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Numero do processo: 10680.011601/2005-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CABIMENTO.
Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, cabe exigi-lo juntamente com os correspondentes valores de multa de ofício e juros de mora, conforme previsto na legislação de regência.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência.
Pedido de Perícia indeferido
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-001.860
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, cabe exigi-lo juntamente com os correspondentes valores de multa de ofício e juros de mora, conforme previsto na legislação de regência. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. Pedido de Perícia indeferido Recurso voluntário negado.
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JUROS DE MORA. CABIMENTO. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, cabe exigilo juntamente com os correspondentes valores de multa de ofício e juros de mora, conforme previsto na legislação de regência. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. Pedido de Perícia indeferido Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Fl. 210DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.011601/200511 Acórdão n.º 280101.860 S2TE01 Fl. 201 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 36.972,81, referente ao exercício de 2003, a título de imposto (R$ 17.822,52), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 13.366,89), além dos juros de mora (R$ 5.783,40). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do Acórdão recorrido: o contribuinte maior de sessenta e cinco anos impetrou ação cautelar inominada, processo n° 1999.38,00.0213994, na qual obteve liminar isentandoo da tributação do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria. A fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não cumpriu a ordem judicial, continuando a descontar o imposto de renda na fonte. Em 08/06/2000, o MM. Juiz da 16ª Vara proferiu sentença de mérito, confirmando a liminar e concedendo ao impugnante o direito à devolução dos valores cobrados indevidamente. Assim, não pode ser cobrado, por meio de auto de infração, o imposto que já lhe foi retido na fonte, caracterizandose bis in idem. o contribuinte amparado por ordem judicial e não por omissão deixou de informar os rendimentos em sua declaração. A medida cautelar inominada e a ação declaratória de inconstitucionalidade c/c repetição de indébito foram julgadas de forma favorável ao contribuinte em 1ª instância. Interposta apelação pela União, o TRF 1ª Região reformou a decisão de 1ª instância. Essa decisão foi questionada com interposição de embargos de declaração e recurso especial, que foi negado em 06/08/2001. Somente em fins de 2004, o processo retomou a 16ª Vara de Belo Horizonte, seguindo para arquivo. Portanto, o contribuinte por sete anos ficou amparado por decisão do Judiciário; o lançamento é nulo, tendo em vista que o imposto foi pago por meio da retenção na fonte; a perda da capacidade contributiva não está sendo considerada pela repartição lançadora, a qual age como se o Fl. 211DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.011601/200511 Acórdão n.º 280101.860 S2TE01 Fl. 202 3 impugnante recebesse renda ativa e não proventos de natureza alimentar, ferindo princípio constitucional. impossível aceitar os números lançados sem perícia para especificar mês a mês a incidência de juros de mora e qual o critério utilizado para: não se compensar a parcela isenta de R$13.000,00 sobre os proventos de aposentadoria de maiores de 65 anos, impor multa de 75% e juros, numa triplicidade de pena, ignorar o imposto a ser restituído na compensação sobre o imposto devido e ignorar o princípio tributário de que o acessório não pode ser maior que o principal. Contesta os números apresentados e requer uma perícia contábil para apurar o que seria devido, com direito a apresentar um assistente técnico para acompanhar os trabalhos; a incidência da multa de oficio somente pode ocorrer a partir da constituição do crédito tributário e os juros de mora somente são devidos a partir do mês seguinte a ciência do auto de infração. A multa e juros estavam suspensas enquanto durava a liminar. Requer tratamento similar ao dispensado à multa e juros de mora em julgado, que transcreve, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte; o impugnante está a sofrer triplicidade de penas, fato que fere vários princípios constitucionais; de acordo com o art. 951 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, a interposição da ação judicial favorecida com medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial até trinta dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o imposto. Portanto, no presente lançamento, devem ser retirados os juros de mora e a multa de oficio por estar o crédito tributário suspenso a partir de outubro de 1999, por medida liminar e pago pela retenção na fonte; a aplicação da taxa Selic como juros de mora, em razão de sua natureza remuneratória, é ilegal e inconstitucional. Deve ser aplicado índice limitado a 1% ao mês nos termos do art. 161, § 1º da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, CTN. Ao longo da peça impugnatória, cita jurisprudência administrativa e doutrina que entende virem ao encontro de seus argumentos e, por fim, requer a nulidade do auto de infração, a suspensão do crédito tributário em decorrência da retenção na fonte do imposto, a inconstitucionalidade da triplicidade de penas e da aplicação da taxa Selic e a extinção da obrigação de pagar crédito tributário constituído ilegalmente. A 5ª Turma da DRJ/BHE/MG, conforme Acórdão de fls. 120/128, rejeitou a preliminar de nulidade, indeferiu o pedido de realização de perícia e, no mérito, julgou procedente o lançamento em relação à matéria diferenciada, declarando definitiva a exigência na esfera administrativa relativa à matéria objeto da ação judicial, qual seja, tributação dos Fl. 212DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.011601/200511 Acórdão n.º 280101.860 S2TE01 Fl. 203 4 proventos de aposentadoria de maiores de sessenta e cinco anos no tocante à parcela que exceder o limite de isenção estabelecido na Lei n° 7.713, de 11 de dezembro de 1988. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 20/08/2008 (fl. 131), o interessado, representado por sua advogada (fl. 156), interpôs recurso voluntário de fls. 132/154, em 05/02/2009. Em síntese, da peça recursal extraíse os seguintes argumentos de defesa: • Aduz que nunca omitiu nada ao fisco, ressaltando que durante 7 (sete) anos esteve sob o pálio da Justiça Federal que lhe concedeu determinado direito de forma ampla, geral e irrestrita; • Defende a não incidência da multa de oficio e dos juros de mora, dado que o montante do acessório é maior do que o valor do tributo original; • Alega perda da capacidade contributiva; • Requer perícia contábil para apurar o que seria supostamente devido. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, o recurso não merece ser conhecido em relação à isenção dos proventos de aposentadoria recebidos por maiores de 65 anos, pois, conforme bem esclarecido pela decisão recorrida, não há dúvida de que o contribuinte fez opção pela via judicial, importando em renúncia à instância administrativa, conforme posição já sumulada no âmbito deste Conselho, in verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Súmula CARF nº 1) Quanto à pretensa exclusão da multa de ofício e juros de mora, ressaltese que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.011601/200511 Acórdão n.º 280101.860 S2TE01 Fl. 204 5 A cobrança dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 30 da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Relativamente à alegada violação do princípio da capacidade contributiva, assim como qualquer outra violação à Constituição Federal, cabe trazer à colação a Súmula CARF n° 2, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. No tocante às jurisprudências citadas, cumpre registrar que essas não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 214DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 13558.000592/2007-90
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA. COMPETÊNCIA.
Alterar a base de cálculo para aumentar o valor da omissão de rendimentos é atividade vinculada à autoridade fiscal detentora de poderes para constituir o crédito tributário; por falta de competência, defeso à autoridade julgadora agravar a exigência, ainda que o fato considerado seja conhecido das partes
litigantes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.165
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para reformar o Acórdão de primeira instância na parte em que incluiu rendimentos na apuração do imposto.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA. COMPETÊNCIA. Alterar a base de cálculo para aumentar o valor da omissão de rendimentos é atividade vinculada à autoridade fiscal detentora de poderes para constituir o crédito tributário; por falta de competência, defeso à autoridade julgadora agravar a exigência, ainda que o fato considerado seja conhecido das partes litigantes. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 80 1 79 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.000592/200790 Recurso nº 909.692 Voluntário Acórdão nº 280102.165 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente ANANIAS EVANGELISTA DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA. COMPETÊNCIA. Alterar a base de cálculo para aumentar o valor da omissão de rendimentos é atividade vinculada à autoridade fiscal detentora de poderes para constituir o crédito tributário; por falta de competência, defeso à autoridade julgadora agravar a exigência, ainda que o fato considerado seja conhecido das partes litigantes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reformar o Acórdão de primeira instância na parte em que incluiu rendimentos na apuração do imposto. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 88DF CARF MF Impresso em 03/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 13558.000592/200790 Acórdão n.º 280102.165 S2TE01 Fl. 81 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 4.445,02, referente ao exercício de 2004, sendo R$ 25,60 a título de imposto, R$ 2.644,94 a título de imposto suplementar, R$ 528,98 a título de multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado, R$ 19,20 a título de multa de mora e R$ 11,75 a título de juros de mora. O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou cópia do DARF referente ao IRRF. Posteriormente, após ser intimado a apresentar cópias das planilhas de cálculos, alvará de levantamento e recibos de advogados, trouxe os documentos de fls. 29/60. A 3ª Turma da DRJ/SDR/BA julgou procedente em parte a impugnação, conforme Acórdão de fls. 63/64, que restou assim ementado: IMPOSTO NA FONTE. RENDIMENTOS. Para a compensação do imposto de renda na fonte é indispensável computar a totalidade dos rendimentos tributáveis recebidos na ocasião do seu desconto. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 18/02/2011 (fl. 65), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 66/67, em 21/03/2011. Em sua defesa, requer, em síntese, seja reformada a decisão recorrida para alterar o valor do rendimento bruto da ação judicial de R$ 48.383,77 para R$ 46.945,62, bem como computar os honorários advocatícios no montante de R$ 12.736,00. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De plano, importa registrar que a decisão recorrida considerou que os documentos apresentados pelo impugnante comprovam a retenção do imposto de renda declarado, no valor de R$ 8.013,02. Entretanto, computou como rendimentos tributábeis o valor de R$ 48.383,77, sendo que os rendimenos declarados pelo contribuinte montam a quantia de R$ 34.863,19 e a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização totaliza R$ 352,44. Esse agravamento da exigência pelo órgão julgador é vedado, mormente quando feito após o prazo decadencial (a decisão é de 2010 e o fato gerador ocorreu em Fl. 89DF CARF MF Impresso em 03/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 13558.000592/200790 Acórdão n.º 280102.165 S2TE01 Fl. 82 3 31/12/2003), por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993, in verbis: “§ 3º. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” Portanto, devese reformar o acórdão de primeira instância na parte em que incluiu rendimentos na apuração do imposto, devendo ser considerada a omissão de rendimentos consignada no auto de infração, no valor de R$ 352,44. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reformar o Acórdão de primeira instância na parte em que incluiu rendimentos na apuração do imposto. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 90DF CARF MF Impresso em 03/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009654/2004-06
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA.
