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Numero do processo: 13116.000981/2004-71
Data da sessão: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2005
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF, Conforme dispõe o artigo 11 da Portaria SRF n°3.007, de
26/11/2001, o procedimento de malha fiscal prescinde da emissão de MPF.
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO, ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do 1TR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Ofende o Princípio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução
Normativa da Secretaria da Receita Federal.
ITR, ÁREA DE PASTAGEM. NÚMERO MÉDIO DE ANIMAIS. Diante da
ausência de elementos de prova do quantitativo de bovino aposentado no imóvel rural, deve ser considerado o número médio de animais devidamente comprovado nos autos por meio de notas fiscais de aquisição de vacinas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.599
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente de 1,098,4 hectares, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF, Conforme dispõe o artigo 11 da Portaria SRF n°3.007, de 26/11/2001, o procedimento de malha fiscal prescinde da emissão de MPF. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO, ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, Para fins de exclusão da base de cálculo do 1TR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Ofende o Princípio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal„ ITR, ÁREA DE PASTAGEM. NÚMERO MÉDIO DE ANIMAIS. Diante da ausência de elementos de prova do quantitativo de bovino apascentado no imóvel rural, deve ser considerado o número médio de animais devidamente comprovado nos autos por meio de notas fiscais de aquisição de vacinas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente de 1,098,4 hectares, nos termos do voto do Relator. CM0 MARCOS C O - Presidente STA SANTOS - RelatorJOSÉ RAIM EDITADO EM: 2 2 GUT 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka e Ana Neyle Olimpio Holanda, Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 03-18.293, proferido pela P Turma da DRJ de Brasília (fls. 89/100), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 09/08/2004, o Auto de Infração/anexos de fis. 01/08, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de RS 557.624,71, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, do exercício de 2000, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais calculados até 30/07/2004, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Porteiras" (N1RF 2.569.970-9), localizado no município de Goianésia — GO.. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2000 incidentes em malha valor (Forrnulários de fls. 09 e 35), iniciou-se com a intimação de fls. 13/14, recepcionada 26/04/2004 ("AR" de fis. 15), exigindo-se que fossem apresentados, no prazo de 20 (vinte) dias, os seguintes documentos de prova, para comprovar os dados cadastrais informados na correspondente declaração (DIAC/DIAT), do exercício de 2000: 1" - Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, registrada no CREA, atestando as áreas de preservação existentes no imóvel, devidamente definidas e classificadas, nos termos do art, 2 0 da Lei 4.771165, com redação dada pelo art, 1' da Lei 7803/89; 2' - Licença Ambiental, Parecer Técnico ou Registro do órgão ambiental, Federal ou Estadual, comprobatória das restrições a que se submete o imóvel, em relação às Áreas de IntereSse Ecológico ou de Proteção Ambiental eventualmente existentes, nos termos do art 10, § I', inciso II, letra "h" da Lei 9393/96; 3° - documento probatório do ingresso, junto, ao MAMA, da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental, e 4° - Notas Fiscais de aquisição de vacinas (maio e novembro de 1999), ou cópia autenticada da Ficha de Controle de Vacinação da Agência Rural ou qualquer outro documento comprovando o rebanho apascentado nas áreas de pastagens do irrióvçl no ano de 1999 (art. 10, § 1', inciso IV, letra "b" da Lei 9,393/96 e art. 25, do Decreto 4.382/2002), 2 Processo n" 13116.000981/2004-71 S2-C1T1 Acórdão n 2101 -00.599 Fl 180 Em atendimento, o contribuinte apresentou a correspondência de fis, 16, acompanhada dos documentos de fls. 17/24, 25/29, 30/31, 32/33 e 34. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2000 e da documentação apresentada pela contribuinte, a fiscalização resolveu lavrar o presente auto de infração, glosando integralmente as áreas declaradas como de preservação permanente de 1.098,4 ha e, parcialmente, a área servida de pastagens declarada, reduzindo-a de 4.630,7 ha para 2.035,7 ha Desta forma, foi aumentada a área tributada do imóvel, juntamente com a sua área aproveitável, com redução do Grau de Utilização dessa nova área utilizável. Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributado, bem corno a respectiva alíquota de cálculo, alterada de 0,45% para 12,0%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 02. A descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora, encontram-se descritos às folhas 03 e 06. Cientificada do lançamento, em 17/08/2004 (documento "AR" de fis. 36), a contribuinte interessada, através de seu representante legal, protocolou, em 16/09/2004, o requerimento de fls 41, acompanhado da impugnação de fis. 42/51. Apoiada nos documentos/extratos de fls. 60/65, 66/73, 74/78, 79/80, 81/82, 83, 84 e 85/86, alegou e requereu o seguinte, em síntese: o o procedimento fiscal em tela foi constituído ao TOTAL ARREPIO DA LEI FISCAL VIGENTE, destarte os entendimentos meritórios, em preliminar há de se observar a total falta de poderes da Autoridade Autuante, para fins que se prestou: Fiscalizar e Autuar; • o Processo Administrativo Tributário é regido por diversas normas, tendo dentre elas a Portaria if 3.007/2001, que criou o MPF - Mandado de Procedimento Fiscal, como instrumento válido e indispensável para a identificação do representante do Sujeito Ativo, seus poderes, e principalmente o objeto de análise por este; • tais conceitos foram extraídos da própria Carta Constitucional, que garante dentre outros direitos intangíveis, O ESTRITO PROCESSO LEGAL E A AMPLA DEFESA; ▪ após citar e transcrever vários dispositivos da citada Portaria 3.007/2001, diz que a ausência do MPF macula inteiramente atos praticados pela Autoridade Autuante, sendo que esta não esta devidamente outorgada de poderes para e em nome da Secretaria da Receita Federal, instaurar procedimento fiscal lavrando auto de infração; • entende que as exceções previstas no art. 11 da citada Portaria 1007/2001; não desobriga a necessidade do MPF, quando o fato da investigação ou conferência seja levado ao conhecimento do Contribuinte. No caso em tela, o mesmo foi intimado para apresentar documentos, fazendo tal intimação sem a apresentação de MPF-D, como determina o Parágrafo Único do referido art, 11. Ainda mais quando tal diligência resultar na aplicação e constituição de Auto de Infração, pois a lavratura do Auto é indispensável a OUTORGA DE PODERES para legitimar aquele que o exara, sob pena de total descredenciamento e desqualificação dos trabalhos; • o MPF é um instrumento válido e indispensável para a atuação da Fiscalização, ainda mais quando houver a necessidade de Intimação do Sujeito Passivo, dando a este a tranqüilidade de quem é a pessoa Autorizada e quais são seus poderes. Assim, pela simples leitura da Portaria 3.007/2001, não se vislumbra a possibilidade e a liberalidade do Fisco de atuar e principalmente AUTUAR SEM A OUTORGA DE PODERES CONFERIDOS PELO MPF; 3 • desta forma, indispensável o acolhimento da preliminar de ilegitimidade, para de oficio, por se tratar de matéria de ordem pública, ou por requerimento da parte ANULAR O AUTO DE INFRAÇÂO POR FALTA DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA AUTORIDADE AÜTUANTE; • em seguida, faz um resumo dos fatos que originaram o presente auto de infração; • as exclusões das áreas de utilização limitada e preservação permanente, à época da obrigação tributária (exercício 2000), eram regidas pela legislação vigente e que tivesse vindo para o Mundo Jurídico até o dia 31/12/1999, em estrita obediência aos Princípios Constitucionais Tributários da LEGALIDADE E ANTERIORIDADE. Além do que, tais áreas podem e devem ser reservadas e deduzidas da área tributável, independentemente de averbação à margem do registro ou não e de celebração do ADA; • a simples alegação de que não houve comprovação da solicitação de emissão do ADA, não é suficiente para a glosa e impor exação pretendida no Auto de Infração; • o ato de averbar e de celebrar ADA é obrigação acessória e não principal, não podendo com isso, gerar obrigação de pagar o principal (o 1TR), mas sim quando devido, a multa formal pelo seu descumprimento, como assevera a Legislação Tributária Nacional; • simplesmente dizer que as áreas não existem, sem Vistoria ou Diligência, no sentido de identificar o descumprimento legal, não legitima a Autoridade Fiscal a punir o contribuinte, impedindo-lhe de usufruir dos direitos de exclusão das áreas para efeito de tributação; • diz dos objetivos da Lei Ambiental em relação a preservação, conservação e restauração das áreas ambientais, e do beneficio fiscal advindo das áreas destinadas à preservação permanente e à utilização limitada; • a lei que sustenta o Auto de Infração, só veio ao mundo jurídico no mesmo exercício fiscal da declaração. Isso fere o Princípio Constitucional Tributário da Anterioridade; • assim, são inconsistentes as bases usadas pela fiscalização para 'aviai o Auto de Infração, merecendo sua anulação; e após transcrever os dispositivos legais apontados pela fiscalização para sustentação do referido Auto de Infração (arts 1°, 7°, 94, 10, 11, 14 e 15 da Lei 9393/96), diz que da simples leitura do ENQUADRAMENTO LEGAL, não se vislumbra a sustentação jurídica para a autuação; demonstrando a seguir do que se trata cada um desses dispositivos, cujas hipóteses não se enquadram no presente caso; • em relação ao citado Art 14, diz que para caracterizar a irregularidade é indispensável provar a omissão, as informações inexatas e incorretas ocorrência de fraude, porém, a aplicação do artigo em análise prescinde de prova inconteste não basta a simples Presunção da Ocorrência de Fraude Confrontando o art. 14, com o itera "001" da Descrição dos Fatos, há na verdade um conflito de normas, que não embasam a Autuação; • não se vislumbra as hipóteses descritas nas normas, ensejadoras da retificação dos lançamentos; • insiste que os motivos da retificação e glosa, embasada na Lei n" 10.165/2000 e art. 17, inciso II, ria Instrução Normativa SRF N° 060/2001; só podem ser objetos de exigência e aplicação no exercício seguinte à sua criação. A DITR12000 foi preenchida e entregue antes do surgimento da Lei e Instrução Normativa, Até mesmo no ano de sua criação, a Declaração foi entregue em 29/12/2000 e a Lei só foi publicada em 27/12/2000; 4 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.. As áreas de preservação permanente, para fins de exclusão do 17.7?, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo MAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DO REBANHO E DA ÁREA DE PASTAGEM ACEITA, O rebanho médio apurado com base nas quantidades de animais existentes no imóvel nos 12 (doze) meses do ano, cabe ser devidamente comprovado e demonstrado, em consonância com a situação descrita pelo contribuinte. Lançamento Procedente Em sua peça recursal de fls. 106/1.32 a contribuinte reitera os mesmos argumentos declinados perante o Órgão julgador de primeiro grau, e junta aos autos os documentos às fls. 133/310. É o relatório Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento alegada pela recorrente, por ilegitimidade ativa para constituição do crédito tributário, em face da ausência do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, tendo em vista que o procedimento de malha fiscal prescinde da emissão de MPF, conforme dispõe o artigo 11 da Portaria SRF n° 3.007, de 26/11/2001. Nos termos do artigo 7' do Decreto n° 701.35, de 1972, o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, inaugura o procedimento de fiscalização. No caso em exame, o Termo de Intimação Fiscal à fl. 1.3, datado de 03/03/2004, assinado pelo Auditor Fiscal Eduardo Luiz Santos. Ainda que se argumente pela necessidade da emissão do MPF procedimento fiscal em exame, o entendimento manifestado sobre o tema pelo Superior Tribunal de Justiça, no REsp n° 182.364 (DJU de 26.6.00, p. 207), é que o sistema preconiza para o reconhecimento da nulidade do ato processual a necessidade que se demonstre, de modo objetivo, os prejuízos conseqüentes, com influência no direito material e reflexo na decisão da causa. Eventual irregularidade no curso do procedimento administrativo disciplinar, e porque não dizer no tributário, sem a prova de influência no indiciamento do servidor público, e porque não dizer na acusação fiscal indicada no lançamento, não tem relevância jurídica. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O parágrafo único do artigo 142 do CTN ainda acrescenta: "A 5---\ 6 Processo n° 13116 000981/2004-71 82-C1 "I 1 Acórdão n 2101-00,.599 F1. 