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Numero do processo: 13976.000364/2007-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matéria do Recurso Especial diante da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o apontado como paradigma, ou sobre a qual não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por se tratar de situações fáticas diversas, cada qual com seu conjunto probatório específico, onde as soluções diferentes não têm como fundamento a interpretação diversa da legislação, mas sim, as diferentes circunstâncias materiais retratadas em cada um dos julgados.
Numero da decisão: 9202-011.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. Vencida conselheira Fernanda Melo Leal que conhecia parcialmente em relação a matéria a.) – matéria “enquadramento da recorrente como agroindústria”.
Assinado Digitalmente
Mário Hermes Soares Campos – Relator
Assinado Digitalmente
Liziane Angelotti Meira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Maurício Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria do Recurso Especial diante da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o apontado como paradigma, ou sobre a qual não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por se tratar de situações fáticas diversas, cada qual com seu conjunto probatório específico, onde as soluções diferentes não têm como fundamento a interpretação diversa da legislação, mas sim, as diferentes circunstâncias materiais retratadas em cada um dos julgados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. Vencida conselheira Fernanda Melo Leal que conhecia parcialmente em relação a matéria a.) – matéria “enquadramento da recorrente como agroindústria”. Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Fl. 1760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Maurício Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Liziane Angelotti Meira (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, contra o Acórdão nº 2401-001.964 (e.fls. 1251/1263), complementado pelos Acórdãos de Embargos nºs 2401-003.918 e 2401-005.451, todos da 1ª Turma Ordinária/ 4ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que por unanimidade de votos, conheceu parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, declarou a decadência dos lançamentos até o período de apuração 10/2001, sendo mantidas as demais competências constantes da autuação. Consoante o acórdão recorrido, trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos (NFLD) lavrada pela fiscalização contra o sujeito passivo que, de acordo com o Relatório Fiscal de e.fls. 166/213, refere-se às contribuições devidas à Seguridade Social, no período de 01/07/1998 a 31/12/2005, pelos segurados; devidas pela pessoa jurídica (parte patronal e em função do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho – Gilrat); e aquelas destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra). Os fatos geradores das contribuições objeto do lançamento encontram-se sumariados no Relatório do acórdão recorrido nos seguintes termos: Relatório (...) De acordo com o referido Relatório Fiscal, constituem fatos geradores das contribuições lançadas: a) levantamento FOL - Folha de Pagamento: as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados informadas em Folha de Pagamento e declaradas em GFIP, pelo enquadramento de ofício da empresa no FPAS 507, no período de 07/2004 a 13/2005; b) levantamento Vil - Caracterização de Vínculo Empregatício: as remunerações pagas ou creditadas aos trabalhadores caracterizados segurados empregados, tidos pela empresa como prestadores de serviços pessoas jurídicas, não informadas em Folha de Pagamento, no período de 07 a 12/1998; c) levantamento VIN - Caracterização de Vínculo Empregatício: as remunerações pagas ou creditadas aos trabalhadores caracterizados segurados empregados, Fl. 1761DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 3 tidos pela empresa como prestadores de serviços pessoas jurídicas, não informadas em Folha de Pagamento e não declaradas em GFIP, no período de 01/1999 a 06/2004; d) levantamentos CE - Salário Utilidade Cesta Básica e CES — Salário Utilidade Cesta Básica: as remunerações concedidas aos segurados empregados como prêmio assiduidade, sob a forma de salário utilidade, através do fornecimento de cestas básicas, sendo que a empresa não inscreveu esta modalidade no Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT), não informadas em Folha de Pagamento, no período de 07 a 12/1998 e no período de 01/1999 a 12/2005, respectivamente, sendo que, neste último, não foram declaradas em GFIP; e) levantamento PAR - Participações Administradores: as remunerações pagas aos diretores pela participação nos resultados, em 12/1999 e 12/2000, não informadas em Folha de Pagamento e não declaradas em GFIP; O levantamento CI - Contribuintes Individuais: as remunerações pagas a pessoas físicas sem vínculo empregatício (contribuintes individuais) que prestaram serviços com a emissão de notas fiscais avulsas, não informadas em Folha de Pagamento e não declaradas em GFIP, no período de 11/2000 a 01/2004. A auditoria relata que a empresa declarou-se em GFIP, indevidamente, como sendo Agroindústria (FPAS 833), a partir de 07/2004. Junta planilhas e cópias de documentos às fls. 213/804). Constam, ainda, convênios com as terceiras entidades e fundos - SESC, SENAC e FNDE. (...) A contribuinte apresentou a impugnação de e.fls. 833/865, onde principia apresentando preliminares de nulidade da notificação e decadência parcial dos valores lançados. Destaca que, teria se enquadrado como agroindústria embasada em orientações fornecidas pela Receita Previdenciária, por meio de processo de Consulta de 26/09/2003, o que vincularia a os agentes fiscalizadores, sendo que qualquer modificação na resposta a dada à consulente, esta deveria ser devidamente notificada e somente operaria efeitos posteriores à ciência da alteração de entendimento do órgão fiscalizador. Quanto ao mérito, no que se refere às matérias devolvidas para análise no Recurso Especial, defende: seu enquadramento como agroindústria, dedicando-se à industrialização de produção rural própria; que a Lei 10.256, de 2001 não adotaria como critério específico que a industrialização seja de 100% de sua produção rural; que existe permissão legal para que concomitantemente a empresa industrialize produção própria com produção adquirida de terceiros; e que não há vedação legal para a agroindústria adquirir matas vivas. Antes de submeter a impugnação a julgamento, entendeu a autoridade julgadora de piso pela baixa dos autos em diligência (e.fls. 883/885), para que a auditoria-fiscal informasse sobre a existência de grupo econômico e cientificasse as solidárias. Atendendo à diligência solicitada, foi anexado às e.fls 899/904 o “Relatório Fiscal COMPLEMENTAR”, onde é atribuída responsabilidade solidária do lançamento às seguintes pessoas jurídicas componentes de grupo econômico de fato da contribuinte autuada: AAW Empreendimentos e Participações Ltda; LED Fl. 1762DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 4 Empreendimentos e Participações Ltda; RS Empreendimentos e Participações Ltda; e Artefama Comercial Exportadora S/A. As responsáveis solidárias apresentaram as impugnações de e.fls. 916/964, onde contestam as respectivas responsabilizações, sendo que a solidária Artefama Comercial Exportadora S/A, apresentou ainda a peça impugnatória de e.fls. 975/1024. Foi reaberto o prazo de impugnação à notificada, devido aos novos elementos trazidos aos autos, sendo apresentada pela contribuinte nova manifestação, intitulada “Complemento a Impugnação” (e.fls. 1030/1059), onde reitera os argumentos da sua defesa inicial. Submetidas as impugnações a julgamento, decidiu a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (DRJ/FNS) pela procedência do lançamento, sendo mantido integralmente o crédito tributário lançado, conforme decisão de e.fls. 1164/1184. Inconformadas com a decisão da DRJ/FNS, a contribuinte e as responsáveis solidárias apresentaram, em conjunto numa única peça, o recurso voluntário de e.fls. 1197/1230, onde voltam a suscitar preliminar de nulidade da notificação, sob o mesmo argumento de que: “...todo o processo de enquadramento da Recorrente como empresa rural, foi com base em orientações recebidas da própria Autarquia, o que, gera a nulidade do Auto de Infração.” Especificamente quanto às matérias devolvidas à discussão em sede de Recurso Especial, ratifica a contribuinte a informação de que teria apresentado consulta formal junto à Receita Previdenciária, de forma que todo o procedimento de enquadramento como agroindústria por ela adotado teria como fundamento a resposta recebida no referido processo de consulta, não podendo assim, ser autuada por seguir orientações oficialmente expressadas pela própria Administração. Acrescenta que: “De outro modo, caso fosse verificada, após a Auditoria-Fiscal, a falta de preenchimentos para a empresa se auto-enquadrar como empresa rural, o Agente Fiscal deveria notificar a empresa, informando a modificação da resposta à consulta fiscal, ou mesmo, concedendo prazo, oportunizando a Impugnante a regularizar as exigências do fisco.” Na sequência, em tópico intitulado “Do Direito”, passa a recorrente a sustentar seu efetivo enquadramento como agroindústria, nos termos da legislação, por desempenhar as atividades de: industrialização de madeira para produção; comercialização e exportação de móveis e outros artefatos, inclusive florestamento, reflorestamento, extração de madeira e agricultura, para uso próprio, comercialização e ou exportação; e ainda, representação comercial de compra e venda de imóveis e comercial exportadora. Afirma que a autoridade fiscal lançadora teria lavrado a autuação desconsiderando todas as atividades desenvolvidas pela empresa, baseada em justificavas e fundamentações não procedentes; reitera ter agido de acordo com orientação emanada em resposta a consulta de forma que: “A interpretação da Autarquia vincula o INSS e seus agentes, não podendo a Recorrente sofrer imputações legais por seguir oficialmente as orientações prestadas.” Encaminhados os autos ao CARF, antes do Recurso Voluntário ser submetido a julgamento os sujeitos passivos apresentaram o “Requerimento de Desistência ou Impugnação de Fl. 1763DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 5 Recursos Administrativo” e Anexo (e.fls. 1228/1233), onde manifestam desistência parcial da discussão litigiosa, mantendo-se os argumentos de defesa relativos a: “tão somente para reconhecimento da prescrição dos períodos superiores a 5 (cinco) anos, ou seja, de janeiro/1999 a outubro/2001, bem como quanto ao enquadramento da empresa como agroindústria, reconhecendo o direito ao recolhimento da Contribuição previdenciária instituída pela Lei nº 10.256/2001.” A 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conheceu parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, declarou a decadência dos fatos geradores até a competência 10/2001; sendo mantidos os demais períodos e valores remanescentes após o pedido de desistência parcial, conforme o Acórdão 2401-01.964 (e.fls. 1251/1263), ora objeto de Recurso Especial, que apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA. INCIDENTES SOBRE CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS. VALES REFEIÇÃO. PAT. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, não houve antecipação de pagamento, pois embora parte do lançamento refira-se a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados, houve lançamento englobando as contribuições incidentes sobre a outra parte da remuneração. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência , a regra contida no artigo 173, I do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, faz-se necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Mesmo considerando como produção rural própria a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural , mesmo assim, tal produção Fl. 1764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 6 é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria" Recurso Voluntário Provido em Parte A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) na parte conhecida: a) declarar a decadência até a competência 10/2001; e b) no mérito, negar provimento ao recurso. Cientificada da decisão proferida pela 4ª Turma Ordinária, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) apresentou os Embargos de Declaração de 1268/1270, onde aponta contradição entre o teor decisório contido na ementa, quando comparado com o dispositivo e a fundamentação da decisão. Afirma que a ementa do julgado esboça entendimento no sentido de que deve ser aplicado ao prazo decadencial a forma de contagem de prazo prevista no art. 173, 1, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), em razão da ausência de pagamento antecipado. Entretanto, o dispositivo e a parte final do voto indicariam que deveria ser aplicado ao caso a forma de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN, em razão da verificação de pagamento antecipado. Acatados os embargos da PFN e submetidos a julgamento, foi proferido o Acórdão de Embargos nº 2401-003.918, onde, sem efeitos infringentes, foi saneada a contradição apontada, sendo mantida a fundamentação do artigo 150, §4º do CTN, para efeito de contagem do prazo decadencial. Também a contribuinte apresentou Embargos de Declaração, petição de e.fls. 1385/1393, onde alega omissão e contradição na decisão embargada, no tocante a questões que reputa cruciais ao deslinde controvérsia, incorrendo em erro de direito. Argui a contribuinte nos seus embargos, entre outras alegações: a) esclarecimento quanto à afirmação de que não poderiam ser enquadradas como agroindústrias as empresas que têm produção rural própria ínfima em relação àquela adquirida de terceiros, requer assim elucidar: “...qual seria o percentual de produção própria necessário para caracterizar a pessoa jurídica como agroindústria, amparando-se em conceitos poucos determináveis e princípios subjetivos, os quais, diga-se, não estão expressamente previstos em lei.”; b) omissão quanto à base legal das razões de decidir quando afirmado no acórdão embargado: b.1) que a produção própria deveria sobrepor àquela adquirida de terceiros; b.2) que a autuada não seria predominantemente fabricante de móveis de madeira, o que a descaracterizaria como agroindústria. Também, aduzida contradição quanto à qualificação da embargante como agroindústria. Em petição datada de 02/05/18 (e.fls. 1495/1499) a contribuinte afirma informar fato superveniente, decorrente da Solução de Consulta n.º 34, de 2016, exarada pela Coordenação-Geral de Tributação – COSIT, em sentido favorável à sua tese, solicitando assim, que tal manifestação fosse integrada a seus embargos. Os Embargos da contribuinte foram acatados e submetidos a julgamento, sendo exarado o Acórdão 2401-005.451 (e.fls. 1515/1524), decidindo a 1ª Turma de Julgamento / 4ª Fl. 1765DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 7 Câmara desta Seção, pelo seu acolhimento, sem efeitos infringentes, para saneamento da omissão e contradição apontadas, sem modificação da decisão embargada. Ciente do Acórdão 2401-005.451, que acolheu seus embargos sem efeitos infringentes, a contribuinte interpôs o Recurso Especial de e.fls. 1536/1565, onde argui divergência interpretativa com relação às seguintes matérias: a) enquadramento da recorrente como agroindústria; b) solução de consulta - efeito vinculante de consulta anterior favorável ao contribuinte; c) efeito vinculante de Solução de Consulta COSIT nº 34/2016 posterior ao lançamento; e d) nulidade do acórdão recorrido. Por meio do Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial de efls. 1694/1704, foi dado seguimento ao Recurso Especial da contribuinte, sendo admitida a rediscussão das seguintes matérias: “enquadramento da recorrente como agroindústria”, acatados como paradigmas os Acórdãos 206-01.153 e 2402-003.468; e “solução de consulta – efeito”, tendo como paradigmas os Acórdãos 3402-003.970 e 101-94.191. Foram apresentadas pela Fazenda Nacional as Contrarrazões ao Recurso Especial de e.fls. 1705/1721. Encaminhados os autos para apreciação desta Câmara Superior, em sessão datada de 22/11/2021 entendeu o colegiado pela conversão do julgamento em diligência, para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial, com posterior retorno para prosseguimento, conforme a Resolução 9202-000.294 (e.fls. 1726/1730). Em cumprimento a tal Resolução, foi proferido o “Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial – Complementação” de e.fls. 1732/1740, sendo rejeitado o seguimento das matérias: “efeito vinculante de Solução de Consulta COSIT nº 34/2016 posterior ao lançamento”, devido a falta de prequestionamento e “nulidade do acórdão recorrido”, por não apresentação de paradigma. Desta forma, dado seguimento parcial ao Recurso, sendo mantida a rediscussão somente das matérias: “enquadramento da recorrente como agroindústria e “solução de consulta – efeito”. Os autos retornaram a esta Câmara Superior para continuidade do julgamento, sendo redistribuídos pelo fato da relatora original não mais compor o Colegiado. É o relatório. VOTO Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator Conforme relatado as matérias devolvidas para reapreciação em sede de Recurso Especial da contribuinte (e.fls. 1536/1565) são: “enquadramento da recorrente como agroindústria”, acatados como paradigmas os Acórdãos 206-01.153 e 2402-003.468; e “solução de consulta – efeito”, tendo como paradigmas os Acórdãos 3402-003.970 e 101-94.191. A - Admissibilidade Fl. 1766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 8 A.1 – Admissibilidade – matéria “enquadramento da recorrente como agroindústria” Suscita a contribuinte divergência de interpretação entre os acórdãos apontados como paradigmas (206-01.153 e 2402-003.468) e o recorrido (2401-01.964), complementado pelos acórdãos de embargos 2401-003.918 e 2401-005.451). Sustenta que, enquanto no acórdão recorrido restou decidido que não se enquadraria como agroindústria e não teria direito ao recolhimento da contribuição previdenciária instituída pela Lei nº 10.256/2001, em situações que entende análogas, teria se decidido nos paradigmas de forma diametralmente oposta, mediante os seguintes argumentos: (...) 18. Assim sendo, o que se busca com o presente Recurso é esclarecer qual a interpretação deste E. CARF acerca do artigo 22-A, caput e §6º da Lei n 9 8.212/1991, sobretudo quanto aos parâmetros para o enquadramento de pessoa jurídica produtora rural como agroindústria. Isto porque, inobstante o entendimento consignado no v. acórdão ora recorrido, este E. CARF já deu à matéria solução diversa, pelo que o presente recurso encontra cabimento nos artigos 37, parágrafo 2 9 , inciso II do Decreto n 5 70.235/1972 e 67 da Portaria n^ 256/2009. Vejamos. (...) 21. Como visto, se, por um lado, o v. acórdão recorrido afirma que "(...) com relação à Produção Rural Própria, mesmo considerando como tal a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural, mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria.", por outro, o v. acórdão paradigma é taxativo ao dispor que "Verifica-se que não existe, na legislação que trata da matéria, limite mínimo de produção própria a ser industrializada para que uma empresa seja considerada agroindústria. Portanto, o fato de a produção rural da filial 006-68 não alcançar 0,30% do total faturado não exclui a notificada do conceito legal de agroindústria." 22. Não poderia ser diferente! Afinal, a lei previdenciária definiu o conceito de agroindústria sem estabelecer qualquer percentual mínimo de produção própria a ser utilizada no processo industrial. E, se ao estabelecer o conceito e seus requisitos a legislação de regência não trouxe uma limitação com base em percentuais, com todo respeito, não cabe a mais ninguém fazê-lo. 23. Seguindo, enquanto o v. acórdão recorrido argumenta que "ainda que a lei não exija que a produção própria deva ser neste ou naquele percentual em relação à produção adquirida de terceiro, a produção própria deve sobrepor àquela adquirida de terceiros", o v. acórdão paradigma categoricamente leciona que "Pela lei, havendo a industrialização de produção própria estaria caracterizada a condição de agroindústria. A lei não conferiu aos contribuintes ou à administração a possibilidade de com base em juízo de valor totalmente subjetivo, afastar o comando legal. A subjetividade residiria na completa inexistência de quaisquer parâmetros que pudessem disciplinar o que seria considerado ínfimo ou insignificante." 24. Como se vê, ao julgar caso análogo ao presente, a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu solução oposta àquela aplicada pelo v. acórdão recorrido, Fl. 1767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 9 proferido pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Egrégio Conselho. 25. Em outra ocasião, este E. CARF também manteve o enquadramento de agroindústria atendo-se às condições estabelecidas na legislação de regência e afastando qualquer limite imposto em razão de juízo de valor ou subjetividade. Confira-se (Doc. 04): (...) 26. Mais uma vez, enquanto o v. acórdão recorrido afirma que "{...) com relação à Produção Rural Própria, mesmo considerando como tal a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural, mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria.", o v. acórdão paradigma acima não deixa dúvidas ao reconhecer que "(...) a lei (...) não dá qualquer margem de se dar um tratamento diferenciado a determinada empresa que, embora industrialize produção própria não seja considerada agroindústria. (...) A lei não conferiu aos contribuintes ou à administração a possibilidade de, com base em juízo de valor totalmente subjetivo, afastar o comando legal. A subjetividade residiria na completa inexistência de quaisquer parâmetros que pudessem disciplinar o que seria considerado ínfimo ou insignificante. (...) pelo Princípio da Estrita Legalidade não cabe à autoridade administrativa, com base em seu juízo de valor, ir além do que a lei determina." 27. Desta forma, está cabalmente demonstrado o cabimento do presente recurso com base nos artigos 37, parágrafo 2^, inciso II do Decreto n ? 