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Numero do processo: 10860.905164/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVADA A
EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Em atenção ao Princípio da Verdade Material que rege o Processo
Administrativo Fiscal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório já que amparado por informações prestadas pela autoridade fiscal competente.
Numero da decisão: 3302-003.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Em atenção ao Princípio da Verdade Material que rege o Processo Administrativo Fiscal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório já que amparado por informações prestadas pela autoridade fiscal competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Ricardo Paulo Rosa - Presidente Lenisa Prado - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Walker Araújo, Paulo Guilherme Dérouledé, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Lenisa Prado. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 08 60 .9 05 16 4/ 20 09 -0 3 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária setembro de 2016 setembro de 2016 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins TRANSPORTES BIONDI LTDA TRANSPORTES BIONDI LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 641DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tomo por empréstimo o relatório apresentado na sessão de julgamentos realizada em 22/08/2013, quando a 3ª Turma Especial desta 3ª Seção decidiu por converter o julgamento em diligência: "Trata-se de PER/DCOMP transmitido em 10/05/2007, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS de competência janeiro de 2005, com débitos do mesmo tributo de período de apuração abril de 2007 no valor total de R$ 36.489,87. Através de Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF em Taubaté/SP não homologou o pedido do contribuinte pois, apesar de ter localizado o pagamento verificou que estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte. Irresignado o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade onde, resumidamente, alega que a não homologação do pedido enviado se deu pelo erro no preenchimento das declarações (DCTF e DACON) do período .Anexa Copias das DCTF's e DACON's originais e retificadas posteriormente ao Despacho Decisório. A DRJ em Campinas/SP através do acórdão n° 0537.215, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/01/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário onde, preliminarmente pede que o julgamento seja transformado em diligência, e, resumidamente alega que o erro aconteceu por equívoco na apuração da base de cálculo, que havia acontecido com base no lucro real quando o correto seria a apuração com base no lucro presumido. Irresignado. o contribuinte protocolou Recurso Voluntário onde requer, preliminarmente, a diligência. Argumenta que 'O erro aconteceu por equívoco na apuração da base de cálculo, que Fl. 642DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10860.905164/2009-03 Acórdão n.º 3302-003.494 S3-C3T2 Fl. 642 3 havia acontecido com base no lucro real quando o correto seria a apuração com base no lucro presumido". Protesta para a validade das informações retificadas e argumenta que todas as provas fiscais e contábeis provam cabalmente os erros alegados. Por fim requer o provimento do recurso a fim de reconhecer o direito creditório pleiteado. Anexa DCTF original e retificada, DACON original e retificada, cópia da DIPJ de 2006, planilha demonstrativa de apuração e copia do livro fiscal de saídas da matriz e filial" Naquela assentada a Turma julgadora decidiu por converter o julgamento em diligência diante dos argumentos traçados pelo então relator, Conselheiro João Alfredo Eduão, os quais reproduzo: " Em analise das provas acossadas observamos que o DACON original já apontava para a tributação pelo lucro presumido, sua retificação se deu pela exclusão de valor referente a DARF componente do crédito, no valor de R$ 38,88, e mencionado em sede de Manifestação de Inconformidade. A DIPJ de 2006 já está preenchida segundo a tributação pelo lucro presumido, os livros de saídas e planilha demonstrativa de apuração apontam para a base de calculo alegada pelo contribuinte, de forma que apenas na DCTF original se verifica o erro alegado que foi sanado pela retificadora. Há fortes indícios de que o sujeito passivo possui os créditos apontados, porem, as provas anexadas são insuficientes para se ter a certeza do alegado. Por dever de justiça entendemos necessária a instauração de diligencia, com fulcro no art. 29 do Decreto Federal n° 70.235 de 06/03/1972, a fim de dirimir as duvidas surgidas pela deficiência do material probatório. Em vista do exposto, e ainda, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem confirme se a empresa efetivamente optou pela tributação pelo lucro presumido no ano base de 2005 e na sistemática da cumulatividade ateste a correta base de cálculo da COFINS do mês de janeiro de 2005, concedendo ao contribuinte oportunidade de manifestar-se sobre o resultado da diligência".(grifos nossos) A Informação Fiscal prestada em resposta a Resolução n. 3803-000.343 foi acostada aos autos tempestivamente (fls. 635/636). O contribuinte tomou ciência sobre seu conteúdo em 02/04/2014 (fl. 656), mas sobre ele não se manifestou, conforme atesta certidão acostada à folha 637 dos autos eletrônicos. Os autos do processo administrativo em tela retornaram a este Conselho em 20/07/2016 (fl. 640). Fl. 643DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado A autuada foi intimada sobre os termos insertos no acórdão proferido pela instância de origem em 27/03/2012 (fl. 71) e interpôs o tempestivamente o recurso voluntário em 26/04/2012 (fls. 72). Presentes os pressupostos extrínsecos de admissibilidade do recurso, é de rigor o seu conhecimento. A finalidade da Resolução n. 3803-000.343 era comprovar que a contribuinte efetivamente optou pela tributação pelo lucro presumido no ano de 2006 e na sistemática da cumulatividade, e que fosse apontada a base de cálculo correta para a exigência da COFINS no mês de janeiro de 2005. Isso porque a Turma julgadora concluiu que existiam nos autos "fortes indícios de que o sujeito passivo possui os créditos apontados, porem, as provas anexadas são insuficientes para se ter a certeza do alegado". Extraio da Informação Fiscal a conclusão do Fiscal, já que essencial para a solução da lide: "O recorrente efetuou o pagamento referente ao imposto de renda devido com base no lucro presumido do primeiro trimestre de 2005 (código 2089: IRPJ - Lucro Presumido), de forma parcelada, em abril, maio e junho de 2005, conforme documentos acostados aos autos, de modo a demonstrar a sua opção por tal forma de tributação. (...) Além disso, as informações constantes na mencionada DIPJ original do ano-calendário de 2005 e na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) retificadora do primeiro semestre de 2005 também demonstram a sua opção pelo lucro presumido. Os pagamentos efetuados como código 5993 (IRPJ - Optantes - Apuração com Base no Lucro Real - Estimativa Mensal) em todos os meses de 01/2005 a 12/2005, de fato, se referem ao processo de parcelamento n. 13881.000325/2003-17, conforme documentos referentes a esses recolhimentos juntados aos autos. No que diz respeito à solicitação do CARF no sentido de atestar a base de cálculo da Cofins no mês de janeiro de 2005, entendemos que nos cabe verificar se o valor informado no Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais) referente a janeiro de 2005 como base de cálculo da Cofins está de acordo com o escriturado pelo recorrente em sua contabilidade. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10860.905164/2009-03 Acórdão n.º 3302-003.494 S3-C3T2 Fl. 643 5 Sendo assim, atestamos que a base de cálculo da Cofins informada pelo recorrente no Dacon referente a janeiro de 2005, consistente na Receita Bruta de R$ 1.171.171,00, está de acordo com o valor escriturado nas contas contábeis dos Razões (contas n. 3110301- Frota Própria e 1120101- Clientes a Receber) e com o total da Receita Bruta constante do Balancete de janeiro de 2005 (item 3. Resultados), apresentados pelo recorrente no curso desta diligência e acostados aos autos juntamente com o Plano de Contas. Cabe ainda registrar que o valor referente à receita bruta do primeiro trimestre de 2005 informado pelo recorrente no Dacon desse período, consistente no montante de R$ 3.454.095,70 (R$ 1.171.171,00 em 01/2005, R$ 1.059.340,02 em 02/2005 e R$ 1.223.584, 68 em 03/2005) está próximo do valor informado por ele na DIPJ do ano-calendário de 2005, consistente no montante de R$ 3.455.793,12. Quanto às divergências de códigos de recolhimento da Cofins, constatada no curso desta diligência, cumpre ressaltar que o recorrente asseverou que se trata de um equívoco passível de retificação e protocolou um pedido de retificação desses códigos (Pedido de Retificação de DARF- REDARF), acostado aos autos, a fim de corrigir tais divergências apontadas".(fl. 620/621) O acórdão recorrido - que manteve o despacho decisório que não reconheceu a existência do crédito reclamado - arrimou-se nos argumentos sobre (i) a ausência de comprovação do erro cometido nas informações prestadas na DCTF, (ii) inexistência de crédito no momento da transmissão e da análise da PER/DCOMP, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em DCTF, e; (iii) após a instauração do contencioso administrativo qualquer alteração nas declarações deve estar acompanhada por provas, e que o contribuinte não teria apresentados os documentos necessários. Por sua vez, o auditor fiscal que promoveu a diligência requerida atestou, em suas informações que efetivamente o contribuinte incorreu em erro, mas que apresentou as declarações retificadoras necessárias; (ii) existe crédito a favor do contribuinte, e (iii) existem provas que corroboram o direito reclamado pelo ora recorrente. Considerando que no texto da Constituição Federal de 1988 é possível identificar "a verdade material como realização da Justiça e do devido processo legal, e encontramos os claros fundamentos para a exigência incondicional da busca da verdade real em matéria tributária, em razão da estrita legalidade e da igualdade tributária" 1 , entendo que é de rigor o provimento do recurso. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. 1 In A Verdade Material no Direito Tributário - A cidadania fiscal administrativa e judicial, por Demetrius Nicheli Macei, Malheiros Editores, 2013, pg. 180. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Lenisa Prado - Relator Fl. 646DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11128.000247/2002-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/10/2000
MULTA DE OFÍCIO - LANÇAMENTO. Cabível o lançamento da multa de ofício no percentual de 75% sempre que, por ação ou omissão o sujeito passivo incorra no fato jurígeno previsto em lei para sua imposição.
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA - PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Em decorrência da conformação ao principio da legalidade, somente outra norma com determinação em sentido contrário àquela que fundamenta a exigência poderia afastar a incidência tributária.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA Nº 50 DO CARF:
É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/10/2000 MULTA DE OFÍCIO - LANÇAMENTO. Cabível o lançamento da multa de ofício no percentual de 75% sempre que, por ação ou omissão o sujeito passivo incorra no fato jurígeno previsto em lei para sua imposição. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA - PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Em decorrência da conformação ao principio da legalidade, somente outra norma com determinação em sentido contrário àquela que fundamenta a exigência poderia afastar a incidência tributária. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA Nº 50 DO CARF: É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. Recurso Especial do Procurador Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
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Cabível o lançamento da multa de ofício no percentual de 75% sempre que, por ação ou omissão o sujeito passivo incorra no fato jurígeno previsto em lei para sua imposição. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA PRINCÍPIO DA LEGALIDADE —Em decorrência da conformação ao principio da legalidade, somente outra norma com determinação em sentido contrário àquela que fundamenta a exigência poderia afastar a incidência tributária. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA Nº 50 DO CARF: É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator e Presidente Interino Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 47 /2 00 2- 86 Fl. 842DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.000247/200286 Acórdão n.º 9303004.196 CSRFT3 Fl. 423 2 Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 310200.495, de 17/09/2009, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/10/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Câmara Anecóica por ser um equipamento, cuja atividade é a elaboração de testes, ensaios e medições, classificase na posição 9031.80.90 Outros instrumentos, aparelhos e máquinas de medida ou controle. MULTA DE OFÍCIO. Não havendo caracterização de declaração inexata, decorrente da comprovação do uso de dolo ou máfé, incabível no caso a multa prevista no artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, exvi o principio da tipicidade da norma penal tributária e o Ato Declaratório (Normativo) da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação n°. 10, de 16 de janeiro de 1997. Recurso Voluntário Provido em Parte. Em face da decisão acima, a Fazenda Nacional interpôs o já referido recurso especial, contestando, em síntese, o afastamento da multa de ofício de 75%, utilizando como fundamento ato normativo infralegal (Ato Declaratório COSIT 10/97), o que fere o princípio da legalidade. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, através do despacho nº 3100116 de fls. 692/693. A contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 700/709, e Recurso Especial, às fls. 710/722, ao qual foi negado seguimento, através do despacho nº 3100223 de fls. 726/727. É o relatório. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.000247/200286 Acórdão n.º 9303004.196 CSRFT3 Fl. 424 3 Voto Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. A matéria aceita como divergente no recurso especial da Fazenda Nacional cingese à aplicação da multa de ofício prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, afastada com fundamento em ato normativo infralegal. O acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para considerar correta a classificação fiscal pretendida pela fiscalização, mantendo o Auto de Infração lavrado para cobrança dos valores recolhidos a menor, e afastar a multa de oficio. Segundo o voto condutor do acórdão recorrido, é incabível a aplicação da multa prevista no artigo 44 da Lei n.° 9.430/96 por declaração inexata pois a descrição dada à mercadoria foi suficiente para que a fiscalização reconhecesse o produto importado e não se comprovou o intuito doloso ou máfé, condições previstas no Ato Declaratório Normativo COSIT N.° 10/97 no caso de aplicação de multa de oficio por classificação tarifária errônea. Alega a recorrente que o Colegiado não poderia afastar a multa prevista no artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96, por considerar que não estava configurada a declaração inexata, utilizando como fundamento ato normativo infralegal (Ato Declaratório COSIT 10/97), o que fere o principio da legalidade, e que, no caso, a multa de oficio foi aplicada pela falta de pagamento ou recolhimento do tributo, hipótese também descrita na lei. De fato, entendo que assiste razão à recorrente. O Código Tributário Nacional estabelece em seu artigo 97, V, que só a lei pode estabelecer a cominação de penalidades para as ações e omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (…) V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Assim, em decorrência da conformação ao principio da legalidade, somente outra norma com determinação em sentido contrário àquela que fundamenta a exigência poderia afastar a incidência tributária. O inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu que nos casos de falta de pagamento ou recolhimento e de declaração inexata prestada pelo sujeito passivo deverá ser aplicada multa de ofício no percentual de 75% sobre a totalidade ou a diferença do tributo devido, verbis: Fl. 844DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.000247/200286 Acórdão n.º 9303004.196 CSRFT3 Fl. 425 4 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Tendo o sujeito passivo incorrido na situação que a lei previu como bastante para a imposição da penalidade, em razão de falta ou insuficiência de pagamento dos tributos devidos, prevista no citado inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, é de ser mantida a referida exação. O contribuinte alega ainda que a multa de ofício não é devida, pois o crédito tributário exigido já estaria resguardado por depósito judicial do montante integral. Conforme relatado no acórdão de 1ª Instância: Em 07/11/2000 foi concedida liminar na Ação Cautelar No. 2000.61.04.008868 7, pela 4ª Vara da Justiça Federal em Santos, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário (folha 25) objeto da Declaração de Importação no. 00/09696487. Em 08/10/2000 foi proposta a Ação Ordinária no. 2000.61.04.0091352 em prosseguimento à Ação Cautelar No. 2000.61.04.0088687 (fls. 369/380). No dia 04/12/2000 a citada Declaração de Importação foi desembaraçada sem o recolhimento dos tributos, por força da medida judicial retro mencionada (folha 105). Em 18/09/2001 foi proferida sentença, pela 4ª Vara da Justiça Federal em Santos, na Ação Ordinária no. 2000.61.04.0091352 (decorrente da Ação Cautelar no. 2000.61.04.0088687) julgando improcedente o pedido da autora e extinto o feito com julgamento de mérito (fls. 477/483). Em 20/11/2001 foi apresentada pela autora apelação à Ação Ordinária no. 2000.61.04.0091352 (Ação Cautelar No. 2000.61.04.0088687) (fls. 509/530), sendo apresentadas as contrarazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 20/02/2002(fls. 548/563). Pelo que consta dos autos deste processo administrativo, a citada Ação Ordinária encontrase no Tribunal Regional Federal da 3ª Região aguardando julgamento. (fls. 565 e seguintes). Destarte, pelo que consta nos autos, no momento da lavratura do Auto de Infração, em 10/01/2002 com ciência em 07/02/2002, para a constituição do crédito tributário, a sua exigibilidade não estava suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN, o que elidiria o lançamento de multa de ofício, conforme o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/1996, bem como, ao contrário do que alega o contribuinte, o depósito não foi integral, Fl. 845DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.000247/200286 Acórdão n.º 9303004.196 CSRFT3 Fl. 426 5 pois o fez somente no montante relativo às alíquotas dos tributos devidos que entendia cabíveis, posteriormente alteradas em decorrência do erro de classificação apurado. Para que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, o depósito deve ser no montante integral e em dinheiro, no valor correspondente ao tributo apurado de acordo com a norma jurídica questionada, nos termos da Súmula 112, editada pela 1a Seção do Superior Tribunal de Justiça: Súmula 112 do STJ O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro. Esses dois fatos citados acima, a meu ver, considerando o cometimento da conduta típica da infração em apreço, resultaria na manutenção da cobrança da multa sancionadora prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96. Por derradeiro, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula nº 50 do CARF: Súmula CARF nº 50: É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 846DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10715.002736/2010-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS.
