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Numero do processo: 13888.903145/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 45 /2 00 9- 14 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.903145/200914 Acórdão n.º 3301005.403 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.404, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.903145/200914 Acórdão n.º 3301005.403 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.903145/200914 Acórdão n.º 3301005.403 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.903145/200914 Acórdão n.º 3301005.403 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.903145/200914 Acórdão n.º 3301005.403 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.903145/200914 Acórdão n.º 3301005.403 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.900207/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2004
CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
Numero da decisão: 3301-005.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2004 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1629; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.900207/200950 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.140 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria CIDE Recorrente AUTONEUM BRASIL TÉXTEIS ACÚSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2004 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 07 /2 00 9- 50 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13819.900207/200950 Acórdão n.º 3301005.140 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito para ser utilizado na compensação em questão. Com isso, decidiu pela não homologação da referida Declaração de Compensação. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando, em suma, que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12065.692. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que discorre sobre sua atividade, o contrato de exploração de patente e uso de marca que firmou com empresa estrangeira, as remessas de royalties, o direito ao crédito de CIDE, sob o amparo da MP n° 2.15970/01, e a correção do procedimento adotado utilização do crédito da CIDE para liquidação de débitos vincendos, via PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.136, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.136): Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13819.900207/200950 Acórdão n.º 3301005.140 S3C3T1 Fl. 4 3 "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto como razão de decidir o voto condutor do Acórdão DRJ n° 1265.687, de 22/05/14, da lavra do i.julgador Bernardo Moraes Fiuza Pequeno: "(. . .) Verificase que o interessado fundamenta sua defesa no art. 4º da MP Nº 2.15970/2001, deste modo, transcrevo o referido dispositivo legal por ser de suma importância para a solução da lide (grifos de minha autoria). 'Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. § 2o O Comitê Gestor definido no art. 5º da Lei nº 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientífico.' Percebese na leitura deste artigo, que a MP nº 2.15970/2001 concedeu crédito ao contribuinte nos casos de remessas ao exterior a título de róialties, o qual é calculado com base na contribuição devida. No entanto, o interessado informou na Declaração de Compensação crédito oriundo de pagamento indevido, ou seja, o crédito previsto na MP nº 2.15970/2001 não tem relação com o Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13819.900207/200950 Acórdão n.º 3301005.140 S3C3T1 Fl. 5 4 crédito de pagamento indevido, haja vista que o pagamento só é indevido se a CIDE não é devida. Por outro lado, o crédito da MP nº 2.15970/2001 só é gerado com base na CIDE que é devida. Portanto, percebese que a defesa sustenta um crédito distinto daquele informado na Declaração de Compensação. Ademais, ainda que o interessado obtivesse êxito em comprovar o suposto crédito previsto na MP nº 2.15970, este não poderia ser utilizado através de Declaração de Compensação, mas tão somente por meio de dedução da CIDE de períodos subseqüentes, em conformidade com o art. 4º, § 1º, inciso II, que diz (grifos meus): 'II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.' Portanto, diante de todo exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendose integralmente o Despacho Decisório, a fim de não homologar a Declaração de Compensação." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.007086/2007-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004
CONTABILIDADE. LANÇAMENTOS EM PARTIDAS MENSAIS. FALTA DOS DOCUMENTOS. ORIGEM CRÉDITOS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
Lançamentos contábeis com movimentações em partidas mensais, sem livros auxiliares que apresentem registros analíticos e desacompanhados dos documentos correspondentes, não são hábeis a justificar a origem de depósitos/créditos em conta bancária de titularidade da contribuinte.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE.
A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004
SIGILO BANCÁRIO.
É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal
LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS, CSLL E INSS - SIMPLES.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Numero da decisão: 1402-003.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário unicamente para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004 CONTABILIDADE. LANÇAMENTOS EM PARTIDAS MENSAIS. FALTA DOS DOCUMENTOS. ORIGEM CRÉDITOS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Lançamentos contábeis com movimentações em partidas mensais, sem livros auxiliares que apresentem registros analíticos e desacompanhados dos documentos correspondentes, não são hábeis a justificar a origem de depósitos/créditos em conta bancária de titularidade da contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004 SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS, CSLL E INSS - SIMPLES. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
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LANÇAMENTOS EM PARTIDAS MENSAIS. FALTA DOS DOCUMENTOS. ORIGEM CRÉDITOS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Lançamentos contábeis com movimentações em partidas mensais, sem livros auxiliares que apresentem registros analíticos e desacompanhados dos documentos correspondentes, não são hábeis a justificar a origem de depósitos/créditos em conta bancária de titularidade da contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não serve como parâmetro para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 70 86 /2 00 7- 70 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 372 2 decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004 SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS, CSLL E INSS SIMPLES. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário unicamente para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 373 3 Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados). Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 374 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 06 23.737 2ª Turma da DRJ/CTA, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Trata o processo de autos de infração exigindo os impostos e contribuições: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ –Simples, fls. 147/153, no valor de R$ 6.348,85, devido a: a. a omissão de receitas da atividade, relativas receitas não escrituradas identificadas como omissão devido a depósitos bancários cuja origem não foi esclarecida, nos meses 01 a 09/2004, com base no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, a, 5º, 7º, § 1º e 18 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996; art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998; arts. 186, 188 e 199 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); b. insuficiência de recolhimento nos períodos de 02 e 10/2004, resultante da alteração nas alíquotas de recolhimento do Simples, em razão das omissões que aumentaram o valor das receitas; base legal nos arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, “a” a “f”, 5º, 7º, § 1º e 18 da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; e arts. 186, 188 e 199do RIR de 1999; art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; b) contribuição ao Programa de Integração Social – PIS – Simples, fls. 154/160, no valor de R$ 6.348,85: a. relativa à mesma infração, no período de 01 a 09/2004, com base no art. 3º, b da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970, c/c o art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973; arts. 2º, I, 3º, 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, e suas reedições; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, “b”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; b. insuficiência de recolhimento nos períodos de 02 a 10/2004, com base legal no art. 3º, “b” da LC nº 7, de 1970 c/c art. 1º, parágrafo único, da LC nº 17, de 1973, arts. 2º, I, 3º e 9º da MP nº 1.249, de 1995, e suas reedições, art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art; 3º da Lei nº 9.732, de 1998; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Simples, fls. 161/167, no valor de R$ 11.794,02: Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 375 5 a. relativa à mesma infração, fatos geradores de 01 a 09/2004, com base no art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, “c”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; b. insuficiência de recolhimento fatos geradores de 02 a 10/2004, com base legal no art. 1º da Lei nº 7.689, de 1988; art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732 , de 1998. d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Simples, fls. 168/174, no valor de R$ 23.588,06: a. relativa à mesma infração, fatos geradores de 01 a 09/2004, com base nos arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 2º, § 2º, 3º, 1º, “d”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; b. insuficiência de recolhimento, fatos geradores de 02 a 10/2004, com base legal no art. 1º da LC nº 70, de 1991, art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732 , de 1998; e) Contribuição para a Seguridade Social – INSSSimples, fls. 175/181, no valor de R$ 38.471,21: a. relativa à mesma infração, fatos geradores de 01 a 09/2004, com base nos arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, “f”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732 , de 1998; b. insuficiência de recolhimento, fatos geradores em 02 a 10/2004, com base legal no art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732 , de 1998. 3. Sobre os impostos e contribuições devidos exigemse a multa de 150% (sobre as exigências de omissão de receitas) e 75% (sobre as exigências relativas à insuficiências de recolhimento) do art. 44, I e II da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, c/c o art. 19 da Lei nº 9.317, de 1996, e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 4. Às fls. 137/138, encontramse demonstrados pela fiscalização os percentuais aplicáveis sobre a receita bruta apurada do art. 23, II, da Lei nº 9.317, de 1996, com a redação do art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; às fls. 139/143, o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos e às fls. 144/146, apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas. 5. Às fls. 134/135, no Termo de Verificação Fiscal, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação. 6. Cientificada em 07/12/2007, fl. 185, a interessada apresentou a impugnação tempestiva em 03/01/2008 (carimbo aposto com a data errada de 03/01/2007), fls. 189/219, e os documentos de fls. 220/249, por meio de seu procurador, fls. 254/255; às fls. 257/288, cópia da mesma impugnação. 7. Pleiteia preliminarmente a nulidade da autuação porque o lançamento baseouse em mera presunção, dado que desconsiderou, ao argumento de que não eram hábeis nem idôneos, todos os documentos comprobatórios dos valores declarados e a procedência dos valores creditados em conta junto a Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 376 6 instituição financeira apresentados pela contribuinte antes da lavratura do auto. 8. Historia os fatos e acusa que os documentos que apresentou sequer foram analisados; reitera que demonstram ser improcedente a autuação e transcreve autores para destacar que o lançamento deve se pautar em fatos precisos e incontroversos, não se admitindo que se exijam imposto e multa desconsiderando elementos apresentados pela impugnante, na presunção de que esta omitiu receitas, apenas com base em extratos bancários; que as presunções devem ser encaradas cm cautela, inexistem presunções absolutas em direito tributário. 9. Assevera que comprovou a origem dos depósitos recebidos e é incabível exigirlhe a produção da dificílima prova negativa; invoca a Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos – TFR de que é ilegítimo lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; aduz que a fiscalização não apresentou a menor prova de falsidade das informações e documentos que apresentou e que tais esclarecimentos da contribuinte só podem ser impugnadas pela autoridade lançadoras com elemento seguro de prova ou veemente indício de falsidade ou inexatidão. 