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Numero do processo: 10314.001362/99-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 01 36 2/ 99 -1 3 Fl. 669DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001362/9913 Resolução nº 3201000.652 S3C2T1 Fl. 670 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: “Trata o presente processo de auto de infração, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de formalizando a exigência de Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de multa e juros de mora, perfazendo um total de R$ 35.125,89, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada foi autuada em relação à procedimentos de importação e exportação na modalidade DRAWBACK SUSPENSÃO, no que tange aos seguintes Atos Concessórios: Da análise da documentação apresentada, foi observado que apenas uma parte dos Registros de Exportação está vinculada ao Drawback, em obediência ao artigo 325 do Regulamento Aduaneiro Decreto 91.030/85. Os seguintes Registros de Exportação não fazem menção ao regime: RE cód. 80000 ( exportação normal ) 94/1129684; 94/1176446; 94/1179956; 94/1225998; 94/1241908; 95/0031345; RE cód. 81101 ( exportação drawback ) 94/1267921; 95/0031385; 95/0066539; Considerado os Registros de Exportação vinculados, chegouse ao valor de US$ 82.196,31 válidos para esse Ato Concessório. A SECEX aceitou o compromisso como cumprido apenas para US$ 29.200,00 FOB ( 33,5054% do firmado no Ato Concessório). Aplicando essa proporção para as exportações, o compromisso seria baixado de US$ 475.015,63 FOB para US$ 159.155,89 FOB (475.015,63 * 33,5054%) de mercadorias a exportar. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001362/9913 Resolução nº 3201000.652 S3C2T1 Fl. 671 3 Todavia, dos US$ 159.155,89, a empresa exportou 82.196,31 válidos para o Ato Concessório, conforme acima salientado. Desta feita, restam 48,3548% descumpridos. Aplicando o índice 48,3548% na importação feita ( DI 164.623 ), chegase ao valor do Auto de Infração em questão. O lançamento está sujeito aos juros legais e a multa prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430. Cientificado do auto de infração, pessoalmente em 29/03/1999 (fls. 1verso), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 28/04/1999, de fls. 180 à 367, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que:; Ato Concessório 1893/7001 1)A importação foi autorizada pela Guia de Importação 1893/1181839 e efetivada pela declaração de importação nº 4.022 de 20/01/1994; 2)O adimplemento da operação foi comprovado mediante a apresentação dos Registros de Exportação nº 94/0615900 e nº 94/0609650; 3)Tais exportações foram classificadas como uma operação de exportação normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód. 81101); 4)Pelo erro material cometido, a fiscalização descaracterizou as exportações realizadas ao amparo do anexo 3001 do Relatório Final de Comprovação 1894/0016497; Ato Concessório 1894/6505 1)Ato Concessório com validade até 01/09/2005, cujo beneficiário era a antiga Dixie Lalekla S/A, sucedida por Dixie Toga S/A; 2)O relatório final de comprovação 1896/6288, de 20/06/96, indica que a importação foi realizada através da DI 134.623 de 02/11/1994, e as exportações arroladas no anexo 3001; 3)Do fato de que apenas uma parte das exportações estaria vinculada ao Drawback, explicase que se procedeu incorretamente com uma operação de exportação normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód. 81101); A impugnante ainda esclarece que: 1)O presente Auto de Infração é nulo porque os Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Federal são incompetentes para a fiscalização das condições e requisitos do regime especial de Drawback, sendo tal competência da DECEX, conforme o artigo 2o da Portaria nº 4 de 11/07/1997; Fl. 671DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001362/9913 Resolução nº 3201000.652 S3C2T1 Fl. 672 4 2)As importações e as exportações da impugnante atenderam todas as normas pertinentes à matéria; 3)O entendimento da fiscalização é equivocado por desconsiderar o erro em relação às exportações foram classificadas como uma operação de exportação normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód. 81101); 4) Tal erro é passível de correção, inclusive administrativamente, não podendo a impugnante ser penalizada; 5) O Banco do Brasil informou que não existe compromissos de Drawback em aberto, perante àquela instituição; 6 O erro em análise não causou qualquer dano; 7)A legislação permite, nos casos de sucessão legal, devidamente comprovada, que seja autorizada a alteração da empresa beneficiária de Ato Concessório de Drawback. Entretanto, não foi o que ocorreu, devido o SISCOMEX, não permitir tal alteração Pugna a impugnante pelo cancelamento do Auto de Infração e da exigência fiscal respectiva, com o conseqüente arquivamento do presente Processo Administrativo, tal qual, seja considerado liquidado o compromisso de exportação vinculado ao regime especial de Drawback. É o Relatório.” O pleito foi julgado improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/SPO II no 1717.135, de 21/12/2006, proferido pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 20/01/1994 DRAWBACK Falta de vinculação do Registro de Exportação ao Ato Concessório. Competência da Secretaria da Receita Federal para a fiscalização do Regime Especial de Drawback. Responsabilidade tributária no Regime Especial de Drawback quanto à sucessão legal. Lançamento Procedente.” Inconformado, o recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente e documentos, onde repisa basicamente os termos da impugnação. A Turma de julgamento, em consenso, decidiu, converter o julgamento em diligência, através da Resolução de n° 310200.034, em 20/05/2009, para que a repartição de origem, ou melhor, a fiscalização explicasse, nos termos abaixo: se quando, há a menção, no relatório fiscal, por exemplo, à fl. 13, após desconsideração das exportações, desta forma, procedeuse a Fl. 672DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001362/9913 Resolução nº 3201000.652 S3C2T1 Fl. 673 5 nacionalização “EX OFFICIO”de DI; indago quando da nacionalização foi considerado extinto o regime drawback na mesma proporção; e que o relator de decisão de 1ª instância explicasse, quando menciona à fl. 382 no 3° parágrafo sobre Resolução de n° 57, que a Resolução de n° 57 de 28/02/02 é esta? E, onde se encontra nos autos? Ou seja, diligência solicitada por quem? E, por derradeiro, que seja solicitada a DECEX/SECEX/MDIC se os atos concessórios referidos nos autos foram cumpridas as condições suspensivas, tendo em vista alegações da recorrente que o Banco do Brasil aprovou a baixa dos respectivos Atos Concessórios. Foi dada ciência à empresa do resultado da diligência e a mesma manifestou se, da mesma forma a PGFN. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à exigência de crédito tributário de II, IPI, multa e juros de mora, decorrente de importação sob amparo do regime de Drawback, modalidade suspensão. Antes de adentrar no julgamento, observei, de forma pertinente, à efl. 633, a PGFN se manifestou, nos seguintes termos: Salvo melhor juízo, as determinações fixadas na r. Resolução nº 310200.034 não foram atendidas ou as respostas, acaso apresentadas, deixaram de ser autuadas nos autos. Em face disso, a Fazenda Nacional requer a reintimação das d. Autoridades do MINFAZ e do MDIC para que atendam as determinações fixadas na r. Resolução nº 310200.034, a saber: ‘1) ao órgão de origem, para que a fiscalização explique, se quando, há a menção, no relatório fiscal, por exemplo, à fl. 13, após desconsideração das exportações, desta forma, procedeuse a nacionalização "EX OFFICIO"de DI; indago quando da nacionalização foi considerado extinto o regime drawback na mesma proporção; 2)que o relator de decisão de I a instância explique, quando menciona à fl. 382 no 3 o parágrafo sobre Resolução de n° 57, que a Resolução de n° 57 de 28/02/02 é esta? E, onde se encontra nos autos? Ou seja, diligência solicitada por quem? Fl. 673DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001362/9913 Resolução nº 3201000.652 S3C2T1 Fl. 674 6 3) por derradeiro, que seja solicitada a DECEX/SECEX/MDIC se os atos concessórios referidos nos autos foram cumpridas as condições suspensivas, tendo em vista alegações da recorrente que o Banco do Brasil aprovou a baixa dos respectivos Atos Concessórios.’ Após o atendimento pelas d. Autoridades do MINFAZ e do MDIC e a autuação dessas respostas, a Fazenda Nacional requer vista dos autos para se pronunciar a respeito das diligências levadas a efeito. Em ato contínuo, foi encaminhado a repartição de origem para responder à demanda acima, onde indico as devidas remissões: efl. 640, despacho onde consta que o item 1 já tinha sido respondido pela Sefia; efl. 644a 659 referência ao item 3 da indagação, ou seja, a resposta ao ofício pela Secex informando que o AC (s) 1893/7991 e 1894/6505 tiveram baixa considerada, na época regular com cumprimento do compromisso de exportar; e efls 662/663, sobre a resposta do item 1. Em sendo assim, e por deliberação da Turma, se assim entender, que a PGFN seja cientificada, tendo em vista a observação realizada à efl. 633 foi feita pela PGFN e, que quando da conclusão, existe a pretensão da mesma se manifestar do resultado da diligência complementar. Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja dada ciência a PGFN do resultado da diligência demandada. Por fim, devem os autos retornar a esta Turma para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 674DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.002239/2005-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA.
Efetiva-se a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico - DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o Recurso Voluntário, por perempção.
Fez sustentação oral: Dr. Cassio Sztokfisz - OAB 257324 - SP
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. Efetiva-se a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico - DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido
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PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. Efetivase a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o Recurso Voluntário, por perempção. Fez sustentação oral: Dr. Cassio Sztokfisz OAB 257324 SP RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 22 39 /2 00 5- 34 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA, com CNPJ 61.156.501/000156, em face do Acórdão nº. 38.929, de 17/05/2012, proferido pela 9ª Turma da DRJ/SP1, que, à unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Tendo em vista a minudência da situação fática retratada, adoto o relatório da r. decisão de primeira instância, conforme a seguir transcrito: Trata o presente processo de “Declaração de Compensação” relativa a alegado crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, referente ao 4º trimestre de 2004. Apensos os processos 13811.002235/200556 e 13811.002242/200558, ambos contendo “Declaração de Compensação” e afetos ao mesmo trimestre. Pelo Despacho Decisório de fls. 190/213 houve parcial reconhecimento de direito creditório (“mercado externo”; fl. 213), sendo homologadas as compensações vinculadas ao presente até o limite do crédito deferido. A Autoridade Fiscal responsável pelos trabalhos de auditoria levados a efeito descreve os procedimentos adotados e os exames efetuados, os quais resultaram tanto em aceitação como em rejeição de valores, esta última concretizada por via da glosa de importâncias referentes a serviços de análise de laboratório, serviços profissionais, serviços de movimentação interna, mão de obra temporária, serviços de movimentação portuária e fretes sobre aquisições de insumos (notar quadro de glosas em fl. 196, item “9.5”). Externa a Fiscalização, em síntese, entendimento no sentido: de que o serviço de laboratório, conforme Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não pode ser considerado como aplicado ou consumido diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; de que os serviços profissionais, conforme análise da documentação apresentada para comproválos, referemse a limpeza, conservação, manutenção, locação de mãodeobra e remuneração de serviços, que estão sujeitos à retenção pelo tomador do serviço e, portanto, não são passíveis de crédito, também sendo considerados pela Contribuinte gastos com funcionários, tais Fl. 684DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002239/200534 Acórdão n.º 3302002.924 S3C3T2 Fl. 682 3 como bolsa estágio, C.I.E.E. e vistorias, entre outros, que pela Solução de Divergência 15/2008 não se enquadram no conceito de insumo (cita pontos do referido ato administrativo); de que, com relação a fretes sobre insumos, houve a constatação de créditos calculados sobre fretes relativos a aquisições tributadas a alíquota zero, portanto em desacordo com o art. 3º, § 2º, inciso II, da Lei 10.833/2003, e além disso alguns lançamentos na conta contábil 3061 se referiam a transferências de mercadorias entre estabelecimentos, remessas de/para depósitos ou de/para armazenagens; de que a movimentação portuária referese a serviços de descarga de insumos prestados pelo porto, não havendo no art. 3º da Lei 10.833/2003 previsão de crédito para a espécie, que não se caracteriza como insumo, conforme IN SRF 404/2004; de que as importâncias relativas a movimentação interna referemse a pagamentos efetuados pela prestação de serviços de movimentação de materiais no interior da indústria, os quais, de conformidade com a Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; de que as importâncias relativas a mãodeobra temporária referemse a pagamentos efetuados pela prestação de serviços de locação de mãodeobra, os quais, de conformidade com a Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; Também cita as despesas que foram aceitas por encontrálos condizentes ou sem divergências. Reconhece que as devoluções de venda de mercadoria tributada originalmente pela saída mediante a alíquota de 7,6% relativamente à Cofins e 1,65% relativamente ao PIS dão azo a creditamento, mas observa que este deve ser tratado a parte, sem o concurso de rateio proporcional, dada a relação direta entre a contribuição devida em razão da venda e a possibilidade de creditamento, em mesmo montante e tipo de crédito, no caso de eventual devolução. Contra o Despacho Decisório foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 219/252) onde se alega, em síntese, no sentido: de que, embora o procedimento fiscal tenha sido efetuado dentro do prazo legal previsto no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, a glosa pretendida não pode produzir efeitos posto que fulminada pela decadência do direito de lançar previsto no Código Tributário Nacional; de que a glosa de créditos promove o carregamento para o futuro de valores já utilizados na compensação de tributos devidos, com a subversão da finalidade do procedimento de homologação e indireta alteração do prazo decadencial, em evidente prejuízo da legalidade; de que, ademais, fulminados Fl. 685DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 pela decadência estão os créditos tributários decorrentes da errônea exclusão da base de cálculo da Cofins, nos meses de outubro a dezembro de 2004, de receitas com ganhos em operações de hedge/swap; de que o procedimento é igualmente nulo porquanto a Autoridade Fiscal procedeu a diversos ajustes no valor das receitas auferidas com reflexo na base de cálculo das contribuições devidas a cada mês e não indicou a razão dos ajustes e nem a base legal respectiva (menciona, a título de exemplo, o item 8 do Relatório fiscal); de que a glosa dos créditos levada a efeito no presente procedimento administrativo é indevida porque já fora considerada no Processo 13811.002991/200585, tornando irremediavelmente nulo o procedimento administrativo de modo que o mesmo não pode produzir efeito algum; de que houve a glosa de valores referentes a serviços de análise de laboratório, serviços profissionais, serviços de movimentação interna, serviços de movimentação portuária, mãodeobra temporária e fretes sobre aquisições de insumos, basicamente pelo entendimento de que não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de fertilizantes, não se admitindo, por essa razão, a apuração de créditos relativamente a tais despesas, mas que tal interpretação não está em estrita consonância com a lei tributária, sendo que o direito ao crédito surge da utilização de um insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados a venda; de que, para Marco Aurélio Greco, a acepção do termo “insumo” deve estar vinculada necessariamente ao contexto da exação exigida, devendo, no caso da Cofins, estar atrelada ao aferimento de “receita”; de que a lei requer tão somente, para o deferimento do direito ao crédito, que os insumos sejam apenas utilizados na fabricação ou produção de produtos; de que a Autoridade Fiscal procedeu à glosa de créditos decorrentes de serviços laboratoriais, valendo se de Solução de Consulta isolada sem caráter vinculativo; de que os serviços de análise de laboratório consistem em serviços para auditoria do Ministério da Agricultura, análise laboratorial na fabricação e serviços referentes a controle de qualidade; de que a ausência de análise laboratorial impossibilita a identificação da qualidade e especificação técnica de produto que a empresa se propõe a vender, e, deste modo, verificase que tais gastos dizem respeito a insumos utilizados no processo fabril como itens imprescindíveis para o regular funcionamento da Empresa e para a geração das receitas tributáveis; de que, quanto aos serviços profissionais, a lei não veda a utilização de créditos com relação a insumos que tenham sido tributados na fonte e, se os serviços são tributados na fonte, é porque são insumos sujeitos à contribuição e, deste modo, podem gerar créditos se forem utilizados no processo de fabricação; Fl. 686DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002239/200534 Acórdão n.º 3302002.924 S3C3T2 Fl. 683 5 de que limpeza, conservação e manutenção são atividades intrinsecamente ligadas à fabricação, não exigindo a lei, para fins de outorga do direito de crédito, que os insumos sejam consumidos em contato com o produto fabricado; de que, no que concerne aos gastos com serviços profissionais, não está a Solução de Divergência 15/2008, adotada para legitimar a glosa, em consonância com a lei; de que basta para a lei “que os insumos sejam utilizados e sejam devidamente consumidos no processo fabril até porque nenhuma prova em contrário foi produzida pela autoridade fiscal” (fl. 236); de que, se a lei quisesse que o direito de crédito estivesse vinculado unicamente ao contato do insumo com o produto fabricado, não teria feito menção às despesas, exigindo a lei, para fins de outorga de crédito, apenas e tão somente que os insumos guardem alguma relação com a fabricação de produtos e sejam utilizados no estabelecimento fabril; de que a Manifestante contrata com pessoas jurídicas a prestação de serviços de movimentação portuária consistentes na locação de equipamentos (pácarregadeira) destinadas ao transporte de matériasprimas adquiridas desde o navio até o silo; de que a movimentação de mercadorias no âmbito de um porto constitui atividade de transporte em sentido amplo, devendo a sua remuneração ser considerada em essência com frete; de que, relativamente ao serviço de descarga portuária, há duas tomadas de crédito, decorrentes de créditos distintos, pois houve dois pagamentos da contribuição, um por parte dos prestadores de serviços sobre a receita auferida (Cofins) e outro por parte da Empresa por conta da importação de bens estrangeiros (Cofinsimportação),sendo um crédito tomado por esta tendo em vista a Contribuição no preço do produto e outro crédito tomado pela Contribuinte em face da importação, sendo que o creditamento referente ao Cofinsimportação decorre da permissão para o desconto de crédito em relação às importações sujeitas à contribuição na hipótese de bens utilizados como insumos, conforme Lei 10.865/2004, art. 15, II; de que os serviços de movimentação interna foram indevidamente glosados com base num critério de utilização direta na industrialização enquanto que, para a lei, basta “que os insumos sejam utilizados e esses são devidamente consumidos no processo fabril, até porque nenhuma prova em contrário foi produzida pela autoridade fiscal” (fl. 245); de que a Autoridade Fiscal não nega a vinculação desses insumos com o processo produtivo, apenas firmase no pressuposto de que tais serviços não se enquadram no conceito de insumo; de que os serviços tomados a título de mãodeobra temporária visam suprir a necessidade de força de trabalho no processo fabril, contribuindo diretamente no processo produtivo mediante a colocação e retirada de matériasprimas nas máquinas misturadoras de fertilizantes, não havendo óbice para creditamento, sendo tais serviços contratados sob o regime da Lei 6.019/74 com pessoa jurídica contribuinte da Cofins, Fl. 687DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 vedando a lei, unicamente, a escrituração de créditos decorrentes de aquisição de insumos de pessoas físicas; de que a Fiscalização encontrou suposta ilegalidade do crédito sobre fretes pagos em razão de mercadorias adquiridas (importadas) sob alíquota zero, posto que não geram direito a crédito e, daí, o frete correspondente também não geraria, mas se o frete, em si, não está sujeito a alíquota zero, o raciocínio carece de congruência lógica; de que a Fiscalização encontrou suposta ilegalidade do crédito sobre fretes pagos em razão do transporte de mercadorias de/para armazenagem ou depósito, despesas que constituem insumos utilizados na fabricação do produto a ser vendido, sendo que a armazenagem visa manter a integridade, a segurança e a sanidade das mercadorias e que os depósitos de guarda de mercadorias participam do processo industrial, representando uma extensão do estabelecimento industrial; e de que o empréstimo de mercadorias constitui o cerne do contrato de mútuo e quando a Manifestante está na posição de mutuaria, ela adquire mercadorias com fulcro no que dispõe o art. 587 do Código Civil, sob um regime jurídico distinto do aplicável ao contrato de compra e venda e quando obtém bens destinados ao seu processo produtivo e paga pelo respectivo transporte, “a MANIFESTANTE adquire um insumo vinculado à produção da mesma natureza daquele necessário à obtenção do bem (a matériaprima) sob o regime do contrato de compra e venda, razão pela qual não pode lhe ser negado o direito ao crédito” (fl. 251). Requer a declaração de nulidade do procedimento fiscal em razão da decadência do direito da Fazenda e o restabelecimento in totum dos créditos glosados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstra a ementa da decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2004 NULIDADE.INEXISTÊNCIA. É incabível de ser pronunciada a nulidade da decisão proferida por autoridade competente, contra a qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias no sentido de procurar provar o seu direito. DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO. O prazo decadencial do direito de Lançar tributo não rege o instituto da compensação e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pelo contribuinte. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002239/200534 Acórdão n.º 3302002.924 S3C3T2 Fl. 684 7 SERVIÇOS NÃO APLICADOS OU CONSUMIDOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO.CREDITAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. Serviços, em que pese poderem ser convenientes ou necessários para o desempenho da atividade do contribuinte, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de produto quando realizados anterior, posterior ou paralelamente à fabricação de produtos em si mesma, não dando azo a creditamento. DESPESAS COM TRANSPORTE ENTRE DISTINTAS UNIDADES DO SUJEITO PASSIVO OU DENTRO DA MESMA UNIDADE PRODUTIVA.CREDITAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. Impossível a constituição de créditos sobre fretes pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País relativos a transporte entre distintas unidades do sujeito passivo e sobre despesas com transporte/movimentação de matériasprimas, produtos em elaboração ou elaborados dentro da mesma unidade produtiva do sujeito passivo FRETE NA AQUISIÇÃO. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO O crédito sobre o valor do frete na aquisição é permito apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento e na mesma proporção em que esse se der, já que o frete compõe o custo de aquisição. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/05/2013, conforme Termo de Abertura de Documento, fl.381, através da Caixa Postal, Modulo eCAC do site da Receita Federal, nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23. do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 384/435 em 05/07/2013, fl.384, no qual reitera os mesmos argumentos já colacionados na Manifestação de Inconformidade, aduzindo ainda a arguição de nulidade quanto aos procedimentos adotados pelas Autoridades Fiscais em razão da superficialidade da análise das informações necessárias para o reconhecimento do direito creditório, ferindo assim o princípio da verdade material . Nesse sentido sustenta que a fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais o da motivação e o da legalidade, assim jamais poderia o Agente Fiscal ter emitido Despacho Decisório e a DRJ validado sem fazer uma detida e profunda análise do direito creditório da Recorrente, ignorando e glosando os vultosos créditos dessa contribuição. Às fls. 561/575 a Recorrente apresenta petição onde reitera os argumentos já trazidos em sede recursal, anexando os documentos de fls. 576/680, entre os quais o Parecer de fls.601/680. Cita respeitável doutrina e também jurisprudência. É o relatório. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARMENTE Dos requisitos de admissibilidade O contribuinte teve ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade em 23/05/2013 (quintafeira), conforme Termo de Abertura de Documento, fl.381, através da Caixa Postal, Modulo eCAC do site da Receita Federal, nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subseqüente, conforme 1art. 5º, do Decreto nº. 70.235/72. Cumpre destacar as disposições previstas no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, quanto às formas de intimação e a efetivação destas para fins de contagem dos prazos processuais: Art. 23. Farseá a intimação: I–pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) II–por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) III–por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Redação do inc. III dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) § 2.º. Considerase feita a intimação: I–na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II–no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da 1 Art. 5.º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002239/200534 Acórdão n.º 3302002.924 S3C3T2 Fl. 685 9 expedição da intimação; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)(grifei). Observese que no caso em exame, quando de opção do Contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE (ciência pelo eCAC), constam no processo as informações acerca da “data de abertura do documento”, fl. 381 bem como da “ciência por decurso de prazo”, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no eCAC, fl.382, no entanto, a data de ciência a ser considerada é a do evento que ocorrer primeiro (ou o dia da abertura do documento ou o dia da ciência por decurso de prazo), conforme disciplina o inciso III, alínea "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito. No presente caso , estando demonstrado que o contribuinte tomou ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade no dia 23/05/2013 (quintafeira), às 10:12h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações, fl.381, situação prevista no art. 23, § 2º, III, "b" do Decreto nº 70.235, de 1972, temse assim iniciada a contagem no dia 24/05/2013 (sextafeira) e finda em 24/06/2013 (segundafeira) inclusive, o Recurso Voluntário de fls. 384/435, apresentado tão somente em 05/07/2013, fl.384, conforme comprova o carimbo da DERAT/CAC/PAULISTA, é extemporâneo ao prazo legal estabelecido no art. 56 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim prevê: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de 30 (trinta) dias, contados da ciência. Cabe ressaltar que o exame do recurso voluntário compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, quando interposto contra decisão das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, inclusive quanto à tempestividade do recurso. Nesse mister, por força das disposições do 2art. 35 do já citado Decreto nº 70.235, de 1972, o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Assim, ante as considerações acima, por se tratar de pleito intempestivo, não há como se vislumbrar a abertura da via recursal à interessada. 2 Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expostos, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo, não comportando apreciação por essa instância recursal, exceto quanto à admissibilidade. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 692DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 11080.733814/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
Ementa:
IPI. CRÉDITO. PRODUTOS ISENTOS ORIUNDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. COISA JULGADA. OBSERVÂNCIA PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A autoridade administrativa está adstrita a aplicar exatamente o comando determinado pelo Poder Judiciário, sem qualquer margem de discricionariedade. Assim, estando o contribuinte munido de decisão transitada em julgado que lhe garante o direito ao crédito de IPI, relativo à entrada de produtos que gozam de isenção da Zona Franca de Manaus, cabe à Administração Pública reconhecer tal direito creditório.
