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Numero do processo: 16095.000708/2007-73
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2003
PAT - PROGRAMA ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR EMPRESA NÃO INSCRITA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A Jana de inscrição da empresa no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador (Lei nº 6.321/76), do Ministério do Trabalho e Emprego transformará a verba paga a título de cesta básica salário-de-contribuição.
Inteligência da regra prevista na alínea "c" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL- INCRA- ADICIONAL DE 0,2% - EMPRESA URBANA. CONSTITUCIONALIDADE F LEGALIDADE DA EXAÇÃO.
0 empregador urbano está obrigado ao recolhimento de adicionais que não custear a Previdência Rural, e tal exigência sempre encontrou amparo na Constituição Federal, no sistema de previdência então vigente
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3
Recurso Voluntario Negado.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-000.391
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2003 PAT - PROGRAMA ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR EMPRESA NÃO INSCRITA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A Jana de inscrição da empresa no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador (Lei nº 6.321/76), do Ministério do Trabalho e Emprego transformará a verba paga a título de cesta básica salário-de-contribuição. Inteligência da regra prevista na alínea "c" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL- INCRA- ADICIONAL DE 0,2% - EMPRESA URBANA. CONSTITUCIONALIDADE F LEGALIDADE DA EXAÇÃO. 0 empregador urbano está obrigado ao recolhimento de adicionais que não custear a Previdência Rural, e tal exigência sempre encontrou amparo na Constituição Federal, no sistema de previdência então vigente JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3 Recurso Voluntario Negado. Crédito Tributário Mantido
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INCIDENCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A Jana de inscrição da empresa no PAT - Programa dc Alimentação do Trabalhador (Lei n" 6.321/76), do Ministério do Trabalho e Emprego transIbrmará a verba paga a titulo de cesta básica salário-de-contribuição Inteligência da regra prevista na alínea "c" do § 9" do art.. 28 da Lei n" 8.212/91. CONTRIBUKÃO AO FUN RURAL- INCRA- ADICIONAL DE 0,2% - EMPRESA URBANA, CONSMUCIONALIDADE F LEGALIDADE DA EXAÇÃO, 0 empregador urban esta obrigado ao recolhimento de adicionais que não custear a Previdência Rural, e tal exigência sempre encontrou amparo na Constituição .Federal, no sistema de previdência então vigente JUROS CALCULADOS À FAXA API ICABIL1DADE No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2" Conselho de Contribuintes aprovou a Sumula de n" 3 Recurso Voluniario Negado Crédito Tributatio Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, cm negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).. _ -- ---t '.(., ..' –R i . I1E I.., FON1--AR-- Si-- RAYA DE I ,IM A Presidente ..,---<...---------- /V AMÍLCAI RCA TED(FIR.A JUNIOR - Relator Participaram da sessão de julgai lento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Junior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório Trata-se de Notificação 'Fiscal de Lançamento de Débito – N11..D lavrada em. desfavor do connibuinte relativamente a contribuições previdencidrias que, de acordo corn o Relatório Fiscal de Hs. 61/62, refere-se a contribuições providencidrias devidas à Seguridade Social, parte Segurados, Empresa, SAT e Terceiros incidentes sobre os valores das Cestas Básicas de alimentos e alimentação fornecidas aos segurados empregados, no período de 01/2002 a 11/2003, concedidas em desacordo com o PAT . Programa de Alimentação do 'frabalbador, instituido pela Lei a .`' 6.321 de 14/04/1976. O Contrihuinte foi notificado em 25.10.2004 e apresentou defesa tempestiva protocolizada em 09.1 .1.2004. A impugnação foi .julgada em 03 de março de 2005 (fls. 68 e seguintes), ementada 11.0S seguintes termos: CONTRIBU1Ç2i0 PREVIDENCTIRIA ,SIALÁRIO N.ATURA 11IMENT4C, ,10 1'2 111.P.RF,SA iVAO INSCRITA NO PROGR21MA DT: .411114ENTAC/10 DO TR.A8:4111.41)OR - INCTIV;NCIA /)E CONTRIB(.11K 10 Integram o whirl') de contribuk-ao a.s parcelas pagava Nulo de cesta-bOvica, cio desacordo coin o PAT — Progr tuna de .41finenta0o do Trabalhado', Lei ri "6.3211 76 inconformado coin resultado do julgamento de primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo (Hs. 77 e seguintes), onde alega, em síntese, o seguinte: - Da. inexigibilidade da inserção na base de cálculo das contribuições pala o INSS e de terceiros dos valores relativos às cestas básicas fornecidas aos .funciondrios da cm presa. recorrente; - Que no campo das contribuições para terceiros é ilegal a contribuição para o 1NCRA; - Da ilegalidade e ineonstitucionolidade da Taxa Selie; - Por ultimo, alega que não pairam mais dúvidas que é injuridica a pretensão fiscal configurada no presente processo, razão pela. qual a Recorrente espera ver .julgado procedente o recurso. Requer, ademais, sendo considerado devido o lançamento, a exclusão da exigência em relação it contribuição para o INCRA, bem como em relação à inclusão da Taxa. SEI IC sobre o montante devido f -'/ \ 2 Processo n° 16095 000708/2007-73 S2-1 E03 Acórdzio ri 2803-00.391 Fl 2 Não apresentadas as contrarrazões,. E o relatorio. Voto Conselheiro .AMiLCAR BARCA 'TEIXEIRA JÚNIOR, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao sett exame. O contribuinte apresentou recurso voluntário desprovido do deposito recursal previsto no § do art, 126 da Lei 8 213/1991.. No entanto, ele obteve decisão clue lhe foi favorável, nos autos do Mandado de Segurança no. 2005.61 19.001542-0 us Rs 102 a 109, para ver processado o recurso interposto, independentemente da exigência do deposito recursal O artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTN estabelece que: Art 142.. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributátio pelo lançamento, aSS /t1 entendido o procedimento administrativo tendente a verificar ei ocoriência o fato gerador da obrigaçâo correspondente, determina r a matéria tributável, calcular o montante do ti ibuto devido, identificar o sty'cito passivo e, .sendo o also. propor ci aplicaçâo da penalidade rabi rei Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigalária, sob pena de responsabilidade 'Da andlise dos autos não resta nenbuma dúvida de que a autoridade administrativa agiu em perfeita cousonancia com a legislação de regencia.. O contribuinte deixou de observar, na condução dos seus negócios, a regra de que trata a aliena "c" do § 9' do art,. 28 da Lei n" 8,212/91, in verbis: Art. 28. Emende-se poi .salário-de-contribui0o • ) 9". _Mao iniegram O solar io-de-contribuicirio para os fins desta Lei, exclusivamente, ) c,) a pateela in na/ura recebida dc acordo com os programa de alimentaceio aprovados pelo klinist&lo do trobalho e do Previckneia Social, 110.S temos da Lei n"6 321, de 14 de obril de 1976. (atualmente Trabalho e emprego con/in me n" 103, de 01/01/03, cower-lido' na Lei n" 10.683, dc 28/05/03) Ao inobservar a regra disposta na legislação acinia citada, o contribuinte não deixou margem para que a fiscalização agisse de fornra diversa. O lançamento foi realizado corretamente, tendo em vista que o contribuinte não fez sua inscrição no PAT, contbrine estabelece a lei. Assim, a verba passou a ser considerada salário-dc-contribuição para todos os efeitos No que se refere ao INCRA, em decisão monocratica do Supremo Tribunal Federal, de 06/04/2004, o Ministro Nelson Jobim, relata que tanto as empresas rurais como as empresas urbanas, mesmo não realizando qualquer atividade rural, estão sujeitas â contribuição para. o INCRA., ern razão do principio de solidarização da seguridade social. Há uma orientação do STF neste precedente: "PREVIDENCIARIO: CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL- INCRA- ADICIONAL DE 0,2% - EMPRESA URBANA, (XASTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DA E,XA(A(11)." "0 empregador urbano está obrigado ao recolhimento de adicionais que irão custear a Previdencia Rural, e tal exigência sempre encontrou amparo na Constituição Federal, no sistema de previdência. então vigente,"; No que diz respeito à aplicabilidade da Taxa Selic, melhor sorte também não lerá o contribuinte, porquanto o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n" 3, in ye" his: ,VarntlaN "3 eabivel a cobrança de furos de mora .sobre os débitos para corn a União decorrentes de tributos e contribuições administradas pela S'oeretariet da Receita L'eder.al do Brasil coin bow na twat relerenetal do Sisteina Especial de Liquidação Custadia— Seth.' para titulos .kderais. De outro gim, a Taxa Selic não pode ser declara inconstitucional pela administração, conforme estabelece a SUmula n 2, aprovada pelo Conselho Pleno do 2° Conselho de Contribuintes, in verbis: Sínnula N 2 0 Segundo Conselho de Contribuintes não h competente para .se pi 0111MCial sobre a ineonstitucionalidade de legislação tributaria No caso em tela, é perceptível que o procedimento fiscalizatório, bem como os seus desdobramentos ocorreu em pel feita corn consonância com a legislação aplicável a espécie, não se vislumbrando, portanto, as falhas apontadas pelo contribuinte.. Desse modo, ha que se manter o lançamento na exata forma em que foi realizado pela fiscalização. Pelo exposto, voto POE CONIIECER do Recurso Voluntario interposto pelo contribuinte, e no mérito, NF( AR- LEIF PROVIMENTO. como voto.. BARCA TEIXEIR .10 - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 10530.000196/2004-30
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.263