10. Reitera que é nula a autuação que se utilizou de depósitos bancários como base para a presunção legal de omissão de receitas; que, sendo prova o ato de demonstrar que ocorreu ou deixou de ocorrer determinado evento, a presunção se insere no campo da prova, tratandose de prova indireta, partindose de ocorrências de fatos secundários, indiciários, que apontam para o fato principal desconhecido, mas relacionado diretamente a fato conhecido, substituindo a correlação natural pela correlação lógica e apresenta a definição de que “presunção é o resultado do processo lógico mediante o qual o fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável”; que a presunção estabelece, a partir de uma correlação natural, uma correlação lógica entre o fato conhecido e o desconhecido, não podendo ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador, mas somente se houver a certeza dessa correlação natural; que é erro adotarse um conceito lato de presunção. 11. Que, no presente caso, essa inadequação está presente na presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, posto que não há uma correlação lógica direta e segura entre depósitos bancários e omissão de receitas, dado que nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato, pelos seguintes motivos: não há experiência anterior a respeito, não há essa correlação natural, a movimentação bancária não corporifica fato gerador do imposto de renda, e cita jurisprudência de que se tratamos depósitos bancários não justificados somente de marco inicial de investigações, e ainda porque implica na transferência integral do encargo probatório para o contribuinte. 12. A questiona se o fisco terá vantagem em adotar a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e entende que não, porque acarretou a lavratura de crédito tributário em montante estratosférico. 13. No mérito, afirma que comprovará a inexistência de omissão de receitas, tratandose os créditos bancários de mera movimentação financeira inerente Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 377 7 ao quotidiano da empresa e transcreve jurisprudência administrativa no sentido de que depósitos bancários não caracterizam por si só omissão de rendimentos. 14. Pleiteia a nulidade dos autos, investindo contra a quebra do seu sigilo bancário, protegido por cláusula pétrea da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, não podendo tal direito ser extinto ou diminuído por ato normativo qualquer do Poder Legislativo; afirma que a jurisprudência dos Tribunais Superiores é pacífica nesse sentido, sendo apenas admissível mediante ordem de autoridade judiciária competente; e que, mesmo se reconhecido tal direito de as autoridades efetuarem a quebra do sigilo bancário em situações específicas, é vedada a publicidade dos dados inerentes ao investigado; que a Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, impediu que os dados fornecidos pelas instituições em razão da CPMF pudessem ser utilizados na constituição de crédito tributário relativo a outros impostos e contribuições, porém a Lei nº 10.174, de 2001, violando tudo o que a litigante expôs, passou a permitilo e ainda a Lei Complementar nº 105 de 10 de janeiro de 2001, e o Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, vieram permitir a quebra do sigilo bancário mediante ordem da autoridade fiscal, independentemente de autorização judicial; aduz que essa legislação, ainda que válida fosse, não poderia retroagir para fundamentar lançamentos anteriores à sua vigência. 15. Em síntese, que os dados das contas bancárias do contribuinte são sigilosos, protegidos constitucionalmente e só excepcionalmente pode a autoridade judicial utilizarse da quebra do sigilo bancário, devendo, entretanto, guardar sigilo e a autoridade administrativa não pode utilizar esses dados para constituir créditos tributários, sob pena de praticar ato ilegal e inconstitucional. 16. Afirma ser incabível a multa aplicada de 150%, uma vez que não foi adequadamente caracterizado o evidente intuito de fraude; ressalta que o lançamento fiscal se baseou em presunção legal, mediante quebra de sigilo bancário, caracterizando como omissão os depósitos bancários não registrados na contabilidade e transcreve jurisprudência de que a multa qualificada não se aplica a esse caso. 17. Reclama que inexiste legislação definidora da utilização da Selic como taxa de juros moratórios sobre débitos fiscais; acusa a inconstitucionalidade, pois fere o art. 192, § 3º da CF de 1988, da cobrança da taxa Selic como juros de mora, e pleiteia que sejam de 1% ao mês, de acordo com o art. 161, § 1º do CTN; a utilização da Selic fere os princípios da legalidade e da hierarquia das leis, pois não foi criada por lei, mas por Circular do Banco Central e a Lei nº 9.065, de 1995, fere o art. 146, III, “b” da CF de 1988, pois lei ordinária não pode regulamentar matéria destinada à lei complementar; que o CTN, que tem força de lei complementar, já determinou que os juros serão de 1% ao mês, se a lei não dispuser em contrário; que não se pode ignorar dispositivo constitucional apenas porque depende de regulamentação; que a lei da Usura admite que a taxa de juros moratórios seja até o dobro do limite legal do Código Civil, ou seja, 1% ao mês ou 12% ao ano, enquanto que a Selic do mês de abril de 1995 foi determinada pelo Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 378 8 AD nº 12, de 2 de maio de 1995 em 4,26%! Que a Selic é de natureza remuneratória e não moratória ou de indenização, como reza a lei. 18. Conclui protestando pela posterior juntada dos documentos necessários ao deslinde da questão, em observância ao princípio da verdade material. 19. Acompanha o presente o processo nº 10945.007092/200727 de Representação Fiscal para Fins Penais – IRPJ. O Acórdão de Impugnação nº 0623.737 2ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a Impugnação do contribuinte e manteve integralmente o crédito tributário, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004 CONTABILIDADE. LANÇAMENTOS EM PARTIDAS MENSAIS. FALTA DOS DOCUMENTOS. ORIGEM CRÉDITOS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Lançamentos contábeis com movimentações em partidas mensais, sem livros auxiliares que apresentem registros analíticos e desacompanhados dos documentos correspondentes, não são hábeis a justificar a origem de depósitos/créditos em conta bancária de titularidade da contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004 SIGILO BANCÁRIO. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 379 9 É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. Considerandose a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da obrigação tributária, aplicase multa de ofício qualificada de 150% sobre os correspondentes impostos e contribuições sociais exigidos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS, CSLL E INSS SIMPLES. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal." Do Recurso Voluntário Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em que reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 380 10 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Preliminares Da alegação de nulidade do auto de infração face o lançamento do débito ter sido baseado em mera presunção A Recorrente alega a nulidade dos Autos de Infração, em resumo, com os seguintes argumentos: · Ao efetuar o lançamento e lavrar o presente Auto de Infração, o Fisco baseouse em mera presunção, visto que desconsiderou todos os documentos fornecidos por esta, que ressaltese, em sua opinião, foram suficientes para comprovar a origem dos depósitos em sua conta corrente. · Não há necessidade do contribuinte optante pelo SIMPLES haver manutenção de contabilidade (Lei 9.317/96), lhe sendo permitido contabilizar da forma como desejar, desde que mantenha o livro caixa, não sendo permitido ao Fisco aplicar a mera presunção se não há obrigatoriedade na contabilização do contribuinte, conforme jurisprudência colacionada. · A autuação baseada na presunção de omissão de rendimentos é completamente arbitrária, e, sendo assim, fica muito fácil para o Fisco visitar contribuintes e, por simples discricionariedade, exigirlhes imposto e aplicarlhes multa porque presume determinada infração. · A jurisprudência brasileira é tranqüila em não admitir a mera presunção como meio de tributação. Com efeito, decidiu o já extinto, mas sempre Egrégio Tribunal Federal de Recursos. Cita a súmula 182 do TRF. · A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. · Ainda que se pudesse afirmar que a presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96 resiste a todas as críticas, cabe perguntar se o Fisco terá vantagem em utilizála. Como regra, não! Com efeito, na execução Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 381 11 da auditoria, se o caminho adotado for simplesmente somar os depósitos e exigir do contribuinte a comprovação da origem dos recursos, temse a lavratura de autos de infração com crédito tributário de montante estratosférico, como no caso em questão. Contatase que a Recorrente atendeu parcialmente ao Termo de Início de Ação Fiscal, fazendo a entrega de livros fiscais e contábeis e, apenas, documentos dos meses de outubro, novembro e dezembro/2004. Com relação a extratos bancários a empresa não apresentou de nenhum mês e informou que os demais documentos faria a entrega posteriormente, todavia não se manifestou. (grifo nosso). Com base em extratos bancários, obtidos através de Requisição de Informação sobre Movimentação FinanceiraRMF, a Recorrente foi intimada a prestar esclarecimentos, por escrito, sobre origem dos valores depositados/creditados em sua conta corrente bancária n° 12.9177, agência n° 06173, do Banco Bradesco S/A, no período de janeiro a setembro/2004. Tendo em vista que não houve manifestação por parte da Recorrente e considerando o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 (Artigo n° 287 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000/99), ficou caracterizado omissão de receita o valor dos depósitos/créditos efetuados na conta bancária n° 12.9177, agência n° 06173, mantida pela empresa no Banco Bradesco S/A, para os quais a empresa não comprovou a origem, apesar de regularmente intimada. Verificase que na contabilidade efetuada pela empresa, em relação à movimentação financeira bancária junto ao Banco Bradesco S/A, registra créditos na conta Caixa, com contrapartida à débitos da conta Banco e viceversa, por totais periódicos, não produzindo nenhuma alteração no Patrimônio da Sociedade. A escrituração do Livro Razão não permite a identificação de nenhum fato contábil/administrativo, em função de cada depósito/crédito bancário ou emissão de cheque, portanto não é possível identificar a origem dos depósitos, ou seja, o quê motivou aquele recebimento; nem qual destinação dada a cada um dos cheques, a qual pagamento se refere. Ressaltase ainda que não foram apresentados os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração. As empresas optantes pelo Simples devem manter a sua escrituração que registre toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. Além dos documentos que serviram de base para a escrituração, nos termos do Art. 7º da Lei 9317/96. Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4° . § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 382 12 b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. A Recorrente foi intimada para comprovar todos a origem dos depósitos/créditos no período em exame. Ressaltase que todos os documentos apresentados pela Recorrente foram analisados pela Autoridade Fiscal, contudo são insuficientes para comprovar a origem dos depósitos/créditos no período em exame. O art. 42 da Lei n.° 9.430/1996 caracterizase como caso típico de presunção legal de omissão de receitas, o crédito em conta corrente, cuja origem não seja comprovada e transfere o ônus da prova, de forma expressa, para o contribuinte. A omissão de receitas pela manutenção de depósitos bancários sem comprovação da origem dos recursos tem jurisprudência administrativa firmada junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Pelo exposto, caberia à Recorrente a apresentação da prova da origem dos créditos relacionados. O art. 42 da Lei n.° 9.430/1996 atribuiu à referida ônus da prova e caso não apresentado, o mesmo artigo presume tal valor como receita omitida. Cabe, ainda, esclarecer que não cabe a simples afirmação da Recorrente, as suas alegações tem que vir acompanhada de comprovação documental, salvo aquelas que puderem ser constatadas por uma simples análise de seus extratos bancários. A Recorrente fundamenta seu entendimento na Súmula n.° 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos. Só que tal dispositivo legal e entendimento é anterior ao que está disposto no art. 42 da Lei n.° 9.430/1996. Há que se esclarecer, também, que não se está tributado o crédito bancário, mas o valor representado por tal crédito, que quando não comprovado é presumido como omissão de receita, com base no dispositivo legal citado. Com base no artigo 42 da Lei n.