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Numero do processo: 19675.000483/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 08/02/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos quando não demonstrada a omissão no acórdão embargado.
Embargos Não Conhecidos
Numero da decisão: 3102-01.498
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos quando não demonstrada a omissão no acórdão embargado. Embargos Não Conhecidos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Leonardo Mussi, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão embargada, que passo a transcrever. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela autuada, visando a reforma do Acórdão nº 1735.036, de 17 de setembro de 2009 (fls. 97/107), proferido pelos Fl. 237DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19675.000483/200631 Acórdão n.º 310201.498 S3C1T2 Fl. 186 2 membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SPOII), cuja ementa ficou a assim redigida, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 08/02/2006 Importação de 1 (um) "guindaste telescópico hidráulico", com classificação fiscal no código NCM 8426.41.90; A fiscalização constatou que foi importado um "caminhão guindaste autopropulsado" com classificação fiscal no código NCM 8705.10.90. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado para a posição 8426 excluem o equipamento importado, os remetendo a posição 8705. A descrição é incorreta, pois não se trata de guindaste, mas sim caminhão guindaste. A aplicação da multa isolada do Imposto de Importação é cobrada em função de classificação fiscal errônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O lançamento que deu origem ao presente processo foi formalizado por meio do Auto de Infração de fls. 01/08, contendo a exigência dos seguintes gravames: (i) Imposto sobre a Importação (II), acrescido dos juros moratórios e multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento); (ii) multa do controle administrativo das importações, por falta de licenciamento; e (iii) multa regulamentar, por classificação fiscal incorreta. Os motivos da presente autuação e as razões de defesa apresentadas na Impugnação de fls. 80/99, foram resumidos nos excertos do relatório do Acórdão recorrido, a seguir transcritos: • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, mediante Declaração de Importação No. 06/01522189, de 08/02/2006, 01 (um)"guindaste telescópico hidráulico", com classificação fiscal no código NCM 8426.41.90; • A fiscalização constatou que efetivamente foi importado um "caminhão guindaste autopropulsado" com classificação fiscal no código NCM 8705.10.90, conforme processo nº 19675.000370/200636; Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 12/04/2006 (fls. 2 frente), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 27/04/2006, de fls. 33 à 49, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • O presente auto de infração é nulo por ausência de motivação; • A mercadoria está corretamente descrita, não podendo incorrer em penalidades do artigo 633, III, "a" do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/2002 e do artigo 44, I da Lei 9.430/96; Fl. 238DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19675.000483/200631 Acórdão n.º 310201.498 S3C1T2 Fl. 187 3 • Os títulos de Seções, Capítulos e Subcapítulos não podem deixar de ser considerados apesar da regra 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; • A posição NCM 8426 engloba um certo número de aparelhos de elevação ou de movimentação de ação contínua; • O equipamento importado não se trata de aparelho de elevação e transporte; • A classificação fiscal deve se nortear pela regra 3 b das Regra Gerais do Sistema Harmonizado e pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição NCM 8426, já que a função principal do equipamento é o guindaste; • O item VI, da nota 3 da Seção XVI reforça tal entendimento; • O assistente técnico esclarece que o movimento é limitado no sentido apenas de levantamento e movimentação e não levantamento e transporte. Tal premissa se aplica a guindastes de autopropulsão e não para caminhões guindaste; • O assistente técnico nada esclarece sobre a estrutura e o funcionamento do guindaste; • O equipamento importado difere de um caminhão guindaste que é um veículo de uso especial, que além de elevar cargas pode transportálas, ao passo que o bem questão é limitado no sentido apenas de levantamento e movimentação de cargas; • As sapatas são imprescindíveis para manter a estabilidade e as condições de segurança do conjunto, sendo parte intrínseca do chassi; • O equipamento motriz é único para todo o equipamento. • Se o equipamento não for do tipo caranguejo, ou tiver capacidade de carga inferior a 60t, terá classificação fiscal no código NCM 8426.41.90; • Pela descrição das características do equipamento, inviável sua classificação fiscal na posição NCM 8705; • A descrição do equipamento não se coaduna com as exigências técnicas do código NCM 8705.10.90, sobretudo no que diz respeito a "4 ou mais eixos de rodas direcionáveis" e "haste telescópica de altura inferior a 42 m" em respeito a Regra 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; • Requer nova perícia, apresentando quesitos; Pugna a improcedência do Auto de Infração. Em seguida, sobreveio o mencionado Acórdão, em que, os membros da Turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, julgaram procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, com base razões, resumidamente, apresentadas na ementa anteriormente transcrita. Em 13/10/2009, por via postal (fl. 115), a autuada foi cientificada do citado Acórdão. Inconformada, por intermédio do Recurso Voluntário de fls. 116/142, protocolado em 03/11/2009 (fl. 116), retornou aos autos, reiterando os argumentos aduzidos na peça impugnatória, em síntese, acrescentando que: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19675.000483/200631 Acórdão n.º 310201.498 S3C1T2 Fl. 188 4 o relatório integrante do Acórdão recorrido deturpou a premissa constante da impugnação. Além disso, pedira a improcedência do Auto de Infração e o Órgão julgador decidira pela improcedência da impugnação; a competência para dirimir dúvidas e prestar os esclarecimentos acerca da correta classificação fiscal das mercadorias na NCM são dos órgãos específicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Os diversos atos expedidos, desde fevereiro de 1973, sobre a classificação do referido produto, demonstra a complexidade da matéria; somente a partir de 03/07/2008, em consonância com a nova orientação expressa nas Soluções de Consulta e de Divergência Coana nº 05/2008, 06/2008 e 08/2009, passou a classificar o produto na posição 8705. Na época da presente importação, classificara o produto na posição 8426, seguindo o critério de classificação determinado nos diversos atos normativos/interpretativos expedidos pelos Órgãos competentes da RFB, o que enseja o provimento ao presente recurso; e era nulo do Acórdão recorrido, por falta de motivação, porque os membros da Turma julgadora a quo não apreciaram as preliminares de ausência de motivação do Auto de Infração e de correta descrição da mercadoria na DI, que foram apresentadas na peça impugnatória. No final, formulou a recorrente os seguintes pedidos, ipsis litteris: 1 seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, e conseqüentemente seja cancelado o auto de infração contestado, por ser totalmente indevido e não corresponder à tributação exigida, a fatos reais, materiais, imputáveis ou legais; 2 ou, se assim entender essa Egrégia Corte seja anulada a decisão ora recorrida por ter havido falta de motivação e por falta de enfrentamento aos argumentos de Impugnação explicitados neste recurso; 3 ou, anulação do processo a partir do Auto de Infração por falta de motivação que embasaria este ato administrativo conforme exposto na Impugnação, tendo a D. DRJ incorrido na mesma linha de argumentação. 4 ou, se ainda persistirem dúvidas de natureza técnica a Vossas Excelências, se assim o entenderem, sejam tais dúvidas dirimidas através de novo laudo técnico. Em cumprimento ao despacho de fl. 152 (última numerada), os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na sessão de 04/02/2010, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. Assim foi ementada a decisão tomada por esta Segunda Turma. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/02/2006 NOMENCLATURA COMERCIAL DO MERCOSUL (NCM). CAMINHÃO GUINDASTE AUTOPROPULSADO. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O equipamento identificado como “caminhãoguindaste autopropulsado” classificase no código 8705.10.90 da NCM. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19675.000483/200631 Acórdão n.º 310201.498 S3C1T2 Fl. 189 5 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. PRODUTO SUJEITO AO LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. LICENCIAMENTO INEXISTE. ILÍCITO MATERIALIZADO. MULTA DEVIDA. A importação do caminhãoguindaste autopropulsado está sujeito às exigências relativas ao licenciamento não automático, incluindo a obrigatória anuência prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O descumprimento desse requisito materializa a hipótese da infração administrativa ao controle das importações, sancionada com a multa por falta de licenciamento prévio. INFRAÇÃO ADUANEIRA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. PRODUTO INCORRETAMENTE CLASSIFICADO NA NCM. ILÍCITO CARACTERIZADO. MULTA DEVIDA. O enquadramento tarifário do produto importado em código distinto do corretamente estabelecido na NCM materializa a infração aduaneira ao controle das importações, sancionada com a multa por errônea classificação fiscal na referida Nomenclatura. Recurso Voluntário Negado. A então recorrente apresenta agora Embargos de Declaração ao Acórdão 310200.702, de 02 de julho de 2010, por considerar ter havido “omissão de ponto sobre o qual devia se pronunciar a Turma”. Conforme assevera, a voto condutor da decisão recorrida não se pronunciou a respeito da “primeira e mais importante alegação da recorrente”, quanto à existência de Solução de Consulta respondida no âmbito da Secretaria da Receita Federal, para o mesmo produto objeto da autuação, classificandoo na NCM 8426.41.90. Outrossim, que, mais tarde, quando houve modificação no critério jurídico adotado pelo Órgão autuante, com a Solução de Divergência COANA nº 06, de 07/07/08, determinando a NCM 8705.10.90 para classificação fiscal das mesmas mercadorias, passou a adotar nas suas importações a nova classificação fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Examinando o teor da decisão recorrida constatei não ter ocorrido a omissão informada nos Embargos de Declaração apresentados a esta Turma de Julgamento. Primeiro, ainda em sede de exame das preliminares arguidas pela então recorrente, assim manifestase o i. Conselheiro Relator do processo. Em preliminar, pleiteou a recorrente o provimento do presente Recurso, com o argumento de que na época da importação do equipamento em referência procedera na conformidade do critério de classificação adotado pela Administração, expresso nos atos interpretativos por ela citados. (grifos meus) Fl. 241DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19675.000483/200631 Acórdão n.º 310201.498 S3C1T2 Fl. 190 6 (...) Ademais, a recorrente não se dignou a comprovar o que alegou, pois apenas limitouse a apresentar um quadro com a citação de atos interpretativos editados pelos Órgãos competentes da RFB e alguns poucos e velhos julgados do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sem contudo apresentar qual foi o critério de classificação adotado em tais documentos. Mais adiante, na decisão sobre o mérito do litígio, afirma. Superada a fase inicial, de natureza técnica, com a precisa identificação do produto a ser classificado, encontrase presente as condições para que seja atribuído ao referido equipamento o código NCM a que ele pertence, partindose da premissa de que cada produto enquadrase num único código da referida nomenclatura. É oportuno esclarecer que, em relação a este ponto, há uma contradição insuperável nas razões recursais em apreço, conforme evidencia nos trechos a seguir transcritos, in verbis. Transcreve trecho do Recurso Voluntário apresentado a este Conselho (transcrição às folhas 159 e 160 do processo) no qual a recorrente faz alusão ao fato de que passou utilizar a classificação orientada pelo Fisco após as Soluções de Consulta e Divergência COANA nº 05/08, 06/08 e 08/09. E prossegue. No meu entendimento, se a interessada, a partir da edição dos referidos atos interpretativos, passou a classificar o produto na posição 87.05, a conclusão que se extrai dessa conduta é que não há discordância em relação à reclassificação fiscal do “caminhãoguindaste” no código 8705.10.90, pois esse é o mesmo código NCM atribuído ao produto nos citados atos. Do teor dos excertos acima transcritos não vejo como prosperar a alegação de que a decisão proferida no Acórdão tenha sido omissa em relação à existência dos atos interpretativos editados no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil e informados no Recurso Voluntário, razão pela qual VOTO POR NÃO CONHECER DOS EMBARGOS pelo fato de não ter ocorrido a omissão acusada pela Embargante. Sala de Sessões, 23 de maio de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11128.005550/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/04/2005
AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO.
Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório. Uma vez constatada a contradição alegada pela embargante, procede-se as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3102-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório. Uma vez constatada a contradição alegada pela embargante, procede-se as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado. Embargos Acolhidos.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório. Uma vez constatada a contradição alegada pela embargante, procedese as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 55 50 /2 00 5- 18 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 370/373), com pedido de efeitos modificativos, opostos pelo Delegado da DRJ São Paulo II, com o objetivo sanar suposta contradição no Acórdão nº 310200.695, de 01 de julho de 2010, proferido por este Colegiado, em que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para afastar a prejudicial de concomitância relativamente as multas regulamentar, por classificação fiscal incorreta, e do controle administrativo, por falta de licenciamento, e devolver o processo ao órgão julgador de primeira instancia para que fossem enfrentadas as razões da impugnação atreladas a essa fração da exigência, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos, ipsis litteris: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. PARCIAL CONCOMITÂNCIA ANÁLISE DO MÉRITO. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal não se toma conhecimento da matéria submetida à apreciação judicial, por qualquer modalidade processual, entretanto, havendo matéria distinta em litígio no processo administrativo esta parcela deve ser conhecida, sob pena de grave prejuízo aos princípios do contraditório e da ampla defesa de índole constitucional. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com o princípio do duplo grau de jurisdição e para que não configure supressão de instância, a matéria não conhecida no julgamento de primeiro grau que, em nível recursal, seja admitido o seu conhecimento, deve ser devolvida ao Órgão julgador de primeiro grau, para conhecimento e apreciação do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte Em 25/11/2010, o embargante foi cientificado do referido acórdão (fl. 364). Na mesma data, apresentou os citado embargos de declaração, em que alegou contradição que a decisão embargada era contraditória com seus próprios termos, pois havia reconhecido os efeitos judiciais sobre o cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e Cofins Importação e não visualizado os mesmos efeitos judiciais sobre o mérito das multas por classificação fiscal incorreta e por falta de licenciamento. Nos excertos a seguir transcritos, o recorrente esclarece, com mais detalhes, as razões da alegada contradição, in verbis: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.005550/200518 Acórdão n.º 3102002.261 S3C1T2 Fl. 375 3 Apesar de considerar que as multas por erro de classificação e por falta de licenciamento não são objeto da ação judicial, o referido acórdão entende que o lançamento das diferenças de PISImportação e CofinsImportação, que também não são discutidos na ação judicial, estão abrangidos pelo instituto da concomitância. [...] Logo, o acórdão ora embargado entende que, apesar do PIS Importação e do CofinsImportação não serem discutidos no processo judicial, a decisão judicial produz reflexo óbvio e direto no cálculo desses tributos. Ocorre que, da mesma forma, a análise das multas por erro na classificação fiscal e por falta de licenciamento envolve necessariamente a apreciação do mérito da classificação fiscal. O mérito da classificação fiscal é objeto da ação judicial como já visto acima. Qualquer decisão judicial sobre a classificação fiscal dos bens, necessariamente vincula o desfecho da multa por erro de classificação e por falta de LI deste processo administrativo. Dessa forma, caso esta turma apreciasse o mérito da classificação fiscal, estaria violando o principio da unicidade de jurisdição. Em suma, para o recorrente, se o mérito da classificação fiscal era objeto da mencionada ação judicial, consequentemente, qualquer que fosse o resultado da decisão judicial, necessariamente, ele vincularia o desfecho da decisão concernente à aplicação tanto da multa por erro de classificação fiscal quanto da multa por falta de LI, objeto deste processo administrativo. Em cumprimento ao disposto no art. 65, § 2º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 junho de 2009, que dispõe sobre Regimento Interno deste Conselho (RICARF), por meio do Despacho de fls. 370/373, foi proposta a admissibilidade dos referidos embargos ao Presidente desta Turma de Ordinária, que, no uso da competência estabelecida no art. 65, § 3°, do Anexo II do RICARF, admitiuo e determinou que o processo fosse posto em pauta, para fim de realização de novo julgamento, com vista à integração do acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os presentes embargos declaração são tempestivos e foram admitidos na forma regimental, portanto, devem ser conhecidos. Nos embargos admitidos, a recorrente alegou contradição que a decisão embargada era contraditória com seus próprios termos, pois havia reconhecido os efeitos Fl. 379DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 judiciais sobre o cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação e não visualizado os mesmos efeitos judiciais sobre o mérito das multas por classificação fiscal incorreta e por falta de licenciamento da importação. Assiste razão ao embargante. A uma, porque o desfecho das referidas multas está vinculado diretamente ao que decidido, em caráter definitivo, no âmbito do citado processo judicial. A duas, porque o motivo da aplicação das referidas penalidades, conforme descrito no correspondente auto de infração (fls. 19/22), foi a incorreta descrição e classificação fiscal do produto no código NCM 8421.39.90, apresentada pela autuada na Declaração de Importção (DI) nº 05/03052525, adição 001, quando o corrento seria no código NCM 8414.60.00. A três, porque a recorrente limitouse em alegar, no seu recurso voluntário, que a importação e o desembaraço da mercadoria importada não fora realizada com a classificação incorreta, mas, sim, conforme a classificação fiscal autorizada judicialmente, qual seja, na posição 8421.39.90, razão pela qual deviam ser canceladas as exigências de multa. Por todas essas, melhor sopesando os fundamentos fáticos e jurídicos da autuaçao e as razões de defesa suscitadas pela recorrente, inferese que também está caracterizada a concomitância em relação às multas por classificação fiscal incorreta e por falta de licenciameneto da importação. Assim, demonstrado que as razões de defesa suscitadas pela recorrente encontrase sub judice, tal circunstância implica renúncia tácita à instância administrativa, pois há coincidência com a matéria litigiosa submetida à apreciação deste Colegiado. Tal consequência, é uma decorrência direta da aplicação do princípio da unicidade ou inafastabilidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que veicula a seguinte mensagem normativa: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Por força desse princício, o monopólio do exercício da jurisdição cabe ao Poder Judiciário, a quem incumbe o pronunciamento definitivo sobre os conflitos originários da aplicação da legislação tributária. No caso presente, como a matérias litigiosa foi submetida à análise do Poder Judiciário, obviamente, carece de sentido e efeito jurídico concreto e efetivo a manifestação deste Colegiado acerca do assunto, haja vista que, se corroborar o entendimento judicial, seria inócua, ou se decidir em sentido diverso, estaria contrariando ou descumprindo a decisão judicial, o que seria mais grave. Além disso, em consonância com o referido princípio, há na legislação infraconstitucional preceito legal determinando, expressamente, a proeminência do julgamento proferido no âmbito do Poder Judiciário, a exemplo do artigo 1º, § 2º, do Decretolei 1.737/79, e do art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80. De acordo com os referidos comandos legais, a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou após à autuação, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, a partir da edição da Súmula CARF nº 1, de adoção obrigatória por todos os Conselheiros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.005550/200518 Acórdão n.º 3102002.261 S3C1T2 Fl. 376 5 SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todas essas razões, não se toma conhecimento da matéria controvertida suscitada no recurso em apreço, por ser idêntica a que foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, no âmbito da referida ação judicial. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos embargos, para, conferindolhes efeitos infringentes, retificar a conclusão do voto condutor do acórdão embargado, que passa a ter a seguinte redação: votase por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por concomitância de toda a matéria litigada, devendo ser mantido na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 381DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10283.721323/2020-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3102-000.524
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência a fim declinar a competência à Quarta Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por se tratar de matéria de classificação fiscal, nos termos do artigo 1º da Portaria CARF nº 627, de 18 de abril de 2024.
