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Numero do processo: 10640.003040/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração . 01/01/1997 a 31/12/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.052
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração . 01/01/1997 a 31/12/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10640.003040/2007-14 Recurso n° 163.968 Voluntário Acórdão n° 2401-01.052 — 4' Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente SBA PEÇAS ACABADAS DE ALUMÍNIO LTDA Recorrida DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração . 01/01/1997 a 31/12/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciarios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das ' contribuições apuradas. rky 11 ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente . eleI ' th ,1 .1k .1 ',já> —'; '-itar:Rsek•' RYCARDO r NRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator ; Participaram, do present 'ulg. ento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, deusa Vieira de e . za, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 .• Processo n°10640.003040/2007-14 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.052 Fl. 181• .• Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: IV 265466 (165466), Processo: n°35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELLIA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n o 2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° • 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In • casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4 0 ou 173, do CTN). • É o relatório. • 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CART n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sess n s, em 24 de fevereiro de 2010 Alkist_da RYCAR • 1 • IQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator 1 1/4 \ 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 144 QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10640.003040/2007-14 Recurso n°: 163368 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.052 Brasília I e março de 2010 ELIAS SA 'AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003123/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/1992 a 28/02/1996
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a
repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do
recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei
Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
Numero da decisão: 3302-001.460
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Walber
José da Silva. Fez Declaração de Voto o conselheiro Walber José da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1992 a 28/02/1996 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
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PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Walber José da Silva. Fez Declaração de Voto o conselheiro Walber José da Silva. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 27/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Por bem sintetizar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Florianópolis: Trata o presente processo de Declarações de Compensação, referentes ao PASEP com período de apuração entre dezembro de 2003 e junho de 2004, referentes a pretensos recolhimentos efetuados a maior a título de Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP no período de 01/11/1992 a 28/02/1996. Na fundamentação de seu pedido, o sujeito passivo entende que os DecretosLeis n° 2.445 e 2.449, de 1998, foram retirados do mundo jurídico pela Resolução do Senado Federal n° 49, argumentando, em síntese, que, nos termos do Decreto n° 71.618/72, as normas previstas na Lei Complementar n° 8/70, e na Lei Complementar n° 26/75 permaneceram válidas até fevereiro de 1996, amparada pela Medida Provisória n° 1212, de 28/11/1995, esta convertida na Lei n°9.715, de 26/11/1998, passando, então, a produzir efeitos. Em relação as PER/DCOMP, o sujeito passivo esclarece que apresentou Pedido de Restituição transmitido em 28 de abril de 2004, no valor de R$ 1.013.281,11. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC pelo seu indeferimento (Despacho Decisório folhas 62), fazendoo com o fundamento, constante no Parecer n° 066/77, de que ocorreu a extinção do direito creditório, tendo em vista o pedido ter sido efetuado após o prazo de 5 anos do pagamento indevido. Irresignado com tal indeferimento, encaminhou o sujeito passivo manifestação de inconformidade, às folhas 71 a 74, na qual sustenta, em síntese, o abaixo exposto: Esclarece que, conforme o Decreto n° 4.524/02 e a IN SRF 247/02, o PIS/PASEP tem natureza jurídica de contribuições sociais, e que o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 estabelece prazo decadencial de 10 anos. Assim sendo, o prazo para reclamar a restituição do indébito das contribuições para o PIS/PASEP é de 10 anos contados da Resolução 49 do Senado Federal. Entende que as alterações do CTN propostas pela LC 118/05 não podem atingir direito já adquirido e já postulado. Sustenta ainda que, conforme entendimento do STJ, a decisão que o prazo de 5 anos que normalmente seria aplicável na forma do artigo 168 do CTN começaria a correr após a homologação tácita do crédito na forma do artigo 150, §4° do CTN (também de 5 anos), e somados os prazos teríamos ao todo 10 anos. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.003123/200715 Acórdão n.º 330201.460 S3C3T2 Fl. 122 3 A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1992 a 28/02/1996 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O direito de pleitear a compensação/restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de pedido de restituição transmitido em 28/04/2004 e relacionado a supostos pagamentos indevidos de PIS no período de 01/11/1991 a 28/02/1996, alegando teriam ocorrido recolhimentos a maior em virtude da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445 e 2.449. Tanto a DRF quanto a DRJ indeferiram o pedido de restituição, e por conseqüência os pedidos de compensação anexados, por entenderem que o prazo para a restituição de tributos pagos a maior era de 5 anos, a contar do recolhimento indevido ou a maior. Não houve análise por parte das autoridades administrativas em relação ao mérito do pedido de restituição, ou seja, em relação a existência ou não de pagamentos a maior ou indevidos. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas pacificou seu entendimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.003123/200715 Acórdão n.º 330201.460 S3C3T2 Fl. 123 5 inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 28/04/2004, estando assim submetido ao prazo de 10 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências 11/1991 a 02/1996, somente parte dos créditos esta atingida pela prescrição. Neste contexto os alegados pagamentos a maior relativos aos período de 28/04/1994 a 28/02/1996, não estão prescritos, devendo a Delegacia da Receita Federal competente analisar os pedidos de restituição, verificando a existência dos alegados créditos e promovendo sua quantificação, bem como se eram suficientes para a quitação das compensações efetuadas. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.003123/200715 Acórdão n.º 330201.460 S3C3T2 Fl. 124 7 Por todo o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição em relação aos pagamentos realizados entre 28/04/1994 e 28/02/1996. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Declaração de Voto Não posso acompanhar o Ilustre Conselheiro Relator porque parto do pressuposto de que as informações declaradas em PER/DCOMP são a expressão da verdade, ressalvado algum erro material existe no seu preenchimento. A possibilidade da existência de erro material existe, tanto é que a RFB não localizou os DARF informados pela recorrente em suas PER/DCOMP e emitiu os Termos de Intimação de fls. 52, 53, 54 e 55, solicitando que a Recorrente “verifique se todos os dados da Ficha DARF informados no PER/DCOMP conferem com os dados do DARF original. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária”. Por outro lado, a resposta da Recorrente às referidas intimações não indicou a existência de erro material nos DARF informados nas PER/DCOMP e a sua justificativa, além de conter diversas inverdades, não pode ser aceita porque o procedimento adotado representa uma tentativa de fraudar o sistema de restituição e de compensação, ao inserir informações sobre pagamentos sabidamente inexistentes. Justifica a recorrente o seu procedimento nos seguintes termos: O valor pago a maior e/ou indevidamente, pelo Município de Itajaí, calculado inicialmente, decorre da utilização dos critérios contidos na LC N° 08/70. O seja, a utilização da semestralidade e não mensal estampados DLs declarados inconstitucionais, cujo espectro foi apurado nas planilhas anexas. Assim, mediante a documentação parcial, integrante do processo administrativo iniciando com a apresentação do Pedido de Restituição transmitido à Receita Federal em 28 de abril de 2004, apurouse o valor originário pago a maior na ocasião, na ordem de R$ 378.400,60 que devidamente atualizado em 31 de janeiro de 2004, foi de R$1.013.281,11. Este valor foi utilizado, tanto para preenchimento do PER, quanto de DCOMPs. Se verificarmos, nas planilhas que ora anexamos, o valor acima descrito acima, atualizado em 31 de janeiro de 2004, objeto da primeira inscrição no PER, de R$ 1.013.281,11. No caso da DCOMP transmitida em 05/03/2004, de número 15792.63459.050304.1.3.046058, o valor informado, de R$ Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 8 983.279,05, é o mesmo valor acima, descrito nas planilhas anexo, mas atualizado em 30 de novembro de 2003. Desta forma, vemos que a diferença entre um e outro se trata tão somente de data de atualização. Desta forma, justificamos inicialmente que o Pedido de Restituição somente foi preenchido com a informação de um único recolhimento, atualizado em 31/01/2004, por limitação do sistema PER/DCOMP, que impossibilita a informação de mais de um DARF simultaneamente. No período, vínhamos aguardando manifestação desta Delegacia da Receita Federal, para que nos permitisse mencionar o ocorrido, baseado em legislação amplamente discutida, tanto na esfera administrativa, quanto judicial. Observese, inclusive, que à época, a própria Receita Federal orientava os contribuintes a procederem o Pedido de Restituição e as Declarações de Compensação, via sistema PER/DCOMP, informando o valor totalizado do crédito, em função da indisponibilidade de outro procedimento no sistema PER/DCOMP, aliado à não aceitação de formulário papel, anexo da IN 210/2002 e alterações posteriores. A oportunidade mencionada pelas INs que regulamentam a matéria, de que o PER e as DCOMPs pudessem ser apresentados, fisicamente, devidamente acompanhados da documentação que comprova a origem do crédito (leiase aqui toda a gama de DARFs, retenções e parcelamentos descritos nas planilhas anexo) jamais foi considerada pela DRF. Cabe esclarecer que, para cada uma das citações de PER/DCOMP transmitidas, tanto no PER Pedido de Restituição, quando em todas as DCOMPs Declarações de Compensação, formulário no qual só é possível constar um único DARF com valores de créditos. Como também não é possível constar o número de um PER/DCOMP, mas tão somente de um processo administrativo, este foi o único procedimento possível. É fundamental esclarecer que os pedidos de restituição foram preenchidos com a informação da arrecadação realizada através de 03 (três) DARF, todos inexistentes, e não de um único DARF como afirma a Recorrente. Também é absolutamente descabida a justificativa da Recorrente de que informou um único DARF porque o Sistema Eletrônico da PER/DCOMP não permite a informação de mais de um DARF. Na verdade, não há nenhum impedimento para a Recorrente transmitir tantos pedidos de restituição quanto forem os DARF com recolhimento indevido. Da mesma forma, é completamente falsa a afirmação da recorrente que a RFB não aceitava o pedido de restituição em papel. Na impossibilidade de utilização do pedido eletrônico, como é caso dos pagamentos que a recorrente alega referiremse a este processo (pagamentos realizados entre 14/11/93 e 05/03/96), o art. 3º da IN nº 323/03, abaixo reproduzido e vigente à época da transmissão dos PER/DCOMP, autoriza a utilização do pedido de restituição e do pedido de compensação em papel. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.003123/200715 Acórdão n.º 330201.460 S3C3T2 Fl. 125 9 Art. 3º Os formulários a que se refere o art. 44 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional, embora admitida pela legislação federal, não possa ser requerido ou declarada à SRF mediante utilização do programa PER/DCOMP, aprovado pela Instrução Normativa SRF nº 320, de 11 de abril de 2003. Parágrafo único. Na hipótese de descumprimento do disposto no caput, considerarseá não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação. Mais ainda, o parágrafo único do dispositivo acima reproduzido determina que no caso de descumprimento do disposto no caput deve a autoridade da RFB considerar não formulado o pedido de restituição e/ou de compensação. No caso dos autos, é patente que a Recorrente descumpriu o comando normativo e, portanto, deveria a autoridade da RFB ter cumprido o referido dispositivo legal. Não o fez, preferindo discutir a questão da decadência do direito de a recorrente pleitear a restituição, matéria totalmente estranha ao pedido de restituição da Recorrente, posto que os DARF informados nas PER/DCOMP não são os mesmos constantes do anexo à resposta da Recorrente aos Termos de Intimação expedidos. Todos os 03 (três) DARF com suposto pagamento indevido referemse a pagamentos realizados antes de 05 (cinco) anos da data da transmissão das PER/DCOMP. São pagamentos supostamente realizados nos dias 31/12/2003, 30/11/2003 e 31/01/2004. As PER/DCOMP foram transmitidas no período de 11/02/2004 a 24/06/2004. Por tais razões é que voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10909.001667/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2005
Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado.
Numero da decisão: 2302-001.602
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1387; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 129 1 128 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.001667/200815 Recurso nº 263.054 Voluntário Acórdão nº 230201.602 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2012 Matéria Auto de Infração. Obrigações Acessórias em GFIP. Recorrente DANILO INÁCIO SCHMITT Recorrida DRP FLORIANÓPOLIS SC Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2005 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório O presente auto de infração foi originado em virtude de o responsável − na condição de dirigente da Câmara Municipal de Itapema − ter deixado de declarar em GFIP, nas competências setembro a novembro de 2004, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias conforme fls. 13 a 16. O autuado apresentou defesa conforme fls. 23 a 29. Foi emitida a DecisãoNotificação (DN), fls. 132 a 137, mantendo a autuação na integralidade. O autuado, não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário, interpôs recurso, fls. 173 a 174. É o Relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10909.001667/200815 Acórdão n.º 230201.602 S2C3T2 Fl. 130 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, portanto não pode ser conhecido por este Colegiado. De acordo com o aviso de recebimento à fl. 119 (171), o recorrente foi cientificado no dia 16 de março de 2007 (sextafeira). O prazo para interposição do recurso era de trinta dias, considerandose que nessa contagem é excluído o dia de início, o prazo venceria em 17 de abril de 2007 (terçafeira). O notificado interpôs o recurso no dia 18 de abril de 2007, fl. 121 (173), portanto fora do prazo normativo de acordo com o disposto no art. 33 do Decreto n º 70.235. O prazo para apresentação de recurso é ex lege, e justamente para não ferir o princípio da isonomia, o prazo de trinta dias deve ser observado em qualquer caso. CONCLUSÃO: Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 183DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000040/2009-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
Ementa: DECLINAR COMPETÊNCIA.
Declina-se competência quando a matéria tratada nos autos não é de
competência da Turma.
Numero da decisão: 1103-000.708
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, declinar
competência para a 3ª Seção do CARF.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Declinase competência quando a matéria tratada nos autos não é de competência da Turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, declinar competência para a 3ª Seção do CARF. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Sérgio Gomes, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Relatório Trata o presente processo de RECURSO VOLUNTÁRIO contra o acórdão n.º 1027.824 da 2ª Turma da DRJ/POA que indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte. 2 Constatou a Fiscalização a existência de diversas irregularidades no pedido da empresa. De acordo com o relatório de Informação Fiscal, a empresa: a) Requisitou ressarcimento, tendo em vista o benefício de crédito presumido oriundo do art. 3º da Lei nº 10.147/2000, para o qual, todavia, inexiste previsão legal; b) a partir de outubro de 2004, passou a creditarse, em 24 parcelas, do valor de todos os bens adquiridos, mesmo aqueles que não faziam parte do processo produtivo da empresa; c) utilizou alíquotas diferenciadas no cálculo de créditos pela sistemática da não cumulatividade; d) incluiu indevidamente na base de cálculo dos créditos da contribuição compras que não dão direito a crédito. A interessada insurgese tempestivamente contra o indeferimento do seu pedido. Relata a concessão, por meio da Lei nº 10.147/2000, de crédito fiscal presumido equivalente ao montante de débito apurado, com o intuito de neutralizar o efeito financeiro decorrente da incidência da contribuição em apreço. Entende possuir direito ao ressarcimento do crédito fiscal acumulado. Preliminarmente, alega nulidade do despacho decisório, uma vez que as razões para o não reconhecimento do direito creditório em apreço já estariam sendo discutidas nos autos do processo administrativo nº 11080.004256/200919, que contém autos de infração relativos ao PIS ( períodos maio a agosto de 2005, abril de 2006 e maio de 2006) e à Cofins (períodos maio a agosto de 2005, dezembro de 2005 e março a maio de 2006). No mérito, inicia sua argumentação relatando ser o objeto social da empresa a industrialização de produtos farmacêuticos, estando sujeita ao regime de tributação concentrada, monofásica, instituído pela Lei nº 10.147/2000, com aplicação do percentual de 9,9% para a Cofins e 1,65% (sic) para o PIS. Comenta que inicialmente foi excluída da sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins quando do advento das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Só a partir da edição da Lei nº 10.865/2004 é que as pessoas jurídicas sujeitas ao regime estabelecido pela Lei nº 10.147/2000 passaram a ser tributadas pela sistemática da não cumulatividade. Passa então a abordar as questões de sua inconformidade por tópicos. Acredita possuir o direito ao ressarcimento do crédito fiscal presumido, citando o disposto no art. 17 da lei nº 11.033/2004, combinado com o art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Alega ser a concessão de crédito presumido uma espécie do gênero desoneração tributária, tal como a isenção, a redução de base de cálculo ou qualquer outro subsídio, entre as quais estariam aquelas elencadas pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Cita o disposto no §6º do art. 150 da Constituição Federal de 1988 como exemplo de sua argumentação. Defende a necessária concessão do mesmo tratamento conferido às operações com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para as situações de crédito presumido, sob pena de violação ao Princípio da Igualdade. Processo nº 11686.000040/200952 Acórdão n.º 1103000.708 S1C1T3 Fl. 2 3 Com relação ás alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos pela sistemática não cumulatividade, invoca a possibilidade de aplicar os percentuais de 9,9 % ou 10,3% para a Cofins e 2,1% e 2,2 % para o PIS no cálculo dos créditos da não cumulatividade. Rebate a afirmação da fiscalização de que não haveria amparo legal para a utilização de alíquotas diferenciadas, citando a Solução de Consulta nº 232/2008, a qual tratou da alíquota a ser aplicada no cálculo de créditos pela sistemática da não cumulatividade de autopeças importadas. Novamente reforça ser necessária a simetria/identidade entre a alíquota incidente sobre a receita auferida na comercialização e aquela adotada para fins de cálculo dos créditos de PIS e Cofins a serem descontados, para que seja plenamente aplicada a não cumulatividade . Entende ser totalmente descabida a exigência fiscal que desconsiderou o valor de R$ 489.520,24 no cálculo dos créditos sobre compras no período maio de 2006. A 2ª Turma da DRJ/POA por meio do acórdão n.º 1027.824 decidiu (ementa): “CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO IMPOSSIBILIDADE Não constando expressamente o crédito presumido como uma das hipóteses estabelecidas pelo art. 17 da Lei nº 11.0033/2004, inexiste previsão legal para o ressarcimento dos créditos vinculados às operações de venda, nos termos do previsto pelo art. 16 da Lei nº 11.116/2005. PIS SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITOS ALÍQUOTA Na apuração de créditos passíveis de dedução dos débitos de PIS não cumulativo deve ser utilizada a alíquota de 1,65%, mesmo quando se tratar de empresa fabricante de produtos farmacêuticos com tributação concentrada (monofásica). COMPRAS ALÍQUOTA ZERO CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa.” A recorrente traz basicamente as mesmas razões. Nos autos consta despacho de encaminhamento onde a 3ª Seção encaminha o processo para a 1a. Seção, pois entende que a matéria é de competência da 1a. Seção. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator 4 Em que pese o despacho de encaminhamento da 3.ª Seção afirmar: “Encaminhado a esta 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento por engano. Encaminho à 1ª Seção por se tratar de matéria de sua competência.” De acordo com o inciso III, do § 3.º do art. 7o, a matéria tratada nos autos, ressarcimento de PIS, é matéria da competência da 3.ª seção. Assim, a 3a.Turma da 1.ª Câmara da 1.ª Seção do CARF declina competência enviando o processo para a 3.ª Seção do CARF. Sala das Sessões, em 12 de junho de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso
score : 1.0
Numero do processo: 11060.003373/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
PAF. RECURSO SEM OBJETO. EXTINÇÃO PELO PAGAMENTO.