O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal extrema consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A dessemelhança nas circunstâncias fáticas sobre as quais se debruçam os acórdãos paragonados impede o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência arguida.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-003.909
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheciam e davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal extrema consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A dessemelhança nas circunstâncias fáticas sobre as quais se debruçam os acórdãos paragonados impede o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência arguida. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheciam e davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal extrema consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A dessemelhança nas circunstâncias fáticas sobre as quais se debruçam os acórdãos paragonados impede o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência arguida. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheciam e davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 27 36 /2 01 0- 08 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002736/201008 Acórdão n.º 9303003.909 CSRF‐T3 Fl. 3 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3202000.993. Cientificada do acórdão mencionado o Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.901, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10715.001384/201065, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.901): "A maioria do Colegiado, ao investigar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, entendeu não estarem todos presentes, fato que impossibilitou a análise do mérito. Compulsando o voto condutor da decisão recorrida, constatase que o Colegiado a quo entendeu não ser aplicável no presente caso o instituto da denúncia espontânea, uma vez que foi requerido pela recorrente quando da interposição do recurso. Na visão da turma julgadora essa não é uma matéria de ordem pública. No acórdão trazido a baila como paradigma, em momento algum foi decidido que a denuncia espontânea é matéria de ordem pública. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002736/201008 Acórdão n.º 9303003.909 CSRF‐T3 Fl. 4 3 É de meridiana obviedade que não há similitude fática entre as lides propostas no acórdão vergastado e no paradigma apresentado. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão nº CSRF/010.956, de 27/11/89: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Com essas considerações, não conheço do recurso especial do sujeito passivo por falta de comprovação da divergência jurisprudencial." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso interposto pelo contribuinte, por falta de comprovação da divergência jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 287DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000372/2007-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos as informações das contribuições devidas e valores recolhidos no período de 12/2001 a 07/2002, referentes a cota patronal, contribuição do segurado, SAT/RAT e terceiros sobre folha de pagamento; e elabore planilha demonstrando em colunas distintas os valores dos tributos em questão declarados e dos tributos efetivamente recolhidos, no período em litígio. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornando-se os autos ao relator, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo De Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram, da presente Resolução, os Conselheiros Luiz Eduardo De Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia Da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos as informações das contribuições devidas e valores recolhidos no período de 12/2001 a 07/2002, referentes a cota patronal, contribuição do segurado, SAT/RAT e terceiros sobre folha de pagamento; e elabore planilha demonstrando em colunas distintas os valores dos tributos em questão declarados e dos tributos efetivamente recolhidos, no período em litígio. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornando-se os autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo De Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram, da presente Resolução, os Conselheiros Luiz Eduardo De Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia Da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos as informações das contribuições devidas e valores recolhidos no período de 12/2001 a 07/2002, referentes a cota patronal, contribuição do segurado, SAT/RAT e terceiros sobre folha de pagamento; e elabore planilha demonstrando em colunas distintas os valores dos tributos em questão declarados e dos tributos efetivamente recolhidos, no período em litígio. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornandose os autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo De Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram, da presente Resolução, os Conselheiros Luiz Eduardo De Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia Da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri. Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.037.2743, lavrada contra o contribuinte acima identificado, para exigência das contribuições RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 45 .0 00 37 2/ 20 07 -3 4 Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16045.000372/200734 Resolução nº 9202000.053 CSRFT2 Fl. 539 2 dos segurados (rubrica 11), da empresa (rubrica 12), SAT/RAT (rubrica 13), e terceiros (rubrica 15), apuradas por aferição indireta. A conclusão das análises fiscais foi de que empresa não registrou e não contabilizou o movimento real da remuneração da mão de obra utilizada para a prestação dos serviços executados. Desta forma fezse necessário aferir indiretamente o salário de contribuição, para se calcular o valor devido á Previdência Social. A apuração da mãodeobra por arbitramento foi feita com base no faturamento, sendo considerado para fins de remuneração, o percentual de 40% sobre o valor dos serviços constantes das notas fiscais emitidas pelo contribuinte. No julgamento deste Recurso, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, reconheceu a decadência do direito de constituição do crédito tributário, com base no § 4º, do artigo 150, do CTN, para fatos geradores ocorridos até a competência 06/2002, exarando a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/03/2007 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 06/2002; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Cientificada da decisão, a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial, trazendo como paradigma o acórdão 230100.253, onde restou decidido que o pagamento antecipado deve ser considerado em relação à cada rubrica lançada, diferentemente do que contido no recorrido, que declarou a decadência de todo o crédito pautado em recolhimentos não específicos. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16045.000372/200734 Resolução nº 9202000.053 CSRFT2 Fl. 540 3 Em suas razões alega a União que o não se operou lançamento por homologação algum, afinal, o contribuinte não antecipou o pagamento da contribuição lançada. É por conta disto que se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN. No exame de admissibilidade o Presidente da 4ª Câmara da 2ª seção acolheu o alegado pela União, dando seguimento ao Recurso. Regularmente intimado, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Diante da ausência dos comprovantes de pagamento das contribuições que deram fundamentação à decisão da Turma a quo nos presentes autos entendo ser prudente converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos as informações das contribuições devidas e valores recolhidos no período de 12/2001 a 07/2002, referentes a cota patronal, contribuição do segurado, SAT/RAT e terceiros sobre folha de pagamento; e elabore planilha demonstrando em colunas distintas os valores dos tributos em questão declarados e dos tributos efetivamente recolhidos, no período em litígio. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 540DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720256/2014-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Inexistindo o vício apontado no acórdão embargado, rejeitam-se os embargos de declaração.
Numero da decisão: 3402-003.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Inexistindo o vício apontado no acórdão embargado, rejeitam-se os embargos de declaração.
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score : 1.0
Numero do processo: 15586.720024/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Consideram-se isentas da contribuição para a COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-002.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideram-se isentas da contribuição para a COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 746 1 745 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720024/201183 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.397 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2016 Matéria COFINS Recorrente CIA NIPO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO NIBRASCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para a COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 24 /2 01 1- 83 Fl. 746DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da autoridade de primeira instância, com as devidas adições. Trata o presente de Pedido de Ressarcimento nº 41792.57048.150610.1.5.091460 e DCOMP abaixo relacionadas, relativos à COFINS nãocumulativa Exportação, do 3º trimestre de 2006, no valor de R$ 16.781.444,81. PER/DCOMP 30137.87141.240809.1.7.090149 18134.16118.240809.1.7.098622 03144.80117.240809.1.7.093500 22736.05205.240809.1.7.099002 De acordo com o Parecer nº 47/2011 (fls. 150/160) foi apurado o que se segue: Os exames da escrituração e documentação da Cia Nipo Brasileira de Pelotização Nibrasco apurou a existência de débitos de contribuição que foram objeto de lançamento do crédito tributário por meio do auto de infração formalizado pelo processo nº 15586.001586/201043. Quanto à apuração do crédito a descontar, foram efetuadas as seguintes glosas: a) Serviços classificados como insumos Foram glosados créditos calculados sobre serviços que não são, direta e efetivamente, aplicados ou consumidos na fabricação de seu produto. Entre esses serviços encontramse: serviços de gerenciamento e de elaboração de projetos e consultoria de engenharia; serviços de operação e manutenção de aterro industrial; serviços controle e consultoria ambiental; informações de indicadores econômicos; assessoria econômico financeira e contábil; locação de andaimes, sanitários químicos Fl. 747DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720024/201183 Acórdão n.º 3201002.397 S3C2T1 Fl. 747 3 e outros módulos; serviços topográficos; desenvolvimento de softwares;compras de bens de uso e consumo; entre outros, todos estampados no “Demonstrativo de Glosa de Créditos de PIS e Cofins”, fls.146/148. b) Serviços de operação da usina O contribuinte também aproveitou créditos sobre serviços prestados pela Companhia Vale do Rio doce – CVRD, atualmente denominada Vale S/A, identificados em seus demonstrativos como Fator C, Fator K e Fator Y. De acordo com o contrato apresentado, fls.96/124, tratase da prestação de serviços necessários e dos serviços correlatos por parte da CVRD, para o funcionamento da usina de pelotização da NIBRASCO. Nos termos do item VI do contrato, os fatores apontados referemse à compensação monetária pela operação normal da usina, nos quais estão inclusos os seguintes elementos: Fator C: valor dos materiais, serviços e suprimentos diretamente medidos na operação da usina; valor para a NIBRASCO dos serviços e materiais complementares relativos ao Departamento de Pelotização da CVRD, tais como inspeções, controle de qualidade, oficinas, sala de controle, engenharia industrial, transporte de pessoal e de materiais, etc.; valor para a NIBRASCO correspondente ao total das despesas com mãode obra e respectivos encargos e provisões do Departamento de Pelotização da CVRD dividido pelo número de usinas operadas pela CVRD na Ponta de Tubarão. Fator K: despesas gerais da CVRD. Referese a todas as despesas incorridas pela CVRD, em Vitória e no Rio de Janeiro, pela prestação de serviços necessários ou úteis para a administração regular da NIBRASCO, entre os quais: telex e outras modalidades de comunicação, elaboração e processamento de dados, treinamento de pessoal, órgãos de pessoal, comercial e de compras, assistência jurídica e fiscal, estatística, serviços de contabilidade e custo, etc., que não estejam incluídos em nenhum componente da compensação. Fator Y: componente voltado a compensar a CVRD pelo custo financeiro do capital de giro que a CVRD proverá para a operação e manutenção da Usina, através da manutenção em estoque de sobressalentes e de materiais de consumo. Observase da análise dos componentes da compensação pela operação da usina que vários deles não são aplicados ou consumidos diretamente na produção de pelotas de minério de ferro e, por conseguinte, não se subsumem ao conceito de insumo para aproveitamento de crédito da contribuição para o PIS. Nesta condição estão os serviços voltados à administração regular da NIBRASCO abarcados pelo Fator K. No tocante ao Fator Y, salientase que a legislação somente estabeleceu o aproveitamento de créditos sobre os valores das aquisições de bens para a industrialização, não integrando o cálculo as Fl. 748DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 aquisições de bens de consumo e o custo financeiro atinente à manutenção em estoque. c) Devoluções de Compras Nos demonstrativos de cálculo dos créditos a descontar do período em análise, o contribuinte não considerou os ajustes a serem procedidos nos casos de devolução de compras que, de acordo com as orientações de preenchimento dos Dacon, devem ser feitos via ajustes negativos de créditos. Procedeuse então aos ajustes dos créditos a descontar estornando os créditos que incidiram anteriormente sobre as compras devolvidas, conforme informações contidas no Livro Registro de Saídas do contribuinte (código CFOP 5.201) (fl.145). Além da lavratura do citado auto de infração, a reversão da receita do mercado externo em receita do mercado interno influencia os valores passíveis de ressarcimento e/ou compensação, pois como já visto, somente são passíveis de ressarcimento e/ou compensação os valores dos créditos vinculados à receita de exportação. O valor do crédito a descontar vinculado às receitas de exportação foi determinado com base no rateio proporcional entre as receitas de exportação e receitas no mercado interno, regime adotado pelo contribuinte. O Parecer e Despacho Decisório (fls. 150/160 e 163) reconheceu o direito creditório no valor de R$ 7.600.906,80 e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. A ciência foi efetuada em 29/03/2011 (fl. 164) e a manifestação de inconformidade (fls. 168/247) foi apresentada em 28/04/2011, alegando em síntese: O despacho decisório é nulo por não conter a descrição dos fatos constantes do processo nº 15586.001586/201043. A interessada contesta as razões do auto de infração nº 15586.001586/201043, que considerou como vendas no mercado interno as vendas de pelotas para a CVRD informadas no DACON como com fim específico de exportação. Insumo é um conceito mais amplo do que o alegado pela fiscalização. Os serviços glosados oneram a atividade empresarial, pois são tributados em razão do faturamento da empresa prestadora e em virtude do faturamento da empresa vendedora, existindo, então, evidente cumulatividade na incidência das contribuições. A glosa dos serviços de operação e manutenção de equipamentos da produção contraria o entendimento manifestado pela RFB na Solução de Consulta nº 30/2010. Quanto ao FATOR K são serviços necessários à operação de industrialização e, portanto, passíveis de creditamento. Cita Acórdão nº 1629677 de 2011 da 9ª Turma da DRJ SP1 que trata Fl. 749DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720024/201183 Acórdão n.º 3201002.397 S3C2T1 Fl. 748 5 da possibilidade de apuração de crédito de insumos relativos à armazenagem de mercadoria e frete. Quanto ao FATOR Y (matérias de estoque sobressalente e materiais de consumo) cita o Acórdão nº 0627264 de 2010 da 3ª Turma da DRJ Curitiba. Por fim, requer perícia para comprovação do caminho que percorrem as pelotas." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade, mantendo integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NULIDADE Não padece de nulidade o despacho decisório lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERICIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. MATÉRIA JÁ APRECIADA. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo anterior relativo ao mesmo período e mesmo tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, a autuada apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação, reafirmando o direito a isenção, em razão das suas vendas terem como destino final a exportação e o direito aos créditos decorrentes de serviços que teriam sido usados "indiretamente " no processo produtivo. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. No presente processo discutese a isenção para a venda de produtos ao exterior em que a Fiscalização entende não estar comprovada a exportação. A discussão presente no processo trata de identificar se as operações da Recorrente configuram exportação que estariam isentas do PIS e da COFINS e glosas realizadas pela Fiscalização referente a serviços prestados de forma "indireta" à Recorrente. A previsão constitucional da imunidade para as vendas ao exterior consta do art. 149, § 2º. "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Fl. 751DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720024/201183 Acórdão n.º 3201002.397 S3C2T1 Fl. 749 7 II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) III poderão ter alíquotas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 3º A pessoa natural destinatária das operações de importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)" A previsão da isenção da COFINS consta do art. 14, incisos II, VIII, IX da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; Fl. 752DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;(grifei) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Verificase que a informação da remessa das mercadorias para recinto não alfandegado estão dentre os motivos da exigência fiscal. Dai concluise que se comprovado que as mercadorias foram remetidas a recinto alfandegado da CVRD, posição que é sustentada pela Recorrente. A matéria já é conhecida desta turma e já foi enfrentada em outros julgamentos. A Recorrente já teve a matéria referente a discussão da venda de pelotas para o exterior enfrentada por este colegiado no Acórdão nº 3201001.949, que após duas diligências, decidiu que a operação de venda de pelotas de ferro pela Recorrente configura exportação e que os produtos fabricados pela Recorrente são revendidos a CVRD tendo como destino a exportação. Transcrevo abaixo, trecho extraído do voto vencedor, daquele acórdão em que é detalhado o entendimento da turma. Nos termos já bem detalhados no relatório, a turma de julgamento na busca dos esclarecimentos fáticos necessários a solução da lide converteu o julgamento por duas vezes em diligência para apurar se as alegações da Recorrente quanto a exportação das Pelotas de Ferro foram enviadas para a CVRD com o fim exclusivo de exportação. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720024/201183 Acórdão n.º 3201002.397 S3C2T1 Fl. 750 9 As duas diligências confirmaram que os produtos industrializados pela Recorrente tiveram como destino final a exportação. As conclusões constantes do segundo termo de diligência fiscal apontam para a existência da transferências das pelotas de ferro para a CVRD. A análise das informações colhidas pelas diligências fiscais, deixa evidente o fato que as vendas dos produtos em discussão nos autos foi realizada pela Recorrente à CVRD. O fato do pátio da Recorrente não ser alfandegado em nada interfere na fruição da isenção do PIS e da COFINS. O art. 14, IX da MP nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, que considera a venda para exportação para empresa que realize operações de comércio exterior e esteja devidamente registrada no SISCOMEX é suficiente para configurar a isenção do PIS e da COFINS. As operações em discussão nos autos não ocorre somente com a Recorrente, existindo outras empresas que operam de forma similar, industrializando produtos que posteriormente são vendidos a CVRD para exportação, estas empresas também atuam na área do Porto de Tubarão e foram também objeto de lançamento para exigência fiscal, nos termos constantes do presente lançamento. Duas destas atuações já foram enfrentadas pelo CARF, sendo decidido pela isenção do PIS e da COFINS nas operações realizadas com a CVRD. Uma dos julgados ocorreu no Acórdão 3402003.299 da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara, quando em sede de recurso de ofício, por unanimidade, manteve a decisão da primeira instância que considerou isentas as operações realizadas nos mesmos moldes da Recorrente.O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VENDAS NO MERCADO INTERNO. TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Excluise do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições ao PIS e COFINS apurado sobre receitas comprovadamente oferecidas à tributação pelo contribuinte nos DACON. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 A diferença a maior entre as bases de cálculo apuradas de ofício e aquelas informadas nos DACON, sujeitase à exigência por meio de lançamento de ofício. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Excluise da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS os valores recebidos a título de transferência onerosa de créditos do ICMS. Precedentes do STF, RE 606.107. Repercussão geral. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.(Acórdão3402003.299, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Sessão de 18/09/2014) A matéria também foi enfrentada por esta Primeira Turma no Acórdão 3201001.459, que por unanimidade, também decidiu pela comprovação da exportação e da isenção das contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. (Acórdão 3201 001.459, Relator Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão de 22/10/2013) Conforme, bem esclarecido nas diligências fiscais. As operações da Recorrente e a CVRD com a finalidade de exportação foram confirmadas. Assim, a Recorrente faz jus a isenção da COFINS.(Acórdão nº 3201001.949, Rel. Winderley Morais Pereira. Sessão de 09/12/2015) Fl. 755DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720024/201183 Acórdão n.