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Numero do processo: 10166.009207/2002-81
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1998
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 1803-001.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10166.009207/200281 Acórdão n.º 180301.121 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de auto de infração eletrônico, relativo a CSLL do 4º trimestre de 1998, originado na auditoria interna da DCTF com apuração de irregularidades nos créditos vinculados e informados na mesma. Devidamente cientificada, a recorrente apresenta suas razões de impugnação aduzindo em apertada síntese que a autuação não tem informações claras e específicas, impossibilitando o contraditório e a ampla defesa, por isso pede a nulidade do auto. No mérito, informa que diante das dificuldades financeiras que assolam a grande maioria das empresas, só conseguiu pagar parte do valor devido e não a sua integralidade. No mesmo caminho, alega que a multa é exorbitante e ilegal, bem como os juros cobrados e salienta que não tem como arcar com o principal e muito menos com os acessórios. Refere que o Auto de Infração aplica a multa pelo lançamento de oficio e que mesmo que tal penalização esteja prevista na legislação ordinário, ela é incompatível e inadequado ao sistema jurídico pátrio e a estabilidade econômica gerada pelo Plano Real. Prossegue salientando que a hipótese noticiada na autuação refere à ocorrência de imposto lançado, confessado e pago espontaneamente, incabível é a aplicação de multa em período posterior. Observa que se está cobrando multa incidente de pagamento efetuado tempestivamente e dentro do permissivo legal e que ainda que o contrário fosse, o Supremo Tribunal Federal já considerou como confiscatória multa em nível de 100%, imaginese esta que atinge patamares esdrúxulo. Atenta para a jurisprudência consagrada no judiciário de que esta não deixa dúvida quanto à total improcedência da multa aplicada, principalmente se levarmos em conta, que, caso tivesse ocorrido o atraso noticiado na autuação, isto é, atraso de 01 (um) dia, no máximo, a penalidade deveria abranger este período. A respeito da espontaneidade, a recorrente cita jurisprudência a respeito. No que tange à taxa SELIC, a recorrente assevera que o lançamento fiscal achase agravado por um exorbitante valor, a titulo de juros, calculados pela taxa da SELIC, que supera em determinados períodos a 2,5% ao mês e entende que essa sistemática contraria o art. 192 da Constituição Federal, ao superar os juros legais de 1% ao mês, e também do previsto no art. 161 do CTN. Salienta que o Superior Tribunal de Justiça, afastou a aplicação Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10166.009207/200281 Acórdão n.º 180301.121 S1TE03 Fl. 113 3 da SELIC, por entender ilegal a sua incidência em créditos fiscais. Cita jurisprudência sobre o tema e requer, ao final, o cancelamento do auto de infração. A autoridade julgadora de primeira instância ao julgar o feito dispôs em seara de preliminares que o lançamento não se encontra nulo porque atendeu a todas as formalidades exigidas no artigo 10 do Decreto 70.235/72. No mesmo caminho entendeu que não cerceou ou impediu a ampla defesa da contribuinte, visto que essa pode e apresentou suas razões em seara de impugnação aplacando todos os itens dispostos no auto de infração. Ainda, aduz que preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração, sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente caracterizada e demonstrada. Quanto ao mérito, o julgador a quo atenta a autoridade que o valor referido pela recorrente como pago em parte, na realidade foi alocado ao seu devido pagamento, estando pois a cobrança do presente auto de infração totalmente a descoberto, ou seja, ainda pendente de pagamento. E no que diz respeito às dificuldades econômicas da empresa contribuinte, observa a autoridade que a atividade de lançamento é vinculada à lei e ponderações dessas jaez fogem da alçada dessa Instância de Julgamento. No tangente aos seus argumentos com os quais contesta a multa de oficio e os juros consignados no lançamento, a autoridade de primeira instância consigna que os valores exigidos estão previstos no caput do art. 44 e inciso I, § 1º, inciso I e, arts. 43, parágrafo único e 61, parágrafo terceiro da Lei 9.430/96. Assim, a cobrança da multa de oficio e dos juros é amparada por lei que se encontra em pleno vigor, não tendo o julgador de 1ª instância administrativa competência para apreciar argüições contra a sua cobrança. No mesmo caminho, o julgador a quo frisa que o ilícito fiscal posto no auto de infração não está alcançado pelo art. 138, do CTN. Segue referindo que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) durante anos, permitiu a exclusão de todos as multas nas hipóteses de o contribuinte pagar seu o debito antes de qualquer procedimento de fiscalização, mas que ultimamente, o STJ tem sistematicamente modificado seu posicionamento anterior, no sentido de praticamente inviabilizar a aplicação do instituto. Cita os RR. EE. no 378.795, 169.738 e, "in casu", especificamente o R.E n° 624.772. Segundo o Tribunal Superior, nesses casos, o fisco já teria conhecimento da inadimplência do credito auto constituído pela entrega da DCTF — o que descaracterizaria a espontaneidade. Ocorre que, agora o informativo do STJ número 233 diz não caber a denúncia nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação — que é o caso objeto da lide — Contribuição Social sobre o Lucro Liquido e assim a autoridade julgadora a quo orienta o seu voto por não conceder a espontaneidade na questão. O julgador atenta para a competência restrita da esfera administrativa nas questões que envolvam a constitucionalidade de lei, porquanto estar adstrito à aplicação da lei tão somente. Cita jurisprudências desse Egrégio Conselho nesse sentido, de norma e de alguns doutrinadores. Por fim, julga procedente o auto de infração. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresenta suas razões em seara de Recurso Voluntária de forma tempestiva em que aduz, em apertada síntese, que a decisão passada desconsiderou o pagamento efetuado pela recorrente, ainda que em parte. Prossegue a empresa contribuinte aduzindo que uma vez tendo apresentado a DCTF tempestivamente e espontaneamente, esta dispensa o auto de infração e a multa de ofício, fazendo jus a espontaneidade. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10166.009207/200281 Acórdão n.º 180301.121 S1TE03 Fl. 114 4 Salienta que no caso em que a recorrente denunciou espontaneamente o valor do crédito fiscal, através de cumprimento de obrigação formal acessória (DCTF), está configurada a confissão da divida e, por conseguinte, não há necessidade do "Auto de Infração" e da "multa de oficio". Requer a nulidade do auto de infração. Na mesma seara, aduz que o auto de infração eletrônico é nulo por ferir o Regulamento do Imposto de Renda no seu artigo 904 e 911, em que determina a vinculação pessoal do agente fiscal no domicilio do contribuinte. Assim, entende a recorrente que no caso presente o Auto de Infração realizouse através de lançamento eletrônico o que é insuficiente em seus aspectos formais, uma vez que não realizado de forma pessoal por auditor da Receita, bem como por não atender as formalidades legais do Decreto 70235/72, requerendo a sua nulidade. A recorrente também faz alusão à multa alegando que a mesma seria confiscatória, haja vista ferir o artigo 150 da Constituição Federal. No mesmo caminho refere ser inconstitucional a aplicação da taxa SELIC por ferir o artigo 192 da Constituição Federal. Por fim, pede a nulidade do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. A discussão no presente processo tratase de auto de infração relativo a CSLL do ano calendário de 1998 em que consta pagamento em aberto. Em outras palavras, a contribuinte declarou o débito, mas não efetuou o pagamento do valor referido como devido. Devidamente cientificada, a autuada não nega que deve a quantia, mas cinge se a referir que pagou parte do devido, em função de dificuldades financeiras. Quanto aos demais itens do auto de infração, a recorrente contrapõese à multa, à taxa SELIC e à regularidade do auto de infração, alegando inconstitucionalidades. Passo a dirimir as questões de constitucionalidades, alegadas pela recorrente, aduzindo que essa esfera administrativa não é competente para enfrentar o tema, posto que discussões desse porte, quais sejam, constitucionalidades de leis ou mesmo de artigos de leis são de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal. Assim, certo de que somente o Poder Judiciário pode manifestarse sobre aplicação da constitucionalidade de uma norma, a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais compete apenas aplicar as leis em vigor dentro do nosso ordenamento pátrio. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10166.009207/200281 Acórdão n.º 180301.121 S1TE03 Fl. 115 5 Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Neste contexto, entendo que o auto de infração foi perfeitamente lavrado e encontrase em conformidade com os determinantes legais para a sua formalização, haja vista que a empresa foi legalmente intimada, do contrário não teria apresentado suas razões de defesa em seara de impugnação e também em recurso voluntário. Ainda, o auto de infração encontrase dirigido ao sujeito passivo de direito, legitimamente constituído para recebêlo, consta a data e o local da sua lavratura, está descrito, de forma circunstanciada, o fato imponível do tributo está devidamente cobrado, bem como perfeitamente fundamentado com a capitulação estipulada na norma, na qual se enquadra a imputação legal. Tudo de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.232/72. Assim, descabida a argumentação de nulidade do auto pela recorrente sob essa fundamentação. Já no mérito, entendo que o auto de infração é procedente tendo em vista que a própria contribuinte, ora recorrente, afere que deve e não contrapõese, apenas manifestase no sentido de expor suas dificuldades financeiras. No tocante ao valor dito como pago, restou esclarecido, ao meu ver, que a parcela que ela refere como paga, na realidade foi alocada para pagamento de outro débito, mas não o referido nesse auto de infração. Como não foi juntada prova de que os valores tidos como devidos por esse auto de infração foram realmente pagos, fundamento a compreensão de que o auto de infração é procedente e deve ser mantido. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o voto. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/02/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 11070.002184/2004-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples
Ano-calendário: 2000
CEMITÉRIOS. SERVIÇOS DE GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO. OPÇÃO PERMITIDA.
A empresa que explora dos serviços de gestão e administração
de cemitérios pode optar pelo Simples, vez que tais serviços não
se confundem com a administração de imóveis.
