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Numero do processo: 10880.900127/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000
DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DIPJ APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. ANALISE DE DOCUMENTOS. DESPACHO COMPLEMENTAR.
Não há óbice à retificação da DIPJ após a emissão do despacho decisório. Cabe despacho complementar para verificar a liquidez e certeza do crédito quando o despacho original não se prestou a tal análise.
Numero da decisão: 1301-004.154
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acatar a retificação de DIPJ e afastar o óbice da continuidade de análise do direito creditório requerido, mas sem homologar a compensação, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez e certeza do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, livros contábeis/fiscais e esclarecimentos. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de irresignação da contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bianca Felicia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogerio Peres Garcia, Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DIPJ APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. ANALISE DE DOCUMENTOS. DESPACHO COMPLEMENTAR. Não há óbice à retificação da DIPJ após a emissão do despacho decisório. Cabe despacho complementar para verificar a liquidez e certeza do crédito quando o despacho original não se prestou a tal análise. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 01 27 /2 00 9- 62 Fl. 212DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-004.154 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900127/2009-62 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acatar a retificação de DIPJ e afastar o óbice da continuidade de análise do direito creditório requerido, mas sem homologar a compensação, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez e certeza do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, livros contábeis/fiscais e esclarecimentos. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de irresignação da contribuinte. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogerio Peres Garcia, Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 213DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-004.154 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900127/2009-62 Relatório Inicialmente, adota-se parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Em face do PER/DCOMP n° 17206.74905.301104.1.3.02 -9604 (fls. 08/45, no qual a contribuinte indica como crédito saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2000, no montante de R$ 81.498,00), foi proferido o Despacho Decisório de fl. 03, que não homologou a compensação declarada no supracitado PER/DCOMP, com o argumento de que não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, uma vez que a forma de apuração do lucro real indicada no PER/DCOMP (anual) difere da informada na DIPJ correspondente (trimestral). Cientificada do Despacho Decisório em 20/01/2009 (fl. 05), a contribuinte, por meio de seus representantes, apresentou, em 04/02/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 46/47, alegando, em síntese, o seguinte. Realmente, conforme os relatórios enviados pelo DERAT, o direito creditório do ano- Calendário de 2000 é de R$ 71.462,58, mas levando-se em conta que o direito creditório é dos trimestres do próprio ano, assim composto: Anexa-se ao presente recurso, cópia da Ficha 12A da DIPJ/2001, ano-calendário 2000 (fls. 49/52). A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente que seja acolhido o presente recurso, cancelando-se o débito fiscal reclamado. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, em decisão cuja ementa encontra-se abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2000 PER/DCOMP. ERRO NA INDICAÇÃO DA ORIGEM DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. Admite-se a retificação do PER/DCOMP pelo sujeito passivo somente se estiver pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 214DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-004.154 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900127/2009-62 Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sua primeira defesa, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-004.154 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900127/2009-62 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild, Relatora. Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. A Recorrente apresentou PER/DCOMP n° 17206.74905.301104.1.3.02 -9604 visando compensar crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2001 (retenções na fonte) com débito de IRPJ do 4º trimestre de 2002. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada com o argumento de que não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, uma vez que a forma de apuração do lucro real indicada no PER/DCOMP (anual) difere da informada na DIPJ correspondente (trimestral). Foi destacado que, antes de ser proferido o Despacho Decisório, a Recorrente foi intimada (fl. 06) a "retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente a forma de apuração do saldo negativo e o detalhamento do crédito utilizado na sua composição". A retificação da DIPJ se deu somente após o despacho decisório e, por este motivo, não foi aceita como legítima pela autoridade de primeira instancia. *** De fato, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato", postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Alegou o contribuinte que retificou sua DIPJ, adequando-a aos valores que pretende compensar. De observar, no entanto, que a retificação da DIPJ foi efetivada após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação. Dessa forma, não há como ser acolhida como prova de existência do direito, muito menos de sua liquidez e certeza, vez que a norma contida no §1º, do art. 147, do CTN, prevê que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A reconstituição do crédito confessado não depende apenas da apresentação de DIPJ retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis Fl. 216DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-004.154 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900127/2009-62 e idôneos, não se mostrando suficiente que o contribuinte promova a redução ou supressão do débito confessado, fazendo-se necessário, notadamente, que demonstre a legitimidade do crédito tributário. O contribuinte, por sua vez, limitou-se a apresentar documentos que alegadamente atestam o erro cometido em sede de recurso voluntário, o que merecem análise pormenorizada neste momento. Apesar de entender que deve-se superar o óbice da retificação da DIPJ ter ocorrido após o despacho decisório, entendo que os autos não se encontram em condições de julgamento, devendo retornar a unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez e certeza do crédito requerido, inclusive considerando os documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de irresignação da contribuinte. Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade fiscal poderá intimar o contribuinte a apresentar documentos complementares, livros contábeis/fiscais e esclarecimentos adicionais antes de elaborar o despacho ora requerido. Poderá ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Ao final, o Recorrente deve ser cientificados do resultado da diligência, abrindo- se prazo de 30 dias para que, querendo, manifestem-se sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Conclusão Desta forma, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para no mérito DAR- LHE PARCIAL PROVIMENTO para acatar a retificação de DIPJ e afastar o óbice da continuidade de análise do direito creditório requerido, mas sem homologar a compensação, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez e certeza do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, livros contábeis/fiscais e esclarecimentos. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de irresignação da contribuinte. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Fl. 217DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-004.154 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900127/2009-62 Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002491/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimento, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Conselho
Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão.
Numero da decisão: 2201-001.379
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para excluir tão somente a multa isolada.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimento, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.002491/200796 Recurso nº 907.572 Voluntário Acórdão nº 220101.379 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2011 Matéria IRPF Recorrente KAREN MARIA NUNES MENEGOTTO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimento, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para excluir tão somente a multa isolada. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003, 2004, 2005 e 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 611/683, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no valor de R$ 218.774,91. A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrente de trabalho sem vínculo empregatício; omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrente de trabalho sem vínculo empregatício; omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário com origem não comprovada; falta de recolhimento do imposto de renda da pessoa física devido a título de carnê leão. Cientificada do lançamento, a autuada apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 688/701), alegando, em síntese, que: A autuação fiscal desconsiderou as informações prestadas pela contribuinte em atendimentos as intimações. Por absoluta necessidade, para evitar pagar juros de cheque especial foi montada uma espécie de crédito rotativo através de desconto antecipado de cheques de favor, ou seja, utilizava cheques emitidos por terceiros (de favor e prédatados). Importante salientar que essas operações diminuíram muito o valor pago de juros, pois os bancos cobravam em torno de 10% e essas operações eram cobrados cerca de 2% de juros; deveria a fiscalização, por dever funcional, bem como em função do principio da verdade material, aprofundar as averiguações para identificar os emitentes dos cheques; a fiscalização deveria considerar a falta de sinais exteriores de riqueza. Vide declaração de imposto de renda do marido da autuada, onde constam os bens do casal; incabível a multa de lançamento de oficio com a multa exigida isoladamente devido a título de carnê leão; Por fim, informa que está impugnando parcialmente o auto de infração dos seguintes valores acrescido de multa e providenciando o parcelamento dos valores não discutidos: R$ 5.796,64 (vencimento em 30/04/2003); R$ 6.465,64 (vencimento 30/04/2004); R$ 10.767,71 (vencimento 29/04/2005); R$ 8.779,13 (vencimento 28/04/2006). A 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira quando o contribuinte, regulamente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA ISOLADA (CARNÊ LEÃO). Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11020.002491/200796 Acórdão n.º 220101.379 S2C2T1 Fl. 2 3 A multa de lançamento de ofício é exigida isoladamente no caso de a pessoa física sujeita ao recolhimento obrigatório do imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo. CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA DE OFÍCIO E A MULTA ISOLADA. Não há impedimentos na aplicação de multa de ofício e da multa isolada por se referirem a diferentes infrações cometidas. Impugnação Improcedente Intimada da decisão de primeira instância em 04/03/2011 (fl. 754), Karen Maria Nunes Menegotto apresenta Recurso Voluntário em 25/03/2011 (fls. 982 e seguintes), sustentando, exatamente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia essencial, nesta segunda instância, cingese, exclusivamente, na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário de 2005. Em sua peça recursal alega a suplicante que por absoluta necessidade utilizava cheques emitidos por terceiros, de favor e prédatados, para cobrir saldo devedor de cheque especial. Essas ações diminuíram muito o valor pago de juros, pois os bancos cobravam em torno de 10% e essas operações eram pagos cerca de 2% de juros. Além do mais, deveria a fiscalização, por dever funcional, bem como em função do principio da verdade material, aprofundar as averiguações para identificar os emitentes dos cheques, bem como levar em consideração a ausência de sinais exteriores de riqueza. Pois bem, para a apreciação das argumentações de mérito trazidas pela contribuinte, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13/08/1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, assim dispõe, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Pelo que se depreende da leitura do dispositivo legal acima, o legislador estabeleceu, a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Como é a própria lei, definindo que os depósitos bancários de origem não comprovada caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, e não meros indícios de omissão, não há obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos (empréstimos, transferências interbancárias, etc.). Tratase, entretanto, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Sobre os efeitos da presunção legal, mencionese a lição de José Luiz Bulhões Pedreira (Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, JUSTEC RJ, 1979, pág. 806): O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, diante da legislação precitada e dos comentários acima, se descarta, de plano, a argumentação da recorrente de que a autuação deveria ter observado sinais exteriores de riqueza. Com efeito, como já analisado anteriormente, o ônus desta prova recai exclusivamente sobre a contribuinte, não bastando, para tal mister, a simples apresentação de justificativas, mas, também, que estes argumentos sejam amparados por provas hábeis, idôneas e robustas. Portanto, a falta de comprovação da origem dos depósitos materializa a presunção legal formulada de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e, consequentemente, o fato gerador do imposto de renda descrito no art. 43 do CTN: Art. 43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: (...) § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001); Em sua peça recursal, apesar de toda a legislação retrotranscrita lhe impor o ônus de demonstrar a origem de seus créditos bancários constantes do Auto de Infração, a suplicante não apresenta quaisquer documentos hábeis que comprovassem de forma inequívoca a origem dos referidos depósitos. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11020.002491/200796 Acórdão n.º 220101.379 S2C2T1 Fl. 3 5 Destarte, pelos fundamentos expostos entendo que a exigência tributária em exame deve ser mantida. No que tange à exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada, decorrente do mesmo fato – omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e jurídica e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão – entendo não ser possível cumularse as referidas penalidades. Em verdade, houve a dupla incidência da penalidade sobre a mesma base de cálculo. Nesse sentido é a interpretação dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.” (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/2002 19, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). Com efeito, na exigência de tributo por Auto de Infração ou notificação de lançamento não há espaço para se incluir concomitantemente a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada, sobre a mesma omissão que gerou o lançamento do tributo, acrescido da multa de ofício. Ante ao exposto, voto por DAR parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 11020.002491/200796 Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Recurso nº: 907.572 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.379. Brasília/DF, 01 de dezembro de 2011 ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15536.720007/2016-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA CARF.
Deve ser negado conhecimento a recurso especial que pretende questionar a competência do Colegiado a quo para apreciar imputação de responsabilidade tributária a sócio da pessoa jurídica autuada, vez que nos termos da Súmula CARF nº 71, todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade.
