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Numero do processo: 10209.000640/2004-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 05 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3101-000.079
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiros Tarásio Campelo Borges e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 19647.013210/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.212
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros WALBER JOSE DA SILVA (PRESIDENTE), JOSE ANTONIO FRANCISCO, FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, ALEXANDRE GOMES, JOSE EVANDE CARVALHO ARAÚJO, GILENO GURJÃO BARRETO. Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19647.013210/200511 Resolução n.º 3302000.212 S3C3T2 Fl. 2.379 2 Tratase de Auto de Infração para cobrança de IPI (fl. 05/48), derivado da glosa de créditos contabilizados pela Recorrente e questionados pela Fiscalização. Promovida a glosa e a consequente reconstituição do saldo credor do IPI, constatouse um débito do imposto, que foi objeto de lançamento. O Relatório da Fiscalização (fls. 072/85) esclarece que foi realizada a glosa de créditos (i) relativo a produtos que não se enquadram no conceito de insumo (seja porque seriam considerados ativo e/ou materiais de uso e consumo, seja porque na produção agrícola – da cana de açúcar, no caso não se pode falar em insumos de industrialização); (ii) créditos que deveriam ser estornados, por se referirem à produção de aguardente, que diante da saída com suspensão do imposto, teria de gerar o estorno dos créditos correspondentes, conforme previsão legal; (iii) estorno relativo a créditos que são objeto do Pedido de Ressarcimento (Processo nº 13407.000040/200209), no qual ainda não havia sido autorizado o ressarcimento de valor algum e que, portanto, estariam sendo objeto de creditamento e pedido de ressarcimento simultaneamente; e (iv) créditos derivados da aquisição de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. A Fiscalização promoveu a reconstituição da escrita fiscal da Recorrente, no período, e concluiu pela necessidade do lançamento dos valores de IPI que não poderiam ser considerado quitados, pois utilizados créditos supostamente indevidos (a planilha de reconstituição do saldo encontrase às fls. 49/71). É mencionada, também no Relatório da Fiscalização, a existência de um mandado de segurança impetrado pela Recorrente visando o reconhecimento de seu direito ao crédito extemporâneo de créditos derivados da aquisição de insumos isentos, não tributados e/ou sujeitos à alíquota zero do imposto. A ação judicial teria tido sentença favorável, porém seus efeitos estariam suspensos por uma medida de suspensão da segurança – ajuizada pela Fazenda Nacional, bem como em virtude do provimento do Recurso de Apelação apresentado pela União. Intimada do lançamento a Recorrente apresentou sua Impugnação ao lançamento (fls. 2.303/2.317), na qual alega que a glosa promovida pela Fiscalização ofende o princípio da não cumulatividade. Especialmente em relação à questão da atividade de cultivo de canadeaçúcar a Recorrente afirma que é ilegal considerar que a fase de cultivo não faz parte da produção de seus produtos, pois seu processo produtivo não pode ser dissociado, como se apenas a fase de entrega do produto final fosse considerada industrialização, já que, o cultivo é fase essencial, pois sem ele não haveria produção ou industrialização. Enumera, ainda, uma série de notas fiscais de entrada, em relação às quais houve glosa dos créditos, e com a qual não concorda, vez que tratam de aquisições de produtos que são considerados matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, efetivamente utilizados na industrialização e, alguns, com desgaste efetivo quando em contato com o produto industrializado. A Recorrente indica que, consideradas tais aquisições, ainda que se admitisse as demais glosas promovidas, o valor do auto de infração seria inferior (conforme quadro acostado à defesa). Em relação a este valor remanescente, que a Recorrente admitiria ser devido, promoveu seu pagamento por meio de compensação, com vistas a sua manutenção no REFIS ao qual havia aderido. Requereu, ainda, a realização de perícia, mormente para se determinar, diante do pagamento efetuado, qual seria o montante ainda passível de cobrança nos autos. Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19647.013210/200511 Resolução n.º 3302000.212 S3C3T2 Fl. 2.380 3 A DRJ não conheceu da Impugnação (fls. 2.334/2.340), por entender que se trata de matéria objeto de ação judicial – concomitante, portanto – o que impediria sua análise na esfera administrativa, motivo pelo qual deveria ser aguardada decisão final da esfera judicial para então serem tomadas as providências cabíveis. Entendeu, ainda, ser desnecessária a perícia solicitada pela Recorrente, por entender se tratar de matéria já conhecida na jurisprudência administrativa, não havendo dúvidas quanto aos fatos relacionados ao processo. Aduziu que em processo da mesma Recorrente, tratando também de créditos de IPI, aquela Turma já havia entendido que na atividade de cultivo de canadeaçúcar não se confunde com industrialização, razão pela qual não há direito a crédito de IPI sobre diversas aquisições, pois não podem ser consideradas aquisições de insumos. O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte (fls. 2.344/2.356) insurge se contra a decisão da DRJ, especialmente em relação à decisão de não autorizar a perícia, pois entende que é necessário esclarecer que tipo de produto é utilizado no cultivo canavieiro, possibilitando seu tratamento como insumo, inclusive em relação a produtos que se desgastam e entram em contato com o produto industrializado. No mais, reitera os argumentos trazidos em sua Impugnação. Vieramme, então, os autos para decisão. É o relatório. Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. Conforme relatado, a controvérsia se dá em relação à contabilização de uma série de créditos de IPI, que foram glosados pela Fiscalização e, na reconstituição do saldo credor da empresa, geraram um débito do imposto, objeto do lançamento ora sob discussão. Cabe, portanto, analisar a legalidade das glosas efetuadas, para determinar se o auto de infração deve ou não ser mantido. São várias as razões das glosas realizadas, dentre elas o entendimento do Fisco de que produtos utilizados na lavoura da canadeaçúcar não poderiam ser considerados insumos, pois não se trata de processo produtivo gerador de créditos de IPI. Outra parte da glosa se refere a produtos que foram considerados como integrantes do ativo da empresa, razão pela qual não dariam direito ao crédito. Uma terceira parte da glosa referese a produtos que foram classificados pelo Fisco como material de uso e consumo, os quais não dariam direito ao crédito. No entanto, embora a Fiscalização diferencie estes três tipos de créditos – dentre os que foram objeto de glosa – não esclarece detalhadamente que tipo de produto classificou como sendo de utilização na lavoura, ativo e/ou material de uso e consumo. Não há nos autos esclarecimentos específicos quanto à maneira de utilização de cada um dos produtos cujo crédito foi glosado, sob as alegações em comento. Desta feita, e em especial porque entendo que a questão do direito ao crédito vai além da simples classificação dos produtos como sendo de ativo, uso e consumo, ou utilização em lavoura, acredito que é necessária uma análise específica e mais aprofundada a respeito da forma de utilização de cada um dos produtos, no processo de produção do contribuinte, para Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19647.013210/200511 Resolução n.º 3302000.212 S3C3T2 Fl. 2.381 4 que só então seja possível afirmar se tal produto pode ou não ser considerado um insumo de sua produção. Neste sentido, voto em converter o presente julgamento em diligência para que sejam prestados alguns esclarecimentos essenciais à adequada análise da controvérsia, devendo ser prestados os seguintes esclarecimentos: (i) intimar a Recorrente para indicar: (i.a) por meio da elaboração de planilha, os insumos que foram utilizados em sua lavoura, e que foram objeto de glosa nestes autos, indicando, em ordem cronológica e com apontamento das datas, as respectivas notas fiscais; (i.b) esclarecer quais bens foram ativados, com suporte nos registros contábeis; (i.c) adicionalmente, a Recorrente deve apresentar esclarecimentos quanto à utilização e finalidade de cada um dos insumos (ou grupos de insumos) objeto da glosa, também com a correspondente indicação das notas fiscais, quando necessário, ou seja, quando sua própria descrição já não for suficiente para esclarecer sua funcionalidade; (ii) recebida a manifestação do contribuinte deverá o agente administrativo competente: (ii.a.) analisar as informações apresentadas pelo contribuinte, atestandoas, bem como apresentando os eventuais comentários que entender pertinentes; (ii.b.) elaborar planilha indicando, em ordem cronológica e com indicação de datas, quais bens foram considerados como sendo material de uso e consumo, e que por isso tiveram os respectivos créditos glosados, informando, ainda, se algum foi ativado; (ii.c.) elaborar planilha indicando, em ordem cronológica e com indicação das datas, quais bens foram considerados com sendo ativo, o que ocasionou a glosa dos créditos sobre as respectivas aquisições, bem como, esclarecendo se tais bens estavam, de fato, contabilizados no ativo da Recorrente. Considerando a complexidade das informações a Recorrente deve ser intimada a apresentar suas considerações no prazo de até 30 dias. Após a juntada de todas as informações solicitadas, os autos devem retornar a este Conselho, para seu adequado julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 35097.000674/2007-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998
NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. PRAZO. DESCUMPRIMENTO.
Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.
O recurso especial do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data da ciência da decisão.
No presente caso, a protocolização do recurso especial extrapolou, um muito, o prazo determinado, motivo de seu mão conhecimento.
Numero da decisão: 9202-003.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Declararam-se impedidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gustavo Lian Haddad.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente - na data da formalização
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. O recurso especial do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data da ciência da decisão. No presente caso, a protocolização do recurso especial extrapolou, um muito, o prazo determinado, motivo de seu mão conhecimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Declararam-se impedidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gustavo Lian Haddad. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente - na data da formalização (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35097.000674/200741 Recurso nº 999.999 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.394 – 2ª Turma Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente ARCELORMITTAL INOX BRASIL S.A. Interessado PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA ANCIONAL (PGFN) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. O recurso especial do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data da ciência da decisão. No presente caso, a protocolização do recurso especial extrapolou, um muito, o prazo determinado, motivo de seu mão conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Declararamse impedidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gustavo Lian Haddad. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 09 7. 00 06 74 /2 00 7- 41 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 35097.000674/200741 Acórdão n.º 9202003.394 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0238, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão, fls. 0164, que decidiu negar provimento a seu recurso, nos seguinte termos: EMENTA: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA— CUSTEIO —AFERIÇÃO INDIRETA DECADÊNCIA RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. A fundamentação legal da aferição indireta inserida no relatório fiscal é suficiente para proporcionar a ampla defesa a empresa. A Previdência Social possui o prazo de dez anos para, constatado o atraso do pagamento total ou parcial das contribuições, constituir seus créditos por intermédio de NFLD, de acordo com o art. 45, da Lei 8.212/91. A empresa responde solidariamente com a contratada pelas contribuições previdenciárias decorrentes da prestação de serviços. A falta do cumprimento dos requisitos dispostos na legislação como necessários a elisão da responsabilidade solidaria enseja o lançamento do débito. CONHECIDO — IMPROVIDO. Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre aplicação de regra decadencial do CTN, em detrimento da regra expressa na Lei 8.212/1991. Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que: 1. Há decisões divergentes, em relação à decisão expressa no acórdão recorrido; 2. Deve ser aplicada a regra decadencial expressa no CTN, e não na Lei 8.212/1991; 3. A ausência de fundamentação legal gera nulidade absoluta do lançamento; 4. Solicita e espera o acolhimento e provimento de seu recurso. Por despacho deuse seguimento parcial ao recurso, somente para a questão da decadência. A Presidência do CARF analisou o despacho sobre o seguimento parcial do recurso e manteve seu entendimento. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Portanto, a única matéria em análise referese a divergência de entendimento sobre o diploma legal a ser aplicado na questão da decadência. A PGFN apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que o recurso não deve ser conhecido e, caso seja, que se aplique a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 35097.000674/200741 Acórdão n.º 9202003.394 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto á admissibilidade, há questão a ser verificada. O sujeito passivo, devidamente intimado sobre o acórdão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), apresentou pedido de revisão (PR), fls. 0177, em 26/03/2007, recurso previsto no processo administrativo das contribuições previdenciárias, na época, pelo Regimento Interno do CRPS (RICRPS). RICRPS: Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de ofício ou a pedido, suas decisões quando: I – violarem literal disposição de lei ou decreto; II – divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do AdvogadoGeral da União, na forma da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; III depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; IV – for constatado vício insanável. § 1º Considerase vício insanável, entre outros: I – o voto de conselheiro impedido ou incompetente, bem como condenado, por sentença judicial transitada em julgado, por crime de prevaricação, concussão ou corrupção passiva, diretamente relacionado à matéria submetida ao julgamento do colegiado; II – a fundamentação baseada em prova obtida por meios ilícitos ou cuja falsidade tenha sido apurada em processo judicial; III – o julgamento de matéria diversa da contida nos autos; IV – a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua conclusão. Ainda no regramento anterior, a autoridade preparadora emitiu contra razões a esse pleito do sujeito passivo, fls. 0205. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Já no Conselho de Contribuintes, fls. 0225, o Presidente da Quinta Câmara, proferiu despacho negando seguimento do PR. Cientificado do despacho citado acima, em 23/04/2008, fls. 0234, o sujeito passivo apresentou tempestivamente, 08/05/2008, recurso especial, fls. 0238. Ocorre que o PR não interrompe os prazos para interposição de outros recursos. Portanto, a interposição de recurso especial extrapolou, em muito, o prazo para sua interposição. Ressaltese que a recorrente poderia ter ingressado com pleito de uniformização de jurisprudência, que existia no CRPS, mas também não o fez. Assim pela preclusão temporal, não conheço do recurso. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10494.000485/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 28/08/2008
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO.
Aplica-se a multa da alínea "c" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei nº 37/66, uma vez demonstrado que, ao impedir a entrada de fiscais da Receita Federal do Brasil, devidamente identificados e com mandado de procedimento fiscal, o interessado obstou a fiscalização.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3102-00.756
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10494.000485/2008-46 Recurso n" 503.728 Voluntário Acórdão n° 3102-00.756 — 1' Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2010 Matéria Multa diversa Recorrente DHL EXPRESS BRAZIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/08/2008 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Aplica-se a multa da alínea "c" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei IV 37/66, uma vez demonstrado que, ao impedir a entrada de fiscais da Receita Federal do Brasil, devidamente identificados e com mandado de procedimento fiscal, o interessado obstou a fiscalização. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Lui.Mláfcelo Guerra de Castro - Presidente Be riz Veríssimo de Sena - Relatora EDITADO EM: 30/09/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Helder Massaaki Kanamaru, Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para lançamento de multa por embaraço à fiscalização, prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei n° 37/66, com a redação dada pelo art, 77 da Lei n° 10.833/03. De acordo com o auto de infração, o Interessado impediu a pronta entrada da autoridade fiscal em suas dependências, mesmo após a devida identificação e apresentação do Mandado de Procedimento Fiscal. Transcreve-se parte do auto de infração, para melhor ilustrar a lide (ff 1): Os Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, que lavram o presente, estiveram no estabelecimento do contribuinte acima identificado amparados pelo Mandado de - Procedimento Fiscal — Diligência 1015400-2008-00077-8, código de acesso 93790871, ao chegar no mesmo às 09 horas do dia 28/08/08, foram atendido; no portão de entrada pelo sr, MA.RCIO LUZ VIEIRA, CPF 902,058.470-72, Supervisor de Filial, momento em que prontamente se identificaram apresentando suas Identidades Funcionais, benz como forneceram o código de acesso ao MPF acima, citado, mas o responsável pelo estabelecimento supramencionado solicitou que . fosse aguardado pela fiscalização sem, contato com a empresa em São Paulo, para ver se autorizaria a entrada. Já devidamente identificada, inclusive com coletes/jalecos/brasões/carro oficial, a ,fiscalização explicou que deveria ser franqueado acesso ao estabelecimento de acordo com legislação federal em vigor, na medida em que já houvera a devida apresentação de suas identificações funcionais e ainda aguardou que fosse verificado na hiternet pela empresa a confirmação do Mandado de Procedimento Fiscal, através de seu código de acesso, tudo isso de forma reiterada, Mas nada disso bastou, o responsável pelo estabelecimento insistiu que era uma orientação da matriz (estava em contato via telefone), e .foi irredutível, não franqueando o estabelecimento para a diligência a ser efetuada, oferecendo um EMBARAÇO, IMPEDINDO A AÇÃO DA FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA, já que a .fiscalização teve de ficar do lado de fora do estabelecimento. em via de grande circulação de veículos, com o carro oficial e mais dois carros particulares. Foi requisitada pela fiscalização a força policial federal para auxiliar na entrada ao estabelecimento. Mas antes de sua chegada .foi franqueado o acesso. Ressalte-se que isso ocorreu APÓS NÃO MENOS DO QUE UMA HORA E TRINTA MINUTOS DA CHEGADA DA FISCALIZAÇÃO., Processo n° 10494,000485/2008-46 53 -C1T2 Acórdão n 3102-00.756 El 2 Saliente-se que, sequer pode ser alegado pelo estabelecimento qualquer surpresa ou desconfiança acerca da operação que seria efetuada, já que na véspera (27/08/08) os mesmos Auditores-Fiscais estiveram no estabelecimento e trataram com o mesmo Sr,, Mareio Luz Vieira (ocasião em que ingressaram normalmente no estabelecimento, mediante a apresentação de suas identificações fincionais) ai agendando para a data de hoje, 28/08/08, esta diligência. Cientificado da lavratura do auto de infração, o Contribuinte apresentou impugnação, na qual alegou, em síntese, que os auditores fiscais não estavam uniformizados, identificados ou em carro oficial. Por não estarem identificados, o Contribuinte valeu-se de sua prerrogativa de conferir as informações do Mandado de Procedimento Fiscal antes de permitir a entrada dos servidores da Receita Federal, o que teria ocorrido. Examinando os autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento, por entender que houve, de fato, embaraço à fiscalização, dado que depreende-se tanto da impugnação quanto do auto de infração que os auditores fiscais não tiveram o pronto acesso às dependências da empresa, não obstante estarem portando Mandado de Procedimento Fiscal, Contra a decisão da DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reiterou os argumentos já expostos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatara Corno bem coloca a DRJ, as partes admitem que no dia 28/08/2008, em cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, a fiscalização aduaneira esteve nas dependências da Recorrente a fim de proceder a coleta de documentos, Contudo, a fiscalização não entrou imediatamente no estabelecimento da empresa, espetando do lado de fora do portão. As partes divergem, apenas, quanto ao tempo de espera no portão da empresa: a fiscalização alega que foi urna hora e meia de espera, ao passo que a empresa afirma que foram quarenta minutos, O artigo 18 do Regulamento Aduaneiro vigente (Decreto IV 4.543/ 002) previa a obrigação do contribuinte e o direito da fiscalização de exame de documentos e mercadorias nos estabelecimentos a fim de se proceder às atividades de fiscalização, in verbis: Art. 18, As pessoas físicas ou jurídicas exibirão aos Auditores- Fiscais da Receita Federal, sempre que exigidos as mercadorias, livros das escritas fiscal e geral, documentos mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, e todos os documentos, em uso ou .já arquivados, que forem julgados necessários à ,fiscalização, e lhes franquearão os seus estabelecimentos, depósitos e dependências, bem assim veículos, cofies e outros móveis, a qualquer hora do dia, ou da noite, se à noite os estabelecimentos estiverem funcionando Parágrafo único, As pessoas .físicas ou jurídicas, usuárias de sistema de processamento de dados, deverão manter documentação técnica completa e atualizada do sistema suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada No mesmo sentido encontra-se o art. 94 da Lei n°4.502/1964: Art. 94. A . fiscalização será exercida sobre todas as pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não que forem sujeitos passivos de obrigações tributárias previstas na legislação do imposto de consumo, inclusive sobre as que gozarem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal, Parágrafo único.. As pessoas a que se refere este artigo exibirão aos agentes .fiscalizadores, sempre que exigido, os produtos, os livros fiscais e comerciais e todos os documentos ou papéis, em uso ou . já arquivados, que forem julgados necessários à fiscalização e lhes _franquearão os seus estabelecimentos, depósitos, dependências e móveis, a qualquer hora do dia ou da noite, se à noite estiverem funcionando, Seja qual tiver sido o tempo de espera dos agentes — uma hora e meia ou quarenta minutos — é certo que a fiscalização não teve franqueado o livre e imediato acesso aos documentos a fiscalizar, Pelo contrário, a empresa dificultou o acesso da fiscalização, que teve que aguardar e insistir para adentrar nas dependências da empresa. Os fatos descritos coadunam-se com a infração tipificada na alínea "c" do art, 107 do Decreto-Lei n° 37/66. A conduta descrita na alínea "c" consiste em "embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Trata-se, portanto, de previsão de aplicação de multa pelo silêncio, incorreção ou atraso na apresentação de resposta à procedimento fiscal em matéria aduaneira, seja qual for a natureza dos esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal, O art, 107, inciso IV, encontra-se assim redigido: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a) por ponto percentual que ultrapasse a margem de 5% (cinco por cento), na diferença de peso apurada em relação ao manifesto de carga a granel apresentado pelo transportador marítimo, fluvial ou lacustre; b) por mês-calendário, a quem não apresentar à . fiscalização os documentos relativos à operação que realizar ou em que intervier, bem como outros documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal, ou não mantiver os correspondentes arquivos em boa guarda e ordem; eatriz Veríssimo de Sena Processo n° 10494.000485/2008-46 53-C1T2 Acórciao n 3102-00.756 Fl. 3 c) a quem, por qualquer meio ou forma, ontissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de ,fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento .fiscal; d) a quem promover a saída de veículo de local ou recinto sob controle aduaneiro, sem autorização prévia da autoridade aduaneira; e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e J) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuá rio; (,.) (destacou-se) Uma vez adequada a descrição e o enquadramento legal conferidos à hipótese, bem corno provada a prática da conduta prevista no art. 107, IV, c, do Decreto-Lei rit) 37/66, deve ser mantido o lançamento. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. 5
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001942/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/12/1997 a 31/03/1998
IPI. REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO.