IPI. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. INEXIGÊNCIA. SALDO CREDOR NO PERÍODO. MULTA. RETIFICAÇÃO ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL.
Sendo comprovadamente existente o saldo credor de IPI no período em que o contribuinte equivocadamente escriturou crédito decorrente de simples faturamento de mercadoria consubstanciado em nota fiscal de venda para entrega futura, além de posteriormente a entrada da mercadoria ter efetivamente ocorrido sem a tomada dos mesmos créditos, não há falta de pagamento do imposto a ser cobrada pela fiscalização. Ademais, a inexistência de falta de pagamento, acompanhada da retificação do erro escusável, autoriza a não aplicação da multa pela autoridade julgadora.
Numero da decisão: 3402-002.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Antônio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Thais de Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Carlos Augusto Daniel Neto (vice-presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: IPI. CRÉDITO. PRODUTOS ISENTOS ORIUNDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. COISA JULGADA. OBSERVÂNCIA PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A autoridade administrativa está adstrita a aplicar exatamente o comando determinado pelo Poder Judiciário, sem qualquer margem de discricionariedade. Assim, estando o contribuinte munido de decisão transitada em julgado que lhe garante o direito ao crédito de IPI, relativo à entrada de produtos que gozam de isenção da Zona Franca de Manaus, cabe à Administração Pública reconhecer tal direito creditório. IPI. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. INEXIGÊNCIA. SALDO CREDOR NO PERÍODO. MULTA. RETIFICAÇÃO ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo comprovadamente existente o saldo credor de IPI no período em que o contribuinte equivocadamente escriturou crédito decorrente de simples faturamento de mercadoria consubstanciado em nota fiscal de venda para entrega futura, além de posteriormente a entrada da mercadoria ter efetivamente ocorrido sem a tomada dos mesmos créditos, não há falta de pagamento do imposto a ser cobrada pela fiscalização. Ademais, a inexistência de “falta de pagamento”, acompanhada da retificação do erro escusável, autoriza a não aplicação da multa pela autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 38 14 /2 01 3- 21 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Antônio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955. Antonio Carlos Atulim Presidente. Thais de Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Carlos Augusto Daniel Neto (vicepresidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro Relatório Tratase de recurso de ofício interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre/RS, que julgou procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte ao reconhecer como legítimo o aproveitamento de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), com fundamento em decisão judicial definitiva em seu favor, plenamente eficaz à época dos fatos que motivaram a autuação fiscal de cobrança de IPI, com respectivos juros de mora e multa de ofício no montante de R$ 92.307.979,85. Ressaltese que o tributo lançado representa os saldos devedores apurados na escrita após a glosa de créditos considerados indevidos pela auditoria fiscal descrito no Termo de Constatação Fiscal. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS para exigir Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI – e respectivos juros de mora e multa de ofício, no montante de R$ 92.307.979,85, à data da autuação. O tributo lançado representa saldos devedores apurados na escrita após a glosa de créditos considerados indevidos, por decorrerem das seguintes infrações: saldo credor de período anterior indevido; crédito básico indevido, escriturado com base em nota fiscal para simples faturamento decorrente de venda para entrega futura; crédito indevido oriundo de entrada de insumos isentos adquiridos de fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus. A auditoria está descrita no Termo de Constatação Fiscal. Com relação aos créditos oriundos de insumos isentos, o autuante registra que decorrem de aquisições dos produtos identificados como "concentrados" para diversas marcas de refrigerantes, contendo kits que se apresentam como vários volumes de partes separadas, fornecidos pela empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA ("Recofarma"), CNPJ 61.454.393/000106, situada na Zona Franca de Manaus, que produz e distribui kits para refrigerantes do grupo CocaCola, trabalhando em conjunto com diversas fábricas engarrafadoras que atuam em regime de franquia, como é o caso da autuada VONPAR REFRESCOS S.A. ("Vonpar"). Nas notas fiscais de saída emitidas por Recofarma, não há destaque de IPI, tendo sido registrado que os produtos estariam isentos com base no art. 69, inciso I, e art. 82, inc. III, do Decreto nº Fl. 567DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11080.733814/201321 Acórdão n.º 3402002.900 S3C4T2 Fl. 567 3 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI – RIPI/2002). Sobre o valor destes produtos a autuada calculou crédito mediante aplicação de alíquota de 27%, prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) para o Ex 01 do código 2106.90.10 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado, escriturando o resultado no Livro Registro de Apuração do IPI. Assevera a fiscalização que a saída de produtos com a isenção prevista no art. 69, inc. II do RIPI/2002 não legitima o aproveitamento de créditos, por falta de previsão legal. Por força do art. 175 do mesmo Regulamento, tal aproveitamento somente é permitido nas aquisições a que alude o art. 82, inc. III do RIPI/2002, ou seja, produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei n° 1.435, de 1975, art 6º, e Decretolei n° 1.593, de 1977, art. 34)". No caso presente, foram utilizadas matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional apenas nos kits para guaraná, enquanto nos demais kits todos os ingredientes utilizados são produtos químicos prontos, industrializados, a saber: corante caramelo, cafeína e álcool etílico. A fiscalização também entendeu que a coisa julgada formada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n° 212.484RS não seria aplicável ao caso por ser genérica, não considerando as normas específicas relativas à Zona Franca de Manaus. Os créditos não aceitos estão discriminados no "Demonstrativo de Créditos Indevidos Oriundos da Entrada de Insumos Isentos". Quanto ao crédito de R$ 278.600,00, decorrente de compra para entrega futura, a glosa tem fundamento no art. 190, § 2º, do RIPI/2002, segundo o qual o crédito decorrente de produto adquirido mediante venda para entrega futura somente poderá ser escriturado na efetiva entrada do mesmo no estabelecimento, o que não foi observado pela autuada. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva assinada por procurador habilitado nos autos, acompanhada de documentos, na qual aponta inicialmente a decadência tanto do direito de lançar imposto relativo aos períodos de janeiro a dezembro de 2008, como também de glosar créditos relativos ao 4º trimestre de 2007, tendo em vista o disposto no art. 150, § 4º da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Quanto ao mérito, argumenta que o concentrado adquirido da RECOFARMA é isento, com base no art. 69, II, do RIPI/2002, por ser oriundo da Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de produtos sujeitos ao IPI. O autuante entendeu que não se aplicaria o RE n° 212.484 ao caso, por ser genérico, não tendo analisado as normas especificas da ZFM. Ocorre que ao impetrar o MSI N° 91.00095524, contra o DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE PORTO ALEGRE, a impugnante solicitou que fosse assegurado o seu direito aos créditos de IPI relativos às aquisições de concentrado de refrigerantes, insumos isentos oriundos da ZFM, nas mesmas alíquotas Fl. 568DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 incidentes nas aquisições do mesmo produto, feitas a empresas localizadas fora da ZFM. E a sentença "julgou procedente a ação, concedendo a segurança para declarar a existência do direito líquido e certo da impetrante em abater do IPI devido sobre os produtos industrializados, no momento da saída de seu estabelecimento, o valorcrédito do IPI potencialmente incidente na operação anterior de que participe como adquirente de produtos industrializados sujeitos à isenção pela proveniência da Zona Franca de Manaus." Referida decisão foi mantida até apreciação final pelo Plenário do E. Supremo Tribunal Federal (STF), julgando o recurso extraordinário da Fazenda Nacional,com acórdão transitado em julgado em 10.12.1998, sendo indiscutível que o RE n° 212.484 tratou especificamente da questão do direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de concentrados isentos oriundos da Zona Franca de Manaus e aplicados na fabricação de refrigerantes, conforme trecho que transcreve. Assim, haveria coisa julgada, com força de lei entre as partes, oponível ao autuante e também à União Federal, assegurando à impugnante o direito ao crédito de IPI relativo às aquisições de concentrado de refrigerante. Observa que o STF já reconheceu a autoridade e aplicabilidade dessa coisa julgada, para fins de cancelamento de exigência fiscal idêntica a discutida nos presentes autos, em reclamação apresentada pela impugnante, conforme trecho da decisão do Ministro Relator Eros Grau, nos autos da Reclamação n° 892/RS, que transcreve. Prossegue alegando que, mesmo admitindo, apenas para argumentar, que a autoridade não tivesse obrigação de observar a coisa julgada formada no MSI N° 91.00095524 (RE N° 212.484RS), o direito postulado pela autuada deveria ser reconhecido em decorrência do entendimento atualmente adotado pelo STF. Acrescenta que em 29.09.2010, no julgamento do RE n° 566.819RS, o STF, em sessão plenária, “diferenciou a hipótese de isenção subjetiva regional de IPI (hipótese aqui discutida) da isenção objetiva, para fins de reconhecimento do respectivo crédito de IPI. No julgamento desse RE “restou (i) decidido pelo Plenário do STF que o contribuinte não tinha direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos mas (ii) esclarecido que não se estava discutindo a hipótese relativa à aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (isenção subjetiva), ou seja, apenas caso de isenção objetiva.” E no dia 08.08.2013, o Plenário do STF, no julgamento dos embargos de declaração opostos pelo contribuinte no referido RE, esclareceu que até aquele momento, para a hipótese relativa à aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus continuava prevalecendo o entendimento adotado no RE n° 212.484, no sentido de que é assegurado ao adquirente desses insumos o direito ao crédito do IPI relativo à sua aquisição. Nos autos do RE n° 592.891SP, o Plenário do STF reconheceu, em 22.10.2010, a existência de repercussão geral da questão específica concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos beneficiados por isenção subjetiva, ou seja, oriundos de fornecedor situado na ZFM. Assim, em síntese, continua válido o entendimento do STF manifestado no RE n° 212.484 RS, até que seja julgado o mérito do RE n° 592.891SP. Ademais, se desrespeitada a coisa julgada formada no RE n° 212.484RS, deverseia aplicar o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, no qual a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconhece a força das decisões judiciais proferidas pelo Plenário do STF, em sede de controle difuso de constitucionalidade, anteriores a 03.05.2007, confirmadas em julgamentos posteriores do STF: No caso, o direito ao crédito do IPI foi reconhecido por decisão plenária do STF proferida antes de 3 de maio de 2007 e esse Fl. 569DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11080.733814/201321 Acórdão n.º 3402002.900 S3C4T2 Fl. 568 5 entendimento foi confirmado por decisão também plenária do STF, no julgamento do RE n° 566.819RS. Ainda que não aceitos os argumentos antes referidos, considera que o direito ao crédito também teria amparo no art. 6º do DecretoLei 1.435/1975, base legal do art. 82, III, do RIPI/2002, tal como consta nas notas fiscais emitidas pela fornecedora do concentrado, documentos idôneos, com validade fiscal. A impugnante, na qualidade de adquirente de boa fé, tem o direito à manutenção dos respectivos créditos, e ao lançar e utilizálos não pratica qualquer infração. Ademais, a impugnante não teria como se imiscuir nas atividades da Recoforma a ponto de questionar quais são efetivamente as matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional utilizadas na produção dos concentrados adquiridos. Observa que a SUFRAMA, no exercício de sua competência exclusiva, por meio da Resolução n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007, considerou que a aquisição pela Recofarma de açúcar, álcool e/ou extrato de guaraná produzidos por produtor localizado na Amazônia Ocidental, a partir de matériasprimas agrícolas oriundas da mesma região, e sua utilização na fabricação do concentrado, atendem aos requisitos necessários para fruição do benefício em questão. Tais atos da SUFRAMA seriam suficientes para comprovar o direito à isenção, à vista do art. 179 do CTN. Referidos atos da SUFRAMA não exigem que sejam utilizadas direta nem exclusivamente matériasprimas extrativas vegetais de produção regional na fabricação do insumo beneficiado. Além disso, trazem consigo a presunção de legitimidade, veracidade e legalidade. Na hipótese de com eles discordar, deveria a autoridade administrativa questionar a SUFRAMA, instandoa ao cancelamento do benefício, o mesmo ocorrendo no caso de considerar desrespeitado o PPB – Processo Produtivo Básico. Invoca o art. 76, II, “a”, da Lei 4.502/1964, para sustentar a impossibilidade de exigência de multa de ofício sobre o valor dos créditos glosados, uma vez que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época dos fatos geradores, teria reconhecido o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos (com benefício da isenção subjetiva), utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI, em observância ao entendimento do STF no julgamento do RE 212.4842, entendimento este que teria sido alterado somente em 30/05/2011, conforme acórdão 9303001 da 3ª Turma da CSRF. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração com a conseqüente extinção do crédito tributário. Com relação ao aproveitamento de crédito oriundo de compra para entrega futura, no 1º decêndio de março de 2008, admite que seu procedimento foi incorreto, mas esclarece que, posteriormente, o fornecedor emitiu as notas fiscais referentes às efetivas remessas do açúcar e que as mesmas foram registradas sem lançamento dos créditos no Livro Registro de Apuração do IPI. Assim, defende que somente poderiam ser exigidos a multa e os juros relativos ao imposto que supostamente deixou de ser pago no 1º decêndio de março de 2008, e não o valor do principal. Solicita, por fim, o cancelamento do auto de infração, bem como o restabelecimento do saldo credor do quarto trimestre de 2007 e protesta pela juntada de eventual documento de terceiro necessário à solução da lide. O processo foi remetido a esta DRJ, para julgamento e diante das alegações relativas ao aproveitamento de créditos decorrentes de venda para entrega futura, foi baixado em diligência, para análise pelo autuante. A resposta elaborada pela fiscalização consta na Informação Fiscal de fl. 541. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O julgamento da impugnação resultou no acórdão da DRJ, que, em síntese, não acatou a preliminar de decadência porque entendeu que os créditos utilizados para abatimento de débitos de IPI (do último trimestre de 2007) foram glosados, o que resultou na existência de saldos devedores em todos os períodos que compõem a autuação (2008). Assim, considerou que inexistiu pagamento antecipado em nenhum dos períodos de apuração, não havendo, portanto, que se falar em homologação tácita ou expressa. Com isso, afastou a análise da decadência com base no artigo 150, §4º do CTN, redirecionando a subsunção do caso concreto ao artigo 173, inciso I do mesmo diploma legal, concluindo então pelo afastamento da decadência in casu. Passando à análise do mérito, a DRJ assevera que são genéricos os dispositivos das decisões judiciais que validam a conduta do contribuinte (Mandado de Segurança n. 91.00095524). Porém, traçando o histórico das decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o assunto, conclui que as isenções da Zona Franca de Manaus têm sido apreciadas de forma diferente das isenções objetivas pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), para fins de creditamento de IPI. Assim, reconhecendo que a Recorrente tem a seu favor coisa julgada material e formal, que lhe garante o aproveitamento do crédito objeto de glosa pelas autoridades tributárias, decidiuse que a glosa deveria ser revertida, com o cancelamento de todas as cobranças dos itens 01 e 03 do Auto de Infração. Com relação a venda para entrega futura (item 02 do Auto de Infração), o processo foi baixado em diligência para a verificação dos créditos que o contribuinte poderia aproveitar nos períodos da efetiva entrada das mercadorias. Nela, concluise que, com a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, existia saldo credor de IPI no período de referência, de acordo com o seguinte quadro sintético: Dessa forma, concluiuse igualmente pelo cancelamento da parcela de exigência correspondente ao saldo devedor de impostos originalmente apurado em decorrência da glosa de créditos decorrente de venda para entrega futura, assim como dos respectivos juros de mora e multa de ofício. Tendo sido o lançamento cancelado em sua integralidade, subiram os autos para o julgamento do recurso de ofício por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 571DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11080.733814/201321 Acórdão n.º 3402002.900 S3C4T2 Fl. 569 7 O lançamento tributário apreciado pela DRJ de Porto Alegre, cujo acórdão traz a este C. Conselho a necessidade de apreciação de recurso de ofício em nome da Fazenda Nacional, deve de fato ser cancelado, como foi feito pelo acórdão recorrido. In casu, o mérito resguarda o direito do contribuinte, que detém coisa julgada em seu favor, garantindo os créditos de IPI objeto de glosa no auto de infração sob apreço. Vejamos. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO EM SEU FAVOR A Recorrida, na persecução de suas atividades sociais, adquiriu da empresa RECOFARMA um “concentrado” que é isento de IPI, com fulcro no artigo 69, inciso II do RIPI/2002, uma vez que se trata de produto oriundo da Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de produtos (refrigerantes) sujeito ao IPI. Entendendo estar amparada pela decisão judicial proferida no bojo do Mandado de Segurança n. 91.00095524, a Recorrida tomou crédito de IPI, aplicando a alíquota de 27% prevista na Tabela de Incidência do IPI (“TIPI”) sobre o valor destes produtos. A seu turno, a autoridade fiscal entendeu que o julgamento final da citada ação judicial não se aplica ao presente caso, porque as decisões nela proferidas seriam genéricas e não teriam analisado as normas particulares da Zona Franca de Manaus no que diz respeito ao creditamento de IPI (fls 98). Cumpre, então, confirmar se o objeto deste processo administrativo está englobado ou não pela decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n. 91.00095524, o qual foi objeto de julgamento de Apelação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (AMS n. 95.04.373844) e posteriormente levado à apreciação do Supremo Tribunal Federal (“STF”) no RE 212.4842/RS. Pois bem. Logo no início da petição inicial do referido writ, ao tratar dos fatos que deram origem ao direito líquido e certo pleiteado judicialmente, o contribuinte esclarece que se dedica à industrialização e comercialização de refrigerantes, elaborados a partir de concentrados de refrigerantes adquiridos de outras empresas (fls. 172). Passa então a relatar que sobreveio a adquirir tais produtos de fornecedor alocado na Zona Franca de Manaus, beneficiado por isenção do IPI justamente em razão de estar ali geograficamente situado, bem como por cumprir as demais determinações legais (fls 173). 1 Contudo, assume que este benefício não é aquele previstos como capaz de gerar crédito de IPI, conforme o 1 Art. 9° do Decretolei n. 288/67: “Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional.” Art. 6º do Decretolei 1.435/75: “Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Decreto n. 87.981/82 (RIPI então vigente), artigos 45 e 82, inciso VI e XXVI, e justamente por essa razão recorre ao Poder Judiciário para buscar o direito ao creditamento do IPI pela entrada de produtos advindos de fornecedor isento da Zona Franca de Manaus (fls 175). Ao final de suas razões de fato e de direito, traz o seguinte pedido, que é de fundamental observação, uma vez que é o que traça os limites da lide e a amplitude da coisa julgada. In verbis: Diante deste cenário, a sentença proferida em primeiro grau traz expressamente em seu relatório a discussão sobre as isenções de IPI para concentrados de refrigerante oriundos da Zona Franca de Manaus, como se constata dos trechos colacionados abaixo: (...) Dessa forma, o Douto Magistrado de primeiro grau decidiu o caso em favor do contribuinte, com o dispositivo da sentença lavrado nos seguintes termos: Fl. 573DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11080.733814/201321 Acórdão n.º 3402002.900 S3C4T2 Fl. 570 9 Já no julgamento da apelação apresentada pela Fazenda Nacional, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (“TRF4”), foi mantida em seus exatos termos a sentença anteriormente proferida, resultando em acórdão cuja ementa segue transcrita: Irresignada com a sucumbência, a Fazenda Nacional levou a questão ao Supremo Tribunal Federal (“STF”), por meio do Recurso Extraordinário n. 212.4842/RS (“RE n. 212.484), já constando como parte o nome da Vonpar Refrescos S.A., sucessora da Porto Alegre Refrescos S.A. Mostrase importante o exame da discussão travada pelos Ministros do STF no citado processo, haja vista que a autuação guerreada pelo contribuinte nestes autos somente foi levada a cabo pois a Autoridade Fiscal entendeu que “o mencionado RE 212.484 analisou apenas o aspecto genérico do princípio da não cumulatividade, sem adentrar às normas específicas existentes na zona Franca de Manaus”, como se observa no item 11.2 do Termo de Constatação Fiscal (fls 98). Pois bem. O Ilmo Relator Ilmar Galvão, relator do RE n. 212.484, dissentiu do entendimento esposado no acórdão recorrido pela União Federal, entendendo que o texto constitucional (artigo 153, §3º, inciso II), ao estabelecer que o IPI será não cumulativo, “compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”, somente diz respeito aos valores efetivamente “cobrados” para dar direito ao crédito. No seu sentir, as isenções do IPI não visam beneficiar o consumidor final, mas sim o industrial abarcado pela lei, sendo efetivamente a isenção do IPI uma forma de diferir o pagamento do tributo na cadeia produtiva. Desta feita, julga que o contribuinte não tem direito aos créditos de IPI discutido nos autos. De outro lado, vem em defesa do contribuinte o Ministro Nelson Jobim, trazendo uma narrativa sobre a regulação da concorrência do mercado de refrigerantes e sucos feitos através de legislação do IPI. Diverge, assim, da posição do Relator, analisando especificamente o caso da produção de refrigerantes. Abaixo, colaciono o trecho mais expressivo do seu voto acerca das especificidades do caso concreto: Fl. 574DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 (...) O Ministro Nelson Jobim conclui então que, por força da técnica utilizada no Brasil para a tributação do valor agregado pela não cumulatividade do IPI, não se pode vedar a utilização do crédito pretendido pelo contribuinte que compra produtos da Zona Franca de Manaus, sob pena de tornar cumulativo o tributo não cumulativo, exterminando o objetivo extrafiscal pretendido pela tributação. Seguiram este entendimento divergente trazido por Nelson Jobim o Ministro Maurício Corrêa, o Ministro Sepúlveda Pertence, o Ministro Octavio Gallotti, o Ministro Sidney Sanches, o Ministro Néri da Silveira, expressamente consignando o acompanhamento das razões trazidas pela divergência. Igualmente votaram pelo não provimento do recurso os Ministros Moreira Alves e Marco Aurélio Mello. Ao final do julgamento pelo Pretório Excelso, ao acórdão foi atribuída a seguinte ementa: Destarte, pela análise das peças processuais trazidas aos autos (fls 172 e ss), constato que o tema do direito ao crédito de IPI decorrente de produtos com isenção saídos da Zona Franca de Manaus foi ampla e claramente tratado pelo contribuinte e apreciado pelo Poder Judiciário. É manifesto que a discussão jurídica travada no Mandado de Segurança n. 91.00095524, culminando no acórdão do RE 212.484/RS, beneficia o contribuinte, diferentemente do quanto alegado pela Autoridade Fiscal no item 11.2 do Termo de Constatação Fiscal. Por essas razões, muito embora não haja previsão legal para a tomada de crédito efetuada pelo contribuinte, há decisão judicial que lhe dá esse direito, transitada em julgado na data 10/12/1998 (fls 229), ou seja, anteriormente ao período glosado e cobrado (outubro de 2007 a dezembro de 2008) neste auto de infração. Lembrese que a decisão que Fl. 575DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11080.733814/201321 Acórdão n.º 3402002.900 S3C4T2 Fl. 571 11 julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão decidida (artigo 467 do Código de Processo Civil). Assim, os itens 01 e 03 do auto de infração, os quais se embasam justamente no argumento de falta de previsão legal para a utilização do crédito de IPI relativo aos insumos advindos de fornecedor da Zona Franca de Manaus com o benefício previsto no artigo 69, inciso II do RIPI/2002, devem ser cancelados. Registrese que, no presente caso, não é necessário – como normalmente ocorre adentrar na questão do histórico dos julgamentos do STF a respeito do direito ao crédito de IPI oriundo de operações onde não há cobrança do imposto, que, como argumentam os contribuintes de modo geral, diferenciase da situação dos créditos de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Estes seriam entendidos como um assunto “especial” no STF, em relação ao assunto “geral” de crédito de IPI de operações com alíquota zero, isentas ou não tributadas, os quais, como é consabido, não dão direito ao crédito do imposto, como firmando na alteração de jurisprudência consolidada nos RE 370.682 e 566.891. A alegada diferenciação das duas situações se depreenderia do RE n. 592.891, que parece dar tratamento diferenciado ao crédito de IPI decorrente de produtos munidos de isenção da Zona Franca de Manaus, cuja repercussão geral foi reconhecida, mas o julgamento encontrase ainda pendente. Com efeito, tal discussão é despicienda in casu. Afinal, o contribuinte ora recorrido possui decisão individual e concreta que lhe beneficia (o RE 212.484, tão conhecido e citado nas discussões sobre o tema), não dependendo de antigos ou eventuais novos entendimentos exarados em processos com força vinculante e efeito erga omnes proferidos pelo STF. Basta, no presente caso, que se respeite a autoridade da coisa julgada entre as partes ali firmada. Assim, exatamente por constar como parte do RE 212.484, a Vonpar Refrescos S.A. deve ser tratada de forma distinta daquela que prevalece nos recentes julgados proferidos pelo CARF, que não reconhecem o direito dos contribuintes ao crédito de IPI ora em discussão (Processo n. 10735.903077/201082, Acórdão n. 34030003.242 e Processo n. 10283.005286/200729, Acórdão 3403003.613). É verdade que tal situação pode criar desigualdade entre a Vonpar Refrescos S.A. e os demais contribuintes. Porém não cabe a este órgão julgador resolver esta eventual externalidade concorrencial, mas sim decidir conforme a lei. Em outros termos, certa ou errada a decisão proferida pelo STF no RE 212.484, cujo entendimento pode ser ou não alterado para terceiros pela decisão a ser proferida no RE 592.891, dotado de repercussão geral, neste caso específico que está sob julgamento há coisa julgada cogente entre as partes (Vonpar Refrescos S.A. e União Federal), cuja superior hierarquia deve guiar a Administração Pública. Consigno, por fim, que a coisa julgada configura instituto próprio do Estado Democrático de Direito, em que o zelo pela segurança jurídica tem papel primordial para a efetivação dos valores jurídicos constitucionais.2 Na Constituição de 1988, este instituto teve lugar dentre as garantias fundamentais (artigo 5º, inciso XXXVI da Constituição), possuindo, portanto, o status maior de cláusula pétrea da ordem jurídica, não podendo ser alterada sequer por atividade do constituinte derivado via emenda à Constituição (artigo 60, § 4º, CF/88). Afinal, a coisa julgada possui o condão de trazer a imutabilidade e definitividade aos efeitos da sentença, configurando “uma das mais representativas expressões de segurança jurídica.” 3 O 2 Laurentiis, Thais Catib de. Embargos à Execução, coisa julgada e inconstitucionalidade: uma análise das questões controvertidas acerca do art. 741, parágrafo único do Código de Processo Civil, Revista Dialética de Direito Processual n. 118, jan 2013, p. 127 – 151. 3 Torres, Heleno Taveira. Direito Constitucional Tributário e Segurança Jurídica. São Paulo: RT, 2011, p. 447. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Código de Processo civil determinou, igualmente, que, uma vez configurada a coisa julgada formal, não haverá mais espaço algum para que se discutam os exatos dizeres que foram colocados na sentença, salvo nas estreitas hipóteses em que a lei designa situações para tal afastamento, como decisão fundamentada de revisão proferida pelo próprio juízo ou os casos da ação rescisória (artigo 485, CPC). Neste caso, não há notícia de ação rescisória manejada pela Fazenda Nacional buscando reverter o entendimento transitado em julgado no RE 212.484 em favor do contribuinte Por conseguinte, não resta outro caminho a este Conselho se não reconhecer o direito ao crédito de IPI da Vonpar Refrescos S.A., nos exatos moldes da decisão transitada em julgado no RE n. 212.484, oriundo do Mandado de Segurança n. 91.00095524. CREDITO DECORRENTE DE COMPRA PARA ENTREGA FUTURA Como aludido alhures, o contribuinte assume nos autos que realmente não seria devido o crédito de IPI oriundo da Nota Fiscal n. 4.422, emitida pelo fornecedor de CNPJ 61.589/014481, a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura no primeiro decêndio de março de 2008, uma vez que a legislação tributária exige a efetiva entrada da mercadoria no estabelecimento para permitir a tomada do crédito (artigo 190, §2º do RIPI/2002). Porém, esclarece que posteriormente o mesmo fornecedor entregou a mercadoria com nota fiscais que foram registradas pela Recorrente sem o lançamento de créditos de IPI (período de julho a outubro de 2008). Assim, afirma expressamente em sua impugnação que, quanto a este ponto, só poderiam ser cobrados pela Administração juros e multa, mas não o principal (fls 151). A inexistência de dano ao Erário foi confirmada pela diligência requerida pela DRJ e bem pontuado pelo acórdão recorrido. Isto porque i) o valor total dos créditos relacionados nas notas fiscais trazidas aos autos, relativas à efetiva entrada no estabelecimento dos produtos adquiridos por meio da nota fiscal n. 4.442, soma o montante de R$ 258.588,39, sendo que o valor dos créditos glosados foi de R$ 278.600,00; ii) o saldo credor do contribuinte em janeiro de 2008 depois da reconstituição da escrita fiscal e tendo em vista que o saldo credor advindo de 2007, na soma de R$ 4.430.689,73, era válido por decisão judicial que lhe garantia os créditos tributários em questão, como assentado no tópico acima – era de R$ 3.654.338,76. Assim, não se pode falar em “falta de pagamento” de IPI em janeiro de 2008, a gerar a cobrança do valor principal estampado no item 02 do auto de infração, tampouco a ensejar a cobrança de multa e juros relacionados. Outrossim, o contribuinte retificou seu erro escusável anos antes do início do procedimento fiscal (15/12/2010), o que permite à autoridade julgadora decidir pela inaplicação da multa do IPI, nos moldes do artigo 80, §3º e §4º da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964 Deixo de analisar o ponto da decadência, uma vez que o caso se resolve em favor do contribuinte, que possui coisa julgada em seu favor. CONCLUSÃO Por tudo quanto exposto, voto pela improcedência do recurso de ofício, mantendo o cancelamento integral da exigência formalizada no auto de infração. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 577DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11080.733814/201321 Acórdão n.º 3402002.900 S3C4T2 Fl. 572 13 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10314.004997/2002-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002
REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
1. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei.
2. Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. NATUREZA JURÍDICA. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DE LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O ato de desembaraço aduaneiro põe termo a fase de conferencia aduaneiro do despacho de importação e tem o efeito de autorizar a liberação ou desembaraço da mercadoria, portanto, não tem a natureza ato de homologação expressa do lançamento por homologação nem de lançamento ofício, por não atender os requisitos dos arts. 142 e 150 do CTN.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de ofício em relação aos fatos geradores ocorridos até 10/09/2002, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Relator, Paulo Guilherme Délourède e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que exoneravam a multa para os fatos geradores ocorridos até 26/08/2001, e os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Walker Araújo e a Conselheira Rodrigues Prado, que davam integral provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de ofício em relação aos fatos geradores ocorridos até 10/09/2002, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Relator, Paulo Guilherme Délourède e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que exoneravam a multa para os fatos geradores ocorridos até 26/08/2001, e os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Walker Araújo e a Conselheira Rodrigues Prado, que davam integral provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo - Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTO DENOMINADO SWITCH. CÓDIGO NCM. O produto denominado switch classificase no código 8471.80.19 da NCM, em conformidade com o disposto na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (RGI1), combinado com o estabelecido na Regra Geral Complementar nº 1 (RGC1). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002 MULTA DE OFÍCIO. PERÍODO DE VIGÊNCIA DO ADN COSIT 10/1997. PRODUTO CORRETAMENTE DESCRITO NA DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DOLO OU MÁ FÉ. EXCLUSÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. No período de vigência do Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit 10/1997, que vai até 10/9/2002, não constituía infração punível com a multa de ofício 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996, a classificação tarifária errônea, desde que o produto estivesse corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constatasse intuito doloso ou má fé por parte do declarante. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE EXCLUDENTE DA INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do o § 2º do art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, a incorreta classificação fiscal do produto na Declaração de Importação (DI) tratase de conduta que se subsome perfeitamente à hipótese da infração por declaração inexata, descrita no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, e que independe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 49 97 /2 00 2- 67 Fl. 5486DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 2 de o produto encontrarse corretamente descrito ou da inexistência de dolo ou máfé do importador, por se revestir de responsabilidade por infração de natureza objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. JUROS MORATÓRIOS. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002 REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. 1. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei. 2. Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. NATUREZA JURÍDICA. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DE LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O ato de desembaraço aduaneiro põe termo a fase de conferencia aduaneiro do despacho de importação e tem o efeito de autorizar a liberação ou desembaraço da mercadoria, portanto, não tem a natureza ato de homologação expressa do lançamento por homologação nem de lançamento ofício, por não atender os requisitos dos arts. 142 e 150 do CTN. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de ofício em relação aos fatos geradores ocorridos até 10/09/2002, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Relator, Paulo Guilherme Délourède e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que exoneravam a multa para os fatos geradores ocorridos até 26/08/2001, e os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Walker Araújo e a Conselheira Rodrigues Prado, que davam integral provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Fl. 5487DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 3302003.083 S3C3T2 Fl. 5.487 3 Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 2/109), em que formalizada a cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 6.226.276,12, compreendendo o somatório do Imposto sobre a Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescidos de multa de ofício e juros de mora, calculado até 31/10/2002. De acordo com a Descrição dos Fatos que integra os referidos Autos de Infração, a fiscalização apurou que: a) o importador promoveu a importação de bens descritos como “distribuidores de conexões para redes”, de diversos modelos, classificandoos no código NCM 8471.80.14, com alíquotas de 4% para o II e de 0% para o IPI; b) a posição adotada pelo importador era de uso restrito e específico para os equipamentos do tipo “distribuidor de conexões físicas para equipamentos para redes locais HUB”, cuja função principal era a distribuição de conexões para redes de dados; c) os equipamentos efetivamente importados eram equipamentos do tipo SWITCH que, embora possibilitem a distribuição de conexões físicas, tinham como função principal o chaveamento de pacotes (“frames ou células”), baseado no endereçamento MAC (“medium access control”), que é o endereço físico de cada adaptador de rede; e d) a Diana/SRRF/8a.RF já proferira diversas decisões em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, de interesse da própria autuada, determinando que a correta classificação tarifária dos equipamentos em questão era no código NCM 8471.80.19. Após a ciência das autuações, a importadora apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 161/183, em que alegou, em síntese, o seguinte: a) dedicavase a importação e comercialização de software e equipamentos ligados à área da computação, entre eles o produto denominado “switching hub” ou “SWITCH”, sendo que tal produto era utilizado para a distribuição de conexões para redes, com classificação no código NCM 8471.80.14 Distribuidores de conexões para redes (“hubs”); Fl. 5488DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 4 b) no ano de 2000, apresentou diversas consultas à Receita Federal, trazendo aos autos a Solução de Consulta nº 73 (doc. 03). Nas respostas às consultas formuladas, fora aludido que, em função das propriedades específicas do “switching hub”, derivadas do aperfeiçoamento técnico do “hub”, os equipamentos não poderiam ser classificados na forma pleiteada pela Requerente; c) em preliminar, argumentou que a pretendida revisão de lançamento pelo Fisco não poderia ser realizada, pois a revisão de lançamento somente poderia ser feita quando decorrente de erro de fato. Assim, não podia o Fisco revisar o lançamento pela modificação dos critérios jurídicos que a ele se pretendia aplicar; d) houve erros materiais nas autuações, pois os autos lavrados contemplavam não apenas o produto importado “SWITCHING HUB”, mas também o produto “HUB”, conforme demonstrado na planilha anexada ao processo (doc. 04); e) parte dos produtos declarados nas DI nºs 00/12339584 (adições 4 e 5) e 01/04689085 (adição 01), além daqueles referidos nas DI nºs 00/09769484, 01/02912291, 01/06440777, 00/7850845, 00/10369583, 01/01220825 e 01/10318840 já foram objeto de autuação fiscal anterior, e para comprovar juntou cópias dos respectivos Autos de Infração (doc. nºs 90 e 91 fls 854/864); f) o equipamento “SWITCHING HUB”, assim como o “HUB”, era um aparelho utilizado para distribuir conexões de rede na topologia “estrela”, com o plus de enviar a informação apenas ao elemento de rede que é realmente seu destinatário, em tecnologia denominada “chaveamento” (de onde, aliás, provém a expressão inglesa “switch”). Assim, a qualidade adicional do “SWITCHING HUB”, em relação ao “HUB”, era a possibilidade de direcionamento do pacote de dados a um elemento de rede específico, sendo certo, porém, que a utilidade do “HUB” e do “SWITCHING HUB” era a já aludida distribuição de conexões para redes; g) a própria fiscalização reconheceu que tanto o “HUB” quanto o “SWITCHING HUB” prestavamse justamente à aludida distribuição de conexões para redes, sendo que um era tecnologicamente mais avançado que o outro, logo, tratavase apenas de uma característica adicional, nunca distintiva; h) a regra 3A (Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado) e a Regra Geral Complementar deixam claro que, na hipótese de dúvida entre duas classificações tarifárias no caso a NCM 8471.80.19 (“outras”) e a NCM 8471.80.14 (“distribuidores de conexões para redes”), deveria prevalecer aquela que fosse mais específica; i) o termo “HUB” trazido ao lado da indicação “distribuidores de conexões para redes” era meramente exemplificativo e evidentemente não impedia a inclusão de outras espécies de distribuidores de conexões, tais como os “bridges” ou os “switching hubs”, na mesma classificação; j) em relação à multa aplicada entendeu ser abusiva, com nítido caráter arrecadatório. Ademais, era inaplicável, consoante o Ato Declaratório 10/97; e l) no tocante aos juros de mora, aduziu que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não fora criada por lei, para fins tributários. Fl. 5489DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 3302003.083 S3C3T2 Fl. 5.488 5 No âmbito da DRJSPOII, por meio da Resolução nº 803, de 10/04/2008 (fls 866/869), os autos foram baixados em diligência perante a unidade da Receita Federal de origem, para fosse: a) verificado e informado se os Autos de Infração lavrados contemplavam além do produto importado “SWITCHING HUB”, também o produto “HUB”, conforme afirmara a impugnante; b) elaborado planilhas em detalhado, por declarações de importações (adições, item e valores), quais os equipamentos se referiam aos produtos do tipo “SWITCHING HUB” e quais se referiam aos do tipo “HUB”; c) verificado e informado se efetivamente parte dos produtos abrangidos nas DI nºs 00/12339584 (adições 4 e 5) e 01/04689085 (adição 01), além daqueles referidos nas DI nºs 00/09769484, 01/02912291, 01/06440777, 00/7850845, 00/10369583, 01/01220825 e 01/10318840, já foram objeto de autuação fiscal anterior, por parte da própria IRF São Paulo. Em caso afirmativo, elaborar planilhas detalhando quais as declarações de importações (adições, item e valores) foram lançadas em duplicidade. Em atendimento ao solicitado na referida diligência, a fiscalização tomou as providências, relatadas no Relatório Fiscal de fls. 5258/5259. A autuada foi intimada a se manifestar, no prazo de 10 dias, sobre o resultado da diligência, bem como recebeu cópia dos documentos produzidos durante os trabalhos de diligência. Em 18/09/2009, após o retorno dos autos ao órgão julgado de primeira instância, a interessada protocolizou os documentos de fls. 4.453/4353, contendo manifestação sobre o Laudo Técnico elaborado pelo perito Sr. Boris Largman e Parecer elaborado pelo seu perito assistente, o Sr. Wagner Luiz Zuchi. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 5354/5375), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgado procedente em parte e exonerados parcialmente os créditos tributários lançados, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL EQUIPAMENTO TIPO “SWITCH”. Produto denominado “Distribuidor de conexão para redes tipo SWITCH”, devem ser classificado no código NCM 8471.8019. Tanto o equipamento tipo ‘HUB’, como o tipo ‘SWITCH’ são distribuidores de conexões de rede, entretanto, o primeiro não possui a capacidade de identificar o destino dos pacotes de dados que trafegam de um segmento de rede a outro, e o segundo possui esta capacidade. Portanto, eles têm funções diferentes. Para o caso, existem Soluções de Consulta regularmente exaradas especificamente para as mercadorias objeto do litígio fiscal, a pedido da própria autuada. Cabíveis a diferença do tributo, juros moratórios e multa por declaração inexata da mercadoria. Fl. 5490DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 6 Cientifica da referida decisão, em 18/12/2009 (fl. 5392), a autuada protocolou, em 18/1/2010, o recurso de voluntário de fls. 5395/377, em que: 1) em preliminar, alegou: a) que eventual recurso de ofício interposto, em relação aos erros materiais apontados na peça impugnatória e corrigidos pela decisão de primeiro grau, deveria ter o seu provimento negado; b) que havendo divergência entre os laudos técnicos, deveria prevalecer o favorável ao contribuinte, por força do disposto no art. 112 do CTN, que prever a aplicação do in dúbio pro reo; e c) impossibilidade jurídica de revisão do lançamento, uma vez que o ato de desembaraço aduaneiro configurava homologação expressa do lançamento e, neste caso, nos termos do art. 149 do CTN, o lançamento somente poderia ser revisto diante de erro de fato ou vícios de simulação ou fraude, sob pena de mudança de critério jurídico; e 2) no mérito, a recorrente alegou: a) que estava correta a classificação fiscal por ela adotada para o produto denominado “Distribuidor de conexão para redes tipo SWITCH”, com base nos seguintes argumentos: (i) o enquadramento dos produtos nos itens da subposição 8471.80 era feito a partir da função de cada um deles, não de seu estágio tecnológico, portanto, era irrelevante se o equipamento era ou não tecnologicamente mais avançado, que se tratava, apenas, de uma característica adicional, nunca distintiva entre os equipamentos; e (ii) um equipamento que, reconhecidamente exerce a função de distribuir conexões de rede, como era o caso dos “switching hubs”, porém, de forma mais sofisticada tecnologicamente, ao introduzir um sistema de “chaveamento”, devia ser classificado na posição cujo texto melhor refletisse tal função, que seria no código NCM 8471.80.14, que abrange todos distribuidores de conexões para redes e não somente o “hub”, já que a própria NESH, ao dar exemplos de tais distribuidores, citava, além do “hub”, o “bridge”, uma outra espécie de distribuidor de conexões para redes com a mesma finalidade (tal qual o “switching hub”); b) a multa de ofício aplicada era indevida, pois contrariava o disposto no Ato Declaratório (Normativo) Cosit 10/97; e c) era inaplicável a taxa Selic com índice de cálculo dos juros moratórios, uma vez que a referida taxa não fora criada por lei para fins tributários. Em virtude de o crédito tributário exonerado ter superado o limite de alçada, determinado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, foi interposto recurso de ofício em relação à parcela exonerada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomase conhecimento. Da mesma forma, o recurso de ofício interposto preenche os pressupostos de admissibilidade e também deve ser conhecido. Do Recurso de Ofício. As matérias objeto de recurso de ofício foram as relativas aos créditos tributários exonerados em decorrência de alegada existência de (i) erros materiais nas autuações e (ii) duplicidade de lançamento. Fl. 5491DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 3302003.083 S3C3T2 Fl. 5.489 7 Em relação aos erros materiais de lançamento, a Turma de Julgamento de primeiro grau acatou a alegação da autuada, baseada no argumento de que, além dos produtos do tipo “SWITCHING HUB”, nos lançamentos foram incluídos também produtos do tipo “HUB”. Esse equívoco foi reconhecido pela própria fiscalização, conforme explicitado no Relatório de fls. 5258/5259 e demonstrado nas planilhas de fls. 5199/5219. Da mesma forma, no que tange à alegação de que houve duplicidade de lançamento, o Órgão de julgamento de primeira instância também fundamentou a decisão de exonerar a parcela dos créditos lançados em duplicidade, com base na informação prestada pela fiscalização por meio do referido Relatório Fiscal. Com efeito, no citado documento a fiscalização reconheceu o equívoco cometido e, para fim de demonstração dos valores exigidos em duplicidade, elaborou a planilha fl. 5225, em que foram discriminados os valores já lançados, objeto de cobrança por intermédio do processo nº 10314.003994/200214. Dessa forma, uma vez que a decisão recorrida foi baseada nas informações prestadas pela própria fiscalização que, expressamente, reconheceu os equívocos cometidos nas autuações, que foram alegados pela autuada, logo, em relação às matérias recorridas de ofício, não merece qualquer reparo o acórdão recorrido. Do Recurso Voluntário. No recurso voluntário, as razões de defesa suscitadas pela recorrente envolvem questões preliminares e de mérito. Em sede de preliminar, a recorrente alegou a insubsistência das autuações baseada no argumento de que, havendo divergência entre laudos técnicos, deveria prevalecer aquele que lhe favorecia e que o ato de desembaraço aduaneiro configurava homologação expressa do lançamento que impedia a revisão do lançamento. No mérito, a recorrente alegou que a classificação fiscal por ela adotada estava correta e que eram indevidas a aplicação da multa de ofício e a cobrança dos juros moratórios com base na variação da taxa Selic. Das questões preliminares. Em preliminar, a recorrente alegou a insubsistência das autuações baseada no argumento de que, diante de suposta divergência entre as conclusões exaradas nos dois laudos técnicos colacionados aos autos, deveria prevalecer aquele que lhe favorecia. Inicialmente, cabe esclarecer que não há nos autos dois laudos técnicos, como alegou a recorrente. O Parecer Técnico de fls. 5275/5353, da lavra do Prof. Dr. Wagner Luiz Zucchi, elaborado a pedido da recorrente, por ela acostados aos autos, não pode ser considerado laudo técnico, para os fins previstos no art. 30 do Decreto 70.235/1972, pois não atende as condições e os requisitos estabelecidos nos arts. 569 e 813 do Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009 (Decreto 6.759/2009), e nos arts. 17, 36 e 37 da Instrução Normativa SRF 157/19981, ambos vigentes na época em que foi emitido o citado Parecer. Na forma da legislação vigente, o único documento, colacionado aos autos, que preenche tais condições e pode ser considerado laudo técnico, nos termos da citada legislação, é o parecer técnico de fls. 2648/2743, da lavra do Eng. Boris Largmann, credenciado perante a unidade da Receita Federal de origem, em que foram apresentadas as respostas aos quesitos formulados tanto pela fiscalização (fls. 2659/2727) quanto pela autuada 1 Revogada pela Instrução Normativva RFB 1020/2010. Fl. 5492DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 8 (fls. 2728/2738), inclusive, o autor do citado Parecer Técnico atuou como assistente técnico (fls. 2578/2580) durante o trabalho pericial que culminou com a lavratura do citado laudo técnico. Com base nessas considerações, rejeitase a alegação de suposta divergência entre laudos técnicos suscitada pela recorrente. Ainda em preliminar, a recorrente alegou impossibilidade jurídica da realização do procedimento de revisão aduaneira em apreço, com base no argumento de que ato de desembaraço aduaneiro configurava homologação expressa do lançamento, logo, a realização de novo lançamento era vedada por configurar mudança de critério jurídico. Não assiste razão à recorrente. Sabidamente, o ato de desembaraço aduaneiro não tem a natureza de ato de lançamento de ofício e tampouco ato de homologação expressa do lançamento por homologação. Com efeito, o ato desembaraço aduaneiro, proferido ao final da fase de conferência aduaneira do despacho aduaneiro de importação, tem efeito de formalizar a liberação ou desembaraço da mercadoria, conforme expressamente estabelecido no art. 51 do Decretolei 37/1966. E como as informações e os valores consignados na DI, incluindo a classificação fiscal da mercadoria, foram prestados pelo próprio importador, previamente ao início do despacho aduaneiro, se algum critério jurídico foi definido até o ato de desembaraço aduaneiro, certamente, ele deve ser atribuído ao importador e não a autoridade fiscal, que se limitou a liberar a mercadoria. Entretanto, ainda que haja lançamento de crédito tributário, apurado na fase de conferência aduaneira, por força de autorização legal expressa (art. 54 do Decretolei 37/1966), na fase de revisão aduaneira, a autoridade administrativa tem plena competência, para, na eventual apuração de irregularidade no pagamento de tributos, na aplicação de benefício fiscal e na exatidão das informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Dessa forma, se o ato de desembaraço aduaneiro se restringe ao respectivo despacho aduaneiro de importação e tem como efeito a liberação da mercadoria importada, obviamente, a ele não pode ser atribuído a natureza de ato de homologação expressa dos tributos devidos na correspondente operação de importação, por não atender as condições previstas no art. 150 do CTN. E por ter natureza de direito indisponível, cabe a lei mencionar qual o ato administrativo que tem o efeito de extinguir o crédito tributário. E o desembaraço aduaneiro, inequivocamente, não tem esse efeito, pois não se encontra mencionado no rol taxativo dos atos extintivos do crédito tributário, elencados no art. 156 do CTN. Não se pode olvidar, ademais, que a necessidade de celeridade dos atos de liberação da imensa quantidade de mercadorias importadas e estocadas diariamente nos recintos alfandegados brasileiros, impossibilita que a fiscalização aduaneira, na fase de conferência aduaneira do despacho, realize um exame minucioso de todos os aspectos aduaneiros e tributários atinentes aos inúmeros despachos aduaneiros de importação que se processam diariamente nas inúmeras unidades aduaneiras da RFB. Dada essa característica, para evitar prejuízo financeiro aos importadores, decorrentes de demora na liberação das mercadoria, e prejuízo à Fazenda Nacional, com o não pagamento de tributos devidos, andou bem a lei em autorizar a realização procedimento de revisão aduaneira do despacho aduaneiro após o ato de desembaraço aduaneiro, enquanto não ocorrida a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Fl. 5493DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 3302003.083 S3C3T2 Fl. 5.490 9 Assim, se há expressa previsão legal, o lançamento por homologação, realizado pelo importador, mediante antecipação do pagamento dos tributos apurados na DI, ou o lançamento de ofício realizado na fase de conferência aduaneira do despacho de importação, pode ser revisto pela autoridade fiscal antes de findo o prazo decadencial, conforme autoriza o art. 149, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...] (grifos não originais) E em consonância como referido comando legal, a lei expressamente determina que, se apurada falta ou insuficiência de pagamento de tributos, na fase de revisão do despacho aduaneiro de importação, por força do disposto no art. 142 do CTN, o lançamento para exigência dos valores apurados deve ser feito pela autoridade fiscal, sob pena responsabilidade funcional. Com base nessas considerações, rejeitase a alegada preliminar de impossibilidade jurídica de realização de revisão do despacho aduaneiro importação. Das questões de mérito. Inicialmente, cabe esclarecer que, no caso em tela, inexiste controvérsia quanto a identificação/descrição do produto denominado Switch ou Switching hub. Esta última denominação é utilizada no meio comercial. Nesse sentido, é ilustrativo o seguinte excerto extraído do recurso voluntário em apreço: Em primeiro lugar é importante destacar que a Recorrente, em nenhum momento, refutou a existência de contrastes técnicos e operacionais entre os dois produtos. Pelo contrário, esta, de fato, usouos como base perene à sua argumentação. A controvérsia limitase ao enquadramento do referido produto a nível de subitem da NCM. Em outras palavras, também inexiste dissenso quanto ao fato de o produto pertencer ao item 8471.80.1 da NCM, que compreende as “Unidades de controle ou de adaptação e unidades de conversão de sinais”, desdobradas nos seguintes subitens, in verbis: 8471.80.1 Unidades de controle ou de adaptação e unidades de conversão de sinais 8471.80.12 Controladora de comunicações (“frontend processor”) 8471.80.13 Tradutores (conversores) de protocolos para interconexão de redes ("gateways") 8471.80.14 Distribuidores de conexões para redes ("hubs") 8471.80.19 Outras (grifos não originais) Assim, a questão que precisa ser dirimida reside no enquadramento do produto em nível de subitem, pertencente ao item 8471.80.1 da NCM. Para a recorrente, o Fl. 5494DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 10 citado produto pertence ao subitem 4, código completo da NCM 8471.80.14, destinado aos “Distribuidores de conexões para redes ("hubs")”. Enquanto que para a fiscalização, o referido produto pertence ao subitem 9, código NCM completo da 8471.80.19, destinado as “Outras” “Unidades de controle ou de adaptação e unidades de conversão de sinais”. Para o enquadramento do citado produto no código NCM 8471.80.19, a fiscalização alegou que, embora o Switch também possibilitasse a distribuição de conexões físicas de equipamentos numa rede local, da mesma forma que o Hub, aquele tinha como função principal o chaveamento de pacotes (“frames ou células”), baseado no endereçamento MAC (“Médium Access Control”), que é o endereço físico de cada adaptador de rede. Por sua vez, a recorrente justificou a classificação do produto no código 8471.80.14, com base no argumento de que o enquadramento do Switch em nível de subitem era feito na sua função e não no seu estágio tecnológico. Assim, se o Switching hub na realização da sua função de distribuir conexões de rede utiliza o sistema de “chaveamento”, tecnologicamente mais sofisticado, ele devia ser classificado no subitem que melhor refletisse tal função. E, no entender da recorrente, o texto do código NCM 8471.80.14 era o que melhor descrevia o produto, uma vez que abrange todos distribuidores de conexões para redes e não somente o Hub com entendera a fiscalização. Do cotejo dos dois posicionamentos, verificase que não há controvérsia em relação à função que desempenham ambos os equipamentos, pois tanto o Hub quanto Switch exercem a função de equipamento distribuidor de conexões para redes, bem como na arquitetura física, uma vez que ambos se interligam aos computadores da rede por meio de fios. A divergência reside na tecnologia e forma de trabalho de cada equipamento, ou seja, como cada um recebe e distribuição os pacotes de dados entre os computadores interligados fisicamente na rede. O Hub trabalha na camada 1 (nível físico) do modelo ISO/OSI, que é um modelo padrão de interconectividade entre computadores. Ele recebe dados vindos de um computador e os transmite a todos os outros computadores da rede. No momento em que isso ocorre, nenhum outro computador consegue enviar sinal. O recebimento e envio de novo sinal somente acontece após o sinal anterior ter sido completamente distribuído a todos os computadores. Enquanto o Switch trabalha na camada 2 (nível de enlace) do modelo ISO/OSI. Ele inspeciona os primeiros “bytes” do pacote para descobrir o endereço de destino, em seguida, baseado em sua tabela de endereçamento, construída dinamicamente, redireciona o pacote de dados para a porta correspondente e quando uma porta está “ocupada”, ele armazena os dados num “buffer” interno e depois os envia automaticamente ao computador de destino. Portanto, é evidente a diferença da forma de trabalho do Hub e do Switch. Este recebe os dados do computador de origem e os repassa somente ao computador de destino. E isso é realizado porque os Switches criam uma espécie de canal de comunicação exclusiva entre o computador de origem e o de destino. Dessa forma, a rede não fica “presa” a único computador no envio de informações, aumentando o desempenho da rede, já que a comunicação está sempre disponível. Dada essa característica, temse que a função principal do Switch não é o recebimento e a remessa dos dados, mas o chaveamento de pacotes (“frames” ou células), baseado no endereçamento MAC (“Medium Access Control”), que é o endereço físico de cada adaptador na rede. Assim, apesar do Switch também realizar a distribuição de conexões físicas entre os equipamentos de uma rede local, da mesma forma que o Hub, a sua função principal é a de realizar o chaveamento e o direcionamento de pacotes de dados entre suas portas, portanto, indo além do nível físico e atuando no nível de enlace. O Hub, por sua vez, não Fl. 5495DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 3302003.083 S3C3T2 Fl. 5.491 11 realiza nenhuma destas funções, ou seja, ele não lê endereços de frames de entrada para determinar a porta de saída e não possui uma estrutura de comutação para fazer que o frame chegue à porta desejada. Ele simplesmente é um repetidor, enviando um quadro recebido por uma porta para todas as outras portas. Em outras palavras, o Hub simplesmente distribui a informação recebida para todas as conexões de rede ao qual está vinculado, daí a sua identificação como “distribuidor de conexões para redes”. Uma vez definida a função principal do Switch, o texto da nota 3 da Seção XVI, que compreende os Capítulos 84 e 85, orienta como deve ser feita a sua classificação na NCM, ao dispor que as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal, conforme dispõe o referido texto, que segue transcrito: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrado que o Switch não pode ser considerado como um dos equipamentos “Distribuidores de conexões para redes (“hubs”)”, o que exclui a possibilidade de seu enquadramento no código NCM 8471.80.14, destinado exclusivamente para os hubs. Dessa forma, como Switch está compreendido entre as unidades de controle ou de adaptação do item 8471.80.1 da NCM, por falta de código mais específico, em conformidade com a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (RGI1), combinado com Regra Geral Complementar nº 1 (RGC1), ele enquadrase no subitem residual das “outras unidades de controle ou de adaptação e unidades de conversão de sinais” do código NCM 8471.80.19. Por fim, cabe ressaltar ainda que não se aplica ao caso em tela os critérios de classificação da RGI3a, específica para a classificação dos produtos misturados ou dos artigos compostos, o que, obviamente, não é o caso da classificação do produto em destaque. Também não serve para classificar o Switch, em nível de subitem, o texto da nota D4 da posição 84.71 das NESH2, a seguir transcrito: D. UNIDADES APRESENTADAS ISOLADAMENTE A presente posição compreende também as diversas unidades constitutivas dos sistemas para processamento de dados apresentadas isoladamente. Estas podem apresentarse na forma de máquinas alojadas em um gabinete ou invólucro distinto, concebidas para serem conectados por cabos, por exemplo, a outras máquinas fazendo parte do sistema, ou na forma de unidades sem gabinete ou invólucro distinto, concebidas para serem introduzidas em uma máquina (no circuito principal de uma unidade central de processamento, por exemplo). Consideramse como unidades constitutivas destes sistemas as 2 Aprovada pela Instrução Normativa SRF nº 157, de 10 de maio de 2002. Fl. 5496DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 12 unidades definidas nas partes A e B acima apresentadas como fazendo parte de sistemas completos. Entre as unidades constitutivas visadas, convém assinalar as unidades de visualização (display units) de máquinas automáticas para processamento de dados que apresentam de modo gráfico os dados processados. Estas unidades diferem dos monitores de vídeo e dos receptores de televisão da posição 85.28 em vários aspectos e, em especial, nos seguintes pontos: [...] 