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Numero do processo: 10314.006761/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 26/04/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. PERÍCIA
DESPICIENDA.
A preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa é incompatível com a defesa efetiva produzida pela recorrente no contencioso desde o primeiro momento. Também não é o caso de formulação de laudo técnico, porquanto a identificação da mercadoria não é controversa.
OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO COM DETERMINADO CÓDIGO.
CRITÉRIOS JURÍDICOS. REVISÃO ADUANEIRA.
A efetivação de outras operações de importação, com determinado código, ainda que da mesma mercadoria, não implica qualquer obrigação para a Administração Tributária, nem tampouco qualquer proteção para o contribuinte, pois cada operação de importação tem suas próprias características. Para tal desiderato existe o instituto da consulta fiscal acerca de classificação de mercadorias. O instituto da revisão aduaneira (com prazo
de cinco anos a partir do registro da declaração de importação), previsto no DL nº 37/66, além de constitucional é fundamental para o desempenho da fiscalização de tributos em operações de comércio exterior. Não há que falar em modificação de critérios jurídicos porquanto não houvera lançamento tributário antes do auto de infração discutido. Assim sendo, não se aplica o
art. 146 do CTN e muito menos a Súmula 227 do TFR ao caso vertente.
CLOROPARAFINA LÍQUIDA.
A mercadoria importada, cloroparafina líquida, de nome comercial
CERECLOR S52, que tem aplicação industrial como plastificante para compostos do PVC, tem classificação fiscal no código NCM 3824.90.39.
Numero da decisão: 3101-001.230
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. PERÍCIA DESPICIENDA. A preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa é incompatível com a defesa efetiva produzida pela recorrente no contencioso desde o primeiro momento. Também não é o caso de formulação de laudo técnico, porquanto a identificação da mercadoria não é controversa. OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO COM DETERMINADO CÓDIGO. CRITÉRIOS JURÍDICOS. REVISÃO ADUANEIRA. A efetivação de outras operações de importação, com determinado código, ainda que da mesma mercadoria, não implica qualquer obrigação para a Administração Tributária, nem tampouco qualquer proteção para o contribuinte, pois cada operação de importação tem suas próprias características. Para tal desiderato existe o instituto da consulta fiscal acerca de classificação de mercadorias. O instituto da revisão aduaneira (com prazo de cinco anos a partir do registro da declaração de importação), previsto no DL nº 37/66, além de constitucional é fundamental para o desempenho da fiscalização de tributos em operações de comércio exterior. Não há que falar em modificação de critérios jurídicos porquanto não houvera lançamento tributário antes do auto de infração discutido. Assim sendo, não se aplica o art. 146 do CTN e muito menos a Súmula 227 do TFR ao caso vertente. CLOROPARAFINA LÍQUIDA. A mercadoria importada, cloroparafina líquida, de nome comercial CERECLOR S52, que tem aplicação industrial como plastificante para compostos do PVC, tem classificação fiscal no código NCM 3824.90.39. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 67 61 /2 00 5- 16 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto síntese do relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas retificações: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 11/07/2005, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora, multa regulamentar e multa proporcional ao valor aduaneiro , no valor de R$1.262.868,05, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio das Declarações de Importação relacionadas no corpo do auto de infração, PARAFINA CLORADA, com classificação fiscal no código NCM 2903.69.19; Ocorre que a fiscalização entende que a correta classificação fiscal do produto é no código NCM 3824.90.39; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento – AR, em 03/08/2005 (fls. 76verso), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 01/09/2005, de fls. 78 à 97, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: O auto de infração é nulo por não comprovar efetivamente a utilização de classificação fiscal errônea; A fiscalização não demonstrou as razões da escolha do código NCM eleito, desobedecendo assim os critérios do lançamento fiscal, disciplinado no artigo 142 do Código Tributário Nacional; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 246 3 O direito de defesa foi desrespeitado; O produto que a impugnante importou foi a PARAFINA CLORADA alocada no código NCM 2903.69.19; O código NCM eleito pela impugnante é o mais adequado em função da REGRA 3 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; A PARAFINA CLORADA deve ter classificação fiscal como parafina na posição NCM 2903; Ainda que o código NCM 2903.69.19 não seja o adequado, mais propício seria o código NCM 2712.20.00 àquele eleito pela fiscalização; O impugnante sempre importou nesse mesmo código. O STJ reconhece que a prática reiterada faz direito entre as partes; As hipóteses de alteração de lançamento disciplinadas no artigo 145 do Código Tributário Nacional não comportam o procedimento empreendido pela fiscalização, por não se tratar de erro de fato, e sim mudança de entendimento. Reforça tal argumento com textos da jurisprudência pátria; Para que se proceda revisão aduaneira indispensável a coleta de amostras e a elaboração de laudo de assistência técnica; Jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes repudia o instituto da prova emprestada quanto à classificação fiscal de mercadorias; Inaplicável a imposição de multas; Pugna a improcedência e alternativamente a nulidade do Auto de Infração. Em exame preliminar, a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução nº 885, de 16/04/2009, indagando que critérios foram utilizados para desclassificar o produto importado, PARAFINA CLORADA, da classificação fiscal no código NCM 2903.69.19 para o código NCM 3824.90.39, se esta conclusão foi embasada em que provas, fatos ou evidências e a exposição das Regras Gerais do Sistema Harmonizado e de que linha de argumentação valeu bem para atingir tal conclusão. Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei nº 9.784/99, em face do princípio do contraditório. Devidamente cientificado, via Aviso de Recebimento – AR datado de 30/06/2009 (fls. 141verso), o interessado manifestou se no sentido de que a autoridade preparadora não respondeu Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 qualquer das questões formuladas, evidenciando assim a nulidade da ação fiscal. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou a Impugnação Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 26/04/2001 Importação de PARAFINA CLORADA, com classificação fiscal no código NCM 2903.69.19. A fiscalização entendeu que a correta classificação fiscal do produto é no código NCM 3824.90.39. Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição NCM 2903, determina sua classificação fiscal na posição NCM 3824. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 207 e seguintes, onde basicamente reprisa os argumentos de primeira instância (preliminar de nulidade do auto de infração, classificação fiscal correta, modificação de critérios jurídicos anteriormente adotados e inaplicabilidade da multa de ofício); aduz que a completa regulamentação do IPI só veio com o Decreto nº 4544/2002 e por fim, requer a reforma da decisão recorrida, para cancelar a exigência fiscal. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 247 5 In limine cumpre dizer que a diligência levada a efeito em virtude de determinação do órgão judicante de primeiro grau o foi de forma precária, haja vista não terem sido respondidas as indagações formuladas pela DRJ, como bem assinalou a recorrente, entretanto, a autoridade julgadora nenhuma objeção fez à forma como aquela foi procedida (anexação aos autos da declaração de importação e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH relativas às duas posições ora em confronto 2903 e 3824) e tenho para mim que não o fez porque deuse conta de que a identificação da mercadoria é incontroversa, e sendo a discussão adstrita apenas à classificação fiscal, o rito a ser seguido é o das regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), que prestigia as NESH como publicação complementar ao SH, compreendendo essa a interpretação oficial do Sistema Harmonizado elaborada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira. DO AUTO DE INFRAÇÃO A preliminar de nulidade do auto de infração está fincada em suposto cerceamento do direito de defesa, porquanto não foi declinada a RGI utilizada pela auditoria fiscal para reclassificar as mercadorias importadas e não foi elaborado laudo técnico para tanto. O acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento é pródigo em considerações acerca da indigitada preliminar; para ao final e ao cabo dizer que não houve cerceamento do direito de defesa, uma vez que a então impugnante sabia o tempo todo do que estava sendo acusada, ou seja, os fatos foram descritos a contento pela peça fiscal, e inclusive invocou o brocardo romano que ilustra a conjuntura Da mihi factum, dabo tibi jus (Tragame o fato e lhe darei o direito). Penso que não é o caso de formulação de laudo técnico, porquanto a identificação da mercadoria não é controversa (parafina clorada ou cloroparafina em estado líquido) e a carência de menção no auto de infração, da regra utilizada para a reclassificação fiscal veio de ser colmatada no decorrer do processo com a anexação das respectivas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, pela auditoriafiscal durante a diligência, e a explicitação das regras, de forma didática, foi concretizada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no voto. Por outro giro, notase que a recorrente desde o primeiro momento vem produzindo defesa efetiva no contencioso, não só alegando preliminares como discutindo com proficiência o mérito da classificação fiscal aqui sub analisis. Posto isso, entendo que a preliminar não merece prosperar. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 CRITÉRIOS JURÍDICOS O argumento de modificação de critérios jurídicos anteriormente adotados pelo Fisco está estribado no fato de a recorrente ter patrocinado várias operações de importação da mesma mercadoria classificandoa no código 2903.69.19, ora impugnado pela auditoria fiscal, e também porque a autuação está fazendo uso do art. 149 do CTN sem que haja erro de fato, e sim de direito, o que é vedado, nos termos do art. 146 do diploma tributário citado. Aponta a Súmula 227 do antigo TFR A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza revisão do lançamento. Ao meu sentir, a alegação é extremamente frágil, pois que a efetivação de outras operações de importação com determinado código, ainda que da mesma mercadoria, não implica qualquer obrigação para a Administração Tributária, nem tampouco qualquer proteção para o contribuinte. Para tal desiderato existe o instituto da consulta fiscal acerca de classificação de mercadorias. E não se tem notícia nos autos de que a recorrente tenha empreendido alguma consulta. Quanto ao uso do lançamento de ofício com espeque no art. 149 do CTN em matéria de classificação fiscal de mercadorias, também é assente nesta esfera administrativa e no plano judicial que o instituto da revisão aduaneira (com prazo de cinco anos a partir do registro da declaração de importação), previsto no DL nº 37/66, além de constitucional é fundamental para o desempenho da fiscalização de tributos em operações de comércio exterior. Não há que falar em modificação de critérios jurídicos porquanto não houvera lançamento tributário antes do auto de infração ora em discussão. Assim sendo, não se aplica o art. 146 do CTN e muito menos a Súmula 227 do TFR ao caso vertente. DA REGULAMENTAÇÃO DO IPI A alegação de falta de regulamentação do IPI antes do Decreto nº 4.544/2002 é totalmente descabida, uma vez que o aludido decreto, também nominado RIPI/2002, é apenas uma compilação das leis concernentes ao nupercitado imposto, e nenhuma diferença traz sua edição para a classificação fiscal aqui discutida, bem como à diferença de imposto exigida na peça fiscal. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL No que diz com o mérito deste expediente, afirma a recorrente que o v. acórdão recorrido insistiu no código 3824.90.39 (Preparações para borracha ou plásticos e Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 248 7 outras preparações para endurecer resinas sintéticas, colas, pinturas ou usos similares; Outras) sem demonstrar o critério utilizado para chegar a essa classificação. E se não fosse o mais correto o código apresentado pela recorrente 2903.69.29 (DERIVADOS HALOGENADOS DOS HIDROCARBONETOS; Outros; Outros), a classificação fiscal correta seria 2712.20.00 (Parafina contendo, em peso, menos de 0,75% de óleo). De plano, insta observar que o voto do acórdão recorrido traz sim o critério utilizado para manter a reclassificação fiscal: São pontos divergentes quanto a classificação fiscal do produto: Código NCM 2903.69.19 adotado pelo importador; Código NCM 3824.90.39 reclamado pela fiscalização. A posição eleita pelo importador assim se apresenta: 29.03 DERIVADOS HALOGENADOS DOS HIDROCARBONETOS. ... 2903.6 Derivados halogenados dos hidrocarbonetos aromáticos: ... 2903.69 Outros As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado para a posição 2903, normatizada pela Instrução Normativa nº 157/2002 assim determinam: São compostos resultantes da substituição, na fórmula estrutural de um hidrocarboneto, de um ou mais átomos de hidrogênio, por um número igual de átomos de halogênio (flúor, cloro, bromo, iodo). A. DERIVADOS CLORADOS SATURADOS DOS HIDROCARBONETOS ACÍCLICOS... Excluemse desta posição: a) As cloroparafinas, constituídas por misturas de derivados clorados: as cloroparafinas sólidas, que são ceras artificiais, incluemse na posição 34.04, enquanto que as cloroparafinas líquidas se classificam na posição 38.24.(grifo nosso) Sendo o produto cloroparafina líquida, conforme declarado pelo próprio importador, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição NCM 2903, determina sua classificação fiscal na posição NCM 3824, como procedeu a fiscalização. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES (+). ... 3824.90 Outros ... 3824.90.3 Preparações para borrachas ou plásticos, exceto das posição 3812, e outras preparações para endurecer resinas sintéticas, colas, pinturas ou usos similares ... 3824.90.39 Outros A regra nº 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado assim determina: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Logo, o código NCM 3824.90.39 eleito pela fiscalização é o mais adequado. De outra banda, vale a pena referir que a mercadoria importada (CERECLOR S52) que tem aplicação industrial como plastificante para compostos do PVC, etc., não pode ser confundida com a simples parafina, como quer a recorrente, porquanto esta classificase na posição 2712 quando pura ou misturada com os demais produtos da posição, consoante comentários das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado: Todos estes produtos estão compreendidos na presente posição, quer sejam em bruto, refinados ou misturados entre si ou mesmo corados. Empregamse, especialmente, na fabricação de velas (velas de parafina), de pomadas para calçados e encáusticos, como matérias isolantes, como revestimentos protetores, para o apresto de tecidos, para impregnação de fósforos, etc. Dito isso, penso que a classificação fiscal eleita pelos agentes do Fisco, de fato, é a correta, e não as apontadas pelo contribuinte. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/200516 Acórdão n.º 3101001.230 S3C1T1 Fl. 249 9 DA MULTA DE OFÍCIO A irresignação contra a multa de ofício, porque essa seria aplicável somente àqueles contribuintes que praticam evasão fiscal ou intentam lesar o Erário, não procede. O argumento não é sustentável, porquanto a imputação deriva simplesmente da falta de recolhimento do imposto, não sendo aplicada qualquer qualificação ou agravante à penalidade. Vale a pena rememorar o art. 136 do Código Tributário Nacional que predica: Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No vinco de todo o exposto, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade do auto de infração; e no mérito, por DESPROVER o apelo, prejudicadas as demais alegações. Sala das Sessões, 24 de setembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10314.001670/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO INEXISTENTE.
