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Numero do processo: 17460.000743/2007-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO
PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA
VINCULANTE STF Nº 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte.
A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 20.07.2006, o período do débito é de 11/2000 a 06/2004. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 06/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO
A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, que poderá efetuar a glosa de valores indevidos.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO PRAZO PRESCRICIONAL.
O prazo de que dispõe o contribuinte para requerer a compensação de contribuição previdenciária extingue-se em 5 (cinco) anos contados da data do pagamento ou recolhimento indevido (art. 168, CTN; art. 88 e 89 da Lei 8.212/1991; art. 78 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173/99; art. 253 do RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99).
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.905
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a suscitada de decadência até a competência 06/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. NO MÉRITO, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Igor Araújo Souza que votou pela tese do 5 + 5 para a prescrição do
direito de compensação.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 20.07.2006, o período do débito é de 11/2000 a 06/2004. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 06/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, que poderá efetuar a glosa de valores indevidos. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo de que dispõe o contribuinte para requerer a compensação de contribuição previdenciária extinguese em 5 (cinco) anos contados da data do pagamento ou recolhimento indevido (art. 168, CTN; art. 88 e 89 da Lei 8.212/1991; art. 78 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173/99; art. 253 do RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99). PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 240300.905 S2C4T3 Fl. 208 3 ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a suscitada de decadência até a competência 06/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. NO MÉRITO, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Igor Araújo Souza que votou pela tese do 5 + 5 para a prescrição do direito de compensação. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Igor Araújo Souza (suplente) e Jhonatas Ribeiro da Silva (suplente). Ausentes o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato e o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 191 a 204, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte MG, Acórdão nº 02 17.607 – 8ª Turma, fls. 182 a 186, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 35.820.6502, com ciência da Recorrente em 20.07.2006, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 60.726,28 (sessenta mil, setecentos e vinte e seis reais e vinte e oito centavos). Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 63 a 67, as contribuições sociais previdenciárias referemse a glosas de compensações realizadas pela empresa DISTRIBUIDORA BEBIDAS MAITAN LTDA no período de 11/2000 a 06/2004. Tais compensações referemse aos valores das contribuições recolhidas pela empresa relativamente a pagamentos efetuados a administradores (prólabore) e a autônomos, no período de 10/1989 a 11/1994, com base nas Leis n° s. 7.787/89 e 8.212/91. Ainda assim, o Relatório Fiscal, às fls. 63 a 67, se posiciona no sentido de que o Contribuinte não observou o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no Inciso I do Art. 168 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN), inclusive com a interpretação dada pelos Arts. 30 e 40 da Lei Complementar n° 118, de 09/02/05; no Art. 88 da Lei n° 8.212/91; no Art. 78 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173/97 e no Art. 253 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Neste mesmo diapasão, o Relatório Fiscal, às fls. 63 a 67, mostra que, em relação à Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN nº 1.102/DF, a Instrução Normativa INSS/DC 100/2003 disciplinou o prazo final para o início da efetivação da compensação de contribuições sociais previdenciárias relativas a remuneração paga a autônomos, empresários e avulsos em relação aos recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 3º da Lei n° 7.787, de 30 de junho de 1989 e com base no inciso I do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, relativos ao período de novembro de 1991 a abril de 1996, anterior à vigência da Lei Complementar n°84, de 18 de janeiro de 1996: Art. 228. O prazo final para apresentação de pedido de restituição ou de início da efetivação da compensação de contribuições sociais previdenciárias relativas a remuneração paga a autônomos, empresários e avulsos, foi estabelecido de acordo com os seguintes critérios: I os recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989, relativos ao período de setembro de 1989 a outubro de 1991, tiveram por início do prazo prescricional o dia 28 de abril de 1995 (data da publicação da Resolução nº 14 do Senado Federal) e, por término, o dia 28 de abril de 2000; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 240300.905 S2C4T3 Fl. 209 5 II os recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, relativos ao período de novembro de 1991 a abril de 1996, anterior à vigência da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, tiveram por início do prazo prescricional o dia 1º de dezembro de 1995 (data da republicação da decisão proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN nº 1.102/DF) e, por término, o dia 1º de dezembro de 2000. (gn) O Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 34 a 38, apresenta recolhimentos a homologar em todas as competências do período 05/1999 a 06/2004. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09296056F00, fls. 59 a 60, teve período de abrangência 01/1996 a 03/2006. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 18, é de 11/2000 a 06/2004. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 20.07.2006, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, de fls. 70 a 82, com Anexos às fls. 83 a 174. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte MG, emitiu o Acórdão nº 0217.607 – 8ª Turma, fls. 182 a 186, julgando procedente a autuação e mantendo o lançamento, conforme a Ementa a seguir: ASSUMO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPENSAÇÃO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA EM VIGOR. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Extinguese em cinco anos o direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias originárias do pagamento/recolhimento indevido, contados da data da decisão administrativa definitiva ou sentença judicial transitada em julgado, que tenha reformado, anulado ou revogado a decisão condenatória, na forma do artigo 88 da Lei n° 8.212/91 e do artigo 253 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. O contencioso administrativofiscal não é foro adequado para discussão de ilegalidade ou inconstitucional idade de normas. As contribuições sociais em atraso estão sujeitas aos acréscimos legais, nos percentuais definidos pela legislação. Lançamento Procedente Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Vistos. relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito exigido na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.820.6502. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. em igual prazo, conforme facultado pelo §1° do artigo 305 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, c/c o artigo 29 da Lei n° 11.457. de 16 de março de 2007 c/c o artigo 21 da Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007. Encaminhese à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste Acórdão e demais providências. Sala de Sessões, em 19 de março de 2008. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 191 a 204, na qual alega em síntese: Em Preliminar. (i) Da decadência com base na Súmula Vinculante 8, STF, até a competência 06/2001. No Mérito. (ii) Da correta compensação efetuada em relação à contribuição social sobre pagamentos a administradores e autônomos. A Recorrente ao ver que não era devida a contribuição sobre autônomos e administradores (prolabore), compensou com os valores devidos na categoria de empregadora, seguindo rigorosamente a legislação em vigor, bem como em consonância com a jurisprudência emanada pelos nossos tribunais e pela Resolução n. 14/95 do Senado Federal. A expressão autônomos e administradores. inserida na redação do inciso I do artigo 3° da Lei n° 7.787/89. foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF e convalidada pelo Senado Federal através da Resolução n° 14, de 1995. Ademais, a ADIN anteriormente mencionada teve o seu julgamento de mérito no dia 5.10.95, quando o Egrégio Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a cobrança da contribuição incidente sobre a remuneração paga aos administradores e autônomos, sendo publicada no dia 17.11.95, não deixando mais nenhuma dúvida quanto à presente matéria. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 240300.905 S2C4T3 Fl. 210 7 Por via de conseqüência os pagamentos realizados pela Impugnante, a título de contribuição social sobre o prólabore e honorários de autônomos. relativos ao período abrangido pela guias de recolhimento anexas são indevidos, surgindo para a mesma o direito público subjetivo de compensação. (iii) Do direito à compensação. A Lei n° 8.383/91 dispõe no art. 66 que os tributos e contribuições de mesma espécie são compensáveis independentemente de prévia autorização do INSS. Desta forma, o requisito autorizativo para que a compensação seja bem sucedida foi observado, pois a empresa apenas compensou créditos que possuía com débitos de mesma espécie. A Recorrente compensou os valores indevidamente recolhidos da contribuição incidente sobre os pagamentos de autônomos e administradores no período assinalado nas planilhas anexas. Assim, a fim de "reaver" tais valores, efetuou a compensação destes recolhimentos indevidos com os vincendos e devidos ao INSS, atualizando monetariamente os valores a serem compensados, para que estes mantivessem o valor atual, sem os prejuízos causados pela inflação. Desta forma não há qualquer dúvida sobre o direito da Recorrente de corrigir monetariamente os valores pagos a maior que foram o objeto da compensação ora questionada, desde as datas dos respectivos pagamentos indevidos. (iv) Taxa SELIC – ilegalidade e inconstitucionalidade. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 206. É o Relatório. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fl. 206. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões Preliminares e ao Mérito. DAS PRELIMINARES Violação a preceitos constitucionais. A Recorrente argumenta em relação à violação a preceitos constitucionais: (e) Taxa SELIC – ilegalidade e inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 240300.905 S2C4T3 Fl. 211 9 que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 (i) Da decadência com base na Súmula Vinculante 8, STF, até a competência 06/2001. Analisemos. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 240300.905 S2C4T3 Fl. 212 11 § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 240300.905 S2C4T3 Fl. 213 13 § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, verificase que o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, disposto às fls. 34 a 38, apresenta em todas as competências de 05/1999 a 06/2004 pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 20.07.2006 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período: 11/2000 a 06/2004. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 06/2001, inclusive. No Mérito. (ii) Da correta compensação efetuada em relação à contribuição social sobre pagamentos a administradores e autônomos. A Recorrente ao ver que não era devida a contribuição sobre autônomos e administradores (prolabore), compensou com os valores devidos na categoria de empregadora, seguindo rigorosamente a legislação em vigor, bem como em consonância com a jurisprudência emanada pelos nossos tribunais e pela Resolução n. 14/95 do Senado Federal. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 240300.905 S2C4T3 Fl. 214 15 A expressão autônomos e administradores. inserida na redação do inciso I do artigo 3° da Lei n° 7.787/89. foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF e convalidada pelo Senado Federal através da Resolução n° 14, de 1995. Ademais, a ADIN anteriormente mencionada teve o seu julgamento de mérito no dia 5.10.95, quando o Egrégio Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a cobrança da contribuição incidente sobre a remuneração paga aos administradores e autônomos, sendo publicada no dia 17.11.95, não deixando mais nenhuma dúvida quanto à presente matéria. Por via de conseqüência os pagamentos realizados pela Impugnante, a título de contribuição social sobre o prólabore e honorários de autônomos. relativos ao período abrangido pela guias de recolhimento anexas são indevidos, surgindo para a mesma o direito público subjetivo de compensação. (iii) Do direito à compensação. A Lei n° 8.383/91 dispõe no art. 66 que os tributos e contribuições de mesma espécie são compensáveis independentemente de prévia autorização do INSS. Desta forma, o requisito autorizativo para que a compensação seja bem sucedida foi observado, pois a empresa apenas compensou créditos que possuía com débitos de mesma espécie. A Recorrente compensou os valores indevidamente recolhidos da contribuição incidente sobre os pagamentos de autônomos e administradores no período assinalado nas planilhas anexas. Assim, a fim de "reaver" tais valores, efetuou a compensação destes recolhimentos indevidos com os vincendos e devidos ao INSS, atualizando monetariamente os valores a serem compensados, para que estes mantivessem o valor atual, sem os prejuízos causados pela inflação. Desta forma não há qualquer dúvida sobre o direito da Recorrente de corrigir monetariamente os valores pagos a maior que foram o objeto da compensação ora questionada, desde as datas dos respectivos pagamentos indevidos. Analisemos conjuntamente os itens (ii) e (iii). Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 63 a 67, as contribuições sociais previdenciárias referemse a glosas de compensações realizadas pela empresa DISTRIBUIDORA BEBIDAS MAITAN LTDA no período de 11/2000 a 06/2004. Tais compensações referemse aos valores das contribuições recolhidas pela empresa relativamente a pagamentos efetuados a administradores (prólabore) e a autônomos, no período de 10/1989 a 11/1994, com base nas Leis n° s. 7.787/89 e 8.212/91. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 Observese que, por ocasião do levantamento da NFLD, a Fazenda Pública deve proceder ao lançamento de débito, pois, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional razão pela a autoridade fiscal procedeu à lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional. O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. “Art.89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido”. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) O direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, observadas as seguintes condições, conforme art. 202 da Instrução Normativa MPS/DC nº 100/2003: • a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pelo INSS para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades e fundos; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 240300.905 S2C4T3 Fl. 215 17 • o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação às contribuições objeto de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) e débito decorrente de Auto de Infração (AI), cuja exigibilidade não esteja suspensa, de Lançamento de Débito Confessado (LDC), de Lançamento de Débito Confessado em GFIP (LDCG), de Débito Confessado em GFIP (DCG); • o sujeito passivo deverá estar em dia com as parcelas relativas a acordo de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso II, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil; • somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, conforme disposto no art. 227. • A compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes aqueles a que se referem os valores pagos indevidamente. Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte, sobre os quais incidirão juros e multa de mora. Caso o contribuinte não recolha espontaneamente os valores compensados de forma indevida, cabe ao Fisco a glosa da compensação efetuada. Também cabe referida glosa na hipótese de compensação efetuada sem que houvesse recolhimento ou pagamento indevido; ou atualizada em desconformidade com os índices de correção previstos na legislação previdenciária; ou sem decisão judicial que tenha autorizado a compensação. Por fim, não houve qualquer ato perfeito e acabado, posto que uma compensação indevida não pode ser considerada como um ato jurídico perfeito, já que se sujeita à verificação de sua regularidade pela fiscalização. Como se vê, a compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa do contribuinte, mas com risco para ele. A compensação feita, no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. Outrossim, quanto à incidência de contribuição social previdenciária sobre remuneração paga a autônomos, empresários e avulsos em relação aos recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 3º da Lei n° 7.787, de 30 de junho de 1989 e com base no inciso I do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, relativos ao período de novembro de 1991 a abril de 1996, anterior à vigência da Lei Complementar n°84, de 18 de janeiro de 1996, o Supremo Tribunal Federal – STF em declarou a inconstitucionalidade em Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 1.102/DF. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 18 Anotese que o art. 168, I, do CTN Código Tributário Nacional, bem como o art. 253, I, Decreto n° 3.048, estabelecem o prazo de 5 (cinco) anos para pleitear a restituição ou realizar compensação. Como disposto acima, tal prazo iniciose em 01/12/1995, data da decisão do Supremo Tribunal Federal na ADI n° 1.1022DF e se extinguiu em 01/12/2000. Outrossim, o artigo 228, inciso I da Instrução Normativa INSS/DC 100, de 18 de dezembro de 2003, explicita o término do prazo prescricional do direito de compensar as contribuições previdenciárias relativas a remuneração paga a administradores e autônomos, no período de 10/1989 a 11/1994, declaradas inconstitucionais pelo STF. Conforme disposto em tal artigo, o prazo de 5(cinco) anos é contado a partir da data da declaração de inconstitucionalidade de tais contribuições, terminando em 28 de abril de 2000 (contribuição recolhidas no período 09/1989 a 10/1991, com base no inciso 1, do artigo 3° da Lei 7.787/99)) e em 1° de dezembro de 2000 (contribuição recolhida no período de 11/1991 a 04/1996, com base no inciso I do artigo 22 da Lei n°8.212/91): Art. 228. O prazo final para apresentação de pedido de restituição ou de início da efetivação da compensação de contribuições sociais previdenciárias relativas a remuneração paga a autônomos, empresários e avulsos, foi estabelecido de acordo com os seguintes critérios: I os recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989, relativos ao período de setembro de 1989 a outubro de 1991, tiveram por início do prazo prescricional o dia 28 de abril de 1995 (data da publicação da Resolução nº 14 do Senado Federal) e, por término, o dia 28 de abril de 2000; II os recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, relativos ao período de novembro de 1991 a abril de 1996, anterior à vigência da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, tiveram por início do prazo prescricional o dia 1º de dezembro de 1995 (data da republicação da decisão proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN nº 1.102/DF) e, por término, o dia 1º de dezembro de 2000. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 63 a 67, enquanto que os pagamentos indevidos, efetuados com base nas Leis 7.787/89 e 8.212/91, ocorreram nas competências 10/1989 a 11/1994, temse que as compensações foram efetuadas nas competências 11/2000 a 06/2004. Ou seja, transcorridos mais de 5(cinco) anos entre a data da declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em 01/12/1995, e a data de inicio da compensação. Portanto, como tais créditos não poderiam mais ter sido compensados. a partir de 01 de dezembro de 2000, configurouse a prescrição do direito de se compensar, sendo indevidas as compensações efetuadas pela empresa. Outrossim, anotese que até a presente data de julgamento, 01.12.2011, o Supremo Tribunal Federal ainda não pronunciou uma decisão definitiva de mérito no RE 566.621 que aborda a questão do prazo de compensação e de restituição. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 240300.905 S2C4T3 Fl. 216 19 Ademais, diante da configuração da prescrição do direito da Recorrente em se compensar, não há que se debater a questão da correção monetária requerida pela Recorrente devido à perda lógica de objeto da discussão. Dessa forma, considerando a inobservância das condições de compensação previstas na legislação acima, a glosa realizada pela fiscalização encontrase correta. (iv) Taxa SELIC – ilegalidade e inconstitucionalidade. Analisemos. Em relação à inconstitucionalidade, já analisouse tal questão em sede preliminar. Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 20 MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 240300.905 S2C4T3 Fl. 217 21 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, em reconhecer a PRELIMINAR suscitada de decadência até a competência 06/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN, e, NO MÉRITO, dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 234DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000222/2008-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2002
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-000.794
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, para reconhecer a decadência total, inclusive com base no art. 150, § 4º do CTN. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees
Stringari.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência total, inclusive com base no art. 150, § 4º do CTN. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Fl. 155DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14751.000222/200818 Acórdão n.º 2403000.794 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Assim relatou a DRJ, verbis: “Da lavratura Conforme Relatório Fiscal da Infração, fl. 04, em ação desenvolvida na Dimensional Construções Ltda, CNPJ 09.239.1951000100, foram constatadas as seguintes falhas nos Livros Diário de números 14 a 18 e dos Livros Razão de 2000 a 2003, todos relacionados à obra de construção civil matriculada no cadastro específico do INSS (CEI) sob o n.° 33.940.00865/77: a) Saldo credor na conta CAIXA em 30/11/2000, 02/12/2000, 30/04/2002 e 10/05/2002; b) Total de lançamentos a crédito diferente do total de lançamentos a débito em dezoito datas listadas no Relatório Fiscal, inclusive 10 e 20/12/2002; C) A entrega de apartamento de R$ 51.000,00 (cinqüenta e um mil reais) feita a título de entrada para a aquisição da unidade 501 do Edificio Luiz Felipe não foi contabilizada, nem consta de contrato de compra e venda; d) A nota fiscal n.° 0065, emitida em 08/0612001 por Pereira e Vasconcelos Ltda foi superfaturada em R$ 4.618,64. Tais condutas da Empresa foram enquadradas como infração prevista no § 3.° do art. 33 da Lei 8.212, de 24/07/1991, o que motivou a lavratura do autodeinfração (AI) 37.118.5122, cadastrado no sistema de protocolo do Ministério da Fazenda (COMPROT) sob o número 14751.000222/200818. A multa foi aplicada no valor de R$ 12.548,77 (doze mil, quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos), com base nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinados com o art. 283, 11, ‘j’, e com o art. 373, ambos do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, atualizado o valor da multa em face do art. 8.°, VI, da Portaria Interministerial MPS/MF n.° 77, de 11/03/2008, publicada no Diário Oficial da União de 12/03/2008. Da impugnação Cientificada do lançamento em 31/03/2008, a Autuada apresentou impugnação tempestiva em 30/04/2008, perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em João Pessoa/PB, fls. 60197, argumentando, em síntese, que: Fl. 156DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 a) Estando o período do débito compreendido entre 10/2000 e 12/2002, teria ocorrido a decadência, face ao disposto no art. 173, I, do CTN; b) Não poderia ser aplicada a taxa SELIC na correção do crédito. C) O imóvel dado como entrada na negociação referente à unidade 501 do Edificio Luiz Felipe consta como vendido para Ozanir Maria de Souza Corrales, CPF 518.500.89491, que utilizou o valor recebido como entrada da referida compra, conforme Declaração de Ajuste Anual anexada. d) A nota fiscal de n.° 0065 não conteria irregularidades, sendo sem fundamento o alegado pela Fiscalização. A Autuada ‘designou’ como local para recebimento de intimações um escritório localizado em Fortaleza/CE. É o relatório.” DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos da impugnante, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Recife – PE DRJ/REC, emitiu o Acórdão n° 11 23.399, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 109/125, com os seguintes argumentos: Tempestividade do Recurso, vez que apresentado dentro do trintídio legal; Desnecessidade do Arrolamento de bens de 30%, em face da ADIN 1976; Em sede preliminar: Nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa por ausência de previsão clara e precisa do AI objeto da lide, contrariando o art. 37 da Lei n. 8.212/91; Improcedência total do lançamento, em face da decadência; Aplicação Irregular e excessiva da multa, mais uma vez decorrente da ausência de regras claras e precisas. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14751.000222/200818 Acórdão n.º 2403000.794 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 149, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos Fl. 158DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de multa isolada, vinculada a contribuições sociais previdenciárias, que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, e partindo do pressuposto de que o acessório segue o principal, contase o prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, tendo em vista que houve pagamento a título de contribuição previdenciária. Conforme Relatório Fiscal de fls. 04/05, o período das irregularidades compreendeu a competência 05/2000 a 12/2002. A notificação ocorreu em 31/03/2008. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período total, compreendido entre: 05/2000 a 12/2002 (nos termos do art. 150, § 4º do CTN), conforme explicado. A decadência é matéria de ordem pública que deve ser declarada a qualquer tempo e até mesmo de oficio. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso, para reconhecer a decadência total, inclusive com base no art. 150, § 4º do CTN. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 159DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11610.018335/2002-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a existência de omissão sobre ponto questionado pela parte, cabe conhecer e acolher os embargos para sanar tal ponto.
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC.
Em face do enunciado 37 da Súmula do CARF, e considerando que o
objetivo da Lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim condicionar seu gozo à sua quitação, este Colegiado firmou entendimento de que a prova de regularidade fiscal referente ao período a que se referir a DIPJ, à luz do que dispõe a súmula antes referida, pode ser feita em qualquer
momento.
Embargos Conhecidos e Acolhidos. Dúvida Sanada.
