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Numero do processo: 10314.006761/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 26/04/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. PERÍCIA DESPICIENDA. A preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa é incompatível com a defesa efetiva produzida pela recorrente no contencioso desde o primeiro momento. Também não é o caso de formulação de laudo técnico, porquanto a identificação da mercadoria não é controversa. OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO COM DETERMINADO CÓDIGO. CRITÉRIOS JURÍDICOS. REVISÃO ADUANEIRA. A efetivação de outras operações de importação, com determinado código, ainda que da mesma mercadoria, não implica qualquer obrigação para a Administração Tributária, nem tampouco qualquer proteção para o contribuinte, pois cada operação de importação tem suas próprias características. Para tal desiderato existe o instituto da consulta fiscal acerca de classificação de mercadorias. O instituto da revisão aduaneira (com prazo de cinco anos a partir do registro da declaração de importação), previsto no DL nº 37/66, além de constitucional é fundamental para o desempenho da fiscalização de tributos em operações de comércio exterior. Não há que falar em modificação de critérios jurídicos porquanto não houvera lançamento tributário antes do auto de infração discutido. Assim sendo, não se aplica o art. 146 do CTN e muito menos a Súmula 227 do TFR ao caso vertente. CLOROPARAFINA LÍQUIDA. A mercadoria importada, cloroparafina líquida, de nome comercial CERECLOR S52, que tem aplicação industrial como plastificante para compostos do PVC, tem classificação fiscal no código NCM 3824.90.39.
Numero da decisão: 3101-001.230
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário. Vencidos  os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro,  Leonardo Mussi  da  Silva  e  Luiz  Roberto  Domingo,  que  davam  provimento.  O  Conselheiro  Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto.    Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente.     Corintho Oliveira Machado ­ Relator.      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres,  Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro  Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro,  Leonardo Mussi da Silva e Corintho Oliveira Machado.  Relatório  Adoto síntese do  relato do órgão  julgador de primeiro grau até aquela  fase,  com as devidas retificações:  Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração,  lavrado  em  11/07/2005, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a  exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos  Industrializados,  acrescidos  de  juros  de  mora,  multa  regulamentar  e  multa  proporcional  ao  valor  aduaneiro  ,  no  valor de R$1.262.868,05, em face dos fatos a seguir descritos.  A  empresa  acima  qualificada  submeteu  a  despacho  aduaneiro,  por meio das Declarações de Importação relacionadas no corpo  do auto de  infração, PARAFINA CLORADA,  com classificação  fiscal no código NCM 2903.69.19;  Ocorre  que a  fiscalização  entende  que  a  correta  classificação  fiscal do produto é no código NCM 3824.90.39;  Cientificado  do  auto  de  infração,  via  Aviso  de  Recebimento  –  AR,  em  03/08/2005  (fls.  76­verso),  o  contribuinte,  protocolizou  impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto  70.235/72, em 01/09/2005, de  fls. 78 à 97,  instaurando assim a  fase litigiosa do procedimento.  Na  forma  do  artigo  16  do  Decreto  70.235/72  a  impugnante  alegou resumidamente que:  O  auto  de  infração  é  nulo  por  não  comprovar  efetivamente  a  utilização de classificação fiscal errônea;  A  fiscalização não demonstrou  as  razões  da  escolha do  código  NCM  eleito,  desobedecendo  assim  os  critérios  do  lançamento  fiscal,  disciplinado  no  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional;  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/2005­16  Acórdão n.º 3101­001.230  S3­C1T1  Fl. 246          3 O direito de defesa foi desrespeitado;  O  produto  que  a  impugnante  importou  foi  a  PARAFINA  CLORADA alocada no código NCM 2903.69.19;  O  código  NCM  eleito  pela  impugnante  é  o mais  adequado  em  função  da  REGRA  3  das  Regras  Gerais  do  Sistema  Harmonizado;  A  PARAFINA  CLORADA  deve  ter  classificação  fiscal  como  parafina na posição NCM 2903;  Ainda que o código NCM 2903.69.19 não seja o adequado, mais  propício  seria  o  código  NCM  2712.20.00  àquele  eleito  pela  fiscalização;  O  impugnante  sempre  importou  nesse  mesmo  código.  O  STJ  reconhece que a prática reiterada faz direito entre as partes;  As hipóteses de alteração de lançamento disciplinadas no artigo  145  do  Código  Tributário  Nacional  não  comportam  o  procedimento  empreendido  pela  fiscalização,  por  não  se  tratar  de  erro  de  fato,  e  sim  mudança  de  entendimento.  Reforça  tal  argumento com textos da jurisprudência pátria;  Para que se proceda revisão aduaneira indispensável a coleta de  amostras e a elaboração de laudo de assistência técnica;  Jurisprudência  administrativa  do  Conselho  de  Contribuintes  repudia o  instituto da prova emprestada quanto à classificação  fiscal de mercadorias;  Inaplicável a imposição de multas;  Pugna  a  improcedência  e  alternativamente  a  nulidade  do Auto  de Infração.  Em  exame  preliminar,  a  1ª  Turma  da  DRJ/SPO­II  entendeu  conveniente  baixar  os  autos  em  diligência  à  autoridade  preparadora,  através  da  Resolução  nº  885,  de  16/04/2009,  indagando  que  critérios  foram  utilizados  para  desclassificar  o  produto  importado,  PARAFINA  CLORADA,  da  classificação  fiscal  no  código  NCM  2903.69.19  para  o  código  NCM  3824.90.39, se esta conclusão foi embasada em que provas, fatos  ou  evidências  e  a  exposição  das  Regras  Gerais  do  Sistema  Harmonizado  e  de  que  linha  de  argumentação  valeu  bem para  atingir tal conclusão.  Encerrada  a  instrução  processual,  intimou­se  a  parte  interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo  com  o  artigo  44  da  Lei  nº  9.784/99,  em  face  do  princípio  do  contraditório.  Devidamente  cientificado,  via  Aviso  de  Recebimento  –  AR  datado de 30/06/2009 (fls. 141­verso), o interessado manifestou­ se no sentido de que a autoridade preparadora não respondeu  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     4 qualquer  das  questões  formuladas,  evidenciando  assim  a  nulidade da ação fiscal.    A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou a Impugnação Improcedente, ficando a  ementa do acórdão com a seguinte dicção:  Assunto: Classificação de Mercadorias   Data do fato gerador: 26/04/2001   Importação de PARAFINA CLORADA,  com classificação  fiscal  no  código  NCM  2903.69.19.  A  fiscalização  entendeu  que  a  correta  classificação  fiscal  do  produto  é  no  código  NCM  3824.90.39.  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  da  posição  NCM  2903, determina sua classificação fiscal na posição NCM 3824.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.    Discordando  da  decisão  de  primeira  instância,  a  interessada  apresentou  recurso voluntário,  fls. 207 e  seguintes, onde basicamente  reprisa os argumentos de primeira  instância (preliminar de nulidade do auto de infração, classificação fiscal correta, modificação  de critérios jurídicos anteriormente adotados e inaplicabilidade da multa de ofício); aduz que a  completa  regulamentação  do  IPI  só  veio  com  o  Decreto  nº  4544/2002  e  por  fim,  requer  a  reforma da decisão recorrida, para cancelar a exigência fiscal.    Ato  seguido,  a  Repartição  de  origem  encaminhou  os  presentes  autos  para  apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar.      Voto               Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator    O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.     Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/2005­16  Acórdão n.º 3101­001.230  S3­C1T1  Fl. 247          5 In  limine  cumpre  dizer  que  a  diligência  levada  a  efeito  em  virtude  de  determinação do órgão judicante de primeiro grau o foi de forma precária, haja vista não terem  sido  respondidas  as  indagações  formuladas  pela  DRJ,  como  bem  assinalou  a  recorrente,  entretanto,  a  autoridade  julgadora  nenhuma  objeção  fez  à  forma  como  aquela  foi  procedida  (anexação  aos  autos  da  declaração  de  importação  e  das  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  ­ NESH  ­  relativas  às duas posições ora em confronto  ­  2903 e 3824) e  tenho  para  mim  que  não  o  fez  porque  deu­se  conta  de  que  a  identificação  da  mercadoria  é  incontroversa, e sendo a discussão adstrita apenas à classificação fiscal, o rito a ser seguido é o  das  regras  gerais  para  interpretação  do Sistema Harmonizado  (RGI),  que  prestigia  as NESH  como publicação complementar ao SH, compreendendo essa a interpretação oficial do Sistema  Harmonizado elaborada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira.    DO AUTO DE INFRAÇÃO     A  preliminar  de  nulidade  do  auto  de  infração  está  fincada  em  suposto  cerceamento do direito de defesa, porquanto não foi declinada a RGI utilizada pela auditoria­ fiscal para reclassificar as mercadorias importadas e não foi elaborado laudo técnico para tanto.    O  acórdão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  é  pródigo  em  considerações  acerca  da  indigitada  preliminar;  para  ao  final  e  ao  cabo  dizer  que  não  houve  cerceamento do direito de defesa, uma vez que a então impugnante sabia o tempo todo do que  estava sendo acusada, ou seja, os fatos foram descritos a contento pela peça fiscal, e inclusive  invocou o brocardo romano que ilustra a conjuntura ­ Da mihi factum, dabo tibi jus (Traga­me  o fato e lhe darei o direito).    Penso  que  não  é  o  caso  de  formulação  de  laudo  técnico,  porquanto  a  identificação  da mercadoria  não  é  controversa  (parafina  clorada  ou  cloroparafina  em  estado  líquido) e a carência de menção no auto de infração, da regra utilizada para a  reclassificação  fiscal  veio  de  ser  colmatada  no  decorrer  do  processo  com  a  anexação  das  respectivas Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado,  pela  auditoria­fiscal  durante  a  diligência,  e  a  explicitação das regras, de forma didática, foi concretizada pela Delegacia da Receita Federal  de Julgamento, no voto.    Por  outro  giro,  nota­se  que  a  recorrente  desde  o  primeiro  momento  vem  produzindo defesa efetiva no contencioso, não só alegando preliminares como discutindo com  proficiência o mérito da classificação fiscal aqui sub analisis.     Posto isso, entendo que a preliminar não merece prosperar.  Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     6   CRITÉRIOS JURÍDICOS     O  argumento  de  modificação  de  critérios  jurídicos  anteriormente  adotados  pelo Fisco está estribado no fato de a recorrente ter patrocinado várias operações de importação  da  mesma mercadoria  classificando­a  no  código  2903.69.19,  ora  impugnado  pela  auditoria­ fiscal, e também porque a autuação está fazendo uso do art. 149 do CTN sem que haja erro de  fato,  e  sim  de  direito,  o  que  é  vedado,  nos  termos  do  art.  146  do  diploma  tributário  citado.  Aponta a Súmula 227 do antigo TFR ­ A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não  autoriza revisão do lançamento.    Ao meu  sentir,  a  alegação  é  extremamente  frágil,  pois  que  a  efetivação  de  outras operações de importação com determinado código, ainda que da mesma mercadoria, não  implica qualquer obrigação para a Administração Tributária, nem tampouco qualquer proteção  para  o  contribuinte.  Para  tal  desiderato  existe  o  instituto  da  consulta  fiscal  acerca  de  classificação  de  mercadorias.  E  não  se  tem  notícia  nos  autos  de  que  a  recorrente  tenha  empreendido alguma consulta.    Quanto ao uso do lançamento de ofício com espeque no art. 149 do CTN em  matéria de classificação fiscal de mercadorias, também é assente nesta esfera administrativa e  no  plano  judicial  que  o  instituto  da  revisão  aduaneira  (com  prazo  de  cinco  anos  a  partir  do  registro  da  declaração  de  importação),  previsto  no  DL  nº  37/66,  além  de  constitucional  é  fundamental para o desempenho da fiscalização de tributos em operações de comércio exterior.  Não  há  que  falar  em  modificação  de  critérios  jurídicos  porquanto  não  houvera  lançamento  tributário antes do auto de infração ora em discussão. Assim sendo, não se aplica o art. 146 do  CTN e muito menos a Súmula 227 do TFR ao caso vertente.    DA REGULAMENTAÇÃO DO IPI      A  alegação  de  falta  de  regulamentação  do  IPI  antes  do  Decreto  nº  4.544/2002  é  totalmente  descabida,  uma  vez  que  o  aludido  decreto,  também  nominado  RIPI/2002, é apenas uma compilação das leis concernentes ao nupercitado imposto, e nenhuma  diferença  traz  sua  edição para  a classificação  fiscal aqui discutida, bem como à diferença de  imposto exigida na peça fiscal.    DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL    No  que  diz  com  o  mérito  deste  expediente,  afirma  a  recorrente  que  o  v.  acórdão  recorrido  insistiu  no  código  3824.90.39  (Preparações  para  borracha  ou  plásticos  e  Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/2005­16  Acórdão n.º 3101­001.230  S3­C1T1  Fl. 248          7 outras preparações para endurecer resinas sintéticas, colas, pinturas ou usos similares; Outras)  sem  demonstrar  o  critério  utilizado  para  chegar  a  essa  classificação.  E  se  não  fosse  o mais  correto o código apresentado pela  recorrente  ­ 2903.69.29  (DERIVADOS HALOGENADOS  DOS HIDROCARBONETOS; Outros; Outros), a classificação fiscal correta seria 2712.20.00  (Parafina contendo, em peso, menos de 0,75% de óleo).    De plano, insta observar que o voto do acórdão recorrido traz sim o critério  utilizado para manter a reclassificação fiscal:    São pontos divergentes quanto a classificação fiscal do produto:  Código NCM 2903.69.19 adotado pelo importador;  Código NCM 3824.90.39 reclamado pela fiscalização.   A posição eleita pelo importador assim se apresenta:  29.03  ­  DERIVADOS  HALOGENADOS  DOS  HIDROCARBONETOS.  ...  2903.6  ­  Derivados  halogenados  dos  hidrocarbonetos  aromáticos:  ...  2903.69 ­ Outros   As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado para a posição  2903, normatizada pela Instrução Normativa nº 157/2002 assim  determinam:  São compostos resultantes da substituição, na fórmula estrutural  de um hidrocarboneto, de um ou mais átomos de hidrogênio, por  um número  igual  de  átomos  de  halogênio  (flúor,  cloro,  bromo,  iodo).  A.­  DERIVADOS  CLORADOS  SATURADOS  DOS  HIDROCARBONETOS ACÍCLICOS...  Excluem­se desta posição:  a)  As  cloroparafinas,  constituídas  por  misturas  de  derivados  clorados:  as  cloroparafinas  sólidas,  que  são  ceras  artificiais,  incluem­se  na  posição  34.04,  enquanto  que  as  cloroparafinas  líquidas se classificam na posição 38.24.(grifo nosso)  Sendo o produto cloroparafina líquida, conforme declarado pelo  próprio  importador,  as  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  da  posição  NCM  2903,  determina  sua  classificação  fiscal  na  posição  NCM  3824,  como  procedeu  a  fiscalização.  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     8 38.24  ­  AGLUTINANTES  PREPARADOS  PARA MOLDES  OU  PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E  PREPARAÇÕES  DAS  INDÚSTRIAS  QUÍMICAS  OU  DAS  INDÚSTRIAS  CONEXAS  (INCLUÍDOS  OS  CONSTITUÍDOS  POR  MISTURAS  DE  PRODUTOS  NATURAIS),  NÃO  ESPECIFICADOS  NEM  COMPREENDIDOS  EM  OUTRAS  POSIÇÕES (+).  ...  3824.90 ­ Outros  ...  3824.90.3 ­ Preparações para borrachas ou plásticos, exceto das  posição  3812,  e  outras  preparações  para  endurecer  resinas  sintéticas, colas, pinturas ou usos similares  ...  3824.90.39 ­ Outros   A regra nº 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado assim  determina:  REGRAS  GERAIS  PARA  INTERPRETAÇÃO  DO  SISTEMA  HARMONIZADO   1.  Os  títulos  das  Seções,  Capítulos  e  Subcapítulos  têm  apenas  valor  indicativo.  Para  os  efeitos  legais,  a  classificação  é  determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de  Capítulo  e,  desde  que  não  sejam  contrárias  aos  textos  das  referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:  Logo, o código NCM 3824.90.39 eleito pela fiscalização é o mais  adequado.    De outra banda, vale a pena referir que a mercadoria importada (CERECLOR  S52) que  tem aplicação  industrial como plastificante para compostos do PVC, etc., não pode  ser confundida com a simples parafina, como quer a recorrente, porquanto esta classifica­se na  posição  2712  quando  pura  ou  misturada  com  os  demais  produtos  da  posição,  consoante  comentários das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado:  Todos estes produtos estão compreendidos na presente posição,  quer sejam em bruto, refinados ou misturados entre si ou mesmo  corados.  Empregam­se,  especialmente,  na  fabricação  de  velas  (velas  de  parafina),  de  pomadas  para  calçados  e  encáusticos,  como matérias isolantes, como revestimentos protetores, para o  apresto de tecidos, para impregnação de fósforos, etc.    Dito  isso,  penso que  a classificação  fiscal  eleita  pelos  agentes do Fisco,  de  fato, é a correta, e não as apontadas pelo contribuinte.    Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.006761/2005­16  Acórdão n.º 3101­001.230  S3­C1T1  Fl. 249          9 DA MULTA DE OFÍCIO    A irresignação contra a multa de ofício, porque essa seria aplicável somente  àqueles  contribuintes  que  praticam  evasão  fiscal  ou  intentam  lesar  o Erário,  não  procede. O  argumento  não  é  sustentável,  porquanto  a  imputação  deriva  simplesmente  da  falta  de  recolhimento do imposto, não sendo aplicada qualquer qualificação ou agravante à penalidade.    Vale a pena rememorar o art. 136 do Código Tributário Nacional que predica:  Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária  independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos  efeitos do ato.    No vinco de todo o exposto, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade do  auto de infração; e no mérito, por DESPROVER o apelo, prejudicadas as demais alegações.     Sala das Sessões, 24 de setembro de 2012.    CORINTHO OLIVEIRA MACHADO                                Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S

