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Numero do processo: 10925.000851/2006-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhece-se o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.109
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhece se o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2102 00.551, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção em 15/04/2010 (fls. 192/198), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 201/243). A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a área de reserva legal de 201,28 hectares. Segue abaixo sua ementa: “ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA EM EXERCÍCIO IMEDIATAMENTE POSTERIOR ÀQUELE FISCALIZADO. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o beneficio tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como uma condicionante à isenção do ITR. Recurso provido em parte.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.000851/200688 Acórdão n.º 920202.109 CSRFT2 Fl. 297 3 A recorrente afirma que o aresto atacado considerou desnecessária a prévia averbação cartorária da área de reserva legal (anteriormente ao fato gerador). Explica que, nesse ponto, tal decisão diverge da jurisprudência de outras Câmaras deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no que tange à interpretação do artigo 16, atual § 8° da Lei 4771/65 (Código Florestal), artigo 144 do CTN c/c 1°, caput, da Lei 9.393/96. Apresenta paradigma que diverge de tal posição, ao exigir, como comprovação da área de reserva legal para fins de isenção, a averbação tempestiva junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Entende que a averbação não possui mero caráter declaratório. Considera inconteste que sua finalidade é dar publicidade à reserva legal, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações. Destaca que, também, visa a imputar aos proprietários a responsabilidade de preservar tais áreas. Cita jurisprudência do STF segundo a qual a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Considera que a mera declaração de existência fática da área de reserva legal não tem o condão de atender os requisitos da legislação pátria vigente para excluíla quando da apuração do ITR se não estiverem devidamente averbadas à margem da matrícula do imóvel à época do fato gerador do tributo. Ao final, requer o provimento do recurso. Nos termos do Despacho n.º 21000194/2010 (fls. 245/245verso), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões às fls. 256/273. Afirma que restou incontroverso nos autos, em face da prova produzida, a existência das áreas de reserva legal, ficando a lide restrita a questões formais do cumprimento da averbação junto à matrícula do imóvel. Para demonstrar a completa improcedência dos argumentos deduzidos pela União no seu recurso especial, apresenta jurisprudência do Conselho, dos Tribunais Regionais e do STJ que, no seu entender, corroboram a posição que defende. Ao final, requer o improvimento do recurso especial interposto. Eis o breve relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial preenche os requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal – a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei nº 9.393/96 os trechos que interessam: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.000851/200688 Acórdão n.º 920202.109 CSRFT2 Fl. 298 5 f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso comprovado posteriormente a falsidade das declarações. Por seu turno, a Lei nº Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: .................... § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). .............. Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. No caso dos autos, foi lavrado, em 02/05/2006, auto de infração (fls. 02 a 10), com ciência postal em 09/05/2006 (fl. 64), a partir de ação fiscal iniciada em 08/02/2006 (fl. 23), referente a fato gerador ocorrido em 01/01/2002. A área de reserva legal, apesar de averbada no Cartório de Registro de Imóveis e comprovada por planta topográfica (fl. 36), não foi considerada pela autoridade fiscalizadora como redutora da área tributável, já que averbada em 31/10/2002 (fl. 33v), após a ocorrência do fato gerador do imposto lançado (1°/01/2002). A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso que ilegítimo o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Assim mantenho o acórdão recorrido, por entender que a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo à concessão de isenção de ITR. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.000851/200688 Acórdão n.º 920202.109 CSRFT2 Fl. 299 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13811.003740/2007-80
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS. DESCABIMENTO
Não cabem embargos quando não for constatada omissão suscitada pela embargante.
DILIGÊNCIA. OBJETIVO. CONVICÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA.
O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Os quesitos formulados pelas partes para constar na diligência são meras sugestões que podem ou não serem acatadas pelo julgador.
Numero da decisão: 1802-001.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 EMBARGOS. DESCABIMENTO Não cabem embargos quando não for constatada omissão suscitada pela embargante. DILIGÊNCIA. OBJETIVO. CONVICÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA. O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Os quesitos formulados pelas partes para constar na diligência são meras sugestões que podem ou não serem acatadas pelo julgador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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DESCABIMENTO Não cabem embargos quando não for constatada omissão suscitada pela embargante. DILIGÊNCIA. OBJETIVO. CONVICÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA. O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Os quesitos formulados pelas partes para constar na diligência são meras sugestões que podem ou não serem acatadas pelo julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 37 40 /2 00 7- 80 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.600 S1TE02 Fl. 37 2 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.600 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração de autoria da Procuradoria da Fazenda Nacional, contra acórdão desta Turma, que por unanimidade de votos deu provimento ao recurso voluntário entendendo que a multa por atraso na entrega da DCTF não deveria subsistir. Em síntese, versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração, relativo ao atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de junho do anocalendário de 2005 (fl. 16), no valor de R$ 44.469,63. Os dispositivos legais supostamente infringidos constam na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em comento. A contribuinte alegava que: a) não estava obrigada à apresentação mensal da DCTF, mas apenas à obrigação semestral; e b) que ao calcular sua receita bruta para fins de observância da obrigatoriedade de apresentação mensal ou semestral da DCTF, utilizouse da permissão prevista no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001. Para melhor ilustração, segue dispositivo legal citado pela Recorrente: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência.” O dispositivo invocado pela Recorrente também encontrase reproduzido na IN 247/02, art. 13: “Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.600 S1TE02 Fl. 39 4 determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. A DRJ de São Paulo (SP) ao julgar a manifestação de inconformidade em 25.05.2010 manifestou seu entendimento através da seguinte ementa: “A S S U N T O : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. DCTF MENSAL. RECEITA BRUTA. O regime de competência é o regime prevalente adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. A legislação fiscal admite o regime de caixa apenas para reduzido número de situações, entre as quais não se inclui a determinação do limite da receita bruta que obriga a apresentação da DCTF mensal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/09/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 84 a 88, em 25/10/010, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Esta Turma em 11/04/2012, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que fossem juntadas a cópia do LALUR do anocalendário de 2003 e a cópia completa da DIPJ do exercício de 2004, anocalendário de 2003. Solicitouse também a elaboração de relatório circunstanciado que demonstrasse o montante das receitas oferecidas à tributação no anocalendário de 2003. Em 05/12/2012, também por unanimidade a Turma deu provimento ao Recurso, tendo o Acórdão a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, devese considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.600 S1TE02 Fl. 40 5 A Procuradoria servese dos presentes embargos, para alegar que o acórdão foi omisso, com a seguinte sustentação: “O r. acórdão proveu o recurso voluntário se louvando em diligências levadas a efeito pela autoridade fiscal. Diz a respeito o r. acórdão (fls.36), verbis: “Esta Turma em 11/04/2012, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que fossem juntadas a cópia do LALUR do ano calendário de 2003 e a cópia completa da DIPJ do exercício de 2004, ano calendário de 2003. Solicitou se também a elaboração de relatório circunstanciado que demonstrasse o montante das receitas oferecidas à tributação no ano calendário de 2003.“ Contudo, sejam as referias diligências, ou, ainda, o r. acórdão, deixaram de apreciar dois pontos fulcrais da questão: 1) se o Embargado observou o regime de caixa em relação à totalidade das exações IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IRRF, etc. e ao longo de todo o ano calendário; 2) opção do Embargado da forma de apuração do lucro real, estimativas ou arbitrado. A respeito dessas questões, verificamos nos autos que o Embargado optou pelo regime de lucro real. Outrossim, não existe prova nos autos de que o regime de caixa foi observado em relação à totalidade dos tributos e em todo o ano calendário.” Este é o Relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.600 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Procuradoria, embora alegue a omissão do acórdão nº 1802001.506, na verdade busca rediscutir pontos que foram objeto do pedido de diligência formulado por esta Turma através da Resolução nº 1802.000.060, acrescentando pontos que ela acreditava que deveriam ter sido abordados, senão vejamos: “Contudo, sejam as referias diligências, ou, ainda, o r. acórdão, deixaram de apreciar dois pontos fulcrais da questão: 1) se o Embargado observou o regime de caixa em relação à totalidade das exações IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IRRF, etc. e ao longo de todo o ano calendário; 2) opção do Embargado da forma de apuração do lucro real, estimativas ou arbitrado” Assim, embora tempestivo o presente recurso, intempestivo a alegação nele contida. Embora não seja da competência da Procuradoria determinar o objeto da diligência, eis que ela serve para a formação da convicção da(s) autoridade(s) julgadora(s) e não das partes, essa “sugestão” de complementação deveria ter se dado por ocasião da Resolução que converteu o julgamento em diligência e não após o seu retorno e julgamento do acórdão. O julgador deve ter livre convicção quanto as provas apresentadas e fatos alegados. O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Assim, o processo foi baixado em diligência para esclarecer dúvidas dos membros desta Turma para que pudessem formar suas convicções. Nesse sentido estipula o Processo Administrativo Fiscal (PAF): “Decreto nº 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Com o retorno da diligência, a documentação apresentada, bem como a informação fiscal (fls. 104 e 105), no entender desta Turma, foram suficientes para demonstrar que a Embargada no anocalendário anterior a entrega da DCTF auferiu receita bruta tributável no valor de R$ 25.728.334,66, montante este inferior ao mínimo legal de R$ 30.000.000,00. Isto posto, esta turma entendeu com base nestas provas que a contribuinte não estaria obrigada a entregar a DCTF na periodicidade mensal e, portanto, a multa seria descabida. Entendeu também que as receitas relativas à variação cambial não se enquadravam Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.600 S1TE02 Fl. 42 7 no conceito de receita bruta, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal. Em vista disso, as alegações aduzidas pela Procuradoria (forma de apuração: seja lucro real, presumido ou arbitrado) como omissões são irrelevantes no mérito da decisão desta Turma, de acordo com a fundamentação do voto, eis que as receitas relativas à variação cambial nem mesmo se enquadram no conceito de receita bruta, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal. Senão vejamos a conclusão constante do referido acórdão: “Com efeito, nos casos em que o contribuinte elege o reconhecimento do regime de caixa, e não de competência, para a apuração da base de cálculo dos seus tributos, causando assim o descasamento com a legislação comercial, nada mais razoável que o efeito (reconhecimento) da receita bruta para fins de cumprimento das obrigações acessórias também seja considerado no momento do recebimento. Com o retorno da diligência é possível verificar, através da documentação acostada, bem como da informação fiscal (fls. 230 e 231), que a Recorrente no anocalendário anterior a entrega da DCTF auferiu receita bruta tributável no valor de R$ 25.728.334,66, montante este inferior ao mínimo legal de R$ 30.000.000,00. Neste caso não estaria a contribuinte obrigada a entregar a DCTF na periodicidade mensal. Ademais, as receitas relativas à variação cambial nem mesmo se enquadram no conceito de receita bruta, conforme visto acima, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal.” Dadas as circunstâncias do presente caso, voto no sentido de REJEITAR os presentes Embargos, mantendo o acórdão nº 1802001.506 de 05/12/2012 em sua totalidade. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10845.003423/00-40
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO.
Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 -A do Regimento Interno do CARF.
Recurso extraordinário provido.