Numero da decisão: 9101-004.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Andrea Duek Simantob, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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CONHECIMENTO. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA CARF. Deve ser negado conhecimento a recurso especial que pretende questionar a competência do Colegiado a quo para apreciar imputação de responsabilidade tributária a sócio da pessoa jurídica autuada, vez que nos termos da Súmula CARF nº 71, todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Andrea Duek Simantob, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 53 6. 72 00 07 /2 01 6- 46 Fl. 260DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.528 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15536.720007/2016-46 Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ("PGFN", e-fls. 241/245) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1801-00.027 (e- fls. 230/238), na sessão de 28 de julho de 2009, no qual o Colegiado a quo, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de exclusão de responsabilidade solidária do Sr. João Geraldo Bezerra de Menezes Galindo, sócio não administrador/gerente da contribuinte, para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida está assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A responsabilidade tributária imposta por sócio-gerente, administrador, diretor ou equivalente só se caracteriza quanto há dissolução irregular da sociedade ou se comprova infração à lei praticada pelo dirigente. Entretanto, tal entendimento diz respeito à responsabilidade apenas dos sócios gerentes, administrador ou a quem detenha poderes de gestão. Caso o acionista não detenha tais condições, descabe a responsabilização. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idôneo, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL Se o ânus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. ARBITRAMENTO DO LUCRO. HIPÓTESE. O arbitramento do lucro decorre de expressa previsão legal, consoante a qual a autoridade fiscal, por estar impossibilitado de aferir a exatidão do lucro real em virtude da não apresentação de livros e documentos pela pessoa jurídica regularmente intimada, está legitimada a adotá-lo como meio de apuração da base de cálculo do IRPJ. O litígio foi originalmente constituído nos autos do processo administrativo nº 10730.001752/2004-39 e decorreu de lançamentos dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento devidos por NIKYT INFORMÁTICA LTDA, apurados no ano-calendário 2001 a partir da constatação de omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, com arbitramento dos lucros em razão da falta de apresentação dos livros comerciais, e imputação de responsabilidade tributária aos sócios da autuada, Marcos André Barreiros Aguiar e João Geraldo Bezerra de Menezes Galindo, com fundamento no art. 135, inciso III, do CTN. A autoridade julgadora de 1ª instância manteve integralmente as exigências e a imputação de responsabilidade tributária João Geraldo Bezerra de Menezes Galindo, único impugnante deste tema, dado que Marcos André Barreiros Aguiar apenas figurou como representante legal da pessoa jurídica em sua impugnação, sem questionar a responsabilidade que lhe foi imputada (e-fls. 185/203). O Colegiado a quo, por sua vez, concluiu que a dissolução irregular da sociedade somente autorizava a imputação de responsabilidade a sócio-gerente, administrador ou a quem detenha poderes de gestão, situação na qual não se enquadrava João Geraldo Bezerra de Menezes Galindo. Fl. 261DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.528 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15536.720007/2016-46 Os autos do processo foram recebidos na PGFN em 17/04/2012 (e-fl. 240), mas há registro de sua ciência em 17/05/2012 no termo anexo à decisão, seguindo-se a remessa dos autos ao CARF em 18/05/2012, veiculando o recurso especial de e-fls. 241/245, no qual a Fazenda discorda da exclusão da responsabilidade promovida no acórdão recorrido por divergir da jurisprudência do CARF na qual se defende que a matéria envolvendo responsabilidade está restrita à fase de execução do crédito tributário, não podendo o julgador administrativo adentrar nessa questão, conforme expressão os Acórdãos nº 1301-00.286 e 2301-00.283. Reproduzindo as razões de decidir do paradigma nº 1301-00.286, a PGFN pede que seja rejeita a preliminar apreciada no acórdão recorrido, pois responsabilidade é matéria pertinente à execução judicial do crédito tributário, caso ele não venha a ser recolhido espontaneamente, não podendo o julgador administrativo ir além e declarar a existência ou inexistência de responsabilidade de terceiros. O recurso especial da PGFN foi admitido pelo despacho de exame de admissibilidade de e-fls. 248/252, do qual se extrai: O cotejo das ementas acima colacionadas pela Recorrente permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial: enquanto no acórdão recorrido decidiu-se pela exclusão da responsabilidade do acionista João Geraldo Bezerra de Menezes Galindo por não deter poderes de gestão; no paradigma Acórdão nº 1301-00.286 entende-se que seria incabível discutir responsabilidade no processo administrativo fiscal, pois tal questão estaria adstrita à fase de cobrança do crédito tributário, o mesmo entendimento se extrai do Acórdão nº 2301-00.283, pois não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Cientificado em 09/05/2016 (e-fls. 256/257), o responsável tributário João Geraldo Bezerra de Menezes Galindo não se manifestou. Em 03/05/2016 a autoridade local formalizou estes autos com cópias do processo administrativo nº 15536.720007/2016-46, restando aqui controlado apenas o litígio decorrente do recurso especial interposto pela PGFN. Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA, Relatora. Recurso especial da PGFN - Admissibilidade Em observância ao art. 67, §12, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, o recurso especial da PGFN não pode ser conhecido, porque os paradigmas por ela indicados contrariam a Súmula CARF nº 71: Súmula CARF nº 71 Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Fl. 262DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.528 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15536.720007/2016-46 Acórdão nº 1402-00.423, de 28/01/2011 Acórdão nº 1201-00.267, de 20/05/2010 Acórdão nº 1402-00.093, de 26/01/2010 Acórdão nº 1103-00.043, de 01/10/2009 Acórdão nº 1401-00.047, de 13/05/2009 Acórdão nº 101-97.107, de 04/02/2009 Acórdão nº 103-23.649, de 18/12/2008 Acórdão nº 103-23.364, de 24/01/2008 Referida súmula, aprovada em 10 de dezembro de 2012, depois da interposição do recurso especial pela PGFN, ao afirmar a legitimidade de todos os arrolados como responsáveis tributários em lançamentos para impugnar e recorrer acerca do vínculo de responsabilidade, afirma também a competência de os órgãos administrativos de julgamento apreciarem estes recursos e, eventualmente, desconstituírem o vínculo de responsabilidade, como decidido no acórdão recorrido. Assim, como este Colegiado deve se manifestar acerca da admissibilidade do recurso especial antes de apreciar seu mérito, resta caracterizada a vedação ao norte referenciada, razão pela qual deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.001040/2008-29
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS
A regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação. Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - VERBA INDENIZATÓRIA - ISENÇÃO - LEI Nº 10.559/02 - ANISTIA
Cabe ao contribuinte comprovar que os rendimentos auferidos são isentos, vez que o instituto da isenção é a exceção no ordenamento jurídico e sempre instituído mediante lei.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO - PAGAMENTO INDEVIDO
Caso haja a comprovação de pagamento indevido de tributo, o contribuinte deve entrar com procedimento autônomo para reaver estes valores junto a RFB.
Numero da decisão: 2002-001.766
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a omissão de rendimentos. Vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS A regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação. Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - VERBA INDENIZATÓRIA - ISENÇÃO - LEI Nº 10.559/02 - ANISTIA Cabe ao contribuinte comprovar que os rendimentos auferidos são isentos, vez que o instituto da isenção é a exceção no ordenamento jurídico e sempre instituído mediante lei. REPETIÇÃO DE INDÉBITO - PAGAMENTO INDEVIDO Caso haja a comprovação de pagamento indevido de tributo, o contribuinte deve entrar com procedimento autônomo para reaver estes valores junto a RFB.
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Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - VERBA INDENIZATÓRIA - ISENÇÃO - LEI Nº 10.559/02 - ANISTIA Cabe ao contribuinte comprovar que os rendimentos auferidos são isentos, vez que o instituto da isenção é a exceção no ordenamento jurídico e sempre instituído mediante lei. REPETIÇÃO DE INDÉBITO - PAGAMENTO INDEVIDO Caso haja a comprovação de pagamento indevido de tributo, o contribuinte deve entrar com procedimento autônomo para reaver estes valores junto a RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a omissão de rendimentos. Vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 10 40 /2 00 8- 29 Fl. 73DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.766 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13707.001040/2008-29 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 05 a 08), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 11.282,23, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação que conforme decisão da DRJ: Cientificado do lançamento em 28/03/2008 (AR à fl.28), o interessado apresentou impugnação, à fl. 02, e respectiva documentação em 24/04/2008. Em síntese, o impugnante assevera que o valor dos rendimentos informados pela fonte pagadora Marinha do Brasil está em desacordo com o comunicado recebido pelos beneficiários, em julho de 2003, através do qual consignou-se que a isenção oriunda do parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559/2002 havia sido providenciada, bem como corrigidos os correlatos comprovantes de rendimentos. É solicitada, ainda, pelo autuado, a devolução de 03 (três) Darfs pagos anteriormente à declaração retificadora do ano-calendário de 2003, no valor aproximado de R$1.450,00 cada. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/RJ1 que, por unanimidade, em 23/02/2012, no acórdão 12-44.060, às e-fls. 33 a 37, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às e-fls. 43 a 69 no qual alega, em síntese, que: Juntou aos autos o a sentença proferida pela 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro (nº 90.0054120-4) concedendo anistia politica ao contribuinte; Junta decisão do STJ corroborando pela isenção dos proventos, mediante concessão de anistia pela Lei nº10.559/02; Fl. 74DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.766 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13707.001040/2008-29 Requer a restituição dos pagamentos realizados conforme DARFs anexados. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 09/05/2013, e-fls. 40, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 07/06/2013, e-fls. 43, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 05 a 08), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. De acordo com a decisão da DRJ, o contribuinte não contestou a omissão de rendimentos recebidos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros, no valor de R$ 1.629,58. Ainda, manteve a autuação pela omissão dos rendimentos recebidos do Comando da Marinha, no valor de R$ 46.000,71, nos seguintes termos: Sendo assim, as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza percebidos pelos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da referida Lei nº 10.559 de 2002, são isentos do imposto de renda, desde que exista o prévio requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica, ainda que pendente de deferimento. Isso posto, tendo em vista que o interessado não logrou comprovar que protocolou o requerimento para substituição de regime sobredito, tampouco a publicação da correlata portaria, não pode dessa forma usufruir da isenção aqui tratada, razão pela qual deve ser mantido o lançamento correspondente à Omissão de Rendimentos do Trabalho relativo ao Comando da Marinha, no valor de R$ 46.000,71. Da omissão de rendimentos A nossa Carta Magna de 1988 erigiu competências tributárias aos três entes, rigidamente postas, sobretudo quanto a criação de impostos. Conforme artigo 153 do texto constitucional, compete a União, dentre outros, a instituição do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I - importação de produtos estrangeiros; II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; Fl. 75DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.766 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13707.001040/2008-29 III - renda e proventos de qualquer natureza; IV - produtos industrializados; V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI - propriedade territorial rural; VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar. (...) Segundo define o parágrafo 2º, do supracitado artigo, o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade. O princípio da generalidade permitirá a efetivação dos princípios da universalidade, pessoalidade e capacidade contributiva, na medida em que atua no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência tributária, determinando que todas as pessoas físicas – a integralidade desse universo que esteja no território nacional, que auferir renda e proventos de qualquer natureza terá obrigação de efetuar o pagamento do imposto, salvo exceções prevista na própria lei. Já o princípio da universalidade atuará sobre o aspecto material do antecedente da regra matriz de incidência tributária, afinal determina que a incidência do imposto alcançará todas as rendas e proventos, de qualquer espécie, independente da denominação ou fonte. Por fim, o princípio da progressividade também será aplicado sobre o critério quantitativo do conseqüente da rega matriz, nesse caso para a fixação da alíquota do imposto. Tal princípio implicará na incidência gradativa, em percentual maior e, pretensamente de modo progressivo, à medida que se dá o correspondente aumento da base de cálculo do imposto ou acréscimo patrimonial, ou seja, quanto maior o acréscimo patrimonial maior será a alíquota do imposto devido pelo contribuinte. Ainda, o artigo 3º da Lei nº 7.713/88 disciplina que o imposto sobre a renda incide sobre o rendimento bruto, entendido como produto do capital, do trabalho ou a combinação de ambos, independentemente da denominação das verbas percebidas: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerando-se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. Fl. 76DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.766 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13707.001040/2008-29 § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. Logo, a regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação. Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações. É o que se extrai do caput do artigo 176 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ainda, conforme o inciso II, do artigo 111 do mesmo diploma legal, interpreta- se literalmente as hipóteses de isenção: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Logo, cabe ao contribuinte demonstrar que os valores recebidos possuem natureza jurídica de indenização, para valer-se da regra isentiva. No caso em apreço, o recorrente Fl. 77DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.766 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13707.001040/2008-29 alega que seus rendimentos são isentos por força da Lei nº 10.559/02, que dispõe, dentre outras, sobre o regime do anistiado político. O inciso II, do artigo 1º da mencionada lei tem a seguinte redação: Art. 1 o O Regime do Anistiado Político compreende os seguintes direitos: I - declaração da condição de anistiado político; II - reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, asseguradas a readmissão ou a promoção na inatividade, nas condições estabelecidas no caput e nos §§ 1 o e 5 o do art. 8 o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; (...) Mais a frente, no artigo 9º, há previsão expressa de que os valores a título de indenização a anistiados políticos são isentos da incidência do imposto de renda: Art. 9 o Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias. Parágrafo único. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda. Em que pese a existência da norma isentiva, a situação chegou aos Tribunais Superiores e ao STJ, que ratificou o direito de anistiados políticos à isenção de Imposto de Renda, inclusive aos declarados anistiados antes da Lei nº 10.559/02 e que ainda não foram submetidos à substituição de regime prevista no artigo 19 da retro mencionada lei. Dito isto, entendo pela isenção dos rendimentos auferidos pelo contribuinte. Da restituição do imposto de renda recolhido Alega o contribuinte que recolheu imposto de renda sobre remuneração isenta, motivo pelo qual requer a restituição dos valores. Contudo, em que pese o pleito do requerente, que menciona o pagamento de três DARF, tal comprovação não consta nos autos. Ademais, caso haja imposto indevidamente pago, cabe ao contribuinte requerer, em procedimento autônomo, a restituição do montante. Desta forma, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe parcial provimento para afastar a omissão de rendimentos, visto que gozam de isenção. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 78DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#dt8%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#DT8%C2%A75 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#DT8%C2%A75 Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-001.766 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13707.001040/2008-29 Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900562/2017-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL.
