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Numero do processo: 14041.000841/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara, que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no parágrafo 3. do art. 2. da Portaria CARF n. 001, de 3 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000841/200568 Recurso nº Resolução nº 220200231 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de maio de 2012 Assunto Sobrestamento de Julgamento Recorrente OLDEMAR BORGES DE MATOS Espólio Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara, que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no parágrafo 3. do art. 2. da Portaria CARF n. 001, de 3 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Eivanice Canário da Silva, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000841/200568 Resolução n.º 220200231 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento de Brasília/DF que manteve parte da autuação sobre autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurado mediante a quebra do sigilo bancário, com requisição endereçada ao “Banco do Brasil” (extratos fls. fls. 25/75) e “Banco ABN Amro Real” (fls. 78/114), ambas expedidas pela d. Autoridade Lançadora – MPF (fls. 23/24 e fls. 76/77, respectivamente) e dedução indevida de despesas médicas e aplicação de multas isoladas. Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2001, anocalendário de 2000, por AFRF da DRF/Brasília/DF. A ciência do lançamento ocorreu em 03/11/2005, conforme Aviso de Recebimento de fl. 278, verso. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto: R$ 460.193,52; Juros de Mora (cálculo até 30/09/2005): R$ 361.712,10; Multa Proporcional (passível de redução): R$ 46.019,35; Multa Exigida Isoladamente: R$ 16.903,55; Total do Crédito Tributário: R$ 884.828,52. O lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: 1) Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Físicas — omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrentes do trabalho sem ví: tculo empregatício, nos valores de R$ 1.366,19 (25/05/2000), R$ 14.577,37 (06/06/2000), RS 35.763,00 (24/11/2000) e R$ 950,00 (31/12/2000). 2) Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas — glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte no valor de R$ 10.51$,96. A glosa corresponde ao somatório das mensalidades pagas para cobertura de assistência médica de familiares não dependentes do contribuinte feitos à Caixa de Assistência dos Advogados do DF. 3) Omissão e Rendimentos Provenientes de Depósitos Bancários — omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários no valor de R$ 1.610.255,47, caracterizada por valores creditados nas contas de depósito ou de investimento, mantidas nas instituições financeiras Caixa Econômica Federal, Banco ABN AMRO Real S/A e Banco do Brasil S/A, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Multa Exigida Isoladamente pela Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Título de CarnêLeão — falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a título de carnêleão, em decorrência de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 16.903,55. Termo início da verificação fiscal às fls. 10, demonstrativo do crédito tributário às fls. 005, no importe total de R$ 884.828,52. Auto de Infração a fls. 254/262, onde consta a descrição dos fatos e o enquadramento legal, apontando como causa do crédito tributário em tela a omissão de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000841/200568 Resolução n.º 220200231 S2C2T2 Fl. 3 3 rendimentos, dedução indevida de despesas médicas, depósitos bancários de origem não comprovada, e multas isoladas. Demonstrativo de apuração IR e multa, às fls. 273; termo de encerramento fls. 277. Contribuinte ciente do lançamento (autuação) em 03/11/2005 (AR de fls. 278/verso). Decisão recorrida a fls. 300/305. Ciência às fls. 312 (AR assinado em 19/03/2008). Ao a decisão recorrida reduziu a multa isolada de 75% para 50% (R$ 11.269,04) mantendo inalterado o restante do crédito lançado. Recurso Voluntário às fls. 313/322, onde o Recorrente pede o sobrestamento do feito até decisão final no processo judicial de exibição de documentos, promovida contra a Caixa Econômica Federal (constante de fls. 287/291, com cópia da decisão de deferimento às fls. 292/293), para que não seja cerceado o direito constitucional da ampla defesa, possibilitando que o recorrente carreie aos presentes autos os alvarás emitidos pela Justiça do Trabalho, os quais comprovarão cabalmente o equívoco da fiscalização na apuração da base de cálculo do lançamento de oficio, ora combatido. Salienta que o equívoco da decisão impugnada se materializou ao entender a primeira instância pela presença de “elementos” suficientes ao julgamento do feito, pois que, em seu entendimento, o feito não fora suficientemente instruído, a viabilizar o seu julgamento, tendo em vista a não juntada dos documentos por ele solicitados à CEF, o que motivou a propositura da aludida cautelar de exibição de documentos!! Sustenta que foi essa a causa de seu pedido de dilatação do prazo para apresentar os documentos exigidos, aduzindo que tais documentos estão em poder da CEF, a qual possui em seu banco de dados todos os alvarás de levantamento emitidos pela Justiça do Trabalho nas ações em que o recorrente em tela atuou como advogado, e que somente com a apresentação desses alvarás, será possível identificar qual foi a renda do contribuinte e quais valores foram repassados aos seus clientes. Informa o recorrente que a CEF, a fim de procrastinar o feito, e para não pagar a multa diária fixada pelo r. Juízo da 22ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, insiste em juntar documentos que nada tem a ver com o pedido. Assim, com o intuito de comprovar que esta fazendo o possível para obter os alvarás, junta, no presente Recurso a última petição feita no processo judicial, seu andamento e todos os documentos que foram, até agora, apresentados pela CEF. Alternativamente, pede a inaplicabilidade da multa isolada concomitante com a multa de oficio, asseverando, que a multa proporcional, em conjunto com a multa isolada, utiliza a mesma base de cálculo, é matéria esta condenada por esse Egrégio Conselho, que possui entendimento unânime no sentido de ser inaplicável a multa isolada em concomitância com a multa de oficio, com a mesma base de cálculo. (cita Acórdão 10614239) É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000841/200568 Resolução n.º 220200231 S2C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Tratase de autuação com quebra do sigilo bancário, sem ordem judicial. Assim, ante a repercussão geral sobre a matéria no C. STF, a apreciação do presente recurso encontrase prejudicada pela quebra do sigilo e deve ser sobrestado com base no art. 62A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Em face da existência de Repercussão Geral sobre a quebra do sigilo bancário, sem autorização judicial, no C. STF, objeto do RE n° 601.314, necessário o sobrestamento do feito para ulterior deliberação, na forma do art. 62A, do Reg. Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22.06.2009: Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005241/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006, 2007
PIS/COFINS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
O PIS/COFINS não incide sobre as vendas com fim específico de exportação realizadas a empresa comercial exportadora.
PIS/COFINS. VENDAS COM SUSPENSÃO.
A suspensão do pagamento do PIS/COFINS a que alude o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 está condicionada ao prévio envio à contribuinte, por parte do destinatário dos produtos, da declaração prevista na Instrução Normativa SRF nº 660/2006.
Numero da decisão: 1201-001.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2006, 2007 PIS/COFINS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. O PIS/COFINS não incide sobre as vendas com fim específico de exportação realizadas a empresa comercial exportadora. PIS/COFINS. VENDAS COM SUSPENSÃO. A suspensão do pagamento do PIS/COFINS a que alude o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 está condicionada ao prévio envio à contribuinte, por parte do destinatário dos produtos, da declaração prevista na Instrução Normativa SRF nº 660/2006.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
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COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PASSIVO FICTÍCIO. Caracteriza omissão de receita a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007 PIS/COFINS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. O PIS/COFINS não incide sobre as vendas com fim específico de exportação realizadas a empresa comercial exportadora. PIS/COFINS. VENDAS COM SUSPENSÃO. A suspensão do pagamento do PIS/COFINS a que alude o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 está condicionada ao prévio envio à contribuinte, por parte do destinatário dos produtos, da declaração prevista na Instrução Normativa SRF nº 660/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 52 41 /2 01 0- 40 Fl. 4091DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 3 2 Convocada), Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0633.134, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba PR. Conforme informado no termo de verificação fiscal, a autoridade acusa a contribuinte de haver cometido as seguintes infrações à legislação tributária (fl. 253 e ss.): a) omissão de receitas caracterizada pela existência de passivo fictício em todos os trimestres dos anos de 2006 e 2007. Afirma a autoridade que, apesar de intimada para tanto, a fiscalizada não se manifestou sobre a irregularidade apontada; b) omissão de receitas caracterizada pela existência de saldo credor de caixa em todos os trimestres do ano de 2006. Explica o auditor que, da mesma forma, a fiscalizada não se manifestou sobre a irregularidade apontada; c) falta de declaração e recolhimento da contribuição para o PIS e da Cofins devidas em todos os meses dos anos de 2006 e 2007. Diz o auditor que a contribuinte apresentou Dacon “sem movimento” relativamente ao período objeto da fiscalização. Afirma também que, intimada a demonstrar as bases de cálculo dessas contribuições, a contribuinte informou que a integralidade de suas receitas está sujeita à alíquota zero. Explica que, intimada sobre o porquê, a fiscalizada silenciou. Verificou também o auditor que a contribuinte apresentou “sem movimento” as DCTFs dos períodos fiscalizados, bem como não recolheu qualquer tributo relativamente ao ano de 2007. Em razão das infrações acima apontadas foram lavrados autos de infração para exigência de IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL (fl. 260 e ss.). Impugnada a exigência (fl. 315 e ss.), a DRJ de origem observou a existência de divergência entre valores de omissão de receita apurados pelo auditor. Constatou, por exemplo, que relativamente ao ano de 2007 o passivo fictício indicado no termo de verificação fiscal não havia sido transportado para o auto de infração. Em razão dessa e de outras incorreções, o órgão julgador de primeiro grau solicitou à autoridade lançadora que sanasse as irregularidades, se fosse o caso (fl. 1245 e ss.). Referidas irregularidades foram sanadas por meio de intimação dirigida à contribuinte (fl. 1293 e ss.), bem como de lavratura de auto de infração complementar (fl. 1249 e ss.). Impugnado também o lançamento complementar, a DRJ de origem decidiu pela procedência parcial da exigência para afastar a imputação decorrente da apuração de saldo credor de caixa referente aos 2º, 3º e 4º trimestres do ano de 2006 (fl. 3106 e ss.). Fl. 4092DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 4 3 Irresignada com a parcela da exigência mantida a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 3151 e ss.): a) decadência relativamente à omissão de receita no valor de R$ 857.577,03, tendo em vista que o suprimento de caixa é um fato que remonta ao ano de 2003; b) é confiscatória a multa de 75% calculada sobre os tributos apurados pela fiscalização; c) o valor de R$ 857.577,03 não corresponde a passivo fictício, e sim a empréstimo obtido junto ao sócio, conforme contrato em anexo; d) a atividade econômica exercida pela contribuinte é a de cerealista. Nessa atividade são comercializadas commodities agrícolas cujo preço é fixado diariamente pelo mercado, também denominado de preço de lousa. O cerealista armazena os produtos entregues pelos produtores, e os vende somente quando estes dão a ordem; e) no momento da entrega da commodity à cerealista é emitida uma nota fiscal (CFOP 1102) e o produtor recebe apenas uma pequena parte do valor dos produtos entregues. A venda somente se concretiza no dia que o produtor der a ordem, razão pela qual aplicase ao caso o disposto no art. 116, II, do CTN; f) é ilegal a exigência de juros de mora calculados com base na taxa Selic; g) quanto à contribuição para o PIS e à Cofins, sua exigência é ao menos em parte improcedente, tendo em vista que não incidem sobre vendas com fim específico de exportação; h) a receita omitida oriunda de passivo fictício e saldo credor de caixa não pode ser utilizada para o lançamento das contribuições; i) os produtos saídos do estabelecimento da contribuinte encontramse sob o regime de suspensão da contribuição para o PIS e da Cofins, conforme disposto na Instrução Normativa nº 660/2006. Se as saídas não estivessem suspensas, a empresa teria direito ao crédito dessas contribuições; j) não poderia ter sido realizado lançamento complementar, visto que o feito envolve fatos geradores prescritos. Ademais, houve violação ao direito de defesa, já que o Decreto nº 3.724/2001 determina que os procedimentos fiscais devam ser precedidos de mandado; k) tendo em vista que a atividade exercida pela contribuinte tem natureza agroindustrial, não há que se falar em exigência de Cofins, mas sim de Funrural. Trazidos os autos à julgamento, esta Turma resolveu convertêlo em diligência para que a contribuinte apresentasse de maneira organizada os documentos juntados aos autos, bem como para que a fiscalização sobre eles se manifestasse. Cumprida a providência, a autoridade elaborou informação fiscal onde se pronunciou sobre os quesitos formulados no pedido de diligência. Por sua vez, intimada para tanto, a recorrente apresentou contrarrazões à informação fiscal. Fl. 4093DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Alegação de Decadência Alega a defesa que os créditos tributários lançados em virtude da apuração do passivo fictício no valor de R$ 857.577,03, presente no balanço da empresa levantado em 31/12/2006, foram alcançados pelo decurso do prazo decadencial, haja vista que referese a mútuo contraído junto ao Sr. André Luiz Pereira no ano de 2003, conforme contrato anexado ao voluntário (fl. 3186 e ss.). Ocorre que conforme reconhecido pela própria recorrente, o mutuante vem a ser seu sócio administrador. Em assim sendo, a data aposta no contrato de mútuo anexado pela defesa não pode ser aqui admitida como verdadeira, haja vista que o documento foi assinado por pessoas que têm interesse comum na situação (a empresa e seu sócio), e não foi registrado em cartório de títulos e documentos, que confirmaria a data da assinatura do contrato. Isso posto, permanece a presunção de omissão de receita caracterizada por passivo fictício apurado no balanço levantado em 31/12/2006. E segundo o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, os créditos tributários lançados em virtude dessa infração seriam alcançados pelo decurso do prazo decadencial em 31/12/2011. Ocorre que os lançamentos original e complementar foram cientificados ao sujeito passivo antes dessa data, respectivamente em 28/09/2010 e em 18/02/2011. 