Numero da decisão: 9101-001.139
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2000 CEMITÉRIOS. SERVIÇOS DE GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO. OPÇÃO PERMITIDA. A empresa que explora dos serviços de gestão e administração de cemitérios pode optar pelo Simples, vez que tais serviços não se confundem com a administração de imóveis.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1444; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11070.002184/200477 Recurso nº 338.578 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.139 – 1ª Turma Sessão de 02 de agosto de 2011 Matéria SIMPLES Exclusão Recorrente Fazenda Nacional Interessado João Elói Meller Filho Ltda. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Anocalendário: 2000 CEMITÉRIOS. SERVIÇOS DE GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO. OPÇÃO PERMITIDA. A empresa que explora dos serviços de gestão e administração de cemitérios pode optar pelo Simples, vez que tais serviços não se confundem com a administração de imóveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI 2 Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI 3 Relatório A D. Procuradoria da Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial, valendo se da prerrogativa que lhe é facultada pelo inciso I, do art. 7°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria n° 147, de 25.06.2007, contra a decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão n° 30239.750, assim ementado: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Anocalendário: 2000 CEMITÉRIOS. SERVIÇOS DE GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO. OPÇÃO PERMITIDA. A empresa que explora dos serviços de gestão e administração de cemitérios pode optar pelo Simples, vez que tais serviços não se confundem com a administração de imóveis. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" A PFN invoca contrariedade à lei e à prova dos autos, e pede reforma da decisão. Alega que a decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho contraria o art. 9º, XII, "h" da Lei n° 9.317/96, já que a atividade da empresa equivale à administração de imóveis e, portanto, enquadrase na vedação disposta naquele comando. Observa ainda, a título de esclarecimentos, tal como fizera a DRJ de Santa Maria, que a atividade de “construção de capelas”, embora não referida no Ato Declaratório Executivo, também veda a opção pelo Simples pelo disposto no inciso V do art. 9°, e seu parágrafo 4°, da Lei n°9.317/1996, que veda a opção à pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis. O Presidente da Primeira Seção de Julgamento admitiu o recurso, por atendidos os pressupostos legais que o legitimavam a época em que interposto. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Conforme se depreende do relatório, o contribuinte foi excluído do Simples, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SAO n° 549.015, de 02/08/2004 (fl. 09), com efeitos a partir de 01/01/2002, por exercer atividade econômica vedada, in casu, gestão e manutenção de cemitérios. A DRJ em Santa Maria /RS confirmou a exclusão ao argumento de que o exercício da atividade de administração de cemitérios está compreendido no conceito de administração de imóveis, e impede a opção pelo Simples. Em seu recurso voluntário o contribuinte esclarecera que a empresa foi constituída para exercer a atividade de atividade de "administração" tão somente do cemitério que é sua atividade fim, não exercendo a administração de outro ou outros, e a "construção" se restringe a capelas no próprio cemitério, cedendo o espaço e o adquirente realizando a obra, não realizando tal atividade para terceiros ou em local diverso daquele onde é exercida sua atividade. Refuta o entendimento da DRJ Santa Maria, que lhe atribui à exploração de atividades abrangidas por obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, quando na realidade tão somente exerce atividades funerárias, limitadas à administração de seu cemitério e cessão de espaço para construção de capelas, “as quais são adquiridas pelos respectivos adquirentes dos espaços”. Ao julgar o recurso voluntário, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho reportouse a decisões da DRJ em Campo Grande, no sentido de que “a empresa que explora os serviços de gestão e administração de cemitérios pode optar pelo Simples, vez que tais serviços não se confundem com a administração de imóveis”. Aduziu que, ademais, a fiscalização não comprovou que a empresa realiza atividade de construção de imóveis. In casu, o primeiro ponto a ser considerado no julgamento deste recurso especial é a delimitação do litígio. Não tendo a exclusão se fundado em exercício de atividades ligadas à construção civil, descabe qualquer apreciação quanto a essa matéria. Nem a DRJ, nem o CARF, tem competência para alterar o fundamento do ato administrativo da exclusão. O art. 9º, inciso II, alínea “c” da Lei nº 9.317/96, veda a opção pelo SIMPLES para a pessoa jurídica que realize operações relativas à locação ou administração de imóveis. De se observar que administrar é gerir negócio próprio ou alheio, públicos ou particulares, ou seja, exercer função de administrador. No Dicionário de Pedro Nunes, Livraria Editora Freitas Bastos, 12ª Edição, 1994, o verbete “administração” está assim descrito: ADMINISTRAÇÃO Conjunto de atos que disciplina o funcionamento, disciplinamento, conservação, e desenvolvimento de qualquer corpo patrimonial, para que produza os frutos naturais ou atinja eficientemente a sua distinção própria. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI 5 No Processo de interesse do Conselho Federal de Administração CFA 59/98, cujo assunto é “Nova orientação sobre fiscalização e registro das empresas Administradoras de Imóveis” o Conselheiro Relator Eduardo Borba Jorge de Novais assim define a atividade das empresas de Administração de Imóveis: “As empresas que atuam na área da Administração de Imóveis recebem de seus proprietários de imóveis o seu patrimônio para administrar. Podendo este patrimônio ser constituído por um ou mais imóveis. Com esta responsabilidade contratual, estas empesas irão administrar a carteira de imóveis dos seus clientes, sob vários aspectos de gestão administrativa, a saber: patrimonial, financeira e mercadológica. Administrar imóveis é administrar bens de terceiros. (...) Constituem atos administrativos destas empresas a gestão e manutenção deste patrimônio, a identificação das melhores oportunidades para aplicação de recursos financeiros oriundos da renda auferida, pesquisas de mercado para determinação de preços de aluguéis, pesquisa e definição de valores patrimoniais dos candidatos ao arrendamento dos imóveis, avaliação da oportunidade de propostas para funcionamento de determinado negócio em imóvel comercial, análise de modalidades de arrendamento, etc. (...) Conclui, afinal, (...) pela necessidade de registro nos Conselhos Regionais de Administração, das empesas que prestarem serviços e administração de condomínios ou que se dediquem à atividade de administração de imóveis para terceiros (...) Como sabido, cemitérios são bens imóveis, públicos ou privados, de uso especial, destinados ao sepultamento dos cadáveres ou restos mortais, sob o poder de polícia mortuária do município. A administração de cemitérios inserese na atividade de serviço funerário, serviço esse que, conforme lição de Hely Lopes Meirelles, é de competência municipal, por dizer respeito à atividade de precípuo interesse local, qual seja, a confecção de caixões, a organização de velório, o transporte de cadáveres e administração de cemitérios (in Direito Municipal Brasileiro, Editora Malheiros, 8ª edição, pág.322). Os cemitérios podem ser públicos, no sentido de pertencerem ao Poder Público, ou privados, caso em que a Administração Pública apenas exerce o Poder de Polícia. Os cemitérios privados guiamse pelo Direito Civil, não obstante seu funcionamento se sujeite à permissão do Poder Público Municipal, responsável por regulamentar, disciplinar e fiscalizar sua instalação e funcionamento regular. Já os cemitérios públicos, assim entendidos aqueles instalados em terreno público, dizem respeito ao Direito Administrativo, sendo administrados diretamente pelo Município ou explorados por terceiros, por intermédio de contratos de concessão. O desempenho de qualquer atividade implica um complexo de tarefas direcionadas a um fim. A administração de um cemitério tem por tarefas e atividades principais o sepultamento, a manutenção dos jazigos, campas, ossário, cinzário e tumbas, abarcando ainda tarefas auxiliares, entre elas limpeza, jardinagem, vigilância e segurança. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI 6 A administração do concessionário ou permissionário do cemitério alcança sua atividade fim, o sepultamento, a manutenção e todas as tarefas periféricas necessárias ao fiel desempenho da atividade, bem como a construção de capelas, templos, jazigos e a reciclagem de áreas obedecendo a critérios legais para a sobrevida do cemitério. Vêse, portanto, que os serviços de gestão e administração de cemitérios são atividade sui generis, não havendo como entender, tal como postula a douta PFN, reportando se à decisão da DRJ em Santa Maria, que e se confundem com a atividade de administração de imóveis. Isto posto, NEGO provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 02 de agosto de 2011. (assinado digitalmente). Valmir Sandri Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901945/2008-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO.
PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.
Período de Apuração: 01.04.2003 a 30.04.2003
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.316
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº
13.841.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.04.2003 a 30.04.2003 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº 13.841. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Inconformada com a r. decisão que deixou de homologar compensação, a empresa Telemar Norte Leste S/A, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, visando modificar o julgado que lhe teria sido desfavorável. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de Contribuição para PIS/PASEP, atinente ao período de apuração de 01.04.2003 a 30.04.2003 com débito da Contribuição para a COFINS. Por meio do Despacho Decisório, emitido eletronicamente, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Sustenta, em síntese, a recorrente, que merece reforma a r. decisão que indeferiu o direito de compensação pelas razões: 1) que a questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB; 2) na DCTF, o contribuinte deve fazer constar informações relativas a seus débitos apurados, bem como aos créditos a eles vinculados. Com sua entrega, o FISCO deverá verificar: (i) se todos os débitos estão vinculados a pagamentos; (ii) se o valor do débito é maior do que o valor do crédito tributo em aberto; (iii) se existem mais créditos vinculados do que débitos apuradoscrédito disponível; 3) que no presente caso, a simples análise da DCTF retificadora não é capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito disponível à compensação; 4) entendem não ser suficiente apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO) com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação; 5) o crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP; 6) ao preencher suas obrigações acessórias, a Requerente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito; 7) um erro material no preenchimento de uma DCTF não pode prevalecer sobre o direito ao crédito, decorrente de pagamento indevidamente efetuado, muito mais porque os próprios lançamentos contábeis da empresa registram a compensação no limite do que efetivamente ocorreu. A Interessada prostetou por perícia, indicando o assistente técnico, o que foi rechaçado. Na fase recursal manteve as mesmas razões demonstradas em sua peça de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.901945/200835 Acórdão n.º 3403001.316 S3C4T3 Fl. 2 3 Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de conhecimento. Cuidase de Recurso Voluntário com o objetivo de modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS. No caso sub examine tratase de matéria de fato, razão pela qual precisa identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito é oriundo de pagamento a maior, se assim é, o motivo encontra diretamente vinculado à base de cálculo do contribuinte, que é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da sua denominação ou classificação contábil, excluindose deste contexto as receitas permitidas pela legislação vigente. A simples demonstração do faturamento é o bastante a possibilitar a Autoridade Administrativa aferir se os valores lançados em DCTF, DARF, compensação e parcelamento ultrapassam o valor do crédito declarado a favor da Fazenda. Precisase, ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu, para tanto, impõe a comprovação, no caso a informação da base de cálculo se revela indispensável. No entanto, compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento nesse sentido. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito e, do outro lado a negativa da Administração de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende compensar, impõe, no caso concreto, aquele que deseja proceder à compensação ou ser restituído o ônus da prova. Assevera a recorrente que não basta o confronto entre a DCTF retificadora com a declaração de compensação, motivo pelo qual cabia a Interessada demonstrar a origem do crédito. “Entretanto, conforme demonstrado, não bastará apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO em 17.03.2006), com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação realizada. O crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP”. Portanto, andou bem o julgador de piso quando afirma a inexistência demonstração da base de cálculo que poderia ter levado o contribuinte a recolher valor superior ao devido, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende, em sendo assim, a sustentação de que trata de empresa de grande porte daí a dificuldade de reunir documentos Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 em decorrência do prazo ser exíguo não pode servir de argumento capaz de convencer o julgador do direito pleiteado. No caso deste caderno, a demonstração da base de cálculo se revela requisito indispensável. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, bastava a demonstração da base de cálculo onde pudesse extrair a certeza em relação ao argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002988/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Os erros ou equívocos não têm, perante a legislação tributária, o condão de transformar-se em fatos geradores. A jurisprudência deste Colegiado não defende a tributação com base em mero erro ou equívoco no preenchimento ou entrega de declarações.
