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Numero do processo: 10384.720693/2012-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, CONVERTIDO o julgamento do recurso em diligência, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Sérgio Gomes, que prosseguiam no julgamento.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé- Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo:
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, CONVERTIDO o julgamento do recurso em diligência, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Sérgio Gomes, que prosseguiam no julgamento. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 84 .7 20 69 3/ 20 12 -9 9 Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10384.720693/201299 Resolução nº 1102000.113 S1C1T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza CE assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A existência de depósitos bancários de origem não comprovada caracteriza presunção legal de omissão de receita, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A partir da vigência da referida presunção legal, o ônus da prova da regularidade fiscal da origem dos depósitos cabe ao contribuinte. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2008 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Tratase de autos de infração lavrados contra o contribuinte acima identificado, para constituição de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 3 a 11); Contribuição para o Pis/Pasep – PIS (fls. 12 a 22); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 23 a 33) e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 34 a 42), perfazendo um crédito tributário no valor total de R$ 46.640.942,23, conforme discriminação constante do demonstrativo de fl. 2. A infração imputada ao sujeito passivo foi omissão de receita caracterizada pela constatação de depósitos bancários sem comprovação de origem, com base na presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Ciente dos autos de infração em 28/02/2012, através de seu representante legal, conforme ateste de ciência nos respectivos autos, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 2666 a 2693), com as alegações abaixo sintetizadas: • o lançamento é ilegítimo porque lavrado com base exclusivamente em depósitos bancários; • o auditor fiscal teria que demonstrar o nexo causal entre os depósitos bancários e o fato representativo do rendimento supostamente omitido; •à autoridade lançadora caberia Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10384.720693/201299 Resolução nº 1102000.113 S1C1T2 Fl. 4 3 demonstrar de forma individualizada, para cada depósito, a sua natureza de acréscimo patrimonial, para fins de enquadramento no fato gerador do IR previsto no artigo 43 do CTN; • os registros constantes do seu livro Razão, apresentado à fiscalização fazem prova a seu favor; • indaga como poderia ter movimentado a cifra apontada pelo fiscal autuante, se comprovadamente, através de seus Livros de Entrada e Saída e pela apuração de seu Livros Diário e Razão, faturou apenas R$ 7.903.408,68 e pegou emprestado R$ 2.857.274,99? • o lançamento, como ato administrativo, carece de elementos essenciais para sua validade, em especial o requisito da motivação; • não cabe a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal nesse sentido; Ao longo de sua impugnação, o sujeito passivo aduz alguns precedentes administrativos e judiciais, bem como lições doutrinárias em favor de suas teses. É o relatório.” O acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade dos lançamentos suscitada pela Contribuinte (em vista do fato de a motivação respectiva estar “fartamente demonstrada no processo”) e, no mérito, os manteve integralmente pelas razões sintetizadas na ementa acima transcrita. Quanto à questão relativa à legitimidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, entendeu o acórdão recorrido que: “nesse particular, a impugnação carece de objeto, já que tal incidência não existiu. Com efeito, conforme se constata dos demonstrativos de multa e juros de mora integrantes dos autos de infrações (fls. 11, 21, 22, 32, 33, 42), os percentuais de juros incidiram somente sobre os valores dos tributos, não alcançando as multas”. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reproduz as alegações de impugnação, especificamente no que se refere a: (i) ilegitimidade do lançamento do imposto de renda com base apenas em depósitos bancários, seja pelo fato de estes depósitos não caracterizarem renda para fins tributários, seja pelo fato de eles representarem em sua maioria “transferência de valores entre contas correntes de mesma titularidade”; (ii) nulidade do auto de infração, por alegada ausência de motivação; e (iii) ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. VOTO Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10384.720693/201299 Resolução nº 1102000.113 S1C1T2 Fl. 5 4 Conforme salientado linhas acima, versa o caso dos autos sobre lançamento tributário fundamentado em informações financeiras da pessoa jurídica contribuinte e dos responsáveis tributários pessoas físicas obtidas pela Fiscalização por meio de mero RMF, sem prévia autorização judicial. Nesse sentido, vejase, por exemplo, o anexo XV deste PA em que constam RMF´s emitidos ao Banco do Brasil (fls. 211 e resposta a fls. 1576), ao Banco HSBC (fls. 212 e resposta a fls. 2100), ao Banco do Nordeste (resposta a fls. 1.633) e ao Banco Santander (resposta a fls. 2.114) e resposta a fls. 1633) e informação contida no próprio Termo de Verificação Fiscal, no qual a Fiscalização afirma ter obtido informações bancárias diretamente perante instituições financeiras e ter entregue os extratos bancários obtidos por essa via à Contribuinte para manifestação e explicação da origem dos respectivos lançamentos. Sobre o tema, este Colegiado, por maioria de votos de seus membros, vencido apenas este Relator, no julgamento de recurso voluntário interposto nos autos do Processo n. 10630.720364/200721 (Resolução n. 110200.088), decidiu sobrestar o andamento dos feitos que versassem sobre a matéria citada, em decorrência do quanto disposto .Verbis: “Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários por parte da autoridade fiscal, que, no presente caso, se deu, ao menos parcialmente, por meio da emissão de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF às instituições financeiras, sem ordem judicial. Neste aspecto, sirvome das preciosas considerações feitas pelo conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva em excelente estudo sobre o tema, as quais abaixo transcrevo: “Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR,o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL.Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária– o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A,§ 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10384.720693/201299 Resolução nº 1102000.113 S1C1T2 Fl. 6 5 No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração,com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B,do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontraseno artigo 543B,do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10384.720693/201299 Resolução nº 1102000.113 S1C1T2 Fl. 7 6 observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10384.720693/201299 Resolução nº 1102000.113 S1C1T2 Fl. 8 7 matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplica se o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B,CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre:a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B,parágrafo único, do CPC) e;b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem,para aplicação dos parágrafos do art. 543Bdo Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela (sic) em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acercado sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10384.720693/201299 Resolução nº 1102000.113 S1C1T2 Fl. 9 8 “Tratasede agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96(ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARACONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10384.720693/201299 Resolução nº 1102000.113 S1C1T2 Fl. 10 9 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62A. ( ...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10384.720693/201299 Resolução nº 1102000.113 S1C1T2 Fl. 11 10 A Portaria CARF no 1, de 03 de janeiro de 2012, determinou os procedimentos a serem observados no caso de sobrestamento de processos de que trata o artigo 62AdoRegimento Interno do CARF. Uma vez que esta Turma ainda não apreciou, até o momento, nenhum caso envolvendo esta questão, e que outras Turmas de Julgamento deste Conselho possuem entendimento diverso do aqui exposto, foi colocado em pauta o presente processo para a devida manifestação dos conselheiros que a integram. Tendo em vista que o sobrestamento, nesses casos, deve ser feito de ofício pelo próprio relator, nos termos do artigo 62Ado Regimento Interno do CARF, acima transcrito, a proposta que ora submeto à apreciação de meus pares é de que o julgamento do presente feito seja sobrestado até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B,do CPC a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial.” Nada obstante discorde do entendimento supra , por entender que (a) os casos apreciados pelo C. STF acima citados não se referem direta e especificamente à questão versada neste processo (inconstitucionalidade da quebra sigilo bancário de contribuinte pessoa jurídica em geral, e, notadamente, nos anoscalendários de 2002 e seguintes, em particular), o que, por princípio e definição, impediria no meu sentir a mera reprodução no caso do quanto decidido pela Suprema Corte nos citados paradigmas (causa única da conveniência e obrigatoriedade da suspensão do processo administrativo) e (b) não apresentam o requisito específico previsto na Portaria CARF n. 1/2012 (decisão proferida pelo Plenário do STF determinando a suspensão dos feitos), curvome à orientação do Colegiado e proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja sobrestado o andamento desta lide “até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B, do CPC a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial”. É como voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 16327.001286/2006-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
IRPF. MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO. A fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição se sujeita, no caso de falta de retenção ou recolhimento, a multa isolada com base de cálculo e alíquota previstos no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96.
