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4652033 #
Numero do processo: 10380.009161/96-65
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2004
Ementa: GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA DISPONÍVEL - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - RENDA PRESUMIDA - BASE DE CÁLCULO - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - O fluxo financeiro de rendimentos e de despesas/aplicações ("fluxo de caixa"), a partir de 1º de janeiro de 1989, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. Caracteriza omissão de rendimentos, a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - SOBRAS DE RECURSOS - As sobras de recursos, apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizadas pela fiscalização, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo ano-calendário. ORIGENS DE RECURSOS - SALDOS BANCÁRIOS - APLICAÇÕES - DÍVIDAS E ÔNUS REAIS - Valores alegados, oriundos de saldos bancários, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais rendimentos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir presunção legal de omissão de rendimento. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. EMPRÉSTIMOS - COMPROVAÇÃO - Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos por empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo, feita somente com a declaração firmada pelo mutuante, sem qualquer outro meio, como comprovação da efetiva transferência de numerário, capacidade financeira do credor, ou ainda, regularmente declarado pelos contribuintes, devedor e credor, nas declarações de rendimentos tempestivamente apresentadas. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR PESSOAS FÍSICAS - TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA - O lucro apurado na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de qualquer natureza deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS - Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. GANHO DE CAPITAL - INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL - A transferência de bens imóveis da pessoa física para a pessoa jurídica, para integralização de seu capital na sociedade, implica em alienação, caracterizando-se em uma das modalidades de alienação a qualquer título. Constitui ganho de capital a diferença positiva entre o valor da transmissão do imóvel e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO - O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo de operação de que houver resultado a aquisição. BENFEITORIAS - Para serem considerados custos e entrarem no cálculo do ganho de capital, é indispensável que os dispêndios se revistam, cumulativamente, das seguintes condições (a) que possam ser classificados como benfeitorias; (b) que as benfeitorias e seus custos sejam incluídos na declaração de bens no ano-calendário da aplicação; (c) que sejam comprováveis, se a comprovação for exigida pela autoridade lançadora. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-20.336
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência tributária relativa ao ganho de capital a importância equivalente a 26.211,31 UFIR, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Nelson Mallmann

