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Numero do processo: 10140.722386/2013-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o recorrente seja intimado a apresentar laudo oficial com data do início da moléstia grave, ou na falta deste, documentos complementares que comprovem de forma indubitável a data do início da moléstia grave.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora e Presidente em Exercício.
EDITADO EM: 07/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Andrea Brose Adolfo.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente HAROLDO SAMPAIO RIBEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o recorrente seja intimado a apresentar laudo oficial com data do início da moléstia grave, ou na falta deste, documentos complementares que comprovem de forma indubitável a data do início da moléstia grave. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora e Presidente em Exercício. EDITADO EM: 07/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Andrea Brose Adolfo. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1267.082, da 18ª Turma da DRJ/RJ1 que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito lançado, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 22 38 6/ 20 13 -9 6 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10140.722386/201396 Resolução nº 2301000.659 S2C3T1 Fl. 3 2 Procede a omissão de rendimentos lançada pela autoridade fiscal uma vez que consta dos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil Dirf, em favor da contribuinte, devidamente encaminhada pela fonte pagadora, discriminando rendimentos auferidos pela interessada que corrobora a infração supracitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE AÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Ademais, há que se observar o que determina o Código Civil atual, em seu artigo 1767, uma vez que o portador de alienação mental se torna incapaz para os atos da vida civil. DECLARAÇÃO DE AJUSTE RETIFICADORA. A declaração de ajuste retificadora entregue espontaneamente tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindoa integralmente, conforme preconiza o inciso I do artigo 54 da IN SRF nº 15/2001. TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido de 1º de janeiro a 20 de dezembro de 2010, poderão ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da Declaração de Ajuste Anual DAA, mediante opção do contribuinte pela forma de tributação. Na ausência de opção, aplicase a regra geral, da tributação na fonte e na Declaração de Ajuste Anual. CITAÇÕES DOUTRINÁRIAS NA IMPUGNAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações mediante juízos subjetivos, uma vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Transcrevo excertos do relatório do acórdão recorrido: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10140.722386/201396 Resolução nº 2301000.659 S2C3T1 Fl. 4 3 Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.40/44, relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, ano calendário 2010, para cobrança do crédito tributário de R$ 37.807,24. O lançamento é decorrente das seguintes infrações: omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo das seguintes fontes pagadoras: 1. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no valor de R$ 167.795,22; 2. Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no montante de R$ 131.609,90; omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal de R$ 54.419,21 (IRRF de R$ 1.632,57). O enquadramento legal encontrase às fls. 41,42 e 44. Inconformado, o interessado ingressou com a peça defensória de fls.02/09, argumentando que: 1.quanto à omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício relativa ao CNPJ nº 00.396.895/006085 (no valor de R$ 167.795,22) o interessado assevera que os rendimentos são isentos por se tratar de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave e que não foram consideradas as despesas médicas; 2.quanto à omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício relativa ao CNPJ nº 15.461.510/000133 (no montante de R$ 131.609,90) o autuado alega que não houve omissão pois foi recebido dessa fonte pagadora apenas o valor declarado; 3.com relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na justiça federal ( R$ 54.419,21) o contribuinte argúi que: 3.1.os rendimentos líquidos recebidos acumuladamente decorrentes do trabalho e os proventos de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anocalendário anteriores ao do recebimento, passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês; 3.2.dessa forma, do demonstrativo de apuração do imposto devido, página 4/5 da Notificação de Lançamento ( sic) deve ser excluído do cálculo o valor de R$ 54.419,21, assim como deve ser computado as despesas médicas de R$ 12.296,66, o que resultará no imposto restituído; 3.3.a autoridade fiscal deixou de se manifestar quanto à 2ª declaração retificadora, na qual entendeu que os proventos de aposentadoria foram indevidamente submetidos à tributação, quando pela sua condição de saúde, portador de doença grave, confirmada em Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10140.722386/201396 Resolução nº 2301000.659 S2C3T1 Fl. 5 4 02/01/2013, obteve Parecer da Junta Médica Oficial, em 25/03/2013 que assevera ser portador de moléstia grave ( alienação mental); 3.4. a ausência de Parecer da Junta Médica Oficial em data anterior à percepção dos rendimentos não é por si só suficiente para qualificar os proventos percebidos no ano de 2010 como rendimentos tributáveis; 3.5. há de prevalecer neste caso o princípios da razoabilidade e proporcionalidade e ao fazêlo, não está deixando de cumprir a lei, ou decretando sua inconstitucionalidade, e tampouco afastando de sua competência, mas no exercício dela, interpretando a norma dentro do sistema jurídico em que a mesma se insere; 3.6. recomenda a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e cita o comentário dos doutrinadores Neder e Lopes a respeito da matéria; 3.7. nesse sentido é que deve ser analisado e considerado os laudos médicos, que expressam a verdade material, qual seja que o interessado é portador de doença grave – alienação mental progressiva, diagnosticada em janeiro de 2008, pelo Dr. Renato Lima Ferraz; 3.8.esta verdade material não pode ser afastada sob nenhum pretexto, sob pena de prevalecer o formalismo excessivo que é rejeitado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa; 3.9.para corroborar seu entendimento cita ementa do Conselho de Recursos Fiscais (CARF); 3.10. requer, então: 3.10.1.o cancelamento da Notificação de Lançamento; 3.10.2.a revisão do lançamento na forma demonstrada na 2ª declaração de rendimento retificadora. A Turma de Primeira Instância reconheceu que os proventos percebidos pelo contribuinte são de aposentadoria. No entanto, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito de isenção à época do lançamento. Quanto aos Rendimentos Recebimentos Acumuladamente RRA, a turma entendeu que o contribuinte não fez a opção de tributação que lhe competia, não tendo como acatar os argumentos suscitados. Em seu recurso voluntário, o recorrente repisa os fundamentos da impugnação apresentada anteriormente. Em sessão de 13/04/2016, esta 1ª Turma decidiu por converter o julgamento em diligência para que o contribuinte fosse intimado a apresentar o LAUDO OFICIAL no qual conste a data do início da doença, nos termos da Resolução nº 2301000.607. Cumprida a diligência e esgotado o prazo concedido ao recorrente, este quedou se inerte. Em dezembro de 2016, o recorrente apresentou requerimento sustentando que a razão para o indeferimento da sua impugnação fora a data constante do laudo médico oficial, entretanto, sustenta que o STJ pacificou entendimento de que a isenção de que trata o art. 6º, Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10140.722386/201396 Resolução nº 2301000.659 S2C3T1 Fl. 6 5 inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, não exige a demonstração de contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação de recidiva da enfermidade, tendo em vista que a finalidade do benefício é aliviar os beneficiários dos encargos financeiros relativos ao acompanhamento médico e às medicações ministradas. Continua que, em decorrência dessa pacificação de entendimento pelo STJ, a PGFN baixou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 701/2016, que no seu item 2, diz textualmente: " Por força do art. 19, §§ 4º , 5º e 7º, da Lei nº 10.522, de 2003, com a redação conferida pela Lei nº 12.844, de 19 de junho de 2013, o presente parecer terá, ainda, o condão de vincular a Secretaria da REceita Federal do Brasil RFB, obrigandoa, inclusive, a rever de ofício os lançamentos já efetuados." Requer a revisão do lançamento que deu origem a exigência. É o relatório. O contribuinte alega ser portador de moléstia grave tipificada como alienação mental e por esta razão, isento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. A turma de primeira instância manteve o lançamento, pois embora tenha reconhecido que os proventos percebidos pelo contribuinte são de aposentadoria, entendeu que o Laudo Médico Pericial acostado (fl. 12), datado de 25/03/2013, não há indicação da data de início da doença, e considerou que o laudo médico particular juntado não pode ser acatado, pois não possui o condão de comprovar a existência de moléstia grave, em conformidade com a legislação de regência. Para o deferimento do benefício pleiteado, o artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu a concessão da isenção do IRPF nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço; e b) ser portador de moléstia prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Art. 1º O inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No tocante ao segundo requisito, Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10140.722386/201396 Resolução nº 2301000.659 S2C3T1 Fl. 7 6 a lei faz duas exigências: (i) que a moléstia da qual o contribuinte sofre seja uma daquelas previstas e (ii) que a comprovação seja feita por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município. Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle Assim sendo, cabe analisar se os documentos constantes dos autos são hábeis à comprovarem a condição do contribuinte, ou seja, se efetivamente os rendimentos percebidos são de aposentadoria, bem como a existência da moléstia alegada. No tocante ao primeiro requisito, verificase que a decisão a quo reconheceu que os proventos percebidos pelo contribuinte são de aposentadoria, conforme excertos abaixo transcritos: [...] no documento “Parecer da Junta Médica”, fls. 12, consta indicação de que o contribuinte é servidor aposentado. Ademais, tendo em vista que o Contribuinte nasceu em 1928 no ano de 2011, em questão, completava este 83 anos, sendo razoável concluirse que os proventos em análise referemse a proventos de aposentadoria. Dessa forma, passase a análise do segundo requisito, qual seja, se o contribuinte é portador de moléstia grave, atestada através de Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Foi apresentado pelo contribuinte na impugnação, Laudo Médico (fl. 12), assinado por Peritos do GPM/NE/MS, no qual consta informação de que o contribuinte é portador no "momento" de Alienação Mental, cujo laudo está datado de 25/03/2013. Em fls. 11, consta Laudo emitido pelo profissional Renato Lima Ferraz, no qual é informado que o contribuinte é paciente desde 02 de janeiro de 2008, vítima de Alzheimer CID G30.0. Ocorre que, embora o Laudo Médico Oficial de fl. 12 ateste que o contribuinte é portador de moléstia grave tipificada como alienação mental, a qual se insere nas doenças descritas no art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, com redação dada pelo art. 47 da Lei 8.541/92, que passou a vigorar com a nova redação dada pelo art. 1º da Lei 11.052/04, verifica se que o referido laudo não indica a data de início da doença, atestando apenas que no momento da emissão do mesmo (25/03/2013) o paciente era acometido de alienação mental. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10140.722386/201396 Resolução nº 2301000.659 S2C3T1 Fl. 8 7 No entanto, em que pese os documentos supracitados, não consta nos autos Laudo Oficial que ateste a data de início da doença e, mesmo com a diligência solicitada não houve a apresentação do laudo oficial com data do início da doença. Entretanto, tendo em vista que o recorrente não juntou laudo oficial com a data da início da moléstia grave, mas laudo emitido por médico privado, e com base no conjunto probatório, há indícios de verossimilhança das alegações do contribuinte, entendo que deva ser oportunizado ao contribuinte a possibilidade de juntada de documentos que apontem, de forma inconteste a data do início da enfermidade. Com relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, apesar de reconhecida que decorrente de ação judicial, não resta comprovado a natureza das verbas recebidas, tampouco sua composição e período a que correspondem. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que o recorrente seja intimado a: a) com relação à moléstia grave: apresentar laudo oficial com data do início da moléstia grave, ou na falta deste, documentos complementares que comprovem de forma indubitável a data do início da moléstia grave; e b) com relação aos rendimentos recebidos acumuladamente: apresentar documentação comprobatória da natureza das verbas recebidas decorrente da ação judicial e da composição desses valores, demonstrando também o período de verbas recebidas acumuladamente. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13836.000462/98-51
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2003
Ementa: FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE
RECOLHIMENTOS DA CONTRlBUIÇÃO.
O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, há de se contar da data da Medida Provisória n° 1.110, de 30/08/95.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE
Não havendo análise do pedido de restituição/compensação, anula-se a decisão de primeira instância. devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de
jurisdição.
Numero da decisão: 303-31.059
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência e declarar a nulidade do processo a partir da decisão de Primeira Instância, inclusive, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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DRJ/CAMPINAS/SP FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA CONTRlBUIÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, há de se contar da data da Medida Provisória n° 1.110, de 30108/95. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE Não havendo análise do pedido de restituição/compensação, anula-se a decisão de primeira instância. devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência e declarar a nulidade do processo a partir da decisão de Primeira Instância, inclusive, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto. IRINEU BIANCHI Relator J m 06 de novembro de 2003 ACOSTA ~'o> .. !Z- Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS, PAULO DE ASSIS, NILTON LUIZ BARTOLI e NANCI GAMA (Suplente). Ausente o Conselheiro FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. Ime MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO NO ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR 126.396 303-31.059 GM GERALDO MONTAVANI ENGENHARIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. DRJ/CAMPINAS/SP IRINEU BIANCHI RELATÓRIO O relatório da decisão recorrida é o seguinte: "Trata o presente processo de pedido de restituição/compensação, apresentado em 09 de outubro de 1998, da Contribuição para o Fundo de Investimento Social - Finsocial, relativa à parcela recolhida acima da alíquota de 0,5% (meio por cento), no período de apuração de setembro de 1989 a março de 1992, assim como do Imposto de renda sobre o Lucro Líquido (lLL), relativo ao exerCÍcio de 1990, e do Programa de Integração Social - PIS, referente ao período de apuração de julho de 1988 a junho de 1995 (fls. 45/136). A autoridade fiscal indeferiu o pedido (fls. 155/157), sob a alegação de que o direito do contribuinte pleitear a restituição ou compensação do indébito estaria decaído, pois o prazo para repetição de indébito relativo a tributo ou contribuição pagos com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no exerCÍcio do controle difuso de constitucionalidade das leis, seria de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, nos termos do disposto no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999. Cientificada da decisão em 10 de abril de 2000, a contribuinte impugnou o despacho decisório em 05/05/2000 (fls. 160/167), alegando, em síntese e fundamentalmente, que: - a extinção do crédito tributário opera-se com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de 10 (dez) anos: 05 para a homologação tácita e mais 05 para o exerCÍcio do direito à restituÍção de recolhimento indevido, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. - na verdade, para os casos de tributos declarados Ínconstitucionais, o prazo de cinco anos para a repetição do indébit .nicia-se quando ele se tomou indevido, pela declaração de . cons 'tucionalidade, pela edição de Resolução do Senado Fed ralou to do Poder Executivo ou Legislativo, dispensando a nstituiçã do crédito tributário. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.396 303-31.059 O Supremo Tribunal Federal já pacificou o entendimento nesse sentido, conforme se verifica pela decisão no RE 140.284-3. Citando decisões favoráveis a seu entendimento, requer a improcedência do despacho que determinou o indeferimento do pedido de restituição, restabelecendo seu legítimo díreito à restituição dos valores pagos a maior a titulo de Finsocial, Imposto sobre o Lucro Líquido e PIS." Remetidos os autos à DRJ/CPS/SP, seguiu-se a decisão colegiada de fls. 177/188, da 5" Turma Julgadora, que por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, pela extinção do direito à restituição, dos recolhimentos efetuados anteriormente ao prazo de cinco anos contados do pedido e pela inexistência de indébito tributário quanto ao ILL e ao PIS, estando o Acórdão assim ementado: RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. FINSOCIAL. ILL E PIS. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, em virtude de posterior declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no controle difuso, cxtingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Cabível a restituição da parcela cujo pedido de restituição foi exercido tempestivamente. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. O crédito tributário é extinto pelo pagamento, não influenciando, na contagem do prazo para pleitear a repetição do indébito, o fato de a extinção ter sido sob condição resolutória. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. SOCIEDADE POR COTAS. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal, em interpretação conforme a Constituição, declarou que somente ocorre inconstitucionalidade, na exigência do imposto sobre o lucro líquido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, quando o contrato social for omisso quanto à distribuição dos lucros, ou prever, independentemente da manifestação dos sócios, destinação dos lucros outra que não a sua distribuição, por não caracterizar a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro apurado. PIS. BASE DE CÁLCULO. PRAZO DE RECOLHIMENTO. O art. 6° da Lei Complementar 7, de 1970, veicula rma sobre prazo de recolhimento e não regra especial sobre base e c culo retroativa da referida contribuição ao PIS, confonne Parec PGFN/CAT/n° 1538/99, aprovado pelo Ministro da Fazend 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA- TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° : 126.396 _____ ACÓRDÃO_N_o__ :_303-3L059 _ Cientificada da decisão (fls. 190), tempestiv interpôs o Recurso Voluntário de fls. 191/212, tomando a argui impugnação. É o relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° recurso. 126.396 303-31-.059 VOTO Estando presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do A decisão guerreada afastou a pretensão do contribuinte, sob o entendimento de que o direito para pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extingue-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, considerada esta como sendo a data do efetivo pagamento. Primeiramente há que se estabelecer o marco inicial para a contagem do prazo de que dispõe o contribuinte para pedir a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior. Segundo a letra fria da lei (CTN, art. 168, 1, c/c art. 165, I), o direito de pleitear a restituição de tributo indevido ou pago a maior, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário (grifei). A corrente jurisprudencial dominante nos tribunais superiores fixou- se no sentido de que a extinção do crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, podendo ser sintetizada na seguinte ementa: À luz do CTN esta Corte desenvolveu entendimento no sentido de computar a partir do fato gerador, prazo decadencial de cinco anos e, após, mesmo não se sabendo qual a data da homologação do lançamento, se este não ultrapassou o quinqüidio, computar mais cinco anos (STJ, AgRg-Resp. 251.831/GO, 2a T. Rela Min. ELIANA CALMON, DJU 18/02/2002). Para corroborar o entendimento, observe-se que na data de 29 de julho do corrente ano, o Poder Executivo encaminhou ao Congresso Nacional, em caráter de urgência, o Projeto de Lei Complementar n° 73, cujo artigo 3° diz: Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nO5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o ~ IOdo art. 150. Ora, a introdução no CTN de dispo sitiv leg I dotado de mero caráter interpretativo, representa o reconhecimento inequi oco p r parte do Poder 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.396 303-31.059 Executivo da linha de entendimento majoritário dos tribunais superiores, pretendendo justamente com a alteração legal emprestar-lhe entendimento contrário. Então, à primeira vista e em condições normais, o direito de pleitear a restituição inicia-se na data do pagamento do crédito tributário e estende-se por 10 (dez) anos. No entanto, o próprio STJ tem entendido que, nos casos em que houver declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, o dies a quo do prazo prescricional da ação de restituição de indébito não está prevista no CTN. Criou-se, então, corrente jurisprudencial segundo a qual o início do prazo prescricional de 5 (cinco) anos é a declaração de inconstitucionalidade na via incídental, que no meu entender não se aplica aos pedidos de restituição nas vias administrativas. É o caso dos autos. Ocorreu a declaração de inconstitucionalidade do Finsocial pago a maior em relação ao aumento de alíquotas, veiculada pela Lei n° 7.689/88, declarada inconstitucional pelo STF, consoante o Acórdão RE nO150.7864- lIPE, DJU de 02/04/93. Tal circunstância por si só não modificou o entendimento jurisprudencial supra, segundo o qual o prazo se alarga por 10 (dez) anos, uma vez que não houve a expedição de Resolução pelo Senado Federal. É cediço que toda lei traz como pressuposto elementar a sua conformidade com a Lei Maior. Os tributos assim exigidos não podem ser rotulados de indevidos ou pagos a maior, e enquanto a lei não for retirada do mundo jurídico, não pode o contribuinte eximir-se da obrígação de que é destinatário. Desta maneira, não se pode considerar inerte o contribuinte que, em razão da presunção de constitucionalídade da lei, obedeceu aos seus ditames, já que a inércia é elemento indispensável para a configuração do instituto da prescrição. Tanto isto é verdade que o direito à restituição da parte que litigou com a União Federal no processo que originou o RE n° 150.764-I/PE, nasceu apenas a partir do julgamento do mencionado recurso, enquanto que os demais contribuintes não foram alcançados pelos efeitos erga anUles daquela decisão. Embora o Pretório Excelso tenha cumprido o rítual estabelecido pela Carta Magna, comunicando o julgamento ao Senado Federal, este demitiu-se do seu dever constitucional, deixando de expedir a competente Resolução para extirpar do mundo jurídico a norma inquinada de inconstitucional. Os argumentos do relator da matéria, Senador contra a independência dos Poderes, porquanto, o que qualifica 6 -- MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRlBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃOW 126.396 303-31.059 resultado obtido na votação (que in casu deu-se por seis votos contra cinco) mas o que se decidiu. Seria o mesmo que o STF retirar do mundo juridico uma lei que fosse aprovada no Congresso Nacional por maioria simples. Assim sendo, o prazo para pleitear a restituição, ao menos na via administrativa, continuou sendo de 5 (cinco) anos a contar da homologação - expressa ou tácita - do tributo pago de forma antecipada, consoante o entendimento jurisprudencial suso referido. Com o advento da Medida Provisória n° 1.110, publicada no O.O.U. de 31 de agosto de 1995, a exigência do Finsocial em percentual superior a 0,5% tomou-se indevida, já que o Poder Executivo admitiu a inconstitucionalidade daquela norma, explicitando na respectiva mensagem ao Congresso Nacional, verbis: Cuida, também, o projeto, no art. 17, do cancelamento de débitos de pequeno valor ou cuja cobrança tenha sido considerada inconstitucional por reiteradas manifestações do Poder Judiciário, inclusive decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, em suas respectivas áreas de competência. Em sendo assim, o tributo indevido ou pago a maior a que alude o art. 165, I, do CTN, passou a ser assim considerado a partir da publicação da MP 1.110/95. Logo, somente a partir desse momento é que nasceu efetivamente o direito dos contribuintes postularem perante a Administração Tributária a restituição dos valores recolhidos a maior. De outra parte, se é certo que a MP em questão não refere a hipótese de restituição de tributos, também é certo que desde a Medida Provisória n° 1.621-36, de 10 de junho de 1998, bem assim suas sucessivas reedições, até o advento da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, ficou estabelecido que o disposto no caput não implica em restituição ex officio de quantia paga. Ademais, o art. 27, da citada Lei n° 10.522, diz que "não cabe recurso de oficio das decisões prolatadas, pela autoridade fiscal da jurisdição do sujeito passivo. em processos relativos a restituição de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal e a ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados ". Ora, se a Lei diz expressamente que o que nela se dispõe não implica em restituição ex officio, e se não comporta recu o e oficio acerca das decisões prolatadas em processos relativos à restituição d impos os e contribuições administrados pela SRF, segue-se que a restituição pleite da na vi administrativa é de todo pertinente. ~ . 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.396 303-31.059 Outrossim, o marco inicial para o prazo de restituição fixado a partir da MP 1.110/95, teve respaldo oficial através do Parecer Cosit n° 58, de 27 de outubro de 1998. Analisando dito Parecer, fica claro que tal ato abordou o assunto de fonna a não deixar dúvidas, razão pela qual transcrevo o seu inteiro teor, adotando-o como fundamentos do presente voto: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: RESOLUÇÃO DO SENADO. EFEITOS. A Rcsolução do Senado que suspende a eficácia de lei declarada inconstitucional pelo STF tem efeitos ex tunc. TRIBUTO PAGO COM BASE EM LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. RESTITUiÇÃO. HIPÓTESES. Os delegados e inspetores da Receita Federal estão autorizados a restituir tributo que foi pago com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, em ações incidentais, para terceiros não- participantes da ação - como regra geral - apenas após a publicação da Resolução do Senado que suspenda a execução da lei. Excepcionalmente, a autorização pode ocorrer em momento anterior, desde que seja editada lei ou ato específico do Secretário da Receita Federal que estenda os efeitos da declaração de inconstitucionalidade a todos. RESTITUiÇÃO. DECADÊNCIA. Somente são passiveis de restituição os valores recolhidos indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de 5 (cinco anos), contado a partir da data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. Dispositivos Legais: Decreto nO 2.346/1997, art. 1°; Medida Provisória nO 1.699-40/1998, art. 18, S 2°; Lei nO 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), art. 168. RELATÓRIO As projeções do Sistema de Tributação formulam consulta sobre restituição/compensação de tributo pago em virtude de lei declarada inconstitucional, com os seguintes questionamentos: a) Com a edição do Decreto nO2.346/1997, a ecretaria da Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda NaçlOn I passam a admitir eficácia ex tunc às decisões do Supre 'o Tri unal Federal que 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° - ACÓRDÃO N° 126.396 :-303-31.059 declaram a inconstitucionalidade de lei ou ato nonnativo, seja na via direta, seja na via de exceção? b) Nesta hipótese, estariam os delegados e inspetores da Receita Federal autorizados a restituir tributo cobrado com base em lei declarada inconstitucional pelo STF? c) Se possível restituir as importâncias pagas, qual o termo inicial para a contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 168 do CTN: a data do pagamento efetuado ou a data da interpretação judicial? d) Os valores pagos à titulo de Finsocial, pelas empresas vendedoras de mercadorias e mistas no que excederam à 0,5% (meio por cento), com fundamento na Lei n° 7.689/1988, art. 9° e conforme Leis nOs 7.787/1989 e 8.147/1990, acrescidos do adicional de O, I% (zero vírgula um por cento) sobre os fatos geradores relatívos ao exercício de 1988, nos termos do Decreto- lei 2.397/1987, art. 22, podem ser restituídos a pedido dos interessados, de acordo com o disposto na Medida Provisória n° 1.621-36/1988, art. 18, g 2°? Em caso afirmativo, qual o prazo decadencial para o pedido de restituição? e) Na ação judicial o contribuinte não cumula pedido de restituição, sendo a mesma restrita ao pedido de declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-leis nOs 2.445/1988 e 2.449/1988 e do direito ao pagamento do PIS pela Lei Complementar n° 7/1970. Para que seja afastada a decadência, deve o autor cumular com a ação o pedido de restituição do indébito? t) Considerando a IN SRF nO 21/1997, art. 17, g 1°, com as alterações da IN SRF nO73/1997, que admite a desistência da execução de título judicial, perante o Poder Judiciário, para pleitear a restituição/compensação na esfera administrativa, qual deve ser o prazo decadencial (cinco ou dez anos) e o termo inicial para a contagem desse prazo (o ajuizamento da ação ou da data do pedido na via administrativa)? Há que se falar em prazo prescricional ("prazo para pedir")? O ato de desistência, por parte do contribuinte, não implicaria, expressamente, renúncia de direito já conquistado pelo autor, vez que o CTN não prevê a data do ajuizamento da aç-o ra contagem do prazo decadencial, o que justificaria o auto a pr seguir na execução, por ser mais vantajoso? 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.396 '_ 303-31.059 FUNDAMENTOS LEGAIS 2. A Constituição de 1988 finnou no Brasil o sistema jurisdicional de constitucionalidadc pclos métodos do controle concentrado e do controle difuso. 3. O controle concentrado, que ocorre quando um único órgão judicial, no caso o STF, é competente para decidir sobre a inconstitucionalidade, é exercitado pela ação direta de inconstitucionalidade ADIn e pela ação declaratória de constitucionalidade, onde o autor propõe demanda judicial tendo como núcleo a própria inconstitucionalidade ou constitucionalidade da lei, e não um caso concreto. 4. O controle difuso - também conhecido por via de exceção, controle indireto, controle em concreto ou controle incidental (incidenter tantum) - ocorre quando vários ou todos os órgãos judiciais são competentes para declarar a inconstitucionalidade de lei ou norma. 