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Numero do processo: 10120.005669/2007-60
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2006
LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE.
Conforme súmula n° 6 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que, em conformidade com o disposto no parágrafo 40 do art. 72 da Portaria MF n° 256, de 2009, é de adoção obrigatória por parte dos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é legítima a lavratura de auto de
infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal
permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, então prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.237
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Irineu Bianchi e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira em relação à
manutenção da multa qualificada, e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação às demais matérias.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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Recorrida r TURMA/DRJ-BRASÍLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Conforme súmula n° 6 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que, em conformidade com o disposto no parágrafo 40 do art. 72 da Portaria MF n° 256, de 2009, é de adoção obrigatória por parte dos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, então prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Irineu Bianchi e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira em relação à manutenção da multa qualificada, e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação às demais matérias. . -- MAR IS RODRIiÈ\Co" ,9 -MELLO - Presidente .0. i `\\ WILSO FERNAND RÃES - • elator EDITADO EM: 28 is, ' A Participar. do present- • gamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pallastri omes da Silva, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório ALIMENTOS QUALITTI LTDA., já devidamente qualifieada nestes autos, inconfoiniada com a decisão da 2' Tuinia da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, Distrito Federal, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativas ao ano-calendário de 2005, foinializadas a partir da imputação de falta de recolhimento das referidas exações, apurada com base no confronto entre os valores declarados e os escriturados. Iniciado o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou declarações retificadoras. Amparada no fato de a contribuinte ter declarado, reiteradamente, valores a recolher inferiores aos registrados na declaração entregue à Administração Tributária, a autoridade fiscal efetuou os lançamentos com multa qualificada de 150%. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 543/551), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que os lançamentos seriam nulos, visto que, em conformidade com art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, a lavratura do auto de infração deve ser feita no local de verificação da falta, o que não teria ocorrido; - que os valores objeto de lançamento derivariam de incorreções contábeis, que foram regularizadas em sua escrituração antes de qualquer medida de fiscalização (aditou que: a) relativamente ao 1 0 . trimestre/2005, os valores a recolher de IRPJ e CSLL foram apurados e escriturados a maior, sendo que o equivoco teria sido regularizado em sua escrituração em 01/03/2007, antes do inicio da fiscalização, conforme extrato do Razão que disse anexar, de modo que não existiriam as diferenças apontadas; e b) no que dizia respeito ao 40 trimestre de 2005, o valor a recolher de IRPJ teria sido calculado e escriturado também equivocadamente a maior, por ter partido do lucro liquido antes da CSLL, do que resultou a diferença de R$ 1.429,24 detectada pela fiscalização, porém, foi igualmente regularizada em 01/03/2007, antes de iniciado o procedimento fiscal, como demonstraria o extrato de Razão reproduzido); - que as providências adotadas, regularizando a escrituração, afastariam a imputação de infração, confor~endimento da própria jurispru cia administrativa; 2 • Processo n° 10120.005669/2007-60 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.237 Fl. 2 - que para aplicação da penalidade haveria necessidade de estar comprovado o evidente intuito de fraude ou dolo, conforme julgado do então Primei° Conselho de Contribuintes, cuja ementa reproduziu; - que, no caso em tela, não havia sido verificada circunstância capaz de motivar a qualificação da penalidade, pois os valores apontados como omitidos teriam sido corrigidos antes de iniciado o procedimento fiscal e confessados em DIPJ recepcionada em 03/07/2007. A 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão n° 03-23.996, de 31 de janeiro de 2008, pela procedência parcial dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. É legitima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. (Súmula 1°CC n° 6). • DÉBITOS ESCRITURADOS. REGULARIZAÇÃO ANTES- . DO PROCEDIMENTO FISCAL. - Demonstrando o sujeito passivo que parcelas dos débitos escriturados foram calculadas a maior e regularizadas em sua escrita antes de iniciada a fiscalização, excluem-se tais valores da exigência. MULTA QUALIFICADA. - A prática reiterada de declarar ao fisco receita mensal em valor aquém do efetivamente auferido, registrado nos assentamentos contábeis e fiscais, reduzindo a obrigação tributária principal realmente devida, constitui fato que evidencia sonegação e implica qualificação da multa de oficio. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Aplica-se ao lançamento da contribuição social, formalizado a partir dos mesmos elementos fáticos, o decidido em relação ao Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual renova os argumentos relativos à nulidade dos lançamentos em razão da inobservância das disposições do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e quanto a inocorrência do intuito de fraude, assinalando ainda: Assim, comprovada a realização dos estornos antes mesmo do inicio do procedimento fiscal, inclusive, na decisão da qual se recorre, resta demonstrada a impossibilidade de aplicação da multa qualificadora, vez que caiu por' terra a alegação de reiteração durante todo ano-calendário de 2005. Ocorre que, ao proferir a decisão, o relator acatou a demonstração de erro de lançamento contábil que havia resultado na falsa impressão de que o tributo havia sido Ipr 0•301 3 declarado a menor, determinando a exclusão dessas parcelas do auto de infração. Todavia, manteve a multa qualificadora considerando que a prática reiterada para a qualificadora da multa se deu em razão de valores declarados no ano-calendário de 2003. Este fato não estava disposto no auto de infração. O auto -de infração é a última oportunidade do autuante de falar nos autos administrativo, de tal forma que, se os elementos de fato relativos ao exercício de 2003 não constaram para descrição da multa qualificada, estes não podem passar a justificai- a sua aplicação, apenas em sede recursal. Neste sentido ensina a melhor doutrina: --- Portanto, necessário se faz a exclusão da multa qualificadora, pois ausentes os elementos que a ensejaram na lavratura do auto de infração, não sendo possível a criação de novos elementos em sede do julgamento da impugnação interposta, sob pena de cerceamento de defesa e infração aos princípios da ampla defesa e contraditório. É o Relatório. 4 Processo n° 10120.005669/2007-60 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.237 Fl. 3 - _ - Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, relativas ao ano-calendário de 2005, formalizadas a partir da imputação de falta de recolhimento das referidas exações, apurada com base no confronto entre os valores declarados e os escriturados. Irresignada com a decisão prolatada em primeira instância, que manteve parte dos lançamentos tributários, a contribuinte traz razões, em sede de recurso voluntário, as quais passo a apreciar. NULIDADE DO LANÇAMENTO Sustenta a Recorrente que os lançamentos são nulos, visto que, em conformidade com art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, a lavratura do auto de infração deve ser feita no local de verificação da falta, o que não teria ocorrido. Afirma que o que se depreende da análise do referido documento é que elefoi lavrado na Delegacia da Receita Federal em Goiânia, e não no seu domicilio fiscal. Não merece acolhida o argumento da Recorrente, eis que a matéria já foi objeto de súmula pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme transcrição abaixo. Súmula I° CC n° 6: É legítima a lavratura de auto de infraçã o no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. (GRIFEI) Cabe notar que, em razão do disposto no parágrafo 4° do art. 72 da Portaria MF n° 256, de 2009, a referida súmula é de adoção obrigatória por parte dos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). MULTA QUALIFICADA — AUSÊNCIA DO INTUITO DE FRAUDE Argumenta a Recorrente que para aplicação da penalidade haveria necessidade de estar comprovado o evidente intuito de fraude ou dolo. Diz que, no caso em tela, não havia sido verificada circunstância capaz de motivar a qualificação da penalidade, pois os valores apontados como omitidos teriam sido corrigidos antes de iniciado o procedimento fiscal e confessados em DIPJ recepcionada em 03/07/2007. Alega que, tendo sido comprovada a realização dos estornos antes mesmo do inicio do procedimento fiscal, ficou demonstrada a impossibilidade de aplicação da multa qualificadora, vez que caiu por terra a o fundamento utilizado pela autoridade autuante (reiteração durante todo ano-calendário de 2005). Destaca que a autoridade julgadora de primeira instância, ao proferir a decisão, acatou a 5id1P~IP. - demonstração de erro de lançamento contábil que havia resultado na falsa impressão de que o tributo havia sido declarado a menor, determinando a exclusão dessas parcelas do auto de infração, porém, manteve a multa qualificadora considerando que a prática reiterada que justificaria tal providência se deu em razão de valores declarados no ano-calendário de 2003. Sustenta que esse fato não estava disposto no auto de infração, motivo pelo qual não poderia justificar a qualificação da multa. Constato, de inicio, que a autoridade fiscal não lavrou Termo de Verificação Fiscal, motivo pelo qual descreveu as infrações apuradas no próprio corpo do auto de infração lavrado (fls. 525). Ali, restou consignado, verbis: 001 - FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA IMPOSTO DE RENDA DECLARADO SOB AÇÃO FISCAL Lançamento que se formaliza de oficio, correspondente ao imposto de renda pessoa jurídica declarado pela empresa no curso da ação fiscal, excluída a espontaneidade de que trata o art. 7°, parágrafo I°, do Decreto n° 70.235/72, conforme extrato da declaração que integra o presente auto de infração. Por meio do registrado n° R3584748111BR, o termo de início de fiscalização foi entregue ao contribuinte em 21 de maio do corrente, acompanhado do mandado de procedimento fiscal n° 2007-00387-3. Dia 31 daquele mês, o contribuinte apresentou a maior parte da documentação exigida, de forma a viabilizar o prosseguimento da ação fiscal. Constatada a oferta à tributação de valores inferiores em relação àqueles que foram contabilizados, o contribuinte foi intimado para prestar esclarecimentos, mediante termo de constatação e intimação lavrado em 29 de junho, e entregue em 12 de julho, mediante registrado n° RB584745702BR. Mediante resposta protocolizada em 23 de julho, o contribuinte informou haver retificado a DIRI, efetuando a transmissão da declaração em 3 de julho. Consultando o sistema DCTF, verificamos que no mesmo dia 3 de julho, o contribuinte havia transmitido declarações retificadoras relativas ao ano-calendário 2005. Tendo em vista a exclusão da espontaneidade, por força do art. 7°, parágrafo 1°, do Decreto n° 70.235/72, lança-se de oficio o valor confessado pelo contribuinte. Considerando que de maneira reiterada, durante todo o ano- calendário, o contribuinte ofertou à tributação valores inferiores em relação àqueles contabilizados, fica plenamente exteriorizada sua intenção em pagar tributo a menor, de sorte que a presença do dolo resulta na qualificação da multa. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto multa(/ 6 Processo 00 10120.005669/2007-60 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.237 Fl. 4 31/03/2005 R$3.343,91 150,00 31/12/2005 R$17.686,24 150,00 002 - FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme histórico a seguir. Às fls. 228, 412 e 345 do Livro Razão, o contribuinte apropriou valores devidos a titulo de IRRI, informando valores menores mediante DCTF entregue antes e após o inicio da ação fiscal. Os valores confessados em DCTF entregue após a perda da espontaneidade foram lançados na outra infração anteriormente apontada. A diferença entre o valor contabilizado e o valor da última DCTF apresentada após o inicio da ação fiscal - é lançada por meio desta infração. Tendo em vista que de maneira reiterada e propositada, o contribuinte ofertou à tributação valores menores que aqueles contabilizados, fica plenamente exteriorizada sua intenção de pagar tributo a menor, de modo que a presença do dolo resulta na qualificação da multa. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto multa(%) 31/03/2005 R$300,94 150,00 30/09/2005 R$23.431,13 150,00 31/12/2005 R$1.492,24 150,00 Para a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, fundados nos motivos explicitados no item 1 acima (contribuição declarada no curso da ação fiscal), foram apurados os seguintes montantes: Fato Gerador Val. Tributável ou Contribuição Multa(%) 31/03/2005 R$1.894,53 150,00 30/09/2005 R$9.967,27 150,00 31/12/2005 R$7.717,86 150,00 A autoridade julgadora de primeira instância, acolhendo argumentos expendidos pela contribuinte por meio da peça impugnatória, excluiu de tributação valores que haviam sido estornados da contabilidade antes do inicio do procedimento fiscalizatório (R$ 300,„9.4, R$ 1.492,24 e R$ 859,87). /1140 7 Pronunciando-se pela manutenção da multa qualificada, a referida autoridade apresenta o seguinte quadro: TRIBUTO PERÍODO VLR. DEVIDO DCTF OMISSÃO IRPJ 1" TRIM. 3.343,91 699,56 2.644,35 79,08 IRPJ 3° TRIM. 23.431,13 0,00 23.431,13 100,00_ IRPJ 4° TRIM. 17.686,24 1.433,62 16.252,62 91,89 CSLL 1° TRIM. 2.006,34 971,68 1.034,66 51,57 CSLL 3° TRIM. 9.967,27 0,00 9.967,27 100,00 CSLL 4° TRIM. 8.527,05 809,19 7.717,86 90,51 Observa-se, assim, que mesmo após a exclusão dos valores relativos aos estornos, (que, releva ressaltar, foram admitidos na instância a quo única e exclusivamente com - base na documentação contábil trazida pela Recorrente) o percentual médio representativo da omissão promovida pela contribuinte situou-se no patamar de oitenta e cinco por cento, isto é, considerado o valor efetivamente devido, a contribuinte submeteu à tributação apenas quinze por cento do referido montante. Destaco que, no que diz respeito aos valores levantados pela Fiscalização, a contribuinte limitou-se a demonstrar contabilmente que havia efetuado alguns estornos, não explicando, contudo, o motivo pelo qual decidiu submeter à tributação valores significativamente inferiores aos que haviam sido apurados por ela. Nessas circunstâncias, em que não foram apresentados elementos capazes de justificar a conduta reiterada de subtrair parcela dos montantes devidos à tributação, julgo estar patente o caráter intencional da Recorrente. Nessa linha, não merece acolhida o argumento da Recorrente acerca dos estornos efetuados, eis que, como se disse, a exclusão dos referidos valores pouco significou na redução do montante subtraído aos cofres públicos. Lnobstante o fato de a declaração de informações (DIPJ) não constituir instrumento hábil para a confissão de débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, a inclusão de valores na referida declaração após o início do procedimento fiscal não produz qualquer efeito relativamente aos lançamentos de oficio ora apreciados. Resta evidente que a referência feita no voto condutor da decisão exarada em primeira instância ao ano de 2003 é fruto de lapso material, vez que o quadro vinculado ao texto em que se encontra inserida a citação, elemento primordial para a conclusão ali explicitada, faz perfeita correlação com os valores apontados nas peças acusatórias, cujos períodos de referência dizem respeito ao ano de 2005. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. WILSO qÃES - Relator 8
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Numero do processo: 13907.000162/2003-37
Data da sessão: Sat Aug 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EXCLUSÃO SIMPLES
Anocalendário:
CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-001.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: EXCLUSÃO SIMPLES Anocalendário: CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP em que a empresa fiscalizada mediante utilização de créditos de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL, ambos relativos ao anocalendário de 2001, efetuou as compensações a seguir elencadas: a) compensação de estimativas de IRPJ com utilização de direito creditório oriundo do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2002: Declaração de Compensação em formulário apresentada em 13/05/2003, retificada em 05/06/2003 e substituída pelos PER/DCOMP´s nºs 17744.72299.131006.1.3.025892, 02607.29527.131006.1.3.022445 e 28286.80541.131006.1.3.020302. Compensação de débito de IRPJ devido por estimativa nos meses de janeiro (R$ 1.269,77), fevereiro (R$ 6.182,12) e março/2003 (R$ 1.041,22). PER/DCOMP n° 12822.33560.131006.1.7.024480 (retificou o PER/DCOMP n° 05688.40885.050803.1.3.029708): compensação do débito de R$ 80,26 de estimativa de IRPJ no mês de abril/2003; PER/DCOMP n" 30371.78502.291003.1.3.021728: compensação do débito de 1RPJ devido por estimativa no mês de julho/2003 (R$ 6.235,39); PER/DCOMP no 32049.19617.291003.1.3.026563: compensação do débito de 1RPJ devido por estimativa no mês de agosto/2003 (R$ 1.706,94); PER/DCOMP n" 06731.40344.291003.1.3.020001: compensação do débito de R$ 1.501,20 de IRPJ devido por estimativa no mês de agosto/2003; PER/DCOMP n" 23025.36900.191103.1.3.034816: compensação de débitos de 1RPJ devido por estimativa no mês de outubro/2003 (R$ 1.971,63); PER/DCOMP IV 22629.22269.171203.1.3.028732: compensação do débito de 1RPJ devido por estimativa no mês de novembro/2003 (R$ 9.282,61); PER/DCOMP n" 23783.30330.300307.1.7.027483 (retificou o PER/DCOMP no 25794.32261.290105.1.3.024988): compensação do débito de R$ 770,38 de IRPJ devido por estimativa no mês de outubro/2002; PER/DCOMP IV 15032.11660.290105.1.3.023354: compensação do débito de R$ 518,60 de IRPJ devido por estimativa no mês de novembro/2002; PER/DCOMP n" 13821.42831.290105.1.3.023407: compensação do débito de R$ 1.707,81 de IRPJ devido por estimativa no mês de dezembro/2002; PER/DCOMP n" 17744.72299.131006.1.3.025892: compensação do débito de IRPJ devido por estimativa no mês de janeiro/2003 (R$ 697,33); PER/DCOMP n°02607.29527.131006.1.3.022445: compensação do débito de R$ 3.428,61 de 1RPJ devido por estimativa no mês de fevereiro/2003; PER/DCOMP n" 2828680541.131006.1.3.020302: compensação do débito de R$ 583,50 de 1RPJ devido por estimativa no mês de março/2003; b) compensação de estimativas de CSLL com utilização de direito creditório oriundo do saldo negativo de CSLL do exercício de 2002ano calendário de 2001: Declaração de Compensação em formulário apresentada em 13/05/2003, retificada em 05/06/2003 e substituída pelos PER/DCOMP n" 26090.48686.131006.1.3.033178 e 30754.98582.131006.1.3.031295. Compensação de débito de CSLL devido por estimativa nos meses de janeiro (R$ 830,49) e fevereiro/2003 (R$ 3.829,97); Fl. 715DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13907000162/200337 Acórdão n.º 1301000.045 S1C3T1 Fl. 2 3 PER/DCOMP n" 23463.94462.291003.1.3.030812: compensação do débito de CSLL devido por estimativa no mês de agosto/2003 (R$ 1.255,89); PER/DCOMP n° 15387.80831.291003.1.3.036529: compensação do débito de CSLL devido por estimativa no mês de julho/2003(R$ 3.109,42); PER/DCOMP n" 26389.46043.291003.1.3.036469: compensação do débito de CSLL devido por estimativa no mês de setembro/2003 (R$ 1.099,53); PER/DCOMP n" 34983.48587.191103.1.3.030060: compensação do débito de CSLL devido por estimativa no mês de outubro/2003 (R$ 1.512,45); PER/DCOMP n" 06461.87213.171203.1.3.033060: compensação do débito de CSLL devido por estimativa no mês de novembro/2003 (R$ 6.673,00); PER/DCOMP n" 04904.73155.111007.1.7.033755 (retificou o PER/DCOMP no 09576.71952.290105.1.3.039000): compensação do débito de R$ 462,21 de estimativa de CSLL no mês de outubro/2002; PER/DCOMP n" 02913.69480.290105.1.3.034247: compensação do débito de CSLL devido por estimativa no mês de novembro/2002 (R$ 311,16); PER/DCOMP nº 42901.31807.290105.1.3.030230: compensação do débito de CSLL devido por estimativa no mês de dezembro/2002 (R$ 1.212,20); PER/DCOMP n" 26090.48686.131006.1.3.033178: compensação do débito de CSLL devido por estimativa no mês de janeiro/2003 (R$ 456,09); PER/DCOMP n" 30754.98582.131006.1.3.031295: compensação do débito de CSLL devido por estimativa no mês de fevereiro/2003 (R$ 2.124,10). A Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF/LondrinaPR, após minuciosa análise decidiu por meio de Despacho Decisório, o seguinte: a empresa apresentou, juntamente com as DCOMP´s de fls; 01/03, os documentos de fls. 04/20, as fls. 131/194 foram anexadas pesquisas do sistema da Secretaria da Receita Federal, e às fls. 197/212 os Demonstrativos de Cálculos das compensações efetuadas. a empresa, de acordo com informações prestadas em sua DIPJ/2002, optou pela apuração do lucro real anual, calculando o IRPJ e a CSLL mensal sobre uma base de cálculo estimada (receita bruta auferida mensalmente ou com base em balanços/balancetes de redução/suspensão de pagamento), amparada na Lei n° 9.430/96. a empresa apurou, em sua Declaração de Rendimentos, Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 27.529,76 (Ficha 12 fl. 143) e de CSLL no montante de R$ 18.295,34 (Ficha 17 fl. 148). Tais saldos são compostos basicamente por antecipações do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido em razão de pagamentos efetuados por estimativa mensal. conforme fls. 149/150, verificase que, no caso do IRPJ, esses pagamentos por estimativa não se restringem somente a recolhimentos efetuados por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2001, mas abrangem também valores do imposto devidos por estimativa referentes aos períodos de apuração 02/2001 (R$ 517,44) e 03/2001 (R$ 4.311,67) os quais foram compensados com saldo negativo do mesmo imposto do ano calendário 2000, de acordo com a informação prestada pela empresa em DCTF (fls. 151/152) e também na DCOMP 23783.30330.300307.1.7.027483 (fl. 99). Fl. 716DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 até SETEMBRO/2002, em razão da legislação vigente à época, a empresa não dependia de qualquer pedido à autoridade administrativa para efetuar a compensação do IRPJ ou da CSLL devida por estimativa com saldo negativo do mesmo imposto ou da mesma contribuição de períodos anteriores, vez que realizada entre tributos de mesma espécie, desde que os débitos fossem posteriores ao crédito (Lei n° 9.430/96 e IN SRF n° 21/1997), cabendolhe somente registrar em sua contabilidade tal compensação e declarala em DCTF. na aferição da liquidez e certeza do indébito alegado pelo sujeito passivo, a autoridade administrativa deve retroagir sua análise a fatos ocorridos em períodos de apuração anteriores, ainda que já atingidos pela decadência, quando daquelas apurações decorra o crédito que, mediante a compensação de estimativas, venham a integrar o Saldo Negativo do período indicado nas DCOMP's em análise. Não se trata de constituir crédito tributário, mas sim de analisar o direito creditório compensado. pela cópia parcial da DIPJ/2001, apresentada pela empresa, verificase que a interessada não apurou saldo negativo de IRPJ no citado período, mas sim imposto a pagar no valor de R$ 23.793,44. conseqüentemente, ela não tinha o crédito que declarou ter utilizado para compensar os débitos de IRPJ dos períodos de apuração 02 e 03/2001. em relação ao IRPJ do período de apuração 03/2001, em que pese a empresa ter informado em DCTF a compensação do débito no valor de R$ 4.311,67, verificase, pela informação prestada na DCOMP n° 23783.30330.300307.1.7.027483 (fls. 94/95) e pelo extrato de fls.149/150, que a empresa pagou R$ 1.676,17 desse débito, restando compensado somente o valor original de R$ 2.635,50. assim, os valores de R$ 517,44 (IRPJ PA 02/2001) e de R$ 2.635,50 (IRPJ PA 03/2001), os quais a empresa declarou ter compensado com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, crédito este inexistente (DIPJ/2001 fl. 136), não será considerado como pagamento por estimativa na apuração do ano calendário 2001, reduzindo, portanto o saldo negativo do período de R$ 27.529,76 para R$ 24.376,82. os demais créditos tributários de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa em relação ao anocalendário 2001 foram pagos, mediante DARF, conforme fls. 149/150 e 153/154. concluiu, que a empresa tem direito ao crédito de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2001 no valor de R$ 24.376,82 e ao Saldo Negativo de CSLL do ano calendário 2001 no valor de R$ 18.295,34. nas pesquisas realizadas nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB) verificouse que a empresa declarou em DCTF ter utilizado parte dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2001, anteriormente à apresentação das DCOMP's discriminadas no Relatório deste Parecer, para compensar os seguintes débitos: Credito Código PA Valor Comp DCTF fls Saldo Neg IRPJ 2362 02/2002 702,00 157 2362 03/2002 2.172,43 158 2362 04/2002 1.440,43 159 Fl. 717DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13907000162/200337 Acórdão n.