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Numero do processo: 11128.007548/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/12/2006
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. EFEITOS.
Não se deve conhecer do recurso voluntário interposto após transcorrido o trintídio legal, contado da data da ciência da decisão recorrida.
Recurso voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3202-000.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/12/2006 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. EFEITOS. Não se deve conhecer do recurso voluntário interposto após transcorrido o trintídio legal, contado da data da ciência da decisão recorrida. Recurso voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de: multa de trinta por cento do valor aduaneiro, aplicada pela exigência de novo licenciamento de importação, prevista no art. 169, I, b do Decretolei 37/66, e multa de um por cento do valor aduaneiro, aplicada por classificação incorreta de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 75 48 /2 00 7- 45 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 mercadoria, prevista no art. 84, I da MP 215835 c/c art. 69 e 81, IV da Lei 10833/03. Tal cobrança se faz em face de descrição incorreta e destaque informado incorretamente para as mercadorias importadas através da Declaração de Importação 06/14888047. A interessada descreveu as mercadorias como cilindros de aço sem costura, aptos para GNV, pintados em amarelo, com sua capacidade hidráulica, utilizando a classificação NCM 7311.00.00, com destaque 999. A fiscalização exigiu o enquadramento no destaque 002 (conforme descrito na fl. 81, apresentação de licenciamento de importação, além de recolhimento das penalidades por falta de licenciamento e por classificação incorreta. A interessada apresentou o licenciamento de importação 07/19486871, através de retificação de Declaração de Importação, apresentando descrição detalhada da mercadoria (fls. 72 a 77), mas discordou das penalidades, razão pela qual o presente foi lavrado. Cientificada do auto de infração, a interessada protocolizou impugnação, alegando, em síntese, que: a licença de importação foi facilmente obtida em virtude de todos os documentos já existiam em data anterior ao embarque; seria indispensável que antes da aplicação de multas fosse expedida notificação para retificação da DI, tendo havido supressão ao contraditório; não houve prazos para que as licenças pudessem ser apresentadas; legislação prevê que o DECEX registrará advertência ao importador, solicitando correção de dados; somente teve conhecimento de sua obrigação de apresentar licenças de importação após o desembaraço; a manutenção da multa coloca no mesmo patamar quem estava regular com aquele que não possui os requisitos para obtenção do licenciamento; não houve dano ao erário, uma vez que a obtenção de LI e a apresentação de licença do INMETRO foram anteriores ao desembaraço, podendo o Ministro de Estado da Fazenda relevar as penalidades; a mercadoria foi retida ilegalmente; requer a insubsistência da autuação.” A DRJSão Paulo II/SP julgou improcedente a impugnação (fls. 142/146), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 07/12/2006 MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO Caracterizada a descrição incorreta das mercadorias na Licença de Importação, configurase a infração capitulada no artigo 633, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4543/02, fundamentado no inciso I, alínea "b" e §2°, inciso I do art. 169 do Decretolei n° 37/66, com a redação do art. 77 da Lei n° Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.007548/200745 Acórdão n.º 3202000.840 S3C2T2 Fl. 261 3 10.833/03, ou seja, não existia licença de importação para o produto que foi efetivamente importado, razão pela qual tornase perfeitamente cabível a penalidade aplicada MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Demonstrada a utilização de indevido destaque ex, impõese a aplicação da multa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado, constante às fls. 159/166. que a decisão de primeira instância deixou de se manifestar, expressamente, sobre a tese de defesa de que é admitido ao jurisdicionado formular alegações e apresentar documentos antes que seja praticado qualquer ato, nos termos do artigo 3º , da Lei nº. 9.784/99; que para exigência de obrigações acessórias no licenciamento, é imprescindível que seja observado o artigo 14, da Portaria 14/04, o qual concede prazo ao contribuinte para que possa ser suprida eventual falta de documentação; que a manutenção da multa em questão também ofende a isonomia de ,tratamento entre contribuintes, na medida em que um contribuinte totalmente regular é posto em situação análoga àquele que não possui os requisitos para obtenção do licenciamento; que “a Recorrente apresentou todos os documentos ao licenciamento e comprovou que, na data do desembarque, teria plenas condições de apresentálos, não fosse o equívoco e, por conseguinte, se o prazo previsto na Portaria 14/04 tivesse sido aberto, não haveria circunstância material a justificar as multas impostas e muito menos o risco de perdimento”; que a obtenção da Licença de Importação e a apresentação da LI ao INMetro em data anterior à do desembaraço demonstra que a Impugnante não praticou qualquer ato lesivo ao Erário, ou seja, não se vislumbra qualquer vantagem que a empresa poderia ter obtido com o seu equívoco; que “tanto a multa por preenchimento incorreto da D.I., quanto a multa por falta de apresentação de licenciamento, não acarretaram redução ou supressão de tributo, o que justifica a exclusão das sanções pecuniárias exigidas e seus acessórios, na forma do art. 654 do Decreto nº. 4.532/2002, o qual prevê que o Ministro de Estado da Fazenda poderá revelar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais; e que a exigência tributária, se mantida, configuraria verdadeiro confisco Ao final requereu a insubsistência do Auto de Infração. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Aduz a querelante ser tempestivo o recurso voluntário oferecido, vez que teria recebido a intimação da decisão da DRJ, via correspondência, em 29/03/2011. Entretanto, à efl. 161, consta o Aviso de Recebimento –AR, o qual consigna, como data de recebimento, o dia 28/03/2011. Assim, o documento denominado “Aviso de Recebimento – AR” dá conta de que a ciência da decisão recorrida foi em 28/03/2011, segundafeira; com isso, temse que o prazo de trinta dias para apresentação do recurso começou a fluir no primeiro dia útil seguinte, ou seja, 29/03/2011 (terçafeira), completandose o interstício em 27/04/2011, quartafeira. Todavia, o recurso foi protocolizado somente em 28/04/2011 (efl. 169), quando, portanto, já se encontrava findo o prazo legal para interposição do recurso. Isto posto, e considerando que a interposição a destempo do apelo voluntário impede a sua admissibilidade, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900182/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal nem tem o condão de restabelecer o litígio em segunda instância.
O recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal nem tem o condão de restabelecer o litígio em segunda instância. O recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
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A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal nem tem o condão de restabelecer o litígio em segunda instância. O recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 01 82 /2 01 0- 55 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Belém que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deferiu, em parte, o pedido de ressarcimento (PER) de crédito presumido do IPI às fls. 02/22, apurado para o 2º trimestre de 2003, e, conseqüentemente, homologou, em parte, as compensações informadas nas Declarações de Compensação, objeto deste processo, transmitidas a partir de 07/03/2008. O deferimento parcial do pedido de ressarcimento e, conseqüentemente, a homologação parcial decorreram de glosas de créditos aproveitados indevidamente pela recorrente sobre custos que não se enquadram no conceito de insumos utilizados no seu processo industrial, conforme Relatório Fiscal às fls. 77/82 e Despacho Decisório às fls. 51. Inconformada com aquele despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 59/67), insistindo no ressarcimento integral do valor pleiteado e na homologação das compensações declaradas, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) Preliminarmente, quanto à tempestividade: ‘Em 23.03.2011 (quarta feira), a REQUERENTE foi intimada do despacho decisório (Doc. N° 03) que homologou parcialmente o seu pedido de compensação. Vêse, pois, que é tempestiva a presente manifestação de inconformidade, eis que protocolada dentro do prazo de 30 dias previsto no art. 74, §§ 7º e 9º, da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 66 da IN/RFB n° 900/2008, isto é, até o dia 22.04.2011 (sextafeira), inclusive.”; b) No mérito, alega que o entendimento da Unidade, baseado no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, não merece prosperar, uma vez que tal parecer extrapola o teor do art. 164 do RIPI, afrontando o princípio da legalidade, além de não se encontrar em consonância com os precedentes firmados nos Conselhos de Contribuintes e nos Tribunais do País, tendo sido todos os materiais adquiridos consumidos na produção; c) Solicita perícia, indicando questionamento e perito, e pede o provimento de sua manifestação.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ não conheceu dela, conforme Acórdão nº 0124.183, datado de 08/02/2012, às fls. 119/121, sob a seguinte ementa: “MANIFESTAÇÃO INTEMPESTIVA. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório, apresentar manifestação contra a decisão da Unidade de origem. Expirado tal prazo, a reclamação administrativa será considerada intempestiva e não será conhecida.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 127/139), requerendo a sua reforma a fim de que se defira seu pedido de ressarcimento e se homologuem as compensações declaradas, alegando, em síntese: (i) em preliminar, a possibilidade de analisar a manifestação de inconformidade interposta de forma intempestiva e, consequentemente, anular a decisão recorrida e determinar à autoridade julgadora de primeira instância que profira nova decisão enfrentando as questões de mérito, expendidas na manifestação de inconformidade; e, (ii) no mérito: a) a nulidade de despacho Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.900182/201055 Acórdão n.º 3301002.030 S3C3T1 Fl. 172 3 decisório por ausência de descrição dos fatos e fundamentação legal; e, b) a documentação apresentada comprova o ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende, em parte, aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. No entanto questão preliminar prejudica o conhecimento das questões de mérito nele expendidas e, conseqüentemente, seu julgamento nesta fase recursal. A autoridade julgadora de primeira instância não conheceu das razões de mérito da impugnação, com fundamento no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 15, c/c o art. 23, pelo fato de aquela ter sido interposta a destempo, ou seja, depois de decorridos mais de 30 trinta dias, contados da data em que a recorrente foi intimada do despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as Dcomp em discussão. Em seu recurso voluntário, a recorrente reconheceu a intempestividade da manifestação de inconformidade interposta por ela. Contudo, em face dos princípios da razoabilidade e da verdade material, suscitou a possibilidade de sua análise e julgamento pela autoridade julgadora de primeira instância, com a conseqüente anulação, por esta Turma Ordinária de Julgamento, da decisão de primeira instância e a determinação para que outra seja proferida por aquela autoridade com o enfretamento do mérito. Ao contrário do seu entendimento, inexiste amparo legal para se anular a decisão recorrida e para se determinar a prolação de uma nova pela autoridade julgadora de primeira instância. A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, que instituiu a compensação de créditos contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), assim dispõe: “Art. 74. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...]. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...].” Por sua vez o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, estabelece: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” No presente caso, conforme demonstrado na decisão recorrida e reconhecido pela própria recorrente a manifestação de inconformidade foi apresentada intempestivamente. Assim sendo, a apreciação e julgamento das matérias de mérito, expendidas no recurso voluntário, ficaram prejudicadas. O recurso voluntário somente teria cabimento quanto à intempestividade da manifestação de inconformidade decidida em primeira instância, contudo esta não foi suscitada. Aquele decreto assim dispõe: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Conforme demonstrado anteriormente, a recorrente não contestou a perempção decidida em primeira instância. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13830.722240/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NOVA AMÉRICA TERRAS LTDA.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NOVA AMÉRICA TERRAS LTDA. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .7 22 24 0/ 20 12 -8 0 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.722240/201280 Resolução nº 2202000.513 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, NOVA AMÉRICA TERRAS LTDA., foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 03 a 07, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2009, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, relativo ao imóvel rural “Fazenda São José”, com área de 6.740,7 ha, NIRF 0.727.1220, localizado no município de Paraguaçu Paulista/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou as áreas efetivamente utilizadas para plantação com produtos vegetais e pastagens bem como deixou de comprovar o Valor da Terra Nua, razão pela qual esses itens foram alterados e efetuado o lançamento de ofício com base no art. 10 § 1º inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996. Cientificada do lançamento, por via postal, em 27/09/2012, conforme AR de fl. 282, a interessada apresenta impugnação de fls. 284 a 295, em 26/10/2012, onde alega, basicamente, que a área do imóvel correspondente a 5.880,6 ha, no ano de 2007, era utilizada com cultura de canadeaçúcar, conforme Contrato de Parceria firmado com a empresa Nova América Agrícola Ltda., e para justificar apresenta, nos autos, cópia do Instrumento Particular de Parceria Agrícola, Notas Fiscais de Entrada, Notas Fiscais de Saída de mercadorias, Laudo Agronômico de Comprovação da Exploração do Imóvel Rural; a área de 465,8 ha era utilizada com pecuária de acordo com o Contrato de Arrendamento firmado com Jorge Serodio, para a qual apresenta Demonstrativo do Movimento de Gado, entre outros documentos, que comprovam a altíssima produtividade do imóvel; concorda com o valor da terra nua considerado pela autoridade fiscal de R$ 3.000,00 por hectare; por último, requer perícia técnica, juntada de novos documentos e cancelamento da notificação de lançamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS, julgou o lançamento procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 Áreas de Produtos Vegetais/Pastagens. O contrato de parceria agrícola por si só não é suficiente para comprovar a exploração do imóvel, sendo necessário também que as Notas Fiscais de produtor, de insumos, certificado de depósito, entre outros documentos, emitidos em nome do parceiro outorgado tenham vínculo com o imóvel em questão. Matéria Não Impugnada Valor da Terra Nua. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.722240/201280 Resolução nº 2202000.513 S2C2T2 Fl. 4 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido A autoridade de primeira instância entendeu por bem restabelecer a área de pastagens, tendo em vista o Demonstrativo do Movimento de Gado, à fl. 542 e Laudo Técnico de Comprovação de Exploração do Imóvel comprovam a área de pastagens e a quantidade de animais apascentados nela em 2007. Portanto, cabe restabelecer a glosa da área de pastagens efetuada pela fiscalização com respaldo na documentação citada, o que consequentemente altera o grau de utilização de 0,0% para 7,0%, mas a alíquota de cálculo e o crédito tributário permanecem inalterados. No que se refere ao Valor da Terra Nua, a autoridade afirmou que a mesma concordou com o valor lançado tendo em vista ter sido expressamente questionada essa parte do lançamento. Insatisfeita a contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. Destaquese os seguintes pontos: que o fazenda objeto da autuação agora pertence a AGROTERRENAS S/A TERRAS, isso por força do processo de cisão da empresa então chamada de NOVA AMERICA S/A – TERRAS pelo que, imperioso a retificação de polo. que restou demonstrado através do Comprovantes de Inscrição e Situação Cadastral que a Recorrente tem sua sede na Rodovia Miguel Deliberador, SP 421, Km 68, em Paraguaçu Paulista, justamente dentro da denominada Fazenda São José. que no instrumento particular de parceria agrícola restou comprovado que embora a parceria do recorrente aponte com exatidão suas inscrições legais consignou como sede como sendo na “Fazenda San Martin” ao invés na “Fazenda São José”, flagrante erro material, jamais antes detectado. que a autoridade julgadora não apreciou com o devido cuidado a documentação apresentada que comprovam a produtividade da Fazenda São José, assinalado em relatório próprio a efetiva quantidade de cana de açúcar apontada em cada nota fiscal e que teve sua produção na chamada Fazenda São José; que várias notas fiscais referemse a fazenda São Jose atestando a inquestionável produtividade do respectivo imóvel; que o Laudo técnico agronômico de comprovação de exploração do imóvel Fazenda São Jose trazido aos autos comprovam de forma categórica a utilização da área em questão. É o relatório. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.722240/201280 Resolução nº 2202000.513 S2C2T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A questão fundamental é a demonstração pelo recorrente da área de produção vegetal. A DRJ não acolheu os argumentos do recorrente por entender que nos autos consta contrato de parceria agrícola firmado com a empresa Nova América S/A – Agrícola e tendo por objeto os imóveis rurais denominados Fazenda São Martin, São José e outras, mas as Notas Fiscais carreadas aos autos não apresentam vínculo com o imóvel em questão. Complementa ainda que os Relatórios apresentados às fls. 565 a 584 não especificam o total de canadeaçúcar produzida em cada imóvel, apenas refletem uma situação geral da safra nos anos 2007 a 2009. Mantendo assim a glosa referente a esse item. Entretanto não há como ignorar que o recorrente traz aos autos laudo técnico de comprovação de exploração do imóvel rural Fazenda de São José, onde registra que a área da fazenda São José corresponde a 5.848,43 há, apresentando imagens do imóveis nos diferentes estágios no período de 2007 a 2009. Entendo que o aproveitamento das áreas declaradas como de produtos vegetais ou exploração extrativa deve ser amparado em documentação idônea que comprove sua efetiva utilização. Não é suficiente para a comprovação a exclusiva menção a tais áreas em laudo técnico ou relatório geral de produção que não vincule diretamente ao imóvel. Diante dos fatos, para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para intimar o recorrente a apresentar no prazo de 20 dias, documentos e provas adicionais que permitam elucidar de maneira clara que o os relatório apresentados referemse efetivamente a Fazenda São José, e não a Fazenda Sam Martin ou outras. Evidências adicionais que demonstrem a vinculação de uma produção diretamente com a Fazenda São José são fundamentais, para que não reste a dúvida que estamos considerando a produção de outra fazenda como sendo da Fazenda São José. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 658DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10882.902828/2008-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 76 1 75 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.902828/200835 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.212 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de outubro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente SPS SUPRIMENTOS PARA SIDERURGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 28 /2 00 8- 35 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902828/200835 Acórdão n.º 3801002.212 S3TE01 Fl. 77 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que houve equívoco no preenchimento do campo relativo ao documento de arrecadação na declaração de compensação. Segundo a interessada, ao invés de informar o valor do DARF, teria informado o valor do crédito que possuiria. Após, relata os valores que teriam sido apurados como tributo devido, pago e o saldo que pretende ter reconhecido como indébito. Ao fim, requer a homologação da compensação por força da existência do crédito reivindicado. Posteriormente, a interessada trouxe aos autos DCTF retificadora da apuração e na qual estaria evidenciado o crédito requerido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), às fls. 31/35, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902828/200835 Acórdão n.º 3801002.212 S3TE01 Fl. 78 3 pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 37 a 44, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902828/200835 Acórdão n.º 3801002.212 S3TE01 Fl. 79 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente alega que ao preencher o PERDCOMP cometeu erros no preenchimento do campo relativo aos DARF's que dão origem ao crédito tributário, pois informou como origem de crédito valores que não retratam a realidade, mais precisamente informou como origem de crédito o valor a ser compensado e não o que efetivamente recolheu a maior. Compulsando os autos, verificamos que a recorrente anexou cópia do comprovante de arrecadação que teria embasado o crédito pleiteado referente ao recolhimento de COFINS, código de receita 2172 período de apuração janeiro/2000, com vencimento em 15/02/2000, no montante de R$ 34.856,93, conforme comprovante à fl. 08. Todavia, nas PER/DCOMPs que teriam utilizado este crédito consta como valor do DARF o montante de R$ 19.704,01. Diante disso, o pagamento não foi localizado, sendo exarado o Despacho Decisório de fls. 03, com ciência em 22/08/2008, não homologando a compensação pleiteada. Posteriormente, em 25/02/2009, apresentou DCTF retificadora na qual estaria o valor apurado da contribuição e que embasaria o seu crédito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, caso o contribuinte não informe corretamente os dados do pagamento ele efetivamente não será localizado, o que de fato ocorreu conforme consta no Despacho Decisório. Nesse procedimento não se está adentrando efetivamente no mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento do PERDCOMP e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902828/200835 Acórdão n.º 3801002.212 S3TE01 Fl. 80 5 No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Esclarece ainda a autoridade julgadora de 1ª Instância que a recorrente foi intimada, ainda antes da emissão do despacho decisório, a retificar as informações sobre o documento de arrecadação, conforme documentação anexada aos autos, mas não tomou providências nesse sentido. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10166.000169/2010-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PROVA DOS REQUISITOS PREVISTOS EM LEI.
Feita a prova dos requisitos legais de que tratam os incisos XIV e XXI do artigo 6º da lei n. 7.713/88, é de se reconhecer a isenção pleiteada.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-001.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite (relatora) e Jaci de Assis Júnior que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Redator Designado
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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MOLÉSTIA GRAVE. PROVA DOS REQUISITOS PREVISTOS EM LEI. Feita a prova dos requisitos legais de que tratam os incisos XIV e XXI do artigo 6º da lei n. 7.713/88, é de se reconhecer a isenção pleiteada. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite (relatora) e Jaci de Assis Júnior que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Redator Designado EDITADO EM: 18/07/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 01 69 /2 01 0- 19 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício 2005, anocalendário 2004, em virtude de apuração de omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício, no valor de R$ 93.169,48 e Glosa de Dedução Indevida de Previdência Oficial, no valor de R$ 1.797,47 conforme enquadramento legal e descrição dos fatos à fl. 20/24. Em sua impugnação o contribuinte alegou, que os rendimentos são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave diagnosticada em julho de 2000, conforme parecer técnico n° 1554/2007, da Seção de Perícias Médicas, MD/EB, anexo. Acrescenta que a declaração retificadora foi apresentada para solicitar a restituição do imposto de renda pago, no valor de R$ 4.421.05, conforme DARF anexo. Junta ao processo o informe de rendimentos da fonte pagadora para Comprovar a dedução de contribuições à previdência oficial.. A Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília(DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0341.144 , de 22 de dezembro de 2010, que se encontra às fls. 36/85, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV der artigo 6o da Lei 7.713/1988 e alterações. Tal isenção está condicionada a comprovação da doença mediante laudo pericial emitido de modo conclusivo por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão em 09/03/2011, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 08 /04 / 2011, alegando, em sintese que. · a improcedência da infração se deve ao fato de informado em sua DIRPF Exercicio 2005, , o valor de R$ 128.884,10 (cento e vinte e oito mil, oitocentos e oitenta e quatro reais e dez centavos), correspondente ao somatório de R$ 35.714,62 (trinta e cinco mil, setecentos e catorze reais e sessenta e dois centavos), relativo a Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.000169/201019 Acórdão n.º 2802001.907 S2TE02 Fl. 60 3 trabalho assalariado como professor, e R$ 93.169,48 (noventa e três mil, cento e sessenta e nove reais e quarenta e oito centavos),referentes aos proventos percebidos como militar da reserva. · considerados os valores declarados como tributáveis, foi calculado como imposto devido o valor de R$ 25.194,66 (vinte e cinco mil, cento e noventa e quatro reais e sessenta e seis centavos). Tendo sido retido na fonte o valor de R$ 20.773,61 (vinte mil, setecentos e setenta e três reais e sessenta e um centavos),apurouse como saldo de imposto a pagar o montante de R$ 4.421,05 (quatro mil quatrocentos e vinte e um reais e cinco centavos), recolhido em 25 de abril de 2006, conforme comprova o DARF, cuja cópia está anexada ao presente recurso. · o Parecer Técnico n° 1554/2007, da Seção de Perícias Médicas do Ministério da Defesa, Exército Brasileiro, identifica que a doença, especificada na Lei n° 7.713/88 e alterações, foi identificada em julho de 2000, não havendo necessidade de reinspeção, por se tratar de doença crônica e irreversível. Foi considerada a data de 29 de janeiro de 2007 para início da reforma, entretanto, o contribuinte encontrase na inatividade desde 19 de janeiro de 1998, quando foi transferido para a reserva remunerada. · o entendimento de que não se podem isentar do imposto de renda os proventos percebidos por militares da reserva remunerada, equiparandose aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, não está pacificado, conforme se depreende dos julgados do Conselho de Contribuintes, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Tribunal Regional Federal da 1 a Região, Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal,: · transcreve ementas de de uma vasta jurisprudência É o relatório. Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A exigência fiscal teve origem em revisão interna de Declaração de Ajuste Anual, na qual a autoridade lançadora entendeu ter havido omissão de rendimentos tributáveis, que o recorrente declarou como isentos. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Com efeito, observase na decisão recorrida que a DRJ deixou de reconhecer a isenção pretendida, nos autos em razão dos seguintes fatos: ²O pleito de isenção do contribuinte está previsto nos incisos XXXI e XXXIII, do art. 39, do regulamento do imposto de renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.03.1999, que tem como base legal os incisos XIV e XXI, do art. 6o da Lei n° 7.713, de 1988, com alterações do art. 47, da Lei n° 8.541, de 1992, e art. 30, § 2o , da Lei n° 9.250, de 1995, verbis: ................................... Do dispositivo legal mencionado, inferese que duas condições básicas devem ser preenchidas pelo candidato à isenção em pauta, sendo a primeira que os rendimentos recebidos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e a segunda concernente à comprovação do estado de moléstia grave, mediante laudo médico oficial. De acordo com a Portaria 1.068DCIP.22 de 13 de julho de 2007, publicada no D.O.U de 17/07/2007 o contribuinte foi reformado, a contar de 29/01/2007, por ter sido julgado incapaz definitivamente para o serviço do Exército. O Parecer Técnico n° 1554/2007 da Seção de perícias médicas do Ministério da Defesa, informa que o contribuinte foi inspecionado para fins de isenção do imposto de renda pela JISR/CMP, em 02 de agosto de 2007, que prolatou a seguinte decisão, síntese: E portador de doença especificada na Lei n° 7.713/88 e alterações. O diagnóstico utilizado para emitir o parecer foi G21. Data de início da doença: julho de 2000. Não necessita ser reinspecionado por se tratar de doença crônica e irreversível. Ainda, conforme mencionado ato, o inspecionado deve ser considerado portador de doença especificada em lei a contar de 29/01/2007, data em que a patologia (doença de Parkinson) foi constatada pela JISG/Brasília. Neste ponto, destacase que houve uma contradição na determinação da data de início da doença atestada pela Junta Médica e a Conclusão do Parecer Técnico. Todavia, este fato não influenciará na solução do litígio, pois o direito à isenção por moléstia grave somente ocorre a partir do momento em que os requisitos legais são cumulativamente preenchidos, e na presente situação somente em janeiro de 2007, o contribuinte foi reformado, sendo esta data o marco inicial da isenção pretendida. A transferência para reserva remunerada não equivale à reforma para fins desta legislação. Assim, os proventos auferidos durante o ano de 2004, são tributáveis. Ressaltese que o art. 111 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, determina a interpretação literal da legislação que disponha sobre isenção. A Lei n° 7.713 em seu art. 6°o, com redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541/1992, diz expressamente em seu texto que ficam isentos do imposto de renda os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma e pensão recebidos por portadores de doença prevista em lei. Portanto, não cabe à administração tributária, proceder de forma diversa Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.000169/201019 Acórdão n.