181 • impossível fazer e ser obrigado a algo que não existe no Mundo Legal, "Tal exigência fere o Princípio da Legalidade; para reforçar a sua tese cita entendimentos emanados pelo Conselho de Contribuinte (Ac n° 6A79, Rel. Cons. Sebastião Rodrigo Cabral e Ac 101-87.272, DOU de 05/06/1995, p. 7,975); o também, para reforçar a sua tese em relação à exigência do ADA, cita ementa do Ac. 301.31130, processo n° 10650,001216/00-92, Relator Cons. José Luiz Novo Rossari; • por ter sido averbada em 25/05/1998, à margem da matrícula do imóvel, portanto, muito antes da apresentação da DITR12000, possibilita ao Contribuinte proceder à dedução da área destinada à Preservação Permanente e Utilização Limitada, para efeito da apuração do quantuni; • impõe-se, por uma questão de justiça e legalidade, o IMEDIATO CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO, A EXTINÇÃO DO PROCESSO E SEU ARQUIVAMENTO; • contesta o critério utilizado pela autoridade fiscal para efeito de apuração do rebanho apascentado no imóvel no decorrer do ano de 1999, ao se basear em apenas duas datas do ano (datas de vacinação), sem considerar os outros dez meses do ano, como se não houvesse nascimentos, mortes, compras e transferências no decorrer do ano; • para unia grande empresa com aproximadamente 38.000 cabeças de bovinos, a rotatividade do rebanho em diversos imóveis se faz necessário para melhor utilização das áreas de pastagens. Isso sem falar que o procedimento adotado pelo fiscal é totalmente errôneo, haja vista que a Vera Cruz abate anualmente cerca de 13,000 animais, advindo de seus imóveis rurais; o como o rebanho pastoreado é muito superior do que o calculado pela autoridade fiscal, solicita a anulação de tal lançamento e o cancelamento do referido auto de infração, colocando-se desde já pronto para apresentação de qualquer documento que se fizer necessário, e o por fim, discorre e invoca os princípios constitucionais da Legalidade — Art. 150, I e o Princípio da Anterioridade — Art. 150, III, "b"; citando ainda, nesse sentido, lições de Hugo de Brito Machado. Ao apreciar o litígio a Turma da DRJ Brasília, por unanimidade de votos, manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na Seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR Exercício . 2000 NULIDADE DO LANÇAMENTO MPF. O procedimento fiséal de revisão sistemática da D1TR, através de malhas fiscais, não erige a prévia emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF-F e MPF-D), não podendo a sua ausência implicar na nulidade do lançamento. O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta nulidade do auto de infração, quando demonstrado que o ato normativo utilizado para fundamentar o lançamento não traz qualquer inovação em relação à legislação regência da matéria, aplicada ao ITR/2000, principalmente quando a perfeita descrição dos fatos e alentada impugnação demonstrarem que não houve preterição do direito de defesa: 5 Processo n° 13116,000981/2004-71 S2-C1T1 Acórdão a" 2101-00399 Fl 182 atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional", Considerando que o funcionário encontrava-se no exercício de suas funções de acordo com a lei, que lhe outorgou competência para as atividades de fiscalização e lançamento, sob pena de responsabilidade funcional (Decreto-lei if 2225/85 e artigo 142 do CTN), e que Portaria da SRF não tem o condão de alterar a competência do fiscal, por sua posição hierarquia de norma complementar e em face da reserva legal sobre a matéria, rejeito a preliminar suscitada. Eventuais falhas, portanto, decorrente do MPF caracteriza poderá caracterizar uma irregularidade administrativa, a ensejar apuração de falha funcional do autuante, mas jamais irá macular de nulidade o lançamento, regido estritamente por norma jurídica de base Neste sentido, filio-me ao entendimento majoritário, expresso em diversos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes que nem mesmo a falta do MPF acarreta a nulidade do procedimento, mas tão-somente uma irregularidade administrativa, Confira-se: Ementa: MPF — FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR — NULIDADE — INOCORRÊNCIA — O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores Recurso voluntário negado, (CSRF/01-05. 189, Sessão de 14/03/2005). Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PORTARIA SRFN° 1,26.5/99, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF, INSTRUMENTO DE CONTROLE, O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo .fiscal A Portaria SRF n" 1,265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos .fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF mero instrumento de controle adminátrativo da atividade EXIGÊNCL4 FISCAL. FORMALIZAÇÃO, Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7", 10 e 59 do Decreto n° 70,235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento .fiscal que lhe deu 01-igen?. (ACÓRDÃO 203-08483, Sessão de 16/10/2002) Ementa: NULIDADE - INOCORRÊNCIA - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, A eventual inobservância da norma nyi-alegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal (Acórdão 108-08091, Sessão de 01/12/2004). Ementa recurso "eac officio" — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Por t, SRF n" 1..265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das 7 atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mão- de-obra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central Não constituí ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele .fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7 0 do Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2,225, de 10/01/85) para ,fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sançaes disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos artigos 950, 951 e 960 do R1R194. 142 do código Tributário Nacional, (Acórdão 107-07756, Sessão de] 2/08/2004) Corroborando o já exposto, pode-se extrair dos ensinamentos do Prof. Hely Lopes Meirelles que o interesse público deverá sempre prevalecer sobre o interesse particular. Vejamos: "A Lei federal 9.784/99 admite a convalidação do ato administrativo, dizendo 'Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria administração' (cf: art. 55). Essa norma, ao exigir a preservação do interesse público para a convalidação, leva-nos a rever a posição adotada em edições anteriores sobre a eonvalidação", (Hely Lopes Meirelles — Direito Administrativo Brasileiro — 27" edição — Malheiros — SP — pág 169/170). Com efeito, não cabe qualquer anulação dos atos praticados pelo Auditor Fiscal, não assistindo razão ao contribuinte sobre a alegada nulidade do Auto de infração, haja vista que foi lavrado por servidor competente, em obediência aos preceitos legais que regem o ato administrativo em questão. No mérito, entende a defesa que falta enquadramento legal que dê sustentação jurídica à autuação. Discordo. Penso que os dispositivos legais citados no lançamento (fl. 06) e comentados pelo recorrente dão sustentação ao Auto de Inflação em exame, que possui os elementos indicados no artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. Isso não quer dizer que o entendimento manifestado pela fiscalização não esteja superado pelos Órgãos julgadores administrativos ou que as provas nos autos comprovam a acusação fiscal. No que tange à área de preservação permanente, a jurisprudência pacífica da 2' Turma da CSRF deste CARF firmou-se no sentido de que somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, para exclusão da área tributável do ITR, tornou-se imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal (Acórdãos n's 9202- 00.006 e 9202-00.194, sessão de 17/08/2009 e 18/08/2009, respectivamente). Como o procedimento fiscal refere-se à área de preservação permanente infor 'nada na DITR do exercício 2000, a exclusão desta da área tributável do ITR prescinde da apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, conforme dispõe a Súmula CARF n° 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo 1BAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. 8 Processo n° 13116.000981/2004-71 S2-CM Acórdão n ° 2101-00.599 Fl. 183 Em relação à área de pastagem informada na DITR, a decisão recorrida não merece qualquer reparo, pois a Declaração de fl. 10 e as notas fiscais de aquisição de vacinas de fls. 11/12, dão suporte à apuração efetuada pela fiscalização, consoante Descrição dos Fatos no Auto de Infração (fl. 06). Confira-se: Quanto a essa matéria, verifica-se que a redução da área de pastagem aceita declarada de 4,630,7 ha, para 2.035,7 1w, ocorreu em virtude de ter sido comprovado por ocasião daquela intimação inicial um rebanho médio menor do que o declarado, no caso, apenas 1.425 (mil e quatrocentas e vinte e cinco) cabeças de animais de grande porte, para efeito de aplicação do índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP),.fixado para a região onde se situa o imóvel (0,7 cab / hec), nos termos do anexo IV da IN/SRF n" 43/97 e Instrução Especial INCRA n" 019, de 28/05/80, conforme previsto na alínea "b", inciso E art. 10, da Lei n" 9, 393/93. No presente caso foi observado o disposto no inciso II, do art. 16, da IN/SRF/n" 43/1997, com redação do art. 1", V, da IN/SRF/n" 67/1997, que assim dispõe: "Art. 16. A área utilizada será obtida pela soma das áreas mencionadas nos incisos I a VII do art. 12, observado o seguinte.: I („) II — a área servida de pastagem aceita será a menor entre a declarada pelo contribuinte e a área obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustado e o índice de lotação mínima, observado o seguinte: (..)"Com base nas quantidades de animais bovinos vacinados nos meses de maio e dezembro de 1999, informadas na "Declaração", de • s. 10, da Agência Goiana de Defesa Agropecuária, no caso, 1,450 e 1400 cabeças, respectivamente, a fiscalização considerou comprovado um rebanho médio de 1.425 (mil e quatrocentas e vinte e cinco) cabeças de animais bovinos 1(14.50 + 1.400) 2 -= 1 .4251. Assim, observada a legislação de regência, esse rebanho justifica a área servida de pastagem então apurada, de 2.035,7 ha, assim demonstrada.: (1,425 cab 0,70 cab/hec = 2.035,7 ha). Nas suas alegações, a requerente contesta a forma utilizada pela fiscalização para apuração da média anual do rebanho apascentado na propriedade no ano de 1999, já que foram consideradas apenas as quantidades comprovadas, nos meses de maio e dezembro, com base nas quantidades constantes na referida Declaração, quando o correto seria considerar os 12 (doze) meses do ano para apuração da referida média. Se assim fosse .feito estaria justificado o rebanho médio declarado (2.905 cabeças de animais de grande porte), pois nos demais meses do ano o número de bovinos existentes na propriedade seria bem 9 superior ao que existia nos meses de vacinação do rebanho, em razão do rodízio desses animais entre os vários imóveis de sua propriedade, de forma a garantir uma melhor conservação das áreas de pastagens desses mesmos imóveis. De fato. A legislação que trata do assunto determina que a média anual do rebanho apascentado no imóvel seja apurada, mês a mês, nos doze meses do ano, Ocorre que, no presente caso a requerente não comprovou, com documentos hábeis, nem demonstrou o estoque médio apurado com base nas quantidades de animais bovinos apascentados na propriedade nos doze meses do ano, em conjunto com os rebanhos informados em relação aos demais imóveis de sua propriedade naquela região. Assim, apesar de correto o entendimento da requerente quanto a forma de apuração do rebanho médio anual, não há como considerar justificada uma quantidade de animais de grande porte maior do que a quantidade apurada pela fiscalização (1.425 cabeças), com base nos documentos de prova carreados aos autos pela impugnante para comprovação desse dado cadastral (rebanho), no caso, a Declaração de fls, 10 e 84, e as Notas Fiscais de fls.. 85 e 86, pois não foi comprovado nem demonstrado o rebanho apascentado no imóvel nos demais meses do ano de 1999, Desta .forma, cabe manter as 1.425 cabeças de animais de grande porte e os 2.035,7 hectares de áreas de pastagens apurados' pela fiscalização, para efeito de apuração do Grau de Utilização do imóvel, Com efeito, analisando-se os elementos de prova juntados em sede de recurso, verifica-se que o quantitativo das entradas e saídas de animais da Fazenda Porteira, em cada mês, apurado com base nas notas fiscais de transferência, não supera a média mensal apurada pela fiscalização (baseada nas doses de vacina adquiridas em maio e dezembro de 1999). Por sua vez, os números indicados nos formulários denominados "estoque fiscal de bovinos", às fls.. 290/301, carecem de comprovação. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo a área de preservação permanente de 1,098,40 hectares. Sala das Sessões) -^ em 28 de julho de 2010 ) JOSÉ RA1MU1\bó,f1DSTA SANTOS 10
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010967/2007-41
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DE INATIVIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Correta a exigência de multa, aplicada por atraso na entrega da Declaração Simplificada de Inatividade, que tem por natureza a conversão da obrigação acessória, que foi descumprida, em principal.
