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Numero do processo: 10280.001638/2003-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF
Ano-calendário: 1998
NULIDADE MATERIAL E NÃO FORMAL. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE ENTENDEU QUE A FISCALIZAÇÃO NÃO LOGROU COMPROVAR QUE OS RENDIMENTOS DECLARADOS NÃO ERAM ORIUNDOS DE ATIVIDADE RURAL.
Não procede a alegação da Fazenda de que houve a criação, no acórdão recorrido, de hipótese de nulidade formal, tendo em vista que, em verdade, aquela decisão tratou de vício do conteúdo material da autuação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.094
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF Ano-calendário: 1998 NULIDADE MATERIAL E NÃO FORMAL. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE ENTENDEU QUE A FISCALIZAÇÃO NÃO LOGROU COMPROVAR QUE OS RENDIMENTOS DECLARADOS NÃO ERAM ORIUNDOS DE ATIVIDADE RURAL. Não procede a alegação da Fazenda de que houve a criação, no acórdão recorrido, de hipótese de nulidade formal, tendo em vista que, em verdade, aquela decisão tratou de vício do conteúdo material da autuação. Recurso especial negado.
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ACÓRDÃO RECORRIDO QUE ENTENDEU QUE A FISCALIZAÇÃO NÃO LOGROU COMPROVAR QUE OS RENDIMENTOS DECLARADOS NÃO ERAM ORIUNDOS DE ATIVIDADE RURAL. Não procede a alegação da Fazenda de que houve a criação, no acórdão recorrido, de hipótese de nulidade formal, tendo em vista que, em verdade, aquela decisão tratou de vício do conteúdo material da autuação. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora FORMALIZADO EM: 01/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Júnior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 184/210 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 245/269) julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme a seguinte ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O erro no enquadramento legal não acarreta a nulidade do auto de infração, quando demonstrado que a falha foi devidamente suprida pela descrição dos fatos nele contida, permitindo ao contribuinte a perfeita compreensão da matéria tributável. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10280.001638/200373 Acórdão n.º 920202.094 CSRFT2 Fl. 2 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. ENTENDIMENTO DOMINANTE NOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 Ementa: NORMAS DO CÓDIGO CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE. O artigo 412 do Código Civil de 2002 (correspondente ao artigo 920 do Código Civil de 1916) não é aplicável a exações fiscais, pois existe norma própria para o lançamento da multa de oficio de 75%, vale dizer, o artigo 44, inciso I, da Lei n.° 9.430/1996. Demais disso, também há norma própria para o lançamento dos juros com base na taxa SELIC, ou seja, o artigo 61, § 3°, da Lei n.° 9.430/1996. ARTIGO 113 DO CTN. JUROS. OMISSÃO. O artigo 113 do CTN não faz qualquer menção a juros. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Ementa: ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DAS RECEITAS. A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. ATIVIDADE RURAL. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. VINTE POR CENTO. COMPROVAÇÃO DAS RECEITAS. À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá a vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Essa opção não dispensa o contribuinte da comprovação das receitas, qualquer que seja a forma de apuração do resultado. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 4 Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 275/321. A antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acolheu a preliminar de nulidade do contribuinte (fls. 337/348). Eis a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL — RECLASSIFICAÇÃO — NECESSIDADE DE PROVA — RECURSO PROVIDO 1. Apresentada declaração de rendimentos informando que se tratam de receitas decorrentes da atividade rural, a Fiscalização somente poderá reclassificar e fazer lançamento de oficio mediante prova de que tais rendimentos não são oriundos da atividade rural. O fato do fiscalizado vender produtos sem nota do produtor rural, por si só, não serve de justificativa para fazer lançamento reclassificando rendimentos como sendo oriundos de recebimento proveniente de trabalho prestado a pessoas jurídicas, sem ao menos mencionar quem são estas pessoas e quais foram os trabalhos. Preliminar de nulidade acolhida. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 351/352), os quais restaram rejeitados (fls. 354/355). A Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial, com fundamento em violação à legislação tributária por parte do acórdão recorrido (fls. 357/361). Argumentou, em primeiro lugar, que a decisão recorrida criou uma hipótese de nulidade não prevista em lei. Defendeu que somente podem ensejar a nulidade as irregularidades previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Sustentou, neste sentido, a aplicação do artigo 60 do Decreto n° 70.235/72, não importando, a “suposta irregularidade” não importará em nulidade do processo administrativo fiscal. Segundo a recorrente: “Ademais, é conveniente destacar que o CARF tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento, devendo prevalecer os princípios da instrumenta1ic1.3de e economia processual em lugar do rigor das formas. (...) De tudo, vêse que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 11 do Decreto n.° 70.235/72. O exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado ao contribuinte, que, inclusive, apresentou longo e detalhado arrazoado. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10280.001638/200373 Acórdão n.º 920202.094 CSRFT2 Fl. 3 5 Assim, não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa do contribuinte neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes. Na remota hipótese, dessa e. Câmara não acolher o entendimento acima exposto, passase a demonstrar que a suposta insuficiência na descrição dos fatos gera nulidade por vício formal.” O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 365/371 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche também os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou o dispositivo legal que reputa violado. Segundo a recorrente, a decisão recorrida violou os artigo 11, 59 e 60, todos do Decreto n° 70.235/72. Primeiramente, é de se te que, ao contrário do quanto exposto pela recorrente, não se trata, no acórdão recorrido, de aferirse ou não a aplicação das hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, o qual prevê a nulidade dos atos e termos lavrados por pessoa incompetente; ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Este dispositivo trata de circunstâncias referentes a vício formais da autuação. No acórdão recorrido, na verdade, o cancelamento da autuação deuse em vista do conteúdo material do lançamento, e não da sua forma. Com efeito, considerouse que a fiscalização não produziu qualquer prova que pudesse descaracterizar os rendimentos declarados como oriundos de atividade rural. A simples não apresentação das notas fiscais referentes à venda de açaí, pirarucu, maracujá, acerola e madeira, no valor de R$ 188.890,00, não poderia, por si só, ensejar a glosa com base na “omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas jurídicas”. Desta forma, e com base no artigo 149 do CTN, particularmente, no inciso V, em que se demanda a comprovação da omissão ou inexatidão, entendeuse pelo cancelamento do lançamento. Em termos substanciais, não obstante conste do resultado do julgamento combatido o acolhimento da preliminar de nulidade, em verdade, os fundamentos que levaram ao cancelamento do lançamento giraram em torno de considerações probatórias, no sentido de que a autoridade fiscal não se desincumbiu do ônus que sobre ela recaía de comprovar, no caso concreto, que os rendimentos em questão não teriam origem em atividade rural. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 6 É dizer, o lançamento somente poderia lograr proceder se o Fisco tivesse efetivamente comprovado a inexatidão da declaração do contribuinte. Os motivos suscitados pela recorrente com vistas à reforma do acórdão recorrido, pois, não procedem, primeiro porque correto o entendimento externado no voto vencido do acórdão recorrido, e segundo porque aqueles motivos não vão de encontro ao acórdão recorrido. Em outras palavras, os dispositivos normativos alegadamente violados efetivamente não foram, até porque não serviram, sob qualquer aspecto, de base do acórdão recorrido. Desta forma, ainda que se considerasse, como pretende a recorrente, que não houve nulidade no lançamento, ainda assim o acórdão recorrido subsistiria, porque não foi com fundamento em nulidade (frisese formal) que o lançamento fora derrubado, mas sim com base em vício material, vício de conteúdo. Este vício, consistente na ausência de produção probatória por parte do fisco, é que deveria ter sido atacado pela Fazenda, o que não ocorreu. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 422DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000862/2005-71
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
Acolhem-se os embargos na parte em que ficou caracterizada a omissão contida no acórdão embargado.
MULTA DE OFÍCIO.
Aplica-se a multa em percentual equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) sobre a base de cálculo apurada de ofício.
IRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS MÉDICAS.
Para o benefício das deduções redutoras da base de cálculo do tributo, pleiteadas na declaração anual de ajuste exige-se a comprovação por documentação hábil e idônea, conforme disposição legal. Somente as despesas médicas comprovadas devem ser acatadas.
Numero da decisão: 2802-001.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos CONHECER e ACOLHER os embargos declaratórios, exclusivamente em relação à omissão referente à exclusão da multa de ofício, rejeitando os embargos nos demais pontos, para então retificar a parte dispositiva do acórdão embargado para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, restabelecendo a dedução de despesa médicas no valor de R$1.400,00 (hum mil e quatrocentos reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior Redator ad hoc.
EDITADO EM: 21/06/2013
(Acórdão formalizado extemporaneamente. A Conselheira relatora não é mais integrante do CARF.)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae (Relatora), Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Acolhem-se os embargos na parte em que ficou caracterizada a omissão contida no acórdão embargado. MULTA DE OFÍCIO. Aplica-se a multa em percentual equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) sobre a base de cálculo apurada de ofício. IRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS MÉDICAS. Para o benefício das deduções redutoras da base de cálculo do tributo, pleiteadas na declaração anual de ajuste exige-se a comprovação por documentação hábil e idônea, conforme disposição legal. Somente as despesas médicas comprovadas devem ser acatadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos CONHECER e ACOLHER os embargos declaratórios, exclusivamente em relação à omissão referente à exclusão da multa de ofício, rejeitando os embargos nos demais pontos, para então retificar a parte dispositiva do acórdão embargado para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, restabelecendo a dedução de despesa médicas no valor de R$1.400,00 (hum mil e quatrocentos reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Redator ad hoc. EDITADO EM: 21/06/2013 (Acórdão formalizado extemporaneamente. A Conselheira relatora não é mais integrante do CARF.) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae (Relatora), Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1978; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 355 1 354 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13984.000862/200571 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2802001.317 – 2ª Turma Especial Sessão de 20 de janeiro de 2012 Matéria IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SEBASTIAO ALVES DE SÁ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Acolhemse os embargos na parte em que ficou caracterizada a omissão contida no acórdão embargado. MULTA DE OFÍCIO. Aplicase a multa em percentual equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) sobre a base de cálculo apurada de ofício. IRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS MÉDICAS. Para o benefício das deduções redutoras da base de cálculo do tributo, pleiteadas na declaração anual de ajuste exigese a comprovação por documentação hábil e idônea, conforme disposição legal. Somente as despesas médicas comprovadas devem ser acatadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos CONHECER e ACOLHER os embargos declaratórios, exclusivamente em relação à omissão referente à exclusão da multa de ofício, rejeitando os embargos nos demais pontos, para então retificar a parte dispositiva do acórdão embargado para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, restabelecendo a dedução de despesa médicas no valor de R$1.400,00 (hum mil e quatrocentos reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 08 62 /2 00 5- 71 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Redator ad hoc. EDITADO EM: 21/06/2013 (Acórdão formalizado extemporaneamente. A Conselheira relatora não é mais integrante do CARF.) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae (Relatora), Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração interposto tempestivamente pela FAZENDA NACIONAL em face do acórdão nº 280200758, proferido na sessão de 12/04/2011 pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento. No acórdão embargado, os membros do colegiado decidiram: “por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer apenas a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 1.400,00 (hum mil e quatrocentos reais) e substituir a multa de ofício pela aplicação da multa de mora.”, nos seguintes termos de ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 IRPF DEDUÇÕES COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS MÉDICAS Para o benefício das deduções redutoras da base de cálculo do tributo, pleiteadas na declaração anual de ajuste exigese a comprovação por documentação hábil e idônea, conforme disposição legal. Somente as despesas médicas comprovadas devem ser acatadas. FALECIMENTO DO AUTUADO. MULTA DE MORA. Observandose o falecimento do contribuinte após ciência do lançamento, há que se substituir a multa de ofício pela multa de mora.” A embargante indica como vícios do acórdão: inexistir nos autos documentação (certidão de óbito) que comprove o falecimento do interessado 18/01/2009, para que se possa substituir a multa de ofício pela multa de mora; ao se considerar, por hipótese, o evento morte do autuado, o recurso voluntário teria sido interposto por parte não legítima, nesse sentido acrescenta: que Clélia Camargo de Sá detinha a condição de curadora, conforme, termo de fl. 03, e nesses termos representava o recorrente em vida, mas, admitidose o evento morte do autuado essa representação estaria extinta e, com a abertura da sucessão e até a partilha o inventariante representaria o espólio do de cujus ou o administrador provisório ate que aquele prestasse compromisso, conforme art. 12, inciso V e art.985, ambos do CPC; como não se colacionou Fl. 356DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 13984.000862/200571 Acórdão n.º 2802001.317 S2TE02 Fl. 356 3 qualquer documento atestando a sua condição seja como administradora provisória do espólio, seja como inventariante (até a partilha), seja como única herdeira ou representante da totalidade dos herdeiros (após a partilha); sem a comprovação de que Clélia Camargo de Sá era um dos legitimados para representar conjunto de bens, direitos, rendimentos e obrigações deixados pela pessoa falecida, o recurso voluntário, nessa esteira não deveria ter sido conhecido. o restabelecimento das deduções : (fl. 128) das despesas médicas com a profissional Odete Oliveira, instrumentadora cirúrgica, considerando que esses "serviços não constaram da conta hospitalar", contudo não indicou o substrato fático probatório para chegar a essa conclusão, por isso o acórdão foi omisso; observou que o recibo de fl. 113 a que se reporta a decisão embargada foi o mesmo analisado pela autoridade julgadora de primeira instância (fl. 19); com o neurocirurgião Julio Cesar Gargioni, muito embora o recibo esteja datado com data relativa a época não abrangida pelo lançamento. Aqui, valem as mesmas indagações tecidas acima, pois, nos termos da lei, a data constitui um dos requisitos do recibo e o contribuinte não trouxe nenhuma prova que demonstrasse o erro alegado. O acórdão embargado não se pronunciou sobre a ausência de provas do erro "formal" no recibo alegado pelo contribuinte. Ademais, há nos autos recibos com data de 02 de janeiro de 2001: R$ 4.000,00 (quatro mil reais) em favor do medico Gilberto Antônio Scopel, em razão de cirurgia de hérnia ignal (fl. 79), R$ 2.000,00 em favor de Eduardo Melchior, em razão de anestesia (fl. 80), R$ 150, 00, em favor de Dair Arruda, em razão de avaliação pneumológica (fl. 85) e R$ 600,00 em favor de Denise Arruda, em razão de 22 sessões de fisioterapia respiratória, R$ 90,00 em favor de Leia Duarte, em razão de 03 sessões de fisioterapia respiratória. Ora, não seria crível que todas essas prestações de serviços tivessem realizadas num único dia (02 de janeiro de 2001), juntamente com o atendimento hospitalar neurológico (que registrese, foi datado formalmente de 02 de janeiro de 2000, e pelo Colegiado embargado foi considerada a alegação do recorrente de que a prestação do serviço ocorreu em 02 de janeiro de 2001). E se admitisse que apenas aposto essa data no recibo, sem a efetiva prestação de serviço nesse dia, (ainda mais considerandose que dia 1 de janeiro e feriado nacional), haveria alteração fictícia da data, a fim de estabelecer dedução de despesas medicas para outras épocas que não aquelas nas quais ocorreu a efetiva prestação de serviços. Todo esse quadro probatório não foi levado em consideração pelo acórdão embargado; requer que sejam conhecidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, a fim de sanar/retificar os vícios acima apontados e para prequestionar as matérias que não foram objeto de análise expressa pelo Colegiado. Conforme despacho anexo, este Conselheiro foi designado Redator ad hoc, tendo em vista que a relatora Conselheira Lúcia Reiko Sakae não mais integra o CARF. É o relatório. Voto Fl. 357DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR 4 Conselheiro Jaci de Assis Junior, Redator ad hoc Tendo em vista que a relatora Conselheira Lúcia Reiko Sakae não mais integra o CARF, coube a este Conselheiro a tarefa de redigir o presente acórdão, que foi assim discutido e decidido pelos integrantes da 2º Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF à época: “Tratase de embargos de declaração interposto tempestivamente pela FAZENDA NACIONAL em face do acórdão nº 280200.758, proferido na sessão de 12 de abril de 2.011 pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento. Alega a embargante que o acórdão embargado se encontra omisso, uma vez que não indicou em qual ou em quais provas se baseou o convencimento para aferir o falecimento do contribuinte, Sebastião Alves Sa, em 18/01/2009. Examinando os elementos que integram os autos, entendo que a razão está com a embargante, uma vez que na peça recursal ingressada pela representante do recorrente consta apenas a alegação o falecimento do contribuinte sem, contudo, fazerse acompanhar do respectivo documento comprobatório de tal alegação. Diante disso, deverá permanecer a exigência da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada pelo Auto de Infração, fls. 56, não se aplicando ao caso concreto dos presentes autos os art. 23 c/c o art. 964 e 950 do RIR/1999. Não configurada a hipótese de falecimento do contribuinte após a lavratura da Notificação de Lançamento, prejudicados os questionamentos apresentados pela embargante quanto à legitimidade da representante do contribuinte para fins de interposição do recurso voluntário. No que diz respeito às alegações de omissão relacionadas ao exame das despesas médicas contestadas pelo contribuinte, convém observar que o acórdão embargado restabeleceu somente as seguintes deduções, conforme trecho do voto extraído do final das fls. 128 e do início de seu verso, a seguir transcrito: ‘ Profissional Odete Oliveira, instrumentadora cirúrgica cujos serviços não constaram da conta hospitalar, há que se acatar a dedução no valor de R$ 400,00; (fl. 113) quanto ao recibo datado de 02/01/2000, constatandose que o paciente , realmente se submeteu a procedimento cirúrgico em 2.001, nesse mesmo dia, como atestam os demais documentos, acato a dedução com o Neurocirurgião JULIO CESAR GARGIONI no valor de R$ 1.000,00 em resumo, restabelecemse as deduções referentes a Odete de Oliveira (R$ 400,00) e Julio César Gargioni (R$ 1.000,00), ou seja dedução de mais R$ 1.400,00’ Portanto, ao contrário do que afirmou a embargante, o voto condutor do acórdão recorrido indicou as respectivas motivações pelas quais entendeu por restabelecer os recibos juntados pelo interessado aos autos. Ressaltese que da leitura do voto condutor do acórdão embargado, a relatora dispôs expressamente a legislação de regência da matéria, bem como especificou as fundamentações que julgou necessárias para motivar a sua decisão, sem obrigatoriamente pontuar as fundamentações do julgamento a quo. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 13984.000862/200571 Acórdão n.º 2802001.317 S2TE02 Fl. 357 5 Nesse aspecto, convém observar que o julgador, para a formação de seu livre convencimento, não fica obrigado a rebater individualmente todas alegações das partes nem a se pronunciar especificamente sobre cada um dos dispositivos legais listados nas peças processuais, conforme já se pronunciou o STJ no Resp 790422 PR nos seguintes termos: ‘O magistrado não é obrigado a rebater individualmente todas alegações das partes nem a se pronunciar especificamente sobre cada um dos dispositivos legais listados nas peças processuais. Violação do art. 535 do CPC repelida.’ Observese que inexistindo a alegada omissão, não há como examinar os demais argumentos apresentadas pela embargante, sob pena de reexame das provas, matéria vedada em sede de embargos. Voto por CONHECER e ACOLHER os embargos declaratórios, exclusivamente em relação à omissão referente à exclusão da multa de ofício, rejeitando os embargos nos demais pontos, para então retificar a parte dispositiva do acórdão embargado para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, restabelecendo a dedução de despesa médicas no valor de R$1.400,00 (hum mil e quatrocentos reais).” É o voto proferido relatora Conselheira Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior, Redator ad hoc Fl. 359DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR
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Numero do processo: 11128.000005/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 16/07/2007
MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA, PELA CONTRIBUINTE, À INTIMAÇÃO DA SRFB, EM PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO.