É nulo o auto de infração, com fundamento no art. 146 CTN, quando os resultados de diligência alteram o fundamentos iniciais, nos quais se estribaram o auto de infração.
Numero da decisão: 3201-001.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudino.
Fez sustentação oral Dr Luiz Roberto Peroba.
Joel Miyazaki - Presidente.
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 20/12/1997 a 31/03/1998 IPI. REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. É nulo o auto de infração, com fundamento no art. 146 CTN, quando os resultados de diligência alteram o fundamentos iniciais, nos quais se estribaram o auto de infração.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/12/1997 a 31/03/1998 IPI. REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. É nulo o auto de infração, com fundamento no art. 146 CTN, quando os resultados de diligência alteram o fundamentos iniciais, nos quais se estribaram o auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudino. Fez sustentação oral Dr Luiz Roberto Peroba. Joel Miyazaki Presidente. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 42 /2 00 2- 11 Fl. 6052DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório Referese o presente processo administrativo a auto de infração para a cobrança de IPI, e seus respectivos consectários legais, referente aos períodos de apuração de 20/12/1997 a 31/03/1998. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls 1663/1669, por falta de lançamento e recolhimento do IPI, em razão de o contribuinte ter dado saída de produtos tributados destinados à empresa interdependente (AVON COSMÉTICOS LTDA CNPJ 56.991.441/000157), calculando o imposto sem observar o valor tributável mínimo, nos termos dos artigos 123I e 124 do RIPI/98 (artigo 68, inciso I, alínea “a”, do RIPI/82), bem como por ter promovido a saída de seus produtos com alíquotas menores que as estabelecidas pela TIPI, conforme Termo de Constatação de fls.1654/ 1658, que se reporta ao relatório fiscal de fls. 1530/1573. Consta do referido Termo que a fiscalizada teria subfaturado suas vendas em 1997 e 1998, reduzindo a base de cálculo do IPI, faturando primeiramente contra a sua controladora, a Avon Cosméticos Ltda, empresa não contribuinte do IPI, a qual comprava os produtos bem abaixo do preço praticado no mercado atacadista e, na condição de atacadista, revendia os produtos pelo preço de mercado, ganhando o Grupo Avon, com isso, a diferença do IPI que seria pago pela indústria (Avon Industrial), dessa forma, estaria caracterizado que o contribuinte deu saída de produtos tributados, destinados a empresa interdependente (AVON COSMÉTICOS LTDA CNPJ 56.991.441/000157), calculando o imposto sem observar o valor tributável mínimo, nos termos do artigo 68, inciso I, alínea “a”, do RIPI/82. Também esta consignado no supracitado Relatório Fiscal, à fl. 1571, as planilhas e demonstrativos que fundamentam a constatação de operações com erro de alíquota. Enfim, o valor do IPI devido foi consolidado na planilha de fls. 1574/1652. Assim, de acordo com a capitulação legal de fl. 1655 e demonstrativos de fls. 1657 e 1658, foi constituído o crédito tributário montante em R$ l03.682.510,47, inclusos juros de mora e multa de oficio (75%), relativo ao período em destaque. Tempestivamente foi apresentada a impugnação de fls. 1671/1696, acompanhada dos documentos de fls. 1697/1831, onde o contribuinte alega, basicamente, que, com relação ao item 001, embora a AVON COSMÉTICOS concentrasse na praça de São Paulo suas atividades administrativas, tais como: Finanças, Recursos humanos, Marketing,Comunicação, Jurídico, Sistemas, os atos efetivamente operacionais de comercialização e distribuição de produtos, tais como: recebimento de mercadorias adquiridas da AVON INDUSTRIAL e de terceiros, recebimento e processamento de pedidos das Fl. 6053DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 3201001.912 S3C2T1 Fl. 2.223 3 revendedoras, a separação desses pedidos, embalagem de mercadorias, encaixotamento de pedidos, expedição de produtos para as Revendedoras, emissão das notas fiscais, etc, seriam realizados na praça de Osasco, SP, bem como no centro de distribuição de Maracanaú, Ceará. Portanto, a fiscalização teria tomado como valor tributável mínimo aquele praticado pelo destinatário, em praça diversa daquela em que localizado o remetente, ao contrário do disposto no artigo 68, inciso I, alínea “a”, do RIPI/82, e nos PN CST 12/70 e 89/70. Ainda neste item, afirma ser impossível a determinação do preço corrente com base na média ponderada, conforme estabelecido pelo parágrafo 5°, do artigo 68, do RIPI/82, e segundo seu entendimento sobre o disposto no PN CST n° 44/81 e no AD CST 05/82, pois, o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente seria igual àquele praticado pela autuada nas suas vendas para a AVON COSMÉTICOS, na medida que o universo de venda de suas mercadorias, perfeitamente caracterizadas por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número, se houver, estaria restrito, na praça de São Paulo, a vendas realizadas para este estabelecimento, não tendo ocorrido vendas para outras empresas. Além disso, a fiscalização teria se equivocado na apuração do imposto, uma vez que as classificações fiscais adotadas seriam diversas daquela seguida pela Autuada, o que teria implicado na adoção de alíquotas indevidamente majoradas. Quanto ao item 002, afirma que as alíquotas do IPI, aplicadas em relação aos produtos saídos do estabelecimento da autuada estão corretas, porquanto teria observado a legislação vigente na data de ocorrência dos fatos geradores, ou seja, a TIPI/96 com suas respectivas alterações. Diante disso a 2a turma da DRJ/RPO converteu o processo em diligência, conforme a Resolução de fls. 1836/1838 para que as seguintes providências: 1. Confirmar se as atividades, efetivamente operacionais de comercialização e distribuição de produtos, efetuadas pela AVON COSMETICOS LTDA são realizadas nas praças de Osasco, SP, e Maracanaú, Ceará. 2. Pesquisar no mercado atacadista da praça do município de São Paulo se o universo de venda dos produtos relacionados no Auto de Infração, devidamente caracterizados por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número, se houver, estaria restrito às vendas realizadas pela AVON INDUSTRIAL LTDA, ou se outros estabelecimentos atacadistas da mesma praça atuam no mesmo ramo empresarial com a mesma espécie de mercadorias. 3. Caso o mercado atacadista dos indigitados produtos na praça de São Paulo não se restrinja às vendas praticadas pela AVON INDUSTRIAL LTDA, a fiscalização deverá efetuar o levantamento do preço corrente no mercado atacadista do referido município, nos termos do parágrafo 5°, do artigo 68, do RIPI/82, do PN CST n° 44/81 e do AD CST 05/82. Fl. 6054DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 4. Os eventuais demonstrativos resultantes da providência anterior deverão estar acompanhados de Informação Fiscal que esclareça a metodologia empregada. Encerrada tal providência, o contribuinte deverá ser intimado a se manifestar quanto aos resultados obtidos. 5. Ainda com relação às providências do item 3, superadas, se necessário, eventuais incorreções ou omissões que o contribuinte, quiçá, possa apontar nos demonstrativos efetuados, a fiscalização deverá confrontar a base de cálculo do IPI utilizada pela AVON INDUSTRIAL LTDA com o valor tributável mínimo legalmente determinado, apontando as diferenças que possam existir. 6. Demonstrar se no cálculo do IPI lançado, tanto no item 001 como no item 02 do Auto de Infração, foi observada a classificação fiscal adotada pelo contribuinte em suas notas fiscais e se as alíquotas aplicadas estão de acordo com legislação vigente na data de ocorrência dos fatos geradores, de acordo com a TIPI/96 e suas respectivas alterações. 7. Caso das diligências realizadas resultem alterações no crédito tributário lançado, deverá a fiscalização elaborar os devidos demonstrativos e Relatório Fiscal, intimando o contribuinte a manifestar, nos termos da legislação. Ao retomar da referida diligência o contribuinte, em sua manifestação, afirmou que a diligência equivalia a novo lançamento sobre período já decaído, porque houve alteração do critério jurídico, e que reclassificação dos produtos teria sido feita apenas com base num documento interno chamado “Cadastro de Produtos”, e não nas notas fiscais como determinado pela autoridade julgadora, o qual só teria sido apresentado em outro processo, sendo que a média ponderada dos preços dos produtos que compunham o mercado atacadista da praça do remetente foi calculada com os preços praticados no mesmo período de dezembro de 1997 a março de 1997, ou seja, no mesmo período em que ocorreram as saídas do estabelecimento remetente, sendo que o parágrafo 5°, do artigo 68, do RIPI/82, dispõe que: §5 ° Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I, II e IV, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. (Grifei) Conseqüentemente, novamente o processo baixou em diligência para que fosse recalculado o valor do IPI em discussão nos termos da legislação. Retomou o presente com a Relatório Fiscal de fis. 4959/4973, na qual se informa, em síntese, que: 1) Foi revisada a apuração das saídas com erro de classificação fiscal, a qual teve como origem o “Cadastro de Produtos” fornecido durante a fiscalização que gerou o lançamento em lide, conforme consta às fls. 3241 a 3312 e se confirma nas fls. 62, 91 a 95, 105 e 321 a 423. Da revisão constatouse equívocos Fl. 6055DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 3201001.912 S3C2T1 Fl. 2.224 5 no levantamento original e foi proposta a redução deste item do Auto de Infração em R$ 58.887,18, conforme demonstrativo de fl. 4970; Com relação ao valor tributável mínimo, não foi possível, pelo tempo decorrido entre os fatos geradores e a diligência, levantar os valores de mercado a serem utilizados no cálculo do IPI relativo ao período de dezembro de 1997. Para os demais períodos foi efetuada a revisão, com a proposta de redução deste item do Auto de Infração em R$11.337.696,66. Intimado a se manifestar o contribuinte alegou, basicamente, que reitera o já dito na impugnação e na manifestação sobre a primeira diligência, acrescentando que a própria fiscalização confessou incapaz de apurar os valores de mercado a serem aplicados no mês de dezembro de 1997, o que já implicaria na exclusão do crédito tributário relativo a esse período e encerrou enfatizando, mais uma vez, que a diligência e seus resultados tentam emendar, corrigir, alterar a descrição dos fatos e a fundamentação legal constantes no auto original, especialmente o critério jurídico, para determinação da base de cálculo, em flagrante violação de disposição expressa em lei, tomando a peça acusatória insubsistente e nula. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/12/1997 a 31/03/1998 DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DE NOVO CREDITO TRIBUTARIO. DECADENCIA. AFASTADA. Inexistiu no curso da diligência o ato jurídico administrativo de constituição de novo crédito tributário disposto no art. 142 do CTN, por conseguinte, afastase a ocorrência da decadência. DILIGÊNCIA. AGRAVAMENTO. INOVAÇÃO ou ALTERAÇÃO DA FUNDAMENTAÇAO LEGAL. INEXISTENCIA. Não há que se falar em lavratura do auto de infração complementar ou novo, se a diligência realizada não resultou em agravamento da exigência inicial, nem em inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência. DILIGÊNÇIA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTENCIA. Incabivel a argüição de mudança de critério juridico prevista no art. 146 do CTN, se a diligência resultou em mero procedimento revisional do cálculo do crédito tributário, nos termos da legislação aplicável, mormente se disso resultou a redução do valor lançado. Fl. 6056DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 FALTA DE LANÇAMENTO E RECOLHIMENTO DO IPI. Provado que o contribuinte injustificadamente alterava a classificação fiscal de seus produtos, correto é o lançamento de oficio das diferenças apuradas com a devida reclassificação fiscal. IPI VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO Verificado o enquadramento do contribuinte na prática determinada pelo artigo 68, I, "a", e obedecido o critério determinado pelo seu § 5° para a determinação da base de cálculo, fundamentada a autuação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão recorrida temse que : i. rechaçouse o argumento da tentativa de dificultar a defesa, no que tange à juntada dos relatórios e documentos da ação fiscal relativa ao IRPJ, que motivaram a específica e diferenciada fiscalização do IPI; ii. a realização de diligências, por si só, não se enquadraria como alteração de critério jurídico, pois, só a partir do momento que o julgador adote, total ou parcialmente, tais resultados, é que poderia existir, eventualmente, tal argüição; iii. o procedimento revisional do presente lançamento foi provocado exatamente pelo afirmado pela contribuinte, ou seja, que teria ocorrido erro de fato na reclassificação fiscal (alíquotas erradas e/ou diferentes para um mesmo produto) e no valor tributável mínimo, na medida que se tomou o preço corrente na praça do destinatário e não do remetente, bem como erro de direito ao afirmar que seria impossível a aplicação da legislação que fundamentou o lançamento, pela impossibilidade de determinação do preço corrente com base na média ponderada; iv. com relação à reclassificação fiscal efetuada, vale recordar que a fiscalizada atrasou em até nove meses a entrega de arquivos magnéticos que deveriam estar disponíveis à fiscalização, entregou arquivos com dados inconsistentes e deixou de entregar alguns, o que impediu a utilização do programa próprio para análise destes dados, qual seja, o AUDITA NF, obrigando a fiscalização a empregar outros programas, como o Acess e o Excel, para compilação e integração dos dados e emissão de relatórios; v. o contribuinte foi intimado a apresentar os arquivos magnéticos contendo o Quadro Demonstrativo de Vendas, em cada decêndio de todos os meses dos anos de 1997 e 1998, dos 100 (cem) produtos mais vendidos a Avon Cosméticos, indicando a denominação, o código interno, o código da TIPI, a alíquota do IPI, o preço unitário médio de compra, o preço unitário médio de venda, a quantidade vendida e o total do IPI, que, contudo, não estavam de acordo com a Portaria COFINS n° 13/95; vi. nos primeiros arquivos entregues pela contribuinte não constava a “Descrição Complementar dos Produtos”, porém, que tal informação estava disponível na “Tabela XIV Cadastro de Produtos” e este documento a defesa quer que se considere ilegal; Fl. 6057DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 3201001.912 S3C2T1 Fl. 2.225 7 vi. confrontandose o documento fornecido pelo contribuinte cadastro interno com as notas fiscais de saídas a fiscalização, verificou que os mesmos produtos tiveram classificações fiscais diferentes, sempre resultando no emprego de uma alíquota menor que a prevista na classificação original, com a consequente redução do IPI; vii. “perfeitamente caracterizada”, no contexto do ADN CST n° 05/82, significa “perfeitamente identificada”, e não “perfeitamente idêntica”; viii. não se confunde o significado de: “o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente”, com “O valor tributável não poderá ser inferior ao preço praticado pelo remetente no mercado atacadista de sua praça”. ix. em nenhum momento o ADN CST n° 05/82 declara que o termo “produto”, constante do subitem 6.1 do Parecer Normativo CST n° 44/81, deve ser da mesma marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número, mas sim que este deve estar perfeitamente caracterizado e individualizado por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número; x. a planilha que resultou da segunda diligência está de acordo com o prescrito na legislação, pois contém os seguintes elementos: 78.1 A coluna “Categoria ” identificase 0 tipo de produto, 78.2 Na coluna “Descrição Complementar do Produto ” encontramos a marca, modelo, espécie e qualidade; xi. embora se argumente que não houve indicação de quais seriam as empresas que forneceram os preços que serviram de referência para o cálculo, por força do art.198 do CTN, as informações que a fiscalização obtém em razão do ofício estão sob sigilo fiscal, no caso em tela,o levantamento efetuado permitiria verificar a natureza e estados dos negócios ou atividades das empresas em questão, concorrentes da fiscalizada, conforme consignado nos autos, no caso elas estivessem identificadas; xii. não houve prejuízo para a defesa, pela falta de identificação dos comerciantes atacadistas que forneceram os preços praticados, mormente se isto não foi exigido pela legislação aplicável e constam as marcas dos produtos e identificação dos fabricantes; xiii. existe a declaração a termo da autoridade fiscal competente, que faz fé pública, de que o levantamento foi efetuado na praça de São Paulo não tendo a defesa apresentado qualquer prova, ou mesmo algum indício, de que as declarações prestadas pelos Auditores Fiscais não correspondessem à verdade, limitandose a levantar mera dúvida, é de concluir que o levantamento foi corretamente efetuado na cidade de São Paulo; xiv.os produtos foram agregados por tipo (categoria), constando o código do vendedor e a classificação fiscal com elementos subsidiários para a melhor identificação dos produtos relacionados nos demonstrativos., porque os produtos da Avon não estão perfeitamente caracterizados nos autos por marca, tipo, modelo, espécie e qualidade, conforme foi plenamente demonstrado nos 19515004943/200391 e 19515003405/200460, os quais foram citados na segunda manifestação da impugnante como análogos; xv.correta é alegação da defesa no sentido de que o IPI lançado nos decêndios de dezembro de 1997 devem ser excluídos do lançamento e que no primeiro Fl. 6058DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 decêndio de janeiro de 1998 foi obtido um valor maior que o lançado, portanto, para este período só pode remanescer o valor original. Em sede de recurso voluntário, reiterouse os argumentos anteriores, em síntese , alegandose que: i. o fundamento jurídico original da autuação, no curso do julgamento de primeira instância,especialmente por ocasião da realização da 1a e 2a diligências, determinadas pela 2° Turma de Julgamento da DRJ/ RPO, foi substancialmente alterado pela fiscalização, e aceito pela unidade julgadora, para estabelecer uma nova base de cálculo do tributo e um novo valor do crédito tributário; ii. não se está diante de um mero erro de fato, a possibilitar a revisão do lançamento, mas de substancial erro de direito, pois as alterações do critério jurídico ocorridas nestes autos não são decorrentes da interpretação da Administração sobre o sentido e alcance da expressão “mercado atacadista da praça do remetente”, contida nos dispositivos legais invocados na peça acusatória, que não admite a possibilidade de equiparação das expressões “praça do remetente” e “praça do destinatário”; iii. adotase os preços praticados pelo destinatário, localizado em outra praça (Cidade de Osasco), quando a lei expressamente determina sejam considerados os preços correntes na praça do remetente (a Recorrente, localizada na praça da Cidade de São Paulo); iv. o relatório de diligência e os novos levantamentos realizados, tanto quanto aos fatos como à fundamentação legal (critérios jurídico para a determinação da base de cálculo do tributo nas operações entre empresas interdependentes), descritos originalmente. na fase de constituição do crédito tributário, foram substancialmente modificados, uma ,vez que, além de considerar os preços praticados pelo destinatário (empresa Avon Cosméticos, localizada na praça da Cidade de OsascoSP), incluíram, indevidamente, os preços de produtos similares praticados por empresas concorrentes supostamente estabelecidas na “praça de São Paulo” e descritas no levantamento simplesmente como empresas “B” e “C”, quando os dispositivos legais que permeiam a matéria não admitem a possibilidade