IRPF. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. Não há que se falar em retroatividade benigna quando as modificações legislativas posteriores não alteraram o conteúdo normativo da lei.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Bernardo Schmidt.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Bernardo Schmidt Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO. A fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição se sujeita, no caso de falta de retenção ou recolhimento, a multa isolada com base de cálculo e alíquota previstos no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. IRPF. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. Não há que se falar em retroatividade benigna quando as modificações legislativas posteriores não alteraram o conteúdo normativo da lei. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Bernardo Schmidt. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Bernardo Schmidt – Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 86 /2 00 6- 00 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 54/62), contra o contribuinte acima qualificado, relativo aos fatosgeradores 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, que exige multa isolada no valor de R$ 7.457.509,24, sobre Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF não retido/recolhido. Conforme consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” à fl. 78, o crédito tributário referese a "MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DO IRRF SOBRE PRÊMIO DE PREFERÊNCIA". A autuação está assim fundamentada: artigos 722, parágrafo único, e 957 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR199 Decreto n° 3.000, de 26/03/1999), artigo 9° da Medida Provisória n° 16/2002, convalidada pela Lei n° 10.426/2002 e artigo 9° da Lei n° 10.426, de 24/04/2002. Em fls. 46/53, no Termo de Verificação Fiscal, o Fisco informa que: A empresa Safra Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. DTVM, controlada pelo Banco Safra S/A contratou com diversos Clientes a execução de serviços de pagamentos de obrigações e compromissos através de "Contrato de Prestação de Serviços de Assessoria Financeira e Outra. Avenças"; Uma vez que a efetivação dos pagamentos de obrigações e compromissos não constitui objeto social da Safra DTVM, esta, representando seus clientes, contratou o Banco Safra S/A., a prestação destes serviços, reservando para si a parte financeira da operação; os recursos necessários à efetivação dos pagamentos das obrigações e compromissos eram previamente entregues à Safra DTVM que os depositavam em conta aberta com alíquota zero (de CPMF) no Banco Safra S/A., eram utilizados pelos seus Clientes na data de vencimento das obrigações e compromissos destes; a Safra DTVM realizava uma captação indireta de recursos que eram aplicados no Banco Safra S/A pelo período que ficavam a sua disposição, obtendo para si rendimentos de aplicações financeiras. Os Clientes, em razão da disponibilização dos recursos, faziam jus a uma remuneração denominada "Preço de Preferência"; a DTVM prestava "Serviço de Pagamentos" que se realizava da seguinte forma: a Safra DTVM oferecia a seus clientes o "serviço de pagamentos" de suas obrigações e compromissos com o atrativo do pagamento de uma remuneração a titulo de Prêmio de Preferência em função da concentração e volume de operações, valores e outras variáveis consideradas para essa finalidade; a pessoa jurídica beneficiária da remuneração a titulo de Prêmio de Preferência recebia o valor sem a retenção do Imposto de Renda na fonte (antecipação), portanto, o valor a ser atribuído como receita do período é o efetivamente recebido Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT Processo nº 16327.001286/200600 Acórdão n.º 2102003.222 S2C1T2 Fl. 203 3 independentemente do Sistema de Tributação adotado pela Pessoa Jurídica beneficiária do rendimento; a clausula quarta do "Contrato de Prestação de Serviços de Assessoria Financeira e outras Avenças" dispõe no sentido de que poderá ser ajustado previamente entre as partes, um prêmio de preferência dos serviços prestados, a ser pago pela DTVM ao Contratante, em prazos e condições determinados, em função da concentração e volume de operações, valores envolvidos e outras variáveis, assim consideradas para essa finalidade; o sistema operacional relacionado com a remuneração do prêmio de preferência, informado pela fiscalizada: a Safra DTVM conclui convênio com os Clientes, e os recursos recebidos são depositados no Banco Safra S/A, numa conta aberta em seu nome com alíquota zero de CPMF; a Safra DTVM faz aplicação financeira no banco Safra S/A dos recursos recebidos dos CLIENTES; A Safra DTVM recebe do Banco Safra S/A renda de aplicação financeira dos recursos dos CLIENTES; A Safra DTVM paga Prêmio de Preferência aos seus Clientes; O esquema contábil, o período de operação do produto, as características das contas correntes abertas para o registro das transações, a descrição da conta corrente utilizada para pagamento do Prêmio de Preferência, bem como a justificativa para a não retenção do imposto e para a supressão do nome dos contratantes nas respostas as intimações fiscais constam das páginas 3 a 5 do Termo de Verificação Fiscal (fls 47 a 49); O imposto de renda Retido na Fonte incidente sobre a remuneração paga pela Safra DTVM a titulo de Prêmio de Preferência e multa estão previstos na legislação que rege a matéria, qual seja: artigos 727, 729, 730, III, 732, II, 733, I, 726, 865, II, e 843 do RIR199, Decreto n° 3.000/1999 e artigo 9° da Medida Provisória n 16, de 27/12/2001, convertida na lei n° 10.426, de 2002. A apuração da base de cálculo da multa de oficio incidente sobre o IRF, não retido nem recolhido nos prazos previstos em lei, incidente sobre o pagamento da remuneração a titulo de Premio de Preferência, foi feita com base nos valores apresentados pelo contribuinte, conforme demonstrativo as fls. 52/53. Cientificado da exigência tributária pessoalmente em 30/08/2006, e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 28/09/2006 (fls. 64/79), acompanhada de documentos de fls. 80/101, alegando em síntese o que segue, conforme relatório da decisão a quo: Em preliminar, alega o cancelamento do auto de infração por possuir vício insanável de erro na capitulação legal do que seria a base para o cálculo do imposto devido para, a partir desta base (o montante do imposto), calcularse então o valor da multa isolada. Neste sentido apresenta os seguintes argumentos: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT 4 • Os dispositivos do RIR/99 listados na autuação estão sob o Titulo "Tributação das Operações Financeiras" — Subtítulo "Mercado de Renda Fixa"; • As operações realizadas no mercado de renda fixa dizem respeito a aplicações financeiras, pactuadas com rendimentos prédeterminados levadas a efeitos pelas instituições financeiras em geral e que servem como genuínos instrumentos de captação destas. Dois são os mercados existentes em que operações financeiras são realizadas: (i) o mercado de renda fixa; e (ii) o mercado de renda variável; • A operação de que tratou o auto de infração não cursada em nenhum destes mercados. Na verdade, não se trata, no caso, de uma operação financeira, como quaisquer daquelas previstas nos artigos invocados pela fiscalização, tais como aplicações em fundos de renda fixa, em Certificados de Depósitos Bancários e tantas outras a estas equivalentes; • Os pagamentos efetuados pela Impugnante decorreram de uma prestação de serviços de assessoria e não de uma operação financeira, realizada no mercado de renda fixa, como injuridicamente pretende a fiscalização; • se devido fosse o imposto este o seria devido a alíquota de 1,5%, conforme reza o artigo 647, § 1º, 6, do RIR/99 e não de 20% (art. 729 do RIR199) como pretendido pela fiscalização. 3.2. Quanto ao mérito, defende que não cabe a retenção do imposto de renda na fonte, posto que o Prêmio de preferência não se enquadra em nenhuma das hipóteses de incidência do IRF, previstas na legislação aplicável, apresentando os seguintes argumentos: •• O Parecer Normativo CST n°26, de 27/10/1988 (DOU de 31/10/1988), ao analisar a possibilidade de dedução para fins fiscais como despesa de outro tipo de prêmio de preferência, pagos a pessoas físicas e jurídicas pela preferência no recolhimento de tributos e contribuições entendeu que "a remuneração auferida pelo beneficiário constitui receita operacional da pessoa jurídica ou rendimento tributável da pessoa física, conforme o caso, sujeito, nesta última hipótese, à incidência do imposto de renda na fonte"; •• O prêmios de preferência pagos pela Impugnante foram todos pagos a pessoas jurídicas e como tais, constituemse em receita operacional de seus beneficiários. Como a retenção na fonte aplicase única e exclusivamente a pessoas físicas, forçoso é concluir que os pagamentos efetuados pela Impugnante a pessoas jurídicas não se submetem a retenção na fonte, como não o foram, não cabendo retenção, não ha que se falar em multa isolada por falta de retenção do imposto na fonte; 3.3. Também contesta o fundamento legal que ensejou o lançamento da multa isolada, pela não retenção do imposto sob os seguintes argumentos: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT Processo nº 16327.001286/200600 Acórdão n.º 2102003.222 S2C1T2 Fl. 204 5 ••• o artigo 957 do RIR/99 tem por supedâneo o artigo 44 da Lei 9.430, de 1996, o artigo 9° da Lei n° 10.426/2002 faz remissão ao mesmo artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, ••• ocorre que o artigo 44 da Lei n° 9430/1996, que serviu de base para os dois artigos referidos no enquadramento legal do auto de infração, teve sua redação recentemente modificada pelo artigo 18 da Medida provisória n° 303, de 29/06/2006 (DOU de 30/06/2006); ••• pela nova redação deixam de existir as três hipóteses de aplicação da multa isolada prevista nos incisos II a IV do § 1º, da redação primitiva do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; e passam a existir com a nova redação somente duas, trajadas nas alíneas "a" e "b", do inciso II, sendo a primeira para pessoa física sujeita ao chamado carnêleão; e a segunda para pessoa jurídica que não efetuar os recolhimentos mensais por estimativa, ainda que encerre o anocalendário com prejuízo fiscal; ••• Quanto ao artigo 9° da Lei n° 10.426/2002, admitindose como mantida a remissão aos incisos I e II do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, citada na sua parte inicial, temos que o (1) o inciso I, trata da falta de pagamento ou recolhimento a menor, caso em que será devido além do valor do próprio imposto, multa de oficio igual a 75% sobre a totalidade ou diferença de tributo (inaplicável ao caso presente); e (2) o inciso II, trata da cobrança da multa isolada correspondente a 50%, única e exclusivamente nas hipóteses das alíneas "a" e "b" (também inaplicável ao caso presente); ••• Também poderseia considerar que, como a MP n° 303 de 2006, regulou totalmente a matéria relativa as hipóteses em que poderiam ser lançadas as multas de oficio, o artigo 9º da lei n° 10.426/2002 estaria tacitamente revogado; inexistindo por esta razão, base legal para a cobrança pretendida da multa isolada, por falta de retenção na fonte; ••• em se tratando de penalidades aplicase o principio da retroatividade mellius, estabelecido no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF [...] LANÇAMENTO. NULIDADE. Inexistência de causa de nulidade. A autuação encontrase devidamente fundamentada na legislação tributária de regência e foi lavrada por servidor competente. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT 6 IRRF. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PRÊMIO DE PREFERÊNCIA. PAGAMENTO. INCIDÊNCIA. O prêmio de preferência, pago pela DTVM a seus clientes em função da concentração, volume e valores das operações realizadas em decorrência da contratação da DTVM para prestação de serviços de assessoria financeira e outras avenças, está sujeito retenção do imposto de renda retido na fonte e deve ser tributado na forma dos rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, conforme determina a legislação de regência. MULTA ISOLADA. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO. No caso de falta ou recolhimento do imposto, a fonte pagadora obrigada a reter imposto de renda sujeitase multa, no percentual e base de cálculo previstos no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, independentemente de o administrativas cabíveis. Lançamento Procedente” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1620.277 da 8ª Turma da DRJ/SPOI em 16/02/2009 . Sobreveio Recurso Voluntário em 27/02/2009 (fl. 118/137), acompanhado dos documentos de fls. 138/159, no qual o contribuinte ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratamse os autos acerca da exigência de multa isolada em decorrência da falta de retenção e/ou recolhimento do IRRF sobre Prêmio de Preferência. Inicialmente, verificase que a multa isolada exigida no presente lançamento fora fundamentada com base nos art. 722, parágrafo único e 957 do RIR/99, bem como no art. 9°, da Medida Provisória n° 16/2002, convalidada pela Lei n° 10.426/2002, e art. 9° da Lei n° 10.426/2002. Ocorre que, a multa isolada exigida no percentual de 75%, respaldada através dos supracitados artigos não observou a retroatividade benigna do art. 106, II, “c”, do CTN, posto que o art. 957 do RIR/1999, o qual trata da aplicação das multas e faz referência ao art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, teve sua redação modificada através da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, que no seu art. 18, assim dispôs: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT Processo nº 16327.001286/200600 Acórdão n.º 2102003.222 S2C1T2 Fl. 205 7 Art. 18. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38.” (grifei) Com efeito, pela nova redação, deixam de existir as três hipóteses de aplicação da multa isolada previstas nos incisos II, III e IV do §1º, da redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passando a existir somente as duas hipóteses previstas nas alíneas “a” e “b” do inciso II, supracitadas, que exigem multa isolada no percentual de 50%, sendo que a primeira aplicase à pessoa física sujeita ao carnêleão, e a segunda, aplicase à pessoa jurídica que não efetuar os recolhimentos mensais por estimativa, ainda que encerre o anocalendário com prejuízo fiscal, não sendo o caso dos autos nenhuma destas duas hipóteses. Ademais, considerando que a Medida Provisória nº 303, de 2006, regulamentou a matéria pertinente às multas aplicadas, entendese que o art. 9º da Lei nº 10.246, de 2006, estaria tacitamente revogado, logo, inexistiria base legal para a cobrança da multa isolada pretendida por falta de retenção na fonte. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT 8 Acerca da retroatividade trazida no presente caso, o Código Tributário Nacional, em seu art. 106, II, estipula três hipóteses de retroatividade da lei mais benigna aos contribuintes e responsáveis, quando tratase de ato não definitivamente julgado, aplicando se a ato ou fato pretérito: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratá lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. As três hipóteses de retroatividade estampadas pela lei, acabam por beneficiar o contribuinte, sem violar o ordenamento constitucional, que só proíbe a retroação de lei que agrave sua situação. Logo, o art. 106 do Código Tributário Nacional admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, em relação às penalidades, nos casos não definitivamente julgados. Da leitura da hipótese da alínea “c”, do citado dispositivo, depreendese que, a lei nova continua prevendo penalidade para o ato levado a efeito pelo contribuinte, mas comina a este ato uma pena menos severa. A penalidade mais severa decorrente da lei vigente na data da ocorrência do fato gerador, é substituída por uma menos severa, advinda da lei nova. Assim, sobrevindo lei nova que beneficie o contribuinte pela caracterização da hipótese da alínea “c” do inciso II, do art. 106 do CTN, que exclui a possibilidade de multa isolada no caso dos autos, devendo ser aplicada a lei posterior, pois resulta mais benigna. Neste sentido é uniforme a jurisprudência deste E. Conselho, conforme excertos de ementas abaixo transcritas: “Processo nº 10680.006076/200341 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303002.901 – 3ª Turma Sessão de 9 de abril de 2014 Matéria IPI Recorrentes Fiat Automóveis S/A Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2001 a 31/03/2001 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. [...] RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO.” (grifei) “Processo nº 13558.000248/200610 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT Processo nº 16327.001286/200600 Acórdão n.º 2102003.222 S2C1T2 Fl. 206 9 Recurso nº 160.215 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.288 – 2ª Turma Sessão de 08 de agosto de 2012 Matéria Multa qualificada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO HOSPITAL DE CAMACA Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte Exercício: 2002 FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. [...] Recurso especial negado.” (grifei) “Processo nº 10980.723201/201115 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201001.896 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2012 Matéria IRRF Recorrente WDL TÊXTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL [...] IRRF. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Por ausência de previsão legal, a multa de ofício, prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, com redação data pela Lei nº 11.488, de 2007, para os casos de falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora dos rendimentos, não é aplicável de forma isolada, quando o imposto não for mais exigível da fonte pagadora. Preliminar rejeitada. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT 10 Recurso provido.” (grifei) Cabe salientar que na data da lavratura do auto de infração (30/08/2006), já deveria ter sido aplicada a lei mais benigna, qual seja, a Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que teve seu prazo de vigência encerrada em 27/10/2006, conforme Ato do presidente da Mesa do Congresso Nacional n° 57/2006. Não obstante a alegação da DRJ de que a Medida Provisória n° 351/2007, também alterou a redação do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, ressaltase que esta é posterior à lavratura do auto de infração e aos fatos geradores do presente litígio, criando novas hipóteses de incidência de multa isolada, as quais não poderão ser aplicadas por força do art. 105 do CTN. Portanto, estando alterada a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, através da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, que regulamentou a matéria acerca da aplicação das multas, e neste caso, tratandose de penalidades, sendo a legislação posterior mais benéfica, posto que não mais prevê a multa isolada exigida no presente lançamento quanto ao fato gerador da obrigação principal, é de ser cancelado o lançamento. No que tange ao Imposto de Renda na Fonte incidente sobre a remuneração paga pela Safra DTVM a titulo de Prêmio de Preferência, o Fisco utiliza como fundamento legal o art. 729 do RIR/1999, para aplicar à alíquota de 20% sobre a base de cálculo reajustada. In verbis: “Art. 729. Está sujeito ao imposto, à alíquota de vinte por cento, o rendimento produzido, a partir de 1° de janeiro l de 1998, por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica imune ou isenta (Lei n° 8.981, art. 65, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 35).” No entanto, o Fisco não comprovou que as operações realizadas foram efetivamente remuneradas através de renda fixa, com base em índices prédeterminados, portanto, prevalece as alegações da Recorrente acerca da inaplicabilidade da alíquota de 20%, pois conforme determina o texto legal, esta só se aplica nos casos de renda fixa. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso para cancelar o Auto de Infração. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Voto Vencedor Conselheiro Bernardo Schmidt Entendo que o instituto da retroatividade benigna não se aplica ao presente caso. Observo, de início, que o artigo 9º da Lei nº. 10.426, de 2002, e o art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996, foram simultaneamente modificados pela Lei nº. 11.488, de 2007. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT Processo nº 16327.001286/200600 Acórdão n.º 2102003.222 S2C1T2 Fl. 207 11 Antes da modificação, o art. 9º da Lei nº. 10.426, de 2002 fazia referência aos incisos I e II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, na forma abaixo: Art. 9º Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os incisos I e II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, por sua vez, apresentavam a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata, excetuada a hipótese no inciso seguinte: II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades ou criminais cabíveis (...) Com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, o art. 9º da Lei nº. 10.426/2002 passou a fazer referência ao inciso I e ao § 1º do art. 44 da Lei nº. 9.430/96: Art. 9 Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Estes dispositivos, após a modificação, passaram a prever o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Em suma, antes das modificações, o art. 9º da Lei nº. 10.426, de 2002, fazia referência aos incisos I e II da Lei nº. 9.430/96, que tratavam da multa de setenta e cinco por Fl. 212DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT 12 cento nos casos previstos (inciso I) e da sua qualificação, nos casos de evidente intuito de fraude (inciso II), e, após a modificação, passou a fazer referência ao inciso I, que continuou tratando da multa de setenta e cinco por cento nos casos previstos, e ao §1º, que passou a tratar da qualificação da multa, antes tratada pelo inciso II. Ou seja, não houve qualquer alteração do conteúdo normativo com as modificações introduzidas pela Lei nº. 11.488/2007; na verdade, temse que o art. 9º da Lei nº. 10.426/2002 foi apenas adaptado à nova redação do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. Notase que o art. 9º da Lei 10.426/2002 nunca fez, como de fato não deve fazer, referência às hipóteses de aplicação de multa isolada tratadas pelo próprio art. 44 da Lei nº. 9.430/96 (antes das modificações introduzidas pela Lei nº. 11.488/2007 tratadas nos incisos II, III, IV e V do §1º do art. 44 e, depois das modificações, tratadas no inciso II do art. 44). Assim, ou o art. 9º da Lei nº. 10.426/2002 nunca previu multa isolada, ou continua prevendo, não se podendo falar, de qualquer forma, em retroatividade benigna. Os acórdãos 920202.288, da CSRF, e 2201001.896, da 2a Seção, 2a Câmara, 1a TO, trazidos pelo contribuinte em memorial apresentado no julgamento parecem partir do pressuposto, com o qual não concordo, de que as hipóteses de multa isolada estariam restritas àquelas previstas no inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. No entanto, o art. 43, caput, da mesma Lei nº. 9.430/96, que abra a Seção “Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições” autoriza de forma genérica a aplicação de multa isolada, não as limitando às hipóteses do art. 44, II, da mesma lei. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. O art. 9º da Lei nº. 10.426/2002 trata, como sempre o fez, de caso específico de multa isolada. É espécie de norma incompleta, que exige complementação de outra norma e, apenas para isso, se socorre do inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. Nesse sentido, o art. 9º da Lei nº. 10.426/2002 prevê de forma clara a hipótese de incidência da multa (falta de retenção ou recolhimento de fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição) e faz referência ao inciso I da Lei nº. 9.430/96, que complementa o seu conteúdo normativo na exata forma fazia antes das mudanças introduzidas pela Lei nº. 11.488/2007, com a previsão da base de cálculo (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata) e da alíquota (75%). Imaginar que essa norma seria aplicável apenas no caso em que o imposto ainda é exigível da fonte pagadora, como pretende a defesa, seria tornála absolutamente dispensável, até porque nesses casos o próprio art. 44 da Lei nº. 9.430/96, por si só, imporia a aplicação da multa, que é sempre devida juntamente com o tributo nos lançamentos de ofício. Em relação à Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, trazida pela ilustre Relatora, temse que não foi convertida em lei e teve seu prazo de vigência encerrado em 27/10/2006, conforme Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº. 57, de 2006. Nos termos do artigo 62 da Constituição Federal, as Medidas Provisórias não convertidas em lei perdem sua eficácia desde a sua edição. Também o Supremo Tribunal Fl. 213DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT Processo nº 16327.001286/200600 Acórdão n.º 2102003.222 S2C1T2 Fl. 208 13 Federal já se manifestou no sentido de que a rejeição, expressa ou tácita, da medida provisória, apaga inteiramente os seus efeitos do mundo jurídico (Ag.Reg. na ADIn 3658DF). Assim, não pode a Medida Provisória 303/96 fundamentar a aplicação de retroatividade benigna. O Recorrente se insurge ainda contra a capitulação legal, por entender que os dispositivos aplicados regulamentam a incidência do imposto na fonte nas hipóteses de operações de renda fixa, o que ele alega não ser o caso. Defende que os pagamentos efetuados por ela decorrem de um contrato de prestação de serviços de assessoria e não de uma operação financeira realizada no mercado de renda fixa. Tratase, no fundo, de discussão de mérito. O próprio recorrente reproduziu no Recurso Voluntário (fl. 121) a cláusula quarta dos contratos, também citada no Termo de Verificação Fiscal: Cláusula Quarta – Do Prêmio de Preferência Poderá ser ajustado previamente entre as partes, um prêmio pela preferência dos serviços prestados, a ser pago pela DTVM à CONTRATANTE, em prazos e condições determinados, em função da concentração e volume de operações, valores envolvidos e outras variáveis assim consideradas parra essa finalidade Dessa forma, o chamado “prêmio de preferência”, nos termos estabelecidos em contrato, nada mais é do que uma remuneração positiva préajustada, a ser paga pela Recorrente ao contratante, ou seja, tratase de renda fixa. Sobre o tema, dispõem os arts. 729 e 730 do RIR/99: Art. 729. Está sujeito ao imposto, à alíquota de vinte por cento, o rendimento produzido, a partir de 1º de janeiro de 1998, por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica imune ou isenta (Lei nº 8.981, de 1995, art. 65, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 35). (...) Art. 730. O disposto no artigo anterior aplicase também (Lei nº 8.981, de 1995, art. 65, § 4º, e Lei nº 9.069, de 1995, art. 54): (...) III aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil e em operações de empréstimos em ações; (...) O art. 730, inciso III, do RIR/99 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 65, § 4º, “c”) estabelece de forma clara e expressa que essas operações estão sujeitas ao imposto retido na fonte na forma do art. 729 do RIR/99, ou seja, às regras de tributação da renda fixa, com alíquota de 20%, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT 14 Assim, corretos o lançamento e a respectiva capitulação legal, na forma efetuada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Bernardo Schmidt – Relator Designado Fl. 215DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 20/02/2015 por BERNARDO SCHMIDT
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Numero do processo: 10675.000389/2004-46
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR EM RECURSO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA PREVISÃO LEGAL À ÉPOCA INTERPOSIÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o Recurso Especial do Procurador contra Acórdão que negou provimento a Recurso de Ofício, quando interposto sob a égide dos pretéritos Regimentos Internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria MF nº 55/1998, por absoluta falta de previsão legal. Os ditames do atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, bem como dos antigos Regimentos do CC e/ou RICSRF, previstos na Portaria MF nº 147/2007, não têm o condão de acobertar recurso especial protocolado na vigência da antiga norma regimental que não o contemplava, de maneira a torná-lo admissível, em observância ao princípio do tempus regit actum.
