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Numero do processo: 11128.003520/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/04/2003
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE DILIGENCIA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Não há que se falar em cerceamento da defesa quando a decisão de primeira instância indefere, justificadamente, pedido de diligência, considerada desnecessária.
Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 22/04/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto “GERMALL PLUS”, por ser uma preparação antimicrobiana com função preservativa, composta de diazolidinil uréia e butilcarbonato de iodo propinila, não pode ser classificada no código NCM 2933.29.99, devendo prevalecer o código NCM 3808.90.29. Inaplicabilidade das Regras 2b e 3b das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 169, I, “b”, do DL nº 37/66, aplica-se na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja submetida ao regime de licenciamento não-automático.
Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência.
MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Constatado o erro na classificação fiscal, satisfaz-se a condição que enseja a aplicação da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.158-35/01.
Numero da decisão: 3201-001.065
Decisão: Decidiu o colegiado: por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência, e negar provimento quanto a multa proporcional ao valor aduaneiro por erro de classificação fiscal; e, por maioria de votos, negar provimento quanto à classificação fiscal, vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira; e dar provimento ao recurso quanto à aplicação da multa por falta de licenciamento, vencido o Conselheiro Paulo Sergio Celani, tendo a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhado o relator pelas conclusões quanto a esta matéria.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/04/2003 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE DILIGENCIA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não há que se falar em cerceamento da defesa quando a decisão de primeira instância indefere, justificadamente, pedido de diligência, considerada desnecessária. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 22/04/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto “GERMALL PLUS”, por ser uma preparação antimicrobiana com função preservativa, composta de diazolidinil uréia e butilcarbonato de iodo propinila, não pode ser classificada no código NCM 2933.29.99, devendo prevalecer o código NCM 3808.90.29. Inaplicabilidade das Regras 2b e 3b das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 169, I, “b”, do DL nº 37/66, aplicase na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja submetida ao regime de licenciamento nãoautomático. Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado o erro na classificação fiscal, satisfazse a condição que enseja a aplicação da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.15835/01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Decidiu o colegiado: por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência, e negar provimento quanto a multa proporcional ao valor aduaneiro por erro de classificação fiscal; e, por maioria de votos, negar provimento quanto à classificação fiscal, vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira; e dar provimento ao recurso quanto à aplicação da multa por falta de licenciamento, vencido o Conselheiro Paulo Sergio Celani, tendo a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhado o relator pelas conclusões quanto a esta matéria. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões do recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 17/05/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional, multa de controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 2.503,49, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, através da Declaração de Importação No. 03/03309193, de 22/04/2003, adição 001, a mercadoria descrita como "GERMALL PLUS DIAZOLIDINIL URÉIA E BUTILCARBONATO DE IODO PROPINILA", com classificação fiscal no código NCM 2933.29.99, com incidência da alíquota. .0% (nihil) para o Imposto de Importação e o Imposto de Produtos Industrializados; • Através do Laudo de Assistência Técnica No. 1904.01, de 31/07/2003, foi apurado que o produto em análise não se trata apenas de diazolidinil uréia e nem qualquer outro composto cuja estrutura contém um ciclo Imidazol não condensado. Tratase de preparação antimicrobiana constituída de Butilcarbamato de 3 Iodo2Propilina e Dialodinil Uréia, uma outra preparação antimicrobiana. • A fiscalização entendeu ser correta para o produto a classificação fiscal no código NCM 3808.90.29; • A conclusão da fiscalização se pautou nas Regras No. 1 e No. 6 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.003520/200739 Acórdão n.º 3201001.065 S3C2T1 Fl. 2 3 Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 03/07/2007 (fls. 40verso), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 02/08/2007, de fls. 43 à 49, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante informou que: • O produto GERMALL PLUS tem por finalidade preservar produtos como shampoos, condicionadores, cremes, maquiagens... • A Diazodinil Uréia é um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomo de nitrogênio cuja estrutura contém um ciclo imidazol; • Na composição do produto GERMALL PLUS, a Diazodinil Uréia (99%) é a matéria que confere característica essencial ao produto; • Em função da Regra No. 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado, não assiste razão a classificação fiscal adotada pela fiscalização NCM 3808.90.29, pois no Capítulo 38 não há nenhuma referência a composto orgânico de constituição química definida; • A classificação fiscal adotada pelo impugnante é a adequada, em função das Regras 1, 2b) e 3b) das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; • Pelo fato da Diazodinil Uréia (99%) ser a matéria que confere característica essencial ao produto GERMALL PLUS, que por sua vez é definido como composto cuja estrutura contém um ciclo Imidazol, em função das Regras 2b) e 3b), deve prevalecer a classificação fiscal no código NCM 2933.29.99; • A nota de subposição 1 do Capítulo 29 prevê que "no âmbito de uma posição do presente Capítulo, os derivados de um composto químico devem classificarse na mesma subposição que esse composto, desde que não se incluam mais especificamente em outra subposição e que não exista subposição residual..." • Solicita perícia, pois o resultado do Laudo de Assistência Técnica No. 1904.01, de 31/07/2003 não corresponde a correta constituição da amostras da mercadoria ''GERMALL PLUS', nomeando perito e apresentando quesitos. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 17/02/2011, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 1748.574 de fls. 7783: Assunto: Classificação de Mercadorias Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Data do fato gerador: 22/04/2003 Importação do produto "GERMALL PLUS DIAZOLIDINIL URÉIA E BUTILCARBONATO DE IODO PROPINILA", com classificação fiscal no código NCM 2933.29.99. O Laudo de Assistência Técnica apurou que o produto se trata de preparação antimicrobiana constituída de Butilcarbamato de 3Iodo2Propilina e Diazolidinil Uréia, uma outra preparação antimicrobiana. O prospecto apresentado junto ao Laudo de Assistência Técnica ressalta as funções do produto de herbicida e fungicida. Por não possuir código NCM específico, sua classificação fiscal recai no código NCM residual 3808.90.29, conforme aplicação das Regras No. 1 e No. 6 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal, em 17/03/2011 (fl. 85v), tendo protocolado seu recurso voluntário (fls. 88/99), também por via postal, em 18/04/2011 (fls. 87). Nele, a Recorrente reitera os argumentos já suscitados em sua impugnação. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 11/08/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no art. 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 e no art. 56, § 5º, do Decreto nº 7.574 de 2011, conheço o recurso voluntário e passo a analisálo. O cerne da disputa consiste em saber se o produto importado pela Recorrente deve ser classificado na posição NCM 2933.29.99, referente a “outros compostos heterocíclicos cuja estrutura contém um ciclo imidazol não condensado”, ou na posição NCM 3808.90.29, referente a “outros inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, etc.”. Inicialmente, a Recorrente pleiteia a nulidade da decisão recorrida tendo em vista que cerceou o seu direito de defesa na medida em que julgou desnecessária a realização da diligência requerida na impugnação. Apenas para reavivar os quesitos formulados pela Recorrente em sua defesa inicial, transcrevoos abaixo: 1) Qual a constituição do produto "GERMAL PLUS"? 2) O "GERMALL PLUS" pode ser caracterizado como algum destes produtos: Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.003520/200739 Acórdão n.º 3201001.065 S3C2T1 Fl. 3 5 crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel matamoscas? 3) O que é uma mistura, como conceito químico? 4) As substâncias que compões o "GERMALL PLUS" são consideradas compostos orgânicos de constituição química definida? Sobre essa preliminar, entendo que as respostas aos quesitos formulados pela Recorrente não alterarão o deslinde da controvérsia na 1ª instância administrativa, tendo em vista a fundamentação adotada pela decisão recorrida. Ademais, parte dos quesitos já foi respondida no próprio Laudo FUNCAMP nº 1904.01 (fl.22), eis que informa a constituição do produto GERMALL PLUS e indica as suas funções bactericidas e fungicidas. Com efeito, entendo que não deve ser acolhida a preliminar de cerceamento de defesa motivada pelo indeferimento do pedido de perícia. Quanto ao mérito, o argumento central da Recorrente para sustentar a posição NCM 2933.29.99 como correta é que o GERMALL PLUS é quase que integralmente composto de Diazolidinil Uréia (99%), vale dizer, composto químico definido cuja estrutura contém um ciclo imidazol não condensado, que lhe dá a sua característica essencial. Tratase de um produto utilizado para preservar produtos cosméticos contra bactérias e fungos. Assim, considerando que o GERMALL PLUS é um produto misturado e não sendo aplicável o item 3.a das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, a Recorrente defende a aplicação da classificação fiscal da matéria que lhe confere a característica essencial, nos termos do item 3.b. Nesse caso, o GERMALL PLUS seria classificado na posição NCM própria do Diazolidinil Uréia. Por outro lado, de acordo com o Laudo FUNCAMP nº 1904.01 (fl.22), a amostra analisada do GERMALL PLUS não corresponde a lidinil Uréia e nem a qualquer outro composto cuja estrutura contém um ciclo imidazol não condensado, e sim uma outra preparação antimicrobiana. Isso porque, no próprio portal que empresa controladora da Recorrente possuía na internet à época dos acontecimentos, o produto estava definido como bactericida e fungicida. Interessante notar, nesse ponto, que o laudo e a posição da Recorrente não conflitam, pois a Recorrente não defende que o GERMALL PLUS é um composto orgânico de constituição química definida apresentada isoladamente, e sim que o produto deve ser classificado na posição NCM relativa ao Diazolidinil Uréia, tendo em vista se tratar de matéria que lhe confere a característica essencial. A despeito disso, a fiscalização entendeu que o GERMALL PLUS não poderia ser classificado na posição NCM 2933.29.99, tendo em vista que a nota 1.a) do Capítulo 29 estabelece que estabelece que “ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capitulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; ...”. Logo, por haver indicação do laudo técnico de que o produto seria uma preparação antimicrobiana, entendeu por bem classificálo na posição NCM 3808.90.29. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Corroborando o entendimento da fiscalização, identifiquei a seguinte solução de consulta sobre a classificação fiscal de produto com funções semelhantes às do GERMALL PLUS: Solução de Consulta nº 4/02 Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 8a. RF Diana Assunto: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS Ementa: CÓDIGO TEC: Mercadoria: 3808.40.29 Preparação bacteriostática e fungicida para a formulação de produtos cosméticos e para cuidados pessoais, constituída pela mistura de 1,3bis(hidroximetil)5,5 dimetilhidantoína e 3iodo2propinil butil carbamato apresentada na forma de pó, grânulos e solução líquida, acondicionada em recipientes plásticos de 18,14 kg e 226,80 kg, marca Glydant(r)Plus, fabricante Lonza Inc. Dispositivos legais: RGIs 1.ª e 6.ª (textos da posição 3808 e da subposição 3808.40), c/c RGC1, da TEC, do Mercosul (Decreto nº 2.376/97 Anexos Resolução Camex nº 42/2001), com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Decreto n° 435/92 alterado pela IN SRF n.º 123/98, 005/99 , 054/99, 059/00 e 095/00). WERNER HESS Chefe Obs: Aplicada a correlação NCM 2002 x NCM 2007 Data: 24/01/2002, publicado no DOU de 28/03/2002. Portanto, considerando que 1% do GERMALL PLUS é composto de Butilcarbamato de 3Iodo2Propinila, não sendo esse componente mera impureza para os efeitos da nota 1.a) do Capítulo 29, o produto em análise é realmente uma preparação antimicrobiana com função preservativa, devendo, por isso, ser classificado na posição 3808.90.29. No tocante à aplicação da multa prevista no art. 169, I, “b”, do DecretoLei nº 37 de 1966, entendo que a mesma não é devida, pois a fiscalização não fez prova de que a nova classificação fiscal exigiria licenciamento nãoautomático. Nesse sentido, convém esclarecer que o referido entendimento está escorado no entendimento da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: NORMAS TRIBUTÁRIAS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. AUSÊNCIA DE PROVA DE QUE A MERCADORIA EFETIVAMENTE IMPORTADA ESTAVA SUBMETIDA A LICENCIAMENTO NÃOAUTOMÁTICO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 526 II do Regulamento Aduaneiro baixado pelo Decreto 91.030/94 aplicase na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.003520/200739 Acórdão n.º 3201001.065 S3C2T1 Fl. 4 7 submetida ao regime de licenciamento nãoautomático. Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência. (Acórdão nº 9303001.908, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, Sessão de 08/03/2012) Finalmente, no tocante à multa regulamentar por erro de classificação fiscal, prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, melhor sorte não assiste à Recorrente. A classificação fiscal por ela empregada não estava correta, de modo que, em termos objetivos, a infração cometida está plenamente tipificada. Diante de todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a multa de controle administrativo prevista no art. 169, I, “b”, do DecretoLei nº 37 de 1966. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10314.006761/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 26/04/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. PERÍCIA
DESPICIENDA.
A preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa é incompatível com a defesa efetiva produzida pela recorrente no contencioso desde o primeiro momento. Também não é o caso de formulação de laudo técnico, porquanto a identificação da mercadoria não é controversa.
OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO COM DETERMINADO CÓDIGO.
CRITÉRIOS JURÍDICOS. REVISÃO ADUANEIRA.
A efetivação de outras operações de importação, com determinado código, ainda que da mesma mercadoria, não implica qualquer obrigação para a Administração Tributária, nem tampouco qualquer proteção para o contribuinte, pois cada operação de importação tem suas próprias características. Para tal desiderato existe o instituto da consulta fiscal acerca de classificação de mercadorias. O instituto da revisão aduaneira (com prazo
de cinco anos a partir do registro da declaração de importação), previsto no DL nº 37/66, além de constitucional é fundamental para o desempenho da fiscalização de tributos em operações de comércio exterior. Não há que falar em modificação de critérios jurídicos porquanto não houvera lançamento tributário antes do auto de infração discutido. Assim sendo, não se aplica o
art. 146 do CTN e muito menos a Súmula 227 do TFR ao caso vertente.
CLOROPARAFINA LÍQUIDA.
A mercadoria importada, cloroparafina líquida, de nome comercial
CERECLOR S52, que tem aplicação industrial como plastificante para compostos do PVC, tem classificação fiscal no código NCM 3824.90.39.
Numero da decisão: 3101-001.230
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. PERÍCIA DESPICIENDA. A preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa é incompatível com a defesa efetiva produzida pela recorrente no contencioso desde o primeiro momento. Também não é o caso de formulação de laudo técnico, porquanto a identificação da mercadoria não é controversa. OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO COM DETERMINADO CÓDIGO. CRITÉRIOS JURÍDICOS. REVISÃO ADUANEIRA. A efetivação de outras operações de importação, com determinado código, ainda que da mesma mercadoria, não implica qualquer obrigação para a Administração Tributária, nem tampouco qualquer proteção para o contribuinte, pois cada operação de importação tem suas próprias características. Para tal desiderato existe o instituto da consulta fiscal acerca de classificação de mercadorias. O instituto da revisão aduaneira (com prazo de cinco anos a partir do registro da declaração de importação), previsto no DL nº 37/66, além de constitucional é fundamental para o desempenho da fiscalização de tributos em operações de comércio exterior. Não há que falar em modificação de critérios jurídicos porquanto não houvera lançamento tributário antes do auto de infração discutido. Assim sendo, não se aplica o art. 146 do CTN e muito menos a Súmula 227 do TFR ao caso vertente. CLOROPARAFINA LÍQUIDA. A mercadoria importada, cloroparafina líquida, de nome comercial CERECLOR S52, que tem aplicação industrial como plastificante para compostos do PVC, tem classificação fiscal no código NCM 3824.90.39. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 67 61 /2 00 5- 16 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto síntese do relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas retificações: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 11/07/2005, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora, multa regulamentar e multa proporcional ao valor aduaneiro , no valor de R$1.262.868,05, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio das Declarações de Importação relacionadas no corpo do auto de infração, PARAFINA CLORADA, com classificação fiscal no código NCM 2903.69.19; Ocorre que a fiscalização entende que a correta classificação fiscal do produto é no código NCM 3824.90.39; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento – AR, em 03/08/2005 (fls. 76verso), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 01/09/2005, de fls. 78 à 97, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: O auto de infração é nulo por não comprovar efetivamente a utilização de classificação fiscal errônea; A fiscalização não demonstrou as razões da escolha do código NCM eleito, desobedecendo assim os critérios do lançamento fiscal, disciplinado no artigo 142 do Código Tributário Nacional; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 246 3 O direito de defesa foi desrespeitado; O produto que a impugnante importou foi a PARAFINA CLORADA alocada no código NCM 2903.69.19; O código NCM eleito pela impugnante é o mais adequado em função da REGRA 3 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; A PARAFINA CLORADA deve ter classificação fiscal como parafina na posição NCM 2903; Ainda que o código NCM 2903.69.19 não seja o adequado, mais propício seria o código NCM 2712.20.00 àquele eleito pela fiscalização; O impugnante sempre importou nesse mesmo código. O STJ reconhece que a prática reiterada faz direito entre as partes; As hipóteses de alteração de lançamento disciplinadas no artigo 145 do Código Tributário Nacional não comportam o procedimento empreendido pela fiscalização, por não se tratar de erro de fato, e sim mudança de entendimento. Reforça tal argumento com textos da jurisprudência pátria; Para que se proceda revisão aduaneira indispensável a coleta de amostras e a elaboração de laudo de assistência técnica; Jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes repudia o instituto da prova emprestada quanto à classificação fiscal de mercadorias; Inaplicável a imposição de multas; Pugna a improcedência e alternativamente a nulidade do Auto de Infração. Em exame preliminar, a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução nº 885, de 16/04/2009, indagando que critérios foram utilizados para desclassificar o produto importado, PARAFINA CLORADA, da classificação fiscal no código NCM 2903.69.19 para o código NCM 3824.90.39, se esta conclusão foi embasada em que provas, fatos ou evidências e a exposição das Regras Gerais do Sistema Harmonizado e de que linha de argumentação valeu bem para atingir tal conclusão. Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei nº 9.784/99, em face do princípio do contraditório. Devidamente cientificado, via Aviso de Recebimento – AR datado de 30/06/2009 (fls. 141verso), o interessado manifestou se no sentido de que a autoridade preparadora não respondeu Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 qualquer das questões formuladas, evidenciando assim a nulidade da ação fiscal. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou a Impugnação Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 26/04/2001 Importação de PARAFINA CLORADA, com classificação fiscal no código NCM 2903.69.19. A fiscalização entendeu que a correta classificação fiscal do produto é no código NCM 3824.90.39. Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição NCM 2903, determina sua classificação fiscal na posição NCM 3824. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 207 e seguintes, onde basicamente reprisa os argumentos de primeira instância (preliminar de nulidade do auto de infração, classificação fiscal correta, modificação de critérios jurídicos anteriormente adotados e inaplicabilidade da multa de ofício); aduz que a completa regulamentação do IPI só veio com o Decreto nº 4544/2002 e por fim, requer a reforma da decisão recorrida, para cancelar a exigência fiscal. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 247 5 In limine cumpre dizer que a diligência levada a efeito em virtude de determinação do órgão judicante de primeiro grau o foi de forma precária, haja vista não terem sido respondidas as indagações formuladas pela DRJ, como bem assinalou a recorrente, entretanto, a autoridade julgadora nenhuma objeção fez à forma como aquela foi procedida (anexação aos autos da declaração de importação e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH relativas às duas posições ora em confronto 2903 e 3824) e tenho para mim que não o fez porque deuse conta de que a identificação da mercadoria é incontroversa, e sendo a discussão adstrita apenas à classificação fiscal, o rito a ser seguido é o das regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), que prestigia as NESH como publicação complementar ao SH, compreendendo essa a interpretação oficial do Sistema Harmonizado elaborada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira. DO AUTO DE INFRAÇÃO A preliminar de nulidade do auto de infração está fincada em suposto cerceamento do direito de defesa, porquanto não foi declinada a RGI utilizada pela auditoria fiscal para reclassificar as mercadorias importadas e não foi elaborado laudo técnico para tanto. O acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento é pródigo em considerações acerca da indigitada preliminar; para ao final e ao cabo dizer que não houve cerceamento do direito de defesa, uma vez que a então impugnante sabia o tempo todo do que estava sendo acusada, ou seja, os fatos foram descritos a contento pela peça fiscal, e inclusive invocou o brocardo romano que ilustra a conjuntura Da mihi factum, dabo tibi jus (Tragame o fato e lhe darei o direito). Penso que não é o caso de formulação de laudo técnico, porquanto a identificação da mercadoria não é controversa (parafina clorada ou cloroparafina em estado líquido) e a carência de menção no auto de infração, da regra utilizada para a reclassificação fiscal veio de ser colmatada no decorrer do processo com a anexação das respectivas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, pela auditoriafiscal durante a diligência, e a explicitação das regras, de forma didática, foi concretizada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no voto. Por outro giro, notase que a recorrente desde o primeiro momento vem produzindo defesa efetiva no contencioso, não só alegando preliminares como discutindo com proficiência o mérito da classificação fiscal aqui sub analisis. Posto isso, entendo que a preliminar não merece prosperar. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 CRITÉRIOS JURÍDICOS O argumento de modificação de critérios jurídicos anteriormente adotados pelo Fisco está estribado no fato de a recorrente ter patrocinado várias operações de importação da mesma mercadoria classificandoa no código 2903.69.19, ora impugnado pela auditoria fiscal, e também porque a autuação está fazendo uso do art. 149 do CTN sem que haja erro de fato, e sim de direito, o que é vedado, nos termos do art. 146 do diploma tributário citado. Aponta a Súmula 227 do antigo TFR A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza revisão do lançamento. Ao meu sentir, a alegação é extremamente frágil, pois que a efetivação de outras operações de importação com determinado código, ainda que da mesma mercadoria, não implica qualquer obrigação para a Administração Tributária, nem tampouco qualquer proteção para o contribuinte. Para tal desiderato existe o instituto da consulta fiscal acerca de classificação de mercadorias. E não se tem notícia nos autos de que a recorrente tenha empreendido alguma consulta. Quanto ao uso do lançamento de ofício com espeque no art. 149 do CTN em matéria de classificação fiscal de mercadorias, também é assente nesta esfera administrativa e no plano judicial que o instituto da revisão aduaneira (com prazo de cinco anos a partir do registro da declaração de importação), previsto no DL nº 37/66, além de constitucional é fundamental para o desempenho da fiscalização de tributos em operações de comércio exterior. Não há que falar em modificação de critérios jurídicos porquanto não houvera lançamento tributário antes do auto de infração ora em discussão. Assim sendo, não se aplica o art. 146 do CTN e muito menos a Súmula 227 do TFR ao caso vertente. DA REGULAMENTAÇÃO DO IPI A alegação de falta de regulamentação do IPI antes do Decreto nº 4.544/2002 é totalmente descabida, uma vez que o aludido decreto, também nominado RIPI/2002, é apenas uma compilação das leis concernentes ao nupercitado imposto, e nenhuma diferença traz sua edição para a classificação fiscal aqui discutida, bem como à diferença de imposto exigida na peça fiscal. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL No que diz com o mérito deste expediente, afirma a recorrente que o v. acórdão recorrido insistiu no código 3824.90.39 (Preparações para borracha ou plásticos e Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 248 7 outras preparações para endurecer resinas sintéticas, colas, pinturas ou usos similares; Outras) sem demonstrar o critério utilizado para chegar a essa classificação. E se não fosse o mais correto o código apresentado pela recorrente 2903.69.29 (DERIVADOS HALOGENADOS DOS HIDROCARBONETOS; Outros; Outros), a classificação fiscal correta seria 2712.20.00 (Parafina contendo, em peso, menos de 0,75% de óleo). De plano, insta observar que o voto do acórdão recorrido traz sim o critério utilizado para manter a reclassificação fiscal: São pontos divergentes quanto a classificação fiscal do produto: Código NCM 2903.69.19 adotado pelo importador; Código NCM 3824.90.39 reclamado pela fiscalização. A posição eleita pelo importador assim se apresenta: 29.03 DERIVADOS HALOGENADOS DOS HIDROCARBONETOS. ... 2903.6 Derivados halogenados dos hidrocarbonetos aromáticos: ... 2903.69 Outros As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado para a posição 2903, normatizada pela Instrução Normativa nº 157/2002 assim determinam: São compostos resultantes da substituição, na fórmula estrutural de um hidrocarboneto, de um ou mais átomos de hidrogênio, por um número igual de átomos de halogênio (flúor, cloro, bromo, iodo). A. DERIVADOS CLORADOS SATURADOS DOS HIDROCARBONETOS ACÍCLICOS... Excluemse desta posição: a) As cloroparafinas, constituídas por misturas de derivados clorados: as cloroparafinas sólidas, que são ceras artificiais, incluemse na posição 34.04, enquanto que as cloroparafinas líquidas se classificam na posição 38.24.(grifo nosso) Sendo o produto cloroparafina líquida, conforme declarado pelo próprio importador, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição NCM 2903, determina sua classificação fiscal na posição NCM 3824, como procedeu a fiscalização. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES (+). ... 3824.90 Outros ... 3824.90.3 Preparações para borrachas ou plásticos, exceto das posição 3812, e outras preparações para endurecer resinas sintéticas, colas, pinturas ou usos similares ... 3824.90.39 Outros A regra nº 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado assim determina: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Logo, o código NCM 3824.90.39 eleito pela fiscalização é o mais adequado. De outra banda, vale a pena referir que a mercadoria importada (CERECLOR S52) que tem aplicação industrial como plastificante para compostos do PVC, etc., não pode ser confundida com a simples parafina, como quer a recorrente, porquanto esta classificase na posição 2712 quando pura ou misturada com os demais produtos da posição, consoante comentários das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado: Todos estes produtos estão compreendidos na presente posição, quer sejam em bruto, refinados ou misturados entre si ou mesmo corados. Empregamse, especialmente, na fabricação de velas (velas de parafina), de pomadas para calçados e encáusticos, como matérias isolantes, como revestimentos protetores, para o apresto de tecidos, para impregnação de fósforos, etc. Dito isso, penso que a classificação fiscal eleita pelos agentes do Fisco, de fato, é a correta, e não as apontadas pelo contribuinte. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 249 9 DA MULTA DE OFÍCIO A irresignação contra a multa de ofício, porque essa seria aplicável somente àqueles contribuintes que praticam evasão fiscal ou intentam lesar o Erário, não procede. O argumento não é sustentável, porquanto a imputação deriva simplesmente da falta de recolhimento do imposto, não sendo aplicada qualquer qualificação ou agravante à penalidade. Vale a pena rememorar o art. 136 do Código Tributário Nacional que predica: Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No vinco de todo o exposto, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade do auto de infração; e no mérito, por DESPROVER o apelo, prejudicadas as demais alegações. Sala das Sessões, 24 de setembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10314.001670/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO INEXISTENTE.
