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Numero do processo: 13820.000508/2005-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE -
SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES, EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA. "ASILO". LC 123, de
14/12/06.
Nos termos da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, § 2°, "poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no capta deste artigo".
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3803-000.057
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Regis Xavier Holanda votaram pela conclusão, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES, EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA. "ASILO". LC 123, de 14/12/06. Nos termos da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, § 2°, "poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no capta deste artigo". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES, EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA. "ASILO". LC 123, de 14/12/06. Nos termos da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, § 2°, "poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no capta deste artigo". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3a Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Regis Xavier Holanda votaram pela conclusão, nos termos d voto do Relator. Can- LUlit' , • RCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente ri% AN ty ' L e i BONAT COR e IRO - Relator 11P. - •ou, ainda, do presente julgamento, o Conselheiro Jorge Higashino. i Processo n° 13820.000508/2005-19 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.057 Fl. 25 Relatório Tendo em vista os fatos descritos no presente processo, adoto como base o relatório da DRJ/Campinas - SP, descrito nos seguintes termos (fls. 16): Trata o processo de exclusão da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo n. 475.433, de 7 de agosto de 2003, em virtude de a contribuinte exercer atividade econômica não permitida — Código CNAE 8531-6/01 (Asilos). A Delegacia da Receita Federal em Santo André indeferiu a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS) do contribuinte (fls. 05), fundamentando que, conforme documentação apresentada pelo Contribuinte, consiste seu objeto social em prestação de serviços cujos profissionais dependem de habilitação profissional, nos termos do art. 9° da Lei n. 9317/96. Cientificado do indeferimento do seu pleito em 06/06/2005 (fls. 1/2), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 22/06/2005 (fls. 01/02), alegando, em síntese e fundamentalmente, que a exclusão do Simples "somente visam a cobrança retroativa de impostos e contribuições", além de ser inconstitucional, pois anuiu-se a opção, "manifestando-se, ainda por omissão, favoravelmente ao enquadramento", não podendo ser penalizado por isso; não consiste em sociedade formada pelos profissionais relacionados no artigo 9° da Lei n. 9317/96." Os autos foram encaminhados à Delegacia de Julgamento, que, após analisar os argumentos da impugnação, decidiu pelo indeferimento da solicitação, nos termos da ementa transcrita adiante: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2002 ASILOS E CASAS DE REPOUSO. VEDAÇÃO A pessoa jurídica que presta serviço de asilo ou casa de repouso não pode optar pelo Simples. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, diga-se, sempre sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em Lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela SRF. Solicitação Indeferida. Ciente do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte apresentou, tempestivamente (AR — Fls. 20), Recurso Voluntário, onde reitera suas alegações. te. 1:7 2 Processo n° 13820.00050812005-19 53-TE03 Acórdão n.°3803-00.057 Fl. 26 É o relatório. 3 Processo n° 13820.000508/2005-19 S3-TE03 • Acórdão n.° 3803-00.057 Fl. 27 Voto Conselheiro ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário, por conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. Cinge-se a questão em exclusão retroativa a data 01.01.2002, do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, que se deu por meio de Ato Declaratório Executivo, emitido pela Delegacia da Receita Federal em Santo Andre/São Paulo, que trouxe como motivo atividade econômica vedada — "ASILOS". Assim, a controvérsia presente nos autos restringe-se à questão da atividade econômica exercida pelo contribuinte, se é, ou não, impeditiva para opção ao Simples. Nesse ponto, como apontado pela Recorrente, a atividade desenvolvida é basicamente de hotelaria para idosos e não de prestação de serviços médicos (prestados por terceiros contratados pela contribuinte) que vedariam a opção. Para o caso em questão, cumpre notar o que dispõe artigo 17, da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, que a partir de 10 de julho de 2007, revogou' a Lei do Simples (Lei n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996): " Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: " § 2o Também poderá optar pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa neste artigo, desde que não incorra em nenhuma das hipóteses de vedação previstas nesta Lei Complementar. (Redação dada pela Lei Complementar n° 127, de 2007). (g.n.) Neste aspecto, importa esclarecer que, a atividade que a contribuinte afirma desempenhar não foi impugnada pela Receita, cabendo apenas verificar se ela é vedada pela Lei Complementar 123, o que não é o caso. Explica bem esta questão, aresto da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, n°303.30638, proferido pelo Conselheiro Irineu Bianchi, em 21/03/2003: SIMPLES — EXCLUSÃO — C A DE REPOUSO — SERVIÇOS DE HOTELARIA. Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 89— Ficam revogadas, a partir de 1° de julho de 2007, a Lei 0.9.317, de 5 de dezembro de 1996, e a Lei n°. 9.841, desde outubro de 1999. 4 Processo n°13820.000508/2005-19 53-TE03 Acórdão n.° 3803-00.057 Fl. 28 O escopo principal das casas de repouso é o serviço de hotelaria, cuja clientela necessariamente não é feita de pessoas doentes. O concurso dos serviços médicos, de enfermagem e outros visa a amparar os assistidos, propiciando-lhes a possibilidade de pronto atendimento e/ou encaminhamento hospitalar. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (g.n.) No mesmo sentido, aresto da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, n° 303-33.099, proferido pela Conselheira Nanci Gama, em 27/04/2006: SIMPLES. REVISÃO DE EXCLUSÃO. ATIVIDADE PRECÍPUA DA EMPRESA. Para fins de enquadramento no SIMPLES, há de ser levada em consideração a atividade efetiva e comprovadamente desempenhada pela empresa. Recurso voluntário provido. No tocante à aplicação da Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, ao presente caso, importa destacar, o que ela própria dispõe, em seu artigo 16, §4°: "§4° Serão consideradas inscritas no Simples Nacional as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar".(grifei) Note-se que a Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, dispôs que a opção pelo 'Simples Nacional' das ME (microempresas) e EPP (empresas de pequeno porte) será na forma estabelecida pelo Comitê Gestor, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, para tratar dos aspectos tributário da Lei Geral do Simples. Com efeito, através da Resolução CGSN n°. 04, de 30/05/07, o mencionado Comitê Gestor, ao regulamentar a opção ao 'Simples Nacional', resolveu em seu artigo 18 que: "Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução." Pondero, neste ponto, que tal artigo, primeiramente, convalida a migração automática para o 'Simples Nacional', não havendo necessidade, neste sentido, de formalização expressa para a opção. Noutro aspecto, o dispositivo ressalvou que só há migração automática caso não haja impedimento para tanto, mas advindos da nova lei. Entretanto, cumpre ainda notar o que dispõe o §1 0 da citada Resolução CGSN n°. 04, de 30/05/07, que diz respeito aos casos ainda não definitivamente julgados: "Art. 18. (—) Processo n° 13820.000$08/2005-19 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.057 Fl. 29 §1° Para fins de opção tácita de que trata o caput, consideram-se regularmente optantes as ME e as EPP, inscritas no CNPJ como optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n°. 9.317/96, que até 30 de junho de 2007 não tenham sido excluídas dessa sistemática de tributação ou, se excluídas, que até essa data não tenham obtido decisão definitiva da esfera administrativa ou judicial com relação a recurso interposto." Desta forma, o dispositivo em questão esclarece que também se consideram regularmente optantes aquelas empresas que se excluídas até 30/06/07, não tenham obtido decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial, com relação ao recurso interposto. Por tudo isto, se conclui que a retroatividade está prevista na própria sistemática da Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, e mesmo que assim não o fosse, o artigo 106, do Código Tributário Nacional (Lei n°. 5.172, de 25/10/1966) estipula que: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II — tratando-se de ato não definitivamente julgado- quando deixe de defini-10 como infração;" E não se diga que não seria o caso da lei nova deixar de definir como `infração', pois se a Lei n°. 9.317/96 discriminava atividades que vedavam a opção ao Simples, caso estas fossem exercidas por contribuinte optante, haveria, nesta hipótese, clara infração ao regime da Lei n°9.317/96. Portanto, se a lei nova não pune mais certo ato, que deixou de ser considerado como infração, também pelo artigo 106 do Código Tributário Nacional, ela retroage em beneficio do contribuinte, como no presente. No mais, não se pode deixar de considerar o estabelecido na Lei de Introdução ao Código Civil (Lei n°. 4.657, de 04/09/1942), que dispõe em seu artigo 6" que: "Art. 60 A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada." Logo, tal qual prescreve a LICC, a chamada de `lei de introdução às leis', uma vez que dita princípios gerais sobre as normas de direito público e de direito privado (arts. 7° a 19), as normas têm efeito imediato e geral. Diante do exposto, uma vez que a atividade desenvolvida pela Recorrente não está dentre as eleitas pelo legislador como impeditiva de opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte — SIMPLES, conforme se comprova, bem como pelo disposto o §2°, do artigo 17, da Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Sal. das Sessões, em 17 de março de 2009. Otó, AN b")-411 BONAT CORD IRO - Relator 6 Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028400.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1 _0028600.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13643.720102/2015-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2015
SIMPLES. EXCLUSÃO POR COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DO DBE. DESCABIMENTO.
Improcede a exclusão automática do Simples, se comprovada ocorrência de erro de preenchimento no formulário de alteração de CNPJ (DBE), devendo a exclusão ser validada pelo contribuinte ou por outros meios, sob pena de violação ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório.
Numero da decisão: 1002-002.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa.
