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Numero do processo: 14041.000856/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO REAL. DESPESA INDEDUTÍVEL
Despesas incorridas com a realização de confraternização de fim
de ano não se enquadram na definição de despesas necessárias
estabelecida pela legislação tributária, não sendo passíveis de
exclusão da apuração do Lucro Real. Inteligência do disposto no
artigo 299 do RIR/99 e artigo 13 da Lei n° 9.249/95.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.439
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO REAL. DESPESA INDEDUTÍVEL Despesas incorridas com a realização de confraternização de fim de ano não se enquadram na definição de despesas necessárias estabelecida pela legislação tributária, não sendo passíveis de exclusão da apuração do Lucro Real. Inteligência do disposto no artigo 299 do RIR/99 e artigo 13 da Lei n° 9.249/95. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS (PRESIDENTE), ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO (VICEPRESIDENTE), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS (SUPLENTE CONVOCADO), MARCELO CUBA NETTO E RAFAEL CORREIA FUSO. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização federal, que cobra a CSLL do períodobase de 2003, conforme as descrições detalhadas a seguir. 001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal que acompanha e é parte deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2003 R$ 80.839,51 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único , 299 e 300, do RIR/99. MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 75,00% Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. 001 CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal que acompanha e é parte deste Auto de Infração. Fato Gerador Val. Tributável Multa() 31/12/2003 R$ 80.839,51 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Art 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 1° da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; ' Art. 37 da Lei n° 10.637/02. MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 75,00% Art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96. Foram solicitados à contribuinte os seguintes documentos: A) Estatuto Social da Empresa e alterações posteriores, nos termos das leis 6.404/64 (Lei das S/A), 10.406/02 (Código Civil Brasileiro), devendo também ser apresentadas as Atas das Fl. 137DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 14041.000856/200798 Acórdão n.º 120100.439 S1C2T1 Fl. 137 3 Assembléias nas quais houveram a nomeação do presidente, vicepresidente e diretores; B) Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), nos termos dos arts. 262 e 263 do decreto n° 3.000/99, e art 79 da IN SRF n° 390/04, relativo ao anocalendário de 2003; C) Procuração da Fiscalizada com indicação do responsável para representála junto à SRF; D)Arquivos eletrônicos e documentos a seguir relacionados referente ao anocalendário de 2003, na forma do disposto nos arts. 265, 266, 267 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), Instruções Normativas SRF n° 86, de 22/10/2001, Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 23/10/2001 e art. 72 da Medida Provisória n° 2.158/01: 1. Arquivo de Lançamentos Contábeis, obedecida a estrutura de arquivo especificada no item 1 do Anexo II; 2. Arquivo de Saldos Mensais, obedecida a estrutura de arquivo especificada no item 2 do Anexo II; 3. Tabela de Plano de Contas, obedecida a estrutura de arquivo especificada no item 7 do Anexo II; 4. Livros de Registro de Entrada/Saída e de Apuração do ICMS em meio magnético; 5. Descrição detalhada de cada arquivo, obedecido o disposto no item 1 do Anexo III; 6. Cópia impressa do conteúdo dos trinta primeiros e dos trinta últimos registros de cada arquivo ("dump"), obedecido o disposto no Anexo III; 7. Etiqueta de identificação externa de cada volume, obedecido o disposto no item 3 do Anexo III; 8. Relatório de acompanhamento de cada arquivo, conforme modelo constante do Anexo IV; A contribuinte, em atendimento à solicitação fiscal, apresentou os seguintes documentos: Nona Alteração e consolidação do contrato social; Original e cópia do Livro de Registro de Apuração do Lucro Real — LALUR n 07, referente ao ano de 2003; Cópia autenticada das procurações de Rosângela de Jesus Gravia e Pedro Claret Rezende; e Arquivos eletrônicos e documentos referentes a: Lançamentos Contábeis, Saldo Mensais, Plano de Contas, e Livros de Registro de entrada/saída e de apuração do ICMS. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 4 Arquivos eletrônicos referentes a: lançamentos contábeis; saldos mensais, plano de contas e livros de registro de entrada/saída e de apuração de ICMS, relativos a 2003, validados pelo programa SINCO. Balancetes analíticos mensais dos anos de 2004, 2005 e 2006. A fiscalização intimou a contribuinte, após a análise dos documentos fiscais, a apresentar os seguintes esclarecimentos: Da análise dos arquivos magnéticos relativos aos livros de ICMS, foi constatada uma receita bruta de R$ 65.223.191,66 (conforme demonstrativos anexos I a VI). Esclarecer a diferença quanto à receita bruta declarada no Ano Calendário de 2003 de R$ 62.999.504,37. Em resposta à intimação, justificou a contribuinte da seguinte forma: Em atendimento ao termo acima referenciado prestamos abaixo os devidos esclarecimentos para justificar a diferença de R$2.223.687,29;(dois milhões, duzentos e vinte e três mil, seiscentos e oitenta e sete reais e vinte e nove centavos) apontada por essa fiscalização no confronto entre os livros de apuração do ICMS e os informados na DIPJ, relativo ao ano calendário de 2003 Conforme Quadro Demonstrativo a seguir a mencionada diferença está assim justificada: Os motivos das diferenças são: 1 R$ 125.951,13 Os valores tributáveis que foram informados inicialmente por meio magnético estavam a menor em R$ 125.951;13 e esta diferença originouse de diversas reparametrizações entre os anos de 2003 e 2007 no sistema de Obrigações Fiscais do contribuinte. Quando geramos em 2007, relatório relativo a dados de 2003, algumas CFOP's que seriam tributáveis foram informadas como não tributáveis e ocorrendo também o contrário (demonstrativo e livros de apuração de ICMS anexos) 2 R$ 593.515,13 São simples remessas não tributáveis (CFOP's 5116, 6116 e 6117), cujas receitas já foram consideradas, quando do faturamento antecipado para entrega futura de mercadorias (CFOP's 5922 e 6922). 3 R$1.572.686,61 e R$ 180.265,85 Tratamse de, valores relativos ao IPI no valor de R$ 1.572.586,61 e ICM Substituição tributária no valor de R$ 180.265,85, que não compõem a receita bruta, mas apenas a base de cálculo do ICMS (cópia balancete anexa) 4 R$ 3270,83 Valores relativos a ICMS que não devem ser adicionados a DIPJ. A fiscalização solicitou também os seguintes documentos: Em relação ao Item 2 da resposta do Termo de Constatação Fiscal: Apresentar a documentação referente as Operações de Fl. 139DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 14041.000856/200798 Acórdão n.º 120100.439 S1C2T1 Fl. 138 5 CFOPs 5116 dos meses de Outubro e Dezembro de 2003 para comprovação de que se tratam de simples remessas não tributáveis. Em relação ao Item 3 da resposta do Termo de Constatação Fiscal: Elaborar memória analítica demonstrando o cálculo do valor do IPI total considerado no ano de R$ 1.572.586,61 que consta no balancete de 12/2003. Apresentar os livros de Registro de Apuração do IPI relativo aos anos de 2004 a 2006 e o Razão das seguintes contas do passivo com as respectivas contrapartidas em relação ao mesmo período: IRPJ, IRRF, CSLL, PIS e COFINS. Atendendo a nova intimação, a contribuinte apresentou a documentação solicitada. Por fim, a fiscalização questionou ainda a composição dos valores constantes na DIPJ de 2004, anocalendário de 2003, relativa às outras despesas operacionais, no valor de R$ 1.680.890,13, o que fora justificada pela contribuinte através de relatório informando todas as despesas. Há ainda nos autos a justificativa de todas as contas contábeis de despesas, questionadas pela fiscalização, com planilhas, relatórios etc. Em seu relatório fiscal conclusivo, a fiscalização justifica a autuação da seguinte forma: Segundo o Decreto n° 3000, de 29/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessários à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n2 4.506, de 1964, art. 47). § 12 São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n 2 4.506, de 1964, art. 47, § 12). § 22 As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n 2 4.506, de 1964, art. 47, § 22). Com base nas informações disponíveis no Razão, no LALUR, na DIPJ 2004 e nas demais informações fornecidas pelo contribuinte durante esta fiscalização, verificamos que a despesa de R$ 80.839,51 referese a uma Confraternização de Fim de Ano promovida pela empresa, não se enquadrando como uma despesa necessária à atividade da fiscalizada. Portanto, no anocalendário de 2003 houve valores deduzidos sobre o Lucro Real indevidamente, motivando a lavratura desse Auto de Infração. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 6 Segundo a Lei n 9.430, de 1996: "Art. 44. Nos casos de lançamentos de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." No AnoCalendário de 2003 foi identificado valores de IRPJ e CSLL(reflexo) não recolhidos aos cofres públicos, implicando no lançamento da Multa de Ofício, aplicada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A contribuinte foi intimada do Auto de Infração, protocolou impugnação em 14/11/2007, sendo mantido o lançamento fiscal em parte. Vejamos a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 2003 LUCRO REAL. DESPESA INDEDUTÍVEL Despesas incorridas com a realização de confraternização de fim de ano não se enquadram na definição de despesas necessárias estabelecida pela legislação tributária, o que implica considerálas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. DESPESA 1NDEDUTÍVEL. O fato de a despesa ser indedutível na apuração do lucro real não significa igual tratamento na determinação da base de cálculo da contribuição social, cujo valor tributável é definido em legislação específica. Lançamento Procedente em Parte. Cumpre trazer ainda o inteiro teor da decisão: Com relação à possibilidade de considerar, na determinação do lucro real, a dedução de gastos efetuados pela empresa e não computados nos custos, a legislação tributária expressamente condiciona que tais despesas devem revestirse da característica de necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, na dicção literal do art. 299 do RIR199, cuja matriz legal é o art. 47 da Lei n°. 4.506, de 1964. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 14041.000856/200798 Acórdão n.º 120100.439 S1C2T1 Fl. 139 7 O alcance do termo "despesas necessárias" está conceituado no § 1°. Do precitado art. 299 do RIR/99, compreendendo, na acepção expressamente definida pelo legislador, aquelas incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. O § 2°. do mesmo dispositivo, por sua vez, prescreve que tais despesas, ainda, deverão revestirse dos requisitos de usualidade ou normalidade, no tipo de transações operações ou atividades da empresa. Assim, no caso concreto, não se discute o significado de uma festa de confraternização de fim de ano para o ambiente da organização, nem tampouco a proporcionalidade dos gastos dessa natureza em confronto com o faturamento ou com a despesa total da empresa, mas tãosomente o requisito de necessidade à atividade e à manutenção da fonte produtora. Por óbvio que os gastos incorridos com uma festa de confraternização de fim de ano não se revestem das características exigidas pelos dispositivos legais anteriormente enfocados, daí não poderem ser deduzidos para efeito de apuração do lucro real, o que justifica a legitimidade da glosa procedida pela fiscalização e a formalização da exigência relativa ao IRPJ. Acerca dos entendimentos em sentido contrário externados pelo 1°. Conselho de Contribuintes, aquelas decisões têm efeito restrito às partes dos processos em razão dos quais foram proferidas, não beneficiando terceiros, nos termos do art. 472 do CPC, e, além do mais, na legislação tributária, não possuem o status de normas complementares, por ausência de lei que lhes atribua eficácia normativa, como condiciona o art. 100, II, do CTN. Quanto à CSLL, é certo que sua base de cálculo é o lucro líquido apurado contabilmente, conforme definido pela Lei 7.689, de 1988, que instituiu a contribuição, e, de outra parte, nem mesmo as alterações supervenientes, introduzidas pelas Leis n"s. 8.034, de 1990 e 9.249, de 1995, autorizam que as despesas cuja dedução não é legalmente admitida para apuração do lucro real também sejam assim consideradas para determinação da base de cálculo da contribuição. Nesta circunstância, não subsiste o auto de infração relativo à CSLL. Diante do exposto, VOTO pela procedência parcial dos lançamentos impugnados, mantendose a tributação do IRPJ e excluindo a exigência concernente à CSLL. Inconformada com a decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando em síntese que: Tratase de Auto de Infração onde a autuação fiscal glosou as despesas porque entendeu desnecessárias quando realizadas em festa de Confraternização de Fim de Ano para os funcionários da empresa. