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Numero do processo: 10950.003024/2005-58
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 302-01.371
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Numero do processo: 10530.723669/2009-85
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
Ementa:
IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada omissão de
rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente
para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da
arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas
informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos,
correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996
Numero da decisão: 2202-001.298
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os
Conselheiros Pedro Anan Júnior (Relator) e Rafael Pandolfo, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Júnior (Relator) e Rafael Pandolfo, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez (Assinado Digitalmente) Nelson Mallman Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723669/200985 Acórdão n.º 220201.298 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 145.164,15, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal elaborado pela autoridade lançadora, constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Segundo a autoridade lançadora as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam Fl. 236DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. ; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; Fl. 237DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723669/200985 Acórdão n.º 220201.298 S2C2T2 Fl. 3 5 n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através do acórdão DRJ/SDR n° 1523.341, de 07 de abril de 2010 (fls. 131/138), cuja ementa segue abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Fl. 238DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Devidamente intimado em 15 de setembro de 2010, a recorrente apresenta tempestivamente recurso em 01 de outubro de 2010, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 239DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723669/200985 Acórdão n.º 220201.298 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior Relator Natureza Indenizatória Do Valor Recebido Antes de adentramos ao mérito da questão, gostaria de fazer um breve histórico de como originou a questão objeto de julgamento. Inicialmente devemos analisar as disposições do artigo 6º da Lei nº. 9.655/98, que tratou concedeu o abono variável a partir de 1 de janeiro de 1998 aos membros do Poder Judiciário: “Art. 6º: Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Referido dispositivo legal faz menção ao artigo 93, inciso V da Constituição Federal, condicionando a produção de efeitos do abono até a data de vigência de futura Emenda Constitucional alterando o comando constitucional mencionado. A Emenda Constitucional nº. 19, de 04 de Junho de 1998, alterou o dispositivo constitucional mencionado: “Art. 93: (...) V os vencimentos dos magistrados serão fixados com diferença não superior a dez por cento de uma para outra das categorias da carreira, não podendo, a título nenhum, exceder os dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. (redação anterior à EC 19/98) V o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º.” (redação dada pela EC 19/98) A forma de cálculo e de pagamento foi disciplinado pelo artigo 2º, da Lei nº. 10.474/2002: Fl. 240DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 “Art. 2º: O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida por Magistrado, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º: Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos Magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º: Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. § 3º: O valor do abono variável da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo.” O Supremo Tribunal Federal STF ao editar o artigo 1º da resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002 definiu a natureza jurídica indenizatória do abono previsto no artigo 2º da Lei nº. 10.474/2002, nos seguintes termos: “Art. 1º: É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº. 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal.” Assim a partir da edição da Resolução n° 245/02 do STF o abono variável de que trata o artigo 2° da Lei n° 10.474/02 tem natureza indenizatória, portanto não é passível de ser tributado pelo imposto de renda. O “abono variável” devido aos Magistrados do Estado do Bahia, objeto de discussão no presente caso tem como fundamento legal nos artigos 4º e 5º, da Lei 8.730 de 09 de setembro de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Nos termos da referida norma legal, entendo que foi pago aos membros do Poder Judiciário do Estado da Bahia abono variável nos mesmos moldes do que dispõe o artigo 2°, da Lei n° 10.747/02. Nesse sentido entendo que o “abono variável” concedido aos Magistrados Estaduais pela Lei n° 8.073 de 2003, tem natureza idêntica àqueles concedidos à Magistratura Federal e ao MPF, portanto tem natureza indenizatória nos termos do que dispõe a Resolução Fl. 241DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723669/200985 Acórdão n.º 220201.298 S2C2T2 Fl. 5 9 do STF n° 245/02, não sendo portanto fato gerador do imposto de renda nos termos do que dispõe o artigo 43 do CTN. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Fl. 242DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pelo Ilustre Conselheiro Relator, no caso em análise e com sua vênia, a minha convicção não permite acompanhálo. Exponho a seguir as razões. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a preliminar de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 243DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723669/200985 Acórdão n.º 220201.298 S2C2T2 Fl. 6 11 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de Fl. 244DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 fls. 8 e 19/21 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : Fl. 245DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723669/200985 Acórdão n.º 220201.298 S2C2T2 Fl. 7 13 MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 246DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10530.723669/200985 Recurso nº : _____________ TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220201.298 Brasília/DF, 22 de agosto de 2011. (Assinado Digitalmente) NELSON MALLMANN Presidente da 2ª Turma Ordinária Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 247DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, 22/08/201 1 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000219/2008-01
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 25/01/2010
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.830
Decisão: ACORDAM os membros da 3° Câmara 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 25/01/2010 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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Numero do processo: 35582.006380/2006-71
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/03/1998
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco)
anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.832
