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Numero do processo: 10865.001587/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA.
MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE AERONAVES NÃO HOMOLOGADAS (ULTRALEVES). Ausente evidências de que a atividade em referência somente poderia ser exercida por engenheiro, prevalece o entendimento de que a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57).
Numero da decisão: 1302-001.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE AERONAVES NÃO HOMOLOGADAS (ULTRALEVES). Ausente evidências de que a atividade em referência somente poderia ser exercida por engenheiro, prevalece o entendimento de que a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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ATIVIDADE IMPEDITIVA. MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE AERONAVES NÃO HOMOLOGADAS (ULTRALEVES). Ausente evidências de que a atividade em referência somente poderia ser exercida por engenheiro, prevalece o entendimento de que a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 15 87 /2 00 5- 71 Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.001587/200571 Acórdão n.º 1302001.850 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório MARLENE APARECIDA PADOVEZ AERONAVES EPP, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, INDEFERIU solicitação assim relatada na decisão recorrida: Trata o presente processo de exclusão do Simples, em razão de a interessada exercer atividade vedada ao ingresso no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Mediante Ato Declaratório DRF/LIM nº 567.674, de 02 de agosto de 2004, documento de fls. 05, a empresa foi excluída do Simples por exercer atividade de construção e montagem de aeronaves, serviços vedados ao ingresso no referido sistema simplificado de pagamento de tributos, conforme estabelecido inciso XIII, art. 9, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Cientificada do ato de exclusão, a empresa ingressou com Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, a qual foi apreciada e indeferida pela Delegacia da Receita Federal em Limeira, mediante despacho decisório de fls. 15/17, sob o argumento de que não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que preste serviços profissionais cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade ao ato de exclusão, argumentando que, diferentemente do entendimento da Receita Federal, a atividade exercida pela empresa, de construção e montagem de ultraleves, independe de profissionais especializados, uma vez que se dedica a fornecer mão deobra para a montagem das aeronaves experimentais destinadas ao amadorismo. Segundo explica, os conceitos retirados dos Regulamentos Brasileiros de Homologação Aeronáutica – RBHA 37, RBHA 38 e RBHA 103 deixam claro que a construção e montagem de ultraleves destinados a pessoas amadoras independe de qualificação técnica e regulada por lei. Apenas as empresas que projetam ou fabricam os kit destinados à montagem de ultraleves é que precisam ter engenheiro aeronáutico, mas que esse não é o seu caso, posto que se dedica apenas ao fornecimento de mãodeobra para montagem das aeronaves ultraleves experimentais destinadas a amadores. Alega que as notas fiscais referentes aos períodos de 2002 a 2006 demonstram que os serviços prestados pela empresa restringemse ao fornecimento de pessoal para a construção ou montagem de aeronaves (ultraleves) e ao conserto e à manutenção (revisão) destas aeronaves, e não à venda de equipamentos ligados ao kit/conjunto ou do próprio kit para montagem da aeronave. Argumenta, ainda, que a lei nº 11.051, de 2004, em seu art. 15, assegurou às empresas com atividade de oficina mecânica, instalação, manutenção ou reparação, a permanência e/ou retorno ao Simples e que, por serem equânimes com as atividades prestadas pela empresa, não há que se falar em exclusão da empresa do Simples, com fundamento no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.001587/200571 Acórdão n.º 1302001.850 S1C3T2 Fl. 4 3 Em razão do que argumentou, requereu seja reformado o despacho decisório recorrido, a fim de manter a empresa como optante pela sistemática tributária instituída pelo Simples. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que o serviço de manutenção de aeronaves é atribuição de engenheiros aeronáuticos, na forma da Resolução CONFEA nº 218, bem como que os requisitos consignados no Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica RBHA 37, especialmente tendo em conta a possibilidade de expedição do Relatório de Inspeção Anual de Manutenção (RIAM) por oficinas de manutenção de aeronaves homologadas, impõe a observância, pela contribuinte, das regras do RBHA 145, que exige, em qualquer situação, que o pessoal responsável por funções de direção e controle de qualidade deve estar habilitado pelo CONFEA/CREA, e o pessoal responsável por funções de supervisão e execução deve estar credenciado e habilitado pelo DAC. Acrescentouse, ainda, que: Por fim, não há a menor possibilidade de admitir a pretensa equiparação dos serviços prestados pela interessada com aqueles elencados nos incisos I, II e III, do art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. As atividades excluídas da vedação do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, pelo citado art. 4º da Lei nº 11.051, não necessita mesmo de profissional habilitado, o que não é o caso dos serviços prestados pela MONTAER, que, conforme fartamente analisado, é prestado por profissional ou é assemelhado a profissão que depende de habilitação legalmente exigida. Cientificada da decisão de primeira instância em 11/11/2008 (fl. 759), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 09/12/2008 (fls. 761/772), no qual reitera que promove manutenção e reparação de aeronaves, exceto a manutenção na pista, sendo optante do SIMPLES desde sua constituição em 06/03/98, verificandose sua exclusão a partir de 01/01/2002 em razão de atividade econômica vedada: 35319/00 construção e montagem de aeronaves. Por não concordar com a decisão de 1ª instância, discorre sobre o conceito de veículo ultraleve, de aeronave experimental e construída por amador, para concluir que veículo ultraleve é veículo experimental construído ou montado por amadores, que não necessitam de habilitação profissional ou especializada, assim como a manutenção dessas aeronaves experimentais não necessitam de profissional habilitado (engenheiro). Insiste que apenas a fabricação de conjuntos destinados à montagem de aeronaves experimentais exige a atuação de engenheiro ou profissional especializado, e junta cópias de fichas de registro de empregados para demonstrar que não há qualquer engenheiro aeronáutico ou assemelhado em seu quadro de funcionários, bem como esclarece que a proprietária da empresa é formada em ciências contábeis. Esclarece, ainda, que, ao contrário do que dito pela autoridade julgadora de 1ª instância, a certificação por meio de expedição do RIAM nada tem a ver com os serviços esporádicos de reparo/manutenção de ultraleves prestados pela recorrente, a qual não certifica/emite o citado RIAM. De toda sorte, a norma referida pela autoridade julgadora permite a expedição de tal certificado por pessoas que não engenheiros (itens 4 e 5 mecânicos de aeronaves e representantes técnicos), estando reconhecido no site da Associação Brasileira de Ultraleves esta atuação por parte de técnicos em manutenção com reconhecida experiência, assim como evidenciado em credenciais de empresa vendedora de aeronaves, que não possui qualquer engenheiro dentre seus representantes técnicos. Acrescenta, ainda que as Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.001587/200571 Acórdão n.º 1302001.850 S1C3T2 Fl. 5 4 exigências citadas pela autoridade julgadora de 1ª instância se referem a aeronaves homologadas, e não a experimentais (ultraleves), com as quais a recorrente trabalha. Reportase a declaração juntada ao recurso, prestada por Associação Brasileira de Fabricantes de Aeronaves Leves, acerca da desnecessidade de especialização técnica e da contratação de engenheiros para a montagem e/ou manutenção de aeronaves experimentais ou nãohomologadas. Invoca, assim, a alteração promovida pelo art. 15 da Lei nº 11.051/2004 no art. 4º da Lei nº 10.964/2004. A extinta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para as providências assim consignadas no voto do Conselheiro Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior: [...] Da análise dos autos e em cotejo da legislação vigente à época, reproduzida em termos coincidentes na superveniente Lei Complementar, observase que o Recurso Voluntário merece ser provido, porquanto sabidamente o rol do inciso XIII do artigo 9º da revogada Lei 9.317/96, dizia respeito a profissões regulamentadas, em que a sociedade estivesse voltada à prestação de serviços para contratação em razão da qualificação técnica do profissional ou do seu especial talento. Indiscutivelmente esse é o desiderato da impossibilidade de opção pelo regime em comento, reprisada no artigo 17 da Lei Complementar nº 123/06. [...] Assim, a razoabilidade da lei, consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e aos profissionais liberais, tudo visando favorecer a empregabilidade e extirpar a informalidade das micro e pequenas empresas. Necessário, portanto, deixar assentado que o fato de a lei não incluir no regime de tributação nominado SIMPLES os profissionais elencados no inciso XIII, do artigo 9º é por entender que estes, dado a sua especialidade técnica e atividade genuinamente própria, não contribuiriam para aumentar os empregos formais, tampouco, necessitariam de estímulo do estado. Divergências ideológicas a parte, essa a sistemática da lei em trato. Feitas essas considerações genéricas, é conveniente registrar que na espécie cuida se de contribuinte que se dedica a montagem de ultraleves para vôos amadores, não havendo qualquer indicação, por parte da Fiscalização, que demonstre que os serviços prestados sejam daqueles típicos de profissional de engenharia. Por outro turno, a recorrente trouxe aos autos, substanciosos argumentos, comprovação que sua atividade é de mera montagem dos kits para aviação amadora, de sorte que se tornase necessário a realização de diligência para que seja verificada se realmente a recorrente efetua unicamente montagens dos kits de aviação amadora ou realiza outras atividades exclusivas de engenheiro. Pelo exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligencia para que seja verificada a atividade desenvolvida pela empresa. Em resposta, a autoridade competente expediu a Informação Fiscal de fls. 1145/1146, com os seguintes esclarecimentos: II. EMPRESA Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.001587/200571 Acórdão n.º 1302001.850 S1C3T2 Fl. 6 5 4. A empresa atua no ramo de manutenção e reparação de aeronaves. Atualmente está instalada dentro das dependências da empresa Flyer Industria Aeronáutica Ltda, CNPJ n° 52.537.578/000185, situada na Rodovia Virginia Viel Campo Dall'orto Km 1, Bairro São Francisco, Sumaré, SP, Cep 13.172220, ocupando o barracão n° 3, conforme comprovado na visita ao local e contrato de comodato. III. VISITA ÀS INSTALAÇÕES 5. A visita às instalações da empresa foi acompanhada pela Sra. Marlene Aparecida Padovez, titular da empresa diligenciada, e do Sr. Luiz Cláudio Gonçalves, sócio da empresa Flyer Industria Aeronáutica Ltda. A empresa Flyer é fabricante de aeronaves, com projetos próprios, e representa industrias de aeronaves estrangeiras, vendendo kits fabricados por estas, montandoos ou não, conforme o interesse do cliente. 6. Através das fotos da empresa é possível se verificar a localização e o espaço ocupado pela empresa diligenciada, nas dependências da empresa FLYER. IV. CONSTATAÇÃO 7. Na diligencia realizada, ficou constatado que a empresa Marlene Aparecida Padovez Aeronaves EPP ocupa o barracão 3, dentro das instalações da empresa FLYER. A atividade exercida pelos empregados, dentro do barracão, no momento da visita, era de processo de pintura, comprovado pela presença de material, ferramental e uma estufa para esta finalidade. 8. Atualmente, a empresa Marlene Aparecida Padovez Aeronaves – EPP possui 6 empregados e exerce atividade de pintura, montagem e manutenção de aeronaves, atendendo a clientes, proprietários de aeronaves montadas ou de kits de aeronaves leves experimentais e não homologadas, conforme verificação feita no local em que está instalada a empresa, explicações dadas pela Sra. Marlene Aparecida Padovez e Sr. Luiz Cláudio Gonçalves, bem como pelos documentos analisados, contrato de comodato e notas fiscais emitidas no ano de 2011. Os autos retornaram a este Conselho, e em 07/12/2012 foi fornecida cópia do processo à representante da contribuinte (fls. 1151/1154). Como o Conselheiro Relator não mais integra este Conselho e a Turma de Julgamento originária foi extinta a partir da reformulação promovida pela Portaria MF nº 349/2015, promoveuse novo sorteio, sendo os autos atribuídos para relatoria por esta Conselheira. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.001587/200571 Acórdão n.º 1302001.850 S1C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Conforme se verifica à fl. 05, a contribuinte foi excluída do SIMPLES Federal por exercer atividade econômica vedada, qual seja, aquela expresso no CNAE 3531 9/00, designada Construção e montagem de aeronaves. Examinando a solicitação de revisão apresentada pela contribuinte, a autoridade local firmou que a atividade de montagem, acabamento, instalação elétrica e entelagem de aeronaves (ultraleves), por caracterizar prestação de serviços profissionais que dependem de habilitação profissional legalmente exigida para sua prática, está vedada à opção pelo SIMPLES (Lei nº 9.317/96, art. 9º, XIII). Manifestando sua inconformidade a contribuinte juntou cópias de notas fiscais de serviços prestados, várias delas de valor inferior a R$ 500,00, mas algumas de valor mais representativo, como a de fl. 78, no valor de R$ 30.000,00, em razão de montagem, pintura, instalação elétrica e de grupo motopropulsor e testes da aeronave ultraleve modelo Storm 3008 prefixo [...]. A autoridade julgadora de 1ª instância, além de invocar a Resolução CONFEA nº 218, que atribui o serviço de manutenção de aeronaves a engenheiros aeronáuticos, reportouse também ao Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica RBHA 37, cujo item 33 exige, no caso de aeronaves equipadas com motores e hélices homologadas, o preenchimento do Relatório de Inspeção Anual de Manutenção RIAM, o que demanda pessoal responsável por funções de direção e controle de qualidade habilitado pelo CONFEA/CREA. Todavia, a recorrente contesta esta referência porque sua atividade se restringe a aeronaves experimentais. Apreciando litígios formados em razão da exclusão de optantes que exerciam atividades de manutenção de máquinas e equipamentos, este Conselho, depois de reiteradas decisões, editou a Súmula CARF nº 57 nos seguintes termos: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. De forma semelhante, as atividades de montagem e reparação de ultraleves não equivalem, via de regra, a serviços profissionais de engenheiro ou assemelhado. Isto porque, a própria Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, que discrimina atividades das diferentes modalidades profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia, também assim dispõe: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.001587/200571 Acórdão n.