Numero da decisão: 9900-000.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 02/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 -A do Regimento Interno do CARF. Recurso extraordinário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior - Relator EDITADO EM: 02/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF. Recurso extraordinário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 34 23 /0 0- 40 Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 02/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário (fls. 196202), interposto pela r. Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 910100.029 (fls. 122124) da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido em 09/03/2009, que, por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Especial. O crédito foi constituído em 27/12/2000. Contra o sujeito passivo foram lavrados o autos de infração relativos ao IRPJ, ao IRRF, à CSLL e ao PIS/Confins, lavrados em 27/12/2000, para constituir o crédito tributário no valor de R$1.990.788,44, com a exigência de tributos, multa de ofício e juros de mora cabíveis até a data da lavratura, devido à apuração de irregularidades previstas no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08/10). Em sede de impugnação (fls. 781/811), o contribuinte alegou, dentre outros argumentos, a decadência do crédito tributário, com base no disposto no art. 150, §4º do CTN. Em dezembro de 2004, a Segunda Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campinas/SP considerou procedente em parte o lançamento, conforme o teor do Acórdão nº 7.897: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995 Ementa: Decadência. IRPJ Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10845.003423/0040 Acórdão n.º 9900000.360 CSRFPL Fl. 11 3 — Omissão de Receitas. A homologação tácita prevista no art. 150, §4° do CTN abrange tãosomente a conduta de apuração e pagamento do imposto devido, realizada pela contribuinte em estrita observância à legislaçã do tributo. Comprovado pelo Fisco a ocorrência de omissão de parte da atividade exercida pela empresa no período fiscalizado, visando reduzir as obrigações tributárias determinadas por lei, a apuração dos tributos no período será revista de oficio no prazo estabelecido pelo art. 173, inc. I, do CTN. Decadência. CSLL. PIS. Cofins. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir os créditos tributários relativos às contribuições para a seguridade social extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito podeia ter sido constituído. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 0/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995 Ementa: Nulidade. Mandado de Procedimento Fiscal — MPF. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância de norma infralegal não pode gerar nulidade de lançamento de crédito tributário efetuado no âmbito de competência legalmente deferida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30 1/1995, 31/12/1995 Eme ta: Omissão de Receitas. Arbitramento do Preço;4Venda de Imóvel. Prova. Escritura Pública S mente deixa de prevalecer, para os efeitos fiscais, o • alor da alienação constante da Escritura Pública, (uando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova_deque a alienação se deu de forma diversa:— Omissão de Receitas. Custos de Construção dos Imóveis É de se admitir a prova indireta de omissão de receitas, quando, defmitivamente provado nos autos, que os custos de construção dos imóveis contabilizados são incompatíveis com o padrão dos imóveis construídos, impondo se a sua reconstituição com base em índice confiável, editado pelo Sinduscon e, conseqüentemente, a determinação de pagamentos efetuados à margem da escrituração Omissão de Receita. Pagamentos não Contabilizados. Utilização de Recursos à Margem da Escrituração.Provada a falta de contabilização das operações de compra e a utilização de recursos à margem da escrituração, inferese, necessariamente, a ocorrência de omissão de receitas, como origem dos recursos utilizados nos pagamentos, devendo ser mantida a exigência assim formalizada. Omissão de Receita. Saldo Credor de Caixa. Não apresentadas as contraprovas necessárias a atestar a regularidade dos registros contábeis,configurase perfeitamente procàrente a reconstituição da conta caixa, mediante a exclusão dos valores cuja efetividade dos ingressos não restou comprovada por instrumentos hábeis. Redução Indevida do Lucro Líquido versus Postergação de Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Pagamento de Imposto. A postergação de pagamento de imposto somente se verifica, na hipótese de postergação de registro de receitas, quando o imposto devido em um determinado período é pago no período subseqüente. Ao revés, quando o imposto devido em um período não é pago no período de escrituração da receita postergada, configurada está a redução indevida do lucro líquido. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 1/12/1995 Ementa: Tributação Reflexa. Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — lRRF. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins. Lavrado o auto principal devem também ser lavrados os autos de infração reflexos, seguindo estes a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. Lançamento Procedente em Parte Interposto Recurso Voluntário, o contribuinte alegou que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, pois a decadência é um instituto que se aplica a um determinado tributo e não a uma matéria especifica, como entendeu a autoridade julgadora de primeiro grau. Em março de 2006, ao analisar o recurso interposto pelo contribuinte a 7ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes resolveu, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência do IRPJ,CSLL, PIS, COFINS e IRRF no período de janeiro a novembro de 1995 (Acórdão nº 10708.491): MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADEIMPROCEDÊNCIA. Não é nulo o lançamento praticado por agente do Fisco que, ao formalizar a exigência, encontravase habilitado para o exercício da competência legal que lhe é atribuída, mediante MPF emitido pela autoridade competente. IRPJ IRRF — DECADÊNCIA — PROCEDÊNCIA — A teor do disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, decai a Fazenda Pública do direito de promover o lançamento após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, razão pela qual, tendo a decadência neste caso concreto se operado, improcede o lançamento. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL — DECADÊNCIA — O prazo decadencial estipulado no Código Tributário Nacional aplicase, por expressa previsão constitucional, a todas as contribuições sociais, sem exceção. IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — ARBITRAMENTO DO CUSTO DE CONSTRUÇÃO DE IMÓVEL — É cabível o arbitramento do custo de construção de imóvel, quando provado pelo fisco que o valor registrado na contabilidade é muito inferior àquele devido, sendo aceitável a utilização dos índices divulgados pelo SINDUSCON. IRPJ OMISSÃO DE COMPRAS É procedente a exigência do imposto :4"; de renda sobre valores de mercadorias comprovadamente adquiridas e não contabilizadas, configurando omissão de receitas. IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR bE CAIXA A ocorrência de saldo credor da conta caixa autoriza a presunção de omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova em contrário.TRIBUTAÇÃO DECORRENTE IRFONTE — PIS — Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10845.003423/0040 Acórdão n.º 9900000.360 CSRFPL Fl. 12 5 COFINS CSLL Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte tático em comum. De acordo com as informações trazidas na decisão, o pagamento, assim, por si só, não tem o condão de definir a modalidade de lançamento a que o tributo se sujeita, sob pena de se ter de assumir que esta poderia ser dupla, conforme houvesse ou não o pagamento. Desse modo, segundo o acórdão, nos meses de janeiro a novembro de 1995, razão pela qual foi excluído do lançamento a exigência relativa aos meses de janeiro a novembro de 1995, inclusive em relação ao IRFONTE. No que se refere às contribuições, o julgado decidiu que o crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, bem como a contribuição para o PIS e a COFINS, decorrente das diferenças tributadas relativas aos meses de janeiro a novembro de 1995, à época do lançamento, em face da decadência, não poderia ter sido constituído, já que deve aplicar, igualmente, o prazo de cinco anos. Inconformada, a PGFN interpôs Recurso Especial com o fundamento no o art. 32, I do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. Sustenta a recorrente que, no caso em tela, ao julgar a decadência do crédito tributário da CSLL, a 7ª Câmara contrariou o disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, que prevê o prazo decadencial de 10 anos para a constituição de crédito tributário das contribuições sociais. Segundo a PGFN, os tribunais ainda não se manifestaram sobre a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n°8.212/91, não cabendo à esfera administrativa afastar a aplicação de norma vigente. Em novembro de 2008, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, resolveu, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial, mantendo o acórdão da 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes inalterado: Acórdão 0106.037 AssuNTo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 DECADÊNCIA IRPJ e outros Tratandose de tributos em que é de iniciativa do contribuinte a sua apuração e recolhimento, o respectivo lançamento é por homologação, conforme o artigo 150 do CTN. O prazo para o lançamento é de 05 anos contados dos fatos geradores. SÚMULA DECADÊNCIA Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante n° 8 DOU de 20 de junho de 2008), cancelase o lançamento no qual não foi observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. Recurso Especial Negado De acordo com o voto condutor do acórdão, a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido é tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição dos respectivos créditos tributários é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Segundo a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Dessa maneira, ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo a obrigação de apurar e liquidar o tributo, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação serlhe prestada ou pagamento antecipado. Concluiu o julgado que em decorrência, considerando o decurso de lapso temporal superior a cinco anos, entre os fatos geradores ocorridos até novembro de 1995 e o lançamento, ocorrido em 27.12.2000, entendeu a CSRF que, à época de sua lavratura, já havia decaído o direito da Fazenda em proceder ao lançamento do crédito tributário. Irresignada, a Fazenda Nacional intepôs Recurso Extraordinário (fls. 196/ss), com fundamento no art. 9º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. De acordo com a recorrente, o acórdão em alusão contrariou a adequada análise dos dispositivos constantes do art. 150, § 4º e art. 173, I, ambos do CTN, tendo em vista que, nas hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado. No sentido de fundamentar suas razões, a Procuradoria da Fazenda apresentou os Acórdão CSRF/ 0202.288 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Ficais como paradigma: Acórdão CSRF/ 0202.288 "PIS. DECADÊNCIA. Por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173,I, do CTN. Recurso especial negado." A recorrente defende que, no presente caso, não se operou lançamento por homologação a possibilitar a aplicação da regra do art. 150, § 4º do CTN, afinal, a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo nas mencionadas competências. Por conta disso, continua, deverá ser aplicado ao lançamento de ofício em questão o disposto no art. 173,I, do CTN. Cumpre destacar que a Procuradoria da Fazenda colacionou precedente do Superior Tribunal de Justiça, que, segundo ela, perante a sistemática dos Recursos Repetitivos, ratificou a tese acima delineada, restando pacificado o entendimento acerca da controvérsia. Por fim, requereu o provimento do Recurso Extraordinário para reformar o acórdão recorrido, sendo afastada a decadência das competências de dezembro de e do quarto trimestre de 1998. Em Despacho de fls. 1046 e ss, o Presidente Substituto do Carf deu seguimento ao RE, tendo em vista haver divergência entre os arestos confrontados, uma vez que a decisão vergastada embasase no artigo 150, caput e § 4.°, sem ressalvas quanto ao pagamento, e o paradigma oferecido preconiza que a contagem do prazo decadencial deve Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10845.003423/0040 Acórdão n.º 9900000.360 CSRFPL Fl. 13 7 observar a regra prevista no artigo 173,1, do CTN, na hipótese de ausência de pagamento antecipado. Em sede de Contrarrazões, o contribuinte requereu o não provimento do recurso, já que pela leitura do art. 150, §4º do CTN verificase que o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo. A falta de pagamento não altera a natureza do instituto da decadência. Dessa forma, a contribuinte defende não poder ser penalizada com o aumento no prazo de decadência, por estar enquadrado na hipótese legal de não recolhimento por falta de base imponível, pois agiu autorizada por lei. Reitera, ainda, que o lançamento não se submete ao art. 173 do CTN, mas ao 150, § 4, como já fora afirmado. É o que tenho a relatar. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso Extraordinário ora em análise, passo a apreciar as questões de mérito. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõe se a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, tem se que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62ª do seu Regimento Interno. Desse modo, ao observar o caso concreto trazido a esta câmara superior de julgamento, notase que à recorrente assiste razão quanto ao seu inconformismo no que se refere à fundamentação do acórdão recorrido. De acordo com o julgado, foi suscitada a decadência do crédito tributário com base no disposto no art. 150, § 4º do CTN. Senão vejamos: Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10845.003423/0040 Acórdão n.º 9900000.360 CSRFPL Fl. 14 9 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No entanto, conforme se o observa no precedente vinculante do Superior Tribunal de Justiça, deverseá aplicar o disposto no art. 173, I do CTN quando do cálculo do prazo quinquenal, mesmo nos casos de lançamento por homologação. Fato imprescindível para a seleção de tal dispositivo é antecipação de pagamento, por parte do contribuinte, do tributo devido e recolhido a menor. Ao consultar os autos, verifico ausente a conduta do contribuinte em adiantarse à quitação fiscal, havendo, deste modo, verossimilhança entre o fáctico trazido a este Conselho Pleno com aquele objeto da apreciação do Superior Tribunal de Justiça. Assim sendo, tornase necessária a revisão do acórdão proferido pela 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais com o objetivo único de ajustálo ao entendimento ulterior do STJ. Por todo o exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional para afastar a decadência apontada pelo e. Primeiro Conselho de Contribuintes e mantida pela e. Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, uma vez necessária a conjugação da jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.900460/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/04/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE CRÉDITO.
