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Numero do processo: 10166.723238/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO A ESPOSA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO.
São dedutíveis as importâncias pagas pelo declarante a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo homologado judicial. Tratando-se de sociedade conjugal, a dedução da base de cálculo do imposto de renda se aplica somente na hipótese de alimentos decorrentes da comprovação da dissolução da sociedade, em que surgem duas células autônomas, a que fornece os rendimentos e a outra que recebe.
DESPESAS MÉDICAS NUTRICIONISTAS
O pagamento efetuado a nutricionistas não se encontra nas deduções a título de despesas médicas permitidas pelo art. 8°, II, da Lei nº 9.250/95, razão porque deve ser mantida a glosa.
Numero da decisão: 2401-006.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO A ESPOSA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. São dedutíveis as importâncias pagas pelo declarante a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo homologado judicial. Tratando-se de sociedade conjugal, a dedução da base de cálculo do imposto de renda se aplica somente na hipótese de alimentos decorrentes da comprovação da dissolução da sociedade, em que surgem duas células autônomas, a que fornece os rendimentos e a outra que recebe. DESPESAS MÉDICAS NUTRICIONISTAS O pagamento efetuado a nutricionistas não se encontra nas deduções a título de despesas médicas permitidas pelo art. 8°, II, da Lei nº 9.250/95, razão porque deve ser mantida a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 32 38 /2 01 2- 10 Fl. 85DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.664 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.723238/2012-10 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O presente processo trata da Notificação de Lançamento que alterou o resultado da declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física apresentada pelo Contribuinte, de imposto a restituir para imposto suplementar, além de multa de ofício e de juros de mora. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal foram constatadas as seguintes infrações: 1. Dedução indevida a título de Pensão Alimentícia Judicial uma vez que não houve dissolução da sociedade conjugal, pois o Contribuinte vive maritalmente sob o mesmo teto com o cônjuge e respectivos filhos; 2. Dedução indevida a título de Despesas Médicas por falta de comprovação ou por falta de previsão para sua dedução. O Contribuinte foi cientificado da Notificação de Lançamento, via Correio, e apresentou sua Impugnação em que se insurge contra todo o lançamento fiscal. O Processo foi encaminhado à DRJ para julgamento, onde a Turma julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão e, inconformado com a decisão prolatada, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese: 1. Alega que a decisão da DRJ teve por base normas posteriores aos fatos, as quais não podem retroagir ao ano-calendário em discussão; 2. Alega que existe robusto conjunto normativo que determina a dedução da pensão alimentícia da renda do Contribuinte quando decorre de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, não estando esta dedução, em nenhum momento, condicionada à efetiva dissolução da sociedade conjugal; Fl. 86DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.664 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.723238/2012-10 3. Argumenta que o tributo sobre a parcela paga a título de pensão alimentícia é devido, mas não por quem paga a pensão e sim por quem aufere esse rendimento; 4. Entende que despesa feita com nutricionista estaria relacionado ao tratamento de sua saúde, uma vez que compreende ser um tratamento acessório e necessário aos demais, sendo, portanto, gasto dedutível do cálculo do Imposto de Renda; 5. Informa que, ao contrário do alegado no Acórdão combatido, entregou todos os documentos solicitados comprobatórios das despesas médicas; 6. Argumenta que as despesas glosadas foram arcadas e deduzidas pelo Contribuinte amparado pelo direito à saúde da família, garantido pela Constituição Federal em seu art. 5º, que ensejou a norma que prevê a dedução dessas despesas médicas no Imposto de Renda, conforme art. 80 do decreto 3.000/99; 7. Diz que o art. 80 do Decreto 3.000/99 não impõe nenhuma condição ou diz quem pode ser incluído no rol dos beneficiários e que as despesas devidamente comprovadas foram pagas com recursos oriundos do Contribuinte em benefício exclusivo de sua família; 8. Com relação aos juros e multas, vinculadas às glosas efetuadas, entende que com o afastamento das glosas estas cairão; 9. Aduz que, no caso improvável de manutenção das glosas, os juros e multa devem ser afastados em razão do Contribuinte sempre ter agido de forma a contribuir com a Fiscalização o que afasta qualquer má-fé de sua parte; 10. Argumenta que, mesmo sendo considerada a responsabilidade objetiva do Contribuinte, em qualquer das glosas a Fiscalização foi quem deu causa ao fato gerador, uma vez que não estavam claro em seus formulários os requisitos e limitações às deduções. Finaliza requerendo que seu Recurso Voluntário seja acolhido para o fim de cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto, Relator. Fl. 87DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.664 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.723238/2012-10 Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito De acordo com a Notificação de Lançamento ocorreu dedução indevida de pensão alimentícia, por falta de comprovação da dissolução da sociedade conjugal, além de dedução indevida de despesas médicas, por falta de e previsão legal para sua dedução. Pensão Alimentícia Conforme se verifica na norma do art. 8º, inciso II, alínea "f", da Lei nº 9.250, de 1995, são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda, as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, conforme normas do Direito de Família, em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou quando decorrente de escritura pública: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Segundo a acusação fiscal, a dedução de pensão alimentícia somente se aplica quando o provimento de alimentos for decorrente da dissolução da sociedade conjugal, o que não restou comprovado no presente caso. O enquadramento legal da infração foi com base nas normas vigentes à época do fato gerador. O contribuinte apresentou acordo homologado no qual ficou ajustado que iria pagar para a sua esposa e filhos o valor correspondente a 30% dos seus rendimentos brutos, sem, no entanto, ter ocorrido o rompimento da sociedade conjugal, conforme se constata dos autos. Em uma interpretação sistemática do dispositivo legal estabelecido no art. 8º, inciso II, alínea "f", da Lei nº 9.250/95, no que tange às deduções permitidas em lei, os valores pagos a título de pensão alimentícia pressupõem a dependência econômica e o dever de sustento daquele que necessita. Fl. 88DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.664 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.723238/2012-10 No caso de pagamento de pensão alimentícia a ex-cônjuge e a filhos dependentes, pressupõe a divisão da unidade familiar em duas células autônomas, por força da dissolução da sociedade conjugal, o que não aconteceu no caso em apreço, que inclusive é corroborado pelo próprio contribuinte e acordo firmado adunado aos autos. Com a coabitação do casal na mesma unidade familiar, os rendimentos auferidos por ambos podem ser destinados ao pagamento de todas as despesas comuns, bem como as individuais, o que dificulta sobremaneira a segregação de despesas. Percebe-se que a importância paga a título de pensão alimentícia não se deu sob as normas de Direito de Família, mas sim de acordo alimentar homologado, regido pelo Direito Obrigacional em geral. Dessa forma, deve ser mantido o lançamento. Despesas Médicas A dedução das despesas médicas encontra-se insculpida suporte no art. 8°, II, da Lei nº 9.250/95. Vejamos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. No mesmo sentido, o artigo 80 do Decreto n° 3.000/1999, vigente à época dos fatos, assim dispunha: Fl. 89DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.664 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.723238/2012-10 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Com efeito, da análise da legislação em apreço, percebe-se que, as despesas que podem ser dedutíveis do IR, a título de despesas médicas são aquelas feitas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e hospitais, além dos gastos com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, não estando contemplada pela legislação a despesa com nutricionista. Fl. 90DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.664 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.723238/2012-10 Assim, tendo em vista que o pagamento efetuado a nutricionistas não está albergado nas deduções a título de despesas médicas permitidas pelo art. 8°, II, da Lei nº 9.250/95, entendo que a decisão de piso não merece reparos. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.900774/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Numero da decisão: 3301-006.263
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Relator e Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 07 74 /2 01 3- 21 Fl. 75DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.263 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900774/2013-21 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, requerido por meio de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação Eletrônica (PER/Dcomp). Após análise eletrônica da solicitação, a DRF de origem proferiu despacho decisório, para não homologar a compensação, alegando que o pagamento indicado na Declaração teria sido utilizado para quitar outros débitos. Regularmente cientificado, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade, onde argumenta que teria deixado de utilizar a totalidade dos créditos permitidos no período, em virtude da apuração da Cofins pela não cumulatividade. Esclarece que teria retificado o Dacon e transmitido um conjunto de PER/DCOMPs com vistas a possibilitar o aproveitamento integral do crédito relativo à Cofins no período. Juntou cópia do Dacon e PER/DCOMP(s) pertinentes. Por seu turno, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. Alegou que, retificada a DCTF após o despacho decisório que não homologou a compensação, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. Acrescentou que os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, onde repisa as alegações apresentadas na impugnação É o Relatório. Fl. 76DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.263 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900774/2013-21 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.254, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10530.900759/2013-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.254): O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou a existência do direito líquido e certo dos créditos pleiteados, entretanto, a decisão de piso entendeu por não confirmar os créditos por ausência de documentos e informações fiscais que comprovassem o seu direito creditório. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A decisão de piso foi cristalina ao afirmar que o indeferimento da homologação ocorreu por falta de documentação comprobatória do crédito alegado. Foi interposto recurso voluntário sem apresentar documentos que pudessem comprovar o crédito pleiteado, sob o argumento que caberia a autoridade fiscal buscar os documentos necessários. Entendo não assistir razão à Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 77DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.263 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900774/2013-21 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000900/2006-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Recurso especial que aponta divergência em face do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do CTN, os quais subsidiaram a decisão recorrida, enquanto o acórdão paradigma se sustenta no art. 170-A do CTN, não caracteriza a necessária divergência jurisprudencial exigida para fins de conhecimento e apreciação do recurso especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos regimentais.
Numero da decisão: 9101-004.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
(documento assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Recurso especial que aponta divergência em face do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do CTN, os quais subsidiaram a decisão recorrida, enquanto o acórdão paradigma se sustenta no art. 170-A do CTN, não caracteriza a necessária divergência jurisprudencial exigida para fins de conhecimento e apreciação do recurso especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos regimentais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Recurso especial que aponta divergência em face do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do CTN, os quais subsidiaram a decisão recorrida, enquanto o acórdão paradigma se sustenta no art. 170-A do CTN, não caracteriza a necessária divergência jurisprudencial exigida para fins de conhecimento e apreciação do recurso especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos regimentais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata-se de apreciar recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do acórdão nº 1402-000.361, de 16.12.2010, em cuja ementa consta: Assunto: Declaração de Compensação de Tributos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 09 00 /2 00 6- 10 Fl. 325DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.258 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.000900/2006-10 Ano-calendário: 1999 Ementa: AUTUAÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO EM RELAÇÃO A MATÉRIAS NÃO FISCALIZADAS. POSSIBILIDADE. Limitando-se o objeto da autuação à omissão de receita decorrente da não escrituração do valor dos Rendimentos de Aplicações Financeiras, dos Juros Ativos e dos Descontos Obtidos, nada impede que o sujeito passivo, após ter sido autuado, apresente declaração espontânea em relação a matérias não fiscalizadas, incluindo, no caso do lucro presumido, a retificação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando o artigo 832 do Regulamento do Imposto de Renda refere-se às possibilidades de retificação da declaração “antes de iniciado o processo de lançamento de oficio”, está a se reportar à matéria e lançamentos efetivamente realizados, não contemplando situações não fiscalizadas e nem aquelas em relação às quais, encerrado o procedimento fiscal, não houve autuação. Não tendo a autuação versado sobre a base de cálculo, pode a recorrente, após a autuação, apresentar declaração retificadora mudando a base de cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. [...] Acordam os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a possibilidade do sujeito passivo apresentar declaração retificadora, sobre matéria declarada que não foi objeto de lançamento de ofício, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para que seja refeita a apuração do IRPJ e da CSLL, aplicando-se os percentuais de presunção de lucro decididos nos processos 11030.001839/2004-66 e 11030.001840/2004-91, após o trânsito em julgado dos mesmos. No início do litígio, ao apreciar a manifestação de inconformidade, a Turma de Julgamento da DRJ decidiu negar provimento nos termos da ementa abaixo (e-fls.102): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: Declaração Retificadora. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Declaração de Compensação. A compensação de tributo ou contribuição lançada de ofício importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Compensação não homologada. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, ao qual foi dado provimento, nos termos da ementa acima transcrita. Cientificada, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs, tempestivamente, recurso especial à 1ª Turma da CSRF, se insurgindo contra a homologação de compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, alegando divergência jurisprudencial em face do seguinte paradigma: Acórdão nº 204-02.162, de 26.01.2007: PIS. COMPENSAÇÃO EM DCTF. Se o contribuinte se compensou de valores de PIS com base em ação judicial sem trânsito em julgado na data em que declarados em DCTF como compensação sem DARF, correto o lançamento desses valores, eis que a compensação pressupunha o trânsito em julgado, a liquidez dos créditos a serem compensados, assim como a desistência da execução do julgado judicial. Em suas razões recursais, suscita que: Fl. 326DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.258 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.000900/2006-10 Trata-se de declaração de compensação em que o contribuinte aponta crédito decorrente de alegado pagamento indevido de IRPJ, objeto de lançamento em outro processo administrativo no qual se discute sua legitimidade. [...] O v. acórdão ora recorrido aceitou o crédito apontado pelo contribuinte, objeto de discussão em outro processo administrativo, pendente de decisão definitiva à época da compensação. [...] No caso do paradigma, não se homologou compensação em que se utilizou crédito objeto de decisão judicial, sem o trânsito em julgado à época do encontro de contas. Igualmente ao presente caso, o contribuinte se valeu de direito creditório desprovido de certeza e liquidez ao tempo da compensação. E justamente neste ponto que reside a semelhança entre os casos dos julgados. Embora analisem situações análogas, os acórdãos em cotejo decidiram de forma distinta. De um lado, o acórdão recorrido admitiu a possibilidade de reconhecer direito creditório após o trânsito em julgado no processo administrativo que ainda estava pendente de decisão definitiva à época da declaração de compensação. De outro lado, o acórdão paradigma entende que o posterior trânsito em julgado da decisão, confirmando definitivamente o crédito apontado pelo contribuinte, não convalida a compensação anteriormente feita, por falta de liquidez e certeza do direito crédito à época de sua efetivação. Uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial apontada, passa-se a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma, reformando-se, assim, o acórdão ora recorrido. [...] Como se pode concluir da leitura dos dispositivos transcritos, o CTN previu a compensação como forma de extinção do crédito tributário. Todavia, em atendimento ao princípio da legalidade acima mencionado, determinou que a extinção do crédito tributário por essa modalidade depende de lei autorizadora, que estabeleceria as condições e as garantias em que poderia ocorrer a compensação ou atribuiria à autoridade administrativa o estabelecimento dessas condições e garantias. [...] A fim de normatizar a forma pela qual se daria a compensação no âmbito tributário foram editados diplomas legais e normativos dentre os quais se destaca a Lei nº 9.430/96 [...] Nos termos da legislação retro transcrita, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação. Ocorre, todavia, que conforme a seguir demonstrado, o contribuinte não apresentou créditos revestidos da certeza e liquidez à época da compensação, razão pela qual a decisão de Ia instância deve ser mantida. Ao tempo das declarações apresentadas pelo interessado, o crédito apontado não havia sido reconhecido pela autoridade competente no respectivo processo administrativo. Os diplomas normativos regentes da matéria, quais sejam art. 74 da Lei nº 9.430/96 e 170 do CTN deixam clara a necessidade da existência de créditos líquidos e certos no momento da declaração de compensação, hipótese em que o crédito tributário encontrar- se-ia extinto sob condição resolutória, o que não ocorreu no caso dos autos. Da leitura dos dispositivos acima temos que os créditos a serem compensados devem ser líquidos e certos e devem ser minuciosamente informados na declaração de compensação quando de sua apresentação, sob pena de invalidação do procedimento. Posterior decisão definitiva a favor do contribuinte, reconhecendo o direito creditório, não convalida compensação anteriormente realizada, pois o crédito deveria ser revestir dos atributos legais à época da efetivação do encontro de contas. Fl. 327DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.258 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.000900/2006-10 Com efeito, os requisitos de liquidez e certeza devem ser demonstrados quando apresentadas as declarações, sob pena de se conferir uma condição suspensiva que d legislação não atribui ao instituto da compensação tributária. Desse modo, fica claro que a compensação não deve ser homologada, assim como decidiu a autoridade fiscal na origem. Requer, ao final, o conhecimento e o provimento do recurso. O Presidente da Câmara da Primeira Seção do CARF competente para análise da admissibilidade recursal deu seguimento ao recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, admitindo a comprovação da divergência jurisprudencial. A parte recorrida foi cientificada do recurso especial interposto e do despacho que o admitiu. Apresentou contrarrazões em que alega, em síntese, que: - o recurso fazendário é inepto, não podendo ser admitido porque a matéria dos autos é dissonante daquela que estaria amparada nos acórdãos paradigmáticos; - o despacho decisório fincou suas razões, exclusivamente, na alegada impossibilidade da empresa apresentar retificadora da DIPJ para alterar o percentual de presunção do lucro presumido, nada tratando quanto à necessidade de "trânsito em julgado" como requisito à admissão das compensações postuladas; - portanto, o decidido pelos acórdãos paradigmas não se aplicam ao caso concreto: primeiro porque lá se discute compensação tributária antes do trânsito em julgado judicial (ex vi, art. 170-A, CTN), não havendo se falar que tal exigência incide em discussões de natureza administrativa; segundo porque a legislação que regia a matéria relacionada à apuração dos créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior de IRPJ e CSLL (vale dizer, os percentuais corretos de presunção do lucro tributável) tampouco dependem de certificação pela autoridade fiscal, podendo o contribuinte (como fez) apurar o crédito em conformidade com os elementos fáticos e jurídicos que incidem na espécie, cabendo ao Fisco, discordando, glosá-los; terceiro porque as glosas são posteriores à formalização dos pedidos de compensação, evidentemente, de modo que ao tempo do encontro de contas não havia lide alguma sobre os elementos formadores dos créditos opostos nos procedimentos; quarto porque a matéria jurídica aventada pela Fazenda Nacional em seu recurso especial sequer foi cogitada pelo Delegado da DRF no Despacho Decisório, somenos pela Turma deste CARF que decidiu a questão no acordão recorrido. No mérito, pede a improcedência do recurso, sustentando que a decisão recorrida converge com a de processos conexos: Sem embargo, venia maxima, do indiscutível acerto da decisão colegiada em liça, que se alinha, é bom se diga, à decisões proferidas por outras 02 (duas) Turmas distintas deste CARF em 04 (quatro) processos fiscais conexos a este PAF 1 — isto é, em feitos cuja matéria de mérito é exatamente a mesma questionada pelo apelo fazendário -, a representação da PGFN manifestou suas "inconformidades", resumidamente, sob a alegada impossibilidade de as compensações em lide serem homologadas pela autoridade fiscal enquanto supostamente pendia discussão administrativa acerca do uso correto dos percentuais de presunção do lucro (se 32%, ou 8% e 12%), nos autos dos PAFs 11030.001839/2004-66 e 11030.001840/2004-91 (como visto, julgados definitivamente em 05/2009). É o relatório. Fl. 328DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.258 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.000900/2006-10 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF. O recurso foi admitido pelo despacho do Presidente da Câmara recorrida e sua admissibilidade foi questionada pela parte contrária. Em seu recurso especial, a PGFN apresenta a divergência jurisprudencial no sentido de que "a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação". Considera, para tanto, que "os diplomas normativos regentes da matéria, quais sejam art. 74 da Lei nº 9.430/96 e 170 do CTN deixam clara a necessidade da existência de créditos líquidos e certos no momento da declaração de compensação, hipótese em que o crédito tributário encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória, o que não ocorreu no caso dos autos". Ainda, em suas palavras, aduz que: De um lado, o acórdão recorrido admitiu a possibilidade de reconhecer direito creditório após o trânsito em julgado no processo administrativo que ainda estava pendente de decisão definitiva à época da declaração de compensação. De outro lado, o acórdão paradigma entende que o posterior trânsito em julgado da decisão, confirmando definitivamente o crédito apontado pelo contribuinte, não convalida a compensação anteriormente feita, por falta de liquidez e certeza do direito crédito à época de sua efetivação. Em contrarrazões, o contribuinte aponta a ausência de divergência, sustentando que a matéria dos autos é dissonante daquela que estaria amparada nos acórdãos paradigmáticos (sic). Conforme relatado, o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade do sujeito passivo apresentar declaração retificadora, sobre matéria declarada que não foi objeto de lançamento de ofício, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para que seja refeita a apuração do IRPJ e da CSLL, aplicando-se os percentuais de presunção de lucro decididos nos processos 11030.001839/2004-66 e 11030.001840/2004-91, após o trânsito em julgado dos mesmos. Abstraindo-se da atecnia do uso da expressão "trânsito em julgado", no âmbito do processo administrativo fiscal, para se referir à decisão definitiva na esfera administrativa (uma vez que apenas as decisões judiciais estão sujeitas ao "trânsito em julgado"), verifica-se que, de fato, a discussão travada no paradigma não permite a demonstração da divergência pretendida pela recorrente. No único paradigma apresentado (Acórdão nº 204-02162), a discussão cinge-se a pleito de compensação em que se pretendia a utilização de direito creditório propriamente decorrente de decisão judicial, logo, necessariamente, sujeito a depender do respectivo trânsito em julgado (daquela decisão), como se vê abaixo: Fl. 329DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.258 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.000900/2006-10 Conforme se dessome dos autos, o contribuinte informou em DCTF que teria crédito de PIS decorrente de ação judicial, o que, no entender do Fisco, seria declaração inexata, daí decorrendo o lançamento. O que temos, então, é que na data do preenchimento da DCTF, bem como quando de sua entrega, o contribuinte tinha mera expectativa de direito acerca de eventuais créditos decorrentes do pagamento do PIS com base nos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, não havendo liquidez alguma quanto aos pugnados créditos. Ou seja, extinguiu débitos com a Fazenda sem qualquer título que assim o permitisse e sem, portanto, liquidez e certeza dos valores que foram compensados. Enquanto isso, a União deixou de arrecadar crédito tributário líquido e certo, conforme declarado em DCTF, com base nesses créditos do contribuinte, ainda incertos e não titulados. Foi justamente para evitar tais artifícios é que o legislador acresceu ao artigo 170 do CTN o art. 170 — A, que vedou a compensação antes do trânsito em julgado do tributo sob discussão. Demais disso, quando da entrega das DCTF, vigia a IN SRF 21/97, cujo artigo 17, com a redação dada pela IN SRF 73/97, assim dispunha: "Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação". § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. § 2º Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório.". (Sublinhei) Assim, não tinha o contribuinte direito de se compensar quando o fez, pelo que andou bem o Fisco ao exigir tais créditos tributários compensados indevidamente. Também entendo que o posterior trânsito em julgado da ação judicial não convalida a compensação anteriormente feita, mas indevida e ilegítima quando de sua efetivação, eis que, então, sem título judicial a respaldá-la. (grifou-se) O trecho grifado acima demonstra que o paradigma nega provimento ao recurso voluntário adotando expressamente a regra prevista no art. 170-A do CTN: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Enquanto a recorrente aponta a divergência em face do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do CTN, os quais subsidiaram a decisão recorrida, de outro lado, o acórdão paradigma se sustenta em outro dispositivo legal, como se viu. Em razão disso, não se verifica a necessária divergência jurisprudencial exigida para fins de conhecimento e apreciação do recurso especial pela Câmara Superior, nos termos regimentais. Conclusão Por todos estes fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 330DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp104.htm Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.258 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.000900/2006-10 Fl. 331DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.722888/2014-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo de início para a contagem da decadência desloca-se da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Uma vez comprovado que o contribuinte de fato omitiu os rendimentos lançados pelo Fisco, há de ser mantida a infração correspondente.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. USUFRUTO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO.
A celebração de contrato de usufruto de ações importa transferência do direito de percepção dos valores correspondentes aos lucros, mas não transforma o usufrutuário em acionista e, assim, os valores recebidos por não sócios em decorrência do direito de fruição das ações não se confundem com a percepção de lucros e dividendos, porque derivam de relações jurídicas distintas e, conseqüentemente, estão sujeitas a formas de tributação específicas, devendo o valor recebido pela pessoa física usufrutuária das ações ser tributado integralmente.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios,calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Enunciado CARF nº 108).
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Presentes os pressupostos legais de qualificação da multa de ofício, correta sua imposição.