° 9.430/1996, cabe à interessada apresentar prova documental específica e individualizada para cada crédito bancário objeto da intimação fiscal, a fim de se comprovar a origem, isto é, comprovar que o crédito bancário "X" está relacionado com a receita "Y" ou com o empréstimo "Z" ou com outro fato comprovado "W". Caso não seja feita tal comprovação, tal crédito será considerado, com fulcro no artigo citado, omissão de receita, salvo, é claro, os créditos que deverão ser excluídos previsto no mesmo dispositivo legal. Portanto não assiste razão à recorrente quanto à alegação de que ao efetuar o lançamento e lavrar o presente Auto de Infração, o Fisco baseouse em mera presunção, pois a fiscalizada atendeu parcialmente à Fiscalização, apresentando documentos dos meses de outubro, novembro e dezembro/2004, e seus registro contábeis não permitem a identificação da origem dos depósitos/créditos efetuados em sua conta bancária. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 383 13 Pelos argumentos acima expostos, devem ser rejeitadas as preliminares alegas pela recorrente. Mérito A Recorrente alega que por meio da documentação acostada aos autos, fez prova da contabilização da movimentação financeira inerente ao cotidiano da empresa, demonstrando não ter incorrido em qualquer omissão de rendimentos. Insiste em colacionar decisões administrativas anteriores ao que está disposto no art. 42 da Lei n.° 9.430/1996. Pelos mesmo argumentos já expostos nas preliminares, verificase que a Recorrente não comprovou a origem dos depósitos/créditos efetuados em sua conta bancária. Logo, resta clara a procedência do lançamento. A Recorrente insiste, ainda, que a Autoridade Fiscal não poderá se utilizar das dados referentes à conta bancária para constituir créditos tributários, sob pena de praticar ato ilegal e inconstitucional. Argumenta que, diante do exposto, face a evidente arbitrariedade da autuação na qual não houve a análise investigatória dos elementos embasadores do lançamento, e pela utilização indevida dos dados obtidos em razão da quebra do sigilo bancário, é que se requer a reforma da decisão da Delegacia, declarandose a nulidade da autuação. Em primeiro lugar, tal alegação no pode ser conhecida, uma vez que, de acordo, conforme determina a súmula 2 deste conselho "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Ademais, o procedimento adotado no presente trabalho fiscal foi legalmente autorizado pela nº 105/2001. Nesse sentido, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 384 14 informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, improcedentes as alegações suscitadas. Da aplicação da Multa Qualificada A justificativa da Autoridade Fiscal para qualificar a multa reside no fato de que "a empresa não contabilizou/declarou corretamente sua movimentação financeira/receita para, em conseqüência, diminuir seu resultado tributável, efetuamos lançamento da multa de oficio, com base no inciso II do Artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000/99". Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 385 15 A Recorrente alega que a multa agravada não é cabível por não estar devida e adequadamente caracterizado o evidente intuito de fraude, já que conforme se demonstra dos autos, não foi provada ou caracterizada a presença de dolo na ação da contribuinte, não devendo ser a multa de ofício aplicada por mera presunção de que agiu com dolo a ora recorrente. A Recorrente observa quer, em primeiro lugar, que o procedimento fiscal desenvolveuse com base na presunção legal instituída no artigo 42 da Lei 9.430/96, ou seja, mediante quebra do sigilo bancário e caracterização da omissão de receita através de depósitos bancários que não foram registrados na contabilidade. Contudo, em momento algum apontou qualquer indício de fraude ou dolo por parte da contribuinte. É que para a aplicação da multa de oficio der 150% (cento e cinqüenta por cento), a autoridade fiscalizadora deverá comprovar que o contribuinte agiu com dolo na prática do fato imponível, como definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964. A Recorrente argumenta que os precedentes do CARF, colacionados ao recurso, derruem a pretensão do Fisco, na medida em que consideram falta simples, sem o intuito de fraude, omissão de receita em questão, para que se caracterize o evidente intuito de fraude, este deve estar minuciosamente justificado e comprovado, ensejando assim o lançamento da multa qualificado de 150%, o que não acontece no presente caso. Sendo assim, a falta de comprovação de origem relativa aos "depósitos bancários, caracteriza quando muito a falta simples de presunção de omissão de receitas, não caracterizando jamais o intuito de fraude como quer fazer entender o Fisco, devendo ser, portanto a multa de ofício reduzida. Verificase que o cenário descrito pela Autoridade Fiscal se enquadra como simples apuração de omissão de receita, assunto que encontrase pacificado no CARF por meio da súmula nº 14: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Logo, assiste razão a recorrente no seu pleito de redução da multa de ofício. Da utilização da SELIC como taxa de juros moratórios sobre débitos fiscais. A Recorrente alega que não se pode utilizar a taxa de referência SELIC como taxa de juros moratório para os créditos fiscais federais, como pretende a Lei n° 9.065/95, já que a mesma, não possui características de indenização, próprias dos juros moratórios. A discussão da utilização da SELIC como taxa de juros moratórios encontra se pacificado no âmbito do CARF através da súmula nº 4. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10945.007086/200770 Acórdão n.º 1402003.405 S1C4T2 Fl. 386 16 Em face do exposto, deve ser afastada a alegação de que não se pode utilizar a taxa de referência SELIC como taxa de juros moratório para os créditos fiscais federais. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 386DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.004730/00-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1994, 1995, 1996
ARBITRAMENTO DO LUCRO - INEXISTÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO.
Impõe-se o arbitramento do lucro quando não apresentada a escrituração contábil, ou quando ela contenha vício, erros ou deficiências que impossibilitem a determinação do lucro real ou presumido, ou revela indícios de fraude.
A simples alegação de exagero no valor da exigência e incompatibilidade com o patrimônio líquido da empresa, exemplificada com a apresentação de balanço de um dos exercícios, que apresenta prejuízo, não tem força para se opor a arbitramento baseado na falta de apresentação de livros e documentos, situação fática sobre a qual nada disse a impugnante.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Solução dada ao litígio principal estende-se no que couber, aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático.
Numero da decisão: 1401-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Impõese o arbitramento do lucro quando não apresentada a escrituração contábil, ou quando ela contenha vício, erros ou deficiências que impossibilitem a determinação do lucro real ou presumido, ou revela indícios de fraude. A simples alegação de exagero no valor da exigência e incompatibilidade com o patrimônio líquido da empresa, exemplificada com a apresentação de balanço de um dos exercícios, que apresenta prejuízo, não tem força para se opor a arbitramento baseado na falta de apresentação de livros e documentos, situação fática sobre a qual nada disse a impugnante. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Solução dada ao litígio principal estendese no que couber, aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 47 30 /0 0- 90 Fl. 413DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belém (PA), que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, e o Imposto de Renda Retido na Fonte, lavrado para formalização e exigência de crédito tributário no valor total do auto de R$ 11.832.216,09, conforme tabela abaixo indicada: TRIBUTO: VALOR: IRPJ R$ 8.545.662,45 CSLL R$ 1.392.944,40 IRRF R$ 1.893.609,24 TOTAL: R$ 11.832.216,09 A exigência teve por base arbitramento, motivado pela falta de apresentação de livros e documentos, conforme os fatos descritos no AI principal, nas fls. 125/126, e enquadrados na legislação tributária constante dos AI’s. Ciente da autuação, o interessado/ contribuinte apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA – em 03/01/2001, (fls. 179/182), na qual alegou em síntese que: 1. “Os créditos tributários apurados não retratam a situação da empresa”; 2. “O exemplo disso é o elevado crédito tributário apurado para o exercício de 1995, enquanto que a empresa, conforme balanço publicado no Diário Oficial do Estado do Pará (fls. 180 e 182), suportou considerável prejuízo”; 3. “Os valores das autuações ultrapassam em muito o total do patrimônio líquido da empresa”; Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10280.004730/0090 Acórdão n.º 1401003.016 S1C4T1 Fl. 414 3 4. “Por estas razões solicita revisão dos cálculos das autuações e reformulação dos seus valores”; 5. “Não nos parece adequado o percentual utilizado para a determinação por estimativa da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social, porque a empresa não auferiu lucro no período, não ocorrendo acréscimo patrimonial que é em última análise o que determina a existência de valores a tributar”, 6. “O assalto sofrido em seu escritório impossibilita fundamentar melhor este pedido de reconsideração”; 7. “Conforme despachos interlocutórios de fls. 185 e 194, a DRJ Belém converteu em diligências o julgamento”; 8. “Retornou o processo à DRJ Belém com os despachos de fls. 193 e 200, procuração de fl. 199 e documentos de fls. 186/192 e 195/198”. O Acórdão ora Recorrido (0273.611 2ª Turma da DRJ/BHE) recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 31/05/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994, 31/O1/1995, 28/02/1995, 31/O3/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995, 31/01/1996, 29/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996. Ementa: ARBITRAMENTO. A simples alegação de exagero no valor da exigência e incompatibilidade com O patrimônio líquido da empresa, exemplificada com a apresentação de balanço de um dos exercícios, que apresenta prejuízo, não tem força para se opor a arbitramento baseado na falta de apresentação de livros e documentos, situação fática sobre a qual nada disse a impugnante. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 31/05/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994, 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/O7/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995, 31/01/1996, 29/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. Fl. 415DF CARF MF 4 Ao se decidir de forma exaustiva matéria tributável no lançamento principal contra pessoa jurídica, resta abrangido o litígio quanto aos lançamentos decorrentes. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte –IRRF Data do fato gerador: 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 31/05/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994, 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995. Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. Ao se decidir de forma exaustiva matéria tributável no lançamento principal contra pessoa jurídica, resta abrangido o litígio quanto aos lançamentos decorrentes. LAÇAMENTO PROCEDENTE. Isto porque, conforme entendimento da Turma, “não sobrevive à discordância da impugnante com o percentual utilizado para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social, sob a alegação de que a empresa não auferiu lucro no período e consequentemente não ocorreu acréscimo patrimonial que no seu entendimento é o que determina a existência de valores a tributar. (...) Tais alegações teriam que se sustentar, necessariamente, na demonstração das razões pelas quais a impugnante entende que a exigência é exagerada, bem como a relação de incompatibilidade que alega existir entre os valores exigidos e o seu patrimônio líquido. Dessa maneira, não cabe a solicitação de revisão dos cálculos das autuações e reformulação dos seus valores, até porque a autuação baseouse em arbitramento motivado pela falta de apresentação de livros e documentos, circunstância fática que a defendente sequer aborda em sua impugnação”. No mais, a DRJ entendeu “Quanto aos lançamentos decorrentes, próprios da tributação das pessoas jurídicas, consolidamse as exigências de CSL e IRRF, com base no princípio da decorrência, em virtude da relação de causa e efeito que os une ao lançamento principal de Imposto de Renda Pessoa Jurídica”. Ciente da decisão do Acórdão em 22/05/2001 (fls. 215) o interessado apresenta Recurso Voluntário (fls. 486/499) em 19/06/2001, trazendo em seu bojo as seguintes razões: 1. Diz que “os valores do referido Auto de Infração, mantido pela decisão supracitada, são indevidos segundo seus registros contábeis, correspondentes àquela época”. 