Nome do relator: JOANA MARIA DE OLIVEIRA GUIMARAES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência a fim declinar a competência à Quarta Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por se tratar de matéria de classificação fiscal, nos termos do artigo 1º da Portaria CARF nº 627, de 18 de abril de 2024. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Luis Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Wilson Antônio de Souza Correa, Fabio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente), RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão proferido pela DRJ: D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 2 Trata-se de auto de infração lavrado contra o estabelecimento industrial acima identificado, em que foi lançado crédito tributário no montante de R$86.909.434,78, incluídos o IPI, juros de mora calculados até junho de 2020 e multa proporcional. Segundo a descrição dos fatos, baseada no Relatório de Diligência Fiscal de fls. 64/82, foram apuradas as irregularidades abaixo sintetizadas: a) No que se refere à a origem dos créditos incentivados aproveitados pela Impugnante, entendeu a Autoridade Fiscal inexistir direito ao aproveitamento em função de não ocorrer no processo de industrialização da fornecedora Recofarma a utilização de matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. No caso, a exceção seria apenas a preparação elaborada com extrato de guaraná produzido na Amazônia Ocidental; b) A Fiscalização aponta ainda erro na classificação fiscal dos kits fornecidos pela Recofarma no ex 01 do código 2106.90.10, inexistindo base legal para que tais insumos fossem classificados em código único, sendo correta a classificação dos integrantes de maneira individual; c) Foi apontada a sujeição passiva solidária da empresa Recofarma Industria do Amazonas Ltda, CNPJ 61.454.393/0001-06, sob a justificativa de que se tratam de empresas do mesmo grupo econômico de fato e de direito, com sócios em comum. d) Assim alegou a Autoridade responsável (fl. 172): 2. Cientificadas a Compar em 16.06.2020 e a Recofarma em 15.06.2020, foram apresentadas tempestivamente em 10.07.2020 (Compar) e 30.09.2020 (Recofarma - Portaria RFB nº 543, de 2020, art. 6º), impugnações abaixo sintetizadas. 2.1. Compar (fls. 208/278): a) Aponta equívoco na tipificação de grupo econômico feita pela autoridade, uma vez que nenhuma das empresas citadas seria sócia da Compar; b) Aponta ilegalidade da exigência, uma vez que a autoridade fiscal não fez a reconstituição da escrita fiscal da empresa, tendo simplesmente lançado os montantes glosados em cada período sem considerar os créditos e débitos regularmente escriturados, devendo, por tal motivo, ser cancelado o lançamento. Acrescenta que poderia haver correção dos valores no julgamento por não se tratar de erro de cálculo, mas de alteração de critério jurídico; D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 3 c) Outra ilegalidade apontada refere-se à falta de reclassificação fiscal dos componentes do kit para o qual a fiscalização entende descaber NCM única, não tendo ainda sido o auto instruído com elementos de prova que justifiquem a necessidade da reclassificação; d) Afirma que os produtos fornecidos pela Recofarma são beneficiados por duas isenções autônomas e independentes - arts. 81, II e 95, III, do Ripi/2010 -, bastando o acolhimento dos fundamentos de apenas uma para que seja reconhecido o crédito; e) Refere-se ao MSC nº 91.0047783-4, impetrado pela Associação dos Fabricantes de Coca-Cola (AFBCC), transitado em julgado, que assegura a todos os associados o direito ao crédito com base no art. 9º do DL 288/67 (base legal do art. 81, II do Ripi/2010), que não teria sido questionado pela Fiscalização. Além disso, tal direito também teria sido garantido no RE nº 592.891, com decisão definitiva; f) Quanto à isenção fundamentada no art. 6º do DL 1.435/75 (base do art. 95, III, do Ripi/2010), reporta-se aos atos da Suframa que aprovaram o projeto, os quais deveriam ser observados pela Autoridade Fiscal, lembrando que o auto foi lavrado na vigência do art. 24 do DL nº 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro), com redação da Lei nº 13.655, de 2018, que veda a declaração de invalidade das situações já constituídas que foram embasadas em ato administrativo, em razão de alteração de entendimento da autoridade. Ademais julga que o termo "matéria-prima" compreende os produtos industrializados com matéria-prima agrícola regional; g) Entende que a RFB já se manifestou de forma pública acerca da classificação única do kit fornecido pela Recofarma. Cita a alteração promovida pelo Decreto nº 9.394, de 2018, que modificou a alíquota dos produtos da classificação 2106.90.10, ex 01, em cuja exposição de motivos constaria um reconhecimento expresso ser o produto em questão objeto dessa redução, confirmado em entrevista do então Secretário da Receita Federal, o que seria vinculante para o órgão; h) Defende a classificação fiscal utilizada, citando a Resolução Suframa que reconheceu o benefício, parecer técnico daquele órgão e ainda manifestação do Instituto Nacional de Tecnologia; i) Reporta-se novamente ao MSC nº 91.0047783-4, citando trecho do voto da Desembargadora Vera Lúcia Lima, onde teria sido reconhecida a característica de produto único para o kit fabricado pela Recofarma; j) Destaca a idoneidade das notas fiscais que acompanharam os itens e a qualidade de adquirente de boa-fé da Impugnante, ressaltando que a legislação não obriga o adquirente a verificar a classificação fiscal dos produtos; k) Contesta a aplicação de multa, juros e correção monetária em razão do disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, que estabelece "que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 4 excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária". No caso, foi observado pela Impugnante o ato administrativo da Suframa; l) Entende ser inaplicável a multa em razão do disposto no art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502, de 1964, o qual determina a não imposição aos contribuintes que tiverem agido de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa (cita decisões que dispensam o adquirente de verificar a classificação fiscal); m) Ao final requer a procedência de seus argumentos. 2.2. Recofarma (fls. 694/754): a) Afirma inicialmente que a legitimidade do creditamento no caso sob análise já se encontra pacificada pelo STF na sistemática da repercussão geral nos RE nº 592.891/SP e o RE nº 596.614/SP, garantindo o direito; b) Considerando que a norma isentiva do art. 9º do Decreto-Lei nº 288/1967 não traz previsão expressa a respeito da apropriação de créditos escriturais pela aquisição dos produtos isentos oriundos da ZFM, menciona a existência de coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783-4, impetrado em 14.08.1991 pela Associação Brasileira dos Fabricantes Brasileiros de Coca- Cola, sendo a decisão transitada nessa ação mandamental igualmente garantidora do direito ao aproveitamento do crédito tomado com base na norma isencional do art. 9º do Decreto-Lei nº 288/1967 (reproduzida no art. 81, II, do RIPI); c) Em que pese entender que as citadas decisões a dispensariam de contestar os fundamentos apontados, procura demonstrar que o termo “matérias-primas” objeto do art. 6º, caput, do Decreto-Lei nº 1.435/1975, não coincide com o insumo vegetal diretamente extraído da natureza e aplicado no processo industrial do fabricante; d) Defende que o benefício fiscal estatuído pelo art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/1975 possui natureza mista, sendo competência privativa da Suframa administrar a concessão do mesmo e fiscalizar os empreendimentos beneficiados, nos termos do Decreto nº 7.139/2010 e da Resolução CAS nº 203/2012, inexistindo conflito com as atividades gerais de fiscalização do imposto atribuídas à Receita Federal, havendo caráter constitutivo do direito nas normas expedidas pela Suframa, em conformidade com o art. 179 do CTN; e) No que se refere à classificação dos insumos, primeiramente evidencia que a tese defendida pela Fiscalização diverge da posição da própria Receita Federal que, publicamente, reconheceu que a classificação fiscal dos concentrados da Recofarma é única sob o código 2106.90.10 Ex 01 da TIPI. Tal fato teria ocorrido em coletiva de imprensa realizada em 31.05.2018, quando o então Secretário da RFB, Sr. Jorge Rachid, confirmou que o Decreto nº 9.394/2018 foi editado exatamente com o objetivo de reduzir os créditos para concentrados de bebidas não alcoólicas de 20% para 4%; D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 5 f) Em seguida, procura defender o entendimento de que o kit fornecido pela Recofarma deve ser classificado como produto único no código 2106.90.10 Ex 01, destacando que "à exceção da RFB, todos os órgãos e entidades que compõem a Administração Pública Federal reconhecem que o produto fabricado pela Recofarma é um concentrado não homogeneizado, nos termos da analisada Portaria"; g) Ao abordar a responsabilidade tributária atribuída à Recofarma, aponta erro na indicação de que haveriam sócios em comum, bastando para tal consulta aos quadros de sócios e administradores da Receita Federal; h) Aduz ser inviável a atribuição de responsabilidade solidária por ausência dos requisitos dispostos no art. 124, I, do CTN, estando a autuação fiscal pautada em presunções, carecendo de comprovação cabal acerca da prática de simulação e/ou conluio entre as empresas, sendo o Parecer Normativo 4/2018 inconstitucional e ilegal por estabelecer nova hipótese de responsabilização solidária, em flagrante extrapolação ao disposto no citado art. 124, I, do CTN; i) Prossegue: "... Ao longo de seu pronunciamento, a i. Fiscalização tenta fazer parecer que a Recofarma conferiu classificação fiscal única à sua mercadoria, comercializada sob a forma de kits, unicamente com vistas a majorar o crédito fiscal dos adquirentes dos seus produtos, dentre eles a Autuada (Companhia Paraense de Refrigerantes), agindo, portanto, em conluio com eles. Ocorre que esse fundamento é completamente inverídico. Na decisão nº 287/1988 no Processo de Consulta nº 10.768-026.294/85-90 (doc. nº 24, cit.), formulada à época pela Coca-Cola Indústrias S/A, que na ocasião era localizada no estado do Rio de Janeiro e tendo como objeto a dúvida pertinente à classificação fiscal dos concentrados para refrigerantes, a Superintendência Regional da Receita Federal – 7ª Região Fiscal definiu a classificação como sendo a de “extratos compostos” (código 21.07.02.99, cuja redação corresponderia hoje ao código 2106.90.10, no Ex 01 no caso de sua capacidade de diluição ser superior a dez partes da bebida por parte do concentrado, como é o caso). A utilização da referida classificação pode, inclusive, ser verificada pela Nota Fiscal anexa, emitida em 04.11.1985 contendo a classificação fiscal unitária, sob o código 21.07.02.99 (doc. nº 27). ... Pautando-se em tais dados concretos, é difícil, para não dizer impossível, aderir à tese fiscal de que a classificação fiscal conferida aos concentrados visa à obtenção de quaisquer benefícios tributários aos adquirentes. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 6 Na realidade, tal argumento causou espécie à Recofarma, na medida em que a classificação fiscal unitária é adotada há décadas, mais precisamente desde 1942. Além disso, a referida classificação fiscal é adotada há 28 anos perante a Suframa e, em 1988, foi confirmada pela própria Receita Federal na decisão acima referenciada. Nota-se, outrossim, que a classificação fiscal adotada pela empresa precede, em muito, a sua transferência para a Zona Franca de Manaus, o que só veio a ocorrer na década de 1990. Ou seja, por quase 50 anos a empresa comercializou seu concentrado sob a forma de kits, classificados sob alíquota única, mas, para a Fiscalização, a classificação unitária dos kits foi realizada devido à sua mudança para a Zona Franca de Manaus, para aproveitar-se de benefícios fiscais indevidos. Com o devido respeito, a tese fiscal beira ao absurdo! ....." j) Em seus argumentos finais, ressalta a criação da ZFM e afirma que se as isenções onerosas não podem ser revogadas a qualquer tempo nem mesmo pela lei, isso também não pode ocorrer por meio do lançamento de ofício; l) Ao final, requer o cancelamento do lançamento e a exclusão da Recofarma do pólo passivo. A 2ª Turma da DRJ02 decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência da impugnação e exoneração do crédito tributário, conforme acórdão proferido com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2020 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REQUISITOS. INOBSERVÂNCIA. É nulo o auto de infração que deixa de observar os requisitos de validade prescritos no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Como a parte exonerada supera o valor de alçada, a decisão ficou sujeita a reexame por parte da instância julgadora superior, mediante Recurso de Ofício, tendo sido ressalvado que a exoneração do crédito tributário só será definitiva após o julgamento em segunda instância recursal. É o relatório. VOTO D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 7 Conselheira Joana Maria de Oliveira Guimarães, Relatora O valor do crédito tributário exonerado em primeira instância supera o limite de alçada, mesmo considerando a majoração estabelecida pela Portaria MF nº 2/2023, razão pela qual o Recurso de Ofício deve ser conhecido. Aos 03/06/2024, o processo foi distribuído para esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento e, aos 17/02/2025, foi sorteado para a minha relatoria: No entanto, trata-se de feito de competência da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Egrégio Conselho, nos termos do artigo 1º da Portaria CARF nº 627, de 18 de abril de 2024, publicada no DOU de 23/04/2024: D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 8 “Art. 1º À Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF e suas Turmas Ordinárias fica atribuída especialização para julgar, de forma preferencial, as seguintes matérias: I - Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, quando se tratar de operação de importação; II - IPI, quando se tratar de operação de importação; III - Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE, quando se tratar de operação de importação; IV - Imposto sobre a Importação - II; V - Imposto sobre a Exportação - IE; VI - contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; VII - classificação tarifária de mercadorias; VIII - isenção, redução e suspensão de tributos incidentes na importação e na exportação; IX - vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; X - omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; XI - infração relativa à fatura comercial e a outros documentos exigidos na importação e na exportação; XII - trânsito aduaneiro e demais regimes aduaneiros especiais, e regimes aplicados em áreas especiais, salvo a hipótese prevista no inciso XVII do art. 105 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; XIII - remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do Decreto-Lei nº 37, de 1966; XIV - valor aduaneiro; XV - bagagem; XVI - penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas relativamente aos tributos de que trata este artigo; e XVII - descumprimento de normas antidumping ou de medidas compensatórias ou de salvaguarda. §1º O disposto neste artigo não prejudica a competência das turmas extraordinárias, dentro do seu limite de alçada, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF - RICARF, para julgar as mesmas matérias. §2º O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos processos ainda não distribuídos às câmaras. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.524 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.721323/2020-17 9 §3º Os processos que versam sobre os temas referidos neste artigo, que após a entrada em vigor desta Portaria sejam eventualmente distribuídos fora do âmbito da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, serão devolvidos à Divisão de Sorteio e Distribuição - Disor, da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos - Cegap, para novo sorteio e distribuição entre as turmas ordinárias especializadas que compõem a referida câmara.” Portanto, nos termos do artigo 1º da Portaria CARF nº 627, de 18 de abril de 2024, deve ser declinada a competência para a Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se tratar de matéria de classificação fiscal. É como voto. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães Resolução Relatório Voto
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Numero do processo: 11050.002448/2006-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 09/10/2001, 17/01/2002, 10/05/2002, 17/10/2002, 17/04/2003,15/07/2003, 03/10/2005, 10/04/2006, 02/06/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO. CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, independentemente da modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto.
REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA.
Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI).
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 09/10/2001, 17/01/2002, 10/05/2002, 17/10/2002, 17/04/2003, 15/07/2003, 03/10/2005, 10/04/2006, 02/06/2006
DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO). DESCRIÇÃO INEXATA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE.
A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acarretando ou não a incorreta classificação fiscal do produto na NCM, subsume-se à hipótese da infração por declaração inexata descrita no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, independente da existência de dolo ou má-fé do importador.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. APLICABILIDADE.
Para a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que produto esteja sujeito a licenciamento, automático ou não. No presente caso, o produto importado estava sujeito a licenciamento não automático, que não foi providenciado, restando configurada, por conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI.
CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. MULTA ADUANEIRA OU REGULAMENTAR. APLICABILIDADE.
Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou má-fé do importador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso relativamente à classificação fiscal, por concomitância. Negar provimento ao recurso, por unanimidade de votos, no que se refere às multas de ofício de 75% do valor dos impostos e de 1% do valor aduaneiro, por indicação errônea da classificação fiscal; e, por maioria de votos, no que concerne à aplicação da multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de Licença de Importação (LI). Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento ao recurso relativamente à multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de LI.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/10/2001, 17/01/2002, 10/05/2002, 17/10/2002, 17/04/2003,15/07/2003, 03/10/2005, 10/04/2006, 02/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, independentemente da modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/10/2001, 17/01/2002, 10/05/2002, 17/10/2002, 17/04/2003, 15/07/2003, 03/10/2005, 10/04/2006, 02/06/2006 DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO). DESCRIÇÃO INEXATA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE. A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acarretando ou não a incorreta classificação fiscal do produto na NCM, subsume-se à hipótese da infração por declaração inexata descrita no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, independente da existência de dolo ou má-fé do importador. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. APLICABILIDADE. Para a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que produto esteja sujeito a licenciamento, automático ou não. No presente caso, o produto importado estava sujeito a licenciamento não automático, que não foi providenciado, restando configurada, por conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. MULTA ADUANEIRA OU REGULAMENTAR. APLICABILIDADE. Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou má-fé do importador. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-06T17:49:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 10934573.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-06T17:49:51Z; Last-Modified: 2010-11-06T17:49:51Z; dcterms:modified: 2010-11-06T17:49:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 10934573.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:7649cb43-c34d-4165-b8d9-7d15086ffaa5; Last-Save-Date: 2010-11-06T17:49:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-06T17:49:51Z; meta:save-date: 2010-11-06T17:49:51Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 10934573.doc; modified: 2010-11-06T17:49:51Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-06T17:49:51Z; created: 2010-11-06T17:49:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2010-11-06T17:49:51Z; pdf:charsPerPage: 2167; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-06T17:49:51Z | Conteúdo => S3-C1T2 Fl. 604 1 603 S3-C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11050.002448/2006-92 Recurso nº 514.239 Voluntário Acórdão nº 3102-00.798 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2010 Matéria II - CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/10/2001, 17/01/2002, 10/05/2002, 17/10/2002, 17/04/2003,15/07/2003, 03/10/2005, 10/04/2006, 02/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, independentemente da modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/10/2001, 17/01/2002, 10/05/2002, 17/10/2002, 17/04/2003, 15/07/2003, 03/10/2005, 10/04/2006, 02/06/2006 DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO). DESCRIÇÃO INEXATA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE. A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acarretando ou não a incorreta classificação fiscal do produto na NCM, subsume-se à hipótese da infração por declaração inexata descrita no inciso I Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 2 do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, independente da existência de dolo ou má-fé do importador. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. APLICABILIDADE. Para a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que produto esteja sujeito a licenciamento, automático ou não. No presente caso, o produto importado estava sujeito a licenciamento não automático, que não foi providenciado, restando configurada, por conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. MULTA ADUANEIRA OU REGULAMENTAR. APLICABILIDADE. Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou má-fé do importador. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso relativamente à classificação fiscal, por concomitância. Negar provimento ao recurso, por unanimidade de votos, no que se refere às multas de ofício de 75% do valor dos impostos e de 1% do valor aduaneiro, por indicação errônea da classificação fiscal; e, por maioria de votos, no que concerne à aplicação da multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de Licença de Importação (LI). Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento ao recurso relativamente à multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de LI. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento- Relator. EDITADO EM: 06/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Leonardo Mussi da Silva e Nanci Gama. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 07-15.960, de 08 de maio de 2009 (fls. 553/560), proferido pelos membros da 2ª Turma da Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11050.002448/2006-92 Acórdão n.º 3102-00.798 S3-C1T2 Fl. 605 3 Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC (DRJ/FNS), em que, por unidade de votos, consideraram o lançamento procedente, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 09/10/2001, 17/01/2002, 10/05/2002, 17/10/2002, 17/04/2003,15/07/2003, 03/10/2005, 10/04/2006, 02/06/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPOSTO ORGÂNICO PARA PREPARAÇÃO DE CALÇADOS. ADESIVO. PRIMER TU-03TF. PRIMER UV-03TF. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial- por qualquer modalidade processual-, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 09/10/2001, 17/01/2002, 10/05/2002, 17/10/2002, 17/04/2003,15/07/2003, 03/10/2005, 10/04/2006, 02/06/2006 DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO. PRESSUPOSTOS BALIZADORES. Revisão aduaneira consiste em reexame dos dados declarados pelo importador e não reexame de lançamento, porquanto inexiste tal ato no despacho aduaneiro e, portanto, a revisão não está jungida aos ditames balizadores da revisão do lançamento tributário. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 09/10/2001, 17/01/2002, 10/05/2002, 17/10/2002, 17/04/2003, 15/07/2003, 03/10/2005, 10/04/2006, 02/06/2006 MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA. Sem que a descrição do produto. veiculada nas declarações de importação registradas em data anterior a 11/09/2002, contenha todos os elementos necessários à sua identificação e ao respectivo enquadramento tarifário, é incabível afastar-se a multa lançada de ofício por declaração inexata. Já para declarações de importação registradas a partir de 11/09/2002 inexiste hipótese de inaplicabilidade da multa acessória à exigência principal quando verificada a falta de recolhimento decorrente de enquadramento tarifário incorreto. Data fato gerador: 10/05/2002, 17/10/2002, 17/04/2003, 15/07/2003 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 4 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. MULTA REGULAMENTAR. Em caso de enquadramento tarifário incorreto por parte do importador, aplica-se a multa regulamentar correspondente a 1% do valor aduaneiro da mercadoria importada, consoante determina expressa disposição legal. FALTA DE LICENCIAMENTO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. DESCRIÇÃO INSUFICIENTE PARA O CORRETO ENQUADRAMENTO. CRITÉRIO DE INTERPRETAÇÃO NORMATIZADO. PENALIDADE ADMINISTRATIVA. A descrição do produto com todos os elementos necessários, não só à sua identificação, mas também ao respectivo enquadramento tarifário é imprescindível e, acaso inexistente, torna o importador, que tenha incorrido em erro de enquadramento, passível de ser penalizado com a multa decorrente da falta de licenciamento, por força de expressa norma interpretativa vigente. Lançamento Procedente Os lançamentos que deram origem ao presente processo foram formalizados por meio dos Autos de Infração de fls. 01/141, contendo a exigência dos seguintes gravames: (i) Imposto sobre a Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins – Importação, respectivamente, acrescidos de juros moratórios e multa de oficio proporcinal de 75% (setenta e cinco por cento); (ii) multa do controle administrativo das importações, por falta de licenciamento; e (iii) multa proporcional ao valor aduaneiro (multa regulamentar), por classificação fiscal incorreta. A presente autuação decorreu da mudança de classificação fiscal dos produtos importados pela Recorrente (discriminados nas DI de fls. 144/174) dos códigos NCM 2942.00.00 (outros compostos orgânicos) e NCM 3506.91.90 (outros adesivos à base de plásticos), para o código NCM 3824.90.89 (outras preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas, não especificados nem compreendidos em outras posições). A nova classificação tarifária foi determinada tendo como fundamento as conclusões apresentadas nos Laudos Técnicos oficiais de fls. 178/179, 182/183, 188/189, que identificaram os referidos produtos como sendo uma “preparação na forma de solução à base de composto orgânico com grupamentos fosforados em solventes”, não sendo elemento químico isolado nem de constituição química definida. Em 26/10/2006, a Interessada foi cientificada dos citados Autos de Infração. Inconformada, por meio das peças impugnatórias de fls. 257/334 e 393/471, apresentou as seguintes razões de defesa, que foram assim resumidas no relatório encartado no Acórdão recorrido: Noticia que, por discordar da reclassificação tarifária proposta pela fiscalização, ajuizou ação judicial com o fim de ver assegurado o seu entendimento, quanto ao percentual de imposto a ser pago e quanto ao enquadramento tarifário, mas que referida ação judicial não versa sobre a mesma matéria objeto do auto de infração, pois colima buscar a certeza para o futuro Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11050.002448/2006-92 Acórdão n.º 3102-00.798 S3-C1T2 Fl. 606 5 quanto aos procedimentos que devem ser adotados pelo importador. Quanto ao procedimento que foi adotado pelo Fisco, alega não ser possível lavrar auto de infração com base na revisão de importações anteriormente liberadas e que constituíam situações já consolidadas, argumentando que as disposições contidas no inciso III do art. 145 e no inciso IV do art. 149, ambos do CTN não autorizam que se tome decisões despidas de razoabilidade. Neste sentido, transcreve excerto de julgado do Superior Tribunal de Justiça, em sede do Recurso Especial n.º 202.958 e aduz que a reclassificação tarifária só pode ocorrer ante a existência de erro de fato quanto à identificação física da mercadoria ou quando, nos termos do inciso IV do art. 149 do CTN, se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória, o que não ocorreu no caso em tela, não havendo tampouco prova de que tenha ocorrido dolo, má-fé ou fraude por parte do importador. Em outro plano, reclama ser incabível a aplicação de multa por falta de licenciamento quando o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, inexistindo intuito doloso e má-fé por parte do declarante, tudo isso nos termos do Ato Declaratório Normativo n.