Nome do relator: Ailton Neves da Silva
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ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2015 SIMPLES. EXCLUSÃO POR COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DO DBE. DESCABIMENTO. Improcede a exclusão automática do Simples, se comprovada ocorrência de erro de preenchimento no formulário de alteração de CNPJ (DBE), devendo a exclusão ser validada pelo contribuinte ou por outros meios, sob pena de violação ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-08-25T12:33:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-08-25T12:33:49Z; Last-Modified: 2022-08-25T12:33:49Z; dcterms:modified: 2022-08-25T12:33:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-08-25T12:33:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-08-25T12:33:49Z; meta:save-date: 2022-08-25T12:33:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-08-25T12:33:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-08-25T12:33:49Z; created: 2022-08-25T12:33:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2022-08-25T12:33:49Z; pdf:charsPerPage: 1799; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-08-25T12:33:49Z | Conteúdo => S1-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13643.720102/2015-16 Recurso Voluntário Acórdão nº 1002-002.332 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 10 de agosto de 2022 Recorrente ERVARA CORRETORA DE SEGUROS EIRELI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2015 SIMPLES. EXCLUSÃO POR COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DO DBE. DESCABIMENTO. Improcede a exclusão automática do Simples, se comprovada ocorrência de erro de preenchimento no formulário de alteração de CNPJ (DBE), devendo a exclusão ser validada pelo contribuinte ou por outros meios, sob pena de violação ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do Despacho nº 271/2019-RFB/VR06A/BENFIS/SIMPLMEI de e-fls. 36/37, que indeferiu a solicitação de reenquadramento da empresa no Simples Nacional a partir de 01/03/2015, em virtude de a mesma ter sido excluída deste regime de tributação por “comunicação obrigatória do contribuinte” (e-fls. 21). Conforme relata o Parecer, o pleito foi indeferido em virtude de o interessado ter incluído no pedido de alteração de dados no CNPJ atividades econômicas vedadas a opção pelo Simples Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 72 01 02 /2 01 5- 16 Fl. 94DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.332 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13643.720102/2015-16 Cientificada do indeferimento do seu pedido por via postal em 21/10/2019 (e-fls. 38), a pessoa jurídica interessada interpôs em 08/11/2019 a manifestação de inconformidade de fls. 41 a 49, na qual é aduzido, em síntese, que: - a exclusão deu-se em virtude de preenchimento equivocado do DBE (Documento Básico de Entrada), com indicação de CNAE que não refletia a atividade econômica real da empresa, descrita no objeto social da empresa; - o objeto social não sofreu modificação pela contribuinte e a atividade econômica descrita no CNAE principal preenchia condições para ingresso no Simples; - o CNAE que melhor representa a atividade desenvolvida pela contribuinte e que reflete o seu objeto social, é a descrita no CNAE, "66.22-3-00 - Corretores e agentes de seguros, de planos de previdência complementar e de saúde", e que uma vez identificada o lançamento equivocado das atividades secundárias a empresa prontamente retificou as informações para fazer constar no Cartão CNPJ atividades que efetivamente desenvolve e que se harmonizam com sua realidade fática; - nesses casos, caberia à Receita Federal, atentar para o equívoco no preenchimento do DBE, e considerar o objeto social descrito em contrato, o CNAE principal da contribuinte, bem como as notas fiscais que foram anexadas para demonstrar que o serviço prestado está dentro do rol permitido para o ingresso no Simples Nacional; A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BSB, conforme acórdão n. 03-91.364, de 14 de maio de 2020 (e-fl. 60), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2015 ATIVIDADES VEDADAS. RETIRADA. RECONSIDERAÇÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE NOVA OPÇÃO. Em face da legislação aplicável, fica impossibilitada a reconsideração da exclusão das pessoas jurídicas do Simples Nacional quando da retirada de atividades impeditivas, devendo o contribuinte fazer uma nova opção para reingressar no regime de tributação. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 81), no qual oferece argumentos e fundamentos resumidamente descritos a seguir (destaques do original). Afirma que “as autoridades que até o presente momento apreciaram as razões da Recorrente sustentaram suas decisões num positivismo exagerado, cuja perpetuação, com o perdão da crítica, apenas incentivará a substituição do ser humano por máquinas, concessa venia, tendência moderna que deve ser temperada.” Sustenta que “preencheu incorretamente o DBE incluindo no rol das atividades secundárias, atividade não permitida no SIMPLES NACIONAL” e que “Posteriormente, procedeu à retificação e comprovou para a Receita Federal do Brasil, inclusive neste processo, que não desempenhou referidas atividades.” Aduz que “as atividades secundárias incluídas no seu cadastro originaram-se de falha humana” e que “Elas não constituem seu objetivo social.” Fl. 95DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.332 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13643.720102/2015-16 Salienta que “...não pode a Administração exigir que determinada afirmação sobre um fato só se considere provada através do meio de prova "x", se através de outros meios de prova a Administração consegue chegar à certeza de que aquele mesmo fato ocorreu.” Invoca a aplicação da Súmula CARF n° 134 ao caso concreto, apresentando, ainda, escólio de doutrina e acórdãos de jurisprudência administrativa. Ao final, requer o provimento do recurso e o reconhecimento do direito de reenquadramento neste sistema de tributação simplificado. É o Relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Trata-se de contestação da exclusão do Simples, realizada por comunicação obrigatória regulada pelos artigos 81 e 82 da Resolução CGSN nº 140/2018, em razão de alteração do CNPJ por inclusão de atividade econômica vedada. Os dispositivos em comento contêm a seguinte redação: Art. 81. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP à RFB, em aplicativo disponibilizado no Portal do Simples Nacional, dar-se-á: I – (...) a) (...) II - obrigatoriamente, quando: a) (...) c) incorrer nas hipóteses de vedação previstas nos incisos II a XIV e XVI a XXV do art. 15, hipótese em que a exclusão: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 30, inciso II) 1. (...) (...) Art. 82. A alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à RFB, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional nas seguintes hipóteses: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 30, § 3º) I – (...) II - inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional; Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.332 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13643.720102/2015-16 (...) Sobre o tema, assim pronunciou-se o acórdão recorrido: (...) Na espécie, a empresa era optante do Simples Nacional, mas foi excluída desse regime por comunicação obrigatória, decorrente da inclusão, em seus dados cadastrais, de atividades econômicas vedada, nos termos do art. 30, § 3°, inciso II, da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. Nos termos da legislação aplicável, a inclusão de atividade vedada ao Simples Nacional implica a comunicação obrigatória de exclusão desse regime. Com efeito, o pedido de re-inclusão formalizado pelo contribuinte em 05/03/2015 foi indeferido pelo Despacho n° 271/2019- RFB/VR06A/BENFIS/SIMPLMEI de fls. 36/37, tendo em vista a inexistência de amparo legal para o seu deferimento. Vê-se, pois, que se trata de hipótese de exclusão obrigatória à qual não pode o administrador público dar interpretação diversa, posto que sua atuação deve ser conforme a lei e o direito, nos termos do art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999. Tal exclusão ocorre de forma automática, com a alteração de dados pelo próprio contribuinte no seu CNPJ. No caso, esclarece-se que o pedido formulado pela empresa litigante equivale a um pedido de reconsideração da exclusão por comunicação obrigatória. No entanto, conforme prevê o art. 16, da citada Lei Complementar n° 123, somente por meio de uma nova opção, a ser feita até o último dia útil do mês de janeiro, é possível reingressar novamente no Simples Nacional. Lei n° 123, de 2006 Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte dar-se-á na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano-calendário. § 1 o Para efeito de enquadramento no Simples Nacional, considerar-se-á microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no ano-calendário anterior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos no art. 3 o desta Lei Complementar. (... ) § 2 o A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 o deste artigo. (... ) Desse modo, considerando que a exclusão da empresa do Simples Nacional se deu por estrita obediência aos dispositivos legais mencionados, não assiste razão à empresa manifestante e, portanto, correto o indeferimento do seu pedido de re- inclusão nessa sistemática de apuração. (...) O Recorrente, por sua vez, alega, em suma, que as atividades secundárias vedadas informadas do pedido de alteração no CNPJ teriam decorrido de falha humana, que não desempenhou as referidas atividades, que não pretendeu comunicar sua exclusão do Simples e que procedeu a retificação das informações no CNPJ assim que identificou o equívoco cometido. Assiste razão ao Recorrente. Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.332 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13643.720102/2015-16 Pela análise dos documentos constantes dos autos, entendo que o Recorrente não pretendeu o auto desenquadramento do Simples Nacional, e que sua exclusão por comunicação obrigatória foi, de fato, decorrente de erro. Reforça este entendimento o fato de o contribuinte ter procedido de imediato às medidas corretivas visando a corrigir o erro cometido, de modo a manter a permanência no sistema de tributação simplificada. Nessa perspectiva, penso que não se pode atribuir a um ato de comunicação de registro no CNPJ nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil - sujeito a toda sorte de falhas, vicissitudes e erros, técnicos e humanos - a natureza de comunicação de exclusão obrigatória com o condão de excluir uma empresa do Simples de forma irretratável, sem que seja dada ao contribuinte a oportunidade de ratificar ou contraditar os motivos da exclusão. Seguindo esse raciocínio, a falta de confirmação da exclusão por “comunicação obrigatória“ pela RFB, a meu ver, feriu o direito de contraditório e ampla defesa do Recorrente, eis que o art. 50, II, da Lei n.º 9.784/99, estabelece que os atos administrativos que "imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções" deverão ser motivados. A propósito, o seguinte julgado: Não se imagina que tenha sido esta a intenção do artigo 82 da Resolução CGSN nº 140/2018 ao regular a matéria, caso contrário, estar-se-ia conferindo mais valor à forma do que à substância do ato jurídico, tendo, como consequência, a proibição do sujeito passivo de cometer erros, o que não se coaduna com os mais comezinhos princípios de direito. Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.332 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13643.720102/2015-16 Por outro lado, fosse dada oportunidade para ratificação da exclusão ou exigida do sujeito passivo declaração expressa nesse sentido - a exemplo do que ocorre no artigo 8º, § 3º, inciso II, da Resolução CGSN nº 140/2018 1 - é provável que esta lide sequer teria existido. Nesse quadro, é de se dar provimento o recurso. Dispositivo Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva 1 Art. 8º Para fins de identificação de atividade cuja natureza impede o ingresso no Simples Nacional, serão utilizados os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pela ME ou pela EPP no CNPJ. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º O Anexo VI relaciona códigos da CNAE correspondentes a atividades impeditivas do ingresso no Simples Nacional. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 2º O Anexo VII relaciona códigos ambíguos da CNAE, ou seja, os que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao ingresso no Simples Nacional. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 3º A ME ou a EPP que exerça atividade econômica cujo código da CNAE seja considerado ambíguo poderá formalizar a opção de acordo com o art. 6º, desde que: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I - exerça apenas atividade cuja opção seja permitida no Simples Nacional; e II - declare expressamente que não se enquadra nas vedações previstas no art. 15, nos termos do § 4º do art. 6º. (...) Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-002.332 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13643.720102/2015-16 Fl. 100DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13818.000114/2003-48
Data da sessão: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA - O direito de pleitear a
restituição de imposto retido na fonte sobre verbas recebidas como incentivo à adesão a Plano de Demissão Voluntária - PDV surge a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31 de dezembro de 1998, publicada no DOU de 06 de janeiro de 1999, surgiu o direito do requerente em pleitear a restituição do imposto retido.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3804-000.116
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da
Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à
Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para análise das demais questões. Vencidos a Conselheira Amarylles Reinaldi E Henriques Resende, que mantinha a decadência do direito
