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Numero do processo: 10882.002305/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO DE IMÓVEIS PELO PODER PÚBLICO. Conforme Súmula CARF nº 42, não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação.
CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de contrato de mútuo deve ser feita com documentação hábil e idônea com indicativo da data da realização comprovado por registro público e também da transferência dos valores à época do empréstimo. No caso dos autos, não ficou comprovado que a transferência dos valores do mutuante para o mutuário tinha como objeto o mútuo, e os contratos não contém qualquer registro público ou indicação oficial da data em que teriam sido produzidos.
SIGILO BANCÁRIO. Conforme jurisprudência consolidada, o sigilo bancário não é absoluto e pode ser mitigado em função de um bem jurídico mais relevante. No caso, a transferência do sigilo bancário para o fisco, obedecidas as disposições legais, decorre da necessidade de investigação que beneficia a sociedade e está em conformidade com o art. 6 da LC 105/2001.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso para exonerar do lançamento tributário de ganho de capital os valores recebidos a título de indenização de imóveis pelo poder público, em acordo com a Súmula CARF 42. Vencidos na votação os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira que entendem que os contratos de mútuo respaldados pela DIRPF podem ser aceitos como elementos de prova hábeis e idôneos da origem dos valores depositados na conta do contribuinte.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente Substituta e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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DESAPROPRIAÇÃO DE IMÓVEIS PELO PODER PÚBLICO. Conforme Súmula CARF nº 42, não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de contrato de mútuo deve ser feita com documentação hábil e idônea com indicativo da data da realização comprovado por registro público e também da transferência dos valores à época do empréstimo. No caso dos autos, não ficou comprovado que a transferência dos valores do mutuante para o mutuário tinha como objeto o mútuo, e os contratos não contém qualquer registro público ou indicação oficial da data em que teriam sido produzidos. SIGILO BANCÁRIO. Conforme jurisprudência consolidada, o sigilo bancário não é absoluto e pode ser mitigado em função de um bem jurídico mais relevante. No caso, a transferência do sigilo bancário para o fisco, obedecidas as disposições legais, decorre da necessidade de investigação que beneficia a sociedade e está em conformidade com o art. 6 da LC 105/2001. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 23 05 /2 00 9- 78 Fl. 803DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso para exonerar do lançamento tributário de ganho de capital os valores recebidos a título de indenização de imóveis pelo poder público, em acordo com a Súmula CARF 42. Vencidos na votação os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira que entendem que os contratos de mútuo respaldados pela DIRPF podem ser aceitos como elementos de prova hábeis e idôneos da origem dos valores depositados na conta do contribuinte. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10882.002305/200978 Acórdão n.º 2401004.068 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário que visa reverter a decisão proferida no Acórdão 12 60.777 da 7a. Turma da DRJ/RJ1, que considerou procedente em parte o lançamento tributário sob análise. O contribuinte tomou conhecimento da decisão em 13/03/2014 e em 11/04/2014 interpôs Recurso Voluntário a este Conselho. O recorrente aduz, em suma, as seguintes razões. PRELIMINARES 1. Ilicitude da prova obtida por quebra de sigilo bancário. As requisições de movimentação financeira sem a autorização da parte, ou judicial, representam violação do sigilo bancário. Cita jurisprudência. Independentemente da inconstitucionalidade da quebra de sigilo, não teriam sido preenchidos os requisitos necessários para tal. Transcreve o art. 3 do Decreto 3.724/01 e afirma que a quebra do sigilo não se enquadra em nenhuma das situações lá relacionadas. O único motivo para a quebra de sigilo neste caso seria a não apresentação de parte do extratos bancários solicitados pela autoridade fiscal no prazo estipulado e que estava sendo providenciado. Cita trechos de Termo de Verificação Fiscal em que a autoridade relaciona o período de 30/11/2008 a 02/04/2009 como de atendimento a intimações para entrega de extratos bancários. A Requisição de Movimentação Financeira foi emitida em 07/01/2009. Assim, a prova que lastreia o lançamento é ilícita, o que torna o auto de infração nulo. 2. Decadência em relação aos fatos geradores indenizações por desapropriação de junho/02 a novembro/03. Considerando que não houve majoração da multa para 150%, a regra da decadência é a definida pelo par. 4o. do art. 150 do CTN. Mais ainda, promoveu o recolhimento do IRPF relativamente aos anoscalendário objeto do lançamento e este auto de infração seria complementação de tributos já recolhidos. 3. Cita o art. 2o da Lei 7.713/88 relativamente ao regime de caixa que vigora para o Imposto de Renda. No caso das desapropriações, os pagamentos ocorreram em parcelas anteriormente à transferência do bem e a autoridade fiscal promoveu o lançamento dos valores integrais tomando por base a data do último recebimento, quando da ocorrência do ato desapropriatório e a transferência da titularidade dos bens para o setor público. Cita instruções normativas da SRF e jurisprudência sobre o assunto. MÉRITO 4. Indevida aplicação de presunção de omissão de receitas. Teria comprovado que mantém contratos de empréstimos e também valores em seu poder. Neste caso, comprovou com saques de numerários em suas contas e também declarou tais valores nas DIRPF´s. Alguns dos mútuos teriam sido aceitos pela autoridade fiscal, com as mesmas empresas. Assim, não há materialidade para a aplicação da presunção legal. Cita também o art. 112 do CTN, relativamente à interpretação mais favorável ao acusado em caso de alguns tipos de dúvida. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 5. Se utilizada a presunção legal com o fundamento para a acusação fiscal, deve haver a demonstração objetiva do indício que permita a aplicação da regra respectiva. A presunção estaria na prova e não na subsunção do fato à norma. A autoridade deve demonstrar o fato presuntivo para a constituição do fato presumido. 6. Inexistência de omissão de receitas por depósitos bancários. Comprovação das origens dos créditos em conta. O recorrente mantinha contratos de mútuos com empresas que também mantinha relações comerciais. Os contratos às fls. 429/448 foram aceitos pela autoridade fiscal. Anexou planilha efl. 449 demonstrativa dos valores cujas origens estão sendo comprovadas, extratos das contas correntes que indicam os créditos (e a sua natureza) e o lançamento contábil relativo ao valor do empréstimo pela empresas envolvidas. Além disso foram juntados trinta e três (33) documentos anexos à planilha (450/542), que comprovam a origem dos créditos questionados, além de outros, como estornos, CPMF, resgates de aplicações financeiras, que não podem ser considerados como omissão de rendimentos. Discorda da autoridade fiscal sobre os motivos da não aceitação de documentos comprobatórios, como por exemplo, contrato celebrado entre o interessado e a empresa na qual possuía/possui participação societária, ou porque não teriam sido registrados, dentre outros. Contratos semelhantes foram aceitos, conforme fls. 99/104. Pugna pela aplicação do princípio da boafé. Argumenta que nada impede que o representante legal da empresa realize contrato de mútuo, sendo a sua pessoa física mutuante. Mais ainda, os mútuos estão devidamente declarados nas DIRPF´s do recorrente (fls. 404/428). Afirma que houve demonstração da operação financeira, seja por lançamentos bancários, ou por documentos contábeis. Apresentou documentos i) planilha demonstrativa dos valores cujas origens estão sendo comprovadas, ii) extratos das contas correntes que indicam os créditos, e iii) lançamento contábil respectivo, pelas empresas envolvidas. A jurisprudência do CARF é pacífica no sentido que a realização de mútuo deve ser comprovada mediante prova da transferência dos recursos financeiros mutuados. Os depósitos de numerários referemse às quantias que mantinha em sua disponibilidade, conforme demonstrado nas DIRPF´s de 2004 a 2007 e por inúmeros saques nas contas correntes. 7. A autoridade julgadora deixou claro que o que se exige é a comprovação com documentos hábeis e idôneos, como por exemplo, que evidencie saques bancários ou prova de que o interessado recebeu quantias em dinheiro em datas próximas ao final do ano para que haja comprovação dos depósitos em numerário (fl. 605). Os saques por parte do recorrente e o numerário declarado nas DIRPF´s demonstra a capacidade financeira exigida. O recorrente entende que não há qualquer irregularidade em manter valores em moeda em casa, principalmente quando tais valores estão declarados ao fisco. Tais saques estão relacionados na planilha de fls. 543/553. Mais ainda, tais valores mantidos em posse do recorrente nunca foram questionados pelo fisco. 8. No item 113 do recurso, argumenta que sacou R$ 2.800.000,00, já excluindo os saques de transferência à empresa Conspar. Assim, teria mantido em seu poder R$ 2.800.000,00 no período fiscalizado. 9. Relaciona novamente os documentos probatórios: DIRPF´s fls. 404/428, Contratos de mútuo: fls. 429/448, documentos anexos à planilha demonstrativa de origem de valores, etc. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10882.002305/200978 Acórdão n.º 2401004.068 S2C4T1 Fl. 4 5 10 Erros de fato da autuação. A autoridade fiscal teria lançado inclusive valores de transferências entre contas de titularidade do recorrente, resgates de conta corrente para poupança, estornos de CPMF e outros estornos, conforme documentos às fls. 450/542. 11. Nulidade do lançamento por ofensa ao art. 142 do CTN e ao princípio da verdade material. Muitos dos valores lançados referemse à empréstimos e não se configuram em renda do recorrente. A autoridade fiscal não analisou os documentos apresentados pelo contribuinte da forma correta, para verificar a efetiva ocorrência dos fatos. 12. A fiscalização pretende fazer incidir imposto de renda sobre valores que não representam acréscimo patrimonial disponível para o recorrente, em ofensa ao conceito de renda previsto no art. 153, III, e 195, I da CF/88 e também no art. 43 do CTN. 13. Afirma que não incide imposto de renda sobre indenização decorrente de desapropriação. Observa que a autoridade a quo entendeu que o imposto de renda teria incidido apenas sobre o ganho de capital apurado. Cita jurisprudência e também a Súmula CARF 42. É o relatório. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins – Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. O recorrente entende que a quebra do sigilo bancário pela autoridade fiscal foi imotivada e ilegal. Ao mesmo tempo, discorre sobre a demora para a entrega dos extratos bancários, cuja intimação início da ação fiscal ocorreu em 11/11/2008, sendo que em 02/04/2009 o contribuinte ainda teria apresentado extratos bancários referentes ao Banco do Brasil. Tendo em vista que se estava examinando documentação relativa à 2004, a fiscalização não dispunha de muito tempo para efetuar as análises sem risco de decadência e, consequentemente, penalidade administrativa. O usual é que tais documentos sejam fornecidos em 20 dias pelas entidades bancárias. Assim, entendo justificável o pedido de Requisição de Movimentação Financeira, face à mora no atendimento das intimações pelo recorrente. Muito embora a nossa Constituição Cidadã proteja a privacidade do indivíduo, nenhum princípio é definitivo e, em algumas situações, os princípios basilares da nossa Carta podem e devem ser mitigados. No caso, a quebra do sigilo bancário é um dos princípios que o legislador entendeu que poderia ser mitigado em favor da investigação fiscal e criminal, tendo em vista a proteção da sociedade. Assim, a autoridade fiscal pode, desde que justificadamente, obter a transferência do sigilo da entidade bancária para o fisco, para investigar a movimentação financeira de cidadãos. Enfatizase que não ocorre a quebra do sigilo, mas a transferência do sigilo, da entidade bancária para o fisco. Tal autorização está inclusive consolidada, tanto no âmbito do judiciário quanto da legislação, através do art. 6o. da Lei Complementar 105/2001, a seguir transcrito. Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Corroborando a possibilidade de transferência do sigilo fiscal, destaco o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça. ADMINISTRATIVO SIGILO BANCÁRIO E FISCAL ART. 535 DO CPC NÃOVIOLAÇÃO ART. 8º DA LEI N. 8.021/90 DECLARADO INCONSTITUCIONAL INCIDENTER TANTUM NA SEGUNDA INSTÂNCIA ACÓRDÃO RECORRIDO COM ENFOQUE NO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DE LEIS MATÉRIA CONSTITUCIONAL NÃOCOMPROVAÇÃO DE INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO PARA A REQUISIÇÃO DAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS SÚMULA 07/STJ RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E IMPROVIDO AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. O Tribunal apreciou de modo claro e fundamentado a questão que lhe foi posta e, se chegou a resultado diverso do que o Fl. 808DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10882.002305/200978 Acórdão n.º 2401004.068 S2C4T1 Fl. 5 7 pretendido pela parte, não por isso violou o art. 535 do CPC. É de se ter em mente que não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. De fato, afigurase possível o acesso a dados protegidos pelo sigilo bancário, com a transferência do ônus aos agentes do fisco, consoante o disposto no art. 6º da Lei Complementar n. 105/01, c/c o art. 144, §1º, do CTN, nada impedindo que a verificação se faça em relação a períodos anteriores à vigência da lei, como mesmo reconhece a jurisprudência do STJ (EREsp 726.778/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ 5.3.2007). 3. Tal medida, entretanto, só é possível quando comprovada a existência de procedimento administrativo e a razoabilidade da medida. No caso dos autos, além de o acórdão recorrido não ter afirmado de modo veemente a existência de procedimento administrativo instaurado, ponto este que não foi também levantado em embargos declaratórios e, para ser analisado aqui, ensejaria o reexame das provas (incidência da Súmula 07/STJ), o acórdão recorrido ainda por cima tratou a questão que lhe foi posta com enfoque eminentemente constitucional e capaz de, por si só, manter a decisão agravada, uma vez que não foi interposto concomitantemente o necessário recurso extraordinário. Nesta parte, aplicase também o enunciado 126 da Súmula do STJ. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 953.929/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/12/2007, DJ 19/12/2007, p. 1218) A Corte Constitucional do país assim se pronunciou sobre a possibilidade de quebra de sigilo bancário. SIGILO BANCARIO. AS DECISÕES NA INSTÂNCIA ORDINÁRIA ENTENDERAM QUE EM FACE DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL O SEGREDO BANCÁRIO NÃO É ABSOLUTO. RAZOÁVEL INTELIGÊNCIA DO DIREITO POSITIVO FEDERAL, NÃO HAVENDO OFENSA AO DISPOSTO NO ART. 153 PAR. 2, DA LEI MAGNA, NEM TÃO POUCO NEGATIVA DE VIGÊNCIA DO ART. 144 DO CÓDIGO CIVIL. O OBJETIVO DO WRIT ERA AFASTAR A EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE FICHAS CONTÁBEIS, AO FUNDAMENTO DE VIOLAÇÃO DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO CONHECIDO.(RE 71640, Relator(a): Min. DJACI FALCÃO, Primeira Turma, julgado em 17/09/1971, DJ 12111971 PP06313 EMENT VOL0085501 PP00295 RTJ VOL0005902 PP00571) DESAPROPRIAÇÕES Fl. 809DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Entendo que o recorrente tem razão quanto a não tributação dos valores oriundos de desapropriação de imóveis pelo poder público. O Superior Tribunal de Justiça decidiu em sede de recurso repetitivo e, portanto, de aplicação obrigatória por este Conselho, que os valores recebidos por desapropriação de imóveis pelo poder público não sofrem incidência de imposto de renda, conforme a seguir. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Arguição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL Fl. 810DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10882.002305/200978 Acórdão n.º 2401004.068 S2C4T1 Fl. 6 9 PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1116460/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Nesse sentido também a Súmula Carf 42, citada pelo Recorrente: Súmula CARF nº 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, os valores relativos à desapropriações lançados estão relacionados na tabela a seguir. fls. matrícula data transferência valor recebido após dez/2003 data Valores lançados Ganho de Capital 259 e 260 (efl.297260) 123.520 16/11/2004 500.000,00 500.000,00 259 e 260 (efl. 297260) 123.520 16/12/2004 500.000,00 500.000,00 915.485,00 264 a 268 (efl. 314319) 123.521 07/11/2005 360.720,00 11.531,42 07/11/2005 335.239,23 272 a 274 (efl. 318324) 123.521 07/11/2005 443.362,00 13.337,42 07/11/2005 404.213,89 275 a 280 (efl. 325330) 123.521 07/11/2005 746.574,00 16.653,42 07/11/2005 679.181,74 1.041.522,26 2.334.119,86 Dado o exposto, entendo que devem ser exonerados do lançamento os valores de omissão relativos a ganho de capital (R$ 2.334.119,86) decorrentes de desapropriações pelo poder público. MÚTUOS O recorrente justifica que os valores depositados em suas contas bancárias com contratos de mútuo. Tais contratos, apesar de terem sido datados de 01/01/2004, são provas frágeis, pois não possuem qualquer registro oficial indicando a data em que teriam sido Fl. 811DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 produzidos e, portanto, não podem ser considerados se forem o único elemento de prova do fato. Observo que o depósito bancário na conta do recorrente não pode ser considerada prova de efetivação do empréstimo, pois é justamente o que está sendo questionado. A seguir relaciono os contratos de mútuo juntados aos autos pelo recorrente. · O contrato de mútuo à efls. 429 referese à uma declaração de débito de R$ 25.741.346,86 da empresa CONSPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., que teria sido feita em 01/01/2004. · O contrato de mútuo à efl. 434 referese ao valor de R$ 5.000.000,00 feito à empresa New Tech Construções Ltda., em 01/01/2004. · O contrato de mútuo à efl. 439 referese ao valor de R$ 5.000.000,00 feito à empresa Santa Thereza Empreendimentos Imobiliários Ltda., em 01/01/2004. · O contrato de mútuo à efl. 444 referese ao valor de R$ 5.000.000.00 à empresa Flacam Empreendimentos e Participações Ltda., em 01/01/2004. O recorrente alega que possuía valores em espécie e que os teria informado nas DIRPF´s dos anos 2003 a 2006. Observo, contudo que nos anos 2003 e 2004, os valores em poder do recorrente estão definidos como "VALORES EM PODER DO DECLARANTE E BANCOS", e nos anos 2005 e 2006, consta apenas "VALORES EM PODER DO DECLARANTE". Muito embora o fisco não tenha questionado tal informação quando do processamento das declarações nos respectivos anos, não significa que o contribuinte não tenha que provar a existência desses valores caso necessário como, por exemplo, em um procedimento de fiscalização. O procedimento fiscal objetiva analisar as informações prestadas pelos contribuintes à luz de provas hábeis e idôneas. No caso, a simples declaração de que possuía valores em espécie na declaração de rendimentos não comprova a existência de tais valores. Para os anoscalendários 2005 e 2006, o recorrente informou que detinha R$ 1.200.000,00 em espécie, sendo que a situação foi a mesma nos dois anos e, portanto, não houve redução de tais valores, de formas que não podem comprovar depósitos em dinheiro no ano 2007. Para os anoscalendário 2003 e 2004, o recorrente informou que detinha R$ 15.453.701,05 e R$ 2.539.464,00, respectivamente, sob a rubrica de "VALORES EM PODER DO DECLARANTE E EM BANCOS". Desta forma, mesmo que tais valores tivessem existido, a informação não está suficientemente clara sobre quanto desse valor estaria em bancos e o quanto estaria em poder do recorrente, em espécie, sem mencionar a falta de provas hábeis e idôneas de que tais valores teriam existido e foram submetidos à tributação à época do seu recebimento. Relativamente à justificativa <contratos de mútuos> para os valores depositados em conta corrente, cabe ressaltar que o art. 42 da Lei 9.430/96 autoriza o lançamento dos valores depositados na conta do contribuinte, cuja origem não teria sido justificada. Tratase de presunção juris tantun que admite prova em contrário. Contudo, tal prova deve ser idônea e hábil, e individualizada por valor depositado. Essa é a razão do termo de constatação ser específico a respeito dos valores questionados. Não é possível analisar justificativas agregadas e, portanto, para que pudessem ser exonerados da tributação, os valores lançados deveriam ter sido justificados um a um pelo recorrente. No caso da justificativa se referir a recebimentos decorrentes de mútuos, não ficou comprovada a transferência desses valores do recorrente para as empresas mutuárias, quando da realização do contrato de mútuo. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10882.002305/200978 Acórdão n.º 2401004.068 S2C4T1 Fl. 7 11 Se os referidos contratos foram fechados em 01/01/2004, o recorrente deveria fazer prova da transferência dos recursos para os mutuários naquela data para, então, poder argumentar que os depósitos posteriores em sua conta bancária teriam sido para pagamento dos mútuos. No entanto, a planilha à efl. 449 apresenta os registros de créditos feitos pelas empresas nas contas bancárias do recorrente. Considerando que muitos dos depósitos foram feitos em espécie, a análise sobre a origem dos recursos fica prejudicada. A comprovação com livros fiscais e contábeis só pode ser aceita quando preenchidos os requisitos previstos pela legislação, conforme a seguir. Tal requisito não foi atendido pela escrituração do contribuinte. Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente.(grifei) Fl. 813DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal informa (efl. 339) que teria excluído os valores referentes às transferências entre contas de mesma titularidade, resgate de aplicações financeiras, créditos estornados, créditos referentes à regularização de contas e outros valores que não representassem efetivo ingresso de numerários nas contas. O julgador a quo detectou mais algumas transferências entre contas do recorrente, que foram exoneradas do lançamento, conforme efl. 607, quais sejam os depósitos: R$ 50.000,00 e R$ 12.0000,00 ocorridos em 07/01/2004 e 18/02/2004, respectivamente, na conta corrente do Banco do Brasil; e o depósito de R$ 3.600,00, em 08/09/2004, na conta do Banco Bradesco. O recorrente alega que teria sacado e mantido em seu poder R$ 2.800.000,00. Contudo, não apresenta qualquer prova que poderia corroborar tal fato e tampouco que tal valor já teria sido oferecido à tributação. Considerando que o recorrente não apresentou justificativas e documentação que pudessem comprovar/justificar a origem dos valores depositados em suas contas bancárias nos anos considerados, entendo que consolidouse a presunção juris tantun de omissão de receitas com base no art. 42 da Lei 9.430/96. Dado o exposto, voto por afastar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso para exonerar do lançamento tributário de ganho de capital os valores recebidos a título de indenização de imóveis pelo poder público, em acordo com a Súmula CARF 42. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10715.006579/2009-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 236 1 235 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10715.006579/200968 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.777 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNITED AIRLINES, INC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 65 79 /2 00 9- 68 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006579/200968 Acórdão n.º 9303003.777 CSRFT3 Fl. 237 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.896, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006579/200968 Acórdão n.º 9303003.777 CSRFT3 Fl. 238 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006579/200968 Acórdão n.º 9303003.777 CSRFT3 Fl. 239 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006579/200968 Acórdão n.º 9303003.777 CSRFT3 Fl. 240 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006579/200968 Acórdão n.º 9303003.777 CSRFT3 Fl. 241 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006579/200968 Acórdão n.º 9303003.777 CSRFT3 Fl. 242 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006579/200968 Acórdão n.º 9303003.777 CSRFT3 Fl. 243 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006579/200968 Acórdão n.º 9303003.777 CSRFT3 Fl. 244 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19985.720094/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não há de se declarar a nulidade de lançamento efetuado com obediência às regras legais e sem violação ao direito de defesa do contribuinte.