Numero da decisão: 1402-000.846
Decisão: Por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos interpostos pela PFN, para sanar a obscuridade, e no mérito ratificar o acórdão 1402-00.514, de 31/03/2011, mantendo a decisão do Colegiado, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário,
determinando o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC, considerando a regularidade fiscal do contribuinte na data opção.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Constatada a existência de omissão sobre ponto questionado pela parte, cabe conhecer e acolher os embargos para sanar tal ponto. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Em face do enunciado 37 da Súmula do CARF, e considerando que o objetivo da Lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim condicionar seu gozo à sua quitação, este Colegiado firmou entendimento de que a prova de regularidade fiscal referente ao período a que se referir a DIPJ, à luz do que dispõe a súmula antes referida, pode ser feita em qualquer momento. Embargos Conhecidos e Acolhidos. Dúvida Sanada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos interpostos pela PFN, para sanar a obscuridade, e no mérito ratificar o acórdão 140200.514, de 31/03/2011, mantendo a decisão do Colegiado, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC, considerando a regularidade fiscal do contribuinte na data opção. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Fl. 307DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11610.018335/200292 Acórdão n.º 140200.846 S1C4T2 Fl. 0 2 Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11610.018335/200292 Acórdão n.º 140200.846 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório SCHERING DO BRASIL Q E FARMACÊUTICA LTDA, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorreu da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao anocalendário de 1998, consubstanciado na DIPJ/1999. O recurso foi apreciado por esta Turma na sessão de 31/03/2011, sendo proferido o acórdão 140200.514, assim ementado: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. REGULARIDADE FISCAL. SÚMULA 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos de Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972. Súmula 37 do CARF. Recurso Provido. Cientificada, a douta PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL apresentou Embargos de Declaração (copia às fls. 399). Aduz a embargante que “restou obscuro o entendimento da Turma acerca do momento em relação ao qual o contribuinte deve comprovar a regularidade fiscal, isto é: a data do despacho decisório ou a data da apresentação do PERC ou, ainda, a data da entrega da DIPJ.” Mediante despacho de 12/12/2011, este relator propôs o acolhimento dos embargos para reapreciação da matéria pelo colegiado. É o sucinto relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11610.018335/200292 Acórdão n.º 140200.846 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Os embargos da PFN são tempestivos e atendem os pressupostos regimentais (art. 64, inciso I do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009). Analisando as alegações da embargante, devo reconhecer que há obscuridade no voto condutor do acórdão recorrido quanto ao momento. Pois bem. Vejamos novamente o enunciado nº 37 da súmula do CARF: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (grifei). Em face da Súmula, e considerando que o objetivo da Lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim condicionar seu gozo à sua quitação, este Colegiado firmou entendimento de que a prova de regularidade fiscal referente ao período a que se referir a DIPJ, à luz do que dispõe a súmula antes referida, pode ser feita em qualquer momento. Se o contribuinte estava em situação regular no período correspondente à entrega da DIPJ, conforme referido na Súmula 37, ou em período posterior regularizou a situação, não há motivo para impedir que usufrua o benefício. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos interpostos pela PFN, para sanar a obscuridade, e no mérito ratificar o acórdão 140200.514, de 31/03/2011, mantendo a decisão do Colegiado, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC, considerando a regularidade fiscal do contribuinte na data opção. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 310DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 35415.000847/2006-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003
AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP’S. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES.
Caso a empresa apresente informações que contenham declarações, inexatas, incompletas ou omissas em relação a dados não relacionados a fatos geradores, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento de obrigação acessória de informar corretamente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.788
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa na forma do art.32-A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o art.106, II, “c” do Código Tributário Nacional
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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GFIP’S. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. Caso a empresa apresente informações que contenham declarações, inexatas, incompletas ou omissas em relação a dados não relacionados a fatos geradores, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento de obrigação acessória de informar corretamente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa na forma do art.32A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o art.106, II, “c” do Código Tributário Nacional Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Fl. 106DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000847/200609 Acórdão n.º 2403000.788 S2C4T3 Fl. 104 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 73 a 76 contra decisão da Delegacia da Receita Previdenciária de Osasco (fls.53 a 58) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no auto de infração n° 37.013.7817, sendo aplicada a multa no valor R$ 6.016,40 (seis mil e dezesseis reais e quarenta centavos). Conforme Relatório Fiscal e anexos apresentados às fls. 04/05 e 32/33, a autuação corresponde à atitude da empresa em ter apresentado GFIP’s com dados inexatos, relativamente aos dados não relacionados aos fatos geradores (informou ser optante do SIMPLES, quando, na verdade, não faz jus a esse regime de tributação, em relação às competências 01/2001 a 07/2001, 09/2001 a 11/2002 e 01/2003 a 04/2003). Diante dos fatos analisados, a auditoria entendeu que a empresa infringiu o disposto no art.32, IV e §§ 3 e 6 da Lei n 8.212/91 combinado com o art. 225, IV, §4º do RPS, estando sujeita à aplicação das penalidades previstas no art.32 parágrafo 6 da Lei n 8.212/91 combinado com o art.284, III e art.373 do RPS. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 27/09/2006 e apresentou impugnação às fls. 47 a 50 alegando, em síntese, que: A cobrança excede os limites estabelecidos nas normas concernentes às penalidades tributárias; Faltam fundamentos fáticos e jurídicos que justifiquem a imposição da penalidade; A Autoridade Administrativa deveria ter efetuado pormenorizadamente as circunstâncias que a levaram a concluir que a autuada realizou tal declaração como optante do SIMPLES. Sem tais informações está claro que o Al desatende a necessidade de "descrição clara e precisa do fato", presente no Decreto n° 70.235/72; A abusividade e ilegalidade da multa; Por fim, requereu a nulidade do Autodeinfração, bem como postulou a juntada de provas obtidas, em contraditório pleno, que demonstrem as irregularidades apontadas no Al. Requereu também diligências para a produção de provas pericial contábil fiscal por contador habilitado, demonstrando o abusividade da multa aplicada. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a Delegacia da Receita Previdenciária de Osasco proferiu decisãonotificação (n° 21.028.0/0063/2007) nos seguintes termos: PREVIDENCIÁRIO — MULTA GFIP —INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Constitui infração apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Artigo 32, inciso IV, parágrafo 6° da Lei n°8.212/91. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 73 a 76, ratificando todos os argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000847/200609 Acórdão n.º 2403000.788 S2C4T3 Fl. 105 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO I – DA INFRAÇÃO COMETIDA A empresa autuada foi submetida à fiscalização, na qual foram verificados diversos documentos da recorrente, tais como o contrato social e seus aditivos, folhas de pagamentos de todos os empregados e contribuintes individuais, livro razão e diário, GFIP com comprovantes de entregas e eventuais retificações, dentre outros. Assim, diante dessa análise documental, verificouse que a empresa, no período de 01/2001 a 07/2001, 09/2001 a 11/2002 e 01/2003 a 04/2003, apresentou GFIP’s com dados inexatos, relativamente aos dados não relacionados aos fatos geradores (informou ser optante do SIMPLES, quando, na verdade, não faz jus a esse regime de tributação). Em síntese, a recorrente em suas oportunidades de defesa (impugnação e recurso voluntário), não conseguiu demonstrar que a infração não foi cometida, trazendo argumentos meramente protelarórios. Desse modo, havendo previsão legal que determine o preenchimento correto com dados importantes de GFIP’s, a fiscalização, diante de tais documentos, se verificar erros, como omissões de dados ou informações inexatas, deverá obrigatoriamente lavrar auto de infração com fundamento no descumprimento de obrigação acessória prevista em legislação. No caso em tela, o fisco procedeu à lavratura do auto de infração, ao verificar que as GFIP’s não continham todas as informações necessárias, com fundamento no art.32, IV, da Lei n 8.212/91 combinado com o art.225, IV, e parágrafo 4 do Regulamento da Previdência Social Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Destacouse) Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 109DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Desse modo, a consequência da infração do presente caso é o pagamento de multa prevista na legislação competente, qual seja o Regulamento da Previdência Social (aprovado pelo Decreto n 3.048/99) e a Lei n 8.212/91, in verbis: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. O Regulamento (Decreto n 3.048/99) cuidou ainda de tratar da atualização do valor cobrado, nos termos do art.373, in verbis: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.. No mesmo sentido, a Lei nº 8.212/91 preleciona ainda em seu art. 32, § 6º que a empresa que apresentar os documentos do art.32, IV, com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator ao pagamento de multa no valor de cinco por cento do valor mínimo do previsto no art.92, por campo com informação inexata. Então vejamos: Art.32 – (...) (...) § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de Fl. 110DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000847/200609 Acórdão n.º 2403000.788 S2C4T3 Fl. 106 7 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009). Na presente autuação, a fiscalização aplicou, ao fundamentar a aplicação da multa no §6º do art.32 da Lei n 8.212/91, um valor (cinco por cento) com base na quantia mínima prevista no art.92 da Lei n 8.212/91.Todavia, o citado dispositivo (§6º) foi revogado pela Lei n 11.941/2009. Referida lei, ao revogar o dispositivo acima citado, incluiu novo artigo na Lei n 8.212/91, o qual estabeleceu que a empresa que deixasse de apresentar o documento do inciso IV do art.32 ou apresentasseo com incorreções/omissões seria intimada a prestar esclarecimentos e pagar multa de acordo com a conduta praticada. Então vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 111DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Pelo exposto, percebese que o critério adotado para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória foi alterado, podendo assim o valor de R$ 6.016,40 (seis mil e dezessesis reais e quarenta centavos) ser reduzido pela aplicação da nova lei que retroagirá para beneficiar o contribuinte, nos moldes do art.106, II, “c”do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Desse modo, entendo que a infração cometida pela recorrente em apresentar as GFIP’s com informações inexatas, omissas ou incompletas em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, incorre no descumprimento previsto no art.32A, caput, da Lei n 8.212/91 com redação dada pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto, tal norma retroagir, se for mais benéfica ao contribuinte, para ser aplicada ao caso em tela, conforme o art.106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que seja mantida a cobrança do Auto de Infração nº 37.013.7817, na forma do art.32A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o art.106, II, “c” do Código Tributário Nacional. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15504.006689/2008-48
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 1 DO CARF. MATÉRIA CONSTITUCIONAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.812
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não
conhecer do recurso relativo aos fatos geradores compreendidos de 01/01/1993 até 15/12/1998, e com relação aos fatos geradores ocorridos entre 16/12/1998 até 31/12/1998, em negar provimento.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso relativo aos fatos geradores compreendidos de 01/01/1993 até 15/12/1998, e com relação aos fatos geradores ocorridos entre 16/12/1998 até 31/12/1998, em negar provimento.
