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Numero do processo: 10831.000783/00-67
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO —II
Data do fato gerador: 18/02/1998
ROUBO DE CARGA. USO DE ARMA. IRRESIST1BILIDADE. CONCEITO DE FORÇA MAIOR.
Inclui-se, no conceito de forca maior, o roubo à mão atinada, em razão da sua irresistibilidade, mostrando-se irrelevante a previsibilidade ou não do evento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: CSRF/03-05.677
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora) e Antonio Praga. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO —II Data do fato gerador: 18/02/1998 ROUBO DE CARGA. USO DE ARMA. IRRESIST1BILIDADE. CONCEITO DE FORÇA MAIOR. Inclui-se, no conceito de forca maior, o roubo à mão atinada, em razão da sua irresistibilidade, mostrando-se irrelevante a previsibilidade ou não do evento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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FAZENDA NACIONAL CS RF/T03 Fls. 366 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO —II Data do fato gerador: 18/02/1998 ROUBO DE CARGA. USO DE ARMA. IRRESIST1BILIDADE. CONCEITO DE FORÇA MAIOR. Inclui-se, no conceito de forca maior, o roubo h. mão atinada, em razão da sua irresistibilidade, mostrando-se irrelevante a previsibilidade ou não do evento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora) e Antonio Praga. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Rosa M4ria de Jesus da Silva Costa de Castro - Relatora Susy GomesHz.f9n Red Designada • EDITADO EM: 30/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga. Ausente momentaneamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Trata-se de Recurso Especial (fls. 305/314) interposto pela contribuinte em epígrafe (doravante denominada Recorrente), contra o Acórdão no 303-31.697, cuja ementa encontra-se abaixo transcrita: TRÂNSITO ADUANEIRO. O transportador deve empregar toda a diligência e meios praticados pelas pessoas exatas no cumprimento dos seus deve i-&.s em casos semelhantes para que os gêneros transportados não se extravient. Incabível alegação de caso fortuito ou de força maior, posto que assalto em rodovia no Brasil passou a set; nos últimos anos, elemento previsível para a atividade de transporte. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO. A Recorrente alega, em síntese, que "ado é. razoável ajirmai que a responsabilidade pela prevenção dos assaltos ez mão armada no transito aduaneiro passou a ser atribuição ordinária da Transportadora, pois isto representaria reconhecer a falência total do Estado a quem compete prover a segurança pública." Para comprovar sua assertiva, reproduz várias decisões administrativas favoráveis a sua tese. Mediante o Despacho n" 374/2006 (fl. 343), a i. Presidente da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes recebeu e deu prosseguimento ao Recurso interposto. Devidamente intimada, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contra-Razões ao Recurso Especial (fls. 346/361), pelas quais requer seja o Acórdão recorrido mantido em sua integralidade. o relatório. Voto Vencido Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Relatora Como visto, trata-se de Recurso Especial, protocolizado pela Recorrente, no qual se requer a reforma do Acórdão n° 303-31.697, pelo qual a transportadora de carga foi responsabilizada pela falta de mercadoria apurada eni vistoria aduaneira, a despeito da juntada aos autos de Boletim de Ocorrência, onde consta que o mesmo teria sido vitima de roubo de carga, a mão armada. 2 Processo 10831.000783/00-67 Acórdão ri. 0 0 3-0 5. 677 CSRF/T03 Fls. 367 A Recorrente sustenta que "não é razoável afirmar que a responsabilidade pela prevencão dos assaltos à mão armada no trânsito aduaneiro passou a ser atribuição ordinária da Transportadora, pois isto representaria reconhecer a falência total do Estado a quem compete prover a segurança pública.". Entendo que o Acórdão recorrido deve ser mantido. Com efeito, há tempos adotei a jurisprudência solidificada pela minha Câmara no sentido de que a simples juntada de Boletim de Ocorrência não exclui a responsabilidade do transportador da carga, nos termos do art. 480 do RA. Nestes termos, faço meus os termos do Acórdão IV 302-35.444, abaixo transcrito: A exchtdência de responsabilidade por motivo de caso fortuito ou de forgo maior (onde se insere o roubo), além da legislação de regência, é muito bent explicitado no Parecer Normativo CST 39/78 (DOU de 04/05/1978), dizendo no seu item 4 'Por principio, ninguém responde pelos casos fortuitos ou de forgo maior, pois que inevitáveis por natureza e essência, aconteceram porque tinhorn que acontecer, sem que sejam imputáveis a algo ou alguém. 0 RA em seu Art. 480 e parágrafos prevê excludentes de responsabilidade para navios e aeronaves, desde que ratificados pela Justiça. Mesmo o roubo à mão armada poderia ser caracterizado como caso .fortuito ou de forgo maior, mas, para tanto, o acontecimento deveria atender aos requisitos legais aplicáveis. Neste caso, tais requisitos não foram plenamente satisfeitos. Neste feito, a .fiscaliz..ação incumbe provar que houve responsabilidade do transportador. Isso ocorreu pela não complementação integral do trânsito aduaneiro. Para co. mprovar a excludente trazida pela Recte., caso fortuito (acontecimento imprevisível) ou forgo maior (acontecimento previsível), é indispensável comprovar que: o .fato ocorreu; o fato era inevitável, irresistivel ou invencível, mais forte que a vontade ou ação do homem; e a ocorrência do fato não pode ser atribuída à culpa do agente, o transportador da carga, pois caso contrário esse fato não pode ser considerado necessário nem evitável. Há indícios de que o fato ocorreu, mediante o BO apresentado, embora este por si só prova apenas a comunicação de 11177 crime e não a silo ocorrência. (..) Em segundo lugar, mesmo comprovada a ocorrência do fato, a configuração do caso fortuito ou de força maior ainda não estaria completa. Aldo foi comprovada a ausência de culpa do transportador, por exemplo as culpas in eligendo e in vigilando e nem mostrot(- , \k 3 empenho, por exemplo em fornecer dados a autoridade policial, 170 andamento do inquérito Pelo exposto, voto por conhecer e NEGAR provimento ao Recurso Especial da Recorrente, para manter a exigência consubstanciada no Auto de Infração. aZ. et) /r0 Rosa Mari de Jesus da Silva Costa de Castro Voto Vencedor Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Redatora Designada A Turma entendeu, majoritariamente, por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, restando vencida a eminente Conselheira relatora. Designada para redigir o voto vencedor, passo a expor o meu entendimento a respeito do tema. Deixo consignado, entretanto, o meu respeito aos fundamentos do voto vencido. Trata-se de se saber se a transportadora de carga pode ser responsabilizada pela falta de mercadoria apurada em vistoria aduaneira, malgrado a apresentação de Boletim de Ocorrência, lavrado em razão de roubo da referida carga. Entendeu-se, no acórdão recouido, conforme a sua ementa, que "0 transportador deve empregar toda a diligência e meios praticados pelas pessoas exatas no cumprimento dos seus deveres em casos semelhantes para que os gêneros transportados não se extraviem. Incabível alegação de caso fortuito ou de foro maior, posto que assalto em rodovia no Brasil passou a ser, nos últimos anos, elemento previsível para a atividade de transporte". Não procede, contudo, tal fundamento. De fato, considerando-se que o Boletim de Ocorrência revela-se suficiente comprovação da ocorrência do roubo, este fato, exclui a responsabilidade da transportadora sobre o extravio da carga, pois que se enquadra no conceito força maior. Vejamos. 0 caso fortuito e a força maior constituem-se em fatores de exclusão de responsabilidade jurídica. No ordenamento jurídico positivo, são recorrentemente mencionados, sem, contudo, se estabelecer um conceito definido de cada um dessas realidades jurídicas. Assente, entretanto, a igualdade de conseqüência de ambos, que é justamente a exclusão da responsabilidade pelo respectivo evento, no que tange àquele que se encontra na posição de sujeito passivo da relação jurídica, independentemente do ramo do Direito a que se refira. O acórdão recorrido considerou que o rotibo, especificamente nas rodovias brasileiras, em razão da sua freqüência, já se qualifica por ser um evento previsível. A sua ocorrência não poderia, destarte, ser argüida como caso fortuito ou força maior. 4 Processo n° 10831.000783/00-67 Acórdão n.° 03-05.677 CSRF/T03 Fls. 368 A previsibilidade, contudo, não exclui o respectivo fato do conceito de força maior. Pelo contrário, enquadra-se no sua própria definição doutrinário prevalecente. Realmente, De Plácido e Silva, tratando do caso de força maior, expõe que: "Assim se diz do caso que, mesmo previsto ou previsível, ndo pode ser evitado pela vontade ou pela ação do homem . Os romanos o definiam C01170: onment vim cui resisti non potest, isto 6, aquele a que não se pode resistir. Desse modo, a força maior, ou melhor seja o caso de força maior, se caracteriza precipttamente pela irresistibilidade, não se levando em conta, quanto ao acontecimento que se registra, se era previsto ou não. 0 caso de força maior é previsível. E neste particular se distingue do caso fortuito, sempre imprevisível, embora, como o de força maior, também irresistível. E, al, a diferenciação entre um a outro. A evidência do caso de forgo maior, como do caso fortuito, torna-se importante pela situação jurídica que um outro cria: este a irresponsabilidade do dano ou prejuízo que possa causar a outrem em face da impossibilidade do cumprimento ou execução de uma obrigação, por parte do devedor, ou de fato extracontratual que tenha também trazido dano a alguém". I Destarte, ainda que considerado previsível o evento criminoso, isto não lhe retira a qualificação corno força maior. 0 que a marca, na verdade, é a característica da irresistibilidade, a qual, no caso, se revela incontestável, sobretudo por se tratar de roubo qualificado pelo uso de arma de fogo. Corn efeito, mesmo que se exija que a transportadora se acautele corn todo um suporte de segurança, isto não retira a irresistibilidade do roubo, ante o seu caráter violento. Isto porque, deve-se ter por irresistivel aquilo contra o que não se pode resistir, sem risco pessoa, à sua integridade, fisica e patrimonial. Ora, não se pode exigir, obviamente, em qualquer caso, que se afaste o agente do roubo, sem tal risco, ainda que haja aparato de segurança. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial do contribuinte. Suky Go,m s-Hoftinann SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Rio de Janeiro: editora Forense. 2004. p. 272. 5
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726163/2009-32
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma
da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.156
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido.
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 210202.156 S2C1T2 Fl. 2 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 02/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JULIO CEZAR LEMOS TRAVESSA foi lavrado Auto de Infração, fls.03/10, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2004 a 2006, exercícios 2005 a 2007, no valor total de R$ 147.130,87, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: O sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, CNPJ 04.142.491/200166, a título de “Valores Indenizatórios de URV”, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Preceitua a referida Lei Estadual, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, em nada alterando a legislação do Imposto de Renda, de competência da União. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 210202.156 S2C1T2 Fl. 3 3 Não poderia os Estados Federados versarem sobre o que não lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo, em respeito aos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988. As diferenças recebidas pelo sujeito passivo têm natureza eminentemente salarial, e conseqüentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. (...) Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SDR nº 1527.066, de 11/05/2011, fls. 139/144: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; f) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; g) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 210202.156 S2C1T2 Fl. 4 4 correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; h) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. A DRJ Salvador julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/07/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 243, o contribuinte apresentou, em 03/08/2011, recurso voluntário, fls. 148/238, onde repisa os mesmos argumentos trazidos na impugnação, acrescentando que a decisão recorrida é nula, pois deixou de enfrentar a argüição de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do Imposto de Renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção pelo Estado Membro e a argüição de quebra da capacidade contributiva do contribuinte. É o Relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 210202.156 S2C1T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, em sessão realizada em 08/06/2011, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 210202.156 S2C1T2 Fl. 6 6 Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 210202.156 S2C1T2 Fl. 7 7 pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 210202.156 S2C1T2 Fl. 8 8 União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o crédito tributário exigido no Auto de Infração, de modo que se torna desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso. Ainda, pelo entendimento da não tributação das diferenças de URV percebidos por magistrados estaduais, vêse o REsp nº 1187109, relatoria da Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 210202.156 S2C1T2 Fl. 9 9 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15983.000182/2008-35
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
AÇÃO JUDICIAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF nº 01. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Hipótese em que suspende-se a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 113 1 112 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000182/200835 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.007 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente HEITOR DE PAULA GARCEZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 AÇÃO JUDICIAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF nº 01. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Hipótese em que suspendese a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 01 82 /2 00 8- 35 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1730.264, proferido pela 3ª Turma da DRJ São Paulo II (fl. 91), que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 03/07) com o lançamento de imposto de renda relativo aos anoscalendário 2003/2006, de multa de oficio e de juros de mora, totalizando um crédito tributário de 87.933,84. Conforme enquadramento legal de fls. 05/06. Conforme relato da autoridade fiscal (fls. 05/06), o contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste os rendimentos recebidos do INSS decorrentes de aposentadoria de anistia corno isentos. Tal irregularidade decorre da falta de apresentação pelo contribuinte da Portaria do Ministro de Estado da Justiça, a qual confere o direito de reparação econômica de caráter indenizatório do regime de anistiado político, segundo art. 3°, da Lei 10.559, de 13/11/2002. Tais rendimentos não sofreram retenção na fonte, por concessão de Medida Liminar, nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.04.0000566, da lª Vara Cível da Justiça Federal em Santos. Assim, de forma a prevenir a decadência, foi lavrado o presente auto de infração, tendo em vista a apuração das seguintes irregularidades: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Omissão de rendimentos recebidos do INSS, a titulo de aposentadoria de anistia, erroneamente classificado como isentos, haja vista a ausência de Portaria do Ministro de Estado da Justiça reconhecendo o caráter indenizatório. Fundamentação legal: artigos 1° ao 3° e parágrafos da Lei 7.713/88; artigos Pe 3 0 da Lei 8.134/90; artigo 63, da Lei 9.430/99; art. 1°, da MP 22/2002, convertida em na lei 10.451/2002; art.1°, da MP 232/2004, convertida na Lei 11.119/2005; art. 1°, da MP 280/2006, convertida na Lei 11.311/2006. Imposto de Renda Não Retido. Falta de retenção e recolhimento de imposto de renda na fonte incidente sobre rendimentos auferidos relativos a décimo terceiro salário, sujeito a tributação exclusiva na fonte. Fundamentação legal: artigos 1° ao 3° e parágrafos da Lei 7.713/88; artigos Pe 3° da Lei 8.134/90; artigo 63, da Lei 9.430/99; art. 1º, da MP 22/2002, convertida em na lei 10.451/2002; art.1°, da MP 232/2004, convertida na Lei 11.119/2005; art. 1º, da MP 280/2006, convertida na Lei 11.311/2006. Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação de fls. 01/02, em que alega, em síntese, que. 1 o auto de infração, objeto desta impugnação está eivado de nulidade pela inocorrência do fato gerador do tributo; 2 os dispositivos legais que deram suporte a constituição do crédito tributário na lavratura do auto de infração não se aplicam ao caso; 3 o impugnante recebeu no período considerado rendimentos que não devem ser computados como rendimentos tributáveis, tendo em vista, o regime jurídico que ampara os anistiados políticos; 4 os rendimentos foram recebidos na qualidade de anistiado político, conforme resolveu o Ministério do Trabalho, considerando o art 9°, da Lei 6.683, de 1979, regulamentada pelo Decreto 84.143, de 31 de outubro de 1979; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 15983.000182/200835 Acórdão n.º 2101002.007 S2C1T1 Fl. 114 3 5 a aposentadoria excepcional de anistiado, por suas características, se constitui em indenização vitalícia conferida pelo Poder Público, para reparação dos prejuízos ocasionados aos cidadãos punidos por suas convicções políticas; 6 de forma a dirimir qualquer dúvida sobre o caráter indenizat6rio do preceito contido no art. 8°, do ADCT, o Executivo baixou a MP 2.1513, de 24 de agosto de 2001, em que estabelece a reparação econômica de caráter indenizatório; 7 qualquer tributação nas atuais verbas indenizatórias é ilegítima e inconstitucional, caracterizando verdadeiro confisco em favor da Receita Federal do Brasil Federal do Brasil, visto que a aludida indenização é feita a titulo de reparação; 8 a indenização nestas condições não se erige em renda, nem aumento de patrimônio, pois corresponde a verdadeiro ressarcimento pelos prejuízos sofridos pelos anistiados; 9 a questão de isenção dos valores recebidos a titulo de aposentadoria de anistiado político restou esclarecido, com a edição da Lei 10.559/2002. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte , contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente A autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia As instâncias administrativas. Impugnação não Conhecida Em seu apelo ao CARF (fls. 98/103) o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo . Argumenta que não houve renúncia à esfera administrativa, visto que a medida judicial foi ajuizada antes da autuação que originou o processo administrativo. Ademais, não houve opção pela via judicial em detrimento da via administrativa, primeiro porque o MS foi impetrado contra o INSS e o Gerente Executivo da Autarquia, autoridade responsável pela retenção do indigitado tributo, por segundo não está se discutindo na medida judicial se o rendimento é tributável, isto porque essa questão está superada consoante a Lei 10.559/02 e o Decreto n° 4897/03. No caso o recorrente impugnou o Auto de Infração porque o i. AFRFB não observou a legislação pertinente, usando expedientes para criar receita fictícia alegando que o recorrente omitiu os rendimentos de aposentadorias ou pensão excepcional efetuado pelo INSS a anistiado político.Entende que tem direito de se defender, ainda administrativamente, com relação a outros pontos invocados no lançamento como valores lançados, juros, documentos utilizados, nulidade de atos, procedimentos, etc, e que não há identidade de objeto entre os processos administrativo e judicial. A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser anulado o Acórdão Fl. 117DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 n° DRJ n° 1730.264, proferido pela 3ª Turma da DRJ/SPOII e, após analisado e decidido o mérito da impugnação, seja cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais e considerando o princípio da unicidade da jurisdição, adotado pela Constituição Federal vigente, entendo que a 3ª Turma da DRJ São Paulo II agiu com acerto, pois a Administração Tributária não deve se pronunciar, no caso concreto, acerca da natureza tributária dos proventos de aposentadorias auferidos pelos anistiados políticos, pois esta questão encontrase sob apreciação do poder Judiciário, cuja decisão sempre irá prevalecer ante o pronunciamento administrativo. Neste sentido dispõe a Súmula nº 01 deste CARF, com suporte em mansa e pacífica jurisprudência administrativa sobre o tema: Súmula CARF nº 01: importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com efeito, o interessado impetrou o Mandado de Segurança n° 2003.61.04.0000566, pleiteando provimento jurisdicional no sentido de ser declarada a ilegalidade da tributação dos proventos de caráter indenizatórios relativo à anistia política. Confirase a conclusão do despacho interlocutório que concedeu a medida liminar (fls. 46/48): Ante o exposto, CONCEDO a liminar, para determinar as autoridades coatoras que suspendam o desconto do imposto de renda dos proventos dos impetrantes, na qualidade de anistiados políticos. No mesmo diapasão se manifestou a sentença de mérito (fls. 50/55): Diante do exposto, julgo PROCEDENTE o pedido, nos termos do art. 269, I, do Código de Processo Civil, concedendo a segurança pleiteada para afastar a cobrança do imposto de renda sobre os proventos de caráter indenizatório resultantes dos efeitos civis da anistia, bem como para determinar aos impetrados a abstenção no desconto do referido tributo sobre aqueles proventos. Por oportuno, verificase que a União Federal integrou o pólo passivo da relação jurídica processual, representada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e que os efeitos da sentença se espraiam deste a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora (INSS) à tributação na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 15983.000182/200835 Acórdão n.º 2101002.007 S2C1T1 Fl. 115 5 O lançamento em exame (fls. 02/17) trata precisamente dos proventos de aposentadoria auferidos por anistiado político (item 001 do Auto de Infração), que a fiscalização entendeu indevidamente classificados como não tributáveis, bem assim da falta de retenção e recolhimento, por força de medida judicial, do imposto incidente sobre o 13º salário (item 002 do Auto de Infração). Nas duas situações a fiscalização não lançou multa de ofício, em face da medida judicial favorável ao sujeito passivo, efetuando o lançamento sob o fundamento de que até a data do lançamento não ocorreu o transito em julgado da decisão. Assim, as questões tratadas nos processos administrativos e judicial estão intrinsecamente interligadas, na medida em que a decisão que vier a transitar em julgado na esfera judicial necessariamente espraiará seus efeitos para este processo administrativo fiscal. Pela leitura da impugnação ao lançamento, verificase que as questões suscitadas pela defesa – mesmo quando requer a nulidade do lançamento – sempre tem por fundamento o reconhecimento da natureza não tributável dos proventos auferidos pelos anistiados políticos. Ou seja, somente cabe à Administração Fiscal se submeter ao decidido no processo judicial. Não pode a Administração Tributária, por seu contencioso administrativo, imiscuirse em matéria que deverá ser decidida pelo Poder Judiciário, pois cabe a este tutelar a Administração, e não o inverso. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso, para declarar a concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. Ficará ao encargo da Delegacia da Receita Federal de origem acompanhar o trâmite das ação judicial e cumprir o que for ali decidido, após o trânsito em julgado da sentença. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10665.001090/2010-76
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007 NATUREZA DE ATIVIDADE Constatado que a pessoa jurídica adquire e vende produtos, legítima é a caracterização de sua atividade como comercial de venda de produtos. MULTA QUALIFICADA - É cabível a aplicação da multa qualificada quando se constata a co0nduta reiterada e que o contribuinte declarou/tributou apenas 2,3 % da receita total apurada pela fiscalização em seus próprios Assunto: Processo Administrativo Fiscal Receita Bruta Superior ao Limite Legalmente Estabelecido Evidenciada a subsunção do fato à hipótese legal descrita no ato administrativo de exclusão do SIMPLES, é inadmissível a manutenção no mencionado sistema. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Constatada a omissão de receitas a partir do cotejo entre os valores declarados e os constantes dos livros fiscais é legítimo o lançamento de ofício da receita omitida. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTOS DECORRENTES Tratando-se de lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa o procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal.