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 8 A r. decisão ora recorrida, apesar de dar provimento parcial à Impugnação do ora Recorrente, para excluir a exigência concernente à CSLL, manteve a referente a IRPJ. Todavia, o r. decisum a quo contraria o entendimento desse Egrégio Conselho, merecendo, pois, ser reformado, para julgar integralmente improcedente o Auto de Infração, como será a seguir demonstrado. A ora Recorrente tem um faturamento expressivo, sendo uma das maiores em seu ramo de venda de produtos metalúrgicos e em sua grande maioria fabricados em suas própria indústria, conforme comprovado pelo balanço juntado com a impugnação. A Recorrente possui várias lojas e fábricas e ao final do ano são reunidos seus empregados para a confraternização e comemoração dos festejos natalinos e de encerramento de ano. O valor do gasto é irrisório se comparado às suas despesas totais e ao seu faturamento. Porém, o resultado desse relacionamento humano para as atividades da empresa é enorme, pois benéfico aos resultados alcançados. Aliás, este é o entendimento dessa Egrégia Corte Superior, como se extrai dos seguintes julgados, v.g.: "Ementa: IRPJ DESPESAS PROMOCIONAS COMEMORAÇÃO NATALINA DEDUT1BILIDADE – As comemorações alusivas ao Natal da empresa integram o seu programa de relações humanas e sociais. Os gastos suportados são necessários quando, submissos a dispêndios moderados, abrigase, o seu acolhimento, na jurisprudência remansosa deste Conselho." (1° CC Acórdão 10320395 Data da Sessão 17/10/2000) "IRPJ CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS – Os pagamentos efetuados para custear eventos como inauguração de obras e festas de fim de ano para funcionários da empresas podem ser admitidos como despesas operacionais." (1° CC Acórdão 10193217 Data da Sessão 18110/2000) "DESPESAS COM RECEPÇÕES, FESTAS E REPRESENTAÇÃO — Desde que razoáveis, os gastos com eventos realizados para congraçamento entre empregadores, empregados e clientes, assim como brindes distribuídos por ocasião das festa de fim de ano, podem ser admitidos como despesas operacionais." (1° CC Acórdão 10193271 Data da Sessão 09/1112000) "Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DESPESA DEDUTÍVEL GRATIFICAÇÃO A FUNCIONÁRIOS COMPRA DE CHESTER EM ÉPOCA DE NATAL E PÁSCOA Considerase dedutível a despesa de compra de chester para gratificação a funcionários em épocas festivas. Recurso parcialmente provido." (1° CC Acórdão. 10805567 Data da Sessão 23102/1999) Fl. 143DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 14041.000856/200798 Acórdão n.º 120100.439 S1C2T1 Fl. 140 9 IRPJ — DESPESAS COM FESTAS DE CONGRAÇAMENTO — São dedutiveis os gastos com festas de fim de ano, de valor módico e devidamente comprovados." (1° CC Acórdão 101 92898 Data da Sessão 11/11/1999) Extreme de dúvidas, assim, que esses gastos são absolutamente necessários às atividades da empresa porque visam ao estreitamento das relações interpessoais dos empregados e resultam em melhor satisfação laboral e desempenho das atividades humanas. Entender de forma diversa é o mesmo que desprezar a política de incentivos da qualidade no ambiente de trabalho tão preconizada pelos Governos de todas as esferas. Por fim, e a despeito do argumento de que a administração não está obrigada a observar as decisões emanadas do próprio Conselho de Contribuintes, não pode ser crível que um órgão da administração faça tábua rasa das decisões de um órgão colegiado superior que ela mesma tenha criado com a finalidade de julgar seus atos. Tais decisões deveriam sim ser usadas como norte da atuação do administrador, o que fatalmente desafogaria esse tribunal administrativo e daria ao ato praticado a necessária legitimidade, que neste caso específico, passou ao largo. Assim, merece ser provido o presente recurso, julgando integralmente improcedente o lançamento fiscal. ANTE O EXPOSTO é o presente RECURSO VOLUNTÁRIO para que essa respeitável Autoridade Julgadora o conheça, e lhe dê provimento, para julgar improcedente a ação fiscal e o seu conseqüente lançamento, requerendo a anulação in totum do crédito tributário constante do Auto de Infração respectivo, bem como os efeitos dele decorrentes, por ser esta a mais lídima JUSTIÇA É o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende os requisitos legais, por isso o conheço. Quanto ao mérito, a questão ora posta é se as despesas natalinas com a festa de confraternização no fim do ano de 2003, realizada pela Recorrente pode ser considerada uma despesa dedutível da apuração o lucro real, para fins de tributação do IRPJ. A jurisprudência dessa Corte já se pronunciou em reiterados acórdãos que as despesas natalinas, que visem a congregação, integração e motivação dos funcionários, desde que tais gastos sejam razoáveis para o tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica: Fl. 144DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 10 “IRPJ – CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS – DESPESAS COM FESTIVIDADES NATALINAS – PERÍODOBASE DE 1985 – A jurisprudência administrativa admitia a apropriação como despesas operacionais de dispêndios efetuados com comemorações natalinas e outras festividades que visem o congraçamento, integração e motivação dos empregados desde que razoáveis para o tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica. CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS – DEDUTIBILIDADE – Computamse na apuração do resultado do exercício como dedutíveis, todos ou custos ou despesas que guardem correlação com a atividade explorada e que forem documentadamente comprovados. (Recurso n° 137987, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Julgado em 17/03/2005, Rel. Paulo Roberto Cortez). Analisando o valor dos gastos das despesas com a receita bruta (R$ 65.223,191,66) e o lucro da empresa (R$ 3.752.108,83) podemos até afirmar que as referidas despesas, até em razão do porte da empresa, deve ser considerada como razoável, visto que o valor das despesas discriminadas nos autos à fl. 59, no montante de R$ 80.839.51. Contudo, com o advento da Lei n° 8.981/95, houve uma restrição drástica das despesas dedutíveis, por isso que a jurisprudência ora colacionada menciona em seu texto “A jurisprudência administrativa admitia a apropriação como despesas operacionais de dispêndios efetuados com comemorações natalinas e outras festividades que visem o congraçamento, integração e motivação dos empregados desde que razoáveis para o tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica”. Se a legislação tributária não previu como despesa operacional as despesas em análise como passíveis de dedução, cabe a esse julgador analisar se as mesmas mantém a natureza jurídica de despesas operacionais. A Receita Federal considera como despesas operacionais as não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. O fundamento inclusive da fiscalização que levou à glosa da despesa está no conceito de que “as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, entendendose como necessárias as pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (RIR/1999, art. 299 e seus §§ e PN CST no 32, de 1981)”. Ao se depararmos com o disposto no artigo 299 do RIR/99 e no artigo 13 da Lei n° 9.249/95, fica patente a definição de despesas operacionais para fins de apuração do lucro real, considerandoas como necessárias e passíveis de dedução as pagas ou incorridas na realização de transações ou operações praticadas em razão da atividade da empresa, utilizando se critérios bem restritivos: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). Fl. 145DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 14041.000856/200798 Acórdão n.º 120100.439 S1C2T1 Fl. 141 11 § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2º; VII das despesas com brindes. § 1º Admitirseão como dedutíveis as despesas com alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados. § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; Fl. 146DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 12 III as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: a) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária; b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição da fiscalização, declaração, segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, fornecida pela entidade beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais, com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto; c) a entidade civil beneficiária deverá ser reconhecida de utilidade pública por ato formal de órgão competente da União. Diante do exposto, CONHEÇO DO RECURSO, para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendose o Auto de Infração, visto que o conceito de despesa operacional para fins de apuração do IRPJ, com o disposto no artigo 299 do RIR e com o advento da Lei n° 9.249/95, não se permite mais considerar as despesas natalinas como passíveis de dedução da apuração do Lucro Real. É como voto! RAFAEL CORREIA FUSO Relator (documento assinado digitalmente) Fl. 147DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.008855/2005-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
PRAZO FINAL DE IMPUGNAÇÃO. EXPEDIENTE ANORMAL DO ÓRGÃO.
NECESSIDADE DE PROVA.
Para se estender a data final para impugnação por conta de greve dos técnicos da Receita Federal, é necessário se trazer aos autos provas convincentes do fato.
No caso, as provas se limitaram a cópias de comunicados dos Técnicos da Receita Federal informando do movimento paredista, sem qualquer assinatura ou confirmação de autoria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.080
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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PRAZO FINAL DE IMPUGNAÇÃO. EXPEDIENTE ANORMAL DO ÓRGÃO. NECESSIDADE DE PROVA. Para se estender a data final para impugnação por conta de greve dos técnicos da Receita Federal, é necessário se trazer aos autos provas convincentes do fato. No caso, as provas se limitaram a cópias de comunicados dos Técnicos da Receita Feral informando do movimento paredista, sem qualquer assinatura ou confirmação de autoria. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo (convocado), José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes (convocado) e Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado). Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$1.401,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1 a 2). ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não conheceu da impugnação, por considerála intempestiva, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 106 a 109): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Impugnação não Conhecida O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão da seguinte maneira (fl. 108): A Auto de Infração foi recebido em 19/07/2005, terçafeira, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 36 e a impugnação só foi apresentada em 30/08/2005, terçafeira (fls. 01/02), portanto, após o prazo legal de 30 dias estabelecido no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, a impugnação é claramente intempestiva. Contudo, a DRF/Brasília encaminhou o processo para julgamento, pois considerou que o contribuinte questionou a tempestividade em sede de preliminar, ao afirmar que a impugnação estava sendo apresentada no prazo legal, previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. Afora a afirmação acima, o contribuinte não trouxe mais qualquer argumento a respeito do prazo em que foi apresentada a impugnação. Também não questionou a notificação do Auto de Infração, incluindo forma, data e local da entrega. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10166.008855/200562 Acórdão n.º 210101.080 S2C1T1 Fl. 122 3 Verificase que o Auto de Infração foi entregue no mesmo endereço indicado pelo contribuinte na impugnação, qual seja, SHIN QL 02, conjunto 6, casa 8, Lago Norte, Brasília/DF. Portanto, concluise que a notificação do lançamento foi válida, pois seguiu a forma prevista em lei e foi feita no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. (...) RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2008 (fl. 111), o contribuinte apresentou, em 07/04/2008, o recurso de fls. 112 a 116, onde afirma que entregou o recurso fora do prazo porque não houve atendimento ao público nos dias 08, 15 e 22 de agosto de 2005, quando compareceu à Receita Federal, por conta de greve dos técnicos do órgão, e que o atendimento só foi regularizado com o fim da paralisação, em 30/08/2005, e acrescenta documentos que julga comprovar o fato. Ao final, pugna que se reavalie a intempestividade declarada. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 120, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Tratase de impugnação não conhecida pelo julgador de 1a instância, por ter sido apresentada intempestivamente. No caso, como a ciência do lançamento se deu em 19/07/2005 (fl. 36), terçafeira, o prazo de 30 dias para recorrer terminou em 18/08/2005, mas a impugnação só foi apresentada em 30/08/2005. O recorrente alega que apresentou o recurso após o prazo por conta de uma greve dos técnicos da Receita Federal, que interrompeu o atendimento ao público no período de 08 a 30 de agosto de 2005, fato que, se devidamente comprovado, demonstra o direito do contribuinte, pois os prazos só só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, nos termos do parágrafo único do art. 5o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Entretanto, as provas da paralisação trazidas aos autos se limitam a cópias de três comunicados dos Técnicos da Receita Feral informando do movimento paredista nos períodos de 08 a 15/08, 22 a 15/08 e 22 a 29/08, sem qualquer assinatura ou confirmação de autoria (fls. 115 a 116). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 É ônus do contribuinte demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (Código de Processo Civil, art. 333, inciso II), e, para se admitir o deslocamento do fim do prazo processual, julgo que seria necessário trazer prova mais robusta do que a apresentada. No caso, não seria difícil conseguir a confirmação dos fatos com a autoridade administrativa ou com o próprio sindicato dos funcionários. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10730.000260/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ATO ADMINISTRATIVO VINCULADO. MOTIVAÇÃO. LIMITES DA LIDE. COMPROVAÇÃO.
Deve-se restabelecer as despesas médicas quando o sujeito passivo no prazo de impugnação traz aos autos documento hábil que supre a infração descrita no lançamento tributário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.203
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ATO ADMINISTRATIVO VINCULADO. MOTIVAÇÃO. LIMITES DA LIDE. COMPROVAÇÃO. Deve-se restabelecer as despesas médicas quando o sujeito passivo no prazo de impugnação traz aos autos documento hábil que supre a infração descrita no lançamento tributário. Recurso Voluntário Provido.