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DISCUSSÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 1 DO CARF. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso relativo aos fatos geradores compreendidos de 01/01/1993 até 15/12/1998, e com relação aos fatos geradores ocorridos entre 16/12/1998 até 31/12/1998, em negar provimento. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 321DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 322DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15504.006689/200848 Acórdão n.º 2403000.812 S2C4T3 Fl. 318 3 Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização previdenciária contra o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, identificado acima, no valor de R$ 4.142.844,07 (quatro milhões, cento e quarenta e dois mil e oitocentos e quarenta e quatro reais e sete centavos), consolidado em 17/12/2003, cuja notificação ocorreu em 08/01/2004 (fl. 110), relativo a contribuições patronais, inclusive contribuições para SAT/incapacidade laborativa resultantes dos riscos ambientais do trabalho e contribuições dos segurados empregados, incidentes sobre pagamentos efetuados a servidores públicos estaduais detentores de função pública lotados no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, período 01/1993 a 15/12/1998 e respectivo 13° salário. DA IMPUGNAÇÃO 2. O notificado, inconformado com a NFLD, apresentou defesa dentro do prazo legal impugnando o lançamento, consoante documentos de fls. 116/169, alegando, em síntese, o que segue: 2.1. A defesa aduz decadência qüinqüenal do crédito lançado, com fundamento no Código Tributário Nacional, doutrina e em jurisprudência. 2.2. Alega, ainda, a ocorrência de decadência decenal relativamente aos créditos apurados em 1993, porquanto deveriam ter sido lançados até 2003, nos termos do inciso I da Lei 8.212191. 2.3. Em seguida, alega inexigibilidade do crédito previdenciário, pois o Estado de Minas, enquanto entidade da federação, não é sujeito passivo da contribuição social a que se refere o art. 33, que remete ao art. 11, parágrafo único a, b e c, da Lei 8.212/91, cujo suporte é o art. 195 da Constituição Federal/1998. Completa afirmando que, além de não haver lei autorizando a cobrança em foco, não poderia haver previsão de tributação do Estado membro, sob pena de ofensa ao principio federativo. 2.4. Alega que o art. 11 da Lei 8.212/91 não se aplica ao Estadomembro, pois o art. 195, §1° da CF/88 é claro ao dispor que as receitas dos Estados destinadas a Seguridade Social constarão de seu orçamento, não integrando o orçamento da União. 2.5. Argumenta, também, que, se a natureza da contribuição social é de imposto, deve ser observado o princípio da imunidade recíproca disposto no art. 150, VI da CF/88, segundo o qual é vedado à União instituir imposto sobre o patrimônio, renda ou serviço do Estado, estendendo tal vedação às autarquias (CF art. 150, § 2°), como é o caso do INSS. 2.6. Argúi, também, vedação judicial ao lançamento do crédito previdenciário quanto aos servidores não efetivos, como é o caso dos servidores detentores de função pública, até o advento da Emenda Constitucional n° 49/2001 que os efetivou. Ressalta que, pelo princípio federativo, o Estado de Minas Gerais, enquanto entidade da federação, goza de autonomia política, que pressupõe capacidade de autogoverno, autoadministração e auto organização, por isso pode (e deve) disciplinar a previdência de seus servidores sem a interferência de qualquer outra esfera estatal. Assevera que esse entendimento está insculpido Fl. 323DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 na repartição de competências prevista na Constituição Federal, que legitimou o Estado a legislar concorrentemente com a União sobre Previdência Social, conferindolhe condições de arrecadar o tributo necessário para custeio de seu regime próprio. 2.7. Prosseguindo, afirma que, com base nesse contexto constitucional, vigorava no Estado, á época do fato sob análise, a Lei 9.380/86, que dispunha sobre o IPSEMG e a Lei 869/52, que compunham o regime próprio de previdência da época. Afirma que descabe à Autarquia Previdenciária Federal questionar o regime próprio estadual, em face do princípio da paridade entre os entes federativos. Conclui que ingerência neste ponto, é inconstitucional. 2.8. Registra que, somente com a Emenda Constitucional n° 20/98 é que se dispôs sobre a matéria na nova redação do caput do art. 40 e seu § 13 cuja interpretação vigorante no Estado de Minas Gerais, veda ao INSS a constituir débito em relação aos servidores não titulares de cargo efetivo, conforme sentença, que confirmou liminar concedida no Mandado de Segurança n° 1999.38.00.0178182, que tramitou perante a 13° Vara da Fazenda Federal da Seção Judiciária de Belo Horizonte/MG. Frisa que na ordem de segurança não há limitação temporal, isto á, a ordem abrange antes e depois da Emenda Constitucional n° 20/1998. Portanto, se o INSS fundamenta a cobrança neste aspecto está descumprindo ordem judicial, sendo passível das penalidades legais. 2.9. Alega, ainda, que os detentores de função pública estão incluídos no Regime Próprio de Previdência do Estado, pois se aposentam nos moldes do art. 36 da Constituição Estadual. Esclarece que o Regime Jurídico único ocorrido no Estado, com o advento da Lei 10.254/90, transformou os empregados públicos da administração direta autárquica e fundacional em servidores públicos detentores de função pública e , por força da citada Lei 10.254/90, tais servidores submetemse ao regime jurídico de direito público (art. 1°), aplicandoselhes a legislação estatutária (parágrafo único do art. 1°), reconhecida ser sua atividade administrativa permanente (art. 2°), por isso contribuinte do IPSEMG (art. 17). Acrescenta que, concretamente há aposentadoria de detentores de função pública no Estado, conforme relação apresentada a título ilustrativo. 2.10. Argumenta que não prevalece o argumento de que tais servidores não são titulares de cargo efetivo, porquanto o art. 19 do ADCT da CF 88 cuidou de estabelecer em seu § 2° a possibilidade desta efetivação para aqueles que mantivessem vinculo com o erário por mais de 5 anos até a data da promulgação da Carta Magna. 2.11. Ademais, prossegue, pela da Emenda Constitucional n° 49/2001 e Lei Complementar Estadual n° 64/2002, os detentores de função pública aposentamse no regime próprio estadual. Em conseqüência, excluídos do Regime Geral nos moldes do art. 13 da Lei 8.212/91, Parecer CJ MPAS 1.703/99 e Acórdão 4.186/99 da 6° CAJ do CRPS. 2.12. Contesta o valor argumentando que indevidamente foram lançadas contribuições relativas a servidores aposentados e servidores detentores de função pública efetivados e, ainda, foram indevidamente considerados como base para apuração do crédito as verbas pagas a título de vale/auxilio transporte, vale/auxílio refeição e o abono família , em flagrante ofensa ao art. 28, § 90, alíneas “e” e “f” da Lei 8.212/91. Requer perícia para decotar o valor correspondentes aos servidores que não deveriam ter sido incluídos, bem como para extirpar o valor das parcelas indevidamente agregadas à base de cálculo. 2.13. Requer a desconstituição, anulação, invalidação e cancelamento da NFLD; requer suspensão do lançamento durante a tramitação do feito, para que possa ter acesso à CND e requer a intimação pessoal dos Procuradores do Estado de Minas Gerais, Dr. Ronaldo Maurílio Cheib e Dr. Marcelo Barroso Lima Brito de Campos, que subscrevem a Fl. 324DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15504.006689/200848 Acórdão n.º 2403000.812 S2C4T3 Fl. 319 5 defesa, com referência a toda a tramitação do feito, no endereço da Procuradoria Geral do Estado de Minas Gerais, Praça da Liberdade, s/n, Prédio da Secretaria de Estado da Justiça, andar térreo, bairro Funcionários, Belo Horizonte/MG. DA DILIGÊNCIA FISCAL 3. Instada a manifestarse acerca da matéria de fato argüida pela defesa, a Auditoria Fiscal notificante pronunciouse as fls. 175, prestando as informações a seguir resumidas: 3.1. Reitera os termos do Relatório Fiscal, asseverando que o lançamento trata de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a servidores públicos detentores de função pública no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, os quais eram regidos pela CLT e que, com a Lei do Regime Jurídico Único do Estado de Minas Gerais, tiveram seus empregos transformados em função pública nos termos do art. 40 da Lei 10.254/90. Completa esclarecendo que o lançamento não compreende servidores concursados e que tenham tomado posse em cargo efetivo. 3.2. Esclarece que o levantamento limitouse a incluir os servidores da folha de pagamento de pessoal ativo ocupante de função pública. 3.3. No que tange as verbas "vale transporte", "vale refeição" e "abono família", informa que não compuseram a base de cálculo do lançamento em foco, conforme se pode constatar no anexo ao relatório fiscal. DO PRONUNCIAMENTO DA PROCURADORIA FEDERAL ESPECIALIZADA – INSS 4. Em face da alegação da notificada, de impedimento judicial à cobrança em questão, foi juntada a estes autos cópia de pronunciamento da Procuradoria Federal Especializada — INSS que, em resposta à consulta acerca do alcance da sentença dada no Mandado de Segurança 1999.38.00.0178182, informou: “As alegações do impetrante delimitou os limites da lide que, sem nenhuma dúvida ficou restrita ao período posterior à referida alteração constitucional (grifamos). Daí o entendimento inafastevel (grifamos) de que a r. Decisão que concedeu a segurança não tem como irradiar os seus efeitos para período anterior à Emenda Constitucional n° 20/98. Portanto, a fiscalização está livre para lançar no que diz respeito aos fatos geradores ocorridos nessa época, sem descumprimento de nenhuma ordem judicial” (grifamos). DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos da impugnante, a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte – MG, emitiu o Acórdão n° 11.401.4/0735/2005, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 192/209), sob os mesmos argumentos de sua defesa, além do descumprimento de ordem judicial, ofensa à ampla defesa, em razão do indeferimento da prova pericial. Fl. 325DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 DAS CONTRARRAZÕES AO RECURSO A DRJ apresentou contrarrazões (fls. 214/217), ao Recurso Voluntário impugnando os seus termos e reiterando que seja mantido o acórdão, bem como o recebimento do recurso sem o depósito recursal. DO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO Em despacho de fl. 250, foi pedido revisão do acórdão , nos termos dos incisos I, III e IV do art. 60 do Regimento Interno do CRPS, aprovado pela Portaria MPS n. 88/2004. DAS CONTRARRAZÕES AO PEDIDO DE REVISÃO A recorrente apresentou contrarrazões (fls. 259/274), sob o argumento de que é incabível pedido de revisão; pela constitucionalidade do art. 106 da Constituição do Estado de Minas Gerais; do princípio da oficialidade e da verdade real; bem como os mesmos argumentos já debatidos. DA DECISÃO DA 4A CÂMARA DE JULGAMENTO Após analisar aos argumentos da impugnante, a 4a Câmara de Julgamento CaJ, emitiu o Acórdão n° 713/2007, o qual não conheceu o pedido de revisão. DO PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA Na petição de fls. 287/296 a DRJ faz o pedido de Uniformização da Jurisprudência. ACERCA DO PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO A recorrente, na petição de fls. 301/312, manifestase acerca do pedido de Uniformização da Jurisprudência, reiterando os mesmos argumentos já debatidos. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15504.006689/200848 Acórdão n.º 2403000.812 S2C4T3 Fl. 320 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 213, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DISCUSSÃO JUDICIAL Ao ingressar com o Mandado de Segurança n. 1999.38.00.0178182, atualmente sobrestado no Tribunal Regional Federal da 1a Região, a recorrente abdicou do seu direito de discutir administrativamente, nos termos da Súmula n. 1 do CARF, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifo nosso) Conforme destacado pelos esclarecimentos prestados na fl. 178, o período abrangido pelo referido processo compreende anterior à EC n. 20/98. Tendo sido publicado no DOU em 16/12/1998, resta evidenciado que o período não amparado pela discussão judicial se dá do dia 16/12/1998 até 31/12/1998. DA INCONSTITUCIONALIDADE Por fim, quanto ao período não amparado pelo supracitado Mandado de Segurança, resta evidenciado que exige deste Conselho Administrativo a análise através do arquétipo constitucional. Diante disso, não há o que se pronunciar, posto que o CARF não é competente para se pronunciar sobre matéria constitucional nos termos da Súmula nº 02 do CARF, abaixo transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. CONCLUSÃO Do exposto, voto para não conhecer do recurso relativo aos fatos geradores compreendidos de 01/01/1993 até 15/12/1998, e com relação aos fatos geradores ocorridos entre 16/12/1998 até 31/12/1998, em negar provimento. Fl. 327DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 328DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004058/2002-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 29/07/2002
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EQUÍVOCO NA PARTE
DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO. É objeto de correção via
embargos de declaração parte dispositiva do acórdão que não retrata o objeto do julgamento, seja no caso de omissão como contradição em relação a matéria apreciada.
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA. Demonstrada a desnecessidade de realização de nova
prova pericial, uma vez que o julgador está convencido de sua posição diante dos elementos já existente no processo, não há cerceamento de defesa. Ao contribuinte, no entanto, é permitida a produção de prova pericial para subsidiar sua defesa, devendo esta ser apreciada pelo julgador, mesmo que seja para preteri-la
em função de outra.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. LUPRANATE M 20 S. Diante das
informações do laudo do LABANA, da folha de dados de segurança do
material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos que, não atendendo aos requisitos do Capítulo 29 e não estando nominalmente previsto nem compreendido em posição específica, deve ser classificado na posição 3824.90.89.