º 12, de 1997 (sic). Sustenta ser correta a classificação do produto no Capítulo 29 da Nomenclatura, aduzindo que sempre classificou o produto em apreço no mencionado capítulo, a não ser por interferência do Fisco, cujo objetivo era enquadrá-lo no Capítulo 35 com o fito de majorar as respectivas alíquotas. Alega que o produto PRIMER UV-03TF é um adesivo utilizado para fixação de solados de borracha e de plástico, razão pela qual, tendo em conta a finalidade específica do produto, adotou a classificação no código NCM 3506.91.90. Em seguida, discorre sobre a composição e as regras relativas ao Sistema Harmonizado e, bem assim, transcreve as Nesh referentes à posição 3506, de onde destaca que referida posição não abrange os aprestos para a indústria têxtil (posição 3809) nem os aglomerantes para núcleos de fundição (posição 3824), que em certos países por vezes se chamam “colas”, mas que não se utilizam pelas suas propriedades adesivas. Na seqüência, alega que, de acordo com o certificado de análise n.º 4500034462, o produto em comento é uma mistura de compostos químicos, com predominância de solventes, acetato de etila, metil etil cetona (MEK) e metil ciclo hexano (MCH). De outro lado, alega também que a ficha técnica do PRIMER UV-03TF recomenda o produto para colagem de solados plásticos por cura UV, sendo possível verificar, na mencionada ficha, a forma de colagem que o PRIMER produz, em razão de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 6 que, alega ser possível afirmar que o PRIMER UV-03TF é uma mistura de constituição química definida que, em face das RGI 1 e 3, deve ser classificada no código NCM 3506.91.90. Ademais disso, reclama que a posição 3824, adotada pelo Fisco, não possui qualquer relação com a característica essencial do produto em exame, destacando, ainda, que, no Capítulo 38 não se classificam os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente. Nesta linha, transcreve as notas legais do Capítulo 38, notas de subposições referentes ao mencionado capítulo e considerações gerais, além do que também transcreve todas as notas legais da posição 3824, para concluir que, por mais que se esforce, é impossível classificar o produto importado na posição desejada pela fiscalização dada a sua característica essencial, que é a colagem de solados da indústria calçadista, enquanto, por outro lado, os textos da posição 3506 deixam evidente que ali devem ser classificadas as colas e adesivos não compreendidos em outras posições. Em outro plano, reclama que o entendimento do Fisco baseia-se em laudos que nunca chegaram ao conhecimento do importador, mas que, diante das informações contidas nos indigitados laudos, providenciou a realização de outro laudo técnico, o qual foi juntado ao presente processo e que apresenta conclusão diametralmente oposta àquela veiculada nos laudos da fiscalização. Noticia que, em razão disso, solicitou ao IPT a realização de novo exame no produto em questão, seguindo a mesma metodologia que foi utilizada pela FUNCAMP que emitiu os laudos da fiscalização, aduzindo que, tão logo este novo laudo esteja pronto será juntado pela defesa. Não obstante isso, salienta que, no laudo que já foi juntado ao processo nesta fase impugnatória, está dito que o produto em comento possui composição química definida e apresenta propriedades adesivas, restando evidenciado que o PRIMER UV-03TF é um polímero de baixo peso molecular, do tipo poliuretano modificado em solução orgânica, ou seja, é um adesivo de base polimérica, do tipo poliuretano, de composição química definida, fatores esses demonstrados pela espectrometria e pela análise cromatográfica dos solventes. Para corroborar este raciocínio, recorre ao dicionário Aurélio, da Língua Portuguesa, para sustentar que o termo “promotor de colagem”, utilizado pelas autoridades autuantes no relatório fiscal, significa, em síntese, adesivo, pelo que entende que sua tese encontra-se corroborada pela própria afirmação realizada pelo Fisco ao descrever os fatos que ensejaram a autuação. Em outro plano, alega ser incabível a aplicação da multa de 75% por classificação errônea e, para tanto, alude ao Parecer Normativo CST 54, de 1977 e do Ato Declaratório COSIT 36, de 1995, que afirmam a inaplicabilidade da multa por erro de classificação tarifária, além do que, transcreve acórdão exarado pela Primeira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes (Recurso n.º 126.067), em que se afirma que erro Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11050.002448/2006-92 Acórdão n.º 3102-00.798 S3-C1T2 Fl. 607 7 de classificação fiscal não é infração, salvo na hipótese prevista pelo art. 499, inciso II, do RIPI/98, que diz respeito à existência de circunstância agravante, ao que aduz que os órgãos julgadores administrativos não têm admitido a aplicação de multas quando ausentes os requisitos do art. 45 da Lei n.º 4.502, de 1964. Em outra linha, reclama também da aplicação da multa do controle administrativo por falta de licença de importação, alegando que o Fisco cria situações novas unicamente com o intuito de exigir crédito tributário, como a exemplo do presente caso em que, uma vez alterada a classificação tarifária do produto importado, o contribuinte passa a se submeter à exigência de um novo ato burocrático, qual seja, requerer previamente ao Ministério da Ciência e Tecnologia pedido para realizar importação, o que, até então, não era exigido. Por fim, em face de tudo o quanto foi exposto, pede a anulação dos autos de infração ora impugnados, inclusive os que contêm lançamento reflexo, ou, ao menos, a exclusão das multas aplicadas, requer a juntada de prova documental a posteriori, nos termos do que se encontra previsto na alínea “a” do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972 e, bem assim, solicita que sejam apreciados os pré-questionamentos encaminhados quanto à “negativa de vigência de lei”, especialmente os artigos 145, III e 149, IV, ambos da Lei n.º 5.172, de 1966 (CTN), com vistas à propositura de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, por via postal (fl. 563), em 25/05/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 565/588, protocolado em 22/06/2009 (fl. 565), reapresentado as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e propugnando: a) integral provimento do presente Recurso ou parcial provimento, com a exclusão das multas; b) pela apreciação dos lançamentos reflexos, aplicando-lhes o mesmo entendimento do julgamento do lançamento principal; e c) pela apreciação dos pré-questionamentos, quanto à negativa de vigência de lei, especialmente os artigos 145, III e 149, IV, do CTN. Em cumprimento ao despacho de fl. 603, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de junho de corrente ano, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento parcial. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 8 I – DA PRELIMINAR Em preliminar, alegou a Recorrente que: (i) a revisão do lançamento somente poderia ocorrer nas hipóteses previstas no inciso IV do art. 149 do CTN; e (ii) o presente lançamento implicaria mudança de critério jurídico, o que seria vedado pelo art. 146 do CTN. Da legalidade do lançamento dos tributos incidentes na operação de importação realizado na fase de revisão aduaneira. Não procede a alegação da recorrente de que inexiste previsão legal para a realização do procedimento de revisão aduaneira, motivado por reclassificação fiscal do produto na NCM, com o argumento de que tal hipótese de revisão de lançamento não estaria expressamente contemplada no art. 149 do CTN. De fato, analisando o inteiro teor do citado preceito legal, nele não se encontra nenhuma menção expressa acerca do procedimento de revisão aduaneira, muito menos, acerca do procedimentos de classificação fiscal de mercadoria na NCM. Essa é uma matéria encontra-se disciplinada na legislação aduaneira, em especial no Decreto-lei nº 37, de 1966, com as alterações posteriores, e no Regulamento Aduaneiro. Dessa forma, o fato de tais procedimentos não estarem mencionados expressamente no citado art. 149 não quer dizer que o lançamento realizado nessa fase não tenha amparo legal, pois, além de não ser taxativo, o inciso I do art. 149 do CTN, remete ao legislador ordinário a possibilidade de estabelecer outras hipóteses de revisão de ofício do lançamento. Da mesma forma, os incisos IV, V e VIII do citado artigo, indiretamente, contemplam a hipótese de realização do lançamento ou sua revisão de ofício, na fase de revisão de aduaneira, motivado por erro de classificação fiscal. Senão, veja o que dispõem tais dispositivos legais, que seguem transcritos: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; (...) IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (...) VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior (...) (grifos não originais). Assim, em consonância com disposto no inciso I, o artigo 54 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, prevê expressamente a possibilidade de realização, após o desembaraço aduaneiro ou liberação da mercadoria, do procedimento de revisão das informações tributárias e outra natureza, prestadas pelo importador na DI que serviu de base para o processamento do despacho aduaneiro. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11050.002448/2006-92 Acórdão n.º 3102-00.798 S3-C1T2 Fl. 608 9 Regulamentando o referido preceito legal, o caput do art. 570 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002), vigente na época dos fatos, disciplinava o referido procedimento, com o seguinte teor: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decreto-lei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decreto-lei n o 2.472, de 1988, art. 2o, e Decreto-lei no 1.578, de 1977, art. 8o). (...) (grifos não originais). Dessa forma, além da apuração da regularidade do pagamento dos tributos, na fase de revisão aduaneira a autoridade fiscal também deve verificar a exatidão das demais informações prestadas pelo importador na DI, dentre elas, destaca-se a correta classificação fiscal dos produtos na NCM. Ad argumentandum, ainda que não existisse a referenciada previsão legal, entendo a realização ou revisão do lançamento, por erro de classificação fiscal do importador, tem amparo no inciso IV do art. 149, pois se trata de elemento de obrigatório informação na DI. Da mesma forma, tratando-se de lançamento por homologação (art. 150 do CTN), a inexatidão da informação quanto à classificação fiscal do produto na DI também se subsume perfeitamente a hipótese descrita no inciso V do art. 149. Por fim, como a revisão, no caso presente, foi baseada nas conclusões apresentadas nos laudos técnicos oficiais, elaborado após o desembaraço aduaneiro, não resta dúvida de que se trata fato não conhecido na fase anterior ao desembaraço do produto, situação que enquadra plenamente no inciso VIII do art. 149. Dessarte, apurada diferença de crédito tributário ou ilícito tributário sujeito a imposição de pena pecuniária, no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, a autoridade fiscal, por dever de ofício, com suporte nos dispositivos legais referenciados, está obrigada a realizar o lançamento do crédito tributário e aplicar a penalidade cabível, nos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. Por tais razões, rejeito a presente preliminar. Da vedação do lançamento em decorrência da mudança de critério jurídico. Previamente, a análise do argumento trazido pela recorrente, é oportuno fazer uma rápida digressão acerca do que seja mudança de critério jurídico, denominado pela doutrina de princípio da proteção da confiança. Instituto que, embora abordado por muitos e entendido por poucos, tem suscitado fortes controvérsias no seio da doutrina e da jurisprudência. Recomenda a boa doutrina que o primeiro passo para uma adequada compreensão de um instituto de direito positivo é analisar o preceito legal em que veiculado. Assim, seguindo essa trilha, começo analisando o conteúdo veiculado pelo art. 146 do CTN, que tem o seguinte teor, ipsis litteris: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 10 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais) É inquestionável que o dispositivo em apreço trata de modificação critério jurídico adotado em relação à prévio ato de lançamento tributário, realizado pela autoridade administrativa (lançamento de ofício). Essa é uma condição necessária para sua existência, porém não suficiente, pois além dela deverão estar presentes mais duas condições, a saber: (i) a alteração do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida por meio de ato de autoridade administrativa (ato de ofício) ou de decisão administrativa ou judicial; e (ii) o lançamento e/ou o ato de ofício ou decisório refiram-se ao mesmo sujeito passivo. Assim, com base no conteúdo jurídico do referido preceito legal, verifica-se que três condições deverão ser atendidas para que haja a configuração da mudança do critério jurídico, no âmbito do lançamento tributário: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha adotado um determinado critério jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiram-se a um mesmo sujeito passivo. No caso presente, não se verificou nenhuma das condições acima mencionadas. Nem sequer a primeira delas, ou seja, a condição necessária para existência do instituto jurídico em apreço. Diversamente, há notícia nos presentes autos (fls. 215/225) da lavratura de Auto de Infração contra a Interessada, em 27/11/2003, referente a DI 03/0983959-3, determinando a correta classificação do produto em tela na NCM 3824.90.89, ou seja, no mesmo código tarifário atribuído pela autoridade fiscal no presente procedimento fiscal. Dessa forma, ao invés de mudança de critério jurídico, no caso em tela, tem- se é a manutenção do critério jurídico anteriormente adotado, haja vista que tanto no auto de infração precedente quanto no presente, a autoridade fiscal enquadrou o produto importado pela Recorrente em idêntico código tarifário da NCM, motivo que deu origem as duas autuações. Assim, fica cabalmente demonstrada a inconsistência da alegação em apreço. Em decorrência, também rejeito a presente preliminar. II – DO MÉRITO O cerne da presente controvérsia, diz respeito à correta classificação fiscal do produto importado pela Recorrente, descrito nas DI de fls. 144/174. Acontece que, por meio da Ação Ordinário nº 2006.71.08.010621-9/RS, ajuizada na 1 a Vara da Subseção Judiciária de Novo Hamburgo pela Interessada, o assunto foi submetido à apreciação do Poder Judiciário, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11050.002448/2006-92 Acórdão n.º 3102-00.798 S3-C1T2 Fl. 609 11 que por meio da Sentença de fls. fls. 544/549, declarou que o código tarifário do produto era aquele atribuído pela Recorrente. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso de apelação junto Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que, na Sessão de 29 de setembro de 2010, por intermédio da sua Egrégia 1ª Turma, por unanimidade, negou provimento ao apelo da União 1 . Assim, demonstrado que matéria atinente ao enquadramento tarifário do produto encontra-se sub judice, tal vicissitude implica renúncia tácita à instância administrativa, consequência direta da aplicação do princípio da unicidade ou inafastabilidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que veicula a seguinte mensagem normativa: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Em consonância do referido princípio, é sabido que o monopólio do exercício da jurisdição compete ao Poder Judiciário, significando que os órgãos de julgamento vinculados aos outros Poderes, embora também possam exercer atividade julgadora ou judicante, dirimindo conflitos no seu âmbito de atuação, como ocorre com os órgãos julgadores do contencioso tributário, é indubitável que o pronunciamento definitivo acerca do conflito cabe exclusivamente aos órgãos do Poder Judiciário. Dessa forma, careceria de sentido e de efeito jurídico concreto e efetivo a manifestação deste Colegiado acerca do assunto, haja vista que, se corroborar o entendimento judicial, seria inócua, ou se decidir em sentido diverso, estaria contrariando ou descumprindo a decisão judicial, o que seria mais grave. Além disso, em consonância com o referido princípio, há na legislação infraconstitucional preceito legal determinando a proeminência do julgamento proferido no âmbito do Poder Judiciário, conforme estabelecido no § 2º do artigo 1º do Decreto-lei 1.737, de 1979, e no parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830, de 1980. De acordo com os referidos comandos normativos, “a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou após à autuação, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto”. No mesmo sentido, consolidou-se a jurisprudência deste Conselho, conforme o enunciado da súmula, divulgada por intermédio da Portaria Carf nº 106, de dezembro de 2009, a seguir transcrito: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, comprovada a identidade de objetos entre as lides administrativa e judicial, deixo de conhecer os argumentos de defesa suscitados pela Recorrente, concernente ao enquadramento tarifário do produto na NCM. Da matéria objeto da presente análise: as multas aplicadas. 1 Disponível em: <http://www.trf4.jus.br/trf4> Acesso em: 06 out. 2010. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 12 Das matérias objeto do presente recurso, conforme precedentemente demonstrado, apenas a cobrança dos tributos, decorrente da mudança do código tarifário do produto na NCM, encontra-se sob apreciação do Poder Judiciário. Por conseguinte, o mérito da presente controvérsia se restringirá a aplicação das multas (i) de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), proporcional ao valor dos tributos lançados; (ii) do controle administrativo das importações, por falta de licenciamento; e (iii) do controle aduaneiro ou regulamentar, por classificação fiscal incorreta. Além disso, por força circunstância da renúncia à instância administrativa, tenho como correto o enquadramento tarifário do referido produto no código NCM 3824.90.89, atribuído pela autoridade fiscal. Estabelecidas tais premissas, passo a análise das questões de mérito suscitadas presente Recurso, em relação aplicação das mencionadas multas. Da multa por falta da Licença de Importação (LI). A hipótese da infração administrativa ao controle das importações, caracterizada pela ausência de Guia de Importação (GI) ou documento equivalente, bem como a respectiva multa sancionadora encontram-se expressamente previstas na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decreto-lei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562, de 1978, com os seguinte dizeres: Art. 169 - Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I - importar mercadorias do exterior: (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...) (grifos não originais). Com a implantação do Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex), por força do disposto no § 1º do art. 6º do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992, a referida GI foi substituída pela Licença de Importação (LI). Com a implantação do Siscomex, módulo importação, a partir de 1º de janeiro de 1997, o assunto passou ser disciplinado nos artigos 7º a 9º 2 da Portaria Secex nº 21, 2 "Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. § 1° As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT n°291, de 12 de dezembro de 1996. § 2° As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento. (...) Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11050.002448/2006-92 Acórdão n.º 3102-00.798 S3-C1T2 Fl. 610 13 de 12 de dezembro 1996. De acordo com os referidos dispositivos, o licenciamento das importações brasileiras passou ser realizado de duas formas: a) licenciamento automático; e b) licenciamento não automático. Essas duas modalidades de licenciamento vigoraram até 02 /12 /2003, quando entrou em vigor a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2003, que introduziu nova divisão para o licenciamento das importações em: a) importações dispensadas de licenciamento; b) importações sujeitas a licenciamento automático; e c) importações sujeitas a licenciamento não automático. De acordo com esse novo modelo, as importações dispensadas de licenciamento estão desobrigadas de obter LI, devendo tão-somente a providenciar o registro da operação na Declaração de Importação - DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade da RFB. Nas outras duas modalidades (licenciamento automático ou não), o importador deverá obter o licenciamento da operação de importação previamente ao embarque da mercadoria no exterior, para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo no Siscomex, ou anteriormente ao início do despacho aduaneiro, para as operações definidas no § 1º do art. 10 da nova Portaria, a seguir transcrito: Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. § 1º Nas situações abaixo indicadas, o licenciamento poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria no exterior, mas anteriormente ao despacho aduaneiro, exceto para os produtos sujeitos a controles previstos no Tratamento Administrativo no Siscomex: I - importações ao amparo do regime aduaneiro especial de " drawback" ; II - importações ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio, exceto para os produtos sujeitos a licenciamento; III - sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq. (grifos não originais). A não obtenção do licenciamento nas condições mencionadas, implicará cometimento da infração administrativa ao controle das importações, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, fixada na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decreto-lei nº 37, de 1966. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso. (...)" Fl. 13DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 14 Em relação às operações de importação em tela, os códigos tarifários informados pelo Importador (códigos NCM 2942.00.00 e 3506.91.90) estavam dispensados de licenciamento, enquanto que o código NCM 3824.90.89, atribuído pela autoridade fiscal ao citado produto, a partir de 14/05/2003, por força da Portaria MCT n° 275, de 2002, passou a exigir licenciamento não automático, mediante anuência prévia do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). No presente caso, as operações de importação atinentes às DI registradas no período de 15/07/2003 a 02/06/2006, embora sujeitas a licenciamento não automático, foram realizadas sem LI, materializando à infração administrativa ao controle das importações por falta LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, que foi corretamente aplicada, conforme Demonstrativo de fls. 13/14. Da multa por classificação fiscal incorreta. A hipótese da infração aduaneira (ou regulamentar) ao controle das importações, caracterizada pela classificação incorreta da mercadoria na NCM, bem como a respectiva multa sancionadora encontram-se expressamente previstas no caput e no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, a seguir transcritos: Art. 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I- classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; (...) (grifos não originais) Diante das conclusões anteriormente apresentadas, entendo que referida infração encontra-se devidamente caracterizada, haja vista que o erro de classificação apontado no presente Auto de Infração se subsume perfeitamente a hipótese fática descrita no citado preceito legal. Aliás, este ponto é incontroverso, conforme premissa precedentemente fixada. Segundo a Recorrente a penalidade em apreço somente se aplica quando houver fundada suspeita de falsa declaração de conteúdo, conforme previsto no inciso II do art. 449 do Regulamento Aduaneiro de 2002. Não procede tal alegação. É cediço que, nos termos do § 2º do art. 94 do Decreto-lei nº 37, de 1966, a responsabilidade por infração à legislação aduaneira “independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Trata-se, portanto, de responsabilidade de natureza objetiva. Também não se aplica ao caso em tela, o disposto no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 36, de 05 outubro de 1995. O entendimento esposado no referido, enquanto vigente, aplicava-se às multas de ofício, até porque na referida data ainda vigia o dispositivo legal que instituiu a penalidade em apreço. Ademais, esse Ato encontra-se expressamente revogado, desde 20 de janeiro de 1997, pelo ADN Cosit nº 10, de 16 janeiro de 1997. Dessa forma, fica demonstrada a ocorrência do evento ilícito e a sua perfeita subsunção à hipótese típica, aliada a inexistência de qualquer circunstância excludente de responsabilidade em relação à penalidade aplicada, o que conduz a inarredável conclusão de que é procedente a exigência da dita penalidade, conforme consignado no Demonstrativo de fl. 15. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11050.002448/2006-92 Acórdão n.º 3102-00.798 S3-C1T2 Fl. 611 15 Das multas de ofício aplicadas. Alegou a Recorrente que, por força do disposto no ADN Cosit nº 36, de 05 outubro de 1995, eram indevidas as multas de ofício aplicadas nos presentes Autos. Conforme anteriormente mencionado, o referido ADN foi revogado pelo ADN Cosit nº 10, de 1997, que também dispõe sobre a relevação da multa de ofício por declaração inexata, motivada por erro de classificação fiscal, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Em consequência, aqui será analisado os efeitos deste último ADN. Mais uma vez não procede a alegação da Recorrente. As hipóteses de exclusão da multa de ofício, por classificação tarifária errônea (ou declaração inexata), estavam previstas no item 1 3 do ADN nº 10, de 1997, e exigia o atendimento das seguintes condições: (i) que o produto estivesse corretamente descrito na DI, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e (ii) que não se constatasse, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante. Com base no que foi exposto precedentemente, é de fácil ilação que a descrição dos produtos nas DI de fls. 144/174, não atende a primeira condição, porque os citados produtos não se encontravamm corretamente descritos, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao seu enquadramento tarifário pleiteado. De fato, a descrição detalhada do referido produto nas mencionadas DI foi feita de forma sucinta e genérica, sem a indicação da composição química completa, utilização, finalidade, nome comercial etc. A confirmação do asseverado poderá ser feita analisando os termos da dita descrição, reproduzidos a seguir: a) “COMPOSTOS ORGÂNICOS PARA FABRICAÇÃO DE CALÇADOS - TU-03TF" (DI's 01/0995519-0, 02/0048408-1, 02/0416421-9, 02/0926742-3, 03/0327236-2, 03/0591790-5); b) "PRIMER UV-03TF COMPOSTOS P/ FABRICAÇÃO DE CALÇADOS" (DI 05/1059309-1); "ADESIVO À BASE DE PLÁSTICO, OUTROS, SENDO: ‘PRIMER UV-03TF’" (DI 06/0409388-2); e c) "PRYMER PREPARADO A PARTIR DE OLIGOMEROS EM MEK, SENDO: ‘PRIMER -03TF’” (DI 06/0640500-8). Além disso, é oportuno esclarecer que o referido ADN foi tacitamente revogado em 27/08/2001, data em que entrou vigor o § 2º 4 do art. 84 da Medida Provisória nº 3 “(...) não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (...)”. 4 § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 16 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. Ademais, em decorrência do estabelecido no novel preceito legal, em 11 de setembro de 2002, o citado Ato foi expressamente revogado pelo art. 2º 5 do Ato Declaratório Interpretativo do SRF nº 13, de 2002. Ad argumentadum, ainda que as operações de importação, atinentes as DI registradas após de 27/08/2001, atendessem as condições estabelecidas no citado ADN, como elas ocorreram após a revogação tácita desse Ato, não mais existia a referida hipótese excludente da multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Com tais considerações, entendo corretamente aplicadas as penalidades em apreço, por conseguinte, não merece reforma o Acórdão recorrido neste ponto. III - DA CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER a matéria recursal, atinente à classificação fiscal, por haver concomitância com a esfera judicial; REJEITAR as preliminares; e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso, devendo ser mantido integralmente o Acórdão recorrido. Sala das Sessões, em 27 de outubro de 2010. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 5 Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 06/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/11/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10074.001718/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 29/04/2005 a 23/08/2005
Ementa: MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL
Aplicável a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura
Comum do Mercosul, conforme prevê o inciso I do artigo 84 da MP 2,15835,
de 24/08/2001.
REPETRO – Regime especial aduaneiro. O erro de classificação fiscal não é
fundamento para perda do regime especial.
MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Inaplicabilidade,
O exclusivo erro de classificação não é suficiente para atrair a aplicação da multa
capitulada na atual redação do art. 169, I do Decretolei
n" 37, de 1966.
Recursos conhecidos e improvidos.
Numero da decisão: 3102-001.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, que foi substituído pela conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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ementa_s : Classificação de Mercadorias Período de apuração: 29/04/2005 a 23/08/2005 Ementa: MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Aplicável a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme prevê o inciso I do artigo 84 da MP 2,15835, de 24/08/2001. REPETRO – Regime especial aduaneiro. O erro de classificação fiscal não é fundamento para perda do regime especial. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Inaplicabilidade, O exclusivo erro de classificação não é suficiente para atrair a aplicação da multa capitulada na atual redação do art. 169, I do Decretolei n" 37, de 1966. Recursos conhecidos e improvidos.