de pleitear a restituição, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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DECADÊNCIA - O direito de pleitear a restituição de imposto retido na fonte sobre verbas recebidas como incentivo à adesão a Plano de Demissão Voluntária - PDV surge a partir da publicação da Instruçào Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31 de dezembro de 1998, publicada no DOU de 06 de janeiro de 1999, surgiu o direito do requerente em pleitear a restituição do imposto retido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para análise das demais questões. Vencidos a Conselheira Amarylles Reinaldi E Henriques Resende, que mantinha a decadência do direito de pleitear a restituição, nos termos do voto do Relator. NE ON AO(‘Ocleigite LU1 1 Processo n° 13818.000114/2003-48 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.116 Fl. 2 4MARCELO MAG - S. 7TO - Relator FORMALIZADO EM: 78 SET 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Júlio Cezar da Fonseca Furtado e Nelson Mallmann (Presidente). 21 I O , Processo n° 13818.000114/2003-48 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.116 Fl. 3 Relatório Adoto o relatório da DRJ, por bem descrever os fatos e fundamentos: "Trata-se de manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe quanto ao Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Santo André/SP, que indeferiu a solicitação de restituição do imposto de renda retido na fonte incidente sobre as verbas rescisórias recebidas em decorrência de adesão ao Plano de Demissão Voluntária oferecido pela empresa Autolatina Brasil S/A, no ano de 1995. Aquela autoridade administrativa manifestou-se por indeferir o pedido do contribuinte afirmando que já havia decaído o direito de pleitear a restituição do imposto de renda retido na fonte sobre as verbas recebidas. Ciente do indeferimento, o contribuinte tempestivamente contesta a negativa daquele órgão nos seguintes termos. Inicialmente, a título dos fatos, o contribuinte se reporta ao despacho decisório transcrevendo a ementa daquela decisão, e aduz ser o mesmo totalmente descabido, e ainda, contrário à jurisprudência administrativa. Contesta as razões de decidir da autoridade administrativa ao indeferir o seu pleito por baseado no Ato Declaratório SRF n° 096/99, o qual determina o prazo de 05 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário (retenção do imposto), para o pleito de restituição de imposto incidente sobre verbas indenizatórias. Argumenta que tal entendimento não pode prosperar diante de sua fragilidade, por baseado no Parecer PGFN/CAT 1.538/99, o qual, em seu conteúdo reconhece a existência de jurisprudência dominante contrária. Prosseguindo o contribuinte defende o entendimento de que à época da retenção do imposto inexistia o direito à restituição motivo pelo qual não se pode cogitar da incidência do inciso I, do art. 168, do CTN. No contexto, somente a partir de 06/01/1999, data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165/98 é que o sujeito passivo poderia cogitar do direito a que se reporta o artigo 165, inciso III e artigo 168, inciso II do CTN. Até por analogia (CTN, artigo 108, I e § 1 0) com efeitos da inconstitucionalidade declarada de dispositivo de lei ordinária, conforme o reconhece não só o poder Judiciário em inúmeras decisões, como a própria SRF, através do parecer COSIT 58/88. Continuando, enumera e transcreve ementas e trechos dos seguintes atos da Receita Federal com o mesmo entendimento: Pareceres Cosit n° 58 de 27/10/1998 e Cosit n° 04, de 28/01/1999 e a Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS N° 2, item 4. No mesmo sentido traz jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Primeiro Conselho de Contribuintes. 4 3è FF It Processo n° 13818.000114/2003-48 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.116 Fl. 4 Em seguida o contribuinte trata da natureza indenizatória das verbas pagas a titulo de incentivo ao PDV. Entende não ser necessário discorrer de forma prolongada sobre o tema, vez que o judiciário e o executivo pacificaram o entendimento de que esses rendimentos não se sujeitam ao desconto do imposto de renda na fonte. Cita o Parecer PGFN/CRJ/N 1278/98, Instrução Normativa SRF n° 165/98, Ato Declaratório SRF n° 003/99 e art. 39, § 90 do Regulamento do Imposto de Renda Discorre, em seguida, acerca do termo inicial para atualização dos valores retidos indevidamente, que entende ser a data em que sofreu a retenção do imposto, e nesse sentido menciona jurisprudência administrativa do Primeiro Conselho de Contribuintes. Conclui: que o prazo decadencial de 5 anos deve ser contado a partir da data da publicação da IN SRF n° 168/98, ou seja 06/01/1999, extinguindo-se tão somente em 06/01/2004, pois somente neste momento passou a ser exercitável o seu direito quanto à restituição do imposto retido, sendo irrelevante a data da retenção; que as verbas recebidas possuem o caráter indenizatório e não deveriam ter se sujeitado à incidência do imposto de renda na fonte; que o valor a ser restituído deverá ser corrigido monetariamente, bem como acrescido de juros compensatórios desde a retenção indevida nos termos da legislação vigente. Finalmente, requer a reforma do Despacho Decisório recorrido e, conseqüentemente deferido o pleito de restituição do imposto de renda na fonte, devendo o valor ser corrigido monetariamente deste a retenção indevida, bem como acrescido de juros compensatórios (Selic), nos termos do art. 66, § 3° da Lei 8.383/1991." A DRJ por unanimidade de votos de votos, indeferiram a solicitação do contribuinte. Inconformado o contribuinte recorre a este Conselho, requerendo que seu pedido de restituição do imposto seja deferido. É o relatório. 4 1)1( 'II • Processo n° 13818.000114/2003-48 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.116 Fl. 5 Voto Conselheiro MARCELO MAGALHÀES PEIXOTO, Relator. O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Não há argüição de qualquer preliminar. Como se vê, a matéria em litígio prende-se à questão do termo inicial de contagem do prazo decadencial do direito de se pleitear a restituição de Imposto incidente sobre verbas recebidas a titulo de incentivo por adesão a PDV. Sustenta o Recorrente que o termo inicial deve ser a data da publicação da Instrução Normativa SRF n.° 165, de 1998, isto é, 06/01/1999 e, por esse critério, o pedido estaria tempestivo. De fato, o CTN prevê em seu art. 168, inc. I, que o prazo para restituição do indébito tributário extingue-se após o decurso de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário, que no caso vertente, teria se dado com o pagamento/retenção do imposto (C'TN, art. 156, inc. I). Entretanto, em face da presunção de legalidade e constitucionalidade das leis, entendo que o contribuinte esteja sempre obrigado a cumpri-las até que este eventual vicio seja reconhecido — quer por provocação do contribuinte, através da propositura de ação própria, quer pela manifestação dos Tribunais Superiores acerca da existência do mesmo. No caso em exame, o Poder Judiciário reconheceu o caráter indenizatório das parcelas recebidas a titulo de PDV, declarando, em conseqüência, a ilegalidade da incidência de imposto já recolhido pelo Recorrente (e retido na fonte), tendo a Secretaria da Receita Federal expedido a Instrução Normativa n.° 165, em 06 de janeiro de 1999, a qual determinou que: Art. 1° Fica dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional relativamente à incidência do Imposto de Renda na fonte sobre as verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária. Art. 2° Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de oficio os lançamentos referentes à matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar total ou parcialmente os respectivos créditos da Fazenda Nacional. (...)" Diante de tal situação, entendo que o prazo previsto no art. 168 só poderá ser contado a partir da edição da mencionada Instrução Normativa, momento em que o Recorrente teve ciência deste direito (de reaver os valores indevidamente recolhidos a título de IR). 5 Processo n° 13818.000114/2003-48 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.116 Fl. 6 Decorre dai que o prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN teria inicio em 06 de Janeiro de 1999, razão pela qual o pedido de restituição formulado pelo Recorrente em 20 de maio de 2003 é tempestivo e merece ser analisado pela autoridade competente. Esta matéria já foi exaustivamente apreciada por este Primeiro Conselho, como se vê do seguinte acórdão, cujo relator foi o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage (ac. n° 106-14740): IRPF — VERBAS INDENIZATÓRIAS — PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA — PDV — RESTITUIÇÃO — DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, se dá em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas. Decadência afastada. Por isso, voto no sentido de AFASTAR a decadência e DETERMINAR o retorno dos autos à origem para julgamento de mérito. Sala das Sessões-DF, 25 de J o de 200' r#1MARCELO P'' • S P, •TO - Relator 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA :f CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 13818.000114/2003-48 Recurso n°: 161.039 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 3804-00.116. Brasília, 28 SET 2009 . / • MI,' O MALLMANN 'residente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10920.720296/2008-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2005
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente.
ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA
Para efeito de isenção do ITR, não serão aceitas como de preservação permanente ou de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, como situadas em APA. Sua comprovação deve ser feita por ato de órgão ligado à proteção ambiental, federal ou estadual, em caráter específico para o imóvel rural objeto da tributação, e desde que
cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA.
Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia quando entender que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide.
ENVIO DE INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, incabível o pedido de que as intimações sejam feitas diretamente aos procuradores do contribuinte.
Pedido de perícia indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.318
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA Para efeito de isenção do ITR, não serão aceitas como de preservação permanente ou de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, como situadas em APA. Sua comprovação deve ser feita por ato de órgão ligado à proteção ambiental, federal ou estadual, em caráter específico para o imóvel rural objeto da tributação, e desde que cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720296/200816 Acórdão n.º 2801002.318 S2TE01 Fl. 244 2 Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia quando entender que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide. ENVIO DE INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, incabível o pedido de que as intimações sejam feitas diretamente aos procuradores do contribuinte. Pedido de perícia indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório AUTUAÇÃO Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 01/02 foi solicitada à contribuinte a apresentação da seguinte documentação, relativa ao ITR do exercício 2005: “Documentos referentes a Declaração do ITR do Exercício 2005: Ato Declaratório Ambiental ADA requerido dentro do prazo legal junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis lbama. Documentos, tais como Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Crea, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas a até h do artigo 2° da Lei 4.771 de 15 de Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720296/200816 Acórdão n.º 2801002.318 S2TE01 Fl. 245 3 setembro de 1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro. Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3° da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder publico que assim a declarou. Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de calculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à. convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1° de Janeiro de 2005, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1° de Janeiro de 2005 no valor de R$:” Como resposta, a interessada apresentou os esclarecimentos de fls. 09/11, juntamente com os documentos de fls. 12/23, que contém, entre outros, Laudo de Avaliação de Imóvel (fls. 13/16) e Ato Declaratório Ambiental – ADA (fls. 17) protocolado em 08/10/08. Por considerar não ter sido comprovada a isenção da área declarada a título de preservação permanente, foi efetuada sua glosa e expedida a notificação de lançamento de fls. 20/23, em que foi apurado um imposto suplementar de R$ 66.469,49, mais acréscimos legais, sendo que a infração encontrada foi assim discriminada na descrição dos fatos de fls. 25: “Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720296/200816 Acórdão n.º 2801002.318 S2TE01 Fl. 246 4 Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: A empresa não apresentou o Ato Declaratório Ambiental ADA requerido no prazo legal junto ao IBAMA e nem comprovou a existência das áreas de preservação permanente mediante Laudo Técnico ou Certidão de órgão público que declare que a área é de preservação permanente.” Cumpre esclarecer que, como consequência da glosa da área de preservação permanente – APP, foi apurado um novo Valor da Terra Nua Tributável e a alíquota incidente sobre este Valor também foi alterada. Entretanto o Valor da Terra Nua declarado pela contribuinte não foi objeto de autuação, como pode ser constatado nos cálculos constantes às fls. 22, no quadro denominado “Valor da Terra Nua”. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a impugnação de fls. 25/32, juntamente com os documentos de fls. 33/118, expondo, em síntese, os seguintes argumentos, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 129): “7.1. Tratou do direito à impugnação, explanou sobre as características e registro da propriedade e sobre as razões das notificações de lançamento. 7.2. Mencionou da legislação que trata da isenção das áreas preservadas e afirmou que as NL não poderiam prevalecer. 7.3. Em da Descrição da Área disse que através de laudo técnico se afirma estar o imóvel localizado na Área de Preservação Ambiental — APA da Serra Dona Francisca, tomado por vegetação da Mata Atlântica. 7.4. Aprofundouse na questão de localização do imóvel e após outros argumentos, como a menção de parte da lei n° 9.393/1996 que exclui as áreas preservadas da tributação, disse que sendo 100,0% de APP é evidente ser zero a área tributável. 7.5. Em Do valor do imóvel disse que, em se admitindo o não acolhimento da isenção, seria imperativo que os cálculos sejam baseados nos valores apurados no lado técnico. 7.6. Na seqiiencia listou os valores dos créditos tributários impugnados e concluiu que, diante do exposto e as provas apresentadas, não restaria dúvida de que o imóvel em questão 6, de fato, APP, composto 100,0% de Mata Atlântica e, como tal, está isento de tributação. 7.7. Isto posto requereu: a) Sejam revistos e suspensos os atos de levantamentos tributários correspondentes ao ITR, relativo aos exercícios de 2004 a 2006, por ser indevidos. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720296/200816 Acórdão n.º 2801002.318 S2TE01 Fl. 247 5 b) Como conseqüência sejam tornadas sem efeito as NL emitidas contra a requerente, medida esta que será da mais alta justiça. 8. Na seqüencia listou os documentos que instrui sua impugnação, juntados das fls. 33 a 118, os quais são: cópia da NL, da procuração, da alteração contratual da empresa, de certidão do imóvel, do ADA/2008, de laudo de APP, de ART, entre outros.” Por meio do Termo de Constatação e Juntada de fls. 125, foi verificado que, do laudo constante da documentação encaminhada em atenção ao Termo de Intimação de fls. 01 e 02, que se refere aos exercícios 2003 a 2006, foi juntada apenas a capa do mesmo, fl. 13. Tendo em vista que os processos dos exercícios 2004 e 2006 referentes à mesma intimação inicial se encontravam em trâmite na DRJ/Campo GrandeMS, foram extraídas cópias das folhas faltantes do mencionado laudo e do curriculum vitae do responsável pela sua elaboração e juntadas às fls. 121 a 124. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Campo GrandeMS julgou a impugnação improcedente, nos termos das ementas reproduzidas a seguir (fls. 126/127): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Área de Proteção Ambiental APA Legalmente, a Área de Proteção Ambiental APA é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Por isso, a sua exploração tem especial controle pelos órgãos ambientais. Porém, o fato de um imóvel estar localizado em uma APA, por si só, não o torna, automaticamente, isento de ITR, mas, somente as Áreas de Preservação Permanente APP nela contidas, sejam as definidas pelo só efeito do Código Florestal ou assim declaradas por Ato do Poder Público em caráter especifico para determinada área da propriedade e desde que cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária. Preservação Permanente Reserva Legal Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico especifico e averbação na matricula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720296/200816 Acórdão n.º 2801002.318 S2TE01 Fl. 248 6 cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de beneficio fiscal interpretase literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Ressaltou, ainda, que o VTN não foi objeto de alteração pelo Fisco, tendo sido aceito o valor declarado pelo contribuinte. Mesmo assim, a título de esclarecimento, apreciou o questionamento feito pela impugnante, tendo concluído que “o Laudo trazido aos Autos não apresenta grau de fundamentação II, conforme exigido na intimação, não havendo como, em sede de julgamento, ser aceito levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento, o qual, aliás, é o mesmo informado na DITR em pauta, pois, não houve alteração de oficio”. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada do acórdão de primeira instância em 30/07/10 (fls. 140), a interessada apresentou, em 31/08/10, o Recurso de fls. 141/157, juntamente com os documentos de fls. 158/240, alegando, em suma, que: a) a área glosada é enquadrada como de preservação permanente, tanto pelas características descritas no art. 2° do Código Florestal (Lei n° 4.771/1965), como pela vegetação nela existente, seja pela sua declividade, como também restou declarada por ato do Poder Público, conforme comprovam os documentos de fls. 168/179; b) no laudo juntado, firmado por profissional devidamente habilitado no CREA, há menção expressa de se tratar o imóvel em questão de APP, pelas suas características, descrevendo trecho do laudo que trata do assunto; c) nos termos do artigo 10, § 7° da Lei 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, cuja aplicação pretérita encontra respaldo no art. 106 do Código Tributário Nacional, basta a simples declaração do contribuinte para a isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente, de reserva legal e daquelas sob regime de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas. Entretanto, só haverá pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade da referida declaração, conforme definido no artigo acima citado, o que não é caso dos autos. d) como restou comprovada a existência da APP declarada, que não foi contestada pela autoridade fiscal, a glosa efetuada é descabida; e) para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, a APP não depende tão somente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de ADA ou da protocolização tempestiva de seu requerimento, uma vez que a sua efetiva Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720296/200816 Acórdão n.º 2801002.318 S2TE01 Fl. 249 7 existência pode ser comprovada por meio de laudo técnico e outras provas documentais idôneas trazidas aos autos, conforme se verifica pelos documentos juntados; f) diversos acórdãos proferidos pela Primeira e a Segunda Câmara deste Conselho afastam a exigência da apresentação do ADA, para fins de exclusão da APP da base de cálculo do ITR, assim como decisões prolatadas pelo Poder Judiciário, reproduzindo ementas dos arestos citados; g) caso não seja restabelecida a APP glosada, o VTN deve ser modificado, posto que valor atribuído ao imóvel para efeito de lançamento está divorciado da realidade fática; h) o VTN, atribuído unilateralmente pela Receita Federal, permite, sim, contestação, assegurada pelo parágrafo 4° do art. 3° da Lei n° 8.847/94, sendo que este Conselho e o Poder Judiciário vêm decidindo nesse sentido. i) a Receita Federal lançou de oficio o VTNm em total de 1.420.000,00 (notificação fiscal), dividido pelo número de hectares, 600,00 ha, o qual resulta no valor em reais de R$ 2.366,66 para cada hectare, sendo que, de acordo com o laudo juntado aos autos, o VTN por ela declarado no valor de R$ 300,56 deve prevalecer. Diante do exposto acima requer: 4.1. Por todo o exposto, requerse seja reformado in totum o acórdão n° 0421.091, conhecendose e dando provimento ao presente recurso voluntário para fins de que seja anulada a notificação fiscal combatida e/ou, no mérito, seja julgada a insubsistência da exigência fiscal, tudo de acordo com o que restou evidenciado ao longo deste recurso voluntário. 4.2. Requer ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a documental ora acostada e o laudo de caracterização de declividade que será anexado posteriormente, bem como, em se entendo pertinente, a realização da prova pericial para apurar o tamanho da área de preservação permanente do imóvel de propriedade da recorrente. 4.3. Requerse, por oportuno, que todas as intimações referentes ao presente feito sejam feitas diretamente em nome dos procuradores da contribuinte recorrente legalmente constituídos, com endereço profissional na Av. Brasil, n° 205, Ed. Trade Center, 50 e 6° andares, Ponta Aguda, Blumenau/SC, CEP 89050000. É o Relatório. Voto Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720296/200816 Acórdão n.º 2801002.318 S2TE01 Fl. 250 8 Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre informar, inicialmente, que a alteração do VTN não foi objeto da notificação de lançamento em discussão, haja vista que, como pode ser observado no quadro “Cálculo do Valor da Terra Nua” (fls. 22), o VTN considerado pela autoridade lançadora foi o mesmo declarado pela recorrente, R$ 1.420.000,00. O que foi alterado foi o Valor da Terra Nua Tributável, que leva em consideração a área tributável, que foi estabelecida pela fiscalização como sendo a área total do imóvel, em decorrência da glosa da APP. Por conseguinte o VTN tributável foi modificado de R$ 180.340,00 para R$ 1.420.000,00. Face ao exposto acima a questão relativa ao VTN não será objeto de apreciação por este Colegiado, por não fazer parte da lide. Convém ressaltar que não é permitido à contribuinte alterar o VTN declarado, como pretende em seu recurso, posto que configuraria uma retificação de declaração que, no caso em que vise a reduzir ou excluir tributo, somente pode ocorrer antes de iniciado o procedimento de ofício, de acordo com o disposto no art. 147, § 1º, do CTN, abaixo transcrito, e este requisito não se encontra preenchido neste caso. Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (...) Quanto à questão da APP, convém ressaltar que o Laudo de Vistoria de fls. 104/116, cujo objetivo foi descrever a área de preservação permanente existente no imóvel, foi elaborado em outubro de 2008, posteriormente, portanto, à ocorrência do fato gerador, logo não pode ser aceito para amparar a pretensão da interessada em relação ao exercício em questão. Cumpre assinalar que o citado Laudo também não discrimina o quantum de área de preservação permanente que o imóvel em questão possui, limitandose a informar, de modo geral, que o imóvel está localizado em área de preservação permanente, sem benfeitorias (item 1), sendo que no item 7.1 consta a informação de que cursos d’água existentes na propriedade cursos determinam APP, “em função dos 30 metros de mata ciliar”, e no item 7.3 há relato de que existe dentro das terras varias escarpas com mais de 100% de declividade, que, por essa característica, são consideradas APP. Todavia para ambos os casos não há discriminação acerca do total de área que estaria enquadrada como APP. Quanto à alegação de que, pelo fato de o imóvel estar situado dentro de uma Área de Proteção Ambiental – APA toda a sua área deve ser considerada como de preservação Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720296/200816 Acórdão n.º 2801002.318 S2TE01 Fl. 251 9 permanente, também não há qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido, cabendo destacar que a questão se encontra esclarecida na pergunta 184 do Manual de Perguntas e Respostas relativo à DITR/2001 (abaixo reproduzidas), que também se aplica ao exercício 2005, entendimento do qual compartilho: “184. Por que os imóveis rurais situados ern Área de Proteção Ambiental (APA) e nas Reservas Extrativistas são tributados? Desde o início, convém dizer o seguinte: um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e da legislação tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive na APA e nas Reservas Extrativistas, não se estende genericamente a todas as áreas do imóvel. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade particular, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental efetivamente situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de RPPN e área de proteção de ecossistema bom como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental. 0 reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental — ADA). O beneficio fiscal estendese apenas para essas áreas especificas do imóvel, uma vez que elas, em regra, não podem ser exploradas economicamente. Por outro lado, inclusive na APA e nas Reservas Extrativistas, há, em regra, áreas do imóvel rural destinadas ou utilizadas pela atividade agrícola, pecuária, florestal, industrial e mineral. Logo, impossível a concessão de isenção do 1TR para todas as áreas da propriedade situada na APA e na Reserva Extrativista, pois há áreas exploradas economicamente.” Vale dizer que não foram juntados aos autos documentos que comprovem que a área glosada pela fiscalização se refere à APP. Não obstante o acima exposto, é importante destacar que, a partir do exercício 2001, a protocolização tempestiva do ADA é um dos requisitos legais para que a APP não seja tributada pelo ITR, conforme disposto no art. 17O, §1º, da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, in verbis: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720296/200816 Acórdão n.º 2801002.318 S2TE01 Fl. 252 10 §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (destaque meu) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que a interessada comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público, inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, que compilou a legislação do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (destaque meu) Para o exercício 2005, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido no art. 9º, § 3º, II, da IN SRF nº 256, de 11/12/02, in verbis: IN SRF nº 256, de 11/12/02 Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720296/200816 Acórdão n.º 2801002.318 S2TE01 Fl. 253 11 (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I – ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR.. (destaque meu) Assim, como no presente caso, o ADA apresentado foi protocolado somente em 08/10/08 (fls. 17), após, portanto, o prazo de seis meses fixado para a entrega da DITR/2005, não se encontra atendida uma das condições previstas na legislação para a exclusão da APP declarada da base de cálculo do ITR. Entendo que a dispensa da exigência da protocolização tempestiva do ADA somente poderia ocorrer se a APP em questão tivesse sido reconhecida como tal pelos órgãos ambientais competentes, à época do fato gerador. E nos autos não há prova de tais fatos. Acerca das decisões administrativas e judiciais citadas, cumpre informar que, com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Por entender que a realização de perícia é desnecessária para a solução do litígio, haja vista que os autos contêm todos os elementos pertinentes para a realização do julgamento e o ônus da prova neste caso é da recorrente, indefiro, com base no art. 18, do Decreto n° 70.235/72, o pedido de perícia formulado. Por fim, quanto à solicitação de que todas as intimações sejam feitas diretamente aos seus procuradores, tal pretensão não merece acolhida, de acordo com o que disciplina o artigo 23 do Decreto n° 70.235/1972. Diante do exposto acima voto por INDEFERIR o pedido de perícia e por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720296/200816 Acórdão n.º 2801002.318 S2TE01 Fl. 254 12 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10735.002711/2004-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Somente a partir do exercício de 2001, a exclusão das áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao seu reconhecimento mediante
Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado pelo sujeito passivo junto ao Ibama, observada a legislação pertinente.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3803-000.001
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer as áreas declaradas como de preservação permanente de 422,0 ha e de utilização limitada de 136,0 ha. nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10735.002711/2004-10 Recurso n° 139.566 Voluntário Acórdão n° 3803-00.001 — 31 Turma Especial Sessão de 16 de março de 2009 , Matéria IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Recorrente PADOMAR AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA. Recorrida DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Somente a partir do exercício de 2001, a exclusão das áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao seu reconhecimento mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado pelo sujeito passivo junto ao 'barna, observada a legislação pertinente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3a Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer as áreas declaradas como de preservação permanente de 422,0 ha e de utilização limitada de 136,0 ha. nos termos do voto do Relator. -4441~~.LUIS M . ;- rw lo FERRA DE CASTRO - Presidente REGI'. , 1. • • • , DA - Relator V 11 P. cip. . , a" • • a, do presente julgamento, os Conselheiros André Luiz Bonat Cordeiro e Jo _e Higa no. 1 Processo n°10735.002711/2004-10 S3-TE03 Acórdão n.°3803-00.001 Fl. 120 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por Padomar Agrícola e Pecuária Ltda. contra Acórdão n° 11-18.825, de 07 de maio de 2007 (fls. 85 a 94), proferido pela 1" Turma da DRJ/Recife-PE, que manteve o lançamento relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/12, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural —1TR, exercício 2000, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Padomar — Gleba B2", localizado no município de Petrópolis-RJ, com área total de 678,0 ha, cadastrado na SRF sob o n° 4984839-9, no valor de R$ 32.714,26 (trinta e dois mil e setecentos e quatorze reais e vinte e seis centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2000 e dos fundamentos coletados no curso da ação fiscal, conforme demonstrativo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal fl. 04, a fiscalização apurou as seguintes infrações: a) exclusão, indevida, da tributação de 422,0 ha de área de preservação permanente; b) exclusão, indevida, da tributação de 136,0 ha de área de utilização limitada. As exclusões indevidas, conforme demonstrativo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal fl. 04, têm origem na intempestividade do protocolo do Ato Declaratório Ambiental — A DA. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 03/12/2004, a impugnação de fis. 21/33, alegando, em síntese: I — que as Leis n° 9.333/96 (sic), n° 4.771/65, com redação dada pela Lei n° 7.083/89, não exigem apresentação de qualquer documento para o gozo do beneficio; II — que a exigência encontra-se prevista somente numa Instrução Normativa destituída de suporte legal; III — que o ADA é ato de natureza puramente declaratória certificante da situação preexistente; IV — que o art. 3° da Medida Provisória n° 1.956-50, de 26-05-2000, atual MP n°2.166-67, de 24-08-2001, que introduziu o §7° ao art. 10 da Lei 1109.393/96, deixou evidente a desnecessidade do ADA; V — transcreve ementas do Conselho de Contribuintes. 