Numero da decisão: 1302-000.838
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 NATUREZA DE ATIVIDADE Constatado que a pessoa jurídica adquire e vende produtos, legítima é a caracterização de sua atividade como comercial de venda de produtos. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando se constata a co0nduta reiterada e que o contribuinte declarou/tributou apenas 2,3 % da receita total apurada pela fiscalização em seus próprios Assunto: Processo Administrativo Fiscal Receita Bruta Superior ao Limite Legalmente Estabelecido Evidenciada a subsunção do fato à hipótese legal descrita no ato administrativo de exclusão do SIMPLES, é inadmissível a manutenção no mencionado sistema. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Constatada a omissão de receitas a partir do cotejo entre os valores declarados e os constantes dos livros fiscais é legítimo o lançamento de ofício da receita omitida. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTOS DECORRENTES Tratandose de lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa o procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Diniz Raposo e Silva e Guilherme Pollastri Gomes Da Silva Relatório Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 3 3 O presente julgamento abrange quatro processos, a saber: PROCESSO 10665.001090/201076 Exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2007 A empresa em epígrafe foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, a partir de 01 de janeiro de 2007, mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/DIV nº 55, de 09 de agosto de 2010, fls. 79, que acolheu a Representação Fiscal de fls. 01/03, sob o fundamento de a empresa ter auferido receita bruta superior ao limite permitido, “quando a soma das receitas apuradas por esta Auditoria Fiscal ultrapassa o valor limite permitido por lei”. Ao referido processo foram apensados os abaixo relacionados: PROCESSO 10665.001875/201049 Auto de Infração IRPJ e tributos decorrentes Simples Anocalendário 2006: Auto de infração Imposto de Renda Pessoa Jurídica – SIMPLES (fls. 17/26), Contribuição para o PIS – SIMPLES (fls. 27/36), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido SIMPLES (fls. 37/46), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – SIMPLES (fls. 47/56) e Contribuição para Seguridade Social – INSS – SIMPLES (fls. 57/66), todos relativos ao anocalendário 2006., lavrados em nome de Juliana Márcia Leal Angheti e Isis Naiara Pimentel Pereira Feliciano, sob o seguinte fundamento: “001 – DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO Valor apurado conforme diferenças verificadas entre as notas fiscais de saída e os valores declarados em Declaração SIMPLES. 002 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme notas fiscais de saída e Declaração SIMPLES.” Às fls. 426/432 encontrase o documento intitulado “Identificação do Sujeito Passivo”, quando o autor do feito apresenta a identificação das pessoas físicas acima mencionadas, histórico dos procedimentos fiscais e motivos do lançamento em nome das pessoas físicas. PROCESSO 10665.001876/201093 Auto de Infração IRPJ e Contribuição Social s/Lucro Líquido Ano Calendário 2007 Apresentamse, neste processo, as exigências referentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 02/07) e Contribuição Social s/Lucro Líquido (fls. 08/13), para o ano Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 4 4 calendário de 2007, lavrados em nome de Juliana Márcia Leal Angheti e Isis Naiara Pimentel Pereira Feliciano, sob o seguinte fundamento: “001 – RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS Valor correspondente ao lucro operacional ajustado em virtude de divergência entre as receitas apuradas pela fiscalização e as receitas apuradas pelo contribuinte conforme demonstrado em DRE, LALUR, DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO PIS E COFINS com as adições e exclusões a serem inseridas no lalur e planilhas anexas.” As planilhas mencionadas encontramse às fls. 16/28. Às fls. 29/36 encontrase o documento intitulado “Identificação do Sujeito Passivo”, quando o autor do feito apresenta a identificação das pessoas físicas acima mencionadas, histórico dos procedimentos fiscais e motivos do lançamento em nome das pessoas físicas. PROCESSO 10665.001904/201072 Auto de Infração demais tributos decorrentes Ano calendário de 2007 Apresentamse, neste processo, as exigências referentes aos tributos decorrentes do Auto de Infração IRPJ, para o ano calendário de 2007, lavrados em nome de Juliana Márcia Leal Angheti e Isis Naiara Pimentel Pereira Feliciano, sob o seguinte fundamento: “INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Valor apurado conforme confronto entre notas fiscais de entrada x notas fiscais de saída tendo sido apurado o valor a recolher pela diferença entre débitos gerados pelas saídas e créditos gerados pela entrada conforme planilha anexa.” As planilhas referenciadas encontramse às fls. 10/18. Às fls. 83/90 encontrase o documento intitulado “Identificação do Sujeito Passivo”, quando o autor do feito apresenta a identificação das pessoas físicas acima mencionadas, histórico dos procedimentos fiscais e motivos do lançamento em nome das pessoas físicas. DAS IMPUGNAÇÕES Em sua defesa, a interessada apresenta os argumentos as seguir sintetizados: 1) PROCESSO 10665.001090/201076 fls. 83/99. Exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2007 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 5 5 A impugnante apresenta breve histórico da ação fiscal e, em seguida seus argumentos, a saber: DA NATUREZA DA ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: “A autoridade tributária ao realizar a diligência fiscal na empresa contribuinte se deparou com três atividades econômicas realizadas: vendas de celulares, vendas de chips e “venda” de cartões com créditos prépagos para acesso de telefonia móvel. Conforme a farta documentação anexa, a diferença entre a receita bruta apurada no ano de 2006 pela contribuinte e a receita bruta apurada pela autoridade tributária, decorre da inclusão ou não dos valores recebidos pela “vendas” dos cartões de créditos prépagos para acesso à telefonia celular. Com efeito, a contribuinte ao lançar as receitas recebidas com a disponibilização do serviço prépago de telefonia celular, não incluía como receita bruta o preço de “venda” dos cartões, mas apenas as comissões pela disponibilização ao consumidor, por se tratar de uma prestação de serviços e não de um produto. Entende o contribuinte que nesse caso não há operação de “compra e venda”, mas apenas a prestação do serviço de telefonia celular e, portanto, não de trata de um produto inserido na cadeia de produção, mas de um serviço. (...) Os valores recebidos pela impugnante são depositados nas contas das operadoras tomadoras do serviço, autorizada a retenção da comissão pelo serviço prestado, até porque os créditos vendidos correspondem a minutos de ligação e/ou transmissão de dados pelas operadoras.” (...) Conseqüentemente, a impugnante agiu com acerto ao não incluir em sua composição de receitas brutas, as receitas que não lhe pertencem, mas que pertencem à operadora que disponibilizou o serviço de telefonia móvel ao consumidor final, diretamente, mediante pagamento antecipado” DA PRIMAZIA DO DIREITO PRIVADO Afirma que a imprecisão do termo “distribuição” utilizado pela contribuinte não pode afastar a real natureza da sua atividade. Reafirma que sua atividade não pode ser considerada compra e venda, mas apenas uma simples prestação de serviços. Complementa: “Os valores que transitam pela contribuinte que são as suas comissões pelos serviços, são na verdade o pagamento pelos minutos de telefonia utilizada pelos consumidores finais, que no caso são pagos antecipadamente, os quais remuneram não o serviço da impugnante, mas o serviço prestado pelas empresas de telefonia celular. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 6 6 A impugnante no ano de 2005 chegou a lançar no seu balanço patrimonial os referidos cartões, como estoque de terceiros, porque de fato os créditos de ligações não pertenciam ao impugnante, mas às operadoras do serviço de telefonia celular. Prova insofismável de que não há operação de compra e venda de cartões de telefonia celular é o valor do imposto a ser apurado e o resultado apurado na DRE do período, conforme abaixo colacionado.” Transpõe às fls. 90 a citada Demonstração de Resultado do Exercício assinada pela sócia Juliana Márcia Leal e contador. Reclama também contra o que entende ser “efeito confiscatório que o ato de exclusão gera” completando que, “Na prática, o ato de exclusão ocorrerá na perda da propriedade da pessoa jurídica e dos seus sócios”. Conclui que “com efeito o imposto nunca pode levar à perda da propriedade do contribuinte. Registra ainda que: “Esse tipo de conflito de interpretação entre o contribuinte e a autoridade fiscal também ocorreu no caso das agências de publicidades, que administram os recursos das empresas para divulgação e propaganda.” Cita e/ou transcreve decisões administrativas e soluções de consulta. DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Defende que os efeitos da exclusão deverão surtir efeitos a partir do ano calendário de 2006. Registra textualmente: “Conforme comprovam os documentos anexos e valendose dos mesmos argumentos da autoridade tributária, no anocalendário de 2005 a receita bruta da impugnante já ultrapassou o máximo permitido para o enquadramento do simples, totalizando R$ 4.995.554,44(quatro milhões novecentos e noventa e cinco mil quinhentos e cinqüenta e quatro reais e quarenta e quatro centavos). Prova disso é que no mês de dezembro de 2005, a empresa apurou, segundo o critério adotado no ato de exclusão, R$1.549.720,95(um milhão quinhentos e quarenta e nove mil setecentos e vinte reais e noventa e cinco centavos) de receita bruta, o que projetado para o ano inteiro, comprova que já no ano de 2005 a impugnante ultrapassou o limite do simples.” DO LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE DE RECEITAS Argumenta que a autoridade tributária considerou como receita notas de remessa para venda fora do estabelecimento, código CF0P5.904. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 7 7 CONCLUSÃO “Diante do exposto, é a presente impugnação, para que seja reformado o ato de exclusão do simples, anulandoo ou, alternativa e sucessivamente, para reformálo em parte para determinar que seus efeitos se operem a partir do ano calendário de 2006, bem como, excluir do cálculo da receita bruta as notas de código CFOP 5904, assim discriminadas nos demonstrativos anexos e reduzindo a receita bruta apurada para R$6.784.273,98(seis milhões setecentos e oitenta e quatro mil duzentos e setenta e três reais e noventa e oito centavos)”. 2) PROCESSO 10665.001875/201049 Auto de Infração IRPJ e tributos decorrentes Simples Anocalendário 2006 Nesta oportunidade, a impugnante basicamente reproduz os tópicos apresentados na impugnação no processo 10665.001090/201076, fls. 168/196, acrescentando: DA NATUREZA DA ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: “Fato insofismável é que o objeto social da empresa das impugnantes, conforme contrato social, sempre foi a prestação de serviços de telefonia e habilitações de linhas telefônicas do tipo prépagas e póspago” DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Reafirmando os argumentos apresentados na primeira impugnação, complementa: “Nesse caso, considerando se tratar de causa excludente ex oficio do SIMPLES, os efeitos deverão ser a partir de 2005 e o lançamento do ano de 2006 também deverá se dar pelo lucro real, a exemplo do que foi feito com os tributos do ano de 2007. Ademais, o recolhimento pelo lucro real é a regra legal, ao qual se aplica quando não é possível presumir o lucro ou quando o contribuinte não se enquadra em outro sistema de recolhimento de tributos federais”. DO LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE DE RECEITAS Repete o argumento de que o fisco valeuse de notas de mera remessa para venda fora do estabelecimento, código CFOP 5.904 e que este tipo de nota não caracteriza receita. Afirma que: “Tratase de código de operação estadual que não representa circulação de mercadoria, mas apenas remessa e, uma vez que o fisco federal lança mão de documentos e códigos de operações Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 8 8 estaduais, não pode dar a sua interpretação divergente daquela que o ente federativo confere em seus regulamentos.” Apresenta às fls. 186\187 quadro demonstrativo do que entende ter sido saída como simples remessa ,excluindoas e apresenta o valor que entende efetivamente vendido. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA E DA INEXISTÊNCIA DE CRIME DE SONEGAÇÃO “A aplicação da multa qualificada de 150%, assim como, a representação criminal, pela autoridade tributária, decorre do entendimento de que as impugnantes dolosamente ocultaram receitas, agiram em intuito de fraude ou simulação, portanto, em tese praticaram crime de sonegação fiscal. Essa afirmativa da autoridade lançadora é temerária e não prospera. O auto de infração impugnado é fruto da divergência entre o tratamento tributário que as contribuintes conferiam em suas empresas e o entendimento do fisco federal. A contribuinte sempre interpretou suas atividades como serviço, razão pela qual, lançou como receitas apenas a sua comissão. Tanto é verdade que o objetivo social da empresa das impugnantes, conforme contrato social, sempre foi a prestação de serviços de telefonia e habilitações de linhas telefônicas de tipo prépagas e póspago. (...) Desta feita, não há como aplicar ao caso vertente a multa qualificada, uma que absolutamente, não houve dolo ou intuito de fraude ou simulação por parte da contribuinte.” CONCLUSÃO Reafirma os argumentos iniciais, complementando: “Diante do exposto, é a presente impugnação, para que seja revisto o ato de exclusão do simples e o auto de infração, para reconhecer a natureza da atividade prestada pela empresa das contribuintes como sendo prestação de serviço e, conseqüentemente o direito das contribuintes em lançar como receitas apenas as comissões recebidas, anulandoos em sua totalidade, ou, alternativa e sucessivamente, para reformálos em parte para determinar que seus efeitos se operem a partir do anocalendário de 2006 e determinando o recolhimento pelo sistema de lucro real, bem como, excluir do cálculo da receita bruta as notas de código CFOP 5904, afastando, por fim, a aplicação da multa qualificada e da representação fiscal para fins criminais, por ausência de fraude, dolo ou simulação.” 3) PROCESSO10665.001876/201093 Auto de Infração Contribuição Social – IRPJ – Ano Calendário 2007 Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 9 9 Às fls. 83/111 e 124/138 apresentamse cópias das impugnações acima referenciadas. 4) PROCESSO 10665.0019049/201072 Auto de Infração – Demais tributos decorrentes ano calendário de 2007 Às fls. 137/165 e 178/192 também se apresentam cópias das impugnações acima referenciadas. A DRJ decidiu: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. NATUREZA DE ATIVIDADE Constatado que a pessoa jurídica adquire e vende produtos, legítima é a caracterização de sua atividade como comercial de venda de produtos. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando se constata a conduta com o evidente intuito de fugir ao cumprimento legal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006, 2007 Nulidade de lançamento Verificada nos autos a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2006, 2007 Receita Bruta Superior ao Limite Legalmente Estabelecido Evidenciada a subsunção do fato à hipótese legal descrita no ato administrativo de exclusão do SIMPLES, é inadmissível a manutenção no mencionado sistema. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 10 10 OMISSÃO DE RECEITAS. Constatada a omissão de receitas a partir do cotejo entre os valores declarados e os constantes dos livros fiscais é legítimo o lançamento de ofício da receita omitida. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTOS DECORRENTES Tratandose de lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa o procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 25/02/2011 e apresentou recurso em 23/03/2011. Em seu recurso repete os argumentos da impugnação e, especialmente, que não incluía como recita bruta o peço de venda dos cartões, mas apenas as comissões pela disponibilização ao consumidor, por se tratar de uma prestação de serviços e não de um produto e que se aceita a posição da fiscalização sobre suas receitas, suas exclusão do simples teria de ser a partir de 2006, pois em 2005 agiu exatamente da mesma forma que em 2006. Repete o argumento de que o fisco valeuse de notas de mera remessa para venda fora do estabelecimento, código CFOP 5.904 e que este tipo de nota não caracteriza receita. Finalmente repele a aplicação da multa qualificada. . Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 11 11 Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O lançamento foi feito em nome dos sócios responsáveis pela empresa, tendo em vista que, no momento do lançamento, a mesma já estava baixada. Dispõe a Lei Complementar 123: Art. 9o O registro dos atos constitutivos, de suas alterações e extinções (baixas), referentes a empresários e pessoas jurídicas em qualquer órgão envolvido no registro empresarial e na abertura da empresa, dos 3 (três) âmbitos de governo, ocorrerá independentemente da regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas, principais ou acessórias, do empresário, da sociedade, dos sócios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem prejuízo das responsabilidades do empresário, dos sócios ou dos administradores por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato de extinção. § 3º No caso de existência de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas referidas no caput, o titular, o sócio ou o administrador da microempresa e da empresa de pequeno porte que se encontre sem movimento há mais de 12 (doze) meses poderá solicitar a baixa nos registros dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais independentemente do pagamento de débitos tributários, taxas ou multas devidas pelo atraso na entrega das respectivas declarações nesses períodos, observado o disposto nos §§ 4º e 5º. § 4º A baixa referida no § 3º não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados impostos, contribuições e respectivas penalidades, decorrentes da simples falta de recolhimento ou da prática comprovada e apurada em processo administrativo ou judicial de outras irregularidades praticadas pelos empresários, pelas microempresas, pelas empresas de pequeno porte ou por seus titulares, sócios ou administradores. § 5º A solicitação de baixa na hipótese prevista no § 3º deste artigo importa responsabilidade solidária dos titulares, dos sócios e dos administradores do período de ocorrência dos respectivos fatos geradores. Como se pode verificar, o texto legal prevê que é possível a extinção (baixa) da empresa, mesmo com a existência de obrigações tributárias, sendo atribuída responsabilidade ao sócio caso seja solicitada a baixa. Não se reduz o texto à existência de créditos tributários pendentes, o que levaria à necessidade de lançamento ou confissão de dívida, mas à obrigação tributária cujo nascimento depende apenas da ocorrência do fato gerador. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 12 12 Correto , portanto, o procedimento do fisco em trazer como responsáveis tributários os sócios gerentes da empresa na época da ocorrência dos fatos geradores. Quanto ao mérito, não merecem ser acolhidos os argumentos da recorrente. Ao optar pelo tributação pela sistemática do simples, o contribuinte abre mão da possibilidade de subtrair da receita bruta qualquer valor, pois o lucro, conforme se pode deduzir do próprio nome dado à sistemática de apuração, é presumido e no percentual de apuração do lucro estão compreendidos todos os custos e despesas que podem ser deduzidos no caso de apuração pelo lucro real. Se o contribuinte entende que o percentual de presunção determinado pela lei é incompatível com sua atividade, possui a opção de utilizar a sistemática do lucro real e não a de criar um sistema misto, onde após calcular um suposto “lucro” (receita – custo), ainda aplicaria o percentual de presunção do simples. Afirma a decisão recorrida: A Representação Fiscal, fls. 01 e 02, que embasou a emissão do Ato Declaratório Executivo DRV/DIF nº 54, de 09 de agosto de 2010, fls. 79, afirma que: “d) Pela planilha anexa a esta representação, constatamos a ausência de declaração de valores de receita de venda de produtos no ano de 2006, confrontando valores declarados à Receita Federal e os apurados pelas notas fiscais de saídas da empresa, quando a soma das receitas apuradas por esta Auditoria Fiscal ultrapassa o valor limite permitido por lei para que a mesma permanecesse como optante pelo SIMPLES, constatamos tal fato;” A citada planilha encontrase às fls. 04/27, informando a data de emissão da nota fiscal, o mês, o número, a unidade da federação de destino, o valor registrado no livro de saída, o CFOP e o valor real da nota fiscal. Podese verificar que os valores registrados no livro de saídas são efetivamente os mesmos que constam nas notas fiscais. As cópias de notas fiscais, juntadas por amostragem às fls. 71/76, apresentam como natureza da operação “Venda de Mercadoria – código 5102” e “Manifesto – código 5904”. Como “Dados do produto” registram Cartão Celular Card ou Chip Varejo, sendo que no primeiro caso, consignase um desconto. Por oportuno, destaquese que nem todas as notas fiscais registradas no Livro de Saída foram consideradas na elaboração da planilha de fls. 04 a 27 Logo, a primeira constatação é que a impugnante emitia notas fiscais de venda de produto em sua quase totalidade, e algumas de prestação de serviços. Constata se também que religiosamente as registrava no seu Livro de Registro de Saídas, juntado por cópia às fls. 28/64. Desta forma, podese até mesmo afirmar que a impugnante ofereceria ao fisco estadual e/ou municipal a totalidade das suas receitas. Todos os documentos citados encontramse no processo 10665.001090/201076. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 13 13 Mas eis que dois detalhes se afiguram de maneira gigantesca. A impugnante era optante pelo Simples. Assim, a tributação das suas receitas darseia segundo a sistemática de tributação favorecida, em outras palavras, não seriam tributadas separadamente pelo ICMS, ISS, COFINS, PIS, IRPJ, etc. E o tropeço maior: a impugnante deliberadamente oferecia à tributação, é bom que se repita, tributação favorecida, apenas parte de suas receitas. Não se trata portanto de interpretação quanto às atividades da impugnante. Não se trata de existência de alguma dúvida se a impugnante vendia ou intermediava produtos. Ela desempenhava as duas atividades. E ela própria assim os escriturava. Quando era venda, emitia nota fiscal de venda e registrava no livro de saídas, como vendas. Quando era comissão, emitia nota fiscal de serviços e registrava como serviços. Isto foi o que a fiscalização constatou e apresenta como prova. Mas a impugnante termina por dirimir qualquer dúvida que porventura ainda existisse. Apresenta de livre e espontânea vontade os contratos de fls. 123 a 167, do processo 10665.001090/201076. Talvez pretendesse comprovar que já no anocalendário de 2005 adotasse a prática ora detectada e assim tornar vencedora sua tese de exclusão a partir do ano calendário de 2005. Assinalese, de pronto, que esta tese não encontra respaldo, ainda que o argumento da impugnante tenha alguma procedência pois ela realmente deveria ser excluída do SIMPLES já a partir do anocalendário de 2005. Destaco que utilizo a expressão “tem alguma procedência” para assinalar que o procedimento da impugnante logrou algum êxito, uma vez que a fiscalização conseguiu detectar a prática somente em 2006. E tendo constatado o fato no anocalendário de 2006, obviamente não poderia retroceder ao anocalendário de 2005 e excluir a impugnante a partir do anocalendário de 2006. Mas retornando aos contratos. Verificamse dois tipos. Um de serviços e outro de venda de produtos. O contrato de fls. 123/149, estipula: “CLÁUSULA PRIMEIRA DO OBJETO Constitui objeto deste contrato, a comercialização de Produtos e Serviços da TELEMIG CELULAR pelo MASTER CREDENCIADO... CLÁUSULA SEXTA – DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS 6.2 DAS CONDIÇÕES DE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS E/OU SERVIÇOS As condições de comercialização dos produtos oferecidos pela TELEMIG CELULAR serão apresentadas periodicamente em Tabela de Preços emitida pela mesma. O MASTER CREDENCIADO, fará seu pedido de compra de produtos, aparelhos e acessórios da marca TELEMIG CELULAR em formulário oficial ... Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 14 14 A TELEMIG CELULAR processará as solicitações de compra de produtos, de acordo com a ordem de chegada... A TELEMIG CELULAR se reserva o direito de estipular quantidades mínimas e máximas de cada pedido... O MASTER CREDENCIADO se compromete a comercializar os “Kits” de produtos com a marca TELEMIG CELULAR somente nas localidades atendidas pelo prefixo exposto na caixa do referido produto... O contrato de fls. 150/159, estipula: CLÁUSULA PRIMEIRA: DO OBJETO Constitui objeto deste contrato, a comercialização de serviços de ativação em planos PRÉPAGO da TELEMIG CELULAR, pelo CREDENCIADO... CLÁUSULA QUINTA – DA REMUNERAÇÃO 5.1.1. O CREDENCIADO será remunerado, também mensalmente e uma única vez, pela ativação de novo acesso em um dos Planos PRÉ PAGO, realizado pelos pontos de vendas cadastrados, pelo valor de R$4,00 (Quatro reais), obedecidas as condições abaixo.” Por sua vez, o contrato de fls. 161/167, apresenta as seguintes cláusulas: CLÁUSULA 1ª DO OBJETO A comercialização e distribuição dos produtos denominados “Cartão Celular – PréPago (CARTÕES) pela DISTRIBUIDORA para os pontos de venda apresentados por ela e cadastrados junto à TELEMIG CELULAR,( ...). CLÁUSULA 3ª DO VALOR 3.1. As partes ajustam que para todos os efeitos aqui previsto, o valor deste Contrato de Distribuição é de R$2.500.000,00 (Dois milhões e quinhentos mil reais). CLÁUSULA 5ª DA COMPRA DOS CARTÕES 5.1. Os Pedidos de Compra de “CARTÕES” efetuados pela DISTRIBUIDORA, após o se devido cadastramento, serão analisados e atendidos conforme a disponibilidade de “CARTÕES’ existentes nos estoques da TELEMIG CELULAR, observadas as regras contidas nessa cláusula. 5.3 As “margens comerciais” concedidas à DISTRIBUIDORA são estabelecidas única e exclusivamente pela TELEMIG CELULAR e poderão ser revistas e alteradas a qualquer tempo. CLÁUSULA 6ª DA DISPONIBILIZAÇÃO DOS PRODUTOS PARA A DISTRIBUIDORA 6.1. As partes concordam que a TELEMIG CELULAR poderá alterar a forma de disponibilizar para a DISTRIBUIDORA os “CARTÕES’ e/ou produtos comercializados, de acordo com sua necessidades e as quantidades solicitadas. CLÁUSULA 7ª DAS OBRIGAÇÕES DA TELEMIG CELULAR 7.2. Disponibilizar para a DISTRIBUIDORA os produtos Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 15 15 solicitados em um prazo máximo de 96 (noventa e seis) horas após a aprovação do pedido de compra e/ou comprovação de pagamento dos produtos. CLÁUSULA 8ª DAS OBRIGAÇÕES DA DISTRIBUIDORA 8.8. Comercializar os “CARTÕES” adquiridos junto à TELEMIG CELULAR, e assegurar que seu Pontos de Venda o façam nas mesmas características de sua aquisição, sendo vedada qualquer alteração no produto, e respeitando os valores de face apresentados individualmente em cada “CARTÃO.” Como se vê, o último contrato trata indubitavelmente de comercialização de produtos, com uma característica: a fixação de “margens comerciais”. Isto pode significar que a impugnante somente poderia vender o produto segundo o preço fixado pela Telemig. No entanto, esta cláusula não invalida a natureza da operação: compra e venda de cartões. A emissão das notas fiscais e a escrituração efetuada pela impugnante estão em perfeita consonância com os contratos, corroborando integralmente o entendimento fiscal. A impugnante alega ainda que: “Os valores recebidos pela impugnante são depositados nas contas das operadoras tomadoras do serviço, autorizada a retenção da comissão pelo serviço prestado, até porque os créditos vendidos correspondem a minutos de ligação e/ou transmissão de dados pelas operadoras.” No entanto, não apresenta qualquer comprovação de tais depósitos. Em verdade, há de se assinalar que tais comprovantes de depósito poderiam servir para comprovar simplesmente o pagamento da aquisição dos produtos comercializados. Portanto, a apresentação dos comprovantes deveria estar acompanhada dos devidos esclarecimentos. Como se disse, não foi apresentado contudo qualquer comprovante de depósito da impugnante em nome das contratantes. O argumento da impugnante de que “Fato insofismável é que o objeto social da empresa das impugnantes, conforme contrato social, sempre foi a prestação de serviços de telefonia e habilitações de linhas telefônicas do tipo prépagas e póspago” é transcrito, inclusive com o negrito do original, tão somente para que não se argua que alguma contestação não foi apreciada. Naturalmente, não há de se tecer maiores comentários, a não ser lembrar ao impugnante que a realidade se sobrepõe ao registrado no contrato social. E a realidade é que está perfeitamente comprovada a operação de compra e venda. Aceitandose “o fato insofismável” seria suficiente que todas as empresas registrassem no seu contrato social que estariam isentas do pagamento de qualquer tributo. Pela mesma razão, todos os argumentos apresentados no tópico “DA PRIMAZIA DO DIREITO TRIBUTÁRIO” carecem de sustentação. Não há desrespeito a natureza contratual, não há alteração de definição, conteúdo e alcance dos institutos Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 16 16 conceitos e formas do direito privado, como sustenta a impugnante. Constatase de forma inquestionável tão somente que a impugnante desempenha de fato compra e venda de produtos além de prestar serviços aos seus contratantes. A impugnante afirma que: “Ocorre a empresa impugnante sempre deu o mesmo tratamento tributário identificado no ato de exclusão, ou seja, sempre lançou como receita bruta o valor da comissão que lhe é devido, assim o fazendo desde os seus primórdios e até a data do seu encerramento.” Pelo exame do Livro de Registro de Saídas e notas fiscais apresentadas, materializouse exatamente o contrário. Está perfeitamente caracterizado que a impugnante realiza operações de prestação de serviços e compra e venda de produtos e que no ano calendário de 2006 excedeu o limite permitido para a sua permanência no sistema favorecido de tributação. Não se trata, repitase, ainda cansativo, de interpretação sobre a atividade econômica, como que fazer crer a impugnante. Trata se de constatação pura e simples, a mais elementar, que a impugnante realizava suas operações mercantis, de compra e venda de produtos e de prestação de serviços, em um montante significativo e oferecia à tributação parcela insignificante. A constatação é instantânea à vista dos documentos constantes dos autos. Não existe qualquer ilegalidade em determinar o recolhimento dos tributos segundo a tributação favorecida. A legislação determina que, constatado o excesso de receita em determinado anocalendário, a tributação para este ano calendário continuará segundo a mesma modalidade escolhida pelo contribuinte. Logo, como a impugnante escolheu oferecer os valores tributáveis segundo o SIMPLES, a sua tributação para o anocalendário de 2006 não poderá ser pelo lucro real. Se os tivesse oferecido em sua integralidade, conforme consta nos registros do seu livro Registro de Saídas, certamente os presentes autos não existiriam. Quanto à razoabilidade, falece nos competência para manifestar. Da mesma forma, nos exatos termos determinados pela legislação de regência, a autoridade fiscal adotou o lucro real para o anocalendário de 2007. Constatado está, por tudo que se encontra demonstrado, que a autoridade fiscal aplicou a legislação exatamente conforme determinado. A Representação Fiscal de fls.01/02, apresenta às fls. 02, um resumo da planilha detalhada de fls. 04/32. Constatase que a impugnante ofereceu à tributação o valor de R$257.909,29, enquanto emitiu e registrou no livro de saídas o total de R$11.031.075,35. Como amostragem, para os meses de janeiro, junho e outubro de 2006, os valores não oferecidos à tributação são da ordem de R$906.019,13, R$964.980,84 e R$1.494.058,40. Compulsando as fls. 67/70 – Declaração Simples, apresentada pela impugnante, conferese realmente que ela ofereceu à tributação os valores de R$25.425,96, R$ 15.094,55 e Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 17 17 R$26.888,83 para os mesmos períodos. Já no Livro de Registro de Saída, apresentado por cópia às fls.28/64, verificase o registro pela impugnante da emissão de notas fiscais no valor de R$931.118,59 (fls. 32), R$979.925,39 (fls. 52) e R$ 1.520.347,23 (fls. 60), respectivamente. A fiscalização apenas transcreveu os valores deste documento, os comparou com a Declaração Simples apresentada e concluiu, como conclui também este relator, que houve subtração à tributação em todos os meses do anocalendário de 2006. As diferenças entre os valores constantes do livro de registro e os apresentados na tabela de fls. 02 devemse a exclusões procedidas pela fiscalização. Os documentos citados encontramse no processo 10665.001090/201076, reproduzidos os valores no processo 10665.001875/201049, acompanhados dos respectivos documentos. Como se pode observar, o lançamento foi feito com base nos valores escriturados pela recorrente, não havendo divergência