Merecem ser desprovidos os aclaratórios, uma vez que não existe qualquer contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 3101-001.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 19/02/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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CONTRADIÇÃO INEXISTENTE. Merecem ser desprovidos os aclaratórios, uma vez que não existe qualquer contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 19/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 16 70 /2 00 8- 29 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Reportome ao relato de fls. 579 e seguintes, adotado quando do julgamento por este Colegiado, que culminou no acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007 REVISÃO ADUANEIRA. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. O reexame do despacho aduaneiro inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM utilizados. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias (DecretoLei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art. 142). IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NORMA PROCEDIMENTAL. Quando a mercadoria é descrita de forma semelhante, pelo mesmo contribuinte, em diferentes declarações aduaneiras, pode o Fisco legalmente presumilas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, com arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833/2003. Referida norma, por ser procedimental, lança luzes sobre fatos pretéritos se o procedimento tem natureza revisional, eis que esse deve balizarse segundo a norma procedimental de regência. Por isso a fiscalização fez uso de laudos de 2002 como base revisional para as Declarações de Importação no período de 05/2003 a 11/2007. LAUDOS TÉCNICOS. Os laudos que serviram de base para a auditoriafiscal proceder à reclassificação fiscal cingemse a descrever as mercadorias postas sob apreciação, utilizando de referências bibliográficas para melhor identificálas, sem tecerem qualquer consideração acerca de classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado, o que seria, aliás, de todo reprovável se ocorresse. Não merece acolhimento a crítica feita aos laudos embasadores dos autos de infração, pois não induzem à nenhuma classificação fiscal, apenas identificam as mercadorias importadas pela recorrente. SOLUÇÕES DE CONSULTA E JURISPRUDÊNCIA. Em que pese a jurisprudência ser de grande valia para a solução de litígios, nos casos de classificação fiscal de mercadorias, notadamente as de composição química atestada por laudo, a jurisprudência deve ser sempre sopesada com maior parcimônia do que noutras oportunidades, porquanto a composição química de mercadorias depende de vários fatores, tais como os percentuais dos elementos componentes, estado físico, forma, Fl. 656DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.296 S3C1T1 Fl. 3 3 função, etc., desses elementos. No caso vertente, penso que a pedra de toque para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados é justamente a função dos componentes adicionados às respectivas vitaminas. Função essa que somente o laudo consentâneo com a mercadoria específica tem condições de fornecer. Vale lembrar que Solução de Consulta é norma individual e concreta que diz respeito somente ao consulente, não vinculando a Administração Tributária em relação aos demais contribuintes. PREPARAÇÕES APTAS PARA USOS ESPECÍFICOS. Os laudos todos estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a saber, respectivamente entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal; para ser adicionada à ração animal e/ou prémistura; utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada; especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos. MULTAS POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Uma vez que as mercadorias não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e classificação fiscal, exsurge como correta a aplicação das multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações. Em 18/10/2012, foram opostos embargos declaratórios, fls. 628 e seguintes, tempestivos, pela supramencionada embargante, alegando haver contradição no acórdão que merece ser sanado. A contradição adviria de que o relator teria asseverado que o laudo técnico é fundamental para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados, e ao final fundamentou a multa de controle aduaneiro na incorreta classificação fiscal das mercadorias. O pedido é para que seja cancelada a multa do controle administrativo das importações, com esteio no ADN COSIT nº 12/97, e que as intimações sejam feitas no endereço profissional dos patronos da causa. Ato seguido, são encaminhados os embargos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. É o Relatório. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merecem ser apreciados. Impõese registrar, in limine, que o fundamento para a manutenção da multa do controle administrativo das importações não é apenas a classificação fiscal incorreta, e sim a conjugação disso com a descrição falha das mercadorias, sem todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, como se pode ver do Anexo III do auto de infração, fls. 321 e seguintes, o que impossibilita a aplicação do ADN COSIT nº 12/97 ao caso destes autos. E mais, a contradição apontada não existe também porque é de total coerência afirmar que o laudo técnico é necessários para dizer a função dos componentes adicionados às vitaminas, para fins de obtenção da classificação fiscal correta; e num segundo momento dizer que a classificação fiscal foi dificultada porque a descrição das mercadorias não continha todos os componentes adicionados às vitaminas. Ultimando, o pedido para que as intimações sejam feitas no endereço profissional dos patronos da causa também não merece acolhimento, uma vez que na legislação que rege o processo administrativo fiscal as intimações devem ser feitas no domicílio tributário do sujeito passivo. Nessa moldura, voto por DESPROVER os embargos declaratórios. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 658DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.296 S3C1T1 Fl. 4 5 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10314.010899/2005-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 23/11/2005
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA
MP 2158-35/ 2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL.
As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submete-se à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 07, de 26/07/2005. Nulidade do auto de infração.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3802-001.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/11/2005 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA MP 215835/2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL. As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submetese à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 07, de 26/07/2005. Nulidade do auto de infração. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 EDITADO EM: 21/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 23/11/2005 Ementa: As impressoras multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a urna rede, classificam se na posição 9009 da Nomenclatura Comum do Mercosul (Ato Declaratório Interpretativo n° 7 de 26/07/2005). Lançamento Procedente Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ: A empresa acima qualificada importou mediante a DI 05/12703455, de 23/11/2005, o que declarou serem "Impressoras Multifuncionais modelos CX3700, CX4700 e Stylus C87", classificandoas na posição 8471.60.21 relativa às "Impressoras a jato de tinta liquida, com largura de impressão inferior ou igual a 420 mm". A fiscalização detectou que havia uma solução de consulta protocolada pela interessada (processo 13896.000296/200324), referente As impressoras multifuncionais, que determinava sua classificação na posição 9009.21.00 relativa aos "Outros aparelhos de fotocópia por sistema óptico". Foi então lavrado o auto de infração e cobrada a diferença de IPI, sua multa de oficio e a multa prevista no artigo 84 da MP 2.15835/2001. As folhas 34 a 50, a interessada apresenta suas razões de defesa alegando, em suma, que: 1 não concorda com a solução de consulta dada pela SRF. A função essencial dos equipamentos é funcionar como impressora; 2 as copiadoras contidas nas unidades multifuncionais importadas operam pelo sistema digital, e não pelo sistema óptico de que trata o código 9009.21.00; 3 anexa laudo do IPT onde esse conclui pela classificação dos produtos em questão na posição 8471.60.21; 4 o Ministério da Ciência e Tecnologia, para fins de aproveitamento dos benefícios da Política Nacional de Informática, adotou o código 8471.60.21 relativamente As unidades multifuncionais a serem produzidas no pais. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10314.010899/200510 Acórdão n.º 380201.070 S3TE02 Fl. 200 3 A Recorrente, nas razões de fls. 154, alega que a Solução de Consulta Diana/Srrf/8ª RF nº 01/05 não tem efeitos sobre os bens objeto da Declaração de Importação nº 05/12703455. Aduz que, ainda que assim não fosse, nada impede a revisão do entendimento anterior, sobretudo quando contrário às normas de interpretação do sistema harmonizado. Entende que a classificação fiscal correta para as unidades multifuncionais seria a NCM nº 8471.60.21 (e não 9009.21.00), uma vez que a função de cópia do aparelho seria digital (e não óptica), resultante da junção das unidades de “scanner” e de impressora. Sustenta, por fim, a não incidência de correção monetária sobre a multa regulamentar. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 14/07/2009 (fls. 146), interpondo recurso tempestivo em 12/08/2009 (fls. 154). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A classificação fiscal aplicável às impressoras multifuncionais foi pacificada no âmbito da Terceira Seção de Julgado do Carf. Nesse sentido, cumpre destacar o Acórdão nº 310100.253, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, da lavra do eminente Conselheiro Luiz Roberto Domingo, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Data do fato gerador: 28/09/2005. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifucionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afastaa da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente pacificada no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n° 1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado comercialmente de "impressora multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CT N° 1/ ATA N° 08/08). Recurso Voluntário Provido. Na mesma linha, colocase o entendimento da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS, IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. Não se classificam na posição NCM 9009, as impressoras multifuncionais, identificadas como aquelas capazes de realizar duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a urna máquina automática para processamento de dados ou a uma rede. (Acórdão 320100.503. Rel. Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Sessão de 01/07/2010). Referido interpretação também é acolhida por unanimidade pela Turma, consoante Acórdão nº 3802001.002, da sessão de 22 de maio de 2012, da lavra do eminente Conselheiro Regis Xavier Holanda: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 17/03/2006 [...] CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telescópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto nº 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Carf. 2ª Turma Especial. 3ª Seção. Acórdão nº 3802001.002. Processo nº 19814.000209/200621). Cabe destacar a seguinte passagem do voto do relator, que analisa a classificação aplicável antes da introdução da NCM nº 8443.31: [...] Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10314.010899/200510 Acórdão n.º 380201.070 S3TE02 Fl. 201 5 Entretanto, a meu ver, em que pese a possibilidade de utilização principal do produto em qualquer de sua funções – a depender das necessidades e desejos do usuário, é relevante para a adequada classificação fiscal o fato dessas máquinas terem como característica essencial a sua conectividade a uma máquina automática para processamento de dados, funcionando como unidades de entrada e/ou saída, o que atrai, de forma mais adequada, a subposição 8471.60 adotada pelo recorrente. Ademais, tenho que, a princípio, em termos objetivos, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária – não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. Dessa forma, tenho que a classificação fiscal adequada para o produto em estudo correspondia, à época, à adotada pelo recorrente, ou seja, na subposição 8471.60. Nessa mesma linha, como bem apontado pela recorrente, na vigência do referido ADI nº 7, o Governo decidiu baixar o Decreto n° 5.802, de 06 de junho de 2006, criando na TIPI os desdobramentos na descrição dos produtos sob a forma de destaques “Ex” relativos aos seguintes subitens: Código TIPI Descrição Alíquota (%) 8471.60.21 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.22 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.23 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.24 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.25 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.26 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.29 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.30 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 Dessa forma, aplicando estes destaques aos códigos em epígrafe, o Governo acabou por chancelar que as impressoras providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile, deveriam se classificar na posição 8471. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Assim, à luz do entendimento pacificado na Turma, impõese pelo conhecimento e pelo provimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10909.005544/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2006
DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA, NULIDADE.
A falta de apreciação e julgamento, pela autoridade julgadora de primeira instância, de matérias expressamente contestadas na impugnação, implica cerceamento de defesa, supressão instância e, conseqüentemente, nulidade da decisão recorrida.
PROCESSO ANULADO
Numero da decisão: 3301-001.468
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão recorrida para que outra seja proferida, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2006 DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA, NULIDADE. A falta de apreciação e julgamento, pela autoridade julgadora de primeira instância, de matérias expressamente contestadas na impugnação, implica cerceamento de defesa, supressão instância e, conseqüentemente, nulidade da decisão recorrida. PROCESSO ANULADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão recorrida para que outra seja proferida, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram do presente julgamento: os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mantendo a exigência do crédito referente aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2006. O lançamento decorreu de apuração da omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários, não contabilizados e de origem não comprovada, e de erro na classificação fiscal e alíquota do produto fabricado e vendido. Cientificada da exigência do crédito tributário, a recorrente impugnou o lançamento (fls. 1.390/1.422), alegando, em síntese, razões assim resumidas por aquela DRJ: “O lançamento não merece guarida, vez que baseado em riqueza unilateralmente presumida e base de cálculo estranha ao imposto em questão; A recorrente não incorreu na prática tipificada como ‘omissão de receita’, ma em simples declaração inexata de rendimentos, já que procedeu a escrituração de sua receita tributável no livro de registros de saídas; O IPI tem como fato gerador a saída das mercadorias do estabelecimento. A base de cálculo, portanto, é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria e não a receita. O lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador, não podendo encontrar esteio exclusivamente em prova indiciária (presumida); A presunção legal relativa à omissão de receita prestase à tributação pelo IRPJ e reflexos, mas não para fins de base imponível de IPI; O arbitramento do valor tributável, nos moldes efetuados pela autoridade fiscal, desafia a regra específica plasmada no artigo 138 do Decreto n° 4.544/02.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme acórdão nº 1419.807, datado de 23/07/2008, às fls. 1.608/1.623, sob as seguintes ementas: “MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. LANÇAMENTO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o IPI. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.005544/200772 Acórdão n.º 330101.468 S3C3T1 Fl. 1.749 3 Ainda, de acordo com aquele acórdão, a recorrente não impugnou o lançamento decorrente de erro na classificação fiscal e na alíquota o que implicou em reconhecimento tácito do crédito tributário lançado e exigido em virtude destas infrações. Também, segundo se depreende do relatório da autoridade julgadora de primeira instância e das ementas do seu julgamento, o agravamento da multa de ofício também não teria sido contestado na impugnação. Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1.628/1.682), requerendo, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida e o retorno dos autos à DRJ para prolação de nova decisão, enfrentando as matérias relativas à classificação fiscal e à multa de ofício qualificada, levandose em conta os argumentos aduzidos na impugnação; e, no mérito, a sua reforma, para que seja considerado como base de cálculo do IPI apenas as “Receita Tributáveis Escrituradas” nos livros Registro de Saídas, mantida a classificação fiscal adotada por ela e, conseqüentemente, a alíquota de cálculo e, ainda, reconhecida a improcedência do agravamento da multa de ofício, reduzindo seu percentual para 75,0 %. Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: I – Cerceamento/Preterição do Direito de Defesa – Nulidade do Acórdão nº 1419.807; II – Inaplicabilidade da Multa Qualificada de 150%; III – A Iliquidez dos Lançamentos Ante a Inadvertida Valoração Quantitativa da Hipótese de Incidência do IPI; e, IV – A Enganosa Classificação Fiscal, para Fins de Incidência do IPI, do Produto Industrializado pela Empresa – Autuada; concluindo, ao final, preliminarmente, que a decisão recorrida é nula por não ter se manifestado sobre as alegações opostas contra a classificação fiscal adotada pelo autuante e, conseqüentemente, contra a alíquota aplicada, porque, ao contrário do alegado pela autoridade julgadora de primeira instância, contestou estas matérias, conforme se verifica da impugnação nas páginas fls. 1.402/1.415 dos autos; o agravamento da multa não se justifica, tendo em vista que a infração decorreu de erro de classificação fiscal do produto industrializado, assim seu percentual deve ser reduzido para 75,0%; e, finalmente, que a classificação fiscal adotada por ela é a correta, pois fabrica casco de embarcação para motor de popa fora de borda, tipo “outboard” e não embarcação em seu sentido técnico. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Do exame dos autos, verificase que o lançamento em discussão decorreu de: a) omissão de receitas; e, b) erro na classificação fiscal e, conseqüentemente, na alíquota de cálculo; e, ainda, foi agravada a multa de ofício. A autoridade julgadora de primeira instância analisou e julgou apenas as matérias relativas à omissão de receitas e à apresentação de provas, se calando sobre as alegações suscitadas contra a classificação fiscal e alíquota, adotadas pelo autuante, bem como sobre o agravamento da multa de ofício. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Em relação à omissão de receitas, aquela autoridade julgadora adotou, por decorrência, a decisão da DRJ Florianópolis no processo nº 10909.005543/200728 em que foram julgados os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, pela mesma infração e mesmo período de abrangência do lançamento em discussão. Quanto à infração por erro de classificação fiscal do produto industrializado e comercializado e, conseqüentemente, de alíquota, alegou que a recorrente não contestou esta matéria na impugnação interposta conta o lançamento em discussão. No recurso voluntário interposto, a recorrente suscitou a nulidade da decisão recorrida sob o fundamento de preterição/cerceamento de seu direito de defesa sob o argumento de que, ao contrário do alegado pela autoridade julgadora de primeira instância, contestou aquela matéria e a multa agravada, conforme consta da sua impugnação às páginas 1.402/1.415. Do exame da impugnação, às fls. 1.390/1.422, mais especificamente do item “Da Inexata Avaliação do ‘Elemento Qualitativo’ do Fato Jurídico Tributário do IPI” às fls. 1.402/1.411, verificase que a recorrente impugnou sim aquela matéria. Naquele item, tratou dentre outras matérias, de sua atividade econômica – fabricação de casco de embarcação para motor de popa fora de borda – ; do seu processo produtivo; da classificação fiscal de seu produto na TIPI, posição 8906, subposição 8906.90.00 (fls. 1.407/1.415.). Já as alegações contra a multa qualificada constam às fls. 1.416/1.418. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, assim quanto à nulidade de decisões: “Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” (grifo nãooriginal) No presente caso, tal omissão cerceou a defesa da recorrente e a apreciação daquelas matérias apenas nesta fase recursal configura supressão de instância. Ora, tanto a omissão como a supressão de instância implica nulidade da decisão recorrida nos termos do art. 59, inciso II, citado e transcrito acima. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou provimento ao recurso voluntário para, com fundamento no art. 59, inciso II, daquele Decreto, anular a decisão recorrida, para que outra seja proferida, enfrentando todas as matérias suscitadas na impugnação, classificação fiscal e, conseqüentemente, alíquota de cálculo, bem como o agravamento da multa de ofício, retomandose, assim, o devido processo legal do contencioso administrativo tributário. (Assinado Digitalmente). José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.005544/200772 Acórdão n.º 330101.468 S3C3T1 Fl. 1.750 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 19814.000211/2006-08
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 17/03/2006
PRELIMINAR. ATO NORMATIVO. ELEMENTOS BALIZADORES.
AUSÊNCIA DE JUNTADA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. NULIDADE.
NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Impõe-se à autoridade fiscal a aplicação de ato dotado de normatividade vinculante no âmbito da Receita Federal, sem que, necessariamente, essa aplicação esteja condicionada à juntada de elementos balizadores da edição da norma.
A apresentação de fundamentação fática e normativa apta a proporcionar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pela recorrente afasta a caracterização de nulidade do lançamento.