Recurso voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.722
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Os erros ou equívocos não têm, perante a legislação tributária, o condão de transformarse em fatos geradores. A jurisprudência deste Colegiado não defende a tributação com base em mero erro ou equívoco no preenchimento ou entrega de declarações. Recurso voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 15/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Atílio Pitarelli, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a Notificação de Lançamento com Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2003 (fl. 2), referente a alteração no desconto simplificado e base de cálculo. A contribuinte apresentou impugnação solicitando a improcedência do lançamento por erro de preenchimento de sua Declaração de Ajuste Anual e acosta a Declaração retificadora de folhas 5/7, com alteração dos rendimentos tributáveis de R$ 19.005,38 para R$ 14.536,00. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO II, por meio do Acórdão nº 17 20.415, considerou procedente o lançamento. Cientificada em 6 de outubro de 2009 (fl. 18, verso), a contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 27 do mesmo mês (fls. 21) alegando que os rendimentos auferidos eram isentos de imposto de renda, conforme comprovante de renda expedido pelo INSS; e que fez a retificação da declaração por ter sido mal orientada no atendimento do Ministério da Fazenda. Pede, por fim, a regularização de sua situação. É o relatório. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 13804.002988/200470 Acórdão n.º 210201.722 S2C1T2 Fl. 28 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A contribuinte entregou a Declaração de Ajuste Anual (fls 11/12), em que declarou como rendimentos tributáveis o valor de R$ 19.005,38, e efetuou a retificação, após a notificação de lançamento, reduzindo o valor tributável para R$ 14.556,00. Para justificar a isenção dos rendimentos, a contribuinte anexou comprovante de rendimentos emitidos pelo INSS, onde consta que os valores por ela recebidos são isentos e não tributáveis. E certo que a retificação da declaração deveria ter sido efetuada antes do procedimento fiscal. Entretanto, os erros ou equívocos não têm, perante a legislação tributária, o condão de transformarse em fatos geradores. Também não restam dúvidas serem isentos os rendimentos constantes do comprovante de rendimentos de folha 23. A jurisprudência deste Colegiado não defende a tributação com base em mero erro ou equívoco no preenchimento ou entrega de declarações. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de darlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 34DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16327.001748/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006
MPF. EXPIRAÇÃO DO PRAZO DE VIGÊNCIA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE.
Não se verifica na espécie a lavratura do Auto de Infração em período não coberto por MPF, por isso, incabível a alegação de nulidade do procedimento.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. RETENÇÃO DE 11%. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF,
notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp
n° 973.733/SC.
A regra geral do prazo decadencial para os tributos submetidos à modalidade do lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do CTN, afora nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ausência de antecipação de pagamento, os quais deverão estar devidamente comprovados pela autoridade lançadora com o fito de deslocar aludido prazo para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. A inocorrência dessa comprovação enseja a manutenção do lapso temporal contemplado pela regra geral do artigo retromencionado.
DÚVIDA QUANTO À CAPITULAÇÃO DO FATO JURÍDICO
TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN.
IMPOSSIBILIDADE.
Não se verifica nos autos qualquer dúvida quando aos fatos narrados e ao direito aplicado, portanto, incabível a interpretação favorável ao contribuinte preconizada no art. 112 do CTN.
DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO, APRECIA AS PROVAS ACOSTADAS E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. PARCIALIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra parcialidade do órgão de julgamento, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas pela contribuinte, analisa as provas colacionadas e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado.
Numero da decisão: 2401-002.021
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/2003. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não acolhiam a decadência; e II) por unanimidade de votos: a) rejeitar preliminares de nulidade; e b) no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006 MPF. EXPIRAÇÃO DO PRAZO DE VIGÊNCIA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não se verifica na espécie a lavratura do Auto de Infração em período não coberto por MPF, por isso, incabível a alegação de nulidade do procedimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. RETENÇÃO DE 11%. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. A regra geral do prazo decadencial para os tributos submetidos à modalidade do lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do CTN, afora nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ausência de antecipação de pagamento, os quais deverão estar devidamente comprovados pela autoridade lançadora com o fito de deslocar aludido prazo para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. A inocorrência dessa comprovação enseja a manutenção do lapso temporal contemplado pela regra geral do artigo retromencionado. DÚVIDA QUANTO À CAPITULAÇÃO DO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Não se verifica nos autos qualquer dúvida quando aos fatos narrados e ao direito aplicado, portanto, incabível a interpretação favorável ao contribuinte preconizada no art. 112 do CTN. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO, APRECIA AS PROVAS ACOSTADAS E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. PARCIALIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra parcialidade do órgão de julgamento, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas pela contribuinte, analisa as provas colacionadas e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado.
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EXPIRAÇÃO DO PRAZO DE VIGÊNCIA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não se verifica na espécie a lavratura do Auto de Infração em período não coberto por MPF, por isso, incabível a alegação de nulidade do procedimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. RETENÇÃO DE 11%. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. A regra geral do prazo decadencial para os tributos submetidos à modalidade do lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do CTN, afora nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ausência de antecipação de pagamento, os quais deverão estar devidamente comprovados pela autoridade lançadora com o fito de deslocar aludido prazo para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. A inocorrência dessa comprovação enseja Fl. 158DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 a manutenção do lapso temporal contemplado pela regra geral do artigo retromencionado. DÚVIDA QUANTO À CAPITULAÇÃO DO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Não se verifica nos autos qualquer dúvida quando aos fatos narrados e ao direito aplicado, portanto, incabível a interpretação favorável ao contribuinte preconizada no art. 112 do CTN. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO, APRECIA AS PROVAS ACOSTADAS E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. PARCIALIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra parcialidade do órgão de julgamento, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas pela contribuinte, analisa as provas colacionadas e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/2003. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não acolhiam a decadência; e II) por unanimidade de votos: a) rejeitar preliminares de nulidade; e b) no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 240102.021 S2C4T1 Fl. 159 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas, fls.118/121, que declarou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração AI n.º 37.079.9372. Os valores objeto desta exigência se referem à contribuição previdenciária no percentual de 11% que não foi retida das notas fiscais sobre serviços executados por prestadoras de serviços de construção civil, apurados com base nos Livros Razão (cópia às fls. 58/67). No recurso interposto, fls. 129/146, consta, em apertada síntese, as alegações de que: a) o lançamento é nulo, posto que realizado fora do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF; b) não se tendo comprovado a existência de fraude, dolo ou simulação, deve se aplicar para aferição do prazo decadencial a norma do art. 150, § 4.º, do Código Tributário Nacional – CTN; c) havendo dúvida quanto à capitulação do fato, a interpretação deve favorecer o sujeito passivo; d) ao desconsiderar documento verificado pelo Fisco, o órgão a quo atropelou o princípio da imparcialidade do julgamento. Ao final, pede a declaração de decadência e o reconhecimento das nulidades apontadas. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade em razão de expiração do MPF Argumenta a empresa que o encerramento da ação fiscal se deu em 15/12/2008, portanto, cinco meses após a última prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Essa alegação foi categoricamente afastada pelo órgão recorrido que mencionou consulta efetuada na página eletrônica da Receita Federal do Brasil, na qual ficou demonstrado que o MPF n.º 08.1.90.002008020328, que autorizou o procedimento fiscal, foi prorrogado sucessivas vezes, tendo a última prorrogação expirado em 12/03/2009. Nessa data, comprovase, o sujeito passivo já havia sido cientificado do lançamento em testilha, cuja intimação se deu em 17/12/2008. Por outro lado, vejase que o Decreto n.º 70.235/1972, ao tratar das nulidades no processo administrativo fiscal, assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Observase que o dispositivo acima não trata como causa de nulidade do ato administrativo de lançamento a falta de MPF, fato que efetivamente me deixa mais à vontade para cncluir que a preliminar não merece acolhimento. Decadência O sujeito passivo diverge da DRJ quanto à norma utilizada para aferição do prazo decadencial. Afirma, que se estando diante de lançamento por homologação, deverseia aplicar a norma do § 4.o do art. 150 do CTN. Não posso concordar com a recorrente. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 161DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 240102.021 S2C4T1 Fl. 160 5 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos Fl. 162DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, Dje 18/09/2009). Verificase no presente caso que inexistiu antecipação de pagamento relativo à obrigação de reter a contribuição das faturas de prestação de serviço, fato inclusive não contestado pelo sujeito passivo, o que desloca a contagem do prazo decadencial para o inciso I do art. 173. Essa afirmação, frisese, não chegou a ser contestada pelo sujeito passivo. Em sintonia com o entendimento firmado no julgado do Egrégio STJ, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial deve ser fixado como sendo o primeiro dia do exercício aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerandose que a ciência do lançamento deuse em 17/12/2008 e o período do crédito é de 05/2003 a 09/2006, concluo que a decadência não deve ser reconhecida no presente caso. Existência de dúvida quanto à capitulação do fato A recorrente suscita que se deve aplicar à espécie o disposto no art. 112, II, do CTN, determinando que a interpretação da lei tributária deve se dar de maneira mais favorável ao sujeito passivo quando haja dúvida quanto à natureza e as circunstâncias materiais do fato ou a sua capitulação legal. Transcrevamos o dispositivo: Artigo 112: A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II — à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. (...) A inaplicabilidade do preceptivo citado ao caso analisado é flagrante. É que inexiste qualquer dúvida quanto à ocorrência da infração, uma vez que a empresa desobedeceu ao comando inserto no art. 31, “caput”, da Lei n.º 8.212/1991, quando deixou de reter e recolher o percentual de 11% sobre as faturas de emitidas pelas empresas que lhe prestaram serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada. A ocorrência da prestação de serviços e o correspondente pagamento foram verificados mediante análise contábil, não tendo a empresa em nenhum momento se contraposto à afirmação do Fisco de que tais lançamentos contábeis estariam vinculados execução contratual submetida à sistemática de retenção de contribuições previdenciárias. Assim, por não se percebe na espécie qualquer dúvida quanto aos fatos narrados ou ao direito aplicado, devo desacolher a pretensão da recorrente de aplicação do princípio “in dúbio pro contribuinte”. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 240102.021 S2C4T1 Fl. 161 7 Ainda mais quando resta claro dos autos que a empresa deixou de exibir, mesmo depois de intimada pelo Fisco, os documentos necessários à verificação da natureza dos pagamentos efetuados pela prestação de serviço na área de construção civil, os quais também não foram acostados por ocasião da defesa e do recurso. Essa situação conduz a inversão do ônus da prova, nos termos do § 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. Imparcialidade no julgamento Embora o sujeito passivo tenha apontado a desconsideração de documento que lhe seria favorável, o que caracterizaria a falta de imparcialidade no julgamento de primeira instância, não fez a indicação de que elemento de prova seria esse. Essa alegação não condiz com a situação que os autos revelam. O julgamento de primeira instância encontrase revestido de todas os requisitos normativos, estando em perfeita consonância com o Decreto n.º 70.235/1972 e com Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009. Também não localizei nenhum argumento apresentado pela recorrente, que não tenha sido objeto de apreciação pela DRJ, tampouco algum ponto decidido que não tenha carregado a devida motivação. Percebo, ainda, que o julgamento atacado também foi balizado pelas provas constantes dos autos. Depois faz a empresa em seu recurso considerações doutrinárias sobre os princípios do “juiz do juiz natural” e de “tribunal de exceção”, sem, contudo, vincular esses arrazoados a qualquer ponto do processo. Nesse sentido, esses argumentos sequer merecem conhecimento no julgamento que ora é realizado. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar a decadência e as demais preliminares suscitadas, negandolhe provimento no mérito. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 164DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Vencedor Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, somente em relação ao prazo decadencial, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, como passaremos a demonstrar. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45 da Lei nº 8.212/91, por considerálo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 165DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 240102.021 S2C4T1 Fl. 162 9 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do Fl. 166DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, Fl. 167DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 240102.021 S2C4T1 Fl. 163 11 escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 168DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. No caso vertente, inexistem nos autos comprovantes e/ou informações de recolhimentos relativos aos fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas. No entanto, tratandose de Retenção de 11% incidente sobre a Nota Fiscal ou Fatura de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, inscrita no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, onde os tributos exigidos dizem respeito a empregados de outro contribuinte (empresa prestadora de serviços), a jurisprudência administrativa vem entendendo pela existência de antecipação de pagamentos, em face da folha normal da pessoa jurídica executora dos serviços, mormente quando a autoridade lançadora nada diz a respeito. Com efeito, o ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire se manifestou com muita propriedade a respeito da matéria, nos autos do processo nº 18108.002386/200736, de onde peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir o seguinte excerto do voto condutor do Acórdão, in verbis: Fl. 169DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 240102.021 S2C4T1 Fl. 164 13 “[...] No presente caso, como bem salientou a relatora, o contribuinte está sendo tributado em decorrência de não ter efetuado o regular recolhimento das contribuições que deveriam ter sido retidas do contratado, previsto no art. 31 da Lei nº 8212/91, in verbis: “[...]” Sobre esta questão há de se fazer distinção entre duas situações. A primeira diz situação diz respeito às hipóteses nas quais a empresa contratante efetua a retenção da empresa contratada e não recolhe estes valores aos cofres públicos. Sobre esta hipótese já se manifestou o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (REsp 1131047 / MA, sendo relator o ministro Teori Albino Zavascki), no sentido de que a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra, assim ementado: [...] A segunda situação, que é a dos autos, diz respeito à hipótese na qual o fisco tributa a empresa contratante em virtude de esta empresa não ter efetuado a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. Sobre a natureza jurídica da retenção de 11% incidente sobre as notas fiscais ou faturas de prestação de serviços o STJ proferiu o seguinte entendimento em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (REsp 1036375 / SP, sendo relator o ministro Luiz Fux): [...] Este intróito se fez necessário para demonstrar as razões pelas quais ouso divergir da ilustre conselheira relatora no que diz respeito à aplicação da regra a ser utilizada para definir o termo inicial do prazo decadencial, ao afirmar que: “No lançamento ora em análise, identificamos a cobrança de contribuição sobre valores não descontados pela tomadora de serviços à título de retenção , portanto não há de se falar em recolhimento antecipado para aplicação do art. 150, § 4º, devendo a decadência ser aplicada pelo disposto no art. 173 do CTN.” No caso de tributo lançado por homologação, quando não há pagamento antecipado, ou há a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter Fl. 170DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). A minha divergência diz respeito especificamente ao que se considera como pagamento antecipado ou não para fins de enquadramento na regra prevista no art. 150, § 4º do CTN. Inicialmente ressalto que no presente caso a empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91, in verbis: “Art. 33................ ........................... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei” Ou seja, o sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e, consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. [...]” Observese, que o presente lançamento encontra perfeita consonância com o caso contemplado no voto acima transcrito. Assim, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Não bastasse isso, este Egrégio Colegiado já se manifestou em algumas oportunidades sobre a matéria, firmando o posicionamento (à sua maioria) que, na hipótese de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, onde a regra geral é a aplicabilidade do Fl. 171DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 240102.021 S2C4T1 Fl. 165 15 artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, o deslocamento para o artigo 173, inciso I, impõe a comprovação pela fiscalização da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou mesmo da inexistência de antecipação de pagamento. O fiscal autuante não logrando êxito nesta empreitada, demonstrando/elucidando tais fatos, devem ser levados a efeito os preceitos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, aplicado, via de regra, aos lançamentos por homologação, o que corrobora o pleito da recorrente. Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 17/12/2008, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/2003, os quais encontramse fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, acolhendo a preliminar de decadência parcial do crédito previdenciário até a competência 11/2003, inclusive, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10630.001578/2003-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONHECIMENTO – CSLL – DECADÊNCIA – APLICABILIDADE DO PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 45 DA LEI Nº. 8.212/91. Não merece conhecimento o Recurso que requer a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual foi declarado inconstitucional, conforme Súmula Vinculante nº 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08.
