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Numero do processo: 13876.000438/2001-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO DE ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS.
No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação.
LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO.
Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência.
Numero da decisão: 3402-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o creditamento dos produtos que se enquadram no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT).
Gilson Macedo Rosemburg Filho Presidente-substituto.
Sílvia de Brito Oliveira - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Nayra Bastos Manatta (Presidente), Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
O Presidente-substituto da Turma assina o Acórdão em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO DE ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS. No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO. Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência.
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Recorrente ALCOA ALUMÍNIO S/A Recorrida DRJ em RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INCABÍVEL. O indeferimento do pedido de diligência ou de perícia não configura cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, sendo incabível a decretação da nulidade da decisão recorrida. LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO. Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO DE ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS. No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o creditamento dos produtos que se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 04 38 /2 00 1- 20 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Gilson Macedo Rosemburg Filho – Presidentesubstituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Nayra Bastos Manatta (Presidente), Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidentesubstituto da Turma assina o Acórdão em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no 1º trimestre de 2000, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O pedido, formalizado em 11 de setembro de 2001, foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal (DRF) em SorocabaSP, em virtude da glosa de créditos relativos à aquisição dos materiais relacionados às fls. 91 a 93, que, conforme informação fiscal constante das fls. 95 a 100, tratamse de partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos cujo desgaste não se dá por ação direta sobre o produto final ou do produto final sobre esses materiais, e também por determinação de estorno dos créditos relativos a aquisições de insumos utilizados na produção de produto não tributado (mulita). Contra essa decisão, foi apresentada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Ribeirão PretoSP, que manteve o indeferimento parcial, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 143 a 149, ensejando a interposição de recurso a este Segundo Conselho de Contribuintes, às fls. 158 a 174, para aduzir, em preliminar, a nulidade da decisão da instância de piso, por indeferir o pedido de realização de perícia documental e técnica e, com isso, ofender os princípios do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa e, no mérito, alegar, em síntese, que: I – os insumos cujos créditos foram glosados são equipamentos de grande porte (britadores, moinhos, eletrodos, fornos), que mantêm contato direto com as grandes estruturas maciças, e outros materiais (peneiras, esferas, rolos e martelos dos moinhos, mandíbulas, grelhas e placas de revestimento) que mantêm contato direto com o próprio produto final; II – esses insumos são, sim, em consonância com o art. 519, inc. II, do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, produtos intermediários e são imprescindíveis no processo produtivo da contribuinte, desgastandose por contato direto com os grãos em processo de produção, conforme Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13876.000438/200120 Acórdão n.º 3402001.825 S3C4T2 Fl. 324 3 A recorrente alegou ainda a necessidade de converter o julgamento do recurso em diligência, pois a matéria litigiosa depende da produção de prova pericial técnica e documental para demonstrar que os materiais cujos créditos foram glosados são utilizados no processo de industrialização e não são do ativo permanente e que se consomem ou se desgastam em decorrência de ação direta sobre o produto fabricado. Ao final, solicitouse o integral provimento do seu recurso para, preliminarmente, decretarse a nulidade da decisão recorrida e, no mérito, seja reconhecido seu direito à compensação pleiteada, pois os bens relativos às glosas de crédito são considerados intermediários ou insumos, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, e arts. 164, inc. I, e 519, inc. II, do Decreto nº 4.544, de 2002, refazendose, por conseqüência, os cálculos dos créditos que devem ser estornados, em virtude das saídas do produto não tributado denominado mulita. Também foi requerida a reunião dos processos administrativos que listou, por serem de conteúdo idêntico, possuírem decisões similares e estarem na mesma fase processual. Esta Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em sessão realizada 12 de fevereiro de 2008, decidiu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que fosse providenciado laudo detalhado do processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, no estabelecimento industrial, com destaque par a aplicação dos insumos objeto das glosas de crédito. Após efetuada a diligência, estes autos retornaram a esta Quarta Câmara com a informação fiscal constante das fls. 254 a 256, da qual releva destacar que: I – na época da fiscalização que resultou na glosa dos créditos, a filial da Alcoa Alumínio S/A em SaltoSP já não produzia mais o carbeto de silício e o óxido de alumínio, que passou a ser produzido pela Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda, que comprara a Alcoa Alumínio S/A; II – a verificação do processo produtivo foi feito na Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda., com acompanhamento de representantes da Alcoa Alumínio S/A; e III – já se passaram quase seis anos daquela fiscalização e, agora, a situação é outra, pois não há mais representantes da Alcoa Alumínio S/A na Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda. e a ora recorrente informou que o carbeto de silício e o óxido de alumínio, atualmente, não é produzido em nenhum de seus estabelecimentos. Ao final, o responsável pela diligência solicitada por esta Câmara retornou os autos para que aqui se decidisse, diante dos fatos acima relatados, sobre a viabilidade de se produzir o laudo no estabelecimento da Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda. Na sessão de 10 de outubro de 2008, novamente decidiuse converter o julgamento do recurso em diligência para que fosse produzido o laudo técnico com base no processo produtivo do estabelecimento acima referido. A diligência foi realizada com base no processo produtivo do estabelecimento da pessoa jurídica Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda. e o processo foi encaminado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) com o relatório técnico elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), às fls. 279 a 306, em que consta Fl. 343DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 descrição da linha de produção do óxido de alumínio e do carbeto de silício e lista de partes e peças que, segundo o entendimento do INT, desempenham funções específicas e essenciais no processo produtivo, com desgastes que requerem a reposição periódica dessas partes e peças. A contribuinte manifestouse sobre a diligência, às fls. 309 a 313, para expressar sua concordância com o relatório do INT e pedir o integral provimento do seu recurso, em face do laudo técnico que atestou o efetivo desgaste dos produtos intermediários em decorrência do contato físico contínuo com o material em fabricação. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da Terceira Seção do Carf, devendo, pois, ser conhecido. Sobre a preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, cumpre registrar que as diligências e perícias destinamse à formação da convicção do julgador, por isso cabe a ele o juízo da sua necessidade ou não,conforme art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, que estabelece, ipsisi litteris: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Relativamente ao mérito, tendo em vista que o laudo técnico foi elaborado pelo INT e que não houve argüição, tampouco comprovação, de sua improcedência, com fundamento no art. 30 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, adotoo para admitir os créditos do IPI relativos às aquisições dos produtos assim denominados: Bucha de poliuretano para bico micronizador; Bucha de poliuterano do micronizador; Cunha de fixação da mandíbula movel; Cunha lateral inferior/superior/direita/esquerda; Cunha para fixar grelhas; Eixo Oco de saída; Esfera de aço; Esfera de Cerâmica; Grelha para moinho Faço; Hélice com tubo mecânico; Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13876.000438/200120 Acórdão n.º 3402001.825 S3C4T2 Fl. 325 5 Mandíbula Fixa; Mandíbula Móvel; Martelo para moinho Faço; Martelo para moinho Sabia; Placa de Impacto para Traseira do Moinho Martelo; Placa de Impacto Superior do Moinho Martelo; Placa para regulagem do Moinho Martelo; Placa de impacto tampa do Moinho Martelo; Revestimento inferior lateral para Moinho Faço; Revestimento lateral direito do Moinho Faço; Rolo para Moinho de Rolo; Segmento Anel quebrador superior moinho canário; Segmento Anel quebrador inferior moinho canário; Suporte do Martelo Moinho Faço; Camisa Cone para rebritador (móvel); Chapa preta para proteção do eletrodo; Placas perimetrais extremidade moinho a bola; Ponteiro para Rompedor Hidráulico; Revestimento para Câmara para Rebritador Cônico; Argola poliuretano para bola PE; Deck superior, intermediário e inferior; Disco de fixação dos martelos moinho sabiá; Placa superior, inferior e central do moinho canário; Placa de Desgaste Moinho Martelo Faço; Segmento abaulado para moinho bolas; Segmento plano para o moinho Rosenweig; Correia RE 3; Chapa perfurada de aço para peneira; Conjunto revestimento de alta alumina moinho bola; Revestimento da carcaça do mieronizador; Revestimento do bocal; Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 6 Tampa superior; e Telas. Por fim, cumpre lembrar que a admissão desses créditos deve ser considerada para o cálculo do valor dos créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados na produção da mulita a ser estornado. Por essas razões, voto por rejeitar a preliminar de nulidade argüida e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso voluntário para que sejam considerados os créditos do IPI decorrente das aquisições dos produtos relacionados no relatório técnico do INT, na apuração do saldo credor do período objeto destes autos, devendo ser homologadas as compensações declaradas até o limite do saldo credor apurado em conformidade com esta decisão. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001375/2005-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2003
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional com o mesmo objeto, antes ou posteriormente à autuação, importa em renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Fabia Regina Freitas e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2003 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional com o mesmo objeto, antes ou posteriormente à autuação, importa em renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
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CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional com o mesmo objeto, antes ou posteriormente à autuação, importa em renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Fabia Regina Freitas e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 75 /2 00 5- 38 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.358 S3C1T1 Fl. 4 2 Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 346 a 349 dos autos emanados da decisão DRJ/SP1, por meio do voto do relator Marco Aurélio Galvão Monneral Prado, nos seguintes termos: “4. O processo em exame, composto de 2 volumes e numerado até a fl. 287, versa sobre lançamento de ofício efetuado contra a contribuinte acima pela DEFIS/SPO em 28/04/2005 com o objetivo de constituir o crédito tributário relativo à parcela não recolhida nem declarada de diversos débitos de Cofins compreendidos no período de 03/1999 a 12/2003, como relata o autor do feito no termo de verificação (fls. 216/218) e no auto de infração (fls. 230/234), cujos demonstrativos se acham nas fls. 219/229. 5. O crédito tributário lançado, composto do principal, multa de ofício e de juros de mora calculados até a data de 31/03/2005, perfaz o montante de R$ 1.285.488,20. 6. lrresignada, a suplicante apresentou a impugnação anexa às fls. 238/246, cujo teor resumo a seguir, instruindoa com diversos documentos (fls. 247/279). Resumo da impugnação 1) Começa por observar que, na data da ciência do lançamento (29 de abril de 2005), os fatos geradores relativos ao período de 31 de março de 1999 a 31 de março de 2000 já haviam sido atingidos pela decadência em razão do decurso do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4°, do CTN, tendo em vista que não houve prática de dolo, fraude ou simulação. 2) Alega que a parte não decaída do lançamento tampouco pode subsistir uma vez que, segundo a súmula n° 276 do STJ, "as sociedades civis de prestação de serviços profissionais” são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado" (fl. 242). Cita, a título de exemplo, um acórdão da referida Corte, o qual transcreve nas fls. 242/244. Acrescenta ainda que o art. 21 da lei n° 11.033/2004, ao dar nova redação ao art. 19 da lei n° 10.522/2002, vedou a constituição de créditos tributários relativamente a matérias sumuladas pelo STJ. 3) Afirma ser litisconsorte no mandado de segurança coletivo n° 2003.61.00.0140845, havendo, em grau de apelação, obtido medida cautelar incidental no processo n° 2004.03.00.0005207, em data de 14/01/2004, para "afastar a exigência do recolhimento da Cofins, impedindose, por consequência, a prática de qualquer ato por parte da requerida, tendente a exigir o referido tributo" (fls. 245 e 272/273). 4) Assevera que as referidas medidas judiciais não a impedem de submeter à apreciação da autoridade julgadora a questão da inoperância do lançamento em face da súmula n° 276 do STJ, tendo em vista que o STF, em diversos recursos extraordinários (citados na fl. 244), já começou a decidir pela inconstitucionalidade do Parágrafo Único do artigo 38 da Lei no 6.830/80 por conflito com o artigo 50, inciso LV da Constituição Federal, afastando portanto a chamada regra da concomitância" (fl. 244). Acrescenta que, ainda que se admita a "hipótese absurda da concomitância" (fl. 245), o exame de toda a matéria tributável deve ser relegado à coisa julgada a ser obtida. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.358 S3C1T1 Fl. 5 3 5) Assinala que, haja ou não concomitância, nada impede a autoridade julgadora de reduzir a exação ao percentual de 2%, até porque o STF "já acenou para a improcedência da alíquota majorada" (fl. 245). 6) Insurgese contra a multa de ofício aplicada, invocando o art. 63 da lei/9.430/96 e alegando que o art. 44 da lei n° 9.430/96, em que se fundamenta, "somente dá origem à incidência da taxa SELIC após a feitura do lançamento na hipótese da chamada 'multa isolada' e não naquela em que a multa é corolário de alegado descumprimento de obrigação principal" (fl. 245). 8) Encerrando o arrazoado, requer o acolhimento da preliminar de decadência parcial suscitada, bem como das razões de mérito, para que se decrete a total improcedência do lançamento ou ao menos se exclua a incidência da taxa SELIC sobre a multa de oficio e sobre a obrigação principal, ou se postergue a execução do julgado até o término da discussão judicial. 7) Alega que a incidência da SELIC sobre a obrigação principal ou mesmo sobre a acessória, caso esta venha absurdamente a persistir, não encontra respaldo no art. 161 do CTN, visto que essa taxa é instrumento de política creditícia e cambial e não instrumento de punição dos contribuintes inadimplentes. 8. Vindo o processo às minhas mãos, fiz juntar os do anexos às fls. 288/344, a fim de complementar lhe a instrução.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1623.539 de fls. 345 a 346 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 FALTA DE DECLARAÇÃO. Cumpre lançar de ofício os débitos apurados pela empresa que não tenham sido declarados em DCTF ou outro documento que constitua confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua cobrança. DECADÊNCIA. No que respeita às contribuições sociais, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 anos, consoante a Súmula Vinculante n° 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da lei n° 8.212/91. Segundo o Parecer PGFN/CAT N° 1.61712008, havendo pagamento antecipado da contribuição — ainda que parcial — e não ocorrendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o termo a quo será a data de ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, parágrafo 40, do CTN. SÚMULAS VINCULANTES. OBSERVÂNCIA PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A Administração Pública está sujeita à estrita observância das súmulas vinculantes editadas pelo STF, devendo darlhes imediato cumprimento a partir de sua publicação, como dispõem o art. 103A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004, e o art. 2° da Lei n° 11.417/2006. PARECERES DA PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN). FORÇA NORMATIVA. Os pareceres da Procuradoria Geral da Fl. 586DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.358 S3C1T1 Fl. 6 4 Fazenda Nacional, quando aprovados pelo Ministro da Fazenda, adquirem força normativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sujeitando este órgão à rigorosa observância das normas neles contidas. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional com o mesmo objeto, antes ou posteriormente à autuação, importa em renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. MATÉRIA SUMULADA PELO STJ. POSICIONAMENTO Cf/NT RIO AO DO FISCO FEDERAL. A mera existência de súmula do TJhtria ao posicionamento da Fazenda Federal acerca de determinada matéria não a impede de lançar de ofício o crédito tributário correspondente. O art. 19 da lei n° 10.522/2002, na nova redação dada pelo art. 21 da lei n° 11.033/2004, somente veda tal lançamento na hipótese de haver determinação específica do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional exarada em ato declaratório aprovado pelo Ministro da Fazenda CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação aplicável, bem como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada à jurisprudência judicial existente sobre a matéria. CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal no exercício do controle difuso de constitucionalidade não vinculam senão as partes litigantes, produzindo efeitos erga omnes apenas na hipótese de o Senado da República emitir resolução suspendendo a execução da norma declarada inconstitucional. MAJORAÇÃO DA ALIQUOTA DA COFINS DE 2% PARA 3%. LEI N° 9.718/98. CONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Pacificando o tema, o STF já reconheceu de forma expressa a constitucionalidade do art. 8°, caput, da lei n° 9.718/98, que prevê a majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3%. MULTA DE OFICIO. Comprovada a falta de declaração ou de recolhimento, procede a exigência de multa de ofício, nos termos do art. 44, I, da lei n° 9.430/96. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, visto estar amparada em lei (art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96). Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em fls. 373 a 378 onde alega o seguinte: 1) Que apesar de ter exonerado o crédito tributário referente ao período decaído março de 1999 a março de 2000, confirmou integralmente as demais acusações. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.358 S3C1T1 Fl. 7 5 2) Preliminarmente – pugna pela nulidade da r.decisão recorrida porque o julgador furtouse do enfrentamento de pelo menos dois temas proposto na impugnação, ou seja: a) A impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre a multa de lançamento de ofício e postergação da execução do julgado ao termino da discussão judicial, inexistindo os embargos de declaração para a Delegacia de Julgamento, o meio apropriado para o enfrentamento desta omissão é a prejudicial de nulidade do decisório. b) Sobre o assunto reitera suas arguições defensórias inaugurais. 3) Também, pugnou pelo afastamento da concomitância; 4) Voltando para a exigência da COFINS, invocando o princípio da verdade material pugna pelo seu cancelamento integral a partir de incontestável vicio material que contamina de forma incorrigível a exação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tratase o presente processo de cobrança de débitos de Cofins não recolhida, não decaída e nem declarada de diversos débitos do período de 04/2000 a 12/2003. A Recorrente, preliminarmente pugna pela nulidade da r. decisão recorrida porque o julgador supostamente teria se furtado de enfrentar: a) impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre a multa de lançamento de ofício e b) postergação da execução do julgado ao termino da discussão judicial. Nesse aspecto, não acato a preliminar arguida, primeiro que o Recurso Voluntário tem todo o aspecto de ser procrastinatório, com toda razão de ser, para esperar uma solução para esse imbrólio judicial que esse tema se tornou, ou seja, a exigência da COFINS sobre as prestadoras de serviço. Da análise do voto condutor da decisão recorrida, é claro que o julgador não se furtou de enfrentar qualquer matéria que não estivesse ao alcance da concomitância. No mérito, impõese a concomitância, pelas mesmas razões da decisão recorrida. Diante do todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para manter a decisão recorrida na integra. É como voto Fl. 588DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.358 S3C1T1 Fl. 8 6 Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 589DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.358 S3C1T1 Fl. 9 7 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13706.002312/2002-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/1994 a 30/08/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. PROCESSO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE PARADIGMAS A SUSTENTAR DIVERGÊNCIA.
