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Numero do processo: 10820.001142/00-31
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1988 A 31/10/1995
RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL.
O prazo para requerer a restituição dos pagamentos da Contribuição para o PIS, efetuados com base nos Decretos-Leis n.os 2.445/88 e 2.449/88, é de 5 (cinco) anos, iniciando-se a contagem no momento em que eles foram considerados indevidos com efeitos erga omnes, o que ocorreu com a publicação da Resolução n.º 49, do Senado Federal, em 10/10/1995.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.743
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres, que davam provimento.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1988 A 31/10/1995 RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para requerer a restituição dos pagamentos da Contribuição para o PIS, efetuados com base nos Decretos-Leis n.os 2.445/88 e 2.449/88, é de 5 (cinco) anos, iniciando-se a contagem no momento em que eles foram considerados indevidos com efeitos erga omnes, o que ocorreu com a publicação da Resolução n.º 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1988 A 31/10/1995 RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para requerer a restituição dos pagamentos da Contribuição para o PIS, efetuados com base nos Decretos-Leis n. os 2.445/88 e 2.449/88, é de 5 (cinco) anos, iniciando-se a contagem no momento em que eles foram considerados indevidos com efeitos erga omnes, o que ocorreu com a publicação da Resolução n.º 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martínez López, Antonio Bezerra Neto, Leonardo Siade Manzan, Henrique Pinheiro Torres, José Carlos Passuello e Manoel Antônio Gadelha Dias (Presidente à época do julgamento). Fl. 371DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10820.001142/00-31 Acórdão n.º 02-02.743 CSRF/T02 Fls. 372 _________ 2 Relatório Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão CSRF/02-02.743, em virtude do relator originário, Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, ter deixado o colegiado antes da formalização. Trata-se de pedido de restituição protocolado em 28/07/2000 com o objetivo de reaver o PIS recolhido indevidamente em relação aos fatos geradores ocorridos no período de outubro de 1988 a outubro de 1995, com base na declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nº 2.445 e 2.449. O pleito foi indeferido, sob alegação de decadência (AD SRF nº 96/99). Por meio do Acórdão nº 202-16.807 a Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuinte deu provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência e reconhecer o direito ao indébito do PIS, observado o critério da semestralidade da base de cálculo. O julgado recebeu a seguinte ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. 0 prazo para requerer a restituição dos pagamentos da Contribuição para o PIS, efetuados com base nos Decretos-Leis n2s 2.445/88 e 2.449/88, é de 5 (cinco) anos, iniciando-se a contagem no momento em que eles foram considerados indevidos com efeitos erga omnes, o que só ocorreu com a publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até a entrada em vigor da MP nº 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador. CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n 2 8, de 27/06/97, devendo incidir a taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4 2, da Lei n2 9.250/95. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 372DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10820.001142/00-31 Acórdão n.º 02-02.743 CSRF/T02 Fls. 373 _________ 3 Recurso provido em parte. Regularmente notificada em 02/05/2006, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei. Alegou, em síntese, que os artigos 165, I e 168, I do CTN não estabelecem nenhum outro marco para a contagem do prazo de decadência do direito de pedir restituição, além da data da extinção do crédito tributário. Tendo em vista que o pagamento é modalidade de extinção do crédito tributário prevista no art. 156, I do CTN, o prazo de decadência é de cinco anos e o marco inicial da contagem é a data de cada pagamento indevido, tal como estipulado no AD SRF nº 96/99. O STJ considera que quando a declaração de inconstitucionalidade se dá pelo controle difuso, o termo inicial da prescrição é a data da Resolução do Senado, desde que, pelas regras gerais do CTN, a prescrição ainda não tenha se consumado. Por meio do despacho 202-261 de 19 de junho de 2006 o Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso especial. Regularmente notificado do Acórdão nº 202-16.807, do recurso especial fazendário e do despacho que lhe deu seguimento em 14/07/2006 (fl. 353), o contribuinte apresentou contrarrazões de fls. 354/365, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Embora não concorde com a tese vencedora, tanto que fui voto vencido na Câmara baixa e também na sessão de julgamento na CSRF, adoto os fundamentos lançados pelo relator originário, Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, no Acórdão CSRF/02-03.515, in verbis: "A questão sub examine refere-se ao termo a quo aplicável aos pedidos de restituição de indébitos referentes ao PIS, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n° 2.445/88 e n° 2.449/88 pelo STF, que regulamentam a exação. Esclareço, por oportuno, que as demais matérias objeto do Acórdão da Câmara Baixa não impugnadas encontram-se preclusas. I – Do prazo decadencial: Em seu recurso, defende a recorrente o prazo decadencial de cinco anos, contados do recolhimento, para a apresentação do pedido de restituição dos referidos créditos de PIS. Essa questão é bastante conhecida por este Conselho de Contribuintes, que possui diversos julgados neste sentido. Aplica-se na espécie o prazo qüinqüenal a partir da Resolução do Senado Federal, tal como asseverado no julgamento do Recurso Voluntário n o 133.571, a seguir transcrito: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10820.001142/00-31 Acórdão n.º 02-02.743 CSRF/T02 Fls. 374 _________ 4 PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para requerer a restituição dos pagamentos da Contribuição para o PIS, efetuados com base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, é de 5 (cinco) anos, iniciando-se a contagem no momento em que eles foram considerados indevidos com efeitos erga omnes, o que ocorreu com a publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. Quanto à interpretação dos arts. 165 e 168 do CTN, estes dispõem que: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º, do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; (...)” Com efeito, se um determinado contribuinte recolheu mais tributo do que o devido por um equívoco próprio (art. 165, inciso I, CTN), a prescrição tem início com a extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, CTN), que se deu com a homologação do lançamento, sendo a homologação tácita uma das modalidades de homologação. Todavia, nos casos como o presente, em que a contribuinte recolheu tributo indevido (art. 165, inciso I, CTN) com base em lei que, em momento ulterior, foi declarada inconstitucional, a contagem se dá de outra forma. Isso porque, no mundo jurídico, os decretos- lei que tinham instituído a cobrança indevida não existem, de modo que não se pode falar em crédito tributário propriamente dito. Com isso, aplica-se, subsidiariamente, o Decreto nº 20.910/32, de acordo com o qual “as dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 (cinco) anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem.” (art. 1º). Como o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos Decretos-Lei nºs 2.445/88 e 2.449/88, em controle concreto de constitucionalidade, essa decisão só passou a ter eficácia erga omnes com a publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal, em 10/10/1995, momento em que a recorrente passou a fazer jus à restituição dos valores pagos indevidamente. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10820.001142/00-31 Acórdão n.º 02-02.743 CSRF/T02 Fls. 375 _________ 5 Considerando que a data limite para a formulação dos pedidos de restituição e compensação destes créditos ocorreu em outubro de 2000, o pedido formulado em 27 de janeiro de 2000 é tempestivo, ou seja, não foi alcançando pelo instituto da decadência. II – Conclusão Diante de todo o exposto, julgo improcedente o presente Recurso Especial, por considerar que o direito da recorrente pleitear a restituição e compensação dos créditos discutidos não está decaído, passados menos de cinco anos entre a Resolução n° 49 do Senado Federal e a interposição do pedido de restituição por parte da recorrente." Sendo esta a tese que angariou a maioria dos votos na assentada do dia 07 de fevereiro de 2007 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, adoto tais fundamentos como base para o voto vencedor. Antonio Carlos Atulim Fl. 375DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
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Numero do processo: 14041.000074/2006-78
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF.
A divergência jurisprudencial ensej adora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes.
Acórdão que trate de exigência de multa isolada, de founa concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática refira-se a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência
de acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física. Precedentes.
IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - INCIDÊNCIA.
Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do
Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Súmula CARF n.° 39.
Recursos especiais do Contribuinte negado e da Fazenda Nacional não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.768
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso interposto pela contribuinte. Por maioria de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto que conheciam do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF. A divergência jurisprudencial ensej adora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes. Acórdão que trate de exigência de multa isolada, de founa concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática refira-se a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física. Precedentes. IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - INCIDÊNCIA. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF n.° 39. Recursos especiais do Contribuinte negado e da Fazenda Nacional não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-08-17T14:33:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-08-17T14:33:07Z; Last-Modified: 2010-08-17T14:33:07Z; dcterms:modified: 2010-08-17T14:33:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:34a375bd-93d0-4401-96c4-ed5d3378d50d; Last-Save-Date: 2010-08-17T14:33:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-08-17T14:33:07Z; meta:save-date: 2010-08-17T14:33:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-08-17T14:33:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-08-17T14:33:07Z; created: 2010-08-17T14:33:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-08-17T14:33:07Z; pdf:charsPerPage: 1454; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-08-17T14:33:07Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 1 -- MINISTÉRIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 14041.000074/2006-78 Recurso n° 153.553 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão n° 9202-00.768 — 2 Turma Sessão de 13 de abril de 2010 Matéria IRPF Recorrentes RODRIGO RODRIGUES MIRANDA e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF. A divergência jurisprudencial ensej adora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes. Acórdão que trate de exigência de multa isolada, de founa concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática refira-se a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física. Precedentes. IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - INCIDÊNCIA. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF n.° 39. Recursos especiais do Contribuinte negado e da Fazenda Nacional não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso interposto pela contribuinte. Por .ioria de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto que conheciam do ecurso. g CAR • S A BER 1 'REITAS BA' ETO- Presidente ELIAS SA PAIO FRE RE — Relator EDITADO EM: 14 MAIO MO Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em virtude de o acórdão recorrido ter descartado a possibilidade de aplicar-se de forma concomitante a multa de oficio e a multa isolada decorrente da ausência de recolhimento antecipado do imposto de renda de pessoa física. A Presidência da câmara recorrida, por entender preenchidos os requisitos de admissibilidade, deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou contra-razões. Também,. trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte em virtude de o acórdão recorrido ter mantido a exação incidente sobre a remuneração percebida por prestadores de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, contratados em território nacional. A Presidência da câmara recorrida, por entender preenchidos os requisitos de admissibilidade, deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou contra-razões. É o relatório. 2 Processo n° 14041.000074/2006-78 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.768 Fl. 2 Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator Por oportuno, transcrevo na integra a ementa do acórdão apresentado como paradigma no recurso especial da Fazenda Nacional: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — AC. 1998 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE — descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade de dispositivos legais, matéria sob a qual tem competência exclusiva o Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS - CONCOMITÂNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO E AÇÃO JUDICIAL —A impetração de Ação Judicial para discussão da mesma matéria tributada no Auto de Infração, importa em renúncia ao litígio administrativo, impedindo o conhecimento do mérito do recurso, resultando em constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO — CABIUMENTO - SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INFRINGENTES APÓS LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO — PROCESSO JUDICIAL EM CURSO — É cabível a manutenção de multa de oficio lançada na ausência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Apesar dos efeitos infringentes da decisão nos Embargos de Declaração publicados depois da ciência do lançamento, na data deste não havia suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A pendência de decisão judicial é questão prejudicial à exclusão da multa de oficio, por isso, esta deve ser mantida até a decisão judicial do mérito, que se for favorável à tese da autuada resultará em sua extinção. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - VALOR DECLARADO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — INEXISTÊNCIA DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA — DECLARAÇÃO INEXATA - CABIMENTO — Cabível o lançamento de oficio de parcela equivocadamente informada na DIPJ como estando com sua exigibilidade suspensa, por caracterizar a "declaração inexata" •constante da parte final do inciso I do artigo 44 da lei ne) 9.430/1996. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — Cabível a aplicação de multa de oficio, aplicada isoladamente, na falta de recolhimento da CSLL com Y\ 3 base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO — MESMA BASE DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratar-se de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido. E ainda, transcrevo, no que interessa, trecho do voto condutor do referido acórdão: Quanto à alegada aplicação em duplicidade de multa de oficio sobre a mesma base de cálculo ser vedado pelo ordenamento jurídico não há que ser acatado, tendo em vista que são duas penalidades por duas infrações à legislação tributária: a uma, a falta de recolhimento mensal da CSLL com base em estimativa (artigo 44, parágrafo único, inciso IV); a duas, a falta de recolhimento da CSLL apurada no ajuste do período de apuração (artigo 44, I). Como se vê, no acórdão paradigma, a aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de oficio prevista no art. 44, I da Lei n° 9.430/96 decorre da aplicação do artigo 44, § 1, inciso IV do mesmo diploma legal, aplicável, no caso, pela falta de recolhimento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido. Por seu turno, no acórdão recorrido, a aplicação da multa isolada decorre da ausência pagamento mensal do imposto de renda de pessoa física (carnê-leão), com fundamento no art. 44, § 1, inciso III da Lei n° 9.430/96. Inicialmente há de se salientar que a divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. FIXAÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCL4L NÃO CONFIGURADA. 1. A majoração do quantum indenizatório a título de dano moral é medida excepcional e sujeita a casos específicos em que for constatada condenação ao pagamento de valor irrisório, o que não ocorre nos autos. Precedentes. 2. A divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade, do prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser especifica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, embora idênticos os fatos que as ensejaram, o que não ocorre in casu. (GRIFEI) 3. Agravo regimental a que se nega provimento. l((\. 4 Processo n° 14041.000074/2006-78 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.768 Fl. 3 (AgRg no Ag 1092014 / RSAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENT02008/0200684-6, Relator Desembargador convocado do TJ/AP HONILDO AMARAL DE MELLO CASTRO, DJe 02/09/2009) DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONSTRIÇÃO PATRIMONIAL. REQUISITOS AUTORIZADORES DA MEDIDA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. AGRAVO REGIMENTAL IMPRO VIDO. I - Hipótese em que os agravantes tiveram constrição -patrimonial decretada em face de pedido do Ministério Público em Ação Civil Pública tendente a apurar irregularidades em certames licitató rios. II - Alegam os recorrentes que existem discrepâncias entre o acórdão recorrido, que reconheceu a possibilidade da constrição patrimonial, e decisão deste Tribunal Superior sobre matéria similar. III - A escorreita demonstração de dissídio jurisprudencial requer não apenas o apontamento de decisões díspares prolatadas por Tribunais diversos, mas antes de tudo que se verifique que as decisões conflitantes se deram ante a interpretação do mesmo dispositivo de lei federal. (GRIFEI) IV - Se, como no caso dos autos, Tribunais diversos divergem apenas quanto a quais fatos configurariam o fitmus boni iuris e o periculum in mora, não há interpretação divergente de dispositivos legais. V - Agravo regimental improvido. (AgRg no Ag 1120568 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRLTMENT02008/0242271-7, Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, DJe 10/06/2009) Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: RECURSOS. ADMISSIBILIDADE. - Só se configura a divergência entre julgados quando existem interpretações diferentes do mesmo dispositivo legal aplicado a situações semelhantes. Recurso especial não conhecido (GRIFEI) (Acórdão CSRF/02-02.128, Relator: conselheiro Antonio Carlos Atulim) Ademais, não se verifica, no precedentes citado, a perfeita similitude fática entre as hipóteses confrontadas, posto que o acórdão recorrido trata de ausência pagamento mensal do imposto de renda de pessoa física (carnê-leão), enquanto o acórdão paradigma trata de falta de recolhimento mensal da contribuição social sobre o lucro liquido. Portanto, acórdão que trate de exigência de multa isolada, de fauna concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática refira-se a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdlà , que não \.\ >cr, 5 exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física. Confira-se, nesse sentido, o seguinte precedente desta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL — INEXISTÊNCIA — RECURSO NÃO CONHECIDO — É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, . II, da Lei n° 9.430, de 1996. (Rec. Especial n° 102-151.750, acórdão n° 9202-00.136, Relator conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva) Por estas razões não merece ser conhecido o recurso da Fazenda Nacional. O Recurso especial do contribuinte é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à sua admissibilidade. A controvérsia em questão foi dirimida com a aprovação da súmula CARF n° 39, (publicada do DOU em 22.12.2009) in verbis: "Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vinculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física." Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. É como oto. Elias Sampais Freire - Relator 6
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Numero do processo: 11065.000668/2005-31
Data da sessão: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS.
É devida a glosa de créditos decorrentes do PIS não cumulativo, quando não forem observadas as normas que regem a matéria.
COMPENSAÇÃO. GLOSA PELA NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO ICMS CEDIDO.