º 1301000.045 S1C3T1 Fl. 3 5 2362 05/2002 5.916,88 160 2362 06/2002 1.107,12 161 2362 07/2002 1.890,68 162 2362 08/2002 2.118,80 163 2362 09/2002 2.200,01 164 Credito Código PA Valor Comp DCTF fls Saldo Neg CSLL 2484 02/2002 421,20 170 2484 03/2002 1.741,31 171 2484 04/2002 1.056,24 172 2484 05/2002 4.035,67 173 2484 06/2002 664,27 174 2484 07/2002 1.397,13 175 2484 08/2002 1.649,28 176 2484 09/2002 1.666,83 177 efetuando os cálculos relativos a essas compensações constatouse que restaram à interessada os seguintes créditos: Saldo Negativo de 1RPJ do anocalendário 2001: R$ 8.269,65 (fls. 197/200); Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2001: R$ 6.706,90 (fls. 205/208). no que diz respeito às DCOMP's apresentadas em formulário pela empresa em 13/05/2003 (fls. 01/03), retificadas às fls. 21/22, em razão do artigo 3° da IN SRF n° 323, de 24/04/2003, determinar que a compensação deveria ser efetuada por meio eletrônico, sendo considerada não declarada a compensação realizada por formulário (papel), a empresa transmitiu, em 13/10/2006, as Declarações de Compensação eletrônicas n° 17744.72299.131006.1.3.025892, 02607.29527.131006.1.3.022445, 28286.80541.131006.1.3.020302, 26090.48686.131006.1.3.033178 e 30754.98582.131006.1.3.031295 para os citados débitos (DCOMP's estas em análise no presente processo) e pagou o saldo remanescente (fls. 188 e 192) de modo que as compensações de fls. 01/03 e 21/22 não foram consideradas no presente processo. utilizados os créditos remanescentes de IRPJ (R$ 8.269,65) e de CSLL (R$ 6.706,90) para as compensações efetuadas por meio das Declarações de Compensação discriminadas no relatório deste Parecer (excetuadas as de fls. 01/03 e 21/22), verificase que eles não são suficientes para extinguir todos os débitos declarados como compensados, conforme fls. 201/204 e 209/212, restando saldo devedor em relação aos seguintes tributos: Tributo Compensado PA Venc. Saldo Devedor 2362 10/2003 28/11/03 1.875,57 2362 11/2003 30/12/03 9.282,61 2362 10/2002 29/11/02 770,38 2362 11/2002 30/12/02 518,60 2362 12/2002 31/01/03 1.707,81 2362 01/2003 28/02/03 697,33 2362 02/2003 31/03/03 3.428,61 2362 03/2003 30/04/03 583.50 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 2484 11/2003 30/12/03 5.339,13 2484 10/2002 29/11/02 462,21 2484 11/2002 30/12/02 311,16 2484 12/2002 31/01/03 1.212,20 2484 01/2003 28/02/03 456,09 2484 02/2003 31/03/03 2.124,10 dos débitos remanescentes discriminados constatase que o IRPJ referente aos períodos de apuração 10/2003 (R$ 1.875,57) e 11/2003 (R$ 9.282,61) e a CSLL relativa ao período de apuração 11/2003 (R$ 5.339,13) foram compensados por meio de Declarações de Compensação apresentadas a mais de 05 (cinco) anos, para as quais não consta a transmissão de DCOMP retificadoras. No entanto, pelas pesquisas de fls. 184/187, constatase que os débitos desses períodos de apuração foram confessados à Receita Federal do Brasil em 22/09/2004 por meio da DCTF retificadora n° 100.2004.51878274, o que se constitui em ato inequívoco de reconhecimento do débito pelo devedor, conforme previsto no artigo 174, parágrafo único, inciso IV, da Lei n° 5.172/66, interrompendo, dessa forma, a prescrição. não tendo transcorrido, até esta data, o prazo prescricional de 5 (cinco) anos estabelecido no caput do artigo 174 do CTN, em razão da sua interrupção, tais débitos são exigíveis. os demais débitos remanescentes foram compensados por meio de Declarações de compensação transmitidas a partir de 31/01/2005, estando dentro do prazo estabelecido no artigo 74, § 5 0, da Lei n° 9.430/96. quanto aos demonstrativos de compensação, esclarecemos que as compensações realizadas por meio de Declarações de Compensação apresentadas após 27/05/2003 tiveram como data de valoração a data em que entregue a DCOMP original, conforme previsto no artigo 81 da Instrução Normativa RFB n° 900/2009. se a DCOMP original foi apresentada em data posterior ao vencimento dos débitos declarados como compensados, os débitos sofreram a incidência de acréscimos legais (multa e juros) até a data da entrega da DCOMP, sendo que a compensação, total ou parcial, foi acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais, em consonância com o artigo 36 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (e, anteriormente, no artigo 28 das Instruções Normativas SRF n° 210/2002, 460/2004 e 600/2005). as Declarações de Compensação retificadoras apresentadas foram todas admitidas, de acordo com pesquisa efetuada no sistema SIEF/PERDCOMP de fl. 183. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório, em 18/08/2009, a reclamante apresentou, em 15/09/2009, manifestação de inconformidade, instruída com os documentos de fls., trazendo as alegações a seguir sintetizadas: a) reitera as informações contidas nos PER/DCOMP relativos aos débitos de IRPJ e CSLL cujas compensações não foram homologadas; Fl. 719DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13907000162/200337 Acórdão n.º 1301000.045 S1C3T1 Fl. 4 7 Listagem de Débitos/Saldo Remanescente Cód. 2484, compensados com: Saldo Negativo CSLL de 2001 R$ 18.295,34 e, Saldo Negativo CSLL de 2002 R$ 16.161,71: 1) o saldo devedor de 10/02 de R$ 462,21, compensado com o saldo negativo de R$ 18.295,34 (DIPJ 2002) se refere a PER DCOMP INICIAL 09576.71952.290105.1.3.039000 de 29/01/2005 e retificadora n° 31.273.81089.230307.1.7.035057, de 23/10/2007 e retificadora 04904.73155.111007.1.7.033755 de 11/10/2007, cujo valo compensado com juros e multas num total de R$ 735,09, e darf dos pagamentos ref. 2001, deve ser homologado; 2) o saldo devedor 11/2002 R$ 311,16, compensado com saldo negativo de 2001, PER DCOMP 02913.69480.290105.1.3.034247 de 29/01/2005, foi compensado com juros e multas num total de R$ 489,45, deve ser considerado homologado; 3) o saldo devedor 12/2002 R$ 1.212,20, compensado com saldo negativo de 2001, PER DCOMP 42901.31807.290105.1.3.030230 de 29/01/2005, foi compensado com juros e multas num total de R$ 1.882,91, deve ser considerado homologado: 4) o saldo devedor 01/2003 R$ 456,09, compensado com saldo negativo de 2001, PER DCOMP 26090.48686.131006.1.3.033178 de 13/10/2006, foi compensado com juros e multas num total de R$ 830,48, deve ser considerado homologado 5) o saldo devedor 02/2003 R$ 2.124,10 , compensado com saldo negativo de 2001, PER DCOMP 30754.98582.131006.1.3.031295 de 13/10/2006, foi compensado com juros e multas num total de R$ 3.829,96. Os documentos se referem a conta razão 114.00.020 dos pagamentos efetuados em 2001 e as compensações de 2002., deve ser considerado homologado; Compensação com saldo negativo de 2002 R$ 16.161,76: 6) o saldo devedor de 11/2003 de R$ 5.339,13, foi compensado com o saldo negativo do anocalendário de 2002 de R$ 16.161,76, DIPJ 2003, conforme PER/DCOMP nº 06461.87213.171203.1.3.033060; de 17/12/2003 e demonstrativo das compensações, compensado R$ 6.673,00. Informa que o valor correto da CSLL no mês de Novembro de 2003 foi de R$ 6.846,79, conforme DIPJ 2004, sendo pagamento através de darf no valor de R$ 173,79, e o valor compensado de R$ 6.673,00, totalizando o valor do débito. Listagem de Débitos/Saldo Remanescente Cód. 2362, compensados com: Saldo Negativo de 2001 R$ 27.529,76 e, Saldo Negativo de 2002 R$ 22.943,50: 1) o Saldo Devedor de 10/2002 R$ 770,38, foi compensado com saldo negativo total de R$ 27.529,76, DIPJ 2002 , PERDCOMP inicial 25794.32261.290.105.1.3.02.4988 de 29/01/2005 e retificadora n° Fl. 720DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 23783.30330.300307.1.7.027483 de 30/03/2007. O valor foi compensado com juros e multas num total de R$ 1.225,20, deve ser considerado homologado; 2) o Saldo Devedor de 11/2002 R$ 518,60, foi compensado com saldo negativo de 2001 PER DCOMP nº 15032.11660.290105.1.3.023354 de 29/01/2005, valor compensado com juros e multas num total de R$ 815,75, deve ser considerado homologado; 3) o Saldo Devedor de 12/2002 R$ 1.707,81, foi compensado com saldo negativo de 2001 PERDCOMP 13821.42831.290105.1.3.023407 de 29/01/2005, valor compensado com juros e multas num total de R$ 2.652,73, deve ser considerado homologado; 4) o Saldo Devedor de 01/2003 R$ 697,33, foi compensado com saldo negativo de 2001 PERDCOMP 17744.72299.131006.1.3.025892 de 13/10/2006, valor compensado com juros e multas num total de R$ 1.269,76, deve ser considerado homologado; 5) o Saldo Devedor de 02/2003 R$3.428,61, foi compensado com saldo negativo de 2001 PERDCOMP 02607.29527.131006.1.3.022445 de 13/10/2006, valor compensado com juros e multas num total de R$ 6.182,12, deve ser considerado homologado; 6) o Saldo Devedor de 03/2003 R$ 583,50, foi compensado com saldo negativo de 2001 PERDCOMP 28286.80541.131006.1.3.020302 de 13/10/2006, valor compensado com juros e multas num total de R$ 1.041,19, conta razão 114.00.020 IRPJ de 2001 e os darfs ( bloco 02 docs 51 a 67), devem ser considerados homologados Compensação com Saldo Negativo de 2002 R$ 22.943,50: 7) o saldo devedor de R$ 1.875,57, foi compensado com Saldo Negativo de 2002, DIPJ 2003, no valor de R$ 22.943,50, PERDCOMP inicial 27460.24872.050803.1.3.022858 de 05/08/2003 e retificadora 41648.48037.111006.1.7.027519 de 11/10/2006, conforme DIPJ 2004. O valor do débito referente ao mês de Outubro de 2003 é de R$ 1.971,63 foi totalmente compensado, com saldo negativo de 2002 PER DCOMP 23025.36900.191103.1.3.02 4816 de 19/11/2003; 8) o Saldo Devedor de 11/2003 de R$ 9.282.61 , foi compensado com saldo negativo de 2002, PERDCOMP 22629.22269.171203.1.3.028732 de 17/12/2003, no valor de R$ 9.282,61. O valor do débito referente ao mês de Novembro de 2003 é de R$ 17.018,85, DIPJ 2004, onde R$ 7.736,25 foi pago através do Darf (bloco 02 doc.102) e o saldo no valor de R$ 9.282,60,compensado com saldo negativo de 2002, através da PERDCOMP 22629.22269.171203.1.3.028732 de 17/12/2003. Demonstrativo (bloco 02 docs. 103) e a conta razão IRPJ de 2002 114.00.022 ( bloco 02 docs.104 e 105), devem ser consideradas homologadas; a taxa Selic foi calculada sempre a partir do mês de fevereiro, quando o correto seria a partir de janeiro; Com Referência ao item 13 da Intimação n o 1356/2009: Fl. 721DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13907000162/200337 Acórdão n.º 1301000.045 S1C3T1 Fl. 5 9 houve erro no preenchimento da linha 16 da ficha 12A da DIPJ 2001, haja vista ter sido omitido o valor pago por estimativa no anocalendário de 2000, conta razão 114.00.018. Com referência ao item 24 da Intimação n o 1356/2009: o IRPJ de 10/2003, de R$ 1.875,57, foi compensado com saldo negativo de 2002, PERDCOMP; 23025.36900.191103.1.3.02.4816 de 19/11/2003 conforme DIPJ 2004 no valor de R$ 1.971,63 e demonstrativo ( bloco 02 does 103); o IRPJ de 11/2003, de R$ 9.282,61, foi compensado com saldo negativo de 2002, PERDCOMP 22629.22269.171203.1.3.028732 de 17/12/2003 e demonstrativo ( bloco 02 doe 103); a CSLL de 11/2003, de RS 5.339,13, foi compensado com saldo negativo de 2002, PERDCOMP 06461.87213.171203.1.3.03.3060 de 17/12/2003 no valor de R$ 6.673,00 e darf no valor de R$ 173,79 e conforme DIPJ 2004 ( bloco 01 does 70 a 75), sendo o valor da CSLL de 11/2003 R$ 6.846,79. A 1ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação alegando basicamente o seguinte: O direito creditório oriundo do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2002 foi reduzido pela autoridade fiscal de R$ 27.529,76 para R$ 24.376,82 em decorrência da glosa das estimativas relativas aos meses de fevereiro (R$ 517,44) e março/2001 (R$ 2.635,50), porquanto compensadas com o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2001, cujo valor declarado, ao invés de saldo negativo, corresponde a IRPJ a pagar de 23.793,44. A reclamante alega que houve erro no preenchimento da linha 16 da ficha 12A da DIPJ 2001, haja vista ter sido omitido o valor pago por estimativa no anocalendário de 2000. Contudo, os recolhimentos por estimativa do anocalendário de 2000, no montante de R$ 20.268,26, são suficientes apenas para reduzir o saldo do IRPJ a pagar para o valor de R$ 3.525,18. Com relação à conta razão Imposto de Renda Retido na Fonte, citado em sua manifestação de inconformidade, verificase que referemse a lançamentos de IRPJ compensados com o IRPJ de 1999, ou seja, além de não comprovados documentalmente, carecem de elementos que demonstrem sua dedutibilidade para fins de apuração do saldo do IRPJ a pagar do exercício de 2001. Portanto, do direito creditório reconhecido de R$ 24.376,82 e R$ 18.295,34 de saldos negativos de IRPJ e CSLL do exercício de 2002, a autoridade fiscal deduziu as compensações declaradas apenas em DCTF, anteriormente à instituição da declaração de compensação e relativas aos débitos de IRPJ e CSLL devidos por estimativas nos meses de fevereiro a setembro/2002, com o que restaram saldos compensáveis de R$ 8.269,65 e R$ 6.706,90 de IRPJ e CSLL para as declarações de compensação tratadas nos autos. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 No que se refere à alegação de que os débitos de R$ 1.875,57 e R$ 9.282,61 de IRPJ devidos por estimativa dos meses de outubro e novembro/2003 e de R$ 5.339,13 de CSLL por estimativa do mês de novembro/2003 teriam sido compensado com os saldos negativos de IRPJ e de CSLL do exercício de 2003, cabe destacar que tais débitos tiveram sua compensação declarada com o saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício de 2002, anocalendário de 2001, conforme PER/DCOMP n° 23025.36900.191103.1.3.034816, 22629.22269.171203.1.3.028732 e 06461.87213.171203.1.3.033060. Com relação à atualização do direito creditório constatase que foram corretamente valorados desde janeiro/2002, conforme planilhas de fls. 199201, 203204, 207 208 e 211212. Dessa forma, considerando que a compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, é de se confirmar o Despacho Decisório proferido pela DRF/Londrina e reconhecer o direito creditório correspondente aos saldos negativos de R$ 24.376,82 de IRPJ e R$ 18.295,34 de CSLL do exercício de 2002, e homologar as compensações declaradas nos autos até o limite do direito creditório reconhecido, confirmando o Despacho Decisório proferido pela DRF/Londrina. Intimada da decisão da DRJ em 01 de fevereiro de 2010, apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 26 de fevereiro de 2010, reiterando os argumentos da impugnação e acrescentando basicamente o seguinte: Listagem de Débitos/Saldos Remanescente apresentados: CSLL. P.A Valor 10/2002 R$ 462,21; 11/2002 R$ 311,16; 12/2002 R$ 1 .212,20; 01/2003 R$ 456,09; 02/2003 R$ 2.124,10; 11/2003 R$5.339,13. 1 O Saldo Devedor de 10/2002, no valor de R$ 462,21. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada. 2 – O Saldo devedor de 11/2002, no valor de R$ 311,16. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada. 3 O Saldo devedor de 12/2002, no valor de R$ 1.212,20. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13907000162/200337 Acórdão n.º 1301000.045 S1C3T1 Fl. 6 11 4 – O saldo devedor de 01/2003, no valor de R$ 456,09. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada. 5 – O saldo Devedor de 02/2003, no valor de R$ 2.124,20. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada. 6 – O saldo devedor de 11/2003, no valor de R$ 5.339,13. Só depois do Despacho Decisório que a empresa constatou que na PER/DCOMP está preenchido exercício de 2002 e o correto é exercício 2003 e por isso deve ser considerada homologada. 7 – PER/DCOMP 23463.94462.291003.1.3.030812 referente a 8/2003 R$ 1.255,89 está preenchido exercício 2002 e o correto é exercício de 2003; 8 PER DCOMP 15387.80831.291003.1.3.036529 referente a 07/2003 R$ 3.109,42 está preenchido exercício de 2002 e o correto é 2003; 9 PER DCOMP 26389.46043.291003.1.3.036469 referente a 09/2003 R$ 1.099,53, está preenchido exercício 2002 e o correto é 2003; 10 PER DCOMP 34983.48587.191103.1.3.030060 referente a 10/2003 R$1.512,45, está preenchido exercício de 2002 e p correto é 2003; Listagem de Débitos/Saldos Remanescente apresentados: 1RPJ P.A 10/2002 R$ 770,38; 11/2002 R$ 518,60; 12/2002 R$ 1 .707,81; 01/2003 R$ 697,33; 02/2003 R$ 3.428,61; 03/2003 R$ 583,50; 10/2003 R$ 1.875,57; 11/2003 R$ 9.282,61. 1 – O saldo devedor de 10/2002, no valor de R$ 770,38. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada. 2 – O saldo devedor de 11/2002, no valor de R$ 518,60. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 12 3 – O saldo devedor de 12/2002, no valor de R$ 1.707,81. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada. 4 – O saldo devedor de 01/2003, no valor de R$ 697,33. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada. 5 – O saldo devedor de 02/2003, no valor de R$ 3.428,61. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada. 6 – O saldo devedor de 03/2003, no valor de R$ 583,50. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada; 7 – O saldo devedor de 10/2003, no valor de R$1.875,57. Só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que a referida PERDECOMP foi preenchida com o anocalendário 2002 quando o correto é 2001 e por isso deve ser considerada homologada; 8 – O saldo devedor de 11/2003, no valor de R$ 9.282,61 foi compensado com saldo negativo, anocalendário de 2002, PER/DCOMP 22629.22269.171203.1.3.028732 de 17/12/2003. Informamos que só depois do Despacho Decisório é que a empresa constatou que na PER/DCOMPL está preenchido exercício 2002 quando o correto é 2003; 9 – O PER/DCOMP 30371.78502.291003.1.3.021728 de 7/2003 no valor de R$ 6.235,39 está preenchido exercício 2002 quando o correto é 2003. 10 – O PER/DCOMP 32049.19617.291003.1.3.026563 IRPJ de 8/2003 no valor de R$ 1.706.94 está preenchido exercício 2002 quando o correto é 2003. 11 – O PER/DCOMP 06731.40344.291003.1.3.020001 IRPJ de 9/2003 no valor de R$ 1.501,20 está preenchido exercício 2002 quando o correto é 2003. É o relatório. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13907000162/200337 Acórdão n.º 1301000.045 S1C3T1 Fl. 7 13 Voto Relator Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso é tempestivo e preenche os requisitos do Decreto nº 70.235/72 e portanto dele conheço. No recurso voluntário apresentado à interessada ratifica as argumentações iniciais e, apresenta como reforço a sua tese unicamente o argumento que só depois do despacho decisório é que a empresa constatou que as PERDECOMP foram preenchida com a indicação dos anoscalendários errados. A interessada apresenta recurso contra a decisão da DRJ que manteve o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas em face da insuficiência do direito creditório oriundo dos saldos negativos de IRPJ e CSLL do exercício de 2002, anocalendário de 2001. O direito creditório oriundo do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2002 foi reduzido pela autoridade fiscal de R$ 27.529,76 (11. 143) para R$ 24.376,82 em decorrência da glosa das estimativas relativas aos meses de fevereiro (R$ 517,44) e março/2001 (parcela de R$ 2.635,50), porquanto compensadas com o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2001, anocalendário de 2000, cujo valor declarado, ao invés de saldo negativo, corresponde a IRPJ a pagar de 23.793,44 (11s. 136 e 451). Em sua manifestação de inconformidade, a reclamante alega que houveerro no preenchimento da linha 16 da ficha 12A da DIPJ 2001, haja vista ter sido omitido o valor pago por estimativa no anocalendário de 2000. Contudo, os recolhimentos por estimativa do anocalendário de 2000, no montante de R$ 20.268,26 (fls. 447450), são suficientes apenas para reduzir o saldo do IRPJ a pagar para o valor de R$ 3.525,18. Com relação à conta razão I14.00.018Imposto de Renda Retido na Fonte (fl. 452), citado em sua manifestação de inconformidade, verificase que referemse a lançamentos de IRPJ compensados com o IRPJ de 1999, ou seja, além de não comprovados documentalmente, carecem de elementos que demonstrem sua dedutibilidade para fins de apuração do saldo do IRPJ a pagar do exercício de 2001. Portanto, do direito creditório reconhecido de R$ 24.376,82 e R$ 18.295,34 de saldos negativos de IRPJ e CSLL do exercício de 2002, a autoridade fiscaldeduziu as compensações declaradas apenas em DCTF, anteriormente à instituição da declaração de compensação e relativas aos débitos de IRPJ e CSLL devidos por estimativas nos meses de fevereiro a setembro/2002 (fls. 157 a 164 e 170177), com o que restaram saldos compensáveis de R$ 8.269,65 e R$ 6.706,90 de IRPJ (fls. 197200) e CSLL (fls. 205208) para as declarações de compensação tratadas nos autos. No que se refere à alegação de que os débitos de R$ 1.875,57 e R$ 9.282,61 de IRPJ devidos por estimativa dos meses de outubro e novembro/2003 e de R$ 5.339,13 de CSLL por estimativa do mês de novembro/2003 teriam sido compensados com os saldos negativos de IRPJ e de CSLL do exercício de 2003, anocalendário de 2002, cabe destacar que Fl. 726DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 14 tais débitos tiveram sua compensação declarada com o saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício de 2002, anocalendário de 2001. Dessa forma, considerando que a compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, é de se confirmar o Despacho Decisório proferido pela DRF/Londrina e reconhecer o direito creditório correspondente aos saldos negativos de R$ 24.376,82 de IRPJ e R$ 18.295,34 de CSLL do exercício de 2002, anocalendário 2001, e homologar as compensações declaradas nos autos até o limite do direito creditório reconhecido. Na linha do decidido em primeira instância, não julgo hábil as alegações da peça recursal, eis que, como afirmado pela própria Recorrente, ela declarou ter preenchido erradamente os anos calendários e não aportou documentação complementar relacionada às compensações glosadas pela Fiscalização. Na ausência destes elementos probantes, não nos resta outra saída que não a de manter incólumes Despacho Decisório proferido pela DRF/Londrina . Como o preenchimento e formalização dos DCOMP’s continham uma série de “erros”, em total desacordo com os anos informados pela Recorrente não produziriam os efeitos desejados. Isto posto, voto no sentido de confirmar o Despacho Decisório proferido pela DRF/Londrina e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 727DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.018454/93-31
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/05/1991 a 31/07/1991, 01/09/1991 a 31/03/1992
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA. Deve ser imediatamente aplicado o novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de oficio interposto quando vigente limite anterior.