de adoção de duas fórmulas de cálculo da média ponderada para fins de determinação do preço corrente no mercado atacadista; v. somente o lançamento nulo por vício formal pode ser objeto da restituição integral do prazo, após a decisão que anulou anteriormente o lançamento, ao passo que com a nulidade decorrente de vício material, um novo lançamento, como os realizados em 14/11/2006 e 18/03/2010, para correção do critério jurídico do lançamento anteriormente realizado, datado de 20/12/2002, sob os mesmos fatos geradores, não se beneficia da renovação do prazo decadencial, constante no inciso II, do Art. 173 do CTN; vi. no mérito, afirmase que na determinação do valor mínimo tributável do IPI nas operações entre empresas interdependentes, o levantamento fiscal inicial indevidamente incluiu, no cálculo da média ponderada dos preços praticados no mercado atacadista, os preços praticados pelo destinatário, empresa interdependente (Avon Cosméticos) localizada nas praças de Osasco e Maracanaú CE, enquanto que a Recorrente, (Avon Industrial), está localizada na praça da Cidade de São Paulo; vii. o Parecer Normativo CST n° 44/81 esclarece o sentido e alcance dos dispositivos acima, segundo o qual o contribuinte, para “conhecer o preço corrente no mercado atacadista”, deve considerar, além dos preços por ele próprio praticados, os demais preços praticados por outros estabelecimentos na mesma praça; Fl. 6059DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 3201001.912 S3C2T1 Fl. 2.226 9 viii. no que se refere ao “produto”, o Ato Declaratório CST n° 05/82, esclarecendo o item 6.1, do PN CST 44/81 indica um universo de venda de mercadoria “perfeitamente caracterizada por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número, se houver” praticados`por vários estabelecimentos de uma “mesma firma localizadas na mesma localidade (praça) do estabelecimento remetente; ix. o valor mínimo deve ser o preço de venda da Recorrente para a Avon Cosméticos, ou seja, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, como determinam os artigos 68, parágrafo 6°, e art. 64, parágrafo único, do RIPI/82, e artigos 123, I, c/c art. 124, do RIPI/98; x.a decisão recorrida acolhe uma espécie de “mix” de critérios jurídicos para determinação do valor mínimo tributável, ou seja, o preço do destinatário, localizado em praça diversa (Avon Cosméticos, localizada na Cidade de OsascoSP), e, os preços de produtos similares de empresas concorrentes, supostamente localizadas na praça do remetente e' que ai atuam no mercado atacadista; xi. a fiscalização utilizou como termo de comparação o preço de produtos fabricados por terceiros e também revendidos por terceiros, levando em conta apenas o gênero da mercadoria, ou seja, a comparação foi feita pela categoria e classificação fiscal do produto, e não pela especificidade de cada produto, nos termos do AD CST n° 5/82; xii. para se conceituar um produto como similar de outro seria indispensável que na composição do produto paradigma fossem utilizadas as mesmas matériasprimas, a mesma técnica industrial, ambos os produtos tenham a mesma quantidade, não haja divergência na sua apresentação ao público etc, pois somente assim se poderá ter um produto similar, com preço aproximado a autorizar uma comparação; xiii. a pesquisa obtida pela fiscalização de “produtos similares”, na verdade não o são, dado serem de diferentes marcas, de diferente composição, peso, volume, qualidade e quantidade, destinados a público também diferente (em face da classe social, nível de renda e hábitos de consumo), não se prestando a comparações; xiv.não foram disponibilizados os demonstrativos sobre a metodologia empregada para a comparação dos produtos da Recorrente e dos similares, pois não se sabe qual foi o critério adotado para o levantamento dos preços, ou seja, se foi utilizado um critério matemático (quantidade de um determinado produto versus receita bruta), ou se a comparação, considerando a variabilidade de preços de um produto dentro de uma mesma categoria, considerou, no mínimo, o peso ou .volume dos produtos comparados; xv. no levantamento dos preços dos supostos produtos similares as características e especificações de cada produto foram omitidas não se sabe se os preços dos produtos similares são de aquisição ou de revenda pelas empresas concorrentes, se foram à vista ou prazo, não foi disponibilizado o inteiro teor dos demonstrativos do levantamento do preço corrente dos produtos similares no mercado atacadista da praça de São Paulo e os respectivos documentos suporte, impedindo a Recorrente de conferir e contraditar o inteiro teor da pesquisa realizada;não há indicação de quais seriam as empresas “B” e “C” que forneceram os preços, a respectiva localização, e se estas atuam, efetivamente, como atacadistas na praça da cidade de São Paulo; Fl. 6060DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 xvi. o lançamento, em relação ao suposto erro de alíquotas é nulo, em virtude de ter sido executado com transgressão às disposições do Decreto n° 70.23 5/72, já que ausente a descrição dos fatos relacionados às supostas diferenças por reclassificação fiscal e erros de alíquota, e a respectiva fundamentação legal, sendo vedado ao julgador de 1a Instância sanar essa nulidade, através da realização de diligência; xvii. segundo a fiscalização, as notas fiscais continham classificações fiscais diferentes e alíquotas menores que as constantes no referido “Cadastro de Produtos”, um documento interno, não oficial, que não era utilizado para a emissão das notas fiscais e escrituração fiscal/contábil, xviii.os fatos descritos na diligência, relativamente à questão do “Cadastro de Produtos” e dos .supostos erros de alíquotas decorrentes de classificações fiscais incorretas, não constou na .peça acusatória, por ocasião da sua lavratura., em 20/12/2002, sendo objeto de questionamento pela fiscalização em 13/05/2003, com a lavratura de auto de infração específico contra a Recorrente, que resultou no processo administrativo n° l9.5l5.001400/2003 11; xix. existindo um auto de infração abordando exclusivamente a questão da reclassificação e erros de alíquotas, a mesma matéria não pode ser objeto deste processo, invadindose matéria em discussão em outro processo; Em face dos argumentos referidos, a Recorrente pede que se aprecie, preliminarmente, a nulidade por alteração superveniente do critério jurídico do lançamento original e a ocorrência da decadência dos novos lançamentos, com novos critérios jurídicos realizados em 14/11/2006 e 18/03/2010, bem como em relação às diferenças por erro de alíquotas, cujo lançamento somente foi aperfeiçoado em 14/11/2006. No mérito pede provimento ao presente recurso, uma vez que em relação ao valor mínimo tributável, a ser observado nas operações entre empresas interdependentes, fundamentase no preço corrente do mercado atacadista na praça do remetente e não da praça do destinatário. Ademais, o auto de infração seria insubsistente, porque inexistindo o mesmo produto na praça do remetente, a base de cálculo do IPI seria o preço praticado pela Recorrente com estabelecimento industrial localizado na cidade de São Paulo, em suas vendas para os estabelecimentos comerciais da empresa interdependente, situados em outras praças, conforme 'previsto nos artigos 68, parágrafo 6°, e art. 64, parágrafo único, do RIPI/82, e artigos 123, I, c/c art. 124, do RIPI/98, qual seja, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação. Há nulidade, da mesma forma, porque faltou a identificação dos supostos concorrentes no mercado atacadista; explicitação da metodologia aplicada para a comparabilidade dos preços dos produtos da Recorrente e dos alegados produtos similares, a descrição e caracterização detalhadas que permitam a comparabilidade dos produtos. Finalmente, quanto às operações com pretenso erro de alíquota, foi observada a classificação fiscal, a legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, sendo, ainda, descabida a discussão da matéria nestes autos, já que pertinente ao processo n° l9.5l5.00l400/200311. É o relatório. Fl. 6061DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 3201001.912 S3C2T1 Fl. 2.227 11 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Relator O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme explanado na mencionada Representação Fiscal, durante os trabalhos realizados nas empresas Avon Industrial Ltda. e Avon Cosméticos Ltda., verificouse que em julho de 1995, a Avon Cosméticos criou a Avon Industrial, para a qual transferiu toda a produção industrial, passando apenas a revender os produtos para as revendedoras finais, não figurando mais como contribuinte do IPI Imposto sobre Produtos Industrializados. Nesse processo, a Avon Industrial fazia primeiramente uma remessa em consignação, quando era tributado o IPI, e posteriormente, quando da venda da Avon Cosméticos para as revendedoras, fazia uma venda sem tributação. O presente processo decorre de fiscalização que originalmente visou a apurar eventuais irregularidades e falta de pagamento de IRPJ, migrando, posteriormente, as análises para o IPI. No que tange ao IPI as acusações gravitam em torno de dois pontos: a acusação de subfaturamento e errônea aplicação de alíquotas em virtude de incorreta classificação fiscal dos produtos em referência. Observese que o caso concreto, ainda, guarda questão prejudicial crucial para o deslinde da controvérsia, qual seja, a alegação de alteração do critério jurídico do lançamento, na medida em que o presente processo foi duas vezes convertido em diligências, que resultaram em apurações de informações pela fiscalização, que poderiam implicar a alteração do fundamento inicial da autuação. Em conformidade com citado Relatório Fiscal e seus anexos, a Recorrente teria subfaturado as suas vendas em 1997 e 1998, visando à redução das bases de cálculo do IPI, na medida em que a Avon Cosméticos Ltda. compraria produtos bem abaixo do seu mercado atacadista. De acordo com a fiscalização, a sistemática utilizada seria a de segregar atividades, para assim reduzir o faturamento da indústria, cujo base de cálculo do IPI, repassando as mercadorias para a comercial por um preço menor; ao passo que a comercial, por seu lado, por não estar sujeita ao IPI, recebia os produtos já industrializados da sua coligada (indústria), com valor subfaturado, aplicando margem de comercialização adequada, isenta de IPI. Foi arbitrado o valor do IPI, com base na acusação de subfaturamento, de acordo com a seguinte metodologia descrita no Termo de Verificação Fiscal (fls.1568): Fl. 6062DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 12 34.Somente após termos verificado a consistência de todos os dados é que passamos a efetuar todas as análises que descrevemos nos tópicos a seguir. Comparamos, por exemplo: a) os totais das vendas da Avon Industrial, com base nas notas de venda, com as compras da Avon Cosméticos, com fundamento em suas notas de compra: b) as classificações fiscais das mercadorias com a TIPI, respectivas alíquotas e denominações dos produtos; c) os totais de venda e compra da Avon Industrial e da Avon Cosméticos, com os respectivos registros contábeis, balancetes e demais informações disponibilizadas à fiscalização; [...] 37.Apresentamos abaixo os relatórios conclusivos emitidos, decorrentes desse trabalho: a) “Preços Praticados na Avon Cosméticos Ltda. ", resultado da pesquisa nos arquivos de Notas de Venda da Avon Cosméticos, dos preços de venda em cada mês. Para janeiro a abril de 1997, o preço de venda considerado foi primeiro encontrado nos meses subseqüentes. [...] d) “Relatório de Saídas por decêndio", resultado da aplicação do preço praticado na Avon Cosméticos, conforme relatório no subitem "a", calculando o IPI devido conforme relatório no subitem em todas as saídas de produtos da Avon Industrial relativas a vendas a Avon Cosméticos, resultando na apuração de: a.1) subfaturamento da Avon Industrial, referente às vendas realizadas a Avon Cosméticos; a.2) Valor do IPI calculado sobre os valores subfaturados. e) “Relação de Saídas 02 a 041997 por decêndio", decorrente da aplicação do preço que teria sido praticado pela Avon Cosméticos, conforme estimativa (arbitramento) no relatório conforme subitem "a", dai resultando a apuração de: a.1) subfaturamento da Avon Industrial, referente às vendas realizadas a Avon Cosméticos; a.2) Valor do IPI calculado sobre os valores subfaturados. Às fls.1657, há o Termo de Constatação Fiscal n. 02, que é acompanhado por planilha demonstrativa das diferenças de IPI decorrentes do suposto subfaturamento. Na autuação, aplicouse o art.68, inciso I, “a” do Regulamento do IPI vigente à época, para se arbitrar o valor tributável, que assim dispõe: Art. 68. O valor tributável não poderá ser inferior (Lei nº 4.502/64, art. 15; e Decretosleis nºs 34/66, art. 2, alteração 5ª, e 1.593/77, art. 28): I – ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente: Fl. 6063DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 3201001.912 S3C2T1 Fl. 2.228 13 a) quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência, ressalvado o disposto no inciso I do art. 64; III – ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor; § 5º – Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I, II e IV, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. § 6º – Inexistindo os preços indicados no parágrafo anterior, será tomado por base o preço previsto no parágrafo único do art. 64. Arbitramento do Valor Tributável Art. 64. Considerase valor tributável (Lei nº 4.502/64, artigos 15 e 16, e DecretoLei nº 1.199/71, art. 5, alterarão 3ª): I – o valor correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) do preço de venda do destinatário atacadista, nas transferências de produtos de um para outro estabelecimento da mesma firma, situado em diferente Unidade da Federação, deduzidas as despesas de transporte e seguro; II – o preço corrente do produto, ou seu similar no mercado atacadista da praça do remetente, na saída do produto, do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, quando a saída se der a título de locação ou arrendamento mercantil, ou decorrer de operação a título gratuito, assim considerada também aquela que, em virtude de não transferir a propriedade do produto, não importe em fixarlhe o preço. [...] Parágrafo único. Na aplicação do inciso II, inexistindo preço corrente no mercado atacadista, tomarseá por base de cálculo: I – no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto sobre a Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; II – no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, Fl. 6064DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 14 ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Não obstante, na peça de impugnação afirmouse que não seria possível a apuração do valor tributável mínimo com fulcro no inciso I, do art. 68 transcrito, considerando se a ausência de vendas no mercado atacadista de sua praça, com seus produtos, que seriam exclusivamente destinados à sua interdependente, a empresa distribuidora Avon Comésticos. Por essa razão, aplicou para a formação da base de cálculo do IPI, a regrado inciso III do mesmo dispositivo, segundo o qual o valor é composto por custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação. Outrossim, foi contestada a metodologia de apuração do IPI devido, considerandose que a regra de valor tributável mínimo aplicada pela fiscalização, determinava que a referência para apuração seria o “preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente”, de maneira que haveria nulidade da autuação, pois sendo a remetente a Avon Industrial Ltda., cuja praça é a cidade de São Paulo, sendo este o mercado atacadista a ser considerado para análise. Não obstante, os levantamentos da fiscalização teriam se valido dos preços praticados pela Avon Cosméticos, estabelecida nas praças de Osasco, em São Paulo, e de Maracanaú, no Ceará, que seriam os destinatários dos produtos. Nesse contexto, quando da apreciação da impugnação do processo pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, foi convertido o julgamento em diligência (fls. 1835 e ss.), para: 1Confirmar se as atividades, efetivamente operacionais de comercialização e distribuição de produtos, efetuadas pela AVON COSMÉTICOS LTDA são realizadas nas praças de Osasco, SP,Maracanaú, Ceará. 2 Pesquisar no mercado atacadista da praça do município de São Paulo se o universo de venda dos produtos relacionados no Auto de Infração, devidamente caracterizados por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número, se houver, estaria restrito às vendas realizadas pela AVON INDUSTRIAL LTDA, ou se outros estabelecimentos atacadistas da mesma praça atuam no mesmo ramo empresarial com a mesma espécie de mercadorias. 3 Caso o mercado atacadista dos indigitados produtos na praça de São Paulo não se restrinja às vendas praticadas pela AVON INDUSTRIAL LTDA, a fiscalização deverá efetuar o levantamento do preço corrente no mercado atacadista do referido município, nos termos do parágrafo 5°, do artigo 68, do RIPI/82, do PN CST n° 44/81 e do AD CST 05/82. 4 Os eventuais demonstrativos resultantes da providência anterior deverão estar acompanhados de Informação Fiscal que esclareça a metodologia empregada. Encerrada tal providência, o contribuinte deverá ser intimado a se manifestar quanto aos resultados obtidos. Fl. 6065DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 3201001.912 S3C2T1 Fl. 2.229 15 5Ainda com relação às providências do item 3, superadas, se necessário, eventuais incorreções ou omissões que o contribuinte, quiçá, possa apontar nos demonstrativos efetuados, a fiscalização deverá confrontar a base de cálculo do IPI utilizada pela AVON INDUSTRIAL LTDA com o valor tributável mínimo legalmente determinado, apontando as diferenças que possam existir. 