º 3201002.397 S3C2T1 Fl. 751 11 Portanto, considerando que os fatos do presente processos dizem respeito a mesma matéria já enfrentada no Acórdão nº 3201001.949, confirmase que a operação realizada pela Recorrente configura exportação, fazendo jus a isenção do PIS e da COFINS. Quanto a matéria referente a glosa dos créditos decorrentes dos serviços "indiretos" prestados à Recorrente. A matéria também já foi enfrentada por este colegiado no Acórdão nº 3201002.178, de Relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, quando foi decidido por reconhecer como possíveis de gerar créditos para as contribuições, somente as despesas referentes à contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental. Por concordar plenamente, com o voto condutor do referido acórdão, peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele as minhas razões de decidir quanto a esta matéria. O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação referente à Contribuição para o PIS/Pasep apurada no regime da não cumulatividade, correspondente ao 2° trimestre de 2006, e que foi parcialmente indeferido pela unidade da RFB jurisdicionante do sujeito passivo. A lide centrase em dois pontos, quais sejam: a isenção ou não de receitas decorrentes da venda de mercadorias para empresa comercial exportadora, que o Fisco entende corresponder a receitas obtidas no mercado interno; e a possibilidade de geração de créditos no regime da não cumulatividade relacionada a serviços contratados. Das Vendas Realizadas à Empresa Comercial Exportadora As receitas decorrentes de operações de venda à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, são isentas da Contribuição para o PIS/Pasep, conforme estabelecido pelo artigo 5°, inciso III da Lei n° 10.637/2002: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente Fl. 756DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (grifo nosso) A recorrente teria informado em seus documentos fiscais que as receitas tributadas teriam natureza de vendas no mercado interno. Afirma, contudo, que tais informações seriam incorretas pois se tratariam de vendas à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, e que já teria procedido as retificações necessárias. Para comprovar o alegado, anexa aos autos diversos documentos, como o contrato firmado com a empresa adquirente, CVRD, caracterizada como empresa comercial exportadora, e que as mercadorias teriam sido entregues em recinto alfandegado. Explicitada a lide, esclarecese que o artigo 1° do DecretoLei n° 1.248/1972 define que as mercadorias comercializadas junto à empresa comercial exportadora, para serem caracterizadas como destinadas a exportação, devem ser diretamente remetidas do estabelecimento produtor/vendedor para o embarque de exportação ou para depósito alfandegado da adquirente: Art.1° As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Em procedimento de diligência fiscal, restou comprovado que o pátio da CVRD, ao qual as mercadorias foram enviadas, era considerado alfandegado à época em que ocorreram as vendas. A fiscalização afirma, contudo, a entrega das pelotas não se dava no pátio da CVRD, e sim nos pátios da própria recorrente, e referidos pátios não eram alfandegados. A contenda de deve a forma como era efetivada a tradição da mercadorias. As pelotas eram industrializadas no parque industrial da recorrente, que fica ao lado do recinto alfandegado da CVRD, enviados ao pátio deste parque industrial, e seguiam por meio de esteiras até o citado recinto alfandegado. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720024/201183 Acórdão n.º 3201002.397 S3C2T1 Fl. 752 13 Em que pese o alegado pela fiscalização, mesmo com a obrigação de se seguir a previsão contida no artigo 111 do CTN, que determina a obrigatoriedade da interpretação literal de legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, as mercadorias foram enviadas do estabelecimento da recorrente para o recinto alfandegado da CVRD, que, de forma incontroversa, é empresa comercial exportadora. O fato da empresa ter alocado as mercadorias vendidas em seu pátio antes da envio, por meio de esteiras, à CVRD, não descaracteriza a sua entrega diretamente ao recinto alfandegado. Entendese, desta forma, que a recorrente tem direito a isenção do PIS em relação às receitas objeto da lide, devendo ser dado provimento ao recurso voluntário quanto à matéria. Dos Créditos Glosados Insumos A autoridade fiscal glosou créditos requeridos pela recorrente relacionados a serviços contratados junto a determinados prestadores de serviço e a serviços contratados pela CVRD, mas que teriam sido suportados pela própria recorrente. A recorrente sustenta que todos os serviços estariam incluídos no conceito de insumos previsto no artigo 3º da Lei nº 10.637/2002. Em relação ao conceito de insumos para fins de geração de créditos no regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, entendo, em consonância com o pensamento de Marco Aurélio Greco1, que deve ser observado processo formativo da receita daquela pessoa jurídica. E este processo formativo da receita inclui todos os elementos, sejam eles físicos ou funcionais, necessários para a obtenção desta receita. Claro que este entendimento não pode vir dissociado das hipóteses previstas na legislação como passíveis da geração de créditos. O legislador especificou, no artigo 3º da Lei nº 10.637/02, quais situações passíveis de geração de créditos, deixando de fora desta lista determinados custos e despesas. Caso a lei tivesse por objetivo adotar a generalidade, bastaria fazer uma alusão genérica a toda e qualquer despesa ocorrida e que estivesse sujeita, anteriormente, à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep. Como esta não foi a forma adotada pela legislação, não se pode entender como insumos despesas que dizem respeito a todo e qualquer aspecto da atividade de uma empresa. Pois bem, o artigo 3º destas leis, ao falar de “insumos”, restringese aqueles utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 Desta forma, excluemse deste critério todos os gastos que digam respeito à formação de receitas diferentes daquelas referentes a prestação de serviços ou a produção de bens, tais como as despesas financeiras. Isto não quer dizer que tais despesas não possam gerar créditos caso se enquadrem em alguma outra hipótese incluída no artigo 3º, apenas que não se caracterizam como insumos no teor do inciso II deste artigo. Pelo mesmo raciocínio, as despesas administrativas, por não terem relação ao processo formativo da receita na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens, não geram direito a crédito. Outro aspecto importante para a definição de determinado bem como insumo é o momento em que este bem é utilizado, se antes, durante ou após o término do processo produtivo. Como já esclarecido, apenas os bens utilizados no processo produtivo são considerados insumos, de forma que os bens utilizados antes de iniciada a produção, ou após o término desta, não são considerados insumos para fins de geração de créditos. Do exposto, conceituamos insumo para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins como sendo toda aquisição de bens ou serviços necessários para a percepção de receitas decorrentes da prestação de serviços ou da produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade, ou por serem necessárias a outras atividades desta pessoa jurídica. Também não se enquadram como insumos os bens destinados ao ativo imobilizado, posto que os créditos referentes a estes bens estão incluídos em hipóteses distintas de creditamento, e devem ser apropriados por meio de calculo de depreciação. Esclarecese, ainda, que diante das particularidades deste regime tributário, o direito aos créditos se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, qual seja a de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Assim, em sendo os créditos deste regime tributário um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre ao contribuinte que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito. Desta forma, o direito aos créditos da não cumulatividade, utilizados para desconto da contribuição devida, ou para ressarcimento ou compensação nas situações permitidas pela legislação, exige que o contribuinte comprove a existência dos fatos que geram este direito. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720024/201183 Acórdão n.º 3201002.397 S3C2T1 Fl. 753 15 Exigese, portanto, a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório; documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Caso o contribuinte não comprove possuir este direito, seus créditos devem ser cancelados, sendo exigida a contribuição devida que estava acobertada por estes créditos. Esclarecidos os conceitos a serem adotados neste voto, serão apreciados, inicialmente, os créditos vinculados a serviços contratados diretamente pela recorrente. Foram glosados os créditos vinculados a contratação dos seguintes serviços: Conforme já esclarecido, apenas enquadramse com insumos para fins de creditamento os serviços adquiridos necessários para a percepção de receitas decorrentes da produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. A recorrente apresenta como objeto societário a produção e venda de pelotas de minério de ferro, bem como o exercício de outras atividades direta ou indiretamente relacionadas com a produção e venda de pelotas de minério de ferro. Tendo em vista o seu atuação empresarial, podese concluir que a contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental encontramse vinculados a sua atividade produtiva, de forma que se enquadram como insumos de seu processo produtivo, e, desta forma, gerando créditos no regime da não cumulatividade do PIS. Deve ser revista, portanto, a glosa destes créditos. Os serviços de topografia; gerenciamento de projetos de engenharia; locação de sanitários portáteis hidráulicos; disponibilização de informações especializadas e de indicadores econômicos e financeiros; consolidação, agenciamento e transporte internacional de cargas; gerenciamento e fiscalização de projetos de engenharia; auditoria e consultoria tributária, contudo, por não haver comprovação de que estão diretamente Fl. 760DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 16 vinculados a sua atividade produtiva, não geram direito a créditos. Percebase que tais serviços, por se referirem a projetos de engenharia civil, ou dizerem respeito a áreas administrativas da recorrente, como o setor comercial ou tributário, não se caracterizam como serviços vinculados a sua atividade produtiva, de forma que mostrase correta a glosa de tais créditos. Em relação aos créditos decorrentes de serviços contratados pela CVRD, mas suportados pela recorrente, foram glosados créditos correspondentes a serviços com despesas gerais (Fator K) e pelo custo financeiro de capital de giro provido pela CVRD (Fator Y). A natureza destes dispêndios encontrase prevista no contrato celebrado entre a recorrente e a CVRD, neste termos: Fl. 761DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720024/201183 Acórdão n.º 3201002.397 S3C2T1 Fl. 754 17 Em análise a natureza destas despesas, resta claro que as mesmas não dizem respeito a atividade produtiva da recorrente, mas, sim, correspondem a despesas administrativas e financeiras, que não geram direito a créditos do PIS no regime não cumulativo. Correto, portanto, o procedimento fiscal de glosa destes créditos. Da conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, devendo as receitas decorrentes de vendas a CVRD serem enquadradas como vendas ao mercado externo, bem como sendo concedidos os créditos relacionados que a contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental, mantendose a glosa em relação aos demais serviços analisados neste acórdão. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Assim, em conssonancia com a decisão já prolatada por esta Turma, entendo, que na apuração das contribuições não cumulativas, a Recorrente pode auferir créditos referentes a contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental, mantendose o restante das glosas referentes as despesas de serviços realizadas pela Fiscalização. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 18 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer que a venda das produtos da Recorrente tiveram como destino a exportação e afastar a glosa referente as despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental. Winderley Morais Pereira Fl. 763DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 12045.000501/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2002 a 31/07/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, desde que observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A restituição somente é cabível quando houver comprovação de pagamento ou recolhimento a maior de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente Substituta e Relatora.
EDITADO EM: 22/01/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2002 a 31/07/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, desde que observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. A restituição somente é cabível quando houver comprovação de pagamento ou recolhimento a maior de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 22/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, desde que observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. A restituição somente é cabível quando houver comprovação de pagamento ou recolhimento a maior de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 22/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 05 01 /2 00 7- 33 Fl. 383DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias efls. 04/05, no qual o interessado requer a restituição das contribuições retidas em excesso em relação às competências 06/2002 e 07/2002. A Gerência Executiva do INSS em Novo Hamburgo GEX/NH indeferiu o pedido, com base em informação do Serviço de Fiscalização (efls. 249/251) que apontou, entre outros aspectos, que a interessada havia deixado de apresentar resumo das folhas de pagamento para cada CEI; deixado de incluir na GFIP os valores relativos a prólabore; deixado de elaborar folha de pagamento referente ao prólabore e honorários profissionais a autônomos; e, com relação ao direito creditório propriamente dito assim concluiu: 10 Competência 06/02: de acordo com as informações contidas no resumo da fl. 77 e, sobretudo, os valores descontados de INSS (de empregados) e respectivas bases de cálculo (remuneração de empregados) constantes no resumo geral da folha de pagamento (à fl. 79), e considerandose os recolhimentos apresentados às fls. 08 e seguintes; o saldo a restituir requerente, por nós apurado, é de R$ 28,56 (vinte e oito reais e cinqüenta e seis centavos). 11 Competência 07/02: pelos documentos (cópias) apresentados pela requerente, não é possível averiguar corretamente se teria valor a restituir e quanto seria o valor restituível, se fosse o caso, já que não foram apresentados os resumos da folhas de pagamento para cada obra constantes na GRP. Também não há demonstrativo detalhado englobando todas as obras e cópias dos respectivos recolhimentos. Considerando as cópias de GPS referentes a recolhimentos ao INSS e outras entidades (FNDE, SESC, SEBRAE etc.), o demonstrativo à fl. 80, sobretudo os valores descontados a titulo de INSS (dos empregados) e respectivas bases de cálculo (remuneração de empregados) constantes no resumo geral da folha de pagamento, à. fl. 81, a requerente não teria valor para restituição; ao contrário, estaria faltando recolhimento de R$ 2.663,35 para outras entidades (FNDE, SESC, SEBRAE etc.). 12 Diante disso, concluímos pelo indeferimento do pedido de restituição. (grifos do original) Cientificado da decisão, apresentou recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, alegando incorreções nos recolhimentos efetuados e juntando documentação referente a pedido de retificação das GRPS referente à competência 07/2002 (e fls. 253/300). Em resposta a Seção de Fiscalização da GEX/NH apresentou contrarrazões às efls. 359/360 e 370, sustentando que: 3) Quanto às incorreções (referidas no item "2" de nosso relatório), constantes no requerimento (f7s. 01 e 02 da primeira parte do processo, onde consta na capa "COMPETÊNCIA: 062002 072002"), a recorrente juntou novos formulários em Fl. 384DF CARF MF Processo nº 12045.000501/200733 Acórdão n.º 2301004.893 S2C3T1 Fl. 384 3 substituição aos originais, porém inadequados para restituição de retenção (fls. 146 e 148, do processo em apenso onde consta na capa "COMPETÊNCIA: 072002"). 4) Quanto às falhas referidas no item "3" de nosso despacho ((fls. 138 a 140, do processo em apenso onde consta na capa "COMPETÊNCIA: 072002"), a recorrente juntou Requerimento para Alteração no Banco de Dados da Arrecadação (formulário inadequado, pois deveria ser o modelo II, isto é, aquele para GPS e não para GRPS) requerendo a alteração dos recolhimentos efetuados nas matriculas CEI's n° 356700071671 e n° 356700072278 (fls. 149 a 151), para o seu CNPJ (93.117.125/000187) referentes à competência 06/2002. Ocorre que da forma como aparecem as matriculas CEI's, ou seja, em nome de CRISTEL SISTEM COMUNIC (seguida do nome da tomadora MUNICÍPIO DE SINIMBU), tratarseia de empreitada total. Nesse caso, o que estaria errado é o código da GFIP: em vez do código 150 (empreitada parcial), deveria ter sido informado o código "155" (empreitada total); os recolhimentos, efetuados nas referidas matriculas CEI's, estaria de acordo com o tipo de empreitada, ou seja, empreitada total. Confirmado tratarse mesmo de empreitada total, as matriculas estariam corretas e os recolhimentos ao INSS estariam igualmente corretos, restando apenas fossem corrigidas as GFIP's, alterandose o código de 150 para 155 (e informando os valores das respectivas retenções, caso houvesse ocorrido retenção, mas ao que parece não houve retenção referente a essas duas obras). A recorrente, entretanto, limitouse a juntar Requerimento para que os recolhimentos efetuados nas obras (mat. CEI' s) fossem transferidos para o seu cNpj. 5) Quanto a não elaboração de GFIP e folha de pagamento específicas por tomador e para a administração, bem como a ausência de informação das retenções nas GIFP's correspondentes e a não juntada de relatórios demonstrativos das retenções emitidos pelo SEFIP, para a competência 06/2002, a recorrente não apresentou nenhum documento novo, portanto nada se alterando no que diz respeito às falhas mencionadas no despacho conclusivo denegatório do pedido de restituição. 6) Em relação à competência 07/2002, convém observar o seguinte: a recorrente elaborou GFIP distinta por obra e há o recolhimento por obra. Essas duas informações estão corretas a se considerar a forma como as obras estão cadastradas no Sistema de Arrecadação do INSS, ou seja, o construtor (a recorrente) é o responsável pela obra; portanto, tratarseia de empreitada total, excepcionandose as matrículas nº 50.005.96785/76 e 50.005.97107/76 (proprietário = Município de Mato Leitão) e nº 35.670.00789/74 (proprietário = Município de Roca Sales), sendo que essas seriam, portanto, de empreitada parcial. Assim, referentemente às obras contratadas sob a forma de empreitada total a GFIP por obra e o respectivo recolhimento por obra estão corretos; a incorreção, entretanto, está no código de recolhimento da GFIP, que, em vez de "150", deveria ser o código "155" (fls. 200 e ss). Já para as três obras acima Fl. 385DF CARF MF 4 referidas que seriam de empreitada parcial, o código da GFIP "150" está correto; mas, nesse caso, o recolhimento da GPS ao INSS deveria ter sido feito no CNPJ da contratada. A recorrente, em vez de proceder ao saneamento dessas incorreções, limitou se a juntar Requerimentos para que os recolhimentos efetuados nas obras (mal. CEI's) fossem transferidos para o seu CNPJ indistintamente, quer se tratasse de empreitada total, quer de empreitada parcial. 7) No que diz respeito ao item "5" do despacho conclusivo (fls. 138 a 140, do processo em apenso onde consta na capa "COMPETÊNCIA: 072002"), a recorrente não apresentou fato novo, ou seja, não juntou folhas de pagamento específicas por tomador (e por obra) e outra para a administração. 8) Quanto ao item "7" do despacho conclusivo, não houve juntada de Relatórios demonstrativos das retenções emitido pelo SEFIP, nem cópia de formulário de Retificação de Dados do Empregador RDE com a informação dos valores da retenção. 9) Corrigiu as imperfeições relacionadas no item "8"de nosso despacho conclusivo referentemente à informação dos contribuintes individuais em GFIP (jIs. 147, do processo em apenso onde consta na capa "COMPETÊNCIA: 072002"), nada fez, entretanto, quanto à falta de informação nas respectivas GFIP's relativamente aos valores pagos para cooperativas (de trabalho) e à alíquota do RAT (exSAT). 10) A falha referida no item "9" do mencionado despacho foi sanada; quanto aos itens "10" e "11" do mesmo, a recorrente não juntou informação nova que demonstrasse claramente que tivesse sobrado (para ser restituído) os valores por ela requerido, já que não apresentou resumo de folha de pagamento por tomador, e o resumo geral consolidado apresentado por ela (fl. 80) e mesmo os documentos juntados às fls. 142, 143 e 144 não demonstram claramente que sobraram valores, a serem restituídos à recorrente pelo INSS, para as competências 06/2002 e 07/2002. 11) Face ao exposto, reiteramos, na essência, a conclusão de indeferimento nosso despacho proferido quando da análise do pedido de restituição. Em 07/02/2012 o julgamento foi convertido em diligência para que fosse dada ciência ao contribuinte das contrarrazões da fiscalização sob pena de cerceamento do seu direito de defesa, e aberto prazo para nova manifestação. Em cumprimento à diligência foi encaminhada informação fiscal com ciência por meio eletrônico em 27/03/2015 (efl. 377), sem nova manifestação. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 386DF CARF MF Processo nº 12045.000501/200733 Acórdão n.º 2301004.893 S2C3T1 Fl. 385 5 Verificados os pressupostos de admissibilidade do recurso interposto, dele conheço e passo à sua análise. Mérito Tratase de processo de restituição de contribuições previdenciárias retidas em decorrência do disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, com redação vigente à época dos fatos geradores dada pela Lei nº 9.711, de 1998 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (grifamos) Conforme §2º acima transcrito, na hipótese de o valor retido superar o valor da contribuição devida cabe a restituição do saldo remanescente. Para tanto, é imprescindível à parte requerente que demonstre claramente seu direito, direito esse que deve ser líquido e certo, sob pena de indeferimento de seu pedido, a teor do disposto no art. 89 da Lei nº 8.212/91: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada ao caput e parágrafos pela Lei nº 9.129, de 20.11.95). No caso em tela, conforme despacho decisório de efls. 249/251, o pedido foi indeferido (competência 07/2002) por impossibilidade de comprovação do direito creditório, verbis: 11 Competência 07/02: pelos documentos (cópias) apresentados pela requerente, não é possível averiguar corretamente se teria valor a restituir e quanto seria o valor restituível, se fosse o caso, já que não foram apresentados os resumos da folhas de pagamento para cada obra constantes na GRP. Também não há demonstrativo detalhado englobando Fl. 387DF CARF MF 6 todas as obras e cópias dos respectivos recolhimentos. Considerando as cópias de GPS referentes a recolhimentos ao INSS e outras entidades (FNDE, SESC, SEBRAE etc.), o demonstrativo à fl. 80, sobretudo os valores descontados a titulo de INSS (dos empregados) e respectivas bases de cálculo (remuneração de empregados) constantes no resumo geral da folha de pagamento, à. fl. 81, a requerente não teria valor para restituição; ao contrário, estaria faltando recolhimento de R$ 2.663,35 para outras entidades (FNDE, SESC, SEBRAE etc.). (grifamos) Tal situação perdurou, mesmo após a juntada de novos documentos pelo contribuinte, verbis: 10) A falha referida no item "9" do mencionado despacho foi sanada; quanto aos itens "10" e "11" do mesmo, a recorrente não juntou informação nova que demonstrasse claramente que tivesse sobrado (para ser restituído) os valores por ela requerido, já que não apresentou resumo de folha de pagamento por tomador, e o resumo geral consolidado apresentado por ela (fl. 80) e mesmo os documentos juntados às fls. 142, 143 e 144 não demonstram claramente que sobraram valores, a serem restituídos à recorrente pelo INSS, para as competências 06/2002 e 07/2002. 11) Face ao exposto, reiteramos, na essência, a conclusão de indeferimento nosso despacho proferido quando da análise do pedido de restituição. (grifamos) Pelo exposto, tendo em vista que o contribuinte não conseguiu comprovar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, proponho que seja negado provimento ao recurso interposto. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 388DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.010348/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
COMPENSAÇÃO DE IRRF. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
O imposto somente pode ser compensado na declaração de ajuste anual, quando comprovada a retenção por documentação hábil e idônea.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. DEDUÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL.
