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Numero do processo: 10715.009372/2002-79
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 06/10/1999 a 15/09/2000
RECURSO VOLUNTÁRIO SEM ASSINATURA. NÃO CONHECIMENTO.
O direito de defesa do contribuinte somente pode ser por ele próprio exercido ou por procurador devidamente habilitado para tal fim, razão pela qual a assinatura de sua peça recursal é formalidade indispensável para atestar a legitimidade da
representação processual.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 303-35.557
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: NANCI GAMA
1.0 = *:*
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 06/10/1999 a 15/09/2000 RECURSO VOLUNTÁRIO SEM ASSINATURA. NÃO CONHECIMENTO. O direito de defesa do contribuinte somente pode ser por ele próprio exercido ou por procurador devidamente habilitado para tal fim, razão pela qual a assinatura de sua peça recursal é formalidade indispensável para atestar a legitimidade da representação processual. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
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Recorrida DRJ-FLORIANÓPOLIS/SC • ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 06/10/1999 a 15/09/2000 RECURSO VOLUNTÁRIO SEM ASSINATURA. NÃO CONHECIMENTO. O direito de defesa do contribuinte somente pode ser por ele próprio exercido ou por procurador devidamente habilitado para tal fim, razão pela qual a assinatura de sua peça recursal é formalidade indispensável para atestar a legitimidade da representação processual. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário, nos 111 termos do voto da relatora. - 14 ANELISE D DT PRIETO - Presidente NĈI A - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto e Tarásio Campeio Borges. Processo n° 10715.009372/2002-79 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-35.557 Fls. 172 Relatório Adoto o relatório do i. julgador da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC: "Por meio dos autos de infração de fls. 01-06 e 07-12, exigiu-se da contribuinte em epígrafe o recolhimento das quantias de R$ 1.232,08, a título de Imposto de Importação e de R$ 7.454,17, a título de Imposto sobre Produtos Industrializados, ambos acrescidos de multa de mora e juros de mora, tendo em visto a desclassificação tarifária das mercadorias importadas por meio de cinco declarações de importação (DIs), listada às fls. 02. Conforme relato da autoridade autuante, fls. 02-03, a contribuinte, por meio das retro citadas Dls, submeteu a despacho 650 Kg do produto químico descrito como 'corante para tintura de cabelos, PDR BLACK GC-5 classificado no código NCM 3204.14.00, para o qual estavam previstas as alíquotas de 17% de II e 0% de IPL O laudo técnico de fls. 14, referente aos resultados da análise de amostra da mercadoria coletada em ato de conferência fisica da DI n° 00/1030930-0 (uma das quatro DIs objeto da presente autuação), informou, de maneira conclusiva, que o produto químico em questão constitui uma preparação capilar, cuja classificação tarifária correta é o código NCM 3305.90.00, para o qual são previstas alíquotas de 21% de II e 20% de IPL Conforme relato de fls. 03, a autoridade fiscal considerou que a mercadoria apesar de incorretamente classificada, foi corretamente descrita pela contribuinte, incorrendo na hipótese prevista pelo Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 10/97, razão pela qual considerou 1111 aplicável apenas a multa de mora, em vez da multa de oficio. Diante disso, a autoridade fiscal lavrou os autos de infração, fls. 01-06 e 07-12, para cobrança da diferença de II e para a cobrança de IPI, acrescidos de multa de mora e juros de mora. Devidamente intimada, fls. 57, a interessada apresentou impugnação, fls. 59-61, contestando o procedimento fiscal. Sustentou que a mercadoria importada deve, sim, ser classificada no código NCM 3204.14.00, por se tratar de um corante utilizado no processo de fabricação de tintura para cabelo (esta sim uma preparação capilar). Questionou a conclusão do laudo técnico de fls. 14, especificamente em relação ao seu texto conclusivo, que afirma tratar-se de uma 'preparação capilar', quando na verdade deveria afirmar que se trata de 'produto para fabricação de preparação capilar'. Afirmou que o código indicado pela fiscalização (3305.90.00) abrange apenas os produtos acabados para aplicação capilar. Ressaltou que a posição 3305, da qual deriva este subitem, abrange xampus, laquês, 11\_ 2 Processo n° 10715.009372/2002-79 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.557 Fls. 173 alisantes, condicionadores e outros produtos cuja importação, fabricação e comercialização sujeitam-se ao controle da ANVISA, inclusive no tocante às suas embalagens individuais, por se tratarem de produtos prontos para uso. Afirmou, outrossim, que já se reportou ao Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, requerendo a correção do equívoco cometido no texto conclusivo do presente laudo técnico, conforme documento de fls. 66. Nestes termos, requereu que sejam julgados improcedentes os presentes lançamentos" A DRJ de Florianópolis/SC, por unanimidade, considerou procedente o lançamento, exarando a seguinte ementa: "NCM 3305.90.00. PREPARAÇÃO CAPILAR. As preparações capilares classificam-se no código NCM 3305.90.00. Lançamento Procedente." Inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de 83 a 86, o qual foi encaminhado a este e. Conselho para análise e julgamento. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteu o julgamento do feito em diligência, a fim de que o contribuinte fosse intimado, para providenciar a assinatura do seu recurso voluntário, regularizando sua representação processual, sob pena de não conhecimento do mesmo. Em cumprimento da diligência, foi expedida a intimação n° 028/2008 ao contribuinte, que, apesar de tê-la recebido, conforme fls. 169 dos autos, não providenciou a assinatura do seu recurso. É o Relatório. • 3 „ • Processo n° 10715.009372/2002-79 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.557 Fls. 174 Voto Conselheira NANCI GAMA, Relatora O objeto do presente recurso diz respeito ao auto de infração lavrado contra o contribuinte, para exigir o pagamento de II e IPI, referentes à desclassificação tarifária das mercadorias importadas pelo contribuinte por meio de cinco declarações de importação. Sendo assim, a questão central cinge-se a verificar se a classificação fiscal utilizada pelo contribuinte está correta, considerando a mercadoria que o mesmo importou. Analisando os autos, essa Relatora verificou que o recurso voluntário do • contribuinte não se encontrava assinado, pelo que propôs a conversão do julgamento do feito em diligência, de forma que referido vicio fosse sanado, o que foi acolhido por unanimidade por essa e. Câmara (fls. 163/166). Ocorre que, apesar de ter sido devidamente intimado da mencionada diligência (fls. 169), o contribuinte não providenciou a assinatura do seu recurso, o que compromete o seu conhecimento. Com efeito, o direito de defesa do contribuinte somente pode ser por ele próprio exercido ou por procurador devidamente habilitado para tal fim, razão pela qual a assinatura de sua peça recursal é formalidade indispensável para atestar a legitimidade da representação no presente processo. Sendo assim, carece o recurso de uma de suas condições de admissibilidade, razão pela qual não pode ser conhecido. Dessa forma, NÃO CONHEÇO o recurso do contribuinte, por ausência de • assinatura. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de agosto de 2008 4
score : 1.0
Numero do processo: 10166.011324/2007-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-001.379
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos anular a
decisão de primeira instância, a fim de que a impugnação apresentada seja integralmente conhecida.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos anular a decisão de primeira instância, a fim de que a impugnação apresentada seja integralmente conhecida. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Relator. EDITADO EM: 25/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Peço vênia para iniciar este pela transcrição do quanto relatado no acórdão recorrido, in verbis: “Tratase de lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, no qual o contribuinte, acima identificado, foi notificado das alterações em sua declaração, e intimado a recolher ou impugnar o débito, abaixo discriminado: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — VALORES EM REAIS IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA SUPLEMENTAR 2.234,27 MULTA DE OFÍCIO 1.675,70 JUROS DE MORA SOBRE O IMPOSTO SUPLEMENTAR * 1.463,00 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO 5.372,97 * cálculo válido até MAI/2007. Nos termos da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o lançamento está assim fundamentado: "Dedução indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte. O imposto de renda do titular foi alterado em razão do valor de R$ 2.266,23 está com a exigibilidade suspensa. Enquadramento Legal: art. 12, inciso V, da Lei n°9.250/95 ". Mediante a impugnação de fls.1, o contribuinte apresentou as seguintes alegações • No que refere á autuação procedida, manifesta sua irresignação uma vez que em nenhum momento contribuiu para a sua ocorrência ou mesmo quis se beneficiar da informação prestada; • Por força dos arts. 2°, 4° e 5°, da IN SRF n° 120, de 28/12/2000, compete à unidade pagadora fornecer e responder pelas informações prestadas. Nesse ponto, destaca que procedeu sua declaração de rendimentos com base nos valores constantes do comprovante de rendimentos que lhe foi fornecido pela instituição financeira; • Assim, em face da notificação recebida, solicitou a fonte pagadora os esclarecimentos devidos, de forma a possibilitar a sua manifestação à Secretaria da Receita Federal; • Em resposta, o Banco do Brasil (fonte pagadora) esclareceu que os dados incluídos no comprovante de Rendimentos foram informados à SRF, através da DIRFITA, segundo art. 13, inciso IV, da Instrução Normativa SRF n° 269, de 26/12/2002, e Quadro Linha 01, inciso I, Linha 5, do Anexo único da Instrução Normativa n° 288, de 24/01/2003. Informou ainda, que essa conduta foi pautada em estrita sintonia com os próprios normativos emitidos pela SRF, cujo problema decorreu de divergência de tratamento que foi dado aos valores com exigibilidade suspensa; • Dessa forma, não existe a divergência apontada, e o que ocorreu, segundo informado, foi um erro de leitura por parte da SRF, assunto tratado por meio dos Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.011324/200719 Acórdão n.º 2802001.379 S2TE02 Fl. 2 3 Expedientes Diretoria de Gestão de Pessoas n° 2003/1722 e 2004/237, de 28/20/2003, e 29/03/2004, respectivamente; • Quando da elaboração do seu Comprovante de Rendimentos, o Banco do Brasil considerou como rendimento tributável o valor que se encontrava com exigibilidade suspensa por liminar judicial nos feitos 2002.34.00.011399 e 2002.34.00.0406972 (17ª e 20ª Varas JF Brasília, respectivamente). • Destacase ainda que os valores retidos e descritos do item 6. Informações Complementares (1.028,71+ 1.237,23 = 2.266,23) não foram recolhidos ao erário, mas estão depositados à disposição dos Juízos da 17ª e 20ª Varas JF Brasília, até o deslinde dos processos onde se discute a natureza jurídica (indenizatória ou salarial) da verba "Abono" paga pela fonte pagadora; • Vale relembrar mais unia vez que compete à fonte pagadora fornecer, para efeito da Declaração de Ajuste Anual, o comprovante de rendimentos pagos e de retenção do IRRF. Com efeito, se houve algum erro, o mesmo jamais poderá lhe ser atribuído, pois além de não ter contribuído na elaboração do comprovante de rendimento, não detinha conhecimentos sobre a sistemática adotada pelo Banco para apuração das informações contempladas em sua DIRF; • Portanto, não teve qualquer participação na inconsistência verificada em sua DIRF, cuja pendência se resume na "divergência no valor dos rendimentos tributáveis declarados", ante o fato de ter sido incluído no imposto retido na fonte o valor dos depósitos judiciais sob o título "liminar abono" realizados nos processos n° 2002.34.00.011399 e 2002.34.00.0406972, em curso na 17ª e 20ª VF de Brasília. A DRF/Brasília/DF informou sobre a tempestividade da impugnação, às fls.72.” A decisão recorrida, contudo, não conheceu da impugnação em face da existência de ação judicial, o que implica concomitância. Às fls. 84 se vê o recurso voluntário, por meio do qual o interessado reafirma que: “... é de competência exclusiva da fonte pagadora o fornecimento do comprovante de rendimentos pagos e de retenção do IRRF, responsabilizandose pelo seu preenchimento (indicação da natureza e o montante do rendimento bruto tributável, das deduções e do imposto de renda retido no anocalendário, pelo valor total anual, expresso em reais), observadas as instruções pertinentes. E este, aliás, é o ponto recorrido e que de fato se pretende ver reconhecido, porquanto o Recorrente não teve qualquer participação na inconsistência verificada em sua DIRF (fls. 15), cuja pendência se resumiu exclusivamente na "divergência no valor de rendimentos tributáveis declarados", ante a inclusão do imposto retido, por parte da fonte e pagadora, na fonte do valor dos depósitos judiciais realizados.” É o relatório. Voto Conselheiro Sidney Ferro Barros, Relator. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos gerais de admissibilidade. Dele conheço. Há em discussão o tema “dedução indevida do IR Fonte” e, como visto, a impugnação do interessado não foi conhecida em primeira instância sob o argumento de existência de ação judicial. Sabese que ocorre a litispendência quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir, ou seja, quando se ajuíza uma nova ação que repita outra anteriormente ajuizada, com total identidade entre partes, conteúdo e pedido formulado. O art. 301 do CPC traz o conceito de litispendência nos seguintes termos: ”Art. 301 (...) § 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Nos termos da Lei n. 12.016/2009, que disciplina o mandado de segurança individual e coletivo e dá outras providências: “Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1º O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva.” [grifei] Não é demais lembrar que, nos termos da Súmula 629 do STF: “A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes.” Não é por outra razão que assim já se decidiu nesta Corte Administrativa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa.” Acórdão n° 920200.278, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Sessão de 22 de setembro de 2009. No caso em pauta, em tudo semelhante ao do Processo nº 10166.005554/200749, é possível concluir que o contribuinte, representado por seu órgão de classe, a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil ANABB, obteve a concessão de liminar em Mandado de Segurança, por meio dos processos de n° 2002.34.00.0011399 e 2002.34.00.0406972, em trâmite na 17ª e 20ª Vara da Justiça Federal do DF, respectivamente (conforme consulta ao site do TRF da 1ª Região). Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão de primeira instância, a fim de que a impugnação apresentada seja integralmente conhecida. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.011324/200719 Acórdão n.º 2802001.379 S2TE02 Fl. 3 5 É o meu voto. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 09 de fevereiro de 2012. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.011324/200719 Acórdão n.º 2802001.379 S2TE02 Fl. 4 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10166.011324/200719 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802001.379. Brasília/DF, 11 de julho de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 106DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11080.733180/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2013
HIPÓTESE DE EXCLUSÃO DE OFÍCIO.
O parcelamento de débitos para com a Fazenda Nacional e para com a Previdência Social - INSS é hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, VI, do CTN, não se aplicando o disposto no artigo 17, V, da Lcp 123/2006.
Recurso Voluntário conhecido e provido.