Numero da decisão: 2402-007.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial ao recurso, aceitando a dedução dos lucros efetivamente informados na Declaração de Ajuste Anual.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo de início para a contagem da decadência deslocase da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Uma vez comprovado que o contribuinte de fato omitiu os rendimentos lançados pelo Fisco, há de ser mantida a infração correspondente. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. USUFRUTO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO. A celebração de contrato de usufruto de ações importa transferência do direito de percepção dos valores correspondentes aos lucros, mas não transforma o usufrutuário em acionista e, assim, os valores recebidos por não sócios em decorrência do direito de fruição das ações não se confundem com a percepção de lucros e dividendos, porque derivam de relações jurídicas distintas e, conseqüentemente, estão sujeitas a formas de tributação específicas, devendo o valor recebido pela pessoa física usufrutuária das ações ser tributado integralmente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios,calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Enunciado CARF nº 108). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Presentes os pressupostos legais de qualificação da multa de ofício, correta sua imposição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 28 88 /2 01 4- 14 Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.426 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial ao recurso, aceitando a dedução dos lucros efetivamente informados na Declaração de Ajuste Anual. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) relativo aos anoscalendário de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, no valor de R$ 3.732.672,86, acrescido de multa de ofício qualificada, no montante de R$5.588.001,58, e juros de mora, no valor de R$ 1.412.919,71. Foi lançada, ainda, multa exigida isoladamente, no valor de R$ 5.690,05, perfazendo o importe total de R$ 10.793.284,20, conforme discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário, a fls. 694. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a fls. 696/699, relata a fiscalização que teriam sido apuradas as seguintes infrações: (i) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, com qualificação de multa em 150%; (ii) omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa física, com multa de 75%; (iii) dedução indevida de despesas médicas, com multa de 75%; e (iv) multa por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A ação fiscal foi determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 09.3.01.002014004622, com a finalidade de verificar possível omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica relativos a trabalhos prestados pelo contribuinte à empresa CEQUIPEL Indústria de Móveis e Comércio de Equipamentos Gerais Ltda., CNPJ 00.325.400/000177, da qual é sócio, bem como a verificação de valores complementares recebidos indevidamente da mesma empresa a título de participação nos lucros. De acordo com o apurado pela Receita Federal do Brasil por meio de dados compartilhados dos Processos Administrativos Fiscais nºs 10980.720205/201303 e 10980.720204/201351, a fiscalização concluiu que a empresa CEQUIPEL remunerou de forma indireta seus sócios, dentre eles, o recorrente, mediante a utilização do grupo de contas do passivo 21017 SÓCIOS CTA CORRENTE. Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.427 3 Relata a fiscalização que em contas individualizadas por sócio, foram identificadas diversas transferências de recursos e pagamentos de despesas pessoais dos sócios, tais como pagamentos de escolas e cursos de línguas, condomínio, cartões de crédito de titularidade dos sócios (beneficiários) e de seus cônjuges, despesas com luz, telefone, IPTU, IPVA, financiamento, licenciamento, seguro obrigatório, combustível, seguro e reparo de veículos, plano de saúde do sócio, cônjuge e filhos, clubes (Hípica e Iate Clube), aluguel de imóvel para filho, salários e respectivos encargos sociais de empregados inerentes à atividade rural do beneficiário (haras), dentre outros pagamentos que foram escriturados (contabilizados) nas contas contábeis discriminadas para cada um dos sócios da empresa, sendo a conta do recorrente a denominada "2101700355 AIRTON BOHRER OPPITZ". Esses pagamentos foram confirmados pela empresa, que alegou que os sócios eram os seus reais beneficiários, em benefício direto ou de terceiros, por conta deles. Constatouse, ainda, que a empresa utilizava esse mesmo grupo de contas do passivo (passivo 21017 SÓCIOS CTA CORRENTE) para contabilizar os lucros a serem distribuídos aos sócios (valores originados de provisões de lucros a distribuir) e os prolabore a pagar, que eram lançados a crédito nessa conta de passivo. Para efeito de apuração das remunerações indiretas distribuídas na conta "2101700355 AIRTON BOHRER OPPITZ", a fiscalização abateu desses créditos todos os pagamentos lançados a débito nessa conta até que ela ficasse devedora. O saldo devedor apurado em cada mês compôs a base de cálculo do imposto apurado, conforme discriminado a fls. 766 dos autos. Além disso, relata a Fiscalização que a empresa CEQUIPEL distribuiu lucros ao recorrente acima do previsto, ou seja, em desacordo com o que determina o contrato social da empresa, que dispõe que os lucros líquidos serão distribuídos entre os sócios na proporção de sua participação no capital social. Assim, considerou como tributáveis as diferenças entre o valor devido de acordo com a sua participação societária e o valor efetivamente distribuído, apuradas em cada ano, uma vez que essas diferenças não foram oferecidas à tributação pelo recorrente, de modo que também compuseram a base de cálculo do imposto. Entendendo que o recorrente agiu com intenção (dolo) de lesar o Fisco, procedeuse ao lançamento com o deslocamento da contagem do prazo decadencial conforme prevê o art. 173, I do Código Tributário Nacional. Ademais, procedeuse, ainda, à Representação Fiscal para Fins Penais em face do recorrente, em cumprimento ao disposto no art. 1º do Decreto nº 2.730/98. Além da omissão de rendimentos recebidos da empresa CEQUIPEL, relata a fiscalização que foi também apurada omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de Karina Ferreira Valenzuela nos anoscalendário 2009, 2010 e 2011 por meio da imobiliária União Lume Administração de Bens Ltda. (quadro demonstrativo de fls. 770) sendo lançada também a correspondente multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão. Houve, ainda, a glosa parcial da despesa médica declarada com plano de saúde, no valor de R$ 4.426,26, por corresponder a beneficiário não incluído como dependente na DIRPF do recorrente. O recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese: Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.428 4 (i) decadência do direito de lançar o imposto relativo aos períodos de 01/2008 a 10/2009, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, tendo em vista do transcurso do prazo de 5 anos do fato gerador e da constituição de ofício do crédito; (ii) que os valores recebidos pelo recorrente em 2008, 2009 e 2010 correspondem a distribuição de lucros recebidos da empresa CEQUIPEL por meio de um "contacorrente" registrado na contabilidade da empresa, de forma que é inconcebível considerar tais valores como remuneração pelo trabalho; (iii) não há que se falar em distribuição desproporcional dos lucros nos anos de 2011 e 2012, tendo em vista que o recorrente é usufrutuário das quotas da empresa OPPITZ, sócia majoritária da empresa CEQUIPEL; (iv) que a fiscalização não desqualificou a contabilidade da empresa CEQUIPEL, de forma que a análise das informações ali constantes deve visar a verdade material; (v) possibilidade de dedução das despesas médicas da esposa do recorrente, já que é o financiador do plano de saúde do qual sua esposa consta como beneficiária, sendo viável, portanto, a dedução integral da despesa em sua declaração, a despeito de qualquer relação de dependência; (vi) improcedência das multas aplicadas. Encaminhados os autos para julgamento, inicialmente houve a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade autuante esclarecesse determinadas questões levantadas pelo julgador de primeira instância. Cumprida a diligência (com a devida participação do recorrente) e esclarecidos os pontos suscitados pelo julgador, a DRJ julgou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. Considerase não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda expressamente, bem como aquela que não tenha sido contestada pelo impugnante. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A decretação da nulidade do procedimento fiscal somente é admitida quando comprovadas as hipóteses previstas em lei relativas a cerceamento do direito de defesa e prática de atos por autoridade incompetente. Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.429 5 LANÇAMENTO. VINCULAÇÃO A OUTROS PROCESSOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apesar de o conjunto probatório ser comum, não há que se falar em vinculação entre os lançamentos, uma vez que os fatos jurídicos que dão fundamento às exigências, bem como a legislação aplicável, são distintos, sendo diversas as exigências formuladas e as correspondentes legislações de regência. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo de início para a contagem da decadência deslocase da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APLICAÇÃO. A Administração Pública deve tomar suas decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Uma vez comprovado que o contribuinte de fato omitiu os rendimentos lançados pelo Fisco, há de ser mantida a infração correspondente. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. USUFRUTO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO. A celebração de contrato de usufruto de ações importa transferência do direito de percepção dos valores correspondentes aos lucros, mas não transforma o usufrutuário em acionista e, assim, os valores recebidos por não sócios em decorrência do direito de fruição das ações não se confundem com a percepção de lucros e dividendos, porque derivam de relações jurídicas distintas e, conseqüentemente, estão sujeitas a formas de tributação específicas, devendo o valor recebido pela pessoa física usufrutuária das ações ser tributado integralmente. DESPESAS MÉDICAS. TERCEIRO NÃO DEPENDENTE. As despesas médicas de terceiros não relacionados como dependentes na Declaração de Ajuste Anual, quando não relativas a alimentandos, não serão dedutíveis na declaração de ajuste anual do contribuinte. MULTAS DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.430 6 Presentes os pressupostos legais de qualificação da multa de ofício, correta sua imposição. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a i/constitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CITAÇÕES DA DOUTRINA. Mesmo a mais respeitável doutrina, ainda que dos mais consagrados tributaristas, não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência e/ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais. Considerese, ainda, que os elementos de prova a favor do interessado, nesse caso particular, deveriam ser produzidos por ele próprio e apresentados quando de sua impugnação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Notificado dessa decisão aos 09/03/17 (fls. 1251), o recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, aos 07/04/17 (fls. 1256), repisando os argumentos de defesa já apresentados em sua impugnação, notadamente quanto à (i) decadência com fundamento no art. 150, § 4º do CTN, uma vez que afirma que não se há falar em simulação no presente caso, (ii) existência de vícios materiais no lançamento, por ter desconsiderado a contabilidade que retratava os reais lançamentos da empresa, ter desconsiderado créditos escriturados na contabilidade utilizada e ter considerado valores que afirma não existirem no Razão contábil considerado, (iii) impossibilidade de ser desconsiderado o usufruto das quotas da OPPITZ, detentora de 95% das quotas da CEQUIPEL, (iv) necessidade de cômputo dos lucros acumulados como crédito do recorrente e (v) ilegalidade de cobrança dos juros sobre a multa. Aos 05/10/2018, o recorrente protololizou nos autos parecer de renomada consultoria a respeito do procedimento contábil adotado pela empresa no controle de contas dos sócios, bem como do fundamento da fiscalização para desconsideração de créditos advindos de distribuição de lucros de outras empresas, declarados pelo recorrente (fls. 1319 ss.). Não houve contrarrazões. É o relatório. Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.431 7 Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Decadência Multa Qualificada Conforme relatado, o recorrente alega decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativamente aos períodos de 01/2008 a 10/2009, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, uma vez que foi notificado do lançamento apenas aos 08/12/2014. A fiscalização, por seu turno, procedeu ao lançamento do IRPF com aplicação de multa qualificada de 150% e, por conseguinte, com fundamento no art. 173, I do CTN, ao entendimento de que teria havido "caracterização da ação intencional e fraudulenta do contribuinte de ocultar rendimentos, uma vez que em conluio com a fonte pagadora teve despesas pessoais (pagamentos de empregados, cartão de crédito, condomìnios, entre outros) pagas diretamente por esta. Tal subterfúgio escamoteou a ocorrência do fato gerador e retardou o conhecimento pela autoridade fazendária. Com tal prática de evasão fiscal, houve a redução do ônus tributário, causando danos à Fazenda Nacional". A decisão recorrida ratificou esse entendimento sob o fundamento de que a fiscalização entendeu que além do descumprimento da legislação tributária, a análise da conduta do recorrente indicou que suas ações se caracterizariam como dolosas. Acrescentou, ainda, nesse contexto, que as questões relacionadas à multa qualificada seriam apreciadas oportunamente no item “da aplicação da multa qualificada”, no qual, por sua vez, conclui a decisão recorrrida pela sua exigência na situação em exame tendo em vista a comprovação da ocorrência de dolo, extraindose daí a conclusão de que o fundamento para a aplicação do art. 173, I do CTN ao presente caso é que se a ele se aplica a multa qualificada, igualmente se aplica aquele dispositivo legal para a contagem do prazo decadencial. Pois bem. Analisandose a decisão recorrida no tópico em que aprecia a multa qualificada, o julgador de primeira instância entende aplicável ao presente caso o art. 173, I do CTN na contagem o prazo decadencial sob o fundamento de que o recorrente, mediante simulação, utilizouse de sua condição de sócio na empresa CEQUIPEL para ocultar boa parte de sua remuneração por meio do pagamento de suas contas particulares pela empresa com o propósito de indevidamente reduzir a incidência tributária sobre os seus rendimentos. O recorrente, em sua defesa, traz o que dispõe o art. 167 do Código Civil1 acerca da simulação, causa de nulidade dos negócios jurídicos, e afirma que haverá simulação 1 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.432 8 sempre que um ato de vontade apresentar vontade diferente da aparentemente manifestada, o que diz não ter ocorrido no presente caso, uma vez que o recorrente em nenhum momento pretendeu omitir seus rendimentos do Fisco. Afirma, ademais, que conforme se infere dos fatos do processo, o recorrente, sócio da empresa CEQUIPEL, tinha lucros e dividendos a receber da empresa, e por uma prática empresarial que jamais pode ser tida como atentatória ao Fisco, mantinha uma "contacorrente" na contabilidade por meio da qual quitava determinadas despesas particulares. Acrescesta que os valores de suas despesas particulares não superavam o montante dos lucros e dividendos a que ele, de fato, tinha direito, o que reforça que não houve omissão de rendimentos nem simulação, nos termos do art. 167 do Código Civil. Diz, ademais, que nunca omitiu em suas alegações e em sua contabilidade que a empresa pagava contas pessoais dos sócios, que não eram tratadas como remuneração pelos simples fato de que os sócios tinham origens para receber, tendo a fiscalização desconsiderado os créditos que davam origem aos pagamentos realizados. Inicialmente, cumprenos nos manifestar sobre os documentos contábeis da empresa CEQUIPEL juntados aos autos pelo recorrente. A respeito desses documentos, esclarece o Auditor Fiscal a fls. 1153 em resposta à diligência determinada pela DRJ: Em suma, o recorrente apresentou duas contabilidades distintas visando demonstrar a regularidade do lançamento dos valores recebidos na "contacorrente" mantida pela empresa em seu nome. No entanto, como bem observa a decisão recorrida, essa "comprovação deve ser realizada mediante a apresentação do Livro Diário, lastreada com os documentos/comprovantes que serviram de base para os valores registrados, cuja escrituração deve obedecer às formalidades exigidas pela legislação" (destacamos), conforme prevê expressamente o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, conforme dispositivos abaixo transcritos: Livro Diário III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.433 9 Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. Processamento Eletrônico de Dados Art. 255. Os livros comerciais e fiscais poderão ser escriturados por sistema de processamento eletrônico de dados, em folhas contínuas, que deverão ser numeradas, em ordem seqüencial, mecânica ou tipograficamente, observado o disposto no § 4º do art. 258. Da prova Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.434 10 Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Ônus da Prova Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Nesse contexto, como não poderia deixar de ser, foram considerados pela Fiscalização e também pela decisão recorrida, os débitos e créditos constantes da contabilidade que tem suporte no Livro Diário, devidamente arquivado na Junta Comercial, que é a considerada válida conforme dispositivos acima transcritos. Ademais, conforme relatado pela Fiscalização, também foram considerados os lançamentos constantes do SPED da empresa, que igualmente possuem respaldo no Livro Diário, devidamente arquivado na Junta Comercial. Por esses mesmos motivos, a escrituração contábil que foi considerada na análise do recurso voluntário também foi aquela baseada nos Livros Diário e Razão emitidos aos 31/12/08, no caso do anocalendário de 2008, arquivados na Junta Comercial. O Termo de Verificação Fiscal descreve da seguinte maneira conduta enquadrada como Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Remuneração Indireta (fls. 719 ss.): Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.435 11 Pois bem. Conforme se verifica do Razão Analítico da empresa CEQUIPEL de fls. 280/291, constatase que dentre todos os créditos lançados na conta 3557 em nome do recorrente, que somam o importe de R$ 3.694.290,94, apenas os valores de R$ 200.000,00 e de R$ 100.000,00 foram lançados sob as rubricas "VLR TRANSF C/C VALOR DISTRIBUIÇÃO LUCROS O/1116/2924861OPPITZ", que sugerem tratarse de pagamento de distribuição de lucros. Relativamente aos demais valores recebidos, fato é que conforme escrita contábil da empresa apresentada pelo próprio recorrente, de distribuição de lucros e dividendos não se trata. E não há comprovação nos autos de que se trataria de rendimentos de natureza isenta, não tributável ou de tributação exclusiva na fonte. Não há comprovação, por exemplo, sobre a que título foram recebidos os créditos de maior valor lançados no "contacorrente" em nome do recorrente, como, por exemplo, os de valor R$ 1.151.296,00, R$ 674.000,00 e R$ 945.000,00. Em contrapartida, os valores lançados a débito somam R$ 3.154.870,90 para o mesmo período. Somado a esse fato, temse que aos 21/05/07, o recorrente e os demais sócios da empresa CEQUIPEL se reuniram e deliberam acerca do que chamaram "Distribuição Paulatina de Lucros". Da reunião em questão, lavrouse "Ata de Deliberativa da Distribuição Paulatina de Lucros" (fls. 988/989), que previu o seguinte: Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.436 12 O documento em questão demonstra que os sócios da CEQUIPEL, da qual o recorrente, à época, era presidente, ajustaram que as respectivas contas particulares que fossem pagas pela empresa seriam, para fins contábeis, consideradas mútuos, que seriam compensados com o lucro a ser distribuído a cada um, ressalvando que no caso de não haver lucro a ser distribuído ou de este ser inferior ao valor do mútuo realizado durante o ano civil, o sócio deveria pagar a diferença à sociedade. Esse documento, aliado à desproporção entre os valores lançados na conta corrente do recorrente a título de distribuição de lucros, que, como demonstrado acima, somam R$ 300.000 ,00, contra os valores lançados a débito naquela conta no mesmo período, no montante de R$ 3.154.870,90, deixam claro que esses valores, de fato, não se tratava de antecipação de pagamento de distribuição de lucros, nem de mútuo, já que não há nenhuma comprovação nos autos de que, neste caso, em que os valores debitados superam em muito os valores recebidos a título de suposta distribuição de lucros, tenha havido a devolução da diferença à sociedade pelo recorrente, conforme ajustado na reunião de que resultou a Ata de Distribuição Paulatina de Lucros. Desse modo, conforme definição de simulação trazida pelo próprio recorrente em seu recurso, no sentido de que "haverá simulação sempre que um ato de vontade apresentar vontade diferente da aparentemente manifestada" (fls. 1264), parecenos, de tudo o quanto aqui exposto e extraído dos autos, ser efetivamente o que se deu no presente caso concreto, a justificar a contagem do prazo decadencial pelo art. 173, I do CTN, como também a aplicação da multa qualificada de 150% sobre a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.437 13 Dos Vícios Materiais Em seu recurso voluntário, o recorrente alega que haveria vícíos materiais que fulminariam de nulidade o lançamento, consistentes: a) na desconsideração da contabilidade que retrataria os reais lançamentos da empresa; b) na deconsideração de créditos na contabilidade considerada pela Fiscalização; e c) na incorreta aferição da base de cálculo do IRPF de 2008. Todos os vícios apontados pelo recorrente teriam tido como consequência o erro na apuração da base de cálculo do tributo lançado. Os argumentos que sustentam essas alegações reproduzem, em essência, as mesmas teses de defesa constantes da impugnação e de sua manifestação apresentada por ocasião da diligência determinada em primeira instância, e dizem respeito à impugnação de valores específicos considerados no lançamento, todos objeto de análise criteriosa pelo julgador de primeiro grau, bem como ao fato de que a fiscalização teria desconsiderado vários créditos apontados em documentos oficiais da empresa ao argumento, no seu entendimento, infundado, de que somente poderiam ser considerados se comprovados documentalmente. Pois bem. Em seu recurso voluntário, o recorrente reproduz o questionamento constante de sua impugnação acerca da desconsideração, tanto pela Fiscalização quanto pela decisão recorrida, dos créditos apontados no Razão da empresa CEQUIPEL nos valores de R$ 200.000,00, R$ 100.000,00, R$ 153.000,00, e R$ 2.577.489,00 (fls. 282, 294 e 319), que alega que teriam sido recebidos a título de distribuição de lucros das empresas OPPITZ, CEQUICOM e ERGOMOBILE por meio da empresa CEQUIPEL. O recorrente argumenta que não há nenhum motivo para deixar de considerar os valores recebidos a título de lucros de outras empresas, que acabaram dando origem para os gastos realizados, pois esses valores não só constam no razão oficial, como constam também na DIRPF. Anexa parecer de consultoria PricewaterhouseCoopers que conclui que esse procedimento apenas demonstraria a intenção do recorrente de aportar os valores recebidos a título de distribuição de lucros dessas empresas diretamente em sua "contacorrente" na CEQUIPEL, o que não teria o condão de alterar a natureza desses pagamentos. A decisão recorrida, por sua vez, não considerou esses valores por entender que por se tratar de distribuição de lucros de outros CNPJ's, não poderiam justificar créditos na CEQUIPEL. Ademais, ressaltou que a escrituração deve possuir respaldo em documentos que atestem a sua validade, mister quando a empresa se utiliza de procedimento não usual em sua escrituração. Quanto a esses créditos, parecenos que o fato, por si só, do pagamento da participação nos lucros ser realizado por meio de encontro de contas em contabilidade alheia, realmente, não teria o condão de alterar a sua natureza. Todavia, tem razão a decisão recorrida quando afirma que a escrituração deve possuir respaldo em documentos que atestem a sua validade, especialmente neste caso, em que a empresa adota procedimento bem pouco Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.438 14 ortodoxo. No caso, não constam documentos que sustentem a distribuição de lucros das aludidas empresas ao recorrente. Desse modo, de fato, entendo que não há como considerar os valores em questão. O recorrente questiona, também, o fato de não ter sido considerado crédito no valor de R$ 945.000,00, de 29/08/08, bem como dois créditos de R$ 500.000,00, ambos de 10/03/2009, um de R$ 300.000,00, e outro no valor de R$ 310.000,00, de 10/08/2009 e 09/07/2008, respectivamente, que alega terem origem comprovada e estar demonstrado que não se trata de remuneração. Argumenta que todos os comprovantes a eles referentes se encontram nos autos e se trata de valores aportados na CEQUIPEL. Afirma que não é necessário que as operações respectivas estivessem lastreadas por um contrato escrito, uma vez que a documentação bancária demonstra que efetivamente ocorreram e os valores foram contabilizados. Quanto a esses valores, adoto, como razões de decidir, os fundamentos da decisão recorrida, abaixo reproduzidos: Alega o impugnante que a fiscalização desconsiderou vários créditos efetuados na conta 2101700355 (...). A título exemplificativo, citou o crédito de R$ 945.000,00, decorrente de transferência em favor da Oppitz e, em sequência, desta ao Banrisul, conforme extrato constante no DOC 5 (fls. 978), bem como os depósitos efetuados nos valores de R$500.000,00, R$ 500.000,00, R$ 300.000,00 e R$ 310.000,00, nas datas de 10/03/09, 10/03/09, 10/08/09 e 09/07/08, os quais se refeririam a devolução fracionada do empréstimo de R$ 1.610.000,00, efetuado pelo contribuinte a empresa Tecnolatina, da qual também é sócio, para cuja comprovação juntou aos autos os comprovantes, extratos bancários e memorando sob o título DOC 6 (fls. 980) [987]. O contribuinte questiona a não aceitação do crédito no montante de R$ 945.000,00. No entanto, há de se observar que tal crédito consta de intimação encaminhada pela fiscalização à empresa CEQUIPEL para fins de sua comprovação (fls. 256 do processo nº 10980.720205/201303), dentre outros. Alegou a fiscalização que a empresa não logrou comprovar a existência de tal crédito, escriturado em sua contabilidade (fls. 1154), quando da intimação que lhe foi encaminhada. [Destacamos] Em sua impugnação, o contribuinte juntou os documentos de fls. 978/987, de cuja análise se verifica o seguinte: Em 29/08/2008, consta débito deste montante em contacorrente da CEQUIPEL, bem como crédito no mesmo valor efetuado pela OPPITZ T P em benefício daquela empresa (fls. 978). Nas folhas subseqüentes, verificase que a empresa Tecnolatina efetuou depósitos nos valores citados pelo interessado em benefício da CEQUIPEL. Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.439 15 O interessado alega que o crédito escriturado em seu benefício tratarseia de devolução fracionada de empréstimo que efetuou à empresa Tecnolatina. No entanto, da análise aos documentos juntados aos autos, percebese que tal alegação não possui nenhum fundamento. Os depósitos efetuados pela Tecnolatina em favor da Cequipel efetuaramse entre duas pessoas jurídicas, não se vislumbrando vínculo com o interessado pessoa física, tampouco com os crédito e débito de R$ 945.000,00 efetuados em contacorrente da CEQUIPEL em 29/08/2008. Não há nos autos documentação capaz de estabelecer qualquer nexo entre ambos. O fato de o contribuinte ser sócio de ambas as empresas não justifica mistura ou confusão patrimonial entre ambos. Conforme já dito, a contabilidade deve obedecer a certos princípios, dentre os quais o da Entidade. Assim como eventuais atos informais praticados entre sócio e empresa não podem ser opostos a Fazenda Pública, principalmente quando a natureza das operações não restar cabalmente comprovada por amparo documental. [Destacamos] Observase que o crédito identificado na conta da empresa CEQUIPEL no valor de R$ 945.000,00 foi efetuado pela empresa OPPITZ TP e o mesmo valor saiu da conta da CEQUIPEL, na mesma data de 29/08/2008, possivelmente em favor do contribuinte, o que justificaria o crédito efetuado na conta 2101700355 AIRTON BOHRER OPPITZ. No entanto, da mesma forma não existe qualquer comprovação nos autos de que tal montante se refere a devolução de empréstimo concedido pelo contribuinte a CEQUIPEL, bem como os documentos apresentados apenas evidenciam transações bancárias, sem qualquer evidenciação de sua motivação e natureza das transferências efetuadas. [Destacamos] Sendo assim, não procede tal alegação, de modo que o crédito efetuado em seu favor, no montante de R$945.000,00, não pode justificar os pagamentos efetuados em seu favor pela empresa, haja vista que não restou comprovada a natureza isenta, não tributável ou tributada exclusivamente na fonte de tal montante. O recorrente aponta novamente em seu recurso váríos débitos constantes da manifestação que apresentou por ocasião da diligência determinada pelo julgador de primeira instância, que perfazem, atualmente, o importe de R$ 993.184,68 (considerando que foram baixados pela decisão de primeira instância R$ 200.000,00 do valor total reclamado, qual seja R$ 1.193.184,68). Alega que esses valores foram usados indevidamente como base de cálculo do imposto e que não constam do Razão considerado. Questiona o fato de que o julgador do primeira instância informar ter procedido à checagem de todos os débitos utilizandose do livro Razão constante do SPED de fls. 1077/1094 e 1113. Diz que a análise deveria levar em consideração o Razão de fls. 282/291, já que a Fiscalização não considerou a contabilidade apresentada pelo recorrente ainda quando da fiscalização, de fls. 443/456. Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.440 16 Por fim, afirma que do confronto dos valores existentes no Razão de fls. 282/291 com a tabela constante no Relatório Fiscal de fls. 721/731, constatase que "R$ 1.193.184,68 NÃO EXISTEM NO RAZÃO!". Pois bem. Conforme já observamos neste voto, consta do relatório fiscal a fls. 1153 que diante da duplicidade de contabilidades apresentadas pelo recorrente, quando do levantamento do débido, foram considerados os valores das fichas razões cujos lançamentos se enconstram no livro Diário nº 25, devidamente arquivado na Junta Comercial (287/291). O relatório apenas aponta que tambem foram "anexadas" as fichas razões que constam no SPED 2008 da empresa (fls. 1077/1152), de que constam os mesmos lançamentos extraídos do livro Diário. De todo modo, a afirmação de que dos débitos relacionados na tabela constante no recurso voluntário, que perfazem o importe de R$ 993.184,68 (considerando a baixa de um total de R$ 200.000,00 pela decisão recorrida) não contariam do Razão de fls. 282/291 não procede. Com efeito, tal como a julgadora de primeira instância, não poderia deixar de proceder à conferência de todos os valores no Razão Contábil da empresa de fls. 282/291, tendo constatado que todos os valores ali estão, devidamente registrados, de modo que após a exclusão dos valores pela decisão recorrida (R$ 200.000,00), não existe nenhuma irregularidade com relação aos demais valores contastantes de tabela elaborada pelo recorrente. Mérito I Do contrato de usufruto das quotas da CEQUIPEL O recorrente alega que a fiscalização desconsiderou os lucros que foram distribuídos pela empresa CEQUIPEL nos anoscalendário 2011 e 2012 supostamente de forma desproporcional à sua participação no capital social. Afirma, no entanto, que apresentou cópia do Instrumento Particular de Contrato de Constituição de Usufruto, por meio do qual transferiu a nua propriedade de 47.185.502 quotas que detinha da empresa CEQUIPEL à OPPITZ, reservando a si a percepção dos lucros decorrentes de tal participação societária. Diz que considerando as outras doações de nuapropriedade constantes no referido instrumento, a empresa OPPITZ possui 95% das quotas da empresa CEQUIPEL, sendo que o recorrente possui 51% das quotas da OPPITZ, conforme fazem prova os contratos sociais juntados aos autos. Assim, conclui que tem direito de receber 53,54% dos lucros (frutos) que são distribuídos pela empresa CEQUIPEL, de modo que está incorreto o Relatório Fiscal na fl. 768 quando afirma que os valores a que teria direito a título de lucros seriam de R$ 282.224,84 para o ano de 2011 e R$ 269.694,94 para o ano de 2012, pois não leva em consideração os FRUTOS decorrentes do USUFRUTO que possui nas quotas da empresa OPPITZ. Afirma que o art. 1.394 do Código Civil, segundo o qual "o usufrutuário tem direito à posse, uso, administração e percepção dos frutos", não dá margem a outra interpretação que não seja a obrigatoriedade de a empresa destinar ao usufrutuário os valores dos lucros que se apurar no período. Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.441 17 Neste ponto, adoto, como razões de decidir, do fundamentos da decisão recorrida, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, abaixo reproduzidas: Observese que o interessado pretende justificar os pagamentos de suas contas particulares na alegação de que não teria recebido lucros de forma desproporcional às cotas que possui na CEQUIPEL, devido ao referido contrato de usufruto. Ou seja, afirma que, em realidade, em que pese a transferência das quotas da CEQUIPEL a OPPITZ, o que de fato teria ocorrido é os lucros teriam sido distribuídos como se ainda detivessem as quotas da CEQUIPEL que foram transferidas a OPPITZ por força do contrato de usufruto. Em acréscimo afirma, ainda, que a fiscalização agiu de forma "absurda e irresponsável" ao desconsiderar créditos de mais de dois milhões de reais para considerálos como remuneração/prólabore. Com relação a distribuição de lucros a sócios ou acionistas, dispõe a legislação que os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou de jurídica, domiciliado no País ou no exterior. A respeito de distribuição de lucros ou dividendos, o art. 10 da Lei n° 9.249, de 26/12/95, dispõe o seguinte: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Especificamente, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, como é o presente caso, dispõe o art. 654 do Decreto nº 3.000, de 1999, que: Art. 654. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, não estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior (Lei n º 9.249, de 1995, art. 10). A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, que regula a determinação e o pagamento do imposto de renda, Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.442 18 se aplica aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, em seu art. 48, assim dispõe: Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. § 1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº 9.250, de 1995. § 5º A isenção de que trata o "caput" não abrange os valores pagos a outro título, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. § 6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. § 7º O disposto no § 3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2º, após o encerramento do trimestre correspondente. § 8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.443 19 sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º.” (grifouse) Assim, a legislação supramencionada excluiu da incidência do imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que não integram a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário desses valores. As mesmas disposições constam do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, RIR/99 que considera nos arts. 39, XXVI a XXIX, sem incidência de tributação os lucros e dividendo efetivamente distribuídos, ou seja, aqueles valores que comprovadamente ingressaram no patrimônio dos sócios, acionistas ou titular de pessoa jurídica. A interpretação deve ser literal, conforme previsto no art. 111 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN. Portanto, como a distribuição de lucros não é tributada na pessoa física, tornase crucial a comprovação de sua existência na contabilidade da empresa, caso contrário se estaria abrindo um caminho para que rendimentos sujeitos à tributação pudessem ser declarados como isentos, burlando, assim, a cobrança do imposto. Desta forma, necessário se faz que a escrita contábil da empresa esteja em conformidade com a legislação comercial; caso contrário, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, devendo submeterse ao ajuste anual do imposto devido pela pessoa física beneficiária. E por envolver a pessoa do sócio da empresa, a distribuição de lucros ou dividendos deve estar cercada de elementos seguros de provas que demonstrem, de forma cabal e inequívoca, a efetividade da operação, como, por exemplo, a escrituração em Livro Diário. Logo, para se admitir tais rendimentos como isentos, necessário é que exista escrituração demonstrando a apuração de resultado contábil e a efetiva existência de lucros acumulados a suportar a distribuição. Por se tratar de rendimentos isentos e não tributáveis, a natureza de distribuição de lucros deve ser inequivocamente comprovada. No caso concreto ora analisado, o contribuinte procura justificar o recebimento de lucros isentos decorrentes de distribuição de lucros da empresa CEQUIPEL a OPPITZ, por força de contrato de usufruto que lhe garantiria o recebimento de tais lucros. Frisese que os lucros são pagos com intuito de permitir que o sócio ou acionista receba um rendimento decorrente do capital investido na empresa. Com isso, o acionista/sócio percebe um Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.444 20 rendimento para compensar ter investido seu capital na empresa. Salientese que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando para a incidência do imposto o benefício por qualquer forma e a qualquer título, conforme disposto no art. 3º, § 4º, da Lei n.º 7.713, de 1988 e no art. 43 do CTN: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Adicionalmente, o art. 176 do CTN consagra o princípio da legalidade em matéria de isenção e o art. 4º do mesmo diploma legal estipula que a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais características formais adotadas pela lei: Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.445 21 I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Outro ponto a destacar é que o art. 111, II, do CTN estabelece que a legislação acerca de outorga de isenções deve ser interpretada literalmente. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II – outorga de isenção; Portanto, a concessão de benefícios tributários, como a isenção dos lucros dividendos, deve ser algo excepcional, uma vez que a regra geral é a tributação “sobre a renda e proventos de qualquer natureza”. Assim, as normas que concedem benefícios tributários não comportam extensão a casos não expressamente nelas previstos. Notese que os dispositivos da legislação tributária relativos ao pagamento de lucros e dividendos, anteriormente transcritos, não fazem qualquer menção a usufrutuários, não podendo o instituto do usufruto, definido no Direito Civil e instituído entre particulares, descaracterizar a relação jurídica tributária estabelecida nos dispositivos legais que determinam o pagamento de lucros e dividendos aos sócios/acionistas, os quais devem ser obrigatoriamente acatados pelas autoridades administrativas tributárias, ante o princípio da legalidade estrita a que estão submetidas, a teor do já citado art. 142 do CTN. Os dispositivos legais do Direito Civil definem ter o usufrutuário direito à percepção dos frutos do bem, mas essa é uma relação particular acertada entre as partes, proprietários e usufrutuário, que não pode ser oposta à definição da fonte pagadora e sujeito passivo, empresa investida e sócio/acionista, definidos na legislação tributária para os casos de pagamento de lucros e dividendos. Essa determinação está contida nos arts. 109, 116 e 123 do CTN, que são claros ao definir: que o direito privado não pode ser utilizado na definição dos efeitos tributários de institutos nele definidos; que o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa que tem relação pessoal e direta com a situação que constituiu o fato gerador e que as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.446 22 institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. [...] Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; [...] Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Portanto, o instrumento de concessão de usufruto só produz efeito entre as partes que o firmaram e não geram repercussões tributárias não previstas na legislação do Imposto de Renda. Dessa forma, o contribuinte não pode justificar gastos na CEQUIPEL com lucros isentos que teria recebido desta empresa, por força de contrato de usufruto. O lançamento referese a rendimentos recebidos da CEQUIPEL, portanto deveria restar comprovado o recebimento de lucros isentos da CEQUIPEL, o que não restou comprovado, pois os sócios já haviam transferido boa parte de suas quotas desta empresa a OPPITZ, de modo que, em havendo lucros a distribuir pela CEQUIPEL, a OPPITZ é que teria direito a isenção quando de sua distribuição, e não o contribuinte, já que este não é mais o detentor das quotas da CEQUIPEL. Não se pode, com um contrato particular, fazer com que haja usufruto da isenção concedida pela legislação tributária ao detentor das quotas do capital da empresa. Uma coisa é usufruir do lucro, outra bem diferente é usufruir da isenção que a legislação concede ao detentor das quotas. Conforme já exposto, o contrato particular não pode alterar, nem estender, os efeitos da legislação que trata de isenção, haja vista ser literal a sua interpretação. Assim, irresponsável seria o FISCO se considerasse suas alegações diante dos fatos como se apresentam, , uma vez que é obrigação da autoridade fiscal efetuar ao lançamento nos termos da legislação tributária vigente, sob pena de responsabilidade funcional. Da mesma forma, é obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, principalmente no caso concreto que ora se analisa, quando restou evidenciado, dentro da contabilidade da empresa CEQUIPEL, o pagamento de suas contas particulares. Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.447 23 Desta feita, ao contrário do que pensa o contribuinte, não é nada normal ou natural, efetuarse o registro e controle do pagamento de contas particulares de sócio dentro da contabilidade da empresa. Tal conduta fere os princípios contábeis, em especial o Princípio da Entidade, que tem como primazia não misturar patrimônios, tampouco obrigações. Ademais, contratos particulares, como o contrato de usufruto apresentado, não têm o condão de alterar o beneficiário de lucros distribuídos de forma isenta, qual seja, o detentor das quotas da empresa com participação em seu capital social. Desse modo, não havendo nos autos provas hábeis a favor do Impugnante quanto à natureza do recurso que alega haver recebido (distribuição de lucros), não pode tal argumento ser aceito para justificar os pagamentos efetuados pela empresa CEQUIPEL em favor do contribuinte nos anoscalendário ora analisados. Dos lucros acumulados cômputo como crédito do recorrente O recorrente alega que a legislação do IR salvaguarda a forma como foi operacionalizada a distribuição de lucros e dividendos realizada pela CEQUIPEL. Argumenta que nos termos dos parágrafos 3º e 4º do art. 48 da IN/SRF nº 93/97, eventuais parcelas pagas que excederem o valor dos lucros e dividendos distribuídos, deverão ser imputados contra lucros acumulados ou reserva de lucros, havendo a incidência da tabela progressiva apenas se não houver saldo de lucros acumulados ou reserva de lucros. Desse modo, afirma que uma vez que havia lucros acumulados passíveis de cobrir todos os seus gastos, a própria legislação autoriza o abatimento desses valores contra os saldos da referida conta, de modo que a fiscalização deveria ter abatido do lucro acumulado todos os valores que entendeu serem remuneração em virtude da ausência de créditos para, ao final, se esgotada a reserva de lucros, lançar o imposto conforme o § 4º do mencionado dispositivo. Acrescenta que não se aplica ao presente caso o § 5º do dispositivo mencionado, pois os valores pagos ao recorrente não podem ser considerados, na sua essência, como um prólabore, uma vez que os seus gastos pessoais só foram pagos pela empresa porque estavam contabilizados em conta do passivo, que possuía créditos aptos a fazer frente a eles, mas que nunca foram tidos como despesas da empresa e só seriam considerados como pró labore na hipótese de não haver saldo credor na conta registrada no passivo da empresa, tampouco lucro acumulado, que sustentassem essas retiradas. Afirma que o fato de os gastos registrados no passivo com o sócio se referirem a contas de telefone, escolas, cursos de línguas e outros semelhantes em nada impactam o presente caso, pois não se está diante de pagamentos de despesas pela empresa, que, inclusive, seriam dedutíveis para fins de imposto de renda da pessoa jurídica, pelo que não se pode invocar a aplicação do § 5º do art. 48 da IN/SRF 93/97 ao presente caso. Pois bem. O presente processo decorre de lançamento efetuado na pessoa jurídica CEQUIPEL, CNPJ nº 00.325.400/000177, sendo que aquele processo administrativo, de nº 10980.720.205/201303, já foi julgado em primeira e segunda instâncias. Assim, por bem haver apreciado a questão atinente ao pagamente de remuneração indireta aos sócios, adoto, quanto a este ponto, como razões de decidir, o seguinte trecho do Acórdão de 2302003.687, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Tribunal: Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.448 24 A Fiscalização apurou que a empresa remunerou de forma indireta seus sóciosadministradores, mediante a utilização do grupo de contas do passivo 21017 SOCIOS CTA CORRENTE, em contas individualizadas por sócio, nas quais se houveram por identificadas diversas transferências de recursos e pagamentos de despesas com benefícios e vantagens concedidas, tais como pagamentos de escolas e cursos de línguas, condomínio residencial, cartões de crédito de titularidade dos sócios (beneficiários) e de seus cônjuges, despesas com luz, telefone, IPTU, IPVA, financiamento, licenciamento, seguro obrigatório, combustível, seguro e reparo de veículos, plano de saúde do beneficiário, cônjuge e filhos, clubes (hípica e iate clube), aluguel de imóvel para filho, salários e respectivos encargos sociais de empregados inerentes à atividade rural do beneficiário (haras), dentre outros pagamentos que foram escriturados (contabilizados) nas contas contábeis 2101700355 AIRTON BOHRER OPPITZ, 2101700356, (...)., nos anos calendário de 2008, 2009 e 2010. Tais pagamentos efetuados pela pessoa jurídica foram confirmados pela empresa, alegando que os sócios são os reais beneficiários de todos os pagamentos efetuados. Tais pagamentos foram feitos para as pessoas físicas e/ou para terceiros por conta dos sócios, incluindo os pagamentos inerentes à atividade rural do Sr. Airton Bohrer Oppitz, realizada em sua propriedade rural (HARAS). Ao manusear os documentos de caixa da empresa, a Fiscalização constatou que a real natureza dos pagamentos contabilizados nas contas de empréstimos dos sócios para a empresa era, em realidade, pagamentos de remunerações aos sócios, pois se tratavam de despesas pessoais cotidianas dos sócios, em que estes entregavam ""boletos", "faturas", ordens de pagamentos e pedidos de depósitos em conta corrente de suas contas pessoais ao setor financeiro da empresa, que efetuava esses pagamentos e os contabilizava como se fossem recebimentos pelos sócios de parcelas de supostos empréstimos feitos por eles à empresa. A Fiscalização constatou, contudo, que na exata ocasião desses pagamentos aos sócios, estes não possuíam quaisquer créditos para receber da empresa, pois suas "contas correntes" apresentavam saldo devedor nessas datas. A Fiscalização também verificou que a empresa utilizava este mesmo grupo de contas do passivo para contabilizar os lucros a serem distribuídos aos sócios e os prólabores a pagar. Merece ser destacado, todavia, que os valores de prólabore e de lucros distribuídos efetivamente pagos pela empresa aos sócios, foram devidamente considerados pela Fiscalização e, em consequência, não compuseram a base de cálculo do lançamento, conforme expressamente consignado no Relatório Fiscal: "Com intuito de aumentar ainda mais a confusão contábil dessas contas, a empresa utilizava este mesmo grupo de contas do Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.449 25 passivo para contabilizar os lucros a serem distribuídos aos sócios e os prólabores a pagar. Em virtude disto, utilizouse o critério de conta corrente, ou seja, quando o sócio possuía crédito em conta corrente contábil (valores a receber, normalmente originados de prólabores ou lucros a distribuir provisionados) foi abatido os pagamentos das contas pessoais dos sócios (valores considerados recebidos pela empresa) até esta conta ficar devedora. Deste momento em diante todos os pagamentos lançados, a débito, nesta mesma conta corrente foram considerados remuneração paga ao sócio que dá nome à conta contábil." Não há espaço, portanto, para a alegação de que "sobre os remunerações recebidas por sócios das sociedades a título de lucro não incide imposto ..." Conforme ressaltado pela Autoridade Lançadora, os valores referentes ao pró labore e aos lucros distribuídos foram abatidos do lançamento, não havendo o Recorrente demonstrado o menor indício de que tal abatimento não tenha de fato ocorrido. Intimada mediante os Termos de Intimação Fiscal n° 07, 08 e 09 a apresentar a documentação contábil hábil a comprovar a origem dos lançamentos contábeis feitos a crédito nas contas do passivo do grupo de contas 21017 SOCIOS CTA CORRENTE, a empresa não a disponibilizou, apresentando, tão somente respostas evasivas com relação a estes créditos. Ou seja, restaram sem comprovação e sem explicação a origem dos supostos créditos dos sóciosadministradores a justificar os pagamentos a eles efetuados em suas "contas correntes". Não procede, portanto, a alegação de que houve apenas distribuição de lucro em contrapartida da conta lucros acumulados. No caso, a verdade real que se apresenta é a clara remuneração indireta (disfarçada) paga aos sócios sem prova do pagamento dos sócios à pessoa jurídica. A forma que a empresa adotou para dissimular esses lançamentos (despesas pessoais e remuneração dos sócios) em contas do passivo não descaracteriza a essência dos fatos contábeis que são os efetivos pagamentos de despesas cotidianas e pessoais dos sócios e não recebimento de parcelas de fictícios empréstimos anteriormente realizados pelos mesmos sócios, como assim restou formalmente registrado na contabilidade da empresa. Pelo essas razões, uma vez que restou caracterizado o pagamento de remuneração indireta da empresa CEQUIPEL ao recorrente, não se aplica ao presente caso o art. 48, § 4º da IN/SRF 93/97. Dos juros sobre a multa Por fim, o recorrente alega que os juros SELIC não devem ser exigidos sobre a multa de ofício lançada. Cita precedente nesse sentido da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.450 26 O artigo 161 do Código Tributário Nacional dispõe sobre a incidência de juros sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento nos seguintes termos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Por sua vez, os artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430/96, trazem previsão expressa da incidência de juros sobre a multa: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...). Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por fim, essa matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Tribunal, conforme Enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência: Enunciado CARF n° 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Desse modo, não assiste razão ao recorrente neste ponto. Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 10980.722888/201414 Acórdão n.º 2402007.248 S2C4T2 Fl. 1.451 27 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 1451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.903027/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A compensação de débito confessado a destempo, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização com ele relacionado, não caracteriza a denúncia espontânea, hipótese esta que exige o recolhimento integral do débito declarado.
Numero da decisão: 2401-006.497
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
(assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A compensação de débito confessado a destempo, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização com ele relacionado, não caracteriza a denúncia espontânea, hipótese esta que exige o recolhimento integral do débito declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 30 27 /2 00 9- 24 Fl. 69DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. . Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de número 13026.00810.240804.1.3.047066, por meio da qual o interessado comunica em 24/08/2004 extinção de débito com vencimento em 31/03/2004, sob condição resolutória, com aproveitamento de crédito do tipo pagamento indevido ou a maior de DARF recolhido em 09/07/2003. Em que pese o contribuinte ter informado o débito com vencimento em data anterior à data de transmissão do PER/DCOMP, não informou qualquer valor a título de multa de mora. O Despacho Decisório de fls. 07, homologou parcialmente a compensação declarada tendo em vista que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido; entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Conforme consta dos autos o contribuinte, apresentou manifestação de inconformidade, pugnando pelo recebimento e a apreciação do presente recurso, reformando a decisão proferida para o efeito de homologar integralmente a compensação realizada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1271.106 15ª Turma da DRJ/RJO, às fls. 38/50, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte, fundamentandose nos elementos a seguir: a) Preliminarmente, nos termos do parágrafo 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a medida fiscal, ou procedimento de homologação ou não da compensação pelo Fisco terá como prazo 05 anos da data da entrega da declaração de compensação. Assim, se a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 29/04/2009, da declaração de compensação transmitida em 24/08/2004, não havia transcorrido o decurso de prazo para a análise fiscal do PER/DCOMP em debate; b) No mérito, a controvérsia gira em torno da incidência ou não da multa de mora sobre determinados débitos que foram compensados por meio de PER/DCOMP. Conforme já relatado, o contribuinte efetuou compensação de tributo (IRPJ) devido em Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10925.903027/200924 Acórdão n.º 2401006.497 S2C4T1 Fl. 3 3 27/02/2004, em 24/08/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRRF, acrescido de juros, mas sem multa de mora, tendo precedido a qualquer procedimento fiscalizatório da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Afirma o interessado que é equivocado o entendimento da autoridade fiscal, pois o presente caso contempla a regra contida no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). c) Como já analisado acima, a tônica contida na discussão do artigo 138 do CTN gira em torno do pagamento espontâneo do débito, que antes era não confessado e não pago, e depois passa a confessado e integralmente pago antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização.O presente caso é distinto: o débito foi confessado a destempo, mas não foi pago, foi compensado, sob condição resolutória, no PER/DCOMP objeto deste processo.O artigo 117 do CTN, é trata dos negócios jurídicos condicionais. d) Ora, se a compensação é procedimento condicional, ou seja, aquele que depende de medida de fiscalização com vistas à homologação ou não, não seria razoável substituição pura e simples do pagamento pela compensação.Ademais, se a quitação do débito via compensação fosse enquadrada no instituto da denúncia espontânea, tal entendimento estaria ampliando a decisão do STJ no já citado Recurso Especial nº 1.149.022/SP, e do Ato Declaratório PGFN nº 08, haja vista que neles há apenas a menção a pagamento. Cita ainda a NOTA TÉCNICA Nº 19/2012 da COSIT que reforça esse entendimento; e) Conclui, ao final que a compensação de débito confessado a destempo, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização com ele relacionado, não caracteriza a denúncia espontânea, hipótese esta que exige o recolhimento integral do débito declarado; f) a imputação proporcional das parcelas do débito compensado com crédito insuficiente para abarcar todas as suas parcelas segue o mesmo regramento da restituição total ou parcial do tributo, que é efetuado na mesma proporção dos juros de mora e das penalidades pecuniárias. Esse é o entendimento do parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, PGFN/CAT/No 74/2012. Logo, a imputação proporcional realizada no despacho decisório do crédito com as parcelas do débito confessado na DCOMP (principal, multa de mora e juros) foi correta, pois está de acordo com o disposto na inteligência dos artigos 163 e 167 do CTN. Inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário às fls. 58/65 alegando em síntese que: a) Inicialmente, cabe salientar que a responsabilidade de que estabelece o disposto no art. 138, do Código Tributário Nacional, é aquela relacionada ao cometimento de infrações; a denúncia espontânea, in casu, exclui qualquer forma de penalidade, inclusive a incidência de multa de mora sobre o Fl. 71DF CARF MF 4 montante devido, que tem caráter punitivo. Neste sentido, é o entendimento consolidado do Primeiro Conselho de Contribuintes(colaciona jurisprudências); b) Resta cristalino que a apuração e pagamento espontâneo do tributo e seus consectários exclui a aplicação da multa, de modo que não há débito algum a ser compensado; c) Neste sentido foi a decisão proferida na 15ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ. No entanto, os membros desta Turma, não deferiram o direito pleiteado pela recorrente, por entenderem que o “presente caso é distinto: o débito foi confessado a destempo, mas não foi pago, foi compensado, sob condição resolutória, no PER/DCOMP objeto deste processo.”; d)Rresta totalmente equivocada a conclusão exarada no acórdão recorrido. Referido julgado deixou de reconhecer a caracterização da denúncia espontânea, o que extinguiria a multa, porque o crédito tributário foi extinto por compensação e não recolhimento integral do débito declarado; e) os julgadores deixaram de observar que o Código Tributário Nacional possui um capítulo específico tratando da extinção do crédito tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO I Modalidades de Extinção – e, em seu art. 156, onde relaciona as formas possíveis:Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; f) Como se extrai do disposto na legislação de regência, não há diferença alguma se a extinção do crédito tributário se deu por pagamento ou por compensação. Ao interpretar o presente caso da maneira como se deu no acórdão, é criar um obstáculo ao contribuinte que não existe na lei. Afinal, tanto compensação, quanto o pagamento, são forma de extinção do crédito tributário e é o que basta para solução do presente caso; g) o processo administrativo fiscal serve como instrumento de realização do princípio da legalidade objetiva, na medida em que será no seu curso em que procedido o controle da legalidade dos atos praticados pelas autoridades administrativas, para confirmação da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, garantindo a justiça social e a segurança jurídica dos contribuintes. h) a compensação é a utilização de um crédito, que nada mais é que dinheiro, ou seja, se o contribuinte tivesse recebido seu crédito, teria efetuado o pagamento do débito em espécie. Em momento algum foi contestada pela autoridade fiscal a existência do crédito utilizado na compensação; i)Tendo em vista que para a legislação de regência art. 156 do CTN – tanto o pagamento, quanto a compensação extinguem o crédito tributário, a negativa de reconhecimento da denúncia espontânea, pelo acórdão recorrido, pela suposta exigência de recolhimento integral do débito declarado, não possui fundamento legal para persistir; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10925.903027/200924 Acórdão n.º 2401006.497 S2C4T1 Fl. 4 5 j)Na remota hipótese deste órgão de julgamento entender que o presente caso não configura denúncia espontânea, havendo a necessidade de cobrança de multa, tendo em vista o simples pagamento em atraso do tributo em questão, o que se admite apenas a título de argumentação, deve ser homologada a compensação nos moldes informados pela recorrente, ou seja, o valor pago deve ser abatido do principal acrescido de juros, com o lançamento da multa, se for o caso, de forma isolada; k) O proceder da autoridade fiscal é absolutamente arbitrário, por ofender o princípio constitucional do devido processo legal, o qual prevê que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal” (art. 5º, LIV, CF), além de conter uma série de normas rígidas que não podem ser dispensadas nunca; l) O fisco tem o meio adequado para ver satisfeito seu crédito tributário, devendo respeitar os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, uma vez que a compensação entre créditos e débitos é uma faculdade do contribuinte, não podendo ser imposta pelo fisco; m) Se o contribuinte entende que não deve ser aplicada multa ao presente caso, de modo que apresenta a quitação do valor principal do tributo, devidamente acrescido de juros calculados pela SELIC, não pode o fisco de forma unilateral alterar o ato do contribuinte e alocar os valores compensados de forma diversa. Destarte, se realmente se constatar ser o presente caso hipótese de aplicação de multa, caberá à autoridade fiscal proceder ao competente lançamento da penalidade administrativa, de forma isolada, bem como notificála, para, querendo, impugnar a sua constituição. n)Ao final requer o recebimento e a apreciação do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o efeito de homologar integralmente a compensação realizada pela requerente. É o relatório Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. DA ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 29/01/2015 conforme Termo de Abertura de Mensagem às fls. 55, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 20/02/2015 (fl. 58/65), razão pela qual Fl. 73DF CARF MF 6 CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 1. DOS FATOS A presente controvérsia referese à incidência ou não da multa de mora sobre determinados débitos que foram compensados por meio de PER/DCOMP. Conforme já relatado, o contribuinte efetuou compensação de tributo (IRPJ) após seu vencimento, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRRF, acrescido de juros, mas sem multa de mora, tendo precedido a qualquer procedimento fiscalizatório da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A autoridade fiscal, por entender que não se trata de denúncia espontânea, mas sim de pagamento feito em atraso, vê como necessária a incidência de multa de mora sobre o valor do tributo devido. Com isso, homologou parcialmente a compensação declarada, desconsiderandoa para o efeito de diminuir o valor principal compensado, a fim de compensar a diferença na condição de multa de mora, tornando o valor homologado proporcionalmente diferente àquele informado na PER/DCOMP pelo contribuinte. A DRJ por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade, para confirmar a incidência da multa de mora sobre o débito confessado na DCOMP. 2. DO MÉRITO Em que pese o entendimento da instância a quo no sentido da impossibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 ao caso em debate, passo a expor os fundamentos de meu entendimento contrário. A controvérsia envolve a interpretação do art. 138 do CTN, a seguir reproduzido: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Depreendese da legislação que trata a matéria que, para que se configure a denúncia espontânea é necessário: (a) comunicação espontânea da infração à autoridade fazendária, sem que qualquer indicativo de procedimento prévio da fiscalização (parágrafo único); (b) acompanhada do pagamento do tributo e juros de mora devidos, ou depósito do quantum apurado pela administração. Imaginase ainda que o intuito da lei é estimular o contribuinte a regularizar sua situação fiscal. Nesse contexto, o STJ firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados previamente pelo contribuinte e recolhidos fora de prazo de vencimento. Aludido entendimento gerou a Súmula 360/STJ: "o benefício da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10925.903027/200924 Acórdão n.º 2401006.497 S2C4T1 Fl. 5 7 denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Ou seja, na hipótese de débitos declarados em DCTF, GFIP ou documento equivalente, a própria declaração do sujeito passivo constitui o crédito tributário, tornando desnecessária qualquer outra providência pelo Fisco, razão pela qual o recolhimento do tributo fora do prazo não caracteriza denúncia espontânea, incidindo os encargos legais decorrentes de seu inadimplemento. Observese que o fundamento da Súmula nº 360 do STJ deriva da natureza jurídica da DCTF, GFIP ou outra declaração com idêntica função, uma vez que, formalizando a existência do crédito tributário, possuem as declarações o efeito de suprir a necessidade de constituição do crédito por meio de lançamento e de qualquer ação fiscal para a cobrança do crédito. A jurisprudência do STJ restou absolutamente sedimentada com a decisão proferida no REsp nº 962.379, julgado sob os auspícios do art. 543C do CPC, Assim,a espontaneidade da denúncia é afastada quando transmitese declaração constitutiva do crédito tributário e o tributo é pago após o prazo legal de vencimento, já que a aludida declaração substitui o lançamento fiscal. Porém, enquanto o contribuinte não prestar a declaração, mesmo que recolha o tributo fora do prazo legal, desde que pelo valor integral, permanece a possibilidade de fazer o pagamento do tributo sem a incidência da multa moratória, pois nesse caso inexiste qualquer instrumento supletivo da ação fiscal. A situação posta nos autos é exatamente essa, pois o contribuinte realizou a compensação antes da entrega da DCTF ou de qualquer outra declaração com idêntica função. O instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação. Isso porque a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme previsto no art. 74 da Lei n.