FÉRIAS INDENIZADAS.
Os rendimentos recebidos a título de férias indenizadas, recebidos por necessidade de serviço, possuem caráter indenizatório, não sendo, em conseqüência tributados.
DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO.
Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos a tributação exclusiva na fonte - IRRF. Havendo retenção do IRRF sobre tais verbas, não há que se falar em omissão de rendimentos na apuração do IRPF na declaração de ajuste.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado) e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Relatora) que negavam provimento e os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra que votaram pela nulidade por vício material. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Redator Designado.
EDITADO EM: 02/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz..
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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INOCORRÊNCIA. Não há de se declarar a nulidade de lançamento efetuado com obediência às regras legais e sem violação ao direito de defesa do contribuinte. FÉRIAS INDENIZADAS. Os rendimentos recebidos a título de férias indenizadas, recebidos por necessidade de serviço, possuem caráter indenizatório, não sendo, em conseqüência tributados. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos a tributação exclusiva na fonte IRRF. Havendo retenção do IRRF sobre tais verbas, não há que se falar em omissão de rendimentos na apuração do IRPF na declaração de ajuste. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado) e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Relatora) que negavam provimento e os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra que votaram pela nulidade por vício material. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 00 94 /2 01 5- 13 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 2 Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Redator Designado. EDITADO EM: 02/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento do anocalendário de 2010 (fls. 259 a 262), data de ciência em 11/12/14 (fl. 264), tendo sido apurada omissão de rendimentos do trabalho no valor de R$ 276.328,66 com fundamento numa ação trabalhista paga pelo Banco do Brasil. O enquadramento legal e o crédito tributário constam na Notificação de Lançamento. Às fls. 02 a 15 o contribuinte apresentou a impugnação, protocolada em 09/01/15, alegando, em síntese, que: 1. O lançamento seria nulo pela falta de demonstração do cálculo e da natureza jurídica dos valores, pela indevida utilização de presunção da ocorrência do fato gerador e ausência da busca da verdade material, tudo como detalhado na peça de defesa; 2. Procurou demonstrar pelos cálculos apontados na impugnação que não teria ocorrido omissão de rendimentos, pois o valor considerado omitido diria respeito à verba indenizatória; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 19985.720094/201513 Acórdão n.º 2201003.261 S2C2T1 Fl. 3 3 3 Entende que apenas a quantia relativa ao 13° salário seria tributável, já o restante não, como por exemplo: férias, juros, FGTS, entre outros; 4. Junta documentação da ação trabalhista e cita decisões administrativas e judiciais no intuito de que as mesmas corroborem os seus argumentos de defesa; 5. Pede prioridade com base no Estatuto do Idoso, diligência e o cancelamento da Notificação. Frisese que o autuado pediu prioridade com base no Estatuto do Idoso. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 NULIDADE DO LANÇAMENTO. O sujeito passivo possui pleno direito de defesa que é exercido pela impugnação. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há como acatar a tese de nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. Não tendo o contribuinte comprovado que a omissão de rendimento do trabalho se enquadraria em alguma hipótese de isenção ou de não incidência, há que se manter a infração, pois em princípio o rendimento oriundo do trabalho está sujeito ao imposto de renda, excluindose apenas as hipóteses previstas na Lei. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando a realização da mesma se revele prescindível para que a autoridade julgadora possa formar a sua convicção. Impugnação Improcedente Fl. 303DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 4 Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reitera essencialmente as razões dispostas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz 1. Da inocorrência de nulidade Assevera o recorrente a ocorrência de nulidade do lançamento, em razão da ausência de demonstração da origem e da natureza dos valores que supostamente teriam sido omitidos. Além disso, dispõe a recorrente que o Decreto 70.235/72 impõe expressamente a descrição do fato que gerou lançamento, sob pena de nulidade. Não obstante as razões levantadas pelo contribuinte, cabe esclarecer que o ato administrativo foi devidamente formalizado por pessoa competente, no exercício de suas funções, e a descrição dos fatos a que se refere o crédito tributário guerreado está devidamente consignada na Notificação de Lançamento, permitindo ao autuado ampla e regular defesa quando da interposição da impugnação e do recurso voluntário. Desse modo, apesar de não estar efetivamente discriminada a natureza das verbas consideradas omitidas, não identificase a nulidade do lançamento, pois não houve prejuízo ao contribuinte que teve a oportunidade de demonstrar suas alegações, inclusive de comprovar eventual equívoco da autuação. Portanto, tendo em vista a ausência de violação ao art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, inexiste a nulidade apontada. 2. Da natureza das verbas recebidas em decorrência da ação judicial trabalhista Aduz o recorrente que as verbas recebidas que são passíveis de incidência do imposto de renda totalizam a quantia de R$ 224.974,28, que se referem ao valor principal dos 13º salários recebidos (R$ 156.037,65) e seus juros e atualização monetária (R$ 125.422,98 e R$ 632,30, respectivamente), deduzidos os valores retidos a título de INSS (R$ 875,10) e 20% dos honorários pagos ao patrono da causa (R$ 56.243,55). Assim, as informações constantes da DIRF encontramse equivocadas, considerando o valor dos rendimentos tributáveis mencionado, bem como que o Imposto de Renda incidente sobre esse valor foi devidamente retido pela fonte pagadora. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 19985.720094/201513 Acórdão n.º 2201003.261 S2C2T1 Fl. 4 5 Alega o recorrente que os valores recebidos a título de férias vencidas e não gozadas e adicional destas férias possuem natureza eminentemente indenizatória, uma vez que pagos em decorrência da rescisão do contrato de trabalho. O acórdão de primeira instância fez as seguintes ponderações sobre a comprovação da natureza indenizatória das verbas: Ao observarmos a documentação trabalhista, principalmente o resumo de fl. 90, constatase que o montante recebido pelo contribuinte foi muito superior ao valor apontado na DIRF (fl. 260) e considerado pela fiscalização como tributável. Como exemplo pode ser citado o valor de R$ 495.069,57 a título de juros de mora que caso o rendimento principal tenha como natureza uma verba tributável, faria com que os respectivos juros fossem também sujeitos ao imposto de renda, já que a tributação dos juros acompanha o principal. Somandose apenas as verbas de férias mais os juros, chegase ao montante de R$ 996.248,87, conforme fl. 90, quando a DIRF alcançou somente a quantia tributável de R$ 501.302,84, de acordo com a fl. 260. Frisese que em nenhum momento os documentos trazidos ao processo pelo contribuinte lograram êxito em comprovar que dentro da quantia apontada em DIRF estaria inserida alguma parcela isenta ou não tributável. Inclusive, a mencionada folha resumo do processo trabalhista, à fl. 90, não indica que a DIRF estaria tributando equivocadamente alguma parcela não sujeita ao imposto de renda. Compulsandose os autos, verificase que os pedidos realizados na ação trabalhista foram os seguintes: a) declaração de nulidade da rescisão do contrato de trabalho, em 7 de junho de 1990 e de que o contrato vigorou, ininterruptamente, de 19 de março de 1987 a 7 de agosto de 2001; b) condenação da ré a retificar a anotação contida na CTPS do Autor, quanto à data da rescisão do contrato, retificandoa para 7 de agosto de 2001, sob pena de o ato ser realizado pela Secretaria de MM. Juízo; c) declaração de que houve rescisão do contrato de trabalho, do autor, por parte da ré, sem justa causa legal; d) declaração da natureza salarial das quantias pagas a título de honorários e de bonificação; e) condenação da ré a pagar ao autor, no prazo legal: e.a. aviso prévio (30 dias); Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 6 e.b. dez períodos de férias integrais em dobro; e.c um período de férias integrais simples; e.d. férias proporcionais de 2001 (4/12 avos); e.e. 13º salário proporcional de 1990 (8/12 avos); e.f. 13º salários integrais de 1991 a 2000; e.g. 13º proporcional de 2001 (8/12 avos); e.h. recolhimento do FGTS pertinente aos honorários e às bonificações pagos; e.i. multa do FGTS e entrega da guia liberatória, sob pena de execução direta; e.j. repercussão das bonificações, pela média, no repouso semanal remunerado, de ambos, nas férias e 13º salários e de todos no FGTS; e.k. correção monetária e juros de mora. A sentença proferida pela Justiça do Trabalho acolheu em parte os pedidos para: a) reconhecer a existência de vínculo de emprego entre as partes no período de 1931984 a 782001 e declarar nula a rescisão do contrato de trabalho ocorrida em 761990; b) condenar a reclamada a proceder a anotação na CTPS do autor quanto ao período do vínculo de emprego, à função desempenhada e à remuneração, no prazo assinalado, sob pena de multa; d) condenar a reclamada ao pagamento de férias acrescidas do terço de 13º salários; e) condenar a reclamada a proceder aos depósitos do FGTS sobre os salários pagos na constância do vínculo de emprego, a partir de junho/90. Posteriormente, na análise dos recursos ordinários apresentados pelo autor e pelo réu, acordaram os desembargadores, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso ordinário do autor e parcialmente do recurso ordinário do réu e, em dar provimento parcial ao recurso do autor para declarar a nulidade da sentença no tópico em que considerou nula sua rescisão operada em 7 de junho de 1990 e reconheceu a continuidade do vínculo no período posterior, e em negar provimento ao recurso ordinário apresentado pelo réu. Com o trânsito em julgado da decisão judicial, foi apresentada pelo autor planilha de cálculos para a execução na qual consta o valor de R$ 501.179,30 a título de férias + 1/3 e o valor de R$ 153.370,99 a título de 13º salários, fl. 90. Foi apurado o valor líquido de R$ 924.938,22, fl. 118, a título de verba principal, que, pelo que se depreende dos autos correspondem às ferias+1/3, 13º salário, juros e correção monetária. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 19985.720094/201513 Acórdão n.º 2201003.261 S2C2T1 Fl. 5 7 Cabe destacar que, de fato, o valor tributável é somente o referente ao 13º salário, pois os valores recebidos a título de férias vencidas e não gozadas, respectivo adicional e juros de mora possuem natureza indenizatória, uma vez que foram pagos em decorrência da rescisão do contrato de trabalho. Notase que a última atualização de cálculos demonstra o valor de R$1.001.608,75 a título de capital+juros, que com o abatimento do IR fica de R$ 924.938,22. Sabese, em razão dos documentos relativos à ação judicial, que tal valor foi pago a título de férias, adicional de 1/3, 13º salários e os respectivos juros. Contudo, não há como identificar, pelas planilhas analisadas, o valor exato atualizado (até a data do valor autuado) da parte correspondente ao 13º salário e respectivos juros, a fim de aferir, de fato, se a autuação recaiu sobre a parte das verbas indenizatórias ou não, para fins de exclusão. Assim, não obstante as alegações do recorrente, não foram apresentadas provas suficientes para a demonstração do direito alegado. Diante do exposto, CONHEÇO E NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto da Conselheira Relatora, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto à questão do mérito. Como já dito pela Relatora, os valores recebidos pelo contribuinte se referem a férias indenizadas, com o acréscimo de 1/3, e 13º salários. Segundo a Relatora, inobstante se saiba que não incide IR sobre os recebimentos de férias indenizadas, com o acréscimo de 1/3, não se sabe o valor exato das verbas referentes aos 13º salários; razão pela qual a mesma entendeu pela manutenção do lançamento. Sobre o tema férias não gozadas, vasta é a jurisprudência do então Primeiro Conselho de Contribuintes, e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que os valores recebidos a título de férias não gozadas, constituem indenização não sujeita ao imposto de renda. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 8 Dessa forma, trago à colação trechos do voto proferido pela Conselheira LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, extraídos do Acórdão CSRF/0400.185, DE 14/03/2006, o qual adoto como razões de decidir, verbis: “(...) A matéria já foi objeto de apreciação nas Câmaras do Primeiro conselho de Contribuintes, competentes para o julgamento do imposto de renda – pessoa física e também na Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, firmandose jurisprudência no sentido de que os valores recebidos, a título de férias não gozadas, constituem indenização e, portanto não sujeitos ao imposto de renda. Nesse sentido, os acórdãos nºs. 10244.108, 102.44.670, 102 45.875, 104.17.994, 10418315, 10418315, 10418561, 106 12.794, 10613230, CSRF NºS. 0103.256. CSRF/0103.683. Também, não se desconhece, nesta assentada, a jurisprudência firmada no Superior Tribunal de Justiça quanto ao conteúdo da Súmula 125, a seguir transcrita: “O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do imposto de renda.” Este, aliás, o entendimento manifesto no voto do eminente Sr. Ministro José de Jesus Filho, no Resp. 26.9986 –SP – 2ª T, do qual se transcreve o seguinte excerto: “... Como tem demonstrado pelo douto Promotor de Justiça, fundamentado nos pareceres dos i. Roque Carraza e Geraldo Ataliba, que de fato o imposto de renda, no caso, não é exigível por versar sobre ressarcimento de férias não gozadas, por absoluta necessidade de serviço. O indeferimento de tal direito, por necessidade de serviço, caracteriza violação, por parte do Estado, dos direitos adquiridos pelos impetrantes, transgredindo normas, portanto sujeito a reparação, devendo indenizar tais períodos não usufruídos. Ora, o pagamento em dinheiro das férias não gozadas, porque indeferidas por necessidade do serviço não é produto de capital, do trabalho ou da combinação de ambos e também não representa acréscimo patrimonial...” (grifouse) Já na Sessão de 20 de março de 2001, através do Acórdão nº CSRF/0103.256, firmouse entendimento no sentido de que “Os valores recebidos a título de licençaprêmio e de férias, quando indenizadas, fato que constitui presunção no sentido de que houve necessidade de serviço,assumem natureza indenizatórias e, conseqüentemente, não são alcançados pela incidência do imposto de Renda”. Conforme suscitado pelo sujeito passivo, em contrarazões, a própria PFN, através do Parecer PGFN/CRJ/Nº 0921/99 reconheceu a não incidência do imposto em tais circunstâncias. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 19985.720094/201513 Acórdão n.º 2201003.261 S2C2T1 Fl. 6 9 Neste sentido direciono meu voto e, portanto, NEGO, provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, reconhecendo que os valores a título de férias, quanto não gozadas por necessidade de serviço, caracterizam indenização e, portanto, não tributáveis.” Nessa mesma linha, os Acórdãos CSRF/0400.127, DE 13/12/2005 e CSRF/0400.070, DE 08/06/2005. Ademais, como destacado no voto acima, o recebimento de valores à título de férias indenizadas, constitui presunção no sentido de que houve necessidade de serviço, conforme bem salientou o então Conselheiros WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, no Acórdão CSFF/0400;070, de 08/06/2005, verbis: ‘No caso dos autos, o Recorrido recebeu o valor correspondente a férias em dobro, acrescido de um terço, quando da rescisão do contrato de trabalho. Presumese, portanto, que a indenização, ou seja, o pagamento das férias de modo dobrado, deus em virutde de necessidade de seriço, e não há como exigirse prova de tal fato ao contribuinte, sendo esta, aliás, desncessária. De fato, tratase de prova impossível de ser realizada, uma vez que não há como o empregado exigir de seu empregador uma prova de que este não queira lhe dar férias. Quanto aos 13 salários, independentemente do fato de não se saber com certeza o seu valor, penso que o lançamento está equivocado. Como se sabe, por força do previsto no Decreto 3000/99, RIR, o 13 salário está sujeito a tributação exclusiva na fonte; in verbis: Art.638. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário (CF, art. 7, inciso VIII) estão sujeitos a incidência do imposto na fonte com base na tabela progressiva (art. 620), observadas as seguintes normas (Lei 7.713, de 1988, art. 26, e Lei n 8.134, de 1990, art. 16): (...) III a tributação será exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário. Ora, todos os valores recebidos pelo contribuinte, em sua ação trabalhista, foram tributados na fonte, conforme se observa nos documentos de folhas 90 e seguintes. Isto significa que todos os valores relativos a décimos terceiros salários sofreram a incidência do IRRF. Deste modo, embora não se saiba com certeza o valor relativo a 13, se sabe que todo ele foi tributado na fonte. Assim, resta improcedente o lançamento que incluiu os valores relativos ao 13 na apuração do IRPF por ocasião do ajuste. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 10 Lei 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Chegase, então, a conclusão de que a totalidade dos valores recebidos não poderia ser objeto de lançamento por omissão de rendimentos; seja por que não incide o IRPF sobre uma parte, seja por que a outra parte foi tributada exclusivamente na fonte. Esclareço, por oportuno, que os chamados juros, como acessórios que são, seguem as regras da verba principal. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Numero do processo: 10380.009701/2004-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. FALTA DE EXAME DE PROVA ESSENCIAL E/OU DE FUNDAMENTAÇÃO PARA A SUA DESCONSIDERAÇÃO.
Restando comprovada a omissão, por não ter havido exame de prova essencial ao deslinde da controvérsia, nem tampouco ao menos expressa manifestação do colegiado quanto ao eventual não conhecimento ou desconsideração da mencionada prova, cuja juntada aos autos fora deferida pelo Presidente do próprio colegiado durante a sessão de julgamento, deve-se conhecer dos Embargos de Declaração para suprir a referida omissão.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
SUDENE. ISENÇÃO. ATOS CONCESSÓRIOS. VIGÊNCIA. DECLARAÇÃO DO ÓRGÃO CONCESSOR.
A declaração do órgão concessor sobre a vigência dos atos concessórios dirime a dúvida sobre os incentivos de isenção do Imposto de Renda reconhecidos através das Portarias DAI/PTE 474/93 e DAI/ITE 0332/97.