Com a publicação da Portaria MF n" 3, de 3 de janeiro de 2008, o limite de alçada para que o Presidente da Turma da DRJ recorra de oficio da decisão tomada passou de R$ 500.000,00 para R$ 1,000.000,00, o que impede o conhecimento de recurso de oficio no qual a desoneração do sujeito passivo tenha sido inferior a este novo valor.
Recurso de Oficio Não Conhecido.
Numero da decisão: 3201-000.475
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso de Oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA. Deve ser imediatamente aplicado o novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de oficio interposto quando vigente limite anterior. Com a publicação da Portaria MF n" 3, de 3 de janeiro de 2008, o limite de alçada para que o Presidente da Turma da DRJ recorra de oficio da decisão tomada passou de R$ 500.000,00 para R$ 1,000.000,00, o que impede o conhecimento de recurso de oficio no qual a desoneração do sujeito passivo tenha sido inferior a este novo valor. Recurso de Oficio Não Conhecido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso de Oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, /rt. C',A_. C,-n::j"y\cei----.._.._., JUDITFL/D9 AMARAL MARCONDES ARMANDO - Presidente ( \. 1 ( , --- ) N .( 1(7\'‘, -U-'11.1.----" e dr-X11-f2W_C)(ikiCi ._ ARCELO RIB .1RO NOGUEIRA =,,RtLATOR,"-- Relator EDITADO EM: 23 de setembro de 2010. Processo n° 10850.018454)93-31 S3-C21.1 Acórdão n.Õ 3201-00,475 FI 239 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Ricardo Paulo Rosa e Tatiana Midori Migiyama (Suplente). Processo n° 10880 018454/93-31 S3-C2T1 Acórdão n ° 3201-00.475 Fl. 240 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: 6.Em ação .fiscal, levada a efeito na empresa do contribuinte acima identificado, foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para Fundo de Investimento Social - Finsocial, relativa aos fatos geradores dos períodos de maio a julho de 1991, e de setembro de 1991 a março de 1992, razão pela qual .foi lavrado o Auto de Infração ((is. 10), integrado pelos termos, demonstrativos e documentas nele mencionados, com o enquadramento legal discriminado às fls.. 08, 09 e 10. 7.No Termo de Verificação de/Is, 11 (e verso) o fiscal autuante informa que: a)A empresa impetrou Mandado de Segurança, processo II" 91.0699289-7, obtendo liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário relativo à contribuição para o Finsocial, correspondente aos meses de maio de 1991 a março de 1992; b)Fai efetuado o lançamento de oficio com a finalidade exclusiva de prevenir a decadência; c)As contribuições devidas ao Finsocial, objeto da autuação, abrangem o crédito tributário relativo aos meses de maio a jidho de 1991 e de setembro de 1991 a março de 1992. A contribuição do mês de agosto de 1991, embora sob proteção da liminar, foi recolhida normalmente pela empresa. 8.0 crédito tributário lançado no presente auto, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculado até 03.93, perfaz o total de 1.024.290,69 UFIRs. 9.1nconformado com a autuação, da qual . foi devidamente cientificado em 12.03,93, o contribuinte protocolizou, em 13,04.93, a impugnação de fls. 17, acompanhada de documentos de 15, 16 e 18, na qual deduz as alegações a seguir, resumidamente discriminadas: A empresa, de fato, não recolheu as contribuições apontadas no Auto de Infração, porque tais contribuições estão sendo discutidas na Justiça Federal, processo n" 91.0699289-7, relativamente a sua legalidade. O Exmo. Juiz concedeu a respectiva liminar sem depósito judiciário. Assim, nas termos do art. 151, II e VI do CTN, os créditos apontados no referido anexo não poderão ser exigidos, até a decisão final no litígio. 3 Processo n" 10880 018454/93-31 S3-C211 Acórdão '3201-0(L475 P1 241 10. Intimado através do Termo de fls. 21 o contribuinte apresentou os documentos de fls. 22 a 29, referente às ações judiciais. 11 Através da Resolução DRJ/SPO/SP n" 87/94 (fls. 30), o Delegado da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, tendo em vista o contribuinte ter ingressado com ação judicial, resolveu sobrestar o julgamento da impugnação interposta, uma vez que a matéria versada no processo é a mesma que se encontra "subjudice", e determinou que o processo retornasse à Delegacia de origem para aguardar o pronunciamento definitivo da Justiça Federal, devendo retornar a DRJ somente se do exame do cômputo do crédito tributário ou de qualquer outra razão jurídica resultar pendência contestada na impugnação administrativa. 12,Após analisar o presente processo, o Grupo Inter,sistêmico de Medidas Judiciais da DRF/São Paulo informa, através dos relatórios de fls. 144/145 e 180, que.' a)Durante o período abrangido pelo auto de infração houve a interposição de 4 Mandados de Segurança (MS); b)0 MS n" 91.0656328-7, relativo ao período de apuração de maio de 1991, transitou em .julgado em 22 .01.98, sendo que houve depósito judicial efetuado em atraso. Houve levantamento pelo contribuinte de 75% do valor depositado, e conversão em renda da União do 1"estante 25%. Após imputação do valor convertido em Renda da União constatou-se que não existe saldo devedor para o período de apuração de 05.91, e que houve Saldo de pagamento que será aproveitado no período de apuração de 07.91. c)No MS n" 91.0665522-0, relativo ao período de apuração de junho de 1991, houve conversão em renda da União em 20.07.02 de 25% do valor depositado, e que segundo cálculos realizados (fls. 159/161), o montante .foi suficiente para quitar o crédito tributário. d)0 MS n" 91.0675580-1, relativo ao período de apuração de julho de 1991, teve liminar concedida sem depósito judicial, e transitou em julgado, findo em 13.11.98. 0 Acórdão do TRF foi publicado em 10.05.96, contudo, no dia 09,02.96, portanto, antes da publicação do Acórdão, o contribuinte recolheu via DARF o valor do crédito tributário, porém sem a atualização monetária devida, já que não houve depósito judicial. Feita a imputação com o saldo do pagamento ocorrido no período de apuração de 05.91, constatou-se a suficiência para quitar o crédito tributário de 07.91. e)0 MS n" 91,0699289-7, relativo aos períodos de apuração de setembro de 1991 a março de 1992, teve liminar concedida sem depósito judicial, e transitou em , julgado, findo em 21.09.98. Após decisão judicial o contribuinte entrou com pedido de parcelamento (processo n" 10880,018000/97-58), referente aos períodos de 09.91 a 03,92, tendo pago somente a primeira das 4 Processo n° 10880.018454/93-31 S3-C2T1 Acórdão n '3201-00.475 Fl 242 56 parcelas. Assim, o processo de parcelamento foi cancelado e encontra-se na situação "Enviado a PFN — Inscrição". .)70s valores de 09.91 a 03.92 estão sendo cobrados através do proce,sso de parcelamento n" 10880.018000/97-58 que foi enviado para a PFN e segue em cobrança, entretanto naquele processo não está sendo cobrada a multa de oficio. A multa de oficio é devida, pois à época da autuação já havia sido prolatada a sentença do MS n" 91.0699289-7 concedendo parcialmente a segurança, devendo ser cobrada a multa de oficio referente ao valor devido. Entretanto, para os períodos de apuração de 1991 havia DCTF do contribuinte declarando os débitos, ficando devida a cobrança da multa de oficio apenas para os períodos de 01,92 a 02.92. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração.: 01/05/1991 a 31/07/1991, 01/09/1991 a 31/03/1992 Ementa. COISA JULGADA — FINSOCIAL — REDUÇÃO DE AL1QUOTA Em face do trânsito em julgado de Acórdão, e por . força do art. 17, III, da Medida Provisória n."1 .110, de 30 de agosto de 1995, e suas reedições e da Instrução Normativa SRF n," 31, de 1997, exonera-se o lançamento do Finsocial, na parte que excede a meio por cento para as empresas comerciais e mistas. RETROATIVIDADE BENIGNA REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A lei nova aplica-se a ato ou fato não definitivamente julgados, quando lhes comine penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, retroagindo o art. 44 da Lei n," 9,430, de 1996, por força do disposto no art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, e no Ato Declaratório Normativo SRF/COSIT ir" I, de 07 de janeiro de 1997., MULTA DE OFÍCIO DCW CANCELAMENTO, Tendo sido, uma parte dos valores exigidos no auto de infração, incluída na Declaração de Contribuições- e Tributos Federais (DCTF), cancela-se a multa de oficio correspondente. Lançamento procedente em parte. Tendo sido ultrapassada a alçada de julgamento vigente à época da decisão de primeira instância foi interposto recurso de oficio. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no Processo n" 10880.018454/93-31 s3-C211 Acórdão n.° 3201-09.475 • Fl 243 julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso., É o Relatório. 6 Processo 1.1'10880.018454/93-31 Acórdão n." 3201-00475 S3-C2T1 Fl 244 Voto Deixo de conhecer do recurso de oficio, pois o valor exonerado pela decisão de primeira instância é inferior ao valor de alçada atualmente vigente, conforme se extrai do demonstrativo do crédito tributário constante da decisão recorrida (fis, 198). Com a edição da Portaria MF ri° 3, de 3 de janeiro de 2008, o limite de alçada para que o Presidente da Turma da DRJ recorra de oficio da decisão tomada passou de R$ 500.000,00 para R$ 1,000.000,00, com a revogação expressa da Portaria MF n° 375, de 7 de dezembro de 2001. É o seguinte o texto da nova Portaria: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso 1 do art. 34 do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n o 9,532, de 10 de dezembro de 1997, e no § 3" do art. 366 do Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999, com a redação dada pelo art. 1" do Decreto n o 6.224, de 4 de outubro de 2007, resolve: Art. 1" O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ L000,000,00 (um milhão de reais).. Parágrafo único, O valor da exoneração de que trata o capta deverá ser verificado por processo. Art. 2" Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3° Fica revogada a Portaria MF n" 375, de 7 de dezembro de 2001. Observo que valor exonerado no presente processo, confiai me consta da própria decisão recorrida (fis, 198), tem valor de R$ 660,277,64(R$ 311..342,32, de Finsocial, e R$ .348,935,32, de multa), estando dentro do limite de alçada e desautorizando o recurso de oficio, que, como conseqüência, não deve ser conhecido por este Colegiada, Neste sentido é a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes: EXERCÍCIO: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - REEXA ME NECESSÁRIO - LIMITE DE ALÇADA - AMPLIAÇÃO - CASOS PENDENTES - Aplica-se aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n". 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008) 1 Processo n° 10880.018454/93-31 S3-C211 Acórdão n " 3201-00..475 H. 245 Recurso de Oficio não conhecido, (Recurso n" 165.003, Quarta Câmara do Primeiro Conselho, unânime, relatara Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Ano-calendário: 1998 Ementa.• PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE DE ALÇADA - Não se conhece de recurso de oficio interposto em decisão que exonera o sujeito passivo de crédito tributário (tributo e multa) inferior ao limite de alçada previsto no artigo 34, I, do Decreto n" 70..235/72, com as• alterações introduzidas por meio da Lei n" 9..532/97 e Portaria MF n' 03/2008. Recurso de Oficio Não Conhecido, (Recurso n" 152.384, Oitava Câmara do Primeiro Conselho, unânime, relator Conselheiro Nelson Lósso Filho) RECURSO DE OFÍCIO - ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA - TEMPUS REGIT ACTUM - RETROATIVIDADE LEGÍTIMA - É legitima a aplicação do novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de oficio interposto quando vigente limite inferior. Retroatividade legítima que não fere qualquer direito consolidado, pois a alteração do limite para maior é feita pela própria administração, única interessada na apreciação do recurso. (Recurso de Oficio). Recurso de oficio não conhecido por , falta de objeto. (Recurso 11" 151.280, Quinta Câmara do Primeiro Conselho, unânime, relator Conselheiro José Carlos Passuello — transcrição parcial) Desta forma, VOTO por não conhecer do recurso de oficio. Sala de Sessões, 25 de maio de 2.010. (1/U1Di9A.,a.t, M RCELO RIBEIRO NOGUEIRA - Rdlator 8
score : 1.0
Numero do processo: 10680.920336/2008-06
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Exercício: 2009
CRÉDITO. IPI.. INEXISTÊNCIA.
Não comprovada a existência dos créditos de IPI, não há como ser validada a compensação pretendida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-001.233
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ªa Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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UNIÃO FEDERAL - >- '~ '. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Exercício: 2009 CRÉDITO. IPI.. INEXISTÊNCIA. Não comprovada a existência dos créditos de IPI, não há como ser validada a compensação pretendida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara / la Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento aó recurso voluntário, nos termos do voto do relator. EDITADO EM: 17/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D' Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani e Daniel Mariz Gudifío. Relatório .-..... " Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito de IPI, feito através dos PER/DCOMPs n° 14079.68104.150704.1,3.01-8041, n° 35174.52798.130804.1.3.01-3297 e n° 10349.73923.150904.1.3.01-7223, no valor total de R$ 149.635,71, utilizado na compensação de débitos da empresa acima identificada nesses e nos demais PER/DCOMPs relacionados na tabela da jl. 474 (Demonstrativo do crédito reconhecido para cada PER/DCOMP). 2. A DRF Belo Horizonte, através do Despacho Decisório de jl. 440, reconheceu o direito ao crédito no valor de R$ 36.287,98, homologando integralmente a compensação objeto do PER/DCOMP de final 8041 (R$ 22.771,21) e parcialmente a compensação objeto do PER/DCOMP de final 3297 (R$ 13.516,77). As demais compensações foram consideradas não homologadas em virtude da insuficiência dos créditos. 3, Segundo o Despacho, o saldo credor passível de ressarcimento foi utilizado em períodos subseqüentes ao objeto do pedido, até a data da apresentação do PER/DCOMP, tendo sido ainda glosadas notas fiscais referentes a pessoas jurídicas optantes pelo Simples, conforme relação dajl, 474 (Relação das notas fiscais com créditos indevidos). 4. Cientificada em 08.09.2009 (/l. 441) a interessada apresentou, tempestivamente, em 01.10.2009, manifestação de inconformidade (/ls. 420/429), na qual: a) Requer a homologação tácita dos PER/DCOMP de finais 8041, 3297 e 5250; b) Entende que o fato de haverem sido analisados os documentos já homologados tacitamente vicia o despacho decisório em sua totalidade, maculando o direito de ver plenamente analisadas as declarações de compensação ainda válidas; c) Requer a utilização do crédito reconhecido para compensação do restante das compensações (parcialmente apenas a de final 2120); d) "Ademais, superados os argumentos alhures, necessarlO reconhecer que a Secretaria da Receita Federal do Brasil - SRFB possui a seu alcance todos os documentos necessários para verificar de forma simples, clara e definitiva que os créditos apurados e compensados pela Manifestante por meio das Declaraçôes de Compensação - DCOMP 's são legítimos e válidos"; e) "Frise-se, neste ínterim, que tais constatações podem ser apuradas e verificadas por meio de um simples confrontamento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF com a Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, ambas transmitidas pela Manifestante à C?.J Secretaria da Receita Federal do Brasil - SRFB, e mais,r analisando aquilo efetivamente recolhido por meio dos 2 Processo nO 10680.920336/2008-06 Acórdão n.o 3201-01.233 Documentos de Arrecadação de Receitas Federais - DARF's a título de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI"; e) Ao final, requer: I - Seja reconhecida a alegação trazida quanto à decadência; 11-Ante o reconhecimento a existência de créditos em favor da Manifestante, sejam estes utilizados para homologar as demais compensações; 111-Seja cancelada a cobrança em decorrência da equivocada homologação parcial e não homologação das compensações; IV- "Sejam reconhecidos os recolhimentos indevidos e a maior levantado pela ora Manifestante, fato este que motivou as compensações realizadas, para se reconhecer a efetiva e legítima realização das compensações ora questionadas ". S3-C2Tl FI. 498 • Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de BelémlPA assim julgou, conforme Decisão DRJ/BEL n.o 18.636, de 03/08/2010: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TAcITA. São homologadas tacitamente as declarações de compensação que deixarem de ser apreciadas no prazo de cinco anos, contado da data da entrega da mesma ou do pedido de compensação convertido por força do S 4° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes Nulidade raciocínio adotado pelo fiscal Entendo não tenha ocorrido nulidade, pois há a explanação do motivo do' indeferimento do crédito pleiteado: 22. Dessa forma, não tendo a contribuinte trazido aos autos documentos de suporte capazes de comprovar seu crédito, limitando-se a alegar que o Fisco poderia fazer tal aprecia~ 3 mediante consulta aos seus sistemas, notória a impossibilidade de ser acolhida suapretensão. 23. Mesmo porque, excluídas as glosas das aqUlslçoes das empresas do Simples, o motivo alegadopara o indeferimentofoi a utilização do saldo credor em outros períodos, conforme informações constantes dos seus PER/DCOMPs, e não a improcedência dos referidos créditos. Assim, rejeito a preliminar de nulidade aventada. Mérito No mérito, o contribuinte apenas alega que os créditos pleiteados existem, não trazendo qualquer prova ou contraponto para as informações prestadas pela fiscalização: 22. Dessa forma, não tendo a contribuinte trazido aos autos documentos de suporte capazes de comprovar seu crédito, limitando-se a alegar que o Fisco poderia fazer tal apreciação mediante consulta aos seus sistemas, notória a impossibilidade de ser acolhida suapretensão. 23. Mesmo porque, excluídas as glosas das aqUlslçoes das empresas do Simples, o motivo alegadopara o indeferimentofoi a utilização do saldo credor em outros períodos, conforme informações constantes dos seus PER/DCOMPs, e não a improcedência dos referidos créditos. Assim, não havendo prova da existência dos créditos, não pode ser dado guarida ao pedido. Por fim, também há vedação legal ao aproveitamento de crédito sobre . .compras de empresas do SIMPLES: Art. 50. omissis (..) • ~50. A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou a empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a titulo de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Assim, voto por rejei r a preliminar e, no mérito, negar provimento ao .!íJ / recurso interposto. fl-/ .. Luciano Lopes de AI ... 4 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 13804.002508/2003-90
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DIRETA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. TRIBUTOS DE ESPÉCIES DIVERSAS. VEDAÇÃO. NECESSIDADE DE PROTOCOLIZAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A compensação tributária entre tributos e contribuições de diferentes espécies, consoante legislação de regência da época, somente era admitida a requerimento do contribuinte, mediante protocolização de Pedido de Compensação. A compensação direta, na escrituração contábil, de tributos e contribuições de de espécies diversas por ser vedada não produz efeitos contra o fisco federal.
