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Numero do processo: 19740.000356/2005-21
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.232
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JJOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .0 00 35 6/ 20 05 -2 1 Fl. 433DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0221.09522.9M92. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19740.000356/200521 Resolução nº 1102000.232 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório A Fazenda Nacional, de ofício, recorre do Acórdão nº 1218.894 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ Rio de Janeiro I, fls. 377 e segs., em sessão de 01/03/2008, que julgou improcedente o lançamento de imposto de renda retido na fonte. A ementa do referido Acórdão, assim descreve: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 Imposto sobre a Renda Retido na Fonte. Decadência. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, exvi do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, o direito de a Fazenda Nacional constituir o lançamento extinguese após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2004 Ementa: Coisa Julgada.Imunidade Tributária. Alteração do Estado de Direito. Incidência de Imposto de Renda na Fonte sobre Aplicações Financeiras das Empresa Imunes. Suspensão de Vigência de Dispositivo Legal. Ante a decisão judicial reconhecendo a imunidade tributária do contribuinte, a coisa julgada somente é abalada se alterado o estado de fato ou de direito, nos termos do art. 471, I, do CPC. A partir do anocalendário de 1998, exvi do art. 12, §1°, da Lei n° 9.532, de 1997, não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. A vigência desse dispositivo encontrase suspensa, por meio de medida liminar deferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.8023, em sessão de 27/08/1998. Lançamento Improcedente Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam, por unanimidade de votos, os membros desta Turma Julgar, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, improcedente o lançamento de imposto sobre a renda retido na fonte. Desse ato o Presidente da 2a Turma recorre de ofício ao Primeiro Conselho de Contribuintes.” Cito trechos do relatório e voto da DRJ: · O presente processo trata de auto de infração relativo aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000 (até 27/05/2000), 2001 e 2004 (outubro e novembro), por meio do qual é exigido do interessado acima identificado o IRRF, no valor de R$ 2.086.496,31, acrescido de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. Fl. 434DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0221.09522.9M92. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19740.000356/200521 Resolução nº 1102000.232 S1C1T2 Fl. 4 3 · A empresa, entidade fechada de previdência privada sem fins lucrativos, juntamente com outros litisconsortes, impetrou mandado de segurança, através da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada ABRAPP junto à Justiça Federal do Distrito Federal (processo n° 1998.34.00.0025424), com pedido de liminar, objetivando o não recolhimento do IRRF sobre os resultados de aplicações financeiras, prevista no §1° do art. 12, da Lei n° 9.532/1997, e no art. 8o, Instrução Normativa SRFn0 96/1997. · Também, o interessado impetrou outro MS junto à Justiça Federal de São Paulo (processo n° 92.00933572), em 16/12/1992, com pedido de liminar, objetivando o não recolhimento do IRRF sobre as aplicações financeiras, insurgindose contra os dispositivos da Lei n° 8.383/1991, em seu art. 20 e seguintes. Esta ação transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal, em 14/05/2002, que, através do Recurso Extraordinário n° 235.0030, reconheceu a imunidade do interessado. · A fiscalização entende que apesar do Plenário do STF ter reconhecido a imunidade do interessado, tal decisão não atinge o período sobre fiscalização, que está regido pela Lei n° 9.532/1997. Ou seja, a empresa não está contemplada com a imunidade mas tãosomente com o benefício fiscal da isenção do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas, sujeitandose, contudo, ao imposto de renda incidente sobre aplicações financeiras. Logo, foi efetuado o lançamento de ofício. · Constatada divergência entre os valores declarados em DCTF e os escriturados em 31/10/2004 e 30/11/2004, a título de IRRF, o que resultou na exigência dos valores de R$ 695.875,72 e R$ 1.051.571,37, respectivamente. Quanto ao voto, assim ficou decidido por unanimidade: · Em nome do princípio da verdade material, arguo, de ofício, a decadência. Encontrase pacificado o entendimento de que o lançamento do imposto sobre a renda retido na fonte IRRF é por homologação, uma vez que é do interessado a atividade de determinar a obrigação tributária, a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, extinguindo pelo pagamento o crédito sob condição resolutória de ulterior homologação. Aplicase o prazo do parágrafo 4o. do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN. · Dessa forma, em 29/09/2005 (Fls. 295 e segs.), data da ciência do auto de infração, já havia decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período de 25/03/2000 a 27/05/2000. Fl. 435DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0221.09522.9M92. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19740.000356/200521 Resolução nº 1102000.232 S1C1T2 Fl. 5 4 · Quanto ao tema tributação das entidades de previdência privada fechadas, o entendimento do agente fiscal no sentido que tais não estão alcançadas pelos ditames do art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, mas tãosomente com o benefício fiscal de isenção estabelecido pelo art. 6o do Decretolei n° 2.065/1983, base legal do art. 175, do RIR/1999, sujeitandoas ao pagamento do IRRF incidente sobre aplicações financeiras. · O Supremo Tribunal FederalSTF proferiu decisão que se tornou um paradigma, o qual foi consolidado na Súmula n° 730, aprovada em 26/11/2003, a saber: " a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, vi, "c", da constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários." (grifo nosso) · No caso da empresa, em sede de MS (processo n° 92.00933572), em 26/02/2002, o STF reconheceu a sua imunidade, a teor do voto proferido pelo MinistroRelator Moreira Alves ao julgar o Recurso Extraordinário n° 235.0030 (fl. 16): "O Plenário desta Corte, ao julgar o RE 259.756, firmou o entendimento de que a imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, "c", da Constituição apenas alcança as entidades fechadas de previdência privada em que não há a contribuição dos beneficiários, mas tãosomente a dos patrocinadores, como ocorre com a recorrida (fls.22)." (grifo nosso) · No entendimento da fiscalização, esta decisão judicial não seria aplicável ao período objeto dessa autuação. · A princípio, a coisa julgada em mandado de segurança em matéria tributária abrange apenas o ano da ação judicial, nos termos da Súmula 239 do STF, que assim dispõe: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores." · Entretanto, a súmula diz respeito apenas a julgamento de tributo objeto de um determinado lançamento, onde estão obrigatoriamente envolvidos elementos de fato que serviram de base para a cobrança; diferente é o caso em apreço, cuja discussão é sobre a imunidade constitucional (art. 150, VI, "c", da Constituição Federal). · Portanto, não se aplica ao presente a súmula no. 239, mas sim o art. 5o, XXXVI da Constituição Federal e, a contrario senso, o art. 471, I do Código de Processo Civil, que protegem a coisa julgada, uma vez que se atacou a regra matriz que exclui a incidência de qualquer imposto e não um determinado lançamento. Fl. 436DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0221.09522.9M92. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19740.000356/200521 Resolução nº 1102000.232 S1C1T2 Fl. 6 5 · Relativamente aos anoscalendário objeto de autuação, o fato de o interessado ter sido declarado uma entidade imune não o exclui do campo de incidência do IRF sobre os rendimentos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável, em face da alteração introduzida pelo art. 12, § 1o, da Lei n° 9.532/1997 na legislação tributária. "Art 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1o Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável." · Através da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada ABRAPP, o interessado impetrou mandado de segurança junto à Justiça Federal do Distrito Federal (processo n° 1998.34.00.0025424,fls. 18/56), onde argúi a inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. · Todavia, independente de existir ação judicial em andamento, é mister destacar que a vigência do §1° do art. 12 da Lei n° 9.532/1997 encontrase suspensa, posto que Plenário do STF, em sessão realizada em 27/09/1998, ao apreciar a medida cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) n0 1.8023, que ainda hoje se encontra pendente de julgamento do mérito, assim decidiu: “ Decisão: O Tribunal, por unanimidade, deferiu, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão final da ação, a vigência do §l°e alínea F do §2°, ambos do art. 12, do art. 13, caput e do art. 14, todos da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e indeferindoo com relação aos demais. " · A Lei n° 9.868, de 10/11/1999, que trata sobre o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal, dispõe que a medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, é concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva concederlhe eficácia retroativa (§1°; do art. ll). A concessão de medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário (§2°, do mesmo artigo). Fl. 437DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0221.09522.9M92. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19740.000356/200521 Resolução nº 1102000.232 S1C1T2 Fl. 7 6 · Portanto, sob a égide da medida cautelar, as empresas imunes não estão sujeitas à retenção do imposto de renda na fonte sobre suas aplicações financeiras. · Em sendo assim, considerando que foi reconhecida a imunidade do interessado, e suspensa a vigência do dispositivo legal que fundamenta a exação, improcede o lançamento. A Fazenda Nacional apresentou recurso de ofício. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Em função do que dispõe o artigo 3º, I, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com as alterações das Portarias MF nº 446/2009 e 556/2010, a competência para exame de recursos que versem sobre o lançamento de créditos tributários referentes ao IRRF é de uma das turmas das câmaras da Segunda Seção, verbis: Pela matéria, estarse diante de competência da Segunda Seção, conforme previsão explícita na Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 3º, in verbis: “Art. 3º À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) ...” À Primeira Seção somente cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário sobre Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, nos termos art. 2º, V do mesmo Regimento, verbis: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em Fl. 438DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0221.09522.9M92. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19740.000356/200521 Resolução nº 1102000.232 S1C1T2 Fl. 8 7 fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Nestes termos, voto por declinar da competência para julgamento em favor de alguma das Turmas da Segunda Seção do CARF. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0221.09522.9M92. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS em 27/11/2014 07:54:00. Documento autenticado digitalmente por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO em 27/11/2014. Documento assinado digitalmente por: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME em 09/12/2014 e JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO em 27/11/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0221.09522.9M92 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 66566F0F5CC986223EC91872C3B2BA61CE9062C3 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19740.000356/2005-21. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 19740.000314/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.278