Numero da decisão: 1201-001.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, a fim de suprir a omissão do Colegiado acerca de ponto sobre o qual deveria ter-se pronunciado, e, nesta conformidade, re-ratificar o Acórdão nº 101-96.417, de 7 de novembro de 2007, com efeitos infringentes, para o fim de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Embargante M. DIAS BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. FALTA DE EXAME DE PROVA ESSENCIAL E/OU DE FUNDAMENTAÇÃO PARA A SUA DESCONSIDERAÇÃO. Restando comprovada a omissão, por não ter havido exame de prova essencial ao deslinde da controvérsia, nem tampouco ao menos expressa manifestação do colegiado quanto ao eventual não conhecimento ou desconsideração da mencionada prova, cuja juntada aos autos fora deferida pelo Presidente do próprio colegiado durante a sessão de julgamento, devese conhecer dos Embargos de Declaração para suprir a referida omissão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 SUDENE. ISENÇÃO. ATOS CONCESSÓRIOS. VIGÊNCIA. DECLARAÇÃO DO ÓRGÃO CONCESSOR. A declaração do órgão concessor sobre a vigência dos atos concessórios dirime a dúvida sobre os incentivos de isenção do Imposto de Renda reconhecidos através das Portarias DAI/PTE 474/93 e DAI/ITE 0332/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, a fim de suprir a omissão do Colegiado acerca de ponto sobre o qual deveria terse pronunciado, e, nesta conformidade, reratificar o Acórdão nº 10196.417, de 7 de novembro de 2007, com efeitos infringentes, para o fim de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 97 01 /2 00 4- 72 Fl. 675DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10380.009701/200472 Acórdão n.º 1201001.443 S1C2T1 Fl. 3 2 Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum. Relatório Tratase de embargos interpostos pelo contribuinte contra o Acórdão nº 101 96.417, de 7 de novembro de 2007, proferido pela 1ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. De se observar que o referido acórdão já foi objeto de embargos da Fazenda Nacional, julgados pelo Acórdão nº 1102000.024, de 26 de agosto de 2009, bem como de embargos por parte da autoridade encarregada de sua execução, julgados pelo Acórdão nº 1102001.173, de 31 de julho de 2014 (este último de relatoria deste conselheiro), sendo ainda objeto de recurso especial da Fazenda Nacional, este pendente de julgamento. Contudo, tais referências são feitas apenas para conhecimento e contextualização, posto que os presentes embargos versam sobre questões diversas das tratadas nestas mencionadas peças processuais. No que importa aos presentes embargos, temse que a decisão proferida pelo colegiado no âmbito do Acórdão nº 10196.417 foi por negar provimento ao recurso voluntário quanto à matéria "projeto de modernização", na qual se discute(m) benefício(s) de isenção/redução do imposto de renda (SUDENE). Aduziu a embargante a existência de omissões acerca de ponto sobre o qual deveria terse pronunciado a Câmara, bem como de contradições existentes entre a decisão e seus fundamentos. As omissões seriam, no caso, por "não apreciar documento essencial ao julgamento do recurso, qual seja, o Ofício SUDENE n. 116/2007, cuja juntada fora requerida e deferida por oportunidade da sessão de julgamentos do dia 07/11/2007", assim como por "não apreciar o feito à luz do artigo 178 do Código Tributário Nacional". Haveria também contradições no acórdão, porque: (i) se o incentivo não mais existia, posto que supostamente revogado no ano anterior pela Portaria 332/97 (como sustenta o acórdão embargado), então não havia como ele ter sido alcançado pela redução escalonada a partir de janeiro de 1998, conforme assentou o mesmo acórdão embargado (ou, ao revés, se o incentivo foi alcançado pelos novos percentuais de redução a partir de janeiro de 1998, então ele não pode ter sido revogado pelo mencionado ato administrativo, conforme sustenta o acórdão embargado); (ii) ao mesmo tempo em que o acórdão embargado reconhece que o benefício concedido à embargante pela Portaria 474/93 era de isenção do IRPJ, e não de Fl. 676DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10380.009701/200472 Acórdão n.º 1201001.443 S1C2T1 Fl. 4 3 redução, contraditoriamente, afasta a aplicação das regras contidas no caput do artigo 3º da Lei nº 9.532/97, sob o argumento de que tal dispositivo legal só se aplica às isenções concedidas com base no artigo 13 da Lei n. 4.239/63 (que é justamente o caso do benefício concedido pela Portaria 474/93). Noticia, ademais, a existência de outro processo do mesmo contribuinte (Processo 10380.009931/200431, versando sobre a mesma matéria, apenas relativa a outro período de apuração), em que os seus embargos foram admitidos. Transcreve trechos da decisão proferida em sede de embargos àquele processo. Finaliza requerendo "sejam conhecidos e acolhidos os presentes Embargos de Declaração, para sanar a omissão e as contradições supra apontadas, reconhecendo a fruição, até o final do prazo certo concedido, de benefícios de isenção simultâneos pela embargante, sobre as distintas capacidades de produção incentivadas em 1993 e 1997, respectivamente, e, como consectário lógico, conferido efeitos infringentes para cancelar a exigência dos tributos incidentes sobre o lucro de exploração decorrente das receitas originadas das respectivas capacidades incentivadas". Por despacho (efls. 673674), foram os embargos admitidos para que o colegiado sobre eles se pronunciasse. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os embargos foram interpostos por parte legítima e atendem aos pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. Com relação à primeira das mencionadas omissões, é fato que, pelas informações constantes do sítio do CARF, o processo em questão estava incluído na pauta de julgamento de 17/10/2007, data em que saiu com vistas, retornando à pauta do mês de novembro do mesmo ano (julgamento em 07/11/2007), e que o documento acerca do qual o contribuinte aduz a omissão do colegiado é aquele ao qual ele se refere na petição datada de 06/11/2007 (efls. 486 e seguintes), verbis: "Esclarece a Requerente que o mencionado Ofício SUDENE n° 116/2007 constitui documento novo e a sua apresentação tem por objetivo elucidar o teor do Ofício ADENE n.° 684/2004, que, a despeito de não ter sido mencionado na autuação, norteou a conclusão do acórdão recorrido e o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator na sessão de 18 de outubro de 2007. (...) Evidencia, assim, que a 'revogação dos atos concessórios um pelo outro' constitui premissa decorrente de equivocada interpretação do impreciso Ofício ADENE n.° 684/2004, cujo teor agora se encontra devidamente esclarecido." Fl. 677DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10380.009701/200472 Acórdão n.º 1201001.443 S1C2T1 Fl. 5 4 Referida petição (e documento anexo) foi recebida pelo Presidente da 1ª Seção (que também presidia a 1ª Câmara, e que participou do julgamento do acórdão embargado), que determinou sua juntada aos autos no mesmo dia 06/11/2007, um dia antes do julgamento (efls. 486489) Em síntese, temse que o Ofício SUDENE n° 116/2007 foi expedido em resposta ao pleito da contribuinte protocolado junto àquele órgão em 24/10/2007 (conforme atesta o próprio Ofício), e justamente para se contrapor ao fundamento do voto do i.relator do acórdão embargado, proferido ainda na sessão de outubro (quando o processo saiu com vistas), no sentido de que o benefício de isenção do imposto de renda da Portaria anterior (DAI/PTE nº 474/93, de 22/11/1993) teria sido tacitamente revogado pela Portaria DAI/ITE nº 332/97, de 24/12/1997. O referido Ofício é claro em especificar que não há qualquer fundamento para se falar em revogação de um benefício pelo outro, verbis: "4. Pelo exposto, podese então concluir que essa empresa, satisfez à época as condições necessárias para o gozo da referidas isenções, incidentes sobre o lucro da exploração, e de conformidade com os referidos termos das portarias acima referendadas, cujos fatos geradores e objetos desse benefícios se deram em épocas distintas e conseqüentemente com períodos de utilização estabelecidos e portanto não havendo como se cogitar a revogação dos referidos atos concessórios de um pelo outro." O voto condutor do acórdão embargado, por sua vez, afirma, sic: "Portanto, nos períodosbase objeto da autuação a Recorrente não dispunha de dois benefícios fiscais concedidos. (...) Naturalmente, a Portaria 332/97 substitui a Portaria 474/73, pelo critério temporal, não havendo, portanto, o que se falar na necessidade da Portaria 332/97 expressamente revogar a Portaria 474/73. A questão, com a devida vênia, não se cinge apenas à mera reanálise de provas, mister para o qual não se presta o manejo de embargos. Em vista das circunstâncias acima sucintamente relatadas, entendo que o acórdão embargado não poderia deixar de se manifestar sobre o Ofício SUDENE n° 116/2007, ainda que fosse para dele não conhecer, ou então para negarlhe os efeitos pretendidos. Contudo, o acórdão embargado não faz sequer menção ao referido Ofício, cuja juntada aos autos fora aceita pelo presidente da Câmara embargada. Ademais, conforme noticiado, temse que, na mesma sessão de julgamento do dia 07/11/2007, foi julgado outro processo da mesma recorrente, versando sobre esta mesma questão, sendo os acórdãos proferidos inclusive sequenciais em sua numeração (Acórdão nº 10196.417, o presente ora sob análise, e o Acórdão nº 10196.416, relativo ao Processo 10380.009931/200431, o qual também foi expressamente referido pela embargante em suas razões de embargos). Cumpre destacar que, naquele outro caso, embora por motivos que escapam à compreensão, houve o registro, na parte dispositiva do acórdão, de que "os documentos apresentados após o início do julgamento" não haviam sido conhecidos (registro que, no presente caso, inexiste). Fl. 678DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10380.009701/200472 Acórdão n.º 1201001.443 S1C2T1 Fl. 6 5 Em sede de embargos àquele acórdão, restou esclarecido que "os documentos apresentados após o início do julgamento" e que não foram conhecidos pelo colegiado seriam exatamente a petição recebida em 06/11/2007 e o Ofício SUDENE nº 116/2007 a ela anexo, documentos os quais (assim como no presente caso) não haviam sido sequer mencionados no voto condutor. Para registro, observo que, naquele caso, houve o reconhecimento da omissão em face da falta de fundamentação para o não conhecimento dos documentos (o que denota uma ligeira distinção com relação ao presente caso), tendo os embargos sido admitidos e decididos favoravelmente ao contribuinte, no sentido da inexistência da alegada revogação (Acórdão nº 1101000.974, de 09 de outubro de 2013). Já no presente caso, destacase apenas a completa ausência de qualquer menção ao referido Ofício, o que caracteriza, a meu sentir, a omissão do colegiado acerca de um elemento essencial ao julgamento do recurso, e cuja juntada aos autos fora aceita pelo presidente da Câmara que proferiu o acórdão embargado. Diferente seria o entendimento se o colegiado, além de não conhecer dos documentos apresentados, tivesse fundamentado adequadamente o seu não conhecimento (em face da preclusão, por exemplo). Neste caso, com a devida vênia, não se haveria de falar em omissão. Assim, enquanto no processo 10380.009931/200431, os embargos foram acolhidos por omissão (decorrente da falta de fundamentação para o não conhecimento dos documentos), no presente caso os embargos devem ser acolhidos por omissão (decorrente da falta de qualquer manifestação, quer no voto, quer na parte dispositiva) no que toca aos mesmos citados documentos, os quais, conforme visto, tanto eram essenciais ao julgamento, que de sua apreciação, por meio dos embargos, resultou (no processo 10380.009931/200431) no reconhecimento, por unanimidade de votos, de efeitos infringentes ao acórdão prolatado. Ademais, verifico haver, efetivamente, contradições no acórdão embargado. Ainda que se possa argumentar que a decisão prolatada (negar provimento ao recurso, nesta parte da autuação) esteja em conformidade com uma parte dos fundamentos expostos (de que a Portaria DAI/PTE nº 474/93 teria sido tacitamente revogada pela Portaria DAI/ITE nº 332/97, e de que a recorrente, portanto, "no máximo, poderia ser contemplada com o benefício da redução, o qual foi reconhecido pelo autuante no percentual de 37,5%"), o fato é que o acórdão em questão possui, efetivamente, fundamentos contraditórios entre si, o que, ao fim e ao cabo, acaba por conduzir a uma contradição entre a decisão e seus fundamentos, consoante arguido pela embargante. De fato: (i) ou bem a Portaria DAI/ITE nº 332/97 revogou (ainda que tacitamente, consoante a fundamentação do acórdão embargado) a Portaria DAI/PTE nº 474/93, e, portanto, não se haveria de falar em posterior submissão da isenção, nesta última Portaria especificada, aos percentuais decrescentes de redução do imposto, previstos na Lei nº 9.532/1997, como fez a decisão embargada; (ii) ou bem a Portaria DAI/ITE nº 332/97 NÃO revogou a Portaria DAI/PTE nº 474/93 (nos termos do que esclarece o Ofício SUDENE n° 116/2007, mas ao contrário do que sustenta o acórdão embargado), de sorte que somente neste contexto (não revogação da isenção) é que faria sentido cogitarse da submissão desta isenção aos percentuais decrescentes de redução do imposto, previstos na Lei nº 9.532/1997, como fez a decisão embargada. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10380.009701/200472 Acórdão n.º 1201001.443 S1C2T1 Fl. 7 6 É por todo o acima exposto que os presentes embargos, no caso, devem ser admitidos. Uma vez admitidos, com a devida vênia, pareceme claro que a solução do conflito, com o específico pronunciamento do colegiado com relação ao teor do mencionado Ofício SUDENE nº 116/2007, inexoravelmente levará à conclusão de que a decisão proferida pela 1ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, neste aspecto, não pode prosperar. A esta conclusão também chegou a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, por unanimidade de votos, no âmbito do processo 10380.009931/200431 (Acórdão nº 1101 000.974). Reproduzse, a seguir, excerto do voto condutor do acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, proferido pelo i. conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, contendo fundamentação a qual aqui se subscreve: "A Portaria DAI/PTE 0474/93 reconheceu a capacidade instalada de 153.428 ton/ano, concedendo incentivo para capacidade adicional de 139.600 ton/ano, eis que a interessada já dispunha de capacidade instalada anterior referente a 13.828 ton/ano. O prazo de validade do beneficio fiscal iniciouse no anocalendário de 1993, e se encerrou no anocalendário de 2002. Posteriormente, em 03 de janeiro de 1997, através da Declaração DAI/ITE — 0002/97, Informação Fiscal 62/97 e Ato Declaratório 002/97, foi concedida à interessada a redução de 50% do IRPJ para a capacidade instalada anterior, ou seja, para 13.828 ton/ano. Ainda no ano de 1997, a interessada sucateou e vendeu uma série de equipamentos de sua planta — a começar pelos mais antigos, incluindo aqueles que deram base para a capacidade instalada inicial de 13.828 ton/ano — para logo a seguir promover a modernização de suas instalações. Com o descarte e a alienação de equipamentos, sua capacidade instalada inicial foi totalmente absorvida e a capacidade instalada incentivada foi reduzida de 139.600 ton/ano para 27.656 ton/ano. Com a modernização de sua fábrica, nova capacidade dobro da capacidade instalada anterior. Ou seja, instalada passou a ser, praticamente, o passou a ser de 290.851 ton/ano. Assim, com base na modernização mencionada, a interessada ingressou com novo pleito de beneficio fiscal, e por meio da Portaria DAI/ITE n° 332/1997, foilhe concedida a isenção para a capacidade instalada adicional — isto é, para a diferença entre a capacidade instalada anterior à modernização (27.656 ton/ano já isenta) e a nova capacidade instalada (290.851 ton/ano). Notase, assim, que o próprio órgão responsável pela fiscalização dos projetos incentivados na região Nordeste época — a SUDENE — constatou e aprovou a modernização do parque industrial, tanto é assim que entendeu por bem conceder o beneficio fiscal da isenção. O Ofício SUDENE 116/2007, em resposta à consulta da interessada, como já apontouse acima, bem referiuse à questão da seguinte maneira: “4. Pelo exposto, podese então concluir que essa empresa, satisfez à época as condições necessárias para o gozo da referidas isenções, incidentes sobre o lucro da exploração, e de conformidade com os referidos termos das portarias acima Fl. 680DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10380.009701/200472 Acórdão n.º 1201001.443 S1C2T1 Fl. 8 7 referendadas, cujos fatos geradores e objetos desse benefícios se deram em épocas distintas e conseqüentemente com períodos de utilização estabelecidos e portanto não havendo como se cogitar a revogação dos referidos atos concessórios de um pelo outro.” Resta, a meu ver, solucionada a questão, porque não se configurou a revogação dos referidos atos concessórios. Estando cada um, pois vigente, e regendo a disciplina jurídica a que se submeteria o objeto de cada ato concessório. Isto posto, reconhecer a omissão existente no acórdão embargado implica o provimento do recurso, o que confere efeitos infringentes a estes embargos. (...)" Destacamse, igualmente, os seguintes excertos da declaração de voto da i. conselheira Edeli Pereira Bessa, proferida no âmbito do Acórdão nº 1101000.974, complementando e ratificando as conclusões do relator, as quais aqui também subscrevo: "(...) não há reparos à conclusão do I. Relator de que o Ofício SUDENE 116/2007 resolve a questão favoravelmente à interessada, pois indica expressamente que o benefício fiscal objeto do ato de 1997 não revogou o benefício fiscal antes reconhecido em 1993. Na verdade, este documento não faz a prova por si só, mas orienta a interpretação que validamente pode ser extraída dos atos concessivos, no sentido de que foi concedida isenção à capacidade resultante do processo de modernização tratado na Portaria nº 474/93, com efeitos de 1993 a 2002. Posteriormente, por meio da Portaria nº 332/1997 foi concedida isenção para a capacidade aumentada, de 263.195 t/ano, com efeitos de 1996 a 2005, de modo que embora esta Portaria nº 332/1997, de fato, não englobe as 27.656 ton/ano residuais do projeto antigo, como disse a autoridade julgador de 1ª instância, ela também nada disse acerca da isenção antes concedida pela Portaria nº 474/93 para a capacidade até então instalada. Deste modo, a Portaria nº 332/1997 não é hábil para estender qualquer benefício anterior até o anocalendário 2005, mas a Portaria nº 474/93 autoriza o benefício sobre a capacidade produtiva anterior até 2002. Poderseia questionar que esta capacidade questionada de 27.656 ton/ano englobaria a capacidade instalada anterior à Portaria nº 474/93, de 13.928 ton/ano, não alcançada pelo benefício ali tratado. Importa, porém, recordar que o órgão sucessor da SUDENE informou à Fiscalização que de acordo com a documentação apresentada pela empresa M DIAS BRANCO S/A COM. E INDÚSTRIA, esta capacidade informada, baseouse na comprovação apresentada de baixa do maquinário existente, referente ao dimensionamento da capacidade anterior de 153.428 t/ano, objeto da Portaria DAI/PTE n° 474/93, resultando nesta capacidade remanescente por se tratar de pleito de modernização parcial do empreendimento, conforme documentos apensos em anexo. Por sua vez, a autoridade fiscal nada acrescentou para permitir, no contencioso administrativo, rebater a justificativa da contribuinte de que na baixa do maquinário antigo, ela primeiramente liquidou a instalação anterior, produtora de 13.828 ton/ano, de modo que toda a parcela remanescente de 27.656 ton/ano seria decorrente da modernização promovida ao amparo da Portaria nº 474/93. Vejase, ainda, que a autoridade fiscal menciona que a contribuinte não teria direito à isenção sobre a capacidade instalada anterior, mas apenas benefício de redução de 37,5% até o anocalendário 2000. Todavia, não é possível identificar, nos autos, o que sustentaria esta afirmação, pois o único despacho decisório juntado aos autos (fls. 90/93) diz respeito à redução de 75% em relação aos resultados de Fl. 681DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10380.009701/200472 Acórdão n.º 1201001.443 S1C2T1 Fl. 9 8 empreendimento industrial na Cidade Natal — RN, a ser executado pela filial da interessada, cadastrada no Ministério da Fazenda sob o nº do CNPJ 07.206.816/002673, com capacidade de produção instalada de 198.400 t/ano de fabricação de farinha e subprodutos do trigo e 50.400 t/ano de massas, para ter inicio em janeiro de 2001 e término em dezembro de 2010. Por fim, anotese que a discussão, nestes autos, diz respeito, tão só, ao alcance dos atos da SUDENE que reconheceram isenta a fabricação de massas resultante dos projetos de modernização tratados nas Portarias nº 474/93 e 332/97, ao menos até os anoscalendário 2000 a 2002, aqui autuados. Nada foi questionado acerca dos demais requisitos legais para reconhecimento dos efeitos destes benefícios fiscais no âmbito dos tributos administrados pela Receita Federal, razão pela qual, dentro dos limites estabelecidos pela acusação fiscal, não podem subsistir as exigências decorrentes de majoração indevida do benefício fiscal de isenção/redução. Assim, consoante propõe o I. Relator, devem ser ACOLHIDOS os embargos neste ponto, para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, o que dispensa a apreciação das demais contradições apontadas pela embargante acerca da abordagem sobre outros aspectos desta infração no voto condutor do acórdão embargado." Retornando ao caso concreto, para que não se incorra em equívoco ou obscuridade no âmbito do alcance dos efeitos infringentes a serem conferidos, cumpre observar que a decisão originalmente prolatada pelo Acórdão nº 10196.417 era a seguinte: "ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência; no mérito: 1) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso quanto a matéria subvenção, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Antonio José Praga de Souza; 2) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto a matéria "projeto de modernização"; 3) Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso quanto a exclusão da CSL no lucro da exploração; 4) Por unanimidade de votos, apartar a exigência da multa de ofício isolada para que seja julgada em conjunto com o Processo nr. 10380.008521/200473. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." Após o julgamento dos embargos da Fazenda Nacional, pelo Acórdão nº 1102 000.024, e da DRF/FORTALEZACE, pelo Acórdão nº 1102001.173, a decisão acima foi mantida em todos os seus termos, exceto com relação à providência mencionada no item 4, para a qual foi "tornada sem efeito a referência nele feita à multa isolada", uma vez que simplesmente "não há multa isolada sendo exigida nos autos" (Acórdão nº 1102001.173). Com o reconhecimento, manifestado no presente voto, de efeitos infringentes no que toca ao item 2 da decisão acima transcrita, ao qual deve ser dado provimento, verifico que, de fato, não resta qualquer matéria com relação à qual, afinal, não tenha sido provido o recurso, a despeito da rejeição da preliminar de decadência, acima destacada, a qual não é objeto dos embargos (sendo esta preliminar, portanto, insuscetível de análise/revisão pelo presente voto). Pelo exposto, acolho os embargos de declaração, a fim de suprir a omissão do colegiado acerca de ponto sobre o qual deveria terse pronunciado, e, nesta conformidade, re ratificar o Acórdão nº 10196.417, de 7 de novembro de 2007, com efeitos infringentes, para o fim de dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10380.009701/200472 Acórdão n.º 1201001.443 S1C2T1 Fl. 10 9 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 683DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 15983.720149/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.669