3) Das Omissões de Receita Saldo Credor de Caixa e Passivo Fictício A autoridade fiscal verificou a existência saldo credor de caixa na contabilidade da empresa relativamente aos quatro trimestres de 2006. Ademais, apesar de intimada para tanto, a contribuinte deixou de comprovar as obrigações mantidas em seu passivo nos quatro trimestres do ano de 2006 e nos quatro trimestres do ano de 2007. A DRJ de origem afastou a ocorrência de saldo credor de caixa relativamente aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2006 por haver constatado que a autoridade havia deixado de zerar o saldo credor na passagem de um trimestre para o seguinte. Dessa decisão não coube recurso de ofício. Quanto ao passivo fictício, manteve integralmente o lançamento. No que concerne ao passivo fictício a recorrente torna a alegar que o valor de R$ 857.577,03 referese a empréstimo contraído junto ao sócio em 2003. Quanto aos valores apurados pela fiscalização a título de passivo fictício na rubrica fornecedores, alega que, atuando como cerealista, recebe e armazena os grãos faturando apenas uma fração do valor dos produtos entregues. Afirma que somente quando o produtor dá a ordem de venda é que fatura o restante do preço. Explica que o passivo questionado pela fiscalização é existente, e decorre da sistemática empregada na comercialização dos grãos. Fl. 4094DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 6 5 Em sua informação fiscal a autoridade diligenciante acolheu a explicação do passivo fictício somente quanto à rubrica fornecedores, ainda assim apenas parcialmente, haja vista que manteve a presunção legal relativamente às aquisições desamparadas de nota fiscal. Nas contrarrazões à informação fiscal a interessada afirma haver anexado as notas fiscais faltantes. Ocorre que, pelo exame dos documentos anexados às contrarrazões apresentadas pela recorrente é possível verificar a inexistência das aludidas notas fiscais, razão pela qual devese manter o passivo fictício quanto a estas. Igualmente, em virtude da não apresentação dos documentos necessários à comprovação do passivo referente demais valores lançados a título de passivo fictício, devese manter a exigência. Quanto ao saldo credor de caixa do 1º trimestre de 2006 não há reparos a fazer ao lançamento. Referido saldo foi encontrado na própria contabilidade da fiscalizada, sem que o auditor promovesse qualquer ajuste no registro da conta caixa. Por fim, não há como se acolher a alegação segundo a qual sobre a omissão de receita lastreada em presunções legais não incidem o PIS/Cofins. Uma vez que as bases de cálculo dessas contribuições é o faturamento, a omissão de receita de vendas dá ensejo ao lançamento de ofício. Ademais, como não é possível provarse que a omissão corresponde a vendas de produtos beneficiados com suspensão ou não incidência do PIS/Cofins, impõese a exigência dos valores lançados. 4) Do PIS/Cofins Vendas com Suspensão Cerealista A autoridade fiscal constituiu crédito tributário relativo à contribuição para o PIS e à Cofins referente à totalidade de suas vendas dos anos de 2006 e 2007 em virtude de a empresa haver apresentado as respectivas DACONs “zeradas” e de não ter respondido à intimação que lhe foi dirigida com vistas a explicar o fato. Em sua defesa a interessada alega que tratase, em parte, de produtos de vendas com fim específico de exportação, em relação à quais não incide o PIS/Cofins, e em parte de vendas com incidência suspensa dessas contribuições nos termos da Instrução Normativa SRF nº 660/2006. No que concerne às vendas com suspensão do PIS/Cofins, a autoridade diligenciante entendeu que a recorrente deixou de cumprir as condições estabelecidas pela Instrução Normativa SRF nº 660/2006. Em especial, alegou a autoridade que: (i) a recorrente deixou de registrar nas respectivas notas fiscais que a venda foi realizada em regime de suspensão da incidência das contribuições, e; (ii) somente parte dos adquirentes das mercadorias apresentou o termo de responsabilidade exigido pela legislação e, mesmo os que apresentaram, o fizeram somente após o início da ação fiscal. Pois bem, sobre a suspensão do PIS/Cofins os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 assim estabelecem: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse Fl. 4095DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 7 6 capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3odasLeis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº11.196, de 21/11/2005); (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Grifamos) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Grifamos) (...) Como base no acima transcrito art. 9º, § 2º, da Lei nº 10.925/2004 a SRF, por meio de sua Instrução Normativa nº 660/2006, estabeleceu as condições para o gozo do benefício, entre elas, a que exige que a empresa adquirente apresente à fornecedora declaração nos seguintes termos (anexo I da IN SRF 660/2006): ANEXO I DECLARAÇÃO Ilmo. Sr. ........................................................... (representante legal da pessoa jurídica vendedora) Fl. 4096DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 8 7 (Nome da pessoa jurídica adquirente), com sede (endereço completo), inscrita no CNPJ sob o nº ........................................., neste ato representada por (nome e CPF do representante legal da pessoa jurídica adquirente), DECLARA à (nome da pessoa jurídica vendedora), para fins de suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), na forma do art. 9º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, que apura o imposto de renda com base no lucro real. DECLARA, ainda, que os produtos adquiridos (destinamse / NÃO se destinam) à fabricação dos produtos: I relacionados no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004; ou II classificados na posição 22.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Para esse efeito, a declarante assume o compromisso de informar à Secretaria da Receita Federal e à pessoa jurídica vendedora, imediatamente, eventual alteração da presente situação e afirma estar ciente de que a falsidade ou omissão na prestação destas informações, sem prejuízo do disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, sujeitálaá, juntamente com as demais pessoas que para ela concorrerem, às penalidades previstas na legislação criminal e tributária, relativas à falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal) e ao crime contra a ordem tributária (art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990). Local e data...................................................... ___________________________________________ Representante Legal da Pessoa Jurídica Adquirente Ora, como a recorrente não possuía, à época dos fatos geradores ora sob exame, as declarações que deveriam ter sido apresentadas pelos adquirentes de suas mercadorias, não poderia ter se beneficiado da suspensão do PIS/Cofins. Por fim, quanto à alegação de que não é contribuinte da Cofins, e sim do Funrural, é de se dizer que o art. 5º da Lei nº 10.833/2003 estabelece que é contribuinte da Cofins toda pessoa jurídica que auferir as receitas aludidas no art. 1º da mesma Lei, como é o caso da ora recorrente. 5) Do PIS/Cofins Vendas com Não Incidência Fim Específico de Exportação Como dito no início do capítulo anterior deste voto, a autoridade fiscal constituiu crédito tributário relativo à contribuição para o PIS e à Cofins referente à totalidade de suas vendas dos anos de 2006 e 2007 em virtude de a empresa haver apresentado as respectivas DACONs “zeradas” e de não ter respondido à intimação que lhe foi dirigida com vistas a explicar o fato. Em sua defesa a interessada alega que tratase, em parte, de produtos de vendas com fim específico de exportação, em relação à quais não incide o PIS/Cofins, e em Fl. 4097DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 9 8 parte de vendas com suspensão dessas contribuições nos termos da Instrução Normativa SRF nº 660/2006, estas últimas tratadas no capítulo anterior. No que toca às vendas com fim específico de exportação a autoridade diligenciante acolheu em parte a não incidência. Conforme se observa na informação fiscal, o auditor reconheceu que todas as notas fiscais em questão foram emitidas pela recorrente com CFOP correspondente a fim específico de exportação, e as mercadorias tiveram como destinatárias empresas comerciais exportadoras. Todavia a autoridade admitiu apenas as notas fiscais que constavam nos memorandos de exportação emitidos pelas empresas comerciais exportadoras. Entendo, entretanto, que a responsabilidade da recorrente pela não incidência do PIS/Cofins limitase ao cumprimento das seguintes condições: (i) a nota fiscal mencione que a remessa é feita com fim específico de exportação, e; (ii) o destinatário das mercadorias seja empresa comercial exportadora. É o que estabelecem o art. 5º, III, da Lei nº 10.637/2002 e o art. 6º, III, da Lei n º 10.833/2003, in verbis: Lei nº 10.637/2002: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) Lei nº 10.833/2003: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) Acaso as empresas comerciais exportadoras deixarem de exportar no prazo legal as mercadorias recebidas com fim específico de exportação, caberá a elas a responsabilidade pelo pagamento do PIS/Cofins alcançados pela não incidência condicionada acima referida, conforme prescreve o abaixo transcrito art. 9º da Lei nº 10.833/2003: Art. 9º A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Fl. 4098DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 10 9 Isso posto, devese afastar a exigência do PIS/Cofins sobre a totalidade das vendas com fim específico de exportação, haja vista o cumprimento, por parte da recorrente, das condições da não incidência daquelas contribuições. 6) Multa e Juros Alega a defesa ser confiscatória a multa de 75% imposta sobre os valores dos tributos lançados. Ocorre que a penalidade em questão encontra previsão no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Em assim sendo, esta Turma não detém competência para apreciar, neste ponto, os argumentos da defesa, haja vista o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e a Súmula nº 2 do CARF, que assim dispõem: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Súmula nº 2 do CARF (DOU de 09/12/2010) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Alega também a interessada ser incabível a adoção da taxa Selic no cálculo do juros de mora. Sobre esse assunto o CARF, por meio de sua Súmula nº 4, assim se pronunciou de maneira vinculante perante as Turmas que o compõem: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 7) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, conforme abaixo: a) manter a exigência do IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL incidente sobre o passivo fictício abaixo demonstrado: Período Passivo Fictício Apurado Passivo Fictício Mantido 1º Trim. 2006 2.200.826,43 114.596,95 2º Trim. 2006 1.888.387,74 272.139,82 3º Trim. 2006 2.286.603,38 112.506,46 4º Trim. 2006 2.677.528,83 1.281.960,70 Fl. 4099DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.005241/201040 Acórdão n.º 1201001.033 S1C2T1 Fl. 11 10 1º Trim. 2007 3.267.656,57 249.810,72 2º Trim. 2007 1.625.695,55 89.745,49 3º Trim. 2007 3.204.128,74 44.254,36 4º Trim. 2007 1.497.166,15 244.739,41 b) afastar a exigência do PIS/Cofins incidente sobre a totalidade das vendas com fim específico de exportação (item 5 do voto), inclusive aquelas não aceitas na informação fiscal elaborada pela autoridade que realizou a diligência. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 4100DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 11128.003128/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/03/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOME COMERCIAL IGEPAL CO 430.