MULTA ADMINISTRATIVA. ART. 526, INCISO II, DECRETO Nº 91.030/85. ATIPICIDADE. A tipicidade da penalidade por infração administrativa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro é a ausência de Guia de Importação ou documento equivalente e não a ausência de licenciamento, posto que este, na grande maioria dos casos, é automático através do Siscomex. Ademais, no caso, a mercadoria declarada na importação é realmente aquela que foi trazida para o País, de modo que eventual falha, defeito na descrição ou na classificação, não é motivo suficiente para considerar inválida a declaração ou a guia. Atípico, portanto, o fato que embasa a pretensão fiscal. Ademias, aliada à tipicidade fechada da norma penal, a correta descrição do produto afasta a aplicação da penalidade por falta de guia de importação prevista no art. 526, inciso II, do
Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI – VINCULADO. MULTAS DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL – A correta descrição do produto por meio do nome comercial que consta em repositórios técnicos
afasta a aplicação das penalidades de ofício, por erro de classificação fiscal, em face da aplicação do Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 12/97 e Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 10/97.
Embargos de Declaração Acolhidos e Providos para Rerratificar o Acórdão Recorrido e Dar Provimento Parcial ao Recurso Voluntário
Numero da decisão: 3101-000.572
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 3101-00.286, de 16/11/2009, passando o resultado a ter a seguinte redação: “Por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para excluir a multa do art. 526, inciso II, do RA/1985. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 29/07/2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EQUÍVOCO NA PARTE DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO. É objeto de correção via embargos de declaração parte dispositiva do acórdão que não retrata o objeto do julgamento, seja no caso de omissão como contradição em relação a matéria apreciada. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrada a desnecessidade de realização de nova prova pericial, uma vez que o julgador está convencido de sua posição diante dos elementos já existente no processo, não há cerceamento de defesa. Ao contribuinte, no entanto, é permitida a produção de prova pericial para subsidiar sua defesa, devendo esta ser apreciada pelo julgador, mesmo que seja para preteri-la em função de outra. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. LUPRANATE M 20 S. Diante das informações do laudo do LABANA, da folha de dados de segurança do material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos que, não atendendo aos requisitos do Capítulo 29 e não estando nominalmente previsto nem compreendido em posição específica, deve ser classificado na posição 3824.90.89. MULTA ADMINISTRATIVA. ART. 526, INCISO II, DECRETO Nº 91.030/85. ATIPICIDADE. A tipicidade da penalidade por infração administrativa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro é a ausência de Guia de Importação ou documento equivalente e não a ausência de licenciamento, posto que este, na grande maioria dos casos, é automático através do Siscomex. Ademais, no caso, a mercadoria declarada na importação é realmente aquela que foi trazida para o País, de modo que eventual falha, defeito na descrição ou na classificação, não é motivo suficiente para considerar inválida a declaração ou a guia. Atípico, portanto, o fato que embasa a pretensão fiscal. Ademias, aliada à tipicidade fechada da norma penal, a correta descrição do produto afasta a aplicação da penalidade por falta de guia de importação prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI – VINCULADO. MULTAS DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL – A correta descrição do produto por meio do nome comercial que consta em repositórios técnicos afasta a aplicação das penalidades de ofício, por erro de classificação fiscal, em face da aplicação do Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 12/97 e Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 10/97. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos para Rerratificar o Acórdão Recorrido e Dar Provimento Parcial ao Recurso Voluntário
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 1 1 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.004058/200282 Recurso nº 341.525 Embargos Acórdão nº 310100.572 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2010 Matéria II/CLASSIFICAÇÃO FISCAL Embargante BASF POLIURETANOS LTDA. Interessado DRJSÃO PAULO/SP Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 29/07/2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EQUÍVOCO NA PARTE DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO. É objeto de correção via embargos de declaração parte dispositiva do acórdão que não retrata o objeto do julgamento, seja no caso de omissão como contradição em relação a matéria apreciada. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrada a desnecessidade de realização de nova prova pericial, uma vez que o julgador está convencido de sua posição diante dos elementos já existente no processo, não há cerceamento de defesa. Ao contribuinte, no entanto, é permitida a produção de prova pericial para subsidiar sua defesa, devendo esta ser apreciada pelo julgador, mesmo que seja para preterila em função de outra. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. LUPRANATE M 20 S. Diante das informações do laudo do LABANA, da folha de dados de segurança do material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos que, não atendendo aos requisitos do Capítulo 29 e não estando nominalmente previsto nem compreendido em posição específica, deve ser classificado na posição 3824.90.89. MULTA ADMINISTRATIVA. ART. 526, INCISO II, DECRETO Nº 91.030/85. ATIPICIDADE. A tipicidade da penalidade por infração administrativa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro é a ausência de Guia de Importação ou documento equivalente e não a ausência de licenciamento, posto que este, na grande maioria dos casos, é automático através do Siscomex. Ademais, no caso, a mercadoria declarada na importação é realmente aquela que foi trazida para o País, de modo que Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.004058/200282 Acórdão n.º 310100.572 S3C1T1 Fl. 2 2 eventual falha, defeito na descrição ou na classificação, não é motivo suficiente para considerar inválida a declaração ou a guia. Atípico, portanto, o fato que embasa a pretensão fiscal. Ademias, aliada à tipicidade fechada da norma penal, a correta descrição do produto afasta a aplicação da penalidade por falta de guia de importação prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI – VINCULADO. MULTAS DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL – A correta descrição do produto por meio do nome comercial que consta em repositórios técnicos afasta a aplicação das penalidades de ofício, por erro de classificação fiscal, em face da aplicação do Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 12/97 e Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 10/97. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos para Rerratificar o Acórdão Recorrido e Dar Provimento Parcial ao Recurso Voluntário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 310100.286, de 16/11/2009, passando o resultado a ter a seguinte redação: “Por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso para excluir a multa do art. 526, inciso II, do RA/1985. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Corintho Oliveira Machado. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos por conta de contradição entre a parte dispositiva do Acórdão n° 310100286, de 16/11/2009 e o voto condutor. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.004058/200282 Acórdão n.º 310100.572 S3C1T1 Fl. 3 3 O Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância proferida pela DRJ/SPOII, que julgou procedente o lançamento efetuado nos autos do processo administrativo 11128.004058/200282, discute a correta classificação fiscal da substância importada pela Recorrente LUPRANAT M20 S 4,4, conforme DI nº02/01409377, registrada em 19/02/2002 (fls.17/21). Ao declarar a importação, a Recorrente descreve o objeto adquirido como sendo (fls.21): Lupranat M20 S 4,4 – difenilmetildiisocianato; qualidade: industrial; estado físico: líquido; finalidade: utilizado na indústria automotiva, construção civil etc.Quantidade: 3.800 Kg. E, diante desta descrição, entendeu que a substância deveria ser enquadrada na classificação TEC nº 2929.10.90, ou seja, outros isocianatos, conforme é definido na própria DI, às fls. 21. Entretanto, de acordo com o que se observa às fls. 28/36, a referida substância passou por procedimento regular de fiscalização – pedido de exame LAB 495 Gruafe – oportunidade em que foram retiradas amostras para análise a ser realizada pelo Labana. Em resposta aos questionamentos, o Labana, em seu laudo de 04/03/2002, confirmou a presença de isocianatos na amostra analisada, relatando (fls.31) identificação positiva para mistura de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4’Diisocianato de Difenilmetano, concluindo, no tópico identificação química tratarse de isocianato. Com relação ao segundo quesito, informou (fls. 32) que “não se trata de preparação nem de composto de constituição química definida”. Sua aplicação, segundo o laudo, se dá na fabricação de espumas de poliuretano. E, a título informações complementares, concluiu que a substância em tela: [...] não apresenta uma relação constante entre seus elementos e não pode ser representado por uma única fórmula molecular e/ou estrutural definida, como é o caso dos compostos orgânicos de constituição química definida [...] Diante destas informações obtidas pelo exame laboratorial, a autoridade fiscal entendeu que a nomenclatura NCM utilizada pela DI (2929.10.90) não seria a mais indicada, o que a fez optar pela posição 3824.90.89, conforme se nota nos Autos de Infração de fls.01 a 15, em que vem determinado que a mercadoria seria: Classificável, portanto, na Tarifa Externa Comum (TEC) no código 3824.90.89, conforme laudo nº 0569.01 anexo ao pedido de Exame LAB 0495/GRUAFE [...]. O Fisco entendeu devida a diferença apurada quanto aos tributos, em face da nova classificação atribuída à mercadoria importada e efetuou lançamento constituindo referidos créditos, acrescendolhes, ainda, juros, correção monetária – com base na SELIC – além da multa de ofício a 75% da diferença a recolher – artigo 44, I da Lei 9.430/96 (caso do I.I) e 80 da Lei 4.502/64 (caso do IPI) – bem como determinou a aplicação da multa prevista pela Medida Provisória nº.215835/2001, em seu artigo 84, em razão da descrição incorreta da mercadoria. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.004058/200282 Acórdão n.º 310100.572 S3C1T1 Fl. 4 4 Chegando o processo para julgamento de Recurso Voluntário por parte da Contribuinte, foi analisa pela Câmara a classificação fiscal do produto importando, concluindo se pela adequada reclassificação implementada pelo Fisco, mas com exclusão da multa por falta de LI, conforme voto deste relator. Ocorreu que, como resultado do julgamento em sessão foi anotado como sendo, “NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Diante dessa inconsistência verificada quando da assinatura do Acórdão formalizado, este relator instrumentalizou Embargos de Declaração para dirimir a contradição e regularizar o julgado. É o relatório. Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. É evidente a contradição entre a parte dispositiva do acórdão embargado e o voto condutor, uma vez que este relator havia fundamentado sua decisão em entendimento pela não aplicação da multa administrativa, conforme segue abaixo: “Quanto à penalidade prevista pelo inciso II do artigo 526 do Decreto nº 91.030/85, temos que: Art. 526 – Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penalidades: [...] II – importar mercadoria sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. [...] A divergência entre as classificações adotadas pela Recorrente e pela Fiscalização não gera, automaticamente, a conclusão pela ausência de Licença de Importação para o trigo efetivamente importado, de modo que, estando ou não corretamente classificada, desde que corretamente descrita, a mercadoria obtém a licença para adentrar em território nacional. Desenvolvo meu raciocínio no sentido de identificar qual seria o bem jurídico protegido por esta penalidade. Não podemos pensar que a falta Licença de Importação seja objeto dessa proteção jurídica, pois, no mais das vezes, as importações independem de licença especial – quando o licenciamento é automático não há suporte lógico (modal deôntico) que justifique a Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.004058/200282 Acórdão n.º 310100.572 S3C1T1 Fl. 5 5 aplicação de multa por falta de licença, daí porque uma das razões da alteração da norma para substituir a licença pela GI ou documento equivalente. A licença de importação está diretamente relacionada a uma época em que o Estado era o guardião do mercado interno, de modo que a concorrência estrangeira era vista como a vilã da harmonia e do equilíbrio da economia interna. Hoje não é mais assim, na verdade, nos dias de hoje a Guia de Importação (GI) e a Declaração de Importação (DI) praticamente se fundiram no Siscomex. Se a Licença não é mais motivo de tutela jurídica, poderíamos supor que a Guia de Importação ou a correspondente Declaração de Importação seriam objeto da proteção nuclear desta norma penal? Não haverá dúvida se o caso tratar de descaminho ou contrabando. Mas se se tratar de erro de classificação fiscal, cuja desconsideração do documento de importação exsurge dessa incompatibilidade, creio que a penalidade perde o suporte fático de incidêcia . Ontologicamente a norma visava coibir a intenção do agente de internar mercadoria de forma clandestina, ou seja, é parte indissociável do tipo a não apresentação da GI, DI ou qualquer outro documento equivalente na internação do bem. Se formos verificar com tal norma penal tem sido aplicada cotidianamente, encontraremos dois tipos de aplicação: (i) típica, na qual é inexiste qualquer documento; e (ii) atípica, apesar de existirem os documentos exigidos na importação, há alguma divergência do objeto declarado com o objeto importado. No segundo caso, inegavelmente há documento de importação, mas essa não contém informações suficientes para amparar aquela importação específica, mas mesmo esse grupo contempla dois subgrupos: (ii.a) aquele em que se verifica uma impropriedade absoluta – é o caso da importação de plásticos que a fiscalização constata um container de lixo; e (ii.b) aquele em que se verifica uma impropriedade relativa – é o caso da importação de produtos do Capítulo 10 que, na verdade se classificam, na posição 11 da NCM, por conta de uma divergência de interpretação da norma tributária de regência ou das normas de outros entes da administração pública. Nos casos em que se verifica a ocorrência do item (ii.a) – impropriedade absoluta, a aplicação da penalidade é cabível, pois o cunho da declaração foi, inclusive, com intuito de evitar a verificação do conteúdo, ou seja, dado o fato de o canal verde ser praticamente uma normalidade para alguns tipos de importações, a declaração que forneça os dados que o sistema está “acostumado” (programado) para liberação, “facilitaria” a passagem ilesa do produto (um modo de efetivar a fraude). Note que a Declaração não continha qualquer relação com o fato. Assim, a desconsideração da Declaração de Importação se dá por sua nulidade absoluta, uma vez que não serve para dar suporte àquele bem importado. Todavia, quando se verifica a ocorrência do item (ii.b) – impropriedade relativa, como é o que se observa no caso em tela, a aplicação da penalidade é duvidosa. Isso porque o objeto pretendido e declarado na importação é realmente aquele que foi trazido para o País, de modo que eventual falha, ou defeito na descrição ou na classificação, não é grave o suficiente para considerar inválida a declaração ou a guia. Notemos que o objeto trazido e sua respectiva descrição não são incompatíveis, mas apenas divergentes; próximos, mas divergentes. Esse defeito bastante e suficiente para alterar o fato gerador de importação da mercadoria classificada na posição do Capítulo 29 para importação da mercadoria classificada Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.004058/200282 Acórdão n.º 310100.572 S3C1T1 Fl. 6 6 na posição do Capítulo 38, não é bastante e suficiente, por outro lado, para desclassificar a declaração, pois o ato é de ajuste não de desconsideração. Notase, portanto, que a guia e a DI, ainda que com algum erro, preenchem os elementos de conexão do “fato” que impedem sua declaração de nulidade, não havendo, assim, como fundamentar a tipicidade dos fatos narrados com art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85.” Desta forma, ACOLHO e DOU PROVIMENTO aos Embargos de Declaração, com o fim de rerratificar o Acórdão n° 310100.286, de 16/11/2009, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir a multa administrativa prevista no art. 526, inciso II, do RA. Sala das Sessões, em 08 de dezembro de 2010. Luiz Roberto Domingo Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000375/2001-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não há no julgado omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada nos termos do art. 65 do RICARF.