º 2802001.907 S2TE02 Fl. 61 5 Conforme o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma e pensão percebidos pelos portadores das moléstias, dentre elas a cardiopatia grave. Dispondo sobre tal concessão, o art. 30 da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcrito, estabeleceu que, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, a doença deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1.996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Dos dispositivos citados, extraíse que os rendimentos devem decorrer de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte deve ser portador de moléstia grave relacionada na Lei nº 7.713, de 1988, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A questão foi assim sumulada neste Colegiado: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A questão em análise está em se definir se a contribuinte tinha ou não, direito à isenção do IRPF por moléstia grave para fins de isenção do IRPF, nos termos do artigo 39, do RIR/99, inciso O importante é definirmos se o contribuinte atende os requisitos para fazer jus à isenção do IRPF por moléstia grave. Tratase de dois requisitos que devem ser observados: 1º. a existência de laudo médico técnico atestando a doença e a data do seu início; 2º. ter a contribuinte proventos oriundos de aposentadoria ou reforma ou pensão, pois são esses os rendimentos alcançados pelo benefício fiscal. Conforme acima explanado, o pressuposto desde a decisão de primeira instância para o não reconhecimento da isenção foi: 1) que a transferência para reserva remunerada não equivale à reforma para fins desta legislação; 2) O Parecer Técnico n° 1554/2007 da Seção de perícias médicas do Ministério da Defesa, informa que o contribuinte deve ser considerado portador de doença especificada em lei a contar de 29/01/2007, data em que a patologia (doença de Parkinson) foi constatada pela JISG/Brasília. Quanto ao pressuposto de que a transferência para reserva remunerada não equivale à reforma para fins desta legislação verificase que a Súmula CARF nº 63 supera o Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 entendimento da DRJ. Entretanto no item 3 do PARECER TÉCNICO N° 1.554/2007 MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO DEPARTAMENTOGERAL DO PESSOAL DIRETORIA DE SAÚDE, aponta que o recorrente dever ser considerado portador de doença especificada em lei a contar de 29 de janeiro de 2007, data em que a patologia (doença de Parkinson) foi constatada pela JISG/Brasília (HGeB), na sessão 012/2007. Diante do exposto, nego provimento ao recurso (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Voto Vencedor Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, redator designado Em que pese o bem fundamentado voto da d. Relatora, Dayse Fernandes Leite, ouso dela divergir. Mas razões recursais, o Recorrente alega que os rendimentos são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave diagnosticada em julho de 2000, conforme parecer técnico n° 1.554/2007, da Seção de Perícias Médicas, MD/EB, anexo. De acordo com o Parecer Técnico n° 1.554/2007, da Seção de Perícias Médicas, MD/EB à fl. 58, a data do início da doença é julho de 2000. Ademais, lá consta, expressamente de que o paciente não precisa ser reinspecionado, por se tratar de doença crônica e irreversível. No mais, conforme já admitido pela d. Relatora e de acordo com a Súmula CARF n.º 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Logo, o fato de o Recorrente no anocalendário em questão se encontrar na reserva remunerada, não é óbice para o reconhecimento do direito à isenção dos seus rendimentos, preenchidos os requisitos previstos em lei para a sua concessão, mormente solucionada a controvérsia quanto ao início da doença. Pelo exposto, conheço e dou provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10803.000073/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2201-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia e Odmir Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes– Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia e Odmir Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP, que manteve a autuação do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF, anos calendário 2003, 2004, 2005 e 2006, no valor de R$ 477.409,17, sobre omissão de rendimento caracterizada pelo APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração (fls.04 a 15) com ciência em 22.10.2008 (AR fls. 360) relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .0 00 07 3/ 20 08 -7 5 Fl. 764DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000073/200875 Resolução nº 2201000.160 S2C2T1 Fl. 3 2 calendário 2003, 2004, 2005, 2006, no valor de R$ 477.409,17, sobre omissão de rendimento tendo em vista a variação patrimonial a descoberto. Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (fls. 343 a 349): Termo de Verificação e Conclusão Fiscal TVCF os autuantes dão conta dos atos praticados durante a ação fiscal e relatam os fatos que sensibilizaram a análise da variação patrimonial. A ação fiscal teve início em 15/03/2007, com o recebimento, pelo contribuinte, do Termo de Início da Ação Fiscal de fls. 16/18 e do Mandado de Procedimento Fiscal de fl. 02, remetidos por via postal (fl. 19). Pelo referido Termo, o fiscalizado foi instado a apresentar, relativamente a 2006, documentação referente a posse de bens e direitos no exterior, além de outros documentos para comprovação de diversos fatos pertinentes às declarações de ajuste relativas aos exercícios examinados e de outros gastos. Após prorrogações de prazo, em 17/01/2008 o intimado apresentou a resposta de fl.34, afirmando que o único bem que possuía consistia em uma motocicleta marca Honda, adquirida em parcelas com doação de sua mãe. Anexou à fl. 35 cópia do documento de propriedade do veículo. Em 11/07/2008 foi expedido novo Termo de Intimação, instando o contribuinte a se manifestar sobre documentação referente a abertura de uma empresa nos Estados Unidos da América, bem como a aquisição, por essa empresa, de imóveis naquele país. Após solicitar prorrogação de prazo e ser reintimado, o fiscalizado informou que a referida empresa encontrava inativa e que nunca teve qualquer atividade. Em relação à aquisição de imóveis, informou que era intermediário na compra destes, que os comprava para revendêlos e que possuíra apenas um imóvel de sua propriedade, já vendido. Foi encaminhada ao fiscalizado documentação em inglês acompanhada de tradução juramentada I referente à aquisição de imóveis em seu nome e em nome da empresa Plantation USA Inc. nos Estados Unidos da América. Juntamente, o interessado foi novamente intimado a se posicionar a respeito dos referidos imóveis, tendo, em resposta, reiterado as informações prestadas no atendimento à solicitação anterior. Com base nos documentos e informações obtidos, concluiu a fiscalização que o contribuir tinha a propriedade (parcial ou exclusiva) dos imóveis no exterior, efetuando, assim o Demonstrativo de Variação Patrimonial de fls. 321/330, considerando como aplicações de recursos os gastos com o pagamento de hipotecas e com manutenção dos imóveis, fazendo do uso de arbitramentos. O Demonstrativo foi encaminhado ao interessado, acompanhado das informações "relativas à sua elaboração, juntamente com intimação para que este apresentasse esclarecimentos/documentos comprobatórios ou de contestação (fls. 313/341)”. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000073/200875 Resolução nº 2201000.160 S2C2T1 Fl. 4 3 O intimado, por meio de seu procurador, solicitou prorrogação do prazo por mais quarenta dias, alegando dificuldades para obtenção dos documentos que se encontravam no exterior, o que foi negado pela fiscalização na própria correspondência (fl.342). Assim, lavrouse o competente auto de infração, com base no Demonstrativo de Variação Patrimonial. Impugnação (fls. 366 a 413) A decisão recorrida (fls. 452 a 477) com ciência em 16.02.2011 (AR fls. 487), manteve a autuação pela falta de comprovação de não possuir Acréscimo Patrimonial a Descoberto, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADES Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em nulidade. DECADÊNCIA. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, I do CTN. NOVAS PROVAS. A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência do auto de infração e conter os argumentos e provas de que dispuser o contribuinte, precluindo o direito de apresentação de provas em outro momento, a menos que reste comprovada circunstância prevista em lei para tal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. LANÇAMENTO O lançamento de ofício é feito abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. ARBITRAMENTO DE GASTOS. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000073/200875 Resolução nº 2201000.160 S2C2T1 Fl. 5 4 É legítimo o arbitramento de gastos efetuado com base nos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte, intimado,não apresenta comprovação das despesas. Inexiste vedação para que seja utilizado o percentual máximo previsto em lei. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC como juros moratórios, assim como a aplicação da multa de ofício decorrem de expressas disposições legais. A apreciação de decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvose já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. MULTA QUALIFICADA Mantémse a qualificação da penalidade por evidente intuito de fraude, uma vez que caracterizado o dolo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário (fls. 499 a 564) protocolado em 18.03.2011, sustenta em síntese: a) Decadência, pois a notificação do lançamento ocorreu em 22.10.2008, cinco anos e 10 meses, após a ocorrência do fato gerador que foi do mês 12/2002; b) Pede a Recorrente a aplicação § 4º do art. 16, do Decreto 70.235/72; c) Alega que a Autoridade Fiscal não obedeceu aos princípios que regem a administração pública, protesta pela juntada dos documentos que comprovam as informações prestadas pelo Recorrente; d) Sustenta que há vício insanável, com lesão irreparável do ato administrativo, pois o julgamento ocorreu um ano e meio, após o prazo estabelecido no art. 24, da Lei nº 11.457/07 que estabelece o julgamento dos processos administrativos em 360 dias contados do protocolo do pedido ou recurso; e) O julgamento após o prazo de 360 dias deve causar a suspensão da fluência dos juros moratórios, em razão de a demora decorrer da culpa da administração; f) Os atos praticados pela Receita Federal padecem de ilegalidade e arbitrariedade, pois não há motivo para o não recebimento da contestação protocolada em 13.10.2008, pois era tempestiva; g) O imóvel consistente na unidade 163 foi adquirido por meio de empréstimos garantido com hipoteca, posteriormente assumida e refinanciada por Julio R. Arango e Glória E. Castellanos; h) O imóvel consistente na unidade 1710 foi adquirido por meio de empréstimo garantido com hipoteca, posteriormente assumida e refinanciada por Arial Cartagene e Olga Cartageno; Fl. 767DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000073/200875 Resolução nº 2201000.160 S2C2T1 Fl. 6 5 i) O imóvel consistente na unidade A2005 foi adquirida mediante a concessão de empréstimo hipotecário por Jorge Otte; j) Os valores declarados a titulo de despesas com a manutenção do veículo não correspondem a realidade; k) Pede a conversão dos autos em diligência; l) Os cálculos de rendimentos tributáveis foi aplicado no percentual errado, no lugar de 5,0% foi aplicado 10%; m) Alega afronta ao princípio da legalidade e a falta de motivação demonstra a inquestionável ilegalidade e discricionariedade sem base legal para constituir o crédito tributário guerreado; n) O arbitramento deve ser motivado, intimando o contribuinte para sanar em prazo razoável as irregularidades constantes dos documentos fiscais; o) Alega a necessidade da revisão de ofício dos atos que ensejaram a presente notificação de lançamento, sob pena de configurar verdadeiro confisco; p) Impossibilidade de afastar a pessoa jurídica por meras suposições por parte da Receita Federal com ofensa aos princípios da legalidade e aos contidos no art. 37 da Constituição Federal; q) A Taxa Selic além de ser híbrida, com correção, juros e remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente pelo Poder Executivo e, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no art. 161, do CTN; r) As multas devem ser aplicadas de acordo com o atraso no adimplemento do tributo e, por serem aplicadas com razoabilidade e proporcionalidade; s) Por fim, alega que não foi demonstrado em momento algum em todo procedimento fiscalização, ter praticado atos fraudulentos ou com dolo, pois sempre que inquirido a prestar informações ou esclarecimentos assim o fez. Invocando o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte requer a aplicação do percentual de 75% por ausência de fraude e dolo. É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuidase de omissão de rendimentos apurada por meio de APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto, consistente na aquisição de imóveis no exterior Estados Unidos. Sustenta diversas prejudiciais ao desenvolvimento válido e regular do processo, a maioria relativas a falta de oportunidade para juntar documentos e comprovar os fatos. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000073/200875 Resolução nº 2201000.160 S2C2T1 Fl. 7 6 Com o recurso juntou diversos documentos para comprovar que não houve a quitação, ou seja, a propriedade plena dos imóveis que foram considerados pela fiscalização na apuração da variação patrimonial a descoberto, notadamente pela existência de hipoteca em garantia do financiamento nas aquisições efetuadas. Sustenta que houve alienação dos direitos sobre os imóveis com a transferência da hipoteca, mas não houve essa consideração do preço e dos direitos cedidos/alienados na apuração da variação patrimonial. Trouxe ainda o Recorrente demonstrativo (planilha) da variação patrimonial que considera correta. Na fase inquisitiva do lançamento, observo, o Recorrente insistiu na prorrogação de prazo para apresentar documentos e comprovar os fatos. Alegou dificuldades de cumprir os prazos estipulados – cinco dias – em razão de estudar nos Estados Unidos e de esses imóveis, considerados no APD, situaremse naquele país. Com as alegações e documentos juntados nas razões de recurso é necessário converter os autos em diligencia para a digna autoridade fiscal se pronunciar conclusivamente sobre a matéria de fato. Há necessidade, não só de a fiscalização se pronunciar sobre os documentos juntados, mas de confrontálos com o APD apurado pela autuação e o demonstrativo do APD apresentado pelo Recorrente e, em cada caso, trazer elementos de manutenção ou cancelamento da autuação. Fica a critério da fiscalização a realização de outras diligencias caso necessárias para esclarecer a matéria de fato, sempre com dever incondicional de colaboração e esclarecimentos dos fatos pelo autuado, caso entenda não existir acréscimo patrimonial a descoberto objeto da autuação. Para os fins expostos, converto os autos em diligencia para que a digna autoridade lançadora aprecie os documentos juntados pelo Recorrente e se pronuncie, conclusivamente, sobre a matéria de fato do APD, se admite a inclusão e/ou exclusão de receita/dispêndio do autuado. Cientifiquese o autuado para ciência do inicio das diligencia e da conclusão para manifestação, querendo, no prazo de 15 dias. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação, retornem os autos a este Conselho para decisão. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 769DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 11065.000602/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em converter o julgamento em diligência. Os Conselheiros Andre Luis Marsico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi divergiram porque entenderam dispensável a diligência para o julgamento do recurso.
LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em converter o julgamento em diligência. Os Conselheiros Andre Luis Marsico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi divergiram porque entenderam dispensável a diligência para o julgamento do recurso. LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO.
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Recorrida DRJ EM PORTO ALEGRE/RS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em converter o julgamento em diligência. Os Conselheiros Andre Luis Marsico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi divergiram porque entenderam dispensável a diligência para o julgamento do recurso. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO. Adoto o relatório constante do Acórdão n. 1033.176 – 7ª Turma da DRJ/POA, de 20/07/2011 [fls. 562/570]: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 00 60 2/ 20 09 -7 5 Fl. 682DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000602/200975 Resolução nº 2302000.200 S2C3T2 Fl. 12 2 O presente lançamento decorre do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 10.1.07.00200800441 e prorrogações que determinou a ação fiscal na Lucacuca Calçados Ltda, CNPJ n° 05.880.843/000143. Na mesma ação fiscal foram emitidos os seguintes Autos de Infração A I : 1) AI Debcad n° 37.169.7514 relativo as contribuições devipas a terceiros: INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE; 2) AI Debcad n° 37.169.7492 relativo as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais; 3) AI Debcad n° 37.169.7387 relativo ao descumprimento de obrigação acessória: deixar de apresentar a GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. O crédito previdenciário constituído no presente AI, no valor de R$1.604.888,21 (um milhão seiscentos e quatro mil oitocentos e oitenta e oito reais e vinte e um centavos), consolidado em 08/09/2009, refere se a contribuição a cargo da empresa, inclusive a destinada ao financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laboratíva de Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Segundo o Relatório da Atividade Fiscal RAF foram omitidas as remunerações de segurados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, além de informada a alíquota incorreta do GILRAT. Através da análise dos contratos sociais da Lucacuca Calçados Ltda (CNPJ n° 05.880.843/000143), Calçados Star Jader Ltda (CNPJ n° 94.144.979/000115) e Calçados Carvelli Ltda (CNPJ n° 08.721.787/000192), doravante também denominadas Lucacuca, Star Jader e Carvelli, foi identificado que na composição societária destas três empresas os sócios possuem grau de parentesco muito próximo. A Sra. Santa Alvete da Silva, sócia da Lucacuca e da Star Jader, é esposa de Clébio A. da Silva, irmão de Angelita da Silva e cunhado de Arlete Teresinha Freotas dos Santos, ambas sócias da Lucacuca. A Sra. Eveni da Silva é mãe de Vanda Maria da Silva (sócias da Carvelli), Clébio Antônio da Silva e Angelita da Silva (sócios da Lucacuca). Informa, ainda, o RAF que o Sr. Clébio Antônio da Silva possui procuração da Star Jader que lhe confere amplos poderes de gestão sobre a empresa outorgante. A Sr3 Santa Alvete da Silva é responsável pela administração da Lucacuca e da Star Jader, exercendo suas funções na Seção Administrativa, comum às duas empresas. Conclui, a auditoria fiscal, que as decisões sobre os negócios das três empresas são tomadas pelas mesmas pessoas, ligadas por laços familiares. A auditoria constatou que as três empresas funcionam no mesmo endereço da autuada, ou seja, na Rua Espírito Santo n° 122 em Sapiranga RS. Embora a Carvelli, tenha registrado no contrato de fundação a sede na Rua Major Bento Alves n° 3260, sala 02, Bairro Amaral Ribeiro, SapirangaRS, através da alteração contratual de Fl. 683DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000602/200975 Resolução nº 2302000.200 S2C3T2 Fl. 13 3 28/07/2008 passou a ter sede na Rua Espírito Santo n° 122, Sapiranga RS. A auditoria informa que foram verificados os responsáveis pela energia e IPTU, no endereço de fundação da Carvelli Calçados Ltda, constatando que os responsáveis nunca tiveram vínculo com a empresa. Informa a fiscalização que da análise da escrituração contábil da autuada detectou que as três empresas estão sendo utilizadas de tal forma que desaparece a individualidade dos objetivos das pessoas jurídicas, assim como se confundem os objetivos sociais. A Carvelli Calçados Ltda presta serviços somente à autuada e sua receita depende integralmente desta. Não há qualquer patrimônio imobilizado informado no Balanço Patrimonial da Carvelli. Conclui que a Carvelli utiliza máquinas e equipamentos da Lucacuca e/ou Star Jader, para atingir seu objetivo social, cujos custos de depreciação e matéria prima são suportados pela Lucacuca e Star Jader. Não há registros na contabilidade da Carvelli Calçados Ltda de despesas com aluguéis, energia ou qualquer outro custo fabril, necessário à atividade industrial. Informa que a Carvelli desenvolve suas atividades no endereço da Lucacuca e que os repasses desta àquela são para saldar compromissos decorrentes de salarios e encargos. Infere, com base no Demonstrativo de Resultados do Exercício de 2007, que 97,27% do custo da Carvelli corresponde a pessoal, evidenciando total dependência da autuada. Também informa que, com base no Demonstrativo de Resultados do Exercício de 2007, a receita bruta da Star Jader Ltda é oriunda de atos comerciais praticados com a Lucacuca Calçados Ltda. Quanto as relações trabalhistas, informa que houve transferência da mãode obra da Star Jader e da Lucacuca para a Carvelli (04/2007) e que, em 12/2007, a folha de pagamentos estava concentrada nesta última (121 segurados), enquanto a Star Jader tinha 14 segurados e a Lucacuca 41. Também foi verificado, no inicio do procedimento fiscal, que os segurados da linha de produção da autuada vestiam uniformes da Carvelli, embora exercendo suas atividades nas dependências da Lucacuca Calçados Ltda. Ao entrevistar operários no endereço da autuada, o auditor defrontouse com segurados empregados das outras empresas, prestando serviços na Lucacuca. Menciona o caso do Sr. Célio Rogério Muller que se identifica como Gerente Comercial do Grupo Lucacuca e, no seu cartão de apresentação, consta o telefone da Calçados Star Jader Ltda. Tal situação se repete com os segurados da seção administrativa que ocupam espaço no prédio da Calçados Star Jader Ltda. A segurada Caroline Bu ttenbender é responsável pela emissão de notas de saída das três empresas, embora registrada na Calçados Star Jader Ltda., Valdivia Luiza Fáber é responsável pela administração dos recursos humanos das três empresas, mas está registrada na Star Jader: data de admissão em 07/06/2004 e demissão em 02/07/2007. Descreve outras situações que comprovam a mistura de empregados entre as empresas Lucacuca Calçados Ltda., Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda. Aduz, ainda, que decisões importantes, como as ordens de produção para o mercado externo da autuada, eram tomadas por empregados da Star Jader. Por fim, informa que a Carvelli Calçados paralisou suas Fl. 684DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000602/200975 Resolução nº 2302000.200 S2C3T2 Fl. 14 4 atividades em 01/2009 e a Star Jader em 04/2009 e que os créditos previdenciários foram extraídos das folhas de pagamentos das supostas prestadoras no período de 01/2004 a 12/2007. A partir dos elementos descritos, a fiscalização desconsiderou os atos negociais praticados entre a autuada e as pessoas jurídicas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda. Conclui que as empresas Lucacuca, Star Jader e Carvelli não são três empresas independentes mas mera simulação com o objetivo de usufruir de tratamento tributário diferenciado e favorecido dado às microempresas e empresas de pequeno porte, denominado "SIMPLES", a que estiveram submetidas as empresas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda, tendo como objetivo, não recolher contribuições previdenciárias patronais. Assim sendo, considerando que a fiscalizada adotou procedimentos que simulam situações que não representam a realidade dos fatos, em relação a contratação de mãode obra, com o objetivo claro de reduzir tributos, foi lavrado o presente lançamento. Foi utilizado para contagem do prazo decadencial o previsto no inciso artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN. A autuada apresentou impugnação tempestiva em 28/10/2009 alegando que é pessoa jurídica de direito privado e tem por objeto a indústria, comércio, importação e exportação de calçados em geral, componentes de couro, etc; que sua atividade preponderante é a atividade exportadora e que começou a exercêla em 01/10/2003. Presume pelo lançamento que foram desconsideradas as relações de emprego existente entre os empregados das empresas prestadoras de serviços: Calçados Star Jader Ltda. e Calçados Carvelli Ltda., "transformando a relação de emprego das empresas terceirizadas em mãodeobra contratada diretamente pela impugnante". Argumenta que, sem comprovar a ocorrência do fato jurídico tributário ou qualquer procedimento do sujeito passivo que configure infração a legislação, o auditor considerou simulação a relação de emprego nas atividade produtivas das empresas terceirizadas. Disto resultou a lavratura de auto de infração em relação as contribuições patronais (20%) e o SAT/RAT Seguro Acidente do Trabalho/Riscos Ambientais do Trabalho (2%) com base na remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais de duas das empresas que prestaram serviços à impugnante. Aduz que o fiscal autuante enquadrou, por simples presunção, os operários das contratadas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda como empregados da autuada, sem atentar para as relações de emprego préexistentes e recolhimentos efetuados. Em razão disto, autuou a impugnante por não informar na Guia do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações para a Previdência Social GFIP a remuneração dos segurados das contratadas, considerados pela fiscalização como segurados da autuada. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000602/200975 Resolução nº 2302000.200 S2C3T2 Fl. 15 5 Alega que o Auto de Infração é nulo por não observar o previsto no parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371/2007, publicada no Diário Oficial da União D.O.U. de 20/12/2007, ou seja, extinto o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 10.1.07.002008 00369 em 08/04/2008, este não poderia ser fundamento para o lançamento e, tampouco, terem sido indicados os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil – AFRFB Eduardo Godoy Correa e Paulo Fernando Aprato Reuse no MPF n° 10.1.07.00200800441, expedido em 09/05/2008, não citado no relatório fiscal, por terem executado o primeiro MPF. Logo, considera nulos os atos praticados por estes auditores por estarem impedidos pelo artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371/2007, combinado com o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 e inciso I do artigo 59 do CTN. Afirma que a fiscalização da Receita Federal do Brasil RFB não é competente para reconhecer a relação de emprego, reservada ao Ministério do Trabalho e Emprego MTE, através dos seu auditores, conforme previsto na Lei n° 10.593/2002. Segundo a impugnante, o fiscal autuante deixou de demonstrar, explicitamente, os pressupostos da relação de emprego entre a autuada e os supostos empregados, principalmente quanto a subordinação, o que torna nulo o lançamento por falta de comprovação do fato gerador da infração, cerceando o seu direito de defesa. Afirma que, embora a autoridade fiscal tenha desconsiderado apenas os atos negociais, presume que tenha sido desconsiderada a relação de emprego, o que não pode ser feito, em relação a pessoa jurídica, sem prova robusta e concreta dos pressupostos de pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Aponta como falha do Relatório Fiscal, não ter, o auditor, demonstrado de forma clara os pressupostos da relação de emprego dos segurados das prestadoras com a impugnante. Aduz que não há indicação precisa das circunstâncias em que foi praticada a infração e sua extensão, consoante determinam os artigos 10, inciso III e 11, inciso III, do Decreto n° 70.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal PAF. Conclui que o relatório apresenta vícios sob o argumento de que "foram desconsiderados os atos negociais e o lançamento trata de contribuições sociais". Aduz, ainda, em prol da nulidade, que não foi demonstrado o nexo causal existente entre o fato e o direito de lançar as contribuições como devidas e, portanto, passível de anulação, com base no disposto no parágrafo I o do artigo 50 da Lei n° 9.784/99. Faz referência à falta de discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições previdenciárias consoante ao artigo 37 da Lei n° 8.212/91 e artigos 243 e 293 do Decreto n° 3.048/99 (RPS). Entende que o auto de infração é nulo por conter vício insanável e por inobservância do direito de defesa do contribuinte (Inciso II do artigo 59 do PAF). Neste sentido, transcreve julgados do Conselho de Contribuintes que corroboram a existência de vício material. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000602/200975 Resolução nº 2302000.200 S2C3T2 Fl. 16 6 Alega que o lançamento não observou o prazo decadencial de 05 (cinco) anos contados do fato gerador da obrigação, posto que sujeito a homologação, conforme previsão do parágrafo 4 o do artigo 150 do CTN. Conclui que o fisco não poderia lançar valores anteriores a 30/09/2004, logo, não sendo passíveis de lançamento as competências 01/2004 a 09/2004. Reitera a alegação de cerceamento de defesa sob o argumento de que, no relatório fiscal, consta que a autoridade lançadora obteve informações no processo n° 11065.100498/200675 e entrevistou várias pessoas, cujo processo é desconhecido pelo impugnante, bem como o teor das entrevistas que, se efetivamente feitas, não foram acompanhadas pela autuada. Disto, conclui que foi cerceado no seu direito de defesa, pois não teve como se manifestar em relação a tais provas de convencimento. Reafirma a incompetência do AFRFB para desconsiderar o vincula empregatício entre os segurados e as empresas: Calçados Star Jader Ltda. e Calçados Carvelli Ltda. Disto, conclui que foi ilegal o procedimento adotado pelo auditor da RFB, por extrapolar as atribuições inerentes a sua função. Aduz que a competência administrativa para desconsiderar relações de trabalho é do MTE, conforme previsto no artigo 11 da Lei n° 10.593/2002, ratificado pelas alterações da Lei n° 11.941/2009 que deu nova redação ao artigo 33 da Lei n° 8.212/91. Argu i, ainda, que a competência para julgar litígios referentes às relações de trabalho é da Justiça do Trabalho, consoante o que preceitua o inciso VII do artigo 114 da Constituição Federal CF. Menciona a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho TST, para concluir que é lícita a terceirização das atividades desempenhadas pelas empresas prestadoras sob o argumento de que não há ingerência por parte da tomadora e que os serviços das prestadoras são atividades meio e não se confundem com a sua atividade fim. Aduz que, em relação a desconstituição da relação jurídica entre as prestadoras e a tomadora, por suposta simulação da industrialização por encomenda, a autoridade fiscal deixou de atentar para o que segue: 1) não há ilegalidade quanto a composição societária das empresas posto que o grau de parentesco entre os sócios não é empecilho legal a sua constituição; 2) não é ilegal o estabelecimento de empresas que prestam serviços por encomenda junto com a tomadora pois decorre de mera questão de logística; 3) não há vedação a utilização de máquinas e equipamentos sob a forma de comodato, entre pessoas jurídicas, pratica comum na industrialização por encomenda; 4) não observou o relatório fiscal, de forma pontual e realística, os pressupostos que caracterizam a relação de emprego. Alega que a autoridade fiscal não lhe pode negar a escolha da opção fiscal menos onerosa, na condução dos seus negócios, posto que ninguém é obrigado, ao conduzir seus negócios, escolher caminho, meio, forma ou os instrumentos que resultem em maior onus fiscal. Assim sendo, entende que não há razão para que seja desconsiderada a relação jurídica entre as prestadoras e a impugnante. Os motivos apontados pela auditoria fiscal constituem técnicas industriais e Fl. 687DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000602/200975 Resolução nº 2302000.200 S2C3T2 Fl. 17 7 comerciais contemporâneas. As prestadoras são pessoas jurídicas distintas com personalidade própria e legalmente constituídas. Também afirma que as contribuições previdenciárias patronais e o Seguro Acidente do Trabalho, referente às folhas de pagamentos das empresas Calçados Star Jader Ltda. e Calçados Carvelli Ltda., foram recolhidas na forma do SIMPLES, opção adotada por estas empresas. Conclui que não há a possibilidade de novo recolhimento tendo em vista que as empresas citadas já o efetuaram, integralmente, conforme comprovam os documentos que anexa: DARF SIMPLES, Documento de Arrecadação Simplificada DAS e Consulta Conta Corrente de Estabelecimento CCOR. Conclui, com base no Inciso I do artigo 156 do CTN que os créditos tributários foram extintos pelo pagamento , logo não podem ser exigidos novamente. Requer sejam reconhecidos os recolhimentos efetuadas pelas prestadoras e declarado nulo o Auto de Infração. Quanto aos atos negociais, alega que ao desconsiderar a personalidade jurídica das empresas, regularmente constituídas, a autoridade fiscal não fez qualquer referência ao disposto no artigo 116, parágrafo único do CTN, popularmente chamada de "norma antielisão" e que não foi comprovado o dolo e a fraude, necessidade consagrada na jurisprudência pertinente. A definição do sujeito passivo da obrigação é norma reservada à lei, não podendo o administrador alterála, definindo novo contribuinte para o tributo, já recolhido. Por outro lado, para desconsideração de ato jurídico é necessário comprovar que o ato negocial praticado deuse na direção contrária da norma legal com o objetivo de excluir ou modificar as relações de trabalho. O pressuposto à desconsideração requer que ocorra dissimulação, fraude e dolo para a aplicação da norma antielisiva. Na ausência dos elementos comprobatórios, consubstanciados no Relatório da Atividade Fiscal, as relações de emprego não podem ser alteradas por mera presunção fiscal, ou seja, considerados empregados das terceirizadas como da impugnante, sem a demonstração das relações de emprego: pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Não apresenta o relatório fiscal, provas concretas , objetivos claros e sólidos que demonstrem a intenção da impugnante de simular a terceirização da produção por encomenda. Quanto a multa aplicada no lançamento, insurgese a autuada, com o argumento de que lhe foi imputada a multa mais gravosa (75%) que teria aplicação, somente, a partir de 12/2008 e, portanto, equivocada em relação ao presente lançamento fiscal. Aponte incongruências no lançamento, na medida que não reconhece a ocorrência de recolhimentos ou pagamento de contribuições, ausência de declaração na GFIP ou declaração inexata, não comprovadas no Auto de Infração. Conclui que não sendo devido o tributo, nada há que lhe ser cobrado a título de multa e juros. Aponta como incongruência do Relatório da Atividade fiscal RAF, o fato da fundamentação legal não estar de acordo com a legislação da época. Aduz que o RAF é omisso em relação ao nexo causal da Fl. 688DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000602/200975 Resolução nº 2302000.200 S2C3T2 Fl. 18 8 aplicação da multa, ou seja, não aponta as razões da infração e que foi aplicada a multa mais gravosa de 75%, quando a lavratura deveria ser feita com a penalidade menos severa, resultante da comparação da multa de ofício do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 e a soma das multas de mora do inciso I do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, mais a multa prevista no parágrafo 5 o do artigo 32 da mesma lei, aplicandose a mais benéfica. Questiona que ficou impossibilitado de apresentar defesa ao quesito "multa aplicada", na medida que, mesmo havendo na legislação um limitador de 30%, a autoridade fiscal aplicou a multa mais severa. Aponta que em algumas competências, "sem qualquer lógica", foi aplicada a multa do artigo 35, inciso I da Lei n° 8.212/91, não havendo fundamentação legal expressa, sendo vício de natureza insanável, o que impõe a nulidade do AI. Alega que a aplicação da multa, ora 75% ora 24%, propicia o "caos jurídico", impossibilitando o exercício da ampla defesa pelo desconhecimento do que quer externar a autoridade autuante. Neste sentido, aponta a falta de demonstração através de comparativo numérico que identifique ser a multa aplicada a mais benéfica ao contribuinte, o que caracteriza falta de motivação, o que levaria a anulação do lançamento com base no parágrafo I do artigo 50 da Lei n° 9.784/99. Conclui que, sendo aplicada a multa de 75%, sobre as "supostas" infrações, presume ser a mais benéfica, o que não admite posto que ao aplicarse a legislação da época, estaria limitada a 30%, seja pela capitulação legal de regência, seja pela impossibilidade legal de retroação da lei mais gravosa. Acusa erros na capitulação legal da infração, transcrevendo o artigo 293 do Decreto n° 3.048/99, sob o argumento de falta de descrição e fundamentação adequada ao caso. Conclui que ao não demonstrar a efetividade da multa mais benéfica (artigo 106, II, "c" do CTN), não foi observado o direito da ampla defesa do contribuinte, consoante o inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, constituindo vício insanável, o que enseja a nulidade do presente A I . Ressalta que, ao não aplicar o percentual de 30% previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a redação vigente à época em detrimento da multa de 75% introduzida pela Medida Provisória MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009 que introduziu a multa de ofício do artigo 35A de 75%, não foi observado o principio da retroatividade da legislação mais benéfica ao contribuinte sobre fatos não julgados, conforme previsto no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN. Aduz que foi autuado, através do AI DEBCAD 37.205.9590, Processo n° 11065.001006/200911, pelo auditor Eduardo Dias Porto, em período concomitante, aplicando a multa branda de 30%. Pelo exposto requer a nulidade do AI por não ter sido aplicada a retroatividade benigna e por erro na capitulação e fundamentação legal da multa aplicada ao AI. Manifesta, ainda, sua inconformidade com a aplicação da taxa SELIC ao lançamento em razão da inconstitucionalidade e ilegalidade de sua utilização sobre débitos tributários, cuja espécie prevê a aplicação do parágrafo I o do artigo 161 do CTN. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000602/200975 Resolução nº 2302000.200 S2C3T2 Fl. 19 9 Frente a todo o exposto requer: a) que seja reconhecida a presente impugnação; b) seja declarado nulo o AI n° 37.169.7484; c) seja declarada a improcedência do lançamento e cancelado o AI n° 37.169.7484, tendo em vista que as contribuições patronais exigidas já foram recolhidas, integralmente, pelas empresas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda., de acordo com o respectivo sistema de tributação adotado; d) retificação do lançamento observando a aplicação da multa menos gravosa; e) produção de todos os meios de prova , no que tange a diligências e perícias, eventualmente necessárias e; f) seja dada ciência de todo e qualquer ato referente ao presente, ao contribuinte e seus advogados, no endereço constante na procuração. Em 20/07/2011, foi prolatado decisum administrativo que julgou procedente a autuação [fls. 561/579]: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 0 1 / 0 1 / 2 0 0 4 a 3 1 / 1 2 / 2 0 0 7 A I D E B C A D N ° 3 7 . 1 6 9 . 7 4 8 4 DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato, desconsiderando os atos jurídicos simulados e exigindo o tributo de quem teve relação direta com o fato gerador. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A atuação da autoridade lançadora se deu em conformidade com o estabelecido pela administração tributária, na forma do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Portanto, o ato de lançamento foi praticado por autoridade competente, no exercício regular de sua atividade. Código de acesso ao MPF informado no Termo de Início do Procedimento Fiscal. DECADÊNCIA No caso de tributos sujeitos a homologação quando comprovada a fraude ou simulação aplicase o inciso I do artigo 1 7 3 do Código Tributário Nacional CTN. MULTA MAIS BENÉFICA No lançamento de contribuições previdenciárias até a competência 11/2008, deve ser observada a penalidade menos gravosa entre a prevista no artigo 3 5 A da Lei n° 8 . 2 1 2 / 9 1 com a redação da Lei n° 1 1 . 9 4 1 / 2 0 0 9 e a multa do inciso II do artigo 3 5 da Lei 8 . 2 1 2 / 9 1 com a redação da Lei n° 9 . 8 7 6 / 9 9 somada a do parágrafo 5 O do artigo 3 2 do mesmo diploma legal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE Salvo algumas situações específicas, a legislação expressamente veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000602/200975 Resolução nº 2302000.200 S2C3T2 Fl. 20 10 DO PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. PRODUÇÃO DE PROVAS Não há como acatar o pedido de diligência tendo em vista que não atende ao inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação da Lei n° 8.748/93. A produção de provas, no processo administrativo, é feita juntamente com a impugnação. COMUNICAÇÃO PROCESSUAL A comunicação processual será feita na forma pessoal, ou por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No dia 05/08/2011, o representante do sujeito passivo foi cientificado do Acórdão acima numerado, tendo interposto recurso voluntário em 01/09/2011. Ressaltese que o objeto do recurso foi o mesmo da defesa apresentada junto a DRF. É o relatório. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fl. 225; pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. I DILIGÊNCIA Após realizar a leitura e revisão dos documentos juntados pela RFB e pelo sujeito passivo ao logo desta marcha processual, verificase que a fiscalização desconsiderou os atos negociais praticados entre a autuada e as pessoas jurídicas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda. por concluir que as empresas Lucacuca, Star Jader e Carvelli não são três empresas independentes mas mera simulação com o objetivo de usufruir de tratamento tributário diferenciado e favorecido dado às microempresas e empresas de pequeno porte, denominado "SIMPLES", a que estiveram submetidas as empresas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda, tendo como objetivo, não recolher contribuições previdenciárias patronais. Segundo consta do relatório fiscal, a RFB utilizouse também das informações colhidas em outro processo [n. 11065.100498/200675] para afastar a identidade das pessoas jurídicas, conforme se observa abaixo: Fl. 136 […] Através de informações obtidas do relatório constante do processo 11065.100498/200675 (anexo III) e cópia dos documentos de identidade (RG) e CPF, relaciono abaixo o grau de parentesco entre os sócios componentes das empresas: Lucacuca, Star Jader e Carvelli. Em contraponto, a ora Recorrente suscitou – em sua impugnação cerceamento do direito de defesa: Fl. 868 [...] A autoridade fiscal afirma, em fl. 4 do seu relatório, ter obtido informações no processo n.° 11065.100498/200675, bem como em fl. 9 e 10 afirma ter entrevistado várias pessoas. O processo citado a impugnante desconhece e, as entrevistas, se efetivamente foram feitas, não houve o acompanhamento da impugnante. Ou seja, houve alegação de cerceamento de defesa sob o argumento de que, no relatório fiscal, consta que a autoridade lançadora obteve informações no processo n° 11065.100498/200675 e entrevistou várias pessoas, cujo processo é desconhecido pela Fl. 691DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000602/200975 Resolução nº 2302000.200 S2C3T2 Fl. 21 11 Recorrente, bem como o teor das entrevistas que, se efetivamente feitas, não foram acompanhadas pela autuada. Dito, conclui que foi cerceado no seu direito de defesa, pois não teve como se manifestar em relação a tais provas de convencimento. Analisando o Relatório da Ação Fiscal do processo n. 11065.100498/200675 verifico que os elementos daquela acusação se assemelham aos que aqui serão analisados [fls. 306]: […] Reunindo os fatos expostos, é flagrante a inexistência de separação entre fiscalizada e Calçados Star Jader como unidades empresariais, ficando evidente a existência daquela como mero órgão desta, ou seja, as duas constituem uma única entidade. Assim sendo, uma vez provado que o contribuinte não constitui uma entidade distinta da empresamãe, a fiscalizada não pode se creditar de PIS e COFINS em relação aos serviços de mãodeobra adquiridos deste fornecedor por expressa vedação legal ao creditamento sobre a folha de salários (Leis 10.637/02 e 10.833/03, artigo 3o , § 2o : "não dará direito a crédito (...) o valor de mãode obra paga a pessoa física"). Isto posto, consideramos necessário desconsiderar os serviços de industrialização por encomenda prestados por Calçados Star Jader Ltda para Lucacuca Calçado Artesanal Ltda (notas fiscais 3035, 3054, 3076, 3090, 3103, 3111, 3128, 3148 e 3159 cujas cópias se encontram as para efeitos de gerar créditos de PIS e COFINS. Dito isso e diante da necessidade de esclarecer o desfecho do processo n. 11065.100498/200675 – não consta dos autos o resultado final – com o objetivo de permitir a formação do convencimento deste julgador, CONVERTO o julgamento em diligência para que a Receita Federal do BrasilRFB faça juntar ao presente cópia integral dos autos do processo n. 11065.100498/200675 e informação quanto ao resultado final do referido. Após o cumprimento, deverá o sujeito passivo ser intimado para, querendo, manifestarse no prazo de 15 [quinze] dias em face dos documentos juntados. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Fl. 692DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 11330.001045/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/04/2007
INFRAÇÃO. DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS
PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE.