º 1302001.850 S1C3T2 Fl. 8 7 Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. [...] Art. 3º Compete ao ENGENHEIRO AERONÁUTICO: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a aeronaves, seus sistemas e seus componentes; máquinas, motores e equipamentos; instalações industriais e mecânicas relacionadas à modalidade; infraestrutura aeronáutica; operação, tráfego e serviços de comunicação de transporte aéreo; seus serviços afins e correlatos; [...] Art. 23 Compete ao Técnico de Nível Superior ou Tecnólogo: I o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II – as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades do item I deste artigo. Art. 24 Compete ao Técnico de Grau Médio: I – o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II – as relacionadas nos números 07 a 12 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. (negrejouse e grifouse) Se, conforme disposições acima destacadas, o próprio Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia entende que a execução de obra e serviço técnico são atividades executáveis também por tecnólogos e técnicos de nível médio, é razoável concluir que não é um serviço típico de engenheiro (ou assemelhado). Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.001587/200571 Acórdão n.º 1302001.850 S1C3T2 Fl. 9 8 Eventualmente poderseia questionar a aplicação da Súmula CARF nº 57 a serviços que não tratam de máquinas e equipamentos de uso comum. O que se vê, porém, é que a Súmula não distingue quais máquinas e equipamentos sujeitamse a manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos, nem especifica qual a forma de execução destas atividades. Ademais, na diligência promovida antes do presente julgamento, restou evidenciado que a contribuinte, de fato, promove manutenção e reparos em aeronaves, ocupando um barracão nas dependências de indústria que opera com aeronaves não homologadas, possuindo apenas 6 (seis) empregados. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13771.720658/2013-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO
Para se gozar do abatimento pleiteado na Declaração de Ajuste, deve a contribuinte comprovar a efetiva despesa incorrida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator), Marcelo Vasconcelos de Almeida e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado na Declaração de Ajuste, deve a contribuinte comprovar a efetiva despesa incorrida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator), Marcelo Vasconcelos de Almeida e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 72 06 58 /2 01 3- 85 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19 /02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13771.720658/201385 Acórdão n.º 2201002.783 S2C2T1 Fl. 65 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4a Turma da DRJ/CTA (Fls. 29), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 03/08, lavrada em face da declaração de ajuste anual do exercício de 2012, anocalendário de 2011, que exige R$ 420,55 de imposto suplementar, R$ 315,41 de multa de ofício de 75%, e encargos legais. Consoante descrição dos fatos da Notificação de Lançamento às fls. 04/06, foram constatadas deduções indevidas de: despesas de instrução (R$ 2.958,23), por falta de comprovação e, despesas médicas, no valor de R$ 14.930,00, relativas aos profissionais Karine Pechir Mendonça Cunha (R$ 11.750,00), Otto Klier Sedlmaier (R$ 2.980,00) e Luiz Henrique Borges (R$ 200,00), por falta de comprovação do efetivo pagamento. Cientificada em 14/06/2013 –sextafeira (fl. 17), a interessada apresentou tempestivamente, em 16/07/2013, a impugnação de fls. 09 e 11/12, instruída com os documentos de fls. 13/15, onde argumenta que as despesas de instrução referemse a gastos próprios no limite individual máximo de R$ 2.958,23 e as despesas médicas de R$ 14.930,00 são referentes a gastos próprios e, que os pagamentos foram efetuados em dinheiro e em etapas, porque tinha reservas que juntou ao salário. Aduz que estava mudando para Vila Velha e só tinha conta bancária no BRB de Brasília e o pagamento em dinheiro terlhe gerado descontos. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÃO. DESPESAS DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o direito à dedução das despesas de instrução, impõese reconhecer a improcedência do lançamento correspondente. DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO DESEMBOLSO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19 /02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13771.720658/201385 Acórdão n.º 2201002.783 S2C2T1 Fl. 66 3 A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo desembolso. Cientificada em 17/10/2013 (Fls. 36), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 25/10/2012 (fls. 38), alegando em síntese: (...) Mas, no dia 16/7/2013 fiz aqui na Agência da RF/Vila Velha a impugnação pela manhã, e os comprovantes chegaram à tarde. Segue: 17 recibos, no valor de R$ 11.750,00 Cópia da Identidade Cópia do Cartão de Crédito Em 03 de setembro de 2014, (Fls. 56) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência no sentido do retorno dos autos à DRFB de origem, para que a autoridade preparadora junte aos autos todas as provas que dispuser acerca da concretização das intimações realizadas, para que a contribuinte comprovasse o efetivo pagamento, seja pessoal ou por correio AR. Em 19/02/2015, através do Despacho de Encaminhamento (fls.62), a ARF de Vila Velha ES, informou: O contribuinte se auto intimou em 25/02/2013, conforme documento à folha 60. Á folha 61 consta tela do portal IRPF comprovando a data da efetiva entrega dos documentos na RFB, que foi feita pessoalmente. Respondida a diligência (Fls.60 a 62), os autos foram distribuídos a este conselheiro. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Registro, inicialmente, que a Notificação de Lançamento foi, na parte que ainda resta em litígio, lavrada por falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas glosadas. A decisão recorrida manteve as glosas efetuadas pela Fiscalização pelo mesmo fundamento. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19 /02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13771.720658/201385 Acórdão n.º 2201002.783 S2C2T1 Fl. 67 4 Em casos desta natureza, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Neste mesmo sentido tem sido o entendimento da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS: DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS DEDUTIBILIDADE RECIBO DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vicio. A boafé se presume, enquanto que máfé precisa ser comprovada. Recurso especial provido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Segunda Turma Acórdão nº 9202003.159 Data da Decisão 06/05/2014 Data de Publicação 13/08/2014). Por esta razão, caso tenha havido a intimação para a comprovação do efetivo pagamento, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Assim, é imprescindível a intimação do contribuinte para que comprove o efetivo pagamento, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Por não constar dos autos qualquer documento que evidenciasse que a Autoridade lançadora havia intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas lançadas na declaração, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem juntasse aos autos o Termo que intimou o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento das despesas glosadas. Por meio do despacho de fls. 60/62 a DRF de origem informou que: "O contribuinte se auto intimou em 25/02/2013, conforme documento à folha 60. Á folha 61 consta tela do portal IRPF comprovando a data da efetiva entrega dos documentos na RFB, que foi feita pessoalmente." (doc. pág. 62 dos autos) Contudo, o termo de intimação constante na folha 60 dos autos não requer do contribuinte a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas. Na verdade, tal termo apenas intima a contribuinte para apresentar "comprovantes originais e cópias das despesas médicas". Sabese que o motivo é o fundamento de fato ou de direito que autoriza a realização do ato administrativo do lançamento. Portanto, a Autoridade fiscal, ao efetuar o lançamento, deve justificar a existência do motivo, sem o quê o ato será inválido. Por outro Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19 /02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13771.720658/201385 Acórdão n.º 2201002.783 S2C2T1 Fl. 68 5 lado, explicitado o motivo do lançamento pela Autoridade fiscal, o ato será válido, desde que o motivo apontado se mostre em harmonia com as circunstâncias fáticas constantes dos autos. Nesse contexto, entendo que o crédito constituído deve ser cancelado, em face da inexistência, nos autos, de documento que evidencie o motivo do lançamento (inexistência do Termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento). Ante o acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$14.930,00. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado. Em que pese o respeito e admiração que tenho pelo ilustre relator, vou me permitir divergir de seu posicionamento. Compulsandose o voto vencido do Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, verificase que o fundamento para o cancelamento da exigência foi que a intimação não exigiu a comprovação efetiva da despesa médica, já que o termo expedido pelo autoridade fiscal solicitou os comprovantes das despesas médicas. Ora, sem avançar muito na discussão, a etimologia da palavra "comprovante" tem origem no Latim "comprobans, e significa “aquele que comprova”, de "comprobare", “certificar, atestar, aprovar de todo”, formado por “com”, mais "probare", “testar, afirmar validade”, significa dizer que a Contribuinte deve provar, confirmar, demonstrar e/ou atestar determinada ocorrência. O art. 8º da Lei nº 9.250/1995 dispõe sobre a base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. Vejase: Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19 /02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13771.720658/201385 Acórdão n.º 2201002.783 S2C2T1 Fl. 69 6 ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) Por sua vez, o § 1º do art. 73 do Decreto nº 3000/1999, assim estabelece: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Do exposto, depreendese que cabe ao beneficiário dos recibos provar que realmente efetuou as despesas médicas, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. In casu, pasmem, sequer houve a apresentação de todos os recibos médicos. Embora defenda o Conselheiro Relator que inexiste nos autos documento que evidencie a motivação da autuante para exigir a comprovação das despesas médicas, não me razoável ignorar que houve uma intimação para apresentação da documentação comprobatória e, data venia, a Contribuinte quedar silente, consoante se observa do trecho da decisão de primeira instância: As despesas médicas supostamente havidas com os profissionais Karine Pechir Mendonça Cunha (R$ 11.750,00), Otto Klier Sedlmaier (R$ 2.980,00) e Luiz Henrique Borges (R$ 200,00), foram glosadas por falta de comprovação do efetivo pagamento, conforme descrição dos fatos da Notificação de Lançamento às fls. 05/06. (...) Como prova documental, a impugnante acostou aos autos apenas o recibo à fl. 15 relativo ao profissional Otto Klier Sedlmaier (R$ 2.980,00). (...) Ademais, não se pode perder de vista que um dos supostos prestadores de serviço da Recorrente possui o mesmo sobrenome. Ante ao exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19 /02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13771.720658/201385 Acórdão n.º 2201002.783 S2C2T1 Fl. 70 7 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19 /02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 14033.000697/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA.
O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário
Kleber Ferreira de Araújo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RETENÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 06 97 /2 01 0- 26 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente de supostas sobras de recolhimento relativas à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido mediante despacho decisório, o qual teve fundamento na insuficiência de mãodeobra para execução dos serviços. O contribuinte apresentou inconformismo contra o referido despacho, todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos. Cientificada da decisão em 13/04/2011 (fl. 630), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 632 a 670) em 13/05/2011. O julgamento no CARF foi convertido em diligência em duas ocasiões, conforme Resolução nº 2803000.186, da 3ª Turma Especial de 17 de julho de 2013 (fls. 707 a 716), e Resolução CARF nº 2803000.283, da 3ª Turma Especial, de 10 de março de 2015 (fls. 975 a 977), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal : "(1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias". Às fls. 985/987 veio aos autos informação fiscal, reconhecendo o direito à restituição integral do montante pleiteado. Eis os termos do pronunciamento da autoridade fiscal: "8. A empresa declarou em campo próprio da GFIP, as retenções sofridas em Nota Fiscal de Serviço, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91, e conforme consta nas telas do sistema CCORGFIP (fls.979 a 982), na matrícula CEI nº 38.720.05896/72, bem como na tela do sistema CONRET (fl.983). 9. Deduzindo os valores devidos pela empresa a título de contribuição previdenciária cota parte patronal, empregado e SAT/RAT também declarados em GFIP, dos valores retidos a Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000697/201026 Acórdão n.º 2402005.413 S2C4T2 Fl. 1001 3 título de retenção da Lei 9.711/1998, restou saldo a ser restituído em relação ao pedido de restituição eletrônico PER nº 13745.71157.181209.1.2.152174, referente à competência 05/2006, conforme quadro abaixo e planilha de restituição, anexa ao processo (fl.984): (...) 10. Diante do acima exposto, informo que de acordo com quadro do item 09 da presente Informação Fiscal, o contribuinte tem o direito creditório reconhecido no PER nº 13745.71157.181209.1.2.152174, referente à competência 05/2006, no valor originário de R$ 7.705,25 ( sete mil setecentos e cinco reais e vinte e cinco centavos)." É o relatório. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos legais, devendo ser conhecido. Direito à restituição O reconhecimento pelo órgão da RFB da procedência integral do pedido de restituição, expresso na informação fiscal supra, põe fim a lide tributária, conduzindome obrigatoriamente a encaminhar pelo provimento do recurso voluntário. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 15892.720005/2014-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2011
MULTA ISOLADA. REVOGAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso da multa isolada por indeferimento de ressarcimento, o art. 74, § 15, da Lei nº 9.430/1996 foi revogado pela Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015.