4. I Esse controle se exerce por via de exceção, quando o autor ou réu em uma ação provoca incidentalmente, ou seja, paralelamente à discussão principal, o debate sobre a inconstitucionalidade da nonna, querendo, com isso, fazer prevalecer a sua tese. 5. Com relação aos efeitos das declarações de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade, no caso de controle concentrado, segundo a doutrina e a jurisprudência do STF, no plano pessoal, gera efeitos contra todos (erga omnes); no plano temporal, efeitos ex tune (efeitos retroativos, ou seja, desde a entrada em vigor da norma); e, administrativamente, têm efeito vinculante. 5.1 Os efeitos da ADIn se estendem além das partes em litigio, pois o que se está analisando é a lei em si mesma, desvinculada de um caso concreto. Tal declaração atinge, portanto, a todos os que estejam implicados na sua objetividade. 5.2 Nesse sentido, quando o STF conhecer da Ação de Inconstitucionalidade pela via da ação direta, prescinde-se da comunicação ao Senado Federal para que este suspenda a execução da lei ou do ato normativo inquinado de inconstitucionalidade (Regimento Interno do STF, arts. 169 a 178). 6. Passando a analisar os declaração de inconstitucionalidade no controle difuso, deve ser consideradas duas possibilidades, posto que, no tocan e ao ca o concreto, à lide 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.396 303-31.059- em si, os efeitos da declaração estendem-se, no plano pessoal, apenas aos interessados no processo, vale dizer, têm efeitos interpartes; em sua dimensão temporal, para essas mesmas partes, teria efeito ex /W1C. 6.1 No que diz respeito a terceiros não-participantes da lide, tais efeitos somente seriam os mesmos depois da intervenção do Senado Federal, porquanto a lei ou o ato continuariam a viger, ainda que já pronunciada a sentença de inconformidade com a Constituição. É o que se depreende do art. 52 da Carta Magna, verbis: Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: x - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; 7. Vale dizer, os efeitos da declaração de inconstitucionalidade obtida pelo controle difuso somente alcançam terceiros, não- participantes da lide, se for suspensa a execução da lei por Resolução baixada pelo Senado Federal. 7.1 Nesse sentido, manifesta-se o eminente constitucionalista Josê Afonso da Silva: " ... A declaração de inconstitucionalidade, na via indireta, não anula a lei nem a revoga: teoricamente, a lei continua em vigor, eficaz e aplicável, até que o Senado Federal suspenda sua executoriedade nos termos do artigo 52, X; .." 8. Quanto aos efeitos, no plano temporal, ainda com relação ao controle difuso, a doutrina não é pacífica, entendendo alguns que seriam ex /UIlC (como Celso Bastos, Gilmar Ferreira Mendes) enquanto outros (como José Afonso da Silva) defendem a teoria de que os efeitos seriam ex IlW1C (impediriam a continuidade dos atos para o futuro, mas não desconstituiria, por si só, os atos juridicos perfeitos e acabados e as situações definitivamente constituidas). 9. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, apoiada na mais autorizada doutrina, conforme o Parecer PGFN nO1.185/1995, tinha, na hipótese de controle difuso, posição defini no sentido de que a Resolução do Senado Federal que declarafse a in onstitucionalidade de lei seria dotada de efeitos ex IlIlIlC. 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃON~ 126.396 303-31.059 9.1 Contudo, por força do Decreto nO 2.346/1997, aquele órgão passou a adotar entendimento diverso, manifestado no Parecer PGFN/CAT/no 437/1998. 10. Dispõe o art. I° do Decreto nO2.346/1997: Art. I° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequivoca e definitiva interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta ou indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. ~ 1" Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão dotada de eficácia "ex tunc", produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. ~ 2" O dispositivo no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ato nonnativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. 11. O citado Parecer PGFN/CAT/nQ 437/1998 tomou sem efeito o Parecer PGFN n" 1.185/1995, conclui do que "o Decreto n" 2.346/1997 impôs, com força vinculante para a Administração Pública Federal, o efeito ex tune ao ato do Senado Federal que suspenda a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo STF". 11.1 Em outras palavras, no controle de constitucionalidadc difuso, com a publicação do Decreto nO2.346/1997, os efeitos da Resolução do Senado foram equiparados aos da ADln. 12. Conseqüentemente, a resposta à primeira questão é afirmativa: os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, seja por via de controle concentrado, seja por via de controle difuso, são retroativos, ressaltando-se que, pelo controle difuso, somente produzirá esses efeitos, em relação a terceiros, após a suspensão pelo Senado da lei ou do ato normativo declarado inconstitucional. 12.1 Excepcionalmente, o Decreto prevê, em seu art. 4", que o Secretário da Receita Federal e o Procurador aI da Fazenda Nacional possam adotar, no ãmbito de suas co petê cias, decisões 12 MINISTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.396 303-31.059 definitivas do STF que declarem a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato nonnativo que teriam, assim, os mesmos efeitos da Resolução do Senado. 13. Com relação à segunda questão, a resposta é que nem sempre os delegados/inspetores da Receita Federal podem autorizar a restituição de tributo cobrado com base em lei declarada inconstitucional pelo STF. Isto porque, no caso de contribuintes que não foram partes nos processos que ensejaram a declaração de inconstitucionalidade - no caso de controle difuso, evidentemente - para se configurar o indébito, é mister que o tributo ou contribuição tenha sido pago com base em lei ou ato nonnativo declarado inconstitucional com efeitos erga omnes, o que, já demonstrado, só ocorre após a publicação da Resolução do Senado ou na hipótese prevista no art. 4° do Decreto nO2.346/1997. 14. Esta é a regra geral a ser observada, havendo, contudo, uma exceção à ela, determinada pela Medida Provisória nO 1.699- 40/1998, art. 18 ~ 2° , que dispõe: Art. 18 - Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: ~ 2° O disposto neste artigo não implicará restituição "ex officio" de quantias pagas. 15. O citado artigo consta da MP que dispõe sobre o CADIN desde a sua primeira edição, em 30/08/95 (MP nO1.110/1995, art. 17), tendo havido, desde então, três alterações em sua redação. 15.1 Duas das alterações incluíram os incisos VIII (MP nO1.244, de 14/12/95) e IX (MP nO1.490-15, de 31/10/96) entre as hipóteses de que trata o capul. 16. A terceira alteração, ocorrida em 10/06/1998 (MP nO1.621-36), acrescentou ao ~ 2° a expressão "ex officio". Essa mudança, numa primeira leitura, poderia levar ao entendimento de que, só a partir de então, poderia ser procedida a restituição, uando requerida pelo contribuinte; antes disso, o interessado que e ntisse prejudicado teria que ingressar com uma ação de repetição d indébito junto ao Poder Judiciário. 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N°-- 126.396 303-31.059 16.1 Salienta-se que, nos termos da Lei n" 4.657/1942 (Lei de Introdução ao Código Civil), art. I", ~ 4", as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 17. Entretanto, confonne consta da Exposição de Motivos que acompanhou a proposta de alteração, o disposto no ~ 2" "consiste em norma a ser observada pela Administração Tributaria, pois esta não pode proceder ex ojJicio, até por impossibilidade material e insuficiência de informações, eventual restituição devida". O acréscimo da expressão ex ojJicio visou, portanto, tão-somente, dar mais clareza e precisão à norma, pois os contribuintes já faziam jus à restituição antes disso; não criou fato novo, situação nova, razão pela qual não há que se falar em lei nova. 18. Logo, os delegados/inspetores da Receita Federal também estão autorizados a proceder á restituição/compensação nos casos expressamente previstos na MP n" 1.699/1998. art. 18, antes mesmo que fosse incluída a expressão "ex ojJicio" ao ~ 2". 19. Com relação ao questionamento da compensação/restituição do Finsocial recolhido com alíquotas majoradas acima de 0,5% (meio por cento) - e que foram declaradas inconstitucionais pelo STF em diversos recursos - como as decisões do STF são decorrentes de incidentes de inconstitucionalidade via recurso ordinário, cujos dispositivos, por não terem a sua aplicação suspensa pelo Senado Federal, produzem efeitos apenas entre as partes envolvidas no processo (a União e o contribuinte que ajuizou a ação), não haveria, a princípio, que se cogitar de indébito tributário neste caso. 19.1 Contudo, conforme já esposado, esta é uma das hipóteses em que a MP n" 1.699-40/1998 permite, expressamente, a restituição (art. 18, inciso Ill), razão pela qual os delegados/inspetores estão autorizados a procede-Ia. 19.2 O mesmo raciocínio vale para a compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela SRF, devendo ser salientado que o interessado deve, necessariamente, pleiteá-Ia administrativamente, mediante requerimento (IN SRF n" 21/1997, art. 12), inclusive quando se tratar de compensação Finsocial x Cofins (o ADN COSIT n" 15/1994 definiu que essas contribuições não são da mesma espécie). 20. Ainda com relação à compensação F" Secretário da Receita Federal, com a edição ôa [ art. 2", havia decidido, verbis: 14 cial x Cofins, o SRF n" 32/1997, MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N°---------- 126.396 303-31.059 ----- Art. 2' - Convalidar a compensação efetiva pelo contribuinte, com a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, devida c não recolhida, dos valores da contribuição ao Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, recolhidos pelas empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 9' da Lei n' 7.689, de 15 de dezembro de 1988, na alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme as Leis n" 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decreto-lei n' 2.397, de 21 de dezembro de 1987. 20.1 O disposto acima encontra amparo legal na Lei n' 9.430/1996, art. 77, e no Decreto n' 2.194/1997, !i I' (o Decreto n' 2.346/1997, que revogou o Decreto n' 2.194/1997, manteve, em seu art. 4', a competência do Secretário da Receita Federal para autorizar a citada compensação). 21. Ocorre que a IN SRF n' 32/1997 convalidou as compensações efetivas pelo contribuinte do Finsocial com a Cofins, que tivessem sido realizadas até aquela data. Tratou-se de ato isolado, com fim específico. Assim, a partir da edição da IN, como já dito, a compensação só pode ser procedida a requerimento do interessado, com base na MP n' 1.699-40/1998. 22. Passa-se a analisar a terceira questão proposta. O art. 168 do CTN estabelece prazo de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear a restituição de pagamento indevido ou maior que o devido, contados da data da extinção do crédito tributário. 23. Como bem coloca Paulo de Barros Carvalho, "a decadência ou caducidade é tida como o fato juridico que faz perecer um direito pelo seu não exercício durante certo lapso de tempo" (Curso de Direito Tributário, 7' ed., 1995, p.3II). 24. Há de se concordar, portanto, com o mestre Aliomar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, 10' ed., Forense, Rio, p. 570), que entende que o prazo de que trata o art. 168 do CTN é de decadência. 25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável; que, no caso, o crédito (restituição) seja exigivel. Assim, antes de a lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, po presunção, era a lei constitucional e os pagamentos efetuados e etiva ente devidos. 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIIlUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° 126.396 ACÓRDÃO N° - - :- 303-31.059 26. Logo, para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o inicio da decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos erga omnes, que, conforme já dito no item 12, ocorre apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a edição de ato específico da Secretária da Receita Federal (hipótese do Decreto nO2.346/1 997, art. 4°). 26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade da lei por meio de ADln, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do STF. 27. Com relação às hipóteses previstas na MP nO1.699-40/1998, art. 18, o prazo para que o contribuinte não- participante da ação possa pleitear a restituição/compensação se iniciou com a data da publicação: a) da Resolução do Senado nO11/1995, para o caso do inciso 1; b) da MP nO1.110/1995, para os casos dos incisos II a VII; c) da Resolução do Senado nO49/1995, para o caso do inciso VIII; d) da MP nO1.490-15/1996, para o caso do inciso IX. 28. Tal conclusão leva, de imediato, à resposta à quinta pergunta. Havendo pedido administrativo de restituição do PIS, fundamentando em decisão judicial específica, que reconhece a inconstitucionalidade dos Decretos-leis n" 2.445/1988 e 2.44/1 988 e declara o direito do contribuinte de recolher esse contribuição com base na Lei Complementar nO7/1970, o pedido deve ser deferido, pois desde a publicação da Resolução do Senado nº 49/1995 o contribuinte - mesmo aquele que não tenha cumulado à ação o respectivo pedido de restituição - tem esse direito garantido. 29. Com relação ao prazo para solicitar a restituição do Finsocial, o Decreto nO92.698/1986, art. 122, estabeleceu o prazo de 10 (dez) anos, confonne se verificar em seu texto: Art. 122. O direito de pleitear a restituição da contribuição extingue-se com o decurso do prazo de dez anos, contados (Decreto-lei nº 2.049/83. art. 9º). I - da data do pagamento ou recolhiment =_--16= MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.396 303-31.059 11- da data em que se tomar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que haja reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." 30. Inobstante o fato de os decretos terem força vinculante para a administração, conforme assinalado no propalado Parecer PGFN/CA TinO 437/1998, o dispositivo acima não foi recepcionado pelo novo ordenamento constitucional, razão pela qual o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de contribuição ao Finsocial é o mesmo que vale para os demais tributos e contribuições administrados pelo SRF, ou seja, 5 (cinco) anos (CTN, art. 168), contado da forma antes determinada. 30.1 Em adiantamento, salientou-se que, no caso da Cofins, o prazo de cinco anos consta expressamente do Decreto nº 2.173/1997, art.78 (este Decreto revogou o Decreto nO612/1992, que, entretanto, estabelecia idêntico prazo). 31. Finalmente a questão acerca da IN SRF nO21/1997, art. 17, com as alterações da IN SRF nO73/1997. Neste caso, não há que se falar em decadência ou prescrição, tendo em vista que a desistência do interessado só ocorreria na fase de execução do título judicial. O direito à restituição já teria sido reconhecido (decisão transitada em julgado), não cabendo à administração a análise do pleito de restituição, mas, tão-somente, efetuar o pagamento. 31.1 Com relação ao fato da não-desistência da execução do título judicial ser mais ou menos vantajosa para o autor, trata-se de juízo a ser firmado por ele, tendo em vista que a desistência é de caráter facultativo. Afinal, o pedido na esfera administrativa pode ser medida interessante para alguns, no sentido de que pode acelerar o recebimento de valores que, de outra sorte, necessitariam seguir trâmite, em geral, mais demorado (emissão de precatório). CONCLUSÃO 32. Em face do exposto, conclui-se, em resumo que: a) As decisões do STF que declaram a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, seja na via direta, seja na via de exceção, têm eficácia ex (une; b) os delegados e ínspetores da Receita Federal]J em autorizar a restituição de tributo cobrado com base em ei declarada inconstitucional pelo STF, desde que a d laração de 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° - ACÓRDÃO N° 126.396 - : -303-31.059 inconstitucionalidade tenha sido proferida na via direta; ou, se na via indireta: I. quando ocorrer a suspensão da execução da lei ou do ato nonnativo pelo Senado; ou 2. quando o Secretário da Receita Federal editar ato específico, no uso da autorização prevista no Decreto nO2.346/1997, art.4°; ou ainda, 3. nas hipóteses elencadas na MP nO1.699-40/1998, art. 18; c) quando da análise dos pedidos de restituição/compensação de tributos cobrados com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, deve ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN, seja no caso de controle concentrado (o termo inicial é a data do trânsito em julgado da decisão do STF), seja no do controle difuso (o termo inicial para o contribuinte que foi parte na relação processual é a data do trânsito em julgado da decisão judicial e, para terceiros não- participantes da lide, é a data da publicação da Resolução do Senado ou a data da publicação do ato do Secretário da Receita Federal, a que se refere o Decreto nO2.346/1997, art. 4°), bem assim nos casos permitidos pela MP nO1.699-40/1998, onde o termo inicial é a data da publicação: I. da Resolução do Senado nO11/1995, para o caso do inciso I; 2. da MP nO1.110/1995, para os casos dos incisos 11a VII; 3. da Resolução do Senado nO49/1995, para o caso do inciso VIll, 4. da MP nO1.490-15/1996, para o caso do inciso IX. d) os valores pagos indevidamente a título de Finsocial pelas empresas vendedoras de mercadorias e mistas - MP nO 1.699- 40/1998, art. 18, inciso III - podem ser objeto de pedido de restituição/compensação desde a edição da MP nO 1.110/1995, devendo ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco anos); e) os pedidos de restituição/compensação do PIS recolhido a maior com base nos Decretos-leis nos 2.445/1988 e 2.449/1988, fundamentados em decisão judicial especí , devem ser feitos dentro do prazo de 5 (cinco) anos, conta do da data de publicação da Resolução do Senado nO~ === -_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_18============ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N°-- 126.396 303-31.059 f) na hipótese da IN SRF nO 21/1997, art. 17, ~ 1°, com as alterações da IN SRF nO73/1997, não há que se falar em prazo decadencial ou prescricional, tendo em vista tratar-se de decisão já transitada em julgado, constituindo, apenas, uma prerrogativa do contribuinte, com vistas ao recebimento, em prazo mais ágil, de valor a que já tem direito (a desistência se dá na fase de execução do titulo judicial). Assim, o entendimento da administração tributária vazado no citado Parecer vigeu até a edição do Ato Declaratório SRF n° 096, de 26 de novembro de 1999, publicado em 30111/99, quando este pretendeu mudar o entendimento acerca da matéria, desta feita arrimado no Parecer PGFN nO 1.538/99. O referido Ato Declaratório dispôs que: I - o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168, I, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Sem embargo, o entendimento da administração tributária era aquele consubstanciado no Parecer COSIT nO58/98. Se debates podem ocorrer em relação à matéria, quanto aos pedidos formulados a partir da publicação do AD SRF n° 096, é indubitável que os pleitos formalizados até aquela data deverão ser solucionados de acordo com o entendimento do citado Parecer, pois quando do pedido de restituição este era o entendimento da administração. Até porque os processos protocolados antes de 30111/99 e julgados, seguiram a orientação do Parecer. Os que embora protocolados mas que não foram julgados haverão de seguir o mesmo entendimento, sob pena de se estabelecer tratamento desigual entre contribuintes em situação absolutamente igual. Entendo, outrossim, que mesmo após o advento do AD SRF 096/99, o inicio da contagem do prazo prescricional é da publicação da MP 1.110, uma vez que naquele diploma legal, expressamente, o Sr. Presidente da República admitiu que a exigência era inconstitucional, como adrede referido. Entendo ainda que não se aplica ao caso presente o disposto no art. 73 da lei 9.430/66, porquanto o ~ 3°, do art. 18, da lei de conversão da MP 1.110- (Lei n° 10.522) que lhe é posterior, dispõe sobre a restituição, vedando que a mesma se dê ex ojJicio e silenciando quanto às demais formas, enqu~n~: o art. 27 veda o recurso oficial das decisões administrativas que concedam a /estitu~_\O. 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° -ACÓRDÃO N° 126.396 303-31.059 Logo, interpretando o diploma legal de forma hannõnica, fica afastada a incidência do art. 73 retro mencionado, bcm como, fica evidenciada a possibilidade da restituição nas vias administrativas. Finalmente, as restrições apontadas no Parecer PGFN/CRJIN° 340112002, aprovado no Despacho do Exmo. Sr. Ministro da Fazenda, publicado no D.O.U. de 2 de janeiro de 2003, não podem obstar o reconhecimento do direito creditório do recorrente. Consta do Despacho do Sr. Ministro da Fazenda que: I) os pagamentos efetuados relativos a créditos tributários, e os depósitos convertidos em renda da União, em razão de decisões judiciais favoráveis à Fazenda transitadas em julgado, não são suscetíveis de restituição ou de compensação em decorrência de a norma vir a ser declarada inconstitucional em eventual julgamento, no controle difuso, em outras ações distintas de interesse de outros contribuintes; 2) a dispensa de constituição do crédito tributário ou a autorização para a sua desconstituição, se já constituido, previstas no art. 18 da Medida Provisória n. 2.176-79/2002, convertida na lei nO 10.522, de 19 de julho de 2002, somente alcançam a situação de créditos tributários que ainda não estivessem extintos pelo pagamento No item "I ", estão englobados os casos que são objetivados pelo Parecer, ou seja, onde houve o questionamento judicial e as decisões foram favoráveis à Fazenda Nacional, o que não é o caso dos presentes autos, vez que não há qualquer notícia de que a parte interessada pleiteou a restituição perante o Poder Judiciário, sem sucesso. Já o item "2" pretende dizer mais do que a própria Medida Provisória n° 1.110/95, que admitiu a inconstitucionalidade da exigência de que tratam os presentes autos. Há que se dizer também que as conclusões do Parecer em comento, na parte que restringe o direito à restituição fora dos casos já analisados pelo Poder Judiciário, encontram-se a descoberto de qualquer motivação, o que o toma inválido neste particular, porquanto a motivação é elemento obrigatório na constituição de qualquer Ato Administrativo. Fixada a data de 31 de agosto de 1995 como o termo inicial para a contagem do prazo para pleitear a restituição da contribuição paga indevidamente o termo final ocorreu em 30 de agosto de 2000. In caSll, o pedido ocorreu na data de 9 de outub dentro do prazo prescricional. _20=== 1998, logo, MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA ------RECURSO_N_O :_126.396 ACÓRDÃO N° : 303-31.0~5~9------------------- Entendo, assim, não estar o pleito da Recorrente fulminado pela decadência, de modo que afasto a preliminar levantada pela Turma Julgadora e anulo o processo a partir da decisão recorrida, inclusive, determinando que seja examinado o seu pedido, apurando-se a existência ou não dos alegados créditos, bem como, em se apurando a existência dos mesmos, se já foram utilizados pela contribuinte e/ou se foram objeto de anterior apreciação judicial. Sala das Sessões, em 06de novembro de 2003 Q~~~. ! lRINEU BlANCHI - Relator 21=================== 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021
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Numero do processo: 10980.720200/2013-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
ERRO CONSTATADO. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte comprovada a existência de erro ao preencher sua declaração, deve ser cancelada a exigência fiscal decorrente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte comprovada a existência de erro ao preencher sua declaração, deve ser cancelada a exigência fiscal decorrente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 02 00 /2 01 3- 72 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.720200/201372 Acórdão n.º 2202003.885 S2C2T2 Fl. 88 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10980.720200/201372, em face do acórdão nº 0639.748, julgado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, à fl. 37, lavrada em face do processamento da DIRPF retificadora do exercício de 2012, anocalendário de 2011, que exige R$ 3.316,09 de restituição indevida a devolver acrescida de juros até 12/2012. Cientificada em 20/12/2012 (fl. 39), a interessada apresentou, em 15/01/2013, a impugnação de fls. 02/03, instruída com os documentos de fls. 04/29, onde alega, em síntese que, apresentou declaração de ajuste tempestivamente e recebeu sua restituição, no valor de R$ 3.316,09, sem considerar o fato de ser portadora de moléstia grave. Em 2012, foi reconhecida sua condição e seu direito à isenção do imposto de renda, retroativo ao exercício de 2008, conforme Parecer Técnico n° 211/2012 e Despacho de Isenção de Imposto de Renda anexos, ambos emitidos pelo Ministério da Defesa. Após proceder à entrega de sua declaração de ajuste retificadora para reaver o imposto retido indevidamente, foi surpreendida com a presente notificação. Por fim, requer o cancelamento da exigência, a restituição do saldo do imposto retido indevidamente e prioridade no julgamento com base no Estatuto do Idoso." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo o crédito tributário. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 52/54, reiterando as alegações expostas em impugnação. A contribuinte junta ao Recurso, comunicação de inspeção de saúde, cópia do Título de Pensão Militar, cópia do comprovante de rendimentos e retenção de renda na fonte e parecer técnico, com intuito de demonstrar os fatos de seu direito. Junta, também, às fls. 79/83 uma simulação de retificação da DIRPF, onde resultaria em um imposto a restituir de R$ 10.947,15. Alega que não tem como transmitir a declaração retificadora por existir Notificação de Lançamento. Em fl. 78 dos autos apresenta um print screen da tela do programa DIRPF/2012 com a mensagem de erro. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.720200/201372 Acórdão n.º 2202003.885 S2C2T2 Fl. 89 3 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da análise dos autos, constatase que a exigência R$ 3.316,09 de restituição indevida a devolver acrescidas de juros até 12/2012, consubstanciada na Notificação de Restituição indevida de IRPF, à fl. 37, decorre do processamento da declaração de ajuste anual retificadora apresentada pela contribuinte em 05/12/2012 (fls. 13/29). Relativamente à entrega de declarações retificadoras o Regulamento do Imposto de Renda – RIR1999, em seu art. 832, estabelece: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (Decretolei nº 1.967, de 1982, art. 21, e Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. (Grifouse). Ainda, como acertadamente referiu a DRJ, nos termos do art. 54 e parágrafo único da IN SRF nº 15, de 2001, "a declaração retificadora substituiu a declaração anterior, dessa forma todas as informações vinculadas à declaração original deixaram de existir, passando a valer as informações consignadas na declaração retificadora para efeito de apuração do imposto, pois, são estes os registros constantes nos sistemas internos da Receita Federal. Relativamente ao pedido de restituição de imposto". O RIR/1999, em seu art. 895 e § 3º, dispõe: Art. 895 Nos casos de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá optar pelo pedido de restituição do valor pago indevidamente ou a maior, observado o disposto nos arts. 892 e 900 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 2º, e Lei nº 9.069, de 1995, art. 58). (...) § 2º A Secretaria da Receita Federal expedirá instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 4º, e Lei nº 9.069, de 1995, art. 58). Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.720200/201372 Acórdão n.º 2202003.885 S2C2T2 Fl. 90 4 A Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012, por sua vez, em seu art. 10, estabelece: Art. 10 . Não ocorrendo a devolução prevista no art. 8º ou a dedução nos termos do art. 9º, a restituição do indébito de imposto sobre a renda retido sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual, bem como a restituição do indébito de imposto sobre a renda pago a título de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) ou de recolhimento complementar será requerida pela pessoa física à RFB exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF. A declaração retificadora apresentada pela contribuinte, em 05/12/2012 (fls. 13/19), não registra qualquer saldo de imposto a restituir que pudesse ensejar o cancelamento da exigência ora contestada ou reconhecimento de direito à restituição adicional. A DRJ fez, inclusive, o esclarecimento de que o formulário de Pedido de Restituição ou Ressarcimento que acompanha a impugnação, não supre a inexistência de saldo de imposto a restituir na DIRPF retificadora e não é documento hábil para pleitear devolução de tributo pago indevidamente em sede de julgamento. Nesse contexto, tendo a legislação pertinente expressamente previsto que o pedido de restituição de indébito de imposto será requerida pela pessoa física à RFB mediante apresentação de DIRPF e que a retificação da declaração deve, quando comprovado erro nela contido, ser feita mediante apresentação de nova declaração a ser apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte. Assim sendo, caberia à contribuinte apresentar nova declaração retificadora para acerto da sua declaração de ajuste anual, informando o imposto de renda pago indevidamente em campo próprio, que será apreciado pela autoridade competente, ressalvado o acolhimento e análise do pedido de restituição já formulado e trazido aos autos com a impugnação, se esta mesma autoridade entender cabível. De fato, enquanto existir o débito desta Notificação de Lançamento, não poderá a contribuinte transmitir a declaração retificadora. O documento de fl. 78 dos autos, no qual a contribuinte apresenta um print screen da tela do programa DIRPF/2012 com a mensagem de erro irá persistir enquanto o débito não for recolhido. Registro, por fim, que não é possível considerar s simulação de retificação da DIRPF/2012, de fls. 79/83. Ocorre que para se obter uma restituição, é necessário transmitir a declaração, momento no qual a RFB (e não o CARF) irá analisar os valores, podendo glosálos ou não. Se glosados, caberá impugnação para DRJ (1ª. instância) e após, se mantida a glosa, recurso voluntário ao CARF (2ª. instância). No entanto, pela documentação que consta nos autos, em especial as apresentadas em anexo ao recurso voluntário, verificase que a contribuinte é portadora de moléstia grave desde 2008, tendo ela cometido erro no preenchimento da declaração de rendimentos, o que lhe resultou em notificação de lançamento por restituição indevida. Ocorre que a contribuinte ao ter sua isenção deferida por laudo médico pericial procedeu em erro ao retificar sua declaração de rendimentos, excluindo o IRRF Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.720200/201372 Acórdão n.º 2202003.885 S2C2T2 Fl. 91 5 recolhido, enquanto deveria têlos mantido na DIRPF. Com isso, o imposto a restituir restou a R$ 0,00, ocasionando a notificação de lançamento em questão. Assim, embora não seja possível acolher a simulação de nova declaração retificadora, verificase plausível o afastamento da glosa, de modo a afastar o crédito tributário exigido. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720138/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ALTERAÇÃO DE OPÇÃO PELO MÉTODO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A intimação prévia prevista no art. 20-A da Lei nº 9.430/96 somente deve ser observada nos procedimentos fiscais que tenham por objeto as apurações do ano-calendário 2012 e seguintes.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE INDICAÇÃO DO ERRO NO CÁLCULO DA MARGEM DE LUCRO.