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de de votos em dar provimento ao recurso, pois foi reconhecida a decadência do direito de exigibilidade totalidade das contribuições apuradas, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/03/1998 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de ricisre dar provimento ao recurso, pois foi reconhecida a decadência do direito • -xigibilidade totalidade das contribuições apuradas, nos termos do voto do relator (P4 _ ARC O OLIVEIRA - Presidente L JRENÇO FERREIRA DO PRADO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto Lour Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Glória Faria (Suplente Relatório Trata-se de crédito tributário lançado em desfavor de PEREIRA CABRAL LÍQUIDOS E COMESTÍVEIS FINOS LTDA, por meio de NFLD, consistente na cobrança de contribuições sociais devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as verbas remuneratórias pagas à segurados empregados e valores pagos à contribuintes individuais (pró-labore de sócios). O débito compõe-se de, contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social; contribuição para o financiamento do seguro de acidente de trabalho (SAT), até a competência 06/1997; contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados, a partir de 07/1997; e contribuições devida a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), cujo montante foi apurado por aferição indireta. O lançamento compreende as competências de 02/1997 a 03/1998, tendo sido o recorrente cientificado em 11/05/2006 (fis.01). Na impugnação a empresa alega a insubsistência da cobrança do débito, visto que a Impugnante possuía créditos previdenciários, decorrentes de decisão judicial proferida, por Ação Ordinária com Pedido de Tutela Antecipada, conforme as cópias (fis.105 a 116), proposta pela Recorrente. Entende que o seu credito fora utilizado para fins de compensação com os débitos ora exigidos através do lançamento. Aduz sobre a necessidade de diligência, que tornaria evidente a fragilidade do lançamento e pede ao final o arquivamento da NFLD. Por determinação do Contencioso administrativo os autos baixaram em diligência para análise da compensação determinada judicialmente. Às fls. 150/151 a fiscalização acata parcialmente a compensação pleiteada pelo sujeito passivo. Foram mantidos os creditos previdenciários decorrentes das contribuições destinadas a Terceiros. Contudo, a Decisão de Notificação de fls. 169/171, julgou procedente em parte o lançamento fiscal, declarando o contribuinte devedor do crédito previdenciário retificado. Fora, então interposto o presente recurso voluntário de fls. 176/183 por meio do qual sustenta o recorrente: \ \ que garantiu a interposição do recurso voluntário: que se faça a retificação do lançamento promovido pelo INSS, uma vez que a compensação realizada pela mesma possuía o devido amparo da decisão judicial, proveniente da Ação Ordinária; a necessidade da reabertura do prazo para impugnar o valor mantido, uma vez que a matéria não foi objeto de debate perante a I a inste A • . n é- nistrativa, caracterizando cerceamento de defesa; 2 Processo n° 35582.006380/2006-71 S2-C4T2 Acórdão nf 2402-00.832 Fl. 196 a decadência da pretensão fazendária; a declaração de improcedência e nulidade do lançamento previdenciário e, o cancelamento integral da NFLD ; que deve ser aplicada a taxa selic ao seu crédito nos moldes do §e, art. 39, da Lei 9.250/95; Em sede de Contra-Razões a. Secretaria da Receita Previdenciária (fls. 192/194) aduz que o recurso se ateve a repisar as argumentações expendidas na impugnação.e requer que se negue provimento ao recurso. Subiram os autos a este Egrégio Conselho. É o relatório. ,--' 3 Vota Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Tempestivo o recurso e presentes os seus requisitos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente, quanto à preliminar aventada, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vincutante de n° 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 81212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo no art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4° ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa c pacifica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4° do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o cede •e lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco 4 Processo n° 35582.006380/2006-71 52-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.832 Et. 197 Ao revés, caso não exista pagamento ou mesmo a parcialidade deste, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, seja pela regra preceituada no art. 173, I, do CTN ou do art. 150, §tr, como sustentado pelo recorrente, o lançamento encontra-se decadente, motivo pelo qual, a preliminar ora sob análise deve ser acatada no sentido de que seja anulada a totalidade do lançamento já que a constituição do crédito tributário deu-se quando já transcorridos mais de 05 (cinco anos) da data da ocorrência dos fatos geradores (art. 150, §4°) ou mesmo do primeiro dia útil do exercício seguinte ao que poderia ser lançada a contribuição (art. 173, I, do CTN). Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer a decadência da totalidade das competências que compõem a presente NFLD, declarando extinto o crédito tributário, ficando prejudicada a análise das demais questões suscitadas no recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões em 27 de abril de 2010 RENÇO FERREIRA DO PRADO — Relator 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA g*Z, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 514-gs0 e4 QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO_ -Processo if: 35582006380/2006-71 Recurso n°: 146.216 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.832. Brasilh , 25 cl- maio de 2010 ELIAS SAM • s 10 FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721929/2017-63
Data da sessão: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.430
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 1ª Seção de Julgamento
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 1ª Seção de Julgamento. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Impugnação manejada pelo contribuinte supra identificado para se contrapor ao auto de infração relativo à multa de 150% sobre o valor do débito compensado indevidamente, no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833/2003). Segundo consta da descrição dos fatos do auto infração, o contribuinte havia pleiteado restituição de crédito da Cofins não cumulativa e apresentado duas declarações de compensação para quitar débitos de sua titularidade que restaram não homologadas por se referir a créditos considerados como não existentes, sem a devida base legal e sem comprovação documental de sua certeza e liquidez. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento do auto de infração, alegando que agira licitamente e de boa-fé quando da declaração das compensações e que a autuação sancionatória do simples exercício de requisição da restituição de recolhimentos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 21 92 9/ 20 17 -6 3 Fl. 227DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0520.20117.FRBE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.430 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10320.721929/2017-63 indevidos feria direitos fundamentais (direito de petição, direito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, vedação da utilização de tributo com efeito de confisco, princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e vedação à sanção política). Aduziu, também, a inconstitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, acolhida pela Corte Especial do TRF da 4ª Região, nos autos do processo 5007416- 62.2012.404.0000. A decisão da DRJ que manteve o crédito tributário restou ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 13/12/2016 a 13/12/2016 COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. Aplica-se a multa de 150 % sobre o valor do débito compensado indevidamente, no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (art. 18, § 2º da Lei nº 10.833, de 2003). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta do voto condutor do acórdão de primeira instância que, nos processos administrativos nº 10320.720368/2017-85 e 10320.900080/2017-92 (o primeiro apensado ao segundo), a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte havia sido julgada improcedente, por unanimidade de votos, pela mesma turma de julgamento, mantendo-se integralmente o despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância em 25/10/2017 (e-fl. 208), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2017 (e-fl. 210) e requereu (i) o reconhecimento da nulidade do auto de infração por ausência de identificação do fundamento legal infringido, (ii) a realização de diligência para se averiguar a incompetência da autoridade que lavrou o auto de infração, (iii) a juntada do processo nº 10320.900.080/2017-92 para apreciação em conjunto com o presente processo, (iv) a comunicação com antecedência para fins de apresentar sustentação oral, sob pena de nulidade, e (v) o cancelamento integral do auto de infração em razão da falta de comprovação dos critérios inerentes à aplicação da multa qualificada (evidente intuito de fraude). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. Conforme acima relatado, trata-se de auto de infração relativo à multa de 150% sobre o valor do débito compensado indevidamente, decorrente da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833/2003). Fl. 228DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0520.20117.FRBE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.430 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10320.721929/2017-63 Segundo consta da descrição dos fatos do auto infração, o contribuinte havia pleiteado restituição de crédito da Cofins não cumulativa e apresentado duas declarações de compensação nos processos administrativos nº 10320.720368/2017-85 e 10320.900080/2017-92 (o primeiro apensado ao segundo) para quitar débitos de sua titularidade que restaram não homologadas por se referirem a créditos considerados como não existentes, sem a devida base legal e sem comprovação documental de sua certeza e liquidez. Consultando o sistema e-processo, constatou-se que, no processo administrativo nº 10320.900080/2017-92, a repartição de origem concluiu pela inexistência do direito creditório pleiteado, no montante de R$ 2.882.402,00, constando da Informação Fiscal que o contribuinte havia informado que apurara créditos de PIS e Cofins em função da inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que incluiu no conceito de faturamento outras receitas além das advindas de vendas e serviços, bem como em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS ou ISS na base de cálculo das contribuições. Ainda segundo a referida informação, o contribuinte mencionara que no pedido eletrônico (PER/DComp) não havia campo específico para solicitar o crédito descrito, por isso o lançara como crédito oriundo de Cofins não-cumulativa - Mercado Interno, sem, contudo, carrear àqueles autos qualquer documento comprobatório, tendo a Fiscalização se valido, para decidir quanto ao pleito, das informações disponíveis nos sistemas internos da Receita Federal (Dacon, EFD Contribuições, Escrituração Contábil Fiscal - ECF, Escrituração Contábil Digital - ECD, pagamentos, DIRF, DCTF, PGDAS-D e DIPJ). A partir das verificações fiscais realizadas, a Fiscalização constatou que o Recorrente era optante pelo Simples Nacional, situação essa que o impedia de se apropriar ou transferir créditos relativos aos tributos abrangidos por essa sistemática, nos termos do art. 23 da Lei Complementar nº 123/2006 1 , cuja base de cálculo regia-se pelo art. 3º, § 1º, da mesma lei complementar 2 , em relação à qual não se aplicavam as alegações de inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 e nem da inclusão do ICMS ou ISS na base de cálculo das contribuições. Nesse sentido, por se tratar o crédito pleiteado, em verdade, de recolhimentos do Simples Nacional, e não de Cofins, conforme originalmente informado pelo interessado, tem-se que a multa decorrente da compensação indevida encontra-se vinculada àquele tributo, cuja competência para julgamento no CARF cabe à 1ª Seção, nos termos do inciso V do art. 2º e § 1º do art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, verbis: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) V - exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado à s microempresas e empresas de pequeno 1 Art. 23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. 2 Art. 3º [...] § 1º Considera-se receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Fl. 229DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0520.20117.FRBE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.430 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10320.721929/2017-63 porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regi me único de arrecadação (Simples - Nacional); (...) Art. 7º Inclui-se na competência das Seções o recurso voluntário interposto contra decisão de 1ª (primeira) instância, em processo administrativo de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Nesse sentido, voto por declinar da competência para a 1ª Seção de Julgamento do CARF. É como voto. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 230DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0520.20117.FRBE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por HELCIO LAFETA REIS em 31/12/2019 09:30:00. Documento autenticado digitalmente por HELCIO LAFETA REIS em 31/12/2019. Documento assinado digitalmente por: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA em 07/01/2020 e HELCIO LAFETA REIS em 31/12/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.0520.20117.FRBE Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 47B764AC5B0BE3CBB336332895C7529470A73E9F1860C2E94874999C468B49CC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10320.721929/2017-63. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11050.000359/87-04
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 1988
Numero da decisão: 302-00.347
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ENRIQUE MANUEL GARBAY0 GUARIDO
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score : 1.0
Numero do processo: 15374.002027/99-15
Data da sessão: Wed Jun 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1995 a .31/12/1995
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXONERAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO
Correta a exoneração, pela autoridade julgadora de primeira instância, da parte do crédito tributário, em virtude de pagamentos efetuados sobre operações, ainda que consideradas irregulares, bem como decorrente de notas fiscais canceladas.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995
INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA
As notas fiscais emitidas para simples acompanhamento dos produtos,
quando remetidos aos terceiros indicados pelo encomendante, devem
obedecer ao disposto no art. 244, inciso VIII, do RIPI/82, sob pena de tornar-se exigível penalidade equivalente ao imposto, nos termos do art. 252, inciso III, e parágrafo único, desse mesmo regulamento.
NOTA FISCAL. EMISSÃO. REQUISITO ESSENCIAL
As notas fiscais emitidas sem indicações que permitam identificai a real quantidade de produtos saídos do estabelecimento não têm valor para efeitos fiscais, nos termos do art. 252, inciso II, do IPI/1982, impilicando em imposto não lançado, nos termos do art, 527, inciso I, desse mesmo regulamento, e sujeitando o contribuinte à multa básica de 75,0% do imposto devido, ainda que pago.
RO Negado e RV Negado.