Numero da decisão: 3302-003.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza- Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, José Luiz Feistauer de Oliveira, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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REVOGAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso da multa isolada por indeferimento de ressarcimento, o art. 74, § 15, da Lei nº 9.430/1996 foi revogado pela Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, José Luiz Feistauer de Oliveira, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 89 2. 72 00 05 /2 01 4- 36 Fl. 8118DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA 2 Tratase de recurso voluntário, advindo de auto de infração, que foi lavrado fls. 7855/7858, em virtude da apuração de pedidos de ressarcimento indevidos ou indeferidos, objeto dos processos nºs 10825.720413/201044, 10880.661366/201297 e 10880.661367/201231, no qual foi exigida a multa isolada de 50% sobre o crédito, no valor de R$ 5.602.549,99. Do relatório da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 8077, transcrevese: Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 7867/7880, na qual discorreu sobre o procedimento fiscal que resultou no deferimento parcial dos pedidos de ressarcimento, na lavratura do auto de infração do processo nº 10880.723861/201388 e no presente lançamento. Alegou que, no auto de infração do processo nº 10880.723861/201388, foi imposta a multa de ofício no percentual de 75%; nos processos de ressarcimento, o Fisco aplicou multas moratórias de 20% sobre o valor dos créditos glosados; e no presente, a multa isolada no percentual de 50% sobre os créditos indeferidos. Assim, restou evidente a aplicação de três multas distintas (de ofício, moratória e isolada) sobre o mesmo objeto, ou seja, os créditos não reconhecidos nos PER/DCOMS (sic) sob nºs 10825.720413/201044, 10880.661366/201297 e 10880.661367/201231. Assim, teria ocorrido bis in idem, ou seja, a aplicação de mais de uma sanção para o mesmo ato infracional. Transcreveu acórdão CARF e trecho de voto que trataria do tema, para comprovar a improcedência da exigência. No tocante ao percentual da multa, alegou ser exorbitante e confiscatório, afrontando a Constituição Federal. Aduziu que a aplicação de multa depende da demonstração inequívoca de intuito fraudulento e que, no seu caso, ela não incorreu em qualquer infração. Transcreveu decisões judiciais sobre o tema. Adveio acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 8076/8079, cuja ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2011 RESSARCIMENTO INDEVIDO. MULTA. O ressarcimento indevido ou indeferido enseja a aplicação de multa de 50% sobre o valor do crédito objeto do pedido. A Recorrente irresignada apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 8119DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 15892.720005/201436 Acórdão n.º 3302003.234 S3C3T2 Fl. 3 3 Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 26 de fevereiro de 2015 e o recurso foi protocolado em 30 de março de 2015. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Da multa isolada de 50% A Recorrente se insurge, pois houve a aplicação de três multas de ofício, de mora e isolada no auto de infração do processo nº 10880.723861/201388, foi imposta a multa de ofício no percentual de 75%; nos processos de ressarcimento, o Fisco aplicou multas moratórias de 20% sobre o valor dos créditos glosados; e no presente, a multa isolada no percentual de 50%. Quanto às duas primeiras multas, quais sejam, a multa de ofício e a multa moratória, elas não dizem respeito ao auto de infração, que ora se analisa, portanto, não se conhece da presente argumentação. Ademais, quanto à matéria constitucional que se refere ao princípio do não confisco, a este Tribunal Administrativo é vedado se pronunciar sobre a constitucionalidade das leis, vide Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A aplicação da multa isolada tem como fundamento no auto de infração, o art. 74, § 15, da Lei nº 9.430/1996, o qual previa, in verbis: Lei nº 9.430/1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Revogado pela Medida Provisória nº 668, de 2015) (Revogado pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) A fundamentação do auto de infração é em relação aos seguintes processos administrativos: 10825.720413/201044; 10880.661367/201231 e 10880.661366/201297, que contêm pedido de ressarcimento e tal pedido foi indeferido. Do auto de infração, fls. 7856, extraise: Fl. 8120DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA 4 Multa aplicada em decorrência de Pedidos de Ressarcimento efetuados pelo sujeito passivo sob nº 28151.40177.310811.1.5.090839, 26384.61166.310811.1.5.08 5278 e 28223.86205.310811.1.5.090434, tratados, respectivamente, pelos processos nº 10825.720413/201044, 10880.661366/201297 e 10880.661367/201231, que foram indeferidos pelos Despachos Decisórios Saort nº 001/2014 e 112/2014 a 113/2014, nessa ordem, conforme devidamente descrito e demonstrado no Termo de Início de Fiscalização e Verificação Saort nº 24/2014, que faz parte integrante deste Auto de Infração. Ocorre que a Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015, revogou, expressamente, o dispositivo legal, que fundamentou o auto de infração, in verbis: Lei nº 13.137/2015 Art. 27. Ficam revogados: (...) II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Assim, segundo as normas gerais de Direito Tributário, a lei se aplica a ato não definitivamente julgado, quando deixe de considerálo como infração: Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; No caso em baila, o pedido de ressarcimento indeferido deixou de configurar se como infração. Assim, o auto de infração, como ato administrativo que é, fundamentado em lei que foi revogada, perde, portanto, seu fundamento de validade. Vide lição de JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO: Validade é a situação jurídica que resulta da conformidade do ato com a lei ou com outro ato de grau mais elevado. Se o ato não se compatibiliza com a norma superior, a situação, ao contrário, é de invalidade1. 3. Conclusão Por tal motivação, conheço o recurso voluntário, concedendo provimento total. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza 1 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 25. ed. São Paulo: Atlas, 2012, p. 127. Fl. 8121DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 15892.720005/201436 Acórdão n.º 3302003.234 S3C3T2 Fl. 4 5 Fl. 8122DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Numero do processo: 11634.720619/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004
Ementa:
ATO NÃO DEFINITIVO. PENALIDADE. LEI BENÉFICA. RETROATIVIDADE.
Quando o processo ainda não foi definitivamente julgado, aplica-se o efeito retroativo da lei mais benéfica, que não mais prevê a aplicação de penalidade à conduta anteriormente punível.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3402-003.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004 Ementa: ATO NÃO DEFINITIVO. PENALIDADE. LEI BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Quando o processo ainda não foi definitivamente julgado, aplica-se o efeito retroativo da lei mais benéfica, que não mais prevê a aplicação de penalidade à conduta anteriormente punível. Recurso Voluntário Provido
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PENALIDADE. LEI BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Quando o processo ainda não foi definitivamente julgado, aplicase o efeito retroativo da lei mais benéfica, que não mais prevê a aplicação de penalidade à conduta anteriormente punível. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 06 19 /2 01 2- 46 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 20/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de processo de auto de infração, lavrado em 23/11/2012, para a exigência de multa isolada, prevista no art. 74, §15 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.249/20101, de 50% sobre a quantia indeferida do ressarcimento, no montante de R$ 14.370.489,87, do qual a contribuinte tomou ciência em 26/11/2012. A contribuinte apresentou pedido de ressarcimento, no valor de R$ 30.237.276,92 (Trinta milhões, duzentos e trinta e sete mil, duzentos e setenta e seis reais e noventa e dois centavos), formalizado no processo nº 16366.720386/2011 21, sob o amparo de medida judicial no Mandado de Segurança nº 2004.70.01.0113182, que lhe concedeu o direito de corrigir os créditos oriundos da apuração do crédito presumido. A autoridade fiscal apurou que o valor a ser ressarcido, corrigido até a data da transmissão da PERDCOMP, 09.08.2010, seria o montante de R$ 1.496.297,18, sendo glosado o valor de R$ 28.740.979,74, que foi a base de cálculo da multa isolada aplicada. Irresignada, a contribuinte apresentou sua impugnação, alegando, em síntese, que a aplicação prematura da penalidade à Impugnante, que agiu de boa fé, é meio coercitivo inibitório do exercício legal de um direito, a afrontar a garantias constitucionais que asseguram o direito de petição, o devido processo legal, o contraditório e ampla defesa, disciplinadas pelo artigo 5º, XXXIV, LIV e LV da CF/88. Mediante o Acórdão nº 1442.630 2ª Turma da DRJ/RPO, de 26 de junho de 2013, foi julgada improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004 APRECIAÇÃO DE MATÉRIA TIDA POR INCONSTITUCIONAL. Segundo a Portaria MF nº 258, de 24 de agosto de 2001 não cabe à autoridade julgadora apreciar questões relacionadas à constitucionalidade dos atos legais, devendo obediência e aplicação às normas jurídicas em vigor. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO A responsabilidade por infração é objetiva e, assim, independe da intenção do agente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância por via postal em 25/07/2013. 1 § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 20/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 11634.720619/201246 Acórdão n.º 3402003.032 S3C4T2 Fl. 127 3 Em 22/08/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese: O acórdão recorrido deve ser anulado por cerceamento de defesa, vez que não adentrou na seara da inconstitucionalidade da multa prevista no art. 74, §15 da Lei nº 9.430/96. A aplicação da referida multa revestese de meio coercitivo do exercício legal do direito de petição, do devido processo legal, do contraditório e ampla defesa. A mencionada multa fere a proporcionalidade e tem característica legislativa abusiva, uma vez que a mera formulação de pedido de ressarcimento passa a ser tratada como potencial infração. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Atendidos também aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na decisão recorrida que não conheceu das alegações de inconstitucionalidade da então impugnante. É consabido que o agente administrativo e também o julgador do CARF ou da DRJ não podem se furtar a cumprir a lei, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Nesse sentido também dispõe a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Não obstante isso, verificase a existência de questão de ordem pública que pode ser apreciada pelo julgador independentemente de alegação das partes, qual seja, a retroatividade benigna. Após a decisão de primeira instância, sucederamse algumas alterações no dispositivo que fundamentou a exigência da multa, qual seja, o §15 do art. 74 da Lei 9.430/96, na seguinte forma: i) A Medida Provisória nº 656/2014, DOU de 8.10.2014, revogou expressamente o dispositivo: Art. 56. Ficam revogados: I imediatamente, os arts. 44 a 53 da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, o art. 28 da Lei nº 10.150, de 21 de dezembro de 2000, e os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e (...) Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 20/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 ii) A Medida Provisória nº 656/2014 foi convertida na Lei nº 13.097/2015, DOU de 20.1.2015, a qual todavia não manteve a revogação do art. 74, §15 da Lei 9.430/96. iii) A Medida Provisória n° 668, DOU de 30.1.2015 Edição extra, revogou novamente o §15 do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 4º Ficam revogados: (...) II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (...) iv) A Medida Provisória nº 668 foi convertida na Lei nº 13.137, DOU de DOU de 22.6.2015 Edição extra, a qual manteve a revogação do referido dispositivo: Art. 27. Ficam revogados: (...) II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (...) Assim, atualmente o dispositivo que fundamentou a autuação encontrase revogado pelo art. 27, II da Lei nº 13.137/2015. Dessa forma, não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de ressarcimento indevido ou indeferido, em conformidade ao disposto no art. 106, II, "a" do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, a multa sob análise deve ser cancelada: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; (...) Pelo que voto no sentido de dar provimento recurso voluntário para exonerar integralmente a multa. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 20/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 11634.720619/201246 Acórdão n.º 3402003.032 S3C4T2 Fl. 128 5 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 20/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008057/00-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência de prova, mesmo após a realização de diligência, inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3301-002.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a relatora Mônica Elisa de Lima, que dava provimento parcial