Retificada a declaração e colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis à comprovação do direito alegado, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado.
Numero da decisão: 1201-003.262
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente da DCTF Retificadora, transmitida em 18.07.2017; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10320.900552/2017-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. Retificada a declaração e colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis à comprovação do direito alegado, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente da DCTF Retificadora, transmitida em 18.07.2017; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10320.900552/2017-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 05 62 /2 01 7- 42 Fl. 363DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.262 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10320.900562/2017-42 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 1201-003.252, de 11 de novembro de 2019, que lhe serve de paradigma. 2 Trata-se de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual o contribuinte compensou débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ. 3. A autoridade local, mediante Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada ante a insuficiência de crédito: O crédito em análise corresponde ao valor necessário para compensação dos débitos declarados. Valor do crédito em análise: R$42.068,09 Valor do crédito reconhecido: R$0,00 Entretanto, a análise do crédito resultou em reconhecimento inferior ao saldo disponível do pagamento. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. (Grifo nosso) (e-fls. 49). 4. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em síntese, que transmitiu o PER/DCOMP após ter detectado a existência de créditos referentes às estimativas mensais, porém, retificou a DCTF após a referida transmissão. 5. A Turma julgadora de primeira instância, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao argumento de que “a DIPJ 2012/2013 transmitida é original, porém, os valores trimestrais referentes ao cálculo do IRPJ e CSLL encontram-se zerados, dessa forma não se vislumbra verossimilhança com as alegações de que a DCTF demonstraria a existência do crédito”. 6. Cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário de folhas, em que aduz, em resumo, os seguintes argumentos: i) após procedimento de revisão e apuração da escrituração referente ao ano- calendário em questão, detectou crédito tributário oriundo de recolhimento a maior de IRPJ e CSLL; nesse sentido enviou PER/DCOMP, porém, sem retificar a DCTF, o que veio a fazer posteriormente; ii) conforme o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 2015, que é possível a retificação de informações com a apresentação da DCTF, ainda mais quando se tratar de erro de fato; iii) deve prevalecer o princípio da verdade material; Fl. 364DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.262 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10320.900562/2017-42 iv) por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e reconhecido o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ; caso não acatado o pleito, seja o feito convertido em diligência para busca da verdade material e análise da escrituração contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 1201-003.252, de 11 de novembro de 2019, paradigma desta decisão. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A recorrente compensou débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ, referente ao 1º trimestre de 2002. Não homologada a compensação por inexistência de crédito, alegou que a DCTF fora retificada tão logo cientificada do Despacho Decisório. A DRJ ao analisar o feito, no tocante a DCTF Retificadora, assentou ser imprescindível a apresentação de escrituração contábil-fiscal para fins de comprovação da liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Veja-se: Assim, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil-fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. [...] Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. (Grifo nosso) O art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação Fl. 365DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.262 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10320.900562/2017-42 de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, dispõe que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Faz-se necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 - CPC/2015, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Nessa esteira, para fins de comprovação do direito creditório, cabe ao contribuinte provar o direito alegado. Uma vez colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório postulado. Caso contrário, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. No caso em análise, cientificada do Despacho Decisório, em 23.06.2017 (e-fls. 57), a recorrente transmitiu DCTF Retificadora em 18.07.2017 (fls. 36) e alterou o débito de IRPJ, referente ao 1º trimestre de 2012, no valor de R$ 146.597,76 para R$ 0,00. Apresentou ainda balanço patrimonial e balancetes mensais de verificação, extraídos do Sped contábil, referentes ao ano-calendário 2012. No caso de equívoco no preenchimento de DCTF com reflexo no direito creditório cuja retificação ocorra após emissão do Despacho Decisório de Fl. 366DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.262 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10320.900562/2017-42 não homologação da DCOMP, ou até mesmo após manifestação de inconformidade, a Receita Federal, conforme Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015, orienta as Delegacias de Julgamento a baixar o feito em diligência para análise do direito creditório. Veja-se: Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015 [...] 18. Portanto, mesmo depois da ciência do despacho decisório, pode o interessado apresentar manifestação de inconformidade alegando essencialmente que cometeu equívoco na apresentação da DCTF que respaldaria o crédito pretendido e informando a transmissão da correspondente DCTF retificadora com o intuito de reduzir ou excluir débito tributário confessado. 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornou-se disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do PAF, a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Note-se que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. (Grifo nosso) A essência do referido Parecer Cosit nº 2, de 2015 está em consonância com o entendimento deste colegiado, exceto em relação à baixa do feito em diligência. Nesse ponto, o posicionamento é no sentido de que a Unidade Local profira novo Despacho Decisório, à luz dos elementos probatórios juntados aos autos, retomando-se novo rito processual. Conforme salientado acima, no caso de equívoco no preenchimento de declaração, uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis para comprovar o direito alegado - DCTF Retificadora, documentação/contábil fiscal - o equívoco no preenchimento da declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. Portanto, o direito creditório deve ser novamente analisádo à luz de tais elementos. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário Fl. 367DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.262 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10320.900562/2017-42 e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente da DCTF Retificadora, transmitida em 18.07.2017; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido pelo colegiado no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente da DCTF Retificadora, transmitida em 18.07.2017; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 368DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.902117/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/05/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
Em virtude da falta de interesse recursal, não se conhece de Recurso Voluntário quando o resultado do julgamento contestado se mostra inteiramente favorável ao Recorrente.
Numero da decisão: 1302-004.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11070.902113/2009-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Em virtude da falta de interesse recursal, não se conhece de Recurso Voluntário quando o resultado do julgamento contestado se mostra inteiramente favorável ao Recorrente.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Em virtude da falta de interesse recursal, não se conhece de Recurso Voluntário quando o resultado do julgamento contestado se mostra inteiramente favorável ao Recorrente. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11070.902113/2009-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 21 17 /2 00 9- 69 Fl. 162DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.090 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.902117/2009-69 Relatório Julgamento submetido a sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018, dessa forma, adoto excertos do relatório do Acórdão nº 1302-004085, paradigma deste julgamento. O presente processo administrativo fiscal teve origem com a apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte Unimed Missões/RS - Cooperativa de Assistência a Saúde Ltda., em face de despacho decisório de fls. que não reconheceu o direito creditório invocado em pedido de compensação, que tinha como objetivo quitar débitos próprios do ora Recorrente. Como se observa do despacho de fls., o fundamento para não se reconhecer o direito creditório foi a constatação no sentido de que o “crédito informado no PER/DCOMP por tratar-se de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Como se observa do acórdão proferido pela DRJ de Belo Horizonte (MG) de fls., nas alegações lançadas em sede de Manifestação de Inconformidade, o Recorrente aduziu, em síntese, que teria direito a fazer a compensação pleiteada, em especial, “porque o contribuinte utiliza de apuração mensal, com balancetes de suspensão, o que significa dizer, com dados de contabilidade fechada, podendo ser verificada a existência, ou não, do fato gerador do tributo em questão”. Naquela Manifestação foram apresentados outros pedidos, notadamente a redução da multa “na forma do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996” e o reconhecimento do direito de apresentar outra defesa, caso o “motivo do indeferimento do pedido de compensação for outro.” Em análise aos argumentos apresentados pelo contribuinte, a DRJ de Belo Horizonte (MG), afastando a motivação constante do despacho decisório, reconheceu como pagamento indevido ou a maior e, por consequência, homologou “as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido, subtraído das parcelas desse mesmo crédito utilizadas em compensações anteriores, observadas as normas legais estabelecidas”. O acordão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 31/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios. Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido Fl. 163DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.090 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.902117/2009-69 Contudo, como se observa do “despacho de encaminhamento” de folha, ao se proceder a liquidação do julgado, “verificou-se que o crédito foi insuficiente pra quitar a totalidade dos débitos presentes na DCOMP vinculada, conforme demonstrado no Despacho de Encaminhamento de folhas.” Tendo em vista a cobrança dos valores (diferença entre os créditos reconhecidos e os débitos, ambos indicados no pedido de compensação), o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade Em especial, alega, o Recorrente, que a compensação realizada foi de acordo com os ditames legais vigentes à época da transmissão e que a multa deveria ser reduzida, caso a redação atual do artigo 44, da Lei nº 9.430/96 lhe fosse mais benéfica quando do julgamento do Recurso. Não houve especificação, no Recurso Voluntário, de qual penalidade se estaria atacando e qual seria o benefício do contribuinte. Este é o relatório. Fl. 164DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.090 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.902117/2009-69 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 1302-004085, 17 de outubro de 2019, paradigma desta decisão: DA FALTA DE INTERESSE RECURSAL DO RECORRENTE. Sem maiores delongas, o que se denota do presente processo é que falta, ao Recorrente, interesse recursal, o que impõe o não conhecimento do apelo apresentado. É que, como se observa do pedido de compensação apresentado (fls. 03 e seguintes dos autos), o Recorrente indicou o valor originário de R$19.239,97 como sendo o seu direito creditório. Em que pese, em um primeiro momento, o despacho decisório não ter reconhecido o crédito invocado no PERDcomp transmitido pelo contribuinte, a DRJ de Belo Horizonte reconheceu o pagamento indevido ou a maior exatamente no valor solicitado, qual seja R$19.239,97 e, por consequência, homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. Contudo, ao se promover a liquidação do julgado, constatou-se que o crédito indicado no pedido de compensação seria insuficiente para liquidar os débitos pretendidos pelo Recorrente. Naquela liquidação, como não poderia deixar de ser, não se questionou ou limitou o direito creditório. Reconheceu-se o exato valor de R$19.239,97 (originário). Entretanto, verificou-se a impossibilidade de liquidação da totalidade dos débitos, que foram indicados pelo próprio contribuinte no pedido de compensação apresentado. Em seu Recurso Voluntário, em nenhum momento o Recorrente ataca, de alguma forma, aquela cobrança. Se limita, como mencionado, a repisar os argumentos lançados em sede de Manifestação de Inconformidade, que, inclusive, no mérito, foram acatados na integralidade pela DRJ. Por outro lado, apesar de requerer a redução da penalidade, o Recorrente não indica em seu apelo qual seria o erro cometido e qual a penalidade foi aplicada fora dos contornos da legislação. Assim, tendo o acórdão da DRJ julgado totalmente procedente o pleito do Recorrente, reconhecendo-lhe a integralidade do direito creditório invocado no pedido de compensação, entende-se que o Recorrente não Fl. 165DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.090 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.902117/2009-69 tem interesse recursal no Recurso Voluntário apresentado, o que impõe o não conhecimento deste. Há de se ressaltar que esta turma de julgamento já se pronunciou neste norte em outras oportunidades, como se pode verificar nos seguintes julgados: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Voluntário quando o resultado do julgamento contestado se mostra favorável à Recorrente, em virtude da falta de interesse recursal. (Acórdão nº 1302-003.466 – Sessão de 21/03/2019) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2001 PROCESSUAL ADMISSIBILIDADE FALTA DE INTERESSE RECURSAL Limitado o pleito à reunião de processos conexos e sobrestamento do processo em análise, julgado o feito principal, sem possibilidade de reversão da decisão lá proferida, falece interesse recursal ao contribuinte, impondo-se o não conhecimento de seu recurso. Acórdão nº 1302-003.238– Sessão de 20/11/2018) Por tudo aqui exposto, VOTA-SE POR NÃO CONHECER do Recurso Voluntário ora analisado. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.720059/2005-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento PER/DCOMP pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 3003-000.