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à Delegacia da RFB competente para que se aguarde o encerramento do Processo n. 10768.003726/00-12, anexando-se a esses autos inteiro teor das decisões proferidas no citado processo.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à Delegacia da RFB competente para que se aguarde o encerramento do Processo n. 10768.003726/00-12, anexando-se a esses autos inteiro teor das decisões proferidas no citado processo. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAÚJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras do Rio de Janeiro (DEINF/RJ) assim ementado, verbis: “Assumo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19740.000314/2007-51 Resolução nº 1102-000.278 S1-C1T2 Fl. 2 2 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CREDITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para a homologação da compensação. Solicitação Indeferida” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata-se de manifestação de inconformidade da interessada em face do Despacho Decisório de fls.49/54, da DEINF/RJ, que não homologou as compensações declaradas. Consta no referido despacho que: - o presente processo foi formalizado para tratar das DCOMP eletrônicas de fls.04/07 e 08/11, que buscam compensar débitos da COFINS, de julho de 2003, e PIS, de agosto de 2003; - a interessada indica como crédito a ser utilizado o saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 1999; - faz a observação que o mesmo foi informado em processo administrativo anterior, PAn°.10768.003726/00-12, fls.02 e 03; - após consultas aos sistemas da SRFB, verificou-se que, no referido PA n°.10768.003726/00-12, houve decisão da DEINF com ciência em 10-10-2000, no sentido de não reconhecer o crédito pleiteado, conforme fls. 12/14 e 15/ 16; - da mesma forma, a DRJ/RJ, pelo Acórdão n°.3.818, de 08-05-2003, indeferiu a solicitação, fls.l7/22; - houve recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, que converteu o julgamento em diligência, (fls.23/28); - a diligência à DEINF objetivou que esta aguardasse as decisões dos processos n°.10305.000375/97-69, 10305000968/97-l e 10768019625/99-31, que versam sobre compensações de estimativas, conforme detalhado às fls. 27/28 e 50; - os processos mencionados ainda não têm decisão, conforme tabela de fls.50; - conforme detalhado às fls. 50/51, a Interessada, mesmo ciente da decisão em 10-10-2000, tomou a utilizar o pretenso crédito do IRPJ de 1999, violando o que dispõe o parágrafo 4°, artigo 21, da lNSRF n°.210, de 30-09-2002; - além disto, na análise do PA n°.10768004899/2003-72, (fls.41/48), verificou- se que a interessada retificou DCTF reduzindo os débitos declarados de PIS e COFINS de 01/2001 a 12/2006; - tal retificação também redundou na desvinculação de débito de PIS de agosto de 2003, da DCOMP de fls.03; - os períodos acima mencionados contemplam os dos débitos cujas compensações são tratadas no presente processo, fls.39/40 e 51; Fl. 256DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19740.000314/2007-51 Resolução nº 1102-000.278 S1-C1T2 Fl. 3 3 - às fls.52/53, a DEINF, também com base no despacho de fls.41/48, expôs que não houve fundamento jurídico para a retificação de DCTF, bem como, registrou que não houve retificação de declaração de compensação, (DCOMP); - considerando que o suposto crédito não foi reconhecido no âmbito do PA n° l0768.003726/00-12, com base no artigo 170 do CTN, foi indeferida a solicitação da Interessada; - foi determinada a cobrança dos valores do PIS e da COFINS declarados na DCOMP e DCTF anteriores à mencionada retificadora, fls.5l e 53. A Interessada impugnou o despacho decisório em 16-07-2008, fls. 6l/75, após ter tido ciência do mesmo em 16-06-2008, (fls.60), alegando, em síntese, que: - é titular de crédito de IRF retido indevidamente pela fonte pagadora de rendimentos oriundos de aplicações financeiras, no caso, o Banco Central do Brasil, no ano de I999; - o inciso I, do artigo 774 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n°. 3.000 de l999, (RIR/99), dispõe que não estão sujeitos à tributação na fonte os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras realizadas por instituições financeiras; - o Ato Declaratório n°. 97/99 confirma que não deve haver a incidência do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de instituições financeiras ativas e as submetidas ao regime de liquidação extrajudicial, que é o seu caso; - o pedido decorreu de um fato plenamente reconhecido como inaplicável à instituição financeira sendo, portanto, indevida a retenção do imposto, não podendo ser prejudicada, pois, fez constar na sua declaração de ajuste anual os rendimentos auferidos, acrescentando que apurou prejuízo fiscal naquele ano; - inexiste compensação dúplice de um mesmo crédito, mas, sim, a compensação do crédito de IRRF tratado no PA n°. l0768.003726/00-12, com vários débitos, gerando processos autônomos; - a razão apresentada pela DEINF para indeferir o pedido, (suposta violação ao parágrafo 4°., artigo 21, da lNSRFn°.2l0, de 2002), não é suficiente para desqualificar a legalidade da compensação declarada, já que o crédito em análise ainda não foi julgado definitivamente perante a esfera administrativa; - a análise do crédito depende de diligência determinada pelo Conselho de Contribuintes, nos termos relatados às fls.23/28; - o texto do parágrafo 4°., do artigo 21, da IN SRF n°.210, de 2002, deve ser interpretado no sentido de que o sujeito passivo poderá utilizar, na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido não tenha decisão definitiva na esfera administrativa; - interpretar de maneira diferente haverá afronta ao artigo 99, do CTN, bem como, ao dispositivo legal que determina que, a compensação declarada à Fl. 257DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19740.000314/2007-51 Resolução nº 1102-000.278 S1-C1T2 Fl. 4 4 Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação; - às fls.69/74, a Interessada relatou as razões que a levaram a retificar a DCTF; - requereu que fosse reformado o despacho decisório recorrido, pois o erro da retenção e o acerto da declaração devem ser condições para reforçar o seu direito e não o de prejudicar. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo integralmente o despacho decisório que não homologou a compensação. Em sede de recurso voluntário a Contribuinte reproduz suas alegações da manifestação de inconformidade, requerendo a homologação da compensação, afirmando que o valor de seu crédito está devidamente comprovado. É a síntese do necessário. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. No caso, conforme se infere, trata-se de compensações realizadas com saldo negativo constituído no ano calendário de 1999. A Contribuinte havia compensado parcialmente seu saldo negativo de 1999, no processo nº 10768.003726/00-12. Nesse processo, a compensação restou não homologada e aguarda-se a realização de diligência para julgamento do recurso voluntário, a fim de verificar- se a higidez do crédito. Por sua vez, há dúvida também a respeito do valor do débito objeto da compensação, pois, embora não tenha havido retificação da DCOMP, houve retificação da DCTF para reduzi-los. Assim, considerando-se tais circunstâncias e o fato de que o saldo negativo do ano calendário de 1999 está sob análise no processo em questão, orienta-se voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à Delegacia da RFB competente para que se aguarde o encerramento do Processo nº 10768.003726/00-12, anexando-se a esses autos inteiro teor das decisões proferidas no PA citado. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO – RELATOR. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13434.000144/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2001 a 03/12/2004
DIRIGENTE ÓRGÃO PÚBLICO – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – MULTA – RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI
Pelo princípio da retroatividade benigna da lei, o dirigente de órgão público deixa de ser o responsável pela multa aplicada no caso de descumprimento de obrigação acessória verificada no âmbito do órgão em questão, em razão da revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.218
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2001 a 03/12/2004 DIRIGENTE ÓRGÃO PÚBLICO – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – MULTA – RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Pelo princípio da retroatividade benigna da lei, o dirigente de órgão público deixa de ser o responsável pela multa aplicada no caso de descumprimento de obrigação acessória verificada no âmbito do órgão em questão, em razão da revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991 Recurso Voluntário Provido.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. . Fl. 255DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 09), a ação fiscal desenvolveuse no Município de Doutor Severiano (RN), onde se apurou que as GFIPS foram entregues deixando de incluir remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados obrigatórios da Previdência Social daquele Município Prefeitura Municipal. Apesar de intimado por Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, o autuado, na qualidade de Prefeito Municipal, não apresentou nenhum ato legal/normativo de atribuição de competência para a prática de atos relacionados ao cumprimento de obrigações acessórias junto a Previdência Social. Assim, o autuado, como dirigente do órgão, foi considerado responsável pela infração. O autuado teve ciência da autuação em 24/04/2007 e apresentou defesa (fls. 223/227). Pelo Acórdão nº 1121.217 9fls. 231/235) a 6ª Turma da DRJ/Recife (PE) considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, o autuado apresentou recurso tempestivo (fls. 241/246) onde alega que em momento algum, o agente responsável pelo o Auto de Infração comprovou a exatidão das informações contra o então gestor, obteve tão somente a informação junto a atual gestão, de que havia divergência de dados, o que não foi perquirido pelo agente fiscal. Entende que se não há certeza e evidência de que havia débito anterior de sua responsabilidade, mas tão somente agora, quando da ação fiscal, é prudente afirmar neste momento, que a responsabilidade pela suposta irregularidade é sim do atual gestor e não do recorrente. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13434.000144/200792 Acórdão n.º 2402002.218 S2C4T2 Fl. 250 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão com base no art. 41 da Lei nº 8.212/1991 que assim estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Ocorre que o dispositivo em questão foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Por tratarse de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, ou seja, penalidade, entendo que cabe observar as disposições do Código Tributário Nacional no que tange à retroatividade da lei. O Códex Tributário dispõe, em seu art. 106, o seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A meu ver, a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991 se enquadra na aliena “c” do inciso II do art. 106 do CTN acima transcrito, ou seja, a penalidade deixou de ser aplicada contra o dirigente do órgão. Nesse sentido, com base no princípio da retroatividade benigna da lei, entendo que o lançamento não pode prevalecer. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 258DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10803.000011/2011-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1102-000.156