Os Acórdãos ofertados pela Recorrente e aceitos como paradigmas de divergência não enfrentam a matéria contida no Acórdão recorrido.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.733
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1994 a 30/08/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. PROCESSO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE PARADIGMAS A SUSTENTAR DIVERGÊNCIA. Os Acórdãos ofertados pela Recorrente e aceitos como paradigmas de divergência não enfrentam a matéria contida no Acórdão recorrido. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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STERN COMÉRCIO E INDÚSTRIA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1994 a 30/08/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. PROCESSO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE PARADIGMAS A SUSTENTAR DIVERGENCIA. Os Acórdãos ofertados pela Recorrente e aceitos como paradigmas de divergência não enfrentam a matéria contida no Acórdão recorrido. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Este Recurso Especial de fls. 677/688 é intentado pela Fazenda Nacional contra o acórdão de fls. 668/673, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário da contribuinte H. Stern Comércio e Indústria S/A, afastando a prescrição do direito de pleitear a restituição de indébito tributário oriundo de pagamentos indevidos ou a maior, realizados com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. Registra a Recorrente que o fundamento da Col. Câmara Julgadora para refutar a prescrição do direito à restituição foi o de que o prazo para pedir repetição de indébito deve começar da data em que tal indébito foi reconhecido judicialmente contandose cinco anos do trânsito em julgado da decisão que reconheceu a inconstitucionalidade dos mencionados decretosleis. Assim, diz a Recorrente, tal decisão desconsiderou que o CTN, art. 168, fixa a data do pagamento indevido com sendo o marco inicial para a contagem do prazo prescricional. Transcreve excertos de ementas de decisões deste CARF na fl. 679 que indicam prazo prescricional de repetição de indébito como iniciando na data da extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e como término o dia em que é completado o quinquênio legal. Alega que o ponto fulcral da questão é o deslinde quanto ao termo inicial para pleitear a restituição, entendendo a União que o mesmo prazo se extingue com o decurso do prazo de 5 anos contados da data do pagamento indevido na conformidade dos arts. 168, caput e inciso I, e 156, inciso I, do CTN que prelecionam: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I.cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.” “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário.” “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: Io pagamento.” Transcreve o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, que confere interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, prelecionando que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento Fl. 794DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13706.002312/200222 Acórdão n.º 930301.733 CSRFT3 Fl. 764 3 antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN, com isto afirmando não existir hipótese para considerarse o dies a quo, outra que não a do pagamento antecipado. Tece conclusões sobre a irrelevância da causa do recolhimento indevido para afirmar que a decisão recorrida – amparada no início do prazo prescricional equivalente ao transito em julgado da decisão que reconheceu a inconstitucionalidade de norma valeuse de fundamento já superado no âmbito do E. STJ. Diz também que uma interpretação diferente para o parágrafo primeiro do artigo 156 acarretaria insegurança jurídica por tornar indefinido o termo inicial do prazo decadencial do pedido de restituição que poderia ser levado a pagamentos efetuados há 50, 100 ou 200 anos atrás. Menciona e transcreve o Ato Declaratório nº 096/99 da Secretaria da Receita Federal que estabelece o prazo prescricional como sendo o de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário. Nas fls. 740/758 contrarrazões da Contribuinte iniciando por registrar que o Acórdão recorrido deu provimento integral, à unanimidade, reconheceu a não ocorrência de prescrição dos indébitos; o direito ao crédito pleiteado e as compensações declaradas. Registra que promoveu em 11.03.1992 Ação Ordinária Declaratória nº 92.00678521, insurgindose contra a sistemática introduzida pelos Decretos – Lei nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988 que, após decisão favorável sem recurso de apelação interposto e tendo sido improvida a remessa necessária ao duplo grau de jurisdição, transitou em julgado na data de 16.08.99. Transcreve orientação exarada pela Superintendência da 10ª Região fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na Solução de Consulta nº 110/2006, e acrescenta várias decisões deste Conselho a exemplo dos Acórdãos 10513.836, Relator Conselheiro Nilton Pess (fl. 745), 20215.432, Relatora Conselheira Nayra Bastos Manatta (fl. 746), 106 14316, Relator José Ribamar Barros Penha (fl. 747), Acórdão 30133.068, conselheiro Relator Valmar Fonseca de Menezes (fl. 747) e acrescenta transcrição de decisão do Ministro Teori Zavascki no REsp 668.995 (fl. 756), todas referindose ao trânsito em julgado como marco inicial da prescrição para tornar viável a compensação de créditos decorrentes de recolhimentos tributários indevidos. Registra também trechos do Acórdão recorrido que reverberam ser a decisão judicial transitada em julgado, dotada de força de lei entre as partes e que o trânsito em julgado que reconheceu, individualmente, a inconstitucionalidade dos DecretosLeis, no presente caso, tendo ocorrido em 16/08/1999, fez com que as declarações de compensação efetivadas de 21 de maio a 10 de dezembro de 2002, tenham sido intentadas dentro do prazo prescricional. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator Fl. 795DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 O Despacho nº 0732010 (fls. 725/727) que concedeu a admissibilidade ao Recurso, absorveu como paradigmas acórdãos que dizem respeito ao prazo prescricional normatizado pelo inciso I, art. 150 do CTN, verbis: 20310.874 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. 0 direito de pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente prescreve em cinco (5) anos contados da extinção do crédito tributário caracterizada pelo pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, c/c art. 150, § 1°, do Código Tributário Nacional. Recurso negado. 930300.080 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 0 dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Deveria a Recorrente ter ofertado paradigmas que contrariassem em forma de divergência o Acórdão de fls. 668/673, justamente contra o qual se insurgiu, cuja ementa materializou a seguinte norma: O prazo para pedir repetição de indébito deve começar da data em que tal indébito foi reconhecido judicialmente. Assim, no caso do PIS, que foi pago com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, contase os cinco anos do trânsito em julgado da decisão que reconheceu, individualmente, a inconstitucionalidade dos DecretosLeis. Assim, uma vez que inapropriados – por completo – para servirem como divergentes, os Acórdãos aceitos pelo Despacho nº 0732010 (fls. 725/727), não conheço do Recurso. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Fl. 796DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 18471.002148/2005-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE Nos termos do disposto no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972 - PAF, incorre em nulidade, por cerceamento de direito de defesa, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar impugnação apresentada pelo sujeito passivo. No caso, a autuada apresentou impugnações individualizadas para cada um dos cinco autos de infração lavrados pela Fiscalização, mas a decisão recorrida só tomou conhecimento de uma delas.
Numero da decisão: 1802-001.293
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância, de modo que outra seja proferida, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE Nos termos do disposto no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972 PAF, incorre em nulidade, por cerceamento de direito de defesa, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar impugnação apresentada pelo sujeito passivo. No caso, a autuada apresentou impugnações individualizadas para cada um dos cinco autos de infração lavrados pela Fiscalização, mas a decisão recorrida só tomou conhecimento de uma delas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância, de modo que outra seja proferida, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.002148/200511 Acórdão n.º 180201.293 S1TE02 Fl. 1.422 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, nos valores de R$ 127.357,48 e R$ 50.835,69, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. O presente processo também tem por objeto lançamento para exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, nos valores de R$ 8.152,74 e R$ 18.740,81, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 101.319,42, montantes que igualmente incluem a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. No caso do PIS e COFINS, a decisão recorrida declarou a definitividade do lançamento na esfera administrativa, com o fundamento de que estas matérias não teriam sido impugnadas. Os motivos do lançamento e os argumentos de impugnação estão assim descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1219.822 (fls. 1.335 a 1.345): Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a interessada acima identificada, por meio dos autos de infração abaixo caracterizados, todos referentes ao anocalendário 2002. Fls. Tributo Principal Juros* Multa Total Enquad. Legal Proporcional (fls.) 268/273 IRPJ 55.161,77 30.824,39 41.371,32 127.357,48 269 e 273 274/278 CSLL 22.018,24 12.303,78 16.513,67 50.835,69 275 e 278 279/282 PIS 3.531,16 1.973,21 2.648,37 8.152,74 280 e 282 283/285 PIS 7.928,99 4.865,10 5.946,72 18.740,81 284 286/289 Cofins 43.015,67 26.042,01 32.261,74 101.319,42 287 e 289 *cálculos até 31/03/2006 Conforme o termo de verificação fiscal (TVF) de fls. 263/267, os lançamentos ocorreram pelas seguintes razões: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Intimada a informar a composição da conta "Outros custos”, declarada na DIPJ, a interessada informou que a mesma era composta pelas contas "Peças e acessórios”, “Manutenção e reparos” e "Outros”. Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.002148/200511 Acórdão n.º 180201.293 S1TE02 Fl. 1.423 3 Examinando a conta "Outros”, o auditor constatou que a despesa de R$ 715.866,50, lançada no 4° trimestre, provinha da conta "Outros custos e despesas pagas antecipadamente” e intimou a interessada a esclarecer a natureza dos valores lançados nesta conta. Em resposta, foi informado que se tratava de despesas operacionais vinculadas à prestação de serviços e que eram consideradas antecipadas por serem dispêndios incorridos para serviços ainda não prestados. Porém, analisando a escrituração contábil, a fiscalização concluiu que as despesas não se relacionavam com nenhuma receita e nem eram de competência do período seguinte, tendo sido, na verdade, realizadas na fase préoperacional, razão pela qual, segundo o entendimento do autuante, deveriam ser registradas no ativo permanente diferido (e não no ativo circulante), onde o prazo para amortização não é inferior a cinco anos. Considerando, então, que a empresa iniciou suas atividades em agosto de 2001, seria possível apropriar como despesa 8,33% (5/12 de 20%) do saldo da conta “Custos e despesas pagos antecipadamente”. Seguindo tal entendimento, do saldo de R$ 4.291.373,95, somente R$ 357.471,45 deveriam ser lançados na conta “Outros”. Como a interessada lançou R$ 715.866,50, a fiscalização glosou a diferença, ou seja, R$ 358.391,05. Em outra análise, a fiscalização detectou que a interessada havia classificado como custos ou despesas valores referentes à aquisição de bens que deveriam ter sido lançados no ativo permanente, por se tratar de produtos com vida útil superior a um ano e valor unitário acima de R$ 326,61. Tal constatação deu ensejo à glosa de R$ 148.648,95. Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) Intimada a apresentar a determinação da base de cálculo dessas contribuições e a informar o regime contábil empregado na determinação das variações cambiais, a interessada: (i) declarou que, no ano de 2002, optou pelo regime de competência e apurou o PIS pela incidência nãocumulativa; e (ii) apresentou planilha demonstrando a composição da base de cálculo do PIS e da Cofins (fls. 245). Da análise das informações acima, a fiscalização concluiu que, na apuração do PIS e da Cofins, a interessada não havia considerado as variações cambiais ativas como receitas nos meses de agosto e de outubro a dezembro de 2002 e, por isso, considerou ocorrida a infração de insuficiência de recolhimento e lançou essas contribuições. Impugnação Inconformada com o lançamento, do qual tomou ciência em 19/04/2006, a interessada apresentou, em 19/05/2006, a impugnação de fls. 315/335. Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.002148/200511 Acórdão n.º 180201.293 S1TE02 Fl. 1.424 4 Preliminarmente, a interessada argüiu a falta de motivação do lançamento, por considerar que "no caso em concreto, além de se tratar de levantamento mal elaborado e, portanto, imprestável para o efeito de embasar exigências fiscais, ainda não há, no auto de infração ora impugnado, nem a motivação fática (...), por exemplo, no caso (...) de despesas préoperacionais, sem qualquer fundamentação — nem, tampouco, motivação legal para embasar as tais exigências”. No mérito, a interessada considerou que a autuação resultou, na alegação do auditor, (i) da falta de amortização de despesas de natureza préoperacional e (ii) da dedução como despesa de valores de bens de natureza permanente. A interessada argumenta que as despesas que haviam sido consideradas préoperacionais pelo auditor eram, na verdade, operacionais e vinculadas à produção de serviços que poderiam ser oferecidos ou vendidos a clientes e foram apropriadas ao resultado do mesmo exercício em que foram faturados os serviços correlatos, de modo a atender ao que denominou de “princípio do emparelhamento”. Acrescenta, ainda, que a sociedade foi constituída em 27 de novembro de 2001 e que as referidas despesas eram necessárias à consecução do seu objeto social. Quanto ao enquadramento de outras despesas como valores de bens permanentes, a interessada protestou, trazendo aos autos o comando do § 1° do art.346 do RIR e informando que as peças e acessórios adquiridos destinavamse ao reparo de itens do seu ativo permanente, os quais não tiveram a vida útil aumentada em um ano ou mais por conseqüência de tal manutenção. Por fim, a interessada protesta contra o emprego da taxa Selic e requer perícia. Como mencionado, a DRJ Rio de Janeiro I considerou procedente o lançamento de IRPJ e CSLL, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 BENS DE NATUREZA PERMANENTE. DESPESAS PRÉ OPERACIONAIS. INDEDUTIBILIDADE. As despesas préoperacionais devem compor o ativo permanente diferido, com prazo de amortização não inferior a cinco anos. BENS DE NATUREZA PERMANENTE. DESPESA OPERACIONAL. VALOR UNITÁRIO. VIDA ÚTIL. As despesas com a aquisição de bens de natureza permanente com vida útil superior a um ano e valor unitário acima de R$ 326,60 não podem ser consideradas despesas operacionais para fins de determinação do lucro real. Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.002148/200511 Acórdão n.º 180201.293 S1TE02 Fl. 1.425 5 Lançamento Procedente Quanto ao PIS e à COFINS, a decisão recorrida declarou a definitividade do lançamento, nos termos abaixo: Na peça impugnat6ria, a interessada é silente quanto às variações cambiais que supostamente teria ocultado, limitando se a anexar aos autos cópias de contratos de câmbio, sem o exercício de qualquer argumento que fosse sobre o tema, ou ao menos referência aos mesmos em seu recurso. Assim, antes de adentrar a lide, cumpreme salientar que, por força do que dispõe o art. 16, III do Decreto n.° 70.235/72 (PAF), matéria não impugnada tornase definitiva na esfera administrativa, razão pela qual ficam, desde logo, mantidos os presentes lançamentos de PIS e Cofins. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/07/2008, a Contribuinte apresentou em 20/08/2008 o recurso voluntário às fls. 1.347 a 1.361. Preliminarmente, a Recorrente esclarece que apresentou impugnações individualizadas para cada um dos Autos de Infração, as quais foram desconsideradas pela Colenda Turma que apreciou o caso na primeira instância administrativa, e que cuidou de examinar, exclusivamente, a impugnação ofertada ao Auto de Infração relativo ao IRPJ (que alcançou o Auto de Infração relativo CSLL, por ser este mero reflexo daquele). Deste modo, não teriam sido apreciados os argumentos expostos nas outras 3 (três) das 5 (cinco) impugnações ofertadas pela Contribuinte, o que seria suficiente para caracterizar a nulidade do acórdão recorrido, por inobservância a comando legal expresso, no caso, o art. 31 do Decreto n° 70.235/72. Na hipótese de vir a ser superada a preliminar de nulidade, registra a Contribuinte que nada há a ser aduzido no presente recurso acerca de PIS e COFINS, pela simples razão de que inexiste, no v. acórdão recorrido, qualquer fundamento em relação a essas autuações fiscais. Nesse caso, então, a Recorrente reportase integralmente aos fundamentos detalhadamente expostos em sua Impugnação aos dois autos de infração de PIS e ao auto de infração da COFINS (fundamentos esses constantes dos já mencionados Docs. 01, 02 e 03, anexos). Com relação ao IRPJ e a CSLL, a Recorrente desenvolve uma série de argumentos sobre a natureza das despesas registradas na conta outros custos e despesas pagas antecipadamente (consideradas como despesas préoperacionais), bem como sobre as despesas relativas a partes e peças sobressalentes (consideradas como bens de natureza permanente). Este é o Relatório. Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.002148/200511 Acórdão n.º 180201.293 S1TE02 Fl. 1.426 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A controvérsia diz respeito a lançamento para exigência de IRPJ, CSLL, PIS (2 autos de infração) e COFINS, cujos fatos geradores ocorreram no anocalendário de 2002. Logo no início de seu voto, às fls. 1.340, o Relator do processo na primeira instância administrativa fez o seguinte esclarecimento: Na peça impugnat6ria, a interessada é silente quanto às variações cambiais que supostamente teria ocultado, limitando se a anexar aos autos cópias de contratos de câmbio, sem o exercício de qualquer argumento que fosse sobre o tema, ou ao menos referência aos mesmos em seu recurso. Assim, antes de adentrar a lide, cumpreme salientar que, por força do que dispõe o art. 16, III do Decreto n.° 70.235/72 (PAF), matéria não impugnada tornase definitiva na esfera administrativa, razão pela qual ficam, desde logo, mantidos os presentes lançamentos de PIS e Cofins. A Turma Julgadora na primeira instância administrativa não se deu conta de que a Contribuinte havia apresentado impugnações individualizadas para cada um dos cinco autos de infração. Além da impugnação ao lançamento de IRPJ, às fls. 315/335, que foi examinada pela decisão recorrida, também foram apresentadas impugnações à CSLL – fls. 641/661, à COFINS – fls. 964/982, e aos dois autos de infração de PIS – fls. 1075/1084 e fls. 1173/1192. No entanto, a decisão recorrida apreciou somente a primeira das impugnações, relativa ao IRPJ, e, deste modo, realmente incorreu um nulidade, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972 – PAF. Deste modo, voto no sentido de ANULAR a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida, com a apreciação de todas as impugnações apresentadas pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.002148/200511 Acórdão n.º 180201.293 S1TE02 Fl. 1.427 7 Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.008661/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO. NÃO MIGRAÇÃO AUTOMÁTICA. NÃO FORMALIZAÇÃO TEMPESTIVA DE OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO RETROATIVA.
Ano calendário: 2007.
Diante da ausência de migração automática para o Simples Nacional, caberia ao contribuinte formalizar tempestivamente a sua opção pela inclusão no programa. Para o ano calendário de 2007, a opção só poderia ter sido realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007.