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REPETRO – Regime especial aduaneiro. O erro de classificação fiscal não é fundamento para perda do regime especial. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Inaplicabilidade, O exclusivo erro de classificação não é suficiente para atrair a aplicação da multa capitulada na atual redação do art. 169, I do Decretolei n" 37, de 1966. Recursos conhecidos e improvidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, que foi substituído pela conselheira Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente substituto. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por RICARDO P AULO ROSA 2 EDITADO EM: 10/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho e Winderley Morais Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário e ofício visando a reforma do acórdão nº 07 20.755 da 1ª Turma da DRJ/FNS, que deu parcial provimento à impugnação, para afastar a multa imposta por mercadoria importada sem licença de importação e os tributos e penalidades, mantendo o crédito relativo a multa por classificação incorreta da mercadoria nos termos do inciso I do art. 84 da Medida Provisória n 215835 de 2001. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 23.418.077,87, referente ao imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasep importação, Cofinsimportação, multas de oficio, multa por importações desamparadas de Licença de Importação, multa em razão de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul e juros de mora. Depreendese do Termo de Constatação anexo e parte integrante do auto de infração, que: A interessada submeteu ao regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados as atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), a embarcação denominada "Scan Carrier", em duas ocasiões diferentes, amparadas pelas Declarações de Importação n° 05/04408067 e n° 05/09041099, registradas, respectivamente, em 29/04/2005 e 23/08/2005, descrevendoa genericamente como "rebocador de altomar". A embarcação era identificada pelo código internacional IMO (International Maritime Organization) de n° 7382885, que corresponde a uma embarcação do tipo "Diving Support Vessel". Intimada a prestar esclarecimentos a interessada informou "a sua atividade principal ("navegação de apoio marítimo"), os meios necessários à realização daquela atividade (em especial, o "afretamento de diversas embarcações nacionais e estrangeiras"), as etapas burocráticas do afretamento de embarcações estrangeiras (foram citadas a Agencia Nacional de Transportes Aquavidrios — ANTAQ, a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro e a Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB) e aspectos do regime especial das declarações de importação ora sob exame, que, repisese, foram admitidas no REPETRO." Fl. 649DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10074.001718/200950 Acórdão n.º 3102001.430 S3C1T2 Fl. 509 3 Informou ainda, que a embarcação em tela, denominada "Scan Carrier" foi objeto de contrato celebrado com a empresa "Eni Oil do Brasil S.A." e, posteriormente com a empresa "Petróleo Brasileiro S.A. Petrobrds", não se encontrando mais afetada pela empresa contribuinte. Dentre os documentos apresentados pela interessada, o Certificado de Autorização de Afretamento — CAA n° AAM 0019 PSV 2005, emitido pela ANTAQ em 01/03/2005, informa que a embarcação é de "Navegação: Apoio Marítimo". O Atestado de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira n° 387 E000585, emitido pela Capitania dos Portos do Rio de Janeiro — Marinha do Brasil, em 30/03/2005 informa como "Características e Informações Complementares" como "Tipo de Embarcação: SUPLLY". E o Termo de Autorização n° 118 — ANTAQ, de 24/06/2004, informa "Autorizar Galáxia Marítima Ltda, doravante denominada Autorizada, com sede (..) a operar, por prazo indeterminado, como empresa brasileira de navegação na prestação de serviços de transporte na navegação de apoio portuário e apoio marítimo." (destaques apostos pela fiscalização) A interessada informa que a classificação fiscal da embarcação no código NCM 8904.0000 ("Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações") decorreu unicamente do fato de que as embarcações do tipo PSV seriam classificadas, mundialmente, como rebocadores de alto mar, vez que tais veículos constituiriam um tipo de rebocador. Os documentos apresentados pela interessada não respaldaram suas alegações quanto à classificação internacional da embarcação. Ao contrário, um dos documentos apresentados traz expressamente "A embarcação possui características tecnológicas atualizadas, estando apta para o serviço de supridor." (destaque aposto pela fiscalização) Em atendimento a intimação a Petróleo Brasileiro S.A. — Petrobrás informou que a embarcação não desempenhou atividades de rebocador/empurrador e que o objeto da contratação foi embarcação supridora, e mais, que a embarcação não dispõe de acessórios para realizar atividades de reboque e empurrador. Informou também que a embarcação é usada exclusivamente para o transporte de materiais para operação, manutenção de equipamentos existentes nas unidades de perfuração e produção marítima. A Eni Oil do Brasil S.A., também intimada, informou que a embarcação é uma embarcação especialmente desenhada e concebida para suprimento offshore, ou seja, para suprir plataformas de petróleo e gás natural; sua função precipua é dar suporte em bens e mercadorias para suprir plataformas de petróleo. E que a embarcação não serviu especialmente como rebocador ou empurrador de outras embarcações, tendo transportado mercadorias e transportado tripulações. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por RICARDO P AULO ROSA 4 A Capitania dos Portos do Rio de Janeiro — Marinha do Brasil, encaminhou as seguintes considerações: que a embarcação em lide não é Rebocador/Empurrador, mas sim, supridor de plataformas, podendo transportar óleo, além de outras cargas no convés. De acordo com os textos das posições e das notas de seção, capitulo e subcapitulo da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), assim como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), especialmente, a NESH da posição 8901, que assim dispõe: "A presente posição compreende todas as embarcações para o transporte de pessoas ou de mercadorias, destinadas à navegação marítima ou à navegação interior (em lagos, canais, rios, estuários, por exemplo), exceto as embarcações da posição 89.03 e os barcos salvavidas, que não sejam a remos, os navios de transporte de tropas e os navios hospitais (posição 89.06"; além da NESH da posição 8904, que determina que: "Os barcos da presente posição não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias", concluise que a embarcação se classifica na NCM 8901.90.00 ("Outras embarcações para o transporte de mercadorias ou para o transporte de pessoas e mercadorias"). Considerando que a mercadoria classificada no código NCM 8901.90.00 não está contemplada entre aquelas passíveis de serem submetidas ao Repetro, conforme IN SRF no 04/2001, foram lançados Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PISimportação e Cofinsimportação referentes As Declarações de Imporação n° 05/04408067 e n° 05/09041099, acompanhados de multa de oficio. Em razão de as mercadorias classificadas na NCM 8901.90.00 encontraremse submetidas a tratamento administrativo, exigindo licenciamento de importação sujeito à apreciação da Secex, de acordo com o Comunicado Decex 37/2007 e Portaria Secex 14/2004, foi lançada multa regulamentada pelo artigo 633, inciso II, alínea "a", do Decreto n° 4.543/2002 e pelo artigo 706, inciso I, alínea "a" do Decreto n° 6.759/2009, por importação de mercadoria sem licença de importação. Considerando a incorreção na classificação fiscal das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul, foi lançada a multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n°2.15835/2001. Regularmente cientificada por via postal (v. fls. 535), a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 541 a 553, com os documentos de folhas 554 a 560 anexados. A impugnante, resumidamente, traz as seguintes alegações: Contesta os termos da autuação, pois esclareceu plenamente as atividades a que se destinava a embarcação em tela. As informações prestadas, inclusive pelas empresas que a contrataram e pela Capitania dos Portos, esclarecem que o uso e destinação da embarcação "Scan Carrier", incontroversamente ocorreu na navegação de apoio marítimo as atividades e plataformas de petróleo em alto mar. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10074.001718/200950 Acórdão n.º 3102001.430 S3C1T2 Fl. 510 5 "Aplicase o Código NCM 8906, como transcrito nos próprios autos da Ação Fiscal, ás embarcações destinadas a apoio as atividades de pesquisa, exploração, perfuração, produção e estocagem de petróleo e gás natural." (sic) Portanto, seja como embarcação supridora, seja como rebocador ou empurrador, a embarcação "Scan Carrier" não pode ser excluída do Repetro, sendo incabível a aplicação das sanções previstas nos Autos de Infração objeto da presente impugnação. A reclassificação fiscal das embarcações importadas, sem que houvesse anterior intimação para que se procedesse à alteração por parte da interessada, fere de morte os princípios da razoabilidade e da segurança jurídica, entre outros, previstos na Lei n° 9.784/99. É empresa brasileira de navegação autorizada pela Antaq a operar exclusivamente nas navegações de apoio portuário e marítimo, emitindo nota fiscal de serviços e não conhecimento de transporte. Requer a desconstituição dos créditos tributários em lide e arquivamento definitivo dos processos. Após analisar a impugnação da Contribuinte, decidiu a 1ª Turma da DRJ/FNS, pelo provimento parcial da impugnação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 29/04/2005 a 23/08/2005 EMBARCAÇÕES. NCM 8906.90.00. Embarcações de apoio, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de materiais, além de equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, classificamse no código NCM 8906.90.00, por aplicação da Regra Geral de Interpretação1 e Regra Geral Complementar1, em consonância com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 29/04/2005 a 23/08/2005 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos A norma legal determina a caracterização da infração com conseqüente aplicação da penalidade prevista. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 652DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por RICARDO P AULO ROSA 6 A decisão acima afastou a exigência doo impostos de importação e sobre produtos industrializados, o PIS, a confins e a multa por importação de mercadoria sem licença de importação, mantendo apenas a multa por classificação errada da mercadoria. O acórdão ora em análise foi proferido em 20/08/2010, sendo a contribuinte notificada em 16/09/2010, entretanto antes da notificação a contribuinte apresentou, em 13/09/2010, uma complementação a impugnação, assim observando o item 2.31, alínea “b” do MAPROC, aprovado pela Portaria SRF nº 374/2002, percebese que os documentos apresentados após proferida decisão, devem permanecer nos autos para serem apreciados em segunda instância no caso de interposição de recurso. Assim cabe analisar o recurso apresentado pela contribuinte, observando que a complementação a impugnação apresenta matéria ratificada nas razões recursais, resta ainda realizar o reexame da parte improcedente em atenção ao recurso de ofício, vez que foi mantido R$ 222.799,50 (duzentos e vinte e dois mil, setecentos e noventa e nove reais e cinquenta centavos) do crédito lançado de R$ 23.418.077,87(vinte e três milhoes Em seu recurso voluntário a contribuinte alega que: 1. O lançamento decorre de suposto erro quando da classificação fiscal de embarcação importada pela recorrente, que foi classificada como “Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações”, a qual foi submetida ao regime de admissão temporária com a suspensão total dos tributos, motivado pelo regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra de petróleo e gás natural REPETRO 2. Segundo a fiscalização a embarcação deveria ser enquadrada no código NCM nº 8901.9000, enquanto foi classificado com o código NCM 8904.000, o que acarretou a exclusão do REPETRO e consequentemente a cobrança dos tributos suspensos; 3. Realmente houve um erro na classificação fiscal da embarcação Scan Carrier nas duas declarações de importação, entretanto tal classificação não estaria totalmente errada, pois segundo o termo de constatação apresentava na descrição do bem “um rebocador PSV de altomar”, a ANTAQ também identifica a embarcação como um rebocador, e assim não estaria equivocada a descrição da embarcação como rebocador; 4. Não houve prejuízo ao erário, pois nenhum tributo deixou de ser recolhido; Já na complementação a impugnação é apresentada a mesma matéria do recurso no tocante a inaplicabilidade das multas devido ao erro de classificação e argumentos contra a multa de 30%(trinta por cento) aplicada por falta de licenciamento, a qual fora afasta na decisão recorrida. É o relatório. Voto Fl. 653DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10074.001718/200950 Acórdão n.º 3102001.430 S3C1T2 Fl. 511 7 Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como já demonstrado o presente processo decorre da lavratura do auto de infração no qual é exigido da recorrente os impostos de importação e sobre produtos industrializados, o PIS, confins, a multa por importação sem documentação fiscal e a multa em razão da classificação errada da mercadoria. Recurso voluntário Busca a recorrente afastar a parte remanescente do lançamento que corresponde a aplicação da penalidade por classificação errada da mercadoria, prevista no art. 84, inciso I, da medida provisória nº 2.158/2001, que assim disciplina: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduáneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Ao mesmo passo que a recorrente requer o afastamento da multa, admite o erro ao realizar a classificação fiscal da embarcação nas duas declarações de importação, e sustenta que apesar do equivoco o bem havia sido descrito como rebocador e assim não teria ocorrido prejuízo ao fisco, pois nenhum tributo deixou de ser recolhido. Ora, a partir do momento que restou incontroverso o erro na classificação, não há como afasta a penalidade imposta, não sendo necessário, para a subsunção, a presença de dolo ou má fé do contribuinte, sendo a responsabilidade objetiva. Sobre o tema, é oportuno colacionar o posicionamento adotado pelo ilustre Conselheiro Luis Marcelo Guerra Casto, ao julgar o recurso voluntário nº 341.119 decorrente do processo 10735.003144/200508, nos seguintes termos: Como é de conhecimento geral, a aplicação de penalidade há que observar o principio da tipicidade cerrada, que tem suas origens no Direito Penal Sem a subsunção do fato à conduta especificada em lei, afastada estará a aplicabilidade da exigência. Nessa senda, analisando a descrição dos fatos consignados no auto de infração, posteriormente ratificados pelos i. julgadores a quo, vêse que, efetivamente, a classificação fiscal declarada. encontravase eivada de erro. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por RICARDO P AULO ROSA 8 Pelas razões acima, afastada a necessidade de se analisar se houve erro ou não na declaração de importação, pois tal fato foi reconhecido pela própria recorrente, assim não prospera o recurso voluntário em análise, mantendose a pena imposta por classificação incorreta na nomenclatura comum do MERCOSUL. Recurso de ofício A decisão recorrida afasta os tributos incidentes sobre a mercadoria, lançados sob o argumento de que ao ser realizada a classificação errada a mercadoria estaria afastado o regime aduaneiro especial. Demonstra a DRJ que o erro na classificação não determina a exclusão do regime aduaneiro especial sob o argumento de que não se trata de mercadoria distinta da admitida no regime especial e sim apenas de constatação de classificação fiscal incorreta. O REPETRO – Regime Aduaneiro Especial de Exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural foi instituido através do decreto nº 3.161/1999 e a época dos fatos estava regulamentado através do decreto nº 4.543/2002, que em seu art. 411, inciso III assim definia: Art. 411. O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), previstas na Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, é o que permite, conforme o caso, a aplicação dos seguintes tratamentos aduaneiros (Decretolei no 37, de 1966, art. 93, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 3o): I exportação, com saída ficta do território aduaneiro e posterior aplicação do regime de admissão temporária, no caso de bem a que se refere o § 1º, de fabricação nacional, vendido a pessoa sediada no exterior; II ...; e III importação, sob o regime de drawback, na modalidade de suspensão, de matériasprimas, produtos semielaborados ou acabados e de partes ou peças, utilizados na fabricação dos bens referidos nos §§ 1o e 2o, e posterior comprovação do adimplemento das obrigações decorrentes da aplicação desse regime mediante a exportação referida nos incisos I ou II. Em atenção ao disposto no art. 415 do mencionado decreto, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 4/2001, a qual dispõe sobre o regime aduaneiro especial e estabelece em seu art. 34 as hipóteses de suspensão e cancelamento da habilitação ao Repetro, nos seguintes termos: Fl. 655DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10074.001718/200950 Acórdão n.º 3102001.430 S3C1T2 Fl. 512 9 Art. 34. A habilitação ao Repetro poderá ser: I – suspensa, nas hipóteses de: a) obstrução do acesso, pela SRF, ao sistema de controle referido no art. 5º; b) inconsistência dos dados apresentados em relação àqueles informados nas correspondentes declarações de importação ou exportação, registradas no Siscomex; c) inexistência do controle informatizado ou sua existência em desacordo com as especificações a que se refere o § 4º do art. 5º; II – cancelada, na ocorrência das seguintes situações: a) cancelamento da concessão, autorização ou do contrato de prestação de serviços, que serviu de base para a habilitação; b) comprovação, mediante decisão definitiva na esfera administrativa, de prática de ilícito de natureza tributária ou aduaneira, pela pessoa jurídica habilitada; c) suspensão da habilitação por prazo superior a 180 dias. § 1º As condições para a aplicação da suspensão ou do cancelamento da habilitação serão apuradas em processo administrativo. § 2º Quando for constatada qualquer das situações previstas no inciso I do caput, a pessoa jurídica será notificada a solucionar as pendências no prazo de dez dias, contado da data da ciência, salvo na hipótese prevista na alínea "c" do inciso I, quando o prazo será de trinta dias.(grifo nosso) Percebese que classificação errada da mercadoria, não preenche nenhuma das hipóteses que ensejam a suspensão ou cancelamento do Repetro, e mesmo se situação dos autos preenchesse um dos itens acima, o cancelamento ou a suspensão não seria imediata, pois nos termos do § 2º em destaque, a contribuinte seria notificada para solucionar a “pendência” num prazo de 10(dez) dias. Sobre o tema, o então conselho de contribuintes já se manifestou no mesmo sentido, ao demonstra que o erro na classificação não acarreta a suspensão do drawback: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 26/03/2002 Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. Comprovada a exportação, erro de classificação fiscal não é fundamento para perda do regime especial aduaneiro. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por RICARDO P AULO ROSA 10 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA ERRÔNEA. INAPLICABILIDADE ARTIGO 633, II, 'a', do REGULAMENTO ADUANEIRO/02 (artigo 526, inciso II, do RA/85). Não se subsume a multa prevista no art. 633, II, 'a', 1110 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4.543, de 26/12/02 (art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 91.030, de 05/03/1985), quando o fato não está devidamente tipificado, uma vez que segundo o que dispõe o Ato Declaratório Cosit n° 12, de 21/01/1997, não constitui infração administrativa ao controle das importações classificação tarifária errônea. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. Devida a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, nos termos do art. 636, I, do RA. Recurso Voluntário Provido em Parte1 Ainda é oportuno transcrever o posicionamento da DRJ relativo ao tema: Esse entendimento não encontra guarida na legislação vigente. 0 erro de classificação fiscal da mercadoria não determina, por si só, o descumprimento das condições estabelecidas para a fruição do regime aduaneiro especial concedido. Cumpre notar que não se trata de constatação de que a mercadoria admitida no regime aduaneiro especial seja diferente daquela a que o regime fora concedido, mas sim, a constatação de que sua classificação fiscal estava incorreta. Nesse escopo, de se presumir que as informações sobre as características da embarcação em trato já estavam disponibilizadas pela documentação apresentada quando da concessão do regime, sendo que a própria descrição contida nas Declarações de Importação já seria suficiente para se proceder a sua correta classificação fiscal. Ademais, eventual exigência dos tributos suspensos deve ser realizada mediante execução do respectivo Termo de Responsabilidade, em cumprimento à legislação vigente. Quanto à multa imposta por importação de mercadoria sem licença de importação, também acerta a decisão recorrida ao afastála, pois de acordo com a portaria Secex nº 17 as mercadorias destinadas aos regimes de admissão temporária e ao Repetro estão 1 Processo n.° 10909.001355/200305 CCO3/CO3 Acórdão n.° 30334.859 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10074.001718/200950 Acórdão n.º 3102001.430 S3C1T2 Fl. 513 11 dispensadas do licenciamento. Assim, apenas o erro na classificação da mercadoria não enseja a necessidade de licença de importação, pois não afasta o regime especial, consoante já explicitado. Diante do exposto conheço dos recursos para negarlhes provimento. Sala de sessões 24 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 658DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por RICARDO P AULO ROSA
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Numero do processo: 10314.005056/2001-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3102-000.189
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Ausente, momentaneamente, a conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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DE MÁQUINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Ausente, momentaneamente, a conselheira Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. EDITADO EM: 05/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ São Paulo II SP, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1748572, proferido em 17 de fevereiro de 2011. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na parte que interessa ao processo: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 17/01/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional no valor de R$ 3.106.537,63, em virtude dos fatos a seguir descritos. Fl. 620DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10314.005056/200149 Resolução n.º 310200.189 S3C1T2 Fl. 265 2 • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, no período de 01/01/1997 a 31/08/2001, mediante 309 Declarações de Importação arroladas no corpo do Auto de Infração máquinas destinadas a produzir tecidos de malha com classificação fiscal no Código NCM 8448.51.00, tendo recolhido o Imposto de Importação com alíquotas de 0 a 3%. • A fiscalização concorda com a classificação fiscal atribuída pelo importador para os itens 17, 22, e 23 da tabela B Partes e Acessórios da posição 8448 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, a saber: 17) As agulhas para teares de malha e teares de tricotar; 22) As platinas para teares de fabricar malhas; 23) Os acessórios para a formação de malhas; • Para o item 30) "As barras de agulhas para teares de fabricar malhas, as placas corrediças, carnes e bandejas de agulhas para teares retilíneos de fabricar malhas, as carnes de agulhas e os cilindros de agulhas para teares circulares de fabricar malhas" a fiscalização entendeu ser adequada a classificação fiscal no Código NCM 8448.59.10, por serem partes de teares, com incidência das alíquotas do Imposto de Importação de 14 a 20%, para o período de 01/01/1997 a 31/08/2001; O importador ingressou com o Mandado de Segurança No. 2001.61.00.0117346 na 11a Vara Cível Federal do Estado de São Paulo. A DRJ assim se manifestou no acórdão recorrido: São pontos controvertidos a classificação fiscal das máquinas no Código NCM 8448.51.00 atribuído pelo importador e NCM 8448.59.10 reclamado pela fiscalização; O texto do código NCM 8448.51 é bastante e suficiente para tanto, ao citar textualmente "Platinas, agulhas e outros artigos, utilizados na formação das malhas". Todavia, as mercadorias aqui em comento, que ensejaram a lavratura do presente auto de infração, não são platinas, nem agulhas, nem outros artigos, utilizados na formação das malhas. São partes de teares circulares para malhas. O código NCM 8448.51.00, eleito pelo importador não comporta peças de teares circulares para malhas, pois seu texto não faz qualquer referência a isso. Alias, nenhum código NCM faz referência a "peças de teares circulares para malhas", assim para o caso é inaplicável a Regra 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. Peças de teares circulares para malhas fazem referência a teares circulares para malhas, ainda que o equipamento esteja incompleto ou inacabado. O item da tabela B Partes e Acessórios da posição 8448 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado explicita: 30) As barras de agulhas para teares de fabricar malhas, as placas corrediças, carnes e bandejas de agulhas para teares retilíneos de fabricar malhas, as carnes de agulhas e os cilindros de agulhas para teares circulares de fabricar malhas. Pela regra 2 a), os acessórios teares circulares para malhas devem ter classificação fiscal no código NCM 8448.59.10. Fl. 621DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10314.005056/200149 Resolução n.º 310200.189 S3C1T2 Fl. 266 3 A recorrente apresenta recurso voluntário, fls. 461 e sgs, onde em síntese argumenta que: 1. sua mercadoria deveria ser enquadrada na parte final da disposição contida na NCM 8448.51.00 “ e outros artigos utilizados na formação de malhas”, pois a questão seria saber se as mercadorias importadas por ela são ou não artigos utilizados na formação das malhas; 2. Que a nota explicativa do Sistema Harmonizado NESH nº 23, da posição 8448 é exemplificativa; 3. Deveria ser aplicada a regra 3 a, que dispõe que a posição mais especifica prevalece sobre a mais genérica; 4. solicita a juntada de documentos. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, relatora. O recurso é tempestivo, estando de acordo com o disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Apesar de louvar o trabalho da fiscalização na análise de todas as declarações de importação elencadas, não encontrei nos autos os documentos que identificam as mercadorias importadas. Somente consta do auto de infração a lista das Declarações de Importação. Com estes documentos não é possível verificar qual a correta classificação fiscal das mercadorias. Entendo que esse fato prejudica o contraditório e a ampla defesa. Por conseguinte, em face do exposto, voto no sentido de CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA a unidade de origem para que seja juntado aos autos um quadro demonstrativo relacionando todas as DI´s que fazem parte do Auto de Infração. E para cada DI seja informada a adição, a descrição da mercadoria e a classificação adotada pelo contribuinte. Após seja fornecido prazo para o contribuinte apresentar aditamento ao recurso voluntário. Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 622DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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Numero do processo: 10480.723799/2010-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos.
2. Além disso, se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as de mérito, certamente, não tem cabimento a proposição nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO ADUANEIRA. APURADO ERRO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DE MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). POSSIBILIDADE.
Se não houve lançamento de ofício anterior, realizado sobre o mesmo sujeito passivo, não caracteriza mudança de critério jurídico a exigência de diferença de crédito tributário apurada, multa regulamentar por erro de classificação fiscal e multa do controle administrativo por falta de licenciamento da importação, aplicada no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, em que apurado erro de informação em relação ao código tarifário atribuído a produto sujeito à licenciamento não automático.
REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.
No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ARROZ SEMIBRANQUEADO OU BRANQUEADO. O arroz semibranqueado ou branqueado (beneficiado), classificase no código NCM 1006.30.11, se parboilizado e polido, e no código NCM 1006.30.21, se não parboilizado e polido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 CERTIFICADO DE ORIGEM. PRODUTO COM CLASSIFICAÇÃO DIFERENTE. DESQUALIFICAÇÃO DO CERTIFICAÇÃO E DO REGIME DE PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. POSSIBILIDADE. Constatada diferença entre a classificação fical consignada no certificado de origem e a resultante da verificação aduaneira das mercadorias, a autoridade tributária pode desqualificar o referido certificado de origem e afastar a preferência tarifária própria do regime do Mercosul. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DECLARAÇÃO INEXATA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE. A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acarretando a incorreta classificação fiscal do produto na NCM, subsumese perfeitamente à hipótese da infração por declaração inexata descrita no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, independente da existência de dolo ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 37 99 /2 01 0- 94 Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 máfé do importador, por se consistir em responsabilidade de natureza objetiva. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A CONTROLE ADMINISTRATIVO. LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. APLICABILIDADE. Ainda que não haja dolo ou máfé por parte do importador, a falta de Licença Importação (LI) para produto sujeito a licenciamento nãoautomático, incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficientemente para sua perfeita identificação e enquadramento no código correto da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa aduaneira ou regulamentar de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos. 2. Além disso, se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as de mérito, certamente, não tem cabimento a proposição nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO ADUANEIRA. APURADO ERRO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DE MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). POSSIBILIDADE. Se não houve lançamento de ofício anterior, realizado sobre o mesmo sujeito passivo, não caracteriza mudança de critério jurídico a exigência de diferença de crédito tributário apurada, multa regulamentar por erro de classificação fiscal e multa do controle administrativo por falta de licenciamento da importação, aplicada no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, em que apurado erro de informação em relação ao código tarifário atribuído a produto sujeito à licenciamento não automático. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 101 3 REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 2/84), em que formalizada a exigência do Imposto sobre a Importação (II), acrescido de juros moratórios e multa de ofício, e aplicação da multa de mora, regulamentar por erro de classificação fiscal e do controle administrativo das importações por falta de Licença de Importação (LI), no valor total de R$ 6.830.208,52. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 1146/1162, apurou a fiscalização que a autuada realizou, nos anos 2005 a 2009, importações de mercadorias com as irregularidades a seguir descritas: 1) Com relação às importações discriminadas no Quadro 1 (fl. 1148), a impugnante utilizou a descrição: “Arroz semibranqueado, não parboilizado, glaceado, máximo 10% de grãos quebrados” e “Arroz branco, polido, máximo 10% de grãos quebrados”, e classificou o produto na NCM 1006.30.29, quando a classificação fiscal correta era no código Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 NCM 1006.30.21, em função das expressões “glaceado” (equivalente a “brunido” pela NESH) e “polido” (presente no citado subitem 21). Neste caso, a fiscalização lançou a multa por erro na classificação fiscal, prevista no art. 84, I, da MP nº 2.158/01; 2) Com relação às importações descritas: 2.1) no Quadro 2 (fl. 1149), a impugnante utilizou a descrição “Arroz semibranqueado, não parboilizado, máximo de 10% de grãos quebrados”, e classificou o produto na NCM 1006.30.29. Segundo a fiscalização, a descrição feita pela impugnante permitia a classificação do produto na NCM 1006.30.21, por não definir se o arroz era ou não polido ou brunido; 2.2) no Quadro 3 (fl. 1150), a impugnante utilizou a descrição “Arroz semibranqueado, não parboilizado, não glaceado, grão longo, tipo 1, máximo de 10% de grãos quebrados”, e classificou o produto na NCM 1006.30.29; 2.3) no Quadro 4 (fl. 1151, a impugnante utilizou a descrição “Arroz semibranqueado, parboilizado, não glaceado, máximo de 10% de grãos quebrados”, e classificou o produto na NCM 1006.30.19. Segundo a fiscalização, a descrição neste caso também permitia a classificação do produto na NCM 1006.30.11, por não definir se o arroz era ou não polido. Em relação a todos os casos relatados neste item, informou a fiscalização que os Laudos de Classificação de Arroz (Port. MA 269/1988) e os Certificados de Classificação de Produto Vegetal Importado (Decreto 6.268/2007), constantes dos autos, qualificavam os citados produtos como pertencente ao “Subgrupo POLIDO”. Ainda no que tange às importações listadas nos Quadros 2, 3 e 4, a fiscalização também aplicou a multa do art. 84, I, da MP 2.158/2001, com respaldo no § 1º e inciso III do § 2º do art. 69 da Lei 10.833/2003. 3) Com relação às importações descritas no Quadro 5 (fl. 1154), a fiscalização lançou a multa por falta de LI, prevista no art. 169, I, “a”, do Decretolei 37/1966, sob argumento de que as mercadorias foram reclassificadas para NCM que exige licenciamento e não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. 4) Com relação às importações descritas no Quadro 6 (fl. 1157), a fiscalização desqualificou os certificados de origem pela incompatibilidade entre a descrição e a classificação fiscal utilizada nos mesmos e o verificado em conferência física do produto, em espcial, a constatação de que o arroz era “polido”. Baseouse a fiscalização nos arts. 6º, caput, e 10, parágrafo único da Instrução Normativa SRF 149/2002. Neste caso, foram cobrados os valores relativos ao II, acrecidos de juros moratórios e multa de ofício. Em sede de impugnação (fls. 1164/1202), em preliminar, a autuada alegou: a) preterição do direito de defesa pois a fiscalização não teria indicado o dispositivo legal que ampara a revisão do lançamento; b) alteração de critério jurídico na interpretação da classificação fiscal e violação da segurança jurídica; e c) decadência de parte dos créditos tributários lançados, referentes às importações registradas entre janeiro de 2005 a 16 de dezembro de 2005. No mérito, alegou que: a) o fato do arroz ser polido ou não polido não trazia qualquer vantagem para a impugnante; b) não podiam ser considerados os Laudos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, baseados na Portaria 269/1988. que Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 102 5 classifica o arroz como polido; c) eram incabíveis as multas por classificação incorreta e descrição incompleta do produto importado; d) inexistia dano à Fazenda e à administração alfandegária; e) a classificação pelo Sistema Harmonizado considerava apenas os 6 primeiros dígitos; f) se fosse considerado apenas o “primeiro dígito específico para o Mercosul” também não havia discordância com a fiscalização; g) a fiscalização não poderia desconsiderar a origem da mercadoria como sendo do Mercosul; h) houve violação ao Princípio da Proporcionalidade, pois o valor lançado era excessivo em função de “questão não pacificada”. Por fim, requereu que fossem reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, que fosse julgada improcedente a autuação. Requereu ainda a realização de perícia e indicou perito e quesitos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1337/1362), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, para excluir apenas as multas administrativas relativas às DI registradas até 17/12/2005, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARROZ O arroz, com as características constatadas neste processo, classificase na NCM 1006.30.11 quando parboilizado e polido e na NCM 1006.30.21 quando nãoparboilizado e polido. Em 2/5/2014, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 1522). Inconformada, em 3/6/2014, protocolou o recurso voluntário de fls. 1373/1421, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, preliminarmente, a recorrente alegou: a) nulidade da decisão de recorrida, sob o argumento de que houve inovação na indicação do fundamento legal e não houve pronunciamento acerca dos documentos juntados após o protocolo da impugnação; b) a decadência do II com fato gerador até 16 de dezembro de 2005, com base no argumento de que, no caso de lançamento de tributo incidente sobre a operação de importação, o início do prazo quinquenal de decadência era antecipado para a data do registro da DI, pois nesta data tinha início o procedimento fiscal de revisão do lançamento, que deve ser concluído no prazo máximo de cinco anos. No mérito, alegou a recorrente que, ainda que não caracterizada a mudança de critério jurídico e o lançamento pudesse ser revisado, a penalidade aplicada deveria ser afastada, por força do disposto no art. 100 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 A controvérsia envolve questões preliminares e de mérito, conforme anteriormente relatado. I Da Preliminar de Nulidade da Decisão de Primeira Instância A recorrente alegou nulidade da decisão de recorrida, sob o argumento de que (i) houve inovação na indicação do fundamento legal da autuação e (ii) não houve pronunciamento acerca dos documentos juntados aos autos após o protocolo da peça impugnatória. Sem razão a recorrente. O primeiro argumento não procede, porque, nos termos do art. 10, IV, do Decreto 70.235/1972, doravante denominado de PAF, o auto de infração deve conter apenas “a disposição legal infringida”, sem qualquer exigência quanto a citação do preceito legal que autoriza a realização do procedimento fiscal. Entretanto, embora tal omissão não implicasse qualquer vício ao questionado auto de infração, no caso em tela, ela não ocorreu, haja vista que foi expressamente mencionado no enquadramento legal do citado auto de infração o art. 570 do Regulamento Aduaneiro de 2002 – RA/2002 (Decreto 4.543/2002), que regulamenta o art. 54 do Decretolei 37/1966, que autoriza a realização do procedimento de revisão aduaneira. E o fato do voto condutor faze referência ao preceito legal regulamentado, não resulta em inovação da fundamentação legal, porque, sabidamente, a citação do preceito regulamentar dispensa a menção ao preceito legal regulamentado. Também não procede o segundo argumento, pois, nos termos do art. 16, § 4º, do PAF, tais provas deveriam ter sido apresentadas juntamente com a peça impugnatória e, como não ocorreu, estava precluso o direito de apresentálas no momento que colacionadas aos autos, a menos que apresentadas as justificativas excepcionais, previstas nas alíneas “a” a “c” citado preceito legal, o que não ocorreu. Além disso, se relevante para o deslinde da controvérsia, em conformidade com o disposto no art. 16, § 6º, do PAF, tais provas poderão ser analisadas por este Colegiado, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar nulidade da decisão recorrida. II Da Preliminar de Nulidade do Auto de Infração A recorrente alegou nulidade do Auto de Infração por (i) preterição do direito de defesa pois a fiscalização não teria indicado o dispositivo legal que ampara a revisão do lançamento; b) alteração de critério jurídico na interpretação da classificação fiscal e violação da segurança jurídica; e c) ausência de prejuízo ao fisco e diante da boa fé da contribuinte. Sem razão a recorrente. Em relação ao alegado cerceamento do direito defesa, conforme anteriormente demonstrado, embora não obrigatório, a recorrente indicou sim o preceito legal que serviu de amparo para a realização do procedimento de revisão aduaneira em questão, a saber, o art. 570 do RA/2002, que, reproduz o art. 54 do Decretolei 37/1966. No que tange à alegada mudança de critério e violação da segurança jurídica, também não procede a alegação da recorrente. Com efeito, a mudança de critério jurídico, alegada pela recorrente, prevista no art. 146 do CTN, tem o seguinte teor, ipsis litteris: Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 103 7 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais) No âmbito do lançamento tributário, de acordo com o referido preceito legal, para a configuração da mudança do critério jurídico nele prevista, três condições cumulativas, a saber: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha fixado um determinado critério jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anterior seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiramse a um mesmo sujeito passivo. A primeira consiste na condição necessária, porém não suficiente, para a configuração da mudança de critério jurídico. Portanto, sem a existência de um prévio ato de lançamento de ofício tornase despecienda a análise da segunda e terceira condições (condições suficientes). Da simples leitura do texto legal, inferese que o lançamento utilizado como paradigma é o lançamento de ofício, ou seja, o lançamento realizado pela autoridade administrativa, na forma estabelecida no art. 142 do CTN, nas situações elencadas no art. 149 do CTN. No caso em tela, induvidosamente, houve lançamento por homologação (ou autolançamento, segundo parte considerável da doutrina), previsto no art. 150 do CTN, uma vez que a autuada foi quem apurou e informou, nas DI, que não havia tributos devidos na respectiva operação de importação. Não se pode olvidar, ademais, que o despacho aduaneiro de importação é um procedimento de natureza mista, realizado com o objetivo de liberar (ou desembaraçar) a mercadoria importada e, simultaneamente, a apurar o crédito tributário devido na operação de importação. Em razão dessa especificidade, ele realizase em duas etapas distintas e sequenciais: a fase conferência aduaneira e a fase de revisão aduaneira, conforme estabelece os arts. 50, 51 e 54 do Decretolei 37/1966, a seguir transcritos: Despacho Aduaneiro […] Art. 50. A verificação da mercadoria, no curso da conferência aduaneira ou em qualquer outra ocasião, será realizada por Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, na presença do importador ou de seu representante, e se estenderá sobre toda a mercadoria importada, ou parte dela, conforme critérios fixados em regulamento. Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 Art. 51. Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do despacho, a mercadoria será desembaraçada e posta à disposição do importador. 1º Se, no curso da conferência aduaneira, houver exigência fiscal na forma deste artigo, a mercadoria poderá ser desembaraçada, desde que, na forma do regulamento, sejam adotadas as indispensáveis cautelas fiscais. 2º O regulamento disporá sobre os casos em que a mercadoria poderá ser posta à disposição do importador antecipadamente ao desembaraço. […] Seção II Conclusão do Despacho Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o artigo 44 deste Decreto Lei. (grifos não originais) Nos termos do art. 504 do Regulamento de Aduaneiro de 2002 – RA/2002 (Decreto 4.543/2002), vigente na época dos fatos, a fase conferência aduaneira, que se inicia com registro da DI e se encerra com o ato de desembaraço aduaneiro (liberação da mercadoria), tratase de ato proferido pela autoridade fiscal com a finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. Nesta fase, induvidosamente, o objetivo principal é a liberação da mercadoria, que, por razões óbvias (indisponibilidade da mercadoria, custo de armazenagem etc.) do interesse do importador, devem liberadas com a maior brevidade possível. Por sua vez, a fase de revisão aduaneira, que se inicia com o ato de desembaraço aduaneiro e se encerra (i) na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado, ou (ii) com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da DI, tem por finalidade apurar regularidade do pagamento dos tributos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. Nesta fase, o objetivo principal da atividade fiscal é apurar e lançar eventual diferença de crédito tributário devida e não recolhida pelo importador. O procedimento de revisão aduaneira encontrase previsto no art. art. 54 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo Decretolei 2.472/1988, que, de modo expresso, remete ao regulamento o estabelecimento da forma de realização do citado procedimento, nos termos a seguir transcrito: Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 104 9 do registro da Declaração de que trata o artigo 44 deste Decreto lei. (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que o disposto no citado preceito legal está em perfeita consonância com o disposto no art. 149, I e V, do CTN, a seguir transcrito: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...] V – quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte1; [...] (grifos não originais) Dessa forma, com respaldo no citado art. 54, o procedimento revisão aduaneiro, na época dos fatos, encontravase disciplinado no art. 570 do RA/2002, que estabeleceu os requisitos e prazo de realização do citado procedimento, nos termos que segue transcrito: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. (grifos não originais). Da leitura do preceito regulamentar em destaque, verificase que há expressa autorização legal, para fim de verificação da regularidade (i) do pagamento dos tributos devidos na operação de importação, (ii) da aplicação de benefício fiscal à mercadoria 1 O art. 150 do CTN dispõe sobre o lançamento por homologação realizado no âmbito do despacho aduaneiro de importação. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 importada e (iii) da exatidão das informações prestadas pelo importador na DI. Nessas hipóteses, a única restrição legal diz respeito à observância do prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do registro das DI. No caso, em todas as DI que serviram de base para processamento dos despachos aduaneiros objeto das autuações, a recorrente solicitou aplicação da margem de preferência tarifária de 100% (cem por cento), prevista no ACE 18/1991 (Acordo do Mercosul). No caso, a ação fiscal que resultou nas autuações em questão teve por objeto avaliar a regularidade das respectivas operações de importação, notadamente, o direito do produto efetivamente importado, e não o declarado na DI, à redução integral do Imposto sobre a Importação pleiteado. Além disso, no curso do correspondente procedimento fiscal, a fiscalização apurou que o produto importado não fora corretamente descrito nas DI e nos respectivo Certificados de Origem pela autuada. Assim, ao contrário do alegado pela recorrente, o lançamento está respaldado no art. 149, I e V, do CTN, combinado com o disposto no art. 54 do Decretolei 37/1966, portanto, não lhe sendo aplicável a vedação prevista no art. 146 do CTN e tampouco o disposto na Súmula 227 do extinto TFR, pois, como ficou demonstrado anteriormente, não se trata de mudança de critério jurídico, uma vez que não houve lançamento de ofício previamente à autuação em apreço. Também não procede a alegação da recorrente de que o ato de desembaraço aduaneiro (liberação da mercadoria), teria a característica de ato de homologação do lançamento por homologação ou do lançamento por declaração, o que tornava inadmissível a revisão do referido ato, sob pena de afronta ao art. 146 do CTN e ao princípio da proteção da confiança, corolário da segurança jurídica. Diferentemente do entendimento da recorrente, ato de desembaraço aduaneiro não tem a natureza de lançamento, seja por declaração ou de ofício, e tampouco homologação expressa do lançamento por homologação. Com efeito, o ato desembaraço aduaneiro, proferido ao final da fase de conferência aduaneira (art. 511 da RA/2002), tem por finalidade a liberação ou desembaraço da mercadoria, conforme expressamente estabelecido no art. 51 do Decretolei 37/1966. E como os dados e informações consignados na DI foram prestados pelo importador, se algum critério, nesta fase do despacho aduaneiro, foi homologado, certamente, foi critério adotado pelo próprio importador. Entretanto, ainda que, implicitamente, o benefício fiscal pleiteado na respectiva DI tivesse sido expressamente homologado pelo correspondente ato de desembaraço aduaneiro, por força de autorização legal expressa (art. 54 do Decretolei 37/1966), na fase de revisão aduaneira, seguinte ao citado ato, a autoridade administrativa tem plena competência, para, na eventual apuração de irregularidade na aplicação do referido benefício fiscal e na exatidão das informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Foi o que ocorreu na autuação em questão, em que a fiscalização apurou que os códigos da NCM atribuídos ao produto importado não estavam corretos. Com base nesse entendimento, também resta demonstrado que o procedimento de revisão aduaneira, previsto no art. 54 do Decretolei 37/1966, não se limita apenas às casos de erro de fato, conforme alegou a recorrente. Ao contrário, por não fazer qualquer distinção, induvidosamente, a revisão aduaneira também pode ser realizada nas situações em que também configurado erro de direito, como no caso de eventual erro de Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 105 11 classificação fiscal, especialmente, no caso em tela, em que a classificação equivocada fora feita pela contribuinte e não pela autoridade fiscal. Por todas essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade das autuações suscitada pela recorrente. Da ausência de prejuízo ao Fisco e boafé da importadora. A recorrente alegou que, diante da ausência de prejuízo ao Fisco e da boafé da recorrente, as autuações deveriam ser anuladas, evitando punição desmedida do importador, com afronta os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que regem a conduta da Administração Pública. Não procede a alegação da recorrente. Tratase de aspecto que não interfere no dever de lançamento do crédito tributário, uma vez configurado o descumprimento da preferência tarifária pleiteada, haja vista que a atividade de lançamento é plenamente vinculada, tendo a autoridade fiscal a obrigação de proceder a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. Em relação à alegada boafé, os elementos coligidos aos autos evidenciam que não houve, principalmente, a deficiente descrição do produto, cujas informações foram extraídas dos documentos de importação fornecidos pela empresa exportadora. Ademais, trata se de aspecto subjetivo, que, em face da natureza objetiva da responsabilidade tributária, não tem qualquer implicação sobre higidez das autuações. Por todas essas razões, também fica demonstrada a improcedência do argumento de que houve afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Por se tratar de ato vinculado, sabidamente, as autuações em apreço não comporta análise desse jaez. Com base nessas considerações, rejeitase a presente preliminar de nulidade. III Da Decadência do Direito de Lançar o II Conforme delineado no relatório precedente, o Auto de Infração em apreço contempla (i) lançamento do II, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, e (ii) imposição de penalidades de natureza administrativa, por falta de LI e por erro de classificação fiscal. No tocante às penalidades de natureza administrativa, a Turma de Julgamento de primeiro grau, com fundamento no art. 139 do Decretolei 37/1966, acolheu alegação de decadência, suscitada autuada, em relação às DI registradas até 16/12/2005. Todavia, no tocante ao II lançado, o referido Órgão julgado afastou a decadência, com base no argumento de que, como não pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial contavase a partir do primeiro dia do exercício seguinte, nos termo do art. 173, I, do CTN, combinado com o disposto no art. 138 do Decretolei 37/1966, que segue transcrito: Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 12 Art. 138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (grifos não originais) No presente recurso, a recorrente alegou que, se a fiscalização, nos termos do art. 54 do Decretolei 37/1966, tinha o prazo de 5 (cinco) anos, a contar do registro da DI, para revisar a exatidão das informações prestadas pelo importador, certamente,não poderia lançar o II após o transcurso do referido prazo. A primeira vista, as duas normas aparentam ser conflitantes. No entanto, numa interpretação combinada e sistemática, se do procedimento de revisão aduaneira resultar apuração de crédito tributário, em relação ao lançamento, certamente, deverá prevalecer o prazo fixado no art. 138, por está o prazo fixado neste preceito legal em consonância com o prazo determinado no art. 173, I, do CTN, norma de hierarquia superior, que tem prevalência num eventual conflito com norma veiculada por lei ordinária. Aliás, não se pode olvidar que lançamento de crédito tributário é matéria reservada a lei complementar, por expressa determinação do art. 146, III, “b”, da CF/1988. No caso, como não houve pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial a ser aplicada é aquela fixada no art. 173, I, do CTN, conforme corretamente decidiu a Turma de Julgamento a quo. Dessa forma, não merece reparo a decisão no ponto em que afastou a decadência do direito de lançar o II, em relação às DI registradas no ano 2005, até o dia 16 de dezembro. IV Da Análise do Mérito No mérito, o cerne da controvérsia gira em torno do grau de polimento do arroz importado pela recorrente, isto é, se o arroz era polido ou não. Para a recorrente, o arroz não era polido e classificado nos códigos NCM 1006.30.19 e 1006.30.29, se parboilizado ou não, enquanto que para fiscalização o arroz era polido e classificado nos códigos NCM 1006.30.11 e 1006.30.21. Da identificação do tipo arroz importado. De acordo com o Relatório Fiscal, a fiscalização procedeu a reclassificação fiscal baseada na descrição do produto apresentada (i) na própria DI (DI relacionadas no Quadro 1 – fl. 1148) e (ii) nos respectivos Laudos de Classificação de Arroz (Portaria MA 269/1988) e/ou Certificados de Classificação de Produto Vegetal Importado (Decreto 6.268/2007), que identificaram o arroz como tendo grau de polimento do tipo polido (DI relacionadas nos Quadros 2 a 6 – fls. 1149/1157). Por sua vez, para justificar a classificação fiscal procedida, a recorrente invocou os Termos de Fiscalização de fls. 1248, 1271 e 2172, subscritos por experts do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e homologados pela fiscalização aduaneira, em que apresentada a conclusão de que o arroz era do tipo “não polido”. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 106 13 Não procede a alegação da recorrente, haja vista que os referidos Termos de Fiscalização, emitido por Fiscal Federal Agropecuário e que reproduz a descrição contida nas correspondentes DI, contêm apenas a informação sobre a coleta de amostras dos produtos, para fim de análise a ser feita por empresa credenciada. Portanto, não se trata de documento de identificação do produto. Com efeito, o documento que identifica o produto efetivamente importado é o Laudo de Classificação do Arroz (Portaria MA 269/1988) e/ou Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado (Decreto 6.268/2007), emitido por empresa habilitada/credenciada, que instruem as respectivas DI, cuja conclusão, no caso em tela, foram utilizadas pela fiscalização para proceder a reclassificação fiscal dos produtos. Da classificação fiscal do produto. Para a fiscalização, como arroz importado pela recorrente era do tipo polido, a correta classificação do produto seria nos códigos NCM 1006.30.11 e 1006.30.21, se parboilizado ou não parboilizado (ou polido). Por sua vez, a recorrente alegou que o critério de classificação do arroz estabelecido na Portaria MA 269/1988 não poderia ser utilizado para fins de classificação fiscal do produto na NCM, pois, não seria possível, em hipótese alguma, a identificação do arroz semibranqueado ou branqueado em “outros” (posição NCM 1006.30.29), uma vez que para todo arroz beneficiado (sem casca) que não fosse integral, nem parboilizado, seria polido. Logo, seria inócua a existência da classificação no código NCM 1006.30.29. Para uma melhor análise alegação recorrente, reproduzse a seguir os textos da citada classificação e dos desdobramentos da posição 10.06 da NCM: 4.CLASSIFICAÇÃO O arroz será classificado em grupos, subgrupos, classes e tipo, identificados de acordo com os seguintes critérios: 4.1. Grupos Segundo a sua forma de apresentação, o arroz será classificado em 2 ( dois) grupos, assim denominados: 4.1.1. Arroz Em Casca é o produto fisiologicamente desenvolvido, maduro e em casca , depois de colhido; 4.1.2. Arroz Beneficiado é o produto maduro que submetido a processo de beneficiamento, achase desprovido de sua casca. 4.2 Subgrupos Segundo o seu preparo, o arroz em casca e o arroz beneficiado serão ordenados em subgrupos: 4.2.1. Subgrupos do arroz em casca: 4.2.I.1. Natural 4.2.1.2. Parboilizado Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 14 4.2.2.2. Subgrupos do arroz beneficiado: 4.2.2.1. Integral 4.2.2.2. Parboilizado 4.2.3.3. Parboilizado integral 4.2.2.4. Polido NCM DESCRIÇÃO 10.06 Arroz. 1006.10 Arroz com casca (arroz "paddy") 1006.10.10 Para semeadura 1006.10.9 Outros 1006.10.91 Parboilizado 1006.10.92 Não parboilizado 1006.20 Arroz descascado (arroz "cargo" ou castanho) 1006.20.10 Parboilizado 1006.20.20 Não parboilizado 1006.30 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido 1006.30.1 Parboilizado 1006.30.11 Polido ou brunido 1006.30.19 Outros 1006.30.2 Não parboilizado 1006.30.21 Polido ou brunido 1006.30.29 Outros 1006.40.00 Arroz quebrado A alegação da recorrente não procede, porque, a conclusão apresenta nos respectivos Laudos de Classificação do Arroz, que instruem as respectivas DI, o arroz foi classificado no grupo (beneficiado), subgrupo (parboilizado, não parboilizado e polido) e grau de polimento ou tipo (polido ou mal polido), o que atende plenamente o critério de classificação fiscal da NCM, pois há perfeita correspondência entre (i) “arroz beneficiado” e “arroz semibranqueado ou branqueado”, em nível de grupo, (ii) “parboilizado” e “parboilizado” e “polido” e “não parboilizado”, em nível de subgrupo, sendo que o subgrupo “polido” pertence ao “não parboilizado”, que pode ser do tipo polido ou não, enquanto que o subgrupo polido, obviamente, somente pode ser polido. Portanto, diferentemente do que alegou a recorrente, é o arroz do subgrupo polido que, obviamente, classificase somente no código NCM 1006.30.21, sendo inócuo, neste caso, o código NCM 1006.30.29, mas não o arroz “não parboilizado”, que pode ser classificado tanto no código NCM 1006.30.21, se do tipo polido ou grau de polimento do tipo polido, ou no código NCM 1006.30.29, se for do tipo não polido ou mal polido. Com base nessas considerações, fica demonstrado que a classificação adotada pela fiscalização está em perfeita consonância com as conclusões apresentadas nos Laudos de Classificação do Arroz, que instruíram as respectivas DI. Da cobrança dos tributos devidos. Nos Certificados de Origem que supostamente acobertavam as operações de importação em apreço, o arroz importado foi descrito como não polido ou omitida tal Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 107 15 informação, e enquadrado nos códigos NCM 1006.30.19 e 1006.30.29, se parboilizado ou não parboilizado (ou polido), ao passo que, no procedimento de análise das amostras, a empresa credenciada o arroz importado foi identificado como do tipo polido, classificado nos códigos NCM 1006.30.11 e 1006.30.21 nas respectivas DI, se parboilizado ou não parboilizado (ou polido). Tal irregularidade, resultou na desqualificação dos mencionados Certificados de Origem, para fins de reconhecimento do tratamento tributário preferencial, previsto ACE nº 18, conforme estabelece o art. 10 da Instrução Normativa SRF 149/2002, a seguir transcrito: Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: [...] Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. Dessa forma, uma vez comprovado que mercadoria descrita nas DI e respectivos Certificados de Origem não correspondem a que foi efetivamente importada, as respectivas operações de importação passaram a ser sujeitas à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país. É oportuno esclarecer que o disposto na referida Instrução Normativa está em consonância com o disposto no art. 14 do Anexo da Decisão 1/2004 do Conselho do Mercado Comum do Mercosul 1/2004 (Decisão CMC 1/2004), instituída pelo Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao ACE 18, executado no País por meio do Decreto 5.455/2005, a seguir transcrito: Artigo 14 O certificado de origem é o documento que permite a comprovação da origem das mercadorias, devendo acompanhar as mesmas em todos os casos sujeitos à aplicação do Regime de Origem do MERCOSUL. Esse certificado deverá satisfazer aos seguintes requisitos: Ser emitido por entidades certificadoras autorizadas; Identificar as mercadorias a que se refere; Indicar, inequivocadamente, que a mercadoria a que se refere é originária do Estado Parte de que se trate nos termos e disposições do presente Regime. No mesmo sentido, é oportuno ainda ressaltar que as alíneas “e”, “f” e “h” do item “A” do Anexo IV da referida Decisão delimita o erro formal e não formal, bem como os procedimentos nos casos em que detectados, nos termos a seguir reproduzidos: Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 16 e) Em caso de se detectarem erros formais na confecção do certificado de origem, avaliados como tais pelas as Administrações Aduaneiras, caso, por exemplo de inversão no número de faturas, ou em datas, menção errônea do nome ou domicilio do importador, etc. não se demorará o despacho da mercadoria, sem prejuízo de resguardar a renda fiscal através da aplicação dos mecanismos vigentes em cada Estado Parte. Serão considerados erros formais todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem da mercadoria. [...] f) Não serão aceitos Certificados de Origem que mereçam observações diferentes daquelas descritas na alínea “e”. h) Os casos enumerados na alínea “e” deverão ser comunicados pela administração aduaneira à repartição oficial quando se aplique o tratamento tarifário correspondente ao âmbito de extra zona. Também serão comunicados os casos em que exista diferença entre a classificação consignada no Certificado de Origem e a resultante da verificação aduaneira da mercadoria, sem prejuízo da aplicação dos procedimentos aduaneiros previstos em cada Estado Parte para tais infrações. (grifos não originais) Assim, ao fazer a ressalva de que, além dos erros formais (definidos na alínea “e”), devem ser também comunicadas as divergências de classificação fiscal resultante da verificação da mercadoria, o texto deixa expressamente consignado que (i) tal divergência não se insere no rol dos considerados erros formais e (ii) autoriza ainda que cada Estado Parte adote os procedimentos previstos na legislação interna aduaneira interna. Assim, fica demonstrado que os certificados de origem apresentados pela recorrente foram corretamente desqualificados, em consequência, deve ser aplicado o tratamento tarifário extrazona e exigido o Imposto de Importação (II), conforme procedeu a fiscalização. Da legadade das multas aplicadas. Em face da infração, a fiscalização aplicou as seguintes multas: a) de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto lançado, fixada no art. 44, I da Lei 9.430/1996; b) do controle administrativo das importações de 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 169,I, “b”, do Decretolei 37/66; e c) multa por classificação incorreta da mercadoria na NCM, instituída no art. 84, I, da Medida Provisória 2.15835/2001. A recorrente alegou que não se aplica ao caso em tela a dispensa das referidas penalidades, conforme previsto no art. 100 do CTN, pois o ato de desembaraço aduaneiro não caracteriza prática reiterada de homologação de ato administrativo. Sem razão a recorrente. No âmbito do despacho aduaneiro, a classificação fiscal do produto NCM é declarada pelo importador na DI, logo, havendo erro em relação a essa informação, certamente, ao declarante deve ser imputada tal prática e não ao autoridade alfandegária, como alegou a recorrente. Da multa de ofício. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 108 17 A multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto lançado, fixada no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, destinase a sancionar a infração por declaração inexata e o erro na descrição do produto e na indicação da classificação fiscal, induvidosamente, trata de fato que se subsume perfeitamente à hipótese típica da referida conduta infracionária. No âmbito dos tributos incidentes sobre a operação de importação, somente é possível o afastamento da referida penalidade nas circunstâncias excludentes expressamente prevista no enumerada no Ato Declaratório Interpretativo SRF(ADI/SRF) n°13, de 10 de setembro de 2002, onde se lê: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cositnº 10, de16 de janeiro de 1997. Da simples leitura do ADI, verificase que a hipótese de erro de classificação não faz parte das condutas taxativamente elencadas no referido ato. Aliás, essa previsão existia no citado ADN Cosit 10, que foi expressamente revogado pelo art. 2º do referido ADI, antes do fato infracional objeto das autuações. Portanto, a multa de ofício foi correta aplicada e deve ser mantida, porque encontra amparo legal no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Da multa do controle administrativo das importações. A infração administrativa ao controle das importações por falta de LI e a respectiva penalidade encontramse previstas na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, a seguir transcrita: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 18 Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. [...] (grifos não originais). Com a implantação do Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, todo controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras passou a ser realizado no âmbito do referido Sistema. Na nova sistemática de controle administrativo das importações, a Guia de Importação (GI) foi substituída pela LI, que passou a ser o novo documento base do controle administrativo das importações, conforme estabelecido no § 1º do art. 6º2 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992. Na data em ocorreu a operação de importação objeto da presente autuação, o controle administrativo das importações encontravase disciplinado na Portaria Secex nº 35/2006. De acordo com o art. 6º da referida Portaria, o citado controle foi dividido nas seguintes modalidades: a) importações dispensadas de licenciamento; b) importações sujeitas a licenciamento automático; e c) importações sujeitas a licenciamento nãoautomático. Nos termos do caput do art. 7º3 da citada Portaria, a regra geral passou a ser a dispensa de licenciamento. O licenciamento automática passou a ser exigido apenas para as operações de drawback e para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex (art. 8º4). Por fim, o licenciamento nãoautomático foi estabelecido para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e nas operações de importações definidas no art. 9º5 da referida Portaria. No novo regramento, somente as operações de importação, processadas segundo o regime estabelecido para as duas últimas modalidades, a falta de emissão da LI caracteriza a prática da infração em comento. 2 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" 3 "Art. 7. Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Secretaria da Receita Federal (SRF)". 4 "Art. 8º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as seguintes importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex; também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic, para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; II – as efetuadas ao amparo do regime aduaneiro especial de drawback". 5 "Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II – as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado; f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções da ONU; g) substituição de mercadoria, nos termos da Portaria MF n.º 150, de 26 de julho de 1982". Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 109 19 No caso em tela, o arroz polido, importada pela recorrente, classificado nos NCM 1006.30.11 e 1006.30.21, estava sujeito anuência prévia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), portanto, tratandose de produto sujeito a Tratamento Administrativo, o licenciamento da operação era obrigatório. Entretanto, ainda que obrigatória a emissão da LI, a referida infração não se materializa se configurado se atendidas as condições previstas no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 12, de 1997, a seguir transcrito: (...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifos não originais). A excludente prevista no referido ADN, induvidosamente, não se aplica ao caso em tela, porque o produto não foi corretamente descrito com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Portanto, corretamente aplicada a penalidade em apreço, cuja cobrança deve ser mantida nos termos propostos pela fiscalização. Da multa por classificação incorreta. A multa regulamentar por classificação fiscal incorreta encontrase prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir transcrito: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; [...] No caso em tela, a referida infração encontrase devidamente caracterizada, haja vista que a autuada atribuiu ao produto importado os códigos códigos NCM 1006.30.19 e 1006.30.29, quando o correto seria os códigos NCM 1006.30.11 e 1006.30.21. Dessa forma, deve ser mantida a cobrança da referida multa, conforme proposto no Auto de Infração em apreço. V Da Conclusão Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter na íntegra o acórdão recorrido. Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 20 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10314.004038/2001-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3201-000.125
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida DRJ/SÃO PAULO/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2' Câmara/f. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. IP e JUDITH D 'VIARAL MARCONDES ARMAND• r\ residente , I r I I RI' 61, \ I ROSA Relato/2 . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Márcia Helena Trajano D'Amorim, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. 1 Processo n° 10314.00403812001-61 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.125 Fl. 201 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 14/09/2001, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, multa de mora e juros de mora, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. Em ato de revisão aduaneira, a autoridade revisora constatou que a empresa acima qualificada desembaraçou, por meio das declarações de importação relacionadas nos autos de infração (e também às fls. 147), no período de 07/06/1999 a 28/10/1999, mercadoria descrita como — Composto Líquido Pronto Para Consumo — Red Bull Energy Drink — classificando-a no código NCM 2106.90.90 (cuja posição (2106) compreende as Preparações Alimentícias Não Especificadas nem Compreendidas em Outras Posições), sujeita a aliquota de imposto de importação no período mencionado de 19% e de IN vinculado de 0%. Ocorre que referida mercadoria, de acordo com a autoridade revisora, classifica-se no código NCM 2202.90.00, que abrange as Outras Águas incluídas as A • as Minerais e as Á . as Gaseificadas Adicionadas de A úcar ou de Outros Edulcorantes ou Aromatizadas e Outras Bebidas Não Alcoólicas. Exceto Sucos de Frutas ou de Produtos Hortícolas da Posição 2009, sujeita a imposto de importação de 23% e 1PI vinculado de 40%. Em decorrência foram lavrados os presentes autos de infração, formalizando a exigência do recolhimento do imposto de importação e IPI apurados em razão da mudança de classificação fiscal, acrescidos da multa de mora, prevista no § 2° do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, totalizando, com juros calculados ate 31/08/2001, o valor de RS 1.522.645,71. Cientificado do auto de infração, em 24/10/2001 (fls. 02, 55 e 58), o contribuinte por intermédio de seus advogados e procuradores (Instrumento de Mandato de fls. 87/88), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 23/11/2001, de fls. 59 a 79, alegando, em síntese, que: 1) os "Energy Drink" são bebidas consideradas como produto alimentício na Comunidade Européia e nos Estados Unidos. No Brasil, também foi considerado como produto alimentício, de acordo com a Portaria n° 868/98 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, de fls. 89 a 92, suprindo o organismo de energia através de carboidratos, taurina, cafeína, glucoronolactona, inositol, vitaminas e sais minerais; 2) transcreve trecho do Parecer Técnico (fis. 93 a 110), elaborado pelo Prof. Daniel Romero Muãoz, médico e professor responsável pela disciplina de Medicina Legal da Faculdade de Medicina da USP, concluindo que o Red Bull Energy Drink trata-se de uma bebida alimentar; 3) apresenta as propriedades e efeitos fisiológicos dos componentes do Red Buli Energy Drink, dentre eles a cafeína, que atua no sistema nervoso central e no sistema cardiovascular como estimulante, com efeitos nem sempre consistentes; Processo n° 10314.004038/2001-61 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.125 Fl. 202 4) a Portaria SVS/MS n° 868/98 (de fls. 89 a 92) define as bebidas energéticas como Composto Liquido pronto para Consumo, mas não traz qualquer definição quanto à classificação fiscal do produto; ressalta a Decisão COANA n° 00111999 (cópia de fls. 124 a 127), cujo entendimento foi confirmado pela OMA de que as preparações com caráter alimentício estariam enquadradas na subposição 2106.90; 5) o laudo técnico elaborado pelo perito Luiz Aurélio Alonso, de fls. 113 a 120, concluiu que as bebidas energéticas são verdadeiros complementos alimentares compreendidos no Capitulo 21; 6) não havia qualquer determinação expressa por parte das autoridades fazendárias no que diz respeito à classificação fiscal dos produtos conhecidos como Compostos Líquidos Prontos para Consumo, até que, em 30/0412001, foi publicado no DOU, o Ato Declaratório Executivo SRF n° 15, que indiretamente enquadrou referidos produtos no código 2202.90.00 da TIPI; 7) o enquadramento oficial do Red Bull, por meio do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 1/2001, publicado em 03/05/2001, só poderia ser exigido após a publicação desta norma administrativa, não assistindo razão a qualquer pretensão de revisão da classificação fiscal utilizada em operações de importação anteriores à publicação do referido ADI; defende que o código utilizado NCM 2106.90.90 nessas importações foi escolhido com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado; 8) a subposição 2106.90 da NCM — Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas em outras posições- é a subposição mais especifica para o produto, prevalecendo sobre quaisquer outras mais genéricas, conforme dispõe a Regra 3.a) das RGI-SH; 9) o laudo técnico n°2063, de fls. 121 a 123, concluiu que o produto Red Bull Energy Drink trata-se de uma bebida alimentar e deve ser classificado no "Ex" tarifário 001 do código 2202.90.00 da TIPI, que engloba, de acordo com o texto legal as "bebidas alimentares à base de leite, cacau, etc", quaisquer espécies de bebidas alimentares e não só os produtos que contenham em sua composição leite ou cacau; 10) a redação do ex tarifário permaneceu inniterada até o Decreto n° 3.360/2000, que retirou o vocábulo "etc" da descrição da exceção tarifária. Assim, até a publicação desse Decreto no DOU em 09/03/2000, quaisquer bebidas alimentares, independentemente de sua composição, poderiam ser enquadradas nesta exceção tarifária, entendimento este confirmado pela COANA, por meio da Decisão COANA n°001/99, cópia de fls. 124 a 127; 11)as alíquotas de 1PI observam os conceitos de seletividade e essencialidade do produto, e de acordo com o laudo técnico do Prof. Dr. Daniel Muiloz, o produto em tela oferece uma complementação nutricional para situações de esforço fisico ou mental; 12) ainda que houvesse ocorrido urna mudança na legislação em relação à classificação fiscal do produto e à aliquota ainda assim a itnpugnante teria o direito ao regime fiscal vigente no dia do registro das declarações de importação; alega ser ilegal a revisão da classificação fiscal do produto após o pagamento dos tributos incidentes sobre a importação; que a revisão do lançamento tributário só poderia ser iniciada na ocorrência das hipóteses previstas nos incisos do artigo 149 do Código Tributário Nacional. 3 Processo n° 10314.004038/2001-61 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.125 Fl. 203 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 07/06/1999 a 28/10/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RED BULL ENERGY DRINK - bebida energética contendo taurina e cafeina deve ser classificada no código NCM/SII 2202.90 00, com base nas RGIs t a e 6.a (textos da posição 2202 e da subposição 2202.90) c/c RGC-I da TEC/NCM e TIPINCM, vigentes à época, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Decreto n° 435/92 e alterações posteriores), em consonância com o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 1, de 30/04/2001 (DOU de 03/05/2001). Multa de mora considerada não impugnada, por não ter sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n°9.532/97). Inconformada com a decisão de primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reafirmando entendimento expresso em sede de impugnação ao lançamento. Afirma que o produto se trata de "um tônico à base de cafeína, aminoácido e vitaminas que se tomou internacionalmente conhecido, por volta de 1994, como bebida energética, posicionando-se como um alimento funcional com características nutricionais especificas no combate ao cansaço, exaustão, desgaste físico e mental". Que ao iniciar programa de importação das mercadorias deparou-se com um mercado incipiente, para o qual ainda não existia adequada regulamentação, com vistas ao correto enquadramento tarifário das mercadorias. Havia dúvidas se tratava-se de uma bebida ou um alimento. Considera que o laudo apresentado pela recorrente e o próprio laudo utilizado pelo Ministério da Fazenda atestam tratar-se de uma bebida alimentar, contendo um sua composição produtos da indústria alimentar. Que só em 1998 a ANVISA baixou norma que permite classificar o produto como composto liquido pronto para consumo e que, por tudo isso, Red Buli Energy Drink é um alimento e não uma bebida. Que ante tais circunstâncias, considerando que não havia assim como não há, posição específica para a classificação da mercadoria, e na falta de manifestação do Fisco acerca do assunto até o ADI SRF 01/01, não seria razoável exigir que a empresa escolhesse outra classificação Ainda mais, que não havia respaldo legal para classificação adotada pelo Fisco. Que a decisão recorrida parte da falsa premissa de que o produto é uma bebida com propriedades alimentícias, enquanto, na verdade, trata-se de um alimento em forma líquida. Por fim, reitera a possibiidade de enquadramento no "ex" tarifário, da posição escolhida pelo Fisco, o que seria confirmado pelo Parecer Coana n°01/99. Requer a conexão de processos. 4 Processo n° 10314.004038/2001-61 63-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.125 Fl. 204 Voto Conselheiro RICARDO ROSA, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Se depreende dos autos uma questão bastante controvertida. Refiro-me à possibilidade de que o produto objeto da lide seja enquadrado no "Ex" 01 do código escolhido pela fiscalização, a NCM 2202.90.00. Assim manifestou-se a i. Julgadora de primeira instância. Esta relatara discorda do entendimento do contribuinte. Á inclusão de à base de leite, cacau ao texto já restringe o enquadramento de qualquer bebida alimentar no Ex tarifário 01 mencionado. Leite e Cacau denotam caráter incontestavelmente nutricional, qualidade que deveriam apresentar as bebidas para usufruir da redução tarifária de 0%. Tanto era essa a interpretação a ser dada que, como bem notou o contribuinte, o Decreto n°3.360/2000, DOU de 09/02/2000, retirou o "etc" do texto legal. E, corroborando ainda com o nosso entendimento, o Decreto n°3.581/2000, DOU 01/09/2000, alterou a redação do Ex 01 do código 2202.90.00 para "bebidas alimentares à base de saia ou de leite e cacau" (sublinhei). Ora, o Red Bull é uma bebida caracterizada como energética, estimulante, pela presença de cafeína e taurina. Portanto, não é uma bebida que apresenta as características dos produtos que deveriam usufruir da redução tarifária. Por sua vez, a contribuinte defende que a presença, no texto do "ex'', do vocábulo "etc", cujo signficado é "e as demais coisas", admite que qualquer bebida alimentar seja ali enquadrada Em favor de seu entendimento, cita a Decisão Coana n° 1/99, que, ao decidir sobre a classificação fiscal de repositores hidroeletrolicos, atribui exatamente este efeito à presença da expressão etc. De fato, não me parece tarefa nada simples decidir sobre o efeito da expressão etc tendo como critério exclusivamente a interpretação gramatical. É certo que, na medida em que se inclui as demais coisas à pequena lista de dois ingredientes alimentares (leite e cacau), ampliou-se o universo de possibilidades a todas os produtos enquadrados no conceito definido pelo texto. Contudo, dificil afirmar com certeza qual é este conceito, se restrito aos alimentos com propriedades nutricionais, como entende a i. Julgadora de primeira instância, ou a todos os alimentos como defende a recorrente. Não vejo outra solução no presente feito, se não conhecer particularidades próprias do processo de concessão do "ex" tarifário em comento. 5 Processo n°10314.004038,2001-61 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.125 Fl. 205 Ante o exposto, VOTO CONVERTER o julgamento em diligência, para que o processo seja instruído com a integra do processo de solicitação e concessão do "ex" tarifário 01 à NCM 2202.90.00. I, das Sessões, em 29 de abril de 2010. é ,klá • ROSA
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Numero do processo: 15165.721754/2021-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2021
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NAFTA PETROQUÍMICA. CORRENTE DE GASOLINA.