Numero da decisão: 1301-004.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
Lucas Esteves Borges - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Heitor de Souza Lima Junior, Rogerio Garcia Peres, Lucas Esteves Borges, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausentes a conselheira Bianca Felicia Rothschild e o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
Nome do relator: LUCAS ESTEVES BORGES
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O parcelamento de débitos para com a Fazenda Nacional e para com a Previdência Social - INSS é hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, VI, do CTN, não se aplicando o disposto no artigo 17, V, da Lcp 123/2006. Recurso Voluntário conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente Lucas Esteves Borges - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Heitor de Souza Lima Junior, Rogerio Garcia Peres, Lucas Esteves Borges, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausentes a conselheira Bianca Felicia Rothschild e o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 31 80 /2 01 2- 25 Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-004.785 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733180/2012-25 Relatório ERIFORMA – ACADEMIA DE GINÁSTICA, ESTÉTICA E ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA. – ME recorre a este Conselho Administrativo pleiteando a reforma do acórdão proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/BSB que NEGOU PROVIMENTO à Manifestação de Inconformidade apresentada. Trata o presente processo de exclusão do Simples, mediante Ato Declaratório Executivo da DRF de origem, com base no artigo 17, V, da Lei Complementar 123/2006, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2013, em razão de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com a exigibilidade não suspensa. Os débitos que justificaram a emissão do ADE foram os seguintes, conforme e-fls. 111: DÉBITOS NÃO-PREVIDENCIÁRIOS EM COBRANÇA NA PGFN INSCRIÇÃO VALOR CONSOLIDADO 00000000208004554 R$ 22.851,67 00000000608023105 R$ 14.369,86 00000000708002646 R$ 3.113,37 00000000608023106 R$ 13.711,00 DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS NA RFB E NA PGFN COMPETÊNCIA VALOR DO SALDO 01/2009 R$ 111,84 02/2009 R$ 117,34 03/2009 R$ 150,42 04/2009 R$ 124,37 05/2009 R$ 122,03 06/2009 R$ 122,03 07/2009 R$ 122,03 08/2009 R$ 122,03 Cientificado da exclusão em 26/09/2012, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que: (i) os débitos não-previdenciários teriam sido objeto de parcelamento em 13/05/2011; e (ii) os débitos previdenciários se referem a valores duplicados em SEFIPS, na qual já teria havido a retransmissão das declarações para regularização dos débitos. Ao tratar da questão, a DRJ/BSB julgou improcedente o pleito do contribuinte, sob o entendimento, em síntese, de que: Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-004.785 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733180/2012-25 A Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece em seu artigo 17, inciso V, condição impeditiva para recolher tributos na sistemática do Simples Nacional a existência de débitos, e no art. 31 a possibilidade de permanência caso haja a regularização até o prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ato de exclusão; [...] Por sua vez a alínea "d" do inciso II do art. 73, combinada com o inciso I do art. 76, ambos da Resolução CGSN nº 94, de 2011, prevê que a exclusão de ofício do Simples Nacional darseá no caso de ocorrer a hipótese de vedação, em virtude da existência de débitos: [...] No caso em exame, pela tela de fl. 113 constata-se que após o prazo permitido pela legislação ainda remanesciam os débitos não previdenciários em cobrança na PGFN de nº 0208004554, nº 0608023105, nº 0708002646 e, nº 0608023106 que acarretaram a exclusão da empresa do Simples Nacional. De fato, pelas telas de fls. 118/142, retiradas dos sistemas internos da PGFN (consulta em 19/11/2013), é possível observar no campo ‘Informações de Ocorrências’ que em 07/02/2009 foi cancelado o pedido de concessão de parcelamento simplificado formalizado pela empresa, ficando esses débitos inscritos em Dívida Ativa da União, desde então, como devedores na situação de “ATIVA AJUIZADA”. Salienta-se, em face das alegações apresentadas pela defesa, que não consta qualquer registro de que houve revisão dos débitos. Assim, uma vez que os débitos não previdenciários em cobrança na PGFN de nº 0208004554, nº 0608023105, nº 0708002646 e, nº 0608023106, os quais também motivaram a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 1º de janeiro de 2013, não foram regularizados no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 581903 de fl. 13, correta a exclusão da empresa dessa sistemática de apuração. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos já trazidos aos autos e acrescentando que: - fez o parcelamento para ingresso no SIMPLES de 2009 dos débitos não previdenciários e desde então continua pagando o referido parcelamento com guias emitidas e fornecidas pelo próprio site da Receita Federal; - a empresa, através de seu próprio sócio administrador já foi na Receita Federal para saber o porque da não consolidação destes impostos e a resposta que deram é que tem que ser aguardado a consolidação; - em 10/05/2012 foi pedido uma revisão de débitos em dívida ativa, bem como a inclusão das inscrições nº 00000000208004554, 00000000608023105, 00000000708002646, 00000000608023106 neste parcelamento do Simples Nacional para atender um pedido de penhora de bens por parte da procuradoria; - em 28/11/2012 foi recebido um ofício que defere VALIDAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO PARCELAMENTO PARA INGRESSO NO SIMPLES NACIONAL 2009. Por fim, colaciona recibo do pedido de parcelamento para inclusão no Simples Nacional 2009, o pagamento dos últimos DARFs do parcelamento para ingresso no Simples Nacional 2009, o pedido de revisão de débitos em dívida ativa, o ofício de comunicação da validação e consolidação do Simples Nacional 2009, em decorrência da sua não concordância com a exclusão do Simples Nacional. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-004.785 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733180/2012-25 Voto Conselheiro Lucas Esteves Borges, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Analisando o que dos autos constam, resta claro que a discussão em sede recursal é exclusivamente quanto aos débitos não-previdenciários, haja vista que a própria DRJ/BSB já considerou como resolvida a questão referente aos débitos previdenciários, veja: No caso em exame, pela tela de fl. 113 constata-se que após o prazo permitido pela legislação ainda remanesciam os débitos não previdenciários em cobrança na PGFN de nº 0208004554, nº 0608023105, nº 0708002646 e, nº 0608023106 que acarretaram a exclusão da empresa do Simples Nacional. Continuando a análise do Acórdão DRJ, nota-se que o argumento para não reconhecer o pleito do contribuinte se limita no fato de que a partir da análise das telas e-fls. 118/142, retiradas dos sistemas internos da PGFN, teria sido cancelado, em 07/02/2009, o pedido de concessão de parcelamento simplificado, restando os débitos inscritos em Dívida Ativa da União – DAU, conforme tela a seguir: Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-004.785 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733180/2012-25 Acontece que, a DRJ/BSB não desconstitui os argumentos de defesa apresentado pelo contribuinte. Inicialmente se faz imperioso esclarecer que a movimentação no sistema interno da PGFN sem a contextualização do motivo pelo qual consta o cancelamento do parcelamento não é suficiente para conferir legitimidade no ato de cancelamento do pedido, sendo, inclusive, crucial a comunicação desse ato ao contribuinte a fim de que lhe seja concedido direito ao contraditório e ampla defesa. Não consta dos autos qualquer referência de que o cancelamento teria ocorrido a pedido do contribuinte ou por qual razão teria ocorrido. Ademais, a arguição de defesa do contribuinte, que não foi desconstituída pela decisão recorrida, é no sentido de que em 2012 requereu e teve atendido o seu pedido de revisão e parcelamento de dívida ativa. Vale frisar que não houve negativa relativa ao valor devido mas, sim, informação de que foi não só solicitado o parcelamento da quantia – causa suspensiva da exigibilidade –, como foi validado e consolidado o parcelamento, conforme e-fls. 158 e 157, respectivamente, a seguir colacionada: Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-004.785 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733180/2012-25 Nesse contexto, com base nos elementos de fato e prova contido nos autos, o que se consegue aferir é que: - o contribuinte requereu seu ingresso para o Simples Nacional em 2009, o qual foi deferido; - em 10/05/2012 requereu a revisão e a extinção de Dívida Ativa relativa às inscrições nº 0208004554, nº 0608023105, nº 0708002646 e nº 0608023106, a qual foi atendida em 28/11/2012; - Em 03/09/2012 o ADE foi expedido, com ciência ao contribuinte em 26/09/2012. Resta claro, portanto, que o ADE foi expedido no lapso temporal entre a formalização do requerimento (10/05/2012) e a aprovação do parcelamento (28/11/2012). Enquanto o contribuinte aguardava por uma resposta relativa ao seu pedido de parcelamento, teve a surpreendente notícia de que estaria sendo excluído do Simples Nacional em razão desses débitos. Assim, tendo em vista que o débito não constava com a exigibilidade suspensa quando da emissão do ADE em razão exclusivamente da demora para avaliação e aprovação do requerimento do contribuinte, entendo que este não pode ser penalizado com a exclusão da sistemática de apuração do Simples Nacional. Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-004.785 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733180/2012-25 Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito, dar-lhe provimento. Lucas Esteves Borges Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13851.001750/2005-42
Data da sessão: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
Ementa: NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA — INOCORRÊNCIA — Não havendo a juntada de qualquer documento que justifique a necessidade de uma diligência na decisão da instância de piso, escorreito o indeferimento dessa
pretensão.
IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL - FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL - PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 40, DO CTN - OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO — PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN.
DESPESAS MÉDICAS — NEGATIVA DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO E DEDUÇÃO DE RECIBO EMITIDO POR PROFISSIONAL METALÚRGICO — RECIBOS EMITIDOS EM DIA DE DOMINGO — INCOMPATIBILIDADE ENTRE O MONTANTE DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E O MONTANTE DAS DESPESAS MÉDICAS -
INTIMAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO- NÃO COMPROVAÇÃO - MANUTENÇÃO DA GLOSA - A fiscalização pode e deve intimar o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento e prestação do serviço de despesas médicas vultosas,
notadamente quando há dedução de despesas de profissional da área não médica, de profissional que nega a prestação do serviço, de profissional que emite recibos em dia de domingo, bem como quando o montante das despesa médicas representa parcela expressiva dos rendimentos tributáveis. Não comprovado o efetivo pagamento, deve-se glosar a despesa respectiva.
DESPESAS COM DEPENDENTES — LIMITES NO ART. 35 DA LEI N° 9.250/95 — Somente podem ser considerados dependentes as pessoas naturais listadas no art. 35 da Lei n° 9.250/95.
Numero da decisão: 2102-000.409
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso, para reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário do ano-calendário 1999 que foi apenado com multa de oficio de 112,50% e restabelecer as seguintes despesas:
• Ano-calendário 1999 - R$ 577,92 (despesas médicas)
• Ano-calendário 2000- R$ 1.080,00 (dependentes) e R$ 1.107,46
(despesas médicas)
• Ano-calendário 2001 - R$ 1.080,00 (dependentes) e R$ 2.925,88
(despesas médicas)
• Ano-calendário 2002 R$ 1.272,00 (dependentes) e R$ 1.521,17 (despesas médicas)
Nome do relator: GIOVANNI CRISTIAN NUNES CAMPOS
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Á, __,\§~. »§;f›f---1 ' --Qto f ~.~' ›.‹rz '- °:?É~¢;L1›-==›';›.\*'*Í ‹.,,`,n:-Êzvzsgx `,;z Processo n" Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida S2-C1 F H MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇAO DE JULGAMENTO 13851001750/2005-42 l60.965 Voluntário 2102-00.409 - 1" Câmara/ 2” Turma Ordinária 02 de dezembro de 2009 IRPF ANTENOR CELLONI ófl TURMA DA DRJ-SÃO PAULO II (SP) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ememzzz NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÁNCIA _ INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA - INOCORRÊNCIA - Não havendo a juntada de qualquer documento que justifique a necessidade de uma diligência na decisão da instância de piso, escorreito O indeferimento dessa pretensão. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL - FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL - PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. l50, § 4°, DO CTN - OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalid_ade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa ñsica é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano~calendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, O qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. l73, I, do CTN. DESPESAS MÉDICAS - NEGATIVA DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO E DEDUÇÃO DE RECIBO EMITIDO POR PROFISSIONAL METALÚRGICO - RECIBOS EMITIDOS EM DIA DE DOMINGO - INCOMPATIBILIDADE ENTRE O MONTANTE DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E O MONTANTE DAS DESPESAS MÉDICAS - INTIMAÇÃO PELA PISCALIZAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO- NÃO COMPROVAÇÃO - MANUTENÇÃO DA GLOSA ~ A fiscalização pode e deve intimar O contribuinte a comprovar O efetivo pagamento e prestação do serviço de despesas médicas vultosas, notadamente quando há dedução de despesas de profissional da área não Fl. 497DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. _ íí __ médica, de profissional que nega a prestação do serviço, de profissional que emite recibos em dia de domingo, bem como quando o montante das despesa` médicas representa parcela expressiva dos rendimentos tributáveis. Não comprovado o efetivo pagamento, deve-se glosar a despesa respectiva. DESPESAS COM DEPENDENTES - LIMITES NO ART. 35 DA LEI N° 9.250/95 - Somente podem ser considerados dependentes as pessoas naturais listadas no art. 35 da Lei n° 9.250/95. \ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso, para reconhecer que a decadência extingmiu o crédito tributário do ano- calendário 1999 que foi apenado com multa de oficio de 112,50% e restabelecer as seguintes despesas: 0 Ano-calendário 1999 - R$ 577,92 (despesas médicas) 0 Ano-calendário 2000- R$1.080,00 (dependentes) e R$1.107,46 O (despesas médicas) ' 0 Ano-calendário 2001 - R$1.080,00 (dependentes) e R$ 2.925,88 (despesas médicas) 0 Ano-calendário 200 $ 1.272,00 (dependentes) e R$1.521,17 (despesas médica GIOVANNI CH STIAN ,J wi.. O 1' PO - Rel/ ePresidente. .¡ I EDITADO EM: 1/02/2010 i ' ' I Participaram da ses o de jul ent os conselheiros: Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens 'auríc' Carvalho, Sandro Machado dos Reis, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Giovanni hri ian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte Antenor Celloni, CPF/MF n° 023.652.028-88, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 05/12/2005, Auto de Infração (fls. 68 a 84), com ciência postal, sem registro de data de recebimento no AR-Aviso de Recebimento (data da postagem em 07/12/2005 - fls. 120). Aqui, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento da obrigação: T IMPOSTO lR$ 30.486,74 1 li MULTA DE OFÍCIO ÍR$ 64.622,76 7 Duas infraçoes foram imputadas ao contribuinte, a saber: 2 Fl. 498DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 13851001750/2005›42 S2-Cl Azómâo nf 2102-00.409 Fi, N 1. dedução indevida de dependentes, nos anos-calendário 1999 a 2002, conduta apenada com multa de oficio de 112,50%; 2. deduçao indevida de despesas médicas, nos anos calendário 1999 a 2002, conduta apenada com multa de oficio 225%. Conforme Tenno de Inicio da Açao Fiscal e de reintimaçao (fls. 04, 05, 18 e 19), em relação aos anos-calendário 1999 a 2002, a autoridade autuante requisitou que o contribuinte apresentasse todos os comprovantes de dedução de dependentes, de despesas médicas e que comprovasse o efetivo pagamento aos seguintes profissionais: Ano Profissional Valor 1999 Célio Soares Junior Rs 23.100,00 2000O Célio Soares Junior RS 20.030,00 2001 Agnaldo de Souza RS 10.000,00 2002 Maria Auxiliadora Barbieri R$ 15.000,00 2002 Rodrigo Malaman Belasalma R$ 10.000,00 2002 Daniela Alexandrinho R$ 4.390,00 2002 Neder Moustafa Yaktini R$ 9.200,00 TOTAL R$ 91.720,00 Objetivando confinnar a prestaçao dos serviços acima, a autoridade autuante procedeu a diligências nos domicílios de beneficiários de tais pagamentos, resumidas a seguir: Ó . em relaçao ao Sr. Agnaldo de Souza, verificou que este habitava residência simples, de alvenaria, sem reboco, não logrando, na oportunidade, contactar o Sr. Agnaldo. Porém a sua esposa, presente no domicílio, afirmou que 0 Sr. Agnaldo era funcionário de uma metalúrgica e que havia estudado apenas parte do ensino fundamental (fls. 07). Posteriormente, o Sr. Agnaldo prestou Termo de Declaração (fls. 09), asseverando que não conhecia o Sr. Antenor Celloni, não sabia como este tinha utilizado seu nome junto à Receita Federal e, por tim, que não tinha curso superior, tendo estudado apenas até a sétima série do ensino fundamental; a Sra. Maria Auxiliadora Barbieri declarou que não prestou qualquer serviço de psicologia ao contribuinte ou a seus dependentes no ano- calendário 2002 (fls. 12); 0 Sr. Célio Soares Junior declarou que não prestou qualquer serviço ao contribuinte ou a seus dependentes nos anos-calendário 1999 e 2000. Fl. 499DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 'Í Ítàà O contribuinte pugnou pelo seu direito de ter acesso aos documentos que infonnavam a fase oficiosa do procedimento fiscal aqui guerreado. Não obtendo sucesso em seu desiderato, argüindo cerceamento do direito de defesa, requereu a isenção da entrega de quaisquer documentos exigidos nas intimações (fls. 21 a 27). _ Dando seqüência ao procedimento fiscal, a autoridade autuante reintimou o contribuinte a comprovar as despesas de instrução e médicas, nestas agregando novos beneficiários, nos anos-calendário 1999 a 2002. Ademais, enviou cópia dos tennos de declaração prestados pelos Srs. Célio Soares Junior, Agnaldo de Souza e Maria Auxiliadora Barbieri, detenninado que o contribuinte apresentasse alegações e documentos em face dos termos em debate (fls. 31 a 38). O contribuinte continuou argüindo que teve seu direito de defesa violado, o que impediria a entrega de documentos que se encontravam em seu poder, pois os termos de declaração teriam sido prestados antes de sua ciência do termo de início da ação fiscal e produzidos com desrespeito ao contraditório, bem como invocou a prescrição (sic) qüinqüenáfia e ratificou as informações prestadas em suas declarações de ajuste anual (fls. 39 a 46). Não juntou qualquer documentação para contraditar o teor dos tennos juntados à intimação, bem como não juntou qualquer prova que soconesse o seu direito. Q Assim, a autoridade encerrou o procedimento fiscal em relação aos anos- calendário em debate, glosando despesas com dependentes e médicas nos montantes de R$ 12.456,00 e R$ 100.820,59, respectivamente (fls. 75). Ademais, agravou a multa de oficio em 50% para ambas as infrações, em decorrência de o contribuinte não ter atendido as intimações da fiscalização e ter asseverado que detinha parte dos documentos requisitados (fls. 76). Por fim, exasperou em dobrou a multa de oficio no tocante à infração das despesas médicas, pois o contribuinte inserira despesas que não correspondiam a serviços prestados, declarara despesas médicas com pretenso profissional que somente tinha o ensino fundamental e abatera quase 40% de seus rendimentos brutos a tal título nos anos em debate (fls. 76). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 6” Tunna de Julgamento da DRJ-São Paulo II (SP), por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão de fls. 125 a 138. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 14.729, de 24 de março de 2006. O O contribuinte foi intimado da decisao a quo em 19/07/2006 (fls. 145). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 14/08/2006 (fls. 148). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. é nulo o Acórdão recorrido, que cerceou seu direito de defesa, não convenendo o processo em diligência para oitiva de testemunhas, as quais poderiam afastar a exação lançada, como ocorreu com a declaração prestada pela Sra. Maria Auxiliadora Barbieri, que se retratou do primevo termo prestado, confirmando a prestação do serviço; ll. o crédito tributário foi atingido pela decadência; III. não pode ser responsabilizado por eventuais incorreções na feitura de suas declarações de ajuste anual, já que contratou profissional contábil para o mister. Ademais, nesta oportunidade o contribuinte carreia aos autos toda a Q; 4 Fl. 500DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. V __ DEPENDENTES CONCLUSÃO DA RAZÕES INFORMADOS NA DIRPF AUTORIDADE FISCAL APRESENTADAS 5 Processo n° 13851001750/2005›42 S2-CIT Acórdão n.° 2102-00.409 FI. I documentação comprobatória das despesas dedutiveis dos anos-calendário 1999 a 2002. ' IV. Paran comprovar o seu direito, o recorrente junta a seguinte documentação: 1. declaração firmada pela Sra. Maria Auxiliadora Barbieri, retificando teor de termo juntado aos autos, no qual outrora se negara a prestação de serviço ao recorrente (fls. 209 a 212). Ainda, acostou cópia dos recibos de prestação de serviços psicológicos prestados por essa profissional (fls. 288 a 299); 2. certidão de casamento que lavrou 0 assento do matrimônio entre o recorrente e a Sra. Amanda Moretti Jurado Celloni (fls. 214); 3. escritura de declaração pública entre o recorrente e a Sra. Maria Sonia Cardoso, na qual consta o registro de que os declarantes convivem maritalmente (fls. 216); 4. recibos de prestação de serviço dentário emitidos pelo Sr. Célio Soares Junior (fls. 217 a 241); 5. demonstrativo de pagamento de salário, com o fito de comprovar as despesas médicas com a Unimed (fls. 242 a 286); 6. nota fiscal de serviço emitida pelo Instituto de Olhos Reynaldo Rezende em favor do recorrente (fls. 287); 7. recibos de prestação de serviço emitidos pelo Sr. Rodrigo Malaman Belasalma (fls. 300 a 311), pelo Sr. Neder Yaktine (fls. 312 a 323), pela Sra. Daniela Alexandrino (fls. 324 a 333) e pela Sra. Karina Volpiano de Arruda (fls. 334 a 339). Em sessao plenária de 16/12/2008, a entao Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pela Resolução n° 106-01.462, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade autuante apreciasse toda a prova nova trazida no recurso voluntário (fls. 209 a 339), efetuando as diligências pertinentes e produzindo relatório circunstanciado de suas conclusões, com registro da manutenção ou da alteração do crédito tributário lançado, sendo, o relatório, notificado ao recorrente, abrindo-lhe um prazo de 30 dias para apresentação de sua manifestação. A autoridade que presidiu a diligência apreciou a prova, produzindo os termos e intimações às fls. 398-446, e exarou suas conclusões, as quais foram contraditadas pelo fiscalizado, na fonna que segue: Fl. 501DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. ,, _ ,__ , _ _ 1 M” A "ATI PELO FISCALIZADO Amanda Moretti Jurado Celloni (ex-esposa do fiscalizado) - Glosas nos anos-calendário 1999 e 2000 Considerando o deferimento da separação consensual do casal em 16/12/1999, o fiscalizado somente faz jus à dedução dessa despesa no ano-calendário 1999 O fiscalizado desconhecia as rígidas regras para dedutibilidade de dependentes no IRPF, sendo que pagava as despesas de plano de saúde dos dependentes, razão que o levou a considerá-las como dependentes. Ademais, sua declaração de imposto de renda era confeccionada por ex- alunos, pretensamente versados em contabilidade, aqui a raiz dos equívocos. No caso específico da ex-esposa ao lado, considerando que a decisão judicial que deferiu a separação consensual somente transitou em julgado em 15/02/2000, faz jus a dedutibilidade desse dependente no ano- calendário 2000 Guerino Celloni (pai do fiscalizado) - Glosas nos anos- calendário 2000 e 2001 Auferiu rendimentos em montante superior ao limite de isenção, devendo ser mantida a glosa Idem a defesa geral acima Ivone Luzia Celloni (declarada como pessoa absolutamente incapaz cujo contribuinte seja tutor ou curador) - - Glosas nos anos-calendário 1999 e 2000 Glosa mantida, já que o contribuinte não apresentou qualquer documento acerca dessa despesa Idem a defesa geral acima. Trata-se da irmã do fiscalizado Maria de Lourdes de Oliveira Celloni (mãe do fiscalizado) - - Glosas nos anos-calendário 1999 e 2002 A Sra. Maria de Lourdes declarou que não auferiu rendimentos nos anos fiscalizados neste feito, e não há qualquer informação de rendimentos nos sistemas da Receita Federal do Brasil. A despesa deve ser restabelecida Aqui o fiscalizado vergasta a multa que a autoridade impingiu à dependente pelo não- atendimento de intimação no bojo deste feito Maria Sonia Cardoso (companheira do fiscalizado) - Somente foi juntada escritura pública que informa o convívio entre a Sra. Maria Sonia e o Tratou-se de mero equívoco do fiscalizado 6 1 Fl. 502DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° I 385 I .O0 l 750/2005-42 Acórdão n.° 2102-00.409 S2-CITÂSZH Glosas nos anos-calendário 2002 fiscalizado por mais de 05 meses, isso no ano-calendário 2002. Ora, a dedução somente poderia ser acatada se houvesse vida em comum há mais de cinco anos ou em período menor se da união resultasse filho (art. 77, II, do Decreto n° 3.000/99) DESPESAS MÉDICAS - PROFISSIONAIS coNcLUsÃo DA AUToRiDADE FiscAL RAZÕES APRESENTADAS PELO FiscALizADo Agnaldo Souza - despesa deduzida na declaração do fiscalizado - R$l0.000,00 no ano-calendário 2001 Como já se comprovara na fase que antecedeu a autuação, o profissional aqui citado era um metalúrgico, o que, por si só, é razão suficiente para arrostar a despesa. Na diligência, o contribuinte não se manifestou sobre essa glosa O “profissional” que fez minha declaração inseriu esta pessoa por engano Célio Soares deduzida na Junior - despesa declaração do fiscalizado - R$ 23.100,00 e R$ 20.030,00, nos anos- calendário 1999 e 2000 (recibos às fls. 217-241, com diversos próximos a R$ 2.000,00, havendo um recibo de R$ 5.000,00 - fls. 236) Na fase da auditoria, o odontólogo ao lado negou a prestação do serviço. Agora, na diligência, asseverou que os recibos foram fomecidos gratuitamente, não havendo recebido qualquer valor do fiscalizado (fls. 435) O Sr. Célio Soares Junior confirmou que emitiu os recibos, porém pretensamente de fomia graciosa. Ora, esse profissional não quer assumir suas responsabilidades, atribuindo todo o ônus ao contribuinte. Os recibos informam os beneficiários de cada serviço Daniela Alexandrino - despesa deduzida na declaração do fiscalizado - R$ 4.390,00, no ano-calendário 2002 (recibos às fls. 324-333) Os recibos não indicam os beneficiários do serviço e alguns foram emitidos em domingos (10/02/2002, 10/03/2002 e 10/11/2002), sendo que não há qualquer comprovação do efetivo pagamento do serviço. Por tais motivos, deve-se manter a glosa O fiscalizado recebia cheque-salário da Fadisc, descontando-o, pagando suas despesas em espécie. As despesas ao lado beneficiaram o fiscalizado, sendo que não há qualquer anormalidade na prestação de serviço odontológico aos domingos, tratando-se de tratamento emergencial Instituto de Olhos Reynaldo O recibo não indica o A nota fiscal juntada Fl. 503DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Rezende - RS 1.535,00, no ano- calendário 2001 (fl. 237) beneficiário do serviço e nao há qualquer comprovação do efetivo pagamento do serviço. Por tais motivos, deve-se manter a glosa indica o nome do paciente, no caso o fiscalizado. Agora, colacionam-se uma receita médica e uma prova da consulta oftalmológica (fls. 472 e 473) Karina Volpiano de Arruda - Fisioterapeuta - R$ 1.170,00, no ano-calendário 2002 (recibos às fls. 334-339) Os recibos nao indicam os beneficiários do serviço e um foi emitido em um dia de domingo (30/06/2002), sendo que não há qualquer comprovação do efetivo pagamento do serviço. Por tais motivos, deve-se manter a glosa O fiscalizado recebia cheque-salário da Fadisc, descontando-o, 'pagando suas despesas em espécie. As despesas ao lado beneficiaram o fiscalizado, sendo que não há qualquer anormalidade na prestação de serviço lógico aos domingos Maria Auxiliadora Barbieri - RS 15.000,00, no ano-calendário 2002 (recibos às fls. 288-299) Na fase da autuaçao, a psicóloga asseverou que não prestou o serviço. Posterionnente, quando da impugnação, retratou-se. Ainda, tais valores foram pagos em espécie. A dubiedade da profissional e o pagamento em espécie vulneram a higidez dos recibos apresentados, devendo- se manter a glosa O fiscalizado fez o pagamento em espécie, sendo o serviço prestado a si mesmo. Originalmente, a profissional negou a prestação do serviço, pois foi intimada de modo autoritário e intimidador Neder Moustafa Yaktine - R$9.200,00, no ano-calendário 2002 (recibos às fls. 312-322) Os recibos nao indicam os beneficiários do serviço, sendo que não há qualquer comprovação do efetivo pagamento do serviço. Por tais motivos, deve-se manter a glosa O oflalmologista Yaktine confirmou a prestação do serviço na diligência, sendo o beneficiário dos serviços o próprio fiscalizado. Os valores foram pagos em espécie Rodrigo Malaman Balasalma - R$ 10.000,00, no ano-calendário 2002 (recibos às fls. 300-31 1) O fisioterapeuta foi intimado a comprovar a prestação do serviço e informou que não possuia nenhum documento deste período, tendo em vista o enorme tempo decorrido desde então. Ainda, tal profissional não ofertou à tributação qualquer valor neste ano- calendário, sendo que apenas o fiscalizado teria pagado quase 80% do limite anual de isenção para entrega da DIRPF, o que As despesas foram pagas em espécie e beneficiaram o próprio fiscalizado, como faz prova os recibos juntados 8 Fl. 504DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 1385 1 .00l750/200542 S2-CIT B š Fl Li Acórdão n.° 2102-00.409 demonstra a pouca plausibilidade da prestação de tal __serviço_. _P9r __ fim, ,tais 'pagamentos foram feitos em espécie. Ora, tudo está a indicar que o serviço não foi efetivamente prestado, justificando a manutenção da glosa H UNIMED - R$ 577,92, R$ 1.302,64, R$ 2.323,52 e R$ 2.191,41, nos anos- calendário 1999 a 2002, respectivamente O flscalizado asseverou que os Srs. Guerino Celloni, Maria de Lourdes Oliveira Celloni e Amanda Moretti Jurado Celloni eram seus dependentes na Unimed e não comprovou a Agora o fiscalizado traz a informação da UNIMED com a despesa do fiscalizado e de seus dependentes, ano a ano (fls. 474 a 477) parte de cada um na despesa ao lado. Ora, considerando a glosa parcial de tais dependentes, ficou-se na impossibilidade de se mensurar o valor que efetivamente seria passível de dedução verbis: Ao final, concluiu a autoridade que presidiu a diligência (fls. 451 e 452) 2.11. Isso porque o contribuinte, devidamente intimado e reintimado na fase de auditoria (/ls 04, 18) e intimado (fls 399)e reintimado (fls 434) neste diligência Úls ), não comprovou o EFETIVO PAGAMENTO dos respectivos valores. Não trouxe aos autos cópias de cheques, faturas de cartão de créditos e/ou extratos bancários comprovando SAQUES para pagamentos dos respectivos valores. Nota-se a vultuosidade (sic) dos valores abatidos, que alcançou a cififa de mais de R$ 100 mil reais no período, correspondendo a mais de 40% de seu rendimento bruto. Segundo o contribuinte, R$100.820,00fi›ram pagos em DINHEIRO. Desde o inicio da auditoria (I7.AGO.2005) ate a presente data já se passaram quase quatro anos, tempo suficiente para que o contribuinte buscasse documentos hábeis que comprovassem os efetivos pagamentos. Ao contrário, o contribuinte apresentou na fase de auditoria, yfldg apresentou na impugnação à DRJ, tendo apresentado os documentos dasfls 209/339 somente no recurso voluntário. 2.12. Vale dizer também que as deduções devem ser analisadas num conjunto probatório e como o contribuinte comprovadamente utilizou recibos 'fl'ios” (item 2.2) e inseriu valores falsos em sua declaração (item 2.1) restou a duvida em todas as deduções pleiteadas e, assim, razão pela qual os recibos apresentados isoladamente não são suficientes para a s 9 Fl. 505DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. i × lÍ comprovação de despesa. Necessários seriam as comprovaçôes do efieti vo pagamentos. 2.13. Cabe frisar que o contribuinte foi devidamente intimado (fls 399 - item 2) e reintimado (fls 434 7 item 2), porém não informou e comprovou quem fez os respectivos tratamentos (0 próprio e ou dependentes), Nota-se que no rol das despesas abatidos há recibos de fisioterapia, tratamento psicológico, cirurgia, tratamento dentário. Resta saber quem teria feito estes f tratamentos, o contribuinte ou seus dependentes? Como há dependentes declarados indevidamente - item 1 deste relatório ¬ (o pai do contribuinte, a ex›esposa e sua atual companheira), não há como aceitar os abatimentos. (grifos do original) Este recurso voluntário compôs o lote n° 06, sorteado para este relator na sessão pública da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes de 06/08/2008 .V É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 19/07/2006 (fls. 145) e interpôs 0 recurso voluntário em 14/O8/2006 (fls. 148), dentro do trintídio legal. Dessa fomia, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar os pedidos e as razões deduzidos no recurso. Passa-se a apreciar a defesa do item l do recurso voluntário (é nulo o Acórdão reconido, que cerceou seu direito de defesa, não convertendo o processo em diligência para oitiva de testemunhas, as quais poderiam afastar a exação lançada, como ocorreu com a declaração prestada pela Sra. Maria Auxiliadora Barbieri, que se retratou do priinevo termo prestado, confirmando a prestação do serviço). No ponto, não há qualquer nulidade na decisão recorrida, já que o então impugnante não juntou qualquer documentação comprobatória de seu direito, sendo naquela oportunidade, por óbvio, desnecessáriaqualquer diligência, já que sequer havia documento. novo a ser apreciado pela autoridade autuante. Quando o fez, trazendo a prova até então sonegada, já no recurso voluntário, a então Sexta Câmara, de modo excepcional, converteu o julgamento em diligência, permitindo que a luz do contraditório incidisse sobre a prova nova juntada. Inegavelmente, tem-se buscado neste processo a verdade material, não havendo falar em nulidade da decisão recorrida, que apreciou a impugnação nos limites de sua convicção, não havendo, lá, qualquer motivo a ensejar uma diligência. Essa providência somente apareceu no recurso voluntário, quando apareceu uma prova até então mantida no âmbito do fiscalizado. Por tudo, no ponto, não há qualquer nulidade da decisão recorrida a ser aqui declarada. Passa-se à defesa do item II (0 crédito tributário foi atingido pela decadência). 10 Fl. 506DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 7 ? ff f T. Í' f Vífvfi f Acórdão n.