Numero da decisão: 9101-000.767
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª turma da câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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CONHECIMENTO – CSLL – DECADÊNCIA – APLICABILIDADE DO PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 45 DA LEI Nº. 8.212/91. Não merece conhecimento o Recurso que requer a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual foi declarado inconstitucional, conforme Súmula Vinculante nº 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª turma da câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Fl. 361DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 17/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS 2 Susy Gomes Hoffmann, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Carlos Alberto Freitas Barreto.. Relatório Trata-se de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, com base no artigo 5º, I do antigo Regimento Interno da Câmara Superior Recursos Fiscais (Portaria nº 55/98), em face do Acórdão nº 103-22.895, da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ e CSLL referente aos anos-calendário de 1998 a 2003, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 18/12/2003 (fls. 68). Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou o lançamento procedente. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o acórdão da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual acolheu a preliminar de decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres de 1998 e, no mérito, deu parcial provimento ao Recurso. A decisão restou assim ementada PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, que só depende de matéria contábil e argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador. DECADÊNCIA. IRPJ. Com o advento da Lei nº 8.383/91, pacificou-se o entendimento de que o IRPJ se amolda à modalidade de lançamento por homologação, segundo o regime jurídico instituído pelo legislador. Sendo assim, sem a comprovação de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial do tributo é definitivamente regida pelo art. 150, § 4º, do CTN. DECADÊNCIA. CSSL. Consoante a sólida jurisprudência administrativa, a decadência do direito estatal de efetuar o lançamento de ofício da CSSL é regida pelo artigo 150, § 4º, do CTN, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. IRPJ. ARBITRAMENTO DE LUCROS. DESCUMPRIMENTO À ORDEM PARA A APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO E DOCUMENTOS CONTÁBEIS. Enseja o arbitramento dos lucros o descumprimento à ordem de apresentação do Livro Caixa, do Livro de Inventário e de outros necessários à escrituração das operações do contribuinte, optante pelo lucro presumido. IRPJ. ARBITRAMENTO DE LUCROS. INTIMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO À ORDEM PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS NA FASE FISCALIZATÓRIA. APRESENTAÇÃO EM FASE DE JULGAMENTO. O lançamento efetuado de acordo com as normas legais, notificado o sujeito passivo, só pode ser alterado nas formas estabelecidas no art. 141 do CTN. A apresentação Fl. 362DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 17/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS Processo nº 10630.001578/2003-71 Acórdão n.º 9101-000.767 CSRF-T1 Fl. 2 3 dos livros na fase impugnatória não tem o condão de tornar sem efeito o lançamento, posto que não há arbitramento condicional. MULTA DE 112,5%. ARBITRAMENTO DE LUCROS. IINTIMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO À ORDEM DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS OBRIGATÓRIOS. IMPROCEDÊNCIA. Não procede a assertiva de que a multa pode ser agravada ao percentual de 112,5%, quando, em procedimento de ofício, o lucro é arbitrado em razão do descumprimento à ordem para a apresentação de livros comerciais e fiscais, desde que, não embaraçando a Fiscalização, o contribuinte providencie a entrega dos demais elementos cuja exibição foi exigida, mediante intimação regular. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de juros de mora incidentes sobre débitos tributários não pagos no vencimento, diante da existência de lei que determina a sua adoção, com o respaldo do art. 161, § 1º, do CTN. ARBITRAMENTO DE LUCROS. CSSL. JULGAMENTO EM CONFORMIDADE AO QUE SE DECIDIU QUANTO AO IRPJ. É juridicamente impossível subtrair a recorrente da apuração da CSSL segundo o regime de tributação do lucro arbitrado, em conformidade ao que se decidiu no julgamento da reclamação contra a exigência do IRPJ, em razão das regras inscritas nos artigos 57 da Lei 8.981, de 1995, e 28, da Lei nº 9.430, de 1996. Publicado no D.O.U. nº 128 de 06/07/06. O contribuinte apresentou Recurso Especial, o qual não foi conhecido, conforme Despacho nº 103-0.304/2007, de fls. 1.328/1.332. O contribuinte intepôs Agravo, o qual restou rejeitado por Despacho de fls. 1.3472/1.352 A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 125/1.267), no qual requer aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, para a CSLL, a fim de se manter o lançamento referente a todos os trimestres do ano-calendário de 1998. O Despacho de fls. 1.268/1.269 deu seguimento ao Recurso da Fazenda Nacional, tendo o contribuinte apresentado suas contra-razões as fls.1.273/1.277. É o relatório. Voto Fl. 363DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 17/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS 4 Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Sobre a decadência, foi aprovada a Súmula nº 08 do Supremo Tribunal Federal que determina que “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" (D.O.U. de 20/06/2008). Lembro que respectiva súmula tem efeito vinculante para a administração e julgadores, nos termos do artigo 103, “a” da Constituição Federal de 1988, inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004, e também do disposto nos artigo 64-A e 64-B da Lei nº 9.784/99. Portanto, respaldada nas decisões e Súmula do Supremo Tribunal Federal, bem como decisões do Superior Tribunal de Justiça e dessa C. Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdãos nº CSRF/01-05.473, sessão de 19/06/2006 e CSRF/01-05.533, sessão de 19/07/2003, entre outros), entendo que não merece ser conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, uma vez que alega contrariedade a legislação que já foi declarada inconstitucional. Pelo exposto, e considerando que não houve pedido para aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 173, do Código Tributário Nacional, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 14 de dezembro de 2010 (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 364DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 17/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720077/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
Compensação.
DÉBITOS COMPENSADOS
Os débitos compensados sofrem a incidência dos acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
Numero da decisão: 1302-000.789
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: Compensação. DÉBITOS COMPENSADOS Os débitos compensados sofrem a incidência dos acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de Compensação. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
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DÉBITOS COMPENSADOS Os débitos compensados sofrem a incidência dos acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de Compensação. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Guilherme Pollastri Gomes Da Silva Fl. 537DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.720077/200815 Acórdão n.º 130200.789 S1C3T2 Fl. 538 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso “Saldo Negativo de CSLL” apurado pelo CNPJ nº 00.664.902/000122, no valor de R$ 1.354.350,29. 2. A compensação declarada pelo contribuinte, sinteticamente: CCrrééddiittoo UUttiilliizzaaddoo DDéébbiittooss CCoommppeennssaaddooss Data Documento Origem Valor Código Valor Vencimento 19/09/2005 29309.61677.190905.1.3.03-5082 SL CSLL AC 2003 R$ 1.354.350,29 2484 R$ 403.822,19 27/02/2004 2484 R$ 986.712,40 31/03/2004 AApprreecciiaaççããoo ddaa DDRRFF BBeelloo HHoorriizzoonnttee 3. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 145, anexado às fls. 06 a 08, exarado aos 01/02/2008, onde resumidamente: 3.1 Reconhece ao contribuinte o direito à utilização do crédito no valor de R$1.357.094,34, a título de Saldo Negativo de CSLL AC 2003, apurado pelo portador do CNPJ nº 00.664.902/000122. 3.2 Tendo em vista o direito de crédito reconhecido como válido, HOMOLOGA PARCIALMENTE a compensação declarada pelo contribuinte, nos seguintes termos: “(...)reconheço ao contribuinte o direito à utilização do crédito de R$ 1.357.094,34, em 31/12/2003, referente à CSLL, o qual deverá ser utilizado para extinguir por compensação os débitos objeto da declaração de compensação nº 29309.61677.190905.1.3.035082, homologando parcialmente a compensação, computandose inclusive a multa de mora omitida na Dcomp”. 3.3 Os débitos compensados pelo contribuinte foram cadastrados no processo 10680.720866/200767, e da operacionalização da compensação restou um saldo de débitos não compensados no valor de R$ 190.414,18 (fl. 10). 4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 11/02/2008, conforme AR Aviso de Recebimento anexado à fl. 15. Irresignado, apresenta em 11/03/2008 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 19 a 27, onde resumidamente argumenta: MMaanniiffeessttaaççããoo ddee IInnccoonnffoorrmmiiddaaddee 5. “A decisão recorrida (1º) reconhece a existência do crédito na sua integralidade; (2º) abate deste crédito dos débitos que o contribuinte concorda, mas agrega a tal valor a multa de mora, como se devida fosse; (3º) diz que o saldo remanescente a pagar é de R$ 190.414,18, gerando uma carta cobrança, conforme documento em anexo.” (grifos e negritos do original). Fl. 538DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.720077/200815 Acórdão n.º 130200.789 S1C3T2 Fl. 539 3 NNuulliiddaaddee ddaa DDeecciissããoo 6. O manifestante propugna pela nulidade da decisão prolatada pela DRF, mediante duas alegações: 6.1 AAuussêênncciiaa ddee ffuunnddaammeennttaaççããoo ddaa ddeecciissããoo qquuaannttoo àà eexxiissttêênncciiaa ddee ddooiiss pprroocceessssooss. O impugnante rechaça a formalização do procedimento em dois processos distintos, argumentando ainda que somente teve ciência da decisão prolatada em um deles, o de nº 10680.720077/200815. 6.1.1 Argumenta que “a Requerente não pode se pronunciar sobre os fatos e exercer a sua defesa se não consta claro da decisão os motivos que levaram ao novo crédito tributário.” Menciona que “ao que parece, os dois processos constam como duplicados”, e que “por outro lado, o saldo cobrado se refere ao fato de ter sido agregada a multa de mora ao valor dos débitos, gerando um saldo remanescente de principal.” 6.2 AAuussêênncciiaa ddee mmeemmóórriiaa ddee ccáállccuullooss ddaa ssuuppoossttaa mmuullttaa ddeevviiddaa ee ddaa ffoorrmmaa ddee iimmppuuttaaççããoo rreeaalliizzaaddaa.. IInneexxiissttêênncciiaa ddee ssaallddoo ddeevveeddoorr rreemmaanneesscceennttee 7. O manifestante alega que “além dos débitos arrolados pela empresa”, o fisco também se apropriou do crédito apurado para quitar a multa moratória e “efetuou a ilegal imputação proporcional de pagamentos”. 7.1 Argumenta que é “patente a inconstitucionalidade da imputação do pagamento de tributo, tal como prevista no art. 163 do CTN. O instituto veicula privilégio odioso do Estado, conduzindo a cidadania à insegurança e a economia ao caos.” Ilustra com ementas de decisões do Conselho de Contribuintes. 