PRELIMINAR. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE
MANIFESTAÇÃO FINAL. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Prescindível a realização de diligência ou perícia diante da existência nos autos de provas suficientes para o julgamento do processo.
A oportunidade reservada para manifestação da recorrente, após a ciência da lavratura do auto de infração – momento em que já encerrada, em regra, a instrução processual é a impugnação que deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar.
PRELIMINAR. REUNIÃO DE PROCESSOS CORRELATOS.
Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo (artigo 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF)
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL.
O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto nº 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005.
Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3802-001.003
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 17/03/2006 PRELIMINAR. ATO NORMATIVO. ELEMENTOS BALIZADORES. AUSÊNCIA DE JUNTADA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Impõese à autoridade fiscal a aplicação de ato dotado de normatividade vinculante no âmbito da Receita Federal, sem que, necessariamente, essa aplicação esteja condicionada à juntada de elementos balizadores da edição da norma. A apresentação de fundamentação fática e normativa apta a proporcionar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pela recorrente afasta a caracterização de nulidade do lançamento. PRELIMINAR. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO FINAL. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Prescindível a realização de diligência ou perícia diante da existência nos autos de provas suficientes para o julgamento do processo. A oportunidade reservada para manifestação da recorrente, após a ciência da lavratura do auto de infração – momento em que já encerrada, em regra, a instrução processual é a impugnação que deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar. PRELIMINAR. REUNIÃO DE PROCESSOS CORRELATOS. Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo (artigo 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF) Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000211/200608 Acórdão n.º 3802001.003 S3TE02 Fl. 182 2 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto nº 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. Fez sustentação oral o Dr. Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP nº 22.170. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000211/200608 Acórdão n.º 3802001.003 S3TE02 Fl. 183 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por HewlettPackard Brasil Ltda. contra Acórdão nº 1733.613, de 23 de julho de 2009 (fls. 100 a 107), proferido pela 1ª Turma da DRJ/São Paulo IISP, que manteve o lançamento, no valor de R$ 8.846,03, relativo à multa regulamentar por classificação fiscal incorreta. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 27/03/2006, em face do contribuinte em epígrafe, referente a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 8.846,03, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro as seguintes Declarações de Importação com os produtos recebendo classificação fiscal no código NCM 8471.60.21, com incidência da alíquota de 16% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados: Declaração de Importação No. 06/03095890, de 17/03/2006, na adição 001 – 2.688 aparelhos multifuncionais, produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA HP OFFICEJET 4255. Declaração de Importação No. 06/03106760, de 17/03/2006, adição 002 – 97 unidades produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA ”, modelo HP OFFICEJET 5610. Declaração de Importação No. 06/03112174, de 17/03/2006, na adição 001 – 1.748 aparelhos multifuncionais, produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA HP OFFICEJET 4255. Na Declaração de Importação No. 06/03112174, de 17/03/2006, na adição 002 – 100 aparelhos multifuncionais, produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA LÍQUIDA HP OJ7310, recebendo classificação fiscal no código NCM 8471.60.30, com incidência da alíquota de 0% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Na Declaração de Importação No. 06/03153270, de 20/03/2006, na adição 001 – 100 aparelhos multifuncionais, produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA LÍQUIDA HP OJ7310”, recebendo classificação fiscal no código NCM 8471.60.30, com incidência da alíquota de 0% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Na adição 003 da mesma Declaração de Importação – 1.203 aparelhos multifuncionais, produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA ”, modelo HP OFFICEJET 5610, recebendo classificação fiscal no código NCM 8471.60.21, com incidência da alíquota de 16% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000211/200608 Acórdão n.º 3802001.003 S3TE02 Fl. 184 4 Em ato de conferência física, foi apurado que os produtos importados eram equipamentos MULTIFUNCIONAIS. Através do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, constatouse que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 9009.21.00, com incidência da alíquota de 14 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 20% para o Imposto de Produtos Industrializados; A nova classificação fiscal se deveu ao argumento de que máquinas multifuncionais que realizam duas ou mais funções se classificam na posição NCM 9009.21.00; Tipificação Legal: Artigos 2º, 3º, 482 a 485, 489, 491, 504, 602, 604, IV e 684 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/20022 , artigos 1º, 3º I, 4º I, 5º I, 7º I, 8º I, 13 I, 19 e 20 da Lei 10.865/04 Cientificado do auto de infração, pessoalmente,, em 04/04/2006 (fls. 1frente), contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 12/04/2006, de fls. 72 à 82, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: O auto de infração é nulo, uma vez que não há nos autos qualquer prova indicando que a mercadoria importada se enquadra nos contornos do disposto do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005; A função principal das multifuncionais é atuar como impressora, apresentadas assim individualmente e comercialmente. Apesar de desempenhar outras funções, a função que prevalece é a impressão, devendo ter o equipamento classificação fiscal no código NCM 8471.60.30, conforme a Regra 3 , b) das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; O código NCM 9009.21.00 diz respeito a artefato óptico analógico. que opera sem conexão com qualquer computador; As fotocopiadoras não realizam qualquer das funções das multifuncionais uma vez que a obtenção de cópias ocorre por processos diferentes; Solicita perícia técnica, apresentando quesitos; Pugna a nulidade e, alternativamente, a improcedência do Auto de Infração. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedente o lançamento em acórdão com a seguinte ementa: Importação de equipamento multifuncional combinado com outras unidades de entrada e saída e conectividade USB . Através do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 9009.21.00. A nova classificação fiscal se deveu ao argumento de que máquinas multifuncionais que realizam duas ou mais funções se classificam na posição NCM 9009. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000211/200608 Acórdão n.º 3802001.003 S3TE02 Fl. 185 5 Cientificado do referido acórdão em 10 de agosto de 2009 (fl. 110), o interessado apresentou recurso voluntário em 01 de setembro de 2009 (fls. 111 a 124) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. Repisa que também insurgiuse contra o fato de não se juntar ao Auto de Infração o processo que gerou o ADI SRF n° 07/05, o que acarretaria sua nulidade. Ainda, se reporta, no que toca à instrução processual, ao pedido de provas requerido na Impugnação para propiciar a correta e adequada identificação das mercadorias. Também nula a decisão recorrida por conta do indeferimento do pedido de perícia técnica que teria ocasionado preterição do direito de defesa. Anota ainda, como outro ponto de nulidade da decisão recorrida, que a r. decisão deu por encerrada a instrução e passou a decidir, sem dar à recorrente a oportunidade de se manifestar consoante artigo 44 da Lei n° 9.784/99. Registra ainda que, resultado da mesma iniciativa fiscal e com relação as mesmas D.I., foram também lavrados dois Autos de Infração (processos nºs. 19814.000210/200655 e 10814.000209/200621, formalizando a exigência, debaixo da mesma justificativa, de créditos tributários a título de diferenças quanto ao II, IPI, multas de ofício e diferenças quanto ao PIS/Importação e COFINSImportação, acompanhadas das multas cabíveis, o que, face à evidente conexão existente entre os objetos dos citados processos, para evitar decisões conflitantes, a recorrente, na Impugnação inicial, já havia solicitado a reunião dos três processos providência essa que reitera, implicando na devolução dos processos à DRJ. No mérito, aponta como fato novo que, na vigência do A.D.I., o Governo decidiu baixar o Decreto n° 5.802, de 06 de junho de 2006, criando na TIPI os desdobramentos na descrição dos produtos e acabou reconhecendo que os produtos com mais de uma função, denominados multifuncionais, deveriam classificarse pela posição SH 8471. É o relatório. Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator DAS PRELIMINARES Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e estando o crédito tributário lançado dentro do seu limite de alçada, e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000211/200608 Acórdão n.º 3802001.003 S3TE02 Fl. 186 6 Da ausência de nulidade do auto de infração De início, cumpre esclarecer que a ausência da reclamada juntada ao Auto de Infração do processo que gerou o ADI SRF n° 07/05 não tem o condão de eiválo de nulidade. Com efeito, sendo um ato dotado de normatividade vinculante no âmbito da Receita Federal, à autoridade fiscal, no estrito cumprimento de seu dever funcional, impunha se sua aplicação, sem que, necessariamente, essa aplicação esteja condicionada à juntada do processo que serviu de referência à edição da norma. Cabe à recorrente se insurgir, não contra a ausência de juntada de elementos que serviram de baliza à edição da norma, mas sim quanto à eventual ilegalidade da mesma ou à falta de subsunção do fato à norma. Quanto à ausência de prova de que a mercadoria se enquadraria no ADI em questão – matéria a ser abordada com maior acuidade no exame de mérito também não vislumbro aqui qualquer nulidade uma vez que o auto de infração apresenta fundamentação fática e normativa apta a proporcionar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pela recorrente o que foi feito. Da ausência de nulidade da decisão recorrida. Do pedido de perícia. Da manifestação da recorrente após o encerramento da instrução processual. Ainda, no que toca à instrução processual, o pedido de provas requerido na impugnação para propiciar a correta e adequada identificação das mercadorias, notadamente o pedido de perícia técnica, foi corretamente indeferido pela decisão recorrida. Com efeito, o Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, em seção dedicada ao respectivo procedimento fiscal, assim dispôs sobre o pedido e processamento de diligências ou perícias: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000211/200608 Acórdão n.º 3802001.003 S3TE02 Fl. 187 7 impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93) Negrito aposto. Inicialmente, temos que o colegiado a quo, a par de destacar que não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia e que os quesitos formulados apontam dúvidas já respondidas pela literatura técnica juntada, bem decidiu que a perícia se revela desnecessária dada sua assimetria com a linha probatória até aqui empreendida. A par destas considerações, tenho ainda que a controvérsia estabelecida não tem seu ponto central na descrição e características da mercadoria – máquinas multifuncionais –, sendo realmente prescindível a perícia solicitada; e sim na adequada classificação fiscal a ser adotada para tais equipamentos – matéria de direito – a ser definida, no mérito, pela correta adoção das Regras para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Decreto nº 97.409/88). Dessa forma, a par de referendar a decisão recorrida nesse ponto, também indefiro a presente renovação do pedido de perícia. Por fim, o outro ponto de nulidade da decisão recorrida levantado que a r. decisão deu por encerrada a instrução e passou a decidir, sem dar à recorrente a oportunidade de se manifestar consoante artigo 44 da Lei n° 9.784/99 – também não merece prosperar. Anotese que o processo administrativo fiscal regese pelo Decreto nº 70.235/72 que traz procedimento próprio fielmente observado pela autoridade julgadora recorrida. Assim, nos termos do artigo 15 desse diploma legal, a oportunidade reservada para manifestação da recorrente, após a ciência da lavratura do auto de infração – momento em que já encerrada, em regra, a instrução processual é por ocasião da impugnação que deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Assim, em que pese a Lei 9.784/99 possuir aplicação apenas subsidiária na litigiosidade fiscal, a recorrente teve sim, por ocasião da impugnação, oportunidade de se manifestar após o encerramento da instrução processual que se deu com a feitura do lançamento tributário. Da reunião de processos correlatos No tocante ao pedido de reunião dos processos objeto da mesma iniciativa fiscal, cabe o registro que, no âmbito do julgamento desses processos na instância a quo, em consulta aos respectivos acórdãos, constatase que os mesmos foram distribuídos ao mesmo relator, julgados pela mesma Turma em uma mesma data e com julgamentos convergentes. Da mesma forma, no âmbito deste Conselho Recursal, registro que o processo de nº 19814.000209/200621 encontrase distribuído a este mesmo Relator, devendo ser objeto de julgamento, portanto, pela mesma Turma – fato já ocorrido no 1º grau de julgamento, evitandose assim, decisões conflitantes. Já em relação ao processo nº 19814.000210/200655, também não há qualquer óbice em que sua distribuição venha a observar o disposto no artigo 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000211/200608 Acórdão n.º 3802001.003 S3TE02 Fl. 188 8 Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. Assim, apesar de não reunidos formalmente, não há que se falar em qualquer prejuízo à recorrente daí derivado¸ sendo descabida, portanto, a providência solicitada de devolução dos processos à DRJ de origem. DO MÉRITO Da classificação fiscal No presente caso, o impugnante pleiteia a classificação dos seguintes produtos importados: a) descrito nas DI´s nºs 06/03095890, 06/03106760, 06/03112174 (adição 01) e 06/03153270 (adição 03) como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA HP OFFICEJET 4255”, “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA, modelo HP OFFICEJET 5610”, “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA HP OFFICEJET 4255” e “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA, modelo HP OFFICEJET 5610” respectivamente no código NCM 8471.60.21 (II: 16% e IPI: 15%); b) descrito nas DI´s nºs 06/03112174 (adição 02) e 06/03153270 (adição 01) como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA LÍQUIDA HP OJ7310” no código NCM 8471.60.30 (II: 0% e IPI: 15%); Já a fiscalização, após apurar que os produtos importados eram equipamentos MULTIFUNCIONAIS, pretende, com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, o código NCM 9009.21.00 (II: 14% e IPI: 20%). De acordo com a Regra Geral nº 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Decreto nº 97.409/88), “para os efeitos legais a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas regras seguintes”. Semelhante regramento, agora cuidando da classificação em subposições e em itens e subitens, encontramos na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 6 e na Regra Geral Complementar (RGC) nº 1. A Nomenclatura Comum do Mercosul, baseada no Sistema Harmonizado, traz os seguintes textos relacionados aos códigos desejados: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000211/200608 Acórdão n.º 3802001.003 S3TE02 Fl. 189 9 NCM 8471.60.21 8471 MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E SUAS UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MÁQUINAS PARA REGISTRAR DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES 8471.60 Unidades de entrada ou de saída, podendo conter, no mesmo corpo, unidades de memória 8471.60.2 Outras impressoras, com velocidade de impressão inferior a 30 páginas por minuto 8471.60.21 A jato de tinta líquida, com largura de impressão inferior ou igual a 420mm NCM 8471.60.30 8471.60.30 Outras impressoras, com velocidade de impressão superior ou igual a 30 páginas por minuto NCM 9009.21.00 9009 APARELHOS DE FOTOCÓPIA, POR SISTEMA ÓPTICO OU POR CONTATO, E APARELHOS DE TERMOCÓPIA 9009.2 Outros aparelhos de fotocópia 9009.21.00 Por sistema óptico Entretanto, caso pareça que a mercadoria possa classificarse em duas ou mais posições (superadas as Regras Gerais nºs 1 e 21), a classificação deverá efetuarse na forma da Regra Geral nº 32: pela posição mais específica; pela característica essencial; ou pela 1 Regra Geral nº 2. a) QUALQUER REFERÊNCIA A UM ARTIGO EM DETERMINADA POSIÇÃO ABRANGE ESSE ARTIGO MESMO INCOMPLETO OU INACABADO, DESDE QUE APRESENTE, NO ESTADO EM QUE SE ENCONTRA, AS CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DO ARTIGO COMPLETO OU ACABADO. ABRANGE IGUALMENTE O ARTIGO COMPLETO OU ACABADO, OU COMO TAL CONSIDERADO NOS TERMOS DAS DISPOSIÇÕES PRECEDENTES, MESMO QUE SE APRESENTE DESMONTADO OU POR MONTAR. b) QUALQUER REFERÊNCIA A UMA MATÉRIA EM DETERMINADA POSIÇÃO DIZ RESPEITO A ESSA MATÉRIA, QUER EM ESTADO PURO, QUER MISTURADA OU ASSOCIADA A OUTRAS MATÉRIAS. DA MESMO FORMA, QUALQUER REFERÊNCIA A OBRAS DE UMA MATÉRIA DETERMINADA ABRANGE AS OBRAS CONSTITUÍDAS INTEIRA OU PARCIALMENTE DESSA MATÉRIA. A CLASSIFICAÇÃO DESTES PRODUTOS MISTURADOS OU ARTIGOS COMPOSTOS EFETUASE CONFORME OS PRINCÍPIOS ENUNCIADOS NA REGRA 3. 2 Regra Geral nº 3. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000211/200608 Acórdão n.º 3802001.003 S3TE02 Fl. 190 10 posição situada em último lugar na ordem numérica dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A discussão, portanto, acerca da correta classificação fiscal das multifuncionais perpassaria a possibilidade de se definir, acaso insuficientes as Regras Gerais nºs 1 e 2, a sua posição mais específica ou a que acolha a característica essencial – se a posição relacionada à função de impressão, ou a relacionada à função de cópia ou ainda a de transmissão de telecópia (fax). Nesse contexto, a Receita Federal editou o Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7, de 26/07/2005, onde expressou seu entendimento de que as máquinas multifuncionais classificariamse no código NCM 9009.21.00. Vejamos: Artigo único. As máquinas multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, classificamse na posição 90.09 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Entretanto, a meu ver, em que pese a possibilidade de utilização principal do produto em qualquer de sua funções – a depender das necessidades e desejos do usuário, é relevante para a adequada classificação fiscal o fato dessas máquinas terem como característica essencial a sua conectividade a uma máquina automática para processamento de dados, funcionando como unidades de entrada e/ou saída, o que atrai, de forma mais adequada, a subposição 8471.60 adotada pelo recorrente. Ademais, tenho que, a princípio, em termos objetivos, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária – não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. QUANDO PAREÇA QUE A MERCADORIA PODE CLASSIFICARSE EM DUAS OU MAIS POSIÇÕES POR APLICAÇÃO DA REGRA 2 b) OU POR QUALQUER OUTRA RAZÃO, A CLASSIFICAÇÃO DEVE EFETUARSE DA FORMA SEGUINTE: a) A POSIÇÃO MAIS ESPECÍFICA PREVALECE SOBRE AS MAIS GENÉRICAS. TODAVIA, QUANDO DUAS OU MAIS POSIÇÕES SE REFIRAM, CADA UMA DELAS, A APENAS UMA PARTE DAS MATÉRIAS CONSTITUTIVAS DE UM PRODUTO MISTURADO OU DE UM ARTIGO COMPOSTO, OU A APENAS UM DOS COMPONENTES DE SORTIDOS ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO, TAIS POSIÇÕES DEVEM CONSIDERARSE, EM RELAÇÃO A ESSES PRODUTOS OU ARTIGOS, COMO IGUALMENTE ESPECÍFICAS, AINDA QUE UMA DELAS APRESENTE UMA DESCRIÇÃO MAIS PRECISA OU COMPLETA DA MERCADORIA. b) OS PRODUTOS MISTURADOS, AS OBRAS COMPOSTAS DE MATÉRIAS DIFERENTES OU CONSTITUÍDAS PELA REUNIÃO DE ARTIGOS DIFERENTES E AS MERCADORIAS APRESENTADAS EM SORTIDOS ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO, CUJA CLASSIFICAÇÃO NÃO SE POSSA EFETUAR PELA APLICAÇÃO DA REGRA 3 a), CLASSIFICAMSE PELA MATÉRIA OU ARTIGO QUE LHES CONFIRA A CARACTERÍSTICA ESSENCIAL, QUANDO FOR POSSÍVEL REALIZAR ESTA DETERMINAÇÃO. c) NOS CASOS EM QUE AS REGRAS 3 a) e 3 b) NÃO PERMITAM EFETUAR A CLASSIFICAÇÃO, A MERCADORIA CLASSIFICASE NA POSIÇÃO SITUADA EM ÚLTIMO LUGAR NA ORDEM NUMÉRICA, DENTRE AS SUSCETÍVEIS DE VALIDAMENTE SE TOMAREM EM CONSIDERAÇÃO. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000211/200608 Acórdão n.º 3802001.003 S3TE02 Fl. 191 11 Dessa forma, tenho que a classificação fiscal adequada para o produto em estudo correspondia, à época, à adotada pelo recorrente, ou seja, na subposição 8471.60. Nessa mesma linha, como bem apontado pela recorrente, na vigência do referido ADI nº 7, o Governo decidiu baixar o Decreto n° 5.802, de 06 de junho de 2006, criando na TIPI os desdobramentos na descrição dos produtos sob a forma de destaques “Ex” relativos aos seguintes subitens: Código TIPI Descrição Alíquota (%) 8471.60.21 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.22 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.23 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.24 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.25 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.26 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.29 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.30 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 Dessa forma, aplicando estes destaques aos códigos em epígrafe, o Governo acabou por chancelar que as impressoras providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile, deveriam se classificar na posição 8471. Em sentido semelhante assentou o Acórdão nº 310100.253 (3ª Seção, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Relator Luiz Roberto Domingo, julgado em 19 de outubro de 2009): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/09/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifucionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afasta a da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente passificada (sic) no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n° 1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado comercialmente Fl. 236DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000211/200608 Acórdão n.º 3802001.003 S3TE02 Fl. 192 12 de "impressora multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CT N° 1/ ATA N° 08/08) Recurso Voluntário Provido. Atualmente, a título informativo, como bem anotado pelo Acórdão acima citado, as dúvidas sobre a correta classificação fiscal das multifuncionais foram afastadas em decorrência da edição da Resolução n° 07 do Mercosul, de 13/11/2008, que aprovou modificação da Nomenclatura Comum do Mercosul e de sua correspondente Tarifa Externa Comum, agregando, com vigência a partir de 01/01/2009, a subposição 8443.31 – então inexistente para classificação de “Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede.” Nesse sentido, caracterizado o produto como uma impressora multifuncional, a classificação adotada pelo importador pode ser considerada, à época, como adequada para o produto em questão, devendo, pois, ser afastada a presente cobrança relativa à multa por classificação fiscal incorreta. Da conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2012 Regis Xavier Holanda Fl. 237DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 19814.000209/2006-21
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 17/03/2006
PRELIMINAR. ATO NORMATIVO. ELEMENTOS BALIZADORES.
AUSÊNCIA DE JUNTADA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. NULIDADE.
NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Impõe-se à autoridade fiscal a aplicação de ato dotado de normatividade
vinculante no âmbito da Receita Federal, sem que, necessariamente, essa
aplicação esteja condicionada à juntada de elementos balizadores da edição
da norma. A apresentação de fundamentação fática e normativa apta a proporcionar o
pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pela recorrente afasta a
caracterização de nulidade do lançamento.
PRELIMINAR. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO FINAL. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Prescindível a realização de diligência ou perícia diante da existência nos
autos de provas suficientes para o julgamento do processo. A oportunidade reservada para manifestação da recorrente, após a ciência da lavratura do auto de infração – momento em que já encerrada, em regra, a instrução processual é a impugnação que deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar.