As provas apresentadas comprovaram a existência de crédito disponível para efetuar a compensação dos débitos confessados.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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EXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE CRÉDITO. As provas apresentadas comprovaram a existência de crédito disponível para efetuar a compensação dos débitos confessados. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e José Luiz Feistauer de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 04 60 /2 00 8- 92 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.900460/200892 Acórdão n.º 3101001.314 S3C1T1 Fl. 4 2 Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 46 e 47 dos autos emanados da decisão DRJ/BSB, por meio do voto da relatora Andreia Lucia Machado Mourao, nos seguintes termos: “Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 15102.02653.141103.1.3.042608 (fls. 1/5), transmitida eletronicamente em 14/11/2003, com base no aproveitamento de créditos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à PIS que teria sido apurado no mês de março de 2003. Em 24/04/2008 foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 8), cuja decisão não homologou a compensação declarada, por não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF descriminado no referido instrumento não foi localizado nos sistemas da RFB. O valor atualizado do principal correspondente aos débitos informados, cuja compensação não foi homologada, totalizou R$ 80.606,35, conforme demonstrado no quadro a seguir: Detalhamento da Compensação e Valores Devedores VALOR UTILIZADO DO CRÉDITO NA DATA DA VALORAÇÃO VALOR DECLARADO NA DCOMP SALDO DEVEDOR APURADO PARA COMPENSAÇÃO (A) PRINC. MULTA JUROS VALOR AMORTIZADO DO DÉBITO (B) SALDO DEVEDOR (C = A B) 80.806,35 80.806,35 0,00 0,00 0,00 0,00 80.806,35 Cientificado, via postal, dessa decisão em 09/05/2008, bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 09/06/2008, manifestação de inconformidade às fls. 12/14, acrescida de documentação anexa. Para tentar reverter a decisão proferida no Despacho Decisório, a interessada relata a ocorrência de erro no preenchimento do PER/DCOMP, quanto às informações contidas no DARF que teria gerado o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, conforme relação a seguir: a) informou erroneamente a data de arrecadação como 14/03/2003, ao passo que a data correta seria 15/04/2003; b) informou erroneamente o período de apuração como sendo fevereiro/2003, quando, na verdade, o período correto seria março/2003; c) informou erroneamente a data do vencimento como 14/03/2003, ao passo que a data correta seria 15/04/2003; Apresenta cópia do DARF (Comprovante de Arrecadação) no valor de R$ 119.901,17 para comprovar as alegações feitas (fl. 34). Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.900460/200892 Acórdão n.º 3101001.314 S3C1T1 Fl. 5 3 Ao final requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente reforma do despacho decisório em tela, a fim de que seja homologada a declaração de compensação objeto dos presentes autos. Face à ausência de elementos suficientes, nos autos, que possibilitassem a formação de convicção do julgador, os autos foram baixados em diligência (fls. 40/41), a fim de responder aos seguintes quesitos: a) verificar a existência de crédito indevido ou a maior referente ao comprovante de pagamento acostado à fl. 34 (pagamento de contribuição para o PIS, código 8109, efetuado em 05/04/2003); b) caso haja disponibilidade, fazer a alocação do referido crédito ao débito informado no presente processo, conforme solicitado pela contribuinte; c) refazer os cálculos, elaborando novo demonstrativo de compensação. Ressaltese que, para fins de cálculos, cada débito deverá estar acrescido de juros e multa de mora, quando cabíveis; d) retornar os autos para essa DRJ para fins de dar prosseguimento ao julgamento. Conforme Relatório juntado à fl. 44, a Fiscalização respondeu aos quesitos acima listados, afirmando que conforme pesquisa realizada (fls. 42/43), o pagamento de fl. 34 encontrase indisponível nos sistemas da RFB.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0333.945 de fls. 45 traz a seguinte ementa: Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF , em (fls. 55 a 61) onde resumidamente, faz as seguintes alegações: I – Tempestividade de seu Recurso Voluntário; II – Do Acórdão ora recorrido; III – Dos Equivocos Cometidos Pela Companhia no Preenchimento do PER/DCOMP; a) afirmando que “não obstante os equívocos cometidos, para que se prevaleça a verdade material no processo administrativo, a Companhia argumenta, ao amparo da melhor jurisprudência, que erros de preenchimento não são óbice ao reconhecimento do direito creditório diante da comprovação do pagamento efetuado, a exemplo das decisões transcritas.” Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.900460/200892 Acórdão n.º 3101001.314 S3C1T1 Fl. 6 4 IV – Comprovação do Crédito Por Meio do Comprovante de Arrecadação Extraído Dos Sistemas da Receita Federal do Brasil Por Meio do ECAC; a) Entendendo que o comprovante de Arrecadação de fls 34 atesta o pagamento efetuado pela Companhia, inclusive na forma correta, ou seja, aquela regulamentada pelo Ato Declaratório Executivo Conjunto Cotec/Corat nº 2, de 07/11/2006, como documento hábil e idôneo para a comprovação de que tal pagamento existe nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil porque não há como ser emitido Comprovante de Arrecadação para pagamento que não conste dos sistemas da Receita Federal do Brasil; V – Validade Jurídica do Comprovante De Arrecadação Emitido Por Meio Do ECAC; a) Da MP 2.2002/2001; b) Da InfraEstrutura de Chaves Públicas Brasileiras – IN nº 580 de 12/12/2005, restando fundamentado, no seu entendimento a b.1) autenticidade dos emissores e destinatários; b.2) segurança quanto à privacidade e inviolabilidade; b.3) integridade e b.4) validade jurídica. VI – Insuficiência Da Verificação Da Disponibilidade Do Pagamento Por Parte Da DRF Em Goiânia; Aqui a Recorrente requer que seja ampliada a pesquisa efetuada pelo órgão da DRF em Goiânia porque a pesquisa efetuada às fls.42 e 43 do presente processo foi insuficiente para identificar o pagamento efetuado pela Companhia, pelo fato de que não foi considerada a totalidade das informações pertinentes para a alocação do pagamento efetuado pela mesma ao débito declarado no PER/DCOMP, protestando por uma pesquisa mais extensa, utilizando parâmetros adicionais, em especial aqueles em relação às quais a Recorrente não se equivocou ao preencher o PER/DCOMP. VII – Pedido A Recorrente espera ter demonstrado que os equívocos cometidos no preenchimento do PER/DCOMP nº 15102.02653.141103.1.3.042608, não obstam o reconhecimento do seu direito creditório por ter a existência do pagamento que originou o crédito compensado por meio do referido PER/DCOMP restado devidamente confirmada por meio do Comprovante de Arrecadação. Assim, requer seja julgado procedente o presente recurso voluntário com a consequente reforma do acórdão ora recorrido, a fim de que seja reconhecido o seu direito creditório com base em documento emitido por sistema da RFB e, portanto, no seu entendimento, autêntico, seguro, integro e válido juridicamente, cabendo prevalecer sobre a informação equivocadamente declarada em PER/DCOMP. Em complemento ao relatório acima, fica registrado que o julgamento foi convertido em diligência para: “(...) que a repartição de origem informe detalhadamente as razões da indisponibilidade do pagamento apresentado pelo contribuinte, informando as Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.900460/200892 Acórdão n.º 3101001.314 S3C1T1 Fl. 7 5 alocações pertinentes a esse pagamento, dando ciência a Recorrente com abertura de prazos para sua manifestação quanto à diligência realizada”. Realizada a diligência em relação à Resolução 3101000.232 do CARF ha informação nos autos que o pagamento de R$ 553.390,00 pago no dia 15/04/2003, no código 2172, encontrase disponível, conforme folha 95, e que depois de cientificado o contribuinte esse apresentou tempestivamente sua manifestação, folhas 98 a 100. Definitivamente a Recorrente em sua manifestação requer e espera ter demonstrado que os equívocos cometidos no preenchimento do PER/DCOMP n° 05910.12988.141103.1.3.041992 não obstam o reconhecimento do seu direito creditório. Isto porque a existência do pagamento que originou o crédito compensado por meio do referido PER/DCOMP restou devidamente confirmada por meio do Comprovante de Arrecadação, Comprovante esse reconhecido agora em diligência como disponível. Assim, a Companhia requer ao órgão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que julgue procedente o presente Recurso Voluntário, com a consequente reforma do acórdão ora recorrido, a fim de que seja reconhecido o seu direito creditório, com base em Documento de Arrecadação emitido pelo sistema da Receita Federal do Brasil e ora reconhecido como disponível, cabendo prevalecer sobre a informação equivocadamente declarada em PER/DCOMP. É o relatório Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Conforme podemos observar, já na decisão recorrida, já foi atendida e reconhecida os equívocos no preenchimento da PER/DCOMP pertinente aos autos, razão pelo qual foi baixado o presente processo em diligência na oportunidade do julgamento para confirmar o pagamento referido pela Recorrente. A diligência não foi extensa naquela oportunidade, pois, não considerou os equívocos confessados pelo Recorrente no preenchimento da referida PER/DCOMP e os argumentos da Recorrente foram desprezados quanto à veracidade do seu comprovante de pagamento, que agora são reconhecidamente verdadeiros pela disponibilidade do pagamento pela repartição de origem. Certo é que se as razões da indisponibilidade do pagamento não foram detalhadamente apresentadas pela repartição de origem, evidentemente por sua disponibilidade agora com a última diligência, as suas alocações pertinentes, também, por certo, são desnecessárias em razão dos valores exigidos e do pagamento localizado. Isto Posto, DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO do contribuinte a fim de que seja reconhecido o seu direito creditório, com base em Documento de Arrecadação emitido pelo sistema da Receita Federal do Brasil. É como voto. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.900460/200892 Acórdão n.º 3101001.314 S3C1T1 Fl. 8 6 Relatora – VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13805.010836/96-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1992, 1993
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL.
Apesar de considerado desnecessário pela jurisprudência do STJ, não é ilegal o lançamento de tributo, com vistas a prevenir a decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa por força do depósito de seu montante integral.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1992, 1993
BASE DE CÁLCULO.
Comprovado erro cometido pela autoridade fiscal na apuração da base de cálculo da contribuição, deve a exigência ser retificada.
Numero da decisão: 1201-000.660
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, DAR
PARCIAL provimento ao recurso, para cancelar a exigência relativa ao erro da base de cálculo. Vencidos os conselheiros João Carlos de Lima Júnior (Relator), Rafael Correia Fuso e André Almeida Blanco que cancelavam integralmente o auto de infração. Designado o conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1992, 1993 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. Apesar de considerado desnecessário pela jurisprudência do STJ, não é ilegal o lançamento de tributo, com vistas a prevenir a decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa por força do depósito de seu montante integral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 1992, 1993 BASE DE CÁLCULO. Comprovado erro cometido pela autoridade fiscal na apuração da base de cálculo da contribuição, deve a exigência ser retificada.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para cancelar a exigência relativa ao erro da base de cálculo. Vencidos os conselheiros João Carlos de Lima Júnior (Relator), Rafael Correia Fuso e André Almeida Blanco que cancelavam integralmente o auto de infração. Designado o conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C2T1 Fl. 294 1 293 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13805.010836/9688 Recurso nº 147.720 Voluntário Acórdão nº 120100.660 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2012 Matéria CSLL Recorrente SAUT INCORPORAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1992, 1993 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. Apesar de considerado desnecessário pela jurisprudência do STJ, não é ilegal o lançamento de tributo, com vistas a prevenir a decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa por força do depósito de seu montante integral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1992, 1993 BASE DE CÁLCULO. Comprovado erro cometido pela autoridade fiscal na apuração da base de cálculo da contribuição, deve a exigência ser retificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para cancelar a exigência relativa ao erro da base de cálculo. Vencidos os conselheiros João Carlos de Lima Júnior (Relator), Rafael Correia Fuso e André Almeida Blanco que cancelavam integralmente o auto de infração. Designado o conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 294DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR , Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13805.010836/9688 Acórdão n.º 120100.660 S1‐C2T1 Fl. 295 2 (documento assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Redator designado Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior, Marcelo Cuba Netto, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente aos períodos de janeiro a julho, outubro e dezembro de 1992 até abril de 1993. A infração vem descrita no termo de verificação fiscal, conforme segue: “No exercício de minhas funções de Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, e no curso da diligência epreendida no contribuinte acima identificado, foi constatado que o mesmo deixou de recolher à Fazenda Nacional, a Contribuição Social Sobre o Lucro para o período e base de cálculos abaixo mencionados, o procedimento adotado pelo contribuinte, foi o de efetuar depósitos judiciais, e encontrase embasado por Medida Cautelar e liminar obtida, sendo que a constituição do crédito tributário terá por fim único evitar o prazo decadencial. A cobrança do mesmo ficará suspensa até propalada a sentença final por parte da Justiça Federal. (...) E, para constar e produzir os devidos efeitos legais, lavrei o presente Termo, o qual após lido e achado conforme vai assinado, por mim e pelo representante legal da empresa, com quem fica uma via do mesmo para fins de direito.” A contribuinte, em sede de impugnação, alegou que o referido Auto de Infração contraria o disposto no art. 62 do Decreto nº 70235/72, o qual preceitua que durante a vigência de medida judicial, determinando a suspensão da cobrança do tributo, não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre a qual versar a ordem de suspensão. Portanto, alega que o procedimento fiscal instaurado, relativo à contribuição objeto da cautelar, é indevido. Aduz, ainda, que a ordem judicial, embora não obste a realização do lançamento para a constituição do crédito, veda a aplicação de penalidades. Afirma que, no mérito, o auto de infração traz argumento que coincide com o discutido na ação cautelar, qual seja: a compensação de base negativa apurada nos períodos de 1990 e 1991, para a correta base de cálculo da CSLL a ser recolhida a partir do período de 1992. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR , Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13805.010836/9688 Acórdão n.º 120100.660 S1‐C2T1 Fl. 296 3 Assim, requereu, preliminarmente, a nulidade do auto de infração e, na hipótese de ser admitida a exigência, requereu o seu sobrestamento até o trânsito em julgado do processo judicial e no mérito, sua improcedência. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA decidiu, por unanimidade de votos, manter parcialmente a exigência conforme ementa abaixo transcrita: “CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A identidade de objeto entre Processo Administrativo Fiscal e Ação Judicial impõe a extinção do primeiro, em função da unicidade de jurisdição. Normas gerais de Direito Tributário Exercício: 1992,1993 RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Aplicase retroativamente legislação que excluiu a multa de ofício nos lançamentos de créditos tributário com exigibilidade suspensa. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. O depósito judicial afasta a incidência dos juros de mora sobre o valor depositado. DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA DE MORA. A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devida a contribuição. Lançamento procedente em parte.” A empresa, ora Recorrente, ciente da decisão da DRJ, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 167), alegando, em suma, que: o montante exigido no auto de infração é alvo de discussão nos autos do processo judicial de nº 93.00146122, em trâmite na 9ª vara da justiça Federal de São Paulo, no qual a Recorrente obteve medida liminar, mediante depósito judicial, autorizando a compensação de base negativa apurada nos períodos base de 1990 e 1991, corrigida monetariamente, para a correta apuração da base de cálculo da CSLL a ser recolhida a partir do período base de 1992; ocorreu erro gravíssimo por parte da fiscalização com relação à exigência do valor correspondente à base de cálculo da CSLL, visto que, ao lavrar o auto de infração, equivocadamente foi exigido à título de principal o montante relativo à base de cálculo do tributo, fator que implicou na majoração em aproximadamente 12 vezes do valor supostamente devido. Assim, entende que a postura correta seria a aplicação da alíquota de 8%, prevista no art. 2º da lei nº 7.689/88. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR , Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13805.010836/9688 Acórdão n.º 120100.660 S1‐C2T1 Fl. 297 4 Por fim, requereu o afastamento da exigência do valor relativo aos juros, conforme determinou a r. decisão administrativa de 1ª instância, tendo em vista que a cobrança de juros moratórios permanece, conforme fls. 194 e a anulação da parcela do auto de infração. Em sessão realizada aos 7 dias do mês de dezembro do ano de 2006, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteu o julgamento do Recurso Voluntário interposto em diligência, nos seguintes termos: “Entendo necessário o retorno dos autos para esclarecimentos e verificações adicionais. Inicialmente, pela leitura da decisão recorrida, seriam inaplicáveis os juros de mora, tendo em vista a suspensão da exigibilidade por depósito judicial. No entanto, a fls. 194, consta exigência de juros moratórios, sendo necessário que a repartição de origem identifique a razão desta cobrança. Adicionalmente, alegou a recorrente que houve erro originário no lançamento, tendo sido reconhecida como exigência a base de cálculo da contribuição, e não o resultado da aplicação da alíquota correspondente. Assim, também necessário que a repartição de origem verifique nos registros contábeis e fiscais da contribuinte, se houver realmente o erro alegado de se exigir o total da base de cálculo, aproveitando também para confirmar o montante dos depósitos judiciais realizados em face da exigência aqui em litígio.” Ademais, em cumprimento à diligência requisitada, o auditor fiscal, conforme termo de fls. 252, constatou que realmente houve erro na fiscalização realizada à época, já que esta tomou como valores da contribuição a própria base de cálculo da CSLL e deixou de aplicar a alíquota de 8%, o que resultou em um valor exigido, no auto de infração, superior ao valor real. Concluiu, portanto, que o valor total da contribuição exigível seria de 45.464,16 UFIRs e não de 307.170,91 UFIRs. No que tange aos depósitos judiciais, constatou que o contribuinte efetuou dois recolhimentos que correspondem a 45.464,16 UFIRs. Em continuidade à diligência solicitada, nova fiscalização foi realizada, por meio da qual o auditor fiscal limitouse em verificar a suficiência dos depósitos efetuados junto ao Poder judiciário.Concluiu que os depósitos judiciais foram realizados com insuficiência de acréscimos legais, pois efetuados fora do prazo de vencimento, razão pela qual poderá a diferença ser exigida de ofício, isto porque a sentença que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário até decisão final da ação principal, o fez tão somente em relação aos valores depositados. Ciente das conclusões da diligência, a contribuinte se manifestou nos seguintes termos: “Diante dessas conclusões, demonstrase imperiosa a anulação do presente auto de infração, uma vez demonstrado o equívoco no cálculo do tributo exigido no presente auto de infração ao Fl. 297DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR , Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13805.010836/9688 Acórdão n.º 120100.660 S1‐C2T1 Fl. 298 5 exigir o valor relativo à base de cálculo da contribuição ao invés da exigência do valor correspondente à CSLL”. Com relação ao valor depositado judicialmente e o entendimento da AFRFB, a contribuinte manifestouse no seguintes termos: “(...) é importante que se diga que o artigo 63 da lei nº 9430/96, prevê, que nos casos em que o débito esteja com exigibilidade suspensa em virtude de medida liminar, não há incidência de acréscimos legais. Tal fato, inclusive, foi corroborado pela decisão administrativa de primeira instância que afastou a incidência da cobrança de juros e multa de mora sobre o débito ora exigido no presente auto e infração. Ainda que se entenda devida a diferença correspondente aos juros afastada pela decisão de primeira instância, importa salientar que a recorrente, na ocasião da renovação de sua certidão negativa de débitos em julho de 1998, efetuou o depósito, nos autos da Medida Cautelar nº 9300146122, de suposta diferença no valor de R$ 9.410,99 (nove mil, quatrocentos e dez reais e noventa e nove centavos) correspondente aos juros moratórios, valor este desconsiderado pela Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil substituta. (...)” Cumpridas as diligências, o processo retornou a este Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. Por ser tempestivo admito o Recurso Voluntário e dele tomo conhecimento nos termos que seguem. Primeiramente se faz necessário analisar a questão da diferença do valor lançado no Auto de Infração e do valor depositado judicial pela contribuinte. Nesse ponto, por meio da diligência requerida, restou comprovado que ao lavrar o Auto de Infração em 18/09/96, a fiscalização da época tomou como valores da contribuição a própria base de cálculo, o que resultou em um valor superior ao devido. Consta da diligência realizada pelo Auditor Fiscal: “Da análise, verificase que realmente a fiscalização da época, tomou como valores da CSLL, a própria base de cálculo da contribuição. Mas, na realidade alguns valores da base de cálculo, também não foram apurados corretamente, pelo menos, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR , Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13805.010836/9688 Acórdão n.º 120100.660 S1‐C2T1 Fl. 299 6 não são coincidentes com a contribuição declarada. Alguns valores correspondem com a própria base de cálculo declarada, como 160.094,66 UFIRs e 52.962,27 UFIRs., e outros não, mas em qualquer das hipóteses, tal procedimento incorreto acabou resultando em um valor exigido no Auto de Infração em um montante muito superior ao valor da real contribuição. Esclareçase: estamos apurando agora uma base de cálculo maior, no valor de 500.104,90 UFIRs., contra 307.170,91 UFIRs, espelhada no Auto de Infração, que representaria a base de cálculo incorreta da contribuição, mas que erroneamente foi demonstrada no Auto como valor da contribuição. Ou seja, houve um duplo erro, um referente à apuração da base de cálculo e outro de transcrição dessa mesma base apurada erroneamente como se fosse valor da própria contribuição. De qualquer maneira, o valor total da contribuição que deveria ter sido exigido no Auto de Infração, conforme podemos observar na planilha anexa, seria 45.464,16 UFIRs. E não 307.170,91 UFIRs., como informado no Auto, pela fiscalização da época.” Notase pelo exposto, que a diferença entre o valor lançado no Auto de Infração e o constatado em diligência é considerável e, portanto, deve ser cancelada em vista do erro. Em relação ao valor do Auto de infração, equivalente ao valor do depósito, qual seja 45.465,16 UFIRs, o mesmo também deve ser cancelado, senão vejamos. O depósito efetivado em juízo com o intuito de suspender a exigibilidade do crédito tributário equivale à confissão de dívida relativamente ao montante depositado e, consequentemente, dispensa o Fisco de proceder ao lançamento, pois o crédito tributário já estará constituído, o que enterra a necessidade de lavratura do Auto com o fim de evitarse decadência. Neste sentido entende a jurisprudência: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. 1990. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. PRECEDENTES. 1. O depósito judicial do tributo questionado torna dispensável o ato formal de lançamento por parte do Fisco (STJ REsp 901052/SP,1ª S., Min. Castro Meira, DJ de 03.03.2008; EREsp 464343/DF, 1ª S., Min. José Delgado, DJ 29.10.2007; AGREsp 969579/SP, 2ª T., Min. Castro Meira, DJ 31.10.2007; REsp 757311 / SC, 1ª T., Min. Luiz Fux, DJ 18.06.2008) . 2. Embargos de divergência a que se dá provimento.” Fl. 299DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR , Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13805.010836/9688 Acórdão n.º 120100.660 S1‐C2T1 Fl. 300 7 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. 1. No julgamento dos ERESP 686.479/RJ, Rel. Min. Denise Arruda, a Primeira Seção pacificou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, "o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN. Isso porque verifica a ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, deposita a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação. Assim, o crédito tributário é constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizandose, com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Não há, portanto, necessidade de ato formal de lançamento por parte da autoridade administrativa quanto aos valores depositados. "Precedentes da Primeira Seção e de ambas as Turmas de Direito Público. 2. Não cabem Embargos de Divergência quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado (Súmula 168/STJ). 3. Agravo Regimental não provido. (STJ AgRg nos EREsp 1037202/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/05/2009, DJe 21/08/2009)” “TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. VALORES INDEVIDAMENTE LEVANTADOS. PRAZO PRESCRICIONAL PARA A COBRANÇA. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO DOS VALORES CONFESSADOS (DEPOSITADOS). AUSÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. 1. Não há falar em lançamento, e, por conseguinte, em decadência, quanto aos valores depositados, porquanto o depósito judicial, por equivaler à confissão de dívida relativamente ao montante depositado, constitui desde logo o crédito, permanecendo sobrestada a prescrição. 2. A partir do levantamento dos valores depositados, ressurge a possibilidade de cobrança de eventuais valores que foram indevidamente levantados, recomeçando a correr o prazo prescricional para o Fisco cobrar os valores relativos aos tributos incidentes durante o período confessado. 3. No caso, a citação na execução fiscal apenas se implementou quando já transcorrido o prazo de prescrição, não se podendo sequer se cogitar da aplicação da Súmula 106 do STJ, uma vez que quando ajuizada a execução já havia transcorrido o prazo para cobrança. 4. Agravo legal improvido. (TRF 4, AC 5946 SC 2003.72.05.0059460, DJU 18/11/2009, Rel Joel Ilan Paciornik)” Por fim, em relação a diligência fiscal complementar realizada, por meio da qual verificouse a necessidade de constituição de crédito referente aos acréscimos legais em Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR , Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13805.010836/9688 Acórdão n.º 120100.660 S1‐C2T1 Fl. 301 8 relação ao atraso dos depósitos, mediante lançamento de ofício, entendo que esta não merece ser acolhida. Ora, não cabe a este Conselho proceder ao lançamento de ofício, portanto, descabida a manutenção de crédito por tal fundamento. Além disso, foi afastada em primeira instância a incidência de juros e multa de mora, portanto, a matéria não será rediscutida e reexaminada, visto que não há recurso de ofício. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o Auto de Infração. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR , Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13805.010836/9688 Acórdão n.º 120100.660 S1‐C2T1 Fl. 302 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator designado. Em que pesem as razões expostas pelo ilustre Relator, peço licença para dele divergir quanto à legalidade de lançamento relativo a tributos cujos montantes tenham sido depositados judicialmente. Isso porque, apesar de a jurisprudência apontada pelo Relator afirmar ser dispensável o lançamento em caso de depósito do montante integral, o fato é que tal jurisprudência, em momento algum, afirma ser impertinente o lançamento assim efetuado. Por outro lado, o lançamento sob exame em nada prejudicará o direito da contribuinte. Realmente, em caso de decisão judicial definitiva favorável ao sujeito passivo, a presente exigência será cancelada, e os depósitos poderão ser por ele levantados. Caso contrário, a presente exigência será satisfeita pela conversão dos depósitos judiciais em renda. Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento da CSLL no montante equivalente a 45.465,16 UFIRs, alertando, todavia, para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força do disposto no art. 151, II, do CTN. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR , Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 11330.000544/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 30/03/2007