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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Recurso n°. : 120.481 Matéria : IRPF - Ex(s): 1992 a 1994 Recorrente : UMBERTO BOTTURA • - Recorrida : DRJ-FORTALEZA/CE • • Sessão de : 01 de dezembro de 2004 • Acórdão n°. : 104-20.336 • GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A 'RENDA DECLARADA DISPONÍVEL LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - RENDA PRESUMIDA - BASE DE CÁLCULO - PERIODO-' • BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - O fluxo financeiro de rendimentos e de despesas/aplicações ("fluxo de caixa"), a partir de 1° de janeiro de 1989, será apurado, • mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. Caracteriza omissão de rendimentos, a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. • LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - SOBRAS DE RECURSOS - As sobras de recursos, apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizados pela fiscalização, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para se considerar, como renda consumida, desde que seja dentro - do mesmo ano-calendário. ORIGENS DE RECURSOS - SALDOS BANCÁRIOS - APLICAÇÕES -` DÍVIDAS E ÔNUS REAIS - Valores alegados, oriundos de saldos bancários, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais rendimentos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de - eventual aumento patrimonial. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir presunção legal de omissão de rendimento. •'As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. 4. EMPRÉSTIMOS - COMPROVAÇÃO - Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos por empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo, feita somente com a declaração firmada pelo mutuante, sem qualquer outro meio, como comprovação da efetiva transferência de numerário, capacidade financeira do credor, ou ainda, regularmente declarado pelos contribuintes, devedor e credor, nas declarações de rendimentos tempestivamente apresentadas. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- . 9 0/ . MINISTÉRIO DA FAZENDA '77 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA • Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR PESSOAS FÍSICAS - TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA - O lucro apurado na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de qualquer natureza deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS - Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. GANHO DE CAPITAL - INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL - A transferência de bens imóveis da pessoa física para a pessoa jurídica, para integralização de seu capital na sociedade, implica em alienação, caracterizando-se em uma das modalidades de alienação a qualquer título. Constitui ganho de capital a diferença positiva entre o valor da transmissão do imóvel e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO - O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo de operação de que houver resultado a aquisição. BENFEITORIAS - Para serem considerados custos e entrarem no cálculo do ganho de capital, é indispensável que os dispêndios se revistam, cumulativamente, das seguintes condições (a) que possam ser classificados como benfeitorias; (b) que as benfeitorias e seus custos sejam incluídos na declaração de bens no ano-calendário da aplicação; (c) que sejam comprováveis, se a comprovação for exigida pela autoridade lançadora. Recurso parcialmente provido. 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA • Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por UMBERTO BOTTURA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência tributária relativa ao ganho de capital a importância equivalente a 26.211,31 UFIR, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEILA S'FIEKRER LEITÃO PRESIDENTE NELSON (ANN R Te '7 FORMALIZADO EM: 3 1 JAN 2°°5 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MEIGAN SACK RODRIGUES, OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR e REMIS ALMEIDA ESTOL. Ausente, no momento do julgamento, a Conselheira MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO. 3 " MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 Recurso n°. : 120.481 Recorrente : UMBERTO BOTTURA RELATÓRIO UMBERTO BOTTURA, contribuinte inscrito no CPF/MF 246.714.013-04, residente e domiciliado na cidade de Fortaleza, Estado do Ceará, à Avenida Beira Mar, 3120 — Praia do Meireles, jurisdicionado à DRF em Fortaleza - CE, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 716/725, prolatada pela DRJ em Fortaleza - CE, recorre a este Primeiro Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 733/743. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 12/08/96, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 01/18, com ciência, em 23/08/96, através de AR, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de 430.850,14 UFIR (Referencial de indexação de tributos e contribuições de competência da União - padrão monetário fiscal da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de ofício de 50%, para fatos geradores até mai/91 e de 100% para fatos geradores a partir de out/91; e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto, referente aos exercícios de 1992 a 1994, correspondentes, respectivamente, aos anos-calendário de 1991 a 1993. • A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde constatou-se as seguintes irregularidades: 4 2.4f;i MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 1 — SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA: omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, caracterizando sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda mensalmente auferida e não declarada. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3° e parágrafos e artigo 8° da lei n.° 7.713/88, com alterações dos artigos 1° ao 4° da Lei n.° 8.134/90, artigos 4° ao 6° da Lei n.° 8.383/91, combinados com o artigo 6° e parágrafos da Lei n.° 8.021/90. 2— GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS: (1) - omissão de ganho de capital obtido na alienação do imóvel denominado Rancho Alto da Miranda, incorporado ao capital social da empresa Fazenda Nova Verona Ltda, pelo valor de Cr$ 28.000.000,00, arquivado na Jucec, em 16/12/91. A integralização de capital da pessoa jurídica, mediante a incorporação de imóvel, feita pelo sócio, configura modalidade de alienação prevista na legislação do imposto de renda; (2) — omissão de ganho de capital obtido na alienação do apartamento localizado a Av. Beira Mar, 3870 — Meireles — Fortaleza — CE, 29/06/93, pelo valor de Cr$ 10.000.000.000,00, conforme escritura pública de fls. 107 e declaração da própria adquirente às fls. 108; e (3)— omissão de ganho de capital obtido na incorporação ao capital social da empresa CCT Centro Cearense de Turismo Ltda, dos apartamentos de n°s 01 a 04, localizado na Av. Beira Mar, n.° 3120 — Meireles, Fortaleza — CE, bem como as benfeitorias neles realizados no período de 04/92 a 07/93, pelo valor de Cr$ 7.600.000,00, equivalentes a 496.113,74 UFIR. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3° e parágrafos e artigos 16 ao 21, da lei n.° 7.713/88, com alterações dos artigos 1°, 2° e 18, inciso I e parágrafos, da Lei n.° 8.134/90, artigos 4° e 52, parágrafo 1°, da Lei n.° 8.383/91. O Auditor Fiscal da Receita Federal, autuante, esclarece, ainda, através do Relatório da Auditoria Fiscal de fls. 05/06, entre outros, os seguintes aspectos: 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA n:-" 't PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 - que o contribuinte foi intimado a justificar a origem dos recursos utilizados na aquisição de bens. Em resposta apresentou a esta fiscalização, como comprovação da origem dos recursos fotocópias de boletos de venda de moeda estrangeira, realizada nos anos de 1990 e1991. Apresentou, também, fotocópia de sua Cédula de Identidade de Estrangeiro, expedida pela DMAF/SR/CE, em que consta o dia 04/10/91 como data de sua entrada definitiva no país; - que cabe ressaltar que esta fiscalização não considerará os rendimentos do ano de 1990, como justificativa de variação patrimonial no decorrer do ano-base de 1991, visto que na declaração de bens do contribuinte, referente ao ano-base de 1990, não consta nenhum saldo bancário declarado, nem aplicações financeiras; - que salientamos, que a integralização de capital da pessoa jurídica, mediante a incorporação de imóvel, feita por sócio, configura modalidade de alienação prevista na legislação do imposto de renda, estando sujeito, portanto, a apuração de Ganho de Capital, ganho não apurado pelo contribuinte, visto o mesmo ter declarado o valor de - aquisição do bem pelo mesmo valor de transferência, ou seja, Cr$ 28.000.000,00; - que no levantamento realizado por esta fiscalização, no que diz respeito aos gastos com as benfeitorias realizadas no período de 04/92 a 07/93 (quatro apartamentos), o contribuinte comprova apenas o gasto correspondente ao montante de 275.336,57 UFIR e não as 477.580,75 UFIR declaradas; - que quanto a dívida no montante de 477.580,73 UFIR, contraída junto ao Sr. Hans Peter Kofler, o contribuinte apresenta um cronograma de desembolsos do empréstimo, sem contudo apresentar a esta fiscalização a documentação idônea que o embasasse. Não justifica, também, a liquidação do empréstimo, que, segundo o próprio contribuinte declarou, se deu no decorrer do ano-calendário seguinte, ou seja, em 1993. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4`->WP QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 Ademais, cabe aqui ressaltar que o Sr. Hans Peter Kofler inscreveu-se no CPF/MF, no dia 18/08/92, portanto, o mesmo dia da assinatura do Contrato de Mútuo, e que o mesmo é contribuinte omisso. Informamos, ainda, que a correspondência enviada ao Sr. Hans Peter Kofler, para que o mesmo pudesse esclarecer a questão, foi devolvida pelos Correios; - que dessa forma, e não tendo o contribuinte comprovado, até a presente data, o efetivo recebimento do referido empréstimo, com documentação hábil e idônea requerida, esta fiscalização não considerará este empréstimo para fins de justificativa de acréscimo patrimonial. Em sua peça impugnatória de fls. 689/691, apresentada tempestivamente, em 23/09/96, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida a impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que discorda do levantamento dos valores efetuados pelo fiscal autuante, solicitando uma revisão deste, uma vez que, na qualidade de estrangeiro com "visto permanente" concedido somente a partir de novembro de 1991, tem direito ao gozo do benefício previsto na legislação pertinente, no que se refere a transferências patrimoniais na vigência do visto temporário; - que sejam revistos também, os valores encontrados quando da apuração dos acréscimos patrimoniais constantes no citado Auto de Infração, visto que não foram considerados todos os rendimentos declarados, nem, tampouco, todos os documentos comprobatórios das origens de recursos; 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 - que como a autoridade autuante não considerou o empréstimo obtido junto ao Sr. Hans Peter Kofer em 1992, por entender que não ficou comprovada nos autos esta operação, solicita ao Fisco que confirme este empréstimo junto ao contribuinte; - que as transferências de recursos ocorridas a partir de novembro de 1991 foram tributadas, conforme DARFs constantes dos autos; - que o aumento de capital na empresa Fazenda Nova Verona, tendo em vista a incorporação do imóvel denominado Rancho Alto da Miranda o qual a autoridade fiscal considerou que a atualização está abaixo do valor de incorporação. Esta Autoridade não atentou para o detalhe da atualização pela diferença IPC x BTNF; - que da mesma forma, no levantamento concernente ao aumento de capital da CCT — Centro Cearense de Turismo Ltda, com a incorporação de quatro apartamentos sitos à Av. Beira Mar, 3120, e respectivas benfeitorias, o fiscal autuante apurou gastos com essas benfeitorias em parcela inferior a 154.725,03 UFIR, uma vez que esta autoridade considerou os valores constantes das notas fiscais atinentes, sem acréscimos de juros e/ou multa de mora, além de outras notas fiscais e recibos cujos valores não foram computados; motivo pelo qual reivindica o aditamento desses documentos, para que seja composto o valor declarado; - que com referência à alienação do imóvel situado na Av. Beira Mar, 3870, desconhece o recebimento do imóvel localizado na Rua Paula Barros como parte do pagamento, quando foi realizada aquela transação; logo, solicita ao fisco que apresente o endereço completo do referido imóvel, para pedir uma certidão vontenária, pois, segundo o requerente, este não lhe pertence. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a autoridade singular conclui pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção, em parte, do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: - que inicialmente, o litigante, na qualidade de estrangeiro, alega na peça impugnatória, que discorda do levantamento dos valores considerados tributáveis, uma vez que o fiscal autuante não atentou para o gozo do benefício previsto na legislação tributária, no que se refere às transferências patrimoniais ocorridas no período; - que na realidade, o contribuinte comprova através de cópia de seu passaporte, às fls. 701/716, que, pelas datas compreendidas entre o 2° semestre de 1989 e outubro de 1991, fez diversas viagens entre o Brasil e a Itália. Na tentativa de dimensionar o tempo de sua estada, para cada vinda ao país, o interessado fez um levantamento às fls. 700, corroborado pelas correspondentes datas existentes em seu passaporte, demonstrando de forma inequívoca que freqüentemente permanecia no país por curto períodos de tempo, sem que desta forma perdesse a condição de residente no exterior, até a ultimação do visto permanente em novembro/91; - que então, se o litigante até 21/11/91, data do visto permanente, é considerado como residente ou domiciliado no exterior, deve incidir o imposto na fonte sobre os rendimentos e ganhos de capital provenientes de fontes situadas no País, conforme dispõe o art. 554, inciso III RIR/80 e art. 743, III, RIR/94, não se aplicando, as regras de tributação relativas ao camê-leão, previstas no art. 8° da Lei n.° 7.713/88, válidas exclusivamente, para pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, de acordo com o art. 1° do referido diploma legal; 9 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 - que desta forma, procede o argumento do requerente de que o lançamento do imposto de renda em virtude da omissão de rendimentos, proveniente do acréscimo patrimonial a descoberto, referentes aos meses de janeiro, maio e outubro de 1991, é indevida, uma vez que naqueles períodos de apuração ele possuía a condição de residente no exterior; - que neste sentido, decido pela improcedência da autuação relativa aos fatos geradores de jan/91, mai/91 e out/91, em virtude de que o contribuinte deve ser considerado, nesse período, como não residente no País, porquanto restou comprovado que cada período de permanência no Brasil não alcançou doze meses; - que no que tange ao pedido do contribuinte referente ao aditamento de documentação, a ser posteriormente anexada, que complementaria a comprovação de origens de recursos não consideradas pelo fiscal autuante, há de se destacar que é infrutífera sua solicitação desacompanhada da aludida documentação, uma vez que o mesmo teve tempo suficiente para exercer o direito de acostar aos autos os documentos que achasse necessários até o julgamento de primeira instância, não cabendo, portanto, besta oportunidade, à autoridade julgadora deferir o pleito do litigante, o qual se encontrava respaldado por dispositivo expresso no art. 17 do Processo Administrativo Fiscal; - que, ademais, acrescenta-se que todos os rendimentos declarados foram utilizados na apuração da variação patrimonial, visto que as declarações dos exercícios citados sofreram revisão interna; logo, todas as informações nelas constantes foram aproveitadas, incluindo todos os rendimentos informados, quer sejam eles tributáveis, isentos ou não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; - que acrescente-se que os documentos anexados aos autos a fim de restar comprovado empréstimo contraído junto ao Sr. Hans Peter Klofer são considerados o MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -!:•" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 insuficientes, a fim de confirmar a referida operação. Também, a solicitação do contribuinte, em sua peça impugnatória, no sentido de inverter o ônus da prova relativamente à comprovação do retrocitado empréstimo não pode prosperar; - que com efeito, compete ao contribuinte provar, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade dos repasses relativos ao empréstimo dito contraído, em datas e valores coincidentes, não podendo ser aceito como comprovante hábil o "cronograma de desembolso" anexo às fls. 73/78, firmado pelo próprio contribuinte; - que assim, decido por considerar demonstrada a ocorrência de "variação patrimonial a descoberto" apurada nos períodos de apuração de jan/92, mar/jun/92, out/dez/92 e jan/mai/93; - que no tocante à incorporação do imóvel Racho Alto da Miranda, ao capital da empresa Fazenda Nova Verona, há de se mencionar que essa transação (transmissão de direitos) se enquadra como um dos tipos de alienação sujeita à apuração do ganho de capital obtido pela pessoa física. Desta forma, o custo de aquisição, conforme procedimento estabelecido pela legislação que rege a matéria, foi corrigido até a data da alienação, utilizando-se os índices definidos pelo Ato Declaratório CST n.° 76/91; logo, improcede qualquer referência à atualização pela diferença de correção monetária IPC x BTNF, procedimento autorizado exclusivamente para as pessoas jurídicas, segundo as regras contidas na Lei n.° 8.200/91 e Decreto n.° 332/91; - que relativamente às benfeitorias realizadas nos apartamentos de n°s 01 a 04, incorporados ao capital da empresa CCT, alega o litigante que os montantes destas foram considerados por valor menor que o declarado, em cerca de 154.725,03 UFIR, haja vista que a autoridade autuante não acrescentou às importâncias comprovadas pelos documentos de fls. 119/684, os juros e/ou multa de mora relativos a pagamentos efetuados 11 • - MINISTÉRIO DA FAZENDA 152,_ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 com atraso. Além disso, afirma que, por ter encontrado outras notas fiscais e recibos relativos aos gastos com as citadas benfeitorias, solicita o aditamento desses documentos, sem, contudo, acostá-los aos autos; - que em relação ao argumento da defesa de que desconhece o imóvel na Rua Paula Barros, que teria recebido pela importância de Cr$ 4.000.000,00, quando da venda do apartamento situado na Av. Beira Mar, 3870, este não pode prosperar, visto que as informações dispostas na Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, às fls. 107 anverso e verso, faz prova suficiente para confirmar que o primeiro imóvel foi recebido pelo importe acima referido, quando da venda do apartamento de propriedade do contribuinte, alienado por Cr$ 10.000.000,00. Também, a Declaração de fls. 108 vem corroborar esta transação; - que neste sentido, concluo pela procedência do cálculo efetuado quando da apuração dos ganhos de capital relativos aos fatos geradores de dez/91, abr/93 e jun/93, demonstrado às fls. 07/08 dos presentes autos; - que relativamente aos DARF citados pelo contribuinte em sua peça de defesa, mister esclarecer que se referem a pagamentos de imposto a titulo de camê-leão e que foram compensados nas respectivas declarações de rendimentos; - que desta forma, diante de todos os argumentos apresentados pelo litigante, o único a ser procedente refere-se ao seu pleito quanto ao cancelamento da tributação referente aos meses de janeiro, maio e outubro de 1991, no que tange à omissão de rendimentos proveniente de acréscimo patrimonial a descoberto, devendo, portanto, ser mantido a base tributável relativa à variação patrimonial e aos ganho de capital apurada nos anos-calendários de 1992 e 1993; 12 • • '-••••;•..?-, MINISTÉRIO DA FAZENDA k" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 44¥;:: : QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 - que, no entanto, observa-se pelos demonstrativos de fls. 11 e 14 que o imposto de renda devido a título de camê-leão foi calculado com base em "Rendimentos Sujeitos a Recolhimento Mensal Obrigatório". Ocorre que, conforme entendimento traduzido na IN SRF n.° 46/97, no caso de imposto de renda devido pelas pessoas físicas sob a forma de recolhimento mensal não pago, quando corresponder a rendimentos percebidos até 31/12/96, serão estes computados na determinação da base de cálculo anual do tributo, lançando-se o imposto suplementar daí resultante com o acréscimo de multa de ofício, nos termos do inciso I, do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, e de juros de mora na forma da legislação aplicável; - que salienta-se também que o artigo 44 da Lei n.° 9.430/96 veio estabelecer percentual inferior ao constante no art. 4°, inciso I, da Lei n.° 8.218/91, e considerando o disposto no artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, a multa de lançamento de ofício a ser aplicada deve ser no percentual de 75%, em substituição à de 100%; - que deixo de recorrer de ofício da presente Decisão, em virtude de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecida na Portaria MF n.° 333/97, observado o disposto no Ato Declaratório COSIT n.° 001/97. Os fundamentos da decisão da autoridade julgadora singular está consubstanciada na ementa abaixo transcrita: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Variação Patrimonial a Descoberto — Não comprovada a origem dos recursos que evidenciam a renda auferida e não declarada, resta caracterizada a variação patrimonial a descoberto e procedente o lançamento decorrente. 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 A partir de 01/01/89 o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital fossem percebidos. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. RESIDENTE NO EXTERIOR — VISTO TEMPORÁRIO Desde que cada período de permanência não alcance doze meses, deverá ser considerada como não residente no País, a pessoa física portadora de "visto temporário" que entra e sai e toma a entrar no Brasil, com novo "visto temporário". GANHO DE CAPITAL O lucro apurado na alienação de bens móveis e imóveis deve ser considerado ganho de capital e tributado de acordo com a legislação de regência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IMPOSTO DEVIDO SOBRE RENDIMENTOS SUJEITOS AO RECOLHIMENTO MENSAL — CARNÊ- LEÃO. Conforme entendimento traduzido na Instrução Normativa SRF n.° 046, de 13/05/97, no caso de imposto de renda devido pelas pessoas físicas sob a forma de recolhimento mensal (camê-leão) não pago, quando correspondente a rendimentos recebidos até 31/12/96 e não informados na declaração de rendimentos, serão estes computados na determinação da base de cálculo anual do tributo, lançando-se o imposto suplementar dai resultante com o acréscimo de multa de ofício e de juros de mora. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Aplicação retroativa da multa menos gravosa. A multa de lançamento de ofício de que trata o artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, equivalente a 75% do imposto, sendo menos gravosa que a vigente ao tempo da ocorrência do fato gerador, aplica-se retroativamente, tendo em vista o disposto no artigo 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. 14 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA .4. ii_r4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 • LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE" Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 17/09/98, conforme Termo constante às fls. 726/729, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (19/10/98), o recurso voluntário de fls. 733/743, instruído pelos documentos de fls. 744/1444 no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: - que ocorre, Eméritos Julgadores, que o Sr. Umberto Bottura teve cerceado os seus mais elementares direitos de ampla defesa, não acatado pela autoridade da 10 Instância, toda a documentação entregue para fazer parte dos autos, e que surpreendentemente. foi desviada ou extraviada pelo Sr. Fiscal autuante, portanto, não levadas em consideração pelo Sr Delegado de Julgamento, documentos estes que comprovam não ter cometido qualquer irregularidade fiscal que viesse a constituir crédito tributário a favor da União; - que o que se depreende dos fatos, é que houve o absurdo da intolerância e até mesmo da discriminação, com certeza por ser o contribuinte autuado "estrangeiro", o que jamais poderia ter acontecido. Fatos como estes é que afugentam o investimento estrangeiro no país, tão almejado pelas autoridades governamentais; - que a fiscalização desprezou, inacreditavelmente, a quantia de U$$ 523,600.00 introduzidos legalmente no país pelo contribuinte, tudo devidamente documentado; 15 , MINISTÉRIO DA FAZENDA.9, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 - que os demais valores obtidos legalmente por "Empréstimo" junto ao Sr. Hans Peter Klofer, e que foram surpreendentemente, "considerados insuficientes, a fim de confirmar a referida operação, pelo Sr. Delegado de Julgamento, é talvez a mais impressionante prova de descaso dessa autoridade. Senhores Conselheiros, anexamos a presente fotocópias de toda a documentação, entregue ao Sr. AFTN autuante, entretanto não acostadas aos autos até o presente momento, o que vem demonstrar, irrefutavelmente, a total improcedência do Auto de Infração ora atacado; - que, portanto, em tendo mantido o Auto de Infração em conseqüência dos argumentos utilizados e outros totalmente inadequados, o Sr. Delegado de Julgamento, desprezou tanto as provas carreadas aos autos pelo Recorrente para fazer o seu julgamento, exclusivamente, com base em deduções falaciosas, como também, não levou em consideração as demais provas solicitadas pelo autuado e que ora anexamos. Consta às fls. 757/758, o deferimento do Pedido de Efeito Suspensivo, pelo Tribunal Regional Federal da 5a Região, ao Agravo de Instrumento interposto contra decisão, em ação Mandamental, que negou pedido de liminar para determinar que a autoridade coatora receba o recurso administrativo, independente do recolhimento do • depósito judicial de 30% do valor do crédito tributário. Na Sessão de Julgamento de 26 de janeiro de 2000, resolvem os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição Lançadora examine os documentos acostados pelo contribuinte na fase recursal de fls. 759/1444, realizando-se as diligências julgadas necessárias. Realizada a diligência, deverá a digna autoridade fiscal produzir parecer conclusivo a respeito do que foi apurado, dando ciência ao recorrente. Este (o recorrente), querendo, poderá manifestar-se a respeito do mesmo no prazo de 20 dias, findo o qual o processo deverá retornar para esta Câmara. 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 Em 22 de junho de 2004, a Repartição Lançadora se manifesta através do Relatório Fiscal de fls.1477/1478, instruído pela "Tabela Geral dos Documentos Apresentados Pelo Contribuinte" de fls. 1479/1507, do qual destaco os seguintes trechos: "... Não satisfeito com a decisão da DRJ/Fortaleza o contribuinte novamente impugnou e apresentou uma vasta documentação que, a seu ver, comprovaria despesas efetuadas na reforma dos 4 apartamentos que foram alienados e sobre os quais foi fundamentado o auto de infração. O Conselho de Contribuintes, para onde o processo foi enviado, examinou a documentação apresentada pelo contribuinte e devolveu à unidade autuante de origem para que fosse feita uma auditoria na documentação a fim de verificar se realmente os documentos acostados podiam ser considerados custos e consequentemente dedutíveis do ganho de capital apurado no auto de infração. Foi feita a auditoria na documentação e, analisando documento por documento, verificando-se as suas veracidade e a possibilidade de serem considerado dedutíveis. Foi elaborada uma tabela do sistema Excel relacionando toda a documentação com discriminação do documento, data de emissão, valor e um diagnóstico externando a posição da Fiscalização diante de cada documento. Desta tabela que poderemos denomina-la de Geral, foi extraída outra menor, apenas com os valores dos documentos, considerados pela Fiscalização, como dedutíveis. Esses valores foram convertidos em UFIR, Unidade Fiscal de Referência, e totalizados. Entende a Fiscalização que os valores constantes da tabela menor preenche todos os requisitos para ser considerados custo, portanto dedutíveis do Ganho de Capital apurado no Auto de Infração, pois estão assentados em documentos hábeis e idôneos, com discriminação do destinatário, endereço, e comprovantes de efetivo pagamento. E mais, estão compreendidos no período de tempo devido e revestidos de todas formalidades legais.". 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 44~ QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 Em 05 de julho de 2004, o contribuinte apresenta as contra-razões ao Relatório Fiscal elaborado pela DRF de Fortaleza — CE de fls. 1511/1514 do qual destaco os seguintes trechos: 41 ... No que se denominou de "TABELA GERAL DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE", se verifica verdadeiros absurdos e incoerências, como a seguir se vergasta: - Páginas 761 a 774 constam comprovantes oficiais de venda de moeda estrangeira (US$) em instituições financeiras e/ou empresas autorizadas pelo BACEN para atuarem no câmbio, efetivadas pelo autuado. Entretanto e, surpreendentemente, o Dr. Fiscal qualifica como "Sem interesse fiscal"? Ora, como sem interesse fiscal, quando estes se tratam de vendas oficiais de moeda estrangeira de propriedade do contribuinte autuado, realizando uma operação legal de valores que já foram tributados no país de origem? Como a fiscalização autuou o recorrente como tendo sido verificado "Aumento Patrimonial a Descoberto", não resta dúvida que os valores dessas operações foram formadores das fontes oficiais de recursos e, por conseguinte, ilidem totalmente esse tipo de presunção. - A partir da página 775 a 800, o Dr. Fiscal autuante, simplesmente mantém ou repete a esdrúxula decisão da autoridade a quo (DRF de Julgamento em Fortaleza/CE), classificando estes documentos como "insuficientes", para comprovação da operação de empréstimo, e portanto, "Sem valor fiscal" (conforme está escrito), simplesmente emitindo julgamento, o que não lhe compete nessa esfera de decisão. Em momento algum da auditoria realizada em toda a documentação acostada ao processo em referência, por solicitação dessa Corte Administrativa, o Dr. Fiscal considerou qualquer dos documentos como ilegais, ou inidôneos ou mesmo inserviveis. O que mais salta a vista, é o fato de ter considerado como "insuficientes" os documentos legais que comprovam a operação de empréstimo efetivada pelo Sr. Hans Peter Kfofer, ao autuado Humberto Bottura. Referidos documentos, Eméritos Julgadores, são mais que suficientes, ou mais precisamente, são os únicos que poderiam comprovar a operação que de fato e de direito foi realizada e devidamente comprovada. O que se denominou de "Carta", na realidade é um documento de contrato e/ou pacto, para todos os fins legais, inclusive referendado e solidificado no Novo Código Civil Brasileiro, que reveste de legalidade a vontade das partes, quando esta não vier a ferir determinações legais específicas — não se faz, nem nunca foi obrigatório no ordenamento 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 jurídico de qualquer país do mundo, principalmente no brasileiro, que o Contrato, tenha obrigatoriamente de conter um título com o nome de "Contrato" e constar termos de "cláusulas"- a vontade expressa por escrito de uma parte e a aceitação por outra, gera direitos e obrigações e têm força contratual e/ou pactuai, principalmente, quando restou comprovado a efetiva entrega dos numerários, não por simples e meros recibos, mas comprovados pelos próprios valores movimentados em contas bancárias; - Em seguida, o Dr. Fiscal passa a "GLOSAR", sem qualquer critério e/ou previsão legal, os documentos que comprovam os reais e legais dispêndios de investimentos de melhorias efetuados nos imóveis. Será que o Dr. Fiscal sabe que existe uma grande diferença quando se realizam obras nas zonas urbanas e quando essas obras são realizadas nas zonas rurais? Nas zonas rurais, tem-se por obrigação legal vigente (CLT e Normas Complementares) que se dê alimentação ao trabalhador, e em assim sendo, alimentos perecíveis, como: pão, leite, aves e ovos, carnes e demais gêneros, somente poderão ser adquiridos em vendas e pequenos comércios nas proximidades dos lugarejos e/ou povoados, não se têm como adquirir nos centros comerciais, portanto, os documentos que lastreiam essas operações diferem em formalidades daquelas operacionalizadas em firmas e lojas instaladas no perímetro das zonas urbanas. Os investimentos em comento foram realizados numa fazenda e, portanto, estes investimentos jamais poderão receber simplesmente, os chavões de "sem previsão legal", "documento insuficiente", "sem valor fiscal", dentre outros. Desta maneira, essas pequenas, mais inúmeras despesas, as mais variadas e devidamente necessárias ao empreendimento, foram despendidas e terão que ser levadas em consideração para cálculo do valor dos bens transacionados, sob pena de se praticar uma verdadeira injustiça fiscal. - Finalmente, Douto Julgador, cumpre-nos discordar de plano, do que foi JULGADO pelo Dr. AFRF como "custo de aquisição", pois quais as razões que o levaram a esse tipo de julgamento, uma vez que a aquisição do imóvel foi efetivada no estado em que se encontrava, com pagamento em moeda corrente, e não com materiais e obras? Todo os dispêndios efetivados foram para melhoria dos imóveis, portanto, não tem do que se falar em "custo de aquisição".". É o Relatório. 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator: O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Não há argüição de qualquer preliminar. A matéria em discussão no presente litígio, como ficou consignado no Relatório, diz respeito a "Acréscimo Patrimonial a Descoberto" e ganho de capital na alienação de bens. Quanto à discussão da omissão de rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial a descoberto — sinais exteriores de riqueza, apurados pelos "Demonstrativos de Origens e Aplicações de Recursos", realizados através de fluxo financeiro ("fluxos de caixa"), apurados de forma mensal, é de se ressaltar, inicialmente, que a discussão do litígio se prende tão-somente aos anos-calendário de 1992 e 1993, tendo em vista que a decisão de Primeira Instância deu provimento excluindo da tributação o ano de 1991 e desta decisão não cabe recurso de ofício em razão do limite de alçada. Da análise dos autos do processo se verifica que a autoridade lançadora constatou, através do levantamento de entradas e saídas de recursos — fluxo financeiro ("fluxo de caixa"), que o contribuinte apresentava, em determinados meses nos anos de 20 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 1992 e 1993, saldo negativo, representando desta forma presunção de omissão de rendimentos, já que consumia/aplicava mais do que possuía de recursos com origem justificada, através de rendimentos tributados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte, ou que provinham de empréstimos, bem como omissão de ganho de capital na alienação de bens. Não há dúvidas nos autos, que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava "um acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo mensal", ou seja, aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Sobre este "acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo" cabe tecer algumas considerações. Sem dúvida, sempre que se apura de forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é lícito à presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos. No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatado na posição do final do período em comparação da mesma situação no seu início é considerado como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em receitas auferidas (tributadas, não tributadas ou tributadas exclusivamente na fonte). 21 .;À4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 No caso em questão, a tributação não decorreu do comparativo entre as situações patrimoniais do contribuinte ao final e início do período, ou seja, na acepção do termo "acréscimo patrimonial". Portanto, não pode ser tratada como simples acréscimo patrimonial. Desta forma, não há que se falar de acréscimo patrimonial a descoberto apurado na declaração anual de ajuste. Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação tributária principal que é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 114 do CTN). Esta situação é definida no art. 43 do CTN, como sendo a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que no caso em pauta é a omissão de rendimentos. Ocorrendo o fato gerador, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142). Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os princípios da legalidade estrita e da tipicidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se dê exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais. Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer o fato gerador, ou, o lançamento será constituído quando se constatar que 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 concretamente houve a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Desta forma, podemos concluir que o lançamento somente poderá ser constituído a partir de fatos comprovadamente existentes, ou quando os esclarecimentos prestados forem impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Ora, se o fisco faz prova, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos - fluxo financeiro, que o recorrente efetuou gastos além da disponibilidade de recursos declarados, é evidente que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser apurada no mês em que ocorreu o fato. Diz a norma legal que rege o assunto: "Lei n.° 7.713/88": Artigo 1° - Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, serão tributados pelo Imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Artigo 2° - O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Artigo 30 - O Imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvando o disposto nos artigos 90 a 14 desta Lei. § 1 0. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados. 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 Lei n.° 8.134/90: Art. 1° - A partir do exercício-financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2° - O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. Art. 40 - Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1° de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8° da Lei n.° 7.713, de 1988: I - será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês. Lei n.° 8.021/90: Art. 6° - O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far- se-á arbitrando os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° - Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° - Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte.". Como se depreende da legislação, anteriormente, citada o imposto de renda das pessoas físicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, já que com a edição da Lei n.° 8.134, de 1990, que introduziu a declaração anual de ajuste para efeito de apuração do imposto devido pelas pessoas físicas, 24 • •t4'.•-••':•,'";--- MINISTÉRIO DA FAZENDA,g- :>,„'Pj1;.::ks, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';>-':•JÀ:q.:'› QUARTA CÂMARA • Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 tanto o imposto devido como o saldo do imposto a pagar ou a restituir, passaram a ser determinados anualmente, donde se conclui que o recolhimento mensal passou a ser considerado como antecipação do devido e não como pagamento definitivo. Nesta altura deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713/88, pelo qual estipulou-se que "o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, a medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos", há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383/91, mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. É de se observar, que para as infrações relativas à omissão de rendimentos, tem-se que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 no presente caso, não há que se falar de fato gerador mensal, haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o fato gerador complexivo objeto da autuação em questão. Em relação ao cômputo mensal do fato gerador, é de se observar que a Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano- calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 90 e 11 da Lei n°8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Nesse contexto, deve-se atentar com relação ao caso em concreto que, embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou para efeito de tributação foi o total de rendimentos percebidos pelo interessado no ano-calendário em questão, sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente. 26 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 É certo que a Lei n.° 7.713, de 1988, determinou a obrigatoriedade da apuração mensal do imposto sobre a renda das pessoas físicas, não importando a origem dos rendimentos nem a natureza jurídica da fonte pagadora, se pessoa jurídica ou física. Como o imposto era apurado mensalmente, as pessoas físicas tinham o dever de cumprir sua obrigação com base nessa apuração, o que vale dizer, seu fato gerador era mensal, regra que teve vigência plena, somente, no ano de 1989. Entretanto, a partir do ano de 1990, não é possível exigir do contribuinte o pagamento mensal do imposto de renda, ainda que a fonte pagadora não tenha cumprido o dever legal de efetuar a retenção do imposto por antecipação do da declaração. Sem dúvidas que o imposto de renda na fonte e o imposto de renda recolhido na forma de "carnê- leão", apesar da denominação de imposto devido mensalmente, representam simples antecipações do imposto efetivamente apurado na declaração de ajuste anual. Desse modo, o imposto devido, a partir do período-base de 1990, passou a ser determinado mediante a aplicação da tabela progressiva sobre a base de cálculo apurada com a inclusão de todos os rendimentos de que trata o art. 10 da Lei n.° 8.134, de 1990, e o saldo a pagar ou a restituir, mediante a dedução do imposto retido na fonte ou pago pelo contribuinte pessoa física, mensalmente, quando auferisse rendimentos de outras pessoas físicas. Relevante observar, que a obrigatoriedade do recolhimento mensal nasceu com o advento da Lei n.° 7.713, de 1988, que introduziu na legislação do imposto de renda das pessoas físicas o sistema de bases correntes. Assim, entendo que os rendimentos omitidos apurados, mensalmente, pela fiscalização, a partir de 01/01/90, estão sujeita à tabela progressiva anual (IN SRF n.° 46/97). 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal exterior de riqueza caracterizado pelos gastos excedentes da renda disponível, e deve ser quantificada em função destes. Não comungo com a corrente de que os saldos positivos (disponibilidades) apurados em um ano possam ser utilizados no ano seguinte, pura e simples, já que entendimento pacífico nesta Câmara que o Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/90, será apurado, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo-se, quando comprovadas pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilhamento financeiro onde são considerados os ingressos e dispêndios realizados pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais e pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subseqüente, desde que seja dentro do mesmo ano-calendário. Assim, somente poderá ser aproveitado, no ano subseqüente, o saldo de disponibilidade que constar na declaração do imposto de renda - declaração de bens, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea. No presente caso, a tributação levada a efeito baseou-se em levantamentos mensais de origem e aplicações de recursos (fluxo financeiro ou de caixa), onde, a princípio, constata-se que houve a disponibilidade econômica de renda maior do que a declarada pelo suplicante, caracterizando omissão de rendimentos passíveis de tributação. 28 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 Por outro lado, é entendimento pacífico, nesta Câmara, que quando a fiscalização promove o fluxo financeiro ("fluxo de caixa") do contribuinte, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos devem ser considerados todos os ingressos (entradas) e todos os dispêndios (saídas), ou seja, devem ser considerados todos os rendimentos, retornos de investimentos e empréstimos, (já tributados, não tributados, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte) declarados ou não, bem como todos os dispêndios/aplicações/investimentos/aquisições possíveis de se apurar, a exemplo de: despesas bancárias, aplicações financeiras, água, luz, telefone, empregada doméstica, cartões de crédito, juros pagos, pagamentos diversos, aquisições de bens e direitos (móveis e imóveis), etc., apurados mensalmente. Não há dúvidas nos autos, que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava "um acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo mensal", ou seja, aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Quanto a alegação que a autoridade lançadora procedeu uma ação de bitributação, já que tributa o contribuinte por ganhos de capital e em seguida para efeitos de "Variação Patrimonial" não inclui estas importâncias tributadas como renda disponível, a mesma é totalmente improcedente, senão vejamos: É cristalino nos autos que a tributação de ganhos de capital decorreu da seguinte forma: 1 - omissão de ganho de capital obtido na alienação do imóvel denominado Rancho Alto da Miranda, incorporado ao capital social da empresa Fazenda Nova Verona Ltda, pelo valor de Cr$ 28.000.000,00, arquivado na Jucec, em 16/12/91. A integralização de 29 • „ • e4. MINISTÉRIO DA FAZENDA "ü:nIP, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';>2.N , QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 capital da pessoa jurídica, mediante a incorporação de imóvel, feita pelo sócio, configura modalidade de alienação prevista na legislação do imposto de renda; 2 — omissão de ganho de capital obtido na alienação do apartamento localizado a Av. Beira Mar, 3870 — Meireles — Fortaleza — CE, 29/06/93, pelo valor de Cr$ 10.000.000.000,00, conforme escritura pública de fls. 107 e declaração da própria adquirente às fls. 108; e 3 — omissão de ganho de capital obtido na incorporação ao capital social da empresa CCT Centro Cearense de Turismo Ltda, dos apartamentos de n°s 01 a 04, localizado na Av. Beira Mar, n.° 3120 — Meireles, Fortaleza — CE, bem como as benfeitorias neles realizados no período de 04/92 a 07/93, pelo valor de Cr$ 7.600.000,00, equivalentes a 496.113,74 UFIR. Desta forma, é de se concluir o seguinte: 1 — o ganho de capital obtido na alienação do imóvel denominado Rancho Alto da Miranda, se deu através de incorporação de capital social na empresa Fazenda Nova Verona Ltda., pelo valor de Cr$ 28.000.000,00, ou seja, não houve transação em moeda, razão pela qual o ganho de capital (valor da operação) não pode figurar no fluxo financeiro pois não se trata de disponibilidade financeira; 2 — não foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto em junho de 1993, já que os acréscimo apurados no ano de 1993 se restringiram aos meses de janeiro a maio, razão pela qual não poderia ser considerado o valor apurado na alienação do apartamento I localizado na Av. Beira Mar, n° 3.870, em 29/06/93; 30 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 3 - o ganho de capital obtido dos apartamentos de n°s 01, 02, 03 e 04, localizados na Av. Beira Mar, 3.120, se deu através de incorporação de capital social na empresa CCT Centro Cearense de Turismo Ltda., pelo valor equivalente a 496.113,74 UFIR, ou seja , não houve transação de moeda, razão pela qual o ganho de capital (valor da operação) não pode figurar no fluxo financeiro, pois não se trata de disponibilidade financeira. Quanto a quantia de US$ 523,600,00 que, de acordo com o suplicante, foram legalmente introduzidos no País, no período de 03/07/89 a 29/05/91, é de se observar que nada constou na Declaração de Imposto de Renda — Declaração de Bens e Direitos, relativo ao ano calendário de 1991 (fls. 32/36), assim não há como considerar estas importâncias como fonte de recursos na apuração do fluxo financeiro no ano de 1992. Ademais, o último comprovante da venda de dólares (US$ 90.000,00 — fls. 774) data de 29/05/91 e o "acréscimo patrimonial a descoberto" em discussão, nesta fase recursal, se refere a janeiro de 1992. Quanto a dívida no montante de 477.580,73 UFIR, contraída junto ao Sr. Hans Peter Kofler, declarada como Dívidas e Ônus Reais (fls. 165), tem se, em síntese, que: - a autoridade lançadora entendeu que o contribuinte apresenta um cronograma de desembolsos do empréstimo, sem contudo apresentar a esta fiscalização a documentação idônea que o embasasse. Não justifica, também, a liquidação do empréstimo, que, segundo o próprio contribuinte declarou, se deu no decorrer do ano-calendário seguinte, ou seja, em 1993; - o Sr. Hans Peter Kofler inscreveu-se no CPF/MF, no dia 18/08/92, no mesmo dia da assinatura do Contrato de Mútuo, e que o mesmo é contribuinte omisso e a 7 31 -.Z•:; .??, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 correspondência enviada, para que o mesmo pudesse esclarecer a questão, foi devolvida pelos Correios; - a autoridade lançadora entendeu, ainda, que não tendo o contribuinte comprovado, até a presente data, o efetivo recebimento do referido empréstimo, com documentação hábil e idônea requerida, o empréstimo não poderia ser considerado para fins de justificativa de acréscimo patrimonial; - o suplicante entende que as fls. 775/800 constam os documentos legais que comprovam a operação de empréstimo efetivada pelo Sr. Hans Peter Kfofer, ao autuado Humberto Bottura. Entendendo que os referidos documentos são mais que suficientes, ou mais precisamente, são os únicos que poderiam comprovar a operação que de fato e de direito foi realizada e devidamente comprovada. O que se denominou de "Carta", na realidade é um documento de contrato e/ou pacto, para todos os fins legais, bem como, restou comprovado a efetiva entrega dos numerários, não por simples e meros recibos, mas comprovados pelos próprios valores movimentados em contas bancárias. Ora, com a devida vênia, o contrato de mútuo de fls. 70, a carta de Hans Peter Kofler de fls. 775/777 e os extratos bancários em nome de Hans Peter Kofler solicitados em 03 de janeiro de 1996 (fls. 778) são indícios de provas do suposto empréstimo. Como, por outro lado, nota-se que o suposto Sr. Hans Peter Kofler inscreveu-se no CPF/MF, no dia 18/08/92, no mesmo dia da assinatura do Contrato de Mútuo, e que o mesmo é contribuinte omisso e a correspondência enviada, em 10/04/96, para que o mesmo pudesse esclarecer a questão, foi devolvida pelos Correios. Na questão de empréstimos a jurisprudência tem se mantido na posição de cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos por empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo, feita somente com declaração firmada pelo 32 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 mutuante, sem qualquer outro meio, como comprovação da efetiva transferência de numerário, capacidade financeira do credor, ou ainda, regularmente declarado pelos contribuintes, devedor e credor, nas declarações de rendimentos tempestivamente apresentadas. É bem verdade, que a declaração apresentada, por si só, não tem condição de comprovar a efetividade da operação. Deveria, a princípio, estar lastreada por prova cabal que o mesmo corresponda a verdade dos fatos, a exemplo de comprovar a efetiva transferência dos recursos para o credor nas datas e valores alegados. O que se tem nos autos é que o suposto credor pagou despesas em nome do suplicante, cuja devolução dos recursos não foi comprovada nos autos, já que de acordo com a Declaração de Imposto de Renda do ano-calendário de 1993 (fis. 84/86), estes supostos recursos foram devolvidos durante o ano de 1993. No que diz respeito à exclusão ou inclusão de recursos, bem como à consideração de dividas e ônus reais no fluxo de caixa, seria ocioso mencionar que todos os valores constantes da declaração de ajuste anual são passíveis de comprovação. E, no tocante a dinheiro em espécie, empréstimos ou recebimento de créditos por empréstimos junto a terceiros ou fornecedores, os quais, eventualmente, justifiquem acréscimos patrimoniais, sua comprovação se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos que permitam a livre formação de convicção do julgador. Não tenho dúvidas, que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. No âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições 33 • n MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Em não raros casos tal atribuição do ônus da prova resulta na exigência de produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o não recebimento de um rendimento? Como evidenciar que um contrato não foi firmado? Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu? Não se pode esquecer que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entende-se como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil, que dispõe: "Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa." Da mera leitura deste dispositivo legal, depreende-se que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '~1,;;",i.,11• QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como a iterativa jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão, vê-se que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes é clara a respeito do ônus da prova. Pretender a inversão do ônus da prova, como formalizado na peça recursal, agride não só a legislação, como a própria racionalidade. Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Ora, não é lícito obrigar-se a Fazenda Nacional a substituir o particular no fornecimento da prova que a este competia. Como se sabe, no caso, em discussão, os valores apurados nos demonstrativos pela fiscalização caracterizam presunção legal, do tipo condicional ou relativa (júris tantum) que, embora estabelecida em lei, não tem caráter de verdade indiscutível, valendo enquanto prova em contrário não a vier desfazer ou mostrar sua falsidade. 35 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 Observe-se que as presunções júris tantum, embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidi-Ias. Assim, é de. se manter a tributação de "acréscimo patrimonial a descoberto" quando não comprovado originar-se em recursos não tributáveis ou já tributados. Inaceitável, como prova de mútuo, contrato particular de empréstimo cuja autenticidade e legitimidade não são corroboradas por qualquer elemento subsidiário, não tendo o mútuo constado da declaração de rendimentos tempestivamente apresentada pelo devedor, estando ainda improvada a capacidade financeira do emprestador, à data do empréstimo. Caberia, sim, a suplicante, em nome da verdade material, contestar os valores lançados, apresentando as suas contra razões, porém, calcadas em provas concretas, e não, simplesmente, apresentar argumentos e documentos, num universo de contradições, para pretender derrubar a presunção legal apresentada pelo fisco, já que o dever da guarda dos contratos e documentário fiscal, juntamente com a informação dos valores pagos é do próprio suplicante, não há como transferir para a autoridade lançadora tal ônus, muito menos pretender que a autoridade julgadora transforme o julgamento em diligências para produzir provas, cujo ônus é exclusivamente seu. Quanto à discussão em tomo do ganho de capital é de se observar que o suplicante foi autuado pelas irregularidades abaixo: 1 - omissão de ganho de capital obtido na alienação do imóvel denominado Rancho Alto da Miranda, incorporado ao capital social da empresa Fazenda Nova Verona Ltda, pelo valor de Cr$ 28.000.000,00, arquivado na Jucec, em 16/12/91. A integralização de capital da pessoa jurídica, mediante a incorporação de imóvel, feita pelo sócio, configura modalidade de alienação prevista na legislação do imposto de renda; 36 MINISTÉRIO DA FAZENDA41_ • JIL;:-i.4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 2 — omissão de ganho de capital obtido na alienação do apartamento localizado a Av. Beira Mar, 3870 — Meireles — Fortaleza — CE, 29/06/93, pelo valor de Cr$ 10.000.000.000,00, conforme escritura pública de fls. 107 e declaração da própria adquirente às fls. 108; e 3 — omissão de ganho de capital obtido na incorporação ao capital social da empresa CCT Centro Cearense de Turismo Ltda, dos apartamentos de n°s 01 a 04, localizado na Av. Beira Mar, n.° 3120 — Meireles, Fortaleza — CE, bem como as benfeitorias neles realizados no período de 04/92 a 07/93, pelo valor de Cr$ 7.600.000,00, equivalentes • a 496.113,74 UFIR. Da análise da legislação de regência verifica-se que embora a Lei Civil condicione a eficácia da operação de transmissão de bem imóvel à existência de escritura pública e à sua inscrição no Registro de Imóveis, para ter plena validade perante terceiros, para a Legislação Tributária ocorre alienação e aquisição em qualquer operação que importe em transmissão ou promessa de transmissão de imóveis, a qualquer título, ou na cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, ainda que efetuada por meio de instrumento particular não inscrito em registro público, tais como as realizadas por: compra e venda, permuta, adjudicação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos à aquisição de imóveis, etc. Esses dispositivos não são conflitantes, pois cada um deles tem finalidade legal específica, gerando direitos e deveres em seus respectivos campos, sem prejudicar um ao outro. Verifica-se também que em regra geral, o valor da transmissão é o preço efetivo da operação de venda ou da cessão de direitos; nas operações em que o valor não se expressar em dinheiro, o valor da transmissão será arbitrado segundo o valor de 37 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES WP QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 • mercado. Verifica-se, ainda, que utiliza-se o valor que serviu de base para o lançamento do imposto de transmissão, como valor referencial de aquisição, nos seguintes casos: doação, adiantamento da legítima, herança ou legado, dissolução de sociedade conjugal, usucapião extraordinário, revogação de doação, etc. A transferência de imóvel a pessoa jurídica para subscrição de seu capital, implica em alienação para fins da incidência do imposto sobre ganho de capital previsto pela Lei n.° 7.713/88. A própria legislação vigente na época do fato gerado (§ 3° do artigo 3° da Lei n.° 7.713/88) define, com clareza, que na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação a qualquer título de bens ou direitos. Não restam dúvidas nesta Câmara, que dado a abrangência do conceito de alienação, que subscrição de capital mediante transferência de imóvel para o patrimônio da pessoa jurídica há uma operação, a qual, por importar em transmissão de imóvel se situa dentro da hipótese de incidência do imposto, podendo gerar ganho de capital, em caso positivo, será tributado na forma da Lei. Quanto a discussão das benfeitorias lançadas como custo é de se esclarecer que os documentos apresentados na fase recursal foram analisados pela autoridade lançadora em atendimento ao pedido de diligência solicitada por esta Quarta Câmara, conforme se observa no Relatório Fiscal de fls.1477/1478, instruído pela "Tabela Geral dos Documentos Apresentados Pelo Contribuinte" de fls. 1479/1507, cujos argumentos adoto como razões de decidir e do qual destaco os seguintes trechos: "... Não satisfeito com a decisão da DRJ/Fortaleza o contribuinte novamente impugnou e apresentou uma vasta documentação que, a seu ver, 38 - MINISTÉRIO DA FAZENDA•se PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161196-65 Acórdão n°. : 104-20.336 comprovaria despesas efetuadas na reforma dos 4 apartamentos que foram alienados e sobre os quais foi fundamentado o auto de infração. O Conselho de Contribuintes, para onde o processo foi enviado, examinou a documentação apresentada pelo contribuinte e devolveu à unidade autuante de origem para que fosse feita uma auditoria na documentação a fim de verificar se realmente os documentos acostados podiam ser considerados custos e consequentemente dedutíveis do ganho de capital apurado no auto de infração. Foi feita a auditoria na documentação e, analisando documento por documento, verificando-se as suas veracidade e a possibilidade de serem considerado dedutíveis. Foi elaborada uma tabela do sistema Excel relacionando toda a documentação com discriminação do documento, data de emissão, valor e um diagnóstico externando a posição da Fiscalização diante de cada documento. Desta tabela que poderemos denomina-Ia de Geral, foi extraída outra menor, apenas com os valores dos documentos, considerados pela Fiscalização, como dedutíveis. Esses valores foram convertidos em UFIR, Unidade Fiscal de Referência, e totalizados. Entende a Fiscalização que os valores constantes da tabela menor preenche todos os requisitos para ser considerados custo, portanto dedutíveis do Ganho de Capital apurado no Auto de Infração, pois estão assentados em documentos hábeis e idôneos, com discriminação do destinatário, endereço, e comprovantes de efetivo pagamento. E mais, estão compreendidos no período de tempo devido e revestidos de todas formalidades legais.". Indiscutivelmente, para serem considerados custos e entrarem no cálculo do ganho de capital, é indispensável que os dispêndios se revistam, cumulativamente, das seguintes condições (a) que possam ser classificados como benfeitorias; (b) que as benfeitorias e seus custos sejam incluídos na declaração de bens no ano-calendário da aplicação; (c) que sejam comprováveis, se a comprovação for exigida pela autoridade lançadora. 39 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009161/96-65 Acórdão n°. : 104-20.336 Ora, tanto o processo quanto a decisão administrativa, no particular, ambos devem primar pela objetividade factual, impedidos, liminarmente, que estão, de trilhar a irracionalidade. Assim, pretender-se, como pretendido pelo recorrente, desconhecer de provas documentais, é olvidar a realidade, mediante agressão à objetividade material que fundamentou o lançamento: Desta forma, a ausência de elementos factuais que possam elidir a totalidade da exigência fiscal persiste nesta fase recursal, pois o recorrente insiste em contestar os valores do lançamento sob argumentos não amparados em lei, incapazes de dar consistência a sua pretensão de ver excluído a totalidade do crédito tributário constituído. Assim sendo, somente considero como custo comprovado o valor de 26.211,31 UFIR referente aos documentos relacionados às fls. 1504/1507. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para que seja excluído do ganho de capital o valor equivalente a 26.211,31 UFIR. Sala das Sessões - DF, em 01 de dezembro de 2004 Nt0;i1 40 • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1