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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M. A. GLEREAN MARMORARIA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .7 20 14 9/ 20 12 -1 0 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 321 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0539.422 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 51.000.0452 (parte empresa) e AIOP nº. 51.000.0460 (parte Terceiros), de 01/2009 a 12/2009: (i) AIOP nº. 51.000.0452 (parte empresa) Contribuição das empresas (20%) em geral , conforme art. 11, parágrafo único e art. 22, I e III da lei 8.212/91, alterada pela lei 9.876 de 26/11/99 e Lei Complementar 84/96; e às correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (2%), conforme art.22, II da Lei 8212/91, com a alteração dada pela lei 9528/97 QUE FORAM CONSTITUÍDAS NO AUTO DE INFRAÇÃO N° 51.000.0452 cujo período do débito foi de 01/2009 a 13/2009. (ii) AIOP nº. 51.000.0460 (parte Terceiros) Contribuição destinada a outras entidades ou fundos (denominada terceiros> Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), que incidem sobre a mesma base de cálculo dos segurados empregados, utilizada para cálculo das contribuições destinadas à Previdência Social, conforme art. 94 da Lei 8.212/91, e suas alterações dadas pela Lei 11.098/05, e conforme art. 3o da Lei 11.457/07 e art. 111 da IN RFB 971/09. QUE FOI CONSTITUÍDA NO AUTO DE INFRAÇÃO N° 51.000.0460 cujo período do débito foi de 01/2009 a 13/2009 Conforme o Relatório Fiscal, a empresa inseriu em GFIP a informação de que era optante pelo SIMPLES mas a Fiscalização verificou que no período fiscalizado a empresa não era optante por tal regime: A origem das contribuições devidas é proveniente de importâncias discriminadas nas Folhas de Pagamento e pagas aos segurados empregados a título de salários e aos sócios a título de prólabore e declaradas em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com preenchimento de campo incorreto, relativo à opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123/06, que revogou a Lei n° 9.317/96). Foi informado no campo próprio, relativo aos esclarecimentos referentes a esta opção, tratarse de empresa optante Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 322 3 pelo SIMPLES (código 02 empresas optantes), quando o correto seria (código 01 empresas não optantes). Considerando que se trata de empresa não optante pelo imposto Simplificado no período fiscalizado, conforme consulta aos Sistemas Informatizados Institucionais da Receita Federal, tal informação jamais poderia ser inserida na GFIP. Segundo o Relatório da decisão de primeira instância, temse os fundamentos dos lançamentos fiscais: 1. As bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento e declaradas em GFIP, sendo que quanto a estas, o Contribuinte informou indevidamente estar enquadrado no regime do “Simples Nacional” (Lei Complementar 123/2006), o que constitui, em tese, fato típico do artigo 337A do Código Penal, o que ensejou a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). 2. A indevida declaração de enquadramento no Simples Nacional foi constatada a partir de consulta aos sistemas informatizados institucionais da Receita Federal do Brasil, compreendendo o lançamento as contribuições que, em face da declaração de enquadramento no Simples Nacional, deixaram de ser computadas nas GFIP e incluídas em guias de recolhimento. O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 01/2009 a 12/2009. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração em 23.03.2012, às fls. 01. O contribuinte apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 1. Alega a ocorrência de “cerceamento do direito de defesa”, já que teria ocorrido “afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa”, na medida em que: Da descrição elaborada (...) não se permite ao contribuinte identificar a origem do suposto crédito tributário ora exigido, impossibilitando por completo o exercício do direito ao contraditório a ampla defesa. Não pode ser considerada clara e precisa uma peça acusatória que não transparece com exatidão a origem do crédito ora exigido. 2. Neste mesmo contexto, adiante sustenta que nada teria sido verificado e que o Auditor Fiscal teria criado “... ficções fiscais e alterou indevidamente o regime tributário da empresa sem base legal ...” (impondolhe “unilateral e discriminatoriamente” um regime tributário). E, também, que: O Auto de Infração não está conforme a Lei e a Legislação que regula a Exclusão das empresas do Simples Nacional, não descreve precisa, clara e concisamente as faltas e as irregularidades cometidas, o fato gerador devidamente materializado e Fl. 321DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 323 4 comprovado com documento e perícia, permitindo assim, o amplo direito de defesa [sic]. 3. Ressalva que ainda não estaria excluída do sistema do Simples Nacional, pois estariam pendentes de julgamento os processos que tratariam do caso (COMPROT 12670.000118/200971, 10845.000833/201072 e 10845.724471/201190). Pendentes de julgamentos as respectivas impugnações, as autuações seriam irregulares, pois: “... enquanto não esgotada a via utilizada não pode o Fisco dar início a qualquer procedimento fiscal a teor do que dispõe o artigo 151, III do CTN (exigibilidade suspensa) ...”. 4. Menciona a “criação de receitas imaginárias”. 5. Quanto à opção pelo regime do lucro presumido para o ano base de 2009, alega que: “... nos permite suspeitar que o que ocorreu para a AFRFB conseguir a indigitada declaração evidencia DESVIO DE PODER, COAÇÃO, ou seja, sua atuação causou um TEMOR a Impugnante caracterizando atos abusivos e arbitrários (...). Portanto, tal documento (Declaração) que está sendo usada como prova essencial à materialidade e criação de crédito fictício, deve ser considerada inútil e excluída do processo”. 6. Acrescenta que, nos documentos informativos, não estaria indicada “.... a existência do desenquadramento ou mesmo o número do Ato Declaratório de Exclusão ...”. 7. Conclui, ressalvando que a “multa lavrada” além de “.... indevida, pelas razões apresentadas, constitui um confisco tributário ...”. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0539.422 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, proferir decisões a respeito, em face das disposições do artigo 26A do Decreto 70.235/1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO. A Impugnação, nos termos do Decreto 70.235/1972, deve ser acompanhada dos elementos probatórios que dão suporte às assertivas do Contribuinte, não sendo possível levar em consideração meras declarações de caráter geral. O processo encontrase regularmente constituído e dotado das informações necessárias para que o Contribuinte apresentasse suas Fl. 322DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 324 5 Impugnações, com as quais demonstra ter compreendido perfeitamente as razões e fundamentos do lançamento fiscal. Não é possível constatar de que forma poderia ter ocorrido o cerceamento do direito de defesa. Ou, pelo menos, as razões apresentadas pelo Contribuinte não o caracterizam. A mesma constatação e conclusão se aplicam à alegação da inobservância do direito ao contraditório. Aliás, o próprio trâmite deste processo administrativo atesta que o princípio constitucional encontrase perfeitamente atendido. LANÇAMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. Ainda que esteja tramitando processo administrativo que trate da exclusão de Contribuinte do Simples Nacional, não há óbice legal à realização dos lançamentos fiscais. A pendência de decisão administrativa acerca da exclusão não exclui a possibilidade de realização do lançamento fiscal, ainda que a execução fiscal do respectivo crédito tributário dependa do deslinde daquela questão. ALEGAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE “DESVIO DE PODER” E “COAÇÃO” A imputação de ilícitos penais a quem quer que seja (inclusive à Fiscalização ou à Administração Pública, em geral), deve necessariamente vir acompanhada das competentes provas, sujeitando se, em foro próprio, às pertinentes cominações legais quem as indevidamente impute. Além do mais, não há nos autos nem mesmo o menor indício que possa corroborar tais assertivas. MULTAS APLICADAS. CARÁTER ABUSIVO E CONFISCATÓRIO. Atendidos pelo lançamento fiscal os limites e parâmetros legais aplicáveis, de acordo com a legislação vigente e devidamente informada, não há o que considerar, quanto às alegações de que as multas aplicadas teriam caráter abusivo ou efeito confiscatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em relação aos processo mencionados pelo contribuinte como sendo relacionados a pedidos de inclusão no SIMPLES, a decisão de primeira instância assim se manifesta: (A) Em relação ao processo nº 12670.000118/200971: Não fez expressamente qualquer comentário em relação a este processo. (B) Em relação ao processo nº 10845.714471/201190: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 325 6 1. Este processo foi gerado em razão de petição protocolada em 22/12/2011. Portanto, quase dois anos depois do recebimento do ADE, sendo evidentemente intempestiva. Circunstância esta, aliás, de conhecimento do Contribuinte, conforme consta dos respectivos autos (consulta ao sistema informatizado da RFB – módulo “Eprocesso”). 2. Naquele documento o próprio Contribuinte admitiu a existência de débitos, ao afirmar: Conforme foi constatado posteriormente pendências de valores recolhidos a menor referente código 6106 período 06/2004, 08/2004 e 12/2004 o responsável pela empresa encontravase gravemente doente o que resultou no seu afastamento da administração e posteriormente levando o ao falecimento. (...). Em virtude do pagamento após prazo de regularização referir apenas a um complemento que não deixou de ser regularizado e todos os impostos terem sido pagos até a presente data. 3. Consta também que, ainda em 22/01/2009, tentou realizar a opção pelo Simples Nacional, para o ano de 2009, tendo sido, na ocasião, informado de que seu pedido fora indeferido em razão da existência de débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil. 4. Sendo, destarte, intempestivo o pedido, o órgão local da RFB decidiu pelo arquivamento do pedido, situação em que presentemente se encontra. (C) Em relação ao processo nº 10845.000833/201072: 1. O processo foi gerado em razão de petição protocolada pelo Contribuinte em 23/03/2010 e está relacionado ao indeferimento do pedido de inclusão do Simples Nacional para o ano de 2010, de cujo período não tratam os lançamentos fiscais. 2. No processo, à fl. 18, consta o seguinte despacho, proferido pela Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Santos: Em resposta ao solicitado acima, verificase, pelo demonstrativo de fls. 12/14 que em 29.01.2010, a situação do crédito referente à CDA nº. 8040902237414 era ATIVA AJUIZADA, ou seja, não existia causa suspensiva da exigibilidade. 3. Este processo se encontra aguardando julgamento pela DRJ/Campinas, mas não tem repercussão nos presentes autos, por se referir a período não incluído neste lançamento. Em consulta ao sistema MF/COMPROT em (http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/default.asp), consulta realizada em 07.03.2016, temse que o processo nº 12670.000118/200971 encontrase arquivado no arquivo geral da SAMFSP: Fl. 324DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 326 7 Dados do Processo Número : 12670.000118/200971 Dat ade Protocolo : 29/01/2009 Documento de Origem : PEINSN29012009 Procedência : Assunto: INCLUSÃO COM DATA RETROATIVA IMPOSTO SIMPLES Nome do Interessado: CELSO DE MARIA GLEREAN MARMORARIA LTDA CNPJ : 55.194.161/000155 Tipo: Papel Sistemas Profisc: Não EProcesso :Não SIEF:Não Controlado SIEF Localização Atual Órgão Origem: ARQUIVO GERAL DA SAMFSP Órgão: ARQUIVO GERAL DA SAMFSP Movimentado em: 14/01/2013 Sequencia : 0007 RM : 00715 Situação: ARQUIVADO POR 05 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 327 8 ANOS UF: SP Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. (i) Nulidade do processo por vício formal pressupostos de validade cerceamento de defesa (ii) Exclusão do SIMPLES Processos pendentes de julgamento Ressalva que ainda não estaria excluída do sistema do Simples Nacional, pois estariam pendentes de julgamento os processos que tratariam do caso (COMPROT 12670.000118/200971, 10845.000833/201072 e 10845.724471/201190). Pendentes de julgamentos as respectivas impugnações (iii) Alteração do regIme tributário imposto pelo Fisco Tributação pelo Lucro Presumido (iv) Da multa confiscatória Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.215, de relatoria do Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, baixou o processo em Diligência nestes termos: Inconformado com referida decisão, a empresa autuada apresentou recurso à este conselho onde argumenta em síntese: Afirma que ainda não estaria excluída do sistema do Simples Nacional, pois estariam pendentes de julgamento os processos que tratariam do caso (COMPROT 12670.000118/200971, 10845.000833/201072 e 10845.724471/201190). Tendo em vista tal informação este relator fez uma pesquisa no sítio do CARF e não logrou êxito em encontrar tais processos. Desta forma, como os motivos que ensejaram o presente lançamento foram a exclusão da empresa do sistema “Simples Nacional”, entendo necessária a baixa dos autos em diligência para que a DRJ Campinas informe o resultado final do processo de exclusão. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 328 9 Caso ainda não se tenha uma decisão definitiva, deverá o presente feito ficar sobrestado aguardando o trânsito em julgado daqueles autos. Após tal procedimento estes autos deverão retornar à esta turma para julgamento. Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou Despacho de Encaminhamento, às fls. 314, informando que apensou os processos 10845.000833/201072 e 10845.724471/201190: PROCESSO/PROCEDIMENTO: 15983.720149/201210 INTERESSADO: M. M. A. GLEREAN MARMORARIA EPP DESTINO: GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF RECEBER PROCESSO EM RETORNO DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Apensei ao presente os processos 10845.000833/201072 e 10845.724471/201190, localizados no Arquivo Digital. Encaminhese ao CARF para análise, tendo em vista a Resolução de fls. 302b a 304. DATA DE EMISSÃO : 08/09/2014 Após, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 329 10 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS PRELIMINARES DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0539.422 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 51.000.0452 (parte empresa) e AIOP nº. 51.000.0460 (parte Terceiros), de 01/2009 a 12/2009. Segundo o Relatório da decisão de primeira instância, temse os fundamentos dos lançamentos fiscais: 1. As bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento e declaradas em GFIP, sendo que quanto a estas, o Contribuinte informou indevidamente estar enquadrado no regime do “Simples Nacional” (Lei Complementar 123/2006), o que constitui, em tese, fato típico do artigo 337A do Código Penal, o que ensejou a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). 2. A indevida declaração de enquadramento no Simples Nacional foi constatada a partir de consulta aos sistemas informatizados institucionais da Receita Federal do Brasil, compreendendo o lançamento as contribuições que, em face da declaração de enquadramento no Simples Nacional, deixaram de ser computadas nas GFIP e incluídas em guias de recolhimento. DA CONTROVÉRSIA A controvérsia está centrada no argumento do contribuinte de que ainda não estaria excluído do sistema do Simples Nacional, pois estariam pendentes de julgamento os processos que tratariam do caso (COMPROT 12670.000118/200971, 10845.000833/201072 e 10845.724471/201190). Fl. 328DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 330 11 Em relação aos processo mencionados pelo contribuinte como sendo relacionados a pedidos de inclusão no SIMPLES, a decisão de primeira instância assim se manifesta: (A) Em relação ao processo nº 12670.000118/200971: Não fez expressamente qualquer comentário em relação a este processo. (B) Em relação ao processo nº 10845.714471/201190: 1. Este processo foi gerado em razão de petição protocolada em 22/12/2011. Portanto, quase dois anos depois do recebimento do ADE, sendo evidentemente intempestiva. Circunstância esta, aliás, de conhecimento do Contribuinte, conforme consta dos respectivos autos (consulta ao sistema informatizado da RFB – módulo “Eprocesso”). 2. Naquele documento o próprio Contribuinte admitiu a existência de débitos, ao afirmar: Conforme foi constatado posteriormente pendências de valores recolhidos a menor referente código 6106 período 06/2004, 08/2004 e 12/2004 o responsável pela empresa encontravase gravemente doente o que resultou no seu afastamento da administração e posteriormente levando o ao falecimento. (...). Em virtude do pagamento após prazo de regularização referir apenas a um complemento que não deixou de ser regularizado e todos os impostos terem sido pagos até a presente data. 3. Consta também que, ainda em 22/01/2009, tentou realizar a opção pelo Simples Nacional, para o ano de 2009, tendo sido, na ocasião, informado de que seu pedido fora indeferido em razão da existência de débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil. 4. Sendo, destarte, intempestivo o pedido, o órgão local da RFB decidiu pelo arquivamento do pedido, situação em que presentemente se encontra. (C) Em relação ao processo nº 10845.000833/201072: 1. O processo foi gerado em razão de petição protocolada pelo Contribuinte em 23/03/2010 e está relacionado ao indeferimento do pedido de inclusão do Simples Nacional para o ano de 2010, de cujo período não tratam os lançamentos fiscais. 2. No processo, à fl. 18, consta o seguinte despacho, proferido pela Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Santos: Em resposta ao solicitado acima, verificase, pelo demonstrativo de fls. 12/14 que em 29.01.2010, a situação do crédito referente à CDA nº. 8040902237414 era ATIVA AJUIZADA, ou seja, não existia causa suspensiva da exigibilidade. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 331 12 3. Este processo se encontra aguardando julgamento pela DRJ/Campinas, mas não tem repercussão nos presentes autos, por se referir a período não incluído neste lançamento. Em consulta ao sistema MF/COMPROT em (http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/default.asp), consulta realizada em 07.03.2016, temse que o processo nº 12670.000118/200971 encontrase arquivado no arquivo geral da SAMFSP. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.215, de relatoria do Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, baixou o processo em Diligência nestes termos: Inconformado com referida decisão, a empresa autuada apresentou recurso à este conselho onde argumenta em síntese: Afirma que ainda não estaria excluída do sistema do Simples Nacional, pois estariam pendentes de julgamento os processos que tratariam do caso (COMPROT 12670.000118/200971, 10845.000833/201072 e 10845.724471/201190). Tendo em vista tal informação este relator fez uma pesquisa no sítio do CARF e não logrou êxito em encontrar tais processos. Desta forma, como os motivos que ensejaram o presente lançamento foram a exclusão da empresa do sistema “Simples Nacional”, entendo necessária a baixa dos autos em diligência para que a DRJ Campinas informe o resultado final do processo de exclusão. Caso ainda não se tenha uma decisão definitiva, deverá o presente feito ficar sobrestado aguardando o trânsito em julgado daqueles autos. Após tal procedimento estes autos deverão retornar à esta turma para julgamento. Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou Despacho de Encaminhamento, às fls. 314, informando que apensou os processos 10845.000833/201072 e 10845.724471/201190: PROCESSO/PROCEDIMENTO: 15983.720149/201210 INTERESSADO: M. M. A. GLEREAN MARMORARIA EPP DESTINO: GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF RECEBER PROCESSO EM RETORNO DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Apensei ao presente os processos 10845.000833/201072 e 10845.724471/201190, localizados no Arquivo Digital. Encaminhese ao CARF para análise, tendo em vista a Resolução de fls. 302b a 304. DATA DE EMISSÃO : 08/09/2014 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.720149/201210 Resolução nº 2202000.669 S2C2T2 Fl. 332 13 Outrossim, observase que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, no Despacho de Encaminhamento, às fls. 314, não fez qualquer menção ao processo administrativo nº 12670.000118/200971, conforme havia sido determinado pelo CARF na Resolução no 2403000.215. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento do processo administrativo nº 12670.000118/200971, posto que tal processo produz efeitos diretamente no presente processo nº 15983.720149/201210. CONCLUSÃO CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe e, se possível, apense, o resultado final do julgamento do processo administrativo nº 12670.000118/200971. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 331DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001451/2007-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS
Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
EXCLUSÃO DE VALORES DE DEPÓSITOS ABAIXO DE R$ 12.000,00 - ARGUMENTAÇÃO EM SEDE DE CONTRARRAZÕES - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO
O pleito para exclusão dos valores abaixo de R$ 12.000,00 trazido em contrarrazões não pode ser apreciado, tendo em vista tratar-se de matéria fora do alcance do recurso da Fazenda Nacional. Caso entendesse ser questionável a decisão a quo, o sujeito passivo deveria manusear recurso especial próprio com esse objetivo.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento parcial ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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EXCLUSÃO DE VALORES DE DEPÓSITOS ABAIXO DE R$ 12.000,00 ARGUMENTAÇÃO EM SEDE DE CONTRARRAZÕES IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO O pleito para exclusão dos valores abaixo de R$ 12.000,00 trazido em contrarrazões não pode ser apreciado, tendo em vista tratarse de matéria fora do alcance do recurso da Fazenda Nacional. Caso entendesse ser questionável a decisão a quo, o sujeito passivo deveria manusear recurso especial próprio com esse objetivo. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento parcial ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 14 51 /2 00 7- 41 Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13609.001451/200741 Acórdão n.º 9202003.981 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003 e 2004, anoscalendário 2002 e 2003, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 522.252,09, acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados até outubro de 2007, totalizando crédito tributário no valor de R$ 1.617.732,55. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 591 a 612, o lançamento decorre de omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas bancárias de titularidade do interessado, uma vez que a origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, além de omissão de rendimentos da atividade rural. Como enquadramento legal é citado, entre outros, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A autuada apresentou impugnação, fls. 626/672, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado o lançamento procedente, fls. 714/724 indicando que a impugnação apresentada era cópia textual da impugnação apresentada pelo contribuinte Eduardo Henrique Vieira Martins no processo 13609001432/200715. Não foi feita nenhuma adaptação ao recurso para o processo examinado, de sorte que muitas alegações soam despropositadas ou exdrúxulas quando aplicadas ao autuado. Entretanto, optou o julgador de primeira instância por rebatêlas integralmente. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, 733/787 os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade da decisão recorrida e desqualificou a multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%; e por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso, para excluir do lançamento os depósitos relacionados à conta bancária mantida na Cooperativa de Crédito de Capelinha e Região Ltda., ficando vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que somente excluíam as dez TED relacionadas às fls. 594. Portanto, em sessão plenária de 19/06/2013, deuse parcial provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2102002.596, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003, 2004 SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantémse o lançamento. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. SÚMULA CARF Nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Cientificada do Acórdão, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, fls. 844/846, alegando omissão acerca da questão que deveria ter sido apreciada, lastreado na Declaração de Voto, que afirmava não ter sido analisada a argumentação de que o Sr. Eduardo Henrique Vieira Marins de que seria o responsável exclusivo pela movimentação financeira da conta conjunta com o autuado, o Sr. José Carlos Soier, objeto do lançamento. Tais embargos foram rejeitados. O processo foi, então, encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 05/08/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 18/08/2014, o Recurso Especial, fls. 907/924. Em seu recurso visa restabelecer a qualificação da multa no patamar de 150%, como também o AI em relação à Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com origem não comprovada. Ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, conforme o Despacho de Admissibilidade, fls. 934/941, de 18/12/2014, fls. em relação a seguinte matéria: necessidade de comprovação da origem dos depósitos bancários, de forma individualizada e com coincidência de datas e valores, para afastar a presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz como alegações, o seguinte: · que convém esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/96, em seu caput, disciplina uma presunção legal de omissão de rendimentos que permite o lançamento do tributo correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, in litteris: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13609.001451/200741 Acórdão n.º 9202003.981 CSRFT2 Fl. 4 5 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” · que tal diploma legal atribui ao particular o ônus da prova quanto à origem dos valores que circulam, em seu nome, em instituições bancárias, e que, nesse sentido, o contribuinte deve comprovar a origem dos depósitos individualmente, com coincidência de datas e valores das operações que alega para justificálos. · que a Lei nº 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do ano calendário de 1997, caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3º, §4º, da Lei nº 7.713, de 1988. · que no presente processo, a constituição do crédito tributário decorreu em face do contribuinte não ter apresentado documentos suficientes para provar a causa dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos/créditos, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento (Lei nº 9.430/1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. · que à luz da Lei nº 9.430, de 1996, cabe ao sujeito passivo, demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o benefício que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas. · que a presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova, e neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil, ficando a cargo do contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. · que, como não foram comprovadas as operações apontadas para justificar os depósitos bancários, deve ser mantida a autuação em sua integralidade, por não ter sido afastada a presunção legal de omissão de rendimentos. As contrarrazões do Contribuinte apresentam os seguintes argumentos (fls. 204): · Não cabe o recurso especial interposto pela Fazenda, pois nos paradigmas indicados os fatos são diametralmente opostos ao presente caso. · Os paradigmas tratam de operações facilmente detectadas e não geram diferenças e dúvidas quanto a sua ocorrência. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 · Foram lavrados dois autos de infrações para o mesmo fato gerador uma vez que o recorrente possuía conta corrente conjunta com seu parceiro rural Eduardo Henrique Vieira Martins: 50% dos depósitos bancários foram autuados como omissão de rendimentos no processo 13.609001432/200715, tansitado em julgado, onde o CARF anulou o auto de infração extinguindo as exisgências fiscais, e 50% dos depósitos doram autuados como omissão de rendimentos no presente processo. · O mesmo entendimento do processo do sujeito passivo Eduardo Henrique deve ser dado ao presente processo, já que se tratam de matérias idênticas. · Quanto ao modus operandi tratase de pequenos produtores rurais estabelecidos no sertão Mineiro, Vale do Jequitinhonha, onde as condições simplórias e precárias e as notas fiscais são emitidas com base em pesos estimados e não real, sendo quase impossível a coincidência de valores e datas. · No caso não se está falando de uma empresa comercial, nem tampouco de um prestador de serviços com rígidos controles financeiros, mas de um caso concreto que não se amolda a nenhum outro, pois é quase impossível coincidir valores. · As operações contidas nos autos de infração ocorreram na região de Capelinha, que é pobre, sendo que a cafeicultura é explorada por pequenos produtores de forma rudimentar, que buscam diversas formas de custear suas lavouras. A economia da região é feita com base em confiança, seno que as vendas são realizadas através de corretores que cobram em média 1% da comissão sobre as vendas, sendo que a maior parte dos produtores não possuem conta bancária. · Na maioria das vezes os produtores pedem adiantamentos e ou empréstimos para os corretores, cujas importâncias serão abatidas por ocasião da safra. · Quanto ao ônus da prova a legislação não deu um cheque em branco par ao fisco agir como bem entender, derrespeitando os princípios gerais de direito. Caberia ao fisco intimar o contribuinte a origem dos recursos, cabendo ao contribuinte demonstrar a origem dos recursos e por fim ao fisco desconstituir as provas trazidas aos autos. Caberia ao fisco intimar terceiros para buscar a verdade material. · Em face do princípio da eventualidade, mesmo considerando não provada a origem dos recursos, hipóteses que admite somente para argumentar, a tributação deverá ser realizada segundo a legislação específica de cada receita. · Ficou demonstrado que o autuado tem como atividade a exploração de pequena propriedade rural e prestação de serviços de corretagem, sendo que a base não poderia ser 100% dos depósitos. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13609.001451/200741 Acórdão n.