da Súmula CARF nº 4, de aplicação obrigatória neste órgão, dada a sua eficácia vinculante: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por fim, a recorrente defende que os juros de mora deveriam ser calculados a partir do lançamento, o que não é admissível, considerando as disposições expressas do art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96, que determina o termo inicial dos juros de mora para tributos que não foram pagos no prazo legal: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9430compilada.htm#art5%C2%A73 Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-005.668 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720624/2014-89 vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [Destaque nosso] Assim, nada a prover no ponto. III – Das alegadas violações constitucionais Em suas razões recursais, a recorrente denuncia ainda, diversas violações à Constituição por ocasião das multas aplicadas, como vedação ao confisco, direito de propriedade, proporcionalidade e razoabilidade. A análise da aplicação das multas ora combatidas, contudo, levaria necessariamente à investigação da constitucionalidade da lei que as previu, o que não é possível nesta instância administrativa, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por falecer competência a este tribunal administrativo, que não exerce a jurisdição propriamente dita, e exatamente por isso está impedido de analisar alegações de inconstitucionalidade (o que compete unicamente ao Poder Judiciário), entendo que o caso seria de não conhecimento destas alegações, o que é corroborado pelo art. 63, II da Lei nº 9.784/99. No entanto, considerando que venho sendo reiteradamente vencida nesta discussão – de proveito tanto mais acadêmico do que prático nesta instância administrativa – e em atenção aos meus pares, altero o meu entendimento para conhecer das alegações e negar-lhes provimento. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, e, no mérito DOU PARCIAL PROVIMENTO para afastar a multa isolada. Assinado Digitalmente FABIANA OKCHSTEIN KELBERT Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 35564.003730/2006-65
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/03/2006
MPF COMPLEMENTAR. CIÊNCIA APÓS A EXPIRAÇÃO DO ANTERIOR. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA.
A ciência pelo sujeito passivo de Mandado de Procedimento Fiscal
Complementar após a expiração do anterior não é causa de nulidade do procedimento fiscal, havendo convalidação do ato administrativo no momento da regular cientificação do último mandado.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de rega, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.236
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) Por maioria de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento ao recurso por entenderem ter havido revisão de lançamento.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS J. SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35564.003730/2006-65 Recurso n° 152.691 Voluntário Acórdão n° 2401-01.236 — 4' Câmara / ia Turma Ordinária Sessão de 9 de junho de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - INCRA Recorrente EXIMIA RECURSOS HUMANOS E ASSESSORIA EMPRESARIAL LIDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA SRP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 31/03/2006 MPF COMPLEMENTAR. CIÊNCIA APÓS A EXPIRAÇÃO DO ANTERIOR. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. A ciência pelo sujeito passivo de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar após a expiração do anterior não é causa de nulidade do procedimento fiscal, havendo convalidação do ato administrativo no momento da regular cientificação do último mandado. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de rega, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / ia Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) Por maioria de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento ao recurso por entenderem ter havido revisão de lançamento. n \ Ps'— ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente \n, ) Ó_ „Hj KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°35564.003730/2006-65 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.236 Fl. 171 Relatório Trata-se da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n. 37.010.881-7, lavrada contra o contribuinte acima identificado, referente as contribuições ao INCRA, não recolhidas em razão de liminar que suspendeu a sua exigibilidade, conforme processo n° 2002.61.00.006865-0. O lançamento do crédito é de abril de 2002 a março de 2006, apenas para prevenir que ocorra a decadência ao longo da demanda judicial. O montante do crédito, consolidado em 29/06/2006, é R$ 52.373,55 (cinquenta e dois mil, trezentos e setenta e três reais e cinquenta e cinco centavos). A interessada apresentou, tempestivamente, impugnação por meio do instrumento de fls. 61/76 e anexos de fls. 77/98, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de julgamento da SRP, que declarou, fls. 101/104, procedente o lançamento. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 108/124, no qual, em apertada síntese, alega que: a) o seu recurso deve ser recebido independentemente do depósito prévio, posto que ajuizou ação judicial contra essa exigência; b) o órgão a quo, ao manter a NFLD sem considerar a realidade dos fatos, demonstrou parcialidade em favor fisco; c) o lançamento deve ser considerado nulo, posto que se verificou a apresentação do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar - MPFC n° 03, ao contribuinte, após expirado o prazo previsto no MPFC n. 02. Para corroborar sua tese traz à colação jurisprudência administrativa; d) a decisão de primeira instância somente deveria ser exarada após a conclusão do processo judicial; e) a contribuição ao INCRA não pode ser exigida das empresas urbanas; f) é inconstitucional a aplicação da taxa de juros SELIC para fins tributários. Por fim, pede o cancelamento do crédito. É o relatório. 3\ ,‘ Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que a recorrente possuía decisão judicial garantindo o seguimento do recurso independentemente de depósito prévio. Inicio meu voto pela apreciação da suscitada nulidade do lançamento em razão de defeito do MPF. Alega-se que a cientificação de mandado complementar após a expiração do anterior seria causa de contaminação de todo o procedimento fiscal. As principais funções do MPF são a de apresentar ao contribuinte a autoridade designada para realizar o procedimento fiscal, além de dar-lhe ciência do início do mesmo, bem como do prazo estimado de conclusão dos trabalhos do fisco. Na época do lançamento, o MPF era disciplinado, no âmbito da fiscalização das contribuições previdenciárias, pelo Decreto n. 3.696/2001, que assim dispunha em seu art. 2.: Art.2° - Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários serão executados por servidores habilitados e instaurados mediante ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo Único - Para o procedimento de fiscalização, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF- F) e, no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência (MPF-D). Acerca dos prazos de validade do MPF, assim dispunha o mesmo ato normativo: Art.12 - Os MPFs terão os seguintes prazos máximos de validade: 1- cento e vinte dias, nos casos de MPF-F e de MPF-E; II - sessenta dias, no caso de MPF-D. Art.13 - A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato, os limites estabelecidos naquele artigo. Parágrafo Único - A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão do MPF-C. Os artigos 15 e 16 do mesmo Decreto tratava das causas de extinção do mandado, nos seguintes termos: Art.15 - O MPF se extingue:n 4 • Processo n° 35564.003730/2006-65 S2-C4T1 Acórdão n•° 2401-01.236 Fl. 172 1- pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II - pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art.16 - A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Voltando ao caso concreto, a recorrente alega que o vencimento do MPF-C n. 02 deu-se em 31/05/2006, todavia, a sua ciência da prorrogação do mandado somente ocorreu em 05/06/2006, fato que tornaria nula toda ação fiscal, tendo-se em conta a falta de cientificação da prorrogação de MPF dentro do prazo de validade do anterior. Posso afirmar que, embora no passado tenha havido alguma celeuma interpretativa acerca dessa matéria, hodiernamente já não paira dúvida de que a cientificação de MPF complementar após a expiração do anterior não é causa de nulidade do procedimento. O divisor de águas sobre a questão foi edição pelo CRPS do Enunciado n.° 25, veiculado pela Resolução MPS/CRPS n.° 1, de 23/02/2006 (DOU de 06/03/2006), que fixou o entendimento de que a ciência do lançamento após a expiração do MPF não seria causa de nulidade do lançamento. Não é de se esperar, então, que a mera ciência de mandado complementar após a expiração do anterior fosse causa a macular de nulidade todo o procedimento. Ainda mais que se percebe que o MPFC n. 3 foi emitido em 29/05/2006, portanto, antes da expiração do MPFC n. 2, que se deu em 31/05/2006. Ressalte-se ainda que, mesmo antes da sua cientificação pessoal, o documento já poderia ser visualizado na página eletrônica da Previdência Social, portanto, não se detecta qualquer prejuízo à contribuinte. Assim, o MPF complementar emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura fiscal. Por outro lado, veja-se que a Portaria MPS n.