2. Declara que “nunca teve receita, nem bens patrimoniais suficientes que ensejassem tributação de valor astronômico como no presente feito, já que sempre funcionou de forma deficitária, como demonstram os documentos apresentados, razão pela qual considera um absurdo a referida cobrança com a qual, de forma nenhuma pode concordar”. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10280.004730/0090 Acórdão n.º 1401003.016 S1C4T1 Fl. 415 5 3. Afirma que, “para que houvesse tributação dessa monta era necessário que também tivesse havido receita. Assim, da forma que fora tributada, dá entender que houvera desvio de receita, o que em absoluto não ocorreu, pelo que desde já, fica esta Receita Federal ou quem de direito, autorizada a proceder qualquer investigação a respeito do patrimônio da empresa recorrente, inclusive a quebra do sigilo bancário de seus sócios”. 4. Requereu “o acolhimento do Recurso Voluntário interposto para reformar a decisão ora atacada, reformulando os critérios desfavoráveis utilizados na apuração dos créditos tributários”. Às fls. 234 dos autos – Comunicação de n° 176/2001, tendo em vista a negativa de seguimento do Recurso Voluntário interposto em decorrência da inexistência de arrolamento de bens. Às fls. 261/323 dos autos – Termo de Inscrição em Dívida Ativa Às fls. 405 dos autos – Despacho de encaminhamento para que seja providenciada a baixa das inscrições em dívida ativa das CDA’S de nº (20 2 01 00070235; 20 2 01 00070316 e 20 6 01 00159243), tendo em vista a previsão constante na conforme súmula vinculante de nº 21 do STF. Às fls. 412 Despacho de encaminhamento do processo ao CARF. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele conheço. Como se observa do relatório, tratase de lançamento ocorrido a aproximados 18 anos! Inscrito na Dívida Ativa em 31/10/2001, seguiu para execução judicial, sem apreciação do Recurso Voluntário, em razão da inexistência de depósito prévio. A execução fiscal foi iniciada em março/2002, e em novembro/2010 a PFN (Setor de Grandes Devedores) peticiona requerendo cancelamento da CDA e retorno dos autos a este CARF para julgamento do Recurso Voluntário. Fl. 417DF CARF MF 6 A DRJ/Belém recepcionou o referido PAF ainda no ano de 2010 e, após quase 08 anos de várias distribuições e redistribuições, chega a julgamento por uma Turma deste Conselho. Ao receber a distribuição do presente processo, e mesmo com absoluta folga no meu prazo regimental para pautálo, deilhe absoluta prioridade em razão da absurda morosidade de todo o histórico processual. Tratase de crédito tributário em montante que supera os R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais), sem as devidas atualizações. E tudo isso diante de impugnação e recurso praticamente ineptos, vez que não trazem nenhuma razão ou fundamento jurídico minimamente hábil para contestar o presente lançamento. Em sede de Recurso, cujas razões somam aproximadas 2 páginas, a Recorrente praticamente nada aduz, a não ser demonstrar sua irresignação com o valor que lhe é exigido. Senão vejamos suas alegações com as devidas análises por este Relator. Aduz a Recorrete que: Tratamse de argumentos de irresignação sem nenhum fundamento legal ou contexto probatório. Quanto ao fundamento de que os valores não guardam coerência com seus registros contábeis os mesmos são igualmente infundados, até porque foi exatamente a ausência de documentos fiscais e contábeis que acarretou no procedimento de arbitramento levado a efeito pelo agente fiscal. Continua aduzindo que: Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10280.004730/0090 Acórdão n.º 1401003.016 S1C4T1 Fl. 416 7 Também se trata de alegação absolutamente desacompanhada de provas. A Recorrente junta cópia (absolutamente ilegível) do Diário Oficial do Estado do Pará de 1996, onde supostamente consta a publicação do seu balanço. Entretanto, a publicação unilateral do balanço, sem o suporte da devida documentação contábil e fiscal não faz prova a favor da Recorrente. A fiscalização requereu de forma incessante a apresentação da documentação fiscal e contábil, que não foi apresentada pela contribuinte que, após vários pedidos de prorrogação, alegou terem sido furtadas do seu escritório. E segue em suas alegações: Como é absolutamente lógico, tais argumentos em nada aproveitam a Recorrente. O fato de ter sido fiscalizada e autuada para fins de Contribuição ao PIS sem que tenha ocorrido o lançamento de outros tributos não dão salvo conduto à contribuinte. Dentro do prazo decadencial a autoridade fiscal tem o poderdever de fiscalizar e exigir da contribuinte o crédito tributário devido. E arremata o Recurso aduzindo: Fl. 419DF CARF MF 8 Também são razões absolutamente desprovidas de qualquer contexto probatório. O fato de inexistir patrimônio na empresa não acarreta na inexistência de fato gerador. O procedimento fiscalizatório possibilitou ao recorrente apresentar todo tipo de prova que lhe aprouvesse, e o não o fez. Não é possível, neste momento, e sem nenhum novo elemento de prova pleitear a reabertura do procedimento de investigação, ainda mais diante do ato de lançamento que tem presunção de legitimidade. O lançamento foi pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado tendo em vista que o sujeito passivo não apresentou sua escrituração contábil nos termos da legislação comercial (Livro Diário e Razão), nem alternativamente seu Livro Caixa, ou qualquer documentação de suporte, inviabilizando a perfeita a verificação das receitas tributáveis, dos custos incorridos e das despesas dedutíveis. Nessas circunstâncias, considerou completamente prejudicada a apuração tributária tanto no regime do Lucro Presumido quanto no Lucro Real, assim como a averiguação de sua regularidade fiscal, e aplicouse o arbitramento do lucro com fulcro nos arts. 21 e 22 da Lei 8.541/92 e art. 47, inciso III, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. O procedimento adotado pela fiscalização guarda respaldo legal, não tendo sido apresentada nenhuma razão ou fundamento que elidissem sua legalidade. Assim, face a tudo o quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000067/99-67
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR A 09/06/2015. JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Dentro dos limites do julgado e inexistindo reformatio in pejus pode a lide ser solucionada com base em fundamentação diversa daquela arguída no recurso.
Numero da decisão: 9900-001.032
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para considerar prescritos os períodos anteriores a 31/03/1989, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento aos os Conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Vanessa Marini Cecconello, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR A 09/06/2015. JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Dentro dos limites do julgado e inexistindo reformatio in pejus pode a lide ser solucionada com base em fundamentação diversa daquela arguída no recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para considerar prescritos os períodos anteriores a 31/03/1989, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 00 67 /9 9- 67 Fl. 320DF CARF MF 2 Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento aos os Conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Vanessa Marini Cecconello, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão da Câmara Superior de n.º 02002.549 que entendeu não estar prescrito o direito de o Contribuinte pedir a restituição/compensação de crédito originário de pagamentos indevidos de contribuição ao PIS. No entendimento do Colegiado o prazo prescricional seria de cinco anos contados da edição da Resolução nº 49 do Senado Federal, que se deu em 10/09/1995, ato que suspendeu a execução dos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso. Considerando o prazo prescricional é de cinco anos, a prescrição para o Contribuinte pleitear a restituição da quantia paga indevidamente somente se consumaria em 10.10.2000. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1998, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13502.000067/9967 Acórdão n.º 9900001.032 CSRFPL Fl. 321 3 anos deve ser contado a partir da edição da Resolução nº 49/Senado Federal. Recurso Especial do Procurador Negado. No recurso extraordinário apresentado, a Fazenda Nacional, argumenta que o acórdão recorrido contraria o entendimento do e. STF no recurso extraordinário com repercussão geral nº 566.621, que fixou a interpretação vinculante do disposto no CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, c/c a Lei Complementar nº 118. Ainda, afirma que o acórdão desafiado malfere o entendimento cristalizado por esta Egrégia Corte na súmula nº 91(recurso foi interposto em junho de 2015). O Contribuinte não foi localizado em seu domicílio fiscal para ser cientificado do acórdão CSRF nº 02002.549 e do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Desta forma, foi cientificado por edital em 30.05.2017 e não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade Entendo que o despacho de admissibilidade não requer qualquer reparo. Isso porque a divergência apontada é decorrência lógica dos requisitos formais previsto para interposição do Recurso Extraordinário cujo objetivo era pacificar conflito de entendimento sobre interpretação dada à lei tributária pelo acórdão recorrido e outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No caso concreto, da análise dos termos adotados pelo julgados é possível perceber a clara divergência de interpretação em relação a seguinte matéria: termo inicial para contagem do prazo de cinco para se efetivar pedido de restituição/compensação de tributo pago indevidamente e razão da declaração de inconstitucionalidade de lei. Fl. 322DF CARF MF 4 No julgado recorrido, o prazo decadencial de cinco anos previsto no CTN para se pedir a repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação inicia se com a retirada do mundo jurídico da legislação que instituía sua cobrança, pela declaração de sua inconstitucionalidade, enquanto que os acórdãos divergentes (CSRF nº 9900000.728 e 9900000.459) consignam que esse prazo é de dez anos e se inicia com o fato gerador, ou seja, do pagamento indevido. O fato de estarmos diante de decisões cujos objetos são diferentes em razão do tributo envolvido, não afasta a semelhança fática existente em relação a matéria de direito que foi examinada por ambos colegiados. As regras do prazo de prescrição pertencem as normas geral de direito tributário e portanto são aplicáveis da mesma forma considerando o presente caso aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Assim, voto no sentido de conhecer o Recurso Extraordinário. Do mérito: No mérito, conforme exposto no relatório, requer a Fazenda Nacional que se adote o entendimento do e. STF no recurso extraordinário com repercussão geral nº 566.621, que fixou a interpretação vinculante do disposto no CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, c/c a Lei Complementar nº 118, bem como o disposto na Súmula nº 91 deste CARF. De fato o acórdão recorrido merece ser reformado, pelas razões aduzidas a seguir. A matéria em questão foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal por meio do RE 566.621/RS julgado em sede de repercussão geral. Para o tribunal o prazo prescricional para restituição/compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação cujos pedidos tenham sido protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005 estão sujeitos ao prazo de 10 anos contados do fato gerador. Vale citar a ementa do acórdão: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13502.000067/9967 Acórdão n.º 9900001.032 CSRFPL Fl. 322 5 Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese Fl. 324DF CARF MF 6 a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Adotando o entendimento acima este Colegiado editou em sessão plenária de 09/12/2003 a Súmula CARF nº 91, que tornouse vinculante em 07/06/2018, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Considerando que a adoção de fundamentação diversa observandose os limites da lide não implicará em reformatio in pejus contra a Fazenda Nacional, e considerando o art. 45, inciso VI do Regimento Interno deste Conselho, voto por aplicar a Súmula CARF nº 91 devendo ser reconhecida a prescrição parcial do direito de restituição/compensação do Contribuinte em relação aos fatos anteriores a março de 1989, uma vez que o pedido em questão foi apresentado em 31/03/1999. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13502.000067/9967 Acórdão n.º 9900001.032 CSRFPL Fl. 323 7 Pelo exposto dou provimento parcial ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720114/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL.
As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel.
DO VALOR DA TERRA NUA - VTN
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exige-se o Laudo Técnico de Avaliação. emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Laudo apresentado e que atende aos requisitos legais.