º 9.430/96, ou seja, informada a compensação, o crédito tributário se extingue, desde logo, exceto se o Fisco não o homologar. Ademais, o próprio CTN prevê, no art. 156, II, que a compensação extingue o crédito tributário, não havendo razão para não equiparála a pagamento.Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PRESENÇA DE OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.RECONHECIMENTO. TRIBUTO PAGO SEM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ANTERIOR E ANTES DA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO IMPOSTO DEVIDO. 1. A decisão embargada afastou o instituto da denúncia espontânea, contudo se omitiu para o fato de que a hipótese dos autos, tratada pelas instâncias ordinárias, referese a tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo os ora embargantes recolhido o imposto no prazo, antes de qualquer procedimento fiscalizatório administrativo. 2. Verificase estar caracterizada a denúncia espontânea, pois não houve constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento Fl. 75DF CARF MF 8 fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos. Ademais, a compensação efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar algum erro na operação de compensação. Nesse sentido, o seguinte precedente: AgRg no REsp 1.136.372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, DJe 18/5/2010. 3. Ademais, inexistindo prévia declaração tributária e havendo o pagamento do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, cabível a exclusão das multas moratórias e punitivas. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 11/09/2015) (grifei) TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO MEDIANTE DCTF E COMPENSAÇÃO DECLARADA À RECEITA FEDERAL. EXCLUSÃO DA MULTA. CABIMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REMESSA OFICIAL. 1. O pagamento espontâneo do tributo, antes de qualquer ação fiscalizatória da Fazenda Pública, acrescido dos juros de mora previstos na legislação de regência, enseja a aplicação do art.138 do CTN, eximindo o contribuinte das penalidades decorrentes de sua falta. 2. O art. 138 do CTN não faz distinção entre multa moratória e multa punitiva, aplicandose o favor legal da denúncia espontânea a qualquer espécie de multa. 3. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados em DCTF e pagos com atraso, o contribuinte não pode invocar o art. 138 do CTN para se exonerar da multa de mora, consoante a Súmula nº 360 do STJ. Tal entendimento deriva da natureza jurídica da DCTF, GFIP ou outra declaração com idêntica função, uma vez que, formalizando a existência do crédito tributário, possuem o efeito de suprir a necessidade de constituição do crédito por meio de lançamento e de qualquer ação fiscal para a cobrança do crédito. 4. Todavia, enquanto o contribuinte não prestar a declaração, mesmo que recolha o tributo extemporaneamente, desde que pelo valor integral,a multa moratória, pois nesse caso inexiste qualquer instrumento supletivo da ação fiscal. 5. A exegese firmada pelo STJ é plenamente aplicável às hipóteses em que o tributo é pago com atraso, mediante PER/DCOMP, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por extensão, da entrega da DCTF. A declaração de compensação realizada perante a Receita Federal, de acordo com a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/2002, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Até que o Fisco se pronuncie sobre a Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10925.903027/200924 Acórdão n.º 2401006.497 S2C4T1 Fl. 6 9 homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. 6. Nas causas em que é parte a Fazenda Pública, os honorários advocatícios devem ser arbitrados com moderação, adotandose valor que não onere demasiadamente o vencido, remunere merecidamente o patrono do vencedor na demanda e leve em consideração a importância da demanda, o zelo dos advogados e a complexidade da causa. No caso dos autos, a questão controvertida envolveu discussão jurídica pacificada e permitiu o julgamento antecipado da lide. 7. Consoante a jurisprudência do STJ, consolidada na Súmula nº 325, "a remessa oficial devolve ao Tribunal o reexame de todas as parcelas da condenação suportadas pela Fazenda Pública, inclusive dos honorários de advogado" (TRF4, APELREEX 503940388.2014.404.7100, PRIMEIRA TURMA, Relator p/ Acórdão JOEL ILAN PACIORNIK, (grifei) Nesse compasso, dado o caráter de punição da multa moratória, vigente em nosso sistema tributário, bem como diante da iniciativa do contribuinte de espontaneamente, independente de qualquer manifestação do fisco, promover o pedido de compensação tributária incluindo o valor principal e juros e multa, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A forma utilizada pela recorrente não afasta a aplicação do instituto da denúncia espontânea, uma vez que a PER/Dcomp tem efeito de pagamento antecipado, que extingue o crédito tributário até posterior homologação. Ora, se artigo 138 do Código Tributário Nacional reza que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração, não há como privar desse privilégio aquele que quita sua obrigação através de crédito de sua titularidade. Notese que sem esse incentivo, nenhum benefício teria o contribuinte e melhor seria aguardar a atuação da autoridade fazendária. Particularmente, entendo que o artigo 138 do CTN aplicase a todas as modalidades extintivas do crédito tributário, ressalvado o parcelamento, pois neste caso há previsão legal expressa afastando a caracterização da denúncia espontânea, conforme prescrito pelo artigo 1º da Lei Complementar 104/2001, que acrescentou o artigo 155A, §1º ao Código Tributário Nacional: Art. 155A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica. § 1o Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas. Fl. 77DF CARF MF 10 § 2o Aplicamse, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, relativas à moratória. § 3o Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. § 4o A inexistência da lei específica a que se refere o § 3o deste artigo importa na aplicação das leis gerais de parcelamento do ente da Federação ao devedor em recuperação judicial, não podendo, neste caso, ser o prazo de parcelamento inferior ao concedido pela lei federal específica. Com efeito, a compensação extingue a obrigação tributária conforme previsto no artigo 156 do CTN e está no conceito de "pagamento" empregado pelo artigo 138 do CTN, vez que acarretam a sua extinção. Sendo a compensação uma forma de pagamento e, restando atendidas as outras exigências do artigo 138 do CTN, impõese, a exclusão da multa de mora. Portanto, é descabida a exigência da multa de mora, porquanto a confissão e o pagamento por meio da compensação se deram de forma espontânea. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso para no mérito, DARLHE PROVIMENTO assegurando o direito do Recorrente de excluir a multa moratória sobre os débitos declarados em PER/DCOMP, após os prazos de seus vencimentos, aplicando assim o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138, do CTN, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Voto Vencedor Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada Em que pese as corriqueiras lógica e clareza com que o I. Relatora apresenta suas razões, pretendo demonstrar as razões da minha discordância quanto ao julgamento de mérito da matéria ora submetida. DO MÉRITO A lide diz respeito à possibilidade de a compensação de débitos declarados em PER/DCOMP, após os respectivos prazos de vencimento, atrair o benefício da denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional CTN e, conseqüentemente, afastar a incidência da multa de mora sobre esses débitos. Sobre a matéria, alega a Recorrente, em suas razões recursais, às fls. 58/65, o seguinte: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10925.903027/200924 Acórdão n.º 2401006.497 S2C4T1 Fl. 7 11 (...) d) resta totalmente equivocada a conclusão exarada no acórdão recorrido. Referido julgado deixou de reconhecer a caracterização da denúncia espontânea, o que extinguiria a multa, porque o crédito tributário foi extinto por compensação e não recolhimento integral do débito declarado; e) os julgadores deixaram de observar que o Código Tributário Nacional possui um capítulo específico tratando da extinção do crédito tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO I Modalidades de Extinção – e, em seu art. 156, onde relaciona as formas possíveis:Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; f) Como se extrai do disposto na legislação de regência, não há diferença alguma se a extinção do crédito tributário se deu por pagamento ou por compensação. Ao interpretar o presente caso da maneira como se deu no acórdão, é criar um obstáculo ao contribuinte que não existe na lei. Afinal, tanto compensação, quanto o pagamento, são forma de extinção do crédito tributário e é o que basta para solução do presente caso; (...) Ou seja, entende o contribuinte que o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN compreende não somente o pagamento, mas igualmente a compensação, posto ser esta também modalidade de extinção do crédito tributário prevista no art. 156 do citado diploma legal. Vejamos a dicção do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (*) destaques acrescidos É de se destacar que resta consolidado o entendimento que configura denúncia espontânea a hipótese na qual o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito (sujeito a lançamento por homologação), retificaa antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, noticiando a existência de diferença a maior, com o concomitante pagamento. Entretanto, a questão controvertida objeto dos autos impõe perquirir a extensão semântica do vocábulo "pagamento" utilizado pelo retromencionado art. 138 do CTN. Fl. 79DF CARF MF 12 Em outras palavras: a saber se a expressão "pagamento" compreende também a compensação por serem ambos modalidade de extinção de crédito tributário. Entendo que não. É certo que a compensação e o pagamento são formas de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, incisos I e II do CTN. Contudo, com a redação dada pela Lei 10.637 de 2002 ao art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996, a compensação mediante apresentação da Declaração de Compensação DCOMP foi expressamente reconhecida como extintiva do crédito tributário, mas sob condição resolutória de sua ulterior homologação, in verbis: Art. 74 (...) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da sua ulterior homologação. (...) * destaques acrescidos Desta forma, quando, em vez de realizar o pagamento o contribuinte apresenta pedido de compensação, a extinção do crédito tributário está sujeita à manifestação posterior da autoridade fazendária no sentido de homologar ou não o pedido de compensação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência dos encargos moratórios. Consequentemente, dependente a compensação da homologação por parte da autoridade fazendária, não se pode concluir que o sujeito passivo tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento do tributo e realizado o seu pagamentos integral nos termos do art. 138 do CTN, deixando assim de ser albergado pelo instituto da denúncia espontânea. Esse é o entendimento esposado pela 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça ao apreciar o Agravo Interno no REsp 1.585.052/RS, expresso no voto condutor do julgado proferido pelo Ministro Humberto Martins, a saber: (...) "Conforme consignado na análise monocrática, a denúncia espontânea é uma benesse legal que exige para sua implementação o pagamento do tributo devido, acrescido dos juros de mora correspondentes. Logo, a hipótese do art. 138 do CTN exige o pagamento do tributo que não se confunde com o pedido de compensação. Quando, em vez de realizar o pagamento, o contribuinte apresenta pedido de compensação, a extinção do crédito tributário está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência dos encargos moratórios. Desse modo, sendo a compensação dependente de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art.138 do CTN." (...) Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10925.903027/200924 Acórdão n.º 2401006.497 S2C4T1 Fl. 8 13 Vários Colegiados deste Conselho também manifestaramse contrariamente à denúncia espontânea mediante compensação, consoante expresso nas seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 [...] COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA. Pagamento e compensação são modalidades de extinção do crédito tributário distintas, não apenas pela doutrina mas pelo próprio texto legal. A denúncia espontânea, para que se configure, requer o pagamento do tributo. Assim, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito pela via da compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada, e a multa moratória é devida, nos termos da lei, estando o débito em atraso na data da compensação. (Acórdão n° 1301001.991, Relator Conselheiro Waldir Veiga Rocha, sessão de 03 de maio de 2016) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1993 a 31/07/1994 [...] DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Para caracterizar a denúncia espontânea, o art. 138 do CTN exigese a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado (Acórdão n° 3802004.034, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, sessão de 27 de janeiro de 2015,) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 [...] Oportuna a transcrição dos argumentos expostos pelo Conselheiro Roberto Massao Chinen no voto condutor do Acórdão n° 1801001.835: (...) De acordo com o legislador, o pagamento, ao lado da compensação, são espécies do gênero "modalidades de extinção". O que vale para o gênero vale para a espécie, mas a recíproca não é verdadeira, lógica esta que se extrai do silogismo aristotélico. Se a compensação também excluísse a responsabilidade pela denúncia espontânea, porque não o fariam as demais formas de extinção do crédito tributário? A dação em pagamento em bens imóveis (inciso XI) configura denúncia espontânea? É mais razoável e prudente concluir que, se o legislador pretendesse contemplar a compensação, ou outras formas de extinção do crédito, não teria escrito somente "pagamento" no caput do art. 138 do CTN. Se assim o fez, é porque quis dizer que pagamento é Fl. 81DF CARF MF 14 pagamento, e não se confunde com compensação. E de fato, tratase de duas espécies distintas, com efeitos diferenciados. O pagamento extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra providência posterior. O mesmo não ocorre com a compensação, porque ela se sujeita a uma condição (resolutória) de decisão de não homologação, que resolve (reverte) os efeitos, fazendo com que o débito retorne à condição de nãoextinto. Teleologicamente falando, a denúncia espontânea guarda similaridade com o instituto do arrependimento, do direito penal,que o CP garante sob duas formas, o arrependimento eficaz (art.15) e o posterior (art. 16). Em ambas, o benefício (responder somente pelos atos já praticados e redução da pena, respectivamente) somente é concedido quando houver prova do arrependimento (impedimento do resultado no art. 15 e reparação do dano e restituição da coisa no art. 16). Nos dois institutos, o penal e o tributário, a função é a mesma: a prevalência da premiação sobre o castigo. Se no direito penal exigese certeza de que o acusado está arrependido, o mesmo vale para a denúncia espontânea. E tal certeza somente é obtida pelo pagamento. (...)" De fato, admitindose uma interpretação extensiva do disposto no art. 138 do CTN, pretendendo estender seus efeitos para a compensação por entenderse que a expressão "pagamento" abarca outras modalidades de extinção do crédito tributário, nos induz a pensar se as demais formas de extinção também não estariam compreendidas pelo benefício da denúncia espontânea. Entendo que não. A meu ver, não cabe aqui a interpretação extensiva do vocábulo "pagamento" empregado no art. 138 do CTN, visando estender os efeitos da denúncia espontânea a outras formas de extinção do crédito tributário. A interpretação é o processo lógico para estabelecer o sentido e a vontade da lei, sendo a interpretação extensiva a ampliação do seu conteúdo, efetivado pelo aplicador da norma do direito, quando a norma disse menos do que deveria. E obviamente, não foi o caso. De fato, perquirindo o debate legislativo à época da discussão do projeto de lei em que se converteu o CTN , temse claro que, para o legislador originário, o efeito extintivo da compensação não é o mesmo do pagamento, considerado causa extintiva por excelência (grifos nossos), razão pela qual foi destacado na Exposição de Motivos (fls. 214) que a mesma não poderia ser imposta pelo contribuinte à Fazenda Pública, em razão do princípio da universalidade do orçamento.1 Para concluir, não bastassem os elementos históricos a oferecer clareza ao conteúdo semântico da expressão "pagamento" contida no art. 138 do CTN, a interpretação sistemática, decorrente da estrutura principiológica do próprio sistema jurídico, mormente do Sistema Tributário Nacional, através do qual confrontase a prescrição normativa com outra de que proveio ou dimana, verificandose o nexo entre a regra e a exceção, entre o geral e o particular, nos leva ao mesmo entendimento. Assim, uma norma não pode ser vista de forma isolada pois o direito existe como sistema de forma ordenada e com certa sincronia, razão pela qual não é possível a compreensão da compensação como cláusula extintiva do crédito tributário a oferecer os mesmos efeitos do pagamento, à luz do que dispõe art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996, acima transcrito. 1 Fonte: https://www2.senado.leg.br/ Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10925.903027/200924 Acórdão n.º 2401006.497 S2C4T1 Fl. 9 15 Diante do exposto, agiu acertadamente a autoridade administrativa, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora designada. Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 13051.720197/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.037
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para que a duplicidade de pedidos de ressarcimento e compensação reconhecida eletronicamente seja aferida pela Unidade de Origem, mediante análise dos valores efetivamente pleiteados na unidade. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que negavam provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que negavam provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos de COFINS Não-Cumulativa – Exportação, de que trata o art. 6º, § 2º da Lei nº 10.833, de 2004, pleiteado pela empresa em epígrafe por meio do PER (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso). Não há informação de compensações declaradas com referência no crédito. A DRF de origem indeferiu o pedido, emitindo Despacho Decisório no qual foi consignado que se trata de pedido em duplicidade. No referido despacho, aponta-se o número de outro PER/DCOMP referente ao mesmo crédito. Como fundamento para a decisão é indicada a seguinte base legal: parágrafo 7º do art. 21 e Parágrafo 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 51 .7 20 19 7/ 20 11 -1 2 Fl. 273DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.037 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720197/2011-12 Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, onde, preliminarmente, pugna pela nulidade do Despacho Decisório, que estaria eivado de vício formal insanável. Aponta que dito Despacho Decisório não veio acompanhado da devida fundamentação motivacional, mas apenas apontaria as supostas infrações cometidas pela Manifestante. Faltariam a exposição dos elementos de convicção, dos elementos fáticos e do motivo da inexistência de crédito. Concluiu que teria ocorrido cerceamento de defesa e colaciona doutrina, que entende corroborar seu raciocínio. Nesse trilhar, aponta ainda nulidade do procedimento por erro na capitulação legal. Faz um arrazoado sobre a validade do ato processual administrativo tributário, defendendo que o Despacho Decisório, para ser válido e eficaz, deve conter os requisitos fundamentais: agente capaz, forma prescrita ou não defesa em lei e objeto lícito. Aponta equívoco referente à tipificação do "enquadramento legal", ao indicar o parágrafo 7o do Art. 21 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, o qual trata sobre créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, que não guardaria relação com a suposta exigência descumprida. Aduz que, pelo erro cometido pela autoridade tributária (omissão da legislação que substanciaria a suposta irregularidade cometida no PER com a indicação de dispositivos imprecisos), haveria carência de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da suposta duplicidade do pedido de ressarcimento em questão, dificultando o exercício de seu direito de defesa, importando em vício que acarreta a nulidade do Despacho Decisório. Argumenta que a capitulação legal é elemento essencial para a validade do Despacho Decisório, sob pena de cercear o direito de defesa do contribuinte. Traz julgados do Egrégio Conselho de Contribuintes que coadunam com suas alegações. No mérito, destaca, inicialmente, a correção do Pedido de Ressarcimento complementar de créditos. Argumenta que, apesar de serem referentes ao mesmo período, tratar-se-ia de pedidos diferentes. Acrescenta que no procedimento administrativo inexiste a figura da coisa julgada. Por fim, observa que enquanto não transcorrido o prazo prescricional para requerer créditos decorrentes da atividade da empresa, não estaria ela ofuscada pela decisão administrativa do pedido anterior. Relata que a apuração dos créditos no pedido original foi feita com a utilização do método "Base na Proporção da Receita Bruta Auferida", com base nos artigos 3º, § 7º e § 8º das Leis n.° 10.833/03 e 10.637/02, conforme se depreende do DACON. No entanto, narra que efetuou um trabalho de revisão fiscal com recálculo dos créditos de COFINS Não-Cumulativa – Mercado Interno no período, referente ao rateio proporcional da receita bruta auferida, alterando os percentuais dos créditos passíveis de ressarcimento, mas que não foram alvos do outro pedido. Alega que havia inserido "receitas" das vendas, oriundas da comercialização de bens e mercadorias referente a atos cooperados, no primeiro pedido de ressarcimento de COFINS Não-Cumulativa. Então, ao recalcular a totalidade das receitas, desconsiderando as vendas referentes aos atos cooperados, conforme previsto em lei, chegou-se a um novo percentual de receitas para o mercado interno e exportação. Demonstra o recálculo por meio de um exemplo prático. Fl. 274DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.037 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720197/2011-12 Argumenta que, constatado o erro no percentual outrora empregado, verificou-se, por conseguinte, que a empresa havia requerido valor a menor, razão pela qual, dentro do prazo prescricional, fez pedido referente apenas à parcela que ficou de fora do outro pedido, por ser a única forma de haver ressarcido os valores decorrentes de tais créditos apurados após o trabalho de revisão fiscal, já que entende que as operações com cooperados não configuram receitas. Traz acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assevera que a IN RFB 900/08, em seu art. 77, não permite que o contribuinte efetue a retificação do pedido de ressarcimento após a decisão administrativa. Então, como possui valores passíveis de ressarcimento que foram levantados no recálculo, apresentou novo pedido, já que não havia outra forma de pleitear a diferença. Por fim, destaca que referido pedido "complementar" não se trata de aumento de crédito, mas de realocação do rateio proporcional dos créditos passíveis de ressarcimento e que acarretaram no pedido "complementar". Da correção monetária ao pedido de ressarcimento Defende que a demora no reconhecimento do crédito implica que se proceda à devida correção pela Selic desde a data do protocolo do pedido a fim de reparar a mora e o poder aquisitivo do crédito. Pugna pela devida correção dos créditos pela taxa SELIC, desde a data dos seus protocolos, em conformidade com o art. 39, § 4.° da Lei n° 9.250/95 e com a Súmula n° 411 do STJ. Do Pedido Requer, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório face às irregularidades apontadas e, no caso de não acolhimento do pedido anterior, no mérito, a reforma do Despacho Decisório uma vez que o PER analisado trata-se de pedido complementar de crédito, o qual deve ser acrescido da devida correção monetária pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento/compensação. Por seu turno, a DRJ julgou a impugnação improcedente. Irresignado, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302-001.028, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13051.720137/2011-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 275DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.037 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720197/2011-12 Ressalte-se que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302-001.028). Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Entende o relator que o PER 20432.67773.270409.1.1.11-1894 objeto dos autos deve ser caracterizado como um pedido de retificação do pedido original nº 02927.65081.251006.1.1.11-3372, que trata do mesmo trimestre do tributo, sendo que a norma que regulamenta o pedido de ressarcimento só permite sua retificação antes de qualquer decisão administrativa, nos termos do art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente na época dos fatos. Entende, ainda, que como já havia decisão administrativa sobre o pedido de ressarcimento original, quando do protocolo do pedido de retificação, que a retificação do PER original por força do impeditivo normativo não deve surtir efeitos. Entretanto, respeitosamente não concordo com as assertivas explicitadas pela i. relator, na medida em que inexiste no ordenamento jurídico pátrio qualquer restrição ao direito contribuinte de efetuar novo pedido de ressarcimento que tenha por objeto o mesmo trimestre de tributo já pedido anteriormente, desde que não haja similitude de créditos e que seja respeito o prazo prescricional para o exercício do direito de ressarcimento. Ora, entendo ser totalmente aceitável que ao contribuinte seja concedido o direito de rever seus lançamentos e, ultrapassado o prazo de retificar o pedido original previsto na IN 900/2008, realize novo de pedido de ressarcimento. No caso dos autos, a Recorrente afirmou tratar-se de pedidos de ressarcimento diferentes, decorrente de recálculo dos créditos de PIS/COFINS não cumulativo que modificou o percentual de rateio do mercado interno não-tributado e mercado de exportação. Ou seja, o primeiro pedido foi realizado em valor ao menor do que aquele efetivamente devido, fato este que motivou a apresentação de pedido complementar. Ao que parece estamos diante de dois pedidos distintos, o original e o complementar, que tem em comum o fato de se referirem ao mesmo trimestre do tributo. E, em se tratando de pedidos distintos, o limite para o exercício do direito ao pedido complementar é o prazo prescricional para o exercício do direito ao ressarcimento e, não do prazo de retificação previsto na IN 900/2008. Contudo, não obstante a Recorrente tenha carreado documentos para comprovar suas alegações, faz necessário que a fiscalização apure se há similitude dos créditos apresentados nos PER nº s 20432.67773.270409.1.1.11-1894 e 02927.65081.251006.1.1.11-3372, intimando, para tanto, à Recorrente para apresentar documentos que entender necessário à conclusão da diligência. O fundamento para o indeferimento foi por duplicidade de pedido, aparentemente, calcado na identidade do trimestre, do tributo e do tipo de crédito "Cofins Não- Cumulativa" - Mercado Interno. A base legal foram os artigos 21, §7º e 28, §2º da IN RFB nº 900/2008, a saber: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. [...]§ 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. Fl. 276DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.037 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720197/2011-12 Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. [...]§ 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação De início, entendo que o requisito de que cada pedido corresponda a um trimestre não implica a consequência contrária, ou seja, que cada trimestre corresponda a um único pedido. Esta possibilidade, inclusive está expressa no artigo 22 da referida instrução normativa, ao permitir a existência de pedido de ressarcimento residual relativo a créditos objeto de pedidos anteriores. Art. 22. O saldo credor passível de ressarcimento relativo a períodos encerrados até 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedido de ressarcimento ou Declaração de Compensação apresentados à RFB até 31 de março de 2007, bem como os relativos a trimestres encerrados após 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedidos de ressarcimento ou Declaração de Compensação formalizados mediante a apresentação de petição/ declaração em meio papel entregues à RFB a partir de 1º de abril de 2007, somente poderá ser ressarcido ou utilizado para compensação após apresentação de pedido de ressarcimento do valor residual. Assim, admito não haver incompatibilidade inerente entre a possibilidade de apresentar um pedido de ressarcimento relativo a um mesmo período e da mesma natureza já pedidos. Porém, é necessário entender que a instituição de sistemas eletrônicos e travas operacionais são plausíveis, de modo a possibilitar análises céleres e identificação de possíveis situações caracterizadoras de pedidos de ressarcimentos indevidos. Inclusive a regra de impossibilidade de retificação de PER após o despacho decisório é plausível, pois não faria sentido retroagir processualmente para inovar um pedido para o qual já houvesse decisão administrativa, com litígio eventual já delimitado. Todavia, ao interpretar que a instrução normativa, concluindo pela impossibilidade de PER complementar, estar-se-ia implementando um novo prazo prescricional, qual seja, a emissão de despacho decisório. Sabe-se que tal prescrição está contida no Decreto 20.910/32, cujo artigo 1º dispõe: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Contudo, ao admitir que cada trimestre seja realizado por apenas um pedido, sem possibilidade de complementação, acaba por resultar em estabelecimento de novo prazo prescricional para que o contribuinte exerça o direito ao ressarcimento de créditos. Assim, ainda que o contribuinte dispusesse de anos para pedir o ressarcimento, após a emissão do despacho decisório, qualquer valor ainda não pedido, seja por qualquer motivo, tornar-se-ia prescrito, já que impossível qualquer retificação ou apresentação de PER complementar. Como ficaria o direito do contribuinte se eventuais créditos somente fossem reconhecidos em ato normativo emitido pela própria RFB posterior a pedidos já decididos, mas antes de escoado o prazo do Decreto nº 20.910/32, tal qual o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que estabeleceu novo conceito de insumos para efeito da não-cumulatividade das contribuições? Entendo que a IN não pretendeu a alteração deste prazo. Conforme já exposto, a retificação de PER é vedada após a emissão de despacho decisório e nesta vedação residem motivos de ordem processual e mesmo de eficiência da análise eletrônica de Fl. 277DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.037 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720197/2011-12 PER/DCOMPS. Todavia, o contribuinte não apresentou uma retificadora, mas um novo PER do mesmo período, tributo e tipo de crédito, que o sistema presumiu como duplicidade dos pedidos. Porém, tal presunção de indeferimento não se verifica, pois o pedido, em princípio, não está em duplicidade, em vista das alegações e documentos apresentados. A presunção de duplicidade ocorreu em função apenas do período, tributo e da natureza do crédito, mas não dos valores pleiteados, o revela um critério da Administração para o tratamento eletrônico, mas que pode não corresponder à verdade material dos pedidos, nem pode servir para a configuração de novo prazo prescricional. Assim, voto no sentido de afastar a presunção de duplicidade reconhecida eletronicamente, para que tal duplicidade seja aferida pela análise dos valores efetivamente pleiteados pela unidade de origem. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por afastar a presunção de duplicidade e converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para que órgão de origem avalie a duplicidade de pedidos de ressarcimento e compensação reconhecida eletronicamente, mediante análise dos valores efetivamente pleiteados na unidade de origem. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000103/2006-88
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 31/12/2005
DÉBITO INCLUÍDO EM DCOMP. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
IMPROCEDÊNCIA.