70.235/1972 e 67 do RICARF. (...) Os recortes acima reproduzidos, do Recurso Especial, demonstram que a contribuinte sustenta a existência de divergência argumentando que o acórdão recorrido, ao decidir que a autuada não se enquadraria como agroindústria, fundamentou tal decisão pelo fato de que sua produção própria seria ínfima, discrepando assim dos paradigmas, onde teria restado consignado que não haveria na legislação previdenciária que trata da matéria, um percentual mínimo de produção própria que deva ser industrializada, para que a empresa seja considerada como uma agroindústria. Em que pese os argumentos da recorrente e apesar da decisão pelo seguimento do Recurso Especial no Despacho de Admissibilidade, o cotejo entre os acórdãos recorrido e paradigma, com especial atenção aos pontos que serão destacados, evidencia não se verificar presentes situações com similitude fática autorizativas do seguimento de Recurso Especial. Deveras, toda a discussão travada nos acórdãos paradigmas orbitou quanto ao enquadramento das respectivas autuadas na qualidade de agroindústria, decorrente do fato de que apresentavam industrialização de quantidades ínfimas de bens de produção própria. Entretanto, em nenhum momento foi contestado o fato de que as autuadas promoveram a industrialização de bens de produção própria, mesmo que em quantidade ínfima. Em ambos os paradigmas há expressa constatação de que as respectivas empresas teriam se utilizado de bens de produção rural própria em seu processo de industrialização; nesse sentido confira-se os seguintes excertos dos paradigmas: Paradigma 206-01.153 Fl. 1768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 10 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Voto (...) Verifica-se que não existe, na legislação que trata da matéria, limite mínimo de produção própria a ser industrializada para que uma empresa seja considerada agroindústria. Portanto, o fato de a produção rural da filial 0006-68 não alcançar 0,30% do total faturado não exclui a notificada do conceito legal de agroindústria. Assim, ao utilizar-se de produção própria em seu processo industrial, a recorrente cumpriu os requisitos indispensáveis para caracterização do enquadramento agroindustrial. (...) E, como não é facultado ao servidor público eximir-se de aplicar uma lei, a fiscalização, ao constatar E como a atividade administrativa é vinculada, ao constatar que a FRIGOESTRELA utiliza-se de produção própria em seu processo de industrialização, fato não negado pela recorrente em sua peça recursal, a fiscalização promoveu, de forma correta, o seu enquadramento como agroindústria. (...) (negritei) Paradigma 2402-003.468 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS (...) Voto Vencedor (...) A recorrente alega que não poderia ser considerada agroindústria em razão de sua atividade rural ser insignificante face à atividade industrial que seria a principal. Alega que o montante de gado fornecido por suas fazendas representa um valor ínfimo quando relacionado ao gado fornecido por terceiros. Tal alegação leva a inferir que a recorrente admite a produção própria, mas considera que o volume dela não seria suficiente para caracterizá-la como agroindústria. (...) A Lei nº 10.256/2001 ao inserir o art. 22-A na Lei nº 8.212/1991 não fez qualquer ressalva que ensejasse a aplicação do entendimento apresentado pela recorrente. Pela lei, havendo a industrialização de produção própria estaria caracterizada a condição de agroindústria. A lei não conferiu aos contribuintes Fl. 1769DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 11 ou à administração a possibilidade de, com base em juízo de valor totalmente subjetivo, afastar o comando legal. A subjetividade residiria na completa inexistência de quaisquer parâmetros que pudessem disciplinar o que seria considerado ínfimo ou insignificante. (...) (negritei) Situação distinta encontramos ao analisarmos, no canso concreto objeto do presente lançamento, a decisão recorrida, complementada pelo acórdão de embargos 2401- 005.451. A leitura atenta do acórdão recorrido demonstra que, a razão de decidir partiu do fato de que, não teria sido constatado que a autuada teria se utilizado de produção própria da atividade rural em seu processo de industrialização. Tal afirmação pode ser constatada mediante a leitura dos seguintes trechos do acórdão recorrido 2401-01.964 e do acórdão 2401-005.451, decorrente de embargos da própria contribuinte: Acórdão 240101.964 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005 (...) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, faz-se necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Mesmo considerando como produção rural própria a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural , mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria" (...) VOTO (...) Conforme consta do Relatório Fiscal, para a Previdência Social a empresa se auto-enquadrou como Indústria (FPAS 507) até a competência 06/2004. A partir da competência 07/2004 mudou seu enquadramento para Agroindústria apresentando as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, com FPAS 833 - Agroindústria, passando o seu regime de tributação da folha de salários para a receita bruta, ou mais especificamente, Fl. 1770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 12 aquela que seria decorrente da "comercialização da produção rural industrializada". Por outro lado, a 6ª Turma da DRJ/FNS, entendeu que, fazendo-se a necessária análise dos requisitos para tal, previstos na legislação que trata do assunto, conclui-se que a impugnante não pode ser enquadrada como Agroindústria. (...) Pelo que se lê do dispositivo acima transcrito, verifica-se que, na definição do que seja Agroindústria, estão contidos os seguintes requisitos: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar produção própria, e, acrescentada a essa, a industrialização e produção adquirida de terceiros. Vê-se, assim que o requisito essencial para que haja a substituição das contribuições previdenciárias das agroindústria é o de industrializar a produção própria podendo haver também a industrialização da produção adquirida de terceiros, porém, ainda que a lei não exija que a produção própria deva ser neste ou naquele percentual em relação à produção adquirida de terceiro, a produção própria deve sobrepor àquela adquirida de terceiros. No presente caso, no entanto, o objetivo principal da impugnante, conforme verificado pela fiscalização e que consta de seu contrato social e CNPJ, é a fabricação e comercialização de móveis com predominância de madeira. Atividade esta que já era exercida antes do advento da Lei 10.256/2001 em detrimento de alguma atividade rural. (...) Como já salientado na fundamentação da decisão de primeira instância a Recorrente, nas Declarações de Imposto de Renda relativa aos anos de 1999 a 2005, declarou não exercer atividade rural. De igual modo agiu a empresa ao impetrar a ação judicial n°.2001.72.01.004535-0, em 31/12/2001, na 3ª, Vara de Joinville, na qual pleiteia seja reconhecida a inexigibilidade das contribuições ao INCRA sob o argumento de que não é produtor rural. Verificou-se, assim, que o enquadramento como Agroindústria ocorreu somente, e de maneira apenas formal, perante à Previdência Social. Não por acaso e tampouco em decorrência de erro, porém, com vistas à obtenção do benefício da substituição da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento de seus empregados pela incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção, o que lhe é extremamente mais favorável financeiramente. Assim, com relação à Produção Rural Própria, mesmo considerando como tal a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural, mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e Fl. 1771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 13 por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria. (...) (negritei) Em análise de Embargos apresentados pela contribuinte, onde foram alegadas omissão e contradição exatamente quanto a suposta decisão fundamentada em utilização ínfima de produção própria na industrialização, o colegiado embargado exarou o Acórdão 2401-005.451. Em tal acórdão foi expressamente declarado o fato de que a decisão proferida teve por fundamento vários elementos que levaram ao convencimento da Relatora, e acompanhada por todos os demais componentes da Turma, de que a autuada não promoveu a industrialização de produção própria no período objeto do lançamento. Esta é uma conclusão explicitamente veiculada no Voto do acórdão dos embargos: “Da leitura do voto, observa-se que a relatora se vale de vários elementos para afirmar que a empresa não industrializa produção própria, não se enquadrando nos requisitos da Lei nº 10.256/2001.” Para perfeita visualização dos fundamentos de tal conclusão, oportuna a reprodução de trechos de referido acórdão: Acórdão de embargos do recorrido - 2401-005.451 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Constatada a ocorrência de omissão ou contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções (...) Voto (...) Da leitura do voto, observa-se que a relatora se vale de vários elementos para afirmar que a empresa não industrializa produção própria, não se enquadrando nos requisitos da Lei nº 10.256/2001: No presente caso, no entanto, o objetivo principal da impugnante, conforme verificado pela fiscalização e que consta de seu contrato social e CNPJ, é a fabricação e comercialização de móveis com predominância de madeira. Atividade esta que já era exercida antes do advento da Lei 10.256/2001 em detrimento de alguma atividade rural. Em que pese a alegação de que se enquadrou como Agroindústria embasada em orientações fornecidas pela própria Receita Previdenciária, através de processo de Consulta, ato que vincula os seus agentes, sendo que qualquer modificação na resposta dada à consulente somente operaria efeitos para o futuro, vale esclarecer que nas Consultas n°.310/2004, Fl. 1772DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 14 310A/ 2004 e 330/2004 (fls 843/852), que o então Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva do INSS em Joinville/SC tratou dos questionamentos efetuados e prestou os esclarecimentos em tese à consulente, com base, estritamente, nas informações e subsídios prestados pelo consulente. Como já salientado na fundamentação da decisão de primeira instância a Recorrente, nas Declarações de Imposto de Renda relativa aos anos de 1999 a 2005, declarou não exercer atividade rural. De igual modo agiu a empresa ao impetrar a ação judicial n°.2001.72.01.004535-0, em 31/12/2001, na 3ª, Vara de Joinville, na qual pleiteia seja reconhecida a inexigibilidade das contribuições ao INCRA sob o argumento de que não é produtor rural. Verificou-se, assim, que o enquadramento como Agroindústria ocorreu somente, e de maneira apenas formal, perante à Previdência Social. Não por acaso e tampouco em decorrência de erro, porém, com vistas à obtenção do benefício da substituição da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento de seus empregados pela incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção, o que lhe é extremamente mais favorável financeiramente. Assim, com relação à Produção Rural Própria, mesmo considerando como tal a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural, mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria. Diante dos vários elementos apontados, no mérito, a relatora nega provimento ao recurso. De qualquer forma, quanto à proporção entre a produção própria e a adquirida de terceiros, afirmando a relatora que "mesmo que considerando como produção própria a aquisição de árvores em pé já maturadas", o que demonstra seu entendimento que não pode ser considerada produção própria a aquisição de árvore em pé, logo, isso seria elemento suficiente para negar provimento ao recurso, por não ser a empresa agroindústria, ela acrescenta que "tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros", elemento este objeto dos embargos. Em que pese a relatora não ter discorrido mais sobre o assunto no acórdão embargado, pois suas razões de decidir eram suficientes para, no mérito, negar provimento ao recurso, o entendimento sobre a produção própria ínfima também é encontrado em outros acórdãos, conforme abaixo: (...) (destaquei) Conforme se verifica, a decisão exarada no acórdão recorrido teve por fundamento a conclusão da relatora, acompanhada por todos os pares, de que a contribuinte não se tratava de Fl. 1773DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 15 uma agroindústria, porque não se utilizou, no período objeto da autuação, de produção rural própria em seu processo de industrialização, tendo se enquadrado como tal, apenas formalmente, para efeito de alteração da forma de recolhimento das contribuições. O acórdão integrativo de embargos deixa claro que a negativa de provimento se baseou em tal premissa, sendo também demonstrado que a decisão tem por fundamento a análise do caso concreto, Os embargos aclaratórios também indicam, que a menção feita pela i.Relatora, quanto ao argumento da recorrente de se considerar como produção própria a aquisição de árvores em pé já maturadas, não representou motivação autônoma da decisão, sendo, mais uma vez declarado, de forma expressa, que este não seria o entendimento esposado no recorrido. Confira-se, mais uma vez: Verificou-se, assim, que o enquadramento como Agroindústria ocorreu somente, e de maneira apenas formal, perante à Previdência Social. Não por acaso e tampouco em decorrência de erro, porém, com vistas à obtenção do benefício da substituição da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento de seus empregados pela incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção, o que lhe é extremamente mais favorável financeiramente. Nesses termos, forçoso se concluir que a parte da decisão recorrida que trata da aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural e sua ínfima participação em relação àquela adquirida de terceiros, deve ser considerada mais como um obter dictum, do que como fundamento próprio para manutenção do acórdão, repise-se, que se baseou na constatação de que a autuada não se utilizou de produção rural própria em seu processo de industrialização. Verifica-se assim, que a decisão recorrida teve por fundamento a análise das provas e documentos constantes dos autos, que levaram à conclusão de que a autuada não teria se utilizado de produção própria da atividade rural em seu processo de industrialização. Bastante esclarecedores são ainda os fundamentos da decisão proferida pela DRJ/FNS por ocasião do julgamento da impugnação da presente autuação, ao avaliar se a então impugnante apresentaria produção própria: (...) Do Mérito Produtor Rural - Agroindústria : A empresa notificada, que antes se declarava como indústria (FPAS 507), a partir da competência 07/2004, passou a declarar-se como Agroindústria e deixou de recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestavam serviços constantes de sua folha de pagamento. Todavia, fazendo-se a necessária análise dos requisitos para tal, previstos na legislação que trata do assunto, conclui-se que a impugnante não pode ser enquadrada como Agroindústria. Fl. 1774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 16 (...) Da análise deste dispositivo legal, verifica-se que, na definição do que seja Agroindústria, estão contidos os seguintes requisitos: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar PRODUÇÃO PRÓPRIA, além da industrialização da produção de terceiros, se for o caso. (...) Isto posto, foi verificado que o enquadramento corno Agroindústria ocorreu somente, e de maneira apenas formal, perante à Previdência Social. Não por acaso e tampouco em decorrência de erro, porém, com vistas à obtenção do benefício da substituição da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento de seus empregados pela incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção, o que lhe é extremamente mais favorável financeiramente. Produção Rural Própria: Relata o auditor-fiscal que a atividade de serraria e laminação para fabricação de móveis exige toras de madeira de grandes diâmetros, cuja maturidade é alcançada após 20 ou 25 anos do início da produção. Afirma que a conta Reflorestamentos foi formada, na contabilidade da notificada, em 2003, através da aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural (fls. 179/180). Salienta que, neste aspecto, a impugnante é mera adquirente de produção rural de terceiros para exaustão imediata ou, no caso de compra antecipada, para formação de estoque de matéria-prima. Constatou que a empresa possui reflorestamentos em formação, cujas primeiras mudas plantadas reportam-se ao ano de 2001, o que significa que o plantio mais remoto efetivamente realizado pela notificada tinha entre quatro e cinco anos na última competência do lançamento (12/2005). Considerou que a empresa adquiria toda a madeira que utilizava em seu processo industrial, seja por meio de fornecedores de madeira em toras e madeira serrada, seja pela compra de madeira em pé de reflorestadoras, cujo ônus da extração é suportado por ela, seja até mesmo pela ínfima extração das áreas que adquiriu já maturada ou em adiantada fase do plantio. Desta forma, verifica-se que a empresa não possuía, no período do lançamento (07/2004 até 12/2005), produção rural própria que servisse de matéria-prima para a industrialização moveleira. Ademais, a existência de reflorestamentos cultivados pela própria empresa, por si só, não a caracteriza como agroindústria, uma vez que, para tal, há de haver industrialização da produção rural própria, como estabelece a Lei 10.256/2001. Ou seja, o início do plantio não é elemento capaz de caracterizar o exercício de atividade agroindustrial. Fl. 1775DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 17 (...) As cópias de notas fiscais, escrituras de aquisição de lotes de terras, fotos de reflorestamentos (datadas de 10/2006) e declarações de ITR do exercício de 2007, trazidos aos autos pela notificada, não servem para contraditar as informações constantes do Relatório Fiscal de que não industrializou produção rural própria até 12/2005, última competência fiscalizada. Ao contrário, a impugnante trouxe provas (quadro resumo de inventário às fls. 1045/1047) de que as colheitas foram efetuadas em reflorestamentos adquiridos após o ano de 2000, com áreas de florestas naturais e/ou com plantio realizado, obviamente pelos proprietários anteriores, desde o ano de 1977. As "plantações realizadas" pela própria notificada, constantes do citado quadro resumo, datam somente a partir do ano de 2001 e, corno já dito, não se prestam ainda para a industrialização pretendida pela empresa. Portanto, não se nega que a empresa venha realizando reflorestamentos em suas propriedades com o objetivo de abastecer sua produção industrial. Todavia, isso não significa que a empresa industrializasse produção própria, até 12/2005, pelo simples fato de que essas florestas 'próprias" não atingiram o ponto de maturação no período do lançamento. O simples plantio de mudas de pinus, a manutenção e desbastes de florestas, ainda que possa utilizar a madeira oriunda destes desbastes, provavelmente para outras finalidades, não a caracterizam como agroindústria. (...) A seu turno, nos paradigmas, o cerne de toda a discussão teve como eixo o fato de que as empresas autuadas teriam se utilizado de percentuais ínfimos de produção própria em seu processo produtivo. Entretanto, nos paradigmas há expressa constatação de que, mesmo de forma ínfima, teria havido a efetiva utilização de produção própria, situação distinta do recorrido, em que se afirma não ser a empresa uma agroindústria, justamente por não ter se utilizado de qualquer produção própria no processo de industrialização. Portanto, os paradigmas 206-01.153 e 2402-003.468 não estão aptos à demonstração da divergência, relativamente à matéria “enquadramento da recorrente como agroindústria”, por se tratar de situações fáticas diversas, cada qual com seu conjunto probatório específico, onde as soluções diferentes não têm como fundamento a interpretação diversa da legislação, mas sim, as diferentes circunstâncias materiais retratadas em cada um dos julgados. Nesses termos, voto por não conhecer do Recurso Especial da contribuinte quanto à matéria: “enquadramento da recorrente como agroindústria”. A.2 – Admissibilidade - matéria: “solução de consulta – efeito” Advoga a recorrente divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e os paradigmas 3402-003.970 e 101-94.191, acerca dos efeitos de solução de consulta efetuada pelo Fl. 1776DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 18 sujeito passivo e respondida pela Administração do tributo, à época dos fatos o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e atualmente a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB). Afirma que o entendimento adotado pelo acórdão recorrido teria sido no sentido de que as Soluções de Consultas de nºs 310/2004, 310A/2004 e 330/2004, todas formuladas pela recorrente e respondidas pela Gerência Executiva do INSS, não teriam qualquer efeito vinculante sobre a discussão travada neste processo, pois o INSS teria prestado esclarecimentos em tese à ora Recorrente. Apresenta os seguintes argumentos: III.B. DA DIVERGÊNCIA QUANTO AOS EFEITOS DE SOLUÇÃO DE CONSULTA ANTERIOR FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE 28. Além do dissídio existente neste Colegiado acerca do enquadramento de uma pessoa jurídica produtora rural como agroindústria nos termos do artigo 22-A da Lei n g 8.212/1991, o v. acórdão recorrido também divergiu de outros julgados deste E. Conselho acerca dos efeitos de solução de consulta. 29. O entendimento adotado pelo v. acórdão recorrido foi no sentido de que as Soluções de Consultas n^ 310/2004, 310A/2004 e 330/2004 proferidas pela Gerência Executiva do INSS não teriam qualquer efeito vinculante sobre a discussão travada neste processo, pois o INSS teria prestado esclarecimentos em tese à ora Recorrente. É isso o que se verifica no seguinte trecho, extraído do voto do lima. Conselheira Relatora Sra. Cleusa Vieira de Souza: Voto (—) Em que pese a alegação de que se enquadrou como Agroindústria embasada em orientações fornecidas pela própria Receita Previdenciária, através de processo de Consulta, ato que vincula os seus agentes, sendo que qualquer modificação na resposta dada à consulente somente operaria efeitos para o futuro, vale esclarecer que nas Consultas n°. 310/2004, 310A/2004 e 330/2004 (fls 843/852), que o então Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva do INSS em Joinville/SC tratou dos questionamentos efetuados e prestou os esclarecimentos em tese à consulente, com base, estritamente, nas informações e subsídios prestados pelo consulente. (...). (grifos nossos) 30. Em sentido diametralmente oposto, confira-se agora o entendimento emanado por este E. Conselho no acórdão n 5 3402-003.970, proferido nos autos do Processo Administrativo n2 10660.000903/2008-36 (Doe. 05): "EMENTA: CLASSIFICAÇÃO FISCAL SOLUÇÃO DE CONSULTA COANA. PROTEÇÃO DA CONFIANÇA. ART. 146, CTN. À luz do princípio da proteção da confiança consagrado pelo art. 146, CTN, considerando que a Recorrente se respaldou em ato legitimo e presumidamente válido da Administração Pública concernente à classificação das mercadorias por ela importadas (soluções de consulta COANA), necessário afastar a exigência tributária do lançamento quanto às impressoras classificadas sob código NCM/SH 8443.32.32. A alteração do critério jurídico realizado pela fiscalização no lançamento (alteração do Fl. 1777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 19 código NCM a ser adotado) somente poderia ser exigido para os fatos geradores futuros. (...) Voto Vencedor (...) "(...) As soluções de consulta são atos administrativos dotados de repercussão pública vez devem ser proferidos em conformidade com o procedimento legal ditado pelos artigos 48 a 50 da Lei n. g 9.430/96 e nos artigos 46 a 53 do Decreto n.Q 70.235/72 e suas conclusões devem ser publicadas na imprensa oficial (art. 48, §4 B , Lei n. s 9.430/96). (...) Nesse contexto, considerando o exercício da confiança pelo Administrado realizado com fulcro em ato administrativo dotado de presunção de validade vez que publicado e emitido pela Administração Pública em conformidade com os ditames legais aplicáveis, necessária a observância do princípio da proteção da confiança no presente caso. É o que leciona Humberto Ávila: (...) Nesse sentido, à luz do princípio da proteção da confiança consagrado pelo art. 146, CTN, considerando que a Recorrente se respaldou em ato legítimo e presumidamente válido da Administração Pública concernente à classificação das mercadorias por ela importadas (soluções de consulta COANA), necessário afastar a exigência tributária do lançamento quanto às impressoras classificadas sob código NCM/SH 8443.32.32. Como visto, a alteração do critério jurídico realizado pela fiscalização no lançamento (alteração do código NCM a ser adotado) somente poderia ser exigido para os fatos geradores futuros. (...)." (Processo Administrativo n 9 10660.000903/2008-36, Acórdão 3402-003.970, 2^ Turma Ordinária - 4¿ Câmara - 3 3 Seção, Rei. Maysa de Sá Pittondo Deligne, sessão de 28.03.2017) (grifos nossos) 31.Ora, como se vê, o v. acórdão recorrido, em sentido diametralmente oposto ao v. acórdão paradigma, nega o efeito vinculante das Soluções de Consulta fornecidas pela Receita Previdenciária à ora Recorrente e ao fato de que qualquer alteração do critério jurídico adotado somente poderia ser exigida da Recorrente para fatos geradores futuros. 32. Isto porque, nos termos do v. acórdão recorrido, "{...) o então Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva do INSS em Joinville/SC tratou dos questionamentos efetuados e prestou os esclarecimentos em tese à consulente, com base, estritamente, nas informações e subsídios prestados pelo consulente.