Os honorários advocatícios e periciais devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos, haja vista que somente a parcela correspondente aos rendimentos tributáveis poderá ser deduzida da base de cálculo do imposto de renda.
Numero da decisão: 2202-003.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto somente pode ser compensado na declaração de ajuste anual, quando comprovada a retenção por documentação hábil e idônea. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. DEDUÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. Os honorários advocatícios e periciais devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos, haja vista que somente a parcela correspondente aos rendimentos tributáveis poderá ser deduzida da base de cálculo do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 03 48 /2 01 0- 56 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.010348/201056 Acórdão n.º 2202003.601 S2C2T2 Fl. 137 2 Relatório Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) (DRJ/SP1), que descreve os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrada, em 11/10/2010, a Notificação de Lançamento de fls. 16 a 22 relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2007, exercício 2008 que apurou imposto suplementar no valor de R$ 953,31 e multa de ofício de R$ 714,98, bem como imposto de renda sujeito a multa de mora no total de R$ 354,90. Conforme a Notificação de Lançamento, foi verificada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista no valor de R$ 3.466,58 e compensação indevida do imposto de renda retido na fonte de R$ 354.90. O interessado apresentou impugnação de fls. 04 a 10. O contribuinte nessa impugnação alegou, em síntese, que: deveria haver dedução integral dos valores pagos a advogados e peritos, necessários para o recebimento dos valores originários da ação judicial; como houve retenção de imposto na fonte, “não haveria que se falar tanto em pagamento adicional quanto em restituição de imposto de renda”, entretanto, como houve pagamento de honorários advocatícios e periciais, para o recebimento dos valores da ação judicial, haveria direito a restituição de imposto de renda; que no anocalendário em comento não há qualquer cessão de crédito e que o cálculo que atribui ao total de rendimentos como rendimentos tributáveis apenas 80,94% como tributáveis não procede; que haveria bis in idem, caracterizado pela tributação de 100% da cessão de crédito na celebração do acordo; que os cálculos efetuados pela fiscalização para apuração do valor tributável, imposto retido na fonte e honorários advocatícios e periciais estariam equivocados, havendo erro no cálculo do valor isento, que deveria ser apenas os 8% do FGTS e deveria haver desconto integral do valor pago ao advogado; pede que o lançamento seja retificado de acordo com demonstrativo que apresenta ao final da peça impugnatória. A DRJ/RJ1 julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.010348/201056 Acórdão n.º 2202003.601 S2C2T2 Fl. 138 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. É de se manter a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, decorrente de processo judicial trabalhista, apurada pela fiscalização, uma vez comprovada pelos documentos acostados aos autos. GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Face aos elementos constantes nos autos, mantémse a glosa parcial do imposto de renda retido na fonte, efetuada no lançamento. A decisão da DRJ manteve o lançamento por entender que somente pode ser considerada a retenção do imposto de renda decorrente dos rendimentos recebidos incluídos na declaração de ajuste anual, assim como os valores dos honorários advocatícios e periciais devem ser deduzidos na proporção dos rendimentos tributáveis correspondentes. Cientificado dessa decisão em 29/01/2014, por via postal (A.R. de fl. 114), o Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 116 a 124 em 27/02/2014, no qual faz as seguintes alegações, em resumo: celebrou acordo judicial em 1999, onde foram compensados valores cedidos a terceiros para compensação de impostos distritais, e a diferença restante a ser paga por meio de um sinal em 2006 e 12 parcelas trimestrais em 2007, 2008 e 2009; a cessão não altera a natureza jurídica da relação que lhe deu origem, razão pela qual o Distrito Federal manteve os valores de imposto de renda retido na fonte em sua totalidade, mesmo a parte relativa aos créditos cedidos, os quais devem ser restituídos ao Contribuinte; A Lei nº 7.713/88 permite a dedução de valores pagos a título de honorários e não há na legislação limite para o montante pago a esse título, o que resulta na necessidade de anulação do auto de infração, que considerou apenas o percentual correspondente ao valor tributável. Ao final, requer a extinção do lançamento fiscal, em função da ausência de fato gerador. Em 16/09/2015, o Contribuinte apresentou petição requerendo prioridade na tramitação, em função do Estatuto do Idoso, assim como a distribuição conjunta dos processos nºs 10166.010349/201009, 10166.001353/201159 e 10166.010347/201010, os quais alega terem objetos semelhantes. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.010348/201056 Acórdão n.º 2202003.601 S2C2T2 Fl. 139 4 Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Em relação ao imposto de renda retido na fonte pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal, no valor de R$ 354,90, o qual foi glosado pela Fiscalização, entendo que não tem razão o Recorrente. O Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, dispõe: Art.87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei n º 9.250, de 1995, art. 12): IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; Não merece reparo o procedimento da Fiscalização que apurou o IRRF da seguinte forma: R$ 55.273,11 (Precatório 449/94) + R$ 8.985,58 (aposentadoria) = R$ 64.258,69. Como o Contribuinte havia declarado R$ 64.613,59, está correta a glosa de R$ 354,90 (fl. 96). No que se refere à dedução dos honorários advocatícios e periciais, a Recorrente sustenta que deve ser subtraído da base de cálculo tributável todos os valores pagos a esse título, pois não há limite na legislação. A Fiscalização entendeu que os valores pagos de honorários advocatícios e periciais devem ser proporcionalizados conforme os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e assim procedeu aos cálculos da dedução. Como os pagamentos foram efetuados em diversos anoscalendário, os valores tributáveis, para todos os anos, foram afetados pela cessão de crédito, que alterou a proporção entre rendimentos tributáveis e não tributáveis. Considero correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, o qual está em conformidade com o entendimento da Receita Federal expresso no "Perguntas e Respostas IRPF/2007", conforme abaixo: 408 — Honorários advocatícios e despesas judiciais podem ser diminuídos dos valores recebidos em decorrência de ação judicial? Os honorários advocatícios e as despesas judiciais podem ser diminuídos dos rendimentos tributáveis, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, desde que não sejam ressarcidas ou indenizadas sob qualquer forma. Da mesma maneira, os gastos Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.010348/201056 Acórdão n.º 2202003.601 S2C2T2 Fl. 140 5 efetuados anteriormente ao recebimento dos rendimentos podem ser diminuídos quando do recebimento dos rendimentos. Os honorários advocatícios e as despesas judiciais pagos pelo contribuinte devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos em ação judicial, isto é, entre os rendimentos tributáveis, os sujeitos a tributação exclusiva e os isentos e nãotributáveis. O contribuinte deve informar como rendimento tributável o valor recebido, já diminuído do valor pago ao advogado, independentemente do modelo de formulário utilizado. Caso utilize a Declaração de Ajuste Anual no modelo completo, deve preencher a Relação de Pagamentos e Doações Efetuados, informando o nome, o número de inscrição no CPF e o valor pago ao beneficiário do pagamento (ex: advogado). (Lei n º 7.713, de 1988, art. 12; RIR/1999, art. 56, parágrafo único) (destaquei) Esta Turma Julgadora já teve oportunidade de se pronunciar sobre o assunto recentemente, conforme decisão a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2007 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. DEDUÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. Os honorários advocatícios e periciais devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos, haja vista que somente a parcela correspondente aos rendimentos tributáveis poderá ser deduzida da base de cálculo do imposto de renda. In casu, tendo em vista que o montante recebido no anocalendário em referência englobou apenas uma parcela isenta (FGTS) e uma parcela tributável sujeita ao ajuste anual, há que se calcular o percentual relativo a cada uma delas. [...] Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 2202003.284, Data de publicação: 31/05/2016, Rel. Martin da Silva Gesto) Dessa forma, entendo que não merecem acolhida os argumentos da Recorrente, devendo ser mantido o lançamento de ofício. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.010348/201056 Acórdão n.º 2202003.601 S2C2T2 Fl. 141 6 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005257/2004-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/1999, 31/03/2000 a 31/05/2000, 31/08/2000 a 31/12/2000, 31/01/2001 a 31/12/2001, 31/01/2002 a 31/12/2002, 31/01/2003 a 31/12/2003, 31/01/2004 a 30/06/2004
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, § 2º, DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo pagamento, mesmo que parcial, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplica-se o disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional.
BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS concedidos pelo Estado do Amazonas às sociedades empresárias constituem receitas não operacionais da pessoa jurídica.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ART. 3º, § 1°, DA LEI N° 9.718/98.
A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
ART. 62, § 2º, DO RICARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/1999, 31/03/2000 a 31/05/2000, 31/08/2000 a 31/12/2000, 31/01/2001 a 31/12/2001, 31/01/2002 a 31/12/2002, 31/01/2003 a 31/12/2003, 31/01/2004 a 30/06/2004
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, § 2º, DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo pagamento, mesmo que parcial, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplica-se o disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional.
BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS concedidos pelo Estado do Amazonas às sociedades empresárias constituem receitas não operacionais da pessoa jurídica.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ART. 3º, § 1°, DA LEI N° 9.718/98.
A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
ART. 62, § 2º, DO RICARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama declarou-se impedida de votar.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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GRUPO ITAUTEC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/1999, 31/03/2000 a 31/05/2000, 31/08/2000 a 31/12/2000, 31/01/2001 a 31/12/2001, 31/01/2002 a 31/12/2002, 31/01/2003 a 31/12/2003, 31/01/2004 a 30/06/2004 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, § 2º, DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo pagamento, mesmo que parcial, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase o disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelo Estado do Amazonas às sociedades empresárias constituem receitas não operacionais da pessoa jurídica. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ART. 3º, § 1°, DA LEI N° 9.718/98. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. ART. 62, § 2º, DO RICARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 52 57 /2 00 4- 14 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 9303004.119 CSRFT3 Fl. 678 2 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/1999, 31/03/2000 a 31/05/2000, 31/08/2000 a 31/12/2000, 31/01/2001 a 31/12/2001, 31/01/2002 a 31/12/2002, 31/01/2003 a 31/12/2003, 31/01/2004 a 30/06/2004 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, § 2º, DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo pagamento, mesmo que parcial, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase o disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelo Estado do Amazonas às sociedades empresárias constituem receitas não operacionais da pessoa jurídica. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ART. 3º, § 1°, DA LEI N° 9.718/98. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. ART. 62, § 2º, DO RICARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama declarouse impedida de votar. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 678DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 9303004.119 CSRFT3 Fl. 679 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN contra acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/1999, 31/03/2000 a 31/05/2000, 31/08/2000 a 31/12/2000, 31/01/2001 a 31/12/2001, 31/01/2002 a 31/12/2002, 31/01/2003 a 31/12/2003, 31/01/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. COFINS. ART. 150, §4º DO CTN. Havendo pagamento antecipado parcial, aplicase, aos tributos lançáveis por homologação, o prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN, cujo dies a quo é a data de ocorrência do fato gerador, conforme julgamento do REsp nº 973.733/SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e aqui aplicável por força do disposto no art. 62A do RICARF. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da Cofins, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/1999, 31/03/2000 a 31/05/2000, 31/08/2000 a 31/12/2000, 31/01/2001 a 31/12/2001, 31/01/2002 a 31/12/2002, 31/01/2003 a 31/12/2003, 31/01/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. PIS. ART. 150, §4º DO CTN. Havendo pagamento antecipado parcial, aplicase, aos tributos lançáveis por homologação, o prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN, cujo dies a quo é a data de ocorrência do fato gerador, conforme julgamento do REsp nº 973.733/SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e aqui aplicável por força do disposto no art. 62A do RICARF. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 9303004.119 CSRFT3 Fl. 680 4 O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. A PGFN apresentou Recurso Especial suscitando divergência de entendimento acerca da decadência do lançamento e da exclusão da restituição de ICMS, a título de incentivo fiscal, da base de cálculo das contribuições sociais do PIS/Pasep e Cofins. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do Despacho nº 340000.051, de 20 de fevereiro de 2014. às fls. 554/555. O sujeito passivo apresentou contrarrazões, onde pleiteia a manutenção do acórdão ora recorrido, retornando o processo para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. Tratam os autos de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que julgou procedente auto de infração da contribuição ao PIS (fls. 08/23) e da COFINS (fls. 172/187), referentes aos seguintes períodos/anoscalendários: 07 a 10/1999, 03 a 05 e 8 a 12/2000, 2001, 2002, 2003 e 01 a 06/2004, cuja ciência ocorreu em 28/09/2004. A matéria tratada no presente recurso será em relação a decadência do lançamento e o fato dos valores da restituição de ICMS, a título de incentivo fiscal serem excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins. 1 Decadência do Lançamento. O acórdão recorrido considerou em, relação ao lançamento, que os fatos geradores consumados em julho e agosto de 1999 foram atingidos pela caducidade, vez que efetuado após cinco anos da data do fato gerador a que se refere o artigo 150, § 4º do CTN, presumindose o pagamento parcial das contribuições. A PGFN pugna pela aplicação do art. 173, I, do CTN, ante a não comprovação da existência de pagamento, para fins de contagem do prazo decadencial.. Já o sujeito passivo em suas contrarrazões argumenta que a autuação se deu apenas em face de diferenças apuradas e diante da existência de pagamento parcial devese manter a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, anexando a DCTF relativa ao 3º trimestre de 1999 (Doc. 03), em que se verifica que, nos períodos de julho e agosto de 1999, parte do valor das contribuições devida foi paga mediante DARF e, parte, extinta por compensação. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial: na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito Fl. 680DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 9303004.119 CSRFT3 Fl. 681 5 passivo tenha antecipado o pagamento; e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 681DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 9303004.119 CSRFT3 Fl. 682 6 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. A aplicação do artigo 62A do antigo RICARF, atualmente § 2º do art. 62 do RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, implica adoção da referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça não apenas pela CSRF, mas também por todas as turmas de julgamento do CARF. No caso em tela, o Auto de Infração lavrado trata de procedimento de Verificações Obrigatórias, em que são confrontados os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, sendo lançada a diferença relativa aos valores do incentivo fiscal de restituição de ICMS concedido pela Zona Franca de 1 Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 9303004.119 CSRFT3 Fl. 683 7 Manaus, que não compuseram a base de cálculo do PIS e da COFINS, nos anoscalendário de 1999 a 2004. No mais, consta nos documentos comprobatórios juntados às fls. 619/625 a DCTF relativa ao 3º trimestre de 1999, em que se verifica o pagamento parcial mediante DARF e compensações relativas aos períodos de julho e agosto de 1999, que devem ser aceitos por se enquadrar nas hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Assim, havendo pagamento, mesmo que parcial, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Como o lançamento referese aos períodos de apuração de 07 a 10/1999, 03 a 05 e 8 a 12/2000, 2001, 2002, 2003 e 01 a 06/2004, e o sujeito passivo foi cientificado em 28/09/2004, via Auto de Infração, da exigência do PIS e da COFINS, estarão decaídos somente os períodos de julho e agosto de 1999, mantendose o acórdão recorrido. 