PRELIMINAR. REUNIÃO DE PROCESSOS CORRELATOS.
Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os
lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no
caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para
julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro
processo (artigo 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF)
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL.
O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto nº 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3802-001.002
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio
e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 17/03/2006 PRELIMINAR. ATO NORMATIVO. ELEMENTOS BALIZADORES. AUSÊNCIA DE JUNTADA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Impõe-se à autoridade fiscal a aplicação de ato dotado de normatividade vinculante no âmbito da Receita Federal, sem que, necessariamente, essa aplicação esteja condicionada à juntada de elementos balizadores da edição da norma. A apresentação de fundamentação fática e normativa apta a proporcionar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pela recorrente afasta a caracterização de nulidade do lançamento. PRELIMINAR. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO FINAL. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Prescindível a realização de diligência ou perícia diante da existência nos autos de provas suficientes para o julgamento do processo. A oportunidade reservada para manifestação da recorrente, após a ciência da lavratura do auto de infração – momento em que já encerrada, em regra, a instrução processual é a impugnação que deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar. PRELIMINAR. REUNIÃO DE PROCESSOS CORRELATOS. Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo (artigo 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF) CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto nº 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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ATO NORMATIVO. ELEMENTOS BALIZADORES. AUSÊNCIA DE JUNTADA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Impõese à autoridade fiscal a aplicação de ato dotado de normatividade vinculante no âmbito da Receita Federal, sem que, necessariamente, essa aplicação esteja condicionada à juntada de elementos balizadores da edição da norma. A apresentação de fundamentação fática e normativa apta a proporcionar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pela recorrente afasta a caracterização de nulidade do lançamento. PRELIMINAR. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO FINAL. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Prescindível a realização de diligência ou perícia diante da existência nos autos de provas suficientes para o julgamento do processo. A oportunidade reservada para manifestação da recorrente, após a ciência da lavratura do auto de infração – momento em que já encerrada, em regra, a instrução processual é a impugnação que deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar. PRELIMINAR. REUNIÃO DE PROCESSOS CORRELATOS. Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo (artigo 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000209/200621 Acórdão n.º 3802001.002 S3TE02 Fl. 211 2 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto nº 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. Fez sustentação oral o Dr. Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP nº 22.170. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por HewlettPackard Brasil Ltda. contra Acórdão nº 1733.610, de 23 de julho de 2009 (fls. 118 a 125), proferido pela 1ª Turma da DRJ/São Paulo IISP, que manteve o lançamento, no valor de R$ 88.832,33, relativo à exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de multa de oficio. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000209/200621 Acórdão n.º 3802001.002 S3TE02 Fl. 212 3 Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 27/03/2006, em face do contribuinte em epígrafe, referente a exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de multa regulamentar, no valor de R$ 88.832,33, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro as seguintes Declarações de Importação com os produtos recebendo classificação fiscal no código NCM 8471.60.21, com incidência da alíquota de 16% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados: Declaração de Importação No. 06/03095890, de 17/03/2006, na adição 001 – 2.688 aparelhos multifuncionais, produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA HP OFFICEJET 4255. Declaração de Importação No. 06/03106760, de 17/03/2006, adição 002 – 97 unidades produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA ”, modelo HP OFFICEJET 5610. Declaração de Importação No. 06/03112174, de 17/03/2006, na adição 001 – 1.748 aparelhos multifuncionais, produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA HP OFFICEJET 4255. Na Declaração de Importação No. 06/03112174, de 17/03/2006, na adição 002 – 100 aparelhos multifuncionais, produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA LÍQUIDA HP OJ7310, recebendo classificação fiscal no código NCM 8471.60.30, com incidência da alíquota de 0% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Na Declaração de Importação No. 06/03153270, de 20/03/2006, na adição 001 – 100 aparelhos multifuncionais, produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA LÍQUIDA HP OJ7310”, recebendo classificação fiscal no código NCM 8471.60.30, com incidência da alíquota de 0% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Na adição 003 da mesma Declaração de Importação – 1.203 aparelhos multifuncionais, produtos descritos como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA ”, modelo HP OFFICEJET 5610, recebendo classificação fiscal no código NCM 8471.60.21, com incidência da alíquota de 16% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados. Em ato de conferência física, foi apurado que os produtos importados eram equipamentos MULTIFUNCIONAIS. Através do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, constatouse que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 9009.21.00, com incidência da alíquota de 14 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 20% para o Imposto de Produtos Industrializados; A nova classificação fiscal se deveu ao argumento de que máquinas multifuncionais que realizam duas ou mais funções se classificam na posição NCM 9009.21.00; Tipificação Legal: Artigos 2º, 3º, 482 a 485, 489, 491, 504, 602, 604, IV e 684 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/20022 , artigos 1º, 3º I, 4º I, 5º I, 7º I, 8º I, 13 I, 19 e 20 da Lei 10.865/04 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000209/200621 Acórdão n.º 3802001.002 S3TE02 Fl. 213 4 Cientificado do auto de infração, pessoalmente,, em 04/04/2006 (fls. 1frente), contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 12/04/2006, de fls. 89 à 99, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: O auto de infração é nulo, uma vez que não há nos autos qualquer prova indicando que a mercadoria importada se enquadra nos contornos do disposto do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005; A função principal das multifuncionais é atuar como impressora, apresentadas assim individualmente e comercialmente. Apesar de desempenhar outras funções, a função que prevalece é a impressão, devendo ter o equipamento classificação fiscal no código NCM 8471.60.30, conforme a Regra 3 , b) das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; O código NCM 9009.21.00 diz respeito a artefato óptico analógico. que opera sem conexão com qualquer computador; As fotocopiadoras não realizam qualquer das funções das multifuncionais uma vez que a obtenção de cópias ocorre por processos diferentes; Solicita perícia técnica, apresentando quesitos; Pugna a nulidade e, alternativamente, a improcedência do Auto de Infração. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedentes os lançamentos em acórdão com a seguinte ementa: Importação de equipamento multifuncional combinado com outras unidades de entrada e saída e conectividade USB . Através do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 9009.21.00. A nova classificação fiscal se deveu ao argumento de que máquinas multifuncionais que realizam duas ou mais funções se classificam na posição NCM 9009. Cientificado do referido acórdão em 04 de agosto de 2009 (fl. 128), o interessado apresentou recurso voluntário em 01 de setembro de 2009 (fls. 129 a 142) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. Repisa que também insurgiuse contra o fato de não se juntar ao Auto de Infração o processo que gerou o ADI SRF n° 07/05, o que acarretaria sua nulidade. Ainda, se reporta, no que toca à instrução processual, ao pedido de provas requerido na Impugnação para propiciar a correta e adequada identificação das mercadorias. Também nula a decisão recorrida por conta do indeferimento do pedido de perícia técnica que teria ocasionado preterição do direito de defesa. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000209/200621 Acórdão n.º 3802001.002 S3TE02 Fl. 214 5 Anota ainda, como outro ponto de nulidade da decisão recorrida, que a r. decisão deu por encerrada a instrução e passou a decidir, sem dar à recorrente a oportunidade de se manifestar consoante artigo 44 da Lei n° 9.784/99. Registra ainda que, resultado da mesma iniciativa fiscal e com relação as mesmas D.I., foram também lavrados dois Autos de Infração (processos nºs. 19814.000210/200655 e 19814.000211/200608, formalizando a exigência, debaixo da mesma justificativa, de créditos tributários a título de diferenças quanto ao PIS/Importação e COFINS Importação e multas cabíveis, o que, face à evidente conexão existente entre os objetos dos citados processos, para evitar decisões conflitantes, a recorrente, na Impugnação inicial, já havia solicitado a reunião dos três processos providência essa que reitera, implicando na devolução dos processos à DRJ. No mérito, aponta como fato novo que, na vigência do A.D.I., o Governo decidiu baixar o Decreto n° 5.802, de 06 de junho de 2006, criando na TIPI os desdobramentos na descrição dos produtos e acabou reconhecendo que os produtos com mais de uma função, denominados multifuncionais, deveriam classificarse pela posição SH 8471. No concernente à multa do IPI, argúi que incabível a pretendida cobrança uma vez que, quando da lavratura do Auto de Infração, ainda não ocorrera desembaraço da mercadoria, fato esse gerador daquele tributo. Relaciona precedentes do Terceiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator DAS PRELIMINARES Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e estando o crédito tributário lançado dentro do seu limite de alçada, e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Da ausência de nulidade do auto de infração De início, cumpre esclarecer que a ausência da reclamada juntada ao Auto de Infração do processo que gerou o ADI SRF n° 07/05 não tem o condão de eiválo de nulidade. Com efeito, sendo um ato dotado de normatividade vinculante no âmbito da Receita Federal, à autoridade fiscal, no estrito cumprimento de seu dever funcional, impunha se sua aplicação, sem que, necessariamente, essa aplicação esteja condicionada à juntada do processo que serviu de referência à edição da norma. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000209/200621 Acórdão n.º 3802001.002 S3TE02 Fl. 215 6 Cabe à recorrente se insurgir, não contra a ausência de juntada de elementos que serviram de baliza à edição da norma, mas sim quanto à eventual ilegalidade da mesma ou à falta de subsunção do fato à norma. Quanto à ausência de prova de que a mercadoria se enquadraria no ADI em questão – matéria a ser abordada com maior acuidade no exame de mérito também não vislumbro aqui qualquer nulidade uma vez que o auto de infração apresenta fundamentação fática e normativa apta a proporcionar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pela recorrente o que foi feito. Da ausência de nulidade da decisão recorrida. Do pedido de perícia. Da manifestação da recorrente após o encerramento da instrução processual. Ainda, no que toca à instrução processual, o pedido de provas requerido na impugnação para propiciar a correta e adequada identificação das mercadorias, notadamente o pedido de perícia técnica, foi corretamente indeferido pela decisão recorrida. Com efeito, o Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, em seção dedicada ao respectivo procedimento fiscal, assim dispôs sobre o pedido e processamento de diligências ou perícias: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93) Negrito aposto. Inicialmente, temos que o colegiado a quo, a par de destacar que não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia e que os quesitos formulados apontam dúvidas já respondidas pela literatura técnica juntada, bem decidiu que a perícia se revela desnecessária dada sua assimetria com a linha probatória até aqui empreendida. A par destas considerações, tenho ainda que a controvérsia estabelecida não tem seu ponto central na descrição e características da mercadoria – máquinas multifuncionais Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000209/200621 Acórdão n.º 3802001.002 S3TE02 Fl. 216 7 –, sendo realmente prescindível a perícia solicitada; e sim na adequada classificação fiscal a ser adotada para tais equipamentos – matéria de direito – a ser definida, no mérito, pela correta adoção das Regras para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Decreto nº 97.409/88). Dessa forma, a par de referendar a decisão recorrida nesse ponto, também indefiro a presente renovação do pedido de perícia. Por fim, o outro ponto de nulidade da decisão recorrida levantado que a r. decisão deu por encerrada a instrução e passou a decidir, sem dar à recorrente a oportunidade de se manifestar consoante artigo 44 da Lei n° 9.784/99 – também não merece prosperar. Anotese que o processo administrativo fiscal regese pelo Decreto nº 70.235/72 que traz procedimento próprio fielmente observado pela autoridade julgadora recorrida. Assim, nos termos do artigo 15 desse diploma legal, a oportunidade reservada para manifestação da recorrente, após a ciência da lavratura do auto de infração – momento em que já encerrada, em regra, a instrução processual é por ocasião da impugnação que deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Assim, em que pese a Lei 9.784/99 possuir aplicação apenas subsidiária na litigiosidade fiscal, a recorrente teve sim, por ocasião da impugnação, oportunidade de se manifestar após o encerramento da instrução processual que se deu com a feitura do lançamento tributário. Da reunião de processos correlatos No tocante ao pedido de reunião dos processos objeto da mesma iniciativa fiscal, cabe o registro que, no âmbito do julgamento desses processos na instância a quo, em consulta aos respectivos acórdãos, constatase que os mesmos foram distribuídos ao mesmo relator, julgados pela mesma Turma em uma mesma data e com julgamentos convergentes. Da mesma forma, no âmbito deste Conselho Recursal, registro que o processo de nº 19814.000211/200608 encontrase distribuído a este mesmo Relator, devendo ser objeto de julgamento, portanto, pela mesma Turma – fato já ocorrido no 1º grau de julgamento, evitandose assim, decisões conflitantes. Já em relação ao processo nº 19814.000210/200655, também não há qualquer óbice em que sua distribuição venha a observar o disposto no artigo 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. Assim, apesar de não reunidos formalmente, não há que se falar em qualquer prejuízo à recorrente daí derivado¸ sendo descabida, portanto, a providência solicitada de devolução dos processos à DRJ de origem. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000209/200621 Acórdão n.º 3802001.002 S3TE02 Fl. 217 8 DO MÉRITO Da classificação fiscal No presente caso, o impugnante pleiteia a classificação dos seguintes produtos importados: a) descrito nas DI´s nºs 06/03095890, 06/03106760, 06/03112174 (adição 01) e 06/03153270 (adição 03) como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA HP OFFICEJET 4255”, “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA, modelo HP OFFICEJET 5610”, “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA HP OFFICEJET 4255” e “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA COMBINADA COM OUTRAS UNIDADES DE ENTRADA E SAÍDA, modelo HP OFFICEJET 5610” respectivamente no código NCM 8471.60.21 (II: 16% e IPI: 15%); b) descrito nas DI´s nºs 06/03112174 (adição 02) e 06/03153270 (adição 01) como “IMPRESSORAS A JATO DE TINTA LÍQUIDA HP OJ7310” no código NCM 8471.60.30 (II: 0% e IPI: 15%); Já a fiscalização, após apurar que os produtos importados eram equipamentos MULTIFUNCIONAIS, pretende, com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, o código NCM 9009.21.00 (II: 14% e IPI: 20%). De acordo com a Regra Geral nº 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Decreto nº 97.409/88), “para os efeitos legais a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas regras seguintes”. Semelhante regramento, agora cuidando da classificação em subposições e em itens e subitens, encontramos na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 6 e na Regra Geral Complementar (RGC) nº 1. A Nomenclatura Comum do Mercosul, baseada no Sistema Harmonizado, traz os seguintes textos relacionados aos códigos desejados: NCM 8471.60.21 8471 MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E SUAS UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MÁQUINAS PARA REGISTRAR DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES 8471.60 Unidades de entrada ou de saída, podendo conter, no mesmo corpo, unidades de memória 8471.60.2 Outras impressoras, com velocidade de impressão inferior a 30 páginas por minuto Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000209/200621 Acórdão n.º 3802001.002 S3TE02 Fl. 218 9 8471.60.21 A jato de tinta líquida, com largura de impressão inferior ou igual a 420mm NCM 8471.60.30 8471.60.30 Outras impressoras, com velocidade de impressão superior ou igual a 30 páginas por minuto NCM 9009.21.00 9009 APARELHOS DE FOTOCÓPIA, POR SISTEMA ÓPTICO OU POR CONTATO, E APARELHOS DE TERMOCÓPIA 9009.2 Outros aparelhos de fotocópia 9009.21.00 Por sistema óptico Entretanto, caso pareça que a mercadoria possa classificarse em duas ou mais posições (superadas as Regras Gerais nºs 1 e 21), a classificação deverá efetuarse na forma da Regra Geral nº 32: pela posição mais específica; pela característica essencial; ou pela 1 Regra Geral nº 2. a) QUALQUER REFERÊNCIA A UM ARTIGO EM DETERMINADA POSIÇÃO ABRANGE ESSE ARTIGO MESMO INCOMPLETO OU INACABADO, DESDE QUE APRESENTE, NO ESTADO EM QUE SE ENCONTRA, AS CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DO ARTIGO COMPLETO OU ACABADO. ABRANGE IGUALMENTE O ARTIGO COMPLETO OU ACABADO, OU COMO TAL CONSIDERADO NOS TERMOS DAS DISPOSIÇÕES PRECEDENTES, MESMO QUE SE APRESENTE DESMONTADO OU POR MONTAR. b) QUALQUER REFERÊNCIA A UMA MATÉRIA EM DETERMINADA POSIÇÃO DIZ RESPEITO A ESSA MATÉRIA, QUER EM ESTADO PURO, QUER MISTURADA OU ASSOCIADA A OUTRAS MATÉRIAS. DA MESMO FORMA, QUALQUER REFERÊNCIA A OBRAS DE UMA MATÉRIA DETERMINADA ABRANGE AS OBRAS CONSTITUÍDAS INTEIRA OU PARCIALMENTE DESSA MATÉRIA. A CLASSIFICAÇÃO DESTES PRODUTOS MISTURADOS OU ARTIGOS COMPOSTOS EFETUASE CONFORME OS PRINCÍPIOS ENUNCIADOS NA REGRA 3. 2 Regra Geral nº 3. QUANDO PAREÇA QUE A MERCADORIA PODE CLASSIFICARSE EM DUAS OU MAIS POSIÇÕES POR APLICAÇÃO DA REGRA 2 b) OU POR QUALQUER OUTRA RAZÃO, A CLASSIFICAÇÃO DEVE EFETUARSE DA FORMA SEGUINTE: a) A POSIÇÃO MAIS ESPECÍFICA PREVALECE SOBRE AS MAIS GENÉRICAS. TODAVIA, QUANDO DUAS OU MAIS POSIÇÕES SE REFIRAM, CADA UMA DELAS, A APENAS UMA PARTE DAS MATÉRIAS CONSTITUTIVAS DE UM PRODUTO MISTURADO OU DE UM ARTIGO COMPOSTO, OU A APENAS UM DOS COMPONENTES DE SORTIDOS ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO, TAIS POSIÇÕES DEVEM CONSIDERARSE, EM RELAÇÃO A ESSES PRODUTOS OU ARTIGOS, COMO IGUALMENTE ESPECÍFICAS, AINDA QUE UMA DELAS APRESENTE UMA DESCRIÇÃO MAIS PRECISA OU COMPLETA DA MERCADORIA. b) OS PRODUTOS MISTURADOS, AS OBRAS COMPOSTAS DE MATÉRIAS DIFERENTES OU CONSTITUÍDAS PELA REUNIÃO DE ARTIGOS DIFERENTES E AS MERCADORIAS APRESENTADAS EM SORTIDOS ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO, CUJA CLASSIFICAÇÃO NÃO SE POSSA EFETUAR PELA APLICAÇÃO DA REGRA 3 a), CLASSIFICAMSE PELA MATÉRIA OU ARTIGO Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000209/200621 Acórdão n.º 3802001.002 S3TE02 Fl. 219 10 posição situada em último lugar na ordem numérica dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A discussão, portanto, acerca da correta classificação fiscal das multifuncionais perpassaria a possibilidade de se definir, acaso insuficientes as Regras Gerais nºs 1 e 2, a sua posição mais específica ou a que acolha a característica essencial – se a posição relacionada à função de impressão, ou a relacionada à função de cópia ou ainda a de transmissão de telecópia (fax). Nesse contexto, a Receita Federal editou o Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7, de 26/07/2005, onde expressou seu entendimento de que as máquinas multifuncionais classificariamse no código NCM 9009.21.00. Vejamos: Artigo único. As máquinas multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, classificamse na posição 90.09 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Entretanto, a meu ver, em que pese a possibilidade de utilização principal do produto em qualquer de sua funções – a depender das necessidades e desejos do usuário, é relevante para a adequada classificação fiscal o fato dessas máquinas terem como característica essencial a sua conectividade a uma máquina automática para processamento de dados, funcionando como unidades de entrada e/ou saída, o que atrai, de forma mais adequada, a subposição 8471.60 adotada pelo recorrente. Ademais, tenho que, a princípio, em termos objetivos, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária – não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. Dessa forma, tenho que a classificação fiscal adequada para o produto em estudo correspondia, à época, à adotada pelo recorrente, ou seja, na subposição 8471.60. Nessa mesma linha, como bem apontado pela recorrente, na vigência do referido ADI nº 7, o Governo decidiu baixar o Decreto n° 5.802, de 06 de junho de 2006, criando na TIPI os desdobramentos na descrição dos produtos sob a forma de destaques “Ex” relativos aos seguintes subitens: Código TIPI Descrição Alíquota (%) 8471.60.21 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.22 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 QUE LHES CONFIRA A CARACTERÍSTICA ESSENCIAL, QUANDO FOR POSSÍVEL REALIZAR ESTA DETERMINAÇÃO. c) NOS CASOS EM QUE AS REGRAS 3 a) e 3 b) NÃO PERMITAM EFETUAR A CLASSIFICAÇÃO, A MERCADORIA CLASSIFICASE NA POSIÇÃO SITUADA EM ÚLTIMO LUGAR NA ORDEM NUMÉRICA, DENTRE AS SUSCETÍVEIS DE VALIDAMENTE SE TOMAREM EM CONSIDERAÇÃO. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000209/200621 Acórdão n.º 3802001.002 S3TE02 Fl. 220 11 8471.60.23 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.24 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.25 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.26 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.29 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 8471.60.30 Ex 01 providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile 20 Dessa forma, aplicando estes destaques aos códigos em epígrafe, o Governo acabou por chancelar que as impressoras providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile, deveriam se classificar na posição 8471. Em sentido semelhante assentou o Acórdão nº 310100.253 (3ª Seção, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Relator Luiz Roberto Domingo, julgado em 19 de outubro de 2009): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/09/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifucionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afasta a da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente passificada (sic) no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n° 1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado comercialmente de "impressora multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CT N° 1/ ATA N° 08/08) Recurso Voluntário Provido. Atualmente, a título informativo, como bem anotado pelo Acórdão acima citado, as dúvidas sobre a correta classificação fiscal das multifuncionais foram afastadas em Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19814.000209/200621 Acórdão n.º 3802001.002 S3TE02 Fl. 221 12 decorrência da edição da Resolução n° 07 do Mercosul, de 13/11/2008, que aprovou modificação da Nomenclatura Comum do Mercosul e de sua correspondente Tarifa Externa Comum, agregando, com vigência a partir de 01/01/2009, a subposição 8443.31 – então inexistente para classificação de “Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede.” Nesse sentido, caracterizado o produto como uma impressora multifuncional, a classificação adotada pelo importador pode ser considerada, à época, como adequada para o produto em questão, devendo, pois, ser afastada a presente cobrança relativa à exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de multa de oficio. Da conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2012 Regis Xavier Holanda Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11128.000828/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/06/2003
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E CONSECTÁRIOS LEGAIS. DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
O erro na classificação fiscal de mercadoria importada, a acarretar falta de recolhimento dos tributos devidos, autoriza o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI).