(...)". E, a seu turno, o v. acórdão paradigma é cristalino ao reconhecer que "[...) à luz do princípio da proteção da confiança consagrado pelo art. 146, CTN, considerando que a Recorrente se respaldou em ato legítimo e presumidamente válido da Administração Pública (...), necessário afastar a exigência tributária do lançamento (...), a alteração do critério jurídico realizado pela fiscalização no lançamentof...) somente poderia ser exigido para os fatos geradores futuros.". (...) 34. Sobre o mesmo ponto, deve ser observado que, em outra ocasião, este E. CARF também reconheceu que o entendimento exarado em Solução de Consulta vincula a Administração Tributária. Destaca-se, pois, o Acórdão n. 5 101-94.191, proferido nos autos do Processo Administrativo n^ 11065.001117/00-91 (Doe. 06): "EMENTA EFEITOS DA CONSULTA Fl. 1778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 20 A resposta à consulta, certa ou errada, vincula a administração até que seja alterada. Não pode a Administração Pública, negar validade a procedimento do contribuinte aue esteia em conformidade com a orientação recebida em processo de consulta. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em decisão 'proferida em processo de consulta já solucionado, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na imprensa oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. (...) VOTO A resposta à consulta, certa ou errada, vincula a administração até que seja alterada. Assim, tendo orientado o contribuinte no sentido de que determinadas atividades por ele praticados se enquadravam como atividades rurais para efeitos de tributação, e não tendo havido alteração legal que justifique o desenauadramento, não pode, a Administração Pública, negar validade a procedimento do contribuinte que esteia em conformidade com a orientação recebida. A administração pode alterar a orientação dada em processo de consulta. Mas, nos termos do §5 Q do art 10 da IN 02/97, "na hipótese de alteração de entendimento expresso em decisão proferida em processo de consulta já solucionado, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na imprensa oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. (...)" (Processo Administrativo n^ 11065.001117/00-91, Acórdão n.e 101-94.191, Rei. Sandra Maria Faroni, sessão de 13.05.2003, l 3 Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) (grifos nossos) Verifica-se, pois, que, enquanto o v. acórdão recorrido alega que as Soluções de Consulta exaradas pela Administração Pública, previamente à autuação ora combatida, não teriam efeitos vinculantes, tendo em vista que “... o então Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva do INSS em Joinville/SC tratou dos questionamentos efetuados e prestou os esclarecimentos em tese à consulente (...)", o v. acórdão paradigma é cristalino ao afirmar que "A resposta à consulta, certa ou errada, vincula a administração até que seja alterada. Não pode a Administração Pública, negar validade a procedimento do contribuinte que esteja em conformidade com a orientação recebida em processo de consulta". Novamente, resta demonstrado o cabimento do presente recurso com base nos artigos 37, parágrafo 2$, inciso II do Decreto n^ 70.235/1972 e 67 do RICARF. (...) Apesar da aparente similitude de tema, tenho que também quanto à matéria “solução de consulta – efeito” encontram-se presentes cruciais diferenças, que levaram as Turmas julgadoras às respectivas decisões, baseadas na análise das provas e documentos constantes dos autos, não se configurando a divergência suscitada. Iniciando pelo paradigma 3402-003.970, o primeiro ponto de destaque é que naqueles autos o tema em discussão era a correta classificação da mercadoria importada pela autuada. Discutiu-se naqueles autos, a possibilidade da fiscalização desconsiderar a classificação fiscal de uma mercadoria, que teria sido adotada pela Coordenação Geral de Administração Tributária da RFB, em processo de consulta de um outro contribuinte que não o autuado. Toda a dinâmica do julgamento, conforme leitura dos votos vencido e vencedor, girou em torno da Fl. 1779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 21 possibilidade da fiscalização discordar de tal classificação fiscal e adotar uma outra, que considerou aplicável à mercadoria importada. Em um processo de consulta sobre classificação fiscal de mercadorias, o órgão responsável pela solução, baseado nas características da mercadoria, determina o enquadramento em um dos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Não se trata, em tal hipótese, de enquadramento em tese, uma vez que não se busca, em sentido estrito, a interpretação de uma norma, e sim, indicar qual o correto código da mercadoria na codificação da NCM. Ocorre que a fiscalização não concordou com tal classificação, por se tratar de mercadoria similar, mas de outro fabricante; pelo fato de que a empresa autuada não era a consulente; e também, porque à época da consulta as soluções veiculadas pela Administração não possuíam efeito vinculante. Entretanto, como será demonstrado na sequência, o motivo adotado pela fiscalização, e encampado pela Turma julgadora na decisão ora recorrida, é o fato de que a resposta à consulta formulada pela empresa seria em tese, posto que baseada nas informações prestadas pela consulente, que em momento algum foram atestadas ou ratificadas, por fugir ao próprio escopo dos processos de soluções de consultas. Quanto ao segundo paradigma (acórdão 101-94.191), a premissa adotada na decisão baseou-se na constatação de que em processo de solução de consulta teria a contribuinte sido orientada no sentido de que se enquadraria como atividade rural, e não industrial. Partindo de tal pressuposto, passou a se investigar se a alteração procedida na legislação daria guarida ao procedimento fiscal, que deixou de observar a decisão de enquadramento da consulente como de atividade rural. Concluindo-se ao final, que a fiscalização não poderia ter deixado de observar a orientação proferida pela própria Administração em processo de consulta, consignando que: “A resposta à consulta, certa ou errada, vincula a administração até que seja alterada”. A decisão proferida no Acórdão recorrido teve como fundamento. o fato de que a contribuinte não atendia a todos os requisitos legais para efeito de enquadramento como agroindústria, sendo registrado que as soluções das consultas por ela formuladas sempre tratou das situações, em tese e baseadas nas informações prestadas pela própria consulente. Nesse contexto o seguinte trecho da decisão recorrida: Em que pese a alegação de que se enquadrou como Agroindústria embasada em orientações fornecidas pela própria Receita Previdenciária, através de processo de Consulta, ato que vincula os seus agentes, sendo que qualquer modificação na resposta dada à consulente somente operaria efeitos para o futuro, vale esclarecer que nas Consultas n°. 310/2004, 310-A/2004 e 330/2004 (fls 843/852), que o então Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva do INSS em Joinville/SC tratou dos questionamentos efetuados e prestou os esclarecimentos em tese à consulente, com base, estritamente, nas informações e subsídios prestados pelo consulente. (destaquei) Fl. 1780DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 22 Portanto, sem razão a recorrente quando afirma que o entendimento adotado pelo acórdão recorrido, foi no sentido de que as Soluções de Consultas nº 310/2004, 310A/2004 e 330/2004 não teriam qualquer efeito vinculante sobre a discussão travada neste processo. A leitura dos trechos abaixo transcritos, vai demonstrar que a decisão recorrida não deixou de observar qualquer orientação contida nas referidas soluções de consultas: Consulta nº 310/2004 – e.fls. 875/876 (...) 2. As informações consignadas no pedido nos dão conta de uma "empresa que, além da extração da madeira, dedica-se à industrialização de produção própria e de produção adquirida de terceiros (toras, madeiras serradas, chapas, etc...), agregando parafusos, dobradiças, pregos, tintas, vernizes, caixas, embalagens e outros materiais já industrializados à composição dos seus produtos finais. (...) RESPOSTA 4. Inicialmente, cumpre-nos salientar que a presente resposta tomará por base estritamente as informações e subsídios prestados pelo consulente. Também convém esclarecer que o enquadramento de uma empresa perante a Previdência Social será dado em função das suas atividades operacionais, tendo importância secundária o que nos descrevem seus atos constitutivos e normativos, embora desejável que estes espelhem a realidade dos fatos. (...) 6. Cotejando-se os dispositivos transcritos com as informações prestadas pelo consulente, depreendemos, S.M.J., que as atividades por ele desenvolvidas o caracterizariam, nos termos da legislação previdenciária, como empresa agroindustrial, desde que as operações rurais e industriais estejam devidamente segmentadas em departamentos, divisões ou setores, bem assim observadas as considerações registradas nos itens seguintes (7 e 8). 7. Compete-nos, então, acrescentar que o INSS, mais especificamente sua Diretoria da Receita Previdenciária, consolidou, por meio da Consulta Técnica n° 270, concluída em 26/05/2003, o entendimento de que a floresta adquirida não é considerada produção própria e, portanto, na hipótese de a empresa não ser proprietária de área sobre a qual se assente a fonte dos insumos, não deverá ser tida como agroindustrial. 8. Do entendimento firmado, inferimos que a ocorrência dos fatos geradores das contribuições estabelecidas pela Lei n° 10.256/01 estará condicionada ao momento em que as florestas agregadas às suas propriedades atinjam a maturação e, em razão disso, \ sejam abatidas e industrializadas. Fl. 1781DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 23 9. Satisfeitas as condições ora mencionadas para o reconhecimento de atividades agroindustriais, deverá a empresa observar as rotinas a seguir elencadas para o recolhimento das suas contribuições previdenciárias e cumprimento das obrigações acessórias. Assim: (...) Consulta n° 310-A/2004 (ADITAMENTO) – e.fls. 873/874 (...) 1. Em complemento à consulta de n° 310/2004, concluída em 03/02/2004, prestamos esclarecimentos adicionais em face da manifestação exarada pela Diretoria da Receita Previdenciária, por meio da Consulta Técnica n° 525, de 10/02/2004. 3. Posto isto, temos esclarecido que a madeira utilizada pela agroindústria moveleira apresenta alteração na sua natureza química, de modo que, a partir de 01/09/2003, as suas contribuições previdenciárias não devam mais, em conformidade com o art. 22-A, § 6°, da Lei n° 8.212/91, incidir sobre a comercialização da produção. (...) Consulta n° 330/2004 (ADITAMENTO ÀS CONSULTAS 310/04 e 310-A/04). - e.fls 871/872 (...) RESPOSTA 4. Inicialmente, cumpre-nos salientar que a presente resposta tomará por base estritamente as informações e subsídios prestados pelo consulente. Também convém esclarecer que o enquadramento da empresa perante a Previdência Social será dado em função das suas atividades operacionais, tendo importância secundária o que nos descrevem seus atos constitutivos e normativos, embora desejável que estes espelhem a realidade dos fatos. (...) A Gerência de Joinville, alinha-se com o entendimento do aditamento da consulta técnica n° 525, 24/03/204. isto posto, temos a relatar que caso a empresa que produz móveis, não utilize no seu processo fabril, métodos que venham a alterar a estrutura química da madeira, poderão, ser consideradas agroindústrias e contribuirão com base na receita bruta da comercialização da produção, é claro, que também devam atender aos demais requisitos fixados em lei para tal enquadramento. (...) Fl. 1782DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 24 Diferentemente do afirmado pela recorrente, nas soluções de consultas, anexadas às e.fls. 871/876, não há qualquer reconhecimento, por parte de Receita Previdenciária, de que a empresa se enquadraria no conceito de agroindústria. Pelo contrário, nas passagens acima reproduzidas, há sempre a advertência de que a resposta tomará por base estritamente as informações e subsídios prestados pela consulente e que seu enquadramento perante a Previdência Social será dado em função das suas atividades operacionais. Também é salientado, que para o efeito de enquadramento devem ser observados e atendidos todos os requisitos fixados em lei. Ou seja, as respostas são dadas em tese, baseadas na narrativa da empresa, e em momento algum é afirmado, e tampouco garantido à consulente, que estaria enquadrada como agroindústria, mesmo porque, tal situação fugiria ao próprio escopo do processo de consulta, que tem por objetivo dirimir dúvida sobre interpretação da norma tributária e não ditar o enquadramento de contribuintes em determinada atividade. Considerando que os paradigmas relativos à presente matéria partiram da premissa de que haveria pronunciamento expresso da Administração em processo de consulta; o primeiro classificando objetivamente determinada mercadoria em código da NCM; e o segundo constatando que em processo de consulta teria a contribuinte sido orientada no sentido de que se enquadraria como atividade rural; temos que não se atesta similitude fática entre tais situações e a decisão proferida no acórdão recorrido. A decisão recorrida deixou claro e expresso o entendimento de que as soluções de consulta apresentadas pela autuada sempre trataram de situações em tese e baseadas estritamente nas informações e subsídios prestados pela consulente, devendo a interessada atender a todos os requisitos legais para caracterização como agroindústria. A partir de tal ponto, passou-se, na decisão recorrida, à averiguação e apontamento de diversas inconsistências apontadas pela fiscalização que culminaram na conclusão de que a empresa não se tratava de agroindústria, tudo alicerçado em fatos e documentos constantes dos autos e relativos ao caso concreto. Portanto, também quanto à matéria “solução de consulta – efeito”, os paradigmas não estão aptos à demonstração da divergência, por se tratar de situações fáticas distintas, onde as distintas soluções não têm como fundamento a interpretação diversa da legislação, mas sim, as diferentes circunstâncias materiais retratadas nos julgados. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da contribuinte. Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos Fl. 1783DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.543 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13976.000364/2007-99 25 Fl. 1784DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.5177337
Numero do processo: 11516.722417/2012-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2011 a 31/03/2012
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL.
ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS.
A via do Recurso Especial não pode ser utilizada para suprir eventual omissão no acórdão recorrido, cujo remédio processual é a oposição de Embargos de Declaração. Ademais, não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando não há similitude fática entre os julgados em confronto, ou quando estes tratam de leis diversas, cada qual com suas especificidades.
Numero da decisão: 9202-004.340
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que o conheceu. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-10-06T01:06:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Programa Gerador de Documentos.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2016-10-06T01:06:38Z; Last-Modified: 2016-10-06T01:06:38Z; dcterms:modified: 2016-10-06T01:06:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Programa Gerador de Documentos.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:a45244a8-8dbc-11e6-0000-8b1c6108d009; Last-Save-Date: 2016-10-06T01:06:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2016-10-06T01:06:38Z; meta:save-date: 2016-10-06T01:06:38Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Programa Gerador de Documentos.pdf; modified: 2016-10-06T01:06:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-10-06T01:06:38Z; created: 2016-10-06T01:06:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2016-10-06T01:06:38Z; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-10-06T01:06:38Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 391 1 390 CSRF-T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.722417/2012-85 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202-004.340 – 2ª Turma Sessão de 23 de agosto de 2016 Matéria Contribuições Previdenciárias - Multa Isolada Recorrente TRANSPORTES DALCOQUIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2011 a 31/03/2012 PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS. A via do Recurso Especial não pode ser utilizada para suprir eventual omissão no acórdão recorrido, cujo remédio processual é a oposição de Embargos de Declaração. Ademais, não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando não há similitude fática entre os julgados em confronto, ou quando estes tratam de leis diversas, cada qual com suas especificidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que o conheceu. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora designada. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 15 16 .7 22 41 7/ 20 12 -8 5 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Contribuinte Especial do Contribuinte 2ª Turma 2ª Turma agosto de 2016 agosto de 2016 Contribuições Previdenciárias - Multa Isolada Contribuições Previdenciárias - Multa Isolada TRANSPORTES DALCOQUIO LTDA TRANSPORTES DALCOQUIO LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 391DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Cuida-se de Recurso Especial do Contribuinte contra o Acórdão 2803003.757, que negou provimento ao Recurso Voluntário, e restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2011 a 31/03/2012 CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO O órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO GLOSA Não há previsão legal para que se aceite a compensação de créditos previdenciários pertencentes a sujeito passivo que não possui relação direta com o fato gerador ou o responsável pelo tributo. Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pelo contribuinte ou em desacordo com o permitido pela legislação tributária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Na origem, trata-se de Autos de Infração - DEBCAD's 51.004.688-6 e 51.004.689-4 - que têm por objeto glosas de compensações efetuadas em desacordo com a legislação vigente e a multa constante do art. 89, § 10°, da Lei n° 8.212/91, respectivamente, por entender o Fisco que a compensação realizada não encontra amparo legal e que houve falsidade nas declarações prestadas. No relatório fiscal ficou consignado: No caso atual, nada pode fazer a interessada para aproveitar o valor perante a Fazenda Nacional declarando compensações em GFIPs, devendo aguardar a compensação dos credores originais, a expedição efetiva do precatório, a consignação no orçamento da União e o pagamento em pecúnia para somente então poder utilizar o valor recebido no pagamento de débitos federais. Após a expedição do precatório, poderia já apresentá-lo em execução fiscal, na condição de crédito (não de dinheiro) a ser acatado ou não pela Fazenda Nacional. E após a consignação no orçamento, em não havendo o pagamento no exercício devido, teria o poder liberatório de pagamento. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11516.722417/2012-85 Acórdão n.º 9202-004.340 CSRF-T2 Fl. 392 3 Todavia, nenhuma destas etapas ocorreu e o precatório alegado pela interessada ainda é mera expectativa de direito, a qual mesmo que concretizada não poderá ser aproveitada no âmbito da Receita Federal, nos termos já expostos e reiterados. No que se refere ao instituto da compensação tributária, o artigo 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/96, regulamentando o artigo 170 do CTN, proíbe a compensação quando o crédito apresentado não se referir a tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O § 12°, do art. 74, da Lei 9.430/96, veda expressamente a utilização de crédito de terceiros e que não refira a tributos administrados pela RFB. (...) Note-se que os atos normativos prevêem apenas a compensação administrativo de créditos decorrentes de tributos ou contribuições pagos a maior ou indevidamente. No caso, o crédito é oriundo de ação trabalhista, em que figura como pólo passivo a FUNASA (Fundação Nacional de Saúde que incorporou a FSESP - Fundação Serviços de Saúde Pública), não se referindo, portanto, a tributo ou contribuição gerenciados por este Órgão. Contudo, independente da aplicação, ou não, ao caso concreto, das normas relativas à pretensão da interessada, pois, conforme colocado, o precatório estava suspenso. Quanto à multa isolada, seguem as razões do Fisco para o seu lançamento: 4.1 Os fatos narrados no decorrer de todo o item "3" demonstram à exaustão que a compensação indevida foi realizada com falsidade, o que induz à aplicação da multa isolada, prevista no artigo 89, parágrafo 10°, Leu n° 8.212/1991. O agir ímprobo do contribuinte e manifesta de modo cristalino face à ausência total de qualquer escusa que justifique sua conduta. Não há, pois como se falar em boa-fé objetiva em seu modus operandi, já que sob qualquer ótica não é crível conjecturar que o contribuinte agiu acreditando estar fazendo o correto. Diante de tal lançamento, o contribuinte apresentou impugnação aduzindo, preliminarmente: - nulidade do Auto de Infração por vício de fundamentação, uma vez que os processos administrativos que têm por objeto a compensação dos créditos tributários ainda encontra-se em andamento; - nulidade por ausência dos requisitos de validade do Auto de Infração, mais especificamente a ausência dos itens previstos nos incisos III e IV, do art. 10, do Decreto 70.235/72, quais sejam, descrição do fato e a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. No mérito, arguiu a ilegalidade da autuação, posto que "o procedimento do Contribuinte não cuida de hipótese de compensação regulada pelo artigo 170 do CTN (tributo com tributo), mas sim de Poder Liberatório atribuído pela Constituição Federal, a precatórios inadimplidos pelo ente devedor". A impugnação foi julgada totalmente improcedente pela DRJ, tendo motivado a interposição do Recurso Voluntário arguindo a nulidade da decisão pela ausência de análise de todos os argumentos constantes do recurso, a nulidade do auto de infração em virtude de pendência de processo Fl. 393DF CARF MF 4 administrativo e a ilegalidade do procedimento e da multa isolada pela ausência de dolo na conduta do contribuinte. Do julgamento do recurso, ficou consignado que: não se verifica a nulidade, pois a decisão de primeira instância foi devidamente motivada; que a existência de processo administrativo cujo objeto era o pedido de compensação não impede o lançamento do crédito compensado indevidamente; que a compensação realizada não encontra respaldo legal e que, portanto, correto foi o lançamento; que o agente autuante indicou todos os fundamentos legais da autuação e da penalidade, demonstrando de forma discriminada o cálculo da multa aplicada. Contra a referida decisão, o Contribuinte interpôs Recurso Especial reiterando os termos do Recurso Voluntário, arguindo a nulidade da decisão de primeira instância pela falta de análise de todos os argumentos recursais e a ilegalidade da multa aplicada. Como paradigma, apontou o Acórdão n° 3301-002.071, no qual restou decidido que a ausência de análise de todos os argumentos gera a nulidade da decisão, devendo ser realizado novo julgamento. Quanto à multa isolada, afirma que, ao contrário do acórdão recorrido, o acórdão paradigma n° 2201-02.414 pontuou a necessidade da demonstração do dolo para aplicação da multa isolada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ressaltando a necessidade de preservação do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva - Relatora Cientificado do acórdão em 07/08/2014, fl. 288, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 22/08/2014, o Recurso Especial em análise (fls. 290 a 353). O recorrente aponta divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e outros julgados em relação as matérias: a) cerceamento de defesa - falta de análise de todos os argumentos; b) compensação de precatório da União vencido e não pago; c) ilegalidade da multa aplicada, tendo sido admitidas apenas letras a e c. Diante dos fatos, adoto as razões da admissibilidade para conhecer do recurso conforme as da divergências apresentadas: Cerceamento de defesa - falta de análise de todos os argumentos O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mantendo o lançamento fiscal, registrando que não ficou configurado o cerceamento de defesa e não está obrigado çã apresentada pelo recorrente, mas tão somente aquelas que possuam o condão de formar ou alterar sua convicção. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11516.722417/2012-85 Acórdão n.º 9202-004.340 CSRF-T2 Fl. 393 5 O recorrente se insurge contra o acórdão recorrido, alegando que a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pelo recorrente gera cerceamento de defesa. Apresenta acórdão paradigma nº 3301-002.071, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, sessão de 22 de outubro de 2013, que decisão de primeira instância para prolação de novo julgamento, em razão da constatação da falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pelo contribuinte, para não gerar cerceamento de defesa. São os termos do acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 FALTA DE APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. RETORNO À INSTÂNCIA “A QUO” PARA NOVO JULGAMENTO. Constatada a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pela parte litigante, e detendo o sujeito passivo direito ao duplo grau de jurisdição administrativa, para que não haja cerceamento do direito de defesa deve ser anulada a decisão de primeiro grau e determinado o retorno dos autos à instância “a quo” para prolação de novo julgamento com análise de todos os pontos suscitados na defesa. Decisão Recorrida Nula Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão proferido pela DRJ, para que outro seja proferido com a análise de todas as matérias constantes do processo. O acórdão apresentado a título de paradigma foi proferido por colegiado distinto e não foi reformado, prestando-se portanto para análise da divergência alegada. Da análise dos acórdãos recorrido e paradigma tem-se que foi demonstrada a diversidade de interpretações conferidas à lei tributária, em face de situações fáticas similares. O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte registrando que não ficou configurado o cerceamento de defesa e não está obrigado çã apresentada pelo recorrente. Em sentido contrário, sob a mesma situação fática, o acórdão paradigma anulou decisão de primeira instância para Fl. 395DF CARF MF 6 prolação de novo julgamento, em razão da constatação da falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pelo contribuinte, para não gerar cerceamento de defesa. Portanto, resta comprovada a divergência indicada. Ilegalidade da multa aplicada Menciona o recorrente que o acórdão recorrido negou seguimento ao recurso voluntário por entender pela aplicabilidade da multa agravada, independentemente da existência de dolo ou não. Para tanto, apresenta o acórdão paradigma nº 2201-02.414, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, sessão de 14 de maio de 2014, como divergente. São os termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Incabível o deferimento da prova pericial ou a conversão dos autos em diligência se o contribuinte não apresenta elementos para abalar a convicção do julgador e o equívoco da autuação. O pedido de produção de prova pericial pelo contribuinte deve atender aos requisitos constantes no inciso IV do art. 16 do Decreto n 70.235/1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a qualificadora da multa de ofício quando não restar comprovado que o contribuinte dolosamente concorreu para supressão ou redução do pagamento de imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Fez sustentação oral Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11516.722417/2012-85 Acórdão n.º 9202-004.340 CSRF-T2 Fl. 394 7 pelo Contribuinte o Dr. Flavio de Souza Valentim, OAB/MG 96.489. O acórdão apresentado a título de paradigma foi proferido por colegiado distinto e não foi reformado, prestando-se portanto para análise da divergência alegada. O voto condutor do acórdão recorrido registra a imposição da multa isolada de 150%, vez que restou comprovado pela fiscalização que houve falsidade na declaração do recorrente (GFIP), não havendo necessidade de comprovação do dolo (fl. 283). São os termos: Voto (...) Os 9º e 10º, do art. 89, da Lei 8.212/91, fundamentam a imposição da multa isolada de 150%, uma vez que restou comprovado, pela fiscalização, que houve falsidade na declaração da recorrente, não havendo necessidade de comprovação do dolo. Assim, reitera-se, a compensação realizada pela empresa não possui amparo legal, como também não há nenhuma decisão definitiva a ampará-la. (...) Em decisão contraria, o acórdão paradigma, na própria ementa, afastou a qualificadora da multa de ofício (multa isolada de 150%), em razão de não restar comprovado que o contribuinte dolosamente concorreu para supressão ou redução do pagamento do tributo. No voto conduto da decisão paradigma consta a motivação (fls. 352/353), como segue: Inaplicabilidade da Multa de Ofício Qualificada A Contribuinte pugna pelo afastamento da multa de ofício pelos seguintes argumentos: (i) falta de previsão legal para aplicação da multa de ofício qualificada em 150%, (ii) inconstitucionalidade da multa qualificada de 150% em face de seu efeito confiscatório, (iii) inexistência de conduta típica que justifique a qualificação da multa. Alega que apresentou as informações que foram solicitadas pela fiscalização. A fiscalização qualificou a multa de ofício por entender que o volume movimentado em conta bancária em contrapartida com a declaração de isenção de Imposto de Renda revelam o intuito da Contribuinte em suprimir ou reduzir o pagamento de tributo dolosamente. Não obstante o entendimento da fiscalização, entendo que a conduta da Contribuinte não resta como bastante para qualificação da multa. A mesma contribuiu com a apresentação de informações no curso do processo fiscalizatório e o fato de a Fl. 397DF CARF MF 8 renda declarada não ser compatível com os depósitos bancários caracteriza não pagamento de imposto que já está sendo autuado e exigido com multa de ofício pelo seu não-pagamento. Desta feita, entendo que no caso em questão resta incabível a aplicação da multa qualificada por não entender que restou configurada conduta dolosa da Contribuinte para suprimir ou reduzir pagamento de tributo. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Da análise dos acórdãos recorrido e paradigma tem-se que foi demonstrada a diversidade de interpretações conferidas à lei tributária, em face de situações fáticas similares. O voto condutor do acórdão recorrido registrou a imposição da multa isolada de 150%, vez que restou comprovado pela fiscalização que houve falsidade na declaração (GFIP), não havendo necessidade de comprovação do dolo. Em sentido contrário, sob a mesma situação fática, o acórdão paradigma afastou a qualificadora da multa de ofício (multa isolada de 150%), em razão de não restar comprovado que o contribuinte dolosamente concorreu para supressão ou redução do pagamento do tributo. Portanto, resta comprovada a divergência indicada. Pelo exposto, entendo que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial motivos pelos quais dele conheço. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada Discordo do posicionamento da Ilustre Conselheira Relatora no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. O recurso visa rever o decidido no Acórdão n° 2301-004.024, de 13/05/2014, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2011 a 31/03/2012 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11516.722417/2012-85 Acórdão n.º 9202-004.340 CSRF-T2 Fl. 395 9 CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO O órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO GLOSA Não há previsão legal para que se aceite a compensação de créditos previdenciários pertencentes a sujeito passivo que não possui relação direta com o fato gerador ou o responsável pelo tributo. Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pelo contribuinte ou em desacordo com o permitido pela legislação tributária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo." No presente caso, embora no apelo tenham sido suscitadas três matérias, somente foi dado seguimento a duas matérias, conforme o Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial de fls. 357 a 366. São elas: - cerceamento de defesa - falta de análise de todos os argumentos; - ilegalidade da multa aplicada; Quanto à primeira matéria, de plano esclareça-se que o Recurso Especial não se presta a atender alegação de omissão no acórdão recorrido, cujo remédio processual é a oposição de Embargos de Declaração, no prazo de cinco dias, conforme estabelece o art. 65 do RICARF. Com efeito, não consta dos autos a oposição de Embargos Declaratórios visando suprir eventual omissão no acórdão recorrido. Por outro lado, no caso de alegação de falta de análise de argumentos ou provas no acórdão de Primeira Instância, o que normalmente é suscitado em sede de Recurso Voluntário, algumas vezes a decisão da DRJ é efetivamente anulada pelas Turmas Ordinárias do CARF, tendo em vista que inexiste a via dos Embargos de Declaração perante a Primeira Instância. Nesse passo, ainda que se pudesse entender que a primeira matéria objetivaria a declaração de nulidade da decisão de Primeira Instância e não do acórdão do CARF ora recorrido, teria de ser demonstrado o cumprimento de requisito fundamental para caracterização da divergência jurisprudencial, qual seja, a similitude fática entre as situações tratadas no acórdão recorrido e no paradigma. No caso do acórdão recorrido, restou claro que não se tratou de alegação de não conhecimento de matérias de mérito suscitadas na Impugnação (como se verificou no caso do paradigma) e sim da alegação de que argumentos relativos a preliminares não teriam sido apreciados a contento pela DRJ. Confira-se o voto condutor do acórdão recorrido, na parte em que trata das preliminares objeto do questionamento por parte do Contribuinte: "Preliminarmente, a autuada alega nulidade da decisão de primeira instância, por entender que não foram apreciados, pelos julgadores, todos os argumentos trazidos em sede de defesa, o que, segundo Fl. 399DF CARF MF 10 afirma, configura violação do princípio da ampla defesa e contraditório, bem como cerceamento do direito de defesa. Contudo, não se verifica a nulidade alegada pela recorrente Constata-se que o Relator do Acórdão combatido demonstra a convicção do julgador diante dos fatos e argumentos que lhes foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela autuada. Ocorre que os argumentos trazidos pela recorrente não foram suficientes para que os julgadores de primeira instância se convencessem da legalidade do procedimento de compensação realizado pela recorrente. A fiscalização motivou o ato do lançamento, expondo, com muita clareza e riqueza de detalhes, as razões pelas quais efetuou a glosa da compensação realizada pela recorrente, como também fundamentou corretamente a aplicação da multa, demonstrando que houve falsidade de declaração. O art. 59, do Decreto 70.235/72, dispõe que Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não restou demonstrado nos autos que houve cerceamento de defesa da autuada, que demonstrou pleno conhecimento do que lhes esta sendo imputado. Constata-se que o Relator do Acórdão recorrido apreciou todas as alegações apresentadas pela impugnante que, no seu julgamento, eram importantes para a tomada de decisão, já que, conforme jurisprudência do STJ, o órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: (...) Verifica-se, da leitura do relatório e voto que culminou no acórdão recorrido, que o julgador da DRJ afastou os argumentos da recorrente, deixando claro que a fiscalização, ao constatar a compensação realizada em desacordo com a legislação que trata da matéria, não poderia deixar de efetuar a glosa, uma vez que sua atividade é vinculada aos ditames legais. A autoridade julgadora argumentou, com muita propriedade, que "independentemente da existência de pedidos que poderiam estar pendentes de alguma manifestação da RFB, este fato não retira do Fisco o dever de efetuar o lançamento fiscal, até mesmo por força do risco do perecimento do direito de se lançar o tributo indevidamente compensado." Dessa forma, ao contrário do que afirma a recorrente, a autoridade julgadora da DRJ não foi omissa em sua decisão, e sim trouxe Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11516.722417/2012-85 Acórdão n.º 9202-004.340 CSRF-T2 Fl. 396 11 argumentos suficientes para afastar as alegações de nulidade do , trazidas na peça impugnatória. Da mesma forma que os julgadores da DRJ, entendo que a existência de processos administrativos cujo objeto são pedidos de compensação em processos administrativos, não impedem o lançamento. Ora, se a recorrente alega que a fiscalização não poderia lançar o débito antes do trânsito em julgado dos pedidos administrativos de extinção para as apurações referentes às contribuições previdenciárias, entendo que também a recorrente não poderia fazer as compensações antes da decisão administrativa definitiva dos referidos processos. Se a inexistência de decisão definitiva sobre a questão debatida nos processos administrativos pendentes de julgamento acarreta incerteza sobre a exigibilidade dos tributos, da mesma forma é inegável a incerteza que paira sobre o direito à compensação. Portanto, a recorrente também não poderia ter feito a compensação, informando em GFIP, já que ainda não havia decisão administrativa definitiva sobre o direito de extinção dos tributos devidos com os créditos que alega possuir. E a fiscalização, ao se deparar com compensação sem uma decisão judicial definitiva a ampará-la, procedeu com muita propriedade à glosa, lançando as contribuições devidas por meio dos AIs ora discutidos, em observância aos ditames legais O relator do acórdão recorrido trouxe argumentos para sustentar a correção da aplicação da multa isolada agravada de 150%, fundamentando no art. 89, da Lei 8.212/91, alegando que a informação não verdadeira em GFIP, ou seja, a declaração de crédito tributário a favor do contribuinte que, conforme comprovado nos autos, não existe, tinha "o intuito de ganhos financeiros com prejuízo à Seguridade Social". Assim, não se vislumbra omissão de qualquer natureza no acórdão recorrido, não havendo que se falar em cerceamento de defesa ou em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, rejeito as preliminares de nulidade trazidas pela recorrente." (grifei) Assim, conclui-se que, no caso do acórdão recorrido, o Contribuinte arguiu preliminares que foram enfrentadas, tanto em Primeira Instância como pelo acórdão do CARF ora recorrido, tendo o Contribuinte restado insatisfeito com a rejeição de seus argumentos. Não obstante, o caso tratado no acórdão paradigma em nada se assemelha com a situação do acórdão recorrido, acima especificada. Com efeito, no caso do paradigma, a DRJ não conheceu de duas matérias de mérito que poderiam alterar substancialmente o lançamento, inclusive o cálculo do montante do ressarcimento solicitado. Confira-se decisão e voto do paradigma, Acórdão n° 3301-002.071, de 22/10/2013: Decisão "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão proferido pela DRJ, para que outro seja proferido com a análise de todas as matérias constantes do processo." (grifei) Fl. 401DF CARF MF 12 Voto "As matérias controversas no presente processo são: direito ao creditamento de IPI nas aquisições de blanquetas e limpadores de rolo; divergência de classificação fiscal dos seguintes produtos: imagem adesiva, notas fiscais, pastas personalizadas e envelopes. A classificação fiscal adotada pelo contribuinte resulta na aplicação de alíquota zero de IPI. A adotada pela fiscalização tem alíquota positiva de 15%; 3) se as operações efetuadas por indústrias gráficas por encomenda encontram-se no campo de incidência do IPI ou somente do ISS. Todas estas matérias foram enfrentadas pela fiscalização e também pela manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Porém, o acórdão da DRJ manifestou-se somente a respeito do primeiro item, confirmando o entendimento pelo indeferimento do creditamento do IPI nas aquisições das blanquetas e limpadores de rolo. (...) Com todo respeito aos julgadores da DRJ/Recife, entendo que esta decisão foi equivocada. O outro processo citado trata exclusivamente do lançamento de ofício da multa isolada relativa ao IPI em decorrência da falta de seu destaque e lançamento na emissão da nota fiscal de saída. Assim consta do Termo de Informação Fiscal: (...) O processo citado é objeto de lançamento da multa isolada do IPI em relação à falta de lançamento do IPI na nota fiscal. Matéria realmente estranha ao presente processo. Porém, indubitavelmente, o valor da diferença do IPI, em decorrência da reclassificação fiscal dos produtos vendidos, é objeto principal na lide do presente processo. (...) O lançamento da multa isolada do IPI em outro processo, apesar que estribada na mesma reclassificação fiscal, tem fundamento diverso da presente glosa. Ela decorre da infração prevista no art. 80, I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96. (...) Portanto, entendo que ambas as questões não conhecidas pela DRJ/Recife no acórdão n° 1129.965 são matérias de mérito atinentes ao presente processo. Ao não conhecê-las fere-se o direito do contribuinte em ver esta matéria enfrentada em duplo grau de jurisdição administrativa cerceando-lhe o direito de defesa." (grifei) Assim, constata-se que o paradigma trata de pedido de ressarcimento de IPI, tendo a Fiscalização arguido três matérias de mérito que inviabilizariam o pedido. Quanto a essas matérias de mérito, o Contribuinte as rebateu, em sede de Manifestação de Inconformidade. A DRJ, por sua vez, somente conheceu da primeira matéria, deixando de conhecer das outras duas matérias, ao argumento de que estas teriam sido tratadas em um outro processo. Em face de tal procedimento, o acórdão do CARF indicado como paradigma Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11516.722417/2012-85 Acórdão n.º 9202-004.340 CSRF-T2 Fl. 397 13 esclareceu que no processo citado pela DRJ, em que teriam sido julgadas as matérias por ela não conhecidas, na verdade delas não se tratou, daí a necessidade de retorno à Primeira Instância, para manifestação acerca dessas duas matérias de mérito, que inclusive poderiam repercutir no cálculo do valor dos créditos objeto do pedido de ressarcimento. Destarte, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando os acórdãos recorrido e paradigma não possuem qualquer similitude fática, de sorte que as soluções diversas não decorrem de interpretação divergente de lei, e sim das especificidades constantes de cada caso concreto. Em síntese: - no caso do acórdão recorrido, trata-se de Auto de Infração de Contribuições Sociais Previdenciárias, tendo o Contribuinte tecido argumentos relativos a preliminar de nulidade, argumentos esses rejeitados pela DRJ e pelo acórdão do CARF, ora recorrido; - no caso do paradigma, trata-se de Pedido de Ressarcimento de IPI, tendo a Fiscalização arguido três matérias de mérito que inviabilizariam o pedido, matérias estas devidamente enfrentadas pelo Contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade; entretanto, a DRJ deixou de conhecer duas dessas matérias de mérito, ao argumento de que elas já teriam sido decididas em outro processo; nesse contexto, o acórdão paradigma esclareceu que o processo citado pela DRJ como justificativa para o não conhecimento das duas matérias, na verdade delas não tratou, portanto caracterizou-se omissão pelo não conhecimento de matérias de mérito que poderiam, inclusive, alterar substancialmente o lançamento. Destarte, não há como comparar-se, para fins de declaração de nulidade, decisão que enfrenta a matéria preliminar arguida, rechaçando os argumentos do Contribuinte, com decisão que não conhece de duas matérias de mérito arguidas pela própria Fiscalização como óbices ao ressarcimento solicitado. Assim, não conheço da primeira matéria suscitada. Relativamente à segunda matéria a qual foi dado seguimento - ilegalidade da multa aplicada - trata-se da multa tipificada no art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991, específica para compensação indevida relativa a Contribuições Sociais Previdenciárias, em que se verifique falsidade. Confira-se o voto do acórdão recorrido: "Os §§ 9° e 10°, do art. 89, da Lei 8.212/91, fundamentam a imposição da multa isolada de 150%, uma vez que restou comprovado, pela fiscalização, que houve falsidade na declaração da recorrente, não havendo necessidade de comprovação do dolo. Assim, reitera-se, a compensação realizada pela empresa não possui amparo legal, como também não há nenhuma decisão definitiva a ampará-la. Isso posto, constata-se que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas." Quanto ao paradigma, este trata de Imposto de Renda Pessoa Física, sendo que a multa qualificada foi aplicada no contexto de autuação por presunção com base em depósitos bancários sem identificação de origem (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996). Confira-se a ementa e o voto do paradigma, Acórdão n° 2201-02.414, de 05/08/2014: Fl. 403DF CARF MF 14 Ementa "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 (...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a qualificadora da multa de ofício quando não restar comprovado que o contribuinte dolosamente concorreu para supressão ou redução do pagamento de imposto.") (frifei) Voto "4 - Inaplicabilidade da Multa de Ofício Qualificada A Contribuinte pugna pelo afastamento da multa de ofício pelos seguintes argumentos: (i) falta de previsão legal para aplicação da multa de oficio qualificada em 150%, (ii) inconstitucionalidade da multa qualificada de 150% em face de seu efeito confiscatório, (iii) inexistência de conduta típica que justifique a qualificação da multa. Alega que apresentou as informações que foram solicitadas pela fiscalização. A fiscalização qualificou a multa de ofício por entender que o volume movimentado em conta bancária em contrapartida com a declaração de isenção de Imposto de Renda revelam o intuito da Contribuinte em suprimir ou reduzir o pagamento de tributo dolosamente. Não obstante o entendimento da fiscalização, entendo que a conduta da Contribuinte não resta como bastante para qualificação da multa. A mesma contribuiu com a apresentação de informações no curso do processo fiscalizatório e o fato de a renda declarada não ser compatível com os depósitos bancários caracteriza não pagamento de imposto que já está sendo autuado e exigido com multa de ofício pelo seu não-pagamento." (grifei) Destarte, não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando estão em confronto normas diversas, regulando diferentes condutas, cada qual com suas especificidades, de sorte que esta segunda matéria também não pode ser conhecida. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Quanto ao mérito, deixo de me manifestar, tendo em vista o não conhecimento do apelo. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11516.722417/2012-85 Acórdão n.º 9202-004.340 CSRF-T2 Fl. 398 15 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 405DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.001335/2008-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 29. CONSEQUÊNCIAS.
No caso de aplicação da Súmula CARF nº 29, específica para lançamento de Imposto de Renda com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, não há como sequer cogitar que haveria divergência jurisprudencial quanto às consequências da falta de intimação do co-titular das contas bancárias, quando o paradigma trata da aplicação da legislação aduaneira.