Havendo o responsável pela fiscalização indicado o procedimento observado em seus cálculos, a leitura dessa informação pelo contribuinte e a comparação com o procedimento adotado por ele próprio faz com que haja plenas condições de se verificar quais eram as divergências entre um e outro, não havendo nulidade se não foi indicado especificamente o erro cometido pela contribuinte.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
PRODUÇÃO DE PROVA. SUSTENTAÇÃO ORAL.
A produção de provas e a sustentação oral quando do julgamento do recurso nos termos da legislação do PAF e do Regimento Interno do CARF.
INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO PROCURADOR. MATÉRIA DISCIPLINADA NO PAF. FALTA DE PREVISÃO.
De acordo com a disciplina instituída no PAF, as intimações devem ser encaminhadas ao endereço do sujeito passivo, não havendo previsão para o envio de correspondências para o endereço do procurador da empresa.
MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. EMPATE NA VOTAÇÃO. VOTO DE QUALIDADE.
As infrações tributárias têm natureza objetiva, sendo aplicáveis as multas previstas em lei, conforme os percentuais nela estabelecidos, não havendo também como definir, no voto do relator, o que ocorrerá no caso de empate na votação do julgamento.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN/SRF Nº 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores, sendo que a metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido e, assim, adotando-se a proporção do bem importado no custo total e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL20. MARGEM DE LUCRO. EXCLUSÃO DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS.
A margem de lucro no cálculo do PRL 20 aplica-se sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ITEM UTILIZADO COMO INSUMO E COMO REVENDA. PREÇO MÉDIO PONDERADO.
Em caso de item importado e utilizado tanto como insumo para fabricação de outro produto como bem para revenda, o preço parâmetro é a média ponderada dos preços obtidos pelos métodos PRL 20 e PRL 60, e não o menor valor entre eles.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430/1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.
Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes e, assim, pelo método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, até a vigência da Lei nº 12.715/2012, opera-se segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES. NOVOS CÁLCULOS.
Novo cálculo quanto aos preços praticado e parâmetro deve vir acompanhado do seu detalhamento, para a checagem quanto à sua correção e para a aferição de algum eventual erro naquele efetuado pelo responsável pela fiscalização.
CSLL. LANÇAMENTO. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS.
Quanto ao auto de infração relativo à CSLL, uma vez que baseado nos mesmos pressupostos fáticos e, ainda, em face das mesmas razões de defesa, aplica-se o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ.
Numero da decisão: 1201-001.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, José Roberto Adelino da Silva e Gustavo Guimarães da Fonseca, que lhe davam parcial provimento, para afastar a aplicação do método PRL-60 previsto na IN 243 e excluir do cálculo os valores de frete, seguros e impostos não recuperáveis.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, José Roberto Adelino da Silva e Gustavo Guimarães da Fonseca, que lhe davam parcial provimento, para afastar a aplicação do método PRL-60 previsto na IN 243 e excluir do cálculo os valores de frete, seguros e impostos não recuperáveis. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva.
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ALTERAÇÃO DE OPÇÃO PELO MÉTODO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A intimação prévia prevista no art. 20-A da Lei nº 9.430/96 somente deve ser observada nos procedimentos fiscais que tenham por objeto as apurações do ano-calendário 2012 e seguintes. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE INDICAÇÃO DO ERRO NO CÁLCULO DA MARGEM DE LUCRO. Havendo o responsável pela fiscalização indicado o procedimento observado em seus cálculos, a leitura dessa informação pelo contribuinte e a comparação com o procedimento adotado por ele próprio faz com que haja plenas condições de se verificar quais eram as divergências entre um e outro, não havendo nulidade se não foi indicado especificamente o erro cometido pela contribuinte. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 PRODUÇÃO DE PROVA. SUSTENTAÇÃO ORAL. A produção de provas e a sustentação oral quando do julgamento do recurso nos termos da legislação do PAF e do Regimento Interno do CARF. INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO PROCURADOR. MATÉRIA DISCIPLINADA NO PAF. FALTA DE PREVISÃO. De acordo com a disciplina instituída no PAF, as intimações devem ser encaminhadas ao endereço do sujeito passivo, não havendo previsão para o envio de correspondências para o endereço do procurador da empresa. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. EMPATE NA VOTAÇÃO. VOTO DE QUALIDADE. As infrações tributárias têm natureza objetiva, sendo aplicáveis as multas previstas em lei, conforme os percentuais nela estabelecidos, não havendo também como definir, no voto do relator, o que ocorrerá no caso de empate na votação do julgamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN/SRF Nº 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores, sendo que a metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido e, assim, adotando-se a proporção do bem importado no custo total e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL20. MARGEM DE LUCRO. EXCLUSÃO DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS. A margem de lucro no cálculo do PRL 20 aplica-se sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ITEM UTILIZADO COMO INSUMO E COMO REVENDA. PREÇO MÉDIO PONDERADO. Em caso de item importado e utilizado tanto como insumo para fabricação de outro produto como bem para revenda, o preço parâmetro é a média ponderada dos preços obtidos pelos métodos PRL 20 e PRL 60, e não o menor valor entre eles. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430/1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes e, assim, pelo método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, até a vigência da Lei nº 12.715/2012, opera-se segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES. NOVOS CÁLCULOS. Novo cálculo quanto aos preços praticado e parâmetro deve vir acompanhado do seu detalhamento, para a checagem quanto à sua correção e para a aferição de algum eventual erro naquele efetuado pelo responsável pela fiscalização. CSLL. LANÇAMENTO. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. Quanto ao auto de infração relativo à CSLL, uma vez que baseado nos mesmos pressupostos fáticos e, ainda, em face das mesmas razões de defesa, aplica-se o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ALTERAÇÃO DE OPÇÃO PELO MÉTODO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A intimação prévia prevista no art. 20A da Lei nº 9.430/96 somente deve ser observada nos procedimentos fiscais que tenham por objeto as apurações do anocalendário 2012 e seguintes. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE INDICAÇÃO DO ERRO NO CÁLCULO DA MARGEM DE LUCRO. Havendo o responsável pela fiscalização indicado o procedimento observado em seus cálculos, a leitura dessa informação pelo contribuinte e a comparação com o procedimento adotado por ele próprio faz com que haja plenas condições de se verificar quais eram as divergências entre um e outro, não havendo nulidade se não foi indicado especificamente o erro cometido pela contribuinte. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 PRODUÇÃO DE PROVA. SUSTENTAÇÃO ORAL. A produção de provas e a sustentação oral quando do julgamento do recurso nos termos da legislação do PAF e do Regimento Interno do CARF. INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO PROCURADOR. MATÉRIA DISCIPLINADA NO PAF. FALTA DE PREVISÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 38 /2 01 4- 17 Fl. 3565DF CARF MF 2 De acordo com a disciplina instituída no PAF, as intimações devem ser encaminhadas ao endereço do sujeito passivo, não havendo previsão para o envio de correspondências para o endereço do procurador da empresa. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. EMPATE NA VOTAÇÃO. VOTO DE QUALIDADE. As infrações tributárias têm natureza objetiva, sendo aplicáveis as multas previstas em lei, conforme os percentuais nela estabelecidos, não havendo também como definir, no voto do relator, o que ocorrerá no caso de empate na votação do julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN/SRF Nº 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores, sendo que a metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido e, assim, adotandose a proporção do bem importado no custo total e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL20. MARGEM DE LUCRO. EXCLUSÃO DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS. A margem de lucro no cálculo do PRL 20 aplicase sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ITEM UTILIZADO COMO INSUMO E COMO REVENDA. PREÇO MÉDIO PONDERADO. Em caso de item importado e utilizado tanto como insumo para fabricação de outro produto como bem para revenda, o preço parâmetro é a média ponderada dos preços obtidos pelos métodos PRL 20 e PRL 60, e não o menor valor entre eles. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430/1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes e, assim, pelo método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, até a vigência da Lei nº 12.715/2012, operase segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES. NOVOS CÁLCULOS. Novo cálculo quanto aos preços praticado e parâmetro deve vir acompanhado do seu detalhamento, para a checagem quanto à sua correção e para a aferição de algum eventual erro naquele efetuado pelo responsável pela fiscalização. Fl. 3566DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 3 3 CSLL. LANÇAMENTO. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. Quanto ao auto de infração relativo à CSLL, uma vez que baseado nos mesmos pressupostos fáticos e, ainda, em face das mesmas razões de defesa, aplicase o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, José Roberto Adelino da Silva e Gustavo Guimarães da Fonseca, que lhe davam parcial provimento, para afastar a aplicação do método PRL60 previsto na IN 243 e excluir do cálculo os valores de frete, seguros e impostos não recuperáveis. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva. Fl. 3567DF CARF MF 4 Relatório Por bem descrever a matéria, adoto o relatório contido na Resolução nº 1201 000.210 desta Turma (fls. 3.529 a 3.534), complementandoo a seguir: Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0653.021, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba PR. Conforme descrito em seu termo de verificação fiscal, a autoridade tributária acusa o sujeito passivo em epígrafe de haver adicionado a menor, na apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social do anocalendário de 2011, os ajustes referentes a preços de transferência relativos a produtos importados de pessoas vinculadas residentes no exterior. Transcrevese a seguir alguns trechos do TVF: Nas importações efetivadas em 2011, sujeitas às regras de Preços de Transferência, o contribuinte adotou o método Preço de Revenda Menos Lucro (PRL), utilizandose, no entanto, da sistemática prevista na Instrução Normativa SRF nº 32/2001, embora na época da ocorrência do fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, já estivesse vigente a metodologia estabelecida pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002. (...) De acordo com as informações declaradas na ficha 29 Operações com Exterior Pessoa Vinculada/Interposta/País com Trib. Favorecida, da DIPJ 2012, em 2011, o valor total das importações de bens de pessoas vinculadas foi de R$ 188.259.904,69, e o valor total das importações de bens de pessoas residentes em países com tributação favorecida foi de R$ 3.270,69. Inicialmente, analisamos as informações constantes nas planilhas de memórias de cálculo referentes às importações de vinculadas e de países com tributação favorecida, entregues pelo contribuinte em resposta ao Termo de Início da Ação Fiscal, e as comparamos com as informações contidas no relatório gerado a partir de dados extraídos do sistema SISCOMEX. Constatamos não haver discrepâncias significativas entre as informações prestadas pelo contribuinte e as constantes do relatório. Desta forma, foram utilizadas, no cálculo do preço praticado nas importações, as próprias informações prestadas pelo contribuinte. De um total de pouco mais de 900 itens importados de vinculadas, selecionamos 589 itens para realizar os cálculos de ajustes a título de preço de transferência. Tais itens representam aproximadamente 98% do valor total das importações sujeitas ao controle de preço de transferência. Fl. 3568DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 4 5 (...) O ajuste unitário para cada item importado é a diferença entre o preço praticado na importação e o preço parâmetro, no caso em tela, calculado pelo método PRL. O ajuste total é o resultado da multiplicação do ajuste unitário pela quantidade de consumo e essa, por sua vez, é obtida somandose a quantidade do estoque inicial com a quantidade importada e subtraindose a quantidade do estoque final. Ressaltamos que, seguindo o estabelecido no art. 38 da IN nº 243/2002, que trata da margem de divergência, só foram feitos ajustes nos casos em que a diferença encontrada entre o preço praticado e o preço parâmetro foi superior a 5%. (...) Desta forma, estão sendo efetuados, através de lançamento de ofício, ajustes nas bases de cálculo do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) no montante de R$ 77.669.572,89 (setenta e sete milhões seiscentos e sessenta e nove mil, quinhentos e setenta e dois reais e oitenta e nove centavos). (...) Inconformada com a autuação a contribuinte propôs impugnação ao lançamento onde alega, em síntese, o seguinte: a) preliminarmente, a nulidade do auto de infração por inobservância do disposto no art. 20A da Lei nº 9.430/96, que determina a intimação do sujeito passivo para apresentação de novo cálculo dos preços de transferência em caso de desqualificação do método por ele adotado; b) é ilegal o cálculo do preçoparâmetro pelo método PRL60 realizado pela fiscalização com base na Instrução Normativa SRF nº 243/2002; c) a fiscalização equivocouse ao calcular o preçoparâmetro pelo método PRL20, pois aplicou a margem de lucro de 20% sobre o valor bruto das revendas, diminuído, apenas, dos descontos incondicionais, quando o correto seria deduzir, também, os tributos incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas, conforme critério adotado pela ora impugnante. Neste sentido, é também ilegal a limitação prescrita no art. 12, § 8º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002; d) é ilegal a adoção do PRL ponderado. A lei garante ao sujeito passivo adotar o método que melhor lhe convier. Nestes termos, como o PRL20 e o PRL60 são métodos distintos, cabe à impugnante a escolha de quaisquer desses dois métodos de cálculo do preçoparâmetro quando um mesmo produto importado for revendido e empregado como insumo na produção de outro produto; e) é indevida a inclusão, no cálculo do preço praticado, dos valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação; f) é ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício; Fl. 3569DF CARF MF 6 g) nas matérias em que haja empate nas votações dos órgãos colegiados do CARF devese reconhecer que há dúvida sobre a questão e, neste caso, decidirse a favor do sujeito passivo, nos termos do art. 112 do CTN. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. LEI N° 9.430/96, ART. 20A. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. FATOS GERADORES A PARTIR DO AC 2012. Descabe suscitar nulidade, sob alegação de necessidade de intimação do sujeito passivo para apresentar novo cálculo com outro método de preço de transferência, já que o art. 20A da Lei n° 9.430/96 encerra norma de natureza material, que se aplica somente a fatos geradores posteriores a sua vigência. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO ERRO NO CÁLCULO DA MARGEM DE LUCRO. Não caracteriza cerceamento de defesa a falta de indicação do erro no cálculo da margem de lucro, bastando que a autoridade fiscal demonstre a corretude de seus cálculos e a divergência entre seus resultados e os do contribuinte. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO PROCURADOR. MATÉRIA DISCIPLINADA NO PAF. FALTA DE PREVISÃO. De acordo com a disciplina instituída no PAF, as intimações devem ser encaminhadas ao endereço do sujeito passivo, sem previsão para o envio de correspondências para o endereço do procurador da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 JUROS SOBRE MULTA. CABIMENTO. ART. 161 DO CTN. ART. 61 DA LEI N° 9.430/96. A incidência de juros sobre multa tem amparo legal, pois o art. 161 do CTN prevê sua aplicação para “o crédito” e o art. 61 da Lei n° 9.430/96 o faz para “os débitos”, sendo que ambos os termos alcançam o tributo e a multa, e esta não foi ressalvada pelo legislador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 3570DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 5 7 Anocalendário: 2011 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. FÓRMULA LITERAL DO ART. 18 DA LEI N° 9.430/96. CONTRADIÇÃO COM A MENS LEGIS. A fórmula de cálculo do preço parâmetro do PRL60, baseada na literalidade do art. 18 da Lei n° 9.430/96, resulta em que somente haverá ajuste para bens importados com custo superior a mais da metade do preço líquido de venda do produto acabado, o que acaba por autorizar a prática do superfaturamento e conseqüente transferência de preço, contrariando o espírito da lei, devendo ser afastada a interpretação literal. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. FÓRMULA DO ART. 12 DA IN N° 243/2002. REDUÇÃO DE DISTORÇÕES. CONFORMIDADE COM A MENS LEGIS. A fórmula de cálculo do preço parâmetro do PRL60, baseada no art. 12 da IN n° 243/2002, encontrase em conformidade com a mens legis da legislação do preço de transferência, porque corrige duas fontes de distorções da fórmula literal legal: i) deixa de limitar a dedução da margem de lucro de 60% ao valor agregado; ii) em vez de partir do preço líquido de venda do produto acabado, parte da proporção entre o custo do bem importado e o custo do produto acabado, reduzindo as distorções nessa mesma proporção. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL20. MARGEM DE LUCRO. EXCLUSÃO SOMENTE DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS. A margem de lucro no cálculo do PRL 20 aplicase sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. VALOR DO FRETE E SEGURO. INCLUSÃO NO PREÇO PRATICADO. Os valores do frete e seguro, quando o ônus é suportado pelo importador, devem ser computados no cálculo do preço praticado, a fim de se evitar comparações distorcidas, eis que tais custos são contemplados no cálculo do preço parâmetro. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ITEM UTILIZADO COMO INSUMO E COMO REVENDA. PREÇO MÉDIO PONDERADO. Em caso de item importado e utilizado tanto como insumo para fabricação de outro produto como bem para revenda, o preço parâmetro é a média ponderada dos preços obtidos pelos métodos PRL 20 e PRL 60, e não o menor valor entre eles. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento. Fl. 3571DF CARF MF 8 O valor lançado, relativo ao IRPJ, é de R$ 19.417.393,22 de imposto, acrescido de R$ 14.563.044,92 relativos à multa de ofício, além dos juros moratórios. Quanto à CSLL, foi lançado o valor de R$ 6.990.261,56 de contribuição e R$ 5.242.696,17 de multa de ofício, mais juros de mora. Em face da Resolução acima referida, foi determinada a baixa dos autos em diligência para que fosse elucidado “possível equívoco, por parte da autoridade tributária, no cálculo dos ajustes decorrentes dos preços de transferência”, relativamente às quantidades consumidas. Após a diligência, foi elaborado o relatório de fls. 3.538 a 3.550 no qual consta que “não houve divergência entre a quantidade calculada pelo contribuinte e a quantidade autuada pela fiscalização”, concluindose pela correção dos anexos 1 a 5 do Termo de Verificação Fiscal. Por meio do documento de fls. 3.555 a 3.560, a Recorrente pronunciouse no sentido de que concorda com o relatório de diligência, exclusivamente no que tange às “quantidades utilizadas para os cálculos dos preçosparâmetro do PRL 20 e 60 e do ajuste fiscal proposto”, reiterando “todas as razões recursais já aduzidas” e que não foram objeto da diligência determinada. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Intimação para que seja apresentado outro cálculo de ajuste de preços de transferência. Artigo 20A da Lei nº 9.430/1996. Aduz a Recorrente que foi descumprido o quanto determinado no artigo 20A da Lei nº 9.430/1996, (intimação para que seja apresentado outro cálculo de ajuste de preços de transferência) uma vez que, em 8 de dezembro de 2014, encerramento da fiscalização, o dispositivo, de caráter eminentemente procedimental e de aplicação imediata, já se encontrava em vigor. Tal descumprimento, segundo a Recorrente, importa na improcedência do lançamento de ofício. Ainda, que a Receita Federal inovou ao prever, no § 4º do artigo 40 da IN RFB nº 1.312/2012, que a opção pelo método que se faz em DIPJ relativa ao anocalendário em que ocorridas as importações cuja desqualificação passou a estar condicionada à prévia intimação do contribuinte para apresentar método alternativo, somente ocorreria a partir do anocalendário de 2012. Argumentou também que a DRJ/CTA laborou em equívoco ao considerar que só haveria nulidade nos casos previstos nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº Fl. 3572DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 6 9 70.235/1972 (PAF) e que a situação prevista ao final desse inciso II (cerceamento o direito de defesa) só seria aplicável aos despachos e decisões e não ao auto de infração. O art. 20A da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Medida Provisória nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012, dispõe: Art. 20A. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. (Grifo acrescido) Diferentemente do sustentado pela Recorrente, o procedimento implementado pela Lei nº 12.715/2012, só é aplicável a partir do anocalendário de 2012. É certo que o art. 144 do CTN, ao determinar que “aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização”, não pode servir de fundamento para a pretensão da Recorrente. Como bem salientado no voto condutor da decisão de primeira instância relativamente ao art. 20A da Lei nº 9.430/1996, “a citada norma não possui natureza procedimental nem processual, mas sim material, pois dispõe sobre o exercício do direito à opção pelos métodos previstos em artigos anteriores. Sendo regra de direito material, somente se aplica a fatos geradores posteriores à sua vigência, conforme a dicção do início do caput, ou seja, a partir do anocalendário de 2012. Dessa forma, a regra não alcança o período fiscalizado, anocalendário 2011”. A alteração legislativa em comento é válida para fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 2012. Observese que a expressão “anocalendário” do caput do artigo está a se referir a “período de apuração” e não ao ano em que ocorre a ação fiscal. Ainda, conforme autorização contida no § 3º do art. 20A da Lei nº 9.430/96, a Receita Federal tinha a prerrogativa de definir o prazo e a forma de opção de que trata o caput. Nesse sentido, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 1.312/2012: Art. 40. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos Capítulos II e III será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. [...] § 4º A opção de que trata o caput será efetuada na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica relativa Fl. 3573DF CARF MF 10 ao anocalendário das operações sujeitas ao controle de preços de transferência. Portanto, somente a partir do anocalendário 2012 o sujeito passivo pôde formalizar a opção por meio da DIPJ. É nesse contexto que, se for desqualificado pelo Fisco o critério apontado pelo contribuinte em DIPJ, há a obrigação de se intimar o sujeito passivo, facultando a ele a apresentação de novo cálculo. Muito embora a norma em que se fundamenta a Recorrente tenha nuances procedimentais, na realidade tem verdadeiro caráter material, eis que vinculada a uma opção com forma e prazo a serem observados durante todo o anocalendário, possível somente a partir do período de apuração do anocalendário 2012. A jurisprudência desta Casa tem ratificado esse entendimento: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2007 ALTERAÇÃO DE OPÇÃO PELO MÉTODO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A intimação prévia prevista no art. 20A da Lei nº 9.430/96 somente deve ser observada nos procedimentos fiscais que tenham por objeto as apurações do ano calendário 2012 e seguintes. Acórdão nº 1301001.781.Seção de 3 de março de 2015. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 ALTERAÇÃO DE OPÇÃO PELO MÉTODO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O intimação prévia prevista no art. 20A da Lei nº 9.430/96 somente deve ser observada nos procedimentos fiscais que tenham por objeto as apurações do anocalendário 2012 e seguintes. Acórdão nº 1101001.079. Sessão de 7 de abril de 2014. Pelo quanto exposto, a falta de intimação alegada não é causa nem de nulidade, nem de improcedência dos lançamentos. Sistemática de aplicação do método PRL60. IN SRF nº 243/2002. Segundo a Recorrente, a sistemática do cálculo do preço parâmetro do PRL60 prevista na IN SRF nº 243/2002 é ilegal. Apresenta justificativas para a alegação, assim como exemplos da aplicação das sistemáticas segundo tal IN e da que consta na Lei nº 9.430/1996, alterada pela Lei nº 9.959/2000, apontando as divergências que entende existir entre uma e outra. Argumenta que, pela sistemática da IN, é estabelecido um cálculo em três etapas. Na primeira delas, partese do preço líquido de venda para se identificar uma grandeza intermediária, não contemplada pelo texto legal, correspondente à participação do bem importado no produto revendido. Essa primeira etapa não se mostra compatível com a Lei n° 9.430/96, uma vez que ela pressupõe uma "proporcionalização" do preço de revenda, conforme exemplo: Fl. 3574DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 7 11 considerese certo produto importado por "20", submetido a agregação de valor no País, de "60". O custo do produto final, portanto, é "80". Esse produto é vendido, no mercado brasileiro, pelo preço líquido de "100". Assim, não bastaria, para o cálculo da margem exigida, subtrairse de “100” (PVL) o montante de “60” (valor agregado). Seria necessário, ao invés, realizarse uma proporção, uma regra de três, segundo a qual o montante subtraído do preço líquido de venda para aquela finalidade seria o resultado da multiplicação do preço líquido de venda pelo quociente da divisão entre o custo do bem importado e o custo total do produto vendido. A Recorrente explica que, no exemplo acima, essa operação teria como elemento inicial, o resultado da divisão de "20" (custo do bem importado) por "80" (custo total do produto vendido), ou seja, "0,25". Esse resultado seria, então, multiplicado pelo preço líquido de venda ("100"), do que decorreria a aferição da participação do bem importado no PVL ("25"). Percebese, assim, que esse procedimento implica na subtração, do PVL, de uma parcela diferente do valor agregado ("60", no exemplo). A Recorrente argumenta que tal operação matemática não encontra qualquer amparo na Lei n° 9.430/96, que faz referência, tãosomente, ao valor agregado, não a um valor agregado proporcionalizado. Dessa feita, logo na primeira etapa do cálculo, a IN 243 já se distancia do que dispõe a Lei. Ainda, aduz a Recorrente que a aplicação do PRL60 segundo a sistemática da IN 243, leva, necessariamente, a resultado diverso daquele que decorre da sistemática legal, conforme exemplo apresentado, em que, partindose de premissas iguais, calculase o ajuste de preços de transferência de acordo com as duas sistemáticas. Verificase, assim, que o cálculo conforme a sistemática da IN 243 conduz a resultados absurdos. Sustenta, assim, que a IN em comento é ilegal não apenas por infração ao princípio da legalidade, como também em razão da ausência de razoabilidade e proporcionalidade na sistemática contemplada nessa norma regulamentar. Também informa que já houve situação em que o Fisco sustentou que a proporcionalização referida seria uma exigência lógica, decorrente do próprio PRL60. Todavia, segundo a Recorrente, essa argumentação deve ser rechaçada pois: a) em matéria tributária, vige o princípio da legalidade, não cabendo à Instrução Normativa “corrigir” o legislador; b) a proporcionalização proposta carece de lógica, já que implica “petição de princípio”; c) a proporcionalização implica exigir margem de lucro absurda, desestimulando o processo industrial no País. Traz a Recorrente exemplo com o qual pretende demonstrar o erro cometido pela sistemática da IN, a “petição de princípio”, em que se parte do custo do bem importado para se descobrir ele próprio, aduzindo ainda que, no caso de superfaturamento, terseá um agigantamento no custo do bem importado e por consequência crescimento da participação do bem importado no custo total do produto e portanto maior será o preço parâmetro autorizado. Conforme entende a Recorrente, de acordo com as regras da IN, quanto menor o valor agregado, menor o ajuste. Fl. 3575DF CARF MF 12 Também, a Recorrente alega que não há como se defender a interpretação da lei de maneira diversa, afirmandose que o legislador teria utilizado a expressão “e do valor agregado no País” propositadamente, e que o valor agregado não seria deduzido do preço de revenda tãosomente para o cômputo da margem de lucro, mas para fins de cálculo do próprio preço parâmetro. Por essa interpretação, o cálculo seria o seguinte: PREÇO MÉDIO DE VENDA () DESCONTOS INCONDICIONAIS () IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES () COMISSÕES E CORRETAGENS () MARGEM (0,60 x PREÇO LÍQUIDO DE VENDA) () VALOR AGREGADO (=) PREÇO PARÂMETRO São apresentados exemplos numéricos. Segundo entendimento da Recorrente, já houve o reconhecimento da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 em face da edição da Medida Provisória nº 478/2009, não convertida em lei. Também, porque somente depois da edição da MP nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012, a IN SRF nº 243/2002 passou a ter respaldo legal. É colacionada jurisprudência judicial e administrativa acerca do assunto. Argumenta também a Recorrente que o órgão julgador de primeira instância se equivocou ao justificar que a fórmula de cálculo da multicitada IN é que teria incorporado a mens legis da Lei nº 9.430/1996. Pelo entendimento da Recorrente, a DRJ/CTA “pecou” por uma grande falha lógica: a variável “valor agregado no país” da fórmula de cálculo, tal como prevista na Lei nº 9.430/1996, não corresponde, consoante apontado, à diferença entre o custo do produto acabado vendido (CPV) e custo do bem importado (CMP). Sobre o assunto, é colacionada jurisprudência administrativa. Conforme relatado, os ajustes apurados pela autoridade lançadora decorreram da aplicação do método PRL60. A Recorrente entende que a exigência há de ser cancelada integralmente em face de ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 que não reflete o mecanismo de regulação dos preços de transferência como determinado pela Lei n° 9.430/96. Ao contrário, essa IN produz inovações, criando obrigações totalmente desvinculadas daquelas originalmente fixadas na lei, ferindo o princípio da legalidade. Essa questão tem sido intensamente debatida nesta casa, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Dessa forma, adotamse como razões de decidir aquelas insertas no voto do Conselheiro André Mendes Moura, condutor do Acórdão nº 9101002.446, da 1ª Turma da CSRF, prolatado na sessão do dia 21 de setembro de 2016, que aborda com propriedade os pontos questionados: Sobre a legalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei Nº 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido Fl. 3576DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 8 13 como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias têm verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles têm sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convenção modelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries1. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: 1 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 3577DF CARF MF 14 a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN2, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, peço vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri3: 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de 2 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 Fl. 3578DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 9 15 constitucionalidade da Lei nº 9.430/964. Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquele princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforme a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). 4 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 3579DF CARF MF 16 No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...)5. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL – 0,6xPL – VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL – VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL – 0,6x(PL – VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de 5 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 3580DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 10 17 revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I – preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II – percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III – participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV – margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V – preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart – 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd – 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd Fl. 3581DF CARF MF 18 onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV – D – I – C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: PPart = ___CII___ CTBP ou, ainda, por: PPart = ________CII________ CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: PBProd = (média aritmética ponderada de PV – D – I – C) x ___CII___ CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd – margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 – margem de lucro) Fl. 3582DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 11 19 Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 – 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries6, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 – GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 – GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 – margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: 6 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 3583DF CARF MF 20 Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL – 0,6x(PL – VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do Fl. 3584DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 12 21 produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/ SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, Fl. 3585DF CARF MF 22 sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares Fl. 3586DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 13 23 inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clóvis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Contribuinte quanto à matéria que trata da legalidade da IN SRF nº 243, de 2002. Conforme visto no excerto do voto acima transcrito, não há ilegalidade nas disposições da IN SRF nº 243/2002 na sistemática adotada para o cálculo do preçoparâmetro do PRL60. O quanto ali disposto está em consonância com a melhor interpretação dada ao Fl. 3587DF CARF MF 24 artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, inclusive no que tange à adoção da proporção do custo do bem importado em relação ao custo total. Também como visto, não há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional. A exposição de motivos da Lei nº 9.430/1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, deixa claro que a norma tem como objetivo o combate à elisão internacional. Cumpre salientar, ainda, que o fato de a exposição de motivos da Medida Provisória nº 478, de 2009 destacar que grande parte da legislação relativa a preços de transferência encontrase baseada em normas complementares e que havia o “intuito de reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado”, não autoriza a conclusão de que referida MP traz o reconhecimento de que a IN SRF nº 243/2002 é ilegal. O objetivo da referida MP foi, exatamente conforme ali expresso, “reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado”. É claro que a inclusão de fórmula de determinação do preço parâmetro em dispositivo com força de lei, a exemplo do que ocorreu com a Medida Provisória nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012, concorre para a redução dos litígios. No entanto, isso não autoriza a conclusão de que a norma complementar editada pela Receita Federal inovou em relação à lei da qual deriva. Na realidade, a edição das Medidas Provisórias que normatizam a sistemática de determinação do preço parâmetro reafirma a procedência da interpretação infralegal, representando absoluta convergência com o objetivo almejado pelas regras de preços de transferência. PRL20. Cálculo da margem de lucro a partir do preço líquido de revenda. Argumenta a Recorrente que a fiscalização refez os cálculos do preço parâmetro através do método PRL20 encontrando novo ajuste nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, expondo a sistemática de cálculo sem contudo apontar qual teria sido a falha cometida pela Recorrente. No entanto, a Recorrente identificou a divergência entre o critério adotado para o seu cálculo e o da fiscalização: a Recorrente calculou a margem sobre o preço líquido de revenda (descontado dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas, chegandose assim à margem líquida de lucro); a fiscalização, contudo, calculou a margem de lucro a partir do preço bruto de revenda descontado tãosomente dos descontos incondicionais concedidos. Em face de não ter sido apontada pela fiscalização qual teria sido a falha específica cometida pela Recorrente, há vício de fundamentação do lançamento, aduzindose que houve descumprimento do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, em especial dos seus incisos III e IV, o que induz nulidade do Auto de Infração. Há também preterição do direito de defesa, o que também induz nulidade a teor do artigo 59, inciso II, do mesmo diploma legislativo. Apresenta jurisprudência administrativa nesse sentido. Aduz, também, que se equivocou a DRJ/CTA na afirmação de que “a fiscalização não tem o dever de apontar precisamente onde e como o contribuinte errou em seus cálculos que resultaram em valores divergentes do devido”, ponderando também que a Recorrente foi capaz de compreender a causa que levou às divergências apontadas, razão pela qual teria sanado eventual vício de nulidade. Fl. 3588DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 14 25 Relativamente ao contido no inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, a Recorrente argumenta há dois “preços de revenda”: o bruto e o líquido, este diminuído das parcelas a, b e c do referido inciso. Dessa forma, foi facultado ao contribuinte utilizar para o cálculo da margem de lucro segundo o método PRL20 tanto o preço bruto de revenda, quanto o preço líquido. Ou mais que isso: “a legislação permitiu a interpretação segundo a qual o contribuinte poderia efetuar o cálculo da margem de lucro considerandose o preço líquido de revenda”. Em face disso, argumenta ainda a Recorrente que é ilegal a limitação contida no § 8º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002, que criou situação esdrúxula e arbitrária em que não se considera nem o preço bruto de revenda, nem o preço líquido de revenda para o cálculo da margem de lucro, chegandose a uma grandeza intermediária. Por primeiro, no que diz respeito à alegação de nulidade dos lançamentos em face de descumprimento do artigo 10 do Decreto nº 70.235, temse que a descrição das infrações, assim como as disposições legais infringidas foram apontadas nos Autos de Infração (fls. 880 e 887). No que tange ao alegado cerceamento do direito de defesa, conforme o disposto no artigo 59, inciso II, do mesmo diploma legislativo, verificase que ele não ocorreu, como bem explanado pelo relator do voto condutor da decisão de primeira instância (fl. 3.417): 51. E foi isso que aconteceu no presente caso. Na própria impugnação, à fl. 3209, a interessada explicou o motivo da divergência, o que desmente por completo a alegação de cerceamento de defesa: Tratase da metodologia de cálculo da margem de lucro de 20%: enquanto a Impugnante calculou a margem sobre o preço líquido de revenda (descontado dos descontos incondicionais concedidos dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas chegandose, assim, à margem líquida de lucro), a fiscalização calculou a margem de lucro a partir do preço bruto de revenda descontado, tão somente, dos descontos incondicionais concedidos pela Impugnante nas suas operações, seguindose a sistemática do artigo 12, §8° da IN SRF n° 243/2002. Especificamente quanto à compreensão do cálculo efetuado pela fiscalização para fins de determinação do preçoparâmetro segundo o PRL20, o mesmo relator também se pronunciou com clareza e propriedade (fls. 3.416 e 3.417): 49. Não houve falha alguma por parte da autoridade fiscal, no que concerne à compreensão do seu critério adotado para calcular o preço parâmetro segundo o PRL 20. Conforme já relatado em item anterior, a fiscalização explicou, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 899/900), que adotou os seguintes procedimentos para o cálculo dos preços parâmetros do PRL 20: · Partindo do Valor Bruto das vendas, excluímos todas as deduções: descontos incondicionais, ICMS, PIS, COFINS e ajuste financeiro, e obtivemos o Valor presente líquido das vendas. · Aplicamos a margem de lucro de 20% sobre o valor bruto das vendas diminuído apenas dos descontos incondicionais. Fl. 3589DF CARF MF 26 · Do valor presente líquido das vendas, subtraímos a margem de lucro e encontramos o preço parâmetro. · O preço parâmetro unitário foi obtido a partir da divisão do preço parâmetro pela quantidade vendida. 50. Ao contrário do que pensa a impugnante, a fiscalização não tem o dever de apontar precisamente onde e como o contribuinte errou em seus cálculos que resultaram em valores divergentes do devido. Até porque é possível que o auditor fiscal não consiga decifrar os números apresentados pela empresa, o que não é incomum. Assim, basta que a autoridade fiscal demonstre a corretude de seus cálculos e a divergência entre seus resultados e os do contribuinte. Com isso, certamente, o contribuinte saberá apurar o que fez em seus cálculos. Nesse sentido, como acima consta, é possível que o AuditorFiscal não tenha condições de “decifrar os números apresentados” pelo contribuinte fiscalizado. Todavia, este tem pleno conhecimento do quanto lançado em sua escrita fiscal e contábil, assim como de quaisquer cálculos efetuados para fins fiscais. Dessa forma, havendo o AuditorFiscal responsável pela fiscalização indicado o procedimento observado em seus cálculos, como de fato ocorreu conforme acima explanado, a leitura dessa informação pelo contribuinte e a comparação com o procedimento adotado por ele próprio faz com que haja plenas condições de se verificar quais eram as divergências entre um e outro. Não se vislumbra, pois, nulidade por nenhum dos motivos apontados. No que diz respeito à questão relativa ao “preço de revenda” a que se refere o inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, consta do voto em tela: 54. A respeito do preço de revenda, que a impugnante alega ilegalidade na instrução normativa, cabe analisar o art. 18 da Lei n° 9.430/96 e o art. 12 da IN SRF n° 243/2002: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor Fl. 3590DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 15 27 agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. ____________________________________________________ Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; […] § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. 55. O preço de revenda é simplesmente o preço de revenda, ou seja, o preço estampado na nota fiscal. (…) De acordo com o inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, o método parte dos preços de revenda diminuídos dos valores das alíneas “a” a “d”. A primeira conclusão portanto é que essas quatro deduções não fazem parte do conceito de preço de revenda. Isso é confirmado na definição da margem de lucro do PRL 60 (item 1 da alínea “d”) que consiste em aplicar o percentual de 60% sobre o preço de revenda deduzido das alíneas “a” a “d” e do valor agregado. E, para o PRL 20, que é o que interessa, o item 2 fala que a margem de lucro é obtida pela aplicação do percentual de 20% sobre o preço de revenda. 56. Observese que a lei não prevê qualquer dedução no cômputo da margem de lucro do PRL 20. No entanto, a instrução normativa autorizou a exclusão dos descontos incondicionais concedidos. Essa é, em essência, a única suposta divergência entre a lei e a instrução normativa. Há duas formas de ler essa diferença. A primeira é que a RFB, ao regulamentar a lei, concedeu um benefício não previsto nela. A segunda é adotar o entendimento razoável de que um desconto incondicional não faz parte do preço, já que tal parcela nunca é paga pelo cliente. 57. Pelo exposto, não há sentido algum em dizer que a lei facultou a dedução das demais parcelas no cálculo da margem de lucro do PRL 20. Conforme visto na explanação supra, o preço de revenda a que se refere o inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996 é o valor pelo qual o bem é vendido ou, como se Fl. 3591DF CARF MF 28 referiu o relator no excerto do voto acima, “o preço estampado na nota fiscal”. E em qualquer das partes do referido inciso II, o “preço de revenda” tem o mesmo sentido. Dessa forma, no cálculo do preçoparâmetro segundo o PRL60, para a determinação da margem de lucro, conforme alínea d, item 1 do referido inciso II, do preço de revenda serão deduzidas as parcelas definidas nas alíneas anteriores. Para o cálculo da margem de lucro, segundo o PRL20, item 2 da mesma alínea, como bem explicitou o relator do voto condutor da decisão da DRJ/CTA, a lei não previu nenhuma dedução a ser feita do preço de revenda. Independentemente de como se interpreta o contido na IN SRF n° 243/2002 (se há benefício ou que o desconto incondicional não faz parte do preço), o fato é que, para o método PRL20, há uma concessão prevista no § 8º: a exclusão dos descontos incondicionais concedidos do preço de revenda, constante na nota fiscal, para fins da aplicação da margem de lucro de vinte por cento. PRL Ponderado (PRL20 e PRL60). Informa a Recorrente que a fiscalização calculou, para uma parte dos produtos sujeita tanto à mera revenda (PRL20) quanto à produção local (PRL60), o chamado PRL ponderado. Segundo ela, a legislação positivada brasileira não fez a escolha pelo PRL ponderado, mas facultou ao contribuinte a aplicação do método mais favorável a ele. Aduz ainda que, embora tenham a mesma denominação, o PRL20 e o PRL 60 são métodos distintos e, se forem aplicáveis ambos os métodos, deve ser considerado como dedutível o maior valor apurado, não podendo ser efetuada a média ponderada dos diferentes preçosparâmetro. Relativamente à questão, deve ser observado o artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, tanto em sua redação original, quanto naquela após a alteração produzida pela Lei nº 9.959/2000, que introduziu o cálculo do preçoparâmetro PRL com margem de 60%: Redação Original: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II – Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; Fl. 3592DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 16 29 c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III – Método do Custo de Produção mais Lucro – CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. [...] Redação dada pela Lei nº 9.959/2000: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II – Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III – Método do Custo de Produção mais Lucro – CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. Fl. 3593DF CARF MF 30 [...] Pelo que se pode notar após o exame da norma em sua redação original, é que, conforme consta do caput do artigo, o sujeito passivo está autorizado a escolher um dentre os três métodos de cálculo do preçoparâmetro: o PIC (inciso I), o PRL (inciso II) e o CPL (inciso III). Ocorre que, pela redação dada pela Lei nº 9.959/2000, não houve alteração da estrutura da norma. Continuam apenas três os métodos de cálculo do preçoparâmetro: o PIC (inciso I), o PRL (inciso II) e o CPL (inciso III). Vêse, portanto, que a lei não faculta ao sujeito passivo escolher entre o PRL20 e o PRL60. A opção pode ser exercida entre PIC, PRL ou CPL. Se a opção do sujeito passivo for pelo PRL, ele empregará no cálculo: a margem de 20% se os produtos forem destinados a revenda (item 1 do inciso II); a margem de 60% se os produtos forem empregados na industrialização de outros bens (item 2 do inciso II). No entanto, há o questionamento: e quando quantidades do mesmo bem importado forem empregadas na produção e também destinadas a revenda? Como se trata do mesmo método (PRL), a resposta consta expressamente no próprio artigo 18, inciso II: “média aritmética”. E tal “média aritmética” há de ser a ponderada em função das quantidades consumidas em cada operação. Não poderia ser a média aritmética simples dos preços de revenda, pois, dessa forma, estaria prejudicado todo o controle dos preços de transferência: bastaria a venda de uma pequena quantidade do bem importado por preço muito superior para que fosse elevado o preçoparâmetro, a ponto de anular qualquer possibilidade de ajuste, o que implicaria na inutilidade da norma. Questões subsidiárias. Após a exposição quanto à prejudicial de mérito e às matérias de mérito propriamente dito, a Recorrente apresenta questões que denominou de subsidiárias, tratadas abaixo. PRL20 e PRL60. Inclusão de frete, seguro e impostos na apuração do preçopraticado. Alega a Recorrente que os valores de frete, seguro e impostos sobre a importação devem ser neutros quanto ao controle dos preços de transferências. No caso, os impostos devidos na importação não correspondem a uma contraprestação por nenhum benefício. Os seguros contratados foram adquiridos no Brasil. Por fim, o frete, embora adquirido no exterior, não foi contratado com pessoa vinculada. Assim, nenhum desses componentes satisfaz cumulativamente às condições de: a) “serem custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos”; b) incorridos em aquisições internacionais (importações), e “constantes dos documentos de importação ou de aquisição”; e c) incorridos em favor de uma pessoa vinculada ao importador, ou seja, “nas operações efetuadas com pessoa vinculada”. Fl. 3594DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 17 31 Ainda, a Recorrente, relativamente ao comando do § 6º do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, argumenta que deve ser interpretado com ponderação: Artigo 18 […] § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. Segundo a Recorrente: A interpretação lógica do parágrafo 6º, então, conduz à convicção de que, “para efeito de dedutibilidade” indica, na verdade, uma confirmação da regra do caput, no seguinte sentido: já que os valores de frete, seguro e tributos sobre importações não estão sujeitos aos limites de dedutibilidades do caput, eles deverão integrar o custo (ainda que parte deste, por ser paga a pessoa vinculada – o valor da mercadoria em si – não seja integralmente dedutível, por se submeter aos referidos limites), para fins de apuração do lucro real (i.e. fins de dedutibilidade). Conforme consta no Recurso Voluntário, na IN SRF nº 243/2002, foi omitida a expressão “para efeito de dedutibilidade” no seu parágrafo 4° do artigo 4°, assim como foi incluído mecanismo de cálculo do preço parâmetro, diferente do que trata a lei. Ainda, a IN promove outra mudança: substitui a expressão “custo” da lei por “preço praticado”. Ademais, segundo a Recorrente, a argumentação do Fisco está baseada na lógica da comparabilidade. Segundo as autoridades fazendárias, o método PRL, porque determina seja extraído do preço de revenda uma margem de lucro, resulta no custo do produto importado acrescido dos itens frete, seguro e imposto de importação. Conforme consta no Recurso Voluntário: … na lógica da fiscalização, o método PRL tem apenas dois componentes: custo e lucro; como frete, seguro e imposto de importação não compõem o lucro, então são eles parte do custo. Noutras palavras, o custo parâmetro, resultado da aplicação do método PRL, seria um custo acrescido de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Daí a lógica de o preço controlado ser acrescido de iguais parcelas. O raciocínio se revela, entretanto, equivocado, quando se considera que a margem de lucro a que se refere a Lei nº 9.430/1996 é bruta, não líquida. Ou seja: pelo método PRL, o legislador pressupôs que a margem de 20% do preço de venda fosse suficiente para remunerar TODOS os fatores que não o próprio produto importado. A Recorrente alega, em síntese, que: … frete, seguro e tributos incidentes na importação, juntamente com todas as demais despesas do importador no País, compõem Fl. 3595DF CARF MF 32 parcela que, agregada ao lucro líquido do importador, deverão formar o Mark up legal. Mais uma vez, é reproduzida abaixo parte do voto do Conselheiro André Mendes Moura, condutor do Acórdão nº 9101002.446, da 1ª Turma da CSRF, prolatado na sessão do dia 21 de setembro de 2016, que trata da matéria, cujos argumentos são adotados aqui como razões de decidir. Para discorrer sobre a matéria indevida inclusão de fretes, seguros e impostos no preço praticado, cabe transcrever a redação do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, caput e § 6º, dada antes da alteração promovida pela Lei nº 12.715, de 2012, transcrito na sequência: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I – Método dos Preços Independentes Comparados PIC: [...] II – Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: [...] III – Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: [...] (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Primeira constatação é que a comparabilidade é o valor principal a ser tutelado na matéria atinente aos preços de transferência. E, recusar a aplicação da comparabilidade é o mesmo que ignorar o princípio do arm's length. A operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. E, quanto ao caso em análise, concernente aos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação, só dois mecanismos podem ser seguidos: (1) incluindose na apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação, ou (2) excluindose na apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. Precisamente nesse contexto se justifica a existência do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, porque apresenta um tratamento diferente daquele previsto na regra geral para a apuração do custo contábil pelo art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 13 – O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1° O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá obrigatoriamente: Fl. 3596DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 18 33 a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo. Não há coincidência na construção do sistema de tributação. Como regra geral de dedutibilidade, incluemse