Numero da decisão: 3301-000.562
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos, de oficio e voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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JULGAMENTO Processo n" 15374.002027/99-15 Recurso n" 218251 De Oficio e Voluntário Acórdão n" 3301-00.562 - 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2010 Matéria IPI Recorrentes DRJ-JUIZ DE FORA/MG VIDRARIA RIO MINAS S/A (NOVA DENOMINAÇÁO CISPER S/A) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1995 a .31/12/1995 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXONERAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO Correta a exoneração, pela autoridade julgadora de primeira instância, da parte do crédito tributário, em virtude de pagamentos efetuados sobre operações, ainda que consideradas irregulares, bem como decorrente de notas fiscais canceladas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA As notas fiscais emitidas para simples acompanhamento dos produtos, quando remetidos aos terceiros indicados pelo encomendante, devem obedecer ao disposto no art. 244, inciso VIII, do RIPI/82, sob pena de tornar- se exigível penalidade equivalente ao imposto, nos termos do art. 252, inciso III, e parágrafo único, desse mesmo regulamento. NOTA FISCAL. EMISSÃO. REQUISITO ESSENCIAL As notas fiscais emitidas sem indicações que permitam identificai a real quantidade de produtos saídos do estabelecimento não têm valor pdra efeitos fiscais, nos termos do art. 252, inciso II, do RIPI/1982, impilicando em imposto não lançado, nos termos do art, 527, inciso I, de, • In-lesmo regulamento, e sujeitando o contribuinte à multa básica de 75,0 04) dd mposto devido, ainda que pago, RO Negado e RV Negado. '- Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos, de oficio e voluntário, nos termos do voto do Relator, „/ --A„..--- i Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente • ..,, • ._.. José -40rdirir % - no de Morais - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorio° de Morais (Relator), Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello (Suplente), Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Relatório Trata-se de recursos de ofício e voluntário interpostos, respectivamente, pela DRJ Juiz de Fora, MG, e pelo sujeito passivo, contra a decisão que julgou procedente em parte o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IN) referente aos fatos geradores dos decêndios dos meses de competência de janeiro a dezembro de 1995. A exigência tributária decorreu de: 1) irregularidades na emissão de notas fiscais pelo fato de a recorrente ter fabricado e vendido produtos (garrafas de vidro) para seus clientes, emitindo as notas fiscais em nome de terceiros que efetuaram as industrializações por encomendas em nome dos remetentes dos insumos (garrafas de vidro), quando o correto deveria ter sido em nome da recorrente fabricante dos insumos, nos termos do Regulamento do IPI (RIPI) de 1982, art. 309; 2) saídas de produtos com suspensão do IPI, sem amparo legal, sob o entendimento equivocado de que o art. 311 do RIPI/1982 contemplaria tal suspensão; e, 3) falta de requisitos essencial na emissão de notas fiscais nas quais não foram indicadas as quantidades dos produtos, nos termos do inciso VIII do art. 242 do RIPI/1982, fato que as tornou sem valor nos termos do art.. 252, inciso II, e, ainda, o lançamento não efetuado nos termos do art. 57, inciso I, ambos do mesmo RIPI. Em decorrência dessas infrações foram lançados e exigidos os seguintes créditos tributários: para o item 1, multa regulamentar no valor de R$ 655,882,91; para o item 2, imposto no valor de R$ 216.437,67 e multa de oficio de 75,0%; e para o item 3) imposto no valor de R$ 751.576,24 e multa de oficio de 75,0%. Inconformada com o lançamento, a recorrente impugnou-o (fls. 143/166), alegando, em síntese, que, em relação ao item 1, as operações realizadas por ela e tributadas pelo autuante consistem nas vendas de produtos a clientes que, por conta e ordem destes, são entregues a envasadores de bebidas, tratando-se, portanto de operações de venda à ordem, capitulada no art. 239 do RIPI/1982; assim, se alguém estava sujeito às normas ditadas pelo art. 309 desse Regulamento seriam os adquirentes de seus produtos, não se podendo imputar a ela quaisquer penalidades e, ainda, que, se procedente a penalidade aplicada, o valor das notas fiscais canceladas não foi levado em conta; quanto ao item 2, que as saídas realizadas, de fato não configuram saídas de produtos industrializados, mas apenas retomo simbólico de industrialização efetuada por ela recorrente, por encomenda de terceiro (Vidraria Súl —Brasil .,. S/A-Subrasa), e, ainda, comprovado que os produtos foram efetivamente entregues d\terceirósi destinatários indicados, por conta e ordem da Subrasa; e, finalmente, em relação ao tern 3, fato de ter dado saído de produtos sem indicação das quantidades contidas nas caixa •.: --:-) ..) irrelevante, não medida que a unidade de medida não é parâmetro para determinação do valor tributável, mas sim o valor da operação, e tal procedimento não infringe o disposto no item IV do Capitulo V, do Ajuste SINIEF n" 03, de 1994, 2 Processo n" I 5374 002027/99-15 S3-C3T1 Acórdão n°3301-00.562 F I. 560 Analisada a impugnação, a Rio de Janeiro julgou o lançamento procedente em parte, conforme acórdão n" 228, às fls. 365/383, datada de 20/02/2001, assim ementado: "INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA E VENDA À ORDEM: o fato de que os produtos industrializados por encomenda tenham sido, depois, objeto de venda à ordem, não afasta a incidência do ar! 309 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Dec, n" 87.981/82 — RIP1/82. As notas .fiscais emitidas para simples acompanhamento dos produtos; quando remetidos aos terceiros indicados pelo encomendante, devem obedecer ao disposto no ar!. .244, inciso VIII, do RIPI/82, sob pena de tornar-se exigível o imposto, como determinam o art. 2.52, inciso III, e parágrafo único, do RIPI/82 SUSPENSÃO DO IMPOSTO SEM AMPARO LEGAL . a menção, nas notas fiscais de saída dos produtos, de suspensão do IPI, com base em artigo regulamentar que não contempla tal hipótese, faz surgir uma presunção 'liais lanhem' de inadimplemento da obrigação tributária principal. Todavia, tendo a autuada provado, por outros meios, que o imposto .foi regularmente lançado, cai por terra tal presunção, e exonera-se a parcela correspondente do valor exigido no auto de infração DESCUAdPRIMENTO DE REQUISITO ESSENCIAL DA NOTA FISCAL. Notas .fiscais emitidas sem indicações que permitam identificar a real quantidade de produtos saídos do estabelecimento, não têm valor para efeitos .fiscais, nos termos do art.. 25.2, inciso II, do RIPI/82, considerando-se o imposto não lançado, como determina ao art. .527, inciso I, do RIPI/82. Todavia, na forma do parágrafo único, do art. .57, do RIPI/82, o contribuinte .fica obrigado apenas ao pagamento da multa, não se exigindo novamente o imposto já pago." A DRJ recorreu de oficio de sua decisão por ter exonerado crédito tributário (principal e multa) em valor superior ao limite de alçada, nos termos do Decreto n" 70,235, de 1972, art.. 34, inciso 1, c/c a Portaria MF n" 333, de 11/12/1997, art, 1% então vigente. Cientificada dessa decisão, expirado o prazo para interposição de