Numero da decisão: 1802-001.427
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: Nelso Kichel
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TRIBUTOS DE ESPÉCIES DIVERSAS. VEDAÇÃO. NECESSIDADE DE PROTOCOLIZAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A compensação tributária entre tributos e contribuições de diferentes espécies, consoante legislação de regência da época, somente era admitida a requerimento do contribuinte, mediante protocolização de Pedido de Compensação. A compensação direta, na escrituração contábil, de tributos e contribuições de de espécies diversas por ser vedada não produz efeitos contra o fisco federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 25 08 /2 00 3- 90 Fl. 942DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 943 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls.920/935 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/São Paulo I (fls. 906/919) que julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte. Quanto aos fatos: que, em 13/05/2003, a contribuinte protocolizou Declaração de Compensação Tributária (em formulário papel) de fls. 02/03, informando: a) Débitos de Contribuições, no valor de R$ 452.998,94, assim especificados: TRIBUTO CÓDIGO DE RECEITA PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE VENCIMENTO VALOR DO DÉBITO PIS 8109 Março/2003 15/04/2003 141.160,79 COFINS 2172 Março/2003 15/0402003 311.838,15 b) utilização de Crédito (direito creditório): · saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2002, DIPJ – Ficha 12A (fl. 112) ; · saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, DIPJ – Ficha 17 (fl. 123); · saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000 da empresa incorporada AGAPRINT EMBALAGENS LTDA, CNPJ: 02.905.171/000195, DIPJ – Ficha 12A (fls. 36/47); · saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000 da empresa incorporada AGAPRINT EMBALAGENS LTDA, CNPJ: 02.905.171/000195, DIPJ – Ficha 17 (fl. 52); que há, ainda, DCOMP relacionadas, nas quais a contribuinte informou utilização de saldos negativos desses anoscalendário (fls. 93/94), conforme relação abaixo: Fl. 943DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 944 3 PER/DCOMP DATA DE TRANSMISSÃO · 37866.91890.210907.1.7.020588 21/09/2007 · 04169.88987.140803.1.3.031100 14/08/2003 · 31407.83300.281206.1.7.030126 28/12/2006 · 04139.96018.281206.1.7.037356 28/12/2006 · 16193:40894.281206.1.7.036016 28/12/2006 · 11891:04570.281206.1.7.038832 28/12/2006 Por intermédio do Despacho Decisório de 25/04/2008 (fls. 146/150), a unidade de origem da RFB, ou seja, a DERAT/SP deferiu, em parte, o direito creditório pleiteado, conforme quadro demonstrativo abaixo: Contribuinte CNPJ Ano Calendário Tributo Saldo Negativo Informado na DIPJ Saldo Negativo Deferido IPLF 60.651.569/000149 2002 IRPJ 282.562,18 55.717,98 IPLF 60.651.569/000149 2002 CSLL 61.652,38 61.652,38 AGAPRINT 02.905.171/000195 2000 IRPJ 144.212,60 0,00 AGAPRINT 02.905.171/000195 2000 CSLL 48.316,54 0,00 Por conseguinte, as compensações foram homologadas parcialmente, até o limite do crédito deferido, pela unidade de origem da RFB. Consta da fundamentação do referido despacho decisório: que, em relação aos saldos negativos do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2002 da empresa Indústria Papel Leon Feffer Ltda (fls. 149/150): · em consulta ao Sistema DCTF gerencial fl. 116/117, para o IRPJ Estimativa Mensal, cód. 23621, há somente o débito do mês de fevereiro de 2002 declarado em DCTF, no valor de R$ 52.183,97 e, em consulta ao sistema SIEF/FISCEL (fl. 118/119), há confirmação do pagamento do imposto desse mesmo PA, no valor de R$ 49.731,39, em 28/03/02, completado com R$ 2.452,58, mais os encargos, em 20/09/2007, somando assim o mesmo valor declarado em DCTF; · em relação ao IRRF sobre aplicações financeiras, conforme ficha 06A, na linha 21 (fl. 115), a contribuinte não ofereceu à tributação o valor declarado pela fonte pagadora com relação a ganhos em SWAP. Assim, somente poderá ser utilizado o IRRF retido nas aplicações financeiras, ou seja, apenas o valor de R$ 3.534,01 =(R$ 13,08 + R$ 3.520,93); · diversamente do valor apurado pela contribuinte, restou comprovado saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, apenas o valor de R$ 55.717,98; · em relação ao saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, restou confirmado o valor apurado e informado na DIPJ 2003, ou seja, R$ 61.652,38. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 945 4 que, em relação aos saldos negativos do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2000 da empresa incorporada Agaprint Embalagens Ltda (fls. 146/147): · consta na ficha 11 da DIPJ 2001 (fl. 98) que a empresa não deduziu valores a título de IR retido na fonte, mas somente os valores do imposto estimativa mensal. Assim, serão considerados, para efeito de cálculo de saldo a compensar, apenas os valores recolhidos em DARF a título de antecipação de estimativas mensais; · em consulta ao Sistema DCTF gerencial fl. 100/101, para o IRPJ estimativa mensal, cód. 23621, verificase somente débito do mês de julho de 2000 declarado em DCTF, no valor de R$ 163.799,22 e em consulta ao sistema SIEF/FISCEL (fl. 102), há confirmação somente do pagamento do imposto desse mesmo PA, em 31/08/00, de mesmo valor declarado em DCTF. Não há no sistema SIEF/DIRF registro de recolhimentos de IRRF (fl. 139); que, por conseguinte, diversamente do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000 de R$ 144.212,60 apurado e informado na DIPJ 2001, há, na verdade, saldo a pagar de IRPJ do anocalendário 2000, no valor de R$ 397.220,25; · em relação à CSLL do anocalendário 2000, analogamente ao IRPJ, a partir da análise do cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fl. 104), verificouse que o saldo negativo alegado pelo contribuinte é resultado da CSLL mensal paga por estimativa, que foi deduzida da CSLL devida; que, em consulta ao Sistema DCTF gerencial fls. 105/106, se verificou que para a CSLL estimativa mensal, cód. 2484 1, há débito somente no mês de julho de 2000 declarado em DCTF, no valor de R$ 59.138,97 e em consulta ao sistema SIEF/FISCEL (fl. 107), há confirmação do pagamento desse mesmo PA, em 31/08/00, de mesmo valor declarado em DCTF; que, por conseguinte, diversamente do saldo negativo a pagar de R$ 48.316,54 apurado e informado na DIPJ 2001, na verdade houve saldo a pagar de CSLL no valor de R$ 153.616,88. que, por fim, a parte dispositiva do despacho decisório da DERAT/SP, restou assim consignada: (...) DECISÃO 57. No uso da competência delegada pela Portaria DERAT/SP n° 54 de 10/10/2001, RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO, contra a Fazenda Nacional, de INDUSTRIA DE PAPEL LEON FEFFER LTDA, atualmente IPLF HOLDING S/A, CNPJ N° 60.651.569/000149 no valor de R$ 55.717,98 (...) correspondente à importância do Saldo Negativo de IRPJ apurado em 2002, e de R$ 61.652,38 (...) correspondente ao saldo negativo de CSLL apurado em 2002. Em decorrência, HOMOLOGO as compensações declaradas, bem como qualquer outra compensação vinculada ao crédito aqui analisado, até o limite do direito creditório reconhecido. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 946 5 (...) Ciente dessa decisão em 09/05/2008, por intermédio de seu representante legal (fl.158), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 06/06/2008 (fls. 163/168), cujas razões estão resumidas, assim, no relatório da decisão da DRJ/São Paulo I, ora recorrida: (...) A Interessada, tendo tomado ciência em 09/05/2008 (fl. ...), apresentou manifestação de inconformidade (fls....), por meio de seus procuradores (fls. 428/432), alegando, em síntese, que: Anocalendário de 2000 Saldo negativo de IRPJ A Contribuinte, seguindo a disposição contida no artigo 11 da Lei n° 9.779/99 verificou em sua contabilidade a existência de um saldo credor do IPI no valor de RS 1.555.774,38, apurados trimestralmente, conforme tabela abaixo e devidamente demonstrados de acordo com os documentos anexos. Valor do IPI 1° Trimestre/99 172.946,62 Valor do IPI 2° Trimestre/99 242.655,03 Valor do IPI 3° Trimestre/99 308.148,26 Valor do IPI 4° Trimestre/99 273.330,31 Valor do IPI 1º Trimestre/00 308.009,61 Valor do IPI 2° Trimestre/00 250.784,55 TOTAL 1.555.874,38 Do total deste saldo credor, a Contribuinte utilizou R$ 541.432,85 para compensar com o IRPJ apurado no ano calendário de 2000, no valor de R$ 705.232,07, sendo que a diferença, equivalente a R$ 163.799,22 foi devidamente paga através de DARF: Valor apurado DIPJ (IRPJ estimativa mensal) Julho/2000 (somatório até) 705.232,07 Compensação com IPI Abril/2000 ( 44.735,49) Compensação com IPI Julho/2000 (496.697,36) Pagamento com DARF Agosto/2000 (163.799,22) Saldo Saldo Negativo de CSLL Conforme já demonstrado, a Contribuinte, tendo um saldo credor de IPI no valor de R$ 1.555.774, 38, apropriou 201.933,42 para compensar com a CSLL apurada no ano calendário de 2000, no valor de RS 261.072,39, sendo que a diferença, equivalente a R$ 59.138,97, foi devidamente paga através de DARF: Valor apurado DIPJ (CSLL Estimativa Mensal) Julho/2000 (somatório até) 261.072,39 Compensação com IPI Abril/2000 (22.603,06) Compensação com IPI Julho/2000 (179.330,36) Fl. 946DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 947 6 Pagamento com DARF Agosto/2000 (59.138,97) Saldo É bom frisar que todas as compensações (IRPJ e CSLL) estão devidamente registradas nos Livros Diário da Contabilidade e o saldo credor de IPI apontado nos Livros de Apuração do respectivo imposto (docs. em anexo), sendo que a divergência encontrada pelo D.D. Auditor, deuse em virtude de um equívoco da contribuinte, que deixou de informar na DCT o valor compensado. Ou seja, tratase de um erro material que a despeito das inconformidades apuradas, não revela, per si, ilegalidade da Contribuinte; não se consubstanciando, portanto, em débito passível de cobrança, pois, as compensações, embora não figurarem na DCTF, foram devidamente efetuadas com amparo na legislação pertinente. Anocalendário de 2002 Saldo negativo de IRPJ E indiscutível que o valor informado a título de rendimento com operação SWAP foi oferecido a tributação, porém, não na linha correta da DIPJ12003. Ou seja, a receita total em questão foi informada dentro da linha 24 (Outras Receitas Financeiras), da Ficha 06 A da DIPJ 2003 (Anocalendário 2002), enquanto deveria ter sido informada na linha 21 da mesma ficha. A receita total está devidamente comprovada através dos lançamentos registrados nos livros Diários da época, conforme as cópias acostadas, restando demonstrado o valor a compensar de RS 226.844, 21. (...) Em vista dessas razões aduzidas pela contribuinte, a DRJ/São Paulo I, analisando o mérito da lide, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade conforme Acórdão (fls. 470/483), cuja ementa trancrevo, a seguir: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2002 LAPSO MANIFESTO. RERATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Constatada a existência de inexatidão material, decorrente de lapso manifesto, em Acórdão anteriormente proferido, deverá o Acórdão ser corrigido, nos termos do art. 32 do Decreto n° 70.235/72, e art. 22, § 1º, da Portaria n° 58/2006. CRÉDITO. LÍQUIDEZ. CERTEZA. NECESSIDADE. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 948 7 Não verificada a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação, não se homologam as compensações declaradas em DCOMP. ÔNUS DA PROVA. DCOMP. CONTRIBUINTE Sendo a análise do crédito feita com os elementos disponíveis nos autos e nos sistemas da RFB, e verificada a não existência de parte ou mesmo da totalidade do crédito, cumpre ao autor contribuinte a comprovação do direito alegado, cuja negativa restou demonstrada no despacho decisório, devendo a manifestação de inconformidade mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. AC 2000. Improcede a alegação dada a não comprovação de que as estimativas devidas durante o anocalendário foram compensadas com saldo credor de IPI na forma da legislação de regência. A compensação de tributos ou contribuições de espécies diferentes deveria ter sido realizada por meio de pedido de compensação formulado junto a RFB. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RENDIMENTOS. SWAP. COMPROVAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. AC 2002. Comprovado o erro de preenchimento da declaração de rendimentos e a tributação dos rendimentos relativos às operações SWAP, assiste o direito à contribuinte de que o IRRF correspondente seja considerado como dedutível no cômputo do saldo negativo do IRPJ do período de apuração analisado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (...) Insatisfeita com esse decisum do qual tomou ciência em 04/01/2012 (fl. 485), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/02/2012 (fls.512/528) da parte que restou vencida na instância a quo, juntando ainda documentos de fls. 529/938), cujas razões, no que pertinente, transcrevo: (...) III.1 DA ORIGEM DO SALDO CREDOR DE IPI COMPENSADO COM AS ESTIMATIVAS DE IRPJ E DE CSLL DO ANOCALENDÁRIO DE 2000 O v. acórdão recorrido sustenta que a Recorrente não poderia utilizar o saldo credor de IPI para compensar com as estimativas de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2000, ao Fl. 948DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 949 8 argumento de que o seu pedido de compensação contemplava apenas débitos de PIS e COFINS. Como dito anteriormente, no ano de 1999 e nos 2 primeiros trimestres do ano de 2000, a Recorrente verificou a existência de saldo credor de IPI, conforme previsto no artigo 11, da Lei n° 9.779/99. Diante da existência do referido saldo credor, a Recorrente (i) utilizou apenas parte dele para compensar com parte das estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000; e, (ii) com relação à outra parcela das estimativas, no valor de R$ 163.799, 22 (cento e sessenta e três mil, setecentos e noventa e nove reais e vinte e dois centavos), efetuou o pagamento mediante o recolhimento de DARF. Tudo isso, já comprovado nestes autos. Ainda, procedimento semelhante foi adotado no tocante às estimativas de CSLL também do anocalendário de 2000, tendo sido utilizada parte do saldo credor para sua quitação e pagamento da outra parte via recolhimento de DARF, no valor de R$ 59.138,97 (cinquenta e nove mil, cento e trinta e oito reais e noventa e sete centavos). Pois bem. Todas as compensações efetuadas pela Recorrente foram corretamente escrituradas nos Livros Diários da Contabilidade e o saldo credor de IPI devidamente escriturado no Livro de Apuração do Imposto. Isto quer dizer que, (...), não há qualquer irregularidade na conduta da Recorrente, mesmo porque, contrariamente ao insinuado pela DRJ, referidos créditos acumulados de IPI não foram utilizados para abatimento de PIS e COFINS. Este ponto fica evidenciado pelas DCTFs de 1999 e 2000 aqui anexadas, onde se observa que todos os valores apurados de PIS e COFINS relativos a estes períodos, foram quitados por meio de DARFs e não por meio de compensação. Legítima, portanto, a utilização do saldo credor de IPI até então acumulado para o pagamento de determinadas estimativas de IRPJ e CSLL, conforme detalhadamente demonstrado na Manifestação de Inconformidade. A liquidação desta compensação, como já dito, foi feita nos próprios livros fiscais da Recorrente. Ora, consoante asseverado, nos livros fiscais da Recorrente sempre foi escriturado o saldo credor acumulado do IPI e, nas oportunidades em que tal crédito foi utilizado para compensação, prontamente registrouse o encontro de contas, apontandose o tributo compensado em contrapartida à redução do saldo credor acumulado. Desse modo, é incorreta a alegação contida no v. acórdão quanto às compensações do saldo credor de IPI efetivamente realizadas. Conforme se observa dos documentos dos autos (fls. 208 a 370), os “pedidos de compensação" demonstram a Fl. 949DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 950 9 liquidez dos saldos credores de IPI, porém, quanto aos débitos a serem extintos, possuem caráter prospectivo (se projetam em abstrato, para o futuro), estimando apenas os tributos a serem pagos, na medida em que verificados os fatos geradores (no caso, estimouse o pagamento futuro de PIS e COFINS). Contudo, tendo ocorrido o pagamento destes tributos via DARF, a Recorrente deu a estes créditos outro destino, qual seja, o abatimento de estimativas de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2000. Tais afirmações foram comprovadas pela juntada, quando do protocolo da Manifestação de Inconformidade, dos Livros Diários e também do Livro de Apuração do IPI, os quais, pelo que se vê, não foram devidamente apreciados pela D. Autoridade Administrativa. (...) I1I.2 DA CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO ADOTADO PELA RECORRENTE O v. acórdão proferido pela C. 4ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo I indeferiu as compensações originariamente efetuadas pela Recorrente (de saldo credor de IPI com as estimativas de IRPJ e CSLL) ao argumento de que não teriam sido apresentados os respectivos pedidos de compensação. De certo, não se apresentou, especificamente, pedido de compensação de IPI com IRPJ e CSLL. Mas não se pode negar que houve pedidos de restituição/compensação dos referidos saldos credores do IPI, conforme fls. 208, 240, 270, 302, 334, 338, 368 e 370 dos autos. Demonstrouse, na oportunidade, exaustivamente, a liquidez e certeza deste crédito. Este é o ponto de maior relevância: o pedido da utilização dos créditos. Isto porque, conforme se sabe, a legislação autorizava a compensação com débitos vincendos, e estes não eram conhecidos ao tempo do pedido. A consignação dos códigos relativos ao PIS e a COFINS possuía caráter meramente indicativo. Contudo, conforme já dito, tendo sido pagos estes tributos por meio de DARF, a Recorrente aproveitou—se dos referidos créditos (que já tinham sido objeto de pedido de autorização, insistase) para compensar com as estimativas de CSLL e IRPJ. 0 único equívoco da contribuinte foi não ter efetuado a demonstração posterior destas compensações por meio de DCTF, mas, como já dito, efetuou tal apuração em seus livros fiscais, cuja publicidade e amplo acesso pelo Fisco se dá ex lege. Contudo, tal fato, por si só, não é suficiente a ensejar o indeferimento das compensações levadas a efeito pela Recorrente. (...) Fl. 950DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 951 10 Notese que os dispositivos citados pela própria decisão recorrida (art. 74 da Lei 9.430/96, na redação vigente em 2000, e o art. 12, §§ 1º e 3º da IN 21/1997) enfatizam a necessidade de que o pedido de compensação demonstre os créditos a serem utilizados. Quanto aos débitos, destacam a possibilidade de compensação com débitos vincendos, sendo de todo razoável, que em determinadas situações concretas, futuramente verificadas, se efetivasse a compensação com outro débito federal, distinto daquele inicialmente previsto. (...) Logo, estando os créditos devidamente informados, não pode o apego excessivo ao formalismo ser utilizado para prejudicar o contribuinte. (...) Vejase que o procedimento da Recorrente, a despeito de não ter sido feito na forma de apresentação de novo pedido de compensação (para alterar os débitos a serem extintos) com subseqüente apresentação de DCTF nesse sentido, atingiu a sua finalidade, qual seja, utilização de créditos para compensação de débitos vincendos e escrituração nos livros fiscais, ato de total boafé e transparência (...) É importante salientar que a jurisprudência do E. Conselho de Contribuintes, na análise de caso de compensação ainda sob a égide da Lei n° 8.383/91, entendeu que é prescindível a apresentação de requerimento prévio e que constitui dever do Fisco analisar o procedimento adotado pelo contribuinte: (...) Entretanto, em detrimento do direito da Recorrente, o v. acórdão desconsiderou todas as compensações levadas a efeito e, mesmo tendo o Fisco examinado os documentos fiscais nos quais foram escrituradas e comprovada a. regularidade dos valores compensados, negase a homologar as compensações. (...) Sobre o teor probatório dos documentos contábeis, importa recordar princípio basilar, reproduzido, dentre tantos outros preceitos, no § 1 ° , do art. 9° , do DecretoLei n° 1.598/77, no sentido de que a escrituração mantida em observância às disposições legais faz prova a favor do contribuinte. (...) Por mais esse motivo, jamais poderia o Fisco desconsiderar as compensações efetuadas pela Recorrente, apenas pela ausência de apresentação de novo requerimento de compensação, uma vez que os débitos a serem extintos foram corretamente escriturados nos respectivos livros fiscais, que faz, inclusive, prova a favor da Recorrente. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 952 11 (...) Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 953 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a recorrente rebelase contra a decisão a quo que denegou o direito creditório pleiteado em 13/05/2003, ou seja, o saldo negativo, respectivamente, do IRPJ de R$ 144.212,60 (valor original) e da CSLL de R$ 48.316,54 (valor original), ano calendário 2000, da empresa incorporada Agaprint Embalagens Ltda, CNPJ: CNPJ: 02.905.171/000195. Antes disso, o despacho decisório da DERAT/São Paulo, de 25/04/2008, já havia, também, rejeitado o pleito do direito creditório do anocalendário 2000, pois a contribuinte, quando da apuração do IRPJ e da CSLL no encerramento do anocalendário 2000, computara, na formação do saldo negativo do IRPJ e da CSLL, estimativas mensais, em parte, não recolhidas. Assim, diversamente da pretensão da contribuinte, o despacho decisório concluiu que houve, na verdade, saldo a pagar do IRPJ e da CSLL, respectivamente, de R$ 397.220,25 (valor original) e R$ 153.616,88 (valor original) quanto ao anocalendário 2000, em face da reversão daqueles saldos pleiteados pelo expurgo dos valores das respectivas estimativas mensais não pagas. Inconformada com essa decisão da DERAT/São Paulo, a contribuinte apresentou impugnação na DRJ/São Paulo I, esclarecendo, nas suas razões, que a negativa do crédito pleiteado do anocalendário 2000 não poderia prosperar, pois a discrepância apurada pelo fisco referese, justamente, às compensações efetuadas, diretamente na escrituração contábil e não informadas em DCTF, dos débitos do IRPJ e da CSLL, devidos por estimativa mensal do anocalendário 2000, com utilização de crédito do IPI dos anoscalendário 1999 e 2000 (1º e 2º trimestes). A contribuinte, inclusive, resumiu as compensações que efetuara diretamente na escrituração contábil, quanto ao anocalendário 2000, explicitando: a) débitos do IRPJ estimativa mensal do anocalendário 2000 compensados diretamente na escrituração contábil com crédito do IPI dos anoscalendário 1999 e 2000 (1º e 2º trimestres): Valor apurado DIPJ (IRPJ estimativa mensal) Julho/2000 (somatório até) 705.232,07 Compensação com IPI Abril/2000 ( 44.735,49) Compensação com IPI Julho/2000 (496.697,36) Pagamento com DARF Agosto/2000 (163.799,22) Saldo Fl. 953DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 954 13 b) débitos da CSLL estimativa mensal do anocalendário 2000 compensados diretamente na escrituração contábil com crédito de IPI dos anoscalendário 1999 e 2000 (1º e 2º trimestres): Valor apurado DIPJ (CSLL Estimativa Mensal) Julho/2000 (somatório até) 261.072,39 Compensação com IPI Abril/2000 (22.603,06) Compensação com IPI Julho/2000 (179.330,36) Pagamento com DARF Agosto/2000 (59.138,97) Saldo Naquela oportunidade, na instância a quo, a contribuinte alegou ainda, nas suas razões, que o único equívoco que cometera foi não ter informado nas respectivas DCTF essas compensações efetuadas diretamente na sua escrituração contábil; que, porém, tal falha, na sua ótica, não teria o condão de invalidar essas compensações. A DRJ/São Paulo I, enfrentando o mérito da lide, manteve a rejeição do pleito da contribuinte, ou seja, não reconheceu a existência de saldo negativo do IRPJ e da CSLL, quanto anocalendário 2000, pela falta de liquidez e certeza do crédito pleiteado e pela inexistência de Pedido de Compensação na forma da legislação de regência da época, para utilização dos alegados créditos do IPI. Nesta instância recursal, a recorrente, nas suas razões, voltou a ponderar que: a) todas as compensações diretas (efetuadas na escrituração contábil), utilizando crédito do IPI, foram corretamente escrituradas nos Livros Diário e o saldo credor do IPI devidamente escriturado no Livro de Apuração do Imposto; que, então, não haveria qualquer irregularidade na sua conduta, mesmo porque, contrariamente ao insinuado pela DRJ, referidos créditos acumulados do IPI não foram utilizados para abatimento de PIS e COFINS; que esse ponto teria ficado evidenciado pelas DCTF de 1999 e 2000 (anexadas aos autos), onde constaria que todos os valores apurados de PIS e COFINS, relativos a esses períodos, teriam sido quitados por meio de DARF e não por meio de compensação. Inexistindo preliminar suscitada, passo à análise do mérito da lide. A irresignação da recorrente não merece prosperar. As compensações tributárias efetuadas diretamente na escrituração contábil no anocalendário 2000, de débitos de estimativa mensal do IRPJ e da CSLL desse ano calendário com pretenso crédito de IPI dos anoscalendário 1999 e 2000 (1º e 2º trimestres), não podem ser obstadas contra o fisco, pois efetuadas à revelia da legislação de regência da época (Lei nº 9.430/96, art. 74; Instrução Normativa SRF nº 21/1997, arts. 3º, 4º, 8º e 12; Instrução Normativa SRF nº 73/1997). Nessa época, vale dizer, anocalendário 2000, a compensação tributária entre tributos de espécies diversas somente era permitida, mediante Pedido de Compensação dirigido ao fisco (processo administrativo). Por conseguinte, no anocalendário 2000 era vedada a compensação tributária direta, na escrituração contábil, de tributos de espécies diversas. Não procede, também, a alegação da recorrente de que houve mero equívoco ou falta de indicação ou de informação dessas compensações diretas nas respectivas DCTF. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 955 14 Ora, as únicas compensações diretas (registro de compensação tributária na escrituração contábil), permitidas pela legislação de regência da época, envolviam tributos de mesma espécie e que, necessariamente, tais compensações deveriam ser informadas na DCTF, que não é caso dos autos. Logo, diversamente do alegado pela recorrente, essas compensações de tributos de espécies diversas não foram informadas nas respectivas DCTF, por serem, justamente, compensações vedadas. Caso fossem informadas, na época, em DCTF, fatalmente teriam sido objeto de malha fiscal e objeto de procedimento de fiscalização. Por outro lado, não há comprovação, nos presentes autos, de Pedido de Compensação de débitos de estimativa mensal do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2000 com pretenso crédito do IPI dos anoscalendário 1999 e 2000 (1º e 2º trimestres). Pelo contrário, dos autos constam, apenas, elementos de prova (cópias) de Pedidos de Ressarcimento do IPI (Lei nº 9.779/99, art. 11), atrelados, vinculados, a Pedidos de Compensação de débitos a título de PIS e Cofins, protocolizados pela empresa incorporada Agaprint Embalagens Ltda, CNPJ: 02.905.171/000195 (fls.208/370), conforme demonstrativo abaixo: Processo Pedido de Ressarcimento do IPI Protocolo Período do Crédito do IPI Valor do Crédito do IPI Débitos a Compensar FL. 10880.009157/9991 28/04/1999 Valor do IPI 1° Trimestre/99 212.675,28 PIS e Cofins PA=abril a agosto/1999 208/231 10880.022064/9914 29/07/1999 Valor do IPI 2° Trimestre/99 242.655,03 PIS e COFINS PA= setembro/199 a Janeiro/2000 232/262 10880.031389/9961 26/10/1999 Valor do IPI 3° Trimestre/99 308.148,26 PIS e COFINS PA =Fevereiro/2000 a Junho/2000 263/293 10880.001293/0011 27/01/2000 Valor do IPI 4° Trimestre/99 273.330,31 PIS e Cofins PA = julho/2000 a novembro/2000 294/325 10880.006.628/0014 28/04/2000 Valor do IPI 1º Trimestre/00 308.009,61 PIS e COFINS PA = 12/2000 a 04/2001e 05/2000 (2172) 326/359 10880.011521/0070 26/07/2000 Valor do IPI 2° Trimestre/00 250.784,55 PIS e COFINS PA=maio/2001 a setembro/2001 360/391 Por sua vez, a recorrente, nas suas razões, argumentou que os débitos a título de PIS e Cofins, dos períodos de apuração citados acima, teriam sido recolhidos em DARF; que não foram compensados com o crédito do IPI; que o crédito do IPI, por conseguinte, estaria disponível. Diversamente do alegado pela recorrente, a compensação direta na escrituração contábil, no caso, como já dito anteciormente, não pode ser objetada contra o fisco, pelos seguintes motivos: a) falta de certeza e liquidez do crédito do IPI: Fl. 955DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 956 15 Nos autos, sequer há prova de que esses pretensos créditos do IPI foram reconhecidos pela RFB nos processos de Pedido de Ressarcimento citados acima (antes ou depois dessas indigitadas compensações diretas). b) inexistência de protocolização de pedido de compensação para compensação de débitos de estimativa mensal do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2000 com crédito de IPI dos anoscalendário 1999 e 2000 (1º e 2º trimestres). Assim, em relação aos alegados créditos do IPI, ainda que fosse admitida a compensação direta, que não é o caso, não poderiam ser utilizados, na época, pela falta de comprovação dos atributos de liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Por fim, como razão decidir, ainda adoto a fundamentação do voto condutor da decisão a quo que, com propriedade, assim enfrentou as questões suscitadas pela contribuinte em relação à compensação direta na escrituração contábil, quanto ao ano calendário 2000 (fls. 476/482), in verbis: (...) Análise dos Saldos Negativos informados nas DIPJ da Incorporada e da Manifestante ANOCALENDÁRIO DE 2000 — SALDO CREDOR DE IRPJ E CSLL. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE COMPENSAR SALDO CREDOR DE IPI COM IRPJ E CSLL, POSTO QUE JÁ COMPENSADO COM PIS E COFINS, POR MEIO DE PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO, E A INEXISTÊNCIA DE PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PARA AS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. A Manifestante alega que se procedeu à compensação de saldo credor de IPI no valor de R$ 1.555.774,38, apurados entre o 1° trimestre de 1999 e o 2° trimestre de 2000, com as estimativas de IRPJ e CSLL devidas durante o anocalendário de 2000, tendo se olvidado de informar em DCTF essa opção. Segundo ela tal opção terseía dado com base no art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, o qual se transcreve a seguir: Art.11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos aris. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Minislério da Fazenda. Os artigos 73 e 74, na redação vigente em 2000, era a seguinte: Fl. 956DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 957 16 Art.73. Para efeito do disposto no art. 7° do Decretolei n° 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art.74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. (destaque da transcrição) Do art. 74 supra extraise a necessidade de requerimento do contribuinte para pleitearse referida compensação, o que não foi feito. O que ocorreu foi a formulação de pedidos de ressarcimento de IPI cumulados com pedidos de compensação nos quais se informa PIS e COFINS (códigos de receita 2172 e 8109), conforme fls. 208, 240, 270, 302, 334, 338, 368 e 370, mas não estimativas de IRPJ e de CSLL. Se a empresa pretendia ter compensado esses créditos com IRPJ e CSLL, devia têlo feito em época própria, indicando os débitos que pretendia extinguir, por meio de pedidos de compensação, não sendo possível, agora acatar suas alegações, posto que referidos pedidos de compensação não tratam do tributo e da contribuição sob litígio. Ora, a legislação infralegal, que tratava de ressarcimento no anocalendário de 2000, ainda era a Instrução Normativa n° 21/1997, que outrossim previa a necessidade de petição do contribuinte. Abaixo, reproduzemse os artigos pertinentes ao assunto em tela: Art. 3° Poderão ser objeto de ressarcimento, sob a forma compensação com débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da mesma pessoa jurídica, relativos às operações no mercado interno, os créditos: I decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI, inclusive os relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, para os quais tenham sido asseguradas a manutenção e a utilização; II – (...) Fl. 957DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 958 17 III –(...) Art. 4° Poderão ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie, os créditos mencionados nos inciso I e II do artigo anterior, que não tenham sido utilizados para compensação com débitos do mesmo imposto, relativos a operações no mercado interno. Art. 5° Poderão ser utilizados para compensação com débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, os créditos decorrentes das hipóteses mencionadas no art. 2°, nos incisos I e II do art. 3º e no art. 4°. (...) Ressarcimento Art. 8° O ressarcimento dos créditos relacionados no art. 3° será efetuado, inicialmente, mediante compensação com débitos do IPI relativos a operações no mercado interno. § 1º Na hipótese de total impossibilidade de compensação, o ressarcimento será efetuado em espécie, a requerimento da pessoa jurídica, apresentado no formulário "Pedido de Ressarcimento", constante do Anexo II. (...) Compensação entre Tributos e Contribuições de Diferentes Espécies Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de oficio ou a requerimento do interessado. § 1º A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie, nem tenham a mesma destinarão constitucional. § 2° A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. 3° A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte. (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 959 18 (...) (destaque da transcrição) Evidentemente, está em desacordo com o regramento jurídico vigente à época dos fatos a opção da Manifestante em proceder a compensação, cujo direito subjetivo decorria do art. 11 da Lei n° 9.779/1999, em sua escrita, ao invés de formular pedido de compensação, conforme prescrito nos artigos supra transcritos, ainda mais quando (...) referido credito já fora objeto de compensação com PIS e COFINS, por meio de pedidos formulados à RFB. Se havia resíduo, da mesma forma, não se pode acatar a intenção da empresa, mesmo que fosse demonstrado erro material de preenchimento das DCTFs respectivas, uma vez que o gozo do direito passava pela formulação de pedidos de compensação vinculados aos pedidos de ressarcimento. Salientese, pela boa ordem, que nunca houve a autorização legal para se compensar tributos ou contribuições de espécies diferentes meramente indicando tal fato em sua escrita (art. 66 da Lei n° 8.383/1991) e que não foi provada a existência de tais pedidos de compensação. Por esses motivos, não há que se considerar as pretensas compensações com saldo credor de IPI, posto que o procedimento utilizado está em desacordo com a legislação que rege a matéria. Logo, não se acatam as alegações da Manifestante no que tange aos saldos credores de IRPJ e de CSLL relativos ao ano calendário de 2000, devendo ser negada integralmente a sua solicitação, para este anocalendário. (...) Por tudo que foi exposto, a decisão recorrida não merece reparo algum; deve ser mantida. Por conseguinte, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 959DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 13804.002508/200390 Acórdão n.º 1802001.427 S1TE02 Fl. 960 19 Fl. 960DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 11020.001206/2007-10
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA, Tendo a
decisão de primeira instância rebatido a todas as questões suscitadas na impugnação, ainda que de forma suscinta, não há que falar em nulidade, ARBITRAMENTO DO LUCRO. Dada a não apresentação dos livros e documentos necessários a apuração do lucro real e demonstrada a impossibilidade de reconstituição da escrita por parte do contribuinte, é cabível o arbitramento do lucro nos termos da legislação pertinente.
TAXA SELIC, JUROS DE MORA. A utilização da taxa selic para o cálculo dos juros decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo discutir.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATORIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo a
autoridade administrativa apenas aplicar a multa de oficio nos moldes da legislação que a instituiu.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LiQUIDO/CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL/COFINS. Em se tratando de lançamentos decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos dos que serviram de base para o
lançamento do IRPJ, "mutatis mutantis", devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos ao PIS, à CSLL e à COFINS, em razão da relação causa e efeito existente entre eles.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.352
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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INEXISTÊNCIA, Tendo a decisão de primeira instância rebatido a todas as questões suscitadas na impugnação, ainda que de forma suscinta, não há que falar em nulidade, ARBITRAMENTO DO LUCRO. Dada a não apresentação dos livros e documentos necessários a apuração do lucro real e demonstrada a impossibilidade de reconstituição da escrita por parte do contribuinte, é cabível o arbitramento do lucro nos termos da legislação pertinente. TAXA SELIC, JUROS DE MORA. A utilização da taxa selic para o cálculo dos juros decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo discutir, MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATORIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo a autoridade administrativa apenas aplicar a multa de oficio nos moldes da legislação que a instituiu, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LiQUIDO/CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL/COFINS. Em se tratando de lançamentos decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos dos que serviram de base para o lançamento do IRPJ, "mutatis mutantis", devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos ao PIS, à CSLL e à COFINS, em razão da relação causa e efeito existente entre eles. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ..S„,L,L. Lio Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente PAULMAKSONW, SILVA LUCAS - Relator EDITADO EM: 2 Õ DEZ 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Rela tó rio Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido, a saber: "DA AUTUAÇÃO O procedimento de fiscalização decorreu de cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão ((fls. 161, 169 e 175), tendo como sujeitos, respectivamente, o Hotel Galo Vermelho, a sociedade Maria Crestina Moratelli — ME e a residência de Clóvis Muratelli. Relata a Fiscalização, em síntese, que, no decurso da ação fiscal (descrita às fls. 99-147) foi constatado que: a) nos anos-calendário de 2002 a 2005, a autuada buscou dividir, formal e artificialmente, o seu estabelecimento, denominado Hotel Galo Vermelho, da seguinte forma: a ala antiga continuou na razão social Clóvis Muratelli, CNRJ, 93.520A38/0001-00 e, para a ala nova, foi constituída a sociedade Maria Crestina Moratelli, CNPJ 00.511.239/W101-26; b) no decorrer da Fiscalização constatou-se, por meio de circularização, que, nos anos 2001 e 2002, a contribuinte deixou de escriturar em seu Livros Caixa, reiteradamente, sua movimentação financeira. Em decorrência destes fatos, foi excluída da sistemática do SIMPLES a teor do art. 14, V. da Lei n°9317/96; c) como a contabilidade da autuada apresentava vícios, consistentes em lançamentos agrupados, sem livros auxiliares, falta de contabilização de gastos com a ampliação do hotel, falta de contabilização de despesas e custos rotineiros do hotel, etc, e seu lucro foi arbitrado nos anos de 2002 a 2005; d) a omissão de receitas foi constatada ante d.1) aos relatórios de ocupação, que indicavam urna lotação no hotel gerando um fáturamento muito superior ao declarado e d.2) aos elevados gastos com obras e d.3) aos lucros distribuídos, muito próximos ao fáturamento declarado. Para quantificar as receitas omitidas a Fiscalização utilizou-se dos seguintes critérios: 2 Processo n° 11020 001206/2007-10 Acórdão ri" 1301-00352 S1-C3T/ 11 2 a) período de 01/2002 a 04/2003 - o valor das notas fiscais emitidas pela contribuinte; b) período de 05/2003 a 06/2005 - valor de diárias mensais, obtido pela multiplicação da ocupação do hotel (constante no sistema de controle denominado "Desbravador"), diminuída de 6,5%, a título de gratuidade; c) 07/2005 - faturamento constante da agenda apreendida; d) período de 08/2005 a 12/2005 - valor das notas fiscais emitidas pela contribuinte, A Fiscalização entendeu que a omissão das receitas mediante a falta de emissão de notas fiscais, a ausência de diversas despesas do hotel, constituição de pessoa jurídica fictícia e a utilização de conta corrente de pessoa fisica à margem de escrituração, caracterizam ação dolosa que intenta impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, acarretando, ainda, a redução ou evitando o pagamento do tributo. Como decorrência desse trabalho, em 25/04/07 foram formalizados autos de infração referentes ao imposto sobre a renda da pessoa jurídica (fls. 14-37), contribuição social sobre o lucro liquido (fl. 38-60), contribuição para o PIS (fl. 61-80) e contribuição para o financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fl. 81-97), no valor de total RS 1,421.504,84. Foi dada ciência dos autos de infração em 02/05/2007 (ti 6770), DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou, em 30/05/2007, impugnação conjunta aos autos de infração (fls. 6772-6856), alegando, em síntese: Preliminarmente, a nulidade do auto de infração ante a: a) omissão na descrição da matéria tributável; b) ilicitude das provas e de vícios formais em face da: b.1) inviolabilidade do sigilo bancário, uma vez que a Lei Complementar 105/2001 - que permite às autoridades e os agentes fiscais tributários examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso -, é flagrantemente inconstitucional. Não houve autorização judicial da quebra do sigilo bancário do Sr. Clóvis Muratelli e da sociedade Clóvis Muratelli; b.2) apreensão de documentos e início dos procedimentos sem o respectivo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); b.3) apreensão e utilização de documentos do Sr, Clóvis Muratelli sem emissão de MPF; b„4) solicitação documentos após emissão de "termo de encerramento" constante de "termo de intimação fiscal; 3 b,5) existência de termo de intimação fiscal antes da emissão e ciência do MPF; b,6) ausência de notificação em tempo hábil da prorrogação do MPF; b,7) ausência de notificação em tempo hábil da mudança dos tributos constantes em MPF; c) violação ao principio da ampla defesa, face a: c,1) concessão de prazo insuficiente para pesquisa e resposta aos termos de intimação fiscal; c.2) existência de ameaças, imposições de métodos e interpretações antes da análise dos fatos e conclusão do processo administrativo fiscal; d) análise parcial, incompleta e infundada dos documentos e situação da contribuinte, evidenciada por: d, 1) indevida caracterização de unicidade de estabelecimentos; d.2) indevida exclusão do Simples da contribuinte Clóvis Muratelli; d.3) indevida desqualificação da contabilidade da contribuinte e do arbitramento dos lucros; d.4) do indevido arbitramento dos lucros; d.5) da suposta omissão de receitas; d,6) da imposição absurda de valor de diária média mensal. e) ausência de observância do principio de razoabilidade e proporcionalidade, e f) indevida qualificação da multa de oficio. No mérito, alega: g) a inexigibilidade da taxa SELIC, por inconstitucional; h) a inexigibilidade da multa em decorrência de seu caráter confiscatório, vedado pelo art. 150, IV da Constituição Federal; i) a inobservância das instruções da Portaria SRF a' 6.087; j) a inobservância da Lei 9.784/99, art.. 30, que determina serem inadmissíveis as provas obtidas por meio ilícitos, e 2°.., que elenca os princípios a serem observados pela Administração Pública; 1) a inobservância da Constituição Federal, art., 145, §1°., 5°,, 34 e 180; Requer seja julgado improcedente o auto de infração." É o relatório. Passo a decidir, Processo n° 11020001206/2007-10 Acórdão n 1301-00,352 S1-C3T1 Fl. .3 Voto Conselheiro PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS O recurso voluntário é tempestivo, dele torno conhecimento. Transcrevo a seguir a ementa do acórdão recorrido: "Assunto, IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 200.5 NULIDADE DO PROCEDIMENTO. AMPLA DEFESA. 1 . Intimação regularmente realizada à contribuinte, dando publicidade ao procedimento de .fiscalização. .2. Sendo concedida à contribuinte plena oportunidade de defesa, nos moldes dispostos no Decreto 70.235, de 1972, não há filar em preterição do direito de defesa. 3. Ademais, os artigos .5°., 34 e 180 da Constituição Federal, citados pela contendora, não possuem a redação transcrita, pelo que deve ser desconsiderada a sua objeção. SIMPLES EXCLUSÃO, PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. 1. Provadas a omissão de receitas por quatro anos seguidos e, por circularização entre os .fornecedores, a existência de diversas despesas que deixaram de ser escrituradas, restam caracterizados os requisitos para a exclusão do SIMPLES. 2. Reforça a exclusão a constituição formal de dois empresários individuais quando de Mo existe apenas 11111. ARBITRAMENTO DO LUCRO Dada a não-apresentação dos livros e documentos necessárias à apuração do lucro real trimestral e demonstrada a impossibilidade da reconstituição da escrita por parte da contribuinte, é cabível o arbitramento do lucro, .que se dará mediante aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR/99, acrescidos de vinte por cento. SIMULAÇÃO. CARACTERÍSTICAS. MEIOS DE PROVA. 1. A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a volição, isto é, pela prática . farmal de determinados atos, enquanto subjetivamente os que se perfazem são outros. h 2. Portanto, para . fins de caracterizar, ou não, simulação, é irrelevante terem as partes manifestado publicamente vontade de formalizar determinados atos, por natureza lícitos, pois tal .fato em nada influi sobre a simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. 3 Para não se configurar simulação, é necessário que as partes queiram efetivamente praticar esses atos, não apenas no aspecto formal, mas também em sua materialidade. 4. Por se tratar da simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprová-la diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções, 5. Os principais indícios admitidos como prova da simulação são (a ) a existência de motivo sério, (b) a falta de execução material da vontade exteriorizada, (c) a discrepância entre esses atos e a conduta das partes e (d) a divergência entre a natureza e a quantidade dos bens e direitos e o preço pelo qual são negociados. SELIC INCIDÊNCIA DETERMINADA LEGALMENTE. A partir de 1' de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos .federais, MULTA NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Não é atribuição assiste da autoridade .fiscal, nem do julgador-, determinar percentual de multa diferente do definido em lei. A atividade .fiscal é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não sendo possível deixar de aplicá- la Lançamento procedente." Em preliminar alega a interessada a nulidade da Decisão de Primeira Instância por (I) invocar em sua decisão a "teoria da simulação" como fundamento jurídico; (II) da mesma forma, alega inovação com relação a citação " ..a irregular organização dos dois empresários, individuais que realizam a mesma atividade dividindo o faturamento, com vistas ao enquadramento no Simples", citação ausente no auto de infração; (III) Ausência de Apreciação dos Fundamentos e Provas Apresentadas na Impugnação". Requer a nulidade da decisão de primeira instância, determinando o retomo dos autos para que nova decisão seja proferida, analisando cada um dos fundamentos e provas apresentadas na impugnação. Entretanto, acaso considerada válida a decisão proferida em primeira instância considerar as argüições de nulidade da ação fiscal suscitadas, quais sejam: a) omissão na descrição da matéria tributável; b) ilicitude das provas e de vícios formais em face da: 111) inviolabilidade do sigilo bancário; b.2) apreensão de documentos e inicio dos procedimentos sem o respectivo Mandado de Procedimento Fiscal, b.3) apreensão e utilização de documentos do Sr. Clóvis Muratelli sem emissão de MPF; b.4) solicitação documentos após emissão de "termo de encerramento" constante de "termo de Processo ri' 11020 001206/2007-10 S1-C3T1 Acólc1ão n° 1301-00352 Fl 4 intimação fiscal"; b.5) existência de termo de intimação fiscal antes da emissão e ciência do MPF; b.6) ausência de notificação em tempo hábil da prorrogação do MPF; b.7) ausência de notificação em tempo hábil da mudança dos tributos constantes em MPF; c) violação ao princípio da ampla defesa, face a: c.1) concessão de prazo insuficiente para pesquisa e resposta aos termos de intimação fiscal, c„2) existência de ameaças, imposições de métodos e interpretações antes da análise dos fatos e conclusão do processo administrativo fiscal; d) análise parcial, incompleta e infundada dos documentos e situação da contribuinte, evidenciada por: d, I) indevida caracterização de unicidade de estabelecimentos; d.2) indevida exclusão do Simples da contribuinte Clóvis Muratelli; d,3) indevida desqualificação da contabilidade da contribuinte e do arbitramento dos lucros; d.4) do indevido arbitramento dos lucros; d.5) da suposta omissão de receitas; d.6) da imposição absurda de valor de diária média mensal; e) ausência de observância do principio de razoabilidade e proporcionalidade, e O indevida qualificação da multa de oficio. De início, ressalto, que compulsando detidamente os autos do presente processo, não vislumbro a presença de qualquer das hipóteses de nulidade do Processo Administrativo Fiscal determinados no artigo 59 do Decreto 70.2:35, de 1972, a saber: "Art 59, São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetentes: II— os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Não estão apontadas quaisquer atos ou termos lavrados por pessoa incompetente nem algum despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente. Primeiro não vejo como aceitar o apontado vício de nulidade dada a qualificação, pela recorrente, que a decisão de primeira instância foi "genérica recheada de legislação equivocada e divorciada dos fundamentos e provas apresentadas na impugnação" vê-se dos autos que o relatar conduziu seu voto analisando todas as questões em litígio. Com relação a argüição preliminar chamada de "Teoria da Simulação"por mudança de critério jurídico na decisão de primeira instância e, também, "irregular organização dos dois empresários, individuais, que realizam a mesma atividade dividindo o faturamento, com vistas ao enquadramento no SIMPLES", citada na decisão e ao seu ver "são fundamentos diferentes da autuação", neste ponto, não lhe assiste razão pois em extensivo relato a fiscalização demonstra fortes razões para a desconsideração jurídica da empresária individual denominada de Maria Crestina Moratelli, e é certo que as expressões combalidas insere-se no contexto das argumentações do julgador. Ressalto, também, conforme já abordado no acórdão recorrido, a irregular organização dos dois empresários individuais, que realizam a mesma atividade dividindo o faturamento, com vistas ao enquadramento no SIMPLES. A análise dos autos, como já visto no relatório fiscal e acórdão , demonstra claramente a existência de tão somente um empresário individual — Clóvis Muratelli ME. Da mesma forma ficou demasiadamente comprovada a reiterada falta de escrituração de movimentação financeira, em descumprimento ao disposto no artigo 7 0, parágrafo 1°., "a" da Lei 9.317/1996. Infundada a acusação da não apreciação dos fundamentos e provas, mesmo porque constata-se no voto recorrido o cuidado do relatar em combater item por item da impugnação num total de 33 (trinta e três) páginas. Também não lhe assiste razão, com relação a exigüidade dos prazos concedidos, porquanto a recorrente mesmo te-intimada não disponibilizou as informações solicitadas, em conformidade com as rotinas dos procedimentos fiscais. Não existiu no decorrer da ação fiscal "imposições de métodos para as respostas"e, não vislumbramos quaisquer ocorrências de ameaças. Quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), cabe citar que se trata de mero instrumento de controle administrativo, ou seja, não é o MPF que confere competência ao auditor paia fiscalizar, e se for o caso, lavrar o auto de infração devido, conforme encontra-se asseverado em extensa explanação no voto do acórdão guerreado, Com relação a "Omissão na Descrição da Matéria Tributável" no qual é alegado que a "simples menção aos dispositivos legais aplicados não permitem que se vislumbre a efetiva incidência da norma abstrata ao caso concreto, prejudicando a ampla defesa", convém ressaltar que o relatório fiscal possui 48 (quarenta e oito) folhas descrevendo toda a ação fiscal, passo a passo, bem como as infrações e os valores lançados. Estranhamente alega a recorrente que as provas produzidas em decorrência da quebra de sigilo bancário são ilícitas uma vez que é inconstitucional a Lei Complementar 105/2001, Ocorre que não houve quebra do sigilo bancário no procedimento fiscal. Intimada a apresentar os extratos e slips da conta corrente 10228-8 do Banco do Brasil (fis.. 916-917), a contribuinte negou-se a cumprir a intimação sob a alegação de que "essa conta é de uso pessoal do Sr. Clovis não vinculada às atividades da empresa'. A fiscalização limitou-se a examinar os elementos da conta corrente que foram apreendidos em decorrência dos Mandados de Busca e Apreensão determinados pelo Exma. Sr. Dr, Juiz Federal Roberto Schaan Ferreira (fls. 160, 161 e 169). Com relação ao item "Da indevida desqualificação da Contabilidade e do arbitramento dos Lucros" A interessada alega que no ano de 2002 promoveu escrituração no Livro Caixa e, nos anos de 2003 a 2005, nos Livros Diário e Razão,.neste caso também não lhe assiste razão, como visto pela fiscalização, no Livro Caixa de 2002 não foram escriturados grande parte de seus gastos e despesas, mas mesmo que a situação fosse inversa, seria insuficiente para a apuração do Lucro Real, que demanda, ao menos, os Livros Diários e Razão. De 2003 a 2005 a contribuinte deixou de escriturar inúmeros pagamentos, que não foram identificados na contabilidade, mesmo tendo havido intimação específica para tanto (ti, 288, item II). Não há, por exemplo, um único lançamento referente a custos com lavanderia. Como acertadamente frisou a Fiscalização, os fatos de 1) a grande maioria dos serviços prestados pela •Thyssenkrupp Elevadores S.A, referirem-se a manutenção dos elevadores do Hotel Galo Vermelho e 2) terem sido escriturados partes destes gastos afastam a tese de que estes não deveriam ser contabilizados por terem sido suportados pelo Sr. Clóvis Muratelli, pessoa física. A escrituração contábil da interessada demonstra-se frágil, também, pelo uso contumaz da conta-corrente do Sr. Clóvis Muratelli, pessoa física, que mantinha junto ao Banco do Brasil (n 10228-8, agência 0698-x), para movimentação e recebimento de valores da Clóvis Muratelli ME, CNPJ. 93.520.138/0001-00 (fls. 1612, 1613, 1760 a 1863), e que ficaram à margem de escrituração. Da mesma forma também no Livro Razão de Maria Cretina Moretelli ME não constam lançamentos de despesas ou custos com manutenção, energia, lavanderia e comunicações no período de 02/2005 a 07/2005 e os valores lançados a título de 8 Processo n" 1020001206/2007-10 Adirão n " 1301-00352 S1-C3T1 R 5 material de expediente, de consumo, de produtos de limpeza e bebidas e de alimentos são insignificantes. Enfim, conforme afirmado no relatório, os autos estão recheados de provas a indicar a omissão de receitas, e a contribuinte não lhes refuta, Alega, outrossim, "causalidades" e "erro". Sim, por certo há erro e este tem uma causa - a omissão das receitas, amplamente provada. Veja-se que não é um dado isolado que atesta a omissão (por exemplo, a construção da moradia do Sr. Clóvis Muratelli, pessoa fisica), mas o conjunto probatório No mérito persegue a tese "Da Inexigibilidade da Taxa Selic" e, "da multa por seu nítido caráter confiscatório", e finaliza argüindo a "Inobservância da Lei 9,784/99 e da Constituição ,Federal", Com relação a inconstitucionalidade da taxa selic cumpre ressaltar que a matéria encontra-se sumulada no âmbito deste e. Conselho, a saber: Súmula 1°. CC n 4: A partir de 1 0. de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadiMplência á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Quanto a alegação do caráter confiscatório das multas de oficio, afrontando a CF e os princípios da razoabilidade e proporcionalidade enfatize-se que: As multas de oficio em questão são previstas pelo art. 44, I e II, da Lei n. 9,430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte' - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de ;fraude, definido nos arts 71, 72 e 73 da Lei n 4_502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penandades administrativas ou criminais cabíveis. Uma vez verificada a subsunção dos fatos às hipóteses previstas na legislação, não é possível ao Fisco deixar de aplicá-las. No tocante aos aspectos de inconstitucionalidade levantados pela impugnante a utilização da multa e do tributo com o efeito de confisco e a violação de princípios da razoabilidade e da proporcionalidade tratam-se de garantias constitucionais dirigidos ao legislador infra-constitucional e não ao executivo, mero aplicador da lei„ Por pertinente transcrevo a Súmula CARF 02 — Inconstitucionalidade — Incompetência: "O CAIU- não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionandade de lei tributária. " 7. PAULO JAI1S A LUCAS Relator Por oportuno, cabe esclarecer que, por força dos princípios da legalidade e da independência e harmonia dos poderes da República, foge à competência da autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento pátrio, por se tratar de prerrogativa reservada ao Poder Judiciário (artigos 97 e 102 da Constituição Federal), A norma jurídica, regularmente editada, goza da presunção de legitimidade e constitucionalidade, cabendo a autoridade administrativa tão-somente zelar pelo seu fiel cumprimento, até que seja excluída do mundo jurídico por uma outra norma superveniente ou por resolução do Senado Federal, a partir de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) declarando sua inconstitucionalidade. Quanto aos autos de infração relativos ao PIS, COFINS e CSLL, urna vez que os argumentos da defesa foram os mesmos e decorrentes de infrações detectadas na apuração do IRPJ, com base nos mesmos pressupostos fáticos, aplica-se "mutatis mutandis" o que foi decidido quanto à exigência do IRP„L Ante todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitas e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. 10
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Numero do processo: 10280.720201/2008-47
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Ano-calendário: 2005
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação
das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. É tributável, no
ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, os não-tributáveis,
tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. O percentual da
multa de ofício deve ser duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. É o caso da simulação, prática pela qual se altera artificialmente a configuração dos fatos com o propósito de obtenção de uma vantagem tributária indevida.