Para a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que produto esteja sujeito a licenciamento e que o produto esteja incorretamente descrito. No presente caso, o produto importado estava sujeito a licenciamento não automático, que foi providenciado, não restando configurada, por conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI.
MULTA EQUIVALENTE A UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ.
Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou má-fé do importador.
Numero da decisão: 3401-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa do controle administrativo aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Marques Cleto, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Daniel Santiago da Silva OAB/BA 16759.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Relator Angela Sartori Relator
Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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PRODUTO DIQUAT TÉCNICO. PREPARAÇÃO HERBICIDA. CÓDIGO NCM 3808.30.29. Por ser uma preparação herbicida, o produto de nome comercial Diquat Técnico é classificado no código NCM 3824.90.89. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/06/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E CONSECTÁRIOS LEGAIS. DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada, a acarretar falta de recolhimento dos tributos devidos, autoriza o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). Para a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que produto esteja sujeito a licenciamento e que o produto esteja incorretamente descrito. No presente caso, o produto importado estava sujeito a licenciamento não automático, que foi providenciado, não restando configurada, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 08 28 /2 00 8- 11 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI. MULTA EQUIVALENTE A UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou máfé do importador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa do controle administrativo aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Marques Cleto, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Daniel Santiago da Silva OAB/BA 16759. Júlio César Alves Ramos – Presidente Relator Angela Sartori – Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis – Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Trata o presente processo de Auto de infração lavrado em 28/01/2008 para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 367.634,87 (trezentos e sessenta e sete mil seiscentos e trinta e quatro reais e oitenta e sete centavos) sendo o Imposto de Importação no valor de R$ 36.114,86 (trinta e seis mil cento e quatorze reais e oitenta e seis centavos), juros de mora calculados até 28/12/2007 no valor de R$ 24.543,65 (vinte e quatro mil quinhentos e quarenta e três reais e sessenta e cinco centavos), multa proporcional (75%) no valor de R$ 27.086,15 (vinte e sete mil e oitenta e seis reais e quinze centavos), multa do controle administrativo (importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente) no valor de R$ 270.861,50 (duzentos e setenta mil oito centos e sessenta e um reais e cinqüenta centavos) e a multa proporcional ao valor aduaneiro (1%), tendo em vista a incorreta classificação fiscal, no valor de R$ 9.028,71 (nove mil e vinte e oito reais e setenta e um centavos). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 265 3 Isso porque, o importador solicitou retificação da Declaração de Importação nº 03/05196248, registrada em 20/06/2003, para alteração da modalidade de pagamento na ficha dados cambiais da referida DI. A mercadoria submetida a despacho, ou seja, "Diquat Técnico" foi informada na descrição detalhada da mercadoria da referida Dl como sendo: "DIQUAT TÉCNICO, 511.5 G/L, ESTADO FÍSICO: LIQUIDO, PRODUTO REGISTRADO NO MAPA SOB N° 034283 3"; classificada na Tarifa Externa Comum – TEC no código NCM 2933.99.99 OUTS. COMPOSTOS HETEROCICLICO DE HETEROATOMO DE NITROGENIO. Destacou a fiscalização que a mercadoria importada é efetivamente considerada uma preparação intermediária com propriedades Herbicidas, e, por conseguinte, classifica se, à época do registro da DI, na Tarifa Externa Comum no código NCM 3808.30.29. Para desclassificar referido produto a fiscalização utilizou 3 Acórdãos. Neste sentido dispõe o referido Auto de Infração: “DA DESCLASSIFICAÇÃO DO CÓDIGO NCM/TEC REGISTRADO NA Dl Dada a especificidade do produto em questão, a fiscalização realizou pesquisas quanto à classificação fiscal do produto importado na referida Dl, tendo encontrado entendimento pacificado quanto a sua classificação fiscal, senão vejamos: a) Acórdão DRJ/SPOII N° 1993, de 16 de janeiro de 2003. Ementa: Classificação fiscal. Penalidade tributaria (fls. 51 a 58). "0 produto de nome comercial DIQUAT TÉCNICO se classifica corretamente no código 3808.30.29, por se tratar de uma Preparação Intermediária com propriedades herbicidas.. . " (fls. 51). b) Decisão DRJ/SP N° 1242, de 30 abril de 1999. Ementa. Classificação Fiscal. Produto descrito como Diquat Técnico classificase no código NBM 3808 . 30 . 0199 por ser considerado como uma preparação nos termos da nota 1 a 2. Aplicase a regra 1 das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, (fls.59). c) Conselho de Contribuintes: Recurso Voluntário N° 120067, de 22/02/2000 (2ª Câmara): Ementa: Classificação Fiscal de mercadoria. Solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 BIPIRIDILIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio é uma PREPARAÇÃO HERBICIDA e como tal, classificavase no código NBM 3808.30.0199 (NCM 3 8 0 8 . 30 . 29 ) . . . " (fls.60).” Ciente do auto de Infração em 26/02/2008, fls. 72, em 20/03/2008, a autuada apresentou a impugnação de fls. 73/91, onde alegou: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 “ Com o intuito de confirmar a legitimidade da classificação fiscal adotada na importação dos produtos necessários ao andamento de sua atividade, encomendou em meados de 2006, a Análise e Parecer Técnico sobre o produto DIQUAT TÉCNICO ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT); O INT através do Relatório Técnico nº 673, Processo INT nº 01240.000298/06, recomenda a inclusão do produto DIQUAT TÉCNICO na posição 2933.99.99, exatamente a classificação adotada pela Impugnante na Dl nº 03/05196248, Objeto da autuação em tela (Doc. 04); (onde se a Recorrente alegou INT se le Luiz Aurélio Alonso, conforme laudo anexo aos autos) Neste ponto, já se verifica a primeira fragilidade da referida autuação, uma vez que a mesma funda – se tão somente no apontamento de 03 (três) julgados administrativos antigos. Em momento algum a Autoridade Administrativa requisitou a elaboração de um Laudo Técnico ou qualquer outra análise técnica competente, sobre o produto DIQUAT TÉCNICO, que lhe desse amparo a desclassificação fiscal efetuada; Se assim tivesse procedido, verificaria que a classificação fiscal na Tarifa Externa Comum (TEC) no código NCM 2933.99.99, adotada pela Impugnante está correta e, que, portanto, a alíquota de Imposto de Importação (II) devida à época dos fatos era, realmente, de 0% (zero por cento). A composição química do DIQUAT TÉCNICO pode ser definida através da seguinte descrição: "Solução Aquosa de Dibrometo de l,l'Etileno2,2' Dipiridilio, Outro Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio", conforme explicita o laudo de Análise n º 3115/20061", emitido pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer (Doc. 05); O produto DIQUAT TÉCNICO é uma solução concentrada utilizada como princípio ativo na formulação de preparações dos produtos finais (herbicidas) industrializados e comercializados pela Impugnante, tais como o "Reglone" (nº registro MAPA 1768502) e "Smash" (nº registro MAPA 00190), estes sim, herbicidas de uso direto pelos consumidores, na chamada venda a retalho; Consoante atesta a análise técnica do INT, através do Relatório Técnico nº 673, por tratarse de solução aquosa de um composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomos de nitrogênio, cuja estrutura contém um ciclo pirazina hidrogenado condensado, a mesma encontra amparo e especificação no Capítulo 29 da NESH, mais especificamente na posição 2933.99.99; A classificação tarifária deve ser feita de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e, uma vez definida, cabe ao Sr. AFRFB tão somente acatála; não pode deixar de impugnar, nesta oportunidade, a pretensão do Sr. AFRFB em alterar, indevidamente, o critério jurídico dessa operação; A Impugnante não pode concordar com a revisão do critério jurídico adotado para classificação fiscal dos produtos por ela importados, seja pela própria natureza do produto (qual seja, composto heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio), seja vedação contida no CTN; inadmissível que aproximadamente 05 anos após o desembaraço do aludido produto através da Dl n 9 03/05196248, a pretexto de desclassificar operações pretéritas, que a Impugnante seja arbitrariamente autuada; o lançamento, como ato vinculado Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 266 5 da autoridade administrativa, possui caráter definitivo, não podendo ser alterado de ofício, salvo nas hipóteses expressamente previstas no art. 149, do CTN; A Impugnante apresentou na LI características do produto importado: Nomenclatura Comum do MERCOSUL e sua descrição, nome comercial, estado físico, quantidade e o número de registro no Ministério da Agricultura; tais características, ao contrário do alegado pelo Sr. AFRFB, são, sim, elementos suficientes para constar na Licença de Importação, pois demonstram com exatidão qual o produto importado, qual seja, DIQUAT TÉCNICO; a própria Fiscalização, não teve dificuldade alguma para identificar o produto importado pela Impugnante quando da "suposta" pesquisa realizada sobre a classificação tarifaria do mesmo; a Impugnante importou o produto DIQUAT TÉCNICO, o qual foi corretamente descrito na Licença de Importação conforme demonstrado; o fato do Sr. AFRFB discordar, equivocadamente, da classificação fiscal do produto não justifica a desconsideração da descrição (correta) do mesmo na LI, pois, caso contrário, seria um absurdo! Notase, inclusive, que a Fiscalização, em momento algum, ficou com dúvidas a respeito da identificação da mercadoria; Alegou ainda que é o entendimento consolidado do E. 2º Conselho de Contribuintes no sentido de que é incabível a multa ao controle administrativo das importações quando a mercadoria é corretamente descrita na declaração de importação, conforme determinado pelo Ato Declaratório Normativo COSIT n º 12/97; mesmo que se considere válida a exigência da Multa do Controle Administrativo, a mesma não poderia ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, haja vista que tal exigência implica dupla imposição de pena ao mesmo fato, o que não se admite. Juntou a jurisprudência do E. 1º CC e da C. CSRF, em casos análogos, (transcreve); considerando que a exigência de Multa do Controle Administrativo representa 30% sobre a mercadoria, ou seja, R$ 270.861,50 e o valor exigido a t í t u lo de II (principal) é de R$ 36.114,86, resta patente a ofensa ao princípio da vedação ao confisco (art 150, IV) e da garantia à propriedade privada (art. 59, XXII), ambos expressamente consagrados na Constituição Federal; a exigência da multa de ofício também não deve prevalecer; a C. CSRF também já decidiu que, mesmo em caso de erro na classificação tarifária, o que não ocorre no presente caso, posto que a Impugnante classificou corretamente a mercadoria importada, não constitui infração punível com a Multa de Ofício (transcreve); O E. 1º Conselho de Contribuintes, diante desses argumentos, em recente julgamento afastou a incidência dos juros de mora sobre o valor da multa aplicada (transcreve); pede e espera a ora Impugnante seja recebida e acolhida in totum a Impugnação.” A DRJ proferiu a seguinte decisão; ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/06/2003 Classificação fiscal. Penalidade Tributária. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 O produto de nome comercial DIQUAT TÉCNICO não se classifica no código NCM 2933.99.99, por se tratar de uma Preparação Intermediária com propriedades herbicidas, sendo cabíveis as multas em virtude da não descrição da mercadoria com todos os elementos necessários ao correto enquadramento tarifário. Revisão Aduaneira. Inexistência de Mudança de Critério Jurídico. Não caracteriza mudança de critério jurídico o procedimento fiscal decorrente de revisão aduaneira que apure a classificação fiscal incorreta de mercadorias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade acima transcritos, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Angela Sartori O presente Recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de análise de classificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, denominada "Diquat Técnico" cuja descrição detalhada na referida DI foi: "DIQUAT TÉCNICO, 511.5 G/L, ESTADO FÍSICO: LIQUIDO, PRODUTO REGISTRADO NO MAPA SOB N° 034283 3"; classificada na Tarifa Externa Comum – TEC no código NCM 2933.99.99 OUTS. COMPOSTOS HETEROCICLICO DE HETEROATOMO DE NITROGENIO. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 267 7 Entendeu a fiscalização que a mercadoria importada é considerada uma preparação intermediária com propriedades Herbicidas, e, por conseguinte, classifica se, à época do registro da DI, na Tarifa Externa Comum no código NCM 3808.30.29. Ocorre que a Recorrente submeteu referida mercadoria a análise que foi objeto de Parecer Técnico 153 sobre o produto DIQUAT TÉCNICO (paginas 41 e seguintes do processo) do Laboratório de Análises Químicas Luiz Aurélio Alonso, que através do Relatório Técnico recomenda a inclusão do produto DIQUAT TÉCNICO na posição 2933.99.99, exatamente a classificação adotada pela Recorrente na DI 03/05196248 Dispõe o referido laudo: “A partir dos estudos realizados tanto na documentação apresentada (catálogos, etc.) como em obras de caráter científico de consenso universal, podemos informar o seguinte: a) o produto em questão, "Diquat", tratase de um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterocíclico contendo exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto cuja estrutura contém 2 ciclos piridilos (bipiridilo) este produto apresentase em solução aquosa; b) o composto estudado é conhecido cientificamente como Dibrometo de 1,1' etileno2,2'bipiridilo apresentando a fórmula química bruta C12H12Br2N2.” e) a síntese desse composto ocorre em meio aquoso, sendo utilizado na manutenção/equilíbrio do pH (concentração hidrogeniônica) dessa reação um "buffer", ou seja, um composto químico tampão denominado fosfato de potássio; Obs.: 1) a presença das impurezas contidas nesse produto decorrem da existência de matérias iniciais (reagentes) não convertidas (dibrometo de etileno e 2,2 bipiridilo) e de uma substância utilizada durante a síntese desse composto orgânico | (fosfato de potássio, um "buffer": agente de controle de pH) a qual não reage durante a conversão química do Diquat; 2) a presença dessas impurezas (dibrometo de etileno, 2,2bipiridilo e fosfato de potássio) não tornam o produto apto para uma utilização específica.” A teor do Parecer Técnico P.P 153/98 descrito acima, define o produto em questão, Diquat, como um composto orgânico de constituição química definida, apresentado em solução aquosa, contendo impurezas decorrentes de seu processo de fabricação (síntese orgânica), caracterizandose tecnicamente como um composto heterocíclico contendo exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto cuja estrutura contém 2 ciclos piridilos, denominado cientificamente como: dibrometo de 1,1' etileno2,2'bipiridilo. Nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), o teor do Capítulo 29 Produtos Químicos Orgânicos apresenta a Nota 1 a que estabelece, ressalvadas disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: "os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas" Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Essa mesma obra elucida de forma clara que o termo impureza deve ser aplicado exclusivamente às substâncias cuja associação com o composto químico distinto (neste caso, o dibrometo de 1,1'etileno2,2'bipiridilo resulta, exclusivamente e diretamente do processo de fabricação, sendo essencialmente as seguintes: . matérias iniciais não convertidas; . impurezas contidas nas matérias iniciais; . reagentes utilizados no processo de purificação; . subprodutos. Os compostos químicos dibrometo de etileno e 2,2 bipiridilo tratamse de reagentes para a obtenção do composto final "Diquat", que, entretanto, não se convertem integralmente. E o fosfato de potássio tratase de um "buffer" (composto tampão), ou seja, caracterizase como um agente controlador de pH: uma matéria adicionada não reagida/não convertida. AS NESH estabelecem que os compostos orgânicos de constituição química definidas em soluções aquosas, mesmo contendo impurezas, estão incluídos no Capítulo 29 (ver teor na Nota "1d" deste Capítulo) e por tratarse de um composto heterocíclico contendo exclusivamente heteroátomos de Nitrogênio, este composto (dibrometo de 1,1'etileno2,2' bipiridilo) é classificado na Posição 29. Em contraposição, temos que no Capítulo 38, a Nota 1, ‘a’ 2, estabelece que são excepcionados de sua abrangência os produtos químicos de constituição química definida, incluídas no capítulo 29. Neste sentido dispõe a NESH no Capítulo 3808: “ Esta posição não compreende: a) Os produtos usados como inseticidas, desinfetantes, etc., que não preencham as condições atrás referidas. Estes produtos classificamse, segundo a sua natureza, nas suas posições respectivas: 1º) As flores de piretro trituradas (posição 12.11). 2º) O extrato de piretro (mesmo em concentraçãotipo por adição de óleo mineral) (posição 13.02). 3º) O óleo de creosoto mineral (posição 27.07). 4º) O naftaleno, o DDT (ISO) (clofenotano (DCI), 1,1,1tricloro2,2bis (pclorofenil)etano) e outros produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente (ou em soluções aquosas) (Capítulos 28 ou 29).” Passamos então a investigar o texto da posição 38 para verificarmos quais são os critérios que estabelece para sua incidência, vejamos: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 268 9 ‘Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes, e produtos semelhantes, apresentados em quaisquer formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel matamoscas.’ Finalmente, dispomos das NESH da posição 3808, apta a trazer preciosos subsídios para nossa interpretação, que dispõem da seguinte forma: ‘3808Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas.... Os referidos produtos só se incluem nesta posição nos seguintes casos: 1. Quando são apresentados em embalagens para venda a retalho, como desinfetantes, inseticidas etc... 2. Quando tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentam ( os líquidos, as soluções e o pó a granel). Estas preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro líquido... ou em misturas de outras espécies. As soluções do produto ativo em solvente que não seja a água também se consideram preparações...Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam ser misturadas para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso.’ Portanto, da leitura atenta das normas selecionadas do Sistema Harmonizado, vemos que o vetor que leva um produto químico com propriedades herbicidas ser enquadrado no Capítulo 38, é a forma de sua apresentação, que já estaria apta a ser utilizada pelo consumidor final, ou ‘pronta para uso’, como mencionado nas NESH, ainda que houvesse a necessidade de dissolver o produto em solução aquosa ou de outra natureza. Com efeito, da análise das normas referentes ao Capítulo 38, das mais genéricas, até, finalmente o texto da posição propriamente dito, até os subsídios da NESH, vemos que a ênfase da norma é sempre quanto à apresentação do produto, própria para uso do consumidor final, sendo este o alcance do termo ‘preparação’ no texto de subposição, isto é, a preparação do produto com as características necessárias para que ele possa ser empregado pelo consumidor, ou, que passe por um procedimento simples de formulação, como mistura em água do produto. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Portanto, a interpretação a ser dada à Nota 1, ‘a’, 2 do Capítulo 38 é justamente neste contexto, ou seja, caso o produto químico com propriedades herbicidas não puder ainda ser utilizado diretamente pelo usuário, de constituição química definida deverá ser incluído no Capítulo 29. Diante dos argumentos acima, baseados na NESH bem como em laudo técnico juntado aos autos pela Recorrente e verificando a fragilidade da autuação baseada apenas no apontamento de 03 (três) julgados administrativos antigos, sem ter retirado amostra para elaboração de laudo técnico; me levam a certeza da classificação fiscal adotada pela recorrente, qual seja, a NCM 2933.99.99. Do exposto dou provimento ao Recurso Voluntário interposto. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO ÀS IMPORTAÇÕES POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO No auto de infração foram aplicadas as multa de ofício do Imposto de Importação e do IPI, além da multa relativa ao controle administrativo das importações por falta de LI. Entretanto, ainda que se entendesse pelo cabimento da diferença do crédito tributário decorrente da desclassificação fiscal, não poderiam ser aplicada a multa ao controle administrativo das importações, prescrita no art. 633, inciso II do Regulamento Aduaneiro. De acordo com Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 12, de 21 de janeiro de 1997, que estabeleceu os contornos desta penalidade, não é possível sua aplicação, nas situações em que houve a correta descrição da mercadoria, de forma que o próprio Fisco poderia buscar o enquadramento tarifário que reputasse correto e que, ademais, não fosse detectado intuito doloso do importador, como é o presente caso. Dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/1997: "...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado do Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex"exija licenciamento, automático ou não, desde que o produto seja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante." No caso concreto, a documentação que instruiu os despachos de importação, trouxe as informações necessárias para a correta classificação fiscal da mercadoria “ Diquat Técnico”. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 269 11 Verificase que a Recorrente mencionou o nome correto do produto, o que de acordo com normas da própria administração, é elemento que afasta a aplicação da multa administrativa. De acordo com a Coordenação do Sistema de Tributação, através do Ato Declaratório (Normativo) CST nº 08, de 07/07/82 (DOU 09/07/82), temos definido que: “Nome científico do produto é qualquer denominação de caráter técnicocientífico, pela qual o produto pode ser encontrado na literatura especializada; nome comercial é a denominação de uso exclusivo de determinado fabricante (marca registrada).” Neste sentido é elucidativo os Acórdãos abaixo onde esclarecem que não cabe a multa ao controle administrativo das importações, mesmo que a classificação fiscal esteja incorreta: ACÓRDÃO 30335.624 em 10.09.2008 MULTA DIVERSA Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/10/2002 Infração administrativa ao controle de importações. Guia de importação . Licenciamento de importação . Guia e licenciamento de importação , documentos nãocontemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, "b", do Decretolei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978. Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória. Exclusão da Responsabilidade Objetiva. Limites. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12 de 1997 tem sua aplicabilidade restrita à infração nele contemplada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Decisao: Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, quanto à multa por falta de Licença de importação, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, que negaram provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Tarásio Campelo Borges. Por unanimidade de votos, negouse provimento quanto à multa por classificação de mercadoria inexata. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente da Câmara. Publicado no DOU em: 17.12.2008 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Recorrente: TUBOZAN INDÚSTRIA PLÁSTICA LTDA. Recorrida: DRJFLORIANOPOLIS/SC Acórdão 3º CC nº 30127247 (DOU de 27/10/93), CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. 1. Na hipótese de serem fornecidas com exatidão informações de fato sobre a mercadoria, inclusive nome comercial registrado e houver indicação incorreta do código tarifário na Guia de Importação, não se aplica a multa do artigo 526, II do RA. 2. Recurso provido. Relator designado: Itamar Vieira da Costa. Acórdão 30232351, DOU 03/11/93: “INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. A imprecisa mas correta descrição da mercadoria na GI não tipifica a infração prevista no art. 526,IX, do Regulamento Aduaneiro. Para a perfeita identificação da mercadoria pode a fiscalização aduaneira recorrer a assistência técnica. Acórdão 30325.697, DOU de 31/07/90: “IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – DECLARAÇÃO INDEVIDA Constitui declaração indevida a omissão de característica de qualidade do produto, que uma vez conhecidos, daria uma nova classificação ao produto.” Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é remansosa em relação à inaplicabilidade da multa por falta de LI quando o erro cometido pelo contribuinte, não implica em violação ou qualquer ameaça ao controle administrativo das importações. Vejamos: TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – GUIA DE IMPORTAÇÃO – ERRO DE PREENCHIMENTO E POSTERIOR CORREÇÃO – MULTA INDEVIDA. 1. A legislação tributária é rigorosa quanto à observância das obrigações acessórias, impondo multa quando o importador classifica erroneamente a mercadoria na guia própria. 2. A par da legislação sancionadora (art. 44, I, da Lei 9.430/96 e art. 526, II, do Decreto 91.030/85), a própria receita preconiza a dispensa da multa, quando não tenha havido intenção de lesar o Fisco, estando a mercadoria corretamente descrita, com o só equívoco de sua classificação (Atos Declaratórios Normativos Cosit nºs 10 e 12 de 1997). 3. Recurso especial improvido.”(g.n.) (REsp 660682 / PE, Ministra ELIANA CALMONDJ 10/05/2006 p. 174)(g.n.) Portanto, ainda que existisse descrição errônea do produto importado, não há como se falar em dolo ou máfé da Recorrente, posto que a própria Administração chegou a encampar a descrição, o que demonstra realmente que houve o respaldo do Fisco para a descrição utilizada e que efetivamente há dúvidas quanto à classificação fiscal, situação Fl. 275DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 270 13 que por si, já descaracteriza a multa ao controle administrativo das importações por falta de tipicidade. Destarte, de acordo com os Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/1997, para que seja cabível a aplicação desta penalidade no caso de desclassificação fiscal, deve haver incorreta descrição da mercadoria com intuito doloso. Por estes motivos, dou provimento ao recurso voluntário. DA MULTA DE OFÍCIO Quanto às multas de ofício do imposto de importação e IPI, prescritas no art.44 da Lei n. 9430/1996, por “declaração inexata” da mercadoria, da mesma forma são inaplicáveis, pelo mesmo raciocínio expendido anteriormente. a) Ademais, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10 de 16.01.1997, D.O.U.: 20.01.1997, assim prescreve (com grifos nossos): “Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do Imposto de Importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. 2Nos casos acima, os tributos devidos em razão de falta ou insuficiência de pagamento, exigidos no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da Declaração de Importação, relativamente ao Imposto de Importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação.” Conforme já discorremos anteriormente, não há declaração inexata da mercadoria, descaracterizandose as penalidades, posto que além de a Recorrente deixar constar em todos os documentos que instruíram os respectivos despachos de importação, Fl. 276DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 o nome correto da mercadoria importada, é indubitável que não houve máfé, até mesmo porque a descrição utilizada foi até mesmo ratificada pelo próprio Fisco. Ademais, o princípio do in dubio pro contribuinte ou da "interpretação mais benigna", in casu, também milita a favor da Impugnante, ex vi do art. 112 do CTN . É esse o vetor dos seguintes acórdãos: "Acórdão 30128031 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA Produto DIAMINOIMID TORTA 100% Classificação no capítulo 38 pode se tratar de uma preparação química. Tratandose, contudo, de caso de classificação tarifária decorrente de interpretação dada à posição tarifária, não há como prevalecer a exigência da multa prevista no art.4o , inciso I , da Lei 8.218/91. " Acórdão 30233586 "CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. A incorreta indicação do código tarifário nos documentos que compõem o despacho de importação não enseja aplicação de penalidades, se as informações essenciais neles constantes, suficientes para sua correta classificação fiscal, não são contestadas. " "Acórdão 30328550 REVISÃO ADUANEIRA CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA O produto "TOLONATE HDB 75 MX (Poliisocianato Alifático, em solução a 75% dentro de uma mistura de acetato de Metoxiprobil/xileno), por ser uma "preparação endurecedora de resina sintética ( preparação diversa das indústrias químicas ) sua classificação tarifária enquadrase na posição TAB 3823.90.9999. Recurso parcialmente provido, para excluir do crédito tributário os valores correspondentes às penalidades descritas nos artigos 4, I, da Lei 8218/91, bem como do 364, II, do RIPI." Portanto, ainda que no mérito julguese devido o principal, corrigido monetariamente e com incidência dos juros de mora e multa de 1% por erro de classificação fiscal, não há que se cobrar a multa punitiva, por expressamente vedada por nosso ordenamento jurídico. Tendo sido vencida passo a enfrentar a multa por incorreta classificação fiscal de mercadoria. MULTA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO POR INCORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Fl. 277DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 271 15 A multa aplicada pela incorreta classificação fiscal está prevista no art. 84, § 2o, da Medida Provisória no 2.15835/2001, conforme abaixo: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Em se entendendo tratarse de importação de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul é aplicar a multa por erro de classificação fiscal instituída pela Medida Provisória n.215835 de 2001 acima descrita. No presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN). CONCLUSÃO Diante do exposto, entendendo que a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, portanto dou provimento parcial ao recurso para excluir o Imposto de Importação e consectários legais (multa de ofício e juros de mora) lançados em face da classificação adotada pelo contribuinte, bem como para excluir a multa por falta de LI, mantendo apenas a multa de 1% aplicada com base no art. 84, I, da MP nº 2.158/35/2001. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Voto Vencedor Emanuel Carlos Dantas de Assis, designado relator quanto à classificação fiscal e à exigência do Imposto de Importação e consectários legais. Reportandome ao relatório e voto da ilustre Relatora, peço licença para divergir em relação à classificação fiscal do produto Diquat Técnico, que entendo deva ser mantida na posição NCM 3808.30.29, como considerou a fiscalização, bem como à exigência do Imposto de Importação e respectivos consectários legais lançados (multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora conforme a taxa Selic). No mais – multa por falta de Licença de Importação, exonerada, e multa por classificação fiscal incorreta, mantida , acompanho o voto vencido parcialmente. CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO DIQUAT TÉCNICO Para classificar o produto em questão no Capítulo 29, e não no 38, o voto vencido levou em conta as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) desses dois Fl. 278DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Capítulos, mencionando expressamente a Nota 1 do Cap. 29 segundo a qual as suas posições apenas compreendem "os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas", ressalvadas disposições em contrário e NESH específicas da posição 3808 – segundo as quais esta posição não compreende o naftaleno e outros produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente (ou em solução aquosas), os produtos referidos na posição 3808, dentre os quais os herbicidas, só se incluem nela quando apresentados em embalagens para venda a retalho. Afirma então o seguinte, nas palavras da admirável Relatora: Portanto, da leitura atenta das normas selecionadas do Sistema Harmonizado, vemos que o vetor que leva um produto químico com propriedades herbicidas ser enquadrado no Capítulo 38, é a forma de sua apresentação, que já estaria apta a ser utilizada pelo consumidor final, ou ‘pronta para uso’, como mencionado nas NESH, ainda que houvesse a necessidade de dissolver o produto em solução aquosa ou de outra natureza. (...) Portanto, a interpretação a ser dada à Nota 1, ‘a’, 2 do Capítulo 38 é justamente neste contexto, ou seja, caso o produto químico com propriedades herbicidas não puder ainda ser utilizado diretamente pelo usuário, de constituição química definida deverá ser incluído no Capítulo 29. Para mim, o Diquat Técnico deve ser enquadrado no Capítulo 38 por se tratar de uma preparação herbicida. Ainda que tenha composição química definida, a Nota 1 do Cap. 38 é clara, ao estabelecer o seguinte (negritos acrescentados): 1. O presente Capítulo não compreende: a) os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: 1) a grafita artificial (posição 38.01); 2)os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.08; O texto da posição 3808, por sua vez, é o seguinte, verbis (negrito acrescentado): INSETICIDAS, RODENTICIDAS, FUNGICIDAS, HERBICIDAS, INIBIDORES DE GERMINAÇÃO E REGULADORES DE CRESCIMENTO PARA PLANTAS, DESINFETANTES E PRODUTOS SEMELHANTES, APRESENTADOS EM QUAISQUER FORMAS OU EMBALAGENS PARA VENDA A RETALHO OU COMO PREPARAÇÕES OU AINDA SOB A FORMA DE ARTIGOS, TAIS COMO FITAS, MECHAS E VELAS SULFURADAS E PAPEL MATAMOSCAS Segundo a Nota 1 acima transcrita, sendo herbicida a classificação é no Cap. 38, seja qual for a forma ou embalagem, contanto que dentre as previstas na posição 3808. E tais formas ou embalagens são as mais diversas, conforme o texto da 3808 (... apresentados em Fl. 279DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 272 17 quaisquer formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou....). Daí a rejeição da classificação no Cap. 29, como entendeu o voto vencido. A corroborar a classificação ora adotada, menciono o Acórdão nº 30234.168, processo nº 1128.004432/9695, sessão de 22 de fevereiro de 2000, cuja ementa transcrevo: Classificação Fiscal de Mercadorias. Solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 — BIPIRIDILIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicos à base de Fosfato e Potássio é uma PREPARAÇÃO HERBICIDA e como tal, classificavase no código NBM 3808.30.0199 (NCM 3808.30.29). Cabe transcrever também o voto do Acórdão acima, da lavra do ilustre Conselheiro Hélio Fernando Rodrigues Silva, que produzindo a melhor interpretação considerou o seguinte: ... o "litígio se resume em decidir se o produto importado se classifica como um produto químico de constituição química definida e isolado do Capítulo 29, como pretende a Impugnante, ou como um herbicida da posição 3808, como entendeu a fiscalização." Creio que, antes de mais nada, devemos recordar e delimitar alguns conceitos de química básica que se inserem na matéria sob análise, a fim de que o que se venha a decidir esteja assentado sobre fatos técnicos corretamente estabelecidos.; Nessa linha, transcrevo a seguir trecho da página 1 do Livro "Estudos de Química", volume dois, de Luciano do Amaral, Editora Moderna, 1ª edição: “...................................................................................................... Quando uma substância se dissemina no seio de outra sob forma de partículas, formase uma dispersão. A substância que se dissemina constitui a fase dispersa e é chamada o disperso. A substância que recebe no seu seio o disperso constitui a fase dispersante e é chamada dispersante ou dispergente. Em função do diâmetro das partículas dispersas, as dispersões podem constituir soluções, (...) e suspensões. Soluções, também chamadas soluções verdadeiras, são as dispersões em que o diâmetro médio das partículas dispersas é inferior a 1 nanômetro (1 nanomêtro é igual a 109 metros (...). As soluções são homogêneas (sistemas monofásicos). As partículas dispersas não são visíveis, não são filtráveis e não sedimentam nem pela centrifugação. Suspensões são as dispersões em que o diâmetro das partículas dispersas é superior a 100 nanômetros. As suspensões são heterogêneas (sistemas polifásicos). As partículas dispersas são visíveis ao microscópio, são filtráveis e se sedimentam. ......................................................................................................... Fl. 280DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 Nas soluções, a fase dispersa é chamada soluto ou dissolvido, e a fase dispersante é chamada solvente ou dissolvente. ......................................................................................................” Ainda no desenvolver objetivo do nosso curso relâmpago de química básica, devemos atentar para alguns trechos extraídos das páginas 13, 15, 17 e 18 do livro "Química Curso Completo", de Elie Politi, Editora Moderna, abaixo transcritos: “...................................................................................................... As substâncias puras, substâncias químicas ou ainda espécies químicas, são os difèrentes tipos de matéria, cada uma apresentando composição fixa e características (propriedades) bem definidas e catalogadas. ......................................................................................................... As substâncias puras: são formadas por moléculas quimicamente iguais entre si; apresentam propriedades bem definidas; tem composição química fixa e, portanto, podese estabelecer sua fórmula; As misturas: são formadas por moléculas quimicamente diferentes entre si; têm propriedades variáveis; têm composição variável e, portanto, não têm fórmula química seus componentes mantêm suas propriedades. ......................................................................................................... Quando suas moléculas são constituídas por átomos do mesmo elemento químico, a substância pura é dita simples. ........................................................................................................ Quando suas moléculas são constituídas por átomos de difèrentes elementos químicos, a substância pura é dita composta. .......................................................................................................; Com base no que acima recordamos, concluímos que o produto químico de nome comercial DIQUAT TÉCNICO e fórmula BROMETO de 1,1 ETTLENO 2,2 — BIPIRIDILIO, é uma substância pura composta, ou uma substância química de constituição química definida. Como resultado dessa constatação, em uma primeira análise, considerando que a citada substância pura composta integra uma solução aquosa, juntamente com substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio, poderíamos pensar enquadrar essa mercadoria no capítulo 29 da TEC, Produtos Químicos Orgânicos, pois a nota 1, alínea "d", deste capítulo determina Fl. 281DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 273 19 que ali se incluem as soluções aquosas de, entre outras, compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas. Entretanto, em um segundo momento, a constatação de que o produto químico sob exame é o princípio ativo de um herbicida; que a nota 1, alínea a, item 2, do Capítulo 38, estabelece que este capítulo não compreende os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto, entre outros, "os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas (...) apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 3808", e, finalmente, que o texto da citada posição 3808 inclui os "(...) herbicidas, (....) apresentados em quaisquer formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações", faz nascer a dúvida de qual é o enquadramento tarifário correto do produto importado pela Recorrente. Ressaltese que a dúvida já instalada, tende a crescer quando se recorda que a Recorrente não importou a mercadoria sob exame para venda a retalho. Em casos como estes, ou seja quando, após aplicarmos a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, constatamos que a simples leitura dos textos das notas de capítulo e de posição, por si só, não tem o condão de descortinar a classificação tarifária adequada, o caminho é recorrer as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH. E consultandose a NESH, página 756, nota 2, verificamos que se incluem na posição 3808 os herbicidas quando tenham características de preparações e que essas, conforme se expõe mais adiante na NESH, são constituídas por suspensões ou dispersões do produto ativo, em água ou em qualquer outro líquido, ou ainda, por misturas de outra espécie. Desta forma, considerando o até aqui apurado, é incontroverso que solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 BIPIRIDTLIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio, é uma preparação herbicida. Por outro lado, a NESH, também com relação à posição 3808, na página 755, notas 1 e 2, esclarece que os referidos produtos ( inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas etc) só se incluem nesta posição: a) quando acondicionados de forma a não deixar dúvida quanto ao seu destino para venda a retalho; b) quando tenham características de preparações. E, em sendo assim, conforme destacou o julgador a quo, "o acondicionamento para venda a retalho não é uma condição indispensável para que tais produtos se classifiquem na posição 3808", bastando "que eles apresentem características de preparações, mesmo que intermediárias". Como prova de que o que a aqui se infere corresponde aos fatos, tal qual fez o julgador a quo, ressalto que a TEC/NCM, contém dois itens para os herbicidas: Fl. 282DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 ......................................................................................................... 3808.30.10 — Herbicidas apresentados em forma ou em embalagens para venda a retalho 3808.30.2 Herbicidas apresentados de outro modo 3808.30.21 À base de 2,4D, de 2,4DB ou de derivados destes produtos 3808.30.22 À base de Atrazina, de Alaclor, de Bentazon, de Diurion ou de EPTC 3808.30.29 – Outros Em conclusão, a solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 BIPIRIDILIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio, mesmo não tendo sido importada para venda a retalho, por ser ela uma preparação herbicida, classificase no código NCM 3808.30.29 (NBM 3808.30.0199) — Herbicidas apresentados de outro modo (Outros). IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, MULTA DE 75% E JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC Também deve ser mantida a multa de ofício aplicada no percentual de 75% sobre o Imposto de Importação devido em face da classificação fiscal incorreta, bem como os juros de mora. Diante da falta de recolhimento apurada pela fiscalização, em face da classificação fiscal errôena da mercadoria importada, restou caracterizada evasão. O procedimento adotado pela contribuinte, ao classificar incorretamente a mercadoria e, consequentemente, não recolher integralmente os tributos devidos, não encontra guarida na lei. Daí a aplicação da penalidade, no percentual da legislação mencionada no auto de infração. Por último a aplicação da Selic como juros moratórios, tema pacífico que, inclusive, já contava com súmulas editadas pelos três Conselhos de Contribuintes, conforme o Anexo II da Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009. Atualmente, a Súmula CARF nº 4, de 2009, informa que “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” CONCLUSÃO Pelo exposto, divergindo da ilustre Relatora nego provimento em relação à classificação fiscal do produto Diquat Técnico, por interpretar que a posição NCM mais adequada é a do código 3808.30.29, bem como em relação à exigência do Imposto de Importação e respectivos consectários legais lançados (multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora conforme a taxa Selic). No que concordo com o voto vencido, também nego provimento para manter a multa por classificação fiscal incorreta, aplicada com base no art. 84, I, da MP nº 2.158/35/2001, e dou provimento parcial tãosomente para cancelar a multa do controle administrativo aduaneiro por falta de Licença de Importação. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 274 21 Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 284DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10314.001670/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007
REVISÃO ADUANEIRA. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS.
O reexame do despacho aduaneiro inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM utilizados. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias (Decreto-Lei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art. 142).
IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NORMA PROCEDIMENTAL.
Quando a mercadoria é descrita de forma semelhante, pelo mesmo contribuinte, em diferentes declarações aduaneiras, pode o Fisco legalmente presumi-las idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, com arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833/2003. Referida norma, por ser procedimental, lança luzes sobre fatos pretéritos se o procedimento tem natureza revisional, eis que esse deve balizar-se segundo a norma procedimental de regência. Por isso a fiscalização fez uso de laudos de 2002 como base revisional para as Declarações de Importação no período de 05/2003 a 11/2007.
LAUDOS TÉCNICOS.
Os laudos que serviram de base para a auditoria-fiscal proceder à reclassificação fiscal cingem-se a descrever as mercadorias postas sob apreciação, utilizando de referências bibliográficas para melhor identificá-las, sem tecerem qualquer consideração acerca de classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado, o que seria, aliás, de todo reprovável se ocorresse. Não merece acolhimento a crítica feita aos laudos embasadores dos autos de infração, pois não induzem à nenhuma classificação fiscal, apenas identificam as mercadorias importadas pela recorrente.
SOLUÇÕES DE CONSULTA E JURISPRUDÊNCIA.
Em que pese a jurisprudência ser de grande valia para a solução de litígios, nos casos de classificação fiscal de mercadorias, notadamente as de composição química atestada por laudo, a jurisprudência deve ser sempre sopesada com maior parcimônia do que noutras oportunidades, porquanto a composição química de mercadorias depende de vários fatores, tais como os percentuais dos elementos componentes, estado físico, forma, função, etc., desses elementos. No caso vertente, penso que a pedra de toque para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados é justamente a função dos componentes adicionados às respectivas vitaminas. Função essa que somente o laudo consentâneo com a mercadoria específica tem condições de fornecer. Vale lembrar que Solução de Consulta é norma individual e concreta que diz respeito somente ao consulente, não vinculando a Administração Tributária em relação aos demais contribuintes.
PREPARAÇÕES APTAS PARA USOS ESPECÍFICOS.
Os laudos todos estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a saber, respectivamente - entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal; para ser adicionada à ração animal e/ou pré-mistura; utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada; especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos.
MULTAS POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.
Uma vez que as mercadorias não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e classificação fiscal, exsurge como correta a aplicação das multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações.