Não se conhece de matéria do recurso pela falta de objeto decorrente da extinção pelo pagamento.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2102-001.936
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER DO RECURSO pela falta de objeto decorrente da extinção do crédito tributário pelo pagamento.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 PAF. RECURSO SEM OBJETO. EXTINÇÃO PELO PAGAMENTO. Não se conhece de matéria do recurso pela falta de objeto decorrente da extinção pelo pagamento. Recurso Voluntário Não Conhecido
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RECURSO SEM OBJETO. EXTINÇÃO PELO PAGAMENTO. Não se conhece de matéria do recurso pela falta de objeto decorrente da extinção pelo pagamento. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER DO RECURSO pela falta de objeto decorrente da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 702DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11060.003373/200818 Acórdão n.º 210201.936 S2C1T2 Fl. 703 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 585 a 593: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 02 a 18) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2003, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 168.277,57, nele compreendido imposto, multa de ofício qualificada e juros de mora, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos da atividade rural. Do Relatório de Fiscalização de fls. 05 a 09, constam, em síntese, as seguintes informações: 1. O contribuinte autorizou a transferência da quantia de 42.000 sacos de soja da safra 2003, depositados na Agropan Santa Tecla para Elony Lucidio Klein – CPF 086.396.39000, ficando o produto à disposição deste. 2. Essa transferência constitui alienação por dação em pagamento e deveria ter sido computada pelo sujeito passivo como receita da atividade rural na data da transação, 13/05/2003, totalizando R$ 1.373.400,00, apurados utilizandose a cotação do saco de soja de 60kg do dia 13/05/2003 da empresa Marasca – Comércio de Cereais Ltda, filial de Cruz Alta (R$ 32,70), conforme previsto na escritura de compra e venda nº 12.567. 3. O produto alienado teve como origem a produção de soja exclusivamente do sujeito passivo no anocalendário 2003. 4. Com base no relatório emitido pela Cotribá relativo à soja mantida e negociada pelo sujeito passivo na empresa, deduzse que as transações mantidas por ele com a citada cooperativa em 2003, ano da ocorrência do fato gerador, se restringiram ao produto acobertado pela nota fiscal de depósito nº P065 511961, totalizando 10.000 sacos de soja (600.000 kg) os quais, na mesma data, 30/09/2003, foram comprados pela Cotribá com emissão da NF de compra nº 762850 e respectiva NF de produtor nº P 065 511962, totalizando R$ 385.000,00, que foram computados pelo sujeito passivo como receita bruta da atividade rural na data da respectiva venda. 5. Embora posteriormente à data da ocorrência do fato gerador, 13/05/2003, dos 42.000 sacos de soja transferidos por dação em pagamento, a receita bruta relativa a 10.000 sacos, no valor de R$ 385.000,00, foi levada ao resultado da atividade rural, restando omitida a receita bruta relativa a 32.000 sacos de soja oriundos da produção da safra 2003 do sujeito passivo no valor equivalente a R$ 988.400,00. 6. A multa foi qualificada tendo em vista não haver emissão de notas fiscais de depósito para os 42.000 sacos de soja da safra, afastando do conhecimento da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, no caso em tela, a alienação por dação em pagamento, o que, em tese, caracteriza infração prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 573 a 579. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Conforme exaustivamente demonstrado no Relatório da Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria, o contribuinte efetuou a Fl. 703DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11060.003373/200818 Acórdão n.º 210201.936 S2C1T2 Fl. 704 3 entrega de 42.000 sacos de soja como depósito, na Agropan – Cooperativa Agrícola de Tupanciretã Ltda. O produto depositado na Agropan foi transferido para a Cotribá – Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda, e na Cotribá comercializado. A transferência de produtos entre a Agropan e a Cotribá dispensa o efetivo transporte físico da soja em razão do convênio entre as duas cooperativas. Tratase de operação normal. Um produtor entrega sua produção para uma cooperativa e comercializa a soja na outra. As cooperativas, entre sim, procedem as compensações e o encontro de suas contas. A partir de que, o produto depositado na Agropan foi negociado com a Cotribá, transferido para terceiros e comercializado, nenhum documento fiscal destas transações poderia a Agropan ter emitido. Oportuno lembrar que o produto, 42.000 sacos de soja, que entraram para depósito na Agropan conforme atestam os tíquetes de pesagem, foram registrados na contabilidade da Cooperativa. Não houve a emissão de nota fiscal, mas a operação não é fato gerador de tributos. O contribuinte Duílio Ceolin desenvolve sua atividade agrícola, como produtor de soja, em conjunto com seu filho Rogério Ceolin. Cada produtor mantém suas individualidades, apenas no desenvolvimento das lavouras aproveitam a sinergia para atuarem em conjunto e obterem economias de escala. Ambos, pai e filho, submeteram à tributação da safra 2002/2003, o total de 78.500 sacos de soja, sendo 50.000 sacos de Duílio e 28.500 de Rogério. Os 42.000 sacos de soja entregue na Agropan e transferidos para a Cotribá, tiveram o seguinte destino: Nome Quant. Kgs Quant. Sacos Danilo Mattei 600.000 10.000 Cássio Klein 120.000 2.000 Total 720.000 12.000 Nome Quant. Kgs Quant. Sacos Duílio Ceolin 1.200.000 20.000 Rogério Ceolin 600.00 10.000 Total 1.800.000 30.000 Na Cotribá foram comercializados em nome de Danilo Mattei e Cássio Klein, os 12.000 sacos, em razão de terem sido utilizados para pagamento de aquisição de terras, sendo declarados como receitas e submetidos à tributação na DIRPF. Da mesma forma, os 30.000 sacos foram informados na DIRPFs. Não há hipótese possível de imaginar que a operação de entrega da soja para depósito seja fato gerador de imposto de renda e como tal ser tributado. Os 42.000 sacos de soja entregue na Agropan foram pesados, registrados e transferidos para a Cotribá. Na Cotribá foram transferidos para terceiros, negociados, comercializados. Nada restou na Agropan. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11060.003373/200818 Acórdão n.º 210201.936 S2C1T2 Fl. 705 4 A interpretação da legislação tributária deve ser feita favoravelmente ao contribuinte, como consagrado no artigo 112 do CTN. A multa imposta de 150% equivale a subverter a ordem jurídica vigente, com a condenação do contribuinte sem fundamento em provas concretas. Transcreve entendimento de Ricardo Mariz de Oliveira sobre abuso de forma. No caso, os procedimentos adotados pelo contribuinte foram lícitos e não se revelaram contrários à legislação. Não houve qualquer falsificação de documentos ou omissão de informações, pois a produção foi toda declarada. Apresenta jurisprudência administrativa sobre comprovação do evidente intuito de fraude. A jurisprudência e a doutrina são unânimes em não admitir a acusação de sonegação, fraude ou simulação sem que haja prova inequívoca de que tal conduta tenha efetivamente ocorrida. Pelo exposto, requer: 1. O afastamento da multa qualificada de 150%; 2. O reconhecimento de que toda a produção, inclusive aquela entregue na Agropan está inserida nos totais declarados e submetidos à tributação; 3. O reconhecimento de que os produtos entregues em dação de pagamento para aquisição de terras está inserida nos totais declarados e submetidos à tributação. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que restou demonstrada nos autos, mediante as provas produzidas pela fiscalização, por sinal irrefutáveis, que não foi oferecido à tributação à alienação de 32.000 sc de soja em maio de 2003, no valor de R$ 988.400,00, sendo devida a multa qualificada de 150% em razão da conduta do contribuinte, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos não foram integralmente oferecidos à tributação, mantémse o lançamento. MULTA DE OFÍCIO DE 150%. A omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, justifica a aplicação da multa agravada. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 601 a 618, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11060.003373/200818 Acórdão n.º 210201.936 S2C1T2 Fl. 706 5 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Preliminarmente, cumpre analisar o seguinte; O despacho de ciência ao contribuinte do Acórdão da DRJ/Santa Maria, fl. 596, indica o seguinte: Segue em anexo, para ciência, cópia do acórdão nº 1810.442, de 31 de março de 2009, exarado pela Delegacia da receita Federal de Julgamento em Santa Maria – RS. Da consulta efetuada em nossos sistemas de controle verificamos que o débito referente ao Auto de Infração – IRPF, do qual Vossa Senhoria tomou ciência em 04/09/2008 foi totalmente liquidado pelo pagamento de nº5079865221 efetuado em 30/09/2008. Diante do exposto comunicamos que com base no art. 156, inciso I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) a exigência fiscal controlada através do processo 11060.003373/200818 foi extinta e o referido processo arquivado. (negrite). Destaco que à fl. 594, consta o extrato do referido pagamento cobrindo todo o montante autuado. De acordo com o inciso I do art. 156 do CTN o pagamento extingue o crédito tributário e estando o crédito extinto não há objeto a ser apreciado por este recurso. Pelo exposto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO pela falta de objeto decorrente da extinção pelo pagamento. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11060.003373/200818 Acórdão n.º 210201.936 S2C1T2 Fl. 707 6 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 12269.004749/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 26/11/2009
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos
relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INDEPENDÊNCIA.