Comprovado que os débitos lançados foram incluídos em DCOMP
regularmente apresentada pela autuada antes da lavratura do auto de infração, impõe-se o cancelamento do lançamento de oficio.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 2102-000.077
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Comprovado que os débitos lançados foram incluídos em DCOMP regularmente apresentada pela autuada antes da lavratura do auto de infração, impõe-se o cancelamento do lançamento de oficio. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. • oM0ofj4:3L,. °1 SE M • RIA COELHO MARQUES Presidente l • WALBE" JOSE DA • ILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Gileno Gurjão Barreto e Alexandre Gomes. Processo n° 17883.000103/2006-88 S2-C I T2 Acórdão n.° 2102-00.077 Fl. 409 Relatório Contra a COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL foi lavrado Auto de Infração para exigir o pagamento de IPI relativo a fatos geradores ocorridos entre junho e dezembro de 2005 porque a empresa não logrou provar que os débitos autuados estavam com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, como havia sido declarado em DCTF. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3 - Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora — MG, considerando que os débitos foram confessados em DCTF, julgou improcedente o lançamento, nos termos do Acórdão n2 09-14.834, de 24/10/2006 (fls. 111/114), recorrendo de oficio a este Segundo Conselho de Contribuintes. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 117. Na sessão do dia 26/04/2007, nos termos da Resolução n° 201-00.683, este Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para apurar a alegação da empresa autuada de que os débitos lançados foram extintos por compensação realizada antes da lavratura do auto de infração. Realizado a diligência, ficou confirmada a alegação da recorrente e comprovada a extinção dos débitos lançados quando da apresentação das DCOMP, que resultaram não sendo homologadas e os débitos inscritos em dívida ativa da União. Retornaram os autos para conclusão do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso de oficio foi admitido na sessão do dia 26/04/2007. Como relatado, os débitos objeto do auto de infração foram declarados em DCOMP apresentada à RFB antes da lavratura do auto de infração. A DRJ recorrida cancelou o lançamento porque os débitos tinham sido declarados em DCTF e, nos termos da Lei n° 10.833/03, tais débitos não poderiam ser objeto de lançamento de oficio. COA 2 Processo n° 17883.000103/2006-88 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.077 Fl. 410 Nos termos do voto da Resolução n° 2_01 _00.683 (fls. 144/148), este Conselheiro Relator não concorda com os fundamentos da decisão recorrida, embora concorde com o resultado do julgamento que reconhece a constituição do crédito tributário por declaração em DCTF, passível de inscrição em Dívida Ativa da União, nos termos da Medida Provisória n° 135/03 (Lei n° 10.833/03), que restringiu a aplicação do art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35/03. Mais ainda, ficou provado que os débitos objeto do lançamento foram incluídos em DCOMP apresentada antes da lavratura do auto de infração, o que dispensa a sua constituição de oficio, nos termos do § 6° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com redação da Lei n° 10.833/03. Ademais, os débitos lançados foram inscritos em DAU e estão sendo exigidos judicialmente da recorrente. Provado o anterior e regular lançamento do crédito tributário contestado, não há reformas a fazer na decisão recorrida. O crédito tributário exn tela é líquido, certo e exigível antes da lavratura do auto de infração. Face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. Sala das SesMies, em 0, de maio de 2009 WALBÉR JOSÉ DA S1LVA 30)1/4— \.; 3
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721111/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2006
ITR. IMÓVEL DESAPROPRIAÇÃO. IMISSÃO DA POSSE. PERDA DA POSSE ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DECRETO CRIADOR DA FLORESTA NACIONAL. PROPRIETÁRIO. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Comprovado nos autos que a área total do imóvel está dentro dos limites da Floresta Nacional criada antes da data de ocorrência do fato gerador do qual decorreu a perda da posse e esvaziamento do conteúdo econômico inerente à exploração do direito de propriedade e tendo sido a gleba integrada a estrutura do IBAMA, deve-se cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva do proprietário.
Numero da decisão: 2401-006.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720663/2007-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 ITR. IMÓVEL DESAPROPRIAÇÃO. IMISSÃO DA POSSE. PERDA DA POSSE ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DECRETO CRIADOR DA FLORESTA NACIONAL. PROPRIETÁRIO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado nos autos que a área total do imóvel está dentro dos limites da Floresta Nacional criada antes da data de ocorrência do fato gerador do qual decorreu a perda da posse e esvaziamento do conteúdo econômico inerente à exploração do direito de propriedade e tendo sido a gleba integrada a estrutura do IBAMA, deve-se cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva do proprietário.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-07T14:17:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-07T14:17:21Z; Last-Modified: 2019-06-07T14:17:21Z; dcterms:modified: 2019-06-07T14:17:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-07T14:17:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-07T14:17:21Z; meta:save-date: 2019-06-07T14:17:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-07T14:17:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-07T14:17:21Z; created: 2019-06-07T14:17:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-06-07T14:17:21Z; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-07T14:17:21Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10283.721111/2008-43 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.526 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2019 Recorrente DEDINI S/A EQUIPAMENTOS E SISTEMAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 ITR. IMÓVEL DESAPROPRIAÇÃO. IMISSÃO DA POSSE. PERDA DA POSSE ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DECRETO CRIADOR DA FLORESTA NACIONAL. PROPRIETÁRIO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado nos autos que a área total do imóvel está dentro dos limites da Floresta Nacional criada antes da data de ocorrência do fato gerador do qual decorreu a perda da posse e esvaziamento do conteúdo econômico inerente à exploração do direito de propriedade e tendo sido a gleba integrada a estrutura do IBAMA, deve-se cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva do proprietário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720663/2007-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 11 11 /2 00 8- 43 Fl. 241DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.526 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721111/2008-43 relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.516, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10283.720663/2007-53, paradigma deste julgamento. “DEDINI S.A. EQUIPAMENTOS E SISTEMAS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente da glosa da área de preservação permanente por não restar comprovada e arbitramento do valor da terra nua - VTN. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, discordando da cobrança, por não ser mais de sua propriedade o imóvel em questão, desde a publicação do Decreto n° 2.485/1998, por ter sido desapropriado pelo INCRA e integrado à “Floresta Nacional de Humaitá” no Amazonas. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.516, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10283.720663/2007-53, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.516, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Fl. 242DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.526 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721111/2008-43 Acórdão nº 2401-006.516 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Conforme se depreende da análise do Recurso Voluntário, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, não ser mais de sua propriedade o imóvel em questão, desde a publicação do Decreto n° 2.485/1998, por ter sido desapropriado pelo INCRA e integrado à “Floresta Nacional de Humaitá” no Amazonas, sendo incabível a cobrança do imposto. Como se observa, sinteticamente, a discussão travada nos presentes autos diz respeito à legitimidade passiva do contribuinte, relativamente ao imóvel rural em comento, em face da suposta desapropriação da terra pelo INCRA. Por sua vez, a Delegacia de Julgamento, o nobre relator do voto condutor do Acórdão recorrido acolheu a pretensão fiscal, entendo que o contribuinte continua sendo o proprietário, ou seja, responsável pelo tributo até a transferência da propriedade para o INCRA ou da imissão prévia da posse. Pois bem! O sujeito passivo do ITR é aquele que possui o animus domini em relação àquele imóvel, capaz de justificar a tributação, na forma que exigem os artigos 1º e 4º, da Lei nº 9.363/1996, in verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No mesmo sentido, prescreve o artigo 31 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Neste ponto, aliás, impende suscitar que os dispositivos retro, alternativamente, são por demais enfáticos ao estabelecerem que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, reforçando o entendimento de que, inobstante haver o "proprietário" do imóvel, se este não deter o domínio útil, afasta-se, assim, sua legitimidade passiva. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com aqueles que defendem não caber à autoridade fiscal, discricionariamente, escolher o contribuinte a partir de sua propriedade (uma das hipóteses legais), afastando-se dos elementos que comprovam a inexistência de seu domínio útil e, bem assim, a posse a qualquer título dos invasores (duas das hipóteses legais). No caso concreto, a recorrente junta aos autos a seguinte documentação com o fito de comprovar suas alegações, quais sejam: a) Portaria/DF n° 326 de 03/12/1982, onde o INCRA arrecadou, como terra devoluta, a área denominada “Gleba Boa Esperança", situada no Municipio de Humaitá, Estado do Amazonas, incorporando-a ao patrimônio da União Federal, Fl. 243DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.526 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721111/2008-43 sendo que na referida área encontram-se as áreas relativas às Fazendas “Mogno I", “Mogno II" e “Mogno III" b) Decreto n° 2.485/98, criando a "Floresta Nacional de Humaitá", dentro da qual se encontra a Gleba Boa Esperança, da qual desmembrou-se as Fazendas Mogno I, II e III. c) Cópia da Ação Ordinária de Indenização por Desapropriação Indireta em face da União Federal, através da qual visa a contribuinte ser ressarcida da desapropriação efetuada pelo INCRA. d) Perícia Judicial determinada pelo juízo da ação encimada, através da qual restou comprovado que o imóvel em questão encontra-se dentro da Floresta Nacional de Humaitá, criada pelo Decreto n°. 2.485l1.998, que passou integrar a estrutura do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, em igualdade com as demais Florestas Nacionais, e portal razão o mesmo não pertence à ora Recorrente, mas sim a União Federal. e) Cópia de uma Ação Cautelar Inominada, na qual o referido imóvel foi ofertado á penhora em garantia de débitos tributários, tendo essa oferta, porém, sido recusada tanto pela União Federal, como pelo próprio Juízo, em razão do mesmo não pertencer à ora Recorrente, mas sim ã União Federal. Depreende-se da documentação retro mencionada, ter razão a recorrente ao argumentar não ser mais a proprietária do referido imóvel, em especial pela conclusão levantada pelo perito judicial, senão vejamos: Avaliar que as áreas de terras compreendidas pelas imóveis Mogno I, II e III, anteriormente integrados pela Fazenda Esperança, pertine (originalmente) a patrimônio privado do autor, já que a arrecadação e destinação havida em 1988 foram procedidas ilegalmente, conferindo-se, por tal circunstância, a obrigatoriedade de sua reparação por indenização, à luz do valor indicado de R$44.408.840,77 (Quarenta e quatro milhões, quatrocentos e oito mil, oitocentos reais e setenta e sete reais), que de acordo com pesquisas, métodos e investigação dominial conduzidos, está resumidamente configurado às pág 49 do presente Laudo pericial. No mesmo sentido, vide a manifestação do INCRA nos autos da Ação Cautelar: ...encerrados, referentes aos imóveis rurais denominados "FAZENDA MOGNO I", área 12.000,0 ha, Matrícula 1.405; "FAZENDA MOGNO 2" área 55.005,6 ha, Matrícula 1406; "FAZENDA MOGNO 3" ÁREA 55.005,6 ha, Matrícula 1.407, todos localizados no Município de Jumaitá/AM, tendo sido INDEFERIDA a solicitação de liberação dos CCIR´s, uma vez que as áreas em apreço foram ARRECADADAS pelo INCRA, e com o advento do Decreto n° 2.485 de 02 de fevereiro de 1988 criando a Floresta Nacional de Humaitá, foi integrada a estrutura do IBAMA. Ademais, a natureza da intervenção na propriedade decorrente da criação do Parque Nacional, a meu ver, Floresta Nacional tem o mesmo fim, deve ser compreendida a partir da exegese do §1º e do caput do art. 11 da Lei nº 9.985/2000. Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. Fl. 244DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.526 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721111/2008-43 Como dito anteriormente, o Fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel rural. Não obstante, o direito de propriedade sem posse, uso ou fruição, na essência deixa de ser direito de propriedade, o que é denominado de uma casca vazia à procura de seu conteúdo e sentido, uma formalidade negada pela realidade dos fatos. Neste diapasão, merece guarida a pretensão da recorrente, devendo ser afastada a sua legitimidade. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto.” Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 245DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.007856/2003-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO.
A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendo-se a decadência pelos ditames do art. 173 do CTN,
com início do lapso temporal no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
NULIDADE PROCESSUAL. ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO
DOS FATOS. Não se caracteriza nulidade de lançamento por cerceamento do direito de defesa ou inobservância ao devido processo legal quando ocorre a perfeita descrição dos fatos e o correto enquadramento legal do ato infracional. De todo modo, qualquer irregularidade restou superada no decorrer do contencioso, pois o vício formal convalesce quando a parte dá
mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente.
TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. OBRIGATORIEDADE
DO LANÇAMENTO.
Estando o tributo com a sua exigibilidade suspensa, nada impede que o Fisco realize o lançamento do crédito tributário, a fim de prevenir a decadência.
MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. MEDIDA LIMINAR, TUTELA ANTECIPADA OU SENTENÇA PROFERIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA, AINDA QUE NÃO TRANSITADA EM JULGADO.
Na constituição de crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade estiver suspensa, ainda que não transitada em julgado a decisão judicial, descabe o lançamento de multa de oficio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.044
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo
voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência da multa de oficio. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Roberto Velloso (Suplente) e Ivan Allegretti (Suplente), que ainda reconheciam a decadência para janeiro a junho de 1998. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: WALBE JOSÉ DA SILVA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendo-se a decadência pelos ditames do art. 173 do CTN, com início do lapso temporal no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. NULIDADE PROCESSUAL. ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não se caracteriza nulidade de lançamento por cerceamento do direito de defesa ou inobservância ao devido processo legal quando ocorre a perfeita descrição dos fatos e o correto enquadramento legal do ato infracional. De todo modo, qualquer irregularidade restou superada no decorrer do contencioso, pois o vício formal convalesce quando a parte dá mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente. TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. OBRIGATORIEDADE DO LANÇAMENTO. Estando o tributo com a sua exigibilidade suspensa, nada impede que o Fisco realize o lançamento do crédito tributário, a fim de prevenir a decadência. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. MEDIDA LIMINAR, TUTELA ANTECIPADA OU SENTENÇA PROFERIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA, AINDA QUE NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Na constituição de crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade estiver suspensa, ainda que não transitada em julgado a decisão judicial, descabe o lançamento de multa de oficio. uf( 1 Processo n° 10980.007856/2003-24 S2-C1 T2 Acórdão C' 2102-00.044. Fl. 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência da multa de oficio. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Roberto Velloso (Suplente) e Ivan Allegretti (Suplente), que ainda reconheciam a decadência para janeiro a junho de 1998. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. 4 ;, 4/ OMOLS)1A,0‘_/ 4 * SE% A MARIA COELHO MARQUES Presidente c / WALBE ' JOSÉ DA . ILVA Relato-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maurício Taveira e Silva, José Antonio Francisco e Ivan Allegretti (Suplente).Ausente o Conselheiro Roberto Velloso (Suplente). Relatório A contribuinte CONSULT CONSULTORIA EMPRESARIAL S/C LTDA foi autuada em 18 de junho de 2003 (fls. 51/62), por supostas faltas de pagamento da COFINS nos períodos de janeiro a dezembro de 1998, perfazendo um total de R$ 68.587,02 (sessenta e oito mil, quinhentos e oitenta e sete reais e dois centavos), acrescidos de multa de oficio de 75%. Uma vez que cientificada em 21/07/2003, tempestivamente apresentou Impugnação (fls. 01/08) em 19/08/2003. Preliminarmente, com base no disposto no art. 150, § 4° do CTN, afirmou que o direito do Fisco de exigir a Cofins estava decaído referente aos fatos geradores ocorridos até 21/07/1998, uma vez que o prazo decadencial previsto seria de cinco anos contados da data do fato gerador do tributo. Informou que ingressou com mandado de segurança n° 97.0011253-5. O mandado objetivava a suspensão de exigibilidade da Cofins, no qual efetuou depósitos judiciais, conforme art. 151, II, CTN. Quanto à multa de oficio, sustentou que, de acordo com o art. 63, caput e § 1, da Lei n° 9.430/96, a multa não merece prosperar, já que o crédito tributário estava com a exigibilidade suspensa. Requereu, portanto, a improcedência do auto de infração. t?"e sW 2 , . . Processo n° 10980.007856/2003-24 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.044. Fl. 3 A contribuinte foi intimada a apresentar os formulários dos depósitos judiciais efetuados (fls. 70), o que foi realizado às fls. 88/91 e 95. Conforme despacho de 09/01/2006 da DRF de Curitiba, foi informado que o processo judicial mencionado na DCTF estava pendente de apreciação junto ao STJ e opinou para que se procedesse à suspensão da exigência dos depósitos judiciais. Através do acórdão n°. 10.245 de 15 de março de 2006 (fls. 104/114) da Delegacia da Receita Federal de Curitiba — PR, que decidiu, por maioria de votos, julgar procedente o lançamento do auto de infração, com a correspondente multa de oficio de 75%, além dos encargos legais. Rejeitou a preliminar de decadência, afirmando que o direito da Fazenda Pública relativo à COFINS, decai em 10 anos. A ementa deste acórdão segue abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de Apuração: 01/01/1998 a 21/07/1998 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de a fazenda Pública constituir o crédito relativo à Cofins decai em dez anos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Ementa: ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIBILIDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, inclusive, no caso, com a incidência de multa de oficio, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais, cuja conseqüência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Presentes os pressupostos contidos na legitimação, cobram-se a multa de oficio e os juros de mora. Lançamento Procedente. A contribuinte tomou ciência da decisão em 28/04/06, através de aviso de recebimento de fl. 117. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário em 04 de maio de 2006 (fls. 119/153). Preliminarmente reafirmou sobre o prazo decadencial de 5 anos, tendo com base o art. 150 §4 do CTN e afirmou da nulidade do auto de infração, por haver insuficiência dos fatos e dos dispositivos supostamente violados. Requereu a impossibilidade dos valores que estão com a exigibilidade suspensa serem objetos de autuação, demonstrando o teor do art. 151, II do 151 (4 3 Processo n° 10980.007856/2003-24 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.044. Fl. 4 CTN. Referente a multa de oficio, requereu a não aplicação da multa, pois os valores estavam sob discussão judicial. Também apresentou na mesma data do Recurso Voluntário, petição requerendo ser dispensada do arrolamento ou depósito no valor correspondente a 30% da exigência fiscal para dar seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade necessários para a sua proposição, portanto, dele tomo conhecimento. A questão a ser tratada aqui é relativa à argüição de nulidade do lançamento por insuficiência de descrição dos fatos e indicação dos dispositivos violados, além de por falta de motivo vinculado e motivação para lavratura do auto de infração, do prazo decadencial da COFINS, além do lançamento efetuado pela fiscalização, para prevenir a decadência, uma vez que a contribuinte ainda discute judicialmente os valores que foram alvo do lançamento em questão. Passaremos agora a analisar os pontos acima mencionados: I — Prazo Decadencial da COFINS O auto de infração em questão fora lavrado em 21/07/2003, relativo ao período de janeiro a dezembro de 1998. O acórdão atacado considerou o prazo decadencial de dez anos, conforme o art. 45 da Lei n° 8.212/91, enquanto que a contribuinte defendeu o prazo decadencial de cinco anos a contar do fato gerador do tributo, conforme regula o art. 150, § 40 do CTN. No que se refere ao prazo decadencial da COFINS, este Conselho já assentou o entendimento quanto ao prazo decadencial qüinqüenal, conforme o art. 150, § 4 0, do CTN. Em homenagem ao posicionamento amplamente exarado por Conselho quanto à COFINS, adoto o mesmo entendimento. Reproduzo, a seguir, o entendimento esposado no julgamento do Recurso Voluntário no 130.103: "Deve ser observado que, desde a edição da Carta Política de 1988, as contribuições sociais, na qualidade de espécies tributárias, sujeitam-se ao qüinqüênio legal, a exemplo dos demais tributos." Assim, sendo o PIS e a COFINS contribuições destinadas ao orçamento da seguridade social, aplica-se o ordenamento jurídico-tributário. Ao lado disso, não se pode olvidar que o artigo 146, III, "b", da Constituição Federal de 1988, estatui que somente a lei complementar pode estabelecer norma geral em matéria tributária que verse sobre decadência. 6-41 4 Processo n° 10980.007856/2003-24 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.044. Fl. 5 Desta feita, resta inequívoco que tais tributos sujeitam-se às normas sobre decadência dispostas no CTN, estatuto este recepcionado com o status de lei complementar, não podendo ser dado vazão ao entendimento de que norma mais específica, contudo com o status de lei ordinária, possa sobrepujar o estatuído em lei complementar, conforme rege a Lei Fundamental. Nesse sentido, vale transcrever ementa de v. aresto do Eg. TRF da 4g. Região', verbis: "Contribuição Previdenciá ria. Decadência. Com o advento da Constituição Federal de 1988, as contribuições previdenciárias voltaram a ter natureza jurídico- tributária, aplicando-se-lhes todos os princípios previstos na Constituição e no Código Tributário Nacional. Inexistindo antecipação do pagamento de contribuições previdenciárias, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do art. 173, 1, do CTN. Precedentes." Por sua vez, a Primeira Seção do Eg. STJ nos Embargos de Divergência no 101407/SP no Resp rf- 1998/0088733-4, julgado em 07/04/2000, publicado no DJ de 08/05/2000 (pág. 53), relatado pelo Ministro Ari Pargendler, votado à unanimidade, restou assim ementado: "TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4", do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; a incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Embargos de divergência acolhidos." Há precedentes da CSRF, no Acórdão CSRF/02-01.63 6 adiante transcrito, e de outros diversos precedentes no mesmo sentido: TRIBUTOS SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INÍCIO DA CONTRA GEM DO PRAZO DECADENCIAL. FATO GERADOR. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O IRPJ, a CSLL e o PIS COFINS são tributos que se amoldam à sistemática de lançamento Ap. Cível ri' 97.04.32566-5/SC, 1' Turma, Rel. Desemb. Dr. Fábio Bittencourt da Rosa. \(\ ai? 5 Processo n° 10980.007856/2003-24 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.044. Fl. 6 denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. (acórdão 107-08688, 7° Câmara, rel. Hugo Correia Sotero). PIS E COFINS - DECADÊNCIA - APLICAÇÃO DO CTN. PRAZO QUINQUENAL - JURISPRUDÊNCIA DO STF - O prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo à contribuição social para a seguridade social é de 5 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4o do CTN, contados do fato gerador, conforme antiga jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Aplicação do art. 1 o do Decreto n. 2.346/97. (Acórdão 105-14775, 5° Câmara, rel. EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT). COFINS - DECADÊNCIA - Tributo submetido à sistemática de homologação, o prazo decadencial é de ser contado na forma do artigo 150, par 4 0, do CTN. (Acórdão 105-14792, 5" Turma, José Carlos Passuello) A súmula vinculante n° 8 do STF pacificou o entendimento a respeito da inadequação constitucional dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, invocados pelo Fisco para sustentar a permanência dos direitos de constituir ou de cobrar os créditos tributários de COFINS em questão. O verbete sumular esclarece serem inconstitucionais tais artigos, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Assim, fica afastado o entendimento de que seria de 10 anos o prazo decadencial ou prescricional para cobrança dos créditos tributários discutidos no presente processo. Importa saber, em verdade, qual prazo deveria ser observado para constituição do crédito ou cobrança, de sorte que se possa apreciar a questão a respeito de se operou decadência/prescrição relativamente à pretensão exacional do Fisco. Portanto, aplicando-se o prazo qüinqüenal descrito acima, uma vez que o lançamento se deu em julho de 2003, a pretensão do Fisco no tocante aos fatos geradores anteriores à julho de 1998 encontram-se decaídos, merecendo, portanto, reforma quanto à preliminar suscitada o acórdão pleiteado. II — Da Argüição de Nulidade do Auto de Infração Não entendo ser cabível a nulidade do auto de infração em epígrafe, uma vez que a requerente afirma, com base no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 que a descrição dos fatos e indicação dos dispositivos supostamente violados estaria em desacordo com o necessário para validar o auto de infração. Acontece que ao vislumbrar o auto de infração, às fls. 53/61 temos que na descrição dos fatos o mesmo assim declara como descrição dos fatos: 4 o, 9p'l 6 Processo n° 10980.007856/2003-24 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.044. Fl. 7 "Falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme Anexo III. Demonstrativo do crédito tributário a pagar emn anexo". No Anexo III mencionado, à f1.59, temos mensalmente os valores declarados e não recolhidos pela contribuinte, e a aplicação da multa de oficio, de forma a deixar clara a situação, de falta de recolhimento de valores declarados pela contribuinte, além de citar a legislação e enquadramento legal cabível à situação em tela_ Além disso, qualquer irregularidade quanto à descrição dos faltos, restou superada no decorrer do contencioso, pois o vício formal convalesce quando a parte dá mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente, não citando inclusive, nada acerca desta eventual nulidade em suas peças anteriores. Desta forma, cito julgado da Segunda Câmara, que corrobora tal entendimento: Assunto:Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITRExercício: 2000AUTO DE INFRAÇÃO_ NULIDADE. INEXISTÊNCIA.A suposta nulidade do auto de infração, por insuficiência na descrição dos fatos e contradição entre seus elementos, não merece guarida, haja vista que a descrição dos fatos e o enquadra mento legal constam de forma escorreita do auto de infração, que discrimina a diferença de imposto apurada. De todo modo, qualquer irregularidade restou superada no decorrer do contencioso, pois o vício formal convalesce quando a parte dá mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente. (Recurso: 137.238, Acórdão n° 302-39302, Relator: Corintho Oliveira Machado, em 28/02/2008). Além desta alegação, a requerente alegou que o lançamento carecia de motivação, o que também discordo, por considerar que a declaração de valores em DCTF caracteriza confissão de dívida por parte do contribuinte, valores declarados estes que não foram recolhidos, ensejando assim o lançamento por falta de recolhimento, mesmo que tais valores estejam sendo depositados em juízo, pois tal situação não evita o lançamento e sim, apenas suspende a exigibilidade dos valores discutidos, como veremos a seguir. Considero que foram preenchidos os requisitos para a lavratura do auto de infração. III — Lançamento para Prevenir a Decadência No que diz respeito ao restante do período abrangido pelo lançamento, de julho a dezembro de 1998, temos um lançamento por falta de recolhimento acrescido de multa e juros de valores discutidos judicialmente pela contribuinte e os quais foram depositados judicialmente, conforme podemos extrair dos autos, não estando concluída tal demanda judicial até a presente data. Acontece que não há dúvida, pelo que se depreende dos autos, que, por força do art. 151 do CTN, em seus incisos II e III, os créditos tributários postos ao conhecimento do Judiciário estão com sua exigibilidade suspensa. Da mesma forma, dúvida também não há de que o Fisco não estava impossibilitado, por ordem judicial, de efetuar o lançamento. 6-ZY 7 Processo n° 10980.007856/2003-24 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.044. Fl. 8 Porém, tal ato do Fisco foi com a finalidade de defender o direito de a Fazenda Nacional poder vir a cobrar o crédito tributário, a fim de evitar a decadência desse direito. O que está proibida é a exigibilidade do crédito tributário, obstando a sua coercibilidade e não a sua constituição. Já na relação jurídica tributária de conteúdo médio, há a pretensão, mas ainda lhe falta o poder de coagir, que só nascerá com a inscrição do crédito em dívida ativa, quando a Fazenda terá um título executivo extrajudicial, dando margem ao exercício da coação, através da ação de execução fiscal. O argumento de que o lançamento seria nulo por não haver infração, já que se trata de matéria discutida judicialmente, acarreta a impossibilidade da pretensão e posterior exercício da coação, uma vez não adimplida a obrigação tributária. Isto esvaziaria o conteúdo jurídico da relação tributária, o que não faz sentido. Para melhor elucidar esse entendimento, o Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão n°204-02.172, relativo ao Recurso Voluntário no 136.998, defende: "COFINS. AÇÃO JUDICIAL. OBRIGATORIEDADE DO LANÇAMENTO. Estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa por ordem judicial, nada impede que o Fisco lance o mesmo, podendo, todavia, seu conteúdo, no que tange ao não apreciado pelo Judiciário, ser plenamente discutido em sede administrativa. É legítimo o lançamento, porém suspensos estão seus efeitos de cobrança até decisão judicial que remova os efeitos impeditivos da exigibilidade. JUROS DE MORA - SELIC. Não pago o tributo na data de seu vencimento, seja qual for a causa, devem ser cobrados os juros de mora, sendo legítima a cobrança desses com base na taxa SELIC. Recurso negado. Resultado: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. JORGE FREIRE - Relator HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente da Câmara (DOU 16.05.2007)" (grifo meu) Há ainda entendimento do STJ, em aresto relatado pelo Ministro Ari Pargendler, em Mandado de Segurança de n°6.096 - Resolução Normativa - 95.41601-8, nesse sentido: "... o lançamento fiscal é um procedimento legal obrigatório (CTN, art. 142), subordinado ao contraditório, que não importa dano algum ao contribuinte, o qual pode discutir a exigência nele contida em mais de uma instância administrativa, sem constrangimentos que antes existiram no nosso ordenamento jurídico ('solve et repete', depósito da quantia controvertida, etc.). O conteúdo do lançamento fiscal pode ser ilegal, mas a atividade de fiscalização é legítima e não implica qualquer exigência de pagamento até a constituição definitiva do crédito tributário (CTN, art. 174)." @4( Processo n° 10980.007856/2003-24 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.044. Fl. 9 Portanto, não há dúvidas sobre a legalidade do lançamento realizado pela autoridade fiscal. O que está proibida é a exigibilidade desse crédito tributário e não a sua constituição. IV — Da Multa de Oficio Outro aspecto questionado pela requerente foi a aplicação da multa de oficio no lançamento para prevenir decadência, de forma a não considerar que não houve o recolhimento de fato, uma vez que os valores apurados foram depositados em juízo, não caracterizando assim descumprimento de preceito legal por parte da contribuinte. Já com relação à multa de oficio, devido ao não pagamento mencionado no item anterior, seria cabível, conforme disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, entendimento este defendido no Acórdão atacado, porém, conforme decisão da Medida Cautelar ajuizada no Supremo Tribunal Federal em 15/08/2005: "Ante o exposto, defiro liminarmente a cautelar requerida, ad referendum da Turma (inciso V do art. 21 RI/STF). Em conseqüência, deverá permanecer suspensa a exigibilidade do crédito tributário discutido nos autos principais." Uma vez que estamos diante de um caso de crédito tributário com a exigibilidade suspensa, a multa de oficio cai no caso do art. 63 da Lei n° 9.430/96, c/c o art. 151 do CTN: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172/66, não caberá lançamento de multa de oficio. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança; V - a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;". Desta forma, entendo que a medida cabível ao caso, no tocante à multa de oficio de 75% imposta pelo lançamento em questão, seria a exoneração do pagamento da mesma por parte da recorrente, em sua totalidade. V - Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, de forma a afastar a preliminar de nulidade argüida pela requerente, considerar decaído o direito do Fisco pleitear os valores de janeiro a junho de 1998, além de afastar a incidência da multa de oficio questionada pela requerente, mas mantendo o lançamento no período de julho a dezembro de 1998. É como voto. Sala das Sessões, e ;f: e março de 2009 GILE / G JA • BARRETO Ai 1V " 9 Processo n° 10980.007856/2003-24 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.044. Fl. 10 Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator Designado. Acompanho e adoto o voto do ilustre Conselheiro Relator, exceto quanto a contagem do prazo decadencial de 5 anos, que entendo aplicar-se a regra do artigo 173, I do CTN, pelas razões que passo a expor. Não concordo com os argumentos de que o crédito tributário, relativo aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e junho de 1998, está extinto tendo em vista a homologação do lançamento pelo transcurso do quinquênio decadencial entre as datas de ocorrência dos fatos geradores e a ciência do auto de infração, em 21/07/2003, porque, como se sabe, há três modalidades de lançamento, dependendo do papel que a lei atribua ao contribuinte na sua formação. No caso da Cofins tem-se o lançamento por homologação, no qual o contribuinte, com base nos dados por ele discriminados, antecipa o pagamento, limitando-se o ato de lançar a uma homologação, expressa ou ficta. Entretanto, exige-se como condição para que ocorra a homologação, além da ausência de dolo, fraude ou simulação, a antecipação do pagamento. Sem esta condição não há o que homologar. Não havendo o que homologar, o ato de lançar exige outro procedimento. Não sendo o caso de declaração, o procedimento exigível é o do lançamento de oficio, a teor do art. 149, inciso V, do CTN. Neste caso, cabe à autoridade administrativa providenciar os procedimentos correspondentes com vistas a efetuar o lançamento de oficio a tempo, isto é, antes do prazo decadencial previsto no art. 173, inciso 1, do CTN. Se não houve o recolhimento antecipado, não poderá ter havido homologação, nem expressa nem ficta, por falta de um pressuposto essencial, ou seja, o recolhimento propriamente dito, não se aplicando essa modalidade de lançamento. Os depósitos judiciais efetuados pela recorrente não são pagamentos e nem produzem os mesmos efeitos destes. Destarte, o lançamento formalizado pela Autoridade Fiscal só poderia ser o de oficio, para o qual se aplica o prazo decadencial do art. 173, que se conta do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento (de oficio) poderia ser efetuado. Dessa forma, razão não assiste à contribuinte, pois o presente processo trata de exigência de valores em decorrência de atividade de fiscalização, acerca dos quais não se vislumbra tenha a autuada procedido a qualquer antecipação a título de pagamento da contribuição. Com efeito, a fiscalização, interpretando os fatos verificados, à luz da legislação tributária aplicável, entendeu ter havido a falta de recolhimento da Cofins exigida, nos prazos estabelecidos. Assim sendo, aplica-se na hipótese sub judice o disposto no art. 173, inciso 1, do CTN, segundo o qual poderia o fisco exercer o seu direito de constituir o crédito tributário D, 10 Processo n° 10980.007856/2003-24 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.044. Fl. 11 até 31/12/2003, abrangendo todos os períodos do ano de 1998, estando pois a lavratura do auto dentro do prazo qüinqüenal referido. No mais, com fulcro no art. 50, § 1 12, da Lei n' 9.784/1999 2, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar indevido o lançamento da multa de oficio. Sala das Ses ões, em 03 de março de 2009 I/ .‘f WALB " JOSÉ DA ILVA 41, 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (.. -) § I' A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 11
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Numero do processo: 10920.723057/2017-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
SECURITIZAÇÃO. LUCRO REAL. NÃO OBRIGATORIEDADE.