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento PER/DCOMP pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão de manifestação de inconformidade prolatado pela 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto. A matéria em debate cinge- se por inconformismo da não homologação de declaração de compensação, na qual a Recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 00 59 /2 00 5- 18 Fl. 208DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.718 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13830.720059/2005-18 alega ser detentora de crédito de Cofins no PA dezembro/2000 na monta de R$ 15.821,12 e pretendia compensação com débito de IRPJ. A transmissão da DCOMP teve por fundamento suposto pagamento indevido ou a maior no PA indicado. O Despacho Decisório não apurou existência de crédito no período informado e não homologou o pleito da Recorrente. Em sede de manifestação de inconformidade, a Recorrente alega que a origem do seu crédito advém da não incidência da Cofins sobre atos cooperados. Por bem retratar os fatos, transcrevo relatório e ementa do acórdão recorrido: Trata o presente processo de Dec1aração(ões) de Compensação de crédito da COFINS de dezembro de 2000 com débito(s) informado(s) no(s) respectivo(s) documento(s). A DRF de Marília(SP), por meio do despacho decisório de fls. 112/ 1 16, não reconheceu o direito creditório e não homologou a(s) compensação(ões). A negativa de reconhecimento baseou-se no relatório e demonstrativo, anexados por cópia às fls. 81/88, produzido pela fiscalização no processo n° 13826000388/2005-08, no qual a interessada pleiteou restituição de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período de agosto de 2000 a abril de 2004. De acordo com tal relatório e demonstrativo, não foi apurado o indébito pleiteado. Ainda conforme os referidos relatório e demonstrativo, a fiscalização calculou o indébito considerando a base de cálculo da Cofins tal qual previsto na Lei n° 9.718, de 1998 e Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, desconsiderando o pleito da interessada de afastamento da ampliação da base de cálculo e não incidência da contribuição sobre a diferença entre suas receitas e os repasses a seus associados. Cientificada do despacho e inconformada com a não homologação, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 137/153, alegando que “a fiscalização não poderia glosar o crédito da COFINS do período de dezembro de 2000”, utilizado na(s) presente(s) compensação(ões), por ele se encontrar “em discussão na esfera administrativa onde aguarda seu julgamento”, em referência ao processo de restituição já mencionado. ' A seguir, reproduziu trecho que seria de sua impugnação no processo acima, na qual sustenta a “ilegalidade da exigência do PIS e Cofins sobre os atos cooperativos e demais receitas operacionais”. Segundo o texto reproduzido, a contribuinte defendeu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pela Lei n° 9.718, de 1998, e a não- incidência das contribuições sobre as receitas decorrentes do ato cooperativo, entendido como a venda de mercadorias e serviços colocados à disposição pelos cooperados. Em relação à incidência das contribuições sobre suas vendas, deduzidas do repasse aos cooperados, demonstrou o entendimento de que se trata de tributação de ato cooperativo, pois as contribuições acabam incidindo sobre a margem de venda do produto do cooperado, exigência esta afastada pelo art. 79 da Lei n° 5.764/71 e confirmada em reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça-STJ. Ao final, requereu a apensação do presente processo ao de n° 13826.000388/2005-O8, “dado que o crédito pleiteado consta do referido Fl. 209DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.718 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13830.720059/2005-18 processo e aguarda julgamento” da Delegacia. Pediu também a “suspensão da exigibilidade do crédito tributário a teor do disposto no inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional” e o reconhecimento da procedência de sua manifestação, “cujo fim é expedir o ato homologatório”. Em Recurso Voluntário alegou, em suma, as mesmas matérias apostas na manifestação de inconformidade para ao fim pugnar pela total procedência dos pedidos. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 1 Da Preliminar Arguida Sobre a alegação de obrigatoriedade dos tribunais administrativos pronunciarem- se sobre inconstitucionalidade de lei, não assiste razão a Recorrente. Encontra-se sumulado no enunciado 2 deste Conselho o verbete que transcrevo: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo o que aduz a jurisprudência consolidada deste Conselho, furto-me a apreciar as arguições de inconstitucionalidade de lei tributária pela falta de competência deste Colegiado, razão pela qual rejeito a preliminar arguida. 2 Dos Limites da Matéria em Julgamento Ao avaliar o centro meritório da insurgência recursal, é inarredável a constatação que os argumentos articulados na manifestação de inconformidade tanto no recurso voluntário não guardam relação com a dcomp de n. 2221426397.301203.1.3.04-9005 transmitida em 30/12/2013 de fl. 6: Fl. 210DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.718 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13830.720059/2005-18 A matéria devolvida a este Tribunal Administrativo está adstrita ao litígio, à pretensão resistida, que no caso em tela está estampada na relação Dcomp vs Despacho Decisório de fls. 83/86: Pelo que se expõe, este Conselho somente poderá manifestar-se sobre à lide instaurada, que se faz pelas razões abaixo. 3 Sobre a Compensação Administrativa A compensação - uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional - pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A demonstração da certeza e liquidez do crédito tributário que se almeja compensar é condição sine qua non para que a Autoridade Fiscal possa apurar a existência do crédito, sua extensão e, por óbvio, a certeza e liquidez que o torna exigível. Ausentes os elementos probatórios que evidenciem o direito pleiteado pela Recorrente, não há outro caminho que não seja seu não reconhecimento. Trata-se de regra replicada no inciso VII, §3º do art. 74 da Lei 9.430/1996: Fl. 211DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.718 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13830.720059/2005-18 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 3 o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1 o : VII - o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; - Grifado. De clareza cristalina a regra para compensação de créditos tributários por apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP): demonstração da certeza e liquidez. A regra é harmônica com a disposição do CTN sobre o instituto da compensação, conforme asserta o artigo 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação. A Recorrente transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Pela análise dos documentos juntados, a DRJ não identificou qualquer direito creditório, razão que motivou a interposição do presente Apelo. 4 Do Ônus da Prova Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito ou, em situações extremas, demonstrar indícios convergentes que levem ao entendimento de que as alegações são verossímeis. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, a qual me curvo para adotá-la neste voto: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na Fl. 212DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.718 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13830.720059/2005-18 produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. A regra maior que rege a distribuição do ônus da prova encontra amparo no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. O dispositivo transcrito é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, vez que a obrigação de provar está expressamente atribuída à Autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. As provas devem ser compreendidas como um meio apto a formar convencimento daquele que avalia determinada situação fática. No caso em testilha, o que deve ser compreendido e elevado ao patamar de prova são quaisquer elementos, aptos a dissuadir o julgador a tomar como verdadeira as alegações enunciadas nos autos. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. O convencimento do julgador forma-se pela aferição dos elementos da ocorrência do fato, que assumem status de certeza. Mas não basta ter certeza, inafastável o efeito psicológico da prova, que promove o convencimento do julgador no intuito de prolatar decisão que representa a verdade. Regressando aos autos, não existem elementos, provas ou indícios que provoquem o mínimo de dúvida sobre o acerto da Fiscalização por não homologar o crédito pleiteado. Fl. 213DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.718 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13830.720059/2005-18 Tenho por entendimento que, se o contribuinte consegue apurar em sua contabilidade recolhimento a maior, certamente poderá demonstrar documentalmente o suposto erro no preenchimento da DCTF e, por via de consequência, convencer os julgadores que, de fato, o recolhimento indevido existiu. Contudo, mesmo com as oportunidades dadas à Recorrente no contencioso administrativo, não trouxe aos autos a certeza e liquidez exigidas tanto pelo CTN quanto pela Lei 9.430/1996. Compulsando os autos, observa-se que a recorrente não apresentou, em nenhum momento processual, escrituração contábil-fiscal suficiente para comprovar o suposto equívoco na apuração do débito de Cofins, período de apuração de dezembro de 2000. Para afastar tal apuração, necessário se faz a prova de erro mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, não sendo suficiente a mera transmissão de Dcomp para garantir direito creditório. Entendo que andou bem a instância primeira e o acórdão recorrido deve ser mantido na sua integralidade por representar o melhor Direito. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeita a preliminar arguida e, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001031/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 22/10/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CÓDIGO DE FUNDAMENTO LEGAL 34. MULTA MAIS BENÉFICA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa por se deixar de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos não foi alterada pela Lei n° 11.941, de 2009, não havendo como se cogitar, por conseguinte, de penalidade mais benéfica.
Numero da decisão: 2401-007.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/10/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CÓDIGO DE FUNDAMENTO LEGAL 34. MULTA MAIS BENÉFICA. IMPOSSIBILIDADE. A multa por se deixar de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos não foi alterada pela Lei n° 11.941, de 2009, não havendo como se cogitar, por conseguinte, de penalidade mais benéfica.
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CÓDIGO DE FUNDAMENTO LEGAL 34. MULTA MAIS BENÉFICA. IMPOSSIBILIDADE. A multa por se deixar de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos não foi alterada pela Lei n° 11.941, de 2009, não havendo como se cogitar, por conseguinte, de penalidade mais benéfica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 30/31) interposto em face de decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (e-fls. 24/27) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente impugnação (e-fls. 4135/4136 do processo n° AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 10 31 /2 00 8- 71 Fl. 56DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.107 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001031/2008-71 14041.001025/2008-14) contra o Auto de Infração AIOA n o : 37.202.171-9 (e-fls. 02/21) lavrado por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (CFL – Código de Fundamento Legal 34). Do voto do Relator do Acórdão proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (e-fls. 24/27), extrai-se: (a) Infração. A fiscalização demonstrou o descumprimento da obrigação acessória, estando correta a multa aplicada. (b) Sobrestamento. Em sua impugnação, a defendente requer que seja sobrestado o julgamento do presente Auto até o julgamento da obrigação principal dela decorrente. No entanto, tais contribuições foram lançadas no AIOP DEBCAD n° 37.202.165-4, que já foi submetido a julgamento por esta 5ª Turma/DRJ/BSA, cuja conclusão foi pela procedência total do lançamento, conforme Acórdão n° 31.951, de 07/07/09, em virtude de que as rubricas citadas não foram contempladas nas hipóteses excludentes de tributação, nos termos do § 9°, do art. 28, da lei n° 8.212/91, e a empresa autuada não anexou aos autos qualquer documento que pudesse comprovar suas alegações de que agiu corretamente ao desconsiderar a incidência tributária. Intimada do Acórdão de Impugnação em 12/09/2009 (e-fls. 28/29), a autuada interpôs em 07/10/2009 (e-fls. 30) recurso voluntário (e-fls. 30/31), em síntese, alegando: (a) Admissibilidade. Diante da intimação em 08/09/2009, o recurso é tempestivo. Além disso, observaram-se os pressupostos formais. (b) Suspensão da exigibilidade e sobrestamento. Como bem destaca o Relatório Fiscal, o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória decorre de Obrigação Principal e só pode subsistir se os Autos de Infração de Obrigação Principal forem confirmados e apenas após o trânsito em julgado. Além disso, a gradação da multa depende da base de cálculo a ser fixada no julgamento dos principais. Por não existir a possibilidade de aplicação da multa sem a confirmação da obrigação principal, impugna-se pela suspensão da exigibilidade e pelo sobrestamento do julgamento até o julgamento dos AIs n° 37.202.165-4, n°37.202.166-2 e n° 37.202.167-0. (c) Multa e penalidade mais benéfica. A multa deve ser revista e graduada na proporcionalidade da obrigação principal. Além disso, deve ser aplicada a penalidade mais benéfica ao contribuinte com base na Lei n° 11.941, de 2009. Em 14/03/2011 (e-fls. 34), a recorrente protocolou petição informado que a multa aplicada pelo Ministério do Trabalho em relação a 404 estagiários foi declarada nula pela 5ª Vara do Trabalho de Brasília (e-fls. 34/45) pelo reconhecimento da presença de todos os requisitos formais de estágio e agregando a alegação de falta de legitimidade do fisco para desclassificar a relação de estágio, sendo a Justiça do Trabalho a única legitimada para tanto. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.107 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001031/2008-71 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Diante da intimação em 12/09/2009 (e-fls. 28/29), o recurso interposto em 07/10/2009 (e-fls. 30) é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Suspensão da exigibilidade e sobrestamento. De plano, registre-se que o processo administrativo fiscal não contempla hipótese de sobrestamento para a situação em tela, bem como que a fiscalização tem competência para constatar a existência de vínculo empregatício a fim de apurar as contribuições devidas à Seguridade Social e para Terceiros, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho (CTN, arts. 142 e 149, VII; Lei n° 8.212, de 1991, art. 33; Decreto n° 3.048, de 1999, art. 229, § 2°; CLT, art. 9°; e Acórdãos n° 2401-006.890 e n° 2401-005.952). A recorrente sustenta que o Auto de Infração CFL 34 deve refletir o decidido no julgamento dos Autos de Infração de Obrigação Principal a ele correspondentes. Os lançamentos veiculados nos AIs n° 37.202.165-4, n°37.202.166-2 e n° 37.202.167-0 não foram totalmente impugnados nos respectivos processos, não tendo sido apresentados no presente processo provas a demonstrar não serem devidos os valores lançados de ofício. De qualquer forma, registre-se que os recursos voluntário veiculados nos AIs n° 37.202.165-4, n° 37.202.166-2 e n° 37.202.167-0 foram na presente sessão de julgamento apreciados e em todos as preliminares restaram rejeitadas e, no mérito, o provimento foi parcial para reconhecer decadência de parte do lançamento com lastro no art. 150, §4°, do CTN, sendo que em relação ao presente processo por descumprimento de obrigação acessória se aplica o art. 173, I, do CTN (Súmula CARF n° 148). Logo, não há que se falar em insubsistência da infração penalizada no presente Auto de Infração CFL 34. Multa. A multa pela infração ao previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 1999, está insculpida na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 1999, art. 283, II, "a" e art. 373. Em face dessa disciplina legal, a multa em questão não sofre qualquer graduação proporcional aos montantes lançados de obrigação principal. Assim, não prospera o pedido de cálculo proporcional da multa. Por fim, destaque-se que não há que se falar em aplicação de penalidade mais benéfica, eis que a multa em tela não foi alterada pela Lei n° 11.941, de 2009. Fl. 58DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.107 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001031/2008-71 Isso posto, voto por CONHECER do recurso voluntário e NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000975/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
No caso das contribuições, deve prevalecer o prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional, ou seja, o prazo para lançamento de ofício das contribuições é de 5 anos.