os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. Por isso, a legislação de preços de transferência, para buscar um parâmetro de comparação adequado entre preço praticado e preço parâmetro, teve que expressamente se manifestar, por meio do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, para esclarecer que a regra geral de dedutibilidade não seria aplicável. Ou seja, para fins de apuração do preço de transferência, os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação não são dedutíveis, devendo integrar o custo. Portanto, como se pode observar, a redação do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996 consagra o mecanismo de inclusão, na apuração dos preços praticado e parâmetro, dos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. Inclusive, a IN SRF nº 243, de 2002, não vacila sobre o entendimento: Art. 4º (...) § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. Em suma, sob a égide do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, não restam dúvidas sobre o assunto: integram o custo (apuração do preço praticado), para efeito de dedutibilidade (registrase a exceção à regra geral disposta no art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. E não há que se falar que a nova redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, teria alterado tal entendimento. Pelo contrário, confirmou que a comparabilidade sempre foi o valor principal a ser tutelado. Basta observar nova redação dada ao § 6º em debate, e ao novel § 6ºA: § 6º Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) I não vinculadas; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II – que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Fl. 3597DF CARF MF 34 § 6ºA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Primeiro, ao se revogar a redação antiga do § 6º, eliminase a restrição colocada ao preço praticado aplicável sobre a regra de dedutibilidade geral do art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977. Ou seja, passase a permitir a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na apuração do preço praticado. Ou seja, os dispêndios voltam a seguir a regra geral e passam a ser dedutíveis. E, na mesma medida, com a nova redação do § 6º e o novo § 6ºA, determina se que na apuração do preço parâmetro pelo método PRL, não serão mais considerados os valores de frete, seguro (mediante atendimento de determinadas condições) e tributos na importação na apuração do preço praticado. Ora, no ordenamento anterior à redação da Lei nº 12.715, de 2012, o § 6º dirigiase ao preço praticado, e estabelecia exceção à regra geral de dedutibilidade, determinando pela inclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação, vez que, na determinação do preço parâmetro, tais dispêndios eram considerados. Como já dito, a comparabilidade se operava mediante o mecanismo de inclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na determinação dos preços praticado e preço parâmetro. Por sua vez, com a redação da Lei nº 12.715, de 2012, operacionalizouse caminho diverso. O § 6º e § 6ºA dirigemse ao preço parâmetro. Revogase a restrição à regra de dedutibilidade geral (art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977), ou seja, na determinação do preço praticado passa a ser permitida a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação. E, precisamente por isso, a nova redação do § 6º e § 6ºA determina que passam a não integrar a apuração do preço parâmetro os valores de frete, seguro e tributos na importação. A comparabilidade passa a ser operada mediante o outro mecanismo: a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na determinação dos preços praticado e preço parâmetro. Preservada, portanto, a comparabilidade entre os preços parâmetro e praticado. Pelos fundamentos apresentados, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Contribuinte a respeito da matéria indevida inclusão de fretes, seguros e impostos no preço praticado. Em face da argumentação contida no trecho acima transcrito, não se sustenta a interpretação trazida pela Recorrente no sentido de que os valores de frete, seguros e impostos sobre a importação não sejam incluídos no preço praticado. Conforme visto, a comparabilidade é o valor principal a ser tutelado na matéria atinente aos preços de transferência. Assim, devem estar incluídos na apuração dos preços, praticado e parâmetro, os valores de frete, seguros e impostos incidentes na importação. A interpretação da lei também não autoriza o entendimento de que “frete, seguro e tributos incidentes na importação, juntamente com todas as demais despesas do importador no País, compõem parcela que, agregada ao lucro líquido do importador, deverão formar o Mark up legal”. Não há disposição nesse sentido. Ao contrário, como visto no trecho do voto acima transcrito, os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação devem compor o custo. Fl. 3598DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 19 35 No ano de 2012, ocorreu uma modificação quanto à sistemática em comento. A partir da vigência da Lei nº 12.715/2012 a inclusão dos valores de frete, seguro e impostos na importação para determinação do preço praticado não mais ocorre. No entanto, como demonstrado, a comparabilidade passa a ser operada mediante outro mecanismo: a exclusão desses valores se dá na determinação de ambos os preços: praticado e preço parâmetro. Esse novo mecanismo está a confirmar, também, que os referidos valores não fazem e, por decorrência lógica, não faziam parte da parcela da margem de lucro excluída para o cálculo do preço parâmetro. Ajustes segundo os diferentes cenários. Informa a Recorrente que solicitou trabalho junto a uma empresa de auditoria independente para determinar qual seria o ajuste devido em cada um dos possíveis cenários envolvidos: Lei e FOB, Lei e CIF, IN e FOB e IN e CIF, documentos 04 a 07 anexos à impugnação (fls. 3.295 a 3.376). Por esse trabalho, mesmo no caso de se considerar o ajuste segundo o critério previsto na IN SRF nº 243/2002 e o preçopraticado conforme o preço CIF (autos de infração), não pode prevalecer o valor encontrado pela fiscalização, de R$ 77.669.572,89, mas o de R$ 71.041.667,66 (doc. 07 anexo à impugnação – fls. 3.356 a 3.376). Conforme pode ser visto nos “arquivos não pagináveis”, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 894 a 914) e, bem assim, nas planilhas a que ele se refere (fls. 916 a 3.167), que compõem o processo eletrônico, o responsável pela fiscalização trouxe detalhamento exaustivo de dados e de como procedeu ao cálculo dos ajustes. As planilhas referidas no Termo de Verificação Fiscal são relativas a: Demonstrativo dos cálculos dos Preços Praticados (planilha 01 – fls. 916 a 933), Demonstrativo dos cálculos dos preços parâmetro pelo PRL 20 (planilha 02 – fls. 934 a 937), Demonstrativo dos cálculos dos preços parâmetro pelo PRL 60 (planilha 03 – fls. 938 a 3.145), Demonstrativo dos cálculos dos preços parâmetro ponderados PRL 20 / PRL 60 (planilha 04 – fls. 3.146 a 3.150) e Demonstrativo dos cálculos dos ajustes (planilha 05 – fls. 3.151 a 3.167). Contudo, na planilha apresentada pela Recorrente ainda quando da impugnação (doc. 07 – fls. 3.356 a 3.376), são apresentados os preços praticado e parâmetro, assim como o ajuste devido, sem contudo haver o detalhamento do cálculo. Relativamente ao método de cálculo, alguns produtos foram submetidos ao PIC, cujo valor final foi desconsiderado para efeito do ajuste menor pleiteado pela Recorrente de R$ 71.041.667,66. Pelo que foi apresentado, não é possível a checagem quanto à correção do cálculo efetuado pela empresa contratada pela Recorrente nem a aferição de algum eventual erro naqueles efetuados pelo responsável pela fiscalização. Prevalece, portanto, o valor do ajuste encontrado pela fiscalização, não havendo reparação a ser feita quanto aos valores lançados nos autos de infração. Juros de mora sobre a multa de ofício. A Recorrente requer sejam excluídos os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício lançada, nos termos dos artigos 161 do CTN e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Fl. 3599DF CARF MF 36 A aplicação de juros de mora incidentes sobre a multa de ofício se impõe, conforme julgamento formalizado no Acórdão 910100.539 da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Os excertos do voto vencedor da lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner, cujos fundamentos são aqui adotados como razões de decidir, são conclusivos nesse sentido: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: Fl. 3600DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 20 37 "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1º). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). Fl. 3601DF CARF MF 38 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento Fl. 3602DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 21 39 da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Ademais, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg no REsp 1.335.688PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Colhese do respectivo voto condutor: [...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, Fl. 3603DF CARF MF 40 não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Assim, também deve ser negado provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Aplicação do art. 112 do CTN em caso de voto de qualidade diante da existência de dúvida. Alega a Recorrente que, “para conciliar o instituto do voto de qualidade com o princípio constitucional da presunção de inocência, bem como com o artigo 112 do CTN, tornase mandatório o cancelamento das multas veiculadas no presente Auto de Infração” em caso de empate na votação do julgamento. No voto do relator da decisão de primeira instância consta: 72. A fiscalização exigiu a multa de ofício, que é devida em todos os casos de lançamento de ofício, conforme dicção do art. 44 da Lei n° 9.430/96. No caso, a multa aplicada foi de 75%, prevista no inciso I, já que não se cogitou de dolo ou fraude. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 73. A alusão ao artigo 112 do CTN é impertinente, já que não há dúvidas quanto à aplicação da multa, uma vez que se trata de multa objetiva, que é exigível em procedimentos de ofício, independentemente de quaisquer circunstâncias. Conforme explicitado no voto cujo excerto foi transcrito supra, o percentual de multa aplicado foi o do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, na redação da Lei nº 11.488/2007. Para tal, não há necessidade de que tenha havido na conduta qualquer dos tipos descritos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 (sonegação, fraude ou conluio). Nesses casos o percentual é dobrado (150%) conforme prevê o § 2º do mesmo art. 44 acima transcrito. Diferentemente dos casos em que o próprio contribuinte apura e paga espontaneamente, mas a destempo, o tributo que deixou de recolher no tempo próprio (multa moratória), o percentual do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430 (75%) é aplicado a toda infração da qual decorre falta de pagamento ou recolhimento de imposto ou contribuição ou a falta de declaração e, ainda, nos de declaração inexata, desde que a apuração se dê em procedimento de fiscalização (multa de ofício), mesmo que não tenha havido o elemento subjetivo de conduta. E essa responsabilidade de cunho objetivo está prevista no Código Tributário Nacional (CTN), art. 136, que dispõe: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (Grifo acrescido) Fl. 3604DF CARF MF Processo nº 16561.720138/201417 Acórdão n.º 1201001.680 S1C2T1 Fl. 22 41 Diante da apuração da falta de recolhimento ou pagamento das contribuições, mesmo que não seja o caso de sonegação fiscal, deve ser cobrada a assim chamada multa de ofício, de natureza objetiva. Não há, pois, como ser afastada tal cobrança em face da alegação de dúvida, nos termos do art. 112 do CTN. Ademais, o voto de qualidade está previsto no artigo 54 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, sendo prerrogativa do presidente da Turma. Ao relator cabe o relatório e a prolação do seu voto, que poderá ou não ser acompanhado pelos demais conselheiros componentes da Turma. Não há condições de que, no voto do relator, seja definido o que ocorrerá no caso de empate, mesmo porque, nesse momento, não se sabe como se dará o escore de julgamento. Protesto pela produção de provas. Envio de intimações e notificações ao escritório do patrono da Recorrente. Há o protesto pela produção de provas por todos os meios admitidos em direito, inclusive sustentação oral, assim como o pedido de que as intimações e notificações sejam enviadas ao escritório do patrono da Recorrente. A produção de provas foi deferida à Recorrente, durante todo o período de tramitação do processo até a presente fase, sendo a sustentação oral concedida segundo as normas vigentes: artigo 58 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Quanto ao envio de intimações e notificações ao escritório do patrono da Recorrente, isso não é possível ante ao contido no artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, sendo as comunicações remetidas conforme ali determinado. CSLL. Quanto ao auto de infração relativo à CSLL, uma vez que baseado nos mesmos pressupostos fáticos e, ainda, em face das mesmas razões de defesa, aplicase o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ. Conclusão. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 3605DF CARF MF 42 Fl. 3606DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722577/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
(Súmula Carf nº 103)
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS MAIS DE DUAS VEZES NO MESMO ANO CIVIL OU EM PERIODICIDADE INFERIOR AO PREVISTO NA LEI nº 10.101, DE 2000. ANÁLISE DO CASO CONCRETO.
Não há que se falar em descumprimento do requisito de periodicidade de pagamentos, quando (i) o pagamento extemporâneo efetuado a título de participação nos lucros ou resultados não configura parcela autônoma, mas corresponde a saldo remanescente integrante da segunda parcela, prevista no instrumento de negociação coletiva entre as partes, paga incompleta pela empresa; e (ii) inexistem elementos que apontem para a utilização do pagamento com o propósito de substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ASSINATURA DO ACORDO NO PENÚLTIMO OU ÚLTIMO DIA DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101, DE 2000.
É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados.
O instrumento assinado apenas no penúltimo ou último dia do período de apuração dos resultados, ou após o encerramento desse período, está em desconformidade com a legislação de regência. O estabelecimento de parâmetros já sabidamente atingidos, ou mesmo em estágio avançado de apuração, desnatura o programa de participação nos lucros ou resultados, configurando-se, na verdade, em parcela de natureza salarial a título de gratificação ou prêmio pago por liberalidade da empresa.
DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA.
A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, na condição de contribuintes individuais, ainda que atendidos os termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
GANHO EVENTUAL. HABITUALIDADE ANUAL DOS PAGAMENTOS.
Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade anual nos pagamentos aos trabalhadores, na forma prevista em acordo coletivo de trabalho. Relativamente aos contribuintes individuais, pela própria característica da prestação de serviço, a habitualidade do pagamento é irrelevante para a tributação.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2401-004.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento a parte relativa aos pagamentos correspondentes à CCT 2008, competências 01/2009, 02/2009, 04/2009, 06/2009 e 07/2009. Vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para: (i) excluir os valores relativos aos pagamentos previstos em ACT e a diretor não empregado; e (ii) afastar a incidência de juros sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS MAIS DE DUAS VEZES NO MESMO ANO CIVIL OU EM PERIODICIDADE INFERIOR AO PREVISTO NA LEI nº 10.101, DE 2000. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. Não há que se falar em descumprimento do requisito de periodicidade de pagamentos, quando (i) o pagamento extemporâneo efetuado a título de participação nos lucros ou resultados não configura parcela autônoma, mas corresponde a saldo remanescente integrante da segunda parcela, prevista no instrumento de negociação coletiva entre as partes, paga incompleta pela empresa; e (ii) inexistem elementos que apontem para a utilização do pagamento com o propósito de substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ASSINATURA DO ACORDO NO PENÚLTIMO OU ÚLTIMO DIA DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101, DE 2000. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. O instrumento assinado apenas no penúltimo ou último dia do período de apuração dos resultados, ou após o encerramento desse período, está em desconformidade com a legislação de regência. O estabelecimento de parâmetros já sabidamente atingidos, ou mesmo em estágio avançado de apuração, desnatura o programa de participação nos lucros ou resultados, configurando-se, na verdade, em parcela de natureza salarial a título de gratificação ou prêmio pago por liberalidade da empresa. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, na condição de contribuintes individuais, ainda que atendidos os termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. GANHO EVENTUAL. HABITUALIDADE ANUAL DOS PAGAMENTOS. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade anual nos pagamentos aos trabalhadores, na forma prevista em acordo coletivo de trabalho. Relativamente aos contribuintes individuais, pela própria característica da prestação de serviço, a habitualidade do pagamento é irrelevante para a tributação. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS MAIS DE DUAS VEZES NO MESMO ANO CIVIL OU EM PERIODICIDADE INFERIOR AO PREVISTO NA LEI nº 10.101, DE 2000. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. Não há que se falar em descumprimento do requisito de periodicidade de pagamentos, quando (i) o pagamento extemporâneo efetuado a título de participação nos lucros ou resultados não configura parcela autônoma, mas corresponde a saldo remanescente integrante da segunda parcela, prevista no instrumento de negociação coletiva entre as partes, paga incompleta pela empresa; e (ii) inexistem elementos que apontem para a utilização do pagamento com o propósito de substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ASSINATURA DO ACORDO NO PENÚLTIMO OU ÚLTIMO DIA DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101, DE 2000. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 25 77 /2 01 2- 46 Fl. 811DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 812 2 impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. O instrumento assinado apenas no penúltimo ou último dia do período de apuração dos resultados, ou após o encerramento desse período, está em desconformidade com a legislação de regência. O estabelecimento de parâmetros já sabidamente atingidos, ou mesmo em estágio avançado de apuração, desnatura o programa de participação nos lucros ou resultados, configurandose, na verdade, em parcela de natureza salarial a título de gratificação ou prêmio pago por liberalidade da empresa. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, na condição de contribuintes individuais, ainda que atendidos os termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. GANHO EVENTUAL. HABITUALIDADE ANUAL DOS PAGAMENTOS. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade anual nos pagamentos aos trabalhadores, na forma prevista em acordo coletivo de trabalho. Relativamente aos contribuintes individuais, pela própria característica da prestação de serviço, a habitualidade do pagamento é irrelevante para a tributação. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 813 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento a parte relativa aos pagamentos correspondentes à CCT 2008, competências 01/2009, 02/2009, 04/2009, 06/2009 e 07/2009. Vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para: (i) excluir os valores relativos aos pagamentos previstos em ACT e a diretor não empregado; e (ii) afastar a incidência de juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 814 4 Relatório Cuidase de recurso de ofício e voluntário manejados em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), cujo dispositivo julgou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0734.420 (fls. 622/646): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010 BASE DE CÁLCULO. PLR. PAGAMENTOS MENSAIS. Os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada por mais de duas vezes no mesmo ano civil, integram o saláriode contribuição, uma vez que tais pagamentos malferem a disciplina estabelecida em lei específica. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. FIXAÇÃO PRÉVIA DAS METAS. AFERIÇÃO DO CUMPRIMENTO. As metas devem ser fixadas em comum acordo com os sindicatos e devem ser prévias ao período de execução da atividade ensejadora do seu cumprimento. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CONCEITO. O conceito de saláriodecontribuição, para além de ser um conceito próprio da legislação previdenciária, abarca, não apenas os ganhos habituais, mas todo e qualquer rendimento do trabalho pago ou creditado pelo empregador, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço. PLR. PAGAMENTO A NÃOEMPREGADO. O beneficiário do direito à participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho, desvinculada do salário, é o empregado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRESSUPOSTOS. A duplicação da multa lançada de oficio por falta de recolhimento ou declaração inexata é cabível apenas nos casos em que reste demonstrada nos autos a prática de sonegação, fraude ou conluio. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA FORMAL. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 815 5 Cabe à contribuinte a responsabilidade pela declaração de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e, assim sendo, uma vez apurada pela fiscalização que nem todos os fatos geradores ocorridos foram declarados, a contribuinte está sujeita à aplicação de multa formal, cujo valor mínimo adotado no cálculo da penalidade é o vigente na data de lavratura do Auto de Infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 2. O contribuinte é uma empresa de tecnologia do Grupo do Banco Santander S/A. A auditoria tributária abrangeu o período de 2008 a 2010. Para os créditos tributários vinculados às competências do ano de 2008, formalizouse o Processo nº 19515.722575/2012 57. 3. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, juntado às fls. 223/233, que este processo administrativo é composto por 3 (três) Autos de Infração (AI), compreendendo as competências jan/2009 a abr/2009, jun/2009 a ago/2009, fev/2010 e mar/2010, a saber: (i) AI nº 51.013.9957 (obrigação principal), referente à contribuição previdenciária da empresa e àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais (fls. 257/290); (ii) AI nº 51.013.9965 (obrigação principal), relativo às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados FPAS 515, código 0115 (fls. 291/322); e (iii) AI nº 51.013.9949 (obrigação acessória), por ter a empresa deixado de apresentar documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, Código de Fundamentação Legal CFL 38 (fls. 323). 4. Quanto às obrigações principais, expõe a fiscalização que o crédito tributário tem sua origem em Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) paga a segurados empregados em desacordo com as premissas básicas estabelecidas na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, o que confere a tais pagamentos a característica de saláriodecontribuição para fins previdenciários. 5. A PLR foi paga ao trabalhadores com base nos seguintes instrumentos de vontade: (i) Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) fls. 146/174; Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 816 6 (ii) Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados (PPR) e Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) fls. 175/216; e (iii) Planos Específicos anexos aos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT), denominados "Plano Executivo PEX" e "Programa Próprio Gestão PPG" fls. 217/220 e 565/572. 5.1 Segundo a autoridade lançadora, no curso do procedimento fiscal, foram identificadas as seguintes irregularidades: Pagamentos com base em CCT: Periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no ano (art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101, de 2000) (i) no caso da CCT 2008, estabelecida em 3/11/2008, com vigência para o período de 1º/9/2008 a 31/8/2009, os segurados empregados receberam três parcelas, nas competências 11/2008 ou 12/2008 ou 01/2009 (1ª parcela), 02/2009 ou 04/2009 (2ª parcela) e 06/2009 ou 07/2009 (3ª parcela) (itens 3.1.3 a 3.1.6 do Relatório Fiscal e Anexo 1, respectivamente, às fls. 224/225 e 236/240). Competências do lançamento: 01/2009, 02/2009, 04/2009, 06/2009 e 07/2009. No tocante aos valores pagos aos trabalhadores no ano de 2008, considerados como integrantes do saláriode contribuição, estão incluídos no Processo nº 19515.722575/201257; Pagamentos com base em ACT: Pactuação somente ao final do período de aferição dos resultados (art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.101, de 2000) (i) o PPR 2008 é composto por dois acordos idênticos, ambos com vigência para o período de 1º/1/2008 a 31/12/2008. O primeiro, com data de 30/12/2008, assinado com a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec), e o segundo, datado de 02/02/2009, firmado com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). Os programas não atendem ao requisito legal de pactuação prévia do programa de metas, resultados e prazos (item 3.2.1 a 3.2.6 do Relatório Fiscal e Anexo 2, respectivamente, às fls. 225/226 e 241/245). Competência do lançamento: 02/2009; (ii) o PPRS 2009/2010, com vigência de 1º/1/2009 a 31/12/2010, assinado em 30/12/2009, não atende ao requisito Fl. 816DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 817 7 legal de pactuação prévia do programa de metas, resultados e prazos (item 3.2.6 a 3.2.10 do Relatório Fiscal e Anexo 3, respectivamente, às fls. 226/227 e 246/249). Competências do lançamento: 02/2010 e 03/2010; Pagamentos com base em ACT (Plano Específico): Complementação salarial (i) a cláusula 6ª do PPR 2008 estabelece um Programa Específico de participação nos lucros ou resultados a ocupantes de cargos executivos, tais como diretores, gerentes, supervisores e assessores, o qual integra o acordo na forma do anexo "Plano Executivo PEX". De modo análogo, a cláusula 6ª do PPRS 2009/2010 estabelece um Programa Específico de participação nos lucros ou resultados destinado às áreas institucionais da empresa, com valores fixados pela diretoria, denominado de "Programa Próprio Gestão PPG". Em ambos os casos, os pagamentos ostentam natureza salarial, já que a finalidade é complementar o salário base até atingir o patamar de mercado para o profissional (item 3.3.1 a 3.3.5 do Relatório Fiscal e Anexo 4, respectivamente, às fls. 227/228 e 250/256). Competências do lançamento: 02/2009, 03/2009, 08/2009 e 02/2010; Pagamentos com base em ACT (Plano Específico): Contribuintes individuais (i) com base no Plano Específico, que integra o PPR 2008 e PPRS 2009/2010, foram localizados pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados ao Sr. Fernando Diaz Roldan, na condição de contribuinte individual. Todavia, os pagamentos referentes à PLR, com respaldo na Lei nº 10.101, de 2000, são inerentes aos segurados empregados. O pagamento a contribuintes individuais ostenta natureza de complementação da remuneração. Competências do lançamento: 02/2009 e 02/2010 6. A autoridade fiscal qualificou a multa de ofício, duplicando o patamar básico até 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (item 7 do Relatório Fiscal, às fls. 231). 