Numero da decisão: 1401-000.674
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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DE INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO. NÃO MIGRAÇÃO AUTOMÁTICA. NÃO FORMALIZAÇÃO TEMPESTIVA DE OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO RETROATIVA. Anocalendário: 2007. Diante da ausência de migração automática para o Simples Nacional, caberia ao contribuinte formalizar tempestivamente a sua opção pela inclusão no programa. Para o anocalendário de 2007, a opção só poderia ter sido realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Meigan Sack Rodrigues. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1628.032, proferido pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP I, por meio do qual os julgadores, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Por medida de praticidade, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ, no qual o contexto fático do caso em análise foi muito bem detalhado. Confirase: 1. Tratase de pedido de inclusão no Simples Nacional, com efeitos retroativos a 01/07/2007 formalizado pela interessada em 10/10/2007. Apresenta as seguintes razões: 1.1. Que em vista do CNAE anterior se apresentar inadequado a atividade exercida em razão da diversificação dos ramos de atividade da empresa, aquela solicitou alteração do CNAE no dia 13/08/2007 o que foi analisado em 04/09/2007, sendo o processo liberado em 28/09/2007. 1.1.1. CNAE Atual e que, segundo a requerente, à época do pedido os produtos vendidos são mais adequados para o CNAE 47.51200 Comércio Varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática (cópia do comprovante de inscrição e situação cadastral às fls. 11) 1.1.2. CNAE Anterior: CNAE 62091/00 Suporte Técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação. 1.2. Consoante tela "Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional" às fls. 20, constam (i) no histórico das solicitações de opção pelo simples nacional, como(ii) no histórico das opções pelo simples nacional, que não foram encontradas opções pelo Simples Nacional para o CNPJ informado (57.654.386/000172). 1.3. Em 04/11/2008, conforme Despacho Decisório Simples Nacional n° 188/2008, fls. 22/23, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de São Paulo DERAT decidiu por não tomar conhecimento do pedido de inclusão retroativa a 01/07/2007 no Simples Nacional, por constatar que o contribuinte não solicitou a opção pelo Simples Nacional nos termos da resolução do CGSN n° 004, de 30/05/2007, art. 7° c/c o art. 16 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006. 2. Cientificada do despacho decisório em 03/12/2008, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 27/35, em que argumenta em síntese que: 2.1. É optante do regime Especial de Tributação Federal desde o início de suas atividades (10/06/1987). 2.2. Embora o objeto de sua atividade fosse a exploração do ramo de "Prestação de Serviços em Digitação e Impressão de Crachás, Comercialização de Equipamentos e Suprimentos para Impressão de Crachás, no CNPJ constava que sua atividade era "Suporte Técnico, Manutenção e outros Serviços em Tecnologia Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13807.008661/200724 Acórdão n.º 1401000.674 S1C4T1 Fl. 97 3 da Informação", e por ser tal atividade pela legislação do Simples Nacional impeditiva e/ou permitida para enquadramento no Simples Nacional, entende que a migração do antigo para o novo deveria ter sido automática. 2.3. Diante da controvérsia do enquadramento de sua atividade e, entre protocolar consulta a RFB e alterar seu CNAE, optou por alterálo, como a alteração de CNAE não é automática e em virtude da demora, sem a homologação definitiva da alteração do CNAE, a Inconformada estava impossibilitada de fazer a Opção pelo Simples Nacional já que constava que existia um pedido de alteração de atividade em andamento. Assim, após ser informada que poderia fazer a opção retroativa após a homologação definitiva da alteração do seu CNAE, através de processo administrativo, assim o fez, e para seu espanto o Despacho Decisório Simples Nacional n° 188/2008 não tomou conhecimento de seu pleito. 2.4. A inconformada não conseguia fazer sua opção no Portal do Simples Nacional, estava impedida de fazer e como medida de justiça pleiteia sua inclusão retroativa a 1° de julho de 2007 no Simples Nacional, pois a atividade que então constava do seu Contrato social nunca fora impeditiva de optar no antigo Simples nem do Simples Nacional. 2.5. Com o advento da Lei Complementar n° 123/2006 — Lei do Super Simples, ficou estabelecido que as empresas que já eram optante do antigo simples e que não possuíam nenhum tipo de pendência, tinham como certa sua inclusão automática no Simples Nacional. A Inconformada, optante do antigo simples por vinte anos, após 1° de julho de 2007, ao consultar o Portal do Simples Nacional constatou que não havia migrado automaticamente para o Simples Nacional devido a restrição da sua atividade que constava no Cadastro Nacional de Pessoa jurídica – CNPJ. 2.6. Quem pratica a atividade que consta de seu Contrato Social, que data de 20/03/2007, Jucesp n° 56.732/077, não tem nenhuma restrição ao enquadramento no Simples Nacional, que não pode ser prejudicada já que tentou por todas as formas possíveis enquadrase no Simples Nacional até 31/07/2007, mas o Sistema não aceitava sua opção. Informa que mesmo conhecedora de que a RFB não tenha aceitado sua inclusão no Simples Nacional de forma retroativa, optou por arrecadar os tributos pagos pela empresa como se optante fosse. 2.7. Transcreve o artigo 16, e o seu parágrafo 4° da LC 123/2006 e conclui que não tinha nenhuma restrição para sua migração automática do antigo Simples para o Simples Nacional. Submetida a Manifestação de Inconformidade à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, esta houve por bem julgála improcedente, sendo o acórdão de nº 1628.032 (fls. 54 a 59) assim ementado: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 4 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO. NÃO MIGRAÇÃO AUTOMÁTICA. NÃO FORMALIZAÇÃO DE OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO RETROATIVA. Não cabe inclusão de oficio no Simples Nacional, com efeitos retroativos, de contribuinte que embora regularmente optante pelo regime tributário de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996 não migrou automaticamente em razão de estar impedido de optar por alguma vedação imposta pela Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, e, ainda assim, deixou de formalizar a opção na forma regulamentada pelo Comité Gestor do Simples Nacional. Para o anocalendário de 2007, a opção só poderia ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 63 a 71, que, neste momento, passa a ser apreciado por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Pretende a Recorrente obter a sua inclusão no Simples Nacional, com efeitos retroativos a 01/07/2007, sustentando que sempre foi optante do regime especial de tributação federal, anteriormente estabelecido pela Lei nº 9.317/96, e, atualmente pela Lei Complementar nº 123/2006, sendo que, neste último regime, ela foi efetivamente incluída em janeiro/2008. A discussão colocada em pauta diz respeito, deste modo, à possibilidade de inclusão retroativa da Recorrente no Simples Nacional, apenas no período de 1º/07/2007 a 31/12/2007, ao fundamento de que a sua migração automática somente não ocorreu pelo fato de ter havido um erro na indicação da sua atividade no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica da Receita Federal. Destacase, topicamente, os seguintes fundamentos utilizados no recurso apreciado: (i) “A Recorrente destaca que em 1º de julho de 2007 e mesmo anteriormente a está data já atuava no ramo de "Prestação de Servicos em digitação e impressão de crachás, comercialização de equipamentos e suprimentos para impressão de crachás"; ocorre que no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da Receita Federal do Brasil RFB constava indevidamente que sua atividade principal era "Suporte Técnico, manutenção e outros servicos em tecnologia da informação" (Doc. já anexados). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13807.008661/200724 Acórdão n.º 1401000.674 S1C4T1 Fl. 98 5 Diferentemente da atividade praticada pela recorrente esta atividade que constava no cadastro nacional da pessoa jurídica da RFB impediu que a recorrente migrasse automaticamente do regime anterior para o atual Simples Nacional.” (fl. 64) (ii) “Assim sendo, a recorrente pleiteou à alteração de sua atividade no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (em 26/07/2007) conforme sugestão do agente fiscal de rendas da Receita Federal do Brasil, entretanto, devido a enorme quantidade de Pedidos o pleito da ora recorrente somente foi aceito após o término do prazo oficial para opção do Simples Nacional.” (fl. 64) (iii) “Após a homologação definitiva da alteração de sua atividade a recorrente pleiteou a inclusão retroativa a 1º julho de 2007 no Simples Nacional, e para sua surpresa a agente fiscal julgadora através do Despacho Decisório nº 188/2008 não tomou conhecimento. Tempestivamente a ora recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório no 188/2008, que para sua indignação foi julgado improcedente.” (fl. 65) (iv) “Diferentemente do que diz a ilustre agente fiscal Relatora ao consultar o Portal do Simples Nacional, a recorrente constatou que não havia migrado automaticamente para o Simples Nacional devido a restrição da sua atividade que constava no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. Em diligência a Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição a recorrente, informou que não estava conseguindo acessar o sistema para fazer a opção conforme dispõe o art. 70 da Resolução CGSN no 4/2007; assim, a recorrente foi informada que primeiramente deveria sanar a situação impeditiva.” (fl. 66) Sustenta que “após a homologação definitiva da alteração de sua atividade, a recorrente pleiteou a inclusão retroativa a 1º julho de 2007 no Simples Nacional”, conforme se verifica da citação transcrita no tópico (iii). Ocorre que tal pedido somente foi apresentado em 10/10/2007, depois de transcorrido o prazo disposto na Lei Complementar nº 123/2006 para que os contribuintes pudessem manifestar a sua opção pelo Simples Nacional (20 de agosto de 2007). Aduz ainda que, justamente em função de o acerto no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ter sido condição sine qua non para que a Recorrente eliminasse a restrição que impedia o seu ingresso no Simples Nacional, ela não teve condições de acessar o sistema para formalizar a sua opção, não tendo como atender às exigência do Comitê Gestor do Simples Nacional. Confirase: Ocorre que para formalizar sua opção na forma estabelecida pelo Comitê Gestor do Simples Nacional, era condição "sine qua non" que a recorrente eliminasse a restrição impeditiva; ou seja, sem alterar sua atividade no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da Receita Federal do Brasil, não tinha como acessar o sistema para formalizar sua opção, para que a mesma fosse indeferida. Assim sendo, não tinha como a recorrente atender ao disposto no artigo 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 6 Feitas essas considerações, apesar de bem fundamentado, o presente recurso não merece acolhida. O preenchimento do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica é de exclusiva responsabilidade dos contribuintes, que devem sempre ficar atentos aos códigos informados e a sua relação com a atividade desempenhada pela empresa. Deste modo, se o erro cometido no cadastro realizado pela própria contribuinte vedou a sua migração para o regime especial do Simples Nacional, deveria ter diligenciado com antecedência para solucionar o equívoco e, assim, tivesse tempo hábil para requerer, tempestivamente, a sua inclusão no regime tributário do Simples, observando o prazo de 20 de agosto de 2007. Pelas provas acostadas aos autos (fls. 13 a 17), a Recorrente ingressou com o seu pedido de alteração de dados cadastrais, junto à Receita Federal do Brasil, em 13/08/2007, poucos dias antes de encerrar o prazo para inclusão no regime do Simples Nacional, tendo sido a sua solicitação analisada em 04/09/2007 e o seu pedido de ingresso protocolizado em 10/10/2007. Assim, se a Recorrente é responsável pelo seu próprio cadastro e o faz de modo equivocado e, ainda assim, pretende beneficiarse do programa de tributação, cujos regulamentos determinam prazos específicos para adesão, deveria ter previamente solucionado os erros em seu cadastro que vedavam a sua participação no Simples Nacional, e, na sequência, ter protocolizado o seu pedido de inclusão antes de esgotado o prazo para tanto. Contudo, como ela não cumpriu os protocolos acima, me vejo impossibilitado de determinar a sua inclusão por uma questão formal: a contribuinte não apresentou o pedido dentro do prazo estipulado, sendo o seu requerimento intempestivo. Em outras palavras, se a contribuinte tivesse apresentado o requerimento de inclusão no prazo determinado, poderseia entender que, sanada a hipótese de vedação à inclusão no Simples Nacional, seria possível admitir a sua inclusão retroativa, visto que a causa impeditiva da sua inclusão não mais subsistiria. Entretanto, a Recorrente deixou de cumprir requisito essencial ao deferimento da sua pretensão, qual seja, o de formalizar o pedido de inclusão no Simples Nacional tempestivamente. Ora, se a interessada não migrou automaticamente para o Simples Nacional e desejava aderir ao programa, deveria, então, ter formalizado sua opção, na forma regulamentada pelo art. 16 da LC nº 123/2006 e arts. 7º, 8º, 17 e 18 da Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007. Assim, apesar de compreender que o Simples Nacional é um programa de incentivo que, pautado em princípios constitucionais que regem a atividade econômica, serve para retirar as empresas da informalidade e capacitálas para o desenvolvimento da sua atividade, com a expansão dos seus negócios e geração de empregos, permitindo que possam atuar e competir no mercado, acolher o pedido de inclusão retroativa, nessas condições, significa admitir opção realizada a destempo, o que configuraria inobservância das normas legais e regulamentares. Diante do exposto, conheço o presente recurso, mas negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 107DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13807.008661/200724 Acórdão n.º 1401000.674 S1C4T1 Fl. 99 7 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003640/2005-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA FUNDADO EM CONTRARIEDADE À LEI DECADÊNCIA – CSLL - Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº
8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não se conhece do recurso da Fazenda Nacional fundado no descumprimento daquela norma.
NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO DE DIVERGÊNCIA - Divergência em resultado do julgamento decorrente de aspectos fáticos não se presta a configurar dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-001.378
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos recursos do contribuinte e da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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NORMAS PROCESSUAIS RECURSO DE DIVERGÊNCIA Divergência em resultado do julgamento decorrente de aspectos fáticos não se presta a configurar dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos recursos do contribuinte e da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 2 Relatório Em sessão de 09 de novembro de 2006, pelo Acórdão nº 10195.857, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência do ano de 1999 em relação ao IRPJ e à CSLL, vencido os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias, que rejeitaram essa preliminar quanto à CSLL do 4°. trimestre de 1999 e, no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para: (1) afastar as exigências referentes aos 1°., 2°. e 3°. trimestres dos anos de 2000 a 2003; (2) excluir das exigências remanescentes as glosas das despesas de INSS e FGTS, nos termos do relatório e voto que passaram a integrar o julgado. A ementa do Acórdão está assim vazada: I.R.P.J. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O Imposto de Renda se submete à modalidade de lançamento por homologação, vez que é exercida pelo sujeito passivo a atividade consistente em determinar a matéria tributável, o cálculo do tributo e o pagamento do "quantum" devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação. Assim, dispõe o Fisco do prazo de 5 anos, contado da ocorrência do fato gerador, para homologálo ou exigir seja complementado o eventual pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (exvi do disposto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN). I.R.P.J. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. ENCARGOS SOCIAIS. CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL E PARA O FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO. Exigindo nosso ordenamento jurídico que os trabalhadores aqui contratados, para prestação de serviços no exterior, figurem no rol dos segurados obrigatórios da Previdência Social, como beneficiários de depósitos em favor do FGTS e do PIS, os encargos suportados pela pessoa jurídica aqui sediada podem ser apropriados com custo ou despesas operacionais. LANÇAMENTO "EX OFFICIO". NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. — FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA TENDO POR BASE O LUCRO REAL MENSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Ato Administrativo de Lançamento padece de vício insanável quando o fundamento de fato não se subsumir à hipótese descrita pela regra jurídica invocada. Nulo é o ato viciado por conter essa falta de correspondência entre o motivo ou causa (fatos que deram originaram à ação de natureza administrativa) da lavratura do Auto de Infração e da regra jurídica dada por violada em sua motivação. PROCEDIMENTOS REFLEXOS A decisão, prolatada no processo instaurado contra a pessoa jurídica, intitulado de principal ou matriz, da qual resulte declarada a materialização ou insubsistência do suporte fático que também embasa a relação jurídica referente à exigência materializada contra a Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10680.003640/200536 Acórdão n.º 9101001.378 CSRFT1 Fl. 2 3 mesma empresa, aplicase, por inteiro, aos denominados procedimentos decorrentes ou reflexos. Recurso conhecido e provido, em parte. A Fazenda Nacional insurgiuse contra o acórdão na parte em que a Câmara, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência do lançamento de CSLL com relação ao 4º trimestre de 1999, alegando contrariedade ao art. 45 da Lei nº 8.212/91. Por seu turno, o contribuinte apresentou recurso em relação à manutenção da exigência do quarto trimestre dos anos de 2000 e seguintes, alegando dissídio jurisprudencial, trazendo como paradigma o Acórdão 10323.018, cuja ementa, quanto a esta matéria, encontra se assim redigida: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 APURAÇÃO DO RESULTADO. OPÇÃO PELO REGIME ANUAL DESOBEDIÊNCIA. Demonstrado nos autos que o sujeito passivo optou regulamente pelo regime de apuração anual do imposto, não pode a Fiscalização desconsiderar a opção e apurar o resultado trimestralmente e, ainda mais, utilizando sistemática equivocada. Os recursos foram admitidos. É o relatório. Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso da Fazenda Nacional A questão levantada pela PFN reside no fato de não ter sido considerada, no caso, a aplicabilidade do art. 45 da Lei 8.212/91, que estabelece o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições para a seguridade social. Ocorre que o dispositivo legal cuja aplicação pleiteia a PFN foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que editou, a respeito, a Súmula Vinculante nº 8. Dessa forma, nos termos do que dispõe o art. 103A da Constituição Federal, referido dispositivo não pode ser invocado como contrariado, para justificar recurso especial. Isto posto, Não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Recurso do Contribuinte. O lançamento objeto do acórdão vergastado está fundado em glosa de custos/despesas. O recurso do contribuinte relacionase com sua opção pelo lucro real anual, ao passo que a fiscalização, no lançamento de ofício, fez a apuração por trimestre. A matéria foi assim tratada no voto condutor do acórdão recorrido: Regra geral o imposto de renda da pessoa jurídica deve ser determinado considerandose como período de apuração o trimestre, compreendendo: i) primeiro trimestre os meses de janeiro a março; ii) segundo trimestre os meses de abril a junho; iii) terceiro trimestre os meses de julho a setembro; e iv) quarto trimestre os meses de outubro a dezembro de cada ano calendário. A lei concede às pessoas jurídicas o direito de optar pelo pagamento do imposto em cada período mensal, por estimativa, devendo, neste caso, apurar o lucro real no dia 31 de dezembro de cada ano. Uma vez exercido o direito de optar pela tributação tendo por base o lucro real, seja trimestral ou anual sua apuração, será tal opção irretratável, com validade para todo o anocalendário. Em sendo definitiva, cabe à autoridade lançadora observar, na hipótese de exigência de tributo ou contribuição por ato de sua iniciativa, ou por ato de oficio, o período e o regime de tributação assumido pela pessoa jurídica, sendolhe defeso impor qualquer alteração, notadamente para o fim de adoção de outro período de apuração do lucro real. Afinal, decidiu a Câmara: ii) declarar insubsistente o lançamento relativamente às despesas consideradas desnecessárias, por inobservado o período de apuração eleito pelo sujeito passivo, relativamente Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10680.003640/200536 Acórdão n.º 9101001.378 CSRFT1 Fl. 3 5 aos primeiros, segundos e terceiros trimestres dos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003. No caso submetido à 1ª Câmara, que tratou de glosa de despesas, entendeu o Colegiado que, não obstante não poder a autoridade fiscal lançar os tributos considerando ocorridos fatos geradores em 31 de março, 30 de junho e 30 de setembro de cada ano, a glosa efetuada quanto ao fato gerador ocorrido em 31 de dezembro é procedente. O paradigma tratou de compensação de prejuízos a maior por inobservância da trava. Ao impugnar a exigência, o sujeito passivo informou ter feito opção pela sistemática do lucro real anual, e que a autoridade fiscal calculou as compensações permitidas pela legislação com base na sistemática do lucro real trimestral, aumentando indevidamente a base de cálculo do IRPJ. Aduziu que, ademais, apurou prejuízo fiscal no anocalendário de 1997, inexistindo fato gerador do IRPJ, sendo, pois desnecessário compensar prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores A Delegacia de Julgamento em São Paulo considerou que a Fiscalização, ao apurar o imposto trimestralmente, não respeitou a opção do sujeito passivo pelo cálculo anual e, além disso, a autoridade lançadora tratou os resultados acumulados como mensais alcançando valor tributável distorcido. Com essa motivação, cancelou o lançamento, recorrendo de ofício ao Conselho. Apreciando o recurso de ofício, assentou a 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: (...) se a DIRPJ do anocalendário confirma a opção anual e a escrituração não contradiz esse fato, não cabe ao Fisco ignorar essa circunstância e apurar o imposto em sistemática mais prejudicial ao sujeito passivo, principalmente se for levado em conta a apuração de prejuízo ao final do anocalendário. Além disso, a autoridade lançadora equivocouse no levantamento do valor tributável por ter considerado os resultados acumulados como se fossem mensais, distorcendo a base de cálculo. Em vista do exposto, nos moldes em que foi formalizada não pode prosperar a exigência para o anocalendário de 1997, motivo pelo qual foi correta a decisão recorrida em cancelála. Em ambos os acórdãos (o recorrido e o paradigma) decidiuse que se o sujeito passivo optou regularmente pelo regime de apuração anual do imposto, a fiscalização não pode desconsiderar sua opção e fazer a apuração mensal ou trimestral (conforme o ano calendário a que se refira). Assim, rigorosamente, a 1ª Câmara não deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe deu a 3ª Câmara. A divergência quanto no resultado do julgamento decorreu exclusivamente de diferenças fáticas. Dessa forma, como visto acima, não caracterizada a divergência na interpretação da lei tributária, não conheço do recurso. É como voto. Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 6 Sala das Sessões, em 04 04 de junho de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 13891.000092/00-83
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1990, 1991
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 13/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 1990, 1991 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 00 00 92 /0 0- 83 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Em 12/05/2000, Edino Santoro & Irmãos por meio dos documentos de fls. 01/24, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) excedentes ao 0,5% relativo ao período de 09/1990 a 06/1991. A Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar o recurso especial interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° CSRF/0305.898, que se encontra às fls. 122/126 e cuja ementa é a seguinte: “FINSOCIAL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o tenho a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/1995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. Precendentes: AC. CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131404 e 30131.321. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13891.000092/0083 Acórdão n.º 9900000.424 CSRFPL Fl. 9 3 Recurso Especial de Divergência da Fazenda Nacional Negado." Intimada do acórdão em 06/03/2009 (fls. 128) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário de fls. 130/140, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, proferido pela 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 164/2008 de 24/04/2009 (fls. 149/150). Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte deixou de apresentar contrarazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, em relação ao dies a quo para contagem do prazo prescricional para repetição de indébito preenche os requisitos de admissibilidade. O Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, encontrase assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte.” Verifico que a divergência está caracterizada na interpretação, dada pelos julgadores da Segunda e Terceira Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da norma que define o prazo e seu termo inicial de contagem, para o exercício do direito de restituição de indébito tributário. O dissídio jurisprudencial resta claro ante o confronto das referidas decisões enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos iniciase a partir da publicação no DOU da Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, no acórdão paradigma é a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Dessa forma, conheço do recurso extraordinário interposto. No mérito, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o prazo para restituição de tributos cuja inconstitucionalidade ou não incidência foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado, pela Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 autoridade fiscal ou por ato do Poder Legislativo deveria se dar a partir da data de publicação do ato que reconheceu tal circunstância. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13891.000092/0083 Acórdão n.º 9900000.424 CSRFPL Fl. 10 5 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Nos termos da decisão acima referida, temse que é despicienda para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado, da lei instituidora do tributo a ser restituído. No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13891.000092/0083 Acórdão n.º 9900000.424 CSRFPL Fl. 11 7 del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. No presente caso, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 12/05/2000, verificase que de fato não ocorreu a decadência em relação a recolhimentos de FINSOCIAL relativos às competências de 09/1990 (fato gerador de 30/09/1990) até 06/1991 (fato gerador de 30/06/1991), haja vista que não ocorreu o transcurso de mais de 10 anos entre a data do pedido de restituição e a data da ocorrência do respectivo fato gerador do tributo. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10735.002470/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Comprovado, através de documentos idôneos trazidos aos autos, que a
pensão alimentícia paga pelo Recorrente fora homologada em juízo e
comprovada a efetividade de seu pagamento às respectivas beneficiárias, deve a referida despesa ser restabelecida.