° 2102-00.409 Processo n° 13851001750/2005-42 S2-Cl 2 \1 Inicialmente, deve-se definir a periodicidade do fato gerador do imposto de renda e a modalidade do lançamento para o caso em debate, definições necessárias para se firmar a regra decadencial que, ao final, prevalecerá.. ._ z No tocante ao fato gerador do imposto de renda, este e' denominado complexivo ou periódico, ou seja, realiza-se ao longo de um espaço de tempo, resultando da valoração de um conjunto de fatos econômicos. A aquisição de disponibilidade de renda resulta da composição de fatos econômicos que se produzem ao longo de um periodo de tempo. Assim, o fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica relacionado aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual considera-se ocorrido em 31/12 e resulta do somatório de fatos econômicos surgidos no curso do ano-calendário (01/01 a 31/12). No caso vertente, em relação aos créditos tributários do anos-calendário 1999 a 2002, os fatos geradores do imposto de renda da pessoa fisica se aperfeiçoaram em 31/12/1999, 31/12/2000, 31/12/2001 e 31/12/2002. Aperfeiçoado o fato gerador, deve-se, agora, pesquisar qual a regra para o início da contagem do prazo decadencial. A lei é que define a modalidade do lançamento ao que o tributo se amolda. O fato de não haver o pagamento não transmuda a natureza do lançamento. O lançamento por homologação, independentemente de haver ou não pagamento, amolda-se ao prazo decadencial do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional - CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando incide a regra decadencial do art. 173, I, do CTN. Na linha acima, entende-se pacificamente que, desde o Decreto-Lei n° 1.968/1982, o lançamento do imposto de renda da pessoa fisica passou a ser por homologação porque a lei atribui ao sujeito passivo 0 dever de antecipar o pagamento do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa. O entendimento esposado por este relator, no tocante à decadência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, com qüinqüênio contado na forma do art. 150, § 4° ou 173, I, ambos do CTN, atualmente é uníssono no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, citam-se os acórdãos n°s: 101-95.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 103-23.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 108-09.230, relator do voto vencedor o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 28/02/2007; CSRF/04-00.213, relator o Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, sessão de 14/O3/2006. Corroborando todo esse entendimento, a Quarta Tunna da Câmara Superior de Recursos Fiscais, competente para julgar os feitos de pessoa fisica, prolatou o Acórdão n° CSRF/04-00.586, sessão de 19/06/2007, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERÀÂO INICIAL ~ PRAZO - No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Fisica apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. As glosas de despesas de dependentes e de despesas médicas imputadas ao recorrente, referentes ao anos-calendário 1999 a 2002, cujo fato gerador aperfeiçoou-se em Fl. 507DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 31/12/1999, 31/12/2000, 31/12/2001 e 31/12/2002, foram apenadas com multa de oficio ordinária de 75%, agravada em 50%, no caso da glosa de dependentes, e com multa de oficio qualificada de 150%, agravada em 50%, no caso da glosa de despesas médicas, neste último caso em decorrência da utilização de recibos graciosos, que não representaram a efetiva contraprestação do serviço, estando presente o evidente intuito de fraude, na forma dos arts. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64. ‹-\ No caso das infrações apenadas com multa ordinária de 75%, aplica-se a contagem do prazo decadencial na fonna do art.l50, § 4°, do CTN. Já no caso das infrações apenadas com multa qualificada de 150%, aplica-se a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173,1, do CTN. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infraçao no prazo de quinzedias após a data da postagem, esta em 07/12/2005, ou seja, ainda no ano de 2005, no tocante ao lançamento do crédito tributário do ano-calendário 1999 apenado com multa de oficio de 75%, que se aperfeiçoou em 31/12/1999, a pretensão do fisco somente poderia ter sido concretizada até 31/12/2004, último dia do prazo decadencial contado na forma do art. 150, § 4°, do CTN, o que implica que a decadência fiilminou o crédito tributário do ano- calendário 1999, apenado com multa de oficio de 75% (e agravada em 50%, para 1 12,50%, no caso concreto). Já para o lançamento do crédito tributário do ano-calendário 1999 apenado com multa de oficio qualificado de 150% (e agravada em 50%, para 225%, no caso concreto), igualmente aperfeiçoado em 31/12/1999, o prazo decadencial deve ser contado na forma do art. 173, I, do CTN, implicando que a pretensão do fisco poderia ter sido concretizada até 31/ 12/2005, sendo, dessa forma, higida essa parte do lançamento. Ainda, por óbvio, o lançamento referente aos anos-calendário 2000, 2001 e 2002, independentemente da multa lançada, teve seus termos decadenciais a partir de 31/12/2005, sendo escorreito tal lançamento. Por tudo, deve-se reconhecer que a decadência fulminou o crédito tributário do ano-calendário 1999 que foi apenado com multa de oficio de 75% (e agravada em mais 50%, passando para 112,50%). › Agora, passa-se à defesa dos itens III e IV, que versam sobre o mérito da controvérsia, e que foram o objeto da diligência deferida pela então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Inicialmente, aprecia-se a controvérsia sobre a glosa de dependentes. Abaixo, colaciona-se tabela com posição deste relator: DEPENDENTES CON CLUSAO DA RAZOES POSIÇÃO DESTE INFORMADOS AUTORIDADE FISCAL APRESENTADAS RELATOR NA DIRPF PELO FISCALIZADO Amanda Moretti Considerando o deferimento O fiscalizado A separaçao Jurado Celloni (ex- da separação consensual do desconhecia as consensual do casal esposa do casal em 16/12/1999, 0 rígidas regras para foi homologada em fiscalizado) A Glosas fiscalizado somente faz jus à dedutibilidade de 16/ 12/ 1999, ou seja, nos anos-calendário dedução dessa despesa no dependentes no o vínculo de 1999 e2000 ano-calendário 1999 IRPF, sendo que dependência no 1 Fl. 508DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Y . Í ¡ I , Processo n° I385l.00I750/2005-42 S2-Cl Acórdão n.° 2102-00.409 Fl, -\ pagava as despesas de plano de saúde dos __ dependentes, razão que o levou a considerá-las como dependentes. Ademais, sua declaração de imposto de renda era confeccionada por ex-alunos, pretensamente versados em contabilidade, aqui a raiz dos equívocos. No caso específico da ex- esposa ao lado, considerando que a decisão judicial que deferiu a separação consensual somente transitou em julgado em 15/02/2000, faz jus a dedutibilidade desse dependente no ano-calendário 2000 âmbito do imposto de renda - IR encerrou-se- znesse momento. O trânsito em julgado dessa decisão tem um aspecto meramente formal, não tendo impacto no âmbito da tributação do IR, a qual está vinculada, essencialmente, aos reais fatos ocorridos na vida, e não aos aspectos formais (como exemplo, veja-se que a tributação do ganho de capital não se vincula à transferência da propriedade ' no cartório de registro de imóveis, mas ao efetivo momento da compra e venda) Guerino Celloni (pai do fiscalizado) - Glosas nos anos- calendário 2000 e 2001 Auferiu rendimentos em montante superior ao limite de isenção, devendo ser mantida a glosa Idem a defesa geral flClITla O pai do fiscalizado não detém as condições de dependente em face do imposto de renda, pois aufere rendimentos superiores ao montante de isenção mensal (art. 35, VI, da Lei n° 9.250/95). Mantém-se a glosa Ivone Luzia Celloni (declarada como pessoa absolutamente incapaz cujo contribuinte seja tutor ou curador) - 7 Glosa mantida, já que 0 contribuinte não apresentou qualquer documento acerca dessa despesa Idem a defesa geral acima. Trata-se da irmã do fiscalizado Trata se de irma do fiscalizado e este não comprovou as condições previstas no art. 35, V, da Lei n” '9.250/95. /1/ Fl. 509DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. t Glosas nos anos- calendário 1999 e 2000 Mantém-se a glosa Maria de Lourdes de Oliveira Celloni (mãe do fiscalizado) - Glosas nos anos- calendário 1999 e 2002 A Sra. Maria de Lourdes declarou que não auferiu rendimentos nos anos fiscalizados neste feito, e não há qualquer informação de rendimentos nos sistemas da Receita Federal do Brasil. A despesa deve ser restabelecida Aqui o fiscalizado vergasta a multa que a autoridade impingiu à dependente pelo não-atendimento de intimação no bojo deste feito A multa impingida à mãe do fiscalizado, pelo não atendimento de intimação, é assunto estranho à lide. A glosa dessa dependente deve ser restabelecida Maria Sonia Cardoso (companheira do fiscalizado) - Glosas nos anos-calendário 2002 Somente foi juntada escritura pública que informa o convívio entre a Sra. Maria Sonia e o fiscalizado por mais de 05 meses, isso no ano- calendário 2002. Ora, a dedução somente poderia ser acatada se houvesse vida em comum há mais de cinco anos ou em periodo menor se da união resultasse filho (art. 77, Il, do Decreto n° 3.000/99) Tratou-se de mero equivoco do fiscalizado A companheira do fiscalizado não atendia as condições de dependência para o IR, definida no art. 35, II, da Lei n° 9.250/95, no ano- calendário 2002. Mantém-se a glosa Com as consideraçoes acima, atentando-se que o crédito tributário decorrente da glosa de dependentes já foi considerado caduco em relação ao ano-calendário 1999, restabelecem-se os seguintes montantes de despesas: Ano-calendário 2000 - R$ 1.080,00 Ano-calendário 2001 - R$ 1.080,00 Ano-calendário 2002 - R$ 1.272,00 Agora, passa-se a apreciar a controvérsia no tocante a glosa de despesas médicas. Nas despesas médicas deduzidas pelo contribuinte, nos anos~ca1endário 1999 a 2002, há uma série de impropriedades que demonstram uma conduta, no minimo, duvidosa do declarante. Nos anos-calendário 1999 e 2000, temos o caso do odontólogo Célio Soares Junior que afirmou que emitiu recibos graciosos em nome do fiscalizado (fls. 435), no montante de R$ 23.100,00 e R$ 20.030,00, respectivamente, quando nesses anos-calendário o contribuinte somente tinha auferido rendimentos tributáveis de R$ 48.179,19 (fls. 54) e R$ 77.671,78 (fls. 57), a demonstrar claramente uma incompatibilidade financeira na assunção dessa despesa pelo fiscalizado. Ademais, em todas as despesas glosadas em nomes de profissionais da área médica, o contribuinte sempre asseverou que efetuava os pagamentos em espécie. Ora, no caso 14 1 1 â Fl. 510DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° l385l.00l750/2005-42 S2-CIT “gif Acórdão n.° 2102-00.409 Fl. do odontólogo Célio Soares Junior, há múltiplos recibos próximos de R$ 2.000,00, sendo que há um no valor de R$ 5.000,00 (fls. 236), no ano-calendário 2000, sendo pouquíssimo plausível que o contribuinte não tenha qualquer comprovação ,das transferências de tais recursos parafo odontólogo.'Não parece crível um pagamento em espécie de R$ 5.000,00, no ano-calendário 2000, que representaria a quase totalidade do salário mensal do fiscalizado nesse ano-calendário, tudo agravado pelo fato do fiscalizado ter pretensamente feito múltiplos e expressivos pagamentos a tal profissional nos anos-calendário 1999 e 2000, sem uma única comprovação de tais transferências, além dos próprios recibos. Ainda, e não menos importante, veio o profissional e asseverou que emitiu graciosamente tais recibos, o que enfraquece mais ainda a defesa do contribuinte. Porém há mais. No ano-calendário 2001, o contribuinte deduziu um pagamento de despesas médicas do profissional metalúrgico Agnaldo Souza, que sequer tinha curso superior, no montante de R$ 10.000,00. Atente-se que se está a falar de um metalúrgico, em um ano-calendário em que as despesas médicas montaram apenas R$ 13.858,52. O contribuinte veio e asseverou que o “profissional” que teria feito sua declaração inserira por engano tal pessoa no rol das despesas dedutíveis. Ora, não há qualquer verossimilhança em tal alegação, pois não se pode acreditar que, em um monte de despesas de R$ 13.858,52, a quase totalidade seja fictícia e o contribuinte nada disso saiba. Claramente o contribuinte foi 0 responsável por tal criação, ou, no mínimo, beneficiou-se dolosamente dela, chegando a se beneficiar de uma restituição que ora se mostra inexistente (fls. 60). Ainda, o contribuinte deduziu despesas pretensamente pagas à odontóloga Daniela Alexandrino e à fisioterapeuta Karina Volpiano; no ano-calendário 2002. intimado a comprovar o efetivo pagamento, tomou a asseverar que tinha feito em espécie. Aqui, chama a atenção a existência de recibos emitidos em dia de domingo. Efetivamente, não é desarrazoado a ocorrência de uma emergência odontológica em um domingo. Este julgador, por exemplo, já foi acometido por uma infelicidade dessa espécie, quando há uma dificuldade natural em encontrar o profissional médico em tal dia, já que se trata do dia de descanso universal no ocidente. Porém não parece crível que o fiscalizado tenha sido acometido de tal infelicidade seguidamente nos meses de fevereiro, março e novembro de 2002, datas de emissão de recibos pela odontóloga Daniela Alexandrino. Ainda, até a fisioterapeuta Karina Volpiano teria emitido recibo em dia de domingo. Este julgador, ainda, observou que os recibos da ondontóloga Daniela Alexandrino foram sempre emitidos no dia 10 de cada mês (fls. 324 a 333), a indicar que os recibos devem ter sido emitidos de uma única vez, sem preocupaçao com a efetiva contraprestação dos serviços. Na mesma senda acima, ainda no ano-calendário 2002, o contribuinte deduziu despesas pretensamente pagas à psicóloga Maria Auxiliadora Barbieri (RS 15.000,00), ao ofialmologista Neder Moustafa Yaktine (RS 9.200,00) e ao fisioterapeuta Rodrigo Malaman Balasalma (R$ 10.000,00). A primeira profissional, originalmente negou a prestação do serviço, porém posteriormente retratou-se. O segundo, intimado, aparentemente comprovou a prestação do serviço. .lá o terceiro, intimado, informou que não possuía nenhum documento deste período, tendo em vista o enorme tempo decorrido desde então, sendo que a autoridade que presidiu a diligência infomiou que esse último profissional sequer apresentara sua DIRPF respectiva. Já o contribuinte fiscalizado infomiou que pagara a todos em espécie. No ano-calendário 2002, o contribuinte aferiu rendimentos tributáveis no montante de 15 Fl. 511DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. R$ 119.474,95, havendo pretensamente despendido R$ 41.951,51 com despesas médicas (fls. 64), quando, observe-se, era portador de um plano de saúde de reconhecida amplitude (Unimed), tudo a indicar, de um lado, a incompatibilidade dos rendimentos tributáveis com as despesas médicas (não parece razoável despender 35% dos rendimentos tributáveis com despesas médicas em um ano-calendário), e de outro lado, a ausência de plausibilidade da despesa em face de portar um plano de saúde de amplo espectro. Ademais, as declarações dos profissionais detêm pequeno poder de convencimento para este julgador, quer porque há retratações e esquecimento na prestação do serviço, quer porque não há qualquer comprovação do efetivo pagamento das despesas. Por fim, como antes relatado, todo o rol de despesas médicas do recorrente denota um alto grau de inidoneidade, tudo a contaminar as despesas em debate neste parágrafo, as quais, como as outras, não têm qualquer prova adicional referente ao efetivo desembolso por parte do recorrente. " ' ' f ~ - Aqui, como razão final, não se acredita na versão do recorrente, afirrnando que recebia seus proventos de diferentes fontes em cheques nominativos, sem o competente depósito em conta bancária do fiscalizado, com pagamento de todo o rol de despesas em espécie, ano após ano. Ora, o processo de bancarização é absolutamente disseminado na classe média brasileira, esta que abarca o recorrente, não sendo crível que o contribuinte mantivesse todos os seus estipêndios em valores monetários. Mesmos que isso fosse verdade, como justificar a despesa médica do profissional “metalúrgico” Agnaldo de Souza? Como justificar a afinnação de emissão graciosa dos recibos do profissional Célio Soares Junior? Como justificar os recibos odontológicos e de fisioterapia emitidos em domingos? Como justificar o “esquecimento” na prestação do serviço pelo fisioterapeuta Rodrigo Malaman Belasalma? Todos esses eventos indicam que o contribuinte criou uma fantasiosa gama de justificativas para tentar comprovar despesas médicas inexistentes. Por tudo, rejeitam-se as despesas referentes aos profissionais acima listados, mantendo-se a glosa perpetrada pela fiscalização. Para concluir, deve-se reconhecer que o contribuinte conseguiu comprovar adequadamente o dispêndio com o Instituto de Olhos Reynaldo Rezende, no montante de R$ 1.535,00, no ano-calendário 2001, aqui juntando cópia da Nota Fiscal em seu nome (fls. 287), ainda adicionando os prontuários médicos (fls. 472 e 473), bem como a despesa com a UNIMED, já que o fiscalizado, nas razões finais após a diligência, conseguiu comprovar o dispêndio com esse plano de saúde no tocante a si próprio e aos dependentes reconhecidos nessa decisão (fls. 474 a 477). No tocante à UNIMED, devem-se restabelecer as seguintes despesas: 0 ano-calendário 1999 - R$ 577,92 - valor efetivamente infonnado pelo contribuinte em sua DIRPF (fls. 56). Aqui, apesar de o contribuinte poder deduzir a despesa da dependente Amanda Celloni (R$ 532,20), somente o fez parcialmente (total da despesa com a UNIMED - R$ 532,20 para o fiscalizado e R$ 532,20 para a Sra. Amanda), o que impede de se acatar a dedutibilidade total da despesa com a UNIMED, já que a presente lide versa apenas sobre a glosa de R$ 577,93 a título com a despesa com a UNIMED, não podendo a autoridade julgadora acrescer despesas dedutíveis que não foram pugnadas pelo próprio declarante; ano-calendário 2000 - R$ 1.107,46 - despesa com o próprio recorrente e sua dependente Maria Celloni (fls. 475); 16 \ Fl. 512DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. V Processo n° 13851001750/2005›42 S2-CIT Acórdão n.° 2102-00.409 Fl. 0 ano-calendário 2001 - R$1.390,88 - despesa com o próprio recorrente e sua dependente Maria Celloni (fls. 476); ' 0 ' ano-calendário 2002" -` R$1í521,17 › "dë`s`pesa com o próprio recorrente e sua dependente Maria Celloni (fls. 477). ã Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso, para reconhecer que a decadência extinguiu 0 crédito tributário do ano-calendário 1999 apenado com multa de oficio de 112,50% e restabelecer as seguintes despesas: 0 Ano-calendário 1999 - R$ 577,92 (despesas médicas) 0 Ano-calendário 2000- R$1.080,00 (dependentes) e R$1.107,46 (despesas médicas) 0 Ano-calendário 2001 - RS 1.080,00 (dependentes) e R$2.925,88 Ô (despesas médicas) 0 Ano-calendári 002 - R$1.272,00 (dependentes) e R$1.521,17 (despesas edica f* ' . \. .. Gio anni Chris ii, u es Campos- t / .. l o ` 17 ké _ _ _ Fl. 513DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 163 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1122.14265.7Q20. Consulte a página de autenticação no final deste documento.