46(9,,,/ - Processo n0 10735.002711/2004-10 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.001 Fl. 121 A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedente o lançamento em acórdão com a seguinte ementa: "ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Mama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da inconstitucionalidade de atos legais ou da ilegalidade dos atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, uma vez que neste juizo eles se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar-lhe execução." Cientificado do referido acórdão em 20 de junho de 2007 (fl. 98), o interessado apresentou recurso voluntário em 19 de julho de 2007 (fls. 100 a 113) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. ,É o relatóriá»o. .(51#r Processo n° 10735.002711(2004-10 S3-TE03 Acórdão n.• 3803-00.001 Fl. 122 Voto Conselheiro REGIS XAVIER HOLANDA, Relator Por conter matéria desta E. Turma da 3' Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. No presente caso, a razão da autuação foi a glosa da Área de Preservação Permanente de 422,0 ha e da Área de Utilização Limitada de 136,0 ha declaradas pelo contribuinte em decorrência da não comprovação do requerimento do Ato Declaratório Ambiental-ADA junto ao IBAMA no prazo de seis meses contados da data de entrega da DITR. A Lei n°9.393, de 19 de dezembro de 1996, ao tratar da apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural-ITR, assim dispôs: "Art. 10. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: lI - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei n° 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(!ncluído pela Lei n° 11.428, de 2006) J) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) tfr 4 Processo n°10735.002711/2004-10 S3-TE03 Acórdão n.°3803-00.001 Fl. 123 Já no que se refere à utilização do Ato Declaratório Ambiental para gozo de redução do valor a pagar de ITR, a Lei n°6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, assim tratou a matéria, verbis: "A ri. 17-0. Os proprietários ntrais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redaçiio dada pela Lei n°10.165. de 2000) § 1°-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluido pela Lei n" 10.165, de 2000) § 1° A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) " Negrita Entretanto, até a entrada em vigor da Lei n° 10.165/2000, a exclusão das área de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável, para os efeitos de apuração do ITR, estava vinculada às exigências contidas nas disposições legais então vigentes que não especificavam a necessidade de apresentação do respectivo Ato Declaratório Ambiental-ADA do lbama. Observa-se aqui que, na data da ocorrência do fato gerador (01/01/2000), eram as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal que impunham ao contribuinte a utilização do ADA e estabeleciam o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Assim, guardando observância ao principio da legalidade, importa concluir que, à data da ocorrência do fato gerador em comento, era inexigível o ADA como condição para reconhecimento da existência da área de preservação permanente e de utilização limitada. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para reconhecer a área declarada de preservação permanente de 422,0 ha e de utilização limitada de 136,0 ha. Sala das Sessões, em • Ge março de 2009. REGIS/411tE 10L • D • elator Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10240.000667/2005-56
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-02.000
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 10855.002704/2009-66
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
GLOSA DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Somente são dedutíveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Correta a glosa quando o contribuinte não comprova que os pagamentos foram realizados nos termos estipulados pela decisão
judicial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.738
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2005 GLOSA DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente são dedutíveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Correta a glosa quando o contribuinte não comprova que os pagamentos foram realizados nos termos estipulados pela decisão judicial. Recurso Voluntário Negado.
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Somente são dedutíveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Correta a glosa quando o contribuinte não comprova que os pagamentos foram realizados nos termos estipulados pela decisão judicial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Tania Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 49DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10855.002704/200966 Acórdão n.º 280101.738 S2TE01 Fl. 48 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Do Lançamento 0 processo referese A notificação de lançamento de fls. 08/11 lavrada em face do contribuinte acima identificado, em decorrência de procedimento interno de revisão de Declaração Anual de Ajuste de Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao exercício 2006, por meio da qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 4.666,33, sendo imposto suplementar apurado no valor de R$ 2.164,95, juros de mora no valor de R$ 877,67 (calculados até 30/10/2009) e multa de oficio no valor de R$ 1.623,71. De acordo com o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 09, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento da infração de Glosa de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$ 13.760,00 referente ao filho Guilherme, que possuía 22 anos de idade no ano calendário de 2005, residia com sua genitora possuindo hospedagem, sustento, não existindo provas deste ser incapaz ou doente, configurandose a inexistência do requisito necessidade. Da Impugnação Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, o contribuinte apresentou manifestação tempestiva às fls. 01/03, anexando documentos as fls. 04/07, alegando em síntese que: > o filho Guilherme possuía 22 anos em 2005, porém, era universitário e não possuía renda, sendo custeado pelo impugnante; > a pretensão não se sustenta mais no art. 1.694 do Código Civil, mas no art. 1.695 cujo principio é o da solidariedade familiar ininterrupta, de acordo com os arts. 1°, III e 229 da CF/88; > toda a documentação já enviada dá conta da situação de estudante universitário, inclusive que dependia diretamente do contribuinte para manterse matriculado e cursando a universidade; > o filho Guilherme não foi lançado como dependente na DIRPF de sua genitora, Sra. Aline Maria Monteiro, CPF n.° 099.666.78816; >filho ou enteado universitário é considerado dependente até 24 anos de idade de acordo com a legislação tributária; > requer acolhimento da impugnação e cancelamento do débito fiscal reclamado; Expediuse oficio A Delegacia de Fiscalização da Receita Federal do Brasil em Sorocaba para que fosse remetido a esta Delegacia Regional de Julgamento — DRJSP2 cópia do dossiê consolidado do notificado, permitindo, assim, a análise por este relator dos argumentos apresentados pelo contribuinte em sua Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10855.002704/200966 Acórdão n.º 280101.738 S2TE01 Fl. 49 3 impugnação em cotejo com os documentos já exibidos a autoridade lançadora durante o procedimento fiscalizatório.” Passo adiante, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 GLOSA DA DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente são dedutiveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Correta a glosa quando o contribuinte não comprova que os pagamentos foram realizados nos termos estipulados pela decisão judicial. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS As decisões judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual, seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo aquele objeto da decisão. Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado em procedimento de revisão fiscal, objetivando a cobrança de IRPF suplementar no Exercício de 2006, sob o argumento de que o Recorrente teria deduzido indevidamente, da base de cálculo do tributo, despesas incorridas em benefício de seu filho “Guilherme”, à época com 22 anos, no valor de R$ 13.760,00. É certo que as despesas realizadas com filhos universitários, com idade até 24 anos, podem ser deduzidas da base de cálculo do tributo, mas desde que haja expressa determinação de pagamento em acordo homologado judicialmente ou em decisão judicial. Com relação à pensão alimentícia, como se sabe, no caso de separação judicial, o art. 35, § 3º, da Lei nº 9.250/95 é expresso no sentido de que, no caso de filhos de pais separados, só poderão ser considerados como dependentes aqueles que se mantiverem sob a guarda do contribuinte: Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10855.002704/200966 Acórdão n.º 280101.738 S2TE01 Fl. 50 4 “Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 40, inciso III, e 8°, inciso II, alínea "c" poderão ser considerados como dependentes: (...) § 3° No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.” Nesse sentido, por via de conseqüência, o cônjuge que não manteve a guarda dos filhos, não poderá declarálos como se seus dependentes fossem, sendo incorreta qualquer dedução de despesas nesse sentido. Com relação às demais despesas incorridas pelo Recorrente em favor de seus filhos cujas guardas foram mantidas com as respectivas mães, as mesmas só podem ser aceitas acaso essas obrigações de custeio decorram de acordos ou sentenças judiciais. No caso de pagamentos realizados por mera liberalidade, portanto, não deve ser aceita a dedução das despesas incorridas. Isso porque o art. 8º, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.250/95, somente permite que sejam deduzidas aquelas despesas incorridas pelo Recorrente e por seus dependentes. E, não sendo tais filhos, para fins da legislação do imposto de renda, considerados como se seus dependentes fossem, as despesas com eles incorridas, se não previstas em acordos ou sentença judicial, não podem ser deduzidas da base de cálculo do tributo. No corrente caso, o valor declarado pelo Recorrente como despesa atinente ao seu filho “Guilherme”, no montante de R$ 13.760,00, por não estar previsto em acordo ou sentença judicial, não pode ser deduzido da base de cálculo do tributo devido. Configurase, pois, correta as glosas realizadas pela fiscalização e mantidas pela decisão que analisou a Impugnação. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000204/2001-10
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 30/04/1992 a 30/04/1996
DECADÊNCIA
O direito da Fazenda de constituir o crédito tributário referente a tributos e contribuições sujeitos ao regime de lançamento por homologação extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3803-000.202
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento dos débitos anteriores a fevereiro de 1996 em face do advento da decadência, na linha da Súmula STF nº 8.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 30/04/1992 a 30/04/1996 DECADÊNCIA O direito da Fazenda de constituir o crédito tributário referente a tributos e contribuições sujeitos ao regime de lançamento por homologação extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
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Recorrida DAI-JUIZ DE FORA/MG- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 30/04/1992 a 30/04/1996 DECADÊNCIA O direito da Fazenda de constituir o crédito tributário referente a tributos e contribuições sujeitos ao regime de lançamento por homologação extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3'. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃOO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento dos débitos anteriores a fevereiro de 1996 em face do advento da decadência, na linha d Súmula STF n2 8. .,.,L N • -SORE KERN - Presidente k 11 eri e I I e MIN e.". BEL IOR • 110 DE SOUSA - Relator Partici • ram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Mauricio Fedato, Héleio afetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. 1 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n° 09-15.966, de 05 de abril de 2007, da DRJ-Juiz de Fora/MG, fls. 341 a 343, que julgou o lançamento procedente em face da manifestação de inconformidade de fls. 315 a 317. Cientificada da decisão em 07 de maio de 2007, irresignada apresenta recurso voluntário, fls. 347 a 355, em 06 de junho de 2007, no qual reitera os mesmos argumentos trazidos na impugnação, segundo os quais: a) na data da lavratura do auto de infração, em 19 de fevereiro de 2001, créditos tributários apurados, de COFINS, referentes aos períodos de apuração abril/1992 a abril11996, encontravam-se homologados tacitamente, em razão do decurso do prazo de cinco (5) anos a contar do fato gerador, sem pronunciamento do órgão fazendário, nos termos do que rege o art. 150 § 4° do CTN, 1)) a Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios, a teor da Súmula n° 473 do STF; c) não cabe aplicação da Lei n° 8212/91, que estabelece o prazo de dez (10) anos para o direito de Fazenda lançar, porquanto, não tendo a Lei Complementar n° 70/91, que instituiu a COFINS, fixado prazo para a homologação da antecipaçção efetuada pelo sujeito passivo, o prazo deve ser o que consta do art. 150, § 4° do CTN. Colige ementas de julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda firmando este entendimento. Ao fim, requer que seja dado integral provimento ao presente recurso, para o fim de determinar a anulação do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro BELCHIOR MELO DE SOUSA, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Trazido já na impugnação o argumento de decadência do direito de lançar, o único fundamento da decisão recorrida para manter, na íntegra o auto de infração, foi o amparo do art. 45 da Lei n° 8212/91. A matéria ora em controvérsia, com efeito, esbarra em jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, que há muito já acolhe o art. 150, § 4° do CTN, como regra matriz para a contagem do prazo decadencial do direito da Fazenda de constituir crédito tributário nos tributos sujeitos e lançamento por homologação. Este, o regime da contribuição sob exigência no presente lançamento. Como se não bastasse, encontra agora ainda maior óbice com a publicação da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo .4. eLk / • Processo n° 10920.00020412001-10 S3-1E03 Acórdão n.° 3803-00.202 Fl, 359 Tribunal Federal, que afirma a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91. Do que, impossível manter o lançamento em apreço. Pelo exposto, vote por dar provimento parcial ao recurso por decadência do direito de lançar, referente aos períodos anteriores ao período de 19 de fevereiro de 2001. a aleks. BELC IOR M O DE SOUSA 3
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006010/2005-52
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Incabível a alegação de decadência nas hipóteses em que a ciência do lançamento se deu antes de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do IRPF, a saber, 31 de dezembro do ano-calendário correspondente.