7. No tocante ao AI nº 51.013.9949, o contribuinte foi intimado, em 29/3/2012, para a apresentação de documentos relativos aos Programas Específicos de 2008 e 2009. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 818 8 7.1 Ante a falta de atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 5, foi aplicada multa pelo descumprimento de obrigação acessória, com fulcro nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação da Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, c/c alínea "j" do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 (item 6 do Relatório Fiscal, às fls. 230/231). 8. Cientificado da autuação, em 27/11/2012, às fls. 257, 291 e 323, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 333/393). 9. Quando da apreciação do litígio, a decisão de piso afastou a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento), ante a falta de demonstração pela autoridade fiscal dos atos que, cometidos dolosamente, implicam a conduta de sonegação imputada ao autuado. 10. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 11. Intimada por via postal da decisão de piso em 29/9/2014, às fls. 672, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 29/10/2014 (fls. 674/742). 11.1 Em síntese, o sujeito passivo aduz as seguintes razões de fato e direito contra a decisão de piso que acatou parcialmente a sua impugnação: (i) desprovimento do recurso de ofício, ante a ausência de comprovação de dolo na conduta da empresa; (ii) os pagamentos com base em CCT 2008 respeitaram a periodicidade prevista em lei; (iii) é indevida a desconsideração total dos valores pagos a título de PLR, como entendeu a autoridade lançadora, corroborada pela decisão de piso; (iv) firmados antes da distribuição da correlata participação nos lucros ou resultados aos segurados empregados, não procede a descaracterização dos pagamentos efetuados com base em ACT (PPR 2008 e PPRS 2009/2010) e respectivos Planos Específicos, pelo só fato da data da assinatura dos instrumentos de negociação; (v) os pagamentos a título de PLR aos administradores não empregados escapam à tributação da contribuição previdenciária, havendo respaldo na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; (vi) de modo subsidiário, os pagamentos efetuados com fundamento em ACT e respectivos Planos Específicos aos trabalhadores, inclusive contribuinte individual, revestemse da natureza jurídica de uma gratificação não habitual; Fl. 818DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 819 9 (vii) diante da inexistência da obrigação principal, tornase improcedente a aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória de declaração dos fatos geradores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), no ano de 2008; (viii) o valorbase da multa aplicada no auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória está em desacordo com a legislação à época dos fatos geradores; (ix) houve equívoco no critério de aplicação da retroatividade benigna com relação às multas; e (x) a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício é descabida. 12. Com o propósito de evitar uma análise despedida de congruência nos Processos nº 19515.722575/201246 e 19515.722577/201246, na medida em que decorrentes da mesma ação fiscal e formalizados com identidade parcial no que diz respeito aos fundamentos do lançamento do crédito tributário e elementos de prova, solicitei a vinculação dos processos para fins de julgamento em conjunto. A conexão proposta foi deferida pelo Presidente da 2º Seção (fls. 808/810) É o relatório. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 820 10 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Admissibilidade a) Recurso Voluntário 13. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. b) Recurso de Ofício 14. Quanto ao recurso de ofício, formalizado na própria decisão, foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 15. Recentemente, no entanto, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 10/2/2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 15.1 O recurso de ofício deverá ocorrer sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). 16. Sobre a aplicação do limite de alçada no tempo, consolidouse o entendimento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) que, por tratarse de norma processual, sua aplicação aos processos em curso é imediata, em detrimento ao regramento vigente à época da interposição do recurso de ofício. Tal posição consta do enunciado da Súmula nº 103: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 17. Compulsando os autos, verifico que a desoneração abrangeu, como visto, o acréscimo de 75% a título de qualificação da multa de ofício. 17.1 Segundo a decisão de piso, às fls. 646, o valor exonerado correspondeu a R$ 1.831.250,86 (hum milhão oitocentos e trinta e um mil, duzentos e cinquenta reais, oitenta e seis centavos) e R$ 449.687,24 (quatrocentos e quarenta e nove mil, seiscentos e oitenta e sete reais, vinte e quatro centavos), respectivamente, em relação ao AI nº 51.013.9957 e Fl. 820DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 821 11 51.013.9965, totalizando o montante de R$ 2.280.938,10 (dois milhões duzentos e oitenta mil, novecentos e trinta e oito reais, dez centavos). 18. De verse, portanto, que o valor desonerado pela decisão de primeira instância, relativo à multa de ofício proporcional qualificada, é inferior a R$ 2.500.000,00. 19. Logo, não conheço do recurso de ofício, por falta de previsão legal, tendo em conta o limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 2017. Julgamento em Conjunto 20. Para manter a coerência decisória, os Processos nº 19515.722575/201246 e 19515.722577/201246 estão sendo julgados na mesma sessão pelo colegiado. Mérito a) Pagamentos com base na CCT 2008 21. Para a fruição do benefício fiscal, o § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, estabeleceu regras quanto à periodicidade dos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados. Na redação vigente à época dos fatos geradores, o legislador fixou o limite anual de 2 (dois) pagamentos, desde que efetuados num intervalo mínimo de um semestre: Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) (GRIFEI) 22. A finalidade da instituição pelo legislador desse critério básico para a não incidência da contribuição previdenciária foi buscar evitar a utilização da parcela como uma forma disfarçada de substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado. 23. Segundo a autoridade lançadora, a empresa realizou o pagamento da PLR em 3 (três) parcelas, em desacordo com o § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, e conflitando com o estipulado na própria CCT 2008 (Anexo 1, fls. 236/240). 23.1 A fim de manter fidelidade com os termos da acusação fiscal, reproduzo o item 3.1.4 do Relatório Fiscal, "in verbis" (fls. 225): 3.1.8 Foram verificados na folha de pagamento de 11/2008, 12/2008 e 01/2009 pagamentos referentes a primeira parcela da Fl. 821DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 822 12 PLR, rubrica 505 antecipação PLR. Na segunda parcela, conforme a CCT 2008, deveriam ser pagos a PLR e o adicional de PLR até 02/03/2009. Foram verificados pagamentos referentes a PLR (rubrica 980) em 02/2009 e 04/2009 e valores referentes ao adicional de PLR (rubrica 985) em 06/2009 para uma parte dos empregados e em 07/2009 para a outra parte. Portanto os pagamentos foram efetuados em 3 (três) parcelas. 24. Em contraponto aos termos acusatórios, a recorrente advoga que os pagamentos nos meses de jun/2009 e jul/2009, sob a rubrica "985 Adicional de PLR", configura tão somente um complemento da segunda parcela e não caracteriza a existência de pagamento autônomo. 24.1 De acordo com o convencionado na CCT 2008, a segunda parcela era bipartida em duas rubricas: "980 PLR" e "985 Adicional de PLR", as quais deveriam ser apuradas com base em metodologias de cálculo distintas. O pagamento da segunda parcela, em fev/2009, deuse apenas com relação à rubrica "980 PLR"; a parte inadimplida, representada pelo adicional a ser pago sob a rubrica "985 Adicional de PLR", foi quitada nos meses de jun/2009 e jul/2009. 24.2 A extemporaneidade do pagamento do adicional de PLR foi motivada, segundo a petição recursal, pelo fato de o cálculo da parcela assentarse em bases complexas, utilizandose do cotejamento de lucros da empresa, cujos resultados foram objeto de reavaliação contábil e de contínuo diálogo com as entidades sindicais representantes dos trabalhadores. 24.3 Finaliza a recorrente dizendo que na hipótese de manutenção do lançamento fiscal, a incidência da tributação deve alcançar somente as parcelas pagas em jun/2009 e jul/2009, e não a totalidade dos pagamentos efetuados a título de PLR de 2008, como impôs a autoridade lançadora. 25. Pois bem. Como visto, o § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, prevê regra expressa no que diz respeito à periodicidade dos pagamentos. A leitura é clara e aparentemente não deixa margem a dúvidas. 26. Nada obstante, o intérprete do direito não pode simplesmente aplicar o dispositivo de lei dissociado do mínimo exame das particularidades existentes no caso concreto, sob pena de inviabilizar os objetivos propostos pelo legislador e prejudicar o interesse de trabalhadores e da empresa. 27. A interpretação literal da lei pode levar muitas vezes a resultados indesejáveis, com desprezo ao sentido da norma jurídica. Não se trata de relativizar o princípio da legalidade, mas apenas identificar situações específicas que mereçam um tratamento consentâneo com a finalidade pela qual a norma restou inserida pelo legislador no ordenamento jurídico. 28. Vale ressaltar que, ao realizar pagamentos a título de PLR mais de duas vezes no mesmo anocalendário ou em periodicidade inferior ao semestre civil, sob quaisquer justificativas, a empresa estará atraindo para si o ônus da prova das suas alegações. De fato, o encargo de provar pertence à recorrente, na medida em que a prova incumbe a quem tem interesse em prevalecer os fatos que sustenta como fundamento à sua pretensão. Fl. 822DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 823 13 29. Nessa linha de pensamento, e com base no exame do conjunto probatório carreado aos autos pelas partes, assiste razão à recorrente quando afirma que os pagamentos realizados nos meses de jun/2009 e jul/2009 não descaracterizam a natureza jurídica da PLR com base na CCT 2008. 30. A PLR devida aos trabalhadores, segundo a CCT 2008, é composta de duas partes, ambas com pagamento previsto até 2/3/2009, utilizando de metodologias de apuração distintas (fls. 156/165). 30.1 Uma parte da PLR, conforme Cláusula Primeira, corresponde ao valor que chamaremos de "ordinário", calculado a partir de um percentual incidente sobre a remuneração mensal do trabalhador, mais uma quantia fixa, respeitado, no conjunto, um limite máximo, igual a R$ 6.301,00 (seis mil trezentos e um reais). 30.2 Já quanto ao adicional da PLR, previsto na Cláusula Terceira da CCT 2008, sua apuração é feita em função de um percentual incidente sobre o crescimento do lucro líquido 2008/2007, com divisão do montante em partes iguais entre os segurados empregados, observado um limite individual. 31. Voltandose os olhos para o Anexo 1, planilha elaborada pela autoridade fiscal para mostrar os pagamentos efetuados pela recorrente, observase que: (i) a segunda parcela, foi paga em valores variáveis, porém limitada ao montante de R$ 6.301,00, nos meses de 02/2009 ou 04/2009, conforme o beneficiário (rubrica 980 PLR); e (ii) a terceira parcela, foi paga em valores fixos, iguais a R$ 500,00 (quinhentos reais), ressalvados os casos de proporcionalidade em razão dos meses trabalhados, nos meses de 06/2009 ou 07/2009, conforme o trabalhador (rubrica 985 Adicional PLR). 32. A fim de demonstrar que os pagamentos de 06/2009 e 07/2009 referemse ao adicional da PLR 2008, o qual deixou de ser adimplido pela empresa na época inicialmente acordada, a recorrente trouxe aos autos cópias de correspondências mantidas com as representações sindicais (Contraf e Contec), em que há a cobrança do pagamento do adicional previsto na CCT 2008, assim como as justificativas da empresa para o atraso na quitação dos valores devidos aos trabalhadores (fls. 791/798). 33. Por sua vez, conforme registra o Relatório Fiscal, a CCT 2008 estabeleceu o pagamento da participação nos lucros ou resultados em duas parcelas: a antecipação do valor ordinário e do respectivo adicional da PLR, até 10/11/2008, e o pagamento da parcela final, equivalente a PLR e do seu complemento, até 2/3/2009 (item 3.1.3, às fls. 224). A autoridade lançadora não faz alusão à existência de quaisquer aspectos que neguem validade ao instrumento de negociação efetivado entre as partes. 33.1 É de se admitir, portanto, a higidez da convenção coletiva no que tange à estipulação das regras de periodicidade dos pagamentos, constituindo a irregularidade apontada pela autoridade lançadora, quanto ao número de pagamentos, um problema exclusivo da execução da CCT 2008. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 824 14 34. Contudo, tal falha na execução da CCT 2008, que considero uma situação excepcional, após avaliado o caso concreto, não possui o condão de alterar a natureza dos valores pagos em jun/2009 e jul/2009 para fazer incidir a tributação da contribuição previdenciária, assim como as contribuições reflexas devidas a terceiros. 35. É nítido, pelo conjunto probatório, que os pagamentos realizados em 06/2009 e 07/2009 não representam parcelas autônomas de PLR, de modo a tipificar uma incompatibilidade com os termos negociados e pactuados mediante a CCT 2008. 35.1 Os valores pagos em 06/2009 e 07/2009, embora extemporâneos, integram a segunda parcela prevista na CCT 2008, a qual foi paga incompleta em 02/2009 ou 04/2009, correspondendo a pagamento de saldo remanescente. 36. Além disso, não há elementos que apontem para a sua utilização com o propósito de substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado naqueles meses. 37. Enxergo, desse modo, que os pagamentos em 06/2009 e 07/2009 não representam desrespeito ao comando previsto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000. 38. Em consequência, estão conforme a sistemática legal de desoneração tributária, atendendo aos pressupostos normativos contidos no § 2º do art. 22 e na alínea "j" do § 9º do art. 28, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, abaixo reproduzidos: Art. 22 A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. (...) Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) 39. Se os pagamentos em 06/2009 e 07/2009 não contaminam a desoneração tributária, muito menos podem ser considerados submetidos à tributação aqueles realizados em 01/2009, 02/2009 e 04/2009, dado que a autoridade fiscal descaracterizou o benefício fiscal relativamente a todos os pagamentos decorrentes do plano. 40. Logo, cabe afastar o lançamento sobre os valores dos pagamentos correspondentes à CCT 2008, relacionados às competências 01/2009, 02/2009, 04/2009, 06/2009 e 07/2009 (item 3.1.4 do Relatório Fiscal, às fls. 225). Fl. 824DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 825 15 41.1 Segundo a autoridade fiscal, os valores estão incluídos no Levantamento Fiscal "C82 PARTIC LUCROS CCT 2008", compondo o AI nº 51.013.9957 e 51.013.9965 (fls. 259/260 e 293/294). b) Pagamentos com base em ACT 42. Relativamente aos pagamentos efetuados como base em ACT 2007, mais especificamente no PPR 2008 e PPRS 2009/2010, o fundamento da acusação fiscal é que o programa de PLR, em razão da data de assinatura dos acordos, não foi pactuado previamente, conforme determina o § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000 (item 3.2. do Relatório Fiscal, às fls. 225/227): Art. 2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) 43. A recorrente rechaça a pretensão fiscal sob vários argumentos. Em primeiro lugar, afirma que as metas e regras para recebimento da PLR eram de amplo conhecimento dos funcionários da empresa, haja vista a absoluta semelhança com aqueles mesmos parâmetros estabelecidos em acordos de anos anteriores, a exemplo do ACT 2006 e ACT 2007. 43.1 Acrescenta, na sequência do recurso voluntário, que as metas para recebimento da PLR não consideravam os empregados individualmente, mas o desempenho da instituição de uma forma global, seja visando ao aumento da satisfação de seus clientes, seja objetivando um aumento do lucro. 43.2 Por derradeiro, alega que, ao contrário do entendimento fiscal, a própria Lei nº 10.101, de 2000, não prevê como requisito de validade a prévia pactuação do programa de PLR. Com efeito, o único requisito relacionado à data de celebração de acordos de PLR é que este seja firmado antes da distribuição dos valores que lhe são objeto, o que ocorreu no presente feito. 44. Pois bem. É incontroverso que o PPR 2008, com vigência para o período de 1º/1/2008 a 31/12/2008, está datado em 31/12/2008 e 02/02/2009, respectivamente, pois firmados com Contec e Contraf (fls. 189/201 e fls. 202/206). Fl. 825DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 826 16 44.1 Segundo descreve a Cláusula Terceira desses acordos coletivos, o critério para fruição da PLR é demarcado pela melhoria no índice de satisfação dos clientes das instituições financeiras, com base na posição do Banco Santander S/A no "ranking" disponibilizado anualmente. 45. No que tange ao PPRS 2009/2010, vigente entre 1º/1/2009 a 31/12/2010, a sua assinatura deuse em 30/12/2009 (fls. 207/216). 45.1 Nesse caso, a Cláusula Terceira estabelece o critério de apuração dos valores a título de PLR a partir da relação percentual entre lucro líquido e patrimônio líquido do Banco Santander S/A com a média dos principais concorrentes, denominado "Índice Comparativo ROE". 45.2 Saliento que a desconformidade identificada pela fiscalização, tendo em vista a data de assinatura do acordo coletivo, diz respeito ao período de avaliação relacionado ao exercício de 2009. 46. Em termos da legislação aplicável à PLR, o § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, reproduzido linhas acima, enumera de forma exemplificativa, e não taxativa ou exaustiva, os critérios para a fixação dos direitos de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, tais como índice de produtividade, qualidade e programas de metas e resultados. 46.1. Mesmo que condicionado às finalidades e exigências da lei, as partes têm liberdade para fixar os critérios e condições da fruição da PLR, sendo válida, a princípio, a escolha de qualquer resultado que interesse à empresa. 47. No entanto, é fundamental não perder de vista que a participação nos lucros ou resultados é um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, constituindose em ferramenta à disposição da empresa para motivar e integrar o trabalhador no objeto empresarial, com vistas ao alcance de uma meta ou resultado futuro. 48. Quero dizer que o acordo entre as partes deve incentivar, via de regra, o alcance de resultados pactuados previamente, com regras claras e objetivas a respeito da contribuição dos empregados, delimitadas individual ou coletivamente, com mecanismos de aferição do acordado, requisitos os quais, se cumpridos, darão direito à retribuição financeira ao trabalhador. 49. É da essência do instituto que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, extraído da própria interpretação sistemática do ordenamento jurídico, a partir do inciso XI do art. 7º da Constituição da República de 1988, que instituiu a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, em conjunto com a regulamentação dada à matéria pela via da Lei nº 10.101, de 2000. 50. É verdade que a lei não impõe de modo expresso qualquer momento para a assinatura do instrumento de negociação. Porém, tal característica da legislação não tem o condão de levar o intérprete à conclusão extrema de que é suficiente tão somente a formalização do acordo, devido ao término das negociações, não suceder ao pagamento da parcela da participação nos lucros ou resultados. Fl. 826DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 827 17 50.1 A exigência de formalização do instrumento antes do pagamento, tal como defende a recorrente, é até mesmo óbvia, porquanto devese garantir ao trabalhador a possibilidade de examinar se o montante recebido está conforme as metas e critérios pré estabelecidos entre as partes para o respectivo pagamento. 51. A prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, para autorizar a fruição do benefício fiscal é uma situação ideal para a garantia dos direitos dos trabalhadores e o incentivo ao aumento de produtividade. Nada obstante, é limitada pelo mundo real brasileiro, dadas as dificuldades práticas de negociação e conclusão a tempo da sua formalização por escrito. 52. Daí porque é inevitável certa flexibilidade, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto que visa à melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. 53. Essa possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração. 54. Nesse raciocínio finalístico, é possível, portanto, aceitar a assinatura depois de iniciado o período de aferição, sem que implique um desvirtuamento integral em face da legislação de regência, desde que evidenciada, considerando o tipo de metas e/ou resultados estabelecidos, a negociação em curso e o amplo conhecimento pelos empregados das regras discutidas, de maneira que os trabalhadores pudessem desde já adotar medidas práticas para atingir as metas ou os resultados que adiante restarão acordados entre as partes. 55. No caso em apreço, contudo, penso inviável legitimar, tendo em conta as finalidades da Lei nº 10.101, de 2000, a situação identificada pela fiscalização nos autos, mesmo que adotada a flexibilidade de prazo para assinatura do ajuste a que fiz menção há pouco. 56. A assinatura dos acordos apenas no penúltimo (30/12/2009) ou último dia (31/12/2008) do período de apuração dos resultados, revelase similar, no tocante ao seus efeitos, à assinatura posterior, que também foi identificada (02/02/2009), ao respectivo encerramento do período de apuração. 56.1 Da mesma maneira que não há como incentivar e aferir o resultado que já ocorreu, o estabelecimento de parâmetros já sabidamente atingidos, ou mesmo em estágio avançado de apuração, igualmente desnatura o programa de participação nos lucros ou resultados, configurandose, na verdade, em parcela de natureza salarial, a título de gratificação ou prêmio pago por liberalidade da empresa. 56.2 A certeza do alcance dos resultados para fins do direito ao pagamento da PLR trás como consequência que os sindicatos, representando os trabalhadores, não criam obstáculos à assinatura do acordo em data próxima ao término do período de apuração, mesmo diante do tempo insuficiente que os empregados disporiam para direcionar seus esforços para atingir o que foi juridicamente pactuado. 57. Por outro lado, a existência de similitude com os acordos firmados em exercícios anteriores não possui, no caso sob exame, a importância que pretende dar a recorrente a tal fato. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 828 18 57.1 Reconheço que a existência de ajuste anterior, com características semelhantes, pode gerar expectativa do trabalhador, de sorte a contribuir para o incentivo da sua produtividade. 57.2 Todavia, a pactuação do instrumento ao "apagar da luzes" do período a que se referem os resultados, em 31/12/2008 (exercício 2008) ou 30/12/2009 (exercício 2009), ou mesmo após o período de avaliação, em 02/02/2009 (exercício 2008), extrapola qualquer flexibilidade possível, sendo flagrantemente contrária ao próprio sentido de incentivo à produtividade perseguido pelo legislador. Não pode, tampouco deve, o aplicador do direito acatála como estando em harmonia com o ordenamento jurídico. 57.3 Caso contrário, se estaria admitindo uma presunção indevida, em desfavor do interesse do trabalhador protegido pela lei, consistente na possibilidade de definição das regras para aquisição do direito de receber a PLR por meio dos costumes ou verbalmente, em detrimento da sua implementação mediante instrumentos normativos previamente negociados para o período de avaliação, que não deixem margem à discricionariedade do empregador, conforme prescrito na Lei nº 10.101, de 2000. 58. Além do que, não custa lembrar, apenas quando da assinatura do termo de acordo, com a participação do respectivo sindicato, concretizase a negociação entre as partes e o ato consensual está apto a produzir efeitos jurídicos que lhe são próprios para o respectivo período a que se refere. 59. Também a fixação de metas com base no desempenho da empresa como um todo, e não considerando o trabalhador individualmente, não valida a assinatura do acordo laboral ao final do período de avaliação. 59.1 A avaliação coletiva, com participação geral dos trabalhadores, não afasta o esforço individual, em menor ou maior grau, para a construção do resultado pretendido, mesmo que atrelado a parâmetros vinculados ao aumento da satisfação dos clientes e do lucro da empresa. 59.2 Continua a exigência de que a assinatura do instrumento de acordo coletivo concretizese com antecedência ao final do período de aferição, para que ainda seja possível a adoção pelo trabalhador de medidas para atingir a produtividade coletiva previamente pactuada entre as partes. 60. Concluo, portanto, que a autoridade fiscal procedeu de modo escorreito ao considerar os valores pagos com base em ACT (PPR 2008 e PPRS 2009/2010), competências 02/2009, 02/2010 e 03/2010, como integrantes da remuneração e do saláriodecontribuição dos segurados empregados, por estarem em desconformidade com o que prescreve a Lei nº 10.101, de 2000. c) Pagamentos com base nos Planos Específicos (PEX e PPG) 61. Quanto aos Planos Específicos mantidos pela empresa, a recorrente acentua que o PEX e PPG, por estarem previstos na Cláusula Sexta dos ACT´s, não são independentes, respectivamente, do PPR 2008 e PPRS 2009/2010. Uma vez reconhecida a legitimidade dos pagamentos efetuados com base nos acordos coletivos, também deve ser afastada, por Fl. 828DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 829 19 decorrência lógica, a incidência da tributação sobre os valores relacionados aos Planos Específicos (fls. 189/201, fls. 202/206 e 207/216): PPR 2008 CLÁUSULA SEXTA: PROGRAMAS ESPECÍFICOS MANTIDOS PELOS ACORDANTES Ficam ratificados, nos termos do artigo 2º, II, da Lei 10.101/00, todos os Programas de Participação nos Lucros ou Resultados, específicos para segmento de negócios dos ACORDANTES, com as metas, indicadores, formas de aquisição e prazo de vigência que constaram dos respectivos instrumentos, nominados PROGRAMAS SIM e respectivo Super Ranking, os quais integram o presente acordo. PARÁGRAFO ÚNICO As participações nos lucros ou resultados dos trabalhadores ocupantes dos cargos executivos, como tais compreendidos os administradores e os demais cargos diretivos, de gerência e de supervisão ou assessores, integram o presente acordo e obedecerão às regras e valores fixados pela diretoria com base no respectivo cargo ou função, no PEX, Programa Executivos PPRS 2009/2010 CLÁUSULA SEXTA: Programas Específicos mantidos pelos Acordantes Ficam ratificados, nos termos do artigo 2º, II, da Lei 10.101/00, todos os Programas de Participação nos Lucros ou Resultados, específicos para segmento de negócios das EMPRESAS ACORDANTES, relacionados em anexo, com as metas, indicadores, formas de aquisição e prazo de vigência que constaram dos respectivos instrumentos, nominados PROGRAMAS SIM e respectivos Super Ranking/RV Cartilha, e Programas Específicos relacionados no Anexo I, os quais integram o presente Acordo Coletivo de Trabalho. PARÁGRAFO PRIMEIRO Integra, também, o presente Acordo Coletivo de Trabalho, o PPG Programa Próprio Gestão, destinado às áreas institucionais que obedece às regras e valores fixados pela Diretoria com base nos respectivos cargos ou função. (...) 62. De fato, o PEX e o PPG, destinados aos pagamentos de PLR para determinadas áreas de negócios da recorrente, são partes integrantes dos ACT´s 2008, 2009 e 2010. 