2 Da exclusão da restituição de ICMS, a título de incentivo fiscal, da base de cálculo das contribuições sociais do PIS/Pasep e Cofins. Tratam os autos de Auto de Infração relativo à exigência do PIS e da COFINS decorrente de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago, sendo lançada a diferença relativa aos valores do incentivo fiscal de restituição de ICMS concedido pela Zona Franca de Manaus, que não compuseram a base de cálculo daquelas contribuições, nos anos calendário de 1999 a 2004. Conforme relatado no acórdão recorrido, o sujeito passivo é beneficiário do incentivo fiscal de restituição e de apropriação de créditos de ICMS pelo Estado do Amazonas, quer pelo regime da Lei Estadual n° 1.939/89, regulamentada pelo Decreto Estadual n° 12.814 A/90, quer pelo regime da subsequente Lei Estadual nº 2.826/03, escriturando os valores lançados em resultado como redutor do custo da produção vendida e, portanto, sem creditálo diretamente às contas de “receita”, de modo a não incluílo na base de cálculo das exações. Sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 835.818, ao tratar da exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins dos valores referentes a créditos presumidos do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal. Destaquese, ainda, o julgamento no E. STF do RE 240.785/MG, com efeitos inter partes, no qual se discutia a constitucionalidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da Cofins, assim decidiu: TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de Fl. 683DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 9303004.119 CSRFT3 Fl. 684 8 faturamento (RE 240785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2014, DJe246 DIVULG 15 122014 PUBLIC 16122014) Não obstante a matéria ser objeto de acalorada discussão nesse Colegiado, enquanto não houver decisão vinculante quanto à matéria, filiome a corrente que considera os incentivos fiscais (subvenções) concedidos pelo Estado do Amazonas, destinados às sociedades empresárias industriais ou agroindustriais que lá se instalaram, como receitas não operacionais da pessoa jurídica. Neste sentido, reproduzo abaixo ementa e trechos do voto de acórdão proferida pela CSRF nº 9303002.355, de 13/08/2013, de Relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, e adoto como fundamentos para de decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999: Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 Subvenções Governamentais. Natureza jurídica de Receita. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelo Estado do amazonas às sociedades empresárias constitui receita da pessoa jurídica, e como tal devem ser escriturados. (Ac 9303002.355– 3º Turma CSRF, Relator Henrique Pinheiro Torres, sessão de 13 de agosto de 2013) (...) Trecho do voto: (...) Feitos os necessários esclarecimentos, passo, sem mais delongas ao exame da controvérsia trazida no apelo Fazendário, qual seja, a da incidência ou não da Cofins sobre as dos valores atinentes a incentivos fiscais de ICMS, registrado na contabilidade da autuada na conta Reserva de Capital, que a recorrida caracterizou como subvenções para investimentos. Inicialmente, temse que o correto enquadramento contábil dos incentivos fiscais (subvenções) concedidos pelo Estado do Amazonas, destinados às sociedades empresárias industriais ou agroindustriais que lá se instalaram, deve ser feito como receitas não operacionais da pessoa jurídica, pelas razões seguintes. As subvenções governamentais são programas delineados, administrados e concedidos pelos governos (União, Estados, DF e Municípios) com o objetivo de incrementar operações, atrair Fl. 684DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 9303004.119 CSRFT3 Fl. 685 9 investimentos para determinadas regiões pouco desenvolvidas e financiar a promoção de atividades de interesse público. Às empresas que se fixam em áreas carentes de desenvolvimento são concedidas reduções e isenções tributárias (subvenções) sobre suas operações, cuja concessão segue procedimento criterioso de aprovação da empresa interessada. Há outras modalidades de subsídios, tais como as subvenções governamentais para investimento em que a empresa beneficiária fica obrigada a reinvestir, sob determinadas condições, parte dos tributos desonerados de suas transações e a subvenção para custeio, também denominada de subvenção corrente para custeio ou subvenção operacional, esta modalidade de subvenção governamental é caracterizada pelo incentivo, em sua maioria de natureza tributária, concedido pelo poder público com o objetivo de incrementar a atividade operacional das empresas em decorrência de interesses do próprio governo. Dos conceitos acima, a conclusão acaciana a que se chega é que o incentivo fiscal dado pela Lei 2.826/2003, do Estado do Amazonas, é espécie de subvenção governamental. A classificação desse incentivo como subvenção governamental é encontrada, dentre outros, nos itens 62 e 413 do CPC nº 7. Como é de sabença de todos, a sigla CPC designa o Comitê de Pronunciamento Contábil, criado pela Resolução nº 1055/054 do Conselho Federal de Contabilidade, composto pelas seguintes entidades: ABRASCA; APIMEC NACIONAL; BOVESPA; Conselho Federal de Contabilidade; FIPECAFI; e IBRACON. Releva ainda salientar que o CPC nº 07 foi aprovado, dentre outros, pela (o): CVM, deliberação CVM nº 555/08; CFC, Resolução CFC nº 1.143/08; 2 6. A subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc. 3 41. Certos empreendimentos gozam de incentivos tributários de imposto sobre a renda na forma de isenção ou redução do referido tributo, consoante prazos e condições estabelecidos em legislação específica. Esses incentivos atendem ao conceito de subvenção governamental 4 O CPC tem como objetivo "o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais". Fl. 685DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 9303004.119 CSRFT3 Fl. 686 10 Susep, Circular Susep nº 379/08 (anexo I). As subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita, a teor do item 42, abaixo transcrito: 42. O reconhecimento contábil dessa redução ou isenção tributária como subvenção para investimento é efetuado registrandose o imposto total no resultado como se devido fosse, em contrapartida à receita de subvenção equivalente, a serem demonstrados um deduzido do outro. A seu turno, o item 9 do CPC nº 07, dispõe ser irrelevante para o método de contabilização, a forma como a subvenção foi recebida, vejamos: 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. Nessa linha de raciocínio, vêse que os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelo Estado do Amazonas à sociedade empresária autuada constitui receita da pessoa jurídica, mais precisamente, receita não operacional, posto não ser fruto direto da alienação de um bem ou serviço relacionado à atividade fim da sociedade empresária. Resta então determinar se tal receita pode ser alcançada pela incidência da Cofins. Vejamos: Até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o § 4 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas decorrentes da isenção ou concessão de créditos do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, comporiam a base de cálculo dessa contribuição. Correto, portanto, o lançamento fiscal. Acontece, porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. (...) Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins voltou a ser a receita bruta correspondente Fl. 686DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005257/200414 Acórdão n.º 9303004.119 CSRFT3 Fl. 687 11 a faturamento, assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Por conseguinte, anteriormente à vigência dessa lei, as subvenções governamentais objeto destes autos não estavam incluídas na base de cálculo da Contribuição. Apesar da informação trazida pelo sujeito passivo de que parte do período autuado estaria sujeito a sistemática de incidência nãocumulativa das contribuições prevista pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, as quais lhe eram aplicáveis, o enquadramento legal apresentado no Auto de Infração se ateve à Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, aplicando sobre a diferença apurada as alíquotas do regime cumulativo (0,65% para o PIS e 3% para a COFINS). Dessa forma, por força do disposto no artigo 62A do antigo RICARF, atualmente § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, adotase para o presente julgamento, a decisão do E. STF, que afastou o alargamento da base de cálculo previsto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mantendose a não incidência da contribuição para o PIS e da Cofins, com incidência cumulativa, sobre os incentivos fiscais (subvenções) concedidos pelo Estado do Amazonas objeto destes autos, considerados como receitas não operacionais da pessoa jurídica, não se enquadrando no conceito de "faturamento". Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 687DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.722025/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008, 2009, 2010
DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. COMPROVAÇÃO, NORMALIDADE. NECESSIDADE.
Se as despesas incorridas pelo contribuinte são necessárias e possuem vínculo direto com sua atividade fim, bem como, estão devidamente comprovadas, não há razão para glosa da dedução.
CONSTITUIÇÃO DE CONSÓRCIO DE EMPRESAS. NECESSÁRIA DISTINÇÃO ENTRE O CONSÓRCIO E OS PARTICIPANTES QUE A COMPÕEM. PRINCÍPIO DA ENTIDADE.
O consórcio é formado pela reunião dos recursos aportados pelas participantes, mas não se confunde com as participantes em si, não existindo fundamento legal para presumir ou exigir que os sócios apliquem a totalidade dos recursos que possuem nas atividades do consórcio.
PLANEJAMENTO FISCAL. ADOÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PELAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ERRO NA DEFINIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. ERRO NA DEFINIÇÃO DA INFRAÇÃO.
Se a autuação decorre de eventual abusividade ou fraude na adoção do Lucro Presumido pelas empresas prestadoras de serviços, há claro erro na definição do sujeito passivo e no enquadramento da infração quando a autuação conclui pela glosa da despesa incorrida pela empresa prestadora do serviço.
Numero da decisão: 1201-001.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. O presidente acompanhou o Relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 10/11/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. COMPROVAÇÃO, NORMALIDADE. NECESSIDADE. Se as despesas incorridas pelo contribuinte são necessárias e possuem vínculo direto com sua atividade fim, bem como, estão devidamente comprovadas, não há razão para glosa da dedução. CONSTITUIÇÃO DE CONSÓRCIO DE EMPRESAS. NECESSÁRIA DISTINÇÃO ENTRE O CONSÓRCIO E OS PARTICIPANTES QUE A COMPÕEM. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. O consórcio é formado pela reunião dos recursos aportados pelas participantes, mas não se confunde com as participantes em si, não existindo fundamento legal para presumir ou exigir que os sócios apliquem a totalidade dos recursos que possuem nas atividades do consórcio. PLANEJAMENTO FISCAL. ADOÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PELAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ERRO NA DEFINIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. ERRO NA DEFINIÇÃO DA INFRAÇÃO. Se a autuação decorre de eventual abusividade ou fraude na adoção do Lucro Presumido pelas empresas prestadoras de serviços, há claro erro na definição do sujeito passivo e no enquadramento da infração quando a autuação conclui pela glosa da despesa incorrida pela empresa prestadora do serviço.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. O presidente acompanhou o Relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 10/11/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1928; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.722025/201393 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201001.530 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de outubro de 2016 Matéria IRPJ Recorrentes RODOVIAS INTEGRADAS DO OESTE FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. COMPROVAÇÃO, NORMALIDADE. NECESSIDADE. Se as despesas incorridas pelo contribuinte são necessárias e possuem vínculo direto com sua atividade fim, bem como, estão devidamente comprovadas, não há razão para glosa da dedução. CONSTITUIÇÃO DE CONSÓRCIO DE EMPRESAS. NECESSÁRIA DISTINÇÃO ENTRE O CONSÓRCIO E OS PARTICIPANTES QUE A COMPÕEM. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. O consórcio é formado pela reunião dos recursos aportados pelas participantes, mas não se confunde com as participantes em si, não existindo fundamento legal para presumir ou exigir que os sócios apliquem a totalidade dos recursos que possuem nas atividades do consórcio. PLANEJAMENTO FISCAL. ADOÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PELAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ERRO NA DEFINIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. ERRO NA DEFINIÇÃO DA INFRAÇÃO. Se a autuação decorre de eventual abusividade ou fraude na adoção do Lucro Presumido pelas empresas prestadoras de serviços, há claro erro na definição do sujeito passivo e no enquadramento da infração quando a autuação conclui pela glosa da despesa incorrida pela empresa prestadora do serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. O presidente acompanhou o Relator pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 20 25 /2 01 3- 93 Fl. 8686DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 10/11/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório Trata o processo de autos de infração lavrados pela DRF/Sorocaba, exigindo da Interessada, acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), respectivamente, nos valores de R$55.328.711,14 e R$18.910.507,58, acrescidos de multa de ofício de 150%, e juros de mora calculados até 09/2013. Consta nos autos de infração que foram constatadas duas infrações para os anos de 2008, 2009 e 2010: infração 0001: despesas não necessárias; infração 0002: excesso de depreciação em decorrência do valor do bem. Consta no relatório fiscal o que segue. O contribuinte foi selecionado em função da distorção da margem de lucro em relação ao setor econômico. A partir de dados retirados das Demonstrações de Resultados das empresas listadas às fls.2.955, pertencentes ao mesmo setor econômico da fiscalizada, calculouse os percentuais de Lucro/Receita apurados, tendo sido elaborada a tabela comparativa de fls.2.955, a qual revela que a fiscalizada apurou um percentual de lucro bem inferior às outras empresas pertencentes ao mesmo setor econômico dela. A fiscalizada é constituída sob a forma de sociedade anônima por ações e tem por objeto social exclusivo realizar, sob o regime de concessão, a administração e a exploração do Sistema Rodoviário do Estado de São Paulo, conforme Estatuto Social Consolidado de 02/08/2004, registrado na JUCESP. Os acionistas à época dos períodos fiscalizados eram aqueles listados às fls.2.956/2.959. Fl. 8687DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 3 3 O contribuinte foi intimado a: detalhar o valor de R$22.913.802,94, informado na DIPJ/2009, Ficha 04A Custo dos Bens e Serviços Vendidos PJ em Geral Outros Custos item 39, apontando quais contas contábeis (nome/número/valor) que compuseram este valor; apresentar cópia dos documentos emitidos pelas empresas prestadoras dos serviços listados às fls.2.959/2.960, informadas na Declaração do Imposto de Retido na Fonte Dirf emitido pela fiscalizada na condição de beneficiária dos serviços, código da receita 1708 Remuneração de serviços profissionais prestados por Pessoas Jurídicas; informar as contas contábeis (nome/número) utilizadas para a contabilização (lançamentos) dos documentos fiscais e pagamentos; fornecer cópia de todos os documentos que deram suportes aos lançamentos contábeis relativos a estas prestações de serviços (cópia de Nota Fiscal, Duplicata, Cheque, Contrato do Serviço e outros). Depois disto, o contribuinte foi intimado a apresentar cópias de notas fiscais registradas a crédito na sua contabilidade emitidas pelo Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista, CEOP, e pelo Consorcio Construtor Botucatu, CCBO, com os correlatos documentos, conforme detalhado às fls.2.961/2.969. O Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista, CEOP, foi intimado a apresentar documentos e livros contábeis conforme detalhado às fls.2.970/2.971. O Consorcio de Engenharia do Oeste Paulista – CEOP tem por objeto social a execução por empreitada incluindo o fornecimento de material, de serviços de manutenção e infraestrutura; construção e reforma de canaletas e aparelhos de drenagem; reparos e reconstituição de pavimentos, reforma e manutenção de instalações prediais e de telecomunicações e outros serviços de manutenção e apoio à operação e gestão das rodovias relacionadas às fls.2.972. Às fls.2.972/2.973, consta relação das empresas consorciadas e respectivas participações no mencionado Consórcio. Às fls.2.973/2.975, consta demonstrativo do resultado líquido do Consórcio. Da mesma forma, o Consórcio Construtor Botucatu, (CCBO), foi intimado a apresentar documentos e livros contábeis conforme detalhado às fls.2.975/2.976. O Consórcio Construtor Botucatu, (CCBO) tem por objeto social a execução de todas as obras de recuperação, manutenção e melhoria prevista no Contrato de concessão 010/CR/2000, no período de julho à junho/2008, nas rodovias que compõem o Lote 20 do estado de São Paulo – Sistema rodovia – operado pela Rodovias Integradas do Oeste – SPVIAS e constituído pela malha rodoviária estadual entre as rodovias relacionadas às fls.2.977. Às fls.2.977/2.979, consta relação das empresas consorciadas e respectivas participações no mencionado Consórcio. Às fls.2.979/2.981, consta demonstrativo do resultado líquido do Consórcio. Às fls.2.981/2.988, consta análise dos sócios dos consórcios acima mencionados em relação aos sócios da fiscalizada. Fl. 8688DF CARF MF 4 Às fls.2.988/2.997, consta sob o título “Do planejamento tributário”, as seguintes informações a seguir resumidas. Quanto ao Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP: o referido Consórcio prestou unicamente serviços à fiscalizada durante os anoscalendários de 2008, 2009 e 2010, e emitiu várias notas fiscais de serviços. Estas notas fiscais foram contabilizadas pela fiscalizada como custos/despesas. Os saldos das respectivas contas contábeis foram encerrados e diminuíram o resultado final da fiscalizada; conforme dados constantes nas Demonstrações dos Resultados dos Exercícios, os Resultados Líquidos e as Receitas Totais nos anos de 2008, 2009 e 2010, do Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP foram os que constam às fls.2.988/2.989; o percentual de Lucro Liquido que o Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP obteve foi, para 2008, 75,5%; para 2009, 76,1%; e para 2010, 66,3%; dos sócios participantes do Consorcio de Engenharia do Oeste Paulista – CEOP, 10 (dez) apuraram IRPJ e CSLL pelo lucro presumido, e apenas 01(uma) sócia, a Planova Planejamento e Construção Ltda, apurou pelo Lucro Real; às fls.2.989/2.995, foram calculados os valores de IRPJ e CSLL devidos pelos sócios participantes do Consorcio de Engenharia do Oeste Paulista – CEOP, para os anos de 2008, 2009 e 2010; se os tributos do Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP fossem apurados somente pelo Lucro Real, os valores de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido seriam os que constam às fls.2.995/2.996; comparando os valores dos tributos (IRPJ e CSLL) que os participantes do Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP apuraram pelo Lucro Real (Planova) e pelo Presumido (demais participantes), com os valores apurados somente pelo Lucro Real, constatamos reduções na carga tributária nos valores registrados na planilha de fls.2.997; tais reduções são resultantes dos benefícios da tributação pelo Lucro Presumido, adotado pelas 10(dez) participantes do consórcio CEOP. Quanto ao Consórcio Construtor Botucatu – CCBO: o referido Consórcio prestou serviços à fiscalizada durante os anos calendários de 2008, 2009 e 2010, e emitiu várias notas fiscais de serviços. Estas notas fiscais foram contabilizadas pela fiscalizada nas contas contábeis n°s 3.1.02.02.031 Pavimentos Diversos, 1.3.04.02.001 Imobilizado em Rodovias, 1.3.02.06.001 Edificações e 122211001 Obras em Andamento; as contas contábeis 1.3.04.02.001 Imobilizado em Rodovias, 1.3.02.06.001 Edificações e 122211001 Obras em Andamento fazem parte do Grupo de Ativo Permanente; o total debitado na conta contábil 3.1.02.02.031 Pavimentos Diversos foi de R$157.689,48 em 2008 e foi