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ATO ADMINISTRATIVO VINCULADO. MOTIVAÇÃO. LIMITES DA LIDE. COMPROVAÇÃO. Devese restabelecer as despesas médicas quando o sujeito passivo no prazo de impugnação traz aos autos documento hábil que supre a infração descrita no lançamento tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, José Evande Carvalho Araujo, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Souza e Alexandre Naoki Nishioka. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Goncalo Bonet Allage. Relatório Fl. 69DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0421.328, proferido pela 3ª Turma da DRJ Campo Grande (fl. 40), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o Auto de Infração de fls. 05/07, para restabelecer a despesa médica com o plano de Saúde GEAP, no valor de R$1.775,61. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Conforme a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (fls. 06 frente e verso) foi lançado de oficio o presente crédito tributário, em decorrência das seguintes constatações durante a ação fiscal, após regularmente intimado a contribuinte: Dedução Indevida com Despesa de Instrução. Glosa do valor de R$ 718,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas com Instrução, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Glosados valores relativos a dedução de Despesas com Instrução uma vez que o contribuinte não apresentou os respectivos comprovantes. Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 31.825,61, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Glosados valores relativos a dedução de Despesas Medicas, por falta de formalidade legal endereço e, quanto ao valor declarado de despesa de R$ 1.775,61, não foi apresentado comprovante. Foi apresentada impugnação (fl. 0104), em 10/01/2008 através da qual o sujeito passivo, após qualificarse, e resumir os fatos, apresentou sua defesa cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: • Em 05.11.2007, compareceu a contribuinte à Delegacia da Receita Federal em Niterói, a fim de atender ao solicitado constante do Termo de Intimação Fiscal, entregando na ocasião, para apreciação desta Instituição, todas as cópias dos recibos comprobat6rios das despesas dedutíveis com médicos, psicólogos, odontólogos e fisioterapeutas, deduções essas facultadas pela legislação em vigor. • Todos os recibos comprobatórios acima citados e apresentados, continham a perfeita identificação de seus emitentes, tanto pela transcrição dos números de Inscrição junto a seus respectivos Conselhos Regionais, bem como pela perfeita identificação junto Receita Federal, esta, devidamente traduzida pelos números de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ali estampados. • De acordo com o exposto nos itens anteriores, e tendo em vista não ter sido feita nenhuma observação A época, quanto qualquer suposta irregularidade existente nos respectivos documentos, entendeu a contribuinte, que todas as exigências haviam sido sanadas, uma vez que os profissionais emitentes dos recibos comprobatórios, poderiam perfeitamente serem identificados através do registro no seu Órgão de Classe e do n° de inscrição junto ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). • Surpreendeuse, quando na data de 12.12.2007, recebeu a já citada Notificação de Lançamento, a qual lhe atribuía uma divida no valor de R$ 20.359,18 (Vinte mil, trezentos e cinqüenta e nove reais e dezoito centavos). Fl. 70DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.000260/200850 Acórdão n.º 210101.203 S2C1T1 Fl. 65 3 • Quanto as deduções com despesas médicas, segue transcrito abaixo o art. 8° da Lei n° 9.250 de 26 de dezembro de 1.995: Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos a tributação definitiva: das deduções relativas: • Vale lembrar, que a falta de endereço nos recibos, de forma alguma poderá ser considerada lesiva ao fisco, pois a Secretaria da Receita Federal detém outras formas de identificar seus contribuintes, além do que, nos respectivos formulários, A venda em todas as papelarias, não existe nenhum modelo que conste campo especifico para ser informado o endereço do emitente. • A Receita Federal possui em seu banco de dados, todos os contribuintes perfeitamente identificados através de seus CPF's, ou seja, onde residem, onde exercem suas atividades profissionais, o "quantum" percebido monetariamente, entre outros dados. Assim sendo, a carência do endereço profissional dos emitentes junto aos recibos apresentados, salvo melhor juízo, constituise em mera formalidade legal, não se configurando de forma alguma a prática de dolo, fraude ou simulação. • Devese frisar que, todos os recibos apresentados, pelo simples fato de terem sido emitidos por profissionais idôneos e devidamente caracterizados por seus CPF's, tiveram os impostos a eles referentes devidamente declarados e/ou recolhidos, sendo que, nesse caso, por uma "falta de formalidade legal", a Receita Federal estaria recebendo tanto do prestador do serviço quanto da impugnante. • Quanto à glosa efetuada pelo digno Auditor Fiscal, no montante de R$718,00 (setecentos e dezoito reais), relativo a gastos com instrução, a impugnante informa que tal despesa referese a assinatura de periódicos científicos, no valor de R$ 468,00 (N.F. n° 00002026 em anexo) e aquisição de livros científicos, esses no total de R$ 250,00 porém, a respectiva nota foi extraviada, podendo fornecer o nome da empresa bem como seu CGC, pois, uma vez procurado o responsável na tentativa de reaver a 2a via da Nota Fiscal, o mesmo informou não ser mais possível, por estar toda a documentação relativa ao ano de 2.003 arquivada, em poder do seu contador. • No tocante a glosa equivalente ao montante de R$ 1.775,61(Hum Mil, Setecentos e Setenta e Cinco Reais e Sessenta e um Centavos), esclarece que tal valor encontrase devidamente declarado e comprovado, consoante o competente Comprovante de Rendimentos Ano — Calendário 2003, fornecido pelo Ministério da Saúde e que agora juntamos A presente impugnação. • Diante do exposto, e para que fique definitivamente comprovado a idoneidade de todos os fatos narrados, segue abaixo transcrito, o endereço de todos os profissionais emitentes dos recibos dedutivos questionados: • Elizabeth Prevot da S. Sampaio, CPF484.776.13753, com endereço sito à Av. Amaral Peixoto n° 71, sala 714 Centro/Niterói/RJ. • Quitéria Raquel da M. Silva, CPF504.490.60772, com endereço sito à Av. Areia Branca n° 1230, sala 205 Santa Cruz/RJ. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 • Alessandra Braga Rolim, CPF015.624.69703, com endereço sito à Rua Dr. Nilo Peçanha n° 110 Centro Empresarial sala 1111 São Gonçalo/RJ. • Simone dos Santos Zicari, CPF042.787.93707, com endereço sito à Rua Osório Costa, s/n ° Colubandê São Gonçalo/RJ. • Informamos ainda, que todos os endereços acima citados estão devidamente comprovados pelas declarações prestadas, firmadas e assinadas pelos emitentes dos recibos em questão, que seguem em anexo. • Quanto a despesa com livros técnicos, a empresa possui a seguinte razão social: Olga Livros Técnicos e Científicos CGC: 35781566/0001 /82. • Assim, restou provado, em razão dos documentos aqui juntados, a insubsistência da Notificação de Lançamento de n° 2004/607450547704060, no que diz respeito ao montante glosado no valor de R$ 31.825,61 (Trinta e Um Mil, Oitocentos e Vinte Cinco Reais e Sessenta e um Centavos). Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau consubstanciou o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2004 GLOSA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO. Da base de cálculo do imposto de renda pessoa física é permitida a dedução dos pagamentos efetuados com educação, nos termos da lei, até o limite anual individual, apenas em relação a mensalidades e matriculas pertinentes aos cursos efetuados, não havendo previsão legal para dedução com material e livros. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Impugnação Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF a contribuinte insurgese parcialmente contra a decisão recorrida, para requerer o restabelecimento das deduções com despesas médicas. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.000260/200850 Acórdão n.º 210101.203 S2C1T1 Fl. 66 5 Em litígio, tãosomente, as glosas das despesas médicas realizadas com as profissionais Simone ds Santos Zicare (R$5.920,00), Elizabeth Prevot da Silva Sampaio (R$9.050,00), Quitéria Raquel Da Mata Silva (5.000,00) e Alessandra Braga Rolim (R$10.080,00). A dedução da despesa médica relacionado ao plano de saúde GEAP, no valor de R$1.775,61 foi restabelecida na decisão de primeiro grau. Consta na Descrição dos Fatos da Notificação de Lançamento, à fl. 06verso, o seguinte fundamento para a glosa das despesas médicas: Glosados valores relativos à dedução de Despesas Medicas, por falta de formalidade legal endereço e, quanto ao valor declarado de despesa de R$ 1.775,61, não foi apresentado comprovante. Embora concorde com os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida, entendo que o motivo do ato administrativo denominado Notificação de Lançamento foi a ausência do endereço das profissionais nos recibos apresentados à fiscalização. Deduções de despesas médicas nos montantes indicados pela contribuinte, em sua DIPF do exercício de 2004, chamam a atenção dos trabalhos da malha fiscal, que deve efetuar um exame criterioso da despesa e concluir com uma descrição dos fatos mais robusta que a simples menção à falta do endereço no recibo, até porque com o número do CPF a Receita Federal dispõe do endereço atualizado da emitente do recibo. É evidente que as deduções são muito elevadas se comparadas aos rendimentos tributáveis. Contudo, nenhum documento comprobatório dos serviços prestados ou do efetivo pagamento foi solicitado pela fiscalização. A impugnação apresentada (fls. 01/04) estava circunscrita aos fatos indicados no lançamento. Seria pedir demais que transbordasse os limites estabelecidos na Notificação e trouxesse aos autos o que não foi pedido nem foi objeto do litígio. Os fundamentos da decisão de primeiro grau exorbita ao que lhe foi colocado para decisão e impõe à autuada, em flagrante cerceamento ao direito de defesa, fatos diversos dos tratados na Notificação de Lançamento. Não fosse o mérito favorável ao sujeito passivo, seria o caso de se anular a decisão, nos termos do artigo 59, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Os artigos 16, inciso II, e 31 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993, dispõem que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e prova que possuir, e que a decisão deve referirse às razões de defesa suscitadas pelo impugnante. Esse aspecto não analisado na decisão recorrida é amplamente favorável à contribuinte, que trouxe aos autos as informações questionadas pela fiscalização, em declarações firmadas pelas próprias profissionais que emitiram os recibos. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 73DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Fl. 74DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000310/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 25/06/2009
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA DISPONIBILIZAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS E/OU A PRESTAR ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis relacionadas à auditoria fiscal, bem como se recusar a fornecer os esclarecimentos necessários ao bom desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização, caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
MULTA DECORRENTE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E MULTA PELO NÃO ADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA.
A penalidade aplicada na autuação decorrente do descumprimento do dever de fornecer as informações e esclarecimentos solicitados pelo Fisco independe da multa pelo não recolhimento do tributo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.825
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/06/2009 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA DISPONIBILIZAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS E/OU A PRESTAR ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis relacionadas à auditoria fiscal, bem como se recusar a fornecer os esclarecimentos necessários ao bom desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização, caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. MULTA DECORRENTE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E MULTA PELO NÃO ADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. A penalidade aplicada na autuação decorrente do descumprimento do dever de fornecer as informações e esclarecimentos solicitados pelo Fisco independe da multa pelo não recolhimento do tributo. Recurso Voluntário Negado
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA DISPONIBILIZAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS E/OU A PRESTAR ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis relacionadas à auditoria fiscal, bem como se recusar a fornecer os esclarecimentos necessários ao bom desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização, caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. MULTA DECORRENTE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E MULTA PELO NÃO ADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. A penalidade aplicada na autuação decorrente do descumprimento do dever de fornecer as informações e esclarecimentos solicitados pelo Fisco independe da multa pelo não recolhimento do tributo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 137DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 18088.000310/200913 Acórdão n.º 240101.825 S2C4T1 Fl. 137 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 127/133, interposto pela empresa acima identificada contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), fls. 118/124, que declarou procedente o Auto de Infração n. 37.235.6494, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. A lavratura em questão diz respeito a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória que, nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fls. 04, decorreu da conduta da empresa, mesmo regularmente intimada, de deixar de informar os valores de refeições individualizados por trabalhador e o valor geral, bem como os descontos efetuados na remuneração dos mesmos a esse título (refeição). A empresa apresentou impugnação, fls. 45/53, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que exarou decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/01/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária deixar, a empresa, de prestar informações cadastrais, financeiras ou contábeis, na forma solicitada pela autoridade fiscal, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, após regularmente intimado para tanto. DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173,1 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra a decadência do crédito tributário, quando, inexistindo recolhimento parcial, o lançamento é realizado no prazo de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído, mediante aplicação do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. MULTA DE MORA APLICADA CONCOMITANTEMENTE COM A MULTA PUNITIVA. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM Não enseja dupla tributação a aplicação concomitante de multa de mora e multa punitiva, conforme legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 MULTA APLICADA EM CONFORMIDADE COM A LEI N° 8.212/91 E REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N° 3.048/99. Não fere o princípio da legalidade a multa aplicada em consonância com os valores estabelecidos em regulamento, com observância dos limites impostos pela lei n° 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu recurso a empresa alegou, em apertada síntese, que: a) a multa é improcedente, haja vista que a própria fiscalização informa que os lançamentos tributários se deram com esteio em documentação fornecida pelo contribuinte; b) a autuação é contraditória, posto que a empresa não reconhece a legalidade da exigência da obrigação principal constante de processo conexo ao que ora se impugna; c) é pacífico na jurisprudência que o pagamento in natura do auxílio alimentação, com o objetivo de proporcionar aumento na produtividade e eficiência funcional, não sofre incidência da pretendida contribuição previdenciária, haja vista que a alimentação (refeição/cestas básicas) fornecida pela requerente não tem caráter salarial, sendo irrelevante o fato de estar ou não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. d) foi autuada na mesma ocasião pelo não recolhimento do tributo, não sendo lícito que lhe seja aplicada nova multa por fato conexo; Ao final pede o provimento do recurso com consequente cancelamento da multa. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 18088.000310/200913 Acórdão n.º 240101.825 S2C4T1 Fl. 138 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Inexistência da infração Alega a recorrente que a conduta infracional apontada inexistiu, na medida em que foram lançadas contribuições com base na documentação que apresentou durante a ação fiscal. Essa afirmação não pode ser acatada. É que, conforme afirmou o Fisco em seu relato, as informações solicitadas seriam necessárias à apuração das contribuições dos segurados de forma individualizada. Sobre essa questão é de se notar que a apuração das contribuições se deu com base nos livros contábeis da empresa e que a omissão da empresa dificultou o trabalho do Fisco, posto que foram sonegados informações e esclarecimentos necessários à quantificação da contribuição dos segurados, conforme consignado no Relatório Fiscal da Infração: 6. As informações solicitadas são necessárias para a apuração e individualização dos valores referentes a refeições fornecidas a empregados, no período de 12/2004 a 10/2007, em que a empresa não possui inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT e, portanto, consideradas como salário de contribuição. Nesse sentido, a empresa ao deixar de atender à solicitação da auditoria infringiu o disposto no art. 32, III, da Lei n. 8.212/1991, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Após essas considerações, não resta dúvida que a conduta apontada pelo Fisco subsumese ao disposto na norma acima, sendo procedente a aplicação da penalidade pecuniária. Vinculação entre a infração e a exigência da obrigação principal Fl. 141DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 O fato da empresa não reconhecer a incidência de contribuição sobre determinada rubrica, in casu o fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT, não justifica a sua conduta de deixar de prestar esclarecimentos ao Fisco. O cumprimento das obrigações acessórias independe do adimplemento da obrigação principal. Ainda que a empresa tivesse recolhido as contribuições incidentes sobre a alimentação in natura, não poderia deixar de cumprir com o seu dever instrumental de auxiliar o Fisco no seu mister, fornecendolhe as informações solicitadas, desde que pertinentes. No caso sob enfoque, fica bem claro que a exigência de informações individualizadas do fornecimento de alimentação por segurado tinha justificativa plausível, pelo que a empresa não poderia deixar de cumprir esse dever. Aplicação da multa em duplicidade Não devo censurar o órgão de primeira instância quando concluiu que inexiste bis in idem na aplicação da multa por descumprimento da obrigação principal, essa que tem como desiderato desestimular o pagamento dos tributos fora do prazo, com a penalidade decorrente do descumprimento de obrigação acessória, a qual decorre da falta de cumprimento de dever legal instituído no interesse da fiscalização de tributos. A multa aplicada no presente AI tem por fundamento o art. 92 e 102 da Lei n. 8.212/1991 combinado com art. 283, II, "b" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999. Quanto à multa aplicada no lançamento da obrigação principal, a mesma tem base legal o art. 35A da Lei n. 8.212/1991. Embora esse último preceptivo disponha que no caso de lançamento de ofício devase aplicar o art. 44 da Lei n. 9.430/1996, a sistemática aí prevista tem por objetivo unificar a multa moratória com aquela decorrente da omissão ou incorreção nas informações prestadas através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, não se aplicando a autuação sob comento. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, por negarlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 142DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10640.003599/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 30/12/2004 a 31/12/2007
DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS
SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS.
IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de matériaprima
e/ou insumo não tributados ou sujeitos à
alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não
enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento
industrial. Decisão do STJ em Recurso Repetitivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.969
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial. Decisão do STJ em Recurso Repetitivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 07/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 303DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI, relativo a fatos geradores ocorridos entre novembro de 2004 e dezembro de 2007, tendo em vista que a Fiscalização constatou a empresa escriturou crédito fictícios relativos à aquisição de energia elétrica, gás e aparas, produtos não tributados pelo IPI, resultado em falta de pagamento do imposto. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir o valor do IPI regularmente declarado em DCTF do PA 12/2007, nos termos do Acórdão no 0922.005, de 18/12/2008, cuja ementa abaixo se transcreve. FALTA DE RECOLHIMENTO. É cabível o lançamento sobre a parcela do imposto que não estiver com seu pagamento comprovado ou declarado em DCTF. CRÉDITOS BÁSICOS A aquisição de insumos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero não confere ao contribuinte do IPI direito a crédito. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Tributo declarado em DCTF dentro do prazo legal caracterizar confissão de dívida, estando sujeito à inscrição em dívida ativa da União, quando não pago. PEDIDO DE PERÍCIA. O órgão julgador de primeira instância indeferirá o pedido de diligência ou perícia, quando as considerar prescindíveis para a solução da lide. Também deve ser considerado não formulado o pedido de perícia, quando não formulados os quesitos referentes aos exames desejados. LEGISLAÇÃO. EXAME DA VALIDADE, LEGALIDADE E/OU CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade, legalidade ou constitucionalidade. Fl. 304DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10640.003599/200817 Acórdão n.º 330200.969 S3C3T2 Fl. 300 3 Ciente desta decisão em 30/12/2008 (fl. 282), a interessada ingressou, no dia 29/01/2009, com o recurso voluntário de fls. 283/297, no qual repisa os argumentos da impugnação sobre: (i) o sentido teleológico da expressão “montante cobrado” constante do texto constitucional; (ii) a aplicação do mesmo critério teleológico às operações isentas e às sujeitas à alíquota zero ou nãotributadas; (iii) a cumulatividade do IPI. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos da Lei. Dele conheço. Como relatado, contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração em face da glosa dos créditos fictícios escriturados à razão de 12% das aquisições de energia elétrica, gás e aparas, todos produtos não tributados pelo IPI. Em sua defesa, a empresa recorrente discorre sobre o sentido teleológico da expressão “montante cobrado”, constante do texto constitucional, para concluir que tem direito ao crédito por ela escriturado. Sem razão a recorrente. Esta matéria foi submetida a julgamento pelo STJ, no regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, e o Tribunal pacificou o entendimento no sentido da impossibilidade de creditamento de IPI nas aquisições de insumos ou matériasprimas sujeitas à alíquota zero ou não tributadas, conforme se pode constatar no enunciado da ementa do Recurso Especial nº 1.134.903, Relator Ministro Luiz Fux, que abaixo se transcreve. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não Fl. 305DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos Fl. 306DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10640.003599/200817 Acórdão n.º 330200.969 S3C3T2 Fl. 301 5 inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 SP (2009/00675369). RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. Nos termos do disposto no art. 62A1, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, as decisões preferidas pelo STJ na forma do art. 543C, do CPC (recursos repetitivos), são de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Ao caso em julgamento aplicase integralmente a citada decisão do STJ, não havendo reparos a fazer na decisão recorrida. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Acrescido pela Portaria MF nº 586/2010) 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 44000.000891/2006-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo
administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional
(CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN
(primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter
sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º
do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por
homologação. Constatandose
dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial
é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não foram
encontrados pagamentos referentes aos fatos geradores que interessam para a
discussão da decadência, logo impõese
a aplicação da regra do art. 173,
inciso I.
COOPERATIVAS. VIGÊNCIA DA LC 84/96.
A contribuição social prevista no art. 1º, II, da LC 84/96 é devida a pelas
cooperativas de trabalho, no valor de quinze por cento do total das
importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados, a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas
por intermédio delas no período de vigência da referida lei complementar.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.973
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir – devido à regra decadencial expressa no inciso I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/1996, anteriores a
01/1997, a partir da data da ciência do lançamento retificado, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pela aplicação da decadência a
partir da primeira ciência do lançamento; II) por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998 IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não foram encontrados pagamentos referentes aos fatos geradores que interessam para a discussão da decadência, logo impõese a aplicação da regra do art. 173, inciso I. COOPERATIVAS. VIGÊNCIA DA LC 84/96. A contribuição social prevista no art. 1º, II, da LC 84/96 é devida a pelas cooperativas de trabalho, no valor de quinze por cento do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados, a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por intermédio delas no período de vigência da referida lei complementar. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir – devido à regra decadencial expressa no inciso I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/1996, anteriores a 01/1997, a partir da data da ciência do lançamento retificado, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pela aplicação da decadência a partir da primeira ciência do lançamento; II) por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator.
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Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não foram encontrados pagamentos referentes aos fatos geradores que interessam para a discussão da decadência, logo impõese a aplicação da regra do art. 173, inciso I. COOPERATIVAS. VIGÊNCIA DA LC 84/96. A contribuição social prevista no art. 1º, II, da LC 84/96 é devida a pelas cooperativas de trabalho, no valor de quinze por cento do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados, a título de Fl. 304DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por intermédio delas no período de vigência da referida lei complementar. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir – devido à regra decadencial expressa no inciso I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/1996, anteriores a 01/1997, a partir da data da ciência do lançamento retificado, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pela aplicação da decadência a partir da primeira ciência do lançamento; II) por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 305DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 44000.000891/200673 Acórdão n.º 230101.973 S2C3T1 Fl. 260 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.418.8305, lavrada em 05/12/2001, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre as importâncias pagas ou creditadas pela cooperativa a seus cooperados, a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestaram a pessoas jurídicas, conforme determina a Lei Complementar 84/96, art. 1º, inciso I, no período de 01/06/1996 a 31/12/1998, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 6.544.495,33, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 12/12/2001, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 80/86, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. O Serviço de Análise de Defesas e Recursos, fls. 136, determinou que a fiscalização analisasse a conveniência de mudança do enquadramento legal para o art. 1º, inciso II da LC 84/96. A autoridade fiscal efetivou a alteração suscitada, tendo a recorrente sido cientificada em 09/05/2002. Na DecisãoNotificação de fls. 154/161, a DRP/São Paulo concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 17/07/2002, fls. 165. O recurso voluntário, apresentado em 01/08/2002, fls. 167/172, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta que sua atuação deveuse exclusivamente a convênio com a Prefeitura de São Paulo no âmbito do PAS Plano de Atendimento à Saúde. Entende que não deve ser tratada como uma pessoa jurídica comum, pois não aufere lucros e seu convênio já foi extinto pela municipalidade. Defende a inconstitucionalidade da Lei Complementar 84/96. Informa que a prefeitura não repassava qualquer valor para pagamento de contribuição. Suscita que a municipalidade é quem deve ser compelida a pagar a contribuição, pois era ela que se beneficiava do serviço prestado. Requer a nulidade da decisão a quo por não ter apreciado todos os seus argumentos. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Fl. 307DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 44000.000891/200673 Acórdão n.º 230101.973 S2C3T1 Fl. 261 5 Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente fundados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. DECADÊNCIA A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 308DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 309DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 44000.000891/200673 Acórdão n.º 230101.973 S2C3T1 Fl. 262 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Fl. 310DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.9333 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 44000.000891/200673 Acórdão n.º 230101.973 S2C3T1 Fl. 263 9 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao Fl. 312DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso Fl. 313DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 44000.000891/200673 Acórdão n.º 230101.973 S2C3T1 Fl. 264 11 dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente”. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão “pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. In casu, temos que a cooperativa não realizou qualquer pagamento relativo à incidência prevista na LC 84/96.Portanto, é de ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I do CTN. Assim, considerando a ciência do lançamento retificado em 09/05/2002, estão atingidos Fl. 314DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA 12 pela caducidade os fatos geradores até 31/12/1996, o que inclui tanto a competência 12 como a competência 13 do respectivo ano, em razão do conteúdo do Resp 973.933SC e do art. 62A do Regimento deste CARF. Contribuição devida pelas Cooperativas no período de vigência da LC 84/96 O artigo 195 da Constituição Federal preceitua que a seguridade social será financiada pela sociedade, sendo que a contribuição da empresa se dará da seguinte forma: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (grifo nosso) A Lei n.º 8.212/91 explica, no parágrafo único do artigo 15, quais as entidades equiparamse à empresa para efeitos de contribuição previdenciária, nos seguintes termos: Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Verificase assim, que a cooperativa é sujeito passivo da contribuição previdenciária sempre que remunerar a qualquer título a pessoa física que lhe preste serviço. No caso em questão, a fiscalização apurou o crédito previdenciário com base na contabilidade da empresa, sendo inegável a ocorrência do fato gerador. Para o período de do lançamento, a contribuição está prevista na Lei Complementar n.º 84/1996: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; e II a cargo das cooperativas de trabalho, no valor de quinze por cento do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados, a título de remuneração ou Fl. 315DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 44000.000891/200673 Acórdão n.º 230101.973 S2C3T1 Fl. 265 13 retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por intermédio delas. A contribuição previdenciária incide sempre que houver contraprestação por um serviço prestado por contribuinte individual, nos termos do artigo 1º da Lei Complementar n.º 84/96, até 02/2000. Também, até a competência 02/2000, na vigência da Lei Complementar n.º 84/1996, estavam sujeitas à contribuição previdenciária as remunerações pagas aos cooperados pelos serviços prestados às pessoas jurídicas por intermédio da cooperativa de trabalho. A incidência da contribuição social prevista no art. 1º, I, da LC 84/96 já foi analisada pelo STJ, havendo inúmeros precedentes sobre o assunto. Destacamos um mais recente: RECURSO ESPECIAL Nº 1.181.303 PR (2010/00259401) RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL EMBARGOS A EXECUÇÃO FISCAL ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA MÉDICA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ART. 1º, I, DA LC 84/96 INCIDÊNCIA SOBRE O TOTAL DAS REMUNERAÇÕES OU RETRIBUIÇÕES PAGAS DEDUÇÃO DA PARCELA CUSTEADA PELO USUÁRIO IMPOSSIBILIDADE TAXA SELIC APLICABILIDADE. 1. A contribuição social prevista no art. 1º, I, da LC 84/96 é devida pelas empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas. 2. Os profissionais médicos que atendem aos terceiros não são por eles remunerados. Como associados à entidade de assistência médica, dela recebem remuneração. 3. A relação jurídica tributada é aquela firmada entre o profissional autônomo (médicos e odontólogos) e a entidade de assistência médica, que supervisiona, controla e remunera os serviços prestados, tal como ocorre com as cooperativas médicas. 4. A relação existente entre o usuário e a entidade de assistência médica, consubstanciada no dever que tem o primeiro de reembolsar parte das despesas realizadas (30%, no caso), é de natureza particular e não gera nenhuma repercussão sobre a exigência da contribuição. 5. É assente o entendimento no sentido da aplicabilidade da Taxa SELIC sobre débitos e créditos tributários. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA 14 6. Recurso especial não provido. AgRg no Ag 1053925 / RS TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS MÉDICAS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LC Nº 84/96,ARTIGO 1º, INCISO II. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. DECRETO REGULAMENTADOR NÃO CONSUBSTANCIA LEI FEDERAL. 