4) As unidades de controle ou de adaptação tais como as destinadas a efetuar a interconexão da unidade central com outras máquinas digitais para processamento de dados, ou com grupos de unidades de entrada ou de saída que possam compreender as unidades de visualização (display units), os terminais remotos, etc. Pertencem a esta categoria os controladores de comunicação ou roteadores, os distribuidores de conexão (bridges e hubs), utilizados para controlar e dirigir as comunicações entre as diferentes máquinas de uma rede local (LAN) e os adaptadores de canais, que servem para ligar entre si dois sistemas digitais (duas redes locais, por exemplo). (os trechos em negritos e sublinhados não constam dos originais). Da simples leitura do texto em destaque, verificase que ele trata do enquadramento dos produtos no item 8471.80.1 Unidades de controle ou de adaptação e unidades de conversão de sinais, e não do enquadramento dos produtos no subitem 8471.80.14 Distribuidores de conexões para redes ("hubs"), como alegou a recorrente. Ademais, em consonância com os esclarecimentos anteriormente aduzidos, o texto expressamente menciona que os distribuidores de conexão são apenas os bridges e os hubs. Assim, ao não mencionar o switch como um equipamento distribuidor de conexões, o texto da nota em comento ratifica o entendimento aqui esposado de que, para fim de classificação fiscal, o switch não pode ser considerado unidade distribuidora de conexões para redes. No mesmo sentido, cabe trazer à colação os seguintes julgados do extinto 3º Conselho de Contribuintes e, mais recentemente, do CARF: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA DE MERCADORIA. A melhor classificação tarifária para o produto identificado comercialmente como "switching hub" é no código NCM 8471.80.19, conforme indicado pelo Fisco. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara, Ac. 30237.197, de 6/12/2005, rel. Paulo Roberto Cucco Antunes) CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IMPOSTO SOBRE PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EQUIPAMENTO WSC3524XLEN – "SWITCH". Correta a classificação fiscal no código NCM 8471.80.19. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara, Ac. 30133.265, de 18/10/2006, rel. Susy Gomes Hoffmann) II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto denominado switch classificase no código 8471.80.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul. (CARF, 3ª Fl. 5497DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 3302003.083 S3C3T2 Fl. 5.492 13 Seção, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3202001.400, de 12/11/2014, rel. Gilberto de Castro Moreira Junior) Por todas essas razões, fica demonstrado que a classificação fiscal correta do produto denominado de Switch é no código 8471.80.19 da NCM, vigente na data dos fatos geradores dos tributos lançados, conforme entendimento da fiscalização. No tocante às multas de ofício por falta de pagamento de tributos, previstas no art. 44, I, do Lei 9.430/1996, em relação ao II, e no art. 8º da Lei 4.502/1964, com a redação do art. 45 da Lei 9.430/1996, referente ao IPI, antes de 27/8/2001, vigia o Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit 10/1997, que no seu item 13, eximia da referida multa os casos de apuração de diferença de tributos decorrentes de “classificação tarifária errônea”, desde que o produto estivesse corretamente descrito na DI, com todos os elementos necessários à sua identificação e que não fosse constatado intuito doloso ou má fé por parte do declarante, condições que se reputa atendidas, em consonância com os fatos descritos nas questionadas autuações. Acontece que, em 27/8/2001, o citado ADN foi tacitamente revogado pelo § 2º4 do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Em seguida, de forma expressa, em 11 de setembro de 2002, o citado ADN foi expressamente revogado pelo art. 2º do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF 13/2002. Assim, a partir de 27/8/2001, no âmbito dos tributos devidos na operação de importação, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate intuito doloso ou má fé por parte do declarante, não constitui infração punível com a multa de ofício em apreço, apenas as hipóteses de solicitação de exoneração tributária, parcial ou total, relacionadas no ADI SRF 13/2002, que tem a seguinte redação, in verbis: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque 3 O item 1 do referido ADN tem a seguinte redação: " O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34,de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art. 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e art. 107, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (...)”. 4 § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Fl. 5498DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 14 ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cositnº 10, de16 de janeiro de 1997. (grifos não originais) Da simples leitura do citado ADI, verificase que a hipótese excludente da referida infração, por erro de classificação fiscal, não faz parte das condutas eximentes da infração punível com a questionada multa de ofício. Dessa forma, a incorreta classificação fiscal do produto na NCM tratase de situação que se subsome perfeitamente à hipótese da infração por declaração inexata descrita no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, independente do produto encontrarse corretamente descrito ou da existência de dolo ou máfé do importador, especialmente, tendo em conta que a responsabilidade pela infração em comento tem natureza objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. Assim, com base nessas considerações, reconhecese parcial procedência à alegação da recorrente, para considerar indevida a exigência da multa de ofício de 75% (setenta cinco por cento), incidente sobre a diferença dos impostos lançados, limitada aos fatos geradores ocorrido antes do dia 27/8/2001, data que entrou vigor o § 2º do art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001. Por fim, a recorrente alegou que era indevida a cobrança de juros moratórios com base na variação da taxa Selic, porque se trata de incide que não fora criado por lei, para fins tributários. Não procede a alegação da recorrente. A cobrança dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, está em perfeita consonância com o disposto no § 1º do art. 161 do CTN, que estabelece o seguinte, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...). (grifos não originais) Assim, em conformidade com o transcrito preceito legal, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu o seguinte regramento, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] Fl. 5499DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 3302003.083 S3C3T2 Fl. 5.493 15 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A matéria foi objeto de julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.111.175 SP5, submetido ao regime do recurso repetitivo, estabelecido no 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade da cobrança dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, nos termos do enunciado da ementa a seguir transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250∕95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250∕95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257∕SC, 399.497∕SC e 425.709∕SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c∕c a Resolução 8∕2008 Presidência∕STJ. Dessa forma, em cumprimento ao disposto no art. 62, § 2º6, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, aqui se adota as mesmas razões de decidir consignadas no referido julgamento como fundamento da presente decisão. 5 STJ, Primeira Seção, Relatora Ministra Denise Arruda, julgado em 01/09/2009, DJe 18/09/2009. 6 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 5500DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 16 No mesmo sentido, também se firmou a jurisprudência deste Conselho, nos termos da Súmula Carf nº 4, a seguir transcrita: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por essas considerações, deve ser mantida a cobrança dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, conforme determinado nos referidos autos de infração. Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício de 75% (setenta cinco por cento), incidente sobre a diferença dos impostos lançados, referentes aos fatos geradores ocorrido até o dia 26/8/2001. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheiro Walker Araújo, Redator Designado. Em que pese as razões arroladas pelo ilustre Relator, peço licença para divergir do ponto que restringiu a exclusão da multa de ofício de 75% (setenta cinco por cento) somente em relação aos fatos geradores ocorridos antes do dia 27/8/2001. Como se vê, o entendimento do ilustre Relator é no sentido que o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 16 de janeiro de 1997, que eximia a aplicação de multa nos casos de apuração de diferença de tributos decorrentes de “classificação tarifária errônea”, desde que o produto estivesse corretamente descrito na DI, foi tacitamente revogado pelo § 2º do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, publicado em 27.08.2001. Por esse motivo, restringiu a exclusão da multa de ofício de 75% (setenta cinco por cento) somente em relação aos fatos geradores ocorridos antes do dia 27/8/2001. Todavia, ao tempo em que ocorreram os fatos geradores sob análise, período compreendido entre 08/12/1998 a 02/09/2002, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 16 de janeiro de 1997, estava em plena vigência e estabelecia regra de exclusão nos seguintes termos: (...) Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho Fl. 5501DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 3302003.083 S3C3T2 Fl. 5.494 17 aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Referida norma, ao contrário do entendimento apresentado pelo ilustre Relator, foi excluída do ordenamento jurídico (revogação expressa) quando da publicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10.09.2002, veiculado no Diário Oficial da União em 11.09.2002, e não pelo § 2º do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Desta forma, considerando que a Recorrente não agiu com dolo quando prestou informações sobre a classificação das mercadorias importadas, as quais foram corretamente descritas, não merece prosperar a cobrança da multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento recurso voluntário para excluir a multa de ofício de 75% (setenta cinco por cento), incidente sobre a diferença dos impostos lançados, referentes aos fatos geradores ocorrido até o dia 10.09.2002. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Walker Araujo Fl. 5502DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721690/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008 Ementa:
SUDAM. BENEFÍCIO FISCAL. ILEGALIDADE DO ARTIGO 60 DA IN N° 267/2002. ILEGALIDADE DO ARTIGO 3'1 DO DECRETO 4.212/2002. INEXISTÊNCIA DE CONDIÇÕES OU RESTRIÇÕES NA MP N° 2.19914/2001.
Não existe no texto da MP n° 2.199-14/2001 nenhum dispositivo prescrevendo que a referida regra que tem força de lei seria regulamentada pela Receita Federal do Brasil ou por meio de Decreto.
O artigo 3o do Decreto n° 4.212/2002 e o artigo 60 da IN n° 267/2002, usurparam competência da "lei", não podendo esvaziar a competência trazida na MP quanto ao Ministério da Integração Nacional em relação à concessão do direito ao gozo do benefício fiscal, transferindo essa competência sem previsão em "lei ordinária ou MP" para a Receita Federal por meio de normas infralegais.
O artigo 561 do RIR/99 apenas menciona a comunicação aos órgãos da Secretaria da Receita Federal quanto à redução do artigo 559 do RIR, ou seja, não atribui nenhuma exigência, ato ou condição para a Receita Federal.
JUROS SOBRE MULTA.
Há falta de previsão legal expressa para a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício.
Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-001.111
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso voluntário, acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Numero do processo: 13506.000902/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62 § 2º.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 - B e 543 - C do CPC. Art. 62 § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62 § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC. Art. 62 § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 6. 00 09 02 /2 00 8- 62 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13506.000902/200862 Acórdão n.º 2202003.041 S2C2T2 Fl. 128 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Retornam estes autos de Diligência determinada pela Resolução nº 2801 000.322, da extinta 1ª Turma Especial, proferida em Sessão de 04 de novembro de 2014. Na ocasião, como Relator, elaborei o seguinte relatório, que bem serve para resumir os fatos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade do contribuinte recorrente com a Notificação de Lançamento constante da fl. 13 e ss., que resultou da revisão as informações prestadas em sua declaração de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas do exercício de 2007, ano calendário de 2006, onde se verifica, na “descrição dos fatos”, que a Fiscalização constatou a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, confrontando o valor dos rendimentos tributáveis declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF. Narra a Autoridade Fiscal que constatou a omissão de rendimentos tributáveis sujeitos á tabela progressiva no valor de R$ 72.203,16, tendo sido, na apuração exofficio, compensado valor de IRRF de R$ 2.166,09(fl. 15). A fonte pagadora apontada é a Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.306.305/000115. O Lançamento exigiu do contribuinte, assim, o crédito tributário importando em R$ 15.123,87 a título de imposto suplementar, acrescido de R$ 11.342,90 a título de multa proporcional (75%) e mais juros de mora com base na taxa Selic. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação, onde concentra suas razões no cálculo efetuado pela Autoridade Fiscal, em função da existência de parcelas isentas/não tributáveis (sucumbência e honorários advocatícios) e, principalmente, na não incidência do imposto, na forma como foi apurado, sobre verbas recebidas acumuladamente, em razão da faixa de tributação dos rendimentos em cada competência. A manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ em Salvador/BA, tendo aquela instância de julgamento concluído pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário exigido, em suma, com os seguintes argumentos: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13506.000902/200862 Acórdão n.º 2202003.041 S2C2T2 Fl. 129 3 não foram apresentados documentos que comprovassem as alegações de que as verbas se enquadrem nas hipóteses legais de isenção; não foi comprovada a alegação de que as diferenças recebidas acumuladamente estariam abaixo do limite de alcance da tributação mensal pelo imposto de renda. Ressalva, não obstante, que caso restasse demonstrado, isso seria relevante para o cálculo do imposto retido na fonte mas não para a tributação, no ajuste anual, defendendo a aplicação do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988. destacou ainda que não foram apresentados documentos hábeis a comprovar as despesas com advogado, como por exemplo o recibo. Cientificado da decisão de 1ª instância em 11/03/2011 (AR na fl. 78), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/04/2011 (fl. 79). Em sede de recurso, repisa as razões apresentadas anteriormente, nos autos, do que destaco: o Recorrente, em processo judicial de revisão de pensão previdenciária, tramitado junto ao juízo federal de São Paulo, processo nº 2008/0085155, obteve o direito de revisão no valor de pensão previdenciária. parte do valor disponibilizado foi pago a título de honorários de sucumbência. Também deve ser levada em conta a parcela que foi paga a título de honorários advocatícios. o acréscimo patrimonial "é fictício" por ser ocasionado por pagamento único de inúmeras "mensalidades atrasadas", conforme arresto publicado em ação de repetição do indébito ajuizada em face da União. fala da ação civil pública nº 1999.61.00.0037100/SP onde houve "a tutela antecipada para determinar ao INSS que se abstenha de efetuar o desconto na fonte do IR, nas hipóteses de pagamento realizado a destempo..." fala ainda de parcelas indenizatórias que seriam isentas do imposto de renda. Requer que seja declarada a improcedência total da ação fiscal, "em face do IR não alcançar pagamento indenizatório sobre diferenças de pensão previdenciária decorrente de decisão judicial". Em Sessão de 21 de novembro de 2012, esta Turma Especial decidiu pelo sobrestamento do julgamento, considerando que à matéria que versa sobre tributação de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de decisão judicial foi atribuída a repercussão geral, pelo STF, que também determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre o tema, nos termos do art. 543B do CPC. Considerando ainda que havia no Regimento Interno deste Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13506.000902/200862 Acórdão n.º 2202003.041 S2C2T2 Fl. 130 4 CARF determinação para que se sobrestassem os julgamentos de recursos administrativos, nessas condições, assim restou decidido (fl. 93/94). Posto o processo em julgamento, no Voto que conduziu a referida resolução pela diligência, concluiuse: ... por converter o julgamento em DILIGÊNCIA a fim de que o Recorrente seja cientificado desta Resolução e intimado a apresentar a Sentença e demais atos judiciais, como por exemplo a liquidação, execução e acordo, se houver, que determinaram o pagamento das verbas que aqui se discute, especificando sua natureza e a que períodos se referem. Cumprida a Diligência, vieram aos autos os documentos de folhas 106 a 119. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). A determinação da diligência esteve centrada na matéria que aqui se discute, qual seja, a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial. O Contribuinte afirmou que se tratavam de rendimentos decorrentes de revisão de benefício previdenciário, pago pelo INSS. Primeiro, é importante repetir aqui o que já havia tratado na Resolução, anterior, sobre os limites da lide e o pedido do contribuinte: O contribuinte alega que o lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial contra o INSS. Fala ainda em "repetição do indébito" de valores retidos pela fonte, anexando certidão de folhas 61 e seguintes, que trata da Ação Civil Pública 1999.61.0037100. Estes autos, contudo, não se prestam a repetição de indébito tributário. Aqui, os limites da lide são traçados de um lado pela pretensão do Fisco, consubstanciada na Notificação de Lançamento, e de outro pela resistência do contribuinte, expressa nas suas peças de impugnação e recurso. Assim, a pretensão do Fisco é a exigência do tributo sobre determinado valor identificado como "omissão de rendimentos", conforme a Notificação. Não se pode ir além, para pedir restituição de imposto que foi retido pela fonte pagadora, como consta da Impugnação, na folha 09. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13506.000902/200862 Acórdão n.º 2202003.041 S2C2T2 Fl. 131 5 DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Verifico a partir da análise destes autos, especialmente da Guia de retenção de IRRF (fl. 56), do extrato da DIRF (fl. 48 código de receita 5928, que corresponde a IRRF sobre rendimentos decorrentes de decisão da justiça federal, como informa o sítio eletrônico da Receita Federal) e da cópia da Sentença, agora anexada nas folhas 108 a 118, que os rendimentos em questão, considerados omitidos, decorrem de Ação Judicial movida pelo Interessado em face do INSS, para revisão dos índices de apuração da renda mensal inicial do benefício, foram pagos acumuladamente e referemse a períodos anteriores, e que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Em 23/10/2014, a Suprema Corte assim decidiu, em relação à matéria: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13506.000902/200862 Acórdão n.º 2202003.041 S2C2T2 Fl. 132 6 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em negar provimento ao recurso extraordinário, por maioria, vencida a relatora, Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Voto. Ministra Ellen Gracie Relatora: O Acórdão recorrido considerou inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/88, que determinou a incidência do imposto por ocasião do recebimento dos valores, sobre a sua totalidade. Entendeu violados os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, nos termos do que restou sintetizado na ementa do acórdão relativo à argüição de inconstitucionalidade julgada pela Corte Especial daquele Tribunal Regional Federal da 4ª Região: (...) Voto Ministro Marco Aurélio Redator do Acórdão: Não passa pela minha cabeça que o sistema possa apenar o contribuinte duas vezes. Explico melhor: o contribuinte não recebe as parcelas na época devida. É compelido a ingressar em Juízo para ver declarado o direito a essas parcelas e, recebendo as posteriormente, há a junção para efeito de incidência do Imposto de Renda, surgindo, de início, a problemática da alíquota, norteada pelo valor recebido. (...) Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva... (...) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13506.000902/200862 Acórdão n.º 2202003.041 S2C2T2 Fl. 133 7 Ou seja, o fato de o direito haver sido resistido e de se ter que acionar garantia inerente à cidadania, que é a do ingresso em Juízo, implicaria a majoração da alíquota. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também já havia se manifestado sobre a matéria, como lembraramse os Ministros do STF, inclusive atribuindo aos recursos a sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1.118.429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13506.000902/200862 Acórdão n.º 2202003.041 S2C2T2 Fl. 134 8 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) O que os Tribunais Superiores ratificam, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13506.000902/200862 Acórdão n.º 2202003.041 S2C2T2 Fl. 135 9 identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Observo assim a aplicação do artigo 62 § 2º do Regimento Interno do CARF: Artigo 62, § 2º. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando que a jurisprudência do STJ já havia se posicionado pela forma como deveria ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 e, mais recentemente, o STF entendeu pela sua inconstitucionalidade do dispositivo, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da fórmula para apuração do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) e observo a determinação contida no Art. 62A caput do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. Vinhamse verificando, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Transcrevo e destaco daquele Voto: Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13506.000902/200862 Acórdão n.º 2202003.041 S2C2T2 Fl. 136 10 Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Pois bem, como se observa aqui, neste Voto, concordo em parte com o entendimento lá proferido pela Colenda Turma Ordinária, contudo, peço vênia para divergir em relação à parte que entende ser cabível devolver à Receita Federal os autos, para que se faça novo cálculo do tributo devido, aplicando as tabelas progressivas vigentes à época de cada competência (mês) dos rendimentos recebidos. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome mais uma vez na doutrina de REGINA HELENA COSTA: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(Op. Cit. p. 205) Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como por exemplo a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? Recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13506.000902/200862 Acórdão n.º 2202003.041 S2C2T2 Fl. 137 11 alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. CONCLUSÃO. Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, consubstanciada na Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.722618/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
Ementa:
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para esclarecer eventual omissão verificada no Acórdão.