COMPROVAÇÃO INSATISFATÓRIA.
A ausência de comprovação hábil da existência de áreas de preservação permanente e de utilização limitada não permite sua exclusão da área tributável do imóvel rural.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Somente a partir do exercício de 2001, a exclusão da área declarada como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao seu reconhecimento mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado pelo sujeito passivo junto ao Ibama, observada a
legislação pertinente.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3803-000.030
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO.-::”.......-", Processo n° 10980.009654/2004-06 Recurso n° 139.595 Voluntário Acórdão n° 3803-00.030 — 3a Turma Especial Sessão de 16 de março de 2009 Matéria IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Recorrente VIATÉCNICA CONSTRUÇÃO E COMÉRCIO LTDA. Recorrida DRJ-CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO INSATISFATÓRIA. A ausência de comprovação hábil da existência de áreas de preservação permanente e de utilização limitada não permite sua exclusão da área tributável do imóvel rural. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. Somente a partir do exercício de 2001, a exclusão da área declarada como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao seu reconhecimento mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado pelo sujeito passivo junto ao lbama, observada a legislação pertinente. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 33 Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ar LUIS MAR •91r0 GUE RA DE CASTRO - Presidente f REGIS i. : • OL 'A - Relator Partici is ra , . • s., do presente julgamento, os Conselheiros André Luiz Bonat Cordeiro e Jorge ._. - . o. fax i Processo n° 10980.009654/2004-06 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.030 Fl. 118 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por Viatécnica Construção e Comércio Ltda. contra Acórdão n° 04-11.624, de 16 de março de 2007 (fls. 80 a 95), proferido pela P Turma da DRJ/Campo Grande-MS, que manteve o lançamento relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — PER. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: "Trata o presente processo do auto de infração e documentos correlatas de fis. 30 a 36, através do qual se exige o Imposto Territorial Rural — ITR, no valor original de R$2.798,31, acrescido de juros moratórias e multa de oficio, decorrentes de glosa da área de preservação permanente, informada em sua Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial — DITR (DIAC/DIAT), do exercício de 2000, referente ao imóvel rural denominado "Lotes 19 e 20 - Colônia Tapuí - Pq. Marumbi - Serra Mar", com área total de 275,8 ha, Número do Imóvel — NIRF 0.980.168-5, localizado no município de Campina Grande do Sul/PR. 2. As alterações no cálculo do imposto estão demonstradas à fl. 30. A glosa efetuada causou a redução do grau de utilização de 100,0 % para 0,0 %, com a conseqüente alteração da alíquota aplicável do imposto, de 0,10 % para 3,30 %, conforme a tabela referida no art. II da Lei n° 9.393/96. Ainda em decorrência da mesma glosa, a área tributável sofreu aumento de 0,0 ha para 275,8 ha, e o valor da terra nua tributável, que lhe é proporcional, aumentou para R$85.100,60. 3. Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal, fis. 34 e 35, a glosa das áreas de preservação permanente foi efetuada por não ter sido ela comprovada satisfatoriamente e por ter sido protocolizado, após o prazo para tanto fixado, o Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA ou órgão conveniado. 4. A interessada apresentou impugnação tempestivamente, fis. 39 e 40, na qual, após identificar-se, argumenta que a)vem declarando o imóvel desde 1993 COM redução do tributo, haja vista o imóvel estar localizado em área de preservação permanente, conforme vários pareceres; b)foi surpreendida com a autuação relativa ao exercício 2000, por falta de apresentação do ADA, e, conforme Instrução Normativa SRF n° 75/2000, não haveria necessidade de apresentar o ADA, pois o imóvel não teve alterada sua área de interesse ambiental e também não estava sendo declarado pela primeira vez. 5. À fl. 71, a interessada informa que o imóvel, o único que constava de seu ativo permanente, foi compromissado a outra Processo n° 10980.00965412004-06 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.030 Fl. 119 pessoa, conforme escritura cuja cópia junta, e indica a averbação correspondente. Esclarece que, pela data em que foi liberada a averbação, as DITRs até então foram entregues em nome da interessada, e, no período, ocorreram duas autuações da Receita Federal, constando nas intimações o nome incorreto da interessada. Assevera que impugnou os lançamentos rastreada em forte documentação. Diz ainda que o atual proprietário já protocolizou o ADA em seu nome, bem como atualizou o cadastro fiscaL Ao final, requer a correção de seu nome e a transferência dos débitos do ITR para o atual proprietário, bem como reitera que seja mantida a isenção e considerados improcedentes os autos de infração em causa. 6. Foram juntados os documentos de fls. 41 a 67 e 71 a 78." A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedente o lançamento em acórdão com a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A exclusão das áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do 1TR, está condicionada à protocolização tempestiva do Ato Declarató rio Ambiental - ADA, perante o IBAMA ou órgão conveniado. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. Conforme a Lei n° 9.393/96, são passíveis de exclusão da área tributável do imóvel as áreas de preservação permanente, previstas nos art. 2." e 3." da Lei n° 4.771/65, devidamente comprovadas; as áreas de reserva legal, averbadas à margem da matrícula do imóvel, nos termos do art. 16, da Lei n°4.771/65; as áreas de reserva particular do patrimônio natural, averbadas à margem da matrícula do imóvel, e reconhecidas por portaria do IBAMA, conforme Decreto n° 1.922/96; e as áreas imprestáveis para a atividade produtiva, se declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual." Cientificado do referido acórdão em 14 de junho de 2007 (Il. 106), o interessado apresentou recurso voluntário em 12 de julho de 2007 (fls. 107 a 112) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando parte de seus argumentos apresentados à DRJ. Mota que toda a área do Parque Marumbi, da qual encontra-se incluída a da ora recorrente, está sob o preceito legal estampado no artigo 5° da Lei n°4.771/65, sendo a área composta de zona primitiva e zona de recuperação, ambas inerentes à preservação de interesse Processo n° 10980.009654/2004-06 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.030 Fl. 120 ecológico, o que implicaria nas exclusões catalogadas no artigo 10, §1°, II, "h" e "c" da Lei n° 9.393/96. Registra ainda que, estando a área total da propriedade sob a égide do art. 50 da Lei n° 4.771/65, a recorrente não estaria inserida na obrigação de protocolar requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA. Acrescenta que, mesmo que assim não fosse, o fato de constar, no auto de infração lavrado relativo ao exercício de 1.999, referência ao Ato Declaratório Ambiental protocolizado em 22/08/2003 caracterizaria a existência de declaração no exercício antecedente. É o relatóri1e-- Processo n° 10980.009654/2004-06 83-TE03 Acórdão n.°3803-00.030 Fl. 121 Voto Conselheiro REGIS XAVIER HOLANDA, Relator Por conter matéria desta E. Turma da 3' Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, ao tratar da apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural-ITR, assim dispôs: "Art. 10. § I' Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Negritet No presente caso, a razão da autuação foi a glosa da Área de Preservação Permanente de 275,80 ha declarada pelo contribuinte por: a) não ter sido ela comprovada satisfatoriamente; e b) ter sido o requerimento do Ato Declaratório Ambiental-ADA protocolizado junto ao IBAMA após o prazo de seis meses contados da data de entrega da DITR. No que se refere à utilização do Ato Declaratório Ambiental para gozo de redução do valor a pagar de ITR, a Lei n°6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, assim tratou a matéria, verbis: "Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) 1°-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluido pela Lei n° 10. 165, de 2000) Processo n° 10980.009654/2004-06 53-TE03 Acórdão n.° 3803-00.030 Fl. 122 I° A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) " Negritei. Dessa forma, até a entrada em vigor da Lei n° 10.165/2000, a exclusão da área de preservação permanente da área tributável, para os efeitos de apuração do ITR, estava vinculada às exigências contidas nas disposições legais então vigentes que não especificavam a necessidade de apresentação do respectivo Ato Declaratório Ambiental-ADA do 'barna. Observa-se aqui que, na data da ocorrência do fato gerador (01/01/2000), eram as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal que impunham ao contribuinte a utilização do ADA e estabeleciam o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do 1TR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Assim, guardando observância ao principio da legalidade, importa concluir que, à data da ocorrência do fato gerador em comento, era inexigível o ADA como condição para reconhecimento da existência da área de preservação permanente. Entretanto, a área de preservação permanente há de ser comprovada satisfatoriamente, sendo comumente necessária a apresentação de laudo técnico, elaborado por profissional habilitado, com a Anotação de Responsabilidade Técnica, devidamente registrada no CREA, que identifique e caracterize as áreas de preservação permanente existentes no imóvel, de acordo com a tipologia dos arts. 2° e 3° da Lei n° 4.771/65, juntando também, para as áreas previstas no art. 3°, o ato do poder público que assim as declara. As áreas de preservação permanente, previstas na Lei n° 4.771/65 — Código Florestal, são as seguintes: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei o° 7.803 de 18.7.1989) 