O produto denominado comercial por IGEPAL CO 430, identificado por laudos técnicos como uma mistura de Alquilfenol Etoxilado, na forma líquida, à base de compostos orgânicos, um produto diverso das indústrias químicas, não especificado nem compreendido em outras posições, deve ser classificada no código NCM/SH 3824.90.89.
RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. IMPOSTOS A PAGAR. MULTA DE OFÍCIO
Havendo a reclassificação fiscal da mercadoria, com alteração para maior das alíquotas do II e ao IPI, exigível a diferença dos impostos juntamente com as multa de ofícios, por falta de recolhimento e declaração inexata, e juros moratórios.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada.
MULTA SOBRE O CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO
A falta de Licença de Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente RHODIA BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOME COMERCIAL “IGEPAL CO 430”. O produto denominado comercial por “IGEPAL CO 430”, identificado por laudos técnicos como uma mistura de Alquilfenol Etoxilado, na forma líquida, à base de compostos orgânicos, um produto diverso das indústrias químicas, não especificado nem compreendido em outras posições, deve ser classificada no código NCM/SH 3824.90.89. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. IMPOSTOS A PAGAR. MULTA DE OFÍCIO Havendo a reclassificação fiscal da mercadoria, com alteração para maior das alíquotas do II e ao IPI, exigível a diferença dos impostos juntamente com as multa de ofícios, por falta de recolhimento e declaração inexata, e juros moratórios. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. MULTA SOBRE O CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO A falta de Licença de Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Recurso Voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 31 28 /2 00 7- 90 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 157 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculado através de dois autos de infração lavrados em 08/05/2007, em decorrência de erro na classificação fiscal do produto importado: o primeiro para a cobrança da diferença do II, juros de mora, multa de ofício, multa do controle aduaneiro (pela falta de licenciamento) e multa proporcional ao valor aduaneiro (erro de classificação), no montante de R$ 26.443,02; e o segundo, para a cobrança da diferença do IPI, multa de ofício proporcional e juros de mora, no montante de R$ 9.834,59. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: Trata o presente processo de auto de infração decorrente de classificação fiscal incorreta com lançamento do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora e multas, totalizando R$ 36.277,61. Por intermédio da Declaração de Importação nº 03/01918311, o interessado declarou importar IGEPAL CO 430, agente orgânico de superfície não iônico, base química NONILFENOL ETOXILADO COM 4 MOLES DE ÓXIDO DE ETILENO aplicação surfactante não iônico para obtenção de látex, classificandoo no código tarifário NCM 3402.13.00, com alíquotas de 12,4% (Redução ALADI) para II e 5% para o IPI e de acordo com o resultado do técnico abaixo discriminado, entende a fiscalização que a correta classificação da mercadoria é no código NCM 3824.90.89. Em ato de conferência do produto, foram retiradas amostras que resultaram no laudo 0797.01, que concluiu: • Não se trata de um Agente Orgânico de Superfície Não Iônico • Tratase de uma mistura de Alquilfenol Etoxilado, na forma líquida. • Não se trata de preparação nem de composto orgânico de constituição química definida e isolado. • Segundo literatura técnica o produto é utilizado em detergente, como agente emulsificante e umidificante e tratase de nonilfenol etoxilado, contendo em media 4 moles do grupo etoxi. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 158 3 • Ressaltese que a mercadoria, quando misturada na água na concentração de 0,5%, à temperatura de 20ºc, e em seguida deixada em repouso por uma hora, à mesma temperatura, não produz liquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável. Ciente do Auto de Infração em 03/07/2007, fls. 47, apresentou impugnação em 01/08/2007 de fls. 48 e ss, onde alegou em síntese: O produto IGEPAL CO 430 apresentase na forma de solução aquosa e é composto basicamente de um fenol etoxilado, surfactante não iônico, obtido pela síntese de 1 mol de fenol + 4 moles de óxido de etileno, da qual o óxido de etileno resulta como um subproduto, uma impureza. Testes realizados pelo laboratório de análises concluíram que: • O produto não é agente orgânico de superfície não iônico, não podendo ser classificado na posição 3402.13.00, por não atendimento à nota 3a do capítulo 34. • A posição mais adequada seria 2909.50.90, uma vez que o produto importado apresentase na forma de solução aquosa, contendo além do produto principal, fenol etoxilado, uma impureza, um subproduto o óxido de etileno. Não se trata, portanto, de uma mistura ou uma preparação, mas sim de uma solução aquosa de apenas um produto fenol etoxilado. O equívoco na classificação fiscal não trouxe prejuízo ao erário, descabendo a exigência do pagamento da diferença de tributos, bem como a multa do controle administrativo das importações, cabendo apenas a multa por classificação indevida Ao final requer seja julgado procedente em parte o Auto de Infração. Para melhores esclarecimentos, esta DRJ/SPOII solicitou informações complementares consubstanciadas no Parecer Técnico nº 018/2011, que informou: 1. Não se trata de um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente. 2. O produto não contem água. 3. Nas literaturas técnicas consultadas, Nonifenol Etoxilados (NPE) podem ser produzidos através da reação catalítica do ParaNonifenol (pNP) com Óxido de Etileno (EO), onde o produto obtido é um polímero com vários níveis de etoxilação. 4. O óxido de etileno não é uma impureza 5. O produto não é uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico 6. O produto não é um Fenol ou Fenolalcool 7. O produto não é um derivado halogenado ou sulfonado ou nitrado ou nitrosado dos fenóis ou dos fenóisalcoois 8. O produto não é um Éter acíclico ou um de seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados. 9. O produto não é um Éter ciclânico ou ciclênico ou cicloterpênico ou um de seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados. 10. O produto não é um Éteres aromáticos e seus derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados. 11. O produto não é um Éterálcool ou um de seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados. 12. O produto não é um Éterfenol ou um éterálcoolfenol ou um de seus derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 159 4 13. O produto não é um Peróxido de álcool ou peróxido de éter ou peróxido de cetona ou um de seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados. 14. O produto não é um epóxido ou epoxoálcool ou epoxiálcool ou epoxifenol ou epoxiéter, com três átomos no ciclo ou seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados 15. O produto não é um acetal ou semiacetal, mesmo contendo outras funções oxigenada ou seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados. 16. O produto não é um sabão ou uma preparação orgânica tensoativa utilizada como sabão ou um produto ou preparação orgânica tensoativa para lavagem de pele em forma de líquido ou creme, acondicionado para venda a retalho, mesmo contendo sabão. A interessada não se manifestou a respeito do laudo complementar. É o Relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1757.438 em 09/02/2012 (efolhas 124/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/03/2003 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Mercadoria declarada como IGEPAL 430 e identificada como Alquifenol Etoxilado, não se classifica no capítulo 34 como declarado pela contribuinte. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornamse exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação mais multas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada cientificada do Acórdão em 05/03/2012 (efolha 133), interpôs Recurso Voluntário em 04/04/2012 (efolhas 307/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação, O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 160 5 O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal do produto importado pela Recorrente através da Declaração de Importação nº 03/01918311, denominado comercialmente de “IGEPAL CO 430”, na Nomenclatura Comum do MERCOSUL. A empresa classificou as mercadorias importadas no código NCM 3402.13.00, posição correspondente aos “Agentes orgânicos de superfície (exceto sabões); preparações tensoativas, preparações para lavagem (incluídas as preparações auxiliares para lavagem) e preparações para limpeza, mesmo contendo sabão, exceto as da posição 34.01”. 3402.1 Agentes orgânicos de superfície, mesmo acondicionados para venda a retalho: 3402.13.00 – Não iônicos A fiscalização entendeu que a classificação correta para as mercadorias seria o código NCM 3824.90.89, correspondente à seguinte posição tarifária: 3824 – Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição; produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais), não especificados nem compreendidos em outras posições. 3824.90 – Outras 3824.90.8 – Produtos ou preparações à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições. 3824.90.89 – Outras. Pois bem. O primeiro passo para classificar uma mercadoria na Nomenclatura Comum do MERCOSUL é conhecêla, em todos os seus aspectos relevantes para essa nomenclatura. Compulsandose o laudo técnico nº 0797.01, elaborado pela FUNCAMP UNICAMP (efls. 33/ss), e o Parecer Técnico 018/2011, elaborado pelo Falcao Bauer – Centro Tecnológico de Controle da Qualidade (efls. 108/ss), podemos extrair as seguintes informações: (i) Laudo da FUNCAMP/UNICAMP: a Afirmou que “não se trata de Agente Orgânico de Superfície Não Iônico” (resposta ao quesito 1); b Afirmou, também, que a mercadoria importada “Tratase de Mistura de Alquilfenol Etoxilado, na forma líquida, um Produto à base de Compostos Orgânicos, um Produto Diverso das Indústrias Químicas, não especificado nem compreendido em outras posições” (resposta ao quesito 1) e que “Não se trata de preparação nem de composto orgânico de constituição química definida e isolado” (resposta ao quesito 2). (ii) Laudo do Falcão Bauer: a Afirma que “Os resultados das análises constantes no Laudo em epígrafe indicam que a mercadoria tratase de Mistura de AlquílFenol Etoxilado (Alquil Fenol Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 161 6 Polietoxilado), Outro Produto a base de Compostos Orgânicos, um Produto Diverso das Indústrias Químicas não especificado e nem compreendido em Outras Posições. Portanto, o Laudo da FUNCAMP/UNICAMP foi peremptório ao asseverar que a mercadoria importada não se trata de “Agente Orgânico de Superfície Não Iônico” (NCM 3402.13.00), como declarou a Recorrente nos documentos de importação, portanto, afastando de pronto a classificação por ela adotada. Ambos os Laudos – da FUNCAMP e do Falcão Bauer – concluiram que a mercadoria tratase de “Mistura de Alquilfenol Etoxilado” e, também, que é um “Produto Diverso das Indústrias Químicas, não especificado nem compreendido em outras posições” (resposta ao quesito 1) e que “Não se trata de preparação nem de composto orgânico de constituição química definida e isolado” (resposta ao quesito 2). Como visto, houve convergência nas conclusões exaradas pelos dois laudos técnicos, elaborados por renomadas instituições. Destaquese, por oportuno, que sãos as únicas provas técnicas produzidas nos autos, portanto, é com base nelas que formaremos nosso entendimento quanto à identificação das mercadorias importadas. Uma vez conhecido o produto importado, passemos à aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) ao caso concreto. A Recorrente havia classificado o produto no código NCM 3402.13.00 Agentes orgânicos de superfície, mesmo acondicionados para venda a retalho, não iônicos, o que foi definitivamente afastado pelos laudo técnico elaborado pela FUNCAMP/UNICAMP. A Recorrente inclusive reconhece que houve erro na classificação fiscal, afirmando, então em sua impugnação, que a posição mais adequada seria 2909.50.90, uma vez que o produto importado apresentase na forma de solução aquosa, contendo além do produto principal, fenol etoxilado, uma impureza, o óxido de etileno, não se tratando, portanto, de uma mistura ou uma preparação, mas sim de uma solução aquosa (vide efolha 146 / Recurso Voluntário). Contudo, o Parecer Técnico 018/2011 do Falcão Bauer, ao complementar as informações do laudo 0797.01 da FUNCAMP/UNICAMP, corroborou as informações trazidas no laudo inicial afirmando que o produto importado não se trata de um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente, nem uma solução aquosa, afastando, assim, também a nova classificação que o contribuinte tenta atribuir ao produto importado (no capítulo 29 – NCM 2909.50.90). Em outro giro, a Recorrente não traz aos autos qualquer elemento de prova capaz de refutar a classificação adotada pela autoridade fiscal. Ademais, os Laudos da FUNCAMP e do Centro Tecnológico Falcão Bauer foram extremamente objetivos e convergentes ao afirmarem que o produto importado é um “produto diverso das Indústrias Químicas, não especificado nem compreendido em outras posições”, portanto, indicando claramente que devem ser enquadrados dentre as posições do Capítulo 38 – Produtos diversos das indústrias químicas. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 162 7 Não bastasse isso, ambos os laudos afirmam que o produto é um “Produto à base de Compostos Orgânicos”, indicando, assim, que a classificação correta é aquela constante do código tarifário NCM 3824.90.89 Produtos ou preparações à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições, outros. No caso, portanto, a classificação pode ser determinada pelo texto da posição 3824, como prescreve a Regra Geral de Interpretação nº 1. O texto desta posição enquadrase perfeitamente com a identificação do produto importado, conforme restaram consignados nos citados laudos técnicos elaborados pela FUNCAMP e pelo Falcão Bauer. Em conclusão, deve a mercadoria em tela ser classificada na posição 3824, com base na RGI nº 1, em função dos textos desta posição, e na RGI nº 6 na sub posição 3824.90, por falta de sub posição mais específica, combinada com a RGC1, resultando no código NCM/SH 3824.90.89. Correta, portanto, a classificação fiscal informada pela fiscalização no lançamento de ofício. Em decorrência do erro de classificação fiscal o sujeito passivo informou as alíquotas incorretas do II (12,4%, quando o correto seria de 15%) e do IPI (5%, quando o correto seria 10%), deixando, assim, de recolher parte dos impostos devidos, de modo que restou caracterizada a conduta descrita no artigo 44, I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na medida em que representa a “falta de recolhimento do imposto” e também a “declaração inexata”, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Desse modo, caracterizado que, de fato, a classificação declarada não é cabível, somente seria possível afastar a penalidade se verificada circunstância excludente expressamente enumerada no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 10, de 16 de janeiro de 1997, verbis: O Coordenador Geral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n.º 324, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art. 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 91.030, de 5 de março de 1985, e art. 107, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n.º 87.981, de 23 de dezembro de 1982. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º, da Lei n.º 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifei) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 163 8 No caso dos autos, conforme pode se ver na descrição da mercadoria constante do extrato da declaração de importação, o sujeito passivo descreveu a mercadoria como “IGEPAL CO 430 AGENTE ORGÂNICO DE SUPERFÍCIE NÃO IÔNICO BASE QUIMICA: NONOFENOL ETOXILADO COM 4 MOLES DE ÓXIDO DE ETILENO (e folha 27), portanto, o produto não foi corretamente descrito de forma a permitir a sua identificação e correto enquadramento tarifário. Inaplicável o ADN Cosit nº 10/97. Deste modo, a multa de ofício foi devidamente aplicada, como determina o artigo 44, I da Lei 9430/96. Em outro giro, a classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/01: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Tendo em vista que a classificação incorreta restou demonstrada nos autos, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação também dessa multa. Juntese a isso, o fato de que o próprio contribuinte inicialmente classificou a mercadoria na posição 3402 e, posteriormente, em sua defesa reconheceu que houve classificação incorreta, sugerindo outra posição. Por fim, quanto à multa por falta de licenciamento na importação, prevista no artigo 633 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543/02), em face da descrição incorreta da mercadoria na declaração de importação, como já demonstrado linhas acima, é de concluirse pelo cabimento da penalidade, uma vez que a licença automática obtida no ato de registro da DI foi para mercadoria diversa da efetivamente importada, como já se demonstrou fartamente neste voto. Pela mesma razão (erro na descrição da mercadoria), inaplicável ao caso em tela o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 13, de 21 de janeiro de 1997, que prescreve: “não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a DI de mercadoria objeto de licenciamento no SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque “EX” exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado (negritei), e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante”. Assim, este ADN só será aplicado nos casos em que o produto não esteja corretamente descrito na DI, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Como visto, ambos os laudos demonstraram que a mercadoria descrita na DI não foi aquela efetivamente importada. Diante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 164 9 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 19515.001866/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
IRPF. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
A falta de clareza no Auto de Infração dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito constituído o atributo de certeza e liquidez. A falta de saneamento do conteúdo do Auto de Infração enseja o cancelamento da exigência.
Numero da decisão: 2201-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 23/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. A falta de clareza no Auto de Infração dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito constituído o atributo de certeza e liquidez. A falta de saneamento do conteúdo do Auto de Infração enseja o cancelamento da exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 23/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 66 /2 00 9- 11 Fl. 4162DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anoscalendário 2003 a 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 79/104, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 3.212.647,63. A fiscalização apurou divergências entre os valores escriturados nos registros contábeis e as DCTF’s, em confronto com os respectivos comprovantes de pagamento, conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 75/78. Cientificado do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... sobre o lançamento cuja matéria tributável foi as diferenças acima listadas, tidas pelo autuante como IRRF recolhido a menor, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 108/125, alegando dentre outras razões, nada dever ao fisco, tendo apresentado o anexo de fls. 126/136, com o resumo dos valores declarados em DCTF e dos DARF’s que teriam sido recolhidos. Colacionou com a impugnação os documentos de fls. 230/645, que se constituem, em cópia da DCTF e respectivos DARF e cópia de excerto do Razão da Conta “IRRF TERCEIROS A RECOLHER” ou da conta “IRRFS/ SALÁRIO A PAGAR”, para justificar a improcedência dos valores lançados. Os autos foram baixados em diligência, fls. 676/678, para saneamento, pois, alegou a Impugnante que os valores que estavam sendo exigidos, já haviam sido pagos. Efetuada a diligência, a fiscalização elaborou Informação Fiscal contendo os novos valores exigidos, ou seja, a autoridade autuante reduziu o montante de IRRF que originalmente somava R$ 1.419.383,37, para R$ 309.915,64 (fls. 684/698). A contribuinte foi cientificada da Informação Fiscal e respectivas planilhas e apresentou petição, fls. 765/767, reiterando o entendimento de que nada deve ao fisco. Da análise da informação fiscal, a 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI resolveu converter novamente os autos em diligência, para a autoridade lançadora responder aos quesitos arrolados e elaborar resumo conclusivo e memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes. A autoridade fiscal solicitou a contribuinte apresentação de todos os comprovantes de pagamento efetuados, para todos os valores objeto do Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte. Em resposta à intimação, a contribuinte apresentou os documentos às fls. 860/3.746, contendo cópias de notas fiscais, de DARFs e de Demonstrativos de Pagamento de salários efetuados. Fl. 4163DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 3 3 Por sua vez, a fiscalização cotejou os documentos apresentados pela autuada e elaborou nova Informação Fiscal (fls. 3749/3752). A contribuinte foi novamente cientificada da Informação Fiscal de fls. 3749/3752, e alegou, mais uma vez, que cumpriu todas as obrigações principais e acessórias. A 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou improcedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: VALORES ESCRITURADOS. VALORES DECLARADOS/PAGOS. Comprovado equívoco na apuração do crédito tributário, ao confrontarse os registros contábeis do contribuinte, as respectivas DCTF’s e os comprovantes de pagamento, evidenciandose erro na apuração do valor tributável, bem assim da data do fato gerador, exonerase a exigência. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 3, de 2008. Não foi apresentado Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso de ofício atende os requisitos de admissibilidade. Ao analisar a Impugnação apresentada pela recorrente, no cotejo das provas constantes dos autos, a autoridade julgadora de primeira instância, assim concluiu: Do extenso e exaustivo relatório acima apresentado, evidencia se o esforço despendido por esta turma de julgamento, com o intuito de sanear os autos. Desde a primeira análise, constatouse haver diferenças entre os valores apontados como devidos pela fiscalização, no Termo de Verificação (fls. 77/78), que montavam a R$ 1.498.123,48, e no Auto de Infração R$ 1.419.383,37 (fls. 96/103). Essa discrepância inicial, foi evidenciada no quadro comparativo apresentado em fls. 839/843 e acima reproduzido, onde se verifica que os valores hachurados são alguns fatos geradores do IRRF que só constavam no TFV ou só no AI. Fl. 4164DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 A isto se acrescente que, junto com a impugnação o contribuinte colacionou documentos (fls. 230/645), quais sejam cópias de DCTF e respectivos DARFs e cópia de excerto do Razão da Conta “IRRF TERCEIROS A RECOLHER” ou da conta “IRRFS/ SALÁRIO A PAGAR”, para sustentar a alegação de serem improcedentes os valores lançados. Da análise daqueles documentos esta turma de julgamento deparouse com uma série de evidências de que o procedimento adotado pela fiscalização estava eivado de equívocos. Os autos foram baixados em diligência, conforme acima relatado para o saneamento dos autos, a fim de que a fiscalização procedesse ao batimento dos DARFs apresentados, vinculandoos às DCTFs e os registros contábeis, a fim de se que se verificasse se alguns dos valores que estavam sendo exigidos e para os quais alegava o impugnante ter pago, não teriam sido de fato tomados pela fiscalização com defasagem de período de apuração, como sugeriam os documentos acostados pelo impugnante, ou qualquer outro equívoco, tal como código de receita diferente. A fiscalização procedeu à diligência e os autos retornaram com valores diferentes a serem exigidos, conforme sintetizados no quadro apresentado em fls. 846/848 e acima reproduzido. Da leitura do referido quadro, verificase que do montante de R$ 1.419.383,37, do auto de infração original (fls. 96/103), a autuante elaborou novo cotejo das informações contábilfiscais (fls. 770/784), onde introduziu uma nova coluna denominada “LANCTO FINAL), valores esses que totalizam R$ 309.915,64, ou seja a fiscalização reconheceu que de fato os valores não eram bem aqueles e reduziu a exigência inicial de R$ 1.419.383,37 para R$ 309.915,64. Ocorre, que mais uma vez, esta turma de julgamento procedeu a análise de todos os documentos e constatou que a autuante não havia procedido ao correto saneamento dos autos e introduzido outros equívocos. Incluiu no lançamento por ela denominado de final alguns fatos geradores que não figuravam no auto de infração inicial e para uns poucos outros majorou o valor que inicialmente havia lançado. Tais fatos ficaram evidenciados no quadro apresentado em fls. 844/845 e 846/848 e acima reproduzidos. Novamente os autos foram baixados para a fiscalização, tomandose como exemplo os dois primeiros valores da TABELA FINAL (fls. 848/850) R$ 149,24 e R$ 545,16 , fazendose uma análise profunda da procedência desses valores e solicitando para a fiscalização que apresentasse a memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes, ou seja procedesse ao mesmo exame para as demais diferenças. Sobre os dois primeiros valores R$ 149,24, R$ 545,16 dissecados por esta turma de julgamento na segunda diligência, conforme acima relatado a fiscalização ora afirmou categoricamente não ter sido possível determinar com exatidão a efetiva data do fato gerador do IRRF, ora ter havido desencontro do valor contabilizado em relação à DCTF e conseqüentemente com o Fl. 4165DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 4 5 SINAL (pagamentos), culminando por concluir pela eliminação dessas duas primeiras diferenças da autuação. E não procedeu a esta mesma análise e à produção da memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes, conforme lhe fora solicitado. Ora, por duas vezes teve a fiscalização a oportunidade de sanear e manifestarse sobre eventuais diferenças a serem exigidas e não o fez. A isto se acrescente que para todas as diferenças remanescentes, verificase ter havido equívocos ora na apuração do valor tributável, ora na data do fato gerador. O artigo 142 do Código Tributário Nacional descreve da seguinte forma a atividade do lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ora, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a identificação correta do momento em que ocorrido o evento que dá origem à obrigação tributária, o que tem diversos reflexos na constituição do crédito tributário, seja na aplicação correta da legislação então vigente, na verificação da ocorrência eventual da decadência, e mesmo, em algumas situações, no próprio dimensionamento da matéria tributável. Destarte, tendo sido exaustivamente analisada a documentação apresentada e evidenciadose erro na apuração do valor tributável, bem assim na possível data do fato gerador em face dos registros contábeis do contribuinte, das respectivas DCTF’s e dos comprovantes de pagamento, deve ser exonerada a exigência por comprovadamente ser indevida. Diante do exposto, voto por julgar procedente a impugnação e pela exoneração do crédito tributário exigido. Do exposto, verificase que a autoridade recorrida converteu o processo em diligência para que a autoridade lançadora procedesse ao saneamento dos autos. Efetuada a diligência, a autoridade autuante elaborou Tabela Final (fls. 848/850), reduzindo o montante de IRRF que originalmente somava R$ 1.419.383,37, para R$ 309.915,64 (fls. 684/698). Contudo, em razão de outros equívocos na apuração do valor tributável, o julgamento foi novamente convertido em diligência para que a fiscalização, tomandose como exemplo os dois primeiros valores da Tabela Final, R$ 149,24 e R$ 545,16, efetuasse novo exame dos valores remanescentes, elaborando memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças. Entretanto, a fiscalização não se manifestou sobre as diferenças levantadas pela autoridade recorrida. Ora, para exigir o crédito tributário a autoridade fiscal responsável pela sua constituição deverá demonstrar claramente sua ocorrência. Ao não fazêlo de forma adequada Fl. 4166DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 impediu que o contribuinte exercesse plenamente o direito ao contraditório. O objetivo da diligência proposta pela DRJ foi esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas pelo julgador no exame do litígio. Todavia, a autoridade lançadora não logrou elucidar os valores constantes da Tabela Final (fls. 848/850), mantendo, dessa feita, a falta de clareza do conteúdo do Auto de Infração. A falta de clareza do auto de infração, além de cercear o direito de defesa do contribuinte, também impede a correta análise dos fatos por parte do julgador, conforme se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa transcrevese: Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NULIDADE. AUSÊNCIA DE CLAREZA E PRECISÃO. Constatada a ocorrência de infração deve ser lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada. A falta de clareza e precisão na lavratura da infração impede o exercício do direito de defesa do contribuinte, como também impede a correta análise por parte do julgador. Recurso Especial do Contribuinte Provido. (Acórdão nº 920201.772 –2ª Turma Processo nº 35301.008000/200641) Portanto, ante a falta de clareza e precisão dos fatos em que se funda o auto de infração, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 4167DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19515.001866/200911 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.419. Brasília/DF, 15 de maio de 2014 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 4168DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 4169DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13851.000705/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DA TESE DOS 5 + 5 PARA PEDIDOS PROTOCOLIZADOS APÓS A VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF -RICARF.