É cabível a aplicação da multa prevista na alínea c do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei/66, com a nova redação dada pela Lei nº. 10.833/2003, quando o contribuinte deixa de apresentar resposta a intimação em procedimento fiscal, no prazo estipulado no Termo de Intimação.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente BARWIL BRASIL AGÊNCIAS MARÍTIMAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 16/07/2007 MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA, PELA CONTRIBUINTE, À INTIMAÇÃO DA SRFB, EM PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa prevista na alínea “c” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei/66, com a nova redação dada pela Lei nº. 10.833/2003, quando o contribuinte deixa de apresentar resposta a intimação em procedimento fiscal, no prazo estipulado no Termo de Intimação. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Trata a lide de Auto de Infração (fls. 1/4), lavrado em 18/12/2007, em face da empresa BARWIL BRASIL AGÊNCIAS MARÍTIMAS LTDA, para aplicação da multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 00 05 /2 00 8- 88 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 prevista na alínea “c” do inciso V do art. 107 do Decretolei nº 35/1966, com redação dada pela Lei nº. 10.833/2003, no valor de R$ 5.000,00, em razão da nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação realizada por meio do Termo de Intimação nº 311/07, de 06/07/2007. Às fls. 18/19, a contribuinte apresentou impugnação, onde alegou que o não atendimento à intimação decorreu do fato de não ter recebido o referido Termo de Intimação, e informa que “as 07 (sete) pessoas citadas, devidamente autorizadas pela Alfândega do Porto de Santos a adentrar a zona primária, são funcionárias do terminal operado pela Rhamo Industria, Comércio e Serviços Ltda., terminal este legalmente ALFANDEGADO, e que necessitam ter acesso através [das] dependências deste até a zona primária, de forma que possam manipular os equipamentos necessários a operação do navio em questão.” A DRJSão Paulo II/SP julgou improcedente a impugnação apresentada (fls. 47/50), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 16/07/2007 Não atendimento de intimação referente a informações sobre o ingresso de 07 (sete) pessoas que na área alfandegada. Tipificada a infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "c" do Decreto Lei 37/66: não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 73/78), onde alegou, em síntese: que as sete pessoas mencionadas estavam devidamente autorizadas pela Alfândega do Porto de Santos a adentrarem na zona primária; que não compreende qual seria o embaraço, dificuldade ou impedimento causado à ação fiscalizadora aduaneira, tendo em vista que os referidos indivíduos são funcionários do terminal legalmente alfandegado, operado pela Rhamo Indústria, Comércio e Serviços Ltda; que não se verifica não se verifica qualquer possibilidade de se enquadrar o fato aventado no disposto pelo artigo 107, inciso IV, alínea c, do DecretoLei 37/66; que o que se nota é uma extrapolação das atribuições da Guarda Portuária que pretende manter fiscalização em terminal legalmente alfandegado, criando, assim, óbices para aqueles que necessitam ter acesso através das dependências deste até a zona primaria para que possam manipular os equipamentos necessários à operação do navio em questão; que não recebeu o Termo de Intimação, tendo em vista que o Sr. Genival dos Santos, pessoa que assinou o Aviso de Recebimento, não faz parte do quadro funcional da empresa, sendo pessoa desconhecida da recorrente; que a recorrente jamais tentou se furtar da obrigação de prestar informação sobre o veiculo ou carga nele transportada, tendo em vista que tudo foi devidamente informado e documentado; e Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.000005/200888 Acórdão n.º 3202000.788 S3C2T2 Fl. 102 3 que nunca pretendeu se esquivar da fiscalização portuária para que, dessa maneira, pudesse auferir algum tipo de vantagem, a qual seria notadamente ilícita. Ao final, requereu a improcedência do lançamento e o cancelamento do Auto de Infração. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, em face da ora recorrente foi lavrado Auto de Infração, para exigência da multa prevista na alínea “c” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº. 37/66, o qual assim estabelece: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003): ......................................................................................................... c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; ......................................................................................................... (grifos não constantes do original) Conforme explicita o Auto de Infração, a autuada não respondeu, no prazo estipulado, o Termo de Intimação n° 311/07 (fl. 12), de 16/07/2007, recebido em 24/07/2007, por meio do AR constante à fl. 13, deixando de prestar esclarecimentos, tempestivamente, acerca do fato relatado no Registro Diário de Ocorrências da Guarda Portuária fl. n° 00948/2007, de 12/07/2007, qual seja, o ingresso, sob sua responsabilidade, a bordo do Navio Southern Juice, de 07 (sete pessoas) que teriam entrado irregularmente na área alfandegada através do Terminal operado pela Rhamo Indústria, Comércio e Serviços Ltda., sem passar pela fiscalização da Guarda Portuária. A informação que deveria ter sido prestada à Fiscalização, como resposta à intimação, só veio à tona após lavrado o Auto de Infração, quando da apresentação da impugnação. Mas aí, tardiamente, pois a contribuinte já havia incorrido na infração prevista na legislação acima transcrita, que penaliza a conduta de não apresentar resposta a intimação em Fl. 103DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 procedimento fiscal no prazo estipulado. Deveria a contribuinte ter apresentado resposta à intimação no prazo ali consignado, qualquer que fosse ela, mas não permanecer silente, como assim o fez. Alega a recorrente que não recebeu o Termo de Intimação e que a pessoa que assinou o recebimento do AR eralhe totalmente desconhecida. Entretanto, de tal alegação não traz qualquer elemento de prova. Demais disso, foge de qualquer raciocínio lógico crer que, tendo sido o AR encaminhado no endereço da empresa, este tenha sido recebido por pessoa absolutamente estranha àquele estabelecimento, que ali se encontrava “por acaso”, um mero desconhecido que passava no local. O recebimento da intimação comprovado pela assinatura do AR é presunção relativa, que admite prova em contrário, porém a recorrente não logrou realizar tal contraprova. Assim, comprovado o recebimento da Intimação por meio da assinatura aposta no AR e não tendo sido apresentada qualquer resposta à Fiscalização, no prazo estipulado no Termo de Intimação, temse perfeitamente caracterizada a infração prevista no Decretolei nº 37/66, art. 107, inciso IV, “c”, in fine, sendo plenamente cabível a autuação perpetrada. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 104DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 19515.000523/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DO EMPREGADOR. SAT. INCIDÊNCIA SOBRE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO ÀS NORMAS PRESCRITAS PELA LEI N. 10.101/2000. NÃO INCIDÊNCIA. A Lei n. 10.101/00 autoriza ao empregador a opção pela criação de comissão específica ou elaboração de convenção ou acordo coletivo. Já os requisitos prescritos pelo § 1º são de observância obrigatória para que o contribuinte tenha a fruição do benefício fiscal. Assim, a fixação de regras claras e objetivas condicionantes do merecimento, mecanismos de aferição dos fatos relevantes, periodicidade da distribuição e fixação de prazos de vigência e rescisão das obrigações das partes. AUXÍLIO-DOENÇA E ADIANTAMENTO ACIDENTE DO TRABALHO. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO A PARTE DOS FUNCIONÁRIOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Em relação à autuação decorrente do não recolhimento das contribuições sobre os valores pagos a título de auxílio doença e adiantamento acidente do trabalho, as longas argumentações acerca da natureza e forma de pactuação do pagamento são inócuas diante da verificação de que o benefício não era extensivo à totalidade dos empregados. Ou seja, para que seja possível a análise quanto à incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre as rubricas de auxílio-doença e adiantamento acidente do trabalho é necessário que o benefício seja concedido a todos os funcionários que se encontrem em situação de afastamento semelhante, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencida a Conselheira Ana Maria Bandeira, em dar provimento parcial para exclusão dos valores relativos ao PLR.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente justificadamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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Recorrente UTINGÁS ARMAZENADORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DO EMPREGADOR. SAT. INCIDÊNCIA SOBRE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO ÀS NORMAS PRESCRITAS PELA LEI N. 10.101/2000. NÃO INCIDÊNCIA. A Lei n. 10.101/00 autoriza ao empregador a opção pela criação de comissão específica ou elaboração de convenção ou acordo coletivo. Já os requisitos prescritos pelo § 1º são de observância obrigatória para que o contribuinte tenha a fruição do benefício fiscal. Assim, a fixação de regras claras e objetivas condicionantes do merecimento, mecanismos de aferição dos fatos relevantes, periodicidade da distribuição e fixação de prazos de vigência e rescisão das obrigações das partes. AUXÍLIODOENÇA E ADIANTAMENTO ACIDENTE DO TRABALHO. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO A PARTE DOS FUNCIONÁRIOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Em relação à autuação decorrente do não recolhimento das contribuições sobre os valores pagos a título de auxílio doença e adiantamento acidente do trabalho, as longas argumentações acerca da natureza e forma de pactuação do pagamento são inócuas diante da verificação de que o benefício não era extensivo à totalidade dos empregados. Ou seja, para que seja possível a análise quanto à incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre as rubricas de auxíliodoença e adiantamento acidente do trabalho é necessário que o benefício seja concedido a todos os funcionários que se encontrem em situação de afastamento semelhante, o que não ocorreu no presente caso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 23 /2 00 9- 21 Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencida a Conselheira Ana Maria Bandeira, em dar provimento parcial para exclusão dos valores relativos ao PLR. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente justificadamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000523/200921 Acórdão n.º 2402003.469 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernentes à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 02/2004 a 12/2004 (13/2004, inclusive). O Relatório Fiscal (fls. 21/30) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, já que o sujeito passivo deixou de considerar como fatos geradores das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados pagos em desacordo com a Lei n° 10.101/00, bem como os valores pagos a título de auxíliodoença e auxílioacidente. No que diz respeito aos valores pagos em PLR, o Relatório Fiscal justifica a autuação com base no descumprimento de requisitos impostos pela Lei n° 10.101/00, especificamente no art. 2°, I, § 1°, II, § 1° e § 2°. Ainda, enquadra os valores considerados fora dos requisitos de imunidade da PLR como sendo “Prêmio ou Gratificação”, em relação aos empregados em geral e “Remuneração” em relação aos diretores. No que diz respeito às verbas de auxíliodoença, a fiscalização utiliza como fato gerador os valores pagos ao funcionário José Eduardo Gonçalves, afastado por mais de quinze dias de suas funções por motivo de doença/acidente. Nas mesmas condições encontravamse outros funcionários, que não receberam valores a este título. Quanto ao adiantamento “acidente do trabalho”, foram utilizados como fato gerador os valores pagos ao funcionário Edílson Ricardo Messa, afastado por mais de quinze dias de suas funções por motivo de doença. Nas mesmas condições também haviam outros funcionários, que não receberam valores a este título. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 113/810, alegando, em síntese: i) Preliminarmente, nulidade do auto de infração por desobediência aos requisitos legais do processo administrativo – Decreto n° 70.235/72 – uma vez que o auto de infração não fora lavrado e nem instruído com base na legislação vigente à época de sua lavratura, sendo aplicada legislação da Receita Previdenciária já revogada; ii) Nulidade do auto de infração por vícios verificados no IPC (Instruções para o Contribuinte), já que fornecida informação errada quanto ao prazo para redução da multa na hipótese de pagamento; Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 iii) Que a impugnação apresentada dê ensejo à imediata suspensão da exigibilidade do crédito tributário, bem como suspensão ao início da representação fiscal para fins penais; iv) Que a Recorrente efetivou o pagamento das contribuições sociais devidas, por meio de GPSs e CADs sobre o que ela caracterizou como salário/remuneração, não havendo razão para descaracterização da PLR para fins de incidência de contribuições; v) Que não se pode falar em sonegação fiscal, uma vez que todos os valores que a Recorrente entendeu se tratar de remuneração foram devidamente declarados em GFIP e suas contribuições devidamente recolhidas mediante GPSs; vi) Inviável a propositura de ação penal ou manutenção de inquérito por sonegação fiscal, uma vez que ainda pendente de apreciação processo administrativo em que se discuta a exigibilidade do tributo; vii) No mérito, em relação à PLR, a Recorrente acosta aos autos documentos internos que considera suficientes a caracterização dos pagamentos efetivados como participação nos resultados, dentre eles acordos coletivos, carta do presidente do Sindicato, convenção coletiva firmada entre sindicatos, acordo de participação dos trabalhadores nos resultados da empresa, convocação aos empregados para eleição de membro da comissão dos empregados, comunicado aos empregados sobre resultado da eleição de membro da comissão, Ata dos trabalhos da comissão eleita para PLR 2003 devidamente assinada inclusive pelo Sindicato, listas de presença das reuniões da Comissão de PLR, sugestão de metas para PLR 2004, metas fixadas para PLR 2004, etc.; viii) Que os documentos apresentados são suficientes para demonstrar que os empregados participaram de todas as reuniões referentes à PLR e, ainda, que demonstram todos os critérios de aferição da PLR, apurados com base em metas de rentabilidade/qualidade/segurança e produtividade; ix) Que a quantificação da PLR de cada empregado resulta da análise dos Demonstrativos de Resultados e das Metas apresentadas que, embora não mencionadas formalmente nos instrumentos de acordo, deles fazem parte integrante; x) Os pagamentos efetivados a título de PLR no período fiscalizado tinham por objetivo o atingimento de metas e resultados econômicos e de produtividade, não tendo natureza de prêmio por produção ou gratificação; que havia estabelecimento de índices de desempenho econômico para a unidade e para as equipes de empregados que a integram, tendo como base o resultado e não o salário; que havia fixação dos critérios e condições do plano mediante negociação entre a empresa e os empregados, prévios e bilaterais; que havia existência de regras objetivas de participação e divulgação destas e do desempenho alcançado; xi) Não pode a fiscalização descaracterizar a PLR por exigir como crucial a assinatura de representantes do sindicato nos acordos, ou mesmo o depósito dos acordos nos sindicatos, em observância à medida cautelar concedida na ADIn n° 1.3611/DF, que reconheceu “que a natureza do acordo a ser celebrado entre comissão de empregados e a empresa não podia prescindir da participação do sindicato profissional”. Juntou decisões do TRF4 e Precedente Normativo do TRT da 2ª Região sobre o caráter meramente assistencial do sindicato; Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000523/200921 Acórdão n.º 2402003.469 S2C4T2 Fl. 4 5 xii) A ausência de intervenção do sindicato nas negociações e a falta de registro do acordo apenas afastam a vinculação dos empregados aos termos do acordo, podendo rediscutilo novamente; xiii) Que o TST entendeu desnecessária a participação do representante do sindicato, porque a instituição de Plano de PLR não versa sobre direito coletivo, mas apenas individual; xiv) A PLR é pagamento totalmente desvinculado da remuneração, principalmente pela ausência de habitualidade e pela configuração de eventualidade, tratando se de pagamento incerto e aleatório, que depende da sorte econômica da empresa; xv) Ao contrário da PLR, o salário a contrapartida ao serviço prestado pelo empregado, sendo uma obrigação efetiva da empresa para com o empregado, independentemente de quaisquer questões; xvi) Estando a PLR desvinculada da remuneração e paga de forma habitual, não pode ser considerado fato gerador da contribuição social prevista no art. 195, I, da CF; xvii) Especificamente quanto à PLR paga a diretores, não cabe à fiscalização julgar ou impor metas, ou mesmo exigir índices igualitários (empregados x diretores), ela deve apegarse apenas às regras definidas pela lei para fiscalizar empresas; xviii) A PLR paga aos diretores é pautada em metas alcançadas, gerando resultados econômicos e de produtividade; índices de desempenho econômico; fixação de critérios e condições de plano; existência de regras objetivas de participação e divulgação destas regras e do desempenho alcançado; xix) Quanto aos valores pagos a título de auxíliodoença e adiantamento acidente do trabalho supostamente não extensivo a todos os funcionários, em relação aos empregados afastados (José Eduardo Gonçalves e Edilson Ricardo Messa), a Recorrente era apenas intermediadora, já que, como conveniada da Previdência Social, percebia tais créditos em forma de reembolso, como a exemplo do auxílio maternidade; xx) Os demais empregados afastados que, de acordo com a fiscalização não estavam recebendo auxíliodoença da mesma forma, em verdade percebiam seus auxílios diretamente da DATAPREV; xxi) Que os valores além do auxíliodoença recebidos pelos empregados José Eduardo Gonçalves e Edilson Ricardo Messa decorriam de acordo coletivo de trabalho, que previa complementação de auxilio doença a todos os funcionários afastados há menos de 3 anos. Entretanto, os demais funcionários afastados não recebiam a referida quantia por estarem afastados em prazo superior a estes 3 anos; xxii) A aplicação da Taxa Selic no cômputo do crédito tributário é ilegal e inconstitucional por ausência de previsão em lei tributária, como determina o art. 161, CTN. Ao final, a Recorrente requereu a anulação do AI DEBCAD por vícios formais e, no mérito, a improcedência do auto de infração. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Às fls. 837/844, foi proferido despacho pela DRJ/SPOI, decidindo pela conversão do julgamento em diligência para que a Auditoria Fiscal prestasse esclarecimentos quanto: i) aos documentos apresentados pela Recorrente durante a ação fiscal que levaram a fiscalização ao convencimento de que os pagamentos feitos a título de auxílio doença foram efetuados em desacordo com a lei e sem extensão aos demais funcionários; ii) se foram apresentados durante a ação fiscal os acordos coletivos de trabalho válidos ao estabelecimento de Santo André e demais filiais; iii) à alegação da Recorrente de que a fiscalização deixou de apurar que os empregados supostamente beneficiados de forma diversa dos demais estavam afastados há menos de 3 anos; iv) se o benefício de complemento ao auxílio doença era aplicável aos funcionários do estabelecimento de Santo André; v) se os empregados recebiam auxílio doença da empresa e que esta apenas repassava as quantias por ela recebidas pelo INSS; vi) a autuação se refere ao próprio auxílio doença ou ao benefício de complementação. Às fls. 848/850, em atendimento ao despacho de fls. 837/844, o Auditor Fiscal responsável prestou esclarecimentos. Intimada dos esclarecimentos, às fls. 853/874, a Recorrente se manifestou rebatendo as afirmações do Auditor basicamente com os mesmos fundamentos da impugnação, bem como juntando acórdão da DRJ proferido em situação parecida cujo resultado foi o reconhecimento da improcedência da autuação. Às fls. 885/926, foi proferido acórdão pela DRJ, que concluiu pela improcedência da impugnação sob os seguintes fundamentos: i) O lançamento foi devidamente formalizado, tendo em vista que a partir de 01/04/2008, por força da Lei n° 11.457/07, os procedimentos fiscais e os processos administrativos fiscais relacionados à determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições previdenciárias e de terceiros passaram a ser regidos pelo Decreto n° 70.235/72; ii) Não há cerceamento de defesa uma vez que feita discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem; iii) As alegações de que não tomou ciência do relatório fiscal são contraditórias, já que a Recorrente mencionou o mesmo relatório em sua impugnação; iv) Não há respaldo para aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, uma vez que a ausência de recolhimento ocorreu na vigência anterior do art. 35 da Lei n° 8.212/91 e a infração por declaração entregue em atraso ou inexata ocorreu na vigência da MP 449/2008. Este descompasso acarreta a utilização da nova legislação somente em relação à obrigação acessória, enquanto a obrigação principal regese pela antiga, não sendo possível aplicar a multa do art. 44 da Lei n° 9.430/96; v) Em relação ao pedido de anulação da Representação Fiscal para Fins Penais, não há como se acatar a pretensão, uma vez que esta é mero procedimento administrativo do qual o Auditor é obrigado a cumprir, sendo que apenas o Ministério Público ou o Judiciário são competentes para reconhecer se a conduta se amolda ou não aos tipos legais de sonegação de contribuição previdenciária; vi) Quanto as supostas infrações referentes à PLR, nos termos do art. 28, § 9°, aliena j, da Lei n° 8.212/91, a PLR só não terá natureza salarial se for paga em conformidade com o disposto na Lei n° 10.101/2000; Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000523/200921 Acórdão n.º 2402003.469 S2C4T2 Fl. 5 7 vii) Os valores pagos aos empregados em geral, ainda que intitulados de PLR, têm natureza de prêmio por produção ou gratificação, pois têm como base o salário e não o resultado ou o lucro da empresa. Eles consistem num adicional à remuneração, percentual desta, de acordo com a eficiência ou produtividade do trabalhador; viii) Da mesma forma, os valores pagos aos diretores a esse título possuem natureza de remuneração, uma espécie de salário anual, pois não tem como base o resultado ou lucro; ix) A lei estabelece que os programas de metas, resultados e prazos devem ser previamente pactuados, mediante celebração de instrumentos de negociação entre as partes, ou seja, comissão escolhida entre as partes ou acordo coletivo, não podendo ser decididos unilateralmente, como ocorreu; x) O relatório fiscal informa que os acordos não são prévios, uma vez que o de 2003 é datado de 02/2003 e o de 2004 é datado de 04/2004; xi) A participação do Sindicato na elaboração do Plano de PLR é exigência legal, não facultativa nem ilegítima, sendo indispensável desde o início, tendo ciência, inclusive, dos procedimentos adotados para a escolha dos membros da comissão; xii) Quanto à habitualidade no pagamento de PLR, os valores pagos a título de PLR aos segurados da Impugnante se amoldam perfeitamente na definição de habitualidade dos especialistas, já que a periodicidade pode ser mensal, semestral, anual ou qüinqüenal, desde que o espaçamento não seja tão grande que atente contra a incorporação à remuneração; xiii) Quanto ao auxíliodoença e adiantamento acidente do trabalho, não restou devidamente justificado e comprovado pela empresa o motivo pelo qual não haviam sido consideradas tais verbas como saláriodecontribuição; xiv) Sobre a alegação de que não há incidência por força da alínea ‘n’, do § 9°, do art. 28 da Lei n° 8.212/91, não prospera por não se tratar de complemento. Como exemplo cita o fato de que em 12/2004 o empregado José Eduardo recebeu da empresa em folha de pagamento o mesmo valor do benefício devido pelo INSS; xv) Sobre a alegação de que não há incidência por decorrer de acordo coletivo, não prospera porque os valores não foram ressarcidos pelo INSS e os valores pagos ao Sr. Edilson foram contabilizados como despesa e não como crédito a receber do INSS (ativo); xvi) Quanto ao pedido para juntada de documentos, houve indeferimento por não ter a Impugnante comprovado a ocorrência de nenhuma das hipóteses do art. 16, § 4° do Decreto n° 70.235/72; xv) Quanto ao pedido de diligência, indeferido por falta de necessidade; xvi) Quanto à aplicação da taxa SELIC, este é o índice utilizado na cobrança de juros de mora por atraso no recolhimento das contribuições previdenciárias, devendo ser calculado desde a data em que deveria ter sido efetuado recolhimento da contribuição. Ao final, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito exigido. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Às fls. 947/948, os processos n° 19515.000522/200986 e 19515.000524/200975 foram apensados a estes autos. Às fls. 949/1011 a Recorrente interpôs recurso voluntário reiterando, basicamente, os termos da impugnação de fls. 113/810. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 1033). É o relatório. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000523/200921 Acórdão n.º 2402003.469 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. PRELIMINARMENTE: A Recorrente alega diversos vícios no auto de infração lavrado, quais sejam: i) Aplicação de legislação revogada: De acordo com o disposto no art. 25 da Lei 11.457/2007, a partir de 01/04/2008 o procedimento de lavratura de autuação fiscal seria regido pelas normas veiculadas pelo Decreto 70.235/72, que suportaram a autuação em discussão. ii) Nulidade do auto de infração por vícios verificados no IPC (Instruções para o Contribuinte), O termo IPC apresenta a clara discriminação dos fatos geradores e procedimentos previstos pela legislação de regência para instruir o contribuinte de maneira necessária e suficiente. iii) Que a impugnação apresentada dê ensejo à imediata suspensão da exigibilidade do crédito tributário, bem como suspensão ao início da representação fiscal para fins penais; A representação fiscal é ato administrativo não discricionário prescrito como obrigatório ao agente fiscal responsável pela observação de suposta prática de crime. Bem assim, imperioso seu regular processamento. Quanto ao crédito tributário ao mesmo referente, permanece suspenso na forma do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. iv) Que a Recorrente efetivou o pagamento das contribuições sociais devidas, por meio de GPSs e CADs sobre o que ela caracterizou como salário/remuneração, não havendo razão para descaracterização da PLR para fins de incidência de contribuições, com a consequente descaracterização do crime de sonegação fiscal; v) Que não se pode falar em sonegação fiscal, uma vez que todos os valores que a Recorrente entendeu se tratar de remuneração foram devidamente declarados em GFIP e suas contribuições devidamente recolhidas mediante GPSs; e vi) Inviável a propositura de ação penal ou manutenção de inquérito por sonegação fiscal, uma vez que ainda pendente de apreciação processo administrativo em que se discuta a exigibilidade do tributo; Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A descaracterização da PLR gera simultaneamente o pressuposto tipificado da sonegação, uma vez que o reconhecimento da verba como remuneração importa no reconhecimento do desvio de comportamento fiscal do contribuinte na omissão de pagamentos que integram a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. Não obstante, até decisão administrativa irrecorrível, a prática do crime de sonegação configurase apenas em tese, pelo que inexiste o crime, mas persiste a necessidade de averiguação e regular processamento do feito. Assim, rejeito as preliminares. DO MÉRITO: O pagamento de Participação nos Lucros e Resultados é regulado pela lei 10.101/200: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. O procedimento a ser adotado para formalização da PLR é optativo à discricionariedade das partes, entre a criação de comissão específica ou a elaboração de convenção ou acordo coletivo. Já os requisitos prescritos pelo § 1º são de observância obrigatória para que o contribuinte tenha a fruição do benefício fiscal. Assim, a fixação de regra claras e objetivas condicionantes do merecimento, mecanismos de aferição dos fatos relevantes, periodicidade da distribuição e fixação de prazos de vigência e rescisão das obrigações das partes. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000523/200921 Acórdão n.º 2402003.469 S2C4T2 Fl. 7 11 De forma não taxativa, são previstos também critérios e condições determinantes ou não da distribuição do resultado, sendo índices de produtividade, qualidade ou lucratividade os critérios, e a existência de programas de metas, resultados e prazos, as condições, estas, uma vez pactuadas, devem cronologicamente preceder os fatos que visa regular. A não taxatividade do § 1º importa assumir que a necessidade de prévia pactuação dos termos não é um comando, mas uma faculdade. Entender o contrário seria instituir novas obrigações para fruição do benefício ao arrepio da lei, o que vai de encontro ao princípio da estrita legalidade. Nada obsta, assim, que o acordo coletivo seja formalizado durante o próprio exercício que destina afetar, pois apenas institui a metodologia de apuração do quantum devido a cada empregado a título de participação nos lucros. Ao contrário, que a legislação não admite é que tal paga suceda o pagamento do mesmo. No caso em tela, o acordo do exercício 2003 é datado de 07/02/2003, e o acordo de 2004, de 02/04/2004. Assim a formalização das condições e critérios que servem à instruir a distribuição do PLR ocorreu em ambos os casos no decorrer do próprio exercício a que se referiam, prática que, no entender da fiscalização, viola a Lei 10.101/2000. Entendo que assiste razão ao contribuinte, o que faço acompanhado do entendimento dessa Turma de Julgamento: De acordo com o aludido dispositivo legal, temse que os instrumentos decorrentes da negociação devem possuir: (i) regras claras e objetiva quanto à fixação dos direitos dos trabalhadores; (ii) mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; (iii) periodicidade da distribuição; (iv) período de vigência; e (v) prazos para revisão do acordo. Além dos requisitos acima, a legislação exemplifica alguns parâmetros que poderão, a critério da empresa, ser adotados, tais como a estipulação de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, ou programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Posto isso, fazse importante ressaltar que, como devidamente explicitado no texto legal, tais parâmetros são facultativos e não podem, consequentemente, servir como alicerce para a desconstituição de um programa de participação nos lucros, tal como fez a fiscalização. Isto porque, não é necessário que as empresas possuam índices de produtividade, ou ainda programa de metas previamente estipulados, para que possa distribuir seus lucros aos empregados. Pelo contrário, desde que as regras estejam claramente previstas no instrumento de negociação, respeitados os requisitos delineados acima, e devidamente arquivado no Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 sindicato, não há que se falar na exigência da contribuição previdenciária. No presente caso, a Recorrente utilizou como critério para o pagamento da PLR a existência de Lucro antes do Custo Financeiro, Imposto de Renda, Depreciação e Amortização e Lucro antes da Depreciação e Amortização. Caso essa meta fosse atingida, o pagamento seria realizado a cada empregado com base num valor predeterminado, sujeito a alterações em virtude (i) do tempo do trabalhador na empresa ou (ii) das faltas injustificadas que possuir. Estando o programa de participação de resultado da empresa atrelado à existência de lucro e podendo este ser aferido devidamente ainda que o instrumento de acordo tenha sido formalizado no final do período base da PLR, não há qualquer plausibilidade em se exigir que o instrumento decorrente da negociação coletiva seja firmado e arquivado “previamente”, com mais antecedência, tal como sugere o art. 2, inc. II, da Lei nº 8.212/91. Caso assim não se entenda, estarseá criando interpretações restritivas ao arrepio da Lei nº 10.101/00, contribuindo para a instabilidade jurídica do direito constitucional do trabalhador ao recebimento da PLR desvinculada do salário, conforme prevê o art. 7º, inc. XI, da CF/88, haja vista que a referida Lei não prevê qual o prazo para se firmar e arquivar o instrumento decorrente da negociação coletiva. Outrossim, destacase que a única certeza que pode ser extraída da Lei, em relação ao período de formalização do instrumento de negociação, é de que este seja firmado antes do efetivo pagamento da PLR. Nesse sentido, este C. Conselho assim já decidiu: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. I A discussão em tomo da tributação da PLR não cingese em infirmar se esta seria ou não vinculada a remuneração, até porque o texto constitucional expressamente diz que não, mas sim em verificar se as verbas pagas correspondem efetivamente a distribuição de lucros; II Para a alínea "j" do § 9° do art. 28 da Lei n°8.212/91, e para este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de forma que apenas a afronta aos critérios ali estabelecidos, desqualifica o pagamento, tomandoo mera verba paga em decorrência de um contrato de trabalho, representando remuneração para fins previdenciários; Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000523/200921 Acórdão n.º 2402003.469 S2C4T2 Fl. 8 13 III — Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; IV — A legislação regulamentadora da PLR aceita que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido.”) – destacouse (CARF, PAF Nº 35488.000520/200756, Cons. Rogério de Lellis Pinto, Sessão de 13/02/2008) Em vista disso, entendo que o lançamento adotou critério jurídico equivocado, motivo pelo qual deve ser dado total provimento ao presente recurso. (CARF, PAF nº 13896.002986/201047, Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Sessão de 15/08/2012) Não obstante, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho também adotou o entendimento esposado no julgamento do Processo nº 14485000329/200764, cujo acórdão ainda não se encontra disponível, razão pela qual não o transcrevo nesta decisão. Assim, entendo que neste ponto assiste razão à Recorrente. A fiscalização também entendeu que a fixação do PLR dos empregados em função em de cada base salarial reverte a verba em prêmio por produção. Em outras palavras, o PLR era um fator multiplicador do saláriobase. Esse fator é obtido pela relação entre os critérios e condições cumpridas ou atendidas pelo empregado, devidamente mensuradas, e relacionadas com metas estipuladas e vinculadas a determinado valor de lucro a ser atingido pela companhia, pelo que como resultado a cada empregado imputase um fator para instrução do valor a ele devido. Com a devida vênia, discordo da interpretação fiscal, vez que referida modulação viabiliza a valoração participativa do empregado em função do seu papel desempenhado na companhia. Caso contrário, atendidos integralmente os requisitos, o valor recebido por um empregado do chão de fábrica seria o mesmo daquele do presidente, o que a meu ver inviabilizaria a aplicação do instituto. Assim, não vislumbro vício no método de valoração do PLR individual escolhido pela Recorrente, pelo que neste ponto lhe assiste razão. Insurgese também a Recorrente em face da ausência de participação do Sindicato dos empregados na formulação do PLR. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Citando novamente a Lei 10.101/2000: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (...) § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Em ambos os acordo (fls. 452 a 455 e fls. 456 a 459), embora exista registro da presença de representantes do sindicato na comissão (o que se comprova pela assinatura do termo de presença na reunião da comissão) não foram assinados pelo sindicato, o que revela sua ciência sobre seus termos, mas não sua concordância. A r. decisão da DRF, embora reconhecendo a participação do Sindicato nas reuniões tratativas dos termos do PLR, entendeu a ausência da assinatura do instrumento formalizador como discordância de seus termos, razão do seu não reconhecimento para gozo do benefício fiscal. Novamente e respeitosamente, discordo. A conclusão da decisão não se operou por derivação, pois inexistem nos autos provas dos fatos que a ela encaminhem. Se a inexistência de assinatura ocorreu por discordância do conteúdo material do acordo, desinteresse ou desídia do sindicato competente, não há como saber. Não pertence à função judicante do contencioso administrativo a suposição, mas a avaliação dos fatos, da norma posta e a subsunção. Fato é que o representante sindical participou da fase elaboratória dos acordos coletivos. A Lei 10.101/2000 prescreve a participação do representante do sindicato na comissão, mas não sua expressa anuência em relação aos seus termos. Entendo que a hipótese normativa descreve a presença do sindicato como condição necessária e suficiente para subsumir o fato à norma, gerando a incidência. Assim, a anuência é elemento irrelevante para fins de fruição do benefício fiscal, pelo que nesse ponto assiste razão à Recorrente. Em relação à habitualidade, na forma da Lei 10.101/2000: Art . 3º A participação de que trata o art . 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000523/200921 Acórdão n.º 2402003.469 S2C4T2 Fl. 9 15 resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) § 4º A periodicidade semestral mínima referida no § 2 poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em f unção de eventuais impactos nas receitas tributárias. A norma indigitada prescreve que o pagamento do PLR deve respeitar a periodicidade inferior a um semestre. Tratase de matéria pacífica neste Conselho: Assim, os pagamentos a título de PLR que foram posteriores à segunda parcela anual devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, tendo em vista que não obedecem ao requisito legal para desfrutar da mencionada isenção. No caso em tela, observamos que, como muito bem argumentou a recorrente, existem vários empregados que receberam apenas dois pagamentos anuais a título de PLR, conforme consta em fls. 42/79. Tais pagamentos devem, portanto, serem excluídos do lançamento. Devem também ser excluídos do lançamento os dos primeiros pagamentos de todos os empregados que receberam mais de duas parcelas anuais. (CARF, PAF nº 19515.004360/201099. 2ª Seção. 4º Câmara. 1ª Turma. Conselheiro Relator Mauro José Silva. Sessão de 18/10/2012) Ocorre no caso em tela que ocorreram três pagamentos no intervalo de um ano. Entretanto, referiamse a empregados diferentes. Os pagamentos de fevereiro e agosto de 2004 foram feitos aos empregados, e o de março de 2004, aos diretores. Dessa forma, o pagamento operouse conforme a lei, pelo que nesse quesito merece prosperar a pretensão recursal. Com relação aos diretores, o acordo traz regra específica para determinação de critério de pagamento do PLR: “6 – Critérios de participação e valores aplicáveis aos gerentes e diretores serão determinados pelo acionista” Essa previsão desnaturaria o PLR, transformandoo em simples prêmio ou gratificação discricionária. Sem razão também a Recorrente quando pretende justificar o pagamento do PLR aos diretores argumentando pela legalidade da sua diferenciação em função das diferentes categorias profissionais sujeitas. Diferente do presente caso, as decisões deste Conselho Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 trazidas aos autos pelo Recurso Voluntário cuidam de hipótese em que havia um plano de PLR diferenciado para os executivos da empresa, o que inexiste no caso em tela. Entretanto, a interpretação sistemática de todo o acordo conduz a conclusão contrária. Individualmente considerado, o enunciado descrito nãoviabiliza o PLR. Porém os diretores subsumemse também às normas gerais do acordo referentes a todos os empregados, sujeitos também aos critérios e condições ali estipuladas para fruição dos lucros. Conforme documentos acostados aos autos, a mensuração do PLR dos diretores obedecia aos critérios de desempenho, produtividade, segurança e rentabilidade, calculados em função de metas e considerando o lucro auferido pela empresa, pelo que ao qual encontrase um fator multiplicador do saláriobase. Assim, não por isso merece manutenção a autuação lavrada. Com relação ao inconformismo da Recorrente em relação à autuação decorrente do não recolhimento das contribuições sobre os valores pagos a título de auxílio doença e adiantamento acidente do trabalho, as longas argumentações acerca da natureza e forma de pactuação do pagamento são inócuas diante da verificação de que o benefício não era extensivo à totalidade dos empregados, a exemplo dos empregados Carlos Possam, Israel Bernardo e José Eduardo Gonçalves. Assim nestes pontos não assiste razão à Recorrente. Também não merece acolhimento o pedido de juntada de documentos após a impugnação, por inteligência do art. 16 do PAF: Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Considerando a inexistência de fundamentação relevante para colhimento do pedido, negolhe seguimento. Mesmo encaminhamento é o do pedido de realização de diligência e perícia, vez que nos autos existem elementos suficientes para o convencimento deste julgador. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000523/200921 Acórdão n.º 2402003.469 S2C4T2 Fl. 10 17 SELIC O Código Tributário Nacional, em seu art. 161, prevê expressamente a possibilidade de lei fixar juros diversos do quanto por ele previsto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Em complemento, a Lei n° 8.212/91, em seu art. 89, § 4°, prevê: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 4° O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou entendimento, inclusive mediante Súmula, a respeito da aplicação da SELIC para aplicação de juros nos casos referentes às contribuições previdenciárias: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ademais, não cabe a este Conselho discutir quanto ao caráter remuneratório da Taxa SELIC, pois a Administração Pública é regida pelo Princípio da Legalidade e, sendo assim, deve respeito às normas vigentes. Destarte, patente o indeferimento do pedido de redução da taxa SELIC a 1% ao mês, bem como sua exclusão. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e a ele DOU PARCIAL PROVIMENTO para afastar a incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR aos empregados e diretores. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.009442/2002-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 10.833/03.
Necessário lançamento de ofício para exigência de valor declarado em DCTF como quitado por meio de compensação posteriormente não homologada, quando a compensação foi efetuada sob a égide do artigo 90, da MP 2158-35/2001, antes do advento da Lei 10.833/03, uma vez que o pedido de compensação ou a declaração de compensação não se constituíam em documentos hábeis à confissão de dívida. Válido o ato administrativo do lançamento. A retroatividade benigna se aplica para efeito de penalidade, excluindo-se a respectiva multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO EM PARTE para exonerar a multa de ofício e, por unanimidade de votos, manter o imposto lançado
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora.
EDITADO EM: 03/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e João Carlos de Lima Júnior.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO EM PARTE para exonerar a multa de ofício e, por unanimidade de votos, manter o imposto lançado (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora. EDITADO EM: 03/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e João Carlos de Lima Júnior.
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NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 10.833/03. Necessário lançamento de ofício para exigência de valor declarado em DCTF como quitado por meio de compensação posteriormente não homologada, quando a compensação foi efetuada sob a égide do artigo 90, da MP 2158 35/2001, antes do advento da Lei 10.833/03, uma vez que o pedido de compensação ou a declaração de compensação não se constituíam em documentos hábeis à confissão de dívida. Válido o ato administrativo do lançamento. A retroatividade benigna se aplica para efeito de penalidade, excluindose a respectiva multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO EM PARTE para exonerar a multa de ofício e, por unanimidade de votos, manter o imposto lançado (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora. EDITADO EM: 03/05/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 94 42 /2 00 2- 52 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e João Carlos de Lima Júnior. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 10423.424, da Quarta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 10 de setembro de 2008. Cuidase de Auto de Infração, lavrado em 09/05/2002, consubstanciando a exigência de crédito tributário no montante total de R$ 483,03, relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) do 3° e 4° trimestres do anocalendário de 1997 e consectários legais. Cientificada em 10/06/2002, a contribuinte apresentou tempestiva impugnação em 09/07/2002, sustentando que a exigência era indevida em razão do imposto declarado em suas DCTFs ter sido efetivamente pago. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, por meio do Acórdão de fls.85/86 procedeu à revisão do lançamento, tendo cancelado parcialmente o lançamento realizado com base nos pagamentos alegados pelo contribuinte e devidamente comprovados. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997 Ementa: PROVAS — Se na fase impugnatória a contribuinte comprovar a improcedência de parte do lançamento, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão qualquer, há que se cancelar a importância da exigência fiscal correspondente. Por outro lado será mantido o valor do crédito tributário cujo recolhimento não for comprovado. Lançamento Procedente em Parte Às fls. 90/115 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, contestando a decisão da DRJ e pedindo o cancelamento integral do lançamento realizado. Sobreveio Acórdão da Quarta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes que, pelo voto de qualidade, deu provimento ao Recurso do contribuinte para considerar inadequada a exigência por meio de Auto de Infração, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Anocalendário: 1997 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10166.009442/200252 Acórdão n.º 9101001.617 CSRFT1 Fl. 6 3 VALOR LANÇADO EM DCTF – COMPENSAÇÃO INDEVIDA PROCEDIMENTO Incabível o lançamento para exigência de saldo a pagar, apurado em DCTF, salvo se ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°.4.502, de 30 de novembro de 1964. Ainda assim, o lançamento deve restringirse à exigência da multa de oficio. O saldo do imposto a pagar, em qualquer caso, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Dívida Ativa da União. Recurso provido. A Fazenda Nacional, com fulcro no artigo 7°, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25/06/2006, apresentou tempestivo Recurso Especial, sustentado que a decisão proferida pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes teria ofendido o princípio da legalidade, posto que o artigo 90 da MP 215835/2001 era plenamente válido e eficaz ao tempo em que realizado o lançamento de ofício, devendo prevalecer a lei que vigia à época dos fatos. O Despacho de Admissibilidade de fls. 138 deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, considerando satisfeitos os requisitos de ser interposto contra decisão não unânime contrária à lei ou à evidência de prova. Às fls. 146/148 o contribuinte apresentou contrarrazões É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade, tendo sido objeto de Exame de Admissibilidade às fls. 138, pelo que dele tomo conhecimento. Delimitando a lide, buscase averiguar qual a legislação aplicável ao caso dos autos: se o disposto no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835 de 2001, ou se o disposto no artigo 18 da Medida Provisória 135, posteriormente convertida na Lei 10.833 de 2003 quanto à utilização do lançamento de ofício para a exigência de crédito declarado em DCTF mas não pago. Retomando os acontecimentos temos o seguinte: Em 09/05/2002 foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF – do ano calendário de 1997, para exigência de crédito no montante de R$ 484,03 devidamente declarado em DCTF porém não pago pelo contribuinte, em razão de compensação indevida. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS 4 Quando da lavratura do Auto de Infração, ainda estava em vigor para o presente caso o artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835 de 2001, que assim dispunha: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas,em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Apenas em outubro de 2003 foi publicada a Medida Provisória n° 135, posteriormente convertida na Lei 10.833/03, cujo artigo 18 assim dispõe: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n2 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n2 4.502, de 30 de novembro de 1964." Com a entrada em vigor desse novo dispositivo legal deixou de ser necessária a utilização do lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário declarado em DCTF, cuja compensação não foi homologada, decorrendo daí a divergência da C. Quarta Câmara em definir se a norma superveniente atinge ou não o lançamento efetuado. Prevaleceu o entendimento de que, sendo o débito objeto de declaração de compensação e sendo esta verdadeira natureza de confissão de dívida, desnecessário o lançamento de ofício, mas isto só ocorre a partir da vigência da Lei 10833/03. Por essa razão, com a devida vênia, ouso divergir do acórdão recorrido, compartilhando do entendimento aventado pelo ilustre Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que redigiu o voto vencido, no sentido de que deve prevalecer o disposto na legislação vigente no momento da prática do ato administrativo, salvo norma posterior expressamente retroativa. Assim sendo, de prevalecer o entendimento da d. Fazenda Nacional em seu Recurso Especial, mormente porque era impossível até a novel alteração normativa, a cobrança do valor objeto de compensação em DCTF sem o respectivo lançamento de ofício, conforme segue: A nova lei limitouse a dispor que o lançamento de ofício ficará restrito à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida. Essa determinação não afeta ou invalida, absolutamente, os autos de infração que já haviam sido realizados em conformidade com a lei pertinente à época. Basta partir de mera interpretação gramatical para constatar que, em momento nenhum a regra legal que sucedeu o artigo 90, da MP 215835/2001 afetou a validade dos autos de infrações que já haviam lavrados sob a égide da lei anterior. Tendo o auto de infração sido lavrado nos termos da legislação fiscal vigente à época dos fatos, que estabelecia o lançamento de ofício como meio legitimamente escolhido Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10166.009442/200252 Acórdão n.º 9101001.617 CSRFT1 Fl. 7 5 pelo legislador para efetuar a exigência, não há que se desconsiderar o ato jurídico perfeito em razão de mudança legislativa posterior. Lado outro, no que tange à penalidade, há que aplicar, também como já decidiu essa e. Câmara Superior a lei mais benéfica de forma retroativa. Nessa medida, se a partir da vigência da Lei 10833/03 situação como a presente não é mais objeto de lançamento de ofício, cabe aplicar a retroatividade benigna para afastar a multa de oficio, conforme inclusive orientação da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) da Secretaria da Receita Federal na Solução Interna de Consulta n. 3, de 2004 e em conformidade com o artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência no que tange ao principal, respeitandose as exclusões já promovidas pela Delegacia de Julgamento, exonerando de resto apenas a multa de ofício. Sala das Sessões, em 16 de abril de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 170DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.729297/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1301-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o presente julgado em diligência para determinar a baixa dos autos em diligência no sentido de promover-se a verificação dos documentos juntados pela contribuinte nestes autos, relativos à comprovação dos recolhimentos do imposto devido no exterior, conforme apontado, destacando-se, em demonstrativo específico, as informações relativas ao local, competência, data e respectivo valor dos montantes recolhidos, para fins de efetivação das deduções nos termos do apontado art. 26 da Lei 9.249/95, determinando-se, após as devidas e regulares providências respectivas, a devolução dos autos a este colegiado para a apreciação e julgamento dos termos do recurso voluntário interposto.