Merecem ser desprovidos os aclaratórios, uma vez que não existe qualquer contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 3101-001.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 19/02/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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CONTRADIÇÃO INEXISTENTE. Merecem ser desprovidos os aclaratórios, uma vez que não existe qualquer contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 19/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 16 70 /2 00 8- 29 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Reportome ao relato de fls. 579 e seguintes, adotado quando do julgamento por este Colegiado, que culminou no acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007 REVISÃO ADUANEIRA. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. O reexame do despacho aduaneiro inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM utilizados. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias (DecretoLei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art. 142). IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NORMA PROCEDIMENTAL. Quando a mercadoria é descrita de forma semelhante, pelo mesmo contribuinte, em diferentes declarações aduaneiras, pode o Fisco legalmente presumilas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, com arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833/2003. Referida norma, por ser procedimental, lança luzes sobre fatos pretéritos se o procedimento tem natureza revisional, eis que esse deve balizarse segundo a norma procedimental de regência. Por isso a fiscalização fez uso de laudos de 2002 como base revisional para as Declarações de Importação no período de 05/2003 a 11/2007. LAUDOS TÉCNICOS. Os laudos que serviram de base para a auditoriafiscal proceder à reclassificação fiscal cingemse a descrever as mercadorias postas sob apreciação, utilizando de referências bibliográficas para melhor identificálas, sem tecerem qualquer consideração acerca de classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado, o que seria, aliás, de todo reprovável se ocorresse. Não merece acolhimento a crítica feita aos laudos embasadores dos autos de infração, pois não induzem à nenhuma classificação fiscal, apenas identificam as mercadorias importadas pela recorrente. SOLUÇÕES DE CONSULTA E JURISPRUDÊNCIA. Em que pese a jurisprudência ser de grande valia para a solução de litígios, nos casos de classificação fiscal de mercadorias, notadamente as de composição química atestada por laudo, a jurisprudência deve ser sempre sopesada com maior parcimônia do que noutras oportunidades, porquanto a composição química de mercadorias depende de vários fatores, tais como os percentuais dos elementos componentes, estado físico, forma, Fl. 656DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.296 S3C1T1 Fl. 3 3 função, etc., desses elementos. No caso vertente, penso que a pedra de toque para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados é justamente a função dos componentes adicionados às respectivas vitaminas. Função essa que somente o laudo consentâneo com a mercadoria específica tem condições de fornecer. Vale lembrar que Solução de Consulta é norma individual e concreta que diz respeito somente ao consulente, não vinculando a Administração Tributária em relação aos demais contribuintes. PREPARAÇÕES APTAS PARA USOS ESPECÍFICOS. Os laudos todos estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a saber, respectivamente entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal; para ser adicionada à ração animal e/ou prémistura; utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada; especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos. MULTAS POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Uma vez que as mercadorias não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e classificação fiscal, exsurge como correta a aplicação das multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações. Em 18/10/2012, foram opostos embargos declaratórios, fls. 628 e seguintes, tempestivos, pela supramencionada embargante, alegando haver contradição no acórdão que merece ser sanado. A contradição adviria de que o relator teria asseverado que o laudo técnico é fundamental para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados, e ao final fundamentou a multa de controle aduaneiro na incorreta classificação fiscal das mercadorias. O pedido é para que seja cancelada a multa do controle administrativo das importações, com esteio no ADN COSIT nº 12/97, e que as intimações sejam feitas no endereço profissional dos patronos da causa. Ato seguido, são encaminhados os embargos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. É o Relatório. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merecem ser apreciados. Impõese registrar, in limine, que o fundamento para a manutenção da multa do controle administrativo das importações não é apenas a classificação fiscal incorreta, e sim a conjugação disso com a descrição falha das mercadorias, sem todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, como se pode ver do Anexo III do auto de infração, fls. 321 e seguintes, o que impossibilita a aplicação do ADN COSIT nº 12/97 ao caso destes autos. E mais, a contradição apontada não existe também porque é de total coerência afirmar que o laudo técnico é necessários para dizer a função dos componentes adicionados às vitaminas, para fins de obtenção da classificação fiscal correta; e num segundo momento dizer que a classificação fiscal foi dificultada porque a descrição das mercadorias não continha todos os componentes adicionados às vitaminas. Ultimando, o pedido para que as intimações sejam feitas no endereço profissional dos patronos da causa também não merece acolhimento, uma vez que na legislação que rege o processo administrativo fiscal as intimações devem ser feitas no domicílio tributário do sujeito passivo. Nessa moldura, voto por DESPROVER os embargos declaratórios. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 658DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.296 S3C1T1 Fl. 4 5 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11128.001188/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do Fato gerador: 25/03/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - ERRO NO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO.
Verificado o equívoco no registro da declaração, deve ser reclassificada a mercadoria importada nos termos da Tarifa Externa Comum - TEC.
Importação de produto Cyanox 1790 enquadra-se na expressa determinação da TEC de que contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, portanto, classificável na posição 2933.69.29.
Mantida a cobrança do Imposto de Importação.
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO
O artigo 636, do Decreto nº 4.542/2002 determina que a classificação fiscal errônea acarreta a incidência de multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado. Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa no caso em questão.
MULTA PROPORCIONAL (75%)
Aplicação do Ato Declaratório COSIT nº 10/97 que determina a exclusão da punição nas situações de classificação fiscal incorreta, se corretamente descritos todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante. Afastada a multa proporcional neste caso.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do Fato gerador: 25/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL - ERRO NO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. Verificado o equívoco no registro da declaração, deve ser reclassificada a mercadoria importada nos termos da Tarifa Externa Comum - TEC. Importação de produto Cyanox 1790 enquadra-se na expressa determinação da TEC de que contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, portanto, classificável na posição 2933.69.29. Mantida a cobrança do Imposto de Importação. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO O artigo 636, do Decreto nº 4.542/2002 determina que a classificação fiscal errônea acarreta a incidência de multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado. Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa no caso em questão. MULTA PROPORCIONAL (75%) Aplicação do Ato Declaratório COSIT nº 10/97 que determina a exclusão da punição nas situações de classificação fiscal incorreta, se corretamente descritos todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante. Afastada a multa proporcional neste caso. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato gerador: 25/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRO NO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. Verificado o equívoco no registro da declaração, deve ser reclassificada a mercadoria importada nos termos da Tarifa Externa Comum TEC. Importação de produto Cyanox 1790 enquadrase na expressa determinação da TEC de que contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, portanto, classificável na posição 2933.69.29. Mantida a cobrança do Imposto de Importação. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO O artigo 636, do Decreto nº 4.542/2002 determina que a classificação fiscal errônea acarreta a incidência de multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado. Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa no caso em questão. MULTA PROPORCIONAL (75%) Aplicação do Ato Declaratório COSIT nº 10/97 que determina a exclusão da punição nas situações de classificação fiscal incorreta, se corretamente descritos todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante. Afastada a multa proporcional neste caso. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 11 88 /2 00 7- 78 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001188/200778 Acórdão n.º 3101001.125 S3C1T1 Fl. 149 2 ACORDAM os membros do Colegiado em, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração lavrado para a cobrança de crédito tributário a título de Imposto de Importação – II, acrescido de juros de mora, multa proporcional, multa de controle administrativo e multa regulamentar proporcional ao valor aduaneiro decorrente de erro na classificação fiscal da mercadoria no registro da importação. A Recorrente importou por meio da Declaração de Importação (DI) nº 03/02478439, registrada em 25/03/2003, mercadoria denominada “Cyanox 1790” que, diante de sua descrição, foi classificada na Tarifa Externa Comum sob o código NCM n° 2933.69.99 (Outros Compostos Heterocil.1Ciclo Triazina sem condensado). A classificação fiscal adotada pela Recorrente acarreta na aplicação de alíquotas zero do II e do IPI. Foi determinada a realização de exame laboratorial nº LAB795/GCOF pela FUNCAMP a partir da análise de amostras da mercadoria importada, Laudo de Análise FUNCAMP nº 1037/01/2003 através do qual restou determinado que: "(...)1. Não se trata de Qualquer Outro Composto cuja estrutura contem um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1, 3, 5 Tris(4tButil3Hidroxi2, 6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(IH,3H,5H)Trio na, Outro Composto cuja estrutura contem Funções Oxigenadas mas não contem Cloro em ligação covalente, Composto cuja a estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio (...)" Diante das conclusões constantes do laudo pericial, foi lavrado auto de infração para cobrança de crédito tributário a título de II (R$ 14.524,61), multa proporcional pela falta de pagamento do tributo de 75% (R$ 10.893,46), multa de controle aduaneiro de 30% sobre o valor da mercadoria (R$ 124.496,73) e multa proporcional ao valor aduaneiro de 1% (R$ 4.149,89). A Recorrente apresentou impugnação para postular o cancelamento do auto de infração, sob os seguintes fundamentos: 1 – O laudo pericial está correto quanto à composição das mercadorias importadas, contudo, alega a Recorrente que o as posições 2933.69.1 e 29333.69.2 referemse à Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001188/200778 Acórdão n.º 3101001.125 S3C1T1 Fl. 150 3 produtos cuja estrutura contenha ou não cloro em ligação covalente. Verificada a composição das mercadorias importadas, entende que não se enquadravam em nenhuma das duas posições, razão pela qual foram classificadas na posição 2933.69.99 – Outros; 2 – Para a classificação fiscal das mercadorias importadas deve ser considerada a Regral Geral de Interpretação nº 3, alínea “c”; 3 – Não é devida a incidência de multa de controle administrativo já que as mercadorias importadas não exigiam, quando de sua importação, licenças de importação; 4 – Não é devida a incidência de multa de ofício de 75% porque não houve declaração inexata dos produtos importados, mas somente divergência quanto à posições tarifárias; e 5 – Ainda quanto à multa de ofício de 75%, postula seu cancelamento em decorrência da disposição do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97 sobre a exclusão de multas no caso de classificação fiscal errônea, desde que descrito corretamente o produto importado e os demais elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. A DRJSão Paulo II proferiu acórdão que julgou parcialmente procedente a impugnação nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 25/03/2003 Importação do produto CYANOX 1790, produto à base de oxidante e estabilizante à base de 1,3,5TRI. Estado físico: Pó Branco, recebendo classificação tarifária no código NCM 2933.69.99. Pelas regras 1ª e 6ª das Regras Gerais do Sistema Harmonizado foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 2933.69.29. O texto do código NCM 2933.69.2 é expresso ao citar cuja estrutura contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente. Descabe a aplicação da multa ao controle administrativo, vez que a mercadoria importada é a mesma constante da Declaração de Importação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada, a Recorrente apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos constantes da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. A discussão travada nos autos é sobre a classificação fiscal atribuída pela Recorrente na importação de mercadoria através da DI nº 03/02478439, já que a mercadoria Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001188/200778 Acórdão n.º 3101001.125 S3C1T1 Fl. 151 4 foi classificada na posição da NCM nº 2933.69.99, enquanto que a autoridade alfandegária entende que a posição correta é a NCM nº 2933.69.29. A mercadoria foi descrita na DI como “Produto a base de antioxidante e estabilizante a base de 1,3,5 TRI. Nome comercial CYANOX 1790. Embalagem: Tambores de 125 LBS. Estado físico: pó branco. Finalidade: Produto utilizado como antioxidante e estabilizante na fabricação de elastano. O laudo proferido pela Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP – FUNCAMP determinou que: “CONCLUSÃO. Tratase de 1,3,5Tris (41Butil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil) – 1,3,5 – Triazina2,4,6 (1H, 3H, 5H) – Triaona. RESPOSTA AOS QUESITOS 1 – Não se trata de qualquer outro composto cuja estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1,3,5 Tris(4tButil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(1H,3H,5H)Triona, Outro Composto cuja estrutura contém Funções Oxigenadas mas não contém Cloro em ligação convalente, Composto cuja estrutura contém um Cloro Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio. 2 – Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. 3 – De acordo com Referência Bibliográfica, a denominação comercial CYANOX 1790 se refere à 1,3,5Tris(4tButil3 Hidroxi2,6Dimetilbenzil)1,3.5Triazina2,4,6(1H,3H,5H) Triona e utilizado para Preparações antioxidantes. 4 Prejudicada A análise para a realização da correta classificação fiscal neste caso deverá ser feita mediante interpretação das regras 1 e 6, das Regras Gerais de Interpretação, que determinam: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Ou seja, analisandose o título e o subtítulo da TEC, verificase que a mercadoria importada, tal como constante do laudo pericial e admitida pela Recorrente incluí se perfeitamente na subposição nº 2933.69.2 que cita, textualmente “Cuja estrutura contém Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001188/200778 Acórdão n.º 3101001.125 S3C1T1 Fl. 152 5 funções oxigenadas mas não contém cloro em ligação covalente, da mesma forma como constante da análise laboratorial. A conclusão da decisão recorrida de que a mercadoria importada consiste em outro composto cuja estrutura contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, classificada na posição 2933.69.29 está correta, razão pela qual deve ser mantida, neste aspecto. Portanto, a classificação fiscal correta para a mercadoria importada pela Recorrente (Cyanox 1790) é a posição 2933.69.29, e não 2933.69.99, razão da manutenção do lançamento. No que tange à multa proporcional ao valor aduaneiro, deve ser mantida a cobrança já que a penalidade decorre da classificação fiscal errônea verificada nos presentes autos, nos termos do artigo 636, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.542/2002): Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...) Com relação à incidência de multa proporcional, todavia, entendo pela reforma do acórdão recorrido. A multa proporcional está definida no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Contudo, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 20 de janeiro de 1997 trouxe disposição expressa acerca da desconsideração da aplicação de penalidade no caso de classificação fiscal incorreta, consoante transcrição: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001188/200778 Acórdão n.º 3101001.125 S3C1T1 Fl. 153 6 descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Tal ato determinou a não aplicação de penalidade (multa proporcional de 75%) prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/96 nos casos de classificação fiscal incorreta, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, comprovada a inexistência de dolo ou máfé do declarante. No caso concreto, deve ser afastada a multa de 75% da forma acima mencionada já que a mercadoria está corretamente descrita na DI nº 03/02478439, constantes todos os elementos necessários à sua identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário. Além disso, não foi comprovado pela autoridade alfandegária nenhuma prática de ato ilícito, com dolo ou máfé da Recorrente. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para manter a cobrança do II e da multa proporcional ao valor aduaneiro, em decorrência da incorreta classificação fiscal da mercadoria importada, contudo, deve ser afastada a multa proporcional (75%) em decorrência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97. Luiz Roberto Domingo Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11128.005550/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/04/2005
AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO.
Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório. Uma vez constatada a contradição alegada pela embargante, procede-se as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3102-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório. Uma vez constatada a contradição alegada pela embargante, procedese as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 55 50 /2 00 5- 18 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 370/373), com pedido de efeitos modificativos, opostos pelo Delegado da DRJ São Paulo II, com o objetivo sanar suposta contradição no Acórdão nº 310200.695, de 01 de julho de 2010, proferido por este Colegiado, em que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para afastar a prejudicial de concomitância relativamente as multas regulamentar, por classificação fiscal incorreta, e do controle administrativo, por falta de licenciamento, e devolver o processo ao órgão julgador de primeira instancia para que fossem enfrentadas as razões da impugnação atreladas a essa fração da exigência, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos, ipsis litteris: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. PARCIAL CONCOMITÂNCIA ANÁLISE DO MÉRITO. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal não se toma conhecimento da matéria submetida à apreciação judicial, por qualquer modalidade processual, entretanto, havendo matéria distinta em litígio no processo administrativo esta parcela deve ser conhecida, sob pena de grave prejuízo aos princípios do contraditório e da ampla defesa de índole constitucional. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com o princípio do duplo grau de jurisdição e para que não configure supressão de instância, a matéria não conhecida no julgamento de primeiro grau que, em nível recursal, seja admitido o seu conhecimento, deve ser devolvida ao Órgão julgador de primeiro grau, para conhecimento e apreciação do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte Em 25/11/2010, o embargante foi cientificado do referido acórdão (fl. 364). Na mesma data, apresentou os citado embargos de declaração, em que alegou contradição que a decisão embargada era contraditória com seus próprios termos, pois havia reconhecido os efeitos judiciais sobre o cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e Cofins Importação e não visualizado os mesmos efeitos judiciais sobre o mérito das multas por classificação fiscal incorreta e por falta de licenciamento. Nos excertos a seguir transcritos, o recorrente esclarece, com mais detalhes, as razões da alegada contradição, in verbis: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.005550/200518 Acórdão n.º 3102002.261 S3C1T2 Fl. 375 3 Apesar de considerar que as multas por erro de classificação e por falta de licenciamento não são objeto da ação judicial, o referido acórdão entende que o lançamento das diferenças de PISImportação e CofinsImportação, que também não são discutidos na ação judicial, estão abrangidos pelo instituto da concomitância. [...] Logo, o acórdão ora embargado entende que, apesar do PIS Importação e do CofinsImportação não serem discutidos no processo judicial, a decisão judicial produz reflexo óbvio e direto no cálculo desses tributos. Ocorre que, da mesma forma, a análise das multas por erro na classificação fiscal e por falta de licenciamento envolve necessariamente a apreciação do mérito da classificação fiscal. O mérito da classificação fiscal é objeto da ação judicial como já visto acima. Qualquer decisão judicial sobre a classificação fiscal dos bens, necessariamente vincula o desfecho da multa por erro de classificação e por falta de LI deste processo administrativo. Dessa forma, caso esta turma apreciasse o mérito da classificação fiscal, estaria violando o principio da unicidade de jurisdição. Em suma, para o recorrente, se o mérito da classificação fiscal era objeto da mencionada ação judicial, consequentemente, qualquer que fosse o resultado da decisão judicial, necessariamente, ele vincularia o desfecho da decisão concernente à aplicação tanto da multa por erro de classificação fiscal quanto da multa por falta de LI, objeto deste processo administrativo. Em cumprimento ao disposto no art. 65, § 2º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 junho de 2009, que dispõe sobre Regimento Interno deste Conselho (RICARF), por meio do Despacho de fls. 370/373, foi proposta a admissibilidade dos referidos embargos ao Presidente desta Turma de Ordinária, que, no uso da competência estabelecida no art. 65, § 3°, do Anexo II do RICARF, admitiuo e determinou que o processo fosse posto em pauta, para fim de realização de novo julgamento, com vista à integração do acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os presentes embargos declaração são tempestivos e foram admitidos na forma regimental, portanto, devem ser conhecidos. Nos embargos admitidos, a recorrente alegou contradição que a decisão embargada era contraditória com seus próprios termos, pois havia reconhecido os efeitos Fl. 379DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 judiciais sobre o cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação e não visualizado os mesmos efeitos judiciais sobre o mérito das multas por classificação fiscal incorreta e por falta de licenciamento da importação. Assiste razão ao embargante. A uma, porque o desfecho das referidas multas está vinculado diretamente ao que decidido, em caráter definitivo, no âmbito do citado processo judicial. A duas, porque o motivo da aplicação das referidas penalidades, conforme descrito no correspondente auto de infração (fls. 19/22), foi a incorreta descrição e classificação fiscal do produto no código NCM 8421.39.90, apresentada pela autuada na Declaração de Importção (DI) nº 05/03052525, adição 001, quando o corrento seria no código NCM 8414.60.00. A três, porque a recorrente limitouse em alegar, no seu recurso voluntário, que a importação e o desembaraço da mercadoria importada não fora realizada com a classificação incorreta, mas, sim, conforme a classificação fiscal autorizada judicialmente, qual seja, na posição 8421.39.90, razão pela qual deviam ser canceladas as exigências de multa. Por todas essas, melhor sopesando os fundamentos fáticos e jurídicos da autuaçao e as razões de defesa suscitadas pela recorrente, inferese que também está caracterizada a concomitância em relação às multas por classificação fiscal incorreta e por falta de licenciameneto da importação. Assim, demonstrado que as razões de defesa suscitadas pela recorrente encontrase sub judice, tal circunstância implica renúncia tácita à instância administrativa, pois há coincidência com a matéria litigiosa submetida à apreciação deste Colegiado. Tal consequência, é uma decorrência direta da aplicação do princípio da unicidade ou inafastabilidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que veicula a seguinte mensagem normativa: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Por força desse princício, o monopólio do exercício da jurisdição cabe ao Poder Judiciário, a quem incumbe o pronunciamento definitivo sobre os conflitos originários da aplicação da legislação tributária. No caso presente, como a matérias litigiosa foi submetida à análise do Poder Judiciário, obviamente, carece de sentido e efeito jurídico concreto e efetivo a manifestação deste Colegiado acerca do assunto, haja vista que, se corroborar o entendimento judicial, seria inócua, ou se decidir em sentido diverso, estaria contrariando ou descumprindo a decisão judicial, o que seria mais grave. Além disso, em consonância com o referido princípio, há na legislação infraconstitucional preceito legal determinando, expressamente, a proeminência do julgamento proferido no âmbito do Poder Judiciário, a exemplo do artigo 1º, § 2º, do Decretolei 1.737/79, e do art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80. De acordo com os referidos comandos legais, a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou após à autuação, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, a partir da edição da Súmula CARF nº 1, de adoção obrigatória por todos os Conselheiros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.005550/200518 Acórdão n.º 3102002.261 S3C1T2 Fl. 376 5 SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todas essas razões, não se toma conhecimento da matéria controvertida suscitada no recurso em apreço, por ser idêntica a que foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, no âmbito da referida ação judicial. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos embargos, para, conferindolhes efeitos infringentes, retificar a conclusão do voto condutor do acórdão embargado, que passa a ter a seguinte redação: votase por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por concomitância de toda a matéria litigada, devendo ser mantido na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 381DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10314.001670/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007
REVISÃO ADUANEIRA. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS.
O reexame do despacho aduaneiro inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM utilizados. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias (Decreto-Lei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art. 142).
IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NORMA PROCEDIMENTAL.
Quando a mercadoria é descrita de forma semelhante, pelo mesmo contribuinte, em diferentes declarações aduaneiras, pode o Fisco legalmente presumi-las idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, com arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833/2003. Referida norma, por ser procedimental, lança luzes sobre fatos pretéritos se o procedimento tem natureza revisional, eis que esse deve balizar-se segundo a norma procedimental de regência. Por isso a fiscalização fez uso de laudos de 2002 como base revisional para as Declarações de Importação no período de 05/2003 a 11/2007.
LAUDOS TÉCNICOS.
Os laudos que serviram de base para a auditoria-fiscal proceder à reclassificação fiscal cingem-se a descrever as mercadorias postas sob apreciação, utilizando de referências bibliográficas para melhor identificá-las, sem tecerem qualquer consideração acerca de classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado, o que seria, aliás, de todo reprovável se ocorresse. Não merece acolhimento a crítica feita aos laudos embasadores dos autos de infração, pois não induzem à nenhuma classificação fiscal, apenas identificam as mercadorias importadas pela recorrente.
SOLUÇÕES DE CONSULTA E JURISPRUDÊNCIA.
Em que pese a jurisprudência ser de grande valia para a solução de litígios, nos casos de classificação fiscal de mercadorias, notadamente as de composição química atestada por laudo, a jurisprudência deve ser sempre sopesada com maior parcimônia do que noutras oportunidades, porquanto a composição química de mercadorias depende de vários fatores, tais como os percentuais dos elementos componentes, estado físico, forma, função, etc., desses elementos. No caso vertente, penso que a pedra de toque para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados é justamente a função dos componentes adicionados às respectivas vitaminas. Função essa que somente o laudo consentâneo com a mercadoria específica tem condições de fornecer. Vale lembrar que Solução de Consulta é norma individual e concreta que diz respeito somente ao consulente, não vinculando a Administração Tributária em relação aos demais contribuintes.
PREPARAÇÕES APTAS PARA USOS ESPECÍFICOS.
Os laudos todos estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a saber, respectivamente - entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal; para ser adicionada à ração animal e/ou pré-mistura; utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada; especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos.
MULTAS POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.
Uma vez que as mercadorias não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e classificação fiscal, exsurge como correta a aplicação das multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações.
Numero da decisão: 3101-001.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento parcial para excluir a multa por falta de LI.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 07/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. O reexame do despacho aduaneiro inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM utilizados. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias (DecretoLei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art. 142). IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NORMA PROCEDIMENTAL. Quando a mercadoria é descrita de forma semelhante, pelo mesmo contribuinte, em diferentes declarações aduaneiras, pode o Fisco legalmente presumilas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, com arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833/2003. Referida norma, por ser procedimental, lança luzes sobre fatos pretéritos se o procedimento tem natureza revisional, eis que esse deve balizarse segundo a norma procedimental de regência. Por isso a fiscalização fez uso de laudos de 2002 como base revisional para as Declarações de Importação no período de 05/2003 a 11/2007. LAUDOS TÉCNICOS. Os laudos que serviram de base para a auditoriafiscal proceder à reclassificação fiscal cingemse a descrever as mercadorias postas sob apreciação, utilizando de referências bibliográficas para melhor identificálas, sem tecerem qualquer consideração acerca de classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado, o que seria, aliás, de todo reprovável se ocorresse. 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Em que pese a jurisprudência ser de grande valia para a solução de litígios, nos casos de classificação fiscal de mercadorias, notadamente as de composição química atestada por laudo, a jurisprudência deve ser sempre sopesada com maior parcimônia do que noutras oportunidades, porquanto a composição química de mercadorias depende de vários fatores, tais como os percentuais dos elementos componentes, estado físico, forma, função, etc., desses elementos. No caso vertente, penso que a pedra de toque para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados é justamente a função dos componentes adicionados às respectivas vitaminas. Função essa que somente o laudo consentâneo com a mercadoria específica tem condições de fornecer. Vale lembrar que Solução de Consulta é norma individual e concreta que diz respeito somente ao consulente, não vinculando a Administração Tributária em relação aos demais contribuintes. PREPARAÇÕES APTAS PARA USOS ESPECÍFICOS. 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Uma vez que as mercadorias não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e classificação fiscal, exsurge como correta a aplicação das multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento parcial para excluir a multa por falta de LI. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 579 3 Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 07/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O importador, através da declaração de importação DI nº 02/03975884, submeteu a despacho as mercadorias descritas como: 1) “Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD uso: animal” classificando no código NCM 2936.23.10; 2) “Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso: animal” classificando no código NCM 2936.29.31; 3) “Palmitato de Vitamina A tipo 250 CWS/F uso humano” classificando no código NCM 2936.21.13 e através da DI nº 02/03976813, a mercadoria descrita como 4) “Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC)” classificando no código NCM 2936.27.10. Assim, tendo como base os laudos constantes do Anexo I, a fiscalização procedeu a revisão aduaneira das declarações de importação do contribuinte, nos termos do art. 68 da Lei nº 10.833/2003, que continham os produtos acima descritos, no período de 05/2003 a 12/2007, conforme art. 570 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543/052. Estas DIs revisadas constam do Anexo III e as alíquotas do Imposto de Importação e do IPI estão discriminadas no Anexo V, juntamente com os códigos NCM utilizados pela interessada e pela fiscalização. As mercadorias dos itens 1) e 2) foram reclassificadas para o código NCM 2309.90.90, e as dos itens 3) e 4) para o código NCM 3824.90.19. Foram lançados, fls 04, o Imposto de Importação, juros de mora, multa proporcional, multa do controle administrativo, multa proporcional ao valor aduaneiro, multa regulamentar; fls. 135, Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora, multa proporcional; fls. 184, COFINS, juros de mora e multa proporcional; fls.239, PIS/PASEPImportação, juros de mora e multa proporcional. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Ciente do Auto de Infração, fls. 392, em 28/03/2008 a interessada apresentou a impugnação de fls. 393 e seguintes, onde em síntese, alegou: antes de qualquer argumentação, a querelante avoca o art. 150 do CTN parágrafo 4º ; no presente caso, não há justificativa legal para revisão das Declarações de importação registradas em 2002, já prescritas e com seus lançamentos homologados, por decurso de prazo. É bastante curioso o fato de somente agora, em 2008, após a prescrição da homologação do lançamento, através da revisão, se utilizar as declarações de 2002 como base revisional da gama enorme de Declarações constante do Auto; apresenta suas razões de defesa que contradizem o alegado no Auto, a iniciarse pela oposição à penalidade cominada sobre “DECLARAÇÃO INEXATA DA MERCADORIA” quando no exame dos laudos laboratoriais, a análise é positiva para a matériaprima importada, em cada uma das Declarações de Importação indicadas no Auto de Infração, só tratando essa matériaprima de forma diferenciada, quando indica a conclusão laboratorial como preparações adicionadas de excipientes, todos admitidos pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Os excipientes encontrados são inertes e não modificam o comportamento da Vitamina; as mercadorias despachadas e descritas nas adições ora impugnadas foram, de fato, as efetivamente encontradas nos laudos, tal fato está plenamente amparado pelo Ato Declaratório normativo COSIT nº 12/97, que declara não constituir infração a simples classificação errônea, desde que o produto esteja corretamente descrito. os excipientes encontrados nas Vitaminas são produtos inertes, adicionados para a proteção da própria Vitamina, enfaticamente mencionados nos laudos e admitidos pelas regras de classificação tarifária do Capítulo 29, na forma que dispõe a Nota l alínea ”a” e “g” das Notas do próprio Capítulo (...); além disso, cabe observar que esta analise e interpretação sobre a adição de excipientes às vitaminas, foi também plenamente adotada pelo Comitê da Organização Mundial das Alfândegas, quando resolveu publicar uma Coletânea de Pareceres sobre matérias da mesma natureza que a presente, cuja tradução foi aprovada e publicada pela IN 99, de 10/08/1999, DOU de 15/09/1999, fazendo menção que o Comitê do Sistema Harmonizado havia designado as classificações de certas mercadorias, entre estas vitaminas em determinadas formas introduzidas às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, através da Instrução Normativa, nº 123, de 22 de outubro de 1998, que são normas soberanas, em se ratando de classificação de mercadorias, hoje parte integrante da própria NESH 157 – Capítulo 2936 seção IV, atualmente republicada pela IN SRF 615/06; a norma que publicou a coletânea de pareceres de Classificação aprovados pela OMA e conseqüentemente pelo Comitê do Sistema Harmonizado (CSH), serviu de base para a Fl. 581DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 580 5 desclassificação da Vitamina H, utilizada pelo Auditor revisor, para indicar como classificação mais correto o item 2309.90.90 para a Vitamina, o que não receberá contestação da querelante. Porém o mesmo critério não foi utilizado por ele para as demais mercadorias, o que seria razoável e coerente; o critério utilizado no Parecer da OMA, soberano em matéria de classificação fiscal, só foi utilizado pelo Agente Revisor para justificar a classificação da Vitamina H, quando deveria, também, ser utilizado como base na nova interpretação sobre classificação das demais Vitaminas, também amparadas nestes Pareceres, que já foram incorporados pela própria COANA (vide fls. 398/399); ainda, com base nas novas interpretações tarifárias não há como transferir o Palmitato de Vitamina “A” e a Vitamina “C”, simplesmente adicionados de excipientes, como declarados nos laudos laboratoriais, para a classificação 3824.90.19, diante do que já foi exposto e argumentado acima e tampouco transportar a Vitamina B2 para o item 2309.90.90, pelas mesmas razões, inclusive Decisão COANA específica; diante do exposto não há, como admitir a penalidade referida no Auto sobre Importação Desamparada de Guia de Importação ou Documento Equivalente. Primeiro, porque as classificações adotadas não devem ser modificadas por estarem protegidas por DECISÕES COANA, soberanas em matéria de classificação fiscal. Segundo, porque as mercadorias despachadas foram as encontradas nos laudos indicados. Por fim, o tratamento administrativo para a mercadoria foi cumprido integralmente e as mercadorias submetidas a licenciamento, qualquer que fosse a classificação adotada; quanto a exigibilidade do pagamento das contribuições de PIS e COFINS nas importações discriminadas no Auto de Infração, não procede, tendo em vista que a norma que regulamenta a matéria isentou tais mercadorias dessas contribuições, nominalmente despachadas nas declarações questionadas na presente lide, desde a publicação do Decreto n 5.821, de 29/06/2004 (sic) , conforme seu anexo I (vide fls. 400); quanto à exigência da diferença de Imposto de Importação, com base nas explanações apresentadas, ficam prejudicadas em parte, só permanecendo as correspondentes à Vitamina H; por fim, cabe ainda registrar que, apesar da expressa determinação do art. 68 da Lei 10.833/2003 de permitir a revisão de importação de mercadorias supostamente idênticas mesmo que não se tenha coletado amostras para a sua determinação, criase uma jurisprudência disfarçada, o que fere a realidade administrativa, não dando ao contribuinte o mesmo tratamento, o que o coloca em posição de inferioridade na justiça administrativa, além do prazo prescricional mencionado anteriormente; Fl. 582DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 referentemente à cobrança de IPI para as mercadorias que em tese poderiam ser classificadas no item 3824.90.19, fica prejudicada, tendo em vista as razões apresentadas, as quais não permitem que aquelas mercadorias sejam classificadas no item indicado; requer a acolhida de suas razões para o restabelecimento da pela verdade fiscal. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou a Impugnação Improcedente, lançando a seguinte ementa para o acórdão: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do II e do IPI, é exigível a diferença de impostos, juntamente com os acréscimos legais cabíveis. Idem para o PIS/COFINSImportação. DOS LAUDOS. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada, pela impugnante, a improcedência desses laudos ou pareceres, o que não ocorreu no presente caso. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Aplicase a multa por falta e Licença de Importação nas importações, em que as mercadorias não estejam corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/2001. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 516 e seguintes, onde afirma que os laudos estão prescritos, pois datados de 2002, ao passo que a intimação do auto de infração ocorreu em 2008; traz Soluções de Consulta COANA, que diz serem com base em novas interpretações da OMA; o art. 68 da Lei nº 10.833/2003 deve ser aplicado levando em consideração o prazo prescricional do § 4º do art. 150 do CTN; traz decisões de Delegacias da Receita Federal de Julgamento para Vitamina C; assevera que as vitaminas adicionadas de antioxidantes e de excipientes devem ficar no Fl. 583DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 581 7 Capítulo 29, pois há exclusão expressa da posição 2309, que aponta para a posição 2936; aponta o acórdão 30133.563 para Vitamina B2; diz que as multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações não se aplicam; traz jurisprudência do STJ que diz haver homologação da classificação fiscal no desembaraço aduaneiro; traz também sentença da Seção Judiciária de SP que trata da matéria dos autos; ao final, critica os laudos, que diz serem indutivos, e requer a reforma do acórdão recorrido. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. DA REVISÃO ADUANEIRA Neste primeiro momento, devese analisar três argumentos conexos, a saber, a prescrição dos laudos de 2002, a homologação da classificação fiscal no desembaraço aduaneiro e o art. 68 da Lei nº 10.833/2003, que deve ser aplicado levando em consideração o prazo prescricional do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. A decisão recorrida tratou muito bem das matérias no vestíbulo do voto da i. relatora a quo, bem por isso devo colacionar o respectivo excerto do voto: Cabe destacar que a Revisão Aduaneira é atividade prevista em lei, conforme art. 54 do Decretolei nº 37/66 e regulamentada pelo art. 570 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/02): “Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo Fl. 584DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei.” “Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado.” (grifo meu) Portanto, uma vez submetidos os produtos importados à conferência aduaneira e desembaraçados sem exigência fiscal, não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro. O reexame do despacho aduaneiro inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM utilizados. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias, não havendo presunção legal de que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) seja infalível, haja vista o próprio processo administrativo fiscal, mediante o qual a administração promove o controle do lançamento efetuado por AFRFB; destarte, sendo incabível determinada NCM, ainda que aceito por ocasião da conferência aduaneira, é dever do servidor incumbido da revisão do despacho efetuar o lançamento dos créditos tributários devidos (DecretoLei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art. 142). De outro lado, uma vez identificada a mercadoria, quando esta é descrita de forma semelhante pelo mesmo contribuinte em diferentes declarações aduaneiras, pode o Fisco legalmente presumilas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, com arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833, de 2003, que determina in litteris: Art. 68. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo Fl. 585DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 582 9 prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput, a identificação das mercadorias poderá ser realizada no curso do despacho aduaneiro ou em outro momento, com base em informações coligidas em documentos, obtidos inclusive junto a clientes ou a fornecedores, ou no processo produtivo em que tenham sido ou venham a ser utilizadas. Referida norma, aliás, por ser procedimental, evidentemente lança luzes sobre fatos pretéritos se o procedimento tem natureza revisional, eis que este deve balizarse segundo a norma procedimental de regência. Nada impede que a fiscalização se utilize de declarações de 2002 como base revisional para as Declarações de Importação no período de 05/2003 a 11/2007. Bem por isso a fiscalização fez uso de laudos de 2002, legitimamente, para revisar declarações de importação dos anos de 2003 a 2007. DOS LAUDOS TÉCNICOS A esse passo, penso relevante tratar da credibilidade dos laudos apresentados pela auditoriafiscal, uma vez que a recorrente, ao final de suas razões, afirma serem indutivos, por não terem os laboratórios de análises oficiais ainda assimilado a mudança significativa nas interpretações sobre classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado acerca dos produtos ora em discussão. Atento aos laudos de fls. 295/296, 300/301, 307/308 e 309/310, constatei que os referidos laudos cingemse a descrever as mercadorias postas sob apreciação, utilizando de referências bibliográficas para melhor identificálas, sem tecerem qualquer consideração acerca de classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado, o que seria, aliás, de todo reprovável se ocorresse. Nesse diapasão, não merece acolhimento a crítica feita aos laudos embasadores dos autos de infração, pois não induzem à nenhuma classificação fiscal, apenas identificam as mercadorias importadas pela recorrente. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 DA JURISPRUDÊNCIA E DAS SOLUÇÕES DE CONSULTA São colacionadas Soluções de Consulta COANA, decisões de Delegacias da Receita Federal de Julgamento, acórdão do Terceiro Conselho de Contribuintes e sentença da Seção Judiciária de SP no sentido de subsidiar a tese da recorrente de que as mercadorias importadas são vitaminas, e não preparações com fins específicos. Em que pese a jurisprudência ser de grande valia para a solução de litígios, nos casos de classificação fiscal de mercadorias, notadamente as de composição química atestada por laudo, a jurisprudência deve ser sempre sopesada com maior parcimônia do que noutras oportunidades, porquanto a composição química de mercadorias depende de vários fatores, tais como os percentuais dos elementos componentes, estado físico, forma, função, etc., desses elementos. No caso vertente, penso que a pedra de toque para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados é justamente a função dos componentes adicionados às respectivas vitaminas. Função essa que somente o laudo consentâneo com a mercadoria específica tem condições de fornecer. Vale lembrar que Solução de Consulta é norma individual e concreta que diz respeito somente ao consulente, não vinculando a Administração Tributária em relação aos demais contribuintes. DAS CLASSIFICAÇÕES FISCAIS Com respeito à classificação dos produtos importados, a fundamentação aposta pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento não merece reparos, inclusive o argumento trazido pela recorrente, fl. 525, relativo às exclusões da posição 2309, labora em desfavor dela mesma: NESH IN SRF 157 posição 2309 Excluemse da presente posição as vitaminas, mesmo as de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 2936). Fl. 587DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 583 11 Ou seja, os laudos todos estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a saber, respectivamente entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal, fl. 296; para ser adicionada à ração animal e/ou pré mistura, fl. 310; utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada, fl. 308; especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos, fl. 310. Dito isso, reproduzo o quanto dito pela decisão recorrente, a qual adoto como razões de fato e de direito: Trataremos inicialmente das mercadorias dos itens 01 e 02 tendo em vista que o novo código NCM escolhido pela fiscalização é o mesmo ou seja 2309.90.90. A interessada descreveu as mercadorias nas DIs nos seguintes códigos NCM: para o item 1) Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD uso: animal” classificou no código NCM 2936.23.10; 2)“Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso: animal” classificou no código NCM 2936.29.31 De acordo com os Laudos as mercadorias, conforme as amostras retiradas, são de fato: Laudo Técnico nº 1512.06 (Anexo I) – fls. 295/296 1) “Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD uso: animal” – de acordo com o Laudo Técnico de nº 1512.06 , a mercadoria tratase de “preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeo (excipiente), na forma de microesferas”. O Laudo esclarece, ainda que, não se trata somente de Riboflavina (Vitamina B2), mas sim de uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou pémistura. De acordo com a fiscalização, uma preparação constituída da maneira como a encontrada no Rovimix B2 80 SD é suscetível de enquadrarse como uma preparação destinada a entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal. Conclui que o produto classificase na posição 2309. Por falta de código mais específico enquadra no código NCM 2309.90.90 Laudo Técnico 1512.10 (Anexo I), fls. 300/301 2) – “Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso: animal” – tratase de “preparação constituída de Biotina (Vitamina H) e Polissacarídeo (excipiente), na forma de pó”. Não se trata somente de Biotina (Vitamina H), mas sim de uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou prémistura. Concluiu a fiscalização que o produto classificase na posição 2309. Por falta de código mais específico enquadrase no código NCM 2309.90.90. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 Conforme as REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO, a classificação das Mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: “1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: ...”(negritamos) Vejamos, pois, o texto das posições referentes às classificações adotadas pelo importador, tal como disposto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM): 29.36 PROVITAMINAS E VITAMINAS, NATURAIS OU REPRODUZIDAS POR SÍNTESE (INCLUÍDOS OS CONCENTRADOS NATURAIS), BEM COMO OS SEUS DERIVADOS UTILIZADOS PRINCIPALMENTE COMO VITAMINAS, MISTURADOS OU NÃO ENTRE SI, MESMO EM QUAISQUER SOLUÇÕES. 2936.2 Vitaminas e seus derivados, não misturados: 2936.21 Vitaminas A e seus derivados 2936.21.12 Acetato 2936.23 Vitamina B2 e seus derivados 2936.23.10 Vitamina B2 (riboflavina) 2936.27 Vitamina C e seus derivados 2936.27.10 Vitamina C (ácido L ou DLascórbico) 2936.28 Vitamina E e seus derivados 2936.28.12 Acetato de D ou DLalfatocoferol 2936.29 Outras vitaminas e seus derivados 2936.29.21 Vitamina D3 (colecalciferol) A fiscalização, de outro lado, entendeu que a classificação correta para os produtos seria no código NCM 2309.90.90. 23.09 PREPARAÇÕES DOS TIPOS UTILIZADOS NA ALIMENTAÇÃO DE ANIMAIS. 2309.90 Outras 2309.90.90 Outras As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH da posição 2936, classificação pretendida pelo interessado com relação a todos os produtos importados, estabelecem que nela se incluem: “As protovitaminas e as vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese, bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas. Os concentrados de vitaminas naturais (os de vitaminas A ou D, por exemplo)... As misturas entre si de vitaminas, de provitaminas ou de concentrados... Fl. 589DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 584 13 Os produtos acima mencionados diluídos em qualquer solvente (oleato de etila, propan12dioil, etanodiol, óleos vegetais, por exemplo).” Acrescentam, ainda, as referidas notas que: “os produtos da presente posição (2936) podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de agente antioxidante por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo) por revestimento com substâncias apropriadas (gelatinas, ceras, etc.) mesmo plastificadas , ou por adsorção em substâncias apropriadas (ácido silícico, por exemplo) desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral.”(negritamos) Segundo as Notas Explicativas, portanto, substâncias apropriadas podem ser adsorvidas às vitaminas, sem que isso implique sua exclusão da posição 2936, observadas certas condições. Entre elas, está aquela que veda a modificação do produto para tornálo apto a usos específicos em detrimento de sua aplicação geral. Os laudos periciais, todavia, são inequívocos ao afirmar que as substâncias adicionadas às vitaminas tiveram como efeito torná las aptas a um fim específico, qual seja, transformar o composto numa preparação destinada à formulação de ração animal. As Notas Explicativas da posição 2309 esclarecem que nela se incluem as preparações destinadas a entrar na fabricação dos alimentos completos e alimentos complementares para nutrição animal. Tais preparações, designadas comercialmente de pré misturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados aditivos), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: “1) Os que favorecem a digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas (destaque meu), aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromantes ou aperitivos, etc.; 2) Os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contêm, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir numa ou mais substâncias orgânicas nutritivas Fl. 590DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 14 (destaquei) (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, sêmeas, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), ou em substâncias inorgânicas (por exemplo, magnesita, cré, caulin, cloreto de sódio e fosfatos).” Assim, segundo as Notas, uma preparação constituída da maneira como as que encontramos é suscetível de enquadrarse como uma preparação destinada a entrar na fabricação dos alimentos “completos” ou “complementares” da alimentação animal. A especificidade de uso dessa mercadoria é critério essencial ao seu enquadramento tarifário, independentemente de seu conceito técnico. A Fiscalização definiu corretamente o enquadramento tarifário relativo aos produtos importados, restando, dessa forma, cabível o tributo lançado, em função de uma alíquota diretamente ligada a esse enquadramento. Trataremos agora das mercadorias dos itens 03 e 04 tendo em vista que o novo código NCM escolhido pela fiscalização é o mesmo ou seja 3824.90.19. A interessada por sua vez descreveu as mercadorias nas DIs nos seguintes códigos NCM para o item 3) “Palmitato de Vitamina A tipo 250 CWS/F uso humano” classificando no código NCM 2936.21.13 e a mercadoria descrita como 4) Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC)” classificando no código NCM 2936.27.10. Vimos acima, o texto das posições referentes às classificações adotadas pelo importador, tal como disposto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) posição 2936. De acordo com os Laudos, as mercadorias são de fato: Laudo Técnico nº 1364.05 (Anexo I), fls. 307/308 3) “Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC)” – “não se trata somente de vitamina C”, mas sim de “preparação constituída de Ácido Ascórbico (Vitamina C) E Etilcelulose, na forma de grânulos”. Segundo o Laudo, de acordo com Referências Bibliográficas, Etilcelulose é um excipiente utilizado no revestimento do Ácido Ascórbico (Vitamina C) e têm a função de proteger química e fisicamente a substância ativa (Vitamina C), durante o processo de mistura com outros componentes, e na formulação final a que se destina. A presença da Etilcelulose modifica as propriedades físico químicas e modo de ação da Vitamina. Concluiu a fiscalização que, de acordo com o Laudo, a adição do excipiente (etilcelulose) torna o produto apto para fins específicos (ser utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico, enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada), a mercadoria não pode ser incluída como uma simples vitamina. Produtos como os que se está examinando são suscetíveis de se classificarem em diversas posições, dependendo da finalidade para a qual foram preparados ou das substâncias adicionadas ou associadas com a(s) vitamina(s). Dentre as posições mais Fl. 591DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 585 15 comuns suscetíveis de classificar tarifariamente tais Mercadorias citamse a 2309, englobando as preparações destinadas à alimentação animal, a 2936, reservada para as vitaminas ou misturas de vitaminas, a 3003 ou 3004, se o produto for comprovadamente um medicamento e a 3824, quando se tratar de uma preparação não compreendida nem especificada em outra posição. As Notas Explicativas da posição 2936, escolhida pela interessada, estabelecem que nela se incluem: “As protovitaminas e as vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese, bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas. Os concentrados de vitaminas naturais (os de vitaminas A ou D, por exemplo)... As misturas entre si de vitaminas, de provitaminas ou de concentrados... Os produtos acima mencionados diluídos em qualquer solvente (oleato de etila, propan12dioil, etanodiol, óleos vegetais, por exemplo).” Acrescentam, ainda, as referidas notas que: “os produtos da presente posição (2936) podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de agente antioxidante, por adição de agentes antiaglutinante (hidratos de carbono, por exemplo), por revestimentos com substâncias apropriadas [gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), por exemplo], mesmo plastificadas, ou por adsorção em substâncias apropriadas (ácido sílicio, por exemplo), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral”(negritei) Assim, uma vitamina ou mistura de vitaminas para classificarse na posição 2936 deve apresentarse em estado puro ou conter um estabilizante ou um solvente, conforme esclarecem as Notas acima mencionadas. A nota nº 1, alíneas “f” e “g”, por sua vez, permite que as vitaminas da posição 2936 sejam adicionados de um estabilizante (incluído um agente antiaglomerante), indispensável à sua conservação ou transporte, ou de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas substâncias não tornem o produto particularmente apto para usos específicos, de preferência à sua aplicação geral. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 16 Ora, o Laudo de nº 1364.05, de fls. 308 afirma de maneira categórica que a mercadoria é uma “ preparação constituída de Ácido Ascórbico (Vitamina C) e Etilcelulose”, e, de acordo com referências Bibliográficas, preparações dessa natureza são utilizadas em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico, enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada) acrescentou ainda que, também de acordo com Referências Bibliográficas Etilcelulose é um excipiente utilizado no revestimento do Ácido Ascórbico (Vitamina C) e tem a função de proteger química e fisicamente a substância ativa (Vitamina C), durante o processo de mistura com outros componentes, e na formulação final a que se destina. Acrescentou ainda que a presença da Etilcelulose modifica as propriedades físicoquímicas e modo de ação da Vitamina. Destarte, os elementos dos autos não autorizam a inclusão da mercadoria importada na posição 2936, como uma simples vitamina. A posição 38.24, transcrita a seguir, inclui os produtos químicos e preparações não especificados nem compreendidos em outras posições: “38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES; PRODUTOS RESIDUAIS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES ” (grifei) As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 3824 não deixam dúvidas de que abrangem a mistura em questão: “Nota Explicativa Página 698: Esta posição abrange: (...) B.PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES (QUÍMICAS OU DE OUTRA NATUREZA) Salvo somente três exceções (ver abaixo os números 7, 19 e 31), a presente posição não inclui produtos de constituição química definida apresentados isoladamente. Os produtos químicos compreendidos aqui não apresentam constituição química definida e são, quer obtidos como subprodutos da fabricação de outras matérias (ácidos naftênicos, por exemplo), quer preparados especialmente. As preparações (químicas ou de outra natureza), consistem, quer em misturas (de que as emulsões e dispersões constituem formas particulares), quer, por vezes, em soluções. (Deve notarse que as Fl. 593DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 3101001.210 S3C1T1 Fl. 586 17 soluções aquosas dos produtos químicos dos Capítulos 28 ou 29 permanecem classificadas nos referidos Capítulos, ao passo que, salvo raras exceções, excluemse deles as soluções destes produtos em outros solventes, que se consideram preparações da presente posição). As preparações aqui referidas podem ser também compostas, total ou parcialmente, por produtos químicos (o que constitui o caso geral), ou inteiramente formadas por constituintes naturais (ver, por exemplo, o número 23), abaixo). Todavia, a presente posição não compreende as misturas de produtos químicos, e de substâncias alimentícias, ou outras substâncias com valor nutritivo, dos tipos utilizados na preparação de alimentos próprios para consumo humano, quer como componentes desses alimentos, quer para melhorarlhes algumas das suas características (por exemplo, beneficiadores de panificação, de pastelaria ou bolachas e biscoitos). Estes produtos, geralmente, incluemse na posição 21.06.” Do exposto, certo é que a correta classificação fiscal do produto aqui apreciado é 3824.90.19OUTROS – Produtos intermediários da fabricação de antibiótico ou de vitaminas ou de outros produtos da posição 2969 Outros, confirmandose, portanto, a pertinência da reclassificação promovida pela fiscalização, em obediência às disposições das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, juntamente com as NESH. Laudo Técnico nº 1512.01 (Anexo I), fls. 309/310 4 “Palmitato de Vitamina “A” tipo 250 CWS/F uso humano” – “não se trata somente de Palmitato de Retinol (Palmitato de Vitamina A), mas sim de “preparação constituída de Palmitato de Vitamina A, ButilHidroxitolueno (BHT) (antioxidante) e excipientes como sacarose, amido, matéria protéica e substâncias inorgânicas à base de Fosfato de Sódio, na forma de microesferas”. Cita ainda o Laudo que de acordo com Referências Bibliográficas, mercadoria desta natureza encontra se especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos. Acrescentou que quantos aos outros componentes encontrados além da Vitamina A o Butil Hidroxitolueno (BHT) é um aditivo antioxidante indispensável para estabilizar a substância ativa (Vitamina A) contra oxidação no transporte e armazenamento; a Sacarose, Amido, Matéria Protéica e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato e Sódio são excipientes utilizados no revestimento da microesfera e têm a função de proteger química e fisicamente a substância ativa (Vitamina A), durante o processo de mistura com outros componentes e facilitar a dosagem de maneira uniforme, na formulação final a que se destina, pois a Vitamina A e seus Fl. 594DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 18 derivados, quando puros nas condições ambientais normais, são líquidos oleosos. Assim, pelos mesmos motivos expostos no item anterior a fiscalização definiu corretamente o enquadramento tarifário relativo ao produto do item 04, ao classificálo no código NCM 3824.90.19OUTROS. DAS MULTAS POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES Tendo em mira o exposto, e o fato de que as mercadorias não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e classificação fiscal, exsurge como correta a aplicação das multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações. Posto isso, voto por DESPROVER o recurso voluntário. Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 595DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 2.5412588
Numero do processo: 12719.001041/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 04/01/2001 a 30/01/2003
FALTA DE LICENCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. PENALIDADE.