° 520, de 19/05/2004, que regia o contencioso administrativo fiscal nos processos de exigência das contribuições previdenciárias, tratava a questão nos seguintes termos: Art. 31. São nulos: - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Ii - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III — o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 2 0 Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 5 § 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Observa-se que pelo dispositivo acima somente ocorreria nulidade decorrente do MPF com a sua ausência, fato que efetivamente não ocorreu na espécie, o que reforça o argumento de que a preliminar não merece acolhimento. Argui a recorrente, ainda em sede de preliminares, a nulidade decorrente da falta de fundamentação legal para a revisão de oficio do procedimento. Vamos aos fatos. A fiscalização anterior, conforme o Teimo de Encerramento da Ação Fiscal de fl. 92, abrangeu o período de 08/1996 a 03/2002, com cobertura total até a competência 12/1999. Ou seja, está consignado nos autos que na ação fiscal concluída em 2002, somente foram analisados todos os livros contábeis e documentos da empresa até o final do exercício de 1999. A NFLD sob enfoque, envolve o período de 04/2002 a 03/2006, portanto não há nenhuma competência abrangida pela fiscalização anterior, ficando afastada, portanto, a arguição de falta de base legal para revisão de lançamento fiscal. A seguir, as questões apresentadas são todas de cunho jurídico, quais sejam: inconstitucionalidade da exação ao INCRA, bem como da aplicação da taxa de juros SELIC. A inexistência da relação jurídico-tributária que obrigue a recorrente a recolher a contribuição destinada ao INCRA foi objeto de ação judicial. Nesse sentido, não cabe a esse tribunal administrativo se pronunciar sobre a matéria, conforme dispões o enunciado da súmula n.° 01 do CARF, divulgada pela Portaria CARF n.° 106, de 21/12/2006 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF N° 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acertou a decisão de primeira instância quando não conheceu dessa matéria, tendo se pronunciado apenas sobre outras alegações presentes na impugnação. Embora esteja impedido de decidir sobre questão levada ao Judiciário, o julgador administrativo deve apreciar a lide no que toca aos pontos que não constam da ação judicial. Isso porque, no momento em que a discussão judicial for encerrada, as questões não enfrentadas pelo Judiciário já estarão decididas administrativamente, podendo o processo seguir o seu rito normalmente. Tal providência é necessária tendo em conta o princípio da eficiência, hoje alçado a categoria de norma constitucional. Assim, não há o que se falar em nulidade da decisão original em razão do julgador de primeira instância haver exarado decisão, posto que esse enfrentou tão-somente as questões não levadas à apreciação do Judiciário. Para enfrentar a questão da inconstitucionalidade dos juros aplicados é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. 6 • Processo n° 35564.003730/2006-65 S2-C4T1 Acórdão o.° 2401-01.236 Fl. 173 Sobre esse tema, note-se que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declarató rio do • Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n2 10.522, de 19 de julho de 2002; b)súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n2 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n2 73, de 1993. Observe-se que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.° 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF N° 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do "caput" do art. 72 do Regimento Interno do CARPI . Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (.--) 7 \ Após analisados todos fatos e argumentos presentes nos autos, agora posso • me posicionar sobre o alegado vicio de parcialidade presente na decisão original. Discordo da recorrente, posto que vejo que o julgador monocrático pautou-se pelas prescrições normativas aplicáveis à lide, não se detectando qualquer mácula que pudesse atropelar o principio do devido processo legal. Diante do exposto, voto por afastar as preliminares suscitas e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Sala das Sessões, em 9 de junho de 2010 .\yt - J,-J" 1 KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO - Relator •
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Numero do processo: 35311.000060/2007-88
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/06/2001
RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL/FATURA, SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA ÓRGÃOS PÚBLICOS.
O órgão público também se subsume no conceito de empresa para fins de retenção de contribuições previdenciárias.