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Numero do processo: 11040.002524/99-16
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato específico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 10/06/99. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.597
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Judith do Amaral Marcondes e Antonio Praga acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões. Retornar á DRF para apreciar o mérito.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO

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Interessada : PEDRO BOEMEKE Sessão de : 25 de fevereiro de 2008. Acórdão n° : CSRF/03-05.597 F1NSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 10/06/99. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Judith do Amaral Marcondes e Antonio Praga acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões. Retornar á DRF para apreciar o mérito. 10 PRA A ESIDENTE OTACÍLIO D • "TAS CARTAXO. RELATOR FORMALIZADO EM: 13 OUT 2008 Participaram do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: SUSY GOMES HOFFMANN, JUDITH DO AMARAL MARCONDES, ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, ANELISE DAUDT PRIETO, NILTON LUIZ BARTOLI (Substituto convocado) e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO.. tinc • Processo n° : 11040.002524/99-16 Acórdão n° : CSRF/03-05.597 Recurso n° : 303-128.320 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : PEDRO BOEMEKE RELATÓRIO Trata-se de pedido de restituição e de compensação no valor de R$ 21.365,30, em 10/06/99 (fls. 01/02 e 50/55, respectivamente), a partir de créditos decorrentes da declaração de inconstitucionalidade pelo STF da majoração da alíquota de Finsocial (RE 150.764/PE, DJU de 02/04/93, trânsito em julgado em 04/05/93) formulado pela contribuinte junto a DRF/Pelotas- RS, conforme carimbo da repartição preparadora, referente a recolhimentos indevidos relacionados ao período de set/89 a mai/91, conforme planilha (fls. 03/04) e DARFs (fls. 06/34). Do Despacho Decisório de fl. 59, que deixou de reconhecer o crédito tributário de Finsocial sob o argumento de haver decaído o direito ao pleito, com base nos fundamentos do AD/SRF n°96/99 (arts. 165-1 e 168-1, erN), a contribuinte impugnando o feito, alegou inexistir decadência na pretensão do seu direito, em face da tese dos 10 anos para a realização de sua pretensão, escudando-se no art. 150, § 4° do CTN, no art 18 da MP n' 1.699-40/98, c/c o art. 12 da IN/SRF n°21/97, na MP n° 1.110/95 e Parecer COSIT n° 58/98. O acórdão DRJ/BSA n° 2.375/03 (fls. 80/84), reiterando o entendimento exarado no despacho decisório de fls. 59, prolatou a decisão que indeferiu a solicitação formulada pela impugnante, de acordo com os finidamentos contidos nos art. 150, § 1° e 168-1, todos do CTN, que estabelece que o pagamento antecipado pelo obrigado extingile o crédito tributário com o pagamento, independentemente da condição resolutória da ulterior homologação do lançamento, bem como a repercussão na contagem do prazo para que os contribuintes exerçam seu direito à restituição consoante os Pareceres PGFN/CAT n°s 678/99 e 1538/99 e ADN/ARF n° 96/99. Insurgindo-se contra a decisão de primeira instância a interessada interpõe recurso voluntário reiterando os fatos expendidos na exordial de forma minudente, mencionando jurisprudência em seu favor, entretanto sem inovar o seu entendimento sobre a matéria. O Acórdão n° 303-31.788 (fls. 105/134) prolatou a decisão proferida na Sessão de Julgamento pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 03/12/04, cujo entendimento encontra-se sintetizado na ementa adiante transcrita: "FINSOCIAL — PEDIDO DE RESTITHIÇÁO/COMPENSAÇÃO — POSSIBILIDADE DE EXAME POR ESTE CONSELHO. Inconstitucionalidade reconhecida pelo supremo tribunal federal — Prescrição do direito de restituição/compensação - Inadmissibilidade — dies a quo — Edição de ato normativo que dispensa a constituição de crédito tributário — Duplo grau de jurisdição." O entendimento exarado pelo voto condutor funda-se na IN/SRF n° 210/02, arts. 2°, 21 e 35; no Cód. Civil, arts. 177 e 189, bem assim na jurisprudência administrativa e dos 2 \b\ /fir Processo n° : 11040.002524/99-16et Acórdão n° : CSRF/03-05.597 Tribunais Superiores, além da MP 1.110/95, DOU de 31/08/95, convertida na Lei n° 10.522/02, que dispensou a Fazenda de constituir créditos, inscrever na divida ativa, ajuizar ação fiscal, bem como autorizou a cancelar o lançamento e a inscrição relativamente a tributos e contribuições julgados inconstitucionais pelo STF, ou ilegais, em última instância, pelo STJ. Cientificada do acórdão retromencionado em 22/12/05 (fl. 135), contra o mesmo insurge-se a Fazenda Nacional (fls. 137/144), aviando o seu recurso em 05/04/05, com Mero no art. 5°-II do RICSRF, apresentando como paradigma de divergência o acórdão ti 302- 35.782. Aduz o d. Procurador: • O v. acórdão recorrido entendeu que o direito de pleitear a restituição ou compensação do Finsocial somente começa a ser contada a partir da edição da Ml' n 1.110/95, expedida em 30/08/95, não havendo nada que justifique ser considerada a data da publicação desta Ml' o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do Finsocial. • Apresentando a titulo de paradigma de divergência o acórdão n' 302-35.782, de 15/10/03, defende a tese contida nos arts. 165-1 e 168-1, ambos do CTN que reconhece o direito ao crédito tributário, entretanto, argüi que o mesmo se extingue após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção pelo pagamento (art. 156-1, CTN), ocorrendo o inicio da contagem do prazo decadencial de cinco anos no dia do pagamento espontâneo do tributo devido. • Complementa o seu entendimento concernente ao prazo decadencial com o ADN/SRF n' 96/99 que, como norma integrante da legislação tributária, tem caráter vinculante para a administração tributária, conforme os arts. 1004 e 103-1 ambos do CTN, sob pena de responsabilidade funcional, no que tange o questionamento pela contribuinte acerca da inconstitucionaliciade ou ilegalidade de norma, posto que a competência para esse desiderato é de exclusividade do Poder Judiciário. • Não há na lei qualquer autorização para se considerar um outro termo inicial da contagem do prazo para restituição do indébito mais favorável para o contribuinte, em detrimento do erário público. Merece reprimenda o v. acórdão guerreado. • Requer a reforma da decisão hostilizada para que seja restituída a decisão de primeira instância. Admitido o REsp da PFN em 08/04/05, conforme Despacho exarado pelo Presidente da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 171/172), mediante o reconhecimento da existência de divergência entre o julgado e o acórdão paradigma apresentado. O contribuinte (AR, fl. 176) tomando ciência do Acórdão n° 303-31.788 e do REsp da PFN, apresenta suas contra-razões repelindo o entendimento exarado pela Fazenda Nacional e postulando pela manutenção integral do acórdão recorrido. É o relatório. t)".\ 3 tb, Processo n° : 11040.002524/99-16 Acórdão n° : CSRF/03-05.597 VOTO Conselheiro Relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO A matéria versa sobre o reconhecimento de direito creditório de contribuinte, oriundo de indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCIAL declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE n° 150.764-1, DJU de 02/03/93, bem como quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para o ressarcimento do indébito. A tese esposada pela decisão de primeira instância adotou o entendimento contido no AD/SRF n°96/99, consubstanciado nos arts. 165-1, 168 —I, 1504 1° e 156-1, todos do CTN, para argüir a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição/compensação de indébito tributário oriundo da majoração da alíquota do Finsocial acima de 0,5%, majoração essa declarada inconstitucional pelo STF. De acordo com esse entendimento, a referida decisão reconhece o direito do contribuinte ao crédito tributário (an. 1654, CFNI), entretanto, argüi que o mesmo se extingue após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção (art. 168-1, c-m) pelo pagamento (art. 156-1, CTN). A Fazenda Nacional defende os mesmos argumentos, postulando pela reforma do acórdão recorrido e pelo restabelecimento da decisão de primeira instância. De antemão, é sabido que o Dec. n° 92.698/86 não foi recepcionado pelo novo ordenamento jurídico (CF/88), por não estar fundado na lei geral sobre tributação e nem mesmo em lei especial derrogatória, conclusão esta que já foi externada pela própria COSIT por meio do seu Parecer n°58/98, consubstanciado no Parecer PGFN/CAT n°437/98, com fulcro no art. 168, CTN, cujo direito do contribuinte pleitear a repetição do indébito extingue-se após o transcurso de prazo de cinco anos, contado do pagamento indevido, da data de extinção do débito. Observou-se, também, que a autoridade fiscal manteve-se inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto à restituição do indébito (art. 165-1, CTN). Logo, depreende-se que o ceme da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial, ou seja, da data para o contribuinte exigir o ressarcimento do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165-1 e 168-1 do CTN, não havendo o que se falar em decadência, por conseguinte em homologação. A posição emanada pela SRF em relação à repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no Parecer COSIT n°58/98, de 27/10/98, o reconhecimento expresso naquele Parecer que referenda 4 V?: Processo n° : 11040.002524/99-16 Acórdão n° : CSRF/03-05.597 como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, é a data da publicação da MP n° 1.110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n° 96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa o novo entendimento a se contrapor àquele esposado anteriormente. Como visto, a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP n° 1.110/95. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento do direito creditório do Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até a data de 30/11/99, enquanto outros tantos foram prejudicados por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. Logo, depreende-se não ser esse o parâmetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. Ao contrário do que expôs o juízo a quo, é importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, faz-se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitável em sua plenitude. Nesse sentido, até que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da alíquota do F1NSOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mês pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito do sujeito passivo, pressuposto este autorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto à Fazenda Nacional (art. 170, CTN). Apenas após a publicação do trânsito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação à prescrição. Análise essa pela qual a decisão de primeira instância passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-1 do CTN), para promover a ação de cobrança do crédito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. Quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional matéria essa questionada pela ora recorrente, traz-se à baila o Ac. CSRF/01-03.239 que sabiamente estabelece que em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo STF em AD1N; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; e c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. A MP n° 1.110/95, art. 17— III, DOU de 31/08/95 — p. 013397, por sua vez, foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, passando a ser utilizado como referencial para o marco inicial da contagem do prazo decadencial. 5 Oh • Processo n° : 11040.002524/99-16 Acórdão n° : CSRF/03-05.597 Somente com o advento dessa MP é que os contribuintes, de boa-fé e com a observância do dever legal, puderam demandar sobre o ressarcimento dos pagamentos indevidos, com base nas alíquotas majoradas, acima de 0,5%, nas épocas indicadas, da referida Contribuição para o F1NSOCIAL, estabelecendo-se, certamente, com isso, o marco inicial. O reconhecimento desse indébito restou consolidado através das reiteradas reedições e posteriores edições da retromencionada MP sob os trs 1.142195, 1.175/95, 1.209/95, 1.244/95, 1.281/96, 1.320/96, ..., 1.490/96 e 1.621-36/98, sendo convertida na Lei n° 10.522/02, a qual trata da matéria através do art. 18-111. Posteriormente a essa MP a Secretaria da Receita Federal através da 1N/SRF n° 32, de 09/04/97, em seu artigo 2° convalidou a compensação efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos reconhecidos e não recolhidos da Cotins, com fundamento no art. 9° da Lei n° 7.689/88, na alíquota superior a 0,5%. Significa dizer que a Administração Tributária por meio de ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se • coaduna a manifestação do jurista e tributarista Ives Gandra Martins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a titulo de tributo, a questão refoge do âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito à plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, 6°, da CF," (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178) Insubsistente, portanto, os argumentos do d. Procurador com relação à lide. Finalmente, tem-se que o pedido de compensação de Finsocial formulado junto a DRF/Pelotas-RS é de 10/06/99 (fl. 02) e que o término da contagem do prazo prescricional, sob a égide do raciocínio aqui desenvolvido dá-se em 31/08/00, não havendo se falar em prescrição. Ante o exposto, uma vez que já admitido o Recurso da Fazenda Nacional, não havendo preliminar a ser apreciada, no mérito, nego-lhe provimento. É assim que voto. Sala das Sessões/DF, Brasília 25 de fevereiro de 2008. flett‘ OTAC11.10 DA' CARTAXO 6 Page 1 _0060700.PDF Page 1 _0060900.PDF Page 1 _0061100.PDF Page 1 _0061300.PDF Page 1 _0061500.PDF Page 1

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4664406 #
Numero do processo: 10680.005200/99-96
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPF - IMPOSTO DE RENDA - RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA - PAGAMENTO INDEVIDO - RESTITUIÇÃO - CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL - Nos casos de reconhecimento da não-incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição tem início na data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma legal declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou da data do ato da administração tributária que reconheça a não-incidência do tributo. Permitida nesta hipótese, a restituição de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Desta forma, não tendo transcorrido entre a data do reconhecimento da não-incidência pela administração tributária (IN nº 165, 1998) e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso provido.
Numero da decisão: 104-18272
Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para: I - afastar a decadência; II - anular as decisões proferidas pelas autoridades administrativa e julgadora de primeira instância; e III - determinar à autoridade administrativa o enfrentamento do mérito. Vencido o Conselheiro Roberto William Gonçalves que provia o recurso quanto ao mérito.
Nome do relator: Vera Cecília Mattos Vieira de Moraes

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Permitidai nesta hipótese, a restituição de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Desta forma, não tendo transcorrido entre a data do reconhecimento da não-incidência pela administração tributária (IN n° 65, 1998) e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ OSÓRIO FREIRE. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para: I - afastar a decadência; II - anular as decisões proferidas pelas autoridades administrativa e julgadora de primeira instância; e III - determinar à autoridade administrativa o enfrentamento do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Roberto William Gonçalves que provia o recurso quanto ao mérito. LEILA RIA S HERRER LEITÃO PRESIDENTE MINISTÉRIO DA FAZENDA '4. • k I PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.005200/99-96 Acórdão n°. : 104-18.272 \h/la Cec,j-LoCuaitu. l),(fisciLuerw' VERA CECÍLIA MATTOS VIEIRA DE MORAES RELATORA FORMALIZADO EM: 21 SET 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado) e REMIS ALMEIDA ESTOL. Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA.gt. 2 ;;.. MINISTÉRIO DA FAZENDA Yr-1.c PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.005200/99-96 Acórdão n°. : 104-18.272 Recurso n°. : 125.482 Recorrente : JOSÉ OSÓRIO FREIRE RELATÓRIO José Osório Freire, solicita restituição de imposto de renda retido na fonte sobre o valor recebido a título de incentivo à adesão Programa Demissão Incentivada instituído por CAF Florestal, referente ao ano calendário de 1993 exercício 1994. O processo foi formalizado em 26/04/99. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte - MG, ao apreciar o pedido considerou que já se esgotara o prazo de 5 anos da efetiva retenção, o que se deu viL em 18/02/93, conforme consta da decisão de fls. 47. Assim, com base no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999, indeferiu o pleito por julgá-lo intempestivo sob o fundamento de que o prazo para requerer a restituição de tributo pago indevidamente se extingue após 5 (cinco) anos contado da data da extinção do crédito tributário. Em manifestação de inconformidade, a contribuinte alega, que seu direito está assegurado no art. 165 do CTN. 3 • fo -; . 1 • we MINISTÉRIO DA FAZENDA• ;_ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.005200/99-96 Acórdão n°. : 104-18.272 Observa que o imposto era retido pela fonte até que a Secretaria da Receita Federal editasse a Instrução Normativa n° 165, publicada em 06/01/99, e o Ato Declaratório n° 003 de 07/01/99, cujo item II assim dispõe: "II - a pessoa física que recebeu os rendimentos de que trata o inciso I, com desconto do imposto de renda na fonte, poderá solicitar a restituição ou compensação do valor retido, observado o disposto na Instrução Normativa SRF n°21 de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997". Tendo em vista o Ato Declaratório COSIT n° 4, de 20/01/99, o contribuinte entende que o prazo para pleitear a restituição é contado a partir de 6 de janeiro de 1999. Porém em 30/11/99 foi editado o Ato Declaratório SRF n° 096 que assim dispõe: "I - o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168, I, da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). II - o prazo referido no item anterior aplica-se também à restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos recebidos como verbas indenizatórias a título de incentivo à adesão de Programas de Desligamento Voluntário - PDV1. Tece ainda considerações sobre a natureza do Imposto de Renda Retido na Fonte, concluindo pela característica de lançamento por homologação. 4 e k 4, . ri? .• .:.y. MINISTÉRIO DA FAZENDA Nd • ; . • 35 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;‘-,TIA:v-i;=.> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.005200/99-96 Acórdão n°. : 104-18.272 Deste modo a extinção do crédito se daria após 5 anos da ocorrência do fato gerador (art. 150 § 4° CTN. Consequentemente o direito de pleitear a restituição se 1 extinguiria no prazo de cinco anos contados de sua homologação expressa ou tácita (art. 168 I do CTN). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte - MG, na análise do pleito, conclui que o prazo para pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. A justificar seu entendimento, cita o art. 168 inciso I do CTN e o Ato rDecIaratório SRF n°96 de 26 de novembro de 1999, especialmente o inciso II. O julgador de primeira instância, conclui ainda que o pagamento antecipado, nas hipóteses de tributos sujeitos a lançamento por homologação, extingue o crédito, ainda que sob condição resolutória. Menciona também o problema da declaração de inconstitucionalidade de leis tributárias pelo Supremo Tribunal Federal e a decadência do direito de pleitear a restituição, transcrevendo Parecer PGFN/CAT n° 1538/99 e o Ato Declaratório n° 96/1999. Assim julga improcedente a manifestação de inconformidade e indeferiu o pedido de retificação da declaração do Imposto de Renda e consequentemente da restituição pretendida. Nas razões apresentadas a fls. 44/46, o recorrente alega em resumo que: 5 t' L br • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.005200/99-96 Acórdão n°. : 104-18.272 1 - A Receita Federal entendia que os rendimentos eram tributáveis, face ausência de expressa previsão legal que outorgasse a isenção. 2 - Em 31/12/98, foi editada a Instrução Normativa n° 165, dispensando a constituição de crédito relativamente incidência ao IR Fonte sobre as verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária, autorizando a revisão de ofício dos lançamentos assim constituídos. Se pendentes de julgamento, a matéria deverá ser subtraída pelos Delegados de Julgamento. 3 - Também foi publicado em 7/1/99 o Ato Declaratório n° 003 que no inciso II permite a restituição ou compensação do valor assim relido. 4- Em 28/01/99 foi editado o Ato Declaratório COSIT n°4 determinando que o prazo para solicitar a repetição seria contado a partir do ato que concedeu ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição (item 4). 5 - Surge então o Ato Declaratório n° 096, estabelecendo que o prazo se conta a partir da data da extinção do crédito tributário art. 165, I, art. 168 I do CTN. 6 - Em nome dos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica, interesse público, pede que seja aplicado ao pleito o ADN COSIT n° 04/99. O Imposto de Renda na Fonte tem natureza de lançamento por homologação, e assim seu direito à restituição não está prescrito. 6 „. 9- MINISTÉRIO DA FAZENDA yr • ; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 ' N firr'i, QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.005200/99-96 Acórdão n°. : 104-18.272 Em relação ao mérito, alega que a natureza do rendimento é de ed-- indenização, trazendo aos autos inúmeros Acórdãos no âmbito administrativo e judicial, a corroborar seu entendimento, bem como doutrina no mesmo sentido. É o Relatório. 7 I k" <a - • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.005200/99-96 Acórdão n°. : 104-18.272 VOTO Conselheira VERA CECILIA MATTOS VIEIRA DE MORAES, Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Trata-se de pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, relativo ao ano calendário 1993, exercício de 1994, referente às importâncias pagas a título de indenização, quando da adesão a Programas de Desligamento Voluntário, Programa de Incentivo a Aposentadoria, Programa de Saídas Voluntárias ou outros assemelhados. Iv O problema gira em torno do "dies a quo" para contagem do prazo de 5 (cinco) anos a fim de se pleitear o direito à restituição do imposto indevido. Dispõe o artigo 168, Inciso I c./c artigo 165 Inciso I e II do Código Tributário Nacional, que o direito de pleitear a restituição, nos casos de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido, ou maior que o devido, extingue-se com o decurso de 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário. Esta é a regra geral a ser aplicada em matéria de restituição. k 44 e: MINISTÉRIO DA FAZENDA j PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Q.:e* QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.005200/99-96 Acórdão n°. : 104-18.272 Porém, nos casos em que o imposto passou a ser indevido por decisão judicial transitada em julgado, ou por ato da administração que trate de sua inexigibilidade, outro enfoque deverá ser dado à questão. Com efeito, nestes casos, há necessidade de se estabelecer em que momento estará caracterizado o indébito tributário. Sem dúvida alguma, no primeiro caso, a partir do trânsito em julgado da decisão, se dará início à contagem do prazo ora perquirido. Em relação ao ato da administração, não há como não entender como termo inicial, a data em que houve o reconhecimento da não incidência do tributo pela administração tributária. No presente processo somente a partir da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, (DOU 06/01/99) é que surge para o requerente o direito de pleitear a restituição. Foi exatamente neste momento que houve o reconhecimento da não incidência do imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes de planos ou programas de desligamento voluntário ou incentivado. Na verdade, as regras definidas nos dispositivos do Código Tributário Nacional, pelas características aqui apontadas, não podem ser aplicadas de forma literal. Isto porque ao receber os valores pertinentes à indenização por adesão aos programas mencionados, o imposto de renda incidente era considerado devido na fonte e na declaração. 9 P9' . MINISTÉRIO DA FAZENDA ' P gi ,de PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' :;4Y:;15 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.005200/99-96 Acórdão n°. : 104-18.272 Não poderia o contribuinte pedir restituição de valores legalmente retidos e recolhidos. O direito de requerer a devolução do imposto só surge a partir do momento em que foi considerado indevido, por outro ato legal ou por decisão transitada em julgado. Dentro deste espírito, face a reiteradas decisões do judiciário, especialmente do Superior Tribunal de Justiça, e principalmente tendo em vista o inciso I do art.165 do Código Tributário Nacional, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF n° 165/98. Como o pedido for protocolado em 26/04/99, não há que se falar em decadência. Estas são as razões pelas quais o voto é no sentido de DAR provimento ao recurso para AFASTAR a decadência do direito de pedir restituição, anulando portanto as decisões proferidas respectivamente pela Delegacia da Receita Federal e Delegacia da Receita Federal de Julgamento e DETERMINAR a remessa, dos autos à repartição de origem para apreciação do mérito. Sala das Sessões - DF, em 23 agosto de 2001 Qykok_ CatacckilÁouTe,v\ cig& tt.“9cou.)-N VERA CECILIA MATTOS VIEIRA DE MORAES 10 Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1 _0018600.PDF Page 1

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Numero do processo: 10840.002124/2002-61
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2007
Ementa: REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL - VÍCIO - Não pode ser conhecida manifestação de inconformidade diante da ausência de apresentação de procuração do signatário do recurso, pois há vício na representação processual.
Numero da decisão: 105-16.560
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por irregularidade em relação à representação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello

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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por irregularidade em relação à representação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

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QUINTA CÂMARA Processo n°. :10840.002124/2002-61 Recurso n°. :155.394 Matéria : IRPJ e OUTRO - EX.S.: 2001 e 2002 Recorrente : PIRES BUENO REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida V TURMA/DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP Sessão de :14 DE JUNHO DE 2007 Acórdão n°. : 105-16.560 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL - VÍCIO - Não pode ser conhecida manifestação de inconformidade diante da ausência de apresentação de procuração do signatário do recurso, pois há vicio na representação processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por PIRES BUENO REPRESENTAÇÕES LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por irregularidade em relação à representação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. / 1 J • *VIS A,VES g. RESIDENTE CL.N2c3a-asg1n MARCOS RODRIGUES DE MELLO RELATOR FORMALIZADO EM: 0 6 JUL 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CLÁUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA (Suplente Convocada), DANIEL SAHAGOFF, WILSON FERNANDES GUIMARÃES, EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, ROBERTO BEKIERMAN (Suplente Convocado) e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Ausente, justificadamente o Conselheiro IRINEU BIANCHI. ), MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n° :10840.00212412002-61 Acórdão n°. :105-16.560 Recurso n°. 155.394 Recorrente : PIRES BUENO REPRESENTAÇÕES LTDA. RELATÓRIO PIRES BUENO REPRESENTAÇÕES LTDA. CNPJ N° 51.811.362/0001-01, já qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 18 Turma da DRJ em RIBEIRÃO PRETO-SP, contida no acórdão de n° 14.13.765 de 25 de setembro de 2006, que não conheceu sua impugnação. Trata a lide de pedido de restituição de IRF, que foi indeferido pela autoridade fiscal e cuja manifestação de inconformidade não foi conhecida pela autoridade julgadora de 1 3 instância. A decisão da DRJ foi ementada como abaixo: Representação Processual — Vício Não pode ser conhecida manifestação de inconformidade diante da ausência de apresentação de procuração do signatário do recurso, pois há vício na representação processual. O contribuinte foi cientificado da decisão em 23 de outubro de 2006 e apresentou recurso em 21 de novembro de 2006. Em seu recurso, o advogado reitera as teses sobre o mérito e no que se refere à necessidade de procuração alega que não foi intimado a regularizar, sendo que a Receita Federal apenas intimou o contribuinte a apresentar a procuração e não ao •advogado. É o relatório. 2 s MINISTÉRIO DA FAZENDA . .... • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n° :10840.002124/2002-61 Acórdão n°. :105-16.560 VOTO Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Relator O contribuinte apresentou recurso dentro do prazo legal de trinta dias, podendo o mesmo recurso ser apreciado. O advogado Domingos Assad Stoche apresentou impugnação em nome do contribuinte sem apresentar procuração do mesmo. O contribuinte foi intimado (fls. 40) a regularizar sua representação, sendo lhe concedido prazo de cinco dias para tanto. Não há no processo qualquer medida do contribuinte visando sanar a falha processual. Esse fato não é negado pelo ADVOGADO no recurso, onde apenas alega que era ele advogado que teria de ser intimado. No entanto, não há base legal para tal pretensão, não havendo reparos a fazer à decisão da 1' instância. Assim sendo não conheço o recurso voluntário por irregularidade em relação à representação. Sala das Sessões - DF, em 14 de junho de 2007. •-,1/4"c-ri.c4----0_02-z1 MARCOS RODRIGUES DE MELLO( 3 Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1

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Numero do processo: 10930.001335/00-53
Data da sessão: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/01-04.267
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros, Maria Goeretti de Bulhões carvalho, Victor Luis de Salles Freire, Remis Almeida Estol, José Carlos Passuelo, Wilfrido Augusto Marques e Carlos Alberto Gonçalves Nunes
Nome do relator: Leila Maria Scherrer Leitão

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ementa_s : IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado.