6Demonstrar se no cálculo do IPI lançado, tanto no item 001 como no item 02 do Auto de Infração, foi observado a classificação fiscal adotada pelo contribuinte em suas notas fiscais e se as alíquotas aplicadas estão de acordo com legislação vigente na data de ocorrência dos fatos geradores, de acordo com a TIPI/96 e suas respectivas alterações. Caso das diligências realizadas resultem alterações no crédito tributário lançado, deverá a fiscalização elaborar os devidos demonstrativos e Relatório Fiscal, intimando o contribuinte a manifestar, nos termos da legislação. Após a juntada de diversos documentos pela autuada, e de levantamentos de preços no mercado atacadista em que está estabelecida, pela fiscalização, temse, às fls. 4217 e ss., os resultados da diligência efetuada. Às fls. 4224 do referido relatório, afirmase que foram intimadas empresas concorrentes da Recorrente, na praça de São Paulo, para que apresentassem os preços correntes de venda de seus produtos, classificados nas posições 33.03 até a posição 33.07 da TIPI, solicitando deixar à disposição as respectivas notas fiscais, para conferência. E com base nos preços correntes praticados no mercado atacadista, pela Avon Cosméticos e pelas empresas concorrentes, foi calculada a média ponderada do preço de cada produto, conforme o parágrafo 5°, do artigo 68, do RIPI/82. Observouse que foram mantidos na pesquisa, os preços praticados pela Avon Cosméticos, porque compunha, a parcela mais significativa das vendas no mercado atacadista de São Paulo, além desta fornecer exclusivamente alguns dos produtos, sem similares na referida praça. E com base nas dados apurados: 7) Para atender ao item 2.4 que trata da apresentação do resultado do confronto da Base de Cálculo do IPI utilizada pela AVON Lndustrial, com o valor tributável mínimo legalmente determinado, para o apontamento das diferenças existentes, reprocessamos os dados, imputando os novos valores dos preços mínimos, baseados nas respectivas médias ponderadas dos preços unitários de mercado para os produtos similares, de conformidade com o parágrafo 5°, do artigo 68, do RIPI/82, do PN CST n° 44/81 e do AD CST 05/82. Fl. 6066DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 16 Do reprocessamento de dados do levantamento, decorreram diversos relatórios de supostos erros de alíquota e base de cálculo, que, foram objeto de ajuste no crédito tributário apurado, que levaram à sua redução, conforme planilha às fls.4232. Posteriormente, considerandose que as médias ponderadas dos preços dos produtos que compunham o mercado atacadista da praça do remetente, foram calculados com base nos preços praticados nos mesmos períodos de dezembro de 1997 a março de 1998, ou seja, nos mesmos períodos em que ocorreram as saídas do estabelecimento remetente, a Recorrente, manifestouse no sentido de que haveria ofensa ao disposto no parágrafo 5° do artigo 68, do RIPI/1982, que dispunha que os cálculos deveriam ser realizados com base nos preços de mercado do mês precedente. Realizada nova diligência (relatório às fls.4957), foram refeitos os cálculos dos demonstrativos às fls. 3405 a 3611 e 4244 do Relatório de Encerramento de Diligência e, no seu curso, concluiuse a ocorrência de erros no levantamento anterior, como: Em vista disso, restounos a alternativa de recalcular todos os preços médios de mercado, na forma do parágrafo 5° do artigo 68, do RIPI/1982, porém com as seguintes distinções: (a) Para o mês de dezembro de 1997, utilizarmos como preço de mercado, apenas o praticado pela AVON COSMÉTICOS, no mês de novembro de 1997; (b) Para os meses de janeiro a março de 1998, a média dos preços praticados nos meses anteriores, ou seja, respectivamente dezembro de 1997, janeiro de 1998 e fevereiro de 1998. Assim, sendo impossível a coleta dos dados de outras empresas, no mês de novembro de 1997, na forma do parágrafo 5° do artigo 68, do RIPI/1982, limitamonos aos preços praticados naquele mês pela AVON COSMÉTICOS. Deixamos a cargo da DRJ/RPO, a decisão de acatar ou não a nossa revisão dos dados de dezembro de 1997, considerando que os demais ( janeiro a março de 1998) estão de acordo com o referido dispositivo legal. Em face dos resultados dessas diligências, que foram acatadas pela decisão recorrida, alega a Recorrente que houve o estabelecimento de um novo critério para a determinação do valor mínimo tributável do IPI nas operações entre empresas interdependentes. Destarte, em face da alegação de que no lançamento original teriam sido adotados indevidamente os preços praticados pelo destinatário no cálculo da média ponderada, o levantamento final do crédito tributário veiculou diversos critérios de levantamento, quais sejam, o preço do destinatário, localizado em praça diversa, e os preços de produtos similares de empresas concorrentes localizadas na praça da Avon Industrial. E no referido levantamento entre empresas que supostamente atuavam no mesmo mercado , empresas “B” e “C”, que não foram identificadas por questões de “sigilo fiscal”, segundo a fiscalização, foi feito levantamento com base no gênero de cada mercadoria Fl. 6067DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 3201001.912 S3C2T1 Fl. 2.230 17 e seu código tarifário na TIPI, sem outras ponderações referentes à especificidade de cada item levantado, ou mesmo peso/volume dos produtos, a quantidade e qualidade Não houve outras informações complementares sobre a metodologia empregada, ou sobre os documentos que suportariam esse levantamento. Às fls. 5901 encontrase a decisão recorrida, donde se extrai que foi rechaçada a argumentação de mudança de critério jurídico do lançamento, sob o entendimento de que a diligência realizada não resultou em agravamento da exigência inicial, nem em inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência. Teria apenas ocorrido um “mero procedimento revisional do cálculo do crédito tributário”, que redundou em redução do valor lançado, no montante de R$28.939.500,62, de um valor inicial lançado de R$67.974.971,97. É patente que o caso dos autos não se trata de mero decote do lançamento anterior, ou seja, não se tratou de mero cálculo aritmético, pois cambiou a própria metodologia de efetivação de cálculos, que resultou em redução do crédito tributário. Aliás, sobre esse último ponto, apontado pela fiscalização como suficiente para legitimar os resultados das diligências, em nada altera esse quadro. A regra que estribou o lançamento original foi a da média ponderada dos preços da Recorrente e de sua interdependente comercial, nos próprios meses das saídas dos produtos. A regra que estribou o levantamento realizados nas diligências, foi a da média ponderada dos preços praticados por três contribuintes não identificados, localizados no praça da recorrente, mais os da interdependente comercial, nos meses anteriores aos da saída. Por essa razão, entendese plenamente aplicável o art. 146 do Código Tributário Nacional, que veda a mudança de critério jurídico do lançamento, nos seguintes termos: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Corrobora a afirmação o fato de que o art.149 do mesmo diploma normativo elenca expressamente as hipóteses de revisão de ofício do lançamento. Nesse contexto, do que foi até o presente momento apreciado, já há fundamento hábil a sustentar a nulidade de pleno direito do lançamento. E não se tratando de nulidade meramente formal, para que houvesse a cobrança do suposto crédito tributário, deveria haver novo lançamento de ofício, desde que observado o novo prazo decadencial. Observese que se caminhássemos adiante na análise dos vícios do lançamento, outras questões viriam à baila, como a metodologia do levantamento, que não trouxe parâmetros claros para se verificar se os preços de referência seriam de mercadorias da mesma espécie dos produtos fabricados pela Recorrente , nos termos do AD CST n° 5/82. Fl. 6068DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 18 No Acórdão n° 340100.727 — 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que trata da mesma matéria, no período de apuração de 10/04/1998 a 31/12/1998 , temse: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/1998 a 31/12/1998 IPI. REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. No caso de saídas para empresas interdependentes o valor tributável mínimo a ser considerado como base de cálculo do imposto é o preço corrente no mercado atacadista da praça comercial do remetente, ou, caso não seja possível assim proceder, o valor mínimo tributável deve ser calculado • considerando as especificidades e características (marca, tipo, modelo, espécie, volume, qualidade) dos produtos distintos empregados para sua formação de preços. Recurso provido. Não obstante, nesse julgado, bem como no Acórdão n. 340100.768, adentrouse em outras questões como a delimitação do conceito de praça e o levantamento realizado, o que foi feito, também no caso apreciado, sem observância de especificidades de mercadorias produzidas pela Recorrente. Outrossim, no que tange aos erros de classificação fiscal, cujo crédito foi levantado exclusivamente sobre documento interno elaborado pela própria Recorrente, outros julgados como o Processo Administrativo n° 19515.001400/200311, após a realização de diligências, elaboração de laudos técnicos, juntada de documentação referente à ANVISA, concluiuse pelo acerto dos códigos tarifários empregados pela Recorrente. Entretanto, como asseverado, a alteração do critério jurídico do lançamento prejudica a análise das demais controvérsias. Em face do exposto, voto pela procedência do recurso voluntário. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (assinado digitalmente) Fl. 6069DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 3201001.912 S3C2T1 Fl. 2.231 19 Fl. 6070DF CARF MF Impresso em 08/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 07/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720013/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA PESSOA JURÍDICA. QUEBRA.
HIPÓTESES LEGAIS.
Devem ser garantidos os direitos inerentes A. personalidade da pessoa jurídica, salvo se presentes os requisitos para a quebra expressos no art. 52 do Código
Civil: desvio de finalidade ou confusão. IRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS. ARTS.942 E 943, DO RIR/99.
O Informe de Rendimentos apresentado com as informações elencadas na IN
SRF 119/2000 constitui prova do direito creditório, consoante arts. 942 e 943.
Numero da decisão: 1102-000.444
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O conselheiro Leonardo Andrade Couto acompanhou o relator pelas conclusões.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13502.720013/2007-74 Recurso n° 500.055 Voluntário Acórdão n" 1102-00.444 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 26 de maio de 2011 Matéria IRPJ Recorrente BRASKEN S/A Recorrida la TURMA DRJ SDR Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA PESSOA JURÍDICA. QUEBRA. HIPÓTESES LEGAIS. Devem ser garantidos os direitos inerentes A. personalidade da pessoa jurídica, salvo se presentes os requisitos para a quebra expressos no art. 52 do Código Civil: desvio de finalidade ou confusão. . IRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS. ARTS.942 E 943, DO RIR/99. O Informe de Rendimentos apresentado com as informações elencadas na IN SRF 119/2000 constitui prova do direito creditório, consoante arts. 942 e 943. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. 0 conselheiro Leonardo Andrade Couto acompanhou o relator pelas conclusões. IVETE AQU AS-PESSOA MONTEIRO - Presidente. SILVANA R S IGNO GUERRA BARRETO - Relatora. EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma ), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Suplente Convocada), Joao Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), João Otavio Oppennan Thomé, Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado), Silvana Rescigno Barreto. 16 2 Processo n° 13502.720013/2007-74 si-cl T2 Acórcllio n.° 1102-00.444 Fl. 2 Relatório A Recorrente transmitiu, cm 03 de maio de 2005, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação — PER/DCOMP — em decorrência de crédito de sado negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2003 de sociedade sucedida, inscrita no CNPJ/MF sob o n." 57.015.018/0001-84, no valor de R$ 326.683,96 (trezentos e vinte e seis mil, seiscentos e oitenta e três reais e noventa e seis centavos), para compensação com débito próprio dc estimativa de IRPJ referente ao período de apuração de abril de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Camaçari, Estado da Bahia, indeferiu a solicitação (fis. 64/68), por entender não comprovada a efetiva retenção do imposto na fonte, em decorrência da receita de juros sobre o capital próprio por parte da sociedade OPE Investimentos S/A, inscrita no CNPJ/MF sob o n.° 03.196.982/0001-27, no valor de R$ 2.177.893,07. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 87/100) aduzindo, em síntese, que, por mero e escusável equivoco, apresentou informe de rendimentos incompleto, contudo, a sociedade sucedida efetivamente teria auferido receita decorrente da remuneração do capital próprio, na condição de acionista, o que estaria comprovado por Ata da Assembléia Geral Extraordinária e pela sua contabilidade (fls. 111/115), conforme cópias acostadas aos autos, apresentando ainda informe de rendimentos que assevera estaria em estrita consonância com as formalidades expressas na Instrução Normativa SRF 119/2000 (fl. 116). A 1" Turma da DRJ de Salvador indeferiu a solicitação (fls. 124/126), sob o entendimento de que, apesar de apresentado Informe de Rendimentos com as exigências da IN SRF n." 119/2000 e comprovada a contabilização do pagamento dos juros sobre capital próprio em favor da sociedade sucedida pela Recorrente, o direito creditório pleiteado não poderia ser deferido diante da ausência de registro de recolhimento do imposto retido e da inexistência de declaração em DIRF, exigências que apenas persistiriam contra a Recorrente, por ser a sociedade beneficiária dos rendimentos acionista controladora da fonte pagadora, porquanto titular de 92,10% do seu capital votante, conforme ficha 49, da DIPJ/2004, acostada na fl. 122. Acrescentaram as autoridades julgadoras que o liame societário entre a fonte pagadora e a beneficiária, impediria o tratamento daquela como terceiro, sob pena de autorizar a obtenção de um beneficio (reconhecimento de saldo negativo do IRPJ), fundado na falta de recolhimento do imposto retido, o que feriria regra fundamental de direito e validaria enriquecimento sem causa. Inconformada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 130/148), com base nos seguintes fundamentos: O IRRF retido quando do pagamento dos juros sobre o capital próprio a sociedade sucedida pela Recorrente teria sido compensado pela OPE Investimentos S/A com o Imposto de Renda que havia sido dela retido pela Companhia Petroquímica do Sul — COPESUL S/A, em razão do pagamento de juros sobre o capital próprio também no ano de 2003, conforme Declaração de Compensação, processo n. 29143.94142.221003.1.3.06-7986; 3 O imposto retido em razão do pagamento efetuado pela COPESUL teria sido registrado em sua escrita fiscal e declarado na DIPJ 2004; A ausência de declaração pela fonte pagadora na DIRF não poderia impedir o deferimento do direito creditório, em razão do principio da verdade material e das provas produzidas; Em adição à comprovação do recolhimento do IRRF retido pela OPE Investimentos S/A, não poderia a Recorrente ser responsabilizada por eventual ausência de recolhimento do tributo pela fonte pagadora, cujo emus já foi suportado, porquanto recebeu apenas o valor liquido; O Parecer Normativo COS IT n." 01, de 24 de setembro de 2002 orientaria no sentido de que os beneficiários dos rendimentos não poderiam ser afetados quando sofreram efetivamente a retenção do imposto, mas a fonte pagadora não recolheu o tributo; A atribuição de responsabilidade do pagamento para a beneficiária dos rendimentos, em razão da condição de controladora da fonte pagadora, não teria amparo legal e contrariariam frontalmente o principio basilar do ordenamento jurídico, segundo o qual as pessoas jurídicas tem existência distinta da dos seus membros; Apenas judicialmente e em situações extraordinárias, quando caracterizados fraude, confusão patrimonial, dolo, simulação, abuso de direito ou má-fé, é que poderia ser decretada a desconsideração da pessoa jurídica; Embora a sociedade sucedida pela Recorrente fosse detentora de 92,10% do capital votante da OPE Investimentos S/A figurando como sua controladora, seus objetivos e interesses não poderiam ser confundidos corn os objetivos e interesses da controlada, haja vista que cada uma é dotada de personalidade jurídica própria; o relatório Nt 4 Processo n° 13502.720013/2007-74 SI-cl T2 Fl. 3 Acórao n.° 1102-00.444 Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO 0 recurso é tempestivo, passo a apreciá-lo. Insurge-se a Recorrente contra decisão da 1a Turma da DRJ de Salvador que, apesar de reconhecer a adequação do Informe de Rendimentos apresentado para comprovar a retenção na fonte do imposto de renda em decorrência do pagamento de juros sobre o capital próprio, indeferiu o direito de crédito de saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2003, por ser a sociedade beneficiária dos rendimentos acionista controladora da fonte pagadora e por não ter localizado em seus registros o efetivo recolhimento do tributo retido. Primeiramente, registro que o alegado vinculo societário existente entre as fontes pagadora e beneficiária dos juros sobre o capital próprio não dá azo à quebra da autonomia da personalidade jurídica, já consagrada no Direito Brasileiro e garantidora do reconhecimento dos direitos inerentes à personalidade, consoante disciplina o art, 52, do Código Civil: "Art. 52. Aplica-se as pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade." Na disciplina do mesmo Código Civil, art. 50, a licita e justa preservação da individualidade da pessoa jurídica apenas pode ser afastada diante da demonstração de abuso, desvio de finalidade ou de confusão, verbis: "Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracteriz,ado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode ojuiz decidir, a requerimento cla parte, ou do Ministério Público quando Ihe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos achninistradores ou sonos da pessoa jurídica." No caso em exame, não vislumbro a presença de requisito comprobatorio de qualquer abuso capaz de afastar a autonomia da personalidade jurídica das sociedades envolvidas, motivo pelo qual não acato as razões da DRJ no sentido de que não poderia ser considerado como terceiro a fonte pagadora dos rendimentos alvo de análise e passo apreciação da exigência de prova do efetivo recolhimento do tributo.pela sociedade Recorrente, na qualidade de beneficiária. A Recorrente comprovou ter sofrido a retenção do tributo e o recebimento do valor liquido dos juros sobre o capital próprio, mediante apresentação de Informe de Rendimentos (fl. 116) com as formalidades expressas na Instrução Normativa SRF 119/2000: "Art. 2" A fonte pagadora devera . fornecer, à pessoa jurídica beneficiaria, comprovante de retenção do imposto de renda que indique: 5 I - o nome empresarial e o número de inscrição completo (com 14 dígitos) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da fonte pagadora e do beneficiário; II - o mês da ocorrência do fato gerador e os valores em reais, inclusive centavos, do rendimento bruto e do imposto de renda retido; III - o código utilizado no DARE (com 4 dígitos) e a descrição do a rendfinento." Atendidos os requisitos da IN SRF 119/2000, afasto, corn base nos artigos 942 e 943, do Regulamento de Imposto de Renda de 1999, a prova do efetivo recolhimento por parte da Recorrente, haja vista que o legislador elegeu como pressuposto para a compensação cio imposto retido a mera apresentação do Informe de Rendimentos, verbis: "Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos a retenção do imposto na fonte deverão fornecer, en, duos vias, pessoa jurídica beneficiária Comprovante Antral de Rendimentos Pazos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei n" 4.154, c/c 1962, art. 13, § 2`; e Lei n" 6.623, de 23 de mat -go de 1979, art. Parágrafo único, O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano-calendário subseqüente no cio pagamento (Lei n" 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio parct prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (Decreto-Lei n"2.124, de 1984, art. 3", parágrafo único). § 1" 0 beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo obrigado a instruir sua declaração com o mencionado 010C11711e1110 (Lei n°4.154, de 1962, art. 13, § V). 2" 0 imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa .fisica ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nonte pela finite pagadora, ressalvado o disposto nos §§ I" e 2" do art. 7", e no § 1" do art. 8" (Lei n" 7.450, de 1985, art. 55)." (grifos acrescidos) Por outro lado, apesar de entender suficientes os fundamentos acima para o reconhecimento do direito postulado, destaco que a Recorrente presta e comprova a infonnação de que a OPE Investimentos S/A, apesar de não ter declarado em DIRF a retenção do imposto, efetuou a compensação com o imposto que havia sido dela retido pela Companhia Petroquímica do Sul — COPESUL S/A — em razão do pagamento de juros sobre o capital próprio no ano de 2003, conforme PER/DCOMP n. 29143.94142.221003.1.3.06-7986 (fl. 157/162), transmitida em 22 de outubro de 2003, com a indicação exata do valor objeto do presente recurso e o código correspondente ao imposto retido na fonte em decorrência do pagamento de juros sobre o capital próprio (fls. 161 e 170). 6 Processo n 0 13502.720013/2007-74 SI-C1T2 AcOrOo 11. 0 1102-00.444 Fl. 4 Considerando que o PER/DCOMP tern o caráter de confissão de divida, caso no reconhecido o direito creditório postulado pela fonte pagadora, poderá ser exigido o recolhimento, com os acréscimos legais cabíveis. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. como voto. SILVANA RESCIGNO G AARRETTO 7
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Numero do processo: 10580.722475/2008-96
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO.