63. Se as datas de assinatura dos ACT´s, como visto no tópico precedente, acarretam a descaracterização dos pagamentos com respaldo nesses instrumentos normativos, Fl. 829DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 830 20 para fins da Lei nº 11.101, de 2000, é decorrência lógica que as parcelas pagas com base no PEX e PPG estarão também contaminadas e, portanto, submetidas ao campo de incidência da tributação, compondo a remuneração e o saláriodecontribuição do segurado empregado. 64. A autoridade fiscal apoiase, contudo, em fundamentação diversa para incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os pagamentos realizados sob o regramento do PEX e PPG. No caso, diz que a partir de informações colhidas em documento impresso fornecido pela empresa, que as verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados teriam por finalidade a complementação salarial, até o patamar de mercado vinculado ao cargo desempenhado pelo profissional beneficiado com o pagamento (item 3.3.4, às fls. 227/228). 64.1 No que concerne a tal enfoque acusatório, a recorrente omitiuse no recurso voluntário e deixou de apresentar argumentos específicos de defesa para infirmar a incidência da tributação sobre os pagamentos com base no PEX e PPG. 65. Dessa feita, sob qualquer ângulo que se analise a questão, chegase invariavelmente às mesmas conclusões, ou seja, que cabe a manutenção da parcela do crédito tributário lançado pela fiscalização, relativo ao PEX e PPG, nas competências 02/2009, 03/2009, 08/2009 e 02/2010. d) Pagamentos a diretor não empregado (contribuinte individual) 66. Nas competências 02/2009 e 02/2010, a empresa pagou participação nos lucros ou resultados a seu diretor não empregado, Sr. Fernando Diaz Roldan, na condição de segurado contribuinte individual, com base nos Planos Específicos PEX e PPG. 67. Defende a empresa que, diante da imunidade constitucional prevista no inciso XI do art. 7º da Carta Política de 1988, a não incidência das contribuições previdenciárias abrange não só os pagamentos a empregados a título de PLR, como também a diretores não empregados. 67.1 Adiciona que a própria Lei nº 6.404, de 1976, lei especial que regula as sociedades anônimas, dá guarida ao pagamento de PLR aos administradores estatutários, cumprindo, desse modo, o requisito estabelecido pela Lei nº 8.212, de 1991, para o fim de escapar à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. 68. Pois bem. A alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, reproduzida novamente abaixo, ao afastar a incidência tributária sobre a participação nos lucros ou resultados da empresa paga ou creditada, de acordo com lei específica, está se referindo à Lei nº 10.101, de 2000, a qual é destinada tão somente aos segurados empregados: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Fl. 830DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 831 21 69. De fato, ao explicitar a norma de não incidência, o inciso X do § 9º do art. 214 do RPS, toma o cuidado de acrescentar a expressão "empregado": Art. 214 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (GRIFEI) 70. Isso porque a Lei nº 10.101, de 2000, não trata de pagamentos a trabalhadores não empregados, haja vista constar expressamente em seu corpo o regramento destinado à negociação entre empresa e seus empregados: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) (GRIFEI) 71. Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a disciplina jurídica relativa à participação nos lucros ou resultados prevista no inciso XI do art. 7º da Carta Política de 1988. 71.1 Concluiu a Corte Suprema que sendo o preceito constitucional de eficácia limitada, a regulamentação somente se operou com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada inúmeras vezes até a conversão na Lei nº 10.101, de 2000, incidindo contribuição previdenciária relativamente aos fatos geradores concretizados antes da vigência daquele ato normativo. 71.2 Eis a ementa do Recurso Extraordinário (RE) nº 569.441/RS, submetido a sistemática de repercussão geral, Relator Ministro Dias Toffoli e Redator do Acórdão Ministro Teori Zavascki, julgado na sessão de 30/10/2014: EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 832 22 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. 72. De modo que não há como acolher o entendimento de que a expressão "lei específica", contida na alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, referese a mais de uma lei ordinária, além da Lei nº 10.101, de 2000, abarcando a distribuição de valores também com base na Lei nº 6.404, de 1976. 73. Menciona a recorrente, ainda, que as parcelas não podem compor o saláriode contribuição do trabalhador em razão do cumprimento de todos os requisitos para a distribuição da participação nos lucros aos administradores elencados no art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976. 74. Para melhor compreensão da previsão contida na Lei das sociedades anônimas, transcrevo o art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976: Remuneração Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. 75. Os pagamentos realizados a título de "atribuição estatutária", também conhecidos como "participação estatutária", como ora se cuida, não se equiparam a valores decorrentes da remuneração de capital. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 833 23 76. A remuneração do administrador pode ser composta por duas parcelas, uma fixa, conhecida como prólabore (art. 150, "caput") e outra variável, consistente na participação nos lucros da companhia por ações, conforme definido pelos acionistas (art. 150, § 1º). Em um e outro caso, não há como liberar a empresa da tributação, porquanto as verbas possuem natureza remuneratória. 77. É verdade que a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos aos acionistas, são contabilizadas em contas de patrimônio líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não mediante débito em contas de resultado do exercício social. 78. Porém, tal característica contábil comum é insuficiente para agregar a natureza de remuneração do capital à participação estatutária. O dividendo pago a acionista decorre da participação acionária na sociedade, ao passo que a participação estatutária ao diretor não empregado é paga em razão da prestação do trabalho. 79. Logo, escorreito o lançamento fiscal que entendeu pela incidência da tributação sobre os pagamentos ao Sr. Fernando Diaz Roldan, diretor não empregado, a título de participação nos lucros ou resultados. e) Ganho Eventual. Falta de habitualidade do pagamento 80. De forma subsidiária, a recorrente argumenta que os valores pagos com base nos ACT´s, inclusive o respectivo PEX e PPG, representam importâncias recebidas a título de ganho eventual, que não integram o saláriodecontribuição, ante a falta de habitualidade do pagamento. 81. Não lhe assiste razão. Dos documentos que instruem os autos, tendo em conta, inclusive, os fatos descritos pela empresa na impugnação e no recurso voluntário, constatase que o pagamento de tais verbas, com a mesma natureza, se efetivou com base em acordos trabalhistas firmados em exercícios anteriores aos anos 2008/2010 (por exemplo: ano calendário 2006, às fls. 574/577, e anocalendário 2007, às fls. 578/581). 82. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade anual nos pagamentos, pela recorrência da situação ao longo do tempo sem interrupção. 83. Além do que, no caso do PEX e PPG, a autoridade lançadora contestou a aplicação da Lei nº 10.101, de 2000, tendo em conta a natureza remuneratória das parcelas, com a função de complementação salarial. Tal aspecto acusatório não foi rebatido a contento pela recorrente 84. Notadamente no tocante ao diretor não empregado, Sr. Fernando Diaz Roldan, a recorrente aduz, de forma pontual, que os pagamentos ocorreram uma única vez no ano de 2009 e no ano de 2010, no mês de fevereiro, o que evidencia a falta de habitualidade do pagamento. 84.1 Ocorre que, relativamente aos contribuintes individuais, pela própria característica da prestação de serviço, a habitualidade do pagamento é irrelevante para a tributação. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 834 24 85. No que tange aos segurados empregados, a parcela que se destina a retribuir o trabalho possui natureza remuneratória, independentemente da sua periodicidade de pagamento (arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212, de 1991). 85.1 A exigência de habitualidade das parcelas recebidas pelo segurado restringese somente aos ganhos sob a forma de utilidades, denominados "in natura". 85.2 É que a legislação tributária não faz menção ao requisito da habitualidade para os ganhos em pecúnia, de tal modo que estão incluídos no campo de incidência das contribuições previdenciárias, nos termos da Lei nº 8.212, de 1991, todos os pagamentos em dinheiro destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. 86. De mais a mais, a impossibilidade de tributação dos pagamentos recebidos a título de ganho eventual, dada a exclusão expressa pelo item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não comporta a interpretação pretendida pela recorrente no recurso voluntário. Eis o dispositivo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) 87. Entendo que o ganho eventual a que alude o item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, deve estar expressamente desvinculado do salário por força de lei, para só então não integrar a remuneração do segurado empregado. 87.1 Com efeito, por meio da alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214 do RPS, o Poder Executivo não repetiu a redação original da Lei nº 8.212, de 1991. Além de suprimir o artigo "os" que antecede "abonos", explicitou que a desvinculação do salário deverá decorrer da lei: "ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". 87.2 Segundo a redação da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador não separou os ganhos eventuais e os abonos em alíneas distintas. Com mais evidência, o regulamento também não o quis fazer, porquanto poderiam, ambos os diplomas, dar tratamento distinto a cada uma das espécies, como se infere do rol de parcelas não integrantes do saláriodecontribuição detalhado no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 9º do art. 214 do RPS. 87.3 Quanto ao termo "expressamente", a contribuição previdenciária é espécie de tributo. Mais que razoável, portanto, que estejam definidas em lei as parcelas integrantes e não Fl. 834DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 835 25 integrantes da remuneração, assim como as respectivas situações e condições, por ser inconcebível deixar, ao alvedrio do sujeito passivo, a exclusão da tributação. 88. Logo, sem razão a recorrente. f) Exclusão da penalidade por descumprimento de obrigação acessória e aplicação da retroatividade benigna 89. Nesse ponto do recurso voluntário, atrapalhase a recorrente na condução dos argumentos de defesa, pois contesta matérias estranhas ao processo sob análise, o qual versa exclusivamente a respeito de créditos tributários apurados com base em fatos geradores ocorridos a partir do ano de 2009. 90. O auto de infração lavrado, relativo a fatos geradores ocorridos no ano de 2008, pelo descumprimento da obrigação acessória de declaração de todos os fatos geradores em GFIP, assim como a aplicação da retroatividade benigna, em matéria de penalidade, prevista na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), são questões inerentes ao Processo nº 19515.722575/2012 57, julgado em conjunto. Naquele processo, o acórdão proferido analisou os elementos de defesa mencionados. 91. Desse modo, a recorrente, no recurso de voluntário de fls. 674/742, não expôs argumentos para tornar insubsistente o AI nº 51.013.9949, o qual trata de multa pela falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização, após devidamente intimado o contribuinte (CFL 38). 92. Por sinal, pelo fato dessa infração configurarse no momento em que o sujeito passivo desatendeu o ato de intimação expedido pela autoridade fiscal, no ano de 2012, o valorbase da multa é aquele estipulado para o respectivo anocalendário da ocorrência da infração. 93. Acertada, portanto, a fixação do valor da multa, como procedeu a fiscalização, com base na Portaria Interministerial MPS/MF nº 2, de 6 de janeiro de 2012 (item 6.6 do Relatório Fiscal, às fls. 231). g) Aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício 94. Ressalvo minha posição particular no sentido de que a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício não é matéria que compõe o lançamento de ofício, o que resultaria, a rigor, na impossibilidade de apreciála no âmbito restrito ao litígio instaurado com a impugnação da exigência fiscal. 95. Todavia, é sabido que a maioria dos conselheiros da Turma é adepta do conhecimento da matéria. Portanto, por economia processual, passo diretamente a análise do mérito. 96. A incidência de juros de mora sobre multa encontra suporte no art. 161 do CTN, a seguir reproduzido: Fl. 835DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 836 26 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (GRIFEI) 97. O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. 97.1 É certo que multa não é tributo. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 97.2 Completo a avaliação inicial destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 98. Por seu turno, o § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. 99. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 836DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 837 27 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (GRIFEI) 100. Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. 101. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no caput do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. 101.1 Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. 101.2 Logo, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. 101.3 Ademais, o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201246 Acórdão n.º 2401004.760 S2C4T1 Fl. 838 28 102. Concluo, portanto, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic), quando não recolhida dentro do prazo. Conclusão Ante o exposto, voto por: (i) NÃO CONHECER do recurso de ofício, dado o limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 2017; (ii) CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento fiscal o crédito tributário incidente sobre os valores dos pagamentos com base na CCT 2008, nas competências de 01/2009, 02/2009, 04/2009, 06/2009 e 07/2009. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 838DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.939982/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 13/06/2003
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA.
Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-003.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 13/06/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Recurso Voluntário Provido.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Recorrente CIA. DE CIMENTO ITAMBÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 13/06/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face de despacho decisório que não homologou a compensação do débito declarado pelo contribuinte, sob o fundamento de falta do direito creditório apontado, tendo em vista que constava do sistema da Receita Federal do Brasil a informação de que o referido crédito já havido sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 99 82 /2 01 1- 50 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.939982/201150 Acórdão n.º 3301003.611 S3C3T1 Fl. 3 2 O contribuinte alega em sua manifestação que o seu direito creditório decorreria da multa de mora que teria recolhido indevidamente, tendo em vista o pagamento de tributo pago espontaneamente, nos termos do art. 138 do CTN. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 14048.817. Para que melhor se compreenda a conclusão a que chegou a DRJ, transcreve se a seguir parte do voto proferido pelo Relator da decisão recorrida: "O presente Despacho Denegatório denegou a restituição do IPI porque o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Portanto, independentemente do direito creditório invocado ser líquido e certo, ou não, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do disposto no Decreto n° 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Quanto ao mérito, O débito fora recolhido/compensado em atraso e a manifestante entende que a multa de mora não deve ser aplicada, em virtude de denúncia espontânea a que alude o Código Tributário Nacional CTN, art. 138. Cingese a controvérsia a esse ponto. (...) Logo, a defesa não tem razão quando, invocando o art. 138 do CTN, pretende eximirse do acréscimo da multa moratória, legalmente definida, incidente sobre tributos em atraso na extinção do crédito tributário por meio de compensação. O instituto da denúncia espontânea exclui, tão somente, a responsabilidade por infrações, o que significa afastar as penalidades aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente. Contudo, como a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabe a exclusão de sua exigência nos casos de denúncia espontânea." Inconformado, o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário, através do qual repisa os argumentos constantes da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.445, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.939964/201178, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.939982/201150 Acórdão n.º 3301003.611 S3C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.445): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como se denota do exposto acima, resta incontroverso nos autos que houve denúncia espontânea por parte do contribuinte. O que se discute, então, é se a denúncia espontânea teria o condão de afastar a exigência da multa de mora ou não. Entendeu a DRJ que não. Defende o contribuinte que sim. Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte. Como é cediço, acerca da denúncia espontânea, o art. 138 do Código Tributário Nacional expressamente dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medido de fiscalização, relacionados com a infração. Da análise de dito dispositivo legal extraise que há duas condições para que a denúncia espontânea seja reconhecida: (i) que esta seja acompanhada do pagamento do tributo; (ii) que ela se dê antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. No caso dos presentes autos, constatase que ambas as condições acima dispostas foram observadas pelo contribuinte, visto que a DCTF em que o contribuinte reconheceu o débito em questão foi transmitida em 15/09/2005 e o recolhimento do tributo já havia sido realizado desde 20/05/2004, ou seja, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da Receita Federal. Tanto que não houve qualquer argumentação por parte da DRJ no sentido de que a denúncia espontânea não teria ocorrido. Os fundamentos da decisão recorrida concentraramse no fato de que a multa de mora seria devida ainda que configurada a denúncia espontânea. Logo, resta caracterizada de forma inconteste a denúncia espontânea neste caso concreto, inclusive nos moldes da decisão do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrita, submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, cuja aplicação deve ser observada por este Conselho: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.939982/201150 Acórdão n.º 3301003.611 S3C3T1 Fl. 5 4 respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) (Grifos apostos). Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.939982/201150 Acórdão n.º 3301003.611 S3C3T1 Fl. 6 5 Nesse contexto, ao contrário do que entendeu a DRJ, entendo que a multa de mora deverá ser afastada sempre que identificada a denúncia espontânea, nos moldes do que determina o art. 138 do CTN, a qual restou devidamente configurada no caso concreto ora analisado. Por oportuno não é demais trazer à baila decisão proferida por este Conselho Administrativo Fiscal em 19/01/2016, por meio da qual afasta a imposição de multa de mora em caso de denúncia espontânea: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, surge o direito de restituição, até o limite dos pagamentos comprovados, pois a multa moratória deve ser excluída pela denúncia espontânea. (Processo n° 10980.010765/200538 Acórdão n° 1201001.269). Com base nos fundamentos acima expostos, entendo que merece reforma a decisão de primeira instância administrativa em sua fundamentação, para fins de reconhecer a necessidade de se afastar a cobrança da multa de mora imposta quando constatada a denúncia espontânea. Ultrapassado este ponto, há de ser analisado, então, o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: O presente Despacho Denegatório denegou a restituição do IPI porque o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Portanto, independentemente do direito creditório invocado ser líquido e certo, ou não, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do disposto no Decreto n° 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em outras palavras, entendeu a DRJ que, ainda que se concluísse pela liquidez e certeza do direito creditório do contribuinte, não haveria como deferir a compensação pleiteada, uma vez que o débito já teria sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte, e que este último não teria se insurgido quanto a tal argumento, tornandoo incontroverso. Novamente, discordo da conclusão a que chegou a DRJ. Isso porque, entendo que o contribuinte insurgiuse desde a sua manifestação de inconformidade quanto ao argumento do despacho decisório de que o débito já teria sido utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do contribuinte. É o que se infere da passagem a seguir, extraída daquela peça recursal: Nesse contexto, a Recorrente transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição ora em discussão, com a finalidade específica de ter restituída a multa moratória paga por ocasião do recolhimento em atraso do IPI do 2o Decêndio de Julho/1999. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.939982/201150 Acórdão n.º 3301003.611 S3C3T1 Fl. 7 6 Conforme se observa da DCTF anexa (doc. 05), para o referido período a Empresa apurou o imposto devido na ordem de R$ 125.557,13, utilizando para a sua quitação dois DARFs, nas quantias de R$ 91.521,37 e R$ 34.035,76. Especificamente em relação ao segundo DARF, a Contribuinte promoveu o seu recolhimento após o vencimento da obrigação, fazendoo no total de R$ 69.579,30. Esse valor pode ser discriminado da seguinte maneira: Valor do Principal: R$ 34.035,76 Valor da Multa: RS 6.807,15 Valor dos Juros: R$ 28.736,39 Ocorre que, como tal pagamento foi realizado espontaneamente pela Recorrente, a mesma faz jus à devolução da multa dc mora, exatamente o direito creditório pleiteado neste pedido de restituição. In casu, a exclusão da multa de mora com a sua restituição à Contribuinte é mera conseqüência da denúncia espontânea havida com o pagamento do débito antes de qualquer procedimento fiscalizatório e anteriormente à retificação da DCTF para a inclusão do DARF indicado no pedido de restituição. E isso, independentemente do montante declarado em DCTF estar integralmente alocado para a quitação do tributo, na medida em que o "Valor Pago do Débito" corresponde ao valor do tributo apurado, o qual foi devidamente acompanhado dos juros legais exigidos. Ao não observar essas particularidades que circunscrevem à hipótese, o despacho decisório olvidouse da natureza do crédito pleiteado multa decorrente de pagamento espontâneo , bem como do fato de que todos os requisitos exigidos no artigo 138, do Código Tributário Nacional (CTN) foram cumpridos pela Recorrente, impondose o de ferimento da restituição pretendida. De fato, o pagamento do DARF foi realizado em 13/06/2003, sendo que a DCTFRetificadora foi transmitida somente em 15/09/2005, não havendo como se questionar a espontaneidade do recolhimento. Assim sendo, ao indeferir o PER/DCOMP objeto do presente processo, decisório ora recorrido afastouse do melhor entendimento doutrinário e jurisprudencial a respeito da matéria, segundo o qual nenhuma penalidade é devida nos casos de denúncia espontânea. Com efeito, o artigo 138, do CTN, dispensa o pagamento de multa seja ela qual for, em casos de denúncia espontânea apresentada antes do início de qualquer procedimento administrativo. De fato, houve o recolhimento do montante de R$ 69.579,30 para a quitação do débito em questão. Acontece que, conforme esclareceu o contribuinte, o recolhimento deuse com o acréscimo de juros e multa de mora, quando deveria incidir na hipótese apenas os juros, em razão da denúncia espontânea. E o valor do crédito pleiteado (R$ 6.807,15) corresponde com exatidão ao montante da Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.939982/201150 Acórdão n.º 3301003.611 S3C3T1 Fl. 8 7 multa de mora paga indevidamente pelo contribuinte, consoante se extrai do DARF anexado aos autos. Sendo assim, diante da denúncia espontânea constatada no caso em epígrafe, entendo que deverá ser reconhecido o direito creditório do contribuinte no importe de R$ 6.807,15, com a consequente homologação da compensação apresentada. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de, reconhecendo o direito do contribuinte ao afastamento da multa de mora quando constatada a denúncia espontânea, reconhecer o direito creditório pleiteado e, em consequência, determinar a homologação da compensação apresentada, no limite do direito creditório reconhecido." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo constatouse as condições para que a denúncia espontânea seja reconhecida, sendo que o recolhimento do montante para a quitação do débito em questão foi anterior à retificação da DCTF, e deuse com o acréscimo de juros e multa de mora, quando deveria incidir na hipótese apenas os juros, em razão da denúncia espontânea. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de, reconhecendo o direito do contribuinte ao afastamento da multa de mora quando constatada a denúncia espontânea, reconhecer o direito creditório pleiteado e, em conseqüência, determinar a homologação da compensação apresentada, no limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901053/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-26T13:10:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-26T13:10:12Z; Last-Modified: 2017-07-26T13:10:12Z; dcterms:modified: 2017-07-26T13:10:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:36a2ee59-56e7-470c-a4b8-8a8ce9e36de0; Last-Save-Date: 2017-07-26T13:10:12Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-26T13:10:12Z; meta:save-date: 2017-07-26T13:10:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-26T13:10:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-26T13:10:12Z; created: 2017-07-26T13:10:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-07-26T13:10:12Z; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-26T13:10:12Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.901053/201341 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.207 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 53 /2 01 3- 41 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901053/201341 Acórdão n.º 1302002.207 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901053/201341 Acórdão n.º 1302002.207 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901053/201341 Acórdão n.º 1302002.207 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.725085/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.871
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 85 /2 01 2- 31 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10469.725085/201231 Acórdão n.º 3302003.871 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.438. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10469.725085/201231 Acórdão n.º 3302003.871 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10469.725085/201231 Acórdão n.º 3302003.871 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10469.725085/201231 Acórdão n.º 3302003.871 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.725085/201231 Acórdão n.º 3302003.871 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721646/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REVISÃO DO LANÇAMENTO.