O art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.8637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16, colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3301-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais (Presidente), Antonio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva (Relator), Gustavo Kelly Alencar, Maria Tereza Martinez Lopez e Tânia Mara Paschoalin.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. É devida a glosa de créditos decorrentes do PIS não cumulativo, quando não forem observadas as normas que regem a matéria. COMPENSAÇÃO. GLOSA PELA NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO ICMS CEDIDO. O art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.8637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16, colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais (Presidente), Antonio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva (Relator), Gustavo Kelly Alencar, Maria Tereza Martinez Lopez e Tânia Mara Paschoalin.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. É devida a glosa de créditos decorrentes do PIS não cumulativo, quando não forem observadas as normas que regem a matéria. COMPENSAÇÃO. GLOSA PELA NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO ICMS CEDIDO. O art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.8637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16, colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais (Presidente), Antonio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva (Relator), Gustavo Kelly Alencar, Maria Tereza Martinez Lopez e Tânia Mara Paschoalin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 06 68 /2 00 5- 31 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000668/200531 Acórdão n.º 3301000.390 S3C3T1 Fl. 152 2 Relatório Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Porto Alegre/RS, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: Trata o presente processo pedido de Restituição/Declarações de Compensação no qual a interessada busca a extinção de tributos administrados pela Receita Federal mediante a oposição de créditos originados de saldo credor do Pis nãocumulativo. A delegacia de origem reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao saldo credor de PIS não cumulativo , dado que a interessada deixou de oferecer à tributação as receitas decorrentes da transferência de créditos do ICMS a terceiros. A interessada apresentou, tempestivamente manifestação de inconformidade, endereçada a esta Delegacia de Julgamento, alegando que a fiscalização identificou supostas receitas não submetidas à tributação, apurou o montante devido e deduziu dos créditos verificados o valor correspondente sem formalizar o lançamento, acarretando cerceamento da defesa administrativa do contribuinte e impossibilidade de exigência de crédito tributário. Alega também inocorrência do fato gerador do Pis e da Cofins, discordando da glosa efetuada alegando que as operações de transferência de ICMS não se enquadram no conceito de receita, se tratando de mero ingresso, recuperação de despesa/custo, decorrente da sistemática de apuração do imposto que visa atender o principio constitucional da não cumulatividade. Isso posto, requer seja excluída a glosa procedida e reconhecido integralmente o direito creditório em favor do contribuinte. A decisão da DRJ Porto Alegre/RS que indeferiu a solicitação restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: Há incidência de Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, dada a existência de uma alienação de direitos classificados no ativo circulante. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando, preliminarmente, que os débitos apurados pela Fiscalização deviam ter sido objeto de lançamento e, no mérito, que a transferência de créditos de ICMS não configura fato gerador da contribuição. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000668/200531 Acórdão n.º 3301000.390 S3C3T1 Fl. 153 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Considerando o teor da decisão constante da ata de julgamento, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido do voto condutor do acórdão nº 3301.00.389, exarado na mesma data do presente e pela mesma turma julgadora, tratando da mesma matéria controvertida nestes autos: O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. A contribuinte se insurge, preliminarmente, contra a glosa de créditos pleiteados, entendendo que a exigência deveria ter sido formalizada por meio de lançamento. Não procede a alegação da recorrente, conforme se demonstrará. Se acaso a contribuinte fosse submetida a um procedimento de fiscalização e, no caso de contribuição não cumulativa, o auditor verificasse receita não oferecida à tributação, intimaria a contribuinte para refazer sua escrita fiscal, tendo em vista existência de crédito em valor superior ao débito. Contudo, se o débito fosse superior ao crédito, o agente fiscal efetuaria o lançamento da diferença, acrescido de multa. Portanto, no presente caso, tendo em vista que a interessada possuía créditos em montante superior à contribuição devida, corretamente procedeu o fisco ao glosar os créditos decorrentes do PIS não cumulativo, vez que não teriam sido observadas as normas que regem a matéria. No mérito a peticionante registra que a transferência de créditos de ICMS não configura fato gerador da Cofins e do PIS. Há de se reconhecer tratarse de assunto controvertido tendo posicionamento consoante ao da contribuinte o asseverado pelos ilustres autores Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi1, que em suas considerações registram não haver nenhuma receita a ser contabilizada na conta de resultado. Em sentido contrário se manifestou a autoridade administrativa por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 48, de 30/12/2004, a qual registra dentre outras considerações que: “Seja qual for o motivo que ensejou a cessão do crédito, v.g., decisão gerencial ou excessos resultantes de saídas por vendas para o exterior, a receita auferida na cessão daquele direito encontrase no campo de incidência das contribuições.” Por fim, a referida Solução de Consulta, quanto ao PIS, restou assim ementada: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000668/200531 Acórdão n.º 3301000.390 S3C3T1 Fl. 154 4 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Cessão de Créditos do ICMS (Tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins) CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO Os valores auferidos com a cessão de créditos do ICMS estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, do IRPJ e da CSLL. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; 25 e 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; 1º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003; 36, 41 e 49 da Instrução Normativa nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 4º da Instrução Normativa nº 355, de 29 de agosto de 2003. Porém, em que pese se tratar de assunto polêmico, por meio do art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16, o legislador se posicionou no seguinte sentido: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: [...] VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos). Contudo, a mesma Lei nº 11.945/09, por meio do seu art. 33 fixou a produção de efeitos do precitado inciso nos seguintes termos: Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1º de janeiro de 2009, em relação ao disposto: [...] c) no art. 16, relativamente ao inciso VII do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000668/200531 Acórdão n.º 3301000.390 S3C3T1 Fl. 155 5 Portanto, tendo em vista a manifestação formal do legislador acerca do dies a quo como sendo 01/01/2009 e, no presente caso, se referir a fato anterior, não há como concordar com o pleito da contribuinte. Dessa forma, votase no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11128.003457/2006-50
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/04/2005
EXPORTAÇÃO. DADOS DO REGISTRO DO EMBARQUE NÃO INFORMADOS NO TEMPO EXIGIDO. APLICAÇÃO DE MULTA ESPECÍFICA.
O embarque de mercadorias à revelia da tempestiva informação dos dados correspondentes no SISCOMEX caracteriza infração administrativa sujeita à aplicação de multa específica, no montante de R$ 5.000,00, por infração objeto do tipo da norma de direito tributário penal de que trata a alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei no 37/66, cujo núcleo é [...] deixar de prestar informação [...].
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva (relatora), Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Marco Antonio Perdigão (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado.
Nome do relator: Relatorf
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/04/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária, não se aplicando, pois, aos casos de cominação de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/04/2005 EXPORTAÇÃO. DADOS DO REGISTRO DO EMBARQUE NÃO INFORMADOS NO TEMPO EXIGIDO. APLICAÇÃO DE MULTA ESPECÍFICA. O embarque de mercadorias à revelia da tempestiva informação dos dados correspondentes no SISCOMEX caracteriza infração administrativa sujeita à aplicação de multa específica, no montante de R$ 5.000,00, por infração objeto do tipo da norma de direito tributário penal de que trata a alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei no 37/66, cujo núcleo é “[...] deixar de prestar informação [...]”. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 34 57 /2 00 6- 50 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva (relatora), Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Marco Antonio Perdigão (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. Relatório Tendo sido designado como redator ad hoc nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e dada a inexistência de relatório ou de qualquer outra memória concernente ao julgamento em tela, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Trata o presente de auto de infração, fls. 01/09, lavrado contra o contribuinte acima qualificado, com a exigência da Multa Regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, pelas razões a seguir expostas. Em 06/04/2005, as mercadorias objeto da Declaração de Despacho de Exportação – DDE nº 2050384678/3, foram liberadas sem conferência aduaneira, extrato Siscomex às fls.10, e embarcadas amparadas pelo Conhecimento de Transporte Internacional SSZ514589, em 11/04/2005. A empresa responsável pelo transporte da mercadoria informou os dados de embarque somente em 19/04/2005, extrato Siscomex às fls.11, em desacordo com o prazo estabelecido pela legislação de regência. Em decorrência desse fato foi lavrado o presente auto de infração com a proposta de aplicação da multa prevista no inciso IV, alínea ‘e’ combinada com a alínea ‘c’ do art. 107, do DecretoLei nº 37/66, com a redação do art. 77 da Lei nº 10.833/2003. O autuado foi intimado e cientificado, fls.17v., em 29/06/2005, tendo o contribuinte apresentando, por seu procurador, fls.46, a Impugnação, em 24/07/2005, fls. 18/28. Alega o contribuinte que: ao perceber o lapso temporal transcorrido, sanou o equívoco e procedeu ao registro do embarque das mercadorias, de forma voluntária e espontânea, antes de qualquer procedimento fiscal, sendo assim com fundamento no art. 138 do Código Tributário Nacional está excluída da responsabilidade dessa infração; foram preenchidos os requisitos previstos no art. 138 do CTN, ou seja, ausência de início de procedimento fiscal referente ao tributo em questão; auto denúncia e infração à legislação tributária relativa a obrigação de fazer (prestar declarações, registrar dados de embarque, etc.; há falta de tipificação da infração, conforme disposto na norma do art. 77 da Lei nº 10.833/03, ao fato concreto, pois não há lei que descreva que registrar dados de embarque com atraso no Siscomex é penalidade, Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11128.003457/200650 Acórdão n.º 3802000.154 S3TE02 Fl. 99 3 portanto não nem lei nem tipicidade cerrada para fim de aplicação da referida multa; desse modo a Instrução Normativa nº 28/94 é ilegal, criando infração sem respaldo em lei, conforme inclusive determina o art. 94,§ 1º do DL nº 37/66; a própria IN SRF nº 28/94 exigia que a Administração intimasse o exportador para corrigir sua falha, conforme art. 49, inciso I; o auto deve ser declarado nulo em razão do vício de ilegalidade e inconstitucionalidade da IN SRF nº 28/94; a declaração da impugnante não causou qualquer prejuízo ao Fisco e, conforme art. 22 da Lei nº 9.784/99, os atos do contribuinte desde que atinjam o objetivo, não necessitam se revestir de forma prescrita em lei. Traz à colação doutrina e jurisprudência do Conselho dos Contribuintes. Ao final, requer a improcedência do auto de infração e cancelamento da multa regulamentar. A primeira instância, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento objeto da lide em acórdão assim ementado: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/04/2005 MULTA POR EMBARAÇO Á FISCALIZAÇÃO. Comprovado que o registro pelo transportador, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias para exportação, ocorreu fora do prazo estipulado no § 2º da IN SRF nº. 28 de 1994, com redação da IN SRF nº. 510 de 2005, conforme orientação expressa na Solução de Consulta Interna nº. 8 de 14 de fevereiro de 2008, cabível a aplicação da multa prevista no inciso IV, alínea ‘e’ combinada com a alínea ‘c’ do art. 107, do DecretoLei nº 37/66, com a redação do art. 77 da Lei nº 10.833/03. Cientificado da referida decisão em 07/10/2008 (fls. 60v – fls. 63 da cópia do processo digitalizada e acostada ao eprocesso), o sujeito passivo apresentou, em 06/11/2008 (fls. 63), o recurso voluntário de fls. 63/91, onde reitera os argumentos apresentados na primeira instância e requer seja dado provimento ao seu recurso com o conseqüente cancelamento da autuação formalizada contra si. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que a conselheira relatora, Maria de Fátima Oliveira Silva, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009: Ressalvado o meu entendimento pessoal – no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso – reproduzo, abaixo, o voto objeto da decisão de primeira instância, já que inexiste qualquer memória sobre o julgamento do feito por este Conselho. Trata o presente de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, com a exigência da Multa Regulamentar, no valor de R$5.000,00, por descumprimento de norma regulamentar. As mercadorias objeto de exportação (DDE nº 2050384678/3), foram liberadas sem conferência aduaneira, em 06/04/05, e embarcadas amparadas pelo Conhecimento de Transporte Internacional SSZ514589, em 11/04/05. A empresa responsável pelo transporte das mercadorias informou os dados de embarque somente em 19/04/2005, extrato Siscomex às fls.11, em desacordo com o prazo estabelecido pela legislação de regência, o que motivou a lavratura do presente auto de infração com a proposta de aplicação da multa prevista no inciso IV, alínea ‘e’ combinada com a alínea ‘c’ do art. 107, do DecretoLei nº 37/66, com a redação do art. 77 da Lei nº 10.833/2003. O autuado em sua Impugnação apresentada tempestiva, motivo pelo qual passo a examinála, alega que: 1) ao perceber o lapso temporal transcorrido, sanou o equívoco e procedeu ao registro do embarque das mercadorias, de forma voluntária e espontânea, antes de qualquer procedimento fiscal, sendo assim com fundamento no art. 138 do Código Tributário Nacional está excluída da responsabilidade dessa infração; foram preenchidos os requisitos previstos no art. 138 do CTN, ou seja, ausência de início de procedimento fiscal referente ao tributo em questão; auto denúncia e infração à legislação tributária relativa a obrigação de fazer (prestar declarações, registrar dados de embarque, etc.; Vamos então nos contrapor a alegação de que estaríamos diante da figura da denúncia espontânea prevista no art. 138 da Lei nº 5.172/66 Código Tributário Nacional. Inicialmente cabe transcrevêlo no seu inteiro teor: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único.Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada com a infração.” A denúncia espontânea, capaz de afastar a imposição de penalidades, tal como configurada no Código Tributário Nacional, no art. 238, é aquela iniciada antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada com a infração, tendo por pressuposto básico o total desconhecimento do Fisco acerca da existência do tributo denunciado. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11128.003457/200650 Acórdão n.º 3802000.154 S3TE02 Fl. 100 5 Assim, o que se constata inicialmente é que a denúncia espontânea como disposta no art. 138 do CTN, pode ser aplicada na hipótese em que o tributo é devido, o que não é o caso presente, onde não há exigência de qualquer tributo. Portanto não aplicável à matéria sob exame. Por outro lado, conforme estabelecido no seu parágrafo único, ela é inaplicável após o início de ‘qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização’. Ora, no caso sob exame, os procedimentos administrativos estavam em curso, relativamente ao despacho aduaneiro de exportação, pois o mesmo só se concluiria com a o ato previsto no art. 46 da IN SRF nº 28/1994, conforme transcrevo: “Art. 46. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria. § 1º Nas exportações por via aérea ou marítima, a averbação será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art. 37”. E o art. 37, com a nova redação do art. 1º da IN SRF nº 510/2005, determina que: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." Como se infere, os procedimentos de fiscalização estavam em andamento, pois para sua conclusão tem que se aguardar a averbação do embarque, no Siscomex, e, se tal não ocorrer, a mesma deveria ser suprida pelo auditor, após pesquisa a ser realizada para constatar se a mercadoria de exportação foi efetivamente embarcada para o exterior. Portanto, ainda pela vedação do referido parágrafo único não se poderia aceitar o cabimento da figura da denúncia espontânea ao caso concreto. Alega a impugnante que ‘a própria IN SRF nº 28/1994 exigia que a Administração intimasse o exportador para corrigir sua falha, conforme art. 49, inciso I’. Sendo assim, vamos transcrever esse dispositivo infralegal: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 “Art. 49. Quando a averbação não se processar automaticamente, caberá à fiscalização aduaneira realizála, com registro, no Sistema, das divergências constatadas. § 1º Para proceder à averbação do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria, na forma deste artigo, o AFTN deverá certificarse da origem da divergência e, sem prejuízo da adoção de outras medidas legais cabíveis: I exigir, do transportador ou do exportador, quando couber: a correção dos dados de embarque registrados no Sistema; a apresentação dos documentos comprobatórios de correções nos documentos de embarque; ou a correção dos documentos fiscais e comerciais que instruíram o despacho;” Interpretando esse art. 49, o que o mesmo trata é da hipótese de descumprimento da obrigação acessória por parte do transportador, determinando então que a própria fiscalização deverá suprir essa lacuna promovendo a referida averbação. E não tendo os dados necessários deverá exigilos do transportador ou do exportador. Entretanto, não podemos ir mais além do que diz a norma, ou seja, de que tal procedimento liberaria o transportador da penalidade, o que não condiz com a verdade. Parecenos claro que o legislador pretendeu que a informação não prestada fosse promovida pela fiscalização, a fim de que o despacho aduaneiro de exportação pudesse ser concluído, mas em nenhum momento há referência a possível dispensa de aplicação de penalidade. Alega a defendente que ‘a Instrução Normativa nº 28/1994 é ilegal, criando infração sem respaldo em lei, conforme inclusive determina o art. 94, § 1º do DL nº 37/66 e que ‘há falta de tipificação da infração, conforme disposto na norma do art. 77 da Lei nº 10.833/2003, ao fato concreto, pois não há lei que descreva que registrar dados de embarque com atraso no Siscomex é penalidade, portanto não nem lei nem tipicidade cerrada para fim de aplicação da referida multa’. Em resposta, vamos nos fundamentar na Solução de Consulta Interna nº. 8, de 14 de fevereiro de 2008, da Coordenação do Sistema de TributaçãoCosit: “(...) A CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana), por meio da Consulta Interna no 001, de 2006, solicita a esta CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) posicionamento acerca das regras para aplicação do art. 37 da Instrução Normativa (IN) SRF no 28, de 27 de abril de 1994, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação, com a nova redação da IN SRF no 510, de 14 de fevereiro de 2005. 2. Destaca a interessada que a IN SRF no 28, de 1994, ao disciplinar o despacho aduaneiro de exportação, determinara em seu art. 37 que “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), com base nos documentos por ele emitidos”. A Notícia Siscomex no 105, de 27 de julho de 1994, entendeu a expressão “imediatamente após” como o prazo de até 24 (vinte e quatro) horas do efetivo embarque das mercadorias. Cabe lembrar que o art. 44 da IN SRF no 28, de 1994, caracteriza o descumprimento do disposto no art. 37 como embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11128.003457/200650 Acórdão n.º 3802000.154 S3TE02 Fl. 101 7 sujeitando o infrator ao pagamento de multa prevista no art. 107 do Decretolei no 37, de 18 de novembro de 1966. 3. Ocorre que a IN SRF no 510, de 2005, deu nova redação ao art. 37 da IN no 28, de 1994, e estabeleceu os prazos de dois dias (via aérea) e de sete dias (via marítima) para o registro dos dados de embarque no Siscomex. Diante deste conjunto de regras, a consulente apresenta os seguintes questionamentos: a) à situação em curso cabe a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), devendose lançar a multa apenas nos casos em que os dados de embarque foram informados após dois ou sete dias após o embarque, para as vias de transporte aérea e marítima, respectivamente, mesmo antes da vigência da IN SRF no 510, de 2005? b) se deve ser aplicada ao transportador a multa de R$ 5.000,00 para cada declaração de exportação (DE) com dados de embarque informados fora do prazo ou, tendo em vista o disposto no art. 99 do Decretolei no 37, de 1966, que trata da aplicação e graduação das penalidades, deve ser aplicada apenas uma multa de R$ 5.000,00, por transportador, para todas as DE cujos dados de embarque este tenha informado fora do prazo? Fundamentos Da retroatividade benigna da lei tributária 4. A IN SRF no 28, de 1994, em seu art. 37, antes e após a nova redação dada pela IN no 510, de 2005, e em seu art. 44, assim tratou a matéria: IN SRF nº 28, de 1994 (redação original) Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (...) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. IN SRF nº 28, de 1994, com a redação da IN SRF nº 510, de 2005. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN no 510, de 2005) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (...) 4.1. A multa de que tratava o art. 107 do Decretolei no 37, de 1966, antes de sofrer nova redação pela Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, assim dispunha: Art.107 Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pelo Decreto Lei nº 751, de 08/08/1969) I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (Redação dada pelo DecretoLei nº 751, de 08/08/1969) (...) 