DEPÓSITO BANCÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSORES. HERDEIROS.
A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n 9.430, de 1996, é do titular da conta corrente, não havendo como imputar aos herdeiros a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte (titular) era vivo e o único responsável pela
movimentação financeira.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-001.888
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Incabível a alegação de decadência nas hipóteses em que a ciência do lançamento se deu antes de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do IRPF, a saber, 31 de dezembro do ano-calendário correspondente. DEPÓSITO BANCÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSORES. HERDEIROS. A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n 9.430, de 1996, é do titular da conta corrente, não havendo como imputar aos herdeiros a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte (titular) era vivo e o único responsável pela movimentação financeira. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Incabível a alegação de decadência nas hipóteses em que a ciência do lançamento se deu antes de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do IRPF, a saber, 31 de dezembro do anocalendário correspondente. DEPÓSITO BANCÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSORES. HERDEIROS. A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n 9.430, de 1996, é do titular da conta corrente, não havendo como imputar aos herdeiros a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte (titular) era vivo e o único responsável pela movimentação financeira. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 198 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo II (SP). Por bem descrever os fatos, reproduzse a seguir o relatório da decisão recorrida: “O processo referese à auto de infração de fl. 03/07 lavrado em face da contribuinte acima identificada, herdeira dos bens do Sr. Josef Pfulg, originado de procedimento fiscal instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal MPF de n° 08.1.24.002005004717 anexado às fls. 01, relativo ao imposto de renda pessoa física do falecido do exercício 2001, por meio do qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 46.457,98, sendo imposto apurado no valor de R$ 24.273,99, juros de mora (calculados até 30/11/2005) no valor de R$ 19.756,60 e multa proporcional no valor de R$ 2.427,39. Atendendo à demanda requisitória da Justiça Federal Seção Judiciária do Paraná, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.04.002005003262, objetivando analisar as informações obtidas pela Justiça Federal junto às autoridades do Governo dos Estados Unidos da América, as quais foram transferidas para a Receita Federal do Brasil. Em 16 de dezembro de 2003, o Juiz da Suprema Corte, John Casaldo, expediu o documento denominado “Order To Disclose”, visando liberar à CPMI do Banestado e ao Ministério da Justiça provas e documentos havidos em investigações e procedimentos do Grande Júri, conhecido como “Internacional Money Laundering by John Doe”. Em 29 de abril de 2004, em decisão no Processo n° 2004.70000082670, o Juízo da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba decretou a quebra do sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônicas recebidas da CPMI do Banestado que, por sua vez, os receberam da Promotoria Distrital de Nova York/EUA, relativamente às contas mantidas no MTBCBCHudson Bank, Safra Bank e Lespan. Conforme decisão contida no Processo de n° 2004.7000008267 0 da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba, em 29/04/2004, o Juízo autorizou o compartilhamento do material relativo ao MTBCBCHudson Bank com a Receita Federal, Bacen e Coaf, para instruir ás atividades específicas destas instituições. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 199 3 Em 24 de novembro de 2004, Laura Bilings, Assistant District Atorney of the County of New York, emitiu documento em que autorizava representantes do Congresso e da Polícia Federal brasileira a obterem cópias de diversos documentos e mídias eletrônicas, dentre os quais constam nominados o MTBCBC Hudson Bank, Lespan e Safra Bank. Da análise das informações repassadas pela Justiça Federal, constatouse que no ano de 2000 o Sr. Josef Pfulg efetuou transação financeira no exterior, através da instituição bancária MTB Iludson Bank. Tal transação referese ao valor debitado na citada instituição financeira e creditado para o Sr. Josef Pfulg no Banco Cantonale Zougoise Zug Switzerland, no valor de USD 103.100,00 (dólar dos Estados Unidos da América) em 20/06/2000. Em 20/09/2005 a autuada tomou ciência da instauração do procedimento fiscal (conf. fls. 28). tendo sido intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos que possibilitaram a movimentação financeira descrita no parágrafo anterior. Em manifestações de 06/10/2005 e 01/11/2005, a herdeira/autuada através de seu procurador informou em síntese que: • Seu pai (Sr. Josef Pfulg) faleceu em 21/01/2001, tendo sido nomeada para exercer o cargo de inventariante; • O inventário já tinha sido encerrado, tendo transitado em julgado em 13/10/2004; • Era uma das herdeiras, sendo o outro seu irmão, Sr. Pierre Josef Pfulg; • Não tinha conhecimento de qualquer remessa de divisas efetuadas por seu falecido pai, ou por conta dele, como, igualmente, ignorava a existência de conta bancária no exterior em nome do mesmo; Da análise do formal de partilha apresentado durante ação fiscal, constatouse que o Sr. Josef Pfulg foi casado com a Sra. Heloiza Rodrigues Negrão Pfulg em completa separação de bens com pacto antenupcial. constando como herdeiros/sucessores a autuada e o Sr. Pierre Josef Pfulg, portador do CPF n° 024.368.77882. Diante dos fatos descritos acima, tendo em vista a não comprovação da origem dos recursos utilizados para a referida movimentação financeira, foi considerado como rendimento omitido na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física, exercício 2001. ano calendário 2000, o valor de R$ 189.435,94 creditado em 20/06/2000 para o Sr. Josef Pfulg no Banco Cantonale Zougoise Zug Switzerland, extraído das informações repassadas pela Justiça Federal, objeto da Fiscalização. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 200 4 Coube a cada um dos herdeiros 50% do imposto apurado e multa de mora aplicada de 10% nos termos do artigo 964, inciso I, alínea “b” do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, a contribuinte apresentou manifestação tempestiva às fls. 108/118 através de advogado, juntando procuração com poderes específicos às fls. 119, argumentando em síntese que: > no processo administrativo não há elementos para confirmar se o Sr. Josef Pfulg era titular da conta bancária onde foi depositada a quantia de US$ 103.100,00, em 20/06/2000, sendo que a omissão dessas informações restringem o direito de defesa da fiscalizada, e infringem o disposto no artigo 5°, XXXIII, da Constituição Federal de 1988; > não pode haver cobrança de tributo sem a certeza do sujeito passivo da obrigação; > ocorreu a extinção do direito de constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública com fundamento no artigo 173, inciso I, do CTN; > não se pode presumir rendimento omitido por simples depósito em conta bancária. Os dispositivos citados evidenciam que a fiscalização não definiu a natureza do rendimento na autuação, se de capital, de trabalho, se recebido no Brasil ou se pago no exterior; > o artigo 43 da Lei n° 9.430/96 (?) estabelece uma inaceitável e odiosa presunção que contraria normas constitucionais e desnatura o próprio tributo. Inferese das Declarações de Ajustes apresentadas pelo genitor da autuada que não houve acréscimo patrimonial tampouco sinais exteriores de riqueza que pudesse justificar tributação sobre montante tão elevado; > apresenta jurisprudência administrativa, judicial e a súmula n° 182 do extinto TRF para embasar os argumentos da defesa de improcedência do lançamento COM base em depósito bancário; > requer que sejam trazidos aos autos os documentos mencionados no item 5 da impugnação, com a finalidade de comprovar que o titular da conta no Banque Cantonale, residia no Brasil era contribuinte do IR inscrito no CPF n.° 014.951.86849. Pleiteia nova vista dos autos para manifestação complementar após juntada dos documentos; > requer a declaração da procedência da impugnação apresentada e cancelamento da exigência fiscal. Da Diligência Fiscal Realizada Tendo em vista as alegações formuladas pela autuada em sua manifestação determinouse a realização de diligência fiscal com a finalidade que a autoridade fiscal comprovasse a vinculação do Sr. Josef Pfulg com a omissão de rendimentos Fl. 206DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 201 5 apurada, e assim reconstituísse documentalmente todo o procedimento realizado (Beacon Hill) e descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 10/14). Às fls. 125/156 procedeuse a anexação dos documentos solicitados, tendo sido dado ciência à autuada mediante correspondência, conforme comprova aviso de recebimento anexado às fls. 160. Às fls. 161/162 o procurador da autuada apresentou manifestação complementar sobre os documentos anexados, sendo que este limitouse a ratificar argumentos já expostos em sua manifestação inicial. É o relatório.” A 8a Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo II (SP), em decisão unânime, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência fiscal, nos termos do Acórdão DRJ/SPO2 n° 1734.177, de 17/08/2009, às fls. 164/177. Transcritas, a seguir, as ementas constantes do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA 4111 FÍSICA – IRPF Exercício: 2001 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento exoffício, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando a contribuinte, após regularmente intimada, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos detectados pela lançadora. PROVAS CONSTANTES DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ENVIADOS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os dados constantes de arquivos magnéticos e documentos, legalmente enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituemse em elementos de prova robustos de que o genitor da fiscalizada manteve depósito bancário em conta Fl. 207DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 202 6 no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram a transação financeira discriminada não restou comprovada durante o desenvolvimento do procedimento fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquele objeto da decisão. Cientificada da decisão de primeira instância em 05/11/2009, conforme documento à fl. 180, a interessada, interpôs, em 02/12/2009, por meio de seu procurador, o Recurso Voluntário às fls. 99/126, reiterando a argumentação posta por ocasião da apresentação da impugnação ao lançamento, ou seja, argumentando, em resumo, que: não está legalmente identificado o sujeito passivo tributário como sendo genitor da autuada, não podendo esta ser responsabilizada por imposto devido por pessoa a quem não sucedeu; está extinta, por decadência, a constituição do crédito tributário, na forma do art. 173 do CTN; não é legítima a tributação arbitrada com base em depósito bancário realizado em conta bancária supostamente pertencente ao pai da autuada, de conformidade com a doutrina e a jurisprudência dos Tribunais e do Primeiro Conselho de Contribuintes; não ocorreu acréscimo patrimonial, nem foram constatados sinais exteriores de riqueza, que pudessem justificar a tributação sobre montante tão elevado, desproporcional, mesmo à herança deixada, e que não pode presumirse como rendimento omitido. Ao final, a interessada requer seja acolhido o seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente aprecio a preliminar de decadência suscitada pela recorrente. Verificase, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais Fl. 208DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 203 7 casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 209DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 204 8 (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Face ao exposto, concluise que o prazo decadencial do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, a exigência fiscal se refere ao exercício 2001, ano calendário 2000. Verificase que houve antecipação do pagamento do imposto mediante recolhimento de CarnêLeão (DIRPF à fl. 23), sendo o dia inicial da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento a data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo anocalendário (art. 