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Numero do processo: 10314.001670/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO INEXISTENTE. Merecem ser desprovidos os aclaratórios, uma vez que não existe qualquer contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 3101-001.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Corintho Oliveira Machado - Relator. EDITADO EM: 19/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     2 Relatório  Reporto­me ao relato de fls. 579 e seguintes, adotado quando do julgamento  por este Colegiado, que culminou no acórdão com a seguinte ementa:  Assunto: Classificação de Mercadorias   Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007   REVISÃO  ADUANEIRA.  RECLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DE  MERCADORIAS.   O  reexame  do  despacho  aduaneiro  inclui  a  apreciação  da  subsunção  dos  produtos  importados  aos  códigos  da  NCM  utilizados. A administração possui o dever de anular  seus atos,  quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53),  o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias  (Decreto­Lei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art.  142).  IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL.  NORMA PROCEDIMENTAL.  Quando  a  mercadoria  é  descrita  de  forma  semelhante,  pelo  mesmo contribuinte, em diferentes declarações aduaneiras, pode  o  Fisco  legalmente  presumi­las  idênticas  para  fins  de  determinação  do  tratamento  tributário  ou  aduaneiro,  com  arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833/2003. Referida  norma, por ser procedimental, lança luzes sobre fatos pretéritos  se  o  procedimento  tem  natureza  revisional,  eis  que  esse  deve  balizar­se segundo a norma procedimental de regência. Por isso  a  fiscalização  fez  uso  de  laudos  de  2002  como  base  revisional  para  as  Declarações  de  Importação  no  período  de  05/2003  a  11/2007.  LAUDOS TÉCNICOS.  Os laudos que serviram de base para a auditoria­fiscal proceder  à  reclassificação  fiscal  cingem­se  a  descrever  as  mercadorias  postas  sob  apreciação,  utilizando  de  referências  bibliográficas  para melhor  identificá­las,  sem  tecerem  qualquer  consideração  acerca  de  classificação  fiscal  de  mercadorias  no  Sistema  Harmonizado,  o  que  seria,  aliás,  de  todo  reprovável  se  ocorresse.  Não  merece  acolhimento  a  crítica  feita  aos  laudos  embasadores  dos  autos  de  infração,  pois  não  induzem  à  nenhuma classificação fiscal, apenas identificam as mercadorias  importadas pela recorrente.  SOLUÇÕES DE CONSULTA E JURISPRUDÊNCIA.  Em que pese a jurisprudência ser de grande valia para a solução  de  litígios,  nos  casos  de  classificação  fiscal  de  mercadorias,  notadamente  as  de  composição  química  atestada  por  laudo,  a  jurisprudência deve ser sempre sopesada com maior parcimônia  do que noutras oportunidades, porquanto a composição química  de  mercadorias  depende  de  vários  fatores,  tais  como  os  percentuais  dos  elementos  componentes,  estado  físico,  forma,  Fl. 656DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/2008­29  Acórdão n.º 3101­001.296  S3­C1T1  Fl. 3          3 função,  etc.,  desses  elementos.  No  caso  vertente,  penso  que  a  pedra de  toque para a correta classificação fiscal dos produtos  químicos  importados  é  justamente  a  função  dos  componentes  adicionados às respectivas vitaminas. Função essa que somente  o laudo consentâneo com a mercadoria específica tem condições  de  fornecer.  Vale  lembrar  que  Solução  de  Consulta  é  norma  individual  e  concreta  que  diz  respeito  somente  ao  consulente,  não  vinculando  a  Administração  Tributária  em  relação  aos  demais contribuintes.  PREPARAÇÕES APTAS PARA USOS ESPECÍFICOS.  Os  laudos  todos  estão  a  asseverar  que  as  substâncias  acrescentadas  aos  produtos  importados  modificaram  o  caráter  de  vitaminas  e  as  tornaram  particularmente  aptas  para  usos  específicos  de  preferência  à  sua  aplicação  geral,  a  saber,  respectivamente ­ entrar na fabricação dos alimentos completos  ou complementares da alimentação animal; para ser adicionada  à  ração  animal  e/ou  pré­mistura;  utilizado  em  formulações  de  suplementos  vitamínicos  para  profilaxia  e  tratamento  de  deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de  alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada;  especificamente  elaborada  para  facilitar  sua  incorporação  em  sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir  carência  ou  necessidade  suplementar  de  Vitamina  A  e  em  preparações  medicamentosas  secas,  como  em  comprimidos  efervescentes,  e  também  em  suplementos  alimentares  secos  reconstituíveis em líquidos.   MULTAS  POR  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  ERRÔNEA  E  DO  CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.  Uma vez que as mercadorias não estavam descritas com todos os  elementos  necessários  à  sua  perfeita  identificação  e  classificação  fiscal,  exsurge  como  correta  a  aplicação  das  multas  por  classificação  fiscal  errônea  e  do  controle  administrativo das importações.    Em 18/10/2012, foram opostos embargos declaratórios, fls. 628 e seguintes,  tempestivos,  pela  supramencionada  embargante,  alegando  haver  contradição  no  acórdão  que  merece ser sanado. A contradição adviria de que o relator teria asseverado que o laudo técnico  é fundamental para a correta classificação fiscal dos produtos químicos importados, e ao final  fundamentou a multa de controle aduaneiro na incorreta classificação fiscal das mercadorias.  O pedido é para que seja cancelada a multa do controle administrativo das importações, com  esteio no ADN COSIT nº 12/97, e que as intimações sejam feitas no endereço profissional dos  patronos da causa.    Ato seguido, são encaminhados os embargos a este Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais, para julgamento. É o Relatório.  Fl. 657DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     4   Voto               Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator      Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento  dos demais requisitos de sua admissibilidade, merecem ser apreciados.    Impõe­se  registrar,  in  limine,  que  o  fundamento  para  a  manutenção  da  multa  do  controle  administrativo  das  importações  não  é  apenas  a  classificação  fiscal  incorreta,  e  sim  a  conjugação  disso  com  a  descrição  falha  das  mercadorias,  sem  todos  os  elementos necessários à sua perfeita identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, como  se  pode  ver  do  Anexo  III  do  auto  de  infração,  fls.  321  e  seguintes,  o  que  impossibilita  a  aplicação do ADN COSIT nº 12/97 ao caso destes autos.    E  mais,  a  contradição  apontada  não  existe  também  porque  é  de  total  coerência afirmar que o laudo técnico é necessários para dizer a função dos componentes  adicionados  às  vitaminas,  para  fins  de  obtenção  da  classificação  fiscal  correta;  e  num  segundo momento dizer que a classificação  fiscal  foi dificultada porque a descrição das  mercadorias não continha todos os componentes adicionados às vitaminas.    Ultimando,  o  pedido  para  que  as  intimações  sejam  feitas  no  endereço  profissional  dos  patronos  da  causa  também  não  merece  acolhimento,  uma  vez  que  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  as  intimações  devem  ser  feitas  no  domicílio tributário do sujeito passivo.     Nessa moldura, voto por DESPROVER os embargos declaratórios.    Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2012.     CORINTHO OLIVEIRA MACHADO                Fl. 658DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.001670/2008­29  Acórdão n.º 3101­001.296  S3­C1T1  Fl. 4          5                 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S

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Numero do processo: 12719.000550/2005-34
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3101-000.071
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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MINISTÉRIO DA FAZENDA r(-- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 12719.000550/2005-34 Recurso n° 343.644 Resolução n° 3101-00-071 — 1" Câmara / i a Turma Ordinária Data 16 de novembro de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente INTELBRÁS S/A IND. DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRÔNICA BRASILEIRA Recorrida DRJ-FLORIANÓPOLIS/SC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. enri4ue Pinhe'ry To es - Presidente Corintho Ohi lei achado - Relator - EDITADO EM: 27/11/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campelo Borges, Corinthb Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Allkiquerque Valente. RELATÓRIO Adoto como parte de meu relato, o quanto relatado pelo I. relator do deeisum a quo: Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 23 a 136 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: • fls. 23 a 102 1 - R$ 75.837,95 (setenta e cinco mil, oitocentos e trinta e sete reais e noventa e cinco centavos) a título de Imposto de Importação. 2 - R$ 56.878,46 (cinqüenta e seis mil, oitocentos e setenta e oito reais e quarenta e seis reais) a título de Multa de Ofício de 75%. 3 - R$ 145.611,05 (cento e quarenta e cinco mil, seiscentos e onze reais e cinco centavos) de Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro — Mercadoria Classificada Incorretamente. fls. 103 a 135 4 - R$ 9.662,48 (nove mil, seiscentos e sessenta e dois reais e quarenta e oito centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados. 5 - R$ 7.246,86 (sete mil, duzentos e quarenta e seis reais e oitenta e seis centavos) de Multa de ofício de 75%. Os juros de mora lançados foram calculados até 29/04/2005. A autoridade autuante assim descreveu os fatos, fls. 139 a 146, em síntese: A presente auditoria tem por escopo a verificação da correta classificação fiscal nas posições da Nomenclatura Comum do Mercosul — NCM 8541 e NCM 8542, abrangendo o período de janeiro de 2002 a fevereiro de 2003. Analisando as Declarações de Importação — DI (fis. 611 a 2936), documentações instrutivas que ampararam as importações do interessado e a legislação vigente, verificamos que foram editadas Resoluções da Câmara de Comércio Exterior — CAMEX (fls. 3319 a 3346), aplicáveis às posições da NCM utilizadas pelo contribuinte para classificar as mercadorias importadas no referido período, que implicavam alteração da classificação fiscal utilizada bem como da alíquota aplicável. A interessada realizou importações, no período fiscalizado, de produtos, como, por exemplo, circuitos integrados, transistores e dispositivos semelhantes, classificáveis na posição NCM 8541 e 8542. • Nas importações relativas ao ano calendário de 2002, as mercadorias foram enquadradas em classificações dos "Ex-tarifários", ou seja, nesta ocasião, o contribuinte considerou que a mercadoria importada estava enquadrada na descrição estabelecida para o "Ex". Porém, nas importações relativas ao ano de 2003, estas mesmas mercadorias voltaram a receber o tratamento cabível pelo enquadramento na regra geral, ou seja, não foram mais enquadradas no "Ex". Vale salientar que durante o período fiscalizado foram publicadas resoluções CAMEX, que estabeleceram alterações nas alíquotas das mercadorias importadas pela interessada. No curso do desembaraço aduaneiro, foram solicitados laudos técnicos para dirimir dúvidas quanto às características, especificidades e finalidade das mercadorias importadas, com a finalidade de verificar, se o enquadramento da mercadoria na classificação fiscal da TEC \ utilizado pelo contribuinte estava correto. • 2 Processo n0 12719.000550/2005-34 S3-C1T1 Resolução n.° 3101-00-071 Fl. 3.555 Analisando os referidos laudos, observamos que o contribuinte, em algumas importações, adotou a classificação fiscal indevida, uma vez que foi utilizada a classificação fiscal geral quando havia para essa mesma classificação um "Ex-tarifário", cuja descrição coincidia com a estabelecida no laudo técnico para esta mercadoria. Todas as DI's analisadas que apresentaram divergência ou erro de classificação fiscal estão relacionadas na Tabela de Divergência de Classificação Fiscal (lis. 147 a 155). Os autos de infração contêm 03 (três) diferentes infrações: Mercadoria não enquadrada em "Ex" (fls. 86), onde o contribuinte não enquadrou as mercadorias na classificação fiscal da posição NCM "Ex" e sim na classificação geral e está sendo cobrada a diferença de II. Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (fls. 90), onde estão relacionadas todas DI's onde houve i classificação fiscal incorreta e está sendo cobrada a multa sobre o valor aduaneiro. Reconstituição da base de cálculo do IPI, tendo em vista a alteração do valor do II (fls. 131). Cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 3378 a 3388, acompanhada dos documentos de fls. 3389 a 3473, alegando, em síntese: Descreve os procedimentos da fiscalização. Que a Intelbras impugnará cada uma das infrações mencionadas pelos auditores. Mercadoria não enquadrada em "ex": Entendem os auditores, que a Intelbras deixou de enquadrar mercadorias no código NCM "Ex", enquadrando-as na classificação geral, contudo, conforme pode ser constatado nos comentários à Tabela de Divergência de Classificação Fiscal, em anexo, na maioria dos casos a Intelbras enquadrou suas mercadorias na NCM correta, sendo que se a enquadrasse no "Ex" estaria fugindo da real descrição da mercadoria. ... Exemplificando, a Dl n° 02/0296979-1, adição 006, foi classificada pela Intelbras na NCM 8542.29.21, contudo a receita entende que a classificação correta seria incluí-la no "Ex" 026, porém, conforme poderá ser observado no comentário em anexo, a Intelbras não procedeu desta maneira tendo em vista que "o Ex 026 em questão encontrava-se na época na parte de circuitos digitais, não se enquadrando com o item em questão". Em algumas importações a Intelbras não enquadrou a mercadoria no "Ex" tendo em vista a burocracia que envolvia o procedimento para que o "Ex" fosse utilizado (licença prévia de importação centralizado no Decex do Rio de Janeiro — prazo de 30 dias para concessão), ademais, tal decisão foi tomada em face da não obrigatoriedade ao uso 1 , i 3 do "Ex", que se trata, no caso da Intelbras, de um beneficio para redução da alíquota do Imposto de Importação. Que o intuito do "Ex-tarifário" é conceder um beneficio de redução da alí quota do Imposto de Importação, pelo que poderia ou não a empresa utilizá-lo, sendo que em alguns casos, em face da necessidade urgente da importação da mercadoria, era mais vantajoso para a empresa abrir mão do "Ex" e pagar o Imposto de Importação a maior do que ter que esperar a Licença prévia da importação. Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul: A Intelbras entende que não houve incorreção na classificação das mercadorias que importou, sendo que, de forma a comprovar que as mercadorias estavam corretamente classificadas, segue em anexo Relatório (fls. 3411/3473) com os comentários à Tabela de Divergência de Classificação Fiscal, com a mesma ordem de itens da tabela de fls. 147 a 155 apresentada pelos auditores. Que em alguns itens a Intelbras concorda que houve erro na classificação e concorda com a classificaçã o -apresentada pela receita. Estes itens constam destacados no Relatório em anexo. Que os laudos técnicos solicitados no curso do desembaraço aduaneiro, em algumas situações, não se prestam a atender o fim ao qual foram solicitados, eis que quesitos constantes da solicitação de laudo técnico de mercadoria eram tendenciosos a levar o perito a responder de forma diversa a que efetivamente seria correta. Exemplificando, o fiscal ao solicitar o laudo de fis. 196/199 apresentou alguns itens e solicitou ao perito que identificasse a mercadoria (LM145811/1X) a um dos itens anunciados. O Sr. Perito relacionou a mercadoria ao item 12, que se referia ao "Ex" 023, contudo dentre os itens relacionados não existia nenhum que relacionava o produto ao "Ex" 014, que seria o correto. Assim, o Perito relacionou a mercadoria ao item 12, que dentre os enunciados era o que mais condizia com a mercadoria, situação esta que seria totalmente diferente se o fiscal ao solicitar o latido tivesse enunciado dentre os itens, um que tivesse relação ao "Ex" 014, que foi utilizado pela Intelbras e era o correto. • Requer seja realizada perícia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, indicando como seu perita -o Sr. Louis Pierre Hubert. Reconstituição da base de cálculo do IPI: Que não há que se falar em reconstituição da base de cálculo do IPI, eis que conforme demonstrado a classificação fiscal utilizada pela Intelbras era a correta. Assim, inexistindo erro de classificação, não há diferença de imposto de importação pelo que se afasta totalmente a reconstituição da base de cálculo do IPI. Conforme as razões sobejamente demonstradas, o indigitado auto de infração merece reforma integral, de modo que seja adaptado às \ verdadeiras circunstâncias ora apontadas. 4 Processo n° 12719.000550/2005-34 S3-C1T1 Resolução n.° 3101-00-071 Fl. 3.556 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FLORIANÓPOLIS/SC julgou o lançamento procedente em parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde requer a reforma da decisão a quo. Subiram então os autos ao Conselho de Contribuintes. Relatados, passo a votar. É o relatório. VOTO Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em primeiro plano, devo dizer que não vislumbro qualquer nulidade no auto de infração, porquanto a autoridade lançadora agiu de acordo com sua convicção do que é a melhor interpretação da lei, e os fundamentos da peça fiscal estão conforme a legislação aplicável, sendo que os elementos de prova estão todos nos autos. Nada obstante, o quadro que se configura agora, após a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FLORIANÓPOLIS/SC, que acatou parcela dos argumentos trazidos pela então impugnante, que, por sua vez, não impugnou a totalidade do auto de infração, é bem diverso, e merece, ao meu juízo, uma diligência, tanto para esclarecer pontos controversos (necessidade de perícia submetida ao contraditório), como para sanear o processo, que trata da classificação fiscal de mais de cem produtos a um só tempo (cobrança da parte incontroversa). Nessa moldura, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora do domicílio da recorrente providencie o seguinte: 1) do crédito tributário mantido pela decisão de primeiro grau, separar a parte relativa às mercadorias que o contribuinte não impugnou, levando em consideração para tanto o documento intitulado Comentário Intelbrás tabela de divergência NCM, fls. 3.411 a 3.473, em confronto com a Tabela de divergência de classificação fiscal, fls. 147 a 155, e promover a cobrança, em autos apartados a este, consignando o procedimento de transferência dos créditos tributários nestes autos; 2) do crédito tributário mantido pela decisão de primeiro grau e impugnado, fls. 3.411 a 3.473, separar a parte relativa às mercadorias em que a infração apontada é o simples não enquadramento em ex-tarifário, elaborar um quadro com as respectivas aliquotas, e apontar se há algum ex-tarifário cuja alíquota é superior à aliquota geral; 3) do crédito tributário mantido pela decisão de primeiro grau e impugnado, fls. 3.411 a 3.473, separar a parte relativa às mercadorias em que há divergência entre os códigos NCM ou entre os ex-tarifários adotados pela recorrente e pelo Fisco (sem levar em conta o simples não enquadramento em ex-tarifário) e há alegação de tendenciosidade na elaboração dos quesitos por parte do Fisco, para que seja feita nova perícia, dessa feita\it 5 promovida com quesitos também por parte da recorrente, nos moldes preconizados pelos §§ 1° e 2° do art. 18 do Decreto n° 70.235/72, sendo carreados aos autos os laudos dos peritos da União e da recorrente (vide qualificação à fl. 3.534); 4) intimar novamente a recorrente, depois de efetivados todos os itens supra, para, se quiser, manifestar-se, no prazo de 30 dias, no sentido de homenagear os princípios do contraditório e da ampla defesa. Após escoado o prazo supra, com ou sem manifestação da recorrente, retornem os autos a esta Turma do C nselh Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. i Corintho 014ior I\ 14achado /t/( 1 i 1 1 1 1 6 _

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5503679 #
Numero do processo: 12719.000550/2005-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime a recorrente de todo o conteúdo da diligência fiscal, nos termos do voto do relator. Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 3  ___________       Relatório    Reporto­me ao relato da Resolução nº 3101­00.71, de 16/11/2009:  Adoto como parte de meu relato, o quanto relatado pelo I.  relator do  decisum a quo:  Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 23 a 136 por  meio dos quais são feitas as seguintes exigências:  fls. 23 a 102 1 ­ R$ 75.837,95 (setenta e cinco mil, oitocentos e trinta e  sete  reais  e  noventa  e  cinco  centavos)  a  título  de  Imposto  de  Importação.  2 ­ R$ 56.878,46 (cinqüenta e seis mil, oitocentos e setenta e oito reais  e quarenta e seis reais) a título de Multa de Ofício de 75%.  3 ­ R$ 145.611,05 (cento e quarenta e cinco mil, seiscentos e onze reais  e  cinco  centavos)  de  Multa  Proporcional  ao  Valor  Aduaneiro  –  Mercadoria Classificada Incorretamente.  fls. 103 a 135 4 ­ R$ 9.662,48 (nove mil, seiscentos e sessenta e dois  reais  e  quarenta  e  oito  centavos)  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados.  5  ­ R$ 7.246,86  (sete mil, duzentos e quarenta e  seis  reais e oitenta e  seis centavos) de Multa de ofício de 75%.  Os juros de mora lançados foram calculados até 29/04/2005.  A  autoridade  autuante  assim  descreveu  os  fatos,  fls.  139  a  146,  em  síntese:  A  presente  auditoria  tem  por  escopo  a  verificação  da  correta  classificação fiscal nas posições da Nomenclatura Comum do Mercosul  – NCM 8541 e NCM 8542, abrangendo o período de janeiro de 2002  a fevereiro de 2003.  Analisando  as  Declarações  de  Importação  –  DI  (fls.  611  a  2936),  documentações  instrutivas  que  ampararam  as  importações  do  interessado  e  a  legislação  vigente,  verificamos  que  foram  editadas  Resoluções  da Câmara  de Comércio Exterior  – CAMEX  (fls.  3319  a  3346), aplicáveis às posições da NCM utilizadas pelo contribuinte para  classificar  as  mercadorias  importadas  no  referido  período,  que  implicavam  alteração  da  classificação  fiscal  utilizada  bem  como  da  alíquota aplicável.  A  interessada  realizou  importações,  no  período  fiscalizado,  de  produtos,  como,  por  exemplo,  circuitos  integrados,  transistores  e  Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.000550/2005­34  Resolução nº  3803­000.436  S3­TE03  Fl. 4          3 dispositivos  semelhantes,  classificáveis  na  posição  NCM  8541  e  8542.  Nas  importações  relativas  ao  ano  calendário  de  2002,  as mercadorias  foram enquadradas em classificações dos “Ex­tarifários”, ou seja, nesta  ocasião,  o  contribuinte  considerou que  a mercadoria  importada  estava  enquadrada  na  descrição  estabelecida  para  o  “Ex”.  Porém,  nas  importações  relativas  ao  ano  de  2003,  estas  mesmas  mercadorias  voltaram a  receber o  tratamento  cabível pelo  enquadramento na  regra  geral, ou seja, não foram mais enquadradas no “Ex”.  Vale  salientar  que  durante  o  período  fiscalizado  foram  publicadas  resoluções  CAMEX,  que  estabeleceram  alterações  nas  alíquotas  das  mercadorias importadas pela interessada.  No curso do desembaraço aduaneiro, foram solicitados laudos técnicos  para  dirimir  dúvidas  quanto  às  características,  especificidades  e  finalidade das mercadorias importadas, com a finalidade de verificar se  o  enquadramento  da  mercadoria  na  classificação  fiscal  da  TEC  utilizado pelo contribuinte estava correto.  Analisando  os  referidos  laudos,  observamos  que  o  contribuinte,  em  algumas  importações,  adotou  a  classificação  fiscal  indevida,  uma  vez  que  foi  utilizada  a  classificação  fiscal  geral  quando  havia  para  essa  mesma classificação um “Ex­tarifário”, cuja descrição coincidia com a  estabelecida no laudo técnico para esta mercadoria.  