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-24T12:58:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-02-24T12:58:51Z; Last-Modified: 2015-02-24T12:58:51Z; dcterms:modified: 2015-02-24T12:58:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-02-24T12:58:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-24T12:58:51Z; meta:save-date: 2015-02-24T12:58:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-24T12:58:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-02-24T12:58:51Z; created: 2015-02-24T12:58:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2015-02-24T12:58:51Z; pdf:charsPerPage: 1648; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-24T12:58:51Z | Conteúdo => S1-C1T2 Fl. 1 1 S1-C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.000011/2011-69 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1102-000.156 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 11 de junho de 2013 Assunto IRPJ/CSLL/IRFONTE - glosa de custos e pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado Recorrente GEP INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME (Presidente), FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, RICARDO MAROZZI GREGORIO e JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO. Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Segunda Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Campo Grande (MS) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 DESPESAS OPERACIONAIS. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.000011/2011-69 Resolução nº 1102-000.156 S1-C1T2 Fl. 2 2 Os pagamentos efetuados a pessoas físicas somente poderão ser deduzidos do imposto de renda da pessoa jurídica como despesas operacionais quando devidamente comprovada a necessidade dessas despesas à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, devendo tais pagamentos ter os beneficiários perfeitamente identificados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL e IRRF do ano calendário de 2006 no valor total de R$ 7.975.832,45, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 03 a 38. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de o contribuinte ter utilizado valores contabilizados como despesas, sem identificação dos beneficiários, dos pagamentos nem a comprovação da necessidade desses dispêndios, na forma do artigo 299 e parágrafos do regulamento do imposto de renda aprovado pelo decreto 3000/99. Além desses fatos, a autoridade fiscal por um lado compensou R$ 1.236.686,22 a título de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de períodos anteriores e de outro incluiu na constituição do crédito tributário os valores relativos à compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL como demonstrado em fls. 240 a 250. Em conseqüência da não identificação dos beneficiários dos pagamentos e causa desses pagamentos, os respectivos valores foram devidamente reajustados e sujeitos à incidência do Imposto sobre a renda na fonte na forma do artigo 674 e parágrafos do regulamento do imposto de renda conforme tabela de fls. 37. O contribuinte apresentou sua impugnação com um prévio relato dos fatos e fundamentos do lançamento de ofício, e, alegando em síntese que: a) Preliminarmente a decadência do direito de a fazenda pública efetuar o lançamento de ofício relativamente aos meses de janeiro e fevereiro de 2006 do IRPJ, CSLL e IRRF em razão do § 4º do artigo 150 do CTN que prevê o prazo decadencial de cinco anos contados do fato gerador quando a lei não estabeleça prazo para tal ocorrência; b) Foi instaurada diligência para coleta de informações destinada a subsidiar procedimento de fiscalização junto à empresa EDR Comunicação Total Ltda. que causou a extensão da fiscalização junto à impugnante, em especial quanto às operações efetivadas com a empresa EDR, que prestava serviços de marketing de relacionamento, incentivo, fidelização e gerenciamento de premiação. O termo de início de procedimento fiscal objetivava a identificação dos beneficiários dos valores pagos pela impugnante discriminados como não tributados pelo ISS, bem como sua contabilização e cômputo na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, culminando com a conclusão precipitada da autoridade fiscal no sentido de que, não identificados os beneficiários dos pagamentos efetuados através da EDR Fl. 646DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.000011/2011-69 Resolução nº 1102-000.156 S1-C1T2 Fl. 3 3 correspondentes aos valores descritos nas notas fiscais acostadas aos autos, fls 135 a 212, bem como incomprovadas as razões dos pagamentos suficientes para demonstrar a necessidade dos dispêndios para a atividade da empresa e manutenção da respectiva fonte produtora, nos temos do artigo 299 e §§ do regulamento do imposto de renda, impondo a glosa desses valores na determinação da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante de R$ 4.122.287,42; c) Quanto à identificação dos beneficiários dos pagamentos sempre foi possível, pois, o próprio contrato firmado com a EDR previa essa obrigação a cargo da impugnante que deveria fornecer a lista dos beneficiários à contratada. Portanto, a relação dos beneficiários poderia ser obtida tanto numa como noutra parte do contrato, que, só não foi apresentada pela empresa na fase de fiscalização pela artimanha da autoridade fiscal que precipitou a lavratura dos autos de infração mediante a exigência da declaração negativa do procurador como condição para o protocolo da petição de 17.01.2011 em que se solicitava prazo para esse atendimento. A impugnante, portanto, junta agora a relação completa dos beneficiários dos pagamentos que receberam os prêmios de incentivo no período fiscalizado; d) Em relação à causa dos pagamentos está explicitada no contrato de prestação de serviços firmado entre a impugnante e a empresa EDR, fls 131 a 133, qual seja, a idealização e gerenciamento de programa para viabilizar a distribuição de prêmios de incentivo aos seus colaboradores, ficando afastada a acusação de desnecessidade do dispêndio, porquanto, se demonstra que a assunção desses custos tem relação direta com a necessidade, usualidade e normalidade que são imperativos para assegurar a dedutibilidade desses efetivos encargos; e) Ressalta que essas premiações não eram habituais, de forma que os funcionários premiados não recebiam o valor em razão da retribuição de qualquer trabalho realizado, mas, em razão do atingimento de metas e avaliação de desempenho, excluindo-se, portanto, do conceito de remuneração do trabalho ou de participação dos lucros, da mesma forma que não se enquadra no conceito de prêmio distribuído sob a forma de bens e serviços em virtude de concursos ou sorteios a que se refere o artigo 63 da lei 8981/95 e artigo 677 do regulamento do imposto de renda; f) O parágrafo 3º do artigo 299 do regulamento do imposto de renda dispõe que o artigo se aplica também às gratificações pagas aos empregados seja qual for a designação que tiverem; g) Os argumentos relativos ao Imposto de Renda são igualmente pertinentes à CSLL, mas, no entanto, a despeito dessa estreita relação de causa e efeito, quer a impugnante registrar que o fundamento da glosa adotado pela fiscalização como despesa não necessária só encontra previsão legal na legislação do imposto de renda, mais precisamente no artigo 6º do DL 1598/77, matriz legal do artigo 249 do RIR/99, transcrevendo ementas de decisões do conselho de contribuinte com o objetivo de trazer para o seu caso específico os entendimentos ali esposados no sentido de distinguir as bases de cálculo do IRPJ da CSLL em virtude de falta de previsão legal para a inclusão de despesas não necessárias à base de cálculo da CSLL; Fl. 647DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.000011/2011-69 Resolução nº 1102-000.156 S1-C1T2 Fl. 4 4 h) Entende contraditórias as razões para o lançamento do IRPJ e CSLL considerando que a empresa efetuou pagamentos sem causa a beneficiários não identificados, quando simultaneamente o auditor fiscal se contradiz ao descrever no auto a infração como “valores pagos a EDR3 Comunicação Total Ltda. no ano calendário de 2006, para aquisição de cartão BB a ser distribuído a beneficiários indicados pelo sujeito passivo, na forma do contrato”. É notória a contradição, pois, o auditor fiscal indica que o pagamento foi efetuado pela empresa EDR3, portanto, destinatária identificada, e, além disso, a “causa” do pagamento está ali indicada na própria descrição da suposta infração, na medida em que o próprio Auditor fiscal escreveu que o pagamento destinava-se para “aquisição de cartão BB a ser distribuído a beneficiários indicados pelo sujeito passivo, na forma estipulada em contrato. Outra contradição diz respeito às acusações simultâneas feitas nos autos de infração do IRPJ e CSLL (despesas não necessárias/indedutíveis), que não podem ser cumuladas com a noticiada existência de outro auto de infração que estaria sendo lavrado e ainda não noticiado à impugnante para exigência de Contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetivados a título de premiação motivacional, considerando, à evidência, esses pagamentos como” remuneração indireta “única forma de se exigir as contribuições previdenciárias. A terceira contradição diz respeito ao critério para fixar o montante dos valores pagos à empresa EDR3 onde se constata que o auditor glosou apenas parte dos valores pagos à mencionada empresa, tendo glosado apenas os valores não tributáveis, deixando de tributar o valor dos serviços da empresa constante da coluna não tributável da nota fiscal. Ora, com esse procedimento está atestando e convalidando a atividade prestada pela empresa EDR3, tanto que manteve a dedutibilidade da parcela do valor pago e destacado na nota fiscal de R$ 8.325,52, e, com isso, reconhecendo a existência dos serviços por ela prestados e como válido o contrato firmado com a referida empresa, e, dessa forma, atestando que os serviços contratados são despesas operacionais e necessárias”; i) Na remota hipótese de serem superadas as objeções anteriores, ainda em relação aos simultâneos lançamentos de IRPJ e CSLL, um último ponto merece destaque e diz respeito à dedutibilidade da CSLL na determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, quando o próprio RIR/99 em seu artigo 344 determina que os tributos e contribuições são dedutíveis, observando o regime de competência, e, considerando que a CSLL é uma contribuição social incidente sobre o lucro líquido, sua dedutibilidade na determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, é necessária. O recolhimento da CSLL representa subtração de valores das receitas havidas pela impugnante e não admitir sua dedutibilidade significa considerar como renda algo que não trouxe acréscimo patrimonial, citando doutrina nesse sentido; j) O fisco também glosou as compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL feitas pela impugnante nos anos calendário de 2008 e 2009, como registrado no termo de verificação fiscal, sendo reflexadas infrações apuradas no ano calendário de 2006. Todavia, como sobejamente demonstrado nos itens precedentes, os gastos com plano de incentivo motivacional efetuados pela impugnante no ano calendário de 2006 são dedutíveis, e, conseqüentemente as glosas de Fl. 648DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.000011/2011-69 Resolução nº 1102-000.156 S1-C1T2 Fl. 5 5 compensações de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL devem ser restabelecidas; k) A tributação dos valores pagos a beneficiários não identificados à alíquota de 35% na forma do artigo 674 do RIR/99 fica afastada pelo fato de que o próprio fisco identificou o beneficiário do pagamento EDR3, além da obrigação contratual que lhe deu causa legítima, ainda que pudesse argumentar que esse pagamento pressupunha repasse a outros destinatários, esses beneficiários estão todos identificados e constam da relação que acompanha a impugnação; l) No entanto, para alimentar o debate de cunho acadêmico vale registrar que a norma prevista no artigo 61 da lei 8981/95 tem caráter de penalidade, e, sendo assim é preciso fincar limites e condições para sua aplicação citando autor doutrinário e afirmando que o auditor fiscal não observou com a devida acuidade essa regra e lavrou o auto de infração sem esgotar as verificações elementares, sem identificar o beneficiário e a causa dos pagamentos, o que torna o lançamento totalmente improcedente, voltando a afirmar que o beneficiário do