PIS. DESCRIÇÃO FÁTICA E IDÊNTICA. MATÉRIA TRIBUTÁVEL.
Aplica-se ao lançamento à título de contribuição para o PIS/Pasep, o disposto em relação à COFINS, vez que decorrente da mesma descrição fática e idêntica matéria tributável.
Numero da decisão: 3302-007.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Denise Madalena Green - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro.
Nome do relator: DENISE MADALENA GREEN
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. No caso das contribuições, deve prevalecer o prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional, ou seja, o prazo para lançamento de ofício das contribuições é de 5 anos. PIS. DESCRIÇÃO FÁTICA E IDÊNTICA. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplica-se ao lançamento à título de contribuição para o PIS/Pasep, o disposto em relação à COFINS, vez que decorrente da mesma descrição fática e idêntica matéria tributável.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro.
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OCORRÊNCIA. No caso das contribuições, deve prevalecer o prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional, ou seja, o prazo para lançamento de ofício das contribuições é de 5 anos. PIS. DESCRIÇÃO FÁTICA E IDÊNTICA. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplica-se ao lançamento à título de contribuição para o PIS/Pasep, o disposto em relação à COFINS, vez que decorrente da mesma descrição fática e idêntica matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro. Relatório Trata-se de Recurso de Ofício da decisão proferida pela 9ª Turma da DRJ de São Paulo, conforme acórdão nº 16-19.128 de fls. 139/153. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 75 /2 00 8- 21 Fl. 171DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.649 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000975/2008-21 Versa o presente sobre Autos de Infração (fls. 51/53 e 59/61), lavrados contra o sujeito passivo, cientificados em 14.03.2008 (fls. 67), relativos ao lançamento da multa isolada decorrente de autuação anterior de COFINS e PIS sem as devidas multas de oficio, relativo aos períodos de apuração fevereiro a dezembro de 1999, constituindo crédito tributário no valor total de, respectivamente, R$ 3.546.454,99 e R$ 768.398,58, com enquadramento legal exposto às fls. 53 e 61 (lançamento da multa de oficio indevidamente exonerada quando da constituição do crédito tributário). Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 39/45): (a) em 26.06.2002, foi lavrado contra a empresa em epígrafe o auto de infração, processo n° 10880.006600/2002-47 e 10880.0066601/2002-91, para cobrança, respectivamente, da COFINS e do PIS abrangendo os períodos de 01.96 a 01.99; (b) o auto de infração foi objeto de impugnação, tendo a DRJ/SPO julgado favoravelmente a Fazenda em primeira instância através do Acórdão n° 1935 de 06.11.2002; (c) quando do julgamento do Auto de Infração foi constatado que o crédito tributário lançado foi constituído, indevidamente, com exoneração da multa de oficio e com suspensão de exigibilidade do mesmo; (d) Após a decisão, a DRJ/SPO, através de representação, solicitou reexame do lançamento no que diz respeito a suspensão da exigibilidade do crédito, bem como propôs o lançamento para cobrança da multa de oficio isoladamente; (e) em 06.09.2004 foram lavrados os autos de infração da Multa Isolada: COFINS — processo n° 19515.003.591/2003-56 e PIS — processo n° 19515.003.592/2003-09, referentes aos períodos de janeiro de 1996 a janeiro de 1999; (f) em 30.08.2006 a 6ª Turma da DRJ/SPO1 formulou nova representação propondo o lançamento da multa isolada para os períodos de fevereiro a dezembro de 1999, tendo em vista entender que a contribuição para a COFINS e referidos períodos de apuração não estariam com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, e que, portanto, não existiria óbice para o lançamento da multa de oficio; (g) acatando os argumentos expostos pela DRJ, a multa isolada referente aos períodos de 02.99 a 12.99 foi objeto de lançamento, conforme demonstrativos de fls. 43. O colegiado a quo julgou-a improcedente o lançamento efetuado, restando assim redigida sua a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999 COFINS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei no 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999 PIS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CIN. Lançamento Improcedente O voto condutor da decisão recorrida, reconheceu a decadência do crédito tributário relativo ao PIS e a COFINS, correspondente aos fatos geradores ocorridos em 1999, visto que a ciência do lançamento se deu em 14/03/2008. Oportuna a transcrição: Fl. 172DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.649 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000975/2008-21 8. A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto no art.15 do De reto no 70.235/1972. Sendo assim, dela tomo conhecimento. Dos Limites do Litígio 9. Convém inicialmente esclarecer que o presente auto de infração versa unicamente sobre a multa de oficio lançada isoladamente. Tal multa isolada é decorrente de autuações anteriores de COFINS e PIS, processo n° 10880.006600/2002-47 e 10880.0066601/2002-91, nas quais foram constatadas que os créditos tributários lançados foram constituídos, equivocadamente, sem as devidas multas de oficio e com suspensão de exigibilidade. 10. Os créditos tributários principais de COFINS e PIS foram constituídos, em 26.06.2002, através dos autos de infração, processo n° 10880.006600/2002-47 e 10880.006601/2002-91, que foram impugnados pelo contribuinte, tendo a 6a Turma da DRJ/SPO1 proferido os Acórdãos n° 1.787/2002 e 1.935/2002 julgando totalmente procedentes os lançamentos. 11. 0 crédito tributário principal de COFINS e PIS não é objeto do presente auto de infração e, portanto, não faz parte do presente litígio, que se refere exclusivamente multa de oficio lançada isoladamente. 12. Assim, são matérias estranhas ao presente litígio as discussões suscitadas pela impugnante relativas a imunidade tributária (art. 155 §3° da CF), a inconstitucionalidade das alterações introduzidas nas Leis Complementares instituidoras do PIS e da COFINS pela Lei 9.718/98, e a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e da alíquota da COFINS pela Lei 9.718/98, pois tais assuntos dizem respeito unicamente ao crédito tributário principal de COFINS. Da Decadência 13. 0 prazo decadencial para constituição das contribuições destinadas a financiar a seguridade social foi disciplinada pelo artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social. 14. Porém, em recente decisão, o Supremo Tribunal Federal, analisando o referido artigo 45 no exercício do controle difuso da constitucionalidade das normas, concluiu que tal dispositivo violava o artigo 146, III, "h" da Constituição. Em consequência, foi publicada, em 20/06/08, a Súmula Vinculante n° 8, nos seguintes termos: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." 15. Sobre os efeitos da súmula vinculante, vejamos o que dispõe o artigo 103-A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004, e o disposto no art. 2° da Lei 11.417/2006: Constituição Federal "Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004) (Vide Lei n° 11.417, de 2006)." Lei 11.417/2006 "Art. 2' 0 Supremo Tribunal Federal procederá de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei." Fl. 173DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.649 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000975/2008-21 16. Como o efeito vinculante surge para a Administração a partir da data de publicação, conclui-se que até a Súmula n° 8 ser revisada ou cancelada na forma legal, não se pode aplicar o prazo decenal do art. 45 (decadência) da Lei n° 8.212/91 à constituição e exigência de crédito tributário, incluídos os casos pendentes de julgamento administrativo. 17. Nesse sentido, é interessante transcrever a parte final do voto do relator, Ministro Gilmar Mendes: "Ante o exposto, voto pelo desprovimento do recurso extraordinário, declarando a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 5° do DL n° 1.569/1977 e dos arts. 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, com modulação para atribuir eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa." 18. Sendo assim, cabe a aplicação da regra de decadência prevista nos artigos 150, § 4° e 173 do Código Tributário Nacional - CTN, abaixo transcritos: Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por- vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. 19. 0 Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, traz as orientações quanto a aplicação dos dispositivos acima transcritos: "a) A Súmula Vinculante n° 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar - - efetivamente - - o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de oficio, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplica-se o prazo decadencial dos arts. 150, § 4º, ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, conta-se da constituição definitiva do crédito tributário; d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não Fl. 174DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.649 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000975/2008-21 declaração, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplica-se a regra do § 4° do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve-se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN;" 20. Assim, considerando que o auto de infração abrange os fatos geradores ocorridos entre fevereiro a dezembro de 1999 e que a ciência dos lançamentos se deu em 14.03.2008 (fls. 33), constata-se a ocorrência da decadência do direito da Fazenda constituir a multa de oficio isolada, relativo à COF1NS e PIS, dos períodos de apuração lançados. Conclusão. 21. Em virtude da improcedência dos lançamentos ora em análise, torna-se desnecessária a apreciação das demais alegações da impugnante. 22. Diante do exposto, VOTO por julgar IMPROCEDENTES OS LANÇAMENTOS. É o relatório. Voto Conselheiro Denise Madalena Green , Relator. Tomo conhecimento do presente Recurso de Ofício, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Conforme o voto condutor da decisão recorrida transcrita acima que é impecável, não merece qualquer reparo e, portanto deve ser mantida pelos seus próprios argumentos. No caso em exame, tem-se que a exigência relativa aos períodos de fevereiro a dezembro de 1999 já estava, à época do lançamento, abatida pela decadência, independente da existência ou não de recolhimentos já que, mesmo se aplicando o prazo mais elástico previsto no art. 173, I, do CTN, este já ter-se-ia expirado quando da ciência do auto de infração (fls. 51/64), datada de 14 março de 2008 (fl. 67). Assim, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, para manter a decisão recorrida. É como voto. (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green Fl. 175DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.649 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000975/2008-21 Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.720726/2017-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. DOCUMENTOS DEFICIENTES.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.
APROPRIAÇÃO DE VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP.
Os recolhimentos em GPS a maior, anteriores ao início do procedimento fiscal e não declarados em GFIP não podem ser apropriados na ação fiscal, haja vista as regras estabelecidas pela IN 971/2009.