de interpretação sobre a natureza da atividade exercida pela recorrente: prestação de serviços e venda de cartões. O que foi constatado é que a recorrente não levou a tributação o total das receitas de vendas, e a recorrente alega que também em relação aos valores computados como vendas, ela atuaria apenas como prestadora de serviços e receberia uma “comissão” sobre as vendas. Também há alegação de que parte das receitas consideradas como vendas seriam referentes a remessas identificadas pelo CFOP 5904 e identificados na contabilidades como manifestos. Como a fiscalização obteve os valores de venda diretamente na contabilidade da recorrente e este colegiado entende que a venda de cartões telefônicos deve compor a receita bruta utilizada como base de cálculo do SIMPLES, resta verificar se as saídas identificadas pelo CFOP 5904 devem ou não compor a receita bruta. Sobre a matéria manifestouse a DRJ: Por outro lado, a impugnante alega que teria havido lançamento em duplicidade pois várias notas fiscais seriam “apenas manifesto de transporte dos cartões para circulação fora do estabelecimento” Para melhor clareza, transcrevese integralmente o tópico “DO LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE DE RECEITAS.”, de fls. 185/188 do processo 10665.001875/201049, que trata do lançamento para o ano calendário 2006 IRPJ e tributos decorrentes. Estes mesmos argumentos e quadros são apresentados nos demais processos. “Ainda considerando a receita apurada pela autoridade tributária, a contribuinte verificou que na composição da receita bruta, a mesma valeuse também de notas de mera remessa para venda fora do estabelecimento, código CFOP 5.904. Esse tipo de nota não caracteriza receita, porque apenas acoberta mercadorias para serem vendidas fora do estabelecimento. Após a venda, é escriturada a nota de saída. Tratase de código de operação estadual que não representa circulação de mercadoria, mas apenas remessa e, uma vez que o fisco federal lança mão de documentos e códigos de operações Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 18 18 estaduais, não pode dar a sua interpretação divergente daquela que o ente federativo confere cem seus regulamentos. Com efeito, várias das notas lançadas para a composição da receita bruta apurada no ato de exclusão, conforme planilha descriminada e documentos anexos, mormente as de CFOP 5.904, ao representam receitas, mas apenas o manifesto de transporte dos cartões para circulação fora do estabelecimento”. Apresenta quadro demonstrativo agregando os valores mês a mês às fls. 186/187 e conclui: “Vale lembrar mais uma vez que em momento algum a autoridade lançadora afirmou que a escrituração da contribuinte é inidônea, ao contrário, para fazer seu lançamento, valeuse dos livros obrigatórios da contribuinte sem presumir valores ou efetivar lançamento de receitas de ofício. Portanto, ainda que subsistente a tese fazendária, não há como considerar receita, operações de circulação interna da empresa documentadas com notas com o código CFOP 5.904” De plano, há de se concluir que, novamente, a impugnante reconhece a procedência da conclusão fiscal, como se pode constatar pelo registro dos dois últimos parágrafos. Realmente, a fiscalização não presumiu qualquer valor. Como já afirmado, cotejou os valores declarados com os valores escriturados e constatou a omissão de receitas. Tudo com base na própria escrituração da impugnante. E também é verdade que a fiscalização não afirma que a escrituração da impugnante seja inidônea. No entanto, isto não significa aceitar que, como de fato aceito não foi, bem como não o é, nesta oportunidade, que a impugnante ofereceu à tributação a plenitude de suas receitas. Enganase, porém, ao afirmar que a fiscalização não efetivou lançamento de receitas de ofício. A fiscalização provou e concluiu que houve omissão de receitas e as lançou de ofício, conforme consta dos respectivos autos de infração. Nas relações acima referenciadas, apresentadas pela impugnante, são retirados todos os valores consignados na relação elaborada pela fiscalização sob o código CFOP 5.904. Tal qual as cópias apresentadas pela fiscalização, as apresentadas pela impugnante algumas registram a natureza de operação “Manifesto”, outras, “venda de mercadorias” e outras “Prest. Serv. Com.”. As que registram “Manifesto” apontam como Destinatário/Remetente a própria impugnante, tendo como endereço o mesmo endereço da impugnante, Praça Rui Barbosa, 300 sala 509, centro, Uberaba. Os transportadores têm como endereço diversas cidades. Considerandose a existência de diversos pontos de venda da impugnante, relacionados no Anexo I, do contrato firmado com a Telemig, poderseia admitir razão à impugnante pelo raciocínio de que estaria simplesmente distribuindo os cartões para os seus representantes. Nesta hipótese, teríamos algumas alternativas, das quais ressaltamos duas. A primeira é que não foram vendidos. Neste caso, haveria Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 19 19 de existir registro na contabilidade da impugnante da devolução dos produtos e sua reentrada nos seus estoques. A outra é que os produtos foram vendidos. Neste caso, haveria de existir a nota fiscal da venda efetiva relacionada à nota fiscal “Manifesto”. Em verdade, em outras palavras, a impugnante afirma estas mesmas situações ao responder à intimação fiscal de fls. 150/151, conforme “Esclarecimentos” de fls.160, do processo.10665.001875/201049. “Em hipótese alguma as remessas (5904) são tratadas como vendas, pois mesmo em uma empresa efetivamente comercial a venda ocorre mediante a emissão de nota fiscal com a natureza da operação: VENDA DE MERCADORIA FORA DO ESTABELECIMENTO, CFOP 5.104 (para operações internas, de mercadorias adquiridas de terceiros). Esta nota fiscal ocorre após a remessa e representa a venda da mercadoria, mesmo porque a venda pode não ocorrer, e a mercadoria retorna para empresa como RETORNO DE REMESSA PARA VENDA FORA DO ESTABELECIMENTO.” No entanto, em que pese a fiscalização terlhe apresentado a relação de todas as notas fiscais, a impugnante, naquela ocasião, não demonstrou a correlação entre as notas fiscais “Manifesto” e as que teriam sido emitidas como vendas. De igual modo, não apresentou comprovação do retorno dos produtos. Em sua impugnação é ainda mais lacônica. Simplesmente afirma que tais notas são “Manifesto”. Quanto ao argumento de que o fisco federal estaria interpretando de maneira divergente o disposto no regulamento estadual, constatase mais uma assertiva da impugnante quando pretende dar às palavras mais força do que a realidade. Demonstrado está que a impugnante deu saída ao seu produto. Não comprovou o seu retorno ou a correspondente nota fiscal de venda. Portanto, não se trata de interpretação divergente mas de simples e visual constatação. Não havendo esta comprovação, só restou à fiscalização, como alternativa não resta a este relator considerar as notas fiscais com a natureza de operação “Manifesto” efetivamente como notas fiscais de venda, ainda que com código de operação inadequado. Sobre o tema, manifestase o recurso: Tais Códigos de operação, é bom que se diga, se referem à operações de ICMS, códigos que a turma julgadora lança mão sem que tenha competência ou mesmo conhecimento. As notas fiscais de venda representam as vendas de chips e aparelhos celulares, nenhuma se refere aos cartões de telefonia celular. Já os manifestos, estes sim foram emitidos para acobertar a circulação dos cartões, mas não representam venda e portanto, não representam receita. 0 Estado de Minas Gerais não cobra ICMS sobre os cartões, porque entende que não é produto, cobra apenas o serviço de telefonia e mesmo assim diretamente das operadoras de telefonia celular. Isso não precisa ser comprovado, porque é uma questão de direito. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 20 20 Firme nesse sentido, basta então constatar que esse tipo de nota (manifesto) não caracteriza receita, porque apenas acoberta mercadorias para circulação fora do estabelecimento. Após fechado o negócio, é escriturada a nota de saída. Todas as saídas estão escrituradas e disso não duvidou o fiscal. E se quisesse glosar as saídas da empresa declaradas no livro, teria que justificar e motivar o ato, o que não fez. Tampouco se pode presumir, como fez a DRJ. Com efeito, várias das notas lançadas para a composição da receita bruta apurada no ato de exclusão, conforme planilha descriminada e documentos anexos, mormente as de CFOP 5.904, não representam receitas, mas apenas o manifesto de transporte dos cartões para circulação fora do estabelecimento. Embora a recorrente venha afirmando que o CFOP 5904 referese a remessas que não configuram vendas e, portanto, não poderiam compor a receita bruta, não esclarece o que foi feito dos produtos que foram objeto destas remessas: converteramse em vendas ou foram devolvidas? Esclareçase que a empresa já estava baixada no momento da ação fiscal. Não sendo plausível outra possibilidade. Desse modo, não tendo esclarecido a recorrente o destino dos bens acobertados pelas notas fiscais cujo CFOP era 5904, correta a conclusão do fisco que trataram se de saídas sujeitas a tributação, independente do tratamento dado a estas saídas pelo fisco estadual. A recorrente teve pelo menos três oportunidades para esclarecer o destino dos citados itens (durante a ação fiscal, na impugnação e no recurso) e, em nenhuma delas trouxe mais do que simples alegações desacompanhadas de provas. Passo a análise da multa qualificada aplicada. Afirma a fiscalização no TVF de fls. 479: O período auditado compreende os anos de 2006 e 2007. 0 contribuinte está sendo tributado em suas receitas com base no SIMPLES para o ano de 2006. Para o ano de 2007, a tributação será com base no Lucro Real. O contribuinte apresentou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — PJSI em 2007, ano calendário 2006, com valores declarados com valores inferiores ao seu faturamento real. 0 contribuinte entregou uma PJSI 2007, ano calendário 2007, de extinção das atividades, também com valores inferiores ao seu faturamento real. Pela constatação de tal fato, a multa a ser aplicada neste Auto de Infração será qualificada nos termos do artigo 44, § 10 da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei no 11.488 de 15 de junho de 2007. A qualificação da multa implicará em lavratura de RFFP — Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal para apuração de indicio de ilícito penal. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 21 21 Já a decisão recorrida afirma: No que diz respeito à aplicação da multa qualificada, o entendimento deste relator não vai de encontro ao da impugnante de que “Essa afirmativa da autoridade lançadora é temerária e não prospera.”. Entendo que não é temerária e deve prosperar, por devidamente amparada na legislação de regência. A impugnante afirma que sempre interpretou suas atividades como serviço, razão pela qual, lançou como receitas apenas a sua comissão. Não é isto que as provas dos autos demonstram. Repitase à exaustão que o procedimento fiscal apenas cotejou os valores lançados na contabilidade e os valores oferecidos à tributação e constatou que, reiterada e deliberadamente, a impugnante oferecia apenas parcela de suas receitas. Se a impugnante entendesse que não vendia produtos, não emitiria notas fiscais de venda e muito menos as registraria em sua contabilidade como vendas. Registrou como vendas e declarou, repito, mês após mês, apenas parte das suas receitas. Não apenas as provas dos autos demonstram este procedimento. Os próprios argumentos da impugnante robustecem o seu consciente entendimento de que realizava vendas, pois argumenta que deveria ser excluída desde 2005 e apresenta relação de notas fiscais de venda daquele anocalendário. Logo, quando não oferecia o total das suas receitas à tributação, não o fazia por entendimento divergente, mas por pura e simples intenção de se furtar às obrigações tributárias. Assim, concluo pela manutenção da aplicação da multa de 150%, conforme consta dos respectivos autos de infração. Por sua vez, afirma a recorrente sobre a qualificação da multa: A aplicação da multa qualificada de 150%, assim como, a representação criminal, pela autoridade tributária, decorre do entendimento de que as impugnantes dolosamente ocultaram receitas, agiram em intuito de fraude ou simulação, portanto, em tese praticaram crime de sonegação fiscal. Essa afirmativa da autoridade lançadora é temerária e não prospera e está carente de fundamentação e motivação, pois ao analisar a escrituração a autoridade tributária não vislumbrou nenhuma fraude ou simulação, nada teve que glosar, mas penas utilizar as informações prestadas pela contribuinte. A contribuinte sempre interpretou suas atividades como serviço, razão pela qual, lançou como receitas apenas a sua comissão. Não se pode presumir a máfé, o dolo, a fraude ou a simulação e nos autos não há qualquer indicio de que a contribuinte tenha se valido destes meios para reduzir sua carga tributária. Se errado o tratamento dado pela contribuinte, ela o fez convicta de que estava agindo no cumprimento da legislação. Tanto é verdade que o objetivo social da empresa das impugnantes, conforme contrato social, sempre foi a prestação de serviços de telefonia e habilitações de linhas telefônicas do tipo prépagas e póspago. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 130200.838 S1C3T2 Fl. 22 22 Diante disso, forçoso é o entendimento de que nunca houve dolo por parte dos impugnantes ao prestarem suas declarações e, ainda que logre vitoriosa a tese da fazenda pública, os impugnantes não poderão sofrer as penas como se fossem sonegadores, tampouco se justifica a representação para fins criminais. Entendo não assistir razão à recorrente. Nos anoscalendários objeto de lançamento (2006 e 2007), a contribuinte agiu no sentido de reduzir o montante do imposto devido e impedir que autoridade fazendária tomasse conhecimento desse fato. Observese que a recorrente declarou como receita o valor de R$ 257.909,29 de receita em 2006 e a fiscalização apurou R$ 11.031.075,35. e, conforme admitido pela própria recorrente, agiu da mesma forma em 2005 e 2007. Ao declarar ao fisco apenas 2,34% da base de cálculo do simples, a recorrente reduziu em mais de 98% o imposto a pagar e isso se agrava pelo fato da sistemática do simples já lhe conceder uma situação bastante favorecida em relação aos demais contribuintes. Diante da conduta reiterada, da dimensão do valor não submetido à tributação e a pouco razoável motivação alegada, não vejo como afastar a qualificação da multa. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10660.004457/2007-58
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL - AUTORIDADE LANÇADORA- DOMICÍLIO FISCAL - Os procedimentos fiscais são válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, (artigo 9o, §2°, do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. Io, da Lei 8.748/93).
RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL - O lançamento relativo à omissão de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita referente a tal atividade.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 - LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00 - No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-000.273
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a base de cálculo relativo aos depósitos bancários ao valor de R$ 9.893,03, bem como limitar a base de cálculo da atividade rural ao percentual de 20%. Declarou-se impedida no julgamento a Conselheira Valeria Pestana Marques (Inc. IV, do art. 42 do RI do CARF).
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL - AUTORIDADE LANÇADORA- DOMICÍLIO FISCAL - Os procedimentos fiscais são válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, (artigo 9o, §2°, do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. Io, da Lei 8.748/93). RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL - O lançamento relativo à omissão de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita referente a tal atividade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 - LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00 - No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997). Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a base de cálculo relativo aos depósitos bancários ao valor de R$ 9.893,03, bem como limitar a base de cálculo da atividade rural ao percentual de 20%. Declarou-se impedida no julgamento a Conselheira Valeria Pestana Marques (Inc. IV, do art. 42 do RI do CARF).
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Numero do processo: 36202.003042/2006-77
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/12/1998 DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.580
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por animidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso.