Não se confundem a obrigação de pagar o tributo com a obrigação acessória, instituída pela legislação no interesse da arrecadação e fiscalização de tributos, podendo ser exigida a primeira cumulativamente com a penalidade pelo descumprimento da segunda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.311
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INDEPENDÊNCIA. Não se confundem a obrigação de pagar o tributo com a obrigação acessória, instituída pela legislação no interesse da arrecadação e fiscalização de tributos, podendo ser exigida a primeira cumulativamente com a penalidade pelo descumprimento da segunda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12269.004749/200919 Acórdão n.º 240102.311 S2C4T1 Fl. 132 3 Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração – AI n.º 37.189.8625, no valor de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), no qual é aplicada multa pelo descumprimento da obrigação acessória de apresentar ao fisco os documentos/livros relacionados com as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 04: A Empresa deixou de exibir: 1. Documentos relacionados na " Planilha 1 Documentos Não Apresentados" em anexo. 2. Documentos comprovando a origem dos recursos que resultaram no saldo credor da conta 005789 2.2.10.20.10.00 EMPRÉSTIMO P.FÍSICA A PAGAR, existente na competência de 07/2007; 3. Documento comprovando pagamento à Edgar Moraes Otero em 01/08/2007, no valor de R$2.026.957,82. A empresa apresentou impugnação, fls. 38 e segs., na qual, em síntese, alegou que a multa tem caráter confiscatório e que a empresa não pode ser penalizada pela não exibição de documentos que resultaram em outros lançamentos, sobretudo de multas de ofício. Assevera também que os documentos informados no auto de infração como não exibidos não tem caráter obrigatório. Desta forma, não deve ser mantido o lançamento em questão. Requer a declaração de improcedência da autuação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Porto Alegre declarou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2007 AI Debcad n.º 37.189.8625 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS DE INTERESSE DA FISCALIZAÇÃO. MULTA. CONFISCO. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Constitui infração o não atendimento à solicitação fiscal de exibição dos livros e documentos, indispensáveis à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias. Autuação lavrada de acordo com a legislação previdenciária não caracteriza confisco. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Inexiste bis in idem quando há lavratura de autos de infração decorrentes de condutas diversas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos da impugnação e requesta pela reforma da decisão de primeira instância, com consequente declaração de improcedência da lavratura. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12269.004749/200919 Acórdão n.º 240102.311 S2C4T1 Fl. 133 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da ocorrência da infração Diz a Lei n.º 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) É induvidoso que a documentação não exibida, a qual versa sobre possíveis pagamentos efetuados a pessoas físicas, consideradas pela legislação previdenciária como contribuintes individuais, é relaciona às contribuições previdenciárias. Nesse sentido, vejo que a aplicação da norma acima ao caso sob enfoque é perfeita, uma vez que, malgrado as diversas intimações efetuadas, o sujeito passivo recusouse a cumprir o dever legal de colaboração com o fisco, deixando de exibir os documentos necessários a verificação da sua regularidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias. Assim, devo afastar a alegação recursal de que a infração inocorreu. Multa – caráter confiscatório Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo Fl. 135DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 07, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Da duplicidade de penas administrativas Alega a recorrente que os documentos, cuja falta de exibição deram ensejo à presente lavratura, foram utilizados para constituição de outros créditos, inclusive com aplicação de multa de ofício, o que caracteriza bis in idem. Não hei de acatar essa tese. A multa de ofício propalada pela recorrente tem sede legal no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, que é aplicada às contribuições previdenciárias por força do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009. Essa multa tem como causa a inadimplência total ou parcial quanto ao cumprimento da obrigação principal, ou seja, quanto ao pagamento do tributo. A multa aplicada na lavratura que ora se discute tem natureza jurídica diversa, posto que instituída para tutelar o bem jurídico consistente na obrigação que tem as empresas de colaborar com o fisco no desenvolvimento do seu mister. Esse dever de colaboração é materializado nas ditas obrigações acessórias, que são criadas no interesse da arrecadação e fiscalização de tributos e não se confundem com a obrigação de recolher os impostos ou contribuições devidas, esta chamada de principal. Nesse sentido, a multa de ofício aplicada no lançamento para exigência das contribuições não recolhidas pode ser cumulada com a multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar livros e documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei n.º 8.212/1991. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 136DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12269.004749/200919 Acórdão n.º 240102.311 S2C4T1 Fl. 134 7 Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 137DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001219/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/11/2008
OMISSÃO DE CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP sem a totalidade das contribuições previdenciárias devidas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento.
VALOR MÍNIMO DA MULTA PARA AUTUAÇÃO POR INFRAÇÃO RELACIONADA À GFIP. APLICAÇÃO POR COMPETÊNCIA.