Numero da decisão: 1401-000.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto do Relator Maurício Pereira Faro.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Maurício Pereira Faro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DE INATIVIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Correta a exigência de multa, aplicada por atraso na entrega da Declaração Simplificada de Inatividade, que tem por natureza a conversão da obrigação acessória, que foi descumprida, em principal. • Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto do Relator Maurício Pereira Faro. Assinado digitalmente Viviane Vidal Wagner Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias (VicePresidente) Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Fl. 32DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10980010967200741 Acórdão n.º 140100.254 S1C4T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para aplicação de multa, referente ao AnoCalendário de 2005, no montante de R$ 200,00 (duzentos reais), em razão do atraso na declaração Simplificada de inatividade entregue em 13/04/2006, ou seja, posteriormente ao prazo fixado, que era de 31/03/2006, tendo em vista o disposto no art. 88, da Lei nº 8.981/95, art. 27, da Lei n° 9.532/97; art. 7° da Lei n° 10.426/02 e art. 106, II, "c" da Lei n°5.172/66 (CTN). Regularmente intimada, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 01, instruída com os documentos de fls. 03/05, alegando, em síntese, que a empresa está inativa e que não tem renda própria, pois vive com um filho, bem como que não possui emprego e que não pode pagar a exigência fiscal. Ao final, requereu o cancelamento da multa. A Delegacia de julgamento de Curitiba julgou procedente o lançamento, para manter a exigência de multa por atraso na entrega da declaração Simplificada de inatividade, tendo em vista que, no caso em tela, o contribuinte descumpriu a obrigação acessória da entrega tempestiva da declaração simplificada da inatividade, surgindo dai a obrigação pecuniária consistente na penalidade aplicada. Arguiu, ainda, a Delegacia de Julgamento, a inexistência de fundamentação legal que amparasse as justificativas apresentadas pela impugnante, que limitouse a alegar que a empresa está inativa e que não possui renda própria, pois vive com um filho, não tem trabalho, não possuindo, por conseguinte, condições de arcar com a exação fiscal. Restou ainda consignado na r. decisão, que a entrega da declaração simplificada está prevista na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, em seu art. 70 que assim dispõe: Art. 70 O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) 1 de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na D1PJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo limitada a 20%(vinte por cento) observado o disposto no § 3; Fl. 33DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10980010967200741 Acórdão n.º 140100.254 S1C4T1 Fl. 3 3 II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20°/(vinte por cento), observado o disposto no § 3'; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o P1S/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3° deste artigo; (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) E também o disposto na Instrução Normativa SRF nº 640/2006, que em seu art. 2º estipulou prazo para entrega da Declaração Simplificada, in verbis: Art. 2° A Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas – Simples deverá ser entregue até o último dia útil do mês de maio de 2006. § 1° A Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, relativa a evento de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação deverá ser entregue pela pessoa jurídica extinta, cindida, fusionada, incorporada ou incorporadora até o último dia: I do mês de abril de 2006, quando o evento tiver ocorrido nos meses de janeiro e fevereiro desse ano; II do mês subseqüente ao do evento, na hipótese de o mesmo ocorrer no período de 1° de março a 31 de dezembro de 2006. § 2° A obrigatoriedade de entrega, na forma prevista no § I°, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento. Irresignada com a manutenção do lançamento, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 17/18, no qual ratifica os argumentos já elencados quando da apresentação da impugnação, quais sejam, a suposta impossibilidade financeira de arcar com o pagamento da exigência fiscal. É o relatório. Fl. 34DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10980010967200741 Acórdão n.º 140100.254 S1C4T1 Fl. 4 4 Decido. Voto Conforme já amplamente exposto, no presente caso, que cuida de empresa optante pelo Simples na condição de inativa, a SRF disciplinou a entrega da Declaração Simplificada de Inatividade através da Instrução Normativa SRF n° 591, de 22 de dezembro de 2005, com as seguintes disposições: Art.1º A Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) – Inativa 2006 deve ser apresentada pelas pessoas jurídicas que permaneceram inativas durante todo o anocalendário de 2005. Parágrafo único. A DSPJ Inativa 2006 deve ser apresentada também pelas pessoas jurídicas que forem extintas, cindidas parcialmente, cindidas totalmente, fusionadas ou incorporadas durante o anocalendário de 2006, e que permanecerem inativas durante o período de 1° de janeiro de 2006 até a data do evento. Art. 2º Considerase pessoa jurídica inativa aquela que não tenha efetuado qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial durante todo o anocalendário. Parágrafo único. A pessoa jurídica que tenha realizado qualquer tipo de aplicação no mercado financeiro será considerada ativa. Art. 3º O prazo para a entrega da DSPJ Inativa 2006 será de 2 de janeiro de 2006 até as 20 horas (horário de Brasilia) de 31 de marco de 2006. Parágrafo único. A DSPJ Inativa 2006 relativa a evento de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, ocorrido em 2006, deve ser entregue pela pessoa jurídica extinta, cindida, fusionada ou incorporada até o ultimo dia útil do mês subseqüente ao do evento. O valor da multa foi aplicado de acordo com a legislação acima citada, ou seja, na alíquota de 50%, aplicada sobre a base correspondente a 2% do imposto devido, para cada mês de atraso, limitado ao máximo de 20%, e valor mínimo da R$ 200,00. Quanto à natureza da multa, ela decorre da conversão da obrigação acessória em principal, quando descumprida, dando origem à penalidade pecuniária. É o que estipula o CTN, em seu art. 113, §3º Art. 113 § 2° obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativa nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 35DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10980010967200741 Acórdão n.º 140100.254 S1C4T1 Fl. 5 5 § 3" A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. Tendo em vista que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer fundamentação legal que pudesse afastar a aplicação dos dispositivos legais acima elencados, bem como por ter confessado o atraso na declaração em comento, não há razões para reformar a decisão de 1ª Instância que manteve a autuação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Fl. 36DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 10283.720045/2006-22
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003
GANHO DE CAPITAL, DESAPROPRIAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA.