A nafta petroquímica que possa servir à formulação de gasolina ou diesel, com base nas RGI 1 e 6 do Sistema Harmonizado, classifica-se na posição 2710.12.41 e se enquadra no Destaque CIDE 801.
MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. PERDIMENTO
A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158-35/2001.
PERDIMENTO. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NON BIS IN IDEM.
Não configura bis in idem a imposição de multa regulamentar por erro de classificação fiscal de mercadorias importadas sujeitas a pena de perdimento.
MULTA. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N. 2
O CARF não pode, invocando a proporcionalidade, a razoabilidade ou qualquer outro princípio, afastar a aplicação de lei tributária válida e vigente, na medida em que isso significaria nítida declaração, incidenter tantum, de inconstitucionalidade desta norma.
Inteligência da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. SÚMULA CARF N. 103. NÃO CONHECIMENTO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância
Numero da decisão: 3102-002.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em julgar da seguinte forma: i) não conhecer do Recurso de Ofício (ii) conhecer do Recurso Voluntário interposto pela Basoli, para negar-lhe provimento, e (iii) conhecer parcialmente do Recurso Voluntário interposto pela Copape, não conhecendo do recurso em relação aos argumentos de afronta a princípios constitucionais, e, no mérito, por negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Carlos de Barros Pereira, Karoline Marchiori de Assis, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SCHWERTNER ZICCARELLI RODRIGUES
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FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2021 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NAFTA PETROQUÍMICA. CORRENTE DE GASOLINA. A nafta petroquímica que possa servir à formulação de gasolina ou diesel, com base nas RGI 1 e 6 do Sistema Harmonizado, classifica-se na posição 2710.12.41 e se enquadra no Destaque CIDE 801. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. PERDIMENTO A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158-35/2001. PERDIMENTO. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NON BIS IN IDEM. Não configura bis in idem a imposição de multa regulamentar por erro de classificação fiscal de mercadorias importadas sujeitas a pena de perdimento. MULTA. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N. 2 O CARF não pode, invocando a proporcionalidade, a razoabilidade ou qualquer outro princípio, afastar a aplicação de lei tributária válida e vigente, na medida em que isso significaria nítida declaração, incidenter tantum, de inconstitucionalidade desta norma. Inteligência da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. SÚMULA CARF N. 103. NÃO CONHECIMENTO. Fl. 319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.721754/2021-24 2 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em julgar da seguinte forma: i) não conhecer do Recurso de Ofício (ii) conhecer do Recurso Voluntário interposto pela Basoli, para negar-lhe provimento, e (iii) conhecer parcialmente do Recurso Voluntário interposto pela Copape, não conhecendo do recurso em relação aos argumentos de afronta a princípios constitucionais, e, no mérito, por negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Carlos de Barros Pereira, Karoline Marchiori de Assis, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 08: Em face do contribuinte acima identificado foi realizada revisão aduaneira sobre a importação de mercadorias constantes da DI n. 21/0730747-3, registrada em 15/04/2021, tendo sido lavrados Autos de Infração de COFINS - Importação (fls. 2/10) e de contribuição ao PIS - Importação (fls. 12/20) e multa regulamentar por classificação incorreta de mercadoria (fls. 22/30), totalizando crédito tributário de R$ 8.398.139,46: (...) Conforme descrito nos Autos de Infração: • em 29/04/2021 foi apresentado o laudo técnico solicitado pela autoridade aduaneira para a mercadoria constante da DI n. 21/0730747-3, do qual destacam- se os seguintes pontos: 7- Trata-se de nafta? Resp - Sim. O produto apresentou características de NAFTA LEVE. Fl. 320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.721754/2021-24 3 8- Trata-se de nafta petroquímica que possa servir à produção ou formulação de gasolina? Resp - Sim. Pode ser utilizado na formulação de gasolinas. 9-0 produto em análise pode ser considerado "corrente de gasolina", ou seja, passível de utilização por mera mistura mecânica para a produção de gasolina? Resp - Sim. pois é utilizado na formulação de gasolina, por meio de um simples processo mecânico de mistura, sendo considerado, portanto, uma corrente de gasolina. 10 - O produto em análise se destina à formulação de gasolina? Resp - Sim • Na resposta dada em 05/05/2021 a respeito do resultado do laudo técnico, o contribuinte informa não se opor ao referido laudo, que no seu entender respaldaria a classificação da mercadoria na NCM 2710.12.49, tal como informado na DI n. 21/0730747-3; • Em 14/05/2021, foi registrada a exigência para que o importador procedesse à reclassificação da mercadoria para a NCM 2710.12.41 e recolhimento da diferença de tributos e multa do artigo 711 do Decreto 6459/09; • Em 18/05/2021, o contribuinte manifestou-se contra a exigência formulada, argumentando que, a despeito da resposta ao quesito 8 do laudo técnico, que confirmou tratar-se a mercadoria de "nafta petroquímica", não estaria correta a NCM 2710.12.41, na qual se enquadra a "nafta para petroquímica"; • A classificação fiscal declarada - 2710.12.49 - Outras Naftas / destaque CIDE 801 -Rafinado de reforma, benzina industrial, pentano, heptano, rafinado de pirólise e naftas, exceto nafta petroquímica, que possam servir à formulação de gasolina ou diesel - redundava, para o caso do COFINS-Importação, em uma alíquota ad valorem de 9,65%. Já a classificação fiscal exigida, tomada como correta pela autoridade aduaneira com base nos resultados objetivos presentes no laudo qualificativo -2710.12.41 - Naftas Para Petroquímica / destaque CIDE 801 - Nafta petroquímica que possa servir à produção ou formulação de óleo diesel ou gasolina (art. 14, II, da Lei 10.336/01) 17 18- implica uma alíquota específica de R$ 651,40 / m3 e as conseqüentes diferenças de tributos: (...) • A autoridade fiscal destacou, ainda, que: "1. Como explicitado na exigência fiscal de 14/05/2021, INDEPENDENTE E PARALELAMENTE ao despacho aduaneiro, a mercadoria objeto da DI n° 21/0730747-3 encontra-se retida por força da instauração, sobre o importador declarado BASOLI COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (CNPJ 13.918.607), do procedimento de fiscalização utilizado no combate às fraudes aduaneiras previsto na IN RFB n° 1986, de 29/10/2020; tal retenção é de ordem Fl. 321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.721754/2021-24 4 cautelar de uma possível e futura, a depender do resultado da referida ação fiscal, pena de perdimento a ser aplicada sobre as mercadorias, situação que por sua vez caracteriza hipótese de não incidência tributária, de sorte que o presente lançamento, não obstante expressamente preconizado pela norma reguladora do despacho aduaneiro na situação posta, é efetivado em atendimento ao princípio do interesse público ficando, entretanto, sua evolução processual vinculada/dependente do resultado do referido procedimento de fiscalização que transcorre em paralelo e/ou da efetiva destinação física dos bens por decisão administrativa e eventualmente judicial; e 2. Por consequência, mesmo que, após a ciência do lançamento, ocorra uma das hipóteses previstas nos Art. 48, §§ 8° ou 9°, da já citada IN SRF n° 680/0632, o desembaraço ali previsto igualmente estará condicionado ao resultado do procedimento de fiscalização que transcorre em paralelo ao despacho aduaneiro. Foi lavrado Termo de Responsabilidade Tributária (fls. 103/104), com base no artigo 124 do CTN e artigo 95 do DL 37/66 da COPAPE, da empresa COPAPE, encomendante da mercadoria importada. Cientificada da autuação em 28/07/2021 (fl. 108), a BASOLI apresentou impugnação, em 27/08/2021 (fls. 114/134), alegando, em síntese, que: • a diferença entre as duas classificações reside apenas e tão somente no último detalhe - uma compreende naftas para petroquímicas e a outra nafta outras. Ou seja, o que define a classificação da mercadoria é a destinação específica da nafta; • a encomendante COPAPE não é central petroquímica, é uma formuladora de combustível, de modo que o produto importado é destinado à formulação de gasolina; • o fato de a nafta servir para a produção de combustível (gasolina) não é o que define a classificação fiscal. Ou seja, tanto o NCM final 41 quanto o NCM final 49 engloba produtos que podem ser utilizados na produção de combustível, sendo certo que diferença entre os dois é puramente a destinação dada à nafta; • inexistindo equívoco ou classificação incorreta, sabendo-se que não há destinação a centrais petroquímicas, deve ser também afastada a multa do artigo 711; • independente da classificaçao fiscal, a alíquota fixa ou ad rem imposta pela fiscalização é favor fiscal, mera faculdade do contribuinte no âmbito do Recob e inaplicável às contribuiçoes devidas na importação, sendo obrigatória somente no caso de revenda na cadeia, conforme teor da SC CST 145/2019; Fl. 322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.721754/2021-24 5 • duas razões despontam para indicar aí a existência de inconstitucionalidades: (i) a imprestabilidade das alíquotas do RECOB para servir como único critério apto a dimensionar o fato jurídico "importação"; e (ii) a excessiva onerosidade provocada pela sua aplicação, que contraria o primado da capacidade contributiva; • requer-se o reconhecimento da correta classificação NCM dada pela impugnante, tendo em vista a destinação do produto, e afastamento da suposta diferenta de tributos e da multa por classificacao incorreta. Em 13/09/2021, a COPAPE PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA apresentou impugnação (fls. 138/159) aos Autos de Infração e ao Termo de Responsabilidade Tributária, dos quais tomou ciência em 12/08/2021 (fl. 110), alegando, em síntese: • impossibilidade jurídica do lançamento de tributos de importação quando existente auto de infração pela aplicação de pena de perdimento das mercadorias; • o "lançamento condicionado", tal como lavrado pela autoridade fiscal, contraria o teor do art. 142, caput, do CTN, o qual registra ser o lançamento uma atividade administrativa vinculada e obrigatória, que não comporta a incerteza declarada pela própria autoridade fazendária, no sentido de que o lançamento estaria condicionado ao deslinde do processo de perdimento da mercadoria; • conforme jurisprudência do STJ, não cabe o lançamento de PIS e COFINS/Importação sobre mercadoria estrangeira objeto de pena de perdimento; • a imposição de pena de perdimento cumulada com a multa aduaneira configura bis in idem, que deve ser repelido pela aplicação do princípio da absorção ou da consunção; • nos autos do PAF 15165.721953/2021-3, instaurado na mesma revisão aduaneira, para apuração de fraude por suposta ocultação de real adquirente na importação, não houve reclassificação da mercadoria importada, a despeito de a autoridade aduaneira ter tido conhecimento do laudo laboratorial; • A diferença entre as duas classificações reside apenas e tão somente no último detalhe - uma compreende naftas para petroquímicas (2710.12.41) e a outra nafta outras (2710.12.49). Ou seja, o que define a classificação da mercadoria é a destinação específica da nafta. A classificação imposta pela autoridade fiscal (2710.12.41) pressupõe que a destinação da mercadoria importada seria para as centrais petroquímicas, do que não se trata o caso vertente; • o §8° do artigo 8°, combinado com o artigo 23, ambos da Lei n° 10.865/2004, subsidiado pela remissão ao inciso I do artigo 4° da Lei n° 9.718/98, cuja redação nesse dispositivo foi ajustada pela própria Lei n° 10.865/2004, dispõe Fl. 323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.721754/2021-24 6 que o importador de gasolina e suas correntes tem a opção entre o regime de alíquota ad valorem, que é a regra geral, ou de alíquota ad rem, que é a exceção, para a apuração do PIS/PASEP e da COFINS na importação; • no posicionamento dado na SC CST 145/2019, a SRF concluiu pela aplicação da regra geral (alíquota ad valorem) quando se tratar de produto destinado a servir de insumo na produção de combustíveis, como no presente caso; • requer sejam conhecidas e providas as razões desta Impugnação Fiscal para que seja declarada a insubsistência do Auto de Infração. É o relatório. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 08, por meio do Acórdão nº 108-030.954, de 19 de outubro de 2022, julgou procedente em parte a impugnação, para manter o lançamento da multa regulamentar e cancelar o lançamento das contribuições ao PIS e COFINS- Importação e respectivos acréscimos legais, conforme entendimento resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 15/04/2021 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NAFTA PETROQUÍMICA. CORRENTE DE GASOLINA. A nafta petroquímica que possa servir à formulação de gasolina ou diesel, com base base nas RGI 1 e 6 do Sistema Harmonizado, classifica-se na posição 2710.12.41 e se enquadra no Destaque CIDE 801. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. PERDIMENTO A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158-35/2001. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2021 PERDIMENTO. PIS E COFINS NÃO INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Nos termos do artigo 2o da Lei n° 10865, de 30/04/2004, a contribuição para o PIS e a COFINS-Importação não incidem sobre bens estrangeiros que tenham sido objeto de pena de perdimento. PERDIMENTO. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NON BIS IN IDEM. Não configura bis in idem a imposição de multa regulamentar por erro de classificação fiscal de mercadorias importadas sujeitas a pena de perdimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Com base no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 – vigente à época -, a autoridade julgadora de 1ª instância recorreu de ofício, por se tratar Fl. 324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.721754/2021-24 7 de decisão que exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Os recorrentes interpuseram Recursos Voluntários, reiterando os argumentos expostos nas Impugnações, e pleiteando o afastamento da multa regulamentar mantida, especialmente, em razão da (i) adequação da classificação fiscal adotada pela importadora; (ii) inexistência de obstáculo à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado; (iii) ausência de dolo e dano ao erário; (iv) duplicidade na imposição de penalidade (bis in idem) e aplicação do princípio da consunção; e (v) violação à razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. VOTO Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Relator. Recursos Voluntários Os Recursos Voluntários são tempestivos e cumprem com os requisitos formais de admissibilidade, devendo, por conseguinte, serem conhecidos. 1 DA MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL - NCM Trata-se da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no artigo 84 da Medida Provisória nº 2158-35/01, abaixo transcrito: Art.84.Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I - classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II - quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. §2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. No que se refere à classificação adotada pela importadora, entendo que a controvérsia foi devidamente dirimida pelos D. Julgadores a quo, razão pela qual transcrevo os Fl. 325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.721754/2021-24 8 fundamentos expostos no v. acórdão recorrido, os quais adoto como razões para decidir, nos termos do artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/99: Inicialmente, cabe esclarecer que inexiste controvérsia sobre tratar-se a mercadoria importada de "nafta - corrente de gasolina", na definição dada pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 10.336, de 19 de dezembro de 2001, que instituiu a CIDE- Combustíveis, segundo a qual consideram-se "correntes de gasolina" ou "correntes de óleo diesel" os hidrocarbonetos líquidos derivados de petróleo ou de gás natural utilizados em mistura mecânica para a produção de gasolinas ou de diesel, respectivamente, sem a necessidade de processos industriais mais elaborados. A diferença entre as posições confrontadas reside em nível de subitem: a classificação eleita pela fiscalização compreende as "Naftas - para petroquímicas" (2710.12.41) e a classificação adotada pelo importador recebe a designaçao "Naftas- Outras" (2710.12.49): A classificação fiscal declarada pelo importador - 2710.12.49 - Outras Naftas / destaque CIDE 801 - Rafinado de reforma, benzina industrial, pentano, heptano, rafinado de pirólise e naftas, exceto nafta petroquímica, que possam servir à formulação de gasolina ou diesel - redundava, para o caso da COFINS-Importação, em uma alíquota ad valorem de 9,65%. Já a classificação fiscal exigida, tomada como correta pela autoridade aduaneira com base nos resultados objetivos presentes no laudo qualificativo - 2710.12.41 - Naftas Para Petroquímica / destaque CIDE 801 - Nafta petroquímica que possa servir à produção ou formulação de óleo diesel ou gasolina (art. 14, II, da Lei 10.336/01), implicou diferença de tributos pela aplicação de alíquotas ad rem no cálculo das contribuições. Com os próprios textos dos Destaques CIDE das posições confrontadas podemos solucionar dois aspectos da controvérsia: (a) sobre a alegação da defesa de que a posição 2710.12.41 se restringiria às naftas destinadas às centrais petroquímicas e (b) a respeito da correção da classificação no subitem 2710.12.49, DC 801, tal como declarado pelo importador. Fl. 326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.721754/2021-24 9 As impugnantes alegam que a posição imposta pela fiscalização alcançaria somente as naftas destinadas a centrais petroquímicas, dada a presença da preposição "para" no texto da posição 2710.12.41 ("Naftas - Para petroquímica"). Sob tal pressuposto, e não sendo a encomendante COPAPE uma central petroquímica e sim uma formuladora de combustível, a operação não se enquadraria na classificação imposta. É certo que a posição 2710.12.41, DC 801, é caracterizada pela destinação dada à nafta importada, mas ao se analisar qual seria esta destinação, percebe-se importar a utilização a que a nafta se destina (à utilização petroquímica enquanto técnica e indústria de produtos químicos que derivam do petróleo e, no caso do DC 801, à produção ou formulação de óleo diesel ou gasolina), e não a que tipo de indústria se destina (beneficiário da importação), tal como sustenta a defesa. Com efeito, a interpretação dada pelas impugnante não faz sentido, sobretudo se observarmos que o texto do Destaque CIDE 801 incluído na posição 2710.12.41 não apresenta a preposição "para" antes da palavra "petroquímica" : "Nafta petroquímica que possa servir à produção ou formulação de óleo diesel ou gasolina", bem como o texto do Destaque CIDE 801 abrangido pela posição 2710.12.49, que, convalidando o destaque do subitem antecedente, expressamente excetua de sua abrangência a "Nafta petroquímica que possa servir à produção ou formulação de óleo diesel ou gasolina": 2710.12.4 - Naftas 2710.12.41 - Para petroquímica DC 801 - Nafta petroquímica que possa servir à produção ou formulação de óleo diesel ou gasolina 2710.12.49 - Outras DC 801 - Rafinado de reforma, benzina industrial, pentano, heptano, rafinado de pirólise e naftas, exceto nafta petroquímica, que possam servir à formulação de gasolina ou diesel. Evidente, ainda, que a exceção explicitada no DC 801 da posição 2710.12.49 (nafta petroquímica, que possa servir à formulação de gasolina ou diesel) ocorre para excepcionar hipótese abrangida pelo DC 801 da posição 2710.12.41, que tem idêntica redação, e não para excepcionar hipótese supostamente abrangida pela posição 2710.12.49 (outras Naftas) Ademais, a legislação a respeito da tributação de contribuições sobre a nafta petroquímica destinada a produção ou formulação de gasolina ou diesel não contém qualquer especificação quanto ao tipo de estabelecimento industrial ao qual a nafta petroquímica se destina: "Lei 10.336/01 - Art. 14. Aplicam-se à nafta petroquímica destinada à produção ou formulação de gasolina ou diesel as disposições do art. 4° da Lei no 9.718, de 27 de Fl. 327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.721754/2021-24 10 novembro de 1998, e dos arts. 22 e 23 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, incidindo as alíquotas específicas: (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) - fixadas para o óleo diesel, quando a nafta petroquímica for destinada à produção ou formulação exclusivamente de óleo diesel; ou (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) - fixadas para a gasolina, quando a nafta petroquímica for destinada à produção ou formulação de óleo diesel ou gasolina. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005)" Diante da análise acima expendida, com base nas RGI 1 e 6, revela-se correta a reclassificação fiscal imposta pela autoridade fiscal aduaneira, que substituiu a posição 2710.12.49 - DC 801 eleita pelo importador pela posição 2710.12.41 - DC 801, eis que o resultado do laudo oficial em que se fundou o lançamento evidenciou tratar-se a mercadoria de nafta petroquímica identificada como corrente de gasolina, utilizada na formulação de gasolina. Confirmada a reclassificação fiscal dada pela autoridade aduaneira e em face da pena de perdimento que se tornou definitiva sobre as mercadorias objeto da reclassificação, deve ser mantida a multa regulamentar capitulada no art. 84, I, da MP 2158-35/01 e canceladas as contribuições ao PIS e a COFINS, ante regra expressa vedando a incidência dessas contribuições, contida no art. 1°, § 4°, III, do Decreto Lei n° 37, de 1966, e no art. 2°, III, da Lei n° 10.864, de 2004. Devidamente identificado o equívoco na classificação adotada pelo importador, de rigor a aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no artigo 84 da Medida Provisória nº 2158-35/01. Quanto aos argumentos expostos pelos recorrentes, cumpre destacar que a existência de obstáculo à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado se refere à infração prevista no artigo 711, inciso III, do Decreto nº 6759/09, sendo que a presente infração está disciplinada no artigo 711, inciso I, do referido diploma normativo, o qual trata da classificação equivocada na NCM, o que restou plenamente demonstrado no presente caso. Da mesma forma, os argumentos da recorrente no sentido de que não houve dolo ou prejuízo ao erário não são o bastante para afastar a aplicação da multa objeto da autuação, uma vez que a legislação estabelece de forma clara e precisa que constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância de ato administrativo de caráter normativo e que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, como se extrai do artigo 94, § 2º, do Decreto-lei no 37/66 (repetido pelo artigo 673, Parágrafo único, do Decreto nº 6.759/09): Fl. 328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.721754/2021-24 11 Art.94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. (...) § 2º - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (Grifamos) No que se refere às alegações de bis in idem e aplicação do princípio da consunção, verificamos que a pena de perdimento das mercadorias prevista no artigo 23, inciso V, § 1º, do Decreto-lei nº 1.455/76 tem como hipótese a infração de ocultação dolosa do real adquirente, na importação, situação totalmente distinta da multa prevista no artigo 84 da Medida Provisória nº 2158-35/01 que tem como hipótese a conduta de classificar incorretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Frise-se, por oportuno, que o §2º, do artigo 84, da Medida Provisória nº 2158- 35/01, expressamente dispõe que “[a] aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei n 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis”. Desta forma, não há que se falar em bis in idem, uma vez que se trata de infrações totalmente distintas. Enquanto a multa prevista no artigo 23, inciso V, §§ 1º, do Decreto-lei nº 1.455/76 penaliza a conduta de ocultar dolosamente o real adquirente na importação; a multa prevista no artigo 84 da Medida Provisória nº 2158-35/01 pune a classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Por fim, não devem ser conhecidas as alegações de violação a princípios constitucionais formuladas pela recorrente Copape, tendo em vista que não cabe a este Colegiado, invocando a proporcionalidade, a razoabilidade ou qualquer outro princípio, afastar a aplicação de lei tributária válida e vigente, na medida em que isso significaria nítida declaração, incidenter tantum, de inconstitucionalidade desta norma. Neste sentido, assim dispõe a Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Fl. 329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.721754/2021-24 12 Com efeito, a apreciação dessas questões encontra-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de constitucionalidade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois ao julgador é vedado não observar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional. Diante disto, voto por não conhecer das alegações de violação a princípios constitucionais formuladas pela recorrente Copape e, no mérito, negar provimento aos Recursos Voluntários. Recurso de ofício O Recurso de Ofício foi interposto com base no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 e na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 – vigente à época -, por se tratar de decisão que exonerou os sujeitos passivos do pagamento de tributo e acréscimos legais no valor de R$ 8.115.173,06 (oito milhões cento e quinze mil cento e setenta e três reais e seis centavos). Considerando que (i) nos termos da Súmula CARF nº 103, “[p]ara fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”, e (ii) atualmente, encontra-se vigente a Portaria MF nº 2, de 17 de janeiro de 2023, que estabelece o limite de alçada de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais), deixo de conhecer do Recurso de Ofício. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por (i) não conhecer do Recurso de Ofício, (ii) conhecer do Recurso Voluntário interposto pela Basoli, para negar-lhe provimento, e (iii) conhecer parcialmente do Recurso Voluntário interposto pela Copape, não conhecendo do recurso em relação aos argumentos de afronta a princípios constitucionais, e, no mérito, por negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues Fl. 330DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 DA MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL - NCM