O piso da multa para autuação por descumprimento de normas relacionadas à GFIP é fixado por competência e não por Auto de Infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.205
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade das contribuições previdenciárias devidas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendose em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. VALOR MÍNIMO DA MULTA PARA AUTUAÇÃO POR INFRAÇÃO RELACIONADA À GFIP. APLICAÇÃO POR COMPETÊNCIA. O piso da multa para autuação por descumprimento de normas relacionadas à GFIP é fixado por competência e não por Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001219/200970 Acórdão n.º 240102.205 S2C4T1 Fl. 307 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n.º 37.236.3253, lavrado contra o contribuinte acima identificado para aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de informar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social GFIP sem incorreções ou omissões. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, a empresa declarou incorretamente no campo COMPENSAÇÃO da GFIP os valores provenientes do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior FIES, creditados a mesma pelo convênio MECFIES. Assevera o Fisco que o sujeito passivo também deixou de informar no campo próprio os seus tomadores de serviço, as retenções sofridas e as compensações de retenção efetuadas. Informase ainda que as contribuições relativas a essas informações foram quitadas, registrandose apenas o descumprimento da obrigação acessória de declarar corretamente as informações na GFIP. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, informa que a multa, no valor de R$ 12.000,00, foi calculada de acordo com o disposto nos artigos 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/09, por ser mais benéfica que aquela calculada nos termos da legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores. Foi acostado demonstrativo de apuração da multa, no qual consta, inclusive, a comparação entre o cálculo pela legislação atual e pela norma revogada. A entidade educacional apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que declarou improcedente a defesa. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) os supostos erros detectados não interferiram no cálculo da contribuição devida, representando apenas divergência de interpretação quanto ao preenchimento da GFIP; b) elaborou a guia informativa conforme orientação prestada por servidor da Previdência Social na repartição de Ourinhos (SP); c) a infração que lhe é imputada é desprovida de materialidade, não devendo subsistir; d) não tem respaldo legal a cumulação das multas previstas no art. 32, IV, § 4.º (CFL 68), § 6.º (CFL – 69) e nos artigos 92 e 102 (CFL – 85) todos da Lei n.º 8.212/1991; e) poderseia admitir apenas a comparação do revogado § 6.º do inciso IV do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 com o art. 32A, I, da mesma Lei, com redação dada pela Lei n.º 11.941/2009; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 f) o limite mínimo da multa, de acordo com o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, é de R$ 500,00 por lavratura, jamais por competência, como entendeu a Auditoria. A prevalecer esse entendimento, para que a multa de R$ 20,00 por grupo de 10 informações incorretas pudesse ser aplicada, seria necessário o preenchimento de mais de 250 campos com erro, o que é inaceitável. Ao final pede o provimento do recurso, com, consequente, cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001219/200970 Acórdão n.º 240102.205 S2C4T1 Fl. 308 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A infração/penalidade aplicada Alega a recorrente que não incorreu na infração que lhe é imputada, posto que preencheu a GFIP conforme orientação recebida na repartição da Previdência Social em Ourinhos (SP). Todavia, essa alegação é totalmente carente de suporte probatório. A empresa sequer comprovou haver formulado algum questionamento à Administração acerca dos dados a serem lançados na guia informativa. Muito menos ainda, há nos autos algum elemento hábil a atestar que a Agência da Previdência Social em Ourinhos tenha exarado qualquer orientação ao sujeito passivo, ou a outro contribuinte, sobre o preenchimento da GFIP. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) No caso em tela, o direito de Fisco de aplicar a multa restaria extinto se o sujeito passivo conseguisse demonstrar que a Administração houvera emanado orientações acerca do preenchimento dos campos da GFIP, as quais tivessem conduzido ao preenchimento da guia em desconformidade com as normas de regência. Considerandose que esse fato não restou demonstrado, deixo de acolher esse argumento, por absoluta falta de provas. De acordo com a legislação vigente no período da ocorrência dos fatos geradores, havia quatro punições aos contribuintes que cometessem infrações relacionadas à GFIP. Deixando o sujeito passivo de apresentar a GFIP no prazo legal, estaria o mesmo sujeito à multa prevista no § 4.º do inciso IV do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo Havendo a apresentação da GFIP sem a declaração da totalidade das contribuições previdenciárias devidas, a multa seria aplicada com esteio no § 5.º do inciso IV do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Por outro lado, se a incorreção no preenchimento da guia se desse em campos não relacionados a fatos geradores de contribuição, ou seja, que não acarretassem em alteração no valor devido, a penalidade era fixada em conformidade com o § 6.º do mesmo inciso, nos seguintes termos: § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. Por fim, havia ainda uma multa residual, para os casos que não correspondessem às hipóteses acima, mas que representassem algum tipo desconformidade com as orientações emanadas do Manual de Orientações para Preenchimento da GFIP. Nesses casos, era aplicada a multa genérica prevista no art. 92 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001219/200970 Acórdão n.º 240102.205 S2C4T1 Fl. 309 7 Passando ao caso concreto, verificase que as condutas narradas no Relatório Fiscal, a um só tempo, dariam azo para a aplicação de três das quatro penalidades acima narradas. Vejamos. Os créditos oriundos do FIES, nos termos art. 10 da Lei n.º 10.260/2001, devem ser utilizados para quitação das contribuições previdenciárias. Assim, as instituições de ensino superior detentoras dos créditos geram a Guia da Previdência Social GPS a partir do título de crédito correspondente e assim liquidam as obrigações tributárias para com a Seguridade Social. Nesse sentido, a GFIP deveria ser preenchida sem levar em consideração os créditos do FIES, os quais seriam utilizados na rede bancária para gerar a guia de quitação das contribuições previdenciárias declaradas. Diante dessa sistemática, caso a empresa informasse os créditos do FIES no campo COMPENSAÇÃO da GFIP, estaria se beneficiando dos mesmos duplamente, pois, ao mesmo tempo, estaria reduzindo o valor das contribuições devidas e utilizando os mesmos créditos para gerar a GPS, fatalmente levando a Seguridade Social a prejuízo. Ao adotar essa prática, o contribuinte seguramente deixou de declarar a totalidade das contribuições devidas, ficando sujeito a multa de cem por cento da contribuição omitida, nos termos do § 5.º do inciso IV do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. Quando o contribuinte deixou de lançar na GFIP o valor da faturas emitidas para os tomadores de serviço, embora não tenha alterado o valor da contribuição devida, acabou por incorrer em omissão em campo não relacionado aos fatos geradores de contribuição, ficando sujeita a multa de cinco por cento por campo com omissão (§ 6.º do inciso IV do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991). Também foram feridas as disposições do Manual da GFIP, quando o sujeito passivo deixou de preparar guias específicas por tomador de serviços, conforme prevê o item 7 do referido normativo, in verbis: 7 COMO RECOLHER E INFORMAR Devem ser entregues GFIP distintas por: a) competência; b) código de recolhimento; c) estabelecimento identificado por CNPJ/CEI (observado o item 9); d) tomador de serviço (observada a nota 3 do item 11), ainda que a empresa não esteja sujeita à retenção referida na Lei nº 9.711, de 20/11/98, que é informado pela cedente de mãode obra ou prestadora de serviço, inclusive cooperativas de trabalho. No caso de trabalhador avulso, ver item 1 do Capítulo IV Orientações Específicas;(grifos nossos) (...) Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Diante dessa violação, estaria a empresa, também, sujeita a multa genérica prevista no art. 92 da Lei n.º 8.212/1991. No tocante as multas relacionadas à GFIP, a Lei de Custeio sofreu substancial alteração pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941. Foi instituído o art. 32A, com a seguinte redação: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Verificase que as infrações decorrentes de erros/omissões na GFIP passaram a ser apenadas com multa única, prevista no art. 32A, I, da Lei n.º 8.212/1991. Assim, a Auditoria, em respeito à previsão contida no art. 106, II, “c”, do CTN, comparou a totalidade das multas de acordo com a legislação vigente no momento da Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001219/200970 Acórdão n.º 240102.205 S2C4T1 Fl. 310 9 ocorrência dos fatos geradores, com a multa calculada de acordo com a novel sistemática, aplicando a que resultou mais benéfica ao sujeito passivo, no caso em tela, prevalecendo aquela fixada de acordo com art. 32A, I. Nesse sentido, descabe o argumento recursal de que houve atropelo às normas de regência pelo Fisco quando efetuou o estudo comparativo das penalidades, para determinar qual o quantum mais favorável ao sujeito passivo. Os autos estão a demonstrar que a Auditoria procedeu sem desvios das balizas legais. Por fim, insurgiuse o sujeito passivo quanto à aplicação do inciso II do § 3.º do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. Assevera que o valor mínimo de R$ 500,00, deve ser considerado tomandose o somatório de todas as competências do AI e não para cada competência tomada na sua individualidade. Argumenta a recorrente que, a prevalecer o entendimento do Fisco, o valor de R$ 20,00 por grupo de dez informações incorretas somente iria ser aplicado quando o sujeito passivo praticasse mais 250 incorreções, o que, na sua opinião, é um disparate. Analisando a sistemática de aplicação, tanto pela legislação antiga quanto pela atual, não é difícil se concluir que cada competência com omissão/incorreção representa uma ocorrência, para qual é aplicada a penalidade de forma individual. Assim, a totalização do valor em um único documento é feita apenas por questão de economia processual. Quando se aplicava a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, deverseia observar um teto, o qual era aferido competência a competência, para, então, obterse o valor global do AI pelo somatório das multas individuais. Chamo mais uma vez atenção de que o teto da multa era aferido para cada ocorrência e não para a totalidade da lavratura. Também quando havia a possibilidade de relevação da penalidade, em razão da correção da falta, esse benefício era concedido para cada uma das competências consideradas isoladamente. Havendo correção para uma ocorrência, apenas essa era objeto de dispensa da multa. Pela regra de aplicação da multa do art. 32A, a multa por incorreção nas informações da GFIP é aplicada no valor de R$ 20,00 por grupo de dez informações incorretas, assim considerandose, não o total de erronias ao longo de todo período analisado, mas as falhas ocorridas em uma dada competência. Ocorre que o legislador resolveu estabelecer um piso para a penalidade, de forma que o valor não ficasse tão reduzido a ponto de não servir para desencorajar os ilícitos administrativos. Se a intenção do legislador fosse aplicar o piso de R$ 500,00 para a totalidade da multa constante em cada AI, o mesmo teria expressamente consignado que esse piso seria aplicado por documento, posto que toda a lógica que preside o regime de aplicação de multa por infrações relacionadas à GFIP toma cada competência individualmente para fins de imposição da pena. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Não vejo como interpretar que no inciso I do “caput” do art. 32A o legislador quis se referir a uma ocorrência e que no inciso II do § 3.º do mesmo artigo sua intenção era abranger a totalidade do período da autuação. Portanto, entendo que o piso aplicado de R$ 500,00 por competência está em perfeita consonância com a disposição legal aplicável, não merecendo reparos o procedimento do Fisco. Conclusão Diante de todo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906397/2009-52