recurso voluntário, a recorrente não o fez, Julgado o recurso de oficio, os Membros da Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anularam o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, para que outra fosse proferida, obedecidos os requisitos legais do Decreto n° 70.2.35, de 06/03/1972, pelo fato de aquela ter sido ppferida por pessoa incompetente, ou seja, pelo Chefe da Dipec/DRJ-RJ, por delegação de competênia do Delegado da DRJ, conforme acórdão n° 202-13.746, datado de 17/04/2002, às tis. l9/4. .. t--- ' Em cumprimento àquele acórdão, a DRJ Juiz de Fora proferiu p v\-ajdecisão de n" 5.897, datada de 16/01/2004, às fls.. 420/4.35, em que julgou o lançamento prb edente em parte sob as seguintes ementas: "INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA E VENDA À ORDEM o fato de que os produtos industrializados por encomenda tenham sido, depois, objeto de venda à ordem, não , 3 afasta a incidência do ar t. 309 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Dec n" 87 981/82 — RIP1/82. As notas fiscais emitidas para simples acompanhamento dos produtos, quando remetidos aos terceiros indicados pelo enconzendante, devem obedecer ao disposto no art 244, inciso VIII, do RIPI/82, sob pena de tornar-se exigível o imposto, como determinam o ali 252, inciso III, e parágrafo único, cio RIPI/82. SUSPENSÃO DO IMPOSTO SEM AMPARO LEGAL: a menção, nas notas fiscais de saída dos produtos, de suspensão do IPI, com base em artigo regulamentar que não contempla tal hipótese, faz surgir uma presunção 'll111s lantim de inadimplemento da obrigação tributária principal. Todavia, tendo a autuada provado, por outros meios, que o imposto foi regularmente lançado, cai por terra tal presunção, e exonera-se a parcela correspondente do valor exigido no auto de infração, DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO ESSENCIAL DA NOTA FISCAL Notas fiscais emitidas sem indicações que permitam identificar a real quantidade de produtos saldos do estabelecimento, não têm valor para eleitos .fiscais, nos termos do art. 252, inciso 11, do R1P1/82, considerando-se o imposto não lançado, como determina ao art 527, inciso I, do .RIPI/82. Todavia, na fortim do parágrafo único, do art. 57, do RIPI/82, o contribuinte fica obrigado apenas ao pagamento da multa, não se exigindo novamente o imposto já pago Por ter por ter exonerado crédito tributário (principal e multa), em valor superior ao limite de alçada, fixado pela Portaria MF ri° 333, de 11/12/1997, art. 1", a URI recorreu de oficio de sua decisão.. Também cientificada dessa nova decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fis., 454/467, contra a parte que lhe foi desfavorável, ou seja, parte do item 1, multa regulamentar, e item 3, imposto e multa de ofício por descumprimento de requisito essencial da nota fiscal, a fim de que se julgue improcedente o lançamento. Em relação ao item 1 — irregularidades na emissão de notas fiscais, alegou, em síntese, que o autuante e a decisão recorrida incorreram em equivoco ao capitular as operações de industrialização por encomenda e venda à ordem no RIP1/1982, art. 309; na verdade, as operações nada tiveram a ver com industrialização por encomenda, apenas vendeu produtos que faziam parte do seu estoque, enviando-os aos destinatários indicados pelos adquirentes, ou seja, realizou operações de venda com entrega à ordem, conforme previsto no art. 239 desse Regulamento; se por sua vez, os destinatários realizaram industrialização por encomenda o fizeram a mando dos adquirentes, operações que nada têm a ver com a venda à ordem realizada anteriormente por ela recorrente; há duas operações distintas, na primeira, vende seus produtos a determinados adquirentes que solicitam a entrega para terrerros:,..,nai segunda, que nada tem a ver com ela (recorrente), terceiros realizam industriali z‘ção poy, encomendas; assim, se alguém está sujeito ao disposto no RIM/1982, art. 309, é o adrittirerrYeJ j de seus produtos; mais absurda ainda é a exigência do imposto em duplicidade, com basetho--- art. 252, parágrafo único, do RIM/1982, sob a presunção de que as notas fiscais emitidas em nome do adquirente poderiam ser utilizadas para acobertar o trânsito de mercadorias oriundas de vendas não registradas, tal presunção é elidida pela efetiva saída dos produtos do seu estabelecimento (recorrente) que, no caso, se deu por ocasião das entregas por conta e ordem dos adquirentes; nota-se que o art. 252 trata de notas fiscais consideradas sem valor, porém o art. 57 exclui textualmente a exigência do imposto já efetivamente pago; o imposto das ."------ 4 Processo n" 15374 002027/99-15 S3-C3 T 1 Acórdão n " 3301-00.562 Fl 561 operações de venda à ordem foi devidamente lançado em todas as notas fiscais de simples faturamento o que por si só basta para comprovar o seu pagamento. Quanto ao item 3 — falta de requisitos essencial na emissão de notas fiscais, alegou, em síntese, que a falta de indicação da quantidade de produtos contida em cada caixa não caracteriza inidoneidade de tais documentos, implicando na aplicação da penalidade prevista no art. 364, § 4 0 do RIPI/1982, c/c o seu art. 47, parágrafo único, uma vez que o valor tributável, nos termos do art. 6.3, inciso II desse mesmo Regulamento, é o valor da operação; ainda que a falta de indicação das quantidades contidas nas caixas caracterizasse irregularidade insanável — o que se admite apenas para argumentar — o máximo que se deveria exigir seria multa formal, jamais multa de ofício calculada sobre o valor do imposto; alegou, ainda, que o modelo de nota fiscal utilizado por ela foi aprovado previamente por ocasião da homologação das Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais (AIDFs) e que a utilização de medida "caixa" não infringe o disposto no item IV do Capítulo V do Ajuste SINIEF 03/94 É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator O recurso de oficio apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. O cancelamento de parte do crédito tributário, por parte da autoridade julgadora de primeira instância, principal, no valor de R$ 983..101,50 (novecentos e oitenta e três mil cento e um reais e cinqüenta centavos), e multa de oficio, no valor de R$ 517.469,55 (quinhentos e dezessete mil quatrocentos e sessenta e nove mil e cinqüenta e cinco centavos), teve como fundamento a não exclusão de notas fiscais canceladas na apuração da infração descrita no item I, o pagamento do IPI sobre as operações com suspensão sem amparo legal, item 2, e o pagamento do IPI sobre as operações cujas notas fiscais foram emitidas sem o requisito legal, item 03, todos do auto de infração. Quanto à exclusão das notas fiscais canceladas para apuração da penalidade do item 1, como esta é calculada com base nas operações realizadas, aquelas devem obrigatoriamente serem excluídas da base de cálculo do imposto lançado e exiíiiloT) Já os / pagamentos do IPI, ainda que sobre operações irregulares, devem ser deduzidas do imposto pagar. Caso contrário, estaria exigindo-se tal imposto em duplicidade sobre4-9-9/ mesma operação .. Assim, correta a exoneração daqueles valores, tendo em vista a comprovação das notas fiscais canceladas e o efetivo pagamento do imposto sobre as operações consideradas irregulares. Quanto ao recurso voluntário, sua apresentação também atendeu aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto ri' 70.2.35, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Conforme consta do relatório, as questões de mérito opostas nesta fase frecursal se restringem à multa regulamentar pela infração ao art .309 do RIPI/1982, item I, e.' ,...