Numero da decisão: 2301-006.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado), Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado), Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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AFERIÇÃO INDIRETA. DOCUMENTOS DEFICIENTES. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. APROPRIAÇÃO DE VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Os recolhimentos em GPS a maior, anteriores ao início do procedimento fiscal e não declarados em GFIP não podem ser apropriados na ação fiscal, haja vista as regras estabelecidas pela IN 971/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado), Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 07 26 /2 01 7- 75 Fl. 6967DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de contribuições previdenciárias patronais e segurados (autos de infração e-fls. 2 a 18), referentes ao ano-calendário 2013. Por bem descreverem os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância, o qual transcrevo a seguir: Tem-se em pauta processo administrativo fiscal constituído de dois autos de infração (AI), relativos às competências de 01/2013 a 13/2013, para a exigência dos seguintes tributos: - contribuição previdenciária da empresa (fls. 2/9), totalizando R$ 38.094.828,81, na data de lavratura; - contribuição previdenciária dos segurados (fls. 10/18), totalizando R$ 13.342.613,37 na data de lavratura. A auditoria fiscal relata (fls. 19/22) que, após diversas intimações, a Secretaria apresentou 6 arquivos digitais relacionados aos dados contábeis e de folha de pagamento. No entanto, referidos arquivos apresentavam inúmeros erros, conforme já constava no próprio recibo de entrega (fls. 33/45). Em decorrência, os dados não permitiram a apuração real do montante das contribuições sociais devidas pelo empregador no tocante aos pagamentos realizados aos segurados empregados, razão pela qual se utilizou do procedimento de aferição indireta para apuração dos salários de contribuição mensais dos segurados empregados. Para realizar a aferição, utilizaram-se dados de pagamentos de remunerações da Secretaria de Saúde, do ano de 2013, encaminhados pela Prefeitura de Natal à Receita Federal do Brasil, via memorando n° 11/2016 (fls. 23/24) da Secretaria Municipal de Administração, em resposta a questionamento realizado pela Receita Federal do Brasil em diligência fiscal. Referidos valores e a remuneração aferida indiretamente estão demonstrados na tabela constante do item 3.2 do relatório fiscal (fl. 21): As remunerações pagas não relacionadas ao regime próprio de previdência do município - NATALPREV (coluna C) foram comparadas com as remunerações de empregados declaradas pelo contribuinte em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social- GFIP. Foram verificadas diferenças correspondentes a valores não declarados em GFIP, as quais foram consideradas como base de cálculo da Previdência Social para o ano de 2013 para fins de aferição. Fl. 6968DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 A base cálculo mensal da Previdência Social foi obtida mediante divisão do valor da base de cálculo anual da Previdência Social no ano de 2013 por 13. A Fiscalização instruiu o feito com os seguintes documentos: memorando n° 11/2016 da Secretaria Municipal de Administração de Natal (fls. 23/24); remunerações de empregados declaradas em GFIP (fls. 25); respostas do contribuinte às intimações (fls. 26/32); recibos de entrega de arquivos digitais (fls. 33/45); relação de secretários municipais (fls. 46/48); diário oficial do município (fls. 49/61); termos de intimação fiscal (fls. 62/76). O sujeito passivo foi intimado do lançamento em 22/06/2017 (fl. 76) e, em 21/07/2017, apresentou impugnação (fls. 82/112) expedindo as seguintes razões de defesa: 1. erro no critério de apuração da base de cálculo: 1.1. o documento (fl. 24) utilizado pelo auditor para apurar o montante do valor pago nos dois regimes foi claro em seu título ao destacar que os valores ali descritos eram referentes ao NatalPrev; 1.2. além disso, o Impugnante apurou valores diferentes, de acordo com o doc. 01: valor total remunerações R$ 184.003.218,08; remuneração NatalPrev R$ 177.607.192,57 e R$ 6.396.025,51 remuneração do RGPS; 1.3. não há qualquer indicação do número de funcionários omitidos das GFIP; 1.4. não poderia o Auditor-Fiscal considerar que o montante restante corresponderia ao valor do RGPS. Calcular a BC de um tributo por simples exclusão de valores pagos ao RPPS é uma afronta à legislação de regência, que afirma que a BC da contribuição previdenciária é o valor pago ao segurado a qualquer título; 2. nulidade do AI por impossibilidade de arbitramento: 2.1. nulidade material por não observância do critério material do tributo: 2.1.1. o procedimento de aferição indireta é medida excepcional e somente pode ser enquadrado na hipótese prevista pelo auditor quando nenhum dado contábil permitir a verificação das contribuições devidas; 2.1.2. para o uso desse procedimento se torna indispensável que o auditor explique de modo nítido quais os documentos fiscais e contábeis do contribuinte foram considerados imprestáveis, além é claro de carrear nos autos prova de que tais documentos são Fl. 6969DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 inúteis, sob pena de desobediência do art. 373 do Novo Código de Processo Civil, bem como do princípio do contraditório previsto no art. 5° da CF/88; 2.1.3. no presente auto de infração não consta a intimação do contribuinte para se manifestar acerca dos documentos considerados imprestáveis, bem como não houve solicitação de nova documentação. O que realmente ocorreu foi que o Auditor não conseguiu indicar de forma objetiva quais foram os erros materiais do contribuinte; 2.1.4. para melhor ilustrar, explica-se que constam 244 erros materiais, hipótese em que o empregado consta na folha de pagamento e não foi declarado em GFIP ou foi declarado a menor em GFIP; 2.1.5. percebe-se que a quantidade de erros materiais constantes nos documentos fiscais são mínimos, logo, a grande parte dos equívocos cometidos pelo contribuinte tratam-se de erros exclusivamente formais, os quais são caracterizados por mero descumprimento de obrigação acessória; 2.1.6. o auditor fiscal ao apurar a base de cálculo do tributo fez uso dos documentos apresentados pelo contribuinte, bem como em momento anterior afirmou que o contribuinte havia entregue toda a documentação solicitada necessária à fiscalização; 2.2. número correto de funcionários e da base de cálculo oferecida à tributação: 2.2.1. o número de empregados vinculados ao RGPS é de 661 pessoas, dos quais 616 foram declarados em GFIP, conforme doc. 02; 2.2.2. o requerente declarou o montante de R$ 5.395.676,31 em GFIP; 2.2.3. existem 44 empregados que foram lançados em folha de pagamento e não constavam na GFIP de sua respectiva secretaria, entretanto, os mesmos empregados foram declarados na GFIP de secretaria diversa, conforme doc. 03; 2.2.4. não se pode considerar como omissão os empregados que constam na folha de pagamento de uma determinada secretaria e foram declarados em GFIP's de secretaria diversa. Isto porque todas as secretarias estão vinculadas a uma única pessoa jurídica, a qual desmembrou-se para obter uma maior eficiência da prestação de sua atividade. Desconcentração administrativa; 2.2.5. o autor declarou em GFIP o número de 43 empregados, alem daquele valor descrito na tabela 1, o qual perfaz o montante de RS 1.285.202,27; 2.2.6. além disso, durante a análise de toda a documentação contábil enviada à Receita Federal do Brasil, verificou-se que 244 empregados não foram declarados em GFIP ou foram declarados com valor a menor, os quais somados resultam no valor de R$ 375.835,65, ou seja, tais empregados apenas foram registrados em folhas de pagamento ou quando foram declarados, foi com valor a menor, cf. doc.04; 2.2.7. o autor por equívoco, vem declarando em GFIP os servidores públicos detentores de cargos efetivos, ou seja, há servidores vinculados a regime diverso, qual seja RPPS, sendo declarado no RGPS. Tal fato resulta na declaração a maior de tributo feito pelo autor. O autor declarou na GFIP do ano de 2013 o valor de R$ 58.144,49, valor este que representa 06 servidores vinculados ao RPPS, cf. doc. 05; 3. rubricas corretamente oferecidas à tributação: a autoridade administrativa não retirou da base de cálculo as rubricas que não incidem contribuição previdenciária, ou seja, o montante apurado no auto de infração incluiu valores que não servem de base de cálculo para a cobrança de contribuição previdenciária. Explica a não incidência de várias rubricas (alimentação in natura, jeton, 1/3 férias, adicional de insalubridade); 4. erro na tipificação legal da aferição indireta: Fl. 6970DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 4.1. no auto de infração, capitulou-se a aferição indireta pelo artigo 33, parágrafo 3º da Lei 8.212/91: de acordo com a própria fundamentação do auditor fiscal, os documentos prestados pelo autuado não permitem a apuração real do montante das contribuições previdenciárias. Ou seja, esperava-se, segundo a motivação do auditor, que a capitulação legal, caso entendido ser procedente a aferição indireta — o que já foi sustentado que não deve ser -, não deveria ser pelo parágrafo 3º, mais sim pelo parágrafo 6º do mesmo artigo da mesma lei. Indica precedentes CARF e STJ; 4.2. evidencia-se que o presente auto de infração gera um dano devastador ao recorrente, vez que impede sua defesa por duas razões: 1) apresenta fundamentação paradoxal por parte do auditor fiscal, visto que ao mesmo tempo que entende pela imprestabilidade dos documentos, e, conseqüentemente ser impossível apurar o montante real dos tributos, usa-os como dados para realizar o cálculo do arbitramento; 2) há erro na tipificação legal do enquadramento da Prefeitura de Natal na hipóteses de aferição indireta; 5. erro na apuração de RAT e FAP: 5.1. na tabela constante nas fls. 5/6 do auto de infração foi previsto o RAT ajustado de 2,841, sendo que a alíquota do RAT foi estabelecida em 2% e a do FAP em 1,4205; 5.2. entretanto, o autuante não levou em consideração os valores então recolhidos pela contribuinte a título de RAT ajustado; 5.3. é certo que a contribuinte valeu-se de RAT ajustado em percentual inferior, isto porque declarou seu RAT foi de 2% e o FAP foi de 1,0000, contudo, os valores foram pagos, logo deveriam ser reduzidos do montante devido encontrado na tabela colacionada pelo auditor fiscal; 5.4. Portanto do valor de RS 1.989.375,94 não é o real devido pela contribuinte, haja vista que houve o pagamento de valor a título de RAT ajustado no que pese o mesmo tenha sido realizado a menor. Com a impugnação, trouxe cópias dos seguintes documentos: identificação (fls. 114/115; 118; 127). Em 02/08/2017, houve a solicitação de juntada dos seguintes documentos: doc.01 - total do valor pago nos dois regimes - RPPS e RGPS (fls. 131/134); doc. 02 - planilhas do rgps em que houve a declaração correta na mesma secretaria dos empregados constantes na folha de pagamento e na GFIP (fls. 135/218); doc. 03 - planilhas do RGPS em que os empregados constantes na folha de pagamento de uma determinada secretaria figuraram na GFIP da contribuinte (fls. 219/241); doc. 04 - empregados registrados nas folhas de pagamento e não declarados em gfip's ou declarados a menor (fls. 242/322); doc.05 - servidores públicos detentores de cargo efetivo vinculados ao rpps (fls. 323/329); folhas de pagamentos analítica e sintética da secretaria de saúde referente ao ano de 2013 (fls. 333/4636); relatório GFIP da secretaria de saúde referente ao ano de 2013 (fls. 4637/6801). Em 05/02/2018, o feito foi baixado em diligência (fls. 6803/6804) para a Fiscalização confirmar os valores das remunerações apuradas e informar se há recolhimentos (GPS) a serem apropriadas ao lançamento. Em resposta (fls. 6822/6824), a auditoria-fiscal informou que: (a) Quanto às remunerações: após a análise de cada dos documentos juntados logo após a impugnação, a auditoria constatou diversas inconsistências e contradições, concluindo pela falta de confiabilidade dos mesmos; (b) no tocante aos recolhimentos, foram constatadas divergências entre os valores declarados em GFIP e recolhidos em GPS, e o contribuinte foi intimado para apresentar Fl. 6971DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 esclarecimentos ou corrigir as GFIPs. Não tendo havido a retificação das GFIPs nem a apresentação de esclarecimentos, os valores excedentes recolhidos em GPS não serão aproveitados. O contribuinte foi cientificado do encerramento da diligência (fl. 6828) em 19/04/2018, não tendo apresentado qualquer manifestação adicional. Acórdão de Primeira Instância Os membros da 7 a Turma da DRJ-REC, por unanimidade de votos, julgaram a impugnação improcedente, na forma do relatório e voto (e-fls. 6832 a 6845) conforme transcrição de ementa seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 INTIMAÇÃO FISCAL. DOCUMENTOS DEFICIENTES. AFERIÇÃO INDIRETA. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. A apresentação de documentos deficientes dá azo à apuração das bases de cálculo por arbitramento (aferição indireta). GFIP. RECOLHIMENTOS EXCEDENTES. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Constatados recolhimentos superiores às contribuições devidas declaradas em GFIP, o sujeito passivo será intimado para corrigir as declarações ou prestar esclarecimentos acerca da divergência. Nada tendo feito nesse sentido, resulta impossível saber a que se refere o excesso de recolhimento, tornando impossível o seu aproveitamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Cientificado dessa decisão em 28/11/2018 (e-fl.6856), o contribuinte interpôs em 21/12/2018 recurso voluntário (e-fls. 6860 a 6900), no qual alega em síntese: - que o relatório fiscal da diligência (e-fls. 6822 a 6824) equivocou-se ao desconsiderar todos os documentos acostados pelo contribuinte; - que não se pode desconsiderar o documento de fls. 131/134 sem que sejam demonstradas razões relevantes para afastar a informação ali contida e que os valores ali indicados são bem próximos daqueles utilizados para sustentar a lavratura do auto de infração; - que nos documentos anexados à impugnação constam folhas de pagamentos analíticas (fis.686/4.636) com a discriminação dos elementos necessários para apuração da base de cálculo do tributo; - que as folhas de pagamento apresentadas referem-se aos empregados segurados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), portanto, não há o que se dizer a respeito da não identificação de cada segurado em seu respectivo regime; Fl. 6972DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 - que ainda que não fosse possível identificar qual regime previdenciário cada um dos empregados está sujeito, tal fato não poderia acarretar na desconsideração integral da documentação apresentada; - que a medida adotada pelo relatório não guarda razoabilidade, tendo em vista que desconsidera por completo os documentos, sendo que há elementos caracterizadores suficientes para demonstrar que as folhas de pagamentos se referem aos empregados sujeitos ao RGPS; - que se o auditor realizasse o cotejo entre as GFIP's apresentadas (fis.4.637/6.801) que foram obtidas junto à RFB, e as folhas de pagamentos anexadas (fis.333/4.636) alcançaria a base de cálculo do tributo, e, por conseguinte, poderia verificar se o mesmo foi apurado de forma correta; - que a diligência realizada não analisou as GHP's constantes do próprio sistema da RFB e dos autos; -que é inconcebível afirmar que as GFIP's constantes no sistema da RFB, colacionadas aos autos junto com a impugnação, detém informação divergentes das declaradas em GFIP; - que o Relatório Fiscal de Diligência considerou imprestáveis os documentos acostados nos itens 1.3, 1.4, 1.5 e 1.6, que são planilhas que retratam o cotejo entre as folhas de pagamentos (fls.333/4.636) e as GFIP's (fls.4.637/6.801); - que as referidas planilhas demonstram se. há ou não diferenças entre as bases de cálculos declaradas nas GFIP's e nas folhas de pagamentos, devendo ser considerados válidos; - que o fiscal não poderia desconsiderar por completo os pagamentos feitos pelo contribuinte; - que o procedimento de aferição indireta é medida excepcional e somente pode ser enquadrado na hipótese prevista pelo auditor quando nenhum dado contábil permitir a verificação das contribuições devidas; - que é indispensável que o auditor explique e comprove quais os documentos fiscais e contábeis do contribuinte foram considerados imprestáveis; - que a autuação misturou erros puramente formais com erros materiais, - que não há manifestações nos autos sobre a análise de cada um dos erros indicados, bem como se houve ou não a existência de erros determinantes ao ponto de macular a integralidade do documento; - que os erros formais, em regra, não dão azo à aferição indireta, tal característica pertence ao erro caracterizado como material; - que não houve intimação para justificação dos erros que foram considerados pelo auditor como determinantes para que o documento fosse considerável imprestável; Fl. 6973DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 - que o recorrente auditou seus documentos e encontrou 244 inconsistências entre as folhas de pagamentos e as GHP's; - que 244 empregados não foram declarados em GFIP ou foram declarados com valor a menor, conforme fls. 242/322; - que houve erro na fundamentação legal da aferição indireta no auto de infração, o que prejudica a defesa do contribuinte; - que se houve declaração de um segurado em secretaria distinta daquela a qual é efetivamente lotado estamos diante de um descumprimento de obrigação acessória e não da obrigação principal; - que o número total de empregados vinculados ao RGPS são 661 pessoas. e desse total 616 foram declarados na GFIP e na folha de pagamento da secretaria autuada, conforme planilha em anexo (fls. 135/218); - que o restante dos empregados ou estão somente na folha de pagamento do contribuinte ou estão somente em GFIP do impugnante ou constam nas folhas de pagamento de uma determinada secretaria e foram declarados nas GFIP's dessas secretarias; - que existem 44 empregados que foram declarados na GFTP de secretaria diversa, o que configura erro de forma e não omissão, sujeita, portanto ao descumprimento de obrigação acessória; - que todas as secretarias estão vinculadas a uma única pessoa jurídica, a qual desmembrou-se para obter urna maior eficiência da prestação de sua atividade; - que por equívoco vem declarando em GFIP, os servidores públicos detentores de cargos efetivos vinculados RPPS como pertencentes ao RGPS, conforme fls. fls. 323/329; - que não há ressalva no sentido de que os documentos entregues estavam incompletos ou em desacordo com o solicitado nos termos de fiscalização; - que há contradições nas motivações do fiscal em relação a utilização do procedimento de aferição indireta; - que os erros identificados nos documentos são irrelevantes em relação a toda documentação apresentada; - que mera deficiência na apresentação de documentos não gera motivação para a utilização do arbitramento por aferição indireta ferramenta esta que é revestida do caráter de excepcionalidade; - que não houve falta, recusa, sonegação ou deficiência na apresentação de documentos; - que o auditor fiscal deveria ter demonstrado os critérios de apuração da base de cálculo do tributo; Fl. 6974DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 - que não há indicação do número de funcionários omitidos, seus respectivos nomes e suas bases de cálculo individualizadas; - que calcular a base de cálculo de um tributo por exclusão de valores pagos é urna afronta à legislação de regência, que afirma que a base de cálculo da contribuição previdenciária é o valor pago ao segurado a qualquer título; - que havia outros parâmetros que poderiam ser usados para se auferir a base de cálculo, os quais guardam uma maior proximidade da realidade. É o relatório do necessário. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes, Relatora. Conhecimento O recurso é tempestivo, porém não conheço das alegações apresentadas no recurso voluntário protocolado pelo recorrente em 25/01/2019 (e-fls. 6916 a 6965), em razão de preclusão. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no recurso voluntário. Mérito O litígio recai sobre o lançamento de contribuições previdenciárias patronais e dos segurados incidentes sobre a remuneração de empregados apurada por meio de aferição indireta. Aferição Indireta Conforme relatório fiscal, após diversas intimações, a Secretaria apresentou 6 arquivos digitais relacionados aos dados contábeis e de folha de pagamento que continham inúmeros erros, que não permitiram a apuração real do montante das contribuições sociais devidas pelo empregador no tocante aos pagamentos realizados aos segurados empregados, razão pela qual se utilizou do procedimento de aferição indireta para apuração dos salários de contribuição. Para apuração da base de cálculo foram utilizados os dados de pagamentos de remunerações da Secretaria de Saúde, do ano de 2013, encaminhados pela Prefeitura de Natal à Receita Federal do Brasil, via memorando n° 11/2016 (fls. 23/24), em resposta a questionamento realizado pela Receita Federal do Brasil em diligência fiscal. Referidos valores e a remuneração aferida indiretamente estão demonstrados na tabela constante do item 3.2 do relatório fiscal (fl. 21). Fl. 6975DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. As hipóteses que a autorizam estão tratadas no art. 33 da Lei nº 8.212/91 e alterações posteriores: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (Grifei) § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifei) § 4º Omissis § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. § 7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8º Aplicam-se às contribuições sociais mencionadas neste artigo as presunções legais de omissão de receita previstas nos §§ 2º e 3º do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e nos arts. 40, 41 e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (destacou-se) Assim, tem-se que o lançamento por arbitramento é meio indiciário e deve ser aplicado somente nos casos previstos em lei. É um recurso à disposição do Fisco para ser usado somente quando o sujeito passivo inviabiliza o acesso às fontes próprias das informações. O arbitramento é tornado prova ex lege, é uma prova presumida, juris tantum, para suprir a falta da prova certa e própria que foi inviabilizada pelo sujeito passivo. Fl. 6976DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 Se regularmente constituído o crédito tributário indiretamente aferido, cabe ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Todavia cabe ao Fisco o ônus da prova dos fatos que justificam o lançamento, que, no caso concreto, seria o motivo que amparou a adoção do procedimento de aferição indireta, qual seja, a demonstração da impossibilidade de produção de provas diretas e prova indiciária que permitiu presumir que o fato gerador ocorreu. No presente caso, verifica-se que a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar a documentação necessária e suficiente à verificação da ocorrência do fato gerador e apuração da base de cálculo, por meio dos Termos de Intimação Fiscal (e-fls. 62 a 75) e obteve como resposta a apresentação de arquivos digitais de contabilidade e folhas de pagamento que continham milhares de erros. Para demonstrar as falhas na documentação, a auditoria juntou o recibo de entrega de arquivos digitais (e-fl. 33) e respectivos relatórios de validação (e-fls. 34/45). Os relatórios de validação (e-fls. 34/45) e o relatório fiscal item 2.7 e 2.8, demonstram a existência de vícios formais e materiais que retiraram a confiabilidade dos arquivos digitais apresentados. Pelo teor dos relatórios, verificam-se divergências que comprometem a apuração da base de cálculo de contribuição previdenciária, tais como: ausência de rubricas, duplicidade de registros, bases de cálculo da Previdência Social divergente dos somatórios das rubricas classificadas pelo próprio contribuinte como base de cálculo da previdência social; trabalhadores não localizados nos registros de informações de valores de pagamento; ausência de registros de base de cálculo por trabalhador, ausência de registros de remuneração, ausência de rubricas definidas como contribuição descontada de segurado; todos os trabalhadores informados como vínculo "1" mesmo havendo servidores públicos efetivos com descontos ao Regime Próprio de Previdência do Município; dentre outros. Como a auditoria poderia confiar e se utilizar de arquivos com tamanhas divergências? Os milhares de erros identificados retiram a confiabilidade dos arquivos digitais de folhas de pagamento e contabilidade, e torna-os imprestáveis para apuração fiscal. Portanto, diante da ausência de documentação comprobatória confiável, plenamente justificável o procedimento de aferição adotado. Cumpre esclarecer, que durante o procedimento fiscal, foi oportunizado ao recorrente, por meio dos TIF nº 1 (fls. 66/68) e n º 2 (fls. 69/72), a entrega dos mesmos arquivos digitais. Contudo, o recorrente não se desincumbiu do ônus que lhe cabia, nem mesmo na impugnação. Limitou-se a apresentar planilhas e folhas de pagamento, que foram examinadas em diligência fiscal, que novamente concluiu pela falta de confiabilidade de documentos. E não cabe aqui alegar que deveria haver intimação específica para se pronunciar acerca dos erros identificados nos arquivos digitais, já que esta informação era de conhecimento do próprio contribuinte, conforme provam relatórios de validação por ele mesmo produzidos. O recorrente poderia ter tido o esforço de corrigir os erros identificados nos arquivos digitais de folhas de pagamento e contabilidade, e apresenta-los até mesmo durante a impugnação, de modo a facilitar a reanálise pela autoridade fiscal. Contudo quedou-se silente e sequer justificou a impossibilidade de confeccioná-los. Ademais, o próprio recorrente reconhece que auditou seus documentos e encontrou 244 inconsistências entre as folhas de pagamentos e as GFIP's, conforme relatório de Fl. 6977DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 e-fls. 242/322, o que demonstra total desorganização da empresa. Copio a seguir trecho do acórdão recorrido que trata com propriedade sobre o assunto: Em sua defesa, o contribuinte reconhece uma variedade de erros nos seus documentos. Tendo identificado tais falhas, deveria o contribuinte agir para as corrigir, de modo a cumprir com as obrigações que lhes são legalmente impostas. Nessa esteira, em sua impugnação o contribuinte reconhece: - A existência de 244 empregados constantes das folhas de pagamentos e ausentes ou com remuneração a menor nas GFIP; - o valor de R$ 375.835,65 de remunerações não foram informados em GFIP; - o número de empregados vinculados ao regime geral de previdência social (RGPS) é de 661 pessoas, mas somente 616 foram declarados em GFIP; - existem 44 empregados em folha de pagamento que não constam na GFIP de sua respectiva secretaria, entretanto, os mesmos empregados foram declarados na GFIP de secretaria diversa; - o contribuinte vem declarando em GFIP, os servidores públicos detentores de cargos efetivos, ou seja, há servidores vinculados a regime diverso, qual seja RPPS, sendo declarado em GFIP, totalizando, na GFIP do ano de 2013, o valor de R$ 58.144,49. Todas estas condutas caracterizam erros e omissões nas GFIP entregues pelo contribuinte, em clara violação à obrigação legal veiculada no art. 32, inciso IV, da Lei n.