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 31/07/2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que
jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.864
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe transmitiu Per/Dcomp para restituição/compensação de IRPJ/CSLL paga a título de estimativa mensal, a maior ou indevida. Pelo Despacho Decisório, eletrônico, de fls. 38 a Per/Dcomp foi considerada improcedente e não homologada, por tratarse de pagamento de estimativa. A empresa manifestouse contrariamente ao despacho denegatório por tratar se de vedação prevista em Instrução Normativa e não de natureza legal. Ataca veemente a redação do artigo 10 da IN SRF nº 600/05, por falta de substrato legal. Às fls. 79 e seguintes, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF exarou o Acórdão nº 0339.169/10 mantendo o indeferimento do pedido de restituição e conseqüente compensação, por tratarse de estimativa mensal, consoante ementa do aresto ora transcrita: IRPJ POR ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO A MAIOR. ANTECIPAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. O IRPJ recolhido a título de estimativa é considerado antecipação no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente podendo ser utilizado na dedução do imposto de renda devido no ajuste anual, momento em que se aperfeiçoa o fato gerador. Somente saldo credor porventura gerado é passível de restituição. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. Tempestivamente a empresa interpôs o Recurso de fls. 90 e seguintes reprisando os termos da defesa inicial, requerendo a nulidade do despacho decisório por fundamentarse em ato infralegal, sem respaldo em norma tributária vigente. Fez sustentação oral pela recorrente o dr. João Marques Neto, OAB/BA nº 22.082. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906397/200952 Acórdão n.º 180100.864 S1TE01 Fl. 151 3 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo paga a maior ou indevidamente. Esta turma julgadora já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: “A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada ano calendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906397/200952 Acórdão n.º 180100.864 S1TE01 Fl. 152 5 estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906397/200952 Acórdão n.º 180100.864 S1TE01 Fl. 153 7 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, conclui se que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906397/200952 Acórdão n.º 180100.864 S1TE01 Fl. 154 9 A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906397/200952 Acórdão n.º 180100.864 S1TE01 Fl. 155 11 Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 “Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação.” Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. Observo que a empresa tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas durante o mesmo anocalendário, devendo ser analisados conjuntamente pela autoridade a quo. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10580.004659/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/05/2006
SERVIDORES PÚBLICOS NÃO EFETIVOS
Servidores públicos não efetivos compulsoriamente estão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.
VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
DIÁRIAS
O total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal, integram o salário de contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.868
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. DIÁRIAS O total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal, integram o salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado Fl. 504DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi – Relatora. EDITADO EM: 02/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Jhonatas Ribeiro da Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10580.004659/200790 Acórdão n.º 230201.868 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 03/10/2006 e cientificada ao sujeito passivo em 04/10/2006, referese às contribuições patronais e as referentes ao seguro acidente do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviço ao município nas competências de 04/2006 e 05/2006. O relatório fiscal de fls. 43 a 47, diz que o levantamento tomou por base os valores constantes das folhas de pagamento, os valores declarados em GFIP e referentes ao excedente dos 50% da remuneração com relação às diárias de viagem, os valores pagos a contribuintes individuais e transportadores autônomos. Todas as bases de cálculo estão discriminadas no Relatório de lançamento, documento de fls. 08/24, onde consta por competência, a base, o valor lançado, o serviço prestado e o nome do prestador. Após a impugnação, Acórdão de fls.99/106, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado o contribuinte apresentou recurso, onde alega em síntese: a) a nulidade da NFLD pois baseada em premissa que já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no caso a contribuição dos agentes político, consubstanciada na alínea “h” do inciso I do art. 12, da Lei n.º 8212/91; b) que a alínea”j” do mesmo inciso I, art. 12 da Lei 8212/91, trazida por legislação posterior é também inconstitucional, pois repete a exação e os agentes políticos não são empregados, nem servidores públicos; c) que o valor lançado é excessivo, posto que contém verba indenizatória como diárias, valores de contratos nulos de servidores sem concurso público e a base de cálculo do transporte foi superior ao fixado pela lei. Requer a nulidade da notificação. É o relatório. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, documento de fls. 111, conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente se insurge contra a contribuição previdenciária incidente com base na alínea”j”, do inciso I do art. 12 da Lei n.º 8.212/91, referente aos servidores estatutários, contratados por prazo determinado, temporários, ocupantes de cargo em comissão e agentes políticos Sobre o assunto, é de se ver que o artigo 15, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, é taxativo ao afirmar que os órgãos da administração pública são equiparados à empresa, não havendo qualquer restrição quanto a aplicação do texto legal: Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); Como já mencionado os segurados, cujas remunerações constam desta notificação, são aqueles não detentores de cargos efetivos, para os quais se aplica o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, consoante o disposto no artigo 13 da Lei n.º 8.212/91: Art.13 O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da união, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral da Previdência Social consubstanciado nesta Lei, dedes que amparados por regime próprio de previdência social Após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 20 de 16 de dezembro de 1998, somente os servidores titulares de cargo efetivo podem integrar os regimes próprios, conforme o caput do artigo 40 da Constituição Federal: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98: A Emenda Constitucional n° 20, deu nova redação ao art. 195 da Constituição Federal, prevendo na alínea "a" do inciso I, a contribuição a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhes preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10580.004659/200790 Acórdão n.º 230201.868 S2C3T2 Fl. 3 5 Assim, a partir da Emenda Constitucional n° 20, o texto constitucional prevê a contribuição da entidade equiparada à empresa sobre a remuneração de qualquer pessoa física que lhe preste serviço. Por isso, a criação da contribuição previdenciária sobre a remuneração dos agentes políticos passou a ser matéria de lei ordinária, para o que serviu a Lei n.º 10.887 de 18/06/2004, com vigência a partir da competência 09/2004. A citada lei não foi enquinada de inconstitucionalidade, permanecendo válida e amparando o lançamento constante da presente notificação. O lançamento em questão abrange apenas período posterior à Emenda Constitucional n.º 20/98, e referese exclusivamente a servidores públicos não efetivos, que compulsoriamente estão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de Fl. 508DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto às diárias, o relatório fiscal esclarece que foram tomados como salário de contribuição os valores excedentes a 50% da remuneração dos segurados, a teor do disposto pelo artigo 28, § 8º da Lei n.º 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 8º Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) O discriminativo Relatório de Lançamentos à fl.08 do processo, traz a competência, o valor lançado referente à diária excedente e o nome do beneficiado, sendo que a recorrente não trouxe elementos capazes de comprovar que a diária não excedeu a 50% da remuneração do segurado. A simples alegação de que os valores de diárias são indenizatórios, não ilidem o procedimento fiscal que está embasado na legislação vigente. Da mesma forma, os valores relativos aos contribuintes individuais e transportadores autônomos que prestaram serviço ao município estão discriminados no Relatório de Lançamentos, fls. 10 a 22 e fls.23 a 31, respectivamente, por competência valor e nome, sendo que a recorrente sequer apontou qualquer erro no lançamento, apenas referindose ao valor excessivo, como um todo. Por derradeiro, ainda saliento que o levantamento tomou por base documentos de elaboração, posse e guarda da recorrente como folhas de pagamento e GFIP’s, proporcionandolhe total conhecimento e livre exame dos elementos que embasaram a notificação, sendo, portanto improcedentes as alegações desprovidas de apontamentos de onde os valores lançados estão incorretos. Ademais, a notificação também teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados. As folhas de pagamentos foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Fl. 509DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10580.004659/200790 Acórdão n.º 230201.868 S2C3T2 Fl. 4 7 Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 510DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10074.001820/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PERDIMENTO. MULTA REGULAMENTAR
Período de Apuração: 29/08/2002 a 28/02/2007
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PROVA EMPRESTADA. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL.
Não há que se falar em prova emprestada ou em levantamento efetuado no bojo de outro procedimento fiscal quando se trata de uma consequência de infração verificada em outro processo.
OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO.
A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário.
MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE ENTREGUE A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA.
Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente.