Preliminares rejeitadas
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.224
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano-calendário: 2005 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. É tributável, no ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, os não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. O percentual da multa de ofício deve ser duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. É o caso da simulação, prática pela qual se altera artificialmente a configuração dos fatos com o propósito de obtenção de uma vantagem tributária indevida. Preliminares rejeitadas Recurso negado.
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. É tributável, no ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, os nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. O percentual da multa de ofício deve ser duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. É o caso da simulação, prática pela qual se altera artificialmente a configuração dos fatos com o propósito de obtenção de uma vantagem tributária indevida. Preliminares rejeitadas Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 25/08/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório RICARDO FREITAS SEVERINO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBELÉM/PA (fls. 99) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 54/62, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao anocalendário de 2005, no valor de R$ 3.189.021,80, acrescido de multa de ofício (qualificada) e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 8.730.584,98. A infração que ensejou a autuação está assim descrita no auto de infração: 001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde constatamos excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por dividas e rendimentos declarados ou comprovados. O aumento patrimonial ficou evidenciado pela aquisição de 11.663.720 cotas de capital da empresa Status Construções Ltda., CPNJ N.° 05.035.230/000100, no valor de R$11.633.720,00, conforme a 11ª alteração contratual, datada de 06.12.2005 e registrada em 14.12.2005, na Junta Comercial do Estado do Pará, sob o n.°20000120216, fls. 05 a 08. Supostamente adquirida da empresa Lynnwool Holding LLC, sem qualquer pagamento no ato da transferência. A aquisição, conforme parágrafo 1.° da cláusula 2. a do contrato social acima referenciado, foi realizada através de assunção de divida pagáveis em moeda corrente do pais no período de 10 (dez) anos com 02 (dois) de carência, rendendo juros de 4% ao ano e com liquidação anual, tendo como avalista o genitor do fiscalizado, sr. José Severino Filho, CPF n.° 031.162.71372, presidente da Madenorte S/A Laminados e Compensados. Operação essa que fica desconsiderada por se tratar de simulação conforme os fatos descritos a seguir: No curso da ação fiscal levada a efeito na empresa Status Construções Ltda., CNPJ nr. 05.035.230/0001 00, autorizada pelo MPF n.° 00583/2007, com a finalidade de verificar a constituição de seu capital social, por determinação Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10280.720201/200847 Acórdão n.º 220101.224 S2C2T1 Fl. 2 3 do Ministério Público Federal, no curso do procedimento administrativo n.° 1.23.000.001081/200790, capital esse oriundo em grande parte de recursos provenientes do exterior, registrado em nome da empresa Rainbow Group Manegement Inc., com sede declarada na Ilhas Virgens Britânicas, que detinha até a 11ª' Alteração Contratual, 96,47% do capital social da empresa, no valor de R$ 12.301.284,00, fls.05 a 08. As cotas de titularidade da empresa Rainbow Group foram integralizadas por remessas de capital oriundas do exterior, conforme contratos de câmbio, fls. 37 a 49. O representante da Rainbow no Brasil, à época dos fatos, era o sr. Eraldo Brito de Oliveira, funcionário da Madenorte S/A, firma ligada ao mesmo grupo da empresa sob fiscalização. Em 08/10/2007, intimamos o representante da Rainbow Group Manegement Inc., sr. Eraldo Brito de Oliveira, a comparecer à DRFBelém para prestar esclarecimentos sobre os fatos relacionados à constituição do capital social da Status Construções Ltda. Em 09.10.2007, prestou os seguintes esclarecimentos: que é funcionário da Madenorte, que não participou e não tinha conhecimento de atos administrativos e operacionais da empresa Status, que assinou contratos sociais da Status como representante da Rainbow Group, que desconhecia a origem do capital da Rainbow Group, nos termos do depoimento constante às fls. 16 a 20. Em 05.10.2007, intimamos à empresa Status Construções, a informar quem eram os sócios da empresa Rainbow Group Manegement Inc. no exterior, fls. 09 e 10. Não foi apresentada nenhuma resposta sobre o argüido. Em depoimento na DRFBelém, os sócios minoritários da empresa Status Construções, srs. Ricardo Freitas Severino, Fernando Freitas Severino e Alexandre Freitas Severino, afirmaram que embora tendo conhecimento do volume de recursos enviados pela Rainbow Group, não esclareceram os detalhes do relacionamento da Rainbow Group com Status Construções 11 a 15, e 27 a 36. Na 11ª alteração contratual da empresa Status Construções, registrada em 14.12.2005, em sua cláusula 1ª a sócia Rainbow Group Manegement Inc. cede e transfere à empresa Lynnwool Holding LLC, 12.301.284 cotas de capital, no valor de R$12.301.284,00, fls. 05 a 08. No mesmo ato contratual, no parágrafo 1.° da cláusula 2 a empresa Lynntwool Holding LLC transferiu 11.663.720 cotas de capital, no valor de R$11.663.720,00 ao Sr. Ricardo Freitas Severino, financiandoo num prazo de 10 anos, com 2 anos de carência, ao juros de 4% ao ano. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Conforme contrato social supra mencionado a empresa Lynnwool Holding LLC teria sua sede em Delare, nos Estados Unidos da América, representada no Brasil pelo sr. Serzinando Silva, que também à época era funcionário da Madenorte S/A, firma ligada ao mesmo grupo da empresa Status Construções. Em 08.10.2007, em depoimento na DRFBelém, com a finalidade de esclarecer sua participação na representação da empresa Lynnwool Holding LLC, o sr. Serzinando Silva prestou os seguintes esclarecimentos: que é funcionário da Madenorte; que não participou e não tinha conhecimento de atos administrativos e operacionais da empresa Status; que afirma ter procuração para representar a empresa Lynnwool, mas desconhece o conteúdo da 11ª alteração contratual da Status Construções, nos termos do depoimento constante às fls. 21 a 25. Intimado em 08.10.2007, a apresentar a procuração de representação da empresa Lynnwool, fls. 26, até o momento não atendeu à intimação. Em 13.12.2007, intimamos o sr. Ricardo Freitas Severino a apresentar o contrato de empréstimo, cujo o cedente é Lynnwool Holding LLC., que consta no campo Dívida e ônus Reais de sua declaração de ajuste anual simplificada, fls. 04. Até o presente momento não foram apresentados documentos ou justificativas à intimação. O valor tributável foi apurado no Demonstrativo da Variação Patrimonial em anexo. A multa qualificada nos termos do art. 44, inciso II, da Lei 9.430, de 1996, caracterizada pela fraude constituída por simulação na formação do capital da empresa Status Construções Ltda., em que ocorreu utilização de empresas estrangeiras com sede em locais onde existe sigilo comercial e representantes no Brasil, que são funcionários de empresa vinculada ao mesmo grupo econômico e que não participaram de atos administrativos da empresa, o que posterga a ocorrência do fato gerador do tributo: acréscimos patrimoniais não corresponde aos rendimentos declarados; que no caso constitui a aquisição de disponibilidade financeira para aquisição das cotas de capital da empresa Status Construções Ltda. pelo contribuinte autuado. Todas as referências a folhas no presente Auto de Infração são referentes ao processo administrativo fiscal nr. 10280.720.201/200847. Neste ato o autuado recebe cópias das fls. 05 a 49 do referido processo. O Contribuinte impugnou o lançamento e, após descrever a operação, caracterizada pela fiscalização como simulação, afirma que não houve no caso fraude ou simulação e que as conclusões da fiscalização são infundadas; que o suposto acréscimo patrimonial reflete uma dívida do antigo proprietário por ele assumida e que foi devidamente informada ao Fisco; que, portanto, não houve acréscimo patrimonial. Argumenta que inexiste regra jurídica que impeça o contribuinte de adquirir quotas sociais ou quaisquer outros bens mediante pagamento parcelado no tempo e que se a operação de aquisição das quotas foi desconsiderada pela fiscalização, as quotas permaneceram com o antigo dono e, portanto, não teria havido de qualquer forma acréscimo patrimonial. Afirma ainda que as suspeitas de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10280.720201/200847 Acórdão n.º 220101.224 S2C2T1 Fl. 3 5 ilegalidade recaem sobre a representação no Brasil das empresas estrangeiras e que não há nenhuma imputação de ilegalidade que tenha sido por ele praticada. Conclui que estes fatos demonstram a ilegalidade do lançamento e o erro na identificação do sujeito passivo. Questiona, ainda, o impugnante: “Como pode ter havido ‘simulação na formação do capital’, como sustenta o lançamento, se os recursos que originaram a integralização desse capital foram legitimamente internalizados no Brasil pela empresa RAINBOW, fato que até o agente fiscal reconhece?” Reitera que se houve simulação na formação do capital de empresa Status Construções Ltda, este fato não foi praticado pelo impugnante, que apenas adquiriu quotas sociais que eram de outra empresa que, por sua vez, as adquiriu de outra empresa. O Contribuinte se insurge contra a multa de ofício qualificada, reiterando a inocorrência de fraude ou simulação e, portanto, que haveria um divórcio entre a fundamentação legal da autuação e a realidade fática subjacente. Por fim, o Impugnante requer o cancelamento da autuação dada a sua ilegalidade ou, alternativamente, caso assim não se entenda, que seja declarada a ilegalidade da multa qualificada aplicada ou a sua redução. A DRJBELÉM/PA julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. A autoridade julgadora de primeira instância ressaltou, inicialmente, quanto às alegações que questionavam a constitucionalidade ou legalidade da exação que tais argumentos “não são oponíveis à instância julgadora administrativa” posto que a autuação da autoridade julgadora administrativa é vinculada à lei, não lhe sendo dado apreciar questões que importem em negação da vigência e eficácia dos preceitos legais considerados. Daí, arremata, não toma conhecimento de tais alegações. A decisão de primeira instância também rejeitou a argüição de nulidade do lançamento, sob o fundamento, em síntese, de que a autuação não se encontra eivada de nenhum dos vícios ensejadores de tal conseqüência; de que o lançamento cumpriu todas as formalidades legais e não se observa a ocorrência de cerceamento do direito de defesa. Quanto ao mérito, ressaltou inicialmente a legalidade do lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto, explicitando sua fundamentação legal, bem como a jurisprudência administrativa que reiteradamente tem validado este tipo de lançamento. Quanto ao caso concreto, observa que ao Contribuinte foram dadas diversas oportunidades de comprovar as origens dos recursos que viabilizaram a operação de aquisição da participação societária, caracterizandose assim o acréscimo patrimonial a descoberto. A DRJ também se referiu à possibilidade do lançamento ter por base presunção legal ou outros indícios veementes da prática da infração tributária. Sobre a multa de ofício, após tecer considerações sobre aos fundamentos legais da aplicação da multa de ofício e sobre a caracterização das situações ensejadoras da qualificação da penalidade, a DRJ concluiu pela ocorrência, no caso, do intuito doloso, a justificar a medida. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 01/09/2009 (fls. 115) e, em 24/09/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 117/142, que ora se examina e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a argüição de nulidade. O Contribuinte aponta, genericamente, vício que ensejariam a nulidade do lançamento. Compulsando os autos não vislumbro vícios no procedimento e na autuação que pudesse levar a esse desfecho. O procedimento fiscal desenvolveuse segundo as normas que regem o processo administrativo fiscal e a descrição dos fatos do auto de infração é bastante clara, permitindo ao Contribuinte exercer com desenvoltura o direito de defesa. O lançamento, portanto, é hígido, razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade. Sobre as alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade o exame da matéria escapa à competência deste Colegiado, sendo exclusiva do poder judiciário. Quanto ao mérito, como se colhe do relatório, cuidase de lançamento decorrente da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. O fato relevante, ensejador do acréscimo patrimonial, e que está no centro da discussão, é o de que o Contribuinte teria adquirido participação societária no valor de R$ 11.663.720,00 sem que tivesse disponibilidade financeira para tanto. Segundo os documentos apresentados pelo Contribuinte, a aquisição foi financiada pelo próprio alienante, a ser pago no período de dez anos, com dois de carência, operação que a autoridade lançadora considerou simulação, razão pela qual qualificou a multa de ofício. O cerne da questão a ser aqui examinada, portanto, é a regularidade do procedimento fiscal em desconsiderar a operação que justificaria o acréscimo patrimonial. Que houve a aquisição da participação societária, pelo menos do ponto de vista formal, é questão incontroversa, o que está em discussão é o reconhecimento ou não da forma como, declaradamente, ocorreu tal aquisição. A autuação considerou que houve simulação com o propósito de esconder a verdadeira natureza da operação. Passo a tecer algumas considerações sobre a simulação e suas repercussões na seara do Direito Tributário. Em matéria de negócios jurídicos, há simulação quando se verifica um descompasso consciente e preordenado entre a declaração e a vontade. A Declaração, manifestada por meio de atos formais indicam a realização de um determinado negócio Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10280.720201/200847 Acórdão n.º 220101.224 S2C2T1 Fl. 4 7 jurídico, uma compra, uma venda, um empréstimo, uma doação, etc., quando, na verdade, as partes não pretendem realizar negócio jurídico algum ou pretendem um outro negócio. Na simulação criase uma aparência de negócio jurídico, sem a existência efetiva de negócio algum (simulação absoluta) ou então se cria essa aparência para ocultar um negócio que realmente se deseja (simulação relativa). Em ambas as hipóteses há um evidente descompasso entre a causa pela qual o negócio jurídico foi criado e o objetivo colimado pelas partes. José Carlos Moreira Alves nos ensina que A causa do negócio jurídico nada mais é do que a finalidade econômica prática a que visa à lei quando cria um determinado negócio jurídico. Assim, por exemplo, na compra e venda, a causa do negócio jurídico é a troca da coisa pelo dinheiro (preço); no contrato de locação, é a troca do uso da coisa pelo dinheiro (aluguel). Essa causa nada mais é, em última análise, do que uma causa objetiva que traduz o esquema que a lei adota para cada figura típica, como é a compra e venda, como é a locação. Já o motivo, não. O motivo é de ordem subjetiva das partes que se utilizam de determinado negócio jurídico. Por exemplo, uma pessoa pode utilizarse do contrato de compra e venda para adquirir alguma coisa com – e é o motivo – a finalidade subjetiva de desfazerse dessa coisa. Enfim, o motivo, as finalidades subjetivas, que não se confundem, com aquela causa que é objetiva e que diz respeito ao esquema do próprio negócio jurídico, como é o caso da troca do preço pela coisa em se tratando de compra e venda.(Moreira Alves, José Carlos – AS Figuras Correlatas da Elisão Fiscal. Em: Fórum de Direito Tributário – v.I, n.I –jan/fev 2003 – Belo Horizonte: Editora Fórum, 2003. pág. 12). Um exemplo de simulação relativa que nos dá Moreira Alves é o do marido, que não podendo fazer uma doação à concubina, simula uma compra e venda, e não recebe o preço ou recebe valor simbólico, para que essa compra e venda oculte uma doação. Ora, a causa do negócio jurídico da compra e venda é a troca do bem pelo seu valor correspondente em dinheiro (o preço) e não a transferência graciosa do bem a um terceiro, que é a doação. No exemplo, o objetivo para o qual o negócio da compra e venda existe está em evidente desconformidade com a finalidade para a qual foi utilizada. Já um exemplo de simulação absoluta é o da pessoa que, endividada e na iminência de sofres a indisponibilidade de seus bens, simula a venda para uma pessoa de sua confiança e que, após algum tempo, passado o perigo, lhe devolver o bem. Aqui a causa do negócio jurídico é a transferência do domínio da coisa a uma terceira pessoa em troca do seu preço, entretanto, criouse aqui apenas a aparência dessa transferência de domínio. Na simulação, portanto, temse um negócio jurídico formalmente realizado, mediante a lavratura de instrumentos e a prática de atos formais próprios desse tipo de negócio, com o propósito de induzir terceiros a pensar que se realizou um determinado negócio quando, na verdade, as partes estão realizando um outro negócio jurídico ou não estão realizando negócio algum, mas apenas a sua aparência. Assim, como bem resume Moreira Alves, Três são os requisitos da simulação. Para que haja simulação, é preciso, primeiramente, que exista divergência entre a vontade Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 8 interna e a vontade manifestada. A vontade interna na simulação absoluta, por exemplo, é aquela, no exemplo dado, de livrar uma parcela do nosso patrimônio do confisco. Já a vontade manifestada é a da transferência do direito de propriedade daquilo que continua no nosso domínio. Em segundo lugar, é preciso que o acordo simulatório ocorra entre as partes, havendo, portanto, necessidade de um acordo. Conseqüentemente, ambas as partes sabem exatamente o que estão fazendo. Finalmente, esse negócio simulado há de ter por objetivo enganar terceiros estranhos a esse ato simulado. (Moreira Alves, José Carlos. op. cit. pág. 13) Também é interessante deixar assentado, por relevante, que a simulação relativa e a dissimulação referemse à mesma realidade. Na definição de Washington de Barros Monteiro: Cumpre não confundir simulação com dissimulação. Distinguiu as Ferrara nos seguintes termos: na simulação, fazse aparecer o que não existe, na dissimulação ocultase o que é; a simulação provoca a crença falsa num estado nãoreal, a dissimulação oculta ao conhecimento dos outros uma situação existente....Mas, em ambas, o agente quer o engano: na simulação quer enganar sobre a existência de uma situação não verdadeira, na dissimulação, sobre a existência de situação real. Se a simulação é um fantasma, a dissimulação é uma máscara. (Citado por Ricardo Lobo Torres em Normas Gerais Antielisivas. In Fórum de Direito Tributário – v.I, n.I –jan/fev 2003 – Belo Horizonte: Editora Fórum, 2003. pág. 117). Pois bem, sendo a simulação um descompasso entre a vontade e a declaração, questão relevante é como um terceiro poderia comprovar esse fato. Por certo, na simulação, relativa ou absoluta, os agentes não produzem documentos que registrem a finalidade para a qual o negócio foi utilizado, e se o fazem certamente não os trazem a público; por outro lado, tendem a produzir farta documentação que evidenciam a realização do negócio aparente, os quais, por certo, fazem questão de disponibilizálos. Não é por outra razão que venho insistindo no argumento de que, para se verificar a ocorrência ou não se simulação ou de outros tipos de vícios ou defeitos do negócio jurídico, como a fraude à lei ou o abuso de direito, analisar os negócios apenas do ponto de vista formal, dos documentos produzidos pelas partes, sem um aprofundamento nas circunstâncias que envolvem esse negócio, é um erro primário, contrário ao mínimo de racionalidade, pois ao assim proceder se alcançará somente a vontade declarada, que é exatamente o que pretendem os simuladores. Ora, se na simulação há um descompasso entre a vontade declarada e a vontade real, e esta última não está traduzida nos documentos produzidos pelas partes, é evidente que neles nada se encontrará senão aquilo que as partes querem que seja encontrado. Peço vênia, para reproduzir considerações que já fiz sobre esse ponto em outro voto: Em casos de simulação, por exemplo, que se define pela discrepância entre a vontade e a declaração, se analisarmos os atos ou negócios jurídicos apenas do ponto de vista dos efeitos jurídicos próprios desses atos, vistos isoladamente, não se verá qualquer vício. No caso de negócios praticados com fraude à lei, da mesma forma, uma análise limitada aos seus aspectos Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10280.720201/200847 Acórdão n.