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Numero do processo: 10932.000095/2005-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/03/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO.
DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E
DECLARADOS OU PAGOS. DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM
DCTF.
A existência de divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, decorrentes de exclusões indevidas na base de cálculo da contribuição, enseja a lavratura de auto de infração para formalização da exigência das diferenças devidas, com os seus consectários legais.
AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL.
EXISTÊNCIA.
Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal manifestou-se pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/03/2003
RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO.
Consoante o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática de recursos repetitivos devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3803-003.426
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1999 a 31/03/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS OU PAGOS. DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. A existência de divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, decorrentes de exclusões indevidas na base de cálculo da contribuição, enseja a lavratura de auto de infração para formalização da exigência das diferenças devidas, com os seus consectários legais. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal manifestou-se pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1999 a 31/03/2003 RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO. Consoante o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática de recursos repetitivos devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1999 a 31/03/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS OU PAGOS. DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. A existência de divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, decorrentes de exclusões indevidas na base de cálculo da contribuição, enseja a lavratura de auto de infração para formalização da exigência das diferenças devidas, com os seus consectários legais. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1999 a 31/03/2003 RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO. Consoante o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática de recursos repetitivos devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório MARK GRUNDFOS LTDA. teve contra si lavrado o Auto de Infração e fls. 64 a 69, para formalização de exigência fiscal relativa à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, referente aos períodos de apuração de 30/09/1999 a 31/03/2003, em face de diferenças entre os valores escriturados e declarados/pagos pela contribuinte. A exação montou a de R$ 8.298,21. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls.53 a 55, a Fiscalização deixou assentado que a pessoa jurídica sucedida por incorporação pela autuada efetuara retificações em DCTFs, eliminando débitos antes declarados, pelo que a sucessora foi intimada a proceder o saneamento necessário. No curso da ação fiscal que se desenrolou, constatouse a existência do Mandado de Segurança nº 1999.61.14.0024265, fls. 40 a 49, impetrado por Mark Peerless S.A (antiga denominação da sucedida); com concessão de medida liminar, autorizandose o recolhimento da COFINS, nos termos da Lei Complementar nº 70, de 1991, silenciandose quanto à alíquota aplicável. Na concessão parcial da ordem, ratificouse o disposto na liminar, estabelecendose, entretanto, que a alíquota da COFINS seria de 3%. Soubese também que o TRF3ª Região deu provimento à Apelação da União no Mandado de Segurança em referência, considerando constitucional quer o alargamento da base de cálculo da contribuição, quer a alteração de alíquota da COFINS, como disposto na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Sobreveio impugnação (fls. 72 a 97) que, em preliminar, arguiu a decadência do direito do fisco de constituir crédito tributário referente aos fatos geradores compreendidos entre setembro de 1999 e setembro de 2000, pugnando pela aplicação da regra do art. 150, § 4º, do CTN. Quanto ao mérito das irregularidades, verificou a Fiscalização que o contribuinte teria deixado de incluir, no cômputo desta contribuição, as receitas financeiras auferidas no período, nos termos do que determinaria a Lei nº 9.718, de 1998. Afirma que o lançamento deve ser julgado improcedente posto que fundado em norma inconstitucional. Assevera que os artigos 2° e 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, feriram a Carta Magna ao ampliar a base de cálculo da contribuição discutida. Cita julgados do Supremo Tribunal Federal nesse sentido. A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/CPS3ª Turma, apenas para extirpar da exação os valores alcançados pela decadência (períodos de apuração de setembro/1999 a setembro/2000), pela aplicação da regra geral do art. 173, inc. I, do CTN, dada a inexistência de pagamentos prévios sujeitos à homologação do Fisco. O Acórdão 05 23.901, de 23 de outubro de 2008, fls. 129 a 132, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/09/1999 a 31/03/2003 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10932.000095/200517 Acórdão n.º 380303.426 S3TE03 Fl. 222 3 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em sue há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase da ocorrência do respectivo fato gerador. NORMAS PROCESSUAIS. DISCUSSÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, não obstrui a constituição do crédito tributário pela autoridade tributária e acarreta a renúncia à discussão administrativa sobre a mesma matéria, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade a quem caberia o julgamento. Lançamento Procedente em Parte Cuidase agora de recurso contra a decisão da DRJ/CPS3ª Turma. O arrazoado de fls. 142 a 149, após resumir os fatos relacionados com a lide e digressionar sobre a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições sociais, promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, argumenta que, apesar de realmente existir a ação judicial mandamental nº 1999.61.14.0024265, ela nada tem a ver com a contribuição para o PIS, mas sim a COFINS (doc. 8). Aduz que o MS ainda tramita regularmente e pende de apreciação de recursos a serem apresentados pela ora Recorrente. Com isso, este procedimento administrativo há de prosseguir normalmente, devendo ser julgado individualmente, sem influência de qualquer ação judicial, não apenas porque esta é a regra geral, mas também porque o MS mencionado na decisão recorrida nada tem a ver com a matéria discutida pela Recorrente nos presentes autos, i.e., PIS. Esta Turma Recursal houve por bem em converter o julgamento do recurso em diligência à autoridade lançadora, para que se esclarecesse, em parecer conclusivo, a natureza das divergências entre os valores declarados e os valores escriturados constatadas e se, sobretudo, essas divergências têm relação com a ampliação da base de cálculo da contribuição promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, tudo nos termos da Resolução nº 380300.107, de 1º de junho de 2011, fls. 198 a 201. Em atendimento ao requerido, a Equipe de Fiscalização da DRF/São Bernardo do CampoSP produziu a Informação Fiscal de fl. 214, instruída com demonstrativo de fls. 215. Intimado a manifestarse sobre as conclusões da diligência, o recorrente deixou transcorrer o prazo que lhe foi franqueado sem nada acrescentar. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142 a 149 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS3 ª Turma nº 0523.901, de 23 de outubro de 2008. O recorrente rechaça a decretação da renúncia à instância administrativa pela ocorrência de concomitância entre processos judicial e administrativo, sob o argumento de que o MS n° 1999.61.14.0024265 não diz respeito à contribuição em tela, mas à Cofins. A propósito, transcrevo excerto do relatório do Acórdão de julgamento do processo 1999.61.14.0024265 AMS 196747 APTE : MARK PEERLESS S/A ADV : MARIA ELISABETH BETTAMIO VIVONE TOMEI APTE : União Federal (FAZENDA NACIONAL) ADV : HUMBERTO GOUVEIA e VALDIR SERAFIM APDO : OS MESMOS REMTE : JUÍZO FEDERAL DA 1 VARA DE S B DO CAMPO SP RELATOR : DES.FED. NERY JUNIOR / TERCEIRA TURMA R E L A T Ó R I O Cuidase de mandado de segurança impetrado com o escopo de afastar a incidência da COFINSContribuição Social sobre o Faturamento, nos termos da lei nº 9.718, de 27/8/98 e, sob o fundamento da inconstitucionalidade. (...) A regra no processo civil é a de que a sentença seja conforme o pedido do demandante. Daí a razão pela qual é vedado ao juiz proferir sentença de natureza diversa da pedida ou que tenha objeto diverso do demandado. Fazendoo, o juiz profere sentença infra, extra ou ultra petita. Em todos esses casos, a sentença é desconforme o pedido e viola os arts. 2º, 128 e 460 do Código de Processo Civil – CPC Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, podendo ser decretada sua invalidade1s. Fica claro que, ao buscar a segurança judicial, o impetrante visava à Cofins, e não ao PIS. Portanto, não há falar em concomitância de processos judicial e administrativo ou de renúncia à discussão administrativa. Afastada essa prejudicial ao conhecimento do recurso, toca adentrar à questão de fundo. À fl. 144, o recurso menciona: 1 MARINONI, Luiz Guilherme e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil comentado artigo por artigo. 2ª ed. rev. atualiz e ampl. São Paulo: RT, 2010, p. 421. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10932.000095/200517 Acórdão n.º 380303.426 S3TE03 Fl. 223 5 Acerca de tais supostas irregularidades, verificou a fiscalização que a Recorrente teria deixado de incluir, no cômputo do PIS, as receitas financeiras auferidas no período, nos termos do que determinaria a Lei nº 9.718/98. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal, por outro lado, não fez qualquer menção à natureza das discrepâncias entre os valores escriturados e os valores declarados ou pagos, limitandose a apontar a ocorrência de pagamentos a menor. A diligência empreendida solucionou o impasse. A autoridade lançadora providenciou a segregação dos ajustes procedidos na base de cálculo decorrente da ampliação promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, dos decorrentes de outras exclusões indevidas, consolidandoa no demonstrativo de fl. 910, abaixo transcrito para maior clareza: Essa segregação é importante porque a ampliação da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718, de 1998, já foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecendo a repercussão geral do assunto e, em reafirmação de jurisprudência, decidiu pela inconstitucionalidade do aludido conceito de faturamento, em manifestação que reproduzo2: BASE DE CÁLCULO DA COFINS E INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98. O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso 2 Página virtual do STF: www.stf.jus.br. Repercussão Geral. Matéria com mérito julgado. Consulta realizada em 07/08/2012. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por A LEXANDRE KERN 6 extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. Leading case: RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso. Como se observa, em que pese a matéria ainda não ser objeto de súmula vinculante, tratase de decisão plenária com reafirmação de jurisprudência, donde se vislumbra a definitividade deste posicionamento, especialmente quando examinada à luz do disposto nos arts. 543A e 543B do Código de Processo Civil. Examinando o demonstrativo recém transcrito (fl. 910), verificase, sem maiores dificuldades, a inclusão de outras receitas auferidas diversas da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia, como prega o recorrente. Assim, tendo em conta a manifestação plenária e definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do conceito ampliado de faturamento, devem ser excluídas da apuração do PIS/Pasep as receitas distintas da vendas de bens e prestação de serviços, denominadas “outras receitas”. Por outro lado, os ajustes decorrentes de outras exclusões indevidas da base de cálculo, estampados na coluna “Outras Exclusões R$” do demonstrativo, deverão ser mantidos, sobretudo porque, instado a manifestarse sobre as conclusões da diligência, o recorrente silenciou. Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 Alexandre Kern Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10183.005127/2007-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
ÁREA RESERVA LEGAL. AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO NO REGISTRO IMOBILIÁRIO. NÃO RECONHECIMENTO.
Não pode ser reconhecida eventual área de reserva legal que não esteja devidamente averbada à margem da matrícula do registro imobiliário, por ausência de cumprimento de requisito legal.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Comprovada mediante Laudo Pericial, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica do profissional, onde se demonstra a caracterização de área do imóvel em um dos diversos incisos, do art. 11 do Decreto nº 4.382, de 2002, há de se reconhecer a área de preservação permanente.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judicias, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão.
PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia não tem a prerrogativa de afastar o requisito normativo de averbação da área de reserva legal na matrícula do registro do imóvel, para efeito de não inclusão de tal área no cálculo do ITR.