Numero da decisão: 1803-001.176
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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Rejeitamse os embargos de declaração quando não há no julgado omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada nos termos do art. 65 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, João Carlos Figueiredo Neto e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Tratase de embargos de declaração formulados pela contribuinte (fls. 59/62), apontando ter havido omissão e contradição entre o voto e as conclusões do conselheiro relator contido no Acórdão 180300278, de 26/01/2010, desta turma de julgamento. Sustenta a embargante que: (litteris) “Ora, se o próprio órgão julgador admite que o contribuinte tem razão, pela fato de que a majoração da alíquota não poderia retroceder temporalmente, eis que deveria ter obedecido ao mandamento do artigo 72, § 1° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, como então ao final do mesmo acórdão, se contradiz nega provimento ao recurso. 8. Esse argumento foi levantado pelo Recorrente desde o principio, mas o órgão julgador fundamenta a decisão de uma forma e se contradiz posteriormente ao negar provimento ao recurso, alterando a fundamentação ! 9. E, nem se diga como quer o acórdão recorrido, que a obediência à anterioridade nonagesimal, aventada pelo Recorrente em nada impediria a cobrança da CSLL a alíquota de 30% relativamente ao ano calendário de 1996, pela razão do fato gerador darse em 31/12/1996 ! 10. Em realidade a constituição Federal não define qual é o fato gerador da contribuição Social sobre o Lucro, mas a Lei n° 7.689/88 define expressamente que o fato gerador da CSLL é auferir lucro, e que a base de cálculo é o valor do resultado do exercício (antes da provisão do IR) em 31 de dezembro de cada ano ! 11. Portanto, o argumento utilizado pelo acórdão recorrido é contraditório com sua conclusão, e não tem fundamento legal. 12. Omisso o acórdão recorrido posto que o Recorrente não pleiteia o afastamento da aplicação da ordem legal vigente, mas sim sua aplicação de acordo com a Constituição Federal. 13. Não se pleiteou no recurso interposto a declaração de inconstitucionalidade de lei, ou de qualquer norma, ate porque sabido pelo Recorrente que essa atribuição é exclusiva do Poder Judiciário! 14. 0 que se pleiteia é a exata aplicação da lei vigente à época dos fatos, com respeito das normas contidas em nosso ordenamento jurídico, em especial da constituição federal.” O acórdão recorrido encontrase assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício: 1997 Ementa: CSLL PRAZO NONAGESIMAL EMENDA CONSTITUCIONAL n° 10/96 Uma vez alterado o art. 72 do ADCT, para majorar a alíquota da CSLL, e especialmente ampliar o aspecto temporal da incidência, verificandose a alteração material do aspecto quantitativo da mesma, é de se observar a determinação de observância do prazo nonagesimal, Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000375/200116 Acórdão n.º 1803001.176 S1TE03 Fl. 66 3 conforme disposto no art. 195, § 6° da Constituição Federal, na aplicação da nova alíquota em face ao período abrangido pela alteração constitucional promovida pela citada emenda. AUTO DE INFRAÇÃO. ALÍQUOTA DE 30%. Eleito o lucro real anual, pelo contribuinte, como regime de tributação de IRPJ para o anocalendário de 96, o fato gerador da CSLL, por prescrição legal, tem sua ocorrência também em 31/12/96, aplicandose na apuração do valor devido dessa contribuição social a alíquota de 30% estipulada na EC 10/96. Em decorrência, a tese de que a EC 10/96 teria eficácia somente a partir de 01/07/96, findo o prazo da anterioridade nonagesimal , ao invés de contra, milita a favor da aplicação da citada alíquota. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS — DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA IMPOSSIBILIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA — É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto vigentes, sob fundamento de sua inconstitucionalidade, nos termos do artigo 62 do Regimento Interno. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos legais para sua admissibilidade, deles conheço. Sustenta a embargante ter havido contradição entre o voto e as conclusões do conselheiro relator que embora tenha reconhecido a impossibilidade de retroação dos efeitos da Emenda Constitucional nº 10/96 que alterou a alíquota da base de cálculo da CSLL para as instituições financeiras no ano calendário 1996, negou provimento ao recurso voluntário. Não assiste razão à interessada. Pretende na verdade a embargante obter nova apreciação de seus argumentos cujas teses foram rejeitadas pelo vergastado acórdão embargado o que é vedado na estreita via dos embargos de declaração que somente podem ser acolhidos havendo omissão, contradição ou obscuridade nos termos regimentais. O acórdão foi claro e atendeu à situação fática existente na opção realizada pela recorrente quanto a apuração de seus resultados no ano calendário 1996. Embora tenha admitido a hipótese de ter razão em parte a recorrente sobre a impossibilidade de retroação dos efeitos da Emenda Constitucional nº 10/96 a todo os fatos Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 geradores do ano calendário 1996, ressalvou o voto condutor do acórdão embargado que tal constatação em nada contemplava as pretensões da recorrente. Com efeito, considerando o disposto nos artigos 37 e 57 da Lei nº 8.981/95 a contribuinte optou por efetuar recolhimentos de IRPJ e CSLL de forma estimada ao longo do ano calendário 1996, apurando seu resultado efetivo e integral ao final do período em 31/12/1996. Este resultado embora contenha receitas, custos e despesas advindos de período em que supostamente haveria retroação indevida dos efeitos da Emenda Constitucional nº 10/96, é uno e indissociável, não havendo como extrair do seu montante suposta base de cálculo sujeita a uma alíquota mais benigna (18%). Caso tivesse havido a apuração mensal do imposto conforme permissivo legal contido na lei de regência (Lei nº 8.981/95), é até possível que a decisão pudesse ser em parte favorável à pretensão da recorrente caso assim entendesse a turma julgadora. No entanto, considerando a apuração anual da CSLL cujo término de apuração ocorreu em 31/12/1996, a aplicação da tese da recorrente implica necessário afastamento da norma legal de regência, o que encontra óbice regimental e sumular como bem observou o acórdão embargado. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 11474.000164/2007-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91.
CONSTATAÇÃO. RETENÇÃO 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
A cessão de mão de obra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o contratante de serviços, executados mediante cessão de mão de obra, a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores.
Todavia, tal retenção só poderá acontecer se for constatada a cessão de mão de obra., o que não foi feito pela autoridade fiscal.
RO Negado e RV Provido.