Em respeito ao princípio da verdade material, cabe a revisão do lançamento de acordo com as provas carreadas aos autos.
Numero da decisão: 2401-004.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA IRRF. GLOSA DESPESAS. Recorrente DAVIS RIBEIRO DE SENA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Em respeito ao princípio da verdade material, cabe a revisão do lançamento de acordo com as provas carreadas aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 16 46 /2 01 3- 14 Fl. 109DF CARF MF 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF nos valores de R$ 10.796,97, acrescido de juros de mora e multa de ofício, e de R$ 2.430,25, acrescido de juros e multa de mora (fls. 22/26), referente a glosa do valor de R$ 52.905,93, indevidamente deduzido a título de contribuição à previdência oficial, e glosa do valor de R$ 3.274,80, indevidamente compensado a título de imposto de renda retido na fonte IRRF, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras declarado em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf. O contribuinte impugnou o lançamento (fl. 2), alegando, em síntese: · Que está questionando o valor de R$ 50.897,06, que foi informado incorretamente na declaração de ajuste e tal valor diz respeito à contribuição para a previdência oficial, devendo ser considerado dedução. · Que junta comprovante de rendimentos com pensão alimentícia. · Que concorda com a infração de compensação indevida de IRRF. Conforme termo circunstanciado e anexo de fls. 33/35, o lançamento foi revisto, sendo considerada a dedução de contribuição para a previdência oficial no valor de R$ 20.347,95, passando o lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF aos valores de R$ 5.587,77, acrescido de juros de mora e multa de ofício, e mantido o de R$ 2.430,25, acrescido de juros e multa de mora. A DRJ/RJO julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento, conforme Acórdão 1269.264, fls. 52/57, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia, quando comprovada a existência de estipulação através de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública e comprovado o efetivo pagamento. Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário e ao art. 36 da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. PARTE DA GLOSA DE DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10140.721646/201314 Acórdão n.º 2401004.818 S2C4T1 Fl. 109 3 Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Consta do voto do acórdão de impugnação: Como se vê da legislação reproduzida, para que seja aceita a dedução de pensão alimentícia, é necessária a comprovação da existência da obrigação de pagar, além do cumprimento desta por meio do efetivo pagamento na forma determinada judicialmente ou por meio de escritura publica. Assim, a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia requer que sejam satisfeitas duas condições concomitantemente: (1) a existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e (2) a comprovação de que esta foi efetivamente paga. O contribuinte juntou, à fl. 05, o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Ano calendário 2009, emitido por Comando do Exército, CNPJ 00.394.452/053304, onde consta Contribuição à Previdência Oficial no valor de R$ 20.549,11, como informado pela Fonte Pagadora na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF que serviu de base ao lançamento, fl. 51, comprovada a dedutibilidade deste valor conforme já se concluira no Termo Circunstanciado/Despacho Decisório. Quanto à Pensão Alimentícia de R$ 30.549,11, também constante do comprovante de fl. 05 e da DIRF de fl. 51, não foram trazidos na impugnação, nem no prazo concedido quando da ciência do Despacho Decisório, documentos relacionados a esta dedução, para além do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte emitido pelo Comando do Exército. Portanto, não se pode fazer a alteração pretendida pelo impugnante de restabelecer a dedução no valor de R$ 30.549,11, a título de pensão alimentícia, por falta de comprovação através de documentação hábil e idônea da existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O processo foi encaminhado para SACAT para que fosse apartado o crédito tributário relativo a parte não impugnada (despacho de fl. 59). Em informação fiscal de fls. 60/61, consta que o acórdão discrimina parte não impugnada que deveria ser apartada. Contudo, "as infrações para as quais não houve impugnação não ocasionaram um resultado de imposto suplementar a cobrar, mas sim a redução do imposto a restituir apurado da declaraçaõ IRPF do interessado". Desta forma, não havia necessidade de apartação de qualquer crédito para cobrança. Cientificado do Acórdão em 9/4/15 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 77), o contribuinte, representado por sua curadora, apresentou recurso voluntário em 5/5/15, fls. 79/83, que contém, em síntese: Fl. 111DF CARF MF 4 Diz que ocorreu um preenchimento equivocado da Declaração de Ajuste Anual DAA 2010/2009, por ausência tempestiva dos documentos das fontes pagadoras. Ressalta que já estava à época acometido dos primeiros sintomas de Parkinson e do mal de Alzheimer, o que dificultou a elaboração da DAA. Esclarece que as divergências mencionadas se referem aos rendimentos recebidos do Comando do Exército e às respectivas deduções, cujos valores foram obtidos à época pela soma dos contracheques e comparativo com a ficha financeira, ao invés do comprovante de rendimentos, que só foi obtido mais tarde. Quanto aos rendimentos recebidos do Banco do Brasil, estes foram equivocadamente lançados como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste anual, quando na verdade eram parte rendimentos isentos e parte rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Diz haver divergência na base de cálculo. Afirma que vários foram os erros no preenchimento da DAA 2010/2009, incluindo o valor ao da contribuição previdenciária, corrigido pela malha, a ausência da pensão alimentícia judicial paga a exesposa Nair C. Ribeiro de Sena (documentos de fls. 91/98) e da despesa médica referente à contribuição para uso da estrutura médica do exército e a incorreta classificação dos rendimentos de aplicação financeira. Quanto ao valor efetivamente pago de pensão, consta do comprovante de rendimentos emitido pelo Comando do Exército, o montante de R$ 30.549,11 e nome da beneficiária Nair C. Ribeiro de Sena. Consta também o valor de R$ 502,42 de pagamento de Despesas Médico OdontoHospitalares ao Exército Brasileiro. De acordo com as informações do Banco do Brasil, é possível confirmar que não houve rendimentos tributáveis na DAA desta fonte pagadora em 2009, apenas rendimentos isentos e tributados exclusivamente na fonte, com valor e cuja soma é bastante próxima ao equivocadamente declarado como sujeito ao ajuste. Diz que a utilização de extratos periódicos para o preenchimento da DAA levou à equivocada interpretação de que seriam rendimentos sujeitos ao ajuste, o que foi detectado em malha, que glosou a compensação do IRRF informado, mas não excluiu o respectivo rendimento declarado apesar de sabedora de sua natureza. Apresenta quadro no qual diz apurar a correta base de cálculo e imposto devido e apura saldo de imposto a restituir. Entende que o acórdão recorrido deve ser reformado, conforme documentos acostados aos autos, inclusive o considerado não impugnado. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10140.721646/201314 Acórdão n.º 2401004.818 S2C4T1 Fl. 110 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Dos documentos juntados aos autos, vêse claramente que o sujeito passivo equivocouse ao fazer sua declaração de ajuste anual, que apresenta erros nos rendimentos tributáveis, isentos e sujeitos à tributação exclusiva, e deixou de informar todas as despesas dedutíveis informou apenas e errado a contribuição previdenciária oficial (somou todas as despesas dedutíveis e informou neste campo), e não informou a pensão alimentícia e despesas médicas. No comprovante de rendimentos juntado às fls. 5/6, constam os valores discriminados na tabela 1. Tabela 1 Valores comprovante de rendimentos Rendimentos tributáveis 145.322,39 Despesas dedutíveis contribuição previdenciária 20.347,95 pensão alimentícia 30.549,11 despesas médicas 502,42 imposto retido 20.510,42 Ocorre que a fiscalização, ao efetuar o lançamento cuidou de glosar o imposto retido na fonte declarado a maior e as despesas declaradas como dedutíveis por falta de comprovação. Depois efetuou a revisão do lançamento, considerando apenas a contribuição previdenciária oficial, pois por falta de comprovação, desconsiderou outras despesas dedutíveis. Diante dos fatos que ora se apresentam, os erros cometidos, o valor das despesas dedutíveis originalmente somados e declarados no campo relativo à contribuição previdenciária, a documentação trazida no recurso voluntário, a moléstia do contribuinte, entendo que o lançamento deve ser revisto, considerando os valores da tabela 1, apurandose o imposto conforme discriminado na tabela 2. Sendo assim, em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário e ao art. 36 da Lei 9.784/99, com razão o sujeito passivo. Tabela 2 IRPF apurado Fl. 113DF CARF MF 6 Rendimentos tributáveis 145.322,39 Despesas dedutíveis contribuição previdenciária 20.347,95 pensão alimentícia 30.549,11 despesas médicas 502,42 total 51.399,48 Base de cálculo apurada 93.922,91 Imposto apurado 17.873,44 Imposto retido 20.510,42 Imposto a restituir 2.636,98 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.721189/2011-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/09/2006
REFRIGERANTES, REFRESCOS E NÉCTARES DA POSIÇÃO 2202.10.00. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. CONDIÇÕES. ATO DECLARATÓRIO. PRODUÇÃO DE EFEITOS RETROATIVOS. IMPOSSIBILIDADE.
A redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 depende de prévia emissão de ato declaratório da Secretaria da Receita Federal.
PRODUTOS DE HIGIENIZAÇÃO. LEGISLAÇÃO DE IPI. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não são produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os produtos de limpeza utilizados em máquinas, equipamentos e em vasilhames utilizados na industrialização de refrigerantes.
Recurso Especial do Contribuinte negado
Numero da decisão: 9303-005.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial, para reconhecer o direito à redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 independente de prévia emissão de ato declaratório da Secretaria da Receita Federal. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial, para reconhecer o direito à redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 independente de prévia emissão de ato declaratório da Secretaria da Receita Federal. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente NORSA REFRIGERANTES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/09/2006 REFRIGERANTES, REFRESCOS E NÉCTARES DA POSIÇÃO 2202.10.00. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. CONDIÇÕES. ATO DECLARATÓRIO. PRODUÇÃO DE EFEITOS RETROATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. A redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 depende de prévia emissão de ato declaratório da Secretaria da Receita Federal. PRODUTOS DE HIGIENIZAÇÃO. LEGISLAÇÃO DE IPI. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não são produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os produtos de limpeza utilizados em máquinas, equipamentos e em vasilhames utilizados na industrialização de refrigerantes. Recurso Especial do Contribuinte negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial, para reconhecer o direito à redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 independente de prévia emissão de ato declaratório da Secretaria da Receita Federal. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 11 89 /2 01 1- 65 Fl. 466DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3302002.169, de 26/06/2013, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/09/2006 MULTA. CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. REALIZAÇÃO. HIPÓTESES. Descabe a realização de diligência ou perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/09/2006 CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. Os produtos intermediários essenciais utilizados na fabricação de um produto novo, os quais sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação exercida sobre o produto em fabricação, proporcionam o direito ao aproveitamento de créditos de IPI. Não se incluem no conceito produtos não utilizados diretamente na produção, como os detergentes e sabões. REFRIGERANTES, REFRESCOS E NÉCTARES DA POSIÇÃO 2202.10.00. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. CONDIÇÕES. ATO DECLARATÓRIO. PRODUÇÃO DE EFEITOS RETROATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. A redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 depende de prévia emissão de ato declaratório da Receita Federal. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10380.721189/201165 Acórdão n.º 9303005.162 CSRFT3 Fl. 463 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/09/2006 PENALIDADES E INFRAÇÕES. ART. 112 DO CTN. TIPICIDADE. Não se inclui nas hipóteses do art. 112 do CTN, para efeito da exclusão da multa de ofício, a divergência de entendimento sobre interpretação da legislação tributária. Recurso Voluntário Negado Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido quanto às seguintes matérias: a) requisitos para a saída de refrigerantes e refrescos contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, com redução de 50% na alíquota do IPI, e b) creditamento do IPI destacado nas notas fiscais de aquisição de produtos de higienização de máquinas e equipamentos, por serem insumos utilizados no processo produtivo (produto intermediário). Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 20177.930 (primeiro tema) e 340200.517 e nº 3402 00.375 (segundo tema). O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 448/451. Intimada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 453/460). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Com relação ao primeiro tema nele proposto, enquanto o acórdão recorrido entendeu que o benefício fiscal tratado nos autos – a redução de 50% das alíquotas do IPI, para os produtos da posição 2202.10.00 –, dependeria de prévia emissão de ato declaratório da Receita Federal, o paradigma concluiu não representar a perda do mesmo direito à redução a inexistência de declaração da SRF, se fosse patente o cumprimento dos requisitos ínsitos na NC 221 da TIPI/98 (o art. 57 do RIPI/98 e o art. 65 do RIPI/2002 têm a mesma redação, o que viabiliza a admissibilidade do recurso). Contudo, embora conhecido, é de se negar, no ponto, provimento ao recurso especial. É, com efeito, o que se passa a demonstrar. A Norma Complementar NC nº 221 à Tabela de Incidência do IPI TIPI tem a seguinte redação: “NC (221). Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código Fl. 468DF CARF MF 4 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério.” Já o art. 65 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), vigente à época dos fatos, previa declaração prévia da SRF, hoje RFB: “Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício;(...)” (g.n.) Portanto, inexistindo a declaração de que trata o dispositivo acima, não há como dar guarida à pretensão recursal, tanto que a Portaria Interministerial nº 113, de 04 de março de 1977, obriga o órgão local da Receita Federal a informar os antecedentes fiscais do requerente no processo que deverá ser encaminhado ao órgão local do Ministério da Agricultura, com posterior retorno para a emissão do competente Ato Declaratório, evidenciando a necessidade de prévia expedição do ato administrativo como condição ao aproveitamento da redução (a redução de alíquotas aqui tratada foi estabelecida no Decreto nº 75.569, de 25 de abril de 1975). Confirase: Art. 1º. Consideramse incluídos no destaque ("ex") constante do Anexo V do Decreto nº 75.659, de 25 de abril de 1975, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto nº 75.808, de 2 de junho de 1975,os refrigerantes e refrescos, naturais, que contenham extrato de semente, de acordo com os padrões fixados pelo Ministério da Agricultura, e que possuam "Certificado de Registro" expedido pelo órgão competente daquele Ministério. Art. 2º. A redução de alíquota conferida pelo artigo 1º do Decreto número 75.659, de 25 de abril de 1975, relativas a bebidas incluídas no destaque constante no Anexo a que se refere o artigo anterior, será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. Art. 3º. Os Ministros da Fazenda e Agricultura expedirão as normas complementares necessárias a execução do disposto neste Decreto. Art. 4º. Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, salvo quanto ao disposto em seu artigo 2º, que vigorará a partir de 1 de novembro de 1976. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10380.721189/201165 Acórdão n.º 9303005.162 CSRFT3 Fl. 464 5 Com relação a segundo tema – o crédito de IPI destacado nas notas fiscais de aquisição de produtos de higienização de máquinas e equipamentos (e vasilhames, como informado no auto de infração), que, no entender da Recorrente, qualificarseia como produto intermediário –, entendemos comprovada a divergência, uma vez que, enquanto o acórdão recorrido afastou a possibilidade de crédito, os paradigmas adotaram justo o entendimento a ele oposto. E, a nosso juízo, embora conhecido, entendemos não assistir, no mérito, razão à Recorrente. Para que um produto se qualifique como intermediário na fabricação de um outro, deve haver um contato físico entre este e aquele. Noutras palavras, o produto intermediário deve integrar, física ou quimicamente, o produto final. Vejam a redação conferida ao art. 147 do Decreto nº 2.637, de 25/06/1998 (RIPI/98): Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (g.n.) Assim, embora alguns possam alegar que os produtos de limpeza utilizados em máquinas, equipamentos e vasilhames são essenciais ao processo produtivo do refrigerante, a verdade é que, aqui, nós estamos a tratar de IPI, que adota, quanto à matériaprima e ao produto intermediário, o critério do contato físico com o produto final. Ora, é evidente que, se os produtos de limpeza integrassem o refrigerante (com ele tivesse algum contato!), estarseia fabricando produto absolutamente impróprio para o consumo humano. Repitase aqui: não estamos a tratar da legislação do PIS/Cofins, mas de interpretação de dispositivo da legislação do IPI. Não por outro motivo, esse também é o entendimento da RFB: Solução de Consulta nº 24 Cosit, de 23/01/2014: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INDÚSTRIA DE FIAÇÃO E TECELAGEM. PEÇAS DE REPOSIÇÃO. MANCHÕES. ROLETES. VIAJANTES. Consideramse produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, desde que atendidos todos os requisitos legais e normativos, as partes e peças de reposição que, apesar de não integrarem o produto final, desgastamse mediante ação Fl. 470DF CARF MF 6 direta (contato físico) sobre o produto industrializado, exigindo sua constante substituição. Dispositivos Legais: Decreto nº 3.000, de 1999, art. 346, § 1o ; Decreto nº 7.212, de 2010 (Ripi/2010), art. 226, I; PN CST nº 65, de 1979. Embora não trate de produtos de limpeza, é evidente que o conceito de produto intermediário adotado nesta Solução de Consulta é o mesmo que justifica o afastamento da pretensão. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Em análise dos autos do processo, especificamente a matéria trazida em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, peço vênia ao ilustre Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que tanto abrilhanta esse Colegiado com suas ricas ponderações, para manifestar meu entendimento em relação a fruição do benefício fiscal – redução de 50% das alíquotas de IPI para os produtos da posição 2202.10.00. Considerando que o acórdão recorrido entendeu que “a redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 depende de prévia emissão de ato declaratório da Secretaria da Receita Federal”, recordo que o sujeito passivo interpôs recurso especial enfatizando seus argumentos com reforço, dentre outros, da declaração de voto da nobre exconselheira Fabíola Keramidas. O que, peço licença, para transcrever parte: “[...] Certamente, para que os contribuintes obtenham a redução da alíquota fiscal, é preciso que atendam aos requisitos exigidos pelo MAPA – Ministério da Agricultura, quanto a isso não resta dúvida. Inclusive, a meu ver, é este o ato constitutivo do benefício. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10380.721189/201165 Acórdão n.º 9303005.162 CSRFT3 Fl. 465 7 Todavia, não coaduno com o entendimento de que o Ato declaratório expedido pela Secretaria da Receita Federal não é declaratório, e a meu sentir, tal entendimento não representa análise de constitucionalidade de Decreto, mas ao contrário, reflete a sua devida interpretação. Explico. É fato incontroverso que a Recorrente atendeu aos requisitos exigidos pelo Ministério da Agricultura para a obtenção do benefício fiscal. Importante esclarecer que o registro do produto somente é conferido após o órgão atestar que o item submetido à sua análise atende a determinados padrões de identidade e qualidade. É apenas após este registro que se permite aos contribuintes apresentarem pedido perante a Receita Federal, visando a declaração do direito à redução do tributo objeto dos autos. Neste sentido, é de minha interpretação que o caráter meramente declaratório foi atribuído expressamente pela legislação [...] Conforme já esclarecido, é o órgão técnico do Ministério que irá constatar a presença dos requisitos e a possibilidade de classificação do produto, com o seu consequente enquadramento nas Notas Complementares beneficiadas com a redução do imposto. E não poderia ser diferente, porque é preciso possuir competência técnica e material para efetivar as análises referentes às características, aos padrões de qualidade e identidade, que são exigíveis para classificação de produtos do gênero. Portanto, pareceme claro que o RIPI, quando mencionou expressamente “serão declaradas, em cada caso, pela SRF ...” estava se referindo, efetivamente, a um ATO de natureza DECLARATÓRIA. O Pedido de Redução perante a Receita Federal, a meu sentir, tem intenção de cientificar o órgão que determinado contribuinte, em cumprimento à legislação e com base em registro obtido perante o Ministério da Agricultura, faz jus ao aproveitamento do benefício [...]” Em relação à essa matéria, entendo que assiste razão ao sujeito passivo, o que partilho do entendimento exposto em Declaração de Voto constante do acórdão recorrido. Fl. 472DF CARF MF 8 Ora, inegável que é o órgão do Ministério MAPA que atesta a presença dos requisitos e a possibilidade de classificação do produto, com o seu consequente enquadramento nas Notas Complementares beneficiadas com a redução do imposto, tendo o Ato emitido pela Receita Federal apenas efeito declaratório. Tanto é assim que a própria Cosit – Coordenação Geral de Tributação veio a esclarecer esse entendimento em Solução de Consulta Cosit 92, de 31 de março de 2015. Traz a Solução de Consulta Cosit em sua ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI REDUÇÃO OBJETIVA. ALÍQUOTA. REFRIGERANTES E REFRESCOS. As pessoas jurídicas que industrializam refrigerantes e refrescos têm direito à redução da alíquota do IPI prevista na NC (221) da Tipi, desde que atendidas as condições previstas nessa nota complementar e na Instrução Normativa RFB nº 1.185 de 26 de agosto de 2011. Não há que ser feita qualquer solicitação à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelo fabricante para que os mencionados produtos possam gozar dessa redução objetiva.” Tal Solução traz como fundamentos: “[...] iii) publicação da Instrução Normativa RFB nº 1.185 de 26 de agosto de 2011, que “dispõe sobre a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aplicável a refrigerante, refresco e extrato concentrado para elaboração de refrigerante que contenham suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná em sua composição”. 21. Com isso, notase que, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.185 de 2011, publicada posteriormente à apresentação da consulta, não há que ser feita qualquer solicitação à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelo fabricante de refrigerantes e refrescos para que esses produtos possam gozar da redução objetiva do IPI prevista na NC (221) da Tipi. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10380.721189/201165 Acórdão n.º 9303005.162 CSRFT3 Fl. 466 9 22. Nesse sentido dispôs o Parecer Normativo Cosit nº 28, de 20 de dezembro de 2013: 5. Nos termos do art. 1º do Decreto nº 8.017, de 2013, foi criada a Nota Complementar NC (211) no Capítulo 21 da Tabela de Incidência do IPI (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 2011, nota esta que reduz as alíquotas do IPI relativas aos extratos concentrados para elaboração de refrigerantes classificados nos “ex” 01 e 02 do código 2106.90.10, desde que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e estejam registrados no órgão competente daquele Ministério. 6. A redução referida no item 5, nos termos do art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 1.185, de 26 de agosto de 2011, independe de requerimento do fabricante e do reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), devendo, no entanto, ser observada especificação expedida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), quanto aos produtos que atendem ao disposto nas Notas Complementares NC (211) e NC (221) da Tipi, conforme o parágrafo único do mesmo art. 1º. [...]” Tal solução entendeu que a fruição do benefício independe do reconhecimento por parte da Receita Federal do Brasil, mas sim do atestado do MAPA. O que ocorreu no caso vertente. Fl. 474DF CARF MF 10 O Parecer normativo Cosit 28 citado nos fundamentos da r. solução de consulta apenas ratificou que o Ato da Receita Federal somente possui efeito declaratório, e não constitutivo, tal como trouxe o próprio art. 65 do Decreto 4.544/02 (vigente à época dos fatos – Grifos meus): “Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício;(...)” (g.n.) Por esse dispositivo, resta claro que o Ato da Receita Federal do Brasil possui caráter declaratório e que o órgão responsável por atestar o cumprimento dos requisitos para a fruição do benefício é o MAPA. Tal como clarificou a Cosit em solução de consulta e a IN 1.185/2011. Cabe esclarecer ainda que a IN SRF 1396/2013, que dispõe, entre outros, sobre o processo de consulta relativo à interpretação da legislação tributária, traz em seu art. 9º que a solução de consulta Cosit tem efeito vinculante perante a Receita Federal do Brasil e resguardam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida e a solução seja publicada a partir de 17.9.2013 – o que é o caso, pois é de 2015. Por todo o exposto, vêse claro que não há que ser feita qualquer solicitação à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelo fabricante para que os mencionados produtos possam gozar dessa redução objetiva. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10380.721189/201165 Acórdão n.º 9303005.162 CSRFT3 Fl. 467 11 Sendo assim, considerando se tratar da mesma hipótese e que o efetivo enquadramento para a fruição do benefício já havia sido atestado pelo órgão legítimo – MAPA, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 476DF CARF MF
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