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PRIMEIRA TURMA *~?' Processo n° : 10930.001335/00-53 Recurso n° : 106-126223 Matéria : IRPF/MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO Recorrente : WELLINGTON OEDA DO CARMO Interessada : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 6 CÂMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 02 DE DEZEMBRO DE 2002 Acórdão n° : CSRF/01-04.267 IRPF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WELLINGTON OEDA DO CARMO. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros, Maria Goeretti de Bulhões carvalho, Victor Luis de Salles Freire, Remis Almeida Estol, José Carlos Passuelo, Wilfrido Augusto Marques e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. SON p,EREIR—A- ROD GUES PRESIDENTE fr LEILA ARIA SCHERRER LEITÃO RELATORA FORMALIZADO EM: 12 DE"z Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, CELSO ALVES FEITOSA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, Processo n° : 10930.001335/00-53 Acórdão n° : CSRF/01-04.267 ZUELTON FURTADO, JOSÉ CLÓVIS ALVES, MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS E MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. )) 2 Processo n° : 10930.001335/00-53 Acórdão n° : CSRF/01-04.267 Recurso n° : 106-126223 Recorrente : WELLINGTON OEDA DO CARMO RELATÓRIO O sujeito passivo protocola recurso especial de divergência, eis que inconformado com o decidido através do Acórdão n° 106-12.239, assim ementado: "MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - IRPF - À apresentação da declaração de rendimentos fora do prazo fixado, ainda que dela não resulte imposto devido, sujeitará a pessoa física a multa mínima de 200 UFIR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - A entidade da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. Como razões de recorrer, aponta o contribuinte divergência de julgado com o constante nos Acórdãos n° CSRF/01-02.509 e 107-05.691, com fundamentos consubstanciados nas respectivas ementas, a seguir transcritas: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - Lei n° 8.981/95, art. 88, e o CTN, art.138. Não há incompatibilidade entre o disposto no art. 88 da Lei n° 8.981/95 e o art. 138 do CTN, que pode e deve ser interpretado em consonância com as diretrizes sobre o instituto da denúncia espontânea estabelecidas pela Lei Complementar." "DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - ART. 138 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - Exclui-se a multa por atraso na entrega da declaração tendo em vista a constituição do lançamento ter se efetivado posteriormente à apresentação da declaração de rendimentos." 3 Processo n° : 10930.001335/00-53 Acórdão n° : CSRF/01-04.267 Ao recurso deu-se seguimento, conforme Despacho N° 106-1824 - A (fls. 55/57), da lavra da ilustre Presidente da referida Câmara. Convenientemente intimado em 23.05..00 (fls. 57), o i. Representante da Fazenda Nacional junto à Câmara recorrida apresenta suas contra-razões (fls. 58/66), com protocolo em 24.05.02 (fls. 58) e, ao final, requer seja acolhida preliminar para não acolher o recurso especial ou que, no mérito, seja denegado provimento ao mesmo. 1! É o Relatório. 4 Processo n° :10930.001335/00-53 Acórdão n° : CSRF/01-04.267 VOTO Conselheira LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, Relatora. O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Incabível a preliminar de não conhecimento do recurso especial pelo simples argumento de que este Colegiado já tenha reformado o entendimento, passando a manter a multa pelo descumprimento de obrigação acessória após o prazo fixado em lei. O Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes é bastante claro ao afirmar que somente o acórdão trazido a confronto para o exame de admissibilidade, caso a matéria tratada nesse acórdão tenha sido reformada, esse acórdão não mais se presta ao confronto. Não é o caso dos autos, haja vista que o Acórdão trazido a confronto, deste próprio Tribunal não foi reformado pelo Pleno. Assim, rejeito a preliminar suscitada pelo i. Representante da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, tratam os presentes autos de lançamento de multa por atraso na entrega da Declaração de Rendimentos Pessoa Física, apresentada pelo contribuinte, espontaneamente. 5 Processo n° : 10930.001335/00-53 Acórdão n° : CSRF/01-04.267 A exigência está devidamente embasada em legislação vigente. A lide diz respeito tão-somente quanto à aplicação do instituto da denúncia espontânea (CTN, art. 138) em relação a descumprimento de prazo quanto a obrigação acessória, ou seja, dispensa de multa lançada no caso de apresentação espontânea de declaração de rendimentos após o prazo fixado em lei sua entrega. Preliminarmente, entendo ser cabível alguns esclarecimentos quanto à referida matéria. Há tempos atrás, este Tribunal, por maioria de votos, entendia ser legítima a multa aplicável pela administração tributária quando o contribuinte, ainda que espontaneamente, apresentava sua declaração de rendimentos intempestivamente. Filiava-me a essa corrente. Posteriormente, nas sessões realizadas em março de 1998, também por maioria de votos, passou esse Tribunal a decidir em sentido contrário, aplicando o art. 138 do CTN inclusive aos casos de multas por atraso na entrega intempestiva, mas espontânea, de declaração de rendimentos. Naquela assentada, esta Conselheira manteve seu voto, ficando vencida, conforme pode-se verificar no Acórdão CSRF trazido a confronto (fls. 73). Isto é, entendeu ser cabível a multa pela intempestividade da declaração de rendimentos, ainda que antes de qualquer ação fiscal. Não obstante, a partir daquele mesmo mês (março/98), curvei-me ao então decidido por este mais elevado Tribunal Administrativo na qualidade de Conselheira da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, dispensando a multa, por uma questão de justiça fiscal, tendo, de início, apresentado declaração de voto para justificar esse fato. A partir de então, assim me posicionei também neste Tribunal. nt 6 Processo n° : 10930.001335/00-53 Acórdão n° : CSRF/01-04.267 Tomou-se conhecimento, posteriormente, de julgados do Superior Tribunal de Justiça - STJ (Recurso Especial n° 190388/G0 (98/0072748-5) da Primeira Turma, tendo como Relator o Ministro José Delgado, Sessão de 03/12/98 e Recurso Especial n° 208.097/PR (99/0023056-6) da Segunda Turma, sendo Relator o Ministro Hélio Mosimann, Sessão de 08/06/99. Transcreve-se a seguir ementa e voto das decisões do STJ acima mencionadas: 1 - RECURSO ESPECIAL n° 190388/ GO (98/0072748-5) "Ementa: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. 1 - A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4. Recurso provido." VOTO O EXMO. SR . MINISTRO JOSÉ DELGADO (RELATOR): Conheço do recurso e dou-lhe provimento. A configuração da denúncia espontânea como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerado acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de 7 Processo n° : 10930.001335/00-53 Acórdão n° : CSRF/01-04.267 tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. (grifos do original). 2 - RECURSO ESPECIAL n° 208.097-PARANÁ (99/0023056-6) Ementa: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECURSO DA FAZENDA. PROVIMENTO. VOTO O SENHOR MINISTRO HÉLIO MOSIMANN: Decidiu a instância antecedente, ao enfrentar o tema — aplicação de multa por atraso na entrega da declaração do imposto de renda — que, 'em se tratando de infração formal, não há o que pagar ou depositar em razão do disposto no art. 138 do CTN, aplicável à espécie". A egrégia Primeira Turma, em hipótese análoga, manifestou-se na conformidade de precedente guarnecido pela seguinte ementa: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão 8 Processo n° : 10930.001335/00-53 Acórdão n° : CSRF/01-04.267 alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4. Recurso provido." (Resp n° 190.388-GO, Rel. Min. José Delgado, DJ de 22.3.99). Em face da diretriz firmada por aquele Tribunal, passei a rever meu posicionamento, retornando-o ao inicial, nessemesmo sentido. Portanto, voto no sentido de NEGAR, provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, para manter a exigência da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos. É o meu voto. Sala das Sessões — DF, em 02 de dezembro de 2002 LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1

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Numero do processo: 10835.002943/96-97
Data da sessão: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Sun Nov 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: ITR 1994 — PRINCIPIO CONSTITUCIONAL DA ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIA — INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO - Por força do principio constitucional da anterioridade tributária (artigo 150, III, "b", da Constituição Federal), são inaplicáveis ao exercício de 1994 as regras de tributação do ITR disciplinadas pela Medida Provisória n° 399, de 30 de dezembro de 1993, eis que seu anexo, indispensável ao cálculo do tributo, foi publicado no Diário Oficial em 07 de janeiro de 1994. Precedente do Supremo Tribunal Federal (RE n° 448.558-3 — PR). NULIDADE - VICIO FORMAL. É nula por vício formal a notificação de lançamento das contribuições sindicais rurais devidas à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), à Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), carente de identificação da autoridade que a expediu, requisito essencial, estabelecido em lei. Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.531
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade votos, CONHECER do recurso especial da Fazenda Nacional para, de oficio, declarar a insubsistência do lançamento do ITR (imposto) e, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto a nulidade formal da notificação de lançamento no que tange aos demais tributos nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA

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ementa_s : ITR 1994 — PRINCIPIO CONSTITUCIONAL DA ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIA — INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO - Por força do principio constitucional da anterioridade tributária (artigo 150, III, "b", da Constituição Federal), são inaplicáveis ao exercício de 1994 as regras de tributação do ITR disciplinadas pela Medida Provisória n° 399, de 30 de dezembro de 1993, eis que seu anexo, indispensável ao cálculo do tributo, foi publicado no Diário Oficial em 07 de janeiro de 1994. Precedente do Supremo Tribunal Federal (RE n° 448.558-3 — PR). NULIDADE - VICIO FORMAL. É nula por vício formal a notificação de lançamento das contribuições sindicais rurais devidas à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), à Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), carente de identificação da autoridade que a expediu, requisito essencial, estabelecido em lei. Recurso especial conhecido e negado.

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Precedente do Supremo Tribunal Federal (RE n° 448.558-3 — PR). NULIDADE - VICIO FORMAL. É nula por vício formal a notificação de lançamento das contribuições sindicais rurais devidas à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), à Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), carente de identificação da autoridade que a expediu, requisito essencial, estabelecido em lei. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade votos, CONHECER do recurso especial da Fazenda Nacional para, de oficio, declarar a insubsistência do lançamento do ITR (imposto) e, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto a nulidade formal da notificação de lançamento no que tange aos demais tributos nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente lgado. A "F r' sti r.; 1 PRESID fora To I oÀMA • ED • ;1n11 RELATOR , Processo n.°. : 10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 FORMALIZADO EM: 21 MAI 2008 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO, SUSY GOMES HOFFMANN, JUDITH DO AMARAL MARCONDES, ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, ANELISE DAUDT PRIETO e VALMIR SANDRI (Substituto convoca o). 2 Processo n.°. : 10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 Recurso n.°. : 301-121405 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : GERALDO APARECIDO DE MEDEIROS RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra decisão proferida pela Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, lavrada no Acórdão n° 301-31.306 (fls. 110/118), consubstanciado na seguinte ementa: "ITR — NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO — NULIDADE — Padece de vicio formal a notificação de lançamento que não atenda aos requisitos definidos pelo art. 11 do Decreto n° 70.235/72, e reiterada jurisprudência e pacificada pela decisão do Pleno da Câmara Superior de recursos Fiscais. Processo que se anula ah initio." Do acórdão exarado, a Procuradoria da Fazenda Nacional recorre, tempestivamente, com base no art. 5 0, inciso II, do Regimento Interno da CSRF, sob o argumento de que a decisão recorrida diverge de entendimento manifestado pela colenda r. Câmara do Eg. 3° Conselho de Contribuintes, que, em acórdão paradigma (Ac. 302-34.831) assentou posicionamento de que: "O auto de infração ou a Notificação de Lançamento que trata de mais de um imposto, contribuição ou penalidade não é um instrumento hábil para exigência do crédito tributário (CTN e Processo Administrativo Fiscal assim o estabelecem) e, portanto, não se sujeita às regras traçadas pela legislação de regência. É um instrumento de cobrança dos valores indicados, contra o qual descabe a argüição de nulidade, prevista no art. 59, Decreto n° 70.235/72. REJEITADA A PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO." Em defesa ao acolhimento das razões expostas no acórdão paradigma, aduz que o simples fato da notificação não apresentar a identificação de quem a expediu não a toma nula. Além disso, em nenhum momento dos autos o contribuinte reconhece que teria pago o que está sendo cobrado pelo Fisco ou apresenta qualquer dúVida quanto entificação da 3 Processo n.°. : 10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 notificação de lançamento, portanto, não é cabível anular o lançamento devido a inexistência da identificação da autoridade que a expediu. Alega a União que justifica-se a aplicação por analogia do Principio da Instrumentalidade de Formas, isto é, o julgador não se prende às disposições formais e procura agir focado no objetivo principal do processo, além disso, no presente processo, não pairam dúvidas de que a Delegacia da Receita Federal local foi quem realizou lançamento. Ressalta que, até 31 de dezembro de 1996, as notificações de lançamento eram atípicas, divergente do que prega o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, porquanto ela não se refere a um só imposto. Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, a Notificação de Lançamento do ITR, não se trata propriamente de uma das formas de exigência de crédito tributário, haja vista que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal, logo, não está a ora guerreada notificação sujeita às normas legais que cuidam de nulidade. Face o exposto, a União requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, com a finalidade de cassar o v. acórdão recorrido. Acórdão paradigma, 302-34.831, juntado às fls. 127/134. Instado a apresentar contra-razões, o contribuinte não se manifestou, conforme informação de fls. 144. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração até as fls. 147, última. É o relatório. 4 Processo n.°. : 10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 VOTO Conselheiro MARCIEL EDER COSTA, Relator Trata-se de matéria de competência desta E. Câmara de Recursos Fiscais, o que habilita esta Colenda Turma a examinar o feito. Para o cabimento de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento no inciso II, do art. 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, necessário demonstrar a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-o mediante a apresentação fisica do acórdão paradigma. Quanto ao Acórdão Paradigma de divergência 302-34.831, apontado e juntado aos autos pela Procuradoria, verifica-se que este se prestou a comprovar a divergência alegada, na medida em que, enquanto no Acórdão recorrido anulou-se de oficio, por vício formal, a notificação de lançamento, no acórdão paradigma rejeitou-se a preliminar de nulidade, analisando o mérito do recurso, logo, tratam do mesmo assunto. Já que ultrapassados os requisitos de admissibilidade, passo ao exame da controvérsia. Impõe-se anotar que a discussão gira em tomo do lançamento do Imposto Territorial Rural — ITR, referente ao ano de 1994, cuja base legal é a Lei n° 8.847, de 28 de janeiro de 1994, a qual, por sua vez, decorreu da Medida Provisória n° 399, de 30 de dezembro de 1993. Ocorre que a referida Medida Provisória, em que pese ter sido publicada em 30 de dezembro de 1993, foi omissa em relação às aliquotas, o que fez com que fosse reeditada em 07 de janeiro de 1994, quando foi publicada uma retificação da aludida Medida Provisória no Diário Oficial, agora com seu anexo, c continha informações indispensáveis ao cálculo do tributo. 5 Processo n.°. : 10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 Assim, diante do princípio constitucional da anterioridade da lei tributária — artigo 150, III, "b", da Constituição Federal — forçoso concluir que as regras de tributação dispostas na MP 399/93 tem sua aplicação tão somente a partir do ano de 1995, eis que inaplicáveis ao ano de 1994. Dispõe o artigo 150, III, "b", da Constituição Federal: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III — cobrar tributos: b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;" Previsto na Constituição Federal, o princípio da anterioridade tributária assegura que nenhum tributo poderá ser cobrado no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, o que evita que o contribuinte seja surpreendido com o aumento ou instituição de novo tributo, sem que lhe seja dado o devido tempo para ajustar seu orçamento. Garantia fundamental do contribuinte, não pode ser maculado nem mesmo pelo poder de reforma do Congresso Nacional, nas palavras do ilustre ministro Celso de Mello: "O princípio da anterioridade da lei tributária — imune, até mesmo, ao próprio poder de reforma do Congresso Nacional (RTJ 151/755-756) — representa uma das garantias fundamentais mais relevantes outorgadas ao universo dos contribuintes pela Carta da República, além de traduzir, na concreção do seu alcance, uma expressiva limitação ao poder impositivo do Estado (...) Cabe destacar, neste ponto, na linha do entendimento consagrado pelo acórdão ora impugnadorque a garantia constitucional da anterioridade tributária, mais do que simPleslimitaão ao poder de tributar do Estado, qualifica-se co&o um mais expressivos 6 Processo n.°. : 10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 postulados que dão substância ao estatuto jurídico dos contribuintes, delineado, em seus aspectos essenciais, no texto da própria Constituição da República" (Despacho do Ministro-Presidente Celso de Mello, Informativo STF, n° 125— de 21 à 25 de setembro de 1998) Outrossim, é de se considerar que com a Medida Provisória n° 399/93 e com a Lei n° 8.847/94, ocorreu instituição de uma nova configuração do imposto, o que justifica plenamente a aplicação do princípio constitucional da anterioridade. Tratando da mesma matéria, cito trecho de voto proferido no Recurso Extraordinário n°448.558-3 — PR: "A MP 399 e a Lei 8.847/94 — a primeira explícita e a segunda implicitamente — revogaram o art. 50, da Lei n° 4.504/64 (Estatuto da Terra), na redação conferida pela Lei 6.746/79. Nesse sistema, o lançamento do ITR era feito com base nas informações prestadas pelo contribuinte. Todavia, a MP 399 e a Lei 8.847/94 inovaram aumentando o valor do tributo, pois estabeleceram um valor mínimo de terra nua por hectare (VTI4m/ha), e criaram novas alíquotas. Portanto, ao se verificar que houve de fato instituição de nova configuração do imposto e que esta apenas se aperfeiçoou em 07 de janeiro de 1994, com a publicação, a título de "retificação", do Anexo à MP 399, essenciais à caracterização e quantificação da alíquota da exação por força do mesmo diploma, conclui-se que a exigência do ITR sob esta nova modalidade, antes de 1° de janeiro de 1995, por força do art. 150, III, "b", da CF, viola o princípio constitucional da anterioridade tributária." (RE n° 448.558-3 — PR, julgado em 29 de novembro de 2005. Rel. Min. Gilmar Mendes) Do acórdão proferido pelo Tribunal Regiona Federa da 41• Região destaco a ementa, ilustrativa à questão: 7 Processo n.°. : 10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 "EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ITR. ANO BASE 1994. ALÍQUOTAS FIXADAS PELA LEI 8.847/94. CONVERSÃO MEDIDA PROVISÓRIA 399/03. MP RETIFICADORA. DESCUMPRIMENTO. PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIA. 1. É pacífico o entendimento de que a Medida Provisória é lei em sentido material, sendo o veículo formal posto à disposição do Poder Executivo para regular os fatos, atos e relações do mundo fático, desde que obedecidos os critérios de urgência e necessidade que, no entendimento do Supremo Tribunal Federal, dependem do poder discricionário do Presidente da República. 2. O termo inicial do prazo para cumprimento do princípio da anterioridade corresponde à data da publicação da medida provisória. 3. A Medida Provisória n°. 399/03 foi publicada em 30 de dezembro de 2003 (SIC). Contudo, na data originalmente publicada, a citada Medida Provisória não continha as alíquotas do ITR. Tal omissão fez com que fosse publicada, em 07 de janeiro de 1994, uma retificação da aludida Medida Provisória, no Diário Oficial, contendo as novas tabelas de alíquotas. 4. A retificadora não tem o condão de retroagir à data da publicação original — 30 de dezembro de 1993 — de forma a cumprir o disposto no artigo 150, III, b, da Constituição Federal de 1988 e tornar possível a cobrança do ITR ainda no ano de 1994. 5. Como o instrumento legal modificador de alíquota só foi publicado no ano de 1994, a cobrança do ITR com base nas aliquotas constantes na Lei n°. 8.847/94 é vedada, nos termos do artigo 150, III, b, da Constituição Federal, para o ano de 1994." Nestes termos, uma vez que a base legal do ITR/94 se perfez tão somente em 07 de janeiro de 1994, com a republicação da Medida Provisória n° 399/93, ao ano de 1994 é vedada a aplicação das alíquotas constantes de seu anexo. Neste sentido, a Súmula n° 67 do Su remo 'bunal Federal: 8 Processo n.°. : 10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 "É inconstitucional a cobrança do tributo que houver sido criado ou aumentado no mesmo exercício financeiro." Outra não foi a conclusão do Supremo Tribunal Federal ao julgar o mencionado RE, cujo teor da decisão encontra-se consubstanciado na seguinte ementa: "Recurso Extraordinário. 2. Tributário. ITR. 3. A nova configuração do ITR disciplinada pela MP 399 somente se aperfeiçoou com sua reedição de 07.01.94, a qual por meio de seu Mexo alterou as alíquotas do referido imposto. 4. A exigência do ITR sob esta nova disciplina, antes de 01 de janeiro de 1995, viola o princípio constitucional da anterioridade tributária (Art. 150, III, "b"). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento." (RE n° 448.558-3 — PR, julgado em 29 de novembro de 2005. Rel. Min. Gilmar Mendes) Tenho por insubsistente, portanto, o lançamento do ITR194. No que tange às contribuições lançadas na notificação de fls. 04, quais sejam, as contribuições sindicais rurais devidas à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), à Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), neste aspecto, entendo relevante a análise do ato administrativo sob seu o aspecto formal. Em que pesem os argumentos expendidos pela r. Procuradoria da Fazenda Nacional, após a minuciosa análise de todo o processado, chega-se à conclusão de que a declaração de nulidade da Notificação de Lançamento, constante dos autos, é irretorquível, senão vejamos. No caso em tela, a norma aplicável à notificação de lançamento do ITR é o art. 11 do Decreto n°. 70.235/72, que disciplina as formalidades necessárias para a emanação do ato administrativo de lançamento: 9 Processo n.°. : 10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 Art. 11 - A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A norma contida no art. 11 e em seu parágrafo único, esboça, assim, os requisitos para formalização do crédito, ou seja, em relação às características intrínsecas do documento, as informações que deva conter, e em relação à indicação da autoridade competente para exará-lo. Há, inclusive, dispensa da assinatura da autoridade competente, mas não há dispensa de sua indicação, por óbvio. Todo ato praticado pela administração pública o é por seu agente, ou seja, a administração como ente jurídico de direito, não tem capacidade fisica de prolação de atos senão por intermédio de seus agentes: pessoas designadas pela lei que são portadoras da competência jurídica. Não é, no caso em tela, a Delegacia da Receita Federal que expede o ato, enquanto órgão, mas sim a Delegacia pela pessoa de seu Delegado ou pela pessoa do Auditor da Receita Federal. Portanto, supor a possibilidade de considerar válido o lançamento que esteja desprovido da indicação da autoridade que o prolatou é desconsiderar a formalidade necessária e inerente ao próprio ato. Seria entender que é dis ensável a capacidade e a competência do agente para constituição do crédito tributário pelo lan ento. 10 \\> Processo n.°. : 10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 O ato administrativo, como qualquer ato jurídico, tem como requisitos básicos o objeto lícito, agente capaz e forma prescrita ou não defesa em lei. Mas como poder aferir tais requisitos não constantes do ato? Como saber se o agente capaz estava autorizado pela lei para prática do ato se não se sabe quem o realizou? Dessa forma, pode o julgador declarar a nulidade da notificação de lançamento, e deixar de apreciar o mérito, haja vista que encontrou um defeito insanável nas questões preliminares de formação na relação processual, que é a inobservância, na Notificação de Lançamento, do nome, cargo, o número da matrícula e a assinatura do autuante, essa última dispensável quando da emissão da notificação por processamento eletrônico. Agir de outra maneira, frente a um vicio insanável, importaria subverter a missão do processo e a função do julgador. Ademais, dispõe o art. 173 da Lei n°. 5.172/66 — CTN (nulidade por vício formal) que haverá vicio de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, for preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não tenha sido na forma legalmente prevista. Por oportuno, destaco que a matéria, já fora examinada por esta Colenda Câmera Superior de Recursos, no Acórdão CSRF/01-0.538, de 23/05/85 cujo voto condutor assim dispõe: "Sustenta a Procuradora, com apoio no voto vencido do Conselheiro Antonio da Silva Cabral, que foi o da Minoria, a tese da configuração do vicio formal. O lançamento tributário é ato jurídico administrativo. Como todo o ato administrativo, tem como um dos requisitos essenciais à sua formação o da forma, que é definida como seu revestimento material. A inobservância da formas prescrita em lei torna o ato inválido. O Conselheiro Antonio da Silva Cabral, no seu bem fundamentado voto já citado, trouxe a lume, dentre outros, os conceitos de MarcelCaetano * "Manual de Direito N> Processo n.°. :10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 Administrativo", 10' ed., Tomo I, 1973, Lisboa) sobre vício de forma e formalidade, que peço vênia para reproduzir: O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal. Formalidade é, pois, todo o ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança ou formação ou da expressão da vontade de um órgão de uma pessoa coletiva." Também DE PLÁCIDO E SILVA (in "Vocabulário Jurídico", vol. IV, Forense, 2' ed., 1967, pág., 1651), ensina: VÍCIO DE FORMA. É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisito, ou desatenção à solenidade, que prescreve como necessária à sua validade ou eficácia jurídica" (Destaques no original). E no vol. III, págs. 712/713: FORMALIDADE — Derivado de forma (do latim formalistas), significa a regra, solenidade ou prescrição legal, indicativas da maneira por que o ato deve ser formado. Neste sentido, as formalidades constituem a maneira de proceder em determinado caso, assinalada em lei, ou compõem a própria forma solene para que o ato se considere válido ou juridicamente perfeito. As formalidades mostram-se prescrições de ordem legal para a feitura do ato ou promoção qualquer contrato, ou solenidades próprias à validade do ato o contrato. 12 . . . . Processo n.°. : 10835.002943/96-97 Acórdão n° : CSRF/03-05.531 Quando as formalidades atendem à questão de forma material do ato, dizem-se extrínsecas. Quando se referem ao fundo, condições ou requisitos para a sua eficácia jurídica, dizem-se intrínsecas ou viscerais, e habitantes, segundo apresentam como requisitos necessários à validade do ato (capacidade, consentimento), ou se mostram atos preliminares e indispensáveis à validade de sua formação (autorização paterna, autorização do marido, assistência do tutor, curador etc.)." E, nos autos, encontra-se notificação de lançamento (fls. 04) que não traz, em seu bojo, formalidade essencial, qual seja o nome, cargo e o número da matricula da autoridade a quem a lei outorgou competência para prolatar o ato, razão pela qual entendo por maculada por vício formal a notificação de lançamento de fls. 04. Isto posto, declaro insubsistente o lançamento do ITR/94, e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional, reconhecendo a nulidade da notificação de lançamento de fls. 04, quanto às contribuições CONTAG, CNA e SENAR. tAllSala kl, . I ,re de novembro de 2007. g, Wibl i armei ' d iIl ./Y.. 13 Page 1 _0066700.PDF Page 1 _0066900.PDF Page 1 _0067100.PDF Page 1 _0067300.PDF Page 1 _0067500.PDF Page 1 _0067700.PDF Page 1 _0067900.PDF Page 1 _0068100.PDF Page 1 _0068300.PDF Page 1 _0068500.PDF Page 1 _0068700.PDF Page 1 _0068900.PDF Page 1