Decisão: RESOLVEM os membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência para a apreciação da matéria para o Primeiro Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e do voto que passam a
integrar o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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DR.T Salvador (BA) RESOLUÇÃO n°303-01.263 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência para a apreciação da matéria para o Primeiro Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. Aneli e Daudt Prieto Presidente TarÇas-ea'mPeio Borges Relator Formalizado em: Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros: Marciel Eder Costa, Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Sergio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fitiza e Zenaldo Loibman. Processo n° 10530.000196/2004-30 Resolução no 303-01.263 CC3-C3 Folha 954 Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Quarta Turma da DRJ Salvador (BA) que julgou procedentes os lançamentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cotins) e da contribuição para a Seguridade Social (INSS), todos do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) e relativos aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 1999 [ 1 ], acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa Se lic e multa proporcional (75%, passível de redução). Segundo a denúncia fiscal, a autuada, optante do Simples, omitiu receitas 2 e recolheu a menor o valor unificado do imposto e das contribuições. 3 Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório corn as razões de folhas 304 a 319 (volume II), 424 a 439, 544 a 559, 665 a 680, 784 a 799 (volume IV), assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: • A quebra de sigilo bancário s6 pode ser feita mediante prévia e justificada autorização judicial, nos termos do art. 5° da Constituição Federal de 1988 — CF/1988, mesmo após a Lei Complementar n° 105, de 2001, ressaltando que, neste sentido, tem havido manifestação até do Superior Tribunal de Justiça, conforme jurisprudência que cita. • Em sendo inviolável o sigilo de dados sob a guarda de instituições financeiras, não é licita a sua utilização na investigação fiscal. Assim, a exigência de apresentação de extratos bancários é inconstitucional e ilegal. • Diz que o art. 1° da Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, não pode retroagir para alcançar fatos anteriores à sua vigência, no que tange ao imposto de renda e demais tributos lançados por período certo. Tal dispositivo só teria efeito a partir cle 10/01/2001, devido aos princípios da irretroatividade e anterioridade da norma tributária. • Que a Lei n° 10.174, de 2001, não é norma de conteúdo meramente procedimental, no âmbito do procedimento fiscal, mas sim de conotação material, na medida em que autoriza uma nova sistemática de tributação do imposto de renda, ensaiando uma nova forma de presunção legal de omissão de receita (cita jurisprudência e entendimento de juristas). Data da ciência dos lançamentos: 30 de janeiro de 2004. 2 Omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários não escriturados em contas correntes no Banco do Brasil, Mercantil de São Paulo, Bradesco e HSBC. 3 Descrições dos fatos as folhas 245 a 264. Processo no 10530.000196/2004-30 Resolução n° 303-01.263 CC3-C3 Folha 955 • No mérito, alega que não houve qualquer omissão de receita, e que por isso a exigência do crédito tributário é descabida. Explica que a autuada tem, dentre outros, como ramo de atividade, a compra e venda de veículos, bem como a intermediação (corretagem) em operação de alienação e aquisição dos mesmos. De modo que quando aceita tomar um carro, para intermediar a sua venda, emite, de logo, uma nota fiscal de entreda [sic], por um valor estimado , para atender exigência do fisco estadual, que de outra forma não aceita a presença do referido bem em seu patio de exposição. No momento da venda, emite uma nota fiscal de saída, pelo valor correspondente ao prego de venda e recebe o cheque em seu favor, que vai para a sua conta bancaria. Entretanto, este valor, posteriormente, é entregue it pessoa do vendedor e proprietário do veiculo, ficando com a impugnante apenas o ganho referente comissão pela intermediação de venda. Por isso, considera um absurdo o Fisco querer travestir de receita o ingresso na conta bancaria da empresa todo o valor da venda do carro. • Frisa que muitos clientes confiam encomendas de determinado veiculo ora inexistente em seu estoque, fazendo pagamentos adiantados no todo ou em parte do bem, para superar as dificuldades de caixa da empresa, e assim viabilizar a sua aquisição. Dai a multiplicidade de lançamentos na sua conta bancos. Dessarte, a receita da autuada nestas operações não é o quantum recebido do cliente, mas, apenas a diferença entre o que ele pagou e o preço de aquisição do bem perante terceiros, pela impugnante. • Não raras vezes, o cliente paga o veiculo com cheque de sua emissão (as vezes pré-datado) e de terceiros. Havendo, por um lado, a emissão de uma nota fiscal correspondente ao prego da alienação e, por outro, mais de um lançamento em conta corrente, em datas distintas, quando há cheques pre-datados e oriundos de mais de uma pessoa. Portanto, neste cenário é impossível haver a correspondência entre movimentação bancária e a emissão de notas fiscais. Para sustentar a sua defesa, a interessada descreve na impugnação vinte dessas operações, que alega respaldada em documentos anexos aos presentes autos. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Data do fato gerador: 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. cabível tributação de depósitos bancários cuja origem não é comprovada por documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado, em face da existência de presunção legal de omissão de receitas. SIGILO BANCÁRIO. EXTRATOS FORNECIDOS POR INSTITUIÇÕES FINANCE! RAS. Processo n°10530.000196/2004-30 Resolução n°303-01.263 CC3-C3 Folha 956 0 acesso a informações bancárias não caracteriza quebra de sigilo bancário, pois é imposto à administração tributária seu resguardo durante todo o procedimento. HA, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira, e passa a ser mantido também pela administração tributaria. ARGUIÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DEATOS LEGAIS. Não compete à autoridade administrativa apreciar argilições sobre a constitucionalidade/legalidade da legislação aplicável. Esta é uma prerrogativa reservada ao Poder Judiciário por designação Constitucional. Lançamento Procedente Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Salvador (BA), recurso voluntário foi interposto As folhas 924 a 940 (volume IV). Nessa petição, noticia a sua exclusão4 do Simples e a posterior reinclusdo levada a efeito pela autoridade administrativa que admitiu "a inadequação do procedimento adotado" 5 e comunicou esse fato A autoridade jurisdicional quando prestou informações nos autos de mandado de segurança impetrado em face do ato de exclusão do sistema de tratamento tributário diferenciado, simplificado e favorecido. Preliminarmente, discorre acerca do uso de dados da movimentação bancária de valores de natureza financeira para a constituição dos créditos tributários e reprova: (I) a inobservância de princípios constitucionais; (2) a aplicação retroativa da Lei 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3° do artigo 11 da Lei 9.311, de 1996 [6]. No mérito, assevera inexistir omissão de receita e aduz ser inerente à atividade que exerce 7 a movimentação de valores de natureza financeira de terceiros em suas contas bancárias. Instrui o recurso voluntário, dentre outros documentos, arrolamento de bem imóvel para garantia de instância. • A autoridade competente deu por encerrado o preparo cio processo e encaminhou para este Conselho de Contribuintes 8 os autos posteriormente distribuídos a este 4 Ato Declaratório Executivo 3, de 10 de fevereiro de 2004, expedido pela DRF Feira de Santana (data do ADE é citada no segundo parágrafo do voto condutor do acórdão recorido). 5 Recurso voluntário, dois últimos parágrafos da primeira folha e primeiro parágrafo da segunda folha. Lei 9.311, de 1996, nova redação do § 3 0 do artigo 11: A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. 7 Atividade exercida pela recorrente: compra, venda e intermediação (corretagem) em operações de alienação de veículos automotores. 8 Despacho no verso da folha 951. • Processo n°10530.000196/2004-30 Resolug5o no 303-01.263 CC3-C3 Folha 957 conselheiro em quatro volumes, processados com 952 folhas. Na última delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. É o relatório. • • Processo n°10530.000196/2004-30 Resolução n° 303-01.263 CC3-C3 Folha 958 Vo to Conselheiro Tarásio Campelo Borges (relator) Conforme relatado, os créditos tributários litigiosos são relativos a lançamentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição para a Seguridade Social (INSS), todos do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples). A despeito de vinculados ao Simples, versa a matéria objeto desta lide sobre aplicação da legislação do IRPJ. Por conseguinte, voto no sentido de declinar competência para o Primeiro Conselho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 7 de dezembro de 2006. O'FE Tar sio Campelo Borges Relator •
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Numero do processo: 10680.007167/2007-28
Data da sessão: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apurae5o: 01/02/2002 a 01/01/2005
RESTITUIÇÃO„ COMPENSAÇÃO. SE. EXISTENTES, PROCEDIMENTOS QUE DEMANDAM SISTEMÁTICAS PRÓPRIAS. INVIABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECOLHIMENTO VIA FPM PODE GERAR DIFERENÇAS. TAXA SELIC, CORREÇÃO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE.
Recurso Voluntário Negado.