Rejeita-se a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal. A destinação do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte é matéria distinta da verificação da ocorrência do fato gerador e da cobrança do imposto sobre a renda e não afeta a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda apurado em ajuste anual.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. Rejeita-se a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal. A destinação do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte é matéria distinta da verificação da ocorrência do fato gerador e da cobrança do imposto sobre a renda e não afeta a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda apurado em ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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DESCABIMENTO. Rejeitase a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal. A destinação do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte é matéria distinta da verificação da ocorrência do fato gerador e da cobrança do imposto sobre a renda e não afeta a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda apurado em ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 75 /2 00 8- 96 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 08/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 08/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10580.722475/200896 Acórdão n.º 2802003.090 S2TE02 Fl. 159 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Na sessão de julgamento, a Conselheira Relatora, Julianna Bandeira Toscano, apresentou o seguinte relatório: "Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF dos anos calendário 2004, 2005 e 2006, decorrente de classificação indevida de rendimentos na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física, resultando em cobrança suplementar de IRPF, no valor de R$ 197.857,20, incluída a multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. O contribuinte classificou como “Isentos e Não Tributáveis” na Declaração de Ajuste os rendimentos pagos pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, recebidos em 36 parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. A matéria está bem relatada no acórdão nº 1526.071, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Salvador, às fls.78/84 conforme a seguir transcrito: Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 08/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 08/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10580.722475/200896 Acórdão n.º 2802003.090 S2TE02 Fl. 160 5 desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ em Salvador manteve o lançamento, em acórdão cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano Calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Os principais fundamentos da referida decisão foram os seguintes: a) A conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV, recebida pela Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003, visava a manutenção do valor real do salário, verificandose, portanto, que as diferenças reconhecidas através da citada lei tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia. O recebimento extemporâneo não altera sua natureza, mesmo que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer à justiça; b) Apesar do artigo 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730;2003 dispor que as diferenças em questão sejam de natureza indenizatória, o imposto de renda é tributo regido por legislação federal, não tendo, portanto, o dispositivo de lei estadual, qualquer efeito tributário; c) As indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no artigo 150, § 6º, da Constituição Federal; d) Tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis, conforme artigo 55, inciso XIV, do RIR;99; e) A resolução do STF nº 245, de 2002 não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 08/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 f) A não retenção do IRRF pelo Estado da Bahia não altera a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual; g) A aplicação da multa de 75% independe da intenção do contribuinte, conforme estabelecido no artigo 136, do Código Tributário Nacional; h) Por fim, observa que nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Regularmente intimado em 6 de abril de 2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 12 de abril de 2011. Reafirma a alegação de ilegitimidade passiva da União para cobrar o imposto incidente na fonte e que não foi objeto de retenção pelo Estado; reafirma a alegação de quebra da capacidade contributiva do Contribuinte, que estaria caracterizada pelo fato de que o Fisco pretende receber o imposto em valor maior do que o que seria devido caso os rendimentos fossem recebidos no tempo próprio, com multa, correção e juros. Quanto ao mérito, reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação quanto à natureza indenizatórias das verbas recebidas; sobre a quebra do princípio constitucional da isonomia, em face do tratamento recebido pelo membros do Poder Judiciário Federal. Por fim, reitera alegações contra a aplicação da multa e dos juros de mora, sob o argumento de que declarou rendimentos segundo orientações da fonte pagadora, tanto pelos comprovantes de rendimentos por esta fornecidos quanto pela Lei Estadual que definiu que a verba em questão teria natureza indenizatória. Acrescenta, sobre a aplicação da multa de ofício que o Ministério da Fazenda, em resposta a consulta do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, manifestouse pela inexigibilidade da multa. Argumenta que a resposta à consulta teria efeito vinculante. A 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, em sessão de julgamento realizada em 11 de julho de 2012, proferiu o acórdão nº 2201001.713, julgando procedente em parte o lançamento objeto do processo, para, por maioria de votos, determinar a exclusão dos juros incidentes sobre as verbas recebidas e a multa de ofício. Posteriormente, em 22 de outubro de 2012, o então Relator, Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, com base no art.62 do anexo II do RICARF, opôs Embargos, em razão da existência de inexatidão material contida no referido acórdão nº 2201001.713 Conforme dispôs no despacho de Embargos, às fls. 148/149, o então Relator verificou que o voto condutor do acórdão considerou, equivocadamente, que no lançamento aplicouse a tabela do imposto de renda vigente nas épocas próprias a que se referem os rendimentos (regime de competência), quando, pela descrição dos fatos do Auto de Infração, a tabela do imposto de renda aplicada foi a vigente na data do pagamento (regime de caixa). Essa percepção errada dos fatos influenciou decisivamente o resultado do julgamento, pois, se fosse observada a circunstância de que na tributação se considerou o regime de caixa, seria o caso de sobrestamento do recurso. Assim, em sessão de 22 de janeiro de 2013, a 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, acolheu os embargos para anular o Acórdão nº 2201001.713, de 11/07/2012, e sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 08/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10580.722475/200896 Acórdão n.º 2802003.090 S2TE02 Fl. 161 7 art. 62A, do anexo II do RICARF, observado o disposto na Portaria CARF nº 01/2012, por entender que a matéria tratada nos presentes autos guardava identidade com o Recurso Extraordinário 614.406/RS, cuja repercussão geral foi reconhecida e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito foi redistribuído para esta Relatora e é apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório". Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc Reproduzo abaixo o voto apresentado pela Conselheira Relatora na sessão de julgamento: "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A matéria colocada em julgamento é conhecida dessa Turma Julgadora e vem sendo resolvida, de forma unânime, no sentido de, preliminarmente, considerar que a União possui legitimidade ativa e que não há quebra de isonomia. No mérito o entendimento dessa Turma Julgadora, também unânime, é de que as diferenças pagas pelo Estado da Bahia têm natureza remuneratória e são tributáveis, que a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros do Ministério Público Estadual, que a atualização do tributos pelos juros de mora é correta e que a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Por bem retratar tal entendimento, transcrevese, a seguir, o acórdão nº 2802 002.778, proferido em 19 de março de 2014, nos autos do processo nº 10580.720771/200933, de Relatoria do Conselheiro Carlos André Ribas de Mello e cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 08/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 08/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10580.722475/200896 Acórdão n.º 2802003.090 S2TE02 Fl. 162 9 Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 08/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 10 erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR. Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a não incidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 08/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10580.722475/200896 Acórdão n.º 2802003.090 S2TE02 Fl. 163 11 Finalmente, ressaltese que, quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício aplicada no lançamento, tendo em vista que o contribuinte foi induzido ao erro pela fonte pagadora. Julianna Bandeira Toscano Relatora" (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, na qualidade de redator ad hoc Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 08/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 11080.006073/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2004
ARBITRAMENTO. MEDIDA EXTREMA.
Ficam sujeitos ao arbitramento do lucro, medida extrema e excepcional de auditoria, os contribuintes cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Distribuidora Atacadista Ltda. Recorrida 1ª Turma da DRJ/POA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2004 ARBITRAMENTO. MEDIDA EXTREMA. Ficam sujeitos ao arbitramento do lucro, medida extrema e excepcional de auditoria, os contribuintes cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 60 73 /2 00 7- 63 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.006073/200763 Acórdão n.º 1402001.743 S1C4T2 Fl. 3 2 Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 450/472), cumulados com juros e multa de ofício qualificada, calculados com base no lucro arbitrado, lavrados em razão da suposta omissão de receitas operacionais declaradas de revenda de mercadorias nos anoscalendário 2002 e 2004. As circunstâncias que culminaram no lançamento encontramse detalhadas no Relatório da Ação Fiscal (fls. 473/499) e foram satisfatoriamente resumidas no relatório da DRJ/POA, de forma que passo a transcrevêlo: a) que houve a seguinte coincidência do quadro social da fiscalizada e a empresa Eldorado Distribuidora Atacadista Ltda (Eldorado): b) que a Eldorado auferiu receitas até outubro de 2004, enquanto que a fiscalizada auferiu receitas a partir de novembro de 2004, e que seu endereço entre março de 2000 e novembro de 2004 foi o mesmo da fiscalizada de agosto de 2001 até agosto de 2003; c) que no período de maio a dezembro de 2004 o estabelecimento da filial 0002 localizavase em prédio que, locado de maio a outubro de 2004, era vizinho, aos fundos, da Eldorado. Tanto o imóvel da Eldorado como o da fiscalizada eram administrados pela mesma imobiliária, e o preposto das empresas nos processos de desocupação dos imóveis é o mesmo; d) que embora a fiscalizada alegue que a filial tenha servido de depósito, as notas fiscais apontam que isso somente poderia ter acontecido em um único mês. Também foi verificada diferença entre o valor das notas fiscais de entrada e as de saída emitidas pelo estabelecimento (R$ 3,3 milhões e R$ 12,3 milhões respectivamente); e) que estes elementos apontariam para a interligação entre as empresas, evidenciando uma sucessão de fato; f) tendo sido constatada a falta de algumas notas fiscais da filial (24 notas), a contribuinte foi intimada a apresentálas, tendo alegado, já em prorrogação de prazo, que as notas fiscais haviam sido anuladas, quer por terem sido emitidas com operação errada (venda em vez de transferência ou por terem ocorrido problemas na emissão – amassamento, falhas, etc) (sic). A fiscalizada acrescentou que as notas anuladas não foram localizadas pois possivelmente estavam dentre documentação levada da empresa em assalto ocorrido em 25/08/05. O aditamento ao registro policial, a publicação em jornal e a comunicação à Receita Federal do furto somente se deram em maio de 2006, após a intimação fiscal; e) (sic) que intimada acerca da diferença de valor entre as notas fiscais de entrada e as de saída do estabelecimento filial, a fiscalizada alegou não ter aquele estabelecimento efetuado vendas, e que as notas de nº. 18 a 217 teriam sido sócio Início Fim Início Fim Sandra 27/09/2000 15/01/2003 05/04/2002 xxxxxxx Valdir 26/06/2001 15/01/2003 18/04/2000 04/09/2003 Eldorado Fiscalizada Fl. 853DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.006073/200763 Acórdão n.º 1402001.743 S1C4T2 Fl. 4 3 canceladas. A autoridade fiscal, porém, verificou indícios de que as notas não teriam sido canceladas (fl. 487): todas as notas são de transferência de mercadoria para a matriz; foram emitidas entre 22/10/04 e 30/11/04, a maioria nos últimos dias de outubro; que em parte significativa das notas existem anotações manuscritas, tais como data e hora de saída e placa do veículo, registro de recebimento e carimbo de lançado; as notas indicam um tempo de trânsito da mercadoria de cerca de uma hora, tempo estimado do percurso entre a filial e a matriz estabelecida em Gravataí. f) (sic) examinando a conta 2.1.1.01.134 – Fornecedores DVRS – Compras na contabilidade fornecida pela empresa em meio magnético, verificou que os valores lançados estavam aglutinados mensalmente. Em decorrência, a fiscalizada foi intimada a discriminar as compras por fornecedor, mês e valor. O atendimento à intimação foi considerado insatisfatório, tendo a fiscalizada sido reintimada a apresentar os livros auxiliares nos moldes do art. 258 do Regulamento do Imposto de Renda. Em resposta, foram apresentadas listagens impressas discriminando valores aglutinados, bem assim arquivo digital contendo as informações; g) (sic) que do exame das listagens verificouse que havia o registro de notas fiscais do próprio fiscalizado, o que seria impossível caracterizar como compras e que a fiscalizada entregou, posteriormente, outra listagem alterando algumas informações, mas no geral, idênticas; h) (sic) que nos dados do arquivo magnético há outras informações adicionais “para caracterizar a conta contábil supracitada”, não constando as notas fiscais da fiscalizada. Que do exame deste relatório digital foi apurada divergência entre os valores registrados na contabilidade e os constantes do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon): i) (sic) que foram circularizados cinco fornecedores da fiscalizada para que apresentassem cópias de todas as notas fiscais emitidas para o fiscalizado e para a Eldorado, bem como cópias das contranotas (notas fiscais de entrada) emitidas, do que se contatou: falta de contabilização de 71 (setenta e uma) notas de compras de mercadorias destinadas pelos fornecedores circularizados à filial 0002; várias notas destinadas à empresa Letícia (antiga Eldorado) e para a fiscalizada tem a quitação do mesmo funcionário; Fonte nov/04 dez/04 Total Contabilidade 13.987.094,48 9.872.114,22 23.859.208,70 Dacon 9.520.822,48 9.837.084,59 19.357.907,07 Registro auxiliar da contabilidade 8.184.470,58 8.797.333,34 16.981.803,92 Fl. 854DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.006073/200763 Acórdão n.º 1402001.743 S1C4T2 Fl. 5 4 que duas contranotas que respaldam vendas para a fiscalizada indicam o mesmo telefone do televendas da Letícia; que no histórico de fornecimento de fornecedores (sic) circularizados para a Letícia verificase que em dado momento “as notas fiscais trocam de destinatário apenas, deixandose de fornecer à Letícia, e passando a fornecer ao fiscalizado”. Feitas essas considerações, a autoridade administrativa entendeu caracterizada “uma significativa confusão operacional entre a Eldorado e o fiscalizada no segundo semestre de 2004, bem como a inconsistência na contabilização deste, tanto no que tange à filial e à matriz no período inerente ao ano de 2004”. Complementa que, “igualmente, há falta de documentação pertinente ao período de dezembro de 2002, declarado em DIPJ, sem amparo em nenhum documento ou livro fiscal”. Conclui que “o fiscalizado não exerceu o controle devido das suas atividades próprias, principalmente no que tange às relações comerciais com seus fornecedores”. Acrescentando que esta transição e “eventual transição fática” (sic) está sendo discutida em medida cautelar fiscal, na qual se reconheceu o vínculo entre as empresas, concluindo pelo arbitramento dos lucros nos anos de 2002 a 2004, com base no art. 47, incisos I e III da Lei nº .8981/95. Por entender que “em virtude dos problemas detectados nos registros contábeis, principalmente no que tange às omissões de compras e demais imprecisões nas operações da filial, os quais não decorrem de mero equívoco, mas sim de procedimentos que visam acobertar a sucessão de fato que ocorreu entre Eldorado/Letícia e o fiscalizado. O objetivo era blindar o patrimônio da empresa em formatação (LT), contra a execução de vultuosos débitos fiscais da Eldorado”, a autoridade qualificou a multa aplicada, exigida no percentual de 150%, nos termos do art. 44, § 1 da Lei nº. 9430/96, com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007. Foi também lavrada representação fiscal para fins penais pela incursão nos art. 1º, inciso I e II, e 2º, inciso I, da Lei nº. 8137, de 27/11/90, cujo processo 11080.006072/200719 encontrase em apenso. A Contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 24/08/2007. Após isso, apresentou impugnação de fls. 507/548, instruída com os documentos de fls. 549/772, tecendo as alegações adiante sintetizadas: a) no tocante à suposta relação entre a empresa Eldorado (anteriormente chamada Letícia) e a Contribuinte, inclusive no que respeita à possibilidade de ser esta última sucessora daquela, afirmou que se trata de matéria em discussão no Poder Judiciário (cautelar fiscal), sem que haja decisão final em relação à mesma, razão porque deixa de se manifestar sobre o assunto, que além do mais, entende não ter qualquer conexão jurídica com o arbitramento realizado; b) ponderou que o relatado no item 5 do relatório fiscal, em nada contribui, concretamente, para dar suporte ao lançamento fiscal, já que inexistem impedimentos legais para que uma pessoa atue como preposta de duas empresas na consecução de determinado empreendimento, ou ainda para a eventual vizinhança de duas empresas; c) sobre o não cancelamento de algumas notas fiscais, argüido pelo fisco (item 4.2 do relatório fiscal), a Contribuinte anexou à impugnação (por amostragem) as Fl. 855DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.006073/200763 Acórdão n.