º 9202003.981 CSRFT2 Fl. 5 7 · Em relação a corretagem a base de cálculo deveria ser 1% dos valores dos depósitos e em relação as atividades rurais é de 20% dos valores dos depósitos. · Não houve a indicação precisa de quais depósitos não são coincidentes em datas e valores, caracterizando cerceamento do direito de defesa. · Consta no julgado de primeira instância que foram observados os limites valores individuais abaixo de R$ 12.000,00 desde que não ultrapasse a R$ 80.000,00; contudo a verdade é outra, exigindo que o contribuinte comprovasse os depósitos acima de R$ 300,00, ferindo os princípio s já razoabilidade e proporcionalidade. · A presunção descrita no art. 42 da lei 9430/96 fere direito pátrio. NO tocante a pessoa física, a presunção legal estribada nos depósitos bancários não está calcada na experiência anterior, não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos o encargo probatório é totalmente transferido para o contribuinte, com manifesta impossibilidade dessa prova ser produzida. · A autuação fere o princípio da capacidade contributiva. · É imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do IR pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. · Sabese à exaustão que erros não geram direitos. Dessa forma, eventuais erros do contribuinte não podem ser aproveitados pela Fazenda Nacional. · è vedado utilizar tributo com efeito de confisco. · Requer ao fim: O não conhecimento do recurso, mantendo a decisão proferida. Se assim não entender promova a redução das bases de cálculo e por fim, seja a decisão devidamente comunicada ao recorrido. É o relatório. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA PGFN Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 934/941. Em relação ao conhecimento, entendo que o recurso atende ao pressuposto de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, para apreciação da matéria: necessidade de comprovação da origem dos depósitos bancários, de forma individualizada e com coincidência de datas e valores, para afastar a presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Vale destacar que em relação a matéria "exoneração da multa qualificada" não se deu seguimento ao recurso. A base de toda a argumentação do contribuinte é de que os paradigmas tratam de operações facilmente detectadas e não geram diferenças e dúvidas quanto a sua ocorrência. Segundo ele, não há como comparar operações realizadas por comerciantes e prestadores de serviços em geral estabelecidas em cidades com rigorosos controles financeiros, com as precárias condições dos sofridos pequenos produtores rurais no Vale do Jequitinhonha. No caso, tratase de discussão acerca da interpretação do artigo nº 42, da Lei nº 9.430, de 1996, no que diz respeito à imputação de depósitos bancários de origem não comprovada. Conforme verificamos no relatório deste voto, o acórdão recorrido encontra se assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS. Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantémse o lançamento. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. SÚMULA CARF Nº 25 Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13609.001451/200741 Acórdão n.º 9202003.981 CSRFT2 Fl. 6 9 Com relação a essa matéria, a recorrente aponta como paradigma os acórdãos nºs 10421400 (1º Conselho de Contribuintes/4ª Câmara) e 10421.546 (1º Conselho de Contribuintes/4ª Câmara), reproduzindo as ementas na íntegra. Acórdão nº 10421400: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Acórdão nº 10421.546: PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam a referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Pela simples análise da ementa dos paradigmas indicados acima, entendo restar demonstrada a divergência entre os colegiados. Aliás, a delimitação da lide não se concentra no porte dos titulares das contas correntes (se grandes comerciantes ou pequenos produtores, ,muito menos no "modus operandi" das transações que transitaram nas contas, mas na ausência de demonstração hábil e idônea da origem dos depósitos, o que afastaria a presunção legal atribuída pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Neste sentido, foi o despacho da ilustre da presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção, senão vejamos: Assevera a PFN que "inobstante o fato de tratarem de situações fáticas similares – lançamento de imposto de renda pessoa física por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada – o paradigma encampou conclusão jurídica diversa da perfilhada pela decisão recorrida, que exclui valores não coincidentes com os depósitos bancários da autuação", assinalando que "o paradigma concluiu que o contribuinte para elidir a presunção legal relativa do art. 42 da Lei nº 9.430/96 deve trazer aos autos provas com coincidência de datas e valores para provar a origem dos rendimentos omitidos". Com razão a recorrente. Confrontando as decisões dos acórdãos paradigma e a recorrida, confirmase a dissonância apontada. Embora tratem de situação fática convergente (lançamento de IRPF por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada), as conclusões são dissonantes no que se refere à extensão da prova exigida do autuado para elidir a presunção legal de omissão de receitas, se necessário comprovar a origem da totalidade dos depósitos, com coincidência de datas e valores (paradigmas), ou se a comprovação de parte dos depósitos somada a prova da atividade econômica exercida pelo autuado é suficiente para afastar a presunção. Com efeito, no primeiro paradigma (acórdão nº 10421400) resta assentado que, para elidir a presunção legal juris tantum Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 de omissão de receitas pela constatação de existência de depósitos bancários de origem não comprovada, "não basta a indicação de prováveis fontes de recursos que dariam suporte aos depósitos, é preciso identificar, de forma individualizada, de onde saíram os recursos que aportaram às contas", sendo preciso "demonstrar, com coincidência de datas e valores, de onde saíram os recursos depositados nas contas bancárias". É o que se depreende da ementa e do excerto do voto condutor a seguir (sublinhouse): Pois bem, o lançamento que ora se examina foi feito com base em presunção legal do tipo juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Assim, não basta a indicação de prováveis fontes de recursos que dariam suporte aos depósitos, é preciso identificar, de forma individualizada, de onde saíram os recursos que aportaram às contas. Isto é, é preciso demonstrar com coincidência de datas e valores, de onde saíram os recursos depositados nas contas bancárias. Também o segundo paradigma (acórdão nº 10421.546) vai nessa linha. Vejamse os trechos a seguir do voto condutor, valendo assinalar, que a exemplo do que ocorre no caso ora sob o exame, também nesse paradigma o autuado justificava os depósitos bancários como decorrentes de atividade econômica desenvolvida (sublinhouse): Ora, não é lícito obrigarse a Fazenda Nacional a substituir o particular no fornecimento da prova que a este competia. Muito embora o impugnante tenha argumentado que a origem dos créditos/depósitos em sua conta corrente tratase de valores pertencentes a empresa LC Factoring Ltda., não há comprovação nos autos, de que os depósitos efetuados que constituíram a base tributável da presente autuação tiveram origem comprovada, como pretende o suplicante, uma vez que os documentos anexados aos autos não comprovam, de forma inequívoca, a origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados em sua conta corrente. (...)Nesse sentido, compete ao interessado não só alegar, mas também provar, por meio de documentos, hábeis e idóneos, coincidentes em datas e valores, que tais valores não são provenientes de rendimentos omitidos. Portanto, sem respaldo as alegações do autuado, que devidamente intimado a comprovar a origem dos recursos dos créditos/depósitos listados no anexo à intimação não produziu provas no sentido de elidila. Já no acórdão recorrido, embora se reconheça ser "inconteste nos autos que o Recorrente não identificou todos os depósitos de forma individualizada", a concorrência da prova de que o autuado exercia atividade de corretor e produtor de café é suficiente para afastar a presunção de omissão de rendimentos. É inconteste nos autos que o Recorrente não identificou todos os depósitos de forma individualizada, contudo, está patente que a Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13609.001451/200741 Acórdão n.º 9202003.981 CSRFT2 Fl. 7 11 atividade do contribuinte é a de Corretor e Produtor de Café como indicado desde o início da fiscalização e entendo que os valores dessas atividades comerciais são na verdade a origem dos depósitos que deram origem ao lançamento. Além disso, do que consta nos autos não há qualquer outro indício que haveria qualquer outra atividade exercida pelo recorrente senão a de corretor e produtor de café. Nesse sentido, entendo que as receitas objeto desse recurso lançadas como omissão decorrente de depósitos bancários não identificados não pode prosperar, pois, as origens destes depósitos foram identificados como decorrentes da atividade comercial exercida pelo interessado. Entendo que no contexto dos lançamentos dos depósitos bancários, uma vez que as atividades comerciais são definidas, é factível a alegação do contribuinte e a autoridade fiscal com seu poder investigatório deveria ter se aprofundado nas provas juntadas aos autos para efetivar os lançamentos segundo legislação específica, como acertadamente foi feito nas Infrações 001 e 002. Concordo que compete ao recorrente, no caso a Fazenda Nacional, demonstrar que as decisões proferidas pelos colegiados distintos poderiam ter outro fim, casos invertidos os processos, o que entendo restou demonstrado. A lógica do recurso especial é justamente essa: demonstrar a possibilidade de outro colegiado, em relação ao mesmo processo, julgar de modo diverso. Desse modo, não assiste razão ao contribuinte em suas contrarrazões para o não conhecimento do recurso, conforme patente no despacho transcrito acima. NO MÉRITO O objeto do lançamento, segundo o Relatório Fiscal, fls. 591 a 612, decorre de omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas bancárias de titularidade do interessado, uma vez que a origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, além de omissão de rendimentos da atividade rural. Como enquadramento legal é citado, entre outros, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Contudo, entendeu o colegiado a quo em sua maioria, que: " É inconteste nos autos que o Recorrente não identificou todos os depósitos de forma individualizada, contudo, está patente que a atividade do contribuinte é a de Corretor e Produtor de Café como indicado desde o início da fiscalização e entendo que os valores dessas atividades comerciais são na verdade a origem dos depósitos que deram origem ao lançamento. Além disso, do que consta nos autos não há qualquer outro indício que haveria qualquer outra atividade exercida pelo recorrente senão a de corretor e produtor de café. Nesse sentido, entendo que as receitas objeto desse recurso lançadas como omissão decorrente de depósitos bancários não identificados não pode prosperar, pois, as origens destes Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 depósitos foram identificados como decorrentes da atividade comercial exercida pelo interessado. Entendo que no contexto dos lançamentos dos depósitos bancários, uma vez que as atividades comerciais são definidas, é factível a alegação do contribuinte e a autoridade fiscal com seu poder investigatório deveria ter se aprofundado nas provas juntadas aos autos para efetivar os lançamentos segundo legislação específica, como acertadamente foi feito nas Infrações 001 e 002. Entretanto, data vênia entendo não ser essa a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo legal, nem tampouco aos documentos carreados aos autos. Primeiramente, partese da indicação na própria decisão de primeira instância, fato não constestado pelo sujeito passivo de que de que a impugnação apresentada era cópia textual da impugnação apresentada pelo contribuinte Eduardo Henrique Vieira Martins no processo 13609001432/200715. Não foi feita nenhuma adaptação ao recurso para o processo examinado, de sorte que muitas alegações soam despropositadas ou exdrúxulas quando aplicadas ao autuado. Entretanto, optou o julgador de primeira instância por rebatêlas integralmente. Outro fato importante, referese ao fato de que o lançamento imputado ao Senhor José Carlos Soier, corresponde a 50% dos valores apurados nos seus extratos bancários, nos termos do §6º do art. 42 da lei 9430/96, tendo em vista a conta em conjunto mantida com o Sr. Eduardo Henrique Vieira. Assim, não há que se falar em lançamento em duplicidade, mas lançamento da cota parte, de acordo com o mencionado dispositivo, competindo aos titulares das contas, demonstrar a origem dos recursos. Todavia, ao contrário do que entendeu o sujeito passivo, o julgamento do presente processo independe do destino dado ao julgamento do processo 13609001432/2007 15, que digase, embora tenha tido o mesmo encaminhamento do presente processo, foi questionada pela PGFN apenas em parte, mas isso de forma alguma determina a improcedência do feito. Da leitura das fls. 584 a 612, onde encontramos o termo de verificação fiscal, é possível constatar que a autoridade fiscal não simplesmente refutou genericamente os documentos apresentados pelo recorrente para lançamento do IR sobre as omissões de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. Pelo contrário, pontuou a análise dos documentos em blocos, de acordo com as constatações fiscais, as intimações realizadas durante o procedimento fiscal, e as informações e documentos apresentados, o que afasta de pronto as alegações de cerceamento do direito de defesa, bem como, de não ter a autoridade fiscal se desincumbido de fundamentar a não aceitação dos documentos do contribuinte, prejudicando a averiguação do ônus da prova. No julgamento pela câmara baixa, considerouse que: mesmo sendo inconteste nos autos que o Recorrente não identificou todos os depósitos de forma individualizada, contudo, restou claro que a atividade do contribuinte é a de Corretor e Produtor de Café como indicado desde o início da fiscalização , em função disso, os valores dessas atividades comerciais é que na verdade lastrearam a origem dos depósitos que deram origem ao lançamento. No caso, entendo, assim como bem mencionada pela Conselheira Núbia em sua declaração de voto, que não existe comprovação inequívoca de quais as atividades exercidas pelo sujeito passivo, senão vejamos: De pronto, cumpre esclarecer que restou evidenciado nos autos que o contribuinte Eduardo Henrique Vieira Martins, também Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13609.001451/200741 Acórdão n.º 9202003.981 CSRFT2 Fl. 8 13 titular das contas bancárias que deram origem ao presente lançamento, exerce múltiplas atividades, quais sejam: produtor rural, comerciante de café e corretor de café, de modo que não é correto que se presuma que a totalidade dos créditos bancários efetivados em suas contas bancárias, cuja origem não foi comprovada, seja fruto da atividade de corretor de café. O que restou comprovado nos autos foi que o contribuinte Eduardo Henrique Vieira Martins exercia a atividade de corretagem de café. Tal fato, por si só, não evidencia que a movimentação financeira ocorrida em suas contas bancárias seja decorrente desta atividade. Ora, poderseia também entender que os créditos em questão, cujas origens não foram comprovadas, fossem decorrentes da atividade rural ou da atividade de beneficiamento e venda de café desenvolvidas pelo contribuinte Eduardo Henrique Vieira Martins. Não existem nos autos documentos que permitam concluir, de forma inequívoca, que os créditos com origem não comprovada fossem decorrentes da atividade de corretagem. Nesse ponto, importa observar que a presente situação não guarda semelhança com o Recurso Voluntário do Processo nº 10620.001213/200366, Acórdão nº 2102002.415, de 22/01/2013, da qual fui relatora, cujo voto foi mencionado pelo relator. Naquele caso, a contribuinte somente exercia a atividade de corretora de cereais e houve a apresentação de 149 notas fiscais de venda de cereais, cujo somatório (R$ 2.404.382,00) era bastante próximo ao valor total dos créditos efetivados na conta bancária da contribuinte (R$ 2.795.965,72). Estes dois fatos, aliados a outros, devidamente narrados e especificados naquele voto, foram preponderantes para que se acolhesse a alegação da recorrente de que os recursos movimentados em suas contas bancárias tinham origem na atividade de corretagem. No presente caso, conforme já afirmado, o contribuinte Eduardo Henrique Vieira Martins exercia outras atividades e os documentos apresentados não tem representatividade quando comparados com o volume de créditos havidos em suas contas bancarias. Por fim, insta dizer que as alegações acima analisadas se referem ao contribuinte Eduardo Henrique Vieira Martins. Ocorre que o crédito objeto deste lançamento foi lançado contra o contribuinte José Carlos Soier que, em suma, limitase a afirmar em sua defesa que o Sr. Eduardo Henrique Vieira Martins é responsável exclusivo pela movimentação financeira em questão, sendo certo que tal alegação não chegou a ser abordada no voto do relator. No meu entender, a presunção esculpida no art. 42, da Lei no 9.430, de 1996, milita em favor do fisco, na medida que cabe ao contribuinte ilidir a aplicação da presunção de omissão de rendimentos por meio de documentos que reflitam claramente a origem dos depósitos e não somente promover, após ser intimado a apresentação de declarações que visem, com oportunos ajustes, seja utilizando a nomenclatura de "perdas de pesos", pagamentos em Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 dinheiros"em mãos", fazer casar forçosamente notas fiscais com depósitos identificados em determinados dias. Ademais, importante ressaltar, assim como dito no início desse voto que toda a argumentação é de que o sr. Eduardo Henrique Vieira praticava corretagem, mas o que identificamos são depósitos na conta do autuado enquanto cotitular. Não é possível identificar claramente a correlação de mera intermediação, dessa forma, o ônus de provar que os depósitos era apenas de corretagem era do contribuinte, o que não logrou êxito em demonstrar, quando apreciamos o termo de verificação fiscal e os argumentos constantes nas peças recursais. Ressalto aqui, palavras dos ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos em decisão proferida acerca de matéria semelhante. Entendo, inicialmente, que caberia exclusivamente ao contribuinte, a partir da presunção legal estabelecida em favor do Fisco o ônus de elidir a incidência da presunção de omissão de rendimentos, necessariamente mediante a comprovação da origem dos créditos bancários sob análise, através de documentação hábil e idônea. Ressalto aqui que, em meu entendimento, por “comprovação de origem” há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Vejase que somente diante de tal informação, contemplando necessariamente a natureza do recebimento, informação esta, em meu entendimento, de ônus exclusivo do contribuinte a par da presunção estabelecida, poderia a autoridade fiscal identificar e aplicar a tributação específica, na forma constante do §2o. do mesmo art. 42, aplicação esta inclusive defendida pelo voto condutor do recorrido. A propósito, cediço que a mera indicação da procedência do recurso termina por manter indefinida qual seria a tributação específica aplicável ao montante recebido, devendose rejeitar, em meu entendimento, que o legislador, ao mencionar “valores cuja origem houver sido comprovada” no âmbito do referido §2o., estivesse a se satisfazer com a mera indicação de procedência, condicionando, assim, a aplicação do dispositivo a uma etapa posterior de identificação da natureza dos recursos, de responsabilidade da Fiscalização, com a devida vênia a este entendimento, esposado, inclusive, por muitos dos membros deste Conselho. Feitas tais considerações, me alinho, inicialmente, agora quanto ao momento de comprovação, como já mencionei em outras ocasiões, à interpretação do recorrente no sentido de que a comprovação de origem (abrangendo a natureza da operação que originou o rendimento) devese dar no curso da ação fiscal, ou seja, que tem como limite temporal o momento do encerramento da referida ação, revestindose de plena legalidade o lançamento efetuado com base no mencionado art. 42, quando não houver sido comprovada, até o encerramento da ação fiscal, a origem dos recursos, aqui inclusa a sua natureza. Excetuo de tal limitação somente, novamente em linha com o pleito recursal e, agora, em ponderação com o princípio da Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13609.001451/200741 Acórdão n.º 9202003.981 CSRFT2 Fl. 9 15 verdade material, os casos em que os rendimentos recebidos restem comprovados como fora da incidência do Imposto sobre a Renda em sede impugnatória ou recursal. Agora, atendome agora mais especificamente ao caso dos autos e à matéria sob litígio, faço notar que entendo que, mesmo que se considere como comprovação de origem a mera indicação de procedência dos recursos acompanhada de documentação hábil e idônea (conforme admitido pelo vergastado e já transitado em julgado), é de se defender que, também nesta hipótese, é o encerramento da ação fiscal o momentolimite para indicação de tal “origem”, exceto no caso em que se comprove, em sede impugnatória ou recursal, que está a se tratar, no crédito, de rendimentos nãotributáveis recebidos (hipótese não aplicável quando se identifique a mera procedência dos recursos, tal como nos autos). Sustento tal posicionamento ao observar que: a) De outra forma, passaria a se inquinar de ilegalidade (ao menos parcialmente) a constituição de crédito tributário feita em plena observância ao princípio da legalidade, utilizandose de presunção legalmente estabelecida e indiscutivelmente à disposição da autoridade autuante quando do lançamento, uma vez, notese que ali não havia sido comprovada, através de documentação hábil e idônea, a origem (a meu ver, procedência) dos recursos. Notese, ainda, que, aqui, quando da adoção do encerramento da ação fiscal como momentolimite de comprovação, ou sejam mesmo quando da aceitação da tese de comprovação de origem mediante mera comprovação de procedência, com a comprovação realizada somente em sede recursal e, assim rejeitada por extemporânea, não há que se falar de qualquer violação ao princípio da verdade material, uma vez que não há, nos autos, até o presente instante inclusive, como se identificar qual seria a correta tributação específica aplicável aos valores recebidos de efls. 229, 230, 235 e 236, suportados por documentação bancária bastante singela. Ainda, garantese a plena observância aos art. 16, §4o. e 17 do Decreto no. 70 235, de 06 de março de 1972. Rejeito ainda, terminantemente, possível consectário prático adicional que surgiria, no caso da adoção da tese da origem se confundir com procedência e caso, adicionalmente, se encampasse posicionamento contrário a esta limitação temporal de comprovação, qual seja: ter de se aceitar, quando da comprovação em sede impugnatória ou recursal da “origem” (considerada como sinônimo de procedência), que fosse possível que a Administração estivesse, naquele momento, impedida, pela fluência do prazo decadencial e/ou outras considerações de natureza prática (localização da fonte pagadora e de documentaçãosuporte) de identificar e realizar a tributação específica de rendimentos tributáveis eventualmente omitidos, recebidos por depósitos cuja origem haja somente naquele instante sido comprovada, na forma do art. 42, §2o. da Lei 9.430, de 1996. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 Entendo como insustentável, sob uma ótica teleológica, qualquer interpretação que respalde esta(e) possível conseqüência (impedimento) e, destarte, mesmo para os que entendem ser ônus da Administração a comprovação da natureza da operação (hipótese já transitada em julgado nos autos), concluo que se deva limitar tal ônus até o momento de encerramento da ação fiscal, vedado seu estabelecimento em sede impugnatória ou recursal, quando da posterior indicação de procedência realizada pelo autuado. Quanto a possível afronta aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva, entendo que razão não assiste ao sujeito passivo. Embora se reconheça a importância dos referidos princípios, devese ter em mente que estamos diante de um lançamento tributário, para o qual, a lei, expressamente determinou a sua vinculação, não deixando para o agente fiscal, qualquer espaço para discricionariedade. dessa forma, não poderia a administração a pretexto de adequar a exigência a um critério subjetivo de razoabilidade, proporcionalidade ou mesmo capacidade contributiva, reduzir o montante do crédito exigido. Notese que o crédito ora sob julgamento emergiu da elevada movimentação financeira de conta corrente onde o sujeito passivo e cotitular e foi apurado nos estreitos limites da legislação oportunizando o direito ao contraditória e a ampla defesa. Se o montante é elevado é porque foram movimentados consideráveis valores e o sujeito passivo não logrou êxito em comprovar, no entendimento da autoridade lançadora a origem desses recursos. Como assinala Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 32 Ed. — São Paulo: Lejus, 2002, p.508): "As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Face a todo o exposto, tendo o lançamento sido formalizado com base em presunção legal autorizada pelo art. 42 da Lei 9430/96, onde pelos extratos restou demonstrada a existência de depósitos bancários realizados a margem da tributação, entendo que referida presunção só poderia ser ilidida mediante prova inequívoca em contrário, a cargo do autuado. Dessa forma, não basta a indicação de prováveis fontes de recursos que dariam suporte aos depósitos, como a apresentação de declarações e notas com fechamento de Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13609.001451/200741 Acórdão n.º 9202003.981 CSRFT2 Fl. 10 17 valores feitos pelo próprio recorrente, é preciso identificar, de forma individualizada, de onde saíram os recursos que aportaram às contas. Isto é, é preciso demonstrar, com coincidência de datas e valores, de onde saíram os recursos depositados nas contas bancárias e não simplesmente fazer fechar eventos com grupos de valores de forma forçosa. Por fim, quanto a exclusão dos valores abaixo de R$ 12.000,00, entendo que não compete sua apreciação, considerando tratarse de matéria fora do alcance do recurso da Fazenda Nacional, não alcançável a apreciação por via de contrarrazões, Caso entendesse ser questionável a decisão a quo, o sujeito passivo deveria manusear recurso especial próprio com esse objetivo. CONCLUSÃO Face todo o exposto, voto por CONHECER do recurso da Fazenda Nacional e no mérito por DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL, para reformar o acórdão recorrido, julgando integralmente procedente o lançamento efetuado, uma vez que não conseguiu o sujeito passivo, mediante documentação hábil e idônea, demonstrar a origem dos recursos exonerados pelo Colegiado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 12893.720136/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2201-003.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.?