A licença de importação veio a substituir a guia de importação com a implementação do Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex, bem por isso aplica-se a penalidade administrativa aos casos de classificação fiscal errônea como o caso dos autos, notadamente porque a recorrente também descreveu a mercadoria de forma que dificultava a correta classificação fiscal.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora), Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento parcial para excluir a multa por falta de LI. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
Redator Designado
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. PENALIDADE. A licença de importação veio a substituir a guia de importação com a implementação do Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, bem por isso aplicase a penalidade administrativa aos casos de classificação fiscal errônea como o caso dos autos, notadamente porque a recorrente também descreveu a mercadoria de forma que dificultava a correta classificação fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora), Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento parcial para excluir a multa por falta de LI. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 10 41 /2 00 5- 29 Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 32 2 Relatora CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls.1487 versos a 1488 versos dos autos emanados da decisão DRJ/FNS, por meio do voto do relator Gustavo Lima Santos Souza, nos seguintes termos: “Trata o presente processo de auto de infração decorrentes de classificação fiscal incorreta com exigência de Imposto de Importação (II), juros de mora, multa proporcional (de oficio), multa por falta de licença de importação (LI) e multa por classificação fiscal incorreta. Valor total da autuação de R$ 1.047.860,56 (fls. 0181). Seguem as alegações da autuação. Em procedimento de auditoria, foi intimada a empresa fiscalizada para que a mesma apresentasse, dentre outras coisas, os documentos que instruíram as importações dos produtos com NCM 2615.10.90 e informasse qual a destinação dada ao produto importado e, em caso de utilização em processo produtivo próprio, que descrevesse o processo (fls. 8384). Em atendimento a intimação, apresentou a empresa esclarecimentos (fl. 8891), bem como as declarações de importação (DIs) e o restante da documentação relativa ao escopo da fiscalização (fls. 110978). A posição 2615 utilizada pelo contribuinte nas DIs que estão sendo auditadas abrange os minérios de zircónio. Ocorre que excluem desta posição a areia de zircão micronizada para ser utilizada como opacificante em esmaltagem, por ter sido submetida preparação diferente das normalmente reservadas aos minérios da indústria metalúrgica, no caso a micronização, conforme nota 2 do capítulo 26 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Neste caso, a areia de zircão micronizada classificase na posição 2530 (fl. 92). Com base em laudo técnico (fls. 94107), foi a empresa intimada a alterar a classificação fiscal da DI 02/10711110 da "farinha de zircônio GPA 25" do código2615.10.90 para 2530.90.20 com os recolhimentos devidos. A empresa concordou com o pleito fiscal e recolheu os valores devidos na intimação fiscal. Ao responder intimação, a empresa informa que até 30/01/2003, importava farinha de zircônio no código 2615.10.90 e que, a partir de então, por orientação da própria Receita Federal, passou a importar o produto no código 2530.90.20. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 33 3 Para corroborar o entendimento da fiscalização, a interessada respondeu a folha 90 que "o destino do produto importado Farinha de Zircônio, é utilizado exclusivamente como matéria prima na composição dos produtos, no processo produtivo próprio, na fabricação de fritas, esmaltes, englobes e bases serigráficas, que são matérias primas utilizadas nas indústrias cerâmicas". Conforme consta na folha 91, também informa a empresa que "Nas fritas, esmaltes, englobes e bases serigdficas, são utilizados a Farinha de Zircônio quando o desejado for o de opacificação, visto que, dentre todas as matérias primas utilizadas no setor cerâmico, a mais importante e utilizada, para se obter o grau desejado de opacificação é a Farinha de Zircônio". Dessa forma, concluise que a empresa utiliza a farinha de zircônio como matéria prima com fins de opacificação. Intimada a contribuinte (fl. 02), ingressou a mesma com a impugnação de fls.10051042. Seguem as alegações da empresa autuada. O MPF que autorizou a fiscalização previa o prazo final para seu efetivo cumprimento no dia 05/08/2005 (fl. 82), sendo que, conforme pode ser visto a folha 73, o prazo final foi o dia 11/08/2005, com ciência da empresa no dia 17/08/2005. Não foi a empresa intimada da prorrogação do MPF. Nunca houve oposição do fisco quanto ao procedimento adotado pela empresa, sendo sempre os produtos desembaraçados. Não há de prosperar as alegações fiscais uma vez que as mesmas estão desamparadas de qualquer laudo técnico especifico para as mercadorias importadas. Há tãosomente laudo técnico relativo A DI 02/10711110, sendo que deveria haver laudos técnicos conclusivos e realizados quando do desembaraço da mercadoria em cada um dos setenta e quatro lotes importados. Defende a inaplicabilidade da taxa Selic as folhas 10151021. Incabível a multa por falta de LI, uma vez que todos os seus processos de importação se fazia regularmente presente a licença de importação. Além disso, em qualquer uma das classificações fiscais que importam a este caso, o procedimento burocrático da LI é o mesmo. É inverídica a alegação do Fisco de que a classificação constante na autuação estaria submetida ao licenciamento não automático enquanto a antiga não, e, por isso, a mercadoria não teria sido analisada pelo Decex. Ao contrário do alegado pelo Fisco, o código 2615.10.90 também está sujeito ao licenciamento não automático a cargo do CNEN, tal qual o código adotado pela fiscalização (fl. 108 e Doc. 05 da impugnação). Existindo a anuência do CNEN, independente do código de classificação, não há que se falar em multa posto que, para ambos os casos, a análise do Decex foi regularmente efetuada. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 34 4 Acosta como Doc. 06 relatório emitido pelo próprio CNEN, no qual constam todas as importações efetuadas pela empresa entre 01/2001 e 12/2003 com os respectivos números de LI. Alega que tal documento demonstra que a classificação fiscal é de responsabilidade de Comissão do CNEN. Alega ausência de máfé ou dolo, sendo que a descrição da mercadoria nunca foi suprimida ou omitida, estando presentes todos os elementos indispensáveis à sua perfeita identificação. Constatase no Doc. 08 da impugnação que as solicitações de LI ao CNEN sempre contiveram todas as informações necessárias, uma vez que a mercadoria sempre esteve descrita como "farinha de zircônio para utilização na composição de esmalte cerâmico". Farinha de zircônio nada mais é que o nome vulgar dado a "areia de zircônio micronizada", isto é, farinha de zircônio é sinônima de areia de zircônio micronizada. Solicita aplicação dos ADNs Cosit n° 10 e 12, de 1997. Alega o caráter confiscatório da multa por falta de LI. Alega o princípio da proporcionalidade. Indevida a multa proporcional ao valor aduaneiro uma vez que não houve proposital classificação fiscal errônea por parte da empresa. Solicita, preliminarmente, a invalidade/nulidade do procedimento fiscal. No mérito, solicita a desconsideração da desclassificação fiscal, declarando improcedente a autuação. Subsidiariamente, solicita o afastamento da taxa Selic, bem como da multa por falta de LI e da multa proporcional ao valor aduaneiro. As folhas 1439, o processo é encaminhado a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Diligência de folha 1440 solicitava comprovação dos poderes do signatário da impugnação de folhas 10051041 e cópia autenticada do documento de nome "Solicitação de Licença de Importação para Matérias Primas e Minerais" que compõe o Doc. 08 da impugnação (fls. 10631438). A unidade de origem retorna o processo a esta unidade para julgamento, conforme despacho de folha 1476. Diligência de folha 14771478 observava erro na numeração do processo e solicitava nova intimação da empresa para regularização da impugnação. Informação de folha 1485 acerca do atendimento da exigência por parte da empresa coma apresentação as folhas 14821483 dos documentos solicitados. Despacho de folha 1486 informando a renumeração do processo. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0714.452 de fls.1.487 traz a seguinte ementa: Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 35 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOlI Período de apuração: 04/01/2001 a 30/01/2003 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL – Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, é exigível a diferença de tributos com os acréscimos legais previstos na legislação. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). FALTA DE LICENCIAMENTO. PENALIDADE. Aplicase a multa por falta de licenciamento quando o importador, além de classificar erroneamente a mercadoria, descrevea de forma inexata, impedindo a sua correta identificação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/01/2001 a 30/01/2003 QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL As normas que regulamentam o MPF dizem respeito ao controle interno das atividades do órgão arrecadador, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade dos lançamentos. Lançamento Procedente” O contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho – CARF (fls.1539 a 1571), onde alega em suma o seguinte: I – A decisão recorrida não procede; II – Preliminar de vicio formal; III – Da desclassificação fiscal indevida; IV – Da inaplicabilidade da taxa SELIC; V – Da multa do controle Administrativo – a) que a mesma não encontra suporte jurídico; b) que em momento algum a Recorrente utilizou classificação fiscal supostamente errada por máfé; c) que se quer exigir da Recorrente a multa constante do art. 526, II do Decreto 91.030/85 (antigo RA) atualmente prevista no art. 633, II, ‘a’ do Decreto 4.543/2002; d) é descabida a exigência porque o tipo normativo previsto na legislação não se realizou, ou seja, apenas por ter havido suposta constatação de equívoco na classificação fiscal do produto importado de 01/2001 a 01/2003 não pode proceder; e) que em todos os seus Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 36 6 processos de importação a licença de importação se fazia regularmente presente; f) que tanto para a classificação fiscal 26.15.1090 como para a classificação fiscal 25.30.90.20 os procedimentos burocráticos para concretização da importação são exatamente os mesmos, não se subtraindo da administração, quer numa, quer noutra, o poder de realizar sua regular tarefa fiscalizatória; g) todas as suas importações encontramse regularmente amparadas pela licença de importação – vide doc.06; h) juntou, também, Doc.8 com todos os comprovantes de Importação com os respectivos extratos da DI; i) também, destaca Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10 de 16 de janeiro de 1997 e o Ato Declaratório nº 13 de 10/09/2002 que entendeu lhe favorecer; VI – Multa de caráter confiscatório; VII – Da multa proporcional ao valor aduaneiro Não houve quaisquer traços de dolo ou má fé; VIII – Do Pedido: a.) PRELIMINARMENTE, reconhecer o vício formal pela invalidade do Mandado de Procedimento Fiscal em tela e de todos os demais atos que dele decorreram; b.) NO MÉRITO, manter a classificação adotada pela Recorrente, declarando improcedente a exigência do Imposto de Importação com respectiva multa e juros de mora, bem como a exigência da multa do controle administrativo e a multa sobre o valor aduaneiro; b.1) sucessivamente, que seja desconsiderado o laudo paradigma ao menos em relação as importações realizadas junto a outros importadores que não a empresa "Mario Pilato Brast S.A.", mantendose a classificação adotada pela recorrente em relação a estas importações, declarando improcedente a exigência do Imposto de Importação com respectiva multa e juros de mora, bem como a exigência da multa do controle administrativo e a multa sobre o valor aduaneiro; c.) caso não seja este o entendimento, possibilidade que se admite pela dialética, determinar o afastamento da taxa SELIC incidentes sobre os valores apurados a título de Imposto de Importação; d.) em remota e esdrúxula hipótese, mantendose a exigência do Imposto de Importação, então, por tudo o mais que foi exposto, que seja banida a MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO aplicada à Recorrente, incidente em 30% (trinta por cento) sobre o valor das importações, para excluila do Auto de Infração, por não restar realizada a tipificação descrita na legislação aduaneira, uma vez que todas as importações fiscalizadas estão regularmente amparadas pela respectiva Licença de Importação, e, ainda, em especial observância aos preceitos do ATO NORMATIVO COSIT n° N 12/97, por inexistir simulação ou dolo puníveis na presente ocasião, não se podendo aplicar, assim, os preceitos do art. 526, II, do antigo Regulamento Aduaneiro nem do art. 633, II, a, do atual, bem como pelo caráter eminentemente confiscatório de aludida multa; e.) de igual modo, excluir a MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO, correspondente a 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, por não proceder a desclassificação fiscal operada pelo fisco e, também, por inexistir máfé ou dolo puníveis na presente ocasião, não se podendo aplicar, assim, o art. 636, do Regulamento Aduaneiro (art. 84, MP 2.158/01). Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 37 7 Entretanto, em fls. 1589 há um despacho por conta de que a Recorrente pede parcelamento com base na Lei 11491/2009 do Imposto de Importação, passando o mesmo imposto a ser parte do Processo 10.983.720.829/201121 e consequentemente desiste parcialmente do seu Recurso Voluntário. Assim, nesse presente processo permanecem e vai a julgamento aqui no CARF apenas em relação a Multa do Controle Administrativo – falta de LI e Multa Proporcional do Valor Aduaneiro. Os autos foram encaminhados para este Conselho e distribuídos por sorteio a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos da admissibilidade. O objeto residual da lide desse presente processo de auto de infração é decorrente de classificação fiscal incorreta com exigência de multa por falta de licença de importação (LI) e multa por classificação fiscal incorreta A preliminar arguida pela Recorrente de: “reconhecer o vício formal pela invalidade do Mandado de Procedimento Fiscal em tela e de todos os demais atos que dele decorreram” deve ser superada pela desistência parcial do Recurso Voluntário decorrente do pagamento parcelado do imposto de importação com base na Lei 11.491/2009, bem como com o julgamento de mérito das multas restante no presente processo. Assim, já entrando no mérito da exigência de multa do Controle Administrativo por falta de LI, não posso deixar de considerar as razões da Recorrente, bem como os documentos juntados em sua defesa. A exigência da multa constante do artigo 526, II, do Decreto nº 91.030/85 (antigo RA) e atualmente prevista no artigo 633, II, ‘a’ do Decreto 4.543/2002, que tem o mesmo texto, não pode ser exigida da Recorrente, porque, todas as suas importações apresentam a licença de importação, conforme podemos observar dos autos, bem como os respectivos extratos das DI estão presentes. Para fortalecer minha percepção no julgamento do presente caso trago o entendimento do Conselheiro Luiz Roberto Domingo exposto no seu voto no processo nº 11.128.001763/200228 que com minhas homenagens vou aqui repetir: “Quanto à penalidade prevista pelo inciso II do artigo 526 do Decreto nº 91.030/85, temos que: Art. 526 – Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penalidades: Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 38 8 [...] II – importar mercadoria sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. [...] A divergência entre as classificações adotadas pela Recorrente e pela Fiscalização não gera, automaticamente, a conclusão pela ausência de Licença de Importação para o trigo efetivamente importado, de modo que, estando ou não corretamente classificada, desde que corretamente descrita, a mercadoria obtém a licença para adentrar em território nacional. Desenvolvo meu raciocínio no sentido de identificar qual seria o bem jurídico protegido por esta penalidade. Não podemos pensar que a falta de Licença de Importação seja objeto dessa proteção jurídica, pois, no mais das vezes, as importações independem de licença especial – quando o licenciamento é automático não há suporte lógico (modal deôntico) que justifique a aplicação de multa por falta de licença, daí porque uma das razões da alteração da norma para substituir a licença pela GI ou documento equivalente. A licença de importação está diretamente relacionada a uma época em que o Estado era o guardião do mercado interno, de modo que a concorrência estrangeira era vista como a vilã da harmonia e do equilíbrio da economia interna. Hoje não é mais assim, na verdade, nos dias de hoje a Guia de Importação (GI) e a Declaração de Importação (DI) praticamente