Todas  as  DI’s  analisadas  que  apresentaram  divergência  ou  erro  de  classificação  fiscal  estão  relacionadas  na  Tabela  de  Divergência  de  Classificação Fiscal (fls. 147 a 155).  Os autos de infração contêm 03 (três) diferentes infrações:  Mercadoria não enquadrada em “Ex”  (fls. 86), onde o contribuinte  não enquadrou as mercadorias na classificação fiscal da posição NCM  “Ex” e sim na classificação geral e está sendo cobrada a diferença de II.  Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum  do Mercosul (fls. 90), onde estão relacionadas todas DI’s onde houve  classificação fiscal incorreta e está sendo cobrada a multa sobre o valor  aduaneiro.  Reconstituição da base de cálculo do IPI, tendo em vista a alteração  do valor do II (fls. 131).  Cientificada,  a  contribuinte  apresentou  a  impugnação  de  fls.  3378  a  3388, acompanhada dos documentos de fls. 3389 a 3473, alegando, em  síntese:  Descreve os procedimentos da fiscalização.   Que a  Intelbras impugnará cada uma das  infrações mencionadas pelos  auditores.   Mercadoria não enquadrada em “ex”:  Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.000550/2005­34  Resolução nº  3803­000.436  S3­TE03  Fl. 5          4 Entendem  os  auditores,  que  a  Intelbras  deixou  de  enquadrar  mercadorias  no  código  NCM  “Ex”,  enquadrando­as  na  classificação  geral, contudo, conforme pode ser constatado nos comentários à Tabela  de Divergência de Classificação Fiscal, em anexo, na maioria dos casos  a Intelbras enquadrou suas mercadorias na NCM correta, sendo que se a  enquadrasse no “Ex” estaria fugindo da real descrição da mercadoria.   Exemplificando, a DI nº 02/0296979­1, adição 006, foi classificada pela  Intelbras  na  NCM  8542.29.21,  contudo  a  receita  entende  que  a  classificação  correta  seria  incluí­la  no  “Ex”  026,  porém,  conforme  poderá  ser  observado  no  comentário  em  anexo,  a  Intelbras  não  procedeu  desta  maneira  tendo  em  vista  que  “o  Ex  026  em  questão  encontrava­se  na  época  na  parte  de  circuitos  digitais,  não  se  enquadrando com o item em questão”.  Em  algumas  importações  a  Intelbras  não  enquadrou  a mercadoria  no  “Ex” tendo em vista a burocracia que envolvia o procedimento para que  o  “Ex”  fosse  utilizado  (licença  prévia  de  importação  centralizado  no  Decex do Rio de Janeiro – prazo de 30 dias para concessão), ademais,  tal decisão foi tomada em face da não obrigatoriedade ao uso do “Ex”,  que  se  trata,  no  caso  da  Intelbras,  de  um  benefício  para  redução  da  alíquota do Imposto de Importação.   Que o intuito do “Ex­tarifário” é conceder um benefício de redução da  alíquota do Imposto de Importação, pelo que poderia ou não a empresa  utilizá­lo, sendo que em alguns casos, em face da necessidade urgente  da importação da mercadoria, era mais vantajoso para a empresa abrir  mão do “Ex” e pagar o Imposto de Importação a maior do que ter que  esperar a Licença prévia da importação.  Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum  do Mercosul:  A  Intelbras  entende  que  não  houve  incorreção  na  classificação  das  mercadorias  que  importou,  sendo  que,  de  forma  a  comprovar  que  as  mercadorias  estavam  corretamente  classificadas,  segue  em  anexo  Relatório (fls. 3411/3473) com os comentários à Tabela de Divergência  de Classificação Fiscal, com a mesma ordem de itens da tabela de fls.  147 a 155 apresentada pelos auditores.  Que  em  alguns  itens  a  Intelbras  concorda  que  houve  erro  na  classificação  e  concorda  com a  classificação apresentada  pela  receita.  Estes itens constam destacados no Relatório em anexo.  Que os laudos técnicos solicitados no curso do desembaraço aduaneiro,  em  algumas  situações,  não  se  prestam  a  atender  o  fim  ao  qual  foram  solicitados, eis que quesitos constantes da solicitação de laudo técnico  de mercadoria eram tendenciosos a levar o perito a responder de forma  diversa a que efetivamente seria correta.  Exemplificando, o fiscal ao solicitar o laudo de fls. 196/199 apresentou  alguns  itens  e  solicitou  ao  perito  que  identificasse  a  mercadoria  (LM1458MX)  a  um  dos  itens  anunciados.  O  Sr.  Perito  relacionou  a  mercadoria ao  item 12, que se  referia ao “Ex” 023, contudo dentre os  itens  relacionados  não  existia  nenhum  que  relacionava  o  produto  ao  “Ex” 014, que seria o correto. Assim, o Perito relacionou a mercadoria  Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.000550/2005­34  Resolução nº  3803­000.436  S3­TE03  Fl. 6          5 ao  item 12,  que  dentre  os  enunciados  era  o  que mais  condizia  com a  mercadoria,  situação esta que  seria  totalmente diferente  se o  fiscal ao  solicitar  o  laudo  tivesse  enunciado  dentre  os  itens,  um  que  tivesse  relação ao “Ex” 014, que foi utilizado pela Intelbras e era o correto.  Requer seja realizada perícia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº  70.235/72, indicando como seu perito o Sr. Louis Pierre Hubert.  Reconstituição da base de cálculo do IPI:  Que não há que se falar em reconstituição da base de cálculo do IPI, eis  que conforme demonstrado a classificação fiscal utilizada pela Intelbras  era a correta.  Assim,  inexistindo erro  de  classificação,  não  há  diferença  de  imposto  de importação pelo que se afasta totalmente a reconstituição da base de  cálculo do IPI.  Conforme  as  razões  sobejamente  demonstradas,  o  indigitado  auto  de  infração  merece  reforma  integral,  de  modo  que  seja  adaptado  às  verdadeiras circunstâncias ora apontadas.    A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  FLORIANÓPOLIS/SC julgou o lançamento procedente em parte.    Discordando  da  decisão  de  primeira  instância,  a  interessada  apresentou  recurso  voluntário,  onde  requer  a  reforma  da  decisão  a  quo.    Subiram  então  os  autos  ao Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  que  converteu  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  autoridade  preparadora  do  domicílio  da  recorrente providenciasse o seguinte:  1) do crédito tributário mantido pela decisão de primeiro grau, separar  a  parte  relativa  às  mercadorias  que  o  contribuinte  não  impugnou,  levando  em  consideração  para  tanto  o  documento  intitulado  Comentário  Intelbrás  tabela  de  divergência NCM,  fls.  3.411  a  3.473,  em confronto com a Tabela de divergência de classificação fiscal, fls.  147  a  155,  e  promover  a  cobrança,  em  autos  apartados  a  este,  consignando o procedimento de  transferência dos créditos  tributários  nestes autos;  2)  do  crédito  tributário  mantido  pela  decisão  de  primeiro  grau  e  impugnado, fls. 3.411 a 3.473, separar a parte relativa às mercadorias  em  que  a  infração  apontada  é  o  simples  não  enquadramento  em  ex­ tarifário, elaborar um quadro com as respectivas alíquotas, e apontar  se há algum ex­tarifário cuja alíquota é superior à alíquota geral;  3)  do  crédito  tributário  mantido  pela  decisão  de  primeiro  grau  e  impugnado, fls. 3.411 a 3.473, separar a parte relativa às mercadorias  em que há divergência entre os códigos NCM ou entre os ex­tarifários  Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.000550/2005­34  Resolução nº  3803­000.436  S3­TE03  Fl. 7          6 adotados pela  recorrente  e pelo Fisco  (sem  levar  em conta o  simples  não enquadramento em ex­tarifário) e há alegação de tendenciosidade  na elaboração dos quesitos por parte do Fisco, para que seja feita nova  perícia,  dessa  feita  promovida  com  quesitos  também  por  parte  da  recorrente,  nos  moldes  preconizados  pelos  §§  1º  e  2º  do  art.  18  do  Decreto nº 70.235/72, sendo carreados aos autos os laudos dos peritos  da União e da recorrente (vide qualificação à fl. 3.534);   4) intimar novamente a recorrente, depois de efetivados todos os itens  supra, para, se quiser, manifestar­se, no prazo de 30 dias, no sentido  de homenagear os princípios do contraditório e da ampla defesa.    Após  atendimento  da  providência  de  nº  1,  fl.  3563,  e  de  nº  2,  fls.  3564  e  seguintes; foi considerada prejudicada a providência de nº 3; sendo totalmente desconsiderada  a providência de nº 4, que é justamente a oportunidade da recorrente manifestar­se acerca da  diligência empreendida.     Os autos vieram de volta ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o  relatório.      Voto    Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator.    Consoante relatado, faltou o atendimento ao item 4 do dispositivo da Resolução  deste  Conselho,  a  saber,  intimação  da  recorrente  para  se manifestar  a  respeito  da  diligência  efetivada, que pode ser sintetizada nos seguintes dizeres da auditoria­fiscal:  Em atendimento ao item 2 da folha 3561 (verso), informo que:  ­  as  DI  onde  há  mercadorias  em  que  a  infração  apontada  é  o  não  enquadramento em ex­tarifário estão relacionadas nas  folhas 86 a 89  do processo e em todas elas o ex­tarifário possui alíquota de II ou IPI  superior  à  alíquota  geral  (segue  em  anexo  quadro  com  respectivas  alíquotas).  ­  quanto  à  separação  da  parte  do  crédito  mantido  pela  decisão  de  primeiro  grau  relativa  às  mercadorias  onde  há  divergência  de  classificação  fiscal  entre  fisco  e  interessado  e  que  haja  alegação  de  tendenciosidade na elaboração dos quesitos dos laudos, informo que o  interessado não relacionou de forma clara, completa e explícita quais  as mercadorias ou DI  em que há alegada  tendenciosidade,  tampouco  Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12719.000550/2005­34  Resolução nº  3803­000.436  S3­TE03  Fl. 8          7 apontou para cada mercadoria importada e seu respectivo laudo quais  seriam os quesitos que considerou tendenciosos. O interessado limitou­ se  a  qualificar  seu  perito,  sem discorrer  sobre  quais  seriam  todos  os  quesitos  e  questões  tendenciosas  nos  laudos  já  elaborados.  Desta  forma, considero prejudicada a execução do  item 3 do voto da citada  Resolução (fls.3556).    Ante o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, mais uma  vez, para que a autoridade preparadora do domicílio da recorrente intime a recorrente de todo o  conteúdo  da  diligência  fiscal,  ofertando  prazo  de  30  dias  para  manifestação  voluntária,  no  sentido de homenagear os princípios do contraditório e da ampla defesa.    Após escoado o prazo supra, com ou sem manifestação da recorrente, retornem  os autos a esta Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento.     CORINTHO OLIVEIRA MACHADO    Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 10314.003876/2004-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 29/09/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CARÊNCIA DE PROVAS. O lançamento originário veio ao mundo jurídico totalmente desapercebido de provas e de condições mínimas de ser mantido. Observa-se que duas diligências foram necessárias com o escopo de ser compreendida a peça fiscal. Na primeira, veios aos autos o laudo que serviu como prova emprestada, de outra fiscalização, e mais algumas explicações, inclusive ficando provadas autuações em duplicidade. Na segunda, as declarações de importação objeto do auto de infração vieram a lume, para permitir ao i. relator que tivesse acesso à descrição das mercadorias importadas.
Numero da decisão: 3101-001.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres,  Luiz  Roberto  Domingo,  Tarásio  Campelo  Borges,  Valdete  Aparecida  Marinheiro,  Leonardo Mussi da Silva e Corintho Oliveira Machado.      Relatório  Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase:  Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração,  lavrado  em  26/04/2001, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a  exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos  Industrializados  ,  acrescidos  de  juros  de mora, multa  e multa  proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 5.379.391,75,  em face dos fatos a seguir descritos.  A  empresa  acima  qualificada  submeteu  a  despacho  aduaneiro,  por meio de Declarações de Importação relacionadas no auto de  infração,  produto  denominado  “Antraquinona  ”,  recebendo  classificação  tarifária  na  código  NCM  2914.61.00,  com  incidência da alíquota de 5 % para o Imposto de Importação e  da alíquota de 0% para o Imposto de Produtos Industrializados;  Ocorre  que  foi  apurado  que  a  mercadoria  efetivamente  importada  foi  “  preparação  constituída  de  antraquinona,  composto etoxilado, e composto com caráter aniônico, na forma  de  pó,  com  classificação  tarifária  correta  para  a  mercadoria  importada seria na código NCM 3824.90.90, com incidência da  alíquota de 17 % para o Imposto de Importação e da alíquota de  10% para o Imposto de Produtos Industrializados;   Cabível  a multa por  importação de mercadorias ao desamparo  de Guia de Importação ou documento equivalente;  Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento ­ AR,  em  18/06/2004,  (fls.  152­frente),  o  contribuinte,  protocolizou  impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto  70.235/72, em 19/07/2004, de fls. 154 à 159, instaurando assim a  fase litigiosa do procedimento.  Na  forma  do  artigo  16  do  Decreto  70.235/72  a  impugnante  alegou resumidamente que:  Incabível a multa por importação de mercadorias ao desamparo  de  Guia  de  Importação  ou  documento  equivalente  já  que  a  Impugnante  importou  o  produto  com  toda  documentação  necessária;  Algumas Declarações de Importação foram registradas antes do  dia 02/06/1999, portanto o respectivo lançamento estaria eivado  pela decadência;  Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.003876/2004­60  Acórdão n.º 3101­01.054  S3­C1T1  Fl. 1.039          3 A  autuação  sofre  de  duplicidade  em  razão  dos  MPFs  0817800/00042/00,  0817800/00026/00  e  0817800/00034/02,  conforme documentação juntada;  A  classificação  fiscal  adotada  pelo  impugnante  é  a  correta,  conforme parecer até técnico apresentado;  A  fiscalização  omitiu  haver  antraquinona  em  dispersão,  em pó  ou  outra  forma  quando  deu  tratamento  similar  a  questão  para  todas as Declarações de Importação;  Em julgamento análogo, a 2ª Turma da DRJ/SPO­II considerou  improcedente o lançamento;  Os  produtos  importados  dizem  respeito  a  diferentes  apresentações  físicas,  constituindo­se  de  antraquinona  em  dispersão  em  pó,  e  adicionada  antipoeira  de  baixíssimo  teor  –  99,5%  de  grau  de  pureza  –  com  caráter  aniônico,  objetivando  inibir  a  formação  de  mistura  explosiva  de  poeira  de  antraquinona  com  o  ar,  nos  termos  permissivos  das  Notas  do  Capítulo 29 da TEC;  Propugna a improcedência do Auto de Infração.  É o Relatório.  Em  exame  preliminar,  a  1ª  Turma  da  DRJ/SPO­II  entendeu  conveniente  baixar  os  autos  em  diligência  à  autoridade  preparadora,  através  da  Resolução  No.  840,  de  10/09/2008,  indagando se a classificação fiscal adotada pelo impugnante, se  deu nos termos permissivos das Notas do Capítulo 29 da TEC,  em virtude de inibir a formação de mistura explosiva de poeira  de antraquinona com o ar? Foi solicitado a juntada de cópia do  LAUDO que  foi  objeto  da DI No.  00/0655651­0,  e que  serviu  como  prova  emprestada  para  a  presente  autuação,  além  de  indagar se procede a alegação de que parte das Declarações de  Importação  relacionadas  no  auto  de  infração  devem  ser  excluídas  da  pretensa  exigência  do  crédito  tributário,  por  já  serem objeto dos MPFs 0817800/00042/00, 0817800/00026/00 e  0817800/00034/02?  Encerrada  a  instrução  processual,  intimou­se  a  parte  interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo  com  o  artigo  44  da  Lei  nº  9.784/99,  em  face  do  princípio  do  contraditório.  Devidamente  cientificado,  via  Aviso  de  Recebimento  –  AR  datado de 24/04/2009 (fls. 367­verso), o interessado se insurgiu  contra a prova emprestada, uma vez que uma única análise não  pode prestar de prova para todo um universo de Declaração de  Importação.  Para  tanto,  junta  ementas  da  jurisprudência  administrativa pátria.  Em nova análise, foi constatada a impossibilidade de se julgar a  multa  do  controle  administrativo,  por  não  poder  se  verificar  a  descrição  da  mercadoria  atribuída  pelo  importador.  Assim,  Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     4 novamente os autos foram baixados à autoridade preparadora,  através da Resolução No. 897, de 27/07/2009 para se proceder a  juntada  das  Declarações  de  Importação  objeto  da  presente  autuação.    A  DRJ  em  SÃO  PAULO  II/SP  julgou  procedente  a  impugnação,  EXONERANDO  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  e  recorrendo  de  ofício  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais. A ementa ficou assim:  Assunto: Imposto sobre a Importação ­ II   Data do fato gerador: 29/09/1999   CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO CONSTITUÍDA DE  ANTRAQUINONA.  Importação do produto Antraquinona com classificação fiscal no  Código NCM 2914.61.00.  A fiscalização constatou se tratar de Preparação constituída de  Antraquinona,  com  classificação  fiscal  no  Código  NCM  3824.90.90 “Preparação constituída de Antraquinona”, por ser  especialmente  formulado  para  ser  utilizado  na  indústria  do  papel, inclui­se na posição 3809.|  Descrição do produto correta. Improcedente a multa do controle  administrativo  por  força  do  ATO DECLARATÓRIO COSIT  N°  12/97.  Impugnação Procedente.  Crédito Tributário Exonerado.    Após  intimação  do  contribuinte,  a  Repartição  de  origem  encaminhou  os  presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância.     É o relatório.            Voto               Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.003876/2004­60  Acórdão n.º 3101­01.054  S3­C1T1  Fl. 1.040          5 Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator    O crédito tributário exonerado no julgamento de primeira instância supera o  limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 3 de  janeiro de 2008 (um milhão de reais),  razão pela qual tomo conhecimento do Recurso de Ofício.        A  exoneração  do  crédito  tributário,  pelo  órgão  judicante  de  primeiro  grau,  ocorreu  porque  a  classificação  fiscal  eleita  pela  auditoria­fiscal  não  se  afeiçoou  à  melhor  classificação fiscal para o produto importado (que seria a mesma de uma solução de consulta  exarada por SRRF), apesar de não servir também a classificação fiscal apresentada pela então  impugnante. Ainda foram canceladas as multas do controle administrativo das importações e a  proporcional  ao  valor  aduaneiro. No  primeiro  caso,  foi  aplicado  o AD Cosit  nº  12/97;  e  no  segundo, a causa foi o fato de auditoria­fiscal ter eleito classificação fiscal errônea.    Apesar de não concordar por inteiro com a fundamentação expendida no voto  do i. relator da decisão recorrida, pois ao meu sentir solução de consulta só vincula a auditoria­ fiscal  para  os  casos  em  que  o  importador  é  consulente,  e  ainda,  o  fato  de  a  auditoria­fiscal  eleger  classificação  fiscal  errônea  não  afasta,  de  plano,  a  multa  proporcional  ao  valor  aduaneiro, porquanto a  impugnante  também errou ao classificar o bem importado; penso que  não se pode dar provimento ao recurso de ofício, nem parcialmente, porquanto o lançamento  originário veio ao mundo jurídico totalmente desapercebido de provas e de condições mínimas  de  ser  mantido.  Observa­se  que  duas  diligências  foram  necessárias  com  o  escopo  de  ser  compreendida  a  peça  fiscal.  Na  primeira,  veios  aos  autos  o  laudo  que  serviu  como  prova  emprestada,  de  outra  fiscalização,  e  mais  algumas  explicações,  inclusive  ficando  provadas  autuações  em  duplicidade.  Na  segunda,  as  declarações  de  importação  objeto  do  auto  de  infração  vieram  a  lume,  para  permitir  ao  i.  relator  que  tivesse  acesso  à  descrição  das  mercadorias  importadas. O cerceamento do direito de defesa está presente desde a origem do  lançamento, sem sombra de dúvida. E mesmo com toda essa boa vontade do órgão judicante de  primeira instância o trabalho fiscal não se sustentou.    Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício.    Sala das Sessões, em 21 de março de 2012.    CORINTHO OLIVEIRA MACHADO        Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     6                               Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S

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Numero do processo: 10920.723935/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2010 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Merecem ser afastadas as preliminares de nulidade da autuação, uma vez que desnecessário laudo técnico para identificação da mercadoria reclassificada e não há modificação de critério jurídico no caso vertente. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Merece ser afastada a preliminar de nulidade da decisão recorrida, uma vez que o indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado e trata-se de prerrogativa da autoridade julgadora de primeira instância. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ELETRODUTOS FLEXÍVEIS E TUBOS EXTENSÍVEIS. Pelas regras de interpretação da NCM (RGI/SH), a correta classificação para os eletrodutos flexíveis de PVC é 3917.32.90, e 3917.33.00 para os tubos extensíveis de PVC.