pagamento está perfeitamente identificado, sendo a EDR3; m) Afirma ainda o caráter de penalidade do artigo 61 da lei 8981/95 calculada mediante aplicação da alíquota de 35% sobre os rendimentos pagos a beneficiários não identificados, não tem cunho tributário, tendo nítido caráter penal, tanto que só é exigível por meio de lançamento de ofício, não podendo ser cumprida de forma voluntária pelo contribuinte. Revelado o caráter sancionatório da exigência, cumpre registrar que sobre a penalidade lançada não pode incidir outra penalidade como pretende o fisco ao aplicar sobre o valor exigido a multa de 75%; n) Sempre com a advertência da remota hipótese de serem superadas as objeções antecedentes, é preciso registrar a impropriedade na eleição do sujeito passivo para a formalização do lançamento tributário, e, por conseqüência o inadequado reajustamento da base de cálculo na hipótese sob exame. A impugnante fez pagamentos à EDR3 e esta por sua vez repassou os recursos aos colaboradores da autuada a título de prêmio de incentivo, e, portanto, se a autuação decorre desses pagamentos, a autuação somente poderia recair sobre a empresa EDR que titularizou as transferências aos beneficiários. Mais ainda se a aventada natureza de “remuneração indireta” é o pressuposto da exigência do IR-Fonte, novo equívoco em relação ao sujeito passivo de tributo que somente poderia ser exigido do efetivo beneficiário da “renda indireta” jamais da empresa que incorre em custo, e, portanto, não aufere qualquer renda, não havendo que se falar ainda em reajustamento da base de cálculo; o) Na remota hipótese de remanescer exigências tributárias após decisão, protesta o impugnante pela impossibilidade da incidência da SELIC sobre a multa de ofício, pela impropriedade dessa imposição, assim como ausência de fundamento legal, relembrando que a SELIC tem o objetivo de remunerar diante de atraso receita sempre esperada pelo fisco, daí sua vocação para incidir unicamente sobre o tributo e não sobre a multa nunca é esperada.” Fl. 649DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.000011/2011-69 Resolução nº 1102-000.156 S1-C1T2 Fl. 6 6 Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou a preliminar de decadência do IRPJ, CSLL e IRRF e, no mérito, julgou improcedente a impugnação da Contribuinte. Entendeu o acórdão, preliminarmente, que não haveria decadência do direito do Fisco constituir créditos de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram em 31.12.2006, já que a ciência do lançamento ocorreu em 14.02.2011. Quanto aos créditos de IRFonte, afirma o acórdão que não teria ocorrido repasses de valores pela EDR3 a beneficiários escolhidos pela Contribuinte em períodos anteriores ao mês de janeiro de 2006, período limite para o reconhecimento da alegada decadência. No mérito, em síntese, o acórdão recorrido atesta que a Contribuinte não teria feito prova da relação jurídica entre ela (Contribuinte) e os beneficiários não empregados que justificasse a necessidade dos pagamentos para a respectiva fonte produtiva, como também não teria comprovado o efetivo pagamento (repasse de valores) aos beneficiários empregados indicados na relação acostada na impugnação. Segundo o acórdão, a ausência de tributação dos valores em referência por contribuições previdenciárias, de retenção do imposto de renda e de informação prestada em DIRF seriam indicativos seguros de que os valores em referência não teriam sido pagos às pessoas mencionadas na referida relação. E conclui: “o fato de os pagamentos não serem habituais não descaracterizariam a remuneração se assim comprovados, pois, querendo a impugnante que tais pagamentos se caracterizassem como gratificações estariam sujeitas a todas as implicações fiscais, e, como se observa, não houve retenção na fonte nem contribuições previdenciárias nem em relação a terceiros nem a empregados, sendo inverossímeis as indicações feitas por simples relação com valores compatíveis com os pagamentos repassados à EDR3, mas, pelo contrário verifica-se a total ausência de informações de pagamentos através de DIRF desses pagamentos”. Ainda em sede de mérito, por fim, o acórdão recorrido afasta as alegações da Contribuinte no sentido de que (a) inexistiria base legal para a indedutibilidade de despesas em relação à CSLL, ante o disposto no art. 57 da lei 8.981/95; (b) haveria contradição entre os lançamentos de IRPJ, IRFonte e contribuições previdenciárias, pois, quanto ao IRFonte, a EDR3 seria mera repassadora dos recursos aos destinatários dos pagamentos, e quanto às contribuições previdenciárias, pelo fato de não ser possível examinar o tema ante a ausência de informação neste processo; (c) a CSLL deveria ser deduzida da base de cálculo do IRPJ, por ausência de respaldo legal; (d) o IRFonte lançado sob acusação de pagamento a beneficiário não identificado teria natureza de penalidade, ante a natureza de “imposto de renda” do tributo prevista na legislação; (e) haveria erro de identificação do sujeito passivo em relação ao lançamento de IRFonte, pois a EDR3 é mera repassadora de pagamentos por conta e ordem da impugnante que teriam de ser tributados pelo imposto de renda na modalidade de retenção; (f) a ilegitimidade da taxa SELIC, ante a imposição legal nesse sentido. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reproduz suas razões de impugnação, alegando-se, em síntese: (i) a indevida exigência de IRPJ e CSLL face à natureza dos dispêndios, que confirmam a necessidade, normalidade e usualidade das despesas, garantindo sua dedutibilidade; (ii) a dedutibilidade das despesas asseguradas pelo art. 299 do RIR/99; (iii) contradição entre a acusação simultânea de (a) despesas desnecessárias/não usuais/não habituais por meio do auto de infração que deu origem a esse PA e (b) falta de recolhimento de contribuições previdenciárias sobre remuneração indireta por trabalhos prestados pelos respectivos beneficiários, que deu origem ao PA n° 10880.726893/2011-73 – (iv) critério adotado pela Fiscalização para fixar o montante da glosa dos valores pela Recorrente à EDR3 Comunicação Total Ltda. tornam imprestáveis os Autos de Infração Fl. 650DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.000011/2011-69 Resolução nº 1102-000.156 S1-C1T2 Fl. 7 7 lavrados para a exigência de IRPJ e CSLL; (v) a indevida glosa das despesas na apuração da base de cálculo da CSLL, pela ausência de base legal; (vi) dedutibilidade da CSLL da base de cálculo do IRPJ; (vii) decadência dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL referentes aos meses de competência de janeiro e fevereiro de 2006; (viii) da indevida glosa da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL; (ix) indevida exigência do IRRF à alíquota de 35% com base no art. 61 da Lei n° 8.981/95; (x) erro na identificação do sujeito passivo e impróprio reajustamento da base de cálculo do IRRF; (xi) impossibilidade de aplicação de duas penalidades sobre os mesmos fatos: multa de ofício de 75% cumulada com multa de 35% do art. 61 da Lei n° 8.981/95; (xii) decadência do IRRF para as operações ocorridas nos meses de janeiro e fevereiro de 2006; e (xiii) impossibilidade de aplicação dos Taxa Selic sobre a multa de ofício. Pois bem. Conforme se depreende do relatório supra, os lançamentos de IRPJ, CSLL e IRFonte objeto deste PA decorrem do fato de que a Contribuinte não teria identificado os beneficiários e o efetivo pagamento (a esses beneficiários) de valores objeto do contrato de prestação de serviços e outras avenças celebrado com EDR 3 Comunicação Total Ltda., cujo objeto é a “Prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante utilização do cartão eletrônico denominado Cartão BB." (que seria entregue aos beneficiários em contrapartida ao cumprimento de metas de trabalho e performance). Veja-se, nesse sentido, trecho do termo de verificação fiscal, verbis: “Do mencionado documento de fls. 129 a 132 extrai-se que o contribuinte firmou, na condição de contratante, com a EDR3 Comunicação Total Ltda, na condição de contratada, contrato de prestação de serviços e outras avenças tendo por objeto, fls. 00, "Prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante utilização do cartão eletrônico denominado Cartão BB." Segundo referido documento, fls. 129 a 132: "5. São obrigações da CONTRATADA: a) Fornecer os cartões Cartão BB aos beneficiários indicados pela contratante; b) ... c) Emitir a nota fiscal de prestação de serviços no valor correspondente ao total da premiação, acrescido do preço dos serviços prestados, estabelecido no item 03 do Quadro Resumo; 7. São obrigações da CONTRATANTE: a) Creditar... b) Fornecer a relação contendo os nomes e qualificação dos premiados, contendo os dados necessários para a distribuição dos prêmios, bem como o valor destes e a data definida para seu pagamento, sob sua exclusiva responsabilidade, com antecedência mínima de três (03) dias úteis da data prevista para pagamento da premiação." Fl. 651DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.000011/2011-69 Resolução nº 1102-000.156 S1-C1T2 Fl. 8 8 Nas notas fiscais emitidas pela EDR3 Comunicação Total Ltda, apresentadas, por cópia, pelo contribuinte estão discriminados por "TRIBUTADOS" e "NÃO TRIBUTADOS ISS", respectivamente, os valores descritos como "Expert Card BB campanha de incentivo" e "Comissão agência de 3,50% conf. cláusula 3° do contrato". Conclui-se do exposto que os valores descritos por "TRIBUTADOS" correspondem à remuneração dos serviços prestados pela EDR3 Comunicação Total Ltda. De outro lado, os valores descritos naquelas notas fiscais como "NÃO TRIBUTADOS" foram pagos pelo contribuinte a EDR3 Comunicação Total Ltda para a aquisição de cartão denominado "Cartão BB" a serem distribuídos a beneficiários que deveriam ter sido indicados pelo mesmo contribuinte, contratante. Não identificados os beneficiários dos pagamentos efetuados a EDR3 Comunicação Total Ltda, correspondentes aos valores descritos, nas notas fiscais de fls. 133 a 210, como "NÃO TRIBUTADOS ISS", bem como incomprovada as razões dos pagamentos, suficientes a comprovar a necessidade dos dispêndios a atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos do Artigo 299 e §§ do RIR/99-Decreto n° 3000/99, impõe-se à glosa destes valores na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no montante de R$ 4.122.287,42. Por último, não identificados os beneficiários e causa, ficam os referidos pagamentos, devidamente reajustados, sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda na Fonte na forma do Artigo 674 e §§ do RIR/99-Decreto n° 3000/99, nas datas e importâncias abaixo relacionadas: (...) Em impugnação e recurso voluntário, a Contribuinte traz notícia da lavratura de lançamento para a exigência de contribuições previdenciárias sobre esses mesmos valores, que estariam registrados em sua contabilidade a débito de “salários e ordenados” e “prêmios” e a crédito de fornecedores. Paradoxalmente, a acusação fiscal nesse lançamento previdenciário é o efetivo pagamento de remuneração (indireta) a beneficiários que prestaram serviços à Contribuinte no período respectivo, conforme se depreende do termo de verificação fiscal (MPF n. 08.1.90.00-2010-037-0 – PA n. 10880.726893/2011-73) acostado a fls. 617 e seguintes, verbis: “ 2.6. O livro Razão do sujeito passivo demonstra que os valores totais das notas fiscais emitidas pela EDR3 foram contabilizados a débito de “SALÁRIOS e ORDENADOS” e “PRÊMIOS” e a crédito de “FORNECEDORES”, tendo por histórico “COMPRA DE MERCADORIA E SERVIÇO”, conforme documentos constantes no anexo 04. .... Assim sendo, restou claro que os valores constantes nas notas fiscais emitidas pela EDR 3 e apontados nas mesmas como “NÃO TRIBUTADOS ISS” referem-se a remuneração de empregados, tanto que assim foram devidamente contabilizados, fato que ensejou a inclusão das contribuições previdenciárias e de outras entidades no Fl. 652DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.000011/2011-69 Resolução nº 1102-000.156 S1-C1T2 Fl. 9 9 Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização MPF n. 08.1.90.00- 2010-037-0, tendo sido o