transferido para o resultado do exercício da fiscalizada; Fl. 8689DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 4 5 conforme dados constantes das Demonstrações dos Resultados dos Exercícios, os Resultados Líquidos e as Receitas Totais do Consórcio para os anos de 2008, 2009 e 2010, foram os que constam às fls.2.997; o percentual de Lucro Liquido que o Consórcio Construtor Botucatu CCBO obteve foi de : para 2008: 56,2%, para 2009: 57,5% e para 2010: 53,6%. Relativamente ao Consorcio de Engenharia do Oeste Paulista – CEOP, concluiu a Fiscalização: a receita operacional de serviços do Consórcio de Engenharia do Oeste PaulistaCEOP, dos anoscalendários de 2008, 2009 e 2010, referese às Notas Fiscais de Serviços emitidas pelos serviços prestados à fiscalizada, seu único cliente; a fiscalizada contabilizou estas notas fiscais como custos/despesas; das 11 (onze) sócias participantes do Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP, 10 (dez) tributaram os rendimentos recebidos pelo Lucro Presumido, e, apenas 01(uma), a sócia participante Planova Planejamento e Construção Ltda, tributou pelo Lucro Real; ao adotar a tributação pelo Lucro Presumido, as 10 (dez) sócias participantes do Consórcio CEOP reduziram a carga tributária em torno de R$30.211.543,49, relativo a IRPJ e CSLL do anocalendário de 2008, de R$23.893.948,96, relativo a IRPJ e CSLL do anocalendário de 2009, e de R$13.494.528,23, relativo a IRPJ e CSLL do ano calendário de 2010, comparado com a tributação pelo Lucro Real, conforme quadro demonstrativo de fls.2.996/2.997; os sócios participantes do Consorcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP participam do quadro societário da fiscalizada, direta e indiretamente, conforme descrito às fls.2.981/2.988; a fiscalizada apresentou documento informando que a contratação dos consórcios CEOP e CCBO decorreu principalmente pelos seguintes fatos, (transcritos do documento fornecido pelo contribuinte em 28/05/2013): do interesse na contratação coordenada de um conjunto de empresas com especialização, capacitação e conhecimento para os serviços e obras de conservação, operação e construção exigidos para o Lote Rodoviário administrado pela SPVias, concentrando nos consórcio todo o relacionamento decorrente de tal contratação (faturamentos, claims, medições, indenizações, garantias, relacionamento com subempreiteiros, fornecedores de materiais, etc); da necessidade de contratação de terceiros, tendo em vista a indisponibilidade de expertise ou mãodeobra próprias da intimada à época das contratações; por força do disposto na cláusula 36.1 do Contrato de Concessão, no que lhes pertine; como medida de mitigação dos riscos de variação dos custos previstos para a Concessão, além dos orçados à época da licitação, com base em referências de mercado; e ainda, para obtenção de garantias relativas à execução, qualidade e entrega da totalidade das obras e serviços executados, o que repercute na qualidade dos serviços concedidos. registrou a Fiscalização que as empresas especializadas, capacitadas, já faziam parte da fiscalizada, pois as empresas participantes do consórcio são acionistas da fiscalizada, com os mesmos percentuais de participação, não sendo necessária a contratação dos serviços dos consórcios; Fl. 8690DF CARF MF 6 ao contratar os consórcios, não houve contratação de terceiros, pois esses são réplicas da fiscalizada, têm as mesmas especialização, capacitação, conhecimento, assim, a mãodeobra contratada pelo consórcio poderia ser contratada pela fiscalizada; a fiscalizada não necessitaria utilizarse dos serviços do Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP, pois, por si só teria capacidade técnica para a execução dos serviços; os custos/despesas que a fiscalizada incorreria para a execução dos serviços seriam os mesmos que o consórcio incorreu, pois, as mesmas empresas que executaram os serviços no consórcio, os executariam na fiscalizada; a fiscalizada incorreu em valores altos de serviços, ao transitar os custos/despesas pelo consórcio, tendo em vista os percentuais dos lucros líquidos por este apurado; esses lucros foram gerados a partir de transação dos acionistas com eles mesmos, sem qualquer substância econômica; a fiscalizada poderia executar os mesmos serviços contratados do consórcio, pois tinha a mesma capacidade técnica para tanto, tendo em vista que os executores dos serviços seriam os mesmos; a fiscalizada, ao contabilizar as notas fiscais de serviços emitidas pelo consórcio como custo/despesas, reduziu seu lucro real, conseqüentemente, diminuiu o montante de lucros a serem distribuídos a seus sócios; porém, os lucros apurados pelo consórcio foram distribuídos aos sócios participantes do consórcio, os quais participam com os mesmos percentuais na fiscalizada; as parcelas de lucros não distribuídos aos sócios na fiscalizada, em virtude da redução do lucro real, foram distribuídos através do consórcio; a constituição do Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP não é necessária à atividade econômica da empresa fiscalizada, não teve fins econômicos, e sim, apenas o intuito de aproveitase dos benefícios da tributação pelo lucro presumido, adotado pelas 10 (dez) sócias participantes, diminuindo a carga tributária da fiscalizada em torno de R$30.211.543,49, relativo a IRPJ e CSLL do anocalendário de 2008, de R$23.893.948,96, relativo a IRPJ e CSLL do anocalendário de 2009, e de R$13.494.528,23, relativo a IRPJ e CSLL do anocalendário de 2010, conforme demonstrativos às fls.2.996/2.997; assim, os custo/despesas que realmente foram incorridos/pagos pela fiscalizada são os incorridos/pagos pelo Consorcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP ara execução dos serviços; foram excluídos dos valores das Notas Fiscais de Serviços emitidas pelo consórcio, os valores dos custos/despesas incorridos/pagos pelo mesmo, tendo sido constatadas as diferenças apontadas às fls.3.000/3.003; a fiscalizada, ao transitar os custos/despesas, através do Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP, tinha a intenção de fugir da oneração tributária; Fl. 8691DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 5 7 esse "planejamento tributário" buscou a tributação mais benéfica (Lucro Presumido) neste consórcio, em detrimento da real tributação (Lucro Real); os valores correspondentes aos custos/despesas, apurados às fls.3.000/3.003, nos valores de R$98.476.329,63, relativo ao anocalendário de 2008, de R$97.937.147,18, relativo ao anocalendário de 2009, e de R$56.432.036,94, relativo ao ano calendário de 2010, foram desnecessários à atividade da fiscalizada; tais valores foram glosados, sendo que, dos valores lançados, deduziuse o IRPJ e a CSLL apurados pelos participantes do consórcio CEOP nos valores descritos às fls.3.003/3.004; ao se adicionar os custos/despesas glosados ao lucro apurado pela fiscalizada, os percentuais de lucros/receitas seriam de 34,75%, 39,90% e 32,80%, para os anos calendários de 2008, 2009 e 2010, respectivamente, os quais estariam dentro da média das outras empresas do mesmo setor. Relativamente ao Consórcio Construtor Botucatu CCBO, concluiu a Fiscalização: a receita operacional de serviços do Consorcio Construtor Botucatu CCBO, dos anoscalendários de 2008, 2009 e 2010, referese às Notas Fiscais de Serviços emitidas pelos serviços prestados à fiscalizada, seu único cliente; a fiscalizada contabilizou a maioria destas notas fiscais nas contas contábeis n°s 1.3.04.02.001 Imobilizado em Rodovias, 1.3.02.06.001 Edificações e 122211001 Obras em Andamento; os sócios participantes do mencionado Consórcio participam do quadro societário da fiscalizada, direta e indiretamente, conforme fls.2.981/2.988; assim, a fiscalizada não necessitaria utilizarse dos serviços do referido consórcio, pois, por si só teria capacidade técnica para a execução dos serviços; os custos/despesas em que a fiscalizada incorreria para a execução dos serviços seriam os mesmos que o consórcio incorreu, pois, as mesmas empresas que executaram os serviços no consórcio, os executariam na fiscalizada; assim, a constituição do Consórcio Construtor Botucatu CCBO teve o intuito apenas de onerar os bens contabilizados no ativo imobilizado da fiscalizada, ocasionando despesa de depreciação indevida; os valores corretos dos bens a serem contabilizados pela fiscalizada como ativo imobilizado são os relativos aos custos/despesas incorridos/pagos pelo Consorcio Construtor Botucatu CCBO para construção desses bens; conforme demonstração do resultado do exercício do Consórcio Construtor Botucatu CCBO, os valores dos custos/despesas foram os que constam às fls.3.005/3.006; comparando o valor total dos bens contabilizados pela fiscalizada nas contas contábeis n°s 1.3.04.02.001 Imobilizado em Rodovias, 1.3.02.06.001 Edificações e 122211001 Obras em Andamento com os valores corretos dos bens, considerando apenas os Fl. 8692DF CARF MF 8 custos incorridos pelo Consórcio Construtor Botucatu CCBO, constatouse excessos nos valores registrados às fls.3.006/3.007; estes excessos nos valores de R$41.140.854,88, relativos ao anocalendário de 2008, de R$36.434.454,83, relativo ao anocalendário de 2009, e de R$10.675.783,31, relativo ao anocalendário de 2010, oneraram os bens contabilizados nas contas contábeis n°s 1.3.04.02.001 Imobilizado em Rodovias, 1.3.02.06.001 Edificações e 122211001 Obras em Andamento da fiscalizada; esses excessos deverão ser excluídos do ativo imobilizado da fiscalizada; a partir das informações constantes da planilha do contribuinte, recalculouse os valores das depreciações, considerando como valor dos bens, apenas os custos/despesas incorridos pelo Consórcio Construtor Botucatu – CCBO; foi elaborada planilha denominada "Demonstrativo de Cálculo da Depreciação Apurada no Procedimento Fiscal"; confrontandose os valores das depreciações calculados pelo contribuinte com os calculados pela fiscalização, constantes da mencionada planilha, foram apurados os excessos registrados às fls.3.008, para os anos de 2008, 2009 e 2010, que constituem excesso de depreciação, tendo sido glosados no cálculo do IRPJ e da CSLL. Registrou a Fiscalização que a constituição do Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista CEOP e do Consórcio Construtor Botucatu CCBO não seria necessária à atividade econômica da empresa fiscalizada, pois os participantes daqueles já faziam parte direta e indiretamente da administração desta. A criação desses consórcios teve o intuito de apenas reduzir a carga tributária da fiscalizada, ao buscar a tributação de seus resultados pelo lucro presumido, que é mais benéfica, em detrimento da real tributação (Lucro Real) das receitas auferidas. Assim, entendeu a Fiscalização que os atos praticados entre a fiscalizada e os consórcios, esvaziados de quaisquer características econômicas, impediram a ocorrência do Fato Gerador da Obrigação Tributária Principal e modificaram suas características, resultando na redução do montante do imposto devido, portanto, tipificado como crime tributário, previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/64, ensejando, desta forma, aplicação da multa qualificada de 150% (Centro e cinqüenta por cento), nos termos do artigo 44, inciso I, e § 1°, da Lei 9.430/96 com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/07, bem como a formalização de processo de representação fiscal para fins penais, PA 16024.000010/201330. O contribuinte foi intimado a proceder as alterações dos custos dos bens contabilizados nas contas contábeis 1.3.04.02.001 Imobilizado em Rodovias, 1.3.02.06.001 Edificações e 122211001 Obras em Andamento, de acordo com os valores descritos na mencionada planilha "Demonstrativo de Cálculo da Depreciação Apurada no Procedimento Fiscal". Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal da qual teve ciência do lançamento em 25092013, a Interessada apresentou em 25102013, impugnação instruída com documentos, arguindo em síntese: a autoridade administrativa não motivou de forma adequada e específica a glosa de despesas e do suposto excesso de depreciação, visto que não produziu uma descrição precisa da conduta; não realizou uma imputação objetiva da suposta infração fiscal praticada pela Impugnante; partiu de premissas inconsistentes e incoerentes, errando no critério jurídico Fl. 8693DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 6 9 de apuração dos tributos; não aprofundou o trabalho fiscal, notadamente após a impugnante ter apresentado informações (pontuais e específicas) (fls.262/266), pelo "CEOP" (fls. 2860/2863) e pelo "CCBO" (fls. 2920/2923), quanto à necessidade dos serviços prestados, de modo que os autos de infração são manifestamente insubsistentese, devendo ser cancelados por violação ao artigo 142 do CTN; a autoridade administrativa não questionou a existência e a necessidade das despesas e dos custos em si, mas sim o fato de a prestação de serviços e a execução de obras terem sido realizadas por terceiros reunidos em consórcios; desta forma, houve afronta ao disposto no §1° do artigo 25 da Lei Federal n° 8.987/1995, na Cláusula 20.6 do Edital de Licitação e na Cláusula 36 do Contrato de Concessão de Serviço Público (contratação de terceiros, doc. 03), que não só prevêem o direito e o dever da Impugnante de contratar terceiros para prestar serviços e executar obras inerentes aos serviços delegados, mais exigem a contratação de terceiros para a execução de obras; a autoridade administrativa também não fez qualquer alusão à legislação federal, ao edital de licitação e nem mesmo ao próprio contrato de concessão firmado com o Governo do Estado de São Paulo, o qual, não foi sequer juntado aos autos pela fiscalização, que estabelecem regras claras e objetivas para a contratação de terceiros; repitase: nos termos da Lei Federal n° 8.987/1995 e do edital de licitação, o contrato de concessão firmado pela Impugnante permite e até mesmo estimula a contratação de terceiros para prestar serviços, e, no caso concreto, exige a contratação de terceiros para executar as obras de conservação especial e ampliação da rodovia; os artigos 278 e 279 da Lei n° 6.404/76, (Lei das Sociedades Anônimas) dispõem sobre a constituição de consórcios no sentido de que, no caso concreto, deveria obrigatoriamente haver a criação dos consórcios, conforme doutrina que transcreve às fls.3.095/3.097; desconhecimento da Fiscalização sobre a racionalidade econômica de empreendimentos similares, bem como a forma de estruturação operacional de empresas do setor de infraestrutura, especialmente as concessionárias de serviços públicos; a Fiscalização não juntou aos autos e não analisou as regras do edital de licitação e do contrato de concessão de serviço público, desconsiderando, inclusive, a existência de cláusula prevendo a obrigação da contratação de terceiros para execução das obras de conservação especial e de ampliação, que envolveu a maior Malha Rodoviária do Estado de São Paulo, cuja administração foi concedida à iniciativa privada; não questionou em momento algum ou colocou em dúvida a existência e a efetividade da prestação dos serviços inerentes ao contrato de concessão firmado pela Impugnante, que, efetivamente, ocorreram; a Fiscalização desconsiderou que a Impugnante também contratava outras pessoas jurídicas para prestar serviços relativos ao objeto da concessão pública, como, aliás, consignado nos Relatórios das Auditorias Independentes ("BDO" e "KPMG, doc. 04); Fl. 8694DF CARF MF 10 também desconsiderou que o "CEOP" e o "CCBO" foram constituídos no ano de 2005, para prestar serviços e executar obras, nos termos da legislação de regência, do edital de licitação e do contrato de concessão, tudo sujeito à fiscalização direta e diuturna da "ARTESP" (Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo), inclusive para a impugnante; desconsiderou que as consorciadas possuíam atividade empresarial própria e independente dos consórcios (ou seja, também prestavam serviços para outras entidades); além disto, desconsiderou que, no período autuado (2008 a 2010), parcela as consorciadas estava sujeita ao "Lucro Presumido" simplesmente porque a legislação de regência autorizava tal regime de tributação (opção legal) e, ainda, porque essas empresas não se enquadravam no disposto no artigo 14 da Lei n° 9.718/98 (obrigação legal de sujeição ao "Lucro Real"); na linha de raciocínio da autoridade administrativa, se todas as consorciadas estivessem sujeitas ao "Lucro Real", não haveria autuação fiscal; a simples contratação de terceiros que porventura sejam optantes do "Lucro Presumido" por expressa autorização legal é alguma espécie de "planejamento tributário" visando a reduzir a carga tributária? despesas incorridas com a contratação de pessoas jurídicas sujeitas ao Lucro Presumido" não seriam mais dedutíveis na pessoa jurídica sujeita ao "Lucro Real"? a contratação de terceiros optantes do "Lucro Presumido" deve ser realizada, necessariamente, a preço de custo, sendo vedada qualquer margem de lucro? que vantagem tributária seria essa de contratar terceiros que pagarão "à vista" todos os seus tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), para ativar os gastos que só deduzirão à medida da depreciação em prazos superiores a 5 (cinco) anos, e, ainda, que poderiam subcontratar parcela dos serviços, com o pagamento de tributos também pelos subcontratados? as consorciadas possuíam atividade empresarial própria, anterior e independente dos consórcios, e, portanto, também prestavam serviços e executavam obras para outras entidades; as receitas das consorciadas eram provenientes da sua participação nos consórcios e, também, dos serviços prestados para outras entidades, de modo que, no período autuado, estavam no "Lucro Presumido" por um motivo muito simples: a legislação as autorizava a optarem por tal regime de tributação, e não por por ingerência da Impugnante ou em virtude da contratação dos consórcios; ainda que assim não fosse, na "apuração" dos valores de IRPJ e de CSLL que seriam devidos pelas contratadas caso fosse adotada a tributação pelo "Lucro Real", a autoridade administrativa aplicou as alíquotas do IRPJ e da CSLL diretamente sobre o resultado líquido apurado pelo "CEOP", atropelando as regras básicas e comezinhas de apuração da base de cálculo e dos tributos supostamente devidos; a autoridade fiscal simplesmente ignorou todas as adições, exclusões e compensações previstas na legislação de regência para apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo "Lucro Real", e, também, todas as deduções (incentivos fiscais, "PAT", Fl. 8695DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 7 11 "estimativas", IRRF e CSRF etc) autorizadas por Lei para determinação dos tributos efetivamente devidos, sendo, portanto, sem qualquer substância as conclusões da Fiscalização; os acionistas, na Impugnante, ingressaram no negócio como investidores e parceiros em um específico empreendimento, reuniramse para constituir os consórcios e para prestar serviços e executar obras, tudo em um contexto de racionalidade econômica, estruturação operacional (serviços e obras) da concessionária, transferência de certos riscos inerentes aos empreendimentos públicos e assegurarse da eficiência, qualidade e melhoria do serviço público delegado, o que foi solenemente ignorado pela autoridade administrativa; a Impugnante é uma sociedade de propósito específico e, portanto, não pode desempenhar qualquer outra atividade empresarial além da exploração da malha rodoviária objeto do contrato de concessão firmado com o Governo do Estado de São Paulo; ademais, como já dito, o contrato de concessão determina a contratação de terceiros para executar