Numero da decisão: 2201-004.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o Valor da Terra Nua arbitrado pela fiscalização a partir das informações registradas no Sistema de Preço de Terras - SIPT, restabelecendo-se o VTN declarado.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exige-se o Laudo Técnico de Avaliação. emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Laudo apresentado e que atende aos requisitos legais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o Valor da Terra Nua arbitrado pela fiscalização a partir das informações registradas no Sistema de Preço de Terras - SIPT, restabelecendo-se o VTN declarado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese o Laudo Técnico de Avaliação. emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Laudo apresentado e que atende aos requisitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o Valor da Terra Nua arbitrado pela fiscalização a partir das informações registradas no Sistema de Preço de Terras SIPT, restabelecendose o VTN declarado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 01 14 /2 00 7- 75 Fl. 187DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 160/1172, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), de fls. 143/155, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto Territorial Rural ITR, exercício de 2005, acrescido de multa lançada e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado "Fazenda Vazante", cadastrado na RFB sob o nº 4.048.5560, com área declarada de 2.640,5 ha, localizado no Município de Lagamar/MG. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 85.527,85 (oitenta e cinco mil quinhentos e vinte e sete reais e oitenta e cinco centavos), já incluídos os juros e a multa. Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2005 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação de fls. 06/07, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1° cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao IBAMA; 2° Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2° da Lei n° 4.771/1965, acompanhado de ART registrada no CREA, identificando 0 imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o art. 9° do Decreto n° 4.449/2002; . 3° Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3° da Lei n° 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4° Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT. , Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10675.720114/200775 Acórdão n.º 2201004.749 S2C2T1 Fl. 188 3 Em resposta, foi apresentada correspondência, às fls. 08; e juntados aos autos os documentos de fls. 09/10, 11, 12, 13/14, 15, 16, 17/18, 19/25, 26, 27/57 e 58. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2005, a fiscalização resolveu glosar integralmente as áreas de preservação permanente de 2.432,4 ha, e alterar, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela então SRF, o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, que passou de R$ 324.500,00 (R$ 122,89 por hectare) para R$ 488.492,50 (R$ 185,00 por hectare), com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável e do VTN tributável, disto resultando o imposto suplementar de R$41.933,64, conforme demonstrativo às fls. 04. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de oficio c dos juros de mora constam às fls. 02/03 e 05. Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, em 19.12.2007 (fls. 67), apresentou, em 18.01.2008 (fl. 85), impugnação de fls. 69/80, alegando em síntese: Fez um breve relato da exigência fiscal e da tempestividade da impugnação; Discordou da fiscalização, que considerou toda a área do imóvel como aproveitável e afirma que isso não corresponde à verdade material, pois apenas pouco mais de 7% da área total pode ser aproveitada; Esclarece que quase toda a totalidade da área enquadrase como imprestável para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüicola ou florestal, considerando terem sido declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente estadual, conforme declaração do IEF, em anexo; Pelo documento do IEF, 2.432,4 ha foram declarados de interesse ecológico, sendo 2.000 ha de área de preservação permanente e 432,4 ha de área de inclinação, portanto, restou apenas 208,1 ha de área 'aproveitável e que a área declarada de interesse ecológico é imprestável para qualquer exploração pode ser comprovada por meio de Laudo emitido pela EMATER; Ressalta que pelos argumentos e documentos anexados e em nome dos princípios da estrita legalidade e da verdade material, e nos termos do art. 147, § 2º do CTN deve ser considerada como nãoaproveitável a área de 2.432,4 ha, sendo essa área nãotributável e para calcular o GU, deve ser levado em conta como área aproveitável apenas 208,1 ha; Fl. 189DF CARF MF 4 Na hipótese de não serem acatados os argumentos anteriores, deve ser retirada, da área aproveitável do imóvel, a área declarada pelo IEF como de preservação permanente de 2.000,0 ha; Ressalta que a área de preservação permanente nao necessita mais de prévia comprovação por meio do ADA, conforme art. 10 da Lei n° 9.393/96, alterado pela MP n°2.166/2001 e cita Acórdão do Conselho de Contribuintes para referendar a sua tese; Da área aproveitável do imóvel, que é de 208,1 ha, conforme explicado e comprovado e afirma que foi reconhecido pela fiscalização que foi devidamente utilizado pelo impugnante 200,0 ha do imóvel, resultando no GU de quase 100%, devendo a alíquota ser de 0,30%; Afirma que o VTN arbitrado não tem nenhum embasamento e que por meio de uma presunção, sem qualquer prova concreta, a fiscalização arbitrou um valor de quatro vezes maior do quevale realmente e para isso foi utilizado o SIPT; Considera absurdo a fiscalização considerar que todas as terras de uma região possuem o mesmo valor de mercado; Considera, também, injusto generalizar a potencialidade produtiva de terras, tributar pela média e não admitir a existência das diversidades; Ressalta que antes de fazer o lançamento, com base no SIPT, deveria a fiscalização verificar as condições das terras, e com isso provar a sua alegação, pois alegações vagas, sem comprovação, não possuem qualquer tipo de força em nosso ordenamento jurídico; Afirma que, não obstante a total ausência de provas do fisco, que por si só, são suficientes para o cancelamento do lançamento, o impugnante traz e trará provas robustas de que o valor de mercado de suas terras é o que foi declarado, logo, muito inferior ao que foi alegado; Informa que irá juntar um laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo competente, o qual está em fase de elaboração, e diante mão, anexa, laudo da EMATER/MG, feito em janeiro de 2003, que atribui o valor do imóvel em R$324.707,11; Por fim, requer o cancelamento total do lançamento fiscal e o prazo de quinze dias para juntada de laudo de avaliação. 'Em 07.04.2008, foram juntados ao presente processo, de acordo com o Termo de Juntada, às fls. 142, os documentos de fls. 89/141. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 143/144): Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10675.720114/200775 Acórdão n.º 2201004.749 S2C2T1 Fl. 189 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício : 2005 DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Contendo a notificação de lançamento todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal PAF e tendo sido o procedimento fiscal instaurado em conformidade com as normas e os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, não há que se falar em qualquer irregularidade que macule o lançamento (Nulidade). DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE A área de preservação permanente, para fins de exclusão de ITR, cabe ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ INTERESSE ECOLÓGICO Para exclusão dessas áreas de tributação, se faz necessário, além da comprovação da exigência relativa ao ADA, a existência de Ato de órgão competente federal ou estadual reconhecendo as áreas imprestáveis do imóvel como sendo de interesse ecológico. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese o Laudo Técnico de Avaliação. emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de fls. 159, recebido em 20.05.2009, apresentou o recurso voluntário de fls. 160/172. Em sede de Recurso Voluntário, praticamente repetiu os argumentos em sede de impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Fl. 191DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Da exigência do Ato Declaratório Ambiental para a Área de Preservação Permanente A questão que se discute nos presentes autos é quanto à exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental ADA dentro do prazo legal, para a Área de Preservação Permanente, bem como a necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Vejamos o que dispõe a legislação de regência, quanto à necessidade de protocolo do Ato Declaratório Ambiental ADA dentro do prazo legal, para as áreas de preservação permanente, reserva legal: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Já o Decreto nº 4.382/02, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, tratou da área tributável da seguinte forma: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10675.720114/200775 Acórdão n.º 2201004.749 S2C2T1 Fl. 190 7 II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000). O artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.165/00, passou a prever: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Fl. 193DF CARF MF 8 Tanto era assim que a Receita Federal, no Manual de Perguntas e Respostas referente ao Exercício 2005, elaborado após a edição das citadas Medidas Provisórias, na Questão 066, embasada na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1°, com redação dada pela Lei n° 10.165, de 27.12.2000, art.. 1”, assim orientava: Pergunta 066: Qual é 0 prazo legal para protocolízação do ADA? "O ADA deve ser protocolizado no Ibama ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio, no prazo de até 6 (seis) ' meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. " Ou seja, para cada período de incidência do ITR deve ser protocolizado um ADA e não foi o que ocorreu no presente caso. Conforme se verifica do ADA juntado à fl. 15 (nº 10631310008928), foi apresentado em 27/09/2006, de modo que não se presta a isentar o exercício de 2005. Do Valor da Terra Nua VTN Com relação a este ponto, verificouse que houve uma subavaliação, tendo em vista que os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRT em consonância ao art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel na DITR/2005 de R$ 324.500,00 (R$ 122,89 por hectare) foi aumentado para R$ 488.492,50 (R$ 185,00 por hectare), valor este apurado com base no valor apontado no SIPT fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais, nos termos do § 1º do art. 14, da Lei nº 9.393/96. Apesar da apresentação do "Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural", fls. 27/57, apesar de estar acompanhado por ART fl. 58, não está assinado e referese ao ano de 2001. Por outro lado, foi apresentado outro laudo constante às fls. 90/129, com ART fl. 141, que concluiu por um VTN de R$ 400.000,00, conforme se verifica à fl. 124. Merece destaque o fato de que o último laudo apresentado segue à integralidade das normas ABNT, demonstrando com clareza e de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2005 (1.01.2005) e a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem a revisão do VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização, extraído da SIPT. Neste sentido, verificase a prestabilidade do laudo apresentado, que cumpriu os requisitos da norma ABNT em que é possível considerar, com segurança, que o Valor da Terra Nua VTN arbritrado pela fiscalização está supervalorizado, de modo que mencionado laudo se presta para o fim de desconstituir a imputação de VTN com base no SIPT. Conclusão Em razão do exposto, conheço do recurso voluntário e dou lhe parcial provimento, para afastar o Valor da Terra Nua arbitrado pela fiscalização a partir das informações registradas no Sistema de Preço de Terras SIPT, restabelecendose o VTN declarado, conforme constou no laudo, de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais). (assinado digitalmente) Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10675.720114/200775 Acórdão n.º 2201004.749 S2C2T1 Fl. 191 9 Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.722666/2014-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 5.179,00.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 5.179,00. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 5.179,00. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 26 66 /2 01 4- 20 Fl. 138DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 19/27) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013 (efls. 29/34), onde se apurou: Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas, Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi e Dedução Indevida de Despesas com Instrução. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02/03) contestando parcialmente a glosa de despesas com instrução e integralmente as demais glosas com base nos documentos por ele anexados. Os autos foram encaminhados à fiscalização para análise (efls. 41) e o lançamento foi revisto através de Despacho Decisório (efls. 58/67), restando mantida apenas parte da Dedução Indevida de Despesas com Instrução e da Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade acompanhada de documentos (efls. 75/88). A impugnação foi julgada procedente em parte pela 19ª Turma da DRJ/SPO, a qual manteve o crédito tributário remanescente após a Revisão de Ofício (efls. 91/94). A decisão de piso foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 GLOSA DE DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e que a obrigação decorra de decisão judicial. GLOSA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO São dedutíveis os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), ensino fundamental (1º grau) e médio (2ºgrau), à educação superior (3º grau) e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, II, “b”; Lei nº 10.451, de 2002; RIR/1999, art. 81; IN SRF nº 15, de 2001, art. 39). Cientificado do acórdão de impugnação em 10/07/2017 (efls. 99), o contribuinte ingressou com recurso voluntário em 07/08/2017 (efls. 101, 103) indicando a juntada dos extratos bancários de sua conta pessoal do Banco Santander nos quais constam as transferências para a conta poupança da beneficiada. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10510.722666/201420 Acórdão n.º 2002000.508 S2C0T2 Fl. 135 3 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O recorrente insurgese apenas contra a glosa de pensão alimentícia mantida na decisão de primeira instância. Sobre o assunto, extraise do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, e do art. 4º, II, da Lei 9.250/95, alterado pela Lei 11.727/08, que o valor pago pelo contribuinte a esse título somente pode ser deduzido em sua Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei 5.869/73 Código de Processo Civil (CPC), e se estiver devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea. As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. No caso em tela a decisão recorrida manteve a glosa de pensão alimentícia no valor de R$ 5.484,27 por falta de comprovação de seu pagamento, conforme trecho a seguir reproduzido: De acordo com o DespachoDecisório, fls.53/54 foram restabelecidas as deduções de Pensão Alimentícia Judicial as quais constaram dos Comprovantes de Rendimentos do contribuinte, tendo sido mantida a Glosa de Pensão Alimentícia em nome de Yasmim Priscilla Costa Freitas, no valor de R$5.484,27, por não ter sido comprovado o pagamento. Ao receber o DespachoDecisório o interessado apresenta Manifestação de Inconformidade em relação a esta glosa, alegando que devido a maioridade de Yasmim P Costa Freitas, o valor da pensão foi pago diretamente a ela, mediante depósito de transferência para a conta dela e apresenta como comprovante um recibo datado de 06/12/2016, assinado pela mesma, dando quitação ao recebimento do referido valor em 2012. Contudo, o referido recibo, fls.67, não tem o condão de comprovar a transferência à alimentanda, uma vez que, conforme determinado em acordo judicial, o valor deveria ser depositado diretamente na conta poupança nº 600119875, agência 3026, Banco Santander 033, fls. 16. Desta forma, o documento hábil a comprovar o pagamento de pensão alimentícia é o comprovante de depósito. [...] Desta, forma, fica mantida a glosa de Dedução de Pensão Alimentícia Judicial, no valor de R$5.484,27, uma vez que não foi comprovado o pagamento da mesma com documento hábil. Fl. 140DF CARF MF 4 Para contrapor as razões apontadas pela DRJ, o recorrente apresenta extratos bancários de sua conta corrente contendo transferências no valor total de R$ 5.179,00 para a conta poupança de Yasmim Priscilla Costa Freitas indicada no acordo judicial da pensão alimentícia (efls. 16, 105/116), devendo ser restabelecida a dedução correspondente. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 5.179,00. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005937/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendario: 2005
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. Previsão da inversão do ônus da prova no artigo 42 da Lei n° 9.430/96.