sujeito passivo intimado em 21/03/2011, mediante o Termo de Intimação Fiscal expedido em 16/03/2011, a apresentar as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP´s, contemplando as remunerações em questão, conforme consta no anexo 06”. (...) Desta forma, apuramos que o sujeito passivo deixou de declarar em GFIP os salários de contribuição oriundos das remunerações pagas a empregados no período de janeiro a setembro de 2006, a título de premiações concedidas através do programa de incentivo, mediante a utilização do cartão eletrônico denominado “Cartão BB”, representados pela descrição “NÃO TRIBUTADOS ISS” nas notas fiscais emitidas pela EDR3 e contabilizados pelo contribuinte como despesas salariais nas contas “SALÁRIOS E ORDENADOS” E “PRÊMIOS”, assim como não recolheu as contribuições previdenciárias e de outras entidades e fundos incidentes sobre os mesmos, a saber: (...)” O acórdão recorrido deixou de se manifestar sobre a intuitiva “contradição” entre as acusações acima citadas, ante a ausência de informação disponível nesses autos sobre o lançamento previdenciário. Sem adentrar ao exame do mérito do recurso, é seguro afirmar que uma de duas: (a) ou bem os pagamentos em referência foram feitos em contrapartida à prestação de serviços por trabalhadores pessoas físicas (empregados ou não) perfeitamente identificados, o que poderia levar à procedência do lançamento previdenciário mas, em contrapartida, à improcedência dos autos de infração objeto desse PA (já que, nessa hipótese, não haveria que se falar em despesa desnecessária ou pagamento a beneficiário não identificado); (b) ou bem os pagamentos em referência não foram destinados a beneficiários pessoas físicas que prestaram serviços à Contribuinte, o que poderia levar à procedência dos autos de infração sob julgamento, mas certamente implicaria insubsistência do lançamento previdenciário. Nesse sentido, ante a contradição levada a efeito pela própria RFB e demais elementos constantes dos autos, indispensável a conversão do julgamento em diligência para que seja adotada pela E. Delegacia da Receita Federal da jurisdição da Recorrente as seguintes providências: (i) sejam juntados aos autos cópia integral do Processo Administrativo n. PA n. 10880.726893/2011-73, cujo traslado deverá fazer especial destaque aos documentos que serviram de base para a RFB constituir créditos de contribuições previdenciárias; (ii) seja intimada a Contribuinte e a EDR3 para que esta informe a relação discriminada de todos os beneficiários aos quais foram entregues os Cartões BB de que trata o contrato de prestação de serviços objeto desse processo administrativo, com (a) identificação de nome, CPF e endereço; (b) indicação de datas e valores, acompanhada dos respectivos comprovantes de entrega ou qualquer outro elemento de prova que comprove tal entrega e (c) indicação do vínculo respectivo do beneficiário com a Contribuinte. Caso os cartões sejam entregues diretamente à Contribuinte para repasse aos beneficiários, intimar a Fl. 653DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.000011/2011-69 Resolução nº 1102-000.156 S1-C1T2 Fl. 10 10 Contribuinte para que forneça os comprovantes de entrega dos cartões aos beneficiários ou qualquer outro documento que lhes faça as vezes; (iii) verificar e atestar, de forma conclusiva e fundamentada, em diligência perante a Contribuinte, EDR3 e, a critério da Fiscalização, os beneficiários, (a) a correção dos dados informados pela Contribuinte na planilha de que trata o item (ii) supra; e (b) quais beneficiários possuem vínculo de trabalho (com vínculo de emprego ou não) com a Contribuinte, indicando especificamente em relação a cada um deles a natureza do respectivo vínculo, as datas e os valores por eles recebidos por força dos Cartões BB, cotejando as informações com as notas fiscais emitidas pela EDR3. (iv) Para a providência solicitada no item (iii) supra pede-se sejam verificados também extratos dos cartões e outros documentos bancários que possam comprovar as informações constantes da planilha referida no item (ii) e a efetiva fruição dos valores pelo respectivo beneficiário. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Fl. 654DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000491/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO – PENALIDADE DE MULTA
Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a qual sujeito o contribuinte à multa, este deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS DE INCENTIVO CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA
Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial
BIS IN IDEM – INOCORRÊNCIA
Não se caracteriza bis in idem a ocorrência de situações que levam à configuração do descumprimento de obrigações acessórias distintas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS DE INCENTIVO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial BIS IN IDEM – INOCORRÊNCIA Não se caracteriza bis in idem a ocorrência de situações que levam à configuração do descumprimento de obrigações acessórias distintas. Recurso Voluntário Negado Fl. 143DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. . Fl. 144DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12259.000491/201026 Acórdão n.º 2402002.233 S2C4T2 Fl. 132 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II e § 13 a 17 do Decreto nº 3.048/1999 que consiste em a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 2), a autuada lançou as Notas Fiscais/Duplicatas da prestação de serviços relativo a Programa de Estimulo a Produtividade na conta Despesas Comerciais 51013380 nos anos 2001/2002. Em 04/2003 continuaram a ser lançadas na mesma conta , porém com a nomenclatura de Prestação de Serviços p/Vendas e em 2005 a conta passou a chamar Aplicação Programa Estimulo a Produtividade , embora , na realidade em pagamentos de prêmios através de cartões FLEXCARD. A autuada teve ciência do lançamento em 19/10/2006 e apresentou defesa (fls. 21/31) onde alega que a auditora fiscal examinou as GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e concluiu que o dados ali apresentados não corresponderiam aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, haja vista ter analisado Notas Fiscais referentes ao Programa de Estimulo à Produtividade e, por mera suposição, afirmar que se tratava de concessão de prêmio, sem os devidos descontos para a seguridade social. Argumenta que a fiscalização nada provou e que teria sido duplamente penalizada pela emissão de outros autos de infração, os quais especifica. Aduz que não tendo outra alternativa, porquanto necessitava da obtenção de parcelamento perante o órgão arrecadador, aderiu ao Lançamento de Débito Confessado LDC nº 37.005.6922. Considera que houve violação dos princípios do contraditório e ampla defesa, isso porque o relatório, conforme elaborado, não permite a exata compreensão do seu fundamento. Tece argumentação teórica sobre presunção para concluir que a auditoria fiscal se utilizou de presunção sem provas que demonstrem a ocorrência do fato gerador. Entende que tampouco a auditoria fiscal poderia ter presumido a existência de fraude e conluio. Menciona jurisprudência trabalhista no sentido de demonstrar que os valores fornecidos a título de incentivo à produção não possuem natureza salarial. Pela Decisão Notificação nº 17.403.4/0086/2007 (fls. 88/93), a autuação foi considerada procedente. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Contra tal decisão, a autuada apresentou recursos tempestivo (fls. 98/108) onde efetua a repetição dos argumentos de defesa. À época da apresentação do recurso, seu seguimento estava condicionado à realização do depósito prévio de 30%. Como a autuada não efetivou o depósito, o recurso não foi encaminhado à instância superior e foi considerado deserto, tendo, inclusive, sido emitido o Termo de Trânsito em Julgado. Entretanto, com a Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.976, julgada procedente pelo STF e que resultou na Declaração de Inconstitucionalidade do art. 32 da Medida Provisória n° 1.69941/98, convertida na Lei n° 10.522/02, que deu nova redação ao art. 33, §3° do Decreto n° 70.235/72 , a Receita Federal do Brasil emitiu o Ato Declaratório Interpretativo n° 16, de 21/11/2007 que determinou a realização de novo juízo de admissibilidade dos recursos e relativamente ao apresente caso, foi considerado que o recurso deveria ter seguimento. Assim, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12259.000491/201026 Acórdão n.º 2402002.233 S2C4T2 Fl. 133 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Argumenta a recorrente a impossibilidade da presunção da existência de fraude e conluio, por parte da auditoria fiscal e que levou à presente autuação. Cumpre dizer que em nenhuma peça dos autos, a auditoria fiscal afirmou a existência ou não de fraude e conluio. A autuação ocorreu em razão da recorrente haver deixado de contabilizar fatos geradores de contribuição previdenciária em títulos próprios, no caso, os valores pagos a título de prêmio por intermédio de fornecimento de cartões de incentivo da empresa Incentive House. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. Não há que se falar em ausência de habitualidade no pagamento dos prêmios. A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, semestral, etc., mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores e aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho: “Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.”. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: “Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199)” Fl. 147DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 “Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603)” Portanto, o lançamento em questão não foi efetuado com base em qualquer presunção, menos ainda na da existência ou não de fraude e conluio, assim, tal alegação é impertinente. Além disso, cumpre salientar que a recorrente confessou o crédito relativo às contribuições incidentes sobre os valores pagos por meio de cartões de incentivo, no caso, o Lançamento de Débito Confessado LDC nº 37.005.6922. Entende a recorrente que houve bis in idem, ou seja, pelo mesmo fato foram aplicadas diversas autuações, além do LDC relativo à obrigação principal Além da presente autuação, a recorrente também foi autuada pelo descumprimento das seguintes obrigações acessórias. • Obrigação acessória prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 c/c os artigos 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. • Obrigação acessória prevista no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso III e § 22 (acrescentado pelo Decreto nº 4.729/2003) do Regulamento da Previdência Social em razão de a empresa ter deixado de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. • Obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Observase que cada uma das autuações teve fundamentação própria, ou seja, estava devidamente tipificada em dispositivo legal que não se confundem. De fato, o pagamento de valores a título de prêmio, considerado salário de contribuição, leva à necessidade da contabilização em título próprio da contabilidade, o que não ocorreu. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12259.000491/201026 Acórdão n.º 2402002.233 S2C4T2 Fl. 134 7 Além disso, os outros autos de infração foram lavrados pelo descumprimento de outras obrigações, as quais, restariam caracterizadas, independente da consideração ou não dos valores de prêmios de incentivo como salário de contribuição. Senão vejamos. A recorrente foi autuada por deixou de apresentar à fiscalização os arquivos digitais de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP, arquivo digital, extraído da contabilidade ou livro auxiliar fornecedores/Contas a pagar, contendo relação das Notas Fiscais/Faturas emitidas pela Empresa Incentive House, arquivos digitais da DIRF, planilhas com informações dos beneficiários dos cartões FLEXCARD emitidos pela Empresa Incentive House, contendo os valores pagos a cada segurado e por competência. Tal conduta contraria o Inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) A recorrente também foi autuada por não teria apresentado os Livros Razão anos 1996 a 2005, dificultando, assim, a ação fiscal, como também, teria deixado de apresentar a totalidade das Notas Fiscais de Prestação de Serviços da Empresa Incentive House, apresentando , apenas , algumas delas. O dispositivo que amparou a autuação encimada é o art. 33 §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcritos em sua redação atual: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. A meu ver, as infrações não se confundem. Sendo assim, não se configura bis in idem, conforme alegou a recorrente. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 150DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001212/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2402-002.296