as obras; nesse cenário, e considerandose, ainda, que os acionistas da Impugnante eram sócios em um específico empreendimento, não pretendiam compartilhar entre si a tecnologia que cada um possuía e abrir mão da autonomia negocial e gerencial (o que seria inevitável, caso os serviços fossem prestados diretamente pela Impugnante), até porque poderiam ser concorrentes em outro empreendimento, decidiuse que a prestação de serviços e a execução de obras (nesse caso, não havia alternativa) não seriam concentradas e executadas pela própria concessionária; assim, e tendo em vista a decisão dos acionistas de partilharem suas expertises próprias de modo a contribuir para o empreendimento, mas de forma episódica, bem como a decisão de não concentrar na Impugnante a prestação dos serviços inerentes ao contrato de concessão, foram constituídos o "CEOP" (Consórcio Operador) e o "CCBO" (Consórcio Construtor), inclusive como forma de assegurar a excelência na prestação do serviço público; ainda que comprovada a capacitação técnica dos acionistas da Impugnante, individualmente, não se pode presumir que tais pessoas jurídicas, embora participantes no capital de uma sociedade constituída para a realização de um propósito específico, tivessem intenção de transferir a esta sua expertise nos seus específicos campos de atuação, conforme sugerido pela autoridade administrativa; é o que se verificaria caso um dos acionistas, habilitado a executar determinado serviço (por exemplo, a pavimentação asfáltica ou a execução de projetos de engenharia), transferisse seu corpo técnico ou seu maquinário à Impugnante ou aos demais acionistas. Não há qualquer sentido econômico em pressupor que uma empresa desse segmento venha a transferir seus ativos de maior valor para entidades terceiras, controladas ou não; essa é certamente uma das razões para a criação de consórcios habilitados a prestar os serviços e executar as obras dessa natureza; por não ostentarem personalidade jurídica, as empresas reunidas em consórcio têm condições de prestar diretamente os seus serviços sem que, obrigatoriamente, tenham de compartilhar informações empresariais consideradas sigilosas ou específicas do seu Fl. 8696DF CARF MF 12 negócio com os demais parceiros, ou transferir a estes seus próprios recursos humanos e materiais; é isto o que diz a Nota Técnica da "Consultoria Tendências" transcrita às fls.3.105/3.106; a alegação de que a Impugnante prescindiria da contratação dos consórcios pelo fato dos acionistas ostentarem capacidade técnica para execução dos serviços parte de uma visão até mesmo ingênua do mundo dos negócios: a partir do momento em que um dos acionistas lançasse mão de seu knowhow ou de seus recursos humanos e materiais no bojo da própria SPE, entregaria "de bandeja" aqueles bens que lhe agregam valor e lhe propiciam resultados; a contratação dos próprios acionistas para a execução desses serviços é vista como forma de assegurar a excelência na prestação do serviço delegado, mitigando riscos quanto à inexecução dos serviços por parte de seus fornecedores e garantir a eficiência, a adequação e a excelência do serviço delegado, o que, aliás, rendeu à Impugnante diversas premiações (doc. 05); do ponto de vista específico dos acionistas, além do fato de que não se pretendia abrir mão da qualidade da prestação dos serviços e da execução das obras; visavam a obter atestados de capacidade técnica específicos em relação a esses empreendimentos (doc. 14), o que os prestigiaria em outros processos licitatórios e na obtenção de novos negócios, como ocorreu, por exemplo, com uma das consorciadas (vencedora em diversas licitações, conforme relação anexa, (doc.15); e, também, preservariam o seu percentual de participação nos resultados da exploração da rodovia, evitando qualquer conflito de interesses no relacionamento entre prestador x cliente, sendo que, ao final, teriam à sua disposição a possibilidade de contribuir diretamente com a experlise de cada entidade para o bom termo do empreendimento comum; na Cláusula 24 do Contrato de Concessão está prevista a assunção dos riscos pela Impugnante. Assim, sob a ótica da concessionária (Impugnante), a decisão de contratar um terceiro por preço previamente fixado para prestar serviços e executar obras inerentes ao contrato de concessão representava a possibilidade de eliminação de certos de riscos assumidos na adjudicação do objeto da licitação (exploração, manutenção, conservação e ampliação da rodovia) quanto à variação dos próprios custos da operação, manutenção e conservação da rodovia; assim, no contrato de prestação de serviços firmado com o "CEOP", o preço dos serviços foi previamente determinado independentemente do volume maior ou menor de serviços a serem executados, com o que eventuais custos excedentes ou imprevistos seriam risco e ônus direto dos consórcios, sem previsão de qualquer repasse para a concessionária; quanto ao "CCBO", o preço pactuado para a execução das obras foi determinado em função de referências médias de mercado, sobretudo os preços referenciais apurados e divulgados pelo DER/SP, e faturados conforme a execução de cada obra, o que também redundaria na ausência de riscos à Impugnante; o "CEOP" e o "CCBO" têm administração própria, possuem empregados registrados (somente o "CEOP" possuía em média 800 funcionários), possuem regular escrituração contábil, emitem faturas, realizam transações bancárias e financeiras, possuem direitos e deveres, e, portanto, são entidades absolutamente autônomas e independentes em relação à Impugnante; Fl. 8697DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 8 13 as cópias de atas de reunião de consorciadas juntadas aos autos (doc.17) demonstram a deliberação de diversos assuntos de interesse exclusivo do "CEOP" e do "'CCBO", como, por exemplo, a eleição de gerentes e procuradores, alterações contratuais, prestação de garantias, contratação de empréstimos e avais para operações de crédito; acosta aos autos cópia de acordos coletivos de trabalho, termos de adesão a bancos de horas, registros da comissão interna de prevenção de acidentes (CIPA) na Delegacia do Trabalho, atas de participação dos empregados nos resultados, CAGED, RAIS, programas de prevenção de riscos ambientais e guias de depósitos recursais da Justiça do Trabalho recolhidas pelo "CEOP" e pelo "CCBO" (doc.18), comprovando que os consórcios efetivamente assumiram riscos inerentes às relações trabalhistas, inclusive figurando como reclamados em ações judiciais e realizando acordos; ocorreram diversos aspectos extratributários (regulatórios, contratuais, legais, operacionais, econômicos, transferência e centralização de custos, assunção de responsabilidades civis e trabalhistas etc) que obrigaram a constituição e a contratação dos consórcios; foi inconsistente e simplista a comparação de margens de lucro realizada pela autoridade administrativa com base em informações extraídas das Demonstrações de Resultados do ano de 2008, divulgadas na internet, pois não levou em conta o perfil de cada contrato de concessão, por exemplo: menor preço, maior outorga, maior volume de obras, período de maturação, estágio da concessão e diversos outros fatores próprios e específicos de cada projeto, que precisariam ser avaliados um a um; tampouco foram analisados pela Fiscalização as especificidades dos projetos concedidos por Entes Públicos de esferas distintas (federal e estadual), como, demonstrado na Nota Técnica da "Consultoria Tendências" (doc. 10); o que se verifica é que, sem qualquer previsão legal, imporseia a terceiro o ônus de prestar serviços a preço de custo, o que não pode ser admitido; ocorreu erro de critério jurídico, visto que, para que a Fiscalização pudesse chegar às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, deveria ter havido a necessária recomposição do lucro líquido conforme a legislação específica de cada tributo, sendo manifestamente descabida a simples e direta aplicação das alíquotas dos tributos (IRPJ e CSLL) sobre os valores glosados; a autoridade administrativa até principiou a atuar nesse sentido ao deduzir dos valores glosados parte dos valores de IRPJ e CSLL incidentes sobre os resultados dos consorciados em decorrência dos serviços prestados pelo "CEOP"', conforme memória de cálculo às fls. 3.008/3.010; registrese que a autoridade fiscal apenas deduziu o valor do IRPJ e da CSLL relativos ao IRPJ e CSLL do próprio "CEOP, mas não em relação ao "CCBO", sendo tal divergência de critérios injustificada, imotivada; às fls.3.155, consta quadro demonstrando o valor do IRPJ e da CSLL sobre os resultados do "CEOP, (na realidade é CCBO); Fl. 8698DF CARF MF 14 além disto, considerada a acusação formulada, terseiam como não ocorridos os atos praticados por todos os contribuintes envolvidos (especialmente as consorciadas e os subempreiteiros), de modo que na apuração do Lucro Real da Impugnante devem ser realizadas todas as adições, exclusões, compensações e deduções previstas na legislação de regência, inclusive de todos os tributos pagos pelas consorciadas e subempreiteiros, e do incentivo fiscal do "PAT" calculado sobre as despesas incorridas com alimentação pelos consórcios, bem como devem ser computados como dedução todos os impostos já incidentes sobre a "realidade" que a Fiscalização desconsiderou; assim, deve ser feita a dedução do PIS e da COFINS pagos pelas consorciadas, (vide valores na planilha de fls.3.157) e pelos subempreiteiros em relação às receitas relativas aos consórcios "CEOP" e “CCBO”, a dedução do incentivo fiscal ao "PAT", calculado sobre as despesas efetivamente incorridas com alimentação pelos consórcios, conforme comprovado pelos balancetes de verificação anexos (doc. 20), não se aplicando a ilegal limitação de RS 1,99 por refeição, o valor do IRPJ e da CSLL calculados sobre a participação da "Planova" nos consórcios no ano de 2008 (mesmo com a apuração de prejuízo); o valor do IRPJ e da CSLL calculado sobre os resultados do "CCBO" nos anos de 2008 a 2010; e a dedução do valor do IRPJ e da CSLL sobre o resultado financeiro apurado em 2010 pelo "CEOP" e CCBO, conforme registrado às fls.2.975 e 2.981; a Fiscalização, ao computar as deduções relativas ao "CEOP", deixou de fazêlo no tocante ao IRPJ e CSLL apurados, no regime do lucro presumido, sobre tais resultados impõese o recálculo desses tributos de acordo com critérios de tributação corretos e previstos na legislação, conforme valores registrados às fls.3.157; também há de se considerar que, na sistemática de cálculo adotada pela autoridade administrativa não foi deduzido o valor do IRPJ e da CSLL que os consorciados já pagaram ao Fisco em virtude das receitas contabilizadas com o "CCBO", diferentemente, e sem qualquer justificativa, do critério adotado em relação aos tributos incidentes sobre as receitas auferidas pelos consorciados com o "CEOP"; tal alegação se justifica ainda mais porque, no caso concreto, está a autoridade administrativa a considerar que a Impugnante "poderia" ter executado diretamente os serviços que terceirizou, portanto, ao fazêlo diretamente teria diversos outros custos, despesas e incentivos (por exemplo, a dedução das despesas com o "PAT" relativamente aos empregados contratados pelos consórcios e que, na ótica fiscal, "poderiam" ter sido contratados diretamente), não considerados pela autoridade administrativa; a circunstância de ser obrigatória a consideração de todos os efeitos de uma "realidade simulada" ou não oponível ao Fisco, é uma determinação tributária que decorre não só do bomsenso e da lógica como também de previsão constante do artigo 167 do Código Civil; é descabida a pretensão do Fiscal de estender à CSLL, sem amparo legal, as disposições acerca de dedutibilidade de despesas para fins do IRPJ, uma vez que são diversas as bases de cálculo de um e outro tributo, sendo inaplicável o conceito de necessidade para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL; as despesas efetivamente incorridas devem ser deduzidas da base de cálculo da CSLL, não sendo aplicada para esta contribuição dos requisitos de dedutibilidade previstos no art. 299 do RIR/99; Fl. 8699DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 9 15 não praticou fraude nem praticou conduta suscetível de ter a penalidade agravada e muito menos de caracterizar crime tributário, sendo que, a Fiscalização não identificou e detalhou conduta específica a identificar a conduta dolosa prevista nos artigos 71 a 72 da Lei 4.502/64; não cabe incidir juros de mora sobre multa de ofício; requer a intimação do Impugnante, com antecedência razoável, dando ciência do local, data e horário da sessão de julgamentos, para que o sujeito passivo ou representante legal possa exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa, inclusive mediante defesa oral das razões e apresentação de esclarecimentos de fato perante as autoridades julgadoras. Da decisão de 1° instância Em 27/08/14, a 8° Turma da DRJ/RJO, por unanimidade de votos, deu parcial provimento à Impugnação da ora Recorrente para reduzir a multa aplicada de 150% para 75%, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CONSÓRCIO. CONTRATAÇÃO. PROPÓSITO ECONÔMICO. AUSÊNCIA. A criação de Consórcio com a finalidade única de servir de veículo para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, distorce em sua dimensão econômica e técnica, os propósitos de regras de editais de licitação e contratos de concessão prevendo obrigação de terceirização. LUCRO LÍQUIDO. DESPESA DESNECESSÁRIA. GLOSA. Caracterizamse como despesas desnecessárias aquelas ligadas a práticas sem propósitos empresariais. A contabilização de despesas sem propósito empresarial implica inobservância do princípio contábil da entidade, devendo ensejar a glosa da despesa comprovadamente desnecessária no cálculo do lucro líquido da entidade, afetando, portanto, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. Fl. 8700DF CARF MF 16 ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTOS. A apresentação de alegações visando desconstituir as provas apresentadas pela Fiscalização devem vir acompanhadas de documentos hábeis e idôneos. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo o lançamento da CSLL de infração constatada na autuação do IRPJ, o julgamento daquela segue a mesma sorte deste, em virtude da relação de causa e efeito que os une. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Somente cabe a qualificação da multa para o percentual de 150% quando comprovada a intenção do agente em praticar fraude. Recurso Voluntário Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário através do qual ratifica os argumentos apresentados em Impugnação. Recurso de Ofício Dada a redução da multa de 150% para 75% foi também apresentado o devido Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche todos os demias requisitos legais, assim, deve ser conhecido. Fl. 8701DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 10 17 Da autuação A autuação ora em debate se refere à glosa de despesas e de custos incorridos pela Recorrente com a contratação das empresas Consórcio Engenharia do Oeste Paulista (CEOP) e Consórcio Construtor Botucatu (CCBO) para a prestação de serviços e execução de obras relacionadas à concessão pública de Sistema Rodoviário. Segundo a Fiscalização, tais despesas e custos foram desnecessários para o desempenho das atividades da Recorrente, tornandoos indedutiveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Antes de adentrar de forma mais detalhada nas especificidades da autuação, é importante destacar aquilo que não é objeto de discussão, como forma de pavimentar um voto e também um julgamento mais assertivo em relação ao que é, de fato, o objeto de acusação da Fiscalização. Primeiramente, em momento algum a Fiscalização colocou em xeque, e isso foi ratificado pela decisão da DRJ, a real existência das despesas glosadas. Não houve qualquer questionamento quanto aos valores registrados na contabilidade da Recorrente, nem tampouco, quanto à veracidade da documentação fiscal (notas fiscais em especial) apresentada pela Recorrente. Apenas o tratamento fiscal (dedução) foi questionado. Além disso, também não fora alvo de questionamento quanto à eventual anormalidade das despesas glosadas, no sentido de serem tais despesas desconectadas das atividades desempenhadas pela Recorrente. A essência das despesas incorridas não foi questionada, mas sim a forma, que se deu através das entidades CEOP e CCBO, conforme será detalhado mais adiante. Por fim, também não foi objeto de questionamento, o valor das despesas, ou seja, os valores cobrados pela CEOP e CCBO da ora Recorrente. Não há aqui qualquer questionamento relacionado à eventual DDL, por exemplo, ou mesmo, algum comparativo com serviços similares e respectivos preços praticados no mercado que fossem distantes daqueles praticados pela CEOP e CCBO e pagos pela Recorrente. Cabe aqui destacar fato observado da leitura do TVF e confirmado pela própria DRJ no sentido de que não há indicação da Fiscalização de que a Recorrente tenha praticado atos simulados ou fraudulentos em relação às despesas glosadas. Da dedutibilidade das despesas incorridas pela Recorrente Considerando que a presente discussão se refere à dedutibilidade de despesas incorridas pela contribuinte, é de suma importância relembrarmos, logo de início, a regra principal e geral relacionada à dedução de despesas da pessoa jurídica, que é o art. 299 do RIR/99 que assim dispõe: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 8702DF CARF MF 18 § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). É importante adotar o art. 299 do RIR/99 como ponto de partida da análise do presente caso, vez que a autuação fiscal decorre do entendimento da Fiscalização de que as despesas incorridas pela Recorrente não são necessárias e, portanto, não podem ser deduzidas. O Parecer NormativoCST nº 32/81 traz também importante contribuição para a análise do presente caso, ao definir que um gasto será necessário "quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras dos rendimentos". No tocante à normalidade, o mencionado Parecer Normativo esclarece que despesa normal é "aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária". Ainda em relação à normalidade, temos os aspectos qualitativo e quantitativo a analisar. Do ponto de vista qualitativo, a despesa normal é aquela que tem incontestável relação com as atividades da empresa. Do ponto de vista quantitativo, a normalidade se refere à razoabilidade do valor da despesa em às condições de mercado em determinado local e período (época). Diante dessas definições, resta claro mais uma vez que não se encontra em discussão a normalidade da despesa ( nem tampouco sua comprovação), mas sua necessidade. Este é o cerne da questão: a necessidade das despesas incorridas pela Recorrente em sua forma e essência, vez que a respectiva comprovação (notas fiscais, registros contábeis, efetiva prestação dos serviços) e normalidade em relação às atividades da Recorrente não foram contestadas. Da Forma da Despesa A ora Recorrente é um S.A. de capital fechado constituída em julho de 1999 sob a forma de Sociedade de Propósito Específico e na execução de propósito participou do Edital de Licitação DER n. 20/CIC/98 e, posteriormente, celebrou com o DER/SP o Contrato de Concessão n. 010/CR/2000. Conforme documento de fls. 3318, o Edital de Licitação n. 20/CIC/98 se referiu a Licitação na modalidade "Concorrência Internacional" que teve como objeto "selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração, apresentada por empresa ou consórcio de empresas, que se encarregará da exploração, mediante concessão, do LOTE 20 MALHA RODOVIÁRIA ESTADUAL DE LIGAÇÃO ENTRE TATUÍ, ITAPETININGA, CAPÃO Fl. 8703DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 11 19 BONITO, ITAPEVA, ITARARÉ (DIVISA COM O ESTADO DO PARANÁ) E ARAÇOIABA DA SERRA." No item 2 do mencionado edital, consta previsão de qual fora o objeto da Concessão: " 2. DO OBJETO DA CONCESSÃO 2.1 A Concessão terá por objeto a exploração do SISTEMA RODOVIÁRIO, compreendendo: I execução, gestão e fiscalização dos SERVIÇOS DELEGADOS; II apoio na execução dos SERVIÇOS NÃO DELEGADOS; III gestão e fiscalização dos SERVIÇOS COMPLEMENTARES." O edital em questão, por sua complexidade, possuia uma relação de 12 anexos, conforme demonstrado abaixo: No capítulo II do Regulamento da Concessão, consta uma discriminação mais detalhada do que são os mencionados serviços delegados, serviços não delegados e serviços complementares. Vejamos alguns exemplos: Fl. 8704DF CARF MF 20 . . Fl. 8705DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 12 21 Dada a multiplicidade e complexidade de obrigações a serem cumpridas no âmbito do Contrato de Concessão, a Recorrente passou a contratar os serviços da CEOP Consórcio de Engenharia do Oeste Paulista para prestar os serviços de operação, manutenção e conservação da rodovia (fls. 6.202/6.273). Contratou também a Recorrente os serviços da CCBO Consórcio Construtor Botucatu para execução de obras de ampliação e conservação especial. Tais contratações se deram com estrita observância da Cláusula 20.6 do Edital de Licitação e da Cláusula 36 do Contrato de Concessão que assim dispõem: " 20.6. Sem prejuízo de suas responsabilidades a CONCESSIONÁRIA deverá executar, por sua conta e risco, os serviços correspondentes às funções de CONSERVAÇÃO ESPECIAL e de AMPLIAÇÃO acompanhados das condições básicas das respectivas contratações, tais como o seu escopo, responsabilidades, garantias, forma de remuneração e prazos. 