se fundiram no Siscomex. Se a Licença não é mais motivo de tutela jurídica, poderíamos supor que a Guia de Importação ou a correspondente Declaração de Importação seriam objeto da proteção nuclear desta norma penal? Não haverá dúvida se o caso tratar de descaminho ou contrabando. Mas se se tratar de erro de classificação fiscal, cuja desconsideração do documento de importação exsurge dessa incompatibilidade, creio que a penalidade perde o suporte fático de incidência. Ontologicamente a norma visava coibir a intenção do agente de internar mercadoria de forma clandestina, ou seja, é parte indissociável do tipo a não apresentação da GI, DI ou qualquer outro documento equivalente na internação do bem. Se formos verificar como tal norma penal tem sido aplicada cotidianamente, encontraremos dois tipos de aplicação: (i) típica, na qual é inexiste qualquer documento; e (ii) atípica, apesar de existirem os documentos exigidos na importação, há alguma divergência do objeto declarado com o objeto importado. No segundo caso, inegavelmente há documento de importação, mas essa não contém informações suficientes para amparar aquela importação específica, mas mesmo esse grupo contempla dois subgrupos: (ii.a) aquele em que se verifica uma impropriedade absoluta – é o caso da importação de plásticos que a fiscalização constata um container de lixo; e (ii.b) aquele em que se verifica uma impropriedade relativa – é o caso da importação de produtos do Capítulo 10 que, na verdade se classificam, na posição 11 da Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 39 9 NCM, por conta de uma divergência de interpretação da norma tributária de regência ou das normas de outros entes da administração pública. Nos casos em que se verifica a ocorrência do item (ii.a) – impropriedade absoluta, a aplicação da penalidade é cabível, pois o cunho da declaração foi, inclusive, com intuito de evitar a verificação do conteúdo, ou seja, dado o fato de o canal verde ser praticamente uma normalidade para alguns tipos de importações, a declaração que forneça os dados que o sistema está “acostumado” (programado) para liberação, “facilitaria” a passagem ilesa do produto (um modo de efetivar a fraude). Note que a Declaração não continha qualquer relação com o fato. Assim, a desconsideração da Declaração de Importação se dá por sua nulidade absoluta, uma vez que não serve para dar suporte àquele bem importado. Todavia, quando se verifica a ocorrência do item (ii.b) – impropriedade relativa, como é o que se observa no caso em tela, a aplicação da penalidade é duvidosa. Isso porque o objeto pretendido e declarado na importação é realmente aquele que foi trazido para o País, de modo que eventual falha, ou defeito na descrição ou na classificação, não é grave o suficiente para considerar inválida a declaração ou a guia. Notemos que o objeto trazido e sua respectiva descrição não são incompatíveis, mas apenas divergentes; próximos, mas divergentes. Esse defeito bastante e suficiente para alterar o fato gerador de importação da mercadoria classificada na posição do Capítulo 29 para importação da mercadoria classificada na posição do Capítulo 38, não é bastante e suficiente, por outro lado, para desclassificar a declaração, pois o ato é de ajuste não de desconsideração. Notase, portanto, que a guia e a DI, ainda que com algum erro, preenchem os elementos de conexão do “fato” que impedem sua declaração de nulidade, não havendo, assim, como fundamentar a tipicidade dos fatos narrados com art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85.” Assim, como o entendimento acima cai como uma luva ao caso presente, julgo descabida a multa do Controle Administrativo – falta de LI exigida nesse processo. Com respeito a multa proporcional ao valor aduaneiro, também, remanescente nesse processo, a Recorrente alega a seu favor que a mesma multa é indevida uma vez que não houve proposital classificação fiscal errônea por parte da empresa, logo, não estando presente qualquer traço de dolo ou má fé da mesma. Quanto a descrição da mercadoria, todas as solicitações de LI ao CNEN, sempre tiveram todas as informações necessárias, uma vez que a mercadoria sempre esteve descrita como "farinha de zircônio para utilização na composição de esmalte cerâmico". Farinha de zircônio nada mais é que o nome vulgar dado a "areia de zircônio micronizada", isto é, farinha de zircônio é sinônima de areia de zircônio micronizada. Por outro lado, o voto condutor da decisão recorrida dispõe a respeito da manutenção da referida multa que: “Devido à classificação fiscal incorreta, é devida a multa do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n°215835. (...) Em todas as DIs observadas, não há a informação acerca da utilização do produto na preparação de esmaltes cerâmicos. Além disso, nas DIs cujas empresas Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 40 10 exportadoras não são a Mario Pilato as mercadorias são descritas como minério de zircônio (exemplos, folhas 113, 401, 563, 608 619, 701). Devido a omissão de tais dados, tornase inaplicável os Atos Declaratórios Normativos Cosit n° 10 e 12, ambos do ano 1997.” Contudo, norteio o meu voto no sentido do voto condutor da decisão recorrida, porque o produto não estava corretamente descrito, inclusive com todos os elementos necessários à sua identificação, pois, realmente, a classificação dada pela Recorrente como a reclassificação do fisco há discrepância, vale dizer, conforme o já relatado a posição 2615 utilizada pelo contribuinte nas DIs que foram auditadas abrange os minérios de zircónio. Ocorre que excluem desta posição a areia de zircão micronizada para ser utilizada como opacificante em esmaltagem, por ter sido submetida preparação diferente das normalmente reservadas aos minérios da indústria metalúrgica, no caso a micronização, conforme nota 2 do capítulo 26 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Neste caso, a areia de zircão micronizada classificase na posição 2530 (fl. 92). Com base em laudo técnico (fls. 94107), foi a empresa intimada a alterar a classificação fiscal da DI 02/10711110 da "farinha de zircônio GPA 25" do código2615.10.90 para 2530.90.20 com os recolhimentos devidos. A empresa concordou com o pleito fiscal e recolheu os valores devidos na intimação fiscal. Ao responder intimação, a empresa informa que até 30/01/2003, importava farinha de zircônio no código 2615.10.90 e que, a partir de então, por orientação da própria Receita Federal, passou a importar o produto no código 2530.90.20. Assim, reconheço por tudo que há nos autos que a Recorrente não teve intuito doloso ou má fé em suas importações, recolheu a insuficiência de impostos, mas não descreveu corretamente o produto, inclusive omitindo elementos necessários à sua identificação e, portanto, não aplicável os Atos Declaratórios Normativos Cosit n° 10 e 12, ambos do ano 1997, bem como o Ato Declaratório Interpretativo nº 13 de 10.09.2002. Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir apenas a multa por falta de LI. Relator Valdete Aparecida Marinheiro Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator Designado. Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das brilhantes considerações tecidas pela I. Conselheira Relatora, o Colegiado, pelo voto de qualidade, firmou entendimento de que a exigência fiscal deve ser mantida in totum, inclusive a multa por falta de Licença de Importação. A razão para tanto deriva do simples fato de que a licença de importação veio a substituir a guia de importação com a implementação do Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Dessarte, em casos de classificação fiscal errônea como o caso dos autos, Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.001041/200529 Acórdão n.º 3101001.393 S3C1T1 Fl. 41 11 a penalidade administrativa continua sendo aplicável, notadamente porque a recorrente também descreveu a mercadoria de forma que dificultava a correta classificação fiscal. Nesse diapasão, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2013. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10314.003876/2004-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 29/09/1999
AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
CARÊNCIA DE PROVAS.
O lançamento originário veio ao mundo jurídico totalmente desapercebido de provas e de condições mínimas de ser mantido. Observa-se que duas diligências foram necessárias com o escopo de ser compreendida a peça fiscal. Na primeira, veios aos autos o laudo que serviu como prova emprestada, de outra fiscalização, e mais algumas explicações, inclusive ficando provadas autuações em duplicidade. Na segunda, as declarações de importação objeto do auto de infração vieram a lume, para permitir ao i.
relator que tivesse acesso à descrição das mercadorias importadas.
Numero da decisão: 3101-001.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/09/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CARÊNCIA DE PROVAS. O lançamento originário veio ao mundo jurídico totalmente desapercebido de provas e de condições mínimas de ser mantido. Observase que duas diligências foram necessárias com o escopo de ser compreendida a peça fiscal. Na primeira, veios aos autos o laudo que serviu como prova emprestada, de outra fiscalização, e mais algumas explicações, inclusive ficando provadas autuações em duplicidade. Na segunda, as declarações de importação objeto do auto de infração vieram a lume, para permitir ao i. relator que tivesse acesso à descrição das mercadorias importadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 27/03/2012 Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 26/04/2001, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados , acrescidos de juros de mora, multa e multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 5.379.391,75, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio de Declarações de Importação relacionadas no auto de infração, produto denominado “Antraquinona ”, recebendo classificação tarifária na código NCM 2914.61.00, com incidência da alíquota de 5 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 0% para o Imposto de Produtos Industrializados; Ocorre que foi apurado que a mercadoria efetivamente importada foi “ preparação constituída de antraquinona, composto etoxilado, e composto com caráter aniônico, na forma de pó, com classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na código NCM 3824.90.90, com incidência da alíquota de 17 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 10% para o Imposto de Produtos Industrializados; Cabível a multa por importação de mercadorias ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 18/06/2004, (fls. 152frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 19/07/2004, de fls. 154 à 159, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: Incabível a multa por importação de mercadorias ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente já que a Impugnante importou o produto com toda documentação necessária; Algumas Declarações de Importação foram registradas antes do dia 02/06/1999, portanto o respectivo lançamento estaria eivado pela decadência; Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.003876/200460 Acórdão n.º 310101.054 S3C1T1 Fl. 1.039 3 A autuação sofre de duplicidade em razão dos MPFs 0817800/00042/00, 0817800/00026/00 e 0817800/00034/02, conforme documentação juntada; A classificação fiscal adotada pelo impugnante é a correta, conforme parecer até técnico apresentado; A fiscalização omitiu haver antraquinona em dispersão, em pó ou outra forma quando deu tratamento similar a questão para todas as Declarações de Importação; Em julgamento análogo, a 2ª Turma da DRJ/SPOII considerou improcedente o lançamento; Os produtos importados dizem respeito a diferentes apresentações físicas, constituindose de antraquinona em dispersão em pó, e adicionada antipoeira de baixíssimo teor – 99,5% de grau de pureza – com caráter aniônico, objetivando inibir a formação de mistura explosiva de poeira de antraquinona com o ar, nos termos permissivos das Notas do Capítulo 29 da TEC; Propugna a improcedência do Auto de Infração. É o Relatório. Em exame preliminar, a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução No. 840, de 10/09/2008, indagando se a classificação fiscal adotada pelo impugnante, se deu nos termos permissivos das Notas do Capítulo 29 da TEC, em virtude de inibir a formação de mistura explosiva de poeira de antraquinona com o ar? Foi solicitado a juntada de cópia do LAUDO que foi objeto da DI No. 00/06556510, e que serviu como prova emprestada para a presente autuação, além de indagar se procede a alegação de que parte das Declarações de Importação relacionadas no auto de infração devem ser excluídas da pretensa exigência do crédito tributário, por já serem objeto dos MPFs 0817800/00042/00, 0817800/00026/00 e 0817800/00034/02? Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei nº 9.784/99, em face do princípio do contraditório. Devidamente cientificado, via Aviso de Recebimento – AR datado de 24/04/2009 (fls. 367verso), o interessado se insurgiu contra a prova emprestada, uma vez que uma única análise não pode prestar de prova para todo um universo de Declaração de Importação. Para tanto, junta ementas da jurisprudência administrativa pátria. Em nova análise, foi constatada a impossibilidade de se julgar a multa do controle administrativo, por não poder se verificar a descrição da mercadoria atribuída pelo importador. Assim, Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 novamente os autos foram baixados à autoridade preparadora, através da Resolução No. 897, de 27/07/2009 para se proceder a juntada das Declarações de Importação objeto da presente autuação. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou procedente a impugnação, EXONERANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO e recorrendo de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A ementa ficou assim: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 29/09/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO CONSTITUÍDA DE ANTRAQUINONA. Importação do produto Antraquinona com classificação fiscal no Código NCM 2914.61.00. A fiscalização constatou se tratar de Preparação constituída de Antraquinona, com classificação fiscal no Código NCM 3824.90.90 “Preparação constituída de Antraquinona”, por ser especialmente formulado para ser utilizado na indústria do papel, incluise na posição 3809.| Descrição do produto correta. Improcedente a multa do controle administrativo por força do ATO DECLARATÓRIO COSIT N° 12/97. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. Após intimação do contribuinte, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.003876/200460 Acórdão n.º 310101.054 S3C1T1 Fl. 1.040 5 Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O crédito tributário exonerado no julgamento de primeira instância supera o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (um milhão de reais), razão pela qual tomo conhecimento do Recurso de Ofício. A exoneração do crédito tributário, pelo órgão judicante de primeiro grau, ocorreu porque a classificação fiscal eleita pela auditoriafiscal não se afeiçoou à melhor classificação fiscal para o produto importado (que seria a mesma de uma solução de consulta exarada por SRRF), apesar de não servir também a classificação fiscal apresentada pela então impugnante. Ainda foram canceladas as multas do controle administrativo das importações e a proporcional ao valor aduaneiro. No primeiro caso, foi aplicado o AD Cosit nº 12/97; e no segundo, a causa foi o fato de auditoriafiscal ter eleito classificação fiscal errônea. Apesar de não concordar por inteiro com a fundamentação expendida no voto do i. relator da decisão recorrida, pois ao meu sentir solução de consulta só vincula a auditoria fiscal para os casos em que o importador é consulente, e ainda, o fato de a auditoriafiscal eleger classificação fiscal errônea não afasta, de plano, a multa proporcional ao valor aduaneiro, porquanto a impugnante também errou ao classificar o bem importado; penso que não se pode dar provimento ao recurso de ofício, nem parcialmente, porquanto o lançamento originário veio ao mundo jurídico totalmente desapercebido de provas e de condições mínimas de ser mantido. Observase que duas diligências foram necessárias com o escopo de ser compreendida a peça fiscal. Na primeira, veios aos autos o laudo que serviu como prova emprestada, de outra fiscalização, e mais algumas explicações, inclusive ficando provadas autuações em duplicidade. Na segunda, as declarações de importação objeto do auto de infração vieram a lume, para permitir ao i. relator que tivesse acesso à descrição das mercadorias importadas. O cerceamento do direito de defesa está presente desde a origem do lançamento, sem sombra de dúvida. E mesmo com toda essa boa vontade do órgão judicante de primeira instância o trabalho fiscal não se sustentou. Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 21 de março de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11128.001641/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 06/03/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - CYANOX 1790
O produto de nome comercial Cyanox 1790, por conter funções oxigenadas, mas não conter cloro em ligação covalente, enquadra-se na posição 2933.69.29.