Não incide o imposto sobre a renda das pessoas fisicas sobre os valores recebidos a titulo de indenização por desapropriação. (Súmula CARF' Nº 42)Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-000.570
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso aplicando a Súmula 42 do CARF.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA
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NATUREZA INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA. Não incide o imposto sobre a renda das pessoas fisicas sobre os valores recebidos a titulo de indenização por desapropriação. (Súmula CARP' N 2 42) Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiailo, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso aplicando a Súmula 42 do CARF. Francisco Ass: Oliveira Júnior - Presidente. Rayana A es de Oliveira França Relatora. EDITADO EM: I FEV 2011 Participaram do presente julgamento, os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França (Relatara), Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Trata o presente de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração (fis, 27/37), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, no montante total de total de R$ 360.715,25, sendo assim composto: R$ 139.397,89 referente a imposto; R$ 116.768,95 a juros de mora calculados até 30/06/2006; e R$ 104.548,41, a multa proporcional no percentual de 75%, originado da apuração da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais. Foi lavrado o Termo de Inicio de Fiscalização na data de 29/03/2006 (fls.09/10), ficando o contribuinte intimado a apresentar documentação hábil e comprobatória das datas e valores recebidos mensalmente, pela alienação dos seguintes imóveis: apartamento n° 102, bloco 14 do conjunto Tocantins, situado na Av. Constantino Nery, n° 222, 2° etapa, e Fazenda Canad, km 27, BR 174 — Plantação de Guaraná; documentação de Fiat/Tempra,16v, 1996, placa DNS 6666, chassi 9bd159542t9158254; demonstrativos de apuração dos ganhos de capital — alienação de bens e direito ou liquidação ou resgate de aplicações financeiras adquiridas em moeda estrangeira, relativos As operações de alienação/transferencia/liquidação ou resgate realizadas, não excluída de tributação; extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo declarante, junto a instituições financeiras no Brasil e no Exterior. O contribuinte foi cientificado de referido Termo em 04/04/2006 (f1.10) e apresentou no dia 24/04/2006, os esclarecimentos e parte da documentação solicitada (fls. 11/18), Na data de 26 de maio de 2006, o contribuinte encaminhou a Receita Federal correspondência (fl09), apresentando o extrato do Bradesco (fls.21/24) e solicitando a prorrogação do prazo para apresentação dos demais (fis,19), DA IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente do auto de infração na data de 24/07/2006 (fL33) e inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação (fls39/48), cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instancia (Acórdão DR1/BEL n° 01-9144, de 3 de setembro de 2007), o qual adoto, nesta parte (ff52153): a) Ocorreu a decadência do direito do fisco para constituição do crédito tributário exigido do impugnante; b) Segundo a regra contida no Regulamento do Imposto de Renda, o imposto incidente sobre o ganho de capital é devido exclusivamente na fonte; c) 0 demonstrativo de apuração do ganho de capital apresentado pelo sujeito passivo espontaneamente ao fisco, com o recolhimento do imPosto devido exclusivamente na fonte, constitui lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, §zIP do Código Tributário Nacional — CTN, transcrito; 2 Processo n" 10283 720045/2006-22 S2-C2T1 Aerial5o o" 2201-00.570 Fi 2 d) Da leitura do dispositivo transcrito, tira-se a ilação que segundo o nosso ordenamento jurídico-tributário, prevalece a regra da homologação tácita no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; e) Constata-se, considerando a data da lavratura do lançamento (22/07/2006), que o fato gerador do ganho de capital objeto do auto de infração ocorreu ha mais de cinco anos (março/2001), o crédito tributário exigido pelo auto de infração esta atingido pelo fenômeno da decadência. Este 6 o entendimento pacifico do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Cita três ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes; I) O rendimento recebido de indenização por desapropriação não 6 tributável pelo imposto de renda como ganho de capital; g) O fato imponivel do imposto 6 a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, bem coma de proventos de qualquer natureza — acréscimos patrimoniais não abarcados naquele conceito; h) O conceito de renda 6, sempre, um acréscimo patrimonial. Esta 6 a exegese do Supremo Tribunal Federal; i) Sob o ponto de vista legal, indenização jamais pode ser conceituada como renda tributável; j) Os doutrinadores ensinam que a alienação, por desapropriação, nada mais é do que a substituição do patrimônio imobiliário do desapropriado por patrimônio fiduciário, não significando ganho algum, O Primeiro Conselho de Contribuintes tem se manifestado sobre o terna. Cita quatro ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes e uma ementa de Recurso Especial do STJ; k) Requer seja acolhida a preliminar de decadência com relação ao valor recebido em março/2001 e, no mérito, seja considerado não tributável o valor percebido a titulo de indenização pela desapropriação de imóvel de sua propriedade. DA DECISÃO DA DRF Após analisar a matéria, os Membros da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém - PA, acordaram, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, acolhendo a decadência relativa ao fato gerador de 31/01/2001, nos termos do Acórdão DRJ/BEL n° 01-9.144, de 3 de setembro de 2007, fls. 51 a 57, em decisão assim ementada: "GANHO DE CAPITAL DECADÊNCIA O prazo de decadência para lançamento de imposto de renda sobre ganho de capital é de cinco anos a partir do fato gerador, quando há antecipagdo do pagamento. DESAPROPRIACA -0. incidência do imposto de renda sobre ganho de capital advindo de alienação por desapropriação, nos termos da Lei n" 7. 713/88 3 Lançamento Procedente." DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado, via "AR" (fl. 58), dessa decisão na data de 28 de dezembro de 2007, todavia, não se conformando, interpôs, na data de 10 de janeiro de 2008, o Recurso Voluntário, de fls. 60 a 76, em que se ratifica os termos da impugnação. O processo foi distribuido a esta Conselheira, numerado até as ifs, 76 (última), o relatório.. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade, Dele conheço. A questão em analise versa sobre a legitimidade da exigência de imposto de renda sobre o suposto ganho de capital na alienação de imóvel pelo Recorrente à SUHAB — Superintendência de Habitação e Assuntos Fundiários, em decorrência de desapropriação. Esta matéria já havia sido pacificada pelo Supremo Tribunal Federal — STF que reconheceu a ilegitimidade da incidência do imposto de renda sobre ganho de capital no caso de desapropriação pelo poder público, por entender que essa incidência desnatura a "justa indenização" exigida pela Carta Magna como requisito para a relativização do direito propriedade. Recentemente, este Conselho também sumulou este entendimento, através da edição da Portaria n106 de 21/12/2009, que divulgou os enunciados consolidados de súmulas aprovados pelo Pleno e pelas Turmas da Camara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), nas sessões realizadas em 8,12.2009 . Trata-se da súmula n°42 do CARF, a seguir reproduzida: "Não incide o imposto sobre a renda das pessoas fisicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." Para melhor elucidação deste entendimento, transcrevo abaixo voto da lavra do limo. Conselheiro Remis Almeida Estai, na Camara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão n°: CSRF/04-00,114, de 22.09.2005 do Processo n. 10940,001177/00-11, in verbis: "... Nessa linha e para o deslinde da questão colocada em controvérsia nestes autos, é preciso saber se seria possível Unido exercer sua competência impositiva, exigindo o imposto de renda sobre a diferença apurada entre o custo de aquisição do imóvel do recorrente e o valor por ele recebido a título de indenização pela desapropriação do referido bem. Na lição do saudoso jurista CARLOS AUTRAN MASSENA - uma das maiores autoridades fluminenses em desapropriação - "A 4 Processo n° 10283.720045/2006-22 S2-C2T1 Acórdilo n." 2201-00370 Fl 3 desapropriação, instituto de direito público, é uma das garantias constitucionais do direito de propriedade." (cfr. Desapropriação, Editora Rio, 1976, pág. 11). Como já dá para perceber; a desapropriagio é instituto que deve ser enxergado pela ótica constitucional, desprezando-se qualquer outra norma, sob pena de violação ao princípio da hierarquia das leis. É a própria Constituição Federal, portanto, que assegura aos apropriados a .justa e prévia indenização em função da desapropriação de bem imóvel por necessidade pública ou interesse Significa dizer que os valores recebidos em razão de desapropriações são indenizações que têm por objetivo não somente ressarcir o apropriado pela perda do bem, mas também indenizá-lo pelos lucros cessantes e pelo atraso da Fazenda Pública em ressarci-lo. Como bem destaca HELY LOPES MEIRELLES, "A indenização justa é a que cobre não só o valor real e atual dos bens expropriados, a data do pagamento, coma, também, os danos emergentes e os lucros cessantes do proprietário, decorrentes do desalojamento do seu patrim6nio, Se o bem produzia renda, essa renda há de ser computada no prep, porque não será justa a indenização que deixe qualquer desfalque na economia do expropriado. Tudo que compunha seu patrimônio e integrava sua receita há de ser reposto em pecúnia no momento da indenização; se o não ,for, admite pedido posterior, por ação direta, para complementar-se ajusta indenização. A justa indenização inclui , portanto, o valor do bent, suas rendas, danos emergentes e lucros ces,santes, além de fumos compensatórios e mora tórios, despesas judiciais, honorários de advogado e correção monetária" grifos do original - (cfr, Direito Administrativo Brasileiro, Malheiro.s, 25° edição, 2000, pig 565). Como se vê, a doutrina é suficiente clara ao entender que justa indenização é expressão que só admite ampla interpretação, sob pena de desvirtuar os designios do legislador constituinte. Para a indenização ser justa, é preciso que nela também estejam compreendidos todos os valores que efetivamente repõem perda suportada pelo beneficiário dos rendimentos. É exatamente por este motivo que a exigência do imposto de renda, na espécie, não pode ser analisada sob o eufoque das isenções. O que se deve ter em mente 6 a hipótese de não incidência do imposto, visto que as indenizações apenas recompõem o patrimônio, em nada o acrescem," Desta forma ficou evidenciado que a verba auferida a titulo de indenização por desapropriação não pode ser objeto de tributação pelo Imposto de Renda. 5 Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso ,D,Lazaottatoo--Q., Rayana Alves de Oliveira França 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2' CAMARAJ2 SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10283.720045/2006-22 Recurso n°: 166.577,- TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3' do art 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Chum da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2201-00370. Brasilia/DF, 11 de fever ia e 201 L t----- EVELINE COELHO DE 1\1/1ino HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 19515.003145/2003-41
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001.
A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das
autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo
instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados
indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
RETROATIVIDADE DA LEI 10.174/2001. MATÉRIA SUMULADA,
SÚMULA CARF N° 35.
Quanto à utilização dos dados da CPMF corn base na Lei n° 10.174, de 2001,
a matéria já está pacificada no âmbito 'deste Conselho com a edição da
súmula n° 35 de aplicação obrigatória: "O' art, 11, § 3 0, da Lei N° 9.311/96,
com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de
informaçõ'es da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros
tributos, aplica-se retroativamente."
INCONSTITUCIONALIDADES DE LEI. INCOMPETÊNCIA DO CARF -
MATERIA SUMULADA_
Não cabe a este Colegiado analisar inconstitucionalidades de leis, conforme
trata a Súmula CARP N9 2: "0 CARE não é competente para se pronunciar
sobre a inconstitucionalidade de lei tributária,"
PRESUNÇÃO LEGAL DO ART. 42 DA LEI 9430/96. FALTA DE
PROVAS. CARACTERIZAÇÃO DE RENDIMENTOS OMITIDOS.
Não comprovadas as origens dos depósitos bancários por meio de
documentos fiscais hábeis e idôneos, torna-se perfeita a presunção legal
prevista no Art,42 da Lei 9.430/96, uma vez que os valores depositados em
instituiç'Ões financeiras passaram a ser considerados receita ou rendimentos
omitidos.