---5"----- multa de oficio sobre o imposto destacado nas notas fiscais emitidas sem o requisito legal, item 3, ambos da autuação Em relação ao item 1 — irregularidades na emissão de notas fiscais — por ter vendido e remetido produtos (insumos) adquiridos por industrial com a determinação de sua remessa para terceiros efetuarem industrialização por encomenda, aquele Regulamento assim dispõe, Ui verbis: "Ari 309 - Nas operações em que um estabelecimento mandar industrializar produtos, com matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de terceiros, os quais, sem transitar pelo estabelecimento adquirente, fOrem entregues diretamente ao industrializador, será observado o seguinte procedimento: 1 - pelo remetente das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem; a) emitir Nota Fiscal, em nome do estabelecimento adquirente, com a qualificação do destinatário industrializado, : pelo nome, endereço e números de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes e no fisco estadual; a declaração de que os produtos se destinam a industrialização; e o lançamento do imposto, se estefin devido; b) emitir Nota Fiscal em nome do estabelecimento industrializado'', para acompanhar as matérias-primas, sem lançamento do imposto, e com a qualificação do adquirente, por cuja conta e ordem é feita a remessa. a indicação, pelo número, série, subsérie e data da Nota Fiscal referida na alínea 'a', e a declaração de ter sido o imposto lançado na mesma Nota, se ocorrer esta circunstancia .11 pelo estabelecimento industria Ainda de acordo com esse Regulamento, arts, 242, III; 244, VIII;\c52;)-111, parágrafo único, a nota fiscal deve conter, in verbis: • "Ar! 242 - A Nota Fiscal conterá: (--); 111 - a natureza da operação de que decorrer a saída (venda, transferência, conserto, devolução, consignação, remessa para fins de demonstração, de industrialização ou qualquer- outro, locação, doação e outras saídas); G Art 244 - Sem prejuízo de outros elementos exigidos neste Regulamento, a Nota Fiscal dirá, col,fonne ocorra cada um dos seguintes casos ( • •), VIII — 'Sem Mor para Acompanhar o Produto', seguida esta declaração da circunstancia de se tratar de mercadoria para 6 Processo o" 15374 002027/99-15 S3-C3T1 Acórdão o "3301-00362 Fl. 562 entrega simbólica ou cala unidade não possa ser transportada de uma só vez, e, ainda, quando o produto industrializado, antes de sair do estabelecimento industrial, for por este adquirido, Ari 2.52 - Será considerada sem valor, para efeitos . fiscais, e servirá de prova apenas em favor do fisco, a Nota Fiscal que: III - não contiver a declaração referida no inciso VIII do Ari 244. Parágrafo único - No caso do inciso III, considerar-se-á o produto como saído do estabelecimento emitente da Nota Fiscal, para efeito de exigência do imposto e acréscimos legais exigíveis., sem prejuízo de novo pagamento do tributo por ocasião da efetiva saída da mercadoria. Conforme demonstrado nos autos e detalhado no Termo Verificação e Constatação, às fls. 105/110, parte integrante do auto de infração, a recorrente emitiu notas fiscais diretamente para pessoas jurídicas contratadas para industrializar por encomenda produtos que utilizam insumos adquiridos dela (recorrente), ao invés de emitir as notas fiscais em nome de seus clientes, reais adquirentes, e não dos terceiros industrializadores indicados por eles, contrariando o dispositivo legal citado e transcrito acima. Dessa forma, ficou sujeita à penalidade específica, nos termos do art. 357, § 1" do referido Regulamento que assim determina, in verbis: "Art 3.57 - Apurando-se, num mesmo processo, a pratica de mais de uma infração por uma mesma pessoa, natural ou jurídica, aplicar-se-ão cumulativamente as penas a elas cominadas (Lei n" 4_502/64, ar( 74) Parágrafo I" - As faltas cometidas na emissão de um mesmo documento ou na .feitura de um mesmo lançamento serão consideradas uma única infração, sujeita a penalidade mais grave, dentre as previstas para elas. Assim, com fundamento neste dispositivo, aplicou-se como penalidade o valor do imposto devido, conforme demonstrado nas planilhas às fls. 111/115, — Já em relação à infração do item 3 — falta de requisitos ess‘ncial na emissão de notas fiscais da autuação, ou seja, sem a indicação da quantidade de unilades,-..coniidas nas caixas, o fundamento legal foi o art. 364, § 4' do RIM/1982. Segundo consta do Termo de Verificação e Constataçao, rid''éaso de emissão de notas fiscais sem o requisito legal, nos termos do RIM/1982, arts., 252, 11, e 57, caput e inciso 1, considera-se, respectivamente, as notas fiscais sem valor e não efetuado o lançamento e, consoante o parágrafo único do art. 57, no caso inciso 1, não será novamente exigido o imposto pago, mas a enas o pagamento da multa básica de que trata o art. 364, § 4° desse Regulamento, 7 O RIM/1982, então vigente, assim dispunha, quanto à realização cio lançamento e suas penalidades, quando não realizado, ia verbis: "Ari 57 - Considerar-se-á não efetuado o lançamento (Lei n" 4502/64, Ar! 23, e Decreto-lei n" 1680/79, Art 2'). (--.) I - quando o documento .fbr reputado sem valor por este Regulamento, ( ..). Parágrafb ártico - Nos casos dos incisos 1 e IV, não será novamente exigido o imposto já detivamente pago, e, no caso do inciso 11, se a falta resultar de presunção legal e o imposto estiver também comprovadatnente pago. "Art 242 - A Nota Fiscal conterá • ( ), VIII - a quantidade e discriminação dos produtos por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade, numero, se houver, e demais elementos que permitam sua perfeita identificação; XIV - a forma de acondicionamento dos produtos, bem como a marca, numeração, quantidade, espécie e peso, liquido e bruto, dos volumes, (.. ). "Art 252 - Será considerada sem valor, para efeitos .fiscais, e servira de prova apenas em favor do fisco, a Nota Fiscal que • 1- não satisfizer as exigências dos incisos 1, 11, IV li, VI e VII do Art 242; II - não indicar, dentre os requisitas dos incisos VIII, X, XI e XII do Art 242, os elementos necessários à identificação e classificação dos produtos e ao calculo do imposto; .„---- Au t 364 - A . falta de lançamento do valor, total ou}arejai, àt • i( imposto na respectiva Nata Fiscal, ou a falta de recoltrime imposto lançado na Nota Fiscal, porem não declarado ció-én:gfir:t . . -- arrecadador, no prazo legal e na . fornia prevista nest-,1 Regulamento, sujeitará o contribuinte às multas básicas (Lei n" 4502/64, Art 80 e Decretos-leis 11"S 34/66, Art 2", alt. 22", e 1680/79, Art 2"): ( .); 11 - de 100% (cem por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado, ou que, devidamente lançado, não .foi recolhido depois de 90 (noventa) dias do termino do prazo; ...--- (--). /i-- 8 Processo n" I 5374 002027/99-15 53-C311 Aeór dão n ° 3301-00,562 F I . 563 Parágrafo 4" - As multas deste artigo aplicam-se, ainda, aos casos equiparados por este Regulamento à filha de lançamento ou de recolhimento do imposto, desde que, para o .fato 31(10 seja cominada penalidade especifica (Lei n" 4502/64, Ari 80, parágrafo 47 Assim, demonstrado que a recorrente emitiu notas fiscais sem o requisito essencial, previsto no art. 242, incisos VIII e IX, citados e transcritos anteriormente, ficou sujeita à penalidade nos termos do art. 364, II, parágrafo 4 0, transcritos acim'a—, i'e uzida a 75,0 %, em face da aplicação retroativa da Lei n°9430, de 1996, art. 44, I, / • -,..... Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento aos recursos, de oficio e voluntário. .. ...-# . . José c, eft . f ormo de Morais irr )•••• 9