Por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, os Conselheiros estão vinculados às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF em sede de repercussão geral, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso repetitivo. Com efeito, cabível a aplicação da tese dos 5 + 5 em relação aos pedidos de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando protocolizados antes de 09/06/2005, data em que passou a viger a Lei Complementar nº. 118/2005, conforme entendimento proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, com repercussão geral.
MATÉRIA INCONTROVERSA. NÃO APRECIAÇÃO.
É incontroversa a matéria objeto de decisão pela DRJ e que não foi trazida pela contribuinte em sede de recurso, não sendo cabível sua apreciação por parte deste Colegiado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3202-001.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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RESTITUIÇÃO. Recorrente E.JOHNSTON REPRESENTAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DA TESE DOS 5 + 5 PARA PEDIDOS PROTOCOLIZADOS APÓS A VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF RICARF. Por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, os Conselheiros estão vinculados às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF em sede de repercussão geral, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso repetitivo. Com efeito, cabível a aplicação da tese dos 5 + 5 em relação aos pedidos de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando protocolizados antes de 09/06/2005, data em que passou a viger a Lei Complementar nº. 118/2005, conforme entendimento proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, com repercussão geral. MATÉRIA INCONTROVERSA. NÃO APRECIAÇÃO. É incontroversa a matéria objeto de decisão pela DRJ e que não foi trazida pela contribuinte em sede de recurso, não sendo cabível sua apreciação por parte deste Colegiado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 07 05 /2 00 5- 71 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente de pedido de restituição, protocolizado em 07/06/2005, referente à suposto pagamento indevido ou maior que o devido a titulo de Pis efetuado em 15/03/1999 pela empresa Brasil Warrant Venture Capital Ltda, CNPJ no 62.355.698/000115, incorporada pelo interessado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, por meio do Despacho Decisório de fls. 32/37, indeferiu o pedido, com fundamento na ocorrência da decadência do direito de pedir e na falta de comprovação documental da existência do alegado crédito contra a Fazenda Nacional, de modo a permitir a aferição de sua liquidez e certeza. Cientificado em 04/05/2009, fls. 87, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2009, fls. 39150, alegando, em breve síntese: a) Que, através do Mandado de Segurança n° 1999.61.02.0070375, obteve provimento jurisdicional que lhe autorizou a recolher as contribuições para o PIS e Cofins sem o alargamento da base de cálculo estabelecida pelo § 3° da Lei n° 9.718, de 1998; b) Que, nos meses de março a junho de 1999, auferiu unicamente receitas financeiras e outros tipos de rendimentos não oriundos da venda de bens e serviços, conforme demonstrativo anexado e que, sobre tais rendimentos, aplicou as correspondentes alíquotas do PIS e Cofins, efetuando o recolhimento. c) Que o provimento jurisdicional transitou em julgado e lhe assegurou o direito de calcular o PIS e a Cofins com base na Lei n° 9.715, de 1998 e na Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991, ou seja, somente sobre o faturamento, excluindose as demais receitas não caracterizadas como senda da venda de mercadorias ou serviços; A partir da exposição dos fatos que originaram o alegado crédito contra a Fazenda Nacional, contesta o decidido pela DRF em Araraquara, a saber: Inicialmente alega que houve uma distorção do instituto da decadência e o que se aplica, na realidade, é a prescrição de seu direito de pedir a restituição, e que mostrará a sua inocorrência no caso. Alega que conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de lançamento por homologação, o prazo prescricional é cinco contados a partir da homologação tácita, ou seja, de dez anos contados a partir do fato gerador. Que o art. 3° da LC 118, de 2005 modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional — CTN — e, assim, não pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor da dita lei, que ocorreu em 09/06/2005. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13851.000705/200571 Acórdão n.º 3202001.235 S3C2T2 Fl. 143 3 Que, desse modo, o pedido foi apresentado dentro do prazo legal — 10 anos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC n° 118, de 2005, que determina a aplicação retroativa de seu art. 3°. Ainda, alega que o ajuizamento do Mandado de Segurança importou em causa interruptiva da prescrição, nos termos do artigo 172 e 173 do Código Civil de 1916, vigente à época. Uma vez que o trânsito em julgado da ação ocorreu em 30/05/2008, não há em que se falar em ocorrência do prazo prescricional, uma vez que este esteve interrompido até o referido transito em julgado. Continua, alegando que tem direito à restituição aos recolhimentos efetuados nos meses de março a junho de 1999, que se afiguram indevidos, uma vez que as únicas receitas auferidas pelo Requerente nesse período corresponderam a receitas financeiras e outras receitas não oriundas da venda de bens e prestação de serviços, estas as únicas passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, conforme o provimento jurisdicional conquistado. Requer o conhecimento da manifestação, com a reforma da decisão recorrida e conseqüente deferimento do pedido de restituição.” A DRJRibeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 92/98), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/03/1999 DECADÊNCIA. INTERPRETAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Data do fato gerador: 15/03/1999 PAF. PROVA DOCUMENTAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade), precluindo o direito de ser apresentada em outro momento processual. RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO Não comprovada a existência do direito creditório do sujeito passivo, condição essencial nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se indeferir o pedido de restituição. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls.104/116), alegando, em síntese, a reforma da decisão recorrida, em razão de não ter havido a prescrição do direito de pedir a restituição, visto que o prazo prescricional para a contribuinte pleitear o indébito tributário seria de 10 anos, contados a partir do recolhimento indevido, e não de 5 anos, conforme pugnou a autoridade julgadora a quo, não devendo ao caso ser aplicada a Lei Complementar nº. 118/2005. Ao final, requereu o provimento do recurso voluntário, com o conseqüente deferimento do pedido de restituição. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Pretende a recorrente, por meio deste processo administrativo, verse restituída em relação ao pagamento alegado indevido, a título de contribuição para o PIS, efetuado em março de 1999, pago pela empresa Brasil Warrant Venture Capital Ltda, que teria sido incorporada pela recorrente em 26/09/20201, no valor total de R$ 11.905,54. A DRFBAraraquara/SP indeferiu o pedido da contribuinte, ao entendimento de que o valor pleiteado estaria fulminado pela decadência, não sendo, assim, passível de restituição. Demais disso, alegou que, tendo sido o débito declarado em DCTF pela própria contribuinte, teria esta deixado de instruir devidamente o seu pedido, não tendo demonstrado a liquidez e a certeza do crédito que alegara possuir, deixando de demonstrar o porquê de [a contribuinte] considerar que os recolhimentos efetuados foram indevidos. Pois bem. Em relação ao prazo prescricional, possui razão a recorrente: o pedido de restituição foi protocolizado em 07/06/2005 e referese a pagamento realizado em 15/03/1999. Verificase, portanto, que, sendo o pedido anterior à vigência da Lei Complementar nº. 118/2005, isto é, anterior a 09/06/2005, deve ao caso ser aplicado o prazo prescricional de 10 anos a partir da data do pagamento (tese do 5+ 5), conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, o qual vincula os Conselheiros do CARF, por força do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13851.000705/200571 Acórdão n.º 3202001.235 S3C2T2 Fl. 144 5 De acordo com o referido julgamento, o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os pedidos protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº. 118/2005, em 09/06/2005, é de 10 anos: 5 anos para homologação (na forma do artigo 150, §4º do CTN) mais 5 anos, a partir dessa homologação, para pleitear a restituição (na forma do artigo 168, I do CTN). Sendo a contribuição para o PIS/PASEP tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo sido apresentado o pedido de restituição em 07/06/2005, antes, portanto, do dia 09/06/2005 data em que passou a viger a LC nº 118/05 cabível a aplicação, ao presente caso, da chamada tese dos 5 + 5, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621, com repercussão geral reconhecida. O referido acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566.621. Relator(a) Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL. DjE195 DIVULG. 10102011 PUBLIC.. 11102011)” (grifos não constantes do original) Por outro lado, mesmo afastada a questão prejudicial referente à suposta prescrição, é de se verificar que a recorrente não trouxe qualquer defesa de mérito em relação à documentação apresentada no intuito de comprovar a existência do crédito pretendido, restando, assim, incontroversa a inexistência de demonstração da liquidez e certeza do crédito requerido. A DRJRibeirão Preto/SP entendeu insuficientes os documentos trazidos aos autos pela contribuinte na tentativa de comprovar o crédito alegado. Vejase: “Foi registrado no Despacho Decisório a falta de instrução do pedido de restituição relativamente a documentação que comprovasse a liquidez e certeza de seu crédito. Para atender a esse registro, o interessado apresentou documentos dos registros contábeis. Entretanto, verificase que tais documentos, conforme apontado na parte superior dos documentos, referemse a registros das empresas: a) E. JOHNSTON PARTICIPAÇÕES LTDA, empresa inscrita no CNPJ sob n° 52.542.255/000180, incorporada pela requerente em 05/12/2005; b) DIRBANCO ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES AS, inscrita no CNPJ sob n° 59.527.580/000112, também incorporada pela requerente em 29/01/2001, e c) BRASIL WARRANT ADM. DE BENS E EMPRES. LTDA, inscrita no CNPJ sob n° 33.744.277/000188 que, conforme pesquisa no sistema CNPJ, fls 89, está Ativa. Não está demonstrado, nos autos, qualquer relação entre a empresa Brasil Warrant Venture Capital Ltda, CNPJ n° 62.355.698/000115, autora do suposto recolhimento indevido ou a maior, e as empresas acima citadas, das quais foram juntados documentos ao presente processo. Portanto, não são documentos hábeis e idôneos para a comprovação da liquidez e certeza do suposto crédito objeto do pedido de restituição, condição essencial conforme o disposto no art. 170, do CTN.” Quanto a tal matéria, a querelante foi absolutamente silente, sequer tendo mencionada a questão em seu recurso voluntário, limitandose a peça recursal a trazer Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13851.000705/200571 Acórdão n.º 3202001.235 S3C2T2 Fl. 145 7 argumentos relativos à inocorrência da prescrição. Olvidouse a recorrente, porém, que, no processo administrativo fiscal, a matéria não contestada expressamente deve ser considerada incontroversa, não sendo devolvida, portanto, para apreciação deste Colegiado. Por tais razões, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, tão somente para declarar a inocorrência da prescrição, devendo, entretanto, ser mantida a decisão de mérito proferida pela DRJ, por ser tratar de matéria incontroversa. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13804.003132/2003-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Não enseja nulidade dos atos e termos lavrados quando os despachos e as decisões foram emitidos por autoridade competente, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235 - PAF.
RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO.
Ocorrendo inépcia do sujeito passivo para apresentação de documentos comprobatórios necessários para o deslinde da controvérsia, falece sentido e direito ao postulante, implicando em indeferimento do pleito.
Numero da decisão: 3202-001.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não enseja nulidade dos atos e termos lavrados quando os despachos e as decisões foram emitidos por autoridade competente, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235 - PAF. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Ocorrendo inépcia do sujeito passivo para apresentação de documentos comprobatórios necessários para o deslinde da controvérsia, falece sentido e direito ao postulante, implicando em indeferimento do pleito.
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INOCORRÊNCIA Não enseja nulidade dos atos e termos lavrados quando os despachos e as decisões foram emitidos por autoridade competente, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235 PAF. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Ocorrendo inépcia do sujeito passivo para apresentação de documentos comprobatórios necessários para o deslinde da controvérsia, falece sentido e direito ao postulante, implicando em indeferimento do pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 31 32 /2 00 3- 31 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.003132/200331 Acórdão n.º 3202001.105 S3C2T2 Fl. 334 2 Tratase de recurso voluntário interposto por ELDORADO EXPORTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA contra Acórdão nº 1436.183, de 21de dezembro de 2011 (de fls. 185 a 195), proferido pela 2ª Turma da DRJ/SP1, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, sem o reconhecimento do direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Tratase de" Declaração de Compensação concomitante com Pedido de Ressarcimento de IPI, apresentados em formulário em 29/05/2003 (data de protocolo), sendo o direito,creditório concernente a crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997,'referente ao'4° trimestre calendário de 1998 e no montante de R$ 369.179,36. A compensação foi efetuada no importe de R$ 329.918,67. Em Despacho Decisório proferido em 14/05/2008; de fls. 87/91, com supedâneo em termo de informação fiscal de fls.'80/84, não foi reconhecido o direito creditório e não foi homologada a compensação declarada em virtude da falta de comprovação do direito creditório com documentação hábil e, idônea: não foram apresentados os demonstrativos de crédito presumido do IPI (DCP), não foi fornecida cópia do Livro Registro de Apuração do IPI e não houve comprovação do estorno do montante pleiteado, entre outras coisas. Não resignada com a decisão administrativa, da qual teve ciência em 17/05/2008, por via postal mediante AR, arequerente apresentou, em 17/06/2008, a manifestação de inconformidade, de fls. 99/113, subscrita pelos procuradores da pessoa jurídica constituídos pelo instrumento de fl, 96,. em que, resumidamente, sustenta que, primeiramente, devem ser reunidos ao presente outros processos relacionados, com mesmo conteúdo factual e amparados por um único conjunto documental, para que seja resguardado integralmente o direito de defesa, com um julgamento único; que todos os documentos já foram apresentados, tendo' o agente fiscal não desejado recebêlos ou não tomado conhecimento, o que implica o cerceamento do direito de defesa e a nulidade da não homologação, pois com subjetividade arbitrária e carente de motivação; devem ser tomadas emprestadas, por economia processual, provas juntadas ao processo n° 13804.001620/200311 que abarca os anos de 1998 a 2002; por derradeiro, repisa a argumentação e, caso sejam , superadas as preliminares prejudiciais suscitadas, requer que, consideradas as inequívocas provas apresentadas, que seja reconhecida a efetiva utilização de todos os insumos adquiridos no mercado.interno, com a reforma das decisões e homologação dos créditos presumidos e compensações vinculadas. '' A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 . . RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.003132/200331 Acórdão n.º 3202001.105 S3C2T2 Fl. 335 3 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do referido acórdão em 22 de julho de 2013 (fl. 200), a interessada apresentou recurso voluntário em 20 de agosto de 2013 (fls. 201 a 205), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 22 de julho de 2013, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 20 de agosto de 2013. Das Preliminares Da Nulidade e Cerceamento do Direito de Defesa Pelo presente processo, vêse que a questão está vinculada a manifestação de inconformidade contra despacho decisório emitido pela DRJ de São Paulo, que indeferiu pedido de compensação de débitos da interessada, considerando a não comprovação da origem do r. crédito. Para fins de melhor elucidar os fatos, importante trazer que que insurge a recorrente que: · A empresa protocolou junto à Receita Federal do Brasil 3 Declarações de Compensação, a saber: ü Em 31.3.03 de Processo nº 13804.001620/200311; ü Em 28.4.03 de Processo nº 13804.002132/200313; ü Em 29.5.03de Processo nº 13804.003132/200331. · Em todas essas declarações, solicitou a homologação de crédito de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 2.556.426,38; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.003132/200331 Acórdão n.º 3202001.105 S3C2T2 Fl. 336 4 · A empresa tinha e ainda tem seu domicílio fiscal em Belém, mas havia recebido ordem fiscalizatória de São Paulo, sendo intimada a separar e a entregar em São Paulo, no prazo de 5 dias, toda a documentação comprobatória do seu direito; · Remeteu a São Paulo extenso volume documental, mas a Fiscalização se manifestou pela recepção em meio magnético, não prorrogando o prazo para atendimento da exigência; · Em 4.3.08, a Ação Fiscal restou iniciada para todos os processos, sendo concedido o prazo de 5 dias para a entrega de documentação em jurisdição fiscal estranha ao seu domicílio. Alega que a documentação era extremamente extensa, ficando o encerramento do procedimento para 8.3.08, com comunicação via AR de que os processos 13804.001620/200311, 13804.002132/200313 e 13804.003132/200331 seriam submetidos a análise; · Dias depois, chegou a comunicação de indeferimento do pleito por não comprovação do direito creditório em razão da não entrega da documentação pertinente; · Diante disso, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade a DRJ/RPO defendendo seu direito pela atividade exercida e alegando, dentre outros pontos, a nulidade do procedimento fiscalizatório por Cerceamento de Defesa; · Isso em razão do exíguo prazo de 5 dias para que os funcionários da empresa em Belém separassem extenso volume documental referente a 3 processos, que abrangiam o lapso de 1998 a 2002, para entregálo na cidade de São Paulo, bem como pela não aceitação da documentação sob a exigência de que tudo teria que ocorrer em meio magnético; · Nessa linha, como fruto de uma única ação fiscalizatória e sendo essa única ação conduzida por autoridade incompetente (já que estranhos ao domicílio fiscal da contribuinte) defendeuse que os processos continuassem reunidos porque todos atingidos pelos mesmos males. · Nenhum dos argumentos foi acolhido; · Notificada desse Despacho através da Comunicação nº 594/2013, a Contribuinte resolveu se dirigir a esse Conselho e ofertar este Recurso Voluntário de modo que enfim seja reconhecida a nulidade do procedimento fiscalizatório não só pelo cerceamento de defesa, mas porque conduzido por autoridade incompetente. Diante do exposto, vêse que alega a recorrente que o cerne da questão é a nulidade do procedimento fiscalizatório, não só pelo cerceamento de defesa, mas por ter sido conduzido por autoridade incompetente. Sobre esse ponto, traz que o crédito tece sua origem em Belém, domicílio fiscal da contribuinte, jurisdição da Delegacia da Receita Federal local – o que, por conta do art. 32 da IN 210/02 (vigente à época), a competência para decidir o caso seria da DRF/BEL, e não São Paulo. Não obstante às alegações trazidas pela recorrente, devese considerar o artigo 19 da Instrução Normativa n° 600/2005 da Secretaria da Receita Federal, que dispõe que: "Art. 19. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI poderá condicionar o reconhecimento do Fl. 236DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.003132/200331 Acórdão n.º 3202001.105 S3C2T2 Fl. 337 5 direito creditório à apresentação, pelo estabelecimento que escriturou referidos créditos, do livro Registro de Apuração do IPI correspondente aos períodos de apuração e de escrituração (ou cópia autenticada) e de outros documentos relativos aos créditos, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligencia fiscal no estabelecimento da pessoa jurídica a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas." O que, por conseguinte, com base nesse dispositivo, foi à época encaminhado o presente à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo — DEFIS/SÃO PAULO, para conferir se as informações prestadas nas declarações correspondem àquelas constantes dos livros contábeis e fiscais, proferindo, ao final, despacho conclusivo acerca da liquidez, certeza e valor do crédito pleiteado pela requerente. Com efeito, entendo que não há que se falar em nulidade dos atos e termos lavrados, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235 PAF, tendo em vista, como retro observado, foram proferidos por pessoa competente, pois vêse que, no caso vertente, é justificável o processo ter sido apreciado devidamente pela DRJ de São Paulo quando da interposição de manifestação de inconformidade pela recorrente. Além disso, a meu sentir não há que se cogitar em cerceamento ao direito de defesa, pois a recorrente poderia ter trazido as provas necessárias para o deslinde da lide em qualquer momento quando da apresentação de suas considerações para apreciação das unidades julgadoras. Eis que o ônus da prova seria da própria recorrente, nos termos do art 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: "Art. 333 O ônus da prova incumbe: Iao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Ora, fica evidente que ocorreu, nesse caso, inépcia, falecendo sentido e direito ao postulante, pois havia sido intimado para apresentar os documentos listados pela autoridade fazendária – o que deixou de atender. Sendo assim, diante do exposto e em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário e considerando os documentos não trazidos pela recorrente necessário ao deslinde da controvérsia, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 237DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.003132/200331 Acórdão n.º 3202001.105 S3C2T2 Fl. 338 6 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 10925.001539/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
A comprovação da origem dos depósitos bancários, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96 cabe ao contribuinte e deve ser feita de forma individualizada em relação a cada depósito realizado.