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura, (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Processo n° 10980.009654/2004-06 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.030 Fl. 123 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) b)ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c)nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) d)no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; I) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei o° 7.803 de 18.7.1989) Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Art. 3 0 Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a)a atenuar a erosão das terras; b)afixar as dunas; c)a fonnar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e)a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; I) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; Cdi<9 Processo n° 10980.009654/2004-06 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.030 A. 124 h) a assegurar condições de bem-estar público. § I° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2' As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei." Negritos apostos. Importante ressaltar também que, nos termos do art. 10, §1°, II da Lei n° 9.393/96, também as áreas descritas em seus incisos "h" e "c" — áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas com ampliação das restrições de uso e áreas de interesse ecológico comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal — somente estarão isentas quando assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Assim, as demais áreas, ainda que tenham de alguma forma sua exploração restrita, submetem-se a tributação normalmente e são consideradas para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel. Como bem observado na decisão recorrida, esclarece a autoridade fiscal que os documentos apresentados pela interessada "... apenas confirmam que a área do imóvel se localizaria dentro do perímetro da A.E.I.T. do Parque do Marubi, instituído pela Lei Estadual n° 7.919/84 e, regulamentado pelo Decreto n° 5.308/85. O art. 7° do citado Decreto dispõe sobre o zoneamento da área podendo esta conter no todo ou em parte, nove características específicas, desde áreas em mãos de particulares, tradicionalmente utilizadas em atividades agrícolas, pecuárias, ou extrativas, devendo permanecer sob utilização controlada". Dessa forma, embora não haja dúvida de que o imóvel em estudo está inserido na Área de Especial Interesse Turístico do Marubi, não se pode depreender daí que toda a área do imóvel seja de preservação permanente ou, como posteriormente deseja a recorrente, considerá-las como de interesse ecológico nos termos descritos pela Lei n° 9.393/96. Como visto, as áreas do imóvel para serem enquadradas na definição de áreas de interesse ecológico isentas precisam de uma manifestação do órgão público competente reconhecendo quais as áreas do imóvel se encontram nesta especifica situação, isso porque a área de interesse ecológico pode tanto não se estender ao total do imóvel como também ter seu uso de forma que não satisfaça as condições para fruição da isenção — ampliação das restrições de uso ou imprestabilidade para qualquer exploração. Assim, não se prestam, para efeito de exclusão do ITR, áreas declaradas como de interesse ecológico em caráter geral. Com efeito, no presente caso, o documento acostado a fls. 16 e 17 (cópia a fls. 63 e 64, referenciada no recurso voluntário, estranhamente contendo mapa com indicação diversa da localização do imóvel) deixa clara a existência no imóvel de área classificada como zona de uso extensivo onde é permitida a utilização do solo em atividades além das permitidas na zona primitiva e na zona de recuperação. Dessa forma, considerando que a interessada não comprovou adequadamente a existência de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, deve ser considerada procedente a glosa efetuada. @Vae Processo n° 10980.009654/2004-06 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.030 Fl. 125 Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Sala das Sessões, - e- e de março de 2009. REGIS r 8 A e. DA - Relator • Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.003654/2005-50
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
Não estão isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho auferidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como peritos/consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, uma vez que ausente a qualidade de funcionário exigida pelos Artigos V e VI, da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, pois: (a) não
possuem vínculo permanente com a ONU ou organismo internacional; e (b) não foram relacionados em lista pelo Secretário Geral para o gozo da isenção, conforme o exige o Artigo V.
SÚMULA CARF Nº 39
Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
MULTA ISOLADA. NÃO RECOLHIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE.
No caso de apenar-se o contribuinte com a aplicação da multa de ofício, não deve incidir, em concomitância, a multa isolada.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2801-001.896
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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Não estão isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho auferidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como peritos/consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, uma vez que ausente a qualidade de funcionário exigida pelos Artigos V e VI, da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, pois: (a) não possuem vínculo permanente com a ONU ou organismo internacional; e (b) não foram relacionados em lista pelo Secretário Geral para o gozo da isenção, conforme o exige o Artigo V. SÚMULA CARF Nº 39 Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. MULTA ISOLADA. NÃO RECOLHIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE. No caso de apenarse o contribuinte com a aplicação da multa de ofício, não deve incidir, em concomitância, a multa isolada. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, nos termos do voto do Relator. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10680.003654/200550 Acórdão n.º 280101.896 S2TE01 Fl. 203 2 Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Eivanice Canário da Silva. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra o interessado foi lavrado o auto de infração de fls. 2 a 10, referente ao exercício de 2003, com exigência de crédito tributário no valor de R$ 58.676,36 a título de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), juro de mora, multa proporcional de 75% e multa exigida isoladamente. A exigência resultou da omissão de rendimentos tributáveis recebidos pela prestação de serviços de consultoria paga pelo PNUD, ensejando falta de recolhimento de carnêleão e conseqüente multa exigida isoladamente. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, conforme folhas de continuação anexas do referido auto de infração. Irresignado, tendo sido cientificado em 18/03/2005 (fl. 3), o contribuinte impugnou o feito fiscal em 18/04/2005, apresentando o arrazoado de fls. 72/89, acompanhado dos documentos de fls. 90/121, com as suas razões de defesa a seguir reunidas sucintamente. Alega que foi contratado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), recebendo seus rendimentos mensalmente, cumprindo horários, realizando trabalhos de forma vinculada, sem 'qualquer interrupção no contrato, "configurando, portanto, contrato por tempo indeterminado, nos termos da legislação vigente". Entende estar configurado o vínculo empregatício com o organismo internacional, devendo ser aplicadas "as isenções previstas no art. 5° da Lei n° 4.506, de 1964". Assim o autuado requer a extinção do auto de infração por ausência de legitimidade passiva do impugnante e de interesse de agir da Receita, aplicandose subsidiariamente o disposto no art. 267, inc. VI, do CPC. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10680.003654/200550 Acórdão n.º 280101.896 S2TE01 Fl. 204 3 Assevera que o Decreto n° 59.308/66 equipara os peritos e assistentes técnicos aos demais funcionários de organismos internacionais e determina que o Governo brasileiro aplique as convenções que tratam de privilégios e imunidades das Nações Unidas e de suas Agências Especializadas a estes peritos e assistentes técnicos. Em seguida, cita e transcreve uma série de legislações, tais como a Lei n° 7.713/88, o CTN, o RIR199, o Decreto n° 52.288/63, a IN SRF n° 208/02, o Decreto n° 3.751/01, a Portaria n° 12/01 do MRE, o Parecer Normativo n°717/79, o qual, especificamente, foi elaborado em atendimento a consulta feita pelo PNUD e o Parecer CST n° 897/73. Traz à baila também a Pergunta 177 do IRPF/96, Solução de Consulta da 8 Região Fiscal, jurisprudência administrativa e judicial. Enfim, o impugnante afirma que a Receita não atribui aos funcionários de organismo internacional conotação restritiva, dando como tributáveis somente os rendimentos auferidos pelos funcionários remunerados por hora trabalhada, que não é o caso em tela. Para ele o seu caráter continuado de atividades junto ao PNUD o caracteriza como servidor do Organismo Internacional, fazendo jus ao privilégio da isenção citado. Considera ilegais as INs n° 73/98 e n° 208/02, que, sendo normas complementares (art. 100 do CTN), não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que completam. Assim, não pode ser afastada a isenção por não constar o nome do impugnante em lista encaminhada por Organismo Internacional ao qual está vinculado. O requerente arrola doutrina e jurisprudência administrativa sobre o assunto. Citando a Lei n° 6.019/74 (Trabalho Temporário nas Empresas Urbanas) e os art. 443 e 445 da CLT, conclui ter realizado com o PNUD contrato com prazo indeterminado. "Desta forma, sendo o Impugnante contratado do PNUD, que o assalaria (...) e determina as funções especificas a serem realizadas pelo Impugnante, por meio do Contrato e do Termo de Referência, de forma efetiva e continuada, resta demonstrado o vinculo empregatício do Impugnante com o Organismo Internacional." Entende o autuado pela nulidade da cláusula IV do contrato de serviço firmado, eis que seria abusiva e contrária à legislação nacional. O autuado conclui "que a obrigatoriedade do recolhimento mensal do carnêleão não se aplica no caso presente, dado que a fonte pagadora não se constitui em 'pessoa física', tão pouco (sic) os recursos são provenientes do exterior". Finalmente assevera o querelante que "caberia tanto ao PNUD, quanto à Agência Brasileira de Cooperação — ABC, do Ministério das Relações Exteriores, a retenção na fonte do imposto de renda no caso de não incidir a isenção (...)", devendoselhes aplicar o disposto no art. 90 da Lei n° 10.426/02. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10680.003654/200550 Acórdão n.º 280101.896 S2TE01 Fl. 205 4 "Não houve omissão do impugnante uma vez que declarou seus rendimentos recebidos do PNUD como Isentos/Nãotributáveis em respeito à legislação vigente. Da mesma forma, a Receita Federal não é credora de qualquer divida do impugnado (sic). (...) Embora discorde de qualquer cobrança efetuada, impugnase ainda, o valor cobrado, vez que foram considerados os salários brutos. (...) Para a prova do alegado requerer (sic) a juntada dos documentos em anexo." Enfim, por toda a impugnação o contribuinte traz doutrina e jurisprudência que entende ir ao encontro do seu entendimento.” Passo adiante, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Sujeitamse à tributação, sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. MULTA ISOLADA (CARNÊLEÃO). CABIMENTO. A multa de lançamento de oficio é exigida isoladamente no caso de pessoa física sujeita ao recolhimento mensal obrigatório do imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo. MULTA ISOLADA. (CARNÊLEÃO). REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE 75% PARA 50%. A lei nova que prevê penalidade menos severa do que a vigente ao tempo da prática da infração deverá ser aplicada retroativamente aos fatos pretéritos ainda não definitivamente julgados. Lançamento Procedente em Parte.” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 229DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10680.003654/200550 Acórdão n.º 280101.896 S2TE01 Fl. 206 5 Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator Tratase de Auto de Infração lavrado em decorrência de suposta omissão de receitas por parte do Recorrente (rendimentos percebidos por serviços prestados à Organização das Nações Unidas ONU, de acordo com o PNUD), em razão de têlas declarado em sua DIPJ referente ao Exercício de 2003 como isentas. Isso porque, segundo entendimento sufragado pelo Fiscal autuante e reproduzido na decisão combatida, a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, internalizada pelo Decreto nº 27.784/50 , no seu art. V, Seção 18, alínea "b", estabelece que a isenção do Imposto de Renda somente beneficia os funcionários da ONU, contratados em caráter permanente e relacionados em lista pelo Secretário Geral da instituição, não incluídos os peritos contratados em caráter temporário com período préfixado, disciplinados pelo art. VI, Seção 22, tal como o Recorrente. O Recorrente, por sua vez, defende que o Decreto 59.308/66 atribuiu não só aos funcionários de carreira da ONU, mas também aos seus prestadores de serviços na condição de “peritos de assistência técnica” o benefício isencional quanto ao Imposto de Renda. O Superior Tribunal de Justiça, por meio de sua Primeira Seção, recentemente, firmou orientação no sentido de que o benefício isencional aplicase tanto para os funcionários de carreira da ONU, quanto aos peritos de assistência técnica, exatamente como defendido pelo Recorrente. Vejase: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AO PNUD. ISENÇÃO. MULTA. SÚMULA 98/STJ. 1. O Acordo Básico de Assistência Técnica firmado entre o Brasil, a ONU e algumas de suas Agências, aprovado pelo Decreto Legislativo 11/66 e promulgado pelo Decreto 59.308/66, assumiu, no direito interno, a natureza e a hierarquia de lei ordinária de caráter especial, aplicável às situações nele definidas. Tal Acordo atribuiu, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas, os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50. 2. O autor prestou serviços de assistência técnica especializada, na condição de Técnico Especialista, ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, de quem recebia a correspondente contraprestação. Assim, os valores recebidos nessa condição estão abrangidos pela cláusula isentiva de que trata o inciso II do art. 23, do RIR/94, reproduzida no art. 22, II, do RIR/99. 3. Nos termos da Súmula 98/STJ, embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório. 4. Recurso especial provido.” (STJ, 1ª Seção, Min. Rel. Teori Zavascki, REsp nº 1.159.379/DF, DJe de 27.06.2011)” (destacouse) Fl. 230DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10680.003654/200550 Acórdão n.º 280101.896 S2TE01 Fl. 207 6 Porém, é importante frisar que tal decisão não foi proferida sob o regime de recursos repetitivos, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, não se aplicando, portanto, o art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, in verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010)” (grifouse) Analisando a matéria, cumpre a leitura do art. V, Seção I, alínea “a”, do Decreto nº 59.308/66: “ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades 1. O Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazêlo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização da Nações Unidas, a "Convenção sôbre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas";” Por sua vez, a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, em seus artigos V e VI, dispõe o seguinte: "Artigo V Funcionários Seção 17 O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo, assim como as do artigo VII. Secretário Geral submeterá a lista à Assembléia Geral e dará conhecimento da mesma aos Governos de todos os Membros. Os nomes dos funcionários compreendidos nestas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: (...) b) serão isentos de todo imposto sobre os vencimentos e emolumentos pagos pela Organização das Nações Unidas; *** Artigo VI Peritos em missão da Organização das Nações Unidas Seção 22 Os peritos se não se tratar dos funcionários especificados no artigo V, quando em missão da Organização das Nações Unidas, gozarão durante o período de sua missão, inclusive o tempo de viagem, dos privilégios e imunidades necessários ao livre exercício de suas funções. Gozarão, especialmente, dos seguintes privilégios e imunidades : Fl. 231DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10680.003654/200550 Acórdão n.º 280101.896 S2TE01 Fl. 208 7 a) imunidade de arresto pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda jurisdição no que se refere aos atos por eles efetuados no desempenho de suas missões (compreendidas suas palavras e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que estas pessoas tiverem deixado de cumprir missões da Organização das Nações Unidas; c) inviolabilidade de quaisquer papéis e documentos; d) direito de fazer uso de códigos e de receber documentos e correspondências por correio ou por malas seladas, para as suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que se refere às regulamentações monetárias ou de câmbio, que as concedidas aos representantes de governos estrangeiros em missão oficial temporária; f) as mesmas imunidades e facilidades, no que se refere às suas bagagens pessoais, que as concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23 Os privilégios e imunidades são concedidos aos peritos no interesse da Organização das Nações Unidas e não em benefício dos mesmos. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um perito em todos os casos em que, a seu critério, esta imunidade impedir a aplicação da justiça e puder ser suspensa sem prejuízo aos interesses da Organização.” (grifouse) Verificase, portanto, que a transcrita Convenção, no seu art. V, Seção 18, “b”, estabelece que a isenção do imposto de renda IR somente beneficia aos funcionários da ONU e não a seus peritos, que estão disciplinados no art. VI, Seção 22, que não faz menção a qualquer isenção tributária. Sendo assim, não há como extrair do Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, promulgado pelo Decreto 59.308/66, que os peritos de assistência técnica sejam tratados como funcionários quando a própria Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50 (materialmente lei ordinária federal, repito), estabelece regime jurídico próprio para os peritos que diverge do regime dos funcionários. Vale ainda lembrar que a matéria em questão não é nova neste Conselho, cujo entendimento pacificado foi objeto de Súmula, editada em 2009, cuja aplicação por este Colegiado é obrigatória, a saber: “Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Portanto, há que se manter a tributação efetuada por meio do lançamento. Quanto à aplicação de multa, temse que a incidência concomitante da multa isolada e multa de ofício é indevida, sob risco de a penalidade ultrapassar o valor da obrigação tributária principal, em evidente detrimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. Este é o entendimento dominante deste Egrégio Conselho, confirase: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10680.003654/200550 Acórdão n.º 280101.896 S2TE01 Fl. 209 8 "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso DL do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Acórdão 10322.217) PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA PELA CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de oficio exigida pela constatação de omissão de receitas, que tiveram como base o mesmo valor apurado em procedimento fiscal. (Acórdão 108 07.493) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso IQ, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Acórdão CSRF/0104.987)." Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 233DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL
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Numero do processo: 13884.000919/2002-17
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 19/11/1993 a 30/11/1998
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO
ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.