score : 1.0
Numero do processo: 35464.000207/2006-13
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/09/1996
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.260
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/09/1996 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:38:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:38:44Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:38:44Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:38:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ca004d11-ff10-445b-a898-22d7b3c75f47; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:38:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:38:44Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:38:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:38:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:38:44Z; created: 2010-07-13T13:38:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2010-07-13T13:38:44Z; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:38:44Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl. 1 ,..-"Er.7.......r * • •'--'----, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35464.000207/2006-13 Recurso n° 159.573 Voluntário Acórdão n° 2301-01.260 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente UNILEVER BRASIL ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/09/1996 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - C'TN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. RessaIta-s- que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a tcompetência de ocorrênciáj d. ;to gerador, mais recente do lançamento. A data de 20/12 \corresponde ao décimo erc"e, o s. ário. JULIO t SAR VIEIRA GOMES — Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). 1 Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 28 (recurso-padrão) e 29 a 325 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. ACÓRDÃO N° 2301-01.05728 - Recurso: 150240 Tipo: RV Processo: 37311.009749/2005-31 Recorrente: HOPI HARI S/A Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 21/12/2005, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da rega aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das Se‘lsões en 24 de fevereiro de 2010. cp,A, JULIO CE3A9VIEIRA GOMES - Relator \ 2
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Numero do processo: 10845.009030/86-10
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 1988
Numero da decisão: 302-00.383
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE AFFONSO MONTEIRO DE BARROS MENUSIER.
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Numero do processo: 10830.008439/2002-31
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174 DE 2001 E LEI
COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1 0 -
Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em
conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF n° 26).
JUROS - TAXA SELIC - A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
(Súmula CARF n° 4).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária
(Súmula CARF n° 2).
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.459
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,
REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1 0 - Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF n° 26). JUROS - TAXA SELIC - A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. / 1 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. _ Ne' sorit f gifa(ridente tpnio Lopp' rtinez Relator 4 / - EDITADO EM: 1 1 j ri 2019 , Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). - 2 Processo n° 10830.008439/2002-31 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.459 Fl. 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, SILVIO BITTENCOURT FILHO, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), onde apurou-se o crédito tributário na importância correspondente a R$ 839.722,83 (oitocentos e trinta e nove mil, setecentos e vinte e dois reais e oitenta e três centavos), sendo R$ 362.888,00 a título de Imposto de Renda Pessoa Física, R$ 272.166,00 referentes à Multa e R$ 204.668,83 referentes aos juros de mora, consubstanciado' no Auto de Infração de fls. 52 a 57, relativo ao ano calendário de 1998. De acordo com a descrição dos fatos, o enquadramento legal, a infração decorreu de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações" (artigo 42 da Lei n 9.430/96 e alterações posteriores). O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 16/09/2002 (fls.204) e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: PRELIMINARES. DA EXTINÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMEMTO FISCAL. Argumenta que o procedimento fiscal iniciado com fulcro nas disposições do artigo 142 do CTN tem como origem o Mandado de Procedimento Fiscal emitido em 26/03/2002, com prazo de conclusão de 120 dias, ou seja, vigorando até 24/07/2002; O impugnante requer a nulidade da notificação promovida ao contribuinte, diante da extinção do Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização Complementar, expedido em 6/03/2002, com a conseqüente nulidade de todos os atos praticados no presente procedimento administrativo, posteriores ao ato nulo,. DA VIOLAÇÃO DO PRINCIPIO DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE DAS NORMAS JURÍDICAS PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Argumenta o impugnante que, o extinto Tribunal Federal de Recursos, atual Superior Tribunal de Justiça, através da Súmula 182, já pacificou: "É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; Destaca que, a Lei Federal n" 10.174/2001 afronta princípios basilares da República Federativa do Brasil, esculpido na Magna Carta de 1988, em seu artigo 5°, incisos X XII, XXXVI, VIV, LV e LVI; artigo 60, parágrafo 4°, inciso IV; e artigo 145, parágrafo 1°, além de violar as disposições dos artigos 2°, 6°, e parágrafo 1° e 2° da Lei de Introdução ao Código Civil (Lei n° 3.071/16); Ainda, houve afronta ao principio da irretroatividade das leis, posto que ao tempo da movimentação financeira analisada era 3 expressamente vedado ao Fisco Federal promover o cruzamento de informações fiscais com as informações prestadas pelas Instituições Financeiras acerca do recolhimento da CPMF, conforme expressamente vedava o parágrafo 3 0 do artigo 11 da Lei Federal n° 9.31111996; irretroatividade da Lei Complementar n° 105/2001, da Lei Federal n" 10.174/2001 e do Decreto n° 3.724/2001, para permitir que as informações relativas a movimentação financeira do Apelante sejam utilizadas para apuração e lançamento do Imposto sobre a renda de Pessoa Física - IRRF, ainda é expressamente vedada pelas disposições do artigo 144 do CTN; Requer, assim, que seja decretada a nulidade dos autos lavrados, por ferirem o principio da legalidade; MÉRITO. DA AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE DA OBRIGAÇÃO TRIBUTA' RIA EXIGIDA NO AUTO