7.2. Alega que, “ainda que não fosse inconstitucional a imputação, no caso dos processos de compensação nos parece o instituto incompatível.” Invoca o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, mencionando que o “pedido de compensação é um direito potestativo do contribuinte, cabe a ele dizer qual o crédito e qual o débito deseja quitar com o instituto da compensação.” (grifos e negritos do original) Ilustra com ementas de decisões do Conselho de Contribuintes. DDeennúúnncciiaa eessppoonnttâânneeaa 8. “Os débitos declarados pela requerente surgem de um procedimento de revisão de sua DIPJ(...). Feito o pedido de compensação, foi retificada a DIPJ! Débito, portanto, pago antes de qualquer declaração por parte do contribuinte e fiscalização por parte da Autoridade Administrativa”. 8.1 Argumenta que o procedimento executado pelo contribuinte afasta a exigência da multa moratória, por força do art. 138 do CTN. Em amparo de seu argumento tece diversas considerações acerca da interpretação do dispositivo invocado, ilustrando com jurisprudência do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Fl. 539DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.720077/200815 Acórdão n.º 130200.789 S1C3T2 Fl. 540 4 9. Em outra linha argumentativa, menciona que os débitos compensados “nascem de recolhimento por estimativa, onde não cabe qualquer penalidade pelo não recolhimento, uma vez que ajustado na virada do exercício.” Ilustra com ementas de decisões prolatadas pelo Conselho de Contribuintes. AAlleeggaaççõõeess ffiinnaaiiss 10. Por fim, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para: 10.1 Anulação da Decisão da DRF com o retorno dos autos à repartição de origem para esclarecimento acerca da existência de dois processos e a apresentação da memória de cálculos que resultou na glosa do crédito utilizado. 10.2 Ultrapassadas as preliminares, propugna pela Homologação Integral da compensação tendo em vista que: 10.2.1 A multa de mora imputada é indevida, em função da denúncia espontânea. 10.2.2 Deve prevalecer o direito potestativo do contribuinte de apontar os débitos que deseja compensar, cabendo à Receita Federal o lançamento em separado da multa que entende como devida. 11. Protesta ainda pela: 11.1 Juntada da DIPJretificadora em 05(cinco) dias. 11.2 Apensação do processo 10680.720866/200767. 12. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl. 126). JJuunnttaaddaa ddee ddooccuummeennttooss 13. Aos 19 de maio de 2008 o contribuinte apresenta o documento anexado às fls. 127 a 129, no intuito de “promover a juntada dos documentos” especificados. 13.1 Neste documento o contribuinte ratifica as razões de defesa já apresentadas, mencionando a anexação das DCTF’s referentes a janeiro e fevereiro/2004 e a DIPJ referente ao AC 2004. 13.2 O manifestante indica a sua intenção com a apresentação dos novos documentos: “Para comprovar todo o exposto, a requerente requer a juntada da DCTF em anexo e da DIPJ respectiva, pela qual se pode verificar que, quando da quitação dos débitos não havia qualquer fiscalização na empresa sobre o assunto, nem tampouco teriam os créditos sido declarados pelo contribuinte, ora Requerente”. DDeessppaacchhooDDiilliiggêênncciiaa 14. Aos 06/03/2009 o processo foi convertido em diligência para que a DRF de origem (fls. 147 a 150): Fl. 540DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.720077/200815 Acórdão n.º 130200.789 S1C3T2 Fl. 541 5 • Comprovar documentalmente a legalidade da utilização do crédito pertencente ao contribuinte detentor do CNPJ 00.664.902/000122(BMP) na compensação dos débitos de responsabilidade do contribuinte portador do CNPJ 17.469.701/000177(BMPS). • Anexar ao processo a planilha demonstrativa da imputação do crédito. • Ciência ao contribuinte e reabertura de prazo para apresentação de nova impugnação. RReessuullttaaddoo ddaa DDiilliiggêênncciiaa 15. Em resposta à diligência solicitada, a DRF anexou os documentos constantes das fls. 153 a 180, onde se destaca: 15.1PPRROOTTOOCCOOLLOO DDEE CCIISSÃÃOO PPAARRCCIIAALL DDAA BBEELLGGOO MMIINNEEIIRRAA PPAARRTTIICCIIPPAAÇÇÃÃOO,, IINNDDÚÚSSTTRRIIAA EE CCOOMMÉÉRRCCIIOO SS AA CCOOMM VVEERRSSÃÃOO DDEE PPAARRCCEELLAA DDEE SSEEUU PPAATTRRIIMMÔÔNNIIOO ÀÀ BBMMPP SSIIDDEERRUURRGGIIAA SS AA.. Anexado às fls. 155 a 175, este documento foi apresentado pelo contribuinte após intimação, no intuito de comprovar a procedência do crédito utilizado na DCOMP. 15.2Planilha demonstrativa da operacionalização da compensação, com o “Demonstrativo Analítico de Compensação”, onde está detalhado o “encontro de contas” efetuado pela DRF. Estes documentos encontramse às fls. 176 a 178 do processo. 16. O contribuinte foi cientificado do “Resultado da Diligência” bem como das planilhas de cálculos referentes à “operacionalização da compensação” aos 26/03/2009, conforme AR à fl. 182. 16.1 Em resposta, o contribuinte apresenta nova manifestação de inconformidade, anexada às fls. 183 a 190, onde resumidamente se manifesta: NNoovvaa MMaanniiffeessttaaççããoo ddee IInnccoonnffoorrmmiiddaaddee –– AAppóóss RReessuullttaaddoo ddaa DDiilliiggêênncciiaa 17. “Reconhecendo parte dos argumentos apresentados pela requerente a DRJ/BH baixou o processo em diligência para que a fiscalização pudesse demonstrar como apurou os valores que foram imputados, na tentativa de se esquivar da flagrante nulidade constante da cobrança”. 18. Inicialmente, o manifestante ratifica as suas razões de defesa já apresentadas na peça impugnatória inicial. Quanto ao “encontro de contas” argumenta: AAddooççããoo ppeelloo ffiissccoo ddaa iilleeggaall iimmppuuttaaççããoo pprrooppoorrcciioonnaall ddee ppaaggaammeennttooss.. IInnccoonnssttiittuucciioonnaalliiddaaddee.. IInnssttiittuuttoo ddaa iimmppuuttaaççããoo iinnccoommppaattíívveell ccoomm aa ccoommppeennssaaççããoo.. 19. Sinteticamente, o manifestante reproduz as mesmas alegações já apresentadas anteriormente, invocando o art. 138 do CTN e a inaplicabilidade do art. 161 deste mesmo dispositivo legal, que podem ser assim representadas: (...) além dos débitos arrolados pela empresa para serem quitados por meio de compensação, o fisco, por reputar devida, apropriouse do crédito da requerente para quitar uma multa Fl. 541DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.720077/200815 Acórdão n.º 130200.789 S1C3T2 Fl. 542 6 moratória e efetuou ilegal imputação proporcional de pagamentos. Ou seja, diminuiu o valor imputado pela requerente ao pagamento do principal, alocandoo para pagamento da multa de mora manifestamente indevida.” A DRJ decidiu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA OPERACIONALIZAÇÃO A compensação tributária obedece a regras específicas, previstas na legislação tributária. As regras para o encontro de contas estão expressamente determinadas nesta legislação e devem ser obedecidas integralmente. DÉBITOS COMPENSADOS Os débitos compensados sofrem a incidência dos acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de Compensação. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Em face do que dispõe a legislação tributária, os débitos declarados e indevidamente compensados configuram confissão de dívida, constituindose as declarações apresentadas como instrumentos hábeis e suficientes à exigência dos referidos débitos. Não há cópia do Aviso de recebimento nos autos. No recurso, reitera os argumentos apresentados em sede de impugnação. Voto Fl. 542DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.720077/200815 Acórdão n.º 130200.789 S1C3T2 Fl. 543 7 Não havendo nos autos prova da data do recebimento do acórdão recorrido, considerase tempestivo o recurso, devendo o mesmo ser conhecido. Quanto ao mérito não assiste razão à recorrente. Conforme declaração da própria recorrente, ao apresentar a Dcomp objeto deste processo, havia débitos vencidos e sobre estes valores não foi acrescentada a multa de mora, prevista em lei. Diante da constatação deste fato, agiu corretamente o fisco ao acrescentar ao valor confessado o valor referente à multa de mora. Sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea, acompanho a motivação do voto condutor do acórdão recorrido: Esclareçase que a norma legal contida no artigo 138 do CTN deve ser analisada no contexto que está inserida, ou seja, na Seção IV Responsabilidade por Infrações, que a seguir transcrevese: "Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 137 A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas. Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento Fl. 543DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.720077/200815 Acórdão n.º 130200.789 S1C3T2 Fl. 544 8 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." 42.2A regra fixada nesse artigo aplicase à multa de caráter punitivo, aplicável pela prática de ilícito tributário, ou seja, aquela penalidade que, para ser exigida depende de lançamento pela autoridade fiscal. Por esse motivo é que o legislador ressalvou no parágrafo único desse artigo que o início de qualquer procedimento administrativo relacionado com a infração exclui a denúncia espontânea. 42.3A multa de mora, diferente da multa de ofício, não carece de lançamento pelo fisco e só incide em pagamentos espontâneos, ou seja, quando efetuados pelo contribuinte independentemente da ação do fisco, nos moldes do lançamento por homologação previsto no art. 150 do CTN. Essa multa é graduada de acordo com o dano causado ao erário, crescendo conforme o prazo de atraso no pagamento do débito. Portanto, não sendo sanção, a multa de mora não é afastada pela exclusão de responsabilidade por infrações instituída no artigo 138 do CTN. 43.4Cabe acrescentar que pagar o tributo é uma obrigação tributária que deve ser cumprida no prazo fixado na lei. Além disso, o CTN fornece permissão legal para que os tributos não pagos nos prazos estipulados pela legislação sejam acrescidos de penalidades, ao dispor em seu art. 161, o seguinte: "Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." 43.5Comparandose os atos legais anteriormente transcritos, podese concluir que ao criar o instituto da denúncia espontânea o legislador pretendeu dar tratamento diferenciado para aquele contribuinte que espontaneamente confessa e recolhe o tributo, diferente de outro contribuinte que espera providências do fisco, que podem ocorrer ou não. 44.Assim sendo, o art. 138 do CTN não tem a dimensão pretendida pelo impugnante, ou seja, de eximilo do pagamento da multa de mora, incidente em face do atraso na extinção (pela compensação) da obrigação, independentemente da ordem desta extinção ou da confissão do débito apurado, desde que efetuados antes da ação do fisco. 44.1O contribuinte faz diversas considerações acerca da apresentação da DIPJ e da DCTF onde consta a apuração do débito compensado. Cabe ressaltar que, tal como já mencionado anteriormente, a própria DCOMP é uma declaração de débitos, ou seja, em um mesmo instrumento o contribuinte declarou e extinguiu os débitos apurados. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.720077/200815 Acórdão n.º 130200.789 S1C3T2 Fl. 545 9 Fica evidente que a multa de mora é aplicável pelo simples fato do pagamento após o prazo estabelecido por lei, não sendo aplicável o previsto no art. 138 do CTN ao caso concreto. Quanto à alegada inconstitucionalidade da denominada imputação proporcional, não cabe a este colegiado manifestarse sobre alegação de inconstitucionalidade de lei, nos termos da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator ad hoc Fl. 545DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 16624.001838/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. EMISSÃO DE CERTIFICADOS. PRAZO
PARA REVISÃO.
Na ausência de norma expressa que fixe o termo final para solicitar a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais, deverá ser reconhecida a tempestividade do pedido formulado dentro do prazo qüinqüenal de decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos, em respeito
ao equilíbrio entre o prazo do direito do Fisco para lançar e aquele dado ao sujeito passivo para pleitear tais direitos, ressalvando-se à Administração Tributária a possibilidade de conferir a liquidez e certeza do respectivo valor.