Numero da decisão: 2102-001.880
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Comprovado, através de documentos idôneos trazidos aos autos, que a pensão alimentícia paga pelo Recorrente fora homologada em juízo e comprovada a efetividade de seu pagamento às respectivas beneficiárias, deve a referida despesa ser restabelecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 13/03/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Fl. 45DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Em face do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 03/05 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas deduzidas por ele a título de: a) despesas médicas; e b) pensão alimentícia, tudo no ano de 2004. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01, por meio da qual requereu o seu cancelamento, em razão dos documentos então acostados. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em Brasília decidiram pela manutenção parcial do lançamento, tendo acolhido integralmente o valor originalmente deduzido a título de despesas médicas. O pagamento efetuado a título de pensão alimentícia não foi acolhido por não ter o contribuinte trazido aos autos a prova de que se tratava de pensão decorrente de decisão judicial. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 33, por meio do qual apresentou cópia do ofício expedido pela 16ª Vara de Família do Rio de Janeiro, o qual demonstraria a efetividade da pensão cuja dedução era pleiteada. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 17.11.2009, como atesta o documento de fls. 32. O Recurso Voluntário foi interposto em 16.12.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento gerado em razão da glosa de despesas médicas e com pensão alimentícia. A glosa das despesas médicas foi revista através da decisão recorrida, que acolheu os valores comprovados pelo Recorrente, restando agora somente a análise de suas alegações no que diz respeito à glosa da pensão alimentícia no valor de R$ 14.549,70. Esta parte do pedido do Recorrente deixou de ser acolhida pela decisão recorrida não pela falta de comprovação do pagamento, mas sim pela falta de comprovação de que a pensão fosse decorrente de decisão judicial. É o que demonstra o seguinte trecho da decisão recorrida, verbis: Em sua defesa, o impugnante junta aos autos o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fls. 06) emitido pela Comissão Nacional de Energia Nuclear, no qual consta a informação de pagamento de pensão alimentícia à beneficiária Angélica de Araújo Rodrigues, no valor de R$ 13.349,14, contudo a dedução de pensão alimentícia não poderá ser acatada, urna vez que não resta comprovado que esse pagamento foi oriundo de determinação judicial ou acordo homologado judicialmente. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.002470/200751 Acórdão n.º 210201.880 S2C1T2 Fl. 40 3 Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente trouxe aos autos cópia (cuja autenticidade foi devidamente verificada e atestada) de ofício expedido pela 16º Vara de Família do Rio de Janeiro. Tal ofício demonstra que em razão do que foi acordado entre as partes no processo nº 2001.061.0087692, deveria o empregador do Recorrente (CNEN) proceder ao desconto do valor correspondente ao percentual de 50% dos seus rendimentos líquidos a título de pensão em favor de ANGELICA DE ARAUJO RODRIGUES e KARINA AYRES RODRIGUES (que, ao que parece, seriam a exconjuge do Recorrente e sua filha). Restou assim comprovado que a pensão alimentícia cuja dedução pretendeu o Recorrente fora, de fato, reconhecida através de decisão judicial, preenchendo o requisito da lei para que pudesse ser feita a sua dedução na DIRPF. Outrossim, o valor objeto da glosa foi de R$ 14.549,70, que corresponde exatamente ao valor constante do comprovante de rendimentos expedido pela CNEN e acostado às fls. 06 dos autos. Preenchidos, assim, todos os requisitos da lei para que o Recorrente possa deduzir a pensão em questão. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 47DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10680.011365/2007-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Não restando caracterizado o lançamento por homologação, em face da inexistência de pagamento antecipado da contribuição, o prazo de decadência do direito do Fisco lançar a contribuição rege-se pela regra do art. 173, inciso I, do CTN. IMUNIDADE. ART. 150, VI, “C” DA CF/88. A imunidade a que se refere o art. 150, VI, alínea “c” da CF/88 só se aplica a impostos. IMUNIDADE. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001, ART. 14, X. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A receita da atividade própria de uma entidade, cuja finalidade social é a difusão do ensino, é composta pelas doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de associados, mantenedores e colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção das suas atividades sem fins lucrativos. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços ou da conjugação de ambos, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
Numero da decisão: 3403-001.700
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da contribuição as receitas patrimoniais e as receitas financeiras, por não integrarem o faturamento. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz, que votaram no sentido de prover integralmente o recurso. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz apresentou declaração de voto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Não restando caracterizado o lançamento por homologação, em face da inexistência de pagamento antecipado da contribuição, o prazo de decadência do direito do Fisco lançar a contribuição regese pela regra do art. 173, inciso I, do CTN. IMUNIDADE. ART. 150, VI, “C” DA CF/88. A imunidade a que se refere o art. 150, VI, alínea “c” da CF/88 só se aplica a impostos. IMUNIDADE. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/2001, ART. 14, X. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A receita da atividade própria de uma entidade, cuja finalidade social é a difusão do ensino, é composta pelas doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de associados, mantenedores e colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção das suas atividades sem fins lucrativos. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços ou da conjugação de ambos, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da contribuição as receitas patrimoniais e as receitas financeiras, por não integrarem o faturamento. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz, que votaram no sentido de prover integralmente o recurso. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz apresentou declaração de voto. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 16/08/2007, lavrado para exigir o crédito tributário relativo à COFINS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento da contribuição em relação aos fatos geradores compreendidos entre janeiro de 2002 e dezembro de 2003. Segundo a descrição dos fatos, a fiscalização lançou a contribuição devida sobre as receitas não originárias das atividades próprias da pessoa jurídica. A base de cálculo adotada pelo exator abrangeu receitas das mensalidades escolares, receitas financeiras, aluguéis e rendas de utilização de imóveis, conforme planilhas de fls. 09/11. Em sede de impugnação, a defesa alegou o seguinte: 1) conforme o art. 2º de seu contrato social, a recorrente é pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, de caráter educacional, beneficente e de assistência social; 2) sendo uma instituição que presta exclusivamente serviços de assistência social e de educação, é beneficiária da imunidade prevista no art. 151, VI, “c” e art. 195, § 7º da CF/88; 3) a jurisprudência é unânime no sentido de que a norma insculpida no art. 195, § 7º da Constituição Federal trata de imunidade, e como tal a sua interpretação tem sentido amplo. Por outro lado, também a norma que regula a imunidade foi trazida ao mundo jurídico pela Lei Complementar nº 70/91, não podendo ser alterada por Medida Provisória. Finalmente, a Instrução Normativa nº 247/2002 extrapola todos os limites quando estabelece a definição de “receitas vinculadas à atividade”; 4) a Constituição de 1988 não autoriza a manutenção da tese de que a lei ordinária possa cumprir o papel de regular as imunidades, exigindo expressamente que tal regulação se dê por meio de Lei Complementar; 5) a Medida Provisória nº 2.15835 acabou por revogar o art. 6º da Lei Complementar nº 70/91 e posteriormente disciplinou a imunidade, impropriamente chamada de isenção, limitandoa às receitas derivadas de suas atividade próprias, colidindo frontalmente com os preceitos constitucionais; Fl. 600DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10680.011365/200796 Acórdão n.º 3403001.700 S3C4T3 Fl. 2 3 6) nessas condições o raciocínio lógico conduz à interpretação de que a impugnante se beneficia da imunidade estabelecida no art. 195, I, parágrafo 7º da CF/88, sendo absolutamente inconstitucionais as alterações da MP nº 2.158/2001; 7) o dispositivo constitucional remete à lei complementar como veículo competente para disciplinar as hipóteses em que são aplicáveis as imunidades (para o caso de contribuições sociais, impropriamente chamadas de isenções, previstas no parágrafo 7º do art. 195 da CF), sendo interessante evidenciar que as condições se encontram estabelecidas no art. 14 da Lei nº 5172/66 (CTN); 8) sem sombra de dúvidas que a atividade própria é aquela descrita em seu estatuto, que lhe permite angariar fundos para a manutenção de seu fim social, motivo pelo qual foi constituída. O art. 55 do Código Civil exige que o estatuto social contenha as fontes de recursos para a manutenção da entidade. Esses seriam os recursos advindos da atividade própria da entidade. Todavia, a Receita Federal, por meio das INs SRF nº 247/02 e 543/05 conceituou as receitas derivadas das atividades próprias das entidades sem fins lucrativos, sem que houvesse qualquer previsão legislativa para tanto. Além de tratar de matéria que estava fora da sua competência, as instruções normativas trouxeram um conceito bem restrito do que seria receita derivada da atividade própria, definindoa como sendo apenas os valores recebidos sem caráter contraprestacional; e 9) a Medida Provisória nº 215835/2001, ao definir que a imunidade da COFINS passaria a ser exclusivamente em relação às atividades próprias das entidades, acabou por amesquinhar a imunidade constitucional assegurada, usurpando competência que seria exclusiva da Lei Complementar, como estabelece o art. 146, III, da CF/88. A 1ª Turma da DRJ Belo Horizonte, por meio do Acórdão nº 22.859, de 06/07/2009, manteve o lançamento. Ficou decidido que a recorrente não faz jus nem à imunidade do art. 150, VI, “c” e nem à imunidade do art. 195, § 7º da CF/88, em razão de: a) não ser entidade de assistência social, uma vez que oferece educação a um grupo social capaz de arcar com o pagamento das mensalidades, o que caracteriza uma contraprestação por vínculo contratual, sem nenhum caráter assistencial; 2) do fato de não possuir fins lucrativos, não decorre que a instituição de educação seja uma entidade de assistência social; 3) o contribuinte não faz jus à isenção prevista no art. 13, III, combinado com o art. 14, X, da MP nº 2.15835/2001 porque as receitas tributadas possuem nítido caráter contraprestacional; 4) quanto aos argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade, não cabe à autoridade administrativa apreciálos. Regularmente notificado daquele Acórdão em 21/09/2009 (AR de fl. 237), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 240 a 284 em 06/10/2009 (fl. 240), no qual reprisou os argumentos oferecidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 DDAA DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA DDOO DDIIRREEIITTOO DDOO FFIISSCCOO EEFFEETTUUAARR OO LLAANNÇÇAAMMEENNTTOO.. Verificase que o contribuinte tomou ciência do auto de infração no dia 16/08/2007 e que o lançamento abarcou fatos geradores do período de janeiro de 2002 a dezembro de 2003. Na fl. 14 o contribuinte declarou que não efetuou recolhimentos da contribuição nesse período por se considerar abrigado pela imunidade prevista no art. 150, VI, “c” da Constituição. No que concerne à decadência, este Colegiado está vinculado ao teor da Súmula Vinculante nº 8 do STF e à decisão proferida pelo STJ no RESP nº 973.733, submetido ao regime do art. 543C do CPC. Nesse julgado o STJ considerou que o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer iniciativa do fisco no sentido de promover a sua exigência, é um fato relevante para caracterizar o lançamento por homologação. Se a antecipação do pagamento não for feita pelo contribuinte, o lançamento por homologação não se aperfeiçoa, sendo inaplicável a regra do art. 150, § 4º do CTN. No caso dos autos, inexistindo pagamentos antecipados, a regra aplicável à contagem do prazo de decadência é a do art. 173, inciso I, do CTN, o que conduz à conclusão de que o lançamento permanece hígido em relação a todos os fatos geradores por ele abarcados. MMÉÉRRIITTOO.. De início, cumpre rechaçar a possibilidade das contribuições destinadas à seguridade social serem incluídas nos casos de imunidade previstos no art. 150, inciso VI, “c” da Constituição Federal. É cediço que a imunidade ali referida somente se aplica aos impostos, espécie tributária distinta das contribuições para a seguridade social tais como o PIS e a Cofins. Confirase o entendimento do E. STF: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA SOBRE OPERAÇÕES RELATIVAS A ENERGIA ELÉTRICA, SERVIÇOS DE COMUNICAÇÕES, DERIVADOS DE PETRÓLEO, COMBUSTÍVEIS E MINERAIS DO PAÍS. IMUNIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A COFINS e a contribuição para o PIS, na presente ordem constitucional, são modalidades de tributo que não se enquadram na de imposto, e como contribuições para a seguridade social não estão abrangidas pela imunidade prevista no artigo 150, VI, da Constituição Federal nem são alcançadas pelo princípio da exclusividade consagrado no § 3º do artigo 155 da mesma Carta. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.” (AGRRE224957/AL Relator Min. MAURÍCIO CORRÊA Julgamento 24/10/2000 Segunda Turma) Encontrase a previsão de imunidade para tais espécies tributárias no art. 195, § 7º da Carta Magna, que dispõe: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei” (destaquei) Em primeira aproximação, impende examinar qual seria a natureza jurídica da lei acima mencionada. Tratase de lei ordinária ou complementar? O artigo 146 da Carta Política assim preceitua: Fl. 602DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10680.011365/200796 Acórdão n.º 3403001.700 S3C4T3 Fl. 3 5 “Cabe à lei complementar: II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar;” Tendo em vista que as regras de imunidade tributária estão inseridas nas “Limitações do Poder de Tributar”, poderseia advogar o entendimento de que a lei referida no parágrafo 7º do artigo 195 seria complementar, residindo aí a inconstitucionalidade das leis ordinárias sobre a matéria. Todavia, essa interpretação não procede. É conhecida, perante a doutrina e jurisprudência, a classificação do Professor José Afonso da Silva (in “Aplicabilidade das Normas Constitucionais”, Ed. RT 2ª ed. 1982) sobre a eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais. Extraise de suas lições a concepção de que as normas constitucionais que contenham vedações ou proibições ou, ainda, que confiram imunidades e prerrogativas, possuem eficácia plena, aplicabilidade direta, imediata e integral. Pois bem, estando a norma provida desses atributos, é desnecessária a edição de lei complementar para regular as limitações do poder de tributar (imunidade), haja vista a plena eficácia da norma constitucional, que dispensa qualquer integração. Em verdade, o sentido da oração “que atendam às exigências estabelecidas em lei”, lançado no período composto impresso no referido preceptivo constitucional, não é o de condicionar ou restringir os efeitos da norma imunizante, mas sim o de estabelecer o desenho jurídico, as características das entidades beneficiárias da imunidade tributária. Ora, essas exigências não se destinam a regular a eficácia da norma, pois esta, como já se afirmou, é plena. A rigor, buscase, dentro do campo estritamente tributário, definir o contorno jurídico das entidades beneficentes de assistência social beneficiárias da regra de imunidade. Até mesmo do ponto de vista lógico, é certo que, antes de se aplicar a regra de imunidade, necessária se faz a delimitação e a identificação de quem serão os seus beneficiários. É esse o sentido da exigência de se atender aos requisitos da lei, ou seja, preestabelecer condições jurídicas para o gozo de uma imunidade tributária. Isso vem ao encontro do que preceitua o artigo 14 do Código Tributário Nacional CTN, o qual, embora esteja inserido dentro de uma lei ordinária recepcionada com força de lei complementar, nessa parte, o referido Código não cuida de matéria afeta ao campo delimitado no artigo 146 da Carta Magna, nada obstaculizando o seu tratamento por lei ordinária, pois não se está diante de um conflito de competências tributárias (art. 146, I), nem de assunto ligado a normas gerais de direito tributário (art. 146, III) e muito menos de regular limitação ao poder de tributar (art. 146, II), haja vista a plena eficácia da norma imunizante plasmada no artigo 195, § 7º, cuja aplicabilidade direta, imediata e integral dispensa restrição. Por outro lado, apenas ad argumentandum, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que instituiu a Cofins, determina em seu art. 6º, inciso III, que: “Art. 6º São isentas da contribuição: III as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei .”(o grifo não é do original) Fl. 603DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Assim, a própria Lei Complementar instituidora da Cofins faz remissão à lei ordinária, mantendo, inclusive, a redação da Constituição Federal. A Lei nº 8.212/91, no seu art. 55, aplicável à época dos fatos geradores albergados neste processo, relacionava os prérequisitos para a utilização da imunidade. Portanto, não existe nenhum óbice jurídico que impeça que a matéria seja disciplinada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001. Relativamente à isenção da Cofins a partir de fevereiro de 1999, em vista da edição da Medida Provisória nº 1.8586/99 (atual 2.15835/2001), cabe esclarecer que esta prevê em seu artigo 14 a isenção da contribuição apenas em relação às receitas obtidas nas atividades próprias das entidades relacionadas no artigo 13, assim entendidas suas receitas típicas, como as contribuições, doações, anuidades ou mensalidades de seus associados e mantenedores, destinadas ao custeio e manutenção da instituição e execução de seus objetivos estatutários, mas que não tenham cunho contraprestacional. Deflui tal conclusão da análise da evolução da legislação sobre a Cofins. Vejamos. A Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, foi instituída pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 199l, que estabeleceu como contribuintes as pessoas jurídicas em geral, inclusive as a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda (art. 1°), e isentou as sociedades cooperativas, as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada e as entidades beneficentes de assistência social (art. 6º). De sua base de cálculo tratava o art. 2º, assim redigido: "Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de 2% (dois por cento) e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (grifei) Com base nesse dispositivo, foi publicado o Parecer Normativo CST nº 5, de 22 de abril de 1992, a respeito da incidência da contribuição sobre a receita das associações, sindicatos, federações e demais entidades classistas, e do qual destacase o seguinte: “Quando da vigência da contribuição ao Finsocial, criada pelo Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, o Regulamento baixado pelo Decreto nº 92.698, de 21 de maio de 1986, colocou fora do campo de incidência do Finsocial, as receitas ou os resultados das operações próprias daquelas entidades, posto que as mesmas não se situam no conceito de empresa a que se referia a citada matriz legal do FINSOCIAL. Outra é porém, a situação proposta pela Lei Complementar nº 70, de 1991, que erigiu à condição de contribuinte não as empresas (públicas ou privadas) como o fez o Decretolei nº 1.940, de 1982, mas sim as pessoas jurídicas, inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda. Desse modo, não só as empresas, como todas as outras entidades com personalidade de direito privado serão alcançadas pela nova contribuição. Portanto, é de se concluir que os pressupostos para a nãoincidência do FINSOCIAL sobre as receitas das entidades retrocitadas não estão presentes na recéminstituída contribuição social para financiamento da seguridade social. Por outro lado, é de atentar para o fato de que a contribuição em foco incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de Fl. 604DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10680.011365/200796 Acórdão n.º 3403001.700 S3C4T3 Fl. 4 7 mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza (art. 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991). Nesse ponto, deve ser destacado que é extravagante à base de cálculo da contribuição (faturamento mensal) as receitas auferidas pelas entidades em comento, porquanto não se pode cogitar tratarse de faturamento a contribuição, anuidade ou mensalidade fixada por lei, assembléia ou estatutos daquelas entidades e destinada ao custeio do sistema confederativo (Constituição de 1988, art. 8º, inciso IV) ou de suas atividades essenciais. Entretanto, quando as entidades aqui tratadas auferirem receitas decorrentes da prestação de serviços ou da venda de mercadorias, mesmo que exclusivamente para seus associados, incidirá a contribuição de dois por cento sobre essas receitas, posto que aquelas entidades não estão isentas da mesma.” (grifei) Da leitura desse excerto inferese que, em relação às entidades mencionadas no PN CST nº 5/1992, as receitas obtidas por meio de contribuições pagas pelos associados, que tivessem por finalidade exclusivamente a manutenção da entidade e o alcance de suas finalidades estatutárias, uma vez que não poderiam ser consideradas “faturamento”, estariam fora do campo de incidência da contribuição. Outra seria, contudo, a situação das receitas oriundas da prestação de serviços e da comercialização de mercadorias, que deveriam ser oferecidas à tributação. Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, ampliouse a base de cálculo da Cofins, que passou a incidir sobre a receita bruta da pessoa jurídica, assim considerada a totalidade das receitas por ela auferidas, independentemente do tipo de atividade exercida ou da classificação contábil adotada para suas receitas. Em função disso, entidades e receitas anteriormente não alcançadas pela Cofins passaram a sofrer a incidência deste tributo. Essa alteração legislativa trouxe insegurança quanto à situação das entidades sem fins lucrativos que, no regime legal anterior, se sujeitavam à Cofins apenas quando auferissem receitas que tivessem cunho contraprestacional (decorrentes da prestação de serviços e/ou venda de bens, por exemplo). Com a acepção de faturamento veiculada pelo artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, as receitas próprias de suas atividades, como contribuições, anuidades ou mensalidades fixadas por assembléia ou destinadas ao custeio de suas atividades essenciais deveriam ser incluídas na base de cálculo da contribuição. Contudo, cumpre observar que os artigos dessa lei referente à Cofins só produziram efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de lº de fevereiro de 1999. Acontece que logo em seguida foi editada a Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de julho de 1999 (reeditada sucessivas vezes), a qual, em seu art. 14, X, isentou da Cofins, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas relativas às atividades próprias das entidades relacionadas no art. 13 do mesmo diploma normativo. Observese, entretanto, que a isenção não abrange todas as receitas das entidades beneficiadas, mas tão somente as receitas das atividades próprias. Dessa forma, o legislador quis excluir da tributação apenas as receitas típicas dessas entidades, ou seja, exatamente aquelas que não eram alcançadas pela legislação anterior. Dessa maneira, receitas que não são consideradas típicas das entidades beneficiadas, tais como as provenientes de prestações de serviços, vendas de mercadorias e Fl. 605DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 aplicações financeiras, continuam sujeitas à Cofins, pois se o legislador quisesse excluir da incidência desta contribuição todas as receitas obtidas pelas entidades elencadas no art. 13, teria concedido isenção subjetiva, e não restringido o beneficio apenas a certas receitas. Essa interpretação foi adotada pela IN SRF nº 247/2002 e, posteriormente, pela IN SRF nº 543/2005. O contribuinte alegou a ilegalidade do art. 47, § 2º da IN nº 247/2001, pois no seu entender ele teria restringido o conceito de receitas provenientes das atividades próprias àquelas provenientes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto. Não vislumbro o vício alegado. Em primeiro lugar porque, ao contrário do alegado, a interpretação adotada pelo art. 47, § 2º da IN nº 247/2002 não afronta o art. 54 do Código Civil, que apenas estabeleceu os requisitos que o estatuto de uma associação sem fins lucrativos deve conter para não ser considerado nulo. O art. 54 do Código Civil estabelece, entre outros requisitos, que o estatuto deve conter a denominação, os fins e a sede da associação (inciso I) e as fontes de recursos para sua manutenção (inciso IV). Essas disposições não estão em conflito com o art. 47, § 2º da IN SRF nº 247/2002. Em segundo lugar, a Administração Tributária está autorizada pelo art. 100, inciso I, do CTN a baixar normas complementares à legislação tributária. Assim, a Receita Federal, entre as várias possibilidades interpretativas oferecidas por determinado texto legal, pode adotar uma delas e tornála obrigatória para os contribuintes, por meio de atos administrativos gerais e abstratos sem que isso configure ilegalidade. Portanto, as receitas que tenham um cunho contraprestacional específico, tais como aquelas resultantes da prestação de serviços para terceiros, não podem ser caracterizadas como receitas próprias de entidades sem fins lucrativos e, por tal motivo, continuam sujeitas à incidência da contribuição. Contudo, verificase no auto de infração que a fiscalização efetuou o lançamento considerando o disposto no art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, ou seja, englobou no conceito de faturamento a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. É cediço que o Supremo Tribunal Federal ao julgar o Recurso Extraordinário nº 357.950, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e a constitucionalidade do art. 8º da referida lei. A análise do inteiro teor daquela decisão revela que somente as receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços podem sofrer a incidência do PIS e da Cofins, uma vez que o Tribunal considerou que o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 era incompatível com o art. 195, I, “b” da Constituição, em sua redação original, e que a mácula do dispositivo legal não desapareceu com a superveniência da EC nº 20/98. Existindo decisão definitiva do STF, proferida em sede de controle difuso, a questão que se coloca é a possibilidade de a Administração Pública estendêla aos demais contribuintes. Relativamente à extensão administrativa dos efeitos das decisões do STF em matéria tributária, o art. 77 da Lei nº 9.430/96 estabelece que: Fl. 606DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10680.011365/200796 Acórdão n.º 3403001.700 S3C4T3 Fl. 5 9 “Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais.” (Grifei) Em cumprimento a esse enunciado legal foi baixado o Decreto nº 2.346/97, que assim dispôs em seu art. 4º e parágrafo único: “Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.” (Grifei) Tanto o art. 77 da Lei nº 9.430/96 quanto o caput do art. 4º do Decreto nº 2.346/97 exigiram apenas que a decisão proferida pelo STF seja definitiva, não havendo nenhuma ressalva quanto à necessidade de prévia Resolução do Senado em relação às declarações de inconstitucionalidade proferidas em sede de controle difuso. Em matéria tributária, portanto, por meio do caput do art. 4º do Decreto nº 2.346/97 a Administração Tributária Federal está autorizada pelo Presidente da República a aplicar a interpretação fixada pelo STF independentemente da publicação da Resolução do Senado, bastando, para tanto, a expedição de um ato administrativo do Secretário da Receita Federal ou do Procurador Geral da Fazenda Nacional, para que os órgãos da Administração Tributária ativa se abstenham de aplicar a lei inconstitucional. Se para os órgãos da Administração Tributária ativa o Presidente da República estabeleceu regra especial no caput do art. 4º do Decreto nº 2.346/97, para os órgãos da Administração Tributária judicante foi estabelecida regra específica no parágrafo único. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 Essa regra alcança não só as Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas também as Turmas das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, pois o parágrafo único se refere expressamente à impugnação ou recurso e à órgãos julgadores singulares ou coletivos, abrangendo tanto o julgamento em primeira, quanto em segunda instância e, também, o julgamento em instância especial. Tendo em vista que o parágrafo único do art. 4º estabeleceu uma regra de exceção em relação ao caput, é evidente que os órgãos da Administração Tributária judicante não precisam aguardar que sobrevenham atos administrativos do Secretário da Receita Federal ou do Procurador Geral, e, tampouco, a publicação da Resolução do Senado, suspendendo a eficácia da norma declarada inconstitucional em sede de controle difuso. Isto porque tal exigência foi estabelecida no art. 1º do Decreto nº 2.346/97 em caráter geral para os demais órgãos da Administração Pública e apenas em relação à matéria não tributária. Em outras palavras, o art. 1º do Decreto nº 2.346/97 trouxe uma disposição genérica em relação aos “Órgãos da Administração Pública Federal direta e indireta”, cuja incidência em matéria tributária é excluída pelas regras especiais criadas no art. 4º . Observese que o art. 77 da Lei nº 9.430/97 foi específico quando mencionou a “administração tributária federal”. Já o art. 1º do Decreto nº 2.346/97 se refere genericamente à “Administração Pública Federal direta e indireta”. É inequívoco que no Decreto nº 2.346/97 temos três regras distintas disciplinando a extensão dos efeitos das decisões do STF. Uma regra geral no art. 1º do Decreto, que serve genericamente para todos os órgãos da Administração Federal, no caso de declarações de inconstitucionalidade proferidas em ações diretas. Outra regra no caput do artigo 4º que é específica para a Administração Tributária ativa. E, por fim, a regra que se constitui na exceção da exceção, que se encontra no parágrafo único, cujos destinatários são os órgãos singulares e coletivos da Administração Tributária judicante. Portanto, é fácil concluir que o art. 77 da Lei nº 9.430/97 foi regulamentado pelo art. 4º do Decreto nº 2.346/97 e não pelo art. 1º que é uma regra geral. Se a Administração Tributária ativa ou judicante precisasse aguardar a publicação de Resolução do Senado nos casos de declaração de inconstitucionalidade em sede de controle difuso, a redação do Decreto nº 2.346/97 poderia ter parado no art. 2º. Aliás, caso se aceite tal interpretação, seria prescindível a própria expedição do Decreto, uma vez que é do conhecimento de todos que a Resolução do Senado suspende a execução da norma inconstitucional com força erga omnes, o que alcançaria também toda a Administração Pública Federal. Desse modo, independentemente de pedido específico do contribuinte, nos casos de impugnação ou de recurso não definitivamente julgados, como se dá no caso presente, deve a Administração Tributária judicante adotar a interpretação fixada pelo Supremo Tribunal Federal e afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional, independente da publicação de Resolução do Senado ou da manifestação de qualquer outra autoridade, pois está autorizada diretamente pelo Presidente da República a fazêlo. Essa interpretação foi chancelada por meio do art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Tendo sido declarada a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, tornase aplicável a base de cálculo prevista no caput deste dispositivo, com a significação que sempre teve no âmbito tributário, qual seja: a receita bruta, proveniente da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10680.011365/200796 Acórdão n.º 3403001.700 S3C4T3 Fl. 6 11 O exame dos demonstrativos de fls. 09/11 revelam que devem ser excluídas das bases de cálculo mensais da contribuição, por não se incluírem no faturamento as seguintes receitas: 1) receitas patrimoniais; 2) juros e descontos; e 3) correção monetária de investimentos. Com essas considerações voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir do auto de infração as receitas patrimoniais e as receitas financeiras, por não integrarem o faturamento. Antonio Carlos Atulim Declaração de Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Debatese nos autos, em essência, acerca da abrangência da regra isentiva, relativamente à COFINS, contida no artigo 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/01, da qual usufruem entidades filantrópicas, culturais, científicas e associações civis sem fins lucrativos. Observo, desde logo, que a controvérsia não se dá quanto ao preenchimento dos pressupostos que subordinam a aplicação da norma isencional, até porque sequer a autoridade responsável pelo lançamento nega a satisfação dos apontados requisitos. Não é disso que se trata. É que, embora reconhecendo a incidência in casu da regra de isenção, a auditoria fiscal – escorada em normativa da Receita Federal, é verdade – lhe atribui limitada abrangência, de forma que, sob sua perspectiva, parte significativa das receitas auferidas pela recorrente está à margem da desoneração. Daí a constituição ex officio do crédito tributário, cuja base é composta pelas entradas supostamente inalcançáveis pela isenção referida. Neste cenário, permitome divergir parcialmente do voto do ilustre Relator, Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Pelo voto vencedor, o recurso voluntário acabou provido parcialmente, apenas a fim de que restassem excluídas da base de cálculo da COFINS as receitas financeiras e as patrimoniais. Isso, porém, não por imposição da regra isentiva em debate, mas em virtude da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, no que pretendeu ampliar a base imponível do tributo para abranger, a partir de fevereiro de 1999, receitas não provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços. No mais, o voluntário foi desacolhido, entendendo a maioria dos julgadores que a isenção outorgada pela MP nº 2.15835/01, artigo 14, não vai além da desoneração das receitas de caráter nãocontraprestacional direto. Por extrair do dispositivo maior amplitude, como exposto mais adiante, fiquei vencido nesta última parte. Como dito, neste tema, a controvérsia reside, essencialmente, no alcance da regra isentiva. O que se deve entender, em suma, por “receitas relativas às atividades próprias” das associações sem fins lucrativos? Fl. 609DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 Vejamos os dispositivos normativos pertinentes: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13.” “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III – instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV – instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532/97;” E de seu turno, o que estabelece este último prescritivo legal? Eis o texto: “Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. §3o Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, §2o, alíneas ‘a’ a ‘e’ e §3o e dos arts 13 e 14”. Se conjugarmos estas disposições todas (inclusive as do artigo 12, a que o artigo 15 faz remissão), teremos que os requisitos de que depende o direito à isenção são: (i) ser entidade de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico ou revestir a forma de associação civil; (ii) prestar os serviços para os quais houver sido constituída, colocandoos à disposição das pessoas a que se destinem; (iii) não perseguir finalidade lucrativa, assim entendida a não obtenção de superávit ou, quando existente este, aplicandoseo na manutenção dos objetivos associativos; (iv) não remunerar, por qualquer forma, os serviços prestados por seus dirigentes; (v) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus propósitos sociais; (vi) manter escrituração completa em livros revestidos das formalidades aplicáveis; Fl. 610DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10680.011365/200796 Acórdão n.º 3403001.700 S3C4T3 Fl. 7 13 (vii) conservar por cinco anos os documentos comprobatórios da origem de suas receitas e da efetivação de suas despesas; e (viii) apresentar anualmente a Declaração de Rendimentos. Cumprindo cumulativamente com os requisitos em tela, as associações, a exemplo da recorrente, têm direito à isenção relativamente à COFINS quanto às “receitas relativas às suas atividades próprias”. Neste particular, repiso que o auto de infração não está lastreado no suposto desatendimento dos pressupostos de que depende a outorga da isenção, e sim na amplitude objetiva do benefício que, no entender da autoridade, não abrigaria a maior parcela das receitas regularmente percebidas pela instituição. Em termos formais, podese dizer que a fiscalização aceita a realização da hipótese da regra de isenção, mas que constrói um conseqüente normativo de abrangência mais restrita do que aquela reclamada pela recorrente. Para compreender o sentido da expressão “atividades próprias” a fiscalização valese essencialmente de interpretação histórica. Recorre ao seqüenciamento legislativo da matéria para aduzir que, ao conferir a isenção, o propósito da MP no 2.15835/01 teria sido o de simplesmente restabelecer a base de cálculo da COFINS a que as associações se submetiam antes do advento da Lei no 9.718/98. Daí porque, prossegue, deverseia entender por “receitas relativas a atividades próprias” somente aquelas conseguidas gratuitamente. De minha parte, não vejo na norma posta o efeito de meramente recompor o tratamento dispensado pela LC no 70/91. No esforço de compreender o alcance da expressão é convidativo interpretá la em comparação com o sentido atribuído a outra expressão, de sentido no mínimo análogo, contida no §4o, do artigo 150, da CF/88. A pretexto de limitar a imunidade a impostos prevista para templos de qualquer culto, partidos políticos, sindicatos e também instituições de educação e assistência social, o dispositivo refere ao patrimônio, renda e serviços associados às “finalidades essenciais das entidades” em comento. Também parte da doutrina enxerga entre as duas expressões a aproximação de sentido que autoriza emprestar a interpretação construída para uma na compreensão da extensão da outra. É como pensa Leandro Marins de Souza, no seu “Tributação do Terceiro Setor no Brasil”: “Não é a condição contraprestacional que define se a receita é oriunda de atividade própria da entidade ou não. O conceito a ser aqui utilizado é o mesmo trabalhado quando da interpretação da cláusula do artigo 150, §4o da Constituição Federal, que se remete às finalidades essenciais das entidades. Ora, é própria a atividade da instituição quando se volta a seus objetivos institucionais, a suas finalidades essenciais. Estando fora desta característica, a atividade não será própria de entidades sem fins lucrativos, afastandose a isenção em comento”. (Tributação do Terceiro Setor no Brasil. São Paulo: Dialética, 2004, p. 296) Pensando o dispositivo constitucional, o STF lhe atribuiu exegese “finalística”, se é que assim se poderia designar seu entendimento. Depreendeu que renda relacionada às “atividades essenciais” da pessoa jurídica seria não necessariamente aquela oriunda da prática de suas atividades essenciais, mas a que, obtida das mais variadas origens, Fl. 611DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 14 a entidade destinasse à consecução e ao desenvolvimento de suas finalidades estatuárias. A compreensão está bem sintetizada na Súmula no 724 da Corte, enunciada em dezembro de 2003: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, ‘c’ da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. Sob esta leitura, abstraise completamente da procedência da receita para focalizar tãosomente a sua aplicação que, de acordo com o STF, há de ser na perseguição dos objetivos estatutários da entidade. A prevalecer semelhante compreensão para a hipótese em concreto, as receitas de atividades contraprestacionais estariam albergadas pela isenção tanto quanto os ingressos gratuitos, a depender exclusivamente do destino que se lhes der. Esta leitura comete o pecado de reduzir dois requisitos constitucionais independentes para a fruição da imunidade a apenas um. Exigir que a instituição aplique suas rendas na consecução de seus propósitos estatutários é o mesmo que demandarlhe a dedicação a fins nãolucrativos. O que vem a ser uma entidade sem escopo de lucro, senão aquela cujos recursos precisam ser permanentemente revertidos ao objeto social, em vista de vedação a que sejam distribuídos? Vejase, a respeito, os incisos I e II, do artigo 14 do CTN e, ainda mais revelador, o §3o do artigo 12, da Lei no 9.532/97: “Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Pareceme, portanto, que por inutilizar a independência da restrição contida no §4o do artigo 150 da CF em face de um outro requisito constitucional, a proposta hermenêutica consolidada na Súmula STF no 724 não seja a melhor. Mas ainda mantendo como referência a imunidade do artigo 150, inciso VI, da CF/88, podese buscar o sentido para a expressão “finalidades essenciais” no próprio CTN que, afinal, tem a incumbência constitucional de, justamente, disciplinar as limitações ao poder de tributar. E o §2o, do artigo 14 do Código adjudica o seguinte sentido ao texto da CF: “Art. 14. §2o Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9o são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previsto nos respectivos estatutos ou atos constitutivos”. Se emprestarmos a mesma exegese à expressão veiculada pela MP no 2.158 35/01, passaremos a definir a abrangência da isenção a partir da relação entre as atividades geradoras de receita e o objeto social da instituição. Alterase a perspectiva. Quando propõem que se adjudique à expressão “receitas relativas a atividades próprias” o sentido de ingressos auferidos gratuitamente apenas, a auditoria fiscal e o acórdão recorrido, a meu ver, voltam suas atenções para o que, supostamente, seriam atividades próprias das associações civis como categoria, como gênero, e não para o que seria próprio de cada associação civil aspirante à isenção, considerada em si mesma. Sugerem que se limite o benefício a anuidades, mensalidades e doações por assumir que estes sejam recursos típicos de uma entidade sem fins lucrativos. Não vejo assim por dois motivos. O primeiro deles é que, salvo melhor juízo, não se pode falar em atividades que sejam próprias ou típicas das associações civis em geral. O que as caracteriza como tais, é dizer, o que é comum a todas elas não é a atividade a que se dedicam ou o serviço que prestam. As mais variadas atividades podem ser desempenhadas Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10680.011365/200796 Acórdão n.º 3403001.700 S3C4T3 Fl. 8 15 pelas associações civis porque não há objeto que lhes seja vedado praticar. O que, ao contrário, lhes é comum é o trato dos recursos que obtêm. São associações civis simplesmente porque afetam integralmente suas receitas à manutenção e expansão de suas atividades, sejam elas quais forem. É um equívoco, portanto, supor que se possa delimitar a “atividade própria” deste gênero de pessoas jurídicas. O segundo motivo resulta de interpretação literal do artigo 14 da MP no 2.15835/01 – já que estamos no campo das isenções (artigo 111, CTN). Na dicção normativa, isentas de COFINS não são as “atividades próprias” das associações, mas as “receitas relativas às atividades próprias”. E nisso vai uma diferença. Se o benefício se dirige às receitas relativas às atividades próprias é porque, a meu ver, há uma vinculação entre o exercício de uma atividade e a percepção de uma receita. Estáse falando de uma atividade geradora de receita; de uma receita decorrente de uma atividade que a produz. Não faz sentido, então, pensar a regra isentiva apenas abrangendo as receitas gratuitas porque, por definição, estas não decorrem de qualquer atividade empreendida por quem as aufere. Justamente porque não são contraprestativas, não são “relativas” a atividade alguma. Mais ainda. Se associarmos o contido no artigo 14, da MP no 2.15835/01 com o disposto no artigo 15, da Lei no 9.532/97 a que remete, teremos que se consideram “receitas relativas às atividades próprias” das associações civis todos os ingressos provenientes dos “serviços para os quais houverem sido instituídas”, desde que “os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. Estamos falando, in casu, de uma entidade constituída essencialmente para prestar serviços educacionais. Este o seu mais típico objeto social. Que espécie de receita pode lhe ser mais própria do que a auferida dos próprios alunos, em contraprestação ao ensino que recebem? É por estas razões que entendo improsperável o auto de infração relativamente às receitas advindas da atividade educativa, motivo pelo qual meu voto, parcialmente divergente do vencedor, é no sentido do provimento integral do recurso voluntário. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10469.722072/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
FORMALIZAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Descabida a argüição de nulidade da decisão de primeira instância, quando se constata que, diferentemente do alegado pela defesa, a cópia juntada aos autos está assinada pelo relator e pelo de presidente, contendo a indicação dos demais membros do colegiado e sua posição em relação ao julgamento.
CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. REFERÊNCIA À DISPOSITIVO LEGAL CITADO INDIRETAMENTE NO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não caracteriza cerceamento do direito de defesa menção feita pelo julgador de primeira instância à dispositivo legal que, embora não mencionado expressamente no Auto de Infração, é a matriz legal de artigo utilizado na fundamentação do lançamento.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui qualquer vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2003
CUSTO DE AQUISIÇÃO DE QUOTAS POR INCORPORAÇÃO RESERVA DE REAVALIAÇÃO. GANHO DE CAPITAL
Na alienação, pelo sócio, de quotas ou ações recebidas por conta da incorporação ao capital social de reserva de reavaliação, o custo de aquisição, para efeitos da determinação do ganho de capital, não poderá ser igual a zero, uma vez que tal valor foi oferecida a tributação pela pessoa jurídica. O lançamento só subsiste se ficar devidamente comprovado que tal valor não foi oferecido a tributação pela proprietária do bem reavaliado.
Numero da decisão: 2202-001.646
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino (Relatora) e Antonio Lopo Martinez, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Anan Junior
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabida a argüição de nulidade da decisão de primeira instância, quando se constata que, diferentemente do alegado pela defesa, a cópia juntada aos autos está assinada pelo relator e pelo de presidente, contendo a indicação dos demais membros do colegiado e sua posição em relação ao julgamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. REFERÊNCIA À DISPOSITIVO LEGAL CITADO INDIRETAMENTE NO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa menção feita pelo julgador de primeira instância à dispositivo legal que, embora não mencionado expressamente no Auto de Infração, é a matriz legal de artigo utilizado na fundamentação do lançamento. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui qualquer vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003 CUSTO DE AQUISIÇÃO DE QUOTAS POR INCORPORAÇÃO RESERVA DE REAVALIAÇÃO. GANHO DE CAPITAL Na alienação, pelo sócio, de quotas ou ações recebidas por conta da incorporação ao capital social de reserva de reavaliação, o custo de aquisição, Fl. 436DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 2 para efeitos da determinação do ganho de capital, não poderá ser igual a zero, uma vez que tal valor foi oferecida a tributação pela pessoa jurídica. O lançamento só subsiste se ficar devidamente comprovado que tal valor não foi oferecido a tributação pela proprietária do bem reavaliado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino (Relatora) e Antonio Lopo Martinez, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Anan Junior. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior – Redator Designado Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 2 3 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 10, integrado pelos demonstrativos de fls. 11 e 12, pelo qual se exige a importância de R$ 897.817,41, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, decorrente de omissão de ganho capital apurado em 17/09/2003. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 4 a 10, no qual o autuante esclarece que: • o Termo do Início de Procedimento Fiscal foi cientificado ao contribuinte em 27/06/2008, no qual foi solicitada a apresentação da documentação comprobatória referente à apuração do ganho de capital na alienação das quotas relativas a sua participação na empresa Aquatec Industrial Pecuária Ltda, bem como esclarecer o motivo de ter adotado como valor de alienação R$20.340.000,00 e não de R$20.400.000,00. • nessa mesma oportunidade, foi informado ao interessado que as cotas recebidas por incorporação ao capital social da reserva de reavaliação, tem custo de aquisição zero para fins de apuração do ganho de capital, conforme disposição legal vigente; • em resposta, o fiscalizado esclareceu que: o na apuração do ganho de capital o valor da reserva de reavaliação foi considerado como custo de aquisição, pois em junho de 2003, a empresa procedeu a reavaliação de bens do ativo permanente, nos termos dos art. 8o, §1o, da Lei 6.404, de 1976 e art. 434, §§1o, 2o e 3o do RIR/99 e, em 17/09/2003, a reserva de reavaliação foi incorporada ao capital social, constituindo aumento da participação dos sócios, tendo como base legal os arts. 436 e 437 do RIRI/99; o em 30/10/2003, as cotas dos sócios foram alienadas à Sygen Investimentos Ltda, pelo valor de R$ 34.000,000,00 e que existia cláusula no contrato de compra e venda segundo a qual estava prevista uma retenção de garantia por parte dos compradores, no valor de R$100.000,00, para eventuais perdas da sociedade decorrentes de fatos anteriores à transferência da participação, que no caso da não utilização da mesma, seria devolvida aos sócios na proporção da participação societária. Afirma que essa condição não foi cumprida, arcando o contribuinte com a perda de R$60.000,00 (equivalente a 60% da participação societária); Fl. 438DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 4 o informa, ainda, que caso análogo ocorreu em relação ao Valor Condicionado a Resultados Futuros, no montante de R$5.000.000,00, em que o contribuinte teria direito a R$3.000,000,00, visto que o recebimento de tal valor estava condicionado a metas previamente determinadas a serem alcançadas, as quais não se concretizaram. • a fiscalização, analisando a documentação apresentada, acatou os esclarecimentos do contribuinte em relação ao valor de alienação, mas considerou zero o custo das quotas relativas a integralização da reserva de reavaliação, por entender que o art. 10, parágrafo único da Lei 9.249, de 1995, e o art. 135 do RIR/99 é restrito a incorporação de capital por reserva de lucros não se aplicando à incorporação de reserva de reavaliação. Aduz que os artigos relacionados pelo contribuinte (arts. 434, 436 e 437 do RIR/99), referem-se a efeitos e procedimentos tributários a serem observados pela pessoa jurídica e que, no caso, o lançamento foi efetuado na pessoa física (aplicando-se os arts. 41 e 135 do RIR/99, conforme indicado no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal à fl. 239). DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 234 a 257, instruída com os documentos de fls. 258 a 374, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 383 a 388): Devidamente cientificado, compareceu o Impugnante ao processo para apresentar peça de defesa, à qual juntou pareceres elaborados pelos advogados José Delgado, ex Ministro do Superior Tribunal de Justiça, e Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário e do Instituto de Governança Tributária. Em nome da clareza, sintetizaremos os argumentos trazidos na peça que instaura a fase litigiosa, respeitando a sistematização adotada em tal peça processual: I DOS FATOS E FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO FISCAL Aduz o defendente que, regularmente intimado, satisfez aos questionamentos da Fiscalização por meio da apresentação de esclarecimentos e documentos pertinentes, inclusive no que diz respeito à contabilizarão do laudo de avaliação e à alienação da participação societária na empresa Aquatec, e conseqüente apuração de ganho de capital. Ressalta que os fatos ocorridos e registrados na contabilidade da empresa, não foram investigados pela Auditora responsável, vez que a fiscalização não recaia sobre a pessoa jurídica. Frisa que o ponto controvertido e objeto da autuação fiscal é tão somente a suposta “omissão de ganhos de capital obtidos na alienação das cotas da empresa AQUATEC Industrial Pecuária Ltda.”. II RETROSPECTIVA HISTÓRICA DO TRATAMENTO LEGAL DAS RESERVAS Nesse ponto, o defendente se propõe a apresentar um panorama histórico da legislação pertinente à constituição e tributação de reservas por pessoas jurídicas. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 3 5 II.I RESERVAS DE REAVALIAÇÃO No tocante às reservas de reavaliação, cita o art. 35 do Decreto-lei n° 1.598, de 1977, art 3o do Decreto-Lei n° 1.978, de 1982 e art. 4o da Lei no 9.959, de 2000, com o intuito de firmar a convicção de que o fato gerador, tipificado na lei, para a tributação da reserva de reavaliação sempre teria sido. e continuaria sendo, a efetiva realização do bem na pessoa jurídica. Busca, assim, caracterizar a reserva como “um lucro em potencial", que se concretizaria por uma das formas de realização do bem, quando então se confirmaria a única hipótese de incidência do imposto de renda, qual seja, a apuração de acréscimos patrimoniais. Embasa suas conclusões na opinião de Hugo de Brito Machado. II.II OUTRAS RESERVAS Aduz, preliminarmente, que a isenção tributária das reservas é tratada, ao longo do tempo, de forma genérica. Cita o art. 3o da Lei 8.849/94, que afasta a tributação do aumento de capital por meio da incorporação de lucros ou reservas. Destaca a Lei no 9.249/95, onde se faz menção especificamente à isenção de imposto de renda sobre os lucros e dividendos distribuídos pelas pessoas jurídicas aos seus sócios, esclarecendo, igualmente, que, no caso de incorporação da reserva destes mesmos lucros ao capital social, seu custo de aquisição deve ser igual ao lucro ou reserva de lucro incorporado. Critica a abrangência dos dispositivos expressamente revogados pela mencionada Lei. II.III DIFERENCIAÇÃO FISCAL DOS INSTITUTOS Alega o defendente que o encadeamento cronológico da legislação sobre reservas permitiria firmar as seguintes conclusões: a) a reserva de reavaliação e a reserva de lucro são espécies do gênero reservas; b) enquanto espécies obtiveram tratamento fiscal diferenciado, quando a lei entendeu necessária fazer a distinção (menciona posteriormente que a IN SRF no 84/2001 cita o gênero reservas, sem especificação); c) as normas de urna não fazem referência a outra mantendo cada uma seu regramento próprio sem qualquer possibilidade de confusão no ato de sua aplicação. Finda este tópico com o posicionamento do Advogado e Contador Edmar Oliveira Andrade Filho, que destaca que a utilização de reservas para aumento de capital não altera o patrimônio líquido das empresas, discorre sobre a natureza das reservas de lucros e de reavaliação, destacando que, no caso dessa última, em principio, não há previsão de distribuição aos sócios, salvo nos casos de realização, por meio da utilização econômica do bem ou de sua alienação. III DA DEMONSTRAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL DAS DISPOSIÇÕES LEGAIS SOBRE RESERVAS DE REAVALIAÇÃO E LUCROS Nesta seção, apresenta um conjunto de exemplos hipotéticos de apurações contábeis derivadas da reavaliação de bens do ativo de uma empresa fictícia, Fl. 440DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 6 aplicando os dispositivos legais que entende pertinentes, segundo a sua convicção, no intuito de dar clareza ao seu pensamento. Procura demonstrar a existência de equivalência de reflexos contábeis relativos à incorporação dos dois tipos de reservas (lucros ou reavaliação) e defende que, por essa razão, ambos ensejem idênticos efeitos fiscais. Aduz que, contabilmente, a constituição de reservas, qualquer que seja a espécie, tem sempre o mesmo reflexo: aumento do Patrimônio Líquido. Reconhece a distinção entre o conceito de lucro contábil, renda e lucro fiscal, esse último, definido na legislação com o intuito de possibilitar a delimitação da exigência fiscal. Defende que não se pode admitir que, para situações contabilmente idênticas, haja discriminação fiscal a ponto de penalizar a sociedade que optar por um ou outro procedimento de incorporação de reservas. Aduz, finalmente, que se assim fosse, estaria a lei agredindo o princípio da capacidade contributiva e ferindo mortalmente o supremo princípio da igualdade. IV DA FALTA DE TIPICIDADE ENTRE A CONDUTA DO CONTRIBUINTE E O DISPOSITIVO LEGAL INDICADO COMO NORMA INFRINGIDA Inicialmente, destaca que compete ao auditor fiscal, certificando o descumprimento de um dever jurídico por parte do contribuinte, proceder ao enquadramento do fato imponível na descrição abstraía da norma tributária, atendendo ao princípio da tipicidade ou legalidade estrita e cita doutrina de Sacha Calmon Navarro Coelho. Alega, então que dispositivo legal tido como infringido pelo Contribuinte (art. 10 da Lei no 9.249/95), não trataria de reservas de reavaliação. Destaca, em contrapartida, que a situação fática a ensejar a Autuação teria sido a apuração de ganho de capital referente a alienação das cotas relativas a sua participação na empresa AQUATEC, tendo a controvérsia fiscal instalado-se sobre a incorporação, ao custo de aquisição inicial, das reservas de reavaliação. Afirma não haver por parte do fisco qualquer oposição à incorporação realizada com os lucros da empresa e que, desse modo, o caput e parágrafo único do citado art.10 não seriam aplicáveis ao fato, vez que referem-se exclusivamente à apuração de lucros e dividendos. Defende, por outro lado. que o comando legal em questão não apresenta qualquer vedação ao procedimento de apuração de ganho de capital adotado, o que, no seu sentir, caracterizaria absoluta falta de tipicidade entre o talo e a norma. Fazendo referência a Carlos Roberto Gonçalves, aduz que se assim desejasse, a Lei expressamente proibiria que os custos de reservas de reavaliação fossem considerados no valor das quotas distribuídas ou, de outra forma, caso pretendesse limitar o alcance do referido comando às reservas de lucro, teria incluído vocábulos que explicitassem tal condição, como apenas, somente e etc. Aduz, ainda, que não haveria, em toda a legislação tributária, qualquer disposição que objetivamente impedisse a operação de venda de participações societárias tal como realizada pela Defendente no ano de 2003. Faz referência, neste ponto, as conclusões do parecerista Gilberto Luiz do Amaral, que reconhece a existência de soluções de consulta do ano de 2006, que atribuem custo zero à incorporação das reservas de reavaliação no momento da venda de participação societária, ao que contra-argumenta afirmando que inexiste Fl. 441DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 4 7 vedação ao uso de bonificações de ações ou quotas recebidas em virtude de integralização de reservas de reavaliação. Entende, pois, que o Fisco estaria baseando suas conclusões na “falta de previsão legal” para utilização das reservas de reavaliação na determinação do custo de aquisição das cotas, ressaltando que a inclusão legal das reservas de lucros não vedaria, textualmente, a inclusão das reservas de reavaliação. Por fim, conclui que a Auditora Fiscal teria criado, por via de ato administrativo, um fato gerador do Imposto de Renda, que segundo opina o parecerista José Delgado, em parecer que integra a impugnação ora analisada, caracterizaria ficção jurídica e denotaria “odioso abuso de poder”. IV DAS FICÇÕES TRIBUTÁRIAS E DE OUTRAS VEDAÇÕES À FAZENDA PRATICADAS ILEGALMENTE NA AUTUAÇÃO FISCAL Repisando sua alegação de que estaria configurada a falta de previsão legal para que a reserva de reavaliação incorporada ao capital social de uma empresa possua qualquer reflexo tributável na pessoa física detentora de cotas deste capital e, ainda, que a capitulação legal utilizada para a emissão do auto de infração não possui qualquer correlação com o fato relatado, argúi a defendente pela improcedência da autuação fiscal. Afirma, com base nas conclusões do parecerista José Delgado, que a Auditora Fiscal cometeu equivoco grave, violando a um só tempo, os princípios da segurança jurídica, legalidade e do benefício da dúvida em prol do contribuinte, ao criar o que chama de ficção tributária. Dita ficção tributária consistiria em equiparar os efeitos gerados pela reserva de reavaliação à renda dos sócios, e, desse modo, tributar estes efeitos, “inventando” uma base de cálculo que a Lei em nenhum momento definiu, violando, por conseqüência, o art. 97, caput e §1o do CTN. Afirma ainda que a Autuante teria cometido outras ilegalidades, ao supostamente ignorar disposições do CTN que limitariam o poder de atuação do Fisco, vedando-lhe a aplicação técnicas de interpretação e integração de normas que resultem na exigência tributária, trazendo ainda à colação a doutrina do “silêncio eloqüente”, e rechaçando, por fim, o que entendeu tratar-se de tentativa de suprir lacuna normativa, afirmações que, por meio de outras palavras, são reproduzidas nos pareceres acostados. Cita parecer do ex Ministro José Delgado. Cita novamente o CTN para afirmar que em caso de dúvida quanto à capitulação de infração, deve-se adotar interpretação favorável ao acusado. Embora cite nesse ponto, o art. 111, II do CTN (que estabelece que se interpreta literalmente a Lei que disponha sobre outorga de isenção), a natureza da alegação leva a crer que, em verdade, se pretendia invocar o art. 112, II do mesmo Código. Acrescenta que a incerteza supostamente observada, transpareceria também no extenso rol de atos normativos citados no enquadramento Legal, fato que alega dificultar sua defesa e, desse modo, constituiria flagrante cerceamento de defesa, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa e contraditório. Nesse diapasão, alega que as leis citadas para efeito de fundamentação da Autuação não guardam pertinência com a matéria, ou foram rigorosamente observadas e não estão relacionadas ao fato constante do auto de infração. Afirma Fl. 442DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 8 que as referidas leis não constituiriam o cerne da controvérsia, mas, para evitar posterior alegação de revelia, apresenta no Anexo I quadro dos dispositivos referenciados, com justificação sucinta de sua aplicabilidade ou inaplicabilidade ao caso em exame. V - DO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA E DA PERFEITA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL CONFORME NORMAS VIGENTES À ÉPOCA Aduz, preliminarmente, que as instruções normativas integram a legislação tributária como atos emitidos pela autoridade administrativa e esclarecem o contribuinte sobre o passo a passo necessário para que cumpra com suas obrigações tributárias, devendo, no entanto, restringir-se aos limites da Lei. Afirma que o ganho de capital do defendente foi apurado em estrita observância Instrução Normativa no 84, de 2001. Destaca, as disposições do art. 2°, que repele o conceito de ganho de capital já proclamado na lei, pelo qual a renda tributável será a diferença positiva entre o valor da alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição, o art. 5°, que conceitua o custo de aquisição como sendo o valor da aquisição expresso em reais e, finalmente, o art 16, que trata especificamente da venda de participações societárias. Conclui que, diferentemente do art. 10 da Lei no 9.249/95, que trata exclusivamente de lucros e dividendos e as reservas constituídas com estes lucros, a IN faz referência à incorporação ao capital de outras espécies de reserva admitidas em lei. Reforça que não há qualquer expressão que proíba que a reserva de reavaliação seja considerada custo de aquisição, pois. como já bastante debatido, se assim desejasse a lei, o teria feito em redação clara, objetiva e lógica, com o uso de expressões que denotassem a obrigatoriedade de abstenção desta conduta. Cita, a seguir, o art. 18 da mesma IN, que trata das hipóteses em que o custo de aquisição não é um valor pago, situação que, acredita seria aplicável à aquisição de cotas por incorporação de reservas. Destaca, no intuito de demonstrar subsunção da matéria litigiosa ao dispositivo citado, que as bonificações das cotas foram adquiridas legalmente na data da alteração e consolidação do contrato social e que seu valor corrente é o expresso na cláusula contratual relativa ao Capital Social. Ademais, o valor corrente nada seria que não o valor expresso com os números da época em que foi registrado. Afirma, assim, que o custo de aquisição destas cotas não se enquadra no inciso IV do art. 18, já que este só é aplicável às situações em que não é possível determinar o valor real do custo, ou mais especificamente, se o bem não tiver um valor corrente. Destaca a formalização da transação pelo Defendcntc perante a RFB, por meio de sua declaração de ajuste anual: "No campo de Declaração de bens, consta: PARTICIPAÇÃO C/6.471.550 COTAS TOTALIZANDO R$6.471.550,00 NO CAPITAL DA EMP AQUATEC INDUSTRIAL, PECUÁRIA LTDA - C.N.P.J. No. 12.700.266/0001-26, AUMENTO REALIZADO COM RECURSOS DAS CONTAS LUCROS ACUMULADOS E RESERVAS DE REAVALIAÇÃO NO MONTANTE DE R$ 5.868.949,00, ALIENAÇÃO REALIZADA EM 15/10/2003 A EMP SYNGEN INVESTMENTOS LTDA. C.N.P.J. 74.069.071/0001-87 PELO Fl. 443DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 5 9 VALOR DE R$13.560.000,00 CFE APURAÇÃO GANHO DE CAPITAL, ADITIVO No. V, ARQUIVADO NA JUCERN SOB NO 24090308” Aduz, finalmente, que todas as etapas e formalidades necessárias para a perfeição do fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital foram observadas com apego à legalidade, não merecendo, em nenhum aspecto, qualquer repreensão por parte do Fisco. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife (PE) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 11-32.251 (fls. 380 a 404), de 09/12/2010, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2003 Cerceamento do Direito de Defesa. Inocorrência A citação extensiva dos dispositivos legais que direta ou indiretamente guardam relação com a matéria litigiosa não implicam vício formal do procedimento, nem cerceamento do direito de defesa, máxime quando demonstrado que o autuado demonstra compreender o conteúdo das acusações que lhe são imputadas e o conteúdo de tais dispositivos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 Contribuinte. Definição. Contribuinte, segundo o Código Tributário Nacional, é a pessoa física ou jurídica que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Incabível, portanto, a pretensão de estender tratamento tributário benéfico dispensado à pessoa jurídica à fatos geradores que tem como contribuintes os sócios dessa mesma pessoa jurídica. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - 1RPF Exercício: 2003 Tributação do Ganho de Capital. Alienação de Cotas Societárias. O ganho de capital percebido por pessoa física, entendido como a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição, por disposição legal, sujeita-se à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. Não há que se falar, conseqüentemente. em violação dos princípios da legalidade ou da segurança jurídica. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 10 Por outro lado. custo de aquisição, salvo exceção expressa, é o valor despendido no negócio jurídico por meio do qual o bem ou direito foi incorporado ao patrimônio do sujeito passivo. Ou seja, atribuir custo a um bem adquirido sem a correspondente contraprestação é uma ficção jurídica a ser empregada dentro de seus estreitos limites. Conseqüentemente, a atribuição de custo diferente de zero a cotas societárias distribuídas gratuitamente aos sócios em razão de aumento de capital decorrente de incorporação de reservas limita-se à hipótese expressamente prevista em lei, qual seja, da incorporação de reserva de lucros. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 03/05/2011 (vide Histórico do objeto à fl. 411), o contribuinte interpôs, em 02/06/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 415 a 431, no qual expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. O recorrente argúi a nulidade da decisão guerreada, uma vez que a cópia que lhe foi entregue está assinada apenas pela relatora, não havendo referência aos demais membros da turma, seus votos e possíveis impedimentos ou ausências, descumprindo, assim, o disposto no art. 22 da Portaria do Ministério da Fazenda no 58, de 2006, disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento — DRJ. 2. Ainda, como preliminar, o contribuinte alega cerceamento do direito de defesa, pois a decisão de primeira instância teria inovado ao reporta-se ao art. 16, §4o, da Lei no 7.713, de 1988, não mencionado no Auto de Infração. Afirma que defendeu o enquadramento legal apontado no Auto de Infração, em especial o art. 10 da Lei no 9.249, de 1995, e o art. 135 do RIR/99. 3. Aduz que a relatora a quo ao se referir ao artigo que deu embasamento ao Auto de Infração disse que “O comando do caput restringe o escopo do art. 10 a lucro e dividendos, fato que não guarda qualquer relação com reservas de reavaliação de ativo”, concluindo o interessado que a julgadora teria concordado com seus argumentos. Para firmar seu entendimento pela manutenção do Auto de Infração, a decisão guerreada teria se baseado no art. 16, §4o, da Lei no 7.713, de 1988, dispositivo que não consta do referido Auto de Infração. 4. O contribuinte sustenta que houve violação também ao princípio da ampla defesa porque teria defendido exaustivamente que suas cotas societárias possuíam valor corrente e, por essa razão, estavam enquadrada no art. 18, inciso III, da Instrução Normativa no 84, de 2001 e, portanto, não poderiam ter seu custo equiparado a zero. Alega que a autoridade julgadora de primeiro grau não teria tecido nenhuma palavra em relação às razões trazidas pelo contribuinte, restringindo-se a afirmar que divergia da interpretação adotada. O recorrente entende que divergir é diferente de discorrer sobre os motivos da divergência, defendendo que faltou explicar porque a situação descrita não se enquadrava como valor corrente. 5. O interessado afirma, ainda, que o acórdão recorrido, para sustentar sua premissa maior incidência do art. 16, §4o da Lei no 7.713, de 1988, desqualificou a Instrução Normativa no 84, de 2001, negando-lhe aplicabilidade, contrariando o princípio da confiança e da boa fé objetiva, bem como abalando a credibilidade dos normativos da RFB. Aduz que Fl. 445DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 6 11 na própria decisão de primeira instância foi dito que as instruções normativas fazem parte da legislação tributária, nos termos do art. 96 do Código Tributário Nacional – CTN, visando dar operacionalidade às leis por meio de uma linguagem mais acessível ao contribuinte. 6. Assevera que no caso específico da Instrução Normativa no 84, de 2001, foram consolidados 11 diplomas legais, cuja finalidade é dispor sobre a apuração e tributação de ganho de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas física, sendo razoável, portanto, que a consulta a esse instrumento substitua à consulta às normas originárias. 7. O recorrente alega que não se pode dizer que ele agiu de forma desleal, ao contrário, prestou em sua declaração de ajuste anual todas as informações relativas à operação de venda de participações societárias, discriminando para o bem para da clareza da origem de seu patrimônio, o valor da reserva de reavaliação incorporada ao seu capital social, ou seja, atuou com transparência, sem usar nenhum artifício para escamotear seus atos. Aduz que agiu induzido pela confiança que as instruções normativas lhe inspiram e que não pode ser punido por isso. 8. O contribuinte argumenta, ainda, que o art. 16, §2o, da Instrução Normativa no 84, de 2001, não diferencia a reserva de lucro da reserva de reavaliação e demais reservas, atribuindo a todas o valor que couber ao sócio como custo de aquisição, ressaltando que a referida norma disciplinou a Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, bem como a Lei no 9.429, de 1995, sem contudo especificar dispositivos. 9. Entende que o art. 18 da referida norma ao tratar do custo de aquisição, na ausência de valor pago, se contrapõe ao argumento da decisão recorrida de que o valor reserva de reavaliação ao não ser considerado como custo seria decorrência natural do fato de que tal operação não implicaria ônus para o sócio, pois entre os critérios para considerar custo quando ausente ônus, está o do valor corrente na data de aquisição. 10. Por fim, o recorrente alega que questão de mérito relevante abordada na defesa e rebatida na decisão diz respeito às ficções jurídicas em matéria tributária. Afirma que há divergência quanto à observância do princípio da legalidade do tributo no que diz respeito à definição do fato gerador (alienação de bens e direitos), da base de cálculo (diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição) e de sua alíquota (15%) e periodicidade (mês subseqüente à percepção do ganho). A controvérsia baseia-se nos elementos da base de cálculo, especialmente se as reservas de reavaliação podem ou não ser consideradas como custo de aquisição, já que este componente é parâmetro essencial para chegar-se a diferença positiva que será tributada. 11. No entender do contribuinte, “se há custo de aquisição na incorporação de reservas, se valor corrente é custo de aquisição, então, atribuir-se custo zero a essas situações é criar uma ficção jurídica na base de cálculo do ganho de capital, pois aumenta-lhe artificialmente a diferença positiva” (fl. 428). Aduz que “o custo zero artificialmente atribuído a cotas alienadas implica majoração de tributo que só pode ser admitida em lei que, taxativamente, a expresse.” (fl. 429). Fl. 446DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 12 DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 25/07/2011, veio digitalizado até à fl. 4341. 1 Processo digital. Numeração do e-processo. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 7 13 Voto Vencido Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Nulidade da decisão de primeira instância O recorrente argúi a nulidade da decisão de primeira instância pelos seguintes motivos: (a) a cópia da decisão de primeira instância que lhe foi entregue está assinada apenas pela relatora, não havendo referência aos demais membros da turma, seus votos e possíveis impedimentos ou ausências, violando o disposto no art. 22 da Portaria do Ministério da Fazenda no 58, de 2006; (b) cerceamento do direito de defesa, pois o relator a quo instância teria inovado ao reporta-se ao art. 16, §4o, da Lei no 7.713, de 1988, não mencionado no Auto de Infração; e (c) violação ao princípio da ampla defesa porque a autoridade julgadora de primeiro grau não teria rebatido os seus argumentos no que diz respeito ao fato das cotas societárias possuírem valor corrente, pois estavam enquadrada no art. 18, inciso III, da Instrução Normativa no 84, de 2001. No que se refere à violação ao disposto art. 22 da Portaria do Ministério da Fazenda no 58, de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ (item a), cabe transcrever o referido artigo: Art. 22. A decisão é assinada pelo relator e pelo presidente, dela constando o nome dos membros da turma presentes ao julgamento, especificando-se, se houver, aqueles vencidos e a matéria em que o foram, os impedidos e os ausentes. Compulsando-se os elementos que compõem os autos, verifica-se que a decisão de primeira instância, anexada aos autos às fls. 380 a 404, encontra-se devidamente assinada pelo presidente e pela relatora, assim como está consignado o nome dos demais julgadores que participaram do julgamento e que a decisão foi unânime, ou seja, todos os membros do Colegiado acompanharam o voto da relatora. Destarte, não houve qualquer irregularidade na formalização do acórdão de primeiro grau. Quanto à alegação de que a relatora teria inovado ao reporta-se ao art. 16, §4o, da Lei no 7.713, de 1988, não mencionado no Auto de Infração (item b), importa transcrever o art. 130 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, expressamente mencionado no Auto de Infração à fl. 10: Art. 130. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 2º). Fl. 448DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 14 § 1º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 3º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 75). § 2º O custo é considerado igual a zero (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 4º): I - no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995; II - no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente; III - quando não puder ser determinado por qualquer das formas descritas neste artigo ou no anterior. Como se observa, o artigo acima transcrito tratou de consolidar a legislação no que diz respeito à apuração do custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis, em especial, o art. 16 da Lei no 7.713, de 1988, e, portanto, não procede a alegação de que a autoridade julgadora tenha inovado, mas tão somente fez referência a um dispositivo legal, citado de forma indireta no Auto de Infração, uma vez que serviu como matriz legal do art. 130 do RIR/99. Por fim, quanto à violação do princípio da ampla defesa porque a autoridade julgadora de primeiro grau não teria rebatido os seus argumentos no que diz respeito ao fato das cotas societárias possuírem valor corrente e, no caso, deveria ser aplicado o disposto no art. 18, inciso III, da Instrução Normativa no 84, de 2001 (item c), cabe transcrever a parte do voto condutor em que se aborda a aplicação dos artigos da referida instrução normativa (fls. 402 e 403): Como ressalva o próprio Defendente, as instruções normativas, embora integrem a legislação tributária como atos emitidos pela autoridade administrativa, devem restringir-se aos limites da Lei. A Instrução Normativa SRF no 84, de 11 de outubro de 2001, em seu artigo 16, ao tratar sobre da tribulação de Imposto de Renda sobre ganhos de capital de pessoa física afirma que, no caso de quotas recebidas em virtude da incorporação de lucros ou reservas ao capital social, é considerado custo de aquisição o valor do lucro ou reserva capitalizado. Art. 16. Na hipótese de integralização de capital mediante a entrega de bens ou direitos, considera-se custo de aquisição da participação adquirida o valor dos bens ou direitos transferidos, constante na Declaração de Ajuste Anual ou o seu valor de mercado. § 1º Se a transferência não se fizer pelo valor constante na Declaração de Ajuste Anual, a diferença a maior é tributável como ganho de capital. § 2º No caso de ações ou quotas recebidas em bonificação, em virtude de incorporação de lucros ou reservas ao capital social da pessoa jurídica, considera-se custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista ou sócio, independentemente da forma de tributação adotada pela empresa. (grifou-se) Fl. 449DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 8 15 Entendeu o contribuinte que, tendo silenciado-se quanto à natureza da reserva capitalizada, o caput do citado artigo poderia alcançar, além das reservas constituídas com lucros, aquelas decorrentes de reavaliação do ativo. Ora, tal interpretação implicaria aceitar que a Instrução Normativa desse à capitalização de reservas um tratamento mais abrangente que a lei, posto que, como já mencionado, o art. 10, § único, da Lei no 9.249/1995, bem como o art. 135 do RIR/99, limitam-se às incorporações decorrentes de reservas de lucros. Evidentemente que tal interpretação não seria acolhida pelo ordenamento jurídico brasileiro, especialmente em razão da disposição em questão implicar redução de base de cálculo de tributo, matéria, que, como já esclarecido, deve ser tratada por lei específica. Por óbvio que, no contexto, a única interpretação que se poderia dar ao artigo 16 da IN SRF no 84/2001 seria à luz do § único do artigo 10 da Lei no 9.249/l995. Assim interpretando-se sistematicamente, a leitura que se deve dar ao texto da IN, quando se refere a ''lucros e reservas" incorporados ao capital social, deve ser "lucros e reservas constituídas com esses lucros", conforme clara dicção do texto legal. Analogamente, divirjo da interpretação do Impugnante de que. não existindo valor pago, o custo de aquisição seria definido por força do inciso III do art. 18 da referida IN (valor corrente). Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I - o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II - o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; III- o valor corrente na data da aquisição; IV - igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Com todo o respeito à Impugnante, não vejo como enquadrar a situação descrita no referido dispositivo. Observe-se que tal artigo tem como base legal o já transcrito art. 16 da Lei 7.713/88. Como visto, o §4o daquele dispositivo prevê tratamento especifico às cotas distribuídas em razão de incorporação de reservas (custo de aquisição zero), afastando-as da incidência dos comandos dos incisos do caput, que foram reproduzidos de forma sintética no art. 18 da IN 84/2001. Logo, novamente recorrendo à interpretação sistemática, ou se concluiria que o art. 18 da referida Instrução não se aplica ao caso em tela, ou forçoso seria concluir pela aplicação do seu inc. IV. Observe-se que tal inciso é derivado do citado §4o do art. 16 da Lei 7.713/88 e estabelece custo de aquisição zero para as referidas cotas. Como se percebe, a questão levantada pelo recorrente foi devidamente abordada pela relatora a quo que expôs seus motivos para não acatar as alegações da defesa, estando a decisão a quo em verdadeira consonância com o disposto no art. 31 do Decreto no 70.235, de 1972, não existindo qualquer vício apto a acarretar sua nulidade. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 16 O resultado do julgamento pode não ter sido o esperado pelo contribuinte, porém a simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada no acórdão guerreado, não constitui qualquer vício material capaz de incorrer em desconsideração, até porque o livre convencimento do julgador administrativo encontra-se resguardado pelo art. 29, do Decreto no 70.235, de 1972. Nestes termos, não houve a alegada falta de fundamentação da decisão recorrida. 2 Custo de aquisição das quotas resultantes da incorporação da reserva de reavaliação Quanto ao mérito, os argumentos do contribuinte podem ser assim sintetizados: (a) o acórdão recorrido, para sustentar a incidência do art. 16, §4o da Lei no 7.713, de 1988, teria desqualificado a Instrução Normativa no 84, de 2001; (b) a Instrução Normativa no 84, de 2001, consolida a legislação sobre a apuração e tributação de ganho de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas física, sendo razoável que a consulta a esse instrumento substitua à consulta às normas originárias; (c) o contribuinte não agiu de forma desleal, ao contrário, prestou em sua declaração de ajuste anual todas as informações relativas à operação de venda de participações societárias; (d) o art. 16, §2o, da Instrução Normativa no 84, de 2001, não diferencia a reserva de lucro da reserva de reavaliação e demais reservas, atribuindo a todas o valor que couber ao sócio como custo de aquisição; (e) invoca a seu favor o art. 18 da Instrução Normativa no 84, de 2001, que dispõe sobre o custo de aquisição, na ausência de valor pago; e (f) afirma, ao final, que a controvérsia baseia-se nos elementos da base de cálculo, especialmente se as reservas de reavaliação podem ou não ser consideradas custo de aquisição, já que este componente é parâmetro essencial para chegar-se a diferença positiva que será tributada. Trata-se de lançamento de omissão de ganho de capital apurada na alienação de participação societária ocorrida no mês de outubro de 2003, em decorrência de a fiscalização ter considerado zero o custo das quotas oriundas da integralização da reserva de reavaliação. Assim, a questão litigiosa submetida a apreciação deste colegiado é a determinação do custo de aquisição das participações societárias advindas da incorporação das reservas de reavaliação, como admite o próprio contribuinte (item f). Para o deslinde da questão importa fazer uma retrospectiva na legislação que trata da matéria. Para fins de determinação do custo de aquisição de participação societária, no caso de incorporação de lucros ou reservas, o art. 16 da Lei no 7.713, de 1988, assim dispõe (grifos nossos): Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I - o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II - o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III - o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; Fl. 451DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 9 17 IV - o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V - seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Como se vê, o art. 16 da Lei no 7.713, de 1988, determinava expressamente que o custo de aquisição das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas era zero, ressalvada a hipótese de lucros ou reservas que tivessem sido tributados na forma do art. 36 da mesma lei, em que o custo de aquisição seria igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado. Assim, a apuração do custo de aquisição pelo “valor corrente, na data da aquisição” (art. 16, inciso V, da Lei no 7.713, de 1988) perde aplicação diante de uma disposição especifica (art. 16, §§ 3o e 4o, da Lei no 7.713, de 1988), como pretendido pela defesa (item e). Posteriormente, foi editada a Lei 8.383, de 20 de dezembro 1991, alterando a tributação dos lucros, partir de janeiro de 1993: Art. 75. Sobre os lucros apurados a partir de 1° de janeiro de 1993 não incidirá o imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 1988, permanecendo em vigor a não-incidência do imposto sobre o que for distribuído a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no País. Desta forma, deixou de haver a incidência do imposto de renda na fonte sobre os lucros distribuídos às pessoas físicas ou jurídicas. Assim, a apesar de o art. 16, §3o, da Lei no 7.713, de 1988, estar vigendo, a condição nele imposta deixou de fazer sentido, pois os lucros distribuídos passaram ser isentos e, conseqüentemente, o custo de aquisição das quotas de capital resultante de sua incorporação ou das reservas deles decorrentes, no ano-calendário 1993, passou a ser igual ao montante incorporado sem ressalvas. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 18 Esta alteração na legislação vigorou apenas por um ano, pois em 1994, voltou a existir a incidência de imposto de renda na fonte sobre os lucros distribuídos, com a Lei no 8.849, de 1994: Art. 2º Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, quando pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no País, estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. Esta mesma lei autorizou o aumento de capital por meio de incorporação de lucros, sem que estes fossem tributados na fonte (art. 3o da Lei no 8.849, de 1994). Assim, a partir do ano-calendário 1994, a aquisição das quotas decorrente do aumento de capital por incorporação de lucros, passou a ter custo zero, pois, de acordo com o art. 16, §3o (vigente à época), não foi cumprida a condição de tributação na fonte deste lucros. Com o advento da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, houve novamente alteração na tributação do lucro distribuído e no custo de aquisição das quotas decorrente de incorporação de lucros ou reservas, sendo oportuno transcrever o art. 10 (grifos nossos): Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com essa alteração, a partir do ano-calendário 1996, os lucros distribuídos pela pessoa jurídica, tributados com base no lucro real, presumido ou arbitrado, voltaram a ser isentos e, conseqüentemente, o custo de aquisição das quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de desses lucros ou de reservas constituídas com esses lucros, passou a ser a parcela do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao sócio ou acionista. Toda a legislação retro mencionada, no que diz respeito ao custo de aquisição, encontra-se consolidada nos arts. 130 e 135 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, indicados no Auto de Infração à fl. 10: Subseção II Bens ou Direitos Adquiridos no Período de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995 [...] Art. 130. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada Fl. 453DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 10 19 dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 2º). § 1º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 3º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 75). § 2º O custo é considerado igual a zero (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 4º): I - no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995; II - no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente; III - quando não puder ser determinado por qualquer das formas descritas neste artigo ou no anterior. Subseção III Bens Adquiridos após 31 de dezembro de 1995 Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). A lógica adotada pelo legislador é considerar como custo o valor do lucro ou da reserva incorporado ao capital social sempre que o valor da incorporação foi tributado pela pessoa jurídica e sua distribuição ao sócio é considerada isenta. Neste contexto, cabe investigar se a incorporação de reserva de reavaliação pode ser considerada como custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital. Para o deslinde da questão, importa examinar a legislação que disciplina a tributação da Reserva de Reavaliação na Pessoa Jurídica. A legislação sobre o assunto encontra-se consolidada nos arts. 434 a 438 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99: Reavaliação de Bens do Permanente Diferimento da Tributação Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de Fl. 454DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 20 reavaliação (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 35, e Decreto- Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). § 1º O laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. § 2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 2º). § 3º Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alínea “h” , e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). Tributação na Realização Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 1º, e Decreto-Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I - no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II - em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. Reavaliação de Bens Imóveis e de Patentes Art. 436. A incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bens imóveis integrantes do ativo permanente, nos termos do art. 434, não será computada na determinação do lucro real (Decreto-Lei nº 1.978, de 21 de dezembro de 1982, art. 3º). § 1º Na companhia aberta, a aplicação do disposto neste artigo fica condicionada a que a capitalização seja feita sem modificação do número de ações emitidas e com aumento do valor nominal das ações, se for o caso (Decreto-Lei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 2º). § 2º Aos aumentos de capital efetuados com a utilização da reserva de que trata este artigo, constituída até 31 de dezembro de 1988, aplicam-se as normas do art. 63 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, e às reservas constituídas nos anos de 1994 e 1995 aplicam-se as normas do art. 658 (Decreto-Lei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 3º). Fl. 455DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 11 21 § 3º O disposto neste artigo aplica-se à reavaliação de patente ou de direitos de exploração de patentes, quando decorrentes de pesquisa ou tecnologia desenvolvida em território nacional por pessoa jurídica domiciliada no País (Decreto-Lei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, art. 20). Art. 437. O valor da reavaliação referida no artigo anterior, incorporado ao capital, será (Decreto-Lei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 1º): I - registrado em subconta distinta da que registra o valor do bem; II - computado na determinação do lucro real de acordo com o inciso II do art. 435, ou os incisos I, III e IV do parágrafo único do art. 439. Reavaliação de Participações Societárias Avaliadas pelo Valor de Patrimônio Líquido Art. 438. Será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contrapartida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 3º). Com o advento da Lei no 9.959, de 27 de janeiro de 2000, foi alterada a sistemática da realização da reserva de reavaliação, com vigência a partir de janeiro de 2000 (art. 12 da referida lei), assim dispondo seu art. 4o (grifei): Art.4º A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. Como se percebe, a partir do ano-calendário 2000, a reserva de reavaliação somente será tributada quando da efetiva realização do bem reavaliado e, portanto, apenas nessa situação o custo de aquisição poderá ser igual ao valor realizado da reserva de reavaliação. Conclui-se, assim, que o art. 10 da Lei no 9.249, de 1995, aplica-se apenas às reservas de lucros, ou seja, aquelas que tiveram como contrapartida lucros tributados pela pessoa jurídica, e, portanto, no caso das reservas de reavaliação deve-se aplicar a regra geral prevista no art. 16, §4o, da Lei no 7.713, de 1988, considerando-se o custo de aquisição igual a zero, a menos que se demonstre que a reserva de reavaliação foi realizada, ou seja, tributada pela pessoa jurídica. Embora as instruções normativas tenham como finalidade a consolidação da legislação sobre determinado assunto (item b), essas não substituem a aplicação das leis e decretos que lhe deram origem. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 22 Não se trata, portanto, de desqualificar a Instrução Normativa no 84, de 2001 (item a), mas sua interpretação não pode contrariar ou extrapolar os limites da normas originárias, em especial a Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995. O recorrente invoca a seu favor, o art. 16, §2o, da Instrução Normativa no 84, de 2001, in verbis: § 2º No caso de ações ou quotas recebidas em bonificação, em virtude de incorporação de lucros ou reservas ao capital social da pessoa jurídica, considera-se custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista ou sócio, independentemente da forma de tributação adotada pela empresa. Não obstante dispositivo acima transcrito não faça distinção expressa entre reserva de lucro e reserva de reavaliação (item d), ao final consta a expressão “independentemente da forma de tributação adotada pela empresa.”, permitindo inferir que o referido parágrafo está tratando de valores já tributados pela pessoa jurídica, isto é, reserva de lucros. Assim, muito embora a Instrução Normativa no 84, de 2001, não tenha delimitado expressamente as reservas por ela mencionadas em seu art. 16, §2o, observando-se o disposto no art. 10 da Lei no 9.249, de 1995, e no art. 16, §4o, da Lei no 7.713, de 1988, concluiu-se que o dispositivo em questão aplica-se apenas às reservas de lucros, ou seja, aquelas que tiveram como contrapartida lucros tributados pela pessoa jurídica, e, portanto, no caso das reservas de reavaliação, o custo de aquisição é igual a zero. Trata-se de uma interpretação sistemática, considerando que uma norma administrativa não pode extrapolar os limites estabelecidos na lei que lhe deu origem. Conforme relatado pela fiscalização (fl.s 227 e 228), a empresa Aquatec Industrial Agropecuária Ltda., em junho de 2003, procedeu a reavaliação dos bens do ativo permanente contabilizando como reserva de reavaliação e, em 17/09/2003, esta reserva foi incorporada ao capital social da empresa. Em 30/10/2003, o contribuinte alienou sua participação societária na referida empresa, considerando como custo de aquisição o valor da reserva de reavaliação incorporada ao capital social. Ressalte-se que não há nos autos prova de que a reserva de reavaliação tenha sido efetivamente realizada ou seja tributada pela pessoa jurídica. Destarte, tendo em vista a legislação anteriormente transcrita, agiu com acerto a fiscalização em considerar custo zero para as cotas decorrentes da incorporação da reserva de reavaliação. Quanto à alegação de que o contribuinte não teria agido de forma desleal, ao contrário, prestou em sua declaração de ajuste anual todas as informações relativas à operação de venda de participações societárias (item c), cumpre lembrar que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme disposto no art. 136 do Código Tributário Nacional, e, portanto, a constatação de dolo, fraude ou simulação só tem relevância quanto se trata de multa qualificada, o que não ocorreu no presente caso, pois foi aplicado o percentual de 75%. Diante de todo o exposto, não há reparos a fazer na apuração do ganho de capital efetuado pela fiscalização. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 12 23 3 Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR as preliminares levantadas pelo recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 458DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 24 Voto Vencedor O voto da nobre relatora conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, está muito bem fundamentado. Apesar das razões e fundamentos que a levaram a chegar a tal conclusão, tenho entendimento diverso do dela em alguns pontos, daí a razão de abrir a divergência que culminou prevalecendo no julgamento pelo colegiado. O presente caso trata-se de lançamento de omissão de ganho de capital apurada na alienação de participação societária ocorrida no mês de outubro de 2003, em decorrência de a autoridade lançadora ter considerado como zero o custo de aquisição das quotas oriundas da integralização da reserva de reavaliação. Conforme bem detalhado pela relatora em seu brilhante voto, a lógica adotada pelo legislador tributário foi o de considerar como custo de aquisição o valor do lucro ou da reserva incorporado ao capital social sempre que o valor da incorporação foi tributado pela pessoa jurídica e via de conseqüência a sua distribuição ao sócio é considerada isenta (se tratando de lucro gerado a partir do ano-calendário de 1996, que é o caso dos autos). Neste contexto, devemos verificar se a incorporação de reserva de reavaliação pode ser considerada como custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital da pessoa física. Antes de adentrarmos nos efeitos tributários da realização da reserva de reavaliação na Pessoa Jurídica que registrou em seu patrimônio os bem, devemos verificar qual é o tratamento contábil da realização desse bem. A reserva de reavaliação foi criada para poder permitir a pessoa jurídica trazer a valor de mercado bens registrados no ativo permanente. Para fins societários e contábeis a Lei n° 6.404, de 1976, determina o parágrafo 3°, do artigo 182: "Art. 182 - (...) § 3º - Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do Art. 8º aprovado pela assembléia geral." Desta forma, nos termos da legislação societária a contrapartida do aumento do valor do bem, não deveria ser registrado como receita no resultado mas sim como uma reserva na conta de patrimônio líquido, sendo que essa receita tinha a sua tributação diferida quando da efetiva realização do bem conforme disciplina os arts. 434 a 438 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99: Fl. 459DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 13 25 “Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 35, e Decreto- Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). § 1º O laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. § 2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 2º). § 3º Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alínea “h” , e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 1º, e Decreto-Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I - no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II - em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. Art. 436. A incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bens imóveis integrantes do ativo permanente, nos termos do art. 434, não será computada na determinação do lucro real (Decreto-Lei nº 1.978, de 21 de dezembro de 1982, art. 3º). § 1º Na companhia aberta, a aplicação do disposto neste artigo fica condicionada a que a capitalização seja feita sem modificação do número de ações emitidas e com aumento do valor nominal das ações, se for o caso (Decreto-Lei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 2º). Fl. 460DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO 26 § 2º Aos aumentos de capital efetuados com a utilização da reserva de que trata este artigo, constituída até 31 de dezembro de 1988, aplicam-se as normas do art. 63 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, e às reservas constituídas nos anos de 1994 e 1995 aplicam-se as normas do art. 658 (Decreto-Lei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 3º). § 3º O disposto neste artigo aplica-se à reavaliação de patente ou de direitos de exploração de patentes, quando decorrentes de pesquisa ou tecnologia desenvolvida em território nacional por pessoa jurídica domiciliada no País (Decreto-Lei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, art. 20). Art. 437. O valor da reavaliação referida no artigo anterior, incorporado ao capital, será (Decreto-Lei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 1º): I - registrado em subconta distinta da que registra o valor do bem; II - computado na determinação do lucro real de acordo com o inciso II do art. 435, ou os incisos I, III e IV do parágrafo único do art. 439. Art. 438. Será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contrapartida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 3º).” A Lei no 9.959, de 27 de janeiro de 2000, alterou a sistemática da realização da reserva de reavaliação, com vigência a partir de janeiro de 2000 (art. 12 da referida lei), assim dispondo seu art. 4o : Art.4º A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. A partir do ano-calendário 2000, a reserva de reavaliação somente será tributada pela Pessoa Jurídica quando da efetiva realização do bem reavaliado. Podemos concluir que a realização da reserva de reavaliação deverá ser oferecida a tributação pela pessoa jurídica, devendo portanto compor via adição o lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. Para fins societários e contábeis como a contrapartida da reserva de reavaliação do bem não foi registrado como receita, mas sim como reserva no patrimônio líquido da pessoa jurídica, quando o ativo for realizado a sua contrapartida será a realização da reserva contra a conta de lucro acumulados. Conforme determina o parágrafo 2° do artigo 187 da Lei n° 6.404, de 1976 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO Processo nº 10469.722072/2008-23 Acórdão n.º 2202-01.646 S2-C2T2 Fl. 14 27 "§ 2º - O aumento do valor de elementos do ativo em virtude de novas avaliações, registrado como reserva de reavaliação (Art. 182, § 3º), somente depois de realizado poderá ser computado como lucro para efeito de distribuição ou participações Note-se que para fins societários e contábeis a realização da reserva de reavaliação não transitou pelo resultado do exercício, mas entre contas patrimoniais (reserva de reavaliação x reserva de lucros), mas para fins fiscais a realização da reserva de reavaliação deverá devidamente oferecida a tributação pela pessoa jurídica via adição ao lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. Como tal valor passou a compor a reserva de lucros, quando da realização do bem, ele será passível de distribuição aos sócios e acionistas da pessoa jurídica, e como esse valor foi ou será devidamente oferecido a tributação pela pessoa jurídica, não podemos querer tributá-lo novamente pela pessoa física (sócia e acionista que recebeu tais valores), isso seria uma total afronta ao artigo 43 do Código Tributário Nacional, que elegeu como fato gerador do imposto de renda o efetivo acréscimo patrimonial. Só podemos atribuir como custo zero, se ficar devidamente evidenciado que a pessoa jurídica que detém o bem reavaliado onde o contribuinte possui a participação societária, não ofereceu tal valor a tributação. No caso dos autos, a Aquatec efetuou em outubro de 2003 a capitalização da reserva de reavaliação, que gerou o aumento do custo de aquisição da participação societária do Recorrrente, nesse momento apesar a reserva de reavaliação não ter sido tributada pela Pessoa Jurídica, isso deverá ocorrer em um segundo momento. Caberia a autoridade fiscal, já que o auto de infração foi lavrado em 27 de junho de 2008, ter verificado se a reserva de reavaliação foi devidamente oferecida a tributação ou não pela pessoa jurídica no caso a Aquatec. Caso tivesse adotado esse procedimento e comprovado que a reserva de reavaliação não foi oferecida a tributação pela Pessoa Jurídica, o lançamento subsistiria, mas podemos verificar que tal ato não foi devidamente investigado pela autoridade fiscal, que se limitou a analisar somente a capitalização e o aumento de custo de aquisição ocorrida em 2003. Desta forma, entendo que não subsiste o lançamento, nesse sentido voto em dar provimento ao Recurso do Contribuinte. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 462DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinad o digitalmente em 12/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO
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