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 72 01 36 /2 01 2- 53 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12893.720136/201253 Acórdão n.º 2201003.195 S2C2T1 Fl. 129 2 Por bem descrever os fatos, adotase como parte do “Relatório” os seguintes excertos da decisão de 1ª instância (fls. 100/101), reproduzido a seguir: Tratase de Pedido de Restituição PER/DCOMP enviado em dezembro de 2011, relativo a contribuições descontadas de segurada empregada no período janeiro de 2007 a dezembro de 2008. (...) Em 29/11/2012, o pedido foi indeferido através do Despacho Decisório SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Araraquara tendo em vista as razões abaixo reproduzidas: Decido pelo indeferimento do valor requerido. A Contribuinte requereu restituição de contribuições previdenciárias que são devidas por serem de segurado obrigatório. A existência do benefício que consta no processo não veda a condição de segurado obrigatório. Cientificada do indeferimento, a interessada apresentou recurso, alegando, em resumo: A restituição pleiteada se refere ao período que a manifestante era exercente do cargo político de vereadora no município de São Carlos/SP, 01/1997 a 12/2008. No mesmo período, a contribuinte esteve vinculada a Secretaria de Educação, exercendo, em horários diferentes do cargo político, a função de Diretora de Escola, também na cidade de São Carlos/SP, logo, vinculada por esta razão ao regime próprio de contribuição previdenciária, qual seja SPPRev. Para que não se alegue que a discussão não pode ser debatida nesta instância, por se tratar de matéria constitucional e para que não se alegue, também, que é aplicável ao caso a súmula nº 02 do CARF, que veda a apreciação de questões sobre a constitucionalidade de leis tributárias, a manifestante destaca que o Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, ao tratar da vedação do afastamento de ato normativo sob o argumento de inconstitucionalidade, estabelece, no parágrafo único do citado dispositivo legal, que aquela vedação não se aplica à legislação que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF. Este é o caso da alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91, acrescentada pelo art. 13, § 1º da Lei 9.506/97, que tornava o exercente de mandato eletivo segurado obrigatório do RGPS, que foi declarada inconstitucional pelo Egrégio STF, ao julgar o RE nº 351717/PR. Em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo STF, a citada alínea “h”, inciso I, do art. 12, da Lei 8.212/91 foi revogada pela Resolução nº 26 do Senado Federal. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12893.720136/201253 Acórdão n.º 2201003.195 S2C2T1 Fl. 130 3 Acrescenta que somente com a vigência da Lei 10.887/2004, que introduziu a alínea “j” ao inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91, é que o tributo comentado se tornou exigível. Conclui que, assim, o contribuinte tem direito à repetição dos valores pagos, como expressamente prevê o art. 66 da Lei 8.383/91. Completa afirmando que, de acordo com ordenamento jurídico, Diana Cury não pode ser considerada segurada obrigatória em razão de exercer cargo de agente político, motivo pelo qual é devida a restituição dos valores pleiteados. Destaca que a Lei 10.887/2004, mesmo não sendo competente para criar novo tipo de segurado, repetiu de forma idêntica a redação da alínea “h”, inciso I, do art. 12 da Lei 8.212/91 julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e posteriormente suspensa pelo Senado Federal através da Resolução nº 26/2005. O próprio Ministério da Previdência Social editou a Portaria 133/2006, descrevendo a forma clara sobre a restituição dos valores pagos pelos exercentes de mandato eletivo municipal. (...) Finaliza argumentando que a manifestante tem direito à restituição dos valores que lhe foram descontados indevidamente pelo exercício da função de agente político, que não é considerado como segurado obrigatório e por já estar vinculada a regime próprio de previdência social SPPrev, no período de 04/2001 a 12/2008, perfazendo um total de R$ 23.477, 98, valor que deverá ser corrigido pelos índices oficiais até a data da restituição. A Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente por meio do acórdão de fls. 99/104, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 MANDATO ELETIVO CONCOMITANTE COM CARGO PÚBLICO VINCULADO A RPPS. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIA AOS DOIS REGIMES DE PREVIDÊNCIA. O servidor público vinculado a Regime Próprio de Previdência Social RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no cargo de vereador, será obrigatoriamente filiado ao Regime Geral de Previdência Social RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir para o RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato eletivo e para o RPPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do cargo efetivo. SEGURADOS APOSENTADOS QUE PERMANECEREM OU RETORNAREM A ATIVIDADE COMPULSORIAMENTE VINCULADA AO RGPS. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12893.720136/201253 Acórdão n.º 2201003.195 S2C2T1 Fl. 131 4 Os trabalhadores aposentados que permanecerem ou regressarem à atividade remunerada que os enquadre como segurados obrigatórios do RGPS, estão sujeitos ao recolhimento da contribuição previdenciária. Cientificado da decisão de primeira instância em 21/10/2014 (fl. 109), a Interessada interpôs, em 25/11/2014, o recurso de fls. 112/122. Na peça recursal reitera as alegações lançadas na Manifestação de Inconformidade e aduz, em complemento, que: A decisão recorrida utilizou a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil/RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009 e o § 2° do artigo 13 da Orientação Normativa da Secretaria de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social ON MPS/SPS – nº 2, de 31 de marco de 2009 (DOU de 2/4/2009), que diz que “O segurado de RPPS, investido de mandato de Vereador, que exerça, concomitantemente, o cargo efetivo e o mandato filiase ao RPPS, pelo cargo efetivo, e ao RGPS, pelo mandato eletivo”. Referidas orientações e instruções foram editadas e publicadas após o período de restituição pleiteado pela beneficiária, não devendo prosperar a tese apresentada pela relatora para o indeferimento do pleito da beneficiária. O agente político não pode ser enquadrado no conceito de empregado, muito menos como empresa ou empregador, sendo incompatível com a Lei Maior exigirse contribuição do ente federativo a partir da base de cálculo da folha de salários do mesmo. A exigência questionada só se poderia legitimar pela instituição de nova fonte de custeio da seguridade social, no exercício da competência residual, por meio de lei complementar, consoante disposto na Lei Maior. Sabendo ser devida a restituição dos valores pagos indevidamente o próprio Ministério da Previdência Social editou a Portaria n° 133/2006, descrevendo de forma clara sobre a restituição dos valores pagos pelos exercentes de mandato eletivo municipal. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido por estar embasado em instruções e orientações normativas editadas após o período do pleito da beneficiária, devendo se tomar como base os fatos, os princípios e a legislação citada, as quais não deixam dúvidas de ser devida a restituição dos valores descontados indevidamente da contribuinte, por exercer a função de agente político, o que não é considerado segurado obrigatório e por já estar vinculada a regime próprio de previdência, no período de 04/2001 a 12/2008, perfazendo um total de R$ 23.477,98, valor esse que deverá ser corrigido. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Aprecio, de início, a (in) tempestividade do recurso. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, assim dispõe: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12893.720136/201253 Acórdão n.º 2201003.195 S2C2T1 Fl. 132 5 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso concreto, a ciência à contribuinte, do Acórdão de 1ª instância administrativa, se deu em 21/10/2014 (terçafeira), conforme Aviso de Recebimento AR acostado aos autos em fl. 109, o que significa dizer que o prazo recursal iniciouse em 22/10/2014 (quartafeira), findandose em 20/11/2014 (quintafeira). Em 25/11/2014 (terçafeira) foi protocolado o recurso de fls. 112/122, ou seja, após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de primeira instância. Caracterizada, portanto, a intempestividade do recurso apresentado. Face ao exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12893.720136/201253 Acórdão n.º 2201003.195 S2C2T1 Fl. 133 6 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16327.000794/2004-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE.
Só pode ser conhecido recurso especial de divergência que trate de todas as matérias que fundamentaram o acórdão recorrido.
Recurso especial que só ataca um dos fundamentos e só traz o dissídio jurisprudencial sobre um dos fundamentos do acórdão não pode ser conhecido, pois o seu conhecimento e análise seriam inócuos, vez que o acórdão recorrido prevaleceria em vista dos demais fundamentos do mérito.
Numero da decisão: 9101-000.721
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 16327.000794/2004-09 Recurso n° 146.546 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00.721 — 1" Turma Sessão de 09 de novembro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A Ementa: RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA. REQUISITO DE ADMINISSIBILIDADE. Só pode ser conhecido recurso especial de divergência que trate de todas as matérias que fundamentaram o acórdão recorrido. Recurso especial que só ataca um dos fundamentos e só traz o dissídio jurisprudencial sobre um dos fundamentos do acórdão não pode ser conhecido, pois o seu conhecimento e análise seriam inócuos, vez que o acórdão recorrido prevaleceria em vista dos demais fundamentos do mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, nos termo7 do relatório e voto que integram o presente julgado. ALBEktirREITS B1R OCARLOS RET - Presidente. SUSY GOMEcSIOFFM'--- ANN - Relatora. EDITADO EM: 1 3 J-E1 201r, Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O auto de infração, lavrado em 16/06/2004, teve como fundamento a falta de recolhimento da CSLL, constituindo-se o respectivo crédito tributário no valor de R$ 18.701.780,34, incluindo multa de oficio, de 75%, e juros de mora. Os fatos geradores são referentes a 31/12/1999, 31/12/2000 e 31/12/2001. Tem-se que o contribuinte impetrou dois mandados de segurança: a) um, impetrado em 18 de março de 1997, com o objetivo de calcular e recolher a CSLL relativa ao ano de 1997 e subseqüentes com a dedução da despesa da CSLL da sua base de cálculo, afastando-se a aplicação do artigo 10 da lei n° 9.316/96. O pedido foi acolhido, e o processo encontrava-se em sede de apelação, sem efeito suspensivo. b) outro, objetivando o recolhimento da CSLL do ano de 1997 e seguintes à aliquota de 8%, afastando-se a norma do artigo 2° da Lei n° 9.316/96, que prevê a aliquota de 18%. Lavrou-se, então, o auto de infração, com o suposto objetivo de evitar a decadência. Conforme o Termo de Verificação Fiscal presente às fls. 11/15 dos autos, tem-se que; "O contribuinte, conforme relatado na descrição dos fatos, interpôs contra a Fazenda Pública medida judicial objetivando o recolhimento da CSLL de 1997 e posteriores à alíquota de 8%, recolhendo efetivamente a CSLL do ano-calendário de 1998 a alíquota de 8% e não de 18% prevista na legislação. (Não obtendo ainda decisão judicial definitiva sobre a matéria em questão). O art. 8° da Medida Provisória n° 1.807/99, tendo em vista a redução da alíquota da CSLL de 18% no ano de 1998 para 8% em 1999, teve como finalidade corrigir possíveis distorções referentes a valores adicionados temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL até 31 de dezembro de 1998, facultando a possibilidade de compensar em períodos posteriores, com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. Ocorre, no entanto, que o contribuinte apesar de efetivamente ter recolhido a CSLL no ano-calendário de 1998 a alíquota de 8%, devido ação judicial, creditou-se por conta da MP n° 1.807/99, de 18% sobre as parcelas adicionadas temporariamente naquele período." 2 Processo n° 16327.000794/2004-09 Acórdão n.° 9101-00.721 CSRF-Tl Fl. 2 Diante desse panorama, verificou-se, portanto, que o contribuinte, embora tenha recolhido o tributo em questão à alíquota de 8%, em razão da decisão judicial, no ano- calendário de 1998, creditou-se, por conta da referida Medida Provisória, de 18% sobre as parcelas adicionadas temporariamente naquele período. O agente autuante, com base no artigo 170 do urN, ressaltou que compensação de tributo submetido a discussão judicial somente pode ser objeto de compensação depois da decisão definitiva. Concluiu-se, destarte, no Termo de Verificação Fiscal, que; "O crédito, líquido e certo, a que o contribuinte teria direito a compensar em períodos posteriores seria somente de 8% sobre o saldo das adições temporárias do ano-calendário de 1998, ou seja, 8% sobre R$ 86 240.100,05 totalizando R$ 6 899.688,00 e não o valor de R$ 15.524.298,01 (18% sobre as adições) pois tal diferença de alíquota estaria, ainda, sendo discutida judicialmente". O contribuinte apresentou sua impugnação às fls. 67/84 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 178/194 dos autos, julgou procedente o lançamento. Eis a ementa do julgado: Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE. LANÇAMENTO. CAPITULAÇÃO LEGAL. INTERPRETAÇÃO. Descabe falar em nulidade do auto de infração por aplicação incorreta da legislação tributária, porquanto a questão, não elencada dentre as causas de nulidade no processo administrativo .fiscal, reporta-se à apreciação do mérito. CSLL. FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. VALORES ADICIONADOS TEMPORARIAMENTE. CRÉDITO COMPENSÁVEL. DESCABIMENTO. A instituição .financeira que não recolhia a CSLL à alíquota majorada prevista em lei e que, amparada por medida judicial, utilizava alíquota menor a qual estavam sujeitas as demais pessoas jurídicas, não pode escriturar em seu ativo o crédito compensável com débitos da mesma natureza instituído pelo art. 8° da MP 1807/1999, calculados sobre as parcelas temporariamente adicionadas ao lucro líquido. CSLL. PROCESSO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Quando distintos o objeto da ação judicial e do processo administrativo, não há que se falar em concomitância e, muito menos, em suspensão da exigibilidade do crédito. JUROS DEMORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. 3 A utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. O contribuinte, então, interpôs o seu recurso voluntário (fls. 229/260), reiterando, em linhas gerais, os seus argumentos já expendidos na impugnação. A antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa da decisão: CSLL - FINANCEIRAS E EQUIPARADAS - VALORES ADICIONADOS TEMPORARIAMENTE - CRÉDITO COMPENSA' VEL - A instituição financeira que tiver base de cálculo negativa e valores adicionados temporariamente ao lucro liquido, para apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, poderá optar por escriturai-, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas (MP n° 1.807/99, art. 8°). Foi exposto, no voto do relator, Conselheiro Irineu Bianchi que, historicamente, as pessoas jurídicas previstas no artigo 22, §1°, da Lei n° 8.212/91, sempre se submeteram a uma alíquota diferenciada, superior às impostas às demais pessoas jurídicas. Contudo, com o advento da Medida Provisória n° 1.807/99, retirou-se do ordenamento tal tratamento diferenciado, unificando a alíquota da CSLL para todas as pessoas jurídicas, sem se explicitar, entretanto, a razão de tal equalização. Diante disso, concluiu-se: "Então, não é possível afirmar que a faculdade contida no artigo 8° daquela MP não se aplica às instituições financeiras que tenham pago a CSLL à alíquota menor, via medida judicial". E mais: "Os períodos anteriores a que se refere a MP, comportam alíquotas variadas e não apenas aquela de 18% (dezoito por cento), com o que, não se pode identificar o percentual do direito creditó rio com a alíquota de 18% (dezoito por cento), vigente até o advento da MP n° 1.807, de 28/01/1999. Em conseqüência disto, o valor da CSLL calculada à alíquota de 18% é diverso daquele calculado ao percentual de 18% calculado sobre a base de cálculo negativa e valores adicionados temporariamente ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, como preconiza o art. 8° da MP n° 1.807 já referida (..) No caso em exame, a diferença apurada pelo ,fisco não reflete a diferença determinada pela adoção de alíquotas diferentes. Antes, reflete uma glosa da compensação levada a efeito, reconhecendo à recorrente, ostentando a qualidade de instituição financeira, o direito de creditar-se apenas de parte daquilo que a lei permitiu". Ressaltou-se, ademais, que a decisão do Poder Judiciário, à época, ainda não havia transitado em julgado e expôs: 4 Processo n° 16327.000794/2004-09 Acórdão n.° 9101-00.721 CSRF-T1 Fl. 3 É de se ver, finalmente, que o lançamento foi motivado pela ida da recorrente ao Poder Judiciário. A decisão favorável ao contribuinte ainda não passou pelo crivo do recurso necessário, segundo consulta informal ao site do TRF da 3". Região. Então, não existe decisão definitiva. Desta maneira, cabe a indagação:vindo a ser reformada a decisão que autorizou a recorrente a recolher a CSLL sob a alíquota de 8% (oito por cento), passando a ser exigível a alíquota de 18% (dezoito por cento) como ficará o direito de crédito instituído pelo art. 8°. Da MP multireferida? De todo o exposto, concluo que existe grave deficiência no lançamento, pois o quantum nele determinado não tem base legal. No meu modo de ver, diante da realidade fática existente nos autos, o lançamento somente seria perfeito se tivesse sido realizado para fins de prevenir a decadência e ainda assim, pela diferença entre o percentual estabelecido por lei e aquele a que a recorrente estava autorizada a utilizar. Fora desta hipótese, e considerando que as restrições quanto ao creditamento autorizado no art. 8" da lt/IP n.1807 não abrangem a hipótese referida nos autos, concluo que a compensação deu-se ao abrigo da lei e por conseqüência, que não há respaldo legal para a glosa levada a efeito e pela manutenção da exigência fiscal. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial às fls. 415/422 dos autos, com base em divergência jurisprudencial, tendo em vista decisão da antiga 3° Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em que se entendeu que "a instituição financeira agraciada por decisão judicial que lhe garante o recolhimento da CSI, em percentual de 8%, ao invés daquele legalmente previsto de 18%, não poderia efetuar a compensação prevista na MP 1807/99 em percentual superior ao efetivamente recolhido". A recorrente sustentou, em linhas gerais, que, como o contribuinte recolheu o tributo à alíquota de 8%, o seu direito líquido e certo à compensação restringe-se a tal percentual, sendo inadmissível compensação com base naquilo que não se recolheu, isto é, à alíquota de 18%. O contribuinte apresentou suas contra-razões às fls. 453/479 dos autos. Primeiramente, salientou que o acórdão recorrido reconheceu a improcedência do auto de infração, não por uma, mas com base em diversos fundamentos, independentes entre si, e suficientes, cada um, para o cancelamento do lançamento. Diante dessa diversidade de fundamentos da decisão recorrida, o contribuinte postulou o não conhecimento do recurso especial em tela, tendo em vista que, ainda que se considere procedente a argumentação da recorrente, no ponto específico da divergência trazida 5 à tona, qual seja a interpretação do artigo 8° da MP n° 1807/99, a decisão atacada subsiste pelos demais fundamentos nela elencados, e que não foram objeto do mérito recursal. Suscitou, neste sentido, o teor do enunciado n° 283, da súmula do Supremo Tribunal Federal, em que se estabelece ser "inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Eis os fundamentos enumerados pelo contribuinte como componentes da decisão combatida: a) não existe vinculação entre o crédito de 18%, estabelecido no artigo 8° da medida provisória n° 1807/99, e a alíquota de 18% da CSLL, que vigorou para as instituições financeiras nos anos-calendários de 1997 e 1998. Isto porque o crédito tributário previsto na medida provisória tem como base de cálculo os valores adicionados temporariamente e a base de cálculo negativa da CSLL, correspondente a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, período em que vigoravam diversas alíquotas da CSLL, que não 18%. b) também porque a autuação limitou o crédito previsto na medida provisória à alíquota de 8% da CSLL, utilizado nos períodos dos anos-calendários de 1997 e 1998, e, de outro lado, não considerou créditos superiores a 8% no que tange aos períodos em que se recolheu a contribuição com base em alíquotas superiores a 8%. c) finalmente, considerou-se que a autuação não procede, também, tendo em vista que a decisão judicial que ensejou o recolhimento da CSLL à alíquota inferior a 18% não é definitiva. Por outro lado, o contribuinte também sustentou que o acórdão suscitado pelo recorrente, como caracterizador da divergência jurisprudencial, na verdade, não a caracteriza. Asseverou que se tem, no acórdão paradigma, situação fática distinta. Segundo o contribuinte: "Com efeito, enquanto no acórdão recorrido, cuida-se de contribuinte que efetuou adições temporárias nos períodos base de 1991, 1995, 1997 e 1998, calculado o crédito pela aplicação do percentual de 18%, nestes mesmo períodos-base recolheu efetivamente a CSL às aliquotas de 15%, 30% e 8%, o acórdão paradigma versa sobre situação em que o contribuinte, embora tenha feito adição temporária em 1998, calculando o crédito pelo percentual de 18%, não recolheu a CL por aliquota alguma a partir do ano-calendário de 1996". Alegou, ademais, que, em sede de recurso especial com base em divergência jurisprudencial, eventual provimento deve limitar-se aos fundamentos jurídicos expostos no acórdão paradigma. Segundo o contribuinte, em caso de acolhimento do recurso especial "serão aplicados ao caso as razões de decidir do acórdão trazido a colação". Partindo desse pressuposto, em se aplicando a ratio decidendi do acórdão paradigma, a solução não seria a postulada pela recorrente, pois que "pela ótica do acórdão paradigma não havendo tributação das adições temporárias a 18% (mas a 8% ou nada) o contribuinte não tem direito a crédito algum, afastando-se pura e simplesmente a aplicação da norma do art. 8° da MP 1.807/99". No mérito, o contribuinte argumentou que o direito ao crédito tributário decorre expressa disposição de lei, e não de decisão judicial, ao contrário do que entendeu a fiscalização. Ressaltou que, na verdade, o mandado de segurança não discutiu o direito à 6 r„?k, Processo n° 16327.000794/2004-09 Acórdão n.