º 220101.224 S2C2T1 Fl. 5 9 formais, jamais identificará o desvio, que, por definição, se caracteriza pela violação do espírito da lei (mens legis) e não da letra da lei (verba legis). A doutrina e a jurisprudência apontam diversas situações em que, ainda que os negócios jurídicos, vistos de forma isolada, atendam às formas típicas, prescritas em lei, não são oponíveis ao Fisco, por estarem contaminados pelas chamadas patologias jurídicas, na feliz expressão de Marco Aurélio Grego, tais como a simulação, a fraude à lei ou o abuso do direito. Portanto, limitar a análise dos casos concretos apenas à observância dos aspectos formais dos atos ou negócios jurídicos, de sua conformidade com a letra da lei, data vênia, não dá conta de responder à questão da oponibilidade, ou não oponibilidade, ao Fisco, desses atos ou negócios jurídicos, que é o cerne da questão de que se cuida neste processo. (Declaração de voto no acórdão nº 10421.953, de 18/10/2006). Mas subsiste a questão: como a simulação pode ser comprovada? Silvio de Salvo Venosa, no seu Curso de Direito Civil faz algumas ponderações a esse respeito que merecem ser aqui reproduzidas: É difícil e custosa a prova da simulação. Por sua própria natureza, o vício é oculto. As partes simulantes procuram cercarse de um manto para encobrir a verdade. O trabalho de pesquisa da prova deve ser meticuloso e descer a particularidades. Raramente surgirá no processo a chamada “ressalva” (contracarta ou contradocumento, documento secreto), isto é, documento que estampa a vontade real dos contratantes e tenha sido elaborado secretamente pelos simulantes. Em razão disso, devem as partes prejudicadas recorrer a indícios para a prova do vício. O intuito da prova da simulação em juízo é demonstrar que há ato aparente a esconder ou não outro. Raras vezes, haverá possibilidade da prova direta. Os indícios avultam de importância. Indício é rastro, vestígio, circunstância suscetível de nos levar, por via de inferência, ao conhecimento de outros fatos desconhecidos. (...) É importante, para concluir pela simulação, estabelecer um quadro, o mais completo possível, de indícios e presunções. São indícios palpáveis para a conclusão positiva de simulação: parentesco e/ou amizade íntima entre os contratantes; preço vil dado em pagamento para coisa valiosa; falta de possibilidade financeira do adquirente (...); o fato de o adquirente não ter declarado na relação de bens, para o Imposto de Renda, o bem adquirido. Um dos principais indícios da simulação é a pesquisa da causa simulandi. A primeira pergunta que deve fazer o julgador é: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 10 possuíam os contraentes motivo para praticar um ato simulado? Assim como o criminoso tem um móvel para o crime, os simuladores têm um móvel para a prática do negócio viciado. Uma segunda pergunta que se deve fazer no exame de um caso de simulação é: possuíam os contraentes necessidade de praticar o negócio simulado? Tal necessidade pode ser de variada natureza. O caso concreto dará a resposta. A resposta afirmativa a essas duas questões induz o juiz a decidir pela existência da simulação. (Venosa, Silvio de Salvo. Direito Civil – Parte Geral – 4ª Ed. – São Paulo: Atlas, 2004 – (Coleção Direito Civil – vol. 1), pág. 499/500). Feitas essas considerações, passo, então, a analisar os fatos relativos a este processo, e o faço tomando como referência os três requisitos da simulação antes referidos. Pois bem, segundo a 11ª Alteração do Contrato Social da Status Construções Ltda. a aquisição da participação societária foi financiada pela própria cedente, em 10 anos, com dois de carência. A se tomar como verdadeira esta operação, o Recorrente nada teria desembolsado e, portanto, não haveria acréscimo patrimonial. Todavia, há circunstâncias especiais na forma como se processou a operação que devem ser consideradas, a saber: 1) Os supostos procuradores, tanto da Rainbow quanto da Lynnwool, são pessoas ligadas ao ora Recorrente, funcionário que eram da empresa Madenorte, pertencente ao mesmo grupo empresarial, e, segundo seus depoimentos, pouco sabem da operação, e mais, foram convidados a representar as tais empresas pelos próprios adquirentes, seus empregadores. E o Sr. Serzinando, procurador da Lynnwood, intimado a apresentar o instrumento de procuração, não o apresentou; 2) A suposta operação de crédito, no valor, à época, de mais de 12 milhões de reais, foi feita sem nenhuma garantia, e em reais, com taxa de juros fixa de apenas 4% ao ano, o que é digno de nota considerando que a taxa Selic (anualizada), em dezembro de 2005, era 18,5%. O único documento apresentado referente à operação de crédito foi a própria alteração contratual; Intimado a apresentar contrato de crédito ou outro documento referente à operação, o Recorrente nada apresentou. Isto é, a empresa Lynnwool, com sede nos Estados Unidos, adquiriu da Rainbow, e pagou à vista a participação societária e, no mesmo ato, a teria vendido para o ora Recorrente, nas condições acima resumidas. 3) O ora Recorrente, que ao fim da operação se tornou proprietário de 95% das quotas da Status Construções Ltda., numa operação de crédito extraordinariamente vantajosa, diz não ter participado das negociações com a Lynnwool e não soube identificar quem eram os sócios da referida empresa, tudo isto segundo seu próprio depoimento. O que se tem neste caso, portanto, é um único documento pelo qual o ora recorrente se torna titular de um patrimônio de valor superior a 12 milhões de reais, sem que para isto tenha desembolsado um único centavo, apenas assumindo uma suposta dívida em condições totalmente incompatível com os parâmetros de mercado. Sobre o descompasso entre a vontade e a declaração, é interessante observar a forma como se realizou a operação. Vale repetir, a Lynnwool adquiriu da Rainbow, e pagou à vista, a participação societária e, no mesmo ato a revendeu para o Recorrente a crédito, sob as condições acima referidas. Ora, a participação da Lynnwool na operação foi, então, a de uma intermediária, e sem nenhum propósito negocial. É de se perguntar, então: o que leva a uma empresa sediada nos Estados Unidos a participar de uma operação que resulta na transferência Fl. 10DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10280.720201/200847 Acórdão n.º 220101.224 S2C2T1 Fl. 6 11 do controle societário de uma empresa situada no Brasil, na qual ela não é a beneficiária e que sai dela apenas com um crédito sem garantias e sob condições tão desvantajosas? É lícito, portanto, concluir que, pelo menos com relação a um dos intervenientes da operação, há um claro descompasso entre a vontade declarada e a vontade real. Não basta, contudo, para que se caracterize a simulação, que haja o descompasso entre a vontade declarada e a vontade real. É preciso que esse descompasso seja previamente conhecido e acertado pelas partes. Esse o segundo requisito da simulação. Pois bem, neste caso, esse conhecimento pelas partes é evidente. Embora os intervenientes da operação fossem pessoas distintas, os representantes tanto da Rainbow quanto da Lynnwool eram pessoas ligadas ao ora Recorrente, a terceira parte na operação, o que autoriza se concluir que a forma como se configuraria o negócio fosse moldada segundo determinado propósito previamente determinado, não necessariamente compatíveis com os propósitos negociais de todas as partes envolvidas. Só isto, aliás, explicaria o papel da Lynnwool no negócio. É interessante registrar que uma das dificuldades da simulação é a possibilidade do rompimento do pacto simulatório, com o risco de prejuízo para uma das partes. Tal risco é nulo, quando se trata de pessoas com vínculos como os que se tinha no caso entre o Recorrente e os representantes das duas empresas envolvidas. Este “parentesco”, portanto, é um elemento facilitador. Não se tem nos autos informações mais detalhadas sobre as duas empresas estrangeiras, não se podendo afirmar, com segurança, que as mesmas eram de alguma forma controladas pelo Recorrente ou se prestavam a servir de instrumentos para a realização de operações de movimentação internacional de recursos, mas não se pode ignorar o fato de que uma das empresas envolvidas tinha sede em um “paraíso fiscal” e foi a principal responsável, por um certo período, pela internalização no País de recursos em moeda estrangeira. Com essas condições especiais criase uma espécie de mundo mágico onde se podem realizar determinados negócios, que seriam inimagináveis entre pessoas sem tais vínculos. O comportamento das empresas e dos agentes econômicos em geral, embora potencialmente possam ter enormes variações, tendem a seguir determinados padrões e a observar certa regularidade de comportamento guiados por parâmetros de racionalidade. Uma empresa adquirir uma participação societária à vista e a revender no mesmo instante, para receber em um prazo longo e em condições financeiras desfavoráveis, só acontece nesse mundo mágico. Finalmente, o terceiro requisito para a simulação é o propósito se enganar terceiros. Aliás, tal definição encontrase no próprio Código Civil de 1916 quando no seu artigo 103 prescrevia que “a simulação não se considerará defeito do negócio jurídico em qualquer dos casos do antecedente, quando não houver de prejudicar a terceiros, ou de violar disposição de lei.” A contrariu sensu, a simulação era considerada defeito quanto tivesse tais intenções. A Recorrente defendese da acusação de que teria havido simulação afirmando que as operações foram devidamente registradas e declaradas. Este argumento, todavia, não é válido para demonstrar que não houve o propósito de enganar. O que foi feito às claras foi o negócio que se afirma ter sido realizado como máscara para ocultar a vontade real. Nas linhas acima se demonstrou que havia um Fl. 11DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 12 descompasso entre a vontade real e a vontade declarada. Pois bem, demonstrar que esse descompasso foi preordenado com o propósito de enganar implica em identificar a causa simulandi, a vantagem buscada com a simulação. E, neste caso, essa vantagem é claramente viabilizar a transferência da participação societária para o ora Recorrente sem identificar a verdadeira origem dos recursos. O mútuo neste caso é uma máscara, um disfarce, sem substância, oco, fato evidenciado pela ausência de propósito negocial dessa operação e pela forma solta, desleixada, negligente como o contrato foi administrado, sem que os juros pactuados fossem pagos conforme previsto. Portanto, diante de tudo o que foi acima exposto, a conclusão sobre se houve ou não simulação neste caso, depende da convicção sobre uma das duas opções a seguir, sem meio termo: a primeira, a de que a Recorrente, ao formalizar um mútuo com a sua subsidiária, realmente tinha como objetivo entregar os recursos para que esta última, em momento posterior, os devolvesse – causa do negócio jurídico do mútuo – ou, a segunda, de que o objetivo da remessa foi a devolução dos recursos anteriormente recebidos pela Recorrente, e os contratos de mútuo foram meros disfarces, máscaras para esconder a verdadeira face do negócio, com o propósito de preservar, artificialmente, as condições para o gozo do benefício da alíquota zero. Todos os elementos analisados neste processo convergem para a segunda alternativa. Se, por um lado, os elementos e circunstâncias envolvidos indicam que a Recorrente, dada a necessidade de liquidar o “Credit Agreement 1” deveria enviar recursos para sua subsidiária apontam para o resgate das “fixed rate notes”, o que serias razoável, lógico e normal, a outra alternativa se afigura totalmente artificial, fantasiosa e desprovida de propósito negocial. Afastada a alegada operação de empréstimo, o que se tem, portanto, é que o Contribuinte tornouse titular de um patrimônio para o qual não declarou origem, ficando sujeito à incidência do imposto sobre esse acréscimo patrimonial. Correto, portanto, o lançamento nesse aspecto. Multa qualificada A conclusão acima de que o Contribuinte agiu com simulação importa, necessariamente, na conclusão de que agiu com evidente intuito de fraude. É o que se extrai das definições dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10280.720201/200847 Acórdão n.º 220101.224 S2C2T1 Fl. 7 13 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ora, a simulação, por definição, de processa com o propósito de esconder de terceiros, no caso, do Fisco, a verdadeira configuração dos fatos com o propósitos de tentar obter uma vantagem indevida, logo, fraude. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 13DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10410.000586/2004-76
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA P1SICA - IRPF
Ano-calendário: 1998
DEPÓSITO BANCÁRIO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - ESPÓLIO.
A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, é do(s) titular (es) da conta corrente e tem natureza personalissima. Portanto, não há como imputar ao
espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época em que o contribuinte - único titular das contas-correntes - era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu inicio, contra o espólio e a inventariante.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-000.559
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos de voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA P1SICA - IRPF Ano-calendário: 1998 DEPÓSITO BANCÁRIO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - ESPÓLIO. A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, é do(s) titular (es) da conta corrente e tem natureza personalissima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época em que o contribuinte - único titular das contas-correntes - era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu inicio, contra o espólio e a inventariante. Recurso provido.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,Lt5-7,A; tmt ., SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10410.000586/2004-76 Recurso n° 164.676 Voluntário Acórdão n° 2201-00.559 — r Câmar'a / 1' Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2010 Matéria IRPF Recorrente MARIA AUGUSTA FERREIRA DE MELO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA P1SICA - IRPF Ano-calendário: 1998 DEPÓSITO BANCÁRIO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - ESPÓLIO. A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, é do(s) titular (es) da conta- corrente e tem natureza personalissima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época em que o contribuinte - único titular das contas-correntes - era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu inicio, contra o espólio e a inventariante. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os embr• do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos te os de o o do R- ir. Fr. • sco • ssis de Oliveira Júnior - Presidente uardo T. leu Fatiar elator EDITADO EM: 1 8 NA] 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). tA\ 2 Processo n°10410.000586/2004-76 S2-C2T1 Acórdão nd 2201-00.559 Fl. 2 Relatório Maria Augusta Ferreira de Melo recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 2 a. Turma da DRJ de Recife/PE, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 213 a 239. Trata-se de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF (fls. 05 a 13), no valor total de RS 1.259.609,84, acrescidos de multa de oficio de 75% e juros de mora, calculados até 30101/2004. A infração apurada pela fiscalização foi de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Cientificado do auto de infração (fl. 89), o inventariante da contribuinte, por meio do seu representante legal, apresentou tempestivamente a impugnação (fls. 90 a 96), alegando, em síntese: a) que o Auditor Fiscal autuante não levou em consideração que os depósitos encontrados na conta corrente da Sra. Maria Augusta Peneira de Melo, diziam respeito à movimentação financeira da venda de fumo proveniente da plantação de sua família, conforme faz provas por meio das Notas Fiscais de remessas extraídas na fronteira do Estado, sendo que grande parte dessas vendas foi realizada pelos seus filhos para a Indústria de Torrefação e Moagem Café Maratá Ltda; b) que a cultura "fumageira" se dá ao longo do ano, sendo que, no caso presente, o dinheiro movimentado em depósito constatado no mês de janeiro de 1998 no valor de R$ 225 000 00 retomava para a entidade familiar que o aplicava na produção de fumo, em suas propriedades e cerca de três meses depois saia a produção do fumo que novamente era vendido; c) que esta ciranda de compra e venda dos agricultores comprova que existe um capital inicial "x", e, este capital entrava e saia da conta corrente da mãe e esposa dos agricultores e se for consolidada definitivamente e aplicada a penalidade da forma como foi imposta, haverá uma tributação repetitiva, o que a legislação impede, d) que deve ser levado em consideração que para a produção do fumo há custos com insumos e defensivos agrícolas que são caríssimos, sendo, portanto, o lucro do agricultor, ao vender a sua produção de no máximo 10%, não podendo se exigir dos agricultores e proprietários rurais, que, na sua grande maioria, vivem em sociedade familiar informal, tamanha rigidez fiscal de pessoas reconhecidamente leigas. Transcreve os arts. 247 e 248 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, que tratam dos conceitos do Lucro Real e do Lucro Liquido: e) verificou que as receitas de vendas que serviram de base de cálculo para o lançamento nos respectivos meses de competência não levou em consideração que os filhos da contribuinte, também agricultores, levavam suas cargas de fumo para o estado de Sergipe, e, para não correrem o risco de serem assaltados, por voltarem com dinheiro em espécie„ 3 depositavam na conta-corrente da mãe, que, assim, controlava a venda do fumo passando para os seus filhos os seus valores respectivos; O salvo melhor juizo, encontra-se demonstrado o cerceio do amplo direito de defesa consagrado na Constituição Federal, que espera ser corrigido através da prolação de uma nova decisão suprindo as omissões referidas. Outrossim, a sociedade familiar, por ser informal, não tinha sequer livro caixa para referendar a movimentação financeira; g) que seja dado provimento a presente impugnação, decidindo sobre os pontos nela apontados, inclusive, seja estipulado um lucro presumido no percentual de 10% para cada depósito e a este, imputado o imposto devido. A forma como foi efetuado o Auto de Infração torna a dívida com a Receita Federal totalmente inexeqüível. Que seja dado o efeito suspensivo em face do recurso interposto . h) junta cópias da notas fiscais para comprovar o alegado e protesta provar por meio de provas admitidas em direito, se colocando à disposição para quaisquer esclarecimentos que julgar necessário. A 2. Turma da MU de Recife/PE julgou procedente em parte a exigência, consubstanciado ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de P' de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÓNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, por meio de documentos hábeis os quais devem coincidir em datas e valores com os valores creditados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DE DEPÓSITOS DE PEQUENO VALOR. Na apuração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, devem ser excluídos os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil Reais), se o seu somatório, dentro do Ano-calendário, não ultrapassar o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que ocorra um dos fatos previstos no § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 6 cle março de 1972. 4 "ÇH Processo n° 10410.000586/2004-76 S2-C211 Acórdão n.° 2201-00.559 Fl. 3 Intimada da decisão da primeira instância em 01/10/2007, o inventariante da contribuinte, por meio do seu representante legal, apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, basicamente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. • f 5 Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários pautou-se no art. 42 e parágrafos, da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizam-se também, omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular • essoa mica ou .uriclica re • larmente intimado não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifei) Pelo que se depreende da leitura do dispositivo legal acima, o legislador estabeleceu, a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto contspondente, desde que o titular da conta bancária pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Pois bem, pelo que se depreende da análise dos autos, sub examine, a exigência fiscal foi realizada em face do espólio de Maria Augusta Peneira de Melo, falecida em 14/11/2000, conforme atestado de óbito às fls. 34. Assim, a ação fiscal iniciou-se após o evento óbito, com a entrega, em 14/09/2001, no domicilio fiscal do sujeito passivo, do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n° 0440100 2001 00091 5-1, com a cientificação do Sr. João Francelino de Melo. (fl. 03) Da análise sumária do texto legal supracitado, verifica-se que a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei 9.430 de 1.996, tem natureza personalíssima e intransmissível, portanto, a obrigação deve recai exclusivamente sobre a pessoa do sujeito passivo, ou seja, o efetivo titular dos depósitos bancários objeto de autuação. Entretanto, pelo que se extrai dos autos, a intimação para comprovar a origem dos depósitos foi dirigida ao espólio e recebida pelo seu representante legal. (ft 03) Assim sendo, independentemente das questões argüidas na defesa, no caso de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários deve ser feita, necessariamente, ao titular da conta bancária, não sendo válida, portanto, a presunção legal quando se intima o espólio, na pessoa do inventariante, ou dos sucessores do sujeito passivo com fito de comprovar a origem de depósitos feitos em conta do "de eujus." Ademais, em homenagem ao principio da verdade material e das condições da legislação vigente que admite nos casos previstos a apresentação de provas que afastem a j 6 Processo n° 10410.000536/2004-76 82-C2T1 Acórdão o•° 2201-00.559 Fl. 4 presunção legal estabelecida no artigo 42 da lei indicada, desde a fase inquisitória até fase que precede a decisão transitada em julgado, na hipótese de falecimento do autuado no curso do processo administrativo, o auto de infração se toma nulo posto que não se pode atribuir a terceiros sucessores a obrigação de afastar a presunção de natureza personalíssima. Esse tem sido o entendimento reiterado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante à ementa destacada: DEPÓSITO BANCÁRIO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRM - ESPOLIO - A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n°. 9430, de 1996, é do(s) titular(es) da conta-corrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época em que o contribuinte - único titular das contas-correntes - era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio e a inventariante. Recurso provido. (Acórdão n°104-22983) Portanto, não há como se considerar válida a intimação feita na pessoa de um sucessor, mormente quando não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época em que o contribuinte—único titular das contas-correntes - era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu inicio, contra o espólio e o inventariante. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. À Edu in Tadeu Farah • 7 - esc MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS r CAMARA/2' SEÇÃO DE JULGAMENTO_ Processo n': 10410.000586/2004-76 Recurso n°: 164.676 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2201-00.559 Brasília/DF, 16 Hi Lulu M. EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional •
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000896/2003-05
Data da sessão: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IRPJ Exercício: 1998, 1999
Ementa: IRPJ. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. LANÇAMENTOS POR
HOMOLOGAÇÃO -Transcorrido o prazo de cinco anos contados da
ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que não é o
presente caso.