Numero da decisão: 3101-001.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento parcial para excluir a multa por falta de LI.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 07/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. O reexame do despacho aduaneiro inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM utilizados. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias (DecretoLei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art. 142). IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NORMA PROCEDIMENTAL. Quando a mercadoria é descrita de forma semelhante, pelo mesmo contribuinte, em diferentes declarações aduaneiras, pode o Fisco legalmente presumilas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, com arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833/2003. Referida norma, por ser procedimental, lança luzes sobre fatos pretéritos se o procedimento tem natureza revisional, eis que esse deve balizarse segundo a norma procedimental de regência. Por isso a fiscalização fez uso de laudos de 2002 como base revisional para as Declarações de Importação no período de 05/2003 a 11/2007. LAUDOS TÉCNICOS. Os laudos que serviram de base para a auditoriafiscal proceder à reclassificação fiscal cingemse a descrever as mercadorias postas sob apreciação, utilizando de referências bibliográficas para melhor identificálas, sem tecerem qualquer consideração acerca de classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado, o que seria, aliás, de todo reprovável se ocorresse. Não merece acolhimento a crítica feita aos laudos embasadores AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 16 70 /2 00 8- 29 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 dos autos de infração, pois não induzem à nenhuma classificação fiscal, apenas identificam as mercadorias importadas pela recorrente. SOLUÇÕES DE CONSULTA E JURISPRUDÊNCIA. Em que pese a jurisprudência ser de grande valia para a solução de litígios, nos casos de classificação fiscal de mercadorias, notadamente as de composição química atestada por laudo, a jurisprudência deve ser sempre sopesada com maior parcimônia do que noutras oportunidades, porquanto a composição química de mercadorias depende de vários fatores, tais como os percentuais dos elementos componentes, estado físico, forma, função, etc., desses elementos. No caso vertente, penso que a pedra de toque para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados é justamente a função dos componentes adicionados às respectivas vitaminas. Função essa que somente o laudo consentâneo com a mercadoria específica tem condições de fornecer. Vale lembrar que Solução de Consulta é norma individual e concreta que diz respeito somente ao consulente, não vinculando a Administração Tributária em relação aos demais contribuintes. PREPARAÇÕES APTAS PARA USOS ESPECÍFICOS. Os laudos todos estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a saber, respectivamente entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal; para ser adicionada à ração animal e/ou prémistura; utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada; especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos. MULTAS POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. 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Fl. 579DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 579 3 Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 07/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O importador, através da declaração de importação DI nº 02/03975884, submeteu a despacho as mercadorias descritas como: 1) “Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD uso: animal” classificando no código NCM 2936.23.10; 2) “Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso: animal” classificando no código NCM 2936.29.31; 3) “Palmitato de Vitamina A tipo 250 CWS/F uso humano” classificando no código NCM 2936.21.13 e através da DI nº 02/03976813, a mercadoria descrita como 4) “Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC)” classificando no código NCM 2936.27.10. Assim, tendo como base os laudos constantes do Anexo I, a fiscalização procedeu a revisão aduaneira das declarações de importação do contribuinte, nos termos do art. 68 da Lei nº 10.833/2003, que continham os produtos acima descritos, no período de 05/2003 a 12/2007, conforme art. 570 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543/052. Estas DIs revisadas constam do Anexo III e as alíquotas do Imposto de Importação e do IPI estão discriminadas no Anexo V, juntamente com os códigos NCM utilizados pela interessada e pela fiscalização. As mercadorias dos itens 1) e 2) foram reclassificadas para o código NCM 2309.90.90, e as dos itens 3) e 4) para o código NCM 3824.90.19. Foram lançados, fls 04, o Imposto de Importação, juros de mora, multa proporcional, multa do controle administrativo, multa proporcional ao valor aduaneiro, multa regulamentar; fls. 135, Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora, multa proporcional; fls. 184, COFINS, juros de mora e multa proporcional; fls.239, PIS/PASEPImportação, juros de mora e multa proporcional. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Ciente do Auto de Infração, fls. 392, em 28/03/2008 a interessada apresentou a impugnação de fls. 393 e seguintes, onde em síntese, alegou: antes de qualquer argumentação, a querelante avoca o art. 150 do CTN parágrafo 4º ; no presente caso, não há justificativa legal para revisão das Declarações de importação registradas em 2002, já prescritas e com seus lançamentos homologados, por decurso de prazo. É bastante curioso o fato de somente agora, em 2008, após a prescrição da homologação do lançamento, através da revisão, se utilizar as declarações de 2002 como base revisional da gama enorme de Declarações constante do Auto; apresenta suas razões de defesa que contradizem o alegado no Auto, a iniciarse pela oposição à penalidade cominada sobre “DECLARAÇÃO INEXATA DA MERCADORIA” quando no exame dos laudos laboratoriais, a análise é positiva para a matériaprima importada, em cada uma das Declarações de Importação indicadas no Auto de Infração, só tratando essa matériaprima de forma diferenciada, quando indica a conclusão laboratorial como preparações adicionadas de excipientes, todos admitidos pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Os excipientes encontrados são inertes e não modificam o comportamento da Vitamina; as mercadorias despachadas e descritas nas adições ora impugnadas foram, de fato, as efetivamente encontradas nos laudos, tal fato está plenamente amparado pelo Ato Declaratório normativo COSIT nº 12/97, que declara não constituir infração a simples classificação errônea, desde que o produto esteja corretamente descrito. os excipientes encontrados nas Vitaminas são produtos inertes, adicionados para a proteção da própria Vitamina, enfaticamente mencionados nos laudos e admitidos pelas regras de classificação tarifária do Capítulo 29, na forma que dispõe a Nota l alínea ”a” e “g” das Notas do próprio Capítulo (...); além disso, cabe observar que esta analise e interpretação sobre a adição de excipientes às vitaminas, foi também plenamente adotada pelo Comitê da Organização Mundial das Alfândegas, quando resolveu publicar uma Coletânea de Pareceres sobre matérias da mesma natureza que a presente, cuja tradução foi aprovada e publicada pela IN 99, de 10/08/1999, DOU de 15/09/1999, fazendo menção que o Comitê do Sistema Harmonizado havia designado as classificações de certas mercadorias, entre estas vitaminas em determinadas formas introduzidas às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, através da Instrução Normativa, nº 123, de 22 de outubro de 1998, que são normas soberanas, em se ratando de classificação de mercadorias, hoje parte integrante da própria NESH 157 – Capítulo 2936 seção IV, atualmente republicada pela IN SRF 615/06; a norma que publicou a coletânea de pareceres de Classificação aprovados pela OMA e conseqüentemente pelo Comitê do Sistema Harmonizado (CSH), serviu de base para a Fl. 581DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 580 5 desclassificação da Vitamina H, utilizada pelo Auditor revisor, para indicar como classificação mais correto o item 2309.90.90 para a Vitamina, o que não receberá contestação da querelante. Porém o mesmo critério não foi utilizado por ele para as demais mercadorias, o que seria razoável e coerente; o critério utilizado no Parecer da OMA, soberano em matéria de classificação fiscal, só foi utilizado pelo Agente Revisor para justificar a classificação da Vitamina H, quando deveria, também, ser utilizado como base na nova interpretação sobre classificação das demais Vitaminas, também amparadas nestes Pareceres, que já foram incorporados pela própria COANA (vide fls. 398/399); ainda, com base nas novas interpretações tarifárias não há como transferir o Palmitato de Vitamina “A” e a Vitamina “C”, simplesmente adicionados de excipientes, como declarados nos laudos laboratoriais, para a classificação 3824.90.19, diante do que já foi exposto e argumentado acima e tampouco transportar a Vitamina B2 para o item 2309.90.90, pelas mesmas razões, inclusive Decisão COANA específica; diante do exposto não há, como admitir a penalidade referida no Auto sobre Importação Desamparada de Guia de Importação ou Documento Equivalente. Primeiro, porque as classificações adotadas não devem ser modificadas por estarem protegidas por DECISÕES COANA, soberanas em matéria de classificação fiscal. Segundo, porque as mercadorias despachadas foram as encontradas nos laudos indicados. Por fim, o tratamento administrativo para a mercadoria foi cumprido integralmente e as mercadorias submetidas a licenciamento, qualquer que fosse a classificação adotada; quanto a exigibilidade do pagamento das contribuições de PIS e COFINS nas importações discriminadas no Auto de Infração, não procede, tendo em vista que a norma que regulamenta a matéria isentou tais mercadorias dessas contribuições, nominalmente despachadas nas declarações questionadas na presente lide, desde a publicação do Decreto n 5.821, de 29/06/2004 (sic) , conforme seu anexo I (vide fls. 400); quanto à exigência da diferença de Imposto de Importação, com base nas explanações apresentadas, ficam prejudicadas em parte, só permanecendo as correspondentes à Vitamina H; por fim, cabe ainda registrar que, apesar da expressa determinação do art. 68 da Lei 10.833/2003 de permitir a revisão de importação de mercadorias supostamente idênticas mesmo que não se tenha coletado amostras para a sua determinação, criase uma jurisprudência disfarçada, o que fere a realidade administrativa, não dando ao contribuinte o mesmo tratamento, o que o coloca em posição de inferioridade na justiça administrativa, além do prazo prescricional mencionado anteriormente; Fl. 582DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 referentemente à cobrança de IPI para as mercadorias que em tese poderiam ser classificadas no item 3824.90.19, fica prejudicada, tendo em vista as razões apresentadas, as quais não permitem que aquelas mercadorias sejam classificadas no item indicado; requer a acolhida de suas razões para o restabelecimento da pela verdade fiscal. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou a Impugnação Improcedente, lançando a seguinte ementa para o acórdão: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do II e do IPI, é exigível a diferença de impostos, juntamente com os acréscimos legais cabíveis. Idem para o PIS/COFINSImportação. DOS LAUDOS. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada, pela impugnante, a improcedência desses laudos ou pareceres, o que não ocorreu no presente caso. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Aplicase a multa por falta e Licença de Importação nas importações, em que as mercadorias não estejam corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/2001. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 516 e seguintes, onde afirma que os laudos estão prescritos, pois datados de 2002, ao passo que a intimação do auto de infração ocorreu em 2008; traz Soluções de Consulta COANA, que diz serem com base em novas interpretações da OMA; o art. 68 da Lei nº 10.833/2003 deve ser aplicado levando em consideração o prazo prescricional do § 4º do art. 150 do CTN; traz decisões de Delegacias da Receita Federal de Julgamento para Vitamina C; assevera que as vitaminas adicionadas de antioxidantes e de excipientes devem ficar no Fl. 583DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 581 7 Capítulo 29, pois há exclusão expressa da posição 2309, que aponta para a posição 2936; aponta o acórdão 30133.563 para Vitamina B2; diz que as multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações não se aplicam; traz jurisprudência do STJ que diz haver homologação da classificação fiscal no desembaraço aduaneiro; traz também sentença da Seção Judiciária de SP que trata da matéria dos autos; ao final, critica os laudos, que diz serem indutivos, e requer a reforma do acórdão recorrido. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. DA REVISÃO ADUANEIRA Neste primeiro momento, devese analisar três argumentos conexos, a saber, a prescrição dos laudos de 2002, a homologação da classificação fiscal no desembaraço aduaneiro e o art. 68 da Lei nº 10.833/2003, que deve ser aplicado levando em consideração o prazo prescricional do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. A decisão recorrida tratou muito bem das matérias no vestíbulo do voto da i. relatora a quo, bem por isso devo colacionar o respectivo excerto do voto: Cabe destacar que a Revisão Aduaneira é atividade prevista em lei, conforme art. 54 do Decretolei nº 37/66 e regulamentada pelo art. 570 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/02): “Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo Fl. 584DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei.” “Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado.” (grifo meu) Portanto, uma vez submetidos os produtos importados à conferência aduaneira e desembaraçados sem exigência fiscal, não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro. O reexame do despacho aduaneiro inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM utilizados. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias, não havendo presunção legal de que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) seja infalível, haja vista o próprio processo administrativo fiscal, mediante o qual a administração promove o controle do lançamento efetuado por AFRFB; destarte, sendo incabível determinada NCM, ainda que aceito por ocasião da conferência aduaneira, é dever do servidor incumbido da revisão do despacho efetuar o lançamento dos créditos tributários devidos (DecretoLei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art. 142). De outro lado, uma vez identificada a mercadoria, quando esta é descrita de forma semelhante pelo mesmo contribuinte em diferentes declarações aduaneiras, pode o Fisco legalmente presumilas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, com arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833, de 2003, que determina in litteris: Art. 68. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo Fl. 585DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 582 9 prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput, a identificação das mercadorias poderá ser realizada no curso do despacho aduaneiro ou em outro momento, com base em informações coligidas em documentos, obtidos inclusive junto a clientes ou a fornecedores, ou no processo produtivo em que tenham sido ou venham a ser utilizadas. Referida norma, aliás, por ser procedimental, evidentemente lança luzes sobre fatos pretéritos se o procedimento tem natureza revisional, eis que este deve balizarse segundo a norma procedimental de regência. Nada impede que a fiscalização se utilize de declarações de 2002 como base revisional para as Declarações de Importação no período de 05/2003 a 11/2007. Bem por isso a fiscalização fez uso de laudos de 2002, legitimamente, para revisar declarações de importação dos anos de 2003 a 2007. DOS LAUDOS TÉCNICOS A esse passo, penso relevante tratar da credibilidade dos laudos apresentados pela auditoriafiscal, uma vez que a recorrente, ao final de suas razões, afirma serem indutivos, por não terem os laboratórios de análises oficiais ainda assimilado a mudança significativa nas interpretações sobre classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado acerca dos produtos ora em discussão. Atento aos laudos de fls. 295/296, 300/301, 307/308 e 309/310, constatei que os referidos laudos cingemse a descrever as mercadorias postas sob apreciação, utilizando de referências bibliográficas para melhor identificálas, sem tecerem qualquer consideração acerca de classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado, o que seria, aliás, de todo reprovável se ocorresse. Nesse diapasão, não merece acolhimento a crítica feita aos laudos embasadores dos autos de infração, pois não induzem à nenhuma classificação fiscal, apenas identificam as mercadorias importadas pela recorrente. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 DA JURISPRUDÊNCIA E DAS SOLUÇÕES DE CONSULTA São colacionadas Soluções de Consulta COANA, decisões de Delegacias da Receita Federal de Julgamento, acórdão do Terceiro Conselho de Contribuintes e sentença da Seção Judiciária de SP no sentido de subsidiar a tese da recorrente de que as mercadorias importadas são vitaminas, e não preparações com fins específicos. Em que pese a jurisprudência ser de grande valia para a solução de litígios, nos casos de classificação fiscal de mercadorias, notadamente as de composição química atestada por laudo, a jurisprudência deve ser sempre sopesada com maior parcimônia do que noutras oportunidades, porquanto a composição química de mercadorias depende de vários fatores, tais como os percentuais dos elementos componentes, estado físico, forma, função, etc., desses elementos. No caso vertente, penso que a pedra de toque para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados é justamente a função dos componentes adicionados às respectivas vitaminas. Função essa que somente o laudo consentâneo com a mercadoria específica tem condições de fornecer. Vale lembrar que Solução de Consulta é norma individual e concreta que diz respeito somente ao consulente, não vinculando a Administração Tributária em relação aos demais contribuintes. DAS CLASSIFICAÇÕES FISCAIS Com respeito à classificação dos produtos importados, a fundamentação aposta pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento não merece reparos, inclusive o argumento trazido pela recorrente, fl. 525, relativo às exclusões da posição 2309, labora em desfavor dela mesma: NESH IN SRF 157 posição 2309 Excluemse da presente posição as vitaminas, mesmo as de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 2936). Fl. 587DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 583 11 Ou seja, os laudos todos estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a saber, respectivamente entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal, fl. 296; para ser adicionada à ração animal e/ou pré mistura, fl. 310; utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada, fl. 308; especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos, fl. 310. Dito isso, reproduzo o quanto dito pela decisão recorrente, a qual adoto como razões de fato e de direito: Trataremos inicialmente das mercadorias dos itens 01 e 02 tendo em vista que o novo código NCM escolhido pela fiscalização é o mesmo ou seja 2309.90.90. A interessada descreveu as mercadorias nas DIs nos seguintes códigos NCM: para o item 1) Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD uso: animal” classificou no código NCM 2936.23.10; 2)“Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso: animal” classificou no código NCM 2936.29.31 De acordo com os Laudos as mercadorias, conforme as amostras retiradas, são de fato: Laudo Técnico nº 1512.06 (Anexo I) – fls. 295/296 1) “Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD uso: animal” – de acordo com o Laudo Técnico de nº 1512.06 , a mercadoria tratase de “preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeo (excipiente), na forma de microesferas”. O Laudo esclarece, ainda que, não se trata somente de Riboflavina (Vitamina B2), mas sim de uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou pémistura. De acordo com a fiscalização, uma preparação constituída da maneira como a encontrada no Rovimix B2 80 SD é suscetível de enquadrarse como uma preparação destinada a entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal. Conclui que o produto classificase na posição 2309. Por falta de código mais específico enquadra no código NCM 2309.90.90 Laudo Técnico 1512.10 (Anexo I), fls. 300/301 2) – “Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso: animal” – tratase de “preparação constituída de Biotina (Vitamina H) e Polissacarídeo (excipiente), na forma de pó”. Não se trata somente de Biotina (Vitamina H), mas sim de uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou prémistura. Concluiu a fiscalização que o produto classificase na posição 2309. Por falta de código mais específico enquadrase no código NCM 2309.90.90. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 Conforme as REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO, a classificação das Mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: “1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: ...”(negritamos) Vejamos, pois, o texto das posições referentes às classificações adotadas pelo importador, tal como disposto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM): 29.36 PROVITAMINAS E VITAMINAS, NATURAIS OU REPRODUZIDAS POR SÍNTESE (INCLUÍDOS OS CONCENTRADOS NATURAIS), BEM COMO OS SEUS DERIVADOS UTILIZADOS PRINCIPALMENTE COMO VITAMINAS, MISTURADOS OU NÃO ENTRE SI, MESMO EM QUAISQUER SOLUÇÕES. 2936.2 Vitaminas e seus derivados, não misturados: 2936.21 Vitaminas A e seus derivados 2936.21.12 Acetato 2936.23 Vitamina B2 e seus derivados 2936.23.10 Vitamina B2 (riboflavina) 2936.27 Vitamina C e seus derivados 2936.27.10 Vitamina C (ácido L ou DLascórbico) 2936.28 Vitamina E e seus derivados 2936.28.12 Acetato de D ou DLalfatocoferol 2936.29 Outras vitaminas e seus derivados 2936.29.21 Vitamina D3 (colecalciferol) A fiscalização, de outro lado, entendeu que a classificação correta para os produtos seria no código NCM 2309.90.90. 23.09 PREPARAÇÕES DOS TIPOS UTILIZADOS NA ALIMENTAÇÃO DE ANIMAIS. 2309.90 Outras 2309.90.90 Outras As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH da posição 2936, classificação pretendida pelo interessado com relação a todos os produtos importados, estabelecem que nela se incluem: “As protovitaminas e as vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese, bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas. Os concentrados de vitaminas naturais (os de vitaminas A ou D, por exemplo)... As misturas entre si de vitaminas, de provitaminas ou de concentrados... Fl. 589DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 584 13 Os produtos acima mencionados diluídos em qualquer solvente (oleato de etila, propan12dioil, etanodiol, óleos vegetais, por exemplo).” Acrescentam, ainda, as referidas notas que: “os produtos da presente posição (2936) podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de agente antioxidante por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo) por revestimento com substâncias apropriadas (gelatinas, ceras, etc.) mesmo plastificadas , ou por adsorção em substâncias apropriadas (ácido silícico, por exemplo) desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral.”(negritamos) Segundo as Notas Explicativas, portanto, substâncias apropriadas podem ser adsorvidas às vitaminas, sem que isso implique sua exclusão da posição 2936, observadas certas condições. Entre elas, está aquela que veda a modificação do produto para tornálo apto a usos específicos em detrimento de sua aplicação geral. Os laudos periciais, todavia, são inequívocos ao afirmar que as substâncias adicionadas às vitaminas tiveram como efeito torná las aptas a um fim específico, qual seja, transformar o composto numa preparação destinada à formulação de ração animal. As Notas Explicativas da posição 2309 esclarecem que nela se incluem as preparações destinadas a entrar na fabricação dos alimentos completos e alimentos complementares para nutrição animal. Tais preparações, designadas comercialmente de pré misturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados aditivos), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: “1) Os que favorecem a digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas (destaque meu), aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromantes ou aperitivos, etc.; 2) Os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contêm, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir numa ou mais substâncias orgânicas nutritivas Fl. 590DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 14 (destaquei) (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, sêmeas, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), ou em substâncias inorgânicas (por exemplo, magnesita, cré, caulin, cloreto de sódio e fosfatos).” Assim, segundo as Notas, uma preparação constituída da maneira como as que encontramos é suscetível de enquadrarse como uma preparação destinada a entrar na fabricação dos alimentos “completos” ou “complementares” da alimentação animal. A especificidade de uso dessa mercadoria é critério essencial ao seu enquadramento tarifário, independentemente de seu conceito técnico. A Fiscalização definiu corretamente o enquadramento tarifário relativo aos produtos importados, restando, dessa forma, cabível o tributo lançado, em função de uma alíquota diretamente ligada a esse enquadramento. Trataremos agora das mercadorias dos itens 03 e 04 tendo em vista que o novo código NCM escolhido pela fiscalização é o mesmo ou seja 3824.90.19. A interessada por sua vez descreveu as mercadorias nas DIs nos seguintes códigos NCM para o item 3) “Palmitato de Vitamina A tipo 250 CWS/F uso humano” classificando no código NCM 2936.21.13 e a mercadoria descrita como 4) Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC)” classificando no código NCM 2936.27.10. Vimos acima, o texto das posições referentes às classificações adotadas pelo importador, tal como disposto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) posição 2936. De acordo com os Laudos, as mercadorias são de fato: Laudo Técnico nº 1364.05 (Anexo I), fls. 307/308 3) “Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC)” – “não se trata somente de vitamina C”, mas sim de “preparação constituída de Ácido Ascórbico (Vitamina C) E Etilcelulose, na forma de grânulos”. Segundo o Laudo, de acordo com Referências Bibliográficas, Etilcelulose é um excipiente utilizado no revestimento do Ácido Ascórbico (Vitamina C) e têm a função de proteger química e fisicamente a substância ativa (Vitamina C), durante o processo de mistura com outros componentes, e na formulação final a que se destina. A presença da Etilcelulose modifica as propriedades físico químicas e modo de ação da Vitamina. Concluiu a fiscalização que, de acordo com o Laudo, a adição do excipiente (etilcelulose) torna o produto apto para fins específicos (ser utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico, enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada), a mercadoria não pode ser incluída como uma simples vitamina. Produtos como os que se está examinando são suscetíveis de se classificarem em diversas posições, dependendo da finalidade para a qual foram preparados ou das substâncias adicionadas ou associadas com a(s) vitamina(s). Dentre as posições mais Fl. 591DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 585 15 comuns suscetíveis de classificar tarifariamente tais Mercadorias citamse a 2309, englobando as preparações destinadas à alimentação animal, a 2936, reservada para as vitaminas ou misturas de vitaminas, a 3003 ou 3004, se o produto for comprovadamente um medicamento e a 3824, quando se tratar de uma preparação não compreendida nem especificada em outra posição. As Notas Explicativas da posição 2936, escolhida pela interessada, estabelecem que nela se incluem: “As protovitaminas e as vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese, bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas. Os concentrados de vitaminas naturais (os de vitaminas A ou D, por exemplo)... As misturas entre si de vitaminas, de provitaminas ou de concentrados... Os produtos acima mencionados diluídos em qualquer solvente (oleato de etila, propan12dioil, etanodiol, óleos vegetais, por exemplo).” Acrescentam, ainda, as referidas notas que: “os produtos da presente posição (2936) podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de agente antioxidante, por adição de agentes antiaglutinante (hidratos de carbono, por exemplo), por revestimentos com substâncias apropriadas [gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), por exemplo], mesmo plastificadas, ou por adsorção em substâncias apropriadas (ácido sílicio, por exemplo), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral”(negritei) Assim, uma vitamina ou mistura de vitaminas para classificarse na posição 2936 deve apresentarse em estado puro ou conter um estabilizante ou um solvente, conforme esclarecem as Notas acima mencionadas. A nota nº 1, alíneas “f” e “g”, por sua vez, permite que as vitaminas da posição 2936 sejam adicionados de um estabilizante (incluído um agente antiaglomerante), indispensável à sua conservação ou transporte, ou de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas substâncias não tornem o produto particularmente apto para usos específicos, de preferência à sua aplicação geral. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 16 Ora, o Laudo de nº 1364.05, de fls. 308 afirma de maneira categórica que a mercadoria é uma “ preparação constituída de Ácido Ascórbico (Vitamina C) e Etilcelulose”, e, de acordo com referências Bibliográficas, preparações dessa natureza são utilizadas em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico, enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada) acrescentou ainda que, também de acordo com Referências Bibliográficas Etilcelulose é um excipiente utilizado no revestimento do Ácido Ascórbico (Vitamina C) e tem a função de proteger química e fisicamente a substância ativa (Vitamina C), durante o processo de mistura com outros componentes, e na formulação final a que se destina. Acrescentou ainda que a presença da Etilcelulose modifica as propriedades físicoquímicas e modo de ação da Vitamina. Destarte, os elementos dos autos não autorizam a inclusão da mercadoria importada na posição 2936, como uma simples vitamina. A posição 38.24, transcrita a seguir, inclui os produtos químicos e preparações não especificados nem compreendidos em outras posições: “38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES; PRODUTOS RESIDUAIS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES ” (grifei) As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 3824 não deixam dúvidas de que abrangem a mistura em questão: “Nota Explicativa Página 698: Esta posição abrange: (...) B.PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES (QUÍMICAS OU DE OUTRA NATUREZA) Salvo somente três exceções (ver abaixo os números 7, 19 e 31), a presente posição não inclui produtos de constituição química definida apresentados isoladamente. Os produtos químicos compreendidos aqui não apresentam constituição química definida e são, quer obtidos como subprodutos da fabricação de outras matérias (ácidos naftênicos, por exemplo), quer preparados especialmente. As preparações (químicas ou de outra natureza), consistem, quer em misturas (de que as emulsões e dispersões constituem formas particulares), quer, por vezes, em soluções. (Deve notarse que as Fl. 593DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 586 17 soluções aquosas dos produtos químicos dos Capítulos 28 ou 29 permanecem classificadas nos referidos Capítulos, ao passo que, salvo raras exceções, excluemse deles as soluções destes produtos em outros solventes, que se consideram preparações da presente posição). As preparações aqui referidas podem ser também compostas, total ou parcialmente, por produtos químicos (o que constitui o caso geral), ou inteiramente formadas por constituintes naturais (ver, por exemplo, o número 23), abaixo). Todavia, a presente posição não compreende as misturas de produtos químicos, e de substâncias alimentícias, ou outras substâncias com valor nutritivo, dos tipos utilizados na preparação de alimentos próprios para consumo humano, quer como componentes desses alimentos, quer para melhorarlhes algumas das suas características (por exemplo, beneficiadores de panificação, de pastelaria ou bolachas e biscoitos). Estes produtos, geralmente, incluemse na posição 21.06.” Do exposto, certo é que a correta classificação fiscal do produto aqui apreciado é 3824.90.19OUTROS – Produtos intermediários da fabricação de antibiótico ou de vitaminas ou de outros produtos da posição 2969 Outros, confirmandose, portanto, a pertinência da reclassificação promovida pela fiscalização, em obediência às disposições das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, juntamente com as NESH. Laudo Técnico nº 1512.01 (Anexo I), fls. 309/310 4 “Palmitato de Vitamina “A” tipo 250 CWS/F uso humano” – “não se trata somente de Palmitato de Retinol (Palmitato de Vitamina A), mas sim de “preparação constituída de Palmitato de Vitamina A, ButilHidroxitolueno (BHT) (antioxidante) e excipientes como sacarose, amido, matéria protéica e substâncias inorgânicas à base de Fosfato de Sódio, na forma de microesferas”. Cita ainda o Laudo que de acordo com Referências Bibliográficas, mercadoria desta natureza encontra se especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos. Acrescentou que quantos aos outros componentes encontrados além da Vitamina A o Butil Hidroxitolueno (BHT) é um aditivo antioxidante indispensável para estabilizar a substância ativa (Vitamina A) contra oxidação no transporte e armazenamento; a Sacarose, Amido, Matéria Protéica e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato e Sódio são excipientes utilizados no revestimento da microesfera e têm a função de proteger química e fisicamente a substância ativa (Vitamina A), durante o processo de mistura com outros componentes e facilitar a dosagem de maneira uniforme, na formulação final a que se destina, pois a Vitamina A e seus Fl. 594DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 18 derivados, quando puros nas condições ambientais normais, são líquidos oleosos. Assim, pelos mesmos motivos expostos no item anterior a fiscalização definiu corretamente o enquadramento tarifário relativo ao produto do item 04, ao classificálo no código NCM 3824.90.19OUTROS. DAS MULTAS POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES Tendo em mira o exposto, e o fato de que as mercadorias não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e classificação fiscal, exsurge como correta a aplicação das multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações. Posto isso, voto por DESPROVER o recurso voluntário. Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 595DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 13808.000280/00-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/06/1997 a 30/11/1998
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS.