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Numero do processo: 10435.001331/00-93
Data da sessão: Mon May 26 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon May 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TERMO INICIAL – PRAZO – No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de tributação de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: CSRF/04-00.861
Decisão: ACORDAM os membros da quarta turma do câmara superior de recursos fiscais, por unanimidades de votos, DAR provimento ao recurso especial, para afastar a decadência e determinar o retomo dos autos à Câmara recorrida para o exame das demais matérias do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-22T13:11:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-22T13:11:56Z; Last-Modified: 2009-07-22T13:11:57Z; dcterms:modified: 2009-07-22T13:11:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-22T13:11:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-22T13:11:57Z; meta:save-date: 2009-07-22T13:11:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-22T13:11:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-22T13:11:56Z; created: 2009-07-22T13:11:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-07-22T13:11:56Z; pdf:charsPerPage: 1435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-22T13:11:56Z | Conteúdo => - e 1 CSRF/T04 Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 4%;47tratr>--, QUARTA TURMA Processo e 10435.001331/00-93 Recurso n° 102-131.243 Especial do Procurador Matéria IRPF Acórdão n• CSRF/04-00.861 Sessão de 26 de maio de 2008 Recorrente Fazenda Nacional Interessado Marcio Pereira da Silva DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL - PRAZO - No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de tributação de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da quarta turma do câmara superior de recursos fiscais, por unanimidades de votos, DAR provimento ao recurso especial, para afastar a decadência e determinar o retomo dos autos à Câmara recorrida para o exame das demais matérias do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONI• t • • frj Presidente ARIA HE ENA COT-faert&TA CARIS Relatora rDenfitaftb0; fl 9 juN 2nnQ Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Gustavo Lian Haddad, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Gonçalo Bonet Allage e Alexand Andrade Lima da Fonte Filho. Processo u° 10435.001331/00-93 CSRFIF04 Acórdão n.° CSRF/04-00.861 Fls. 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 1996, ano-calendário de 1995, tendo em vista a apuração Acréscimo Patrimonial a Descoberto (fls. 03 a 06). Cientificado da autuação por meio de correspondência postada em 27/10/2000 (AR — A viso de Recebimento de fls. 32/verso), o contribuinte apresentou, em 24/11/2000, tempestivamente, a impugnação de fls. 37 a 96. Em 05/04/2002, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, por meio do Acórdão DRJ/REC n° 1.096, considerou procedente o lançamento (fls. 98 a 104). Cientificado da decisão de primeira instância em 24/04/2002 (fls. 108), o contribuinte apresentou, em 22/05/2002, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 110 a 114. Em sessão plenária de 18/03/2003, a Colenda Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu a decisão consubstanciada no Acórdão n° 102-45.972 (fls. 120 a 126), assim ementado: "IRPF - PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFICIO - Sendo a decadência insanável, deve ser, em nome do princípio da moralidade administrativa, reconhecida de oficio, independentemente do pedido do interessado. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - O critério de apuração do tributo é que define a modalidade do lançamento. Por ser o IRPF tributo ao qual a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de apurar e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, amolda-se à sistemática de lançamento por homologação, aplicando-se o prazo decadencial previsto no parágrafo 4° do artigo 150 do C77V, cujo termo inicial é a data da ocorrência do fato gerador. Expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Preliminar acatada." A decisão foi assim resumida: "Por maioria de votos, ACATAR a preliminar de decadência levantada de oficio. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e José Oleskovicz que consideravam não decadente o lançamento." (grifei) Cientificada do acórdão acima em 19/04/2004, a Fazenda Nacional interpôs, em 03/05/2004, tempestivamente, o Recurso Especial de fls. 128 a 140, com fundamento no artigo r_ AZ 2 .. Processo n° 10435.001331/00-93 CSRF/T04 Acórao n.° CSRF104-00.861 ns. 3 5°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 1998, vigente à época, visando o reexame do julgado. O seguimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional foi negado, conforme Despacho Presi n° 102-055.04 (fls. 142/143). Inconformada, a Fazenda Nacional opôs o Agravo de fls. 145 a 147, acolhido conforme despachos de fls. 151 a 154 Em sede de Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega contrariedade aos dispositivos do Código Tributário Nacional que regulam a matéria. Cientificado do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte quedou- se silente (fls. 155 a 158). O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 160, que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Colegiado. É o relatório. itt._ 3 Processo n° 10435.001331/00-93 CSRF/T04 Acórdao n.° CSRF/0440.861 Fls. 4 Voto Conselheira MARIA HELENA COITA CARDOZO, Relatora O presente Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional por contrariedade à lei, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 1996, ano-calendário de 1995, tendo em vista a apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Quanto à incidência tributária que ora se analisa, embora pressuponha a apuração mensal dos rendimentos, estes continuam sujeitos ao ajuste anual, portanto o fato gerador, conforme maciça jurisprudência deste Conselho, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. Ademais, trata-se de tributo cujo recolhimento não demanda o prévio exame pela Autoridade Administrativa, o que se coaduna com o lançamento por homologação, previsto no art. 150 do CTN, que a seguir se transcreve: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. sç 4° Se a lei não Par prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Assim, no caso em apreço, considerando-se como ocorrido o fato gerador em 31/12/1995, e tendo sido o contribuinte cientificado do Auto de Infração por meio de correspondência postada em 27/10/2000 (AR — Aviso de Recebimento de fls. 33/verso), conclui-se que não ocorreu a decadência. Diante do exposto, DOU provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à Colenda Segunda Câmara, para julgamento das demais questões constantes do recurso. Sala das Sessões, em 26 de maio de 2008 Aket -{o/MARIA HELENA COTTA CARcaD'.- 4 Page 1 _0125100.PDF Page 1 _0125300.PDF Page 1 _0125500.PDF Page 1

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Numero do processo: 11065.002904/95-11
Data da sessão: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. PAF. CONHECIMENTO.Não se toma conhecimento das matérias cujos paradigmas apontam situações fáticas diversas. COMPETÊNCIA. A Secretaria da Receita Federal é competente para verificar o adimplemento do compromisso de exportar no regime aduaneiro especial de drawback suspensão. PRINCIPIO DA IDENTIDADE. Necessária a vinculação fisica entre as mercadorias importadas com o beneficio da suspensão de tributos e a mercadoria exportada. Mesmo que assim não fosse, o principio da fungibilidade não poderia ser aplicado ao caso, em que a empresa destinou os solados a outros fabricantes de calçados no mercado nacional e não restou comprovado que os calçados foram exportados. Preliminar rejeitada Recurso especial não conhecido e no mérito negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.557
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar suscitada pela recorrente; 2) Por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso quanto ao cumprimento mesmo que parcial do Regime, bem como quanto a exigência das penalidades; e 3) no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Susy Gomes Hoffinann, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Marciel Eder Costa e Valmir Valder acompanharam a Conselheira Relatora pelas suas conclusões, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Anelise Daudt Prieto

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Recorrida : 1' CÂMARA DO TERCEIRO C. DE CONTRIBUINTES Interessado : FAZENDA NACIONAL Sessão de : 13 de novembro de 2007 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 DRAWBACK SUSPENSÃO. PAF. CONHECIMENTO.Não se toma conhecimento das matérias cujos paradigmas apontam situações fáticas diversas. COMPETÊNCIA. A Secretaria da Receita Federal é competente para verificar o adimplemento do compromisso de exportar no regime aduaneiro especial de drawback suspensão. PRINCIPIO DA IDENTIDADE. Necessária a vinculação fisica entre as mercadorias importadas com o beneficio da suspensão de tributos e a mercadoria exportada. Mesmo que assim não fosse, o principio da fungibilidade não poderia ser aplicado ao caso, em que a empresa destinou os solados a outros fabricantes de calçados no mercado nacional e não restou comprovado que os calçados foram exportados. Preliminar rejeitada Recurso especial não conhecido e no mérito negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MAXI SOLADOS DE POLIURETANO, ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar suscitada pela recorrente; 2) Por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso quanto ao cumprimento mesmo que parcial do Regime, bem como quanto a exigência das penalidades; e 3) no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Susy Gomes Hoffinann, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Marciel Eder Costa e Valmir Valder acompanharam a Conselheira Relatora pelas suas conclusões, nos termos do relatório .e voto que passam a integrar o presente julgado. N ONI‘Gi PRESIDENTECL872 ANELISE DAUDT PRIE RELATORA um= 47- Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 Recurso n° :301-119678 Recorrente : MAXI SOLADOS DE POLIURETANO LTDA. Interessado : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de recurso especial de divergência interposto por MAXI SOLADOS DE POLIURETANO LTDA., em face de acórdão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Adoto o relatório da decisão recorrida, de autoria do Conselheiro Luiz Sérgio Fonseca Soares: "Pelo Auto de Infração de fls. 577/587, foi exigido o crédito tributário decorrente da falta de comprovação de que as matérias primas importadas pela recorrente com o benefício do drawback, modalidade suspensão, foram efetivamente incorporadas aos produtos exportados, eis que o contribuinte informou ao Fisco que não dispunha de controle de produção e estoque. Em sua impugnação (fls. 663/679), a Empresa alegou, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração, alegando decorrer a mesma de manifesto equívoco e afronta à legislação. Diz que preencheu os requisitos específicos e condicionais do regime, que o drawback é um incentivo à exportação, que o beneficio lhe foi concedido pela SECEX, para concluir que a exigência fiscal fere seu direito adquirido, no caso, uma vez cumprida a condição resolutiva do beneficio, no caso, a comprovação da exportação. Acrescenta que a competência dos fiscais da Receita Federal fica limitada a exigir o Termo de Responsabilidade e verificar, mediante consulta à SECEX, a efetiva comprovação das exportações. Cita vários dispositivos legais e conclui que a exigência de apresentação dos controles de produção e estoque, para a verificação dada à matéria-prima importada, é totalmente descabida, pois os dispositivos do IPI em questão são aplicáveis apenas quando há inadimplemento da condição resolutiva e porque a legislação lhe faculta comprovar a exportação por outros meios. Conclui afirmando que os autuantes invadiram seara de competência que não era a sua. No mérito, diz que para os autuantes a única forma de comprovar a aplicação das matérias primas seriam os controles de produção e estoque e que, induzida a erro, afirmou não dispor dos documentos solicitados. Diz, ainda, ser inconcebível a conclusão dos AFRF da não comprovação e que o Auto de Infração revela a intenção dos fiscais de arrecadar tributos aleatoriamente e em total desrespeito às normas pertinentes. 3 4/ Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 Retoma à alegação de que a efetiva comprovação das exportações é da competência da SECEX, embora a SRF tenha competência para fiscalizar o drawback suspensão. Informa, ademais, que já efetuou a mencionada comprovação e que já foram baixados quatro dos atos concessorios em que se baseou a autuação. Quanto aos outros três, um aguarda a baixa e os outros dois, pedido de prorrogação de prazo, para a comprovação. Agrega que, realizada a exportação, a suspensão tributária transforma-se em isenção de fato. Afirma, ainda, que a SNE deve informar à RF, em tempo hábil, a baixa ou inadimplementos dos compromissos de exportação, conforme previsto na Portaria MEFP 594/92, e como isso não ocorreu a recorrente foi prejudicada, aduzindo que os fiscais capciosamente desconsideraram as mencionadas baixas. Acrescenta que a efetiva utilização das mercadorias foi comprovada pela apresentação das NFE e NFSaida, por laudos técnicos e relatórios de comprovação apresentados à SECEX. A decisão recorrida (fls. 727/741) rejeitou a preliminar de nulidade, sob o fundamento de que as atribuições da SECEX não excluem a competência da SRF para verificar a regularidade das operações de drawback, suspensão. No mérito, manteve parcialmente a exigência fiscal, dada a falta de escrituração do livro Controle de Produção e Estoque ou de fichas que os substituíssem e da inexistência de outro controle de produção e estoque. Refutou, ainda, a alegação de que as Notas Fiscais e eventuais laudos técnicos comprovam a efetiva utilização das mercadorias importadas no processo produtivo da recorrente. As multas foram mantidas, com funamento nos AD (N) COSIT 1/97 e 9/97, mas no percentual de 75%. Não houve recurso de oficio, porque a importância dispensada ficou dentro do limite de alçada. Em recurso tempestivo (fls. 752/772), a Empresa reitera a alegação de incompetência da RF para descaracterizar o drawback, discorrendo sobre o mesmo, na modalidade intermediário, cita os dispositivos que atribuem competência à SECEX para verificar o adimplemento do compromisso, que abrange a comprovação da aplicação dos insumos importados, afirma que a CACEX (sic) antes de dar baixa no Ato Concessório, verifica exaustivamente a aplicação dos insumos importados e que a conclusão em contrário tomaria absurdos os dispositivos legais que menciona. Refere-se, ainda, à possibilidade de exigência de laudo técnico e apresenta um "Boletim de Ocorrência", pelo qual a SECEX lhe exige a comprovação da utilização de determinados insumos. Anexa três relatórios, nos quais a SECEX atesta o adimplemento do compromisso. tiepf • 1. Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 Afirma que, se a informação for de descumprimento, a RF certamente exigirá imediatamente o recolhimento dos tributos, não permitindo a defesa na esfera administrativa, ferindo os princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo inadmissível a utilização de dois pesos e duas medidas. Afirma, a seguir, que o cerne da autuação reside unicamente na falta de escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e Estoque, alegando que não guarda correlação direta com as questões aduaneira, que sua escrituração foi declarada dispensável pelo Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, para concluir que o autuante não perquiriu exaustivamente todos os meios hábeis para essa comprovação, que é facilmente verificada pelas NF de entrada e saída, pelos documentos apresentados pelos efetivos exportados e pelos laudos técnicos, que ficaram em poder do órgão concedente. Acrescenta que somente fabrica seus produtos com insumos importados, jamais adquirindo-os no mercado interno (fl. 768) e que, portanto, as mercadorias exportadas, cuja efetivação não se contesta, somente poderiam ser industrializadas com os insumos em questão. Aduz que os insumos não empregados em produtos exportados são importados no regime comum de importação. Requer baixa do processo em diligência, dada a grande quantidade de documentos envolvidos, para o envio de oficio à SECEX, a fim de que informe os meios utilizados para verificação do compromisso, amparando-se no art. 329 do R A e para comprovação de suas alegações. Argumenta, finalmente, ser impossível a exigência dos tributos, porque o adimplemento integral da condição resolutiva transforma a suspensão em isenção. A PFN manifestou-se, às fls. 790/792, contrária à diligência, devido a mesma ser prescindível, e pela manutenção da exigência fiscal. Pelo despacho de fls. 799, o ilustre Conselheiro Paulo Lucena de Menezes, com o zelo que lhe era peculiar, converteu o julgamento em diligência, apenas para afastar dúvidas e incertezas quanto às matérias de fato e para melhor instrução do feito, determinando fosse verificado se a recorrente adquiu insumos da mesma natureza dos importados no mercado interno e se efetuou a venda de produtos finais idênticos aos sob exame no mercado interno. No "Relatório de Diligência", o AFRF informa que houve a compra das mencionadas matérias-primas no mercado interno, com o mesmo nome ou com descrição similar. Apresenta, a seguir, planilha das mercadorias importadas sob o regime de DB e e outros regimes, no período de 07/92 a 10/92, concluindo que sua variação percentual não apresenta lógica, e toma imprescindível o controle de produção e estoque. Afirma, também, que as saídas foram efetivadas muito depois das primeiras importações, dizendo ser lógico concluir que estes produtos não foram feitos com aqueles insumos. Aponta, ainda, incongruências relativas à uma matéria- 5f Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 prima, o disocianato, em dois DB, para concluir que inexiste a devida relação insumo/produto. Quanto às exportações e venda, no período de 07/92 a 07/94, afirma: a) praticamente toda a venda da Empresa se resume ao produto solado em poliuretano; b) as exportações diretas atingem um valor insignificante (72.604 pares) e não há carimbo nas NF que identifique tratar-se de operação de DB; c) a atividade da recorrente está concentrada no fornecimento de produto intermediário aos fabricantes de calçados estabelecidos no RS; d) em algumas NF constam um carimbo com os dizeres "DEPTO DB...CAMPO N° 64 DA GE...INSUMOS IMPORTADOS=SOLADOS DE PU...US$ P/PAR DE CALÇADOS", sendo que em todas elas foi preenchido apenas o valor unitário em US Dólar, delas não constando o número do AC; e) há indistintamente NF para um mesmo adquirente com ou sem o carimbo, ou seja fornecimento do produto para empresas que exportam e também vendem para o mercado interno; e não há documento adicional comprobatório da efetiva exportação do produto intermediário; g) não foi possível fazer verificação dos dados relativos ao AC 0314-92/144-0, em que constam declarações de exportação, presumivelmente por serem exportações de terceiros, pois até 12/92 os documentos de exportação eram em papel e o Siscomex exportação começou em 12/93. Acrescenta o AFRF que: 1) as comprovações de DB estão incompletas e não foram conferidas ou fiscalizadas pela SECEX; 2) conforme dados constantes dos itens 22 a 26, estão comprovados o descumprimento da ordem de 100% em dois AC e de descumprimento de 15,99%, 21,56%, 41,56%, 44,31%, e 40,08%, nos demais, considerados os documentos aceitos pela SECEX; 3) há três relatórios de comprovação que foram produzidos após a lavratura do Auto de Infração; 4) os AC foram concedidos não para DB intermediário, mas para exportação; 5) os produtos a serem exportados são sapatos, botas ou sandálias e o fornecimento foi de solado, sendo que apenas 2 dos AC foram corrigidos por meio de aditivos; 4 ro lp / Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 6) nos relatórios de comprovação as datas de embarque informadas correspondem às datas de emissão das NF de fornecimento, com uma exceção; 7) não há qualquer docurfiento que permita rastrear a efetiva exportação dos fornecimentos intermediários, mesmo tendo sido solicitados, pois a recorrente preferiu "deixar de colocá-los à disposição, até mesmo por já terem sido disponibilizados por ocasião da d. Fiscalização (sic), não sendo o momento processual oportuno para tanto! (fl. 862). Diz ainda o AFRF que a recorrente não se preocupou com as efetivas exportações dos produtos e com sua comprovação, pois apostava na negligência e omissão dos órgãos de controle e fiscalização e que fica cristalino o descumprimento da obrigação de apresentar relatórios parciais. Acrescenta que a CACEX não efetua fiscalização alguma, verificando apenas a consistência dos documentos que lhe são apresentados. Opina pela manutenção do Auto de Infração (!), extrapolando suas funções e condição de responsável pela diligência, nos percentuais de inadimplência constantes da fl. 1010, calculados em função das "quantidades de pares de solados listados nos relatórios de comprovação e aceitos, em tese, pela SECEX". Intimada, a recorrente não se pronunciou, constando do processo, à fl. 862, seu pedido para que os autos fossem remetidos imediatamente após a conclusão da diligência ao Conselho de Contribuintes." A Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, com base em voto que a seguir transcrevo: "Mantenho integralmente a decisão recorrida, pois não procede a prejudicial de incompetência da SRF e porque não há comprovação da vinculação dos produtos exportados com os insumos em questão. A competência para verificação do adimplemento do compromisso de exportar decorrente de drawback, na modalidade suspensão, atribuída à SECEX, normalmente, restringe-se à verificação documental e não exclui a competência da SRF para o exame da regularidade tributária das operações de importação e de exportação correspondentes, sendo competências distintas e complementares. São inúmeros os precedentes deste Conselho nesse sentido, do que são exemplos os Ac. 301.28112, de 23/07/96 e 301.27801, de 26/04/95. O próprio Boletim de Ocorrência no qual a recorrente pretende fundamentar a alegação de que a SECEX fiscaliza o emprego dos insumos importados corrobora o entendimento contrário, de que esta Secretaria, limita-se a verificar a coerência e consistência dos documentos que lhe são apresentados e só excepcionalmente faz alguma verificação direta. Ademais, mesmo que o fizesse, isso não seria obstáculo para a fiscalização pela RF, por se encontrar 7 te", Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 também em sua esfera de competência e porque nem mesmo por disposição legal pode ser limitada a competência da RF para examinar a regularidade das operações de comércio exterior e sua correção tributária. É correta a alegação da recorrente de que o adimplemento do compromisso de exportação impede a exigência do crédito tributário. Ocorre, no entanto, que isso não ficou comprovado nos autos, embora a recorrente tenha sido reiteradamente intimada a fazê-lo. Insistiu na tese da incompetência da RF e mesmo diante de intimação decorrente da diligência determinada por esta Câmara, optou por não apresentar documentos, devendo, por isso, arcar com o ônus pelo não exercício da oportunidade processual que lhe foi oferecida. Assim, não comprovada a exportação dos insumos importados com o beneficio do DB, deve ser integralmente mantida a decisão recorrida. Não há fundamento para se acatar a exclusão da exigência fiscal nos percentuais apontados pelo AFRF incumbido da diligência, porque não restou comprovada a vinculação insumo/produto, nem a efetivação da exportação dos produtos fornecidos ao mercado interno. Pelo contrário, estão cabalmente comprovadas o descumprimento total de dois dos atos concessórios e parcial dos demais; há provas de descumprimento das obrigações acessórias decorrente do DB intermediário, caso aceito, cumprindo assinalar que os AC em questão foram concedidos para exportação e não para fornecimento no mercado interno e posterior exportação. É, por outro lado, irrelevante, sem fundamento e inverídica a alegação relativa aos procedimentos da RF quando a SECEX informa o descumprimento do AC. Primeiro, porque o Fisco pode, nesta hipótese, querendo, exigir prontamente os tributos suspensos. Segundo, porque não constituiria dois pesos e duas medidas, por se tratar de situações absolutamente diferentes, sendo que, na hipótese levantada pela recorrente, são suficientes as informações da Empresa e da SECEX para embasar a exigência fiscal, pois o que restaria ao Fisco verificar diante da comprovação, pelo exame documental, de que o compromisso não foi adimplido. Finalmente, porque o Fisco, normalmente, intima o contribuinte antes de autuar, como medida de extremo zelo, para garantia da consistência dos lançamentos. As razões até aqui apresentadas são suficientes para a manutenção da exigência fiscal. Não fossem suficientes, restou também comprovado que há um descompasso temporal entre as importações e as exportações, incongruências em relação a uma das matérias-primas, indicativas de que inexiste a devida relação insumo/produto, dos documentos apresentados não constam a devida vinculação com os AC, as informações básicas da defesa, de que adquiria a totalidade de seus insumos no mercado externo, de que os produtos fornecidos ao mercado interno eram fabricados com insumos importados pelo regime de importação comum e de que as mercadorias exportadas somente poderiam ser fabricados com estes insumos não correspondem à verdade e foram desmentidas pelo exame fiscal efetuada em diligência. Não corresponde, também, à verdade a alegação de que a Fiscalização exigiu, como única forma de comprovação, o Livro de Controle da Produção e a ttry Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 Estoque. Do exame do processo e da leitura das diversas intimações resta evidente que se exigiu da recorrente a comprovação da utilização dos insumos importados na fabricação dos produtos exportados, tudo em conformidade com os respectivos AC. Além disso, sem fundamento a afirmativa de que o mencionado Livro não tem correlação com as operações aduaneiras, sendo incompleta a informação de que o Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes dispensou sua escrituração, pois o fez de fato, mas desde que adotado outro sistema de escrituração para este controle. Fundamental ao deslinde da questão é a venda do produto no mercado interno a empresas exportadoras ou não, com documentos não vinculados a AC e a inexistência de qualquer documento adicional comprobatório da efetiva exportação do produto intermediário e não há qualquer documento que permita rastrear a efetiva exportação dos produtos objeto dos fornecimentos intermediários, mesmo porque o compromisso foi de exportar sapatos, botas e sandálias, e a recorrente deu saída a solados. Nego provimento ao recurso." A contribuinte questiona a decisão, defendendo, em suma, o seguinte: a-) incompetência da SRF para descaracterizar o cumprimento do regime aduaneiro, podendo somente homologar o regular cumprimento dos compromissos pactuados, detectados pela SECEX ou cobrar tributos quando aquele órgão considerar descumprido o regime; b-) cumprimento integral dos compromissos assumidos, não cabendo ao Fisco descaracterizar o cumprimento com base, unicamente, no fato de a empresa não escriturar o livro Registro de Controle da Produção e do Estoque-Modelo 3, que não guarda relação com as questões aduaneiras, desconsiderando outros controles; Não teria ocorrido compra e venda de insumos no mercado interno. A fiscalização apenas presumiu o descumprimento do compromisso avençado, não fazendo prova do fato imputado, e a presunção somente pode ser admitida com graves restrições, desde que estabelecida em lei. Conforme restou comprovado na diligência, as mercadorias importadas e não empregadas nos produtos exportados, comercializadas no mercado interno, não são beneficiadas 9// e , Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 com o regime, tendo a recorrente, efetuado, por ocasião dos seus desembaraços aduaneiros, o regular recolhimento dos tributos aduaneiros. Aliás, mesmo que assim não fosse, a própria SRF entende que não constitui desvio de finalidade, para fins tributários, a utilização de matéria prima importada com beneficio de drawback na produção de bens destinados ao mercado interno, se a mesma quantidade e qualidade da matéria prima nacional tiver sido utilizada na elaboração do produto exportado. Também seria irrelevante o descompasso temporal entre as importações e as exportações. Finalmente, se ficar entendido o inadimplemento, não pode ser considerado que ele foi de 100%; c-) descabimento das penalidades, já que agiu de acordo com o pactuado junto à CACEX , não há tipicidade e aplica-se ao caso o disposto nos AD(N) COSIT 10/1997 e 13/2002. Traz como paradigmas os acórdãos que receberam as seguintes ementas: "Drawback. Modalidade suspensão. A competência para verificar se houve adimplemento ou não do compromisso de exportação é da CACEX, atual DECEX. Recurso provido. (Ac. 302-32.478, de 01/12/1992, Relator Wlademir Clovis Moreira)." "Drawback Suspensão - Compete à CACEX, atual SECEX, a concessão dos beneficios fiscais de suspensão e isenção de tributos, nos casos de Drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. - Na hipótese de se vencer o prazo de suspensão de tributos, ou seja, o prazo final para a exportação, sem que a mesma seja efetivada, o beneficiário deverá liquidar o débito correspondente em trinta (30) dias. - Não tendo sido liquidado o crédito tributário no prazo legal, cabível seu lançamento com os acréscimos legais pertinentes, vez que esta atividade é vinculada e obrigatória. - A restrição à cobrança de penas pecuniárias imposta pela Lei das Falências /97-à0não alcança as penalidades de natureza fiscal. Ia P/ Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 - Não aplicável a multa capitulada no art. 526, IX, do RA, por falta de tipificação. - Incabíveis, no caso, a aplicação da multa prevista no art. 521, "a" e "b", bem como os juros de mora. Recurso provido parcialmente." (Ac. 302-33.120, de 24/08/1995, Relator Luis Antonio Flora) "Drawback. Relatório de comprovação que indica o pleno cumprimento do regime. Incabíveis a cobrança de tributos e a aplicação de sanções legais. Recurso provido" (Ac. 303-28.174, de 24/04/1995, Relatora Dione Maria Andrade da Fonseca) "Drawback. Suspensão. Comprovado pelo DECEX o adimplemento do estabelecido nos respectivos atos concessórios, e não demonstrado, de foram inequívoca, o desvio para o mercado interno, das mercadorias importadas com o beneficio da suspensão."(Ac. 302-34.195, de 24/02/2000, Relator Luis Antônio Flora) "Drawback. Integralmente cumprido o compromisso de exportar. Os tributos não podem ser exigidos com base em simples presunção de que o produto importado não teria sido o mesmo exportado após beneficiamento. Improcedente a ação fiscal. Recurso de oficio negado para manter a decisão recorrida." (Ac. 301-28.116, Rel Luiz Felipe Gaivão Calheiros) "Imposto de importação. Imposto sobre produtos industrializados. Drawback. Adimplido o compromisso de exportação, consolida-se a suspensão tributária que não pode ser elidida sob a alegação de infração administrativa na importação de produtos utilizados nos produtos exportados." Recurso voluntário provido parcialmente. (Ac. 301-28.844, Rel. Fausto de Freitas e Castro Neto) Drawback Suspensão. Comprovado perante a CACEX o compromisso de exportar. Pequenas diferenças quanto ao peso e aos valor das mercadorias não são de molde a descaracterizar o regime especial. Recurso voluntário provido." (Ac. 301-27.451, rel. Miguel Calmon Villas-Boas) "Drawback. Suspensão. Tendo sido descumprido parcialmente o compromisso de exportação é de se executar o respectivo termo de responsabilidade, pela correspondente falta. (Ac. 303-26.927, Rel. Malvina Corujo de Azevedo Lopes)" Quanto ao adimplemento parcial, traz ainda o Acórdão 303-28.181. Cita, também, os acórdãos 303-29.058 e 303-29.118, das lavras de Nilton Bártoli e desta Conselheira, no sentido da aplicabilidade do Parecer Normativo CST n° 12/79 e do Ato Declaratório COSIT 20/96. 7"k ti Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 Socorre-se de mais cinco acórdãos que exoneram as multas com base no disposto no AD(N) COSIT 10/97. O então Presidente da Câmara recorrida entendeu estar caracterizada a divergência jurisprudencial e deu seguimento ao recurso. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contra-razões, requerendo a manutenção da decisão recorrida, alegando: a-) que não merece prosperar a tese de incompetência da Secretaria da Receita Federal para testar o descumprimento do compromisso de exportar assumido pelo contribuinte no regime de drawback suspensão, por falta de plausibilidade jurídica de tal tese; b-) falta de comprovação do cumprimento do regime e inexistência de divergência jurisprudencial acerca da alegação de cumprimento integral dos compromissos de exportar; c-).falta de divergência jurisprudencial acerca da tese de não aplicação das multas previstas nos artigos 44, inciso I da Lei 9.430/96 e 80, inciso I da Lei 4.502/64. /,40P É o relatório. 12 Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 VOTO Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora A preliminar de incompetência da Secretaria da Receita Federal para proceder ao lançamento deve ser afastada. É fato que a Portaria MEFP n° 594, de 25/08/1992, estabelecia, em seu artigo 2°, ser atribuição da Secretaria Nacional de Economia (sucedida pela SECEX) a concessão do regime, "compreendendo os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar." Porém, ela também deixava claro ser da Secretaria da Receita Federal a atribuição de aplicar o regime e fiscalizar os tributos, "nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do beneficio e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente." E não poderia ser diferente, já que o Código Tributário Nacional, com status de lei complementar, estabelece, em seu artigo 142, que é competência privativa da SRF constituir o crédito tributário. Ora, pelo tipo de documentação apresentada pelas empresas a CACEX só é possível verificar se a empresa exportou determinadas mercadorias. Sua conferência é, via de regra, apenas documental. Não há como ser conferido se o produto importado com a suspensão prevista no regime foi efetivamente exportado naquelas mercadorias, sendo esta fiscalização atribuição da SRF, inclusive por determinação do legislador complementar. Obviamente, porque para fiscalizar o recolhimento dos tributos, torna-se necessária a averiguação do cumprimento dos compromissos assumidos nos atos concessorios e seus aditivos. »CP ,k 13 • . Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 Ao contrário do que afirma a recorrente, não é o fato de a SECEX ter verificado o adimplemento do compromisso de exportar que transforma a suspensão dos tributos em isenção É a efetiva exportação dos produtos fabricados com as mercadorias importadas que provoca tal transformação e tal comprovação não foi efetuada pela empresa Aliás, a matéria está totalmente pacificada na atual jurisprudência, tanto desta Turma quanto do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao entenderem que a Receita Federal é competente para efetuar o lançamento dos tributos suspensos, mesmo se existir relatório da SECEX atestando o cumprimento dos compromissos previstos no regime. Assim, rejeito a preliminar argüida. A Douta Procuradoria alega não haver divergência quanto ao alegado cumprimento do compromisso de exportação, haja vista que nos paradigmas apontados as situações são de autuados que lograram êxito em demonstrar o cumprimento dos compromissos assumidos. Com efeito, a empresa alega que meras presunções não configuram prova de que as matérias primas foram vendidas no mercado interno e traz como paradigmas os Acórdãos 301- 28.116, 301-28.844 e 301-27.451. Nos dois primeiros restou clara a comprovação da utilização da mercadoria importada na exportada. No último, a pendenga dizia respeito ao fato de o fisco ter desconsiderado guias de exportação de um ato concessório sem considerá-las no ato concessório anterior. Tratam-se, portanto, de situações fáticas totalmente diferenciadas da que se coloca nos autos. Ademais, todos os acórdãos são da Câmara recorrida e não servem como divergência, conforme rezam os regimentos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A empresa defende, ainda, que deve ser aplicado ao caso o que acabou sendo denominado de principio da fungibilidade. A matéria está abordada no voto recorrido e a empresa apresenta divergência. Assim, a questão deve ser enfrentada. Ressalto, entretanto, existir um lapso no que diz respeito à apontada posição favorável à tese por parte desta Relatora, que no Acórdão 303-29.058 ficou vencida e no Acórdão 303-29.118 somente deu provimento ao recurso em 73TA/decorrência da peculiaridade da mercadoria objeto da lide. 14 Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 Com efeito, o regime de drawback suspensão visa incentivar a exportação por meio da suspensão dos tributos que incidiriam em mercadoria importada utilizada em outra, a ser exportada. Nele, a identidade da mercadoria é fundamental. Se não, vejamos. Dispõe o Decreto-lei n° 37/66, em seu artigo 78: ART. 78 - Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: - restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II - suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III - isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. O comunicado SECEX n.° 21, de 11 de julho de 1997, em seu subitem 2.1, em consonância com o acima transcrito, ao referir-se à modalidade de Drawback isenção, traz o seguinte: II — ISENÇÃO de tributos incidentes na importação de mercadorias, em quantidade e qualidade equivalentes, destinada à reposição de mercadoria anteriormente importada utilizada na industrialização de produto exportado. Esta modalidade também poderá ser concedida, desde que devidamente justificado, para importação de mercadoria equivalente, adequada à realidade tecnológica, com a mesma finalidade da originalmente importada, obedecidos os respectivos coeficientes técnicos de utilização, ficando o valor total da importação limitado ao valor da mercadoria substituída. Verifica-se, portanto, que, se devidamente justificada, é permitida a importação de mercadoria equivalente àquela utilizada como insumo da anteriormente exportada, no caso de drawback isenção. Entretanto, a questão de que se cuida diz respeito à aplicação do principio da equivalência ao regime de drawback suspensão. Vale dizer, se é permitida ou não a utilização de mercadoria equivalente à importada com suspensão de tributos na exportação. 15 fl"2/R( • Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : C S RF/03 -05.557 Porém, o legislador somente autorizou a aplicação do regime da identidade fisica, em que o produto importado com suspensão de tributos deve ser necessariamente utilizado na mercadoria a ser exportada. Como já visto, o Decreto-Lei n.° 37/66, artigo 78, inciso II foi claro quando determinou que haveria "suspensão do pagamento dos tributos incidentes sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento. ou destinada à fabricacão. complementacão ou acondicionamento de outra a ser exportada." Se pudesse ser trazido o principio da equivalência ao drawback suspensão, não seria necessária a identidade fisica do insumo importado como componente do insumo exportado Bastaria que, por ocasião da exportação, integrasse a mercadoria exportada insumo equivalente, que poderia ser até mesmo ser adquirido no mercado interno. Porém, nosso ordenamento jurídico não ampara tal solução. Tanto é assim que, corroborando, o parágrafo 3.° do artigo 4.° da Portaria MEFP n.° 594, de 25 de agosto de 1992, dispôs que: "§ 3.° Na modalidade de suspensão de tributos, a concessão do regime é condicionada ao adimplemento do compromisso de exportar, no prazo estipulado, produtos na quantidade e valor determinados, industrializados com a utilizacão das mercadorias a serem importadas". Tais disposições estão também contidas na Portaria MF n.° 36, de 11 de fevereiro de 1982. Fica claro, portanto, que deve haver vinculação física, qualitativa e quantitativa entre as mercadorias importadas com o beneficio da suspensão de tributos e a mercadoria exportada. O Acórdão proferido a partir de voto de autoria do Ilustre Ministro Demócrito Reinaldo, do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Recurso Especial n.° 31.215, publicado em 23/08/93, apresenta a ementa a seguir, consagrando o princípio da identidade: Constitucional Tributário. Isenção do Adicional de Frete para a Marinha Mercante - AFRMM. Equivalência com o sistema Drawback. Impossibilidade. 16 trieb/ Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 A isenção, no sistema jurídico-tributário vigorante, só é de ser reconhecida pelo Judiciário em beneficio do contribuinte, quando concedida, de forma expressa e clara pela lei, devendo a esta se emprestar compreensão estrita, vedada a interpretação ampliativa. Para efeito de isenção do AFRMM, o regime BEFIEX não se equipara, juridicamente, ao sistema denominado drawback. Enquanto, naquele (BEFIEX), o beneficiário do incentivo abriga- se a efetivar, em determinado prazo, um programa especial de exportação de produtos manufaturados, devendo, na dilação, apresentar saldo positivo de divisas (seja qual for o bem exportado), no re,eime aduaneiro do drawback o que se verifica é o vínculo físico (e não financeiro) entre a mercadoria importada e exportada: aquela deverá ser usada na fabricação komplementação ou acondicionamento) do produto exportado. A lei instituidora do sistema BEFIEX (Decreto-lei n.° 1.219/72) veda, de forma expressa, a cumulação do referido benefício fiscal com outros previstos na legislação tributária. O BEFIEX, segundo a jurisprudência predominante, é coberto, apenas, pelos benefícios fiscais consignados no Decreto-lei n.° 1.219/72, que o instituiu, gozando, tão-só, da isenção do IPI e do Imposto de Exportação. Recurso improvido. Decisão Unânime." ( grifei) Por derradeiro, cabe uma observação a respeito da aplicabilidade do disposto no Ato Declaratório Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal n.° 20, de 17/05/96. Tal Ato, de que vêm se socorrendo os defensores do principio da equivalência, dispõe o seguinte: O Coordenador - Geral do Sistema de Tributação, no uso das suas atribuições, tendo em vista o disposto no § 2° do art. 315 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.° 91.030 de 5 de março de 1985, e o subitem 2.1 do Parecer Normativo CST n.° 12/79, Declara que a utilização, por setores definidos pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da indústria, do Comércio e do Turismo, de matéria- prima importada com o beneficio do "drawback", na elaboração de produto destinado a consumo no mercado interno, não constitui desvio de finalidade, para fins tributários, desde que matéria-prima nacional, em quantidade e qualidade equivalente, tenha sido utilizada na elaboração do produto exportado. Porém, os dispositivos a que se remete o Ato Declaratório são o artigo 315, parágrafo 2.°, do Regulamento Aduaneiro que se refere ao drawback para reposição de estoques (modalidade isenção), e àquele a seguir transcrito, do Parecer Normativo CST n.° 12/79, que tem por objetivo principal dirimir dúvidas quanto ao BEFIEX: tePg 17 Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 "(4 2.1 - Todavia, enquanto a vincula ção a que se refere o citado capítulo do Decreto-lei n.° 37/66, tanto no caso de "admissão temporária" como no de "drawback" é sempre de natureza fisica, ou seja, o bem importado deve ser obrigatoriamente exportado ou as matérias-primas e produtos intermediários (ou similares em quantidade e qualidade) devem ter sido ou ser totalmente utilizados na indústria de bens já exportados ou a exportar, o vínculo referente ao incentivo em análise é meramente financeiro, consistindo na obrigação assumida pelo beneficiário de efetivar, em um determinado lapso de tempo, um programa especial de exportação de produtos manufaturados. Portanto, entendo que aquele ato normativo não pode ser aplicado no caso dos presentes autos, em que se trata do regime de drawback suspensão. Isto porque determina, em primeiro lugar, que haja a definição do Ministério da Indústria Comércio e Turismo sobre quais os setores que poderão se valer daquele beneficio. Segundo porque o AD CST 20/96 remete-se ao caso do drawback isenção e não foi esta a modalidade de drawback concedida à recorrente. Finalmente, vale lembrar que a exegese aqui realizada segue também o estabelecido pela norma complementar, o CTN, que em seu artigo 111 determina que a legislação que dispõe sobre suspensão de crédito tributário deve ser interpretada literalmente, ou seja, a ela deve ser dada uma interpretação estrita, que busca definir o alcance da lei sem amputações e sem acréscimos. Vale lembrar que apesar de o direito tributário, em regra, dever se submeter ao conjunto de métodos interpretativos fornecidos pela teoria de interpretação jurídica nas situações disciplinadas expressamente, o intérprete deve procurar, na medida do possível, dar preferência aos critérios indicados no CTN. Além de tudo isso, lembro que, no presente caso, sequer existe a comprovação de que as mercadorias tenham sido efetivamente exportadas pelos destinatários no mercado nacional dos solados de borracha. Portanto, a aplicação do princípio da fiingibilidade não aproveitaria à recorrente. A empresa solicita ainda, alternativamente, que seja considerado o adimplemento parcial do regime, com base na apuração efetuada pelo diligente. Apresenta como paradigmas os acórdãos 303-26.927 e 303-28.181. Ocorre que nenhum dos dois apresenta a mesma situação fática dos presentes autos, em que a empresa, tendo obtido a concessão para exportar mercadoria fabricada com o insumo importado, faz a sua destinação ao mercado nacional e, além disso, não consegue 18 7411-Pd 4. • Processo n° : 11065.002904/95-11 Acórdão n° : CSRF/03-05.557 comprovar que os compradores a exportaram. Considerando que tal constatação foi o principal fundamento da decisão recorrida, entendo não ter sido comprovada a divergência necessária ao conhecimento do recurso. A interessada solicita, também, a exclusão das multas de oficio do II e do IPI. Aponta como divergências os acórdãos CSRF 03.03.281, 301-28.934, 303-29323, 303-29.290 e 303- 2.9270. Deixo de analisar o Acórdão 301-28.934 porque proferido pela Câmara recorrida, não servindo como divergência, nos termos dos regimentos da CSRF e dos Conselhos de Contribuintes. O acórdão desta Turma da Câmara Superior refere-se à suposta indevida utilização de alíquota do imposto de importação e à decorrente imputação de multa de oficio. Em todos os demais acórdãos, que foram proferidos pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, verifica-se que a imputação da multa de oficio decorre de alteração na classificação fiscal da mercadoria importada. Portanto, em todos os acórdãos passíveis de serem apontados como divergência existe solicitação de beneficio ou utilização de classificação indevida no despacho aduaneiro, situação fática totalmente diversa da do presente caso, em que o multa decorre da falta de cumprimento do que foi compromissado no regime aduaneiro especial de drawback suspensão. À vista de todo o exposto, deixo de conhecer do recurso voluntário quanto cumprimento, mesmo que parcial, do regime, bem como quanto às penalidades, rejeito a preliminar de incompetência da Secretaria da Receita Federal para lançar e nego provimento ao recurso voluntário no que diz respeito à aventada aplicação do principio da fungibilidade. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de novembro de 2007. ANEL:1SE DAUDT PRIETUL • 19 Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1