O processo administrativo fiscal não é foro hábil para a apreciação de
arguições de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência
exclusiva do Poder Judiciário (Súmula 2° CC n-22)
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO
CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O
PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Toca ao requerente a prova dos fatos constitutivos do seu direito.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 19/11/1993 a30/11/1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
É de cinco anos, contados a partir da data do pagamento antecipado, o prazo
para pleitear a repeti* de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento
por homologação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-000.016
Decisão: ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO
DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
o
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 19/11/1993 a 30/11/1998 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. O processo administrativo fiscal não é foro hábil para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário (Súmula 2° CC n-22) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Toca ao requerente a prova dos fatos constitutivos do seu direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 19/11/1993 a30/11/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. É de cinco anos, contados a partir da data do pagamento antecipado, o prazo para pleitear a repeti* de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. o Processo n° 1 3884.00091 9/2002-17 S3-T E03 Acórdão n.° 3803-00.016 Fl. 341 LEXAN II RE KERN P - - • • ente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Ivan Allegjetti, Hélcio Lafetá Reis e Daniel Mauricio Fedato. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima. Relatório Trata-se do pedido de restituição (fls. 01), protocolizado em 18/03/2002, no valor de R$ 904,04 (planilhas de fls. 27 a 32) cumulado com Declaração de Compensação(fls. 188, 20/03/2003, processo 13884.004180/2003-21; PER/DCOMP n° 32615.618811.300104.1.3.04-7575, de 30/01/2004, fls. 168 a 171 e n2 04354.22535.240504.1.3.04-9269, de 24/05/2004, fls. 172 a 175) Em Despacho Decisório de fls. 187, datado de 02/02/2006, fundamentado no Parecer Saort n 2 13884.076/2006, a DRF São José dos Campos/SP, não reconheceu o direito creditório, indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações, tendo em conta a decadência, a falta de comprovação do indébito tributário, e a não caracterização da denúncia espontânea no pagamento em atraso com a incidência de multa e juros moratórios. Sobreveio reclamação, fls. 210 a 237. A DRJ-CPS/2 a Turma houve por bem em afastar as preliminares de nulidade arguidas para, no mérito, julgar a Manifestação de Inconformidade improcedente, em face do implemento do "prazo decadencial" para o reconhecimento administrativo de indébitos tributários ocorridos anteriormente a 18/03/1997, e, no que diz respeito a outros 2 (dois) pagamentos feitos após essa data, pretensamente indevidos porque não incidiriam multa e juros de mora sobre recolhimentos espontâneos, abrigados pelo art. 138 da Lei n-9 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional - CTN, em razão da falta de provas e do que dispõem os arts. 59 da Lei n2 8.383, de 30 de dezembro de 1991; 84 da Lei n 2 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e ; 61 da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O Acórdão n2 05-14.944, de 26 de outubro de 2006, fls. 270 a 281, teve ementa vazada nos seguintes termos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 19/11/1993 a 30/11/1998 Decadência. Indébito Tributário. Pedido de Restituicão. O direito de pleitear o reconhecimento do indébito tributário, para fins de fundamentação do direito à restituição ou à compensação, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido. Indébito Tributário, Multa de Mora, Denúncia Espontânea, Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, recolhidos fora do prazo de vencimento. 2 • Processo n° 13884.000919/2002-17 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.016 Fl. 342 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 19/11/1993 a 30/11/1998 Indébito Tributário. Ônus da Prova. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Rest/Ress. Indeferido — Comp. não homologada". Cuida-se agora de recurso voluntário (fls. 286 a 313) interposto pelo requerente contra a recém referida decisão da DRJ/CPS, que, após resumo dos fatos relacionados, controverte as seguintes questões: a) A possibilidade de, em sede de julgamente administrativo, negar-se vigência a leis em face de sua inconstitucionalidade; b) O prazo prescricional de 10 (dez) anos para a repetição de indébitos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação; c) A ilegalidade da norma do art. 30 da Lei Complementar ns)- 118, de 9 de junho de 2005; d) A não-incidência de multa, nem de juros de mora, quando o contribuinte efetua recolhimentos em atraso, mas antes de qualquer procedimento fiscal; e) A correção monetária do crédito pleiteado; O O direito subjetivo à compensação dos créditos, nos termos dos arts. 165 e 1701 do CTN; art. 66 da Lei n2 8.383, de 1991, e; art. 49 da Lei n2 10.637, de 30 de dezembro de 2002. g) A inércia da autoridade revisora em produzir as provas que julgasse suficiente quando, em caso de dúvida, deveria diligenciar ao estabelecimento do recorrente com este fim; O recorrente discorre ainda sobre os princípios regentes do processo administrativo federal, consubstanciados na Lei n 9.784, de 29 de janeiro de 1999, reclamando contra o descumprimento de todos os preceitos legais por parte da Administração, referindo-se à lacuna temporal existente entre a conclusão da instrução do presente processo e sua decisão, que superou o trintideo preconizado no art. 49 da Lei n2 9.784, de 1999. Conclui que se acha preclusa a possibilidade de a Administração decidir o feito, "...requerendo de plano a procedência do pleito compensatório, visto a existência dos créditos devidamente reconhecidos pela Secretaria da Receita Federal." (fl. 106). Conclui, requerendo provimento integral do recurso voluntário para reforma da decisão de piso, com a consequente homologação das compensações declaradas. É o Relatório. Ck 3 Processo n° 13884.000919/2002-17 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.016 Fl. 343 Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 286 a 313 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-CPS n2 05-14.944, de 23 de outubro de 2006, fls. 270 a 281. Negativa de vigência de leis regularmente inseridas no ordenamento jurídico por considerações de ilegalidade e inconstitucionalidade A proposição do recorrente, no sentido de que "É possível à autoridade administrativa afastar a aplicabilidade de uma lei, em função de sua inconstitucionalidade, uma vez que a Constituição Federal é a norma mais importante do ordenamento..." (fl. 288) não prosperará. A questão já está pacificada, em entendimento plasmado na Súmula r1 2- 2 do Segundo Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, abaixo transcrita: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária". Prazo para pleitear restituição de indébitos tributários O prazo para pleitear a restituição de pagamento indevido é tratado no art. 168 do CTN, que assim estabelece: "Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extincão do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." Ora, da literalidade das disposições acima transcritas infere-se que o prazo de decadência em questão é qüinqüenal e seu termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A polêmica incitada pela peça recursal diz respeito então ao marco temporal dessa extinção, defendido pela recorrente como sendo o momento em que se resolve a condição referida no art. 150, § 1°, acima transcrito, pela homologação do lançamento. Sendo assim, na hipótese de homologação tácita, esse marco temporal ocorreria no quinto ano do fato gerador correspondente ao pagamento efetuado, em consonância com o § 4° desse mesmo art. 150. Para fixar o termo inicial do prazo em questão, o art. 168 do CTN diferenciou apenas hipóteses de indébito tributário, não fazendo distinção entre extinção do crédito 4 - Processo n° 13884.000919/2002-17 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.016 Fl. 344 tributário sem condição e sob condição. Ocorre, porém, que, ao tratar da extinção do crédito tributário, o art. 156 desse mesmo Código estabeleceu, ipsis litteris: "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: 1- o pagamento; (..) VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1' e 4°; (.)". Observe-se, pois, que o art. 156 do CTN, em seus incisos I e VII, caracterizou e bem diferenciou o mero pagamento, concernente aos tributos em geral, e o pagamento antecipado, intrinsecamente relacionado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, para definir o momento em que ocorre a extinção do crédito tributário. Ora, na redação do referido inc. VII, utilizou-se do conectivo "e" para afirmar a necessidade de concorrência de duas condições para se operar a extinção do crédito tributário na hipótese de lançamento por homologação, quais sejam, o pagamento antecipado e a homologação do lançamento. Destarte, à luz apenas dessas disposições do CTN, se poderia dizer que assiste razão à recorrente relativamente à defesa do prazo decenal, contado a partir do fato gerador, para repetição de indébito sujeito ao lançamento por homologação, na hipótese em que tratar-se de homologação tácita. Entretanto, não se pode olvidar que a Lei Complementar n° 118, de 2005, estabeleceu que a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado, conforme dicção do seu art. 3°, que assim dispõe: "Art. 3' Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pa2amento antecipado de que trata o § 1 o do art. 150 da referida Lei." Cabe então enfrentar a razão recursal relativa a inaplicabilidade da Lei Complementar n° 118, de 2005, à hipótese destes autos, por tratar-se de pedido formulado antes do seu advento. Sobre isso, convém focalizar a cláusula de vigência desse mesmo diploma legal assim formulada no seu art. 4° que prescreve: "Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional." . Ora, o art. 106, inc. I, do