Recurso extraordinário negado
Numero da decisão: 9900-000.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negaram provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyasaki, Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 22/12/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014)
Nome do relator: Relator
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR EM RECURSO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA PREVISÃO LEGAL À ÉPOCA INTERPOSIÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial do Procurador contra Acórdão que negou provimento a Recurso de Ofício, quando interposto sob a égide dos pretéritos Regimentos Internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria MF nº 55/1998, por absoluta falta de previsão legal. Os ditames do atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, bem como dos antigos Regimentos do CC e/ou RICSRF, previstos na Portaria MF nº 147/2007, não têm o condão de acobertar recurso especial protocolado na vigência da antiga norma regimental que não o contemplava, de maneira a tornálo admissível, em observância ao princípio do “tempus regit actum”. Recurso extraordinário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negaram provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyasaki, Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 03 89 /2 00 4- 46 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 22/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014) Fl. 426DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10675.000389/200446 Acórdão n.º 9900000.919 CSRFPL Fl. 8 3 Relatório COPERCAFÉ COMERCIAL E EXPORTADORA LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 06/02/2004, exigindo crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos (CSLL), decorrente da em relação ao anocalendário 1999 a 2002, com aplicação da multa qualificada, conforme peça inaugural do feito, às fls. 221/247, e demais documentos que instruem o processo. Com mais especificidade, a autoridade lançadora entendeu por bem arbitrar o lucro da empresa para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, com esteio no artigo 47, inciso III, da Lei no 8.981/1995, uma vez que a contribuinte não apresentou os livros e demais documentos de sua escrita contábil e fiscal, muito embora devidamente intimada para tanto. Após regular processamento, interposto Recurso Especial pela Procuradoria contra Acórdão nº 10321.996, da 3a Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que negou provimento aos recursos de ofício e voluntário, a Egrégia 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 10/11/2008, por unanimidade de votos, achou por bem NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº CSRF/0106.024, sintetizados na seguinte ementa: “Ementa: RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL EM RECURSO DE OFÍCIO IMPROVIDO Não se toma conhecimento de recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional interposto com fundamento na Portaria n° MF 55/98, por falta de previsão regimental. Recurso especial não conhecido.” Ainda irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 369/385, com arrimo nos artigo 9º e 43, do então Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Inicialmente, pretende seja conhecido seu Recurso Extraordinário, uma vez observados os requisitos para tanto, porquanto o Acórdão ora atacado entendeu não ser admissível a interposição de recurso especial em face de decisão que nega provimento a recurso de ofício, divergindo de outras decisões exaradas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão nº CRSF 03.04252, ora adotado como paradigma. Em defesa de sua pretensão, sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que julgou admissível recurso especial em face de Acórdão que negou provimento a recurso de ofício. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Por sua vez, a Turma recorrida entendeu que não seria regimentalmente cabível a interposição de recurso da Fazenda Nacional contra acórdão que negou provimento ao recurso de oficio, mantendo, por conseguinte, a decisão de primeira instância que reduziu de 150% para 75% a multa de ofício aplicada. Alega que tal fato bem demonstra a ocorrência de interpretações divergentes de dispositivos do Decreto n° 70.235/72, bem como do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, resultando em divergência jurisprudencial entre as turmas, dando azo à interposição do presente recurso. Ao fazer prevalecer seu entendimento, defende que a Turma combatida entendeu, equivocadamente, que o Acórdão que nega provimento ao recurso de oficio seria decisão de primeira instância e, portanto, inimpugnável por recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nesse sentido, suscita que apesar de as premissas do raciocínio que conduziu o Acórdão recorrido afiguraremse, a princípio, corretas, a conclusão está equivocada, tendo em vista que o julgamento de recurso de ofício se assemelha ao “reexame necessário” previsto no artigo 475 do Código de Processo Civil, consoante doutrina de Nelson Nery transcrita na peça recursal, no sentido de que “o reexame necessário, não é realmente recurso, mas condição da eficácia da sentença”. Contrapõese ao entendimento consubstanciado no Acórdão guerreado, por entender equivocada a conclusão de que o Decreto n.° 70.235/72 garantiria o duplo grau de jurisdição apenas aos particulares, e não à Fazenda Nacional. Argumenta inexistir a menor dúvida de que o interesse da Fazenda Nacional em recorrer de qualquer decisão proferida pelos Conselhos de Contribuintes existirá sempre que essa decisão for desfavorável aos seus interesses. Bastando que esse fato ocorra, consubstanciado no cancelamento de crédito tributário, para que o interesse em recorrer aflore. Explicita que o Decreto n° 70.235/72 fixa alçada para o recurso de oficio, de modo que as decisões em processos administrativos nos quais se discuta crédito tributário em valor inferior ao designado pelo Ministro da Fazenda serão definitivas, o que não prova existir impedimento a interposição de recurso nos demais casos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Extraordinário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu por bem admitir o Recurso Extraordinário da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no decisum paradigma, Acórdão nº CSRF/03 04.252, consoante se positiva do Despacho nº 910000.568/2011, às fls. 388. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Extraordinário da Procuradoria, a contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10675.000389/200446 Acórdão n.º 9900000.919 CSRFPL Fl. 9 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da CSRF, a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conheço do Recurso Extraordinário e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende dos autos, em face da contribuinte fora lavrado Auto de Infração exigindo crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos (CSLL), em relação ao anocalendário 1999 a 2002, com aplicação da multa qualificada, conforme peça inaugural do feito, às fls. 221/247. Interposta impugnação, a 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG afastou a qualificação da multa, dando ensejo a interposição de recurso de ofício, o qual fora rechaçado pela 3a Câmara do então 1o Conselho de Contribuintes. Em face de aludido Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs recurso especial, que não fora conhecido sob o fundamento de inexistir previsão regimental para tal recurso contra decisão de nega provimento a recurso de ofício, razão do insurgimento nesta empreitada. Em suas alegações de Recurso Extraordinário, pretende a recorrente a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outra decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº CRSF/03.04 252, ora adotado como paradigma. A corroborar sua tese, sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma diverge do decisum guerreado, na medida em que julgou admissível recurso especial em face de Acórdão que negou provimento a recurso de ofício, enquanto a Turma combatida entendeu que não seria regimentalmente cabível a interposição de recurso da Fazenda Nacional contra acórdão que negou provimento ao recurso de oficio, mantendo, por conseguinte, a decisão de primeira instância que reduziu de 150% para 75% a multa de ofício aplicada. Alega que tal fato bem demonstra a ocorrência de interpretações divergentes de dispositivos do Decreto n° 70.235/72, bem como do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, resultando em divergência jurisprudencial entre as turmas, dando azo à interposição do presente recurso. Nesse sentido, suscita que apesar de as premissas do raciocínio que conduziu o Acórdão recorrido afiguraremse, a princípio, corretas, a conclusão está equivocada, tendo em vista que o julgamento de recurso de ofício se assemelha ao “reexame necessário” previsto no artigo 475 do Código de Processo Civil, consoante doutrina de Nelson Nery transcrita na peça recursal, no sentido de que “o reexame necessário, não é realmente recurso, mas condição da eficácia da sentença”. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Argumenta inexistir a menor dúvida de que o interesse da Fazenda Nacional em recorrer de qualquer decisão proferida pelos Conselhos de Contribuintes existirá sempre que essa decisão for desfavorável aos seus interesses. Bastando que esse fato ocorra, consubstanciado no cancelamento de crédito tributário, para que o interesse em recorrer aflore. Explicita que o Decreto n° 70.235/72 fixa alçada para o recurso de oficio, de modo que as decisões em processos administrativos nos quais se discuta crédito tributário em valor inferior ao designado pelo Ministro da Fazenda serão definitivas, o que não prova existir impedimento a interposição de recurso nos demais casos. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu insurgimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Destarte, como já explicitado em outras oportunidades, entendemos que o recurso especial em face de Acórdão que nega provimento a recurso de ofício não reuni todas as condições indispensáveis ao seu conhecimento. De fato, o antigo Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, é por demais enfático ao possibilitar a interposição de Recurso Especial contra Acórdão que negar provimento a recurso de ofício da DRJ de origem, como segue: “Art. 7º. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: [...] § 4º É cabível a interposição de recurso especial contra decisão que negar provimento a recurso de ofício.” (grifamos) Igualmente, o novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, contempla a possibilidade de aludido recurso, senão vejamos: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. (Incluído pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009)” No entanto, os antigos Regimentos Internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria nº 55/1998, vigentes à época da protocolização do Recurso Especial da Procuradoria (08/02/2006), não contemplavam tal recurso sendo defeso os ditames do atual RICARF retroagir a fatos pretéritos consumados anteriormente à sua vigência, de maneira a tornálo válidos. Em outras palavras, os atos administrativos, in casu, recurso especial, deverão obedecer as normas legais vigentes à época em que foram praticados, em observância ao princípio do “tempus regit actum”. Na esteira desse entendimento, somente o Recurso Especial contra decisão que negar provimento a recurso de ofício, interposto sob o manto do hodierno RICARF, ou mesmo antigo regimento aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10675.000389/200446 Acórdão n.º 9900000.919 CSRFPL Fl. 10 7 poderá ser conhecido, eis que previsto na norma processual vigente quando de sua protocolização. A fazer prevalecer esse entendimento, cumpre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão realizada em 15/12/2008, por maioria de votos, nos autos dos Recursos Extraordinários nºs 105126575 e 103122652, dentre outros, rechaçou de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, ao determinar ser inadmissível a interposição de Recurso Especial contra decisão que negou provimento a recurso de ofício, antes da vigência do atual Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, na forma decidida pela 1ª Turma da CSRF, tendo em vista que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002464/2010-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2010
FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A pessoa jurídica que não realizou lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, estava desobrigada da elaboração e apresentação do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT), relativo ao ano-calendário de 2009, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009.