5. Como pode se perceber, o art. 44 da IN SRF no 28, de 1994, estabelece que o descumprimento do disposto no art. 37 daquela norma é considerado embaraço à fiscalização, punível com multa pecuniária. 5.1. Descumprir a lei é desobedecer a seu comando, é agir de forma diferente à conduta por ela imposta, independentemente de se ter ou não como objetivo alcançar uma vantagem ou evitar um prejuízo para si ou para outra pessoa. Contudo, a norma infracional em análise não dispõe de comando completo. O que seria o embaraço à fiscalização na hipótese de não apresentação de documentos à fiscalização? Assim, a norma, da forma com está colocada, é verdadeira norma penal em branco, uma vez que o agente deve descumprir determinada obrigação acessória, que não está definida na lei de regência da matéria mas sim em norma infralegal, para ser considerado infrator. 5.2. Nestes termos, o comando constante do art. 37 da IN SRF no 28, de 1994, tem por objetivo criar obrigação acessória, a qual, se não observada, será considerada conduta infracional por parte do sujeito passivo. O referido artigo, vem completar a norma penal em branco, devendo ser entendido e interpretado em conjunto com a norma propriamente dita. 6. O art. 97 do CTN, tratando das leis, tratados e convenções internacionais e decretos, assim dispõe: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; (...) V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; (...) 6.1. Segundo o professor Hugo de Brito Machado (Comentários ao Código Tributário Nacional, Volume II, pág. 64), a adequada compreensão do inciso V acima transcrito demanda sua interpretação em conjunto com o estabelecido no inciso III, do mesmo artigo, o que leva a concluir que a definição do fato gerador da obrigação acessória não se inclui no campo da reserva legal. Acrescenta: Realmente, o inciso V faz referência a penalidades para ações ou omissões contrárias a dispositivos de lei, e também a penalidades para outras infrações nela definidas. Toda ação ou omissão contrária a um dispositivo de lei constitui infração. Existem, porém, outras infrações nela definidas, que são exatamente as consubstanciadas em ações ou Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11128.003457/200650 Acórdão n.º 3802000.154 S3TE02 Fl. 102 9 omissões contrárias a dispositivos da legislação tributária inferior que estabelece as denominadas obrigações acessórias.” 6.2. Do entendimento do art. 97, constatase que as leis podem cominar penalidades para o descumprimento das obrigações acessórias. Nesse caso, não há como negar que a mudança da norma complementar, que cria determinada obrigação acessória, acaba por afetar o alcance da lei. O princípio da retroatividade benigna deve ser, então, analisado pela situação jurídica nova que veio a beneficiar o contribuinte, mesmo sendo essa nova situação provocada pela mudança da legislação tributária inferior. 6.3. Nesse sentido Hugo de Brito Machado complementa (Comentários ao Código Tributário Nacional, Volume II, pág. 178): É razoável também o entendimento segundo o qual se aplica retroativamente a lei que de qualquer forma favorece o contribuinte no que diz respeito a sanções por suas infrações a legislação tributária. Nesse sentido registrase manifestação do Conselho Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, assim expressa: Aplicase retroativamente a norma que, conceituando reincidência de maneira mais favorável ao infrator, por limitar o lapso de tempo de cometimento da nova infração em relação à anterior, implica no desagravamento da penalidade. 7. Já a retroatividade benigna da lei tributária concernente a penalidades é a manifestação, no âmbito do Direito Tributário, de um princípio fundamental do Direito Penal, a determinar a aplicação retroativa de lei mais favorável ao réu, ou acusado. O art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 8. Conforme destacado no item 4, a IN no 28, de 1994, em seu art. 37, estabelecia o prazo para o registro dos dados de embarque da mercadoria, pelo transportador, no Siscomex, como sendo “Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria (...)”: 8.1. O sentido do vocábulo “imediatamente” foi esclarecido pela Notícia Siscomex no 105, de 27 de julho de 1994, a qual é a seguir reproduzida: 2) Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “ em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. 8.2. A IN SRF no 510, de 2005, ao dar nova redação ao art. 37 da IN SRF no 28, de 1994, definiu como prazos para registro dos dados do Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. 9. Observase que o art. 37, com a redação dada pela IN SRF no 510, de 2005, é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. O aumento do prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, excluiu de sanções os registros feitos depois de 24 horas e antes de dois dias, bem como os registros feitos depois das 24 horas e antes de 7 dias, na hipótese de embarque marítimo. A legislação tributária deixou de definir, como infração, o registro dos dados nesses intervalos de tempo, o que tornou a nova situação jurídica mais benéfica ao transportador, devendo, portanto, ser aplicada a retroatividade benigna disposta na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pois deixou de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão”.’ Quanto a alegação de que o auto deve ser declarado nulo em razão do vício de ilegalidade e inconstitucionalidade da IN SRF nº 28/1994, cumpre ressaltar que os julgadores integram as Delegacias de Julgamento que é uma unidade da Receita Federal do Brasil, órgão integrante da estrutura básica do Ministério da Fazenda, a qual compete julgar administrativamente, no âmbito de suas respectivas atribuições, os processos de exigência de créditos tributários relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. Dessa forma, não está prevista, para este órgão, a competência para pronunciarse a respeito da conformidade da lei, validamente editada segundo o processo administrativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou a inaplicabilidade ao caso expressamente nela previsto, matéria reservada, também por força de dispositivo constitucional, ao Poder Judiciário. Por derradeiro, alega a impugnante que seu ato ‘não causou qualquer prejuízo ao Fisco e, conforme art. 22 da Lei nº 9.784/1999, os atos do contribuinte desde que atinjam o objetivo, não necessitam se revestir de forma prescrita em lei’. A propósito, devemos recordar o que dispõe o art. 602 do Decreto nº 4.543/2002 – RA, que regulamentou o art. 94 do DecretoLei nº 37/1966: “Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (grifo nosso).” Como se infere o legislador quis enfatizar que, ocorrido o ato infracional, pouco importa a intenção do agente, devendo, por conseqüência ser aplicada a penalidade prevista na legislação de regência. Assim, VOTO pela Procedência da exigência do crédito devido relativamente a Multa aplicada (inciso IV, alínea ‘e’ combinada com a alínea ‘c’ do art. 107, do DecretoLei nº 37/66, com a redação do art. 77 da Lei nº 10.833/03). Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11128.003457/200650 Acórdão n.º 3802000.154 S3TE02 Fl. 103 11 Este, portanto, foi o entendimento dado pela primeira instância, que, como dito, é aqui reproduzido uma vez que não há memória concernente ao julgamento do feito pelo CARF. A título de informação, ressalto que esta Turma de julgamento, mesmo com formação diversa daquela em que o presente feito foi julgado, tem entendido que a não prestação de informação sobre carga proveniente do exterior na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal se subsume ao tipo sancionado pelo artigo 107, inciso IV, alínea “e”, c/c artigo 37, caput e § 2º, todos do Decretolei nº 37, de 1966. No mais, em relação à denúncia espontânea, este Colegiado também tem entendido que referido instituto exclui somente as penalidades de natureza tributária, não se aplicando, pois, aos casos de cominação de multa imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10120.006882/2007-99
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004, 2007
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-000.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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NULIDADE. São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, lavraramse autos de infração formalizando a exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 68 82 /2 00 7- 99 Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 3 0/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos calendário de 2003, 2004 e 2007, nos valores respectivos de R$ 709.585,75 e R$ 318.295,92, incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Em 19/09/2007, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, atinentes aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2007, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 1.027.881j67, assim discriminados por exação fiscal: (...) Em síntese, durante o procedimento de verificações obrigatórias, que abrangeu a CIA THERMAS DO RIO QUENTE e as sociedades em conta de participação (SCP), constatou a Fiscalização divergências entre os valores escriturados e os deçlarados/pagos. Além disso, diante da análise da escrituração, decidiu a autoridade fiscal excluir os créditos da nãocumulatividade apurados pela contribuinte. Foi elaborada a planilha de fls. 478, na qual foram excluídas da base de apuração de créditos as contas COMERCIALIZAÇÃO RQVC, COMISSÕES RQVC, COMISSÕES AGÊNCIAS VISITANTES, COMISSÕES AGÊNCIAS HOSPEDAGENS E MARKETING RQVC, que haviam sido consideradas, pela contribuinte, como insumos utilizados na prestação de serviços. Esclarece a Fiscalização que tais contas foram contabilizadas pela contribuinte equivocadamente como custos de venda, quando, na realidade, tratamse de despesas operacionais classificáveis como despesas de vendas. Cientificada dos lançamentos, em 03/10/2007 ("AR" às fls. 528), a interessada apresentou as impugnações de fls. 532/568 (PIS) e 599/607 (COF1NS) e respectivos anexos, ambas em 01/11/2007 (protocolo de recepção às fls. 532 e 599). Apoiada nos documentos já acostados aos autos, dispõe sobre o seguinte, em síntese, na impugnação de fls. 532/568, relativa ao PIS: • discorre sobre os fatos; • requer que sejam considerados créditos de PIS/Pasep no âmbito as Sociedades em Conta de Participação SCP, apurados entre janeiro e outubro de 2003, nos termos em que previsto no art. 3o , inc. II, da Lei n° 10.637/02, seguindo em anexo, para efeitos de comprovação dos valores, balancete de Contas e Subcontas referente ao exercício de 2003, bem como planilha de cálculo com a revisão dos valores supostamente devidos pela Impugnante; Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 3 0/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.006882/200799 Acórdão n.º 3202000.898 S3C2T2 Fl. 1.027 3 • requer seja determinada diligência, para que sejam efetivamente apurados os valores realmente devidos a título da contribuição em questão ou, ainda, sejam reconhecidos, de plano, com base nos documentos apresentados, a legitimidade dos créditos descontados pela Impugnante no período compreendido entre janeiro e outubro de 2003, para apuração dos recolhimentos de PIS submetida ao regime nãocumulativo; • requer seja considerada a existência de recolhimentos efetuados através de DARFs, relativo ao PIS devido para o mês de agosto de 2003, que por mero e simples erro material não foram informados em DCTF; • afirma ainda que no mesmo mês de agosto de 2003, além de ter promovido os recolhimentos informados, ainda realizou recolhimento outro através de DARF, igualmente não informado em DCTF por força de erro material, no elevado valor de R$50.898,00, dos quais parte, no valor de R$33.306,7, restou sendo utilizado para compensação com outros tributos, remanescendo, assim, um saldo credor de R$17.591,43, a título de recolhimento de exação PIS, que deverá ser apropriado ou descontado para fins de abatimento dos valores supostamente devidos pela Impugnante; • para fins de comprovação desses recolhimentos não considerados pela Autoridade Tributária, vein a Impugnante requerer juntada dos comprovantes de arrecadação em anexo, referentes às quantias acima referidas, ficando, desde já, requerida a compensação ou desconto liminar desses valores com os aqueles supostamente devidos em sede desse Auto de Infração; • requer o aproveitamento do saldo credor de R$2.472,50 apurado pela Fiscalização, referente ao mês de fevereiro de 2003; • alega que a Impugnante é sociedade prestadora de serviços de hotelaria, cujas atividades sociais compreendem, essencialmente, a oferta de alojamento temporário a seus hóspedes e o desenvolvimento de atividades voltadas à promoção do lazer e diversão; • a Autoridade Fiscal, adotando critério pessoal de interpretação fulcrado essencialmente nas noções conceituais de custos e despesas com base ria legislação do IRPJ, glosou o creditamento da Impugnante quando da apuração dos valores a título de PIS/PASEP, dos valores referentes às aquisições de "INSUMOS", utilizados em sua prestação de serviço, referentes, basicamente, ao pagamento de despesas com comercialização de suas unidades hoteleiras e de seus equipamentos de lazer e publicidade; • ou seja, aqueles créditos decorrentes do pagamento de despesas com comercialização e marketing, assumidos pela Impugnante como insumos necessários e imprescindíveis na prestação de seus serviços, restaram sendo todos glosados, ao Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 3 0/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 simplório argumento de que essas "despesas" não "integrariam" o produto final da Impugnante, sem que se tenha apercebido; • contudo, não se discute aqui a aplicação das noções conceituais de "custos" ou de "despesas", mas, sim, consoante asseverado acima, sobre a acepção do termo "insumo" no contexto do desenvolvimento das atividades de prestação de serviços assumidas pela Impugnante; • a sistemática de nãocumulatividade da exação em comento não adotou aqueles conceitos próprios da chamada "Contabilidade Fiscal ou de Custos" para fins de definição daquele leque de bens e materiais que gerariam créditos quando de sua aquisição para integração no produto final do respectivo contribuinte, pois o termo "insumo" empregado na redação do inc. II, do art. 3", da Lei n° 10.637/02, possui abrangência seja teleológica ou semântica absolutamente diversa daquela afeita aos conceitos positivados de "custos" e "despesas" assumidos pela referida Autoridade em sua atividade exatoria, de forma passional; • a conceituação do termo "insumo" deve ser relativizada de acordo com a natureza da atividade desenvolvida pelo respectivo contribuinte, em especial, quando se tratar de empresas prestadoras de serviços, para as quais a acepção daquele termo deve ser ainda mais abrangente, tendo em vista que, caso contrário, pouquíssimos seriam aqueles bens ou serviços que poderiam ser considerados como insumos, conforme alerta HIROMI HIGUCHI; • o conceito de "insumo" também não guarda qualquer identidade com o significado que lhe confere a legislação do IPI e ICMS, a qual determina que insumos são apenas aqueles bens que integram o produto final, pois, consoante antevisto, as empresas prestadoras de serviços, tal como a Impugnante, também se sujeitam à sistemática não cumulativa de recolhimento não sendo, por conseguinte, tal modalidade de recolhimento uma exclusividade das indústrias, as quais empregam aqueles bens na fabricação de seus produtos destinados á venda; • cita doutrinadores que esclarecem que o conceito de "insumos" para fins de legislação do PIS/Pasep c extremamente mais abrangente que aquele adotado pela legislação do IPI, e que tal conceito deve ser analisado e adaptado a cada produto ou atividade, em especial quando se tratar de prestação de serviços; • discorre que não pode passar despercebido que a Impugnante NÃO produz ou mesmo comercializa BENS (à exceção de alimentos, bebidas e alguns souvenires), mas, tão somente, ao promover o desenvolvimento de suas atividades principais, presta SERVIÇOS de hotelaria, lazer e turismo, colocando assim à disposição da coletividade em geral suas dependências para regular fruição de períodos de lazer e descanso; • o "produto final" disponibilizado pela Impugnante aos seus clientes são suas próprias UNIDADES HOTELEIRAS e PARQUES AQUÁTICOS, os quais já se encontram construídos, prontos e acabados para fruição e uso por parte de seus Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 3 0/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.006882/200799 Acórdão n.º 3202000.898 S3C2T2 Fl. 1.028 5 hóspedes e clientes, sendo evidente portanto que todas aquelas despesas contraídas pela Impugnante para viabilizar o desenvolvimento de suas atividades aí incluídas despesas com comercialização e publicidade são e deverão ser consideradas, por óbvio, como INSUMOS necessários à prestação de seus serviços, passíveis de apropriação de créditos referentes à contribuição para o PIS/Pasep, nos termos em que detemiinado pela Lei n° 10.637/02; • por isso mesmo, mostrase de absoluta obviedade e clareza o fato de que, por ser empresa prestadora de serviços de hotelaria, lazer e turismo, a Impugnante pode e deve considerar aquelas despesas incorridas com o pagamento de comissões e marketing como insumos necessários a sua prestação de serviços, eis que esses serviços (comercialização e publicidade) compõem o produto final por ela comercializado, qual seja, a promoção do lazer e do turismo em suas dependências e parques aquáticos; • discorre sobre o produto específico denominado "Rio Quente Vacation Club RQVC", no qual compõem e integram, como "parte(s) integrante(s) do Sistema de Tempo Compartilhado'", no caso, o negócio jurídico disponibilizado pela Impugnante sob a denominação RQVC, o empreendedor, o comercializador, o operador, o administrador de intercâmbio e o cessionário do direito de ocupação, sendo a própria Companhia Thermas do Rio Quente o empreendedor, o comercializador e o operador, o administrador de intercâmbio a RCI Resort Condominiums International e o cessionário do direito de ocupação os clientes adquirentes do produto RQVC; • ou seja, a Impugnante disponibiliza ainda um produto DETERMINADO, ESPECÍFICO e REGULAMENTADO aos seus clientes, qual seja, o chamado RQVC, aonde apropria todos aqueles créditos de PIS gerados com a contratação ou pagamento a qualquer daquelas partes que, por força de norma legal (Deliberação Normativa n" 378/1997), são consideradas partes integrantes dessa relação jurídica tipificada; • assim, resta concluir que aqueles valores apurados nas contas glosadas pela Autoridade Fiscal, classificados como "despesas de representação comercial", representam, sim, insumos para a prestação dos serviços vinculada especificamente ao produto RQVC, conforme regulamentação do próprio Instituto Brasileiro de Turismo EMBRATUR, através da Deliberação Normativa n° 378/97, a qual, repitase insistentemente, considera o empreendedor, o comercializado^ o operador e o administrador de intercâmbio, partes integrantes e intrínsecas do processo de comercialização e fruição desse produto hoteleiro; • conforme observado pela própria Autoridade Fiscal, "a condição para gerar crédito é que sejam serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço", sendo que, exatamente com base nessa mesma premissa é que a Impugnante, creditouse daquelas despesas incorridas com "a comercialização do produto RQVC", "comissões pagas pela venda do produto", e Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 3 0/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 "propaganda e marketing relacionadas especificamente com o produto RQVC", despesas essas absolutamente intrínsecas à fabricação do produto RQVC, subsumidas portanto no conceito de "insumo" adotado pela legislação pertinente à contribuição para o PIS/Pasep; • ou seja, a Impugnante disponibiliza ainda um produto DETERMINADO, ESPECÍFICO e REGULAMENTADO aos seus clientes, qual seja, o chamado RQVC, aonde apropria todos aqueles créditos de PIS gerados com a contratação ou pagamento a qualquer daquelas partes que, por força de norma legal (Deliberação Normativa n" 378/1997), são consideradas partes integrantes dessa relação jurídica tipificada; • cita lições doutrinárias na qual se esclarece com propriedade que a contratação de serviços (como, p.ex., o agenciamento e a publicidade) para a prestação de serviços outros deve ser, induvidosamente, considerada como insumo; • assim, entende ser evidente a impropriedade e ilegalidade do lançamento ora combatido, tendo em vista que, da própria essência conceitualteleológica do termo "insumo" empregado na redação do art. 3 o , inciso II da Lei n° 10.637/02, depreende se que as despesas incorridas pela Impugnante com comercialização e publicidade devem ser consideradas como "insumos necessários" à prestação de seus serviços de hotelaria e lazer, isso, considerandose as próprias especificidades do ramo de atividade por ela desenvolvido, bem como, especialmente, as peculiaridades da composição do produto RQVC, cuja contabilização é feita em separado daquelas inerentes às suas atividades ordinárias de hotelaria e de prestação de serviços de lazer; • protesta pela realização de todas as provas cm direito admitidas, em especial, prova documental e pericial a fim de comprovar seus articulados de defesa. Por sua vez, apoiada nos documentos já acostados aos autos, dispõe sobre o seguinte, em síntese, na impugnação de fls. 599/607, relativa ao COFINS: • discorre sobre os fatos; • requer seja considerada a existência de recolhimentos efetuados através de DARFs, relativo ao PIS aos meses de abril, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003, que por mero e simples erro material não foram informados em DCTF; • requer seja determinada diligência, para que sejam efetivamente apurados os valores realmente devidos a título da contribuição em questão, ficando desde já requerida a compensação ou desconto liminar desses valores com aqueles supostamente devidos em sede desse Auto de Infração; • requer o aproveitamento do saldo credor de R$2.543,48 apurado pela Fiscalização, referente ao mês de agosto de 2003; Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 3 0/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.006882/200799 Acórdão n.º 3202000.898 S3C2T2 Fl. 1.029 7 • protesta pela realização de todas as provas em direito admitidas, em especial, prova documental e pericial a fim de comprovar seus articulados de defesa. Consoante despacho às fls. 659, constatou a unidade preparadora que a impugnação é parcial, tendo em vista que o sujeito passivo efetuou o pagamento da parte não impugnada, por meio de DARF ou PER/DCOMP, sérldo que, referente ao PIS, relativa aos fatos geradores compreendidos entre 31/01/2004 e 28/02/2007, e à COFINS, á todo o crédito tributário apurado pela Fiscalização, conforme demonstrado no "Extrato do Processo" de fls. 656/658. Por sua vez, os créditos de PIS cujos fatos geradores encontram se compreendidos entre 31/01/2003 e 30/11/2003, encontramse com a situação "Suspenso Julgamento Da Impugnação". É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília julgou, noutros termos, improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/RJ2 n.