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. Recurso de Ofício Negado
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Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. Recurso de Ofício Negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001212/200773 Acórdão n.º 2402002.296 S2C4T2 Fl. 144 3 Relatório Tratase de recurso de ofício contra decisão de primeira instância que julgou improcedente o lançamento fiscal realizado em 31/05/2007, por reconhecimento da decadência do direito de constituição do crédito. Segue ementa e trechos do voto da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. "São inconstitucionais: o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Lançamento Improcedente 2. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 56/59, o lançamento referese As contribuições a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, outras Entidades e Fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE, SEST, ,SENAT), devidas e não recolhidas, apuradas com base nas diferenças de folhas de pagamento, no valor de R$ 1.060.416,62. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001212/200773 Acórdão n.º 2402002.296 S2C4T2 Fl. 145 5 revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Acontece que independentemente da regra, todo o período lançado está alcançado pela decadência. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000574/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/05/1998
NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008,
declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88,
motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2402-002.279
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Jhonatas Ribeiro Da Silva, Ana Maria Bandeira, Ronaldo De Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 408DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de NFLD constituída em 18/12/2007 para exigir a contribuição previdenciária da empresa (cota patronal), contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e a contribuição dos segurados empregados da Recorrente pelo fato de não ter comprovado os recolhimentos pela empresa Kaeme Estruturas Metálicas Ltda. (prestadora de serviços executados mediante cessão de mão de obra), os quais poderiam elidir sua responsabilidade solidária, no período de 06/1997 a 05/1998. Tanto a empresa Cebrace quanto a Kaeme apresentaram impugnação (fls. 107/178 e 185/266) pleiteando pela total nulidade do lançamento. A d. DRJ em Campinas, ao analisar o processo (fls. 268/276), julgou o lançamento totalmente procedente, sob o argumento de que: (i) é lícita a presunção do fato gerador, por não ter o contribuinte apresentado os documentos solicitados; (ii) é solidariamente responsável, haja vista que não reteve as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra contratada; (iii) não se aplica o benefício de ordem; (iv) o prazo decadencial é de 10 anos; (v) a CND não comprova a inexistência de débito; (vi) tanto a tomadora quanto a prestadora não apresentaram os recolhimentos específicos; e (vii) não existe previsão legal que desobrigue a pequena empresa de elaborar folhas de pagamento por centro de custos específicos. Ambas as empresas interpuseram recursos voluntários (fls. 284/341 e 342/380), onde alegaram que: (i) o lançamento é nulo por falta de motivação; (ii) os requisitos legais para a lavratura do auto de infração não foram observados; (iii) o crédito tributário está decaído; (iv) a responsabilidade da contratante é subsidiária e não solidária; (v) a empresa contratada não possui nenhum débito pendente perante o INSS; (vi) é impossível uma empresa de pequeno porte elaborar folhas de pagamentos com centro de custos específicos; (vii) o tomador de serviço é responsável pela fiscalização da empresa prestadora de serviços; (viii); a cobrança das contribuições previdenciárias configurariam bis in idem à prestadora de serviços; e (ix) havendo a regularização do débito, a multa deve ser atenuada.. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 13864.000574/200744 Acórdão n.º 240202.279 S2C4T2 Fl. 388 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que os presentes recursos são tempestivos e preenchem a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Alegam as Recorrentes que o crédito tributário objeto do presente processo deve ser julgado totalmente improcedente, por estar decaído. A presente NFLD foi constituída em 18/12/2007 para exigir contribuições previdenciárias relativas ao período de 06/1997 a 05/1998. Notase que transcorreram aproximadamente 10 anos entre a data da ocorrência dos fatos geradores e a data da constituição do crédito tributário. Havia, na época da lavratura da notificação, previsão legal para que a Seguridade Social constituísse créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Todavia, o Supremo Tribunal Federal1, em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 82, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, fazse mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Assim, considerando que o lapso temporal existente entre a data dos fatos geradores e a data da constituição do crédito tributário é de aproximadamente 10 anos, devese reconhecer a total decadência dos valores ora lançados. Apenas a título de esclarecimento, pontuo que, independentemente da regra adotada (se a regra contida no art. 150, § 4º, ou a do art. 173, inc. I, do CTN), a totalidade dos créditos tributários restam decaídos. Por fim, em razão da extinção da totalidade dos créditos tributários pela decadência, deixo de apreciar as demais razões dos recursos apresentados. 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.8829. 2 “Súmula 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 410DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos para DAR LHES TOTAL PROVIMENTO, reconhecendo a extinção do crédito tributário pela decadência. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 411DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.913789/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1102-000.079
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Plínio Rodrigues Lima e João Carlos de Figueiredo Neto Processo nº 15374.913789/200936 Resolução n.º 110200.079 S1C2T1 Fl. 2 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por BIORAD LABORATÓRIOS BRASIL LTDA. contra acórdão proferido pela 9ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO DO RIO DE JANEIRO/ RJ I, assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES ENTRE DCTF E DIPJ. Para fundamentar suas alegações e justificar a retificação da DCTF, o Interessado tem o ônus de juntar provas aos autos, como livros e documentos de sua escrituração. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” O caso foi assim relatado pela E. Delegacia Regional de Julgamentos recorrida, verbis: “O presente processo trata do PER/DCOMP de fls. 2/6, transmitido em 30/01/2006, pelo qual o Interessado pretende aproveitar um crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (fl. 5, código 2362 IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL), arrecadado em 31/05/2001, no valor original de R$ 52.751,87, na data de transmissão. Período de apuração: abril de 2001. 2. 0 Despacho Decisório da fl. 7 não homologou a compensação declarada porque o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos. 3. 0 Interessado tomou ciência da decisão em 02/04/2009, fl. 178, e, em 29/04/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 8/12), alegando, em síntese, que: 3.1 Conforme DIPJ 2002 (fl. 29), transmitida em 28/06/2002, apurou base de cálculo negativa naquele exercício (fl. 35). 3.2 "... não havendo lucro, obviamente não há acréscimo patrimonial a ser passível de tributação, ou seja, não há a ocorrência do fato gerador para incidência do IRPJ", fl. 11. 3.3 "... não existiu base de cálculo para apuração do IRPJ mensal, pois essa, por estimativa, foi negativa", fl. 11, (Base de cálculo da estimativa de abril, fl. 37). 3.4 O art. 43 do CTN preceitua que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica; 3.5 "... inexistindo acréscimo patrimonial, a imposição de um desembolso imediato sobre um acréscimo que não ocorreu é ilegítimo", fl. 11. Processo nº 15374.913789/200936 Resolução n.º 110200.079 S1C2T1 Fl. 3 3 3.6 Não existia imposto algum a ser recolhido ao erário. 3.7 A DCTF retificadora, transmitida em 02/04/2009 (fl. 146), desfaz o equivoco da vinculação do DARF ao suposto débito de IRPJ. 4. É o relatório.” Em síntese, o acórdão acima ementado considerou insubsistente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sob o fundamento de que esta não teria se desincumbido do ônus de comprovar a veracidade das informações prestadas em DCTF retificadora, a qual, diferentemente da DCTF originária, indicaria a inexistência de outros débitos que reduziriam o montante do crédito alegado em declaração de compensação. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte suscita preliminar de nulidade do acórdão recorrido, sob a alegação de que este não estaria fundamentado e teria violado seu direito à ampla defesa e contraditório (por violar a prova dos autos quanto à comprovação do alegado erro praticado em DCTF originária e por deixar de provar que os créditos alegados em declaração de compensação já teriam sido utilizados para quitação de outros débitos. No mérito, reitera suas razões de impugnação, segundo as quais: (i) a Contribuinte teria comprovado a efetiva existência do crédito informado em PER/DCOMP, mediante juntada de DARF/2001, DIPJ 2002 e DCTF retificadora; e (ii) caberia à autoridade julgadora, de ofício, converter o julgamento em diligência em caso de dúvida sobre a existência do crédito alegado, jamais “presumir pela inexistência do crédito, logo, de forma desfavorável e prejudicial ao contribuinte”. Segundo a Contribuinte, em síntese, fossem devidamente apreciados pelo acórdão recorrido os documentos acima citados, a única conclusão possível desta análise seria o reconhecimento do direito creditório e a homologação da respectiva declaração de compensação. É o relatório. VOTO Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Em vista da natureza dos argumentos aduzidos pela Contribuinte e da necessidade de instrução do processo para adequado julgamento da lide, proponho a conversão do julgamento em diligência para a adoção das seguintes providências, quais sejam: (i) atestar a autenticidade da DCTF retificadora trazida aos autos em face das vias originais e da documentação fiscal e contábil da Contribuinte; (ii) atestar, de forma conclusiva e justificada, mediante consulta a documentos e livros fiscais e contábeis da Contribuinte, a correção (ou não) das informações prestadas na DCTF retificadora referida nestes autos, especialmente, mas sem se limitar, à existência (ou não) de saldo de IRPJ a pagar nos meses do ano Processo nº 15374.913789/200936 Resolução n.º 110200.079 S1C2T1 Fl. 4 4 calendário de 2001 que estariam sendo apontados pela RFB como impeditivos do reconhecimento do direito creditório alegado e conseqüente homologação da declaração de compensação; (iii) Das verificações efetuadas, lavrar Relatório de Diligência circunstanciado e dele dar ciência à Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator.