Numero da decisão: 2202-007.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de área de preservação permanente de 1.291,0281 ha.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO NO REGISTRO IMOBILIÁRIO. NÃO RECONHECIMENTO. Não pode ser reconhecida eventual área de reserva legal que não esteja devidamente averbada à margem da matrícula do registro imobiliário, por ausência de cumprimento de requisito legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Comprovada mediante Laudo Pericial, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica do profissional, onde se demonstra a caracterização de área do imóvel em um dos diversos incisos, do art. 11 do Decreto nº 4.382, de 2002, há de se reconhecer a área de preservação permanente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judicias, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia não tem a prerrogativa de afastar o requisito normativo de averbação da área de reserva legal na matrícula do registro do imóvel, para efeito de não inclusão de tal área no cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de área de preservação permanente de 1.291,0281 ha. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 51 27 /2 00 7- 52 Fl. 847DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.287 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005127/2007-52 Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão prolatada no Acórdão nº 04-15.439 – 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), datada de 26 de setembro de 2008, que julgou parcialmente procedente o Auto de Infração de lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), no valor original de R$ 2.717.768,33, relativo aos exercícios de 2002, 2003, 2004 e 2005. O lançamento fiscal decorre da glosa da áreas de 9.310,0 hectares (ha), nos períodos-base 2002, 2003 e 2004 e 7.986,8, no período-base de 2005, declaradas como Área de Preservação Permanente, e revisão do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Com relação à sujeição passiva decorrente do presente lançamento, esclarece a autoridade fiscal lançadora, na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(Is)” do Auto de Infração, que em procedimento de fiscalização do imóvel rural acima identificado no processo nº 10183.005555/2005-13, ficou constatado que o real contribuinte é o condomínio formado por Roberto Rodrigues de Almeida, ,CPF 007.489.788-87, e Espólio de Luiz Moisés Pinto Aragão de Seixas, CPF 463.757.918-04, conforme matrícula do imóvel n° 17110, Livro 02, do Cartório do 6° Oficio de Cuiabá -MT. Dessa forma, o lançamento foi efetuado em nome do condomínio Roberto Rodrigues de Almeida e Outros, com primeiro nome o do representante do condomínio. Também é informado que foi encaminhada cópia do auto de infração ao contribuinte solidário . Ainda segundo a descrição dos fatos, o responsável pelo Condomínio, Sr. Roberto Rodrigues de Almeida, apesar de regulamente intimado (Termo de Intimação Fiscal de fls. 308/312), deixou de apresentar Laudo Técnico para comprovar a Área de Preservação Permanente declarada, conforme art. 2° ou 3° da Lei 4771, de 15 de setembro de 1965, assim como, mão foi apresentado o comprovante da solicitação de emissão do Ato Declarat6rio Ambiental (ADA), protocolizado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em até 6 meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. O representante do condomínio. Sr. Roberto Rodrigues de Almeida foi cientificado do Auto de Infração por via postal (Correios), conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 368. Quanto ao outro Condômino, espólio de Luiz Moisés Pinto Aragão de Seixas, a tentativa de cientificação por via postal mostrou-se improfícua, assim, foi providenciada sua ciência por Edital, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (fl. 370) O contribuinte Sr. Roberto Rodrigues de Almeida apresentou impugnação ao lançamento (fls. 376, 398), onde alega preliminarmente o VTN arbitrado é por demais elevado, pois desconsidera a real situação do imóvel do impugnante, violando, por consequência o principio da verdade material que rege todo procedimento administrativo. Informa tratar-se de imóvel de difícil acesso, com mata fechada, baixa fertilidade e propenso a erosão, o que em muito diminui o valor do imóvel, conforme laudo que anexa. No entanto, afirma o recorrente reservar-se a contestar o VTN arbitrado futuramente na via judicial, caso entenda necessário. Fl. 848DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.287 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005127/2007-52 Desta forma, acrescenta que a impugnação por ele apresentada seria somente no tocante às demais questões do auto de infração (fl. 382). Na sequência, o recorrente afirma possuir o imóvel Área de Reserva Legal de 6.695,4436 hectares, a qual não se encontra averbada à margem da matrícula do imóvel, mas está devidamente constatada no Laudo Técnico que apresenta, elaborado por Engenheiro Florestal e com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Advoga a desnecessidade, tanto da averbação na matrícula do imóvel da Área de Reserva Legal, quanto do Ato Declaratório Ambiental (ADA), registrado junto ao IBAMA, para efeito de não inclusão de tal área no cálculo do ITR. Apresenta julgados que entende amparar tais teses e invoca o princípio da verdade material, haja vista, a efetiva existência de tal área. Também alega o recorrente que no Laudo Técnico foi constatado que dentro da Área de Reserva Legal existe área de preservação permanente em reserva legal, num total de 942,9181ha, mais 348,7689ha fora da reserva legal, totalizando assim 1.291,6870ha de Área de Preservação Permanente. Portanto, deveria ser excluída da tributação uma área total de 7.987,1236ha, pugnando pela realização de perícia caso se entenda que o laudo apresentado não satisfaça aos requisitos para reconhecimento de tais áreas. Ao final afirma que o valor total do crédito tributário apurado seria muito superior ao valor da propriedade, caracterizando confisco, esbarrando assim em expressa vedação constitucional, além de violar frontalmente os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e acabar com a riqueza privada. Conclui requerer a correção da área total do imóvel, que seria de 9.983,0ha e não aquela incorretamente declarada nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) apresentadas. Não foi apresentada impugnação pelo outro Condômino, espólio de Luiz Moisés Pinto Aragão de Seixas. A impugnação do Sr. Roberto Rodrigues de Almeida foi considerada tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, tendo sido o lançamento julgado procedente em parte. Foi acatado no julgamento de piso o requerimento de alteração da área total do imóvel, uma vez comprovada por meio da matrícula do registro do imóvel, aliada a laudo técnico demonstrando que a área do imóvel é menor do que consta na DITR, sendo alterada para 9.983ha, conforme solicitado. Relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, a principal motivação pelo não acatamento de exclusão das mesmas foi a ausência de tempestiva apresentação do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, além da ausência de averbação junto à matrícula do imóvel no registro imobiliário no caso da reserva legal. A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. Por expressa determinação legal, as áreas de preservação permanente e de reserva legal para efeito de exclusão da tributação do ITR devem ser tempestivamente declaradas ao órgão ambiental IBAMA através de requerimento do ADA – Ato Declaratório Ambiental, além das áreas de reserva legal estarem averbadas à margem da matricula no registro imobiliário na data da ocorrência do fato gerador. VTN A apuração do valor da terra nua efetuada pela Autoridade fiscal de conformidade com as normas legais e regulamentares somente pode ser alterada pelo contribuinte se apresentado Laudo Técnico elaborado de acordo com as normas da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Fl. 849DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.287 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005127/2007-52 Devidamente comprovada através da matricula do registro do imóvel aliada a laudo técnico demonstrando que a área do imóvel é menor do que consta na DITR, deve essa área ser alterada para efeito de tributação do ITR. Lançamento Procedente em Parte Foi interposto recurso voluntário (fls. 817/837), pelo Sr. Roberto Rodrigues de Almeida onde preliminarmente requer: “o chamamento à lide e citação do sócio do imóvel rural Espólio de Luiz Moisés Aragão de Seixas, em virtude de serem os herdeiros também responsáveis, que lamentavelmente por falta de conhecimento elaboraram uma declaração de ITR, sem fundamento legal declarando serem proprietários de uma Área de 11.637,5 hectares, o que originou o procedimento fiscal de nº 0130100/00243/07.” Quanto ao mérito, reitera as alegações quanto à ausência de previsão legal que o obrigue a proceder à averbação na matrícula do imóvel da Área de Reserva Legal, e também à apresentação de Ato Declaratório Ambiental, registrado junto ao IBAMA, para efeito de exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente no cálculo do ITR. Apresenta jurisprudência que entende amparar tais teses e novamente invoca o princípio da verdade material, haja vista, a efetiva existência de tais áreas. Afirma que o imóvel é constituído de mata densa, de difícil acesso, que se encontra intacta e está: “encravado dentro do perímetro da AMAZÔNIA LEGAL, portanto impossível proceder ao seu desmatamento para aproveitamento de área para agricultura e pecuária, sendo tão somente permitido o aproveitamento de 20 % ( vinte ) por cento da área.” Advoga que: “Com efeito, a exigência de "ATO DECLARATÓRIO" (de declaração por ato administrativo, por egg -do competente, indicado pela autoridade fiscal (sic); somente era exigido para quem possuísse Areas de interesse ecológico e as imprestáveis letras "b" e "c" do inciso II, da § 1, do artigo 10, Lei 9.393/96). 0 argumento do fisco para fundamentar a legitimidade do lançamento e totalmente equivocado. Na sequência, o recorrente afirma possuir o imóvel Área de Reserva Legal de 6.695,4436 hectares, a qual não se encontra averbada à margem da matrícula do imóvel, mas está devidamente constatada no Laudo Técnico que apresenta, elaborado por Engenheiro Florestal e com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Finaliza reiterando o entendimento quanto à desnecessidade do Ato Declaratório Ambiental, registrado junto ao IBAMA, para fins de exclusão das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, para efeito de cálculo do ITR, citando julgado do Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. O recorrente foi intimado da decisão de primeira instância, por via postal, em 19/11/2008, conforme Aviso de Recebimento de fls. 815. Tendo sido o recurso ora objeto de análise protocolizado em 12/12/2008, conforme atesta o carimbo aposto pelo Centro de Atendimento ao Contribuinte da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo/SP, na própria pela recursal (fl. 817), considera-se tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Antes de análise do recurso propriamente dito, cumpre pontuar nessa fase preliminar que as decisões administrativas e judicias que a recorrente trouxe ao recurso são Fl. 850DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.287 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005127/2007-52 desprovidas da natureza de normas complementares e não vinculam decisões deste Conselho, sendo opostas somente às partes e de acordo com as características específicas e contextuais dos casos julgados e procedimentos de onde se originaram. Embora o Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966), em seu art. 100, II, considere as decisões de órgãos colegiados como normas complementares à legislação tributária, tal inclusão se subordina à existência de lei que confira a essas decisões eficácia normativa. Como inexiste, até o presente momento, lei que atribua a efetividade de regra geral a essas decisões, tais acórdãos têm sua eficácia restrita às partes do processo, não produzindo efeitos em outras lides, ainda que de natureza similar à hipótese julgada. PRELIMINAR DE CHAMAMENTO À LIDE DO OUTRO PARTICIPANTE DO CONDOMÍNIO OBJETO DA PRESENTE AUTUAÇÃO Requer o recorrente o “chamamento à lide e citação do sócio do imóvel rural, Espólio de Luiz Moisés Aragão de Seixas, em virtude de serem os herdeiros também responsáveis, que lamentavelmente por falta de conhecimento elaboraram uma declaração de ITR, sem fundamento legal declarando serem proprietários de uma Área de 11.637,5 hectares”, como medida de justiça. Relativamente a tal pretensão, cumpre esclarecer que o presente lançamento foi regularmente autuado em nome do condomínio formado por Roberto Rodrigues de Almeida e o espólio de Luiz Moisés Pinto Aragão de Seixas, conforme explicitado na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(S) Legal(Is)” do Auto de Infração, nos seguintes termos: 1. Do Sujeito Passivo: Em procedimento de fiscalização do imóvel rural acima identificado, processo nº 10183005555/2005-13, ficou constatado que o real contribuinte é o condomínio formado por Roberto Rodrigues de Almeida, ,CPF 007.489.788-87, e Espólio de Luiz Moisés Pinto Aragão de Seixas, CPF 463.757.918- 04, conforme matricula do imóvel n°17110, Livro 02, do Cartório do 6° Oficio de Cuiabá -MT. O lançamento está sendo efetuado em nome do condomínio Roberto Rodrigues de Almeida e Outros, com primeiro nome o do representante do condomínio. Os demais contribuintes solidários receberão uma cópia do auto de infração. Em anexo, foram juntados os extratos dos contribuintes constantes dos cadastros da SRF onde são informados os seus respectivos endereços e demais dados cadastrais. É de se observar que tanto o condômino Sr. Roberto Rodrigues de Almeida, quanto o condômino espólio de Luiz Moisés Pinto Aragão de Seixas, foram regularmente intimados de todos os atos relativos ao procedimento de fiscalização, em especial, quanto ao Auto de Infração lavrado. Destaco que às fls. 314 e 322, consta o Termo de Intimação endereçado ao espólio, na sequência temos o encaminhamento de uma via do Auto de Infração ao espólio (AR de fl. 366) e finalmente o Edital nº 0259/07-SEFIS/DRF-Cuiabá/MT, de 14 de dezembro de 2007, onde reporta a citação do espólio de Luiz Moisés Pinto Aragão de Seixas, nos termos do art. 23, do Decreto nº 70.235, de 1972. Entretanto, não foi apresentada impugnação pelo espólio de Luiz Moisés Pinto Aragão de Seixas, tornando-se o lançamento definitivo relativamente a este condômino, ressalvado o efeito extensivo em decorrência de eventuais alterações em função da impugnação e recurso apresentados pelo outro condômino. Portanto, tanto o ora recorrente, quanto o espólio de Luiz Moisés Pinto Aragão de Seixas, encontram-se no polo passivo da presente obrigação tributária e serão igualmente acionados em futura cobrança e eventual execução do crédito tributário lançado. MÉRITO Fl. 851DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.287 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005127/2007-52 No que se refere a questões de mérito, o que resta em discussão no presente recurso é a não consideração das áreas de reserva legal e de preservação permanente requeridas. Não há manifestação na peça recursal quanto ao valor da terra nua arbitrado e foi acatada pela autoridade julgadora de piso a solicitação de alteração da área total do imóvel, ÁREA DE RESERVA LEGAL Requer o contribuinte a consideração de 6.695,4436 hectares, de área de reserva legal declarada, conforme devidamente apontada no Laudo Técnico que apresenta, elaborado por Engenheiro Florestal e com a respectiva ART, independentemente da apresentação do Ato Declaratório Ambiental registrado junto ao IBAMA. Área esta que, segundo afirmado pelo próprio recorrente, tanto na peça impugnatória, quanto no recurso, não se encontra averbada à margem da matrícula do imóvel. A motivação declinada pela autoridade julgadora de piso para não consideração da Área de Reserva Legal foi devido à não apresentação do ADA registrado junto ao IBAMA e pela ausência de averbação junto à matrícula do imóvel. No que se refere às áreas de reserva legal, o tema não é estranho a este Conselho, sendo pacífico o entendimento de que, para gozar da isenção do ITR requer, obrigatoriamente, a sua averbação à margem da matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador da obrigação tributária e supre a apresentação do ADA. É o que dispõe Súmula CARF nº 122, que possui caráter vinculante, conforme a Portaria ME nº 129, de 1º de abril de 2019: “A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).” Compulsando os autos, verifica-se que não consta a averbação na matrícula do imóvel objeto do presente lançamento de termo relativo a reserva legal. Fato este ratificado pelo próprio recorrente, em várias passagens, ao afirmar que, apesar de existente, a área de reserva legal não se encontra averbada à margem da matrícula do imóvel. Logo, como restou comprovada a inexistência de averbação tempestiva da reserva legal, não faz jus o recorrente à dedução da respetiva área da base de tributação do imposto. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Foi solicitada a consideração de 1.291,6870ha de Área de Preservação Permanente conforme demonstrada no Laudo Técnico, independentemente de averbação em matrícula do registo do imóvel e da apresentação do ADA, pelos mesmos motivos apontados quanto à reserva legal. No que se refere à exigência de averbação do ADA junto ao IBAMA, para efeito de comprovação da área de preservação permanente, o tema vem sendo objeto de discussões no âmbito deste CARF. Atualmente é posição majoritária desta 2ª Turma de Julgamento no sentido de que o ADA não é elemento obrigatório e essencial para comprovação da APP, área isenta ao ITR, podendo ser comprovado por meio de outros elementos. Nesse sentido, o Acórdão 2202- 006.961 (2ª Turma, da 2ª Câmara da 2ªSeção de Julgamento), sessão de 08/07/2020. Tal posicionamento vem sendo justificado em decorrência de interpretação consolidada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), quanto à impossibilidade de tal exigência para fatos geradores anteriores a vigência da Lei n.º 12.651, de 25 de maio de 2012 (novo Código Florestal). Também contribui, a alteração promovida nos arts. 19 e 19A da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, pela Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019. Segundo o § 1º do art. Fl. 852DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.287 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005127/2007-52 19A da referida lei, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil devem, em sua decisões, adotar o entendimento a que estiverem vinculados, quando houver manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), entre outras, na hipótese de: - tema decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria constitucional, ou pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo Tribunal Superior do Trabalho, pelo Tribunal Superior Eleitoral ou pela Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência, no âmbito de suas competências, quando a) for definido em sede de repercussão geral ou recurso repetitivo; ou b) não houver viabilidade de reversão da tese firmada em sentido desfavorável à Fazenda Nacional, conforme critérios definidos em ato do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, Ocorre que ainda não há uma especificação de que forma deve ocorrer a manifestação da PGFN quanto às referidas matérias. Entretanto, no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 foi aprovada a seguinte redação para o item o item 1.25, “a”, da “Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer” para os representantes daquele Órgão: 1.25 - ITR a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1.360.788/MG, REsp 1.027.051/SC, REsp 1.060.886/PR, REsp 1.125.632/PR, REsp 969.091/SC, REsp 665.123/PR e AgRg no REsp 753.469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensa-se a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensa-se também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO 1: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, deve-se continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei n.