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO (1%)
Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001.
MULTA PROPORCIONAL (75%)
Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a penalidade de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97.
MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO ADUANEIRO (30%)
Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 12/97.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício e a multa por falta de LI. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres quanto à multa de ofício.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 06/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL - CYANOX 1790 O produto de nome comercial Cyanox 1790, por conter funções oxigenadas, mas não conter cloro em ligação covalente, enquadra-se na posição 2933.69.29. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO (1%) Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001. MULTA PROPORCIONAL (75%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a penalidade de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97. MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO ADUANEIRO (30%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 12/97. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL CYANOX 1790 O produto de nome comercial Cyanox 1790, por conter funções oxigenadas, mas não conter cloro em ligação covalente, enquadrase na posição 2933.69.29. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO (1%) Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 2001. MULTA PROPORCIONAL (75%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a penalidade de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97. MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO ADUANEIRO (30%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 12/97. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 16 41 /2 00 7- 46 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 139 2 ACORDAM os membros do Colegiado em, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício e a multa por falta de LI. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres quanto à multa de ofício. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator. Tratase de lançamento de crédito tributário de Imposto de Importação – II, acrescido de juros de mora, multa de ofício, multa de controle administrativo e multa regulamentar proporcional ao valor aduaneiro decorrente de erro na classificação fiscal da mercadoria amparada nas Declaraçãos de Importação (DI) nº 03/01815636, registrada em 06/03/2003, de nome comercial “Cyanox 1790” que, diante de sua descrição, foram classificadas na no código NCM n° 2933.69.99 (Outros Compostos Heterocil.1Ciclo Triazina sem condensado). A administração determinou a realização de exames laboratoriais pela FUNCAMP a partir da análise de amostras das mercadorias importadas, Laudos de Análise FUNCAMP nºs 1488.01 (23/06/2003) e 1797.01 (24/07/2003) através dos quais restou determinado que: "(...)1. Não se trata de Qualquer Outro Composto cuja estrutura contem um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1, 3, 5 Tris(4tButil3Hidroxi2, 6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(IH,3H,5H)Trio na, Outro Composto cuja estrutura contem Funções Oxigenadas mas não contem Cloro em ligação covalente, Composto cuja a estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio (...)" Diante das conclusões dos laudos periciais, restou determinada que a classificação fiscal das mercadorias importadas seria posição 2933.69.29, e não 2933.69.99, houve a lavratura do auto de infração. A Recorrente apresentou impugnação para postular o cancelamento do auto de infração, sob os seguintes fundamentos: 1 – O laudo pericial está correto quanto à composição das mercadorias importadas, contudo, alega a Recorrente que o as posições 2933.69.1 e 29333.69.2 referemse à produtos cuja estrutura contenha ou não cloro em ligação covalente. Verificada a composição Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 140 3 das mercadorias importadas, entende que não se enquadravam em nenhuma das duas posições, razão pela qual foram classificadas na posição 2933.69.99 – Outros; 2 – Para a classificação fiscal das mercadorias importadas deve ser considerada a Regral Geral de Interpretação nº 3, alínea “c”; 3 – Não é devida a incidência de multa de controle administrativo já que as mercadorias importadas não exigiam, quando de sua importação, licenças de importação; 4 – Não é devida a incidência de multa de ofício de 75% porque não houve declaração inexata dos produtos importados, mas somente divergência quanto à posições tarifárias; e 5 – Ainda quanto à multa de ofício de 75%, postula seu cancelamento em decorrência da disposição do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97 sobre a exclusão de multas no caso de classificação fiscal errônea, desde que descrito corretamente o produto importado e os demais elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. A DRJSão Paulo II proferiu acórdão que julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/04/2003 Importação do produto CYANOX 1790, produto à base de oxidante e estabilizante à base de 1,3,5TRI, recebendo classificação tarifária no código NCM 2933.69.99. Pelas regras 1ª e 6ª das Regras Gerais do Sistema Harmonizado foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 2933.69.29. O texto do código NCM 2933.69.2 é expresso ao citar cuja estrutura contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada, a Recorrente apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos constantes da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. A discussão travada nos autos é sobre a classificação fiscal atribuída pela Recorrente na importação de mercadorias classificadas na posição da NCM nº 2933.69.99, enquanto que a autoridade alfandegária entende que a posição correta é a NCM nº 2933.69.29. As mercadorias foram descritas nas DI’s como “Produto a base de anti oxidante e estabilizante a base de 1,3,5 TRI. Nome comercial CYANOX 1790. Embalagem: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 141 4 Tambores de 125 LBS. Estado físico: pó branco. Finalidade: Produto utilizado como anti oxidante e estabilizante na fabricação de elastano. Os laudos proferidos pela Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP – FUNCAMP determinaram que: “CONCLUSÃO. Tratase de 1,3,5Tris (41Butil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil) – 1,3,5 – Triazina2,4,6 (1H, 3H, 5H) – Triaona. RESPOSTA AOS QUESITOS 1 – Não se trata de qualquer outro composto cuja estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1,3,5 Tris(4tButil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(1H,3H,5H)Triona, Outro Composto cuja estrutura contém Funções Oxigenadas mas não contém Cloro em ligação convalente, Composto cuja estrutura contém um Cloro Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio. (...) A correta classificação fiscal neste caso deve ser obtida mediante interpretação das regras 1 e 6, das Regras Gerais de Interpretação, que determinam: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Ou seja, analisandose o título e o subtítulo da TEC, se verifica que as mercadorias importadas, tal como constante dos laudos periciais e admitidas pela Recorrente incluemse perfeitamente na subposição nº 2933.69.2 que cita, textualmente “Cuja estrutura contém funções oxigenadas mas não contém cloro em ligação covalente, da mesma forma como constante das análises laboratoriais. A conclusão da decisão recorrida de que as mercadoria importadas consistem em outros compostos cujas estruturas contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, classificadas na posição 2933.69.29 está correta, razão pela qual deve ser mantida, neste aspecto. No que tange à multa proporcional ao valor aduaneiro, deve ser mantida a cobrança já que a penalidade decorre da classificação fiscal errônea verificada nos presentes autos, nos termos do artigo 636, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.542/2002), que traduz a disposição legal da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 84: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 142 5 Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...) Com relação à multa de controle administrativo de importações, assiste razão a Recorrente. O artigo 633, inciso II, “a” do Decreto nº 4.543/2002 determina a incidência de multa de 30% nas situações em que ocorre importação de mercadorias sem licença de importação, quando obrigatória. A licença de importação não é obrigatória na importação dos produtos da Recorrente, nem na posição incorreta 2933.69.99, nem na objeto da autuação fiscal, 2933.69.29. A licença somente é obrigatória quando é exigida a vigilância de órgãos específicos de fiscalização (ANVISA – insumos farmacêuticos; DFPC – ciclometrilenotrinitramina; e MAPA – insumos agrícolas e agropecuários), o que não é o caso. Além disso, não houve alteração dos produtos constantes nas Declarações de Importação, consistindo nas mesmas mercadorias, quais sejam, Cyanox 1790. A divergência não ocorre com relação ao produto importado, mas, somente quanto à sua classificação fiscal. A exoneração da penalidade está prevista no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97, in verbis: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Neste sentido, deve ser afastada a multa de 30%. Com relação à incidência de multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, entendo pela reforma do acórdão recorrido também neste aspecto. É que o o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 20 de janeiro de 1997 trouxe disposição expressa Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001641/200746 Acórdão n.º 3101001.127 S3C1T1 Fl. 143 6 acerca da desconsideração da aplicação de penalidade no caso de classificação fiscal incorreta, consoante transcrição: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. No caso concreto, as mercadorias estão corretamente descritas nas DI’s nºs 03/03345424 e 03/05262747, constantes todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário. Além disso, não foi comprovado pela autoridade alfandegária nenhuma prática de ato ilícito, com dolo ou máfé da Recorrente. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar as multas de ofício e de controle administrativo das importações em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997. Luiz Roberto Domingo Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10283.721323/2020-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3102-000.524
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência a fim declinar a competência à Quarta Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por se tratar de matéria de classificação fiscal, nos termos do artigo 1º da Portaria CARF nº 627, de 18 de abril de 2024.
Nome do relator: JOANA MARIA DE OLIVEIRA GUIMARAES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência a fim declinar a competência à Quarta Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por se tratar de matéria de classificação fiscal, nos termos do artigo 1º da Portaria CARF nº 627, de 18 de abril de 2024. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Luis Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Wilson Antônio de Souza Correa, Fabio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente), RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão proferido pela DRJ: D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 2 Trata-se de auto de infração lavrado contra o estabelecimento industrial acima identificado, em que foi lançado crédito tributário no montante de R$86.909.434,78, incluídos o IPI, juros de mora calculados até junho de 2020 e multa proporcional. Segundo a descrição dos fatos, baseada no Relatório de Diligência Fiscal de fls. 64/82, foram apuradas as irregularidades abaixo sintetizadas: a) No que se refere à a origem dos créditos incentivados aproveitados pela Impugnante, entendeu a Autoridade Fiscal inexistir direito ao aproveitamento em função de não ocorrer no processo de industrialização da fornecedora Recofarma a utilização de matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. No caso, a exceção seria apenas a preparação elaborada com extrato de guaraná produzido na Amazônia Ocidental; b) A Fiscalização aponta ainda erro na classificação fiscal dos kits fornecidos pela Recofarma no ex 01 do código 2106.90.10, inexistindo base legal para que tais insumos fossem classificados em código único, sendo correta a classificação dos integrantes de maneira individual; c) Foi apontada a sujeição passiva solidária da empresa Recofarma Industria do Amazonas Ltda, CNPJ 61.454.393/0001-06, sob a justificativa de que se tratam de empresas do mesmo grupo econômico de fato e de direito, com sócios em comum. d) Assim alegou a Autoridade responsável (fl. 172): 2. Cientificadas a Compar em 16.06.2020 e a Recofarma em 15.06.2020, foram apresentadas tempestivamente em 10.07.2020 (Compar) e 30.09.2020 (Recofarma - Portaria RFB nº 543, de 2020, art. 6º), impugnações abaixo sintetizadas. 2.1. Compar (fls. 208/278): a) Aponta equívoco na tipificação de grupo econômico feita pela autoridade, uma vez que nenhuma das empresas citadas seria sócia da Compar; b) Aponta ilegalidade da exigência, uma vez que a autoridade fiscal não fez a reconstituição da escrita fiscal da empresa, tendo simplesmente lançado os montantes glosados em cada período sem considerar os créditos e débitos regularmente escriturados, devendo, por tal motivo, ser cancelado o lançamento. Acrescenta que poderia haver correção dos valores no julgamento por não se tratar de erro de cálculo, mas de alteração de critério jurídico; D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 3 c) Outra ilegalidade apontada refere-se à falta de reclassificação fiscal dos componentes do kit para o qual a fiscalização entende descaber NCM única, não tendo ainda sido o auto instruído com elementos de prova que justifiquem a necessidade da reclassificação; d) Afirma que os produtos fornecidos pela Recofarma são beneficiados por duas isenções autônomas e independentes - arts. 81, II e 95, III, do Ripi/2010 -, bastando o acolhimento dos fundamentos de apenas uma para que seja reconhecido o crédito; e) Refere-se ao MSC nº 91.0047783-4, impetrado pela Associação dos Fabricantes de Coca-Cola (AFBCC), transitado em julgado, que assegura a todos os associados o direito ao crédito com base no art. 9º do DL 288/67 (base legal do art. 81, II do Ripi/2010), que não teria sido questionado pela Fiscalização. Além disso, tal direito também teria sido garantido no RE nº 592.891, com decisão definitiva; f) Quanto à isenção fundamentada no art. 6º do DL 1.435/75 (base do art. 95, III, do Ripi/2010), reporta-se aos atos da Suframa que aprovaram o projeto, os quais deveriam ser observados pela Autoridade Fiscal, lembrando que o auto foi lavrado na vigência do art. 24 do DL nº 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro), com redação da Lei nº 13.655, de 2018, que veda a declaração de invalidade das situações já constituídas que foram embasadas em ato administrativo, em razão de alteração de entendimento da autoridade. Ademais julga que o termo "matéria-prima" compreende os produtos industrializados com matéria-prima agrícola regional; g) Entende que a RFB já se manifestou de forma pública acerca da classificação única do kit fornecido pela Recofarma. Cita a alteração promovida pelo Decreto nº 9.394, de 2018, que modificou a alíquota dos produtos da classificação 2106.90.10, ex 01, em cuja exposição de motivos constaria um reconhecimento expresso ser o produto em questão objeto dessa redução, confirmado em entrevista do então Secretário da Receita Federal, o que seria vinculante para o órgão; h) Defende a classificação fiscal utilizada, citando a Resolução Suframa que reconheceu o benefício, parecer técnico daquele órgão e ainda manifestação do Instituto Nacional de Tecnologia; i) Reporta-se novamente ao MSC nº 91.0047783-4, citando trecho do voto da Desembargadora Vera Lúcia Lima, onde teria sido reconhecida a característica de produto único para o kit fabricado pela Recofarma; j) Destaca a idoneidade das notas fiscais que acompanharam os itens e a qualidade de adquirente de boa-fé da Impugnante, ressaltando que a legislação não obriga o adquirente a verificar a classificação fiscal dos produtos; k) Contesta a aplicação de multa, juros e correção monetária em razão do disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, que estabelece "que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 4 excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária". No caso, foi observado pela Impugnante o ato administrativo da Suframa; l) Entende ser inaplicável a multa em razão do disposto no art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502, de 1964, o qual determina a não imposição aos contribuintes que tiverem agido de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa (cita decisões que dispensam o adquirente de verificar a classificação fiscal); m) Ao final requer a procedência de seus argumentos. 