DEPOSITO BANCÁRIO. RECEITA OMITIDA.
ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%.
Em lançamento de ofício é devida multa de 75% no mínimo calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora.
Numero da decisão: 1201-000.804
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Júnior, que davam provimento parcial para excluir a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendario: 2005 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. Previsão da inversão do ônus da prova no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. DEPOSITO BANCÁRIO. RECEITA OMITIDA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%. Em lançamento de ofício é devida multa de 75% no mínimo calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora.
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Numero do processo: 13987.000057/2003-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a prescrição e converter o julgamento em diligência à repartição de origem para averiguar a consistência dos pagamentos a maior ou indevido constantes de fls. 04.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrente BRASÃO OESTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a prescrição e converter o julgamento em diligência à repartição de origem para averiguar a consistência dos pagamentos a maior ou indevido constantes de fls. 04. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. RELATÓRIO Em 26/05/2003, o Contribuinte manejou Declaração de Compensação relativa à Contribuição Social devida ao Programa de Integração Social – PIS, relativa aos anos calendário de 1994 e 1995, para efeito de compensação do crédito em causa com débitos da própria contribuição (PIS) e COFINS, vencidos em 2002 e 2003 (fls. 0204). Instruiu o requerimento com diversos documentos (fls. 05128). Tal requerimento foi indeferido pela RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 87 .0 00 05 7/ 20 03 -5 5 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13987.000057/200355 Resolução nº 3001000.134 S3C0T1 Fl. 3 2 decisão de fls. 130135. O que ensejou a apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte (fls. 138145). A 4ª Turma da DRJ/FNS, em 16/05/2008, mediante acórdão de fls. 162164, julgou não homologada a compensação, mediante os seguintes fundamentos: Como no relatório deste acórdão se viu, afirma a contribuinte que a extinção do crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorre com a homologação do lançamento, fato este que se dá, de forma tácita, com o transcurso do prazo de cinco anos previsto no parágrafo 4.” do artigo 150 do CTN; assim, apenas depois desta homologação é que se teria o termo inicial do prazo decadencial indicado no inciso I do artigo 168 do CTN. Assim, não seria intempestivo o pleito repetitório ora em questão. Em análise do argüido, há que se dizer que a alegação da contribuinte não pode ser aqui acatada. Com efeito, além de o inciso I do artigo 168 do CTN determinar que o prazo decadencial para a repetição do indébito é de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário, o artigo 3.° da Lei Complementar n.° 118/2005, ao definir a interpretação que se deve dar àquele dispositivo do CTN, expressamente dispôs que: Art. 3°. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro e 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. (...) É aqui inacolhível, portanto, a tese apresentada pela contribuinte. São, assim, impassíveis de repetição os recolhimentos efetuados em 1995, posto que em maio de 2003 (data da apresentação da DCOMP folha 01) o prazo decadencial de cinco anos já havia se esvaído integralmente. O Contribuinte tomou ciência do referido acórdão em 16/06/2008, conforme recibo de fls. 162 e, em 14/07/2008, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 169172. Alega em síntese, as alegações tecidas na Impugnação, isto é, afirma que se aplica o prazo decenal para restituição de indébitos relativos à tributos lançados por homologação. Em reforço, transcreve doutrina e jurisprudência do TRF da 4ª Região e STJ, bem como acórdãos proferidos pela 2ª Câmara do CARF. É O RELATÓRIO. VOTO Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Conforme relatado, tratase de recurso voluntário interposto por BRASÃO OESTE LTDA em face do Acórdão nº 0712.528, proferido pela 4ª Turma da DRJ/FNS, em 16.05.2008. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância (fls. 162), o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 14/07/2018 (fls. 154), subscrito por advogado com procuração nos autos, e, atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13987.000057/200355 Resolução nº 3001000.134 S3C0T1 Fl. 4 3 Em síntese, a Primeira Instância rejeitou a homologação do pedido de repetição por considerar prescrito o direito de postular a compensação de tributos quando já decorrido mais de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário. Cingese a controvérsia recursal em verificar a pertinência de aplicação ao caso concreto da jurisprudência consolidada na SÚMULA CARF Nº 91, segundo a qual: “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador”. (conhecida tese dos cinco mais cinco). Recordese que, em 26/05/2003, o Contribuinte manejou Declaração de Compensação relativa à Contribuição Social devida ao Programa de Integração Social – PIS, relativa aos anoscalendário de 1994 e 1995, para efeito de compensação do crédito em causa com débitos da própria contribuição (PIS) e COFINS, vencidos em 2002 e 2003 (fls. 0204). Para melhor compreensão do campo de aplicabilidade da Súmula CARF nº 91, afigurase necessário trazer à baila síntese da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE n.º 566.621/RS. em que, ao reconhecer a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, fixou os parâmetros de aplicação, a saber: (i) para os processos ajuizados após a entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118/2005, em 09 de junho de 2005, o prazo para compensação/restituição do crédito tributário recolhido indevidamente ou a maior é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido; (ii) de outro lado, para as ações de restituição ajuizadas até a entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118/2005, deve ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos contados do fato gerador, tese do 5 mais 5 (cinco anos para homologar o lançamento e mais 5 para repetir). Nesse cenário, o recurso merece provimento, quanto à tese da prescrição, porque:: (a) o requerimento de compensação data de 26/05/2003 (fls. 02), antes, portanto, da data de início de vigência da Lei Complementar nº 118/2005, de 09/06/2005; e, (b) o pedido de compensação abrange créditos extintos em 1994 e 1995, isto é, dentro do prazo de 10 (dez) anos anteriores ao protocolo ocorrido em 26/05/2003; e, a contribuição para o PIS constitui tributo sujeito a lançamento por homologação. Entretanto, existe documento nos autos não apreciado pela a autoridade recorrida, uma vez que não tomou conhecimento da impugnação por entender que o direito do contribuinte já havia perecido. Assim, e para evitarse futura alegação de supressão de instância, convém que o documento alusivo ao alegado pagamento a maior seja apreciado pela repartição de origem e/ou para autoridade recorrida. Desta forma, voto no sentido de afastar a prescrição e converter o julgamento em diligência à repartição de origem para averiguar a consistência dos pagamentos a maior ou indevido constantes de fls. 04. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.906600/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, á Unidade de Origem, para que elabore relatório onde se demonstre o critério de rateio adotado para os créditos a serem descontados.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, á Unidade de Origem, para que elabore relatório onde se demonstre o critério de rateio adotado para os créditos a serem descontados. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini (Relator)
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Por bem descrever os fatos, adoto os dizeres do Relatório do Acórdão nº 09 49345, exarado pela 2ª Turma da DRJ/JUIZ DE FORA : O interessado transmitiu os Pedidos de Ressarcimento (PER) e/ou Declarações de Compensação (Dcomp) relacionados no Despacho Decisório, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 06 60 0/ 20 12 -1 9 Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.759 2 visando a compensação dos débitos nelas declarados, com crédito oriundo de PIS/Pasep nãocumulativo referente ao 4º trimestre de 2008; A DRFVitória/ES emitiu Despacho Decisório, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que : a) em preliminar: a.1) da imprecisão da apuração fiscal; a.2) da legitima desconsideração de negócios jurídicos. Da ausência de previsão legal para os procedimentos adotados pela fiscalização; b) do mérito: b.1) dos fundamentos jurídicos de validade e correção dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos auferidos pela impugnante; b.2) da insubsistência das provas apresentadas pela fiscalização; b.3) da ausência de comprovação por parte da fiscalização, acerca da participação conjunta da impugnante com as empresas laranjas citadas nos itens II.4 e II.5, do Parecer Fiscal; b.4) a contabilidade (aquisições devidamente registradas) como meio de prova em favor da impugnante – a essência sobre a forma; b.5) da patente contradição do fisco frente a atuação pretérita e atual; b.6) das diligências efetuadas sob a denominação “Operação tempo decolheita”. Da ausência de nexo de casualidade para com as operações realizadas pela recorrente; b.7) da impossibilidade de extensão em face da impugnante dos efeitos dos atos praticados no âmbito da denominada “Operação Broca”; b.8) do entendimento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento sobre a possibilidade do creditamento integral do PIS e da Cofins nas aquisições de cooperativas; b.9) sem dúvida, um dado curioso; b.10) da precariedade do trabalho fiscal – prova produzida pela impugnante; b.11) do restabelecimento integral dos créditos informados pela impugnante; É o breve relatório. 4. Assim restou ementada a decisão da DRJ/JUIZ DE FORA, materializada no retrocitado Acórdão : Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível anular decisão sem que haja fatos ofensivos ao direito de ampla defesa, ao contraditório ou às normas que definem competência. PIS/PASEP COFINS.NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ILEGITIMIDADE. PESSOA JURÍDICA IRREGULAR. A realização de transações com pessoas jurídicas irregulares, com fortes indícios de terem sido inseridas na cadeia produtiva com único propósito de gerar crédito na sistemática da não cumulatividade, compromete a liquidez e certeza do pretenso crédito, o que autoriza a sua glosa, sendo insuficiente para afastála, nesse caso, a prova do pagamento do preço e do recebimento dos bens adquiridos. Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.760 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. Irresignada com tal decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, onde, em suas razões de defesa, repisa os argumentos expendidos na impugnação como segue : 01 – FATO RELEVANTE a) aquisições de fornecedores b) aquisições de cooperativas 02 – PRELIMINARES a) da nulidade absoluta do procedimento fiscal, face ao inequívoco cerceamento ao direito de defesa da recorrente b) da descaracterização dos negócios jurídicos – situação tributária de todas as pessoas envolvidas 03 – DO MÉRITO a) da insubsistência das provas apresentadas pela fiscalização b) da contabilidade (aquisições devidamente registradas) como meio de prova em favor da recorrente – a essência sobre a forma c) da patente contradição do Fisco frente á atuação pretérita e atual d) das diligências realizadas sob a denominação “ Operação Tempo de Colheita”. Da ausência de nexo de causalidade para com as operações realizadas pela recorrente e) da impossibilidade de extensão em face da recorrente dos efeitos dos atos praticados no âmbito da denominada “Operação Broca” f) do entendimento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento sobre a possibilidade do creditamento integral do PIS e da COFINS nas aquisições de cooperativas g) sem dúvida, um dado curioso h) da precariedade do trabalho fiscal – prova produzida pela recorrente i) do restabelecimento integral dos créditos informados pela recorrente 04 – CONCLUSÃO se contornadas a s questões anteriores, o que se cogita apenas como argumento, entende a Recorrente que deve ser dado provimento integral ao presente recurso, visto que de todo corretos os seus procedimentos, em especial, pelos seguintes motivos : Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.761 4 É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 6. Peço vênia para reproduzir alguns excertos do voto do julgador da DRJ, constante do processo administrativo nº 15586.720765/201326, ao qual este se encontra apenso, que bem sintetizou as complexas operações envolvidas na autuação Os autos de infração foram lavrados tendo em vista que a empresa apurou créditos indevidos para as contribuições em Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.762 5 comento e usou parte desses créditos como dedução do valor a pagar no mês respectivo. A autoridade administrativa glosou parte dos citados créditos e indeferiu o pedido de ressarcimento respectivo e/ou não homologou as compensações correspondentes. Assim, as contribuições devidas foram declaradas a menor na DCTF relativa ao mês de apuração tendo em vista as deduções efetuadas com os créditos glosados. Essas diferenças foram lançadas nos autos de infração ora em análise. Registrase que os PER/Dcomps que deram origem às citadas glosas, constam dos processos abaixo;. PROCESSO CONTRIBUIÇÃO PERÍODO 10783.906589/201297 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2008 10783.906590/201211 COFINS NÃO CUMULATIVA 1º TRIMESTRE/2009 10783.906593/201255 COFINS NÃO CUMULATIVA 2º TRIMESTRE/2009 10783.906594/201208 COFINS NÃO CUMULATIVA 3º TRIMESTRE/2009 10783.906597/201233 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2009 10783.906599/201222 COFINS NÃO CUMULATIVA 1º TRIMESTRE/2010 10783.906601/201263 COFINS NÃO CUMULATIVA 2º TRIMESTRE/2010 10783.906603/201252 COFINS NÃO CUMULATIVA 3º TRIMESTRE/2010 10783.906605/201241 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2010 10783.906588/201242 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2008 10783.906591/201266 PIS NÃO CUMULATIVO 1º TRIMESTRE/2009 10783.906592/201219 PIS NÃO CUMULATIVO 2º TRIMESTRE/2009 10783.906595/201244 PIS NÃO CUMULATIVO 3º TRIMESTRE/2009 10783.906596/201299 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2009 10783.906598/201288 PIS NÃO CUMULATIVO 1º TRIMESTRE/2010 10783.906600/201219 PIS NÃO CUMULATIVO 2º TRIMESTRE/2010 10783.906602/201216 PIS NÃO CUMULATIVO 3º TRIMESTRE/2010 10783.906604/201205 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2010 As manifestações de inconformidade apresentadas pela empresa em face dos processos acima, foram julgadas nesta mesma sessão de julgamento tendo sido prolatados acórdãos que as consideraram improcedentes, conforme voto deste mesmo relator (fls. 1.611 dos autos digitais) ............................................................................................................... Desde a implantação do regime de apuração nãocumulativa doPIS/Pasep e da Cofins, temos notícias de que grandes empresas do ramo cafeeiro vêm realizando operações irregulares com o objetivo de apurar e acumular créditos das citadas contribuições que poderão ser ressarcidos e/ou usados em compensação se o produto for exportado. A estratégia adotada passa pela criação de empresas intermediárias,caracterizadas como agroindústrias. O café adquirido por essas empresas tem origem em produtores rurais (pessoas físicas) ou em cerealistas que ao vender seus produtos conferem ao adquirente o direito de descontar créditos presumidos com percentual de 3,238% do valor das aquisições, ou seja, 35% do crédito ordinário (normal). Posteriormente, empresas exportadoras e/ou grandes atacadistas adquirem o café dessas empresas intermediárias, apurando créditos no Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.763 6 montante de 9,25% (1,65% + 7,6%) de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativa. Até este momento, pelo menos aparentemente, não existe nenhuma ilegalidade. O grande problema está no fato de que essas “empresas intermediárias”, criadas com a conivência de grandes exportadoras e/ou grandes atacadistas, são, em regra, constituídas por interpostas pessoas, e não pagam os tributos devidos (muitas delas sequer apresentam as declarações a que estão sujeitas). Significa dizer: são empresas de fachada ou empresas laranjas. Em geral, essas empresas de fachada apresentam algumas características em comum. A saber: não possuem estrutura física condizente com as atividades que dizem exercer, visto que o mínimo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de áreas de armazenagem além de estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café; os endereços que fornecem como sendo o de sua sede, quando existem, não passam de simples “portas de garagem” e não raro os vizinhos nunca ouviram falar de tal empresa; seus sócios, quando encontrados, não possuem capacidade econômica financeira para serem proprietários de empresa deste porte. Muitas vezes não possuem sequer qualificação profissional e/ou intelectual para tal;incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acompanhado de situação de omissão contumaz. Quando apresentam as declarações exigidas pela legislação muitas delas declaram não estar em atividade ou apresentam todos os quadros zerados. Resumindo, são empresas criadas unicamente com o objetivo de gerar créditos indevidos sem pagar os tributos correspondentes. A aplicação do regime de apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins no setor agropecuário é complexa. A maior parte das operações com o café é multifásica. A primeira fase ocorre quando um produtor (pessoa física) vende seus produtos a uma pessoa jurídica (comercial atacadista, comercial varejista, agroindustrial ou cooperativa). Se a pessoa jurídica adquirente dos produtos estiver submetida ao regime de apuração nãocumulativa, deveria ter direito de apurar e deduzir os créditos do PIS/Pasep e da Cofins, que corresponderão, via de regra, às mesmas contribuições pagas na fase anterior. Ocorre que o produtor rural (pessoa física) não é contribuinte, e sendo assim não havia pagamento de contribuições que permitisse apurar crédito a ser descontado na fase posterior. Portanto, as compras de produtos e mercadorias de pessoas físicas não geravam o direito de creditamento. A aplicação do regime da forma acima relatada provocava uma distorção no mercado agropecuário. As pessoas jurídicas desse setor, que estivessem inseridas no regime de apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, rejeitavam a aquisição de produtos e mercadorias diretamente dos produtores pessoas físicas, porque estas aquisições provocavam um aumento do custo tributário de suas operações. Para tentar corrigir essas distorções, o art. 25 da Lei nº 10.684/2003, inseriu os § 10 e 11 no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, instituindo crédito presumido para o setor agropecuário. Ao criar este tipo de crédito, o legislador buscou equilibrar,ou pelo menos reduzir, as pressões mercadológicas produzidas pelo novo regime de apuração. Esse Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.764 7 crédito presumido foi aperfeiçoado quando da publicação da Lei nº 10.833/2003, cujo § 5º do art. 3º possibilitava a apuração destes créditos também em relação à Cofins. Por fim, a Lei nº 10.925/2004 revogou os dispositivos acima mencionados, e em seus arts. 8º e 9º disciplinou a matéria, verbis: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) I – (...) II – (...) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.765 8 I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o (...) § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). § 8o (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) O citado art. 9º suspendeu a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos relacionados no art. 8º, quando efetuada por:cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM pessoas jurídicas que exerçam cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; ou pessoas jurídicas que desenvolvam atividades agropecuárias e cooperativas de produção agropecuária, nas vendas de insumos para produção das mercadorias mencionadas no caput do art. 8º. Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.766 9 Em conseqüência, a possibilidade de apuração e desconto dos créditos presumidos foi expandida para as aquisições efetuadas com a suspensão de incidência estabelecida pelo art. 9º.Vale ressaltar o fato de que o crédito presumido, além de ser em valor inferior ao chamado crédito ordinário, não pode ser objeto de ressarcimento e nem de compensação, sendo especificamente destinado à dedução com débitos tributários da mesma espécie contributiva apurados em fases posteriores. Este entendimento foi formalizado por meio do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005, cujos arts 1º e 2º não permitem a compensação ou ressarcimento. Uma vez que o crédito presumido, além de ser em valor menor que o normal, não pode ser ressarcido e nem compensado, a exportação dos produtos adquiridos com esse tipo de crédito deixa de oferecer a possibilidade de ressarcimento ou compensação que ocorre em relação aos créditos normais, e, assim, ao final, os grandes prejudicados são o pequeno produtor rural e a pessoa jurídica que vende produtos com suspensão de incidência. Assim sendo, as grandes empresas exportadoras passaram à prática de adquirir produtos e mercadorias de empresas “intermediárias” (que na sua grande maioria, como já se disse, são empresas de fachada) porque essas são (em tese) contribuintes da do PIS/Pasep e da Cofins em relação às receitas de vendas desses produtos e mercadorias. E as contribuições que deveriam ser pagas por essas “intermediárias”, na fase anterior, geram o crédito ordinário de 9,25% ao invés do crédito presumido de 3,238% sobre o valor das aquisições. Os pequenos produtores, para não ficar fora do mercado, são compelidos a vender para estas “intermediárias”, cuja única finalidade é produzir créditos apurados com base no percentual de 9,25%, os quais serão ressarcidos nas exportações. No ramo do café, onde as exportações atingem um grande percentual da produção, este fato produz montantes realmente muito elevados de créditos que podem ser ressarcidos e/ou compensados. Os expedientes até aqui descritos trazem para as empresas que deles se valem duas vantagens cumulativas: além da majoração indevida do crédito gerado, permitem a burla da restrição à compensação e ao ressarcimento imposta aos créditos presumidos. Outra estratégia usada consiste no fato de se adquirir o café de cooperativas e cerealistas como se fossem para revenda. Assim, nos termos da legislação de regência, as vendas devem ser efetuadas sem a suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins prevista no art. 9º acima, ou seja, o vendedor fica obrigado ao pagamento dessas contribuições. No entanto, a empresa vendedora (muitas vezes uma cooperativa), mesmo informando na nota fiscal que efetuou a venda “sem suspensão”, ao preencher o Dacon respectivo considera a venda como se fosse “com suspensão”, ou seja, como se fosse para industrialização e não para revenda, não pagando a contribuição devida. Quando questionada por uma autoridade fiscal ela simplesmente responde que errou ao emitir a nota fiscal. A questão é que esse fato se repete em praticamente todas as notas fiscais emitidas para um determinado grupo de empresas, todas elas grandes exportadoras, o que induz a se acreditar na existência de acordo escuso entre vendedores e compradores no sentido de se produzir ilegalmente créditos a serem ressarcidos, o que gera enorme prejuízo aos cofres públicos. Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.767 10 Tais conclusões ultrapassam a condição de meras conjecturas na medida que as irregularidades apuradas demonstram no caso concreto semelhante modus operandi ao constatado em esquema de vantagens tributárias ilegais entre empresas comerciantes, exportadoras e torrefadoras de café do Espírito Santo (ES) e em Minas Gerais (MG). Esquema desvendado por operações deflagradas pela Receita Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal (Tempo de Colheita e Broca), amplamente divulgado na mídia conforme excerto abaixo, extraído da Revista Cafeicultura, reportagem de 02/06/2010 (http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=3284 3): Na manhã desta terçafeira (1º), foi deflagrada uma operação, no Espírito Santo, baseada em investigações que sobre um esquema de obtenção de vantagens tributárias ilícitas por parte de empresas especializadas na exportação e na torrefação de café. A fraude teria resultado em um prejuízo aos cofres públicos de R$ 280 milhões. Documentos, computadores e armas foram apreendidos. As investigações apontam 39 empresas exportadoras, ao menos 23 atacadistas laranjas envolvidas no esquema. Na operação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão em 74 locais. Já foram 25 prisões na operação até o momento, dos 32 mandados expedidos Sete pessoas ainda não foram encontradas. Buscas foram realizadas em 74 endereços entre empresas e residências dos investigados, nos municípios de Colatina, Domingos Martins, Linhares, São Gabriel da Palha, Viana, Vila Velha Vitória e também em Manhuaçu (MG). Cerca de 20 homens foram ao Palácio do Café, na Enseada do Suá, em Vitória, de onde a operação foi desdobrada para outros dois prédios, o Arábica e o Conilon, também na Enseada. No Palácio do Café oito salas foram vistoriadas. Por volta das 9h agentes saíram com dois malotes contendo documentos apreendidos. A operação, denominada \"Broca\", conta com 337 homens da Polícia Fedral, com apoio de agentes de outros estados, além de 107 fiscais da Receita Federal Esquema. As firmas de exportação e torrefação envolvidas no esquema utilizavam empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra do café dos produtores. As empresas beneficiárias da fraude eram as verdadeiras compradoras da mercadoria, mas formalmente quem aparecia nessas operações eram as empresas laranjas, que na verdade tinham como única finalidade a venda de notas fiscais, o que garantia a obtenção ilícita de créditos tributários. As empresas exportadoras conseguiam, por meio de criação de empresas laranjas, créditos de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Essas empresas de exportação e torrefação usavam esses créditos para quitar seus próprios débitos tributários ou até mesmo para pedir ressarcimento junto ao Fisco. As empresas fictícias, no entanto, não recolhiam esses impostos, até porque não tinham lastro econômico para isso, uma vez que eram laranjas, criadas somente para \"guiar\" com suas notas fiscais o café para os verdadeiros compradores e gerar os créditos tributários. O creditamento para exportadores e torrefadores, portanto, era indevido, Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.768 11 já que eram ressarcidos de valores que jamais entraram nos cofres públicos. As empresas, apesar de registradas como atacadistas, não tinham armazéns e funcionavam em pequenas salas. Para o Ministério Público Federal (MPF), está claro que as empresas exportadoras não só tinham conhecimento da fraude, mas também ditavam suas regras. Ao todo existem 300 empresas no Espírito Santo registradas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) como atacadistas de café. Segundo a delegada da Receita Federal, Laura Gadelha, grande parte delas foi criada para o esquema de fraudes. Algumas, inclusive, com vida útil em torno de um ano. ................. Crimes seriam praticados desde 2003 As investigações, realizadas em conjunto pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, pelo MPF e pela PF, começaram em outubro de 2007 com a deflagração da Operação Tempo de Colheita, quando auditores fiscais da Receita fiscalizavam o setor de comércio de café, inicialmente em empresas localizadas nas regiões Noroeste e Norte do estado. A prática criminosa, ainda segundo o MPF, vem ocorrendo desde 2003. Há indícios consistentes da existência dos crimes de formação de quadrilha, crime contra a ordem tributária, falsidade ideológica e estelionato. Mais recentemente, foi desencadeada a operação denominada de “Robusta”, que culminou na prisão de sete empresários, tendo em vista que “as investigações do MPES e da Receita Estadual apontam que empresas utilizavam notas fiscais irregulares e simulavam a compra de café de outras 25 empresas de fachadas, localizadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro”. (notícia extraída do Portal G1/RJ de 09/04/2013). Ao constatar o tamanho da evasão de divisas em funçãonesse tipo de esquema fraudulento, e, segundo noticiado pela imprensa nacional, a pedido da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), e visando acabar com essas operações de geração de créditos irregulares foi editada a Medida Provisória nº 545/2011,convertida na Lei 12.599/2012 que introduz nova sistemática de apuração de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nos casos de exportação de café. Reportagem sobre a citada MP nº 545/2011 publicada no jornal Valor Econômico, edição de 10/02/2012, de autoria de Carine Ferreira, relata que “segundo os defensores do novo regime, como a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a tributação anterior gerava fraudes, irregularidades e favoreciam algumas poucas empresas”. Quando autuadas pela Receita Federal do Brasil ou quando o pedido de ressarcimento dos créditos apropriados indevidamente é indeferido, via de regra, as beneficiárias apresentam defesa nas quais alegam basicamente as mesmas razões: são compradoras de boa fé; não tinham conhecimento que as vendedoras eram “laranjas” e não podiam apurar esse fato; e a operação mercantil foi realizada. Ora, mesmo tendo em mente a presunção de boa fé das adquirentes, causa profunda estranheza o fato de, ao comprar café de fornecedores estabelecidos em cidades não muito grandes, essas empresas não saibam que aquelas das quais compram grande parte do café que exportam são empresas de fachada. Afinal, Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.769 12 considerando o volume das operações efetuadas, para se concretizar a compra seus dirigentes precisariam ir até a sede da vendedora quando e onde certamente constatariam a precariedade ou inexistência de suas instalações. Da mesma forma teriam que se relacionar com os funcionários dessas “laranjas” e se cientificariam de que na verdade não existem. Também, é de se supor, iriam querer ter contato com os sócios das intermediárias e poderiam certamente ver que, quando encontrados, são pessoas sem as mínimas qualificações necessárias para atuar na direção de uma empresa. ................................................................................................................... ......................... Pelo contrário; no presente caso, a autoridade fiscal demonstra, por meio do PARECER FISCAL GAB903/ DRF/VIT/ES nº 007/2013 anexo, que a manifestante adquiriu o café que exporta de empresas que se enquadram perfeitamente na descrição das empresas de fachadas acima. ................................................................................................................. No entanto, como a autoridade fiscal explica no citado PARECER FISCAL GAB903/ DRF/VIT/ES nº 007/2013, “entre os documentos que fundamentam o presente Parecer estão aqueles carreados ao longo da investigação TEMPO DE COLHEITA .– como declarações prestadas a termo por produtores rurais/maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada. 7. Tanto nas preliminares da sua impugnação, como nas suas razões recursais a recorrente alega que " a autoridade fazendária não trouxe aos autos os elementos necessários para demonstrar como foram apurados os ‘rateios’ dos valores por ela discriminados nas Tabelas constantes do referido Parecer, os quais foram utilizados pela mesma como base para a aplicação dos percentuais das glosas sobre as aquisições efetuadas pela Impugnante, falha esta que a prejudica em seu regular e legítimo direito de defesa, inclusive impossibilitando a de infirmar com precisão os supostos débitos indicados pela fiscalização 8. Verificando o Parecer Fiscal GAB903/DRF/VIT/ES nª 007/2013, (fls. 1.095 a 1.344 dos autos digitais do processo 15586.72765/201326), encontramos ás fls.1.331 o item II.6.4 RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR APÓS GLOSAS EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO, E ÁS FLS. 1.333 encontramos a LETRA (G) RATEIO DO CRÉDITO PASSÍVEL RESSARCIMENTO, onde os Auditores Fiscais esclarecem ; " o rateio dos créditos a descontar da linha (F) foi efetuado com base na proporção da receita de vendas de bens e serviços : receita mercado interno (tributada) e receita de exportação" 9. Ás fls. 1.077 do processo 15586.72765/201326 encontrase o Demonstrativo PIS NÃOCUMULATIVO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR , com os quadros F e G respectivamente F) TOTAL DE CRÉDITOS APURADO NO MÊS SUJEITO AO RATEIO VALOR AJUSTADO PELA FISCALIZAÇÃO Rateio apenas Crédito Integral e (G) Rateio do crédito a descontar com base na proporção da Receita Bruta auferida Receita de Vendas de Mercadorias no Mercado interno (tributada) , Receita de Vendas de Mercadorias p/ o Mercado Externo (Exceto Compra Fim Específio Exportação) Créditos vinculados às operações no Mercado interno , Créditos vinculados às operações no Mercado Externo . Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 10783.906600/201219 Resolução nº 3301000.902 S3C3T1 Fl. 1.770 13 10. Entendemos assistir razão á recorrente quando afirma não estar claro o critério utilizado pela fiscalização para o rateio dos créditos a serem descontados, pois que examinando os quadros citados não se vislumbra o critério adotado de forma clara detalhadamente demonstrada, o que pode ser interpretado pela recorrente como um cerceamento de defesa, pois esta alega que teria dificuldade em entender tal rateio. 11. Diante destas considerações, proponho que os autos sejam encaminhados á DRF/VITÓRIA/ES para que, em diligência fiscal : a) seja elaborado relatório onde se demonstre o critério de rateio adotado para os créditos a serem descontados, especificando os detalhes de como foram encontrados os valores do demonstrativo Demonstrativo PIS NÃOCUMULATIVO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR , com os quadros F e G respectivamente F) TOTAL DE CRÉDITOS APURADO NO MÊS SUJEITO AO RATEIO VALOR AJUSTADO PELA FISCALIZAÇÃO Rateio apenas Crédito Integral e (G) Rateio do crédito a descontar com base na proporção da Receita Bruta auferida Receita de Vendas de Mercadorias no Mercado interno (tributada) , Receita de Vendas de Mercadorias p/ o Mercado Externo (Exceto Compra Fim Específio Exportação) Créditos vinculados às operações no Mercado interno , Créditos vinculados às operações no Mercado Externo . b) seja dada ciência deste relatório á recorrente, facultandolhe manifestação em até 30 dias da data da ciência 12. Após, sejam os autos retornados a este CARF para julgamento dos recursos voluntários apresentados neste e nos processos em apenso. 13. É como voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 1771DF CARF MF
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