Ementa:
REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.455
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 30/03/2007 Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1568; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 295 1 294 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000544/200731 Recurso nº 263.503 Voluntário Acórdão nº 230102.455 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2011 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente HOSPITAL EVANGÉLICO REGIONAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 30/03/2007 Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000544/200731 Acórdão n.º 230102.455 S2C3T1 Fl. 296 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros, além de diferença de acréscimos legais. Conforme Relatório Fiscal (fls. 104), constitui fato gerador da contribuição lançada o pagamento de remunerações aos segurados empregados e aos contribuintes individuais que prestaram serviços à notificada, extraídas das GFIP's e folhas de pagamento. Segundo autoridade lançadora, o lançamento encontrase baseado na apuração das divergências do Batimento GFIP X GPS, e na apuração de diferença de acréscimos legais. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1216.289, da 12a Turma da DRJ/RJOI, (fls. 238), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 248), repetindo basicamente os argumentos já apresentados na impugnação. Inicialmente, alega ilegalidade do auxíliodoença exigido sobre a remuneração do seguradoindividual quando do seu afastamento do ambiente de trabalho até 15° dia. Discorre sobre a natureza jurídica da verba recebida pelo empregado durante os 15 primeiros dias de enfermidade para concluir que a contribuição sobre ela incidente afronta a alínea “A”, do inciso I, do art. 195, da CF/88. Faz um relato acerca da evolução legislativa da contribuição ao INCRA, para tentar demonstrar que é indevida sua inclusão no lançamento em tela, uma vez que a referida contribuição era exigível somente até a entrada em vigor das Leis 8.212 e 8.213, ou seja, ate 25.07.91, o que torna o Lançamento de Débito carente de liquidez e certeza quanto a inclusão da parcela destinada ao INCRA. Sustenta que a cobrança da contribuição destinada ao SESC/SENAC é ilegal, pois tal exação é devida apenas pelas empresas que exploram atividades comerciais, e não por empresas que desenvolvem atividades de prestação de serviços, como é o caso da recorrente. Defende a inaplicabilidade da Taxa SELIC para fins tributários, argumentando inconstitucionalidade e ilegalidade da referida exação. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente não nega que tenha deixado de recolher a contribuição devida, declarada em GFIP. Ela apenas alega inexigibilidade de contribuição incidente sobre os 15 primeiros dias de licença saúde, de contribuição aos terceiros, INCRA, SESC/SENAC, e inaplicabilidade da taxa SELIC para fins tributários. Constatase que é objeto da NFLD em tela a diferença constatada entre os valores declarados pela própria recorrente em GFIP e aqueles efetivamente recolhidos à Previdência Social por meio de GPS. Dessa forma, os valores devidos à Previdência Social e aos Terceiros foram confessados pela própria notificada por meio de instrumento próprio, ou seja, GFIP, e a diferença apurada no batimento GFIP x GPS ensejou a lavratura da NFLD em tela. De acordo com o § 1º, do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, as informações prestadas nas GFIP’s constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento. Portanto, a notificada confessou que deve um certo valor à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido. Dessa forma, a Autoridade Fiscal, ao constatar o não recolhimento das contribuições que a notificada confessou que deve, já que declarou em GFIP, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91, em sua redação vigente à época do lançamento: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. E o valor da contribuição devida foi acrescida de juros à taxa SELIC tendo em vista o não recolhimento no prazo legal, em observância aos normativos legais vigentes. Com relação às alegações de inexigibilidade, inconstitucionalidade e ilegalidade das contribuições sobre o quinze primeiros dias de afastamento por auxílio doença, e ao INCRA, SESC/SENAC, bem como da aplicação da taxa SELIC para atualização de débitos tributários, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público Fl. 315DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000544/200731 Acórdão n.º 230102.455 S2C3T1 Fl. 297 5 não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. É oportuno salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91, e a contribuição sobre que os 15 primeiros dias de auxílio encontrase amparada o art. 28, I, do mesmo diploma legal. Da mesma forma, a cobrança de contribuição ao INCRA, SESC e SENAC encontra respaldo na legislação discriminada no relatório da FLD. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de tais exações, vez que a sua cobrança possui amparo legal. Conforme nos ensina Hans Kelsen: “ partindo da premissa unidade lógica da ordem jurídica, tenta impôr concordância apriorística entre a lei e a Constituição, que acabe por negar não apenas a possibilidade jurídica da sanção da nulidade, mas da própria noção de inconstitucionalidade "lato sensur": "A afirmação de que uma lei válida é "contrária à constituição" (anticonstitucional) é uma "contradictio in adejecto", pois uma lei somente pode ser válida com fundamento na Constituição. Quando se tem fundamento para aceitar a validade de uma lei, o fundamento da sua validade tem de residir na Constituição. De uma lei invalida não se pode, porem, afirmar que ela é contraria à Constituição, pois uma lei invalida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente existente e, portanto, não é possível qualquer afirmação jurídica sobre ela. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, de que uma lei é inconstitucional há de ter um sentido jurídico possível, não pode ser tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, de acordo com a Constituição, pode ser revogada não só pelo processo usual, quer dizer, por uma outra lei, segundo o principio lex posterior "derogat priori", mas também através de um processo especial, previsto pela Constituição. Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada válida; e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional" (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito, 2. ed., trad. João Baptista Machado, São Paulo, Martins Fontes, 1987, p287). Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Fl. 316DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 317DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.005763/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
IRPF. ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva
remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(Súmula CARF no. 63).
Recurso Voluntário Negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.593
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 Ementa: IRPF. ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(Súmula CARF no. 63). Recurso Voluntário Negado. Recurso Voluntário Negado.
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ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(Súmula CARF no. 63). Recurso Voluntário Negado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 11/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Fl. 70DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Notificação de Lançamento (fls.10/14) relativo ao IRPF, exercício 2002, para exigir crédito tributário no montante total de R$75.690,36, incluído multa e juros pertinentes, originado da omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Banco do Brasil AS no valor de R$ 190.405,61 e compensação indevida de R$ 5.712,17 relativo a IRRF, declarados como retidos pelo Comando da Aeronáutica O valor do IRRF já foi devidamente compensado na apuração do imposto devido. Contra o lançamento, a inventariante do espólio do contribuinte apresentou impugnação, fls.01/02, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: “Aduz que "o contribuinte falecido era detentor de isenção do IR desde 16/08/2002, em função de ser portador de DOENÇA GRAVE: PARALISIA IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE, decorrente de INFARTO CEREBRAL, conforme laudo da Diretoria de Saúde do Ministério da Defesa com cópia nos autos". Diz que devido ao agravamento da doença o contribuinte veio a falecer em 05/04/2005. Assevera que "em 07/12/2005 recebeu uma quantia de R$ 190.405,61, tendo sido recolhido na fonte o IR no valor de R$ 5.712,16, restando o valor liquido de R$ 184.693,45, referente ao pagamento de condenação de seu empregador em ação judicial que tramitou no Distrito Federal, processo de Execução n° 1998.34.00.0210341, conforme documento de Alvará (com cópia nos autos)". Alega que tal quantia, por força do disposto no inciso XIV, do artigo 6°, da Lei n° 7.713/1988, deve ser considerada isenta de imposto de renda pessoa física. Por fim, requer o "cancelamento" da notificação de lançamento.” Após analisar a matéria, os Membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/FNS n° 0722.259 de 19/11/2010, fls. 34/36, em decisão assim ementada: “ ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ARTIGO 6°, INCISOS XIV E XXI, DA LEI N° 7.713/88. ARTIGO 111 DO CTN. ESPÓLIO. A isenção de imposto de renda prevista no artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, se restringe aos rendimentos recebidos a titulo de aposentadoria/reforma ou pensão recebidos por portadores das moléstias graves arroladas no texto legal. Sujeitamse à incidência do imposto de renda, devendo ser tributados na fonte e na Declaração de Ajuste Anual ou na Declaração Final de Espólio, os proventos de aposentadoria ou reforma e valores a titulo de pensão de portador de moléstia Fl. 71DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11516.005763/200819 Acórdão n.º 2201001.593 S2C2T1 Fl. 2 3 grave recebidos pelo espólio ou por seus herdeiros, independentemente de situações de caráter pessoal. Impugnação Improcedente.” Cientificado da decisão da DRJ em 14/02/2011 (“AR”fls.39), o espólio do contribuinte, representado por sua inventariante apresentou na data de 04/03/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls.40/43, alegando em síntese: Os rendimentos em questão decorrem do fato do falecido ter auferido judicialmente o direito à promoção para terceiro sargento da Aeronáutica, passando a ter um aumento salarial (soldo). O processo judicial tramitou na Justiça Federal de Brasília, cujo "cabeça" da Ação era JOAO FRANCELINO FILHO, vindo a ser confirmado o direito pelo STJ. conforme comprova a cópia do acompanhamento do processo original e do acórdão do STJ, apresentado em anexo. O montante das parcelas retroativas só foram pagas quando o contribuinte já tinha falecido. O fato dessas parcelas retroativas só terem sido disponibilizadas pouco depois do contribuinte ter falecido, não as torna tributáveis, pois eram parcelas incorporadas ao patrimônio do contribuinte isento. Diferentemente das parcelas pagas ainda hoje à viúva, sob a forma de pensão, que são tributadas. A decisão recorrida incorreu em grave equivoco interpretativo, pois confundiu o direito do contribuinte falecido com o direito de seus herdeiros. O fato dessas parcelas retroativas só terem sido disponibilizadas pouco depois do contribuinte ter falecido, não as torna tributáveis, pois eram parcelas incorporadas ao patrimônio do contribuinte isento. Diferentemente das parcelas pagas ainda hoje à viúva, sob a forma de pensão, que são tributadas. Assim, não há como se manter a decisão que deixou de reconhecer a isenção sobre o montante das parcelas pagas após a morte do contribuinte, mas referentes à parcelas que o mesmo deveria ter recebido em vida. É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há arguição de preliminar. A matéria em questão – isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria ou reforma e pensão por ser o contribuinte portador de moléstia grave – está disciplinada no artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, com a redação dada pelo artigo 47, da Lei nº 8.541/92. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 4 Pelos documentos acostados ao processo, restou incontestável que o contribuinte era portador de moléstia grave, para fins de isenção do IRPF, nos termos do inciso XXXIII do artigo 39 do RIR/99, , aprovado pelo Decreto nº 3000/99: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII Os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); ..... §4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). §5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: Ido mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; IIdo mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; IIIda data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. §6ºAs isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. A divergência restou sobre a natureza dos rendimentos recebidos do Banco do Brasil no anocalendário 2005, no montante de R$190.405,61. Conforme se verifica dos autos, esses rendimentos são relativos ao pagamento de condenação do empregador do contribuinte em ação judicial que tramitou no Distrito Federal. Essa informação está detalhada no relatório do Acórdão do STJ, in verbis: (..) propõem contra a UNIÃO FEDERAL ação ordinária visando integração no Quadro Regular de Sargentos da Aeronáutica e a promoção aos sucessivos níveis de graduação, nas mesmas condições asseguradas ao pessoal de taifa, com o conseqüente pagamento das diferenças de remuneração. Para tanto, alegam que ingressaram na FAB como soldados, sendo promovidos a cabo, considerados estáveis pelo Decreto Fl. 73DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11516.005763/200819 Acórdão n.