Nome do relator: MONICA ELISA DE LIMA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-03-22T12:11:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; pdf:docinfo:title: APV3301_110800080570077; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2016-03-22T12:10:43Z; Last-Modified: 2016-03-22T12:11:38Z; dcterms:modified: 2016-03-22T12:11:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; title: APV3301_110800080570077; xmpMM:DocumentID: uuid:9d2ed776-f282-11e5-0000-4fd39ba346bf; Last-Save-Date: 2016-03-22T12:11:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2016-03-22T12:11:38Z; meta:save-date: 2016-03-22T12:11:38Z; pdf:encrypted: true; dc:title: APV3301_110800080570077; modified: 2016-03-22T12:11:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-03-22T12:10:43Z; created: 2016-03-22T12:10:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2016-03-22T12:10:43Z; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-03-22T12:10:43Z | Conteúdo => S3-C3T1 Fl. 384 1 383 S3-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.008057/00-77 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301-002.660 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2015 Matéria PIS - RESTITUIÇÃO Recorrente COMERCIAL DE COMBUSTÍVEIS J. CAMPOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência de prova, mesmo após a realização de diligência, inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a relatora Mônica Elisa de Lima, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sidney Eduardo Stahl. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da Câmara. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Mônica Elisa de Lima (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Fábia Regina Freitas e Sidney Eduardo Stahl (Redator designado). Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original: Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.008057/00-77 Acórdão n.º 3301-002.660 S3-C3T1 Fl. 385 2 Trata-se de Pedido de Restituição, protocolizado em 11 de outubro de 2000, referente ao PIS, apurado na forma dos Decretos 2.445 e 2.449/88 e tocante aos períodos de apuração de julho de 1988 a dezembro de 1995. Pretende a Contribuinte que a apuração seja feita sobre o valor do faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador. Apresenta, na fl. 06, demonstrativo com valores que seriam dos faturamentos, recolhimentos e respectivos indébitos cuja restituição se almeja. Às fls. 24 e seguintes, consta a Decisão nº 1469/2000, da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre, indeferindo a pretensão, na forma da ementa abaixo: RESTITUIÇÃO. PIS. SEMESTRALIDADE. A Resolução 49/95 do Senado Federal suspendeu a execução dos Decretos-leis 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, a Lei Complementar 07/70 foi recepcionada pelo art. 239 da Constituição Federal, de 1988, sem determinar que a mesma permanecesse inalterável, inclusive por lei ordinária posterior. O recolhimento do PIS com base no faturamento de seis meses anterior àquele em que a exação é devida não procede, posto que alterado o parágrafo único do art.6.° da Lei Complementar 07/70, nesse aspecto, por várias disposições legais. PEDIDO INDEFERIDO. Apresentada a Impugnação (fls. 36 e ss.), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre-RS proferiu a Decisão nº 161, de 23 de fevereiro de 2001, com novo indeferimento à pretensão da Contribuinte (fls. 47 e ss.), conforme a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 Ementa: O parágrafo único do artigo 62 da Lei Complementar 07/70 não é a uma dilação do aspecto material ou temporal do fato gerador, mas a determinação dos prazos de vencimento do crédito tributário No cômputo dos valores devidos a título de PIS com base na Lei Complementar 07/70, deve-se levar em conta, obrigatoriamente, as alterações dos prazos de recolhimentos estabelecidas nas Leis 7.691/88, 8.019/90 e 8.218/91. Nos termos do art. 168, I, do CTN, o direito de pleitear restituição/compensação de créditos contra o Fisco extingue-se após o transcurso do prazo de de 5 anos, contados a partir da data de efetivação do suposto indébito, posição corroborada pelos Pareceres PGFN/CAT 678/99 e PGFN/CAT 1538/99. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA Ou seja, a ora Recorrente viu sua pretensão ser afastada, com base em dois motivos básicos, quais sejam: não fazer jus ao recolhimento do PIS com base na norma da semestralidade e haver-se transcorrido o prazo de cinco anos para requerer a restituição, cujo termo inicial seria a data da efetivação do suposto indébito, isto do pagamento indevido. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.008057/00-77 Acórdão n.º 3301-002.660 S3-C3T1 Fl. 386 3 Após intimada em 11 de maio de 2001 (AR. fl. 77), a Contribuinte apresentou, em 25 de maio do mesmo ano, o Recurso Voluntário, conforme fls. 61 e seguintes. Em 14 de junho de 2002, fez juntar DARFs de recolhimento de PIS, períodos de apuração de junho de 1988 a dezembro de 1995, em nome de Petrobras Distribuidora, a quem caberia a condição de substituta tributária da Contribuinte (fls. 80 e ss.). Em 21 de agosto de 2002, a 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, emite a Resolução nº 202.00361, mediante a qual baixa o processo em diligência a fim de que a DRF de origem apurasse a consistência do crédito. A partir da fl. 747, o i. Fiscal diligenciante, apresenta suas informações, a respeito do item a, da Resolução, qual seja: a) apurar, junto ao substituto tributário, as notas fiscais emitidas contra a Contribuinte, verificando por amostragem e por períodos de apuração, se houve o destaque do PIS devido por esta última como substituída e, ainda, se os valores destacados nas referidas notas correspondem àqueles indicados no demonstrativo acostado à folha 04. O interessado apresentou dois Contratos de fornecimento de combustíveis entre a Distribuidora e a Comercial Combustíveis J.Campos Ltda e os Livros Diário e Razão de 1992 a 1995. Declarou que não possui sob sua guarda os livros Diário e Razão referentes ao período de 1988 até 1991 e também não apresentou nenhuma Nota Fiscal de aquisição de combustíveis. Intimou a Petrobras Distribuidora S/A a: disponibilizar as notas fiscais emitidas contra a Comercial de Combustíveis J.Campos Ltda, do período de 07/88 a 12/95, a declarar por escrito como substituto tributário, se houve o destaque do PIS devido pelo substituído e a elaborar planilha informando para cada período de apuração número das notas fiscais, total dos valores dos produtos vendidos, total do PIS por substituição tributária, valor e data do recolhimento do PIS entre outros itens. A Petrobrás Distribuidora S/A informou que: não teria como disponibilizar as Notas Fiscais emitidas entre 07/88 a 12/95 por não mais possuir os documentos físicos; não foram encontrados registros de operações referentes a julho e agosto de 1988, porque o sistema de PIS e COFINS da BR só possui dados para a apuração de valores a partir de setembro de 1988; em relação ao período de 15/11/91 a 31/03/92, é impossível apurar os valores de PIS por não possuir valores de preço bomba, os quais fazem parte da metodologia de cálculo aplicada à época. Tendo em vista a impossibilidade de apurar junto ao substituto tributário o solicitado no item "a" e tendo o interessado entregue os Livros Razão de 1992 a 1995, elaborou planilhas do faturamento da empresa relativas ao mesmo período ( fls. 352 a 353 – antigas ou 745 e 746, PDF) . Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.008057/00-77 Acórdão n.º 3301-002.660 S3-C3T1 Fl. 387 4 Ato contínuo, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT da DRFB Porto Alegre prestou informações sobre os itens b e c indagados pelo Colegiado (fls. 750 e 751): b) confirmar os recolhimentos indicados nos DARF's acostados às folhas 79 e seguintes: Em consulta ao sistema de pagamentos da RFB, confirmamos a existência dos recolhimentos de PIS efetuados no período de 01/93 a 01/94 pelo contribuinte PETROBRAS DISTRIBUIDORA S.A., CNPJ nº34.274.233/0001-02 e, no período de fevereiro de 1994 a janeiro de 1996 pelo contribuinte PETROBRAS DISTRIBUIDORA S.A., CNPJ n o 34.274.233/0002-85. Quanto aos recolhimentos efetuados pela PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S.A., CNPJ n o 34.274.233/0001-02, no período de dezembro de 1988 a dezembro de 1992 , informamos que os mesmos não constam em sistemas informatizados da RFB, tampouco nas microfichas existentes na DRF/Porto Alegre/RS, não sendo possível, portanto, confirmá-los nesta Delegacia. Os recolhimentos efetuados em período anterior a 1º/01/1993 eram registrados em microfichas junto à Delegacia da Receita Federal com jurisdição sobre a localidade onde ocorriam os recolhimentos. No presente caso, provavelmente, no Rio de Janeiro, em razão da sede da matriz da PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S.A. c) com base nas informações coletadas, elaborar demonstrativo de cálculo do crédito da Contribuinte, tendo como base de cálculo do PIS o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Tendo em vista que a Fiscalização não conseguiu apurar, junto ao substituto tributário o destaque nas Notas Fiscais emitidas contra a contribuinte COMERCIAL DE COMBUSTÍVEIS J. CAMPOS LTDA., do PIS devido por esta última como substituída, não foi possível a elaboração do demonstrativo de cálculo do crédito. Em sua manifestação pós-diligência, a Recorrente aduz, nas fls. 753 e seguintes, que: Ao contrário do que argumenta o Fisco, é a Receita Federal quem tem as informações necessárias ao deslinde da questão; Os valores dos DARFs da Distribuidora devem ser tomados por verdadeiros e abrangem necessariamente os montantes pagos em relação a todos os seus clientes substituídos, pois o pagamento foi feito a tempo e jamais foi contestado pelo Fisco, que dispunha de cinco anos para lançar diferenças. Já se operou a homologação tácita quanto à apuração da base de cálculo e do tributo pago por substituição tributária; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.008057/00-77 Acórdão n.º 3301-002.660 S3-C3T1 Fl. 388 5 O fato de que a Requerente era cliente vem provado pelos contratos de fornecimento juntados aos autos; A aplicação da alíquota de 0,65% sobre o faturamento do próprio mês é igualmente inquestionável, pois essa era a lei vigente à época, e se houvesse qualquer discrepância por parte da substituta é evidente que o Fisco lançaria a diferença com auto de infração, coisa que não fez; Não há, pois, porque duvidar da quitação do tributo; A entrada e a saída de combustíveis são registradas no LMC — livro de movimentação de combustíveis - e esse registro é válido como prova; O Fisco não pode recusar o direito à empresa em função de a Petrobras Distribuidora SIA, hoje, não poder confirmar valores de vinte anos atrás; Fazer o cálculo é simples. Basta que a autoridade fiscal verifique o preço de pauta do combustível para aquela época (1988 a 1992) e o aplique ao movimento mensal de combustível. Essa informação é disponível nos órgãos competentes (Conselho Nacional do Petróleo e Departamento Nacional de Combustíveis, hoje substituídos pela Agência Nacional do Petróleo); Quanto aos posteriores, a resposta foi apresentada pela metade, uma vez que o faturamento foi calculado, mas as contas da restituição não foram levadas a cabo. A Requerente junta planilha que faz os cálculos do montante efetivamente devido a partir dos dados levantados em diligência. Voto Vencido Conselheira Mônica Elisa de Lima O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade; devendo, pois, ser conhecido. Os autos estão retornando a este Colegiado, após cumprimento de diligência determinada por meio da Resolução nº 202-00.361, em 21.08.2002, proferida pela r. Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Há dois aspectos essenciais a serem dirimidos inicialmente. 1º) Quanto à Prescrição: 10 anos O Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543-b, do CPC, pacificou, através do RE 566.621, o entendimento sobre ser inconstitucional a atribuição de feitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05. Assim, o prazo de dez anos a Fl. 388DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.008057/00-77 Acórdão n.º 3301-002.660 S3-C3T1 Fl. 389 6 contar do fato gerador continuou válido para as ações ajuizadas antes de 09.06.05. Transcreve- se: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA.NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Desta maneira, no tocante à preliminar de mérito, assiste parcial razão à Recorrente, isto porque a regra dos 5 + 5, pela qual são contados primeiro cinco anos para a homologação tácita e somente depois desses primeiros cinco anos é que se contam os cinco anos para a prescrição do direito de repetição de indébito, persistiu até a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005 (09/06/2005). Neste sentido, dispõe a Súmula CARF, aprovada pelo Pleno, em Sessão de 09.12.2013: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No presente caso, o Sujeito Passivo está a pleitear restituições concernentes a fatos geradores ocorridos entre julho de 1988 a dezembro de 2005. O pedido se deu através do formulário protocolizado em 11 de outubro de 2000 (fl. 04); portanto, encontra-se prescrito o direito à restituição dos períodos de apuração ocorridos entre julho de 1988 e setembro de 1990. Ou seja, mantém-se a discussão acerca de outubro de 1990 a dezembro de 1995. 2º) Quanto ao Mérito: Semestralidade. A questão da semestralidade é pacificada em nossos Tribunais e no âmbito administrativo; sendo, inclusive, objeto de Súmula CARF, de observação cogente, nos termos do artigo 45, VI, do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Assim: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.008057/00-77 Acórdão n.º 3301-002.660 S3-C3T1 Fl. 390 7 Desta forma, maiores digressões se fazem dispensáveis; razão pela qual se reconhece o direito da Contribuinte a que seus débitos de PIS sejam calculados, à alíquota de 0,75%, com base no faturamento, não corrigido, do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, na forma preconizada pela Lei Complementar nº 07/70. Comprovação material do indébito Estabelecidas as premissas, a questão restante diz respeito à valoração da prova do quantum debeatur, ou seja, indaga-se sobre a possibilidade e o critério de se apurar o montante do eventual indébito requerido. Como dito, após as conclusões sobre a decadência, restou a discussão de outubro de 1990 a dezembro de 1995. Conforme descrito pela Autoridade Fiscal, a Contribuinte apresentou os Livros Diário e Razão de 1992 a 1995. Declarou não possuir sob sua guarda os livros Diário e Razão referentes ao período de 1988 até 1991 e também não apresentou nenhuma Nota Fiscal de aquisição de combustíveis. A Substituta Tributária, Petrobras Distribuidora, afirma que, em relação ao período de 15/11/91 a 31/03/92, é impossível apurar os valores de PIS por não possuir valores de preço bomba, os quais fazem parte da metodologia de cálculo aplicada à época. Por sua vez, a Contribuinte alega que “fazer o cálculo é simples. Basta que a autoridade fiscal verifique o preço de pauta do combustível para aquela época (1988 a 1992) e o aplique ao movimento mensal de combustível”. Note-se que a Requerente pretende transferir ao Fisco o dever de consultar o Conselho Nacional do Petróleo e Departamento Nacional de Combustíveis, hoje substituídos pela Agência Nacional do Petróleo, a fim de apurar e mensurar as informações que deveriam ter sido apresentadas pela Substituta ou pela Substituída, que não lograram fazê-lo. Com efeito, não concordo com afirmação da Recorrente, ainda mais quando se têm informações claramente conflitantes como as acima transcritas. Pelos documentos e relatório juntados pelo Auditor Fiscal aos autos, há de se reconhecer que este se esforçou em fazer o correto levantamento dos dados, encontrando lacunas que caberiam à Contribuinte preencher; mesmo porque é deste o ônus da prova de seu direito perante o Fisco. Não acho que a apresentação dos DARFs, pelo valor global, recolhidos pela Distribuidora tenha suprido, por si só, a necessidade de se minudenciarem os montantes de PIS especificamente suportados pela Empresa Requerente. Por outro lado, entendo que servem elemento de convicção, quando agregados às informações dos livros Diário e Razão e aos Contratos de fornecimento de combustíveis entre a Distribuidora e a Comercial Combustíveis J.Campos Ltda e a Petrobras Distribuidora. Por outro lado, o AFRFB não opôs óbice às informações por ele colhidas na escrituração da Contribuinte, produzindo tabelas de fls. 745 e 746, referente aos períodos de apuração de janeiro de 1992 a dezembro de 1995. Já a DRF Porto Alegre afirmou ter confirmado os recolhimentos da Petrobras Distribuidora (matriz e filial), entre janeiro de 1993 a janeiro de 1996. Quanto aos demais meses, afirmou que as microfichas com as cópias dos DARFs não se encontravam naquela Fl. 390DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.008057/00-77 Acórdão n.