20.6.1. O CONCESSIONÁRIO deverá comunicar ao CONTRATANTE a contratação de empresas para a execução dos serviços de CONSERVAÇÃO ESPECIAL e da AMPLIAÇÃO , acompanhados das condições básicas das respectivas contratações, tais como o seu escopo, responsabilidades, garantias, forma de remuneração e prazos." " 36.1. A CONCESSIONÁRIA ficará subrogada a partir da Transferência de Controle, em todos os direitos e obrigações do Fl. 8706DF CARF MF 22 CONTRATANTE no que se refere aos contratos para a prestação de SERVIÇOS DELEGADOS constantes do Anexo 02 do EDITAL SITUAÇÃO ATUAL. 36.1.1. Se, eventualmente, a CONCESSIONÁRIA não chegar a acordo com a(s) empresa(s) prestadora(s) de serviço, referidos no item 36.1, poderá contratar terceiros(s) para a sua execução, sem prejuízo de sua obrigação de pagar ao CONTRATANTE o montante previsto nas PROJEÇÕES FINANCEIRAS relativamente às dívidas do CONTRATANTE, referentes aos contratos especificados no Anexo 02 do EDITAL SITUAÇÃO ATUAL." Cabe ressaltar, a própria Lei n. 8.987/95 prevê em seu art. 25, § 1°, tal possibilidade de contratação de terceiros para execução de partes dos serviços relacionados à concessão: " Art. 25. Incumbe à concessionária a execução do serviço concedido, cabendolhe responder por todos os prejuízos causados ao poder concedente, aos usuários ou a terceiros, sem que a fiscalização exercida pelo órgão competente exclua ou atenue essa responsabilidade. § 1o Sem prejuízo da responsabilidade a que se refere este artigo, a concessionária poderá contratar com terceiros o desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou complementares ao serviço concedido, bem como a implementação de projetos associados." Vemos aqui que o art. 25 da Lei 8.987/95, em seu parágrafo 1°, prevê a hipótese em que a concessionária celebra contrato particular (privado) com terceiros no qual transfere parte dos serviços objeto da concessão. Neste caso, a Recorrente no papel de Concessionária, não precisa da autorização do Poder Público para fazer tais contratações, bastando informar tal fato e, logicamente, responder pelo efetivo cumprimento dos termos do contrato de Concessão. Neste tipo de contratação, o terceiro contratado (que no caso são a CEOP e a CCBO) não se subroga nos direitos e obrigações que pertencem ao Concessionário, pois, conforme o § 2°do mesmo artigo "Os contratos celebrados entre a concessionária e os terceiros a que se refere o parágrafo anterior regerseão pelo direito privado, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros e o poder concedente." Tratase de hipótese distinta da figura da subconcessão prevista no art. 26 da mesma Lei n. 8.987/95, in verbis: Art. 26. É admitida a subconcessão, nos termos previstos no contrato de concessão, desde que expressamente autorizada pelo poder concedente. § 1o A outorga de subconcessão será sempre precedida de concorrência. Fl. 8707DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 13 23 § 2° O subconcessionário se subrogará todos os direitos e obrigações da subconcedente dentro dos limites da subconcessão. Feitas tais considerações legais e contratuais, especificamente quanto ao contrato de concessão celebrado pela Recorrente, cabe aqui refletir sobre a real necessidade de contratar serviços de terceiros para desenvolver partes das atividades objeto da concessão e a forma como isso se deu. Vejam, o objeto da concessão traz uma infinidade de atividades para a Concessionária, que vai desde a sinalização da rodovia, atendimento mecânico aos usuários, atendimento de emergência, pesagem e administração de pedágio e chega até as obras de manutenção, recapeamento e ampliação das rodovias. Não é razoável imaginar que uma única empresa, isoladamente, possua expertise, mão de obra qualificada, tecnologia e equipamentos suficientes para fazer frente a toda esta gama de atividades. Não à toa que o próprio edital e modelo de contrato de concessão utilizado (que é praticamente um contrato de adesão, já que parte integrante do edital) previam a formação de consórcios para atendimento ao edital e de contratação de terceiros para execução de parte das atividades, como foi feito pela Recorrente. Considerar que uma única empresa pudesse fazer um investimento monstruoso de recursos financeiros e humanos que pudesse capacitála a desenvolver, isoladamente, todas as atividades objeto de concessão desta magnitude sem, ao menos, ter a certeza de que vencerá a licitação, é ignorar regras básicas de administração financeira e gerenciamento de riscos. Importante dizer que a iniciativa privada não conta com os infinitos recursos financeiros de que conta o Poder Público ou, pelo menos, como acreditam alguns governantes. Desta forma, o que existe na prática, e isso não é uma invenção da Recorrente, é a pulverização do risco e a multiplicação da capacidade de execução da Concessionária, através da formação de consórcios de empresas que possuem, cada qual, capacidades e especializações distintas que uma vez reunidas se potencializam e acabam por culminar na redução de custos. Esta é a conhecida hipótese em que o resultado da união de todos os componentes (empresas) é maior e melhor em comparação com o somatório de cada um, isoladamente. O nome disso é sinergia. Assim, resta claro que a união de empresas em consórcio, invariavelmente, traz vantagens não só aos concorrentes, mas também para a administração. Isso porque com a viabilidade de formação de consórcios os concorrentes unemse, somando qualidades técnicas e econômicas que, sozinhos, não teriam condições de sustentar, o que seria impeditivo da participação na licitação. Desta forma, com a formação do consórcio as empresas ganham força e conseguem atender aos termos editalícios, ampliando a oferta de participantes elegíveis para executar o objeto da licitação e, por via indireta, aumentando a competitividade. Fl. 8708DF CARF MF 24 No caso em tela, a Recorrente é formada por diversas empresas em consórcio. Na época, o consórcio era formado por empresas (construtoras) de pequeno e médio porte que, isoladamente, não seriam capazes de preencher todas os requisitos para vencer e cumprir as regras da licitação, seja por insuficiência de recursos financeiros (caixa para investimento), humanos (técnicos especializados em cada etapa ou parte do objeto de concessão), materiais ( no sentido de maquinários específicos) ou tecnológicos. Não se trata aqui de mera presunção ou opinião deste julgador, mas sim da constatação de fatos, baseados não somente na realidade da dinâmica dos negócios, mas também no contexto jurídico, regulatório e contratual que cerca as licitações como a que fora vencida pela Recorrente. No contexto de capacidade técnica, por exemplo, é importante mencionar que a Lei n. 6.496/77 que em seu art. 1° prevê o seguinte: Art 1º Todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia, à Arquitetura e à Agronomia fica sujeito à "Anotação de Responsabilidade Técnica" (ART). Art 2º A ART define para os efeitos legais os responsáveis técnicos pelo empreendimento de engenharia, arquitetura e agronomia. A Resolução 336/89 do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, por sua vez, prevê que a responsabilidade técnica é do profissional, não havendo possibilidade, em hipótese alguma, que a responsabilidade seja assumida por pessoa jurídica. Assim, no contexto de uma licitação ou mesmo na contratação privada de obras de alto complexidade, a capacidade técnica da pessoa jurídica será medida através do somatório da capacidade técnica de seu corpo de profissionais. Num consórcio, naturalmente, tal capacidade técnica é potencializada e pode ser um componente diferencial para vencer uma licitação. Até aqui, portanto, o presente voto traz elementos que justificam a formação do Consórcio, ora Recorrente, para participar da licitação, vencer e cumprir com as conseqüentes obrigações contratuais. Contudo, a acusação fiscal não contesta a formação do Consórcio na forma da ora Recorrente, mas sim, a utilização de outras empresas, também formadas em consórcio, para desempenhar parte do objeto do contrato de concessão. Aliás, o auditor fiscal utiliza o próprio racional de que a Recorrente é formada por um consórcio de diversas empresas para alegar que o conjunto de empresas que compõem a Recorrente formam um arcabouço de recursos financeiros, humanos, técnicos, materiais e tecnológicos que dispensariam a contratação de terceiros para o desempenho das atividades. Aqui, há por parte da Fiscalização, uma confusão entre a figura da Recorrente e a figura das empresas que a compõem. O consórcio é formado pela reunião dos recursos aportados pelas participantes, mas não se confunde com as participantes em si. Fl. 8709DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 14 25 Cada uma das participantes da Recorrente, não obstante atuarem juntas no âmbito do Contrato de Concessão 010, possuem cada qual, outros negócios, operações, obras e atividades a cumprir. Em outras palavras, as participantes do Consórcio que forma a Recorrente, não transferiram, necessariamente, a integralidade de seus recursos para a Recorrente. O consórcio é formado pelos recursos que cada qual se prontificou a aportar no momento da formalização do contrato de Consórcio que culminou na constituição da Recorrente que, vale relembrar, é uma SPE, ou seja, foi formada com o propósito especifico de atender o edital e contrato de concessão mencionado nestes autos. Todavia, essas mesmas empresas podem se reunir em diferentes consórcios para atender outras licitações e mais, tais empresas que atuam em consórcio no caso em tela, podem ser, inclusive, concorrentes em outras licitações. Daí a necessidade de constituição de outros consórcios, como são a CEOP e a CCBO, que podem contar com participantes em comum com a Recorrente, como é o caso em tela, mas também contar com outros participantes, como também é o caso em tela. Neste ponto, aproveito um trecho do parecer do escritório Consultoria Tendências juntado aos autos pela Recorrente: " Desta forma, dois objetivos aparentemente divergentes se impõem para cada sócia da concessionária de serviços públicos, sem prejuízo de outros: i. Partilhar sua expertise e estrutura com a concessionária; e ii. Não perder sua autonomia sobre tais recursos. Uma solução bastante eficiente para equacionar esses dois pontos é, posterior à constituição da nova entidade, a criação de (...) consórcios que prestarão os serviços necessários à concessionária. Tais consórcios, em decorrência de seu arcabouço organizacional, permitem que a concessionária utilize estruturas préexistentes dos seus sócios (ou de terceiros), sem implicar a transferência destes ativos. (...) Ou seja, a prestação de serviços à concessionária através de consórcio formado por suas acionistas permite que cada sócia contribua com a prestação do serviço público de acordo com suas vantagens comparativas, mas sem que esta tenha que compartilhar tais vantagens com suas sócias no consórcio." Por óbvio, as empresas que formam um consórcio têm por objetivo trabalharem em conjunto num determinado projeto sem, contudo, entregarem a seus potenciais concorrentes no futuro, seus diferenciais competitivos, baseados não só no conhecimento, mas no currículo técnico de seus profissionais. Fl. 8710DF CARF MF 26 Assim, pareceme claro que o auditor fiscal confundiu por completo a figura do Consórcio e de seus sócios em flagrante ofensa ao Princípio da Entidade. O fato de um centro comercial ter como sócios um grupo de médicos não significa que a pessoa jurídica esteja apta a prestar serviços médicos. Assim, uma vez que: i) as despesas incorridas pela Recorrente foram devidamente comprovadas por notas fiscais; ii) a efetiva prestação dos serviços não foi contestada pelo fisco e iii) a usualidade das despesas em razão da atividade da Recorrente não foi atacada pelo Fisco, restou apenas avaliar se a forma como tais despesas foram incorridas (através da contratação de outras empresas Consórcios) é válida. Veja, o título deste tópico do voto "Da forma da Despesa" não é desmotivada, pois, ressalto novamente, a essência das despesas incorridas não foi contestada pelo Fisco, apenas sua forma. Assim, dadas as motivações negociais, contratuais e mesmo legais acima expostas, não enxergo qualquer vício, ilicitude ou evidências de simulação que posaam prejudicar a dedução das despesas incorridas pela Recorrente junto à CEOP e à CCBO. Do verdadeiro inconformismo da Fiscalização e do erro na definição do sujeito passivo e da infração Conforme leitura da TVF, a fiscalização tomou como ponto de partida o estranhamento do Auditor Fiscal com o fato da ora Recorrente ter uma lucratividade muito abaixo da média,se comparada com outras empresas concessionárias de serviço público de exploração de rodovias. De fato, conforme quadro apresentado pela Fiscalização em TVF, a Recorrente tem um desempenho pífio se comparada com outras concessionárias. Contudo, o ponto que aqui destaco é: esta comparação possui um racional razoável? Vejam, a exploração de rodovias é uma atividade que demanda vultosos recursos financeiros, cujo planejamento "business case" alcança longos períodos, que podem chegar a 20 ou 30 anos. Neste período, podem ocorrer interferências diversas que vão afetar diretamente o resultado da Concessionária no projeto: i) baixa atividade econômica no País com conseqüente baixa utilização da rodovia; ii) intercorrência naturais como chuvas, que podem demandar gastos maiores com manutenção e iii) abertura de indústrias nos arredores de forma a aumentar o fluxo de veículos na rodovia. Além disso, sendo um investimento de longo prazo, a análise da lucratividade da concessionária deve levar em consideração a fase de maturação do projeto, pois, naturalmente, o retorno sobre o investimento tende a ser muito menor (ou inexistente) nos primeiros anos de concessão quando são necessários maiores investimentos em melhorias e criação de infraestrutura e passam a ser maiores a partir do momento em que as receitas passam a aumentar ao passo que as despesas e demanda de investimentos diminuem. Fl. 8711DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.530 S1C2T1 Fl. 15 27 A comparação efetuada pelo Sr. Fiscal, levou em consideração um foto estática de um determinado período, de concessionárias distintas em concessões que se encontram em graus de maturação muito distintos. Assim, tal comparação pobre em variáveis, levou a fiscalização a "desconfiar" que a Recorrente estivesse criando despesas desnecessárias. Contudo, conforme estudo trazido pelo escritório Consultoria Tendências, tal diferença de performance entre a Recorrente e outras concessionárias tende a desaparecer, conforme se considere um período maior de tempo no qual a concessão atinja um maior grau de maturação. Este estudo foi juntado aos autos. Além disso, e este me parece ser um ponto central da autuação, o grande inconformismo da Fiscalização e, me parece, dos julgadores da DRJ, reside no fato de que parcela dos sócios destes consórcios (CEOP e CCBO) estariam sujeitas ao Lucro Presumido e que, portanto, o pagamento dos serviços a tais consórcios teria sido simulados através de planejamento tributário perverso que visou, somente, reduzir de forma indevida a tributação dos consorciados. Ora, primeiramente, pensar desta forma seria ignorar todas as evidências econômicas, negociais, regulatórias e legais acima mencionados, que demonstram haver não somente um mas diversos propósitos negociais que não o ganho tributários. Contudo, tão importante quanto todo o acima exposto, é avaliar que o racional utilizado pelo Sr. Fiscal deveria têlo levado à conclusão de que a formação de tais consórcios havia sido perfectibilizada de forma simulada e que, portanto, o objetivo alcançado, qual seja, a menor tributação através do Lucro Presumido deveria ser desconsiderado e os tributos daí decorrente serem cobrados. Em outras palavras: se o ganho fiscal (indevido, inválido ou ilegal) se deu através da tributação da receita recebidas pelos sócios dos Consórcios CEOP e CCBO pela sistemática do Lucro Presumido, deveria a fiscalização "desconstruir" este planejamento e cobrar os tributos devidos daqueles que recolheram imposto a menor. Vejam, o fiscal não atacou a necessidade das despesas incorridas, a efetiva realização dos serviços ou os preços praticados (estes, inclusive, atestados por pareceres do escritório Consultoria Tendências, BDO e KPMG), mas sim o fato de terem sido pagos a consórcios cujos sócios eram tributados pelo Lucro Presumido. Assim, se o problema é a tributação pelo Lucro Presumido e não a necessidade das despesas, por que o Fisco glosou as despesas da Recorrente? Em tese, segundo o racional adotado pelo Fiscal no TVF, que deixou de recolher tributos forma os sócios da CEOP e CCBO. Mais uma pargunta: se todos os envolvidos tivessem apurado seu IRPJ pela sistemática do Lucro Real, teria o fiscal lavrado o Auto de Infração? A provável resposta é não. ou, ao menos, o TVF deveria ser alterado substancialmente, pois, baseada no racional de planejamento tributário perpetrado atrvés de prática de simulação que visou transferir resultado para empresas optantes pelo Lucro Presumido. Fl. 8712DF CARF MF 28 Me parece claro que eventual vício na tributação de uma receita em uma pessoa jurídica não pode, de forma alguma, impactar na dedutibilidade da despesa em pessoa jurídica distinta. Assim, concluo que diante dos fundamentos utilizados pelo Sr, Fiscal, houve claro erro na tipificação da infração e na determinação do sujeito passivo do lançamento. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para no MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO e CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 8713DF CARF MF
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