CTN trata exatamente da aplicação retroativa de lei, com a seguinte dicção: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: el' 5 • Processo n° 13884.000919/2002-17 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.016 Fl, 345 1 - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (.)". Quanto às aduções de ilegalidade da Lei Complementar n° 118, de 2005, não cabe ao órgão julgador administrativo exercer o controle de constitucionalidade das leis, que é atividade exclusiva do Poder Judiciário, devendo o Poder Executivo, em face da estrita vinculação legal de sua atividade, aplicar as leis vigentes enquanto não afastadas do ordenamento jurídico pelo Poder competente. No caso concreto, tratando-se de pedido protocolado em 18/03/2002, o direito em questão já havia prescrito, relativamente aos pagamentos indevidos ou a maior efetuados antes de 18/03/1997. Remanesce contudo a discussão sobre a possibilidade de repetição de valores que o recorrente entende disponíveis para restituição, todos referentes a multa de mora e juros de mora acrescidos em (cinco) pagamentos, efetuados posteriormente a essa data (folhas 29 e 32). Ônus da prova A Autoridade Tributária de jurisdição, à fl. 180, considerou que o interessado não demosntrou claramente os motivos dos indébitos apontados (fls. 179 e 180): "O interessado cita diversas normas e inúmeros recolhimentos, mas em nenhum momento informa o motivo em que se baseia para afirmar a existência dos indébitos." Detectou ainda que, nas planilhas de fls. 27 a 32, os valores considerados indevidos são identificados na coluna "Valor Disponível", concluindo, em face da ausência de qualquer memória de cálculo que embasassem a determinação dos valores citados e das próprias alegações do interessado, que essas informações haviam sido obtidas em pesquisas nos sistemas de processamento da SRF. A propósito, a Autoridade Fiscal transcreve excerto ilustrativo: "Todo o trabalho encontra robustez e certeza em relatório emanado pelá própria Receita Federal que afirma que os valores identificados emcontram-se disponíveis à Requerente, bastando apenas verificar on-line no Serviço de Apoio de Atendimento ao Contribuinte — Relação de Pagamentos efetuados." ((l. 7) O "esquema" intentado pelo requerente, ora recorrente, é conhecido. Após ter acesso a relatórios do sistema ContacorPJ, o contribuinte, por astúcia ou inocência, apressa-se em pleitear a restituição de todos os pagamentos que se encontrem pendentes de vinculação a débitos, sob o fundamento de que os mesmos encontram-se "disponíveis", conforme o infeliz jargão utilizado no sistema de arrecadação da SRF. Fundamento frágil, aliás, fragilíssimo, como bem demonstrou o acórdão recorrido. A par desses demonstrativos de folhas 27 a 32, que nada demonstram em termos de recolhimento indevido, não há, nos autos, qualquer prova do alegado direito creditório, ônus que cabia ao requerente, segundo o sistema de distribuição da carga probatória 6 • Processo n° 13884.000919/2002-17 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.016 Fl. 346 adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei n 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei." No mesmo sentido o art. 333 da Lei if 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1– ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; ." Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: "Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS N° 1.171-0 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211-276, novembro 1992, p. 217)". Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇA0 FEDERAL N° 8-3 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93- 116, fevereiro 1995. 99) "RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6" T – ReL Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 –p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATORIAS – FÉRIAS E LICENÇA-PRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizató rias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual 7 Processo n° 13884.000919/2002-17 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.016 Fl. 347 . compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ — REsp 229118 — DF — I" T. — Rel. Min. Garcia Vieira — DJU 07.02.2000 —p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO — EXECUÇÃO FISCAL — EMBARGOS DO DEVEDOR — NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO — IMPRESCINDIBILIDADE — ÔNUS DA PROVA — I. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ — REsp 237.009 — (1999/0099660-7) — SP — 2" T. — Rel. Min. Francisco Peçanha Martins — DJU 27.05.2002 — p. 147) TRIBUTA' RIO E PROCESSUAL CIVIL — IRPF — REPETIÇÃO DE INDÉBITO — VERBAS INDENIZA TÓRIAS — RETENÇÃO NA FONTE — ÔNUS DA PROVA — VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA — DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA — SÚMULA 13/STJ - PRECEDENTES — Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor — Incidência da Súmula 13 STJ — Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ — RESP 232729 — DF — 2' T — Rel. Min. Francisco Peçanha Martins — DJU 18.02.2002 —p. 00294)". Ainda, a propósito do dever da administração de diligenciar as provas que julgasse necessárias para apreciar o pleito, em face da insatisfatória instrução do próprio interessado, enfatizo o enforço empreendido no Parecer Saort n2 13884.076/2006, fls. 176 a 186, na tentativa de "adivinhar" os fundamentos do pedido de fi. 1. O acórdão da DRJ/CPS merece confirmação também no que diz respeito ao tratamento dado à prejudicial de preclusão do direito da Administração de decidir o presente caso concreto. Diante da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do crédito tributário, não seria admissivel que eventual inércia dispensasse a Administração de poder- dever de decidir e automaticamente convertesse o pagamento de tributo em indébito tributário, prescindindo-se das provas cabíveis. Diga-se de passagem que pleitos como o do presente caso concreto explicam o acúmulo de processos nas repartições fiscais e justificam a demora da sua apreciação. Conclusões Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 06 de julho de 2009. ALE NDRE K RN 8
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005941/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO EFETUADO.
Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento.
RETIFICAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE
Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento, e sem a apresentação de provas do erro material.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.787
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do do Relator.
Nome do relator: CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE
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RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO EFETUADO. Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento. RETIFICAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento, e sem a apresentação de provas do erro material. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10950.005941/200810 Acórdão n.º 280101.787 S2TE01 Fl. 69 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, e Carlos César Quadros Pierre Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase da Notificação de Lançamento n° 2006/609400094072025 (fls.05), lavrada contra o contribuinte acima mencionado, para exigência do crédito tributário a seguir discriminado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF do Exercício de 2006,AnoCalendário de 2005: IRPF Suplementar R$ 1.181,30 Multa de oficio (75%) R$ 885,97 Juros de Mora (calculada até 30/05/2008) R$ 292,60 Total do Crédito Tributário Apurado R$ 2.359,87 Segundo consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 06verso), a exigência é decorrente da revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, na qual foi constatada a omissão de rendimentos oriundos da Companhia Melhoramento Norte do Parana (CNPJ 61.082.962/000121), no montante de R$ 9.410,71, recebidos pela dependente Joselaine Gonçalves Monteiro Costa (CPF 040.332.91911). O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 01 a 03), com as alegações a seguir sintetizadas: Alega que cometeu erro ao relacionar em sua declaração, como dependente, a cônjuge Joselaine Gonçalves Monteiro, pois esta não é considerada sua dependente, pois possui rendimentos. Afirma que após constatar o equivoco, foi apresentada declaração retificadora, a qual não foi processada. Para esclarecer qualquer dúvida a respeito de seus rendimentos do ano de 2005, anexa informe anual de rendimentos fornecido por sua única fonte pagadora. Aponta as declarações dos anoscalendário de 2006 e 2007, nas quais não consta a referida dependente, o que faz presumir que realmente houve equivoco na declaração do anocalendário de 2005. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10950.005941/200810 Acórdão n.º 280101.787 S2TE01 Fl. 70 3 Afirma que sua cônjuge não apresentou declaração de IRPF no ano calendário de 2005 porque seus rendimentos foram inferiores ao limite legal de isenção. Salienta que há dez anos é empregado da Companhia Melhoramentos do Norte do Paraná, empresa de reputação incontestável construída em mais de oito décadas de trabalho, que serve de referência na região, pela clareza e seriedade com que administra seus interesses. Afirma que não seria integrante do departamento jurídico da referida empresa se não fosse uma pessoa idônea, trabalhadora e cumpridora das suas obrigações, sendo por isso notório que o impugnante não teve intenção de utilizar artifícios para não pagar os tributos previstos em lei. Alega que a declaração retificadora foi devidamente preenchida e enviada, mas o contador responsável acabou não emitindo o recibo de entrega e, posteriormente, desfezse do microcomputador onde estava o arquivo eletrônico do recibo, motivo pelo qual o impugnante não consegue demonstrar que efetivamente cumpriu sua obrigação. Ao final, com base nesses argumentos, o contribuinte requereu a extinção do crédito tributário ou, ao menos, a oportunidade de apresentar nova declaração retificadora. Passo adiante, a 7a Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTE. Os rendimentos tributáveis auferidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do titular da declaração de ajuste anual, para fins de tributação. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração só é possível quando houver prova da ocorrência de erro de fato e enquanto não for iniciado o processo de lançamento de oficio, nos termos do art 832 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. INFRAÇÕES TRIBUTARIAS. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Em regra, a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva, sendo irrelevante a intenção do agente, conforme dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Cientificado em 12/08/2010 (Fls.63), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 10/09/2010 (fls.64), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10950.005941/200810 Acórdão n.º 280101.787 S2TE01 Fl. 71 4 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Alega o recorrente que não teve intenção de lesar o fisco, e que cometeu um erro ao preencher a declaração, colocando sua esposa como dependente. Deste modo, não houve qualquer contestação quando ao efetivo recebimento dos valores pela dependente do Recorrente. Ocorre que podemos observar que na DIRPF do recorrente, além de constar sua esposa como dependente, houve a dedução relativa a esta dependente. Deste modo, podemos concluir que não houve um simples erro de preenchimento. Ademais, se o contribuinte optou por declaração mais onerosa, seja por desconhecer o fato de que seria mais econômico não incluir sua dependente na declaração, ou por qualquer outro motivo, é dever manter tal declaração; posto que o contribuinte tem a sua disposição ampla gama de informações sobre as formas de declarações, e todas as leis são publicadas em Diário Oficial para conhecimento público obrigatório. Quanto a alegação e apresentação de declaração retificadora, como bem explanado no Acórdão recorrido: A propósito, em consulta aos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificase que não foi apresentada nenhuma declaração retificadora, mas sim apenas a original, apresentada em 27/04/2006. Eventual declaração retificadora preenchida pelo contribuinte não foi enviada, provavelmente por ter sido feita após a notificação do lançamento, ou seja, quando já não era mais possível retificar a declaração.(pág. 65 dos autos) É de se concluir que, comprovado que a dependente do recorrente auferiu rendimentos no ano base 2005, e que tais rendimentos não foram ofertados para a tributação pelo recorrente, ou por sua dependente em declaração própria, correto está o lançamento. Quanto ao pedido de ser oportunizada retificação de declaração, é de se esclarecer que a retificação, nos termos do Código Tributário Nacional, por iniciativa do próprio declarante, só pode ser realizada antes da notificação de lançamento, e mediante a comprovação de erro; in verbis: Art. 147 do CTN Fl. 78DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10950.005941/200810 Acórdão n.º 280101.787 S2TE01 Fl. 72 5 §1 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Ademais não há prova nos autos do erro da informação da declaração de ajuste do recorrente. No mais, falece competência para este Conselheiro retificar a Declaração de Ajuste do IRPF do recorrente. Assim, não há como acatar o pedido do recorrente de retificação da declaração do ano base de 2005. Ante tudo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 79DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007968/2008-04
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
ISENÇÃO. APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE.
Para que seja reconhecida a isenção de imposto sobre os valores recebidos de aposentadoria, deve o contribuinte comprovar, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios, que é portador de uma das moléstias definidas em lei. Não estando contemplada na norma legal a moléstia apontada em laudo pericial, incide imposto sobre os rendimentos de aposentadoria.
ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA.
A outorga da isenção decorre de expressa previsão legal e sua interpretação se realiza de forma literal.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-001.705
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 ISENÇÃO. APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. Para que seja reconhecida a isenção de imposto sobre os valores recebidos de aposentadoria, deve o contribuinte comprovar, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios, que é portador de uma das moléstias definidas em lei. Não estando contemplada na norma legal a moléstia apontada em laudo pericial, incide imposto sobre os rendimentos de aposentadoria. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A outorga da isenção decorre de expressa previsão legal e sua interpretação se realiza de forma literal. Recurso voluntário negado.
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APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. Para que seja reconhecida a isenção de imposto sobre os valores recebidos de aposentadoria, deve o contribuinte comprovar, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios, que é portador de uma das moléstias definidas em lei. Não estando contemplada na norma legal a moléstia apontada em laudo pericial, incide imposto sobre os rendimentos de aposentadoria. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A outorga da isenção decorre de expressa previsão legal e sua interpretação se realiza de forma literal. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Fl. 71DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.007968/200804 Acórdão n.º 280101.705 S2TE01 Fl. 66 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 3.747,44, referente ao exercício de 2006, a título de imposto (R$ 1.875,88), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 1.406,91), além de juros de mora (R$ 464,65). O lançamento é decorrente da apuração de classificação indevida de rendimentos percebidos a título de aposentadoria pagos pelo Ministério da Saúde como rendimentos isentos na Declaração de Ajuste Anual. Em sua impugnação, o contribuinte alegou que foi aposentado por invalidez em decorrência de doença grave nefropatia, juntando documentação às fls. 08 a 10. A 4ª Turma da DRJ/POA/RS, conforme Acórdão de fls. 45/48, julgou improcedente a impugnação sob o fundamento de que não foi apresentado o laudo pericial emitido por serviço médico oficial, identificando a moléstia grave e sua efetiva data em que foi diagnosticada. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 11/10/2010 (fl. 53), o interessado, por intermédio do procurador habilitado (fl. 56), interpôs recurso voluntário de fls. 54/55, em 08/11/2010, no qual requer seja reconhecida a isenção por ser portador de moléstia grave, pois desde 1969 perdeu um rim que se esfacelou em um acidente. Explica que a falta do rim, e a sobrecarga do outro, causou aumento de pressão arterial, lhe causando um AVC (Acidente Vascular Cerebral) com sequelas motoras na mão e na voz. Acresce que o único rim se deteriorou e ele passou a se submeter à diálise. Afirma que teve sua vida salva por um transplante, mas continua a se tratar para evitar a rejeição do novo rim. Cita que consta dos autos os seus exames e caracterização de sua doença diagnosticada como nefropatia, que é aceita pelo regulamento do imposto de renda como moléstia grave. Diz que está apresentando novamente a cópia do Laudo de Perícia Médica de 21/07/1995 no qual o médico revisor Dr. Ronaldo Echeverria Piva CRM/RS 4591, opinou pela invalidez baseado no código CID: 434.1 3100.000.00000.0 com grave deformidade física. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.007968/200804 Acórdão n.º 280101.705 S2TE01 Fl. 67 3 No caso, o recorrente argumenta que não pode prosperar a exigência formalizada na Notificação de Lançamento de fls. 05/07, eis que faz jus à isenção prevista no inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações. Sobre a matéria, assim dispõe o inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)” (Grifos acrescidos) Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995 determina: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose).”(Grifos acrescidos) Cumpre destacar que a partir de 1º de janeiro de 1996, para a concessão da isenção pleiteada, a moléstia enumerada no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso, embora o contribuinte tenha sido aposentado por invalidez em 1995, tal aposentadoria foi decorrente de o interessado ter sido diagnosticado, segundo o Laudo de Aposentadoria de fl. 59, com a doença classificada no código CID: 434.13100.000.00000.0, que segundo o recorrente tratase de nefropatia. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.007968/200804 Acórdão n.º 280101.705 S2TE01 Fl. 68 4 Ocorre que somente a nefropatia grave é considerada moléstia grave na mencionada legislação. Ademais, apesar do grave histórico da doença relatado pelo recorrente, verificase que não consta dos autos documentos médicos referindose especificamente aos correspondente procedimentos clínicos. Ou seja, inexiste, no presente caso, a prova cabal de que o contribuinte era portador de nefropatia grave no período sob exame. No que tange à interpretação do dispositivo legal que concede o beneficio, cumpre esclarecer que a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, em seu art. 111, inciso II, dispõe expressamente que a legislação que diga respeito à outorga (concessão) de isenção deve ser interpretada literalmente, o que significa que não é possível dar outro sentido aos termos adotados pela lei, sendo vedada a extensão da isenção a outras hipóteses. Com efeito, ante a inexistência da condição essencial ao pleito, qual seja, o apontamento de moléstia contemplada pela norma legal em laudo pericial realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e ou dos Municípios, nos termos do art. 30 da Lei n° 9.250/95, resta considerar acertado o lançamento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 74DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10840.001981/2003-25
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 301-01.774
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13827.000778/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente
de recibos e declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-001.801
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso voluntário negado.