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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Recurso n° 152.161 Voluntário Acórdão n° 2301-00.580 — 3' Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2009 Matéria Decadência Recorrente TRISTÃO COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR E OUTROS Recorrida DRP/VITÓRIA/ES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/12/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido lif Vistos, relatados e discutidos os presentes auto 4I, ,,i o 4$ tk 1 1 Processo n°36202.003042/2006-77 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.580 Fl. 248 ACORDAM os membros da 3' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por animidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso. 1 • n 4 ‘:re JULIO C :AR 'IEIRA GOMES President- d." • ••GAR SILVA IDAL Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de raes, Edgar Silva Vida! (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bernadete d veira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesat Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n°36202.003042/2006-77 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00380 Fl. 249 Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, na condição de responsável solidária, referente às contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social, empresa e segurados e ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração auferida pelos segurados empregados, apurada por aferição indireta, com base nas notas fiscais/faturas de serviços , executados mediante cessão de mão-de-obra pela empresa Deltra Ro Serviços Gerais Ltda., no período de 01/1997 a 12/1998. Ciência ao sujeito passivo do lançamento em 30/06/2006 (fls. 01) A prestadora Deltra Ro Serviços Gerais Ltda., foi citada por Edital não apresentou defesa. A recorrente impugnou o lançamento; no entanto, o lançamento foi julgado procedente. Inconformada com a decisão, interpôs recurso, alegando, em síntese, além das questões de mérito, a decadência do direito de o fisco realizar o lançamento. A recorrente não efetuou o depósito recursal no valor de 30% do lançamento, beneficiada que foi pela decisão da 4 a Vara da Justiça Federal do Distrito Federal na Ação Ordinária n° 2007.34.00.003498-7, que deferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, reconhecendo o direito à interposição de recurso administrativo sem o o depósito prévio previsto no art. 126 da Lei 8.213/91. o, É o relatório. , II • 3 Processo n° 36202.003042/2006-77 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.580 Fl. 250 Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO do Recurso e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES •DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É COMO voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo oe A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis/ 4 • • Processo n° 36202.003042/2006-77 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.580 Fl. 251 Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n-Q 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1' O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante n°. 08. Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 40 do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 4Q), o que não se tem notícia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Mesmo para aqueles que não concordam com a aplicação do.50, §4°, do CTN, o crédito previdenciário lançado também está atingido pela decadência. n 5 ' , . •Processo n° 36202.003042/2006-77 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.580 Fl. 252 Neste caso, a contribuinte tomou ciência da NFL,13 em 30/06/2006. Logo, em se tratando de tributos cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/1997 a 12/1998, conclui-se que o crédito tributário foi atingido pela decadência. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para provimento do recurso interposto. Sala das Sessões, em 2 de agosto de 2009 E A S LVA IDAL - Relator • 6
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Numero do processo: 15540.000246/2008-15
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
VALORES PAGOS A TÍTULO DE SUPRESSÃO DO INTERVALO DE ALIMENTAÇÃO (INTRAJORNADA). HORAS TRABALHADAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência da contribuição social previdenciária, dada a natureza indenizatória da verba nas horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Ana Maria Bandeira que davam provimento parcial apenas quanto ao auxílio-alimentação. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Ronaldo de Lima Macedo - Relator.
Thiago Taborda Simões - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). VALORES PAGOS A TÍTULO DE SUPRESSÃO DO INTERVALO DE ALIMENTAÇÃO (INTRAJORNADA). HORAS TRABALHADAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência da contribuição social previdenciária, dada a natureza indenizatória da verba nas horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Ana Maria Bandeira que davam provimento parcial apenas quanto ao auxílio-alimentação. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Thiago Taborda Simões. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente. Ronaldo de Lima Macedo - Relator. Thiago Taborda Simões - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
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Recorrente VIAÇÃO NOSSA SENHORA DO AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). VALORES PAGOS A TÍTULO DE SUPRESSÃO DO INTERVALO DE ALIMENTAÇÃO (INTRAJORNADA). HORAS TRABALHADAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência da contribuição social previdenciária, dada a natureza indenizatória da verba nas horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 02 46 /2 00 8- 15 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Ana Maria Bandeira que davam provimento parcial apenas quanto ao auxílioalimentação. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Thiago Taborda Simões. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Thiago Taborda Simões Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (SEST, SENAT, INCRA e SEBRAE), para as competências 01/2003 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 22/31) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregado, já que o sujeito passivo deixou de considerar como fatos geradores das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de indenização de intervalo suprimido e os valores efetivamente suportados pelo mesmo quando do fornecimento de cestas básicas de alimentação. Esse Relatório Fiscal informa que a rubrica "indenização intervalo suprimido" (código 17), constante da folha de pagamento, não estava sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Segundo informação do Departamento de Pessoal da empresa, os valores pagos a título de indenização pela supressão do intervalo alimentar estavam de acordo com a cláusula 2a (segunda) da Convenção Coletiva de Trabalho vigente à época. Todavia, tal rubrica se sujeita a incidência de contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, I da Lei 8.212/1991 e alterações posteriores, bem como não se encontra nas hipóteses de não incidência do § 9° do mesmo dispositivo legal. Além disso, o art. 71, § 4° da CLT dispõe que o pagamento da referida rubrica possui natureza salarial, nos moldes de horaextra. Da mesma forma, constatouse na folha de pagamento a rubrica "cesta básica" (código 71). Tais valores referemse às cestas de alimentos básicos fornecidos aos segurados empregados, de acordo com a Convenção Coletiva do Trabalho. Na folha de pagamento, consta o desconto do segurado equivalente a 20% do valor total da cesta básica. Ocorre que no ano de 2003, o contribuinte não se encontrava inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), logo não se enquadrando na hipótese de não incidência de contribuição previdenciária prevista no art. 28, § 9°, alínea "c" da Lei 8.212/1991. A base de cálculo do presente lançamento encontrase discriminada nas planilhas elaboradas pela fiscalização (fls. 31/363, processo 15540.000248/200804), com a explicitação da forma de cálculo da contribuição apurada (fls. 24/25). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 02/07/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 124/161) – acompanhados de anexos de fls. 162/173 –, alegando, em síntese, que: 1. há nulidade do lançamento por inexistência de motivos, visto que a matéria de fato é materialmente inexistente, pela ausência de fato gerador das contribuições previdenciárias; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 2. ocorreu decadência parcial do direito da Receita Federal do Brasil de constituir os créditos tributários, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. Os fatos geradores ocorridos no período de 01/2003 a 06/2003 encontramse fulminados pela decadência em face da constituição do crédito tributário, com a ciência do contribuinte em 02/07/2008; 3. há inexistência do fato gerador no pagamento de cestas básicas de alimentação, estando a empresa inserida ou não no PAT. Este entendimento encontrase pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ); 4. há inexistência do fato gerador em relação aos valores pagos a título de indenização de intervalo alimentar suprimido, segundo a cláusula 2a (segunda), parágrafo primeiro da Convenção Coletiva do Trabalho. O citado pagamento tem natureza indenizatória, sendo hipótese de exclusão do salário de contribuição, conforme art. 214, § 9°, V, alínea "m", do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O art. 28, I da Lei 8.212/1991 define o conceito de salário de contribuição. Este, considerado como base de cálculo da contribuição social, pode ser decorrente de lei, contrato ou convenção ou acordo coletivo de trabalho. A convenção coletiva tem natureza de norma jurídica, podendo definir as formas de remuneração, logo a rubrica "indenização intervalo suprimido" tem natureza indenizatória, não se inserindo no conceito de remuneração (art. 28, I da Lei 8.212/1991), não integrando o salário de contribuição e, por consequência, não sujeita à contribuição previdenciária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1221.374 da 11a Turma da DRJ/RJO1 (fls. 183/196) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que determinou a retificação dos valores inicialmente apurados em decorrência da constatação da decadência até a competência 06/2003, inclusive, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). A Notificada apresentou recurso (fls. 199/212), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Niterói/RJ informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 225/226). É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DO MÉRITO: A Recorrente argumenta que não há incidência de contribuição previdenciária sobre as horas correspondentes ao intervalo intrajornada (alimentar). Assegura que tais pagamentos têm natureza indenizatória, por força normativa da cláusula 2a (segunda), parágrafo primeiro, da Convenção Coletiva do Trabalho. Não confiro razão a Recorrente, eis que a natureza remuneratória da parcela não é definida pelo seu nome, mas sim em decorrência da sua natureza jurídica. Ficou demonstrado nos autos (Relatório Fiscal, fls. 22/31, e planilhas, fls. 31/363, processo 15540.000248/200804) que os valores decorrentes da “indenização intervalo suprimido” (código 17), constante da folha de pagamento, são correspondentes à supressão do intervalo intrajornada (período fornecido para a alimentação dos segurados). Assim, como o intervalo para alimentação não foi concedido aos segurados empregados, tais valores possuem natureza de salário de contribuição (base de cálculo) para as contribuições sociais lançadas, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Portanto, foi correto o procedimento da Auditoria Fiscal em considerar como salário de contribuição os valores pagos a título de “indenização intervalo suprimido” (código 17), identificados nas folhas de pagamento, uma vez que esses pagamentos não estão abarcados pela regra de isenção prevista no art. 28, § 9°, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Extraise dessa regra que todas as importâncias que se destinem a retribuir o trabalho – que é caso os valores pagos a título de “indenização intervalo suprimido” (código 17 da folha de pagamento), correspondentes ao intervalo intrajornada –, independentemente de sua denominação ou a forma como são pagas, deverão compor a base de cálculo das contribuições sociais apuradas no presente processo, eis que os valores pagos a título desse intervalo correspondem à remuneração oriunda de trabalho extraordinário. Caminha com o mesmo entendimento, o disposto no art. 71, § 4o, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na medida em que a legislação trabalhista é aplicável subsidiariamente à previdenciária, sempre que não conflitante com a mesma. Nesse passo, dispõe textualmente a cabeça do art. 71 e seu § 4o da CLT, in verbis: Art. 71. Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas. (...) § 4°.Quando o intervalo para repouso ou alimentação, previsto neste artigo, não for concedido pelo empregador, este ficará obrigado a remunerar o período correspondente com um acréscimo de no mínimo de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. (g. n.) Nesse mesmo sentido, vejamos decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST) tratando da matéria: “Concessão parcial de intervalo intrajornada – Horas extras. 1°. Combinando o caput com o § 4o do artigo 71 da CLT, a conclusão só pode ser uma. Nos casos em que a jornada de trabalho exceda de seis horas, o empregador está desincumbido da obrigação legal de remunerar como trabalho extraordinário o período de intervalo intrajornada, quando concedido o intervalo mínimo de uma hora para repouso ou alimentação. Usufruído o intervalo de tãosomente 20 minutos, deverá o empregador suportar o ônus de remunerar de forma integral o período do intervalo como trabalho em jornada extraordinária. 2°. Recurso de revista conhecido e desprovido” (TST – 1a T – RR n. 771886/20010 – Rel. Emmanoel Pereira – DJ 17.10.03 – p. 552). (g.n.) ......................................................................................................... “OJ SDI1 N° 342. INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. NÃO CONCESSÃO OU REDUÇÃO. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. VALIDADE. DJ 22.06.04 É inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7°, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva.” ......................................................................................................... Fl. 239DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 5 7 “SÚMULA – 110 – TST. JORNADA DE TRABALHO. INTERVALO (mantida) Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 No regime de revezamento, as horas trabalhadas em seguida ao repouso semanal de 24 horas, com prejuízo do intervalo mínimo de 11 horas consecutivas para descanso entre jornadas, devem ser remuneradas como extraordinárias, inclusive com o respectivo adicional.” Os Enunciados das Orientações Jurisprudenciais (OJ’s) do TST de números 354 e 355 são expressos quanto à natureza salarial dos valores pagos em decorrência da não concessão do intervalo intrajornada e interjornada. Segue texto das OJ´s. “OJ SDI1 – 354. INTERVALO INTRAJORNADA. ART. 71, § 4º, DA CLT. NÃO CONCESSÃO OU REDUÇÃO. NATUREZA JURÍDICA SALARIAL (DJ 14.03.2008) Possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais.” “OJ SDI1 – 355. INTERVALO INTERJORNADAS. INOBSERVÂNCIA. HORAS EXTRAS. PERÍODO PAGO COMO SOBREJORNADA. ART. 66 DA CLT. APLICAÇÃO ANALÓGICA DO § 4º DO ART. 71 DA CLT (DJ 14.03.2008) O desrespeito ao intervalo mínimo interjornadas previsto no art. 66 da CLT acarreta, por analogia, os mesmos efeitos previstos no § 4º do art. 71 da CLT e na Súmula nº 110 do TST, devendo se pagar a integralidade das horas que foram subtraídas do intervalo, acrescidas do respectivo adicional.” Considerando que a verba discutida representa um ganho ao empregado, já que tem nítida repercussão econômica e configura uma hipótese de trabalho extraordinário, concedida com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do art. 28, § 9°, da Lei 8.212/1991, é correta a sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. Ainda cumpre esclarecer que os acordos celebrados entre empresa e seus empregados não têm o condão de afastar o fato gerador da obrigação tributária, tendo em conta que seus efeitos operamse apenas entre as partes envolvidas na esfera civil. Não é vedado que alguém contrate com outrem a responsabilidade particular por determinado tributo. Vale registrar que caso qualquer cláusula do contrato firmado entre as partes determinasse expressamente que os valores pagos a título de indenização (cláusula 2a, parágrafo primeiro, da Convenção Coletiva do Trabalho, fls. 429/453, processo 15540.000248/200804) não representariam um pagamento de vantagem econômica para os segurados empregados, ainda assim tal afirmação seria totalmente inócua e absolutamente ineficaz em face do Fisco, nos termos do art.123 do CTN, que dispõe sobre a inoponibilidade das convenções privadas contra a entidade lançadora do tributo. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Diante disso, pelos mesmos motivos anteriormente expostos e tendo em conta o que dispõe o art. 28 da Lei 8.212/1991 e o seu § 9o, já exaustivamente mencionado, mantémse a exigência oriunda da verba paga a título de “indenização intervalo suprimido” (código 17), constante da folha de pagamento, eis que essa verba decorre da supressão do intervalo intrajornada que deveria ter sido concedido aos segurados empregados. A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que parte dos fatos geradores que ensejaram a presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, assim como a própria alimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal (fls. 22/31) nos seguintes termos: “[...] III.2 DIFERENÇA DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE CESTA BÁSICA (...) Ocorre que no ano de 2003 o contribuinte não se encontrava regularmente inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, condição primeira para a participação do programa. E assim vinha desde 1998... Desta forma, os valores efetivamente pagos e/ou gastos estavam em desacordo com o referido Programa, passando a se considerar como ganhos habituais sob a forma de utilidades e automaticamente a se considerar como salário de contribuição, ou seja, base de cálculo da contribuição social previdenciária. [...]” Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 6 9 § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentaçãoconvênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Fl. 242DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Fl. 243DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 7 11 ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser retirados dos valores apurados no presente processo aqueles oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – constante das folhas de pagamento sob o título “Cesta Básica” (código 71), fornecido aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídos os valores apurados em decorrência da verba paga a título de valealimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Voto Vencedor Conselheiro Thiago Taborda Simões, Redator Designado. Analisando o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, especificamente no que tange à discussão acerca dos valores decorrentes da “indenização intervalo suprimido” (código 17), cognominado de intervalo intrajornada, constante da folha de pagamento, entendo que tais valores não integram a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, pelas razões que passo a expor. Competência para apreciação da matéria Antes da apreciação da matéria fazse necessário enfrentar a possibilidade do próprio conhecimento, à vista da inexistência de jurisprudência pacífica e do aparente questionamento da legalidade de norma positiva. A convicção do julgador no tribunal contencioso administrativo deve obediência à delimitação de competência positivada, considerando os ditames constitucionais e legais. Nesse mister cuidou a Súmula 02 deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A norma indigitada é direcionada ao Conselheiro, e objetiva o não conhecimento de pretensões judicantes que encontram fulcro no questionamento da constitucionalidade ou legalidade de norma posta. Não se trata do caso. O comando determinado na súmula pressupõe a existência de uma norma impositiva de obrigação tributária principal ou acessória. É necessária a tipificação de uma conduta no antecedente normativo implicando a instauração da relação jurídica tributária. Ocorre que a discussão ventilada trata de hipótese de não incidência simples. Não se trata do questionamento da legalidade ou constitucionalidade normativa, mas do reconhecimento de que o evento não reflete o descritor hipotético. Se o fato social não se subsume à hipótese normativa, não se verte em fato jurídico, nem chega a instaurar a relação jurídica tributária, obrigação ou crédito. Nem o Judiciário necessita ser chamado para fulminar a norma individual e concreta e desconstituir o crédito, vez que não foi nascida. Fato é que quando não existe norma que prescreva a incidência tributária sobre o evento determinado, a apreciação da matéria pelo julgador administrativo não é obliterada pela Súmula 02. Isto posto, passo à análise do mérito. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 8 13 Mérito De acordo com o artigo 28 da Lei 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. O dispositivo indigitado prescreve a regramatriz de incidência da contribuição previdenciária patronal. A mensuração do quantum debeatur é determinada pela conjugação de prescrições lógica e cronologicamente concatenadas, que ao final revelam o arquétipo do aspecto quantitativo previsto na norma geral e abstrata instituidora do tributo: a) a primeira parte do dispositivo determina que a base de cálculo é o valor da remuneração auferida, compreendida como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados. b) a segunda determina que apenas os valores destinados a retribuir o trabalho devem ser oferecidos à tributação. O primeiro comando tem espectro mais abrangente que o segundo. Em considerado isoladamente, interpretação que com frequência induz ao erro, representaria a tributação de quaisquer remunerações pagas aos segurados a serviço do empregador. Entretanto, a segunda determinação promove um corte no alcance normativo, prescrevendo expressamente que apenas a remuneração destinada à retribuição da atividade laborativa integra a base de cálculo do tributo. A necessária relação de inerência entre a materialidade do tipo e a base de cálculo impõe a harmonização dos critérios a fim de garantir a integridade normativa. De acordo com as lições de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo afirma, confirma ou infirma a hipótese tributária. Afirma quando elucida. Confirma quando reflete. E infirma quando diverge e sobre a mesma prevalece. “Temos para nós que a base de cálculo é a grandeza instituída na consequência da regramatriz tributária, e que se destina, primordialmente, a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico, para que, combinandose à alíquota, seja determinado o valor da prestação pecuniária. Paralelamente, tem a virtude de confirmar, infirmar ou afirmar o critério material expresso na composição do suposto normativo. A versatilidade categorial Fl. 246DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 desse instrumento jurídico se apresenta em três funções distintas: a) medir as proporções reais do fato; b) compor a específica determinação da dívida; e c) confirmar, infirmar ou afirmar o verdadeiro critério material da descrição contida no antecedente da norma. (...) A grandeza haverá de ser mensuradora adequada da materialidade do evento, constituindose, obrigatoriamente, de uma característica peculiar ao fato jurídico tributário. Eis a base de cálculo, na sua função comparativa, confirmando, infirmando ou afirmando o verdadeiro critério material da hipótese tributária. Confirmando, toda vez que houver perfeita sintonia entre o padrão de medida e o núcleo do fato dimensionado. Infirmando, quando for manifesta a incompatibilidade entre a grandeza eleita e o acontecimento que o legislador declara como a medula da previsão fática. Por fim, afirmando, na eventualidade de ser obscura a formulação legal, prevalecendo, então, como critério material da hipótese, a ação tipo que está sendo avaliada.”1 Tratase no caso em análise da base de cálculo em sua função infirmadora, na medida em que adiciona conteúdo de materialidade ao antecedente normativo, preenchendo o complemento do verbo previsto no descritor. 2 A hipotética dissonância interna não prejudica a apreensão do comando determinado, posição que sigo acompanhado de Alfredo Becker: “O critério de investigação da natureza jurídica do tributo, que se mostrará ser o único verdadeiramente objetivo e jurídico, parte da base de cálculo para chegar ao conceito de tributo. Este só poderá ter uma única base de cálculo.” 3 Não se trata de hipótese de não incidência legalmente qualificada, operada em momento subsequente à determinação da base (isenção), mas da instituição originária dos contornos mensurativos do tipo. A restrição à tomada da remuneração na completude de sua acepção linguística realiza corte intraconceitual que cria a definição legal de quais dinheiros integram a base imponível. Essa base é necessariamente composta pela relação binária indigitada. Passo a analisar o conteúdo semântico dos termos empregados. O direito tributário é sobrelinguagem ou linguagem de sobrenível4, buscando o conteúdo de seus termos em outros tipos de linguagens, positivadas ou não. Essa proposição foi normativamente introduzida pelo art. 123 do Código Tributário Nacional: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 20ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 363/364 2 Considerando a análise da acepção lógica da estrutura vazia da materialidade [verbo + complemento]. 3 Teoria Geral do Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, p. 339. 4 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 3ª Edição. São Paulo: Noeses, 2009. p. 190/192. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 9 15 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. O conceito de remuneração é buscado da legislação trabalhista. Conforme art. 457 da CLT: Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Grifo nosso) Assim, ainda que a referência à necessidade de contraprestação não fosse veiculada pelo art. 28 da lei 8.212/91, sua observância é imperativa também por força do conceito trabalhista de remuneração. A dupla prescrição pode derivar de falha técnica legislativa. Prefiro entendêla como reforço a uma forte vontade do legislativo no sentido da realização do Valor vetorizado na norma, qual seja, o primado do trabalho. Reduzindo a proposição prescritiva à sua estrutura mínima de conteúdo semântico, é forçoso entender que: Dessa forma, independente do que se entenda por salário, o mesmo só integrará o conceito de remuneração se e somente se for pago em contraprestação pelo trabalho. A única exceção a essa regra são as gorjetas recebidas. 5 Tornase seguro afirmar que remuneração é qualquer valor pago ao segurado, desde que em contraprestação pelo trabalho. Resta determinar o conceito de contraprestação pelo trabalho. A contraprestação deriva da relação direta entre a paga e o exercício efetivo da atividade laborativa. Não ocorre de maneira genérica, mediata, mas específica e imediata. A presença do elemento trabalho é condição necessária para o nascimento da obrigação tributária. Todo exercício de competência tributária por via da criação de norma geral e abstrata tem um sentido positivo e um negativo6. O sentido positivo concede ao Sujeito Ativo 5 Considerando as grandezas proporcionais envolvidas na relação jurídica tributária de custeio da Seguridade Social, desconsideramos a gorjeta com vistas a fundamentar um arquétipo normativo que permita a análise do caso concreto. 6 Derivação das lições de Amílcar de Araújo Falcão. Direito Tributário Brasileiro. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 da Relação Jurídica Tributária um poderdever de exigir o tributo exatamente pelos contornos normativamente traçados (princípio da tipicidade cerrada). Já o sentido negativo proíbe a invasão do patrimônio do contribuinte fora desses contornos, sob pena de ofensa à legalidade, representando de outra mão um direito do contribuinte. Acerca da legalidade e de da estrita legalidade, ensina Roque Antonio Carrazza: “O tipo tributário (descrição material da exação) há de ser um conceito fechado, seguro, exato, rígido, preciso e reforçador da segurança jurídica. A lei deve, portanto, estruturálo em numerus clausus; ou, se preferirmos, há de ser uma lei qualificadora ou Lex stricta. Em síntese, tudo o que é importante em matéria tributária deve passar necessariamente pela lei da pessoa política competente. (...) Como se viu, todos os elementos essenciais do tributo devem ser erigidos abastratamente pela lei, para que se considerem cumpridas as exigências do princípio da legalidade. Convém lembrar que são “elementos essenciais” do tributo os que, de algum modo, influem no na e no quantum da obrigação tributária. (...) Deve, pois, a base de cálculo harmonizarse com a hiótese de incidência do tributo. É que, como é sabido e consabido, o que distingue um tributo do outro é seu binômio hipótese de incidência/base de cálculo. (...) a manipulação da base de cálculo pelo Fisco, acaba fatalmente alterando sua regramatriz constitucional, deixando o contribuinte sob o guante da insegurança.” 7 Isso significa que o contribuinte tem o direito de não ser tributado sobre a remuneração que não depende do exercício do trabalho para sua fruição (inexistência de contraprestação). Hipótese contrária significa o alargamento da base de cálculo legal para alcançar valores fora da materialidade normativa. Nesse conceito incluemse as verbas de caráter indenizatório, argumento frequentemente empregado sobretudo na jurisprudência para qualificar a incidência tributária das contribuições sociais. O caráter, indenizatório, entretanto, não é o qualificativo primário da exclusão da incidência, nem constitui isenção. O caráter de não contraprestação da verba é que determina a não incidência, do qual a natureza indenizatória é subgrupo. A lógica de classes permite dizer que a inexistência de contraprestação é gênero do qual a verba indenizatória é espécie. Dessa forma, todas as verbas indenizatórias demandam a inexistência de contraprestação pelo trabalho, mas nem todas as verbas pagas sem contraprestação pelo trabalho são indenizatórias. E todas as duas categorias situamse no campo da não incidência. 7 Curso de Direito Constitucional Tributário. Saraiva. 2006. p. 249252. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 10 17 É o caso, por exemplo, dos valores pagos por mera liberalidade do empregador (abonos desvinculados de salário), que nada indenizam, mas não derivam do exercício do trabalho. Remuneração para o trabalho e pelo trabalho Um dos mecanismos para segregação das verbas que pertencem à base de cálculo das contribuições sociais reside na diferenciação entre os conceitos de remuneração pelo trabalho para o trabalho, que, embora próximos, não se confundem. Enquanto que o primeiro é o objetivo almejado pelo prestador de serviços na relação de emprego, o segundo consubstancia os meios e instrumentos necessários à realização do objeto principal. A origem da palavra salário remonta ao latim salarium, derivado de salis – sal, pela freqüência com que os legionários o recebiam como soldo. Essa paga, entretanto, não se confunde com salário in natura, pois era usado como moeda na Roma antiga. O sal era remuneração por contraprestação pelo trabalho. Já os elmos, gládios, armaduras e sandálias representavam remuneração para o desempenho da função. Hoje, os valores despendidos com vestimentas de uso obrigatório, transporte, alimentação, etc, não são o objeto nuclear do contrato do contrato de trabalho, nem o retribuem. São acessórios em relação ao objeto principal, razão esta pela qual o negócio jurídico foi firmado. O conceito de remuneração alberga os valores pagos pelo empregador como contraprestação pelo trabalho realizado. O exercício do trabalho, entretanto, é fato central em torno do qual orbitam outras relações apêndices, necessárias à manutenção das estruturas sociais que sustentam o sistema escolhido pela sociedade de contexto como o mais adequado à persecução de seus fins. O contínuo processo de racionalização e burocratização das estruturas produtivas tem como resultado, por exemplo, a normatização protecionista do empregado no que tange às condições ambientais do trabalho, à privatização de parcela da proteção social assistencialista (cujo ônus entregase aos empregadores) e a necessidade de investimentos no bemestar social genérico dos empregados, do que são reflexos as obrigações pactuadas nos instrumentos coletivos de trabalho. Nesse contexto, o custeio do transporte do empregado entre sua residência e o local de trabalho, o fornecimento de uniformes, equipamentos de proteção, as diárias de viagens, os reembolsos de despesas, entre outros, são investimentos necessários por força de lei ou instrumentos particulares. Esses investimentos têm como objetivo a proteção do empregado. Entretanto, tais dispêndios não se enquadram no conceito de remuneração tal como o prescrito pela norma instituidora da contribuição patronal. Assim porque tais valores não consubstanciam contraprestação pelo trabalho realizado, mas fornecem as condições necessárias ao desempenho da função. Nesse contexto a remuneração é chamada para o trabalho. Com efeito, o acréscimo patrimonial auferido pelo empregado cedente de serviços em prol do empregador deve ser líquido dos ônus necessários à sua prestação em Fl. 250DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 decorrência da normatização a que se sujeitam as partes. Por contrário, seu ganho seria dilapidado pelas despesas inerentes à persecução do objeto da relação jurídica por condições metacontratuais, quais sejam, as obrigações de proteção. Assim, a remuneração para o trabalho é ônus a ser suportado para auferimento da remuneração pelo trabalho, este o efetivo direito do empregado por decorrência do contrato laboral. Tributar a remuneração para o trabalho implica no desvio da intentio legis, afetando parcelas supostamente remuneratórias que não guardam relação de identidade com o conteúdo material da hipótese normativa. Extrapolao. Ultrapassa os contornos do campo de incidência para afetar eventos que não refletem o descritor normativo, fazendo tabula rasa do princípio da legalidade. De acordo com o magistério de Maurício Godinho Delgado8: “Não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido pelo empregador ao empregado como meio de tornar viável a própria prestação de serviços. (...). Também não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido como meio de aperfeiçoar a prestação de serviços. (...)” A questão é matéria da Súmula 367 do Tribunal Superior do Trabalho: UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOjs da SBDI1 nºs 131 inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e 246 inserida em 20.06.2001) II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. (exOJ nº 24 da SBDI1 inserida em 29.03.1996) (TST. Súmula 367) Enfim, sempre que a atividade desempenhada tiver natureza instrumental, servindo de meio para a efetiva prestação de serviços (objeto principal do contrato de trabalho), os valores recebidos não refletirão o conceito de remuneração legalmente qualificada para fins de incidência das contribuições sociais previdenciárias. 8 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 8ª Edição. São Paulo: LTR, 2009, p. 671. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 11 19 Isenção Isenção é hipótese de não incidência legalmente qualificada. A norma isentiva atinge a regramatriz de incidência, prejudicando sua integridade sistêmica e negando lhe o vigor. A norma tributária portanto, nem chega a incidir, pois carente da completude imposta pela tipicidade cerrada. De acordo com Paulo de Barros Carvalho, “a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da normapadrão de incidência multilandoos, parcialmente” 9. Acompanha esta posição Roque Antonio Carrazza: “Isenção é uma limitação legal do âmbito de validade da norma jurídica tributária, que impede que o tributo nasça ou faz com que surja de modo mitigado (isenção parcial). Ou, se preferirmos, é a nova configuração que a lei dá à norma jurídica tributária, que passa a ter seu âmbito de abrangência restringido, impedindo, assim, que o tributo nasça in concreto.” 10 Isenção, portanto, é norma de estrutura que impede o nascimento da obrigação tributária na hipótese vinculada. Verificando o espectro da norma de isenção, positivado na Lei 8.212/1991: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28.” “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias: 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário.” A interpretação sistêmica dos dispositivos transcritos identifica norma que afeta o critério quantitativo da regramatriz de incidência da contribuição previdenciária patronal, para excluir da base de cálculo: a) os ganhos eventuais; e b) os abonos expressamente desvinculados de salário. 9 Curso de Direito Tributário, p. 33. 10 Curso de DT. P. 829. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 A obliteração da incidência sobre os ganhos eventuais é isenção parcial na acepção técnica do termo. Sua dinâmica impede a incidência tributária sobre os valores pagos aos empregados e trabalhadores avulsos sem habitualidade, termo este também não definido pelo direito11. Disso derivase que as verbas pagas de maneira eventual devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição previdenciária patronal. Já a isenção dos abonos desvinculados de salário é norma vazia, pois pretende afetar hipótese de não incidência. Tais verbas, justamente por serem desvinculadas do salário, carecem do elemento contraprestação, resultando no nãoser jurídico tributário12. Novamente, revelase a preocupação do legislador ao reiterar a pretensão de salvaguardar esta materialidade da incidência tributária. Em homenagem à boa hermenêutica, frisase que a norma de isenção é a constante no Art. 22, § 2º. A referência ao Art. 28, “e”, “7”, não demanda uma conjugação de normas, mas de norma com suporte físico (texto positivo). A primeira “toma de empréstimo” o conteúdo meramente linguístico da segunda para completarlhe o sentido, da mesma maneira como se transcrevesse no § 2º os grafemas contidos no item “7”. Essa observação é necessária para corroborar outra proposição: a de que a base de cálculo da contribuição patronal não se identifica com o salário de contribuição (base de cálculo das contribuições dos empregados e trabalhadores avulsos). O comando prescrito pela norma que positiva a instituição do tributo esgota se em si mesmo. Com isso queremos dizer que a norma geral e abstrata de tributação, bem como os contornos do seu conteúdo pecuniário potencial, estão encerrados na previsão hipotética legal, e podem ser conhecidos pela análise do binômio materialidade/base de cálculo. Incide novamente o princípio tributário da tipicidade cerrada ou numerus clausus, de acordo com o qual todos os elementos (critérios) determinantes da incidência devem constar pormenorizados no corpo do diploma normativo introdutor. Esses critérios determinam a condição necessária e suficiente para instaurar o liame jurídico obrigacional entre Sujeito Ativo (União) e Sujeito Passivo (contribuinte), cujo objeto é a obrigação tributária, devendo ser mensurado de acordo com a relação de refiribilidade materialidade/base de cálculo. Essa mensuração, portanto, esgotase no veículo introdutor (Art. 22), sendo descabido colher de suporte alheio (Art. 28) elementos supostamente capazes de mensurar o conteúdo financeiro do tipo. Assim sendo, concluo que: 11 A identificação do conteúdo semântico dos grafemas “ganhos eventuais” demanda verticalização da matéria, o que abstenhome de realizar à vista na inaplicação ao caso concreto. 