° 9101-00.721 CSRF-T1 Fl. 4 compensação de eventual valor pago indevidamente, mas visou, preventivamente, a que não fosse compelido a recolher valores que reputava indevidos. Diante disso, impugnou a aplicação, ao caso, do artigo 170-A do CTN, suscitado pela autoridade fiscal. Asseverou que o seu crédito era líquido e certo, por conta de expressa disposição legal. Afirmou que a norma que prevê tal crédito (MP n° 1807/99) não vincula o valor do crédito à alíquota com base na qual se pagou a CSL no período em que foram efetuadas as adições temporárias que originaram o crédito. Defendeu, neste sentido, que se proceda a uma interpretação literal do artigo 8° do referido diploma legal. Neste sentido, o contribuinte levantou a seguinte indagação: "De fato, se foi reconhecida expressamente pela MP 1807/99 a possibilidade de utilização do crédito de 18% com relação a adições temporárias realizadas quando a aliquota dessa contribuição era de 15% (e.g 1991), por qual razão não poderia ser admitido este mesmo crédito de 18% quando a CSL era devida à aliquota de 8%, exatamente como feita na situação dos autos?" No item das contra-razões designada pelo título da "Da falta de consistência do auto de infração lavrado", o contribuinte argumentou, em linhas gerais, que, se imperar o critério utilizado pela fiscalização, vinculando o valor do crédito à base de cálculo da CSL recolhida, seria necessário que se efetuasse a seguinte distinção: "que se calculasse à aliquota de 8% apenas o crédito relativo às adições realizadas nos ano de 1997 e 1998, em que a CM, foi paga a 8%. E, em contra-partida, deveria o ilustre fiscal então reconhecer o direito ao crédito no ano de 1991 à aliquota de 15% e no ano de 1995 à aliquota de 30%". Neste passo, defendeu a nulidade do auto de infração. Suscitou, por outro lado, a nulidade do auto de infração pelo fato de ter-se baseado em decisão judicial provisória, proferida no mandado de segurança por ele (contribuinte) impetrado, violando-se o artigo 142 do CTN. Sustentou, ainda, que, quando muito, o auto de infração deveria ter sido lavrado com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Por fim, juntou petição dirigida a este Colegiado informando que desistiu da ação judicial (mandado de segurança) e os depósitos judiciais foram convertidos em renda com os benefícios da Lei 11.941/2009. 7 Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN O presente recurso especial é tempestivo. Procedendo-se, contudo, ao juízo de admissibilidade, diante das particularidades do presente caso, estou convencida de que o recurso não merece ser conhecido. Primeiramente, deve ser verificado se se está frente a dois acórdãos que se pautam em situações fáticas similares que ensejaram soluções jurídicas distintas. Neste primeiro item de verificação de admissibilidade já encontro impedimento para o reconhecimento da divergência. Ainda que a questão jurídica de fundo seja a mesma nos dois casos, as situações fáticas que ensejaram a autuação fiscal são distintas, pois, enquanto no acórdão recorrido verifica-se que o Recorrente efetuou adições temporárias a períodos-base anteriores a 1998, calculando o crédito pelo percentual de 18% e recolhendo a CSL pelas alíquotas de 15%, 30% e 8%, no acórdão paradigma, o contribuinte não fez adição temporária em 1998, calculou o crédito pela alíquota de 18% e não recolheu CSL a partir de 1996. Anote-se, o relatório do acórdão paradigma que se refere ao acórdão da DRJ: 3.3 o fiscalizado procedeu, nos anos-calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, à compensação dos valores relativos aos créditos de CSLL, previstos no art. 8°. da MP n. 1807/99 e convalidações posteriores, no montante de R$ 822.914,45; o referido crédito teve como origem a adição temporária dos valores relativos à Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa — PCLD, procedida na base de cálculo da CSLL até o ano-calendário de 1998, sobre o qual foi aplicada a alíquota de 18%; 3.4 entretanto, a partir do ano-calendário de 1999 a alíquota de CSLL foi fixada em 8% e seria aplicada sobre as exclusões futuras, razão pela qual o crédito tributário decorrente foi reconhecido pelo art. 8°. da MP 1807/99, objetivando assegurar a justiça tributária mediante a recuperação do montante da aplicação de 18%. 3.5 em tese, o contribuinte teria efetuado o 'pagamento' da CSLL até o ano-calendário de 1998 mediante a aplicação de uma aliquota mais onerosa sobre a adição da PCLD, contudo, o fiscalizado não efetuou quaisquer recolhimentos de CSLL a partir do ano calendário de 1996, pois vem questionando aspectos constitucionais da EC n. 20/98. 8 Processo n° 16327,000794/2004-09 Acórdão ri,' 9101-00321 CSRF-Tl Fl. 5 3.6 o exercício do direito da referida compensação somente se incorpora ao patrimônio jurídico do contribuinte após a certeza e liquidez da existência jurídica dos aspectos mencionados no art. 170 do CTN, e assim sendo, o fiscalizado não é detentor do crédito tributário mencionado, não fazendo jus à compensação prevista no art. 8" da MP em razão da ausência material do crédito compensado; 3.7 conclui a autoridade fiscal, enfim, pela necessidade do lançamento de ofício para constituir o pertinente crédito tributário relativo à compensação dos créditos tributários de CSLL havida nos anos-calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, no montante de R$ 822.914,45. Ora, como relatado anteriormente, no presente caso, a empresa recorrida, diferentemente da empresa referida no acórdão paradigma, efetuou adições temporárias nos períodos bases referidos e efetuou recolhimentos a título de CSL. Ainda, devo destacar, que referida distinção de situação fática foi considerada nos referidos acórdãos — recorrido e paradigma — daí no meu entender, urna vez que estas situações foram analisadas e tiveram impacto na decisão proferida, entendo que não está preenchido um dos requisitos para a admissibilidade do recurso especial por divergência, a saber, o requisito da similaridade das situações fáticas. Todavia, ainda que fosse ultrapassado este requisito, o que faço apenas para fortalecer o meu posicionamento pelo não conhecimento do recurso, entendo que, ainda que entendido como preenchido o requisito da similitude da situação fática, há de ser considerado que caracterizado que o dissídio jurisprudencial em questão só se instauraria sobre um dos motivos de decidir do acórdão recorrida e a decisão recorrida subsistiria por outros fundamentos, que não se integraram ao objeto recursal em tela. Não pode, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, conhecer de recurso especial quando a divergência jurisprudencial que o embasa refere-se tão-somente a parte da fundamentação do acórdão recorrido e não ao seu todo. No presente caso, depreende-se da decisão recorrida que, em primeiro lugar, considerou-se não ser possível afastar-se a incidência plena do artigo 8° da Medida Provisória n° 1.807/99 nos casos de instituições financeiras que recolheram a CSLL com base em alíquota menor, pautadas em decisão judicial. Isto porque a equiparação das alíquotas para todas as pessoas jurídicas, por parte da Medida Provisória em questão, diante da anterior distinção existente por força do artigo 22, §1°, da Lei n° 8212/91, não veio justificada explicitamente no seu texto. Este é um dos fundamentos. Por outro lado, como segundo fundamento, ressaltou-se que os períodos anteriores, a que remete a Medida Provisória, não comportam apenas a alíquota de 18%, mas sim alíquotas variadas, de modo que se mostra incabível a identificação do porcentual do direito creditório com a alíquota de 18%, vigente até o advento da Medida Provisória n° 1.807. Assim, expôs o relator do Acórdão recorrido que: 9 "Em conseqüência disso, o valor da CSLL calculada à alíquota de 18% é diverso daquele calculado ao percentual de 18% calculado sobre a base de cálculo negativa e valores adicionados temporariamente ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, como preconizada o art. 8° da MP n° 1807 já referida". Considerou-se, ainda, que: "No caso em exame, a diferença apurada pelo fisco não reflete a diferença determinada pela adoção de alíquotas diferentes. Antes, reflete uma glosa da compensação levada a efeito, reconhecendo à recorrente, ostentando a qualidade de instituição financeira, o direito de creditar-se apenas de parte daquilo que a lei permitiu. Mas, ao mesmo tempo que a decisão recorrida confirma o lançamento, afirma que a recorrente, ao buscar amparo junto ao Poder Judiciário, logrou equiparar-se às demais pessoas jurídicas... Ora, se no entender da decisão recorrida a recorrente passou a enquadrar-se no rol das demais pessoas jurídicas, já não se encontrava abrangida pela faculdade prevista no art. 8° da ME em comento e obviamente não poderia creditar-se de valor algum" Finalmente, fundamentou-se, a decisão recorrida, no fato de que a decisão judicial ainda não havia transitado em julgado. Vê-se, destarte que, nos presentes autos, deu-se provimento ao recurso voluntário do contribuinte com base numa série de fundamentos sobre a mesma matéria. A decisão trazida à tona como paradigma, a seu turno, ao enfrentar a matéria, estabeleceu ligação estrita entre o recolhido anteriormente à MP n° 1.807/99, com base na alíquota de 8%, por força de decisão judicial, e o direito de compensação decorrente da MP. Com efeito, entendeu-se que: "No caso em tela, se o contribuinte não tributou suas adições temporárias à alí quota de 18%, aplicável às instituições financeiras, não há como admitir que goze do beneficio criado pelo art. 8° da ME 1.807/99. Se as referidas adições temporárias foram tributadas a 8%, ou se o judiciário decidir que a recorrente não se inclui no campo de incidência, não se pode concordar com a tese de que o crédito compensável, criado pelo diploma legal comentado, seja escriturado no ativo do contribuinte". Portanto, o dissídio jurisprudencial pretendido pela Recorrente, ao tratar de apenas um dos fundamentos do acórdão recorrido, não tem o condão de combatê-lo e por esta razão não deve ser conhecido. E, ainda, a meu ver, para fulminar a questão, há de considerar que o Acórdão recorrido entendeu que o lançamento foi lavrado de fonna equivocada, veja-se: 10 Processo n° 16327.000794/2004-09 Acórdão rh° 9101-00.721 CSRF-T1 Fl. 6 De todo o exposto, concluo que existe grave deficiência no lançamento, pois o quantum nele determinado não tem base legal. No meu modo de ver, diante da realidade fática existente nos autos, o lançamento somente seria perfeito se tivesse sido realizado para fins de prevenir a decadência e ainda assim, pela diferença entre o percentual estabelecido por lei e aquele a que a recorrente estava autorizada a utilizar. Fora desta hipótese, e considerando que as restrições quanto ao creditamento autorizado no art. 8" da MP n.1807 não abrangem a hipótese referida nos autos, concluo que a compensação deu-se ao abrigo da lei e por conseqüência, que não há respaldo legal para a glosa levada a efeito e pela manutenção da exigência fiscal. Assim, constata-se que a conclusão final do acórdão recorrido foi pela nulidade do lançamento por ter tomado base de cálculo errada, o que sequer foi objeto do Recurso Especial. Frente a todas estas considerações, por não ter apresentado dissídio jurisprudencial para todos os fundamentos do acórdão recorrido, não vejo como admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional e por isto voto por não conhecer o recurso especial da fazenda nacional. É como voto. Sala das Sessões, 09 de novembro de 2010. SIJSY GOMES-H FF NN - Relatora 11
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Numero do processo: 15540.000432/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
Remessa de mercadorias para estoque e tratamento sabidamente equivocado como venda de mercadorias.
Impossibilidade de vender por diversas vezes o mesmo produto e lote.
A adoção de procedimento totalmente equivocado utilizado pela Recorrente, ainda que para ultrapassar norma emitida por agência reguladora, não evidencia, por si só, omissão de receitas, não merecendo prosperar a cobrança.
O descumprimento de normas de outras naturezas não traz efeitos fiscais de forma automática.
Numero da decisão: 1201-001.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário em razão do pedido de desistência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 30/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada) e João Otavio Oppermann Thome.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 Remessa de mercadorias para estoque e tratamento sabidamente equivocado como venda de mercadorias. Impossibilidade de vender por diversas vezes o mesmo produto e lote. A adoção de procedimento totalmente equivocado utilizado pela Recorrente, ainda que para ultrapassar norma emitida por agência reguladora, não evidencia, por si só, omissão de receitas, não merecendo prosperar a cobrança. O descumprimento de normas de outras naturezas não traz efeitos fiscais de forma automática.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário em razão do pedido de desistência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 30/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada) e João Otavio Oppermann Thome.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.000432/200765 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.392 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de março de 2016 Matéria IRPJ Recorrente RANBAXY FARMACEUTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 Remessa de mercadorias para estoque e tratamento sabidamente equivocado como venda de mercadorias. Impossibilidade de vender por diversas vezes o mesmo produto e lote. A adoção de procedimento totalmente equivocado utilizado pela Recorrente, ainda que para ultrapassar norma emitida por agência reguladora, não evidencia, por si só, omissão de receitas, não merecendo prosperar a cobrança. O descumprimento de normas de outras naturezas não traz efeitos fiscais de forma automática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário em razão do pedido de desistência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 04 32 /2 00 7- 65 Fl. 2882DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 EDITADO EM: 30/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada) e João Otavio Oppermann Thome. Relatório O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 08/11 e 31/55, lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói, em 18/12/2007, do qual a Recorrente foi cientificada em 19/12/2007, consubstanciando exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$7.671.819,54; além das autuações reflexas referentes as contribuições "Social sobre o Lucro Liquido" — CSLL, no valor de R$2.722.026,53; "Financiamento da Seguridade Social" — COFINS, no valor de R$878.255,68, "Programa de Integração Social" — PIS, no valor de R$190.288,72 e Imposto de Renda na Fonte — IRRF valor de R$467.509,04. Estes tributos são relativos aos fatos geradores ocorridos no ano calendário 2002. Tal autuação decorreu da verificação das seguintes infrações: i) Omissão de Receitas — Devolução Não Comprovada de Mercadorias Vendidas" com aplicação de multa qualificada de 150% — Art. 247, da Lei n° 9.249/95; Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251 e § único, 278, 279 e 280, do RIR/99 c/c arts. 72 e 73, da Lei n° 4.502/64; ii) Custos ou Despesas Não Comprovadas — Glosa de Despesas" com aplicação de multa qualificada de 150% — Arts. 249, inciso I, 251 e § 299 e 300, c/c art. 304 do RIR/99 c/c art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64; iii) Adições — Preços de Transferência — Não Adição de Parcela de Custos, Despesas, Encargos — Bens, Serviços, Direitos Adquiridos no Exterior — Pessoa Vinculada com aplicação de multa de oficio de 75% — Arts. 241 e 244 do RIR/99 c/c arts. 3° e 12, da IN SRF n° 243/02; iv) IRF sobre Pagamentos a Beneficiários Não Identificados / Pagamentos Sem Causa" com aplicação de multa qualificada de 150% — Arts. 674, e 725 do RIR199, c/c art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502164; Os lançamentos da CSLL, PIS e COFINS são decorrência do de IRPJ. As razões que motivaram os lançamentos estão descritas no Termo Complementar à Descrição dos Fatos fls.12 a 30, conforme abaixo: 5.1 — em relação à primeira infração do IRPJ a autoridade fiscal glosou as devoluções de vendas, consubstanciadas nas notas fiscais de fls. 423/446, as quais foram consideradas inidôneas, a teor do art. 330, do RIPI — Dec. n° 2.637/98, sob o fundamento de que as mesmas representam operações fictícias, uma vez que nestas não constam os requisitos obrigatórios do Fl. 2883DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000432/200765 Acórdão n.º 1201001.392 S1C2T1 Fl. 3 3 quadro "Transportador/Volumes Transportados", estabelecidos no inciso VI, alíneas "a" a "p" do art. 316, do RIPI; 5.2 — que até o momento da autuação, apesar de intimadas para tal, tanto a interessada, quanto a compradora, não lograram comprovar a operação de devolução constante daquelas notas, mediante apresentação de conhecimento de carga e dos documentos referentes aos pagamentos dos fretes correspondentes, nem tampouco prestaram os esclarecimentos necessários que justificassem a transação comercial; 5.3 — por estas ações e/ou omissões ficaram caracterizadas as transgressões contidas nos arts. 72 e 73, da Lei n° 4.502/64; 5.4 — quanto à segunda infração, esta se caracteriza pela glosa das despesas de publicidade efetuadas pela interessada, a titulo de campanha promocional — "Feira e Eventos" — conta n° 4.2.01.06.02.003, no período de junho/2002 a novembro/2006, decorrentes de importâncias colocadas à disposição e sacadas, por pessoas físicas, mediante cartão de crédito, para pagamento de supostos serviços promocionais realizados por pessoas jurídicas sem a emissão de notas fiscais comprobatórias; 5.5 — que nestas operações, a fiscalizada, para não entregar o pagamento diretamente ao beneficiário, se socorreu de uma empresa de marketing, que emitiu uma fatura com o valor dos honorários estabelecidos, a qual foi contabilizada diretamente como "custos e despesas", descaracterizando, desta forma, qualquer tipo de vinculo trabalhista; 5.6 — que entende que tal prática caracteriza operação de crédito e não realização de despesa, uma vez que os valores disponíveis no cartão de crédito poderão ser utilizados dentro de um ou mais exercícios fiscais; 5.7 — que a fiscalizada, apesar de intimada, não apresentou o contrato firmado com a administradora de cartões — "Incentive House", entretanto deu a conhecer o "Termo de Aditamento aos Contratos de Prestação de Serviços" para o desenvolvimento de um programa de premiação; 5.8 — que a interessada, ao justificar a necessidade de realização desta despesa, argumentou, conforme documento de fls. 142, tratarse de campanha promocional publicitária e de marketing direta nos pontos de vendas, mediante a utilização dos cartões "flexcard" e "top premium"; 5.9 — que a fiscalizada apresentou, a titulo de beneficiários dos pagamentos, uma relação de pessoas jurídicas fls. 144 sem a devida documentação comprobatória da efetivação da prestação dos serviços (notas fiscais, contratos de prestação de serviços), e uma outra relação de pessoas físicas fls. 167/177 destacadas como "Gerente de Conta Responsável", ao lado de nomes de clientes, com aparência de tratarse de pessoas sacadoras de numerário, creditado e disponível, através de cartões de crédito; Fl. 2884DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 5.10— esclarece que está em andamento no Departamento de Policia Federal, a pedido do MPF, um inquérito policial que trata da matéria, conforme documentos de fls. 132/135; 5.11— conclui que dessa forma a fiscalizada não logrou comprovar os dispêndios, bem como não identificou os seus beneficiários; 5.12— que, em relação A terceira infração, a fiscalizada realizou operações de importação de mercadorias de uma empresa a ela vinculada, ficando sujeita a dedução do lucro real a um dos métodos estabelecidos pelo art. 18, da Lei n° 9.430/96 c/c o art. 40, da IN SRF n° 243/2002, tendo declarado, na Ficha 34, de sua DIPJ, valores incompatíveis com os documentos de importação; 5.13— que, após intimada, a interessada apresentou novas planilhas de "Cálculo de Preço de Transferência", conforme documentos de fls. 290/305, onde se evidencia uma ajuste a ser tributado no valor de R$442.538,80; 5.14— por fim, quanto a última infração, esta resulta dos dispêndios não comprovados bem como não identificados os seus beneficiários, como relatado na segunda infração, submetendo se, pois, estes pagamentos à tributação do IRRF à alíquota de 35%, conforme reza o art. 61, da Lei n° 8.981/95, e caracterizando a transgressão ao art. 71, incisos I e II, da Lei n°4.502/64; Impugnação Foi apresentada Impugnação pela ora Recorrente em que, resumidamente, alega o seguinte: 6.1 — argúi, em sede preliminar, a decadência do direito da fazenda de efetuar as autuações relativas ao ano calendário 2002 tendo em vista tratarse de tributos sujeito ao lançamento sob a modalidade de homologação previsto no § 4° do artigo 150 do CTN; 6.2 — que cumpre salientar que o agente fiscal não alegou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação no presente caso, tendo, inclusive, mencionado em seu Termo Complementar à Descrição dos Fatos que houve, por parte dos funcionários da impugnante, cooperação e boa vontade; 6.3 — que em relação a primeira infração, resta esclarecer os fatos da forma como se sucederam: 6.3.1 a impugnante iniciou suas operações no final do ano de 2000, na qualidade de subsidiária brasileira da empresa RLL, sediada na India,sendo que no final de 2001 e nos primeiros meses do ano de 2002, a impugnante ainda se encontrava no inicio de suas operações no Brasil; Fl. 2885DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000432/200765 Acórdão n.