Fez sustentação a Dra. Isabella Jordan, OAB/SP n° 188.987.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o presente julgado em diligência para determinar a baixa dos autos em diligência no sentido de promover-se a verificação dos documentos juntados pela contribuinte nestes autos, relativos à comprovação dos recolhimentos do imposto devido no exterior, conforme apontado, destacando-se, em demonstrativo específico, as informações relativas ao local, competência, data e respectivo valor dos montantes recolhidos, para fins de efetivação das deduções nos termos do apontado art. 26 da Lei 9.249/95, determinando-se, após as devidas e regulares providências respectivas, a devolução dos autos a este colegiado para a apreciação e julgamento dos termos do recurso voluntário interposto. Fez sustentação a Dra. Isabella Jordan, OAB/SP n° 188.987. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.729297/201145 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.121 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 12 de junho de 2013 Assunto Diligência Recorrente WHIRLPOOL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o presente julgado em diligência para determinar a baixa dos autos em diligência no sentido de promoverse a verificação dos documentos juntados pela contribuinte nestes autos, relativos à comprovação dos recolhimentos do imposto devido no exterior, conforme apontado, destacandose, em demonstrativo específico, as informações relativas ao local, competência, data e respectivo valor dos montantes recolhidos, para fins de efetivação das deduções nos termos do apontado art. 26 da Lei 9.249/95, determinandose, após as devidas e regulares providências respectivas, a devolução dos autos a este colegiado para a apreciação e julgamento dos termos do recurso voluntário interposto. Fez sustentação a Dra. Isabella Jordan, OAB/SP n° 188.987. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 29 29 7/ 20 11 -4 5 Fl. 4584DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Adotando o relatório apresentado pela r. decisão de origem, destaco: 1. Tratase de Autos de Infração de IRPJ e CSLL relativos aos anoscalendário 2007, 2008 e 2009. 1.1. De acordo com Termo de Verificação, às fls. 460/480, os valores tributados de IRPJ e CSLL tiveram como causa o fato de a Autuada não ter computado no lucro real e na base de cálculo da CSLL os lucros auferidos no exterior (2007, 2008 e 2009), conforme determina o art. 74, “caput”, da MP 2.15835/01. Relativamente ao ano calendário de 2009, parte do crédito de IRPJ referese à glosa de prejuízos fiscais, decorrente do auto de infração de IRPJ, de que trata o presente processo, bem como de autos de infração que foram lavrados antes do início do procedimento fiscal (anos calendário 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005). 1.2. Informa o Termo de Verificação Fiscal TVF que o exame da Linha 5 da Ficha 09 das DIPJ dos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, revelou que a Autuada não adicionou ao lucro líquido quaisquer valores a título de “lucros disponibilizados no exterior”. O quadro abaixo, demonstra os percentuais de participação nas empresas que obtiveram lucro em pelo menos um dos citados anoscalendário: 1.3. Após análise dos aspectos relevantes contidos nos atos constitutivos, e respectivas alterações, das sociedades controladas no exterior, a Fiscalização destaca que, em 30/04/2007, a Autuada transferiu a totalidade de sua participação na Embraco Europe, que era de 100%, para a Whirlpool do Brasil Ltda. 1.4. Por outro lado, o exame das demonstrações financeiras das controladas no exterior, permitiu que a Fiscalização apurasse, em moeda local, os lucros auferidos nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, efetuasse a compensação dos prejuízos acumulados, bem como a conversão desses resultados para reais, ao câmbio do dia das demonstrações financeiras elaboradas pelas controladas, e, por fim, determinasse os lucros disponibilizados à Autuada, conforme demonstrado nos quadros abaixo: Fl. 4585DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10880.729297/201145 Resolução nº 1301000.121 S1C3T1 Fl. 4 3 Fl. 4586DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10880.729297/201145 Resolução nº 1301000.121 S1C3T1 Fl. 5 4 1.5. As compensações do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com prejuízos fiscais e com bases negativas de CSLL, respectivamente, encontramse, demonstradas, às fls. 435/437 e 447/449. Já os documentos FAPLI –Anexo III, Formulário de Alteração do Prejuízo Fiscal e do Lucro Inflacionário, às fls. 428/430, e FACS Formulário de Alteração da Base de Cálculo Negativa Contribuição Social, às fls. 431/433, denotam que, em decorrência dos créditos constituídos, a Fiscalização procedeu, nos sistemas Informatizados da RFB, às correções dos dados pertinentes ao Prejuízo Fiscal e à Base Negativa da CSLL, dos anos –calendário 2007, 2008 e 2009. 1.6. Os créditos constituídos, no montante de R$ 63.249.534,39 (sessenta e três milhões, duzentos e quarenta e nove mil, quinhentos e trinta e quatro reais e trinta e nove centavos), têm a seguinte composição: Fl. 4587DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10880.729297/201145 Resolução nº 1301000.121 S1C3T1 Fl. 6 5 1.7. Os Autos de Infração estão fundamentados nos seguintes dispositivos legais: 1.8. Informa ainda Fiscalização que os créditos foram constituídos com as suas exigibilidades suspensas, por força de medida liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0025252, em trâmite na 23ª Vara Cível da Justiça Federal, motivo pelo qual, não foi lançada multa de ofício prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, conforme determina o art. 63, da mesma lei. 1.9. Em decorrência das infrações levantadas, a Autuada foi intimada, por meio do TVF, a empreender as devidas retificações no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). 2. Por meio do instrumento, às fls. 55/89, acompanhado dos documentos, às fls. 90/822, a Impugnante alega, em síntese, que: 2.1. conforme observado nas autuações a Impugnante discute judicialmente a constitucionalidade e a legalidade do recolhimento do IRPJ e da CSLL incidentes sobre os lucros auferidos por sociedades estrangeiras controladas ou coligadas antes da sua efetiva disponibilização, em relação ao anocalendário 2007 e seguintes, estando suspensa a exigibilidade dos créditos constituídos, em face da liminar obtida nos autos do MS nº 2008.61.00.0025252; 2.2. independentemente da discussão judicial, os créditos devem ser cancelados, pelos seguintes motivos: Fl. 4588DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10880.729297/201145 Resolução nº 1301000.121 S1C3T1 Fl. 7 6 (i) nulidade da autuação em razão dos equívocos perpetrados na fixação do quantum devido, que resultaram na indevida majoração do valor da exigência fiscal; (ii) nulidade das autuações em razão da indevida tributação dos lucros auferidos pela controlada/coligada da Impugnante na Argentina; (iii) nulidade da autuação de IRPJ em razão da existência de vício quanto ao seu fundamento de validade. 2.3 esses motivos, que se passa a expor, devem ser atentamente examinados pela DRJ, uma vez que não há concomitância com a discussão em trâmite no Poder Judiciário; 2.4. A autuação foi realizada de forma equivocada, visto que se baseou somente nos documentos: (i) informações e respectivos documentos relativos às participações empresariais da Impugnante no exterior durante os anoscalendário 2007, 2008 e 2009; (ii) cópias das principais peças e certidão de objeto e pé do MS nº 2008.61.00.0025252 e, por fim, (iii) demonstrações financeiras de parte das empresas controladas/coligadas no exterior (BESCO EECON EALING, MÉXICO E MÉXICO SERVIÇOS); 2.5. não foram solicitados, em nenhum momento, os documentos relativos ao imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros rendimentos ou ganhos de capital auferidos pela suas controladas/coligadas, direta ou indiretas; 2.6. foram equivocadamente desconsiderados, no cálculo da IRPJ e da CSLL, os valores relativos ao imposto pago no exterior; 2.7. transcreve o art. 26, da Lei 9.249/95, e, com relação ao prazo para compensação, o art. 1º, da Lei 9.532/97; 2.8. a IN SRF nº 213/02, igualmente, prevê a compensação do imposto pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada com o imposto de renda e a CSLL devidos no Brasil; 2.9. a desconsideração do imposto pago no exterior, majora o IRPJ e CSLL supostamente devidos; 2.10. anexase, à presente, a documentação comprobatória dos recolhimentos do imposto de renda, efetuados pelas controladas/coligadas diretas e indiretas no exterior, a fim de que a DRJ determine a realização de diligência de modo a se apurar o correto valor do IRPJ e da CSLL, supostamente devidos, nos termos do art. 18, do Decreto 70.235/72; 2.11. os documentos anexados serão complementados pela futura versão consularizada nos respectivos países de origem, os quais já estão em fase de tradução juramentada para o português; 2.12. os lucros das investidas na Argentina (Lawsa e Whirlpool Argentina S/A) não devem sofrer tributação no Brasil, seja quando auferidos e considerados fictamente disponibilizados, por força do questionado art. 74, da MP 2.15835, seja quando Fl. 4589DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10880.729297/201145 Resolução nº 1301000.121 S1C3T1 Fl. 8 7 efetivamente distribuídos, tendo em vista as disposições constantes do Tratado para evitar a dupla tributação celebrado entre Brasil e Argentina; 2.13. não obstante a discussão judicial versar sobre (i) reconhecimento da ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 74, caput, da MP 2.15835; (ii) a manutenção da sistemática contida no art. 1º da Lei 9.532/97 e (iii) o reconhecimento da impossibilidade de se tributar lucros auferidos por sociedades controladas ou coligadas situadas em países que possuem tratado internacional com o Brasil, no qual haja previsão de que os lucros auferidos pela sociedade de um país contratante somente sejam tributados no Brasil quando houver disponibilidade de dividendos, conforme disposto no art. 7º dos Tratados, não se discutiu que determinados tratados também contém determinação expressa, normalmente art. 23, de que os dividendos recebidos sob determinadas circunstâncias, são isentos de tributação no Brasil, como é o caso do Tratado celebrado entre Brasil e Argentina. 2.14. o enquadramento dos rendimentos, para fins de acordos de bitributação pode ser interpretado de duas formas: (i) os rendimentos são considerados como lucros atribuídos aos acionistas apenas para fins fiscais (critério da transparência fiscal) e (ii) os rendimentos são tratados como dividendos fictamente distribuídos aos acionistas; 2.15. o primeiro caso recai no art. 7 º do Modelo OCDE, que trata sobre os lucros das empresas, impõe que os lucros de uma empresa independente somente podem ser tributados pelo país de residência dessa empresa. 2.16. a despeito de a Impugnante adotar essa interpretação, não é esse o reconhecimento que ela ora pleiteia, haja visto tal pleito ser objeto do MS nº 2008.61.00.0025252; 2.17. o segundo caso fica sujeito às regras do art 10 que permite competência cumulativa dos países contratantes, observado quanto ao país de residência da fonte dos dividendos a limitação de 15%, porém, também fica sujeito às regras do artigo que impõe mecanismos para evitar a bitributação; 2.18. no caso do Tratado celebrado entre Brasil e Argentina, o parágrafo 2º do artigo 23, isenta de tributação no Brasil os dividendos recebidos pela empresa aqui sediada, quando esta participa com mais de 10% do capital da investida que pagou os rendimentos, sendo esse o caso do autos; 2.19. em razão do exposto, requerse, caso não se entenda por afastar a tributação automática dos lucros, estabelecida pelo art. 74, da MP 2.158/01, que seja aplicado o disposto no art. 23 do Tratado celebrado com a Argentina; 2.20. observese que nos termos do parágrafo 2º, do Art 2º, da Convenção as normas, nela dispostas, aplicamse à CSLL; 2.21. há ainda outro fundamento que é causa de nulidade da autuação que diz respeito à suposta insuficiência de prejuízos fiscais, decorrente da reversão do prejuízo fiscal relativo aos anoscalendário 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, o que teria sido efetuado através de autos de infração lavrados anteriormente; Fl. 4590DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10880.729297/201145 Resolução nº 1301000.121 S1C3T1 Fl. 9 8 2.22. como primeiro problema, temse que Autoridade Administrativa sequer se deu ao trabalho de indicar quais seriam os autos que teriam ocasionado a alegada reversão de prejuízo fiscal; 2.23. a fim de comprovar que a referida reversão não ocorreu, ou pelo menos ainda não ocorreu de forma definitiva, anexase à presente cópia das principais peças do Processo Administrativo nº 16327.001288/200518, em que teria havido a reversão; 2.24. conforme atesta o extrato do COMPROT o auto de infração foi impugnado, estando pendente de julgamento na DRJ; 2.25. não há, portanto, qualquer decisão administrativa apta a constituir definitivamente o suposto crédito tributário, muito menos a validar a indevida glosa de prejuízos fiscais adequadamente apurados nos anoscalendário 2000 a 2005; 2.26. a reversão do prejuízo como motivo ou pressuposto objetivo do auto de infração não se concretizou, o que vale dizer que inexiste até a presente data, o motivo apontado para a lavratura do auto de infração impugnado, razão pela qual carece o ato administrativo de lançamento de fundamento de validade que lhe dê respaldo no ordenamento jurídico; 2.27. a Impugnante comprovou a regularidade nos procedimentos adotados e requereu o cancelamento da autuação; 2.28. nos termos do art. 151, do CTN c/c art. 21 do Decreto 70.235/72 as reclamações administrativas têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário; 2.29. o ato administrativo só pode servir de validade para a prática de outro ato administrativo, se estiver apto a produzir efeitos; 2.30. portanto, não há que defender a validade do lançamento ora impugnado, condicionadoa ao resultado final do julgamento a ser realizado no processo 16327.001288/200518; 2.31. da forma como foi feita, a presente autuação atenta diretamente contra o princípio da segurança jurídica, cerceando o direito de defesa; 2.32. em atenção ao princípio da eventualidade, acaso ultrapassada as alegações de nulidade acima aventadas, fazse mister o reconhecimento da conexão entre o presente processo e processo 16327.001288/200518; 2.33. não cabem maiores ilações sobre a relação de prejudicialidade, visto que a própria autoridade fiscal apontou como motivo da presente autuação, a suposta reversão do prejuízo fiscal, em razão de outros autos de infração; 2.34. portanto, mister se faz a reunião dos processos administrativos, para julgamento simultâneo, a fim de se evitar a prolação de decisões contraditórias. 3. Pelo exposto, restando claro que os Autos de Infração devem ser cancelados, vem a WHIRLPOOL S.A, tempestivamente, impugnar integralmente a presente autuação e requerer seja ela julgada improcedente. Fl. 4591DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10880.729297/201145 Resolução nº 1301000.121 S1C3T1 Fl. 10 9 3.1. Requer, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, sobretudo pelos documentos que se façam necessários, tudo nos termos dos artigos 15 e seguintes do Decreto 70.235/72. A partir dessas considerações fáticas e jurídicas, concluiu, a douta DRJ de São Paulo I (SP) pela NEGATIVA DE PROVIMENTO do recurso interposto, em acórdão que, inclusive, assim restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 IRPJ. CSLL. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. JULGAMENTO DA MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, antes ou depois de constituído o crédito pelo lançamento, importa, quando idênticos os pedidos, em renúncia ao contencioso administrativo, razão pela qual o julgamento deve restringirse à matéria diferenciada. A discussão judicial acerca da legalidade/inconstitucionalidade da tributação dos lucros auferidos no exterior, nos moldes do art. 74, da MP 2.15835/2001, bem como da observância dos tratados internacionais que tratam da bitributação afasta, do contencioso administrativo, o conhecimento dessas matérias. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO A inexistência de decisão definitiva acerca das matérias submetidas ao Poder Judiciário, implicam a postergação de eventuais deduções a título de imposto pago no exterior, o que não tira da Impugnante o dever de comprovar o direito alegado PREJUÍZO FISCAL. SALDO INICIAL. O Contribuinte tem o dever legal de controlar na parte B do LALUR os prejuízos fiscais de anos anteriores, o que envolve, também, controlar os valores decorrentes dos resultados das ações fiscais já realizadas pela RFB. Cabe ao contribuinte infirmar, mediante a apresentação de seus controles, o saldo inicial de prejuízos fiscais utilizado no lançamento. A inexistência de decisão definitiva em processos que tratam de autuações anteriores, que implicaram alteração no saldo inicial de prejuízo fiscal, não impede que a autuação seja feita com o aproveitamento do saldo alterado. Ao haver decisão definitiva nos processos relativos a autuações anteriores, que implique a correção do saldo inicial de prejuízo fiscal, tal efeito deverá ser considerado no presente processo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. INDEFERIMENTO. A Impugnante deve demonstrar as razões que justifiquem o pedido de diligência. Devese indeferir o pedido diligência quando os documentos poderiam ter sido juntados na impugnação. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. Fl. 4592DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10880.729297/201145 Resolução nº 1301000.121 S1C3T1 Fl. 11 10 O momento adequado para a produção de provas dáse dentro do prazo de impugnação, exceção feita às situações previstas nas normas que regem o contencioso administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada a contribuinte no dia 11/01/2012 (Quartafeira), foi por ela então interposto o seu Recurso Voluntário – protocolado no dia 10/02/2012 , pretendendo a reforma da decisão de primeira instância e, para tanto, aduzindo as seguintes e específicas razões: A nulidade das autuações em razão da existência de equívocos na fixação do quantum apontado como devido a título de IRPJ e CSLL 1. A indevida desconsideração dos créditos do imposto pago no exterior;] 2. A nulidade das autuações em razão da indevida tributação dos lucros auferidos pela controlada da recorrente na Argentina; 3. A nulidade da autuação de IRPJ em razão da existência de vício quanto ao seu fundamento de validade Esse é o relatório. VOTO Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. A discussão travada nos presentes autos, conforme se verifica, circunda o debate em torno da (in)validade das disposições do art. 74 da Medida Provisória 2.15835 e da instrução normativa SRF 213/02, sendo de relevante destaque, também, a préexistência de lançamentos fiscais respectivos sobre o referido assunto e ação judicial (Mandado de 2008.61.00.0025252), onde pretende então a contribuinte ver reconhecida a invalidade dos procedimentos estabelecidos, em face da configuração da apuração da incidência do IRPJ sobre bases universais, pretendendo imputar a exigência do tributo, no Brasil, em relação aos lucros auferidos por controladas e/ou coligadas no exterior. O lançamento efetivado, conforme se verifica, é realizado – unicamente com vistas a impedir a decadência em relação aos fatos ocorridos nos períodos de 2007, 2008 e 2009. Fl. 4593DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10880.729297/201145 Resolução nº 1301000.121 S1C3T1 Fl. 12 11 Além dessa apontada discussão central, verificase ainda que, nestes autos, discutese também as glosas de prejuízos fiscais, realizadas, como expressamente apontado, como decorrência da reconstrução das bases tributáveis em relação aos períodos de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, relativas aos lançamentos discutidos nos autos dos processos administrativos fiscais relacionadas na r. decisão recorrida (exclusivamente), com a apresentação do seguinte quadro: A par de todas as considerações trazidas no Recurso Voluntário, relativas à análise da necessidade de reforma da r. decisão recorrida, verificase, entre todos os argumentos considerados, é tratada, especificamente, a questão a respeito apuração do efetivo quantum devido, o que, como se verifica, deveria considerar os efetivos montantes recolhidos pela contribuinte no exterior e, ainda, a especifica legislação a ela relacionada, sendo certo que, apesar de trazida aos autos – mesmo que apenas em parte , simplesmente não foram consideradas pela r. decisão de origem, em que pese reconhecer, de fato, a existência do direito à dedução das referidas parcelas. A dedutibilidade dos montantes recolhidos no exterior, é importante ressaltar, é direito expressamente reconhecido no ordenamento jurídico pátrio em relação à apuração da base imponível do crédito tributário do IRPJ no Brasil, sendo de relevante destaque, nesse sentido, das disposições do Art. 25 a 27 da Lei 9.249/95, indicado, inclusive, como fundamento para as exigências aqui apontadas, que assim especificamente dispõem: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. ( Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001 ) § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira. II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; Fl. 4594DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10880.729297/201145 Resolução nº 1301000.121 S1C3T1 Fl. 13 12 III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. Art. 27. As pessoas jurídicas que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real. A partir dessas disposições, verificase que, ao determinar a tributação do IRPJ com base nas chamadas “bases universais”, o ordenamento jurídico pátrio expressamente prevê, na hipótese, a possibilidade da dedutibilidade do imposto incidente sobre a renda, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital, o que, verificase, é um dos importantes pontos discutidos nestes autos. A contribuinte, visando demonstrar a inexistência de diferença a ser recolhida no Brasil, destaca, expressamente, que a douta fiscalização não teria considerado nenhum pagamento realizado, sendo apresentados nos autos, inclusive, diversos documentos de Fl. 4595DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10880.729297/201145 Resolução nº 1301000.121 S1C3T1 Fl. 14 13 recolhimento no exterior, pretendendo, com isso, ver garantida e efetivada a dedução apontada, e, a partir daí, a possibilidade de demonstração da inexistência de débito. A r. decisão de origem, por sua vez, especificamente reconhece a inexistência da dedução apontada, destacando, em suas razões, as seguintes considerações: 4.19. De fato, o IRPJ e a CSLL foram considerados pelos seus valores devidos, sem qualquer desconto, exceção feita à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de anos anteriores, procedimento este que também foi contestado pela Impugnante e que será objeto de apreciação adiante. A contribuinte, segundo aponta em seu recurso, juntou aos autos os documentos comprobatórios dos apontados recolhimentos, insistindo assim na necessidade de baixa dos autos para a verificação do montante efetivamente recolhido e, com isso, a sua dedução em relação ao montante considerado devido nestes autos, o que, ao meu sentir, é necessário para a integral aplicação das referidas disposições de regência, o que, sem qualquer prejuízo, a de ser ainda devidamente enfrentado pelo colegiado. Ademais, a verificação efetiva dos montantes recolhidos no exterior, e a sua dedução em relação aos valores apontados como devidos no Brasil, é medida que se impõe, sob pena da completa desconstituição da sistemática da incidência do IRPJ sobre bases universais, inaugurado pelas disposições da referida Lei 9.249/95, devendo, assim, ser então efetivamente verificados os documentos juntados aos autos. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de determinar a baixa dos autos em diligência no sentido de promoverse a verificação dos documentos juntados pela contribuinte nestes autos, relativos à comprovação dos recolhimentos do imposto devido no exterior, conforme apontado, destacandose, em demonstrativo específico, as informações relativas ao local, competência, data e respectivo valor dos montantes recolhidos, para fins de efetivação das deduções nos termos do apontado art. 26 da Lei 9.249/95, determinandose, após as devidas e regulares providências respectivas, a devolução dos autos a este colegiado para a apreciação e julgamento dos termos do recurso voluntário interposto. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 4596DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000586/95-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
Ementa:
A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas. (Sumula CARF 23)
Numero da decisão: 2202-001.777
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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(Sumula CARF 23) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN 2 Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10835.000586/9560 Acórdão n.º 220201.777 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Contra o contribuinte GIUSEPPE MARIO LEONIDA FILIZZOLA ESPÓLIO, foi emitida a notificação de fl. 05, para exigirlhe o crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e às contribuições à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), à Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), exercício de 1994, no montante de 4.044,61 UFIR, incidentes sobre o imóvel rural cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob o registro n.° 07435894, com área de 1.829,0 ha, denominado "Fazenda Mata Fresca", localizado no município de Rio Verde de Mato Grosso, MS. A exigencia do ITR fundamentase na Lei n.° 8.847/1994 e das contribuições no Decretolei n.° 1.146/1970, art. 5o , c/c o Decretolei n.° 1.989/1982, art. I o e §§; Lei n.° 8.315/1991 e Decretolei n.° 1.166/1971, art. 4o e parágrafos. Inconformado com o valor do crédito tributário exigido, o interessado interpôs a impugnação de fls. 01/03, solicitando a retificação do lançamento, visando à redução do Valor da Terra Nua Mínimo (VTNm) tributado e à adoção do VTN declarado, alegando em síntese que: 1 tanto o ITR, como a CNA, têm como base de cálculo o Valor da Terra Nua; 2 a Lei n.° 8.847/1994, em seu artigo 3 o criou duas formas de apuração do Valor da Terra Nua: a) no § 1o o VTN é o valor comercial da propriedade deduzidos os valores das benfeitorias existentes, critério adotado pelo requerente na apuração do VTN; b) já no § 2o , criouse outro critério, onde se estabeleceu valor mínimo para a terra nua (VTNm), adotado pela Receita Federal. Este critério, porém, é subjetivo e eivado de ilegalidade e inconstitucionalidade. 2.1 Eivado de ilegalidade porque: a) determina que o VTNm seja fixado pela Secretaria da Receita Federal, ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados, e estas secretarias não foram ouvidas. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN 4 b) determina ainda, que a valoração seja feita para os diversos tipos de terras no município, o que não foi atendido, uma vez que se fixou um VTNm padrão para cada município. 2.2 Eivado de inconstitucionalidade, porque a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 187, estabeleceu que a política agrícola, nela incluindo os instrumentos fiscais será planejada e executada na forma da lei, com a participação efetiva do setor de produção. De forma que, tendo a Lei n.° 8.847/1994, art. 3o , § 2o marginalizado o produtor rural, feriu direito constitucionalmente garantido, devendo por isso ter sua vigência afastada do mundo jurídico. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela procedência do lançamento através do acórdão DRJ/RPO n° 1.974, de 30 de outubro de 1998, às fls. 30/34, cuja ementa está abaixo transcrita Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1994 Ementa: VTNm. REDUÇÃO. A autoridade julgadora poderá rever o VTNm, à vista de perícia ou laudo técnico, elaborado por perito ou entidade especializada, obedecidos os requisitos da ABNT e com ART, registrada no CREA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das lei. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. O nãoatendimento à intimação prejudica a apreciação do pleito. Devidamente cientificado dessa decisão em 20/11/2008, ingressou o contribuinte com recurso voluntário tempestivamente em 22/12/2008, onde ratifica os argumentos apresentados na impugnação. Este é o relatório Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10835.000586/9560 Acórdão n.º 220201.777 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Em relação ao VTN, a autoridade lançadora arbitrou o valor uma vez o Recorrente não apresentou laudo de avaliação para justificar o valor declarado.. No que diz respeito ao Valor da Terra Nua para fins de apuração do ITR, o artigo 3º, da Lei nº 8.847, de 1994, assim dispõe: Art. 3º A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua (VTN), apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. § 1º O VTN é o valor do imóvel, excluído o valor dos seguintes bens incorporados ao imóvel: I Construções, instalações e benfeitorias; II Culturas permanentes e temporárias; III Pastagens cultivadas e melhoradas; IV Florestas plantadas. § 2º O Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com a Secretaria de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município. § 3º O VTN aceito será convertido em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) pelo valor desta no mês de janeiro do exercício da ocorrência do fato gerador. Caso o contribuinte não concorde com tal valor poderá apresentar laudo de avaliação para justificar o valor declarado. § 4º A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN 6 Nos termos da referida norma legal o valor do VTN, será determinado pela Secretaria da Receita Federal, ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretaria de Agricultura dos Estados . No caso em concreto a autoridade lançadora utilizou os dados fixados pela Secretaria da Receita Federal, através da Instrução Normativa n° 16, de 16 de março de 1995 , uma vez que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação válido para suportar o valor adotado pelo Recorrente. O Recorrente foi intimado para apresentar laudo de avaliação para fins de comprovar e justificar o valor declarado. Ocorre todavia que tal laudo não foi apresentado, desta forma, devemos aceitar o valor arbitrado pela autoridade lançadora, aplicando ao caso em questão a sumula CARF n° 23: Súmula CARF nº 23: A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas. Desta forma, entendo que devemos acolher para o VTN arbitrado pela autoridade lançadora, tendo em vista que o Recorrente não apresentou laudo para justificar o valor declarado. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito nego provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10297.000827/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCONTADAS SEGURADOS EMPREGADOS. PREVISÃO LEGAL.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais descontando-as da respectiva remuneração e as recolhendo juntamente com as demais contribuições sociais.
NULIDADE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, bem como os fundamentos legais, não há que se falar em nulidade, já que não ocorreu cerceamento ao direito de defesa.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCONTADAS SEGURADOS EMPREGADOS. PREVISÃO LEGAL. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais descontando-as da respectiva remuneração e as recolhendo juntamente com as demais contribuições sociais. NULIDADE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, bem como os fundamentos legais, não há que se falar em nulidade, já que não ocorreu cerceamento ao direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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DESCONTADAS SEGURADOS EMPREGADOS. PREVISÃO LEGAL. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais descontandoas da respectiva remuneração e as recolhendo juntamente com as demais contribuições sociais. NULIDADE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, bem como os fundamentos legais, não há que se falar em nulidade, já que não ocorreu cerceamento ao direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 7. 00 08 27 /2 01 1- 50 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10297.000827/201150 Acórdão n.º 2402003.639 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, concernentes às contribuições previdenciárias não recolhidas e descontadas dos segurados empregados que lhe prestaram serviços, para as competências 05/2002 a 13/2002. O Relatório Fiscal (fls. 23/28) informa que os valores das contribuições previdenciárias foram apurados com base nos documentos apresentados pelo sujeito passivo à Fiscalização, quais sejam: folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s), Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) e Guias de Recolhimentos à Previdência Social. Esse Relatório Fiscal informa ainda que constituem fatos geradores as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, sendo apurados com base nas remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados, por meio de folhas de pagamento mensais, recibos de pagamentos e recibos de férias, conforme demonstra o Relatório de Fatos Geradores (fls. 12/13). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 20/06/2003 (fls.01 e 32), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 36/59) – acompanhada de anexos de fls. 60/63 –, alegando, em síntese, que: 1. ocorreu cerceamento de defesa, posto que a defendente quando do início da ação disponibilizou aos agentes fiscalizadores todos os comprovantes de recolhimento dos tributos ora tidos como não recolhidos, entretanto, o agente fiscal desconsiderou os documentos. Deve ser efetuada nova verificação nos livros e documentos fiscais da ora defendente para efeito de serem abatidos os valores já recolhidos; 2. foram desrespeitados três princípios pelos quais deve a Administração Pública se pautar: da reversibilidade, da lealdade e boafé e da verdade material. Também não foi obedecido o princípio do informalismo em favor do interessado. Por causa disso, concluise que a garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório foi violada. O agente fiscalizador deve pautar sua conduta em observância tanto ao princípio da moralidade, como da proporcionalidade administrativa; 3. somente uma perícia pode verificar os elementos contábeis da Pessoa Jurídica e a dedução dos valores já recolhidos, e comprovar que foi recolhida exatamente a importância devida; 4. ocorreu violação ao princípio da proibição da aplicação de tributo com efeito confiscatório; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 5. requer que seja a NFLD arquivada, posto não haver fundamento legal na alegação de recolhimento a menor dos tributos decorrentes da remuneração paga e creditada aos segurados empregados. A Delegacia da Receita Previdenciária (DRP) em Belém/PA – por meio da DecisãoNotificação (DN) 12.401.4/0578/2003 (fls. 65/71) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 75/104), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belém/PA encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10297.000827/201150 Acórdão n.º 2402003.639 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fls. 73/76). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que o lançamento fiscal seja declarado nulo, pois haveria uma falta de discriminação precisa dos fundamentos legais e dos motivos de fato que ensejaram o lançamento. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do valores lançados, bem como da legislação aplicável, e não há erro na sua fundamentação. Além disso, o Relatório Fiscal, devidamente acompanhado de seus anexos, delineou de forma pontual a legislação e as alíquotas que foram aplicadas para a apuração dos valores lançados no presente processo. Constatase que os valores lançados decorrem das contribuições sociais descontadas dos segurados empregados, e foram extraídos das folhas de pagamento e da sua escrituração contábil. Logo, a base de cálculo foi declarada pela empresa no Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) e nas folhas de pagamento, sendo de seu conhecimento os valores declarados em cada competência objeto do presente lançamento. Em outro giro, verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Assim, dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 23/28) e seus anexos são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida, a base de cálculo e as alíquotas aplicadas. A fundamentação legal aplicada encontrase no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 13/14), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), Discriminativo Sintético por Estabelecimento (DSE), Relatório de Lançamentos (RL), Relatório de Documentos Apresentados (RDA), Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), dentre outros, que contêm todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias retidas pela Recorrente, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, fazendo constar nos relatórios que o compõem os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Não há que se falar em nulidade diante das regras estabelecidas pelo artigo 59 do Decreto 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade ou ilegalidade e não serão acatadas. E, após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova pericial, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10297.000827/201150 Acórdão n.º 2402003.639 S2C4T2 Fl. 5 7 Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/63) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial ou testemunhal. Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972 – na redação dada pela Lei 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, inclusive a solicitação de prova pericial, por considerálo prescindível e meramente protelatório. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10297.000827/201150 Acórdão n.º 2402003.639 S2C4T2 Fl. 6 9 exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 13/14), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10297.000827/201150 Acórdão n.º 2402003.639 S2C4T2 Fl. 7 11 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10380.006546/2004-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO.
Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep.
PIS NÃO-CUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS.
O creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda.
PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE.
As embalagens que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I - Por unanimidade de votos negar provimento quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação. II - Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III - Por maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
(assinado digitalmente)
Jose Luiz Bordignon- Redator Designado
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do Pis/Pasep. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS. O creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. As embalagens que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I Por unanimidade de votos negar provimento quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação. II Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III Por maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 65 46 /2 00 4- 32 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora (assinado digitalmente) Jose Luiz Bordignon Redator Designado (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006546/200432 Acórdão n.º 3801001.365 S3TE01 Fl. 250 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Fortaleza/CE, abaixo transcrito: "Tratase de processo contendo Pedido de Ressarcimento de crédito correspondente ao Pis/Pasep – Exportação, apurado sob a sistemática do regime de incidência nãocumulativa, referente ao 2º Trimestre de 2003, totalizando R$ 128.137,87, formalizado mediante a transmissão do PER/DCOMP de número 24427.14199.290906.1.3.085228, fls. 17/27. Tendo por substrato Informação Fiscal elaborada pelo Serviço de Fiscalização local, fls. 105/107, a DRF Fortaleza, por meio de Despacho Decisório datado de 29/10/2010, fls. 154/157, reconheceu crédito no valor de 95.182,81 e homologou parcialmente as compensações. O não reconhecimento integral decorreu de glosas efetuadas em determinados créditos considerados pela pessoa jurídica, mais especificadamente concernentes a fretes, despesas com depreciação e com pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados em embalagem destinada ao transporte. Quanto às glosas com fretes e despesas com depreciação, consubstanciadas nos demonstrativos de fls. 76/103, nos valores respectivos de 15.465,43 e 9.009,44, foram efetuados pelos fundamentos a seguir delineados. Segundo registrado na Informação Fiscal, quanto aos descontos com os fretes, foi afirmado que “Somente a partir de fevereiro de 2004 é que passou a ser admitido, para fins de apuração de crédito de PIS, as despesas com frete, conforme Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art. 3º, inciso IX do caput, c/c art. 15, inciso II e art. 93”." Em relação às despesas com depreciação, a glosa efetivouse porque “não houve a apresentação das notas fiscais que comprovam a despesa que deu origem à depreciação”. No que diz respeito à glosa correspondente ao item pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados em embalagem destinada ao transporte, teve como lastro o demonstrativo de fl. 104, no valor de 8.480,19, tendo sido afirmado que de acordo com esclarecimentos e fotos apresentados pela empresa, “os pallets e as cantoneiras são utilizados no processo como embalagem, tendo como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 4 Ante a situação explanada, com base no disposto pelo inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o § 5º do art. 66 da IN SRF nº 247, de 2002, e art. 6º do Decreto nº 4.544, de 2002, afirmou a autoridade fiscal que “somente dão direito ao crédito de PIS as embalagens que acondicionam diretamente os produtos. As embalagens que se destinam apenas ao transporte de produtos não geram direito ao crédito do PIS”. No Despacho Decisório, a Autoridade Local reiterou o posicionamento versado na Informação Fiscal e deliberou pelo reconhecimento parcial do crédito, no valor de 95.182,81. A ciência deuse em 08/11/2010, fl. 154/157. Não satisfeita com o que foi decidido, em 30/11/2010 a pessoa jurídica apresentou Manifestação de Inconformidade, 166/177, argumentando tratarse de empresa “produtora de variados tipos de frutas in natura destinada à exportação, de modo que para garantir a qualidade e conservação de seus produtos é INDISPENSÁVEL a utilização de determinados materiais para a embalagem”. Segundo consta na Informação Fiscal, “somente as embalagens que acondicionam os produtos de forma individual e autônoma poderiam gerar crédito de PIS. Assim, as demais embalagens utilizadas, em especial àquelas adquiridas para a proteção das frutas frescas durante seu transporte ao exterior, não gerariam direito ao crédito”. Todavia, no entender da impugnante, “os pallets, cantoneiras e demais produtos são considerados embalagens de acondicionamento”, posto que a tipificação adotada pela autoridade fiscal teria se apoiado, dentre outros, no art. 6º do Decreto nº 4.544, de 2002, o Regulamento do IPI, enquanto no caso presente a matéria em discussão diz respeito a apuração da Contribuição para o Pis/Pasep de forma nãocumulativa, regime que não se confunde com a nãocumulatividade encontrada no IPI. Afirmou a peticionante que “estamos tratando de créditos de PIS, o qual tem como fato gerador as receitas provenientes da PRODUÇÃO da empresa. Registrese, por oportuno, no vertente caso o contribuinte não é uma indústria, mas uma produtora de frutas frescas, sem qualquer beneficiamento”, que a distinção entre a embalagem de apresentação e embalagem de transporte fora definida para fins de incidência do IPI (RIPI), não sendo considerada no caso de ressarcimento do PIS, que possuem um fato gerador mais amplo”. Ao seu ver, “Na legislação, tanto do PIS, quanto da COFINS, os créditos de embalagem utilizadas na produção são expressamente autorizadas, conforme veremos ao longo desta manifestação”. Discorreu ainda que os “pallets (ou estrados), as cantoneiras, e os demais produtos utilizados no processo produtivo, têm como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, viabilizando a eficiente movimentação de uma mercadoria extremamente frágil (fruta fresca e natural) nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”, que Fl. 252DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006546/200432 Acórdão n.º 3801001.365 S3TE01 Fl. 251 5 “sem tais materiais seria impossível a comercialização de frutas in natura para o exterior!” face o que não poderia haver qualquer dúvida quanto ao direito a referido crédito. Objetivando fundamentar sua argumentação, trouxe à colação doutrina do insigne constitucionalista Roque Antônio Carrazza, ementas de Soluções de Consulta prolatadas nas Divisões de Tributação (Disit) da 6ª e da 10ª Regiões Fiscais e das Soluções de Consultas Internas nº 102 e nº 118, ambas de 2008. De acordo com a hermenêutica da peticionante, seria possível se depreender dessas duas últimas ementas que “Não configurando ativo imobilizado, surge a possibilidade de ressarcimento de crédito no caso em apreço, e; Se até nos casos que não há a suspensão do tributo torna possível o ressarcimento dos créditos, quanto mais no caso em tablado”, arrematando no sentido de que “os pallets (ou estrados) e as cantoneiras, e os demais produtos objeto de glosa, são, unicamente, materiais de embalagem, não retornando a empresa exportadora, e por isso, gerando créditos por não pertencerem ao ativo imobilizado”. No que tange à glosa correspondente às despesas com frete, decorrente da possibilidade do creditamento somente a partir de fevereiro/2004, face o determinado pelo art. 3º, inc. IX e art. 15, inc. II, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, manifestouse no sentido de que referida legislação não teria trazido qualquer inovação quanto ao aproveitamento de crédito do Pis, referente a despesas com fretes, posto que a Lei nº 10.637, de 2002, já permitiria a utilização de crédito dessa natureza. Segundo o contribuinte, a glosa em questão teria se apoiado em lei estritamente elucidativa, que unicamente esclareceu possibilidade já abrangida pela Lei nº 10.637, de 2002. Ao final de suas considerações postulou o deferimento integral do crédito e a homologação das compensações em sua totalidade, como também que fosse oportunizada a sustentação oral por parte do signatário da peça em apreciação, quando da inclusão do presente processo em pauta de julgamento. Acompanhando a Manifestação de Inconformidade, foram apresentadas cópias de Instrumento Público de Procuração e da 53ª Alteração Contratual. A Unidade Local efetuou os cadastramentos necessários nos sistemas de controle interno e encaminhou o processo à esta DRJ para conhecimento e deliberação. É o que se tem a relatar.” Analisando o litígio, a DRJ Fortaleza/CE entendeu por bem manter a decisão que homologou parcialmente a compensação, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 6 O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PALLETS, CANTONEIRAS E DEMAIS PRODUTOS UTILIZADOS EM EMBALAGEM DESTINADA AO TRANSPORTE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante a fase de produção, mas apenas ao final desse ciclo, destinamse tão somente ao transporte não gerando, por conseguinte, direito ao crédito. DESPESA COM FRETE. CRÉDITO. DESCONTO DO VALOR APURADO. A dedução no valor apurado da contribuição do PIS/PASEP pelo crédito gerado com as despesas com fretes, nos casos dos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, quando o ônus for suportado pelo vendedor, tornouse possível somente a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme estabelecido pelo art. 93, inc. I do citado diploma legal. SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. No âmbito da legislação processual tributária, inexiste previsão para a realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Consta nos autos recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: · As despesas com serviços de expedição de produtos enquadramse no conceito de insumos, uma vez que são necessárias e indispensáveis para o funcionamento da cadeia produtiva. Isto é, as despesas relativas às embalagens destinadas ao transporte dos produtos geram crédito de PIS; · Não houve omissão no que se refere às glosas relativas à depreciação, uma vez que o pedido aduzido na Manifestação de Inconformidade fez referência à totalidade do valor requerido no Pedido de Ressarcimento; · O direito ao aproveitamento de créditos relativos às despesas com fretes já estaria albergado pelo inciso II do artigo 3º da Lei nº. 10.637/2002. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006546/200432 Acórdão n.º 3801001.365 S3TE01 Fl. 252 7 Voto Vencido Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Em síntese, o que será analisado no presente processo administrativo é se a Recorrente faz jus a créditos de PIS decorrentes de despesas com depreciação, com fretes e com materiais de embalagem destinados ao transporte dos produtos ao destinatário final. Pois bem. Por meio do despacho decisório proferido nos autos, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE houve por bem negar homologação ao Pedido de Ressarcimento decorrente das despesas de depreciação, com relação às quais não houve a apresentação de notas fiscais comprobatórias de sua origem. A referida decisão foi mantida pela 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Fortaleza/CE, ao argumento de que a Recorrente teria se mantido omissa quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação, tratandose de matéria não impugnada. Embora o pedido aduzido na Manifestação de Inconformidade faça referência à totalidade do valor requerido no presente Pedido de Ressarcimento, é certo que a Recorrente não trouxe, em nenhum momento que lhe fora oportunizado o direito de defesa, qualquer elemento ou fundamento capaz de infirmar o entendimento da Delegacia de origem, no sentido de que inexiste a comprovação da origem das despesas de depreciação glosadas. Por esta razão, voto pelo conhecimento e desprovimento do Recurso Voluntário neste ponto. No entanto, o inconformismo da Recorrente no que diz respeito às despesas com materiais de embalagem e com fretes merece prosperar. Não se discute que o regime de créditos na sistemática da nãocumulatividade do PIS e COFINS é mais amplo que aquele utilizado no âmbito da nãocumulatividade do IPI. Nesse sentido é o magistério de Marco Aurélio Greco, confirase: "Notese, inicialmente, que as Leis de PIS/COFINS não fazem expressa remissão à legislação do IPI. Vale dizer, não há um dispositivo que, categoricamente, determine que "insumo" deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação daquele imposto. Ademais, o regime de créditos existe atrelado à técnica da não cumulatividade que, em se tratando de PIS/COFINS, não encontra na Constituição perfil idêntico ao do IPI. Realmente, no âmbito da nãocumulatividade do IPI, a CF/88 (art. 53, §3º, II) restringe o crédito ao valor do imposto cobrado nas operações anteriores, o que obviamente só pode ter ocorrido em relação a algo que seja "produto industrializado", de modo que a palavra "insumo" só pode evocar sentidos que sejam Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 8 necessariamente compatíveis com essa idéia (= algo fisicamente apreensível). Por isso, insumo para fins de nãocumulatividade de IPI é conceito de âmbito restrito, por alcançar, fundamentalmente, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Por outro lado, nas contribuições, o §11 do artigo 195 da CF não fixa parâmetros para o desenho da nãocumulatividade o que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o crédito sobre o valor dos dispêndios feitos com a aquisição de bens e também de serviços tributados, mas não restringe o crédito ao montante cobrado anteriormente. Vale dizer, a nãocumulatividade regulada pelas Leis não tem o mesmo perfil da pertinente ao IPI, pois a integração exigida é mais funcional do que apenas física. Assim, por exemplo, no âmbito do IPI o referencial constitucional é um produto (objeto físico) e a ele deve ser reportada a relação funcional determinante do que poderá, ou não, ser considerado "insumo". Por outro lado, no âmbito de PIS/COFINS a referência explícita é a "produção ou fabricação", vale dizer às ATIVIDADES e PROCESSOS de produzir ou fabricar, de modo que a partir deste referencial deverá ser identificado o universo de bens e serviços reputados seus respectivos insumos. Por isso, é indispensável ter em mente que, no âmbito tributário, o termo "insumo" não tem um sentido único; sua amplitude e seu significado são definidos pelo contexto em que o termo é utilizado, pelas balizas juridíconormativas a aplicar no âmbito de determinado imposto ou contribuição, e as conclusões pertinentes a um, não são automaticamente transplantáveis para outro. No caso, estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a receita ou o faturamento, portanto, sua nãocumulatividade deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função deles (receita/faturamento). Enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos a ele relativos, o processo formativo da receita ou do faturamento aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, por mais de uma razão, o universo de elementos captáveis pela não cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo que o do IPI”. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, Revista Fórum de Direito Tributário, v. 34, juL/ago. 2008 Observese, portanto, que a análise do regime de créditos atinentes à não cumulatividade do PIS e da COFINS deve levar em consideração todas as atividades envolvidas no processo de formação da receita ou faturamento de determinada pessoa jurídica. Aplicandose tais ensinamentos ao caso concreto, não há dúvidas de que a exportação das mercadorias integra o processo de formação da receita da Recorrente. Deste modo, as despesas incorridas com o material de embalagem necessário ao transporte dos Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006546/200432 Acórdão n.º 3801001.365 S3TE01 Fl. 253 9 produtos da Recorrente (e, em última análise, à sua distribuição e comercialização), deve gerar direito ao aproveitamento do crédito de PIS e COFINS. Somase ao exposto acima que a Instrução Normativa nº. 404/2004, ao dispor sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833/2003, não distingue, no conceito de insumo, qualquer espécie de material de embalagem para fins de desconto de créditos, vejase: “Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (...)”. Sobre o tema, inclusive, já se pronunciou a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF: “INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. O COFINS incidente nas aquisições de bens e serviços utilizados no processo produtivo, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, gera direito a crédito. Recurso Voluntário Provido”. ( Processo nº 13931.000340/200756, Recurso nº 511.759 Voluntário, Acórdão nº 330200.766, Sessão de 10 de dezembro de 2010) Extraise do inteiro teor do voto condutor do referido julgado: “Quanto aos paletes, estrados, ripas e etiquetas, o acórdão recorrido nega o creditamento aduzindo que a contribuinte os utiliza para embalar e proteger seus produtos até o seu destino final, se destinando inequivocamente apenas para movimentação, armazenagem e transporte de produtos, sem que haja a incorporação desses bens durante o processo de industrialização. Mas apenas com a sua utilização depois de concluído o processo produtivo, não pode gerar direito ao crédito da contribuição. Ao contrário do que afirma o decisum, entendo que esses produtos são incorporados ao produto final, pois sem eles não podem ser comercializados, quer por exigência da legislação, Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 10 quer por propiciar o manuseio/transporte. O seu enquadramento como insumo está previsto na alínea “a”, inc. I, do § 4º, do art. 8º, da INSRF 404/04, ipsis verbis: § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (grifo nosso) Conveniente lembrar a regra de hermenêutica insculpida no aforismo de que ao intérprete não cabe distinguir quando a norma não distingue, restando inconcebível interpretação restritiva, assim como o estabelecimento de óbices não expressamente previstos na lei. No caso em comento, a norma contempla “material de embalagem”, sem qualquer especificação, portanto abrange todo tipo de embalagem aplicado no processo produtivo, independentemente de sua finalidade, vez que a norma não faz distinção. Portanto, os créditos decorrentes da aquisição de paletes, estrados, ripas e etiquetas, utilizados para embalar, armazenar, proteger e identificar seus produtos, podem ser deduzidos”. Finalmente, o Recurso Voluntário interposto pela Recorrente também deve ser provido no que se refere às despesas com fretes. De fato, a possibilidade de desconto de créditos decorrentes de serviços utilizados como insumos na produção de produtos destinados à venda sempre esteve albergada pelo inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, que assim determina: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;”. É o que verifica na hipótese. A “PLANILHA I GLOSAS EFETUADAS EM DESPESAS COM FRETES” que instrui os autos faz menção à nota fiscal de entrada, emitida pelos fornecedores ali listados, donde se presume que o valor do frete corresponde a serviço utilizado pela Recorrente em seu processo produtivo. Ora, a própria legislação de regência, como visto, admite que serviços sejam utilizados como insumo na produção de bens. Inferese, aí, que o legislador tributário adotou um sentido amplo para o termo, fazendo com que seu alcance chegasse a uma utilidade fruída pelo produtor para viabilizar a venda de seu produto – no caso, o serviço de transporte. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006546/200432 Acórdão n.º 3801001.365 S3TE01 Fl. 254 11 Importante ressaltar que o PIS é contribuição cujo pressuposto de fato é a receita ou o faturamento. Por essa razão, sua nãocumulatividade deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita/faturamento. O processo formativo da receita ou do faturamento aponta na direção de todos os elementos relevantes para sua obtenção. Daí se conclui serem considerados como "utilizados como insumo" para fins de não cumulatividade de PIS/COFINS todos os elementos físicos ou funcionais que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto, em função dos quais resultará a receita ou o faturamento onerados pelas contribuições. Assim, entendo que a alegada inovação promovida pela Lei nº. 10.833/2003, que teria trazido ao mundo jurídico a possibilidade de aproveitamento de créditos na contratação de fretes, veio apenas convalidar o que, na prática, já estava autorizado, em termos amplos, pelo artigo 3º., inciso II, da Lei no. 10.637/2002. Neste sentido, voto pelo conhecimento e parcial provimento do Recurso Voluntário, reconhecendo o direito de desconto de créditos decorrentes de despesas com fretes e materiais de embalagem. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 259DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 12 Voto Vencedor Conselheiro José Luiz Bordignon, Redator Designado Não obstante as respeitáveis razões exaradas no voto da ilustre Relatora, discordo do seu entendimento quanto a possibilidade de creditamento de despesas com fretes e de materiais de embalagem, e o faço pelos motivos abaixo explicitados. 1. Das Despesas com Fretes A Recorrente se insurge contra as glosas de suas despesas com fretes. Sustenta o direito aos referidos créditos em razão de: “O Ilustre Auditor glosou a importância de R$ 16.897,89 (dezesseis mil, oitocentos e noventa e sete reais e nove centavos) referente as despesas com frete. O Agente Fiscal afirma que somente a partir de fevereiro de 2004 o aproveitamento de crédito de PIS, a título de despesa de frete, passou a ser permitido, justificando assim a glosa no artigo 3º, IX; artigo 15, II e artigo 93 da Lei nº 10.833/2003. Todavia, cumprenos elucidar que a referida legislação não trouxe qualquer inovação sobre a matéria de aproveitamento de crédito de PIS, referente a despesas com frete, uma vez que a Lei nº 10.637/2002 já permitia a utilização dos créditos referente a despesas com frete. [...] Ora, a glosa efetuada pelo Agente Fiscal teve fundamento legal em uma lei estritamente elucidativa, ou seja, uma lei que não inovou ou gerou direitos, mas unicamente esclareceu uma possibilidade já abrangida pela Lei nº 10.637/2002. Desse modo, tornase indevida a glosa efetuada pelo Agente Fiscal, pelos motivos acima, posto ter o contribuinte agido dentro dos limites permissivos da legislação”. Importante se faz, para bem analisar a questão aqui discutida, trazer a lume a legislação de que trata o direito ao crédito das despesas com fretes, nas operações de vendas, arcado pela pessoa jurídica, relacionadas à apuração das Contribuições nãocumulativas para o Pis/Pasep e Cofins. A Lei nº 10.637, de 2002, instituidora do regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, fixou em seu art. 3º quais os custos/despesas passíveis de integrar a base de cálculo como crédito a ser descontado, dentre os quais o valor dos serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006546/200432 Acórdão n.º 3801001.365 S3TE01 Fl. 255 13 A partir da Lei no 10.833, de 2003, o regime de apuração nãocumulativa passou a ser adotado também para a Cofins, sendo admitido, a partir de então, o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece o inciso IX do art. 3o desta lei: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] Por sua vez, o art. 15 da Lei no 10.833/2003 estendeu o permissivo previsto no inciso IX às pessoas jurídicas incluídas no regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 2004. Da análise da evolução legislativa acima exposta, permitese concluir que o creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, somente poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. É questão de prova. No entanto, a Recorrente não trouxe, seja na impugnação, seja nessa instância recursal, qualquer elemento que demonstrasse a vinculação da referida despesa com as operações de venda. Portanto, no caso em tela, os gastos relativos ao frete de que trata a planilha I, fls. 91/113, no valor de R$ 21.770,71, não são passíveis de creditamento para fins de apuração do valor devido das contribuições nãocumulativas. 2. Pallets, Cantoneiras e Demais Produtos Utilizados em Embalagem. Com relação as glosas das despesas com embalagens, a Recorrente assim defendeu seu direito: “As embalagens desconsideradas são essenciais para garantir eficiência na exportação, permitindo a conservação dos produtos no final até sua chegada no porto de destino, atendendo assim a sua qualidade. Os pallets (ou estrados), as cantoneiras e os demais produtos utilizados no processo produtivo, têm como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, viabilizando a eficiente movimentação de uma mercadoria extremamente frágil (FRUTA FRESCA E NATURAL) nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários, conforme documentos anexos. Ademais, os pallets, as cantoneiras e demais produtos utilizados para a embalagem não compõem o ativo imobilizado da Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 14 empresa, uma vez que tais mercadorias não retornam a empresa exportadora, sendo colocadas nos containers e entregues aos seus clientes, pois sem estes produtos não seria possível o seu transporte e comercialização. As referidas embalagens viabilizam a operação de uma fruta produzida no Ceará e consumida ainda fresca na Europa. Sem elas, as operações não poderiam se realizar”. Em apertada síntese, pretende a Recorrente ter assegurado o direito creditório relativo a contribuição para o PIS no que tange a despesas de embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas à exportação. Defende a tese de que os gastos com embalagens, sejam elas de acondicionamento ou transporte, estariam enquadrados no conceito de insumos. Nesse aspecto, é meu pensar que a Recorrente não tem razão. O alargamento do sentido do termo “insumos” que se quer imprimir não pode prosperar. No caso vertente, as despesas com embalagens não se relacionam com o processo produtivo da empresa, mas em etapa posterior à produção do bem, isto é, ao transporte inerente à fase de comercialização do produto. Assim sendo, uma vez que a lei se refere expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação e os aqui referidos não se relacionam diretamente com o processo fabril da empresa, por ausência de permissivo legal, os dispêndios agregados em momento posterior à conclusão do processo produtivo (embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias), não podem ser descontados como créditos na apuração das contribuições nãocumulativas. Destarte, também improcedente a argumentação da Recorrente nesse tópico. Com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
score : 1.0
Numero do processo: 10925.900808/2008-86
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/03/2000
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, relativo a período de apuração do ano-calendário de 2000, quando a lei que concedia o benefício de dedução da da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, já se encontrava revogada por expressa disposição legal desde 1º de janeiro de 2000.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1802-001.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2000 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, relativo a período de apuração do ano-calendário de 2000, quando a lei que concedia o benefício de dedução da da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, já se encontrava revogada por expressa disposição legal desde 1º de janeiro de 2000. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). Não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2364; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.900808/200886 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802001.767 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de julho de 2013 Matéria PERDCOMP Recorrente COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS E TRANSPORTES SÃO JORGE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2000 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, relativo a período de apuração do anocalendário de 2000, quando a lei que concedia o benefício de dedução da da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, já se encontrava revogada por expressa disposição legal desde 1º de janeiro de 2000. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 08 08 /2 00 8- 86 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.87) que a seguir transcrevo: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação DCOMP transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior. Na fundamentação do referido despacho, consta que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados 'um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignada com o referido decisório, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em resumo, o seguinte: que o entendimento não merece prosperar, uma vez que no período de pagamento do referido DARF, a Recorrente poderia ter compensado 1/3 da COFINS devida sobre o faturamento, mês a mês, com a contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL); como pagou todos os valores de CSLL, nasceu o direito a postular a compensação em razão dos pagamentos indevidos ou a maior, já que dispunha de créditos de COFINS; assim, como a legislação previa a possibilidade de abater 1/3 da COFINS com a CSLL, foi o que fez a Recorrente; diante disto, não existe óbice a compensação realizada, eis que o DARF apresentado no PER/DCOMP significava tributo pago indevidamente ou a maior; postula pela suspensão do crédito tributário em discussão nos autos; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900808/200886 Acórdão n.º 1802001.767 S1TE02 Fl. 3 3 transcreve o art. 8° da Lei n° 9.718/98, (fls. 03/04) e decisões judiciais que referendam a possibilidade da compensação, "[...] já que no período a Recorrente mantinha 1/3 de crédito sobre a COFINS, que poderia ter sido compensado com a CSLL, no entanto, como acabou pagando todo o valor da CSLL naquele período, ao perceber, requereu a compensação da CSLL paga, limitada ao crédito de 1/3 da COFINS no mesmo período." caso não seja este o entendimento desta Delegacia de Julgamento, que seja "[...] aplicado aos valores declarados nas declarações de compensações somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade (juros de mora, Multa Isolada, Multa), nos termos do art. 63 e seguintes, da Lei n° 9.430/96." A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.014, de 29 de junho de 2011 (fls.86/88). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 29/08/2011 (ciência pessoal, fl.96), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 22/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer: a) Seja recebido e processado o Recurso Voluntário para julgar insubsistente o processo administrativo n°. 10.925.900.808/200886; b) Seja homologada a declaração de compensação realizada pela recorrente em todo período transcrito no processo administrativo, por ser direito previsto na Lei 9.718/98; c) Caso não seja acatado o pedido de insubsistência acima pleiteado no item "a", por não ser este o entendimento desta Seção de Julgamento, requer seja aplicado aos valores declarados nas declarações de compensações somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade juros de mora, Multa Isolada, Multa), nos termos do art.63 e seguintes, da Lei 9.430/96; d) Seja os créditos aqui discutidos nos termos do inciso III, do Art.151, do Código tributário Nacional e §11°, art.74, da Lei 9.430/96, considerado com exigibilidade suspensa; e) Por fim, requerse a análise através do próprio banco de dados da Receita Federal do Brasil, das DIPJs entregues pela notificada nos períodos de 1999 e 2000, por ter se passado mais de cinco anos da data de entrega de tais declarações, a notificada não possui mais a mencionada documentação. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 06960.93065.230704.1.3.043955 (fl.15), transmitido em 23/07/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372, Data de Arrecadação: 31/03/2000, Valor: R$ 1.947,30). Conforme o despacho decisório de fl.11, emitido em 09/05/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 17/06/2008(fls.01/10), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 07 25.014, de 29 de junho de 2011 (fls.86/88) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A Recorrente alega que tal entendimento não merece prosperar porque o DARF informado tem origem em pagamento indevido ou a maior, pois à época de seu pagamento havia benefício expresso em lei que lhe garantia a utilização de 1/3 da Cofins com a CSLL apurada no trimestre. O art. 8° da Lei n° 9.718, de 1998, permitia ao contribuinte compensar, com a CSLL, um terço da COFINS devida sobre o faturamento, vejamos: Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COF1NS. § 1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. § 2° A compensação referida no § 1°: I somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900808/200886 Acórdão n.º 1802001.767 S1TE02 Fl. 4 5 II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COF1NS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4° A parcela da COF1NS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Ressaltese que a possibilidade da pretendida compensação alcançava valores pagos de COFINS até o ano de 1999, com débitos de CSLL daquele mesmo ano (Lei n° 9.718/98, art. 8°, § 2°, inciso I), haja vista que o dispositivo legal citado pela Recorrente foi revogado a partir de 01 de janeiro de 2000. Após sucessivas reedições da Medida Provisória originalmente editada, a revogação encontrase no art. 93 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a seguir: Art. 93. Ficam revogados: ... III a partir de 1º de janeiro de 2000, os §§ 1° a 4° do art. 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998; ... A questão dos autos remetese ao ano calendário de 2000, portanto, o beneficio invocado pela contribuinte não pode alcançar eventual pagamento a maior a titulo de CSLL relativo a período de apuração do ano calendário de 2000, nos moldes em que pretendido. Como se vê, na DIPJ/2001, Ficha 18A – Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls.51/52) não há sequer menção à dedução de “um terço da COFINS devida sobre o faturamento”. Assim, não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, relativo a período de apuração do anocalendário de 2000, quando a lei que concedia o benefício de dedução da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, já se encontrava revogada por expressa disposição legal desde 1º de janeiro de 2000. Ressaltese que, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento, pela autoridade administrativa, de crédito do contribuinte na Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Com efeito, não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada. A Recorrente pede a suspensão da exigibilidade dos créditos, objeto do PERDCOMP, nos termos do inciso III, do Art.151, do Código tributário Nacional e §11°, art.74, da Lei 9.430/96. Registrese que, o recurso voluntário interposto no processo que trata de PER/DCOMP indeferido segue o rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972, conforme determinado no § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, de sorte que, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário indevidamente compensado, enquadrase no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. A Recorrente requer que, caso seja negada a compensação pleiteada, seja aplicado ao débito declarado no PER/DCOMP somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade juros de mora, Multa Isolada, Multa, nos termos do art.63 e seguintes, da Lei 9.430/96. Sobre os débitos, temse como esclarecedora a decisão recorrida que tratou o assunto nos seguintes termos: Já com relação à alegação final de que não seja acrescida qualquer penalidade aos valores declarados no PER/DCOMP, de se dizer apenas que os acréscimos moratórios (juros e multa) são legalmente previstos, não havendo como afastálos se os débitos não foram pagos/compensados em suas datas de vencimento. Nesse sentido, assim dispõe o vigente art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900808/200886 Acórdão n.º 1802001.767 S1TE02 Fl. 5 7 § 2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Desse modo, os débitos tributários não pagos devem ser exigidos pela autoridade administrativa com os acréscimos legais previstos na legislação tributária. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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