ALEGAÇÃO DE ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Por tratar-se de tributação mais benéfica ao contribuinte, as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas. O fato de o contribuinte ter declarado rendimentos decorrentes de atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em suas contas bancárias referem-se a essa atividade.
Numero da decisão: 2201-002.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos apresentados, para rerratificar o Acórdão nº 2201-002.668, de 11/02/2015, e, sanando a omissão apontada, manter a decisão de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente-Substituto.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 21/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para esclarecer eventual omissão verificada no Acórdão. ALEGAÇÃO DE ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Por tratarse de tributação mais benéfica ao contribuinte, as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas. O fato de o contribuinte ter declarado rendimentos decorrentes de atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em suas contas bancárias referemse a essa atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos apresentados, para rerratificar o Acórdão nº 2201002.668, de 11/02/2015, e, sanando a omissão apontada, manter a decisão de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI – PresidenteSubstituto. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 26 18 /2 01 3- 37 Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 EDITADO EM: 21/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado, tempestivamente, pela Contribuinte contra o Acórdão nº 2201002.668, de 11/02/2015. Contra a Embargante foi lavrado Auto de Infração, fls. 3/5, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 13.293.384,96, relativamente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A Segunda Instância, acompanhando entendimento da Primeira Instância, manteve integralmente a exigência fiscal, sob o argumento de que não havia comprovação da origem dos depósitos bancários aportados no movimento financeiro da contribuinte. Cientificada do Acórdão nº 2201002.668, de 11/02/2015, a Contribuinte manejou Embargos de Declaração alegando que o aresto proferido incorreu em omissões/contradições, a saber: a Omissão quanto à análise da documentação que comprova o exercício da atividade rural. A quebra do sigilo bancário da contribuinte demonstrou que a maioria das transações bancárias estão ligadas à empresas cuja atividade é a rural, tais como: Cargil Agrícola S/A, Citrovita Agroindustrial; Fertilizantes Heringer, Bunge Fertilizantes etc. As inúmeras propriedades rurais comprovariam a atividade exercida pela recorrente. São elas: Fazenda Santa Rosa II, Fazenda Santa Maria, Fazenda Ressaquinha, Fazenda Boa Esperança, Roseira, Sitio Roseira etc. Assim, como a única fonte de rendimentos da contribuinte é a atividade rural, o fisco não comprovou que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, conforme aponta a jurisprudência do CARF. b – O acórdão é contraditório quando tenta legitimar a ilegalidade da quebra de sigilo bancário, já que o regulamento da lei que autoriza do afastamento (Decreto nº 3724/2001) não se enquadra no caso dos autos. Por sua vez, a presidente da 1ª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 2468/2469, rejeitou o item “b”, em razão ausência do vício apontado, todavia, acolheu o item “a”, determinando a inclusão do processo em pauta de julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.722618/201337 Acórdão n.º 2201002.724 S2C2T1 Fl. 3 3 Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade. Como se verifica da leitura do relatório, o acórdão embargado omitiuse em relação aos argumentos e documentos juntados pela contribuinte em seu Recurso Voluntário às fls. 156/215. Pois bem, quanto à alegação de que os documentos carreados comprovam o exercício da atividade rural, compulsandose os autos, mais precisamente as fichas contábeis e boletos bancários, fls. 366/2042, verificase tratarse de documentos ligados à atividade de industrialização e comercialização de produtos agrícolas, conforme bem pontuou a autoridade fiscal no Termo de Verificação de Infração (fls. 10/11): Compareci na cidade de domicílio da fiscalizada no dia 26 de fevereiro de 2013, acompanhado do auditorfiscal Roberval Bomfim. Buscamos a rua Ernesto Azevedo e não encontramos o n° 87A, para onde foram enviadas, e recebidas, as últimas correspondências para a contribuinte. Numa casa comercial localizada nessa rua perguntamos onde poderíamos encontrála. Fomos informados de seu local de moradia, que não ficava longe do endereço procurado de início. Esse informante nos alertou, no entanto, que dificilmente encontraríamos a senhora Mariza em casa, pois, àquela hora ela já estaria na fábrica de ração, que se localizaria a cerca de 3km dali. (...) Após analisarmos a documentação apresentada pelo banco, foi emitido o Termo de Constatação Fiscal n° 0003. A documentação apresentada liga inapelavelmente a senhora Ângela Arantes Pereira CPF 462.326.72615 às operações realizadas através da conta corrente de sua irmã. Pôdese constatar que os débitos autorizados destinavamse a pagamentos de diversos títulos das empresas Casa do Produtor Ltda. e Produtor Ind. e Com. de Rações. Ângela é sócia dessas empresas, sendo que detém 91% do capital social da Produtor Ind. e Com. de rações Ltda. A seguir relação de títulos pagos com débitos na conta da autuada no ano de 2009, por sacado: A Instrução Normativa SRF nº 83/2001 é absolutamente clara quando dispõe sobre a tributação dos resultados da atividade rural das pessoas físicas: Art. 4º Não se considera atividade rural: I a industrialização de produtos .... II a comercialização de produtos rurais de terceiros .... Portanto, ainda que alegue a embargante que a maioria das transações bancárias está ligada a atividade rural (Cargil Agrícola S/A, Citrovita Agroindustrial; Fertilizantes Heringer, Bunge Fertilizantes etc), as informações constantes dos autos sugerem que tais títulos referemse atividade de industrialização e comercialização de produtos agrícolas. Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 No que tange às notas fiscais de produtor rural, fls. 156/215, em que pese alegue a contribuinte que os documentos comprovavam a atividade rural, a lei exige que o seu resultado seja apurado mediante escrituração de Livro Caixa, abrangendo as receitas, despesas e demais valores que a integram e, ainda, que as receitas e as despesas escrituradas deverão ser comprovadas mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, a data e o valor da operação, conforme dispõe o art. 60 da Lei nº 9.250, de 1995, a saber: Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). As notas fiscais carreadas, por si só, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Portanto, ainda que a contribuinte comprovasse (não o fez, digase) que os valores dos depósitos se referem à alegada atividade rural, verificase que a receita bruta dessa atividade informada em sua DIRPF no anocalendário 2008 foi de R$ 233.086,50 e no ano de 2009 foi igual a R$ 222.750,00, enquanto a movimentação bancária da contribuinte nos anos de 2008 e 2009 foi de R$ 10.908.563,56 e R$ 11.854.010,05, respectivamente (fl. 07). Ressaltese que a alegação de que as inúmeras propriedades rurais comprovariam a atividade exercida pela embargante é estéril e não merece prosperar, já que pelas notas fiscais de fls. 156/215, apenas uma propriedade comercializou produtos agrícolas. Por fim, vale a pena cita a ementa do acórdão embargado à fl. 2439, de que “o fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias”, além de trecho do voto à fl. 2444 esclarecendo que “... a comprovação de origem, nos termos do disposto no art. 42 da Lei 9.430/1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Assim, deve a recorrente estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com razoável coincidência de data e valor, não cabendo a comprovação feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta”. Ante a todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados para rerratificar o Acórdão nº 2201002.668, de 11/02/2015, e, sanando a omissão apontada, manter a decisão de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.722618/201337 Acórdão n.º 2201002.724 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008923/2005-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
DESCONTO INCONDICIONAL. Descontos incondicionais concedidos são redutores do preço de venda e devem constar na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, independendo de evento posterior à emissão desses documentos.
FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Os dispêndios com fretes vinculados ao trânsito de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, cujo ônus seja suportado pelo vendedor, são considerados custos da produção e geram créditos a serem descontados da contribuição devida pela pessoa jurídica.
ZONA FRANCA DE MANAUS. VENDAS TRIBUTADAS. Até o advento da Medida Provisória n° 202, de 23/07/2004, as receitas provenientes de vendas para a Zona Franca de Manaus eram tributadas com a alíquota de 1,65% a título de PIS não-cumulativo.
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-002.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas em relação a fretes para o transporte de insumos e produtos inacabados entre filiais e entre parceiros e filiais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire, que negou provimento integral. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que deu provimento parcial apenas em relação aos fretes entre filiais. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, quanto às despesas financeiras e variações monetárias passivas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de votar. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DESCONTO INCONDICIONAL. Descontos incondicionais concedidos são redutores do preço de venda e devem constar na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, independendo de evento posterior à emissão desses documentos. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Os dispêndios com fretes vinculados ao trânsito de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, cujo ônus seja suportado pelo vendedor, são considerados custos da produção e geram créditos a serem descontados da contribuição devida pela pessoa jurídica. ZONA FRANCA DE MANAUS. VENDAS TRIBUTADAS. Até o advento da Medida Provisória n° 202, de 23/07/2004, as receitas provenientes de vendas para a Zona Franca de Manaus eram tributadas com a alíquota de 1,65% a título de PIS não-cumulativo. Recurso voluntário provido em parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2506; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.399 1 1.398 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.008923/200504 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.818 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria PIS Nãocumulativo Recorrente ELEVA ALIMENTOS S/A (atual BRASIL FOOD'S S/A) Recorrida DRJ PORTO ALEGRE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DESCONTO INCONDICIONAL. Descontos incondicionais concedidos são redutores do preço de venda e devem constar na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, independendo de evento posterior à emissão desses documentos. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Os dispêndios com fretes vinculados ao trânsito de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, cujo ônus seja suportado pelo vendedor, são considerados custos da produção e geram créditos a serem descontados da contribuição devida pela pessoa jurídica. ZONA FRANCA DE MANAUS. VENDAS TRIBUTADAS. Até o advento da Medida Provisória n° 202, de 23/07/2004, as receitas provenientes de vendas para a Zona Franca de Manaus eram tributadas com a alíquota de 1,65% a título de PIS nãocumulativo. Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas em relação a fretes para o transporte de insumos e produtos inacabados entre filiais e entre parceiros e filiais. Vencido o Conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 89 23 /2 00 5- 04 Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.400 2 Jorge Freire, que negou provimento integral. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que deu provimento parcial apenas em relação aos fretes entre filiais. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, quanto às despesas financeiras e variações monetárias passivas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de votar. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fl. 2) de crédito de PIS não cumulativo exportação, período de apuração 2/2004 (fls. 4/6), no valor de R$ 1.046.791,26, com débitos de COFINS relativos aos períodos de apuração outubro e novembro de 2001. Às fls. 98/99, informação fiscal, de 05/12/2005, na qual a fiscalização concluiu que o contribuinte não tinha direito a crédito algum no período e que em função das irregularidades encontradas foi levado a cabo lançamento de ofício de PIS nos autos dos processos administrativos 11080.009434/200561 e de COFINS 11080.009435/200514. Com arrimo nessa informação, o Delegado da DRF/POA (fl. 101), em 23/01/2006, exarou o Despacho Decisório 14/2006, não reconhecendo o crédito e, em consequência, não homologando as compensações a ele vinculadas. Contra essa decisão o contribuinte manifestou sua inconformidade (fls. 109/114), em 02/03/2006, na qual aduz que o fundamento da mesma tem igual teor às razões da impugnação apresentadas nos autos do processo onde foi lavrado auto de infração, o de nº 11080.009434/200561, pelo que pediu que se aguardasse o julgamento daquela para que mesmo entendimento fosse estendido ao presente processo. À fl. 230, informação DRF/POA/SEORT, de 13/07/2007, no sentido de que o contribuinte após ciência, em 06/02/2006, do despacho decisório 14/2006, apresentou DCOMP retificadoras (210/225). Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.401 3 De fls. 439/456, Acórdão 1014.547, de 29/11/2007, da 2ª Turma DRJ/POA mantendo o despacho denegatório. No relatório daquela decisão, informa a relatora que o Relatório de Atividade Fiscal no qual foram apontadas as irregularidades referente aos períodos de abril de 2000 a março de 2005 está inserto no processo 11080.009434/200561, em face do que anexouo ao presente processo (fls. 367/384) com o fito de facilitar a análise do mesmo. Esse decisum bem delimitou a matéria controvertida nestes autos, uma vez que o referido relatório fiscal abrange vários períodos de apuração, a saber: a) receitas de vendas para Zona Franca de Manaus compõem a base de cálculo do PIS até a edição da MP 202, de 23/07/2004, que reduziu a zero a alíquota sobre as mesmas; b) glosa de descontos incondicionais; c) glosa do desconto de créditos da contribuição devida a título de PIS; d) glosa de valores oriundos de peças, máquinas e material de transporte reutilizável como se insumos fossem; e) glosa de valores de bens (grãos) adquiridos de pessoa física; f) só foram considerados descontos de depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado e utilizados na produção de bens destinados à venda; g) glosa de fretes, por falta de previsão legal, na transferência de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filias e parceiros integrados, e glosa de fretes sobre vendas para o mercado externo; h) glosa de despesa financeira referente a variações monetárias passivas sobre obrigações com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e juros sobre financiamentos devidos no mercado externo. Cientificado (fl. 463) da r. decisão, em 21/01/2008, foi interposto o recurso voluntário de fls. 472/509. Alega a empresa, dentre outras questões, que houve vício material na r. decisão por ter ela anexado a estes autos cópia do processo 11080.009434/200561 após as razões impugnatórias. Entende que "como os autos processuais foram formalizados em separado, os dois teriam que estar instruídos com todo o documentários inerente à matéria tributária objeto das ações fiscais, e o contribuinte municiado de todas as parte e peças de ambos os processos", embora admita que tenha recebido cópia dos documentos anexados a estes autos juntamente quando da entrega do Auto de Infração, objeto daquele processo. Em 06/10/2011, foi exarado o Acórdão 330201.254 (fls. 582/598) pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção do CARF, anulando o processo a partir da manifestação de inconformidade por vício de instrução processual. Entendeu aquele aresto que cópia dos processos 11080.009434/200561 e 11080.009435/200514, deveriam ter sido encaminhadas à recorrente junto com o despacho decisório, o que teria causado prejuízo à defesa da recorrente, determinando à autoridade local que encaminhasse "à recorrente os documentos citados na Informação Fiscal de fls. 52/53, abrindolhe prazo de 30 dias para renovar e/ou complementar a Manifestação de Inconformidade apresentada anteriormente". O referido julgado tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVOS FISCAL. INDEFERIMENTO TOTAL DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REMISSÃO A RELATÓRIO PRODUZIDO EM PROCESSO DIVERSO. A remissão a relatório produzido em processo diverso como fundamento e razão de decidir, por si só não implica em cerceamento de defesa, mas em vício de instrução processual, quando o mesmo não for juntado ao processo. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.402 4 A falta de encaminhamento do relatório ao contribuinte prejudica a sua defesa. O saneamento do vício de instrução processual dáse com o encaminhamento do relatório ao contribuinte para, querendo, manifestarse sobre o mesmo, no prazo de 30 (trinta) dias. Processo Anulado a partir da Manifestação de Inconformidade Cientificada dessa decisão, contra ela a empresa opôs embargos de declaração (fls. 1096/1104), em 02/12/2012, no qual postula "que sejam sanadas as imperfeições apontadas no Acórdão...e anulado o processo administrativo a partir do Despacho Decisório...". Foi negado seguimento aos embargos, nos termos do despacho de fls. 1.151/1.153. De fls. 1.159 a 1.182, manifestação de inconformidade complementar. Em 10/10/2013, a Resolução nº 10000.499 da 2ª Turma da DRJ/POA (fls. 1.275/1.278), baixou o processo em diligência à unidade local para que fosse informado "se os documentos encaminhados ao contribuinte foram exatamente aqueles determinados no Acórdão nº 330201.254 do CARF". Despacho do SEORT/DRF/FLORIANÓPOLIS (fls. 1.279/1.281), de 30/01/2014, informa que foi providenciada ao contribuinte "cópia eletrônica integral de TODOS os documentos que compõem os processos nº 11080.009434/200561 e 11080.009435/200514 até os Acórdãos 1014.546 e 10.14.551 (relativo a cada um dos processos, respectivamente) exarados pela DRJ/POA em 29/11/2007, que apreciaram as impugnações interpostas pelo contribuinte, cujo julgamento foi anulado pelo CARF". Este mesmo despacho reabriu prazo de 30 dias após ciências dos documentos referidos, para que o contribuinte, em desejando, se manifestasse. A ciência operouse em 24/02/2014 (fl. 1.284/1.285), mas o contribuinte quedouse silente sobre tal despacho. Novo Acórdão (fls. 1.288/1.310) foi exarado pela DRJ/POA, em 23/05/2014, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Não resignada, a empresa interpôs o presente Voluntário (fls. 1.315/1.353), no qual, em síntese, alega, mais uma vez, que no Termo de Verificação Fiscal nada consta sobre período de apuração sob análise e que no despacho decisório constante nestes autos a autoridade fiscal "não se deu ao trabalho de analisar os dados constantes no demonstrativo de apuração de valores a ressarcir de PIS (prévia), cujos valores demonstrariam a existência de créditos no período". Alega a conexão das matérias entre o presente processo e o de nº 11080.009434/200561, cujo objeto é o auto de infração, transcrevendo a ementa do Acórdão 210100.057, proferido em 05/05/2009, pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção. Nessa decisão foi acolhida decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até outubro de 2000, inclusive, e, por maioria de votos, foi afastada a exigência sobre receitas financeiras e outras despesas para obtenção da receita financeira e o crédito presumido de IPI. Com base nessa decisão refez o Demonstrativo de Apuração de Valores a Ressarcir de PIS. Entende nesse ponto, "que resta evidente o equívoco da Autoridade Julgadora de Primeira Instância ao deixar de reconhecer a relação existente entre o que se discute nos presentes autos e no Processo nº 11080.009434/200561". Ademais, entende que as vendas para Zona Franca de Manaus são receitas equiparadas à exportação, nos termos do DecretoLei 288/67 e art. 40 do ADCT da Carta de Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.403 5 1988 e que, em consequência, sobre elas não incidiria o PIS. Quanto à glosa dos descontos, alega que tratamse de descontos incondicionais "concedidos por força de contratos de natureza confidencial mantidos com os clientes" e que por tal "não foram descritos no campo descrição dos produtos das respectivas notas fiscais, mas sim quando da emissão do boleto bancário de cobrança". Em relação à glosa sobre aquisições de peças, máquinas e material de transporte reutilizável, limitase a asseverar que todos os produtos excluídos pela fiscalização da base de cálculo do crédito do PIS se enquadram no conceito de insumos, consoante art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, embora não acostando prova no sentido alegado. Quanto ao material de embalagem empregado no transporte dos produtos, entende passível sua utilização quando reutilizado. A seguir, consigna que a relatora no Acórdão do processo 11080.009434/200561 concluiu que os bens que deveriam estar ativados não são considerados insumos e por isso não dariam azo a seu creditamento, assim como se estivessem ativados seriam passíveis de depreciação, mas não gerando obrigação ao Fisco, mas sim um direito da empresa de calcular créditos sobre tais valores. Frente a tal, postula o "aproveitamento dos créditos sobre os encargos de depreciação relativo aos bens que a fiscalização entendeu que devem ser escriturados no imobilizado", mas não traz ao autos qualquer memória de cálculo. No que tange à glosa dos valores dos créditos sobre aquisições de grãos de pessoas físicas assim como dos valores comercializados, restringiuse a citar decisão da CSRF que reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI nas aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, concluindo que "considerando que a discussão naqueles processos estava centrada nas aquisições de bens e serviços adquiridos de nãocontribuintes de PIS e COFINS, por extensão, os julgados são perfeitamente aplicáveis a este contencioso". Quanto à exclusão dos créditos em relação aos serviços de manutenção do ativo imobilizado "(máquinas, veículos, geradores, serviços de pintura, etc.)", alega que os mesmos "foram contratados e prestados com o objetivo de viabilizar a produção e comercializados (SIC) dos bens da Recorrente, para o mercado interno e externo". Aduz nesse tópico que "o texto da lei é abrangente e não especifica sobre quais tipos de serviços recai o benefício fiscal, de modo que os serviços contratados pela Recorrente atendem os requisitos do inciso II, art. 3º, da Lei 10.637/2002". Na sequência, refuta as glosas dos valores de depreciação sobre reavaliação de bens, e as do grupo contas 5.01 Despesas com venda e 5.02 Despesas administrativas por não terem vinculação com bens utilizados na produção, assim como a exclusão das depreciações "de máquinas, equipamentos e de outros vens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para utilização na produção, a partir de agosto de 2004, face à incorporação da ELEGÊ ALIMENTOS S/A, e, portanto, em data anterior a maio de 2004, prevista no art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004". Refuta, igualmente, a glosa dos valores dos fretes sobre transferências de matériasprimas, de material de embalagem e de serviços, entre filiais ou entre parceiros integrados, assim como os fretes sobre vendas para o mercado externo. Quanto a este último, diz não tratarse de fretes internacionais e sim para transporte das mercadorias até o local de embarque, mas não traz prova de que arcou com tais custos, limitandose a alegar que quem pagas tais fretes, em geral, é o exportador. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.404 6 A seguir, insurgese contra a glosa das despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, assim como juros de operações financeiras, não especificamente de arrendamento mercantil. Mais uma fez desmerece a planilha por ela elaborada para o Fisco no curso da ação fiscal, declarando que "este fato não configura confissão de irregularidade" e concluindo que "a autoridade fiscal foi omissa quanto ao documentário que a embasou as glosas, limitandose a fazer referência da legislação que considerou infringida". Aduz, ainda, que a fiscalização na apuração do crédito presumido excluiu valores de matériasprimas importadas, compras de pessoas físicas, gastos gerais de fabricação, como mão de obra, depreciação, luz, água, aluguel, etc., dos estoques de produtos acabados, em elaboração, matéria prima, mas não segregou os valores. Mas, laconicamente, concluiu, que "não tem como desconstituir o quantum debeatur glosado". Por fim, pugna pela atualização dos valores a ressarcir com base na taxa SELIC. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. Preliminarmente gizese que nesses aproximadamente dez anos entre o protocolo deste processo e a presente decisão, a razão social da empresa iniciouse em Avipal S/A Avicultura e Agropecuária (fl. 8), após para Eleva Alimentos S/A, sendo posteriormente incorporada por sucessão à BRF Brasil Foos's S/A, denominação atual, conforme docs. acostado aos autos. Por isso, tendo em vista os diferentes domicílios fiscais, o processo "andou" por distintas repartições da RFB. Apenas relembrando, nestes autos o contribuinte compensou, em 27/10/2005, débitos de COFINS de R$ 293.794,18 vencido em 14/11/2001, e R$ 260.071,50, vencido em 14/12/2001, referentes aos períodos de apuração 10/2001 e 11/2001, respectivamente. Estes valores foram compensados com créditos de PISexportação apurados pela empresa no montante de R$ 626.157,55, R$ 602.866,75 e R$ 266.391,80, referentes ao 2º trimestre de 2004. O despacho de fl. 96 atestou que os mencionados débitos não constavam no sistema de conta corrente da Receita Federal. Como se dessume do relatado, o presente processo foi objeto dos mais variados tumultos processuais, onde pouco se quis discutir mérito e muito formalidades. A empresa quis a todo tempo desqualificar o despacho decisório por este se reportar ao processo 11080.009434/200561, o qual tem por objeto o auto de infração de PIS abarcando o período de abril de 2000 a março de 2005. Ocorre que o SEORT da DRF/POA remeteu o pleito para análise da fiscalização, que, em 05/12/2005, exarou a informação fiscal de fls. 98/99, concluindo que o contribuinte não tinha direito a valor algum a ser ressarcido no período em comento, consignando que no curso da ação fiscal no período examinado ...foram apuradas irregularidades nas contribuições de PIS/COFINS, que foram relatadas e lançadas de ofício através dos Autos de Infração formalizadas sob o nº Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.405 7 11080.009434/200561 e 11080.009435/200514, respectivamente. Fazem parte integrante destes Autos, alem das planilhas de Demonstrativo, o Relatório de Atividade Fiscal e as planilhas "Demonstrativo de Apuração de Valores a Ressarcir de PIS(prévia) e "Demonstrativo de Apuração de Valores a Ressarcir de COFINS(prévia)". Inconteste que o diligente auditorfiscal entregou ao contribuinte os demonstrativos citados, elaborados pela empresa por sua solicitação, bem como a informação fiscal que motivou o lançamento. A empresa em sua peça impugnatória insistiu que tais documentos deveriam instruir o presente processo e que o despacho denegatório não poderia fazer menção a documentos inclusos em outros autos, o que, a seu juízo, a despeito de ser detentora de todas essas informações, tal fato estaria prejudicando sua defesa e se reportou às razões de defesa apresentadas no processo do Auto de Infração. A relatora do primeiro Acórdão prolatado pela DRJ/POA, que veio a ser anulado, para escoimar qualquer dúvida sobre o suposto afronte à defesa, houve por bem anexar tais documentos a estes autos. O Relatório de Atividade Fiscal, que delimita os termos do auto de infração, está acostado às fls. 367/384. Naquele, consta o quadro abaixo copiado, onde estão arrolados todos os pedidos de reconhecimento de crédito de PIS, por período de apuração, e seus respectivos processos, com os valores dos créditos pleiteados e valores reconhecido pelo Fisco como passíveis de reconhecimento. PROCESSO PER. DE APUR. PIS SOLICITADO VALOR A RESSARCIR 11080.003330/200381 JAN/03 156.146,42 0,00 11080.003330/200381 FEV/03 638.441,91 305.617,24 11080.003330/200381 MAR/03 209.554,91 0,00 11080.009089/200302 ABR/03 584.392,05 0,00 11080.009089/200302 MAI/03 758.490,84 646.848,73 11080.009089/200302 JUN/03 763.513,10 477.162,48 11080.011652/200302 JUL/03 567.178,61 119.493,95 11080.011652/200302 AGO/03 637.778,70 406.426,65 11080.011652/200302 SET/03 868.411,82 604.139,23 11080.000174/200488 OUT/03 821.946,50 437.346,95 11080.000174/200488 NOV/03 718.253,73 218.999,89 11080.000174/200488 DEZ/03 700.593,92 0,00 11080.003380/200440 JAN/04 547.746,89 307.094,65 Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.406 8 11080.003380/200440 FEV/04 480.491,00 275.373,16 11080.003380/200440 MAR/04 933.667,12 6.279,60 ABR/04 0,00 0,00 MAI/04 0,00 0,00 JUN/04 0,00 0,00 JUL/04 0,00 0,00 AGO/04 0,00 0,00 SET/04 0,00 0,00 11080.000814/200531 OUT/04 9.158,66 0,00 11080.000814/200531 NOV/04 35.756,17 0,00 11080.000814/200531 DEZ/04 331.363,16 0,00 11080.004195/200553 JAN/05 910.363,91 406.540,17 11080.004195/200553 FEV/05 635.929,24 320.491,81 11080.004195/200553 MAR/05 431.460,02 431.460,02 Como podemos constatar, o agente fiscal, de acordo com a sistemática da não cumulatividade, a exemplo do IPI, refez a "escrita" do contribuinte, de acordo com a motivação do lançamento, demonstrando que em relação ao período conteúdo deste processo não havia crédito a ser ressarcido. Pois bem, embora o auto de infração tenha causado reflexo no pleito ora em debate, não necessariamente um depende do outro, visto serem seus objetos distintos, eis que um versa lançamento de ofício e outro pleito de compensação, onde se confronta crédito que se postula seu reconhecimento com débito de qualquer tributo administrado pela RFB. Esse fato é recorrente em fiscalizações de tributos não cumulativos que podem compensar eventual saldo credor referente a um período. Mas, in casu, nem todas ocorrências demonstradas no Relatório Fiscal atingem o período em análise. Também antes de adentrar no mérito, é de bom alvitre que se diga que o relatório fiscal, assim como todos os demais elementos entregues ao contribuinte, demonstram de forma clara os procedimentos que foram adotados. As planilhas apontam os valores de apuração dos saldos de PIS disponíveis, a apuração de créditos incentivados, a apuração da natureza dos saldos e os cálculos dos valores a ressarcir (fls. 231 a 366 dos autos). Outro ponto a mencionar é que a decisão (Acórdão 210100.057, de 06/05/2009, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção fls. 3553/3579 dos autos do AI) no processo 11080.009434/200561 ainda não é definitiva, e na parte em que foi dado provimento ao recurso, alem da questão da decadência, referese ao exame do alcance da Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.407 9 declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718, aplicável apenas em relação aos períodos que a contribuição objurgada era cumulativa, portanto estranha ao deslinde desta quaestio. Mas a decisão naqueles autos não se estende ipso facto ao presente, pois, como dito, seus fundamentos são díspares. Passo ao exame do mérito. A peça impugnatória delimitou a lide nos seguintes termos: (a) acréscimo dos valores dos débitos mensais consignados na coluna 'C' do Demonstrativo referido no item 13, em decorrência do cômputo, na base do faturamento, de valores que teriam deixado de ser apropriados pela empresa, tais como: receitas de variações cambiais; créditos presumidos do IPI;descontos incondicionais supostamente indevidos; vendas à Zona Franca de Manaus que não foram consideradas como exportação etc.; (b) redução dos créditos mensais consignados na coluna 'B' do Demonstrativo referido no item 13, em decorrência da supressão de créditos relativos à aquisição ou utilização de insumos que supostamente não dariam direito a crédito, tais como:materiais de conserto de máquinas e equipamentos;grãos adquiridos de pessoas físicas que, revendidos no comércio, não teriam sido excluídos, na devida proporção, das bases de cálculo dos créditos; serviços de limpeza e manutenção de ativos; depreciações; fretes no transporte de insumos; fretes no transporte de produtos vendidos etc.; (c) redução dos coeficientes representativos da participação das exportações no faturamento da empresa, consignados na coluna 'E' do Demonstrativo referido no item 13, apurados em segundo demonstrativo, auxiliar do primeiro. 1 QUESTÕES RELATIVAS À COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Vendas para Zona Franca de Manaus A empresa excluía da base imponível do PIS as vendas para a Zona Franca de Manaus, sem previsão legal para fazêlo. De forma alguma as receitas para a ZFM equiparam se à receitas de exportação, como quer fazer crer a recorrente. O que ocorre é que as vendas para essa Zona Franca a partir da MP 202, de 23/07/2004, reduziram sua alíquota a zero. E o agente fiscal salientou no Relatório Fiscal que só foram consideradas vendas para a ZFM as notas fiscais efetivamente internadas na ZFM, conforme registro junto à SUFRAMA. Portanto, entre abril e junho de 2004, período em análise, tais receitas compunham a base de cálculo de PIS, uma vez que a Lei 10.637/2002 não as colocou fora do campo de incidência daquela contribuição. Os chamados abatimentos A recorrente alega que os valores informados como desconto, tratamse na verdade de descontos incondicionais, os quais deveriam ser deduzidos da base imponível do PIS. Justifica que para "preservar a confiabilidade dos parâmetros ajustados com os diversos Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.408 10 clientes, os referidos descontos não foram descritos no campo descrição dos produtos nas respectivas notas fiscais, mas sim quando da emissão do boleto bancário". Ora, se incondicionais fossem tais descontos, deveriam os mesmos constar das notas fiscais, pois são parcelas redutoras do preço de venda. Demais disso, como averbado pela r. decisão, a IN SRF 51/1978, dispõe que os "descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos". Do Relatório de Atividade Fiscal consta que tais abatimentos ou descontos foram concedidos no pagamento da duplicata e não na nota fiscal e que, verificando os contratos por amostragem, verificou que dos mesmos constam cláusulas que caracterizam a reduções do valor devido como descontos condicionados a evento futuro, tais como volume de mercadoria adquirida, bonificações, participação na publicidade veiculada pelo cliente. É de ser mantida a inclusão de tais valores na base do PIS, uma vez não caracterizados como incondicionais. 2 AS GLOSAS DE CRÉDITOS O que se dessume da peça recursal é que a empresa quer alargar o conceito de insumos das contribuições nãocumulativos para abarcar todo e qualquer bem ou serviço que gere despesa necessária para a atividade da empresa, o que vai de encontro ao entendimento da IN SRF . Também anuo com a guerreada r. decisão, quando asseverou que o que dá direito a crédito "são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa". Sem embargo, com base nessa análise do conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS nãocumulativas, já podemos concluir como correta a glosa de créditos dos serviços de manutenção do ativo imobilizado (máquinas, veículos, geradores, serviços de pintura), serviços prestados por pessoa física, tratamento de esgotos industriais, gráfica, cópias, controle de pragas e dedetização, pois não guardam consonância direta com o processo fabril, tratandose de despesa operacional, não sendo custo vinculado à produção. Somese a isso o fato de que o contribuinte não se desincumbiu de provar o contrário. E, nessa esteira, coerentemente, o Fisco considerou os créditos referente à sexagem das aves, industrialização de soja, abate e desossa de animais, industrialização de parte dos produtos, de acordo com a correta leitura do conceito de insumo. Nada obstante, quanto à essas glosas, restringiuse a recorrente a alegar que os mesmos "foram contratados e prestados com o objetivo de viabilizar a produção e comercializados (SIC) dos bens da Recorrente, para o mercado interno e externo". Ou seja, alegou a necessidade dos mesmos no processo fabril, mas não trouxe aos autos qualquer meio de prova nesse sentido, contrariando o entendimento deste Colegiado. E, nesse passo, outra questão consolidada neste Colegiado: é ônus do peticionante provar que o valor do crédito que quer ver abatido do cálculo da contribuição para fins de apuração de eventual valor a pagar/ressarcir decorre de produto utilizado na produção. E aqui, novamente, transcrevo excerto do mesmo Acórdão 3403003.625, de relatoria do Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.409 11 Conselheiro Trevisan, que trouxe à colação julgados acerca do entendimento desta Turma sobre esse ônus probatório: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Assim, todas as glosas anteriormente referidas bem como a referente a material de transporte reutilizável estão corretas, porque ou não lhe dá guarida a legislação ou porque não provou suas alegações em sentido contrário ao atestado pelo Fisco. De igual sorte, correta a glosa dos valores referente às aquisições de grãos efetuadas de pessoas físicas para revenda (comércio), pois não utilizadas na produção. A fiscalização por meio de rateio proporcional entre compras de pessoas físicas e compras totais, agiu bem ao excluir tais valores. Também correta a exclusão de notas fiscais em que consta o adquirente o próprio contribuinte e/ou não há identificação da mercadoria adquirida. Depreciação Alega a BR Food's no que tange à depreciação, não existir clareza sobre o procedimento adotado. Discorda diretamente das glosas referentes a peças, máquinas e materiais de transporte, discorrendo que essas não implicariam no aumento da vida útil dos bens. No procedimento fiscalizatório, em contrapartida, é dito que as peças, as máquinas e material de transportes especificados deveriam estar ativadas no imobilizado e, portanto, tais montantes foram retirados do direito creditório apurado. Observase como correto o procedimento da fiscalização pois somente foram consideradas as depreciações sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, relativas aos itens utilizados na produção de bens destinados à venda. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.410 12 Sendo assim, não teria sido considerada a depreciação oriunda de reavaliação (artifício contábil, não havendo incidência de PIS e de Cofins), e também de bens relativos às áreas de vendas e administrativa, visto não decorrerem da produção. Registrese ainda que, novamente, a interessada não trouxe ao processo qualquer comprovação de que os materiais excluídos pela fiscalização foram efetivamente aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. Fretes Também questão pacificada que não pode ser considerado crédito valores de fretes realizados entre parceiros integrados e suas filiais por falta de previsão legal para tanto. Portanto, correta tal glosa. Coerentemente, foi aceito pelo Fisco o crédito oriundo de frete decorrente de operações de venda quando o ônus foi suportado pelo contribuinte. Quanto à glosa dos fretes para o mercado externo, a motivação fiscal foi que sobre o serviço prestado de transporte internacional de cargas há isenção do PIS/COFINS. A recorrente alega que não se tratar de fretes internacionais e sim para transporte das mercadorias até o local de embarque, mas não traz prova de que arcou com tais custos, limitandose a alegar que quem pagas tais fretes, em geral, é o exportador. Mais uma vez alegou mas não provou. Despesas Financeiras A fiscalização glosou as despesas financeiras da conta Despesas Financeiras Variações Monetárias Passivas Variações Cambiais em relação às despesas devido à variação cambial de contratos com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, uma vez que tal crédito só é permitido se contratado com pessoa jurídica domiciliada no país. Correta a glosa, portanto. Já com relação aos juros, explicitou o Fiscal autuante que o contribuinte excluía das contas referentes às despesas com financiamentos os juros devidos ao mercado. externo, nos termos do disposto no art. 3°, inciso V, § 3°, inciso II da Lei 10.637/2002. Alega a autuada que os dispositivos legais citados tratam de cálculo de descontos de créditos calculados sobre despesas financeiras e, portanto, não teriam qualquer relação com a matéria tratada neste item. Não está correta a interpretação da empresa. Os termos utilizados pelo fiscal (excluir da base de cálculo), talvez não tenham sido os mais adequados, uma vez que os créditos calculados são descontados dos valores devidos a título da contribuição e não da sua base de cálculo. Contudo, o fato que tais valores não dão direito a crédito da contribuição, nos termos do disposto na legislação citada e, por isso, não podem ser incluídos no cálculo dos valores a descontar. Dessa forma, igualmente correta a glosa efetuada. Também sem reparos a exclusão do crédito presumido de estoque as matériasprimas importadas, compras de pessoas físicas, gastos de fabricação com mão de obra, depreciação, luz, água e aluguel dos estoques de produtos acabados. Taxa SELIC Por fim, postula a recorrente que aos valores ressarcíveis seja aplicada a taxa SELIC, tendo em vista a mora no atendimento de seu pleito. Como não há reparos ao trabalho fiscal, não havendo crédito a ser ressarcível e, consequentemente, não há valor a ser atualizado pela SELIC. Forte em todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.411 13 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz Com relação ao crédito oriundo de frete para o transporte de insumos e produtos inacabados entre filiais e entre parceiros e filiais, há de ser revertida a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Isto porque o assunto dos gastos com fretes e seu consequente direito ao creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS encontrase inserido na questão maior do conceito de insumo para fins do direito ao crédito dessas Contribuições Sociais, o qual teve grande atenção desse Conselho, culminando em jurisprudência já amplamente aceita sobre o tema. Tal construção jurisprudencial decorre do fato de inexistir na legislação brasileira um preciso conceito de insumo que se adeque à materialidade de PIS e COFINS não cumulativos, vale dizer, às receitas auferidas pelos contribuintes (artigo 195, inciso I, alínea “b” da Constituição e artigo 1º das Leis n. 10.673/2002 e 10.833/2003). Tal materialidade, ressaltese desde já, foi o signo presuntivo de riqueza pinçado pela Constituição Federal ao dar competência para a União instituir as referidas Contribuições Sociais e, por conseguinte, esta mesma materialidade que é responsável por dar efetividade à sistemática da não cumulatividade dessas exações, especialmente pela determinação do direito creditório a ser aproveitado pelos contribuintes. Esta lacuna legislativa levou, inicialmente, os nobres Conselheiros do CARF a convalidarem o restritivo entendimento esposado pela Receia Federal nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, importando o conceito de insumo do IPI à sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, tão somente eram autorizados os créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Entretanto, constatouse a impropriedade de utilização do mesmo critério para aferir o direito de crédito de IPI para a Contribuição ao PIS e a COFINS, uma vez que o alcance do direito creditório corresponde às respectivas materialidades de cada uma das exações. Nesse sentido, destaco trecho do voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão n. 930301.035: A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, que Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.412 14 demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Desse modo, movimento em sentido diametralmente contrário teve surgimento no CARF: as decisões passaram a trazer à definição de insumos para o crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS as regras de dedutibilidade de despesa encontradas na legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ (e.g. Acórdão n. 3202 00.226). Esta vertente, contudo, também restou enfraquecida no CARF, pois ampliava demasiadamente a possibilidade de tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, abarcando situações totalmente estranhas ao processo produtivo dos contribuintes. Finalmente, chegouse à conclusão de que a definição do alcance do vocábulo insumo, para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS (artigo 3º, inciso II das Leis 10.673/2002 e 10.833/2003), não deveria importar conceitos advindos da legislação do IPI ou do IRPJ, pois são enunciados prescritivos estranhos às próprias Contribuições e, consequentemente, à sua lógica. É necessário, isto sim, o esforço exegético para construir critérios próprios e específico à Contribuição ao PIS e à COFINS a partir do contexto jurídico em que as se encontram. A Procuradora da Fazenda Nacional Bruna Garcia Benevides traz ensinamento bastante elucidativo a esse respeito: Isto porque, a não cumulatividade deve estar atrelada à materialidade do tributo, na medida em que o pressuposto de fato da exação, constitucionalmente definido, é que deve condicionar todos os demais mecanismos legais referentes a ela. O PIS e a COFINS, como é cediço, não incidem unicamente sobre produtos industrializados e nem sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa. Incidem sobre o ingresso que possa ser considerado receita. E a receita, por lei e nos termos da jurisprudência do STF, deve ser oriunda de compra e venda de mercadorias, prestação de serviços e das demais atividades empresarias típicas. Assim, quando se fala em nãocumulatividade do PIS e da COFINS, ela deve estar relacionada com os gastos incorridos pelo contribuinte para realizar os negócios jurídicos capazes de gerar a sua receita operacional – fato gerador e base de cálculo do PIS e da COFINS1. Justamente acatando esta lógica passou a caminhar a jurisprudência deste Conselho. Nestes moldes, adoto o mais recente e, ao meu ver, correto entendimento do CARF no sentido de aceitar os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que empregados indiretamente (e.g. Acórdão nº 3403003.052). Válido assinalar, então, que se 1 BENEVIDES, Bruna Garcia. O Conceito de Insumo no Regime do PIS e da COFINS não Cumulativos Segundo a Ótica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Revista da PGFN/Procuradoriageral da Fazenda Nacional, Brasília, v. 2, n. 2, jul. 2012, p. 274. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.413 15 amoldam ao conceito de insumo, além dos dispêndios diretamente relacionado com a atividade empresarial, também determinados dispêndios indiretos, a depender de sua indispensabilidade ao processo produtivo, que pode ser de natureza ontológica (imprescindibilidade material para a obtenção do resultado) ou jurídica (imposição legal ou regulamentar do uso de certos bens ou serviços).2 Pois bem. Dentre os dispêndios ontologicamente necessários para a produção, encontrase o frete de produtos inacabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Sobre especificamente essa questão, o CARF vem sedimentando seu entendimento no sentido de que determinadas operações com frete são sim capazes de garantir o direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. Bem sintetiza o assunto a manifestação do Conselheiro Marcos Trechesi Ortiz quando do julgamento do Acórdão n. 3403001.556 (Processo n. 11686.000346/200828, de 25 de fevereiro de 2012), nos seguintes termos: "(...) Porque na sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matérias primas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3º, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. (...)" Concluise assim que, efetivamente, quando tratamos do trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do mesmo contribuinte, o dispêndio com frete é custo do produto, e deve ser entendido como insumo, nos termos do artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.673/2002 e 10.833/2003, sendo capaz, portanto, de dar direito ao crédito, seja da Contribuição ao PIS, seja da COFINS. O presente caso versa sobre de serviço de transporte de matériasprimas, produtos intermediários, de material de embalagem e de serviços entre filiais ou entre parceiros integrados da Recorrente, dentro do seu contexto produtivo, razão pela qual se enquadra como 2 SANTIAGO, Igor Mauler; JORGE, Carolina Schaffer Ferreira. Aspectos polêmicos de PISCOFINS. In MARTINS, Ives Gandra da Silva. Aspectos polêmicos de PISCOFINS. São Paulo: Lex, 2013, v. 1., p. 360. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008923/200504 Acórdão n.º 3402002.818 S3C4T2 Fl. 1.414 16 custo de produção, cabendo o creditamento da Contribuição ao PIS com fundamento no artigo 3º, inciso II da Lei nº 10.833/2003. Assim, entendo que deve ser revertida a glosa relativa a fretes para o transporte de insumos e produtos inacabados entre filiais e entre parceiros e filiais. É como voto. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora designada Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Numero do processo: 10410.000107/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO QUANTO AOS PRESSUPOSTOS DE FATO DA DECISÃO. ANULAÇÃO DA DECISÃO.
São cabíveis embargos de declaração para anular a decisão proferida com base em pressupostos de fato não condizentes com a realidade. O julgamento com erro de fato tanto se enquadra na hipótese de obscuridade, posto que as razões de decidir não encontram respaldo fático para subsunção da norma, quanto na hipótese de contradição, posto que contrária à prova dos autos.