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN). Assim, o prazo decadencial deve ter como termo inicial 31/12/2000 e como termo final 31/12/2005. O auto de infração em apreço foi cientificado ao contribuinte em 05/12/2005 (conforme fl. 03), quando ainda não havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário. Ultrapassada essa questão, passo ao exame do mérito. Na espécie, os fundamentos apontados pela fiscalização para constituição do credito tributário encontramse bem destacados às fls. 04/05 do Auto de Infração, bem como às fls. 10/13 do Termo de Verificação Fiscal que o integra. Destaco os seguintes excertos: No Auto de Infração Fl. 210DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 205 9 “OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR Omissão de rendimentos recebidos no montante de R$ 189.435,94 pelo Sr. Josef Pfulg (pai falecido) CPF 014.951.86849 de fontes pagadoras situadas no exterior, sendo que a fiscalizada, na condição de herdeira, é pessoalmente responsável pelo tributo devido pelo de cujus, proporcional a sua participação e limitado ao montante da herança, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal em anexo, parte integrante deste Auto de Infração.” No Termo de Verificação Fiscal “(...) Diante dos fatos descritos nos itens 6 e 7 em vista da não comprovação da origem dos recursos utilizados para a referida movimentação financeira, será considerado como rendimento omitido na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física, exercício 2001, ano calendário 2000. o valor de R$ 189.435,94 creditado em 20/06/2.000, para o Sr. Josef Pfulg no Banque Cantonale Zougoise Zug Switzrland, extraído das informações repassadas pela Justiça Federal, objeto da fiscalização (quantia em reais correspondente a USD 103.100,00 dólares utilizando o valor de compra de 1,8374 dólar de 15/05/2.000 de acordo com a art. 16 § 2° da IN SRF 73/98); (...) A base legal para o referido lançamento encontrase no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/96, com as alterações introduzidas pelo art. 4°. da Lei n° 9.481, de 13/08/97 e no artigo 55, inciso VII, do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), (...)” (destaquei) Pois bem, do exame das operações envolvendo essas contas, emergiu o nome do Sr. Josef Pfulg como beneficiário de crédito em conta no exterior, como detalhado no procedimento fiscal. Constam ainda dos autos as seguintes informações: i) o Sr. Josef Pfulg, pai da recorrente, e beneficiário do crédito bancário efetuado em 20/06/2000 faleceu em 21/01/2001, conforme Certidão de Óbito à fl. 44; ii) o inventário foi encerrado e transitou em julgado em 13/10/2004, conforme Certidão à fl. 93, com sentença que homologou a partilha dos bens deixados pelo falecido; iii) a recorrente, Dora Josephine Pfulg, na condição de herdeira, tomou ciência da instauração do procedimento fiscal em 20/09/2005, através de Termo de Início de Fiscalização, tendo sido intimada a comprovar, mediante documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, a origem dos recursos que possibilitaram a realização da movimentação financeira (transferência, depósito e/ou crédito), através do Banco MTB Hudson Fl. 211DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 206 10 Bank, no montante de USD 103.100,00 (dólar dos Estados Unidos da América) datada de 20/06/2000; iv) a ciência do auto de infração ocorreu em 05/12/2005, portanto, em data posterior à sentença que homologou a partilha. Cabe, portanto, apreciar a questão relacionada à sujeição passiva, uma vez que o lançamento decorre de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cujo crédito tributário, em parte (50%), está se exigindo da recorrente, na condição de herdeira do então contribuinte titular do crédito bancário. Ressaltese que a exigência objeto da autuação teve por fundamento legal o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e alterações posteriores. Como se vê, tratase de lançamento, por presunção legal, com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Para melhor clareza, transcrevo a seguir, o normativo destacado, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei n° 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (vide art. 4° da Lei n° 9.481/1997) §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (...)” Fl. 212DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 207 11 Pois bem, o lançamento que ora se aprecia foi feito com base em presunção legal do tipo juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de crédito em conta bancária de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. No caso em apreço foi tributado o valor de R$ 189.435,94 (quantia em reais correspondente a USD 103.100,00 dólares americanos) creditado, em 20/06/2000, para o Sr. Josef Pfulg, sendo que, repisese, tal operação ocorreu antes da abertura da sucessão, e a ciência do lançamento efetuado contra a recorrente, na qualidade de herdeira do beneficiário desse crédito, se deu após a homologação do formal de partilha. É cediço que o espólio é pessoalmente responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão (art. 131, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN), bem como os herdeiros e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação (art. 131, inciso II, do CTN). Esta responsabilidade alcança não somente os créditos tributários definitivamente constituídos até a abertura da sucessão, mas também os em curso de constituição ou posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas antes do falecimento do contribuinte, no caso do espólio, e antes da data da homologação da partilha, no caso dos herdeiros e meeiros, nos termos do art. 129 do CTN. O espólio existe entre a data da abertura da sucessão até a data da partilha, sendo o inventariante responsável solidário pelos tributos por ele devido (espólio) neste período (art. 134, inciso IV do CTN). Encerrado o inventário, eventuais créditos tributários devidos pelo espólio passam a ser de responsabilidade dos herdeiros e do cônjuge meeiro, limitados ao montante do quinhão do legado ou da meação. Após a abertura da sucessão, o espólio, assim entendido como o “conjunto de bens, direitos e obrigações da pessoa falecida” (art. 2° da Instrução Normativa n° 81, de 11 de outubro de 2001), passa a ser o responsável pela movimentação financeira das contas bancárias pertencentes ao contribuinte falecido, até a data da partilha. Neste caso, é possível intimar o espólio, representado pelo inventariante, a se manifestar quanto a origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias do de cujus, no período sob sua responsabilidade, e, se for o caso, efetuar o lançamento com base na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Todavia, no presente caso, a ação fiscal originouse de procedimento instaurado em nome do falecido, no qual a recorrente, na qualidade de inventariante e herdeira, Sra. Dora Josephine Pfulg, é que foi intimada a comprovar a origem dos recursos creditados no ano de 2000 em conta de seu genitor mantida no exterior. A respeito, estou em perfilhar o mesmo entendimento contido no Voto proferido pela Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, em recente julgado da 2a Turma da 2a Câmara deste Egrégio Conselho (Acórdão nº 220200.206, de 19/08/2009 – Recurso nº 154.447 – Processo nº 10140.001794/200339), por percuciente que se mostra a análise efetuada pela Relatora no tocante à questão semelhante a que ora se apresenta em discussão. Peço vênia para reproduzir trecho da referida decisão, que adoto como fundamento do presente voto: “[...] Fl. 213DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 208 12 Para que a presunção de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, se aperfeiçoe é necessário que o(s) titular(es) da conta seja(m) previamente intimado(s) a comprovar a origem dos depósitos. Ou seja, cabe ao fisco identificar os depósitos bancários de origem não comprovada e intimar o contribuinte a sobre eles se manifestar com o fim de cumprir o encargo que a presunção do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996 lhe transfere. Em se tratando de conta conjunta, é entendimento pacificado neste Tribunal, que a falta de intimação prévia de um dos titulares acarreta a improcedência do lançamento referente aos créditos efetuados nesta conta. Assim, diferentemente de outras infrações, a presunção de omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários de origem não comprovada tem como requisito fundamental a intimação prévia do titular da conta, sem a qual ela não se conforma. No caso de procedimento fiscal instaurado após a morte do contribuinte, tendente a averiguar a regularidade do depósitos efetuados em contas de titularidade do de cujus, há que se fazer um divisão temporal quanto a responsabilidade pela comprovação da origem destes depósitos: depósitos efetuados antes e depois da abertura da sucessão. Visto que o titular da conta, antes da abertura da sucessão, era o de cujus, é a ele a quem se deve imputar o ônus de comprovar a origem dos depósitos efetuados até sua morte, não se podendo transferir tal responsabilidade ao espólio. Assim, sendo a intimação neste caso materialmente impossível, a presunção vista no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, não se aperfeiçoa em relação aos depósitos efetuados à época em que o contribuinte era vivo. Corroborando nosso entendimento, também já se manifestou a Ilustre Conselheira Heloísa Guarita Souza, a quem peço vênia para transcrever um trecho do voto constante do Acórdão no 10422.290, de 28/03/2008, quando foi apreciada situação semelhante: É pacífico que a tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada tratase de uma presunção relativa, legalmente autorizada, mas que depende, primeiro, da não comprovação por parte do titular da conta bancária, depois de devidamente intimado, da origem de tais depósitos. Mas, ressaltese que é elemento essencial, componente da norma, a prévia intimação do titular da conta bancária. Tanto assim que, quando a conta é conjunta, a jurisprudência desse Conselho já firmou entendimento de que também ele deve ser intimado para fazer essa comprovação, sob pena de improcedência da autuação quanto à parte não intimada ou se tal fato não foi levado em conta. No caso concreto, a hipótese normativa é de materialização impossível, haja vista que o titular das Fl. 214DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 209 13 contas bancárias autuadas já era falecido antes mesmo do início da fiscalização. Para essa obrigação, não se transfere o inventariante ou o espólio, uma vez que com o “de cujus” não se confundem. Ora, se é faticamente impossível intimar o titular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos bancários, porque falecido, não há como materializar a hipótese de incidência tributária prevista no artigo 42, supratranscrito, tendo em vista o princípio da legalidade tributária. Caso contrário, estarseá transformando uma presunção relativa em presunção absoluta, ao se tomar a totalidade dos depósitos como não comprovados. Sob outra ótica, estarseá violando o princípio da legalidade ao se dirigir a intimação elemento essencial da norma jurídicotributária do artigo 42 – para a inventariante, já que ela não se confunde com o “de cujus”. A responsabilidade tributária por sucessão somente estaria presente, mesmo considerando que os fatos motivadores da autuação são anteriores ao falecimento do contribuinte, se fosse material e autonomamente possível a aplicação da regra legal embasadora do lançamento, o que não acontece, em função das características essenciais do artigo 42, já destacadas. Isto é, se a obrigação tributária decorrente do comando do artigo 42 é de nascimento impossível – pela impossibilidade de intimação do titular da conta bancária – nem mesmo há de se cogitar na hipótese de responsabilidade tributária uma vez que ela é dependente de uma obrigação tributária préconstituída, inexistente no caso concreto. Com isto querse dizer que o instituto da responsabilidade tributária não é autônomo, mas pressupõe a existência de uma obrigação tributária préconstituída (independentemente da sua formalização ou declaração pelo lançamento) e cujo cumprimento não foi honrado pelo contribuinte, por qualquer uma das situações previstas no Código Tributário Nacional. [...]” Assim, conforme o acima exposto, não se pode imputar ao espólio, e muito menos aos herdeiros, a obrigação de justificar a origem de créditos e/ou depósitos efetuados pelo de cujus em vida, ou seja, créditos efetuados antes da abertura da sucessão, tampouco exigirlhes, por meio de lançamento com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/96, a título de responsáveis por sucessão, o recolhimento de eventual crédito tributário relacionado a estes créditos e/ou depósitos. Portanto, VOTO por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por dar provimento ao recurso. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10830.006010/200552 Acórdão n.º 280101.888 S2TE01 Fl. 210 14 Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 216DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10580.727340/2009-06
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
LEGITIMIDADE. UNIÃO. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL.