Numero da decisão: 9202-007.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 29. CONSEQUÊNCIAS. No caso de aplicação da Súmula CARF nº 29, específica para lançamento de Imposto de Renda com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, não há como sequer cogitar que haveria divergência jurisprudencial quanto às consequências da falta de intimação do cotitular das contas bancárias, quando o paradigma trata da aplicação da legislação aduaneira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 13 35 /2 00 8- 91 Fl. 272DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, no exercício de 1999. Em sessão plenária de 13/03/2012, foram julgados os Recursos de Ofício e Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 210101.529 (efls. 193 a 201), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO DO ACÓRDÃO DA DRJ POR EDITAL. NULIDADE. RECURSO TEMPESTIVO. É nula a intimação por edital nas hipóteses em que o contribuinte foi procurado (3) três vezes pelos Correios no horário comercial e a DRF não tenta intimálo pelos demais meios previstos pelo artigo 23 do Decreto 70.235/72, principalmente em casos como o presente, em que a intimação do auto de infração foi pessoal. Recurso voluntário conhecido. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. De acordo com a Súmula do CARF n.º 29, “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Não havendo, assim, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo. Recurso voluntário provido. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE PARA INTERPOSIÇÃO. PORTARIA MF N. 3, DE 2008. APLICAÇÃO IMEDIATA. De acordo com precedentes do CARF, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício. Recurso de ofício não conhecido.” A decisão foi assim registrada: Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10830.001335/200891 Acórdão n.º 9202007.390 CSRFT2 Fl. 273 3 “ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Celia Maria de Souza Murphy e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por não conhecer do recurso; (b) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício; e (c) no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Foi solicitada preferência no julgamento do recurso. Realizou sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Cleber Renato de Oliveira.” O processo foi encaminhado à PGFN em 03/05/2012 e, em 31/05/2012, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 203/204, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2101001.941, de 18/10/2012 (efls. 208 a 211) assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Reconhecese a nulidade material do auto de infração efetuado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, quando inexiste a intimação do cotitular das contas correntes. Embargos de declaração acolhidos." A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 210101.529, mantendolhe o resultado, esclarecendo, apenas, que a nulidade constatada no auto de infração é de ordem material. Acompanhou o julgamento o Dr. Flávio Ricardo Ferreira, OABSP nº 198445." Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 19/11/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 212) e, em 13/12/2012, foi interposto o Recurso Especial de efls. 213 a 225 (Despacho de Encaminhamento de efls. 226). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir as seguintes matérias: a) limite de alçada para interposição do Recurso de Ofício; e b) nulidade do lançamento natureza do vício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas quanto à segunda matéria, conforme despacho de 24/04/2017 (efls. 232 a 236). Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Fl. 274DF CARF MF 4 não se pode negar a distinção entre o fato que levou ao lançamento e a descrição desse mesmo fato pelo agente do Fisco; o primeiro, o fato em si, materialmente considerado, é o motivo do lançamento, “é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato. É, pois, a situação do mundo empírico que deve ser tomada em conta para a prática do ato”; o segundo, a descrição do motivo pelo agente, é o relato, em documento próprio, dos motivos que culminaram na autuação e a essa descrição a doutrina chama de motivação; vêse, assim, que motivo e motivação, a despeito de estarem intimamente ligados, têm natureza diametralmente opostas: um (o motivo) tem natureza material, enquanto o outro (motivação) natureza formal; nesse passo, em se verificando que o motivo alegado não existe, terseá vício de ordem material; por outro lado, em se constatando deficiência na descrição dos fatos pelo fiscal, de modo a prejudicar a defesa do contribuinte ou a dificultar a adequada compreensão do ocorrido, terseá vício de ordem formal; verificase, pois, que o problema apontado pelos julgadores para anular o Auto de Infração por suposto vício material diz respeito à falta de intimação de cotitular de conta bancária, restando claro que a apontada deficiência pode ser facilmente sanada com a intimação, pela autoridade fiscal, do outro titular da conta mantida junto à instituição financeira; o vício, portanto, diz respeito apenas à formalização do lançamento, plenamente passível de correção; evidente, pois, que o Colegiado a quo considerou deficitária a motivação do Auto de Infração, razão pela qual decidiu pela anulação do lançamento; à luz de todo o exposto, caso se trate de vício relacionado à motivação, fala se em vício formal, razão pela qual, se houver de ser declarada nulidade no caso em foco, isso deve ocorrer em face de vício formal, e não por vício material, resguardandose, assim, o teor do art. 173, II, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja admitido e provido o Recurso Especial, para que seja conhecido o Recurso de Ofício. Cientificado dos acórdãos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 04/09/2017 (AR Aviso de Recebimento de efls. 253/254), o Contribuinte ofereceu, em 15/09/2017 (carimbo de efls. 257), as Contrarrazões de efls. 257 a 267, contendo os seguintes argumentos: Das razões de não conhecimento do Recurso Especial prescrevia o art. 67, §§4º e 5º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, que, para demonstrar a divergência, o Recorrente deveria indicar duas decisões divergentes por matéria discutida e a consequência do nãocumprimento dessa exigência era a ausência da comprovação da divergência e, portanto, a impossibilidade de conhecimento do recurso; Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10830.001335/200891 Acórdão n.º 9202007.390 CSRFT2 Fl. 274 5 no caso em foco, o requisito de admissibilidade destacado não foi atendido, pois, na matéria que permanece em discussão no presente Recurso Especial, a Recorrente indicou somente uma decisão supostamente divergente (não duas, como exigia o RICARF); ademais, o fato tratado no acórdão recorrido está relacionado à falta de intimação dos cotitulares das contas bancárias conjuntas que serviram de base para a realização da atuação com base na presunção estatuída no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, falta essa que implicou a nulidade do lançamento; o único acórdão paradigma indicado pela Recorrente, apesar de tratar da "falta da prévia intimação estabelecida na legislação específica", não diz respeito à intimação de cotitulares de contas bancárias conjuntas, mas sim de intimação em procedimento de fiscalização aduaneira, ou seja, o acórdão recorrido e o paradigma tratam de situações fáticas distintas; assim, não havendo também a similaridade fática imprescindível à caracterização da divergência, não há motivo para o recurso ser conhecido. Das razões do não provimento do Recurso Especial o vício formal traduz o vício que não atinge o conteúdo do lançamento, ou seja, os elementos que integram a relação jurídica tributária e o crédito tributário, é o vício que, corrigido, não modifica o que o lançamento primitivo constituiu; o vício material, por sua vez, alcança os elementos que integram a relação jurídica tributária e o crédito tributário e, quando corrigido, altera o conteúdo do lançamento primitivo; no caso em tela, a falta de intimação dos cotitulares de contas bancárias conjuntas em que o Fisco Federal constatou omissões de rendimentos apuradas com base na presunção estatuída no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, traduz, à evidência, um vício material; isso porque a intimação citada configura condição para a utilização da referida presunção, no rigor do dispositivo legal destacado; deveras, os valores creditados em contas bancárias só poderão ser considerados rendimentos omitidos se a origem deles não for comprovada, após intimação específica dos titulares dessas contas bancárias para fazer essa comprovação; inexistindo a referida intimação, a utilização da presunção fica prejudicada, e sem essa presunção os valores creditados na conta bancária não podem ser considerados rendimentos omitidos; a exclusão do campo de tributação dos rendimentos que não podem ser qualificados como omitidos implica a modificação da base de cálculo, elemento constitutivo do crédito tributário; portanto, o vício relativo à falta da intimação de que trata a Súmula n° 29 do CARF é vício do tipo material e é nesse sentido o entendimento desse tribunal administrativo. Fl. 276DF CARF MF 6 Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, no exercício de 1999. No caso do acórdão recorrido, deuse provimento ao recurso, declarandose nulidade por vício material, aplicandose a Súmula CARF nº 29, com o seguinte enunciado: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” A Fazenda Nacional, por sua vez, visa rever a decisão, no que tange à natureza do vício, que a seu ver seria formal. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte pede que o recurso não seja conhecido, tendo em vista que a Fazenda Nacional indicou somente um paradigma. Ademais, alega que o paradigma trata de situação diversa daquela analisada no acórdão recorrido, portanto não teria sido demonstrada a divergência. Quanto à indicação de apenas um paradigma, esclareçase que os §§4º e 5º, do art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, possuíam a seguinte redação: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência." (grifei) Assim, é facultado ao recorrente indicar até dois paradigmas por matéria, não havendo qualquer óbice regimental ao conhecimento de recurso que colacione somente um paradigma, desde que este demonstre a divergência arguida. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10830.001335/200891 Acórdão n.º 9202007.390 CSRFT2 Fl. 275 7 Quanto à alegação de ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de plano reiterase que o acórdão recorrido aplicou a Súmula CARF nº 29, o que, a princípio, inviabilizaria a interposição de Recurso Especial, conforme o art. 67, § 3º, do Anexo II, do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Nessas condições, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional somente restaria demonstrada com a colação de paradigma que, também tratando de lançamento de Imposto de Renda com base em depósitos bancários sem comprovação de origem (art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996), aplicasse a Súmula CARF nº 29, porém declarando nulidade por vício formal. Entretanto, o paradigma indicado Acórdão 30131.801 foi proferido pelo antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que não era competente para julgar Imposto de Renda, portanto esse julgado nunca poderia tratar da matéria da súmula. Com efeito, compulsandose o seu inteiro teor, verificase que a matéria nele tratada diz respeito a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de trânsito aduaneiro. Confirase: Relatório "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto "A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apresente as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos Fl. 278DF CARF MF 8 de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. (...) Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza." De fato, o paradigma sequer tratou da legislação de que se ocupou o acórdão recorrido, portanto nunca poderia ter aplicado a Súmula CARF nº 29. Enquanto no acórdão recorrido interpretouse a presunção legal prevista na Lei 9.430, de 1996, aplicandose o enunciado da súmula, no paradigma interpretouse dispositivos da legislação aduaneira, sem qualquer relação com a matéria em questão. Destarte, não há que como sequer cogitar em divergência jurisprudencial, quando o acórdão recorrido aplica súmula específica do Imposto de Renda e o paradigma cuida da legislação aduaneira. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 279DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.004580/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 9202-006.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 45 80 /2 00 8- 11 Fl. 109DF CARF MF 2 Em sessão plenária de 16 de julho de 2013, a Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado, cujo Acórdão nº 2101002.239 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 LANÇAMENTO EFETUADO EM NOME DO FALECIDO, APÓS A PARTILHA DOS SEUS BENS. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Após a lavratura da Escritura Pública de Inventário Administrativo e Partilha Amigável e a emissão da Declaração de Operações Imobiliárias DOI, descabe o lançamento, contra o falecido, de créditos tributários devidos até a data da partilha ou adjudicação. Nesses casos, o lançamento deve ser feito contra os sucessores, individualmente. É nulo o lançamento que, nessas circunstâncias, tenha sido feito em nome do falecido, por não ser ele o sujeito passivo do crédito tributário. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs recurso especial, tempestivo, em que requer a anulação do acórdão, sob alegação de que a decisão diverge do Acórdão nº 10615.703, que entendeu que a notificação feita em nome de pessoa falecida é válida se a finalidade da lei for alcançada. A PFN requer também que, caso não seja anulado o acórdão recorrido, seja declarada a nulidade do auto de infração por vício formal, e não a sua improcedência. Nesse aspecto, apresenta como acórdãos paradigmas os de nº s 30330.909 e 230201.330. Admitido somente quanto a natureza do vício, inclusive em reexame de admissibilidade. Cientificado o contribuinte, quedouse silente. Em desfavor da pessoa física em epígrafe, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 21 a 25, na qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) suplementar correspondente ao ano calendário de 2003. A infração apontada, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 22, consiste na dedução indevida de despesas médicas. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10680.004580/200811 Acórdão n.º 9202006.268 CSRFT2 Fl. 110 3 Do conhecimento Nenhuma das matérias admitidas pode ser dissociada do contexto do cumprimento a decisão judicial, quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente e, in casu, julgamento que no CARF ocorreu em 17/07/2014, portanto já sob a égide do RICARF, que em seu artigo 62A determina: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em Fl. 111DF CARF MF 4 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumuluda. Feitas estas considerações, em sede contrarrazões o recorrido pugna pelo não conhecimento do recurso especial tendo em vista que não há divergência de interpretação entre acórdão recorrido e os paradigma por ausência de identidade fática das situações objeto de análise; Sobre a possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento Acórdão n.º 103 20.451 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF/ILL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL A decisão proferida no processo relativo ao imposto de renda pessoa jurídica estende seus efeitos aos processos decorrentes, tendo em vista a estreita correlação entre os procedimentos principal e decorrentes. Recurso de oficio negado. Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido em que o vício Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10680.004580/200811 Acórdão n.º 9202006.268 CSRFT2 Fl. 111 5 atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, o que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro que se refere a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento de receita operacional de pessoa jurídica. Do Recurso Especial destaco: Notese a importância da economia processual, da instrumentalidade das formas e da salvabilidade dos atos processuais. É de se concluir, por conseguinte, que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto 70.235/72, razão pela qual a suposta irregularidade do lançamento não poderá importar em nulidade. Evidenciase, portanto, a divergência jurisprudencial, pois o acórdão recorrido cancelou o lançamento sob a alegação de vício material, enquanto o acórdão paradigma decidiu pela baixa dos autos, a fim de que ocorra a revisão do lançamento. Com efeito, defende o acórdão paradigma que se trata de mero ato para salvaguardar eventual crédito tributário representado pelo presente lançamento, não havendo razão plausível para de declarar a sua nulidade, se o mesmo pode ser ajustado. Reforçando o contexto: REGISTRO A POSIÇÃO PESSOAL DESTA RELATORA, DE QUE os atos processuais não podem ser salvos! O lançamento não pode ser ajustado, pois tratase, in casu, de observância obrigatória do constante do RE nº 614.406/RS. Saliento que a maioria presumida por voto de qualidade do colegiado entendeu não ser possível adentrar nessa discussão, em face do não conhecimento do recurso nesta matéria, por falta de similitude fática. Assim, inexistente a similitude fática, também não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste paradigma, o que impossibilita o seguimento do recurso quanto a existência de vício Sobre os paradigmas trazidos para questionar o tipo de vício que macula o lançamento, conforme será analisado nos tópicos a seguir; Acórdão nº 240100.018 e Acórdão nº 30131.801 Quanto ao primeiro paradigma Acórdão 240100.018 a Fazenda Nacional transcreve a ementa da forma abaixo: Paradigma Acórdão 240100.018 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da Fl. 113DF CARF MF 6 inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's ri% 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro, este primeiro paradigma em que se tratou de lançamento de Contribuição Previdenciária decorrente de arbitramento na modalidade de aferição indireta, baseada em impreciso Relatório Fiscal da Notificação que deixou de informar o procedimento de arbitramento, bem como de inscrever no anexo denominado "Fundamento Legais do Débito FLD" o dispositivo que autorizaria o arbitramento. Confirase: Voto "No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, às fls.33/34, qual o dispositivo legal que oferece sustentáculo ao procedimento utilizado na constituição do crédito tributário — aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10680.004580/200811 Acórdão n.º 9202006.268 CSRFT2 Fl. 112 7 crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37 da Lei n°8.212/91, senão vejamos: (...) Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3" e 6", da Lei n° 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." (Grifei) (Disponível em www.carf.fazenda.gov.br. Acesso em 29Jun.2015) Ausente a similitude fática, resta não demonstrada a divergência alegada com base neste primeiro paradigma. No tocante ao segundo paradigma Acórdão 30131.801 o trecho transcrito pela Fazenda Nacional é o seguinte: Paradigma Acórdão 30131.801 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 303 29972, 30296334 e 30129966. RECURSO DE OFICIO NEGADO." (Destaques da Fazenda Nacional) Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, verificase que novamente inexiste similitude fática entre os julgados confrontados. Enquanto no recorrido repitase o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, de forma que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; neste segundo paradigma, que se refere a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de transito aduaneiro lançamento que tinha como pressuposto a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira o vício consistiu na falta da referida intimação e no fato de a notificação de lançamento ser omissa quanto à fundamentação legal para a exigência do tributo, bem como para imputação da infração e cominação da penalidade. Confirase passagens do paradigma: Ementa "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta Fl. 115DF CARF MF 8 da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal." (Grifei) Relatório "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto "O litígio versa sobre a nulidade do lançamento por vício formal, bem como pela falta de intimação prévia da contribuinte nos termos da legislação específica. A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apreserefornte as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora. Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza. O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10680.004580/200811 Acórdão n.º 9202006.268 CSRFT2 Fl. 113 9 70.235/72." (grifei) (Disponível em www.carf.fazenda.gov.br. Acesso em 29Jun.2015) Assim, inexistente a similitude fática, também não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste segundo paradigma, o que impossibilita o seguimento do recurso em relação à matéria do item "c" natureza do vício, se formal ou material. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.720442/2008-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 42 /2 00 8- 07 Fl. 194DF CARF MF 2 Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial trabalhista. Em sessão plenária de 13/08/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801003.666 (fls. 131 a 143), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica para R$ 6.721,05. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.” O processo foi encaminhado à PGFN em 18/09/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 146) e, em 10/10/2014, foi interposto o Recurso Especial de fls. 147 a 158 (Despacho de Encaminhamento de fls. 159). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir as seguintes questões: a) tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente; e b) natureza do vício que macula o lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, somente em relação à matéria "b", conforme despacho de 23/03/2016 (fls. 160 a 164), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de 24/03/2016 (fls. 165/166). Em seu apelo, relativamente à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: pela leitura dos arts. 10 e 11, do Decreto 70.235, de 1972, e art. 142, do CTN, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o Auto de Infração, deve exteriorizarse; Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 195 3 com efeito, o descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972) e, portanto, enseja a anulação do lançamento por vício formal; desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o eventual equívoco na forma de apuração do imposto é causa de anulação do lançamento por vício formal e não de cancelamento, vez que foi preterido o método estabelecido em lei; a propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o Auto de Infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados nos arts. 10 e 11, do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reconhecendose a validade da autuação (matéria não conhecida) ou, caso assim não se entenda, que seja o lançamento anulado por vício formal. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 13/05/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 174), o Contribuinte ofereceu, em 24/05/2016 (carimbo de fls. 176), as Contrarrazões de fls. 176 a 189, contendo os seguintes argumentos: Da ausência de comprovação da divergência: os acórdãos citados pela recorrente não demonstram a divergência arguida, não cumprindo com os requisitos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; isto porque a recorrente citou duas ementas (Acórdãos nºs 240100.018 e 30131.801), mas em momento algum comprovou o referido paradigma acerca do vício de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, objeto do presente recurso; verificase que, no inteiro teor do Acórdão nº 240100.018, a discussão é acerca da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a notificação; ou seja, o referido acórdão paradigma não é análogo ao presente caso, o que afasta, portanto, a divergência jurisprudencial necessária para a interposição do presente recurso, uma vez que no presente caso discutese a apuração do montante devido por aplicação incorreta da legislação, enquanto o suposto paradigma analisa a ausência de fundamentação no Auto de Infração; no Acórdão nº 30131.801, a notificação de lançamento não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, sendo omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo, a imputação da infração e para a respectiva cominação, não havendo qualquer relação com o presente caso; Fl. 196DF CARF MF 4 em que pese o presente recurso tenha sido processado, não foi comprovada pela recorrente qualquer divergência jurisprudencial, uma vez que se trata de vício formal, diverso do vício tratado no presente caso; ademais, ainda que ausente a divergência jurisprudencial, a recorrente não demonstrou analiticamente os pontos nos paradigmas que discordem de pontos específicos no acórdão recorrido, conforme prevê o § 8º, do RICARF; portanto, o presente recurso não deve ser admitido, pois (i) não comprovou a divergência jurisprudencial sobre o erro material ocorrido na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação; (ii) não há indicação dos pontos nos paradigmas que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido; e (iii) não foi juntada cópia do inteiro teor dos acórdãos. Do mérito a própria autoridade tributária reconhece na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, que o vício formal ocorre quando há erro na identificação do sujeito passivo, o qual decorre da análise de fatos ou documentos, mas cuja interpretação legal esteja correta; portanto, enquanto o vício formal decorre do erro de fato, o material decorre do erro de direito; isto é, no erro de direito há incorreção no cotejo entre a hipótese de incidência prevista na norma tributária com o fato jurídico tributário em um dos elementos do consequente da regramatriz de incidência; não há ausência de fundamentação ou descumprimento dos requisitos essenciais do lançamento, previstos no artigo 10, do Decreto n° 70.235, de 1972, como afirma a recorrente, para supostamente alcançar uma nulidade por vício formal, pois o que ocorre no caso é a existência de erro de cunho material na apuração do montante devido, acarretando no cancelamento da exigência fiscal por este motivo; novamente, a jurisprudência confirma o posicionamento do acórdão recorrido, pois o erro na interpretação da lei quanto à forma de cálculo do montante exequendo acarreta nulidade por vício material, devendo o acórdão ser mantido nesse sentido. Ao final, o Contribuinte requer o não conhecimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, se assim não se entender, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial trabalhista. Nesse passo, o Colegiado recorrido entendeu que o lançamento relativo a rendimentos recebidos acumuladamente, feito em desacordo com entendimento externado pelo STJ em julgamento Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 196 5 realizado na sistemática do art. 543C, do CPC, deveria ser cancelado, dandose provimento ao Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional, por sua vez, na parte em que o seu Recurso Especial teve seguimento, pede que seja considerado que o lançamento padeceria de vício formal. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte assevera que os paradigmas tratam de situações diversas daquela analisada no acórdão recorrido, portanto não teria sido demonstrada a divergência. Ademais, alega que não há indicação dos pontos nos paradigmas que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido e que não foi juntada cópia do inteiro teor dos acórdãos. Assim, tratandose de discussão acerca da natureza de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. Quanto à questão suscitada que obteve seguimento natureza do vício que macula o lançamento a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos nºs 2401 00018 e 30131801 e sintetiza o ponto de divergência da forma abaixo: "A 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da Segunda Seção do CARF considerou que estaria o auto de infração eivado de vício material em função de suposto erro nos critérios de apuração do imposto devido.. Por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam que o equívoco no critério de apuração do imposto ou qualquer outra contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal. Verificase, portanto, que diante de equívoco semelhante, acórdãos, recorrido e paradigmas, entenderam de modo divergente. Enquanto um cancela o auto de infração, os outros anulam, por vício de forma." Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 240100.018 a Fazenda Nacional transcreve a respectiva ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve Fl. 198DF CARF MF 6 antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido, em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que afetou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro, este primeiro paradigma, em que se tratou de lançamento de Contribuição Previdenciária decorrente de arbitramento na modalidade de aferição indireta, baseada em impreciso Relatório Fiscal, que deixou de informar o procedimento de arbitramento, bem como de inscrever no anexo denominado "Fundamento Legais do Débito FLD" o dispositivo que autorizaria o arbitramento. Confirase: Voto "No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, às fls.33/34, qual o dispositivo legal que oferece sustentáculo ao procedimento utilizado na constituição do crédito tributário — aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37 da Lei n°8.212/91, senão vejamos: (...) Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 197 7 Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3" e 6", da Lei n° 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." (grifei) Ausente a similitude fática, não restou demonstrada a divergência alegada com base neste primeiro paradigma. No tocante ao segundo paradigma Acórdão nº 30131.801 o trecho transcrito pela Fazenda Nacional é o seguinte: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. Recurso de Ofício Negado." Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, verificase que novamente inexiste similitude fática entre os julgados confrontados. No recorrido, repitase que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, afetando a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. Já neste segundo paradigma, que se refere a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de trânsito aduaneiro lançamento que tinha como pressuposto a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira o vício consistiu na falta da referida intimação e no fato de a Notificação de Lançamento ser omissa quanto à fundamentação legal para a exigência do tributo, bem como para imputação da infração e cominação da penalidade. Confirase passagens do paradigma: Ementa "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal." (grifei) Relatório Fl. 200DF CARF MF 8 "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto "O litígio versa sobre a nulidade do lançamento por vício formal, bem como pela falta de intimação prévia da contribuinte nos termos da legislação específica. A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apresente as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora. Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza. O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. 70.235/72." (grifei) Assim, inexistente a similitude fática, não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo também com base neste segundo paradigma, de sorte o Recurso Especial não pode ser conhecido. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 198 9 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 19707.000483/2008-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 7. 00 04 83 /2 00 8- 89 Fl. 229DF CARF MF 2 Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2007, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial de revisão de aposentadoria. Em sessão plenária de 11/09/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2102003.121 (efls. 118 a 126), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BENEFÍCIOS DO INSS. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. O imposto de renda incidente sobre os benefícios recebidos do INSS em atraso e de forma acumulada deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que devidos os correspondente valores. O lançamento realizado de forma divergente deste entendimento não pode prosperar, sob pena de agravamento da exigência. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos do INSS. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso, para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.” O processo foi encaminhado à PGFN em 15/10/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 127) e, em 05/11/2014, foi interposto o Recurso Especial de efls. 128 a 145 (Despacho de Encaminhamento de efls. 146), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes questões: a) tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente; b) possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento; e c) natureza do vício que macula o lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, somente em relação às matérias "b" e "c", conforme despacho de 20/11/2015 (efls. 147 a 152), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de 23/11/2015 (efls. 153/154). Em seu apelo, relativamente às matérias que obtiveram seguimento, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Fl. 230DF CARF MF Processo nº 19707.000483/200889 Acórdão n.