Numero da decisão: 1301-000.691
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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INCENTIVOS FISCAIS. EMISSÃO DE CERTIFICADOS. PRAZO PARA REVISÃO. Na ausência de norma expressa que fixe o termo final para solicitar a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais, deverá ser reconhecida a tempestividade do pedido formulado dentro do prazo qüinqüenal de decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos, em respeito ao equilíbrio entre o prazo do direito do Fisco para lançar e aquele dado ao sujeito passivo para pleitear tais direitos, ressalvandose à Administração Tributária a possibilidade de conferir a liquidez e certeza do respectivo valor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16624.001838/200706 Acórdão n.º 1301000.691 S1C3T1 Fl. 2 3 Tratase de indeferimento ao Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), referente ano calendário de 2003, sob o entendimento de que a contribuinte teria protocolizado seu pedido intempestivamente, conforme Despacho Decisório da DRF/Salvador às fls. 21/23. Inconformada a contribuinte apresenta contestação alegando em síntese que: a) cumpriu com todas as obrigações acessórias e principais que justificassem o gozo do benefício fiscal (FINOR), inclusive, comprovando nestes autos, a regularidade fiscal nos termos do artigo 60 da Lei 9.069/95; b) a única regulamentação para exigência e tramitação do PERC exercício de 2004 está disciplinada na Norma de execução NE/SRF/COSAR/COSIT 02, de 10/05/2006, a qual a contribuinte tomou conhecimento através do r. Despacho decisório. Considerando que não há norma específica fixando prazo para interposição do Pedido de Revisão, entende, devese considerar a regra geral de cinco anos para decadência prevista nos artigos 165 e 168 do CTN. Pelo que alega, enfim, cerceamento ao seu direito de defesa. Cita jurisprudência do CARF a favor dos seus argumentos. A autoridade julgadora de primeira instancia decidiu a questão por meio do Acórdão DRJ/SDR 1523.737, de 12/05/2010, indeferindo a solicitação, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano Calendário: 2003 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO Incabível a pretensão de nulidade do Despacho Decisório, se na descrição dos fatos constam todos os elementos que lhe deram causa, dando suporte material suficientes para que o sujeito passivo possa conhecêla de forma a permitir o exercício pleno do direito de defesa, em consonância com a legislação que rege a matéria. ORDEM DE EMISSÃO DE CERTIFICADO DE INVESTIMENTO. PERC. INTEMPESTIVIDADE. O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais deve ser efetuado até o dia 30 de setembro do terceiro ano subseqüente ao ano calendário financeiro a que corresponder a opção, mesmo nos casos de falta de emissão pela Secretaria da Receita federal do extrato de aplicações em incentivos fiscais. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucasr O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Em apertada síntese, trata o caso dos autos de discussão sobre a tempestividade de PERC (relativo ao exercício de 2004) — formulado pela Recorrente em 20/09/2007, data posterior a 30 de setembro do segundo ano subseqüente à opção, ou seja, 29/09/2006, (datalimite prevista no Ato Declaratório Corat n. 32, de 09.11.2001), mas anterior ao prazo qüinqüenal de decadência para restituição de tributos estabelecido no art. 168, I do CTN. Sobre o assunto, esse E. Colegiado firmou entendimento no sentido de que "em prestígio ao princípio da legalidade, na ausência de norma expressa que fixe o termo final para solicitar a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais, deverá ser reconhecida a tempestividade do pedido formulado dentro do prazo qüinqüenal de decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos, em respeito ao equilíbrio entre o prazo do direito do Fisco para lançar e aquele dado ao sujeito passivo para pleitear tais direitos, ressalvandose à Administração Tributária a possibilidade de conferir a liquidez e certeza do respectivo valor. A aplicação da analogia, nessa hipótese, apenas poderá tomar por base norma que permita a adequada solução ao litígio, no caso o art. 168, I do CTN, que trata a respeito do prazo decadencial para ressarcimento de tributos. Vejase, nesse sentido, ementas de v. acórdãos proferidos pelo antigo E. Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: Acórdão: 10195248 Relator: Sandra Maria Faroni (...) IRPJ EMISSÃO DE CERTIFICADOS DE INCE1VTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO Em prestígio ao princípio da legalidade, na ausência de norma expressa que fixe o termo final para solicitar a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais, deverá ser reconhecida a tempestividade do pedido formulado dentro do prazo qüinqüenal de decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos, em respeito ao equilíbrio entre o prazo do direito do Fisco para lançar e aquele dado ao sujeito passivo para pleitear tais direitos, ressalvandose à Administração Tributária a possibilidade de conferir a liquidez e certeza do respectivo valor. INCENTIVOS FISCAIS — FINOR.. No mesmo sentido: Número do Recurso: 135070 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Data da Sessão: 29/01/2004 01:00:00 Relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16624.001838/200706 Acórdão n.º 1301000.691 S1C3T1 Fl. 3 5 Decisão: Acórdão 10321497 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, DAR PROVIMENTO AO RECURSO PARA CONSIDERAR TEMPESTIVO O PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC E DETERMINAR A REMESSA DOS AUT0S À REPARTIÇÃO DE ORIGEM PARA ENFRENTAMENTO DO MÉRITO. Ementa: IRPJ INCENTIVOS FISCAIS EMISSÃO DE CERTIFICADOS PRAZO PARA REVISÃO Inexistindo norma fixando prazo específico para se pleitear a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais, à aplicação da analogia pode ser utilizada, devendo, entretanto, tomar por base norma que, pela sua identidade, permita uma adequada solução para o caso. IRPJ INCENTIVOS FISCAIS OPÇÃO VÁLIDA PRAZO REVISÃO O prazo decadencial do direito de discutir a opção pela aplicação em incentivos fiscais devidamente formalizada tem início na data da entrega da DIRPJ e termina no quinto ano subseqüente. (Publicado no D.O.0 n°63 de 01/04/04). Ainda no mesmo sentido: Número do Recurso: 120743 Câmara: SÉTIMA CÂMARA Data da Sessão: 27/01/2000 01:00:00 Relator: Natanael Martins Decisão: Acórdão 10705863 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para que os autos retornem à DRJ para apreciação do mérito, conforme solicitação da recorrente. Ementa: IRPJ APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS ZERAMENTO DO EXTRATO PEDIDO DE REVISÃO PRAZO Inexistindo prazo especifico para se pleitear a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais zerado pela SRF e considerando que o prazo previsto no § 5° do art. 1° do Decreto lei n° 1.752/79 versa sobre regra especial, o recurso à analogia deve tomar por base regra que, pela sua generalidade, permite a adequada solução ao caso. Recurso a que se dá provimento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto para, no mérito, darlhe provimento para reconhecer a tempestividade do PERC e determinar a remessa dos autos à repartição de origem (DRF) para o deslinde do mérito. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10935.000474/2003-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2004
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. EXCLUSÃO. ATIVIDADE DE PROTÉTICO DENTÁRIO.
À empresa que preste serviço de protético dentário é vedada a opção pela sistemática de tributação do Simples regulada pela Lei n° 9.317/96, por tratar-se de serviço típico de profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida, na forma da Lei n° 6.710/79 e do Decreto n° 87.689/82.
Numero da decisão: 9101-001.009
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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Antonio Carlos • oni 'ilho - Relator. CSRF-Tl Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10935.000474/2003-15 Recurso n° 335.250 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9101-01.009 — 18 Turma Sessão de 24 de maio de 2011 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA Recorrente LABORATÓRIO DENTÁRIO SPADA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2004 Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. EXCLUSÃO. ATIVIDADE DE PROTÉTICO DENTÁRIO. fk empresa que preste serviço de protético dentário é vedada a opção pela sistemática de tributação do Simples regulada pela Lei n° 9.317/96, por tratar- se de serviço típico de profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida, na forma da Lei n° 6.710/79 e do Decreto n° 87.689/82. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Editado em: 1 2 SET 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, o Contribuinte interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 28/01/2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE DE PROTETICO DENTÁRIO. Á empresa que preste serviço de protético dentário é vedada a op cão pela sistemática de tributação do Simples regulada pela Lei n° 9.317/96, por tratar-se de serviço típico de profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida, na forma da Lei n°6.710/79 e do Decreto n° 87.689/82. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO." 0 caso foi assim relatado originariamente pela Camara recorrida, verbis: " A contribuinte acima qualificada, mediante Ato 'Declaratório Executivo n°. 191, de 28/01/2003, de emissão do Delegado da Receita Federal em Cascavel, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/01/2002, informando como causa atividade econômica vedada, qual seja: serviços de profissão regulamentada (area de saúde), código CNAE informado: 3310-3-02 - fabricação de instrumentos e utensílios para uso médico, cirúrgico e de laboratórios, em afronta ao disposto no artigo 90 XIII da Lei n° 9.317 de 05 de dezembro de 1996. 0 resultado da análise da SRS (fi. 22/23.) manteve a exclusão em razão de a interessada, mesmo depois de intimada, não ter comprovado que atividade que exerce. Junto ao CNPJ consta fabricação de instrumentos e utensílios para uso médico, cirúrgico e de laboratórios. Na manifestação de inconformidade de fls. 26/32, a interessada traz as mesmas razões apresentadas quando da Solicitação de Revisão da Exclusão da Opção pelo Simples — SRS, dando ênfase ao fato de que não se enquadra na relação taxativa do inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317/1996. Afirma que sua atividade independe de habilitação profissional e que o Ato Declaratório é extemporâneo, já que a empresa foi constituída em 01/06/1999 e, somente ern 2003 o mesmo foi emitido. A decisão da primeira instância foi assim ementada: 2 Processo n° 10935.000474/2003-15 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -01.009 Fl. 2 "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 28/01/2003 Ementa: LABORATÓRIO DE PRÓTESES DENTARIAS. VEDAÇÃO AO SIMPLES. A pessoa jurídica que presta serviço profissional de protético ou assemelhado, não pode optar pelo Simples. Solicitação indeferida. 