º 8.212/1991. Ademais, não prevalece o entendimento de defesa segundo o qual não se poderia considerar omissão os empregados que constam na folha de pagamento de uma determinada secretaria e foram declarados em GFIP's de secretaria diversa. A este respeito, o manual de preenchimento da GFIP/SEFIP, aprovado pela instrução normativa RFB nº 880/2008, determina que devem ser entregues por estabelecimento: 7.3 - GFIP/SEFIP distintas Devem ser geradas GFIP/SEFIP distintas por: a) competência, inclusive competência 13, observada a nota 5; b) código de recolhimento, observadas as notas 2 a 6 do subitem 7.2; c) estabelecimento - identificado por CNPJ/CEI, observado o item 9; (grifou-se) Embora somente o Município de Natal tenha personalidade jurídica, o cumprimento das obrigações tributárias se dá por estabelecimento, identificado pelo seu número no cadastro nacional de pessoas jurídicas (CNPJ). Assim, o Município tem liberdade para se auto organizar e promover a desconcentração administrativa da forma que julgar mais proveitosa para a consecução dos seus objetivos, mas as GFIPs devem ser entregues de acordo com o que determina a legislação tributária, ou seja, GFIPs distintas para cada estabelecimento, contemplando a totalidade dos segurados que ali prestaram serviços, e somente estes. Resulta, portanto, sem sustentação a impugnação quando afirma que o número de funcionários e a base de cálculo foram corretamente oferecidas à tributação. Da constatação dos erros já enunciados, tem-se que os segurados e a base de cálculo foram informados parcialmente em GFIP, contrastando com o afirmado na impugnação. Fl. 6978DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 O feito foi baixado em diligência (fls. 6803/6804) para que a Fiscalização examinasse a documentação acostada na impugnação e novamente constata-se que foram apresentadas informações não confiáveis. 1.1 O montante bruto informado pelo contribuinte e relativo aos pagamentos relacionados ao Regime Geral de Previdência Social (doc 1-fls. 131/134) corresponde a R$ 1.216.797,36(PREVIDÊNCIA INSS) e R$ 5.179.228,15(PREVIDENCIA INSS- Lotação 25000), totalizando R$ 6.396.025,51. Entretanto, somente os valores de base de cálculo da Previdência Social dos segurados empregados declarados pelo contribuinte em GFIP(fl. 25) correspondem a R$ 7.020.194,90, o que evidencia gravíssima omissão de remunerações e falta de confiabilidade do documento apresentado. 1.2 O montante bruto informado pelo contribuinte e relativo aos pagamentos relacionados ao Regime Próprio de Previdência (fls. 131/134) corresponde a R$ 177.607.192,57; e o total de valores descontados dos segurados para o Regime Próprio é de R$ 3.581.166,32(RPPS-FUNCAPRE) e R$ 6.947.773,74(RPPSFUNFIPRE), totalizando R$ 10.528.940,06. Considerando que a alíquota descontada de segurados empregados para o Regime Próprio é de 11%, observa-se incompatibilidade entre os pagamentos ditos como sendo vinculados ao Regime Próprio de Previdência e os valores descontados de seus segurados, haja vista a proporção/percentil de 5,93% (R$ 10.528.940,06/R$ 177.607.192,57), evidenciando que os dados apresentados como relativos a pagamentos ao Regime Próprio não correspondem à realidade dos fatos. Verifica-se do exposto, que a aferição indireta foi medida excepcional, diante da impossibilidade de se aferir a base de cálculo de contribuições previdenciárias por meio da documentação apresentada. Quanto à alegação de suposto erro na fundamentação legal da aferição indireta no auto de infração, também não assiste razão ao recorrente. Peço vênia para colacionar trecho do voto da decisão recorrida que reflete o posicionamento por mim adotado. Embora no relatório fiscal a auditoria apenas destaque o §3º, do art. 33, da Lei nº 8.212/1991, a descrição ampla da fundamentação legal para o arbitramento foi devidamente registrada no corpo do auto de infração (fl. 3): Constando dos autos a base legal para a aferição indireta (art. 33, §§ 1º, 3º e 6º, da Lei nº 8.212/1991), afasta-se, de pronto, a impugnação quando acusa ausência de menção ao §6º, do art. 33, da Lei n.º 8.212/1991. Vejamos os dispositivos: [Lei n.º 5.172/1966, denominado Código Tributário Nacional (CTN)] Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos Fl. 6979DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. [Lei nº 8.212/1991] Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1 o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades § 2o (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4 o (...) § 5º (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Da leitura da legislação de regência, verifica-se ser equivocada a impugnação de que somente poderia haver arbitramento quando nenhum dado contábil permitisse a apuração das contribuições devidas. Os dispositivos transcritos não estabelecem tal restrição. Da norma veiculada no §3º, do art. 33, da Lei nº 8.212/1991, depreende-se que, ocorrendo a apresentação de qualquer documento ou informação deficiente, a RFB pode lançar de ofício a importância devida. O Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, esclarece o que se considera documento deficiente: Art.233. (...) Parágrafo único. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (grifou-se) Na espécie, a Secretaria Municipal de Saúde forneceu à Fiscalização arquivos digitais da contabilidade e folhas de pagamentos com milhares de erros, desatendendo às formalidades legais, pelo que ficou perfeitamente cristalizada a apresentação de documentos deficientes, hipótese prevista no §3º, do art. 33. da Lei nº 8.212/1991, autorizando o arbitramento. Resulta escorreito, portanto, o procedimento fiscal que indicou falhas nos documentos contábeis e folhas de pagamentos apresentados pelo contribuinte, não havendo qualquer mácula na fundamentação legal que pudesse causar dano à defesa do Autuado. Fl. 6980DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 Neste ponto, oportuno transcrever os exatos termos utilizados pela Fiscalização (fl. 21):e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Da leitura, observa-se que a auditoria anotou que os dados dos arquivos digitais não permitem a apuração do real montante das contribuições sociais devidas. Desse modo, desnecessário mencionar o §6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, que dá alicerce ao arbitramento quando a contabilidade não permite a apuração da base de cálculo. Improcedente, portanto, a impugnação nesse ponto. No tocante aos critérios de apuração da base de cálculo do tributo, estes restaram devidamente explicitados no relatório fiscal itens 3 e 4. O tributo foi apurado por meio de documento oficial expedido pela Prefeitura de Natal, Memorando n° 11/2016 da Secretaria Municipal de Administração. A fiscalização utilizou-se de informação contida no próprio memorando para apuração dos servidores vinculados ao RGPS, senão vejamos: Refeitos os cálculos, com base em tabelas, registros e informações obtidas pela Natalprev, apresentadas pelo Diretor da Folha de Pagamento, à época, encontra-se outros valores que devem estes serem considerados. Acrescento que quanto à coluna "Remuneração Total" não corresponde ao valor repassado por esta Prefeitura ao NATALPREV (Regime Próprio de Previdência), os valores repassados por esta Prefeitura ao NATALPREV encontram-se na coluna "Contribuição. O item 3.3 do relatório fiscal está em consonância com a informação contida no memorando e a apuração por dedução mostra-se correta diante da ausência de informações confiáveis. Não havia outros parâmetros confiáveis que poderiam ter sido utilizados para se auferir a base de cálculo, portanto correto o procedimento adotado. 3.3 As remunerações pagas não relacionadas ao Regime Próprio de Previdência do Município- NATALPREV foram comparadas com as remunerações de empregados declaradas pelo contribuinte em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social- GFIP. Foram verificadas diferenças de valores, correspondentes a valores não declarados em GFIP, os quais serão consideradas como base de cálculo da Previdência Social para o ano de 2013 para fins de aferição, conforme abaixo consolidado: Também cumpre ressaltar que a ausência de individualização dos segurados em nada prejudica o lançamento, tendo em vista que o Auto de Infração indica precisamente o fato gerador e o mecanismo utilizado para a apuração das diferenças lançadas, conforme disposto no art. 142 do CTN. A ausência dessa informação decorre do descumprimento pela própria recorrente da obrigação de declarar em GFIP a totalidade da remuneração paga devida ou creditada aos segurados a seu serviço. Logo, não pode beneficiar-se disso para se eximir do pagamento do tributo e atribuir ao fisco uma responsabilidade que é sua. Não cabe à administração pública Fl. 6981DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 providenciar as provas que a contribuinte tem a obrigação de apresentar para ter reconhecido o seu direito. Há uma regra elementar do direito no sentido de que a ninguém é lícito tirar vantagem da própria ilicitude ou, conforme o caso, das próprias irregularidades ou omissões. Se não foi apresentada à Fiscalização documentos ou escrituração contábil, ou se os mesmos não refletirem, total ou parcialmente, as bases de cálculo das contribuições previdenciárias, isso não exime a empresa do pagamento da referidas contribuições se apuradas com base em outros elementos de prova. O objetivo da legislação ao permitir a utilização da técnica de aferição indireta é possibilitar uma aproximação, o máximo possível, da ocorrência dos eventos ensejadores de obrigações previdenciárias, o que foi corretamente efetuado pela fiscalização, como já demonstrado. Recolhimentos em GPS Sustenta o recorrente que o fiscal não poderia desconsiderar por completo os pagamentos efetuados em GPS. No tocante aos recolhimentos, na diligência realizada foi solicitado á fiscalização: II.- Informar se há recolhimentos em nome do sujeito passivo e demonstrar se a totalidade dos recolhimentos foram apropriados aos valores declarados em GFIP antes da Fiscalização; III.- Informar se há sobras de recolhimentos não apropriados aos valores declarados em GFIP antes da Fiscalização, informar se foram abatidos do presente levantamento e informar o motivo. Caso existam recolhimentos superiores aos declarados em GFIP, intimar o sujeito passivo para prestar esclarecimentos ou corrigir a GFIP (art. 32-A, caput, da Lei nº 8.212/1991) e verificar possibilidade de aproveitar os excessos de recolhimentos; Em atendimento ao pedido, a fiscalização informa: 2. Foram verificados nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil recolhimentos em Guias da Previdência Social-GPS, conforme consolidado no anexo II do Termo de Diligência n ° 1 lavrado em 07/03/2018 e encaminhado via postal ao contribuinte. 3. Em consulta ao sistema informatizados da Receita Federal do Brasil, foram verificadas para o ano 2013 divergências entre os valores declarados pelo próprio contribuinte em GFIP e os valores recolhidos em GPS, conforme consolidado no anexo III do Termo de Diligência n ° 1 lavrado em 07/03/2018 e encaminhado via postal ao contribuinte. 4. Em virtude de haver divergências entre os valores declarados pelo próprio contribuinte em GFIP e os valores recolhidos em GPS, foi encaminhado Termo de Diligência n ° 1 intimando o sujeito passivo para prestar esclarecimentos ou corrigir a GFIP nos termos do art. 32-A, caput, da Lei n° 8.212/1991, mas nada foi recebido. 5. Face ao exposto e considerando que não houve a retificação de GFIP ou a apresentação de esclarecimentos no tocante às divergências entre os valores declarados pelo próprio contribuinte em GFIP e os valores recolhidos em GPS, não serão aproveitados os valores relacionados às Guias da Previdência Social-GPS não apropriadas. Cabe ressaltar que referidas divergências podem ter sido ocasionadas, dentre outros motivos, por erro no campo competência da GPS; ou erro no campo CNPJ Fl. 6982DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2301-006.738 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720726/2017-75 da GPS, especialmente para GPS de código 2631;ou erro no campo código de pagamento; ou ausência de fatos geradores em foram constatadas divergências entre os valores declarados em GFIP e recolhidos em GPS, e o contribuinte foi intimado para apresentar esclarecimentos ou corrigir as GFIPs. Não tendo havido a retificação das GFIPs nem a apresentação de esclarecimentos, os valores excedentes recolhidos em GPS não foram aproveitados no lançamento fiscal. Conforme assentou a decisão de piso, na hipótese de recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal em montante superior ao declarado, cabe ao sujeito passivo, devidamente intimado, apresentar GFIPs retificadoras, com a finalidade do saneamento de erro de fato (art. 463, § 5º, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009). A autoridade fiscal, por meio de diligência, esclareceu e oportunizou ao recorrente retificar suas GFIP´s, para que fossem deduzidos os recolhimentos excedentes havidos antes do início do procedimento fiscal. O recorrente, apesar de intimado, não apresentou GFIPs retificadoras e nem prestou quaisquer esclarecimentos à fiscalização. Conforme esclarecido na intimação fiscal, as apropriações somente poderiam ser realizadas se houvesse declaração em GFIP com a respectiva correspondência à GPS recolhida. Nesse diapasão, agiu correto o fiscal, razão pela qual compartilho do entendimento adotado pela decisão de piso, não assistindo razão, neste ponto, ao contribuinte. Conclusão Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 6983DF CARF MF
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