Numero da decisão: 1803-002.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Ricardo Diefenthaeler. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica que não realizou lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, estava desobrigada da elaboração e apresentação do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT), relativo ao anocalendário de 2009, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Ricardo Diefenthaeler. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 24 64 /2 01 0- 10 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 70 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 09 com a exigência do crédito tributário no valor de R$35.000,00 a título de multa de ofício isolada por sete meses de atraso na entrega em 02.08.2010 do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) do anocalendário de 2009, cujo prazo final era 29.01.2010. Consta na Descrição dos Fatos e no Enquadramento Legal: A entrega dos dados para o Controle Fiscal de Transição (FCONT) fora do prazo enseja a aplicação da multa de R$5.000,00 por mêscalendário ou fração de atraso. [...] Art.16 da Lei nº 9.779, de 1999, art. 57, inciso I, Art 2º da IN RFB nº 967/2009 e inciso I do artigo 54 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Cientificada em 02.08.2010, fl. 51, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0205, com suscitando que como não preenche os requisitos da Instrução Normativa RFB, nº 949, de 16 de junho de 2009, apresentou indevidamente o FCONT, já que à época o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real era optativo e ainda com as alegações a seguir transcritas: Declaração ano calendário 2009 com prazo final de entrega 30/07/2010, entregue 02/08/2010 com uma fração em atraso, por motivos citados nos fatos, a empresa White Martins Gás Natural Ltda. está desobrigada a transmitir a declaração do FCONT Controle Fiscal Contábil de Transição. Que transmitida indevidamente, foi notificada e enquadrada estranhamente pelo art. 16 da Lei n° 9.779, art. 57, inciso I, art. 2° da IN RFB nº 967/2009 e inciso I do art. 54 da Medida Provisória nº 2.15835/01, por este motivo solicito o cancelamento de transmissão da declaração de Escrituração de Controle Fiscal Contábil de Transição FCONT, referente ao recibo n° C4.53.60.1A.B7.9C.1F.31.2BA0.AD.21.FE.87.F9.43.31.23.A0.BC.7 e em consequência desde, o cancelamento, e também tornar sem efeito a notificação de lançamento n° 08 20 20 09 82 86 19. A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Está registrado como ementa e parte dispositiva do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1236.285, de 24.03.2011, fls. 2325: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2009 DISPENSA DE EMENTA. Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF n° 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 71 3 Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros da 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, DAR PROVIMENTO EM PARTE À IMPUGNAÇÃO para AJUSTAR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO de multa por atraso na entrega da Escrituração de Controle Fiscal Contábil de Transição FCONT do anocalendário de 2009, originalmente lançada no valor de R$ 35.000,00, para R$ 10.000,00. [...] Consta expressamente no Despacho da ARF/JGS/PE, fl. 68, que o processo dossiê nº 10010.020195/081376 contém a formalização do presente recurso voluntário. Notificada em 08.07.2013, fl. 66, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.08.2013, fls. 0207, formalizado no processo dossiê nº 10010.020195/0813 76, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta: III Mérito No mérito, merece ser reformada a decisão recorrida determinadose o cancelamento integral do crédito tributário consubstanciado no auto de infração que deu origem ao presente processo. Isso porque, conforme já se tratou de adiantar, a Contribuinte não estava obrigada a apresentar a FCONT, nos termos da redação original do §4 do art. 8º da IN/RFB nº. 949, de 16.6.2009, [...]. Nesse mesmo sentido á a redação do art. 5e da IN/RFB ns 267, de 15.10.2009, com redação dada pela IN/RFB nº 970, de 23.10.2009 [...]. Ou seja, por expressa previsão legal a Contribuinte estava dispensada da apresentação da FCONT, uma vez que não existiu qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles aplicáveis para fins tributários, conforme se verifica pela simples análise das fichas 6A e 7A da sua DIPJ/2010 [...]. Em outras palavras, as fichas "6 A Demonstração do Resultado PJ em Geral" e "7A Demonstração do Resultado Critérios em 31.12.2007 PJ em Geral", apresentam dados idênticos, o que comprova que a Recorrente não realizou lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescrita " nela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31/ 12/2007. Ora, estando desobrigada da apresentação a FCONT no anocalendário 2009 / exercício 2010, incabível, por óbvio, a aplicação da multa por atraso em sua entrega. [...] Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material, a Recorrente requer seja analisada a sua DIPJ [...] de onde se pode concluir pela simples comparação entre as fichas 6A e 7A que no caso em análise não existiu lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles aplicáveis para fins tributários, razão pela qual não havia obrigatoriedade da apresentação da FCONT por expressa previsão legal. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 72 4 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Por todo exposto e por tudo o mais que consta nos autos, requer seja dado provimento ao presente recurso voluntário, cancelandose integralmente o crédito tributário ora discutido. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do lançamento de ofício. A obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)1. Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária2. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter 1 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional, art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 73 5 autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 3 Sobre a matéria, a Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007, estendeu às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras e ao critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício, alterando a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e a Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela referida Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007. O RTT terá eficácia até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. Será optativo nos anoscalendário de 2008 e 2009 e obrigatório a partir do anocalendário de 2010, inclusive para a apuração do IRPJ apurado com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Para fins da escrituração contábil os registros contábeis que forem necessários para a observância das disposições tributárias relativos à determinação da base de cálculo do imposto de renda e, também, dos demais tributos, quando não devam, por sua natureza fiscal, constar da escrituração contábil, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração, serão efetuados exclusivamente em (a) livros ou registros contábeis auxiliares; ou (b) livros fiscais (art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). O Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) decorre, basicamente, do Regime Transitório de Tributação (RTT) e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real, as quais dependem de escrituração contábil e, por conseguinte, estão obrigadas à entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD). A Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009, instituiu o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares no art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Esse controle é uma escrituração das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária. A Instrução Normativa RFB, nº 949, de 16 de junho de 2009, que regulamenta o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, em sua redação original, determinava que: Art. 2º As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins 3 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 74 6 tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. [...] Art. 7º Fica instituído o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares previstos no inciso II do § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. Art. 9º O FCONT deverá ser apresentado em meio digital até às 24 (vinte e quatro) horas (horário de Brasília) do dia 30 de novembro de 2009, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado no dia 15 de outubro de 2009, no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, no endereço Parágrafo único. Para a apresentação do FCONT é obrigatória a assinatura digital mediante utilização de certificado digital válido. À utilização dessa sistemática é necessário a realização dos ajustes legais, não podendo ser substituída por qualquer outro controle ou memória de cálculo. Para fins de escrituração, a pessoa jurídica pode utilizar o critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante dos assentos contábeis. A Instrução Normativa RFB nº 967, de 15 de outubro de 2009, que aprova o Programa Validador e Assinador da Entrada de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT), prevê: Art. 1º Fica aprovado o Programa Validador e Assinador da Entrada de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 75 7 (FCont), de que tratam os arts. 7º a 9º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009. § 1º Os dados a serem apresentados por intermédio do Programa consistem em lançamentos referentes aos mesmos fatos, mas considerando critérios diferenciados, são eles: I lançamentos realizados na escrituração contábil para fins societários, que devem ser expurgados; e II lançamentos considerando os métodos e critérios contábeis aplicáveis para fins tributários, que devem ser inseridos. § 2º Partindose da escrituração contábil para fins societários, expurgados e inseridos lançamentos conforme os incisos I e II do § 1º pode ser gerado o FCont definido no art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009. § 3º No caso da pessoa jurídica que tenha adotado a Escrituração Contábil Digital (ECD), nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 19 de novembro de 2007, a escrituração contábil para fins societários, referida no § 2º, será a própria ECD. § 4º No caso da pessoa jurídica que não tenha adotado a ECD e esteja sujeita à apresentação do FCont, a apresentação da escrituração contábil para fins societários fica condicionada à intimação por parte da autoridade fiscal. Art. 2º O FCont será transmitido anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. [...] Art. 5º A apresentação dos dados a que se refere o art. 1º também será exigida da Pessoa Jurídica que se encontre na situação prevista no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1139, de 28 de março de 2011) Verificase que nos anoscalendário de 2008 e de 2009, a pessoa jurídica que não adotasse os critérios contábeis instituídos pela Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007, que alterou a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, estava dispensada de fazer o FCONT, porque ainda que adotasse o regime de tributação com base no lucro real não era optante pelo RTT, já que o FCONT destinase obrigatória e exclusivamente àquela sujeita cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Consta no Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1236.285, de 24.03.2011: Esclareço que, até a presente data, não foi definido, em ato normativo da RFB a forma e prazo para informação da condição prevista no caput do art. 5º da IN RFB Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 76 8 n 967/2009. Porém, a interessada não junta aos autos qualquer documento que comprove não ser a mesma optante pelo Regime Tributário de Transição (RTT), mantendose, portanto, obrigada à apresentação do FCONT. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. Analisando a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2009, fls. 5682, apresentada pela Recorrente espontaneamente verificase que consigna expressamente o regime de tributação com base no lucro real e a opção pelo RTT como o exercício de sua faculdade de escolha. O FCont assim tornouse de entrega obrigatória, porque a Recorrente cumulativamente apresentou a DIPJ pelo regime do lucro real e fez opção pelo RTT. O fato de os dados informados na Ficha 06A Demonstração do Resultado e a Ficha 07A Demonstração do Resultado Critérios em 31.12.2007 serem congruentes não importa, por si só, a não opção pelo RTT. No que se refere ao valor da multa de ofício isolada, excepcionalmente: (a) no período de 16.10.2009 a 07.12.2009 para dados relativos ao anocalendário de 2008, o prazo seria encerrado às 23h59min (vinte e três horas e cinquenta e nove minutos), horário de Brasília, do dia 30 de novembro de 2009 e (b) no período de 08.12.2009 a 05.12.2009 para dados relativos ao anocalendário de 2009, o prazo seria encerrado às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do dia 30 de julho de 2010. A não apresentação do FCONT nos prazos fixados na legislação ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, das multas previstas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Sobre a matéria, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, até 27.12.2012, com alterações introduzidas pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012 e pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, assim determina: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 77 9 b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 78 10 responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita: 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001.[...] 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. (grifos acrescentados) 4 No presente caso para o anocalendário de 2009 a Recorrente optou pelo Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis. Por essa razão ficou vinculada às normas de regência da matéria. Por essa razão tem cabimento a exigência do crédito tributário a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 24.08.2010 do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) do anocalendário de 2009, cujo prazo final era 30.07.2010, independentemente da intenção do agente. Consta no Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1236.285, de 24.03.2011: Quanto ao montante da autuação, o art. 2º, da Instrução Normativa RFB n° 967, de 15 de outubro de 2009, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.046, de 24 de junho de 2010, que aprova o Programa Validador e Assinador da Entrada de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCont), [...] 4 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/PareceresNormativos/2013/parecer032013.htm>. Acesso em 03 set.2013. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 79 11 Destarte, tendo a interessada apresentado a FCont do anocalendário de 2009 em 02/08/2010, caberia a aplicação da multa, prevista no art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, pelo atraso de dois meses calendário (sendo o primeiro o próprio mês de julho, uma vez que a FCont não foi apresentada em 31/07/2010, como poderia, e o segundo o mês de agosto), resultando no montante de R$10.000,00 de multa por atraso na entrega, e não de R$35.000,00 como na notificação de lançamento objeto do presente processo. A partir de 28.12.2012 a multa por apresentação extemporânea do FCONT passou a ser é de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente à pessoa jurídica que, na última declaração apresentada, tenha apurado lucro real. Aplicando o princípio da retroatividade benigna, o valor da multa de ofício isolada deve ser reduzido para R$3.000,00 pelos dois mesescalendário de atraso no cumprimento da referida obrigação acessória, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. A ilação designada pela defendente, a despeito da matéria, destacase como procedente em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está em conformidade com o princípio da legalidade, a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada para R$3.000,00 (três mil reais). A autoridade responsável pela execução da presente decisão deve juntar por anexação aos presentes autos o processo dossiê nº 10010.020195/081376, onde está formalizado o recurso voluntário ora analisado, conforme consta expressamente no Despacho da ARF/JGS/PE, fl. 68 (art. 9º do Decreto nº 70.235, de 05 de março de 1972). 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 80 12 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 80DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 81 13 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Dispõem o art. 8º, § 4º, da Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009, e o art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 967, de 15 de outubro de 2009, respectivamente (grifouse): Art. 8º [...]. [...]. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. [...]. Art. 5º A apresentação dos dados, a que se refere o art. 1º, não será exigida da Pessoa Jurídica dispensada, nos termos do § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009, da elaboração do FCONT por inexistência de lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles aplicáveis para fins tributários. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 970, de 23 de outubro de 2009) Conforme se verifica, a exigência ou não da apresentação do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) está umbilicalmente ligada à existência ou não de lançamentos com base em métodos e critérios diferentes daqueles aplicáveis para fins tributários, e não à eventual opção, incorretamente assinalada, na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente. Assim, totalmente dissociada das normas pertinentes a conclusão da decisão recorrida: Analisando a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2009, fls. 5682, apresentada pela Recorrente espontaneamente, verificase que consigna expressamente o regime de tributação com base no lucro real e a opção pelo RTT, como o exercício de sua faculdade de escolha. O FCont, assim, tornouse de entrega obrigatória, porque a Recorrente cumulativamente apresentou a DIPJ pelo regime do lucro real e fez opção pelo RTT. O fato de os dados informados na Ficha 06A Demonstração do Resultado e a Ficha 07A Demonstração do Resultado Critérios em 31.12.2007 serem congruentes não importa, por si só, a não opção pelo RTT. Nesse mesmo sentido, mencionase o seguinte precedente (Acórdão nº 1802 01.292, de 4 de julho de 2012): Fl. 81DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.002464/201010 Acórdão n.º 1803002.590 S1TE03 Fl. 82 14 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 CONTROLE FISCAL CONTÁBIL DE TRANSIÇÃO FCONT. MULTA POR ATRASO. A Contribuinte que não realizou lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, estava desobrigada da elaboração e apresentação do FCONT relativo ao anocalendário de 2009, por força do § 4º do art. 8º da IN RFB nº 949/2009. Estando desobrigada do FCONT, é incabível a multa pelo atraso em sua entrega. Dou provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 82DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13116.721208/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010
CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência,aindaqueestenãosejaorepresentantelegaldodestinatário.