Numero da decisão: 3302-007.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidades apontadas pela recorrente e, no mérito, por unanimidade de votos em não conhecer de parte do recurso em virtude da aplicação do enunciado de súmula nº 02, e por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 1.327          1 1.326  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.723935/2012­81  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­007.247  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de junho de 2019  Matéria  IPI            Recorrente  MEXICHEM BRASIL INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO  PLÁSTICA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2010  NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA.  Merecem ser afastadas as preliminares de nulidade da autuação, uma vez que  desnecessário laudo técnico para identificação da mercadoria reclassificada e  não há modificação de critério jurídico no caso vertente.   NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.  Merece ser afastada a preliminar de nulidade da decisão recorrida, uma vez  que  o  indeferimento  da  prova  pericial  requerida  foi  devidamente  fundamentado e trata­se de prerrogativa da autoridade julgadora de primeira  instância.   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2010  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  ELETRODUTOS  FLEXÍVEIS  E  TUBOS  EXTENSÍVEIS.  Pelas regras de interpretação da NCM (RGI/SH), a correta classificação para  os  eletrodutos  flexíveis  de  PVC  é  3917.32.90,  e  3917.33.00  para  os  tubos  extensíveis de PVC.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as  preliminares de nulidades apontadas pela recorrente e, no mérito, por unanimidade de votos em  não conhecer de parte do recurso em virtude da aplicação do enunciado de súmula nº 02, e por  maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Walker Araújo,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 39 35 /2 01 2- 81 Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.328          2 José  Renato  Pereira  de  Deus  e  Raphael  Madeira  Abad  que  convertiam  o  julgamento  em  diligência.    (assinado digitalmente)  Gilson Macedo Rosenburg Filho ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado, Walker Araujo,  Luis  Felipe  de Barros  Reche  (Suplente  Convocado),  Jose Renato  Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson  Macedo Rosenburg Filho (Presidente).      Relatório  Adoto e transcrevo relatório da decisão de primeira instância, acórdão nº 01­ 31.957 ­ 3ª Turma da DRJ/BEL, por bem reportar os fatos da lide:  Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o  estabelecimento acima identificado, no valor de R$ 405.577,36,  referente a multa isolada de IPI não lançado com cobertura de  crédito.  2. Segundo o Termo de Verificação de fls. 989/998, o lançamento  decorre  da  análise  dos  pedidos  de  ressarcimento  de  saldo  credor  do  imposto  dos  períodos  compreendidos  entre  o  quarto  trimestre de 2008 ao quarto trimestre de 2010.  3.  A  auditoria  realizada  verificou  irregularidades  no  aproveitamento de créditos em importações por conta e ordem,  conforme relato abaixo:  “Nas  importações  por  conta  e  ordem,  quando  a  mercadoria  entrava  em  seu  estabelecimento,  Mexichem  emitia  uma  nota  fiscal  própria  de  entrada  nos  valores  da  importação,  como  se  houvesse  importado  as  mercadorias  diretamente,  e  creditava­se  do IPI pago no importação (designado ‘IPI aproveitado NF’ nas  planilhas entregues). Além disso, sobre as notas fiscais emitidas  pelas  importadoras  para  transferência  das  mercadorias  importadas  até  seu  estabelecimento,  computava  créditos  nos  valores da diferença entre o destacado nesta nota de transferência  e  o  já  aproveitado  sobre  a  nota  fiscal  de  emissão  própria  (designado  ‘IPI  aproveitado  conta  gráfica’  nas  planilhas  entregues). (...)  Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.329          3 Apesar de equivocado , trabalhoso e confuso (gerando controles  paralelos  como  a  planilha Demonstrativo  de  aproveitamento  de  IPI  em  Conta  Gráfica),  quando  o  correto  é  o  simples  crédito  sobre  as  notas  emitidas pelas  importadoras  na  transferência das  mercadorias pelo valor  lá destacado, sem emissão de nota fiscal  própria  de  entrada,  tal  procedimento  não  resultou  em  creditamento a maior que o permitido, com algumas exceções.  No 4.°  trimestre de 2008 houve  importações por conta e ordem  em que o contribuinte computou créditos sobre a nota de emissão  própria  c  sobre  as  notas  de  transferência  emitidas  pelas  importadoras no valor  total  do  IPI destacado, gerando crédito  a  maior no exato montante do IPI pago na importação. Nos termos  utilizados  pelo  contribuinte,  creditou­se  pelo  ‘IPI  aproveitado  NF’  c  pelo  total  destacado  nas  notas  das  importadoras,  que  englobava o ‘IPI aproveitado NF"’ mais o ‘IPI aproveitado conta  gráfica’. Ou seja, a parcela ‘IPI aproveitado NF’ foi utilizada cm  duplicidade c, portanto, objeto de glosa.  De  se mencionar  que  o  contribuinte  informou  no  PERDCOMP  algumas  notas  fiscais  das  importadoras  com  valores  bem  superiores aos que efetivamente constam nos documentos, parece  que consolidando valores de diversas notas em apenas uma, por  exemplo  a  de  Cisa,  n.°  2536,  de  03/11/2008,  valor  total  R$  95.921,17  e  IPI  RS  4.809,17,  informada  como  valor  total  R$  2.397.506,77 e IPI R$ 120.203,08.  As  notas  fiscais  cujos  créditos  foram  glosados  encontram­se  listadas  na  planilha  Glosas  de  Créditos  de  Ajustes  em  Conta  Gráfica, o recalculo dos créditos de cada período de apuração em  função  das  glosas  encontra­se  na  planilha  Demonstrativo  de  Créditos e Débitos, partes integrantes deste Termo.”  4.  No  que  se  refere  aos  débitos  dos  períodos,  a  fiscalização  apurou  erros na  classificação  fiscal  adotada pelo contribuinte  na  venda  das  linhas  ELETRODUTO  CORRUGADO  e  TUBO  EXTENSÍVEL  UNIVERSAL.  No  caso  do  primeiro  produto,  a  fiscalização  apurou  que  os  mesmos  foram  classificados  pelo  contribuinte  na  subposição  3217.2,  que  representa  tubos  rígidos,  com  a  qual  não  concorda  a  autoridade  fiscal,  por  entender  que  se  tratam de  tubos  flexíveis  que  se  encaixam no  código 3217.32.90, cuja alíquota é cinco por cento.  5. No caso dos  tubos extensíveis,  a  interessada classificou por  vezes  como  acessórios  para  tubos  (3917.40.90)  e  por  outras  como tubos  rígidos (3917.23.00),  sendo que a  fiscalização com  base  no  catálogo  de  produtos  da  empresa,  onde  consta  que  o  “Tubo  Extensível  Universal  permite  que  sua  curvatura  tome  o  formato de um sifão”, julga que não são acessórios para tubos,  mas  sim  os  próprios  tubos,  nem  tubos  rígidos,  pois  flexíveis.  Assim, a classificação correta seria 3917.33.00, com alíquota de  cinco por cento.  6.  Cientificada  em  06.11.2012,  a  interessada  postou,  tempestivamente,  em  05.12.2012  (fl.  1019),  impugnação  (fls.  1020/1045) na qual contesta a duplicidade no aproveitamento de  Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.330          4 créditos  no  quarto  trimestre  de  2008,  procurando  demonstrar  que não houve créditos das notas de entrada emitidas pela Cisa  Trading  S/A,  com  o CFOP  1.949,  sendo  o  crédito  aproveitado  referente às notas de entrada emitidas com o CFOP 3.101, cujo  valor foi posteriormente ajustado em “outros créditos” do Livro  RAIPI.  7.  Quanto  à  reclassificação  dos  produtos,  afirma  que  a  reclassificação dos “Eletrodutos” e dos “tubos extensíveis”  foi  feita sem embasamento técnico, com base em mera descrição no  catálogo  de  produtos.  Por  esse  motivo  estaria  nulo  o  lançamento.  8. Indica que a diferenciação das formulações de PVC “rígida”  e “flexível” estaria na presença ou não de óleo plastificante, tal  qual ocorre,  p.  ex.,  na mangueira de  jardinagem,  sendo que os  eletrodutos não possuem tal aditivo plastificante.  9. Acrescenta que o  fiscal  realizou uma avaliação  superficial  e  utilizou­se de prova emprestada, no caso as soluções de consulta  expedidas  pelas  regionais  da  Receita  Federal,  sendo  tais  elementos  imprestáveis  por  se  referirem  a  outras  empresas  e  produtos  não  idênticos.  Cita  decisões  do  CARF  que  afastam  a  utilização  de  prova  emprestada  e  afirma  que,  caso  não  se  entenda pela nulidade, deverá ser elaborada perícia técnica por  órgão oficial.  10.  Aponta  também  a  impossibilidade  de  alteração  do  entendimento  relativo  à  classificação  fiscal.  Afirma  que  não  pode a Autoridade Fazendária alterar a  classificação  tarifária,  como fez no caso em questão, por simples mudança dos critérios  jurídicos adotados anteriormente, uma vez que o estabelecimento  realiza  suas saídas mensais  sempre utilizando o código 3917.2.  Dessa forma, o Fisco tinha conhecimento prévio e constante do  efetivo  lançamento  da  classificação  fiscal,  jamais  tendo  apresentado oposição.  11. Reclama ainda que a multa aplicada no percentual de 75%  caracteriza  confisco,  vedado  pela  Constituição  Federal,  requerendo  ao  final  que  seja  julgada  procedente  sua  impugnação, nos termos acima relatados.    Em 22/04/2015, a 3ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido,  nos  termos  da  ementa  abaixo:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2010  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  ELETRODUTOS  FLEXÍVEIS  E  TUBOS EXTENSÍVEIS.  Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.331          5 Pelas  regras  de  interpretação  da  NCM  (RGI/SH),  a  correta  classificação para os eletrodutos flexíveis de PVC é 3917.32.90,  e 3917.33.00 para os tubos extensíveis de PVC.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2010  NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.  Devem  ser  afastadas  as  argüições  de  nulidade  quando  não  se  vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59  do Decreto nº 70.235/72.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  Classificação Fiscal não é matéria  técnica, não exigindo  laudo  técnico  para  sua  definição. Dispensável  a  produção  de  provas  por meio de realização de perícia técnica ou diligência, quando  os documentos integrantes dos autos revelam­se suficientes para  formação de convicção e conseqüente solução do litígio.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2010   CONSTITUCIONALIDADE.  Escapa  à  competência  da  autoridade  administrativa  a  apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido    Intimada  da  decisão,  em  07/05/2015,  consoante  Termo  de  ciência  por  abertura  de mensagem,  fl.  1162,  a  recorrente  supra mencionada  interpôs  recurso  voluntário,  tempestivo, em 01/06/2015, consoante carimbo aposto na folha de rosto do recurso, e­fl. 1165,  no  qual  alegou,  em  preliminar,  nulidade  do  lançamento:  1)  por  ausência  de  prova  cabal  e  técnica do erro da classificação fiscal da Recorrente; e 2) pela impossibilidade de a Autoridade  Fazendária  alterar  classificação  fiscal  por  modificação  nos  critérios  jurídicos  anteriormente  adotados;  e  nulidade  da  decisão  recorrida,  por  indeferir  realização  de  perícia.  No  mérito,  defende  a  classificação  fiscal  em  relação aos produtos  "Eletroduto Corrugado Flexível"  e  ao  "Tubo Extensível Universal", os quais possuem a mesma natureza e destinação, classificados  sob  o  código NCM  3917.23.00.  Por  fim,  requer  a  reforma  da  decisão  de  primeiro  grau  e  a  improcedência  do  auto  de  infração,  ou  sucessivamente,  o  afastamento  da multa  de  ofício  e  juros, e intimações no endereço dos patronos da causa.  Posteriormente,  o  expediente  foi  encaminhado  a  esta  Turma  ordinária  para  julgamento.  Em 19/01/2018, juntou petição e laudo pericial.  Em 30 e 31/01/2018, juntou petições e documentos de identificação.  Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.332          6 É o relatório.    Voto             Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.  Há  três preliminares que devem ser  enfrentadas  antes da questão de  fundo.  Duas nulidades acerca do lançamento e uma nulidade da decisão recorrida.     DAS NULIDADES DO LANÇAMENTO   A  recorrente  invoca  novamente  a  nulidade  do  lançamento,  como  fizera  na  impugnação, por dois motivos: 1) por ausência de prova cabal e técnica do erro da classificação  fiscal da Recorrente; e 2) pela impossibilidade de a Autoridade Fazendária alterar classificação  fiscal por modificação nos critérios jurídicos anteriormente adotados.  A decisão recorrida foi breve no que diz com a matéria e com ela concordo:  Nulidade. Inexistência de análise técnica.  12. Diante  da  alegação  de  nulidade,  cumpre  notar  que  não  se  verifica nesses autos qualquer das hipóteses previstas no art 59  do Decreto nº 70.235/72, de 6 de março de 1972, verbis:  “Art. 59. São nulos;  I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  –  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.”  13.  Sendo  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  competente,  dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito  de  defesa,  não  há  que  se  cogitar  de  nulidade  dos  autos  de  infração. Ademais, prescreve o citado Decreto que:  “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.  Art. 15. A impugnação,  formalizada por escrito e  instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de 30  (trinta) dias,  contados da data  em que for feita a intimação da exigência.  14.  Numa  leitura  atenta  dos  dispositivos  acima  transcritos,  verifica­se  que  a  impugnação  da  exigência  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento  administrativo.  Antes  disso,  não  há  Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.333          7 que se falar em litígio ou cerceamento de direito de defesa. Após  a  ciência  do  lançamento,  o  contribuinte  tem  o  prazo  de  trinta  dias  para  ter  vista  do  inteiro  teor  do  processo  no  Órgão  Preparador  e  apresentar  impugnação  escrita,  instruída  com os  documentos  em que  se  fundamentar,  exercitando  seu direito ao  contraditório e à ampla defesa.  15.  Prova  da  inexistência  de  prejuízo  ao  direito  de  defesa  do  interessado  é  sua  defesa,  na  qual  rebateu  cada  uma  das  acusações, demonstrando ter plena compreensão e entendimento  das infrações apontadas.  Alteração de critério jurídico.  16.  Mesmo  entendimento  acima  vale  para  a  alegação  de  alteração no critério jurídico. Lembra­se que os atos do sujeito  passivo  referentes  ao  lançamento  por  homologação  são  feitos  sob  sua  inteira  responsabilidade,  ressalvado ao Fisco o direito  de  revisar  esses  atos  enquanto  não  decaído  o  direito.  No  caso  presente  somente  uma  solução  de  consulta  eficaz  garantiria  à  empresa a  impossibilidade de revisão da classificação adotada,  o que não ocorre.    Vale a pena aduzir, no que toca à suposta ausência de prova cabal e técnica  do  erro  da  classificação  fiscal  da  Recorrente,  que  laudo  técnico  para  identificação  da  mercadoria  classificada  só  é  necessário  quando  há  controvérsia  quanto  à  composição  química dessa ou quanto à sua identificação em si, o que não é o caso dos autos. Como bem  reportado pela decisão a quo:  (...)  No  que  se  refere  aos  produtos,  inexistem  divergências  quanto  ao  fato  de  se  tratarem  de  tubos  de  plásticos,  enquadrados, portanto, na posição 39.17 da NCM.  Também não existem dúvidas de serem flexíveis de fato, aptos às  aplicações propostas no sítio da empresa (“O sistema corrugado  oferece  ao  produto  alta  resistência  à  compressão  diametral,  aliado  a  grande  flexibilidade;  podendo  curvar­se  com  facilidade”), o que não seria possível se fossem rígidos de fato.  Não releva saber, para a identidade dos produtos e seus efeitos  fiscais, no caso concreto, se foram fabricados com composto de  PVC rígido.     Quanto à alteração de critério jurídico, melhor sorte não assiste à recorrente,  uma vez que enquanto não fluido o prazo decadencial o Fisco tem a prerrogativa de fiscalizar  os atos praticados pelo contribuinte. Assim, não há que se falar em homologação expressa  dos tributos declarados ou mesmo da classificação fiscal ofertada pelo contribuinte em suas  declarações ou no Sistema SPED. Corolário disso, a restrição do art. 146 do CTN, bem como  as dos arts. 145 e 149 do CTN, somente são aplicáveis quando houver lançamento de ofício ou  ato  normativo  específico  da  Administração  Tributária  referente  à  matéria  prévios  ao  lançamento discutido.   Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.334          8 Nesse diapasão não há modificação de critério jurídico no caso vertente.  Assim é que merecem ser afastadas as preliminares de nulidade da autuação.    DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA   No que tange à veiculada nulidade da decisão recorrida, por indeferimento da  realização  de perícia,  que  supostamente ocasionaria  cerceamento  do  direito  de defesa,  penso  não existir qualquer substrato fático ou jurídico para tanto.  O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado,  e­fl. 1154, e trata­se de prerrogativa da autoridade julgadora de primeira instância, nos termos  dos  arts.  18  e 28 do Decreto nº 70.235/72,  razão por que não há como decretar nulidade da  decisão recorrida sob este aspecto.  Superadas as preliminares, passa­se ao mérito do contencioso.     DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS  Relativamente  à  classificação  fiscal  dos  produtos,  inexiste  divergência  quanto  ao  capítulo  e  posição  aplicáveis,  ambas  as  partes  concordam  pela  aplicação  do  capítulo  39  (Plástico  e  suas  obras)  e  da  posição  17  (Tubos  e  seus  acessórios,  por  exemplo,  juntas, cotovelos, flanges, uniões de plásticos). Contudo, a divergência reside justamente na  subposição  em  que  os  produtos  da  Recorrente  se  enquadram  ­  se  na  subposição  3917.23.00,  correspondente  aos  polímeros  de  cloreto  de  vanila  (PVC),  tal  qual  alega  a  Recorrente, ou na subposição 3917.32.90,  representativa da opção "outros", como pretende o  Fisco.  Para  a  recorrente  a  aplicação  de  determinada  classificação  fiscal  não  é  tão  simples como pretende a autoridade fazendária, que diz bastar a análise da sua  rigidez  física  para aplicar­se a classificação. Nesse sentido, a classificação dos produtos não está calcada na  sua definição, mas na sua composição química e no grau de resistência alcançada pela junção  de aditivos. Dessarte, os produtos  comercializados pela Recorrente  compostos com a mesma  formulação de PVC para produtos rígidos estariam classificados no código NCM 3917.23.00.  A decisão recorrida assim se manifestou sobre a matéria:  (...)  29.  Superadas  estas  questões,  uma  vez  que  não  há  divergências  quanto  a  elas,  resta  determinar  a  correta  subposição, item e subitem, para os quais as regras da RGI/SH  estabelecem:  “6.  A  classificação  de  mercadorias  nas  subposições  de  uma  mesma  posição  é  determinada,  para  efeitos  legais,  pelos  textos  dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim  como,  “’mutatis  mutandis’,  pelas  Regras  precedentes,  entendendo­se  que  apenas  são  comparáveis  subposições  do  mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e  de  Capítulo  são  também  aplicáveis,  salvo  disposições  em  contrário.”  Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.335          9 RGC:  1.  (RGC­1)  As  Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  se  aplicarão,  “mutatis mutandis”,  para determinar  dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro  deste  último,  o  subitem  correspondente,  entendendo­se  que  apenas  são  comparáveis  desdobramentos  regionais  (itens  e  subitens) do mesmo nível. (...)”  30.  Note­se  que  a  RGI/SH  nº  6  define  que  a  subposição  é  determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições  e  das  Notas  de  Subposição.  Consoante  a  tabela  reproduzida  abaixo,  a  posição  39.17  compreende  as  classificações  das  subposições 3917.2 (tubos rígidos) e 3917.3 (outros tubos). Ora,  não sendo rígidos, descarta­se, de pronto, a subposição 3917.2,  pretendida pela impugnante.              CAPÍTULO 39          PLÁSTICOS E SUAS OBRAS  CÓDIGO NCM       DESCRIÇÃO            ALÍQUOTA  39.17    Tubos e seus acessórios (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges,       uniões), de plásticos.  3917.2    ­ Tubos rígidos  3917.21.00   ­­ De polímeros de etileno               0  3917.22.00   ­­ De polímeros de propileno               0  3917.23.00   ­­ De polímeros de cloreto de vinila             0  3917.29.00   ­­ De outros pásticos                 0  3917.3    ­ Outros tubos  3917.31.00  ­­ Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6Mpa    5  3917.32   ­­ Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de       outra forma com outras matérias, sem acessórios  3917.32.10   ­­ De copolímeros de etileno               5    ...         ...  3917.32.90   ­­ Outros                   5  3917.33.00  ­­ Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de       outra forma com outras matérias, com acessórios        5  3917.39.00   ­­ Outros                   5  31. Assim, a classificação fiscal é 3917.32.90 para os eletrodutos  flexíveis e 3917.33.00 para os tubos extensíveis, estando correto  o entendimento da autoridade fiscal.    Essa discussão já mereceu julgamento no âmbito deste CARF. Para ilustrar o  voto,  traz­se o acórdão nº 3401­005.140, de 21 de  junho de 2018. Naquela assentada, vários  processos da ora recorrente  ­ MEXICHEM BRASIL  INDUSTRIA DE TRANSFORMACAO  PLASTICA LTDA  ­  com  o mesmo  objeto  do  caso  ora  sub  analisis  foram  solucionados  em  desfavor do contribuinte:  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS   Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012   Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.336          10 ELETRODUTO  CORRUGADO  FLEXÍVEL  EM  PVC  E  TUBO  EXTENSÍVEL UNIVERSAL EM PVC. NORMAS ABNT.  Os produtos  fabricados pela recorrente devem ser classificados  nas  NCM  3917.32.90  e  3917.33.00,  por  serem  flexíveis,  fabricados  em  PVC,  e  suportarem  pressão  abaixo  do  mínimo  definido na NCM.    Extrai­se do voto vencedor naquela ocasião, a seguinte lição:  (...)  A  questão  parece  tão  simples  e  tão  óbvia  que  a  primeira  vista  não  há  questionamentos  a  serem  efetuados.  Rígido  e  flexível  são  duas  definições  que  se  opõem  e  que  são  utilizadas  cotidianamente em muitas situações.  Por  isso  nosso  primeiro  impulso  é  buscar  essas  definições  nos  dicionários, já que são de uso corrente. No dicionário Houaiss,  disponível  no  endereço  eletrônico  https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v33/html/index.php#0  encontramos as seguintes definições:  Rígido   em que há rigidez   1 falto de maleabilidade física; teso, rijo, hirto, duro ‹corpo r.›  ‹metal r.›  2  p.metf.  que  é  ou  se  mostra  inflexível  em  suas  opiniões,  decisões etc.; duro, intransigente   3 que denota severidade, austeridade; austero ‹princípios r.›  ‹homem r.›  3.1  falto  de  meiguice,  de  ternura  com  relação  a  outrem;  rude,  áspero ‹pais r.›  4 que não permite  frouxidão;  exato,  rigoroso  ‹tinha no  trabalho  um horário r.›  4.1 extremamente controlado; minucioso, apurado ‹r. controle de  qualidade›   sinônimos   ver sinonímia de rigoroso   antônimos: flexível   Flexível   adjetivo de dois gêneros   1 que se dobra ou curva com facilidade; arqueável, flexo   Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.337          11 2 que revela agilidade; elástico, elegante ‹um andar f.›  3 fácil de manejar; domável   4 que se acomoda facilmente às circunstâncias, que é facilmente  influenciável; dócil, maleável, compreensível ‹um caráter f.›  5 que tem aptidão para diferentes atividades   sinônimos   ver antonímia de sólido   antônimos:  ferrenho,  inflexível,  intransigente,  rígido;  ver  tb.  sinonímia de sólido   Como se pode concluir, com o auxílio do dicionário, rígido é o  antônimo de flexível, sendo flexível aquilo que se dobra ou curva  com  facilidade,  aquilo  que  é  arqueável,  que  é  flexo,  que  é  elástico, fácil de manejar, domável. Já rígido é aquilo em que há  rigidez, que falta maleabilidade física, é teso, rijo, hirto, duro.  A  partir  dessas  constatações  chegamos  as  duas  subposições  de  primeiro nível possíveis:  3917.2 Tubos rígidos   3917.3 Outros Tubos   Ora  ou  o  tubo  é  rígido  ou  ele  não  é  rígido,  tanto  assim  que  o  Sistema Harmonizado faz a distinção em Tubos rígidos e outros  tubos. Muitos países adotaram a  tradução como "3917.3 Tubos  não rígidos" ao invés de outros tubos. A título de esclarecimento,  na versão em inglês do SH temos:  3917.2 Tubes, pipes and hoses, rigid:  3917.3 Other tubes, pipes and hoses:  Valendo­nos  do  senso  comum  podemos  concluir  que  estamos  diante de  tubos  flexíveis,  já que a própria  recorrente apresenta  seu  produto  como  "Eletroduto  corrugado  flex"  e  no  site  da  empresa o produto é apresentado como,  fazendo parte da  linha  "Eletroduto de PVC flexível Corrugado":  Os eletrodutos flexíveis corrugados são aplicados em instalações  prediais elétricas de baixa  tensão, para condução e acomodação  de  fios,  cabos  elétricos  e  dispositivos  embutidos  em  paredes  e  lajes, ou aparentes em local protegido. O sistema é composto por  eletrodutos  corrugados  para  paredes  (amarelo)  e  para  lajes  (laranja), com comprimento comercial de 50 metros, para bitolas  de  20  e  25 mm;  e  25 metros  para  bitola  de  32 mm. O  sistema  corrugado  oferece  ao  produto  alta  resistência  à  compressão  diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvar­se com  facilidade.  Antichama,  o  produto  adequa­se  perfeitamente  às  exigências  da  norma  NBR  5410,  oferecendo  segurança  às  instalações  elétricas  de  baixa  tensão.  Completa  o  sistema  uma  Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.338          12 linha de caixas de  luz e  luvas de pressão, que se  interligam aos  tubos pelo sistema de simples encaixe.  No  caso  dos  tubos  extensíveis,  ou  engates  flexíveis,  eles  são  apresentados  no  catálogo  da  empresa  como  "Sifão  Extensível  Universal", relativo aos mesmos códigos de produtos apontados  pela  fiscalização  (10101,  17311,  96665  e  17815).  E  consta  o  esclarecimento que "o tubo extensível universal permite que sua  curvatura  tome  o  formato  de  um  sifão",  e  que  esses  tubos  possuem corpo sanfonado.  Claro  que  não  podemos  nos  valer  apenas  do  que  afirma  a  recorrente  ser  o  produto,  mesmo  que  em  informações  amplamente divulgadas para efeitos de comércio e propaganda.  Para  a  classificação  fiscal  é  preciso  haver  a  identificação  correta da mercadoria.  Também  não  cabe  à  classificação  fiscal  adotar  critérios  diferentes  dos  preconizados  pelas  normas  do  Sistema  Harmonizado. Não há como adotar, conforme quer a recorrente,  a resistência ao  invés da rigidez para classificar a mercadoria,  já que esse não  foi o critério escolhido pelo SH. Esclareço que  nem  sempre  os  critérios  elegidos  para  a  classificação  fiscal  de  uma mercadoria coincidem com as necessidades de mercado, de  produto  ou  de  outras  normas  existentes  (normas  de  outros  órgãos administrativos são próprias às necessidades do órgão e  o  objetivo  que  se  quer alcançar).  São  critérios  próprios  do  SH  que devem ser seguidos.     Atento a  tudo quanto  foi dito e sopesado, entendo que a razão está  com a  auditoria­fiscal que procedeu à reclassificação fiscal dos produtos.  DA MULTA APLICADA  No  que  tange  à  reclamação  da  multa  de  ofício,  que  seria  confiscatória,  desproporcional e desarrazoada, adoto in totum as razões da decisão hostilizada:  Multa. Inconstitucionalidade.  20.  Alegou  a  contribuinte  que  a  multa  aplicada  seria  confiscatória e, por conseguinte,  inconstitucional. Nesse  tópico,  vale lembrar que a vedação ao confisco prevista na Constituição  Federal é dirigida ao  legislador. Tal princípio orienta a feitura  da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode  dar ao tributo a conotação de confisco.  21. Uma  vez  positivada  a  norma,  é  dever  da  autoridade  fiscal  aplicá­la, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos  que gerou, uma vez que o lançamento é uma atividade vinculada  e  não  cabe  à  autoridade  administrativa,  em  face  dessa  sua  vinculação  ao  texto  legal,  apreciar  questões  de  ordem  constitucional  ou  doutrinária.  Tal  entendimento  é,  inclusive,  Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 10920.723935/2012­81  Acórdão n.º 3302­007.247  S3­C3T2  Fl. 1.339          13 objeto  de  súmula  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais do Ministério da Fazenda, conforme segue:  “Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”    Por  fim,  o  pedido  para  que  as  intimações  ocorram  no  endereço  dos  patronos da causa merece ser indeferido, uma vez que vai de encontro ao preceituado no art.  23 do Decreto nº 70.235/72, que prevê as intimações sempre no domicílio tributário do sujeito  passivo.  Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso; e na parte conhecida, voto  por  rejeitar  as  preliminares  arguidas,  e  no  mérito,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.   (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado                                Fl. 1339DF CARF MF

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Numero do processo: 13603.720056/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/06/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. Por aplicação da RGI-1 combinada com a Nota 3 da Seção XVI, as impressoras multifuncionais devem ser classificadas nos desdobramentos da subposição 8471.60, da TIPI/2002, sendo que a posição 9009, preconizada pelo ADI SRF nº 7/2005, foi desautorizada pelo próprio Governo Federal ao publicar o Decreto nº 5.802, de 06 de junho de 2006, que introduziu vários "Ex" relativos à impressoras multifuncionais na subposição 8471.60.