º 03 27.893, de 14/11/2008 (fls. 677/688), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004, 2007 CRÉDITOS. RECONHECIMENTO. Mera alegação, por si só, não se mostra suficiente para o reconhecimento dos créditos, sendo necessário o suporte de provas que demonstrem, inequivocadamente, a existência dos valores requeridos pela impugnante. COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DIFERENÇAS A MAIOR. APROVEITAMENTO. Não compete ao lançador executar, de ofício, procedimentos que são afetos ao sujeito passivo, reconhecendo diferenças de períodos em que a Fiscalização apurou valores a maior declarados pela impugnante. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica que sejam intrínsecos à atividade e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o FINANCIAMENTO Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 3 0/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003, 2004, 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a parcela do crédito com a qual o sujeito passivo aquiesceu e efetuou o recolhimento do valor exigido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2007 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PROTESTO PELA JUNTADA DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. Para que seja deferido o pedido de diligência ou perícia, cabe formular o requerimento consoante o disposto no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 (PAF), além de fundamentar adequadamente a sua necessidade. Por sua vez, as provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação, sob pena de preclusão processual, exceto nas situações previstas no art. 16, § 4° do PAF, cujo ônus da prova é do impugnante. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 692/713, por meio da qual alega, depois de descrever os fatos: Preliminarmente A decisão recorrida incorreu em flagrante negativa de prestação jurisdicional, uma vez que deixou de apreciar grande parte do teor da Impugnação ao Auto de Infração, sequer analisando os argumentos suscitados em relação à existência de recolhimentos previamente efetuados através de competentes Documentos de Arrecadação de Receitas Federais DARFs, a título de Cofins, referentes aos meses de abril, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003, que, por mero e simples erro material, acabaram não sendo informados na Declaração de Débitos Tributários Federais DCTF do período de referência. Simplesmente ignorou tais alegações, não chegando sequer em adentrar na análise da questão. Por isso, impõese declarar a nulidade da decisão. Mérito Caso a preliminar venha a ser desconsiderada, cumpre novamente ressaltar que a Autoridade Fiscal que presidiu esse procedimento teve por bem desconsiderar, em sede de sua autuação, a existência de recolhimentos efetuados pela Recorrente através de DARFs, a título da exação COFINS, referentes aos meses de abril, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003, que, por força de mero e simples erro material, acabaram não sendo informados na DCTF apresentada pela Recorrente no período em referência. Por isso, e agora ressaltando a aplicabilidade do Princípio da Verdade Real, cumpre requerer a juntada dos comprovantes de arrecadação, em anexo, para fins de comprovação do recolhimento das quantias em questão, impondose seja declarada a compensação ou abatimento ex officio desses recolhimentos com as obrigações tributárias Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 3 0/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.006882/200799 Acórdão n.º 3202000.898 S3C2T2 Fl. 1.030 9 lançadas. É plenamente possível a juntada de documentação em sede de fase recursal, em atenção ao PRINCÍPIO DA VERDADE REAL. Os referidos recolhimentos ignorados pela Autoridade Tributária na recomposição dos saldos devedores da exação COFINS apurada na sistemática não cumulativa no período em referência não restaram sendo declarados em respectiva DCTF por mero erro material, sendo que, para os efeitos ora pretendidos, não se pode olvidar que por erro de fato ou material entendese aquele erro cometido pelo contribuinte por força e em razão de desatenção ou equívoco grosseiro de preenchimento ou matemático, diferenciandose, diametralmente, daquele outro denominado como erro de direito, insusceptível, aprioristicamente, de correção ex officio não obstante a clara inconstitucionalidade deste entendimento fiscal. Referidos erros materiais incorridos pela ora Recorrente jamais poderiam impedir fosse constatada a extinção das obrigações tributárias aqui lançadas, vez que a própria Autoridade Tributária que presidiu esse procedimento poderia, de ofício, promover as diligências necessárias nesse sentido, na medida em que a IN SRF 600/05 expressamente autoriza sejam promovidos procedimentos para tanto. A própria sistemática de apuração não cumulativa impõe a avaliação da existência dessa relação débito e crédito de forma constante. Por fim, consoante se depreende a análise do Demonstrativo de COFINS, constante às fls. 487, desses autos, verificase que foi apurado pela Autoridade Tributária que presidiu esse procedimento no mês de agosto de 2003 um saldo credor (créditos passíveis de desconto) no valor de R$ 2.543,48, o qual, entretanto, não se sabe por que, não foi aproveitado por essa Secretaria da Receita Federal do Brasil na apuração dos supostos valores devidos pela Recorrente referentes à COFINS. Por isso mesmo, impõese seja apropriado ou descontado o aludido saldo credor pela Autoridade Tributária competente para tanto, no valor de R$ 2.543,48, para fins de compensação dos valores supostamente devidos pela Recorrente a título da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, objeto do Auto de Infração em voga. À fl. 954 dos autos, encontrase cópia de reconhecimento, pela Recorrente, de parte dos valores lançados (foram extintos por pagamento ou transferido para processo administrativo diverso; fl. 1025). É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Preliminarmente, afirma a Recorrente que a instância de origem deixou de apreciar a alegação de que promoveu recolhimentos a título de Cofins referentes aos períodos de apuração de abril, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003. Com efeito, analisando o voto condutor do acórdão recorrido, constatase que restou apreciada apenas a alegação de que havia sido recolhido, através de DARF, o PIS devido em agosto de 2003, embora não se o tenha admitido em face da ausência de provas Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 3 0/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 carreadas na impugnação. Por esse mesmo motivo, considerouse prejudicado o reconhecimento dos demais valores suscitados nesta peça de defesa (R$ 2.773,34, R$ 4.229,36, R$ 1.710,46 e R$ 50.898,00). Os recolhimentos a título de Cofins que teriam sido realizados no período de abril, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003 não foram objeto de apreciação na decisão recorrida, a despeito de acostados aos autos, antes de proferida, cópias de telas extraídas do sistema SINAL, indicando o recolhimento da contribuição nos períodos indicados e nos valores expressos na impugnação (fls. 657/660). Cópias de outros DARFs também foram acostadas aos autos junto ao Recurso Voluntário, incluindo os recolhimentos do PIS de agosto de 2003 (901/909), este, de fato, ausente no momento em que proferida a decisão. Deixandose de apreciar ponto importante da impugnação, é de se declarar, porque cerceado o direito de defesa da Recorrente, a nulidade da decisão proferida pela DRJ, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para anular a decisão recorrida. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 3 0/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.006882/200799 Acórdão n.º 3202000.898 S3C2T2 Fl. 1.031 11 Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 3 0/10/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11831.006198/2002-49
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
DIREITO CREDITORIO. DOCUMENTOS COMPROBATORIOS. É dever do contribuinte manter sob sua guarda, para exibição à Receita Federal, e enquanto não estiverem prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, documentação comprobatória da compensação efetuada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Andréa Medrado Dazé.
Nome do relator: Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11831.006198/200249 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.962 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2013 Matéria Finsocial Recorrente Farmácia e Laboratório Homeopático Almeida Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 DIREITO CREDITORIO. DOCUMENTOS COMPROBATORIOS. É dever do contribuinte manter sob sua guarda, para exibição à Receita Federal, e enquanto não estiverem prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, documentação comprobatória da compensação efetuada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Andréa Medrado Dazé (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 29/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Helder Kanamaru, Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 61 98 /2 00 2- 49 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário com o objetivo de reformar o acórdão nº. 16 22.367 da 6ª Turma da DRJ/SPO1, que não acatou a manifestação de inconformidade contrato decisão que não convalidou suas compensações. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: O processo administrativo teve inicio em 30/09/02, por intermédio da Representação de fl. 01 que visava a suspensão de débitos da COFINS referentes aos períodos de 02/94 a 04/95. Noticiava esta representação que FARMÁCIA E LABORATÓRIO HOMEOPÁTICO ALMEIDA PRADO LTDA havia obtido autorização judicial para a compensação dos citados débitos de COFINS com valores recolhidos a titulo de FINSOCIAL calculados com alíquota superior a 0,5%. 2. Com o intuito de apurar a licitude desta compensação a DIORTDERATSP intimou o contribuinte em 29/02/08 (fls. 99/100) a apresentar os seguintes documentos in verbis: O processo administrativo teve inicio em 30/09/02, por intermédio da Representação de fl. 01 que visava a suspensão de débitos da COFINS referentes aos períodos de 02/94 a 04/95. Noticiava esta representação que FARMÁCIA E LABORATÓRIO HOMEOPÁTICO ALMEIDA PRADO LTDA havia obtido autorização judicial para a compensação dos citados débitos de COFINS com valores recolhidos a titulo de FINSOCIAL calculados com alíquota superior a 0,5%. 2. Com o intuito de apurar a licitude desta compensação a DIORTDERATSP intimou o contribuinte em 29/02/08 (fls. 99/100) a apresentar os seguintes documentos in verbis: I) Apresentar cópias de todas as folhas do Livro Razão referentes às contas que compõem a base de cálculo do FINSOCIAL, correspondentes aos valores pagos indevidamente dos períodos pleiteados no processo em epígrafe (09/89 a 03/92), devidamente destacado com caneta marca texto trazendo identificação de valores, nomes das contas utilizadas e suas classificações no plano de contas; 2) Apresentar plano de contas da empresa, relativo ao referido período; 3) Para as contas de receita, referentes aos períodos mencionados, em que não haja movimentação, anexar declaração, assinada pelo representante legal da empresa, de que efetivamente não houve movimentações nos saldos das citadas contas; 4) Apresentar declaração do contabilista responsável, em face dos itens precedentes, estabelecendo que os referidos lançamentos no Livro Razão representam fielmente os efetuados no Livro Diário; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11831.006198/200249 Acórdão n.º 3102001.962 S3C1T2 Fl. 3 3 5) Apresentar planilha com demonstrativo de cálculo discriminado, mês a mês, e nesta ordem: período de apuração; data do pagamento; base de cálculo do FINSOCIAL; valor total recolhido e valor excedente á alíquota de 0,5% a compensar. Obs: utilizar moeda da época. 6) Apresentar cópias dos DARF referentes aos valores pagos de F1NSOCIAL dos períodos de apuração 09/89 a 03/92; 7) Apresentar cópias das DIRPJ referentes aos anos calendário de 1989, 1990, 1991 e 1992; 8) Apresentar documento da Justiça Federal em que conste a data do Iránsito em julgado do processo judicial n° 93.0022489 1; 9) Apresentar pedido de desistência da execução do título judicial, juntamente com a homologação, pelo Poder Judiciário, de acordo com art. 50, § 2°, da IN SRF 600/2005, (...) Em 26/05/08, a D1ORTDERATSP (fls. 113/120) proferiu decisão em que não convalidou as compensações efetuadas pelo contribuinte, pois não foram apresentados os documentos solicitados o que impossibilitou a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. A autoridade fiscal também não facultou qualquer tipo de recurso, por falta de previsão legal. 4. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 125/138, nos seguintes termos: 4.1 contra a decisão da DIORTDERATSP cabe a manifestação de inconformidade à DRJ; 4.2.dois pedidos de dilação de prazo para a apresentação dos documentos solicitados pela D1ORTDERATSP não foram juntados aos autos; 4.3. O Livro Razão e o plano de contas referentes aos anos de 1989 a 1.992 foram destruídos, pois o prazo legal para a guarda do mesmo é de dez anos; 4.4. junta planilha com demonstrativo de cálculo discriminando, mês a mês, e nesta ordem: período de apuração; data do pagamento; base de cálculo do FINSOCIAL; valor total recolhido e valor excedente à alíquota de 0,5% a compensar; 4.5.junta cópias das DARF dos valores pagos, das DIRPJ, da Certidão de trânsito em julgado e da petição renunciando ao direito de executar os valores relativos ao tributo principal; 4.6. foi deferida liminar nos autos da Medida Cautelar n° 93.00369580, em 14/12/93, autorizando a compensação dos valores pagos a maior a titulo de FINSOCIAL com débitos vincendos da COFINS, assim procedeu às compensações entre 07/02/94 e 10/05/95; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 4.7. em nenhum momento foi notificada sobre qualquer exigência referente aos cálculos do FINSOCIAL ou da COFINS; 4.8. não houve a constituição do crédito tributário por intermédio do lançamento de oficio; 4.9. qualquer questionamento acerca da correção dos cálculos do FINSOCIAL foi atingido pela decadência; 4.10. todas as, compensações efetuadas foram convalidadas pela IN n°32/97; 4.11 requer o cancelamento da decisão recorrida. 5. Foram juntados pela defesa os seguintes documentos (fls. 139/199 e 202/221): Decisão DERATD1ORT, Termo de Intimação, Solicitações de dilação do prazo para a apresentação de documentos ; Planilha de cálculos, DARF, DIRPJ, Certidões emitidas pelo STJ e Pedido de Renúncia ao direito de execução. 6. O interessado, em razão de comunicação de cobrança, impetrou mandado de Segurança n 2008.61.00.0212283 com sentença prolatada em 04/12/08 (fls. 241/249) no sentido de: 1) atribuir o efeito suspensivo à Manifestação de Inconformidade apresentada em face da não convalidação da compensação relativa ao Processo Administrativo n° 11831.006198/200249, nos termos do artigo 74, § 9º da Lei nº 9.430/96; 2) determinar à Autoridade Impetrada que se abstenha de proceder à inscrição em divida ativa, de incluir o nome da Impetrante no CADIN e/ou adotar qualquer medida tendente à cobrança administrativa ou judicial de tais débitos; 3) determinar que a Autoridade Impetrada encaminhe a aludida Manifestação de Inconformidade para julgamento perante o órgão competente. Após analisar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, decidiu a DRJ, por manter o despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação nos termos da ementa abaixo: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 COMPENSAÇÃO. Deve ser acatada pela Administração sentença judicial transitada em julgado que permite ao contribuinte efetuar a compensação de débitos de COFINS com créditos de FINSOCIAL decorrentes do cálculo do tributo com alíquotas superiores a 0,5%. DIREITO CREDITORIO. A liquidez e certeza do direito creditório objeto de compensação devem ser avaliadas pela autoridade administrativa, em face de previsão legal e expressa manifestação do Poder Judiciário em sentença judicial que favorece o contribuinte. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11831.006198/200249 Acórdão n.º 3102001.962 S3C1T2 Fl. 4 5 DOCUMENTOS COMPROBATORIOS. O contribuinte deverá manter em seu poder, para eventual exibição à Receita Federal, e enquanto não estiverem prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, documentação comprobatória da compensação efetuada. Solicitação Indeferida. Inconformada com a decisão acima, o contribuinte apresenta recurso voluntário, requerendo a reforma do Acórdão, alegando em síntese que: a) decorreu in albis o prazo para a Fazenda efetuar o lançamento de ofício dos valores questionados e/ou manifestarse quanto a eventuais incorreções no FINSOCIAL, relativos ao período de 1989 a 1992; bem como das compensações atinentes a CONFINS efetuadas em 1994 e 1995, em virtude da incidência do prazo decadencial, de 05(cinco) anos, regulamentado pelo § 4° do art. 150 do CTN; b) todas as compensações efetuadas pelos contribuintes a cerca dos créditos de FINSOCIAL com débitos de CONFINS foram convalidadas pela Instrução Normativa n° 32/97; c) tomou ciência do procedimento administrativo ora guerreado, somente em março de 2008, e que, portanto, inexistindo notificação regular, o procedimento iniciado em outubro de 2002 seria inválido, por desrespeitar os princípios do contraditório e da ampla defesa; d) ante a deterioração do Livro Razão requisitado pela Autoridade Fiscal, existiriam outros mecanismos para auferir a base de cálculo do FINSOCIAL, tais como o Livro Diário – anexado aos autos (Doc. 03) , Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e o balanço contábil; e Por fim, solicita que a Autoridade Fazendária analise o Livro Diário, em anexo aos autos (Doc. 03), para que se proceda averiguação da base de cálculo do FINSOCIAL. É o relatório Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 De acordo com relato acima, vêse que a recorrente obteve êxito em demanda judicial transitada em julgado, na qual teve reconhecido o direito de não ter que recolher o FINSOCIAL, entre 09/89 a 03/92, com alíquota majorada, ou seja, sem ultrapassar 0,5%, admitindo ainda a compensação dos créditos com tributos da mesma espécie. No caso dos autos a pretensão da recorrente é a compensação da COFINS referente ao período de 02/94 a 04/95 com crédito de FINSOCIAL. A decisão recorrida, ao observar o posicionamento judicial é clara ao reconhecer o direito da recorrente realizar as compensações, entretanto, com fundamento no art. 170 do CTN, rejeita a pretensão da contribuinte ao explicitar que não ficou demonstrado a liquidez e certeza do crédito tributário pretendido. Às fls. 99/100 dos autos contatase o termo de intimação para que a recorrente apresentasse os seguintes documentos: I) Apresentar cópias de todas as folhas do Livro Razão referentes às contas que compõem a base de cálculo do FINSOCIAL, correspondentes aos valores pagos indevidamente dos períodos pleiteados no processo em epígrafe (09/89 a 03/92), devidamente destacado com caneta marca texto trazendo identificação de valores, nomes das contas utilizadas e suas classificações no plano de contas; 2) Apresentar plano de contas da empresa, relativo ao referido período; 3) Para as contas de receita, referentes aos períodos mencionados, em que não haja movimentação, anexar declaração, assinada pelo representante legal da empresa, de que efetivamente não houve movimentações nos saldos das citadas contas; 4) Apresentar declaração do contabilista responsável, em face dos itens precedentes, estabelecendo que os referidos lançamentos no Livro Razão representam fielmente os efetuados no Livro Diário; 5) Apresentar planilha com demonstrativo de cálculo discriminado, mês a mês, e nesta ordem: período de apuração; data do pagamento; base de cálculo do F1NSOCIAL; valor total recolhido e valor excedente á alíquota de 0,5% a compensar Obs: utilizar moeda da época. 6) Apresentar cópias dos DARF referentes aos valores pagos de FINSOC1AL dos períodos de apuração 09/89 a 03/92; 7) Apresentar cópias das DIRP.1 referentes aos anos calendário de 1989, 1990. 1991 e 1992; 8) Apresentar documento da Justiça Federal em que conste a data do trânsito em julgado do processo judicial nº 93.0022489 1; 9) Apresentar pedido de desistência da execução do titulo judicial, juntamente com a homologação, pelo Poder Judiciário, de acordo com art. 50, § 2" da 114 SRF 600/2005 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11831.006198/200249 Acórdão n.º 3102001.962 S3C1T2 Fl. 5 7 Ora, apesar da intimação acima, os documentos solicitados não foram apresentados, impedindo assim que a pretensão do contribuinte fosse atendida, ou seja, realizada a compensação de COFINS com crédito de FINSOCIAL. Ressaltese que quando da manifestação de inconformidade a recorrente também não apresentou os documentos necessários para apuração do crédito. Portanto, a fiscalização não se obstou em realizar a compensação, apenas não a fez por ausência de elementos que permitissem identificar qual seria a base de calculo do tributo, para assim ser aplicada a alíquota de 0,5%. Em suas razões recursais a contribuinte admite que o livro razão foi destruído, ao afirmar que: O ente fiscalizador solicitou da autora esse Livro Razão com a escrituração do período de agosto de 1989 a março de 1992. No entanto, eles foram destruídos, o que prejudica, por conseguinte, a elaboração das declarações também solicitadas ao Contribuinte. Há de se destacar que o prazo legal para a guarda dos referidos livros é de, no máximo, 10 (dez) anos, e já estamos há 15/20 anos dos mesmos. Pela mesma razão, não há mais qualquer registro acerca do plano de contas da empresa à época, não sendo possível a sua apresentação passados cerca de 15 anos. Neste passo, denotase que o Recorrente alude a uma suposta violação do princípio da ampla defesa e contraditório, ao afirmar que o fisco não poderia, após 06(seis) anos, decidir pela não compensação pretendida, sem oportunizar ao contribuinte defesa tempestiva. Acontece que há nos autos a intimação regular do contribuinte para ser apresentada a documentação necessária com o fito de comprovar o crédito pretendido, entretanto é incontroverso que a recorrente não detém a documentação solicitada. Além do mais a fiscalização, não está adstrita às informações do contribuinte, devendo em atenção ao princípio da verdade material, requisitar provas idôneas para provar a legalidade dos fatos apresentados pelo contribuinte. Portanto, se faz necessário atender as diligências, as quais se prestam a esclarecer supostas dúvidas ou ainda pontos obscuros que se apresentam em face do julgador. Ora, analisando os documentos acostados ao presente processo, vêse que os mesmos não são suficientes para caracterizar qual montante de compensação o contribuinte faz jus, prova essa que caberia ao próprio contribuinte. Quanto a alegação de deteriorização da documentação em razão do lapso temporal, resta afirmar que cabe ao contribuinte durante o período do pedido até a efetiva compensação, manter sob sua guarda, para quando necessário, exibir a receita a documentação necessária para comprovar sua pretensão, consoante prescreve o parágrafo único do art. 195 do CTN. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Assim, na esteira dessas considerações, em especial pela impossibilidade de se comprovar o crédito pretendido, apesar de oportunizada ao contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões 25 de abril de 2013. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10735.000864/2004-22
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF
Exercício: 2000
PERIODICIDADE DO IMPOSTO DE RENDA - DECADÊNCIA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRAZO CONTADO DE FORMA MENSAL - INAPLICABILIDADE.