º 3301-002.660 S3-C3T1 Fl. 391 8 repartição, mas, possivelmente, no Rio de janeiro. Não procurou, por outro lado colher tais dados na outra Delegacia; o que penso seria sua função como Autoridade Administrativa, com o fim de cumprir a diligência determinada pelo CARF. Assim em relação a tais recolhimentos, entendo que a presunção se faz em favor da Contribuinte. Tem-se, então, o seguinte cenário, quanto aos Períodos de Apuração: Não Prescritos Com DARFs da Substituta, apresentados pela Recorrente Confirmados nos Livros Diário e Razão Com DARFs da Substituta confirmados pela DRF POA Com DARFs da Substituta “provavelmente” no Rio de Janeiro 10/90 a 12/95 06/88 a 12/95 01/92 a 12/95 01/93 a 12/95 12/88 a 12/92 Vê-se que a interseção dos dados acima aponta, como constante, os períodos de 01/93 a 12/95. Já o período entre 01/92 e 12/92, somente se ressentiria da falta de confirmação dos DARFs da Substituta pela DRF POA; Delegacia esta que, apesar de não possuir as microfichas com as cópias dos documentos, presume que se encontrem no Rio de Janeiro. Tal presunção, repito, entendo vir em socorro do Administrado. Portanto, existem dados satisfatórios para a apuração das bases de cálculo dos períodos de apuração de julho de 1992 a dezembro de 1995, já que foi apresentado o levantamento do faturamento dos respectivos seis meses anteriores (a partir de janeiro de 1992). Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao pedido da Requerente, reconhecendo o direito a que o PIS, entre os períodos de apuração de julho de 1992 a dezembro de 1995, seja calculado na forma prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, tomando-se como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, cabendo-lhe a restituição de eventual indébito recolhido no período. Mônica Elisa de Lima - Relatora Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Conforme apontado no relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo e considerando o resultado do julgamento constante da ata, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, bem como o fato de que o redator designado não mais compõe este Colegiado, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido do relatório de diligência realizada na repartição de origem, denominado "Informação Fiscal", presente às fls. 354 a 358. Conforme consta do referido relatório, em razão da não apresentação das notas fiscais emitidas pelo substituto tributário, com destaque da contribuição para o PIS, bem como da não confirmação dos recolhimentos a cargo da empresa Petrobrás Distribuidora S.A., CNPJ nº 34.274.233/0001-02, no período de dezembro de 1988 a dezembro de 1992, inviabilizou-se a demonstração do crédito pleiteado. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.008057/00-77 Acórdão n.º 3301-002.660 S3-C3T1 Fl. 392 9 Dessa forma, o encaminhamento dado é por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Fl. 392DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 14041.001182/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS.
Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
ALIMENTAÇÃO IN NATURA
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.860
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao tecurso para: a) Acolher a preliminar de decadência até a competência 10/2003 (inclusive), vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e EDUARDO TADEU FARAH. E, por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares; b) No mérito, por unanimidade de votos, afastar a tributação sobre o auxílio alimentação. Quanto à bolsa de estudos, por maioria de votos, afastar a tributação sobre essas verbas, vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e EDUARDO TADEU FARAH, que davam provimento em menor extensão e o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) que negava provimento.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS. Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 82 /2 00 8- 20 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao tecurso para: a) Acolher a preliminar de decadência até a competência 10/2003 (inclusive), vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e EDUARDO TADEU FARAH. E, por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares; b) No mérito, por unanimidade de votos, afastar a tributação sobre o auxílio alimentação. Quanto à bolsa de estudos, por maioria de votos, afastar a tributação sobre essas verbas, vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e EDUARDO TADEU FARAH, que davam provimento em menor extensão e o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) que negava provimento. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001182/200820 Acórdão n.º 2201002.860 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0337.028 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, contra a empresa em epígrafe, cujo montante consolidado em 18/11/2008 é de R$2.267.196,11 (dois milhões, duzentos e sessenta e sete mil cento e noventa e seis reais e onze centavos), referente às competências: 01/2003 a 12/2007. A ação fiscal foi instituída pelo Mandado de Procedimento Fiscal —MPF n°. 01.1.01.002008005343, de 28 de maio de 2008. De acordo com o relatório fiscal, fls. Nºs 09/20, o objeto do presente Auto de Infração são as 'contribuições sociais, não declaradas em GFIP, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da UBEC. Tratase das contribuições previdenciárias dos segurados, calculadas com base nas remunerações não declaradas em GFIP, conforme especificado no Relatório Fiscal. O crédito foi constituído com base nas seguintes rubricas: I — Descontos concedidos nas mensalidades escolares (bolsas), aos segurados e/ou aos dependentes destes, cujos valores foram apurados com base na relação nominal dos beneficiários, apresentada pelo contribuinte em meio magnético. II— Fornecimento de Alimentação aos Trabalhadores. Durante a ação fiscal, ficou constatado que o contribuinte em questão não aderiu ao Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. Dessa forma, foram lançados os valores devidos, com base na relação nominal dos beneficiários, apresentada pela empresa. III — Remunerações Lançadas na Folha de Pagamento — Não Declaradas em GFIP Após análise das folhas de pagamento, confrontadas com as informações das GFIP, verificouse a existência de trabalhadores informados nas Folhas de Pagamento, mas não declarados em GFIP. A relação dos trabalhadores encontrase anexa ao Relatório Fiscal. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 IV — Remuneração Lançada na Contabilidade, Não Declarada em GFIP Com base nos registros contábeis apresentados pela empresa, foram constatadas divergências relacionadas às remunerações pagas, devidas ou creditadas a Contribuintes Individuais. Tendo em vista que, pela contabilidade, não foi possível identificar nominalmente os referidos Contribuintes Individuais, o crédito foi lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta, com base nos totais mensais por competência. Como critério, foram apurados os totais mensais lançados na conta "5.1.2.3.01.01 — Serviço Prestado PF/Autônomo", deduzidos dos valores declarados em GFIP e dos valores levantados por ocasião da ação fiscal. Para fins de apuração das contribuições devidas pelos contribuintes individuais, foi utilizada a alíquota de 11% sobre a remuneração mensal aferida e a alíquota mínima de 8% para remuneração dos segurados empregados, deduzidos os valores já declarados, os quais foram catalogados nos seguintes papéis de trabalho: CND— CONTR INDIV CONTAB NÃO DECL; END— EMPREGADOS CONTAB NÃO DECL. IV — Contribuições Previdenciárias dos Segurados. A contribuição do segurado foi obtida mediante resultado da aplicação das alíquotas vigentes no período da ocorrência do fato gerador, conforme faixa salarial, respeitandose o limite máximo de contribuição. Dos valores apurados, foram subtraídas as contribuições dos segurados descontadas e declaradas nas GFIP, resultando, assim, nas diferenças lançadas a esse titulo. Foram considerados, ainda, para efeito de apuração da referida contribuição, segurados detentores de múltiplos vínculos que contribuíram pelo teto. As diferenças apuradas foram agrupadas nos seguintes levantamentos: CSE: CONTRIBUIÇÃO DE SEGUR. EMPREGADO; CSC: CONTRIBUIÇÃO DE SEGUR. CONTR. INDIV. Para fins de apropriação das guias de recolhimento foram consideradas as contribuições de empregados e contribuintes individuais (levantamentos GFE e GFC, respectivamente), declaradas pela empresa nas GFIP. Para tanto, houve a necessidade de alteração do código de recolhimento para "2100". Da Impugnação Dentro do prazo regulamentar, o contribuinte contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 24/49, cujas razões de defesa são as seguintes: Informa que se trata de entidade de direito privado, que, em 04/06/1981, foi declarada de Utilidade Pública Federal, Fl. 506DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001182/200820 Acórdão n.º 2201002.860 S2C2T1 Fl. 4 5 mediante o Decreto n.° 86072; e Municipal, conforme Decreto n.° 220, de 31/08/2005, pela Prefeitura Municipal de Silvânia, mediante a Lei Municipal n.° 1422, de 31 de agosto de 2005. Que aderiu ao PROUNI — Programa Universidade Para Todos, instituído pela lei n.° 11.096/05, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo e tendo, portanto, assegurado o seu direito a isenção de tributos, na forma do art. 8°, III, da lei n.° 11.096/05, que preceitua a isenção da Contribuição Social sobre o Financiamento da Seguridade Social, instituída pela lei Complementar n.° 70, de 30 de dezembro de 1991. Que requereu e obteve do CNAS, em 31 de julho de 1976, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n.° 3.577/59. Que obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n.° 89.01.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria e faz jus à imunidade do art. 195, §7° da Constituição Federal, por preencher todas as condições estabelecidas nos arts. 9° e 14 do CTN. Apesar disso, a fiscalização passou a desconsiderar a isenção e a imunidade, o que a levou a promover a Ação Ordinária (Proc. 2002.34.00.0249380/ DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade. A ação foi julgada procedente em 1° grau. A pretexto de que a entidade não preenchia os requisitos do art. 14 do CTN, nos termos da Decisão Notificação n.° 23.401, de 04/03/2006 e do Ato Cancelatório n.° 23.401.002/2006, de 25/09/2006 — cuja legalidade encontrase sub judice — a autoridade administrativa passou a negarlhe o beneficio da desoneração de quota patronal, lavrando sete autos de infração, com exigência de principal e multa. Ante o exposto requer: Preliminarmente Nulidade do Lançamento por Falta de seus Elementos essenciais Dispõe que o auto de infração não demonstra claramente a conduta infratora adotada pela entidade, lançando mão de arbitramento para calcular o suposto crédito fiscal nele exigido, sem indicar o nome dos contribuintes individuais que seriam devedores das contribuições. Assim, o auto de infração se ressente da falta de requisitos essenciais de validade; Que a obscuridade do auto de infração importa em sua nulidade, por cerceamento do direito de defesa, pois compelir o contribuinte a se defender de autuação que não aponta qual a conduta apenada é violar, frontalmente, o principio da ampla defesa e o direito ao contraditório. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 Da Decadência dos Valores Exigidos em Períodos Anteriores a 12/2003 Alega que, nos termos do art. 150, §4°, do CTN, encontramse atingidos pela decadência, os fatos geradores anteriores a 20 de novembro de 2003. No Mérito Da não Incidência da Contribuição sobre Bolsas de Estudo A teor do que estabelece o art. 28 da Lei n.° 8.212/91, os valores que a Impugnante despende com a formação de seus colaboradores e seus dependentes estão fora do âmbito de incidência da contribuição em questão, assim como quaisquer ajudas, desde que não representem substituição da remuneração paga pelo empregador ou tomador do serviço em prol da educação, pois a tributação está sujeita aos princípios da legalidade e da tipicidade, não cabendo à fiscalização exigir tributo sem amparo legal, com suposto rastro em procedimentos arbitrários, despidos de razoabilidade e que levem a exigência de tributo inexistente; Que a contribuição social em questão só pode alcançar rendimentos pagos pelo empregador em contraprestação a trabalho efetuado por pessoa física. A educação suportada pelo empregador, seja em prol de seus funcionários ou em favor de dependentes destes, não constitui contraprestação pelo trabalho efetuado; logo, não tem natureza de salário. Ademais, tanto a Lei n.