Numero da decisão: 2403-000.809
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de oficio. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Ivacir Julio de Souza. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91. CONSTATAÇÃO.RETENÇÃO 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. A cessão de mãodeobra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o contratante de serviços, executados mediante cessão de mãodeobra, a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores. Todavia, tal retenção só poderá acontecer se for constatada a cessão de mão deobra., o que não foi feito pela autoridade fiscal. RO Negado e RV Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Ivacir Julio de Souza. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000164/200761 Acórdão n.º 2403000.809 S2C4T3 Fl. 320 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário, este apresentado às fls.975 a 987 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC (fls.948 a 959) que julgou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento constante na NFLD n° 37.001.1627, originariamente no valor de R$ 4.747.947,31 (quatro milhões, setecentos e quarenta e sete mil, novecentos e quarenta e sete reais e trinta e um centavos), e que, após decisão de 1 instância, a qual reconheceu como decadentes as competências 01/2000 a 11/2001 com base no art.150, § 4° do Código Tributário Nacional, foi reduzido para R$ 2.025.763,93 (dois milhões e vinte e cinco mil e setecentos e sessenta e três reais e noventa e três centavos). A atividade preponderante da fundação recorrente é incentivar e apoiar a realização de projetos de pesquisa,. ensino e extensão no interesse da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mediante celebração de convênio e contratos com órgãos de fomento à ciência e tecnologia e entidades públicas e privadas, no Brasil e no exterior, em conformidade com os objetivos estabelecidos em seu estatuto. Para a consecução de seus objetivos, a fundação precisa de recursos financeiros, os quais são obtidos, geralmente, através da remuneração pelos serviços prestados na captação e gestão de projetos de pesquisa e extensão realizados no âmbito da UFSC, em especial nas áreas tecnológicas. No caso em tela, a Fundação foi submetida à fiscalização que identificou como fato gerador a prestação de serviços através de cessão de mãodeobra por empresas relacionadas no Anexo I ao relatório fiscal. Segundo o relatório fiscal, a cobrança referese às a contribuições devidas à Seguridade Social, não recolhidas em épocas próprias e apuradas sobre o valor dos serviços executados através de cessão de mãodeobra durante o período de janeiro de 2000 a dezembro de 2005 Ademais, de acordo com a auditoria, há atividades que inequivocamente estão sujeitas à retenção de 11%, em razão de estarem enquadradas no § 2° do art. 219 do Regulamento da Previdência Social (RPS), pois, embora recebessem o tratamento de serviço de assessoria e/ou consultoria, a falta de comprovação levou a deduzir que tais atividades ocorriam mediante cessão de mãodeobra. Desta autuação, foi apresentada impugnação às fls. 563 a 572 alegando que: A fiscalização declarou nos ítens da notificação fiscal que "na análise das notas fiscais e/ou contratos de prestação de serviços apresentados não foi possível identificar com exatidão o tipo de serviço prestado pela empresa contratada pela Fundação,razão pela qual, conforme item 6.2 acima, foram solicitadas 'quaisquer informações 'que viessem elucidar o real tipo de serviço prestado", ficando implícita a intenção de manifestar que houve dificuldade para poder interpretar se os serviços prestados por terceiros, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 descritos nas notas fiscais, se enquadram ou não entre aqueles sujeitos à retenção; Conforme art. 147 da IN MPS/SRP n° 3, de 14 de julho de 2005, a relação dos serviços constante dos art. 145 e 146, conforme disposto no parágrafo 2° do art. 219 doRPS, é exaustiva, significando que somente esses serviços — sem o acréscimo de quaisquer outros — estão sujeitos a retenção. Portanto, não há como não poder interpretar, se os serviços estão ou não sujeitos à retenção de 11%, como afirmam as auditorasfiscais; Apesar da expressão "inequivocamente", utilizada pelas auditorasfiscais no item 7.2 do REFISC, nenhum dos serviços constantes das notas fiscais emitidas pelas empresas arroladas na tabela 1, encontramse relacionados no rol do § 2° do art. 219 do RPS, o qual é exaustivo; Na tabela 1 há casos de mudanças de histórico das notas fiscais, como o da empresa Butze Engenharia Ltda, cujo histórico referese a "projetos logísticos" e, não,"construção civil"; o da empresa Legaliza Informática Ltda cujo histórico referese a "venda de mercadoria" e, não, "instalações de pontos de rede"; e da empresa Softvision Informática Ltda,cujo histórico das notas referese a "análise de projetos e sistemas", e, não, prestação de serviços de informática; Não consta nenhum caso de assessoria ou consultoria entre os sujeitos a retenção de 11% descritos no § 2° do art. 219 do RPS, o que torna injustificável a argumentação da fiscalização de que a "falta de comprovação, por parte da FEESC, de efetivamente qual o tipo de serviço realizado", levou a deduzir que estariam sujeitos à retenção; Os artigos 99 a 103 da IN 71/2002, dispõem expressamente sobre a obrigatoriedade da cessão de mãodeobra para sujeitar o prestador à retenção do percentual previsto; O artigo 104 da IN 71/2002, introduziu algumas hipóteses de dispensa da retenção de 11% incidente sobre os serviços listados; Por estas razões, não se pode caracterizar como infringência o determinado no art. 31, § 1° da Lei n° 8.212/91, muito menos ainda com base no RPS. Assim, em razão da dúvida suscitada pela auditoria, os autos foram baixados em diligência cujo resultado foi no sentido de determinar a exclusão de notas fiscais relativas às empresas prestadoras de serviços optantes do SIMPLES no período 01/2000 a 08/2002, bem como a exclusão de notas fiscais lançadas em duplicidade com essa NFLD e com a NFLD 37.001.1597. Desse resultado, a Fundação teve a oportunidade de se manifestar, o que foi feito, mediante apresentação de aditamento à impugnação, na qual foram ratificados os argumentos expostos na defesa inicial. Instada a manifestarse acerca da impugnação e aditamento, a 5° Turma da DRJ/Florianópolis/SC proferiu acórdão (n° 0715.501) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000164/200761 Acórdão n.º 2403000.809 S2C4T3 Fl. 321 5 Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005 RETENÇÃO. NATUREZA DOS SERVIÇOS. CESSÃO DE MÃODEOBRA Não se configura a hipótese de retenção se os serviços prestados não fazem parte do rol de atividades previstas no §2° do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, na redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 09 de junho de 2003 ou ausente os pressupostos caracterizadores da cessão de mãode obra. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/ 91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante n° 8, de 12/ 06/ 2008, publicada no DOU de 20/ 06/ 2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, os créditos da Seguridade Social pendentes de pagamento não podem ser cobrados, em nenhuma hipótese, após o lapso temporal qüinqüenal. Lançamento Procedente em Parte. Irresignada com a decisão supra, a Fazenda Nacional recorreu de ofício, pela exoneração da cobrança ultrapassar R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) e a Fundação interpôs recurso voluntário às fls.975 a 987, não trazendo nenhuma argumentação nova para o julgamento do pleito, mas tão somente ratificou todos os argumentos expendidos nos momentos de defesa anteriores, destacando que os serviços constantes nas notas fiscais não são tributados por cessão de mãodeobra e que esta também não chega a acontecer. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA DECADÊNCIA PARCIAL: Com relação à aplicação da decadência quinquenal, vale destacar que esse instituto foi aplicado ao caso em tela quando da apreciação da matéria pela 1 instância (5 Turma DRJ de Florianópolis), que, sabiamente, reconheceu, com base no art.150, parágrafo 4 do Código Tributário Nacional, a decadência das competências 01/2000 a 11/2001, considerando a notificação em 05/12/2006., entendimento do qual corroboro. II – DA CESSÃO DE MÃODEOBRA: Percebese que toda celeuma meritória é saber se os serviços que foram prestados à Fundação enquadramse como cessão de mãodeobra, considerando que tais atividades não estão listadas no rol previsto no art.219, parágrafo 2 do Regulamento da Previdência Social, que, segundo a própria parte, é exaustivo. Desse modo, para o julgamento desse caso, impendese primeiramente analisar atentamente a legislação para fins de determinar se a natureza jurídica da lista é taxativa ou meramente exemplificativa. Em primeiro plano, a Fundação alega que os serviços constantes nas notas fiscais consideradas pela fiscalização como objeto da cessão de mãodeobra não podem estar enquadrados na regra de tributação do art.31 da Lei n 8.212/91, tendo em vista que a lista de serviços passíveis de serem tributados por esse dispositivo é exaustiva. Analisemos a legislação. A Lei n 8.212/91 prevê que determinados serviços, além de outros discriminados em Regulamento da Previdência Social, sujeitarseão à tributação nos moldes da cessão de mãodeobra (tomador do serviço reterá 11% sobre o valor da nota fiscal/fatura prestação de serviço), in verbis: Lei n 8.212/91 Art.31 – (...) (...) §4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000164/200761 Acórdão n.º 2403000.809 S2C4T3 Fl. 322 7 III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Decreto n 3.048/99 – Regulamento Previdência Social Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde;e XXV telefonia, inclusive telemarketing. Diante de todo o exposto, percebese que somente esses serviços, se constatada a cessão de mãodeobra, serão tributados pela regra do art.31 da Lei n 8.212/91. No caso em tela, a auditoria entendeu que a Fundação, em geral, havia recebido os serviços de consultoria, assessoria, informática, engenharia, construção civil e treinamento, dentre os quais, alguns estão sujeitos à retenção de 11%. Todavia, não obstante a fiscalização ter tido esse entendimento de que houve, por parte das empresas prestadoras de serviços, a prestação de alguns serviços tributáveis pela regra do art.31 da Lei n 8.212/91, entendo que tal cobrança não poderá prosperar, considerando a própria convicção da auditoria, que afirma em alguns momentos de seu relatório fiscal não ter certeza quanto à natureza dos serviços, o que leva à conclusão de que a subjetividade da autoridade violou a legalidade estrita do Direito Tributário, premissa maior que só permite ao fisco a praticar atos vinculados estritamente à lei. Assim, entendo que a tentativa do fiscal em enquadrar os serviços prestados à Fundação na lista das atividades que estarão sujeitas à retenção dos 11% ultrapassa a sua função de autoridade lançadora nos termos do art.142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, é inegável que os serviços recebido pela Fundação que não estejam literalmente na lista do Regulamento da Previdência estarão fora do campo de incidência da contribuição social previdenciária sobre a alíquota de 11%. Entretanto, como fica a situação daqueles que estão previstos na lista para serem tributados (construção civil, treinamento, por exemplo). Sobre tais serviços, é imprescindível analisar a legislação mais uma vez, tendo em vista que a retenção sobre o valor das notas fiscais só ocorre se a prestação do serviço ocorrer mediante cessão de mãodeobra, nos termos do art.31 da Lei n 8.212/91: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000164/200761 Acórdão n.º 2403000.809 S2C4T3 Fl. 323 9 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. Destacouse. Percebese que somente os serviços executados mediante cessão de mãode obra estão sujeitos à incidência da contribuição, mas, o que a legislação considera cessão de mãodeobra, dúvida que também foi levantada pela parte? Segundo a Lei n 8.212/91, a cessão de mão de obra é, ipsis litteris: Art.31 – (...) (...) §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).Destacouse. Desse modo, sendo o serviço contínuo, realizado nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiros, executado através de pessoas físicas à disposição desta, ele será considerado cessão de mãodeobra. No caso em tela, a fiscalização não conseguiu provar que ocorreu a cessão de mãodeobra na prestação desses serviços, destacandose mais uma vez a subjetividade da autoridade lançadora, que, lança crédito com base em suposições e ainda determina que o contrário deve ser provado pelo contribuinte. Além disso, entendo que o próprio serviço e finalidade social da Fundação é o incentivo e o apoio à pesquisa, diferenciandose das empresas que contratam serviços para ocorrerem nas suas dependências e mediante cessão de mãodeobra, pois os contratados executam os projetos de pesquisa, não havendo, portanto, intermediação e nem comprovação de trabalho contínuo Sendo assim, diante da exposição acima, entendo que a recorrente Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina não poderá ser compelida a realizar a retenção de 11% sobre os valores das notas fiscais, tendo em vista que o fisco não conseguiu provar a ocorrência dessa prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício para NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10845.000232/85-24
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 1986
Numero da decisão: 301-00.202