A complexa hipótese do imposto de renda decorrente de rendimentos
provenientes da remuneração do trabalho dá-se apenas no final do ano-base, quando se verifica o último dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo.
Da interpretação sistêmica dos artigos 8°, 9° e 10° da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 3°, parágrafo único e artigos 4'; 8° e 10° da Lei n° 9.250, de 1995, e do artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, conclui-se que a base de cálculo do imposto de renda é a soma anual dos valores apurados mensalmente. Não
há antinomia entre uma norma estabelecer que os valores consideram-se recebidos no mês em que houver o crédito pela instituição financeira e outra norma considerar a base de cálculo constitui-se da soma dos valores recebidos em cada um dos meses do ano-calendário. O que é necessário é que
se tenha presente que na apuração da base de cálculo deve, quando for o caso, se efetuar as deduções previstas no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.676
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Exercício: 2000 PERIODICIDADE DO IMPOSTO DE RENDA - DECADÊNCIA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRAZO CONTADO DE FORMA MENSAL - INAPLICABILIDADE. A complexa hipótese do imposto de renda decorrente de rendimentos provenientes da remuneração do trabalho dá-se apenas no final do ano-base, quando se verifica o último dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo. Da interpretação sistêmica dos artigos 8°, 9° e 10° da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 3°, parágrafo único e artigos 4'; 8° e 10° da Lei n° 9.250, de 1995, e do artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, conclui-se que a base de cálculo do imposto de renda é a soma anual dos valores apurados mensalmente. Não há antinomia entre uma norma estabelecer que os valores consideram-se recebidos no mês em que houver o crédito pela instituição financeira e outra norma considerar a base de cálculo constitui-se da soma dos valores recebidos em cada um dos meses do ano-calendário. O que é necessário é que se tenha presente que na apuração da base de cálculo deve, quando for o caso, se efetuar as deduções previstas no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-08-17T14:32:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-08-17T14:32:03Z; Last-Modified: 2010-08-17T14:32:04Z; dcterms:modified: 2010-08-17T14:32:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:be3ad970-8a40-41d7-88a1-e73394d12e4f; Last-Save-Date: 2010-08-17T14:32:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-08-17T14:32:04Z; meta:save-date: 2010-08-17T14:32:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-08-17T14:32:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-08-17T14:32:03Z; created: 2010-08-17T14:32:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-08-17T14:32:03Z; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-08-17T14:32:03Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS mi, CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10735.000864/2004-22 Recurso n° 144.912 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9202-00.676 — Turma Sessão de 13 de abril de 2010 Matéria IRPF Recorrente FRANCISCO LUCAS DE ALMEIDA NETO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Exercício: 2000 PERIODICIDADE DO IMPOSTO DE RENDA - DECADÊNCIA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRAZO CONTADO DE FORMA MENSAL - INAPLICABILIDADE. A complexa hipótese do imposto de renda decorrente de rendimentos provenientes da remuneração do trabalho dá-se apenas no final do ano-base, quando se verifica o último dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo. Da interpretação sistêmica dos artigos 8°, 9° e 10° da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 3°, parágrafo único e artigos 4'; 8° e 10° da Lei n° 9.250, de 1995, e do artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, conclui-se que a base de cálculo do imposto de renda é a soma anual dos valores apurados mensalmente. Não há antinomia entre uma norma estabelecer que os valores consideram-se recebidos no mês em que houver o crédito pela instituição financeira e outra norma considerar a base de cálculo constitui-se da soma dos valores recebidos em cada um dos meses do ano-calendário. O que é necessário é que se tenha presente que na apuração da base de cálculo deve, quando for o caso, se efetuar as deduções previstas no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar/ri provimento ao recurso. dir CARLOS ALBER ! (I REITAS B RRETO- Presidente MOISES GIACOMEL I NUNES *A SILVA - Relator EDITADO EM: 1 4 MW Zefi Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Contra o recorrente foi lavrado o auto de infração de fls. 174 e seguintes, com ciência em 22/03/2004 (fl. 176), em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no ano-calendário de 1999. A declaração de ajuste anual, referente ao ano-calendário de 1999, consta às fls. 05 e seguintes, onde o contribuinte informa o imposto devido e o imposto retido na fonte Foi apurado imposto devido de R$ 164.874,44, acrescido de multa de 75%, no valor de R$ 123.655,83, mais juros de mora de R$ 111.751,89, totalizando o crédito tributário de R$ 400.282,16. A Câmara Julgadora, no acórdão de fls. 398/425, pelo voto de qualidade, rejeitou a preliminar de irretroatividade da Lei n.° 10.174, de 2001 e, por maioria de votos, rejeitou a argüição de decadência mensal do crédito tributário. Intimado, o recorrente opôs embargos de declaração, que foram acolhidos e, submetidos a julgamento, foi a decisão rerratificada, sem alteração do resultado, mediante o acórdão n° 106-16.187 (fls. 510/515). Novamente intimado, o contribuinte, tempestivamente, interpôs recurso especial, de fls. 532/545, com fulcro no artigo 7 0 , II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Alegou, preliminarmente, a decadência mensal dos fatos geradores e, no mérito, aduziu que não merece prosperar o lançamento lastreado somente em depósitos bancários. .Em relação à decadência mensal, como paradigma, colacionou o acórdão if 102-45.993, cuja ementa segue abaixo: IRPF - DECADÊNCIA - Tratando-se de Imposto de Renda Pessoa Física, lançamento por homologação, apuração mensal, a decadência ocorre no prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. 2 Processo n° 10735.00086412004-22 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.676 Fl. 2 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL — Não logrando o contribuinte comprovar razoavelmente a origem do descompasso patrimonial apurado pela fiscalização, é de se manter o lançamento na forma constituída. Recurso parcialmente provido. O recurso foi admitido às fls. 557/560, somente em relação à decadência mensal, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 562 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço do recurso e passo ao exame da matéria. I - Da decadência mensal Após reflexões acerca do tema, tenho enfrentado a matéria com base nos dispositivos legais e fundamentos que passo a transcrever, grifando aqueles que considero mais importantes à compreensão da matéria. LEI N° 7.713, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1988. Art. 1'. Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas fisicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo Imposto sobre a Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2 0. O Imposto sobre a Renda das pessoas físicas será devida, mensalmente à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (grifei). Art. 3°. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 90 a 14 desta Lei. § 1 0. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2'. Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerando-se 1 como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem l' 3 ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos artigos 15 a 22 desta Lei. § 3 0• Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4°. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade• da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Art. 8°. Fica sujeito ao pagamento do Imposto sobre a Renda, calculado de acordo com o disposto no artigo 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. Lei n° 8.134, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1990. •••• Art. 80 Na declaração anual (artigo 9°), poderão ser deduzidos: 1- os pagamentos feitos, no ano-base, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos; II - as contribuições e doações efetuadas a entidades de que trata o artigo 1° da Lei n° 3.830, de 25 de novembro de 1960, observadas as condições estabelecidas no artigo 2' da mesma lei; III - as doações de que trata o artigo 260 da Lei n°8.069, de 13 de julho de 1990; IV - a soma dos valores referidos no artigo 7°, observada a vigência estabelecida no parágrafo único do mesmo artigo. Art. . 9° As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir (grifei). Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I - de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o ano-base, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e II - das deduções de que trata o artigo 8°. Lei n°9.250, DE 29 DE DEZEMBRO DE 1995. CAPÍTULO II \:\\ DA INCIDÊNCIA MENSAL DO IMPOSTO 4 Processo n° 10735.000864/2004-22 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.676 Fl. 3 Art. 3°. O Imposto sobre a Renda incidente sobre os rendimentos de que tratam os artigos 7', 8' e 12 da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, será calculado de acordo com a seguinte tabela progressiva em Reais: Parágrafo único. O imposto de que trata este artigo será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês. Art. 4°. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do Imposto sobre a Renda poderão ser deduzidas: (grifei). I - a soma dos valores referidos no artigo 6° da Lei n°8.134, de 27 de dezembro de 1990'; II - as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; III - a quantia, por dependente, de: a) R$ 132,05 (cento e trinta e dois reais e cinco centavos), para o ano- calendário de 2007 (redação atribuída pela MP n°340, de 29/12/96); b) R$ 137,99 (cento e trinta e sete reais e noventa e nove centavos), para o ano-calendário de 2008 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); c)R$ 144,20 (cento e quarenta e quatro reais e vinte centavos), para o ano-calendário de 2009 (redação atribuída pela ILIP n° 340, de 29/12/96); d) R$ 150,69 (cento e cinqüenta reais e sessenta e nove centavos), a partir do ano-calendário de 2010 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); IV - as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 3 - as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; VI - a quantia, correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e i Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I - a remuneração paga a terceiros, desde que com vinculo empregaticio, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II - os emolumentos pagos a terceiros; 1 1.tIII - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. - tf 5 cinco anos de idade, de: (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); a) R$ 1.313,69 (um mil, trezentos e treze reais e sessenta e nove centavos), por mês, para o ano-calendário de 2007 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); b) R$ 1.372,81 (um mil, trezentos e setenta e dois reais e oitenta e um centavos), por mês, para o ano-calendário de 2008 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); c) R$ 1.434,59 (um mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e cinqüenta e nove centavos), por mês, para o ano-calendário de 2009 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); d) R$ 1.499,15 (um mil, quatrocentos e noventa e nove reais e quinze centavos), por mês, a partir do ano-calendário de 2010 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); • • • Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas, ao ensino fundamental; ao ensino médio, à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização) e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); I. R$ 2.480,66 (dois mil, quatrocentos e oitenta reais e sessenta e seis centavos), para o ano-calendário de 2007 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 2. R$ 2.592,29 (dois mil, quinhentos e noventa e dois reais e vinte e nove centavos), para o ano-calendário de 2008; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 3. R$ 2.708,94 (dois mil, setecentos e oito reais e noventa e quatro centavos), para o ano-calendário de 2009; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 4. R$ 2.830,84 (dois mil, oitocentos e trinta reais e oitenta e quatro centavos), a partir do ano-calendário de 2010; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); c) à quantia, por dependente, de: (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); I. R$ 1.584,60 (um mil, quinhentos e oitenta e quatro reais e sessenta centavos), para o ano-calendário de 2007; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 2. R$ 1.655,88 (um mil, seiscentos e cinqüenta e cinco reais e oitenta e oito centavos), para o ano-calendário de 2008; (redação atribuída ,k pela MP n° 340, de 29/12/96); 6 Processo n° 10735.000864/2004-22 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.676 Fl. 4 3. R$ 1.730,40 (um mil, setecentos e trinta reais e quarenta centavos), para o ano -calendário de 2009; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 4. R$ 1.808,28 (um mil, oitocentos e oito reais e vinte e oito centavos), a partir do ano-calendário de 2010. (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); "Art. 10. O contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que substituirá todas as deduções admitidas na legislação, correspondente à dedução de vinte por cento do valor dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, independentemente do montante desses rendimentos, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie, limitada a: (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); a) R$ 11.669,72 (onze mil, seiscentos e sessenta e nove reais e setenta e dois centavos), para o ano-calendário de 2007; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); b) R$ 12.194,86 (doze mil, cento e noventa e quatro reais e oitenta e seis centavos), para o ano-calendário de 2008; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); c) R$ 12.743,63 (doze mil, setecentos e quarenta e três reais e sessenta e três centavos), para o ano-calendário de 2009; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); d) R$ 13.317,09 (treze mil, trezentos e dezessete reais e nove centavos), a partir do ano-calendário de 2010. (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); Parágrafo único. O valor deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido." (NR) (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); Lei n° 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1°. O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (grifei) § 4 0. Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela -) progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela .! instituição financeira. 7 Dos dispositivos legais acima transcritos, o artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1998, dispõe que: "o Imposto sobre a Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos". Os artigos 8'; 9° e 10° da Lei n° 8.134, de 1990, fazem referência à declaração anual; pagamentos feitos no ano-base e rendimentos percebidos durante o ano-base, prevendo que "as pessoas fisicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir". Os artigos 3°, parágrafo único e art. 4 0 , da Lei 9.250, de 1995, referem-se aos rendimentos mensais, sendo que os artigos 8° e 10° desta mesma Lei fazem referência aos rendimentos obtidos durante o ano-base. O artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, dispõe que "o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira." Assim, diante das nomias acima referidas, é preciso investigar se há antinomia entre estas normas ou se elas convivem de forma harmônica, sem que a norma posterior tenha revogado a anterior. A primeira observação a ser feita decorre das disposições contidas na Lei n° 9.250, de 1995, em que no artigo 3 0, parágrafo único e art. 4° fazem referência à incidência mensal do Imposto sobre a Renda, sendo que no artigo 8° fala em base de cálculo do imposto devido no ano. Em tese, poder-se-ia alegar que, em havendo incidência mensal do imposto de renda, o critério temporal deste seria mensal. Todavia, a permanecer este entendimento, a mesma Lei não poderia fazer referência à base de cálculo anual. Seria ilógico e incompreensível adotar um critério temporal mensal e uma base de cálculo anual. A única interpretação harmônica que se pode extrair da Lei n° 9.250, de 1995 é que a base de cálculo do imposto de renda é a soma anual dos valores apurados mensalmente. Nesta linha de raciocínio, tenho que o artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, dispondo que "o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira" em nada inovou, pois previsão semelhante já existia no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995, anteriomiente analisado. Em face da aparente contradição entre o artigo 8° da Lei n° 8.134, de 1990, com o artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995 e artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, valho-me da clássica doutrina de Carlos Maximiliano, na obra Hennen.êutica e Aplicação do Direito, para quem: "Pode ser promulgada nova lei, sobre o mesmo assunto, sem ficar tacitamente ab-rogada a anterior: ou a última restringe apenas o campo de aplicação da antiga; ou ao contrário, dilata- o, estende-o a casos novos; é possível até transformar a determinação especial em regra geral. Em suma: a incapacidade implícita entre duas expressões de direito não se presume; na dúvida, se considerará uma norma conciliável com a outra. O jurisconsulto Paulo ensinara que — as leis posteriores se ligam \ às anteriores, se lhes não são contrárias, e esta última circunstância precisa ser provada com argumentos sólidos." 8 Processo n° 10735.000864/2004-22 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.676 Fl. 5 "Se a lei nova cria, sobre o mesmo assunto da anterior, um sistema inteiro, completo, diferente, é claro que todo o outro sistema foi eliminado. Por outras palavras: dá-se ab-rogação, quanto a norma posterior se cobre com o conteúdo todo da antiga". (Maximiliano, Carlos, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 12" edição, Ed. Forense Rio de Janeiro 1992, pág. 358.). Tenho que as disposições do artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, ao fazerem referência que o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado e as disposições dos artigos 8°, 90 e 10 da Lei nO . 8.134, de 1990, prevendo que "as pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir", convivem harmonicamente, iguais linhas paralelas de trilhos de trem que seguem lado a lado, sem se chocarem, mas cada uma delas cumprindo sua função. Nã.o há antinomia entre uma norma estabelecer que os valores consideram-se recebidos no mês em que houver o crédito pela instituição financeira e outra nolina considerar que todos os valores devem ser levados ao ajuste anual. O que é necessário que se tenha presente é que na apuração da base de cálculo mensal deve, quando for o caso, se efetuar as deduções previstas no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995. Pelos fundamentos acima expostos, tem-se que o fato gerador, no caso de rendimentos obtidos por pessoa física, não é mensal, mas sim anual e ocorre no -último momento do dia 31 de dezembro de cada ano-calendário. ISSO POSTO, rejeito a preliminar e nego provimento ao recurso especial, para manter a exigência tributária. É o voto. Moães-Giacomelli Nunes *a ii Relator. 9
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000059/2005-10
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE.
Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de oficio decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
Numero da decisão: 9202-000.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Caio Marcos Candido, Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto que reduziam a multa isolada a 50%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de oficio decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
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MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF devido a título de came- leão, quando cumulada com a multa de oficio decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegia o, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros C o Marcos Candido, Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Ju or e Carlos Alberto Freitas Barreto que reduziam a multa isolada a 50%. 4 1Á1'1_ CARLOS ALBER F EITAS/BARRETO- Presidente 400" RYCARDO HENRIG E MAGALHAES DE OLIVEIRA — Relator EDITADO M 1 4 MA10 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório MOEMA MARIA LAMORI, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 02/02/2005, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, bem como multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê- Leão, em relação aos exercícios 2001 a 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 03/21, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Tumia da DRJ em Juiz de Fora/MG, consubstanciada no Acórdão n° 10.505/2005, às fls. 115/123, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 6 Câmara, em 12/09/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 106- 17.082, sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 INCONSTITUCIONALIDADE - IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO POR PARTE DO JULGADOR ADMINISTRATIVO A apreciação de eventual inconstitucionalidade de norma aplicada a um lançamento é tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Aplicação do enunciado n° 02 da Súmula deste Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo o qual: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito defraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Outrossim, nos termos da Sumula n°14 deste Primeiro Conselho, simples omissão na caracteriza evidente intuito defraude. MULTA ISOLADA E DE OFICIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO 2 Processo n° 10650.000059/2005-10 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.699 Fl. 2 • Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pe1.1 falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. TAXA SELIC Em atenção à Súmula n°04 deste Primeiro Conselho, é aplicável a variação da taxa Selic como juros morató rios incidentes sobre créditos tributários. Recurso voluntário provido parcialmente." li-resignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 177/191, com arrimo no artigo 7°, incisos I e II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, quanto ao afastamento da qualificação da multa, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão n° 101-96.446, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que detelinina que a conduta reiterada da contribuinte, omitindo rendimentos, denota seu intuito fraudulento, ao contrário do que restou decidido na Câmara recorrida. No que, tange à aplicação concomitante das multas isolada e de oficio, defende que o Acórdão guerreado contrariou a legislação de regência, especialmente o artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96 (atual artigo 44, inciso II), afrontando, igualmente, a jurisprudência do STJ a respeito do tema. A fazer prevalecer seu entendimento, considera legítima a aplicação cumulativa de duas multas de oficio, não se cogitando em bis in idem, eis que, apesar de incidirem sobre a mesma base de cálculo, decorrem de infrações diversas. Contrapõe-se ao entendimento inserido no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto que não há óbice legal para aplicação ao contribuinte omisso, diante de duas infrações tributárias diversas, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo, ao contrário do que restou decidido pela Câmara a quo, não havendo que se falar em bis in idem, confisco ou excesso punitivo na hipótese dos autos. Alega que a Câmara recorrida, ao afastar a aplicação da multa isolada, criou nova hipótese de dispensa de multa não prevista na legislação de regência, em total afronta aos preceitos inscritos no artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Em defesa de sua pretensão, traz à colação doutrina e jurisprudência judicial contemplando a matéria, corroborando o seu entendimento. r / 3 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 6' Câmara do 1° Conselho, entendeu por bem admitir em parte o Recurso Especial do Procurador, somente em relação à concomitância das multas de oficio e isolada, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, conforme Despacho n° 106- 076/2009, às fls. 194/197. Quanto à multa qualificada, sustentou a nobre subscritora do Despacho supramencionado, que a recorrente não comprovou a divergência argüida entre o Acórdão recorrido e o paradigma colacionado aos autos, não conhecendo, portanto, do recurso relativamente a este tema. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 207/211, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência judicial e administrativa ratificando seu entendimento, mormente quando a matéria já se encontra pacificada na CSRF. É o relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então 6 Câmara do 1° Conselho a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise dos elementos que instruem o processo, a matéria objeto do presente recurso, na parte conhecida, diz respeito a multa isolada, exigida cumulativamente com a multa de oficio, em razão de a contribuinte ter deixado de recolher o IRPF a título de carnê-leão, mensalmente, na forma do artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96. Em suas razões recursais, sinteticamente, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, afrontando, ainda, a jurisprudência dos Tribunais Superiores. A fazer prevalecer seu entendimento, defende que não há óbice legal para aplicação ao contribuinte omisso, diante de duas infrações tributárias diversas, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo, ao contrário do que restou decidido pela Câmara a quo, não havendo que se falar em bis in idem, confisco ou excesso punitivo na hipótese dos autos. Por derradeiro, assevera que a Câmara recorrida, ao afastar a aplicação da multa isolada, criou nova hipótese de dispensa de multa não prevista na legislação de regência, em total afronta aos preceitos inscritos no artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. 4 Processo n° 10650.000059/2005-10 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.699 Fl. 3 Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconfotinismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Com efeito, essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a propósito da matéria, decidindo pela inaplicabilidade da concomitância das multas de oficio e isolada, conforme se extrai do excerto do voto da ilustre Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, acolhido de forma unânime, exarado nos autos do processo n° 10510.000679/2002-19, Recurso n° 106-131.314, o qual peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir, in verbis: " A matéria ora em discussão decorre dos seguintes fatos: I — "omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregai-leio, recebidos de pessoas físicas" sujeitos à antecipação mensal (carnê-leão), aplicando-se a multa isolada, qualificada, sobre o respectivo imposto, haja vista a ausência da citada antecipação, e II — imposto incidente sobre os mesmos rendimentos, na declaração de ajuste anual e, sobre o imposto assim calculado, incidiu a multa de lançamento de oficio; III — multa isolada e de oficio com mesma base de cálculo. O Colegiado recorrido, à maioria de votos, ao apreciar a matéria, ou seja, multa isolada e multa de oficio sobre a mesma base de cálculo, manifestou-se conforme argumentos a seguir transcritos: "Quanto à multa isolada aplicada por falta do recolhimento do carnêlecio, apesar de o contribuinte não ter se insurgido contra ela, deve ser analisada pelo aspecto da legalidade de sua aplicação. A referida multa foi aplicada tomando-se como rendimentos sujeitos ao carnê-leão os valores de R$ 45.000,00 (setembro de 1998), R$ 64.000,00 (setembro de 1998), R$ 335.974,00 (outubro de 1998) e R$ 4.000,0-0 (novembro de 1998), sendo que o percentual aplicado a título de multa sobre o valor do imposto correspondente foi de 75% para o primeiro valor, em vista de ter sido declarado como rendimento na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física retificadora, e de 150% nos demais casos. Quanto à multa de 75% calculada a partir do rendimento declarado de R$ 45.000,00, não há reparos a serem feitos na sua aplicação, pois, sendo valor recebido de pessoa fisica, deveria ter sido recolhido o imposto de renda devido (carnê-leão). Porém, quanto às impostas a partir dos demais rendimentos, devem ser afastadas, posto resultarem de uma mesma base de cálculo da multa de oficio capitulada no inciso II, caput do art. 44, da Lei n°9.430/96. No presente caso, o contribuinte teve lançada a multa de ofício sobre os valores de imposto correspondentes aos rendimentos omitidos e sobre esta mesma base foi autuado com a multa isolada. Isto não ocorreu no que diz respeito ao valor de R$ 45.000,00 informado na Declaração de Ajuste 5 Anual retificadora, a partir do qual se chegou ao valor da multa isolada, pois não foi parâmetro para a aplicação de multa de oficio. O art. 44, da Lei n 9.430/96 assim determina: "Art. 44 — Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1— de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II — 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fratde,definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° - As multas de que trata este artigo serão exigidas: III — isoladamente, no caso de pessoa fisica sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8° da Lei n.° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto apagar na declaração de ajuste; (destaques do original) Conforme o § 1°, as multas de que trata o artigo, ou seja, a de 75% ou a de 150% (dos incisos I e II, do caput), serão exigidas isoladamente no caso especificado no inciso III, porém em hipótese alguma pode haver a aplicação cumulativa, pois desta forma, o contribuinte estaria sendo onerado com o dobro do valor estipulado para a multa, que poderia passar de 75% para 150%, mesmo sem a configuração de evidente intuito de fraude e de 150% para 300%, com aprova da fraude. As duas multas aplicadas o foram sobre uma mesma base de cálculo, o que não é admissivel, pois, estar-se-ia punindo duplamente o recorrente por uma mesma infração." Não vislumbro como discordar do entendimento firmado pela Câmara recorrida em sua decisão, pois a mesma expressa, sem qualquer dúvida, a correta interpretação dos dispositivos legais em questão. Senão vejamos: A Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: "Art. 43 — Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único — Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até 6 Processo n° 10650.000059/2005-10 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.699 Fl. 4 O mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2' O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros• de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Da análise dos dispositivos legais anteriormente transcritos, é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido a ação fiscal, após o encerramento do ano-calendário, que deixou de recolher o "carnê-leão" a que estava obrigado, aplicável a multa de forma isolada, bem como os juros de mora limitados entre a data do vencimento da obrigação até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. É cristalino o texto ao se referir às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal conclui-se não haver a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de oficio juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de oficio isolada sem tributo. Conclui-se, pois, que se o lançamento do tributo é de oficio, deve ser cobrada a multa de lançamento de oficio juntamente com o tributo (multa de oficio normal), não havendo, nesta hipótese, espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de oficio isolada. De outra forma, para o lançamento da exigência tributária com aplicação de multa isolada, só há espaço legal no caso de infrações não levantadas de oficio, motivo pelo qual o Acórdão recorrido manteve a exigência da multa isolada de 75%. Ou seja, a apresentação espontânea da declaração de ajuste (4// anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnê- 7 leão) sem o devido recolhimento é típico à aplicação de multa de lançamento de oficio isolada sem a cobrança do imposto. Em face de todo o exposto, não merece reforma o acórdão guerreado. NEGO provimento ao recurso especial interposto." Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na famla decidida pela 6 a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infinnar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPEC • L DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. 11",dald Rycardo "que Magalhães de O weira - Relator 8
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000671/2003-96
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1999
IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - OPERAÇÕES
CONJUGADAS - MULTA QUALIFICADA - SIMULAÇÃO - OCORRÊNCIA
Justifica a aplicação da penalidade qualificada do artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 a conduta do sujeito passivo tipificada nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, Na simulação a aparência não coincide com a realidade e quando provoca prejuízos a terceiros, no caso, a Fazenda Nacional, legitima-se a aplicação de penalidade agravada.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.828
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gonçalo Bonet Allage (relator), Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Hoffmann Gomes que negavam provimento. Designado o Conselheiro Julio
César Vieira Gomes para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1999 IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - OPERAÇÕES CONJUGADAS - MULTA QUALIFICADA - SIMULAÇÃO - OCORRÊNCIA Justifica a aplicação da penalidade qualificada do artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 a conduta do sujeito passivo tipificada nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, Na simulação a aparência não coincide com a realidade e quando provoca prejuízos a terceiros, no caso, a Fazenda Nacional, legitima-se a aplicação de penalidade agravada. Recurso especial provido.
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SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS '.4ir,M9t., Processo n° 19740.000671/2003-96 Recurso n° 142.131 Especial do Procurador Acórdão n 0 9202-00.828 — 2 a Turma Sessão de 11 de maio de 2010 Matéria IR.F Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BB ADMINISTRADORA DE ATIVOS - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1999 IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - OPERAÇÕES CONJUGADAS - MULTA QUALIFICADA - SIMULAÇÃO - OCORRÊNCIA Justifica a aplicação da penalidade qualificada do artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 a conduta do sujeito passivo tipificada nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, Na simulação a aparência não coincide com a realidade e quando provoca prejuízos a terceiros, no caso, a Fazenda Nacional, legitima- se a aplicação de penalidade agravada. Recurso especial provido. -V : ., , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. J Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gonçalo Bonet Allage (relatar), Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Hoffmann Gomes que negavam provimento. Designado o Conselheiro Julio César Vieira Gomes para redigir o voto vencedor. (0 1 Processo n'' I 9740 000671/2003-96 CSRF-12 Acórdão n 9202-00..828 Fl 450 f /) • fri/ 1 CARLOS ALB • • O FREITAS /BARRETO- Presidente Alm GONÇA ' 1 ALLAGE — Relatar • • idet JULIO C\'ÉSA4., V EIRA GOMES — Redator-Designado EDITADd EM: .1 + P.20.1i3 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Pr •esidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giaeomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Processo n 19740 000671/2003-96 CSRF-T2 Acórdão n." 9202-00.829 Fl 451 Relatório Em face de BB Administradora de Ativos — Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S„A.., CNPJ n° 30,822,936/0001-69, foi lavrado o auto de infração de fls. 229-242 (Volume para a exigência de imposto de renda na fonte, ano-calendário 1999, em razão de operações de aplicação financeira de renda fixa, com multa de oficio qualificada para o patamar de 150%, O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontra-se sintetizado no Relatório de Atividade Fiscal de fls. 188-228 (Volumes I e II), de onde extraio as seguintes assertivas, com relação à operação autuada e à qualificação da penalidade (fis, 197-199, 202 e 224): Durante o ano de 1999, a BB DITAI efetuou, com diversos clientes, operações de captação de recursos, tipicamente de renda .fixa, que estavam dissimuladas, escondidas sob a aparência de uma operação de renda variável O funcionamento é explicado pela seqüência de operações descritas no item 4 (quatro) acima, que novamente exemplificarei, usando dois contratos aleatoriamente escolhidos. a) .4 BB DTVM vende ao BB INVESTIMENTOS ouro à vista por R$ 4.998 950,00, no dia 12.05 .199.9 (planilha às .fls 87) b) O BB INVESTIMENTOS vende o ouro para seus clientes, pelo mesmo preço à vista. c) Nesta mesma data, a BB DTVM adquire ouro de um de seus clientes por R$ 4.998.950,00, à prazo, com vencimento em 08 11 1999 (planilha às fis 146), d) Ainda nesta data, a BB DTVM celebra uni contrato de swap com o mesmo cliente pelo valor base (valor nocional) de RS 4.998.950,000, com vencimento para 08 11 1999 (planilha às.fis 114). Na primeira operação acima, realizada no dia 12 0.5 1999, com vencimento para 08.11 .1999, o resgate da operação foi realizado no dia 31.05.1999. E na segunda operação, com vencimento em 2009. 