12 A nãoincidência é simplesmente a explicação de uma situação que ontologicamente nunca esteve dentro da hipótese de incidência possível do tributo. Deveras, não há incidência quando ocorre um fato tributariamente irrelevante, isto é, que não se ajusta (subsume) a nenhuma hipótese de incidência tributária. (...) Fica claro, desse modo, que, enquanto a isenção depende de lei (lato sensu) para validamente surgir, a não incidência decorre da própria natureza das coisas, podendo – e devendo – ser deduzida por mero labor exegético. Ou, se preferirmos, enquanto a isenção deriva da lei, a nãoincidência deriva da falta de lei (em alguns casos) ou da impossibilidade jurídica de tributarse certos fatos, em face de a regramatriz constitucional do tributo a eles não se ajustar. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 12 21 Base de cálculo da contribuição social previdenciária Patronal Segurados e trabalhadores avulsos Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Da aparente identidade entre os conceitos decorre a imprecisão técnica de considerar os itens “a” a “x” do § 9º do Art. 28 como as únicas hipóteses de exclusão de valores da base de cálculo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 13 23 o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A lógica proposicional determina, pelo princípio da identidade, que “uma cosa es uma cosa, y outra cosa es outra cosa” 13. A proposição é terminativa, ou seja, dizer que uma coisa é uma coisa não implica dizer que outra coisa também é, ou não é. Com isso, concluo que a lista prevista nos itens “a” a “x” do artigo 28 não é taxativa da não incidência, qualificada ou não. Os valores pagos sem contraprestação também delimitam os contornos do aspecto quantitativo da norma. Resumo no seguinte quadro sinótico: Isto posto, temos a regramatriz de incidência da contribuição social previdenciária patronal: 13 ECHAVE, Delia Teresa; URQUIJO, María Eugenia; GUIBOURG, Ricardo A.. Lógica, proposición y norma. Editora Astrea: Buenos Aires, 2008. p. 83. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000246/200815 Acórdão n.º 2402003.001 S2C4T2 Fl. 14 25 Critério Material Pagar remuneração (salário em contraprestação pelo trabalho) e gorjetas, com habitualidade Critério Espacial Antecedente Território Nacional Critério Temporal Momento do pagamento Sujeito Ativo União Critério Pessoal Sujeito Passivo Empregador, empresa ou entidade equiparada Consequente Base de Cálculo Remuneração habitual e gorjetas Critério Quantitativo Alíquota 20% Colocadas essas premissas, passo à análise do caso concreto. A matéria objeto de divergência resumese à tributação dos valores pagos a título da rubrica “indenização intervalo suprimido”. O dispositivo legal prescritor da imposição é o artigo 71 da CLT: Art. 71. Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas. (...) § 4°.Quando o intervalo para repouso ou alimentação, previsto neste artigo, não for concedido pelo empregador, este ficará obrigado a remunerar o período correspondente com um acréscimo de no mínimo de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. (g. n.) O caput do dispositivo é prescritor de direito trabalhista, consistente na concessão pelo empregador de intervalo de repouso ou alimentação considerado entre lapsos temporais determinados. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 O § 4°é norma sancionatória, cujo antecedente é o descumprimento da obrigação prescrita na endonorma. O conteúdo da sanção é pecuniário, consistente no pagamento do valor pactuado no contrato de trabalho adicionado de 50%. Tratase de clara hipótese de supressão de direito trabalhista, que no direito brasileiro, é reparado pelo pagamento de indenização. As verbas de caráter indenizatório carecem do elemento contraprestação pelo trabalho e são hipóteses de não incidência por via das contribuições sociais previdenciárias. Quanto aos demais pontos abordados pelo ilustre Relator, no que não colidem com a motivação supramencionada, aliome às suas razões de decidir. Ante todo o exposto, CONHEÇO do recurso a ele DOU PROVIMENTO. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11330.000345/2007-22
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/03/2007
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2803-002.088
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão de sua intempestividade.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão de sua intempestividade. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
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E SERVIÇOS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/03/2007 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão de sua intempestividade. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 03 45 /2 00 7- 22 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11330.000345/200722 Acórdão n.º 2803002.088 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11330.000345/200722 Acórdão n.º 2803002.088 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, conforme relatório fiscal da infração, que transcrevo. A empresa TIME COOP COOPERATIVA DE SOLUÇÕES E TRABALHO, DOS PROFISSIONAIS ADMINISTRATIVOS E SERVIÇOS GERAIS LTDA apresenta escrituração contábil que omite as transações de prestação de serviço prestadas às empresas CONFIANCA RIO COMERCIO E DISTRIBUICAO LTDA, CNP): 02.514.017/000192, MR MUSIC COMERCIO E LOCACAO LTDA, CNPJ: 01.296.426/000105 e COMPROV COMÉRCIO DE PROPAGANDA VIRTUAIS E VISUAIS LTDA, CNN: 03.933.982/000162 para as quais não houve emissão de Notas Fiscais de serviço, mas foram confeccionadas as GFIP e GPS. A escrituração contábil omite as remunerações efetuadas aos cooperados e que por lapso foram informadas na RAIS ano base2003. As situações descritas anteriormente materializam infração à Lei n 8.212, de 24.07.91, art. 33, §§20 e 30 , combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da. Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n 3.048, de 06.05.99. O r. acórdão – fls 188 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Se aplica no presente caso nulidade do auto de infração, porque a atuação não atendeu a regra de lançamento de débitos previdenciários, prevista na Portaria MPS 520 de 19/05/04. · No presente caso não houve por parte da instituição Recorrida o cumprimento da regra de apresentação da MPF prevista no artigo 28 da Instrução Normativa 70 de 10 de maio de 2002 e artigo 32 da MPS 520. · Requer o provimento de recurso interposto, decidindo pela total improcedência do auto de infração NFLD 37.013.0863 de 04/10/2006. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11330.000345/200722 Acórdão n.º 2803002.088 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA INTEMPESTIVIDADE RECURSAL A tempestividade é requisito objetivo necessário para a própria legitimidade do recurso apresentado, uma vez que a impugnação intempestivamente oferecida configura ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo – CPC art. 267, IV. O prazo para a manifestação recursal é peremptório, vencido este, não há mais que se falar em demanda existente. Às fls 208, temos o AR comunicando da decisão de primeiro grau, com data de 26.03.2008. Às fls 210 temos o recurso interposto, com o carimbo do protocolo indicando 06.05.2008, portanto além da data limite, 25.04.2008. Às fls 302 ofício da DRFNova Iguaçu informa a intempestividade do recurso. Fica assim demonstrada a intempestividade do recurso apresentado, uma vez que vencido o trintídio legal, nos termos do art. 33 do decreto 70.235/72. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do presente recurso. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11330.000345/200722 Acórdão n.º 2803002.088 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10670.720018/2007-77
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRERROGATIVA DA AUTORIDADE FISCAL DE VERIFICAR O VALOR CORRETO.
O crédito a ser utilizado não surge do valor informado no pedido de compensação, mas sim da apuração feita na DIPJ. Não será pelo fato do sujeito passivo, por erro material ou não, informar no pedido de compensação valor diverso daquele apurado na DIPJ que haverá de prevalecer o que foi informado como sendo saldo original.
A autoridade fiscal tem a prerrogativa de confrontar o valor informado na DIPJ e o especificado no pedido de compensação e, constatando erro, ADOTAR OS procedimentos para que o crédito utilizado na compensação não seja maior e nem menor daquele a que o sujeito passivo tem direito.
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. MEIO DE PROVA. COMPENSAÇÃO.
À luz do § 2º, II, do art. 16, da Lei n° 9.430, de 1996, a prova do imposto pago no exterior pode ser feita por meio da apresentação de documento de arrecadação. Todavia, produz o mesmo efeito do documento de arrecadação a prova da entrega da declaração de pessoa jurídica no exterior indicando o imposto apurado, o valor das retenções, o valor das antecipações e o montante de saldo anterior utilizado no pagamento do tributo.
Da mesma forma que, no Brasil, o imposto de renda retido na fonte; o recolhimento das estimativas e a utilização de saldo negativo de período anterior se constituem em meio de pagamento do tributo devido, apurando-se o saldo remanescente, tal regra também se aplica aos tributos pagos na Argentina, cuja declaração entregue pela pessoa jurídica apontando o imposto apurado, os valores das retenções, das antecipações e o montante de saldo anterior utilizado no pagamento do tributo constitui-se em prova de pagamento.
O fato de não haver homologação formal, como de regra também não há no Brasil, não se constitui em óbice para reconhecer o pagamento do tributo pago por compensação. Ademais, no caso dos autos o julgamento foi convertido em diligência por meio da qual as autoridades fiscais argentinas comprovaram as informações prestadas pela contribuinte em sua DIPJ.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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DIFERENÇA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRERROGATIVA DA AUTORIDADE FISCAL DE VERIFICAR O VALOR CORRETO. O crédito a ser utilizado não surge do valor informado no pedido de compensação, mas sim da apuração feita na DIPJ. Não será pelo fato do sujeito passivo, por erro material ou não, informar no pedido de compensação valor diverso daquele apurado na DIPJ que haverá de prevalecer o que foi informado como sendo saldo original. A autoridade fiscal tem a prerrogativa de confrontar o valor informado na DIPJ e o especificado no pedido de compensação e, constatando erro, ADOTAR OS procedimentos para que o crédito utilizado na compensação não seja maior e nem menor daquele a que o sujeito passivo tem direito. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. MEIO DE PROVA. COMPENSAÇÃO. À luz do § 2º, II, do art. 16, da Lei n° 9.430, de 1996, a prova do imposto pago no exterior pode ser feita por meio da apresentação de documento de arrecadação. Todavia, produz o mesmo efeito do documento de arrecadação a prova da entrega da declaração de pessoa jurídica no exterior indicando o imposto apurado, o valor das retenções, o valor das antecipações e o montante de saldo anterior utilizado no pagamento do tributo. Da mesma forma que, no Brasil, o imposto de renda retido na fonte; o recolhimento das estimativas e a utilização de saldo negativo de período anterior se constituem em meio de pagamento do tributo devido, apurandose o saldo remanescente, tal regra também se aplica aos tributos pagos na Argentina, cuja declaração entregue pela pessoa jurídica apontando o imposto apurado, os valores das retenções, das antecipações e o montante de saldo anterior utilizado no pagamento do tributo constituise em prova de pagamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 18 /2 00 7- 77 Fl. 669DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Acórdão n.º 1402001.314 S1C4T2 Fl. 0 2 O fato de não haver homologação formal, como de regra também não há no Brasil, não se constitui em óbice para reconhecer o pagamento do tributo pago por compensação. Ademais, no caso dos autos o julgamento foi convertido em diligência por meio da qual as autoridades fiscais argentinas comprovaram as informações prestadas pela contribuinte em sua DIPJ. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório MAGNESITA SA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Este processo, que tem por objeto apenas a compensação da CSLL, já esteve em pauta na sessão de 1° de julho de 2011, ocasião em que o Colegiado deliberou em converter o julgamento em diligência para que fosse realizado os atos necessários, ainda que por meio do adido fiscal na Argentina, para que as autoridades daquele país certificassem se houve homologação da declaração de fls. 117 e, caso inexistindo, se houve exigência imputando à contribuinte infração pela inexistência das retenções, antecipações e saldo negativo informados na declaração de fls. 117. A resposta da diligência consta das fls. 649 e seguintes, tendo a autoridade fiscal de origem, com base nas informações prestadas pelas autoridades Argentinas, feito as seguintes observações que constam da fl. 661: Fl. 670DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Acórdão n.º 1402001.314 S1C4T2 Fl. 0 3 Em resposta ao pedido de informações do Brasil, formulado no Oficio RFB/Suari/Corin n° 59/2012, de 6 de março de 2012, para instruir fiscalização da empresa MAGNESITA REFRATÁRIOS S/A, CNPJ 08.684.574/000165, a administração tributária da Argentina enviou oficio datado de 28 de março de 2012, contendo as seguintes informações e documentos: 2. A empresa REFRACTÁRIOS ARGENTINOS S.A.I.C.M. apresentou declaração juramentada de Imposto de Renda referente ao ano 2000 no dia 7 de maio de 2001. Tal declaração não foi objeto de retificação posterior, sendo válida até o presente momento. 3. 0 imposto determinado de fonte argentina foi compensado através das retenções/recebimentos e antecipações efetuadas durante o ano 2000, restando um saldo de $21.804,96 (vinte e um mil oitocentos e quatro pesos e noventa e seis centavos) a favor do contribuinte1. 4. A legislação argentina em matéria de conservação de documentos estabelece que os contribuintes devem manter os comprovantes e documentos por um prazo de cinco anos após a prescrição do período fiscal a que se refiram. 5. Em anexo, encontramse a lista de declarações juramentadas apresentadas, dados referenciais destas e o formulário 713 da declaração juramentada de Imposto de Renda, com seus respectivos anexos. Intimada sobre o resultado da diligência, à fl. 667 a contribuinte falou nos autos destacando que a manifestação da autoridade Argentina corresponde aos exatos termos em que consta da fl. 117, com os mesmos valores de retenções, antecipações, saldos e imposto pago. E sobre a referida declaração, a autoridade se manifesta que a declaração não sofreu retificação, permanecendo tal como prestada, e que o imposto do ano foi pago. Em síntese, segundo consta do item 3.1 da fl. fl. 233 e do quanto foi requerido no item 4 da fl. 238, o objeto da controvérsia constante do recurso cingese a dois pontos, quais sejam: a) a possibilidade de se atender, no decorrer do processo, pedido de retificação da declaração de compensação por ter a contribuinte, quando do preenchimento do PER/DCOMP de fl. 02, registrado saldo negativo de IRPJ e de CSLL, no ano de 2002, respectivamente, os valores de no valor de R$ 3.424.039,06 e R$ 1.721.123.30, quando os valores corretos, segundo DIPJ, eram de R$ 3.567.211.82 e R$ 1.766.382,83. b) compensação do imposto de renda retido na Argentina. É o relatório. 1 Quanto ao fato de que os valores acima especificados, na data da conversão, equivalem a R$ 65.940,84 não há controvérsia. Por tal razão não me ative à conferência da conversão da moeda. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Acórdão n.º 1402001.314 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Inicialmente, quando à diferença da CSLL em relação ao mês de abril de 2002 tenho que a matéria não é objeto de recurso, eis que decidida em favor da recorrente, conforme os seguintes fundamentos que transcrevo do acórdão recorrido: "2 – Saldo negativo de CSLL 2.1 – Crédito do processo 10670.000372/9451 (mês de abril/2002) Consoante a observação aposta na Tabela 1 dos “Procedimentos Básicos”, à fl. 139, para quitar a CSLL por estimativa no mês de abril/2002 a contribuinte compensou um alegado crédito de CSLL no valor de R$ 74.507,44, o qual foi objeto do processo n.º 10670.000372/9451. Desse valor, a DRF de origem só considerou a quantia de R$ 35.314,76, uma vez que esta foi a parcela convertida em renda em favor da União. A parcela restante, de R$ 39.192,68, foi levantada pela impetrante (contribuinte) no Mandado de Segurança nº 94.00087047. Tais valores constam dos “Demonstrativos dos depósitos judiciais da CSLL a serem convertidos em renda da União”, cuja cópia retirada do processo administrativo supracitado consta da fl. 95 destes autos. Especificamente quanto a esse item, a contribuinte, em resumo, argumentou o seguinte: A interpretação do zeloso fiscal é parcialmente acertada somente na medida em que os valores não foram, e não deveriam ter sido, convertidas em renda da União, uma vez que a decisão judicial determina que parte do crédito (a exigida pela fiscalização) é do contribuinte. Salientese que ao exigir que o contribuinte pague pela parte não convertida em renda (novamente), o fisco estará descumprindo uma decisão judicial transitada em julgado. Conforme demonstrado nos autos do processo de Mandado de Segurança nº 94.00087047, [...], os valores depositados judicialmente [...] deverão ser segregados em convertidos em renda da União e a serem levantados pela impetrante, o qual utilizou para compensação dos débitos acima. De fato, em sua DCTF a contribuinte vinculou a compensação do crédito alegado no valor de R$ 74.507,44, oriundo do Mandado de Segurança nº 94.00087047, para fins de quitação de parte da estimativa de CSLL, mês de abril/2002 (fls. 83/84). Esse valor foi objeto de depósito judicial, sendo que foi decidido no Judiciário que a contribuinte tinha o direito de levantar a parcela de R$ 39.192,68, ou seja, foi reconhecido o direito creditório sobre Fl. 672DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Acórdão n.º 1402001.314 S1C4T2 Fl. 0 5 essa parcela. Daí, infiro que está correta a compensação vinculada no que tange a essa parcela. Assim, também deve ser considerado o valor de R$ 39.192,68, a título de CSLL paga por estimativa (Linha 17/38), no cálculo da apuração anual da CSLL (Linha 17/42). Entretanto, a DRF de origem reputou como estimativa paga somente a parcela de R$ 35.314,76, cuja conversão em renda fez as vezes da compensação considerada indevida por falta de crédito. Sendo assim, assiste razão à contribuinte neste item, devendo ser reconhecido em seu favor o direito creditório sobre o valor original de R$ 39.192,68. Feito o registro acima, a controvérsia, de forma direta, diz respeito ao imposto pago no exterior e, indiretamente, se é possível, no decorrer do processo, a retificação da declaração de compensação. Desta forma, passo a analisar os seguintes pontos: a) a possibilidade de se atender, no decorrer do processo, pedido de retificação da declaração de compensação por ter a contribuinte, quando do preenchimento do PER/DCOMP de fl. 02, registrado saldo negativo de IRPJ e de CSLL, no ano de 2002, respectivamente, os valores de no valor de R$ 3.424.039,06 e R$ 1.721.123.30, quando os valores corretos, segundo DIPJ, eram de R$ 3.567.211.82 e R$ 1.766.382,83. Ano calendário 2002 Valor saldo negativo constante DIPJ – fls. Valor inicialmente informado na DCOMP fl. 02 IRPJ (3.567.221,82) fl. 26 (3.434.039,06) fl. 02 CSLL (1.776.382,83) – fl. 306 (1.721.123,30) – fl. 02 b) compensação do imposto de renda retido na Argentina. Em relação à CSLL, à qual se cinge este recurso, no ano de 2000, temse três valores: Valor saldo negativo constante DIPJ – fls. Valor inicialmente informado na DCOMP fl. 02 Valor reconhecido pela autoridade fiscal (1.776.382,83) – fl. 77 1.721.123,30 – fl. 02 1.661.249,30 Em relação à possibilidade de se atender, no decorrer do processo, pedido de retificação da declaração de compensação por ter a contribuinte, quando do preenchimento do PER/DCOMP de fl. 02, registrado saldo negativo de IRPJ e de CSLL, no ano de 2002, respectivamente, nos valores de no valor de R$ 3.424.039,06 e R$ 1.721.123.30, quando os valores corretos, segundo DIPJ, eram de R$ 3.567.211.82 e R$ 1.776.382,83, é certo que o pedido de compensação delimita o objeto do litígio. Todavia, nem por isto, o valor informado no pedido de compensação como sendo o valor original do crédito, quando em discordância com o efetivamente apurado, há de prevalecer. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Acórdão n.º 1402001.314 S1C4T2 Fl. 0 6 O crédito a ser utilizado não surge do valor informado no pedido de compensação, mas sim da apuração feita na DIPJ. Não será pelo fato do sujeito passivo, por erro material ou não, informar no pedido de compensação valor diverso daquele apurado na DIPJ que haverá de prevalecer o que foi informado como sendo saldo original. A autoridade fiscal tem a prerrogativa de confrontar o valor informado na DIPJ e o especificado no pedido de compensação e, constatando erro, fazer a retificação para que o crédito utilizado na compensação não seja maior e nem menor daquele a que o sujeito passivo tem direito. No caso em tela, a autoridade fiscal, a exceção dos valores glosados, confirmou a existência dos créditos informados na DIPJ. Assim, eventual erro no preenchimento do pedido de compensação não faz desaparecer o crédito apurado. Em outras palavras, constatado erro, a maior ou a menor, a autoridade tem o poder/dever, de ofício ou a requerimento da parte, de proceder o devido ajuste para que seja considerado no pedido de compensação o valor efetivamente apurado. Destaco, por oportuno, que não estamos diante de situação em que a contribuinte informa valor original correto com utilização de parte do crédito em compensação anterior. Aqui o sujeito passivo informou valor a menor do montante apurado na DIPJ. Se a autoridade fiscal glosou parte dos valores, como o fez em relação ao imposto pago no exterior e também em relação à estimativa da CSLL de abril de 2002, que neste ponto a impugnação foi parcialmente acolhida pela DRJ, o procedimento correto seria, de ofício, ajustar o valor do crédito original da contribuinte considerando o efetivamente apurado e não aquele informado no pedido de compensação que, no caso, esta a denunciar erro material. Da análise da questão relativa ao Imposto de Renda recolhido na Argentina: A Declaracion Jurada de fl. 117 que corresponde, no Brasil, à DIPJ indica os seguintes valores, em moeda daquele país: Imposto Determinado Dedução de saldo do imposto a favor do contribuinte Retenciones y/o Percepciones 718.048,93 Total anticipos excepto F.515 96.862,66 1.100.598,63 Saldo a favor DD.JJ.del 07/0512000 307.492,00 Saldo a favor (correspondente ao saldo negativo no Brasil) (21.808,96) Quanto ao fato de que os valores acima especificados, na data da conversão, equivalem a R$ 65.940,84 não há controvérsia. Por tal razão não me ative à conferência da conversão da moeda. Desta forma, o exame da matéria, neste ponto, prendese à glosa dos R$ 65.940,84 pagos no exterior. Este valor acrescido aos R$ 1.661.249,30 reconhecidos pela autoridade fiscal importa em R$ 1.727.190,14. A esta importância se deve acrescer R$ 3.977,72 correspondente à diferença entre os R$ 35.314,76 e os R$ 39.192,68 correspondente Fl. 674DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Acórdão n.º 1402001.314 S1C4T2 Fl. 0 7 ao valor objeto de depósito judicial reconhecido pela DRJ. Assim, dos cálculos aqui referidos temse R$ 1.731.067,86 de saldo negativo que, por ser maior do saldo negativo informado na DCOMP (1.721.123,30), exige exame da matéria. (1.661.249,30 + 65.940,84 + 3.977,72 = 1.731.067,86). O que interessa saber é se o valor foi pago na Argentina e se prevalece o disposto na Convenção firmada entre o Brasil a Argentina dispondo que a renda somente é tributável em um dos Estados contratantes e, no caso, no Estado onde o estabelecimento está situado. Inicialmente, face do que consta do acórdão recorrido e das razões recursais, inicio o exame da matéria destacando a regra contida no artigo 26, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995, “in verbis”: “Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. ... § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. A norma contida no § 2º acima transcrito é excepcionada pelo § 2º, II, do art. 16 da Lei n° 9.430, de 1996, que estabelece que “fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado.”(grifei) O pagamento do imposto pode se dar por retenções de fonte, antecipações (estimativas) e saldo negativo. No caso da Declaração de fl. 117 foi apurado imposto de P$ 1.100.598,63, que confrontado com as retenções (P$ 718.048,93), as antecipações (P$ 96.862,66) e o saldo anterior a favor do contribuinte P$ 307.492,00, indica que o sujeito passivo, além de quitar o imposto apurado ficou com saldo a seu favor. Assim, não há o que se falar em apresentação de documento de arrecadação, pois a compensação também se constitui em meio de pagamento. O fato da autoridade fiscal Argentina certificar (fl. 118) que o recebimento da declaração não significa que a mesma se encontra em conformidade com a legislação vigente naquele país equivale a procedimento semelhante às declarações entregues no Brasil, pelo sujeito passivo, com possibilidade de posterior homologação formal ou tácita pela Administração. Foi por esta razão que em sessão anterior o colegiado deliberou pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal da Argentina certificasse se houve homologação da declaração de fls. 117 e, caso inexistindo, se houve exigência imputando à contribuinte infração pela inexistência das retenções, antecipações e saldo negativo informados na declaração de fls. 117. Em resposta ao referido pedido de diligência, vieram aos autos a informação de fl 661, cujo item informa que “0 imposto determinado de fonte argentina foi compensado através Fl. 675DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Acórdão n.º 1402001.314 S1C4T2 Fl. 0 8 das retenções/recebimentos e antecipações efetuadas durante o ano 2000, restando um saldo de $21.804,96 (vinte e um mil oitocentos e quatro pesos e noventa e seis centavos) a favor do contribuinte” valor este que correspondia, na época, em nossa moeda, R$ 65.940,84, que constou na Ficha 17, linha 40, da DIPJ da recorrente, conforme quadro que segue: 17/40 ()Imposto pago no exterior s/ Lucros, Rendimentos e Ganhos de Cap. 65.940,84 ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para reconhecer que a autoridade fiscal tem a prerrogativa de confrontar o valor informado na DIPJ e o especificado no pedido de compensação e, constatando erro, adotar os procedimentos para que o crédito utilizado na compensação não seja maior e nem menor daquele a que o sujeito passivo tem direito, devendo ser considerado no saldo negativo da recorrente o crédito, em seu favor, no valor de R$ 65.940,84, correspondente ao imposto pago no exterior, homologando as compensações no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 676DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10680.012332/2007-63
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
DECADÊNCIA - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4.° do CTN), devendo o prazo decadencial , ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, ausente a comprovação do dolo, fraude ou simulação.
MULTA QUALIFICADA - Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedidó com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A fraude, sonegação ou conluio deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - INTERPOSTA PESSOA.
Conforme prevê o artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.209
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Pedro Anan Júnior
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MULTA QUALIFICADA - Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedidó com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 'á e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A fraude, sonegação ou conluio deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos .sfalores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idôn a, a origem dos recursos utilizados nessas operações IRPF - DEPÓSITOS BANC IFÁRIOS - INTERPOSTA PESSOA. Conforme prevê o artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo. Recurso provido. e Processo n° 10680.012332/2007-63 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.209 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator. NE tv2(1.(Km7f" :1* A' - - resid te Lí0 A, INIINI PED ' • ANAN ÚN OR — Relator FORMALIZADO EM: 28 SET 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 10680.012332/2007-63 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.209 Fl. 3 Relatório Contra o contribuinte RONILDO ANTUNES FREITAS, inscrito no CPF/MF sob o n° 551.081.806-91. foi lavrado o auto de infração de fls. 2 a 8 com exigência de crédito tributário no valor de R$ 17.255.601,38 a título de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), juros de mora e multa de oficio de 150%. O lançamento decorre da tributação de rendimentos apontados como omitidos provenientes de valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, cuja origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, consoante Termo de Verificação Fiscal (TVF) e planilhas demonstrativas de fls. 9 a 63. Tendo sido cientificado em 04/09/2007 (fl. 74), o contribuinte ingressou com impugnação em 03/10/2007, de fls. 81/106, aditado em 13/11/2007 com os documentos de fls. 109/114. Alegando em síntese: Inicialmente afirma pela tempestividade da impugnação e pelo dever de análise do órgão administrativo julgador da sujeição passiva. O impugnante entende que não lhe foi informado o fundamento legal da sua responsabilização, assim não podendo prosperar a imputação de responsabilidade a ele, posto que, da forma que se apresenta o auto de infração, além de desobedecer o comando previsto no inciso IV do art. 10 do Decreto 70.235/72, cerceia o direito de defesa do contribuinte". Afirma o autuado "que não há sequer um indício de que os valores movimentados nas contas do contribuinte Carlos Anízio de Melo Rocha, objeto da fiscalização, pertenciam ao impugnante". Assevera que não há provas que comprovem que os valores movimentados nas contas do Sr. Carlos Anízio pertenciam ao impugnante, razão pela qual improcede a responsabilidade ora guerreada. Os depoimentos do Sr. Carlos Anízio e da Sra. Renata Karina não informaram que os valores movimentados nas contas correntes, objeto dessa fiscalização, pertenciam ao impugnante. Assim, conclui que a responsabilidade imputada ao impugnante foi presumida. O Relatório do Espei06 (fls. 4 a 21 do volume I do anexo I) a que faz menção o TVF deve ser entendido como "empréstimo" no máximo da prova e nunca das conclusões, tratando-se de "prova emprestada". As informações contidas no relatório não foram obtidas em procedimento de fiscalização devidamente instaurado, pelo que entende o impugnante que não foi respeitado o princípio do contraditório. Em relação a esse relatório, das 56 páginas, o impugnante teve acesso às páginas 3 a 20, pelo que qualquer informação contida em páginas que o impugnante não teve acesso não pode ser utilizada. 3 Processo n° 10680.012332/2007-63 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.209 Fl. 4 Assim, narrando sobre o Relatório do Espei06, o contribuinte constata que as informações nele prestadas são insuficientes para comprovar a responsabilidade tributária do impugnante, posto que, em momento algum, sequer fazem alusão às contas fiscalizadas. Noutro ponto, o impugnante, assevera que não lhe foi oportunizado manifestar-se, durante o procedimento fiscal, acerca da movimentação financeira na CEF, C/C 42.473-0. Se não for caso de anulação e/ou cancelamento do auto de infração, como o impugnante afirma não ter restado evidenciado pela Fiscalização que tenha procedido dolosamente no sentido de querer se furtar, fraudulentamente, de sua obrigação para com o Fisco, requer a redução da multa de 150%, por incidir na espécie o disposto no art. 108, inc. IV, do CTN (eqüidade), ou, alternativamente, a redução até os justos limites. A penalidade, ainda que prevista em lei, deve estar em sintonia com os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. A aplicação da multa no patamar em que é exigida tem nítido caráter confiscatório, violando os princípios citados. Posteriormente manifestou novamente nos autos o impugnante, dessa feita acerca do instituto da decadência do período de janeiro a agosto de 2002. A 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte — DRJ/BHE, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade pela procedência integral do lançamento, através do acórdão DRJ/BHE n° 17.156, de 15 de fevereiro de 2008 (fls. 120/126), consubstanciado na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada. NULIDADE. Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. PROVA EMPRESTADA. Não se considera prova emprestada o conteúdo das informações fornecidas por Escritório de Pesquisa e Investigação (Espei), unidade integrante da estrutura da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). MULTA QUALIFICADA. A multa de oficio de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam o evidente intuito defraude. ATIVIDADE VINCULADA. COMPETÊNCIA. 4 Processo n° 10680.012332/2007-63 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.209 Fl. 5 A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Não compete às autoridades administrativas julgar a matéria do ponto de vista constitucional." Devidamente cientificado dessa decisão em 13 de março de 2008, ingressa o contribuinte tempestivamente com recurso voluntário em 07 de abril de 2008, às fls 130/154, onde requer a reforma da decisão reiterando os argumentos levantos na impugnação. É o relatório. 5 Processo n° 10680.012332/2007-63 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.209 Fl. 6 Voto Conselheiro PEDRO ANAN JÚNIOR, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser conhecido. Devemos inicialmente analisar as preliminares arguidas pelo Recorrente Da preliminar de decadência O Contribuinte argumenta em seu recurso que teria decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a agosto de 2002, tendo em vista o prazo decadencial mensal de cinco anos previsto pelo artigo 150, §4° do CTN, uma vez que o auto de infração foi lavrado em 04 de setembro de 2007. Antes de mais nada devemos analise se devemos aplicar ao presente caso, para fins de contagem do início do prazo decadencial o disposto no parágrafo 4°, do artigo 150 do CTN, por se tratar de imposto sujeito ao lançamento por homologação, ou seja o prazo se inicia a partir do fato gerador do tributo que no caso de pessoa fisica se encerra no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade 'assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1' O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação 'ao lançamento. § 2 0 Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. ,sç 3 0 Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4' Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse •prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 06 • Processo n° 10680.012332/2007-63 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.209 Fl. 7 Desta forma, no caso em concreto devemos verificar se houve a ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte. Caso isso seja comprovado ao invés de aplicarmos o o disposto no parágrafo 4°, do artigo 150 do CTN, devemos aplicar o disposto no artigo. 173, I, do CTN, iniciando-se a contagem do prazo decadencial somente no primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme se depreende do abaixo transcrito: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingui-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" No caso em concreto não há nos autos comprovação inequívoca de que houve por parte do contribuinte fraude, dolo ou simulação, apenas a qualificação da multa de oficio para 150%. Desta forma, devemos aplicar o artigo 150, parágrafo 4° do CTN. Tendo em vista que a contagem do prazo para a pessoa fisica começa em 31 de dezembro de cada ano- calendário, e o Recorrente foi autuado em 09 de setembro de 2007, não há que se falar na decadência relativa ao ano-calendário de 2002. Portanto não acolho a preliminar de decadência no que diz respeito ao ano- calendário de 2002 levantada pelo Recorrente. Multa Qualificada Com relação a multa qualificada no percentual de 150%, as atividades que dão origem à sua aplicação estão na Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, que assim preceitua: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) a) na forma do art. e da Lei n‘z 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa fisica; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2' desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de IP 7 Processo n° 10680.012332/2007-63 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.209 Fl. 8 outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Os mencionados artigos da Lei n°4.502/1964, determinam: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parciabnente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A Lei n° 4.729/1965, assim definiu sonegação fiscal. Art. I" Constitui crime de sonegação fiscal: I — prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, com a intenção de eximir-se, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei; II — inserir elementos inexatos ou omitir rendimentos ou operação de qualquer natureza em documentos ou livros exigidos pelas leis fiscais, com a intenção de exonerar-se do pagamento de tributos devidos à Fazenda Pública; III — alterar faturas e quaisquer documentos relativos a operações mercantis com o propósito de fraudar a Fazenda Pública, IV — Fornecer ou emitir documentos graciosos ou alterar despesas majorando-as, com o objetivo de obter dedução de tributos devidos à Fazenda Pública, sem prejuízo das sanções administrativas cabíveis. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com fraude, sonegação ou conluio, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Sendo que a fraude, sonegação ou conluio deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos, o que não foi efetuado pela autoridade lançadora. Processo n° 10680.012332/2007-63 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.209 Fl. 9 Desta forma, acolho o argumento da redução da multa qualificada de 150% para 75%. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — PRESUNÇÃO. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1 0 a 5°, da Lei n°9.430, de 1996: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1" O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos." §3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; II - 110 caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei n° 9.481, de 1997) áç 4" Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 50 Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) 5S' 60 Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será 9 Processo n° 10680.012332/2007-63 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.209 Fl. 10 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) Nos termos da referida norma legal presume-se omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que é no sentido de que está que o Sr. Carlos Anizio de Melo Rocha era interposta pessoa do recorrente, a quem pertenciam, efetivamente, as importâncias por lá movimentadas. Assim, de se concluir que a autoridade lançadora agiu de acordo com a rega do artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, segundo a qual ",¢ 5°. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento." e, na minha visão, seu trabalho não restou desconstituído pelo recorrente Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos, o contribuinte alega que os valores não são de sua titularidade e não faz nenhuma prova do alegado. Desta forma verifica-se que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Assim, por tudo o que dos autos consta, voto por não conhecer da preliminar de decadência arguida e no mérito voto em DAR provimento PARCIAL ao recurso do contribuinte, no sentia ' de redu, • a multa de 150% para 75%. S.a à.- Sess em 19 de agosto de 2009 iI PEDRO ANA I ÚNIOR 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4i>11Y-9' Processo n°: 10680.012332/2007-63 Recurso n°: 167.714 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.209. Brasília, 28 S E T 2009 - /Ár N • LSO MALLMANN Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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