Numero da decisão: 2201-000.722
Decisão: ACORDAM os membros do colegiada, por unanimidade, rejeitar as
preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso,
Nome do relator: JANAÍNA MESQUITA LOURENÇO DE SOUZA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. RETROATIVIDADE DA LEI 10.174/2001. MATÉRIA SUMULADA, SÚMULA CARF N° 35. Quanto à utilização dos dados da CPMF corn base na Lei n° 10.174, de 2001, a matéria já está pacificada no âmbito 'deste Conselho com a edição da súmula n° 35 de aplicação obrigatória: "O' art, 11, § 3 0, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informaçõ'es da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente." INCONSTITUCIONALIDADES DE LEI. INCOMPETÊNCIA DO CARF - MATERIA SUMULADA_ Não cabe a este Colegiado analisar inconstitucionalidades de leis, conforme trata a Súmula CARP N9 2: "0 CARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária," PRESUNÇÃO LEGAL DO ART. 42 DA LEI 9430/96. FALTA DE PROVAS. CARACTERIZAÇÃO DE RENDIMENTOS OMITIDOS. Não comprovadas as origens dos depósitos bancários por meio de documentos fiscais hábeis e idôneos, torna-se perfeita a presunção legal prevista no Art,42 da Lei 9.430/96, uma vez que os valores depositados em instituiç'Ões financeiras passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-22T12:59:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-22T12:59:04Z; Last-Modified: 2011-09-22T12:59:05Z; dcterms:modified: 2011-09-22T12:59:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4c431fc6-3978-4bf2-8183-1514964ac543; Last-Save-Date: 2011-09-22T12:59:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-22T12:59:05Z; meta:save-date: 2011-09-22T12:59:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-22T12:59:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-22T12:59:04Z; created: 2011-09-22T12:59:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-09-22T12:59:04Z; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-22T12:59:04Z | Conteúdo => M.D3 6 S2-C2T1 Fl MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19515.003145/2003-41 Recurso IV 165.524 Voluntário Acórdão n° 2201-00.722 — 2 Camara / 1' Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2010 Matéria IRPF Recorrente SIDNEI ROBERTO DE LIMA Recorrida 3' TURMA/DRi SALVADOR/BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. RETROATIVIDADE DA LEI 10.174/2001. MATÉRIA SUMULADA, SÚMULA CARF N° 35. Quanto à utilização dos dados da CPMF corn base na Lei n° 10.174, de 2001, a matéria já está pacificada no âmbito 'deste Conselho com a edição da súmula n° 35 de aplicação obrigatória: "O' art, 11, § 3 0, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informaçõ'es da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente." INCONSTITUCIONALIDADES DE LEI. INCOMPETÊNCIA DO CARF - MATERIA SUMULADA_ Não cabe a este Colegiado analisar inconstitucionalidades de leis, conforme trata a Súmula CARP N9 2: "0 CARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária," PRESUNÇÃO LEGAL DO ART. 42 DA LEI 9430/96. FALTA DE PROVAS. CARACTERIZAÇÃO DE RENDIMENTOS OMITIDOS. Não comprovadas as origens dos depósitos bancários por meio de documentos fiscais hábeis e idôneos, torna-se perfeita a presunção legal prevista no Art,42 da Lei 9.430/96, uma vez que os valores depositados em instituiç'Ões financeiras passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiada, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, ra Júnior - Presidente ma Mesquita Lourenço de Souza - Relatara EDITADO EM: 11 3 REZ 2013 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório O contribuinte em epígrafe foi autuado através de ação fiscal na qual apurou- se omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano calendário de 1998, de acordo com descrição contida no Auto de Infração de fis.31/33, depurando-se um credito tributário no valor de R$ 294.750,05, Cumpre ressaltar, que durante a ação fiscal, o contribuinte foi intimado por diversas vezes a fornecer documentos que comprovassem a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, o que acarretou na juntada dos extratos constantes dos autos (fls. 12/16 el 8/20). Devidamente intimado da autuação fiscal, o contribuinte apresentou impugnação As fls. 35/64, trazendo os seguintes argumentos: i) que a lei complementar 105/01 que autorizou a quebra do sigilo bancário pelo FISCO é inconstitucional por afrontar princípios constitucionais básicos; ii) que a Lei 10.174/01 que facultou a utilização dos dados da CPMF para constituição do crédito tributário relativo As demais contribuições ou impostos não poderia ter aplicação retroativa por se tratar de norma de direito material; iii) que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 é inadequada em relação As pessoas fisicas, pois a movimentação bancária não corporifica fato gerador do imposto de renda; iv) que a tributação isolada do que consta no auto de infração sem levar em conta os elementos positivos e negativos de mutação patrimonial do contribuinte, ignora sua capacidade económica individual e o caráter pessoal do imposto; v) alega por fim, que a jurisprudência é no sentido de que a 2 Processo ri° 19515.003145/2003-41 S2-C2T I Acórdão o." 2201-00.722 Fl 2 alegação de omissão de rendimentos não pode ser presumida unicamente em extratos bancários, conforme a Sumula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos - TFR, A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador apreciou a impugnação do contribuinte e julgou o lançamento procedente, conforme acórdão abaixo: "Assunto: Imposto Sobre A Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário 1999 Ementa • DEPOSITOS BANCARIOS, OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o responsável, regularmente intimado, nap comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, INFORMAÇÕES BANCARIAS. SIGILO.. RETROATIVIDADE. As normas que autorizam a comunicação à Receita Federal de informações bancárias e a sua utilização para fins de lançamento do crédito tributário, referindo-se à produção de provas e aos poderes de investigação, aplicam-se aos procedimentos. atuais, ainda que relativos a fatos anteriores ti promulgação destas normas. Lançamento Procedente" O contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância administrativa, de acordo corn AR juntado As fls. 78 recebido em 13/10/2007. Todavia, inconformado com a decisão "a quo", o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário de fls.81/107, em 10/12/2007, aduzindo em sua defesa o seguinte: a) Preliminarmente, que a Lei Complementar 105/01 que previu a possibilidade de acesso direto pela Administração Tributária aos dados bancários dos contribuintes é inconstitucional, sendo que ignora os direitos fundamentais dos individuos, afrontando o art. 5°, inciso XII, da Carta Magna. Bem como, o art. 145 da CF dispõe que os impostos sempre que possível deverão ter caráter pessoal e respeitar a capacidade econômica do contribuinte, respeitando seus direitos individuais; b) Ainda em sede de preliminar, aduziu que a Lei 10.174/01 que deu nova redação ao § 3 0 do art. 11 da Lei 9.311/96, permitindo que as informações bancárias dos contribuintes sejam utilizadas para instauração do procedimento fiscal tendente à verificação da existência do crédito tributário, não poderia ter aplicação retroativa, devendo ser aplicada a partir de sua vigência, em 09 de janeiro de 2001, com fundamento no art. 144, § I° do CTN, pois não se admite a retroatividade de uma norma que colide corn direito individual, ainda que seja com relação aos novos critérios de apuração ou processos de fiscalização. 3 c) Destacou que a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96 jamais pode ser resultado de simples iniciativa do legislador, devendo conter uma correlação fatica e natural que a autoriza, o que não ocorreu no presente caso, tendo em vista não haver correlação entre depósitos e rendimentos omitidos, pois o fato desconhecido pode ser de outra natureza. Destarte, aduz que a movimentação bancaria não corporifica fato gerador do imposto de renda, sendo que seu fato gerador é o acréscimo do patrimônio da pessoa, portanto, carece de uma comparação entre seu patrimônio anterior e o atual, que somente pode set feito vinculando-se fatos de ganhos e de perdas; d) Em continuidade, alega que a tributação isolada das rendas constantes do auto de infra* desassociada dos demais elementos de mutação patrimonial do contribuinte ignora os princípios do caráter pessoal e da capacidade econômica individual, trazendo jurisprudências administrativas e judiciais nesse sentido, bem como a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos — TFR. e) Concluindo, requer seja declarado nulo o auto de infração admitindo-se as razões de fato e de direito apresentadas, bem como os lançamentos contábeis idôneos que desconstituem as acusações presentes no AIIM. o relatório. Voto Conselheira Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Relatora Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da d. DRJ de Salvador que confirmou autuação fiscal de omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada, no exercício de 1999, ano calendário 1998. A principio cabe aduzir que o Recurso atende o requisito de admissibilidade constante no Decreto 70.235/72, portanto dele tomo conhecimento. A recorrente não junta provas em fase recursal alegando matéria de direito que passo a analisar. Sigilo Bancário Alega o recorrente que a Lei Complementar 105/01 que previu a possibilidade de acesso direto pela Administração Tributária aos dados bancários dos contribuintes é inconstitucional, Quanto a referida arguição entendo que a partir da Lei Complementar 105, de 10/01/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, tal procedimento por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários dos Entes Federados possui amparo legal, de acordo com o Art. 6°, in verbis: "Art. 6"As autoridades e os agentes fiscais tributários da Unido, dos Estados', do Distrito Federal e dos Municípios' somente 4 Processo n° 19515 003145/2003-41 S2-C2T1 Acórdão n° 2201-00722 Fl 3 poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações .financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente . Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." Ademais não cabe a este Colegiado analisar inconstitucionalidades de leis, conforme trata a Súmula abaixo transcrita: Súmula CARF N 2 2 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto não acato tal argumento do recorrente. Retroatividade da Lei 10.174/2001 Alega ainda o recorrente que a Lei 10.174/01 que deu nova redação ao § 30 do art. 11 da Lei 9.311/96, permitindo que as informaçOes bancárias dos contribuintes sejam utilizadas para instauração do procedimento fiscal tendente a verificação da existência do credito tributário, não poderia ter aplicação retroativa. Tal matéria também encontra-se sumulada neste Colegiado administrativo de modo que não merece ser considerada. Súmula CARF N 2 35 0 art. 11, § 32, da Lei 1V2 9,311/96, com a redação dada pela Lei NE 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente, Presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 Quanto ao mérito da autuação fiscal, alega o recorrente que a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96 jamais pode ser resultado de simples iniciativa do legislador, devendo conter uma correlação fática e natural que a autoriza, o que não ocorreu no presente caso, tendo ern vista não haver correlação entre depósitos e rendimentos omitidos, pois o fato desconhecido pode ser de outra natureza. Ocone que, no meu parecer, o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação Irbil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Esse dispositivo legal atribui ao sujeito passivo o ônus de provar a origem dos depósitos bancários constatados pela autoridade fiscal, sob pena de se presumir que referidos valores configuram omissão de rendimentos. 5 Pelo exposto, voto n entido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. C Jana'/ Mesquita Lourenço de Souza I A legislação complementar autoriza a incidência do imposto de renda sobre base presumida, conforme artigo 44 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "Art.. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.." Assim, em sede de julgamento administrativo conclui-se que o lançamento baseado na presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 não ofende a legislação do imposto de renda, pois ela própria alberga a previsão utilizada pela autoridade lançadora de tributar os depósitos bancários sem origem comprovada como rendimentos presumidamente omitidos., "Art. 42 Caracterizam-se tambêni omissão de receitaou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jitridica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações § 1" 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido sera considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituigao,financeira, § 2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ao as normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente a época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados I- os decorrentes de transferencias de outras contas da própt ia pessoa finca ou jurídica; - no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (do2e mil reais). § 4" Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente a epóca em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. " Portanto, o ônus da prova 6. cabível ao contribuinte que não logrou provar a origem dos depósitos bancários apontados na autuação fiscal e por se tratar de uma autuação meramente baseada em matéria de prova todos os demais argumentos do contribuinte cai por terra por não passarem de meras alegações sem força probante para ilidir o trabalho fiscal.
score : 1.0
Numero do processo: 10768.011134/2001-27
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1992 a 31/03/1999
RECURSO ESPECIAL PRIVATIVO DA PGFN. DECISÃO CONTRÁRIA À LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
Um dos requisitos de admissibilidade do recurso especial privativo da Fazenda Nacional é que o acórdão vergastado houvesse contrariado dispositivo de lei. Todavia, se este dispositivo veio a ser declarado inconstitucional pelo STF, inclusive, com a edição de súmula vinculante, não há a apontada violação a dispositivo de lei.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-000-945
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Carlos Alberto Freitas Barreto
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1992 a 31/03/1999 RECURSO ESPECIAL PRIVATIVO DA PGFN. DECISÃO CONTRÁRIA À LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL Um dos requisitos de admissibilidade do recurso especial privativo da Fazenda Nacional é que o acórdão vergastado houvesse contrariado dispositivo de lei. Todavia, se este dispositivo veio a ser declarado inconstitucional pelo STF, inclusive, com a edição de súmula vinculante, não há a apontada violação a dispositivo de lei. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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score : 1.0
Numero do processo: 10825.000756/2002-89
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU PARTE DO SALDO CREDOR DO IPI.