Numero da decisão: 3302-008.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-04-06T18:18:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-04-06T18:18:40Z; Last-Modified: 2020-04-06T18:18:40Z; dcterms:modified: 2020-04-06T18:18:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-04-06T18:18:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-04-06T18:18:40Z; meta:save-date: 2020-04-06T18:18:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-04-06T18:18:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-04-06T18:18:40Z; created: 2020-04-06T18:18:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2020-04-06T18:18:40Z; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-04-06T18:18:40Z | Conteúdo => S3-C 3T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13603.720056/2007-11 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-008.294 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2020 Recorrente JABIL DO BRASIL INDUSTRIA ELETROELETRONICA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/06/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. Por aplicação da RGI-1 combinada com a Nota 3 da Seção XVI, as impressoras multifuncionais devem ser classificadas nos desdobramentos da subposição 8471.60, da TIPI/2002, sendo que a posição 9009, preconizada pelo ADI SRF nº 7/2005, foi desautorizada pelo próprio Governo Federal ao publicar o Decreto nº 5.802, de 06 de junho de 2006, que introduziu vários "Ex" relativos à impressoras multifuncionais na subposição 8471.60. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Por bem esclareccr a lide, adoto o relato da decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 00 56 /2 00 7- 11 Fl. 729DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-008.294 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.720056/2007-11 Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 14/05/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição PIS/COFINS, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, além de multa regulamentar, no valor de R$ 2.273.333,33, em virtude dos fatos a seguir descritos. No exercício das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal, com base nos arts 149, 194, 195 e 196 e seus §§ únicos do Código Tributário Nacional - C.T.N. (Lei n° 5.172/66), no artigo 190 da Portaria SRF 259/01, bem como nos artigos 8o e 10 dc Decreto 70.235/72, nos dispositivos do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 4.543, de 26/12/02) e em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal - MPF-F n° 06.1.51.00-2007-00035-0, procedeu-se à auditoria das importações realizadas pela JABIL DO BRASIL INDUSTRIA ELETROELETRÔNICA LTDA com o objetivo de verificar a regularidade da classificação fiscal adotada para a importação de máquinas multifuncionais monocromáticas relativas as Declarações de Importação relacionadas às folhas 88 e 89 do processo digital. De acordo com o site do fabricante, todos os equipamentos importados, tais como: modelos X644E, X642E, X850E, X340, X342N, X646E, constantes nas Declarações de Importação mencionadas, foram descritos como: Multifuncionais laser monocromáticas com funções para digitalização, cópia, fax e impressão. Os equipamentos se distinguem por características de velocidade e resolução de impressão, capacidade do processador e memória, capacidade de alimentação do papel, etc, conforme especificações detalhadas de cada modelo. Já o importador descreve o produto como: Impressora base multifuncional monocromática, copiadora, digitalizadora (scanner optico) e Fac Símile, conforme extratos das Dls às folhas 159 a 432, e as classifica, ora na posição 8471.60.25 ora na 8471.60.30, de acordo as diferentes velocidades de impressão. A fiscalização, por sua vez, não entende que um equipamento que tem como funções: imprimir, copiar, scannear e enviar fax pode ser definido simplesmente como impressora, uma vez que, de forma eficiente, ele executa cada uma dessas funções e entende como correta a classificação fiscal no código NCM 9009.21.00. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 18/05/2007 (fls.4), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 13/06/2007, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 454 à 464, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: PRELIMINARMENTE - Da ausência de produção de provas. Em uma primeira abordagem, mister ressaltar que a autuação fiscal, resultante de ato de revisão aduaneira, não se fez acompanhar de nenhuma prova ou subsidio técnico, que pudesse confirmar e comprovar as conclusões, que deram suporte a pretendida imposição. A fiscalização não produziu nenhuma prova que pudesse fundamentar os critérios de classificação por ela adotados, e que pudessem definir a controvérsia pela aplicação da Regra 3 “c”, das Regras Gerais. A situação antes noticiada, por si só, já deflagraria a nulidade do auto de infração de fls. e fls. sob os auspícios do art. 50, inciso II, do Decreto 70.235/72, e, mais legislação aplicável, porque, agindo como agiu, a fiscalização impediu a requerente de se defender, de forma efetiva e objetiva, dela subtraindo o exercício do seu Amplo Direito de Defesa. DA MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Outrossim, a alteração da classificação tarifária processada pela fiscalização, após o desembaraço da mercadoria, em decorrência de ato de revisão aduaneira, trata-se de procedimento que implica na mudança de critério jurídico, atropelando desta forma, o disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional. Fl. 730DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-008.294 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.720056/2007-11 NO MÉRITO As NCM’s lançadas nos despachos aduaneiros, devem prevalecer, ser mantidas, posto atendidos os critérios legais, que definem as classificações das mercadorias então despachadas. Nunca é demais repetir que as mercadorias, objeto da discussão, tratam-se, sem dúvida, de impressoras laser monocromáticas multifuncionais, que propiciam a implementação de s se uintes recursos.: - digitalização de imagem em cores (scanner); - comunicação fax e modem; e - cópias de documentos. Importante notar que a função básica de impressão e mais aquelas antes mencionadas, somente poderão ser executadas, se associadas a um computador, ou rede de computadores, daí seu enquadramento na NCM/TEC 8471, e, mais adiante na sub posição 8471.60, que se refere as Unidades de Entrada ou de Saída. Acrescentando, entre estas, nas NCM's 8471.60.25 e 8471.60.30, as impressoras, objeto da presente demanda, enquadramento tarifário este que deve prevalecer, porque em perfeita harmonia com o disposto na R.G.I. n.1 c.c. R.G.I 3 “b”. Por outro lado, e, agora abordando o critério de classificação agasalhado pela fiscalização aduaneira, em boa hora, é preciso consignar que siferentemente das impressoras multifuncionais, as fotocopiadoras, classificadas na NCM 9009.21.00, tratam-se de aparelhos, que operam isoladamente, como um artefato óptico analógico, sem conexão com qualquer computador ou sistema de processamento de dados. Tanto assim que, comparando o processo de obtenção de cópias, utilizado pelas impressoras multifuncionais, com aquele usado pelas fotocopiadoras, a Requerente pode afirmar, que os mesmos são diferentes. Forçoso constatar, que as fotocopiadoras de que trata a NCM 9009.21.00, não realizam quaisquer das funções das impressoras multifuncionais da subposição NCM 8471.60, uma vez que a função de obter cópia, num e noutro caso, se processa de uma forma totalmente diferente. Portanto, as mercadorias classificadas no código NCM/TEC 90.09.21.00, tem características diferentes das impressoras multifuncionais dos códigos NCM/TEC 8471.60.25 e 8471.60.30 (é o caso), razão pela qual não podem as mesmas serem equiparadas. Como visto, em se tratando de impressoras multifuncionais, a função de obter-se cópias digitais não é aquela que apresenta maior relevância técnica, operacional e econômica , e por isso passa a ser considerada uma função secundária e vinculada a função principal, que é da impressora, e sem a qual deixa ela de existir. O fato de alguém pretender obter cópias, sem utilizar o sistema de processamento de dados, não significa que este alguém estará utilizando uma função usual, rotineira, do dia-a-dia, ou se pretende, assim agindo, simplesmente e excepcional mente, “quebrar um galho”, e empregar o aparelho numa função que não lhe é própria e para qual não foi concebido. Nesta linha de raciocínio, o interessado podería comprar una copiadora em condições comerciais muito mais acessíveis, e utilizá-la para a simples função de obter cópias de documentos. Com efeito, o fato de se pretender obter cópias, sem qualquer link com o computador ou rede, como dito, configuraria a um só tempo uso estranho, forçado, não usual, anormal, sem o caráter da habitualidade, e que não podería, por isso, ser erigido à condição de função específica, capaz de atrair para si a abrangência da Regra 3 “c” das Regras Gerais. Fl. 731DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-008.294 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.720056/2007-11 Oportuno ressaltar que a própria Receita Federal, ao editar o Decreto 5.802 de 9.06.2006, reconheceu, implicitamente, que as mercadorias, com mais de uma função, não deverIam permanecer alojadas no código NCM/TEC 9009.21.00. DAS PROVAS Sem prejuízo das preliminares aqui argüidas, e, invocando o Princípio da Eventualidade, a Requerente solicita a realização de perícia com objetivo de propiciar os esclarecimentos sobre os aspectos técnicos, que interferem na classificação das mercadorias objeto da autuação. A Requerente formula os quesitos adiante mencionados e indica como seu assistente técnico, o Eng° Sérgio Campos Gomes, CREA n° 0601409128/SP; telefone: (011) 4994-1804; e-mail: scq@scgconsult.com.br. EXIGÊNCIAS FISCAIS Para a Requerente, os créditos tributários e aquele outros, referentes as contribuições, são incabíveis, indevidos, pois, como visto, em desacordo com as normas legais aplicáveis. Uma vez confirmada a classificação tarifária adotada pela Requerente, não há se falar na exigência de quaisquer diferenças tributárias ou de outra natureza, acompanhadas das multas relacionadas no auto de infração ora combatido. Não é demais consignar que o comando inserido no artigo 45 da Lei n° 9430/96, com suas alterações posteriores, restringue-se aos casos de “Nota Fiscal”, e assim, de forma restritiva, há de ser interpretado, sem alcançar situações estranhas ao texto legal. A propósito, a empresa autuada se reporta à jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Ficais, que vem ao encontro do entendimento agora manifestado. Se a discussão descer ao mérito, deve ser mantida a classificação das mercadorias nos códigos NCM/TEC 8471.60.25 e 8471.60.30. DO PEDIDO Para que seja acolhida a preliminar de nulidade aqui argüida e declarada a insubsistência da ação fiscal. Se houver discussão do mérito, que seja .ecurn tecida a classificação adotada pela Requerente e declaradas devidas todas as exigências constantes da autuação. Em 30/07/2014, a DRJ/SPO julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/06/2006 Importação de equipamento multifuncional por ele classificadas na Tarifa Externa Comum ora no código 8471.60.25 ora no 8471.60.30, de acordo as diferentes velocidades de impressão. Através do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria no Código NCM 9009.21.00. Em momento alguma a fiscalização procedeu com a modificação de critérios jurídicos. Toda a ação fiscal se baseia em erro de fato atribuído ao importador que elegeu uma classificação fiscal indevida. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia. Fl. 732DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-008.294 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.720056/2007-11 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão, em 28/08/2014, consoante AR constante dos autos, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 19/09/2014, consoante Termo de solicitação de juntada de documentos, no qual reprisou parcialmente as alegações ofertadas na impugnação ao tempo que criticava as razões de decidir do acórdão guerreado. Por fim, requer a reforma da decisão de primeiro grau e a improcedência do auto de infração. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado e conhecido. A matéria é por demais conhecida neste Conselho, e há decisões favoráveis tanto para o Fisco como para os contribuintes, dependendo da época do fatos geradores e da composição dos Colegiados. Ao meu sentir, para o fato gerador do presente contencioso – 23/06/2006 – o ADI SRF nº 7/2005, utilizado para dar supedâneo à decisão recorrida, não mais se aplica, porquanto foi desautorizado pelo próprio Governo Federal ao publicar o Decreto nº 5.802, de 06 de junho de 2006 (TIPI), que introduziu vários "Ex" relativos à impressoras multifuncionais na subposição 8471.60. Nesse diapasão, vale a pena trazer à colação as lições do voto condutor do acórdão 3402-002.851, de 26/01/2016, que assumo como minhas razões de decidir: (...) Nesse sentido, a declaração de voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan no Acórdão nº 3403003.186, de 20 de agosto de 2014, cujos fundamentos adoto para os fins do art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99. No que respeita à classificação fiscal das impressoras multifuncionais, o cerne da discórdia entre o fisco e o contribuinte está em estabelecer qual é a função principal do produto (impressora, copiadora ou escâner?) para o fim de aplicar as Notas 3 e 5 da Seção XVI da Nomenclatura, as quais estabelecem o seguinte: Notas 3 e 5 da Seção XVI: 3.Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções Fl. 733DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-008.294 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.720056/2007-11 diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. (...) 5.Para a aplicação destas Notas, a denominação “máquinas” compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. O contribuinte entende que a característica essencial do produto é dada pela função de impressora, razão pela qual, com base na Nota 3 da Seção XVI e na RGI3B, a classificação fiscal deveria ocorrer sob o código 8471.60.21. Já o fisco entende que nenhuma das três funções pode ser considerada predominante nesse tipo de equipamento e, sendo assim, com base na RGI 3C preconizou a classificação na posição 9009. Essa questão também já foi objeto de inúmeras decisões no âmbito do CARF, favoráveis à EPSON DO BRASIL, pois é evidente que a função essencial do produto é a de impressora, uma vez que nenhum ser humano em seu juízo normal adquire uma impressora multifuncional pensando em utilizála como copiadora, mas sim para acoplála ao seu computador pessoal como dispositivo de saída. Não foi outra a constatação dos Engenheiros do IPT na verdadeira aula que deram no laudo técnico anexado aos autos (fl. 139): (...) Entre as várias decisões proferidas no âmbito do CARF sobre o assunto, invoco o Acórdão 3802001.070, relatado pelo ilustre Conselheiro Sólon Sehn, que cita trecho do Acórdão 3802001.002 no qual o relator, Conselheiro Régis Xavier Holanda, faz interessante interpretação no sentido de que com o advento do Decreto nº 5.802, de 06 de junho de 2006 (que alterou a TIPI 2002), o próprio Governo Federal desautorizou a interpretação pretendida pelo Ato Declaratório SRF nº 7, de 26/07/2005. Pela relevância e pela pertinência do Acórdão 3802001.070, tomo por empréstimo a sua fundamentação para adotála como razão de decidir deste voto, in verbis: "(...) A classificação fiscal aplicável às impressoras multifuncionais foi pacificada no âmbito da Terceira Seção de Julgado (sic) do Carf. Nesse sentido, cumpre destacar o Acórdão nº 310100.253, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, da lavra do eminente Conselheiro Luiz Roberto Domingo, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Datado fato gerador: 28/09/2005. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifucionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afasta a da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente pacificada no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n°1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado comercialmente de "impressora Fl. 734DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-008.294 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.720056/2007-11 multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax),capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CTN°1/ATA N°08/08). Recurso Voluntário Provido. Na mesma linha, colocase o entendimento da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS, IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. Não se classificam na posição NCM 9009, as impressoras multifuncionais, identificadas como aquelas capazes de realizar duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a urna máquina automática para processamento de dados ou a uma rede. (Acórdão 320100.503. Rel. Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Sessão de 01/07/2010). Referida interpretação também é acolhida por unanimidade pela Turma, consoante Acórdão nº 3802001.002, da sessão de 22 de maio de 2012, da lavra do eminente Conselheiro Régis Xavier Holanda: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 17/03/2006 [...]CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telescópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto nº 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF Nº 7, de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Carf. 2ª Turma Especial. 3ª Seção. Acórdão nº 3802001.002. Processo nº 19814.000209/200621). Cabe destacar a seguinte passagem do voto do relator, que analisa a classificação aplicável antes da introdução da NCM nº 8443.31: [...] Entretanto, a meu ver, em que pese a possibilidade de utilização principal do produto em qualquer de sua funções – a depender das necessidades e desejos do usuário, é relevante para a adequada classificação fiscal o fato dessas máquinas terem como característica essencial a sua conectividade a uma máquina automática para processamento de dados, funcionando como unidades de entrada e/ou saída, o que atrai, de forma mais adequada, a subposição 8471.60 adotada pelo recorrente. Ademais, tenho que, a princípio, em termos objetivos, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. Fl. 735DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-008.294 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.720056/2007-11 Dessa forma, tenho que a classificação fiscal adequada para o produto em estudo correspondia, à época, à adotada pelo recorrente, ou seja, na subposição 8471.60. Nessa mesma linha, como bem apontado pela recorrente, na vigência do referido ADI nº 7, o Governo decidiu baixar o Decreto n° 5.802, de 06 de junho de 2006, criando na TIPI os desdobramentos na descrição dos produtos sob a forma de destaques “Ex” relativos aos seguintes subitens: (...) Dessa forma, aplicando estes destaques aos códigos em epígrafe, o Governo acabou por chancelar que as impressoras providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile, deveriam se classificar na posição 8471. (...)" No mesmo sentido, aponto o Acórdão 3301002.063, de 25 de setembro de 2013, rel. Conselheiro Antonio Lisboa Cardoso, que posicionou as multifuncionais no código pretendido pelo contribuinte. Considerando que é evidente que a função essencial da impressora multifuncional é a impressão de documentos, mediante acoplagem a um computador ou a uma rede, por aplicação da RGI1, combinado com a Nota 3 da Seção XVI, tal produto deve ser classificado na subposição 8471.60, tal como procedeu o contribuinte. A minha ressalva em relação ao raciocínio das partes é que a regra que define a classificação das multifuncionais é a RGI1 e não a RGI3B, isso porque a Nota 3 da Seção XVI é quem define o critério da função essencial para o fim determinar o enquadramento nas posições. Sendo assim, e estando as impressoras nominalmente citadas na subposição 8471.60 da TIPI/2002 e seus desdobramentos, a classificação ocorre por aplicação da RGI1, combinada com a Nota 3 da Seção XVI, e não por aplicação da RGI3B, que somente é aplicável a produtos misturados, constituídos por matérias diferentes ou sortidos. Posto isso, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 736DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 11128.001986/2002-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/07/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto o argumento de indicação de duas posições tarifárias, em verdade, não chegou a configurar problema para uma defesa efetiva por parte da recorrente. Além disso, a descrição dos fatos está perfeitamente delineada, bem como os fundamentos legais em que se escorou a imputação fiscal, não havendo chance para cerceamento do direito de defesa; ao revés, a recorrente defendeu-se muito bem das imputações. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto. LUPRANATE M 20 S. Consoante informações do laudo do LABANA, da folha de dados de segurança do material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição específica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco - 3824.90.89. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÕES. GUIA DE IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Guia e licenciamento de importação, documentos não-contemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, “b”, do Decreto-lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplica-se a súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de ser legítima a taxa SELIC a partir de 1º de abril de 1995.