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COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 97DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13827.000778/200811 Acórdão n.º 280101.801 S2TE01 Fl. 91 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 21.164,68, referente ao exercício de 2005, a título de imposto (R$ 9.917,85), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 7.438,38), além dos juros de mora (R$ 3.808,45). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e dedução indevida a título de despesas médicas. Em sua impugnação, a contribuinte alegou, em síntese, que a legislação permite que a dedução deduções de despesas médicas seja comprovada com recibos emitidos pelos profissionais. Juntou extratos bancários com os dados dos saques, conforme planilha inserida no corpo da peça de defesa. Requereu o cancelamento da notificação. Ainda, informou que iria recolher o valor correspondente aos rendimentos tidos como omitidos. A 8ª Turma da DRJ/SP2/SP, conforme Acórdão de fls. 71/75, julgou procedente em parte a impugnação, para restabelecer a parcela de R$ 880,00 da dedução de despesas médicas. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 08/09/2010 (fl. 79), a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 80/87, em 22/09/2010. Em sua defesa, alega que o ônus da prova da ocorrência de fatos que levam à ocorrência do fato gerador sempre é da autoridade lançadora, sustentando que devem ser considerados idôneos os recibos apresentados para comprovar as despesas médicas, que cumprem os requisitos constantes da alínea "c" do art. 11 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Neste sentido, cita decisões do antigo conselho de contribuintes. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A recorrente defende que os recibos apresentados comprovam suficientemente seu direito à dedução em questão. Relativamente a essa questão, importa observar que a glosa foi motivada pela falta de comprovação do efetivo pagamento. A decisão recorrida acatou a parcela de R$ 880,00 da dedução de despesas médicas, após realizar um detalhado confronto entre os valores e datas dos saques indicados nos extratos bancários apresentados pela impugnante, com os valores e datas dos recibos das despesas médicas juntados aos autos. Inclusive, consta do voto condutor um quadro demonstrando que os referidos extratos não são suficientes a dar respaldo aos demais recibos de pagamentos apresentados à fiscalização, pois não há correspondência entre as datas e Fl. 98DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13827.000778/200811 Acórdão n.º 280101.801 S2TE01 Fl. 92 3 valores das movimentações de saída em espécie das referidas contas e os tais recibos entre os quais consta até com emissão em dia de domingo (31/10/2004). Em sede de recurso, a interessada requer o reconhecimento da comprovação das despesas médicas em discussão sem, contudo, aditar os elementos de provas julgados necessários pela fiscalização e decisão recorrida a comprovar a efetividade dos pagamentos das reclamadas despesas médicas. Também entendo que, no caso sob exame, a falta de comprovação dos pagamentos denota que o procedimento fiscal foi acertado, porquanto indique a inexistência das despesas, ressalvada a comprovação contrária, que o interessado não logrou produzir, salientandose que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Diferentemente do que aduz a recorrente, não se trata de exigências descabidas ou ilegais, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, devendo o contribuinte apresentar elementos de prova do efetivo desembolso dos valores e efetiva prestação do serviços. O que não cabe aqui é admitirse a dedução de despesas médicas em valor significativo, como na espécie, que representam aproximadamente 30% dos rendimentos da autuada, sem tais comprovações. Assim, tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade/pagamento. No tocante às jurisprudências citadas, cumpre registrar que essas não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Portanto, a exigência de comprovação do efetivo pagamento encontrase amparada na legislação e nos elementos fáticos existentes, razão pela qual deve ser mantida a glosa correspondente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 99DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13827.000778/200811 Acórdão n.º 280101.801 S2TE01 Fl. 93 4 Fl. 100DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10805.001259/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Nos termos do artigo 80, §1 0, II, do RIR/99, a dedução de despesas medicas da declaração de rendimentos restringese
aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Mantidas as glosas de despesas médicas, visto que o direito às suas deduções condiciona-se à comprovação dos correspondentes pagamentos.
Inteligência dos artigos 73 e 80 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.806
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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DESPESAS MÉDICAS. Nos termos do artigo 80, §1 0, II, do RIR/99, a dedução de despesas medicas da declaração de rendimentos restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Mantidas as glosas de despesas médicas, visto que o direito às suas deduções condicionase à comprovação dos correspondentes pagamentos. Inteligência dos artigos 73 e 80 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Luiz Cláudio Farina Ventrilho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre e Eivanice Canário da Silva. Relatório Fl. 59DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10805.001259/200911 Acórdão n.º 2801001.806 S2TE01 Fl. 54 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Relatório Do Lançamento 0 processo referese à notificação de lançamento de fls. 04/06 lavrada em face do contribuinte acima identificado, em decorrência de procedimento interno de revisão de Declaração Anual de Ajuste de Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao exercício 2006, por meio da qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 3.979,62, sendo imposto suplementar apurado no valor de R$ 1.878,60, juros de mora no valor de R$ 692,07 (calculados até 29/05/2009) e multa de oficio no valor de R$ 1.408,95. De acordo com o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04/05, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento das seguintes infrações na notificação fiscal em exame: Glosa de Dedução Indevida de Dependente — R$ 1.404,00 mesmo após regularmente intimado, o contribuinte não se manifestou, motivo que ensejou a glosa por falta de atendimento a intimação fiscal; • Glosa de Dedução Indevida de Despesas Médicas — R$ 5.659,72 mesmo após regularmente intimado, o contribuinte não se manifestou, motivo que ensejou a glosa por falta de atendimento à intimação fiscal; • Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica — R$ 5.948,40 — Colégio Vida Nova S/A — é resultado do confronto entre os valores de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelo titular informados na Declaração de Ajuste com os valores informados pela fonte pagadora em DIRF; Da Impugnação Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, o contribuinte apresentou manifestação tempestiva às fls. 01, anexando documentos as fls. 02/03 e 07/11, alegando em síntese que: > não recebeu a intimação fiscal a que alude o lançamento; > apresenta cópia de carteiras de identidade (interessado e genitora), comprovantes do convênio saúde ABC (R$ 308,64), Dr. Nelson Pereira Campanha (R$ 2.240,00) e Sul América (R$ 1.801,70 — ref 5 parcelas); Fl. 60DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10805.001259/200911 Acórdão n.º 2801001.806 S2TE01 Fl. 55 3 > referente a fonte pagadora omitida, não foi deduzido a previdência oficial (R$ 442,99) e informado o 13° salário respectivo (R$ 446,58) > requer acolhimento da impugnação, inclusão das deduções e cancelamento do débito fiscal reclamado; É o relatório” Passo adiante, em 16 de agosto de 2010, através do Acórdão 1743.909, a 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SPO/II) entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, mantendo o crédito tributário em parte, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. GENITORA. Restabelecese a dedução de dependente de genitora na DIRPF restando comprovado pelo contribuinte a respectiva relação de dependência, bem como verificado nos assentamentos da Receita Federal do Brasil de que esta não auferiu rendimentos, tributáveis ou não, acima de R$ 13.968,00 para o exercício fiscalizado. GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Nos termos do artigo 80, §1°, II, do RIR199, a dedução de despesas médicas da declaração de rendimentos restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Restabelecemse as deduções no valor do desembolso financeiro efetivamente comprovado pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Tributamse os rendimentos do trabalho com vinculo empregaticio recebidos de pessoa jurídica e comprovados através de Declaração de Imposto Retido na Fonte DIRF entregue A Receita Federal do Brasil. INCLUSÃO DE NOVAS DEDUÇÕES NA DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE. À exceção da contribuição previdenciária oficial devidamente comprovada, é inadmissível a inclusão de novas deduções depois de notificado o contribuinte do lançamento fiscal. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10805.001259/200911 Acórdão n.º 2801001.806 S2TE01 Fl. 56 4 Cientificado em 23/09/2010 (fl. 28v), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 27/09/2010, (fls. 31 e documentos de fls. seguintes), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. I ) Delimitação da presente lide Matéria Não Impugnada. No presente caso, de se destacar que o contribuinte em sua impugnação, impugna exclusivamente e de forma genérica, a glosa de despesas médicas. Desta feita, são tidas por reconhecidas e incontroversas para todos os efeitos legais pelo contribuinte, ora recorrente, consoante o disposto no artigo 17 do Decreto n.° 70.235/1972, com as modificações introduzidas pela Lei n.° 9.532/1997, as despesas que extrapolam as descritas no parágrafo anterior. II ) Glosa de Deduções Indevidas com Despesas Médicas Neste sentido de se destacar que o artigo 8° da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim dispõe: "Art. 8°A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário,exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiálogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;(g.n) Sobre a forma de apresentação dos referidos documentos comprobatórios de tais despesas assim delimita o artigo 80 do RIR, verbis: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bent como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e Fl. 62DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10805.001259/200911 Acórdão n.º 2801001.806 S2TE01 Fl. 57 5 próteses ortopédicas e dentárias (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei n2 9.250, de 1995, art. 8º., §2º.): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Ora a autoridade fiscal, a fim de formar seu convencimento pode solicitar ao contribuinte elementos que comprovem não somente a efetiva realização dos procedimentos como também a prova do efetivo desembolso por parte do contribuinte. No presente caso, à luz dos documentos acostados, entendo por não preenchidos os requisitos legais determinados pela fiscalização tampouco as exigências legais para a dedução das referidas despesas médicas. Conclusão Por todo o exposto voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente Luiz Cláudio Farina Ventrilho – Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES
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