Numero da decisão: 1401-001.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos, com efeitos infringentes, por erro de fato, para: a) anular a decisão proferida por meio do acórdão nº 1401-000.829; e b) como conseqüência, devolver a relatoria do presente processo ao seu Conselheiro original, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Henrique Heiji Erbano, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Maurício Pereira Faro. Ausente momentaneamente o conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO QUANTO AOS PRESSUPOSTOS DE FATO DA DECISÃO. ANULAÇÃO DA DECISÃO. São cabíveis embargos de declaração para anular a decisão proferida com base em pressupostos de fato não condizentes com a realidade. O julgamento com erro de fato tanto se enquadra na hipótese de obscuridade, posto que as razões de decidir não encontram respaldo fático para subsunção da norma, quanto na hipótese de contradição, posto que contrária à prova dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos, com efeitos infringentes, por erro de fato, para: a) anular a decisão proferida por meio do acórdão nº 1401000.829; e b) como conseqüência, devolver a relatoria do presente processo ao seu Conselheiro original, Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Henrique Heiji Erbano, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 01 07 /2 01 1- 41 Fl. 8053DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Maurício Pereira Faro. Ausente momentaneamente o conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. Fl. 8054DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10410.000107/201141 Acórdão n.º 1401001.260 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração aviados pela Fazenda Nacional, por meio da qual questiona os fundamentos de fato adotados por esta Turma Julgadora no julgamento do processo nº 10410.000107/201141, de 07 de agosto de 2012, para o qual este Conselheiro fora designado como redator das razões de voto vencedor. A questão posta em debate naquele feito remonta à legalidade de utilização, pela Receita Federal do Brasil, de documentos colhidos por meio de Operação Policial que, no entendimento da Turma Julgadora, havia sido realizada à margem da determinação judicial. Como escorço fático, assim descrevi os fatos dos autos, in litteris: Segundo se extrai do Relatório de Procedimento Fiscal acostado às fls.101/111, a fiscalização que culminou com a lavratura do auto de infração em análise, teve início por provocação da Polícia Federal, que encaminhou, à Receita Federal do Brasil, documentos e elementos de prova colhidos no curso de inquérito instaurado para investigar as atividades desenvolvidas pela Recorrente. Senão vejase: II.Da Motivação para Abertura de Fiscalização De inicio foi instaurado o Inquérito Policial n° 2005.80.00.0058765 pela Policia Federal, tendo sido realizada operação de busca e apreensão, em 17/07/2008, cujo Mandado foi o de no 003.0013486/ 2008, tendo como alvo a Empresa MÁRCIO RAPOSO IMÓVEIS LTDA, cujo sócio majoritário é o Sr. Antônio Márcio Brito Raposo. Da operação realizada foram apreendidos documentos e computadores, dentre os quais foram repassados à Receita Federal aqueles que continham indícios de irregularidades fiscais. De posse da documentação apreendida foram instaurados procedimentos ficais tanto na Empresa, quanto na pessoa física, sendo que o procedimento instaurado em face da Pessoa Jurídica é o de n° 04.4.01.00.200900324 Segundo se extrai do documento de fls. 7.582/7585, a autoridade policial federal requisitou, ao Juiz da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de Alagoas, ordem judicial para que fossem apreendidos mídias eletrônicas e documentos da Recorrente, que poderiam figurar como prova da prática de ilícito por ela investigado. Fl. 8055DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 O Juiz da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de Alagoas, ao passo que concedeu o pedido elaborado pelo Delegado da Polícia Federal daquela jurisdição, determinou a observância de enormes cautelas, assim como que o procedimento de busca e apreensão fosse realizado com a presença de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decidiria, no momento do cumprimento do mandado, quais elementos seriam úteis para a realização da perícia investigatória. Leiase a íntegra da decisão proferida, in litteris: DECISÃO Vistos, etc. 1. Houve a formulação de uma representação da autoridade policial com o desiderato de apreender CPU’s de computador e meios de armazenamento digital, especialmente CDROMs, DVDROMs, PENDRIVES, cartões de memória, drives externos, zipdrives, discos rígidos externos e disquetes, contratos de compra e venda de imóveis daquela empresa, com o devido acompanhamento de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil de modo a viabilizar a realização de perícias e instruir o Inquérito Policial. autoridade policial, gizando que o pedido está na linha de desdobramento das investigações encetadas no Inquérito Policial, sendo indispensáveis estas diligências ora requeridas. 3. Breve relato. 4. A busca e apreensão é medida de natureza acautelatória destinada a evitar o perecimento de coisas e pessoas que interessem à causa, como medida extrema de afastamento da garantia constitucional de inviolabilidade de domicílio em seu sentido amplo. 5. Justificase o seu deferimento quando a(s) coisa(s) que se pretende buscar e eventualmente apreender interessa(m) diretamente à elucidação da causa, funcionando como precautela real. 6. Leiase, a esse respeito, o seguinte precedente do TRF da 4ª Região: “Mandado de segurança. Inquérito policial. Busca e apreensão de documentos. A apuração de fato que possa comprovar a prática de crime deve ser a mais ampla, autorizando o juiz a ordenar a busca e apreensão de documentos. Mandado de segurança prejudicado em parte e denegado no restante.” (TRF 4, MS 940453910/RS; Primeira Turma; DJ 16/11/1994, p. 65864; rel. Juiz Ari Pargenler; Unânime) 7. O Código de Processo Penal no artigo 240, §1º, permite a busca domiciliar quando fundadas razões autorizarem nas hipóteses que enumera, inclusive para descobrir elementos necessários para a prova da infração e colher elementos de convicção (alíneas “e” e “h”, do citado artigo). Fl. 8056DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10410.000107/201141 Acórdão n.º 1401001.260 S1C4T1 Fl. 4 5 8. No caso em epígrafe, foi apurada a utilização de notas fiscais falsificadas da empresa (omissis)1 para justificar o recebimento de valores referentes à corretagem de imóveis pelos corretores que prestam serviços à imobiliária (omissis). 9. De tal manobra contábil é possível inferir a prática de outros crimes mais complexos e o envolvimento de outras pessoas, até então não identificadas, sendo imprescindível a busca de documentos na sede da Imobiliária, de modo a identificar as transações imobiliárias e os verdadeiros valores envolvidos, bem como o registro das transações em meios computacionais. 10. Deste modo, percebese a necessidade da decretação da medida cautelar de busca e apreensão já que se faz necessário o recolhimento dos documentos e bens indicados de modo a viabilizar a realização de uma perícia hábil para o deslinde das investigações, permitindo a verificação da infração, assim como fornecer elementos de convicção para identificação dos agentes responsáveis. 11. A medida se justifica pela circunstância de que há risco de prejuízo para a instrução caso formalizada mera requisição dos documentos e bens indicados, por isso estou plenamente convencido do “periculum in mora” descrito pela autoridade policial e corroborado pelo parquet. 12. Ressalto que como “qualquer busca é sempre invasiva e atentatória à intimidade do indivíduo, deve o executor agir com redobrada cautela e causar o menor distúrbio possível. Entenda se tal procedimento não somente em relação ao tempo de duração da diligência, com relação à conduta a ser tomada dentro do domicílio” (Cí. NUCCI, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal Comentado. 3ed. Ver., atual e amp – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004). 13. Assim, comungo do entendimento de que fugiria ao razoável submeter a Imobiliária (omissis) a um desnecessário abalo de sua credibilidade e imagem pública, em razão de um procedimento meramente inquisitorial que não lhe assegura contraditório ou ampla defesa. 14. Por conseguinte, determino o cumprimento da medida de busca e apreensão com o menor distúrbio possível, devendo zelar a autoridade policial pela discrição da diligência, valendo se tão somente dos meios necessários à apreensão dos documentos e bens arrolados, pelo menor tempo possível e em horário de menor movimento, trajando vestes à paisana que não intimidem nem assustem os clientes e funcionários, em suma, valendose a Polícia Federal de seu habitual e conhecido bom senso. 15. Diante do exposto, com fulcro no artigo 240, §1º, “e” e “h”, do Código de Processo Penal, DEFIRO o pedido e determino a busca e apreensão de CPU’s de computador e meios de armazenamento digital, especialmente especialmente CDROMs, Fl. 8057DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 DVDROMs, PENDRIVES, cartões de memória, drives externos, zipdrives, discos rígidos externos e disquetes, contratos de compra e venda de imóveis, livros contábeis e fiscais, notas fiscais, documentos contábeis e fiscais diversos e demais objetos relacionados com as operações de compra e venda de imóveis daquela empresa, com o devido acompanhamento de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, de modo a orientar os policiais quanto ao interesse fiscal de cada documento. 16. Outrossim, deve ser realizada a diligência DURANTE O DIA, no endereço (omissis), podendo ainda, a autoridade executora colher quaisquer outros elementos de convicção, observando o disposto no art. 248 do Código de Processo Penal. 17. As coisas eventualmente apreendidas pela autoridade policial incumbida da execução da presente medida, caso não constituam produto ou instrumento de crime ou não interessem para elucidação dos fatos em apuração, deverão ser restituídas ao seu proprietário no prazo máximo de 30 (trinta) dias da efetivação da apreensão, mediante termo e feita a imediata comunicação a este Juízo. 18. O relatório circunstanciado da diligência deverá ser apresentado no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após o cumprimento. 19. Expeçase o competente mandado de busca e apreensão, em caráter de urgência, conforme requerido, observados os requisitos do art. 243 do CPP. 20. Decreto o segredo de justiça para o trâmite deste Inquérito Policial. 21. Ciência ao Ministério Público Federal. 22. Expeçase ofício à Superintendência da Polícia Federal, informando sobre as cautelas peculiares que esta busca e apreensão requer, bem como ofício à Receita Federal para que disponibilize Auditores Fiscais para acompanhamento na diligência a ser promovida pela Polícia Federal, respeitandose o sigilo. Ocorre que os agentes da Polícia Federal, desconsiderando o comando direto da ordem judicial, dirigiramse à sede da sociedade contribuinte sem a presença de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, quando então recolheram inúmeros documentos e equipamentos que se encontravam no local. Encaminhados os documentos e elementos de prova colhidos na busca e apreensão para a Receita Federal do Brasil, a Recorrente foi intimada do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 113/114). Durante a fiscalização, a Recorrente foi intimada a apresentar documentos, ou esclarecer dados apurados a Fl. 8058DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10410.000107/201141 Acórdão n.º 1401001.260 S1C4T1 Fl. 5 7 partir dos elementos outrora remetidos pela Polícia Federal. Ao final, a Autoridade Fiscal contrapôs as informações constantes da escrituração fiscal da Recorrente com aquelas recebidas da Polícia Federal, oportunizando a lavratura do presente auto de infração. Vejase a descrição fática do procedimento fiscal, in verbis: 7 — Dentre os documentos apreendidos e repassados pela Policia Federal destacamse as propostas de compras, os contratos de compra/venda, planilhas contendo as vendas dos imóveis destacadas por corretor e alguns recibos de pagamento relativos as vendas de imóveis, bem como o conteúdo de alguns emails enviados/recebidos pelo contribuinte. De posse dos mesmos, elaboramos as planilhas "INTERMEDIAÇÕES REALIZADAS PELA IMOBILIARIA" relativas aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006 e 2007; e intimamos o contribuinte, por meio do Termo de Intimação n° 06, datado de 21/09/2010, fls. a , a confirmar as intermediações de vendas realizadas pela Empresa durante os anos de 2005; 2006 e 2007, e informar ainda os valores recebidos a titulo de comissões, obtidos em função das Relatório do Procedimento Fiscal intermediações de vendas realizadas nos anos de 2004 a 2007, visto que para o ano de 2004, as intermediações já haviam sido confirmadas, conforme descrito no item 2, acima relatado. Em sua carta resposta, datada de 01/10/2010, fl.__ o contribuinte apresenta as Planilhas demonstrando. A confirmação das vendas, bem como o valor das respectivas comissões dos anos de 2005, 2006 e 2007. 8 — Encontramos nas planilhas, que contem a relação de vendas de imóveis destacadas por corretor, várias unidades imobiliárias que tiveram sua comercialização intermediada pelo contribuinte sem que as mesmas fizessem parte da relação dos imóveis que constam na planilha anexada ao Termo de Intimação Fiscal n° 06. Assim, intimamos o contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal no 07, datado de 14/10/2010, a confirmar as intermediações de vendas realizadas pela empresa, durante os anos de 2005, 2006 c 2007, conforme planilha elaborada de acordo com as vendas por corretor e anexada ao Termo. Em sua cartaresposta, datada cm 25/10/2010, o contribuinte apresenta uma planilha que confirma as intermediações de vendas e informa o valor das respectivas comissões. , 9 Por meio do termo de Intimação n° 08, datado de 30/11/2010, intimamos o Contribuinte a apresentar a discriminação dos imóveis relacionados nas DIMOB dos anos calendários de 2004 c 2005, visto que nas Declarações apresentadas pelo Contribuinte, fls. a fls. , não consta a individualização de cada imóvel, mas sim, somente, o nome da rua/Avenida cm que o mesmo se localiza. Fl. 8059DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 O contribuinte apresentou sua cartaresposta cm 06/12/2010, anexando uma planilha onde individualiza quase todos os imóveis. Ato seguinte, elaboramos as Planilhas 'RELAÇÃO DOS IMÓVEIS INTERMEDIADOS OMITIDOS NA DIMOB', fls. a _ para os anoscalendário de 2004 e 2005, contendo os imóveis que conseguimos comprovar a venda e que não constaram nas respectivas DIMOB, sendo que para os anoscalendários de 2006 e 2007, os imóveis que constam nas Planilhas CONFIRMAÇÃO DAS VENDAS' dos mesmos anos foram todos omitidos na DIMOB, já que 'o contribuinte não apresentou as Declarações a que estava obrigado. E por derradeiro elaboramos a Planilha "APURAÇÃO DA MULTA RELATIVA A OMISSÃO DA DIMOB", fl. a . 10 Vale destacar que a busca e apreensão, por parte da Policia Federal, se deu em 17/07/2008 e o inicio do procedimento fiscal foi dado somente no dia 08/06/2009, o que oportunizou ao Contribuinte retificar todas as Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa jurídica — DIPJ, relativas aos anos calendário de 2004 a 2007, abrangendo todo período fiscalizado. Mesmo após a retificação, a sua contabilidade não registra todas as receitas decorrentes da intermediação dc imóveis. Após a confirmação das vendas pelo contribuinte em respostas as Intimações de n° 06 e 07, confrontamos com as vendas informadas nas Notas Fiscais emitidas pelo Contribuinte, as vendas informadas na DIMOB, as vendas informadas na Relação dos Corretores, e as vendas confirmadas por meio de Contrato de Compra e Venda, Escritura e Recibos, encontrados no material fornecido pela Policia Federal e então, 'elaboramos as planilhas: 'Confirmação de Vendas" fls. a 1627 relativas aos anos de 2005 a 2007, e Planilha de 'Relação dos Imóveis Intermediados Omitidos na Contabilidade fls.. relativa ao ano de 2004, que incluem todas vendas de imóveis confirmadas, seja pelo contribuinte, seja pela notas fiscais, seja pela DIMOB e seja pelos Contratos de Compra e Venda, as Escrituras ou os Recibos. (...) Por fim, elaboramos a Planilha "APURAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA”, fls. a , na qual consta as receitas apuradas, mês a mês, decorrentes da Confirmação de vendas para os anoscalendário de 2005 a 2007 e confrontamos com as receitas de vendas contabilizadas pelo contribuinte na conta contábil “Receitas de Vendas” do Livro Razão, fls. a achando assim a receita omitida para os anos acima referidos. Já para o anocalendário de 2004 apuramos a omissão diretamente na Planilha 'Relação dos Imóveis Intermediados Omitidos na Contabilidade', acima referida. Fl. 8060DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10410.000107/201141 Acórdão n.º 1401001.260 S1C4T1 Fl. 6 9 A questão posta em debate, e que levou ao cancelamento do auto de infração, gira em torno da legalidade na obtenção da prova sobre a qual a Autoridade Fiscal lavrou o auto de infração. A Recorrente alegou, em síntese, na preliminar de relevo, que as provas obtidas pela Secretaria da Receita Federal e que embasaram a lavratura do auto de infração, recolhidas pela busca e apreensão realizada pela Polícia Federal, são ilícitas, uma vez que teria havido o descumprimento da ordem judicial que deferira o procedimento, incorrendo em verdadeira devassa aos arquivos da sociedade, consoante restou certificado no “Auto circunstanciado de busca” de fls. 7.376/7.379. Partindo da premissa de que “todas as peças apreendidas passaram pelo crivo das autoridades fiscais” e de que o auto de infração foi lavrado com base nas provas e documentos adquiridos por intermédio da Polícia Federal, lastreadas pela decisão judicial de busca e apreensão, a maioria da Turma Julgadora entendeu ter havido descumprimento, por parte da Polícia Federal, dos limites e requisitos impostos na decisão judicial. Por esse motivo, os documentos dela decorrentes caracterizam prova ilícita, impossível de ser utilizada como fundamento para lavratura do lançamento. Nesse contexto, para a melhor apreciação do caso, necessária a análise das normas jurídicas aplicáveis à espécie, notadamente aquelas que estabelecem o conceito de domicílio e sua proteção constitucional, além da doutrina e das normas afetas à decisão que determina o procedimento de busca e apreensão de provas e sua estreita relação com a ilicitude dos meios probatórios. Nesse contexto fático, a Turma Julgadora, por maioria, entendeu pela ilegalidade das provas colhidas pela Polícia Federal, uma vez que a execução da ordem de busca e apreensão não teria sido procedida nos termos da decisão judicial que a deferiu, especificamente no que toca ao acompanhamento de Auditores Fiscais da Receita Federal. Intimada a Fazenda Nacional acerca da decisão, a mesma opôs embargos de declarações por meio dos quais alega que a mesma “se baseou em falsa premissa fática, já que houve sim a participação de Auditores da RFB na busca e apreensão autorizada no Processo nº 2005.80.00.0058765, conforme resta comprovado pelos documentos a seguir mencionados e anexados aos presentes autos”. Nesse sentido, apresenta, a Embargante, os seguintes documentos: a) cópia de email interno da receita Federal do Brasil, com designação de servidores para aprticipar de busca e apreensão no período de 16/07/2008 a 17/07/2008 em Maceió; Fl. 8061DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 b) concessão de diárias a auditores da RFB de Recife para o cumprimento da diligência em Maceio, conforme acima apontado; c) declaração firmada pelos auditores fiscais Antônio Sinval Machado Filho e João Felipe Rocha Lages, firmando ter participado da operação descrita no presente processo; d) autorização judicial outorgada no processo judicial em referência, autorizando o compartilhamento dos documentos apreendidos com a Receita Federal do Brasil Em face de referidos documentos, propus fosse aberta vista dos mesmos ao Contribuinte, que apresentou petição alegando o seguinte: a) a peça da Fazenda Nacional não é embargos de declaração, mas verdadeiro recurso de apelação, cuja previsão não existe no Regimento Interno do CARF, vez que pretende a apreciação de documentos novos; b) que os documentos ora apresentados não são contemporâneos e não constam original do processo; c) que a escrivã de Polícia, sra. Cândida Ferreira de Olveira Sousa, descreveu a equipe “que participara da operação de busca e apreensão, mencionou os nomes das pessoas que estavam na imobiliária, anotou os dados de testemunhas que lá estavam presentes, todavia, não mencionou a presença de Auditores Fiscais da receita Federal na operação”; d) não consta, também, a participação de referidos Auditores Fiscais do Relatório Circunstanciado de Busca e Apreensão; e) que a ausência dos Auditores Fiscais na operação de busca e apreensão teria sido reconhecida pela DRJ do Recife, ao afirmar, no acórdão nº 11.34007, que “a ausência do Auditor Fiscal, da Receita Federal naquela diligência” não inquina de validade a ação”; f) que o relatório realizado pelo Delegado Antônio Miguel Pereira Júnior, que presidiu a diligência, não faz referência à presença de Auditores Fiscais; g) que os Auditores Fiscais relacionados no email e designados para acompanhar a operação não são s mesmos que declaram ter participado da diligência. Fl. 8062DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10410.000107/201141 Acórdão n.º 1401001.260 S1C4T1 Fl. 7 11 É o relatório, no necessário. Fl. 8063DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos são tempestivos e, atendidos os demais requisitos de lei, deles conheço. PRELIMINAR. ERRO DE FATO. EMBARGOS. Os presentes embargos são fundados em alegação de erro quanto aos fatos sobre os quais se fundou a decisão proferida por este Colegiado. Em sede de preliminar, alega, a Embargada, que os embargos não se prestam à rever ou alterar a decisão proferida sob a alegação de erro de fato. A questão, permissa venia, já resta há muito superada na jurisprudência administrativa , sendo cediço que erro de fato é passível de revisão por meio de embargos. Vejase o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ERRO DE FATO NULIDADE PROCESSUAL Constatado erro de fato no julgamento do Recurso Voluntário do Contribuinte, anulase o Acórdão proferido, devolvendose os autos à Câmara de origem para novo julgamento. Embargos acolhidos Acórdão nº 40304169 do Processo 101660227389939 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ERRO DE FATO NULIDADE PROCESSUAL Constatado erro de fato no julgamento do Recurso Voluntário do Contribuinte, anulase o Acórdão proferido, devolvendose os autos à Câmara de origem para novo julgamento. Embargos acolhidos Acórdão nº 40304168 do Processo 101660231109988 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/12/1999 a 31/12/1999 EMBARGOS DEDECLARAÇÃO ERRO DE FATO NULIDADE PROCESSUAL. Constatado falha processual quando do julgamento do Recurso Especial, anulase o Acórdão proferido na CSRF para que o trâmite processual seja refeito na sua boa e devida forma.Embargos Acolhidos Acórdão nº 40203253 do Processo 13976000114200414 Fl. 8064DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10410.000107/201141 Acórdão n.º 1401001.260 S1C4T1 Fl. 8 13 De fato, o julgamento com erro de fato tanto se enquadra na hipótese de obscuridade, posto que as razões de decidir não encontram respaldo fático para subsunção da norma, quanto na hipótese de contradição, posto que contrária à prova dos autos. Diante do exposto, entendo deva ser superada a preliminar argüida. PRELIMINAR. FATOS NOVOS. DOCUMENTOS EXTRA AUTOS Ainda em sede de preliminar, aduz a Embargante que não poderia a Fazenda Nacional, em sede de embargos de declaração, trazer à colação documentos novos que não fizeram parte do processo original. Nesse ponto, importante tecer algumas considerações. Em estudo organizado pelo Prof. Ives Gandra da Silva Martins (Questões Controvertidas no Processo Administrativo Fiscal – CARF. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2012, tivemos a oportunidade de firmar o seguinte entendimento: Postos esses entendimentos, entendo que lançamento é o ato administrativo que declara a ocorrência do fato gerador e formaliza o crédito tributário, descrevendo a norma individual e concreta de tributação, apontando o sujeito passivo e sujeito ativo, o montante da obrigação tributária, além de operacionalizar a forma do seu pagamento. Nesse sentido, o lançamento lida com dois momentos lógicos (e não cronológicos): 1º) a identificação do fato imponível, ocorrido com a subsunção do fato descrito à hipótese prevista na norma geral e abstrata de tributação; e 2º) a formalização da relação jurídicotributária entre sujeito ativo e sujeito passivo, pela edição da norma individual e concreta de tributação. Na verdade, o termo de verificação fiscal ou o termo de encerramento da ação fiscal, muitas vezes negligenciado como peça secundária na lavratura dos lançamentos fiscais, é o elemento essencial que realiza a subsunção do fato à hipótese de incidência tributária e, fundamentalmente, onde se encontram os elementos informadores da relação jurídico tributária objeto do lançamento. Fl. 8065DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 Sem esse descritivo, devidamente realizado em apartado ou no próprio auto de lançamento, não há como se saber acerca da legalidade da imputação tributária, ou da confirmação dos elementos da relação jurídicotributária dele constantes. Tanto é assim que o decreto nº 70.235, exige que o lançamento fiscal1 contenha, obrigatoriamente, esses dois momentos lógicos: (i) o inciso II do art. 10 exige a “descrição do fato” e (ii) os incisos I e V do art. 10 exigem a qualificação do autuado (sujeito passivo) e a determinação da exigência com apuração do montante tributo devido (c/c inciso II do art. 11). Notificado o lançamento ao contribuinte, este pode oporse tanto com relação à imputação da ocorrência do fato imponível, buscando apresentar um fato diverso daquele que fora tomado como elemento de subsunção à hipótese de incidência abstratamente considerada; quanto pode confirmar o fato imponível, mas divergir quanto aos elementos formadores da relação jurídicotributária, na implicação da norma geral e abstrata em norma individual e concreta. A partir do questionamento do contribuinte, com a apresentação da impugnação, tem início o processo administrativo fiscal. Com efeito, a impugnação apresentada pelo contribuinte é o elemento delimitador do objeto de análise e decisão no âmbito do processo administrativo fiscal, podendo tratar tanto das questões de fato tomadas como fundamento do lançamento, quando de questões de direito. As questões não impugnadas não são devolvidas à apreciação no curso do processo administrativo fiscal, salvo se se tratarem de matéria passível de conhecimento de ofício (nulidade ou decadência). Tanto é assim que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” (art. 17 do decreto nº 70.235. Na sistemática da lei do processo administrativo fiscal, havendo divergência de matéria fática, o contribuinte poderá oporse ao lançamento, devendo trazer os elementos de prova que confirmem a sua versão. Surgido o litígio quanto a matéria de fato, o processo administrativo passa a lidar com uma contraposição de versões: a versão do Fisco, fundada nos elementos constantes do lançamento; e a versão do contribuinte, fundada nos elementos constantes da impugnação. Cada um assume o ônus de prova da versão dos fatos que pretende sustentar. Fl. 8066DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10410.000107/201141 Acórdão n.º 1401001.260 S1C4T1 Fl. 9 15 Segundo o decreto nº 70.235, cabe ao contribuinte apresentar, na impugnação, “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir” (art. 16, inciso III), sendo que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão (§ 4º do art. 16). Mas essa imputação não desonera a Fazenda Pública de provar, no processo administrativo fiscal, que a versão dos fatos constantes do lançamento, em especial do termo de verificação fiscal, está sustentada em elementos de prova suficientes ao enquadramento jurídico realizado. Na verdade, o lançamento pressupõe a existência desses elementos de prova apurados pela Administração Tributária, no curso do procedimento de fiscalização. Assim, no curso do processo administrativo fiscal, o ônus da prova quanto aos fatos descritos no lançamento cabe à Fazenda Pública, pois são essas provas que sustentam a aplicação do direito realizada na formalização do crédito tributário. A exceção ocorre quando da aplicação de presunções legalmente previstas, em que se autoriza à Administração Tributária assumir determinado fato como verdadeiro, revertendose o ônus da prova para atribuílo ao contribuinte. Nessa situação, basta a descrição do fato presumido para que se atribua o ônus ao contribuinte de provar que o mesmo, na realidade, não ocorreu. Mas, mesmo aqui, cabe à Autoridade Fiscal provar, no lançamento, que os requisitos legais para a aplicação da presunção estavam presentes e foram observados. Vejase que a presunção de certeza do crédito tributário e a presunção de certeza do próprio lançamento enquanto ato administrativo não existem no curso do processo administrativo fiscal. Essa qualidade somente será adquirida após o encerramento do PAF, quando o crédito for remetido para inscrição em dívida ativa, oportunidade em que deverá submeterse a um controle final de legalidade por parte da advocacia pública (art. 204 do CTN). Assim, entendemos que a versão dos fatos constantes do lançamento deve desvelar a realidade com fundamentos sustentáveis para a sua manutenção. Se a versão dos fatos apurados no curso do processo administrativo fiscal infirmar a versão dos fatos constantes do lançamento, em ponto fundamental, o mesmo deverá ser cancelado. No caso dos presentes autos, não se trata de revisão de fatos ou indagação de fatos novos relativos aos elementos de composição dos fatos geradores em si considerados; mas sim a legalidade das provas colhidas e utilizadas para o lançamento tributário. Fl. 8067DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 Nesse sentido, a aceitação de documentos novos apresentados pela Fazenda Nacional, em sede de embargos de declaração, não tem por objetivo alterar, confirmar ou infirmar os fatos constantes do Termo de Verificação Fiscal que baseou o auto de infração. Ao contrário, tratamse de documentos que enfrentam a alegação preliminar aduzida em sede de impugnação e que tem efeitos quanto à validade das provas, não a sua materialidade em si. Nesse sentido, ainda que procedente os argumentos da Fazenda Nacional, com a análise dos documentos por ela apresentados, não se estará, em momento algum, promovendo a alteração do auto de infração. Rejeito, também aqui, a preliminar. MÉRITO No mérito, temse que os fatos originalmente considerados conduziam à ausência dos Auditores da Receita Federal do Brasil na diligência de busca e apreensão realizada junto à Recorrente, levando à imprestabilidade das provas colhidas, nos termos em que se fundou a decisão embargada. Esse pressuposto de fato levou em consideração que: A) que a escrivã de Polícia, sra. Cândida Ferreira de Oliveira Sousa, não relatou a presença dos Auditores Fiscais da Receita Federal na Busca e Apreensão realziada junto à Contribuinte; B) não consta, também, a participação de referidos Auditores Fiscais do Relatório Circunstanciado de Busca e Apreensão; C) que a ausência dos Auditores Fiscais na operação de busca e apreensão teria sido reconhecida pela DRJ do Recife, ao afirmar, no acórdão nº 11.34007, que “a ausência do Auditor Fiscal, da Receita Federal naquela diligência” não inquina de validade a ação”; D) que o relatório realizado pelo Delegado Antônio Miguel Pereira Júnior, que presidiu a diligência, não faz referência à presença de Auditores Fiscais; No entanto, a partir do momento em que a Fazenda Nacional trouxe aos autos documentos em que comprovam a presença de Auditores Fiscais da receita Federal do Brasil no cumprimento da ordem judicial de busca e apreensão, o vício que inquinava a legalidade das provas do presente processo mostrouse inexistentes. Analisando as razões de embargos de declaração, é possível extrairse, a partir de declaração firmada pelos Auditores Fiscais Antônio Sinval Machado Filho e João Felipe Rocha Lages, por si só, já se mostram suficientes para confirmar o erro de fato no julgamento realizado por esta Turma Julgadora. Fl. 8068DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10410.000107/201141 Acórdão n.º 1401001.260 S1C4T1 Fl. 10 17 Isso porque a decisão embargada (i) tomou em consideração a ausência de servidores fiscais no cumprimento da ordem de busca e apreensão, nos termos da decisão judicial, quando, em verdade, (ii) houve o acompanhamento fiscal em referida diligência, nos exatos termos da decisão judicial. Não subsiste, pois, o substrato fático segundo o qual a decisão foi proferida. Entendo, assim, deva ser revista a decisão embargada, em seus efeitos infringentes, por erro de fato, para: i) anular a decisão proferida por meio do acórdão nº 1401000.829; ii) como conseqüência, devolver a relatoria do presente processo ao seu conselheiro original, Fernando Luiz Gomes de Matos. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 8069DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10435.003185/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
INTEMPESTIVIDADE.