A empresa que se dedica à atividade de securitização não está obrigada a apurar o imposto de renda sob o regime do lucro real.
LANÇAMENTO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FATOS GERADORES TRIBUTÁRIOS DISTINTOS. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em mudança de critério jurídico quando o lançamento praticado baseia-se em legislação posterior a lançamentos previamente realizados.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS: MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Nos casos de infração apurada de oficio pela autoridade fiscal, são devidos, além do tributo lançado, a multa de oficio referente à infração legal e os
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados, no que couber.
Numero da decisão: 1301-003.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. Em relação às preliminares arguidas, por maioria de votos, rejeitou-se a atinente à modificação do critério jurídico, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por acolhê-la, e, em relação a preliminar de nulidade do lançamento em razão de o mesmo não ter sido formalizado com base no lucro arbitrado, por maioria de votos, acolhê-la, deixando de pronunciá-la por força do disposto no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por rejeitá-la. Julgamento iniciado na reunião de abril de 2019.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bianca Felicia Rothschild - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 SECURITIZAÇÃO. LUCRO REAL. NÃO OBRIGATORIEDADE. A empresa que se dedica à atividade de securitização não está obrigada a apurar o imposto de renda sob o regime do lucro real. LANÇAMENTO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FATOS GERADORES TRIBUTÁRIOS DISTINTOS. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em mudança de critério jurídico quando o lançamento praticado baseia-se em legislação posterior a lançamentos previamente realizados. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS: MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Nos casos de infração apurada de oficio pela autoridade fiscal, são devidos, além do tributo lançado, a multa de oficio referente à infração legal e os TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados, no que couber.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. Em relação às preliminares arguidas, por maioria de votos, rejeitou-se a atinente à modificação do critério jurídico, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por acolhê-la, e, em relação a preliminar de nulidade do lançamento em razão de o mesmo não ter sido formalizado com base no lucro arbitrado, por maioria de votos, acolhê-la, deixando de pronunciá-la por força do disposto no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por rejeitá-la. Julgamento iniciado na reunião de abril de 2019. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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LUCRO REAL. NÃO OBRIGATORIEDADE. A empresa que se dedica à atividade de securitização não está obrigada a apurar o imposto de renda sob o regime do lucro real. LANÇAMENTO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FATOS GERADORES TRIBUTÁRIOS DISTINTOS. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em mudança de critério jurídico quando o lançamento praticado baseia-se em legislação posterior a lançamentos previamente realizados. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS: MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Nos casos de infração apurada de oficio pela autoridade fiscal, são devidos, além do tributo lançado, a multa de oficio referente à infração legal e os TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados, no que couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 30 57 /2 01 7- 17 Fl. 6616DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. Em relação às preliminares arguidas, por maioria de votos, rejeitou-se a atinente à modificação do critério jurídico, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por acolhê-la, e, em relação a preliminar de nulidade do lançamento em razão de o mesmo não ter sido formalizado com base no lucro arbitrado, por maioria de votos, acolhê-la, deixando de pronunciá-la por força do disposto no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por rejeitá-la. Julgamento iniciado na reunião de abril de 2019. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 6617DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Relatório Inicialmente, adota-se parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Decorrente do trabalho de fiscalização realizado na pessoa jurídica indicada, relativo aos anos-calendário 2013, 2014, 2015 foram lavrados em 22/12/2016 o Auto de Infração do Imposto de Renda (fls. 02 a 41) e o Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 43 a 71). O "Enquadramento Legal" das autuações encontra-se às folhas dos autos acima citadas. O crédito tributário lançado está abaixo demonstrado: Os fatos apurados pela Autoridade Lançadora estão descritos no "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 73 a 104), a seguir sintetizados. Inicialmente, a Autoridade Fiscal apresenta informações sobre a pessoa jurídica fiscalizada. De acordo com o Artigo 3o do Estatuto Social Consolidado no Anexo I da Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 08 de outubro de 2014, registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 03 de novembro de 2014 sob n° 20143097148, a Contribuinte tem por objeto social: "I - a securitização de créditos; II - a aquisição e securitização de recebíveis empresariais mercantis e/ou de prestação de serviços, através da emissão e colocação, no mercado em ambiente privado, de valores mobiliários, podendo emitir outros títulos de crédito, realizar negócios pertinentes ou relativos à securitização de títulos; III - a aquisição de direitos creditórios; " Às fls. 74, a Autoridade Fiscal enumera uma série de livros e documentos contábeis e fiscais que foram solicitados do Contribuinte para a consecução da auditoria. Em março de 2017, o Contribuinte foi intimado a apresentar cópia do razão ou razão auxiliar das contas contábeis em que foram efetuados os lançamentos em 01 de setembro de 2016, relativos ao ano de 2013, de Perdas em Operações de Crédito; demonstrativo contendo informações referentes aos valores escriturados nas contas contábeis que registraram despesas com Perdas em Operações de Crédito nos anos de 2013 a 2015; cópia do último balanço patrimonial; relação de bens e direitos e documentação comprobatória dos bens sujeitos a registro público. A resposta à intimação foi prestada dentro do prazo prorrogado, em 08 de maio de 2017. Em 13 de junho de 2017, o Contribuinte foi intimado a apresentar cópias das atas de assembléias gerais e de reuniões da diretoria e conselhos relativos aos anos de 2013, 2014 e 2015; informar qual o regime de reconhecimento de receitas nos anos de 2007 a 2012, caixa ou competência; prestar informações conforme as disposições contidas no art. 9o, da Lei n° 9.430/96, em relação aos valores escriturados como despesas com Perdas em Operações de Crédito nos anos de 2013 a 2015; cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário e Razão do ano 2013; cópia do razão da conta contábil 00072631.0326-0003 l/Perdas em Operações de Crédito (ano-calendário de 2013); cópia do razão da conta contábil 0019.0002 (conta de contrapartidas dos lançamentos efetuados em 2016 na conta 0326-0003 l/Perdas em Fl. 6618DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Operações de Crédito); informar qual o critério adotado para agrupar os valores dos lançamentos efetuados nos meses de 2013, na planilha intitulada "Demonstrativo dos Lançamentos Razão Contábil Reelaborado em 01/09/2016", apresentado em 08/05/2017, e demonstrativo contendo informações referentes aos valores escriturados como despesas com Perdas em Operações de Crédito nos anos de 2013 a 2015, que não constaram dos demonstrativos apresentados anteriormente. O Contribuinte atendeu à intimação, após prorrogação de prazo, em 04 de julho de 2017, complementado por documentos entregues em 22 de julho e em 10 e 23 de agosto de 2017. INFRAÇÕES APURADAS OPÇÃO INDEVIDA PELO LUCRO PRESUMIDO O contribuinte, no período fiscalizado (anos calendários de 2013 a 2015), apurou o IRPJ e CSLL pelo regime do Lucro Presumido e, conseqüentemente, as contribuições para o PIS e a COFINS pelo regime cumulativo. Segundo a Autoridade Administrativa, o Parecer Normativo COSIT n° 5/2014 esclarece que estão obrigadas ao regime de tributação do lucro real as pessoas jurídicas que explorem a atividade de compra de direitos creditórios, ainda que eles se destinem à formação de lastro de valores mobiliários (securitização). Alem disso, constitui receita bruta das pessoas jurídicas que explorem a atividade de compra de direitos creditórios o deságio obtido na aquisição dos títulos de crédito, ainda que se destinem à formação de lastro de títulos e valores mobiliários (securitização). Além do citado Parecer, a Autoridade Fiscal diz que a IN RFB n° 1.700/2017, em seu art. 59, reforça a obrigatoriedade de apuração pelo lucro real das empresas securitizadoras. Intimado através do Termo de Início do Procedimento Fiscal a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) relativos aos anos-calendário de 2013, 2014 e 2015, o Contribuinte se limitou a informar que "A empresa optou pelo Lucro Presumido". Como, segundo a legislação citada, o Contribuinte não poderia ter optado pelo lucro presumido, a Autoridade Fiscal lançou o IRPJ pelo Regime de Tributação com base no Lucro Real, a CSLL pelos resultados ajustados e a COFINS e o PIS pelo Regime da Não- Cumulatividade. Conforme relatado pela Fiscalização, o Contribuinte informou em sua DIPJ (AC 2013) que havia apurado a sua receita pelo regime de competência. Na ECF - Escrituração Contábil Fiscal dos anos de 2014 e 2015, o Contribuinte informou que apurou a receita pelo regime de caixa. Analisando os lançamentos e os demonstrativos contábeis da empresa, a Autoridade Fiscal concluiu que o Contribuinte apurou, no período de 2013 a 2015, a receita bruta pelo regime de caixa. Por outro lado, as despesas foram apropriadas contabilmente e levadas à apuração dos resultados segundo o regime de competência. Com relação à auditoria empreendida pela Autoridade Fiscal, foi verificado, no período de janeiro de 2013 a dezembro de 2015, que o Contribuinte somente apropriava como receita o deságio auferido na atividade de securitização no momento do recebimento dos valores dos títulos, adotando, desta forma, o regime de caixa no reconhecimento da receita. Como a empresa, por força do disposto no art. 14, VI, da Lei n° 9.718/1998, estava sujeita ao regime de Fl. 6619DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 tributação do lucro real, a Autoridade Fiscal procedeu à apuração da receita bruta auferida pela empresa pelo regime de competência. Assim, foram apuradas as receitas da empresa reconhecendo-as na data da operação de securitização/aquisição dos títulos. Abaixo, reproduzimos trecho do Termo de Verificação Fiscal sobre a forma utilizada pela Fiscalização na apuração das receitas (fl. 86): "-Janeiro a Dezembro de 2013: lançamentos contábeis referentes ao valor do deságio efetuados na conta 00004493.0719-xxxxx/Cliente xxxxxx em contrapartida da conta 00020301.0060-10000/Conta Transitória, representativos de operações de securitização. Também foram considerados os lançamentos de ajustes referentes ao valor do deságio efetuados na conta 00004491.0081-00001/Deságios a apropriar (-) em contrapartida da conta 00020301.0060-10000/Conta Transitória. - Janeiro a Junho de 2014: lançamentos contábeis referentes ao valor do deságio efetuados na conta 4493.719-xxxxx/Cliente xxxxxx, em contrapartida da conta 20301.60-10000/Conta Transitória, representativos de operações de securitização. - Julho a Dezembro de 2014: lançamentos contábeis referentes ao valor do deságio efetuados na conta 4492.20-1/Deságios a apropriar, em contrapartida da conta 4201.19- 2/Títulos a Receber, representativos de operações de securitização. - Janeiro a Dezembro de 2015: lançamentos contábeis referentes ao valor do deságio efetuados na conta 4492.20-1/Deságios a apropriar, em contrapartida da conta 4201.19- 2/Títulos a Receber, representativos de operações de securitização." Os lançamentos contábeis considerados na apuração da receita bruta auferida pela empresa foram listados nas planilhas 01, 02 e 03 dos autos, que resultaram nas receitas brutas trimestrais auferidas pelo regime de competência, cujos valores encontram-se resumidos nas tabelas de fls. 87 a 88 dos autos (Tabelas 5, 6 e 7 do Termo de Verificação Fiscal). DESPESAS INDEDUTIVEIS - PERDAS EM OPERAÇÕES DE CREDITO Em seguida, a Autoridade Fiscal tratou das despesas consideradas indedutíveis na apuração do resultado da empresa, relativas às perdas em operações de crédito. Após detalhar a forma de escrituração das despesas com perdas em operações de crédito, a Autoridade Fiscal apresentou nas Tabelas 8, 9 e 10 (fls. 88 e 89) os valores mensais escriturados dessas despesas nos anos de 2013, 2014 e2015. O Contribuinte foi intimado pela Fiscalização a apresentar demonstrativo e outras informações acerca da forma de escrituração adotada para as Perdas em Operações de Crédito/Despesas Comercias, no período de janeiro de 2013 a dezembro de 2015. Após prorrogações de prazo e outras intimações, o Contribuinte apresenta a documentação solicitada. Após, a Autoridade Fiscal analisou a documentação apresentada, atentando para o art. 9o da Lei n° 9.430/1996, que dispõe sobre a dedução como despesas das perdas no recebimento de créditos, para fins de determinação do lucro real. Despesas Indedutíveis por mudança no regime de reconhecimento da receita - Perdas em Operações de Crédito A Autoridade Fiscal observou, da análise da documentação apresentada, que a maior parte dos valores lançados como despesas com perdas em operações de crédito nos anos- calendário de 2013, 2014 e 2015 corresponde a títulos vencidos nos anos de 2007 a 2012, sendo que nesses anos o Contribuinte optou pela tributação com base no lucro presumido, Fl. 6620DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 reconhecendo as receitas pelo regime de caixa (valores efetivamente recebidos), conforme DIPJs apresentadas à Receita Federal anexadas ao processo e no documento entregue pela empresa em 04 de julho de 2017, em resposta ao termo de intimação fiscal de 13 de junho de 2017. Nos anos-calendário de 2013, 2014 e 2015, a empresa apurou o imposto de renda mediante a sistemática do Lucro Presumido e reconheceu a receita pelo regime de caixa, ou seja, os valores das receitas relativas aos créditos não recebidos não foram oferecidos à tributação nos anos anteriores (2012 e anteriores). Conforme já relatado, a Autoridade Fiscal considerou indevida a opção do Contribuinte pelo lucro presumido nos anos-calendário 2013, 2014 e 2015, ficando, dessa forma, obrigada a adotar o regime de competência no reconhecimento das receitas e apropriação das despesas e dos custos. Segundo afirmou a Autoridade Fiscal, a legislação tributária proíbe que as despesas associadas às receitas não recebidas após a mudança do regime de tributação do lucro presumido para o lucro real sejam deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A obrigatoriedade do reconhecimento das receitas e a proibição da sua dedução encontram amparo legal na Instrução Normativa SRF n° 345, de 28 de julho de 2003, em seu art. Io, § 5o. Dessa forma, em decorrência a alteração do regime de tributação do lucro presumido para o lucro real, os valores das perdas no recebimento de créditos contabilizadas, relativos aos títulos vencidos em data anterior ao ano de 2013, não podem ser deduzidos para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme a norma acima citada. A Autoridade Fiscal acrescentou ao argumento acima explanado que o Contribuinte optou pelo Lucro Presumido como forma de apuração do IRPJ e da CSLL nos anos- calendário de 2007 a 2012, razão pela qual não haveria que se falar em dedução dos custos e despesas operacionais referentes a tais períodos, pois nessa sistemática de tributação a dedução de custos e despesas operacionais é substituída por um percentual de presunção do lucro, de 8% no caso da atividade desenvolvida pelo Contribuinte. Nas Planilhas 04, 06, 09 e 12, a Fiscalização indicou os valores que correspondem aos títulos vencidos anteriormente a 2013, os quais foram adicionados aos resultados apurados para fins de determinação do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. Na Tabela 11 (fl. 95), abaixo reproduzida, a Fiscalização indicou os valores das despesas indedutíveis contabilizadas em 2013, 2014 e 2015, com vencimentos anteriores a 2013, que constam nas Planilhas 04, 06, 09 e 12, totalizados por ano de vencimento dos títulos. Despesas Indedutíveis por não atendimento aos prazos legais - Perdas em Operações de Crédito A Autoridade Fiscal verificou que, além dos lançamentos contábeis derivados de títulos com vencimentos anteriores a 2013, foram constatados valores escriturados que não atendem os limites e prazos estipulados no art. 9o da Lei n° 9.430/96, com as alterações da Medida Provisória n° 656/2014, convertida na Lei n° 13.097/2015, que foram listados nas planilhas: "- Planilha 05 - Despesas Indedutíveis com Perdas em Operações de Crédito - 01/01/2013 a 31/12/2013 (letos em 2013) - Não atendem os prazos legais Fl. 6621DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 - Planilha 07 - Despesas Indedutíveis com Perdas em Operações de Crédito -01/01/2013 a 31/12/2013 (letos em 2016) - Não atendem os prazos legais - Planilha 10 - Despesas Indedutíveis com Perdas em Operações de Crédito -01/01/2014 a 31/12/2014 - Não atendem os prazos legais - Planilha 13 - Despesas Indedutíveis com Perdas em Operações de Crédito -01/01/2015 a 31/12/2015 - Não atendem os prazos legais" A Autoridade Fiscal esclareceu que, para fins de verificações quanto ao atendimento aos prazos e condições estabelecidos nos incisos II e III do § Io (até 07 de outubro de 2014) e incisos II e III do § 7o (a partir de 08 de outubro de 2014) do art. 9o da Lei n° 9.430/96, foi considerado o prazo entre a data de vencimento do título até o último dia do trimestre de contabilização da despesa, demonstrado no campo Prazo dias (Vencimento/Trimestre) das planilhas 05, 07, 10el3. Nos campos Prazo Legal (Vencimento/Trimestre) e Enq Legal -Desp Indedutível das planilhas 05, 07, 10 e 13 foram descritos os motivos da indedutibilidade da despesa lançada, considerando a legislação em vigor. Em alguns casos, os valores foram lançados como Perdas em Operações de Crédito mesmo antes do vencimento do título (Tabelas 12, 13 e 14, à fl. 96). Despesas Indedutíveis por lançamento em duplicidade - Perdas em Operações de Crédito A Fiscalização indicou erro de lançamento em duplicidade na data de 31 de julho de 2014. Nesta data, o Contribuinte efetuou lançamento a débito na conta 72631.326-31 - PERDAS EM OPERAÇÕES DE CREDITO, no valor de R$ 102.400,00, que, conforme resposta apresentada pelo Contribuinte ao Termo de Intimação Fiscal de 13de junho de 2014, refere-se à lançamento em duplicidade: O valor foi estornado em 30 de abril de 2015, com o lançamento a crédito na conta 72631.326-31 - PERDAS EM OPERAÇÕES DE CREDITO: Assim, o valor debitado foi considerado como despesa indedutível no 3o trimestre de 2014 (Planilha 16) e o valor creditado (estorno) deduzido na apuração dos resultados do 2o trimestre de 2015 para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL (Planilha 17). Despesas Dedutíveis - Perdas em Operações de Crédito Os valores lançados como Perdas em Operações de Crédito nos anos-calendário 2013, 2014 e 2015 que atendem os requisitos legais para que sejam considerados como despesas dedutíveis na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL foram listados pela Fiscalização nas planilhas a seguir discriminadas: "- Planilha 08 - Despesas Dedutíveis com Perdas em Operações de Crédito - 01/01/2013 a 31/12/2013 (letos em 2016) - Planilha 11 - Despesas Dedutíveis com Perdas em Operações de Crédito - 01/01/2014 a 31/12/2014 Fl. 6622DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 - Planilha 14 - Despesas Dedutíveis com Perdas em Operações de Crédito - 01/01/2015 a 31/12/2015" QUADROS RESUMOS - PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO - DESPESAS INDEDUTÍVEIS Abaixo, reproduzimos as tabelas 15 a 18 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 97), com as demonstrações trimestrais dos valores totais contabilizados como Perdas em Operações de Crédito nos anos-calendário de 2013, 2014 e 2015, com aqueles considerados dedutíveis e indedutíveis para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. Apuração da Base de Cálculo e dos Valores Devidos do IRPJ A Autoridade Fiscal explica a forma adotada para o cálculo do IRPJ e da CSLL. Conforme relatado, o Contribuinte optou indevidamente pelo regime de tributação com base no lucro presumido nos anos-calendário 2013, 2014 e 2015, uma vez que a sua atividade obrigava-a a apurar o Imposto de Renda pelo Regime do Lucro Real, nos termos da legislação tributária vigente. No período fiscalizado, o Contribuinte possui escrituração na forma das leis comerciais, a qual não apresentava indícios de vícios ou erros que a desqualificassem, o que permitia a determinação do Lucro Real. Nos anos de 2013, 2014 e 2015, o Contribuinte reconheceu as receitas pelo regime de caixa (no recebimento dos valores) e as despesas pelo regime de competência, sendo que no regime de tributação pelo Lucro Real a legislação obriga o reconhecimento das receitas, das despesas e dos custos pelo regime de competência. Diante desse fato, a Autoridade Fiscal procedeu a apuração da receita bruta auferida pela empresa pelo regime de competência, conforme demonstrado nas Planilhas 01, 02 e 03 e valores totais mensais resumidos nas tabelas 5, 6 e 7 já citadas. As despesas com perdas no recebimento de créditos consideradas indedutíveis foram adicionadas aos resultados apurados para determinação do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. O Lucro Real trimestral, dos anos-calendário de 2013, 2014 e 2015, estão demonstrados nas planilhas: "- Planilha 15 - Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL - 01/01/2013 a 31/12/2013 - Planilha 16 - Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL - 01/01/2014 a 31/12/2014 - Planilha 17 - Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL - 01/01/2015 a 31/12/2015" O IRPJ devido encontra-se apresentado na Tabela 19, à fl. 99, a qual reproduzimos abaixo: As mesmas planilhas 15, 16 e 17 foram utilizadas pela Fiscalização para a CSLL. A CSLL devida foi apresentada na Tabela 20 (fl. 100), a seguir transcrita: Insuficiência de Recolhimento da COFINS e do PIS - Incidência Não- Cumulativa Fl. 6623DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 101 a 103, a Autoridade Lançadora tratou das infrações relacionadas à COFINS e ao PIS. O lançamento dessas contribuições é objeto do processo administrativo fiscal n° 10920.723058/2017-53; assim não será aqui relatada a parte do Termo que se refere às mesmas, pois serão tratadas no processo citado. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado dos autos de infração em 18/09/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fl. 6219), o Contribuinte apresentou impugnação às fls. 6225 a 6247 em 18/10/2017 (fl. 6359), na qual fez a defesa a seguir sintetizada. BREVE RELATO DOS FATOS Inicialmente, a Impugnante faz um breve relato dos fatos, esclarecendo que, conforme seu objeto social, dedica-se às atividades de securitização de créditos, de aquisição e securitização de recebíveis empresariais e de aquisição de direitos creditórios. É optante do lucro presumido e, com base nesta sistemática de tributação, sempre recolheu o IRPJ e a CSLL, estando, consequentemente, vinculada à sistemática cumulativa de apuração e recolhimento do PIS e da COFINS. Especificamente em relação à opção pelo lucro presumido, destacou que a Receita Federal do Brasil (RFB), num primeiro momento, não questionou tal opção, divergindo apenas quanto à base de cálculo para a apuração do lucro presumido, conforme processo administrativo n.° 10920.003613/2010-51 relativo ao período de 2007 e 2008, cujo desfecho se deu de forma favorável à Impugnante, permanecendo o entendimento de que o percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta seria de 8%. Em contradição ao entendimento anteriormente firmado, a RFB defende agora, para as operações realizadas pela Impugnante no período de 2013 a 2015, que a opção da Impugnante pelo lucro presumido estaria incorreta, com fundamento no Parecer Normativo COSIT n.° 5, de 10 de abril de 2014 e na Instrução Normativa RFB n.° 1.700, de 14 de março de 2017, ambos atos infralegais publicados posteriormente aos anos-bases fiscalizados. Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal, a RFB, após a edição do Parecer Normativo COSIT n.° 5/2014, passou a defender que "estão obrigadas ao regime de tributação do lucro real as pessoas jurídicas que explorem a atividade de compras de direitos creditórios, ainda que se destinem à formação de lastro de valores mobiliários (securitização) e constitui receita bruta das pessoas jurídicas que explorem a atividade de compras de direitos creditórios o deságio obtido na aquisição de títulos de crédito, ainda que se destinem à formação de lastro de títulos e valores mobiliários (securitização)". Com base nesse entendimento, a RFB intimou a Impugnante a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) relativos aos anos-calendário de 2013 a 2015, porém, a empresa esclareceu que optou pelo lucro presumido, motivo pelo qual não escriturou o LALUR no período em questão. Em razão disso, o Auditor Fiscal procedeu à apuração de ofício do IRPJ e da CSLL na sistemática do Lucro Real, bem como do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo de apuração dessas contribuições. O Auditor Fiscal partiu das receitas brutas informadas pela Impugnante na DIPJ e na ECF e, quanto às despesas, ressaltou que estas foram apropriadas contabilmente e levadas à apuração dos resultados segundo o regime de competência. No termo de verificação fiscal o Auditor Fiscal arrola todas as despesas que foram contabilmente lançadas pela Impugnante de acordo com o balancete de verificação contábil dos anos de 2013, 2014 e 2015. Fl. 6624DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Partindo da premissa, com a devida vénia equivocada, de que a Impugnante estaria obrigada ao regime de tributação do Lucro Real, bem como citando a Resolução CFC n.° 750/93 que estabelece o princípio da competência como fundamental para a escrituração contábil, o Auditor Fiscal estabeleceu que as receitas, as despesas e as demais operações praticadas pela Impugnante no período fiscalizado seriam consideradas na apuração do resultado do período em que ocorreram, independentemente de seu recebimento ou pagamento (regime de competência) e, assim, calculou o Lucro Real para imputar à Impugnante a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL e, com base na sistemática não cumulativa, a falta de pagamento do PIS e da COFINS. Além dos tributos cobrados, foi imputada multa de 75% sobre o valor dos tributos apurados, com fundamento no art. 44, inciso I, da Lei n.° 9.430/96. O lançamento fiscal, entretanto, deve ser julgado improcedente. A uma porque não existe óbice para que a Impugnante opte pela apuração dos tributos pelo lucro presumido; a duas porquanto a reapuração do imposto devido no caso de desenquadramento teria de ser realizada mediante arbitramento; e a três pois não foram consideradas na apuração do IRPJ e da CSLL despesas ocorridas no período segundo o regime de competência. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL EM RAZÃO DA MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO A Impugnante argumenta que houve mudança de critério jurídico por parte da RFB quanto à tributação da atividade de securitização, na medida em que, num primeiro momento, o Fisco considerou válida a opção das empresas securitizadoras pelo lucro presumido, mas em momento seguinte, passou a defender que mesmo as securitizadoras de créditos mobiliários estariam obrigadas à sistemática do lucro real. A Impugnante cita a Solução de Consulta n.° 342, de 19 de agosto de 2005, que de forma expressa afirmou não existir vedação legal para as empresas securitizadoras de créditos optarem pelo lucro presumido. Naquela ocasião havia apenas divergência de entendimento da RFB e dos contribuintes quanto à base de cálculo do lucro presumido, porém a própria Receita Federal reviu seu entendimento inicial e passou a se posicionar no sentido de que o percentual a ser aplicado seria de 8%. Posteriormente, com a publicação da Medida Provisória n° 472/2009, convertida na Lei n° 12.249 em 11 de junho de 2010, as empresas securitizadoras de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio, foram expressamente obrigadas a apurar o lucro real. Com base nesta legislação surgem, então, dois questionamento: (i) a partir de quando estaria vigente a obrigação mencionada; e (ii) se referida obrigação atingiria todas as companhias securitizadoras, inclusive as securitizadoras de créditos não imobiliários, financeiros ou do agronegócio. Sobre o segundo questionamento, a Receita Federal, em 25 de junho de 2010, edita Solução de Consulta n.° 151 expondo o entendimento de que as securitizadoras de créditos mobiliários poderiam adotar o lucro presumido, porém volta a defender que o percentual aplicado seria de 32%, relativo à prestação de serviço em geral. Essa divergência quanto ao percentual de presunção, então, foi levada à Coordenação Geral de Tributação (COSIT) que proferiu a Solução de Divergência n° 08 de 13 de abril de 2011, corroborando os termos das soluções de consultas anteriores sobre a questão da Fl. 6625DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 base de cálculo e acrescentando que a opção pelo lucro presumido não se aplicaria apenas às securitizadoras de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio. E com base nesse entendimento, outras Soluções de Consulta foram editadas pela RFB, a exemplo da Solução de Consulta n° 39, de 6 de junho de 2011, em que restou evidenciado de forma expressa o entendimento de que a obrigatoriedade pelo lucro real às empresas de securitização somente se aplicaria àquelas especificadas na Lei 12.249/2010. Nota-se, portanto, que até 2011 o entendimento oficial da RFB era de que a atividade de securitização de créditos mobiliários (que não aqueles previstos na Lei n.° 12.249/2010) não estava adstrita à sistemática do lucro real, o que significa que a mudança de entendimento advinda com a edição do Parecer Normativo COSIT n.° 5 em 10 de abril de 2014 caracterizou um cenário de contradição e insegurança aos contribuintes que até então, amparados na lei e no entendimento público da própria RFB, optavam pela sistemática do Lucro Presumido. Esta contradição foi vivenciada de forma direta pela Impugnante, que, num primeiro momento, teve lavrado contra si o auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS (10920.003613/2010-51) referente ao período de 2007 e 2008 para cobrança de valores decorrentes de diferenças havidas na base de cálculo dos referidos tributos considerando apenas a divergência quanto ao percentual aplicável na apuração do lucro presumido e, agora, é autuada em relação aos mesmos tributos, porém referente ao período de 2013 a 2015, com base no entendimento de que estaria incorreta a opção da empresa pelo lucro presumido, com base em norma infralegal editada posteriormente. Dessa forma, é completamente contraditória a coexistência de duas autuações fiscais, ainda que referentes a períodos distintos, mas que dizem respeito à mesma atividade empresarial, considerando que na primeira fiscalização a RFB ratificou a possibilidade de a Impugnante optar pelo Lucro Presumido. A mudança de critério jurídico pela RFB configura típica situação de violação ao princípio da segurança jurídica, bem como afronta direta ao artigo 144 caput do Código Tributário Nacional - CTN, não sendo lícita nem razoável a existência de dois lançamentos fiscais que versam sobre a mesma situação fática, mas com interpretações completamente distintas, sendo que a primeira autuação já foi, inclusive, definitivamente julgada e cancelada. A Impugnante, ao optar pelo lucro presumido, agiu de acordo com atos administrativos expedidos pela própria RFB, bem como com base em práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas federais, o que implica dizer que, no mínimo, devem ser cancelados a multa e os juros de mora impostos no lançamento fiscal, à luz do artigo 100, incisos I e III, e parágrafo único, do CTN. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL PARA A DESCONSIDERAÇÃO DA OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO LUCRO PRESUMIDO Sustenta a Impugnante que o Auditor Fiscal fundamentou a acusação fiscal no Parecer Normativo COSIT n.° 5, de 10 de abril de 2014, que estabelece a obrigatoriedade de regime de tributação do lucro real para as pessoas jurídicas que explorem atividades de securitização de ativos empresariais. Tal fundamento, no entanto, não seria suficiente para a imposição de obrigação tributária à Impugnante, que, como é cediço, deve observar o princípio da estrita legalidade (CF, art. 150,1). Fl. 6626DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Segundo a interpretação da Impugnante do inciso VII do art. 14 da Lei 12.249/2010, se o legislador tivesse a intenção de incluir toda e qualquer atividade de securitização no rol do art. 14 da Lei n.° 9.718/98, então não teria especificado os três segmentos da atividade de securitização - créditos imobiliários, créditos financeiros e créditos do agronegócio. Ademais, verifica-se da leitura atenta do referido parecer normativo, que a linha de raciocínio da RFB é no sentido de que a atividade de securitização de ativos empresariais já estaria albergada pelo inciso VI do artigo 14 da Lei 9.718/98, que trata de hipótese específica - a atividade de factoring - o que, a despeito de guardar alguma semelhança com a atividade de securitização de ativos empresariais, caracteriza situação distinta e, portanto, não pode o intérprete expandir a obrigação tributária ali prevista para atingir outras situações que não aquelas expressamente descritas na lei. Em seguida, a Impugnante tratou daquilo que entende ser a natureza jurídica do Parecer Normativo n.° 5/2014, se de fato seria uma norma de caráter interpretativo e, portanto, com efeitos retroativos (art. 106, I, do CTN) ou se inovou no ordenamento jurídico criando uma nova hipótese de obrigação tributária, hipótese em que a nova obrigação criada sequer tem validade jurídica, considerando o princípio da legalidade estrita inerente ao sistema tributário nacional (art. 150,1, da CF e art. 97 do CTN). Assim, para a Impugnante trata-se da segunda hipótese, ou seja, que o Parecer Normativo n.° 5/2014, a despeito de assim nomeado para dar a aparência de uma norma de natureza interpretativa, na prática, criou nova obrigação tributária sem previsão em lei stricto sensu e, por isso, carece a acusação fiscal de fundamento jurídico válido no ordenamento jurídico brasileiro. Citou entendimento doutrinário favorável a sua tese para concluir que, no caso concreto, não há dúvida de que o Parecer Normativo n.° 5/2014 inovou ao impor às securitizadoras de ativos empresariais a limitação ao lucro real que até então é imposta exclusivamente às empresas de factoring e, considerando que tal inovação implica em nova obrigação tributária e que acarreta no aumento da carga tributária, então, é imperioso que haja lei stricto senso nesse sentido, impondo-se o cancelamento do lançamento fiscal por falta de fundamento jurídico válido para a cobrança do crédito tributário decorrente da desconsideração do lucro presumido e do cálculo dos tributos com base na apuração de ofício pela RFB do lucro real. ILEGALIDADE NA APURAÇÃO DE OFÍCIO DO LUCRO REAL PELO AUDITOR FISCAL Para a Impugnante, o lançamento fiscal é improcedente, pois o Auditor Fiscal, ao proceder à apuração de ofício do lucro real, violou o dever legal de arbitramento do imposto e, ainda que se admitisse, apenas para argumentar, a possibilidade da apuração de ofício do lucro real, não se justificam as glosas de despesas promovidas pelo Auditor Fiscal, relativas perdas em operações de créditos. A lei determina, tanto na hipótese de desenquadramento do lucro presumido para o lucro real, como na hipótese de o contribuinte não possuir o LALUR, que o lucro real deve ser arbitrado, conforme disposto no art. 47 da Lei n.° 8.981/95. A própria IN RFB n° 1.700/2017, citada pelo Auditor no Termo de Verificação Fiscal como fundamento para impor à Impugnante a vedação ao Lucro Presumido, também Fl. 6627DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 contém disposição expressa quanto ao dever de arbitramento do imposto na hipótese em que o contribuinte opta "indevidamente" pelo Lucro Presumido, conforme previsto em seu art. 226. Considerando a situação ora retratada, a obrigatoriedade de arbitramento do lucro decorre de duas situações distintas legalmente previstas, o que não poderia ser ignorado pelo Auditor Fiscal, de modo que a apuração de ofício do lucro real configura ato ilegal, o que é suficiente para que o auto de infração seja cancelado de plano. A Impugnante cita julgado do CARF de acordo com o seu entendimento para afirmar que, se existe expressa determinação legal no sentido de que o Auditor Fiscal deve promover o arbitramento do lucro quando o contribuinte não possuir o LALUR ou quando o contribuinte tiver optado "indevidamente" pelo lucro presumido, então, não há qualquer discricionariedade para que o Auditor Fiscal atue de forma diferente, o que caminha para a única conclusão de que o lançamento fiscal ora em discussão, baseado na apuração de ofício do lucro real, deve ser julgado improcedente. Subsidiariamente, deve ser reconhecida a improcedência da autuação fiscal, tendo em vista que, embora o Auditor Fiscal tenha adotado o lucro real de ofício para a cobrança do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, deixou de considerar todas as normas que dizem respeito a essa sistemática de tributação, especialmente as que tratam da dedutibilidade das perdas em operação de crédito. A Impugnante passa a destacar o procedimento utilizado para a contabilização dos títulos, cujos valores, quando não liquidados, são passíveis de dedutibilidade à luz do disposto no art. 9o, da Lei n.° 9.430/96. A Impugnante respeitou as regras para a dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos, em especial o artigo 9o, da Lei n.° 9.430/96, que prevê os requisitos para que tais perdas sejam deduzidas no lucro real, o que, inclusive, é atestado em laudo técnico elaborado por Auditoria Independente (KPMG Auditores Independentes) e que é apresentado como anexo (doe. 3). Para a Impugnante, o Auditor Fiscal não poderia, de um lado, defender que a empresa deveria apurar os tributos ora combatidos na sistemática do Lucro Real, mas, por outro lado, e de forma totalmente contraditória a esta premissa, defender que, em virtude de a empresa ter utilizado o regime de caixa para o reconhecimento de suas receitas, então, não tem direito à dedução das perdas com operação de créditos. Caso a Impugnante tivesse optado pelo Lucro Real, estaria então submetida ao regime de competência para o reconhecimento de receitas e, conseqüentemente, das despesas. Quanto à vedação prevista no § 5o do art. Io da IN SRF n.° 345/2003, de que "os custos e as despesas associadas às receitas de que tratam este artigo incorrida após a mudança do regime de tributação não poderão ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL", tal vedação somente se aplica no caso em que o contribuinte muda de opção e não no caso em que a Receita Federal promove o desenquadramento de oficio da opção realizada. Vale dizer, se existe, em tese, o dever de serem reconhecidas as receitas de períodos anteriores pelo regime de competência, então, não é possível vedar a dedutibilidade de perdas atreladas a estas receitas. Caberia ao Fisco, na sua lógica de reapuração do lucro pela sistemática do Lucro Real, reconhecer todas as receitas passadas pelo regime de competência e cobrar as diferenças de tributos eventualmente encontradas. DO PEDIDO Fl. 6628DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Dos argumentos acima resumidos, a Impugnante requereu o acolhimento da preliminar de nulidade suscitada, que impõe o cancelamento na íntegra do lançamento fiscal; no mérito, que sejam julgados integralmente improcedentes os Autos de Infração, tendo em vista a obrigatoriedade de arbitramento do lucro na hipótese em debate e, subsidiariamente, em razão da indevida glosa de despesas na apuração do Lucro Real. Ainda em caráter subsidiário, considerando que a Impugnante, ao optar pelo Lucro Presumido, agiu de acordo com atos normativos e práticas reiteradamente observadas pela própria Receita Federal do Brasil, requer-se, no mínimo, que sejam excluídas a multa e os juros de mora impostos nos autos de infração, consoante o disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN. Por fim, protestou provar o alegado por todos os meios de prova juridicamente admitidos, invocando-se desde já o principio da verdade material. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a impugnação da contribuinte, cuja ementa encontra-se abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -IRPJ Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 SECURITIZAÇÃO. LUCRO REAL. OBRIGATORIEDADE. Estão obrigadas a apuração do IRPJ pelo regime de tributação do lucro real as pessoas jurídicas que explorem as atividades de prestação de serviços de assessoria creditícia, administração de contas a pagar e a receber, de compras de direitos creditórios, de securitização. LANÇAMENTO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FATOS GERADORES TRIBUTÁRIOS DISTINTOS. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em mudança de critério jurídico quando o lançamento praticado refere-se a fatos geradores distintos. ATOS NORMATIVOS. DEVER DE OBSERVÂNCIA. Os julgadores das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento devem observar os entendimentos emanados da RFB expressos em atos normativos. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS: MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Nos casos de infração apurada de oficio pela autoridade fiscal, são devidos, além do tributo lançado, a multa de oficio referente à infração legal e os respectivos juros de mora pela inadimplência do tributo. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. O momento adequado para a produção de provas dá-se dentro do prazo de impugnação, exceção feita às situações previstas nas normas que regem o contencioso administrativo. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de realização de diligência e/ou perícia deve ser indeferido quando consta dos autos do processo todos os dados, documentos e informações necessários ao julgamento da autuação. Fl. 6629DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados, no que couber. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 6630DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Voto Conselheiro Bianca Felicia Rothschild, Relator. Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos Ao longo dos últimos anos a empresa foi questionada por diversas vezes sobre o regime de tributação que deveria ser aplicado às suas atividades de securitização, tendo inclusive sido autuada outras duas vezes por conta da diferença de entendimento entre a mesma e a Fiscalização. A primeira autuação deu origem ao processo 10920.003613/2010-51 relativo aos anos 2007 e 2008 em que a Fiscalização entendeu que o coeficiente de presunção aplicável para atividades de securitização para fins de determinação do IRPJ de optantes do lucro presumido seria de 32% enquanto a empresa aplicava 8%. Tal processo administrativo transitou em julgado após decisão favorável ao contribuinte em 2015 por este Conselho, em sessão de julgamento cujo relator foi o atual Presidente desta Turma, ilustre conselheiro Fernando Brasil. Segue abaixo trecho da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano- calendário: 2007, 2008 SECURITIZAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas, optantes pelo regime de lucro presumido, que exploram atividade de securitização de créditos, inexiste base legal para excluir da receita bruta auferida o custo de aquisição dos direitos creditórios. O percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta é de 8%. A segunda autuação deu origem ao processo 10920.721367/2013-65 relativo aos anos 2009 e 2010 em que a Fiscalização entendeu que a empresa estava simulando atividade de securitização quando em verdade realizava a atividade de aquisição de direito creditório (factoring), o que obrigaria a tributação pelo lucro real. Igualmente ao primeiro processo, este transitou em julgado após decisão favorável ao contribuinte em 2016 por esta mesma turma - composição diversa - em sessão de julgamento cujo relator foi o ilustre conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Segue abaixo ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano- calendário: 2009, 2010 SECURITIZAÇÃO DE RECEBÍVEIS. SIMULAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Fl. 6631DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Não havendo elementos a embasar a alegada simulação, uma vez que todos os atos jurídicos típicos da securitização foram devidamente juntados aos autos e comprovados, não há dúvidas de que se estava diante de uma atividade típica de securitização, razão pela qual o lançamento não pode prosperar. Pela terceira vez, a empresa foi autuada, desta vez em relação aos anos de 2013 a 2015 em processo administrativo 10920.723057/2017-17 relativo ao IRPJ e CSLL e 10920.723.058/2017-53 relativo ao PIS/COFINS. A alegação da Fiscalização é de que as atividades da contribuintes estão sujeitas ao regime do lucro real, em detrimento do regime do lucro presumido aplicado pela empresa, em virtude de alterações legislativas ocorridas após a edição da Lei nº 12.249 de 11 de junho de 2010, fruto da conversão da Medida Provisória 472/09. Alterações legislativas Tendo em vista que o Termo de Verificação Fiscal alerta para as mudanças legislativas a fim de fundamentar o lançamento ora debatido, vale a pena relembrar a legislação de regência deste ramo de atividade, a securitização, para melhor esclarecimento do caso. Regime de Tributação - Securitização A regra original relativa ao regime de tributação aplicável às empresas de securitização estava disposta no artigo 15 da Lei 9.249/95 que sujeitava tais empresas ao lucro presumido. Lei 9.249/95 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Conforme julgado pelo citado processo 10920.003613/2010-51 as empresas de securitização não seriam consideradas prestadoras de serviços (assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços - factoring) e, portanto, não estavam sujeitas ao percentual presuntivo de 32%. Lei 9.718/98 Novamente diferentemente das empresas de factoring, as empresas de securitização não foram sujeitas ao regime do lucro real, posto que não estavam listadas no rol do artigo 14 da Lei 9.718/98. Vejamos : Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: (...) VI - que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). Fl. 6632DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Neste sentido, foi a decisão do segundo processo da empresa - processo administrativo de no. 10920.721367/2013-65 - que entendeu que a atividade da empresa era diferente do factoring e, portanto, não estava sujeita ao regime do lucro real. Lei 12.249/10 Em junho de 2010 houve alteração do regime de tributação a que se sujeitariam as empresas de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio, posto que a Lei 12.249/10 inseriu no art. 14 da Lei 9.718/98 o inciso VII: Art. 22. O art. 14 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso VII: “Art. 14. ........................................................................ VII - que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio.” (NR) Solução de Divergência nº 8/11 A solução de divergência foi clara ao manifestar entendimento da Receita Federal do Brasil de que as novas normas não se aplicavam à todas as securitizadoras mas somente às de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio: Solução de Divergência nº 8/11 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ EMENTA: SECURITIZAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas, optantes pelo regime de lucro presumido, que exploram atividade de securitização de créditos, inexiste base legal para excluir da receita bruta auferida o custo de aquisição dos direitos creditórios. O percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta é de 8%. Excetuam-se do acima disposto as sociedades securitizadoras de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio, visto que encontram-se obrigadas à apuração do lucro real, de acordo com o inciso VII do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15; Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997, art. 3º; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 1º e 25, inciso I; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 31 e parágrafo único; Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 14, inciso VII; Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, art. 22; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, arts. 518, 519 e 224. FERNANDO MOMBELLI - Coordenador-Geral Parecer Normativo nº 05, de 10 de abril de 2014 Apesar do entendimento já exarado pela Receita Federal, em 11 de abril de 2014, a Cosit emitiu Parecer Normativo com vistas a dirimir duvidas dos contribuintes e da própria Administração Federal sobre o regime de tributação aplicável às securitizadoras. Neste sentido, o parecer normativo assim se pronunciou: Relatório Cuida-se de analisar, em relação às pessoas jurídicas que exploram a atividade econômica de securitização de ativos empresariais, a configuração de sua receita bruta e o Fl. 6633DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 regime de tributação do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IRPJ) ao qual devem se submeter. 2. Dúvidas e divergências acerca do tema têm sido suscitadas e a falta de uniformidade na interpretação da matéria em referência tem gerado insegurança jurídica, tanto para os sujeitos passivos como para a Administração Tributária, impondo-se a edição de ato uniformizador acerca da matéria. Fundamentos 3. O art. 14 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, estabeleceu a obrigatoriedade do regime do lucro real para determinadas atividades econômicas, nos seguintes termos: Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: [...] VI - que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). [...] VII - que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) 4. A Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, ao incluir, no dispositivo supracitado, o inciso VII especificando segmentos de negócio, deu margem ao entendimento de que a norma não alcançaria a securitização de créditos comerciais por falta de menção expressa. 5. Partindo dessa interpretação, algumas entidades de fomento mercantil (factorings) iniciaram um processo de reestruturação de suas atividades para operar nos moldes das companhias securitizadoras constituídas na forma da Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997, que regulamentou a securitização de ativos imobiliários, optando em seguida pelo regime de tributação do lucro presumido, passando a aplicar as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins previstas no regime de apuração cumulativa. (...) 17. No Brasil, a securitização de ativos surgiu em empresas não financeiras, evoluindo para as instituições financeiras com a edição de normas, tais como a Lei nº 9.514, de 1997, e Resolução CMN/BACEN nº 2.686, de 26 de janeiro de 2000, para créditos imobiliários, Lei nº 11.076, de 30 de dezembro de 2004, para créditos agrícolas, e Resolução CMN/BACEN nº 2.836, de 30 de maio de 2001, para créditos financeiros. Além de disciplinar as operações, criaram instrumentos específicos de emissão exclusiva da securitizadora regulamentada, tais como o CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio). Pela falta de regulamentação própria, a securitização de recebíveis comerciais adotou o uso de instrumento de captação já instituído no mercado de capitais: a debênture. (...) 19. Tem-se portanto que, em se tratando de direitos creditórios comerciais, tanto a securitização quanto a faturização operam a compra de direitos creditórios originados em vendas a prazo de bens e serviços, configurando modalidades distintas de fomento mercantil, que só se Fl. 6634DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 distinguem pela destinação dos títulos adquiridos, ou seja, a securitização se caracteriza pela formação de lastro para os títulos mobiliários emitidos, e a faturização se ocupa da formação de carteira própria. Contudo, em ambos os casos a aquisição de recebíveis comerciais é regida pelas mesmas regras, dispostas nos arts. 287 e 295 do Código Civil (CC). 20. Dessa forma, não há qualquer justificativa para conferir tratamentos tributários distintos a empresas que exerçam atividade de securitização de créditos comerciais ainda que não haja regulamentação específica estabelecida em lei comercial. 21. Por essa razão, e por se tratar de empresas dedicadas à compra de direitos creditórios originários de vendas a prazo de bens e serviços, tal como disposto no art. 14, inciso VI, da Lei nº 9.718, de 1998, as securitizadoras de direitos creditórios comerciais sujeitam-se a tributação obrigatória pelo regime do lucro real, assim como as faturizadoras, cabendo-lhes portanto, o mesmo tratamento tributário. 22. Ademais, a exposição de motivos (EM Interministerial nº 00180/2009 - MF/MDIC) da MPV nº 472, de 15 de dezembro de 2009, convertida na Lei nº 12.249, de 2010, que introduziu o inciso VII do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998, já reconhecia a similaridade das atividades desenvolvidas pelas securitizadoras de ativos empresariais e pelas faturizadoras, ao afirmar que “27. As atividades das securitizadoras de recebíveis se assemelham em muito às atividades de factoring, as quais se encontram obrigadas à adoção da apuração pelo lucro real, conforme disposto no inciso VI do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998.”, o que implica concluir que as securitizadoras de ativos empresariais não foram incluídas no inciso VII porque já estavam abrangidas pelo inciso VI. (...) Conclusão Diante do exposto, conclui-se que: a) as pessoas jurídicas que exploram a atividade de securitização de ativos empresariais estão obrigadas ao regime de tributação do lucro real, por força do disposto no art. 14, VI, da Lei nº 9.718, de 1998, e das demais, por disposição expressa do inciso VII;" Solução de Consulta Cosit 202/15 Mais tarde foi publicada solução de consulta que estabelece a aplicação da interpretação do Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2014 a partir da entrada em vigor do art. 14, VI, da Lei nº 9.718, de 1998. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ SECURITIZAÇÃO. LUCRO REAL. O parecer normativo, por se tratar de ato interpretativo, possui natureza apenas declaratória, o que faz com que sua eficácia retroaja ao momento em que a norma por ele interpretada começou a produzir efeitos. Por essa razão, a obrigatoriedade de adoção do lucro real pelas pessoas jurídicas que explorem a atividade de securitização de créditos comerciais, de que trata o Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2014, subsiste desde a entrada em vigor do art. 14, VI, da Lei nº 9.718, de 1998. Diante da evolução histórica legislativa acima pontuada, passa-se a analise dos itens levantados em sede recursal. *** Legislação aplicada ao caso em tela Fl. 6635DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Entendo que o cerne da questão gira em torno de se e quando passou a contribuinte à se submeter ao regime de tributação do lucro real. Desta forma, antes de adentrar na analise dos itens levantados em sede recursal, acredito ser importante delimitar a legislação que se aplica à empresa em relação aos anos-calendários ora analisados (2013, 2014 e 2015), tendo em vista todo o histórico acima mencionado. Em face dos julgamentos realizados por este colegiado e do histórico legislativo acima mencionado, entendo que em nome do principio da segurança jurídica e moralidade, deve- se reconhecer que a contribuinte não enquadra-se no inciso VI do artigo 14 da Lei 9.718/98 e esteve, enquanto praticante de atividades de securitização devidamente sujeita ao regime de tributação do lucro presumido. Entendo, ainda, que a contribuinte não se enquadra no inciso VII do artigo 14 da Lei 9.718/98, inserido pela Lei 12.249/10, posto que menciona expressamente apenas as securitizadoras de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio. Julgo, ainda, que o Parecer Normativo Cosit 05 de 11 de abril de 2014, inovou o ordenamento jurídico, não reconhecendo o alegado caráter interpretativo do mesmo (eficácia ex tunc), posto que reconhecê-lo desta forma afrontaria a legalidade em virtude de ofensa à segurança jurídica, moralidade administrativa e proteção à confiança. Segundo o entendimento exposto no citado Parecer Normativo, "a Lei 12.249, de 11 de junho de 2010, ao incluir, no dispositivo supracitado, o inciso VII especificando segmentos de negócio, deu margem ao entendimento de que a norma não alcançaria a securitização de créditos comerciais por falta de menção expressa, o que entendo ser interpretação equivocada, pois a alteração promovida pela Lei 12.249/2010 é clara no sentido de que houve uma inovação no ordenamento jurídico para que determinadas atividades também fossem arroladas entre aquelas que estão obrigatoriamente submetidas ao lucro real. Em outras palavras, não se deve invocar dúvida quanto à hipótese clara e precisa indicada no inciso VII do art. 14 da Lei 9.718/98 (com alteração da Lei 12.249/2010), pois se o legislador tivesse a intenção de incluir toda e qualquer atividade de securitização no rol do art. 14 da Lei n. 9.718/98 então, não teria especificado três segmentos da atividade de securitização - créditos imobiliários, créditos financeiros e créditos do agronegócio. Ademais, importante ressaltar que o artigo 14, inciso VII, da Lei n. 9.718/98 já estava vigente no momento em que a Recorrente sofreu as primeiras autuações fiscais e a própria Receita Federal entendia correta a opção da empresa pelo lucro presumido, somente questionando o percentual aplicado (8%/32%). Verifica-se da leitura atenta do referido parecer normativo, que a linha de raciocínio da RFB é no sentido de que, a atividade de securitização de ativos empresariais já estaria albergada pelo inciso VI do artigo 14 da Lei 9.718/98, que trata de hipótese específica - a atividade de factoring - o que, a despeito de guardar alguma semelhança com a atividade de securitização de ativos empresariais, caracteriza situação distinta e, portanto, não pode o intérprete expandir a obrigação tributária ali prevista para atingir outras situações que não aquelas expressamente descritas na lei. Neste momento, utilizo-me de trecho do voto do ilustre conselheiro Fernando Brasil que fez a distinção clara das atividades de securitização e factoring : Vejamos a transcrição fundamentos da aludida decisão, que peço vênia para adotar aqui como razões de decidir. Fl. 6636DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 “(...) Pela leitura das citadas ementas, infere-se que há divergência entre as regiões fiscais no tocante a dois pontos em relação às securitizadoras: determinação da receita bruta para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), na sistemática de tributação com base no lucro presumido; e percentual de presunção a ser aplicado sobre a mencionada receita bruta. 6. No que tange ao primeiro ponto, a Disit/SRRF09 entende por receita bruta a diferença entre o valor de face e o valor de aquisição do título ou direito creditório objeto da operação de securitização. Como argumento para tal tese, cita o Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 31, de 24 de dezembro de 1997, o Ato Declaratório (AD) SRF nº 009, de 23 de fevereiro de 2000, e o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. 6.1. No entanto, os atos mencionados dizem respeito à atividade desenvolvida pelas empresas de fomento comercial (factoring), que não se confundem com as securitizadoras. De acordo com art. 15, § 1º, inciso III, alínea “d”, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a definição da atividade de factoring é a seguinte: “d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring).” (grifo nosso) 6.2. Já a operação de securitização, em síntese, compreende um processo por meio do qual uma sociedade, com o objetivo de antecipar o recebimento de seus créditos vincendos, agrupa determinados direitos creditórios e os transfere, com determinado deságio, a uma sociedade de propósito específico (securitizadora). A adquirente, tendo por lastro os referidos créditos e a fim de captar recursos no mercado de captais, emite títulos e valores mobiliários. 6.3. Nesse sentido, a Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997, assim definiu a securitização de créditos imobiliários: “Art. 3º As companhias securitizadoras de créditos imobiliários, instituições não financeiras constituídas sob a forma de sociedade por ações, terão por finalidade a aquisição e securitização desses créditos e a emissão e colocação, no mercado financeiro, de Certificados de Recebíveis Imobiliários, podendo emitir outros títulos de crédito, realizar negócios e prestar serviços compatíveis com as suas atividades.” 6.4. Dessa forma, não há como fazer uso das normas que regulamentam a atividade de factoring para aplicá-las às securitizadoras, pois estas não prestam de forma cumulativa as atividades relacionadas no art. 15, § 1º, inciso III, alínea “d”, da Lei nº 9.249, de 1995. São, portanto, operações distintas. 6.5. Feita a devida diferenciação, cabe ratificar o entendimento exposto pelas Soluções de Consulta Disit/SRRF08 nº 33, de 2009, e Disit/SRRF10 nº 47, de 2008, quando afirmam que inexiste base legal para excluir da receita bruta auferida os custos referentes à aquisição dos direitos creditórios para efeito de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no regime de lucro presumido. 7.1. Todavia, cabe observar que, na operação de securitização, há uma compra e venda de créditos vincendos, como descrito anteriormente. A sociedade securitizadora adquire os direitos creditórios com deságio, passa a ser a legítima credora e os recebe diretamente dos devedores pelo valor de face do título cedido. Dessa forma, por não se tratar de atividade caracterizada como prestação de serviços, o caso enquadrase na regra geral para fins de opção Fl. 6637DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 pelo lucro presumido. Assim, o percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL é de 8% e 12%, respectivamente. Vale observar que a RFB, em momento anterior, já tentou descaracterizar a atividade de securitização realizada pela Recorrente para classificá-la como factoring, conforme processo administrativo n. 10920.721367/2013-65, imputando inclusive multa qualificada por suposta simulação de atividade. Porém, conforme relatado, em julgamento definitivo, o E. CARF, de forma unânime, entendeu que as atividades de securitização de ativos empresariais e de factoring são atividades distintas e que não há dúvida de que a atividade realizada pela Recorrente está enquadrada na primeira hipótese. Não obstante este histórico, intenta agora a RFB, por meio de ato normativo nomeado "interpretativo", defender que a atividade realizada pela Recorrente, de securitização de ativos empresariais, já estaria abarcada pela situação prevista no inciso VI do art. 14 da Lei 9.718/98, o que não se pode admitir. A questão, então, que deve ser enfrentada reside na natureza jurídica do Parecer Normativo n. 5/2014, se de fato seria uma norma de caráter interpretativo e, portanto, com efeitos retroativos (art. 106, I, do CTN) ou se inovou no ordenamento jurídico criando uma nova hipótese de obrigação tributária, hipótese em que a nova obrigação criada sequer tem validade jurídica, considerando o princípio da legalidade estrita inerente ao sistema tributário nacional (art. 150,1, da CF e art. 97 do CTN). A Recorrente defende a segunda hipótese, ou seja, que o Parecer Normativo n. 5/2014, a despeito de assim nomeado para dar a aparência de uma norma de natureza interpretativa, na prática, criou nova obrigação tributária sem previsão em lei stricto sensu e, por isso, carece a acusação fiscal de fundamento jurídico válido no ordenamento jurídico brasileiro. Para reforçar esse entendimento, havia posicionamento expresso da RFB quanto à inexistência de obrigação de apuração do lucro real às securitizadoras de ativos empresariais, de modo que, em vez de trazer segurança jurídica, o aludido parecer normativo gerou mais insegurança, pois além de ignorar os atos normativos e as práticas reiteradamente observadas no âmbito da RFB, estabeleceu uma premissa completamente equivocada ao afirmar que a obrigação tributária em discussão já estaria prevista no inciso VI do art. 14 da Lei 9.718/98, que trata das atividades de factoring, dispositivo legal este que, frise-se mais uma vez, estava vigente no momento da primeira autuação fiscal promovida em face da Recorrente em que a RFB considerou correta a opção da empresa pelo lucro presumido. Não pode a RFB, sob pretexto de "interpretar" impor uma nova obrigação tributária, até então inexistente e, inclusive, contrária a atos normativos e práticas reiteradamente observadas pela própria Administração Pública Federal, sem que haja expressa previsão legal (leia-se, lei em sentido estrito). Mas foi justamente o que fez o Fisco com o Parecer Normativo n. 5/2014, em nítida violação ao princípio da estrita legalidade -ao impor às securitizadoras de ativos empresariais, com base em obrigação imposta expressa e exclusivamente àsfactorings, a obrigação de apurar o lucro real. Ora, se a lei dita interpretativa não pode inovar (com efeito retroativo), como a doutrina costuma repetir, é inevitável a conclusão de que ela é uma lei inútil: se não inovo, é porque, ainda que com outras palavras, repete a anterior. Fl. 6638DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Na inocente situação em que a lei dita interpretativa repete a anterior, é inócua a discussão sobre sua retroatividade, pois o mesmo comando por ela pretendido ja decorria da lei anterior. Se, porém, ela inova, não cabe o efeito retroativo, justamente porque inovou. Entendo que no caso concreto não há dúvida de que o Parecer Normativo n. 5/2014 inovou ao impor às securitizadoras de ativos empresariais a limitação ao lucro real que até então é imposta exclusivamente às empresas de factoring. E considerando que tal inovação implica em nova obrigação tributária e que acarreta no aumento da carga tributária, então, é imperioso que haja lei stricto senso nesse sentido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ SECURITIZADORA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Empresa securitizadora que explore a atividade de aquisição de direitos creditórios de titularidade de ente público, originários de créditos tributários e não tributários, objeto de parcelamentos administrativos ou judiciais, e a estruturação e implementação de operações que envolvam a emissão e distribuição de valores mobiliários ou outra forma de obtenção de recursos junto ao mercado de capitais — lastreadas nos referidos direitos creditórios —, pode, em princípio, optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido, desde que não se enquadre nas hipóteses de obrigatoriedade de apuração do lucro real. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998, art. 14; Instrução Normativa RFB nº 1.515, de 2014, art. 22; Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2014. Voto, desta forma, no sentido de afastar, no específico caso concreto, a aplicação do Parecer Normativo 5/2014 e dar provimento ao recurso voluntário exonerando o contribuinte do crédito tributário lançado. *** Preliminar Nulidade do Lançamento Fiscal - Mudança no critério Jurídico Argumenta a Recorrente que é completamente contraditória a coexistência de duas autuações fiscais, o qual em primeira fiscalização nas atividades da empresa concluiu que a Recorrente realiza atividade de securitização de ativos empresariais para fins de exigir-lhe IRPJ e CSLL presumidos a maior (anos-calendário 2007 e 2008) e, em momento posterior à lavratura do primeiro auto de infração, sem que houvesse qualquer alteração nas atividades exercidas, questiona o regime de tributação aplicável (anos-calendário 2013, 2014 e 2015). O processo no qual a Fiscalização concluiu que a Recorrente realizava atividade de securitização de ativos empresariais para fins de exigir-lhe IRPJ e CSLL presumidos a maior é o de 10920.003613/2010-51, cujo relator à época foi o Conselheiro Fernando Brasil, Presidente da presente Turma. De acordo com o relatório da decisão do processo 10920.003613/2010-51, cujo transito em julgado já ocorreu, a lide foi julgada, por unanimidade, em primeira instancia, favoravelmente ao contribuinte, pois concluiu-se que a atividade de securitização possui o coeficiente de presunção aplicável para fins de determinação do IRPJ e da CSLL para os optantes pelo lucro presumido é de 8% e 12%, respectivamente. A decisão de mérito favorável ao contribuinte foi mantida através do acórdão 1402-002.005 por este Conselho, em sessão de julgamento que decidiu negar provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 6639DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Desta forma, de acordo com a Recorrente teria a autoridade administrativa violado o princípio da segurança jurídica e da boa-fé, sendo vedado o exercício de posição jurídica em contradição com o comportamento anteriormente exercido. *** O auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), e art. 10, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, do PAF. Ademais, a alegada violação aos princípios da segurança jurídica e da boa-fé não está presente, pois conforme se verifica da autuação, a mesma foi lavrada em função das modificações legislativas ocorridas. Não é irrazoável supor que a fiscalização realizada em momento posterior tenha verificado que se aplica ao caso legislação tributária diversa tendo em vista as alterações legislativas ocorridas nos últimos anos. De modo algum há invalidade o procedimento adotado neste e noutro processo, desde que identificada e comprovada a conduta praticada pela recorrente tipificada como infração à legislação tributária, por meio de prova hábil e suficiente. Assim, afasto a alegada de nulidade do lançamento. Falta de fundamento legal para a desconsideração da opção do contribuinte pelo lucro presumido Alega a Recorrente que o Auditor Fiscal fundamenta a acusação fiscal no Parecer Normativo COSIT n. 5, de 10 de abril de 2014 que estabelece a obrigatoriedade de regime de tributação do lucro real para as pessoas jurídicas que explorem atividades de securitização de ativos empresariais. Tal fundamento, no entanto, não é suficiente para a imposição de obrigação tributária à Recorrente, que, como é cediço, deve observar o princípio da estrita legalidade (CF, art. 150,1). Compulsando-se os autos verifica-se que o Auto de Infração indica como enquadramento legal art. 3º da Lei nº 9.249/95 e arts. 247, 249 e 250 do RIR/99, dispositivos referentes à tributação geral do lucro real. Desta forma, não entendo que houve qualquer vício no fundamento legal utilizado pelo auditor fiscal na lavratura do auto de infração. Ilegalidade na apuração de ofício do lucro real - lucro arbitrado Entende a Recorrente que é improcedente o lançamento fiscal, tendo em vista que o Auditor Fiscal ao proceder à apuração de ofício do lucro real, violou o dever legal de arbitramento do imposto e, ainda que se admitisse, apenas para argumentar, a possibilidade da apuração de ofício do lucro real, não se justificam as glosas de despesas promovidas pelo Auditor Fiscal, relativas a perdas em operações de créditos. Não há qualquer menção na legislação à aplicação em caráter “excepcional” do lucro arbitrado, nem previsão legal no sentido de que o lucro arbitrado somente seria aplicável na hipótese de opção indevida pelo lucro presumido quando fosse “impraticável a apuração do lucro real”, tal como supôs equivocadamente o Julgador a quo. Fl. 6640DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Considerando a situação ora retratada, a obrigatoriedade de arbitramento do lucro decorre de duas situações distintas legalmente previstas, o que não poderia ser ignorado pelo Auditor Fiscal, nem desconsiderado pelo Julgador a quo, de modo que a apuração de ofício do lucro real configura ato ilegal, o que é suficiente para que o auto de infração seja cancelado de plano. Ora, se existe expressa determinação legal no sentido de que o Auditor Fiscal deve promover o arbitramento do lucro quando o contribuinte não possuir o LALUR ou quando o contribuinte tiver optado “indevidamente” pelo lucro presumido, então, não há qualquer discricionariedade para que o Auditor Fiscal atue de forma diferente, motivo pelo qual o lançamento fiscal ora em discussão, baseado na apuração de ofício do lucro real, deve ser julgado improcedente. Desta forma, voto por acolher a preliminar de nulidade do lançamento em razão de o mesmo não ter sido formalizado com base no lucro arbitrado. Mérito Dedutibilidade das perdas em operação de crédito Subsidiariamente, alega a Recorrente que deve ser reconhecida a improcedência da autuação fiscal, tendo em vista que, embora o Auditor Fiscal tenha adotado o lucro real de ofício para a cobrança do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, deixou de considerar todas as normas que dizem respeito a esta sistemática de tributação, especialmente as que tratam da dedutibilidade das perdas em operação de crédito. A Recorrente esclarece que, ao adquirir um título com deságio, faz os seguintes lançamentos contábeis: - Débito: Conta "Títulos a Receber" - valor do título - Credito: Conta "Deságio a apropriar" - valor do deságio - Crédito: Conta "Caixa" - valor do título com a dedução do deságio No caso de não recebimento do valor do título, a Recorrente reconhece contabilmente uma perda líquida, isto é, a perda relativa ao valor desembolsado pelo título e que não será reavido, além de dar "baixa" ao direito de apropriação do deságio. A legislação que estabelece as regras para a dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos, em especial o artigo 9o, da Lei n. 9.430/96, prevê os requisitos para que tais perdas sejam deduzidas no lucro real. Alega que os requisitos legais foram todos observados pela Recorrente, o que, inclusive, é atestado em laudo técnico elaborado por Auditoria Independente (KPMG Auditores Independentes) já acostado aos autos. Entendo que ao proceder ao desenquadramento da Recorrente da sistemática do Lucro Presumido para impor, de ofício, a sistemática do Lucro Real, o Auditor Fiscal, então, deveria, no mínimo, considerar todas as regras de dedutibilidade que são próprias deste regime de tributação. Fl. 6641DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Em outras palavras, não pode o Auditor Fiscal, de um lado, defender que a Recorrente deveria apurar os tributos ora combatidos na sistemática do Lucro Real, mas, por outro lado, e de forma totalmente contraditória a esta premissa, defender que, em virtude de a Recorrente ter utilizado o regime de caixa para o reconhecimento de suas receitas, então, não tem direito à dedução das perdas com operação de créditos. Partindo da premissa utilizada pelo próprio Auditor Fiscal, qual seja, a de que a Recorrente sempre esteve adstrita ao Lucro Real, então, a apuração feita posteriormente deve levar em conta todas as regras aplicáveis a esta forma de tributação, sob pena de contradição e de erro na base de cálculo dos tributos cobrados. Certamente, se a Recorrente tivesse optado pelo Lucro Real, então, estaria submetida ao regime de competência para o reconhecimento de receitas e, consequentemente, das despesas. Julgo que não se aplica ao caso concreto a vedação prevista no § 5Q do art. 1Q da IN SRF n.Q 345/2003, no sentido de que "os custos e as despesas associadas às receitas de que tratam este artigo incorrida após a mudança do regime de tributação não poderão ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL", pois tal vedação somente se aplica no caso em que o contribuinte muda de opção e não no caso em que a Receita Federal promove o desenquadramento de ofício da opção realizada. E ainda que se admitisse que tal vedação seria aplicável ao caso concreto, deveria então o Auditor Fiscal observar o dever que é imposto ao contribuinte de reconhecimento, no mês de dezembro do ano-calendário anterior àquele em que ocorrer a mudança de regime, de todas as receitas auferidas e ainda não recebidas pelo regime de competência, conforme determina o caput do art. 1Q da citada IN, o que não foi observado no caso concreto. Vale dizer, se existe, em tese, o dever de serem reconhecidas as receitas de períodos anteriores pelo regime de competência, então, não é possível vedar a dedutibilidade de perdas atreladas a estas receitas. Caberia ao Fisco, na sua lógica de reapuração do lucro pela sistemática do Lucro Real, reconhecer todas as receitas passadas pelo regime de competência e cobrar as diferenças de tributos eventualmente encontradas. O que não se pode admitir é que o Fisco, para a dedutibilidade de despesas, considere que o contribuinte adotou o regime caixa e assim impossibilitar a dedução, mas para as receitas do período em que pretende autuar, fazer o reconhecimento pelo regime de competência, pois este procedimento implica em tratar de maneira distinta elementos que constituem aspectos de uma mesma realidade (lucro). Chama atenção o fato de que o Auditor Fiscal, ao analisar a dedutibilidade das perdas contabilizadas pela empresa, não parte da data de vencimento dos títulos, mas sim parte da data de contabilização destes títulos pela empresa. Este parece ter sido o erro cometido pelo Auditor Fiscal ao afastar incorretamente a dedutibilidade destas perdas. Isto porque, o Auditor Fiscal, na sua opção de apurar o lucro real em nítida violação à determinação legal de realização de arbitramento, deveria considerar única e exclusivamente a data de vencimento do título para aferir se houve o preenchimento dos requisitos legais de dedutibilidade das perdas, critério este adotado pelos Auditores Independentes da KPMG, conforme atestado no laudo acostados aos autos. A este respeito, confiram-se os trechos do laudo a seguir transcritos: "Para tanto, nosso trabalho contemplou as seguintes atividades, exclusivamente: (...) Fl. 6642DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Segregação dos títulos, considerando datas, valores e correlações em cobranças administrativas ou judiciais, para fins de verificação do seus enquadramentos nos critérios de dedutibilidade estabelecidos no art. 9g da Lei 9.430/96, alterado pela Lei ng 13.097/15, bem como identificação do período em que estes títulos tornaram-se dedutíveis, segundo os critérios de dedutibilidade estabelecidos na citada legislação, tornando-se por base a data de vencimento de cada título; [...)" (destaques da Recorrente) Ora, o fato de a Recorrente ter promovido a contabilização das perdas em data diferente daquela prevista na lei para o critério de dedutibilidade em nada interfere no fato de que, considerando a apuração pelo lucro real, deve ser considerada a dedutibilidade de títulos vencidos e devidamente contabilizados que atendam os requisitos previstos em lei. Isto porque a Recorrente, por estar na sistemática do lucro presumido, não tinha o rigor de contabilizar estas perdas nas datas específicas previstas na Lei 9.430/96. O que importa para aferição da dedutibilidade das perdas decorrentes de títulos vencidos e não pagos é exclusivamente o fato de estarem contabilizados, a data de vencimento do título e o critério estabelecido na lei para a determinação do momento em que tal perda poderia ser deduzida. Pouco importa se a data da contabilização se deu na data em que a perda poderia ser deduzida. Mais uma vez, se o Auditor Fiscal optou (ilegalmente) pela apuração do lucro real, então, para que não haja contradição no seu procedimento, deve considerar todas as despesas dedutíveis seguindo os critérios estabelecidos em lei. Não obstante a apresentação de laudo técnico elaborado por renomada empresa de auditoria (KPMG), a DRJ afirma que nenhum dos valores apontados no laudo constituiriam perdas dedutíveis porque "a Impugnante não logrou apresentar provas efetivas de que a Autoridade Fiscal tenha glosado indevidamente alguma perda em operações de crédito". Isto porque, afirma o Julgador a quo que "As tabelas apresentadas se limitam a dizer se a perda é dedutível ou não dedutível e a indicação do parágrafo do art. 9g da Lei ng 9.430/96 como base legal da dedutibilidade ou indedutibilidade da perda", e que "A prova deve ser direta, indicando claramente o erro ou equívoco cometido pela Autoridade Fiscal". Note-se que o laudo técnico já acostado aos autos contém anexos em que estão indicados os títulos e todas as informações necessárias para verificação do preenchimento dos requisitos legais para dedutibilidade. Caso o Julgador tenha dúvida em relação a alguma informação, admite-se a conversão do julgamento em diligência para que os pontos sejam aclarados, mas jamais a desconsideração pura e simples do laudo técnico, tal como o fez o Julgador de l5 instância administrativa, pois se trata de prova acostada pelo contribuinte para demonstração de seu direito, que exige, no mínimo, análise fundamentada pelo Julgador. O Agente Fiscal identificou despesas passíveis de dedução, entretanto desconsiderou tais despesas unicamente em razão da data em que estas foram lançadas na contabilidade da Recorrente. Tal fato fica ainda mais evidente ao analisarmos as informações constantes nas planilhas citadas pelo Agente Fiscal (planilhas 05, 07, 10 e 13). Tendo em vista todo o acima, caso a Turma entenda que a contribuinte está sujeita ao regime do lucro real nos anos calendários analisados, voto no sentido de considerar legítima a dedutibilidade das despesas com perdas de crédito. Conclusão Fl. 6643DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 1301-003.934 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.723057/2017-17 Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de CONHECER o Recurso Voluntário, ACOLHER a preliminar de nulidade do lançamento em razão de o mesmo não ter sido formalizado com base no lucro arbitrado, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento fiscal por mudança de critério jurídico, para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild Fl. 6644DF CARF MF
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