A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.247
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - r SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11330.001045/2007-61 Recurso n° 159.131 Voluntário Acórdão n° 2402-00.247 — 4' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 28 de outubro de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente MARK NUILDING GERENCIAMENTO PREDIAL LTDA Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO I/RF ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/04/2007 INFRAÇÃO. DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os me,. e : da 4 a Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por un. *:.• de de v otos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. /7''y ,./YARC • OLIVEIRA / / Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Cleusa Vieira de Souza (Convocada) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Convocada) Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ), Rio de Janeiro I / RJ, fls. 086 a 096, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 009 e 010, a autuação refere-se a recorrente não lançou mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A infração ocorreu porque a recorrente não lançou em títulos próprios as verbas oriundas de pagamento de premiações por cartão-premiação. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos da autuação. Em 27/04/2007 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 073 a 098, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0118 a 0126, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: Na entrega por meio magnético faltaram documentos, demonstrando a nulidade da autuação; Não há fato gerador de contribuição no pagamento de verba por cartão- premiação; A recorrente só poderia ter sido penalizada pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD); A multa foi calculada de forma equivocada, pois não ocorreu reincidência; Diante do exposto, em síntese, solicita que se julgue procedente o presente recurso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. 2 Processo n° 11330.001045/2007-61 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.247 Fl. 131 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, a recorrente alega nulidade da autuação, devido a falta de documentos entregues por meio magnético. Os casos de nulidade estão determinados na Legislação. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: 1-. os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2 0 Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Como se pode facilmente constatar, a autuação não foi lavrada por servidor público incompetente, portanto não passível de nulidade por esse quesito. 3 I I Processo n° 11330.001045/2007-61 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.247 Fl. 132 texto constitucional, que diz: "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei". Portanto, verifica-se que os pagamentos efetuados a título de premiação por produtividade, mesmo dependentes de sorteio, integram o Salário de Contribuição (SC), pois os mesmos possuem: - Habitualidade, pois reiteradamente é oferecido aos segurados que atingem metas e, posteriormente, vencem sorteios; - O Pagamento ocorre pelo trabalho desenvolvido; - O pagamento integrará o patrimônio do trabalhador; e - Não importa seu título. Feitos esses esclarecimentos, a primeira questão é se há incidência de contribuição previdenciária social sobre o creditamento de remuneração por cartões de premiação à produtividade. A recorrente alega que não há incidência. Os valores pagos através de cartões de premiação foram considerados salário, e passíveis de incidência contributiva previdenciária por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: 1 - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) A Constituição Federal, no seu artigo 195, 1, alínea "a", estabelece: CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: 5 I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) A "folha de salários" é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais faz parte da "folha de salários", que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ademais, para que não restassem dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou "....e demais rendimentos do trabalho". Além da 'folha de salários e demais rendimentos do trabalho", também integram a base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, os "ganhos habituais do empregado, a qualquer titulo". A seu turno, a Lei 8.212, de 24/07/1991, dispõe em seu artigo 22: Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 1- vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei n°9.876, de 26/11/99) Assim, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, excluídas apenas as arroladas no § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade. Outro ponto a ressaltar é que o pagamento não foi feito à pessoa fisica, devido à recorrente ter contratado empresa para intermediar esse pagamento, mas os pagamentos foram efetuados devido ao trabalho realizado. É inquestionável, portanto, a natureza salarial da verba premial de incentivo à produtividade. 6 Processo n° 11330.001045/2007-61 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.247 Fl. 133 Sendo inquestionável a natureza salarial e a conseqüente integração ao Salário-de-Contribuição (SC) a recorrente deveria ter lançado mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: 1 - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Art. 32. A empresa é também obrigada a: - lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Portanto, como há a obrigação acessória, que foi descumprida, corretamente a fiscalização lavrou a autuação. Em outro ponto, a recorrente afirma que só poderia ter sido penalizada pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD). Há equívoco no entendimento da recorrente. Em decorrência da relação jurídica existente entre o responsável (sujeito passivo) e o Fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social, que quando descumprida motiva a lavratura da NFLD; outra, denominada acessória, que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal, que quando descumprida motiva a lavratura do Auto-de-Infração. Estas determinações legais, que tem por objeto a prática ou a abstenção de • ato, visam facilitar a conferência da regularidade, por parte do Fisco, do cumprimento das obrigações principais, bem como, e fundamentalmente, no caso da Previdência Social, comprovar direitos e deveres dos contribuintes e, especialmente, dos segurados e beneficiários. O descumprimento da obrigação acessória, motivo que originou a present autuação, converte-se em obrigação principal pela multa aplicável, surgindo, então, a obrigatoriedade e a oportunidade de a fiscalização emitir o AI. 7 A autuação tem a finalidade de registrar a ocorrência de infração à legislação previdenciária por descumprimento de uma obrigação acessória, possibilitando a instauração do respectivo processo de infração e a constituição do crédito decorrente da multa. A atividade administrativa de lavratura da autuação é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A autoridade fiscal, no desempenho de suas atribuições, ao constatar a ocorrência de uma infração deve, obrigatoriamente, porque a lei não lhe dá discricionariedade, emitir o lançamento, que ensejará a aplicação da multa. Assim sendo, a fiscalização agiu como manda a Legislação, aplicando a multa por descumprimento de obrigação acessória, que não deve ser confundida com obrigação principal, presente no lançamento citado pela recorrente. Por último, a recorrente alega que a multa foi calculada de forma equivocada, pois não ocorreu reincidência. Devemos verificar o que determina a Legislação. Decreto 3.048/1999: Art.290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: V - incorrido em reincidência. Parágrafoúnico. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrivel administrativamente a decisão condenató ria, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. ." Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: IV - a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e Como se verifica no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 011, a recorrente já havia sido autuada por infração diferente, levando o Fisco a elevar em duas vezes o valor da multa. Portanto, correta a elevação da multa. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento e a decisão foram lavrados na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que tiveram por base o que determina a Legislação. CONCLUSÃO 8 Processo n° 11330.001045/2007-61 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.247 Fl. 134 Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, e se - e bro de 2009 iv AR 6 IRA — Relator 9
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Numero do processo: 10120.009716/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DECADÊNCIA - NÃO OCORRÊNCIA - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federa é de 05 anos o prazo para a receita Federal do Brasil constituir o crédito previdenciário.
PRÊMIO. PRODUTIVIDADE - 13º SALÁRIO - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES - Em não havendo o pagamento de remuneração à título de prêmios, não há ocorrência de fato gerador, logo não há que se falar em incidência de contribuições sobre tais verbas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente.
Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECADÊNCIA NÃO OCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federa é de 05 anos o prazo para a receita Federal do Brasil constituir o crédito previdenciário. PRÊMIO. PRODUTIVIDADE 13º SALÁRIO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Em não havendo o pagamento de remuneração à título de prêmios, não há ocorrência de fato gerador, logo não há que se falar em incidência de contribuições sobre tais verbas. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 97 16 /2 01 0- 40 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa incidentes sobre a remuneração devida aos empregados a título de prêmio, relativo a 13º salário/2005 e que não foram informadas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. os valores pagos pela empresa aos seus empregados, a título de prêmio, foram declarados em GFIP, nos meses objeto da fiscalização, à exceção da competência 13/2005. Inconformada com o acórdão nº 0343.980 5ª Turma da DRJ/BSB, que julgou procedente em parte o lançamento, a empresa apresentou recurso alegando os mesmos argumentos contidos na impugnação e bem relatado na decisão de primeira instância, razão pela qual colacionamos o relatório contido no referido acórdão: “ Se constitui em uma das principais empresas do ramo de venda de veículos do Estado de Goiás, com políticas de proteção e valorização de seu corpo de colaboradores e acima de tudo respeito e obediência às normas trabalhistas e sociais, tendo sido fiscalizado por diversas vezes pela Receita Previdenciária, e, em todas elas, concluiuse pela certeza de suas práticas vinculadas à norma previdenciária. O número de reclamatórias trabalhistas é reduzido e, na maioria dos casos, o processo é concluído sem que a empresa seja condenada, demonstrando respeito por aqueles que fazem da empresa sua missão de vida. Com esse espírito, firmou convênio com empresa especializada em promover maior grau de satisfação aos trabalhadores, concedendo um prêmio aos que mais se destacassem, sendo uma mera liberalidade da empresa, não sendo concedido de forma contínua e repetitiva a todos os trabalhadores. Foram alertados, pela assessoria, que o procedimento poderia caracterizarse como direito adquirido pelos empregados e tomaram conhecimento que a fiscalização previdenciária estava caracterizando os pagamentos referentes a prêmios como rubricas remuneratórias; então, fizeram incluir na base de cálculo todos os valores pagos a título de Prêmios por incentivo, mesmo não concordando, visto sua temporalidade e a liberalidade em sua concessão. O sistema de pagamento de prêmios não integra o processo remuneratório da empresa, visa simplesmente motivar seus empregados; não é previamente ajustado e é concedido após processo avaliativo, sendo mera liberalidade dos dirigentes da empresa, conforme se pode observar em contrato. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.009716/201040 Acórdão n.º 2401002.541 S2C4T1 Fl. 154 3 A premiação era dada na conformidade de análises prévias, podendo ser concedida ou não em determinado mês. Observase, na planilha elaborada pelo auditor autuante, que determinados colaboradores somente receberam o prêmio uma única vez, outros, duas ou três e alguns receberam durante todos os meses em que este fora concedido, o que confirma a sua não continuidade. A empresa não pagou 13º salário sobre o valor do prêmio concedido, e em função do número de meses recebido pelo empregado, entendendo que tal verba não se caracterizava como remuneração variável, pois se trata de mera liberalidade, repetida durante certo período; porém, nem sempre concedida aos mesmos colaboradores. O auditor fundamenta seu lançamento no art. 2º do Decreto 57.155 de 3 de novembro de 1965 que se refere a salário variável, o que não é o caso, conforme se pode ver dos arts. 457 e 458 da CLT. Não cabe ao auditor fiscal da Receita Federal do Brasil definir o que integra ou não a remuneração para efeito de cálculo do 13º salário, sendo as dúvidas em matéria de norma trabalhistas, dirimidas pela auditoria do Ministério do Trabalho, a quem cabe a aplicação da norma trabalhista. O período examinado pela auditoria foi de 12/2005 a 08/2006, período em que manuseou toda a documentação do contrato que deu origem ao pagamento de prêmios, porém, o levantamento foi feito com base nos valores pagos no período de agosto/2005 a dezembro/2005, não se estendendo tal levantamento para o exercício de 2006. Apesar de o auditor citar em seu relatório que o levantamento foi realizado em obediência ao art. 2º do Decreto nº 57.155 de 1965, o fez de maneira totalmente diversa, pois não considerou o valor pago durante o ano e o dividiu por 11, estabelecendo a média mensal simples. O empregado que recebeu uma única vez no período, teve o valor integral somado ao 13º para fins de lançamento, o que contraria, frontalmente, a redação citada pela própria autoridade lançadora. O direito de haver direitos trabalhistas prescreve em dois anos ocorrida a rescisão do contrato de trabalho. Na planilha anexada, consta um grande número de trabalhadores que já deixou a empresa há mais de dois anos. O direito de a Receita Federal constituir o crédito tributário já estava prescrito, na forma da súmula vinculante nº 08 do STF, pois este direito prescreve em 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, o que ocorreu no período de agosto a novembro de 2005. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Também já decaiu o direito de os empregados receberem o 13º salário, pois prescreve em cinco ou dois anos após cessado o contrato de trabalho e já decaiu com relação ao período de agosto a novembro de 2005. Diante do exposto, requer que: Seja suspensa a exigibilidade do crédito, para que não haja a exigência financeira antes de sua apreciação e que não seja óbice para a emissão das correspondentes Certidões Positivas de Débitos com efeito de Negativas – CPDEn; Seja declarada a nulidade do presente Auto de Infração, por não se constituir como instrumento legal para a inscrição do crédito tributário, visto não preencher os pressupostos básicos para a inscrição em dívida ativa, sua LIQUIDEZ e CERTEZA; e Seja declarada a improcedência dos valores lançados e, posteriormente, determinado o arquivamento dos processos correspondentes.. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.009716/201040 Acórdão n.º 2401002.541 S2C4T1 Fl. 155 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Acolho como preliminar as alegações acerca da decadência com a aplicação da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. A este respeito entendo não caber razão ao recorrente quando afirma que aplicandose referida Súmula, estaria decaído o direito de a Receita Federal constituir o crédito ora em debate. Verificase que no presente lançamento, o fato gerador das contribuições lançadas referese ao pagamento de prêmios que incidiram sobre o 13ª salário que ocorreu em 12/2005. O crédito foi constituído em 11/2010, logo, aplicandose a Súmula 08 do STF, estariam decaídos eventuais créditos cujos fatos geradores ocorreram anteriores a novembro de 2005, o que não é o caso presente. Assim, rejeito esta preliminar. DO MÉRITO Com relação ao mérito, razão assiste à recorrente O Relatório Fiscal é claro ao afirmar que a autuada não efetuou o pagamento de remuneração sobre os reflexos dos prêmios pagas aos empregados no decorrer do ano no 13º salário. Para fins previdenciários o presente levantamento não merece prosperar. A Constituição Federal ao tratar do financiamento da seguridade social, traz em seu art. 195, I, “a” a seguinte redação: Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Da mesma maneira, a Lei 8212/91 define no art. 11, parágrafo único, alínea “a” qual a receita das empresas constitui contribuição social, vejamos: Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço Ora, tanto o texto constitucional quanto o da lei ordinária são claros quando definem que a incidência de contribuição previdenciária ocorrerá quando do pagamento ou crédito de valores aos trabalhadores da empresa. Logo, o fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento, pelo empregador, de valores à pessoa física que lhe preste serviços e, em decorrência disso, ele só surge no momento do recebimento de valores devidos aos segurados em decorrência do trabalho prestado. A jurisprudência majoritária também tem se posicionado no sentido de que o fato gerador da contribuição previdenciária decorre do efetivo pagamento do crédito ao empregado, senão vejamos: AGRAVO DE INSTRUMENTO EXECUÇÃO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FATO GERADOR JUROS DE MORA E MULTA NÃO PROVIMENTO 1 Nos termos da jurisprudência consolidada desta Corte Superior, o fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento do crédito devido ao empregado e não a data da efetiva prestação dos serviços. 2 Recurso de revista obstado pela Súmula nº 333. 3 Agravo de instrumento a que se nega provimento. (TST AIRR 2788/20050310240.3 Rel. Min. Guilherme Augusto Caputo Bastos DJe 21.05.2010 p. 1601) FATO GERADOR DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA E MULTA SOBRE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ÓBICE DA SÚMULA 333 DO TST 1 Consoante a jurisprudência consolidada desta Corte superior, o fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento do crédito devido ao empregado e não a data da efetiva prestação dos serviços, sendo que os juros e a multa moratória incidirão apenas a partir do dia dois do mês seguinte ao da liquidação da sentença (TST AIRR333/20050130340.6, Rel. Min. Lelio Bentes Corrêa, 1ª Turma, DJ de 29/08/08; TSTAIRR3.569/19970161240.3, Rel. Min. Simpliciano Fernandes, 2ª Turma, DJ de 06/02/09; TST AIRR782/20011261541.2, Rel. Min. Carlos Alberto, 3ª Turma, DJ de 13/02/09; TSTRR668/20061141540.4, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, 4ª Turma, DJ de 20/02/09; TSTRR729/2002 0220340.1, Rel. Min. Emmanoel Pereira, 5ª Turma, DJ de 17/10/08; TSTRR11/20050291585.5, Rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, 6ª Turma, DJ de 12/12/08; TSTAIRR 678/20061141540.0, Rel. Min. Caputo Bastos, 7ª Turma, DJ de 03/10/08; TSTAIRR1.404/20051050340.1, Rel. Min. Dora Maria da Costa, 8ª Turma, DJ de 28/11/08). 2 Assim sendo, a Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.009716/201040 Acórdão n.º 2401002.541 S2C4T1 Fl. 156 7 decisão recorrida não merece reforma, pois proferida em consonância com o entendimento atual e dominante desta Corte, incidindo, portanto, sobre o recurso de revista o óbice da Súmula 333 do TST. Recurso de revista não conhecido. (TST RR 17130097.2007.5.20 Relª Minª Maria Doralice Novaes DJe 09.04.2010 p. 1712) RECURSO DE REVISTA FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA E MULTA Não há falar na incidência de juros de mora e multa a partir da prestação dos serviços, porquanto o fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento do crédito ao empregado. Precedentes do TST. Recurso de Revista não conhecido. (TST RR 4754/2006153 1500 Relª Minª Maria Cristina Irigoyen Peduzzi DJe 23.10.2009 p. 1429) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FATO GERADOR "Considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos, tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída (CTN, art. 116, II). O recolhimento previdenciário, na hipótese, decorre do montante do acordo homologado, realizado no processo cognitivo, não do período em que vigeu o contrato de trabalho. Portanto, não há falar em aplicação de juros, calculados pela taxa SELIC, acrescidos de multa e correção monetária desde a prestação dos serviços, já que o marco inicial para o referido recolhimento se deu com a celebração do acordo. Não há qualquer fundamento jurídico ou norma legal que autorize a cobrança de juros e de correção monetária anteriormente à constituição do próprio crédito trabalhista". Agravo de petição a que se nega provimento. (TRT02ª R. AP 01296200706902000 (20090314195) 11ª T. Relª Juíza Dora Vaz Treviño DOE/SP 08.05.2009) Ou seja, na legislação previdenciária a incidência de contribuição depende da ocorrência do fato gerador, qual seja, o pagamento de valores caracterizados como de natureza remuneratória. No caso em apreço, conforme se depreende do Relatório Fiscal, não houve o pagamento de remuneração à título prêmio na competência 13/2005, logo não há que se falar em incidência de contribuições sobre tais verbas. Tal incidência só ocorreria caso o trabalhador pleiteasse tais verbas junto à Justiça do Trabalho e tivesse êxito na demanda, ocasião em que a contribuição passaria a ser devida: FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COBRANÇA DE OFÍCIO O fato gerador da contribuição previdenciária é o acordo ou a sentença condenatória, quando houve efetiva constituição do crédito trabalhista, que se revela como hipótese de incidência do tributo previdenciário, com a determinação de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as parcelas de condenação ou acordo que as tornaram exigíveis, aplicandose o regime de caixa (a partir da constituição do crédito) e não o regime de Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 competência (a partir da vigência da relação laboral). (TRT02ª R. AP 00462200501302018 (20090333750) 4ª T. Rel. Juiz Ricardo Artur Costa e Trigueiros DOE/SP 15.05.2009) No que diz respeito ao cálculo das contribuições, a decisão de primeira instância já acolheu o pedido da recorrente e efetuou o recálculo dos valores devidos aplicando a proporção correta dos valores e reduzindo o valor da autuação. Ante ao exposto, Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO, REJEITAR A PRELIMINAR de decadência no mérito DARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10880.685702/2009-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/02/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
E incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade.
Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO
Não há na espécie lançamento de ofício, mas, sim confissão de dívida do contribuinte através da declaração de compensação apresentada, portanto, não há que se falar em DECADÊNCIA para a Fazenda constituir crédito tributário.
Não tendo decorrido cinco anos da data da entrega da Declaração de Compensação, pode a Autoridade Administrativa não homologar expressamente a compensação declarada.