º 9202007.274 CSRFT2 Fl. 230 3 Da necessidade de baixa dos autos para revisão do lançamento com efeito, é imperiosa a observância da economia processual, da instrumentalidade das formas e da salvabilidade dos atos processuais; é de se concluir, por conseguinte, que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto 70.235, de 1972, razão pela qual a suposta irregularidade do lançamento não poderá importar em nulidade; desnecessária e ilegal a anulação do presente lançamento, bastandose sua revisão pela autoridade julgadora, excluindose os valores indevidos, até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação da matéria tributável; Da natureza formal do vício apontado no acórdão recorrido pela leitura dos arts. 10 e 11, do Decreto nº 70.235, de 1972, e art. 142, do CTN, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o Auto de Infração, deve exteriorizarse; com efeito, o descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, do Decreto nº 70.235, de 1972) e, portanto, enseja a anulação do lançamento por vício formal; desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o eventual equívoco na forma de apuração do imposto é causa de anulação do lançamento por vício formal e não de cancelamento, vez que foi preterido o método estabelecido em lei; a propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o Auto de Infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados no arts. 10 e 11, do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142 do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja admitido e provido o Recurso Especial, determinandose a revisão do lançamento ou, caso assim não se entenda, que seja o lançamento anulado por vício formal. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 14/02/2017 (Extrato de efls. 225/226), o Contribuinte ofereceu, em 23/02/2017 (carimbo de efls. 167), as Contrarrazões de efls. 167 a 172, contendo os seguintes argumentos: a título de segunda divergência, alega a Recorrente que teria ocorrido um equívoco no critério de apuração do tributo; daí porque requer sejam os autos baixados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campo GrandeMS, para revisão do lançamento; não merece prosperar as pretensões da Recorrente, vez que fulminado pela decadência, seja pela aplicação do art. 150 ou do art. 173, do CTN; Fl. 231DF CARF MF 4 ressaltese que a pretensão da Recorrente está em desacordo com o Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, vez que a revisão de lançamento só se aplicaria nos casos insertos nas hipóteses dos incisos I, VIII e IX, do art. 149, do CTN; a título de terceira divergência, aduz a Recorrente que há entendimento jurisprudencial permitindo a revisão de ofício pelo Fisco, em se tratando de cometimento de equívoco pela autoridade administrativa, porém o acórdão recorrido alinhase com a recente jurisprudência administrativa e judicial; fica também rechaçada qualquer pretensão da Recorrente, pelos próprios fundamentos contidos no acórdão recorrido, extinguindo o crédito tributário. Ao final, o Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2007, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial de revisão de aposentadoria. No caso do acórdão recorrido, entendeuse que o lançamento relativo a rendimentos recebidos acumuladamente feito em desacordo com entendimento externado pelo STJ em julgamento realizado na sistemática do art. 543C, do CPC, deveria ser cancelado, dandose provimento ao Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pela manutenção do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Alternativamente, pede que o vício seja considerado de natureza formal. Assim, tratandose de discussão acerca da existência e natureza de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No que tange ao primeiro ponto abordado possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento a Fazenda Nacional indicou como paradigma o Acórdão nº 10320.451, limitandose a colacionar a respectiva ementa na forma abaixo: “Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 19707.000483/200889 Acórdão n.º 9202007.274 CSRFT2 Fl. 231 5 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF/ILL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL A decisão proferida no processo relativo ao imposto de renda pessoa jurídica estende seus efeitos aos processos decorrentes, tendo em vista a estreita correlação entre os procedimentos principal e decorrentes. Recurso de oficio negado.” (destaques da Fazenda Nacional) Compulsandose o inteiro teor deste paradigma, constatase que se tratou do julgamento de recurso de ofício em que a decisão de primeira instância retificou equívocos na elaboração do Demonstrativo de Fluxo Financeiro, para incluir origens de recursos. Confirase: "A decisão recorrida não merece reparos. A diligência requerida pela autoridade a quo foi oportuna e esclarecedora, retificando equívocos ocorridos na elaboração do Demonstrativo de Fluxo Financeiro, como se pode ver no Relatório de fls 180/185. (...) Examinadas as alegações da interessada em confronto com as cópias das folhas do Livro Razão n° 7, que foram anexadas ao processo na diligência fiscal e no recurso, bem como, o relatório de diligência de fls. 180/185, verificamos que resta comprovada a ocorrência de equívocos no levantamento fiscal e na confecção do demonstrativo do fluxo financeiro. A autoridade julgadora de primeira instância acatou as conclusões da diligência e, à vista das alegações apresentadas no aditivo à impugnação de fls. 86/87, comprovada pelos lançamentos do Livro Razão, bem como, dos documentos anexados pela contribuinte, concluiu por incluir entre os recursos disponíveis em fevereiro de 1994 a quantia de CR$ 23.504.146,33 relativa a aplicações financeiras efetuadas no Banco Itati e resgatadas no correr do mês, conforme lançamento de fls. 96 do Razão (fls. 122 e 190), o que resultou na anulação do excesso de dispêndios apurado pelos AuditoresFiscais diligenciantes. Acatou ainda a inclusão no saldo de Contas a Receber no Início do Mês de setembro o saldo da conta Cliente F. Marinho Confecções Ltda., no valor de R$ 5.134,20, tendo em vista a comprovação de que esta conta mantevese sem movimentação desde o fim de julho de 1994. Os documentos e a escrituração anexados pelo contribuinte em sua defesa, bem como, a diligência realizada por solicitação da autoridade julgadora comprovam a ocorrência de erros na apuração de excesso de dispêndios que embasa imputação de omissão de receitas. Retificado o Demonstrativo do Fluxo Financeiro pelas razões e montantes detalhados na fundamentação da r. decisão, reproduzida no relatório deste acórdão restou demonstrado que não ocorreu excesso de dispêndios nos meses de fevereiro, outubro e novembro e nos meses de março, maio, setembro e dezembro tiveram seus Fl. 233DF CARF MF 6 valores reduzidos conforme quadros demonstrativos também transcritos no relatório." (grifei) Assim, evidenciase a ausência de similitude fática entre este paradigma e o aresto recorrido, já que, nesse último, tratouse de lançamento assentado em interpretação de dispositivo legal de forma contrária ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que afetou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. Já no paradigma, deliberouse sobre uma decisão de primeira instância que reduziu o valor da omissão de rendimentos apurada em demonstrativo de fluxo financeiro, em virtude da comprovação de erros na apuração de excesso de dispêndios. Destarte, ausente a similitude fática, não resta demonstrada a divergência suscitada, de sorte que essa primeira matéria possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento não pode ser conhecida. Quanto à segunda questão suscitada natureza do vício que macula o lançamento a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos nºs 240100.018 e 30131.801 e sintetiza o ponto de divergência da forma abaixo: "O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o Auto de Infração, em virtude de equívoco no método de apuração do tributo. Por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam que o equívoco no critério de apuração do imposto ou qualquer outra contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal. Verificase, portanto, que diante de equívoco semelhante, acórdãos, recorrido e paradigmas, entenderam de modo divergente. Enquanto um cancela o auto de infração, os outros anulam, por vício de forma." Quanto ao primeiro paradigma Acórdão 240100.018 a Fazenda Nacional transcreve a respectiva ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais Fl. 234DF CARF MF Processo nº 19707.000483/200889 Acórdão n.º 9202007.274 CSRFT2 Fl. 232 7 que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido, em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que afetou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. De outro lado, este primeiro paradigma, em que tratouse de lançamento de Contribuição Previdenciária decorrente de arbitramento na modalidade de aferição indireta, baseada em impreciso Relatório Fiscal, que deixou de informar o procedimento de arbitramento, bem como de inscrever no anexo denominado "Fundamento Legais do Débito FLD" o dispositivo que autorizaria o arbitramento. Confirase: Voto "No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, às fls.33/34, qual o dispositivo legal que oferece sustentáculo ao procedimento utilizado na constituição do crédito tributário — aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37 da Lei n°8.212/91, senão vejamos: (...) Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3" e 6", da Lei n° Fl. 235DF CARF MF 8 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." (grifei) Ausente a similitude fática, não restou demonstrada a divergência alegada com base neste primeiro paradigma. No tocante ao segundo paradigma Acórdão nº 30131.801 o trecho transcrito pela Fazenda Nacional é o seguinte: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. RECURSO DE OFICIO NEGADO." Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, mais uma vez verificase que inexiste similitude fática entre os julgados confrontados. No recorrido, repitase que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, afetando a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. Já neste segundo paradigma, referente a julgamento de Recurso de Ofício relativo a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de trânsito aduaneiro lançamento que tinha como pressuposto a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira o vício consistiu na falta da referida intimação e no fato de a Notificação de Lançamento ser omissa quanto à fundamentação legal para a exigência do tributo, bem como para imputação da infração e cominação da penalidade. Confirase as passagens do paradigma: Ementa "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal." (grifei) Relatório "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto Fl. 236DF CARF MF Processo nº 19707.000483/200889 Acórdão n.º 9202007.274 CSRFT2 Fl. 233 9 "O litígio versa sobre a nulidade do lançamento por vício formal, bem como pela falta de intimação prévia da contribuinte nos termos da legislação específica. A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apresente as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora. Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza. O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. 70.235/72." (grifei) Assim, inexistente a similitude fática, não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste segundo paradigma, de sorte que essa segunda matéria natureza do vício que macula o lançamento também não pode ser conhecida. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 237DF CARF MF 10 Fl. 238DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.012152/2007-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 21 52 /2 00 7- 62 Fl. 100DF CARF MF 2 Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial trabalhista. Em sessão plenária de 20/02/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801003.430 (efls. 46 a 50), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.” O processo foi encaminhado à PGFN em 22/05/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 51) e, em 24/06/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 58), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 52 a 57, rejeitados conforme despacho de 19/09/2014 (efls. 60 a 62). Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 22/09/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 63) e, em 29/09/2014, foi interposto o Recurso Especial de efls. 64 a 77 (Despacho de Encaminhamento de efls. 78). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visava rediscutir as seguintes questões: a) tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente; b) possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento; e c) natureza do vício que macula o lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, somente em relação às matérias "b" e "c", conforme despacho de 14/06/2016 (efls. 79 a 84). Em seu apelo, relativamente às matérias que obtiveram seguimento, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Da necessidade de baixa dos autos para revisão do lançamento Fl. 101DF CARF MF Processo nº 19647.012152/200762 Acórdão n.º 9202007.273 CSRFT2 Fl. 101 3 é imperiosa a observância da economia processual, da instrumentalidade das formas e da salvabilidade dos atos processuais; é de se concluir, por conseguinte, que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual a suposta irregularidade do lançamento não poderá importar em nulidade; desnecessária e ilegal a anulação do presente lançamento, bastandose sua revisão pela autoridade julgadora, excluindose os valores indevidos, até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação da matéria tributável. Da natureza formal do vício apontado no acórdão recorrido pela leitura dos arts. 10 e 11, do Decreto nº 70.235, de 1972, e art. 142, do CTN, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o Auto de Infração, deve exteriorizarse; com efeito, o descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972) e, portanto, enseja a anulação do lançamento por vício formal; desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o eventual equívoco na forma de apuração do imposto é causa de anulação do lançamento por vício formal e não de cancelamento, vez que foi preterido o método estabelecido em lei; a propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o Auto de Infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados nos artigos 10 e 11, do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja admitido e provido o Recurso Especial, determinandose a revisão do lançamento ou, caso assim não se entenda, que seja o lançamento anulado por vício formal. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 04/11/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 94), a Contribuinte ofereceu, em 10/11/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 95), as Contrarrazões de efls. 96/97, contendo os seguintes argumentos: o erro na construção do lançamento acarreta vício insanável, razão pela qual devem ser canceladas as exigências; somandose a esse entendimento, destacase que a apuração do crédito tributário em questão ocorreu sob a forma de tributação prevista no art. 12, da Lei n° 7.713, de 1988, que à época tratava desse objeto, contudo, à luz da decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ, foi assentada a inconstitucionalidade do art. 12, da Lei n° 7.713, de 1988; Fl. 102DF CARF MF 4 importante recordar que, com base no enquadramento legal pertinente ao caso, os rendimentos originários de decisão judicial devem ser tributados, inclusive com a retenção do Imposto de Renda na Fonte; no entanto, o valor recebido diz respeito a um rendimento que representou a soma de valores correspondentes a seis anoscalendário e, proporcionalizando o total ao período equivalente, identificase que o rendimento anual não atinge o nível mínimo de rendimento necessário para a tributação do Imposto de Renda Pessoa Física; dessa forma, não há subsistência na permanência do lançamento, o que já foi reconhecido pelo CARF, conforme o Acórdão n° 2801003.430, e em face da prevalência do entendimento da legislação específica e da forma estabelecida pelo STJ, obedecendo ao princípio da legalidade e a lealdade, compreendese que a aplicação deve contemplar a especificidade do caso, devendo assim ser cancelada a exigência tributária. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial trabalhista. No caso do acórdão recorrido, entendeuse que o lançamento relativo a rendimentos recebidos acumuladamente, feito em desacordo com entendimento externado pelo STJ em julgamento realizado na sistemática do art. 543C, do CPC, deveria ser cancelado, dandose provimento do Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pela manutenção do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do Imposto de Renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Alternativamente, pede que seja considerado que o vício seria formal. Assim, tratandose de discussão acerca da existência e natureza de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No que tange ao primeiro ponto abordado possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento a Fazenda Nacional indicou como paradigma o Acórdão nº 10320.451, limitandose a colacionar a respectiva ementa na forma abaixo: Paradigma Acórdão nº 10320451 “Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 19647.012152/200762 Acórdão n.º 9202007.273 CSRFT2 Fl. 102 5 por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF/ILL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL A decisão proferida no processo relativo ao imposto de renda pessoa jurídica estende seus efeitos aos processos decorrentes, tendo em vista a estreita correlação entre os procedimentos principal e decorrentes. Recurso de oficio negado.” (destaques da Fazenda Nacional) Compulsandose o inteiro teor deste paradigma, constatase que se tratou do julgamento de Recurso de Ofício em que a decisão de primeira instância retificou equívocos na elaboração do Demonstrativo de Fluxo Financeiro, para incluir origens de recursos. Confirase: "A decisão recorrida não merece reparos. A diligência requerida pela autoridade a quo foi oportuna e esclarecedora, retificando equívocos ocorridos na elaboração do Demonstrativo de Fluxo Financeiro, como se pode ver no Relatório de fls 180/185. (...) Examinadas as alegações da interessada em confronto com as cópias das folhas do Livro Razão n° 7, que foram anexadas ao processo na diligência fiscal e no recurso, bem como, o relatório de diligência de fls. 180/185, verificamos que resta comprovada a ocorrência de equívocos no levantamento fiscal e na confecção do demonstrativo do fluxo financeiro. A autoridade julgadora de primeira instância acatou as conclusões da diligência e, à vista das alegações apresentadas no aditivo à impugnação de fls. 86/87, comprovada pelos lançamentos do Livro Razão, bem como, dos documentos anexados pela contribuinte, concluiu por incluir entre os recursos disponíveis em fevereiro de 1994 a quantia de CR$ 23.504.146,33 relativa a aplicações financeiras efetuadas no Banco Itati e resgatadas no correr do mês, conforme lançamento de fls. 96 do Razão (fls. 122 e 190), o que resultou na anulação do excesso de dispêndios apurado pelos AuditoresFiscais diligenciantes. Acatou ainda a inclusão no saldo de Contas a Receber no Início do Mês de setembro o saldo da conta Cliente F. Marinho Confecções Ltda., no valor de R$ 5.134,20, tendo em vista a comprovação de que esta conta mantevese sem movimentação desde o fim de julho de 1994. Os documentos e a escrituração anexados pelo contribuinte em sua defesa, bem como, a diligência realizada por solicitação da autoridade julgadora comprovam a ocorrência de erros na apuração de excesso de dispêndios que embasa imputação de omissão de receitas. Retificado o Demonstrativo do Fluxo Financeiro pelas razões e montantes detalhados na fundamentação da r. decisão, reproduzida no relatório deste acórdão restou demonstrado que não ocorreu excesso de Fl. 104DF CARF MF 6 dispêndios nos meses de fevereiro, outubro e novembro e nos meses de março, maio, setembro e dezembro tiveram seus valores reduzidos conforme quadros demonstrativos também transcritos no relatório." (grifei) Assim, evidenciase que não há similitude fática entre este paradigma e o aresto recorrido, já que, nesse último, tratouse de lançamento assentado em interpretação de dispositivo legal de forma contrária ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que afetou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. Já no paradigma, deliberouse sobre uma decisão de primeira instância que reduziu o valor da omissão de rendimentos apurada em demonstrativo de fluxo financeiro, em virtude da comprovação de erros na apuração de excesso de dispêndios. Destarte, ausente a similitude fática, não resta demonstrada a divergência suscitada, de sorte que essa primeira matéria possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento não pode ser conhecida. Quanto à segunda matéria suscitada natureza do vício que macula o lançamento a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos nºs 240100018 e 301 31801 e sintetiza o ponto de divergência da forma abaixo: "O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o Auto de Infração, em virtude de equívoco no método de apuração do tributo. Por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam que o equívoco no critério de apuração do imposto ou qualquer outra contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal. Verificase, portanto, que diante de equívoco semelhante, acórdãos, recorrido e paradigmas, entenderam de modo divergente. Enquanto um cancela o auto de infração, os outros anulam, por vício de forma." Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 240100.018 a Fazenda Nacional transcreve a respectiva ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's ri% 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 19647.012152/200762 Acórdão n.º 9202007.273 CSRFT2 Fl. 103 7 NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido, em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que afetou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. De outro lado, este primeiro paradigma, em que se tratou de lançamento de Contribuição Previdenciária decorrente de arbitramento na modalidade de aferição indireta, baseada em impreciso Relatório Fiscal, que deixou de informar o procedimento de arbitramento, bem como de inscrever no anexo denominado "Fundamentos Legais do Débito FLD" o dispositivo que autorizaria o arbitramento. Confirase: Voto "No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, às fls.33/34, qual o dispositivo legal que oferece sustentáculo ao procedimento utilizado na constituição do crédito tributário — aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37 da Lei n°8.212/91, senão vejamos: (...) Fl. 106DF CARF MF 8 Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3" e 6", da Lei n° 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." (grifei) Ausente a similitude fática, não restou demonstrada a divergência alegada com base neste primeiro paradigma. No tocante ao segundo paradigma Acórdão nº 30131.801 o trecho transcrito pela Fazenda Nacional é o seguinte: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. RECURSO DE OFICIO NEGADO." Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, verificase mais uma vez que inexiste similitude fática entre os julgados confrontados. No recorrido, repitase que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, afetando a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. Já neste segundo paradigma, que se refere a julgamento de Recurso de Ofício relativo a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de trânsito aduaneiro lançamento que tinha como pressuposto a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira o vício consistiu na falta da referida intimação e no fato de a Notificação de Lançamento ser omissa quanto à fundamentação legal para a exigência do tributo, bem como para imputação da infração e cominação da penalidade. Confirase as passagens do paradigma: Ementa "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal." (grifei) Relatório "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a Fl. 107DF CARF MF Processo nº 19647.012152/200762 Acórdão n.º 9202007.273 CSRFT2 Fl. 104 9 conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto "O litígio versa sobre a nulidade do lançamento por vício formal, bem como pela falta de intimação prévia da contribuinte nos termos da legislação específica. A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apresente as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora. Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza. O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. 70.235/72." (grifei) Assim, inexistente a similitude fática, mais uma vez não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste segundo paradigma, de sorte que essa segunda matéria natureza do vício que macula o lançamento também não pode ser conhecida. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 108DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.000224/2006-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial não deve ser conhecido
Numero da decisão: 9202-006.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial não deve ser conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 02 24 /2 00 6- 77 Fl. 224DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão da 1ª Turma Especial da 2ª Seção, consubstanciada no Acórdão n° 280103.711 que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. O processo foi encaminhado para a Fazenda Nacional, em 20/10/2014, para cientificação em até trinta dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 05/11/2014, o Recurso Especial em análise.. A recorrente aponta divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e outros julgados em relação a três matérias: (a) tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente Acórdão n.º Acórdão n.º 10615.696 e Acórdão n.º Acórdão n.º 380400.031; (b) possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento , Acórdão n.º 103 20.451 (c) tipo de vício que macula o lançamento, conforme será analisado nos tópicos a seguir; Acórdão nº 240100.018 e Acórdão nº 30131.801. Foram admitidas as duas últimas. Cientificado o contribuinte, apresentou tempestivamente contrarrazões, pugnando pelo não conhecimento do Recurso Especial. Importa ressaltar que o presente processo trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 156.149,24, referente ao exercício de Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 9202006.265 CSRFT2 Fl. 225 3 2002, a título de imposto (R$ 64.137,54), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 48.103,15), além dos juros de mora (R$ 43.908,55). A autuação é decorrente da apuração de classificação indevida de rendimentos, pois o Contribuinte declarou como isentos e não tributáveis rendimentos tributáveis recebidos da Caixa Econômica Federal em face de ação trabalhista (nº 11.3373/91), relativa a expurgos inflacionários da URP (Unidade de Referência de Preços) do mês de fevereiro de 1989. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora. Nenhuma das matérias admitidas pode ser dissociada do contexto do cumprimento a decisão judicial, quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente e, in casu, julgamento que no CARF ocorreu em 17/07/2014, portanto já sob a égide do RICARF, que em seu artigo 62A determina: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no Fl. 226DF CARF MF 4 fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumuluda. Feitas estas considerações, em sede contrarrazões o recorrido pugna pelo não conhecimento do recurso especial tendo em vista que não há divergência de interpretação entre acórdão recorrido e os paradigma por ausência de identidade fática das situações objeto de análise; Sobre a possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento Acórdão n.º 103 20.451 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, por meio de diligência Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 9202006.265 CSRFT2 Fl. 226 5 fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF/ILL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL A decisão proferida no processo relativo ao imposto de renda pessoa jurídica estende seus efeitos aos processos decorrentes, tendo em vista a estreita correlação entre os procedimentos principal e decorrentes. Recurso de oficio negado. Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, o que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro que se refere a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento de receita operacional de pessoa jurídica. Do Recurso Especial destaco: Notese a importância da economia processual, da instrumentalidade das formas e da salvabilidade dos atos processuais. É de se concluir, por conseguinte, que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto 70.235/72, razão pela qual a suposta irregularidade do lançamento não poderá importar em nulidade. Evidenciase, portanto, a divergência jurisprudencial, pois o acórdão recorrido cancelou o lançamento sob a alegação de vício material, enquanto o acórdão paradigma decidiu pela baixa dos autos, a fim de que ocorra a revisão do lançamento. Com efeito, defende o acórdão paradigma que se trata de mero ato para salvaguardar eventual crédito tributário representado pelo presente lançamento, não havendo razão plausível para de declarar a sua nulidade, se o mesmo pode ser ajustado. Reforçando o contexto: os atos processuais não podem ser salvos! O lançamento não pode ser ajustado, pois tratase, in casu, de observância obrigatória do constante do RE nº 614.406/RS. Assim, inexistente a similitude fática, também não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste paradigma, o que impossibilita o seguimento do recurso quanto a existência de vício Sobre os paradigmas trazidos para questionar o tipo de vício que macula o lançamento, conforme será analisado nos tópicos a seguir; Acórdão nº 240100.018 e Acórdão nº 30131.801 Quanto ao primeiro paradigma Acórdão 240100.018 a Fazenda Nacional transcreve a ementa da forma abaixo: Fl. 228DF CARF MF 6 Paradigma Acórdão 240100.018 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's ri% 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro, este primeiro paradigma em que se tratou de lançamento de Contribuição Previdenciária decorrente de arbitramento na modalidade de aferição indireta, baseada em impreciso Relatório Fiscal da Notificação que deixou de informar o procedimento de arbitramento, bem como de inscrever no anexo denominado "Fundamento Legais do Débito FLD" o dispositivo que autorizaria o arbitramento. Confirase: Voto Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 9202006.265 CSRFT2 Fl. 227 7 "No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, às fls.33/34, qual o dispositivo legal que oferece sustentáculo ao procedimento utilizado na constituição do crédito tributário — aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37 da Lei n°8.212/91, senão vejamos: (...) Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3" e 6", da Lei n° 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." (Grifei) (Disponível em www.carf.fazenda.gov.br. Acesso em 29Jun.2015) Ausente a similitude fática, resta não demonstrada a divergência alegada com base neste primeiro paradigma. No tocante ao segundo paradigma Acórdão 30131.801 o trecho transcrito pela Fazenda Nacional é o seguinte: Paradigma Acórdão 30131.801 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 303 29972, 30296334 e 30129966. RECURSO DE OFICIO NEGADO." (Destaques da Fazenda Nacional) Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, verificase que novamente inexiste similitude fática entre os julgados confrontados. Enquanto no recorrido repitase o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, de forma que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; neste segundo paradigma, que se refere Fl. 230DF CARF MF 8 a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de transito aduaneiro lançamento que tinha como pressuposto a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira o vício consistiu na falta da referida intimação e no fato de a notificação de lançamento ser omissa quanto à fundamentação legal para a exigência do tributo, bem como para imputação da infração e cominação da penalidade. Confirase passagens do paradigma: Ementa "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal." (Grifei) Relatório "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto "O litígio versa sobre a nulidade do lançamento por vício formal, bem como pela falta de intimação prévia da contribuinte nos termos da legislação específica. A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apresente as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 9202006.265 CSRFT2 Fl. 228 9 Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza. O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. 70.235/72." (grifei) (Disponível em www.carf.fazenda.gov.br. Acesso em 29Jun.2015) Destaco que a maioria do colegiado acompanhou o voto pelas conclusões, pois, eles não conhecem do presente Recurso Especial por fundamentos mais restritivos do que os apresentados por esta Relatora. Assim, inexistente a similitude fática, também não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste segundo paradigma, o que impossibilita o seguimento do recurso em relação à matéria do item "c" natureza do vício, se formal ou material. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 232DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001620/2003-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
Ementa:
FUNDAMENTO RELEVANTE DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
A decisão recorrida manteve o auto de infração com base em dois
fundamentos jurídicos: i) de que as plataformas petrolíferas não seriam espécies de embarcação, portanto, não faria jus a alíquota de 0%; e ii) acrescentando a essa fundamentação, o voto trouxe o entendimento que a partir da vigência da Lei n. 9.779/99 a operação passou a ser tributada independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações.