Numero da decisão: 3101-000.632
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa por falta de Licença de Importação, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, relator, e Henrique Pinheiro Torres, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Tarásio Campelo Borges para redigir o voto vencedor.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/07/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto o argumento de indicação de duas posições tarifárias, em verdade, não chegou a configurar problema para uma defesa efetiva por parte da recorrente. Além disso, a descrição dos fatos está perfeitamente delineada, bem como os fundamentos legais em que se escorou a imputação fiscal, não havendo chance para cerceamento do direito de defesa; ao revés, a recorrente defendeu-se muito bem das imputações. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto. LUPRANATE M 20 S. Consoante informações do laudo do LABANA, da folha de dados de segurança do material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição específica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco - 3824.90.89. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÕES. GUIA DE IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Guia e licenciamento de importação, documentos não-contemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, “b”, do Decreto-lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplica-se a súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de ser legítima a taxa SELIC a partir de 1º de abril de 1995.

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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa por falta de Licença de Importação, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, relator, e Henrique Pinheiro Torres, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Tarásio Campelo Borges para redigir o voto vencedor.

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BASF POLIURETANOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 31/07/2001  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.  Cumpre  afastar  a  preliminar  de  nulidade  do  auto  de  infração,  porquanto  o  argumento de indicação de duas posições tarifárias, em verdade, não chegou  a configurar problema para uma defesa efetiva por parte da recorrente. Além  disso,  a  descrição  dos  fatos  está  perfeitamente  delineada,  bem  como  os  fundamentos  legais  em  que  se  escorou  a  imputação  fiscal,  não  havendo  chance  para  cerceamento  do  direito  de  defesa;  ao  revés,  a  recorrente  defendeu­se muito bem das imputações.  INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.   O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado,  razão por que não há  como decretar nulidade da decisão  recorrida  sob este  aspecto.  LUPRANATE M 20 S.  Consoante  informações  do  laudo  do  LABANA,  da  folha  de  dados  de  segurança  do material  e  do  boletim  técnico,  produzido  pela  exportadora,  o  produto  em  tela  é  uma mistura  à  base  de  compostos  orgânicos,  que  não  é  especificado nem compreendido em posição específica, merecendo, portanto,  a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco ­ 3824.90.89.  INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE  IMPORTAÇÕES.  GUIA  DE  IMPORTAÇÃO.  LICENCIAMENTO  DE  IMPORTAÇÃO.  PENALIDADE.  Guia e licenciamento de importação, documentos não­contemporâneos e com  naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações;  aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta  de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     2 169, I, “b”, do Decreto­lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562,  de 1978.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  Aplica­se a súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no  sentido de ser legítima a taxa SELIC a partir de 1º de abril de 1995.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a  preliminar de nulidade do auto de infração, vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio,  Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Por unanimidade de votos, rejeitar a  preliminar de nulidade da decisão recorrida. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  excluir  da  exigência  a  multa  por  falta  de  Licença  de  Importação, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, relator, e Henrique Pinheiro  Torres,  que  negavam  provimento.  Designado  o  Conselheiro  Tarásio  Campelo  Borges  para  redigir o voto vencedor.    Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente    Corintho Oliveira Machado ­ Relator    Tarásio Campelo Borges ­ Redator Designado  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Elias Fernandes Eufrásio, Vanessa  Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado.    Relatório  Adoto  o  relato  do  órgão  julgador de  primeiro  grau  até  aquela  fase,  com as  devidas adições:  Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração,  lavrado  em  16/04/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a  exigência  do  Imposto  de  Importação,  Imposto  de  Produtos  Industrializados  acrescidos  de multa  proporcional  e multa  de  controle  administrativo,  no  valor  de R$74.300,59,  em  face  dos  fatos a seguir descritos.  A  empresa  acima  qualificada  submeteu  a  despacho  aduaneiro,através da Declaração de Importação nº 02/0023762­ 9,  de  10/01/2002,  o  produto  LUPRANATE  M  20S,  com  classificação  fiscal  na  posição  NCM  2929.10.90,  sofrendo  a  incidência  das  alíquotas  de  Imposto  de  Importação  3,5%  e  Imposto  de  Produtos  Industrializados  0%  A  Declaração  de  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/2002­95  Acórdão n.º 3101­00.632  S3­C1T1  Fl. 275          3 Importação  foi  parametrizada  para  o  CANAL  VERDE  do  Siscomex, sendo desembaraçada automaticamente;  Em  11  de  janeiro  de  2002,  foi  determinado  que  a  referida  Declaração de Importação fosse submetida a conferência física,  conforme o artigo 36 da Instrução Normativa No. 69/96;  A mercadoria foi submetida à conferência física com solicitação  de Laudo Técnico do LABANA, através do pedido de exame LAB  102/GRAUFE;  Com o resultado dos laudos de assistência técnica No. 0160.01 e  No.  0160.02,  acompanhado  do  aditamento  No.  0370.01,  foi  constatado que a mercadoria efetivamente importada se tratava  de  MISTURA  DE  REAÇÃO  À  BASE  DE  ISOCIANATOS  AROMÁTICOS,  contendo  4,4  –  DIISOCIANATO  DE  DIFENILMETANO;   A  fiscalização  transcreveu  as  notas  do  Capítulo  29  da  Tarifa  Externa  Comum  e  as  Normas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  também  do  Capítulo  29,  para  descaracterizar  a  classificação fiscal do produto neste capítulo;  A  fiscalização,  apoiada  no  laudo  de  assistência  técnica  e  na  literatura  técnica,  decompôs  as  principais  propriedades  do  produto;  Utilizando  a  Regra  Geral  do  Sistema  Harmonizado  No.  1.  em  consonância  com  as  notas  do  Capítulo  38  da  Tarifa  Externa  Comum,  entendeu­se  que  este  capítulo  é  o  remanescente,  não  sendo o produto excluído pelas notas deste capítulo;  De modo complementar, ao se valer da Regra Geral do Sistema  Harmonizado  No  6,  a  fiscalização  elege  a  posição NCM  3824  como  a  adequada  para  a  classificação  fiscal  do  produto  LUPRANATE  M  20S,  por  ser  produto  à  base  de  compostos  orgânicos,  não  especificados  nem  compreendidos  em  outras  posições;  Por fim, a fiscalização conclui o auto de infração elegendo como  classificação  fiscal  adequada  para  o  produto  LUPRANATE M  20S a posição NCM 3824.90.89;  Também é imposta multa por importação desampara de guia de  importação ou documento equivalente, capitulada no artigo 526,  II  do  Regulamento  Aduaneiro  ­  Decreto  91.030/85,  conduta  consubstanciada  pela  não  observância  do  Ato  Declaratório  Cosit No. 12/97;  Em  decorrência,  foi  lavrado  o  presente  auto  de  infração,  exigindo  do  contribuinte  o  recolhimento  do  Imposto  de  Importação, Imposto de Produtos Industrializados acrescidos de  multa proporcional e multa de controle administrativo, no valor  de R$ 74.300,59 Cientificado do auto de infração, pessoalmente,,  em  23/04/2002  (fls.  1­frente),  o  contribuinte,  protocolizou  impugnação, por intermédio de seus advogados (procuração fls.  Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     4 42  protocolizou  impugnação,  tempestivamente  na  forma  do  artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 30/04/2002, de fls. 77 à 92,  instaurando assim a fase litigiosa do procedimento.  Na  forma  do  artigo  16  do  Decreto  70.235/72  a  impugnante  alegou resumidamente que:  A  impugnante aponta  impropriedade na  formulação do auto de  infração por parte da fiscalização ao eleger como classificação  fiscal correta para o produto LUPRANATE M 20S duas posições  distintas;  O  auto  de  infração  estaria  maculado  pela  contradição,  sendo  nulo por vício de forma;  Parecer Técnico No. 7071 do Instituto de Instituto de Pesquisas  Tecnológicas IPT atesta que o produto LUPRANAT M20 S, nome  comercial  LUPRANOL  tem  classificação  tarifária  na  posição  NCM 2929.10.90, correspondente a “outros isocianatos”;  Invoca  a  Regra  Geral  do  Sistema  Harmonizado  No.  3  para  evidenciar que a posição mais específica deve prevalecer sobre a  mais genérica;  Ante  o  disposto  no Ato Declaratório COSIT  10/97,  a multa  do  Imposto de Importação é incabível;  A multa de controle administrativo também é inoportuna pois a  impugnante não importou produto diverso do declarado;  A  aplicação  da multa  do  Imposto  de Produtos  Industrializados  não encontra respaldo legal no art. 80 da Lei 4.502/64;  Enquanto  discutível  a  questão  através  de  Processo  Administrativo Fiscal, incabível a exigência de juros moratórios;  Estando a mercadoria em classificação fiscal correta,  incabível  a imposição da multa aplicada com base no artigo 84 da Medida  Provisória 2.158­35:  A aplicação da Taxa Selic é inconstitucional;  Em consonância com o artigo 16 do Decreto 70.235/72, elabora  um rol de 14 quesitos para serem respondidos por peritos;   Pugna a insubsistência do Auto de Infração.  Em  18  de  julho  de  2007,  foram  juntadas  considerações  adicionais da autuada sobre a questão.  A DRJ em SÃO PAULO  II/SP  julgou procedente o  lançamento, vazando a  ementa nos termos que seguem:  Assunto: Classificação de Mercadorias   Data do fato gerador: 24/07/2001   O produto LUPRANATE M 20 S, foi importado e classificado na  posição NCM 2929.10.90, tida como incorreta pela fiscalização.  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/2002­95  Acórdão n.º 3101­00.632  S3­C1T1  Fl. 276          5 O  código  utilizado  pela  Fiscalização,  ou  seja,  o  3824.90.89  encontra respaldo nos elementos de prova constantes dos autos  Lançamento Procedente.  Discordando  da  decisão  de  primeira  instância,  a  interessada  apresentou  recurso voluntário, fls. 146 e seguintes, onde basicamente repete os argumentos apresentados  na  impugnação, aduz que houve cerceamento do direito de defesa (em virtude de a DRJ não  acatar o pedido de perícia) e requer provimento do apelo.  A Repartição  de  origem encaminhou os  presentes  autos  para  apreciação  de  Colegiado do Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fl. 224.    Posteriormente é juntada documentação e requerimento da recorrente para ser  intimada em novo endereço informado à RFB, fls. 262 a 273.   Relatados, passo ao voto.    Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     6 Voto Vencido  Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator  O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.  Preambularmente,  a  recorrente declina seu novo endereço,  fl. 228, que diz  ter informado à RFB e deve ser observado para fins de intimação dos atos desse processo.  Há duas preliminares ao mérito  ­ nulidade do auto de  infração (por suposta  indicação de duas posições  tarifárias, o que haveria dificultado a boa defesa da  recorrente) e  nulidade  da  decisão  a  quo  (em  virtude  de  a DRJ  não  acatar  o  pedido  de  perícia)  ­  e  vários  argumentos contrários à classificação fiscal levada a efeito pelo Fisco e em face da aplicação  das multas.  DO AUTO DE INFRAÇÃO   Em primeiro plano,  cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de  infração, porquanto a menção à posição tarifária 3824.90.32, no início do relato fiscal, trata­se  de erro material, como bem apontou a recorrente, em seu arrazoado, sendo que posteriormente  sempre  foi  apontado  o  código  3824.90.89  como  o  correto,  e  portanto  não  pode  prosperar  neste expediente a preliminar  invocada de  indicação de duas posições  tarifárias. Releva  dizer  também  que  a  descrição  dos  fatos  está  perfeitamente  delineada,  bem  como  os  fundamentos  legais  em  que  se  escorou  a  imputação  fiscal,  não  havendo  chance  para  cerceamento  do  direito  de  defesa;  ao  revés,  a  recorrente  defendeu­se  muito  bem  das  imputações, o que prova haver compreendido perfeitamente do que está sendo acusada. O que  de fato ocorreu foi um erro material, que a decisão de primeiro grau bem enfrentou:  Há  que  se  diga  que,  logo  no  começo  do  auto  de  infração,  a  fiscalização  cita  a  posição  NCM  3824.90.32  como  sendo  a  classificação  fiscal  correta  do  produto  LUPRANATE  M  20  S.  Todavia, ao  longo do corpo do auto de infração, a  fiscalização  montou um raciocínio lógico para indicar de modo substanciado  suas conclusões no sentido de que a classificação fiscal correta  do  produto  LUPRANATE  M  20  S  seria  a  posição  NCM  3824.90.89.  É evidente que a citação da posição se deu por mero descuido.  Todos os argumentos usados pela fiscalização no desenrolar da  formulação do  auto  de  infração apontam para  a  posição NCM  3824.90.89, o que de modo algum atenta contra o princípio do  contraditório e da ampla defesa, uma vez que o objeto da ação  fiscal ­ entendida aqui como a linha de argumentação que levou  a desclassificação fiscal do produto LUPRANATE M 20 S para a  posição NCM 3824.90.89 ­ é preciso e determinado.  DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU   O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado,  fl. 139, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto.  Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/2002­95  Acórdão n.º 3101­00.632  S3­C1T1  Fl. 277          7 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL   Quanto ao mérito do contencioso, peço licença para trazer à colação excerto  do acórdão nº 3101­00.260, desta Turma, deliberado em 19 de outubro de 2009, cuja matéria é  idêntica  a  deste  contencioso,  inclusive  sendo  o  mesmo  produto  importado  pela  mesma  recorrente. Naquela oportunidade, por maioria de votos, deu­se provimento parcial ao recurso  somente para afastar a multa de oficio por ausência de Licença de importação:   DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL   Quanto  ao  mérito,  reputo  da  maior  importância  dizer  que  o  laudo  do  LABANA  merece  toda  a  credibilidade  neste  contencioso,  porquanto  a  amostra  colhida  foi,  incontroversamente,  do  produto  efetivamente  importado,  suas  conclusões  cingem­se  a  dizer  o  que  é  e  para  que  serve  a  mercadoria  periciada,  abstendo­se  de  classificar  o  produto,  atribuição que não é própria do perito designado pela Secretaria  da Receita Federal do Brasil, e sim da recorrente e da auditoria­ fiscal.  Demais  disso,  o  documento  traduzido  como  Folha  de  dados de segurança do material,  fls. 35/36, nos dá informações  importantes  acerca  da  mercadoria  importada,  tais  como  os  ingredientes  do  produto,  fl.  36.  E  o  Boletim  técnico,  fl.  34,  apesar de não ter sido vertido para o português, é de um inglês  de boa compreensão (notadamente no que tange à aplicação da  mercadoria)  complementa  essas  informações,  fazendo  com  que  tenha­se  um  conjunto  razoável  de  provas  da  constituição  e  aplicação  do  produto  químico,  sendo  despicienda,  portanto,  a  perícia solicitada previamente.  A defesa da recorrente, quanto à classificação fiscal, em síntese,  diz  que  o  produto  importado  trata­se  de  uma  mistura  de  isômeros, e para comprovar isso traz laudo do Instituto Nacional  de Tecnologia, fls. 75 a 77, produzido unilateralmente, que além  de  concluir  que  o  produto LUPRANAT M20S,  é  provavelmente  uma  mistura  de  isômeros  de  diisocianatos  de  difenilmetano,  e  ainda  afirma  que  o  produto  deve  ser  classificado  na  posição  2929.10.90 da TEC. Num segundo momento, caso a classificação  fiscal adotada pela recorrente não se sustente, aponta a IN SRF  nº 509/2005, editada três anos após o fato gerador sub analisis,  que  aprovou  alterações  das  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias,  no  que  tange  ao  capítulo  39,  introduzindo  o  poli(isocianato  de  fenil metileno) no rol das resinas amínicas:  CAPÍTULO 39.  Página  731. Posição  39.09. Primeiro parágrafo.  Item 1). Novo  terceiro parágrafo.  Inserir o novo terceiro parágrafo seguinte :  "O  poli(isocianato  de  fenil  metileno)  (que  é  freqüentemente  denominado "MDI em bruto" ou "MDI polimérico") apresenta­se  na  forma  líquida,  de  aparência  opaca,  de  uma  cor  que  vai  do  castanho escuro ao castanho claro e  sintetiza­se por reação de  Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     8 anilina  e  de  formaldeído  para  constituir  o  poli(metileno  fenilamina) que,  reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá  as  funções  isocianato  livres.  É  um  polímero  modificado  quimicamente de anilina e de  formaldeído  (uma resina amínica  modificada  quimicamente).  O  polímero  daí  resultante  totaliza  uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida  entre  4  e  5  e  é  um  importante  pré­polímero  utilizado  na  fabricação de poliuretanos."  Página 732. Posição 39.09. Primeiro parágrafo. Item 3).  1.Primeiro parágrafo. Nova última frase.  Inserir a nova última frase seguinte :  "Estes produtos são geralmente vendidos como um elemento de  um sistema ou de sortido com vários componentes."  2.Novo segundo parágrafo.  Inserir o novo segundo parágrafo seguinte :  "Este grupo compreende também as misturas de poliuretano com  diisocianato  polifuncionais  não  reagido  (por  exemplo,  o  diisocianato de tolueno)."  Página 733. Posição 39.11. Primeiro parágrafo. Novo item 4).  Inserir o novo item 4) seguinte :  "4)Os polímeros com grupos isocianatos não especificados nem  compreendidos em outras posições, tais como :  a)As  policarbamidas  à  base  de  diisocianato  de  hexametileno  (HDI), sintetizadas por reação do HDI com água, para produzir  prépolímeros  apresentando uma quantidade média de  unidades  monoméricas compreendida entre 3  e 4. Estes produtos entram  na fabricação de tintas e de vernizes.  b)Os  poliisocianuratos  à  base  de  diisocianato  de  hexametileno  (HDI),  sintetizados  por  reação  do  HDI  para  produzir  pré­ polímeros apresentando ligações isocianuratos entre as unidades  monoméricas.  Os  pré­polímeros  têm  uma  quantidade  média  de  unidades  monoméricas compreendida entre 3  e 5. Estes produtos entram  na fabricação de tintas e de vernizes."  O item 4) atual torna­se 5). (Grifou­se).  Com  efeito,  nota­se  que  a  classificação  fiscal  do  produto  importado  não  é  operação  fácil  de  ser  efetivada.  A  própria  recorrente demonstra na sua peça recursiva que não está assim  tão  convicta  da  classificação  ofertada  originariamente,  no  capítulo  29  ­  PRODUTOS  QUÍMICOS  ORGÂNICOS  ­  e  pelo  princípio da eventualidade já acena com uma classificação fiscal  no  capítulo  39  ­  PLÁSTICOS  E  SUAS  OBRAS  ­  para  elidir  a  classificação  fiscal  dada  pelo  Fisco,  no  capítulo  38  ­  PRODUTOS DIVERSOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS.  Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/2002­95  Acórdão n.º 3101­00.632  S3­C1T1  Fl. 278          9 De  todo  modo,  como  já  assinalado  no  início  deste  item  (DA  CLASSIFICAÇÃO FISCAL)  louvo­me  nas  informações  trazidas  no  laudo  do  LABANA,  na  Folha  de  dados  de  segurança  do  material e no Boletim técnico produzido pela BASF para chegar  ao meu convencimento, no sentido de que, de fato, aqui se está  diante de um produto à base de compostos orgânicos, que não é  especificado  nem  compreendido  em  posição  específica,  merecendo,  portanto,  a  classificação  fiscal  residual  a  ele  atribuída  pelo  Fisco  ­  3824.90.89.  A  decisão  recorrida  traz  subsídios valiosos a respeito do tema:  Embora  a  Nota  1  “b”  do  capítulo  29  permite  que  nele  se  classifique uma mistura de isômeros de um mesmo produto, tanto  a  literatura  técnica  quanto  as  informações  técnicas  exaradas  pelo Labana analisam o produto como sendo composto de 42%  de  4,4´­MDI  (o  produto  puro),  3%  de  isômeros  de  4,4´­MDI  e  51,5%  de  produtos  oligoméricos  ou  oligômeros.  Segundo  a  Grande Enciclopédia Larousse Cultural,  1995, um oligômero é  uma “molécula de um polímero que apresenta poucas unidades  monoméricas  (de  peso  molecular  intermediário  entre  os  monômeros e os polímeros)”. Portanto, os oligômeros nada mais  são  que  polímeros  de  poucos monômeros,  não  se  confundindo,  pois,  com  isômeros,  que  são  substâncias  que  têm  a  mesma  fórmula  molecular,  ou  seja,  os  mesmos  átomos  nas  mesmas  quantidades, mas estruturas diferentes (os átomos, embora sejam  os mesmos em cada isômero, se estruturam de maneira diferente  em cada um deles).  Em suma, o produto é uma mistura de  reação constituída 42%  produto puro(4,4´­MDI ou 4,4´­Diisocianato de Difenilmetano),  isômeros deste produto, na proporção 3% do composto, e 51,5%  de oligômeros.  