Numero da decisão: 3801-001.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/02/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. E incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO Não há na espécie lançamento de ofício, mas, sim confissão de dívida do contribuinte através da declaração de compensação apresentada, portanto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 57 02 /2 00 9- 91 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 3 2 não há que se falar em DECADÊNCIA para a Fazenda constituir crédito tributário. Não tendo decorrido cinco anos da data da entrega da Declaração de Compensação, pode a Autoridade Administrativa não homologar expressamente a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ – São Paulo I (SP), que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação — PER/DCOMP n° 34452.09382.130709.1.7.042531, fls. 01/03, na qual o contribuinte pretende compensar crédito no mo ntante de R$ 6.917,02 (crédito original na data da transmissão), decorrente de pagamento indevido ou maior de COFINS, efetuado em 15/07/2003, com débitos de COFINS e de PASEP/FATURAMENTO, referente ao período de apuração d e 10/2006. Em 23/10/2009, após analise da DCOMP de forma el etrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do B rasil — RFB, foi emitido despacho decisório de nãohomologação da co mpensação, atestando que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localiz ados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuint e, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no referido PER/DCOMP Ou seja, o DARF informado de R$ 13.308,35, recolhido em 15/07/2003, estava integralmente alocado ao débit o de COFINS, declarado para o período de apuração de 30/06/2 003. Cientificado em 05/11/2009, o contribuinte apresentou em 04/12/2009 a manifestação de inconformidade de fls. 09/27, juntando As fls. 28/79, cópias simples e autenticadas da Procuração, da OAB e do Instrumento Particular de Retificação e Consolidação do Contrato Social. Após um breve relato dos fat os alega, em síntese, o que segue: Das Preliminares Da Nulidade do Despacho Decisório Ressalta o contribuinte que por tratarse de um despacho decisório eletrônico não passou pelo crivo de um Audit or Fiscal, sendo possivelmente o resultado de um encontro de contas realizado automaticamente pelo sistema de informatizaçã o da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o que por si só ensejaria a nulidade do mesmo. Isto porque as decisões admin istrativas devem ser devidamente motivadas de forma que o cont ribuinte tenha conhecimento doselementos que formaram a convi cção do julgador. Transcreve o artigo 37 da CF, art.2°, VIII, e o 50 da lei n° 9.784/99, que embasam tal entendimento. Em seu entendimento o fato de constar no despacho decisório qu e "a partir das características do DARF discriminado no perdcomp, foram localizados uma ou mais Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 5 4 pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no perdcomp'' é insuficiente para fundamentar a decisão combativa, pois não c onsta a razão dessa indisponibilidade. Argúi ainda que, hipoteticamente falando, deve ter existido o env io contraditório pelo contribuinte de informações e isso gerado diferença nos sistemas da SRFB a ponto de invibializ ar a apropriação do crédito trazido na compensação. A própria I N 900/08 em seu art. 2o reconhece que são inúmeras as situaçõe s que acarretariam a restituição do valor recolhido, passando a enumerálas. O fato é que a Autoridade Administrativa não analisou nenhuma dessas possibilidades que ensejariam a restituição postulada, ten do simplesmente não homologado a compensação declarada, tor nando totalmente nula referida decisão, nos termos do art. 59, II, do decreto n° 70.235/72, pois a empresa não pode defender se. Transcreve Acórdão do CARF. Diante do exposto, conclui afirmando que o R.Despacho Decisório deve ser julgado Nulo, por ausência de m otivação, devendo o crédito ser considerado legítimo e disponíve l face à ausência de fundamentação jurídica e legal e até factual para o seu indeferimento. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Reproduz o art. 5º, inciso LV da Constituição Federal e alega qu e no caso em tela essas garantias foram ofendidas pois em mome nto alguma a Recorrente foi intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, quando poderia a Autoridade Administrativo têlo feito, sempre que lhe r estar dúvidas, nos termos do art. 65 da IN 900/08. Não adotando tal conduta acabou por cercear o direito de defesa da Recorrente. Soma a isso o fato de não ter sido analisado também o mérito da questão, não tendo a Autoridade Administrativa motivado o seu e ntendimento, sendo tal fundamentação essencial e extremamente necessária para preservar o contraditório e amp la defesa, inerentes ao processo administrativo. Assim, por total afronta a esses princípios devese declarar totalmente nulo do R. Despacho Decisório. DO MÉRITO Após relatar o constante do PERDCOMP afirma estar equivocada a Administração ao indeferir o crédito da Recorrente, uma vez que apenas parte do crédito corresponde nteao tributo foi utilizada para quitação em 15/07/2003 da COFI NS gerada em 30/06/2003. Somente R$ 6.917,02 da guia de R$ 1 3.308,35 é que foi utilizado pela Recorrente como crédito para r ealização de compensação. Salienta ainda que, de toda forma, es te valor utilizado como crédito, além de não estar vinculado Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 6 5 a nenhum pagamento, também não pode ser rechaçado pela Rec eita Federal, uma vez que, ainda que débito fosse, poderia ter sid o exigido até 06/2008, consoante instituto da decadência, ex vi d o art. 173 do CTN. Esclarece ainda que a mesma nunca foi cobr ada, intimada ou advertida com relação a esse débito de COFIN S, mesmo não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, disposta no art. 151 do CTN, que impedisse a cobrança pelo Fisco desse tributo, inclusive mediante Auto de Infração, por força do disposto no ar t. 142 do CTN, para se prevenir a decadência. No caso, não tend o o fisco cobrado o pretenso débito de COFINS apurado em 06/2 003, não pode mais vir a fazêlo, pois ocorreu a decadência do d ireito de vir a fazêlo. Cita jurisprudência nesse sentido. Corrob orando tal entendimento, às fls.20/25, reproduz o art.173 do CT N, a Súmula 8 do STF, o art. 64 da lei 9784/99, o Parecer PGFN /CAT n° 1.617/08 e jurisprudências que dispõem sobre a aplicabi lidade do prazo decadencial de 05 anos. Salienta ainda que o crédito utilizado nareferida compensação se refere a DARF qu e pode ser encarado como tendo quitado parcialmente a obrigaç ão tributária da época, e parcialmente utilizado como crédito pela Recorrente. E que a jurisprudência, inclusive administrativa, está pacificada de que havendo um pagamento parcial de débito o prazo decadencial c ontase nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Conclui afirmand o que o débito de COFINS referente a 06/2003 não pode ser exig ido, pois com a aplicação da Súmula n° 8 STF já se operou a decadência. E que inexistindo débito a ser reclamado, é de rigor a homologação da compensação consubstanciada no perdcomp retro transcrito, uma vez ser legitimo e suficiente o crédito de C OFINS utilizado para tanto. DO PEDIDO Requer preliminarmente seja a R. Despacho Decisório declarado nulo, pela ausência de motivação que o sustente, como também por cercear os direitos constitucionais do contraditório e da amp la defesa. No mérito requer que o presente Manifesto de Inconfor midade seja recebido, processado e encaminhado para julgamento, dandose provimento a matéria de direito, com a ho mologação da perdcomp 34452.09382.130709.1.7.042531. É o relatório.” A Delegacia de Julgamento em São Paulo I (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 15/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPRO VAÇÃO. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 7 6 A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de e lementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito d ecorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprova ção deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. E incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado qu e o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegur ado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisã o que expressa a inexistência de direito creditório para fins de c ompensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO Não há na espécie lançamento de ofício, mas, sim confissão de dí vida do contribuinte através da declaração de compensação apre sentada, portanto, não há que se falar em DECADÊNCIA para a Fazenda constituir crédito tributário. Não tendo decorrido cinco anos da data da entrega da Declaração de Compensação, pode a Autoridade Administrati va não homologar expressamente a compensação declarada. Ma nifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reprisando as razões de defesa expostas na manifestação de inconformidade e reproduzindoas neste recurso voluntário, requerendo a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conhec o. Analisando os autos, não se vislumbra razões para reforma do acórdão da DRJ de São Paulo I (SP), conforme se verá a seguir: Da Preliminar de Nulidade: Requereu a contribuinte a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação, bem como por ferir o art. 5° da CF, especificamente por impedir uma ampla defesa e o contraditório. Entretanto, o acórdão recorrido tratou com perfeição o assunto, vejamos: “No tocante à questão preliminar de nulidade, não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende a contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação do crédito alegado, como também, não se caracteriza cerceamento de defesa o fato de a Contribuinte não ter sido intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, como será demonstrado. Com relação ao instituto da compensação cumpre transcrever o regramento emanado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) §1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 9 8 qual constam informações relativas aos créditos que seriam utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O PER/DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevêm a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de 1RPJ PJ, Os.2, e apontou o documento de arrecadação (DARF), fls. 02, como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 31/01/02 e Código de Receita 2172, conforme apontado no próprio Despacho Decisório. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o valor total do crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que motivou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado, conforme consta do Despacho Decisório. Em suma, os motivos da não homologação da compensação pleiteada residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. Quanto à alegação de falta de informação da fundamentação legal, esta também não merece guarida, pois, foi devidamente informado no Despacho Decisório (campo 3), a legislação pertinente, saber: Arts. 165 e 170 do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96. Cabe observar ainda que o fato de o Contribuinte não ter sido previamente intimado a prestar esclarecimentos sobre o alegado crédito indicado na Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"), objeto do despacho decisório, não configura cerceamento de defesa. Isso porque o referido e fundamentado Despacho foi exarado por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e dele foi o Contribuinte regularmente cientificado, sendolhe possibilitada a apresentação, no prazo regulamentar de 30 dias, da manifestação de inconformidade que ora se Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 10 9 aprecia. Acrescentese que, distintamente do que ocorria no regime de compensação por requerimento (art. 74 da Lei 9.430/96 em sua redação original), quando o contribuinte deveria apresentar prova do seu crédito quando da formalização do pedido de restituição ou compensação, já que compete ao requerente provar o seu direito, a partir da vigência da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, dentro, portanto, do regime de compensação por via declaratória (art. 74 da Lei 9.430/96 em sua nova redação), não é exigido que a prova documental do indébito acompanhe a Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"). Ao contrário do que alega a impugnante, o art. 65 da IN 900/08 faculta à autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação, que se condicione o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, quando houver necessidade de se comprovar a exatidão das informações prestadas, o que não ocorreu no presente caso. A Autoridade da RFB competente dispunha de todos os dados necessários, informados pelo próprio contribuinte, para decidir sobre o referido pedido de compensação, não caracterizando cerceamento de defesa a sua não intimação. Cabe observar ainda que o artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972 prescreve que "A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, sendo tal disciplina, afeta ao Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, aquela que rege o contencioso concernente à nãohomologação da compensação. Despacho Decisório não homologatório de compensação não se confunde com lançamento ou revisão de lançamento, estando ligado ao instituto da compensação, conquanto a manifestação de inconformidade obedeça ao mesmo rito processual que também submete a impugnação do lançamento, conforme comanda o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/96, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) §7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) §9° E facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7°, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 11 10 §11° A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) Portanto, é a partir da não homologação da Declaração de Compensação que o contribuinte poderá opor resistência à pretensão, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, como ocorreu no presente caso. Não se vislumbra, assim, no Despacho Decisório recorrido qualquer ofensa ao princípio da ampla defesa, visto que ele foi plenamente observado pela Autoridade que o proferiu e exercitado pela Interessada, por meio da manifestação apresentada. Ademais, todos os elementos próprios devidos ao processo foram respeitados, em estreita obediência aos ditames da Lei n° 9.784/1999 (regra geral) e do Decreto n° 70.235/1972 (regra específica), não se observando, ainda, qualquer das situações de nulidade enumeradas no art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, é de se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, não há qualquer razão para que seja considerado inválido o Despacho Decisório recorrido. Para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, o Contribuinte acena com a existência de indébitos(s) decorrentes(s) de pagamento indevido ou a maior de COFINS alegando apenas que, hipoteticamente falando, deve ter existido o envio contraditório de informações, por parte da empresa, e isso gerado diferença nos sistemas da SRFB a ponto de inviabilizar a apropriação do crédito trazido na compensação. No entanto, não traz aos autos nenhum documento que dê sustentação a referida argumentação. Ou seja, as conjecturas aventadas não são suficientes para comprovar a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, visto que desacompanhados de documentos que lhe dêem suporte. O chamado ônus da prova é do Contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o sujeito passivo assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza nos termos do disposto no art.170 da Lei 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Ao não trazer aos autos documentos que comprovem suas alegações, a interessada viola a regra jurídica adotada pelo Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 12 11 direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende dos artigos 15, caput, e 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, e do artigo 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos: Decreto n° 70.235, de 1972 "Art. 15 — A impugnação, formalizada por escrito e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. " (grifei) CPC "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Destaquese, ademais, o momento da apresentação de documentos capazes de subsidiar os argumentos trazidos para contestar o despacho decisório coincide com aquele da apresentação da peça impugnatória. Portanto, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, "precluindo o direito do Recorrente fazêlo em outro momento processual" (art. 16, § 4°, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170 do CTN. A comprovação do indébito é um requisito indispensável e cabe ao suposto credor fazêla. No entanto, a Manifestante não logrou tal comprovação. Assim, em conformidade com o art. 170 do CTN, bem como com ao art. 333, I, do CPC e também com os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, não vislumbrase nenhuma nulidade, não existindo violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto no art. 5°, LV, da CF/88. Deste modo, afasto a preliminar de nulidade do Acórdão recorrido. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 13 12 Da Decadência: A recorrente alega que teria ocorrido à decadência ao direito do fisco de questionar o débito de COFINS apurado em 02/2002. Conforme se verificará, o acórdão recorrido bem apreciou o assunto, vejamos: A questão de mérito trazida pelo sujeito passivo contra a não homologação expressa da declaração de compensação citada, consiste na alegada decadência do fisco exigir pretenso débito de COFINS apurado em 01/2002, pois nos termos do § 4o do art.150 do CTN, em decorrência da Súmula Vinculante n° 08 do STF, referido débito poderia ser exigido até 01/2007. Salienta ainda que se deve contar o prazo decadencial de cinco anos do fato gerador porque o crédito utilizado na referida compensação referese a DARF, que quitou parcialmente a obrigação tributária da época. Inicialmente cabe observar que realmente assiste razão ao contribuinte, as obrigações tributárias de 01/2002 (cujo crédito não tiver sido constituído ou suspenso) definitivamente extintas por pagamento ou decadência não podem ser mais cobradas. Ocorre que o fisco não está a cobrar tais obrigações, mas, sim, as obrigações tributárias confessadas pelo PER/DCOMP (IRPJ PJ referente ao 2o trimestre/2006) que não foram efetivamente compensadas pelos créditos que a Fazenda verificou inexistirem, nos termos do disposto no §6° do art. 74 da lei n° 9.420/96, incluído pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que atribui à declaração de compensação o caráter de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, como segue: "Art. 74 [...] §6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, (grifei) Por fim cabe esclarecer que de acordo com § 5o do art. 74 da Lei 9.430/96, o prazo de que dispõe o fisco para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No caso em tela, a declaração de compensação foi transmitida em 31/07/2006, ao passo que a notificação da não homologação da compensação se deu em 05/11/2009, portanto, dentro do qüinqüênio legal de que dispõe o fisco para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo. Por tudo quanto exposto concluise que o exame das declarações prestadas pela Manifestante à Administração Tributária revelaram a inexistência do pretenso crédito declarado e utilizado na compensação; não havia saldo disponível para Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.685702/200991 Acórdão n.º 3801001.939 S3TE01 Fl. 14 13 suportar uma nova extinção por ter sido utilizado anteriormente, razão correta da não homologação da compensação. Conforme o respeitável Acórdão da DRJ/SP1, “assiste razão ao contribuinte ao afirmar as obrigações tributárias de 01/2002, cujo crédito não tiver sido constituído ou suspenso, definitivamente extintas por pagamento ou decadência não podem ser mais cobradas”. Entretanto, é corretamente esclarecido no Acórdão que o fisco não está a cobrar tais obrigações, mas, sim, as obrigações tributárias confessadas pelo PER/DCOMP (IRPJ PJ referente ao 2o trimestre/2006), haja vista que não foram efetivamente compensadas pelos créditos que a Fazenda verificou inexistirem. A declaração de compensação foi transmitida em 31/07/2006, ao passo que a notificação da não homologação da compensação se deu em 05/11/2009, portanto, dentro do qüinqüênio legal de que dispõe o fisco para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo. De acordo com §5° do art. 74 da Lei 9.430/96, o prazo de que dispõe o fisco para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Portanto, não há que se falar em decadência. Com todas as considerações expostas acima, verificase que as razões expostas no Recurso Voluntário da contribuinte não procedem. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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