º 2201001.593 S2C2T1 Fl. 3 5 112 1.029/69 e, subseqüentemente, promovidos a 3g Sargento do Quadro Complementar. Sustentam que o Decreto n. 68.951/71 previu a Integração dos 3s Sargentos do Quadro Complementar no Quadro Regular do Corpo de Pessoal Graduado da Aeronáutica, mediante aprovação em estágio de aperfeiçoamento (art. 49), ao mesmo tempo em que previu a promoção compulsória dos sargentos, ao atingirem 7 anos na mesma graduação (art.22, § 52). A Administração Militar, porém, deixou de convocálos para a realização do estagio, sendo certo que este, embora não organizado didaticamente, já foi, na verdade, realizado pelos requerentes, através da prática diária de tarefas cometidas a 2 2 e 32 sargentos e a suboficiais, por longos anos, visto que estágio é aprendizado da prática de qualquer profissão. Informam, mais, os demandantes, que a Portaria n. 057GM 2/71 foi revogada pela Portaria Ministerial n. 40GM1/79, ficando suprimido o estágio previsto para a integração no Quadro Regular de Sargentos, o que acarretou sua estagnação profissional, embora exercendo funções de graduação superior. Tratase portanto de rendimentos relativos a diferença de remuneração. Não se enquadrando assim em proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, os rendimentos recebidos não podem ser considerado isento, nos termos do inciso XXXIII do artigo 39, do RIR/99, acima transcrito. O próprio recorrente bem ressalta a natureza do rendimento no seu recurso voluntário, observando: “Como não se trata de rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, mas sim, insistimos, de rendimentos de salário (soldo), apenas pagos com atraso, não está fora da isenção. Ou seja, não se pode confundir a verba em tela com pensão ou assemelhados, que neste caso sim, seriam tributados.” Efetivamente essa verba não seria isenta, mesmo que fosse recebida pelo contribuinte ainda em vida, ou seja mesmo que o pagamento tivesse ocorrido antes da sua morte, ela seria tributável, pois não se refere, como bem frisado no recurso, a aposentadoria, reforma ou pensão. A lei é clara ao determinar que apenas referidos rendimentos estariam abarcados pela isenção legalmente prevista. A decisão recorrida efetivamente cometeu equivoco ao asseverar que “não há que se falar em isenção dos rendimentos recebidos do Banco do Brasil, visto que o beneficio previsto no artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/1988, não se aplica quando os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, são recebidos pelo espólio ou por herdeiros do aposentado/pensionista que era portador de moléstia grave arrolada no texto legal.” O ponto crucial no caso em tela, não é determinar se esses rendimentos foram recebidos pelo próprio contribuinte ou pelos seus herdeiros. Essa seria uma segunda questão a ser ponderada, mas antes de tudo era imprescindível determinar se a natureza desse rendimento Fl. 74DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 6 era relativa a aposentadoria, reforma ou pensão, pois se não o fosse não seria isento, independente de ser pago ao contribuinte ou aos herdeiros. Nesse ponto cabe razão ao recorrente, pois a decisão de primeira instância parte de uma premissa equivocada de que os rendimentos não eram isentos pois foram recebidos pelo espólio e/ou herdeiros. Entretanto, no julgamento do mérito em si, não cabe a mesma sorte ao recorrente. Restou incontroverso, que o rendimento não era proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão, assim não seria isento, mesmo que recebido pelo próprio contribuinte ainda em vida. Por fim, importa esclarecer para uma melhor compreensão, que para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, dois requisitos precisam estar presentes, simultaneamente: (1) os rendimentos devem estar relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão; (2) a existência da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial do qual conste, de forma inequívoca, a existência de moléstia grave prevista no inciso XXXIII do art. 39 do RIR/99. O segundo requisito foi comprovadamente preenchido, entretanto o primeiro não, pois conforme afirmado no próprio recurso, o rendimento em questão é relativo a diferença salarial. Neste sentido, ressaltese o Acórdão n. 10246.326, datado de 19/03/2004, de relatoria do Conselheiro José Oleskovicz, que ao tratar de rendimentos relativos a reposições salariais, recebidos via precatório judicial, asseverou: “Ainda que recebesse essas diferenças salariais depois de ter se aposentado e contraído a moléstia grave, esse fato não altera a natureza jurídica do rendimento, que continua sendo de trabalho assalariado com vínculo empregatício, que se sujeita ao imposto de renda, conforme legislação que fundamentou o auto de infração (fl. 02), por não constituir provento de aposentadoria.” Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 75DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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Numero do processo: 18471.001291/2008-38
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. DECADÊNCIA. As estimativas mensais representam uma obrigação de natureza diversa daquela prevista no caput do art. 150 do CTN, cujo surgimento, inclusive, independente da ocorrência do fato gerador do tributo (lucro líquido ajustado), e que, por isso, não se subsume às disposições do referido art. 150, mas sim à regra geral do art. 173, I, do CTN. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam omissão de receita, cabendo à contribuinte a prova da improcedência desta presunção. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1803-001.420
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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DECADÊNCIA. As estimativas mensais representam uma obrigação de natureza diversa daquela prevista no caput do art. 150 do CTN, cujo surgimento, inclusive, independente da ocorrência do fato gerador do tributo (lucro líquido ajustado), e que, por isso, não se subsume às disposições do referido art. 150, mas sim à regra geral do art. 173, I, do CTN. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam omissão de receita, cabendo à contribuinte a prova da improcedência desta presunção. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratase de autos de infração lavrados em desfavor da pessoa jurídica Pinheiro Tintas Ltda, para dela exigir: a) imposto sobre a renda (IRPJ) no valor de R$ 203.555,20 (fls. 173/182); b) contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) no valor de R$ 2.323,52 (fls.183/187); c) contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins) no valor de R$ 4.224,59 (fls. 188/192); d) contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) nos valores de R$ 12.673,77 e R$ 57.125,54 (fls. 193/197 e 201/209); e e) multas isoladas nos valores de R$ 184.235,60 e R$ 98.167,02 (fls. 173/182 e 201/209). Os tributos foram acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. As exigências decorreram das seguintes acusações (ver, além dos autos de infração, o termo de verificação de fls. 161): omissão de receita caracterizada pela manutenção de obrigações não comprovadas no passivo, no anocalendário de 2003; falta de recolhimento dos valores de IRPJ e CSLL consignados na declaração de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2002; falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL referentes aos anoscalendário de 2002 e 2003 (o que ensejou o lançamento das multas isoladas). Cientificada dos lançamentos em 09/07/2008 (fls. 161, 174, 184, 189, 194 e 202), a interessada impugnouos em 08/08/2008 (fls. 220/257). Alegou, em síntese: que deveriam ser excluídos da autuação "os valores decorrentes de fatos geradores ocorridos antes de 07/07/2003", pois estariam "fulminados pela decadência", nos termos do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN); o descabimento da desconsideração, por parte da fiscalização, de "toda a documentação contábil da impugnante posta a sua disposição, preferindo optar pelo arbitramento do lucro (...) agindo contrariamente ao que pregam a doutrina e a jurisprudência"; a necessidade de que os lançamentos considerassem "a sistemática da nãocumulatividade sobre a tributação a título de Pis e da Cofins", de modo que fosse tributado apenas o acréscimo decorrente da revenda de suas mercadorias; Fl. 456DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001291/200838 Acórdão n.º 180301.420 S1TE03 Fl. 2 3 o descabimento da aplicação das multas isoladas não só por "manifesta ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco", mas também porque, "se de fato fossem levantados os balancetes de suspensão/redução nos períodos autuados, seria constatado que o recolhimento das antecipações mensais poderiam ser suspensas" (sic); a inaplicabilidade da Selic como taxa de juros para fins tributários, citando, nesse sentido, o REsp 215.881 PR / 2aT / Rei. Min. Franciulli Netto / DJU 19/06/2000.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, com base em decisão assim ementada: “DECADÊNCIA. IMPOSTO. MULTA ISOLADA. O direito de constituir o crédito tributário com exigência de tributo extingue se em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador (art. 150 do CTN), contudo, no caso de cobrança de multa isolada, a forma de contagem regese pelo art. 173 do CTN. Precedentes da Câmara Superior do Carf. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receita. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, os autos de infração decorrentes colhem a sorte daquele que lhes deu origem, em função da relação de causa e efeito que os une.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que apenas reitera as alegações contidas na impugnação, suprimindo apenas a argumentação relativa à inaplicabilidade da taxa Selic. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 26/04/2011 (AR de fls. 416). O recurso foi protocolado em 26/05/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente reproduziu as alegações contidas na impugnação, sem contestar diretamente nenhum de seus fundamentos. Portanto, restanos analisar se houve alguma ilegalidade na decisão recorrida. I. Decadência A decisão recorrida excluiu da tributação o IRPJ, a CSLL, e as multas isoladas, cujo fato gerador ocorreu no ano calendário de 2002, em face da decadência. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 Assim, a controvérsia prossegue apenas em relação às seguintes infrações: • IRPJ, CSLL, PIS e COFINS – fato gerador em 31/12/2003 • Multas isoladas de IRPJ e CSLL – janeiro a novembro de 2003 Não merece reparos a decisão de primeira instância, uma vez que aplicou corretamente as regras relativas ao prazo decadencial, conforme verificamos no trecho abaixo reproduzido: “Ademais, ainda que se entendesse que o pagamento antecipado fosse condição para adoção da regra do artigo 150, no presente caso, os sistemas informatizados da RFB mostram que, no período, houve retenções na fonte, que representam antecipações do tributo anual. Desta forma, também devem ser canceladas as exigências de IRPJ e de CSLL, relativas ao anocalendário 2002, cujo fato gerador ocorreu em 31 de dezembro, já que a ciência dos lançamentos só aconteceu em 09.07.2008.” A recorrente pede a exclusão das exigências cujos fatos geradores ocorreram antes de 07/07/2003, ou seja, das multas isoladas de IRPJ e CSLL de janeiro a junho de 2003. Ocorre porém, que em relação às multas isoladas não é o prazo do art. 150 que deve ser aplicado. Não estamos tratando aqui da multa de oficio que está vinculada à exigência de tributo, e que, como acessório deste, deve seguir suas regras para a contagem da decadência. Tratase de multa isolada, autônoma, e que, por isso, não se subsume às disposições do art. 150 do CTN, mas sim à regra geral do art. 173, I, do CTN. Nesse sentido, vale citar a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em especial o Acórdão nº 40105653, de 27/03/2007, que teve a seguinte ementa: “DECADÊNCIA — ESTIMATIVAS — MULTA ISOLADA Se a Fazenda Pública denegar a homologação ao pagamento realizado pelo contribuinte, o limite temporal para a realização do lançamento de ofício para cobrar o tributo é estabelecido pelo prazo de cinco anos previsto no art. 150. § 4°, do CTN, já que, findo esse prazo, é considerado extinto o crédito tributário. Contudo, não há falar em lançamento por homologação no caso de falta de recolhimento de estimativas. O valor pago a esse título não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do Imposto sobre a Renda e da CSLL só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). A regra geral para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, inclusive no caso de penalidades, está prevista no artigo 173 do CTN.Assim, a imposição da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa mensal ocorreu após o final dos exercícios objeto da presente autuação. Neste caso, o balanço de encerramento e o tributo apurado devem ser considerados para fins de cálculo da multa isolada.” Fl. 458DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001291/200838 Acórdão n.º 180301.420 S1TE03 Fl. 3 5 Rejeito, portanto, a preliminar de decadência em relação às multas isoladas cujos fatos geradores ocorreram em 2003. II. Mérito Quanto ao mérito, a recorrente insurgese contra arbitramento que inexistiu. A recorrente não contestou nenhum dos fatos descritos no termo de verificação: • Entrega das DIPJ’s nos anos de 2000 a 2003, após intimação da fiscalização. • O saldo da conta 20.4833 Tintas Coral (Fornecedores) em 31122003 é de R$ 891.403,41. Intimada a comprovar esse saldo a empresa só comprovou R$ 750.583,67, restando um passivo não comprovado no valor de R$ 140.819,74, que estamos tributando como omissão de receita, conforme cópia do Razão e demonstrativos “Análise do ano de 2003” (COMPOSIÇÃO DO SALDO) e “Posição de Fornecedores em 31 de dezembro de 2003” (COMPROVAÇÃO DO SALDO), anexos. Foi aplicada ao caso a presunção legal de omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação não comprovada, nos termos do art. 40 da Lei n° 9.430/1996: “Art.40.A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita.” As presunções legais, assim como as humanas, extraem, de um fato conhecido, fatos ou conseqüências prováveis, que se reputam verdadeiros, dada a probabilidade de que realmente o sejam. Se, presente “A”, “B” geralmente está presente; reputase como existente “B” sempre que se verifique a existência de “A”, o que não descarta a possibilidade, ainda que pequena, de provarse que, na realidade, “B” não existe. Como preleciona o insigne mestre José Luiz Bulhões Pedreira “o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Na presente presunção legal, temos o seguinte: A = manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada. B = configuração de omissão de receitas ou de rendimentos. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 A fiscalização intimou a recorrente a esclarecer as divergências entre os documentos fornecidos para comprovar o saldo da conta Fornecedores e os valores constantes do Razão (fls. 127). Em resposta a contribuinte encaminhou análise da conta do fornecedor Tintas Coral S/A (fls. 129/141). Apenas foi comprovada a exigibilidade de obrigações no montante de R$ 750.583,67. A diferença corresponde à hipótese prevista na presunção legal contida no art. 40, o que permite reputar como fato existente a omissão de receitas (fatos ou conseqüências prováveis –B). Como afirmado na decisão recorrida não houve arbitramento de lucro, mas a aplicação de uma presunção legal. A jurisprudência deste Conselho vai no mesmo sentido, como demonstra trecho do voto do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, a seguir reproduzido: “Passivo Fictício Tratase de analisar neste item o lançamento referente ao IRPJ e reflexos do anocalendário de 1995, em que foi apurada omissão de receitas caracterizadas pela manutenção no passivo de obrigações não comprovadas (Passivo Fictício). Segundo a fiscalização a autuada não comprovou o saldo das seguintes contas do seu passivo: (...) De acordo com o enquadramento legal, à fl. 07, vêse que a autoridade autuante enquadrou a infração nos seguintes artigos do RIR/94: 193; 194; 195, incisos I e II; 197 parágrafo único; 224 e parágrafo único; 225 e parágrafo único; 226 e parágrafo 1°; 227; 228, parágrafo único, letra "b"; 230; 242 e parágrafos; e, 276. Observase, claramente, que a descrição dos fatos tendente a caracterizar a omissão de Receitas em decorrência de Passivo Fictício, revelase compatível com a hipótese contida no Art. 228, Parágrafo único, letra "b", que disciplina: "Art. 228 O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (Decreto lei n° 1.598/77, art. 12, § 29 Parágrafo única Caracterizase, também, como omissão de receitas: a) a manutenção, no passivo, de obrigações cuia exigibilidade não seja comprovada. Como visto a caracterização da infração foi exatamente a manutenção no passivo de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada, advindo daí a presunção de omissão de receitas. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001291/200838 Acórdão n.º 180301.420 S1TE03 Fl. 4 7 É pacífica a jurisprudência deste colegiado em torno da matéria passivo fictício, no sentido de que a manutenção no passivo de obrigações já pagas e/ou não comprovadas, indicia a existência de receitas mantidas à margem da escrita e, em conseqüência, subtraídas do crivo da tributação, salvo prova em contrário a ser produzida pelo contribuinte. Entretanto, a recorrente não fez tal prova a contento, senão vejamos.(Acórdão n° 10323536, sessão em 13/08/2008) Alega a recorrente que deve ser aplicado ao presente caso a sistemática da não cumulatividade sobre a tributação de PIS e COFINS, para que seja tributado o acréscimo decorrente da revenda destas mercadorias. Na época do fato gerador apenas estava em vigor o regime de não cumulatividade para o PIS. Para a COFINS, tal regime apenas entrou em vigor a partir de 01/02/2004. A fiscalização apurou o PIS devido com base no regime de não cumulatividade, cabendo à recorrente demonstrar a existência de qualquer crédito a ser abatido do valor devido. Não consta dos autos nenhuma prova da existência de tais créditos. Também não merece reparos a decisão recorrida em relação aos demais argumentos, sendo que a decisão deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos: “Por não ter havido arbitramento de lucro, não tem o menor cabimento a alegação de que a autoridade fiscal desconsiderou "toda a documentação contábil da impugnante posta a sua disposição, preferindo optar pelo arbitramento do lucro (...), agindo contrariamente ao que pregam a doutrina e a jurisprudência". Pelo fato de os lançamentos do Pis e da Cofins decorrerem da constatação de omissão de receita caracterizada pela manutenção de obrigações não comprovadas no passivo, não há que se falar na adoção da "sistemática da não cumulatividade (...) para que seja apenas tributado o acréscimo decorrente da revenda" de mercadorias. Por que não trouxe aos autos os documentos contábeis que justificariam a suspensão ou redução do recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, não merece atenção a arguição da interessada de que, "se de fato fossem levantados os balancetes de suspensão/redução nos períodos autuados, seria constatado que o recolhimento das antecipações mensais poderiam ser suspensas". Quanto aos demais tributos, a procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 461DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10073.901510/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2003 MULTA DE MORA. DÉBITO PAGO A DESTEMPO. O débito fiscal declarado na respectiva DCTF e pago em data posterior à do seu vencimento está sujeito à multa de mora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/02/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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DÉBITO PAGO A DESTEMPO. O débito fiscal declarado na respectiva DCTF e pago em data posterior à do seu vencimento está sujeito à multa de mora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/02/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito de Cofins, vencido em 13/02/2004, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 02/05, transmitida naquela data, com crédito financeiro decorrente de multa de mora incidente sobre esta mesma contribuição, apurada para a competência de abril de 2003, vencida em 15/03/2003 e recolhida em 30/09/2003. A DRF não homologou a compensação do débito fiscal declarado sob o argumento de que analisadas as informações prestadas na Dcomp, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o darf nela discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal, conforme Despacho Decisório às fls. 07. Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 12/19), insistindo na homologação da compensação do débito fiscal declarado, alegando, em síntese, que o crédito informado ser refere à multa de mora recolhida indevidamente e que, embora o pagamento tenha sido efetuado com atraso, foi realizado espontaneamente, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal visando sua cobrança. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a não homologação da compensação do débito fiscal declarado, conforme Acórdão nº 1334.809, datado de 18/05/2011, às fls. 28/31, sob a seguinte ementa: “MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A espontaneidade de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional não obsta a incidência da multa de mora decorrente do inadimplemento da obrigação tributária.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (36/44), requerendo a sua reforma a fim de se homologue a compensação do débito fiscal declarado, alegando, em síntese, a mesma razão expendida na manifestação de inconformidade, ou seja, ocorrência da denúncia espontânea, nos termos do CTN, art. 138, pelo fato de o débito declarado na DCTF, embora tenha sido pago a destempo, foi realizado espontaneamente antes de iniciado qualquer procedimento visando sua liquidação. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10073.901510/200861 Acórdão n.º 330101.494 S3C3T1 Fl. 59 3 Ao contrário do entendimento da recorrente, a denúncia espontânea não tem aptidão para afastar a multa decorrente da inadimplência, configurada no pagamento de tributo apurado, lançado e declarado pelo próprio contribuinte, efetuado após o prazo de seu vencimento estabelecido em lei. O Código Tributário Nacional (CTN), assim dispõe, quanto às cominações legais incidentes sobre débitos pagos a destempo: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” (grifo nãooriginal) Conforme se verifica, o próprio CTN estabelece que, além dos juros de mora, o crédito não integralmente pago no vencimento está sujeito à imposição de penalidades previstas nele ou em lei tributária. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), inclusive, já editou súmula sobre esta matéria, a de nº 360, data de 27/08/2008, nos seguintes termos: “O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.” Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/8/2008. Também este tem sido o entendimento deste Conselho, conforme se verifica das ementas a seguir transcritas: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTN referese a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso. (Ac. Nº 20312.511, de 18/10/2007, Rel. Dr. Emanuel Carlos Dantas de Assis). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O pagamento de tributo ou contribuição espontâneo e extemporâneo enseja a inclusão de multa e juros de mora, cuja natureza se caracteriza pelo caráter compensatório ou reparatório.(Ac. 20181.587, de 07/11/2008, Rel. Dr. Mauricio Taveira e Silva) Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea somente se aplica aos casos em que o contribuinte declara o tributo, pagao tempestivamente e, posteriormente, verificando que o pagamento foi a menor, retifica a declaração e efetua o pagamento da diferença antes de iniciado qualquer procedimento administrativo fiscal visando sua exigência. Em caso assim, ou seja, de declaração/pagamento parcial do tributo, se o contribuinte retifica a declaração e efetua o pagamento da diferença antes de qualquer Fl. 60DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 procedimento administrativo fiscal, visando sua exigência, deve ser reconhecida a denúncia espontânea. Aliás, tratase de entendimento do STJ, esposado no julgamento do Resp nº 1.149.022, de relatoria do Ministro Luiz Fux, nos termos do art. 543C do CPC, sob a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10073.901510/200861 Acórdão n.º 330101.494 S3C3T1 Fl. 60 5 recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (grifos constam do original) Ora, conforme se verifica desta decisão, a denúncia espontânea, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, somente se aplica aos casos de declaração/ pagamento parcial do tributo, cuja declaração foi retificada e a diferença declarada foi paga antes de iniciado qualquer procedimento administrativo fiscal visando sua exigência. No presente caso, não houve declaração parcial e sim declaração integral do débito e pagamento a destempo. Dessa forma, não há que se falar em indébito tributário decorrente da multa de mora paga na liquidação intempestiva do débito fiscal regularmente declarado. Quanto à homologação da compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, esta depende da certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp era incerto e ilíquido, tendo em vista que o valor pago, a título de multa de mora, era devido pela recorrente e, ao contrário do seu entendimento, não constitui indébito tributário. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720045/2006-44
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 ESTIMATIVA DE SETEMBRO DE 2002. POSSIBILIDADE DE QUITAÇÃO POR AUTO-COMPENSAÇÃO As compensações de débitos apurados até 30/09/2002 podiam ser realizadas na forma das normas vigentes até esta data. Nestes casos, não dependia a Contribuinte de esperar a data de vencimento do tributo para promover a compensação. É inadequado utilizar a data de vencimento como parâmetro para a definição da forma de compensação que deveria ter sido adotada. O fato de o vencimento do débito ter ocorrido em outubro/2002, já na vigência das normas introduzidas pela Lei 10.637/2002, não justifica a exigência de Declaração de Compensação, nem prejudica a auto-compensação promovida pela Contribuinte com base no art. 66 da Lei 8.666/1991. Uma vez aceita a quitação de estimativa por auto-compensação, esta deve compor o saldo negativo do ano a que corresponde, e que está sendo utilizado como crédito neste processo.
Numero da decisão: 1802-001.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 ESTIMATIVA DE SETEMBRO DE 2002. POSSIBILIDADE DE QUITAÇÃO POR AUTO-COMPENSAÇÃO As compensações de débitos apurados até 30/09/2002 podiam ser realizadas na forma das normas vigentes até esta data. Nestes casos, não dependia a Contribuinte de esperar a data de vencimento do tributo para promover a compensação. É inadequado utilizar a data de vencimento como parâmetro para a definição da forma de compensação que deveria ter sido adotada. O fato de o vencimento do débito ter ocorrido em outubro/2002, já na vigência das normas introduzidas pela Lei 10.637/2002, não justifica a exigência de Declaração de Compensação, nem prejudica a auto-compensação promovida pela Contribuinte com base no art. 66 da Lei 8.666/1991. Uma vez aceita a quitação de estimativa por auto-compensação, esta deve compor o saldo negativo do ano a que corresponde, e que está sendo utilizado como crédito neste processo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.720045/200644 Recurso nº 940.579 Voluntário Acórdão nº 180201.276 – 2ª Turma Especial Sessão de 03 de julho de 2012 Matéria IRPJ Recorrente GUARECOMPE RECAPAGEM E COMÉRCIO DE PNEUS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ESTIMATIVA DE SETEMBRO DE 2002. POSSIBILIDADE DE QUITAÇÃO POR AUTOCOMPENSAÇÃO As compensações de débitos apurados até 30/09/2002 podiam ser realizadas na forma das normas vigentes até esta data. Nestes casos, não dependia a Contribuinte de esperar a data de vencimento do tributo para promover a compensação. É inadequado utilizar a data de vencimento como parâmetro para a definição da forma de compensação que deveria ter sido adotada. O fato de o vencimento do débito ter ocorrido em outubro/2002, já na vigência das normas introduzidas pela Lei 10.637/2002, não justifica a exigência de Declaração de Compensação, nem prejudica a autocompensação promovida pela Contribuinte com base no art. 66 da Lei 8.666/1991. Uma vez aceita a quitação de estimativa por autocompensação, esta deve compor o saldo negativo do ano a que corresponde, e que está sendo utilizado como crédito neste processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720045/200644 Acórdão n.º 180201.276 S1TE02 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720045/200644 Acórdão n.