A peça do recurso especial nada se referiu ao primeiro fundamento jurídico, qual seja, o de que plataformas petrolíferas não são embarcações, limitou-se, ao revés, a impugnar a matéria relativa ocorrência da tributação independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações, por entender ter havido alteração da fundamentação da exigência.
É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso.
Súmula n. º 283 do Supremo Tribunal Federal.
Precedentes do STJ e da CSRF.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.545
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, por ausência de pressuposto de admissibilidade pertinente ao dissídio jurisprudencial. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Susy Gomes Hoffmann e Gustavo Lian Haddad. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. A decisão recorrida manteve o auto de infração com base em dois fundamentos jurídicos: i) de que as plataformas petrolíferas não seriam espécies de embarcação, portanto, não faria jus a alíquota de 0%; e ii) acrescentando a essa fundamentação, o voto trouxe o entendimento que a partir da vigência da Lei n. 9.779/99 a operação passou a ser tributada independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações. A peça do recurso especial nada se referiu ao primeiro fundamento jurídico, qual seja, o de que plataformas petrolíferas não são embarcações, limitouse, ao revés, a impugnar a matéria relativa ocorrência da tributação independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações, por entender ter havido alteração da fundamentação da exigência. É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Súmula n. º 283 do Supremo Tribunal Federal. Precedentes do STJ e da CSRF. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, por ausência de pressuposto de admissibilidade pertinente ao dissídio jurisprudencial. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Susy Gomes Hoffmann e Gustavo Lian Haddad. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 2 3 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – RedatorDesignado EDITADO EM: 15/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Relatório Em sessão plenária de 24 de fevereiro de 2005, a então Sexta Câmara do Primeiro do Conselho de Contribuintes julgou Recurso Voluntário n. 139.865, decisão essa consignada no Acórdão n. 10614.432 (fls. 631 a 690): NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – CONSTITUIÇÃO DO CRÉITDO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO – Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (Art. 142, caput, e parágrafo único, do CTN). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO NULIDADE Não está inquinado de nulidade o lançamento efetuado por autoridade competente no exercício da sua atividade funcional, mormente quando lavrado em consonância com o art. 142 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN) e com o artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. AÇÃO FISCAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL CONTROLE ADMINISTRATIVO A manifestação do Poder Tributante, por meio dos seus agentes fiscalizadores, em lançamento de oficio, aos quais conferiu a lei competência para praticar todos os atos próprios à exteriorização da sua vontade, não se confunde com as atividades específicas de controle administrativo daqueles atos praticados em seu nome. EMBARCAÇÃO CONCEITO FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA NA FONTE Prescinde de conceituar embarcação nos casos em que se verifica a ocorrência do fato gerador nas remessas de recursos a residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. EMPRESA DOMICILIADA EM PAISES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA – A partir de 1999, é de vinte e cinco por cento a aliquota do imposto de renda retido na fonte sobre as receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, quando auferidas por residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida. Recurso negado. Cientificado do acórdão, o contribuinte opôs Embargos de Declaração (fls. 703 a 715), recurso esse que foi rejeitado, conforme despacho de fls. 743 a 751. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 3 5 Antes mesmo de ser notificado da rejeição dos Embargos de Declaração (fls. 753verso), o contribuinte interpôs, em 20 de setembro de 2005, Recurso Especial de Divergência (fls. 754 a 957) que abordou as seguintes matérias: (i) Incompetência do Primeiro Conselho de Contribuintes para decidir sobre a classificação fiscal; (ii) Incompetência do Delegado Adjunto para emitir Mandado de Procedimento Fiscal Complementar; (iii) Indicação do mesmo Auditor Fiscal para atuar em MPF já extinto; (iv) Alteração da fundamentação da exigência; (v) Discrepância entre o Auto de Infração e o Termo de Constatação e do Ato Declaratório SRF n. 008/1999; (vi) Modificação do critério jurídico do lançamento; (vii) Força vinculante das soluções de consulta; e (viii) Exclusão de acréscimos moratórios. Ao Recurso Especial foi negado seguimento, conforme o Despacho n. 106 129/2006 (fls. 985 a 1013). Cientificado da negativa de seguimento do Especial, o contribuinte interpôs, em 29 de setembro de 2006, tempestivamente, Agravo (fls. 1020 a 1095), que objetivou destrancar o Recurso Especial. O Agravo foi distribuído para a i. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que, por meio do Despacho n. 104A195/2007 (fls. 11691197), decidiu pelo seguimento do Recurso Especial apenas em relação à matéria (iv), qual seja, alteração da fundamentação da exigência. A decisão foi aprovada pelo então Presidente da CSRF, Dr. Antonio José Praga de Souza (fl. 1197). Ato contínuo, a Fazenda Nacional foi intimada a se manifestar em face do Especial interposto, tendo apresentado, tempestivamente, contrarazões sob os seguintes fundamentos (fls. 12051210): (a) O auto de infração foi fundado na falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, conforme fl. 86; (b) Tanto a DRJRJ, como a então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes mantiveram o auto de infração pelos mesmos motivos do auto de infração, que se deu com base nos alugueis pagos a empresa localizadas no exterior por plataformas; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 (c) A decisão recorrida, na qual o contribuinte alega a suposta nulidade, manteve o auto de infração com base em dois fundamentos jurídicos: c.1) de que as plataformas petrolíferas não seriam espécies de embarcação, portanto, não faria jus a alíquota de 0%, conforme análise de trecho de voto: Assim sendo, definitivamente, não há como prosperar o argumento da defesa no sentido de que plataforma sejam embarcações; consequentemente, não há como ser aplicável a alíquota zero de que trata o disposto no art. 1º, inciso I, da Lei n. 9.481, de 1997 e alterações (fls. 683). c.2) acrescentando a essa fundamentação, o voto trouxe o entendimento que a partir da vigência da Lei n. 9.779/99 deixou de existir a alíquota zero, por derrogação do art. 1º da Lei n. 9.481 e art. 20 da Lei n. 9.532 de 1997, logo passou a ser tributada, independentemente de ter sido a remessa proveniente de alugueis de embarcações ou plataformas. (d) A fundamentação de ambas as decisões entendem por não enquadrar plataformas petrolíferas como espécies de embarcação, o que também inibiria as supostas alegações do contribuinte para incidir alíquota zero; (e) Não houve qualquer mudança de fundamentação, o que houve foi reforçar as argumentações trazidas pelo auto de infração; (f) Só existe nulidade do lançamento por cerceamento de defesa se restar caracterizado o óbice ao exercício do direito, de modo que o tema sub examine não tenha sido aventado na impugnação e no recurso voluntário. Em outras palavras, ocorre o dito cerceamento, quando a imputação e a finalidade do auto de infração não são sequer compreeendidas pelo sujeito passivo. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 4 7 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Dito isso, passo ao exame das questões intrínsecas (demonstração de divergência). Como consignado no relatório, o contribuinte interpôs, em 20 de setembro de 2005, Recurso Especial de Divergência (fls. 754 a 957) que abordou as seguintes matérias: (i) Incompetência do Primeiro Conselho de Contribuintes para decidir sobre a classificação fiscal; (ii) Incompetência do Delegado Adjunto para emitir Mandado de Procedimento Fiscal Complementar; (iii) Indicação do mesmo Auditor Fiscal para atuar em MPF já extinto; (iv) Alteração da fundamentação da exigência; Discrepância entre o Auto de Infração e o Termo de Constatação e do Ato Declaratório SRF n. 008/1999; (v) Modificação do critério jurídico do lançamento; (vi) Força vinculante das soluções de consulta; e (vii) Exclusão de acréscimos moratórios. Ao Recurso Especial foi negado seguimento, conforme o Despacho n. 106 129/2006 (fls. 985 a 1013). Cientificado da negativa de seguimento do Especial, o contribuinte interpôs, em 29 de setembro de 2006, tempestivamente, Agravo (fls. 1020 a 1095), que objetivou destrancar o Recurso Especial. O Agravo foi distribuído para a i. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que, por meio do Despacho n. 104A195/2007 (fls. 11691197), decidiu pelo seguimento do Recurso Especial apenas em relação à matéria (iv), qual seja, alteração da fundamentação da exigência. A decisão foi aprovada pelo então Presidente do CSRF, Dr. Antonio José Praga de Souza (fl. 1197). Nesse sentido, por existir impedimento para reexame das demais matérias, passo a apreciação da única questão posta a julgamento. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 O Recorrente acusa o acórdão recorrido de haver inovado na fundamentação da infração, indicando à guisa de divergência o Acórdão 10420.222, assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU – MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA FUNDAMENTAÇÃO DA EXIGÊNCIA – IMPOSSIBILIDADE – NULIDADE DA DECISÃO – É nula a decisão de primeira instância que mantém a exigência formalizada em Auto de Infração com base em fundamentos diferentes dos apontados no instrumento de autuação, quando essa discrepância representa evidente mudando no critério jurídico do lançamento. Decisão anulada. A ementa acima não deixa dúvidas no sentido de que se trata de nulidade da decisão de primeira instância, declarada por Câmara dos Conselhos de Contribuintes, tendo em vista que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento teria mantido a exigência com base em fundamento diverso do apontado na autuação. Relativamente a este tema, releva notar que o acórdão recorrido não trata de suposta nulidade da decisão de primeira instância. E obviamente nem poderia tratar, já que tal matéria sequer foi argüida pelo contribuinte em sede de Recurso Voluntário (fls. 462 a 521 Volume 111). Não obstante, analisandose os argumentos relativos a este item, aduzidos no Recurso Especial e no presente Agravo (fls. 769 a 773 Volume IV), o que se conclui é que o contribuinte intenta que a Câmara Superior de Recursos Fiscais declare a nulidade do acórdão recorrido, por entender que este padeceria do mesmo vício que o acórdão da Quarta Câmara (paradigma) atribuiu à decisão de primeira instância, vindo a declarar lhe a nulidade. Assim, em consonância com a decisão que deu provimento parcial ao Agravo, este Conselheiro entende, tendo em vista os princípios do contraditório e da ampla defesa, o precedente colacionado pelo contribuinte pode ser considerado para fins de análise. Isso porque, tratandose de suposto vício verificado somente no acórdão de segunda instância, não haveria como o contribuinte provocar o seu prequestionamento no Recurso Voluntário, como ocorreu no caso do paradigma. Ademais, a tentativa de obter o posicionamento da então Sexta Câmara acerca dos supostos vícios contidos no acórdão recorrido foi frustrada, já que os Embargos Declaratórios opostos pelo contribuinte (fls. 703 a 715 Volume IV) foram rejeitados (despacho de fls. 743 a 752 Volume IV). Destarte, o paradigma deve efetivamente ser analisado, com vistas à aferição acerca da demonstração da alegada divergência jurisprudencial. Nesse passo, convém esclarecer que, pelas razões acima expostas, o dissídio interpretativo, caso efetivamente se confirme, só poderá ser demonstrado de forma indireta, a partir de uma construção lógica, a saber: a então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes não teria admitido a alteração na fundamentação da exigência, perpetrada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, vindo a anular a respectiva decisão; considerandose, em tese, que a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes também tenha alterado a fundamentação da exigência no acórdão recorrido, tal comportamento seria obviamente repudiado pela Quarta Câmara, caracterizandose assim a alegada divergência. Isso porque os elementos de comparação, no presente caso, são representados por duas decisões inseridas no processo administrativo tributário, sujeitas aos mesmos princípios, sendo irrelevante a instância prolatora de cada julgado. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 5 9 Assim, resta a este Conselheiro proceder à comparação entre a situação retratada no paradigma Acórdão 10420.222, às fls. 833 a 851, Volume IV e a do recorrido, com o escopo de aferir acerca de sua identidade. Análise do paradigma: No caso do paradigma, tratase de Auto de Infração por meio do qual se exigia Imposto de Renda sobre ganho de capital em operação de permuta de participações societárias (fls. 837 Volume IV). Confirase os fundamentos da autuação, conforme o relatório do precedente: "A fiscalização entendeu que a alienação das ações do Banco Real S/A, ainda que tendo sido feita por meio de permuta está sujeita ao pagamento de imposto sobre o ganho de capital e que, tratandose de rendimentos de residente no exterior, o imposto deveria ser exigido do adquirente, com fundamento no art. 685, § 2° do RIR/90. Afirma a propósito, a autoridade lançadora, no Termo de Verificação Fiscal que: 'A apuração de ganho de capital em operações de permuta é pacífica, sendo exceção somente as operações de permuta de unidades imobiliárias, sem torna, conforme disposto na Instrução Normativa 107/88. No caso de permuta de ações, não há exceção e o ganho de capital deve ser apurado, sobre o qual haverá incidência de imposto.' A autoridade lançadora menciona expressamente o art. 3° da Lei 7.713, de 1988, também indicado nos fundamentos legais do Auto de Infração, o qual, no seu § 3°, inclui expressamente entre as hipóteses de alienação nas operações de ganho de capital a permuta e, ainda, transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam essas conclusões." Não obstante, a decisão de primeira instância, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, assim asseverou, conforme o relatório do paradigma (fls. 844/845 Volume IV): A autoridade julgadora de primeira instância assim resumiu a controvérsia no que se refere à questão de mérito central objeto do processo, verbis: 'De um lado, o fisco entende ser devido o Imposto de Renda na fonte sobre o ganho de capital auferido pelos alienantes. Em contraposição, a impugnante advoga que a modalidade negociada utilizada permuta, sem preço e sem torna inviabiliza a pretensão fiscal, posto inexistir o valor de alienação, cujo balanceamento com o custo de aquisição é procedimento indispensável para que exsurja o quantum do ganho de capital objeto da tributação.' Daí, conclui: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 'Necessário, portanto, dissecar a operação com o objetivo de apurar se a aparência do negócio permuta coincide com sua natureza intrínseca, ou se, pelo contrário, sob o formato e denominação de permuta, encontrase outra operação de natureza diversa compra e venda.' Dessa análise a autoridade julgadora de primeira instância concluiu que, 'A criação das empresas Maxpar Participações S/A e Fortblanc Serviços S/A serviu apenas como simulacro, buscando travesti r de permuta o que é uma autêntica compra e venda por preço pago em dinheiro contado". E, ainda, 'a) ser plenamente possível neste caso concreto apurar o ganho de capital auferido pela família Szajman (empresa Fortblanc Serviços S/A) na alienação das ações do Banco Real S/A; b) que a impugnante, estando na condição de fonte pagadora dos rendimentos, sempre esteve ciente de sua obrigação de efetuar a retenção e o recolhimento respectivo mas, em vez de assim agir, optou por simular com a beneficiária dos rendimentos uma permuta envolvendo empresa criada para esse fim exclusivo, sem existência efetiva, e cujo único efeito foi de servir de embalagem para o preço pago em dinheiro; e c) é legal o reajustamento da base de cálculo, posto não ter havido a retenção do imposto na fonte." Verificase, claramente, que há alteração na determinação da infração imputada ao contribuinte, que passou de "falta de recolhimento de imposto sobre ganho de capital em operação de permuta", para "falta de recolhimento de imposto sobre ganho de capital em operação de compra e venda travestida de permuta". Diante de tal alteração, assim se posicionou o voto condutor do paradigma: "Sem prejuizo da arguiçao de ilegitimidade passiva levantada pela Recorrente, o cerne da questão de mérito objeto do litígio diz respeito à incidência, ou não, do ganho de capital no caso de permuta de ações. A autoridade lançadora fundamenta a exigência, entre outros dispositivos, no art. 3° da Lei n? 7.713, de 1988 segundo o qual a incidência do imposto sobre o ganho de capital independe da forma de alienação, sendo devida, inclusive, no caso de permuta. A Recorrente, por sua vez, sustenta que, sem um valor de alienação, já que a permuta se deu sem preço e sem torna, não é possível apurarse o ganho de capital, base de cálculo do imposto. Escorase em pareceres da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN os quais, segundo sua interpretação, concluem no sentido de que 'não há ganho de capital na mera troca de bens ou direitos pois no momento da troca não ocorre o fato gerador do imposto de renda', o que só ocorrerá quando o particular vender a participação acionária. Essa tese, ainda segundo a Recorrente, é corroborada por decisão do Supremo Tribunal Federal. Notese que a autoridade lançadora em momento algum se refere, na fundamentação do lançamento, em simulação. Ao contrário, procura lastrear a exigência demonstrando Fl. 10DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 6 11 exatamente que há fundamento na legislação e na jurisprudência administrativa para a incidência do imposto, ainda que a alienação tenha se dado na forma de permuta. Verificase, entretanto, que a autoridade julgadora de primeira instância fundamenta sua decisão, principalmente, no pressuposto de que a criação das empresas FORTBLANC e MAXPAR 'serviu apenas como simulacro, buscando travesti r de permuta o que é uma autêntica compra e venda por preço pago em dinheiro contado', hipótese, como se viu acima, alheia aos fundamentos da autuação. Por outro lado, a decisão recorrida passou ao largo da questão central objeto da controvérsia entre os fundamentos da autuação e as alegações da peça impugnatória, isto é, a incidência (ou não), de ganho de capital no caso de alienação de ações por meio de permuta, conforme relatado acima. É forçoso concluir, portanto, que a autoridade julgadora de primeira instância: a) introduziu mudança no critério jurídico da fundamentação da exigência; e b) não apreciou as razões da defesa no que se refere à questão de mérito objeto da lide. Desnecessário dizer que essas circunstâncias são absolutamente incompatíveis com o devido processo legal, consagrado na Constituição Federal, o qual desdobrase nas garantias do contraditório e da ampla defesa e que, entre outros aspectos, compreende o duplo grau de jurisdição e exigência de suficiente e adequada fundamentação das decisões administrativas. O Decreto n. 70.235/72 traduziu o devido processo legal em vários dispositivos, ao estabelecer, por exemplo, o duplo grau de jurisdição na apreciação das provas e dos argumentos de defesa (art. 10); ao determinar que os atos sejam lavrados por servidor competente e sem preterição de direito de defesa (art. 59); e ao prescrever mínimos a serem observados nas decisões administrativas (art. 31)." (...) A introdução de fundamento para a exigência diferente do constante do Auto de Infração, como se verifica neste caso, configura a hipótese de agravamento da exigência a qual não poderia ser operado pela autoridade julgadora de primeira instância. De tudo quanto foi acima exposto, tenho claro que a decisão recorrida está eivada de vícios insanáveis, que reclamam a declaração de sua nulidade, sem prejuízo da repetição do ato, na boa e devida forma. Embora essa preliminar tenha sido argüida pela defesa apenas nas razões adicionais, apresentadas após vencido o prazo recursal, tratase de matéria de ordem pública, devendo ser suscitada ex officio. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Por todo o exposto, voto no sentido de declarar NULA a decisão recorrida, para que outra seja prolatada na boa e devida forma." Verificase, assim, que no caso do paradigma, na decisão de primeira instância procedeuse à alteração do fundamento da exigência, o que acarretou a sua anulação por parte do Colegiado de segunda instância. Análise do acórdão recorrido: No caso do julgado guerreado, repitase que se trata de exigência de Imposto de Renda sobre remessas ao exterior em pagamento de aluguéis de plataformas. A autuação foi assim fundamentada, conforme o "Termo de Constatação de Infração Fiscal” (tis. 70 a 72 Volume I): "Referidos aluguéis foram pagos ou creditados sem retenção do imposto de renda, conforme lançamentos à conta ('Controladoras, Subsidiárias e Coligadas/Afretamento de Plataforma Aluguel'). O art. 743 do regulamento do imposto de renda, baixado pelo decreto 1.041/94, determina seja retido o imposto sobre proventos de qualquer natureza pagos por fonte situada no país a residentes no exterior. O art. 791 atribui à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção. Os referidos artigos receberam os números 682 e 785, respectivamente, no atual regulamento Decreto 3.000/99 O inciso I do art. 749, atual art. 691, ao reduzir a alíquota a zero, exclui do campo de incidência tais rendimentos quando recebidos a título de frete, afretamento, aluguel ou arrendamento de embarcações marítimas e fluviais, aeronaves estrangeiras ou containers. A lei 9.537/97, ao definir o conceito de embarcação, em seu art. 2°, inciso V, dispõe: (...) Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita à inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas'. (grifo nosso) Ora, fica claro que as plataformas alugadas ou arrendadas pela epigrafada não se inserem na definição acima, uma vez que a despeito de serem plataformas não são empregadas para transporte de pessoas ou carga. Notese que a norma isentiva do mencionado art. 749, atual 691, ao beneficiar as embarcações, o fez também às aeronaves a aos containers, numa clara demonstração do seu escopo excluir do campo de incidência equipamentos ou veículos que realizam transporte de carga ou pessoas. Simultaneamente, a mesma lei define plataforma, no inciso XIV do referido artigo: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 7 13 (...) Plataforma instalação ou estrutura, fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive plataforma continental e seu subsolo.' É evidente que as plataformas arrendadas ou alugadas pela Petrobrás são estas. No mesmo sentido aponta a Nomenclatura Comum do Mercosul, em seu capítulo 89, ao tratar das embarcações e estruturas flutuantes. Segundo a referida Nomenclatura, a posição 8905 inclui barcos faróis, barcosbombas, dragas, guindastes flutuantes e outras embarcações em que a navegação é acessória da função principal. Além destas, a mencionada posição abriga docas, diques flutuantes, plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis. Fica bem claro que as plataformas estão destacadas das embarcações definidas no início do texto, estando delas separadas por pontoevírgula numa evidente demonstração de que não são embarcações e sim estruturas flutuantes, já que o capítulo 89 compreende os dois conceitos. É importante lembrar que a legislação concernente à outorga de isenção ou à exclusão do crédito tributário, consoante art. 111 do Código Tributário Nacional (lei n° 5.172/66), deve ser interpretada literalmente. Por ser o beneficiário domiciliado em Cayman, país com regime de tributação favorecida, a que se refere o art. 24 da Lei 9.430/1996, o lançamento de ofício farseá com a alíquota de 25%, conforme determina o art. 8º da Lei 9.779/99, com a base de cálculo reajustada em conformidade com o art. 796 do RIR/94, art. 725 do RIR/99." (grifos no original) A simples leitura do "Termo de Constatação de Infração Fiscal" acima transcrito permite concluir que o fundamento da autuação é o fato de as plataformas objeto dos contratos de aluguéis não se enquadrarem no conceito de "embarcações", que gozavam da prerrogativa de alíquota zero. Quanto ao art. 8° da Lei n° 9.779, de 1999, este foi mencionado no penúltimo parágrafo para especificar a alíquota aplicável, que seria de 25%. Na mesma linha da autuação, a decisão da DRJ fixou a lide nos seguintes termos (fls. 435 e 450 Volume 11): "No mérito, o cerne da controvérsia encontrase na definição do que seja embarcação. O contribuinte afirma que a plataforma está incluída no conceito de embarcação e, desta forma, está amparado pela alíquota zero prevista na Lei 9.481/1997, art. 1°, com alterações da Lei 9.532/1997, enquanto a fiscalização entende que não. (...) Concluise que o auto de infração, em tela, interpreta os dispositivos da Lei n. 9.481/97 de acordo com o que determina o Fl. 13DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 art. 109 do CTN. Correto, portanto, o lançamento de IRRF efetuado pelos auditores com base nos aluguéis pagos a empresas localizadas no exterior por plataformas ou por FPSO utilizados pelo contribuinte, uma vez que apenas a embarcação, entendida no ordenamento jurídico privado brasileiro como navio, e, sendo assim, construção destinada a percorrer águas, de forma itinerante e autônoma , está amparada pelo benefício da alíquota zero." Não obstante, a ementa do acórdão recorrido assim assevera (fls. 631 Volume 111): "(...) EMBARCAÇÃO CONCEITO FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA NA FONTE Prescinde de conceituar embarcação nos casos em que se verifica a incidência do fato gerador nas remessas efetuadas por residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. EMPRESA DOMICILIADA EM PAISES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA A partir de 1999, a alíquota do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos auferidos no país, por residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida é de 25% (vinte e cinco por cento), quando tratar de receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes." (grifei) Ademais, o voto condutor do julgado guerreado assim especifica (fls. 665 a 667 e 683 Volume 111 em diante): "Em seguida, passo a análise de mérito. 