Comprovada a procedência do lançamento de oficio e inexistente saldo credor do IPI, não devem ser homologadas as compensações declaradas em virtude da inexistência de crédito remanescente.
Numero da decisão: 3401-003.844
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: Relator Leonardo Ogassawara de Araújo Branco
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU PARTE DO SALDO CREDOR DO IPI. Comprovada a procedência do lançamento de oficio e inexistente saldo credor do IPI, não devem ser homologadas as compensações declaradas em virtude da inexistência de crédito remanescente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.527 1 1.526 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.000756/200289 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.844 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria IPI Recorrente JOZZI DO BRAZIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ETIQUETAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU PARTE DO SALDO CREDOR DO IPI. Comprovada a procedência do lançamento de oficio e inexistente saldo credor do IPI, não devem ser homologadas as compensações declaradas em virtude da inexistência de crédito remanescente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 07 56 /2 00 2- 89 Fl. 383DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento, referente a créditos de IPI incidentes sobre a aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados a alíquota zero, nos termos da Lei nº 9.779/99 e Instrução Normativa SRF nº 33/1999, referente aos períodos de apuração de 01/01/1999 a 31/12/2001, no valor histórico de R$ 116.957,13. 2. Em 05/07/2006, foi fornecida pela Seção de Fiscalização (Sefis) da Delegacia da Receita Federal de Bauru (SP), a Informação Fiscal, situada às fls. 270 a 271, pelo AuditorFiscal José Carlos Perea reconhecendo o crédito de R$ 116.957,13, relativamente ao período de 01/01/1999 a 31/12/2001 e propondo, ao final, o encaminhamento do processo à SAORT local para prosseguimento. 3. Em 12/07/2006, foi proferido Despacho Decisório SAORT, situado às fls. 286 a 289, pela AuditoraFscal Rosana de Souza Rossi Mendes, que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, a título de Ressarcimento de IPI, conforme proposto e apurado na Tabela I, que integra o despacho em referência, subsidiado pela Informação Fiscal acima referida, no valor de R$ 116.95743. 4. A contribuinte, intimada do despacho decisório que homologou parcialmente o pedido formulado, por via postal, em 14/07/2006, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 308, interpôs, em 23/08/2006, Manifestação De Inconformidade, situada às fls. 313 a 324, requerendo, em síntese, a declaração de nulidade da decisão negatória (sic) de ressarcimento de crédito e não homologação das compensações. 5. Em 01/12/2006, foi proferido o Acórdão DRJ nº 1414.386, situado às fls. 330 a 336, de relatoria do AuditorFiscal Marcelo de Camargo Fernandes, no qual a 2ª Turma de Julgamento da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) decidiu, por unanimidade de votos, pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU PARTE DO SALDO CREDOR DO IPI. Comprovada a procedência do lançamento de oficio e inexistente saldo credor do IPI, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito contra a SRF. 6. A contribuinte foi intimada em 23/01/2007, por via postal, em conformidade com o aviso de recebimento situado às fls. 342 e 343. 7. O sócio administrador do sujeito passivo, Josoel Soubhie Giannoti, que subscreveu a manifestação de inconformidade, foi intimado em 09/02/2007, por via postal, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 346. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10825.000756/200289 Acórdão n.º 3401003.844 S3C4T1 Fl. 1.528 3 8. Em 02/03/2007, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, situado às fls. 348 a 359, argumentando, em síntese, a necessidade de reforma da decisão recorrida. 9. Em 25/05/2010, foi proferida a Resolução CARF nº 340100040, situada às fls. 362 a 363, de relatoria do Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda, em que esta turma, por unanimidade de votos, resolveu converter o julgamento em diligência para aguardar o desfecho do processo nº 15889.000135/200606, que, na análise do voto do Relator, "(...) trata da exigência do IPI e que, segundo consigna a própria decisão recorrida, a análise primeira daquele teria levado à insuficiência de créditos que afirma a recorrente ter em seu favor e a fiscalização, a contrario senso, afirma que esses (créditos) seriam inexistentes". 10. Em 20/08/2014, a unidade emitiu o Despacho Eletrônico de fl. 379, informando o desfecho do Processo Administrativo nº 15889.000135/200606: “Por meio da Resolução 34010040 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, o julgamento deste processo foi convertido em diligência para aguardar o desfecho do processo 15889.000135/200606. Em pesquisa no SIEF, constatase que esse processo teve impugnação julgada DRJ/ Ribeirão Preto que considerou o lançamento procedente, o contribuinte não recorreu dessa decisão e o débito foi encaminhado à PFN. Consultando a intranet da PFN, verificase que esse processo gerou duas inscrições em Dívida Ativa e ambas foram objeto de parcelamento (Lei 11.941). Todas as telas foram juntadas aos autos, fls. 370/378. Assim, entendo que o processo 15889.000135/200606 já tenha tido decisão administrativa final. Dessa forma, retorno o processo ao CARF para prosseguir na análise do recurso voluntário” – (seleção e grifos nossos). 11. O processo foi devolvido a este Conselho e distribuído à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 385DF CARF MF 4 12. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 13. Observase que a discussão se resume aos valores não reconhecidos pelo Despacho SART em virtude de terem sido utilizados para compensar débitos apurados no curso da fiscalização que culminou com lavratura de auto de infração em discussão no Processo Administrativo nº 15889.000135/200606, conforme se extrai da informação fiscal referida no relatório que integra o presente acórdão: “O ressarcimento pleiteado, conforme pedido de fls. 01, 03 e 05 referese a crédito do IPI incidente na aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, nos termos do disposto no artigo 164, inciso I do RIP1, Decreto n° 4.544 de 26/12/2002, cujo pedido achase formalizado nos termos da INSRF n°210/2002. O valor glosado do período 01/01/1999 a 31/12/1999 e 01/01/2000 a 31/12/2000, encontrase demonstrado às fls. 215 a 227, e referem a saídas de mercadorias que deveriam ser tributadas pelo IPI e também a Glosa de Credito conforme discriminação. A empresa foi objeto de autuação referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, através do processo administrativo n°. 15889.000135/200606 (fls. 235 a 253), sendo que parte dos créditos apurados no período de 01/01/2001 a 31/12/2001, foram compensados com os débitos apurados pela fiscalização. O saldo credor ao final do período em que se pleiteia o ressarcimento do IPI é de R$ 116.957,13, conforme Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal de fls. 232. No campo 4 dos Pedidos de Ressarcimento, consta declaração de que a empresa não está litigando sobre matéria que possa alterar os presentes pedidos. Verificamos que os créditos encontramse escriturados no livro Registro de Apuração do IPI n° 03, 04 e 05, cujo Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal, encontrase às fls. 228 a 234. O direito ao aproveitamento dos créditos do IPI decorrentes da aquisição de Matéria Prima, Produtos Intermediários e Material de embalagem alcança somente os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 10 de janeiro de 1999 (art. 11 da Lei 9.779/99, INSRF n 33/99). Pelo exposto e concluídos os trabalhos de fiscalização do IPI no estabelecimento supra, somos de parecer, s.m.j., que procede parcialmente Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10825.000756/200289 Acórdão n.º 3401003.844 S3C4T1 Fl. 1.529 5 ao pleito, como demonstra a Reconstituição da Escrita Fiscal do Livro Registro de Apuração do IPI. Assim, a empresa faz jus ao ressarcimento de R$ 116.957,13 (Cento dezesseis mil, novecentos e cinqüenta e sete reais e treze centavos), relativamente ao período de 01/01/1999 a 31/12/2001” – (seleção e grifos nossos). 14. Em igual sentido, o Despacho Decisório SAORT, que, no cálculo do valor a ser ressarcido à contribuinte no presente processo, glosou justamente a parcela dos créditos apurados no período de 01/01/2001 a 31/12/2001 que foram compensados com os débitos apurados pela fiscalização no Processo Administrativo nº 15889.000135/200606, de maneira a apurar o mesmo valor encontrado pela informação fiscal, conforme demonstrativo abaixo: 15. A unidade, no cumprimento de diligência determinada por esta turma por meio de Resolução, constatou que a contribuinte teve a sua impugnação julgada improcedente no Processo nº 15889.000135/200606 e, além de não apresentar o recurso voluntário cabível, depois de ter tais débitos inscritos em dívida ativa, aderiu ao programa de parcelamento incentivado da Lei nº 11.941/2009. 16. Assim, tendo em vista o desfecho do processo administrativo em referência, correta a decisão recorrida, não merecendo prosperar o recurso em análise. Assim, com base no exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 387DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.003168/2005-07
Data da sessão: Fri Jun 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1999
ANISTIADO POLÍTICO - ISENÇÃO - VIGÊNCIA - Os rendimentos
recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei n°. 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002.
INCONSTITUCIONALIDADE — INCOMPETÊNCIA DO CARF
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 10 do CARF).