1. As Cooperativas são equiparadas à empresa para fins de aplicação da legislação do custeio da previdência social (artigo 12, parágrafo único, do Decreto nº 3.048, de 06/06/99 Regulamento da Previdência Social). 2. As Cooperativas médicas estão obrigadas ao recolhimento da contribuição social a ser calculada sobre os valores apurados mensalmente e pagos aos médicos, seus associados, pelos serviços prestados a terceiros. 3. Os médicos, não obstante situados como cooperados, prestam serviços a terceiros em nome da Cooperativa, como autônomos, e dela recebem diretamente os honorários fixados em tabela genérica. 4. As pessoas que mantêm vínculos de associação com as Cooperativas não efetuam pagamento de honorários aos médicos. Pagam, de modo fixo, mensalmente, determinada quantia à Cooperativa para que essa administre e ponha à disposição os serviços oferecidos. 5. A relação jurídica do serviço é firmada entre, no caso, o médico e a Cooperativa. Esta supervisiona, controla e remunera os serviços prestados pelo profissional. 6. O decreto regulamentador não se caracteriza como lei federal, na dicção do art. 105, III, "a", da CF/88, apta a desafiar o recurso especial. (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 966.718/MS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 02.12.2008, DJe 17.12.2008; REsp 873.037/DF, Rel. Ministro Francisco Falcão, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 07.10.2008, DJe 03.11.2008; REsp 873.655/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 19.08.2008, DJe 15.09.2008; REsp 778.338/DF, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.02.2007, DJ 12.03.2007; REsp 861.045/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 26.09.2006, DJ 19.10.2006; REsp 803.290/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 17.08.2006; e REsp 529.644/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 04.08.2005, DJ 29.08.2005). 7. Agravo regimental desprovido. Assim, não vemos reparos a fazer no trabalho da fiscalização que incluiu no lançamento as importâncias pagas ou creditadas pela cooperativa a seus cooperados, a título de Fl. 317DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 44000.000891/200673 Acórdão n.º 230101.973 S2C3T1 Fl. 266 15 remuneração ou retribuição pelos serviços que prestaram a pessoas jurídicas, conforme determina a Lei Complementar 84/96, art. 1º, incisos I e/ou II, no período de vigência da lei. Observamos que a fiscalização respeitou a existência de ação judicial, lavrando o crédito tributário somente no período de vigência da LC 84/96 e deixando de autuar a contribuição instituída pela Lei 9.876/99, conforme determinado no Mandado de Segurança 2000.61.0100159. Os argumentos da recorrente quanto à especificidade de seu contrato carecem de amparo legal. Por fim, não vemos motivo para anular a decisão de primeira instância, pois esta apreciou todos os argumentos passíveis de serem acatados na esfera administrativa. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, a excluir os fatos geradores ocorridos até 12/1996, o que inclui as competências 12 e 13 do respectivo ano. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 318DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 03/05/2011 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 11080.006839/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA
TRIBUTÁVEL
A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é
receita operacional e deve ser oferecida à tributação da Cofins.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.901
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto
apresentou declaração de voto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é receita operacional e deve ser oferecida à tributação da Cofins. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 11/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa referente ao 4º trimestre de 2006, cujo valor solicitado foi deferido parcialmente pela RFB, em face de glosas de créditos e da inclusão, na base de cálculo, da receita de crédito presumido do ICMS. Inconformada, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade contestando unicamente a inclusão, na base de cálculo da exação, do valor do crédito presumido do ICMS, que não considera receita, nos termos da doutrina e da jurisprudência judicial que cita. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da empresa interessada, nos termos do Acórdão nº 1025.432, de 20/05/2010, cuja ementa abaixo se reproduz. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. Ciente desta decisão em 23/06/2010 (AR de fl. 258), a empresa ingressou, no dia 22/07/2010, com o recurso voluntário de fls. 258/266, no qual repisa os argumentos de que o valor do crédito presumido do ICMS não é receita (representa recuperação de custos). Cita doutrina e jurisprudência. Na forma regimental o recurso voluntário foi a mim distribuído, para relatar. É o resumo do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário foi apresentado no prazo legal e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando que o valor do crédito presumido do ICMS não integre a base de cálculo da Cofins não cumulativa e, consequentemente, que seja reconhecido o crédito pleiteado e glosado em face a inclusão, feita pela RFB, do referido valor na base de cálculo da exação. Sem razão a recorrente. Fl. 308DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006839/200718 Acórdão n.º 330200.901 S3C3T2 Fl. 276 3 Não há reformas a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto integralmente. Devo acrescentar, no entretanto, sobre a tributação da receita de crédito presumido de ICMS autorizado por Lei Estadual, que os dispositivos do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, reproduzidos nas decisões da RFB, não deixam dúvidas de que a base de cálculo da Cofins é a totalidade da receita bruta mensal auferida. A autorização legal dada pelo Estado para o contribuinte creditarse de valores presumidos de ICMS resulta, sim, em aumento patrimonial da beneficiária e, portanto, é receita operacional e, consequentemente, tributada pela Cofins. Para corroborar esse entendimento, a partir de 01/01/2009, apenas um tipo de receita de crédito presumido do ICMS ou de ISS teve a alíquota do PIS e da Cofins reduzida a zero, com a edição da Lei nº 11.945/08: são as “receitas decorrentes de valores pagos ou creditados pelos Estados, Distrito Federal e Municípios relativos ao ICMS e ao ISS, no âmbito de programas de concessão de crédito voltados ao estímulo à solicitação de documento fiscal na aquisição de mercadorias e serviços” (art. 5º). Portanto, todas as demais receitas decorrentes de valores creditados pelos Estados, relativos a ICMS, sofrem a incidência da Cofins não cumulativa, antes e depois da edição da Lei nº 11.945/08. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Acolhido o Recurso, e submetido este à apreciação deste órgão colegiado, peço licença para discordar do voto do ilustre relator. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 Como bem salientado, a questão diz respeito à inclusão do fisco na base de cálculo do PIS e da COFINS dos créditos presumidos de ICMS. De acordo com as autoridades fiscalizadoras, tal benefício do ICMS seria uma receita e, como tal, deveria compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, pois que se classificaria como receita bruta toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação contábil (EC no 20/1998, Lei no 9.718/98, Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003). Entretanto, vejo que este entendimento, para o caso em análise, não é adequado, eis que o crédito presumido do ICMS em análise corresponde a incentivo do Governo para a redução do custo tributário do contribuinte, em razão de subvenção para custeio ou para suprir a impossibilidade de apuração de créditos decorrentes das aquisições efetuadas pelo recorrente, seja decorrentes da denominada “guerra fiscal”, seja por desejo do legislador estadual em “descontar” do crédito valor estipulado economicamente em função de presunção da carga tributária incidente na etapa anterior da cadeia. Certo é que é crédito de ICMS, constitucionalmente não cumulativo, cuja dedução é também constitucionalmente garantida. Não é receita portanto. Vejamos: A escrituração mercantil é a ação ou efeito de reunir, classificar, avaliar e assentar em registros permanentes, com a observância da técnica contábil, mutações patrimoniais relativas à organização e ao funcionamento de uma unidade de produção. Uma das funções da escrituração mercantil é a arrecadação de tributos2. A arrecadação de diversos tributos baseiase nessa escrituração, e a legislação da maioria dos impostos impõe aos contribuintes a escrituração de livros fiscais, além de comerciais. A Lei n° 6.404/76 dispõe que a escrituração mercantil e as demonstrações financeiras que a companhia está obrigada a elaborar e publicar devem obedecer exclusivamente a lei comercial, segundo Bulhões Pedreira, e os princípios contábeis. Para esse autor, se a legislação tributária, ou prescrevendo métodos ou critérios contábeis diferentes dos da lei comercial, ou determinando a elaboração de outras demonstrações financeiras, seus preceitos deverão ser observados em registros auxiliares, sem modificação da escrituração comercial e das demonstrações financeiras reguladas pela lei. A exposição de motivos da referida lei explica essa situação, quando disse que “a omissão na lei comercial, de um mínimo de normas sobre demonstrações financeiras levou à crescente regulação da matéria pela legislação tributária, orientada pelo objetivo da arrecadação de impostos. A proteção dos interesses dos acionistas, credores e investidores do mercado, recomenda que essa situação seja corrigida, restabelecendose a prevalência – para efeitos comerciais – da lei da sociedade por ações na disciplina das demonstrações financeiras da companhia”. Quanto ao interesse do legislador, ressalva deve ser feita quanto à sua interpretação, uma vez que os princípios de hermenêutica jurídica nos ensinam que a intentio legis apenas existe até o momento da positivação da norma. A partir de então, esta evolui a partir de seu conteúdo e dos efeitos trazidos à sua interpretação pela realidade, pelo ambiente, ao longo do tempo. E essa visão é atualmente permanente e consistentemente confrontada pelo fisco. 2 BULHÕES PEDREIRA, J.L. Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia. Ed. Forense. Pg. 214 Fl. 310DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006839/200718 Acórdão n.º 330200.901 S3C3T2 Fl. 277 5 Outro aspecto que deve ser considerado diz respeito à natureza jurídica das “receitas”. Nesse sentido, importante continuar reproduzindo os conceitos de Bulhões Pedreira, que se não o único, certamente dos melhores e mais aclamados tributaristas. Julgo importante tecer alguns comentários de ordem contábil, como objetivo precípuo de, mais adiante, analisar juridicamente a pretensão da fazenda pública, prevalecente no Acórdão recorrido, no qual ficou decidido que os créditos presumidos deveriam ser incluídos na base de cálculo da Contribuição em epígrafe, não apenas por estarem englobadas no conceito de receita bruta, constante da Lei nº 9.718/98, mas também por não se enquadrarem nas hipóteses de exclusão, previstas de modo taxativo no art. 3º, § 2º, da referida lei. Cabível também, introdutoriamente, rememorar o disposto no Decretolei n° 1.598/77, em seus art. 6º, 7º c/c o art. 9º, norte sempre presente ao julgador que pretenda bem aplicar a legislação tributária respeitando a realidade econômica pátria: “Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial.” Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. § 1º A falsificação, material ou ideológica, da escrituração e seus comprovantes, ou de demonstração financeira, que tenha por objeto eliminar ou reduzir o montante de imposto devido, ou diferir seu pagamento, submeterá o sujeito passivo a multa, independentemente da ação penal que couber. e Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (grifos nossos) A NPC nº 14, norma contábil diretiva à escrita contábil, assim conceitua o que seja “receita” : “Receita inclui somente a entrada bruta dos benefícios econômicos recebidos e a receber pela empresa em transações Fl. 311DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 por conta própria. Importâncias cobradas por conta e em favor de terceiros, tais como impostos sobre vendas, mercadorias e serviços e impostos de valor agregado, não são benefícios econômicos que fluem para a empresa e não resultam em aumentos no patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita. Semelhantemente, no contexto de um relacionamento como agente ou administrador, a entrada bruta dos benefícios econômicos inclui as importâncias cobradas em favor de quem outorgou os poderes para cobrar e que não resultam em aumentos no patrimônio líquido da empresa(...)” Dessa forma, no caso concreto dos créditos presumidos relacionados ao ICMS, qualquer que seja, ocorre o fato gerador do tributo, que deveria ser (e o foi) contabilizado em conta própria de resultado de exercício. Para que tais incentivos observem a legislação complementar do ICMS, no caso, dentre outras a LC n° 24/75, o ente federado “financia” o pagamento desse tributo devido, cujo saldo, quando devedor, acumulase no passivo pelo tempo previsto na legislação estadual de regência. Ao final do período, o passivo é liquidado de alguma forma, e resulta em um ganho financeiro ao contribuinte. Esse denominado “crédito presumido” pode ou não estar condicionada ao cumprimento de requisitos ou de metas, o que a distinguirá das “subvenções”. Muito embora exista tal orientação contábil, é de se observar que, no entendimento atual das autoridades tributárias, deve classificarse como receita bruta toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação contábil (EC 20/1998, Leis n° 9.718/98 e arts. 1º da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002). Sendo estas leis ordinárias, suas normas prevaleceriam sobre a classificação contábil retromencionada – esposada por Deliberação do IBRACON, norma infralegal – em respeito aos princípios da legalidade e da hierarquia das leis, respectivamente regidos pelos arts. 5º, II; e 59 c/c art. 69, todos da CF/88. Destarte, o “ganho” auferido por essa subvenção estaria açambarcado no conceito de receita bruta para fins contábeis. A questão que nos propomos a analisar é se as leis tributárias em comento, leis, portanto hierarquicamente superiores a atos normativos, em particular se o conteúdo dos dispositivos do art. 1º das Leis n° 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03 (cujo texto reproduzimos adaptado) alcançaria esse “ganho”, o que ocorrerá se “receita” esse ganho for. Importante ab inito ressaltar que não é intenção desse julgador discorrer sobre o conceito de receita, ou se esse conceito alcançaria esse “ganho” como se receita fosse, mas objetivamente decidir se esse “ganho” é ou não receita. Negar portanto a subvenção com sendo receita. “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep (COFINS) tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep (COFINS) é o valor do faturamento, conforme definido no caput” (adaptação nossa) A solução para a controvérsia decorrerá da análise acima, visavis as questões jurídicas e principiológicas, adiante elencadas. Fl. 312DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006839/200718 Acórdão n.