º 1402001.743 S1C4T2 Fl. 6 5 referidas notas fiscais, demonstrando dessa forma seu efetivo cancelamento. Afirma, ainda, ter disponibilizado ditas notas fiscais ao agente fiscal autuante, atendendo à sua solicitação, sem que, todavia, jamais, tenha sido realizado o referido exame; d) quanto ao item 4.3 do relatório fiscal, relacionado à conta contábil pertinente às compras, pondera a Contribuinte que o ali relatado não contribui para dar consistência real ao arbitramento, posto que nesse se adota, como base de cálculo, os mesmos valores que a Contribuinte havia declarado como receita bruta auferida nos anoscalendário 2002 e 2004; e) no que tange à circulação procedida junto à cinco fornecedores da Contribuinte, argumenta que as notas fiscais referidas pelo agente fiscal constaram devidamente de sua escrituração contábil e fiscal, conforme demonstram as cópias aditadas que confirmam os registros concernentes às entradas nos estabelecimentos da Contribuinte. Aduz que o fato dessas notas fiscais terem sido emitidas em out/2004 não constitui qualquer irregularidade, sendo também lógica a aquisição, nesse período, de produtos que seriam a partir de então objeto de suas atividades. Quanto à similitude dos fornecedores da Eldorado com os da Contribuinte, afirma ser ela natural, já que para determinados produtos os fornecedores são únicos em âmbito nacional (Cocacola, Unilever, etc); f) em relação ao arbitramento referente ao anocalendário de 2002, a autoridade fiscal autuante se equivocou ao enquadrar a Contribuinte no lucro real, já que ela regularmente optou pelo lucro presumido, estando as receitas indicadas no arbitramento devidamente declaradas e escrituradas no livro caixa, conforme exigido. g) quanto ao arbitramento relativo ao anocalendário de 2004, houve novamente equívoco da autoridade fiscal, já que registrou no relatório, como sendo a causa determinante do arbitramento, a suposta confusão operacional entre a Eldorado e a Contribuinte no segundo semestre de 2004, bem como a inconsistência na contabilização desse período, ao passo que, no auto de infração, registrou como sendo a causa determinante do arbitramento a imprestabilidade da escrituração “em virtude dos erros e falhas a seguir enumerados”, sem, no entanto, efetivar a referida enumeração. Disso decorreu o cerceamento do direito de defesa da Contribuinte; h) A fiscalização, mesmo após prolongada e aprofundada investigação na contabilidade da Contribuinte (27 meses), apurou, tão somente, a diferença de R$ 32.581,60 como valor acrescido à receita declarada espontaneamente. i) descabe o arbitramento já que a Contribuinte, (i) possuía contabilidade tal como exigido pelas leis comerciais, consoante consta do próprio relatório; (ii) os fatos narrados neste último são insuficientes para materializar as condições necessárias (art. 144 do CTN) definidas no art. 47 da Lei nº. 8191/95 para sustentar esse procedimento; (iii) o arbitramento é medida extrema; (iv) não há elementos conclusivos e consistentes a justificar a desclassificação da escrita.; (v) que 98% da base de cálculo utilizada pela autoridade para arbitrar os lucros provém das receitas declaradas pela própria Contribuinte; j) ao lançar a multa qualificada, a fiscalização incorreu em erro de direito, pois aplicou ao lançamento legislação posterior à do fato gerador (Lei nº. 11.488/2007), em ofensa ao art. 144 do CTN. A sua conduta, quando muito, poderia ser classificada como imperícia ou negligência no cumprimento de suas obrigações acessórias, ausente a hipótese de dolo para sonegar ou fraudar. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.006073/200763 Acórdão n.º 1402001.743 S1C4T2 Fl. 7 6 Em 28/02/2008, os membros da 1ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, deram parcial provimento à impugnação, para reduzir a multa de ofício para 75% (fls. 777/790), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2002, 2004 IRPJ. ARBITRAMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DOS LIVROS CONTÁBEIS. É procedente o arbitramento dos lucros efetivado em virtude da não apresentação dos livros diário e razão, ou dos livros contábeis auxiliares, especialmente quando considerado, neste último caso, que a conta escriturada por totais mensais representa quase a totalidade dos custos deduzidos na apuração do lucro real, impedindo a aferição do resultado apurado pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA. Incabível a aplicação da multa qualificada sobre arbitramento que não decorra da prática de sonegação, fraude e conluio, mormente quando não se tenha demonstrado que dos fatos narrados tenha decorrido supressão ou redução de tributos ou contribuições.Se as condutas tidas por delituosas tiveram unicamente a finalidade de obstar execução fiscal de débitos já constituídos, portanto, depois de ocorrido e conhecido o fato gerador, incabível sua caracterização nos tipos que pressupõe alteração ou ocultação do fato gerador. Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 795/816), acompanhado dos documentos de fls. 817/821, repisando os argumentos de sua peça impugnatória que foram considerados improcedentes pela DRJ/POA. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A decisão recorrida afasta as alegações da Recorrente acerca do suposto cerceamento do seu direito de defesa, afirmando que, nada obstante a disparidade na capitulação invocada pelo auto de infração e pelo relatório fiscal para justificar o arbitramento, Fl. 857DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.006073/200763 Acórdão n.º 1402001.743 S1C4T2 Fl. 8 7 e, muito embora o auto de infração tenha deixado de enumerar as falhas constatadas na escrituração da Recorrente, no seu entender, o relatório fiscal demonstra que o enquadramento legal desejado foi aquele constante do relatório fiscal, transcrito pela autoridade e condizente com a descrição dos fatos. Além disso, afirmou que os fatos estariam minuciosamente narrados e que o equívoco perpetrado pela autoridade autuante não causou prejuízo para a Recorrente, que demonstrou compreender os fatos, tendo apresentado, inclusive, extensa impugnação. Nesse aspecto, corroboro a decisão recorrida, já que no relatório da ação fiscal, encontrase vasta argumentação utilizada pelo agente fiscal autuante para justificar o arbitramento. Tais fundamentos, não obstante tenham, posteriormente, se mostrado parcialmente equivocados, como pontuou a decisão recorrida, foram suficientes para que a Recorrente soubesse os motivos que ensejaram o lançamento por arbitramento, não havendo que se falar em cerceamento do seu direito de defesa. Ainda no que toca ao arbitramento, consignou a decisão recorrida que o agente fiscal autuante apresentou diversos argumentos que não suportariam tal prática. No entanto, entre eles, verificouse um argumento relevante, que justificaria, no seu entender, o lançamento por arbitramento e a sua manutenção: a Recorrente não apresentou os livros contábeis e a documentação pertinentes ao anocalendário de 2002 e no anocalendário de 2004, a Recorrente escriturou a conta contábil “fornecedores – DVRS – compras” por totais mensais, em relação aos quais, intimada, não apresentou o livro auxiliar. Foi fornecido apenas arquivo magnético e listagens visando suprir os livros auxiliares. Afirma, ademais, que, ainda que pudessem ser aceitas as listagens e arquivos fornecidos pela Recorrente visando suprir o registro auxiliar, ignorandose a obrigação de que os livros auxiliares devam conter termos de abertura e encerramento e serem submetidos à autenticação nos órgãos auxiliares (requisitos previstos nos § 2º e 4º do art. 258 do RIR/99), até mesmo esses documentos apresentam grandes inconsistências, tornandose imprestáveis para o fim a que se destinam. Assim, transcreve o quadro elaborado pela fiscalização que demonstra que na contabilidade estão registradas mais compras que nos registros auxiliares: Por fim, consignou que diversas compras circularizadas junto a fornecedores não foram localizadas nos registros contábeis da Recorrente. Dessa forma, concluiu pela imprestabilidade da contabilidade da Recorrente, mantendo a arbitramento. Neste ponto, parecemme irrefutáveis os argumentos da decisão recrrida. De fato, os documentos apresentados pelo contribuinte não são suficientes para que se apure o lucro de modo a que fosse possível adotar outra forma de apuração que não a utilizada pelo agente fiscal. nov/04 dez/04 Total Contabilidade 13.987.094,48 9.872.114,22 23.859.208,70 Auxiliar da conta contábil 8.184.470,58 8.797.333,34 16.981.803,92 Diferença 5.802.623,90 1.074.780,88 6.877.404,78 Compras registradas R$ Fl. 858DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.006073/200763 Acórdão n.º 1402001.743 S1C4T2 Fl. 9 8 Assim, adoto in totum os argumentos da decisão recorrida e voto no sentido de negar provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 859DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10882.001259/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 05/01/2004 a 27/12/2006
LICENÇA DE USO. AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. CONTRATOS QUE IMPLIQUEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGANIENTO,
CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE, onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência
administrativa e semelhantes e royalties.
A transferência de tecnologia ou de conhecimento tecnológico não é condição sine qua non a incidência da Contribuição.
LICENÇAS DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE
TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. EXCLUSÃO DAS HIPÓTESE DE
INCIDÊNCIA. VIGÊNCIA.
A exclusão das hipóteses de incidência da CIDE da remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador determinada pela Lei 11.452/07 não é disposição de natureza interpretativa. Não há menção expressa na norma a essa condição e seu artigo
21 determinou que a desoneração entrasse em vigor a partir do dia 1º de janeiro de 2006.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA
Ao órgão administrativo não compete apreciar arguição de
inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da súmula n° 2 do CARF.
Recurso de Oficio Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.007
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator), Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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Recorrida FAZENDA NACIONALK Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CI DE Período de apuração: 05/01/2004 a 27/12/2006 LICENÇA DE USO. AQUISIÇÃO DE CONHE,CINIENTO TECNOLÓGICO. CONTRATOS QUE IMPLIQUEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGANIENTO, CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE, onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e royalties. A transferência de tecnologia ou de conhecimento tecnológico não é condição sine qua non a incidência da Contribuição. LICENÇAS DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. EXCLUSÃO DAS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. VIGÊNCIA. A exclusão das hipóteses de incidência da CIDE da remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador determinada pela Lei 11.452/07 não é disposição de natureza interpretativa. Não há menção expressa na norma a essa condição e seu artigo 21 determinou que a desoneração entrasse em vigor a partir do dia 1" de janeiro de 2006. 1NCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. i__ Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Ao órgão administrativo não compete apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da súmula n° 2 do CARF. Recurso de Oficio Negado Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos osi onselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator), Andréa Medrado Darzé e Nanci I ama, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor lo CAselheiro Ricardo Paulo Rosa. \ 1 IZICR OIMU 0 ROSA - Presidente em exercício. \\) ALVA 0 ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator. EDITADO EM: 18/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Nanci Gama (vice-presidente), Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa, Alvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Trata-se de recurso voluntário com o objetivo de reformar o acórdão n°. 05- 28.011 - 5" Turma da DRJ/CPS, que julgou procedente o lançamento do crédito tributário. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: "Trata-se o processo de Auto de Infração relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE (Remessas ao Exterim), lavrado em 08/09/2009 e cientificado ao contribuinte on 10/09/2009, .formalizando crédito tributário no valor total de R$ 15.699.304,91, coin os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da falta de recolhimento da contribuição em períodos de 05/01/2004 a 27/12/2006, como descrito no Termo de Verificação Fiscal dells. 753/761. No referido Termo descreve a Fiscalização que questionou o contribuinte acerca do recolhimento da contribuição nos períodos de 2004 a 2006, e o intimou a apresentar esclarecimentos sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte — 2 Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 10882.001259/2009-90 S3-C1 . 1 . 2 Acórdilo n.° 3102-002.007 H. 3 IRRF incidente sobre imporkincias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou reine/idas ao exterior a titulo c/c l'el111111er(100 de serviços técnicos e de assistência técnica, e a titulo de royalties, de qualquer natureza, bem C01110 a apresentar contratos firmados com residentes ou domiciliados no exterior relativos a: a) fornecimento de tecnologia; prestação de assistinlcia técnica (..); c) cessiio e licença de uso de marcas; cessão e licença de uso de patentes; e) serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; além dos contraios cie cámbio correspondetties. Ent atendimento, o contribuinte apresentou cópia do contrato de licença de uso firmado com a "Microsoft Licensing G. P.", bem como cópia de "Termo de Responsabilidade" dirigida ao Banco Central do Brasil através do qual a Compusqfiware dechwa que a remessa efetuada ell, 31/05/2006 teria sido a titulo de "contrcdo de cessão de direitos de clistribuição e/ott comercialização, em observância às disposições da Lei n° 9.609/98. Argumentou, ainda; a empresa liscalLada quanta à não incidência c/a C7DE sobre a remuneração pela licença de uso ou c/c direitos de comercialização ou distribuição de program(' de computador no período objeto da ação apresentando pareceres neste sentido. Intimado e reintimado a apresentar Demonstrativo detcdhado da base de aikido mês a mês cia contribuição em acompanhado de documentação hábil e comprobatória c/c) sett respectivo recolhimento, o contribuinte limitou-se a cqn-esentar os dentais elementos solicitados (Demonstrativo detalhado da base de cálculo referente ao Imposto de Renda Retido nct Pith»; Cópia dos contratos de câmbio relativo as imporiancias remetidas ao exterior: e cópia do contrato firmctdo com a Aficrosqft Licensing G.P., inav sem a respectiva tradução) e deixou de apresentar a demonstração da base c/c cálculo da ('IDE, por entendê-la indevida. A Fiscalização, então), descreve a regra matriz de incidência tributária da CIDE-Tecnologia pctra conchtir suct inc ich311Cla sobre pagamentos efetuados pela fiscalizacia em virtude das aquisições c/c licença de uso ou c/c direllos de comercialização ou clistribuição de programi de computador, e ainda aborda a definição de royalties, bem como c/c licença c/c' uso de conhecimentos tecwológicos, para concluir que: No caso elll cmcilise, sobre o comrcno, não pairam chividas que é de royalties decorrentes c/c licença de uso de conhecimentos tecnológicos, por direno de uso nutterial restritivo, constibstcmciado em progrctnia gerado pela em engenhosidade humana. C0111 efeitos, as imporkincias pctgar, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas à empresa fornecedora das licenças cie uso cios referidos programas e suas cnualizaçõe,v, correspondent sim a pagamentos de direitos autorais a beneficicirio.v residentes ou domiciliados 170 exterior, que trata do art. 2° da Lei n° 10.168, cie 2000. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Elaborando, então, o demonstrativo em anexo de acordo com o que preceitua a legislação que rege a matéria, e efetuado o cálculo da CIDE devida, a autoridade lançadora formalizou a exigência conforme apresentado as fls. 761/781. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, protocolizou a impugnação de fls. 787/803, em 09/10/2009, juntando os documentos de fls. 804/865 e deduzindo as seguintes razões: • Afirma a tempestividade da peça apresentada, e descreve que firmou contrato de comercialização, sem exclusividade, com a Micros0 Lincensing GP, por meio do qual lhe foi concedido o direito de comercializar e fornecer programas de computador da referida empresa norte americana, conforme cópia do anexo contrato em sua lingua original (Doc. 4), traduzido por Tradutora Pública em Intérprete Comercial (Doc. 5 anexo). • E171 razão do referido contrato, efetuou várias remessas ao exterior, pagando o IRRF correspondente. Discorda, porém, da incidência da C1DE sobre estas remessas, em especial com base na Lei n° 10.168/2000. • Assevera que a argumentação trazida pela Fiscalização confusa. sendo praticamente impossível concluir qual seria a hipótese de incidência que ele, auditor, entende aplicável na hipótese. Ora fala em licença de uso, ora royalties, ora em direitos autorais, contra/os de licença de uso e de transferência de tecnologias, • Entende que o i. auditor, não sabendo identificar qual seria o fato gerador in casu, procura cercar todas as hipóteses de incidência da CIDE para encaixar" as operações da Impugnante numa delas, o que torna mizila a exigência. • Destaca a disposição incluída no §1°-A do art. 2° da Lei n° 10.168/2000 pela Lei n° 11.452/2007, que entende ser norma especifica de não incidência da contribuição sobre remessas decorrentes da atividade comercial da Impugnante, o que por si só já liquida a pretensão • De toda sorte, passa a demonstrar que não há na Lei 10.168/2000 hipótese de incidência da C1DE em suas operações com a Microsoft, dado que o escopo da CIDE é incrementar o desenvolvimento tecnológico brasileiro, e assim alcança apenas: 1) a detenção de licença de uso de conhecimentos tecnológicos; aquisição de conhecimentos tecnológicos; 3) transferência de tecnologia; 4) serviços técnicos; 5) assistência administrativa e semelhantes; e 6) remessa de royalties. • Por sua vez, o contrato firmado com a Microsoft apenas concedeu direito a ora Impugnante de comercializar e fornecer seus programas de computador, ou seja, o escopo do contrato preenche a atividade de comercialização de sofiwares da Impugnunte. • Em seu entendimento, tais operações não se enquadram dentre aquelas previstas lia lei, pois: 4 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 10882.001259/2009-90 S3-C Acórdão n°3102-002.007 I .1 • De uma interpretação literal da norma jurídica em ancilise, verifica-se que a ex/vessel° "licença de uso" necessita de uni complemento nominal e como o complement() seguinte no dispositivo é "ou adquirente de conhecimento tecnológicos", chega-se a simples conclusão que a hipótese relerida do fat() gerador é a (I) detenção da licença cie u.vo de conhecimentos tecnológicos", o que não se encaixa no C01111*(110 ellfre a imptignante e a empresa norte antericana. Afirma que apenas delém os direitos de comercialização ou dfreilos de distribuição que os direitos decorrenle da licença de uso do software são exercidos pelo usucirio .final, cliente da Impugiumle, destacanclo, porém, que a licença de uso cio software mic7o estci sujeita à C1DE. mas sim a licença de uso de conhecimentos lecnológicos, nos ternios cio já citado ,5s7°-A do art. 20 da Lei n° 10.168/2000. • Não se traía, por evidente, cie remessas por (2) aquisição c/c conhecimentos tecnológicos nem de (3) transfrréncia de tecnologia haja vista que se trata de comercialização dos chamados software cie prateleira, tinia vez que são progranias fechados, onck o código-fonte dos softwares não é transmitido, consoante julgado da 7a Ceimara do 1° Conselho de Contribuintes, que reproduz. • Por mais forte razão a hipótese dos autos não se configura (4) serviços técnicos, (5) nem assistélic ia e semelhantes. • Considerando que o art. 22 cia Lei n° 4.506/64 define que são classificados como royalties rendimentos decorrentes chi exploração cie direitos (111101YliS, salvo qucmcio percebidos pelo autor ou criador do bent ou ()bra, a hipótese dos autos não se identifica com a definição de royalties da primeira park , da "d", supra, porque as remessas sãojeitas exatamente ao próprio autor do software, a Microsoft, O que exclui a pos.vibilidade de classificar o caso como pagamento de royalties, consoante a parte final da inesma letra "d", nos termos do mesmo julgado antes mencionado. • Reporta-se, Solução de Divergência n° 27, de 30/05/2008 que concluiu pela não incidência da ('IDE sobre os valores remeticlos ao exterior ell/ - pagamento pehi aquisição ou pela licença de direi/os de comercialização de sofilVare sob a modalidade de cópias múltiplas ("spfilvare de prateleira"). • Aborda, também, a ausência de lei complementar à qual caberia a definigão tributos, e regular a instituição da C1DE, destacando que a Impugncnite, conhececlora c/o Regiment() do CARP, rebate e não pocie se curvar ao dispositivo que procura vedar ao process() adminisircnivo o julgamento à luz da Constituição, pois se o único argumento de clefts(' .fOsse preceito constitucional, a negativa de slur apreciação consistiria eni rasgar a mais alta lei deste • Reproduz ementa e conclusões de parecer elaborado pela Consultoria Jurídica do Ministério da COICia e da Tecnologia. no sentido da 100 incidência cio tributo sobre cis operações. de Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA software, e conclui restar patente o total equivoco no auto de infração ora combatido. • Questiona a exigência de multa e juros sem a indicação da disposição legal, na medida em que no Auto de Infração constam apenas os arts. 2° e 30 da Lei n° 10.168/2000 para exigência da CIDE. Acrescenta que sequer há a demonstração dos cálculos de juros no lançamento. • Destaca que a Carta Constitucional não admite adequações, flexibilização de normas punitivas e, especificamente quanto à multa, nu ausência do preceito legal adotado, poder-se-ia até deduzir, pelo percentual aplicado, que teria sido adotado o art. 44 da Lei n° 9.430/96. Mas ante sua generalidade, ele sc .) poderia ser utilizado ainda que equivocadamente, no entender da hnpugnante — na vacância de norma penal especifica. • Reporta-se a doutrina tratando da importância c/a indicação precisa da norma penal ao fato tido por apencivel, e conclui que sua omissão ofende os princípios da tipicidade e da legalidade, ben, como o art. 2° da Lei n° 9.784/99, além do art. 10 do Decreto n° 70.235/72, devendo ser afastada a penalidade aqui aplicada. • Mencionando também prejuízos à defesa e ao contraditório, reitera a 0miSSÕ0 na indicação do dispositivo quanto à cobrança de juros assim COMO a respectiva planilha de cálculo, para reafirmar a improcedência do lançamento por violação ao art. 10 do PAF, além das demais ofensas já citadas. • Por fin!, destaca que a Fiscalização deveria ter apurado a CIDE a partir dos valores dos contratos de câmbio no período autuado, mas baseou sua apuração nos valores recolhidos a título de IRRF, fazendo, em seguida, uma regra de 3 para chegar ao valor da CIDE, o que evidentemente causa distorções para mais, motivo pelo qual ckve ser também cancelada a exigência fiscal na firma em que foi calculada. • E ao pedido de improcedência do lançamento acrescenta: Por Ultimo, na hipótese dos autos está patente que se trata de revenda c/c sofiwares de prateleira a qual, evidentemente, não envolve transferência de tecnologia. Cowlick), caso entenda V Exa. ser necessário esclarecer se houve no caso transferência de tecnologia, o que se admite apenas para argumentar, requer, de imediato, seja oficiado ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual para aquele re170117C1C10 órgão informar se foi registrado contrato firmado entre a Impugnante e a empresa beneficiária das remessas ao exterior para suposta transferência de tecnologia. A IT 804 consta petição manuscrita, assinada por Fernanda Mendes Teixeira — procuradora conforme substabekcimento 11. 808 — informando que o documento n° 04 citado na defesa (contrato de comercialização, sem exclusividade, com ct MICROSOFT LICENSING GP, ein sua lingua original) não fbi trazido aos autos por motivos alheios à sua vontade, protestando por sua posterior juntada. EH/ 01/12/2009 o contribuinte foi intimado a apresentar instrumento particular de mandato coin cláusula "Ad Negotia" — Extrajudicial ou "Ad Judicia et Extra" com poderes 6 Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo IP 10882.001259/2009-90 S3-C111 Acórdao n.° 3102-002.007 H. 5 específicos e em conformidade com a cláusula 5.4 do contrato soc ia/ (fls. • 866/867), o que foi atendido conlbrmells. 868/870, seguindo-se a remessa dos autos para julgamento." Após analisar a impugnação, decidiu a DIU por manter o lançamento do crédito tributário: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE IN NO DOMÍNIO ECONÔMICO - • CIDE Period() de apuração: 05/01/2004 a 27/12/2006 CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. PAGAMENTOS DE ROYALTIES. CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTIVARE). A empresa signatária de contrato de cessiio ou licença de liso de program de computador (software), independentemente de estarem care/ac/os à transferência de tecnologia, caracterizava- se na conclicão c/c sujeito pmsivo da CIDE, no que concerne as remessas efetuadas ao exterior, sob a .forma de remuneração Oil royalties. OPERAÇÕES REAL1ZADAS A PARTIR DE I° DE JANEIRO DE 2006. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. 1MPROCEDÉNCIA. Ent razão do disposto nos arts. 20 e 21 da Lei n° 11.452, de 2007, as remessas para o exterior relativas a contratos ele licença (le uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) pas.surcun a estar sujeitas incidência da Cicie apenas quando ocorrer a trawl' erência da correspondente tecnologia. Ausente prova reeve sentiek deve ser cancelada a exigência. MULTA DE OFICIO. JUROS DE MORA. ENQUADRAMENTO LEGAL E CÁLCULOS. REGULARIDADE. Não há prejuízo à defesa se os demonstrativos que integrant o auto de infração apresentam o enquadramento legal da mullet de oficio e dos juros de mora, bent como a .fe)rnea de calculo destes. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONAL1DADE. A apreciação de inconslitucionalidade da legislação tributária 100 é cie competência da auloriduck achninistraiiya. mas sin] exclusiva do Poder Judiciário. Inqnignação Procedente em Parle Crédito Tributário Humid° ein Palle Intimada da decisão acima a recorrente pleiteia a Nulidade do Auto de Infração, sob os seguintes argumentos: I) considera equivocada a determinação da II ipotese de Incidência nos autos, nesse sentido, afirma ser impossível discernir qual seria o fato gerador da contribuição eleito pelo i. auditor e por isso não sabendo identificar qual seria o No gerador Ill CaS11, este procura esgotar as hipóteses de incidência da CIDE para "encaixar" as operações da ora recorrente em uma delas; II) por se tratar de remessas ao exterior decorrentes de contrato de comercialização de soft -wares sem transferência de tecnologia, a obriga Ç-ão fiscal não ..,.. 7 Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA haveria se consubstanciado, visto que no seu sentir o caso seria de não incidência normativa, nesse diapasão entende, portanto, que a restrição temporal não afetaria tais casos, em continuidade a fi rma que o artigo 21 da Lei no. 11.452/2007 não pode pretender a determinação de marco inicial para a não incidência de determinado tributo, uma ye: que tal instituto, ao significar a inexistência de obrigação fiscal, não admite tal limitação temporal; 111) a Solução de Divergência n.° 27/2008, torna inquestionável a não incidência da CIDE nas remessas efetuadas pela Recorrente, dando prosseguimento afirma que o § 1 0 do artigo 2° da Lei 10.168/2000 é suficiente para elucidar tal questão. Já no mérito, entende:!) ser descabida a cobrança da referida contribuição. em virtude da inexistência de Lei Complementar apta a regulá-la, ao seu sentir o inciso III, do artigo 146 da CF, destaca ser imprescindível a preexistência de Lei Complementar, para que se possa exigir contribuição de intervenção no domínio econômico; 2) ser incabível a exigência da multa e dos juros, em virtude da carência de dispositivo normativo especi fico, em sua concepção o art. 44, da Lei 9.430/96, por ser genérico, mostra-se inadequado ao caso; e 3)a base de cálculo da CIDE lançada foi utilizada equivocadamente no auto de infração, alega que por ter a autoridade fiscal baseado sua apuração em valores recolhidos a titulo de 1RRF e feito, em seguida, uma regra de 3 para chegar ao valor da CIDE, os valores encontrados foram distorcidos. ademais compreende que não é papel da administração fazer ilações, criar obrigações ou impor vedações, mas sim e tão somente cumprir a lei, dando prosseguimento afirma que a CIDE, se cabível, deveria ser calculada sobre os contratos de câmbio, que expressariam as remessas. Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional pleiteia a improcedência do Recurso voluntário, através dos seguintes argumentos: 1) da validade do lançamento, afirma que nos termos do artigos. 59 c/c 60 do Decreto n.° 70.235/72, o administrativo fiscal somente será declarado nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ata/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte, fatos que em sua compreensão não foram verificados no referido procedimento, em continuidade assevera que a autoridade autuante, preocupou-se em esclarecer quais foram os fatos geradores realizados pela fiscalizada e que deram ensejo a autuação, dando prosseguimento afirma ainda que a recorrente. em sede de preliminar, demonstra ter total conhecimento dos fatos que deram ensejo ao presente lançamento e, em afronta aos princípios processuais mais básicos, manifesta sua inconformidade com o mérito da autuação, devendo ser, pois, afastada qualquer alegação de que a autuação seria nula por ausência de determinação da hipótese de incidência apliccivel ao eau): 2) da incidência da CIDE, neste pronto a recorrida refuta: 2.1) o a argumentação da recorrente, de que seria indevida a cobrança da contribuição, em face da ausência de Lei Complementar para a sua instituição, nesse sentido afirma que a recorrente busca o reconhecimento, da inconstitucionalidade da exação sem, no atentar para os termos da Súmula CARE n. 0 02, 2.2) do fato gerador da contribuição, nesse ponto, afirma que o argumento de que as remessas realizadas por ela ao exterior não estariam sujeitas a C1DE, nos termos da Solução de Divergência n° 27, de 30/02/2008, emitida pela COSIT para unilbrtnizar o entendimento acerca do tema, em complementação a legislação, e que concluiu pela não incidência da contribuição em face de valores remetidos ao exterior para pagamento pela aquisição ou licença de direitos de comercialização de software de prate/eira, não deveria ser acolhido. Desse modo, por ter a referida solução de divergências sido editada sob a vigência ch 8 Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo no 10882.001259/2009-90 S3-C1T2 Acórdao n.°3102-002.007 H. l) Lei n° 11452/07, Não se aplicam ao caso dos autos, considerando-se que o período lançado mantido pela DRI refere-se ci 2004 e 2005, quando ainda não havia qualquer proibição cobrança da C1DE sobre as remessas para pagamento de licença de uso de •spfill'uïe. 111(15 ao contrária, havia determinação para o recolhimento da mesma, em continuidade ao esposado, alega que os valores remetidos ao exterior a título de contraprestação pela licença de liso e de comercialização de .softwares estão incluidos no âmbito de incidência da C1DE instituída pela Lei 10.168/00, quer por consistirem em remuneração decorrente de contrato de licença de uso (art. 20, calm°, quer por possuírem a natureza jurídica de royalties (art. 2" parágrotO. 2.3) da irretroatividade da lei n° 11.452/07, nesse âmbito. afirma que ape/lay seria viável se considerar a Lei 11.452/07 como sendo intelprelativa, caso a legislação até então em vigor dispusesse que não haveria incidência da C1DE sobre os royalties pagos a residentes no exterior, em razão da obtenção de licença de uso e comerciali=ação daqueles programas por empresas nacionais, nessa esteira, entende que a legislação da C1DE em vigor antes da alteração trazida pela Lei 11.452/07, reporta como devida a contribuição sobre as remessas desses valores (royalties a qualquer título) ao exterior, em razão do poganwnto pela licença de uso de software, noutra banda compreende que a intenção do legislador ao acrescentar o § 10 - A â. Lei 10.168/00, foi de tratar de uma isenção e não a de simplesmente interpretar outra norma legal ou prever não incidência, motivo pelo qual entende ser admissivel restrição temporal b. sua vigência; e 2.4) da base de cálculo da contribuição, nesse ponto, a firma que a autuada intimada, diversas vezes, para apresentar o demonstrativo da base de cálculo da contribuição. no entanto, manteve-se inerte, sob a alegação de que a contribuição não era devida , desse modo, entende a Recorrida que, a Recorrente não poderia buscar. agora. a nulidade do lançamento, de mais a mais, afirma que o advento c/a EC n." 33/01, a Constituição,41. I q.era,I determinou os critérios materiais para a hipótese de incidência tributária daquela contribuição, especificando, como bases de cálculo que devem ser deltas pelo legislador ordinário quando da instituição de tal exação, o laturamento, ci receita bruta, o valor da operação ou o valor aduaneiro, dando continuidade assevera, após apresentar fundamentação legal, que a contribuição ora exigida deve incidir sobre o valor dos ROYALTIES l'AGOS + IRRF, tal qual determinado pela autoridade autuante; e por fitn; 3) da multa e dos juros, afirma que a contribuinte realizou a conduit, típica que permite a impulação da pena/idade prevista no artigo 44. 1 da Lei 9430/96, que determina o cabimento da muha de 75% (setenta e cinco por cento) sobre ct totaliclade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de . falta de pagamento ou recolhimento. de . fitha de declaração e nos de declaração inexata, destaca ainda que nos termos do artigo 107 do CTN. somente a lei pode estabelecer hipóteses de redução ou dispensa de penalidade e que isso não se veri ficou nos autos, ademais atesta que deve ser mantida a cobrança de juros. pois em seu sentir, os juros de mora não precisariam sequer ser lançados para que serem exigíveis, na medida em que, como acessório, seguiriam o principal, adotando , portanto. como referência o percentual das taxas fixadas mensalmente, o trascurso do tempo entre o vencimento e o pagamento, os quais seriam fatos notórios e dispensariam a instauração do contencioso. o relatório. Voto Vencido l ) Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Nulidade Argui inicialmente a recorrente a nulidade do auto sob o argumento de erro na determinação das hipóteses de incidência, ao demonstrar que não seria possível identificar qual seria o fato gerador da contribuição utilizada pela autoridade autuante, bem como por não se tratar no caso lip de remessas ao exterior decorrentes de contrato de comercialização de .softwctres sem transferência de tecnologia. Vê-se que arguição de nulidade não pode prosperar, primeiro porque é perfeitamente possível identificar a premissa adotada pelo aututante para fundamentar o lançamento, oportunizando inclusive a defesa da recorrente sobre a recorrente a qual abrange toda a matéria do lançamento, quanto ao outro argumento apresentado para arguir a nulidade do lançamento, percebe-se que o mesmo se confunde com o mérito propriamente dito. o que serd apreciado em momento oportuno. Assim, rejeita-se a preliminar arguida de nulidade do lançamento. Mérito Quanto as alegações de inconstitucionalidade apresentadas pela Recorrente, vale apenas destacar que este Conselho está impedido de apreciar a constitucionalidade de lei, em atenção à súmula n°. 