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Numero do processo: 10314.720073/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Relator
EDITADO EM: 30/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 30/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Relator EDITADO EM: 30/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 11/04/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de juros de mora, além de multa proporcional, multa de controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 18.014.521,39, em virtude dos fatos a seguir descritos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 20 07 3/ 20 11 -0 1 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Resolução nº 3102000.288 S3C1T2 Fl. 3 2 A presente fiscalização foi motivada pela denúncia apresentada pelo Serviço de Procedimentos Especiais Aduaneiros da Alfândega da Receita Federal do Brasil em São Paulo – SEPEA/ALF/SPO, serviço responsável pelo monitoramento do despacho na jurisdição da IRF/SPO, que identificou um equívoco na classificação fiscal do produto SCULPTRA, substância sintética (origem não animal) composta de ácido poliLláctico. O produto foi importado pela empresa SanofiAventis no período de junho de 2006 a fevereiro de 2011 pelas seguintes Declarações de Importação (DI): 06/06682737; 06/08670817; 06/09293480; 07/00630567; 07/11027484; 07/15515750; 08/00902178; 08/04264214; 08/07444973; 08/09757634; 08/15988286; 09/03033881; 10/075706461; 10/11024430; 10/15432087; 10/2044112/9; 10/21023673 e 11/02698891. A empresa fiscalizada, quando da importação do SCULPTRA, vinha utilizando a posição referente à “medicamentos” (Posição 3004) enquanto que a posição correta seria a referente a “outros preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele” (Posição 3304). Pelas informações apresentadas pela própria empresa em um dos seus sítios na internet, combinadas com o disposto na NESH em relação à posição 3304, fica claro que o SCULPTRA, substância sintética injetada na pele com o intuito de eliminar rugas, não é um medicamento e jamais deveria ter se beneficiado das alíquotas reduzidas destinadas aos mesmos. O SCULPTRA é um produto que visa conservar e cuidar da pele dos seus usuários, devendo ser classificado na posição 3304 da TEC. Esse entendimento se faz ainda mais sólido quando analisamos a Solução de Consulta nº 6 – SRRF08/Diana de 10 de fevereiro de 2010, que entende que a classificação mais adequada de solução preenchedora intradérmica, utilizada para ser injetada nas camadas abaixo da superfície da pele, com a intenção de preencher os tecidos, de maneira que alterem a aparência superficial da pele, reduzindo marcas, rugas, linhas de expressão e também, aumentando o volume interno de partes do rosto como lábios e faces é a 3304.9990. Cientificado do auto de infração, Aviso de Recebimento AR, em 19/04/2011 (fls. 93), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 19/05/2011, de fls. 101 à 129, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: Das Preliminares. O auto de infração encontrase eivado de nulidade, em razão da superficialidade da análise das informações necessárias para a constituição do lançamento. A fiscalização jamais poderia ter lavrado o presente auto de infração sem fazer detida e profunda análise, lastreada em laudo técnico pericial acerca da natureza do SCULPTRA e de sua correta classificação fiscal. Caberia à Fiscalização, analisar todos os fatos técnicos para fins de verificação do cumprimento da obrigação tributária pela Impugnante e, não somente, como efetivamente ocorreu, proceder ao lançamento com base nas impressões que o Sr. Agente Fiscal teve ao acessar o endereço eletrônico do medicamento na internet. A legislação tributária concede ao Fisco amplos poderes e vastíssimos meios instrutórios para permitir a formação de sua convicção acerca da realidade dos fatos, de Fl. 567DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Resolução nº 3102000.288 S3C1T2 Fl. 4 3 modo que não havia motivos para que a Fiscalização agisse com tamanho desinteresse na verificação da matéria tributável relativa à classificação fiscal do SCULPTRA. A fiscalização deveria ter se aprofundado nas investigações, buscando outras informações acerca do SCULPTRA, que inclusive poderiam ter sido fornecidas pela própria Impugnante, caso esta houvesse sido intimada. Tamanha a importância da instrução probatória e de sua relação com o ato norma administrativo que o art. 9o do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.941/09, determina que: "a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito” Ante a superficialidade da investigação procedida pela Fiscalização, resta comprovada a existência de vício insanável no ato de lançamento, razão pela qual merece ser anulada a autuação ora combatida. Assim, a ausência de laudo técnico que descreva com precisão as características da mercadoria, de forma a embasar a classificação fiscal, torna a autuação mera presunção, eivando a validade do auto de infração por ausência de prova, de motivo para o lançamento. Não suficiente, esse procedimento também resulta em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, pois inverte o ônus da prova que cabe ao Fisco, tornando nula a autuação. Alicerça o argumento com textos da doutrina e jurisprudência administrativa. Do mérito. O SCULPTRA é um medicamento cuja composição química é formada por ácido poliLlático ("PLLA"), carboximetilcelulose sódica e manitol apirogênico e, ao contrário do entendimento da Fiscalização, é indicado para correção de perdas de tecido adiposo em pacientes que sofram de lipoatrofia associada ao vírus causador da síndrome da imunodeficiência adquirida ("AIDS"), conhecido como HIV. Tal ácido, como produto injetável, em oposição a cirurgias invasivas e complexas, é opção terpêutica mais recente, flexível, simples e minimamente invasiva para áreas relativamente pequenas que necessitam preenchimento. Essas aplicações incluem cicatrizes atróficas, deformidades congênitas e concavidades resultantes de lesões traumáticas ou remoção de tumores. Em linhas gerais, tratase de um medicamento terapêutico aplicado apenas por médicos treinados e especializados e tem como objetivo reduzir o envelhecimento precoce da pele. Importante salientar que as informações constantes do endereço eletrônico do SCULPTRA são voltadas para pacientes que buscam corrigir os efeitos que o envelhecimento causa na derme, sobretudo o envelhecimento precoce, ocasionado por diversos fatores da vida contemporânea, como má alimentação, falta de exercícios físicos, stress etc. Foram essas informações constantes da página eletrônica do SCULPTRA que levaram o Sr. Auditor Fiscal a concluir, de forma superficial e precoce, que o medicamento objeto do presente processo seria um produto de beleza. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Resolução nº 3102000.288 S3C1T2 Fl. 5 4 Ocorre que o endereço eletrônico foi assim elaborado para atender à demanda de pacientes que passaram a buscar no SCULPTRA um meio de amenizar os efeitos do envelhecimento precoce, ainda que não sejam portadores de HIV. A impugnante produziu a prova da qual a Fiscalização se furtou: encomendou laudo técnico especializado ao Instituto Nacional de Tecnologia INT (Relatório Técnico n° 07/2010), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, o qual versa sobre as propriedades e os usos e funções do medicamento SCULPTRA. Com efeito, verificase pela leitura do aludido laudo técnico que os engenheiros do INT realizaram pesquisa pormenorizada e identificaram que o SCULPTRA foi criado para combater o estigma e a depressão relacionados à lipoatrofia da qual sofrem os portadores do vírus HIV, aumentado seu bemestar. O SCULPTRA tem a função de estimular a produção de colágeno pelo próprio organismo como forma de tratamento pela perda de tecido adiposo, sendo um medicamento de uso terapêutico. Além disso, a natureza de medicamento fica ainda mais explícita quando se verifica que o SCULPTRA não é vendido a retalho, ou seja, não é vendido no varejo, em farmácias e drogarias, mas apenas por profissionais especialmente treinados. A Impugnante junta à presente impugnação cópia de artigos científicos sobre o tema. Nenhum deles considera o produto como sendo de beleza ou de maquilagem. As NESH são utilizadas apenas em situações específicas, quando não é possível realizar a classificação fiscal com base nas normas do Sistema Harmonizado. No caso, não apenas o capítulo 30 referese a medicamentos como o capítulo 33 expressamente os exclui de serem classificados nessa posição, sendo desnecessária a aplicação de qualquer NESH. Inclusive, além de o capítulo 33 vedar sua utilização para classificação de medicamentos, sua nota 3 esclarece que os produtos da posição 33.04, pretendida pela Fiscalização, são acondicionados para venda a retalho. O SCULPTRA não pode ser vendido a retalho, mas apenas a hospitais e clínicas médicas, estéticas ou não, que tenham profissionais especialmente treinados para sua utilização. A NESH citada pelo D. Agente Fiscal faz referência a géis para eliminação de rugas e realce dos lábios, produtos que não guardam qualquer relação com o SCULPTRA, pois este é um medicamento terapêutico utilizado para tratar a lipoatrofia da qual são acometidos os portadores do vírus HIV. Provado que as Autoridades Fiscais detinham, à época do lançamento original, todos os elementos de fato necessários e suficientes à regular valoração jurídica do fato imponível e, ainda assim, homologaram o lançamento efetuado pelo sujeito passivo, não podem, posteriormente, reverem tal lançamento para cobrar tributos ou aplicar penalidades ao contribuinte sem demonstrar a existência de erro de fato que legitime a revisão em tela, pois tal prática configura evidente alteração de critério jurídico, vedada pelo CTN. Após a devida homologação (regular despacho aduaneiro) do lançamento tributário das DI objeto do presente processo, a Administração Tributária decidiu rever seu entendimento acerca da correta classificação fiscal do SCULPTRA, aplicando seu novo posicionamento retroativamente, sem demonstrar qualquer erro de fato que pudesse autorizar a revisão. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Resolução nº 3102000.288 S3C1T2 Fl. 6 5 Ressaltese que, diferente do procedimento em que é lavrado Termo de Responsabilidade, por meio do qual o contribuinte manifesta ciência de que a homologação (ou não) do lançamento tributário somente se efetivará após a conclusão das análises laboratoriais do produto importado, as DI objeto do presente processo foram regularmente desembaraças, sem qualquer ressalva, resultando em homologação do lançamento em questão. Aliás, o medicamento importado estava perfeitamente descrita nas Declarações de Importação, possibilitando ao Fisco todos os meios para verificar sua correta classificação fiscal e efetuar o despacho aduaneiro com segurança. Diante disso concluise: o auto de infração pretende alterar critério jurídico anteriormente adotado na oportunidade do desembaraço aduaneiro das DI em tela, sem demonstrar que houvera qualquer erro de fato que justifique tal procedimento, o que é vedado pelo artigo 146, do CTN. A restrição de revisão por motivo de direito está prevista no artigo 146 do CTN, sendo ocioso dizer que o CTN é hierarquicamente superior ao decreto em tela ou à legislação ordinária da qual ele decorre. Logo, a revisão aduaneira só está autorizada quando se verifique a ocorrência de erro de fato, o que não ocorreu no presente caso. Não poderá prosperar a incidência de juros sobre a multa de ofício e a multa de 1% do valor das mercadorias importadas, aplicadas à Impugnante. Isso porque, a partir do vencimento do prazo para recolhimento das penalidades apuradas no auto de infração ora impugnado, as Autoridades Fiscais certamente computarão juros de mora sobre as multas em tela, aumentando sobremaneira o valor da obrigação tributária de forma totalmente ilegal. Inaplicável a Taxa Selic. Do pedido. Requer a Impugnante seja dado integral provimento à presente Impugnação, que levará à decretação da improcedência integral da autuação ora combatida, cancelando se a cobrança dos tributos aduaneiros e da multa de 1% equivalente ao valor das mercadorias importadas. Por fim, na remota hipótese de prevalecer algum valor em relação à autuação, requer a Impugnante, ao menos, seja afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Pugna a nulidade do lançamento. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/06/2006 Importação do produto SCULPTRA com classificação fiscal na posição referente à “medicamentos” (Posição 3004). Fiscalização entendeu como correta a posição referente a “outros preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele” (Posição 3304). Fl. 570DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Resolução nº 3102000.288 S3C1T2 Fl. 7 6 O presente Auto de infração não é árido de elementos de provas. A fiscalização ao atribuir no caso do produto nova classificação fiscal no código 3304.99.90, procedeu adequadamente e amplamente respaldada em fatos concretos. A fiscalização apoiou suas convicções na Solução de Consulta No. 6 SRRF08/Diana, de 10 de fevereiro de 2010, tomando a como prova emprestada. O contraditório e a ampla defesa foram observados. A NESH, por ser Ato Normativo, é parâmetro fundamental para determinar toda e qualquer classificação fiscal e não apenas em situações específicas. O produto SCULPTRA é um produto ministrado por aplicação de injeção na derme profunda ou no subcutâneo. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado fazem referência expressa a essa condição, determinando sua classificação fiscal na posição 3304. Em momento algum a fiscalização procedeu com a modificação de critérios jurídicos, nem tampouco com os aspectos de direito da importação. Pelo contrário, toda a ação fiscal se baseia em erro de fato atribuído ao importador que elegeu uma classificação fiscal indevida. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inicia por reclamar a realização de perícia técnica que, negligenciada pelo trabalho fiscal e recusada em primeira instância, tratase de providência essencial à correta identificação da mercadoria. Considera que a conduta da Fiscalização vai de encontro ao princípio da verdade material, um dos pilares do direito tributário brasileiro. Caberia, portanto, à Fiscalização, analisar todos esses fatos para fins de verificação do cumprimento da obrigação tributária pela Recorrente e, não somente, como efetivamente ocorreu, proceder ao lançamento com base nas impressões que o Sr. Agente Fiscal teve ao acessar o endereço eletrônico do medicamento na internet ou com fundamento em solução de consulta proferida para outro contribuinte e para outra substância química, que não guarda qualquer relação com o SCULPRA. Acrescenta que, fosse isso falso, não existiria razão para que o julgador de piso tivesse acrescentado novas evidências ao Processo, também, essas, coletadas na internet. Ainda em sede de preliminar, referindose à Solução de Consulta SRRF nº 6/2010, sustenta a impossibilidade de utilização de prova emprestada de outro Processo Administrativo, do qual não participou, sem ter havido, por conseguinte, observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, acarretando cerceamento do direito de defesa. No mérito, defende a classificação fiscal escolhida, uma vez que o Produto sub examine tratase, sim, de um medicamento. 49. Ocorre que o SCULPTRA é um medicamento cuja composição química é formada por ácido poliLlático (“PLLA”), caboximetilcelulose sódica e manitol apirogênico e, ao contrário do entendimento da Fiscalização e da DRJ, é um produto injetável que, em oposição a cirurgias invasivas e complexas, representa opção terapêutica mais recente, flexível, simples e minimamente invasiva para áreas relativamente pequenas que necessitam preenchimento. Essas aplicações incluem cicatrizes atróficas, deformidades congênitas e concavidades resultantes de lesões traumáticas ou remoção de tumores. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Resolução nº 3102000.288 S3C1T2 Fl. 8 7 Além disso, o SCULPTRA tem como objetivo combater a lipoatrofia facial, evitandose, assim, que os pacientes portadores do vírus causador da síndrome da imunodeficiência adquirida (“AIDS”), conhecido como HIV, possuam o estigma pejorativamente conhecido como “cara de AIDS”. Nessa linha de raciocínio, esclarece que “as informações constantes do endereço eletrônico do SCULPTRA são voltadas para pacientes que buscam corrigir os efeitos que o envelhecimento causa na pele”. Que foram essas informações que levaram a Fiscalização Federal, de forma superficial e precoce, ao entendimento de que “o medicamento objeto do presente processo seria um produto de beleza”. Contudo, “o endereço eletrônico foi assim elaborado para atender à demanda de pacientes que passaram a buscar no SCULPTRA um meio de amenizar os efeitos do envelhecimento precoce [...]”. Acrescenta que o Produto está registrado na ANVISA como sendo um medicamento. Atenta para o fato de que os próprios Julgadores de primeira instância reconhecem que o SCULPTRA, “foi, em um primeiro momento, aprovado como produto destinado para reparação facial dos pacientes HIV positivos”, para, somente em 2009, ter sido aceito para uso estético. Menciona teor do Laudo Técnico encomendado ao Instituto Nacional de Tecnologia – INT, por sua iniciativa, que atesta as propriedades, usos e funções do medicamento SCULPTRA. Acentua que a DRJ tem o dever de adotar as conclusões de laudo elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia. E mais, além disso, a natureza de medicamentos fica ainda mais explícita quando se verifica que o SCULPTRA não é vendido a retalho, ou seja, não vendido no varejo, em farmácias e drogarias, mas apenas por profissionais especialmente treinados. Por outro lado, que a classificação fiscal escolhida pelo Fisco é inapropriada ao SCULPTRA, “sobretudo porque o próprio capítulo 33 exclui os medicamentos de serem classificados nesse código”. Que a Nota Explicativa da qual se valeu a Fiscalização para classificação do Produto se constitui apenas de um instrumento auxiliar no procedimento de classificação de mercadorias. Desnecessário lançar mão das Notas quando, como no caso, é possível realizar a classificação com base nas próprias normas do Sistema Harmonizado. Outrossim, que a Nota 3 do Capítulo 33, escolhida pelo Fisco, esclarece que os produtos da posição 3304 são acondicionados para venda a retalho. E também que os géis para eliminação de rugas e realce dos lábios citados na NESH informada na autuação não guardam qualquer relação com o SCULPTRA. Mais adiante, refere que o, embora o Produto possa ser utilizado para finalidades estéticas, seu principal objetivo é o tratamento de pacientes acometidos pela lipoatrofia causada pela AIDS. 102. Portanto, não se pode concluir da leitura desses excertos, ao contrário do que fez a DRJ, que “hoje a Food and Drug Administration (FDA) considere o SCULPTRA como um cosmético. Posição idêntica defendida pela fiscalização brasilieira” (fl. 333). Fl. 572DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Resolução nº 3102000.288 S3C1T2 Fl. 9 8 Quanto à Solução de Consulta e ao fato de o Produto ser administrável por injeção subcutânea. No referido processo de consulta, formulado por outro contribuinte, foi analisada a substância denominada ácido hialurônico, que não guarda qualquer relação com o ácido poliLlático, utilizado para a fabricação do SCULPTRA. (...) Por fim, com base na referida Consulta, a DRJ chega à inusitada conclusão de que se o ácido hialurônico é um produto injetado na derme e o SCULPTRA também é – pois assim consta do endereço eletrônico do medicamento , logo, sendo o ácido hialurônico um cosmético, o SCULPTRA também é um cosmético. Noutro giro, considera que a “ausência de laudo técnico que descreva com precisão as características da mercadoria, de forma a embasar a classificação fiscal, torna a autuação mera presunção, eivando a validade do auto de infração por ausência de prova, de motivo para o lançamento”. Que houve alteração de critério jurídico. 136. Logo, a revisão do lançamento só está autorizada em caso de erro de fato, ocasião em que a Administração não tem ciência de todos os elementos necessários à realização do lançamento tributário de acordo com os ditames da legislação. Diferentemente de quando é lavrado termo de responsabilidade, no qual o contribuinte toma conhecimento de que a homologação do lançamento está condicionada à conclusão das análises laboratoriais, “as DI objeto do presente processo foram regularmente desembaraçadas, sem qualquer ressalva, resultando em homologação do lançamento em questão”. Por fim, contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e a aplicação da multa de 1% do valor das mercadorias importadas. Também advoga a inaplicabilidade da Taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Embora o Laudo Técnico apresentado pela parte traga a informação de que o Produto Sculptra está registrado perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária sob o número MS 80134900003, classe III, não logrei êxito em identificar, nem ali, nem em nenhum outro lugar do Processo, a classificação dada pela Anvisa ao Produto. Se como cosmético ou como medicamento. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Resolução nº 3102000.288 S3C1T2 Fl. 10 9 Em recente julgamento proferido nesta Turma, destacouse que a COANA emitiu a Solução de Divergência nº 8/2001, esclarecendo a competência da Anvisa para normatização de assuntos desta natureza, nos seguintes termos1: “31. (...) a ANVISA tem a competência, conforme a Lei n.º 9.782, de 26 de janeiro de 1999, para normatizar os temas “alimentos” e “medicamentos”(...)”. É fato que a discussão travada neste Processo é um pouco diferente, já que não se discute a possibilidade de que o Sculptra seja um alimento. Contudo, isso não faz absolutamente nenhuma diferença, pois a competência da Anvisa alcança a regulamentação e classificação de todo e qualquer produto que possa trazer risco à saúde, ex vi artigo 8º da Lei 9.782/99, como segue. Art.8º Incumbe à Agência, respeitada a legislação em vigor, regulamentar, controlar e fiscalizar os produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública. §1º Consideramse bens e produtos submetidos ao controle e fiscalização sanitária pela Agência: Imedicamentos de uso humano, suas substâncias ativas e demais insumos, processos e tecnologias; IIalimentos, inclusive bebidas, águas envasadas, seus insumos, suas embalagens, aditivos alimentares, limites de contaminantes orgânicos, resíduos de agrotóxicos e de medicamentos veterinários; IIIcosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes; IVsaneantes destinados à higienização, desinfecção ou desinfestação em ambientes domiciliares, hospitalares e coletivos; Vconjuntos, reagentes e insumos destinados a diagnóstico; VIequipamentos e materiais médicohospitalares, odontológicos e hemoterápicos e de diagnóstico laboratorial e por imagem; VIIimunobiológicos e suas substâncias ativas, sangue e hemoderivados; VIIIórgãos, tecidos humanos e veterinários para uso em transplantes ou reconstituições; IXradioisótopos para uso diagnósticoin vivoe radiofármacos e produtos radioativos utilizados em diagnóstico e terapia; Xcigarros, cigarrilhas, charutos e qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco; XIquaisquer produtos que envolvam a possibilidade de risco à saúde, obtidos por engenharia genética, por outro procedimento ou ainda submetidos a fontes de radiação. Pareceme que seja essencial para o encaminhamento da decisão do litígio, que o Processo seja instruído com a informação precisa de como o Produto está registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. Acaso essa informação não seja, por si só, 1 Naquele discutiase a classificação do produto como alimento ou como medicamento. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Resolução nº 3102000.288 S3C1T2 Fl. 11 10 conclusiva, que se obtenha também a manifestação formal da Agência a respeito do enquadramento ou não do Sculptra como um medicamento. VOTO PELA CONVERSÃO do julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora obtenha tais informações, anexandoas aos autos. Se assim entender necessário, apresente as considerações pertinentes. Dêse prazo dez dias para manifestação do contribuinte. Retorne para decisão final. Sala de Sessões, 25 de setembro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 575DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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