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao INT, por intermédio da Repartição de origem, na
forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO CESAR BASTOS CHAUVET
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RFFS . • S.ssão d•... 12.!agosto d. 19 !:lº,.. ACORDÃO N.•... Recurso n.. 108.560 Processo nQ10845/0002 32/85-24. Recorrente IDEAL S/A - TINTAS E VERNIZES. • Recorrld a DRF - SANTOS - SP. R E S O L U ç Ã O N Q 301-202 Visto, relatado e discutido o presente processo, RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julga mento em diligência ao INT, por in~ermédio da Repartição de origem, na forma do relatório e voto ~ue passam a integrar o presente julgado. - Proc. da Fazenda Nacional. do presente julgamento os seguintes Brasília~DF, 12 de agosto de 1986. ~~7'idO"tO. "'Q~ ..<, L'A «, 0-'::f? PAUTO CÉSAR BA~TOS CAAÚVET - Relator CAVALCANTE, JOÃO HOLANDA COSTA, HÉLVIO ESCOVE- DO ARCEJ"LOS, AGOSTINHO SERRANO DE ANDRADE, ROBERTO VELLOSO, HAMILTON DE SÁ DANTAS. 9~~'( ,~DOLFO MAYER ~ SILV VISTO EM "4' SESSÃO DE: 1 5 AG • -2- SERVIÇO PÚBLICO FEOERAL MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• RECURSO Nº 108.560 RESOLUÇÃO Nº RECORRENTE: IDEAL S/A - TINTAS E VERNIZES. RECORRIDA DRF - SANTOS - SP. RELATOR PAULO CÉSAR BASTOS CHAUVET . 301-202. • • • R E L A T 6 R I O Ideal S.A. Tintas e Vernizes submeteu a despacho de importação a mercadoria declarada como "POLIETILENO DE BAIXA DEN SIDADE, DE BAIXO PESO MOLECULAR, MODIFICADO OU NÃO - TIPO A-C PO ~ ILYETHYLENE 405 - NAO ElVIULSIFICAV/EL- DENSIDADE: 0,91 - PONTO DE FUSÃO: 205º F- VISCOSIDADE:À 140ºC = 230 Cpf ~ COR: NATURAL - FOR MA FíSICA: GRÂNULO", classificando-a no código 39.02.22.99. Após análise do produto, atestou o'laboratório que atua junto à DRF- Santos: "a) Não se trata de Polietileno de baixa densidade; b)Tra ta-se de Copolímero de Etileno/Acetato de Vinila que apresenta as propriedades das ceras." (Laudo nº 2676/84 - fls.30). Face ao de finido pelo referido laboratório a fiscalização deslocou a classi ficação .da mercadoria para o código 34.04.01.99. Foi lavrado auto de infração com exigência das diferenças relativas ao 11 e ao ~. Discordando da medida fiscal, protestou a empresa al.:: gando em sua defesa (Impugnação, de fls. 14/15): "1) A mercadoria subm.etida a despacho é comument e c.£ mercializada, vendida e conhecida quimicament e como poli etileno de baixa densidade; 2) o Acórdão nº 22.738 da Primeira Câmara do Terce:!:. ro Conselho de Contribuintes confirmou que o poli~ tileno de baixa densidade, segundo o Instituto Na cional de Tecnologia através do Laudo Técnico nº ..~ 946/81, atinente ao Acórdão mencionado, é um compos to de composição guímica definida, o que deu margem ao decisório discordante da probabilidade de ser ce ra artificial; 3) o Acórdão 301-24.898 relativo a processo de au tuação contra a própria IDEAL S/A TINTAS E VERNIZES definiu a classificação no capítulo 39; 4) na posição 39.02.22.00 está explicitado "poliet:!:. leno de baixa densidade", isto é, polímero de etiJ.e no. No capítulo 34 não existe nenhuma referência a polímeros de etileno e nem poderiam existir,por se tratar de polímero de composição química definida." Posteriormente à impugnação, solicitou a ora recor rente (fls. 33), com base na I.N. SRF nº 40/85, o cancelamento do discutido débito tributário. • • • •• ••• • Rec.108.560 Res.301-202 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Antes da decisão de lª instância e em vista do despa cho de fls. 34 foi agravada a exigência imposta no A.I com a apli cação da multa do artigo 108, "caput", do Decreto-lei nº 37/66.Pa ra inteiro conhecimento do ocorrido leio em sessão o referido des pacho de fls. 34 e o contido às fls. 39, que fala sobre o agrava mento da exigência. - A autoridade de lº grau, com respaldo nos Relatório e Parecer de fls. 49/51, apresentados pela SECPJE da DRF- Santos, considerou tratar-se de efetivo caso de declaração indevida, con cluindo pela total procedência da ação fiscal . Em seu recurso (fls. 57/59), diz a empresa que por ter declarado na DI o nome comercial e fornecido as caracteristi cas fisico-quimicas da mercadoria, posteriormente ratificadas p~ lo LABANA, nao pode ser penalizàda por declaração indevida, mas,, ~ -- ~no maximo, se vencedora a autuaçao, por classificaçao indevida. Adita, ainda, que dentre as excludentes de aplicabilidade do can celamento do débito previsto na IN. SRF nº 40/85 consta a hipótes-;;- da existência de Parecer Normativo definindo a classificação da mercadoria, ato que, afiança, só veio a ser editado em outubro de 1985 (Parecer CST nº 1836/85), posteriormente, portanto, à autua ção em tela. Solicita, finalmente e em decorrência, o cancelamen to do débito tributário em questão. É o relatório. v O T O Como se viu, o laudo LABANA que subsidiou a autuação e a decisão recorrida conclui taxativamente afirmando não ser o produto objeto da importação "polietileno de baixa densidade" e sim "copolimero de etileno/acetato de vinil a ", produto "que apr~ senta as propriedades das ceras". Entretanto, entendo, em vista dos argumentos apresentados pela recorrente, deva ser a questão melhor analisada tecnicamente, vez estar em jogo a aplicação do artigo 108 do Decreto-'-leinº 37/66, que trata de multa relativa a decla ração indevida. Com efeito, se o produto em pauta não for de fato o descrito na DI - como afirma a fiscalização -, correta é a capi tulação; caso contrário, incabivel é a penalidade e, em conseqtiêil cia, viável a remissão do débito, conforme prevista no artigo .4º do Decreto-'-leinº 2227/85. Registre-se que nos documentos de im portação, além de ter sido caracterizado o produto é citado o seu nome comercial (AC POLYETHYLENE 405). Ademais,como claramente se faz ver no processo, o posicionamento da autuada foi tomado com base em Acórdãos anteriores desta Câmara (nºs. 301-24.499/84 e 301-24.898,este,pertinente a processo de interesse da própria re corrente), que classificam o bem considerado no código. 39.02.22.00 e o de.screvem como ('Polietileno de baixa densidade, de baixo peso molecular, tipo AC-405." • • • • •• • Rec.108.560 Res.301-202 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Isto posto, voto no sentido de converter o julgamen- to em diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia, via repart:!:. ção de origem para juntada da mesma amostra analisada pelo LABANA -Santos- (ou, em sua falta, para apresentação pela recorrente, de outra idêntica à importada), com o objetivo de obter respostas às seguintes ~uestões: a) O produto "AC POLIErILENO 405" é conhecido ~uimi camente como "polietileno de baixa densidade"? b) Trata-se efetivamente o produto em ~uestão de "PQ. LIErILENO DE BAIXADENSIDADE,DE BAIXOPESO MOLE CULAR,MODIFICADOOUNÃO- TIPO AC; POLIEr~LENO 405"? c) Os demais dados caracterizadores constantes da DI (fls. 5), ou seja, os relativos à densidade,ao ponto de fusão, à viscosidade etc, são próprios e corretos para o produto sob análise? . Obs: Caso a resposta ao ~uesito "b" seja negativa il!!. porta fi~ue definida e caracterizada a mercadoria analisada. Sala das Sessões, em 12 de agosto de 1986. 9 PAULOCESARBASTOSCHAUVET- Relator • 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000093/2008-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2007
SIMPLES. EXCLUSÃO
A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão.
Numero da decisão: 2403-000.843
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2007 SIMPLES. EXCLUSÃO A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão.
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EXCLUSÃO A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, acórdão 1017.799 8ª Turma, que julgou procedente o lançamento da obrigação devida a trerceiros no valor de R$ 21.929,67. Segundo o Relatório Fiscal, o débito corresponde a contribuições não recolhidas destinadas a outras entidades e fundos, a saber: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação — FNDE (aliquota 2,5%), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA (alíquota 0,2%), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial — SENAC (alíquota 1,0%), Serviço Social do Comércio — SESC (alíquota de 1,5%) e Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa — SEBRAE (alíquota 0,6%). O enquadramento na tabela de códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, efetuado pelo sujeito passivo (FPAS 515) determina o direcionamento das contribuições, totalizando 5,8% (cinco virgula oito por cento). A apuração das contribuições devidas foram consideradas as Folhas de Pagamento e os fatos geradores declaradas pelo contribuinte em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP. O contribuinte era optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. No desenvolvimento da ação fiscal ficou constatado que o mesmo não poderia estar enquadrado no SIMPLES, em razão do sócio Flávio Luiz Maahs de Castro ter participação societária em empresas com percentual no capital superior a 10% (dez por cento), sendo o montante da receita global das empresas superior a o limite de que trata o inciso II do art. 2° da Lei 9.317/96. Através do Ato Declaratório Executivo n.° 07, de 10 de junho de 2008, a empresa foi excluída do SIMPLES, conforme apurado no Processo Administrativo n.° 16637.000022/2008 99. O período do lançamento do crédito é o compreendido entre as competências 11/2005 a 12/2007. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • não poderia ter sido excluída do SIMPLES, ou, em último caso, os efeitos da referida exclusão não poderiam retroagir, uma vez que decorrentes de atos do próprio ente público; • o âmago da questão que serviu de argumento à fiscalização para emitir o hostilizado ato declaratório, decorre da participação do sócio Flávio Luiz Maahs de castro no Frigorífico Castro Ltda. Com 60% (sessenta por cento) do capital social, cujo faturamento somado ao da empresa impugnante supera o limite para enquadramento no SIMPLES; • o ingresso da empresa contribuinte no SIMPLES ocorreu em 15.09.2005, porquanto já houvera ultrapassado mais de 3 anos, Fl. 127DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16641.000093/200822 Acórdão n.º 2403000.843 S2C4T3 Fl. 127 3 período em que a RFB deferiu a opção, fiscalizou e a manteve no regime sem ínfima objeção; • em 06 de setembro de 2005, Flávio, juntamente com Graziela. Ma.ahs de Castro, constituiu a empresa de pequeno porte EPP, a Choperia Cruz de Malta Ltda., NIRE 43205581477, registro na JUCERGS em 15.09.2005, objeto da exclusão inserida no ato declaratório objeto desta peça recursal; • assim sendo, não resta. dúvida que a participação societária de Flávio no Frigorífico Castro Ltda., era de pleno conhecimento da RFB quando da opção pelo SIMPLES. Nessa mesma esteira, imperioso afirmar que não houve qualquer insurgência por parte da Autoridade Administrativa, desde a. opção pelo SIMPLES em 15.09.2005; • o Frigorifico Castro Ltda., empresa de porte médio, sempre se sujeitou à tributação pelo regime de lucro real; • irretroatividade dos efeitos da exclusão; • requer a anulação do ATO DECLARATÓRIO N°7, tornando sem efeito a cobrança das contribuições elencada.s no auto de infração 37.127.1193. É o Relatório. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O lançamento referese às contribuições para terceiros de uma empresa excluída do SIMPLES. Todo o recurso discorre sobre a exclusão que, caso anulada, resultaria também na anulação do crédito tributário em questão neste processo. Ocorre que a discussão da anulação da exclusão deuse no processo n° 16637.000022/200899, julgado em primeira instância em 19/11/2008, na DRJ Porto Alegre, que decidiu, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação da contribuinte, nos termos abaixo apresentados: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO EM OUTRA PESSOA JURÍDICA Participando um sócio do capital social de outra pessoa jurídica com mais de 10% e a receita bruta global tendo ultrapassado o limite legal, não pode a empresa ser optante do SIMPLES. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS – Para a hipótese de exclusão do Simples, fundada no inciso IX do art. 9° da Lei n° 9.317/1996, os seus efeitos é o previsto no inciso II do art. 15 da mesma Lei, ou seja a partir da data de ocorrência da situação excludente. Solicitação Indeferida Houve recurso da decisão de primeira instância e a 2ª Turma Ordinária, da 4 ª Câmara, da 1 ª Seção do CARF, decidiu por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Processo nº 16637.000022/200899 Recurso nº 144.765 Voluntário Acórdão nº 140200.247 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente CHOPERIA CRUZ DE MALTA LTDA Fl. 129DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16641.000093/200822 Acórdão n.º 2403000.843 S2C4T3 Fl. 128 5 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO MAIOR QUE 10% DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Tendo o sócio participado do capital de outra pessoa jurídica, com mais de 10% de participação e tendo a receita bruta global ultrapassado o limite legal, não é permitido à pessoa jurídica ser optante do Simples. Tendo o sujeito passivo optado pelo regime do Simples durante a vigência da Lei 9.317/96, que impôs a restrição contida no seu art. 9º, IX, e levando em conta o disposto no art. 15, II, da mesma Lei, com a redação da MP 255/2005, descabe sua pretensão de que a exclusão se dê somente a partir da ciência do Ato Declaratório. Entendo que a empresa foi corretamente excluída do SIMPLES e que o lançamento é procedente. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 130DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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