° 8.212/91 quanto o RPS reconhecem que não estão abrangidos pelo campo de incidência da norma os valores gastos pelo empregador com educação básica. Auxilio Alimentação Dispõe a impugnante que arca com a maior parte das despesas de alimentação de seus empregados; logo, paga, in natura, o auxilio alimentação, o que, a teor da Lei e da jurisprudência, afasta a incidência previdenciária, por não se revestir de natureza salarial, independente de a entidade ser ou não inscrita no PAT; Que a doutrina e a jurisprudência divergem sobre se a legislação consagraria o entendimento de que a condição para o gozo da isenção ou "não incidência" seria o fornecimento in natura ou a adesão ao PAT, pois o ato administrativo é meramente declaratório, e não constitutivo. Assim, por não se revestir de natureza salarial, mas de mero estimulo a que a prestação dos serviços se desenvolva em condições de maior e melhor produtividade, resta demonstrada a insubsistência do auto de infração. Além de que o auto seria nulo, de pleno direito, por não levar em conta a parte da alimentação suportada pelo próprio segurado. Divergência entre as Remunerações da Folha de Salários e o Declarado em GFIP Dispõe a impugnante que a autuação não indica, com clareza, os fatos considerados e os critérios adotados para apuração do tributo, o que a leva a juntar farta documentação aos autos. Com relação às diferenças detectadas, foram apontadas supostas inconsistências no relatório da fiscalização, conforme CD entregue, que se refeririam a: Fl. 508DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001182/200820 Acórdão n.º 2201002.860 S2C2T1 Fl. 5 7 a) valores no relatório que não foram extraídos dos registros contábeis nem dos valores declarados em GFIP, conforme consta no ANEXO I (Relatório de inconsistências, pgs. 582/589); b) consideração, na composição dos registros contábeis, da Conta de Provisão de Férias — 5.1.1.1.01.02 — sendo que essa conta não compõe a base de cálculo dos tributos objeto de GFIP (ANEXO I —fls. 208). Em decorrência dessas inconsistências, ocorreram vários lançamentos na conta de Serviços Prestados Pessoa Física, que não configuram fato gerador de contribuição previdenciária, utilizados na composição dos registros contábeis quando o fiscal comparou com o declarado na GFIP (ANEXO II). Alguns Serviços Prestados por Pessoa Física — RPA, que constam nos registros contábeis, não foram localizados na GFIP pela fiscalização devido à data de contabilização estar diferente da competência declarada em GFIP. (ANEXO II) Outros fatores justificam os valores encontrados a maior nos registros contábeis, tais como: a) eventos que não têm incidência de contribuição previdenciária e foram contabilizados nas contas informadas no Relatório de Fiscalização (ANEXO IV), b) eventos que tem incidência de contribuição previdenciária e não foram contabilizados nas contas informadas no Relatório de Fiscalização (ANEXO IV). Com relação aos prestadores de serviço — competências 10/2004, 02/2005, 03/2005 e 04/2005 — realmente a impugnante constatou o engano de não terem sido declarados, razão pela qual fez as devidas retificações e recolheu os valores apurados, conforme guias de recolhimento em anexo. Ilegitimidade da SELIC Que a autuação também é insubsistente por incluir a incidência da taxa SELIC, uma vez que a mesma possui natureza de juros remuneratórios, definidos como medição do rendimento do capital em certo espaço de tempo, o que acarretaria o enriquecimento ilícito da Unido, vedado pelo art. 4° LICC. Da Diligencia Tendo em vista as alegações da Impugnante quanto à existência de erro material no lançamento fiscal, solicitouse que os autos fossem baixados em diligência para que o auditor notificante analisasse a documentação anexada e informasse se eram procedentes as referidas alegações. Em atenção à diligencia solicitada, foi emitido o parecer de fls. 273/274, no qual o Auditor Fiscal autuante ratifica os lançamentos efetuados e informa, em síntese, que: • os trabalhadores informados nas Folhas de Pagamento e não declarados em GFIP foram extraídos dos arquivos magnéticos apresentados pela empresa e discriminados, individualmente; • Fl. 509DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 considerou, na composição dos registros contábeis da conta inerente a férias, as rubricas 5.1.1.1.01.02 e 5.1.1.2.01.02; no entanto, o correto seria considerar os valores baixados a titulo de apropriação das provisões de férias (conta do passivo 2.1.1.9.01.01); porém, o ajuste da conta de férias para composição das bases de cálculo não traria reflexos ao cálculo da contribuição dos segurados empregados, uma vez que a mesma foi obtida mediante o resultado da aplicação das alíquotas vigentes no período da ocorrência do fato gerador, conforme faixa salarial, respeitandose o limite máximo de contribuição; • que, apesar de mencionada, no relatório fiscal, a utilização da alíquota mínima de 8% sobre a remuneração dos segurados empregados e 11% sobre a remuneração dos contribuintes individuais, a titulo de aferição, foram aferidos apenas os valores correspondentes aos contribuintes individuais. Por falha no Sistema, a parte correspondente aos segurados empregados não foi incluída no presente débito, motivo pelo qual foi confeccionada Representação Fiscal para que a mesma seja incluída em ação fiscal futura. A Impugnante tomou ciência da Diligência Fiscal em 20/01/2010, conforme Aviso de Recebimento As fls. 278, e não apresentou manifestação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Direito à isenção da cota patronal: o Aderiu ao PROUNI " Programa Universidade Para Todos", instituído pela Lei n° 11.096/05, conforme documento anexo, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo, e tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de tributos, na forma do art. 8° da Lei n° 11.096/05, Requereu e obteve do CNAS, em 31 de julho de 1976, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então, a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n° 3.577 de 04 de julho de 1959. o A Recorrente obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n° 89.01.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria. o Ação Ordinária (Proc. n" 2002.34.00.0249380/ DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade do art. 195, § 7" da CF. o Nos termos da Decisão Notificação nº 23.401, de 04.03.2006 e do Ato Cancelatório nº 23.401.002/2006, de 25.09.2006 cuja legalidade encontrase sub judice a autoridade administrativa Fl. 510DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001182/200820 Acórdão n.º 2201002.860 S2C2T1 Fl. 6 9 passou a negar o beneficio da desoneração de quota patronal, lavrando ainda sete autos de infração, com exigência de principal e multa. · Decadência. · Alimentação in natura. · A não incidência de quota patronal sobre bolsas de estudos concedidas a funcionários e seus dependentes · Divergência entre as remunerações da folha de salários e o declarado na GFIP. · SELIC. O processo baixou em diligência para inclusão de documentos faltantes. É o relatório. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PRELIMINAR DECADÊNCIA Conforme Relatório Fiscal, o lançamento aplicou a regra prevista no artigo 173, I do CTN. DA DECADÊNCIA 13. Para fins de lançamento do crédito tributário decorrente da sonegação de informações e valores A previdência social está sendo aplicado o prazo decadencial qüinqüenal previsto no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (lei n°. 5172/66) em consonância com a Súmula Vinculante n°. 08 do Supremo Tribunal Federal publicada no Diário Oficial da União de 20/6/2008, página 1. A recorrente pleiteia a aplicação da regra do artigo 150, § 4° do CTN. Concordo com a recorrente. Para casos com recolhimento antecipado, ainda que parcial, aplicase a regra do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme súmula CARF 99. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001182/200820 Acórdão n.º 2201002.860 S2C2T1 Fl. 7 11 O processo registra a existência de recolhimentos. 11. CONTRIBUICÕES PREVIDENCIARIAS DOS SEGURADOS: ... 11.2 Para fins de apropriação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias (GPS), foram consideradas as contribuições de empregados e contribuintes individuais (levantamentos "GFE" e "GFC" respectivamente) declaradas pela empresa nas GFIP. Para tanto, houve a necessidade de alteração do código de recolhimento das GPS para "2100". 0 relatório das contribuições declaradas pela empresa e consideradas para fins de apropriação das GPS encontrase anexo Auto de Infração n° 37.156.7424. Não encontrei menção a apropriação indébita nem a Representação Fiscal para Fins Penais. O período do lançamento é de 01/2003 a 12/2007. A ciência do lançamento ocorreu em 20/11/2008. Entendo decadentes as competências até 10/2003, inclusive. MÉRITO ISENÇÃO/IMUNIDADE Este lançamento referese a contribuição dos segurados. A isenção/imunidade referese à contribuição das empresas. A argumentação apresentada é impertinente. SELIC SÚMULA Fl. 513DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 12 Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 4. “Súmula nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. BOLSAS DE ESTUDOS A recorrente questiona a tributação incidente sobre bolsas de estudos destinadas a empregados e seus dependentes, alegando a não incidência. Concordo com a recorrente. Conforme estabelecido no CTN, a legislação considerada será a vigente à época dos fatos geradores. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. O artigo 28 da lei 8.2121/91 estabelece como regra a tributação da totalidade do rendimento do trabalho. Porém, especifica algumas hipóteses de não incidência, tal como o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo Fl. 514DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001182/200820 Acórdão n.º 2201002.860 S2C2T1 Fl. 8 13 coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Não encontrei menção a que as bolsas de estudos fossem restritas a alguns segurados, do que deduzo que todos tinham acesso. Não percebo na alínea “t”, do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 restrição à educação fornecida a dependentes e entendo que uma vez cumpridos os demais requisitos legais, não incide tributação sobre bolsas de estudos concedidas a empregados e/ou dependentes. Para fim de registro, observo que em 2011 a alínea "t", do § 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/91 foi alterada, conforme abaixo. t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior;(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Concluo apresentando decisão do STJ onde se afirma que "O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não Fl. 515DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 14 integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho." Processo REsp 1491188 / SC RECURSO ESPECIAL2014/02768898 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 25/11/2014 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2014 Ementa TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. OFENSA. DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. FÉRIAS GOZADAS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. MATÉRIA JULGADA PELO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 3. Recursos Especiais não providos. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento aos recursos, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Og Fernandes, Mauro Campbell Marques (Presidente), Assusete Magalhães e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO Fl. 516DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001182/200820 Acórdão n.º 2201002.860 S2C2T1 Fl. 9 15 A fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou que a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Relatório Fiscal 8.4. Durante o procedimento fiscal, realizado na UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, verificouse que o contribuinte em questão não aderiu ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Desta forma, procedeuse ao lançamento fiscal do crédito previdenciário decorrente da concessão de refeições aos segurados. Os valores foram apurados com base na relação nominal dos beneficiários, apresentada pelo contribuinte, em meio magnético, anexa ao presente relatório fiscal. Os referidos valores foram catalogados no levantamento denominado “PAT”. Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ocorre que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 16 ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Conforme acima, o Relatório Fiscal registra que "procedeuse ao lançamento fiscal do crédito previdenciário decorrente da concessão de refeições aos segurados." Refeição é alimentação in naturta. Entendo que se deva excluir do lançamento os valores referentes ao auxílio alimentação. DIVERGÊNCIA ENTRE AS REMUNERAÇÕES DA FOLHA DE SALÁRIOS E O DECLARADO EM GFIP A recorrente aponta divergências que oneraram o lançamento pela inclusão na base de cálculo de valores que não correspondem a fatos geradores. Tal alegação foi objeto de especial atenção por parte dos julgadores de primeira instância, que determinaram a realização de diligência para checagem. O resultado da diligência reconheceu a existência de diferença, porém concluiu que uma vez que se trata aqui de contribuições dos segurados, cuja base de cálculo tem como teto o limite máximo do salário de contribuição, os valores identificados como diferença nada influenciaram no dimensionamento do tributo aqui lançado, não havendo retificação a fazer. Abaixo apresento texto da decisão de primeira instância. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001182/200820 Acórdão n.º 2201002.860 S2C2T1 Fl. 10 17 As divergência alegadas pela Impugnante foram analisadas pela fiscalização, em Diligência solicitada por esta 5ª Turma, e, embora tenha reconhecido que cometeu um erro ao considerar, na composição dos registros contábeis da conta inerente a férias, contas de despesas no lugar da conta de passivo, concluiu que o ajuste da referida conta de férias para composição das bases de cálculo não traria reflexos ao cálculo da contribuição dos segurados empregados, uma vez que a mesma foi obtida mediante o resultado da aplicação das alíquotas vigentes no período da ocorrência do fato gerador, conforme faixa salarial, respeitandose o limite máximo de contribuição. Dessa forma, não haverá retificação a ser efetuada. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, reconhecendo a decadência até a competência 10/2003, com base na regra do artigo 150, § 4º do CTN; determinando a exclusão dos valores incidentes sobre bolsas de estudos e determinando a exclusão dos valores referentes ao auxílio alimentação. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 519DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 12448.726710/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção por moléstia grave se reconhece a partir da data de emissão do laudo pericial oficial, ou da data de diagnóstico da doença, quando identificada no laudo pericial oficial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção por moléstia grave se reconhece a partir da data de emissão do laudo pericial oficial, ou da data de diagnóstico da doença, quando identificada no laudo pericial oficial. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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ISENÇÃO.MOLÉSTIA GRAVE Recorrente SARA LIBERBAUM VIANNA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção por moléstia grave se reconhece a partir da data de emissão do laudo pericial oficial, ou da data de diagnóstico da doença, quando identificada no laudo pericial oficial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 67 10 /2 01 1- 54 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir o acórdão que declarou improcedente a notificação de lançamento que integra o presente processo. Extraímos os principais aspectos do lançamento e da impugnação do seguinte excerto do relatório do acórdão recorrido: " Tratase de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 23/05/2011 contra a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 11/04/2011, que ajustou o Imposto de Renda a restituir para R$ 326,32, em resultado à revisão da Declaração de Ajuste AnualDAA, Exercício de 2010, Anocalendário de 2009, recepcionada em 14/02/2011. No procedimento fiscal de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2010, fundamentada nos arts. 788; 835 a 839; 841; 844; 871 e 992 do Decreto 3000, de 26/ 03/ 1999, foram tomados para o cálculo do Imposto devido os rendimentos omitidos recebidos da fonte pagadora Caixa Econômica Federal, de R$ 32.017,81; o Imposto de Renda pago e o Imposto a restituir declarados. Deuse o Lançamento pela documentação insuficiente para a verificação da natureza do rendimento recebido. Inconformada com o Lançamento, a Notificada apresentou defesa na fl. 02, argumentando que não teria havido omissão de rendimentos em sua DAA, porquanto teria adquirido direito à isenção do Imposto de Renda incidente sobre os seus rendimentos tributáveis em decorrência de moléstia grave, encontrandose amparada no art. 27 §1º da Lei nº 10.833/2003. Anexa os documentos de fls. 10 a 15 para comprovar seu argumento. Com fulcro no art. 71 da Lei nº 10.741/ 2003 solicita prioridade na análise da impugnação. Requer seja acolhida a impugnação e cancelado o débito tributário." A DRJ julgou improcedente a manifestação do sujeito passivo. Segundo o voto do relator, a contribuinte não teria apresentado o laudo médico que lhe garantiria o direito à isenção. Cientificada da decisão em 05/08/2014, fl. 31, a contribuinte interpôs tempestivamente recurso juntado aos autos em 18/08/2014 (fl. 33), no qual alega que, para comprovar o direito à isenção desde 29/09/2004, já havia acostado Declaração emitida pela Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, órgão do Governo do Estado do Rio de Janeiro, a qual foi emitida em 18/11/2008, que é documento hábil a comprovar o direito pleiteado. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.726710/201154 Acórdão n.º 2402005.160 S2C4T2 Fl. 56 3 Afirma que, mesmo entendendo desnecessário, junta cópia da portaria de concessão da sua aposentadoria e laudo médico pericial atestando que a recorrente é portadora de doença grave, que lhe dá direito à isenção. Ao final pede a reforma da decisão a quo. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme se viu do relatório acima o recurso é tempestivo. Por atender às demais exigências para admissibilidade, merece conhecimento Isenção O documento hábil e exclusivo previsto na Lei para comprovação de moléstia que dá direito a isenção tributária é o laudo pericial emitido por serviço de saúde oficial do governo federal, municipal ou estadual. A data de início da isenção é a data do laudo pericial, ou a data de diagnóstico da doença, quando indicada no laudo, como determina expressamente o §5º art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): "§ 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (grifei) Não há dúvida que o documento de fls. 45/46, emitido pelo Ministério da Saúde Núcleo Estadual no Rio de Janeiro atende aos requisitos normativos para o reconhecimento da isenção. Tratase de laudo emitido junta médica de órgão oficial, o qual atesta a data de início da Doença de Cardiopatia Grave como 29/09/2004. Acerca do direito à isenção para os portadores desta moléstia, a Lei n.° 7.713/1988 assim dispõe: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.726710/201154 Acórdão n.º 2402005.160 S2C4T2 Fl. 57 5 (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004). Assim, comprovado que o rendimento sob enfoque decorreu de sentença judicial que concedeu aos inativos o recebimento de diferenças de gratificação, conforme sentença de fls. 10/11, e que a contribuinte era portadora de cardiopatia grave, ficam preenchidos os requisitos da norma isentiva. Sobre a validade desta prova, entendo que o princípio da verdade material impõe o seu conhecimento. A jurisprudência do CARF tem se manifestado majoritariamente neste sentido. Eis um julgado que privilegia o referido princípio: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 IRPF. DESPESAS. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Como todas as deduções, a dedução de despesas com honorários advocatícios está sujeita a comprovação. No presente caso o contribuinte apresentou documento hábil (recibo e Alvará) para comprovar as deduções pretendidas (honorários advocatícios em processo judicial — reclamatória trabalhista). Da mesma forma, apresentou documentos que demonstram ter efetuado doações declaradas a Conselho Municipal da Criança e Adolescente. ACEITAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. ATENUAÇÃO. VERDADE MATERIAL. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais, afastandose a preclusão em alguns casos excepcionais, como aqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Acórdão n. 2801003.925, de 20/01/2015. Desse modo, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos pela contribuinte no anocalendário notificado estão alcançados pela isenção do IRPF, haja vista que o laudo indica que a moléstia foi adquirida em caráter definitivo 29/09/2004. Encaminho, então, pelo provimento do recurso, para que se reconheça a isenção do IRPF sobre os rendimentos em questão. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Conclusão Voto por conhecer do recurso para darlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10803.720021/2012-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, , julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial Não Conhecido
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-003.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do Recurso Especial, por falta de divergência jurisprudencial.
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente
Demes Brito- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.
Nome do relator: DEMES BRITO
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Admissibilidade. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, , julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial Não Conhecido Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do Recurso Especial, por falta de divergência jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 21 /2 01 2- 03 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10803.720021/201203 Acórdão n.º 9303003.832 CSRFT3 Fl. 903 2 Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009 (atual, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), em face da ciência do teor do decidido no Despacho, de 22/04/2015, em embargos de declaração ao Acórdão nº 3403 003.254, de 17/09/2014, referente a decadência do período de 2005 até julho de 2007 do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. E dE glosas efetuadas dos anos de 2005, 2008 e 2009. Conforme transcreve se a ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 IPI. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Por força do art. 62A do RICARF, este Conselho deve aplicar o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de Recurso Repetitivo (art. 543Cdo CPC). Entende o STJ que o lançamento por homologação, previsto no art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN, apenas se aperfeiçoa com o adiantamento do pagamento (REsp 973.733, DJ 18/09/2009). Na ausência de pagamento, não se caracteriza o lançamento por homologação, devendose aplicar o a regra de decadência do art. 173 do CTN, de maneira que o prazo de cinco anos apenas começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte. IPI. LANÇAMENTO. PROVA. A constituição do crédito tributário pode ser realizada a partir de informações prestadas pelo contribuinte, seja em planilhas, seja em pedido de parcelamento. A partir deste momento, não basta ao contribuinte alegar que os dados que informou anteriormente estavam errados e reclamar pela necessidade de fiscalização, sendo seu dever apresentar a demonstração do erro, comprovandoo e indicando qual seria a apuração correta do tributo. Recurso de ofício e voluntário negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Reproduzo trecho do relatório do acórdão a quo, com a descrição inicial do litígio: Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1439.975, de 22 de janeiro de 2013 (fls. 386/403), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto/SP, cujo entendimento é resumido na seguinte ementa: Fl. 903DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10803.720021/201203 Acórdão n.º 9303003.832 CSRFT3 Fl. 904 3 IPI. LANÇAMENTO. PROVA. A constituição do crédito tributário pode ser realizada a partir de informações prestadas pelo contribuinte, seja em planilhas, seja em pedido de parcelamento. A partir deste momento, não basta ao contribuinte alegar que os dados que informou anteriormente estavam errados e reclamar pela necessidade de fiscalização, sendo seu dever apresentar a demonstração do erro, comprovandoo e indicando qual seria a apuração correta do tributo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. IPI. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação,regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN e, verificada a decadência de parcela ou da totalidade dos valores lançados, tais valores devem ser excluídos do lançamento. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. PROVA. PREMISSAS INFORMADAS PELA PRÓPRIA EMPRESA. SUFICIÊNCIA. As premissas informadas pela própria empresa ou retiradas de sua escrita fiscal são suficientes para fundamentar o lançamento, a ela cabendo o ônus da prova para que possam ser retificadas. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NECESSIDADE DE RECOLHIMENTO INTEGRAL CONCOMITANTE. A multa de mora é aplicável mesmo quando espontaneamente declarado o crếdito tributário, se não há o correspondente recolhimento integral, acrescido dos juros de mora, até o momento da declaração, por não restar caracterizada a denúncia espontânea. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O provimento parcial da impugnação foi exclusivamente quanto à decadência, entendendo a DRJ que a contagem do prazo decadencial deveria darse na forma do art. 173, I, do CTN, ou seja, contandose cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser exigido. Assim o fez, a DRJ, por verificar que não houve o adiantamento do pagamento em relação ao tributo, de maneira que não haveria a caracterização do lançamento por homologação na forma do art. 150, § 4º, do CTN. Tendo em conta que a notificação do lançamento aconteceu em 07/08/2012 (fl. 3), foi reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores relativos aos anos de 2005 e 2006. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10803.720021/201203 Acórdão n.º 9303003.832 CSRFT3 Fl. 905 4 Em relação a esta parte, houve a interposição de recurso de ofício pela DRJ, em razão de ter significado exclusão de valor superior ao teto previsto na Portaria MF nº 38/2003. No recurso voluntário (fls. 413/455), o contribuinte sustenta, em síntese, o seguinte: 1) que a contagem da decadência deve ser feita na forma do art. 150, § 4º, do CTN, em razão de que “A norma tributária é suficientemente clara e objetiva, no sentido de que verificado concretamente no mundo fenomênico o “fato gerador” seguese que o Fisco terá, a partir de tal evento, o prazo de 05 (cinco) anos para exercitar toda a atividade consistente na apuração do ato praticado pelo particular, homologar – expressa ou tacitamente, ou impor lançamento de ofício”; 2) que o lançamento seria nulo em relação aos anos de 2008 e 2009 porque não teria havido nenhuma verificação concreta por parte da Fiscalização, que nunca teria requisitado nenhum documento em relação a este período, e que o lançamento não poderia simplesmente tomar emprestado os valores que o contribuinte apresentou em pedido de parcelamento; 3) que houve cerceamento de defesa, em razão de que “a última intimação recebida pela Recorrente exigindo documentos pertinentes ao tributo IPI se deu em 12 de abril de 2012, a inclusão dos exercícios de 2008 e 2009 ocorreu em 16 de agosto de 2012, e o encerramento da fiscalização em 28 de agosto de 2012”, o que significaria que “a autuação sobre este período se deu a ignorância da Recorrente, a fim de permitir a apresentação de documentos/esclarecimentos que permitissem o exercício constitucional da ampla defesa e contraditório por parte do contribuinte” (fl. 432); 4) que a Fiscalização não poderia ter utilizado como fundamento para o lançamento um pedido de parcelamento que foi indeferido, tomandoo como se fosse confissão de dívida; 5) pugna pela aplicação do princípio previsto no art. 112 do CTN, segundo o qual a dúvida deve ser interpretada em favor do contribuinte, alegando que “os fatos que deram suporte à̀ Autuação e via de conseqüência a presente Impugnação, bem como as circunstancias materiais do fato, levem a concluir que podem remanescer dúvidas no tocante a capitulação legal do fato e suas circunstancias materiais” (fl.450). Irresignada com tal decisão, o Contribuinte interpõe o presente recurso demonstrando divergência jurisprudencial a respeito: ao tratamento do pedido de parcelamento como confissão de dívida; à aplicação da multa de mora na confissão de dívida; ao erro na determinação dos fatos geradores. As divergências suscitadas dizem respeito: 1. ao tratamento do pedido de parcelamento como confissão de dívida; 2. à aplicação da multa de mora na confissão de dívida; 3. ao erro na determinação dos fatos geradores. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10803.720021/201203 Acórdão n.