score : 1.0
Numero do processo: 16152.000065/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1101-000.059
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER 0 JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA.
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER 0 JULGAMENTO EM DILIGE SI-Cl TI Fl. 148 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16152.000065/2009-06 Recurso n° Voluntário Resolução n° 1101-00.059 — la Câmara / la Turma Ordinária Data 2/10/2012 Assunto IRPJ Recorrente Hércules SA Fábrica de Talheres Recorrida 5a Turma da DRJ em Porto Alegre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice- presidente), Manoel Mota Fonseca, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Processo n° 16152.000065/2009-06 SI-CITI Resolução n° 1101-00.059 Fl. 149 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação. Conforme consta dos autos, o presente processo é reconstituição do processo n° 11080.006582/2004-42 (proc. fls. 1 a 147). As DRFs e DRJ envolvidas forneceram os documentos que possuíam para remontar o processo. 0 contribuinte foi intimado a apresentar os documentos que possuísse, mas apenas forneceu o relatório de auditoria, o auto de infração, impugnação e recurso voluntário, registrando sua perplexidade com o desaparecimento do processo (proc. fl. 75). Em 13/09/2009, é lavrado termo de constatação e auto de infração (proc. fls. 66 a 69 e 59 a 65). Conforme a fiscalização, a empresa apurou no ano-calendário de 1999 pelo sistema do lucro real trimestral e a partir de 2000 pelo lucro real anual. 0 fiscal verificou que, no 40 trimestre de 1999, a base de cálculo do IRPJ foi de R$ 134.921.984,07 e a da CSLL foi R$ 134.861.335,07, correspondendo a um valor devido de R$ 33.724.487,02 e R$ 16.183.360,21 respectivamente. Adiciona que, apesar do contribuinte ter declarado esses tributos na DIPJ, os débitos não foram formalizados pela declaração na DCTF e nem foram pagos. 0 fiscal explica que: ... segundo a IN 126/98 que instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF e a IN 127/98 que instituiu a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, a partir do ano calendário de 1999, a DCTF passou a ser considerada o documento hbbil de declaração e confissão de divida tributária, atribuindo-se a DIPJ um papel de cunho meramente informativo. Tais alterações justificam a exigência do lançamento de oficio A fiscalização também registra que o contribuinte informou que os R$ 33.724.487,02 e R$ 16.183.360,21 haviam sido incluidos no Refis. Porém, explica que o Comitê Gestor do Refis, por meio do Parecer n° 34, de 31 de maio de 2004, indeferiu o pedido do contribuinte (proc. fls. 70 a 72). Por tais razões, faz o lançamento de oficio dos dois tributos, e informa que o presente processo s6 controla o IRPJ lançado. Na impugnação (proc. fls. 98 a 113), o contribuinte reclama que o auditor lançou um tributo "declarado, consolidado, e pago". Também explica que, como tinha aderido ao Refis, registrou no ano de 1999 a redução do seu exigível tributário a longo prazo, em razão das características do Refis. Informa que tal redução foi de R$ 151.855.000,00 e foi levada ao resultado, implicando em um lucro ficto. Conclui que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL indicadas pela fiscalização só estarão corretas se a empresa se mantiver no Refis por todo o prazo de parcelamento, estimado em 170 anos. Diz que a redução futura do passivo não é renda e não pode ser tributada. Acrescenta que pode ser excluído a qualquer momento ou mesmo pode guitar antecipadamente a divida do Refis, e por isso não pode ser tributado agora. Alega que s6 seria admissivel a tributação do ganho, correspondente A. redução do passivo tributário, 2 Processo n° 16152.000065/2009-06 Si-C1T1 Resolução n° 1101-00.059 Fl. 150 se esta fosse mês a mês, conforme os pagamentos do Refis que efetuasse. Informa que, tirando o ganho projetado em razão do Refis, a empresa tem prejuízo. O contribuinte insiste que os débitos de 1999 foram incluídos no Refis e foram declarados em DIPJ. Alega que a declaração de divida no Refis é confissão de divida e, por isso, tal declaração absorve o conteúdo prático da DCTF. Em 11/05/2005, a 5 a Turma da DRJ em Porto Alegre julga procedente o lançamento (proc. 132 a 140). A turma julgadora considera não formulado pedido de perícia e analisa quatro argumentos do contribuinte. Diz que "a autuada teve, sim, ciência do ato do Comitê Gestor do Refis. Isso é comprovado as fls. 24, pelo "ciente" aposto em 17/06/2004 no parecer por Evanir Pedroso Domeles, que, de acordo com a procuração das fls. 40, datada de 29/10/2003, tinha poderes para representar a autuada junto a SRF até 31/12/2004". Informa que quem pode decidir sobre inclusão de débito é o Comitê Gestor do Refis e a DRJ tem de acatar tal decisão, que no caso deixa o débito exigível. O voto condutor também diz que não é possível retificar declaração depois de efetuado o lançamento, nos termos da IN SRF n° 185, de 2002. 0 texto é o seguinte: Art. 5 0 0 chefe da unidade da SRF da jurisdição do contribuinte emitirá notificação de não aceitação de declaração retificadora: I— que tenha por objeto a troca de modelo, conforme disposto no art. 18 da Medida Provisória n°2.189-49, de 23 de agosto de 2001; — apresentada durante o procedimento fiscal, nos termos do art. 7°, inciso I e §. 1°, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972— Processo Administrativo Fiscal (PAF); III— que altere matéria tributável objeto de lancamento regularmente cientificado ao sujeito passivo, nos termos do art. 145 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), com vistas a reduzi-lo. A turma julgadora conclui que "a fiscalização procedeu a urn lançamento de oficio com base em informações constante na DIPJ da autuada e, assim sendo, não é mais aceitável que se alterem tais informações com vistas a reduzir o valor lançado". Diz que "não há mais espaço para discutir o quando ocorreu o fato gerador do tributo em exame, com pretende autuada, pois trata-se de matéria informada em DIPJ". Informa que o fiscal está certo em dizer que a DIPJ não formaliza o crédito tributário e que este papel é da DCTF. O contribuinte é cientificado (proc. fl. 140) e apresenta recurso voluntário (proc. fls. 115 a 130). Diz que a turma julgadora não examinou a materialidade do lançamento, ou seja, se a fiscalização podia ou não lançar o ganho em razão do passivo tributário entrar para o Refis. Adiciona que a divida havia sido confessada no Refis e por isso não podia ter sido lançada. 0 processo foi levado a julgamento no Primeiro Conselho de Contribuinte e, conforme resolução 101-02565, de 21/09/2006, o julgamento foi convertido em diligência (proc. fls. 141 e 142). Despacho da DRF de Sao Paulo, lavrado em 22/04/2009, informa que o julgamento no Conselho de Contribuintes foi convertido em diligência, mas que "em face do 3 Processo n° 16152.000065/2009-06 Si -Cl TI Resolução n° 1101-00.059 Fl. 151 extravio/desaparecimento do processo não temos outros elementos para informar, proponho o retorno ao Primeiro Conselho de Contribuintes — la Camara". CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. 0 contribuinte informa que o lucro real apurado em 1999, no montante de R$ 134.921.984,07, decorre do reconhecimento no resultado do ganho de R$ 151.855.000,00 oriundos da adesão do contribuinte ao Refis e equivale a redução do seu passivo tributário trazida a valores presentes. De outra banda, o Parecer n° 34, de 2004, do Comitê Gestor, que indeferiu o pedido de inclusão do IRPJ de 1999, informa que a empresa havia sido excluída do Refis, em 24 de setembro de 2003, em razão de inadimplência, conforme Portaria n° 204, de 2003 (proc. fl. 70). Nessas circunstancias, é preciso determinar exatamente a origem do lucro declarado pelo contribuinte na sua DIPJ. Portanto, voto por converter o processo em diligência para que sejam fornecidos os seguintes elementos: 1°) esclarecer a composição do lucro liquido e do lucro real de 1999, fornecendo cópia do balanço e do Lalur; 2°) informar se foi levado ao resultado alguma parcela que corresponda ao alegado ganho pela redução do passivo tributário em razão da adesão ao Refis, indicando o valor e as folhas do livro diário que demonstre o fato, bem como esclarecendo se há ou não exclusão do valor no Lalur; 3°) fornecer cópia da Portaria 204, de 24 de setembro de 2003, que teria excluído o contribuinte do Refis; 4°) indicar o passivo tributário que teria sido incluído no Refis; 5°) indicar o montante do ganho por redução do passivo tributário incluído no Refis com a respectiva memória de cálculo; 6°) indicar o montante do eventual ganho por redução do passivo tributário em razão dos pagamentos que foram feitos até o momento em que a empresa foi excluída do Refis; 7°) as demais informações e documentos que entender necessários para a exata determinação da composição do lucro real de 1999. Sala das Sessões, 2 de outubro de 2012. Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro 4
score : 1.0
Numero do processo: 13805.003829/97-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1102-000.051