Aliás,  questionado  sobre  se  o  produto  era  de  constituição  química  definida  ou  uma  mistura  de  isômeros  de  um  mesmo  composto orgânico, em caso idêntico Acórdão DRJ Nº 17­780 de  2002,  o  INT  simplesmente  respondeu  afirmando  que  o  produto  tinha  a  composição  acima  referida,  omitindo­se  de  entrar  no  mérito da questão formulada.   Considerando  que  a  presença  de  isômeros  do  4,4´­MDI  é  de  apenas  3%,  conforme  esclareceu  o  Relatório  do  INT,  é  inconcebível  aceitar  a  tese  do  impugnante  de  que  o  produto  é  uma simples mistura de isômeros. Ainda que fosse alegado que a  mercadoria  seria  uma mistura  de  isômeros  do mesmo produto,  contendo impurezas, tal tese também impossível de se sustentar,  pois, a admiti­la como verdadeira, o produto se comporia em sua  maior parte de  impurezas,  posto que o produto principal  (4,4´­ MDI) e seus isômeros somam apenas 45% do composto. Além do  mais,  ficou  claro  tanto  no  Relatório  do  INT  quanto  na  Informação Técnica do Labana que o produto identificado pela  análise  como  PMDI  (o  Diisocianato  de  Difenilmetano  polimérico)  e  o  MDI  (o  produto  puro,  monomérico)  têm  propriedades  físico­químicas  e  registro  no  C.A.S.  diferentes,  o  que  prova  serem  duas  substâncias  de  natureza  diversas.  Em  Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     10 outras  palavras,  os  oligômeros  identificados  pela  análise  laboratorial,  mudam  a  natureza  físico­química  do  produto  principal,  razão  por  que  não  podem  ser  consideradas  meras  impurezas.  Acresça­se  a  tudo  isto,  o  fato  de  que  o  Labana  juntou  laudo  técnico  de  análise  do  produto  puro,  o  4,4´­  Diisocianato  de  Difenilmetano, conforme fls. 37, de nome comercial LUPRANAT  MS,  classificável no  capítulo 29,  fabricado pela própria BASF,  do  que  se  depreende  que  o  LUPRANAT  MS  e  o  LUPRANAT  M20S  são  substâncias  distintas,  o  primeiro,  de  constituição  química definida e isolado e o segundo, uma mistura de diversos  elementos, com propriedades distintas do produto puro.  Em face das considerações acima, não encontra respaldo a tese  defendida  pelo  impugnante  de  que  a mercadoria  importada  de  nome comercial LUPRANAT M20S se classifica no capítulo 29,  devendo, portanto, dele ser excluído.  O  fato  de  se  tratar  de  uma  mistura  de  reação,  ou  seja,  uma  mistura  não  intencional  de  vários  elementos  resultantes  da  mesma operação de síntese não assegura o seu enquadramento  tarifário  no  capítulo  29. Este  admite algumas misturas  que,  no  geral,  estão definidas na  sua nota nº 1,  o que não é o  caso da  mercadoria em discussão.  Nota­se  que  o  atual  contencioso  conta  com  as  mesmas  peças  que  formaram  naquele  outro  processo  um  conjunto  razoável  de  provas  da  constituição  e  aplicação  do  produto  químico,  sendo  despicienda,  portanto,  a  perícia  solicitada  previamente: o laudo do LABANA, fls. 49/52, Folha de dados de segurança do material, fls.  54/55,  e  o  Boletim  técnico,  fl.  53. Dessarte,  o  produto  em  tela  é  uma mistura  à  base  de  compostos  orgânicos  que  não  é  especificado  nem  compreendido  em  posição  especifica,  merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco ­ 3824.90.89.  DA MULTA ADMINISTRATIVA   Para a multa administrativa valem as mesmas observações apostas no voto do  acórdão prefalado:   DA MULTA ADMINISTRATIVA   Quanto  à  multa  administrativa  por  falta  de  licença  de  importação,  nota­se  que  a  recorrente  não  descreveu  a  mercadoria  com  todos  os  elementos  que  permitissem a  perfeita  identificação  do  produto,  não  sendo  portanto  o  caso  de  aplicação  do  AD(N)  COSIT  nº  12/96.  A  recorrente  apôs  a  seguinte  descrição  do  produto:  LUPRANAT  M  20  S  4,4  DIFENIL­METIL­DIISOCIANATO;  QUALIDADE:  INDUSTRIAL;  ESTADO  FÍSICO:  LÍQUIDO;  FINALIDADE:  UTILIZADO  NA  INDÚSTRIA  AUTOMOTIVA,  CONSTRUÇÃO  CIVIL, ETC. O laudo do LABANA assim caracterizou o produto:  Mistura  de  reação  à  base  de  isocianatos  aromáticos,  contendo  4,4’ – diisocianato de difenilmetano, na forma líquida. Ainda diz  que  a  mercadoria  é  utilizada  principalmente  na  fabricação  de  espumas de poliuretano.   Nessa moldura, ao meu sentir, a indigitada multa é exigível.  Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/2002­95  Acórdão n.º 3101­00.632  S3­C1T1  Fl. 279          11 DOS JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC  Quanto  aos  juros de mora calculados pela  taxa SELIC,  estes  correspondem  àqueles previstos na legislação de regência.  O artigo 161 do Código Tributário Nacional prevê:  Art.  161  ­ O crédito não  integralmente pago no vencimento  é acrescido de  juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de  garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.  § 1° ­ Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados  à taxa de 1% (um por cento) ao mês.  No caso em questão, os juros foram lançados com base no disposto no artigo  61, parágrafo 3º da Lei nº 9.430/96, conforme demonstrativo anexo ao auto de infração.  Assim, não houve desobediência ao CTN, pois este estabelece que os juros de  mora serão cobrados à taxa de 1% ao mês no caso de a lei não estabelecer forma diferente, o  que  veio  a  ocorrer  a  partir  de  janeiro  de  1995,  quando  a  legislação  que  trata  da  matéria  determinou a cobrança com base na taxa SELIC.  E  o Código  Tributário Nacional  só  prevê  a  dispensa  dos  juros  de mora  na  hipótese  de  pendência  de  consulta  formulada  pelo  devedor  dentro  do  prazo  legal  para  pagamento do crédito tributário, art. 161, § 2º:  Art 161(...)  §  2º  ­  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  na  pendência  de  consulta  formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.  Por  outro  lado,  o  artigo  5º  do  Decreto­lei  nº  1.736/79,  é  taxativo  quando  determina que:  Art.  5º  ­ A  correção monetária  e  os  juros  de mora  serão  devidos  inclusive  durante o período em que a  respectiva  cobrança houver  sido suspensa por  decisão administrativa ou judicial.  Quanto  à  taxa  SELIC,  entendo  aplicável  a  súmula  nº  4  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais:  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais.  Posto  isso,  REJEITO  AS  PRELIMINARES,  e  no  mérito,  NEGO  PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos.    Corintho Oliveira Machado  Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     12   Voto Vencedor  Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Redator Designado  Peço  vênia  ao  eminente  relator  para  discordar  de  suas  conclusões  no  enfrentamento  da multa do  controle  administrativo  das  importações,  fundamentada  no  artigo  633, inciso II, alínea “a”, do Regulamento Aduaneiro de 2002 [1], cuja base legal é o Decreto­ lei 37, de 1966, artigo 169, I, “b”, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978 [2]. A aplicação  dessa penalidade está ancorada em dois motivos:  a)  mercadoria  considerada  importada  sem  licenciamento,  em  face  de  sua  incorreta  classificação,  motivou  a  cominação  de  pena  cujo  fato  típico  consignado  no  Decreto­lei 37, de 1966, é falta de guia de importação ou documento equivalente;  b)  entende  o  autuante  que  guia  e  licenciamento  de  importação  são  documentos equivalentes.  Logo, faz­se necessário, em primeiro lugar, identificar a natureza da guia e a  do licenciamento de importação.  Reportando­nos  à  segunda metade  da  década  de  50  do  século  XX,  é  fácil  constatar que a guia de importação  foi  instituída “para  fins de  levantamento da estatística de  importação do comércio exterior” [3], nos termos do § 3º do artigo 38 da Lei 3.244, de 14 de  agosto  de  1957,  regulamentado  pelo  Decreto  42.914,  de  27  de  dezembro  de  1957,  posteriormente revogado por Decreto de 5 de setembro de 1991.  Quase  quatro  décadas  depois  da  instituição  daquele  documento  de  controle  estatístico,  no  Acordo  sobre  Procedimentos  para  o  Licenciamento  de  Importações,  parte  integrante da já citada ata final que incorpora os resultados da Rodada Uruguai de Negociações  Comerciais Multilaterais do GATT, aprovada pelo Decreto Legislativo 30, de 15 de dezembro  de 1994, e promulgada pelo Decreto 1.355, de 30 de dezembro de 1994, o  licenciamento de  importação é definido como procedimentos administrativos  [...]  que  envolvem  a  apresentação  de  um  pedido  ou  de  outra  documentação  (diferente  daquela  necessária  para  fins  aduaneiros)  ao  órgão                                                              1   RA,  artigo  633:  Aplicam­se,  na  ocorrência  das  hipóteses  abaixo  tipificadas,  por  constituírem  infrações  administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decreto­lei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o,  com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): [...] (II) de trinta por cento sobre o  valor  aduaneiro:  (a)  pela  importação  de  mercadoria  sem  licença  de  importação  ou  documento  de  efeito  equivalente,  inclusive  no  caso  de  remessa  postal  internacional  e  de  bens  conduzidos  por  viajante,  desembaraçados no regime comum de importação (Decreto­lei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e §  6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e [...].  2   Decreto­lei  37,  de  1966  (com  a  redação  dada  pela  Lei  6.562,  de  1978),  artigo  169:  Constituem  infrações  administrativas  ao  controle  das  importações:  (I)  importar  mercadorias  do  exterior:  [...]  (b)  sem  Guia  de  Importação  ou  documento  equivalente,  que  não  implique  a  falta  de  depósito  ou  a  falta  de  pagamento  de  quaisquer ônus  financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria.  [...]  (§ 6o) Para efeito do disposto neste artigo, o valor da mercadoria será aquele obtido segundo a aplicação da  legislação relativa à base de cálculo do Imposto sobre a Importação. [...].  3   Decreto 42.914, de 27 de dezembro de 1957, artigo 1º.  Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001986/2002­95  Acórdão n.º 3101­00.632  S3­C1T1  Fl. 280          13 administrativo  competente,  como  condição  prévia  para  a  autorização  de  importações para o território aduaneiro do Membro importador. [4] [Grifei]  Portanto, têm naturezas diversas a guia e o licenciamento de importação. Este  é  condição  prévia  para  a  autorização  de  importações;  aquela  era  necessária  para  o  controle  estatístico do comércio exterior.  No  que  respeita  à  desconformidade  do  disposto  no  artigo  633,  inciso  II,  alínea “a”, do Regulamento Aduaneiro de 2002, com sua matriz legal (Decreto­lei 37, de 1966,  artigo  169,  I,  “b”,  alterado  pelo  artigo  2º  da  Lei  6.562,  de  1978),  soluciono  esta  aparente  antinomia do ordenamento jurídico pelo critério hierárquico (lex superior), “aquele, pelo qual,  entre duas normas incompatíveis, prevalece a hierarquicamente superior: lex superior derrogat  inferiori” [5].  Assim, entendo equivocado, no caso concreto, infligir a multa do artigo 169,  I, “b”, do Decreto­lei 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo artigo 2º da Lei  6.562,  de  18  de  setembro  de  1978,  em  razão  de  não  ser  fato  típico  dela  a  importação  de  mercadorias ao desamparo de licenciamento de importação.  Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para  excluir da exigência a multa do controle administrativo de importações equivalente a 30% do  valor das mercadorias importadas ao desamparo de licenciamento de importação.    Tarásio Campelo Borges                                                                4   Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, artigo 1, parágrafo 1.  5   BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. Tradução: Maria Celeste Cordeiro Leite dos Santos.  Rev.  técnica:  Cláudio De Cicco. Apresentação:  Tercio  Sampaio  Ferraz  Júnior.  10  ed. Brasília: UnB,  1997,  p. 93.                Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 16/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 21/03/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MAC HADO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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Numero do processo: 12466.003131/2005-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2000 a 01/03/2001 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIR IDENTIFICAÇÃO DOS PRODUTOS RECLASSIFICADOS. A impossibilidade de aferição da verdadeira identidade dos produtos reclassificados reverbera a fragilidade da imputação. Na reclassificação fiscal, o Fisco deve descaracterizar a correção da classificação fiscal ofertada pelo contribuinte ao tempo em que deve acertar a nova classificação fiscal, à luz das provas de sua perfeita identificação constante dos autos.
Numero da decisão: 3803-005.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento. Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator. EDITADO EM: 03/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Relatório  Reporto­me  ao  relato  da  Resolução  nº  3101­000.129,  de  03/02/2011,  que  converteu  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  unidade  preparadora  jurisdicionante  do  domicílio tributário da recorrente providenciasse o seguinte:  1) intime a recorrente para, em prazo razoável ­ a) fornecer ao  Fisco  amostras  dos  três  produtos  objeto  das  importações  promovidas  nas  DIs  que  cuida  esse  expediente,  tais  como  importados,  para  fins  de  perícia  técnica;  b)  indicar,  querendo,  assistente técnico que poderá acompanhar os trabalhos do perito  ou  instituição  nomeada  pela  RFB  para  periciar  as  amostras  fornecidas.  2)  nomear  perito  ou  instituição  abalizada,  para  proceder  a  perícia  técnica  com o  escopo de  identificar  conclusivamente as  mercadorias  importadas  pela  recorrente,  que  deverá  responder  os seguintes quesitos propostos por este colegiado:   2.1)  quais  os  percentuais  dos  ingredientes,  que  os  respectivos  rótulos dizem conter, encontrados, para cada mercadoria?   2.2) as mercadorias estão prontas para consumo ou são matéria  prima para outros produtos?   2.3) as mercadorias podem ser definidas melhor como extrato de  vegetais ou suco de vegetais?   2.4)  há  alguma  propriedade  terapêutica  nas  mercadorias  que  obrigue  o  registro  delas  perante  o  Ministério  da  Saúde  e/ou  Vigilância Sanitária?   2.5)  diga,  se  houver,  qualquer  outra  informação  que  auxilie  a  plena identificação das mercadorias periciadas.  Após a juntada do laudo técnico aos autos, dê­se ciência desse à  recorrente,  em  prestígio  da  ampla  defesa  e  do  contraditório,  para manifestar­se, querendo, no prazo de trinta dias.  Após fluido o prazo acima, com ou sem manifestação, devolvam­ se os autos a esta Turma para julgamento.    A  tentativa  de  bem  atender  o  quanto  determinado  pelo  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais está devidamente explicitada na Informação fiscal de e­fl.  1538,  constando  ainda  do  expediente  a  manifestação  da  recorrente,  que  aponta  para  a  impossibilidade do fornecimento de amostras, inclusive destacando a proibição da importação  e comercialização dos produtos outrora importados, desde novembro de 2011.      Retornaram os autos.   Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12466.003131/2005­73  Acórdão n.º 3803­005.104  S3­TE03  Fl. 3          3   É o relatório.      Voto               Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator    Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à apreciação do apelo.    Em  preliminar,  insta  observar  que  a  diligência  determinada  pela  1ª  Turma  Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção o foi para fins de identificação conclusiva das mercadorias  importadas, porquanto os elementos  trazidos aos autos até então não propiciavam  tal evento.  Dizia o relator naquela oportunidade:  (...)  No  caso  destes  autos,  a  imputação  usa  como  subsídio  um  Parecer  da  Organização  Mundial  das  Aduanas  e  a  defesa  se  socorre de uma Solução de Consulta da Diana da 7ª RF, o que  indica ser o produto não só de difícil classificação, mas também  de difícil identificação.  Sem embargo disso, vislumbro alguns empecilhos ao julgamento  da causa no estado em que se encontra, que denotam problemas  na  identificação  das  mercadorias  importadas,  e  que  fazem  ser  este um feito deveras singular:  i)  a  conclusão  da  Auditoria­Fiscal  ­  de  que  a  mercadoria  importada se afeiçoaria ao produto descrito no Parecer da OMA  ­  foi  obtida  em  virtude  de  verificação  física  ocorrida  noutro  processo,  no  qual  a  recorrente  também  fizera  parte  como  importadora  das  mesmas  mercadorias,  e  não  pela  Auditoria­ Fiscal em contato com os produtos importados nas Declarações  de Importação ora em trato;  ii) o único laudo técnico nos autos foi produzido unilateralmente,  sem a  presença  do Fisco,  e  trata  de  classificação  fiscal,  o  que  não deve ser matéria ventilada em laudo técnico;  iii)  sem a  identificação precisa das mercadorias não é possível  classificá­las,  pois  há  pelo menos  três  ou  quatro  classificações  fiscais possíveis: 1302.19.90  ­ outros  sucos e extratos vegetais;  2009.80.00 ­ suco de qualquer outra fruta ou produto hortícola;  Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 2009.90.00  ­ misturas  de  sucos;  e  2202.90.00  ­  outras  bebidas  não alcoólicas. (...)    Pois bem, a diligência determinada restou frustrada ante a  indisponibilidade  das mercadorias  importadas por parte da recorrente, não só em função do tempo transcorrido  desde o auto de infração (mais de 6 anos) mas também por conta da proibição de importação e  comercialização desses produtos no País desde novembro de 2011.    Ao meu  sentir,  a  impossibilidade  de  aferição  da  verdadeira  identidade  dos  produtos  reclassificados  reverbera  a  fragilidade da  imputação nos  presentes  autos,  porquanto  sabe­se que o trabalho da auditoria­fiscal em casos como os que tais é dos mais ingratos, haja  vista  ter  de  o  Fisco  não  só  descaracterizar  a  correção  da  classificação  fiscal  ofertada  pelo  contribuinte, mas também e principalmente acertar a nova classificação fiscal, à luz das provas  de sua perfeita identificação constante dos autos. E se tais provas não são cabais não há como  prosperar a reclassificação.    Os arestos trazidos na manifestação da recorrente somente sufragam o quanto  dito acerca da dificuldade de  identificação e classificação das mercadorias  importadas nesses  casos.    Posto isso, voto por PROVER o recurso voluntário, para cancelar o auto de  infração.    CORINTHO OLIVEIRA MACHADO                                    Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - 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Numero do processo: 11128.003727/2002-07
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/02/2002 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto. Sob o prisma da referência ao produto LUPRANATE M 20 S, em vez de LUPRANATE M 70 R, este último o efetivamente importado, cabe a retificação da decisão recorrida, porquanto houve, de fato, lapso manifesto que merece reparo, porém, não se trata de vício que possa dar azo à nulidade da decisão recorrida, pois nenhum prejuízo teve a recorrente, a não ser de cunho meramente formal, que pode e deve ser sanado mediante observação no dispositivo deste voto. Outros fatores que militam em prol da desarrazoabilidade da declaração da nulidade, é o da instrumentalidade do processo e o da eficiência administrativa, no sentido de responder, efetivamente, ao recorrente com o menor ônus possível a este e ao erário. LUPRANATE M 70 R. Consoante informações do laudo do LABANA, da Folha de dados de segurança do material e do Boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição específica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco - 3824.90.89. MULTA ADMINISTRATIVA. Infração administrativa ao controle de importações. Guia de importação. Licenciamento de importação. Penalidade. Guia e licenciamento de importação, documentos não-contemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, "b", do Decreto-lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 1978. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplica-se a súmula n°4 do Terceiro Conselho de Contribuintes, no sentido de ser legitima a taxa SELIC a partir de 1° de abril de 1995. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3101-000.259