1999, o resgate .foi processado em 31 03.1999, conforme planilha às folhas 136 e 144 Transcrevendo o efeito final da operação teremos 1 — Operação do dia 12.05.1999 - Valor da operação R$ 4.998.950,00 3 Processo n 19740 000671/200.3-96 CSRF-T2 Acórdão n " 9202-00.829 F 1 452 - Valor do ouro na data do resgate - R$ 5 062 425,00 - Valor do contrato de swap corrigido pela variação do CDI - RS .5 047 463,29 Ganho ,final do cliente - (R$ .5 047 463,29 - R$ 4 998 950,00) = RS 48513+29 Este valor também pode ser decomposto da seguinte forma a) ganho na operação com ouro -RS 63 475,00 b) perda na operação de swap - R$ 14 961,71 c) resultado (R$ 63 475,00 - RS 14 961,71) = R$ 48.513,29 (... .) O resultado da conjugação das operações descritas é o seguinte - Em relação à movimentação física dos ativos, não houve modificação quanto ao seu detentor, uma vez que eles voltam a pertencer à BB DIVItd. Não ocorre, portanto, a efetiva tradição do ouro, - Do ponto de vista .financeiro, o eleito é de uma aplicação por parte dos clientes, uma vez que o cliente da BB DITM fica com o direito de receber, em data finura, a quantia que entregou na data da celebração da operação, acrescida de remuneração calculada com um percentual do CDI Mediante a simulação de negócios de compra e venda, que, em suma, escondem as aplicações de recursos acima descritos, pretendeu que a tributação, mais favorável, das aplicações .financeiras de renda variável fosse empregada em uma aplicação .financeira de renda fixa O imposto sobre o rendimento obtido em aplicações financeiras. de renda fixa incidiria na . fonte à ali:quota de 20%, no ano- calendário 1999, e deveria ser recolhido, pelo responsável (instituição .financeira), até o terreiro dia útil da semana subseqüente àquela em que ocorreram os fatos geradores. Já o imposto incidente sobre o rendimento obtido em aplicações de renda variável era apurado, após a compensação de prejuízos anteriores, à aliquota de 10%, pelo próprio aplicado'', por períodos mensais e pago até o ultimo dia útil do mês subseqüente ao da apuração tempestiva Neste caso, diz-se que o imposto é recolhido em separado Porém, o pagamento em separado .fica dispensado quando os rendimentos auferidos em aplicações financeiras de renda variável são computados nos balanços ou balanceies de suspensão (conforme previsto no art 35 da Lei 8 981/9.5), caso em que aquele imposto será pago com o apurado no referido balanço Fica claro, portanto, que, nos meses em que fossem feitos balanceies de suspensão, sendo apurada base de cálculo negativa de imposto de renda, não seria preciso antecipar o imposto sobre os rendimentos obtidos em aplicações . cc( --- 4 Processo o 19740 000671/2003-96 CSRF-T2 Acórdão o " 9202-00.829 H 453 .financeiras de renda variável Este beneficio não seria passível no caso de aplicações .financeiras de renda fixa O principal motivo para se afirmar que o produto .financeiro utilizado pela BB DTV.14f é uma aplicação .financeira de renda .fixa decorre do . falo de que os rendimentos obtidas com aquele produto são sempre uni percentual da taxa do CDI (custo de captação para uma instituição .financeira), conforme pode ser observado na planilha apresentada pela empresa em atendimento ao Termo de Intimação de 28 05 2003 A .fixação do percentual garantido sobre a taxa do CDI era feita contrato a contrato, conforme explicação do contribuinte às .fis 33 a 35 Este ganho garantido seria impossível se fosse uma operação de renda variável Utilizando-se da planilha às folhas 127 a 164 verifica-se que a variação obtida com o ouro ativo .financeiro poderia gerar um ganho ou uma perda Porém, ao celebrar o contrato de swap, passou-se a garantir um ganho efetivo, independentemente da variação ocorrida com o ativo ouro, caracterizando-se, portanto, como uma operação de renda .fixa com rentabilidade pós-fixada, simulada por uma aparente aplicação de renda variável. As peças probatórias revelam que. a) uma das condutas adotadas .foi a de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerado;; de modo a suprimir o imposto de que seria responsável. As simulações procuraram esconder a tipicidade dos negócios de aplicações financeiras de renda fixa. A prática ora apontada caracteriza a .fraude, conforme o conceito do artigo 72 da Lei n° 4 502/64; b) no exame da sonegação, à luz do artigo 71 da Lei n° 4.50.2/64, vê-se que a sanção é dirigida à ação (ou à omissão) de impedir que o Fisco conheça a ocorrência do .fato gerador, suas circunstâncias materiais e a condição pessoal do contribuinte. E foi o que ocorreu.' os autores impediram que os nomes de seus clientes surgissem aos olhos do Fisco, na qualidade de contribuintes, quando da aplicação financeira, tipicamente de renda fixa, utilizando, como artificio, a aparência de contratos enganosos que não estão tipificados na hipótese de incidência Só que, antes disso, esconderam a tipicidade em si dos negócio.s efetivamente celebrados — as aplicações financeiras de renda .fixa — encobrindo a real intenção das partes mediante circunstâncias materiais artificiosas — compras e vendas simultâneas e ilusórias Ao responsável não é admissivel desembaraçar-se, ao menos, do dolo eventual, pela.s práticas ilícitas relatadas, considerando os resultados inteiramente previsíveis ao empresário bancário 5 Processo n" 19740.0(10671/2003-96 CSRF- 1'2 Acórdão n " 9202-00..829 Fi 454 A 9' 'Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RI) 1 considerou o lançamento procedente (fls. 287-311, Volume II), Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão tf 102-48.463, que se encontra às fls. 379-399 (Volume II), cuja ementa é a seguinte: NULIDADE DO LANÇAMENTO - ENOUADIUMENTO LEGAL - Pacifica a . jurisprudência deste Conselho no entendimento de que a correta descrição dos fatos prevalece sobre eventual omissão ou erro na indicação do enquadramento legal, ainda mais quando a autuada rebate adequadamente os termos da acusação, indicados na descrição dos fatos NULIDADE DO LANÇAMENTO - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - Sendo o MPF mero instrumento de controle administrativo e havendo nos autos MPF-C para extensão do procedimento fiscal ao 1RRF do ano de 1999, rejeita-se o pedido pela nulidade do feito APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA VARIA VEL — OPERAÇÕES CONJUGADAS - TRIBUTAÇÃO - São tributadas na fonte, como de aplicações financeiras de renda .fira, as operações conjugadas que permitam a obtenção de rendimentos predeternin2ados. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA - O artigo 44, inciso II, da Lei 9 430, de 1996, ao dispor sobre a aplicação da multa qualificada, determina a caracterização do evidente intuito de fraude Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso, para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a de 150% para 75%. Intimada do acórdão em 23/05/2008 (fls, 400, Volume II), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7 0, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 406- 413 (Volume III), acompanhado do documento de fls.. 414, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A decisão recorrida diverge do acórdão n° 202-17,274, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em caso do mesmo contribuinte, com situações fáticas idênticas, sendo certo catar- se apenas de tributos distintos (10F e IRRF); b) O acórdão paradigma filmou entendimento de que "a prática de operações compostas de compra e venda de ouro e fechamento de contrato de swap, no mesmo dia, para simular a realização de operações de renda /,-----., j gvariável, mas que produzem rendimentos predeterminados, com a ( / \-------- 6 Processo n" 19740 000671/2003-96 CSRF-T2 Acórdão n " 9202-00.829 P1455 intenção de ocultar a ocorrência do . fato gerador do IOF com aliquota diferente de 0%, configura ação dolosa tendente a impedir a exigência de tributo, mantendo, assim, a qualificação da multa de oficio (150%); c) Já o acórdão recorrido firmou entendimento no sentido de que as referidas operações casadas, "de conhecimento público e sujeitas a monitoramento pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central", não encerram em seu bojo conduta simulatória ou fraudulenta; d) Resta demonstrada a divergência entre as Câmaras; e) Pede vênia para reproduzir como razões de recurso as conclusões a que chegou o relator do acórdão paradigma, pois ali estão demonstrados os motivos configuradores da fraude e da simulação que atingem tais operações; f) Requer o provimento do recurso, para que a penalidade de 150% seja restabelecida Admitido o recurso por meio do Despacho n° 475 (fls. 415-417, Volume III), o contribuinte foi intimado e apresentou contra-razões às fia 420-430, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso, para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a de 150% para 75%. Segundo a recorrente, a qualificação da multa de oficio é justificada pela caracterização de simulação quanto a operações de renda variável realizadas pela interessada, mas que produziram rendimentos predeterminados e, portanto, eram de renda fixa, exatamente da forma como decidiu o Segundo Conselho de Contribuintes no acórdão n° 202-1 T274, que tratou da operação em questão, mas relacionada ao I0F. Eis a matéria em litígio, Pois bem, a autoridade lançadora entendeu que se está diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso 11, da Lei n° 9.430/96, nos seguintes termos: 7 Processo n" 19740.000671/2003-96 CSRF-T2 Acórdão n." 9202-00.829 F1 456 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição- ( ) 11– 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fiam-1e, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 4 502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão previstos nos arti gos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, os quais determinam que: Art 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade .fazendária – da ocorrência do ..fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributário principal ou o crédito tributário correspondente Art 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas caracteristicas essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento Ari 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts 71 e 72. Ressalto, novamente, que no Relatório de Atividade Fiscal de fls 188-228 (Volumes 1 e II), a autoridade lançadora justificou a exasperação da penalidade em razão da simulação das operações de renda fixa, O dolo é elemento especifico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos, ou seja, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. Sob minha ótica, as circunstâncias dos autos não justificam a exasperação da penalidade. Devo trazer à colação, adotando-as como razões de decidir, as colocações feitas pelo Relator acórdão recorrido, Conselheiro José Raimundo Tosta Santos (fls. 398-399): Quanto à redução da penalidade, pleiteada em extenso arrazoado pela recorieiite, entendo que a multa de oficio deve ser desqualificada Todos os documentos apresentados — contratos, lançamentos contábeis, documentos e esclarecimentos Processo n° 19740 000671/2003-96 CSRF-T2 Acórdão n 9202-00-829 Fl 457 solicitados permitiram à fiscalização avaliar a correção das operações Os contratos foram registrados em cartório de títulos e documentos e geraram direitos e obrigações para as partes que o assinaram Não há nos autos prova de que a recorrente tenha se utilizado de ardis ou subterfúgios tendentes a escamotear as operações, que são 177072itOrOdaS pelo Conselho Monetário Nacional e Banco Central do Brasil. Trata-se de operações de conhecimento público, realizadas por pessoas físicas e jurídicas, muitas delas, inclusive, de direito público, consoante relação às fis. 68/73. Os investidores ao comprarem e venderem ouro, de fato, apenas recebem ou entregam certificados de custódia. Os atos praticados eram lícitos. Não houve declaração enganosa de vontade, até porque as cláusulas contratuais determinavam exatamente o que foi cumprido — garantiam ao investidor resultados predeterminados. Os Contratos de Compra e Venda de Ouro e de Proteção contra Riscos Financeiros . foram efetivos, tanto assim que deram suporte à caracterização de operações conjugadas Sem a previsão normativa do artigo 65, 4', da Lei n° 8.981, de 1995, haveria enormes dificuldades para a fiscalização ter autuado Por outro lado, não se pode concluir que a aplicação do referido dispositivo implica na qualificação da multa. Em termos .financeiros nenhum beneficio houve ao BB DTVM S/A, pois a tributação exclusiva na fonte, sob a responsabilidade desta, diminui o valor líquido a ser pago ao beneficiário do rendimento Sobre o mérito da autuação, após transcrever a legislação de regência, o Relator do acórdão recorrido fez as seguintes ponderações (fis. 397): A questão.fidcral indicada no lançamento e muito bem analisada na decisão a quo (fis 300/302), cujos fundamentos não merecem reparos, é examinar se o resultado auferido deve ser tributado como renda variável, como aduz o recorrente, ou como renda fixa, considerando tratar-se de operações conjugadas, nos termos do artigo 6.5, ,f 40, alínea "a", da Lei 8.981, de 1 995 Parece-me evidente que os contratos celebrados às fls. 22/25 (Contrato de Proteção contra Riscos Financeiros) e .27/28 (Contrato de Compra e Venda de Ouro), exemplificam, na prática, o conceito de operações conjugadas A compra e a venda de ouro num mesmo dia, simultâneas a uma operação de "swap" de variação do ouro versas variação do CRI, todas de valores idénticos, com a .flagrante .finalidade de proporcionar- lhes remuneração igual à variação do CDI As operações conjugadas permitem a obtenção de rendimentos predeterminados, realizadas nas bolsas de valore.s, de mercadorias, de .futuros e assemelhadas, bem como no mercado de balcão, nos termos do artigo 17 da Instrução Normativa e 123, de 1999 De .fato, os contratos celebrados, em operações conjugadas, retiram o risco subjacente à toda operação de renda variável, conferindo ao cliente resultado predeterminado, característico de aplicação financeira de renda fixa Não se trata de interferir na liberdade de contratar que rege as relações privadas. A .fiscalização, por atuar de forma vinculada 9 Processo n° 19740 000671/2003-96 CSRF- T 2 Acórdão n " 9202-00.829 Fl 458 L lei (cuja vigéncia não pode ser negada por este Colegiado), ao deparar-se com as operações enlaçadas, simultâneas, como as do presente caso. não podia agir de forma diversa da disciplinada no artigo 65, 4', da Lei n°8 981, de 1995. De fato, segundo penso, a operação subsume-se à rega do arti go 65 da Lei n° 8.981/95 e a interessada está sujeita à incidência do imposto de renda na fonte, mas não caracteriza o evidente intuito de fraude do contribuinte BB Administradora de Ativos — Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.., previsto ao tempo do lançamento, no arti go 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, por não se enquadrar em nenhuma das re gras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4502/64 Cumpre ressaltar que a interessada não auferiu nenhum beneficio financeiro com tais operações, pois a tributação exclusiva na fbnte, sob sua responsabilidade, diminui o valor liquido a ser pago ao beneficiário do rendimento. Além disso, a operação foi feita às claras e está registrada documentalmente, com os respectivos lançamentos contábeis. Nada foi escondido da fiscalização Sob minha ótica, tais circunstâncias recomendam a aplicação ao caso do artigo 112, incisos II e IV, do Códi go Tributário Nacional — CTN, segundo o qual: "Art 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (..,) II — à natureza ou às circunstâncias materiais do jato, ou à natureza ou extensão dos seus ditos, (...) IV — à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." Entendo, pois, que a decisão recorrida merece ser confirmada, pois não se justifica a qualificação da multa de oficio para o caso. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Gonçalo Bone Allage Relator o Processo n° 19740 000671/2003-96 CSRF-T2 Acórdão n 9202-00.828 Fl 459 Voto Vencedor Conselheiro JULIO CÉSAR VIEIRA GOMES. Desinado A questão a ser enfrentada é apenas quanto a procedência ou não do agravamento da multa de oficio de 75% para 150%, já queCom as devidas vênias, divirjo do entendimento do ilustre relator e digo o porquê. As razões para se concluir pela improcedência da multa agravada estão assim sintetizadas: Sob minha ótica, as circunstâncias dos autos não justificam a exasperação da penalidade. Devo trazer à colação, adotando-as como razões de decidir, as colocações . feitas pelo Relator acórdão recorrido, Conselheiro José Raimundo Tosta Santos (lis 398-399): Quanto à redução da penalidade, pleiteada em extenso arrazoado pela recorrente, entendo que a multa de oficio deve ser desqualificada Todos os documentos apresentados — contratos, lançamentos contábeis, documentos e esclarecimentos solicitados — permitiram à .fiscalização avaliar a correção das operações. Os contratos foram registrados em cartório de títulos e documentos e geraram direitos e obrigações para as partes que o assinaram Não há nos autos prova de que a recorrente tenha , se utilizado de ardis ou subterfúgios tendentes a escamotear as ; operações, que são monitoradas pelo Conselho Monetário Nacional e Banco Central do Brasil. Trata-se de operações de conhecimento público, realizadas por pessoas ,físicas e jurídicas, muitas delas, inclusive, de direito público, consoante relação às fls. 68/73. Os investidores ao comprarem e venderem ouro, de fato, apenas recebem ou entregam certificados de custódia. Os atos praticados eram lícitos_ Não houve declaração enganosa de vontade, até porque as cláusulas contratuais determinavam exatamente o que foi cumprido — garantiam ao investidor resultados predeterminados. Os Contratos de Compra e Venda de Ouro e de Proteção contra Riscos Financeiros foram efetivos, tanto assim que deram .suporte à caracterização de operações conjugadas. Sem a previsão normativa do artigo 65, § 4 0, da Lei n° 8 981, de 199.5, haveria enormes dificuldades para a .fiscalização ter autuado. Por outro lado, não se pode concluir. que a aplicação do referido dispositivo implica na qualificação da multa. Em termos financeiros nenhum beneficio houve ao BB DITAI S/A, pois a tributação exclusiva na fonte, sob a responsabilidade desta, diminui o valor líquido a ser pago ao beneficiário do rendimento. E o ilustre relator, também seguindo as razões no acórdão recorrido, concluiu que se tratava em última instância de operação com renda fixa: • • 1] Processo n 19740 000671/2003-96 CSRF-12 Acordão n 9202-00.828 Fl 460 De ..fato, os contratos celebrados, em operações conjugadas, retiram o risco subjacente à toda operação de renda variável, conferindo ao cliente resultado predeterminado, característico de aplicação _financeira de renda fixa Apenas não encontrou elementos comprobatórios nos autos de que houve simulação, emprego de meio ardil para se encobrir a realidade, Conclusão essa da qual, com todas as vênias, discordo completamente_ Senão vejamos: O contribuinte defendeu desde a impugnação que a operação era de renda variável e não de renda fixa, fls. 258, no sentido contrário ao que decidiu por unanimidade o acórdão recorrido. Após o recurso especial da Fazenda Nacional optou em pagar o valor principal com a multa de oficio em 75%, fls. 558. Do que já se conclui que o contribuinte à época dos fatos tentava convencer que o conjunto de operações com ativo financeiro ouro finalizada com o contrato de swap envolvendo CDI deve ser tributada como renda variável, com imunidade de HW e tributada apenas com 1°/(} de IOF na operação de ori gem. É disso que deseja convencer o contribuinte. Pois bem, entendo que um primeiro passo para identificação de uma simulação é se verificar a finalidade e, após, o resultado, que é o ganho advindo com a construção realizada. Somente existe simulação quando aquilo que é aparenta o que não é, caso contrário coincidiriam a aparência com a realidade.. O natural é que assim seja: as coisas aparentam o que são, para mudar isso é necessária a intervenção da inteligência — no caso do peixe-pedra e do bicho-pau e de outras obras da natureza foi a inteli gência divina do criador, mas o homem também realiza suas façanhas No presente caso, um titulo de renda fixa, CDI, recebeu uma roupagem em ouro, mas por que? Qual seria a justificativa diferente da redução de tributo para que então não se vendesse ao cliente o CDI? Não há explicação do contribuinte em suas peças recursais; defende o tempo todo que o contrato de swap com CDI é desvinculado do contrato de compra e venda de ouro, fls. 325. , Ora, constam nos autos os dois contratos: contrato de compra e venda de ouro - e contrato de proteção contra riscos financeiros, ambos assinados na mesma data 10/03/99, fls.. 25 e 28. Pelo primeiro, o investidor compra ouro e pelo segundo, na prática, transforma-se ouro j em CDI; "coincidentemente", não fosse a efêmera e duvidosa presença do ouro teria o contribuinte que pagar além do IOF o IRRF com aliquota de 20%. Será realmente que essas operações envolvendo contrato de compra e venda de ouro foram naturais, com algum propósito justificável e lícito? Para mim e para a maioria do colegiada houve uma clara simulação. O fato de que essas operações se tomaram públicas, inclusive com o conhecimento de outros órgãos que não 'fiscalizam tributos me parece mais relevante para reforçar que se trata de simulação do que o contrario. O simulador necessita que a aparência seja notória para melhor escamotear a realidade; caso contrário, os verdadeiros propósitos acabariam por denunciá-lo.. De fato, os contratos estão perfeitamente formalizados; portanto, a forma, aparência, quando vista de longe convence o observador distraído. Não se deve examinar apenas as partes como se existentes por si mesmas, mas o conjunto, a construção como um todo. E não há dúvida que se arquitetou como operação de renda variável, ouro, o que é de renda fixa, CDI. Processo n 19740 000671/2003-96 CSRF-T2 Acórdão n 9202-00.828 Fl 461 Por fim, quanto à inexistência de ganhos para o contribuinte autuado, somente também se pode convencer disso o observador distraído. Perante o fisco, comprador e vendedor de títulos têm interesses coincidentes. A economia do investidor com os tributos torna os títulos mais atrativos para o mercado, daí o seu ganho Diga-se ainda de passagem que, independentemente de quem seja o principal beneficiário, para a autuação, considerando que vendedor e comprador têm interesses coincidentes em economizar tributo, bastaria o prejuízo da Fazenda Pública com essa operação. Por tudo, -sdr lto ‘or ar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, \!\ \;. Julio Ca'' Vieira Gomes — Redator-Designado 13
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721150/2009-21
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO. A base de cálculo da multa é o valor da CSLL calculada sobre o lucro estimado não recolhido ou diferença entre o devido e o recolhido até a apuração da contribuição anual. A partir da apuração da CSLL anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a CSLL devida com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores, se a empresa apurou base de cálculo negativa no ano calendário.