PAGAMENTO SEM CAUSA -Improcede a alegação de pagamento sem
causa quando a operação é de compra e venda alicerçada em nota fiscal e o autuante não conseguiu provar a inveracidade dos fatos constantes na referida documentação fiscal.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO - Improcede o lançamento baseado em indícios que não conseguiram descaracterizar a escrituração mantida pela
interessada e as provas apresentadas pela mesma.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO.
DECORRÊNCIA. -Insubsistindo a matéria tributável no lançamento objeto do processo matriz, igual sorte colher o que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele.
Numero da decisão: 1202-000.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de oficio nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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ementa_s : IRPJ Exercício: 1998, 1999 Ementa: IRPJ. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO -Transcorrido o prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que não é o presente caso. PAGAMENTO SEM CAUSA -Improcede a alegação de pagamento sem causa quando a operação é de compra e venda alicerçada em nota fiscal e o autuante não conseguiu provar a inveracidade dos fatos constantes na referida documentação fiscal. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO - Improcede o lançamento baseado em indícios que não conseguiram descaracterizar a escrituração mantida pela interessada e as provas apresentadas pela mesma. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO. DECORRÊNCIA. -Insubsistindo a matéria tributável no lançamento objeto do processo matriz, igual sorte colher o que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele.
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Processo n° 18471.000896/2003-05 Recurso n° 167.532 De Oficio Acórdão n° 1202-00.185 — 2" Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 04 de novembro de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente 5' Turma/DRJ-Rio de Janeiro/RJ I Interessado Lojas Americanas S/A Assunto: IRPJ Exercício: 1998, 1999 Ementa: IRPJ. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO -Transcorrido o prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que não é o presente caso. PAGAMENTO SEM CAUSA -Improcede a alegação de pagamento sem causa quando a operação é de compra e venda alicerçada em nota fiscal e o autuante não conseguiu provar a inveracidade dos fatos constantes na referida documentação fiscal. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO - Improcede o lançamento baseado em indícios que não conseguiram descaracterizar a escrituração mantida pela interessada e as provas apresentadas pela mesma. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO. DECORRÊNCIA. -Insubsistindo a matéria tributável no lançamento objeto do processo matriz, igual sorte colher o que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele. Vistos, relatados c discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. CvA ""- ORLAND O E G ALVES BUENO — Vice Presidente e Relator. EDITADO EM: 'e 9 t3 z ?PM Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cândido Rodrigues Neuber, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Valéria Cabral Geo Verçoza, Orlando José Gonçalves Bueno (Vice presidente de turma), Mario Sergio Barroso(Suplente e vocado). Ausente, justificadamente, o conselheiro Nelson [Asso Filho (Presidente de turma). 2 ! Processo n° 18471.000896/2003-05 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.185 Fl. 2 Relatório Trata-se de lançamento de oficio de IRPJ, com reflexo na CSSL e IRRF, esse por considerar os pagamentos efetuados sem causa e/ou beneficiário não identificado, relativamente aos anos-calendário de 1997 e 1998, por suposta caracterização de glosa de custos, referente as operações realizadas com a empresa SUPREMAX COMERCIAL E DISTRIBUIDORA LTDA., pelo fato de não ter comprovado o recebimento das mercadorias constantes das notas fiscais que comprovariam os custos registrados. Foi aplicada a multa de 75%. Leio em sessão o Termo de Constatação e Verificação a fls. 644/645, a fim de elucidar o presente relato. A Contribuinte, tempestivamente, ofereceu sua impugnação, alegando, em síntese o seguinte: - decadência para os fatos geradores de 1997, urna vez se tratar o IRPJ de lançamento por homologação, e não ter havido ocorrência de dolo, fraude ou simulação; - nulidade do lançamento posto que a autoridade fiscalizadora não apresentou qualquer demonstrativo da matéria tributável; - propugna por realização de perícia, nos tennos do PAF; - assevera que efetivamente recebeu as mercadorias da SUPREMAX e efetuou os pagamentos devidos; - que sua escrituração demonstra que o somatório dos valores referentes às mercadorias adquiridas da SUPREMAX é inferior ao apontado pelo autuante no auto de infração; . - a simples falta de apresentação dos conhecimentos de transporte não é suficiente para se glosar custo na ordem de mais de R$ 15.000.000,00; - que em 1997 e 1998 não estava disponível a consulta para verificação da• situação fiscal da SUPREMAX, fato hoje possível pela intemet; - que não pode ser responsabilizada pelos endossos feitos em cheques de sua emissão, nominais a SUPREMAX; - que não há nos autos um único cheque que não tenha sido para pagamento a SUPREMAX, assim falar de pagamento a beneficiário não identificado é um equivoco; A DRJ converteu o julgamento em diligência, conforme resolução de fls. 1136/1169. • Na diligência perante os supostos sócios da SUPREMAX , um não foi encontrado e outro atesta que não é, nem nunca foi sócio dessa empresa. 3 \ A contribuinte foi intimada a apresentar os documentos e as informações constantes da resolução de diligência. A resposta da diligência foi dada a fls. 1195/1196 e a conclusão da autoridade diligenciante a fls. 1197. A manifestação da contribuinte sobre os resultados da diligência se conferem a fls. 1200/1203. A 5a Turma da DRJ/RJ01, decidiu por julgar o lançamento improcedente, com fundamento nas seguintes razões: - em preliminar, acolher a argüição de decadência para o ano de 1997, reconhecendo a natureza do IRPJ como lançamento por homologação, devendo o prazo decadencial ser contado dos fatos geradores e, uma vez cientificado o contribuinte em 30/04/2003, transcorreu, à luz do § 40 do artigo 150 do CTN, o decurso do prazo de 05(cinco) anos para a Fazenda Pública efetuar o lançamento de oficio, sendo fulminados pela decadência os fatos geradores até 31/12/1997. Aplicou tal entendimento ao IRRF por não se ter configurado situação com dolo, fraude ou simulação; - deixou de reconhecer a decadência para a CSSL, pois entendeu aplicável o art. 45 da Lei n° 8.212/91 para a contagem do prazo decadencial, qual seja, 10 anos; - ultrapassou a argüição de nulidade em face do julgamento do mérito; - considerou o pedido de perícia impróprio, posto que essa somente se faz necessária se restarem pontos duvidosos que foram esclarecidos com a juntada de documentos nos autos; - quanto ao mérito, relativamente ao ano de 1998, sobre o 1RPJ, entendeu que - para que as notas fiscais apresentadas pela contribuinte fossem desconsideradas como meio de prova a seu favor, haveria necessidade, segundo o art. 82 da Lei n° 9.430/96, que a empresa citada tivesse sua inscrição no CNPJ mudada para situação de INAPTA. Todavia, em consulta ao sistema SRF CNPJ, fls. 1206, verifica-se que a empresa está com sua inscrição fiscal BAIXADA pelo motivo: EXTINÇÃO POR ENC LIQ VOLUNTÁRIA. Assim, não poderia ter a autoridade fiscalizadora considerado os documentos — notas fiscais da SUPREMAX — como iniclôneas e, ao analisar a escrituração da autuada, não invalidou a mesma e, sendo a glosa de custos alicerçada em notas fiscais supostamente inidôncas, tal fato não pode subsistir. Por outro aspecto a autuante questionou a veracidade das operações comerciais da contribuinte com a SUPREMAX e solicitou a apresentação de documentos comprobatórios de tais transações, efetivamente. A autuada, a fls .132/133 prestou esclarecimentos e juntou cópias de notas fiscais, respectivos pagamentos, Razão e duplicatas, fls. 134/522 c 579/639. Ademais, em se tratando de glosa de custos o ônus da prova é da autuante, e a autuada não pode ser responsabilizada por glosa de custos quando não detém os conhecimentos de transportes, cuja responsabilidade foi de entrega da SUPREMAX, visto que não foi questionada a validade dMescrituração fiscal da contribuinte. Quanto a pagamento sem causa comprovada ou a beneficiário não identificado, consta dos autos que os pagamentos tiveram causa comercial e os beneficiários identificados como a empresa SUPREMAX, vez que os cheques foram nominativos à referida. Enfim, por falta de prova da inidoneidade dos documentos fiscais e contábeis que suportaram as operações comerciais justificadas com a empresa SUPREMAX, é de se considerar indevido o lançamento do IRPJ para o ano de 1998. 4 Processo n°18471.000896/2003-OS SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.185 Fl. 3 Relativamente ao IRRF de 1998, tem razão a impugnante posto que a autoridade fiscalizadora não apresentou relação dos pagamentos considerados a beneficiário não identificado, como também não foi descrita corretamente a infração: é pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado ? Existe nos autos que o beneficiário dos pagamentos foi a empresa SUPREMAX, uma vez que foram emitidos cheques nominativos a mesma. Quanto a falta de comprovação de causa, entendeu a autoridade julgadora que a autuante não comprovou que as operações de compra e venda não ocorreram, sendo válidas as aquisições suportadas por documentos fiscais/contábeis, hábeis e idôneos, como prova a favor da contribuinte. Julgou improcedente o lançamento do IRRF para o ano de 1998. Adotou o mesmo entendimento de improcedência, quanto ao mérito, para a CSLL, por decorrência da matéria decidida no lançamento principal do IRPJ, relativamente aos anos de 1997 e 1998, pois os fatos apurados são os mesmos c as provas produzidas a favor da contribuinte igualmente idênticas e justificáveis como idôneas a afastar as conclusões do trabalho fiscalizatório. A DRJ aludidare eu de oficio. Eis o relatório • • Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno, Relator Trata-se de recurso de oficio interposto em decisão de primeira instância que exonerou o sujeito passivo de crédito tributário do pagamento de tributo e encargos de multa no valor total de R$ 23.651.275,67 (vinte e três milhões, seiscentos e cinqüenta e um mil, duzentos e setenta e cinco reais e sessenta e sete centavos). Ocorre que, em 3 de janeiro de 2008 foi editada a Portaria MF n° 3, revogando a Portaria MF n° 375/01 e alterando o valor do limite de alçada para R$1.000.000,00 (um milhão de reais). Eis a integra de referido ato normativo: PORTARIA MF N° 3, DE 3 DE JANEIRO DE 2008 DOU 07.01.2008 Estabelece limite para interposição de recurso de oficio pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n°9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no § 3° do art. 366 do Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999, com a redação dada pelo art. 1° do Decreto n° 6.224, de 4 de outubro de 2007, 'Resolve: Art. 1° O Presidente de Turma de Jul amento da Delegacia da Receita Federal do " Brasil de Julgamento DR.1) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a RS 1.000.000 00 (um milhão de reais). .. Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3° Fica revogada a Portaria MF n°375, de 7 de dezembro de 2001., GUIDO MANTEGA Isto posto uma vez dentro do limite de alçada tomo conhecimento do recurso de oficio. Entendo que a decisão de primeira instância não está a exigir qualquer reparo quanto as suas conclusões, não obstante em sede de preliminar tenho o entendimento de acolher a decadência para o ano de 1997 em relação a CSLL, posto que julgado -J constitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, pelo STF, resolvendo que as contribuições sociais •`, a • i Processo n° 18471.000896/2003-05 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.185 Fl. 4 devem seguir o regime da natureza tributária, e, portanto, a contagem do prazo decadencial de 05(cinco) anos prescrito pelo Código Tributário Nacional. Assim, no caso em análise, por esse fundamento acolheria a decadência para o ano de 1997 à CSSL. Contudo assim seja, no mérito, não oponho qualquer modificação do . entendimento exarado pela autoridade julgadora "a quo". Trata-se de matéria analisada integralmente à luz da teoria da provas. E, notadamente em relação a idoneidade da documentação e escrituração contábil apresentada pela fiscalizada, que militam a favor da mesma, uma vez não invalidadas pela autoridade autuante, cujo ônus incumbiria a essa para conferir consistência e legitimidade ao lançamento de oficio. E, nesse mister a decisão "a quo" foi bem explícita. Ora, se trata, para a glosa de custos, de desconsideração de notas fiscais de fornecedor com irregularidades, não considerada INAPTA pela própria SRFB, assim como restando comprovados os pagamentos a um único beneficiário, com cheques nominativos, que alicerçam a acusação de custos indevidos, uma vez demonstrado, também por diligência nesse sentido, que as notas fiscais das operações de compras são idôneas e não invalidadas por qualquer outra razão pela autoridade autuante e que, os pagamentos efetuados foram todos demonstrados pela escrituração contábil da contribuinte, como existentes e válidos, inclusive comprovando a entrada das mercadorias, até mesmo as respectivas transferências para os diversos estabelecimentos da autuada, não se sustenta, evidentemente, a constatação e verificação de suposta infração fiscal, como decidido corretamente em primeira instância. • Desta feita, elidida a pretensão fiscal por prova em contrário, como elucidado pontualmente na decisão examinada, e considerados válidos e legítimos os documentos fiscais/comerciais e contábeis trazidos aos autos pela autuada, principalmente porque restaram esclarecidos que os pagamentos realizados para a SUPREMAX tiveram causa comercial e transacionaram com mercadorias, que foram entregues e devidamente pagas, efetivamente, não há como deixar de reconhecer a acertada decisão de primeira instância que, a meu ver, seja para o IRPJ, a CSSL e o IRRF devem ser mantida. Para o IRRF ademais, ficou fartamente comprovado, com os cheques nominativos, que a única beneficiária identificada foi a SUPREMAX, e, assim, não se subsume à situação fática com a hipótese legal da regra-matriz de incidência, qual seja, previsão de que o IRRF é exigível quando apurado pagamento a beneficiário não identificado. Absolutamente cabível a observação interrogativa da autoridade de primeira instância quando coloca em dúvida o enquadramento fático sobre a tributação do 1RRF, ao questionar qual é a previsão supostamente confirmada pelos fatos, isto é, indagando se se trata de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Isso esclarece que nem mesmo a autoridade autuante sabia que fatos estava a apurar para a subsunção à aplicação da regra de tributação do IRRF na hipótese duvidosa aventada. Diante do exposto, sou por manter a decisão recorrida pelas suas conclusões, e, portanto, negar provimento ao recurso de oficio.• Eis como vo . ççk . - . Relator lando Jo é onçalves Buena 7 Processo n° 18471.000896/2003-05 51-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.185 Fl. 5 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia,0 g / a / 241%,:“I • 7—/...,-, a, LÁ ---_. OSÉ ROBERTO FRANÇA Ciência Data: / / „ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; • [ ] • 9
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Numero do processo: 13501.000055/2003-71
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS
FÍSICAS.
Referindo-se a lei a contribuições "incidentes" sobre as "respectivas" aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.190
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s
o(a)s Conselheiro(a)s Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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CONFERE COM O ORIGINAL S2-C1T2 Brasília, / (t2 12? a5 Fl. 240 MINISTÉRIO DA FAZENDA — • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO ... • Processo n° 13501.000055/2003-71 Recurso n° 159.180 Voluntário Acórdão n° 2102-00.190 — 1' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2009 Matéria Ressarcimento de Crédito Presumido do IPI Recorrente BRESPEL COMPANHIA INDUSTRIAL BRASIL ESPANHA Recorrida DRJ em Salvador - BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Referindo-se a lei a contribuições "incidentes" sobre as "respectivas" aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. Recurso Voluntário Negado. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. ' OVOCOV.C7U l • SE ' A • : • COELHO MARQUES Presidente • U./C,C WA E13,- É DA SI A Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maurício Taveira e Silva e José Antonio Francisco. Processo n° 13501.000055/2003-71 S2-C11'2 Acórdão n.° 2102-00.190 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUIN = , Fl. 241 CONFERE COM O ORIGNAL Brasília, NO / / $55 Relatório No dia 06/03/2003 a empresa BRESPEL COMPANHIA INDUSTRIAL BRASIL ESPANHA, já qualificada nos autos, ingressou com o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Portaria MF n 2 38/97), relativo ao primeiro trimestre de 1999. Após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da recorrente, a DRF em Camaçari - BA reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório DRF/CCI n2 0032/2008 (fl. 155). A autoridade competente glosou, no cálculo do beneficio, os insumos adquiridos de pessoas fisicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins; Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade pleiteando os créditos relativos às aquisições de pessoas fisicas e cooperativas, cujas alegações estão resumidas no relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 4 Turma de Julgamento da DRJ em Salvador - BA indeferiu a solicitação da recorrente e não homologou as compensações, nos termos do Acórdão ri' 15-15.978, de 18/06/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por falta de autorização legal, as aquisições de insumos diretamente de pessoas fisicas e de cooperativas, não tributadas pelo PIS e pela COFINS, estão excluídas do cálculo do incentivo fiscal. ALEGAÇÕES DE 1NCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 14/07/2008, conforme AR de fl. 212, e, no dia 12/08/2008, ingressou com o recurso voluntário de fls. 215/226, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade sobre o direito ao crédito nas aquisições de insumos de pessoas fisicas e sobre a ilegalidade das Instruções , 2 MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRL,:": • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13501.000055/2003-71 S2-C1T2 • Acórdão n.° 2102-00.190 Brasília, OP .1 05 Fl. 242 Normativas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Cita j • sprudência administrativa e judicial. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 02/12/2008, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 239. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. A empresa está pleiteando o reconhecimento do direito ao crédito presumido do 1PI nas aquisições de insumos efetuadas de pessoas fisicas e cooperativas. Sem razão a recorrente, pelas razões que passo a seguir a expor. A Lei n2 9.363/96, em seu art. 1 2, é muito clara ao dispor que a empresa produtora exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n's 7/70; 8/70; e 70/91, "incidentes sobre as respectivas aquisições", no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Ora, está claríssimo que se não houve incidência das contribuições nas aquisições, não há que se falar em ressarcimento. E neste sentido deve-se observar que a lei fala em "incidentes sobre as respectivas aquisições", de forma que pouco importa se incidiu em etapas anteriores às aquisições. O que importa é que nas aquisições efetuadas pela empresa produtora e exportadora deve incidir as contribuições para ter direito ao ressarcimento. A respeito deste assunto, destaco o Parecer PGFN n2 3.092, de 27 de dezembro de 2002, aprovado pelo Ministro da Fazenda: "21. Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. 2X5r)t)11/4) l3 • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBui;.. CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13501.000055/2003-71 Bília. (IP S2-C1T2 • ras / 0-5 Acórdão n.° 2102-00.190 Fl. 243 22. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional". E não é só a partir do art. 1 2 da Lei n2 9.363/96 que se pode vislumbrar este entendimento, porque nos demais artigos da lei também se verifica tal posicionamento, como muito bem elucida o mencionado parecer, que transcrevo: "24. Prova inequívoca de que o legislador condicionou a fruição do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEF' e da COFINS pelo fornecedor do insumo é depreendida da leitura do artigo 5° da Lei n°9.363, de 1996, in verbis: 'Art. 5° A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente'. 25. Ou seja, o tributo pago pelo fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido, que for restituído ou compensado mediante crédito, será abatido do crédito presumido respectivo. 26. Como o crédito presumido é um ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, pagos pelo fornecedor do insumo, o legislador determina, ao produtor/exportador, que estorne, do crédito presumido, o valor já restituído. 27. O art. 1° da Lei n°9.363, de 1996, determina que apenas os tributos 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (e não pelo seu fornecedor) podem ser ressarcidos. Conforme o art. 5°, caso estes tributos já tenham sido restituídos ao fornecedor dos insumos (o que significa, na prática, que ele não os pagou), tais valores serão abatidos do crédito presumido. 28. Esta interpretação lógica é confirmada por todos os demais dispositivos da Lei n° 9.363, de 1996. De fato, em outras passagens da Lei, percebe-se que o legislador previu formas de controle administrativo do crédito presumido, estipulando ao seu beneficiário uma série de obrigações acessórias, que ele não conseguiria cumprir caso o fornecedor do insumo não fosse pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFWS. Como exemplo, reproduz-se o art. 3° da multicitada Lei n° 9.363, de 1996: 'Art. 3° Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1°, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo 415\ 01 4 -SEGUNDO CONSELHO DE CON" . CONFERE COM O oftmemt. Processo n° 13501.000055/2003-71 Brasília. /t25 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.190 Fl. 244 fornecedor ao produtor exportador' (Grifos não co tantes do original). 29. Ora, como dar efetividade ao disposto acima, quando o produtor/exportador adquir insumo de pessoa fisica, que não é obrigada a emitir nota fiscal e nem paga o PIS/PASEP e a COFINS? Por outro lado, como aferir o valor dos insurnos adquiridos de pessoas fisicas, que não estão obrigados a manter escrituração contábil? 30. Toda a Lei n° 9.363, de 1996, está direcionada, única e exclusivamente, à hipótese de concessão do crédito presumido quando o fornecedor do insumo é pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. A lógica das suas prescrições milita sempre nesse sentido. Não há qualquer disposição que regule ou preveja, sequer tacitamente, o ressarcimento nas hipóteses em que o fornecedor do insumo não pagou o PIS/PASEP ou a COF1NS. 31. Em suma, a Lei n° 9.363, de 1996, criou um sistema de concessão e controle do crédito presumido de IPI, cuja premissa é que o fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do incentivo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COF1NS." Logo, ao contrário do que aduz a recorrente, as autoridades julgadoras, ao aplicarem a 1N SRF n2 23/97, não negaram vigência à Lei n2 9.363/96, nem feriram nenhum preceito constitucional ou legal. Também não lhe socorre a jurisprudência colacionada aos autos, porque não • possuem qualquer força vinculante sobre o que ora se decide, aliás, já existe jurisprudência administrativa e judicial a respeito do assunto, manifestando-se frontalmente contrária ao defendido pela recorrente, conforme se pode verificar das ementas a seguir transcritas: "IPI — CRÉDITO PRESUMIDO —1) 1NSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS — Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a lei excluiu da base de cálculo aquelas aquisições que não sofreram incidência das Contribuições ao PIS e à COFINS, no fornecimento de insumos ao produtor exportador." (Acórdão n 2 202-12.303) "TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI A TÍTULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI IURES AO CREDITAMENTO. 1. Tratando-se de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o beneficio instituído pelo art. 1° da Lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito • respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 2. Sendo as exações PIS/PASEP/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de C4I 5 Mr - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIEL . CONFERE COM O OR:GINAL Processo n° 13501.00005512003-71 EMSÍ113, , e S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.190 Fl. 245 produtos primários de pessoas fisicas não resulta nerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito dos seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência. 3. Tutela liminar deferida." (7'RF/5 2 Região, Al n2 32.877, DJ de 2/2/2001,p. 337) Assim, é verdade que o objetivo da lei, como um todo, foi o de estimular a exportação, contudo, sem dúvidas, há limitações para o gozo deste beneficio, sendo descabido falar na inclusão, para efeito de custo acumulado dos insumos, no cômputo do crédito presumido, dos valores relativos às aquisições de matérias-primas, quer adquiridas de pessoas fisicas, quer adquiridas de sociedades cooperativas ou de qualquer outra pessoa jurídica que não seja contribuinte do PIS e da Cofins. No mais, com fulcro no art. 50, § l,da Lei 9.784/1999 1 , adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sess4gs, em O de junho de 2009 WA BER i • SÉ DA S A .41k/ Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (• • .) § 1 2 A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 6
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