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, no mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa de oficio por ausência de licença de importação. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Corintho Oliveira Machado (Relator). Designado o Conselheiro Tarásio Campeio Borges para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Recorrida DRJ-SÃO PAULO IUSP ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/02/2002 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto. Sob o prisma da referência ao produto LUPRANATE M 20 S, em vez de LUPRANATE M 70 R, este último o efetivamente importado, cabe a retificação da decisão recorrida, porquanto houve, de fato, lapso manifesto que merece reparo, porém, não se trata de vício que possa dar azo à nulidade da decisão recorrida, pois nenhum prejuízo teve a recorrente, a não ser de cunho meramente formal, que pode e deve ser sanado mediante observação no dispositivo deste voto. Outros fatores que militam em prol da desarrazoabilidade da declaração da nulidade, é o da instrumentalidade do processo e o da eficiência administrativa, no sentido de responder, efetivamente, ao recorrente com o menor ônus possível a este e ao erário. LUPRANATE M 70 R. Consoante informações do laudo do LABANA, da Folha de dados de segurança do material e do Boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição específica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atnbuida pelo Fisco - 3824.90.89. MULTA ADMINISTRATIVA. Infração administrativa ao controle de importações. Guia de importação. Licenciamento de importação. Penalidade. Guia e licenciamento de importação, documentos não-contemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta „.1/ de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, "b", do Decreto-lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 1978. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplica-se a súmula n°4 do Terceiro Conselho de Contribuintes, no sentido de ser legitima a taxa SELIC a partir de 1° de abril de 1995. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, no mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa de oficio por ausência de licença de importação. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Corintho Oliveira Machado (Relator). Designado o Conselheiro Tarásio Campeio Borges para redigir o voto vencedor. irrr*niriTee-Pirfhei re5sC?rPresidente I 1 Corintho OlivetrÁ chado - Relator 1i a. a I t Tarásio Campeio : trges - Redator Designado , EDITADO EM: 05/11/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo e Valdete Aparecida Marinheiro. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas adaptações: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 23/07/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação, Imposto de Produtos Industrializados acrescidos de multa proporcional e multa de controle administrativo, no valor de R$ 38.574,42, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, através da Declaração de Importação No. 02/0135322-3, de 18/02/2002, o produto LUPRANATE M 70 R, com classificação fiscal na posição NCeld 2929.10.90. sofrendo a i 2 Processo n°11128.003727/2002-07 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.259 Fl. 185 incidência das aliquotas de Imposto de Importação 3,5% e Imposto de Produtos Industrializados 0% A mercadoria foi submetida à conferência física com solicitação de Laudo Técnico do LÁ BANA, através do pedido de exame LAB 0431/GR4UFE: Com o resultado do laudo de assistência técnica No. 0572 foi constatado que a mercadoria efetivamente importada se tratava de MISTURA DE REAÇÃO À BASE DE ISOCIANATOS AROMÁTICOS, contendo 4,4 — DILSOCIA1VATO DE DIFENILMETANO, na forma líquida; A fiscalização elegeu a classificação fiscal adequada para o produto LUPRANATE M 70 R a posição NCM 3824.90.89, com as aliquotas para o Imposto de Importação de 15,5% e para o Imposto de Produtos Industrializados de 10%; Aplicação da multa administrativa tipificada no artigo 526,11 do Regulamento Aduaneiro - Decreto 91.030/85; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento — AR, em 14/08/2002 (fls. 40-verso), o contribuinte, protocolizou impugnação, por intermédio de seus advogados (procuração fls. 55 protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 30/04/2002, delis. 41 à 54, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70235/72 a impugnante alegou resumidamente que: Parecer Técnico No. 7071 do Instituto de Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT atesta que o produto LUPRANAT M205, que tem a mesma composição química e destinação do LUPRANAT M7OR, ora importado, deve ter a mesma classificação tarifária na posição NCAI 2929.10.90, correspondente a "outros isocianatos"; Invoca a Regra Geral do Sistema Harmonizado No. 3 para evidenciar que a posição mais especifica deve prevalecer sobre a mais genérica; Ante o disposto no Ato Declaratório COS1T 10/97, a multa do Imposto de Importação é incabível; A multa de controle administrativo também é inoportuna pois a impugnante não importou produto diverso do declarado; A aplicação da multa do Imposto de Produtos Industrializados não encontra respaldo legal no art. 80 da Lei 4.502/64; Enquanto discutível a questão através de Processo Administrativo Fiscal, incabível a exigência de juros moratórios; Estando a mercadoria em classificação fiscal correta, incabível a imposição da multa aplicada com base no artigo 84 da Medida ) Provisória 2.158-35: 3 A aplicação da Taxa Selic é inconstitucional; Pugna a insubsistência do Auto de Infração. Em 18 de julho de 2007, foram juntadas consideraçães adicionais da autuada sobre a questão. A DRJ em SÃO PAULO IFSP julgou procedente o lançamento, vazando a ementa nos termos que seguem: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 23/07/2001 O produto LUPRANATÉ M 20 S, foi importado e classificado na posição NCM 2929.10.90, tida como incorreta pela fiscalização. O código utilizado pela Fiscalização, ou seja, o 3824.9089 encontra respaldo nos elementos de prova constantes dos autos. Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 144 e seguintes, onde basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação, aduz que houve cerceamento do direito de defesa (em virtude de a DRS não acatar o pedido de perícia) e aponta outro vicio da decisão a quo - a referência ao produto LUPRANATE M 20 S em vez de LUPRANATE M 70 R (apesar de os produtos terem a mesma classificação fiscal) e requer provimento do apelo. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação de Colegiado do Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fl. 182. Relatados, passo ao voto. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Preambularmente, a recorrente declina seu novo endereço, fl. 146, que deve ser observado para fins de intimação dos atos desse processo. Há uma preliminar ao mérito - clamando pela nulidade da decisão a quo, calcada em duas alegações: uma em virtude de a DRJ não acatar o pedido de perícia; e outra em função da referência ao produto LUPRANATE M 20 S, em vez de LUPRANATE M 70 R (apesar de os produtos terem a mesma classificação fiscal, e terem a mesma composição química e destinação) - e vários argumentos contrários à classificação fiscal levada a efeito pelo Fisco e em face da aplicação das multas. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, fl. 85, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto, / 1 4 Processo n° 11128.003727/2002-07 S3-C1T1 Acórdão n.°3101-00.259 Fl. 186 Sob o prisma da referência ao produto LUPRANATE M 20 S, em vez de LUPRANATE M 70 R, este último o efetivamente importado, entendo que cabe a retificação da decisão recorrida, porquanto houve, de fato, lapso manifesto que merece reparo, porém, não se trata de vicio que possa dar azo à nulidade da decisão recorrida, pois nenhum prejuízo teve a recorrente, a não ser de cunho meramente formal, que pode e deve ser sanado mediante observação no dispositivo deste voto. Note-se que além do laudo pericial (que tem a mesma conclusão do laudo do recurso voluntário n° 141247), a própria recorrente afirma, ao juntar o Parecer Técnico do IPT, fis. 74 e seguintes, que o produto LUPRANAT M208 tem a mesma composição química e destinação do LUPRANAT M7OR. Outros fatores que militam em prol da desarrazoabilidade da declaração da nulidade, é o da iustrumentalidade do processo e o da eficiência administrativa, no sentido de responder, efetivamente, ao recorrente com o menor ônus possível a este e ao erário. Dito isso, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Quanto ao mérito, reputo da maior importância dizer que o laudo do LABANA merece toda a credibilidade neste contencioso, Es. 33/34, porquanto a amostra colhida foi, ineontroversamente, do produto efetivamente importado, suas conclusões cingem- se a dizer o que é e para que serve a mercadoria periciada, abstendo-se de classificar o produto, atribuição que não é própria do perito designado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e sim da recorrente e da auditoria-fiscal. Demais disso, forte no fato de que o produto LUPRANAT M2OS tem a mesma composição química e destinação do LUVRANAT M7OR, penso que o documento traduzido como Folha de dados de segurança do material, fls. . 35/36 do recurso voluntário n° 141247 (também relatado por mim nesta assentada), nos dá informações importantes acerca da mercadoria importada, tais como os ingredientes do produto, E. 36. E o Boletim técnico, fi. 70, vertido para o português, complementa essas informações, fazendo com que tenha-se um conjunto razoável de provas da constituição e aplicação do produto químico, sendo despicienda, portanto, a perícia solicitada previamente. A defesa da recorrente, quanto à classificação fiscal, em síntese, diz que o produto importado trata-se de uma mistura de isômeros, e para comprovar isso traz laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, fls. 74 a 79, produzido unilateralmente, que além de concluir que o produto LUPRANAT M20S, é provavelmente uma mistura de isômeros de diisocianatos de difenilmetano, e ainda afirma que o produto deve ser classificado na posição 2929.10.90 da TEC. Num segundo momento, caso a classificação fiscal adotada pela recorrente não se sustente, aponta a IN SRF n° 509/2005, editada três anos após o fato gerador sub analisis, que aprovou alterações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, no que tange ao capitulo 39, introduzindo o poli(isoeianato de fenil metileno) no rol das resinas amínicas: CAPITULO 39. Página 731. Posição 39.09. Primeiro parágrafo. Item I). Novo terceiro parágrafo. Inserir o novo terceiro parágrafo seguinte : "O poliOsocianato de fenil metileno) (que é freqüentemente denominado "MDI em bruto" ou "MDI polintérico '9 í1 5 apresenta-se na forma líquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho . claro e sintetiza-se por reação de anilina e de formaldehlo para constituir o poli(metileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e de formaldeído (uma resina amínica modificada quimicamente). O polímero daí resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante pré- polímero utilizado na fabricação de poliuretanos." Página 732. Posição 39.09. Primeiro parágrafo. Item 3). ].Primeiro parágrafo. Nova Ultima frase. Inserir a nova Ultima frase seguinte : "Estes produtos são geralmente vendidos como um elemento de um sistema ou de sortido com vários componentes." 2.Novo segundo parágrafo. Inserir o novo segundo parágrafo seguinte : "Este grupo compreende também as misturas de poliuretano com diisocianato polifuncionais não reagido (por exemplo, o diisocianato de tolueno)." Página 733. Posição 39.11. Primeiro parágrafo. Novo item 4). Inserir o novo item 4) seguinte : "4)08 polímeros com grupos isocianatos não especificados nem compreendidos em outras posições, tais como : a)As policarbamidas à base de diisocianato de hexametileno (HDI), sintetizadas por reação do HD1 com água, para produzir prépolímeros apresentando uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 3 e 4. Estes produtos entram na fabricação de tintas e de vernizes. b)Os poliisocianuratos à base de diisocianato de hexametileno (I101), sintetizados por reação do HDI para produzir pré- polímeros apresentando ligações isocianttratos entre as unidades monoméricas. Os pré-polímeros têm uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 3 e 5. Estes produtos entram na fabricação de tintas e de vernizes." O item 4) atual torna-se 5). (Grifou-se). Com efeito, nota-se que a classificação fiscal do produto importado não é operação fácil de ser efetivada. A própria recorrente demonstra na sua peça recursiva que não está assim tão convicta da classificação ofprtada originariamente, no capitulo 29 - PRODUTOS QUíMICOS ORGÂNICOS - e pelo principio da eventualidade já acena com uma classificação fiscal no capitulo 39 - PLÁSTICOS E SUAS OBRAS - para elidir a classificação fiscal dada pelo Fisco, no capitulo 38 - PRODUTOS DIVERSOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS. Processo n°11128.003727/2002-07 S3-CIT1 Acórdão n.° 3101-00.259 A. 187 De todo modo, como já assinalado no inicio deste item (DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL) louvo-me nas informações trazidos no laudo do LABANA, na Folha de dados de segurança do material e no Boletim técnico produzido pela BASF para chegar ao meu convencimento, no sentido de que, de fato, aqui se está diante de um produto à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição especifica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco - 3824.90.89. A decisão recorrida traz subsídios valiosos a respeito do tuna: Embora a Nota 1 "b" do capitulo 29 permite que nele se classifique uma mistura de isômeros de um mesmo produto, tanto a literatura técnica quanto as informações técnicas exaradas pelo Labana analisam o produto como sendo composto de 42% de 4,4 "-MDI (o produto puro), 3% de isómeros de 4,4"-MDI e 51,5% de produtos oligoméricos ou oligômeros. Segundo a Grande Enciclopédia Larousse Cultural, 1995, um oligômero é uma "molécula de um polímero que apresenta poucas unidades monoméricas (de peso molecular intermediário entre os monômeros e os polimeras)". Portanto, os oligômeros nada mais são que polímeros de poucos monômeros, não se confundindo, pois, com isômeros, que são substáncias que têm a mesma fórmula molecular, ou seja, os mesmos átomos nas mesmas quantidades, mas estruturas diferentes (os átomos, embora sejam os mesmos em cada isômero, se estruturam de maneira diferente em cada um deles). Em suma, o produto é uma mistura de reação constituída 42% produto puro(4,4"-MDI ou 4,4 1Diisocianato de Difenilmetano), isômeros deste produto, na proporção 3% do composto, e 51,5% de oligômeros. Aliás, questionado sobre se o produto era de constituição química definida ou urna mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico, em caso idêntico Acórdão DRJN° 17-780 de 2002, o INT simplesmente respondeu afirmando que o produto tinha a composição acima referida, omitindo-se de entrar no mérito da questão formulada. Considerando que a presença de isômeros do 4,4 '-MDI é de apenas 3 0% conforme esclareceu o Relatório do INT, é inconcebível aceitar a tese do impugnante de que o produto é unia simples mistura de isômeros. Ainda que fosse alegado que a mercadoria seria uma mistura de isômeros do mesmo produto, contendo impurezas, tal tese também impossível de se sustentar, pois, a admiti-la como verdadeira, o produto se comporia em sua maior parte de impurezas, posto que o produto principal (4,4'- MDI) e seus isômeros somam apenas 45% do composto. Além do mais, ficou claro tanto no Relatório do INT quanto na Informação Técnica do Labana que o produto identificado pela análise como PMDI (o Diisocianato de Difenilmetano polimérico) e o MDI (o produto puro, monomérico) têm propriedades físico-químicas e registro no C.A.S. diferentes, o que prova serem duas substâncias de natureza diversas. Em outras palavras, os oligônieros identificados pela análise laboratorial, mudam a natureza físico-química do produto J /1/I 7 principal, razão por que não podem ser consideradas meras impurezas. Acresça-se a tudo isto, o fato de que o Labana juntou laudo técnico de análise do produto puro, o 4,4 1 Diisocianato de Dfenilmetano, conforme fis. 37, de nome comercial LUPRANAT MS, classificável no capitulo 29, fabricado pela própria BASE, do que se depreende que o LUPRANAT MS e o LUPRANAT M205 são substâncias distintas, o primeiro, de constituição química definida e isolado e o segundo, uma mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro. Em face das considerações acima, não encontra respaldo a tese defendida pelo impugnante de que a mercadoria importada de nome comercial LUPRANAT M205 se classifica no capitulo 29, devendo, portanto, dele ser excluído. O fato de se tratar de uma mistura de reação, ou seja, urna mistura não intencional de vários elementos resultantes da mesma operação de síntese não assegura o seu enquadramento tarifário no capitulo 29. Este admite algumas misturas que, no geral, estão definidas na sua nota n' 1, o que não é o caso da mercadoria em discussão. DA MULTA ADMINISTRATIVA Quanto à multa administrativa por falta de licença de importação, nota-se que a recorrente não descreveu a mercadoria com todos os elementos que permitissem a perfeita identificação do produto, não sendo portanto o caso de aplicação do AD(N) COSIT n° 12/96. A recorrente apôs a seguinte descrição do produto: LUPRANAT M 70 R POLIMETILENO POLIFENIL-ISOCIANATO; TEOR NCO: MÍNIMO 20%; QUALIDADE: INDUSTRIAL; ESTADO FÍSICO: LIQUIDO; EMBALAGEM: TAMBORES; USO FINAL: UTILIZADO NA FABRICAÇÃO DE SISTEMAS DE POLIURETANOS COM USO FINAL NAS INDÚSTRIAS DE CALÇADOS, AUTOMOTIVA, REFRIGERAÇÃO, CONSTRUÇÃO CIVIL, MOVELEIRA E ELÉTRICA. O laudo do LABANA assim caracterizou o produto: Mistura de reação à base de isocianatos aromáticos, contendo 4,4' — diisocianato de difenilmetano, na forma líquida. Ainda diz que a mercadoria é utilizada principalmente na fabricação de espumas de poliuretano. Nessa moldura, ao meu sentir, a indigitada multa é exigível. DOS JUROS MORATORIOS —TAXA SELIC Quanto aos juros de mora calculados pela taxa SELIC, estes correspondem àqueles previstos na legislação de regência. O artigo 161 do Código Tributário Nacional prevê: Art. 161 - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° - Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de I% (um por cento) ao mês. No caso em questão, os juros foram lançados com base no disposto no artigo 61, parágrafo 3° da Lei n° 9.430/96, conforme demonstrativo anexo ao auto de infração. Ai V Processo n° 11128.003727/2002-07 S3-C1T1 Acórdão n°3101-00259 Fl. 188 Assim, não houve desobediência ao CTN, pois este estabelece que os juros de mora serão cobrados à taxa de I% ao mês no caso de a lei não estabelecer forma diferente, o que veio a ocorrer a partir de janeiro de 1995, quando a legislação que trata da matéria determinou a cobrança com base na taxa SELIC. E o Código Tributário Nacional só prevê a dispensa dos juros de mora na hipótese de pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito tributário, art. 161, § 2°: Art 161(...) § 2° - O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Por outro lado, o artigo 5° do Decreto-lei n° 1.736/79, é taxativo quando determina que: Art. 5° - A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Quanto à taxa SELIC, entendo aplicável a súmula n° 4 do Terceiro Conselho de Contribuintes: A partir de de abril de 1995 é legitima a aplicação/utilização da taxa Sella no cálculo dos juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Posto isso, REJEITO A PRELIMINAR, e no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Observo que há referência ao produto LUPRANATE M 20 S, em vez de LUPRANATE M 70 R, na decisão recorrida respectiva a este acórdão, cabendo a retificação por parte do órgão emissor, porquanto houve, de fato, lapso manifestO que merece reparo. Corintho Oltve r Machado Voto Vencedor Conselheiro Tarás o Campeio Borges - Redator Designado Conheço do recurso voluntário porque tempestivo e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Peço vênia ao eminente relator para discordar de suas conclusões no que respeita à exigência da multa do controle administrativo das importações, fundamentada no I .1 C 9 artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 [ I ], cuja base legal é o Decreto-lei 37, de 1966, artigo 169, I, "b", alterado pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 1978. A aplicação dessa penalidade está ancorada em dois motivos: a) mercadoria considerada importada sem licenciamento, em face de sua incorreta classificação, motivou a cominação de pena cujo fato típico é falta de guia de importação ou documento equivalente; b) entende o autuante que guia e licenciamento de importação são documentos equivalentes. Logo, faz-se necessário, em primeiro lugar, identificar a natureza da guia e a do licenciamento de importação. Reportando-nos à segunda metade da década de 50 do século XX, é fácil constatar que a guia de importação foi instituída "para fins de levantamento da estatística de importação do comércio exterior"2, nos termos do § 3° do artigo 38 da Lei 3.244, de 14 de agosto de 1957, regulamentado pelo Decreto 42.914, de 27 de dezembro de 1957, posteriormente revogado por Decreto de 5 de setembro de 1991. Quase quatro décadas depois da instituição daquele documento de controle estatístico, no Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, parte integrante da já citada ata final que incorpora os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, aprovada pelo Decreto Legislativo 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgada pelo Decreto 1.355, de 30 de dezembro de 1994, o licenciamento de importação é definido como procedimentos administrativos. [..] que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador? [Grifei] Portanto, têm naturezas diversas a guia e o licenciamento de importação. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatistico do comércio exterior. Assim, entendo equivocado, no caso concreto, infligir a multa do artigo 169, I, "b", do Decreto-lei 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 18 de setembro de 1978, em razão de não ser fato típico dela a importação de mercadorias ao desamparo de licenciamento de importação. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário para excluir I da exigência a multa do controle administrativo de importações equivalente a 30% do valor das mercadorias importadas ao desamparo de licenciamento de importação. „6 v Tarasio Camp o Borges I RA, artigo 526: Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decreto-lei 37, de 1966, artigo 169, alterado 2ela Lei 6.562, de 1978, artigo 2°): [...] (II) importar mercadoria do exterior sem Colaijde:Ip82orfaçãqp0:42032262121aZ24142, que não implique a falta de depósito ou a falta - de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria; 44 2 Decreto 42.914, de 27 de dezembro de 1957, artigo 10. 3 Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, artigo 1, parágrafo 1. 10

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