º 330200.901 S3C3T2 Fl. 278 7 A escrituração mercantil é a ação ou efeito de reunir, classificar, avaliar e assentar em registros permanentes, com a observância da técnica contábil, mutações patrimoniais relativas à organização e ao funcionamento de uma unidade de produção. Uma das funções da escrituração mercantil é a arrecadação de tributos3. A arrecadação de diversos tributos baseiase nessa escrituração, e a legislação da maioria dos impostos impõe aos contribuintes a escrituração de livros fiscais, além de comerciais. A Lei n° 6.404/76 dispõe que a escrituração mercantil e as demonstrações financeiras que a companhia está obrigada a elaborar e publicar devem obedecer exclusivamente a lei comercial, segundo Bulhões Pedreira, e os princípios contábeis. Para esse autor, se a legislação tributária, ou prescrevendo métodos ou critérios contábeis diferentes dos da lei comercial, ou determinando a elaboração de outras demonstrações financeiras, seus preceitos deverão ser observados em registros auxiliares, sem modificação da escrituração comercial e das demonstrações financeiras reguladas pela lei. A exposição de motivos da referida lei explicita essa situação, quando disse que “a omissão na lei comercial, de um mínimo de normas sobre demonstrações financeiras levou à crescente regulação da matéria pela legislação tributária, orientada pelo objetivo da arrecadação de impostos. A proteção dos interesses dos acionistas, credores e investidores” (e porque não dizer, dos reguladores, enquanto fiadores do equilíbrio econômicofinanceiro de concessões de serviço público, no extremo) “do mercado, recomenda que essa situação seja corrigida, restabelecendose a prevalência – para efeitos comerciais – da lei da sociedade por ações na disciplina das demonstrações financeiras da companhia”. Quanto ao interesse do legislador, ressalva deve ser feita quanto à sua interpretação, uma vez que os princípios de hermenêutica jurídica nos ensinam que a intentio legis apenas existe até o momento da positivação da norma. A partir de então, esta evolui a partir de seu conteúdo e dos efeitos trazidos à sua interpretação pela realidade, pelo ambiente, ao longo do tempo. E essa visão é atualmente permanente e consistentemente confrontada pelo fisco. Outro aspecto que deve ser considerado diz respeito à natureza jurídica das “receitas”. Nesse sentido, importante continuar reproduzindo, muitas vezes literalmente, os conceitos proferidos por Bulhões Pedreira, (a quem este julgador humildemente, e através desse voto, rende homenagem) que se não o único, certamente dos melhores e mais aclamados tributaristas pátrios, em especial pelo domínio do Direito, mas também da ciência contábil e da ciência econômica. Para ele, a receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do seu resultado. O recebimento da receita, em regra, ocorre mediante entrada no patrimônio de um fluxo que compreende a transferência de valor financeiro positivo, do objeto de direito que contém esse valor e do respectivo direito patrimonial. O processo de recebimento da receita consiste, portanto, na aquisição de um direito patrimonial e de poder sobre o objeto desse direito, que tem valor financeiro. O resultado positivo pode, entretanto, ser recebida sob a forma de extinção da obrigação previamente assumida pela sociedade empresária, se esta dá em pagamento bem do 3 BULHÕES PEDREIRA, J.L. Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia. Ed. Forense. Pg. 214 Fl. 313DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 8 patrimônio ou serviço, compensa crédito de receita com obrigação sem pagamento, ou com pagamento inferior ao valor da obrigação extinta. Nesses casos, a aquisição da propriedade de valor financeiro, que caracteriza esse resultado positivo, para o autor, ocorre depois de adquirido o direito patrimonial que confere poder sobre o bem que tem valor financeiro: o valor cuja propriedade é adquirida já se encontrava no ativo da sociedade empresária como capital de terceiros (correspondente a obrigação do passivo exigível). Sobre esse capital a sociedade exercia apenas poder de usar e a extinção da obrigação e transfere para a sociedade empresária a propriedade desse capital. As receitas podem ser classificadas segundo tenham origem no exercício da função empresarial ou nas demais fontes de resultado da sociedade empresária, ou, ainda, como recuperação de custo que, segundo Bulhões Pedreira, é a quantidade de valor financeiro cuja propriedade a sociedade empresária adquire em reposição, no patrimônio, de valor que anteriormente havia perdido como custo. Importante ressaltar, também, a influência das receitas nos resultados das empresas. Resultado da sociedade empresária é a conseqüência financeira do seu funcionamento, ao exercer as atividades próprias das funções econômicas que desempenha. A sociedade empresária é subsistema do grupo social da empresa, mas os conceitos de resultado da empresa e da sociedade empresária são essencialmente diferentes a) resultado da empresa é renda (econômica) produzida é o output líquido da empresa, que consiste em bens econômicos; e b) resultado da sociedade empresária é renda financeira é input líquido da sociedade empresária, que consiste em ganho financeiro. Esses dois conceitos são analisados com muita propriedade por Bulhões Pedreira. Para esse autor, o conhecimento acerca de dois conceitos são necessários para qualquer análise relacionada à resultado, e por conseguinte da receita. Distingue ainda o autor a renda efetivamente produzida do que decorre de trocas externas: a) Renda Produzida o efeito da atividade da empresa, para o autor, é renda produzida, medida pelo valor dos bens econômicos que cria: é o resultado líquido da produção – a diferença entre o valor dos bens produzidos e dos destruídos ou desgastados no processo produtivo b) Trocas Externas a empresa é sistema aberto, de acordo com o autor, que exerce a função de produzir bens econômicos mediante trocas com o ambiente: (a) importa serviços de recursos ( humanos, naturais e de capital) e produtos de outras empresas (bens de capital, matériasprimas e demais insumos), entregando em troca moeda; e (b) exporta os produtos que cria (bens econômicos materiais ou imateriais), recebendo em troca moeda. Os objetos trocados pela empresa com seus ambientes podem ser classificados em duas categorias: uma, que compreende serviços produtivos e produtos, a que o autor se refere como “serviços” (porque os produtos são fontes de serviços) e outra que abrange apenas moeda. E, conforme o sentido do deslocamento dos serviços e da moeda, as trocas externas da empresa são de duas espécies: de importação de serviços, nas quais recebe serviços e entrega moeda, e de exportação de serviços, nas quais entrega serviços e recebe moeda. Fl. 314DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006839/200718 Acórdão n.º 330200.901 S3C3T2 Fl. 279 9 Duas são, portanto, as relações inputoutput que a empresa mantém com seu ambiente: uma de serviços ( importa e exporta serviços) e outra de moeda ( importa e exporta moeda). A relação principal é a de serviços, pois seu fim é criar bens econômicos: a relação inputoutput de moeda é instrumental – a moeda é meio para facilitar as trocas de serviços. Prossegue Bulhões Pedreira, distinguindo e classificando os fluxos econômicos (e contábeis) da atividade empresarial. a) Transformação Interna a atividade da empresa compreende, para o autor, além de trocas externas, o processo interno de transformação em novos bens econômicos dos serviços produtivos e produtos importados do ambiente. Esse processo – que não implica trocas com exterior, mas ocorre no interior da empresa – é alimentado por fluxos de serviços produtivos, de produtos importados o ambiente e de serviços originários dos recursos naturais e de capital que compõem a empresa. b) Fluxos de Serviços de Moeda para o autor, a visão de conjunto das trocas externas e da transformação que ocorre no interior da empresa nos leva a descrever o efeito da sua atividade como dois fluxos coletivos (ou conjuntos de fluxos singulares) em sentidos opostos – um de serviços e outro de moeda: b.1) o fluxo de serviços entra na empresa sob a forma de serviços produtivos ou produtos, a atravessa enquanto os serviços são transformados, e sai sob a forma de bens econômicos exportados; b.2) o fluxo de moeda entra na empresa nas trocas de exportação de bens econômicos e sai nas de importação de serviços e produtos. Não houve, no caso concreto, transformação interna ou fluxo de serviços ou de moeda. Não houve renda produzida ou trocas externas, há uma recuperação do valor anteriormente perdido como custo, ao seu patrimônio. Disso podemos preliminarmente concluir que eventual resultado auferido pela contribuinte decorrente da transferência de recursos do ente público para o privado, independentemente da forma adotada para tanto, a subvenção, independentemente da espécie, não poderia ser considerada como “receita” tributável. Adicionalmente, é sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de créditos supera os de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Recuperar, para ser compensado dos débitos do imposto em períodos posteriores. Do contrário, resulta o ICMS a Pagar De acordo com o Manual de Contabilidade da FIPECAFI, 6ª edição, página 334, “o ICMS é um imposto incidente sobre o valor agregado em cada etapa do processo de industrialização e comercialização da mercadoria, até chegar ao consumidor final. O valor do imposto a ser pago pelas empresas é representado pelas diferenças entre o imposto incidente nas vendas e o imposto pago na aquisição das mercadorias que integram o processo produtivo, Fl. 315DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 10 ou para serem revendidas.” Prossegue, “por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador.”. Exemplifica os respectivos cálculos e arremata afirmando que apesar de não haver recolhimento do ICMS (em casos de apuração de saldo credor), em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa. Traduzindo, na apuração do resultado do exercício, o valor que constará do demonstrativo contábil será sempre o valor do “débito” do ICMS, sem que seja cotizado com os “créditos” decorrentes das aquisições. Aqueles créditos já foram “débitos” de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo PIS e pela COFINS, está no preço da mercadoria pago pelo contribuinte. Os créditos serão ativo seu, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que o ganho decorrente da realização do ativo, ou da baixa do passivo seria receita, seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem, o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil, e consequentemente jurídico, à vista do Decretolei n° 1.598/77. Assim, em verdade, tal operação não transitou, ou pelo menos não deveria, em contas de resultado, e tampouco representa ingresso de receita para a contribuinte, senão mera operação patrimonial. Ora, apenas se houvesse algum efetivo ganho nesta operação (e ainda assim discutível, se de natureza financeira ou não) é que se poderia cogitar em receita, e se discutir a eventual incidência de PIS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS e COFINS. Latorraca afirma que “as isenções ou reduções tributárias não se confundem, juridicamente, com subvenção. Todavia, quando concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, por ficção legal, equiparamse às subvenções para investimento, gozando de idêntico tratamento tributário”. Quanto ao art. 33 da Lei n° 4.506/64, afirma o doutrinador que este fora revogado pelo decretolei n° 1.598/77. Conseqüentemente, as transferências de recursos promovidas pelo poder público, de qualquer espécie (para investimentos ou correntes), atendidas as condições impostas, não mais poderiam ser consideradas receitas operacionais. Resumindo, para Bulhões Pedreira, a receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do seu resultado. O recebimento da receita, em regra, ocorre mediante entrada no patrimônio de um fluxo que compreende a transferência de valor financeiro positivo, do objeto de direito que contém esse valor e do respectivo direito patrimonial. O processo de recebimento da receita consiste, portanto, na aquisição de um direito patrimonial e de poder sobre o objeto desse direito, que tem valor financeiro. As receitas podem ser classificadas segundo tenham origem no exercício da função empresarial ou nas demais fontes de resultado da sociedade empresária, ou, ainda, como recuperação de custo que, segundo Bulhões Pedreira, é a quantidade de valor financeiro cuja propriedade a sociedade empresária adquire em reposição, no patrimônio, de valor que anteriormente havia perdido como custo. Tenho que, no caso em epígrafe, é patente a condição de subvenção para custeio, o que difere de recuperação de custo, não se configurando em receita. De qualquer forma, ainda que o fosse, não poderia ser tributado pelo PIS e pela COFINS, pois se trataria de recuperação de custos e despesas, os quais são excluídos da base de cálculo das referidas contribuições, nos termos da legislação que rege a matéria. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006839/200718 Acórdão n.º 330200.901 S3C3T2 Fl. 280 11 Além disso, o art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, ao tratar do assunto quanto ao imposto de renda, assim dispõe: “Regulamento do Imposto de Renda – Decreto no 3.000/99 Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.” Está explícito que é a própria legislação ordinária que possibilita ao contribuinte a contabilização das subvenções em contas de patrimônio líquido, o que resta claro que elas não podem ser igualadas a receitas, como intenta o Fisco. Aliás, este nada mais parece querer do que adotar essa classificação para justificar, digase indevidamente, o seu intento de glosa. E como se os argumentos até aqui apontados já não fossem suficientes, constato que a tese defendida pela autoridade fiscalizadora decorre de ter a mesma entendido que não foi incluído o crédito presumido do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Contudo, a operação em questão é meramente patrimonial, não repercutindo em lançamento à conta de resultado. Assim, não há que se falar em receita. É sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de débitos supera os de créditos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Pagar. Ora, apenas em se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS e COFINS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS e COFINS. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao Recurso Voluntário interposto, para reformar a v. Acórdão recorrido, para excluir da base de cálculo do PIS os valores auferidos a título de crédito presumido de ICMS. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 317DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 12 Gileno Gurjão Barreto Fl. 318DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.005078/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2007 a 29/02/2008
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a
arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência.