Preliminar de cerceamento do direito de defesa não acolhida.
No mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.419
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar se a
preliminar de cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PERDIMENTO. MULTA REGULAMENTAR Período de Apuração: 29/08/2002 a 28/02/2007 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PROVA EMPRESTADA. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL. Não há que se falar em prova emprestada ou em levantamento efetuado no bojo de outro procedimento fiscal quando se trata de uma consequência de infração verificada em outro processo. OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE ENTREGUE A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. Preliminar de cerceamento do direito de defesa não acolhida. No mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 133 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar se a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (DRJ/FNS), como constante às fls. 107 a 109, que considerou parcialmente procedente o lançamento constante do presente processo, in verbis: “Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 2.626.110,64, referente a multa prevista no parágrafo 3º do artigo 23 do Decretolei 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração e enquadramento legal, que a interessada foi submetida ao procedimento especial previsto na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, conforme processo nº 10074.001246/200773, cujas cópias integram o presente processo na forma de anexos. Referido procedimento especial consistiu em analisar os registros contábeis da interessada, notadamente o Livrocaixa, frente a sua movimentação bancária e as operações de importação nas quais figurou como importador e/ou adquirente das mercadorias. Dentre as análises realizadas, se verificou que somente no ano de 2004 foi registrada contabilmente a importação de mercadorias no valor de R$ 230.229,49, enquanto a soma de pagamentos referentes a fechamento de câmbio e Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 134 3 aquisição através da empresa Global Trading remonta a R$ 717.562,96. No mesmo período, a movimentação bancária totalizou R$ 1.790.596,60. Análise do fluxo de caixa demonstrou sucessivos saldos negativos totalizando R$ 2.437.515,13 ao fim do período fiscalizado. Ao final se concluiu que a interessada não comprovou a origem lícita, a disponibilidade ou a efetiva transferência dos recursos utilizados nas operações de importação. As razões que levaram à comprovação da atividade ilícita da interessada e a impossibilidade de se utilizar a contabilidade para comprovar a origem regular dos recursos empregados nas importações foram as seguintes: ter registrado fraudulentamente o conjunto de suas operações financeiras, não efetuando a plena escrituração dos valores que transitaram em suas diversas contas bancárias; não ter efetuado a escrituração plena do pagamento das mercadorias adquiridas no mercado externo, registrando mensalmente valores divergentes dos que constaram nos extratos bancários e dos que estão registrados nos sistemas da SRF; ter apresentado frequentes saldos financeiros negativos, demonstrando cabalmente a falta de disponibilidade financeira para arcar com os encargos decorrentes de sua atividade do comércio exterior; ter efetuado diversos lançamentos nos Livros Caixa sem a devida especificação de suas origens, visto que amplamente divergentes e não assimiláveis ao conteúdo constante dos extratos bancários e sistemas SRF; não ter apresentado todos os elementos exigidos pela fiscalização, fato que demonstra a não manutenção em boa guarda e ordem dos papéis e documentos que comprovam as operações comerciais realizadas no período fiscalizado. No presente processo, intimada a se manifestar sobre o destino das mercadorias importadas, a interessada informou não possuílas mais em estoque. Assim, foi lavrado o auto de infração de folhas 03 a 18, para exigência de multa prevista no parágrafo 1º do artigo 618 do Decreto nº 4.543/2002, em razão da caracterização do previsto no inciso XXII do mesmo artigo, para as importações registradas a partir de 29/08/2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, até 12/07/2007. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência às fls. 04 e 07), a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 53 a 65, anexando os documentos de folhas 66 a 73. Preliminarmente a impugnante defende que “há cerceamento de defesa na utilização da prova emprestada, de forma acrítica e estendendo a todas as Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 135 4 importações da Empresa as consequências de levantamentos efetuados no bojo do outro procedimento fiscal. (...) Com efeito essa extensão dos efeitos jurídicos de supostas infrações fiscais de outra natureza, sem a juntada das provas que justificam o Auto de Infração tem sido amplamente rechaçado.” (sic) Transcreve acórdão para embasar sua tese. Alega que a pena de perdimento foi convertida em pecúnia devido à declaração de inaptidão do CNPJ da empresa, e que a fiscalização “tomou, simplesmente, emprestadas as conclusões exaradas por outra oportunidade, por outra autoridade, e baseada em fatos que, não necessariamente haveriam de se estender a todas as importações em tela.”(sic) Defende que não houve individualização das condutas, supostamente infracionais, e que se “pretende estender às importações presentes, irregularidades não provadas, não contraditadas, não discutidas, e que supostamente foram cometidas no passado.” (sic) Alega que, “Ainda que não se declarasse, por completo, a improcedência do lançamento, ao menos as Declarações de Importação do ano de 2007 devem ser excluídas da tributação. Isto porque não foram objeto de apreciação pela Autoridade Fiscal em seu procedimento especial regido pela INSRF nº 228/2002.” (sic) Embasa sua tese no texto da Instrução Normativa que determina que “aplicase o perdimento às mercadorias objeto das operações correspondentes”. Defende a ocorrência de decadência em relação às Declarações de Importação registradas antes de 16/11/2003, inclusive, pois a ciência do lançamento se deu em 17/11/2008. Defende também a exclusão das Declarações de Importação registradas antes de 30.08.2002, data da vigência da Medida Provisória nº 66/2002, que foi posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, cujo artigo 59 prevê a penalidade em trato. Alega improcedência do auto de infração por não ter sido considerada a publicação da Lei nº 11.488/2007, já em vigor quando da autuação, e que prevê em seu artigo 33 a aplicação de multa de 10% sobre o valor da operação e, no parágrafo único, a não aplicação da inaptidão da empresa. Alegando o princípio da legalidade estrita, defende que deve ser sancionada com a multa ali prevista e não com aquela lançada no auto de infração. Transcreve orientação, solução de consulta interna e decisões administrativas para embasar sua tese. Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 136 5 Alega que não houve dano ao Erário, pois não houve supressão ou redução de tributos, que foram integralmente recolhidos no registro da Declaração de Importação. Transcreve decisão judicial e defende, assim, a impossibilidade de aplicação da pena de perdimento ou sua conversão em multa. Requer seja julgado improcedente o auto de infração e que seja cientificada da data de julgamento para indicar advogado para fazer sustentação oral perante o colegiado.” A decisão de fls. 106/114, proferida pela DRJ/FNS, foi assim ementada: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 29/08/2002 a 28/02/2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria caso tenha sido consumida ou não seja localizada. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 29/08/2002 a 28/02/2007 INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de impor penalidade extinguese no prazo de cinco anos a contar da data da infração. Lançamento Procedente em Parte.” Inconformada com a decisão da DRJ/FNS, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 118/129, objetivando reformar parcialmente a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o que segue: Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 137 6 a. A simples juntada aos autos de prova emprestada não dá legitimidade para a autuação fiscal, uma vez que acarreta o cerceamento de defesa da autuada pela inexistência de individualização das condutas supostamente infracionais; b. Redução da multa para 10% sobre o valor da mercadoria, nos termos da Lei nº 11.488/2007; c. A inexistência de Dano ao Erário, uma vez que não houve supressão ou redução de tributos, que foram integralmente recolhidos no registro da Declaração de Importação; d. Pede provimento ao Recurso Voluntário apresentado. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar a preliminar e as questões de mérito. Cerceamento do Direito de Defesa. Da Prova Emprestada. A alegação de que a juntada aos autos de prova emprestada não dá legitimidade para a autuação fiscal, uma vez que acarreta o cerceamento de defesa da autuada, não merece prosperar. Conforme exposto na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC, “o processo em que a Recorrente faz referência (Processo nº 10074.001246/200773) se refere ao procedimento especial de fiscalização que verificou a irregular origem dos recursos utilizados em suas operações de comércio exterior e que concluiu pelas irregularidades constatadas, com base no que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 228/2002”. Ademais, como se trata de uma continuidade de procedimento fiscal iniciado no processo nº 10074.001246/200773, não há que se falar em “prova emprestada” ou em “levantamentos efetuados no bojo de outro procedimento fiscal”. Neste sentido, todas as provas que comprovam o cometimento do ilícito foram acostadas aos presentes autos. Desta feita, a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC foi correta neste aspecto, devendo, assim, ser mantida. Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 138 7 Da Multa Aplicada Quanto à aplicação da multa, a decisão recorrida também não merece reforma. De acordo com o entendimento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC, “a Lei n° 11.488/2007, ao mesmo tempo em que determinou a não aplicação da inaptidão à pessoa jurídica infratora, previu a exigência de multa pecuniária. Essa substituição de penalidade em nada altera sua natureza e, portanto, fica mantida a possibilidade de sua exigência simultânea com a pena de perdimento, que, notese, não foi revogada em nenhum momento, ainda que essa pena tenha sido convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas”. Tendo em vista que as mercadorias não foram localizadas ou consumidas, a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente a seu valor aduaneiro, conforme dispõe o parágrafo 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002, in verbis: “§ 3o A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” No tocante ao entendimento da Recorrente de que a conduta prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não mais implica na penalidade de perdimento da mercadoria, vale ressaltar que a multa capitulada no referido artigo é cabível independentemente do perdimento da mercadoria importada ou a sua conversão pelo seu valor aduaneiro. Referido dispositivo legal teve o seguinte objetivo, como muito aventado pelo Conselheiro Nilton Bartoli no acórdão 310200.599, ao fazer referência ao Projeto de Conversão da Medida Provisória 351/2007: “Mister notar que o referido art. 33 decorre do Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória 351/2007, de autoria do Deputado Federal Odair Cunha, apresentado em 25/04/2007, que em seu discurso fez referência ao art. 33, originalmente artigo 35: "(.) Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros."...” (grifamos) Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 139 8 A respeito do tema, a decisão a quo enfatiza que a novel norma (Lei 11.488/2007) trouxe nova previsão relativamente à penalidade de caráter administrativo, para não mais se declarar a infratora inapta e sim, dela exigir multa equivalente a dez por cento do valor da operação. Isso fica muito claro na decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região abaixo reproduzida, no sentido de que não houve revogação, pelo art. 33 da Lei n° 11.488/2007, da pena de perdimento prevista no artigo 23 do Decretolei n° 1.455/76: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI N 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI N° 1.455, DE 1976. AUSENCLA. DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO ... 0 artigo 33 da Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdirnento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL n° 1.455/76, com a redação dada pela Lei n 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, ern nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "A hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal.” (AMS 200572080051666, OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, TRF4 SEGUNDA TURMA, 01/08/2007) O mesmo entendimento, no sentido que as infrações não são idênticas e coexistem, é confirmado pelos acórdãos deste Conselho 310100.494 (redator designado Conselheiro Tarasio Campelo Borges) e 310200.566 (redator designado Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto), bem como o art. 727 do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 — Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 140 9 Regulamento Aduaneiro, quando, ao regulamentar o art. 33 da Lei n° Lei n° 11.488, trouxe norma expressamente interpretativa no seu parágrafo 3° afirmando que a aplicação da multa de 10% não prejudica a aplicação da pena de perdimento: "Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. ... § 3 A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas." Cabe, ademais, dar destaque ao acórdão 310200.588 deste Conselho, datado de 4 de fevereiro de 2010, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que distinguiu a interposição fraudulenta em: importação sem comprovação da origem dos recursos próprios e importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão de nome). Transcrevo, a seguir, trechos do voto vencedor que elucidam referida distinção: “Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a nãocomprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do §.2° do artigo 23 do Decretolei n 1.455, de 1976... No segundo caso, o fato presuntivo da nãocomprovação dos recursos próprios é causador da conduta inidôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1.996... Dessa forma, inferese que, embora o fatobase seja o mesmo (a não comprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta infracional, consistente na ocultação do sujeito passivo, real Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 141 10 comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização de uma mesma conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ... Com efeito, em consonância com o estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1°, do Decretolei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal suprareferenciado. Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracterizase pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 142 11 recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira prevê duas hipóteses de presunção da operação de importação por conta e ordem de terceiro. Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos... Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n2 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita). ... Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome): penalidades aplicáveis. Até 15 de junho de 2007, data em que entrou em vigor o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, da mesma forma que ocorria com a denominada interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, a conduta ilícita consistente na ocultação dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante mera cessão do nome, aqui denominada (no caso da operação de importação) de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros, o importador (ostensivo) era sancionado com as seguintes penalidades: a) a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 3° do citado art. 23 (norma geral de interposição fraudulenta no comércio exterior); e b) a sanção administrativa de inaptidão da inscrição no CNPJ, nos termos do § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002 (norma especial da inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ). Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 143 12 Por sua vez, o real beneficiário da operação (o importador oculto), continua sendo sancionado apenas com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V e § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou multa sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária estabelecida no § 3° do citado art. 23. Em relação ao importador (ostensivo), a partir da vigência do referido preceito legal (norma especial de interposição fraudulenta), a prática da conduta da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) passou a ser sancionada, exclusivamente, pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No que tange ao real beneficiário da operação (o importador oculto), alteração alguma houve, seja na definição da infração ou da fixação da penalidade. Tratase, no caso da infração e penalidade definidas no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, de penalidade pecuniária especificamente estabelecida para o importador que descumpriu as exigências legais determinadas para a importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, conforme acima explanado. No meu entendimento, duas circunstâncias corroboram para a conclusão aqui apresentada: a) a primeira: a menção expressa no parágrafo único do art. 33 de que a "hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Em outros temos, por expressa determinação legal, a conduta do importador de apenas ceder o nome, com o objetivo de ocultar do conhecimento das autoridades aduaneiras os reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação (que corresponde ao sujeito passivo, real comprador ou responsável pela operação de importação), foi excepcionada da hipótese da infração e respectiva penalidade por inidoneidade na condição de importador, motivadora da sanção de inabilitação de sua inscrição no CPNJ; e b) a segunda: a vedação expressa, contida nos arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966, de cominação de mais uma penalidade para infração idêntica cometida pela mesma pessoa, ou seja, a vedação da incidência de bis in idem na fixação da sanção por infração à legislação aduaneira. Cabe esclarecer que o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, sancionou com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, apenas a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A contrario sensu, continua sendo sancionada com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou, conforme o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 144 13 valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3° do citado artigo, as seguintes condutas: a) do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios (inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976); e b) do real importado, na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), consubstanciada nas operações de importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, realizadas sem o cumprimento das exigências legais (inciso V e § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com disposto no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 e no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Em outros termos, a pena de perdimento será sempre aplicada, ou ao importador ou aos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação, conforme o caso... Em suma, com base no que foi exposto, fica demonstrado que: a) a multa de que trata o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, aplicase apenas ao importador (ostensivo) e somente na hipótese de interposição fraudulenta mediante cessão do nome. Tratase, portanto, de forma especial de interposição fraudulenta; b) a pena de perdimento ou, se for o caso, a multa sucedânea, prescrita para a interposição fraudulenta especial ou mediante cessão do nome, aplicase apenas ao real importador (o importador oculto), por força da vedação da cominação de mais uma penalidade para idêntica infração (princípio do non bis in idem em matéria de infração à legislação aduaneira); e c) a pena de perdimento prescrita para a interposição fraudulenta sem comprovação da origem dos recursos próprios, por impossibilidade lógica, será aplicada somente ao importador (ostensivo). Cabe enfatizar que o entendimento aqui esposado confere sentido e alcance normativo ao disposto no art. 33 em comento, compatível com as normas gerais do direito aduaneiro que disciplina a matéria (arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966) e em consonância com o disposto no inciso V do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com o § 3° do art. 727 do RA/2009.” (grifos no original) Vêse que a Recorrente não comprovou a origem lícita e a disponibilidade de recursos próprios nas operações de importação em discussão, o que tipifica, por presunção legal, a hipótese de interposição fraudulenta prevista no art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, com as alterações posteriores. Sendo assim, a alegação de que, nos casos de interposição fraudulenta, simplesmente se aplica o disposto na Lei 11.488/2007, não merece prosperar. Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 145 14 Inexistência de Dano ao Erário No que tange à inexistência de dano ao Erário, o entendimento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC também deve ser mantido. De fato, a Recorrente não comprovou a regular origem, disponibilidade ou transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, restando presumida a interposição fraudulenta de terceiros, configurando dano ao Erário, conforme demonstra o artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com redação da Lei nº 10.637/2002, in verbis: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.” Com relação à interposição fraudulenta de terceiros, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou no sentido de que se configura o dano ao Erário, e que é legítima a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas. Destaquese a seguinte ementa acerca do assunto: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIRO. DANO AO ERÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. IRREGULARIDADE PUNIDA COM PENA DE PERDIMENTO. RETENÇÃO DA MERCADORIA. POSSIBILIDADE. 1. Comprovada a instauração do procedimento administrativo fiscal para apuração da interposição fraudulenta de terceiro, cujo resultado possível é a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas, é legítima a apreensão e retenção destas. Precedentes. Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10074.001820/200874 Acórdão n.º 3202000.419 S3C2T2 Fl. 146 15 2. Recurso especial a que se nega provimento.” (REsp 1141785/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/03/2010, DJe 10/03/2010) Ante o exposto, NÃO ACOLHO a preliminar de cerceamento do direito de defesa por suposta prova emprestada e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, mantendose a decisão da DRJ por seus próprios fundamentos. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN
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