(SúmulaCARFnº9)
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
A instauração do litígio administrativo sob o amparo do Decreto 70.235/72 é condicionada à impugnação tempestiva do lançamento
Numero da decisão: 2202-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA - PRESIDENTE EM EXERCÍCIO
(Assinado Digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS, RAFAEL PANDOLFO, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA DAYSE FERNANDES LEITE, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA - PRESIDENTE EM EXERCÍCIO (Assinado Digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS, RAFAEL PANDOLFO, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA DAYSE FERNANDES LEITE, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência,aindaqueestenãosejaorepresentantelegaldodestinatário. (SúmulaCARFnº9) IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A instauração do litígio administrativo sob o amparo do Decreto 70.235/72 é condicionada à impugnação tempestiva do lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA PRESIDENTE EM EXERCÍCIO (Assinado Digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 12 08 /2 01 2- 52 Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS, RAFAEL PANDOLFO, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA DAYSE FERNANDES LEITE, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 13116.721208/201252 Acórdão n.º 2202002.880 S2C2T2 Fl. 9 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 31/05/2012, relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0120200.2011.00118, exigindo o valor de R$ 12.238.946,96, decorrente de aplicação de multa isolada no percentual de 300% sobre o valor indevidamente utilizado, como redução do imposto de renda a pagar ou aumento do imposto a restituir ou a compensar, nos termos do parágrafo 3º do art. 86, da Lei n. 8.981, de 1995. De acordo com a Descrição dos Fatos (fls. 2160 a 2171), a multa foi aplicada “tendo em vista que a fonte pagadora prestou informações falsas sobre rendimentos pagos, deduções ou impostos retido na fonte, referentes aos anoscalendários 2005, 2006, 2007 e 2008”, sendo a base de cálculo o valor indevidamente informado como Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF nas DIRFs retificadoras entregues nos dias 12/03/2010, 18/03/2010, 19/03/2010 e 19/02/2010. As informações relativas às DIRFs do período encontramse especificadas nos autos (fls. 2.160 a 2.167). A ação fiscal teve início em 21/07/2011(fl. 2) em razão da percepção dos setores de inteligência da Receita Federal quanto a indícios de informações falsas contidas nas DIRFs transmitidas pela contribuinte, em decorrência do que foram acionados vários órgãos, inclusive o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, instaurandose o inquérito policial n. 0313/2010SR/DPF/GO, que culminou na deflagração da Operação APATE, com investigações na esferea criminal em andamento na Polícia Federal. Procedimento de Fiscalização Consonte Descrição dos Fatos (fls. 2164), a Fiscalização, analisando as informações prestadas nas DIRFs Retificadoras constatou que havia indícios de fraude. Embasou esses indícios no fato de que, nos quatro anos analisados, houve uma variação de 38 a 351 beneficiários informados nas DIRFs originais, para 401 a 532 beneficiários nas DIRFs retificadoras. Sendo assim, em 27/07/2011 o contribuinte foi intimado por “Termo de Início do Procedimento Fiscal” a comprovar, através de documentos (contrato, nota de empenho, ordem de pagamento ou bancária) a contratação dos serviços prestados pelas pessoas constantes em relação apresentada, cujos dados foram recolhidos das DIRFs relativas aos anos calendário 2005, 2006, 2007 e 2008 (fls. 2 a 18). Em resposta, o contribuinte apresentou documentação, referentes a Contratos, Notas de Empenho e Ordens de Pagamento ou Bancária de alguns dos prestadores de serviços indicados como beneficiários (fls. 30 a 2112), a partir do que a fiscalização identificou beneficiários com IRRF comprovado, parcialmente comprovado e não comprovado (fls. 2128 a 2141). Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 4 O ente fiscalizador, assim, entendeu por lavrar auto de infração para aplicação da multa isolada ao sujeito passivo, incidente em 300% sobre o valor indevidamente utilizável , como redução do Imposto de Renda a pagar ou aumento de Imposto a restituir ou a compensar, nos termos do parágrafo 3º do art. 86, da Lei nº 8.981/95. Ainda, autuou de forma solidária o Sr. Francisco Olizete Agra, CPF 013.153.31187, na qualidade de titular da Prefeitura de Itapaci – GO, e o Sr. Valbi Barbosa dos Santos, CPF 231.562.36187 com poderes outorgados pelo Sr. Franciso para apresentar diversos documentos em nome da prefeitura , e detentor do certificado utilizado para assinar digitalmente as declarações retificadoras transmitidas para a RFB, nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008. A responsabilidade solidária se deu em razão da fiscalização entender pela caracterização da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, nos termos dos artigos. 124, inciso II e 135, inciso II, do Código Tributário Nacinoal – CTN. O Sujeito Passivo, Município de Itapaci – GO – Prefeitura, e o responsável solidário, Sr. Francisco Olizete Agra (prefeito), tiveram ciência do Auto de Infração e do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, por via postal (AR), em 06/06/2012 (fls. 2.176 e 2.178). O responsável solidário, Sr. Valbi Barbosa dos Santos, teve ciência do Termo de Sujeitção Passiva Solidária, via edital, em 29/06/2012 (fl. 2.181), em razão do insucesso da tentativa de intimação postal (fl. 2.179 a 2.181). Impugnação O Sujeito Passivo, Município de Itapaci – GO – Prefeitura apresentou, em 15/08/2012, impugnação com preliminar de tempestividade (fls. 2.183 a 2.194), alegando, em síntese: a) No tocante a preliminar de tempestividade, sustenta que a notificação de lançamento efetuada é nula, uma vez que não foi recebida por quem tinha competência legal para fazêlo em nome do impugnante. Refere que a notificação foi feita através de Emanuel Divino Pereira, o qual é servidor do Munícipio, não possuindo procuração ou outorga em lei para representálo. Postula a aplicação do art. 26, § 3º da Lei nº 9.784/99. b) Suscita preliminar de falsidade de documento, ilegitimidade passiva e insegurança jurídica do lançamento. Informa que os atos referidos foram realizados pelo Sr. Valbi Barbosa dos Santos sem conhecimento ou outorga de poderes por parte do Município de Itapaci ou do Sr. Francisco Olizete Agra (prefeito), vez que houve falsificação da assinatura do Sr. Prefeito na procuração utilizada para emitir Certificado Digital em nome do Município e transmitir as DIRF com informações falsas. Desta forma, requer a exclusão da responsabilidade do Município e do Sr. Francisco Olizete Agra; alternativamente requer seja o julgamento transformado em diligência para a realização de Perícia Grafotécnica na procuração de fl. 2.142, com a finalidade de verificar a autenticidade da assinatura aposta; c) Suscita a ilegitimidade passiva do Município, argumentando que os atos de ilegalidade foram praticados pelo Sr. Valbi, que não pertence ao quadro de Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 13116.721208/201252 Acórdão n.º 2202002.880 S2C2T2 Fl. 10 5 servidores ou comissionados do Municípo, não tendo sido comprovado qualquer tipo de benefício, seja ao Município, seja ao Sr. Francisco, razão pela qual deve ser reconhecida a ilegitimidade passiva desses agentes (Município e Sr. Francisco) para figurar como responsável em relação à multa lançada; d) Tece considerações acerca da Insegurança Jurídica do Lançamento, referindo que o tipo penal da infração não se reume à prestação de informações falsas, mas exige também a demonstração de que houve valor indevidamente utilizado, como redução do Imposto de Renda a pagar ou aumento do imposto a restituir ou compensar. Neste sentido, seria imprescindível a demonstração, pelo Fisco, de que os supostos beneficiários apontados nos documentos de fls. 2.113 a 2.141 efetivamente apuraram imposto de renda a restituir, a compensar, ou se foi reduzido o valor a pagar, o que não ocorreu. e) No mérito, assevera que, não havendo comprovação, no procedimento fiscal, da utilização indevida dos valores constantes nas DIRF, procedimento necessário para definir a base de cáclulo da multa prevista no art. 86, §3º da Lei n. 8.981/95, verificase insegurança jurídica do procedimento fiscal e o cerceamento do direito de ampla defesa do Município, importanto a nulidade de todo o procedimento fiscal; f) Não tendo sido provado nos autos ato praticado diretamente pelo Município ou pelo Sr. Francisco, e demonstrado que os atos ilícitos apontado foram realizados exclusivamente pelo mandatário Valbi, agindo com excesso de poderes a ele conferidos, devese aplicar a literalidade do art. 135, II, c/c art. 137, III, “b” para determinar a responsabilidade pessoal e exclusiva do procurador Sr. Valbi, excluindo a responsabilidade do Município e do Sr. Francisco. g) Destaca que o procurador agiu contra a própria pessoa jurídica que lhe outorgou procuração, não se podendo alegar quaisquer benefícios para esta, entendo ser absurda a atribuição de solidariedade entre a impugnante e o seu procurador. h) Diante disso o contribuinte requereu: a) o conhecimento e acolhimento da Impugnação, por tempestiva; b) a declaração de nulidade de todo o lançamento, em relação ao Município, por falsidade da procuração de fls. 2.142; alternaticamente, c) a conversão do julgamento em diligência para a realização de perícia grafotécnica no referido documento; de forma alternativa e consecutiva, caso não acolhidas as preliminares anteriores, d) a ilegitimidade passiva do Município, por ser a infração de caráter personalíssimo e não estar configurada sua responsabilidade pela multa aplicada; e) a nulidade do procedimento fiscal pela deficiência de instrução e demonstração da efetiva utilização indevida dos valores retidos; f) no mérito, postula a nulidade do lançamento por deficiência na demonstração da base de cálculo da multa, ao não se demonstrar se houve a efetiva utilizaçãp do IRRF declarado nas DIRFs falsas; Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 6 i) g) alternativamente, requer seja declarada a nulidade do lançamento, em relação ao Município, por ser a responsabilidade tributária em tela atribuída de forma pessoal e não solidária ao Procurador Valbi. Acórdão da DRJ A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/BSB (fls. 2209/2214), por unanimidade, rejeitou a preliminar de tempestividade suscitada e, no mérito, não conheceu da impugnação em razão da intempestividade. Analisando a preliminar de intempestividade, afirmou que, conforme o disposto no art. 23 do PAF, não há previsão de obrigatoriedade de se adotar a via pessoal em detrimento da postal, sendo a única ressalva legal é quanto à ciência por edital, modalidade que deve ser adotada somente “quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput (...)”