Numero da decisão: 1803-001.099
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o relator, Sérgio Rodrigues Mendes, que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Selene Ferreira de Moraes para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO. A base de cálculo da multa é o valor da CSLL calculada sobre o lucro estimado não recolhido ou diferença entre o devido e o recolhido até a apuração da contribuição anual. A partir da apuração da CSLL anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a CSLL devida com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores, se a empresa apurou base de cálculo negativa no ano calendário. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 269 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o relator, Sérgio Rodrigues Mendes, que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Selene Ferreira de Moraes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 270 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 192 e 193): Versa o presente processo sobre auto de infração (fls. 12/16) para exigência de multa isolada no valor de R$ 308.180,51. Segundo a autoridade autuante, a multa foi aplicada no percentual de 50% sobre a diferença de CSLL apurada por estimativa no anocalendário 2005, exercício 2006, relativa ao mês de junho/2005, não recolhida nem declarada em DCTF/PERDCOMP, com fulcro no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei 9.430/96. Tendo tomado ciência do auto de infração em 28/09/2009 (fl. 13), o contribuinte apresentou impugnação em 27/10/2009 (fls. 41/46), via procurador (fls. 47/63), alegando em síntese que: 1) A impugnação é tempestiva; 2) No anocalendário em apreço, a impugnante levantou balanços periodicamente, com o objetivo de acompanhar os lucros e/ou prejuízos; 3) Durante o ano de 2005, em todos os meses, para fins de contribuição social sobre o lucro líquido, foi apurado prejuízo. Consequentemente, não estava a impugnante obrigada a realizar o pagamento da CSLL a título de antecipação sobre a base estimada; 4) Na DIPJ 2006, relativa ao anocalendário 2005, equivocadamente, na ficha 16, destinada ao cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido mensal por estimativa, no campo “Discriminação”, relativo ao mês de junho, foi indicada a base de cálculo no valor de R$ 6.859.566,92, com o valor a pagar de R$ 617.361,02; 5) O auto de infração foi lavrado por absoluto equívoco cometido pela impugnante no preenchimento da DIPJ, a qual foi regularizada mediante retificação; 6) Assim, a multa isolada pela suposta falta de recolhimento da CSLL, no montante de R$ 308.180,51 não merece prosperar, pois, durante todo o ano de 2005, não teve base de cálculo para CSLL, em razão do prejuízo fiscal; 7) De acordo com a legislação tributária em vigor, os balanços e balancetes mensais são os meios de prova que o contribuinte dispõe para demonstrar se apurou lucro ou prejuízo fiscal; 8) Durante o ano de 2005, a impugnante efetuou os balancetes mensais conforme determina o RIR/2009 (doc. 06) e elaborou a planilha mensal de demonstração da base de cálculo da CSLL (doc. 07); 9) No final do exercício, como se pode observar no Balanço Anual (doc. 08) e na Demonstração da Base de Cálculo da CSLL relativa ao mês de dezembro/2005 (doc. 09), a base de cálculo da CSLL também foi negativa; 10) Para regularizar as informações contidas na DIPJ, em 20/10/2009 foi apresentada a retificação da DIPJ/2006, anocalendário 2005; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 271 4 11) Diante de prejuízo fiscal, não pode sobreviver a penalidade prevista no art. 44, § 1º, V, da Lei 9.430/96, pois este dispositivo conduz ao entendimento de que o procedimento fiscal e a aplicação da penalidade somente devem ocorrer caso o contribuinte tenha apurado lucro fiscal e não realizado a antecipação do pagamento da contribuição; 12) Requer seja julgado improcedente o auto de infração; 13) Caso se entenda pela possibilidade de prosseguimento da cobrança, requer seja determinada a baixa dos autos em diligência, para que a autoridade fiscal competente proceda à análise dos documentos acostados ao presente processo. Foram juntados pelo contribuinte à impugnação os seguintes documentos acerca do mérito: balancetes mensais em idioma inglês (fls. 74/171), Demonstração da Base de Cálculo da CSLL (fls. 172/174), Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado — DRE encerrados em 31/12/2005 (fl. 175), Demonstração Base de Cálculo CSLL — dez/2005 (fls. 176/177), telas da DIPJ/2006 original (fls. 178/184) e telas da DIPJ/2006 retificadora (fls. 185/187). 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 191): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA APURADA E NÃO PAGA. CABIMENTO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NÃO COMPROVAÇÃO. PROVAS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. IMPRESTABILIDADE. Tendo o contribuinte apresentado documentos que se revelaram imprestáveis para a comprovação da redução da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa mensal preliminarmente apurada está correto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Cientificada da referida decisão em 22/07/2010 (fls. 197verso), a tempo, em 19/08/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 202 a 216, instruído com os documentos de fls. 217 a 264, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, não obstante os argumentos expostos e a farta documentação juntada na Impugnação, que eram suficientes para demonstrar que houve um equívoco no preenchimento da DIPJ, visto que, durante todo o ano calendário, a base de cálculo da CSLL foi negativa, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, em 13 de maio de 2010, julgou procedente o lançamento em questão; b) que a decisão recorrida, que manteve o lançamento efetuado, foi prolatada com vícios, visto que não foram enfrentados todos os argumentos e a farta documentação levados a efeito na impugnação, que demonstraram, claramente, que a base de cálculo da CSLL, no mês de junho/2005, foi negativa; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 272 5 c) que, na decisão prolatada pelo Julgador da Primeira Instância, resta claro que os requisitos essenciais da decisão, não foram atendidos, quais sejam a clareza e a precisão, pois esta não contém, de forma sintética, clara e precisa, todo o histórico da relação processual, pois se equivocou em vários aspectos, principalmente ao considerar imprestáveis os balancetes juntados na impugnação, por entender que estes estavam em idioma inglês; d) que essa afirmativa não é verdadeira, visto que apenas os nomes do grupo e do subgrupo (sintético) estavam em inglês; os nomes das contas (analíticas), ou seja, o restante, estavam todos em português; e) que os balancetes que a Recorrente juntou na impugnação contêm colunas com as seguintes descrições: a) número da conta; b) descrição da conta, valor do período apurado (exercício); e c) o valor do período comparativo (mês anterior); f) que cada grupo de contas é composto por subgrupos que, por sua vez, são formados por várias contas contábeis; g) que essas contas são representadas numericamente por um código padrão (Samsung mundial), bem como sua descrição; h) que os nomes dos grupos e dos subgrupos são standard (padrão) do sistema SAP (usado globalmente não só pela Samsung como por muitas empresas multinacionais) e não podiam ter a descrição alterada; i) que, por este motivo, os balancetes juntados na impugnação foram realizados com nomes do grupo e do subgrupo (sintético) em inglês e o nome de todas as contas (analíticas) em português; j) que essa forma de elaboração dos balancetes em hipótese alguma traz qualquer prejuízo na sua leitura ou entendimento dos mesmos e, tampouco, podem ser considerados imprestáveis, visto que o que é relevante e de interesse do Fisco no Brasil são os nomes das contas analíticas que estão em português e, para o caso em apreço, sem qualquer esforço, é possível verificar se o resultado foi positivo ou negativo; k) que, ademais, o resultado vem gravado de forma numérica, o que demonstra mais uma vez a fácil verificação do saldo; l) que, para demonstrar que inexiste a pretensa imprestabilidade dos balancetes apresentados na impugnação, como pretendeu a decisão guerreada, e mais, para que não reste qualquer dúvida, embora desnecessário, nesta oportunidade está sendo juntado o balancete mensal relativo ao mês de junho do ano de 2005 e a sua tradução para o português, por tradutor juramentado; m) que o que descreve a decisão de que os balancetes foram elaborados após a ciência do auto de infração não condiz com a verdade dos fatos, visto Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 273 6 que os mesmos foram elaborados bem antes, como pode ser observado no documento anexado; n) que a data que a autoridade entende como sendo a da elaboração tratase da data da impressão, pois a cada impressão o sistema indica a data em foi impresso o documento; o) que, se a autoridade julgadora entendesse que deveria confirmar o prejuízo através do livro Diário ou o Razão, em homenagem ao princípio da verdade material, deveria ter baixado o processo em diligência, para verificar os citados livros; p) que resta evidenciado que a decisão em apreço está eivada de vícios, pois não trouxe a solução final à controvérsia; q) que os documentos juntados na impugnação são confiáveis e válidos, capazes de demonstrar que a base de cálculo da CSLL para o mês de junho/2005 é negativa; r) que, no caso em apreço fica evidenciado que houve erro meramente formal no preenchimento da DIPJ, na qual há a possibilidade de correção em qualquer momento, independente de qualquer ação fiscal, visto que o auto de infração se trata de incorreções na DIPJ; e s) que a retificação se faz necessária para corrigir o resultado do mês de junho/2005, dos demais meses subsequentes do exercício, e ainda dos exercícios seguintes, em razão dos reflexos. Em mesa para julgamento. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 274 7 Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Afirma a Impugnante/Recorrente, enfaticamente, que, na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do exercício de 2006, teria, equivocadamente, indicado base de cálculo no valor de R$ 6.859.566,92, com o valor a pagar de R$ 617.361,02 no mês de junho, na ficha 16, destinada ao cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) mensal por estimativa. 5. Acrescenta, ainda, que o auto de infração teria sido lavrado por absoluto equívoco cometido por ela no preenchimento da DIPJ. 6. Para tanto, apresenta cópias de balancetes mensais (fls. 74 a 171, 238 a 249 e 250 a 264). 7. Sucede, porém, que esses mesmos balancetes mensais registram aquele valor de R$ 617.361,02, seja como débito devido (output CSLL a Recolher), seja como crédito (input CSLL a Recuperar). Vejase: fls. 108 (junho de 2005): fls. 116 (junho de 2005): fls. 120 (agosto de 2005): fls. 124 (agosto de 2005): fls. 138 (outubro de 2005): Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 275 8 fls. 142 (outubro de 2005): fls. 156 (dezembro de 2005): fls. 160 (dezembro de 2005): fls. 242 (junho de 2005): fls. 249 (junho de 2005): 8. Por conseguinte, correto o procedimento fiscal, ao considerar não recolhida a estimativa devida do mês de junho de 2005, reconhecida como existente na própria contabilidade apresentada pela Recorrente e, ao que tudo indica, determinada sobre base de cálculo estimada (art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996), e não com base em balancete de redução ou de suspensão, como alega a Recorrente. Multa isolada por falta de recolhimento de estimativa 9. Com relação, especificamente, à exigência em si da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa, transcrevo, nos itens subsequentes, o meu entendimento sobre a matéria. 10. Primeiro que tudo, oportuno se faz recordar a magistral advertência de Carlos Maximiliano [Hermenêutica e Aplicação do Direito. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1933. p. 118], no sentido de que: Cumpre evitar, não só o demasiado apego à letra dos dispositivos, como também o excesso contrário, o de forçar a exegese e, deste modo, encaixar na regra escrita, graças à fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixonou, de sorte que vislumbra no texto ideias apenas existentes no próprio cérebro ou no sentir individual, desvairado por ojerizas e pendores, entusiasmos e preconceitos. A interpretação deve ser objetiva, desapaixonada, equilibrada, às vezes audaciosa, porém não revolucionária, aguda, mas sempre atenta respeitadora da lei. 11. Dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação original (grifouse): Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 276 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, [...]; II cento e cinquenta por cento, [...]. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...]; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; 12. Da atenta leitura desse dispositivo legal, observase o seguinte: a) não há qualquer orientação no sentido de que a aplicação da multa isolada por falta de pagamento de estimativas devase fazer apenas “no curso do próprio anocalendário”. Haja vista que, segundo a lei, essa multa será exigida da pessoa jurídica “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente”, e não “ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (destaque da transcrição). Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, ser inviável qualquer procedimento fiscal, haja vista que o seu vencimento se dá como é sabido no último dia útil do mês de dezembro. Estarseia, assim, instituindo, pelas vias tortuosas de mera tese jurisprudencial, verdadeira dispensa de obrigação tributária para esse mês, o que somente seria possível mediante lei; b) se a multa isolada é aplicável “ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente” (negrito da transcrição), também é exigível quando apurado resultado positivo. Seguese, daí, que nada impede a cobrança dessa multa, mesmo que, sobre esse resultado positivo, venha a incidir tributo e respectiva multa de ofício, prevista no inciso I do § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 (“juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos”); c) a infração da falta de pagamento de estimativas não deixa de subsistir por ter sido apurado, eventualmente, ao final do ano Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 277 10 calendário, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, essa infração, por força de lei, não é nem jamais poderia ser condicional, não admitindo uma espécie de “retroatividade benigna”, no sentido de desfazer os seus efeitos. Dessa forma, tendose verificado a hipótese de incidência da multa isolada, fatos posteriores sãolhe de todo estranhos. Há que se destacar, também, que, quando do cometimento da infração (falta de pagamento de estimativas), não era, ainda, conhecido o resultado anual da empresa; d) se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar resultado negativo ao final do período de apuração anual, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido (art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996), senão pela falta de cumprimento de obrigação autônoma que, com aquela, não guarda qualquer nexo de dependência, a saber: o pagamento da estimativa mensal (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), condição suficiente para a aplicação da penalidade. Assim, se não há coincidência de motivação, se as causas são díspares, se os fundamentos são diversos, não cabe falar em duplicidade de punição, não cabe apontar dupla incidência sobre a mesma infração, não cabe alegar bis in idem que, por sinal, somente se aplica a tributos. Advirtase, por pertinente, que a tentativa de se excluir a aplicação da multa isolada ao argumento da suposta “inexistência de prejuízo ao fisco” ou da “não repercussão na órbita do tributo”, esbarra no contido no art. 136 do CTN (“a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”); e) o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, ao depois, se mostrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas base de cálculo dessa penalidade revelaremse, ao final do período de apuração anual (após o cometimento da infração), total ou parcialmente indevidas, é irrelevante, e não conduz à concessão de uma “anistia” ao sujeito passivo. Essa infração não se desmaterializa pelo fato de, na apuração anual, o imposto efetivamente devido vir a ser menor. Não por outro motivo, aliás, dita multa é denominada “isolada”, ou seja, não possui qualquer vínculo com o tributo devido ao final do período de apuração anual; f) a base de cálculo das estimativas e a do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, em princípio, são distintas. Ao tempo que as estimativas são calculadas com base na receita bruta (sobre a qual se aplica um percentual fixado em função da atividade do contribuinte) e acréscimos, a base de cálculo do IRPJ e CSLL é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 278 11 prescritas na legislação. Por conseguinte, o simples fato de as bases de cálculo das respectivas multas (isolada e de ofício, respectivamente), eventualmente, poderem ser coincidentes (v.g., nas hipóteses de omissão de receitas), não significa que esteja havendo dupla incidência ou aplicação concomitante sobre a mesma base de cálculo apurada em procedimento de ofício. Coube ao legislador estabelecer, a seu critério, que a base de cálculo da multa isolada seria o valor da estimativa não recolhida, como poderia, ele, ter optado por qualquer outra fórmula de cálculo ou, mesmo, ter estabelecido multa de valor fixo para aquela infração, adequando convenientemente a dosagem da correspondente penalidade; g) a lei é clara ao admitir a cobrança de multa isolada por insuficiências de estimativas, mesmo quando apurado resultado negativo ao final do período de apuração anual (ausência de tributo devido). Com que fundamento, então, pode o simples intérprete e aplicador da lei fixar limitações a essa multa, vinculandoa à existência de tributo devido? Ora, o fato de haver sido apurado resultado negativo ao final do período anual não significa que, em todos os meses componentes desse mesmo período, também tenha sido apurado resultado negativo; h) nada impede que o sujeito passivo que não tenha recolhido estimativas ao longo do ano venha a pagar o tributo apurado ao final do período anual: nesse caso, serlheia aplicada apenas a multa por falta de recolhimento de estimativas. Também o sujeito passivo pode ter atendido às condições para apuração do lucro real anual, não efetuando, porém, o pagamento do saldo remanescente do ajuste ao final do ano: nesse caso, serlheia cobrada apenas a diferença de tributo acompanhada da multa de ofício correspondente. Já na hipótese de ter havido omissão total por parte do sujeito passivo, tanto no que diz respeito ao recolhimento de estimativas, quanto no que se refere ao pagamento do saldo anual do imposto, serlheão exigidas as duas penalidades, por se tratar de infrações distintas. A concomitância, portanto, será decorrente desse fato (dupla infração). 13. Acrescentase, por pertinente, que insurgências quanto ao eventual montante desproporcional da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas devem ser endereçadas ao legislador que, por sinal, já teve a iniciativa de reduzir o percentual correspondente, de 75 % (setenta e cinco por cento) para 50 % (cinquenta por cento), não mais prevendo sua duplicação ou aumento de metade, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 2007. 14. Por derradeiro, revelase bemvinda a lição de Francesco Carrara (Interpretação e Aplicação das Leis. 2. ed. Coimbra: 1963. p. 129) que, sobre o tema, prelecionou: Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 279 12 [...] nada é pior do que o intérprete colocar na lei o que na lei não está, por preferência, ou dela retirar o que nela está, por não lhe agradar o princípio. 15. E também esta, do Supremo Tribunal Federal (STF), em voto proferido pelo eminente Ministro Oscar Corrêa (Revista Brasileira de Direito Processual. Ed. Forense, vol. 50, p. 159): Não pode o juiz, sob alegação de que a aplicação do texto da lei à hipótese não se harmoniza com o seu sentimento de justiça ou equidade, substituirse ao legislador para formular, de próprio, a regra de direito aplicável. Mitigue o Juiz o rigor da lei, apliquea com equidade e equanimidade, mas não a substitua pelo seu critério. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 280 13 Voto Vencedor Conselheira Selene Ferreira de Moraes, Redatora Designada Em que pese o brilhantismo da argumentação acerca da validade da cobrança da multa isolada, acompanho o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o tema. A jurisprudência dominante na Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que com a apuração do imposto e da contribuição devidos ao final do exercício, desaparece a base imponível da penalidade isolada (antecipações), surgindo uma nova base, que corresponde ao imposto e à contribuição efetivamente apuradas. Isto, até o advento da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a a base imponível da multa isolada, ao modificar a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. As ementas a seguir reproduzidas deixam bem clara a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “MULTA ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A regra é o pagamento com base no lucro real no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do IRPJ e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir do IRPJ devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro líquido do período em curso (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJ do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). A base de cálculo da multa é o valor do IRPJ calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do imposto anual. A partir da apuração do IRPJ anual, o limite para a base de cálculo da sanção é o IRPJ devido com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores quando a empresa não tenha apurado imposto ou contribuição na apuração anual. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/0105.376, sessão em 06.12.2005)” “MULTA ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A regra é o pagamento com base no lucro líqüido apurado no trimestre, a Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 281 14 exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento da contribuição e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o IRPJ E A CSLL devidos a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do IRPJ e ou da contribuição, inclusive adicional, calculados com base no lucro líqüido do período em curso (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor dos tributos do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). A base de cálculo da multa é o valor dos tributos calculados sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração da contribuição anual. A partir da apuração do IRPJ E CSLL anuais, o limite para a base de cálculo da sanção dos tributos devidos com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores quando a empresa tenha apurado prejuízo anual. Indevida também em relação às diferenças apuradas pela fiscalização em virtude da ausência de previsão legal para cumulação das penalidades. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/0105.441, sessão em 21.03.2006) No presente caso o lançamento da multa isolada foi efetuado em 28/09/2009, portanto, após o encerramento do ano calendário em que ocorreu o fato gerador relativo ao mês de junho de 2005. Como a partir da apuração da CSLL anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a CSLL devida, é descabida a multa quando a empresa apura base de cálculo negativa. Conforme DIPJ anexada às fls. 10, a contribuinte apurou base de cálculo negativa no montante de R$ 61.685.998,14. Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10283.721150/200921 Acórdão n.º 180301.099 S1TE03 Fl. 282 15 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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