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Numero do processo: 10120.001522/99-66
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPJ – LUCRO REAL - Cabível a tributação da omissão de receita apurada em separado no ano 1995, conforme prevista nos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92. ARBITRAMENTO – ADMISSIBILIDADE - Para que se caracterize a divergência jurisprudencial é necessário que se demonstre contradição com decisão de outra Câmara deste Conselho. Incabível a configuração da divergência se o aresto tido por divergente verse sobre situação fática e jurídica distinta da apreciada nos autos. OMISSÃO DE RECEITA DE DEPÓSITOS NÃO CONTABILIZADOS – Configurada a prática de omissão de receita, é procedente a quantificação da receita omitida com base em depósitos efetuados em conta não registrada na contabilidade da pessoa jurídica. OMISSÃO DE RECEITA DA DIFERENÇA ENTRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E RECEBIMENTOS CONTABILIZADOS – ESCRITURAÇÃO FISCAL - PRESUNÇÃO SIMPLES – os fatos registrados na Contabilidade da pessoa jurídica são presumidamente verdadeiros até que se prove o contrário. É ônus do Fisco indicar quais os lançamentos contábeis presentes nos Livros Fiscais que não mereçam fé. Pela teoria das provas, os autuantes devem reunir elementos que permitam refutar os enunciados produzidos pela pessoa jurídica e emprestar certeza ao fato constitutivo de seu direito. A fiscalização não apresentou um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para seu convencimento e que afaste possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. IRPJ E CSLL – OMISSÃO DE RECEITAS – APROVEITAMENTO DE CUSTOS – Os valores correspondentes ao custo de aquisição de mercadorias levantados pela fiscalização com relação direta à apuração da omissão de receitas detectada pela falta de escrituração da movimentação bancária devem ser levados em consideração na determinação da base tributável, haja vista que ao fim derivam, no período em questão, de operação vinculada àquela que está sendo tributada pelo Fisco. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido. Recurso especial do contribuinte parcialmente provido.
Numero da decisão: CSRF/01-05.531
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência do IR-Fonte à alíquota de 35%, incidente sobre as receitas omitidas, vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello, Dorival Padovan e José Henrique Longo que negaram provimento ao recurso e os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima (Relator) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes que deram provimento integral ao recurso e, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso especial do contribuinte quanto ao item arbitramento do lucro e DAR-lhe provimento PARCIAL, para afastar a exigência fundamentada em depósitos contabilizados. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Clóvis Alves.
Nome do relator: Marcos Vinícius Neder de Lima