2 1 do CARF. Superada a presente questão, volta-se a atenção para Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. A CIDE é de competência exclusiva da União, nos termos do art. 149 da CF, deve ser analisada observando os princípios gerais da atividade econômica insculpidos no art. 170. I a IX da Constituição, já seu objetivo e incentivar a economia, demonstrando assim seu carater extratiscal. Segundo o professor José Eduardo Soares de Melo 2 : "As contribuições interventivas têm por âmbito o dom 11110 econômico, cujo o conceito não é de fried compreensão e delimitação, devendo ser examinadas na Constituição Federal as inúmeras ingerências do Estado na esfera econômica, abrangendo: a) serviços público; poder de policia; c) obras palicas; d) atividades monopolizadas; e) excepcional exploração direta da atividade econômica; f) a regulagão da atividade econômica — contrapostas its situaOes em que se outorga liberdade para a atuação dos particulares." No caso dos autos, como explicitado no relato acima, o auto de infração ora questionado visa a cobrança de CIDE (Remessa ao Exterior) ao ser detectada falta de recolhimento da contribuição incidente sobre a remessa de royalties decorrentes do contrato para direito de uso de programa e sistema de computador firmado com a Microsoft Lincensign GP. \\k I Súmula CA RF n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2 MELO, José Eduardo Soares de. "Contribuições Sociais no Sistema Tributário", 6' ed. Editora Melheiros. São Paulo 2010. p 135 1 0 Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 10882.001259/2009-90 S3-C1'1'2 Acórdão 3102-002.007 H. 7 A Lei n° 10.168/2000 estabeleceu a contribuição devida por pessoa jurídica que possua licença de uso ou adquira conhecimentos tecnológicos, também é dcvida a OM quando houver a celebração de contratos que disciplinem a transferência de tecnologia, quando firmados corn residentes ou domiciliados no exterior, relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação dc assistência técnica. oportuno citar o que prescreve o art. 2° da refida lei: Art. 2' Para fins de atendimento ao Programa de que trata artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, hem como aquela signa/ária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, jirmados com residentes ou domiciliados 170 exterior. (Vicie Medida Provisória n° 510, de 2010) § Consideram-se, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes Oil de liso de marcas e Os cie fornecimento cie tecnologia e prestação de assistência técnica. § P-A. A contribuição de que !lulu este artigo 100 incide sobre a remuneração pela licença de uso ou cie cifrei/os de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência cia correspondente tecnologia. ('Incluído pela Lei 11 0 11.452, de 2007) § 2" A partir de 1 2 cie janeiro cie 2002, a contribuição cie que Ira/cl o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenlicun por Oki() serviços técnicos e de assistência achninistrativa e semelhantes a serem prestados por residentes domicilictdos no exterior, bent assim i pelas pessoas jurídicas que pagarem, creclitarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer titulo, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei n" 10.332, de 19.12.2001) § 32 A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada nic;s, a residentes ou ciomiciliados no exterior, u tnido de remuneração decorrente this obrigações indicadas no caput e no § 2°c/es/c arfigo.(Redação da pela Lei n°10.332, de 19.12.2001) ,§ 4' A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei n°10.332, de 19.12.2001) § 0 pagamento do contribukiio será efiquado até o ilhinio dia útil da quinf.ena subseqüente ao inês de ocorrência do . falo gerador(Parágrafi) incluído pela Lei n°10.332, de 19.12.2001) Observa-se que a contribuição incidirá sobre os valores, pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no 1:xterior a titulo de remuneração decorrente das mencionadas obrigações, a aliquota de 10% (dez por cento). Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA De acordo com a norma acima, cabe analisar se os contratos firmados entre a autuada e a empresa Microsoft Lincensing GP para utilização de software, consiste em licença de uso ou aquisição de conhecimentos tecnológicos, como também se há a transferência de tecnologia. 0 contrato firmado pela autuada de (fls. 743/759) tem coin objeto "o direito não-exclusivo de participar em certos programas de, Comercialização e fornecer certos sofilvare.s. aos clientes". Percebe-se que no caso dos autos não há aquisição de conhecimentos tecnológicos nem a transferência de tecnologia, e sim apenas autorização para utilização do software, resta saber se é hipótese de uso de conhecimentos tecnológicos. Ora, percebe-se que a Recorrente é mera usuária do software cedido, sendo comercializada apenas a licença para uso do programa, ou seja, os conhecimentos tecnológicos expressos no código fonte não são disponibilizados. A própria legislação 'Atria protege os direitos autorais dos softwares, definindo ainda, nos termos da Lei 9.610/98, que sua exploração será por contrato de licença e que quando houver transferência de tecnologia será realizado o registro no 1NPI para proteção contrata terceiros. Vê-se, portanto, que apesar de restar caracterizada a licença de uso do programa pela licenciada, a essa em nenhum momento foram repassados os conhecimentos tecnológicos, com disciplina o inciso I do art. 10 do decreto n° 4.195/2002, o qual regulamenta incidência da CIDE-Tecnologia, nos seguintes termos: Art.10. A contribuição de que !rota o art. 20 da Lei n" 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a titulo de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I -fornecimento de tecnologia; Sobre o tema esse conselho já posicionou afastando a incidência da CIDE quando a transferência não caracterize a transferência de tecnologia, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃ 0 NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Ano-calendário: 2003, 2004 CIDE . NÃO INCIDÊNCIA. A incidência da CIDE não alcança pagamentos efetuados por pessoas sediadas no Brasil a pessoas residentes ou domiciliados no exterior por compra de programa de computadores que não representam transferência de tecnologia e a titulo royalties, ainda mais quando resta evidente tratar-se de mercadorias, jogos. 3 Recurso Voluntário Provido. Por todo exposto dou provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência do crédito tributário. Sala de sessões 24 de setembro de 2013. 3 Processo: 11080.010264/200819 - Acordão n°3403-001.717 12 Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 10882.001259/2009-90 S3-C1T2 Aeórdilo n° 3102-002.007 H. 8 )■Aki A,LA/ R/G` Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado A divergência que deu azo à minha designação para redação do Voto Vencedor recai sobre a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE na aquisição de programas de computador sem que ocorra a transferência de tecnologia. Segundo entendimento do i. Conselheiro Relator do Processo. a Contribuição só incide sobre valores pagos na aquisição de software se houver transferência de tecnologia. Para adequada interpretação do comando normativo que regulamenta a incidência da Contribuição neste tipo de operação, necessário reler o texto legal vigente época da ocorrência dos fatos geradores objeto do presente litígio. Lei 10.168/00. Art. 2' Para fins de atendimento ao Programa de que !Nita o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio económico, acrid(' pela pessoa jurídica cietentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transkréncia c/c tecnologia, firmados coin residentes ou domiciliaclos no exterior. ,sS' 1° Consideram-se, para fins desta Lei, contratos de transferéncia tecnologia Os relativos a exploração c/c patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assisténcia técnica. syS' 2' A partir de l'cle janeiro de 2002, a contribuição de que trout o calm! deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas .signatórias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrcairti e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, hem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem. creditarem, entregarem, empregarem OU remeterem royalties, a qualquer titulo, a beneficiários reshlentes ou domiciliados no exterior. (Redação du pela Lei n° 10.332, de 19.12.2001) Depreende-se do texto legal, que o art. 2° da Lei n° 10.168/00, em sua redação original, constituiu três hipóteses de incidência da Contribuição. Onerou Os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a titulo de remuneração decorrente das obrigações de pessoa juridica quando ela (i) detivesse licença de uso de conhecimentos tecnológicos. (ii) adquirisse conhecimentos tecnológicos ou (iil) fosse signatária de contratos que implicassem transferência de tecnologia. Mais tarde, mas ainda antes da ocorrência dos fatos que deram azo ao lançamento neste controvertido, a Lei n° 10.332/01 introduziu alterações no § 2° do precitacio artigo 2° da Lei, criando hipótese de incidência também para (iv) as pessoas juridicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA e semelhantes e (v) valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos como royalties, a qualquer titulo, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. A luz das disposições legais aplicáveis à matéria, tome-se por base o texto original da Lei n° 10.168/00 ou o texto introduzido pela Lei n° 10.332/01, o fato é não vejo nenhuma possibilidade de se considerar que a transferência de tecnologia tenha sido em algum momento condição para incidência da Contribuição sobre os valores pagos em operações da espécie. Como se lê, o caput do artigo 2°, desde o inicio, trouxe menção inclusiva (bem como) As pessoas jurídicas (aquela) signatárias de contratos que implicassem transferência de tecnologia, de tal forma a introduzi-las na relação dos contribuintes alcançados pela Contribuição. Disso sobressai, insofismável, a interpretação de que já estavam compreendidas no contexto geral as outras transações, quais sejam, as de pessoas que não fossem signatárias de contratos que implicassem transferência de tecnologia. Por seu turno, a Lei n° 10.332/01, ao acrescentar a hipótese de incidência sobre valores atrelados a contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e os pagamentos a titulo de royalties, o fez sem em nenhum momento vincular tais operações à transferência de tecnologia, em harmonia com as disposições legais precedentes. Com efeito, percebo até mesmo um conflito lógico na interpretação sugerida. Quando, nas disposições normativas Originais, o campo de incidência era restrito, existiam três hipóteses. A primeira delas fazia menção a pessoa jurídica adquirente de conhecimentos tecnológicos; a segunda, aos signatária de contratos que implicassem transferência de tecnologia e a terceira referia apenas pessoa jurídica detentora de licença de uso. Então , qual haveria de ser a distinção existente entre as duas primeiras e a terceira? Parece-me que. se numa das situações foi prevista a aquisição de conhecimentos tecnológicos e noutra a transferência de tecnologia, a situação descrita como licença de uso por certo não requer a ocorrência nem de um nem de outro evento. A tudo isso deve-se acrescentar o comando legal insculpido no parágrafo 1°A4 da Lei 11.452/07. Ele trata, justamente, da hipótese de não incidência da Contribuição no caso de remuneração sobre a licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador. A esse respeito, que se diga que a previsão excepcional de retroação de lei nova requer menção textual a essa condição, conforme preceitua o artigo 106 do Código Tributário Nacional. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados: (grifis mew) 11 - tratando-se de ato não clefinitivamente julgado: 4 § lo-A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei n° 11.452, de 2007) 14 Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA • Processo n° 10882.001259/2009-90 S3-C1T2 AcórdAo n.°3102-002.007 H. 9 quando deixe de defini-lo como infração; quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigt;neht de (Ica° ou omissão, desde que não tenha sido frcutchtlento e 100 le1711(1 . 1i !ha de pagamento de tributo; c) quando lhe comine pena/idade mows severa que a prevista na lei vigenle ao tempo da sua prática. E, no caso especifico do parágrafo l'A introduzido pela Lei 11.452/07. a Lei. além de não ter feito qualquer menção expressa a sua natureza interpretativa, ainda definiu taxativamente a data a partir da qual essa regra haveria de entrar cm vigor. Observe-se. Art. 20. 0 art. 2 o da Lei 11 o 10.168, de 29 de dezembro de 2000 . alterado pela Lei n 0 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1"-A: "Art. 7 ° ,sÇ 1' -A. A contribuição de que Ira/c.' este arligo Ha() sobre a remuneração pela licença de uso on de direilos de comercializacão Oil distribuição de program' de computador, salvo quando envolverem a Iran.s..0c;ncia da correspondente tecnologia. "(NE) Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicacão. produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1" de fatten.° de 2006. (os grifos não estão no original) Sendo assim, não vejo nenhuma razão para que este Colegiado decidisse afastar disposição legal válida na data em que se processa o julgamento da lide. Em outras palavras, na data da ocorrência dos fatos geradores de que aqui se trata, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE neste controvertida incidia sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador, independentemente da ocorrência de transferência de tecnologia. como'VOTO. I / Ricardo osa - redator do voto vencedor ■ 15 Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA
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Numero do processo: 12466.000788/2005-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 02/01/2003 a 14/09/2004
CERCEIO DE DEFESA
Há cerceio do direito de defesa quando a Delegacia Regional de Julgamento não analisa o mérito da lide.
Numero da decisão: 3102-00.591
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão desde a decisão de primeira instância, inclusive.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/01/2003 a 14/09/2004 CERCEIO DE DEFESA Há cerceio do direito de defesa quando a Delegacia Regional de Julgamento não analisa o mérito da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 110 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão desde a decisão de primeira instância, inclusive. LuiMarceTõíèrra de Castro - Presidente atriz Verissimo de Sena - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Processo n° 12466.000788/2005-89 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.591 Fl. 2 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para a cobrança da multa prevista no art. 23, § 3°, art. 23, do Decreto-Lei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002. Depreende-se do auto de infração que o procedimento fiscal iniciou-se quando do pedido da empresa de habilitação no Siscomex. Naquela oportunidade, a Autoridade Fiscal observou que o Contribuinte realizou diversas operações cambiais desde 2001 sem, contudo, demonstrar a efetiva realização das respectivas operações de exportação. Observou, ademais, deficiência na documentação fiscal referente à utilização de crédito pela empresa Nikostones LLC para tornar-se sócia da ora Recorrente, bem como a subseqüente alteração do Ak contrato social da empresa-recorrente. Por esses motivos, foi indeferida a inscrição doW Contribuinte no Siscomex. Em face dos dados observados, a autoridade fiscal instaurou, também, procedimento de fiscalização quanto ao recolhimento de tributos federais. Intimada por duas vezes a apresentar documentos, a empresa recorrente não teria se manifestado. Com fulcro na IN SRF no 228/2002, arts. 10 e 11, o procedimento fiscal foi concluído sumariamente e lavrado auto de infração para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias exportadas pela empresa, conforme relação à fl. 10. Cientificada pessoalmente, a empresa apresentou impugnação às fls. 86 e seguintes. A empresa argumenta que, ao ser intimada a apresentar os documentos, não foi informada dos fatos em apuração, tampouco teriam sido especificados os documentos que a Receita Federal estaria a solicitar. Por isso, dirigiu-se pessoalmente a unidade da Receita Federal do Brasil para esclarecimentos. Contudo, a autoridade fiscal teria recusado-se a receber a documentação prestada pelo Contribuinte. Registra que os mesmos documentos e razões já foram objeto de ação judicial, esclarece as operações cambiais e a alteração realizada em se. contrato social. A DRJ de Florianópolis/SC acolheu as argumentações do Contribuinte. A DRJ asseverou que o auto de infração seria nulo, na medida em que, ao recusar o recebimento de documentos do Contribuinte, fornecidos com o intuito de esclarecer os fatos a ele imputados, a autoridade fiscal ter-lhe-ia cerceado o seu direito de defesa. Os autos vieram a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para reexame por meio de recurso de oficio. o relatório. 2 Processo n° 12466.000788/2005-89 Acórdão n.° 3102-00.591 Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora 0 Contribuinte alega que o servidor responsável pela fiscalização recusou o recebimento dos documentos por ele mesmo solicitados, os quais teriam sido encaminhados pessoalmente. Essa recusa ampara o cerceio de defesa declarado pela c. DRJ de origem. Com efeito, analisando a questão, a DRJ asseverou que o auto de infração seria nulo, na medida em que, ao recusar o recebimento de documentos do Contribuinte, fornecidos com o intuito de esclarecer os fatos a ele imputados, a autoridade fiscal ter-lhe-ia cerceado o seu direito de defesa. Permissa venha, ainda cabia ao Contribuinte apresentar defesa em sede de procedimento administrativo, sem prejuízo de seus direitos constitucionais a ampla defesa e ao contraditório. Ocorre que, em sede de impugnação é dada ao interessado nova oportunidade de apresentar todos os documentos que julgar necessários a demonstração da correção de sua conduta. Assim, entendo que, além de não haver prova peremptória de que os documentos pertinentes à defesa do Contribuinte foram, de fato, oferecidos A. Autoridade Fiscal e rejeitados, ou que não puderam ser submetidos à análise da autoridade competente, julgo não haver prejuízo ao direito de defesa. No caso, foi oportunizado à parte o direito de defender-se em sede de impugnação e posteriormente, nos termos da lei. Contudo, ainda ultrapassando-se essa preliminar, cumpre observar que não foi analisado no r. acórdão a quo a matéria de fundo, ou seja, a apontada insuficiência de recolhimento de tributos federais, acusação que deu ensejo à autuação do ora Recorrente. Por isso, entendo que o r. acórdão proferido pela c. DRJ deve ser anulado, de modo que os autos para ali retornem para exame do mérito da lide. Assim deve ser porque às instâncias julgadoras fiscais não deve restar o silêncio, cumprindo-lhes pronunciar-se sobre todas as matérias de sua competência submetidas a seu exame. Pelo exposto, dou provimento ao recurso de oficio para anular o processo a partir do r. acórdão proferido pela DRJ, inclusive. • B• éfriz Veríssimo de Sena 3
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