É responsabilidade do órgão público contratante de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, nas condições fixadas pelo art. 31 da Lei nº 8.212/91, promover a retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das respectivas notas fiscais/faturas e a recolher o montante retido, no prazo
legal, em nome da empresa prestadora.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-000.536
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ÓRGÃOS PÚBLICOS Recorrente MUNICIPIO DE DUQUE DE CAXIAS - PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/06/2001 RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL/FATURA, SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA ÓRGÃOS PÚBLICOS. O órgão público também se subsume no conceito de empresa para .fins de retenção de contribuições previdenciárias. É responsabilidade do órgão público contratante de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, nas condições fixadas pelo art. 31 da Lei n" 8.212/91, promover a retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das respectivas notas fiscais/faturas e a recolher o montante retido, no prazo legal, em nome da empresa prestadora, Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da .3" Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). ARLINDO D "...e<,9:1"tE SILVA - Relator Participaram do presente julgamento • os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Adindo Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Thiago Davila Melo Fernandes e Marco André Ramos Vieira (presidente).. Relatório Período de apuração: março! 1999 a .junho/2001 Data da lavratura da NFLD: 16/12/2002 Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD lavrada em face do Município de Duque de Caxias em 16.12,2002. A presente NFLD tem por objeto o lançamento tributário das contribuições sociais a seguir delineadas, conforme especificado no Relatório Fiscal a fls. 33/36: o Contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social, a cargo da empresa, apuradas mediante retenção de 11% incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, nos termos do art. 31 da Lei n" 8,212/91, com a redação dada pela Lei n°9.711/98. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o notificado apresentou impugnação a fls. 50/56. Em virtude de imprecisão na fundamentação legal do débito, bem como na identificação do sujeito passivo, a Seção de Análise de Defesa de Recursos determinou a emissão de Relatório Fiscal aditivo, com vistas ao saneamento das citadas irregularidades formais, conforme decisão a fls. 60/61. Relatório Fiscal Substitutivo a tis, 65/66.. Impugnação a fis, 70/71 pugnando pela nulidade do lançamento tributário, em razão de o Relatório Fiscal aditivo não indicar os dispositivos legais do débito que foram excluídos do relatório Fundamentos Legais do Débito - F'LD originário, o que representaria, em seu entender, cerceamento de defesa, Informação Fiscal a fis.. 88/90 especificando os fundamentos legais do débito em debate e esclarecendo a natureza dos fatos geradores integrantes do presente lançamento tributário. Despacho Saneador emitido pela administração fazendária, a fls. 93/95, reabrindo o prazo para a interposição de defesa, o qual fbi recebido pelo Sujeito Passivo em 29/11/2004, conforme documento a fl. 96. Impugnação a fls. 99/101. A Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita .Previdenciária de Duque de Caxias lavrou Decisão-Notificação (DN), a fis, 110/120, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. 2 Processo n" .35.311 .000060/2007-88 S2-C3 Acórdão n " 2302-00.336 ri 19:.; O Sujeito Passivo tomou ciência da supracitada decisão em 09/06/2006 (ff 122), Transcorrido o prazo legal para a interposição do Recurso Voluntário, o Sujeito Passivo não se manifestou nesse sentido, fato que culminou com a lavratura do Termo de Trânsito em Julgado, na instância administrativa, a ff 125, Decisão judicial proferida em sede do Mandado de Segurança n" 2006,51,10.007383-9, da 4" Vara Federal de São João de Menti, determinou, dentre outras providências, o afastamento do Trânsito em Julgado Administrativo, bem como a reabertura cio prazo para a interposição de recursos à instância ad quem. O Município de Duque de Caxias interpôs recurso voluntário, a fls. 165/188, respaldando sua contrariedade em argumentação assim desenvolvida: • Inexistência de responsabilidade do município, com base em substituição tributária, em virtude de o art, 31 da Lei n" 8,212/91 atribuí-ia unicamente à empresa contratante, e não à administração publica Ao fim, requer o recorrente a admissão do recurso voluntário independentemente de depósito recursal garantidor', bem como o total provimento ao recurso interposto, no sentido de declarar insubsistente a NFLD em exame e tornar nulo o lançamento tributário nela contido. Relatados sumariamente os fatos relevantes, Voto Conselheiro ARL1NDO DA COSTA E SILVA, Relator . DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 26.12.2006, terça-feira, conforme documento a tf 163, iniciando-se pois o decurso do prazo recursal na quarta-feira seguinte, diga-se, 27,12.2006. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 25 de janeiro de 2007, reconhece-se a tempestividade do recurso interposto. Superado o pressuposto temporal de admissibilidade do recurso, ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente à análise do mérito., 2. DO MÉRITO: O regime da retenção de contribuições previdenciárias foi instituído pelo art. 23 da Lei n" 9,711/1998, o qual alterou a redação do art, .31 da Lei de Custeio da Seguridade Social, dispondo que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão- de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher ., em nome da empresa cedente da mão-de-obra, a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura. LEI n" 8.212, de 24 de julho de 1991 Ari 31 A empresa contratante de serviços executados mediante ce.ssão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reler onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importeincia retida até o dia dois do més- subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou Mura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no s .5"do art. 33. (Redação dada pela MP n" 1.663-15, de 22/10/98 e convertida no art 2$ da Lei n" 9 711, de 20/11/98) Vigência a partir de 01/02/99, confirme o ali 29 da Lei n" 9,711/98. O apelo da recorrente arrima-se fundamentalmente em suposta ilegalidade do lançamento objeto da NFLD em referência, forte no argumento de que a norma tributária encartada no art. 31 da Lei n" 8.212/91 é dirigida única e exclusivamente à empresa, assim entendida como "atividade econômica organizada e exercida profissionahnente pelo empresário" e não aos órgãos públicos, razão pela qual, em seu entender ., estes estariam excluídos do alcance da substituição tributária em relevo. A rogativa exortada pelo recorrente, todavia, não merece prosperar.. O texto legislativo pautado no citado art. 31 da Lei IV 8.212/91 emprega o vocábulo "EMPRESA" não em seu conceito econômico, corno defende o recorrente, mas sim para designar de forma genérica o sujeito passivo da obrigação tributária, na conformação definida expressamente no capítulo dedicado à caracterização dos contribuintes pelo art. 15 da própria Lei n" 8.212/91, que pela relevância para o deslinde da questão, o transcrevemos ad litteris et verbis: LEI n" 8.212, de 24 de julho de 1991 Ar! 15 Considera-se: 1 - empresa - a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade económica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem conto os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacionaL- (grifas nossos) li - enwegador doméstico - a pessoa ou .fruiu/lia que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. PatágialO único Equipara-se a empresa, para os eleitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bani como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou . finalidade, a missão dipImmitica e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei n"9 876, de 1999) Nessa perspectiva, não carece de elevada mestria a interpretação do texto legislativo segundo a qual a norma insculpida no precitado art., 31 tem o seu alcance estendido a todas as entidades, públicas ou privadas, compreendidas no conceito legal de empresa, para os fins de custeio da seguridade social, conforme fixado no supratranscrito art. 15 do Diploma Legal ora em destaque. Diante desse quadro, mesmos os órgãos públicos da administração direta, ao contratarem serviços a serem prestados nas condições de contorno fixadas pelo aludido art. 31 da Lei n°8212/91, são obrigados a promover a retenção de 11% incidente sobre do valor bruto 4 Processo n" 35.311 000060/2007-88 Acórdão n " 2302-00.536 S2-C312 PI 199 da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e a recolher a importância retida, no prazo legal, em nome da empresa cedente da mão-de-obra Cumpre destacar, por relevante, que o instituto da retenção de contribuições previdenciárias instituído pela Lei n" 9.711/98 não se consubstancia em nova contribuição social distinta daquela disciplinada originariamente pelo art. 22 da Lei n" 8212/91, mas sim, urna sistemática diferenciada da forma de arrecadação da referida contribuição previdenciária, na qual as empresas, nos termos do art. 15 da citada lei de custeio, por substituição tributária, passam a figurar corno responsáveis tributários pela arrecadação c recolhimento antecipados do tributo em tela, conforme permissivo legal estampado nos artigos 121, 11 cc. 128, ambos do Código Tributário Nacional - CTN Código Tributário Nacional - CTN CAPITULO IV Sujeito Passivo SEÇÃO I Disposições Gerais Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal c".' a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniár ia Parágralb único. O sujeito passivo da obrigação principal I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador., II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de (grifos nossos) CAPITULO V Responsabilidade Tributária SEÇÃO I Disposição Geral Art. 128. Sem 1,7rcjitízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao falo germlor da respectiva obrigação, =brindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação Nesse sentido consolidou-se o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, como se depreende do julgado a seguir referenciado, cuja ementa tomamos a liberdade de transcrever: Ementa . TRIBUTARIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCLÁRIA EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ART 31 DA LEI N" 8.212/91, COMA REDA cã) DADA PELA LEI N" 9 711/98 6 1 A alteração que a Lei n" 8 212/91 sofreu com a edição da Lei n" 9 711/98 não criou qualquer nova contribuição sobre o futis cimento, não alterou a aliquota, menos ainda a base de cálculo da contribuição previdenciái ia sobre a . folha de pagamento, sendo., por conseguinte, devida a retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota . fiscal ou fatura de prestação de serviço.s 2 A Lei n" 9 711/98 criou uma nova sistemática na .forina de arrecadação da contribuição em debate, em que, por substituição tributária, as empresas passam a figurar como responsáveis ti ibutárias 3 Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando ci ol ientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão tecorrida (Súmula 83/ST.1) 4 Agravo Regimental improvido. (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n 629.957; si - 2 a Turma; Rei. Min Castro Metia, UI 21 032805) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. „ ARLINDO DA C - / g SILVA - Relator
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