Credito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2803-000.022
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, no mérito negar provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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PAGAMENTO, Recorrente MUNICÍPIO DE MONTES CLAROS - CÂMARA MUNICIPAL Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PRE.VIDENCIÁRIA EM GOVERNADOR VALADARES - MG. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apurae5o: 01/02/2002 a 01/01/2005 RESTITUIÇÃO„ COMPENSAÇÃO. SE. EXISTENTES, PROCEDIMENTOS QUE DEMANDAM SISTEMÁTICAS PRÓPRIAS. INVIABILIDADE NO PROCESS O ADMINISTRATIVO FISCAL. RECOLHIMENTO VIA FPM PODE GERAR DIFERENÇAS. TAXA SELIC, CORREÇÃO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos es pre3ente3 autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, no merit() negar provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. esi den te DE OLIVII—RA Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro dc Andiade, Vera Kempers de Morns Abreu (Suplente), Gustavo Vettorato, Helton Carlos Praia de Lima (Pi csidente). Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFU) tern por objeto as contribuições sociais previdenciarias destinadas ao custeio da Seguridade Social, 0 perioclo de apuração compi eende as competências 01/2002 a 12/2004, incluindo décimo terceiro de 2002 a 2004, conforme Relatório Fiscal, dc fls. 103 a 117 Na ptesente notificação foram apresentadas duas impugnações uma pela Camara Municipal, fls. 279 a 282, e outra pelo Município, fls. 293 a 298, sendo ambas tempestivas, urna vez que as impugnantes foram cientificadas da NFLD em 10/08/2005, fls, 274 e 275, e a última impugnação foi interposta em 25/08/2005. Por sua vez a Seção do Contencioso Administrativo Previdenciário SACAP, as lis. 304, baixou o processo em diligencia para que o Auditor Fiscal lançador analisasse a de tesa/documentação apresentada pelo conttibuinte, concluindo pela sua procedência ou não. A autoridade lançadora emitiu o Relatório, de fls. 305 a 307, onde acata as alegações da impugnante, manifestando-se pela retificação do lançamento. O órgão julgador a quo prolatou a Decisão-Notificação N° 11-- 424,4/001/2007, lis 318 a 322, pela qual considera o lançamento procedente em parte, promovendo a retificação deste. O sujeito passivo foi cientificado desta decisão, ern 16/02/2007, fls. 324, e apresentou o Recur so Voluntário, remetido via postal, ern 16/03/2007, tls. Ilegível, ou seja, dentro do prazo regulamentar, sendo considerado tempestivo, Hs, 325, com petição de interposição, as lis 326, e corn as razões recursais, as (ls. 327 a 330, as quais são assim iesumidas. o Entende o estado que apesar das retificações promovidas no lançamento de urna simples continência no RDA e no RADA verificasse a existência de diferenças nas competências 07 e 09/2002; OS e 09/2003; 01 e 03/2004 . o Que as contribuições da Camara sac efetuadas via retenção no FPM e que a municipalidade repassa à Camara sua cota .Vt com a devida dedução das contribuições e se há diterenças essas devem ser cobradas do Município e não da Camara. te Alega, também, que a utilização da taxa SELIC paia correção do débito é ilegal. o Conclui pedindo: a) recebimento no efeito suspensivo; b) intimação para produção de }Novas e juntada posterior de documentos; c) deferimento de perícia técnica nos levantamentos que instruem a NFLD; d) acolhimento do recurso Fiala julgar improcedente o lançamento„ determinando seu cancelamento. É o Relatório. 2 Process° n" 10680 007167/2007-28 S2-T [03 Fl 2 AccitdEio Li' 2803-00R22 Voto Conselheiro EDUARDO DE. OLIVEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 324, .325 e 350, o deposito recursal não era exigido de ente pUblico. Assim sendo, estão presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso, não havendo preliminar es passo ao mérito. O crédito após sua retificação, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado — DADR, de fls. 308 a 317, restou exprugado das competências elencadas pelo contribuinte, pois os valores recolhidos e relacionados no RDA e RADA consumiram por completo os valores apurados na NFLD nas competências retificadas. Assim sendo, não há mais retificação a fazer nessas competências, caso O contribuinte entenda que tenha sobra de valores a seu favor em algumas dessas competências, este deve promover o pedido de restituição ou realizar a compensação, como lhe convier'. mas atendendo as preset ições legais para cada instituto, o que não cabe na discussão do processo administrativo tributár io, pois este não 6. a via adequada, bem como em observação ao princi , o da competéncia. Embora o Município seja o ente que detém personalidade juriclica para figurar no pólo passivo da relação juridico-tributária, não há motivos para que o fisco exija deste qualquer diferença de recolhimento incorrida pela Câmara jti que as despesas são por este órgão realizadas e da conjugação dos artigos 2'; 18; 29; 29-A e 195, todas, da CF/88 c/c o artigo 15, caput, da Lei 8,212/91 veri fica-se que tal despesa é responsabilidade da Câmara em relação aos trabalhadores que lhe prestam servicos. O fato de haver retenção das contribuições da Camara não impede a existência de eventual diferença a ser lançada e cobrada pela fiscalização em razão da flutuabilidade do númer o de trabalhadores, incluindo prestadores de serviços, dos valores das remunerações e das desoesas declaradas como base para a retenção entre outras tantas possíveis formas de variação da base de calculo e da contribuição. Qualquer excesso cometido pia Muni ci paTdad e deve ser entre esta e a Câmara, pois o órgão fiscal nada tern a ver com essa idação . A alegação de que a taxa SELIC não pode ser usada como critério de correção não tem respaldo legal, pois o artigo .F:41 da Lei 8.212/91 em vigor 6 época cio lançamento, assim determinava, ben-r como a jurisnrudfocia do ST.1 reconhece tal índice como aplicável: RESP1151763/PRRECURSOESPECjAL2009/019154 0-0 PROCESSO CIVIL - TRIBUTÁRIO - FISCAL - EXCEÇÃO DE PRE-EXECUTICIDADE - TAXA SELIC - VALIDADE - ILEGITIMIDADE PA ES! V. AD CA US4M DO sócio ARGOIDA PELA PESSOA .1tIRIDIC4 - FUNDAMENT() INATACADO SI;MLILA 28.3/STF I, 4 evceciio de pré-exectaividach, ar,trinnento nrocesmal adequadopara demonstrar a nulidade do ündo eveanivo fintdada na impovs-ibilidadc de laiii.:acdo (1,2 índice de coil e(do C , 1 jto•;-: de ;no/ a 3 2 Segundo pacifica j u iSprildthICki desta Casa; a Taw! Salle a aplice'wel aos créditos tributários, sendo vedada utilização cumulada cam qualque; (nitro indice de. C011e(5.9 monetal ia e cie Jill os ele morel P1 ecedentes .3 Ausente a impugneu,Ao aos lioulamenior suficientes para manta a acejtelao I eco; lido, nfio C011her:e de capitulo do ; ecuisa especial por ausência da interes.se pncc.s.siial Recurs° especial conhecido em po.-te e, ne!,sa parte, niio provido AgRgnaRESP1167462/SPAGRAVO REGIMENTAL NO RECURSOESPECIAL2009/0031937-0 TRLBUIATIZIO. EXECUÇÃO FISCAL IC.11'S TAXA SELIC LEG4LIDADE.EXLS•7ENCI4 DE PR F.: EM LEI ESTADUAL I lava Salk ci legL'ima coin° indirc 1k cc)ireçiio monetti; ia e de Piro.% de 1001a, na atualiza0o dos déb,:to:, trilwteirlos pagos em atraso, diante dc, existência de Lei Esiadral que determina a aeloyia dos mesmos crit&ios adatadc)s na correção dos débitos fiscars (ederais 2 L.s.sc: ei:lcnd,men,o )esion salinJentce.li: /lc Corte ;panda do fulgvimono Co RE:4; 819.840.,.,C) fie Ae,atotio do eminente o D.k. 2'411/2009 — ro -!. riftio submetido ao ) agi/na do a; t do CPC e da lifesoht;iic sTi- 08/2008. .3 No caso cwicreto, a Lei 10 175./1998, ,-,Ii1(.1da pela Estado de SÜe; Paulo, con); ifa a adociio eta Selic ping o ce'ilculo dos juros de /110/It incidentes sob, e os débitos tribte/,'H'in ,, sloduais Ag) avo reginhental haG provido Desta forma, salvo o pedido de recebimento corn efeito suspensivo que é o efeito normal determinado pelo ai tigo 151, III do CM, todos os demais pedidos do recorrente devem ser rejeitados, senão vejamos: não ha previsão egal para que o contribuinte seja intimado para produção de provas, bem como para sua juntada posterior, pois o artigo 16, 4°, do decreto 70,235/72, veda esta hipótese, exceto quanto as ressalvas que menciona. Não 116 necessidade dc perícia, pois os critérios quantitativos da exação estão claramente estabelecidos e extraídos do material fOrnecido pelo próprio contribuinte, bem como este pedido não preenche Os requisitos do artigo 16, IV, do decreto, citado acima, e por fim carece de fundament() o pleito para se jul2ar a notificação improcedente e Cieterniinar seu cancelamento. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER DC pata no mérito NEGAR- LHE PROVIMEN ro, mantendo o crédito É co mo voto. s--&e-s-s-15--eT;7, ern26 d-eTaittte--=2-Cap 4
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Numero do processo: 10925.902984/2009-33
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
Ementa: IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS
RECONHECIDOS JUDICIALMENTE.
Tratando-se de créditos fictos para os quais inexiste previsão legal, a decisão judicial que os reconheceu há de ser cumprida em seus estritos limites.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
Ementa: IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS
TRIBUTADOS A FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES.