º 9303003.832 CSRFT3 Fl. 906 5 Visando comprovar as divergências, foram apresentados como paradigmas, respectivamente, os Acórdãos nº 10422.644 (1); 180100.103 (2); e 2402003.102 (3), cujos inteiro teor das decisões foram anexadas ao recurso. Voto Demes Brito Conselheiro Relator Antes de passar à análise das matérias recursais, fazse necessário revisitar o exame de admissibilidade. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo. Com efeito, para comprovar as divergência, o sujeito passivo apresentou como paradigmas respectivamente, os Acórdãos nº 10422.644 (1); 180100.103 (2); e 2402 003.102 (3). Quanto à primeira divergência suscitada, vejamos a ementa do Acórdão nº 10422.644 paradigma, além de fragmentos dos votos em ambos os arestos, para identificar os fatos submetidos a julgamento e os entendimentos adotados pelos colegiados: Acórdão nº 10422.644: LEI N°. 10.684/2003 (PAES REFIS II) PARCELAMENTO DE DÉBITOS CONFESSADOS PERÍODOS DE APURAÇÃO OBJETO DE AÇÃO FISCAL NÃO CONCLUÍDA DURANTE A VIGÊNCIA DA LEI DÉBITOS CONFESSADOS DURANTE O PRAZO DA VIGÊNCIA DA LEI E ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO O Programa Especial de Parcelamento PAES, instituído pela Lei n°. 10.684, de 30 de maio de 2003, abrange confissão de débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal, não concluída no prazo da vigência da lei, independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega de declaração especifica. Assim, se a adesão ao PAES foi formalizada dentro do prazo da vigência da lei e antes da lavratura do Auto de Infração, é de se excluir da base de cálculo da exigência o valor confessado, desde que este se refira à mesma matéria constante do lançamento. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10803.720021/201203 Acórdão n.º 9303003.832 CSRFT3 Fl. 907 6 voto (acórdão paradigma): “Ademais, alega o recorrente que em 14 de julho de 2003 e em 27 de outubro de 2003 fez opção pelo Parcelamento Especial PAES, conforme cópia da Confirmação do Recebimento do Pedido de Parcelamento Especial (PAES Lei 10.684, de 2003), transmitido "via internet", em 14/07/03 (fls. 1765/1800193) e cópias de "DARF", com pagamentos sob o Código de Receita 7042 (PAES Pessoa Física), sendo a primeira parcela paga em 28/07/2003 (fls. 1767/1777). Alega, ainda, que a Portaria n°. 03, de 1° de setembro de 2003, da PGFN/SRF, através do seu art. 1° instituiu a Declaração PAES (Refis II) a ser apresentada até 31 de outubro de 2003 e que nesta Portaria, em seu art. 1° IV estabelece que a referida declaração tem, entre outras, por finalidade "Confessar débitos, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF, não concluída no prazo fixado no caput independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega da declaração específica.". ” voto (acórdão recorrido): “Não se trata de dar efeito de confissão de dívida ao pedido de parcelamento, mas de ter a Fiscalização tomado os dados nela informados como o valor efetivamente devido do tributo, tal como o próprio contribuinte o declarou ao Fisco.” O confronto das decisões comprova a primeira divergência. Na decisão recorrida adotouse o entendimento de que não se trata de dar efeito de confissão de dívida ao pedido de parcelamento, apesar do disposto no art. 13, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 9, de 30/10/20091, sobre o requerimento de adesão ao pagamento e parcelamento de débitos de que trata o art. 3º, da MP nº 470, de 13/10/2009. Já no acórdão paradigma, em situação envolvendo Pedido de Parcelamento Especial PAES, de que trata a Lei nº 10.684, de 30/05/2003, o Colegiado deu efeito de confissão de dívida ao pedido de parcelamento, em razão de previsão em Portaria Conjunta PGFN/SRF, da mesma natureza. Quanto à segunda divergência, vejamos a ementa do Acórdão nº 180100.103 paradigma, transcrita na parte pertinente ao exame, para novamente identificar os fatos submetidos a julgamento e o entendimento adotado pelo colegiado: Acórdão nº 180100.103: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. Como a Recorrente incluiu os débitos no parcelamento PAES nos termos permitidos pela Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 3 de 1º/09/2003, considerase denúncia espontânea tudo o que foi posto no parcelamento, assim para estes débitos incluídos no parcelamento deve a multa ser alterada para multa de mora, mesmo que proporcionalmente. O cotejo das decisões comprova a segunda divergência, acessória à primeira. Na decisão recorrida adotouse o entendimento de que não se trata de dar efeito de confissão de dívida ao pedido de parcelamento, como conseqüência, mantendose a multa de ofício. Já Fl. 907DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10803.720021/201203 Acórdão n.º 9303003.832 CSRFT3 Fl. 908 7 no acórdão paradigma, em situação envolvendo o mesmo parcelamento paradigma PAES, de que trata a Lei nº 10.684, de 30/05/2003, o Colegiado, ao dar efeito de confissão de dívida ao pedido de parcelamento, determinou que a multa deveria ser alterada para multa de mora. Como se observa, tratase de situações diversas, regidas por legislações distintas, de modo que não se pode atribuir a divergência de conclusões ao alegado dissídio jurisprudencial. Com essas considerações, voto no sentido de não tomar conhecimento do Recurso Especial da Contribuinte. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 908DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 10630.001528/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2001 a 28/02/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTOS APRESENTADOS EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO QUE SÃO EXTEMPORÂNEOS E PRODUZIDOS EM DATA POSTERIOR A OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. A multa aplicada somente será relevada se a totalidade da falta imputada vier a ser corrigida dentro do prazo para o oferecimento da defesa, nos termos do art. 291, do Decreto 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS Recorrente INSTITUTO HERBERT DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 28/02/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTOS APRESENTADOS EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO QUE SÃO EXTEMPORÂNEOS E PRODUZIDOS EM DATA POSTERIOR A OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. A multa aplicada somente será relevada se a totalidade da falta imputada vier a ser corrigida dentro do prazo para o oferecimento da defesa, nos termos do art. 291, do Decreto 3.048/99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 15 28 /2 00 7- 18 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da INSTITUTO HERBERT DE SOUZA, por ter deixado a contribuinte de apresentar o LTCAT, PPRA e PCMSO, do período de 2001 a 2005, devidamente solicitados através do TIAD, infringindo, assim, o disposto no art. 33, § 2° da Lei n° 8.212/91. Não foram verificadas circunstâncias agravantes e nem atenuantes da infração. Destacase que nos autos não consta o TEAF. O lançamento da multa compreende o período de 04/2001 a 02/2005, tendo sido o contribuinte cientificado da autuação em 13.04.2005 (fls. 10). Ofertada impugnação (fls. 12 a 15), o contribuinte trouxe aos autos os livros diários dos exercícios de 2001 a 2004, o razão analítico, aqueles referentes à Associação de Pais Educadores do Vale do Aço, e os LTCAT, PCMSO e PPRA, os quais vieram a ser retidos pela fiscalização. Na oportunidade sustentou: 1. que as determinações constantes do AI foram integralmente atendidas no prazo de defesa, requerendo, portanto, a relevação da multa aplicada, uma vez que foram preenchidos, cumulativamente, os requisitos do art. 291, §1° do RPS; 2. que a interessada é entidade educacional sem fins lucrativos, merecendo ser agraciada com o benefício legal, devendo ser anulado o Auto de Infração; A DN (fls. 26 a 29) considerou procedente o AI, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentado no entendimento de que os documentos aptos a corrigirem a falta deveriam ser contemporâneos ao momento da fiscalização, desconsiderando os LTCAT, PCMSO e PPRA apresentados na impugnação. Fora, então, interposto o recurso voluntário (fls. 35 a 39), por meio do qual sustenta o contribuinte: 1. que jamais ocorreu a alegada solicitação de exibição de documentos relativos ao ano base de 2000; 2. que a Associação de Pais Educadores do Vale do Aço somente iniciou as suas atividades a partir do ano de 2001; 3. que a autoridade prolatora da decisão cometeu ilegalidade quando entendeu que a juntada do LTCAT, PCMSO e PPRA não seria capaz a suprir a sua não apresentação quando do ato de fiscalização; 4. que a interpretação extensiva pretendida pela autoridade julgadora viola o ordenamento jurídico pátrio, pois criou uma regra de proibição a revelia da própria lei. A regra segundo o qual os documentos apresentados não poderiam produzir efeitos em relação aos anos a que se referem; Fl. 337DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10630.001528/200718 Acórdão n.º 2402005.119 S2C4T2 Fl. 325 3 5. que é certo que a posterior apresentação dos Laudos e Programas não importou em qualquer prejuízo, efetivo ou potencial, seja perante a Autarquia Previdenciária, seja perante os seus segurados e; 6. que os empregados da ora recorrente jamais exerceram qualquer atividade insalubre ou perigosa, ou que ao menos potencialmente pudesse lhes impor algum dano, não se constatando, sequer, o uso do giz, que foi desde a constituição da Associação substituído pelo pincel. A 4° Câmara de Julgamento do CRPS entendeu ser necessário converter o julgamento em diligência, para que os documentos apresentados pela recorrente e que foram retidos pela fiscalização viessem a compor os autos, a fim de serem sanadas quaisquer dúvidas sobre as alegações de defesa no sentido da demonstração da correção da infração. Baixados os autos à origem, a fiscalização entendeu ser descabida a determinação da diligência requerida pelo CRPS, deixando de juntar aos autos os documentos retidos, com fundamento no fato de que as alegações de defesa eram descabidas, na medida em que os LTCAT’s apresentados na fase de impugnação não eram contemporâneos à época dos fatos geradores lançados, e, ainda, que a autoridade competente para o reconhecimento da relevação da multa era somente a de primeira instância, enviando novamente os autos a este Egrégio Conselho. Na sessão de dezembro de 2010, esta Turma renovou a diligência solicitada pelo CRPS, justificandoa na necessidade da observância do direito de defesa, tendo os autos retornado a julgamento com a juntada dos documentos indicados pelo sobredito CRPS. É o relatório. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória de apresentação de documentos solicitados pela Fiscalização. Dos autos se depreende que as diligências solicitadas visavam trazer aos autos os documentos que o contribuinte apresentou à fiscalização e que por ela ficaram retidos, de sorte a se analisar se a sua juntada ou análise teria o condão de justificar a relevação da multa, pleiteada no recurso voluntário. Inicialmente, ressalto que tem razão o recorrente, quando aponta que não lhe poderia ser exigida a apresentação dos LTCAT´s, dentre outros documentos, relativamente ao ano de 2000, já que referido período não faz parte do presente Auto de Infração. Neste AI somente foi lançada a multa por ter deixado a recorrente de apresentar documentos solicitados no período de 2001 a 2005. Pois bem, fixado o período correto da infração, cumpre agora, verificarmos se de fato faz jus a recorrente, ao benefício da relevação da multa, consoante as disposições do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Com a baixa dos autos, nenhum dos documentos que o contribuinte apresentou em sua impugnação e ficaram retidos pela SRFB foram localizados, de modo que fora intimada a recorrente a novamente apresentálos. Ressalto que a intimação foi bem clara no sentido de que fossem agora apresentados os documentos, quem à época, foram juntados em sua impugnação. Recebida a intimação o contribuinte juntou aos autos os documentos solicitados. Antes mesmo de adentrar ao conteúdo de mérito dos documentos juntados, até porque, ao ver deste relator, tal necessidade restará prejudicada nesta oportunidade, é imperioso ressaltar que os documentos juntados aos autos pelo contribuinte, em seu início possuem a seguinte observação: “Este documento foi realizado na data de 07/06/2005, para atender a fiscalização do INSS. Em solicitação da Associação de Pais e Mestres do Vale do Aço, onde a empresa possui um contrato vigente de PPRA/LTCAT, Fl. 339DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10630.001528/200718 Acórdão n.º 2402005.119 S2C4T2 Fl. 326 5 realizamos documento referente ao período de 2001, onde os riscos profissionais por atividade, são semelhantes ao atual.” Resta evidente que a época em que a recorrente fora intimada a apresentar os documentos (21/03/2005), estes não existiam, tendo sido confeccionados, após tal ato. Logo,foi correta e adequada autuação levada a efeito pelo fisco. O que ocorreu no presente caso é que, durante o prazo para defesa, a recorrente confeccionou os documentos que não havia apresentado e os juntou aos autos, com o pedido de relevação da multa que lhe fora aplicada. De fato, comungo com o entendimento da r. decisão notificação no sentido de que os documentos são imprestáveis a justificar o real gerenciamento dos riscos à saúde dos empregados no ambiente de trabalho, eis que, extemporâneos à época da aferição. Todavia, aqui se trata da imposição de multa por simplesmente ter deixado a recorrente de apresentar tais documentos e não de ter apresentado documentos em desacordo com as normas de regência, ou que não espelham a realidade. A imputação foi única e exclusivamente pela não apresentação dos documentos determinados pelo auditor fiscal autuante. E no prazo de defesa foram apresentados todos os documentos tidos por não apresentados, havendo o contribuinte efetuado o pedido de relevação da multa. Todavia, como já apontado, os documentos apresentados foram imprestáveis, devido a sua extemporaneidade e alguns deles não preenchidos corretamente e nem assinados foram por quem de direito, o que, à toda evidência, demonstra que na época da fiscalização iniciada, tais comprovações não existiam. Logo, a apresentação de documentação foi produzida a destempo e após a intimação, o que está em desacordo com as normas legais vigentes, sem, portanto, o condão de caracterizar a correção da falta, de modo que resta afastada a pretensão de relevação da multa. Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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