DE INFRAÇÃO E IMPOSIÇÃO DE MULTA. Argumenta o impugnante que o lançamento efetuado não respeitou os limites estabelecidos pela legislação tributária vigente, especialmente os artigos 43 e 142 do Código Tributário Nacional; Ao interprete/legislador é sumariamente vedado estabelecer os rendimentos ou proventos de qualquer natureza do contribuinte, por mera ficção, como ocorrido no caso vertente, mesmo que lançado na forma prevista pelo artigo 42 da Lei federal n° 9.430/1996; 3.10. diz que o art. 42 da Lei Federal n° 9.430/1996 padece de vicio de constitucional idade, posto que invadiu seara de competência de Lei Complementar, como definido pelo Artigo 146, inciso 14 da Constituição Federal; A vista da manifestação inconstitucionalidade das disposições do artigo 42 da lei federal n° 9.430/1 096, o lançamento tributário promovido pelo Auto de Infração e Imposição de Multa guerreado merece ser anulado, pela ausência da verificação da material idade do tributo, ou seja, da ocorrência do fato gerador, e da inexistência de apuração base de cálculo na forma prevista pelas disposições do artigo 43 do e CIN e legislações infra- constitucionais vigentes, que se restringiram aos limites traçados pela norma de caráter complementar; DO EXCESSO DO TRIBUTO APURADO PELA AUSÊNCIA DE DEDUÇÃO DA PARCELA LEGAL E PELA INEXISTÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DA TABELA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. Alega que, a apuração do imposto lançado pela Autoridade Administrativa através do auto de infração, ignorou a dedução permitida pela Lei na 9.25011995, art. 10, e portanto, exige importância superior a devida pelo Impugnante; Destarde, a inexistência da correção da tabela de cálculo do imposto, bem como os valores das deduções por dependentes e despesas de instrução, ocasiona recolhimento ndevido do Imposto de Renda, por parte do Impugnante, sobre algo que, em verdade, não constituem acréscimo de património; DA UTILIZAÇÃO DA INCONSTITUCIONAL TAXA SELIC. Denota-se que os juros não foram calculados sobre o valor originário do pretenso débito cobrado, aliás, como claramente 4 Processo n° 10830.008439/2002-31 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.459 Fl. 3 demonstrado no auto de infraçã o, que indicam que foram calculados sobre o valor já corrigido, portanto, contrariando a determinação do texto legal, que emana a incidência sobre o valor originário da exação fiscal pretendida; Ainda, para correção dos valores lançados pelo Auto de Infração e Imposição de Multa, a Autoridade Administrativa valeu-se dos índices da taxa SELIC, em completa afronta às disposições do artigo 150, inciso I, da Constituição federal/ 1988, já que o mencionado índice não pode ser considerado como mero recompositor da capacidade de compra da moeda, posto que projeta correção superior à desvalorização da moeda; A interpretação que melhor se afeiçoa ao artigo 161, § 10, do CTN, é a de poder a lei ordinária fixar juros iguais ou inferiores a I % ao mês, nunca juros superiores a esse percentual; O artigo 193, § 30, da CF/I988, dita que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% ao ano; Em 10 de setembro de 2007, os membros da r Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. A autoridade julgadora retificou a declaração no tocante as deduções da base de cálculo, a fim de deduzir o valor tributável encontrado pela fiscalização. Cientificado em 19/11/07 do supracitado Acórdão, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, em 14/12/2007, o Recurso Voluntário, de fls. 268/277, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas anteriormente no presente relatório. É o relatório. 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Irretroatividade da LC 105/2001 e da Lei n° 10.174/2001. O contribuinte se mostrou inconformado com a aplicação retroativa da Lei Complementar 105/2001 e da Lei 10.174/2001. Entendeu que ao proceder com base em tais instrumentos legais o Fisco acabou por obter provas de origem ilícita. Não procede tal argumento. O parágrafo 1° do art. 144 do C'TN pellnite a aplicação de legislação posterior à ocorrência do fato gerador, que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização e ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. Desta founa é notória a possibilidade de aplicação dos mencionados instrumentos legais de forma retroativa, uma vez que, tão somente, ampliam os poderes de investigação do Fisco. O STJ já manifestou o seu entendimento neste sentido no RESP 529818/PR e no ERESP 726778/PR. De igual modo o CARF já consolidou a posição sobre a suposta irretroatividade: O art. 11, ás" 3", da Lei n°9.311/9& com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF No. 35). É de se negar provimento a essa parte do recurso. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamenta-se em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, tem-se a autorização para considerar ocorrido o "fato gerador" quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de "fato gerador", a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do "fato gerador" (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tão-somente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). 6 Processo n° 10830.008439/2002-31 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.459 Fl. 4 No texto abaixo reproduzido, extraído de "Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas" (Justec-RJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo - contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei n° 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza não-tributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regulan-nente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.° 9.430/1996). As provas apresentadas pelo recorrente não são robustas para justificar os depósitos bancários. Trata-se de documentos que podem ter sido produzidos de própria mão, sem a validação e reconhecimento por um terceiro. Na realidade ainda que verossímil os argumentos e provas trazidos aos autos, não existe qualquer procedimento que possa ser realizado para circularizar os valores ali expostos. Diante da ausência de elementos de prova nos autos, é oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: "Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa." Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente. prova 'é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato ". Já no campo objetivo, as provas "são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo. Assim, consoante o referido autor, a prova teria , )(\1/4 7 a) um objeto - são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade - a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário - o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigem-se ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Pode-se então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Da Inconstitucionalidade das Normas No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O Primeiro Conselho de Contribuihtes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n" 2). Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF n° 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros morató rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 10 de março de 2010. átonio Lbpo Marti ez 8
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