Demonstrado nos autos, à luz da regra de contagem dos prazos processuais que a Manifestação de Inconformidade foi intempestivamente apresentada, deixa-se de acolher a preliminar de tempestividade.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-002.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
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Demonstrado nos autos, à luz da regra de contagem dos prazos processuais que a Manifestação de Inconformidade foi intempestivamente apresentada, deixase de acolher a preliminar de tempestividade. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 31 85 /2 00 8- 13 Fl. 671DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Por bem descrever os fatos, adoto em parte o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta aos 15/07/2013, fls. 184/228, contra o Despacho Decisório de fl. 171, do qual a contribuinte foi cientificada aos 12/06/2013 (fl. 181), que, acatando a proposta contida no Parecer de fls. 165/168, decidiu: (i) REVER DE OFÍCIO o Despacho Decisório DRF/Caruaru/PE nº 611, de 12 de novembro de 2010 (fls. 96 a 105); de forma a indeferir totalmente o Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI de fl. 03, referente ao 3º trimestre de 2008; (ii) DETERMINAR o cancelamento da homologação das compensações de que tratam as DCOMPs identificadas no item 2 do Parecer de fls. 165/168, além daquelas contempladas nos Processos nº 10435.720872/201011 (código 6912, com vencimentos em 25/02/2009 e 24/04/2009, nos valores respectivos de R$ 179.416,55 e R$ 17.053,53) e 10435.720870/201022 (código 5123, com vencimento em 24/04/2009, no valor de R$ 61.010,78), uma vez que foram lastreadas em crédito indevido e ainda não decorreram 05 (cinco) anos das datas de entrega de tais declarações de compensação. 2. Menciona o Parecer acima, no qual se fundamentou o Despacho Decisório proferido, que, de acordo com a Informação Fiscal de fls. 158/159 “que reporta ao que foi apurado através da Fiscalização de que trata o Mandado de Procedimento Fiscal nº 04.1.002012000146, foi enviada Representação Fiscal (fls. 156/157), contida no Processo Administrativo nº 10480.720472/201311, relatando que foi verificado pela Equipe Regional de Fiscalização que não há valor passível de ressarcimento ou de compensação relativo ao presente processo, referente ao 3º trimestre de 2008”. 3. Expõe que “O Termo de Informação Fiscal de fls. 135 a 155, que passa a ser parte integrante deste Parecer, decorre da fiscalização realizada pela Equipe Regional de Fiscalização da 4ª Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil – 4ª SRRF, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 04.1.002012000146, onde foi constatado que os valores de crédito presumido de IPI considerados foram totalmente absorvidos pelos débitos gerados pelas saídas, não sobrando ao final dos trimestres (...) qualquer valor passível de ressarcimento ou de compensação com débitos de outros tributos/contribuições administrados pela RFB; exceção feita ao 3º trimestre de 2007 e ao 3º trimestre de 2010, em que foram apurados os saldos passíveis de ressarcimento/compensação de R$ 1.485.688,59 e R$ 399.613,57, respectivamente”. 4. Narra, também, que “Relativamente aos pedidos de ressarcimento acima discriminados, foi proposto pela Equipe de Fiscalização da 4ª RF, através de Representação Fiscal (fls.156/159), contida no processo 10480.720.472/201311, à autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caruaru – PE, que o reconhecimento do direito creditório seja Fl. 672DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10435.003185/200813 Acórdão n.º 3302002.888 S3C3T2 Fl. 660 3 limitado aos valores passíveis de ressarcimento/compensação apurados em tal fiscalização (...); servindo o Termo de Informação Fiscal e todos os documentos ali referidos e anexados como lastro aos resultados da auditoria”. (...) Na Manifestação de Inconformidade, a recorrente, inicialmente, assevera que “tomou ciência do Despacho Decisório nº 113, de 27 de maio de 2013, em 18/06/2013. Nos termos dos §§7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é de trinta dias o prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade, contado a partir do recebimento pelo contribuinte” e “Portanto, é tempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada na presente data”. Na seqüência, sustenta que, como o Parecer de fls. 165/168, bem como o Despacho Decisório que o aprovou aos 27/05/2013 e que reviu o Despacho Decisório aqui antes proferido aos 12/11/2010, foram elaborados, única e exclusivamente, em virtude da Informação Fiscal relacionada ao Auto de Infração objeto do processo administrativo nº 10480.720471/201369 (que então aguardava julgamento perante esta Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife), requereu a distribuição por dependência do presente processo administrativo para julgamento concomitante com o da Impugnação apresentada contra a mencionada autuação. Fundamentou a pretensão no art. 47, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e, ainda, no art. 9º, da Portaria MF nº 341, de 12/07/2011.... Fala que as Declarações de Compensação aqui tratadas, em que foi utilizado o crédito previsto no art. 1º, IX, da Lei nº 9.440/97, foram homologadas pelo Despacho Decisório nº 661/2010, e que, passados mais de quatro anos (sic), a contribuinte foi cientificada de Despacho Decisório que resolveu anular o anteriormente proferido, nisto havendo “grave afronta à legalidade tributária na tentativa de aplicar novo critério jurídico a fatos tributários já julgados e analisados pela Receita Federal do Brasil”, devendo prevalecer o Despacho Decisório inicial.... Argumenta que a natureza jurídica do ato administrativo de homologação “tornase ainda mais clara em matéria de IPI. Sobre o regime desse tributo, o regulamento do IPI dispõe que o lançamento constitui o crédito tributário a partir da homologação de atos de ‘iniciativa do sujeito passivo’ (pagamento ou compensação), conforme Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10), arts. 181, 183, 268, e Decreto nº 4.544/02 RIPI/02, arts. 122, 124 e 208”. Ressalta que a atribuição da natureza de “lançamento” ao ato homologatório da compensação é determinante para o exame das hipóteses de sua revisão, que estão taxativamente previstas no art. 149, do CTN, e não caracterizadas nos presentes autos. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 ... Externa que a doutrina e a jurisprudência entendem que “somente o ‘erro de fato’ autoriza a revisão do lançamento (o que estaria refletido nas hipóteses listadas pelo art. 149 do CTN, incluindo o elemento fraude e dolo, mas excluindo o que é determinante ao caso concreto, o ‘erro de direito’). Esclareçase que ‘o erro de fato situase no conhecimento dos fatos, enquanto simples fatos, independentemente da relevância jurídica que possam ter’. O Superior Tribunal de Justiça entende que somente erro de fato autoriza a revisão do lançamento (afastando o erro de direito)”. 1 ... Pelas razões acima, requereu fosse julgado improcedente tanto o Parecer quanto o Despacho Decisório nº 113/2013, por violação ao comando do art. 149, do CTN, tornandoos sem efeito e restabelecendo o Despacho Decisório inicialmente proferido nos presentes autos.... Informa que apresentou “Solicitação de Habilitação no Regime Automotivo”, aprovada foi pelo Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo por meio do Parecer SPI/MICT/Nº 2939/97. 30. Comenta que o benefício fiscal enfocado, inicialmente concedido até 31/12/19992, foi estendido até 31/12/2010 pelo Decreto nº 3.893/2001, cujo art. 1º, caput, fixou, para o cálculo do benefício, a alíquota de “7,3% sobre o valor do faturamento decorrente da venda de produtos de fabricação própria”, equivalente ao dobro das contribuições à época devidas pelo regime cumulativo. Externa que, com a instituição do regime nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o Decreto nº 5.710, de 24/02/2006, inseriu no Decreto nº 3.893/2001 o art. 1 A. E, depois de mencionar que “Como explicitado nestes autos, a estrutura necessária à fabricação do produto incentivado é mantida no Nordeste. No caso da Contribuinte, como já demonstrado à exaustão, não existe produção de baterias pelas filiais 903 (exclusivamente comercial) ou 906 (a quem compete tão somente a injeção de solução eletrolítica e a rotulagem). Todas as baterias vendidas pela Contribuinte foram por ela integralmente fabricadas na planta industrial situada no Nordeste. Quando a bateria se destina à venda no Sul – Sudeste, por questões de logística e qualidade, depois de fabricadas, são remetidas à filial 906 para adição de solução eletrolítica, energização e rotulagem”, afirma que “ainda que se considere que a lei nº 9.440/97 e o Decreto nº 3.893/2001 restringiram o incentivo ao faturamento dos estabelecimentos localizados no Nordeste (interpretação, data vênia, equivocada e contrária ao posicionamento da própria RFB externado através da Solução de Consulta nº 17/2012), deveria ter sido considerada, no lançamento, no mínimo a proporcionalidade do custo na formação do preço de venda”. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10435.003185/200813 Acórdão n.º 3302002.888 S3C3T2 Fl. 661 5 Finalizando, pugnou a requerente: (i) preliminarmente, a distribuição por dependência, para julgamento concomitante, da Manifestação de Inconformidade ao processo administrativo nº 10480.720471/201369; (ii) seja julgado totalmente improcedente o Despacho Decisório nº 41, de 21/03/2013 e restabelecido o anteriormente proferido nos autos, por não estarem presentes os requisitos para anulação da compensação anteriormente homologada (iii) como pedido sucessivo, que sejam julgados improcedentes o Despacho Decisório acima citado e o Parecer que o embasa. 59. Servidor lotado na SARAC/DRF/CRU/PE da Delegacia de Origem proferiu o Despacho de fl. 523, propondo o “encaminhamento do presente processo ao Secoj/DRJ/Recife/PE, tendo em vista a Manifestação de Inconformidade (fls 180/182, 184/299, 302/436 e 439/521). Devese ressaltar que, embora alegue tempestividade, o contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 12/jun/2013, enquanto que a Manifestação foi entregue fora do prazo regular de 30 dias, justamente em 15/jul/2013 (conforme fls 180/182 e 184)”, o que foi aprovado pela respectiva Chefia à fl. 525, nos seguintes moldes: “De acordo. À DRJ/RCE/PE tendo em vista que o contribuinte suscitou a tempestividade, nos termos do Ato Declaratório Normativo nº 15, de 12 de julho de 1996”. 60. Este julgador anexou aos presentes autos cópias do Acórdão nº 1144.201, proferido por esta 2ª Turma nos autos do processo administrativo nº 10480.720471/201369 em sessão realizada no dia 11/12/2013. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstram a ementa e parte dispositiva da decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DESPACHO DECISÓRIO NÃOHOMOLOGATÓRIO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO APÓS O PRAZO DE TRINTA DIAS DA CIÊNCIA. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente a preliminar de tempestividade quando o prazo decorrido entre a data de ciência do Despacho Decisório recorrido e a interposição da Manifestação de Inconformidade superou 30 (trinta) dias. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão de primeira instância em 10/02/2014, conforme Aviso de Recebimento de fl. 569, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 572/619 Fl. 675DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 em 12/03/2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada, fl.571, ex vi do art. 3º da Portaria MF nº 527, de 09/11/2010, DOU de 10/11/2010, onde reitera os mesmos argumentos já aduzidos na manifestação de inconformidade, acrescentando a preliminar de tempestividade, nos seguintes termos: de acordo com o acórdão ora recorrido, a data de recebimento da intimação foi 12/06/2013 e não em 18/06/2013 como acreditava a contribuinte; a intimação em questão foi realizada na portaria do parque fabril da contribuinte, localizado na cidade de Belo Jardim/PE. Conforme quadro indicado no item 12, o centro administrativo da contribuinte onde estão localizados os representantes legais da empresa, é localizado na cidade de Jaboatão dos Guararapes/PE, distante centenas de quilômetros do local da intimação. Tal fato é confirmado pela própria procuração acostada aos autos outorgada na cidade de Jaboatão dos Guararapes/PE que comprova ser nessa cidade o domicílio dos representantes da empresa; o endereçamento da intimação para o parque fabril, frisese onde não há nenhum representante legal da empresa, acarretou a ineficácia do controle interno e consequente extrapolação do prazo para apresentação da manifestação de inconformidade; com base nos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, considerando a realidade em que se insere a contribuinte e tendo ultrapassado apenas 3 dias do término deve ser afastada a declaração de intempestividade e conhecidas as razões do Recurso Voluntário; no processo em que se discute matéria tributária prevalece o princípio da verdade material, destacando que a Lei nº 9784, de 1999 apresenta diversas contribuições à flexibilização da rigidez processual, a exemplo dos artigos 36 e 37; não obstante a necessidade do instituto da preclusão para o bom andamento do processo administrativo, sua observância deve ser flexibilizada em benefício da aplicação da justiça, pois obstar a apreciação de defesa intempestiva, em qualquer situação, deixando o administrador de cancelar um ato administrativo notoriamente destituído de legalidade, é um ato desarrozado e desproporcional, sendo em última análise, ilegal. Ao final requer: a) a distribuição por dependência, para julgamento concomitante, nos termos do RICARF ao processo nº 10480.720471/201369, em virtude da intrínseca relação de causa e efeito entre o auto de infração ora impugnado com o Termo de Informação Fiscal decorrente do MPF nº 04.1.002012000146, que gerou o citado Auto de Infração, atualmente pendente de julgamento de Recurso Voluntário; b) que seja julgado totalmente improcedente o Despacho Decisório nº 113/2013, por afronta ao art. 149 do CTN, em virtude de não estarem presentes os requisitos para anulação de compensação anteriormente homologada, devendo ser restabelecidos os efeitos do DESPACHO DECISÓRIO DRF/CARUARU/PE Nº 461, de 02 de outubro de 2008; c) como primeiro pedido eventual, no caso de não ser acatado o pedido anterior em face do propósito do incentivo do Regime Automotivo instituído pela Lei nº 9.440, de 1997, de assegurar a competitividade das empresas incentivadas, e em face da ausência de restrição em contrário, assim como em respeito ao conceito de faturamento e à base de cálculo do incentivo, que sejam julgados totalmente improcedentes o Despacho Decisório nº 1132/2013 e Parecer Fiscal S/N (Intimação nº 155/2013), reconhecendose o direito da Contribuinte de calcular, sobre seu faturamento integral no mercado nacional, o incentivo fiscal Fl. 676DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10435.003185/200813 Acórdão n.º 3302002.888 S3C3T2 Fl. 662 7 previsto na Lei nº 9.440, de 1997 e regulamentado pelo Decreto nº 3.893, de 2001 de crédito presumido de IPI correspondente ao dobro de PIS e COFINS; d) como segundo pedido eventual, que sejam julgados totalmente improcedentes o Despacho Decisório nº 113/2013 e Parecer Fiscal S/N (Intimação nº 155/2013), reconhecendose o direito da Contribuinte ao cálculo do crédito presumido de IPI previsto na pela Lei nº 9.440, de 1997 e regulamentado pelo Decreto nº 3.893, de 2001, atendendo à proporcionalidade entre o preço da venda realizada por estabelecimento localizado fora da região Nordeste e o custo incorrido para a produção nos estabelecimentos industriais localizados na região Nordeste, conforme item 67 e seguintes e respectivo anexo 07 da impugnação ao auto de IPI; e) protesta provar o alegado por todos os meios de prova, inclusive por juntada posterior de documentos; f) que a intimação e publicação de todos os atos processuais em nome da contribuinte e de seus advogados; ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO (OAB/PE 14.799), GRACE KAT MEDEIROS DA COSTA NEVES (OAB/PE 26.237) sob pena de nulidade. É o Relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Da Arguição Preliminar de Tempestividade Para a análise preliminar a seguir expendida é importante a cognição das disposições normativas vigentes, conforme disposições do Processo Administrativo Fiscal PAF, através do Decreto nº 70.235, de 1972, aplicáveis ao caso em tela: · Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.(grifei). Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.(grifei). Fl. 677DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 SEÇÃO IV Da Intimação Art. 23. Farseá a intimação: I – (...); II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).........................................................................................” § 2° Considerase feita a intimação: I (omissis); II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) .................................................................................................” § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)............................................................................................... ......” Compulsandose os autos e como já bem demonstrado pela decisão de piso, constatase que o contribuinte em 12/06/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 181 teve ciência do teor do Despacho Decisório nº 113 /2013/DRF/CRU/PE, de 27/mai/2013. Com efeito, estando a intimação do referido Despacho Decisório submetida à regra de contagem disciplinada no § 2º, II do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o momento em que se considera efetuada a intimação por via postal, constatase que a data da ciência do referido Despacho Decisório, fl. 171, ocorreu no dia 12/06/2013 (quarta feira), (data de recebimento do Aviso de Recebimento – AR, fl. 181), cujo conteúdo da INTIMAÇÃO nº 155/2013/DRF/CRU/PE/Sarac e endereço do domicílio tributário do sujeito passivo indicados no citado documento consistem em: “ACUMULADORES MOURA S.A. Rua Diário de Pernambuco, 195, B. Edson Mororó Moura . 55150615 Belo JardimPE (INTIMAÇÃO nº 155/2013/DRF/CRU/PE/Sarac, processo nº 10435.001783/200858 e 10435.003185/200813, Ressarcimento IPI 2º Trim/2008", iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subseqüente, conforme art. 5º, do Decreto nº. 70.235, de 1972, dia 13/06/2013 (sextafeira), tendo como termo final o dia 12/07/2013 (sextafeira), último dia para entrega tempestiva da Manifestação de Inconformidade, peça processual que o tem condão de instaurar o litígio administrativo. Ocorre que a apresentação da Manifestação de Inconformidade, fls. 184/229 ocorreu em 15/07/2013 (segundafeira), conforme fls. 184, portanto, no 33º (trigésimo terceiro Fl. 678DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10435.003185/200813 Acórdão n.º 3302002.888 S3C3T2 Fl. 663 9 dia) da data da ciência do Despacho Decisório, fl. 171, logo, após o prazo estabelecido pelo 1artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. À luz das normas acima transcritas, notadamente o artigo 5º que dispõe sobre a forma de contagem dos prazos processuais, verificase que estes, excluído o dia do início, são contínuos, incluindose o dia do vencimento, logo, o 30º (trigésimo) dia, prazo final no presente caso para a entrega de Manifestação de Inconformidade tempestiva, será o último dia da contagem contínua do prazo, independente de ter o mês/meses, objetos da contagem, 29 ou 30 dias. Logo, para fins de contagem do prazo processual em exame, segundo as regras acima dispostas, verificase que a intimação por via postal com data de recebimento, ocorreu em dia útil e efetuada no domicílio do interessado, conforme comprovam os dados de identificação apostos tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, não sendo passível de acolhimento o argumento de que no referido endereço não havia representante legal da empresa sendo também despiciendo a invocação dos artigos 236 e 37 da Lei nº 9784, de 1999, visto que além de não disciplinarem prazos processuais, no caso ora em apreço a norma específica para a contagem do prazo processual é o Decreto nº 70.235, de 1972. Estando expresso na lei de regência da matéria a forma de contagem dos prazos, não há como acolher também o pleito de flexibilização das regras aplicáveis ao caso. Nesse mister, sendo a instauração do litígio, através da Manifestação de Inconformidade tempestiva, pressuposto para julgamento de processos administrativos fiscais, nas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ex vi dos artigos 314, 15 e 25, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, não merece reparos a decisão de piso, visto que caracterizada a intempestividade como escorreitamente demonstrado não competia ao colegiado a quo 1 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 2 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 3 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 qualquer exame sobre a matéria dos autos, salvo quanto à apreciação da preliminar de tempestividade suscitada na defesa, a teor do 4art. 56, §2º do Decreto nº 7.574, de 2011. Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expostos, o presente Recurso Voluntário é conhecido tão somente quanto a preliminar de tempestividade, para rejeitála, ex vi do que dispõem os artigos 14 e 15 c/c o artigo 25, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. Nesses termos voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 4 § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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