A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As verbas recebidas por membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, descabendo excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-001.782
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Eivanice Canário da Silva que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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UNIÃO. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, descabendo excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para Fl. 111DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.727340/200906 Acórdão n.º 280101.782 S2TE01 Fl. 112 2 excluir a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Eivanice Canário da Silva que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, às fls. 02/11, onde está o fisco a exigir do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 27.503,69, sendo R$ 12.697,92 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), além de R$ 9.523,44 de multa de oficio, e R$ 5.282,33 de juros de mora, estes calculados até 30 de outubro de 2009. A exigência fiscal decorreu da revisão efetuada nas declarações de ajuste anual apresentadas pelo contribuinte, relativas aos exercícios 2005, 2006, e 2007. Asseverou a autoridade fiscal que o autuado classificou indevidamente, nestas declarações, rendimentos tributáveis como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Tais valores foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. O autuante destacou que estas diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, e deste modo, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Esclareceu ainda a autoridade lançadora que na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem abono de férias (conversão de férias), em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ n° 2.140/2006. Acrescentou que o cálculo efetuado no lançamento também obedeceu ao disposto no Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Inconformado com a exigência o contribuinte apresentou em 17/12/2009 a impugnação às fls. 31/59, assinada por seus procuradores. Em defesa contra a autuação argumentou que: não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a titulo de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; Fl. 112DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.727340/200906 Acórdão n.º 280101.782 S2TE01 Fl. 113 3 segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de oficio, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de oficio, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da Unido, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e à RFB; o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a titulo de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a titulo de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; é pacifico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a titulo de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das Fl. 113DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.727340/200906 Acórdão n.º 280101.782 S2TE01 Fl. 114 4 diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao principio constitucional da isonomia. Na seqüência, após análise dos autos, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/Salvador(BA) decidiu, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo, assim, a exigência tributária, nos termos do Acórdão DRJ/SDR nº 1523.606, de 28/04/2010, às fls. 64/70. Com a ciência da decisão de primeira instância ocorrendo em 08/11/2010, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 73, o contribuinte, interpôs, em 16/11/2010, por meio de seus advogados, o Recurso Voluntário às fls. 74/107. Em sua defesa, reitera os argumentos postos quando da impugnação ao lançamento, ressaltando, portanto, os seguintes pontos: i) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa de ofício, face à responsabilidade exclusiva da fonte pagadora e diante do efeito vinculante de Consulta Administrativa realizada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; ii) nulidade do lançamento, motivada pela forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado; iii) não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios e/ou compensatórios; iv) natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; v) da ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e vi) violação ao princípio constitucional da isonomia (art. 150, inciso II, da Constituição Federal). Ao final, requer seja acolhido e totalmente provido o seu recurso, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, e na hipótese de ser mantida a ação fiscal, seja excluída a incidência da multa de ofício de 75%. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. De início, cabe ser apreciada a preliminar suscitada pelo recorrente, relacionada à falta de legitimidade da União para exigir o imposto de renda lançado nos autos. Quanto a essa questão devese salientar que a Constituição Federal, norma maior a qual todas as outras se vinculam obrigatoriamente, em regras e princípios, define a competência sobre o tributo em apreço: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; Fl. 114DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.727340/200906 Acórdão n.º 280101.782 S2TE01 Fl. 115 5 II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; (grifei) Atentese para o fato de que a distribuição da renda arrecadada com outros entes da federação não altera a competência da União quanto ao Imposto sobre a Renda, conforme o preceito contido no art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 6º. A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencerá à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. (destaquei) Cumpre ainda frisar que as atribuições de arrecadar e fiscalizar o Imposto de Renda, compreendidas na competência tributária, jamais foram transferidas pela União aos Estados ou Municípios, ocupando aquela, indubitavelmente, a posição de sujeito ativo nas relações que versam sobre o tributo em comento. Rejeitase, portanto, a preliminar suscitada pelo recorrente. No mérito, com relação ao alegado caráter indenizatório dos valores recebidos, ressaltese que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual dos exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Segundo o interessado, tais importâncias recebidas seriam isentas de imposto de renda, com base na Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 08/09/2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 12/12/2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.727340/200906 Acórdão n.º 280101.782 S2TE01 Fl. 116 6 Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, o contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 08/09/2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal exegese. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem verter expressamente do texto legal, em respeito ao princípio contido no art. 111, do citado CTN. Assim, descabe na hipótese dos autos atribuir aos rendimentos recebidos pelo recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que inexiste lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas. Deveras, segundo a legislação de regência, o interessado estava obrigado a informar na declaração de ajuste, independente da existência de retenção, todos os seus rendimentos, sendo que a tributação da renda das pessoas físicas é feita essencialmente em bases anuais. A tributação mensal não exclui a anual. Em verdade, o valor do imposto devido Fl. 116DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.727340/200906 Acórdão n.º 280101.782 S2TE01 Fl. 117 7 que prevalece é o apurado na declaração de ajuste anual, que tem por base todos os rendimentos do anocalendário. Os valores pagos pelo contribuinte durante o ano, inclusive mediante retenção na fonte, são meras antecipações do imposto calculado na declaração (art. 8º e inciso II do art. 15 da Lei n° 8.383, de 1991, inciso III do art. 16 da Lei nº 8.981, de 1995). Havendo diferença entre o pago e o devido, esta diferença deve ser recolhida aos cofres da União, no prazo fixado em lei (inciso III do art. 15 e art. 17 da Lei nº 8.383, de 1991 e art. 17 da Lei nº 8.981, de 1995). Destarte, a própria sistemática do regime de fonte e de declaração de ajuste anual confere ao Fisco Federal o poder de exigir do contribuinte o imposto devido sobre rendimentos tributáveis, mesmo que não retido anteriormente pela fonte pagadora. Há, com isso, mero deslocamento temporal do gravame a ser suportado pelo contribuinte, que deixa de ser o momento da percepção dos rendimentos e passa a ser o do vencimento do imposto devido na declaração. A jurisprudência firmada neste Conselho Administrativo quanto à matéria, após prolongado estudo e debate, firmouse no sentido da legitimidade da exigência na figura do contribuinte pessoa física. Transcritas a seguir algumas ementas: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE FALTA DE RETENÇÃO OBRIGATORIEDADE DE INCLUSÃO DOS RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL A falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos, para tributação, na declaração de rendimentos, já que se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o anocalendário da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. (Ac 10418928) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — AÇÃO FISCAL INICIADA APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS — EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO — Sendo o imposto de renda na fonte tributo devido mensalmente pelo beneficiário do rendimento, cujo "quantum" deverá ser informado na Declaração de Ajuste Anual para a determinação de diferenças a serem pagas ou restituídas, e se a ação fiscal desenvolveuse após a ocorrência do fato gerador e data da entrega da Declaração de Ajuste Anual, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda pessoa física, se for o caso, há que ser efetuado em nome do sujeito passivo direto da obrigação tributária, ou seja, o Fl. 117DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.727340/200906 Acórdão n.º 280101.782 S2TE01 Fl. 118 8 beneficiário e titular da disponibilidade jurídica e econômica do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. A falta de retenção do imposto de renda na fonte pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual. Esta inclusão deverá ser efetuada pelo sujeito passivo direto da obrigação tributária ou, "exofficio", pela Autoridade Fiscal. (Ac. 10245717 e 10245379). (grifos nossos) Acrescentese que esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho, por meio da Súmula nº 12, em vigor desde de 22/12/2009: Súmula CARF nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. No mais, verificase que foram utilizadas as alíquotas corretas na apuração do imposto devido, consideradas as deduções pertinentes, como também foram excluídas da base de cálculo do tributo as parcelas incidentes sobre férias indenizadas e 13° salário. Na esteira das considerações precedentes, concluise que, no caso vertente, não há embasamento legal para se considerar os rendimentos em causa (incluídos os juros moratórios) como isentos ou não tributáveis, uma vez que estão explicitamente definidos em lei como rendimentos tributáveis, devendo a autoridade administrativa basearse na legislação tributária vigente, em consonância com o princípio da estrita legalidade estabelecido na Constituição Federal. No tocante à multa de ofício, revejo o entendimento que havia manifestado em julgados anteriores relativamente a essa mesma matéria. Assim, curvome ao posicionamento adotado majoritariamente por este Egrégio Conselho no sentido de que é incabível a exigência de tal penalidade quando o contribuinte demonstra ter sido induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro escusável. Nesse mesmo sentido, cito os acórdãos 10616801 e 19600065, do então Primeiro Conselho de Contribuintes, e mais, o acórdão 104145.376, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a seguir transcritos: MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...) (Acórdão 10616801, de 06/03/2008, relator o Conselheiro Luiz Antonio de Paula) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os Fl. 118DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.727340/200906 Acórdão n.º 280101.782 S2TE01 Fl. 119 9 rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...) (Acórdão nº 19600065 de 02/12/2008, relatora a Conselheira Valéria pestana Marques) IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Tendo a fonte pagadora (Assembléia Legislativa do Estado de Roraima) prestado informação equivocada aos deputados estaduais com relação à natureza dos valores pagos a título de ajuda de custo, o erro cometido pelo contribuinte no preenchimento das declarações de ajuste anual é escusável. Assim, o lançamento que reclassificou ditos rendimentos de isentos e não tributáveis para tributáveis não comporta a exigência da penalidade de ofício. (Acórdão 106145.376, de 18/08/2009, relator o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage) Por fim, com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Isto posto, VOTO por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa de ofício de 75%. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 119DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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