MULTA QUALIFICADA. PRATICA REITERADA.
A omissão de rendimentos em valores elevados ou a conduta reiterada não caracteriza ou tipifica a imposição da multa qualificada pelo dolo dos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, pela falta de previsão legal.
Numero da decisão: 2201-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. A comprovação da origem dos depósitos bancários, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96 cabe ao contribuinte e deve ser feita de forma individualizada em relação a cada depósito realizado. MULTA QUALIFICADA. PRATICA REITERADA. A omissão de rendimentos em valores elevados ou a conduta reiterada não caracteriza ou tipifica a imposição da multa qualificada pelo dolo dos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, pela falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1945; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.001539/200873 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.365 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente VANI MARIA TECCHIO VANZIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. A comprovação da origem dos depósitos bancários, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96 cabe ao contribuinte e deve ser feita de forma individualizada em relação a cada depósito realizado. MULTA QUALIFICADA. PRATICA REITERADA. A omissão de rendimentos em valores elevados ou a conduta reiterada não caracteriza ou tipifica a imposição da multa qualificada pelo dolo dos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, pela falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 15 39 /2 00 8- 73 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Odmir Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Florianópolis/SC que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF dos anos calendário de 2003 a 2006, exercícios de 2004 a 2007, sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com multa qualificada de 150%. Adoto o relatório da decisão recorrida: “Por meio do auto de infração de folhas 08 a 18, de 30/06/2008, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 519.323,54, acrescido de multa de oficio de 150%, e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário 2003, 2004; 2005 e 2006, exercícios 2004, 2005, 2006 e 2007. Foi aplicada multa de 150%, motivada pela não apresentação de qualquer documento que comprovasse a origem dos depósitos bancários, pela prática reiterada de omitir rendimentos adotada pelo contribuinte, ao longo de quatro anoscalendário, e pelos valores elevados omitidos, muito superiores às bases de cálculo do imposto, declaradas à RFB. No Termo de Fiscalização a fls. 19 a 22, consta: “5. DAS INFRAÇÕES 5.1. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Apesar das diversas intimações e reintimações, cientificadas ao contribuinte desde 23/10/2007, conforme descrito no Tópico 3 DAS DEMAIS INTIMAÇÕES, TERMOS FISCAIS E RESPOSTAS, a contribuinte não apresentou comprovação com documentação hábil e idônea da origem dos recursos creditados em suas diversas contas correntes constantes da relação anexa às fls. 23 a 27. Assim de acordo com o art. 839 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99 (RIR/99), esta fiscalização efetua o lançamento de ofício relativo aos anos calendário de 2003 a 2006 dos valores não comprovados, segundo consta do resumo mensal anexo às fls. 23 a 27. No caso dos depósitos da conta n° 10595, fls.36/47, e da conta n° 33933, fls. 28/35, a ambas do Banco Bradesco S/A, código 237, agência 0385, foi considerado como rendimento da Fl. 607DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10925.001539/200873 Acórdão n.º 2201002.365 S2C2T1 Fl. 3 3 contribuinte aqui autuada metade dos valores creditados, por se tratar de conta conjunta com DANILO ANTÔNIO VANZIN, CPF 163.610.91953.” (fls. 21) Decisão recorrida a fls. 1820 e sgts., manteve autuação, pela falta de comprovação da origem dos depósitos bancários e a multa qualificada sob o fundamento da prática reiterada de omitir rendimentos ao longo de quatro valores elevados, muito superiores os rendimentos declarados, em decisão assim ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n2 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR. Em se tratando de contribuinte pessoa física, não há como se excluir, para fins de determinação dos rendimentos omitidos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, os créditos inferiores a R$ 12.000,00, quando o somatório dos depósitos apurados for superior a R$ 80.000,00. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. BASE DE CÁLCULO. No caso da omissão de rendimentos vinculada a depósitos bancários de origem não comprovada, a base de cálculo do tributo devido é o montante dos valores não justificados. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. O reiteramento da conduta ilícita ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de oficio de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do Fl. 608DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES 4 contribuinte esteve associado aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei d 4.502, de 1964. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos essenciais ao lançamento, é de se indeferir o pedido de perícia e diligência, que não pode suprir a omissão do contribuinte na obtenção de provas, que a ele competia produzir. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Restando comprovado que a descrição dos fatos e o enquadramento legal constante do Auto de Infração caracterizaram a infração praticada, descabida resta a argüição de cerceamento do direito de defesa. Lançamento Procedente Recurso Voluntário de fls. 1840 e sgts., sustenta existir sustenta erro na apuração da receita omitida e compatibilidade entre os valores declarados e o patrimônio. Pede sejam excluídos os valores das transferências entre contas de seu exconjuge, e exclusão das parcelas inferiores a R$ 12.000,00 e não superiores a R$ 80.000,00. Pede tributação da atividade rural desenvolvida por seu exconjuge Danilo Antônio Vanzin, em 20% da receita; e cancelamento da multa qualificada de 150%. É o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Cuidase de Recurso Voluntário da decisão que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF relativo a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com multa qualificada de 150%, sob o fundamento da pratica reiterada e de omitir rendimentos em valores elevados. Nas razões de recurso sustenta erro na apuração da receita omitida e compatibilidade entre os valores declarados e o seu patrimônio. Pede ainda exclusão das transferências entre suas contas e a conta de seu ex cônjuge. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10925.001539/200873 Acórdão n.º 2201002.365 S2C2T1 Fl. 4 5 Não se aponta qual o erro e os valores dos depósitos pretendidos para a exclusão e a compatibilidade existente entre os rendimentos e a evolução do patrimonial, embora o patrimônio por si só não justifique os depósitos bancários. Sustenta ainda que não foram excluídos os valores inferiores a R$ 12.000.00 e não superiores a R$ 80.000,00. Vemos que a decisão recorrida apreciou essa matéria na fase da Impugnação e consignou de forma expressa que os depósitos inferiores a R$ 12.000,00 superam a importância de R$ 80.000,00 no ano, razão pela qual eles foram mantidos. Com isso, cabia a Recorrente trazer maiores elementos para demonstrar e comprovar sua irresignação e o desacerto da autuação e da decisão recorrida. É necessário não só alegar, mas individualizar ou indicar quais seriam essas parcelas ou valores para demonstrar o defeito na autuação e não simplesmente repetir os argumentos desenvolvidos na Impugnação, que foram afastados pela decisão recorrida. Também nada se comprova se os depósitos bancários decorrem dos rendimentos de atividade rural ou de eles pertencerem ao exconjuge, conforme sustenta o Recorrente nas razões de recurso. Pela mesma razão de nada comprovar dos rendimentos omitidos da atividade rural não há possibilidade de pretender a tributação favorecida de 20% da receita ou mesmo tornar incabível a autuação na forma dos depósitos bancários pela identificação da fonte. No mérito nada é justificado ou comprovado, de forma que prevalece a presunção legal de os depósitos bancários corresponderem a rendimento tributável omitido. Tocante a imposição da multa qualificada vemos que a autuação e a decisão recorrida não agiram com os costumeiro acerto. Transcrevo os fundamentos da decisão recorrida que levaram a manter a multa qualificada: ... está devidamente evidenciado que o sujeito passivo, ao longo de quatro anos calendário, reiteradamente omitiu rendimentos à tributação, não tendo sido capaz de justificar um montante significativo de ingressos em suas contas bancárias, quais sejam R$ 802.893,75 em 2003, R$ 959.440,34 em 2004, R$ 771.334,11 em 2005 e R$ 1.332.013,78 em 2006. O que parece razoável, diante do quadro posto, é que o montante das rendas omitidas, em que pese ter sido constatado por presunção, pode perfeitamente consubstanciar a caracterização do dolo, no caso de a ela estar vinculada a evidenciação de que isto ocorreu ao longo de vários períodosbase. Ou seja, desproporção e reiteramento levam, conjuntamente, a um quadro mais consistente acerca da aferição do dolo. Foi mantida a qualificadora da multa exclusivamente pela prática reiterada de omitir rendimentos ao longo de quatro, em valores elevados e superiores os rendimentos declarados. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES 6 Nada disso consta do tipo legal da multa qualificada, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, c/c, os arts. 71 a 73, da Lei 4.502, de 1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Nesse sentido a Súmula Carf 25 foi bem didática ao explicar. Confirase: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Observese, a lei não permite qualificar a penalidade pela existência de condutas reiteradas ou omissão de elevado valor ou superiores aos valores declarados, seja por dolo ou fraude. A omissão de rendimentos apurada por meio de depósitos bancários corresponde a conduta omissiva, mas não há fraude ou dolo na intensidade necessária para tipificar a conduta. Essa conduta pode conter o dolo, desde que comprovada a intensidade do dolo – o ardil, a vontade livre, consciente, deliberada e premeditada ou de assumir o risco de sonegar, para permitir a qualificação da penalidade. Explicase. Em toda autuação temos a multa de oficio de 75%, que é objetiva e decorre do tipo, da previsão da lei ou do elemento objetivo do tipo, esta multa integra a sonegação, seja ela praticada com culpa ou com dolo consciente ou inconsciente. Agora, qual a razão e sentido da imposição da multa qualificada do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, c/c os arts. 71 a 73, da Lei n° 4.502, de 1964, que manda duplicar a penalidade para 150% na hipótese de sonegação com fraude, dolo, ou conluio? Na fraude e nas suas variantes da simulação e dissimulação a comprovação é fácil. Fácil porque decorre do elemento objetivo, os documentos firmados, de modo geral, comprovam a qualificadora. Na imposição da multa qualificada pelo dolo, não. Aqui a prova é difícil. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10925.001539/200873 Acórdão n.º 2201002.365 S2C2T1 Fl. 5 7 Difícil porque se exige a comprovação do elemento subjetivo do infrator, enquanto a multa de oficio de 75% decorre apenas do elemento objetivo do tipo (da lei). Basta existir a infração para se impor a multa de 75%, o dolo decorre da lei, não da conduta do infrator. Em outras palavras, é a intensidade do dolo do infrator que permite qualificar a penalidade nessa modalidade de conduta (dolo). É necessário aferir e comprovar a intenção dolosa, o ardil, a vontade livre, consciente, deliberada e premeditada ou de assumir o risco de sonegar. Aqui o autuado sequer foi ouvido, não se produziram provas para procurar aferir o elemento subjetivo, intencional do autuado a sua vontade consciente, deliberada e premeditada de, na ação ou omissão de sonegar. Portanto, sem prova firme e segura do dolo ou do evidente intuito de fraude ou conluio, incabível a imposição da multa qualificada. Ante o exposto, pelo meu voto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinatura digital) Odmir Fernandes, Relator. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10882.001315/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (efls. 416/ss) lavrado em 22/06/2007 e com ciência em 26/06/2007, para a cobrança do IPI, multa de ofício proporcional, multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito e juros de mora, no montante de R$ 4.148.787,07, em decorrência da falta de recolhimento do imposto, por enquadramento indevido da operação de saída como “prestação de serviços” e também por erro de classificação fiscal, para o período de apuração de 10/01/2002 a 30/06/2002, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (efolhas 116/ss). Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: Tratase de auto de infração (fls. 303/325) lavrado em 22/07/2007 para exigir o crédito tributário de R$ 4.148.787,07, correspondente ao IPI, inclusos multa de ofício e juros RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 01 31 5/ 20 07 -2 4 Fl. 918DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/02/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10882.001315/200724 Resolução nº 3202000.181 S3C2T2 Fl. 932 2 de mora, e multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito, por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com falta de lançamento de imposto e por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota, em relação aos produtos relacionados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 111/123. Regularmente notificada do auto de infração, a contribuinte tempestivamente apresentou a impugnação de fls. 335/345, instruída com os documentos de fls. 346/414, alegando, em síntese, que: 1. A empresa é do ramo de prestação de serviços gráficos e realiza preponderantemente, atividade de impressão de bobinas de papel personalizadas, produzidas sob encomenda, o que excluiria tais produtos do conceito de industrialização, pois os serviços de composição gráfica seriam tributados exclusivamente pelo ISS, não se sujeitando ao IPI; 2. Disse que seus produtos personalizados e produzidos sob encomenda dos clientes, se não viessem a ser faturados àqueles encomendantes originais, tornarseiam absolutamente inúteis; 3. Não é estabelecimento industrial, mas sim prestador de serviços gráficos, não se sujeitando ao IPI, conforme remansosa jurisprudência sumulada e doutrina atinente à espécie; 4. No tocante ao equívoco quanto à classificação fiscal, fato é que o Decreto n° 4.070/01, que revogou o dispositivo anterior, manteve não só a classificação fiscal pretendida pelo agente fiscalizador, como também aquelas utilizadas pelo sujeito passivo; 5. Ainda que houvesse uma classificação específica para o caso sob exame, o que há de ser observado diz respeito, tão somente, à absoluta isenção ou aplicação de alíquota zero sobre as operações de impressão de bobinas sob encomenda, que deverão prevalecer sempre, independentemente do código de classificação utilizado; 6. Ao final, invoca jurisprudência do STJ, em especial a Sumula 156, e julgados administrativos do Conselho de Contribuinte. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1428.677 em 28/04/2010 (efolhas 535/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 IPI. FATO GERADOR. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADOS. SÚMULAS 143 DO TFR E 156 DO STJ. INAPLICABILIDADE. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no 8°, § 1°, do DL n° 406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. LANÇAMENTO. ERRO CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota inferior à devida, justifica o lançamento de ofício do IPI, com os acréscimos legais cabíveis. A interessada cientificada do Acórdão em 14/06/2010 (efolha 544/546), interpôs Recurso Voluntário em 23/06/2010 (efolhas 548/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação, acrescentando comentários sobre a decisão recorrida e requerendo a reunião de todos os autos de infração lavrados sobre a mesma matéria face à conexão entre eles e também quanto à dependência do processo originário de habilitação dos créditos pleiteados e compensados nos PER/DCOMP. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/02/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10882.001315/200724 Resolução nº 3202000.181 S3C2T2 Fl. 933 3 O processo digitalizado foi sorteado e, posteriormente, distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. Compulsandose os autos do processo verificase que ainda restam dúvidas em relação a fatos relatados pela fiscalização quanto ao processo produtivo da empresa, nos seguintes termos (vide efolha nº 119): O sujeito passivo é indústria gráfica fabricante de bobinas de papel para automação bancária e comercial. Adquire as bobinas de papel da Votorantim Celulose e Papel S/A, com larguras geralmente entre 650 e 870 milímetros, e as converte em bobinas menores, com larguras geralmente entre 57 e 216 milímetros (bobinas para fax), para utilização em máquinas registradoras, calculadoras, aparelhos de facsimile (fax), equipamentos emissores de cupom fiscal, extratos, comprovantes bancários, tickets para estacionamento, cupons de pedágio, comprovantes de cartão de crédito e recibos em geral. O sujeito passivo produz bobinas personalizadas ou sem impressão. A personalização, que transforma a bobina em produto de uso exclusivo do encomendante, compreende principalmente a impressão nas bobinas de logotipo e razão social/marca do encomendante, textos explicativos, nome do impresso, etc. (negritei) Destarte, entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, através da juntada de documentação probante suficiente para demonstrar o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, no intuito de se identificar perfeitamente o processo produtivo da empresa proponho que os autos retornem à DRF – Osasco SP para a realização de perícia técnica, a ser elaborada por peritos credenciados junto à Receita Federal ou instituição de renomada reputação técnica (IPT, INT, UNICAMP, ou outra similar), a ser contratada pela Recorrente, quando deverão ser respondidos os seguintes quesitos: 1º Explicar detalhadamente o processo produtivo relacionado às operações objeto do presente litígio. 2º Informar quais os insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) são utilizados no processo produtivo da empresa para a elaboração dos produtos relacionados ao presente litígio. 3º Informar quais são os produtos finais resultantes do processo produtivo da empresa relacionados com o presente litígio. As partes (Fisco e Recorrente), caso entendam conveniente, podem apresentar quesitos adicionais a serem respondidos pelos peritos. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/02/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10882.001315/200724 Resolução nº 3202000.181 S3C2T2 Fl. 934 4 Caso entenda necessário, ao término da perícia, a fiscalização poderá manifestarse sobre o Laudo Técnico elaborado. Encerrada a instrução processual a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 921DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/02/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.003982/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.184
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - (Presidente Substituto),
Participaram do julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo., Marcos Antonio Pires, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - (Presidente Substituto), Participaram do julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo., Marcos Antonio Pires, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto
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WELTER CEREAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo (Presidente Substituto), Participaram do julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo., Marcos Antonio Pires, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 03 98 2/ 20 10 -8 4 Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10935.003982/201084 Resolução nº 1202000.184 S1C2T2 Fl. 23 2 Relatório e voto Recebido o processo para relato, realizei um exame preliminar que indicou estar apto ao julgamento, tendo sido incluído em pauta da sessão de abril de 2013. Ocorre que posterior exame detalhado dos autos para elaboração do relatório e voto demonstrou que, entre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, está a questão inerente ao acesso aos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Tratase, entre outras infrações, de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários em conta corrente cuja origem não foi comprovada mediante documentos hábeis e idôneos. Para ter acesso à conta bancária da Recorrente foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) diretamente às Instituições Financeiras, de maneira que teria ocorrido, em tese, uma possível quebra de sigilo bancário. A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva, conforme se passa a demonstrar. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10935.003982/201084 Resolução nº 1202000.184 S1C2T2 Fl. 24 3 Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi recorrido por Embargos de Declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF nesta data demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 09/11/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. Assim, considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, é dever deste E. Conselho sobrestar o julgamento dos processos que tratam sobre a matéria, conforme dispõe o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, transcrito abaixo: Art. 62 [....]§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10935.003982/201084 Resolução nº 1202000.184 S1C2T2 Fl. 25 4 § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem suspenderem o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida, exatamente o caso dos autos. Diante de todo o exposto, manifestome pelo sobrestamento do julgamento do presente recurso, à luz do RICARF e nos termos do art. 2º, §1º, da Portaria CARF nº 2, de 2012. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000516/2006-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2002, 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
Presume-se rendimento tributável os depósitos constatados na conta bancária do autuado, quando, intimado, não justifique e comprove a origem da movimentação bancária por rendimento tributáveis ou não tributáveis.
Numero da decisão: 2201-002.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presume-se rendimento tributável os depósitos constatados na conta bancária do autuado, quando, intimado, não justifique e comprove a origem da movimentação bancária por rendimento tributáveis ou não tributáveis.
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COMPROVAÇÃO. Presumese rendimento tributável os depósitos constatados na conta bancária do autuado, quando, intimado, não justifique e comprove a origem da movimentação bancária por rendimento tributáveis ou não tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 16 /2 00 6- 86 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRJ que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada dos anos calendários de 2000, 2002 e 2003, com malta de oficio de 75%. Autuação a fls. 452 a 460. Relatório de fiscalização a fls. 442 a 451. Decisão recorrida a fls. 967 a 969 manteve a autuação pela falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, com a seguinte ementa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presumemse rendimentos tributáveis os depósitos de origem não comprovada. Recurso Voluntário a fls. 970 e sgts sustenta que a simples presunção não pode permitir a autuação. As centenas de depósitos correspondem a ação trabalhista recebida na qualidade de advogado. A multa é confiscatória e ofende a capacidade contributiva Anoto, o recurso foi admitido e sobrestado na forma dos Par. 1º e 2º, do art.62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, acrescentado pela Portaria n° 586 de 21.12.2010, do Ministro da Fazenda. Com a revogação dos Par. 1º e 2º, do art.62A, pela Portaria n° 545, de 18.11.2013, os autos retornam a julgamento. É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Cuidase de Recurso Voluntário de decisão da DRJ que manteve a autuação sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancários de origem não comprovada. O autuado Recorrente é advogado, juntou diversos documentos onde comprova exercer a advocacia trabalhista a vários clientes. Diz nas razões de recurso que a simples presunção não permite a realizar o lançamento tributário. De fato, a simples presunção não autoriza a realização do lançamento tributário, conforme sustenta o Recorrente, mas aqui essa presunção se fez pela inversão do ônus da prova autorizada em lei, o art. 42, da Lei 9.430, de 1996. O Recorrente não nega a existência dos depósitos bancários constatados pela fiscalização na sua conta corrente. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000516/200686 Acórdão n.º 2201002.328 S2C2T1 Fl. 3 3 Feita essa constatação, a fiscalização intimou o titular das contas bancarias para explicar a origem dos depósitos encontrados, mas nada foi explicado ou comprovado. Com a omissão, insuficiência de explicação ou comprovação da origem dos depósitos na conta bancaria surge a presunção legal de os depósitos corresponderem a rendimento tributável omitido. Pois bem, tratandose de recebimento de dinheiro de terceiros, por conta de ação trabalhista proposta em nome de cliente, conforme sustenta o Recorrente, bastava ele comprovar o repasse dos valores recebidos ao respectivo destinatário para se eximir da autuação. Feita essa comprovação não poderia restar dúvida da indevida autuação, mas aqui o Recorrente apenas alega, nada, absolutamente, nada comprova. O Recorrente juntou aos autos, é certo, diversos documentos, mas sem qualquer nexo entre si, sem demonstrar ou comprovar a causa e efeito de cada depósito existente na sua conta bancaria constatado pela fiscalização. Seria necessária verdadeira pericia contábil, ou escrita contábil, ainda que rudimentar, ou escrituração do livro caixa com documentos para comprovar o fato alegado. Além da juntada dos diversos documentos, nada de concreto o autuado trouxe aos autos. A matéria e unicamente de fato, daí não se prestar o mero argumento desenvolvido pelo Recorrente nas razões de recurso, com juntada aleatória de documentos, sem qualquer comprovação concreta dos fatos objeto da acusação fiscal. A imposição da multa de 75% não possui reparo e este Conselho não pode se pronunciar sobre eventual ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei, seja do alegado confisco ou da capacidade contributiva, como quer o Recorrente, diante da vedação legal, reproduzida pela Súmula 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sem comprovação dos fatos resta manter a autuação. Ante o exposto, pelo meu voto, nego provimento ao recurso para manter a autuação e a decisão recorrida. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES 4 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES
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