PREVIDENCIÁRIO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. Constitui crédito
previdenciário as contribuições sociais dos segurados empregados e contribuintes individuais, destinadas à Seguridade Social, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração paga ou creditada e não repassadas integralmente à Seguridade Social.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção,
podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do
contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e
materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os
artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes
apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.911
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de realização de perícia; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 29/02/2008 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. Constitui crédito previdenciário as contribuições sociais dos segurados empregados e contribuintes individuais, destinadas à Seguridade Social, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração paga ou creditada e não repassadas integralmente à Seguridade Social. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
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OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. Constitui crédito previdenciário as contribuições sociais dos segurados empregados e contribuintes individuais, destinadas à Seguridade Social, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração paga ou creditada e não repassadas integralmente à Seguridade Social. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e Fl. 97DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 15/08/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de realização de perícia; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Walter Murilo Melo Andrade, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 15/08/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 11065.005078/200848 Acórdão n.º 2401001.911 S2C4T1 Fl. 97 3 Relatório MÁQUINAS KLEIN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, contribuinte, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Decisão da 7a Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, Acórdão n° 1018.714/2009, às fls. 85/87, que julgou procedente o lançamento fiscal correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, arrecadadas pela empresa mediante desconto nos respectivos salários/remunerações e não repassadas integralmente à Seguridade Social na época própria, em relação ao período de 02/2007 a 02/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 35/37. Tratase de Auto de Infração (Antiga NFLD), lavrado em 04/12/2008, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 247.167,42 (Duzentos e quarenta e sete mil, cento e sessenta e sete reais e quarenta e dois centavos). Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 91/93, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto que os exagerados valores lançados foram apurados unilateralmente por parte do fisco, impondo seja procedida perícia contábil na documentação analisada, inclusive com a oportunidade da indicação de assistência técnica arrolada pela recorrente, objetivando evitar cerceamento do seu direito de defesa. Opõese à multa moratória pretensamente aplicada, por considerála confiscatória, sendo, por conseguinte, ilegal a sua exigência. Argúi a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, argumentando, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Alega, ainda, tratarse referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 15/08/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Pretende a contribuinte a reforma da decisão de primeira instância, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, suscitando que o elevado crédito tributário fora apurado de maneira unilateral pelo Fisco, o que impõe seja realizada perícia contábil nos documentos ofertados pela empresa, com a respectiva assistência de profissional indicado por esta, com o fito de evitar o cerceamento do seu direito de defesa. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida encontrase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. Como se verifica, a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender a necessidade de realização de perícia, bem como argüindo a inconstitucionalidade da multa aplicada. Observese, com relação aos documentos e razões ofertadas pela contribuinte, que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão, tendo em vista que cabe exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante do processo serve justamente para formar a convicção do julgador, podendo interpretála da forma que melhor entender, refutálas ou desconsiderálas, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. Aliás, é o que determina o artigo 29 do Decreto n° 70.235/1972, como segue: “ Seção VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Assim, o pleito da recorrente não tem o condão de macular a decisão recorrida, porquanto o julgador de primeira instância procedeu nos termos da legislação de regência, exarando decisão fundamentada, debatendo acerca das razões pertinentes lançadas pela contribuinte, formando livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado. Quanto ao indeferimento do pedido de diligência para produção de prova, igualmente, decidiu acertadamente o ilustre julgador de primeira instância. Além de a recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de Fl. 100DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 15/08/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 11065.005078/200848 Acórdão n.º 2401001.911 S2C4T1 Fl. 98 5 manter o lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo despicienda a produção de prova pericial. Com efeito, a realização de prova pericial se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto n° 70.235/72, in verbis: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Registrese, por fim, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. Na esteira desse entendimento, não se cogita em improcedência do feito, tendo em vista que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. Mais a mais, relativamente às questões de inconstitucionalidades argüidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 15/08/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula nº 02, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” E, segundo o artigo 72, § 4 º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: Fl. 102DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 15/08/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 11065.005078/200848 Acórdão n.º 2401001.911 S2C4T1 Fl. 99 7 a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, no mérito, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de realização de perícia e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 103DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 15/08/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 13975.000224/2005-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
NÃOCUMULATIVIDADE.
CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO
Os custos de bens e serviços nãoutilizados
diretamente no processo de
produção e/ ou de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de
Cofins passíveis de desconto da contribuição devida e/ ou de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-00.933
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros
Antonio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam
provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO Os custos de bens e serviços nãoutilizados diretamente no processo de produção e/ ou de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de Cofins passíveis de desconto da contribuição devida e/ ou de ressarcimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO Os custos de bens e serviços nãoutilizados diretamente no processo de produção e/ ou de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de Cofins passíveis de desconto da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento ao recurso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Rio de Janeiro II, RJ, que julgou procedente em parte a manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que reconheceu e deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, apurado para o 4º trimestre de 2004. Inconformada com deferimento parcial, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade requerendo o deferimento integral do ressarcimento pleiteado, alegando razões assim sintetizadas por aquela DRJ: “a) As notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; b) O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; c) Notese que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COF1NS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço dos produtos; d) Caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a COFINS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; e) Caso a intenção da Vidroforte fosse a venda com a suspensão do PIS e da COFINS, na época das aquisições, mesmo havendo autorização da suspensão do PIS e da COFINS pela Lei 10.865/04, a recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com a referida suspensão somente após a publicação do Ato Declaratório Executivo n° 1, de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; f) Não existem os supostos ‘vícios formais’ a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; g) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; h) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; i) Os valores incluídos nos CFOP 1.949 e 2.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira, manutenção de florestas e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, II, da Lei 10.833/03; j) De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem. Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias. Juntase aos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13975.000224/200569 Acórdão n.º 330100.933 S3C3T1 Fl. 684 3 k) Relativamente às despesas com transporte na venda da produção do estabelecimento não há que se falar em ‘vícios formais’, a ensejar a glosa. O que pode ter ocorrido, quando muito, foram meras irregularidades, conforme já explanado, que em nada prejudicou o fisco federal, porquanto não houve omissão de valores referentes aos fretes; l) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; ...” Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, conforme acórdão nº 1322.693, datado de 08/12/2008, às fls. 658/670, sob as seguintes ementas: “VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da COFINS nãocumulativa, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. COFINS APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Não é cabível a glosa de crédito a ser descontado da contribuição para a COFINS nãocumulativa, calculado em relação a serviços utilizados como insumo, quando devidamente escriturados e amparados por documentos hábeis que lhe dêem suporte. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 677/680, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando, em síntese, a ilegalidade das glosas efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância sobre os custos/despesas de extração de madeiras (matériaprima). É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente suscitou a ilegalidade das glosas sobre os custos/despesas de extração de madeiras. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para a Cofins, assim dispõe, quanto aos créditos dessa contribuição, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento, in verbis: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...); V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (...).” Os dispositivos legais transcritos acima elecam de forma expressa os custos e despesas que geram créditos de Cofins nãocumulativa passíveis de deduções e/ ou de ressarcimento. Os custos e despesas decorrentes de custeio de florestas, extração de madeira e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados nessas atividades não constituem insumos utilizados no processo produtivo da recorrente e sim do produtor da madeira. Segundo aqueles dispositivos, somente geram créditos de Cofins os custos dos bens utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Os referidos custos/despesas não constituem insumos utilizados na produção ou fabricação dos produtos vendidos pela recorrente. Assim, não há que se falar em ressarcimento de créditos apurados sobre tais custos e despesas. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13975.000224/200569 Acórdão n.º 330100.933 S3C3T1 Fl. 685 5 José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 14041.000373/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa: IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a
lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação
cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro,
"Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
MATÉRIAS NÃO CONTROVERTIDAS. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não se controvertendo a decisão recorrida, quer porque acatou a pretensão do impugnante, quer não houve insurgência do recorrente, é de se manter, no ponto, a decisão de primeira instância.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. UNESCO. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. A isenção de imposto sobre
rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Inteligência da SÚMULA CARF Nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a
serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. CARNÊ-LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO
RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnê-leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre
o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo, implicando em uma dupla penalidade em decorrência da omissão de um mesmo rendimento, conduta vedada em nosso ordenamento.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.250
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcial
provimento ao recurso para cancelar a multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Fl. 417DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). MATÉRIAS NÃO CONTROVERTIDAS. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não se controvertendo a decisão recorrida, quer porque acatou a pretensão do impugnante, quer não houve insurgência do recorrente, é de se manter, no ponto, a decisão de primeira instância. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. UNESCO. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Inteligência da SÚMULA CARF Nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. CARNÊLEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo, implicando em uma dupla penalidade em decorrência da omissão de um mesmo rendimento, conduta vedada em nosso ordenamento. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 418DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.000373/200611 Acórdão n.º 2102001.250 S2C1T2 Fl. 2 3 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte MARCELO BISPO, CPF/MF nº 524.773.63115, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 18/08/2006, auto de infração (fls. 02 a 13), com ciência postal em 24/08/2006 (fl. 14), a partir de ação fiscal iniciada em 10/03/2006 (fl. 3). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 7.595,75 MULTA DE OFÍCIO R$ 5.696,81 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE R$ 1.835,58 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações, no anocalendário 2001, apenadas com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado: 1. omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, conforme informações prestadas pelas fontes pagadoras abaixo relacionadas: 1) CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES PLANALTO LTDA (CNPJ 00.697.649/000103) .VALOR DECLARADO PELA FONTE PAGADORA: R$ 11.183,694 (IRF R$ 133,83) .VALOR DECLARADO PELO CONTRIBUINTE: 10.967,16 (IRF R$ 183,83) — DIFERENÇA LANÇADA: R$ 216,73 (GLOSA DO VALOR DE IRF: R$ 50,00) 2) SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO E CULTURA CAIÇARAS (CNPJ 01.157.591/000178) .VALOR DECLARADO PELA FONTE PAGADORA: R$ 10.423,57 (IRF R$ 30,66) •VALOR DECLARADO PELO CONTRIBUINTE: 3.149,00 (IRF R$ 151,00) Fl. 419DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 • DIFERENÇA LANÇADA: R$ 7.274,57 (GLOSA DO VALOR DE IRF: R$ 120,34) 2. omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior (Unesco) 3. compensação indevida de imposto de renda retido na fonte Glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) pleiteado indevidamente, conforme informações apresentadas pelas fontes pagadoras abaixo descritas: 1) CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES PLANALTO LTDA (CNPJ 00.697.649/000103) .VALOR DECLARADO PELA FONTE PAGADORA: IRF R$ 133,83. VALOR DECLARADO PELO CONTRIBUINTE: IRF R$ 183,83 GLOSA DO VALOR DE IRF: R$ 50,00 2) SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO E CULTURA CAIÇARAS (CNPJ 01.157.591/000178) .VALOR DECLARADO PELA FONTE PAGADORA: IRF R$ 30,66. VALOR DECLARADO PELO CONTRIBUINTE: IRF R$ 151,00 GLOSA DO VALOR DE IRF: R$ 120,34 3) CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DE BRASILIA IESB (CNPJ 00.422.333/000109) .VALOR DECLARADO PELA FONTE PAGADORA: IRF R$ 259,89. VALOR DECLARADO PELO CONTRIBUINTE: IRF R$ 359,89. GLOSA DO VALOR DE IRF: R$ 100,00 4) SOCIEDADE UNIFICADA PAULISTA DE ENSINO RENOVADO OBJETIVO (CNPJ 43.144.880/004331) .VALOR DECLARADO PELA FONTE PAGADORA: IRF R$ 0,00 VALOR DECLARADO PELO CONTRIBUINTE: IRF R$ 110,79. GLOSA DO VALOR DE IRF: R$ 110,79 5) SOCIEDADE OBJETIVO DE ENSINO SUPERIOR SOES (CNPJ 01.711.282/000360) Fl. 420DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.000373/200611 Acórdão n.º 2102001.250 S2C1T2 Fl. 3 5 .VALOR DECLARADO PELA FONTE PAGADORA: IRF R$ 0,00 VALOR DECLARADO PELO CONTRIBUINTE: IRF R$ 77,18 GLOSA DO VALOR DE IRF: R$ 77,18 4. falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma da DRJ/BSA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0329.438, de 18 de fevereiro de 2009 (fls. 339 a 353). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 26/03/2009 (fl. 360). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 23/04/2009 (fl. 361). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. foi cientificado do auto de infração em 24/08/2006, referente a fatos geradores do anocalendário 2001, implicando que a decadência extinguiu o crédito tributário lançado; II. “Com relação aos rendimentos auferidos em razão de vínculo empregatício com a Sociedade de Educação Caiçaras — FAC, os valores declarados são referentes aos efetivamente recebidos no período de janeiro a maio de 2001, com base nos holerites, conforme documentos solicitados e já entregues a RFB, portanto não merece prosperar a cobrança da juros e, conseqüentemente, a imputação da multa, isto porque não houve rendimentos auferidos além desses em razão da inexistência de trabalho prestado à entidade, após esta data por indisponibilidade de horário da própria entidade” (fl. 365 – transcrição do recurso voluntário); III. “Com relação aos rendimentos auferidos em razão de vínculo empregatício com o Centro de Estudos Superiores Planalto Ltda. — IESPLAN, os valores declarados são referentes aos efetivamente recebidos no período de Janeiro a Dezembro de 2001, com base nos holerites, isto porque, até a data de finalização do IR de 2001, a instituição não havia disponibilizado o quadro demonstrativo, levandome a somar todos dos valores recebidos e retidos no ano em questão. Após Termo de intimação e ciência de possíveis discordâncias de valores declarados por mim e pela instituição, fora solicitado um quadro com a síntese dos valores pagos e declarados, havendo sim, certa divergência de tais valores. Que podem ter ocorridos pelos fatos já mencionados, contudo, a mim apenas restava declarar os valores com documentos que estavam em meu poder, neste caso, a época os contracheques. Documentos estes já solicitados conforme termos intimação n° 58/2006 e 132/2006, Auto Fl. 421DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 de Infração n°. 14041.000373/200611 IRPF/2001 entregues a RFB (fls. 365 e 366– transcrição do recurso voluntário); IV. no tocante aos rendimentos recebidos da Unesco, a legislação de regência tributária da matéria não faz qualquer diferença entre os funcionários estatutários internacionais e os aqui residentes, sendo de rigor deferir a isenção sobre as verbas recebidas da Unesco; V. não se pode cumular a multa de ofício vinculada ao imposto decorrente dos rendimentos percebidos da Unesco com a multa isolada respectiva, conforme remansosa jurisprudência, pois se estaria apenando duplamente uma mesma infração. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 26/03/2009 (fl. 360), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 23/04/2009 (fl. 361), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 27/04/2009, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. De plano, como se vê na decisão recorrida, o contribuinte não impugnou as infrações de: 1) omissão de rendimentos recebidos Centro de Estudos Superiores Planalto Ltda. IESPLAN (Valor: R$ 216,73); e 2)dedução indevida de Imposto dc Renda Retido na Fonte relativo às fontes pagadoras: Centro de Estudos Superiores Planalto — IESPLAN (R$ 50,00), Centro de Educação Superior de Brasília —1ESB (R$ 100,00), Sociedade Unificado Paulista de Ensino Renovado Objetivo (R$ 110,79) e Sociedade Objetivo de Ensino Superior — SOES (R$ .77,18). E disso, especificamente, não se insurgiu o recorrente. Passase a discorrer sobre a ocorrência, ou não, da decadência, em relação ao tributo lançado oriundo das omissões de rendimento e da compensação indevida do IRRF. Primeiramente, fazse breve menção à tradicional jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF sobre a matéria. Entendiase que a regra de incidência de cada tributo era que definia a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribuísse ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldarseia à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial darseia na forma disciplinada no art. 150, § 4º, do CTN, sendo irrelevante a existência, ou não, do pagamento, e, no caso de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial tinha assento no art. 173, I, do CTN . Este era o entendimento aplicado ao lançamento do imposto de renda da pessoa física e da pessoa jurídica sujeito ao ajuste anual. Fl. 422DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.000373/200611 Acórdão n.º 2102001.250 S2C1T2 Fl. 4 7 Assim era pacífico no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física e jurídica sujeito ao ajuste anual amoldarseia à dicção do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citamse os acórdãos nºs: 10195.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 10246.936, relator o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 07/07/2005; 10323.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 10422.523, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 14 de junho de 2007; 10615.958, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, sessão de 08/11/2006. O entendimento acima também veio a ser acolhido pelo CARF a partir de 2009, quando este Órgão substituiu os Conselhos de Contribuintes. Entretanto, veio a lume uma alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no DOU em 22.12.2010), que passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II do RICARF). E o Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), confessa uma tese na matéria decadencial diversa do CARF, como abaixo se vê, sendo de rigor aplicála nos julgamentos da segunda instância administrativa. Assim, no que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação, tivemos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No precedente acima do Superior Tribunal de Justiça, a existência, ou não, do pagamento passou a ser relevante para definir a regra decadencial. Para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência, para o art. 173, I, do CTN. No caso destes autos, para o anocalendário 2001, há pagamento antecipado, como se vê pelo IRRF informado na declaração de ajuste anual e considerado no auto de infração (fls. 04), com aplicação de multa de oficio ordinária de 75%, já que não se imputou a Fl. 424DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.000373/200611 Acórdão n.º 2102001.250 S2C1T2 Fl. 5 9 ocorrência de dolo, fraude ou simulação, sendo forçoso aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, como o fato gerador da omissão de rendimentos e da compensação indevida do IRRF desse exercício se aperfeiçoou em 31/12/2001, a Fazenda Nacional poderia concretizar o lançamento até 31/12/2006. Como lançamento foi cientificado ao contribuinte em 24/08/2006 (fl. 14), hígido o crédito tributário do anocalendário 2001, no tocante à omissão de rendimentos e a compensação indevida do imposto de renda retido na fonte. Já em relação à multa isolada do carnêleão, não há que se falar na aplicação da contagem na forma do art. 150, § 4º, do CTN, pois não se trata de tributo sujeito ao lançamento por homologação, mas de multa, devendo ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, ou seja, o termo a quo tem início após o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o lançamento da multa isolada poderia ter sido efetuado no próprio anocalendário 2001, a contagem do prazo decadencial se inicia em 1º/01/2002, terminando também em 31/12/2006. Assim, mais uma vez, não há falar em decadência. Agora passase a debater a omissão de rendimentos oriunda da Sociedade de Educação Caiçaras — FAC (item II do relatório). Como se vê na decisão recorrida (fls. 345 e 346), acataramse os valores comprovados pelos contracheques juntados pelo então impugnante, ou seja, não há qualquer controvérsia nesta instância no tocante aos rendimentos percebidos da Sociedade de Educação Caiçaras — FAC, pois a pretensão do contribuinte já foi acatada na decisão recorrida. Em relação à defesa do item III (omissão de rendimentos e glosa de IRRF da Iesplan), vêse que o recorrente não se insurgiu expressamente sobre estas alterações. No ponto, afirmouse na decisão recorrida (fl. 345), verbis: A fonte pagadora Centro de Estudos Superiores Planalto — IESPLAN esclareceu que houve erro nos. rendimentos informados na DIRF/2002 relativos ao contribuinte e apresentou cópia da DIRF/2002 — Retificadora entregue e do novo Comprovante de Rendimentos (fls. 255/266). O novo valor dos rendimentos tributáveis é de R$ 13.559,74 e do IRRF é de R$ 375,37. Tanto o valor dos rendimentos quanto o do IRRF são superiores aos informados pela empresa anteriormente à RFB. Pelos motivos já expostos acima, a alteração no valor dos rendimentos só será considerada no julgamento até o valor já considerado pela Fiscalização. No entanto, o contribuinte será beneficiado com o novo valor do IRRF informado Pelo 1ESPLAN (R$ 375,37) Acima se vê claramente que houve a efetiva comprovação dos valores pagos ao recorrente pela Iesplan, informação inclusive majorada em relação ao considerado pela fiscalização, em termos de rendimentos e de IRRF. A autoridade julgadora tomou o cuidado de não majorar os rendimentos, conforme a informação retificadora da Iesplan, mantendo os rendimentos considerados pela fiscalização, e majorou o IRRF (decorrente da informação retificadora), ou seja, não agravou a situação do contribuinte em relação aos rendimentos percebidos e o beneficiou com o IRRF majorado. No ponto, perfeita a decisão recorrida, que não agravou a situação do impugnante, ao revés, melhorou sua situação. Fl. 425DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 Assim, neste item, não há qualquer reparo na decisão recorrida, não se podendo sequer dizer que houve insurgência recursal nesta instância. Agora se passa ao item IV da defesa (omissão de rendimentos percebidos da Unesco). A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Tratase de tema que gerou grave controvérsia no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes, que, ao final, terminou pacificado, pela incidência do imposto de renda. Nessa linha, foi editada a Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), devese ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. No ponto, sem razão o recorrente. Por fim, passase à defesa do item V do relatório (não se pode cumular a multa de ofício vinculada ao imposto decorrente dos rendimentos percebidos da Unesco com a multa isolada respectiva, conforme remansosa jurisprudência, pois se estaria apenando duplamente uma mesma infração). Aqui entendo que assiste razão à contribuinte. No caso em que os rendimentos sujeitos ao carnêleão são colacionados pela autoridade fiscal no ajuste anual, a jurisprudência administrativa há muito se assentou na impossibilidade da imputação de uma dupla penalidade pecuniária ao autuado pela omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física, uma vinculada ao imposto devido (a multa de ofício vinculada ao imposto devido no ajuste anual, no percentual de 75% do imposto) e outra pelo não recolhimento do carnêleão (multa de ofício isolada, tendo como base de cálculo o imposto não antecipado mensalmente – carnêleão), ao fundamento de que a omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física seria a base de cálculo para a apuração de imposto anual e daquele que deveria ter sido antecipado, com a multa de 75% incidente sobre cada uma das bases anteriores, sendo incabível uma mesma base de cálculo gerara uma dupla penalidade, em uma espécie de bis in idem. Para tanto, vejamse as seguintes ementas: Acórdão nº CSRF/0104.987, sessão de 15 de junho de 2004, relatora a conselheira Leila Maria Scherrer Leitão MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA –MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Fl. 426DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.000373/200611 Acórdão n.º 2102001.250 S2C1T2 Fl. 6 11 Acórdão nº 10248.216, sessão de 26 de janeiro de 2007, relator o conselheiro Antonio José Praga de Sousa PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento –PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 0400.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). Acórdão nº 10422.058, sessão de 06 de dezembro de 2006, relator o conselheiro Nelson Mallmann RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS UNESCO/ONU A isenção de imposto de renda sobre rendimentos pagos pelos organismos internacionais é privilégio exclusivo dos funcionários que satisfaçam as condições previstas na Convenção sobre Privilégio e Imunidades das Nações Unidas, recepcionada no direito pátrio pelo Decreto nº. 22.784, de 1950 e pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo nº. 10, de 1959, promulgada pelo Decreto nº. 52.288, de 1963. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. LEGITIMIDADE PASSIVA Os Organismos Internacionais que possuem imunidade de jurisdição não se submetem à legislação interna brasileira, portanto deles não se pode exigir a retenção e o recolhimento do imposto de renda sobre valores pagos às pessoas físicas. Estas têm seus rendimentos sujeitos à tributação mensal, na forma de carnêleão. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Acórdão nº 10616.124, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o conselheiro José Ribamar Barros Penha IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. Fl. 427DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 TRIBUTAÇÃO – Estão sujeitos a tributação do Imposto de Renda os rendimentos auferidos junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD em contraprestação de serviço contratados em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário do organismo internacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE – É de ser afastada a aplicação de multa isolada concomitantemente com multa de ofício tendo ambas a mesma base de cálculo. No ponto, é de se afastar a multa isolada de 75% que incidiu sobre o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) não pago. Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 428DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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