0 contribuinte inconformado apresentou recurso voluntário que foi distribuído a este conselho." Antes de examinar o recurso voluntário interposto pelo Contribuinte, o Colegiado a quo proferiu resolução, pela qual converteu o julgamento em diligencia a fim de que "para que se verifique junto a contabilidade da contribuinte se a mesma realizou durante o período debatido- no presente feito atividades de protético dentário e se a resposta for afirmativa, que traga aos autos cópias de notas fiscais de venda ou de prestação de serviços, conforme o caso, que evidenciem estas referidas atividades". Cumprida a diligência fiscal, com a juntada de documentos (notas fiscais) que atestaram que a Contribuinte presta serviços de protético dentário, e após ter sido intimado o Contribuinte para manifestação sobre seus termos, o Colegiado a quo proferiu acórdão pelo qual manteve o ato declaratório de exclusão do Contribuinte do SIMPLES. Segundo o acórdão, nada obstante a atividade de protético dentário aproxime-se de "industrialização", é absolutamente certo que a Contribuinte presta serviços a terceiros que são típicos de profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida (no caso, a de dentista). Dai a impossibilidade de manutenção da pessoa jurídica no SIMPLES, ante os expressos termos do art. 9°, XIII, da Lei n. 9.317/1996. Em sede de recurso especial, argüi a Contribuinte contrariedade do acórdão recorrido a aresto proferido pela extinta 1a Camara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes (Ac. 301-34.169), o qual assenta o entendimento de que: "a atividade de confecção de próteses dentárias, ou seja, do "escultor" das próteses dentárias, não está impedida de optar pelo SIMPLES, pois não se assemelha a atividade da profissão regulamentada do dentista. 116 semelhança com a atividade de "industrialização", sendo inaplicável o rol de vedações contido no art 90, inciso XIII, da Lei n°. 9.312/1996". 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 1100-00.098 (fls.327/328)), ante a configuração do alegado dissenso jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contra-razões. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Cinge-se a discussão em saber se a Contribuinte desenvolve (ou não) atividade vedada A inclusão no SIMPLES, na forma prevista no art. 90, XIII da Lei n° 9.317/96. Da análise dos autos constatam-se as seguintes descrições das atividades praticadas pelo contribuinte: "CLÁUSULA SEGUNDA: A sociedade tem por objeto - ramo de "Laboratório de Prótese Dentária e Sistemas Integrados para Odontologia". (lis. 51) Com a devida vênia ao entendimento do acórdão paradigma, e em que pese o fato de as atividades de elaboração de próteses dentárias tenham identidade com o exercício de industrialização, entendo que as atividades acima descritas estão inseridas na vedação prevista no art. 9, XIII da Lei 9.317/96, que assim dispõe, verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica (.) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;" De fato, e em que pese o fato de a elaboração de próteses dentárias tenha certa identidade com o exercício de industrialização, a atividade de protético exige habilitação profissional para seu exercício de que trata o art. 2° da Lei n° 6.710/79, verbis: "Art. 2°. São exigências para o exercício da profissão de que trata o art. 10: - habilitação profissional, a nível de 2° grau, no Curso de Prótese Dentária; II - inscrição no Conselho Regional de Odontologia, sob cuja jurisdição se encontrar o profissional a que se refere esta Lei. Parágrafo único. A exigência da habilitação profissional de que trata este artigo não se aplica aos que, até a data da publicação desta Lei, se encontravam legalmente autorizados ao exercício da profissão." 4 Processo n° 10935.000474/2003-15 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.009 Fl. 3 Tal prescrição é reiterada pelo art. 1 0 no Decreto n. 87.689/82, verbis: Art. 1° 0 exercício da profissão de Técnico em Prótese Dentária, em todo o território nacional, somente será permitido aos profissionais inscritos no Conselho Regional de Odontologia da jurisdição em que exerçam a profissão. Sendo indispensável o exercício de profissão regulamentada para a prática da atividade econômica, vedada está a opção da pessoa jurídica respectiva pelo SIMPLES (Lei n. 9.317, art. 9°, XIII). Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte para negar- he p ivimento a fim de manter o ato declaratôrio de exclusão da Contribuinte do SIMPLE Antonio Carlo , / . lho - Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900833/2008-78
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO.
A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor apurado no encerramento do
período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a
base de cálculo correspondente.
Numero da decisão: 1801-000.780
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 112DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900833/200878 Acórdão n.º 180100.780 S1TE01 Fl. 109 2 A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 37546.52035.210906.1.7.028368, 08062.69605.100306.1.3.025820, 10767.96590.130406.1.3.023323, 31308.92137.110506.1.3.022742, 33744.16223.130606.1.3.026412, 38315.37426.130706.1.3.025044, 25968.04646.110806.1.3.026503, 24298.50542.210906.1.3.025396, 17109.01947.111006.1.3.029434, 27682.07284.141106.1.3.024992, 28323.48745.121206.1.3.029292, fls. 1563, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do quarto trimestre do anocalendário de 2005 no valor total de R$5.375,09. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 05, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido (§ 1º do art. 6º, art. 28 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Restou esclarecido que não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois não foi informado qualquer valor na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), o que não corresponde ao valor do saldo negativo informado no Per/DComp de R$5.375,09. Cientificada em 21.08.2008, fl. 11, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 16.09.2008, fls. 0103, com os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que houve erro material no preenchimento da DIPJ entregue em 29.06.2006, já que não foram deduzidos os valores referentes ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) no total de R$6.427,69. Por esta razão, apresentou documento retificador em 25.08.2008 utilizando o valor de R$729,15 no primeiro trimestre e o valor de R$323,17 no quarto trimestre. Assim, entende remanescer o saldo de R$5.375,37 suficiente para que a compensação seja homologada. Conclui Diante do exposto, solicitamos a manutenção das compensações dos impostos realizadas pelas referidas PER/DCOMP, com o respectivo cancelamento dos débitos apurados conforme Processo de Crédito de n° 10665900.8331200878, haja visto que houve um erro de fato no preenchimento da declaração, porém , não retira do contribuinte o direito as compensações. Nestes Termos Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0225.786, de 03.03.2010, fls. 8490: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte”, oportunidade em que foi reconhecido o valor de R$774,21 a título de saldo negativo de IRPJ do quarto trimestre de anocalendário de 2005. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900833/200878 Acórdão n.º 180100.780 S1TE01 Fl. 110 3 Constitui crédito passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. Notificada em 30.03.2010, fls. 105106, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.04.2010, fls. 93103, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação acrescentando que como comprovada a retenção tem direito de utilizar o valor integral de IRRF para efetuar compensação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ex positis, requer que este E. Conselho se digne dar provimento ao Recurso Voluntário ora apresentado, para reformar a r. decisão a quo, que homologou parte das compensações declaradas no PER/DCOMP n° 37546.52035.210906.1.7.02 8368, até o limite do crédito de R$774,21, bem como não homologou as compensações efetuadas por meio dos PER/DCOMP's descritos às fls. 90 e, em conseqüência, homologar as compensações declaradas nas referidas PER/DCOMP 's descritas às fls. 90, com o reconhecimento da extinção dos créditos tributários objeto da compensação e cobrados no processo tributário administrativo no 10665.9008331200878, ex vi do artigo 156, II, do CTN. Nestes termos, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900833/200878 Acórdão n.º 180100.780 S1TE01 Fl. 111 4 O regime de tributação com base no lucro real, trimestral ou anual, prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que faz prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais. Cabe à autoridade administrativa a prova da não veracidade dos fatos ali contidos, caso estes registros estejam congruentes com os dados da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. A legislação prevê que o valor do IRRF é considerado como antecipação do IRPJ devido referente ao código de arrecadação nº 1708 de prestações de serviços efetuados por pessoas jurídicas e a retenção sofrida no período somente pode ser utilizada como dedução do IRPJ devido do mesmo período para fins de apuração do saldo negativo.1 Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A Recorrente adotou o regime de tributação com base no lucro real trimestral e por esta razão o exame do saldo negativo de IRPJ deve se limitar ao IRRF, código de arrecadação nº 1708, incidente sobre as receitas auferidas a título de prestação de serviços que integraram a base de cálculo relativo ao 4º trimestre de 2005, que é o período atinente ao credito pleiteado nas Per/DComp, fls. 1563. Na DIRF apresentada no período pela fonte pagadora Embaré Indústrias Alimentícias S/A, CNPJ 21.992.946/000151, foram informados os valores de R$109.739,54 e de R$1.097,38 a título de receita bruta e de IRRF, respectivamente, fl. 78. Na DIPJ Retificadora nº 1436290 constam os valores de R$109.740,34 e de R$1.097,31 de receita bruta e de IRRF, respectivamente, no período, fls. 7475, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Cotejo entre os valores constantes nos registros da RFB, na impugnação e no Acórdão da DRJ relativos ao 4º trimestre de 2005. Valores Documento (A) Receita de Prestação de Serviços R$ (B) IRRF Código 1708 R$ (C) IRPJ a Pagar R$ (D) Saldo Negativo de IRPJ R$ (E) DIPJ Retificadora nº 1436290, fls. 6377 109.740,34 1.097,31 323,17 774,14 DIRF, fls. 7879 109.739,54 1.097,38 Impugnação, fls. 0103 643.095,00* 5.375,37** 323,17 2.895,97 Acórdão DRJ, fls. 8490 109.740,34 1.097,38 323,17 774,21 Notas *Rendimentos brutos informados pelas fontes pagadoras no anocalendário de 2005 **IRRF informados pelas fontes pagadoras no anocalendário de 2005 subtraídos aqueles utilizados nos 1º e 4º trimestres (R$5.375,37=R$6.427,69R$729,15 R$323,17). Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, o IRRF somente pode ser apropriado simultaneamente às 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900833/200878 Acórdão n.º 180100.780 S1TE01 Fl. 112 5 receitas que o geraram no período. Inferese que em relação à receita bruta no valor de R$109.740,34 informada na DIPJ, fl. 68, a Recorrente tem direito ao valor de R$1.097,38 de IRRF relativo ao rendimento constante da DIRF, fl. 78, de dedução do IRPJ devido de R$323,17 e de saldo negativo no 4º trimestre de 2005 de R$774,21. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0225.786, de 03.03.2010, fls. 8490, está correto. As alegações relatadas pela defendente, consequentemente, não estão justificadas. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso2. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade3. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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