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ARBITRAMENTO — ADMISSIBILIDADE - Para que se caracterize a divergência jurisprudencial é necessário que se demonstre contradição com decisão de outra Câmara deste Conselho. Incabível a configuração da divergência se o aresto tido por divergente verse sobre situação fática e jurídica distinta da apreciada nos autos. OMISSÃO DE RECEITA DE DEPÓSITOS NÃO CONTABILIZADOS — Configurada a prática de omissão de receita, é procedente a quantificação da receita omitida com base em depósitos efetuados em conta não registrada na contabilidade da pessoa jurídica. OMISSÃO DE RECEITA DA DIFERENÇA ENTRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E RECEBIMENTOS CONTABILIZADOS — ESCRITURAÇÃO FISCAL - PRESUNÇÃO SIMPLES — os fatos registrados na Contabilidade da pessoa jurídica são presumidamente verdadeiros até que se prove o contrário. E ónus do Fisco indicar quais os lançamentos contábeis presentes nos Livros Fiscais que não mereçam fé. Pela teoria das provas, os autuantes devem reunir elementos que permitam refutar os enunciados produzidos pela pessoa jurídica e emprestar certeza ao fato constitutivo de seu direito. A fiscalização não apresentou um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para seu convencimento e que afaste possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. IRPJ E CSLL — OMISSÃO DE RECEITAS — APROVEITAMENTO DE CUSTOS — Os valores correspondentes ao custo de aquisição de mercadorias levantados pela fiscalização com relação direta à apuração da omissão de receitas detectada pela falta de escrituração da movimentação bancária devem ser levados em consideração na determinação da base tributável, haja vista que ao fim derivam, no período em questão, de operação vinculada àquela que está sendo tributada pelo Fisco. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido. Recurso especial do contribuinte parcialmente provido. • Processo n° :10120.001522199-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos interpostos pela FAZENDA NACIONAL e DISTRIBUIDORA FARMACÊUTICA PANARELLO LTDA, ACORDAM os Membros da Primeira da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência do IR-Fonte à alíquota de 35%, incidente sobre as receitas omitidas, vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello, Dorival Padovan e José Henrique Longo que negaram provimento ao recurso e os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima (Relator) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes que deram provimento integral ao recurso e, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso especial do contribuinte quanto ao item arbitramento do lucro e DAR-lhe provimento PARCIAL, para afastar a exigência fundamentada em depósitos contabilizados. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Clóvis Alves. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE - rá • 11/2ALVE R. DA OR DESIGNADO FORMALIZADO NA: 2 4 Nov 2006 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, MÁRCIO MAÇHADO CALDEIRA, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. 2 Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 Recurso n° : 108-122267 Recorrentes : FAZENDA NACIONAL e DISTRIBUIDORA FARMACÊUTICA PANARELLO LTDA RELATÓRIO Trata-se de processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) relativamente aos anos-calendário de 1995, 1996 e 1997 por 1) omissão de receita apurada a partir de depósitos bancários não contabilizados identificados em contas mantidas pela empresa em instituições financeiras, e 2)depósitos bancários contabilizados sem comprovação de origem.. O lucro foi arbitrado pelo Fisco nos meses de janeiro de 1994 a março de 1995, em virtude da falta de apresentação de livros e documentos fiscais, e apurado pelo lucro real nos demais períodos. Segundo descrito às fls. 755/768 do auto de infração do IRPJ, a fiscalização apurou depósitos bancários não contabilizados cuja origem não foi devidamente comprovada nos meses de maio a dezembro de 1995 e anos de 1996 e 1997. A fiscalização detectou falta de registro da movimentação em diversas contas bancárias, determinando o quantum tributável pela soma dos depósitos nelas realizados. Como indício da existência de receita tributável omitida, os agentes fiscais trazem provas da falta de escrituração das aquisições de mercadorias de fornecedores pela empresa nesses períodos. Explicam os agentes do Fisco que fizeram constar esta omissão de registro de compras para evidenciar e reforçar a ocorrência de omissão de receitas, relacionando, inclusive, a coincidência de datas e valores entre o pagamento por meio 3 g‘f • Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 das contas bancárias mantidas à margem da contabilidade e a quitação de inúmeras notas fiscais de aquisição de mercadorias não registradas. Além disso, o Fisco apurou, por meio dos arquivos magnéticos, todos os ingressos de numerários em conta bancária lançados a débito da conta Bancos c/ Movimento no ano de 1996. Para confrontação com o valor apurado, os auditores levantaram o total dos recebimentos da pessoa jurídica no período, originados dos pagamentos de clientes, ressarcimento de ICMS, receitas de ICMS substituição tributária, juros, devolução de mercadorias e cancelamentos de adiantamentos a fornecedores. Conforme descrito às fls. 756/757, foram excluídos dessa apuração todos os lançamentos que não representam ingresso de numerário nas contas bancárias (transferências entre bancos, transferência de caixa para bancos, numerários em trânsito, empréstimos, resgates de aplicações, cheques devolvidos). A partir da constatação de diferenças entre o total de depósitos e de recebimentos contabilizados, a empresa foi intimada a comprovar a origem de tais recursos depositados em bancos que suplantaram os respectivos recebimentos. Na descrição dos fatos da peça acusatória, o Fisco alerta para a existência de lançamentos a crédito na conta Cheques em Cobrança, tendo como contrapartida débitos por valores globais na conta Bancos Conta Movimento, seguida de sistemático estorno de lançamento a cada início de mês, cuja finalidade era acobertar ingressos de numerários não comprovados na conta Bancos. A fiscalização também realizou o arbitramento do lucro tributável relativo aos meses de janeiro de 1994 a março de 1995 pela falta de apresentação dos livros Diário e Razão. A empresa alegou em sua defesa a perda, destruição ou extravio, motivada pela ocorrência de incêndio em seu estabelecimento. Em 24/08/98, a recorrente solicitou prazo para reconstituir os documentos fiscais e livros contábeis destruídos por ocasião do incêndio. A fiscalização indeferiu o pedido em razão de estar obrigado a ter a movimentação contábil arquivada em meio magnético, cuja destruição não consta da ocorrência registrada no Livro de Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrência. Sustenta, ainda, que a contribuinte não comunicou à SRF a destruição de 4 C9/ Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 seus livros e teve o prazo de cerca de três anos para recuperar sua escrituração contábil e fiscal e que só em resposta a intimação da fiscalização requer prazo para providenciar a regularização. No Relatório Fiscal, fls 765, do Laudo do Instituto de Criminalistica (fls 29/30) conta que a violação por completo do local da incidência impossibilitou aos peritos a localização do foco, restringindo-se a informar apenas a descrição do local, por ocasião dos exames. A única prova do sinistro é o Livro de ocorrências produzida pela própria empresa autuada. Em sua defesa, a autuada apresenta alegações que são abaixo sintetizadas, narrando-se apenas os argumentos que interessam ao esclarecimento de fatos relevantes para apreciação do recurso especial ora em julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Primeiramente, alega que a autuação como omissão de receitas dos depósitos não contabilizados foi fundamentada na alínea "a" do parágrafo único do art. 228 do RIR194, artigo que não tem matriz legal que o sustente. A recorrente admite a falta de contabilização de algumas operações, principalmente de custos, despesas e a movimentação de quatro contas bancárias. A fiscalização ao constatar a omissão do registro de custos e receitas, optou por considerar integralmente o valor das receitas como se lucro fossem, não observando a legislação de regência que determinava a dedução dos custos não contabilizados. A cobrança de tributos sem a referida recomposição da base de cálculo, em desobediência ao disposto no art. 24 da lei n° 9.249/95, desvirtua a definição de renda insculpida no art. 43 do CTN, segundo a qual o fato gerador do imposto é a disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Mesmo que fosse admitida a forma de tributação dos depósitos bancários como Omissão de receitas, esta só seria possível após a edição do art. 42 da lei n° 9.430/96, bem dizer a partir de 01101/97. Com relação à exigência nos anos de 1995 e 1996, de acordo com o art. 150, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, 6211 5 " . Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 esta lei não poderia retroagir, não havendo, portanto, norma legal que autorize a presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários não contabilizados. Com relação à segunda infração, sustenta a recorrente que a metodologia adotada pelo Fisco, ao apurar a diferença pelos totais registrados, não permite chegar ao montante correto. Na contabilidade, os débitos correspondem a aplicações de recursos e os créditos, às suas origens. A fiscalização, quando deixou de verificar a origem de cada lançamento no livro Diário ao totalizar os valores levados a débito da conta Banco, comparando-os com Clientes, ignorou as contrapartidas onde estão as razões de cada lançamento. O procedimento adotado pela fiscalização, fls. 362, caracterizou apenas a constatação de um indicio que deveria ser averiguado por meio de pesquisa pormenorizada de cada ingresso em sua contabilidade e, só aí, identificar alguma irregularidade que se enquadrasse nas hipóteses legais de omissão de receitas. Não ficou provada a ocorrência de aporte de recursos estranhos às operações normais da empresa, quer feitos por sócios, por terceiros ou se realmente eram advindos de vendas desacobertadas. A fiscalização, ao efetuar sua auditoria por intermédio dos arquivos magnéticos que serviram de base para a emissão dos livros contábeis, sem examinar de perto os documentos, concedendo sete dias para que a empresa explicasse as diferenças encontradas, quando a explicação estava dentro do próprio Diário e Razão, detectou um indício e determinou que a empresa fizesse a auditoria por ela. As hipóteses de omissão de receitas são as previstas na legislação tributária. Não sendo identificada nenhuma hipótese aplicável aos depósitos regularmente contabilizados e não existindo presunção que se amolde à matéria, o Fisco deveria provar em sua auditoria o fato que estava acusando. Assim, permitiria questionar individualmente suas origens, dando oportunidade à empresa de comprová- los e não trazer apenas dúvidas aos autos, com a soma de milhares de depósitos, sem provar nenhuma matéria tributável. a 6 e, Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 No que respeita ao arbitramento do lucro no período de janeiro de 1994 a março de 1995, aduz que a empresa foi atingida por um incêndio que destruiu os livros contábeis, mas já tinha sido entregue a respectiva declaração de rendimentos referente ao ano de 1994, não prejudicando as informações base para o lançamento dos tributos. O sinistro não foi criminoso, não ficando comprovado pelo fisco que as informações prestadas não eram verídicas ou não mereciam fé. Os períodos arbitrados já tinham sido fiscalizados e refiscalizados, sendo que, nesta época, os auditores responsáveis por aquelas fiscalizações não viram a necessidade de arbitramento dos lucros. A empresa solicitou aos auditores prazo para recompor a escrita, o que lhe foi negado. A negativa dos auditores para a recomposição da escrita foi fundamentada pela perda da espontaneidade de que trata o § 1° do art. 7° do decreto n° 70.235/72. No entanto, ela só se aplica às penalidades e não impede a adoção de outras providências, inclusive retificação da declaração de rendimentos. Em 30/11/99 foi prolatada a decisão da Delegacia de Julgamento de Brasília que considerou integralmente procedente os lançamentos. Cientificada da decisão de primeira instância em 29/12/99, a empresa apresenta recurso voluntário, em cujo arrazoado repisa os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória, agregando ainda as seguintes alegações: O contido no artigo 43 § 2° da Lei n° 8.541/92 ofende a definição de renda, definida no CTN, porque receita não é renda ou lucro. Nos anos-calendário seguintes, 1996 e 1997, a matéria é regida pelo art. 24 da lei n° 9.249/95 que manda tributar a omissão de receita constatada no regime de apuração de lucro adotado pela empresa, lucro real, considerando o custo correspondente, independente de estar escriturado. Os valores creditados nas contas-correntes bancárias, considerados omissão de receitas no ano-calendário de 1997, têm relação com transações normais da empresa, acobertados por notas fiscaisis de venda a terceiros. As compras levadas tf) 7 4 • . Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 a débito de tais contas também foram acobertadas por notas fiscais emitidas por revendedores. O levantamento efetuado no ano de 1996 com base nos depósitos bancários contabilizados não identificou quais deles correspondiam a omissão de receitas, sendo realizado um trabalho por atacado, quando a legislação exige individualização. Na medida do possível, foi comprovada a destruição dos livros e documentos, não havendo culpa ou dolo pela empresa. Alerta que o art. 39 da lei n° 9.430/96, que possibilitava o arbitramento na ocorrência de perda de livros ou documentos, foi revogado pelo art. 82, inciso I, letra "N" da lei n° 9.532/97 e a recorrente requereu prazo para reconstituição da escrita e foi negado com argumentos Inadequados. Em 17/08/2000 foi prolatado o Acórdão n° 108-06.208, fls. 1.443, em que a Câmara Julgadora, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para: 1) deduzir, na apuração da base de cálculo do IRPJ, nos meses dos anos de 1995, 1996 e 1997, os valores de compras não escrituradas constantes da planilha de fls. 654/677; 2) ajustar a exigência da CSL ao decidido quanto ao IRPJ; 3) reduzir a alíquota do IR Fonte, incidente sobre receitas omitidas, ao percentual de 15%, no ano de 1995. A decisão da Egrégia Oitava Câmara entendeu, em síntese, caracterizada a prática de omissão de receitas detectada pelo Fisco, descritas nos itens 1 e 2 do auto de infração do IRPJ, por entender presentes indícios convergentes, todos levando a mesma conclusão de que as contas bancárias mantidas pela empresa à margem da escrituração serviam como depositárias de omissão de receitas e, além disso, com a falta de comprovação da origem dos valores dos depósitos contabilizados, ficou patente a tentativa de acobertá-la. O procedimento sistemático de estorno na conta Cheques em Cobranças é prova disso. Fácil concluir, que todos os depósitos bancários nestas contas, excluídos os de transferências interbancárias, correspondem a receitas omitidas. çj 8 d, I . • • Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 No tocante a infração 2, a decisão sustenta que o procedimento de auditoria comprovou, com base nos elementos cotejados na contabilidade, existirem transferência de recursos, depósitos em contas-correntes, cuja origem não estava albergada em nenhuma dessas fontes de financiamento, cabe, indiscutivelmente, a conclusão de que seu financiamento se deu por meio não convencional, com a provável realização de receitas existentes à margem do controle fiscal, presumidamente derivadas de receitas omitidas e, conseqüentemente, não tributadas. Refuta a argumentação de que não cabia ao Fisco refazer a escrita contábil mutilada por inúmeros lançamentos de estorno, que denotavam a ocorrência de irregularidades. O procedimento de auditoria utilizado foi a comparação dos dados da contabilidade, por meio de cálculos aritméticos simples, devendo a empresa, de posse dos seus livros e documentos, produzir provas que pudessem elidir a presunção simples que o Fisco construíra. O voto reconhece razão à recorrente quanto a erro de determinação da base de cálculo do imposto de renda nos períodos autuados, quanto à exigência descrita no item 1 do auto de infração do IRPJ, omissão de receitas pela falta de contabilização de movimentação bancária. A jurisprudência majoritária deste Conselho permite a dedução na formação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, dos custos correspondentes às receitas omitidas. Segundo o relator, ficou claramente provado que as contas bancárias não contabilizadas serviram como depositárias da movimentação de compras e vendas omitidas. Ora, se a própria fiscalização vincula inúmeros pagamentos de compras não escrituradas por meio de recursos oriundos destas contas, é de se admitir que na apuração do lucro tributável pelo imposto de renda tais valores correspondentes ao custo das compras omitidas possam ser deduzidos do montante da receita, limitado até o valor destas, sem a pretendida ocorrência de restituição de impostos solicitada pela recorrente. Mantém, por fim, o arbitramento do lucro pela falta de apresentação de livros e documentos contábeis, uma vez que a empresa ao ser tributada peloor egime 9 er, Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 do Lucro Real, deveria para apresentar os resultados do período, manter escrituração contábil em boas condições. A falta de apresentação de livros e documentos, após regular intimação procedida pela fiscalização, sob alegação de sua destruição por incêndio não regularmente comprovada, ao impossibilitar a perfeita apuração dos resultados do período, autoriza o arbitramento do lucro tributável nos anos de 1994 e 1995. Afirma que o próprio laudo do Instituto de Cdminalística, de fls. 29/30, informa a violação completa do local do incêndio, o que impossibilitou aos peritos a determinação e localização da causa técnica originária do sinistro, não existindo comprovação da causa do incêndio, da ocorrência de caso fortuito e da destruição de livros e documentos, inclusive fitas magnéticas geradoras dos livros contábeis e fiscais. Além disso, nenhum comunicado foi efetuado junto à Receita Federal até a data da abertura da fiscalização, nem tentado desde a data do incêndio até o início do procedimento fiscal o refazimento dos livros supostamente destruídos, deixando de ser cumpridos todos os procedimentos previstos no art. 210 do RIR/94. O fisco aguardou durante grande período a apresentação dos livros ou fitas magnéticas, e só depois de consumada a falta da entrega procedeu ao arbitramento do lucro tributável. Este Conselho tem decidido que não basta a ocorrência de incêndio para eximir a empresa de imputação de irregularidades. Faz-se necessária a prova cabal da destruição dos livros e documentos, por meio de laudos conclusivos, o que não dispensa a comunicação tempestiva ao Fisco e a tentativa de refazimento da escrituração. Cientificada da decisão, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF com fundamento no inciso II do artigo 5° do Regimento Interno deste Tribunal, aprovado pela Portaria MF n° 55/98. Suscita a divergência jurisprudencial com relação ao aproveitamento dos custos não registrados para reduzir a receita omitida apurada pela fiscalização nos anos de 1995, 6/I 10 . . Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 1996 e 1997 e, também, no que se refere à redução de alíquota de IR-Fonte incidente, no ano de 1995, ao percentual de 15%. Traz como paradigma para comprovar a primeira divergência o Acórdão n° 105-1.424 que, em síntese, sustenta que a omissão de receita de vendas apenas deve ser cotejadas com os custos regularmente contabilizados. Quanto à segunda matéria, traz decisão da Sétima Câmara (ac. n° 107-05743) que mantém a tributação em separado por força da previsão da Lei n° 8.541/92. Pelo despacho n° 108-0.095/2001, de fls 1537, foi dado seguimento parcial ao recurso especial da Procuradoria, admitindo a divergência quanto ao aproveitamento de custos não contabilizados na apuração da base de cálculo do tributo exigido no lançamento fiscal e negou-se seguimento com relação à aplicação dos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 por entender não configurado o dissídio jurisprudencial no tocante a redução do IR-Fonte. O Presidente da Oitava Câmara aduz que o acórdão paradigma não examinou a questão da retroatividade da Lei n° 9.249/95. A Fazenda, irresignada com a decisão denegatória de seguimento de seu recurso, interpõe agravo à CSRF (fls. 1554), requerendo o reexame da admissibilidade acima referida. Pelo Despacho CSRF n° 082/2002, de 22 de julho de 2002, o Presidente da CSRF reforma a decisão anterior e dá seguimento ao recurso especial, confirmando o Parecer, de fls 1566, no sentido de que a questão central de divergência está na definição do caráter penalizante da Lei 8.541/92 e não da aplicação retroativa da Lei n° 9.249/95. Cientificada da decisão, a recorrente interpõe contra-razões ao recurso especial da Fazenda Nacional, pedindo a manutenção do despacho de indeferiu seguimento ao recurso, e interpõe recurso especial à CSRF em que suscita divergência quantos as seguintes matérias: 1 — arbitramento de lucros em caso de incêndio; 2 — omissão de receitas com base em depósitos bancários contabilizados superiores às vendas e depósitos bancários não contabilizados. 619 11 e - Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 Quanto ao primeiro tema, traz como paradigma decisões da terceira (ac. n° 103-10.718) e da Primeira Câmara (ac. n° 101-93.614) que, em síntese, consideraram improcedente o arbitramento do lucro na hipótese de a contribuinte ter entregue declarações de rendimentos e, posteriormente, ter seus livros fiscais destruídos por incêndio, em que ficou comprovada a ausência de culpa do sujeito passivo na ocorrência do sinistro. Com relação à segunda divergência, traz aresto da Terceira Câmara (ac. 103-19.737) que, em resumo, considerou não configurada a omissão de receita quando apurada com base no somatório da movimentação bancária em confronto com a receita declarada, pois a diferença existente caracteriza mero indício, por si só, não suficiente para formalizar o lançamento do tributo. Em relação à omissão de receitas com base em depósitos não contabilizados, traz decisões 107-05.086, 107.05.545 e 107-05497, que entendem que depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador de imposto de renda. Pelo Despacho n° 108-032/2004, de fls 1.757, o Presidente da Oitava Câmara decidiu pelo seguimento parcial ao recurso especial, admitindo a existência de dissídio jurisprudencial quanto ao arbitramento do lucro e com relação à omissão de receitas com base em depósitos contabilizados superiores às vendas e com base em depósitos não contabilizados no ano de 1995 e 1996, rejeitando o pedido de seguimento do recurso quanto a esta última omissão no ano de 1997. O indeferimento deve-se a distinta situação jurídica entre os arestos. A decisão recorrida trata de omissão de depósitos bancários não contabilizados apurada sob a égide da Lei n° 9.430/96, enquanto os acórdãos paradigmas referem-se a fatos ocorridos nos períodos-base anteriormente a 1996. Ou seja, apenas a divergência quanto ao julgamento da acusação de omissão de receita relativa aos anos de 1995 e 1996 foi admitida. Inconformada com a negativa de seguimento do recurso especial, o sujeito passivo interpõe recurso de agravo, de fis 1.772, asseverando que, "mesmo com o advento da Lei n° 9.430/96, não é incontroverso de que a simples identificação 12 . - . . Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 de depósitos bancários não justificada a sua origem com documentação hábil e idônea implica se considere configurada a ocorrência de fato gerador do imposto de renda". Com fundamento no Despacho n° 103-0.109/2005, de fls 1790, o Presidente da CSRF rejeita o agravo do contribuinte e mantém a negativa de seguimento ao recurso quanto à omissão de receita com base em depósitos não contabilizados no ano de 1997. gÉ o relatório. g( 13 Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 VOTO VENCIDO Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, Relator. As questões de divergência jurisprudencial a serem solucionadas por este Colegiado foram suscitadas pelos recursos especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo Sujeito Passivo. O recurso da douta Procuradoria cinge-se ao exame da validade da tributação da receita omitida com fulcro nos art. 43 e 44 da Lei 8.541/92 e do aproveitamento dos custos não registrados para reduzir a receita omitida apurada, enquanto o recurso especial do sujeito passivo versa sobre arbitramento de lucros em caso de incêndio; omissão de receitas com base em diferença apurada entre depósitos bancários e receitas contabilizados e omissão de receita sobre depósitos bancários não contabilizados nos anos de 1995 e 1996. 1 - Recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional 1.1 - A validade da tributação com fulcro nos art. 43 e 44 da Lei 8.541/92 de omissão de receita apurada no ano-base de 1995 em separado dos restantes das receitas tributáveis apuradas em conformidade com o regime do lucro real. Presentes os pressupostos para admissibilidade do recurso especial nesse item, passo a decidir. A decisão recorrida entendeu que a aliquota do IR Fonte, incidente sobre receitas omitidas, deve ser reduzida ao percentual de 15%, no ano de 1995, por aplicação retroativa da Lei n° 9.249/95. Os arts. 43 e 44 da Lei n.° 8.541/92 determinam, in verbis : 91) 14 , . Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 "Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, a alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 1 0 O valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento, quando for o caso, das contribuições para a seguridade social. § 2° O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, bem como a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. § 3° A base de cálculo de que trata este artigo será convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência - UFIR pelo valor desta do mês da omissão. § 4° Considera-se vencido o imposto e as contribuições para a seguridade social na data da omissão. Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte a aliquota de 25% (vinte e cinco por cento), sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. § 1°. O fato gerador do imposto de renda na fonte considera-se ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.' Sustenta a recorrente que os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 foram revogados pelo art. 36 da Lei 9.249/95, sendo que tal revogação — em que pese a lei revogadora expressamente preveja a produção de seus efeitos apenas a partir de 1996 — deve ser retroativa por se tratar de legislação relativa a penalidades. 15 il Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 Tal corrente interpretativa se baseia no fato de que o art. 43 da Lei 8.541/92 está inserto no Título IV deste texto legal, denominado "Das Penalidades". Com o advento da Lei 9.249/95, que, em seu artigo 24, determinou forma diversa da tributação de omissão de receitas — de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base, resultando em exigência menos onerosa ao contribuinte, inferiu-se a retroatividade da lei nova. Não acompanho esse entendimento. Os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, bem como todos os outros constantes daquela rubrica, estabelecem formas de tributação para situações diferenciadas, notadamente de falta de recolhimento do imposto devido. E o artigo 3° do CTN já estabelece que tributo não é sanção, tanto que a própria redação do art. 43 deixa explícita a falta de correspondência do título com o conteúdo, ao determinar que sobre as receitas omitidas serão lançados o imposto, com os acréscimos legais e as penalidades de lei. Não há falar, portanto, em retroatividade benigna da Lei 9.249/95, uma vez que não se verifica qualquer das hipóteses do art. 106 do CTN. De outro lado, argumentações no sentido de que o imposto incide com caráter de penalidade, ou que ressaltam a onerosidade da tributação do dispositivo revogado frente à estabelecida pela lei revogadora, não autoriza a retroação da lei posterior que reduziu a incidência do imposto. É usual em nosso ordenamento jurídico a redução da base de cálculo ou de alíquotas de tributo sem que isso acarrete sua aplicação retroativa e a restituição de tributo pago sob a vigência da lei revogada. É cediço que as leis que estipulam novos critérios para incidência do tributo, em face do caráter prospectivo de que se revestem, devem dispor para o futuro. Ressalte-se que os que defendem a aplicação retroatividade da Lei n° 9.249/95 com fulcro no artigo 106 do CTN referem-se não apenas ao cálculo da penalidade cabível em razão da omissão de receita, mas do tributo em si, aplicando alíquotas e base de cálculo previstos na nova lei a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução. 622 16 • Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 Resta analisar, por fim, o posicionamento de alguns dos meus pares no sentido de que art. 43 e 44 da Lei n° 8.541192 ofende ao conceito de renda estabelecido no artigo 43 do CTN. Sustentam os defensores dessa tese, que a tributação apartada da omissão de receita não considera os custos a ela correspondentes, tributando a receita integral e não a renda (mais valia). O CTN define como renda a disponibilidade econômica ou jurídica do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, o que, ao fim, representa o acréscimo de valor patrimonial. A Lei n° 8.541/92, por sua vez, definiu que a tributação do imposto sobre a renda sobre a totalidade da receita omitida, por considerar que o contribuinte não apropriou as despesas em momento próprio ou as teria considerado em resultado de período anterior. De fato, a omissão de receita é identificada pelo Fisco posteriormente ao momento em que ela efetivamente ocorre. No caso presente, evidenciou-se a omissio pela existência de depósitos em conta bancária mantida à margem da escrituração. Daí o legislador considerar não há como precisar o momento de sua ocorrência e se as despesas já poderiam ter sido aproveitadas anteriormente pelo contribuinte. Por isso, opta por estabelecer que a receita mantida à margem da escrituração representa o acréscimo patrimonial do contribuinte e exigir o tributo sobre sua totalidade. Dado o exposto, dou provimento ao recurso para restabelecer a tributação de omissão de receita em separado. 2.1 — A deduditibilidade. na apuração da base de cálculo do IRRL dos valores de compras identificadas nos autos e não escrituradas pelo sujeito passivo Nesse tópico do recurso especial, verifica-se o inconformismo da Procuradoria no tocante a possibilidade de aproveitamento de custos não contabilizados pela contribuinte para reduzir a base de cálculo do imposto objeto deste lançamento de ofício. 612 17 k Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 Com efeito, é fato incontroverso no processo a omissão do sujeito passivo na escrituração de compras efetivamente pagas. Tal fato foi descrito pelo fisco no Auto de Infração apenas para corroborar a presunção de omissão de receitas a partir da identificação da existência de movimentação bancária mantida à margem da escrituração. Ou seja, a omissão de compras foi utilizada como indicio que aponta para o fato de que recursos marginais, frutos de uma anterior omissão de receitas, foram utilizados para os pagamentos não registrados. A peça acusatória quantificou a infração com base em depósitos bancários não contabilizados, cuja origem não foi explicada pela contribuinte, e utilizou-os para fundamentar a presunção legal de omissão de receita. Nesse ponto, afigura-se a questão a ser deslindada. Alega a contribuinte que a falta de registro dos custos na época própria não impede que, posteriormente, esses valores sejam considerados para apuração da base de cálculo do imposto de renda a ser exigido pelo Fisco no lançamento, afinal a tributação incide sobre renda e não sobre receita. É bem verdade que a jurisprudência dos Conselhos tem se preocupado com a hipótese de se estar considerando recursos em duplicidade ao somar depósitos, ocorrência imaginável a partir da constatação de uma série de compras omitidas em um determinado período. Na verdade, afigura-se possível que o saldo dos recursos marginais utilizados para fazer face aos dispêndios tenha sido formado a partir de uma omissão inicial acrescido dos ganhos nas vendas das compras não registradas. Ressalte-se, porém, que a tributação do IRPJ tem como pressuposto o princípio contábil de que custos e receitas devem caminhar juntos. O tardio reconhecimento pelo julgador administrativo dos custos omitidos deve ser cercado de certos cuidados necessários para que não se favoreça o infrator com anulação dos efeitos da omissão de receita, pois é premissa aceita no direito que a ninguém é dado aproveitar-se da própria torpeza. Verifica-se, nos autos, que a empresa optou pelo regime de lucro real anual e levantou balancetes de suspensão durante todo o período. As mercadorias, 611 18 dig Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 mesmo não registradas pela contribuinte, podem ter sido computadas no levantamento físico de estoques ao final de cada mês e influenciar o custo da mercadoria vendida. Ou seja, em função da sistemática legal de arbitramento do valor do estoque para empresas que não tenham inventário permanente, aproveitar o custo não contabilizado nesta fase recursal pode levar a seu aproveitamento em duplicidade. Segundo penso, recai sobre o autuado o ónus de provar que os insumos/mercadorias, comprados com os recursos agora tributados, foram efetivamente empregados na produção ou revendidos e que a receita dos respectivos produtos ou das mercadorias revendidas tenha sido regularmente contabilizada e computada na apuração do imposto de renda e da contribuição social. Dado o exposto, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria para afastar a dedução dos custos não contabilizados. 2 - Recurso especial do Suieito Passivo Antes de adentrar ao exame de cada admissibilidade das divergências argüidas pelo sujeito passivo, cabe examinar uma questão preliminar relativa ao conhecimento do recurso especial. Aduz a recorrente que "essa Egrégia Câmara Superior tem sido resistente aos entendimentos consagrados no âmbito do recurso especial e do recurso extraordinário, desenvolvidos no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, de que, uma vez admitidos tais recursos, o conhecimento do órgão ad quem alcança a totalidade da matéria". Em homenagem ao princípio da motivação que informa todo o processo administrativo tributário, passo a examinar tal assertiva. De fato, se admitido for o recurso especial pela Presidência da Câmara a quo, chega o processo à Câmara Superior de Recursos Fiscais, onde vai ser iniciado, em um segundo momento, o juízo de conhecimento, que começa pelo exame dos pressupostos objetivos, formais e genéricos, pois não há efeito preclusivo do juízo de admissibilidade. A Câmara Superior reexaminará a questão divergente trazida pelo recurso para, a seguir, debruçar-se o relator sobre a razão que deu ensejo ao especial. gre 19 Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 Reforça esse entendimento as súmulas trazidas pela recorrente — n° 292, de 1963, e n° 528, de 1969, da Suprema Corte, ambas editadas sob a égide de Constituições pretéritas. Ressalte-se que o Agravo de Instrumento n° 31.489 da Suprema Corte, que fundamenta a referida Súmula 528, aduz claramente que "admitido o recurso extraordinário, toda a questão objeto do recurso será apreciada pela Turma. Não obstante a manifestação em contrário do Presidente do Tribunal a quo". Ou seja, a decisão da Suprema Corte diz que o exame do recurso não está adstrito a apreciar a matéria admitida pelo juízo a quo de admissibilidade, podendo reexaminar todas as divergências argüidas pelas partes. É nesse sentido que entendo procedente a afirmação do recorrente, pois é pacífico no âmbito deste Colegiado que o juízo de admissibilidade é dúplice. Daí não se pode concluir, no entanto, que o fato de o recurso ter sido admitido com fundamento em uma específica divergência jurisprudencial autoriza o conhecimento integral do recurso especial pela Turma da CSRF, mesmo daquelas questões alegadas no recurso especial que não comprovaram preencher os requisitos de admissibilidade. O recurso especial não se presta a devolução integral das questões decididas contrariamente ao interesse do sujeito passivo em instância inferior, pois essa é a função do recurso voluntário. Em que pese a relevância do inconformismo do contribuinte contra a exigência fiscal, o duplo grau de jurisdição já oferece plena oportunidade de defesa no âmbito administrativo. A Câmara Superior de Recursos Fiscais não deve exercer papel de terceira instância de revisão, deve apenas apreciar o recurso especial com relação à divergência argüida já que nem toda a matéria decidida na instância a quo lhe é devolvida pela interposição do recurso especial. O recurso especial de divergência, embora tenha natureza de recurso, não é o remédio adequado para corrigir injustiças em situações concretas, e sim para alcançar a uniformidade na interpretação da lei em situações idênticas. Não devem os Tribunais imiscuírem-se no mérito do julgado, para ponderar sobre o acerto ou o erro do acórdão. Dessa incumbência uniformizadora se extrai, claramente, a necessidade de cotejo das decisões divergentes e a comprovação explícita do (IP 20 Álta Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 prequestionamento da matéria como previsto no Regimento Interno dessa Câmara Superior. Não há falar, portanto, em alargamento do espectro de questões a serem conhecidas nesta instância especial, como quer a recorrente. O dissídio jurisprudencial a ser apreciado por este Colegiado é apenas aquele que preencher todos requisitos de admissibilidade previsto no Regimento Interno dos Conselhos. 2.1 - Arbitramento de lucros em caso de incêndio; Verifica-se que o dissídio jurisprudencial versa sobre a possibilidade de arbitramento de lucro na hipótese de a pessoa jurídica não possuir mais livros e documentos fiscais em razão da ocorrência de incêndio em suas dependências, quando não ficar comprovada sua culpa no sinistro. Primeiramente, deve-se ressaltar que a recorrente não realizou o cotejo analítico, ressaltando-se as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os acórdãos confrontados através de trechos deles extraídos, para que se possa identificar julgados que contenham tese jurídica meritória diversa da que consta no acórdão embargado e a demonstração de similitude fática entre os acórdãos comparados. Esse fato, por si só, autorizaria a negativa de seguimento do recurso especial, mas penso que o exame da divergência evidenciará mais propriamente a falta de comprovação da divergência. Do relatado, extrai-se os fatos e razões relevantes constantes na decisão recorrida são: - A falta de apresentação de livros e documentos, após regular intimação procedida pela fiscalização, sob alegação de sua destruição por incêndio não regularmente comprovada, ao impossibilitar a perfeita apuração dos resultados do período, autoriza o arbitramento do lucro tributável nos anos de 1994 e 1995. - O laudo pericial e os registros no livro Registro de Ocorrências e Utilização de Documentos Fiscais não têm o poder de elidir a constatação efetuada pelo Fisco Federal, porque não restou comprovada a destruição dos livros e documentos. 21 1 Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 - No próprio laudo do Instituto de Criminalística, de fls. 29/30, consta Informação da violação completa do local do incêndio, o que impossibilitou aos peritos a determinação e localização da causa técnica originária do sinistro, e não existindo comprovação da causa do incêndio, da ocorrência de caso fortuito e da destruição de livros e documentos, inclusive fitas magnéticas geradoras dos livros contábeis e fiscais. - nenhum comunicado foi efetuado junto à Receita Federal até a data da abertura da fiscalização, nem tentado desde a data do incêndio até o início do procedimento fiscal o refazimento dos livros supostamente destruídos, deixando de ser cumpridos todos os procedimentos previstos no art. 210 do RIR/94. - O fisco aguardou durante grande período a apresentação dos livros ou fitas magnéticas, e só depois de consumada a falta da entrega procedeu ao arbitramento do lucro tributável. - Faz-se necessária a prova cabal da destruição dos livros e documentos, por meio de laudos conclusivos, o que não dispensa a comunicação tempestiva ao Fisco e a tentativa de refazimento da escrituração. - tendo em vista o longo período entre a abertura da fiscalização até o lançamento ex officio, a decisão recorrida afasta a pretensão da recorrente em apresentar já na fase impugnativa, livros, planilhas e documentos para recomposição da escrita, haja vista que desde a ocorrência do sinistro até a época da apuração de ofício, no longo período em que ocorreu a fiscalização, não os refez na forma exigida em lei. Com relação aos paradigmas, cabe observar que a recorrente traz o acórdão da Terceira Câmara (103-10.718) relativo a fatos ocorridos em 1986. A situação fática narrada no aresto é inteiramente distinta da examinada nos autos. Na decisão da Terceira Câmara o sinistro foi comunicado a SRF, a notícia foi divulgada em jornal local e o laudo policial é conclusivo sobre a causa do sinistro (curto-circuito). Traz, ainda, o Acórdão n° 105-4.128, relativa aos anos de 1984 a 19n6 em que 614:6 22 dM" • Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 novamente foi relatada a ocorrência de incêndio, mas a recorrente sustenta a entrega de parte da documentação à fiscalização e que possui os citados documentos solicitados pela intimação fiscal. Na decisão, relata-se que o processo foi encaminhado para diligência para verificação desses fatos alegados pela recorrente e que a diligência não foi cumprida pelo agente designado. Consta da narrativa do fiscal diligenciante a sua recusa em verificar o solicitado pelo Conselho em razão das provas serem suficientes claras. Ressalte-se que esses dois paradigmas reportam-se à legislação vigente a década de oitenta e, portanto, não estão submetidos as regras de arbitramento do lucro que fundamentam a exigência fiscal objeto deste processo - Lei n° 8.383/91, art 41, Lei n° 8.8981/95, art. 47, e Lei n° 9.430/96. Ou seja, não só a situação tática é distinta, como também as normas jurídicas discutidas nas decisões são diferentes. A outra decisão tida por divergente é a plasmada no Acórdão 101- 93.614, de fls. 1640. Nessa decisão, novamente a situação fática é distinta, eis que a fiscalização da pessoa jurídica iniciou-se em 28/11/1991 e a destruição pelo incêndio ocorreu, posteriormente, em 14 de janeiro de 1993. Ou seja, a fiscalização trabalhou com os livros e documentos fiscais por mais de um ano sem relato de problemas e, segundo consta dos autos, outras equipes de fiscalização encerram os trabalhos nesse período com base na mesma escrita. Assim, não restou caracterizado o dissídio jurisprudencial, apto a ensejar a admissibilidade dos embargos de divergência, eis que a situações táticas e jurídicas dos julgados não são idênticas. 4 - Omissão de receita sobre depósitos bancários não contabilizados nos anos de 1995 e 1996. Nesse item, o sujeito passivo alega divergência quanto à apuração de omissão de receita com base no somatório de depósitos bancários omitidos à contabilidade. Sustenta que, até a edição da Lei n° 9.430/96, a não comprovação de 23 • Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 depósitos é apenas o início do caminho para que se chegue à determinação de renda e a incidência do imposto. Na falta de presunção legal que inverta o ônus da prova, estaríamos diante de presunção simples a requer prova da Fazenda. Os acórdãos paradigmas corroboram essa posição ao afirmar que é ilegítima a autuação com base em depósito bancário. • Observe-se que o recurso especial foi admitido apenas em relação aos anos de 1995 e 1996, eis que não restou comprovada a divergência para o ano de 1997, já que a fundamentação da decisão paradigma repousa na presunção legal prevista na Lei n° 9.430, de 1996. Acompanho o despacho de admissibilidade da Presidência da Oitava Câmara por estarem presentes os requisitos de admissibilidade do recurso. A acusação pautou-se por documentos e elementos de prova que indicam de forma exaustiva a existência de omissão de receita tributável, em que não foi refutado de maneira convincente pelo sujeito passivo. Após diversas intimações, a recorrente caberia demonstrar a efetividade, composição e origem de cada um dos depósitos bancários questionados pela fiscalização. Os indícios apresentados pelo Fisco são convergentes, todos levando a conclusão de que as contas bancárias mantidas pela empresa à margem da escrituração serviam como depositárias de omissão de receitas. A movimentação de valores utilizados para compras não escrituradas corrobora a omissão de receita. Não se aplica à hipótese dos autos a Súmula 182 do extinto TFR porque o lançamento não está sustentado exclusivamente em extratos ou depósitos bancários e, sim, em bem construída prova indireta, em que os depósitos bancários serviram unicamente para apurar o montante omitido. Dado o exposto, nego provimento ao recurso especial nesse item. 24 49 Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 5- Omissão de receitas com base em diferença apurada entre depósitos bancários e receitas contabilizados A questão guerreada neste tópico versa sobre a possibilidade de se apurar omissão de receita com base apenas na diferença entre ingressos de numerários na conta Bancos e do total de recebimentos contabilizados por períodos mensais. Os arestos paradigmas trazidos pela recorrente refutam tal procedimento, pois entendem que a diferença de depósitos contabilizados e a receita declarada caracterizam mero indício, não suficiente para formalizar o lançamento do tributo. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele , conheço. A acusação baseou-se em detalhado procedimento de auditoria, apoiada em arquivos magnéticos e nos elementos da contabilidade da empresa no ano de 1996, para levantar a existência de transferência de recursos, depósitos em contas- correntes, cuja origem não estava albergada em nenhuma dessas fontes de financiamento. Da constatação de diferenças de valores, a empresa foi intimada a comprovar a origem de tais recursos depositados em bancos que suplantaram os respectivos recebimentos. Observe-se que a fiscalização não individualizou os depósitos que não encontram correspondência com recebimentos registrados na Contabilidade, apenas apurou insuficiências mensais. Diante da ausência de justificação por parte da contribuinte, a fiscalização formalizou a exigência tributária com fundamento em omissão de receita. Para respaldar tal conclusão, a fiscalização apresenta como indicio a existência de lançamentos a crédito na conta Cheques em Cobrança, tendo como contrapartida débitos por valores globais na conta Bancos Conta Movimento, seguida de sistemático estorno de lançamento a cada inicio de mês. Não há, contudo, o cotejo desses estornos com as diferenças mensais apuradas de modo a identificar especificamente quais valores de depósitos não estariam comprovados. 25 (IP . . . Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 Estamos, portanto, diante de uma prova de omissão de receita apoiada em presunção simples a requer prova da Fazenda. Tal meio de prova é tido por precário pelo Código Civil Brasileiro, pois normalmente sacrifica o que raramente ocorre pelo que se verificou repetidamente em situações idênticas no passado. O pressuposto lógico é que, a partir da existência de elementos comuns, espera-se a repetição de um resultado conhecido. Essa regra pode ser infirmada por ocorrências excepcionais, representadas por fatos improváveis que fujam ao padrão estabelecido pela experiência. A presunção baseou-se nos seguintes Indícios: - o Fisco apurou, por meio dos arquivos magnéticos, todos os ingressos de numerários em conta bancária lançados a débito da conta Bancos c/ Movimento no ano de 1996, excluindo os lançamentos que não representam ingresso de numerário nas contas bancárias (transferências entre bancos, transferência de caixa para bancos, numerários em trânsito, empréstimos, etc).. - o total dos recebimentos da pessoa jurídica no período, originados dos pagamentos de clientes, ressarcimento de ICMS, receitas de ICMS substituição tributária, juros, devolução de mercadorias e cancelamentos de adiantamentos a fomecedores. - ausência de comprovação pela empresa das diferenças mensais entre os depósitos e os recebimentos apurados conforme listado no demonstrativo de fls 362; - comprovação da existência de lançamentos a crédito na conta Cheques em Cobrança, tendo como contrapartida débitos por valores globais na conta Bancos Conta Movimento, seguida de sistemático estomo de lançamento a cada início de mês. Verifica-se que todos levantamentos realizados na apuração da Infração em comento basearam-se em registros contábeis extraídos dos Livros Fiscais. A Contabilidade feita em obediência aos princípios e regras vigentes na legislação societária e fiscal deve refletir a correta apresentação do patrimônio, com apuração de 6tt 26 61' Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 suas mutações e análise das causas de suas variações. O Direito Tributário elegeu o conjunto de enunciados que compõem a escrituração contábil e fiscal das empresas como linguagem competente para expressar a ocorrência do fato jurídico tributário — lucro. Esses registros contábeis, desde que respaldados por documentos inidôneos, devem ser observados por todos, inclusive a administração, fazendo prova a favor do sujeito passivo de seu conteúdo. Essa afirmação encontra respaldo na legislação fiscal, que prescreve no art. 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999, com fundamento no Decreto-lei n° 1.598, de 1977, que a presunção relativa de veracidade dos registros contábeis, a saber: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 9°, § 1°)." Assim, os fatos registrados na Contabilidade da empresa são presumidamente verdadeiros até que se prove o contrário. Nessa linha de raciocínio, afigura-se dever do Fisco indicar quais os lançamentos contábeis presentes nos Livros Fiscais que não mereçam fé. Pela teoria das provas, os autuantes devem reunir elementos que permitam refutar os enunciados produzidos pela pessoa jurídica e emprestar certeza ao fato constitutivo de seu direito ao tributo que deixou de ser recolhido. Vale lembrar, por oportuno, que, caso o número de erros apurados na auditoria for acentuado, a escrita fiscal não se prestará para reproduzir com segurança os eventos econômicos realizados pela contribuinte, deverá o Fisco desconsiderá-la na apuração do lucro tributável. Esse não é o caso dos autos. Os autuantes não expressaram dúvida a respeito da consistência da escrituração da recorrente e a utilizaram para apurar 27 c4.10 dee Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 irregularidades, identificando diversos lançamentos na conta "Cheques em Cobrança" seguidos de estornos que indicavam no sentido da tentativa de ocultação da origem de depósitos na conta Bancos. Em verdade, o relato da fiscalização traz diversas evidências de irregularidade, mas não houve prosseguimento no procedimento de auditoria para confirmar a infração. Pela técnica contábil das partidas dobradas, é possível se identificar cada contrapartida de depósito contabilizado. Ou seja, a partir de indício apurado pela fiscalização ao levantar inconsistências nos grandes números da Contabilidade, deveria o trabalho fiscal ter aprofundado os exames para identificar quais os lançamentos são irregulares. Essa não foi a opção adotada, a fiscalização interrompeu os trabalhos de auditoria e fundamentou suas conclusões por meio de presunção simples. Parte de fato conhecido - diferenças mensais, não esclarecidas, entre o ingresso de numerário nos Bancos e o total dos recebimentos contabilizados — para imputar ao sujeito passivo, baseada na máxima da experiência, a acusação de omissão de receita. Para a manutenção da exigência tal como proposta, é necessário que tal conjunto de indícios permita ao julgador alcançar a certeza necessária para seu convencimento, afastando possibilidades contrárias mesmo que improváveis. Alcançar a certeza sobre o litígio não significa necessariamente conhecer a verdade dos fatos. A certeza é obtida quando os elementos de prova confrontados pelo julgador estão em concordância com a alegação trazida aos autos Ressalte-se que, como ensina Moacyr de Amaral Santos, "a certeza não é suscetível de graduação'. Se remanescer uma dúvida razoável da improcedência da exação, o julgador não poderá decidir contra o acusado. 2 No estado de incerteza, o Direito preserva a liberdade em sua acepção mais ampla, protegendo o contribuinte da interferência do Estado (tributação) sobre seu patrimônio. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. 1 SANTOS, Moacyr de Amaral. Prova judiciária no eivai e comercial. São Paulo: Saraiva, 1983, 1/63, n 42. 2 Barbosa Moreira sustenta que "a dúvida é um estado de espírito, que traduz na hesitação entre afuroar ou negar algo. Toda dúvida é nernsariamaite subjetiva".(BARBOSA MOREIRA. José Carlos. Comentários ao Código de Processo Civil. Rio de Janeiro:Fo e, 1981, vol V, p.617). 28 . .. • • Processo n° :10120.001522/99-66 Acórdão : CSRF/01-05.531 Assim, entendo que, apesar dos indícios apurados pela fiscalização serem relevantes, não são suficientes para estabelecer uma relação de implicação que permita alcançar a certeza necessária da ocorrência dos fatos que lastreiam a acusação. Diante das inúmeras possibilidades, não afastadas pelo trabalho fiscal, remanescem dúvidas sobre o ilícito. São estas razões de decidir que me levam a dar provimento ao recurso especial quanto à exigência de omissão de receita sobre depósitos contabilizados. Dado todo o exposto, voto em dar provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional; não conhecer do recurso do sujeito passivo na matéria relativa ao arbitramento; e dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo para afastar apenas a parcela da exigência fiscal relativa à omissão de receitas com base em diferença apurada entre depósitos bancários e receitas contabilizados. Sala das Sessões, 2 de setembro de 2006 400., e if gy M s • ••••• VINICIUS NEDER DE LIMA 29 Ppcesso n.° : 10120.001522/99-66 Acórdão n.° : CSRF/01-05.531 Recurso n° : 105-133.945 Recorrente : FAZENDA NACIONAL VOTO-VENCEDOR Conselheiro JOSÉ CLÓ VIS ALVES, Redator designado. O presente voto vencedor restringe-se à matéria em que o relator originário ficou vencido em relação ao Recurso Especial apresentado pelo PFN, qual seja a dedutibilidade, na apuração das bases de cálculo do IRPJ dos valores das compras identificadas nos autos pela fiscalização e não escrituradas pelo sujeito passivo, visto que em relação a tributação em separado da omissão de receitas o acórdão foi favorável à Fazenda Nacional, tão somente a Câmara recorrida admitiu os custos. A maioria da turma entendeu correta a decisão que admitiu os custos das mercadorias compradas através da conta bancária não escriturada eis que foram levantados pela própria fiscalização, diferentemente do que ocorreu no acórdão 105- 1.424, em que o recorrente pretendeu a dedução de custos em que a vinculação da omissão de receitas com os custos pretendidos não foram feitos pela fiscalização. No termo de verificação de folha 763/764, a fiscalização deixa claro que a empresa utilizou da conta bancária não escriturada para pagamento de compras, tendo inclusive declinado os valores. Ora a partir do momento em que uma conta bancária não escriturada pode servir para acusação de omissão de receitas, se a própria fiscalização levanta compras contemporâneas pagas através dela, para não admiti-las como custo deveria sim ela demonstrar que os valores de tais compras tenham sido utilizados na apuração do lucro real, sob pena de não se tributar a renda (mais valia — acréscimo), mas a própria receita. A presente decisão não modifica a tese desta Turma de que os custos devam ser comprovados, para serem admitidos, assim não basta no caso de omissão de receitas dentro das presunções legais simplesmente se alegar a existênci de 30 Piçocesso n.° : 10120.001522/99-66 Acórdão n.° : CSRF/01-05.531 custos, é preciso provar, ou seja se o contribuinte alega tem de provar, porém no presente caso foi a própria fiscalização na formação da convicção de que a referida conta bancária servira para a movimentação financeira da empresa é que levantou os custos das compras. Indevida a dúvida levantada no voto vencido de que tais compras poderiam ter sido computadas pois ainda que utilizado inventário periódico, não há mínima possibilidade de se considerar compras não escrituradas, eis que se destina tal levantamento a acerto do estoque escriturado com o físico, não alberga porém a possibilidade de reconhecimento tardio de custos não computados no momento da entrada do produto na empresa. O fato de um custo não ter sido escriturado nem sempre é motivo para não considera-lo no lançamento de oficio, essa é uma regra geral que admite exceções, como no caso de veículos ou máquinas numeradas, em que seja possível a identificação do bem objeto da omissão, se seu custo correspondente não foi utilizado na escrita, deve ser considerado sob pena de não se estar tributando a renda, mas a receita. Da mesma forma se em um levantamento de conta bancária não escriturada a fiscalização se utiliza de presunção legal para considerar os valores depositados como omissão de receitas e ao mesmo tempo levanta compras pagas através da mesma conta bancária, só pode deixar de considera-las na apuração da base de cálculo se provar que tais compras desde que identificáveis, efetivamente foram utilizados na escrita regular como custo, sob pena de violação aos artigos 43 e 142 do CTN. A tese trazida pelo recorrente é a de que os custos seriam considerados como utilizados. Tal seria verdadeiro se o aproveitamento de custos fosse feito pela empresa, sem comprovação ou vinculação com a receita omitida, o que não é o caso dos presentes autos como já ficou demonstrado. Não há nenhuma contradição no voto proferido pela Câmara recorrida como quer o recorrente, pois quando se tem uma conta bancária que abriga pagamentos e recebimentos de operações à margem da contabilidade, têm-se um conta corrente, onde são abrigados tanto as receitas não escrituradas como as 31 ff Pjócesso n.° : 10120.001522/99-664 • Acórdão n.° : CSRF/01-05.531 compras não registradas, impossível estabelecer uma ordem como quer o recorrente, pois teríamos que retroagir ao inicio das atividades da referida conta não escriturada para detectar de onde veio o depósito inicial, que pode ter tido origem tanto em receitas omitidas pela empresa como de outras fontes como de recursos particulares dos próprios sócios. Assim conheço voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência do IR-Fonte à alíquota de 35% sobre as receitas omitidas nos termos do voto do relator, mantendo a decisão recorrida quanto à dedução, na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, nos meses dos anos de 1.995, 1996 e 1997, os valores de compras não escrituradas constantes da planilha de folhas 654/677. Não conheço do recurso especial do contribuinte quanto ao item arbitramento do lucro e dou-lhe provimento PARCIAL, para afastar a exigência fundamentada em depósitos bancários contabilizados. Sala das Sessões Brasília, DF 19 de setembro de 2.006. Sala das Sessões - DF, em 19 de setembro de 2.006. C/A9Joi VIS ALVE Redator designado. 32 Page 1 _0037500.PDF Page 1 _0037600.PDF Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1 _0037900.PDF Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1 _0038200.PDF Page 1 _0038300.PDF Page 1 _0038400.PDF Page 1 _0038500.PDF Page 1 _0038600.PDF Page 1 _0038700.PDF Page 1 _0038800.PDF Page 1 _0038900.PDF Page 1 _0039000.PDF Page 1 _0039100.PDF Page 1 _0039200.PDF Page 1 _0039300.PDF Page 1 _0039400.PDF Page 1 _0039500.PDF Page 1 _0039600.PDF Page 1 _0039700.PDF Page 1 _0039800.PDF Page 1 _0039900.PDF Page 1 _0040000.PDF Page 1 _0040100.PDF Page 1 _0040200.PDF Page 1 _0040300.PDF Page 1 _0040400.PDF Page 1 _0040500.PDF Page 1