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2102-000.699
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos tenros do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Carlos André Rodrigues Pereira Lima
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INCONSTITUCIÕNALIDADE — INCOMPETÊNCIA DO CARF O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 10 do CARF). Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e dielftidos o§, presentes autos. Acordam os inOibros do Co,é giado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos tenros do voto 1 /10 elator. Exercício: 2000 PROVENTOS. ANISTIADO POLITIC 2 Processo n° 10730.003168/2005-07 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.699 Fl, 118 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rubens Maurício Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório - Cuida-se de recurso voluntário de fls. 91 a 109, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 76 a 83, que julgou procedente em parte o lançamento de IRPF relativo ao ano-calendário 1999, lavrado em 01/03/2005 (fl.07 a 12), do qual o contribuinte teve ciência em 17/06/2005 (fl. 40 dos autos). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 2.437,53, já inclusos juros de mora (até o mês de lavratura) e multa de oficio de 75%. O lançamento originou-se em face da omissão de rendimentos percebidos do Comando da Marinha, no valor de R$ 60.261,96, declarados como isentos pelo contribuinte. Ademais, a Autoridade Fiscal apurou dedução indevida a título de imposto complementar no valor de R$ 929,98, vez que não houve comprovação do respectivo pagamento pelo contribuinte (fl. 10). Deste modo, houve o translado dos rendimentos declarados como isentos para o campo dos rendimentos tributáveis. Assim, foram alteradas as seguintes linhas da declaração do contribuinte: (i) rendimentos recebidos de pessoas jurídicas de R$ 8.676,72 para R$ 68.938,68; (ii) imposto complementar (pago) de R$ 929,98 para R$ 0,00; e (iii) rendimentos isentos/não-tributáveis de R$ 60.265,80 para R$ 3,84. Em razão destas alterações, foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 929,98 (fl. 08). Em 05/07/2005, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 a 05 alegando, em suma, que em razão de sua condição de anistiado político (declarado pela Portaria do Ministério da Justiça n° 223, de 10/03/2003), os valores recebidos a título de indenização a anistiado político, incluindo as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza, estariam isentos do imposto de renda, nos termos do Decreto n° 4.897/2003 c/c o art. 9°, parágrafo único, da Lei n° 10.559/2002. O contribuinte, juntou documentos que entende comprovar a sua condição de anistiado político, demonstrando que o requerimento de anistia fora registrado em 05/04/2002. Assim, em razão da prescrição qüinqüenal, o contribuinte apresentou, em 24/10/2003, Declarações Retificadoras dos anos-calendários 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, consignando os valores de imposto de renda a serem restituídos. Assim, o contribuinte requereu a improcedência do lançamento e o reconhecimento e restituição das quantias pagas a título de imposto de renda, inclusive o valor pego a título de saldo do imposto de renda referente ao ano-calendário 1999, em razão de sua condição de anistiado político. DA DECISÃO RECORRIDA A DRJ, às fls 76 a 83 dos autos, julgou o lançamento procedente em parte, através de acórdão com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Processo n° 10730.003168/2005-07 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.699 Fl. 119 Os valores percebidos mensalmente antes de 29 de agosto de 2002 (vigência da Medida Provisória n° 65, de 28 de agosto de 2002), a título de remuneração que o anistiado político receberia se houvesse permanecido no emprego, mesmo que denominado de caráter indenizató rio, constitui rendimento tributável na fonte e na declaração de ajuste anual, por inexistir dispositivo legal concedendo a isenção, IMPOSTO COMPLEMENTAR. Mantém-se a glosa do valor pleiteado a título de imposto complementar. Os valores pagos serão utilizados para quitar o imposto apurado. PAGAMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFICIO. COBRANÇA. Se houve o pagamento, não cabe à autoridade fiscal lavrar auto de infração para cobrar multa de oficio e juros de mora sobre a parcela do imposto liquidado. Lançamento Procedente em Parte" Nos termo do voto do referido julgamento, a DRJ alegou que a legislação que dispõe sobre isenção deve ser interpretada literalmente, como determina o art. 111 do CTN. Sendo assim, até a edição da Medida Provisória n°65 de 2002, de 28 de agosto de 2002 (posteriomiente convertida na Lei n° 10.559/2002), não havia dispositivo legal que isentasse do imposto de renda a remuneração mensal percebida por anistiado político. No presente caso, o fato gerador do imposto de renda ocorreu em 1999, antes da vigência da Medida Provisória n°65 de 2002, logo a eles não se aplica o beneficio da isenção concedido por tal Medida Provisória. A respeito do imposto complementar, a DRJ entendeu que deve ser mantida a glosa do mesmo, efetuada pela Autoridade Fiscal, vez que o contribuinte considerou que a quantia paga a título de saldo de imposto referente ao ano-calendário 1999, no valor de R$ 929,98, seria o imposto complementar ora cobrado, o que não deve prevalecer. Por outro viés, a DRJ entendeu que imposto já pago (R$ 929,98) deve ser aproveitado para quitar o crédito tributário do presente lançamento, visto que a Autoridade Julgadora reconheceu o recolhimento da quantia a título de saldo de imposto a pagar do ano- calendário em questão. Uma vez confirmado o pagamento, não caberia à Autoridade Fiscal lavrar auto de infração para cobrar multa e juros de mora, eis que não há saldo de imposto a pagar. Assim, o lançamento foi julgado procedente em parte, no sentido de manter integralmente o imposto suplementar e exonerar a multa de ofício, na proporção do imposto liquidado pelos pagamentos efetuados pelo interessado, relativos ao saldo de imposto a pagar apurado na declaração primitiva do ano-calendário 1999, devendo ficar a cargo do setor de cobrança da unidade de origem a observância dos pagamentos antes mencionados, para amortização do crédito tributário mailt4lo após o julgamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 3 Processo n° 10730.003168/2005-07 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.699 Fl. 120 O contribuinte, devidamente intimado da decisão em 09/07/2007, conforme "Aviso de Recebimento — AR" de fl. 90 dos autos, apresentou recurso voluntário de fls. 91 a 109, em 07/08/2007. - Em suas razões, o contribuinte ratificou as alegações de sua impugnação quanto à isenção de imposto de renda incidente sobre os proventos decorrentes de anistia política que, por serem de natureza indenizatória, não são tributáveis. Não concordou com o entendimento de que a isenção dos referidos valores recebidos pelos anistiados somente deve ser concedida a partir da Lei n° 10.559/2002, uma vez que as verbas de cunho indenizatório já não eram tributáveis pelo imposto de renda e que não era necessário o reconhecimento do beneficio de tal isenção por lei. Juntou também jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entendendo que o montante pago aos declarados anistiados políticos antes da Lei n° 10559/2002 também são isentos do imposto de retida. Alegou que o valor cobrado após o julgamento da DRJ (R$ 929,98) já foi devidamente pago, apontando como abuso de autoridade o ato de manutenção do lançamento quanto ao mencionado valor. O contribuinte requereu a prioridade da tramitação do processo com base no Estatuto do Idoso (Lei n° 10.741/2003). Este recurso voluntário compôs o 8° lote, sorteado para este i-elator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A controvérsia dos autos reside em serem ou não tributáveis os rendimentos recebidos pelo contribuinte, no ano calendário 1999, como anistiado político, ainda que antes da vigência da Lei n° 10.559/2002. A Constituição Federal de 1988, ao dispor sobre subsídio ou isenção tributária exige a edição de lei em sentido formal, assim: Art. 150 ,sS 6° (Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993) ,s5' 6° Qualquer subsídio ou isenção, r- edução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, fini prejuízo do disposto no artigo 155, ,sç 2°, XII, g. ,111 O C'TN, em seu art. 176, determina` 4 Processo n° 10730,003168/2005-07 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.699 Fl. 121 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. A isenção do IRPF pleiteada pelo RECORRENTE foi instituída pela Medida Provisória n° 65, de 28 de agosto de 2002 (DOU de 29/08/2002), logo depois convertida na Lei n° 10.559, de 13 de novembro de 2002 (DOU de 14/11/2002). No caso, vale transcrever o art. 9° da Lei n° 10.559/2002: Art. 9(1 Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de assistência ou findos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias. Parágrafo único. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda. Como já debatido neste CARF, entendo a isenção do IRPF sobre os rendimentos concedidos pelo Estado brasileiro a anistiados políticos só passou a vigir a partir de 29/08/2002, quando da publicação da Medida Provisória n° 65/2002 (convertida na Lei n° 10.559/2002). Nesse mesmo sentido, as ementas adiante transcritas servem como exemplos dos precedentes deste CARF: "IRPF - RENDIMENTOS DE ANISTIADOS POLÍTICOS - ISENÇÃO - TERMO DE INICIO — Os valores relativos a aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza, pagos em função de anistia política anteriormente à edição da Lei n°. 10.559, de 2002, não são isentos do Imposto de Renda a partir de 29/08/2002 (Decreto n". 4.897, de 2003). Recurso negado. (Recurso 147334; julgado em 26/07/2006)" "ANISTIADO POLÍTICO - ISENÇÃO - VIGÊNCIA — Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei n°. 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002- INCONSTITUCIONALIDADE — O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n°. 2). Recurso negado. (Recurso n°154158; julgado em 25/04/2007)" Quanto à defesa do RECORRENTE para considerar-se indenização os valores concedidos pelo Estado brasileiro aos anistiados políticos, entendo que as indiscutíveis razões políticas e morais para a concessão dos valores não são suficientes para afastar o rendimento da tributação do IRPF; sendo rendimentos isentos, como dito, somente a partir da 29/08/2002, quando da publicação da Medida Provisória n° 65/2002. Cumpre obse ar que, nos termos das guias de recolhimento às fls. 29 e 30, ot RECORRENTE já efetuou jo gamento do saldo do imposto relativo ao ano-calendário de 1999 no valor de R$ 929,9817 fi André RodrtguePereira Lima Processo n° 10730.003168/2005-07 Acórdão n.° 2102-00.699 - S2-C1T2 Fl. 122 Assim, deve-se esclarecer que o lançamento deve ser mantido no tocante ao imposto de renda suplementar, uma vez que o RECORRENTE apresentou declaração retificadora que, quando corrigida de oficio pela Autoridade Fiscal, resultou em saldo de imposto a pagar. Deste modo, pelo fato de o lançamento ser atividade vinculada e obrigatória, sob pela de responsabilidade funcional da Autoridade Fiscal, foi lavrado o presente auto de infração. Porém, com o reconhecimento do pagamento da parcela do imposto apurado, a DRJ já excluiu do lançamento a multa de oficio e os juros de mora, mantendo apenas o imposto suplementar, e mencionou ainda que deveria ficar a cargo do setor de cobrança da unidade de origem, a observância dos pagamentos relativos ao imposto de renda do exercício em questão, para amortização do crédito tributário mantido neste julgamento. Correta está, portanto, a decisão recorrida. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo na íntegra a decisão recorrida. 6
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000868/2007-11
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
DEPÓSITO BANCÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DISPONIBILIDADE
ECONÔMICA.
Quando o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja, a disponibilidade econômica a que se refere o art. 43 do CTN.
DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-002.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) DEPÓSITO BANCÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA. Quando o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja, a disponibilidade econômica a que se refere o art. 43 do CTN. DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 08 68 /2 00 7- 11 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.000868/200711 Acórdão n.º 2102002.341 S2C1T2 Fl. 316 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOSÉ CARLOS NASCIMENTO DA SILVA foi lavrado Auto de Infração, fls. 05/10, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2003 e 2004, exercícios 2004 e 2005, no valor total de R$ 626.793,61, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 28/02/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Relatório Fiscal, fls. 11/14, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 140/146, que está assim resumida no Acórdão DRJ/JFA nº 0925.432, de 31/07/2009, fls. 227/232: 1 Afirma que, como pessoa física, exerce a atividade de profissional autônomo (taxista) e, como pessoa jurídica, empresário individual, exerce as atividades constantes do CNAE Fiscal 51.365/02; 2 Faz uma pequena narrativa dos fatos que se sucederam durante a fase de fiscalização, destacando que: • nenhuma dificuldade opôs e nada ocultou do Fisco; Fl. 326DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.000868/200711 Acórdão n.º 2102002.341 S2C1T2 Fl. 317 3 • o tipo e a qualidade de papel utilizado pelos estabelecimentos bancários, principalmente aqueles utilizados em caixas diretos ou terminais eletrônicos, não resiste à ação do tempo. Ante a impossibilidade de oferecer ao Fisco elementos legíveis, recorreu aos bancos, na certeza de que cópia de cada transação efetuada, e não simples extratos, lhe fosse remetida; • o AuditorFiscal acolhe o argumento dos bancos, que confessam impossibilidades para atendimento pleno do que lhes foi solicitado (fornecimento de cópias dos documentos de créditos levados à minha conta); • Ressalta que os estabelecimentos cobram tarifas específicas por cada operação; • Se os estabelecimentos bancários não atenderam ao solicitado pelo Fisco, muito menos o fez na forma requerida pelo contribuinte; 3 Insurgese, parcialmente, contra o lançamento sob o argumento de que "os valores apontados pela Receita Federal do Brasil são da inteira responsabilidade de José Carlos Nascimento da Silva PESSOA JURÍDICA (...)"; 4 Afirma que nas contas mantidas no Banco do Brasil e Banco Bradesco, efetuava toda a sua movimentação financeira, produto de suas duas atividades (taxista e empresário individual); 5 .Tem ciência de que tal procedimento acarretou recolhimento a menor dos impostos e contribuições de competência do regime simplificado e de responsabilidade de sua atividade empresarial; 6 Requer que sejam canceladas as penalidades aplicadas na pessoa física e lançadas na pessoa jurídica as diferenças apontadas no Relatório Fiscal, deduzidas as importâncias declaradas mensalmente. Para tanto, anexa planilha com os valores que confessa e deve na condição de empresário individual; 7 Afirma que não possui outras fontes de receita, salvo empréstimos emergenciais e/ou limites de crédito bancário cheque especial, na condição de pessoa física; 8 Alega, por fim, que "é hábil e idônea a origem de toda a sua movimentação bancária que ora é demonstrada". A DRJ Juiz de Fora/MG julgou, por unanimidade de votos, a impugnação improcedente. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/08/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 237, o contribuinte apresentou, em 28/09/2009, recurso voluntário, fls. 243/258, onde reitera os mesmos argumentos apresentados na impugnação, acrescentando o que se segue: A autoridade fiscal optou pela presunção relativa de omissão de renda ao invés de usar sua força para verificar o alegado pelo contribuinte. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.000868/200711 Acórdão n.º 2102002.341 S2C1T2 Fl. 318 4 A autuação com base apenas no somatório de depósitos bancários, além de violar garantias constitucionais, criou fato gerador de tributo não previsto no art. 43 do CTN, de modo que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 é flagrantemente inconstitucional. Os sinais exteriores de riqueza imprescindíveis para que, em tese, se pudesse tributar os depósitos bancários como rendimentos omitidos, não foram, nem de longe, demonstrados pelo Fisco. É o Relatório. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.000868/200711 Acórdão n.º 2102002.341 S2C1T2 Fl. 319 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de valores cuja origem não foi comprovada e o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações posteriores introduzidas pelos arts. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997 e 58 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. No recurso, o contribuinte afirma que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 é inconstitucional e que a autuação com base apenas no somatório de depósitos bancários criou fato gerador de tributo não previsto no art. 43 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Ocorre que, conforme disposto na Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, este colegiado está impedido de examinar a constitucionalidade de leis tributárias: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não será examinada neste voto a constitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, suscitada pelo recorrente. Notese que, a partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ressaltase que quando o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja, a disponibilidade econômica a que se refere o artigo 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Logo, as alegações apresentadas pelo contribuinte, quanto à inocorrência do fato gerador do imposto de renda, em decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada, falecem de sustentação jurídica. O contribuinte argúi, ainda, que a demonstração dos sinais exteriores de riqueza são imprescindíveis para que se possa tributar os depósitos bancários como rendimentos omitidos. Tal alegação não pode prosperar, dado que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.000868/200711 Acórdão n.º 2102002.341 S2C1T2 Fl. 320 6 dos recursos que transitaram, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Aliás, este é o entendimento esposado na Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) No mérito, o recorrente afirma que é taxista e também titular da firma individual José Carlos Nascimento da Silva, que os recursos movimentados em suas contas bancárias advêm destas atividades e que de fato houve omissão de receitas por parte da firma individual. Aduz, ainda, que a autoridade fiscal optou pela presunção relativa de omissão de renda ao invés de usar sua força para verificar o alegado pelo contribuinte. De pronto, devese observar que o contribuinte somente trouxe a alegação de que os créditos efetivados em suas contascorrentes eram fruto de sua atividade de taxista e da firma individual, da qual é o titular, na fase de impugnação. Durante o procedimento fiscal, limitouse a apresentar os extratos bancários e também alguns comprovantes de depósitos sobre os quais a autoridade fiscal assim se pronunciou no Relatório Fiscal: 10 As justificativas apresentadas pelo contribuinte para comprovar a origem dos recursos creditados/depositados em suas contas bancárias nos anoscalendário de 2003 e 2004 se restringiram a apresentação de documentos do Banco do Brasil e do Banco Bradesco. 11 O Banco do Brasil informa que praticamente todos os créditos recebidos referemse a depósitos efetuados em guichê de caixa ou terminais de auto atendimento, sendo impossível a identificação dos depositantes. 12 Os documentos do Banco Bradesco referemse a segunda via de comprovante de depósito/transferência. Os comprovantes, em praticamente 100% dos casos, não identifica os depositantes, quando muito identifica os cheques depositados. Como se vê, em nenhum momento o contribuinte informou à autoridade fiscal que os recursos movimentados em suas contascorrentes advinham da firma individual da qual era o titular, tampouco que a referida pessoa jurídica incorrera em omissão de receitas. Conforme, já afirmado, tais esclarecimentos somente foram prestados quando da apresentação da impugnação. Logo, não pode prosperar a argüição do recorrente de que a autoridade fiscal optou pela presunção de omissão de rendimentos em lugar de aprofundar a investigação para ver comprovada ou não a alegação do recorrente, posto que nenhum esclarecimento sob a origem dos recursos foi prestada à autoridade fiscal durante o procedimento fiscal. Por outro lado, quando da apresentação da impugnação e do recurso o contribuinte juntou aos autos apenas a Declaração Anual Simplificada da referida pessoa jurídica, relativa aos anoscalendário 2003 e 2004, as quais não se prestam para comprovar a origem dos recursos depositados nas contascorrentes do contribuinte. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.000868/200711 Acórdão n.º 2102002.341 S2C1T2 Fl. 321 7 Aliás, o parágrafo 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, somente admite a mudança da sujeição passiva para pessoa não titular da conta bancária quando devidamente provado que os valores creditados pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa. Deste modo, a simples declaração do contribuinte de que os valores depositados em suas contas bancárias pertencem a firma individual da qual é titular, sem a devida apresentação de documentos que as corroborem, não basta, mormente quando a alegação de uso das contas bancárias por terceiros somente foi trazida à baila pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação. Determinada a inversão do ônus da prova pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é de responsabilidade exclusiva do contribuinte comprovar suas alegações. Tal entendimento encontrase amparado no teor da Súmula CARF nº 32, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Temse, portanto, que permanece não comprovada a origem dos depósitos levados à tributação, de sorte que se deve manter a infração de omissão de rendimentos, nos termos em que consignada no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10850.901548/2013-44
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.506
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Compensação de crédito contribuição não foi homologada por despacho decisório eletrônico, vez que o DARF teria sido integralmente utilizado para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14060.768. Intimado desta decisão, apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 01 54 8/ 20 13 -4 4 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10850.901548/201344 Resolução nº 3402001.506 S3C4T2 Fl. 101 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98; (ii) que as provas anexadas pela Recorrente seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, baseado nas receitas financeiras indicadas no balanço (contribuinte anexou planilha de cálculo, balancete e livro razão à Manifestação de Inconformidade). Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.505 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.901549/201399, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.505): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98, especificamente quanto ao período de apuração de 10/2003. Como bem apontado pela r. decisão recorrida, "a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo." No presente caso, a Recorrente apresentou aos autos parte dos documentos contábeis que aduzem o pagamento a maior de COFINS sobre as parcelas que fugiriam ao conceito de faturamento, por não corresponder “à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”1. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade, dentre os quais cópia dos documentos contábeis e da memória de cálculo da COFINS paga e 1 BRASIL. STF. RE 346084, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, publicado em 01/09/2006. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10850.901548/201344 Resolução nº 3402001.506 S3C4T2 Fl. 102 3 devida no período. Com base nesses documentos e outros que entender pertinente, a autoridade fiscal terá elementos para elaborar relatório fiscal avaliando a existência e validade do crédito pleiteado, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos). Importante salientar que não está claro nos autos como o contribuinte aproveitou o crédito e qual seria o saldo remanescente do crédito efetivamente passível de aproveitamento na DCOMP objeto do presente processo, sendo crucial que se esclareça quais DCOMPs e quais processos administrativos estariam relacionados ao mesmo crédito. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10850.901548/201344 Resolução nº 3402001.506 S3C4T2 Fl. 103 4 informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo do PIS Cumulativo do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito do PIS Cumulativo do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo do PIS Cumulativo ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10850.901548/201344 Resolução nº 3402001.506 S3C4T2 Fl. 104 5 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.001691/00-02
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Mantém-se o lançamento, devidamente consubstanciado, quando o contribuinte não traz em sua defesa razões capazes de elidir o feito.
Numero da decisão: 2102-000.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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