º 1201001.392 S1C2T1 Fl. 4 5 6.3.2 — que, no inicio do ano 2002, apesar de possuir um depósito, este se revelou insuficiente para atender uma importação de grande quantidade de produtos farmacêuticos; 6.3.3 — que, na ocasião, celebrou um contrato, acostado As fls. 710/723, com uma empresa de armazenagem, denominada Unidock's, entretanto, esta não tinha a habilitação exigida pela ANVISA, em razão das características especificas e os cuidados que devem ser observados quando da armazenagem de produtos farmacêuticos, além do fato de que tal armazém somente poderia ser utilizado após a respectiva inscrição estadual; 6.3.4 — que diante da necessidade imediata, em janeiro de 2002, de armazenagem de uma grande quantidade de produtos, somada à existência de um espaço limitado nos armazéns até então à disposição da impugnante, esta vislumbrou a alternativa de transferir os referidos produtos diretamente para a sua própria cliente, a distribuidora de medicamentos INTERMED, a qual possuía armazéns aprovados pela ANVISA, com tamanho suficiente para a estocagem dos produtos; 6.3.5 — que as notas fiscais de remessa para a INTERMED acabaram sendo emitidas pela impugnante como notas fiscais de venda, conforme documentos anexados As fls. 377/422, pelo fato de aquela não constar do sistema de emissão de notas fiscais da impugnante como armazém geral, e somente, como cliente, o que impossibilitou o registro de saída para esta com o CFOP de remessa para armazenagem; 6.3.6 — que tal procedimento ocasionou o registro contábil da respectiva receita de venda por parte da impugnante, ou seja, a impugnante admite ter tratado de forma equivocada a referida remessa para armazenagem, visto que esta se tratava de venda; 6.3.7 — que com a identificação do problema já em janeiro de 2002, fezse necessária a devolução dos produtos, entretanto, por, ainda, persistir o problema de disponibilidade de espaço para armazenagem, esta devolução de produtos foi simbólica, mediante a emissão, por parte da INTERMED, das respectivas notas fiscais de saída/devolução, conforme documentos de fls. 243/268 e 423/456; 6.3.8 — que o fato de as restituições dos produtos terem sido simbólicas acarretou a não observância de algum requisito formal, tal como a falta de assinatura, entretanto, isto não significou que as mesmas tenham deixado de representar uma operação de devolução, nem tampouco que tenha havido dolo por parte da impugnante ou da INTERMED; que no mês de fevereiro de 2002, mediante a emissão de notas fiscais de venda, optouse por repetir o procedimento de transferência para a INTERMED, em cujos armazéns os produtos estavam estocados desde o mês anterior, pelo fato de o armazém terceirizado contratado para este fim não ter obtido ainda a inscrição estadual que a habilitasse; Fl. 2886DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 6.3.10— que a operação repetiuse no mês de março de 2002, quando, enfim, os produtos foram destinados para a Unidock's em razão da autorização concedida pela ANVISA e dai vendidos para terceiros; 6.3.11— que não nega que houve um equivoco do setor de expedição da impugnante ao documentar como venda uma simples remessa para armazenagem, sendo necessário, por igual, contrapor uma devolução de vendas, de forma que o resultado do controle de estoque da impugnante fosse nulo, não refletindo qualquer efeito de receitas ou despesas; 6.3.12— que as planilhas e o demonstrativo contábil, anexados às fls. 727/730 — vol. IV, demonstram, mês a mês, que as vendas para a INTERMED foram inteiramente por ela devolvidas, ainda que de maneira simbólica, de forme que não houve qualquer efeito no resultado na impugnante; 6.3.13— que os produtos, objeto das notas fiscais de devolução, são rotulados em lotes que têm numeração única, o que implica que as suas vendas só poderiam ser realizadas uma única vez, entretanto, a impugnante foi autuada por efetuar três vendas (janeiro, fevereiro e março/2002) de produtos que constavam do mesmo lote, o que demonstra que a operação de venda, de fato, não ocorreu; 6.3.14— que a transação de venda, conforme melhor doutrina, se caracteriza pela existência de três elementos básicos, quais sejam: o objeto, o preço e o consentimento, sendo que a operação, motivo da autuação, não pode ser caracterizada como venda porque lhe falta a vontade das partes, visto que o objetivo era a armazenagem, e não ter sido onerosa; que após a autorização concedida por órgão competente para armazenagem nas dependências da Unidock's, os produtos foram para lá remetidos e, posteriormente, vendidos, através de centenas de notas fiscais, para dezenas de clientes ao longo de mais de um ano, tendo esta receita integrado normalmente o resultado tributável da impugnante, o que comprova que as operações anteriores, de armazenagem em janeiro, fevereiro e março de 2002, não originaram receitas omitidas pela impugnante; 6.3.16— que a documentação esteve sempre à disposição da fiscalização, entretanto esta se limitou a emitir intimações com perguntas dirigidas que não deram oportunidade ao contribuinte de produzir explicações, visto que, naquele momento, estava sem ter como esclarecer o erro das remessas a titulo de venda; 6.3.17— que as fichas Kardex fisico financeiro, acostadas as fls. 734/755, demonstram claramente a movimentação de estoque, provando que as mesmas quantidades e valores de mercadorias importadas foram remetidas A INTERMED e devolvidas de forma simbólica nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2002, de forma que não geraram receitas tributáveis; 6.3.18— que junta aos autos, dois grupos de documentos, as fls. 757/777 e 778/1068, demonstram o trânsito de dois produtos, desde o momento de suas importações, remessas e devoluções realizadas junto a INTERMED, e, por fim, as suas vendas a Fl. 2887DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000432/200765 Acórdão n.º 1201001.392 S1C2T1 Fl. 5 7 terceiros, sendo que protesta pela juntada de outros documentos, caso se revele necessário no decorrer do presente julgamento; 6.4 — alega que não é cabível a multa agravada de 150%, haja vista a inexistência de dolo, simulação ou fraude, nem sequer se admite a existência de omissão de receitas ou dano aos cofres públicos, posto não ter ocorrido operações de venda nos três meses mencionados; 6.5 — em relação segunda infração, que trata de supostas irregularidades incorridas no âmbito de suas campanhas voltadas à promoção de vendas de remédios genéricos, cumpre esclarecer que esta atividade é comum no mercado de produtos farmacêuticos, que tem forte capilaridade nas vendas, com o objetivo de incrementar as suas vendas no pais, mediante incentivo financeiro direto ao vendedor de balcão; 6.6 — que os pagamentos eram feitos pela impugnante a uma empresa, denominada "Incentive House", especializada em oferecer esta espécie de produto, a quem caberia a prestação de serviços de marketing, sendo que esta última efetuava o pagamento dos valores, segundo os critérios previamente estabelecidos em contrato, a alguns colaboradores, os quais eram responsáveis pela distribuição dos valores entre distribuidores e farmácias, em função de sua performance nas vendas; 6.7 — que sem a realização desta despesa a impugnante não teria condições de sobreviver em seu mercado, marcado por uma concorrência com os "remédios de marca" demasiadamente acirrada e agressiva, sem que fizesse uso dessa espécie de campanha de marketing, o que demonstra a sua necessidade; 6.8 — que a usualidade desta prática é evidenciada pelo seu uso e costume do ramo farmacêutico na transação de remédios genéricos e que guarda completa conexão com a natureza jurídica dos negócios constantes do objeto social da impugnante; 6.9 — que é praticamente impossível documentar o resultado dos serviços de marketing disponibilizados e prestados à impugnante, não caracterizando a falta deste documento, um requisito que impeça a dedutibilidade desta despesa; 6.10 — que, em relação à terceira infração, reconhece o débito tributário, tendo, inclusive, já recolhido o mesmo, conforme atesta o DARF de fls. 653/654; 6.11 quanto a última infração, de toda a exposição feita para a segunda infração, tornase bastante evidente que os pagamentos realizados pela impugnante a Incentive House correspondem a típicas "despesas de marketing, incorridas em nome da promoção de suas vendas; 6.12 — que tratar estes pagamentos como benefícios indiretos a terceiros é ignorar completamente toda a etapa intermediária Fl. 2888DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 realizada pela empresa Incentive House, configurando um raciocínio demasiadamente simplista e superficial; 6.13 — que existe uma diferença entre uma remuneração a uma pessoa física decorrente de seu trabalho de venda direta de algum produto da interessada e o pagamento a uma corporação, organizada e dotada de know how e da experiência exigida, de forma a atender as expectativas de incrementos de vendas da impugnante; 6.14 — que neste segunda caso, a responsabilidade das vendas é transferida para "Incentive House", tendo por isso, esta retida, a titulo de lucro, para si parcela dos valores pagos; 6.15 — que não existe qualquer relação jurídica entre os vendedores de farmácias e distribuidores e a impugnante, ou seja, esta última só mantém vinculo de cunho jurídico único e exclusivamente com a Incentive House, a qual foi contratada para implementar sua campanha de vendas, sendo que o vinculo entre a impugnante e vendedores tem características meramente econômicas / mercadológicas, as quais são irrelevantes para os fins aqui pretendidos; 6.16 — portanto, tratandose de pagamentos realizados em contraprestação a serviços de marketing, não há que se falar em obrigação de retenção de IRRF, visto que não existe qualquer previsão legal nesse sentido; 6.17 — que não faz sentido que se exija da impugnante a identificação dos efetivos beneficiários, já que, em última análise, ela nem teria como fazêlo, dado o claro distanciamento existente entre as partes, sendo, que, no caso, caberia a Incentive House, no âmbito do serviço em função do qual foi contratada, identificar cada um dos beneficiários, não sendo possível, delegar aos responsáveis pelas distribuidoras ou pelas farmácias, a função de individualizar quem fez jus aos prêmios, segundo os critérios previstos contratualmente e acordados entre a impugnante e a Incentive House; Acórdão DRJ Em acórdão de 10/10/08, a DRJ/RJOI julgou o lançamento procedente em parte, conforme abaixo: Quanto ao IRRF, PROCEDENTE o lançamento, declarandose devido o valor de R$467.509,04, acrescido da multa de 150% e dos juros de mora. Quanto ao IRPJ e CSLL, PROCEDENTE EM PARTE os lançamentos, declarandose devidos os valores respectivos de R$353.022,19 e R$87.259,50, acrescidos da multa de oficio de 75% ou de 150%, conforme o caso, e dos juros de mora. Quanto ao PIS e a COFINS, IMPROCEDENTE. A infração relacionada à ausência de ajuste do Preço de Transferência não foi impugnada pela Recorrente que, inclusive, informou pagamento do débito nos autos. Fl. 2889DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000432/200765 Acórdão n.º 1201001.392 S1C2T1 Fl. 6 9 Em decorrência da parte cancelada do débito, foi apresentado Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Em Recurso Voluntário, a Recorrente ratificou seus argumentos trazidos em sede de Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator A Recorrente apresentou desistência do Recurso Voluntário interposto em razão de opção de inclusão dos débitos discutidos no Programa de Parcelamento Especial instituído pela Lei 11.941/09. Assim, o Recurso Voluntário não deve ser conhecido. Desta forma, passo a abordar o objeto do Recurso de Ofício apresentado. MÉRITO Omissão de Receitas Devolução não comprovada de mercadorias vendidas Discutese aqui, a suposta omissão de receitas pela Recorrente em razão da ausência de comprovação de devolução de mercadorias objeto das notas fiscais juntadas aos autos em fls. 423/446, que são datadas entre os meses de janeiro à março de 2002. O IRPJ é anual e, portanto, o fato gerador do IRPJ exigido considerase ocorrido em 31/12/2002. Já no julgamento da DRJ, restou entendido a inocorrência da omissão de receita apontada pela fiscalização, tendo sido esta parte da discussão, objeto do Recurso de Ofício. A Recorrente alega que por problemas operacionais de armazenagem de seus produtos, efetuou a transferência para um de seus clientes Intermed Farmacêutica Ltda., de parte de seu estoque de medicamentos. Fl. 2890DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 10 Não obstante tal operação, em sua essência, ter se tratado de remessa para armazenagem, as operações foram registrada na época como sendo de venda de mercadorias, tendo havido, inclusive, a devida emissão da nota fiscal de venda. Como as operações não eram de venda, ao final de cada mês, era registrada, apenas de forma escritural e sem o trânsito físico de mercadorias, a respectiva devolução de tais mercadorias "vendidas", como forma de neutralizar uma tributação indevida. Mesmo considerando a aparente ilegalidade da conduta da Recorrente, que trato como venda uma operação de simples remessa para armazenagem/guarda, o ponto principal que se deve analisar aqui é se a conduta da Recorrente configura a infração de omissão de receita. Me parece que não. Neste ponto, peço vênia para transcreve parte do voto da decisão da DRJ: " 38. Neste mister é importante examinar a natureza dos medicamentos, constantes das notas fiscais, sob a ótica de sua fungibilidade, quando estes são aferidos por lote, pois se assim for reconhecido, verificarseá a impossibilidade da ocorrência da dita omissão de receita; 39. A fungibilidade de um produto, a teor do art. 85, do vigente Código Civil, decorre da possibilidade de se substituir este por um outro da mesma espécie, qualidade e quantidade; 40. É cediço que todo produto industrial, inclusive e principalmente o farmacêutico, é controlado mediante o registro do lote a que se refere, possibilitando ao agente de fiscalização, que in casu é a ANVISA, verificar a consistência da data de validade e as demais características do produto, o que permite deduzir que um determinado remédio somente é fungível quando analisado em comparação com outro de mesmo lote e tem a natureza de infugivel quando, apesar do outro remédio possuir as mesmas características de nome e dosagem, pertence a outro lote; 41. A titulo de exemplo, examinouse o trânsito do produto Amoxicilina 500 mg c/21 caps., que caracterizado pelo registro do seu lote, quantidade, preço e desconto, a teor das notas fiscais de venda e de devolução, abaixo reproduzido, permitiu constatar que este se tratava do mesmo produto, e que o mesmo tinha sido encaminhado para a Intermed por três vezes e por esta devolvida, também por três vezes: Fl. 2891DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000432/200765 Acórdão n.º 1201001.392 S1C2T1 Fl. 7 11 42. Da mesma forma, quando analisado o produto Ciprofloxacino 500mg c/6 comp., podemos chegar a mesma conclusão, conforme demonstra o quadro abaixo: 43. Alguém poderia questionar, de que as vendas realizadas após a primeira, apesar de constarem nas notas fiscais com um mesmo quantitativo, decorreriam de um mesmo lote, ou seja, aventarseia a hipótese de que a impugnante teria a sua disposição, para cada lote de medicamento o triplo do quantitativo do medicamento original, de forma a que pudesse, por três meses consecutivos vender a mesma quantidade do produto, relativo ao mesmo lote, a um único cliente; 44. Para dirimir esta dúvida, perquiriuse a origem deste último medicamento, tendo sido verificado que, de fato, a impugnante dispunha de 32.820 caixas deste medicamento, relativo ao mesmo lote n° 1119784, a teor dos invoices de importação, anexados As fls. 658; 985 e 1081, o que permite inferir, que apesar deste quantitativo ser superior a primeira venda realizada (18.445), não é possível a realização de tits vendas consecutivas com a mesma quantidade deste produto, pois totalizariam 55.335 caixas (18.445 x 3); 45. Para sepultar de vez esta questão, ao se analisar 110 notas fiscais de venda realizadas a diversos distribuidores, drogarias, e farmácias, anexadas As fls. 836/946, em data posterior a importação deste produto, verificouse que estas totalizaram 32.279 caixas vendidas do produto Ciprofloxacino 500mg c/6 comp., relativo ao lote n° 1119784, quantitativo este aproximado ao estoque total da impugnante deste medicamento, o que denota que as saídas anteriores deste medicamento não se efetivaram definitivamente; 46. Das provas arroladas, sobressai uma grande verossimilhança das razões apontadas pela impugnante, qual seja, de que, em verdade, a natureza das operações realizadas com a Intermed era de armazenagem de produto farmacêutico, e não de venda dos mesmos, e que tal fato não causou nenhum dano ao fisco; 47. Concluise, pois, que a impugnante, apesar de ter cometido uma ilegalidade ao utilizar um documento fiscal com outro fim que não aquele para o qual foi destinado, o que caracteriza um ato simulado, não pode ser apenada sob o fundamento." (nosso grifo) Não há dúvida que restou devidamente comprovado nos autos que apesar do procedimento totalmente equivocado utilizado pela Recorrente, não há que se falar em omissão de receitas, não merecendo prosperar a cobrança. Fl. 2892DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO 12 Correto portanto o entendimento esposado pela DRJ no julgamento em primeira instância e improcedente o Recurso de Ofício apresentado. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso de Ofício para NEGARLHE PROVIMENTO e NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário em razão do pedido de desistência apresentado pela Recorrente. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 2893DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721278/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
Ementa:
CONEXÃO E PREJUDICIALIDADE. HIPÓTESES DE MODIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIA.
Em razão do disposto no artigo 49, § 7o, do RICARF, identificada a conexão entre dois recursos ainda não julgados, a relatoria de ambos compete ao Conselheiro a quem o primeiro deles houver sido distribuído.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3403-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e em declinar da competência para julgá-lo à 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF. Esteve presente ao julgamento a Dra. Roseli Isabel Pazzetto, OAB/PR no. 18.950.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: Marcos Tranchesi Ortiz
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: CONEXÃO E PREJUDICIALIDADE. HIPÓTESES DE MODIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIA. Em razão do disposto no artigo 49, § 7o, do RICARF, identificada a conexão entre dois recursos ainda não julgados, a relatoria de ambos compete ao Conselheiro a quem o primeiro deles houver sido distribuído. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e em declinar da competência para julgálo à 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF. Esteve presente ao julgamento a Dra. Roseli Isabel Pazzetto, OAB/PR no. 18.950. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 12 78 /2 01 1- 91 Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório A recorrente transmitiu PER/DComps para extinguir débitos federais próprios com créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS nãocumulativos do 1º trimestre de 2006. Tais PER/DComps são objeto dos processos nºs 16349.000279/200977 e 16349.000271/200919, respectivamente. A DRF instaurou, então, auditoria sobre a recorrente para aferir a existência e o montante dos créditos levados àquelas DComps, oportunidade em que glosou uma série de créditos apropriados, bem como lançou débitos não apurados pela recorrente (fls. 2003/2019). Como consequência, os três meses do trimestre auditado restaram devedores, isto é, não apenas inexistia qualquer saldo credor ressarcível, como restavam saldos devedores de PIS e COFINS a pagar. A DRF, então, a um só tempo (i) não homologou os PER/DComps e (ii) lançou de ofício o débito de PIS e COFINS que resultou da auditoria. Esse lançamento de ofício é objeto do presente processo. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Entendo que há evidente relação de prejudicialidade entre o lançamento de ofício (processo prejudicado) e os PER/DComps (processos prejudiciais). Com efeito, somente sobejará débito a ser lançado de ofício nestes autos se se reconhecer, nos processos dos PER/DComps, inexistir saldo ressarcível das contribuições. Há, no mínimo, inequívoca conexão entre os três processos, a recomendar o julgamento conjunto por este Conselho, de modo a evitar decisões absolutamente incompatíveis, como seriam, por exemplo, decisões que, para um mesmo período de apuração, reconhecessem saldo credor ressarcível (nos processos dos PER/DComps) e débito exigível de PIS e COFINS (no auto de infração). A própria DRF reconheceu a necessidade de julgamento conjunto dos PER/DComps e do auto de infração (fl. 987): “Os processos (...) tratam da mesma matéria fática, divididos apenas por razões procedimentais em 2 processos de ressarcimento e 1 processo de auto de infração (incluindo Pis/Pasep e Cofins). Por esta razão, devem ser analisados em conjunto. (...) Cada trimestre será tratado separadamente, de modo a vincular o processo de auto de infração correspondente ao trimestre aos Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3403002.625 S3C4T3 Fl. 4 3 processos de ressarcimento de Pis/Pasep e Cofins para que sejam julgados simultaneamente, uma vez que tratam da mesma matéria fática”. Da mesma forma, a percepção da DRJ recorrida (fl. 2445): “Assim, embora não haja previsão legal para que os processos, no âmbito do julgamento administrativo, sejam reunidos e julgados por meio de um só ato decisório, há que se dizer que, da coincidência de matéria fática, em conformidade com os princípios da eficiência e economia processual, os processos devem tramitar juntos”. Em seu recurso voluntário (fl. 2529), a recorrente requer preliminarmente a distribuição do feito por dependência aos respectivos processos de PER/DComps. Apuro na página do CARF na internet que, em 19 de julho de 2012, os processos nºs 16349.000279/200977 e 16349.000271/200919 foram distribuídos à 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção, relator o ilustre Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça e que, em sessão de 25 de outubro de 2012, aquele colegiado deliberou baixar os autos em diligência para realização de perícia. Ainda segundo o site do CARF, referida decisão ainda aguarda formalização. Em razão, pois, do artigo 49, § 7o, do RICARF, voto por não se conhecer do recurso voluntário, declinando da competência para julgálo à 2a Turma Ordinária desta 4a Câmara da Terceira Seção. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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