As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.406
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. Tratandose de créditos fictos para os quais inexiste previsão legal, a decisão judicial que os reconheceu há de ser cumprida em seus estritos limites. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS A FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório BRASPLAST INDÚSTRIA & COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. formulou Pedido de Ressarcimento em papel e Declarações de Compensação, por meio dos quais pretende ter direito creditório, oriundo do saldo credor de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, autorizado pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, referente ao 3º trimestre de 2004, no valor de R$ 147.305,39, reconhecido e compensado com débitos do próprio estabelecimento.estabelecimento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC emitiu Despacho Decisório, deferindo o ressarcimento apenas parcialmente, em R$ 143.568,63. A glosa, no valor de R$ 3.736,76, deveuse ao creditamento irregular do IPI em aquisições de insumos a fornecedores optantes pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições Simples. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado alega que apurou o total do crédito de IPI decorrente das aquisições de insumos conforme direito que lhe foi assegurado em decisão judicial e que não há qualquer ressalva nesse sentido na decisão que transitou em julgado em seu favor, da qual destaca o seguinte trecho: “Se for eliminada a possibilidade de aproveitamento do crédito de IPI referente a insumos adquiridos sem a incidência dessa exação, estarseá anulando o tratamento privilegiado, pois a alíquota recairá sobre a totalidade do valor do produto industrializado e não somente sobre o valor agregado” (autos nº 2000.72.02.0021593, do TRF4) Sustenta que tal ressalva aplicase independente de o fornecedor ser do SIMPLES, em respeito aos princípios constitucionais da nãocumulatividade e da ordem econômica, dentre outros. Afirma que o crédito originase do princípio da não cumulatividade e não dos benefícios fiscais do imposto. Complementa, argumentando que suportou o ônus total do imposto, conforme laudo pericial apresentado no curso da ação judicial. Ao final, reclama que a autoridade fiscal não pode restringir algo que a Constituição não restringiu no seu texto. Insurgese ainda contra o disposto no art. 5º, §5º, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, que fundamentou a glosa efetuada, por considerálo ilegal e inconstitucional. Alega que a empresa inscrita no SIMPLES é contribuinte do IPI. Mesmo admitindo o contrário, sustenta que então o SIMPLES estaria incluído nas hipóteses de creditamento quando o insumo e/ou o produto não são onerados pelo IPI. Acrescenta que tal dispositivo já foi considerado inconstitucional e que o aproveitamento desses créditos já foi admitido em decisão que apresenta. Aponta também violação ao art. 49, do CTN, e finaliza registrando que a própria RFB já se manifestou no sentido que defende, por meio de orientação existente no sítio desse órgão, que transcreve. Reforça que a decisão da autoridade administrativa viola diretamente princípios constitucionais da nãocumulatividade, da seletividade, da isonomia e da razoabilidade, além de contrariar decisão judicial. Sustenta seu direito de compensar/restituir os valores conforme declarado em sentença judicial transitada em julgado e com fundamento Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10925.902984/200933 Acórdão n.º 380303.406 S3TE03 Fl. 124 3 no art. 964, do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, e no art. 165, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN. Traz doutrina. A DRJ/RPO8ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob o consideração de que cabia ao interessado a prova do direito alegado. O Acórdão nº 14037.376. de 24 de abril de 2012, fls. 80 a 88, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A legitimação do direito ao crédito de IPI depende de o destaque do imposto na respectiva nota fiscal de aquisição de insumos estar revestido dos atributos inerentes à exação, isto é, permitir a cobrança do emitente e o creditamento do adquirente, o que não se amolda, respectivamente, aos optantes pelo Simples e a seus clientes. RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. O reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos do pedido e do dispositivo da decisão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 92 a 107, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma todos os argumentos já expedidos por ocasião da Manifestação de Inconformidade: a) De que procedimento compensatório adotado pela recorrente teve como fundamento o provimento que transitou em julgado na ação ordinária nº 2000.72.02.0021593; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 4 b) De que são ilegítimas as restrições impostas pela autoridade fiscal, e ; c) De que o procedimento fiscal violou inúmeros princípios constitucionais. Pede provimento para o efeito de reconhecimento do direito creditório glosado e conseqüente integral homologação da compensação declarada. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 92 a 107 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO8ª Turma nº 14037.376, de 24 de abril de 2012. Conforme relatado, o recorrente contesta a glosa procedida, alegando que o fato de fornecedor do insumo ser pessoa jurídica optante pelo Simples não ilide a possibilidade de creditamento e que a vedação inscrita na Lei nº 9.317, de 1996, é manifestamente inconstitucional. Acrescentou que o direito ao crédito foi concedido por decisão judicial transitada em julgado e que a autoridade administrativa não poderia restringir direito concedido em âmbito judicial e amparado em princípios e dispositivos constitucionais. Frisese, liminarmente, que a vedação ao aproveitamento de créditos no caso em tela tem expressa previsão no art. 149 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998– RIPI/98, (art. 166 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, e art. 228 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010), aqui transcrito para esclarecer a discussão: Art. 149. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 105, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). (grifei) Está turma recursal não tem competência para apreciação de argüições de ilegalidade e de inconstitucionalidade de qualquer ordem, haja vista o disposto na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10925.902984/200933 Acórdão n.º 380303.406 S3TE03 Fl. 125 5 Os diplomas legais regularmente introduzidos no ordenamento jurídico nacional têm presunção de constitucionalidade, razão pela qual somente dispondo de provimento judicial que negue vigência à norma do § 5º do art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996, é que se poderá admitir que o ora recorrente aproveite créditos dessa natureza. O recorrente brada a tutela que lhe foi deferida nos autos da Ação Ordinária nº 2000.72.02.0021593. A propósito, a sentença do juízo federal da 1ª Vara Federal de Chapecó/SC acolheu o pedido para declarar o direito de compensar os créditos .de IPI decorrentes da aquisição de matériaprima isenta, não tributada ou à alíquota zero havidos após 10 de agosto de 1990 com os débitos vencidos e vincendos relativos ao IPI. A apelação interposta pela União foi parcialmente procedente, apenas para considerar prescritos os valores anteriores a agosto de 1995, bem como para afastar a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. Ora, é evidente, o pedido da parte autora e o próprio provimento judicial não abarcam as aquisições de insumos tributados a fornecedores optantes pelo SIMPLES. Desnecessário dizer, tratandose de créditos reconhecidos por decisão judicial e para os quais inexiste previsão legal, a decisão há de ser cumprida nos seus estreitos limites. Procederam corretamente a autoridade fiscal, ao glosar os créditos por aquisições de insumos a fornecedores optantes pelo SIMPLES, e a decisão de piso, ao manter tal decisão. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 Alexandre Kern Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10925.902984/200933 Interessada: BRASPLAST INDÚSTRIA & COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380303.406, de 21 de agosto de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 21 de agosto de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000918/2010-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Oct 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2010
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte em virtude da ausência de motivação conforme determina o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 3001-001.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar parcialmente as preliminares suscitadas para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados os argumentos constantes da impugnação apresentada.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Luis Felipe de Barros Reche, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte em virtude da ausência de motivação conforme determina o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.
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OMISSÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte em virtude da ausência de motivação conforme determina o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar parcialmente as preliminares suscitadas para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados os argumentos constantes da impugnação apresentada. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Luis Felipe de Barros Reche, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Rodolfo Tsuboi. Relatório Por economia processual reproduzo o relatório da decisão de piso: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento/manifesto eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 09 18 /2 01 0- 19 Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-001.503 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000918/2010-19 prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, como ocorrência de denúncia espontânea, ausência de tipicidade, ilegitimidade passiva, ausência de motivação. Também, em outros do mesmo tipo, os quais tenho julgado em bloco, eis que possuem a mesma natureza da penalidade imposta no auto de infração, são levantadas pelos sujeitos passivos questões que destacam infringência a princípios constitucionais e até em alguns casos ocorre a solicitação de relevação da penalidade. Ou seja, são suscitados questionamentos que tragam ao auto de infração a ineficiência do instrumento de lançamento e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações. O contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese, que não deixou de prestar a informação dentro do prazo, mas apenas efetuou a retificação (alterar/ajustar/corrigir a escala dos containers REEFERS vazios para descarga no Porto de Santos). Alegou ainda a ausência da tipicidade tendo em vista que não deixou de prestar as informação dentro do prazo, que não é empresa de transporte internacional e tampouco um agente de carga. Também afirma não ser parte legítima para figurar no polo passivo por ser mero agente marítimo e, por isso, não pode responder pelas obrigações tributárias de seu representado. Por fim, alega a ocorrência da denúncia espontânea em virtude de as informações retificadas terem sido inseridas no SISCOMEX antes da lavratura do auto de infração, invoca a boa-fé na retificação dos dados e inobservância dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário. Os fundamentos do seu voto condutor foram os seguintes: deixar de acolher preliminares aduzidas pelo contribuinte; sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea; qualquer alegação de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos. Em seguida, discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro. Prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho. Concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decreto-lei n o 37/66, que prevê as penalidades administrativas. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância trazendo, em síntese, os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. Entretanto, em sede de preliminares, alega ainda a nulidade do acórdão recorrido em virtude da utilização de fundamentação genérica em sua decisão, requerendo, por isso, a sua reforma. Dando-se prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-001.503 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000918/2010-19 É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Relator. Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar A Recorrente alega, em sede de preliminar, nulidade da decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro tendo em vista que afastou, sem qualquer fundamentação, todos os argumentos da recorrente. Afirma ainda que a decisão combatida se limitou a reproduzir entendimento aplicável a qualquer caso sem adentrar nas peculiaridades fáticas e de direito do presente caso. Juntamente com os argumentos preliminares de nulidade, a Recorrente afirma ser inaplicável a multa tendo em vista a mera retificação da informação no SISCARGA, conforme demonstrado nas alegações de mérito, e por isso vindica a aplicação do §3º do art. 59 do Decreto n o 70.235/72 de modo que decida a seu favor pelo cancelamento do auto de infração sem que o processo retorne à primeira instância para novo julgamento. A Recorrente reforça que a decisão recorrida também não adentrou na discussão relacionada a ilegitimidade passiva, apresentando tão somente argumentos genéricos e sem fundamentos para o seu afastamento. Vejamos, então, o que o acórdão recorrido apresenta em seu conteúdo como argumentos para indeferimento da impugnação. Primeiramente percebe-se através de excertos extraídos do seu relatório que algumas expressões de fato sugerem ser uma decisão genérica conforme seguintes trechos: Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela carga lançaram a destempo o conhecimento/manifesto eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-001.503 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000918/2010-19 prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações neste tipo de processo questões preliminares, como ocorrência de denúncia espontânea, ausência de tipicidade, ilegitimidade passiva, ausência de motivação. Também, em outros do mesmo tipo, os quais tenho julgado em bloco, eis que possuem a mesma natureza da penalidade imposta no auto de infração, são levantadas pelos sujeitos passivos questões que destacam infringência a princípios constitucionais e até em alguns casos ocorre a solicitação de relevação da penalidade. Já no voto condutor da decisão, percebe-se mais uma vez que de fato não houve uma análise dos argumentos apresentados pela impugnação e reproduzidos no relatório deste Acórdão de Recurso Voluntário, quais sejam: que não deixou de prestar a informação dentro do prazo, mas apenas efetuou a retificação; ausência da tipicidade, tendo em vista que não deixou de prestar a informação dentro do prazo; que não é empresa de transporte internacional e tampouco um agente de carga; que não é parte legítima para figurar no polo passivo por ser mero agente marítimo; a ocorrência da denúncia espontânea em virtude de as informações retificadas terem sido inseridas no SISCOMEX antes da lavratura do auto de infração. Com isso novamente se percebe a utilização de argumentos genéricos nos quais, por vezes, até possuem alguma relação com a impugnação, mas sem rebatê-la, mesmo que indiretamente. Vejamos trechos relevantes da decisão que levaram ao indeferimento da impugnação: Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que buscam sustentar, através da desconstrução do instrumento de lançamento, a improcedência da aplicação da penalidade, quando o verdadeiro cerne da autuação encontra guarida na necessidade do controle das importações e dos prazos que devem ser cumpridos, antes ainda do respectivo Registro da DI. Nesse sentido, sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea, que justamente é regulada no artigo 138 do CTN e tem seu escopo na infração que enseja o pagamento de tributo, não se aplicando esse instituto ao caso concreto. De outra feita, qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos, eis que o controle das importações deve ser feito pela autoridade aduaneira e seus prazos precisam ser cumpridos, até porque as multas nesses casos são aplicadas exatamente pelo fato de não possuir condições de realizar o efetivo controle se os prazos deixarem de ser cumpridos, no que toca, em especial, aos lançamentos extemporâneos dos conhecimentos eletrônicos, seja house, seja mercante ou do próprio manifesto em si. Senão vejamos. (...) Apenas para efeito de esclarecimento, informa-se que o fornecimento das informações exigidas, no âmbito do transporte internacional de cargas, objetiva proporcionar à Aduana subsídios para a análise de risco dessas operações, a ser realizada previamente ao embarque ou desembarque das mercadorias no País, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Daí a necessidade de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-001.503 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000918/2010-19 Observa-se que, o foco principal dessa obrigação é o controle aduaneiro, mas ela também interessa à administração tributária. Com base nas informações exigidas muitas vezes são constatadas infrações como o subfaturamento de preços; o erro no enquadramento tarifário, objetivando obter tratamento mais favorável; a ausência de recolhimento de direitos antidumping ou compensatório. Ademais, não se pode negar que um dos objetivos da Aduana é justamente proteger a economia nacional contra a concorrência desleal de produtos estrangeiros. Observe que a decisão recorrida dá ênfase na importância da prestação de informações e dos controles de prazos nos procedimentos anteriores a declaração de importação para fins de controle aduaneiro, sem adentrar especificamente no mérito das questões alegadas na impugnação. Constata-se de fato a caracterização do vício instransponível de motivação específica nos termos constantes do voto condutor da decisão recorrida, conforme alegado pela Recorrente. Resta-se, portanto, configurada a nulidade da citada decisão em virtude da preterição do direito de defesa segundo o entendimento deste relator, conforme dispõe o art. 59 do Decreto n o 70.235, reproduzido a seguir: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Sendo superados os argumentos de nulidade da decisão recorrida, a Recorrente afirma ainda que restou caracterizado o cerceamento ao seu direito de defesa quando da edição do auto de infração por ausência da descrição sumária da infração e por erro no enquadramento legal da infração. Neste ponto não assiste razão à Recorrente. O auto de infração constante do presente processo preenche os requisitos estabelecidos pelo art. 10 do Decreto-lei n o 70.235/72, quais sejam, a qualificação do autuado; o local, a data e a hora da lavratura; a descrição do fato; a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Destaque-se que na descrição dos fatos e enquadramentos legais a autoridade fiscal informa que houve o descumprimento dos prazos estabelecidos para prestar informações referentes aos manifestos e escalas conforme determinado pelo art. 22, II da IN RFB n o 800/2007. Em sintonia com as determinações legais e regulamentares, foram informados na autuação os números dos manifestos, os navios e as escalas no corpo do auto de infração e nos Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-001.503 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000918/2010-19 documentos anexos (pedido de desbloqueio e/ou extrato do manifesto), contrariando as alegações apresentadas pela Recorrente. Por derradeiro, ressalto a inocorrência do cerceamento de defesa tendo em vista que a própria Recorrente questiona a autuação justificando o motivo pelo qual houve a vinculação/alteração do manifesto fora dos prazos estabelecidos na IN RFB n o 800/07. Em face da decretação da nulidade do acórdão recorrido restaram prejudicadas as análises dos demais argumentos suscitados no Recurso Voluntário, não se aplicando o disposto no §3º do art. 59 do Decreto n o 70.235/72. Diante do exposto, voto por acatar parcialmente as preliminares suscitadas para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados os argumentos constantes da impugnação apresentada. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11128.006596/2010-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Oct 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2010
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte em virtude da ausência de motivação conforme determina o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 3001-001.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar parcialmente as preliminares suscitadas para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados os argumentos constantes da impugnação apresentada.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Luis Felipe de Barros Reche, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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OMISSÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte em virtude da ausência de motivação conforme determina o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar parcialmente as preliminares suscitadas para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados os argumentos constantes da impugnação apresentada. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Luis Felipe de Barros Reche, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Rodolfo Tsuboi. Relatório Por economia processual reproduzo o relatório da decisão de piso: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 65 96 /2 01 0- 11 Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-001.515 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.006596/2010-11 Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento/manifesto eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, como ocorrência de denúncia espontânea, ausência de tipicidade, ilegitimidade passiva, ausência de motivação. Também, em outros do mesmo tipo, os quais tenho julgado em bloco, eis que possuem a mesma natureza da penalidade imposta no auto de infração, são levantadas pelos sujeitos passivos questões que destacam infringência a princípios constitucionais e até em alguns casos ocorre a solicitação de relevação da penalidade. Ou seja, são suscitados questionamentos que tragam ao auto de infração a ineficiência do instrumento de lançamento e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações. O contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese, que não deixou de prestar a informação dentro do prazo, mas apenas efetuou a retificação (por motivos operacionais, o navio deixou de atracar no Porto de Rio Grande, descarregando as cargas no Porto de Santos, onde a vinculação extemporânea do manifesto nestas escalas, gerou bloqueio na escala/atracação no porto do Rio de Janeiro). Alegou ainda a ausência da tipicidade tendo em vista que não deixou de prestar as informação dentro do prazo, que não é empresa de transporte internacional e tampouco um agente de carga. Também afirma não ser parte legítima para figurar no polo passivo por ser mero agente marítimo e, por isso, não pode responder pelas obrigações tributárias de seu representado. Por fim, alega a ocorrência da denúncia espontânea em virtude de as informações retificadas terem sido inseridas no SISCOMEX antes da lavratura do auto de infração, invoca a boa-fé na retificação dos dados e inobservância dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário. Os fundamentos do seu voto condutor foram os seguintes: deixar de acolher preliminares aduzidas pelo contribuinte; sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea; qualquer alegação de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos. Em seguida, discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro. Prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho. Concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decreto-lei n o 37/66, que prevê as penalidades administrativas. Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-001.515 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.006596/2010-11 Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância trazendo, em síntese, os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. Entretanto, em sede de preliminares, alega ainda a nulidade do acórdão recorrido em virtude da utilização de fundamentação genérica em sua decisão, requerendo, por isso, a sua reforma. Dando-se prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Relator. Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar A Recorrente alega, em sede de preliminar, nulidade da decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro tendo em vista que afastou, sem qualquer fundamentação, todos os argumentos da recorrente. Afirma ainda que a decisão combatida se limitou a reproduzir entendimento aplicável a qualquer caso sem adentrar nas peculiaridades fáticas e de direito do presente caso. Juntamente com os argumentos preliminares de nulidade, a Recorrente afirma ser inaplicável a multa tendo em vista a mera retificação da informação no SISCARGA, conforme demonstrado nas alegações de mérito, e por isso vindica a aplicação do §3º do art. 59 do Decreto n o 70.235/72 de modo que decida a seu favor pelo cancelamento do auto de infração sem que o processo retorne à primeira instância para novo julgamento. Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-001.515 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.006596/2010-11 A Recorrente reforça que a decisão recorrida também não adentrou na discussão relacionada a ilegitimidade passiva, apresentando tão somente argumentos genéricos e sem fundamentos para o seu afastamento. Vejamos, então, o que o acórdão recorrido apresenta em seu conteúdo como argumentos para indeferimento da impugnação. Primeiramente percebe-se através de excertos extraídos do seu relatório que algumas expressões de fato sugerem ser uma decisão genérica conforme seguintes trechos: Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela carga lançaram a destempo o conhecimento/manifesto eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações neste tipo de processo questões preliminares, como ocorrência de denúncia espontânea, ausência de tipicidade, ilegitimidade passiva, ausência de motivação. Também, em outros do mesmo tipo, os quais tenho julgado em bloco, eis que possuem a mesma natureza da penalidade imposta no auto de infração, são levantadas pelos sujeitos passivos questões que destacam infringência a princípios constitucionais e até em alguns casos ocorre a solicitação de relevação da penalidade. Já no voto condutor da decisão, percebe-se mais uma vez que de fato não houve uma análise dos argumentos apresentados pela impugnação e reproduzidos no relatório deste Acórdão de Recurso Voluntário, quais sejam: que não deixou de prestar a informação dentro do prazo, mas apenas efetuou a retificação; ausência da tipicidade, tendo em vista que não deixou de prestar a informação dentro do prazo; que não é empresa de transporte internacional e tampouco um agente de carga; que não é parte legítima para figurar no polo passivo por ser mero agente marítimo; a ocorrência da denúncia espontânea em virtude de as informações retificadas terem sido inseridas no SISCOMEX antes da lavratura do auto de infração. Com isso novamente se percebe a utilização de argumentos genéricos nos quais, por vezes, até possuem alguma relação com a impugnação, mas sem rebatê-la, mesmo que indiretamente. Vejamos trechos relevantes da decisão que levaram ao indeferimento da impugnação: Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que buscam sustentar, através da desconstrução do instrumento de lançamento, a improcedência da aplicação da penalidade, quando o verdadeiro cerne da autuação encontra guarida na necessidade do controle das importações e dos prazos que devem ser cumpridos, antes ainda do respectivo Registro da DI. Nesse sentido, sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea, que justamente é regulada no artigo 138 do CTN e tem seu escopo na infração que enseja o pagamento de tributo, não se aplicando esse instituto ao caso concreto. De outra feita, qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos, eis que o controle das importações deve ser feito pela autoridade Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-001.515 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.006596/2010-11 aduaneira e seus prazos precisam ser cumpridos, até porque as multas nesses casos são aplicadas exatamente pelo fato de não possuir condições de realizar o efetivo controle se os prazos deixarem de ser cumpridos, no que toca, em especial, aos lançamentos extemporâneos dos conhecimentos eletrônicos, seja house, seja mercante ou do próprio manifesto em si. Senão vejamos. (...) Apenas para efeito de esclarecimento, informa-se que o fornecimento das informações exigidas, no âmbito do transporte internacional de cargas, objetiva proporcionar à Aduana subsídios para a análise de risco dessas operações, a ser realizada previamente ao embarque ou desembarque das mercadorias no País, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Daí a necessidade de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. Observa-se que, o foco principal dessa obrigação é o controle aduaneiro, mas ela também interessa à administração tributária. Com base nas informações exigidas muitas vezes são constatadas infrações como o subfaturamento de preços; o erro no enquadramento tarifário, objetivando obter tratamento mais favorável; a ausência de recolhimento de direitos antidumping ou compensatório. Ademais, não se pode negar que um dos objetivos da Aduana é justamente proteger a economia nacional contra a concorrência desleal de produtos estrangeiros. Observe que a decisão recorrida dá ênfase na importância da prestação de informações e dos controles de prazos nos procedimentos anteriores a declaração de importação para fins de controle aduaneiro, sem adentrar especificamente no mérito das questões alegadas na impugnação. Constata-se de fato a caracterização do vício instransponível de motivação específica nos termos constantes do voto condutor da decisão recorrida, conforme alegado pela Recorrente. Resta-se, portanto, configurada a nulidade da citada decisão em virtude da preterição do direito de defesa segundo o entendimento deste relator, conforme dispõe o art. 59 do Decreto n o 70.235, reproduzido a seguir: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Sendo superados os argumentos de nulidade da decisão recorrida, a Recorrente afirma ainda que restou caracterizado o cerceamento ao seu direito de defesa quando da edição do auto de infração por ausência da descrição sumária da infração e por erro no enquadramento legal da infração. Neste ponto não assiste razão à Recorrente. Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-001.515 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.006596/2010-11 O auto de infração constante do presente processo preenche os requisitos estabelecidos pelo art. 10 do Decreto-lei n o 70.235/72, quais sejam, a qualificação do autuado; o local, a data e a hora da lavratura; a descrição do fato; a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Destaque-se que na descrição dos fatos e enquadramentos legais a autoridade fiscal informa que houve o descumprimento dos prazos estabelecidos para prestar informações referentes aos manifestos e escalas conforme determinado pelo art. 22, II da IN RFB n o 800/2007. Em sintonia com as determinações legais e regulamentares, foram informados na autuação os números dos manifestos, os navios e as escalas no corpo do auto de infração e nos documentos anexos (pedido de desbloqueio e/ou extrato do manifesto), contrariando as alegações apresentadas pela Recorrente. Por derradeiro, ressalto a inocorrência do cerceamento de defesa tendo em vista que a própria Recorrente questiona a autuação justificando o motivo pelo qual houve a vinculação/alteração do manifesto fora dos prazos estabelecidos na IN RFB n o 800/07. Em face da decretação da nulidade do acórdão recorrido restaram prejudicadas as análises dos demais argumentos suscitados no Recurso Voluntário, não se aplicando o disposto no §3º do art. 59 do Decreto n o 70.235/72. Diante do exposto, voto por acatar parcialmente as preliminares suscitadas para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados os argumentos constantes da impugnação apresentada. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11610.002340/2001-01
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.224
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Numero do processo: 11070.002036/2009-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
Ementa: PAF. CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS. NÃO
CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento e de Declarações de Compensação transmitidos eletronicamente pela contribuinte, onde procurou utilizar pretenso saldo credor de PIS/PASEP Não Cumulativo — Mercado Interno acumulado no 2° trimestre/2006, para compensar débito de sua responsabilidade, relativo a tributo administrado pela Receita Federal do Brasil. Foi desenvolvida ação de fiscalização junto a empresa, MPF nº 10.1.08.00 2009003441 para conferência do crédito de PIS/PASEP informado no pedido de ressarcimento, tendo a autoridade fiscal concluído pela ilegitimidade do saldo credor pleiteado pelo contribuinte, conforme excerto que transcrevemos a seguir: O pleito da contribuinte não encontra respaldo na legislação pertinente ao assunto, visto que, o desconto de créditos das operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade encontrase vedado pelo disposto na redação original do artigo 3º, inciso I letra "a" da Lei nº 10.833 de 29 de dezembro de 2.003. Posteriormente, o referido dispositivo legal veio a sofrer modificações pelas Leis nº 10.865 de 30 de abril de 2004; 11.727 de 23 de junho de 2.008 e 11.787 de 25 de setembro de 2.008, mas que não alteraram sua essência. No mesmo sentido, o artigo 17 da Lei n° 11.033 de 21 de dezembro de 2.004, ao permitir a manutenção de créditos vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, aliquota zero ou com não incidência das contribuições do PIS e da COFINS, não respalda o procedimento adotado pela contribuinte. O artigo 16 de Lei n° 11.116 de 18 de maio de 2.005 veio esclarecer que o crédito apurado em virtude do contido no artigo 17 de Lei n ° 11.033/2004 deve ser apurado na forma dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2.002 e 10.833/2003, portanto, alem das permissões, devem também ser observadas as proibições lá destacadas na apropriação de créditos. A DRF em Santo Ângelo adotou o Relatório Fiscal como razão de decidir e não homologou a compensação, nem reconheceu o direito creditório pretendido. Inconformado, apresentou manifestação de inconformidade na qual aduz, em apertada síntese que: a) há direito de crédito de PIS e de COFINS em relação às aquisições tributadas quando a saída é isenta, não tributada, imune ou tributadas com aliquota zero. Conforme o art. 16 da MP n° 206, de 2004 (atualmente art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004), os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota Fl. 290DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.002036/200967 Acórdão n.º 380302.947 S3TE03 Fl. 2 3 zero ou com suspensão têm direito à manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrentes da aquisição de insumos; b) não existe na legislação que rege a matéria qualquer restrição ao crédito efetuado pela empresa. Ao contrário, existe expressa autorização legal para que isto ocorra (art.17 da Lei n° 11.033, de 2004). Ainda que houvesse restrição, tal seria inconstitucional, porquanto a não cumulatividade deve ser entendida como integral e absoluta, nunca parcial e relativa. O direito de abatimento é garantido constitucionalmente (art. 195, § 12, da CF). A CF não dá margens para que o legislador ordinário restrinja o principio da nãocumulatividade, autorizando, apenas, que sejam definidas as categorias econômicas para as quais as contribuições seriam nãocumulativas; c) o caráter de nãocumulatividade inerente As contribuições para o PIS e para a COFINS deve ser interpretado de forma ampla, devendo a técnica base contra base ser atentamente observada, não podendo qualquer legislação infraconstitucional restringir o direito ao crédito; d) sendo a empresa revendedora de mercadorias, onde sua operação de venda é tributada com aliquota zero, suspensa, não tributada ou isenta, tem ela direito à manutenção dos créditos de PIS e de COFINS decorrentes da aquisição de insumos vinculados a esta vendas, em função do regime da nãocumulatividade. A DRJ em Porto Alegre considerou improcedente a manifestação de inconformidade, confirmando o despacho decisório e o relatório fiscal conforme ementa que transcrevemos a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por Fl. 291DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 expressa vedação legal, não se aplicando à hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada em 13/12/2011, apresentou recurso voluntário para este Conselho, no qual advoga a mesma tese da manifestação de inconformidade, requerendo ao final, o reconhecimento do direito creditório e homologação da DCOMP. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, entretanto, dele não tomarei conhecimento pelo que explano a seguir: Do breve relato dos fatos extraise que o direito creditório pleiteado pela contribuinte se origina da aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica, a qual fica desonerada sobre as receitas auferidas com a venda posterior destes produtos, que são revendidos pelo seu estabelecimento com alíquota zero. Compulsando os autos, observamos ainda, que a discussão em comento, qual seja, o creditamento da aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica cujas operações de venda são tributadas à alíquota zero, foi objeto de Mandado de Segurança impetrado pela ora Recorrente, junto à 2ª VF e JEF CÍVEL DE SANTO ÂNGELO sob o n° 2009.71.05.0014210/RS. Em consulta ao andamento processual no sítio da Justiça Federal da 4ª Região, constatei que foi proferida decisão em 04/08/2010, publicada em 12/08/2010, admitindo o Recurso Extraordinário e o Recurso Especial interposto pela Redepeças. Peço vênia para trasladar a decisão monocrática: DECISÃO Tratase de recurso extraordinário interposto com apoio no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido por Órgão Colegiado desta Corte, cuja ementa foi lavrada nas seguintes letras: TRIBUTÁRIO. LEI Nº 11.033/2004, ARTIGO 17. PIS E COFINS. DIREITO A CREDITAMENTO EM REGIME NÃO CUMULATIVO SUJEITO A INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Tratandose de tributação monofásica não há que se falar em cumulatividade, diante da inexistência do pressuposto fático necessário para a adoção da técnica do creditamento, qual seja, a possibilidade de incidências múltiplas ao longo da cadeia econômica. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 restringese ao "Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO", descabendo aplicálo a situações diversas daquela prevista na legislação, sob pena de privilegiar indevidamente certas atividades econômicas, em detrimento das outras sujeitas à tributação polifásica. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.002036/200967 Acórdão n.º 380302.947 S3TE03 Fl. 3 5 [...] O recurso merece prosseguir, tendo em conta o prequestionamento da matéria relativa aos dispositivos supostamente contrariados, não envolvendo exame de provas. Além disso, encontramse preenchidos os demais requisitos de admissibilidade. [...] (grifamos) A título informativo, em 30/11/2010 o Min. Herman Benjamin, em decisão monocrática, negou seguimento ao Recurso Especial e em 10/10/2011 houve a baixa definitiva dos autos do MS retromencionado. Ademais, cotejando os argumentos aduzidos pela Defendente nos recursos até então apresentados no presente processo administrativo fiscal com os interpostos na contenda judicial, verificouse que tais encontramse inclusos nas razões do madamus o que definitivamente se constata na leitura do relatório da sentença que julgou improcedente o Mandado de Segurança impetrado: Para tanto, alegaram que se dedicam à distribuição de máquinas agrícolas e peças, adquirindo produtos direto das indústrias, sendo que alguns, quando da revenda, existe suspensão do pagamento das contribuições para o PIS e COFINS, cuja tributação se dá com alíquota zero, isentos ou não são tributados. Disseram que, desde a implantação do sistema não cumulativo, vinham descontando do valor a pagar relativo ao PIS e COFINS, créditos em relação às compras efetuadas com tributação destas contribuições, em conformidade com a redação original do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo por base o art. 17 da Lei nº 11.033/04 (MP 204/2004). Mencionaram que, em decorrência da MP nº 451, que inseriu o parágrafo 15 no art. 3º da Lei nº 10.637/2001, o direito ao abatimento do valor a recolher, de créditos de PIS e COFINS, relativo aos insumos mencionados, foi suprimido. Falaram que, por este dispositivo, o direito de crédito ao PIS e COFINS em relação às vendas efetuadas pelos distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas restou impossibilitado, ficando os créditos restritos apenas em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda de produtos cuja saída é onerada por estas contribuições. Defenderam nos casos em que a operação de venda é tributada com alíquota zero, suspensa, não tributada ou isenta, ter direito à manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrentes da aquisição de insumos vinculados a estas vendas, em função do regime de nãocumulatividade. Disseram que a restrição imposta pela MP nº 451 deve observar o prazo nonagesimal, previsto no art. 195, § 6º, da CF/88. Falaram acerca do direito de correção monetária dos valores. Pediram liminar e, por fim, em caso de não ser reconhecido o direito de efetuar créditos de PIS e COFINS decorrentes de aquisição de insumos, independentemente se a saída é onerada ou não por estas contribuições, seja determinada a observância da anterioridade nonagesimal. Juntaram documentos (fls. 13/28). Fl. 293DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Assim, socorreuse a ora Recorrente do judiciário com a finalidade de ver assegurado e reconhecido o direito de efetuar créditos de PIS e COFINS decorrentes de aquisição de insumos, independentemente se a saída é onerada ou não por estas contribuições, o que inequivocamente configurou a concomitância entre as demandas. Cabe salientar que a opção pela via judicial implica na renúncia da via administrativa, bem como dos recursos eventualmente interpostos pelo sujeito passivo, tal qual o caso. Isto porque pelo princípio da unicidade da jurisdição e inafastabilidade do controle jurisdicional, competirá ao Poder Judiciário dar a última palavra nos casos trazidos à sua apreciação, e portanto sua decisão sempre sobejará sobre a administrativa. A decisão judicial se torna lei entre as partes e vincula a administração tributária aos seus ditames, devendo ser aplicada, inclusive, no processo administrativo. Vejamos o teor da súmula nº 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sabendo que o sujeito passivo propôs mandado de segurança para discutir o suposto direito creditório na via judicial, com o mesmo objeto da demanda administrativa, implicando na renúncia do recurso por ele interposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do presente recurso voluntário. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 294DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.002036/200967 Acórdão n.º 380302.947 S3TE03 Fl. 4 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11070.002036/200967 Interessada: REDEPECAS REDEPARTS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.947, de 22 de maio de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 22 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 295DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 36100.001822/2006-21
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/11/2005
Ementa: PREVIDENCIÁRIO - INFRAÇÃO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O preparo de folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a serviço da empresa de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente é obrigação acessória prevista em lei.
O descumprimento de obrigação acessória sujeita o infrator à lavratura de auto de infração e a correspondente penalidade de multa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.166
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar suscitada; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/11/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO - INFRAÇÃO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O preparo de folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a serviço da empresa de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente é obrigação acessória prevista em lei. O descumprimento de obrigação acessória sujeita o infrator à lavratura de auto de infração e a correspondente penalidade de multa. Recurso Voluntário Negado.
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CONTRIBUrtrPS CONTEI- • , '111i • 'NAL Bramia. / 02._ £04 ccovco6 COLCD Fls. 141 Maria de Fâtih ka de Carve/ito Mat Siape 751683 MINISTÉRIO DA FAZENDA ae‘ .t SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .k>f-eg)? SEXTA CÂMARA--4 - Processo n° 36100.001822/2006-21 Recurso n° 141.365 Voluntário Matéria AUTO DE INFRAÇÃOde •-•-(1 ) nf-SegUncro .r:Citf10 Oi‘CI 91"/L., I Acórdão n° 206-00.166 de Roca ie,„, Sessão de 21 de novembro de 2007 Recorrente TEMISTOCLES BARBOSA CABRAL Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/11/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO - INFRAÇÃO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O preparo de folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a serviço da empresa de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente é obrigação acessória prevista em lei. O descumprimento de obrigação acessória sujeita o infrator à lavratura de auto de infração e a correspondente penalidade de multa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIONAL Processo n.°36100.001822/2006-21 Brasília, 2.Á 1_. l'OZ. _ CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.166 si p Fls. 142 Maria de Earl . Carva/hp 4 Mal Siape 751683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar suscitada; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. Qr---"--- ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente A4dB(19EIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.° 36100.001822/2006-21 CCOVC06 Ao5rdào n.°206-00.166 Mc- SECiUNDO (10 1 ;V• 1 90 Da CONTRIBUTMES Fls. 143CONTER' ;. .•:11.:NAL Draseie, 1 - grela tato Relatório Marin de Fitimi Ferreira de Carra/ho Mat. Sirce 751633 Trata-se de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação tributária acessória que consiste em a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações devidas, pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão, contrariando o disposto no Inciso I, do art. 32 da Lei n°8.212/91, combinado com o art. 225, Inciso 1 e § 9° do Decreto n°3.048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 06), foi constatado que deixaram de ser incluídos em folha de pagamento alguns contribuintes individuais, fato apurado na GFrP — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e relacionados à fl. 08. As folhas de pagamento dos segurados empregados também não foram preparadas conforme os padrões estabelecidos pela legislação, pois não foram destacadas as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração, bem como não houve a totalização da base de cálculo para a Previdência Social. Como se trata de órgão público, FUNESC Fundação Espaço Cultural da Paraíba, a autuação se deu contra o dirigente à época, em conformidade com o art. 41 da Lei n° 8.212/91. O autuado apresentou defesa tempestiva (fls. 16/19) onde alega que não houve dolo na gestão da FUNESC e que os recolhimentos legais foram efetivamente realizados. Entende que a entidade poderia ter sido notificada previamente para que fosse corrigido o erro. Argumenta que como órgão vinculado à Secretaria de Educação do Estado não tem autonomia sobre a folha de pagamento, limitando-se a gerar as informações e remetê-las para a Secretaria de Administração. Argumenta que o não oferecimento de oportunidade ao gestor para sanar as irregularidades feriu o art. 32 da Portaria Ministerial n° 520/2004, e tal afronta restringiu o amplo e constitucional direito de defesa do impugnante. Pela Decisão-Notificação n° 13.401.4/090/2006 (fls. 123/127) a autuação foi considerada procedente. Irresignado, a autuado apresentou recurso tempestivo (fls 132/135) onde ale a ausência de dolo, cerceamento de defesa e desvirtuamento da finalidade da multa. Em contra-razões (fls. 138/140), a Secretaria da Receita Previdenciária manteve a decisão recorrida. É o Relatório. • - eNn• -lnp?,„„matuiNTErnn•••---- s Processo n.° 36100.001822/2006-21 CCO2/C06 Acórdão n.°206-00.166 • •;:r4m... Fls. 144 0 2. 7,42:0 tett,marte dc F rfra de Voto »4. 783 Ca516n" Conselheira ANA MARIA BANDEIRA , Relatora O recurso é tempestivo e o recorrente deixou de efetuar o depósito recursal em razão de se tratar de pessoa física, logo, os requisitos para admissibilidade estão cumpridos. O autuado apresenta como preliminar a alegação de que teria ocorrido o cerceamento de defesa em razão da auditoria fiscal não ter notificado o órgão, previamente e com prazo razoável, para que sua conduta fosse ajustada aos ditames previstos na legislação previdenciária, corrigindo eventuais erros. A meu ver, a situação descrita não pode ser vista corno cerceamento de defesa. Para se falar em direito de defesa, pressupõe-se a existência prévia de uma ação do Estado contra o contribuinte, no caso, a lavratura do auto de infração. Nesse caso, após a autuação, foram oferecidas ao autuado todas as oportunidades e prazos legais para que o mesmo exercesse o seu direito constitucional, o que efetivamente ocorreu. Ademais, a constatação da existência de infração à legislação após iniciado o procedimento fiscal, descaracteriza a denúncia espontânea, situação em que o contribuinte apesar de haver descumprido a obrigação legal efetua a correção antes da realização de qualquer procedimento por parte do fisco. Dessa fonna, rejeito a preliminar suscitada. Quanto ao mérito, a infração cometida tem previsão legal no Inciso I, do art. 32 da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225, Inciso I e § 9° do Decreto n° 3.048/99 e sua ocorrência independe da conduta dolosa do autuado. Ainda que todas as contribuições previdenciárias tenham sido devidamente recolhidas, tal fato não pode desconstituir a presente autuação. A obrigação principal não se confunde com a obrigação acessória, cada qual possui previsão legal distinta que deve ser observada. No que tange à alegação de que houve desvirtuamento da finalidade da multa, a mesma não merece melhor sorte. Não há previsão legal para que se deixe de aplicar a multa estabelecida em lei, mediante alegação do autuado de que não reincorrerá mais na omissão que deu ensejo à autuação. Assim, o caráter pedagógico da multa, como afirmou o contribuinte, no sentido de inibir a reiteração da conduta no futuro, é um dos objetivos da aplicação da multa punitiva, que uma vez alcançado não pode surtir efeito em situações pretéritas. _ ME- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 36100.001822/2006-21 Bnaljjz, 21/4 1 ' o 2- , 2jc01 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.166 Fls. 145 Maria de Fáti • Mat. Stage 751683 Diante de todo o exposto e tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de novembro de 2007 A 01 ACABA" 1 R A Page 1 _0050100.PDF Page 1 _0050200.PDF Page 1 _0050300.PDF Page 1 _0050400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003339/2008-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/06/2006
DEIXAR A EMPRESA DE LANCAR MENSALMENTE EM TITULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES, O MONTANTE DAS QUANTIAS DESCONTADAS, AS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E OS TOTAIS RECOLHIDOS.