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo havido decisão, no acórdão de que se pretende recorrer, sobre a matéria objeto do recurso, ainda que ela tenha sido enfrentada no suposto paradigma, descabe o enfrentamento pelo colegiado superior.
Numero da decisão: 9303-001.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que declaravam a nulidade do Acórdão recorrido, em razão de haver sido proferido por autoridade incompetente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Júlio César Alves Ramos, Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TS SHARA TECNOLOGIA DE SISTEMAS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/06/1997 a 30/11/1998 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo havido decisão, no acórdão de que se pretende recorrer, sobre a matéria objeto do recurso, ainda que ela tenha sido enfrentada no suposto paradigma, descabe o enfrentamento pelo colegiado superior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que declaravam a nulidade do Acórdão recorrido, em razão de haver sido proferido por autoridade incompetente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Júlio César Alves Ramos, Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 02 80 /0 0- 59 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 408 2 Relatório Cuidase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 320 a 329) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 305 a 317) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Por bem descrever a controvérsia, adoto parte do relatório apresentado no v. acórdão recorrido, verbis: “Contra o contribuinte ora recorrente foi lavrado o Auto de Infração de fls. 142 a 145, por meio do qual foi formalizada a constituição do crédito tributário, inclusive acréscimos legais, no valor de R$ 77.967,32, decorrente de recolhimento tido a menor do IPI devido no período de 10 de junho de 1997 a 30 de novembro de 1998, cujo enquadramento legal se deu de acordo com os artigos 55, I ,"b" e II, "c"; 107, II c/c 15,16 e 17, 62; 112, IV e 59; todos do RIPI aprovado pelo Decreto n° 87.981/1982. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.03 a 04 a interessada teria dado saída, de seu estabelecimento industrial, do produto denominado "Estabilizadores" ou "Reguladores Automáticos", com classificação fiscal na TIPI na posição 8504.40.9999 e/ou 8504.40.90, com isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados, de acordo com a MP n° 1328 de 29/02/1996 e Portaria Conjunta n° 414 de 25/11/1998 do MCT/MF (fs.05 v.). Também, conforme referido Termo, faria jus a interessada a isenção do IPI para os produtos denominados de "estabilizadores" de sua fabricação, através da Portaria Interministerial n° 173, de 23/05/1997, para os modelos que arrola e, em 25/11/1998, através da Portaria Interministerial n° 414 de 25/11/1998, além dos modelos relacionados na aludida Portaria de n° 173, foram ainda confirmados como isentos outros tantos, cujos modelos se faz constar à fl. 5 v. Dessa forma lhe foi exigido o Imposto sobre Produtos Industrializados, incidente nas saídas de estabilizadores de seu estabelecimento industrial, no período compreendido entre a data da publicação da Portaria Ministerial n° 173 que se dera em 26/05/1997, até o dia anterior da publicação da Portaria n°414, em 26/11/1998, para os produtos cujos modelos passaram a ser isentos somente a partir desta data. Ainda, entendeu a fiscalização que os "estabilizadores" ou "reguladores automáticos" não amparados pela Portaria n° 173 de 23/05/1997, teriam como classificação fiscal na TIPI as posições 9032.89.11 — "estabilizadores eletrônicos" e 9032.89.19 — "Outros estabilizadores" cujas alíquotas seriam respectivamente 15% e 5%, ao invés daquelas utilizadas pelo Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 409 3 contribuinte nas posições 8504.40.9999 (isento de IPI pela MP n° 1328 de 29/02/1996) e 8504.40.90 (Isento do IPI conforme Portaria Conjunta n° 414 de 25/11/1998). Inconformada com a exigência, a autuada apresentou a impugnação de fls. 151 a 163 requerendo o cancelamento do Auto de Infração. Suas razões de mérito, essencialmente, foram: a) os bens de informática industrializados pela interessada são isentos, posto que produzidos de acordo com os requisitos legais exigidos para fruição do beneficio, os quais foram ratificados mediante Portaria Interministerial dos Ministros da Ciência e Tecnologia e o do Estado da Fazenda; b) o Decreto n° 792/1993, que regulamentou a isenção do IPI para os bens de informática e automação, instituída pela Lei n° 8.248, vinculou a fruição dos benefícios instituídos na referida lei à publicação da Portaria Conjunta, procedimento este não previsto na aludida lei, contrariandoa portanto. A DRF de Julgamento em São Paulo, através da Decisão 001.834, de 31/05/2001, fls. 216 a 229, julgou procedente o lançamento tributário, decisão que possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 10/06/1997 a 30/11/1998 Ementa: FRUIÇÃO DE BENEFICIO FISCAL A habilitação para fruição de incentivo fiscal sujeitarse á à comprovação das condições exigidas na legislação e à publicação prévia do ato concessivo. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 10/06/1997 a 30/11/1998 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO IPI Procedimento em que se exige tributo decorrente de classificação fiscal diferente da praticada pelo impugnante. Confirmada a classificação adotada pelo fisco. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 10/06/1997 a 30/11/1998 Ementa: JUROS DE MORA TAXA SELIC A atividade de lançamento tributário é vinculada à lei e, portanto, obrigatória, não sendo lícito à autoridade administrativa, estando a lei em vigor, apreciar aspectos concernentes à sua constitucionalidade ou não, tarefa esta reservada ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 410 4 Os principais argumentos adotados pela DRJ para manter o lançamento podem ser assim resumidos: a) para usufruir da isenção a interessada deveria observar as disposições do Decreto 792, de 1993, que regulamentou a Lei 8.248, de 1991, que, dentre outras, estabelece que a relação de bens que farão jus ao benefício serão definidas pelo Poder Executivo, mediante portaria conjunta do MCT e MINIFAZ (art. 6º do Decreto 792/93); b) a portaria conjunta exigida para fruição do benefício não é uma simples convalidação do pedido de isenção, sendo que somente a partir de sua publicação é dada a concessão do beneficio à empresa e aos bens nela nominados; c) os produtos objeto da autuação tratamse de estabilizadores automáticos destinados ao controle da amplitude da tensão fornecida a um equipamento, a partir da energia fornecida pela concessionária de energia elétrica. Serve para alimentação simultânea de microcomputador, impressora, modem e outros; d) a classificação pretendida pela requerente, para os referidos produtos, no código 8504.40.9999, não é adequada, posto que estes não representam um conversor estático de tensão, mas sim um regulador automático de voltagem eletrônico (ou estabilizador de tensão), os quais estão compreendidos na posição 9032, conforme as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), mais precisamente, nota 6 do capítulo 90, e item II das notas da posição 9032; e) de acordo com as regras de classificação, os bens industrializados pela interessada classificamse no código 9032.89.0102, sujeitos à alíquota de 15%. Não conformada com a decisão de primeira instância a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 247 a 265, reafirmando os mesmos argumentos apresentados na impugnação. O recurso foi encaminhado ao Segundo Conselho de Contribuintes, que, ao constatar que a autuação envolvia classificação fiscal de mercadorias, declinou competência ao então Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos da Resolução nº 20200.738, fls. 299 a 302. O recurso foi julgado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes. A ementa do v. acórdão recorrido tem o seguinte teor (Acórdão 30333.453, de 16/08/2006, fls. 305 a 317): IPI/ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ATENDIMENTO ÀS CONDIÇÕES EXIGIDAS NA LEGISLAÇÃO. ATO CONCESSIVO POSTERIOR RATIFICADOR DO BENEFÍCIO. CLASSIFICAÇÃO CORRETA NA TIPI. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Improcedência da autuação ante a verificação do direito a isenção do IPI dos produtos fabricados pela recorrente. Recurso voluntário provido. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 411 5 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o mencionado recurso especial, apontando divergência em relação ao Acórdão 30237.449 (cópia de inteiro teor às fls. 330 a 351), que possui a seguinte ementa, na parte de interesse: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Os critérios de classificação fiscal de mercadorias/produtos estão regulados pelas Regras Gerais de Interpretação (RUI) e Regras Gerais Complementares (RGC) da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias e, subsidiariamente, pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias — NESH do Conselho de Cooperação Aduaneira (DL n° 1.154/71 c/c arts. 16 e 17 do RIPI/82). Os produtos denominados "estabilizadores eletrônicos" tratam se de "reguladores de voltagem eletrônicos" e não de "conversores estáticos — outros", classificandose no código tarifário 9032.89.11 da TIPI. Aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1, combinada com os textos da posição 8481 e com as notas explicativas à posição 9032. O Procurador finaliza ser recurso defendendo a legalidade da exigência da multa de ofício e dos juros de mora calculados com base na taxa Selic. O recurso especial foi admitido por meio do Despacho nº 292/2007, fls. 353/355. Contrarazões vieram às fls. 365 a 387. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Necessário examinar se o recurso da Fazenda atende aos requisitos para sua admissibilidade, notadamente a suscitada divergência jurisprudencial. A contribuinte alegou, nas contrarrazões apresentadas, que as situações fático/jurídicas postas em julgamento, no acórdão recorrido e no paradigma, são distintas, o que impediria comprovarse a divergência jurisprudencial suscitada pela Fazenda. Inicialmente, importante esclarecer que tanto a decisão recorrida quanto o paradigma apresentado tratam dos mesmos produtos (estabilizadores de tensão) e do mesmo contribuinte (TS Shara), diferindo, apenas, em relação aos períodos de ocorrência dos fatos geradores. Importante também observar que as situações jurídicas apreciadas pelos arestos confrontados são idênticas, pois envolvem: a) discussão acerca do direito à isenção do IPI dos produtos industrializados pela interessada (estabilizadores), com amparo na Lei 8.248/91 e Decreto 792/93; b) classificação fiscal dos estabilizadores. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 412 6 Vejamos como as Câmaras decidiram as questões, com o objetivo de verificar se houve, ou não, divergência. No acórdão recorrido, apesar da menção, ambígua, da classificação fiscal na ementa, não houve decisão acerca da classificação fiscal das mercadorias (estabilizadores de tensão). Isso, por ter a Câmara entendido que a correta classificação fiscal tornouse irrelevante em face do reconhecimento da isenção do IPI. Transcrevese, a seguir, trechos do voto recorrido, para verificar o entendimento adotado pela Câmara (fls. 316/317): “Portanto, o cerne da questão consiste em saber se o referido Decreto teria vinculado a fruição dos benefícios contidos na Lei n. 8.248/91 à publicação da indigitada Portaria Interministerial Conjunta do Ministério da Ciência e Tecnologia MCT e do Ministério da Fazenda — MINIFAZ. Não se deve admitir que o beneficio da isenção seja assim restringido, uma vez que o texto legal não respalda tal posicionamento. (...) Temos, ainda, por irrelevante eventuais discussões a cerca da correição ou não da classificação fiscal dos produtos objeto da autuação em escopo, uma vez que a Portaria 414 de 25/11/98 assegurou o direito a desoneração de "todos os modelos de estabilizadores eletrônicos passíveis de industrialização e comercialização pela empresa.” (grifos acrescidos) Assim, constatase que a Terceira Câmara não decidiu sobre a classificação fiscal dos estabilizadores industrializados pela empresa, por considerála irrelevante. A decisão centrouse na análise do direito à isenção prevista na Lei 8.248, de 1991, e regulamentada pelo Decreto 792/1993, tendo a Câmara reconhecido o direito ao benefício. Por outro lado, o acórdão paradigma decidiu, tãosomente, sobre a classificação fiscal dos indigitados estabilizadores, acatando como correto o código adotado pelo Fisco. No tocante à isenção dos estabilizadores ao amparo da Lei 8.248/91 (matéria abordada no recurso voluntário e relatada, fls. 333/347), a Câmara não se pronunciou, por entender ser matéria da competência do então Segundo Conselho de Contribuintes. Vide excerto do voto em comento (fls. 348/351): “Conforme pode ser verificado pelo relato dos fatos ocorridos, o presente litígio versa sobre várias matérias, algumas das quais são da competência deste Colegiado, enquanto que outras não. (...) Pelo exposto, rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, ratificando as razões que fundamentaram o Acórdão combatido, nego provimento ao recurso voluntário interposto, quanto à classificação de mercadorias. Quanto às demais matérias, voto por declinar a competência de julgamento em favor do E. Segundo Conselho de Contribuintes.” (grifos acrescidos) Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 413 7 Confrontando as duas decisões, entendo restar comprovada a divergência. No acórdão recorrido a Câmara decidiu acerca do direito à isenção do IPI sobre os estabilizadores industrializados pela interessada, e, ao reconhecer o direito ao benefício, entendeu irrelevante decidir sobre a classificação. Ao contrário, no acórdão paradigma a Câmara decidiu acerca da classificação dos estabilizadores, e não decidiu acerca da isenção, por julgar ser matéria de competência do então Segundo Conselho de Contribuintes. Dessa forma, presentes os requisitos de admissibilidade, notadamente a comprovada divergência jurisprudencial, entendo que o recurso especial da Fazenda merece ser conhecido. Como mencionado, existem duas questões envolvidas no litígio: a classificação fiscal dos estabilizadores de tensão industrializados pela interessada e o direito à isenção para esses produtos, segundo a Lei 8.248, de 1991, e disposições regulamentares. Antes porém de adentrar ao mérito, suscito questão preliminar de nulidade da decisão recorrida, pelas razões seguintes: Como é de todos sabido, antes da unificação dos Conselhos de Contribuintes, a competência para decidir sobre isenção do IPI pertencia ao então Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 8º, inciso I, do então Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF 55, de 1998: Art. 8 º Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar os recursos de ofício e voluntários de decisões de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: I Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), inclusive adicionais e empréstimos compulsórios a ele vinculados, exceto o IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o IPI incidente sobre produtos saídos da Zona Franca de Manaus ou a ela destinados; (...) Parágrafo único. Na competência de que trata este artigo, incluem se os recursos voluntários pertinentes a: (...) III – reconhecimento do direito à isenção ou imunidade tributária. De outro lado, voltando aos autos, observase que em que pese haver questão relativa a classificação de mercadorias, que era de competência do então Terceiro Conselho o cerne do litígio centrase na discussão sobre o reconhecimento, ou não, da isenção. Tanto assim que, ao reconhecêla, a Câmara recorrida entendeu ser irrelevante a correta definição da classificação fiscal. Isso porque, a lei e os atos regulamentadores da isenção não se fixam na classificação fiscal, mas na identificação do fabricante e na descrição dos produtos que são abrangidos pela dita isenção, mediante identificação dos modelos. Veja se, por exemplo, as Portarias Interministeriais publicadas para a interessada, que, em seus anexos, relacionam os produtos beneficiados por modelo (e não por classificação fiscal fls. 206 a 209). Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 414 8 Portanto, não está diante de autuação do IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadoria, o que seria, indubitavelmente, de competência do então Terceiro Conselho, mas sim, de exigência do IPI decorrente de utilização indevida do benefício da isenção, em operação no mercado interno (não se trata de IPI vinculado), e sem envolver a Zona Franca de Manaus. A classificação das mercadorias (no caso, dos estabilizadores) é fundamental diante do não reconhecimento da isenção, para correta determinação da alíquota aplicável, alíquota necessária à apuração do imposto devido nas saídas promovidas sem destaque do imposto. Prova disso é que tanto a posição defendida pela contribuinte para a classificação dos estabilizadores, quanto a defendida pelo Fisco, eram, ambas, posições tributadas com alíquotas positivas pela TIPI1, a saber: 8504.40.90 – alíquota 10%; 9032.89.11 – alíquota 15%, respectivamente. No entanto, a contribuinte deu saída aos ditos estabilizadores sem tributálos, por entender estarem alcançados pela isenção instituída pela Lei 8.248, de 1991 (bens de informática e automação). Daí ser a isenção, utilizada indevidamente pela empresa, segundo interpretação do Fisco, o motivo da autuação. Com essas considerações, entendo que a Câmara recorrida decidiu sobre matéria que, à época, não era de sua competência, devendo ser declarada a nulidade da decisão, em razão de haver sido proferida por autoridade incompetente (artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235, de 19722 PAF). Diante do exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão nº 30333.453, de 16 de agosto de 2006, nulidade que alcançará a mencionada decisão bem como todos os atos posteriores. Henrique Pinheiro Torres 1 TIPI – Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovada pelo Decreto 2092, de 10/12/1996. 2 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Voto Vencedor Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 415 9 Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF (despacho de fl. 406), incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que a redatora designada para o voto vencedor, Conselheira Nanci Gama, deixou o colegiado antes da formalização do acórdão. Como indicado, nele o colegiado entendeu inservível o acórdão apresentado como paradigma para demonstrar a divergência de entendimentos, não conhecendo, assim, do recurso. E o motivo para tanto encontrase bem apresentado, a meu ver, pelo dr. Henrique em seu voto: o acórdão recorrido não enfrentou a matéria atinente à classificação fiscal do produto, entendendo cabível, de qualquer modo a isenção; já o acórdão apontado como divergente adentra exatamente esse aspecto e conclui incabível a isenção por erro na classificação fiscal. Ora, sendo assim, pareceunos, faltou ao recurso especial exatamente o requisito do prequestionamento da matéria, não podendo a CSRF, em oposição ao entendimento do "paradigma", enfrentar matéria não discutida na decisão recorrida. Assim o é porque, pelo menos é o que penso, não é este colegiado uma terceira instância a quem caiba meramente revisar a decisão recorrida à semelhança do que fazem as turmas julgadoras com respeito à decisão de primeiro grau administrativo. Ao contrário, e como tem sido reiteradamente apontado, este colegiado destinase a dirimir divergências de entendimentos entre colegiados distintos, o que requer, como mínimo, que a matéria tenha sido enfrentada em ambas as decisões confrontadas. Com essas considerações, decidiu o colegiado não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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