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Numero do processo: 11131.001246/00-94
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2002
Ementa: AÇÃO JUDICIAL - MANDADO DE SEGURANÇA. A sua proposição afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial. MULTAS E JUROS DE MORA. Passados mais de cinco anos entre a ocorrência dos fatos geradores e a ciência do lançamento das multas e dos juros de mora, é cabível a declaração, de ofício, do direito de lançar. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-30.198
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, conhecer apenas da questão relativa à multa e aos juros de mora, dado que a questão dos tributos estava submetida ao poder Judiciário, vencido o Conselheiro Paulo de Assis, relator, que tomava conhecimento com relação aos impostos; quanto à multa e aos juros, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Irineu Bianchi, Maria Eunice Boda Gondim Teixeira, suplente, Anelise Daudt Prieto, Zenaldo Loibman e João Holanda Costa votaram pela conclusão. Designada para redigir o voto a Conselheira Anelise Daudt Prieto.
Nome do relator: PAULO ASSIS

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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 11131.001246/00-94 SESSÃO DE : 20 de março de 2002 ACÓRDÃO N° : 303-30.198 RECURSO N° : 123.831 RECORRENTE : JAMIL FERREIRA DA SILVA RECORRIDA : DRJ/FORTALEZA/CE AÇÃO JUDICIAL - MANDADO DE SEGURANÇA. A sua proposição afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial. MULTAS E JUROS DE MORA. Passados mais de cinco anos entre a ocorrência dos fatos geradores e a ciência do lançamento das • multas e dos juros de mora, é cabível a declaração, de oficio, do direito de lançar. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, conhecer apenas da questão relativa à multa e aos juros de mora, dado que a questão dos tributos estava submetida ao poder Judiciário, vencido o Conselheiro Paulo de Assis, relator, que tomava conhecimento com relação aos impostos; quanto à multa e aos juros, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Irineu Bianchi, Maria Eunice Boda Gondim Teixeira, suplente, Anelise Daudt Prieto, Zenaldo Loibman e João Holanda Costa votaram pela conclusão. Designada para redigir o voto a Conselheira Anelise Daudt Prieto. • Brasília-DF, em 20 de março de 2002 , JOÃO N • LANDA COSTA Presi • te JXNELISE DAUDT PRIETO Relatora Designada Participou, ainda, do presente julgamento, o seguinte Conselheiro: NILTON LUIZ BARTOLI. Ausentes os Conselheiros MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES e CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS. mie • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.831 ACÓRDÃO N° : 303-30.198 RECORRENTE : JAMIL FERREIRA DA SILVA RECORRIDA : DREFORTALEZECE RELATOR(A) : PAULO DE ASSIS RELATOR DESIG. : ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO O recorrente insurge-se contra decisão de fls. 59 a 68, no que tange ao pagamento de juros e multa de oficio que lhe foram exigidos em decorréncia da importação que efetuou de um veículo da marca Ford, modelo Mustang GT, conversível, ano 1995. Na ocasião da importação, o Contribuinte, por não concordar com a alíquota de 70% imposta pelos Decretos 1.391/95 e 1.427/95 para o bem em questão, impetrou mandado de segurança que lhe garantisse o desembaraço do veículo mediante o recolhimento do Imposto de Importação com a alíquota de 20%. Deferida a liminar em 15/5/1995 (fls. 26 a 28) procedeu ao recolhimento na forma desejada e obteve o desembaraço. Mais tarde, em 23/5/96 (fls. 67), o Tribunal Regional Federal da 5.1 Região, proveu o recurso de oficio da Junta da 7' Vara Federal do Estado do Ceará e a apelação da Fazenda Nacional, declarando correta a aplicação da alíquota de 70%. Em ato de revisão da DI que desembaraçara o veículo, a Alfândega do Porto de Fortaleza lavrou o Auto de Infração da fl. 01, para exigir a diferença do imposto de importação, acrescida dos juros de mora e da multa de Lançamento de oficio. • Irresignado com a cobrança de juros de mora e da multa de oficio, o Contribuinte, em 14/08/2000, requereu o cancelamento da Notificação de Lançamento (fls. 41 a 44), alegando que a mesma fora emitida e julgada à sua revelia, jamais tendo chegado às suas mãos por ter sido encaminhada para endereço errado, o que ficou comprovado nos autos. A DRJ/Fortaleza/CE, por Decisão de 30/03/2001, declarou definitiva, administrativamente, a parte do crédito tributário relativa ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados, constantes do Auto de Infração, sob o fundamento de que este se refere a "matéria que foi objeto de processo judicial", mantida a multa de oficio de 75% e os juros de mora com base na fundamentação apresentada às fls. 64 a 68 (leia-se). 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.831 ACÓRDÃO N° : 303-30.198 Inconformado o Recorrente vem a este Conselho, em grau de recurso, com as razões de fls. 76 a 79, em que se rebela tão-somente contra a multa de oficio imposta e os juros de mora exigidos. Sustenta que, como já decidido pela Terceira Câmara deste Colegiado (Acórdão n° 301-28.374, de 21.05.1997), "A cassação de liminar tem apenas, como consequência, a exigência do tributo devido, corrigido monetariamente". É o relatório. • • 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.831 ACÓRDÃO N° : 303-30.198 VOTO VENCEDOR O contribuinte importou automóvel com base em Declaração de Importação registrada em 19/05/95. Recolheu impostos a uma aliquota de 20% para o II, ao amparo de liminar concedida em mandado de segurança. Em 23/05/96 foram providas apelação e remessa oficial, considerando possíveis as alterações das alíquotas do II, estabelecidas pelos Decretos 1391/95 e 1427/95, para 32% e 70%, respectivamente. • Assim, em maio de 2000 foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 e seguintes, para exigir as diferenças de II e IPI, as multas de oficio e juros de mora. A decisão monocrática admite que na data da entrega das notificações o endereço para o qual foram enviadas já não correspondia ao domicílio tributário do sujeito passivo (fl. 63). Afirma também que o sujeito passivo só chegou a tomar ciência do lançamento por ocasião da cobrança do crédito, aduzindo não poder identificar com precisão a data em que foi efetivamente cientificado. Ora, a própria autoridade julgadora admite que a impugnação, apresentada em 21/08/00, é tempestiva. Não há prova no processo de regular ciência da autuação. Portanto, deve ser considerado que o contribuinte tomou ciência do lançamento entre 27/07/00 (ver doc. de fl. 38) e 21/08/00 (data da protocolização da impugnação). Introduzidos tais fatos e conclusões, cabe esclarecer o porque da divergência da maioria dos membros desta Câmara com o voto do Ilustre Relator. • A impugnação versou tão-somente sobre a exigência de multa e juros de mora, não abrangendo a questão do lançamento dos tributos. No recurso voluntário tal delimitação fica ainda mais clara, haja vista as próprias palavras do contribuinte: "2- A provida sentença ensejadora do direito do fisco em exigir o tributo não é o que se discute. Descabida, entretanto, é a aplicação da multa de oficio, bem como juros de mora...". Além disso, é pacifica a jurisprudência deste Conselho no sentido de que não se toma conhecimento de matéria objeto de discussão no Poder Judiciário. O arti 038 da Lei 6.830, de 22 de setembro de 1980 dispõe, em seu artigo 38, que: 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.831 ACÓRDÃO N° : 303-30.198 "Art. 38-. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma da Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição de indébito ou ação anulatória de ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." O Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 3/96 também dispõe que em caso de propositura de ação judicial não se conhece de petição do contribuinte. • Tais dispositivos, aplicados ao caso em tela, levam à conclusão de que ocorreu a renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa, no que conceme à diferença dos impostos. Não teria sentido decidir administrativamente algo que já esteve sob a tutela do Poder Judiciário, que tem a competência para emitir a decisão final sobre lides a ele submetidas. Portanto, não deve ser conhecida matéria pertinente aos impostos. Por outro lado, entendo que, por não serem objeto de discussão naquela esfera, devem se apreciadas as matérias referentes às multas e aos juros moratórios exigidos. Em relação a essas, concordo com o Ilustre Conselheiro Relator, quando afirma que deve ser declarada, de oficio, a decadência do direito de constituir o crédito tributário. • In casu, os lançamentos do II e do IPI são efetuados por homologação, sendo a eles aplicado o disposto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN. Portanto, foram tacitamente homologados cinco anos depois das datas das ocorrências dos fatos geradores. No caso, o fato gerador do II deu-se com o registro da DI, em 19/05/95 e o do IPI com o desembaraço, em 30/05/95. Portanto, os lançamentos de oficio constantes das notificações, que aperfeiçoaram-se com suas cientificações ao contribuinte, a partir de 27/07/00, como já visto anteriormente, ocorreram mais de cinco anos contados das datas das ocorrências dos fatos geradores dos tributos e, conseqüentemente, de seus acessórios, incluídas as multas e os juros de mora. Daí a conclusão de que, então, já havia erdecaído o direito de lançar as multas e os juros de mora. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.831 ACÓRDÃO N° : 303-30198 Em decorrência, e à vista de todo o mais exposto, voto por conhecer apenas da matéria pertinente às multas e aos juros de mora, dando-lhe provimento. Sala das Sessões, em 20 de março de 2002 05,4a—dp#,Ld ANELISE DAUDT PRIETO - Relatora Designada • • 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.831 ACÓRDÃO N° : 303-30.198 VOTO VENCIDO O recurso apresenta os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No meu entender não procede a exigência fiscal, porquanto o Recorrente só tomou conhecimento do Auto de Infração em agosto de 2000, como reconhece a própria Decisão recorrida (fls. 63), relativamente a uma importação efetuada em 19/05/1995, cujo ato de revisão se deu em 05/05/2000. Isto é, o Recorrente foi lançado de oficio em 21/08/2000, da diferença de impostos decorrentes • da importação promovida pela DI 3105/95, registrada em 19/05/95, ou seja, foi lançado de oficio em relação a fato gerador ocorrido há mais de 5 (cinco) anos. Em outras palavras, a Fazenda Nacional deveria ter notificado o sujeito passivo sobre a diferença de imposto a recolher pela importação apontada, até 19 de maio de 2000. Não o fazendo nesse lapso de tempo, a Fazenda decaiu do direito de exigir qualquer diferença de tributos, multas e juros de mora relacionados ao fato gerador (II e IPI), pelo desembaraço da mercadoria processada através da DI n° 3105/95, registrada em 19/05/95; ex-vi do disposto no § 4° do art. 150 do CTN. É bem verdade que o Contribuinte poderia ter procurado o Fisco para efetuar o recolhimento da diferença do tributo devido, tão logo tomou conhecimento da reforma da decisão de Primeira Instância, em 23/05/1996. Muito mais ainda, deveria o Fisco proceder logo ao lançamento do crédito tributário devido, o que só veio a ocorrer muito adiante em ato de revisão, de 05/05/2000, cujo aperfeiçoamento se deu em 21/08/2000, com a Notificação ao Contribuinte. • 0 prazo de decadência não se interrompe, diz o professor Aliomar Baleeiro na obra Direito Tributário Brasileiro, P Edição. A circunstância de o Contribuinte não ter invocado a decadência, não impede o julgador de conhecê-la, aplicando a decisão do STF-Pleno, verbis: "Ainda que se trate de direito patrimonial, a decadência pode ser decretada de oficio" (vide Código do Processo Civil comentado, de Teotôneo Negrão, ao artigo 219 do Código de Processo Civil). Assim, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, entendo que o crédito da Fazenda por eventuais diferenças em relação à importação a que se refere a DI n°3105/95, estava extinto desde 20/05/2000. Embora o Auto de Infração seja de 08/05/2000, o contribuinte só dele foi notificado em 21/08/2000, quando a Fazenda não tinha mais direito a constituir o crédito. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO 1\1" : 123.831 ACÓRDÃO N° : 303-30.198 VOTO, pois, no sentido de declarar extinto o direito da Fazenda de exigir qualquer parcela relativa à importação de que cuidam os autos. Sala das Sessões, em 20 de março de 2002 PAULO DE ASSIS - Conselheiro • 8 • o 5) ec,:, c`ob' /ocaz c ai_ MINISTÉRIO DA FAZENDA MF "Oral TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C;Lk11,-, TERCEIRA CÂMARA Processo n°: 11131.0001246/00-94 Recurso n° 123831 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar • ciência do Acórdão n° 303.30.198. Brasília- DF 15 de abril 2003 J, I " o anda Costa Pres', ente da Terceira Câmara 11, Ciente em: Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1

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