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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Recorrida 2a. Turma da DRJ Sao Paulo - SPI Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto da relatora. IVElI P7AQk.J1AS PESSOA MONTEIRO — Presidente e Relatora EDITADO EM:08/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Tun -na), João Otavio Oppennan Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto , Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocada) e Regis Magalhães Soares de Queiroz (Conselheiro Convocado) Processo IV 13805.003829/97-83 SI -C IT2 Resolução n.° 1102-00.051 Fl. 2 Relatório: Trata-se de retorno da diligência proposta através da Resolução 101- 02.564 de 21109/2006, fls.218/224, a qual converteu o julgamento em diligência para esclarecer se os argumentos oferecidos pela Recorrente comprovaria o seu direito a restituição/compensação de valores oriundos de imposto de renda na fonte, constituídos como antecipação do devido na declaração de rendimentos, relativa ao anocalenddrio de 1991. No voto condutor da Resolução consignou o Relator que em se tratando de tributo retido como antecipação, a definição quanto a se tratar de tributo devido, indevido ou maior que o devido só se consolidaria a partir da declaração de rendimentos. E continua para dizer que uma primeira análise conduzia a. conclusão que se tratava de imposto indevido, pois a interessada não apurou imposto devido na declaração de rendimentos, mas, por outro lado, não indicara o valor retido para compensação na DIRPJ/1992, fato a ser esclarecido a partir das seguintes observações: (...) Observo que a folha do balancete mensal de 31/12/98, juntada às fls. 44 do processo, embora consigne saldo de 1RRF a ressarcir, a informação não é suficiente para que este órgão julgador decida sobre a procedência da restituição. Primeiro, porque não Jul indicação precisa quanto ci existência de saldo de imposto retido relativo ao ano-base de 1991. 0 balancete registra imposto a recuperar do exercício de 1991, sendo necessário esclarecer se se trata de imposto a recuperar relativo à DIRPJ/91 (que corresponde ao ano-base de 1990), ou se se trata de imposto retido no ano-base de 1990, que seria recuperável na DIRPJ/92. Depois, a simples Informação do saldo não é suficiente para verificar que o valor pago a maior no ano-base de 1991 permanece integralmente não recuperado. É necessário demonstrar a evolução da conta que abriga o 1RRF pleiteado desde a sua constituição (CrS 20.588.368,75 + Cr$12.248.136,96), indicando com clareza cada lançamento que alterou o saldo. Por outro lado, os rendimentos de prestação de serviços sobre os quais incidiu o imposto importaram em Cr$ 686.278.958.330,00 (CR$ 686.278.958,33), conforme demonstrativo de _fl. 27. A DIRPJ do exercício de 1992, período-base de 1991, indica como receita bruta da prestação de serviços Cr$ 6.459.697.484,00, ou seja, menos de 10% do valor dos rendimentos que sofreram a retenção. Voto pela conversão do julgamento CM diligência para que a fiscalização: a) intime o contribuinte a demonstrar, coin clareza, que os rendimentos sobre os quais incidiu o imposto na fonte foram incluidos na declaração e que o valor do imposto pago a maior e cuja restituição _pleiteia não foi recuperado no todo ou em parte; Processo n° 13805.003829/97-83 S 1-C1T2 Resolucao n.° 1102-00.051 Fl. 3 b) se manifeste sobre os demonstrativos que o contribuinte apresentar. Às fis.232/3 a Recorrente se manifesta e junta procurações, atas de assembléias da companhia, extratos de aplicações financeiras e relatórios, às fls.233/294. Às fls.214 a autoridade preparadora emite o seguinte despacho: Tomando ciência em 09/12/03, tempestivamente a interessada apresenta RECURSO VOLUNTÁRIO, que ora encaminhamos ao (1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES) SECOJ/DRJ/SPOI para prosseguimento. 0 processo é encaminhado ao CARF.Por redistribuiçao o recebo para relato. Este é o Relatório. Processo n° 13805.003829/97-83 Reso n.° 1102-00.051 SI-C1T2 Fl. 4 Voto: Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro , Relatora Como anteriormente relatado trata-se de retorno de diligência requerida através da Resolução 101- 02.564 de 21/09/2006, fis.218/224, que vislumbrou a possibilidade de erro de fato ocorrido na DIPJ/1992 da Recorrente. Trata-se de pedido de restituição da importância de R$ 56.363,84 relativa a retenções de imposto de renda na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras e de prestações de serviços, ocorridas no ano-calendário de 1991. 0 pedido foi negado nas instancias anteriores sob entendimento de que a falta de destaque dos valores pretendidos, na declaração, impedia a conferência do direito da Contribuinte. A então l a.Cdmara do 1 0. Conselho de Contribuintes, por ocasião do julgamento, proferiu o seguinte voto da lavra da i.Relatora ex-Cons Sandra Faroni: A interessada soft-ell retenções de imposto de renda na fonte que constituíam z antecipação do devido na declaração de rendimentos relativa ao anocalendário de 1991. Em se tratando de tributo retido como antecipação, a definição quanto a se tratar de tributo devido, indevido ou maior que o devido é feita a partir c/a declaração de rendimentos. No caso, ã vista da declaração, uma primeira análise conduz conclusão que se trata de imposto indevido, pois a interessada não apurou imposto devido na declaração de rendimentos, não tendo indicado o valor retido para compensação. inegável que naquele exercício a restituição do imposto indevido ou maior que o devido independia de requerimento especifico, bastando sua indicação na declaração de IRPJ, sob forma de saldo negativo, e a restituição seria automática. Não obstante, o fato de não ter observado o procedimento normatizado para compensação do imposto na declaração não tent o condão de transmudar o imposto recolhido de indevido ein devido. Somente a lei pode estabelecer o quantum z do imposto é devido. Se o imposto de renda pogo pela pessoa jurídica, relativo ao período-base, foi maior que aquele apurado de acordo Coln a lei, tem o contribuinte direito a restituição, desde que pleiteada dentro do prazo previsto no Código Tributário Nacional. Portanto, os motivos declinados no despacho decisório da DRF e na decisão recorrida, quais sejam, não indicação do valor do imposto na linha 14 do Quando 15 do Formulário I e não preenchimento do Anexo 3 da DIRPJ, isoladamente, não autorizam o indeferintell to da restituição Processo n° 13805.003829/97-83 SI-CIT2 Resolueilo n.° 1102-00.051 Fl. 5 De acordo coin o art. 168 do CTN, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo, o direito de pleitear a restituição se extingue coin o decurso do prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito. Segundo entendimento firmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, até o advento da Lei 8.383, c/c 30/12/91,o Imposto de Renda era tributo sujeito a lançamento por declaração. Em assim sendo, antes da data prevista para a apresentação da declaração de rendimentos não havia como apurar o crédito e, conseqüentemente, Assim, uma vez que o prazo para apresentar a declaração era até o Ultimo dia de abril de 1992, tendo sido o pedido formalizado em,„ 30 de abril de 1995, é induvidoso que a solicitação foifeita no prazo legal. Ocorre que as instâncias inferiores não apreciaram o mérito do pedido, carecendo o processo de maiores informações para ser analisado. Não há como verificar se os rendimentos correspondentes ao imposto foram incluidos na declaração, I1C111 se não houve recuperação do imposto. Observo que afolha do balancete mensal de 31/12/98,juntada as fls 44 do processo, embora consigne saldo de IRRF a ressarcir, a informação não é suficiente para que este argão julgador decida sobre a procedência da restituição. Primeiro, porque não há indicação precisa quanto a existência de saldo de imposto retido relativo ao ano-base de 1991. 0 balancete registra imposto a recuperar do exercício de 1991, sendo necessário esclarecer se se trata de imposto a recuperar relativo à DIRPJ/9 (que corresponde ao ano-base de 1990), ou se se trata de imposto retido no ano-base de 1990, que seria recuperável na DIRPJ/92. Depois, a simples informação do saldo não é suficiente para verificar que o valor mg° a maior no ano-base de 1991 permanece integralmente não recuperado. É necessário demonstrar a evolução da coma que abriga o IRRF pleiteado desde a sua constituição (Cr$ 20.588.368,75 + Cr$12.248.136,96), indicando com clareza cada lançamento que alterou o saldo. Por outro lado, os remfinientos de prestação de serviços sobre os quais incidiu o imposto importaram em Cr$ 686.278.958.330,00 (CR$ 686.278.958,33), conforme demonstrativo de 11. 27. A DIRPJ do exercício de 1992, período-base de 1991, indica como receita bruta da prestação de serviços Cr$ 6.459.697.484,00, ou seja, menos de 10% do valor dos rendimentos que sofreram a retenção. Voto pela conversão do julgamento cm diligência para que a fiscalização: a) intime o contribuinte a demonstrar, com clareza, que os rendimentos sobre os quais incidiu o imposto na fonte . foram incluidos na declaração e que o valor do imposto pago a maior e cuja restituição pleiteia não foi recuperado no todo ou em parte; b) se manifeste sobre os demonstrativos que o contribuinte apresentou. Na execução, todavia, houve apenas a juntada, pela Recorrente, dos mesmos documentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade e a autoridade lançadora 5 Processo n° 13805.003829/97-83 SI-C1T2 ResoInca° n.° 1102-00.051 Fl. 6 não se manifestou sobre os pedidos de esclarecimentos solicitados na Resolução, tornando a informação da Contribuinte corno recurso voluntário. Nesta conformidade sugiro a meus pares o retorno dos autos a instância anterior para cumprimento da diligência anteriormente requerida e que restou incompleta. Relatório circunstanciado deverá ser endereçado a Recorrente para que ela se manifeste, se assim entender necessário. Após os autos devem retornar para julgamento como voto hte-Ma aquias Pessoa Monteiro 6
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