1. PLATAFORMAS SÃO OU NÃO EMBARCAÇÕES A Recorrente fixou a sua defesa na alegação de que plataformas petrolíferas são embarcações marítimas, conseqüentemente, ver ao caso aplicável a alíquota zero de que trata o disposto no art. 1°, inciso I, da Lei n? 9.481/97 e alterações posteriores. A autoridade autuante deixou assente que no conceito de embarcação figuram aquelas que se prestam para o transporte de pessoas ou cargas, enquanto plataformas são instalações ou estruturas marítimas para as atividades relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação de recursos petrolíferos, sendo desta categoria as plataformas arrendadas/alugadas pela recorrente. Este também foi o sentido a que chegaram os Membros da 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, mediante o Acórdão DRJ/RJOI N° 4.484, de 12 de outubro de 2003, ora recorrido. Nesse sentido, analisados os termos da Lei n. 9.537/97, as plataformas utilizadas pela contribuinte, 'até se locomovem na água, mas não se destinam ao transporte de pessoas ou coisas. Na realidade são estruturas fixas ou flutuantes que visam a Fl. 14DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 8 15 prospecção de petróleo, por isso, o legislador na Lei de Transporte Aquaviários as distinguiu das embarcações'. (...) Embora a referida discussão possa ser dispensável à solução da presente lide, é possível adicionar mais alguns pontos acerca do que seja embarcação e do que não possa ser assim conceituado. (...) Assim sendo, definitivamente, não há como prosperar o argumento da defesa no sentido de que plataformas sejam embarcações, conseqüentemente não há como ser aplicável a alíquota zero de que trata o disposto no art. 1°, inciso I, da Lei n. 9.481/97 e alterações. 2. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO. ENQUADRAMENTO DO CASO. Convém recordar que, em sede de mérito, a Recorrente asseverou que o 'fundamento único' do auto de infração reside em considerar que as 'plataformas petrolíferas' não são 'embarcações marítimas' e, nesse sentido, formulou a impugnação ao feito que, apreciada em seus termos, resultou no julgamento de primeira instância, retro examinado. É verdade, de qualquer natureza auferidos por residentes ou domiciliados a ocorrência do fato gerador do tributo objeto da autuação pouco foi aventada pela recorrente, qual seja, a falta de retenção na fonte sobre proventos no exterior, isto é, em chamados 'paraísos fiscais'. (...) Do exame da legislação supra, cabe observar que as remessas de rendimentos auferidos por residentes no exterior são tributadas à alíquota de vinte e cinco por cento, quando o país destinatário tribute a renda em percentual inferior à mencionada aliquota. No caso presente, a remessa de valores de aluguéis das plataformas foi feita a residentes nas Ilhas Cayman. Como visto, a Lei n. 9.779, de 19 de janeiro de 1999, somente excepcionou da tributação do imposto de renda na fonte as operações indicadas nos incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 1° da Lei N° 9.481, de 1997. Logo, a situação que diz respeito à recorrente, indicada no inciso I, passou a ser tributada, independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações ou plataforma. É que a partir da vigência da Lei n. 9.779, de 1999 deixou de existir o benefício da alíquota zero, por derrogação do art. 1° da Lei n. 9.481 e art. 20 da Lei n. 9.532, de 1997. A partir de 1° de janeiro de 1999, por intermédio da Medida Provisória n. 1.788, de 1998, convertida na Lei n? 9.779, de 1999, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em Fl. 15DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 24 da Lei n.9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte e cinco por cento. Reiterese, antes vigia, em função da Lei n. 9.481, de 1997, art. 1°, e Lei n. 9.532, de 1997, art. 20, a alíquota zero do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no país, por residentes ou domiciliados no exterior, nas hipóteses ali previstas. A partir da Lei n. 9.779, de 1999, art. 8°, acima transcrito, somente as hipóteses dos incisos V, VIII, IX, X e XI continuaram com o benefício da alíquota zero. A previsão contida no inciso I da Lei n° 9.481, de 1997, a partir de 01 de janeiro de 1999, deixou de existir, isto é, para os pagamentos feitos a títulos de fretes, afretamentos, etc, aos beneficiários de paraísos fiscais. No caso concreto, as empresas beneficiárias, como visto, estão localizadas nas Ilhas Cayman, pelo que se aplica a tributação exclusiva do imposto de renda a alíquota de 25% (vinte e cinco por cento) sobre a base de cálculo reajustada, como destacado no Termo de Constatação de Infração Fiscal, parte integrante do auto de infração, referente aos períodos de 1999 a 2002 (fls. 70/72). De ver, ainda, para que equívocos não restem, o expresso na Exposição de Motivos n. 834, de 29 de dezembro de 1998, do Projeto da referida Medida Provisória n. 1.788, de 1998, convertida na Lei n. 9.779, de 1999, in verbis: (...) O art. 8° determina a cobrança do imposto de renda à alíquota de vinte e cinco relativamente a rendimentos remetidos para beneficiários residentes ou domiciliados em países 'Paraísos Fiscais', restringindose, quanto a esses destinatários, as hipóteses de aplicação do benefício da alíquota zero. (destaque posto) Assim, reiterese outra vez, a partir de 01/01/1999, nos termos do disposto do art. 8° da Lei n. 9.779/99, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento (países com tributação favorecida), a que se refere o art. 24 da Lei n.9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte exclusiva à alíquota de vinte e cinco por cento, situação a que se subsume as remessas feitas pela recorrente, pois os beneficiários dos rendimentos são domiciliados nas Ilhas Cayman. Cabe reforçar, quanto à situação da recorrente, que a tributação interna encontrase prevista nos Contratos firmados, a exemplo, entre outros, do que se verifica na Tradução n? C 0020/03 do Contrato de Sub Afretamento P24 datado de 28 de dezembro de 1994, entre a BRASPETRO OIL SERVICES COMPANY, como Afretador, e PETRÓLEO BRASILEIRO S. A PETROBRÃS (fls. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 9 17 54/55 Anexo 111). É o que se vê na Subcláusula 8.2 Impostos, assim firmada: (...) Isto posto, voto por afastar as preliminares de nulidades do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, posto que o lançamento encontrase devidamente amparado na legislação de regência." (grifos no original) Recordese que, conforme asseverou a própria decisão de primeira instância, o cerne da controvérsia encontravase "na definição do que seja embarcação", já que o "contribuinte afirma que a plataforma está incluída no conceito de embarcação e, desta forma, está amparado pela alíquota zero prevista na Lei 9.481/1997, art. 1°, com alterações da Lei 9.532/1997, enquanto a fiscalização entende que não" (fls. 435 Volume 11). Entretanto, não há como negar que, além disso, o acórdão recorrido trouxe nova fundamentação à autuação, que logrou tornar dispensável o intenso debate que até aquele momento povoava todas as peças do processo. Confirase alguns trechos do julgado guerreado: "EMBARCAÇÃO CONCEITO FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA NA FONTE Prescinde de conceituar embarcação nos casos em que se verifica a incidência do fato gerador nas remessas efetuadas por residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida." (ementa) "Embora a referida discussão possa ser dispensável à solução da presente lide, é possível adicionar mais alguns pontos acerca do que seja embarcação e do que não possa ser assim conceituado. (...) Logo, a situação que diz respeito à recorrente, indicada no inciso I, passou a ser tributada, independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações ou plataforma. É que a partir da vigência da Lei n? 9.779, de 1999 deixou de existir o benefício da alíquota zero, por derrogação do art. 1° da Lei n. 9.481 e art. 20 da Lei n. 9.532, de 1997. Remarquese que a alteração no fundamento da exigência é tão gritante que no acórdão recorrido chegase a considerar prescindível a conceituação de "embarcação", questão esta que, repitase, até aquele momento constituíra o fundamento da autuação e alimentara a discussão constante de todas as peças do processo, sejam elas de acusação ou de defesa. Assim, forçoso é reconhecer que o acórdão recorrido efetivamente alterou a fundamentação da autuação, a saber: conforme o Auto de Infração e a decisão da DRJ, o contribuinte deveria recolher o Imposto de Renda sobre as remessas referentes a aluguéis de plataformas, uma vez que estas não estariam incluídas no conceito de "embarcações", para efeito de aproveitamento da alíquota zero, prevista no art. 1°, Fl. 17DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 inciso I, da Lei n. 9.481, de 1997, com a redação dada pela Lei n. 9.532, de 1997; de acordo com o acórdão recorrido, ainda que as plataformas pudessem ser caracterizadas como "embarcações", as remessas efetuadas pela contribuinte não estariam acobertadas pela alíquota zero, uma vez que "a partir da vigência da Lei n. 9.779, de 1999 deixou de existir o benefício da alíquota zero, por derrogação do art. 1° da Lei n. 9.481 e art. 20 da Lei n. 9.532, de 1997" (fls. 687 Volume III). Concluise, portanto, que não se trata de mero reforço de argumento, mas sim da introdução de novo fundamento que conduziria, inclusive, a possível situação da manutenção de Auto de Infração e de decisão de DRJ que teriam travado longas discussões estéreis, acerca de aplicação de dispositivo legal já derrogado. Por outro lado, a questão da derrogação do art. 1°, inciso I, da lei n. 9.481, de 1997, até aquele momento não havia sido debatida nos autos, ensejando vários argumentos de defesa em sede de Embargos Declaratórios que, não obstante, sequer foram conhecidos. Assim, não há como negar a identidade da situação do acórdão recorrido com a do paradigma, cuja ementa ora se recorda: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA FUNDAMENTAÇÃO DA EXIGÊNCIA IMPOSSIBILIDADE NULIDADE DA DECISÃO É nula a decisão de primeira instância que mantém a exigência formalizada em Auto de Infração com base em fundamentos diferentes dos apontados no instrumento de autuação, quando essa discrepância representa evidente mudança no critério jurídico do lançamento." Portanto, voto por CONHECER DO RECURSO ESPECIAL interposto, haja vista a demonstração da divergência. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 18DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 10 19 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado Ouso divergir do ilustre conselheiro relator quanto ao conhecimento do recurso especial sob apreciação. Inicialmente saliento que não merece prosperar alegação no sentido de que a este Colegiado seria defeso reexaminar a admissibilidade de recurso especial nas hipóteses em que há homologação de despacho proferido em agravo de instrumento pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por certo, a admissibilidade do recurso especial é prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Relembro que a decisão recorrida manteve o auto de infração com base em dois fundamentos jurídicos: i) de que as plataformas petrolíferas não seriam espécies de embarcação, portanto, não faria jus a alíquota de 0%; e ii) acrescentando a essa fundamentação, o voto trouxe o entendimento que a partir da vigência da Lei n. 9.779/99 a operação passou a ser tributada independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações. Por oportuno colaciono excerto do voto condutor do acórdão recorrido em que constam os dois fundamentos jurídicos que ampararam a decisão a quo: “1. PLATAFORMAS SÃO OU NÃO EMBARCAÇÕES (...) Assim sendo, definitivamente, não há como prosperar o argumento da defesa no sentido de que plataformas sejam embarcações, conseqüentemente não há como ser aplicável a alíquota zero de que trata o disposto no art. 1°, inciso I, da Lei n. 9.481/97 e alterações. 2. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO. ENQUADRAMENTO DO CASO. (...) Logo, a situação que diz respeito à recorrente, indicada no inciso I, passou a ser tributada, independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações ou plataforma. É que a partir da vigência da Lei n. 9.779, de 1999 deixou de existir o benefício da alíquota zero, por derrogação do art. 1° da Lei n. 9.481 e art. 20 da Lei n. 9.532, de 1997. (...) Fl. 19DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 20 Assim, reiterese outra vez, a partir de 01/01/1999, nos termos do disposto do art. 8° da Lei n. 9.779/99, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento (países com tributação favorecida), a que se refere o art. 24 da Lei n.9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte exclusiva à alíquota de vinte e cinco por cento, situação a que se subsume as remessas feitas pela recorrente, pois os beneficiários dos rendimentos são domiciliados nas Ilhas Cayman.” Todavia, a peça do recurso especial nada se referiu ao primeiro fundamento jurídico, qual seja, o de que plataformas petrolíferas não são embarcações, limitouse, ao revés, a impugnar a matéria relativa ocorrência da tributação independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações, por entender ter havido alteração da fundamentação da exigência. De tal modo, remanesceu no aresto recorrido fundamento inatacado, suficiente, por si só, para determinar o desprovimento do pedido, evidência que atrai, mutatis mutandis, a regra inscrita na Súmula n. º 283 do Supremo Tribunal Federal,deste teor: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Destarte, é inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Neste mesmo sentido precedente do STJ. “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO FISCAL. PRESCRIÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. CDA. DEFEITO FORMA. NULIDADE. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO IMPUGNADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 283/STF. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. (...) 3.Não se conhece do recurso especial que não ataca fundamento que, por si só, é suficiente para fundamentar o juízo emitido pelo acórdão recorrido, evidência que atrai, mutatis mutandis, , a regra inscrita na Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal, deste teor:"É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." 4. Na espécie, o acórdão recorrido desproveu o agravo interno sob o argumento de prescrição do crédito fiscal e, também, de nulidade da CDA. As razões de recurso especial, todavia, apenas impugnaram a matéria referente à prescrição dos valores exigidos. (...)” ( STJ, 1ª Turmaa, REsp 704504 / RS, Relator: Ministro José Delgado) Fl. 20DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 11 21 Nesta mesma linha já decidiu a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS RELEVANTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO, IMPOSSIBILIDADE DE PROVIMENTO. Inviável o recurso especial que pleiteia a reforma de acórdão mas não impugna todos os fundamentos relevantes da decisão recorrida.” (Acórdão nº 910100.692, Relator: Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho) Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso especial. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 21DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13963.002362/2008-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 9202-006.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1355; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 90 1 89 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13963.002362/200864 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.263 – 2ª Turma Sessão de 30 de novembro de 2017 Matéria IRPF NÃO CONHECIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARLOS HENRIQUE MAYR JUNIOR ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 23 62 /2 00 8- 64 Fl. 90DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, contra o Acórdão nº 2802002.145, de 20/02/2013, prolatado pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 52/54), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IRPF. RECEBIMENTO DE ALUGUEL POR CURADOR. ERRO DA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Comprovado que os rendimentos foram recebidos em nome do curatelado o lançamento deve ser cancelado por erro na identificação do sujeito passivo. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO SUBSTANCIAL. O erro na identificação do sujeito passivo não representa vício formal e sim substancial. O processo foi encaminhado à PGFN em 06/03/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 55). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre 30 dias após esta data. Em 26/03/2013, tempestivamente, foi interposto o Recurso Especial de efls. 56/64. O apelo suscita a seguinte matéria: natureza do vício, se formal ou material. A Fazenda Nacional indica como paradigmas os acórdãos 30330.909 e 301 34.638. Cientificado o contribuinte, quedouse inerte. Importa ressaltar que o presente processo tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2007, ano calendário 2006, decorrente de apuração de omissão de rendimentos informados pelas seguintes fontes pagadoras nas respectivas DIRF: Fundo Estadual de Saúde (rendimentos do trabalho R$ 1.261,90), Literária Caritativa Santo Agostinho (rendimentos do trabalho R$ 838,00) e Corretora Brokers de Seguros Ltda (aluguéis – R$21.385,44). Não houve contestação referente aos rendimentos do trabalho omitidos. A impugnação baseouse na alegação de que o impugnante nunca recebeu rendimentos da Corretora Brokers de Seguros Ltda, que atuou como curador de seu pai, o Sr. Carlos Henrique Mayr, o qual era locador de imóveis à referida corretora, os rendimentos desses aluguéis constam da declaração do curatelado, não sabe porque o pagamento foi vinculado a seu CPF, assevera que após a morte do curatelado os rendimentos passaram a ser informados na declaração do espólio. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13963.002362/200864 Acórdão n.º 9202006.263 CSRFT2 Fl. 91 3 Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora. Do conhecimento Nenhuma das matérias admitidas pode ser dissociada do contexto do cumprimento a decisão judicial, quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente e, in casu, julgamento que no CARF ocorreu em 17/07/2014, portanto já sob a égide do RICARF, que em seu artigo 62A determina: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: Fl. 92DF CARF MF 4 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumuluda. Feitas estas considerações, em sede contrarrazões o recorrido pugna pelo não conhecimento do recurso especial tendo em vista que não há divergência de interpretação entre acórdão recorrido e os paradigma por ausência de identidade fática das situações objeto de análise; Sobre a possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento Acórdão n.º 103 20.451 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF/ILL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL A decisão proferida no processo relativo ao imposto de renda pessoa jurídica estende seus efeitos Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13963.002362/200864 Acórdão n.º 9202006.263 CSRFT2 Fl. 92 5 aos processos decorrentes, tendo em vista a estreita correlação entre os procedimentos principal e decorrentes. Recurso de oficio negado. Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, o que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro que se refere a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento de receita operacional de pessoa jurídica. Do Recurso Especial destaco: Notese a importância da economia processual, da instrumentalidade das formas e da salvabilidade dos atos processuais. É de se concluir, por conseguinte, que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto 70.235/72, razão pela qual a suposta irregularidade do lançamento não poderá importar em nulidade. Evidenciase, portanto, a divergência jurisprudencial, pois o acórdão recorrido cancelou o lançamento sob a alegação de vício material, enquanto o acórdão paradigma decidiu pela baixa dos autos, a fim de que ocorra a revisão do lançamento. Com efeito, defende o acórdão paradigma que se trata de mero ato para salvaguardar eventual crédito tributário representado pelo presente lançamento, não havendo razão plausível para de declarar a sua nulidade, se o mesmo pode ser ajustado. Reforçando o contexto: REGISTRO A POSIÇÃO PESSOAL DESTA RELATORA, DE QUE os atos processuais não podem ser salvos! O lançamento não pode ser ajustado, pois tratase, in casu, de observância obrigatória do constante do RE nº 614.406/RS. Saliento que a maioria presumida por voto de qualidade do colegiado entendeu não ser possível adentrar nessa discussão, em face do não conhecimento do recurso nesta matéria, por falta de similitude fática. Assim, inexistente a similitude fática, também não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste paradigma, o que impossibilita o seguimento do recurso quanto a existência de vício Sobre os paradigmas trazidos para questionar o tipo de vício que macula o lançamento, conforme será analisado nos tópicos a seguir; Acórdão nº 240100.018 e Acórdão nº 30131.801 Quanto ao primeiro paradigma Acórdão 240100.018 a Fazenda Nacional transcreve a ementa da forma abaixo: Paradigma Acórdão 240100.018 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 Fl. 94DF CARF MF 6 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's ri% 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro, este primeiro paradigma em que se tratou de lançamento de Contribuição Previdenciária decorrente de arbitramento na modalidade de aferição indireta, baseada em impreciso Relatório Fiscal da Notificação que deixou de informar o procedimento de arbitramento, bem como de inscrever no anexo denominado "Fundamento Legais do Débito FLD" o dispositivo que autorizaria o arbitramento. Confirase: Voto "No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13963.002362/200864 Acórdão n.º 9202006.263 CSRFT2 Fl. 93 7 às fls.33/34, qual o dispositivo legal que oferece sustentáculo ao procedimento utilizado na constituição do crédito tributário — aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37 da Lei n°8.212/91, senão vejamos: (...) Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3" e 6", da Lei n° 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." (Grifei) (Disponível em www.carf.fazenda.gov.br. Acesso em 29Jun.2015) Ausente a similitude fática, resta não demonstrada a divergência alegada com base neste primeiro paradigma. No tocante ao segundo paradigma Acórdão 30131.801 o trecho transcrito pela Fazenda Nacional é o seguinte: Paradigma Acórdão 30131.801 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 303 29972, 30296334 e 30129966. RECURSO DE OFICIO NEGADO." (Destaques da Fazenda Nacional) Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, verificase que novamente inexiste similitude fática entre os julgados confrontados. Enquanto no recorrido repitase o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, de forma que teria afetado a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; neste segundo paradigma, que se refere a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de transito aduaneiro lançamento que tinha como pressuposto a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira o vício consistiu na falta da referida intimação e no fato de a notificação de lançamento ser omissa quanto à fundamentação legal para a exigência do tributo, bem como para imputação da infração e cominação da penalidade. Confirase passagens do paradigma: Fl. 96DF CARF MF 8 Ementa "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal." (Grifei) Relatório "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto "O litígio versa sobre a nulidade do lançamento por vício formal, bem como pela falta de intimação prévia da contribuinte nos termos da legislação específica. A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apreserefornte as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora. Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13963.002362/200864 Acórdão n.º 9202006.263 CSRFT2 Fl. 94 9 O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. 70.235/72." (grifei) (Disponível em www.carf.fazenda.gov.br. Acesso em 29Jun.2015) Assim, inexistente a similitude fática, também não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste segundo paradigma, o que impossibilita o seguimento do recurso em relação à matéria do item "c" natureza do vício, se formal ou material. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 98DF CARF MF
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