A contabilização deficiente constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99.
DECADÊNCIA PARCIAL
Ocorrendo a infração em apenas uma competência não alcançada pela
decadência, está configurada a infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.997
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência referente aos lançamentos indevidos referentes às competências anteriores a 11/2000, inclusive, mantendo o valor da multa aplicada.
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/06/2006 DEIXAR A EMPRESA DE LANCAR MENSALMENTE EM TITULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES, O MONTANTE DAS QUANTIAS DESCONTADAS, AS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E OS TOTAIS RECOLHIDOS. A contabilização deficiente constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DECADÊNCIA PARCIAL Ocorrendo a infração em apenas uma competência não alcançada pela decadência, está configurada a infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Obrigação Acessória Recorrente SINART SOC NAC DE APOIO RODO VIARIO TUR Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/06/2006 DEIXAR A EMPRESA DE LANCAR MENSALMENTE EM TITULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES, O MONTANTE DAS QUANTIAS DESCONTADAS, AS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E OS TOTAIS RECOLHIDOS. A contabilização deficiente constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DECADÊNCIA PARCIAL Ocorrendo a infração em apenas uma competência não alcançada pela decadência, está configurada a infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.003339/200801 Acórdão n.º 280300.997 S2TE03 Fl. 339 2 decadência referente aos lançamentos indevidos referentes às competências anteriores a 11/2000, inclusive, mantendo o valor da multa aplicada. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.003339/200801 Acórdão n.º 280300.997 S2TE03 Fl. 340 3 Relatório A empresa foi autuada em 20/06/2006 por descumprimento da legislação previdenciária, por ter deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A empresa não individualizou os lançamentos das remunerações, por filial, e deixou de lançar alguns segurados contribuintes individuais, alem de não ter lançado as remunerações dos empregados segurados pertencentes às filiais Osasco, no período de 01/98 a 08/98 e filial Juiz de Fora, no período de 04/00 a 12/00. Anexa cópias das folhas dos Livros Diários e alguns recibos de pagamentos a contribuintes individuais que não foram lançados na contabilidade A DecisãoNotificação – fls 118 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: • A empresa vem cumprindo com a sua obrigação, tendo arquivado todo o documental referente a livros contábeis relativos às contribuições previstas na lei 8.212/91, podendo exibilo a qualquer momento, estando todos os livros à disposição desse Egrégio Conselho para análise e averiguação, sanando o equívoco ocorrido na contabilidade da empresa em foco. • Resta evidente que não basta a apuração de irregularidades na escrituração contábil para fundamentar a presunção de omissão de receitas. Os fatos identificados pela fiscalização são indícios que exigiriam maiores averiguações para coleta de provas da infração. Requer a juntada ao processo das planilhas relativas ao Resumo das Folhas de Pagamentos efetuados pela empresa, alusivos aos anos de 1998 e 2007 (Doc.05). • Requer o deferimento para realização de uma perícia, nos assentamentos da empresa em tela para os esclarecimentos que se fizerem necessários, em razão dos livros contábeis e da folha e recibos de pagamentos encontraremse ali arquivados. • Discute a constitucionalidade do inciso I, do artigo 30 da Lei n° 7.787 de 30 de junho de 1989 e do inciso I, do artigo 22 da Lei 8.212 de 24 de julho de 1991, que determinaram a incidência da contribuição previdenciária devida pelos empregadores sobre a remuneração dos administradores não empregados e dos trabalhadores autônomos e avulsos. Ao instituir como base de cálculo de contribuição social o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitidas pelas empresas, que são pessoas jurídicas, o artigo 22, inciso IV da Lei 8212/91, opõese ao que estabelece a Carta Constitucional, revelandose, de forma irrefutável, inconstitucional. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.003339/200801 Acórdão n.º 280300.997 S2TE03 Fl. 341 4 • A competência da União, através da Super Receita, carece de fundamentação legal, em virtude da não conversão da Medida Provisória 258 em Lei. Com a queda da MP por decurso de prazo, o governo encaminhou um projeto de Lei que ainda terá que passar pela CCJ, para análise de sua constitucionalidade. 16 — Com efeito, não compete mais à Super Receita arrecadar, fiscalizar, administrar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei 8.212/91. Compete ao INSS, arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições previdenciárias previstas na Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 10.256 de 09 de julho de 2001 • Pugna pelo provimento do recurso, com a declaração de nulidade do presente auto de infração. É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.003339/200801 Acórdão n.º 280300.997 S2TE03 Fl. 342 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA DECADÊNCIA O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 20/06/2006, em razão de erros na contabilização de fatos geradores, até a competência 12/2000. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Consoante a regra retrocitada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2000, inclusive. Considerando que a contabilização dos fatos geradores de dezembro de 2000 se dá até 31 de março de 2001 – art. 225 §13 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048/99, esta competência não se encontra atingida pela decadência Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.003339/200801 Acórdão n.º 280300.997 S2TE03 Fl. 343 6 Ressalvamos que, ocorrendo a infração em apenas uma competência não alcançada pela decadência, está configurada a infração à legislação previdenciária, sem alteração do valor da multa, uma vez que esta não varia em razão do número dos registros incorretos, tendo valor fixo. Ante o exposto, acolho parcialmente a preliminar de decadência nos termos do voto proferido. DO PEDIDO DE PERÍCIA FORMULADO À TURMA JULGADORA A portaria MPS nº 520 de 19.05.2004, em seu artigo 9º, assim estatui: Art. 9º A impugnação mencionará: ... IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Da leitura do dispositivo legal, concluímos que o momento para o requerimento de perícia é na impugnação e não quando da apresentação do recurso. Apreciar pedido novo de perícia na fase recursal, além de admitir discussão de matéria preclusa, configura flagrante ofensa ao duplo grau de julgamento administrativo. Situação excepcional pode surgir quando, na hipótese do §1º retrocitado, os novos elementos acostados após a decisão de primeiro grau justifiquem prova pericial, o que não é o caso. Não tendo sido requerida a perícia quando da impugnação, entendo como precluso o direito do contribuinte de fazêlo nesta fase recursal. Ad argumentandum tantum, também a recorrente não obedeceu aos requisitos necessários presentes no inciso IV, sem a indicação de perito ou formulação de quesitos. Ante o exposto, indefiro o pedido formulado DA INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS 7.787/89 E 8.212/91 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.003339/200801 Acórdão n.º 280300.997 S2TE03 Fl. 344 7 Sobre a matéria, o regimento do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009 veda aos membros a possibilidade de apreciação de constitucionalidade de decreto ou lei, senão vejamos. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Do que exposto, a matéria sob exame não se encontra nas exceções elencadas, afastando assim sua análise sob o prisma da constitucionalidade. DOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS EM DESACORDO COM AS NORMAS LEGAIS A legislação previdenciária, em especial a lei 8.212/91, art. 32,II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13o. a 17o. do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, determina a obrigatoriedade de “lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos”. O relatório fiscal informa que a irregularidade consistiu na não individualização dos lançamentos das remunerações, por filial, e deixou de lançar alguns segurados contribuintes individuais, alem de não ter lançado as remunerações dos empregados segurados pertencentes às filiais Osasco, no período de 01/98 a 08/98 e filial Juiz de Fora, no período de 04/00 a 12/00. Sobre os fatos apontados – lançamentos irregulares e omissão dos mesmos, não houve contestação expressa, limitandose o recorrente a argüir a falta de competência da União, inconstitucionalidade das leis 7.787/89 e 8.212/91, além de requerimento extemporâneo de prova pericial. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.003339/200801 Acórdão n.º 280300.997 S2TE03 Fl. 345 8 Assim sendo, a recorrente não se desvencilhou da necessidade de apresentação de escrita contábil na forma preconizada na legislação, além de não trazer nenhuma prova capaz de afastar os fundamentos da autuação. A multa aplicada é a determinada pela legislação em vigor, em especial na lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 92 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, inciso II, alínea "a" e art. 373, de valor fixo, não variando em razão do número de ocorrências registradas. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais retrocitados e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, no valor fixo de 11.568,30 (onze mil quinhentos e sessenta e oito reais e trinta centavos), encontrandose livre de vícios. Concluindo, temos que a não aprovação da MP 258/05, que perdeu a validade em 18.11.2005, não macula a lavratura do auto sob exame. No momento de sua lavratura, em 20.06.2006, era a Secretaria da Receita Previdenciária a responsável pela apuração da falta em comento, conforme lei 11.098/05 e decreto 5.755/06, significando que a lavratura do auto obedeceu às formalidades necessárias previstas em lei. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para reconhecer a decadência referente aos lançamentos indevidos referentes às competências anteriores a 11/2000, inclusive, mantendo o valor da multa aplicada. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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