2.2. Recofarma (fls. 694/754): a) Afirma inicialmente que a legitimidade do creditamento no caso sob análise já se encontra pacificada pelo STF na sistemática da repercussão geral nos RE nº 592.891/SP e o RE nº 596.614/SP, garantindo o direito; b) Considerando que a norma isentiva do art. 9º do Decreto-Lei nº 288/1967 não traz previsão expressa a respeito da apropriação de créditos escriturais pela aquisição dos produtos isentos oriundos da ZFM, menciona a existência de coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783-4, impetrado em 14.08.1991 pela Associação Brasileira dos Fabricantes Brasileiros de Coca- Cola, sendo a decisão transitada nessa ação mandamental igualmente garantidora do direito ao aproveitamento do crédito tomado com base na norma isencional do art. 9º do Decreto-Lei nº 288/1967 (reproduzida no art. 81, II, do RIPI); c) Em que pese entender que as citadas decisões a dispensariam de contestar os fundamentos apontados, procura demonstrar que o termo “matérias-primas” objeto do art. 6º, caput, do Decreto-Lei nº 1.435/1975, não coincide com o insumo vegetal diretamente extraído da natureza e aplicado no processo industrial do fabricante; d) Defende que o benefício fiscal estatuído pelo art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/1975 possui natureza mista, sendo competência privativa da Suframa administrar a concessão do mesmo e fiscalizar os empreendimentos beneficiados, nos termos do Decreto nº 7.139/2010 e da Resolução CAS nº 203/2012, inexistindo conflito com as atividades gerais de fiscalização do imposto atribuídas à Receita Federal, havendo caráter constitutivo do direito nas normas expedidas pela Suframa, em conformidade com o art. 179 do CTN; e) No que se refere à classificação dos insumos, primeiramente evidencia que a tese defendida pela Fiscalização diverge da posição da própria Receita Federal que, publicamente, reconheceu que a classificação fiscal dos concentrados da Recofarma é única sob o código 2106.90.10 Ex 01 da TIPI. Tal fato teria ocorrido em coletiva de imprensa realizada em 31.05.2018, quando o então Secretário da RFB, Sr. Jorge Rachid, confirmou que o Decreto nº 9.394/2018 foi editado exatamente com o objetivo de reduzir os créditos para concentrados de bebidas não alcoólicas de 20% para 4%; D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 5 f) Em seguida, procura defender o entendimento de que o kit fornecido pela Recofarma deve ser classificado como produto único no código 2106.90.10 Ex 01, destacando que "à exceção da RFB, todos os órgãos e entidades que compõem a Administração Pública Federal reconhecem que o produto fabricado pela Recofarma é um concentrado não homogeneizado, nos termos da analisada Portaria"; g) Ao abordar a responsabilidade tributária atribuída à Recofarma, aponta erro na indicação de que haveriam sócios em comum, bastando para tal consulta aos quadros de sócios e administradores da Receita Federal; h) Aduz ser inviável a atribuição de responsabilidade solidária por ausência dos requisitos dispostos no art. 124, I, do CTN, estando a autuação fiscal pautada em presunções, carecendo de comprovação cabal acerca da prática de simulação e/ou conluio entre as empresas, sendo o Parecer Normativo 4/2018 inconstitucional e ilegal por estabelecer nova hipótese de responsabilização solidária, em flagrante extrapolação ao disposto no citado art. 124, I, do CTN; i) Prossegue: "... Ao longo de seu pronunciamento, a i. Fiscalização tenta fazer parecer que a Recofarma conferiu classificação fiscal única à sua mercadoria, comercializada sob a forma de kits, unicamente com vistas a majorar o crédito fiscal dos adquirentes dos seus produtos, dentre eles a Autuada (Companhia Paraense de Refrigerantes), agindo, portanto, em conluio com eles. Ocorre que esse fundamento é completamente inverídico. Na decisão nº 287/1988 no Processo de Consulta nº 10.768-026.294/85-90 (doc. nº 24, cit.), formulada à época pela Coca-Cola Indústrias S/A, que na ocasião era localizada no estado do Rio de Janeiro e tendo como objeto a dúvida pertinente à classificação fiscal dos concentrados para refrigerantes, a Superintendência Regional da Receita Federal – 7ª Região Fiscal definiu a classificação como sendo a de “extratos compostos” (código 21.07.02.99, cuja redação corresponderia hoje ao código 2106.90.10, no Ex 01 no caso de sua capacidade de diluição ser superior a dez partes da bebida por parte do concentrado, como é o caso). A utilização da referida classificação pode, inclusive, ser verificada pela Nota Fiscal anexa, emitida em 04.11.1985 contendo a classificação fiscal unitária, sob o código 21.07.02.99 (doc. nº 27). ... Pautando-se em tais dados concretos, é difícil, para não dizer impossível, aderir à tese fiscal de que a classificação fiscal conferida aos concentrados visa à obtenção de quaisquer benefícios tributários aos adquirentes. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 6 Na realidade, tal argumento causou espécie à Recofarma, na medida em que a classificação fiscal unitária é adotada há décadas, mais precisamente desde 1942. Além disso, a referida classificação fiscal é adotada há 28 anos perante a Suframa e, em 1988, foi confirmada pela própria Receita Federal na decisão acima referenciada. Nota-se, outrossim, que a classificação fiscal adotada pela empresa precede, em muito, a sua transferência para a Zona Franca de Manaus, o que só veio a ocorrer na década de 1990. Ou seja, por quase 50 anos a empresa comercializou seu concentrado sob a forma de kits, classificados sob alíquota única, mas, para a Fiscalização, a classificação unitária dos kits foi realizada devido à sua mudança para a Zona Franca de Manaus, para aproveitar-se de benefícios fiscais indevidos. Com o devido respeito, a tese fiscal beira ao absurdo! ....." j) Em seus argumentos finais, ressalta a criação da ZFM e afirma que se as isenções onerosas não podem ser revogadas a qualquer tempo nem mesmo pela lei, isso também não pode ocorrer por meio do lançamento de ofício; l) Ao final, requer o cancelamento do lançamento e a exclusão da Recofarma do pólo passivo. A 2ª Turma da DRJ02 decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência da impugnação e exoneração do crédito tributário, conforme acórdão proferido com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2020 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REQUISITOS. INOBSERVÂNCIA. É nulo o auto de infração que deixa de observar os requisitos de validade prescritos no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Como a parte exonerada supera o valor de alçada, a decisão ficou sujeita a reexame por parte da instância julgadora superior, mediante Recurso de Ofício, tendo sido ressalvado que a exoneração do crédito tributário só será definitiva após o julgamento em segunda instância recursal. É o relatório. VOTO D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 7 Conselheira Joana Maria de Oliveira Guimarães, Relatora O valor do crédito tributário exonerado em primeira instância supera o limite de alçada, mesmo considerando a majoração estabelecida pela Portaria MF nº 2/2023, razão pela qual o Recurso de Ofício deve ser conhecido. Aos 03/06/2024, o processo foi distribuído para esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento e, aos 17/02/2025, foi sorteado para a minha relatoria: No entanto, trata-se de feito de competência da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Egrégio Conselho, nos termos do artigo 1º da Portaria CARF nº 627, de 18 de abril de 2024, publicada no DOU de 23/04/2024: D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 8 “Art. 1º À Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF e suas Turmas Ordinárias fica atribuída especialização para julgar, de forma preferencial, as seguintes matérias: I - Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, quando se tratar de operação de importação; II - IPI, quando se tratar de operação de importação; III - Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE, quando se tratar de operação de importação; IV - Imposto sobre a Importação - II; V - Imposto sobre a Exportação - IE; VI - contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; VII - classificação tarifária de mercadorias; VIII - isenção, redução e suspensão de tributos incidentes na importação e na exportação; IX - vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; X - omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; XI - infração relativa à fatura comercial e a outros documentos exigidos na importação e na exportação; XII - trânsito aduaneiro e demais regimes aduaneiros especiais, e regimes aplicados em áreas especiais, salvo a hipótese prevista no inciso XVII do art. 105 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; XIII - remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do Decreto-Lei nº 37, de 1966; XIV - valor aduaneiro; XV - bagagem; XVI - penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas relativamente aos tributos de que trata este artigo; e XVII - descumprimento de normas antidumping ou de medidas compensatórias ou de salvaguarda. §1º O disposto neste artigo não prejudica a competência das turmas extraordinárias, dentro do seu limite de alçada, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF - RICARF, para julgar as mesmas matérias. §2º O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos processos ainda não distribuídos às câmaras. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 9 §3º Os processos que versam sobre os temas referidos neste artigo, que após a entrada em vigor desta Portaria sejam eventualmente distribuídos fora do âmbito da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, serão devolvidos à Divisão de Sorteio e Distribuição - Disor, da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos - Cegap, para novo sorteio e distribuição entre as turmas ordinárias especializadas que compõem a referida câmara.” Portanto, nos termos do artigo 1º da Portaria CARF nº 627, de 18 de abril de 2024, deve ser declinada a competência para a Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se tratar de matéria de classificação fiscal. É como voto. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães Resolução Relatório Voto
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Numero do processo: 11128.001249/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 23/04/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL – CYANOX 1790
O produto de nome comercial Cyanox 1790, por conter funções oxigenadas, mas não conter cloro em ligação covalente, enquadra-se na posição 2933.69.29.
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO (1%)
Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001.
MULTA PROPORCIONAL (75%)
Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os
elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a penalidade de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97.
MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO ADUANEIRO (30%)
Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os
elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de má-fé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 12/97.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.126
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, deu-se
provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres. Esteve presente ao julgamento o advogado Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, OAB-DF nº 11.853, representante do sujeito passivo
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/04/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL – CYANOX 1790 O produto de nome comercial Cyanox 1790, por conter funções oxigenadas, mas não conter cloro em ligação covalente, enquadrase na posição 2933.69.29. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO (1%) Comprovada a classificação fiscal errônea, é devida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro declarado, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 2001. MULTA PROPORCIONAL (75%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a penalidade de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 10/97. MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO ADUANEIRO (30%) Estando corretamente descrita a mercadoria importada com todos os elementos necessários à sua identificação e não comprovada a existência de máfé ou de dolo pelo declarante, deve ser afastada a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, por incidência do Ato Declaratório COSIT nº 12/97. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, deuse provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001249/200705 Acórdão n.º 310101.126 S3C1T1 Fl. 2 2 Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Henrique Pinheiro Torres. Esteve presente ao julgamento o advogado Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, OABDF nº 11.853, representante do sujeito passivo Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Relatório Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Tratase de lançamento de crédito tributário de Imposto de Importação – II, acrescido de juros de mora, multa de ofício, multa de controle administrativo e multa regulamentar proporcional ao valor aduaneiro decorrente de erro na classificação fiscal da mercadoria amparada nas Declarações de Importação (DI’s) nºs 03/03345424, registrada em 23/04/2003 e 03/05262747, registrada em 24/06/2003, de nome comercial “Cyanox 1790” que, diante de sua descrição, foram classificadas na no código NCM n° 2933.69.99 (Outros Compostos Heterocil.1Ciclo Triazina sem condensado). A administração determinou a realização de exames laboratoriais pela FUNCAMP a partir da análise de amostras das mercadorias importadas, Laudos de Análise FUNCAMP nºs 1488.01 (23/06/2003) e 1797.01 (24/07/2003) através dos quais restou determinado que: "(...)1. Não se trata de Qualquer Outro Composto cuja estrutura contem um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1, 3, 5 Tris(4tButil3Hidroxi2, 6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(IH,3H,5H)Trio na, Outro Composto cuja estrutura contem Funções Oxigenadas mas não contem Cloro em ligação covalente, Composto cuja a estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio (...)" Diante das conclusões dos laudos periciais, restou determinada que a classificação fiscal das mercadorias importadas seria posição 2933.69.29, e não 2933.69.99, houve a lavratura do auto de infração. A Recorrente apresentou impugnação para postular o cancelamento do auto de infração, sob os seguintes fundamentos: 1 – O laudo pericial está correto quanto à composição das mercadorias importadas, contudo, alega a Recorrente que o as posições 2933.69.1 e 29333.69.2 referemse à produtos cuja estrutura contenha ou não cloro em ligação covalente. Verificada a composição das mercadorias importadas, entende que não se enquadravam em nenhuma das duas posições, razão pela qual foram classificadas na posição 2933.69.99 – Outros; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001249/200705 Acórdão n.º 310101.126 S3C1T1 Fl. 3 3 2 – Para a classificação fiscal das mercadorias importadas deve ser considerada a Regral Geral de Interpretação nº 3, alínea “c”; 3 – Não é devida a incidência de multa de controle administrativo já que as mercadorias importadas não exigiam, quando de sua importação, licenças de importação; 4 – Não é devida a incidência de multa de ofício de 75% porque não houve declaração inexata dos produtos importados, mas somente divergência quanto à posições tarifárias; e 5 – Ainda quanto à multa de ofício de 75%, postula seu cancelamento em decorrência da disposição do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97 sobre a exclusão de multas no caso de classificação fiscal errônea, desde que descrito corretamente o produto importado e os demais elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. A DRJSão Paulo II proferiu acórdão que julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/04/2003 Importação do produto CYANOX 1790, produto à base de oxidante e estabilizante à base de 1,3,5TRI, recebendo classificação tarifária no código NCM 2933.69.99. Pelas regras 1ª e 6ª das Regras Gerais do Sistema Harmonizado foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 2933.69.29. O texto do código NCM 2933.69.2 é expresso ao citar cuja estrutura contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada, a Recorrente apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos constantes da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. A discussão travada nos presentes autos é sobre a classificação fiscal atribuída pela Recorrente na importação de mercadorias através das DI’s nºs 03/03345424 e 03/05262747, já que estas foram classificadas na posição da NCM nº 2933.69.99, enquanto que a autoridade alfandegária entende que a posição correta é a NCM nº 2933.69.29, sujeitas ao II à alíquota de 3,5% e IPI zero. As mercadorias foram descritas nas DI’s como “Produto a base de anti oxidante e estabilizante a base de 1,3,5 TRI. Nome comercial CYANOX 1790. Embalagem: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001249/200705 Acórdão n.º 310101.126 S3C1T1 Fl. 4 4 Tambores de 125 LBS. Estado físico: pó branco. Finalidade: Produto utilizado como anti oxidante e estabilizante na fabricação de elastano. Os laudos proferidos pela Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP – FUNCAMP determinaram que: “CONCLUSÃO. Tratase de 1,3,5Tris (41Butil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil) – 1,3,5 – Triazina2,4,6 (1H, 3H, 5H) – Triaona. RESPOSTA AOS QUESITOS 1 – Não se trata de qualquer outro composto cuja estrutura contém um Ciclo Triazina não Condensado. Tratase de 1,3,5 Tris(4tButil3Hidroxi2,6Dimetilbenzil)1,3,5Triazina 2,4,6(1H,3H,5H)Triona, Outro Composto cuja estrutura contém Funções Oxigenadas mas não contém Cloro em ligação convalente, Composto cuja estrutura contém um Cloro Triazina não Condensado, Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio. (...) A análise para a realização da correta classificação fiscal neste caso deverá ser feita mediante interpretação das regras 1 e 6, das Regras Gerais de Interpretação, que determinam: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Ou seja, analisandose o título e o subtítulo da TEC, se verifica que as mercadorias importadas, tal como constante dos laudos periciais e admitidas pela Recorrente incluemse perfeitamente na subposição nº 2933.69.2 que cita, textualmente “Cuja estrutura contém funções oxigenadas mas não contém cloro em ligação covalente, da mesma forma como constante das análises laboratoriais. A conclusão da decisão recorrida de que as mercadoria importadas consistem em outros compostos cujas estruturas contém funções oxigenadas, mas não contém cloro em ligação covalente, classificadas na posição 2933.69.29 está correta, razão pela qual deve ser mantida, neste aspecto. Portanto, a classificação fiscal correta para as mercadorias importadas pela Recorrente (Cyanox 1790) é a posição 2933.69.29, e não 2933.69.99, razão da manutenção do lançamento. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001249/200705 Acórdão n.º 310101.126 S3C1T1 Fl. 5 5 No que tange à multa proporcional ao valor aduaneiro, deve ser mantida a cobrança já que a penalidade decorre da classificação fiscal errônea verificada nos presentes autos, nos termos do artigo 636, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.542/2002), que traduz a disposição legal da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 84: Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...) Com relação à multa de controle administrativo de importações, assiste razão a Recorrente. O artigo 633, inciso II, “a” do Decreto nº 4.543/2002 determina a incidência de multa de 30% nas situações em que ocorre importação de mercadorias sem licença de importação, quando obrigatória. A licença de importação não é obrigatória na importação dos produtos da Recorrente, nem na posição incorreta 2933.69.99, nem na objeto da autuação fiscal, 2933.69.29. A licença somente é obrigatória quando é exigida a vigilância de órgãos específicos de fiscalização (ANVISA – insumos farmacêuticos; DFPC – ciclometrilenotrinitramina; e MAPA – insumos agrícolas e agropecuários), o que não é o caso. Além disso, não houve alteração dos produtos constantes nas Declarações de Importação, consistindo nas mesmas mercadorias, quais sejam, Cyanox 1790. A divergência não ocorre com relação ao produto importado, mas, somente quanto à sua classificação fiscal. A exoneração da penalidade está prevista no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97, in verbis: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Neste sentido, deve ser afastada a multa de 30%. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001249/200705 Acórdão n.º 310101.126 S3C1T1 Fl. 6 6 Com relação à incidência de multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, entendo pela reforma do acórdão recorrido também neste aspecto. É que o o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 20 de janeiro de 1997 trouxe disposição expressa acerca da desconsideração da aplicação de penalidade no caso de classificação fiscal incorreta, consoante transcrição: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. No caso concreto, as mercadorias estão corretamente descritas nas DI’s nºs 03/03345424 e 03/05262747, constantes todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário. Além disso, não foi comprovado pela autoridade alfandegária nenhuma prática de ato ilícito, com dolo ou máfé da Recorrente. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar as multas de ofício e de controle administrativo das importações em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997. Luiz Roberto Domingo Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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