º 180201.276 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que manteve a homologação apenas parcial em relação a procedimento de Compensação pretendido pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Por meio de apresentação de PER/DCOMP, a Contribuinte pretende quitar estimativas de IRPJ do anocalendário de 2003 com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$ 15.024,86. O relatório constante da decisão recorrida, Acórdão nº 1527.345, às fls. 120 e 121, descreve os fatos que antecederam o recurso sob exame: Tratase da manifestação de inconformidade de fls. 86/87, que contesta o Despacho Decisório de fls. 77/78, datado de 15/10/2009, o qual homologou parcialmente a compensação declarada, sob a alegação de insuficiência de créditos, uma vez que foram apresentados débitos em valores superiores aos créditos disponíveis. O parecer de fls. 67 a 71 que integra o presente despacho decisório informa que: I a demanda do contribuinte tem origem em saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, informado na DIPJ/2003, no valor de R$15.024,86; II em todos os meses do anocalendário de 2002 foram encontrados valores devidos para as estimativas de IRPJ, calculadas através da receita bruta e acréscimos, sendo que na extinção das estimativas foram utilizados imposto de renda retido na fonte, pagamentos e compensações; III da estimativa do mês de janeiro de 2002, no valor de R$1.874,02, foi informado na DCTF apenas o valor de R$1.636,49, fl. 49, expressando insuficiência de R$237,53, e o sistema de controle da Receita Federal não acusa pagamento ou compensação desta diferença. Portanto a inclusão do referido valor na composição do saldo negativo de 2002, devido ao não pagamento, é indevida e será excluída; IV a estimativa do mês de setembro de 2002, no valor de R$1.821,61, não foi extinta por falta de apresentação de Declaração de Compensação. Tendo tomado ciência do despacho decisório em 28/10/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 27/11/2009, alegando, em síntese, que: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720045/200644 Acórdão n.º 180201.276 S1TE02 Fl. 4 4 a) embora o relator do despacho decisório informe que nos sistemas da Receita Federal não tem registro de entrega de DCOMP da estimativa do período de apuração de setembro de 2002 e que o procedimento do contribuinte foi de autocompensação, que não mais poderia ser utilizado, os Sistemas da Receita Federal não poderiam ter tais registros, pois esses seriam iniciados pelo período de apuração outubro/2002, conforme determina o art. 49 combinado com o art. 68 da Lei 10.637/2002; b) a DCTF do 3º trimestre/2002 foi apresentada dentro do seu prazo regulamentar, mais precisamente em 14/11/2002, já com a estimativa de setembro/2002, no valor de R$1.821,61, compensada sem processo porque este era o sistema vigente naquele momento. A Lei em foco foi promulgada em 30/12/2002, com efeitos retroativos a 1ºo de outubro de 2002, de modo que neste período de retroatividade encontrase a compensação da estimativa de setembro/2002, já liquidada via DCTF, apresentada tempestivamente, não restando dúvida quanto à sua validade e legalidade; c) a trimestralidade da DCTF foi cumprida dentro da sistemática legal então vigente. A implantação da DCOMP ocorreu com a retroatividade comentada e, desta forma, considerando a obrigatoriedade de sua apresentação em outubro de 2002, envolvendo as estimativas de setembro de 2002, provocaria ajustes no sistema anterior como, por exemplo, a retificação da DCTF do 3º trimestre apresentada legalmente, quando a Lei em foco não altera aquele sistema, apenas revoga. d) não é justa e não tem base legal a posição de excluir da composição do Saldo Negativo do exercício de 2003, o valor de R$1.821,61, correspondente à compensação referente à estimativa de setembro/2002, liquidada em tempo aprazado na sistemática anterior. Quando a lei retroagiu, envolvendo o 4º trimestre, a compensação e respectiva liquidação das estimativas do 3º trimestre já haviam sido feitas dentro da legalidade vigente naquela oportunidade. Requer, o contribuinte, a reconsideração da decisão, tomando o valor de R$1.821,61 como estimativa de setembro de 2002 compensada e liquidada, incluindoa na composição do Saldo Negativo de 2003 e retirandoa da obrigatoriedade de recolhimento imposta pelo já citado despacho decisório. Como já mencionado, a DRJ Salvador/BA manteve a homologação apenas parcial da compensação pretendida, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720045/200644 Acórdão n.º 180201.276 S1TE02 Fl. 5 5 Inexistindo o direito creditório alegado pelo contribuinte, indeferese o pedido de compensação a ele vinculado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os fundamentos do voto que orientou a decisão de primeira instância foram assim apresentados: Conforme relatado no parecer de fls. 67 a 71, que integra o despacho decisório ora contestado, a compensação pleiteada foi homologada apenas parcialmente por insuficiência de crédito tributário, resultante de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 2002, o qual é menor do que o informado pelo contribuinte, em razão de ter sido aceita apenas parcialmente a autocompensação da estimativa de IRPJ referente a janeiro de 2002, e de não ter sido aceita a autocompensação da estimativa de IRPJ de setembro de 2002, pelas razões já expostas no relatório acima. O contribuinte por sua vez contesta o despacho decisório por entender, em síntese, que não é justa e não tem base legal a posição de excluir da composição do Saldo Negativo do exercício de 2003, ano calendário 2002, o valor de R$1.821,61, correspondente à compensação referente à estimativa de setembro/2002 liquidada em tempo aprazado na sistemática anterior. Entretanto, a simples leitura dos arts. 49 e 68 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (proveniente da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a parir de 30 de agosto de 2002), a seguir transcritos, mostra que o contribuinte não mais poderia efetuar a autocompensação da estimativa do IRPJ do mês de setembro de 2002, pois esta só poderia ser compensada com a apresentação da Declaração de Compensação, o que não ocorreu no presente caso. Art. 49. O art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1º ode outubro de 2002, em relação aos arts. 29 e 49; (...) Notese que o débito de estimativa do IRPJ referente ao mês de setembro de 2002 teve seu vencimento em 31/10/2002, quando não mais poderia ser utilizada a autocompensação, além de o contribuinte não ter comprovado a data em que a referida auto compensação teria sido efetivada. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720045/200644 Acórdão n.º 180201.276 S1TE02 Fl. 6 6 Do exposto, VOTO por julgar IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo integralmente o Despacho Decisório em tela. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 14/12/2011, a Contribuinte apresentou em 06/01/2012 o recurso voluntário de fls. 128 a 130, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando ainda outros: a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, publicada no DOU de 31/12/2002 Edição Extra, através do seu art. 68, retroage a vigência dos seus efeitos para 1º de outubro de 2002 no tocante ao que expõe os seus artigos 29 e 49; até então as compensações poderiam ser feitas independente de prévio requerimento do contribuinte à autoridade administrativa fazendária, portanto, SEM PROCESSOS, obedecendo os períodos de apuração e no momento de apresentação das DCTFs através dos programas disponibilizados pela SRF; no tocante aos trimestres do ano de 2002, o programa era o PGD DCTF versão 2.0 aprovado pela IN SRF n° 154, de 19 de abril de 2002, onde só existia duas formas de compensação: “COM DARF” e “SEM DARF”, para as quais poderia haver processo ou não, porém ainda não existia campos para informação de número de PER DCOMP, pois a vigência da Lei só iniciaria em 01 de outubro de 2002; tendo como observância o princípio da competência, a SRF só passou a dispor de um PGD para informação do pagamento na nova metodologia de compensação em 14 de fevereiro de 2003, com a publicação da IN SRF n° 301, que aprovou o programa gerador e as instruções para preenchimento da DCTF versão 2.1; a partir daí iniciouse a nova metodologia de informação do pagamento através de compensação via PERDCOMP, conforme estabeleceu o artigo 49 da lei n° 10.637/2002, com efeitos a partir de 01 de outubro de 2002, sem desconsiderar a tempestividade de vigor desta lei, levando em conta que as competências “PERÍODOS DE APURAÇÃO” outubro, novembro e dezembro do ano 2002 deveriam ser compensadas mediante apresentação de PERDCOMP, como de fato ocorreu; conforme o princípio da irretroatividade tributária, deve ser considerado para fins de pagamento o fato gerador do imposto que tempestivamente ocorreu em setembro de 2002, e que só teria seu vencimento em outubro de 2002, período este que ainda estava em vigor a modalidade de pagamento por autocompensação, já que a Lei 10.637/2002, em seus artigos 49 combinado com o artigo 68, só entrou em vigor em 01 de outubro de 2002, onde sempre foi observado o período de apuração do imposto; pela conjugação de três princípios, Anterioridade, Garantia Nonagesimal e Irretroatividade, buscase garantir que o Contribuinte não venha a suportar cobrança de obrigação acessória e nem tributação retroativa, como também possa dispor de certa previsibilidade quanto a tributação futura; quanto ao parecer do Relator em que diz que o Contribuinte não comprovou a data em que a referida autocompensação teria sido efetivada, anexase cópia da DCTF do 3º Trimestre/2002, que foi apresentada dentro do seu prazo regulamentar, mais precisamente em Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720045/200644 Acórdão n.º 180201.276 S1TE02 Fl. 7 7 14/11/2002, já com a estimativa de Setembro/2002, no valor de R$ 1.821,61, compensada SEM PROCESSO porque este era o sistema vigente naquele momento; conforme as justificativas elencadas acima, não é justa e não tem base legal a posição de excluir da composição do Saldo Negativo do exercício de 2003, o valor de R$ 1.821,61 correspondente à compensação referente à estimativa de Setembro/2002, liquidada em tempo aprazado na sistemática anterior; quando a lei retroagiu a 1º de outubro de 2002, envolvendo o 4º Trimestre/2002, a compensação e respectiva liquidação das estimativas do 3º Trimestre já haviam sido feitas dentro da legalidade vigente naquela oportunidade; portanto, requerse a reconsideração das decisões, tomando o valor de R$1.821,61 como estimativa de Setembro/2002 compensada e liquidada, incluindoo na composição do Saldo Negativo deste ano, e retirandoo da obrigatoriedade de recolhimento imposta pelo já citado Despacho Decisório e também pelo Acórdão n° 1527.345 da 2ª turma da DRJ/SDR. Este é o Relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720045/200644 Acórdão n.º 180201.276 S1TE02 Fl. 8 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o litígio diz respeito à homologação apenas parcial de Declarações de Compensação apresentadas pela Contribuinte. Com os PER/DCOMP, ela pretendia quitar estimativas de IRPJ do ano calendário de 2003 com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$ 15.024,86. O Parecer que embasa o Despacho Decisório da Delegacia de origem esclarece que ao longo do anocalendário de 2002, a Contribuinte realizou compensações para a quitação das estimativas mensais, e que a partir da estimativa de outubro/2002, estas compensações passaram a ser feitas mediante a apresentação de Declaração de Compensação – DCOMP. A homologação parcial dos PER/DCOMP objeto deste processo foi motivada pelo não reconhecimento integral do saldo negativo de 2002, especificamente em razão da condição das estimativas de janeiro/2002 e setembro/2002 que o compunham: III da estimativa do mês de janeiro de 2002, no valor de R$1.874,02, foi informado na DCTF apenas o valor de R$1.636,49, fl. 49, expressando insuficiência de R$237,53, e o sistema de controle da Receita Federal não acusa pagamento ou compensação desta diferença. Portanto a inclusão do referido valor na composição do saldo negativo de 2002, devido ao não pagamento, é indevida e será excluída; IV a estimativa do mês de setembro de 2002, no valor de R$1.821,61, não foi extinta por falta de apresentação de Declaração de Compensação. Em suas defesas (impugnação e recurso), a Contribuinte se insurge apenas contra a glosa do valor de R$ 1.821,61, referente à estimativa de setembro/2002, que, segundo ela, deveria compor o saldo negativo que foi utilizado como crédito nos PER/DCOMP. Na linha do que sustenta a Recorrente, também entendo que a exigência de apresentação de PER/DCOMP, via de regra, não se aplica à compensação de débitos cujos fatos geradores ocorreram até 30/09/2002, especialmente para os casos de autocompensação com base no art. 66 da Lei 8.383/1991 (tributos de mesma espécie), onde os créditos eram sempre anteriores ao débito. Isto porque de acordo com a legislação vigente até 30/09/2002, a chamada autocompensação não dependia de formalidades externas, e, por isso, operava seus efeitos desde o surgimento do débito. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720045/200644 Acórdão n.º 180201.276 S1TE02 Fl. 9 9 As compensações de débitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01/10/2002, estas sim, realmente, só poderiam ocorrer mediante apresentação de Declaração de Compensação, por força das alterações que a Lei 10.637/2002 promoveu no art. 74 da Lei 9.430/1996, com vigência a partir de outubro/2002. O fato é que uma compensação não pode ocorrer antes do surgimento do próprio débito a ser compensado, e se o débito surgiu de 01/10/2002 em diante, um encontro de contas para a sua quitação certamente já estaria sujeito às novas regras. Mas as compensações de débitos apurados até 30/09/2002 podiam, sem problemas, ser realizadas antes da vigência das normas introduzidas pela Lei 10.637/2002. Nestes casos, não dependia a Contribuinte de esperar a data de vencimento do tributo para promover a compensação. Por isso, é inadequado utilizar esta data como parâmetro para a definição da forma de compensação que deveria ter sido adotada. Não há nada indicando que a Contribuinte tenha deixado de realizar a auto compensação para quitar a estimativa de setembro de 2002, pelo contrário, eis que tal procedimento foi por ela informado à Receita Federal, na DCTF que abarcava esse período de apuração. Também não houve, por parte da Delegacia de origem, qualquer contestação relativa à existência do crédito (saldo negativo de 2001) utilizado para a quitação desta estimativa. A não aceitação da quitação da referida estimativa deuse exclusivamente pelo fato de não ter sido apresentada Declaração de Compensação, partindose da idéia de que ela seria necessária em razão de o vencimento do débito ter ocorrido em outubro/2002, já na vigência das normas introduzidas pela Lei 10.637/2002. Pelos motivos já expostos, esse fato não justifica a exigência de Declaração de Compensação, nem prejudica a autocompensação promovida pela Contribuinte com base no art. 66 da Lei 8.666/1991. Deste modo, dou provimento ao recurso, para que a estimativa de setembro/2002, no valor de R$ 1.821,61, também componha o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002, que foi utilizado como crédito nos PER/DCOMP objeto deste processo. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720045/200644 Acórdão n.º 180201.276 S1TE02 Fl. 10 10 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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