º 12.651, Nesses termos, em que pese a ausência de clara regulamentação da matéria entre os Órgãos envolvidos, considerando a manifesta posição da PGFN no sentido de impossibilidade de reversão do decidido e dispensa de contestação ou recurso, abstendo-me de minha posição pessoal, que se apega aos estritos termos da Lei, deixo de considerar como necessários o registro na matrícula do imóvel e averbação do ADA junto ao IBAMA, para efeito de exclusão da área de preservação permanente no cálculo do imposto, devendo ser avaliados os demais requisitos necessários ao reconhecimento de tais áreas. Para consideração de uma área como de preservação permanente deve se fazer presente pelo menos uma das características apontadas nos diversos incisos, alíneas e itens do Fl. 853DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-007.287 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005127/2007-52 art. 11 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR, abaixo reproduzido: Das Áreas de Preservação Permanente Art. 11. Consideram-se de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 1965, arts. 2º e 3º, com a redação dada pelas Leis nº 7.511, de 7 de setembro de 1986, art. 1º e 7.803 de 18 de setembro de 1989, art. 1º): I - as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1. de trinta metros para os cursos d'água de menos de dez metros de largura; 2. de cinquenta metros para os cursos d'água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; 3. de cem metros para os cursos d'água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; 4. de duzentos metros para os cursos d'água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; 5. de quinhentos metros para os cursos d'água que tenham largura superior a seiscentos metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação; II - as florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do Poder Público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bem-estar público. O laudo técnico apresentado pela recorrente, ainda na fase de impugnação, foi analisado pela autoridade julgadora de primeira instância e considerado apto a comprovar a existência da área de preservação permanente. Não obstante, no julgamento de piso tal área deixou de ser considerada na apuração do imposto justamente pela ausência do ADA. Tais afirmações podem ser constatadas pelas seguintes passagens extraídas do voto proferido no julgamento de piso (fl. 799): Fl. 854DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-007.287 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005127/2007-52 Nenhuma busca da verdade material poderia satisfazer os requisitos legais e essenciais para a obtenção do beneficio da redução do ITR, quais sejam a averbação da reserva legal margem da matricula do imóvel na data do fato gerador conforme o § 8° do artigo 16 da lei 4.771/65 e a apresentação tempestiva do requerimento do ADA ato declaratório ambiental ao IBAMA, de conformidade com o § 1° do artigo 17-0 da lei 6.938/81 com a redação dada pela lei 10.165/2000, pois, não basta a comprovação da existência Mica dessas Areas, mas o cumprimento dos dispositivos legais mencionados. Decisões do Conselho de Contribuintes em nada podem auxiliar ao contribuinte, em razão de que, decisões administrativas não tem eficácia normativa, de conformidade com o inciso II do artigo 100 do Código Tributário Nacional, por falta de lei que lhes atribua tal eficácia; Em nada adianta observar as imagens de satélite juntadas aos autos com o laudo, pelos motivos elencados acima, não bastando a existência física das Áreas; (...) No entanto, deve ser acatada a solicitação de redução da Área total do imóvel por estar reconhecida a área total menor, apesar de constar o termo aproximadamente, mas, com o laudo técnico que registra essa área menor deve ser acatada a redução, resultando em redução do VTN de conformidade com o SIPT sobre a área alterada. Conforme se verifica dos excertos acima reproduzidos, houve efetivo reconhecimento, pela autoridade julgadora de piso, da validade do Laudo Técnico apresentado para comprovação da APP. Áreas essas não consideradas devido à ausência do ADA, exigência esta que, conforme já exposto, entende-se afastada como necessária, para fatos geradores anteriores à vigência do atual Código Florestal, nos termos do quanto decidido pelo STJ e conforme manifestação expressa da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quanto ao tema. Juntamente com a impugnação foram apresentados Laudos Técnicos individualizados para cada exercício objeto de lançamento e com a respectiva ART. Em todos os laudos apresentados consta a informação da existência no imóvel de 1.291,0281 hectares de área de preservação permanente, com a devida especificação das características de tais áreas, permitindo o enquadramento nas alíneas “a” e “b”, do inc. I do art. 11, do Decreto nº 4.382, de 2002. Também foi apresentada a devida comprovação da ART do profissional encarregado de elaboração dos laudos, dessa forma, entendo que assiste razão à recorrente quanto à documentação comprobatória da existência de tal área, devendo ser considerada para efeito de recálculo do imposto devido. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA Finalmente, quanto ao requerimento de perícia, considerando que o fato motivador da consideração de referida área é a ausência de averbação no registro do imóvel, conforme expressa previsão legal, considera-se despicienda a realização de perícia, posto que eventual resultado da mesma não afastaria o requisito normativo, ficando assim indeferida a perícia requerida. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para reconhecer a área de preservação permanente, correspondente a 1.291,0281 hectares. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 855DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-007.287 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005127/2007-52 Fl. 856DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10983.907312/2009-20
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3803-002.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatÓrio e voto que integram o
presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1 1 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.907312/200920 Recurso nº 930.527 Voluntário Acórdão nº 380302.374 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de março de 2012 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente PROLINCON VIGILANCIA LTDA Recorrida FAZENDA FEDERAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 01/05/2012 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 15/03/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito de PIS/PASEP, do período de apuração de janeiro de 2004, decorrente de pagamento a maior ou indevido, com débitos da mesma contribuição. A DRF em Florianópolis não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 29/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 23/07/2009, na qual alega que A empresa sendo tributada pelo lucro real, vinha pagando o PIS não cumulativo no período de janeiro/2003 à abril/2005 e a COFINS no período de janeiro/2004 à abril/2005 não cumulativos. Porém em maio de 2005 foi verificado que a atividade de vigilância se enquadrava nas atividades da Lei 7.102 de 20 de junho de 2003, que devem tributar o PIS e a COFINS pelo método cumulativo. Desta forma, foi refeito o cálculo do período acima referido, com base na tributação cumulativo conforme determina a lei e devidamente retificadas as declarações de IR, DCTF e DACON, sendo que o crédito referente ao pagamento a maior, foi compensado nos débitos posteriores conforme PERDCOMP (grifamos) A DRJ em Florianópolis manteve o despacho decisório por entender que a DCTF retificada após o início do procedimento fiscal não possui o condão de produzir efeitos retroativos, de modo que somente seria possível a homologação da compensação, independentemente de eventuais outras verificações, caso a contribuinte houvesse retificado a DCTF antes da transmissão da Dcomp. Eis a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 49DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10983.907312/200920 Acórdão n.º 380302.374 S3TE03 Fl. 2 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (20/07/2011), apresentou recurso voluntário em 16/08/2011, na qual requer a homologação da compensação apresentada ou, subsidiariamente, que seja facultado outro pedido de compensação utilizando o crédito gerado pela retificação da DCTF. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Consoante o relato, tratam os autos de declaração de compensação na qual o contribuinte buscou compensar créditos com débitos próprios, porém não logrou êxito ante a constatação pela RFB de insuficiência de saldo credor. A defesa da PROLINCON VIGILANCIA LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato em relação ao regime tributário de arrecadação. Alega que recolhia o PIS/Pasep pelo regime não cumulativo mas que, em análise posterior, verificouse que deveria recolher pelo regime cumulativo pois a empresa de vigilância se enquadraria na Lei 7.102 de 20 de junho de 2003. Diante disso, apresentou a DCOMP em 15/03/2006, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 09/07/2009, ou seja, após a ciência do despacho decisório (29/06/2009) –passados mais de três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Já se encontra pacificado no âmbito administrativo e judicial que este instrumento constituise em confissão de dívida, sendo inclusive suficiente para a Fazenda Nacional exigir o respectivo crédito tributário mediante a inscrição em dívida ativa do débito declarado.2 Não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração do PIS/Pasep objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep sobre regime de apuração errôneo, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não se deve reconhecer a retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal, premissa esta já devidamente superada. Como bem citou a PROLINCON, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros3. Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 5º, §§ 1º e 2º do Decreto Lei nº 2.124, de 1984. 3 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10983.907312/200920 Acórdão n.º 380302.374 S3TE03 Fl. 3 5 seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 4 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. No tocante ao mérito da questão, extraímos do art. 8º da Lei nº 10.637/02 que as pessoas jurídicas de direito privado, e as que lhe são equiparadas pela legislação do imposto de renda, que apuram o IRPJ com base no lucro real estão sujeitas à incidência nãocumulativa, exceto: as instituições financeiras, as cooperativas de crédito, as pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos imobiliários e financeiros, as operadoras de planos de assistência à saúde, as empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores de que trata a Lei nº 7.102, de 1983, e as sociedades cooperativas (exceto as sociedades cooperativas de produção agropecuária e as sociedades cooperativas de consumo). Sabendo que a alíquota do PIS/PASEP nãocumulativo, instituído pela Lei nº 10.637, de 2002, é de 1,65% e que a alíquota da contribuição pelo regime cumulativo é de 0,65% há que se presumir a existência de efetivo recolhimento a maior pela Interessada. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de agosto de 2003, apurar o PIS/Pasep devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. No presente caso, o contribuinte verificou existência de crédito ao constatar que a atividade de vigilância se enquadrava nas atividades da Lei nº 7.102/2003 e que estava apurando o tributo equivocadamente pelo regime não cumulativo, que apresenta alíquota majorada se comparada com o regime cumulativo, o correto. Por força dos princípios da verdade material e do formalismo moderado, princípios estes que regem o processo administrativo fiscal, entendo que a retificadora deve ser aceita, posto que o equívoco perpetrado pelo contribuinte foi de gravidade tal que inequivocamente geroulhe o direito ao 4 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 6 crédito. Não reconhecer tal fato ensejaria o recolhimento em duplicidade do tributo e conseqüentemente o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que a discussão pairou somente na entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Florianópolis, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. É como voto. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001756/2007-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2003 a 31/08/2005
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão do pagamento a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, ex vi art. 30,I da lei 8.212/91
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.VEDAÇÃO LEGAL.
Todo o conjunto probatório deve ser apresentado quando da impugnação. Exceção das situações constantes no art. 16 § 4º do decreto 70.235/72. Não se enquadrando em nenhuma das hipóteses, vedada a juntada posterior de documentos.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal.
MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA
A multa de mora aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. Não cabe a autoridade administrativa transigir quanto a aplicabilidade da penalidade prevista.
SALÁRIO EDUCAÇÃO
Salário Educação. Aplicabilidade da súmula 732, do Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da contribuição.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. INCRA. SESI. SENAI. SEBRAE
É devida a contribuição a terceiros, expressamente prevista em lei, sendo vedado a este colegiado a apreciação acerca de sua constitucionalidade, consoante súmula nº 02 do CARF.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT.
REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a
regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSEAS COIMBRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/2003 a 31/08/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão do pagamento a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, ex vi art. 30,I da lei 8.212/91 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.VEDAÇÃO LEGAL. Todo o conjunto probatório deve ser apresentado quando da impugnação. Exceção das situações constantes no art. 16 § 4º do decreto 70.235/72. Não se enquadrando em nenhuma das hipóteses, vedada a juntada posterior de documentos. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA A multa de mora aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. Não cabe a autoridade administrativa transigir quanto a aplicabilidade da penalidade prevista. SALÁRIO EDUCAÇÃO Salário Educação. Aplicabilidade da súmula 732, do Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da contribuição. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. INCRA. SESI. SENAI. SEBRAE É devida a contribuição a terceiros, expressamente prevista em lei, sendo vedado a este colegiado a apreciação acerca de sua constitucionalidade, consoante súmula nº 02 do CARF. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/2003 a 31/08/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão do pagamento a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, ex vi art. 30,I da lei 8.212/91 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.VEDAÇÃO LEGAL. Todo o conjunto probatório deve ser apresentado quando da impugnação. Exceção das situações constantes no art. 16 § 4º do decreto 70.235/72. Não se enquadrando em nenhuma das hipóteses, vedada a juntada posterior de documentos. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA A multa de mora aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. Não cabe a autoridade administrativa transigir quanto a aplicabilidade da penalidade prevista. SALÁRIO EDUCAÇÃO Salário Educação. Aplicabilidade da súmula 732, do Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da contribuição. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. INCRA.SESI.SENAI.SEBRAE Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 169 2 É devida a contribuição a terceiros, expressamente prevista em lei, sendo vedado a este colegiado a apreciação acerca de sua constitucionalidade, consoante súmula nº 02 do CARF. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 170 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados empregados, apurados em folhas de pagamento. A DecisãoNotificação – fls 94 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : • À luz do disposto na legislação pertinente, verificamos que ao agente fiscal cabe apenas constatar e descrever a infração. Se o CTN como lei complementar prevê essa apuração por meio de procedimento do lançamento no qual cabe ao agente propor a aplicação da penalidade cabível, ou seja, tem que fazer apenas o relatório circunstanciado e a capitulação e não a aplicação da penalidade; fazendoo estará usurpando a função privativa do órgão judicante. • No Relatório Fiscal anexo à NFLD em exame, o Sr. Agente Fiscal reconhece que efetuou a apuração dos valores por "aferição". Como se está demonstrando ao longo da presente impugnação, a fiscalização deixou faltando com a observância das normas próprias de apurar efetivamente qualquer omissão, mesmo porque não examinou os elementos do lançamento, que, ex vi legis, poderiam ter o condão ad argumentadum tantum de esboçar o fato infrator. • Ocorreu o cerceamento de defesa da impugnante. O amplo direito de defesa é assegurado pela Constituição Federal: o a ao mesmo deve ser dada ciência dos dispositivos legais que embasaram a notificação da autuação; o b notese que na situação sob análise, sequer o recorrente foi, oficialmente, instado a prestar esclarecimentos; o c não houve oportunidade da contra prova (e não se diga que existe agora, consumada a ação lançadora, com a constituição do crédito da recorrida); o d logo o ônus probatório é todo da Impugnada, eis que infringiu o previsto no Inciso LV DO ARTIGO 5° DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL • Consta na notificação que a recorrente foi autuada conforme os dispositivos constantes no corpo da notificação, cuja fundamentação legal mencionada em anexo (folhas avulsas) OS DISPOSITIVOS cujo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 171 4 rol segue adiante. Ora, pelo rol que consta na NFLD, CITANDO OS DISPOSITIVOS LEGAIS PELOS QUAIS A RECORRENTE FOI AUTUADA, é clara a intenção do INSTITUTO em omitir a DISCRIMINAÇÃO CLARA E PRECISA dos dispositivos de lei aplicáveis ao caso. A relação exaustiva e genérica das leis contidas nestas folhas avulsas, OBSTRUIU DE FORMA INCONTORNÁVEL A DEFESA DA RECORRENTE.Ilegalidade da contribuição ao INCRA. • Conforme se depara na fundamentação contida no auto de infração, a impugnante preencheu e entregou as GFIP/SEFIP com dados inexatos, que corresponde a "remuneração". Referidos "dados inexatos" referemse exclusivamente ao fato de que, equivocadamente, a impugnante deixou de informar o valor pago a título de remuneração de autônomos e prólabore, decorrentes dos períodos compreendidos entre 01/2002 a 13/2002, 02/2003, 03/2003, 06/2003, 07/2003, 09/2003 a 07/2004 e 09/2004. Assim sendo, tão logo constatada a irregularidade apontada pelo Sr. Fiscal, e com o objetivo de regularizar possíveis equívocos o mais rápido possível, a impugnante vem tomando as providências necessárias no sentido de apurar e, se for o caso, retificar mencionadas guias. Entretanto, na existência de falha por parte da impugnante, é sabido que o processo de retificação não é automático, e demanda tempo relativamente longo, razão pela qual, a impugnante requer a dilação do prazo pelo período de 30 dias para apurar e proceder eventual refiticação, bem como apresentar os documentos devidamente regularizados, nos termos do artigo 16, § 40, "c" do Decreto 70.235/72, alterado pela Lei n° 9.532/97. • Os referidos trabalhadores jamais foram empregados da empresa, esporadicamente, estes profissionais prestam serviços como autônomos, sendo público e notório que nas mencionadas áreas de atuação, a maioria dos profissionais presta serviços como autônomo a diversas empresas. • Exigese na presente NFLD o recolhimento da contribuição ao INSS sobre os valores pagos a empregados. Ocorre que são indevidos tais pagamentos, uma vez que ignorouse o fato de que a impugnante contrata trabalhadores temporários e avulsos para trabalharem, exclusivamente na limpeza da empresa e na recepção. A limpeza é realizada somente em alguns finais de semana, e na recepção são contratados em épocas em que as visitas de clientes são mais freqüentes, portanto são trabalhos esporádicos e eventuais. • Em relação ao SAT, informa que a atribuição de competência ao Poder Executivo para suprir lacunas da lei através de decretos ou regulamentos fere ostensivamente os princípios constitucionais da legalidade e da tipicidade, expondo as empresas ao arbítrio da Administração que a qualquer momento poderá proceder alterações gravosas à tributação. Demais disso, inexiste no texto constitucional Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 172 5 dispositivo outorgando poderes ao Poder Executivo para dimensionar a alíquota aplicável a Contribuição para o SAT, resultando isto mais um motivo para a inconstitucionalidade total de sua exigência. É inconstitucional a cobrança do SAT a partir de parâmetros quantitativos estabelecidos não pela lei, mas pela administração, discricionariamente. • As normas do DecretoLei n° 1.422/75 e Decreto n° 87.043/82, jamais constituíram a necessária relação jurídica válida que pudesse obrigar a requerente à cobrança do SALÁRIOEDUCAÇÃO. Como se demonstrará, não foram recepcionadas pela carta política de 1988, além de confrontarem flagrantemente a própria EC n° 1 de 1969. • As exigências da contribuição ao INCRA das empresas vinculadas à previdência urbana é manifestamente inconstitucional. • As contribuições ao SESI, SENAI e SEBRAE são devidas apenas pelas empresas comerciais conforme os decretosleis nos 8.621/46 e 9.853/46, assim como pela lei n° 8.029/90. • Impossibilidade de aplicação de taxa SELIC como taxa de juros moratórios. • Da ilegal cobrança de multa equivalente a porcentagem do valor do débito, com efeito confiscatório. • Pugna pelo provimento do recurso, com a conseqüente reforma da decisão exarada nos autos ou o que sejam excluídas as verbas indevidamente cobradas. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 173 6 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA LAVRATURA – COMPETÊNCIA LEGAL Sobre a competência do Auditor Fiscal para a lavratura de Notificação Fiscal, a lei 10.593/02, esclarece a matéria: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (Incluída pela Lei nº 11.457, de 2007) II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007 Dessa feita fica demonstrado que o AFRFB autuante tinha o necessário respaldo legal à lavratura do presente auto. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 174 7 DA BASE DE CÁLCULO O débito foi apurado através das Folhas de Pagamento e seus Resumos – fls 26, não havendo que se falar em apuração indireta. Sobre o que alegado pela fiscalização, nada foi trazido pelo contribuinte que pudesse desconstituir o apurado. Nenhuma folha de pagamento foi acostada, nenhum valor foi expressamente impugnado e, apesar de afirmar que “Os referidos trabalhadores jamais foram empregados da empresa” – fls 121 – sequer menciona a quem se dirige, quais trabalhadores não seriam empregados, inviabilizando analisar o que posto. Fica assim demonstrado que o contribuinte não trouxe nenhum elemento que desconstituísse o que declarado em Folhas de Pagamento e devidamente lançado. DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Às fls 11 a 14, encontramos o relatório Fundamentos Legais do Débito, onde consta a toda legislação pertinente às rubricas apuradas, não havendo assim que se falar em cerceamento de defesa. DO PEDIDO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A fase de juntada de documentos está preclusa conforme art. 16,III do decreto 70.235/72, uma vez que é na impugnação o momento oportuno a apresentação das provas cabíveis. Os prazos elencados em lei são peremptórios, não cabendo ao julgador alterar os limites determinados pelo Poder Legislativo. DAS CONTRIBUIÇÕES AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. A legislação corrente, em especial o art. 94, da Lei n° 8212/91, o DecretoLei n° 1.146, de 31 de dezembro de 1970, e a Lei Complementar n°11/71, (art. 15, II), disciplinam a matéria. O DecretoLei n° 1.146, dê 31 de dezembro de 1970, que consolidou as disposições legais criadas pela Lei n°2.613/55, incluindose o INCRA, manteve o adicional de 0,4% sobre a contribuição das empresas, "verbis": Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 175 8 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: ... Art.3". É mantido o adicional de 0.4% (quatro décimos por cento) à contribuição prvidenciária das empresas instituido no §4º, do artigo 6" da lei n. 2.613, de 23 de setembro de 1955, com a modificação do artigo 35, §2°, item VIII, da Lei n. 4.683, de 29 de novembro de 1965. Art.4°. Cabe ao Instituto Nacional de Previdência Social 1NSS arrecadar as contribuições de que tratam os artigos 2° e 3º deste DecretoLei(...). A Lei Complementar n° 11/71, (art. 15, II), elevou o adicional ao FUNRURAL para 2,4% (dois e quatro décimos por cento), determinando a contribuição ao INCRA em 0,2% (dois décimos por cento): Art. 15. Os recursos para o Custeio do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural provirão das seguintes fontes: I da contribuição de 2% (dois por cento) devida pelo produtor sabre o valor comercial dos produtos /trais, e recolhida: a) pelo adquirente, Consignatário ou cooperativa que ficam sub rogados, Para êsse fim, em tôdas as obrigações do produtor; b) pelo produtor, quando ele próprio industrializar seus produtos vendêlos, no varejo, diretamente ao consumidor. II da contribuição de que trata o art. 3º do Decretolei n" 1.146, de 31 de dezembro de 1970 a qual fica elevada para 2,6% (dois e seis décimos por cento), cabendo 2,4% dois e quatro décimos por cento) ao FUNRURAL". Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 176 9 Com o advento da Lei n° 7.787/89 (art. 3°, §1°), foram suprimidas as alíquotas pertinentes ao PRORURAL/FUNRURAL, sendo mantida a destinada ao INCRA, no valor de 0,2%. Como bem ressaltado na decisão impugnada – fls 175, “É irrelevante o fato do Impetrante não estar vinculado ao meio rural para ser contribuinte da Exação em evidência, ante aos princípios da universalidade do custeio da Seguridade Social (arts.194, I, e 195 da CF/88) e da igualdade tributária”sic. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ainda o STJ: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. EXIGIBILIDADE. NATUREZA JURÍDICA. CIDE. NÃOREVOGAÇÃO PELAS LEIS N. 8.212/91 E 8.213/91. 1. É pacífico o entendimento desta Corte Superior acerca da exigibilidade da contribuição devida ao Incra, mesmo em relação às empresas urbanas, a qual não foi revogada pelas Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 177 10 Leis n. 8.212/91 e 8.213/91, tendo em conta a natureza dessa exação (de intervenção no domínio econômico). Precedentes. 2. Recurso especial nãoprovido.” (REsp 733.747/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2008, DJe 29/10/2008) SAT – Das Contribuições Devidas para o Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, senão vejamos: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. A exigibilidade da contribuição sob comento incide sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos e também encontra expresso respaldo constitucional, consoante art. 7°, inciso XXVIII da Constituição Federal de 1988. "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem a melhoria de sua condição social: ... XXVIII — seguro contra acidentes do trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa"; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 178 11 A matéria encontrase regulamentada pelo Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 que, em seu art. 202 assim traz. Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (...) Fica demonstrado que a legislação que disciplina a matéria determina que a apuração do grau de risco darseá em relação à empresa como um todo, e não a cada estabalecimento, individualmente considerado. Ante o exposto, temos que a exação devida encontrase dentro das formalidades exigidas em lei. DAS CONTRIBUIÇÕES AO SEBRAE Com relação as contribuições devidas ao SEBRAE, também não assiste razão à recorrente. A referida contribuição é disciplinada pela Lei n. 8.029, de 12.04.90, art. 8., § 3º., c/c o art. 1º. do Decretolei n. 2.318/86, lei 11.098/05, art. 3º, Decreto n. 5.256, de 27.10,2004, art. 18, I. A regularidade das referidas contribuições já passaram inclusive pelo crivo do poder judiciário, senão vejamos. Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada Fl. 11DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 179 12 pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que Fl. 12DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 180 13 deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Ante o exposto, não procede o argumento da recorrente de que é incabível às contribuições destinadas ao SEBRAE. DAS CONTRIBUIÇÕES AO SENAI e SESI As contribuições para o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial foram instituídas pelo DecretoLei nº 4.048, de 22/01/42, sendo regido ainda pelas seguintes alterações: Decretolei nº 4.936, de 07/11/42; Decretolei nº 6.246, de 05/02/44; Decretolei nº 1.861, de 25/02/81; Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. O SESI – Serviço Social da Indústria foi instituído através do Decretolei nº 9.403, de 25/06/46, sendo ainda regido pela seguinte legislação: Lei nº 4.863, de 29/11/65; Decreto nº 60.486, de 14/03/67; Decretolei nº 1.861, de 25/02/81; Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. A recorrente, por ser indústria, está vinculada ao FPAS 507, se constituindo em sujeito passivo das contribuições para o SESI e SENAI, de acordo com a legislação que os instituiu: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 181 14 SENAI – DecretoLei n.º 6.246, de 05 de fevereiro de 1944: “Art. 2º. São estabelecimentos contribuintes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial: a – as empresas industriais (grifamos), as de transportes, as de comunicações e as de pesca.” SESI – DecretoLei n.º 9.403, de 25 de junho de 1946: “Art. 3º Os estabelecimentos comerciais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (art. 577 do DecretoLei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943), bem como aqueles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social da Indústria para a realização de seus fins.” Assim sendo, temos que, diante a previsão legal da exação, é devida a cobrança de parcelas devida a terceiros. DO SALÁRIOEDUCAÇÃO A Lei n° 9.424, de 1996 disciplinou a matéria em seu artigo 15, que transcrevo: Art. 15. O SalárioEducação, previsto no artigo 212, § 5" da Constituição Federal é devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados, assim definidos no artigo 12, inciso I, da Lei n°8.212/91. Sobre a questão, transcrevemos a súmula 732 do Supremo Tribunal Federal, de 26.11.2003. É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9424/1996. Assim, temos que a cobrança das contribuições destinadas ao salário educação encontrase fundamentada na legislação que consta do relatório de fundamentação legal, estando de acordo com o regramento vigente. Sobre a constitucionalidade da norma, aplico o que consta da Súmula CARF nº 02. Súmula n° 02 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Fl. 14DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 182 15 DA TAXA SELIC A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade julgadora a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional – ex vi art. 62 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no 256, de 22 de junho de 2009. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por Fl. 15DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 14485.001756/200760 Acórdão n.º 280300.647 S2TE03 Fl. 183 16 outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A multa aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls 13 e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 10/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904226/2009-97
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/10/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.476
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Auto Posto Verona transmitiu a o PER/Dcomp, visando à extinção de débitos pela via de sua compensação com indébito por pagamento indevido ou a maior do que o devido a título de Cofins. O Despacho Decisório Eletrônico número de rastreamento 55, fls. 8, indeferiu o pleito porque o pagamento indicado estava totalmente utilizado para quitação de Fl. 57DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por A LEXANDRE KERN 2 débitos do contribuinte, não restando crédito para compensação dos créditos informados no PER/Dcomp. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante esclarece que o indébito originase da indevida tributação pelas contribuições sociais de valores repassados a terceiros, argumentando ser desnecessária qualquer regulamentação ao § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Combate ainda a ampliação da base de cálculo promovida pelo referido diploma legal. Sob a fundamentação de inexistência de fundamento lógicojurídico para a pretendida exclusão da base de cálculo dos valores transferidos a terceiros, uma vez que tal dispositivo acabou revogado pelo art. 47, inc. IV, alínea “b”, da Medida Provisória nº 1991 18, de 9 de junho de 2000, a 2ª Turma da DRJ/POA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1033.820, de 25 de agosto de 2011, fls. 28 e 29, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 31/10/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo poder executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação não produziu efeitos, sendo descabido, com base nesse pressuposto, o reconhecimento de direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso contra a decisão da DRJ/POA2ª Turma. O arrazoado de fls. 40 a 54, após protestar pela suspensão da exigibilidade dos débitos compensados, dispensarse do arrolamento de bens e resumir os fatos relacionados com a lide, discorre sobre o direito à compensação o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrentes dos inconstitucionais decretosleis nº 2.445 e 2.445, de 1995, com parcelas vincendas das mesmas contribuições. Conclui, requerendo: a) provimento ao Recurso Voluntário, com a conseqüente reforma da decisão, nos termos anteriormente expostos; b) concedido e reconhecido o direito líquido e certo da contribuinte de compensar a importância recolhida indevidamente; c) bem como ainda, seja reconhecido o direito creditório da mesma e para que seja homologada a compensação objeto do presente; d) exclusão da multa aplicada Fl. 58DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11030.904226/200997 Acórdão n.º 380303.476 S3TE03 Fl. 58 3 O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern A autoridade preparadora atestou, às fls. 55, que o recurso foi interposto intempestivamente. Com efeito, consta dos autos, às fls. 39, que foram emitidas as intimações DRF/PFO/Saort nº 452/11, 453/11, 454/11, 455/11, 456/11, 457/11, 458/11, 459/11, 460/11, 461/11, 462/11, 463/11, 464/11, 465/11, 466/11, 467/11 e 468/11 para dar ciência ao contribuinte do teor do Acórdão DRJ/POA nº 1033.820, de 25 de agosto de 2011, emitido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS, nos autos do processo em epígrafe. A interessada foi cientificada da referidas intimações em 28/09/2011, conforme Aviso de Recebimento constante das fls. 39. Contudo, só postou seu recurso na agência França da EBCT em Porto Alegre em data de 03/11/2011, após o término do trintídio regulamentar (cópias dos documentos de postagem nas fls. 53 e 54). Acerca do prazo para interposição do Recurso Voluntário, bem como, da análise de sua tempestividade, são bastante claras as normas insertas no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, abaixo transcritos: Art. 33: Da decisão, caberá Recurso Voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portanto, em face de sua intempestividade, não conheço do arrazoado de fls. 40 a 54. Sala das Sessões, em Alexandre Kern – Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13807.003026/99-15
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 303-01.006
Decisão: RESOLVEM os Membros da. Terceira Câmara do Terceiro Conselho. de Contribuintes, por unanimidade de votos, ,converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Resolução nº 303-01.006; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-12-22T19:58:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Resolução nº 303-01.006; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Resolução nº 303-01.006; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-12-22T19:58:17Z; created: 2016-12-22T19:58:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2016-12-22T19:58:17Z; pdf:charsPerPage: 743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-12-22T19:58:17Z | Conteúdo => I .1 :jI ' , ) , \ ,MINISTÉRIO DA. FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° SESSÃO DE RESOLUÇÃO N° RECURSO N° RECORRENTE .RECORRIDA 13807.003026/99-' 15 27 de janeiro de 2005 303-01.006 . 128.542 . . COMÉRCIO DE PRODUTOS VETERINÁRlOS PELO. & PENA LTDA-ME. DRJ/SÃO PAULO/SP, RESOLUÇÃO Nº-303..01.006 , Vistos, relatados e.discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da. Terceira Câmara do Terceiro Conselho. de Contribuintes, por unanimidade de' votos, ,converter o julgamento do recurso em diligê~cia nos termos do voto qo' rélator. ' Participaram, ainda, do .presente j to, os seguintes Cbnselheiros:ZENALDO LOÍ~MAN, NA!'JCI GAMA,SÉR. ,E CASTRO NEVES, SILVIO MARCOS BARCELqS FIUz:A, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS (Suplente) e NILTON LUIZ BARTOLI. Esteve. presente a p'roéuradora da Fazenda Nacional MARIA CECILIA BARBOSA. MA/3 . . ~ í \ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 128.543 303-01.006 COMÉRCIO DE PRODUTOS VETERINÁRIOS-PEtO & PENA LTDA.-ME. DRJ/SÃO PAULO/SP MARCIEL EDER COSTA " RELATÓRIO E VOTO 2 /, / ' Trata o presente processo de exclu~ão do Contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições d~s Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ~ SIMPLES, por Ato Declaratório de emissão do SI. Delegado da Receita Federal em São Paulo, sob argumento de exercício de a,tividade , impeditiva d? SIMPLES. ' Insurgindo-se contra' o referido, ato 'o contribuinte apresentou impugnação alegando em síntese que embora constasse no contrato social as referidas atividades iplpeditivas ele 'opção 'ao SIMPLES, jamais as exerceu, Tazão pela qual provid~ncio:u a alteração de seu contrato social. ' ; Verifica-se que da análise do 'autos, que o objeto. sociál da Recorrente, nos termos da Alteração do Contrato Socia} de fls. '05/06, é o seguinte: " I Comércio de proputos. veterinários, medicamentos e pet-shóp", sendo supridas por meiO desta alteração do contrato social de constituição (folhas 08/1 O)'as expressões: consulta; tratamento, internação de animais e p.e~são. . Observa-se também que no' Contrato Social de Constituição da Empresa as sócias se declaram médicas veterinárias e na alteração proposta estas assumiram a condição de comerciap.tes. ' , Não há óbice legar para o exercício da profissão de plédico veterinário e concomitante ser sócio de empresa optante do, SIMPLES. que ,~comercializa medicamentos, produtos veterinarios e pet-shop. Todavia, tratam-se de atividades distintas, devendo cada uma submeter-se á legislação específic'J, ao caso. A restrição da ,legislação está pará o exercício da atividade. 'impeditiva e não para descrição na mesma do objeto social da empresa, razão pela qual, há de se verificar se de fato a Recorrente exerceu ou pão a referida atividade . . Diante do exposto, para que seja pos vel apreciar definitivamente a lide estabel~cida nos autos, converto o presente julga ento em dilige para que a repartição de origem, de fato, apure quaÍs as a 'vidades desenvol' s pela recorrente, circunstanciando o apúrado 'em -termo )2rio,.,.que dever' ser dado' .. ~ \ '. I~ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° .RESOLUÇÃO N° 128.543 303-01.006 conhecimento à recorrente, intimando-a a, da diligência. / . I , I. ,/ após a~onclusão ,, . ", . 00000001 00000002 00000003
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