. No tocante à alegação de nulidade da ciência em função do recebedor não ser o representante legal do Município, aduz que a Súmula Carf nº 9 pacifica a questão, quando enuncia que é válida a ciência da notificação por via postal, ainda que a assinatura firmada não seja a do representante legal do destinatário, desde que realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. Recurso Voluntário Intimado em 21/11/2012 (fl. 2222), irresignado com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, 19/12/2012 às fls. 2231 a 2301. Em síntese, alega a tempestividade da impugnação. Refere que o art. 24, § 3º, do Decreto nº 70.235/72 é regra de caráter geral que pode e deve ser excepcionada, nos casos em que a penalidade notificada seja de caráter personalíssimo, devendo ser obedecida a regra insculpida no art. 24, caput, da mesma Lei. Requer o provimento do Recurso, reconhecendose a tempestividade da impugnação, rementendose os autos à DRJ para que aprecie as demais preliminares e o mérito da impugnação. Alternativamente, requer o provimento do Recurso, reconhecendose a tempestividade da impugnação e análise dos demais pontos do Recurso. É o relatório. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 13116.721208/201252 Acórdão n.º 2202002.880 S2C2T2 Fl. 11 7 Voto Conselheiro Relator FABIO BRUN GOLDSCHMIDT O recurso voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos de admissibilidade. Tratase de recurso voluntário interposto em razão de acórdão que rejeitou a preliminar de tempestividade arguida pelo contribuinte e no mérito não conheceu da impugnação apresentada. Nas razões de recurso, traz preliminar de tempestividade da impugnação. Analisando os fatos descritos, percebese que o Sujeito Passivo, Município de Itapaci – GO – Prefeitura, e o responsável solidário, Sr. Francisco Olizete Agra (prefeito), tiveram ciência do Auto de Infração e do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, por via postal (AR), em 06/06/2012 (fls. 2.176 e 2.178). Todavia, a impugnação do Munípio somente foi protocolada 15/08/2012. Observase que a impugnação foi apresentada fora do prazo de 30 dias, contados desde a data da intimação do contribuinte, na forma do art. 15, do Decreto 70.235/72, sendo portanto, intempestiva. No tocante ao argumento de nulidade da intimação realizada por via postal, não vislumbro qualquer necessidade de modificação da Decisão da DRJ. Tratase de matéria sumulada neste Tribunal que entende pela possibilidade de recebimento da notificação por via Postal por recebedor diverso do contribuinte, ainda que este não seja o seu representante legal, in verbis: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Ademais, de acordo o art 23 da Lei 70.235/72, a intimação será realizada de forma pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; ou por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. A aplicação de um ou outro método não observa ordem específica, diferentemente do que ocorre com a intimação feita por edital. Dito isso, não se verifica nas alegações do contribuinte, qualquer hipótese que pudesse afastar a intempestividade da impugnação. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 8 (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA
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Numero do processo: 10950.000022/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A argüição de nulidade do procedimento tendo em vista a discussão judicial da exigibilidade das contribuições previdenciárias a que se refere o lançamento, por não ser objeto da ação judicial, se trata de matéria diferenciada sobre a qual não operam os efeitos da renúncia à via administrativa.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI 6.830/1980 E ART. 216, 3º DA LEI Nº 8.213/1991.
A propositura de ação judicial pelo contribuinte anteriormente ou posteriormente a autuação, cujo objeto seja o mesmo da discussão administrativa, acarreta na renúncia à instância administrativa, conforme determina o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/1980 e o art. 216, §3º da Lei nº 8.213/1991. Todavia, não implica em nulidade do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Nos termos do art. 63 da Lei 9.430/96, não incide multa de ofício, bem como multa de mora, nos casos de suspensão da exigibilidade do crédito em razão de liminar em mandado de segurança, a contrario sensu , cabível se faz a multa quando não há liminar suspendendo a exigibilidade do crédito.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termosdo relatório e voto que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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MATÉRIA DIFERENCIADA. A argüição de nulidade do procedimento tendo em vista a discussão judicial da exigibilidade das contribuições previdenciárias a que se refere o lançamento, por não ser objeto da ação judicial, se trata de matéria diferenciada sobre a qual não operam os efeitos da renúncia à via administrativa. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI 6.830/1980 E ART. 216, 3º DA LEI Nº 8.213/1991. A propositura de ação judicial pelo contribuinte anteriormente ou posteriormente a autuação, cujo objeto seja o mesmo da discussão administrativa, acarreta na renúncia à instância administrativa, conforme determina o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/1980 e o art. 216, §3º da Lei nº 8.213/1991. Todavia, não implica em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 63 da Lei 9.430/96, não incide multa de ofício, bem como multa de mora, nos casos de suspensão da exigibilidade do crédito em razão de liminar em mandado de segurança, a contrario sensu , cabível se faz a multa quando não há liminar suspendendo a exigibilidade do crédito. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termosdo relatório e voto que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 00 22 /2 01 0- 74 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 37.260.5060, consolidado em 06/01/2010, em face de PONTAL DO PARANA FRIGORIFICO LTDA, no valor de R$ 3.476.785,03, (Três milhões, quatrocentos e setenta e seis mil, setecentos e oitenta e cinco reais e três centavos), referente a contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor bruto de aquisição da produção rural de Produtor Rural Pessoa Física não declarado em GFIP, no período de 01/2007 a 10/2009. Segundo relatório fiscal, para a apuração dos créditos previdenciários foram tomados por base os valores descontados nas Notas Fiscais de entrada de mercadorias, cotejados com o Livro Registro de Entrada de Mercadorias. Apresentada impugnação pela Empresa, restou dúvidas quanto a Ação judicial mencionada pelo impugnante. Assim sendo, os Autos foram baixados em diligência para maiores informações. Em resposta à solicitação, a Procuradoria Geral da Fazenda informou que na referida ação em nenhum momento existiu medida liminar concessiva de suspensão de exigibilidade do crédito tributário previdenciário a que se refere, ou impeditiva do respectivo lançamento. E que, indeferido de plano o pedido de liminar, a sentença de mérito que lhe sobreveio extinguiu o processo porquanto acatou a tese da defesa, de ilegitimidade ativa da impetrante. A sentença foi confirmada em 2° instância, pendendo de julgamento recurso Especial Interposto, sem efeito suspensivo. Intimada a Empresa, se manifestou reforçando sua argumentação de que seria nulo o lançamento em razão da renúncia à esfera administrativa. Desta feita, seguiuse o julgamento, e o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2009 AIOP 37.260.5060 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MATÉRIA DIFERENCIADA. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10950.000022/201074 Acórdão n.º 2302003.252 S2C3T2 Fl. 3 3 A argüição de nulidade do procedimento tendo em vista a discussão judicial da exigibilidade das contribuições previdenciárias a que se refere o lançamento, por não ser objeto da ação judicial, se trata de matéria diferenciada sobre a qual não operam os efeitos da renúncia à via administrativa de que trata o ADN COSIT n° 03/96, devendo, pois, ser analisada pela autoridade julgadora administrativa. MULTA DE OFICIO. INEXISTÊNCIA DE ILÍCITO. Deixar de efetuar o recolhimento de tributo devido no prazo certo implica na sua posterior exigência acrescido de multa e juros de mora conforme previsto na legislação tributária. A dispensa do recolhimento dos acréscimos decorrentes da mora de que trata o artigo 63 da Lei 9.430/96 se aplica apenas aos casos em que a exigibilidade do tributo estiver suspensa nos termos dos incisos IV e V, do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN. SOBRESTAMENTO ATÉ O RESULTADO DA AÇÃO JUDICIAL Regendose o Processo Administrativo Fiscal, dentre outros, pelo Princípio da Oficialidade, não pode haver sobrestamento dos autos sem que para tanto haja previsão normativa ou determinação judicial. ALEGAÇÕES DE MÉRITO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO A opção do contribuinte pela discussão da matéria dos autos perante o Poder Judiciário implica na renúncia à esfera administrativa do contencioso fiscal conforme definido pelo ADNCOSIT n° 03, de 14/02/1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) Deve a decisão ser reformada, para decretar a nulidade do lançamento diante da opção pelo Poder judiciário para discutir a legalidade da exação relativa à contribuição previdenciária estabelecida pela Lei 8.540/92 que alteração a redação do art. 25 da Lei 8.212/91, aviltando as disposições do art.195, § 8 2. da CF/88. Ocorrendo identidade entre ambas as matérias (contidas no lançamento impugnando e no Mandado de Segurança) o lançamento é nitidamente nulo, não havendo se falar em definitividade da exigência; b) Indevida se apresenta a exigência de multa de ofício no presente caso, já que não ocorreu ato volitivo típico de sanção. Enquanto não esgotada a discussão pela via judicial, a ausência de recolhimento não incorre em mora. c) Não se pode exigir Contribuição Previdenciária sobre as aquisições feitas pela recorrente junto aos seus fornecedores, produtores rurais pessoas Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 4 físicas, tomando como base de cálculo o resultado ou receita bruta proveniente da comercialização da produção agrícola, quando estes exercem atividade empregadora, haja vista trataremse de contribuintes cuja hipótese de incidência tributária subvenciona à folha de salários. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da Alegação de Nulidade do Lançamento Argúi o contribuinte que deve a decisão ser reformada, para decretar a nulidade do lançamento diante da opção pelo Poder judiciário para discutir a legalidade da exação relativa à contribuição previdenciária estabelecida pela Lei 8.540/92 que altera a redação do art. 25 da Lei 8.212/91. Todavia, tal alegação não merece êxito. A renúncia à esfera administrativa não implica em nulidade do lançamento, como pretende a Empresa. No entendimento do recurso, o simples fato de ingressar em juízo para discutir a legalidade ou a inconstitucionalidade da exação previdenciária operaria sua total renúncia à esfera administrativa e, com isso, estaria o Fisco impedido até mesmo de constituir o eventual crédito decorrente da matéria levada à discussão judicial. Esse entendimento é de todo equivocado e não encontra respaldo algum seja na doutrina, seja na jurisprudência trazida em sede recursal. A propositura de ação de mesmo objeto em sede judicial apenas afasta desta Corte a decisão, tendo em vista que sobrepondose decisões judiciais às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, inócuo se faz um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Da renúncia à discussão administrativa do mérito Cumpre, primeiramente, observar, que o mérito da autuação, qual seja, a existência de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor bruto de aquisição da produção rural de Produtor Rural Pessoa Física, faz parte da discussão travada em sede do Mandado de Segurança nº 2007.70.03.0029311 – 2. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10950.000022/201074 Acórdão n.º 2302003.252 S2C3T2 Fl. 4 5 Verificase, assim, uma hipótese de renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, a teor do disposto no art. 126, §3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98). O art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980 traz dispositivo semelhante: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. O fundamento de tais dispositivos legais é evitar decisões conflitantes entre o órgão administrativo e o judicial. O Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Ademais, vale ressaltar que o juízo de primeiro grau denegou a segurança pleiteada no processo acima mencionado, e, posteriomente, fora negado provimento à apelação, tendo sido interposto Recurso Especial, admitido em 15 de dezembro de 2008. Cabe consignar que a renúncia à esfera administrativa não implica em nulidade do lançamento, como pretende a Empresa. No entendimento do recurso, o simples fato de ingressar em juízo para discutir a legalidade ou a inconstitucionalidade da exação previdenciária operaria sua total renúncia à esfera administrativa e, com isso, estaria o Fisco impedido até mesmo de constituir o eventual crédito decorrente da matéria levada à discussão judicial. Esse entendimento é de todo equivocado e não encontra respaldo algum seja na doutrina, seja na jurisprudência trazida em sede recursal. A propositura de ação de mesmo objeto em sede judicial apenas afasta desta Corte a decisão, tendo em vista que sobrepondose decisões judiciais às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, inócuo se faz um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Pelo exposto, entendo haver óbice ao seguimento do procedimento administrativo, posto a escolha pela via judicial para discussão da matéria. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 6 Da multa aplicada No que diz respeito à multa aplicada, , com base no art. 35, I, II e III, da Lei nº. 8.21291 c/c o art. 239, III, do Decreto nº. 3/048/99, a título de multa moratória e multa de ofício, também não assiste razão à Recorrente. Isso porque o art. 63 da Lei 9.430/96 afasta a incidência da multa de ofício, bem como a multa de mora, nos casos de suspensão da exigibilidade do crédito em razão de liminar em mandado de segurança, quando o lançamento é realizado no intuito de evitar a decadência, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Nesse sentido: RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSA POR LIMINAR CASSADA NA SENTENÇA DENEGATÓRIA DO WRIT. MULTA MORATÓRIA AFASTADA. LEI MAIS BENÉFICA. LEI N. 9.430/96, ART. 63, § 2º, E ART 106 DO CTN. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535, II, do CPC, se o Tribunal de origem decide, fundamentadamente, as questões essenciais ao julgamento da lide. 2. Cassada, na sentença denegatória do mandado de segurança, a liminar que suspendera a exigibilidade do crédito tributário hostilizado no mandamus, impõese ao contribuinte impetrante a obrigação de recolher o tributo sem a incidência da multa moratória, nos termos do § 2º do art. 63 da Lei n. 9.430/96. Aplicação da lei mais benéfica ao contribuinte, consoante previsão do artigo 106 do CTN. 3. Recurso especial não provido. (RESp. 1.181.978/MG, Rel. Min. ELIANA CALMON, julgado em 27/04/2010, DJe de 11/05/2010). Como se vê, em todos os casos de que trata o artigo 63 acima, o afastamento da multa de ofício e mesmo da multa de mora só ocorre quando o contribuinte tema seu favor uma medida liminar que suspenda a exigibilidade do crédito em discussão. Se não há liminar, a exigibilidade do crédito é plena e não se aplica a regra do artigo 63 acima, justamente o caso presente, em que o contribuinte em momento algum esteve coberto por medida judicial que suspendesse o crédito tributário em discussão. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10950.000022/201074 Acórdão n.º 2302003.252 S2C3T2 Fl. 5 7 Pelo exposto, mantenho a referida penalidade, uma vez que a Recorrente deixou de recolher os valores lançados sem proteção de liminar em sede do Mandado de Segurança nº. 2007.70.03.0029311 – 2. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo integralmente o lançamento. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10825.723191/2012-83
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2013
PEDIDO DE REVISÃO DE EXCLUSÃO. INCLUSÃO DE ATIVIDADE NO CNAE PELA EMPRESA. ALEGAÇÃO DE ERRO DE ENQUADRAMENTO.
Rejeita-se a alegação de erro de enquadramento de atividade na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), efetuado pela própria empresa, quando referido código está inteiramente de acordo com as atividades por ela alardeadas em seu sítio na Internet e quando o próprio objeto social, para o qual se promoveu alteração contratual, permaneceu com indicação que, implicitamente, abrange várias daquelas atividades.
Numero da decisão: 1803-002.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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INCLUSÃO DE ATIVIDADE NO CNAE PELA EMPRESA. ALEGAÇÃO DE ERRO DE ENQUADRAMENTO. Rejeitase a alegação de erro de enquadramento de atividade na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), efetuado pela própria empresa, quando referido código está inteiramente de acordo com as atividades por ela alardeadas em seu sítio na Internet e quando o próprio objeto social, para o qual se promoveu alteração contratual, permaneceu com indicação que, implicitamente, abrange várias daquelas atividades. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 31 91 /2 01 2- 83 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10825.723191/201283 Acórdão n.º 1803002.565 S1TE03 Fl. 88 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10825.723191/201283 Acórdão n.º 1803002.565 S1TE03 Fl. 89 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 67 e 68): Trata o presente processo, formalizado em 27/12/2012 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP, de exclusão do Simples Nacional (regime tributário instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006), com efeitos a partir de 01/10/2012, em razão de alteração no código CNAE da empresa, por ela promovida com data de evento em 17/09/2012 (fl. 25). 2. Em sua petição inicial (fl. 4, com anexos às fls. 5 a 14), de 10/12/2012, a contribuinte consigna que, em 23/10/2012, promoveu Alteração Contratual na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp – fls. 8 a 12), para modificar seu objeto social para “comércio de produtos de beleza, salão de beleza, massagem e curso e ensino de cabeleireiro”, cujos códigos CNAE correspondem a 4772500 (Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal – fls. 20 e 35), 9602502 (Atividades de estética e outros serviços de cuidados com a beleza – fls. 24 e 39) e 8599699 (Outras atividades de ensino não especificadas anteriormente – fls. 24 e 37). 3. Acrescenta que, ao informar a RFB por meio do Documento Básico, cometeu um erro de enquadramento de atividade, inserindo um CNAE (8690901 – Atividades de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Humana – fls. 25 e 30) que não consta em seu objeto social. 4. Complementa com afirmação de que é optante do regime simplificado desde 01/07/2007, e que o retrocitado código não permite que a empresa continue na sistemática em questão, motivo pelo qual foi excluída com data de evento em 30/09/2012. 5. Conclui que, em razão do erro praticado, cabe o restabelecimento de sua opção pelo Simples Nacional desde 30/09/2012. 6. A Seção de Orientação e Análise Tributária da DRFB/Bauru juntou aos autos os documentos às fls. 15 a 47, e exarou o Despacho Decisório SAORT nº 117/2013 (fls. 48 a 50), indeferindo o pleito da requerente em razão de que o CNAE 8690901 (Atividades de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Humana) não foi introduzido por ela no sistema CNPJ da RFB em razão de um equívoco, tendo em vista que as atividades que constam em seu sítio na internet (fls. 41 e 42) guardam relação com as abrangidas pelo CNAE em comento. 7. Cientificada do indeferimento em 05/04/2013 (Aviso de Recebimento (AR) às fls. 52 e 53), a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 06/05/2013 (fls. 55 e 56, com anexos às fls. 57 a 61). Alega, em síntese, que: 7.1. Em que pese o entendimento da autoridade fiscal, de que a empresa exerce atividades inseridas no CNAE 8690901 (Atividades de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Humana), o fato é que a defendente não exerce tais atividades. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10825.723191/201283 Acórdão n.º 1803002.565 S1TE03 Fl. 90 4 7.2. Em 23/10/2012 promoveu Alteração Contratual na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp – fls. 8 a 12), para modificar seu objeto social para comércio de produtos de beleza, salão de beleza, massagem e curso e ensino de cabeleireiro, cujos códigos CNAE correspondem a 4772500 (Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal – fls. 20 e 35), 9602502 (Atividades de estética e outros serviços de cuidados com a beleza – fls. 24 e 39) e 8599699 (Outras atividades de ensino não especificadas anteriormente – fls. 24 e 37). 7.3. No entanto, ao informar a RFB por meio do Documento Básico, cometeu um erro de enquadramento de atividade, inserindo um CNAE (8690901 – Atividades de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Humana – fls. 25 e 30) que não consta em seu objeto social. 7.4. A recorrente é optante do regime simplificado desde 01/07/2007, sendo certo que o retrocitado código não permite que a empresa continue na sistemática em questão, motivo pelo qual foi excluída com data de evento em 30/09/2012. 7.5. A contribuinte cometeu um erro de enquadramento e jamais teve, em sua atividade social, Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Humana, sendo pertinente o restabelecimento de sua condição de optante pelo regime simplificado no período de 01/10/2012 a 31/12/2012. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 66): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. ATIVIDADE IMPEDITIVA. O exercício de atividade econômica vedada ao regime simplificado, consubstanciada no CNAE 8690901 (Atividades de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Humana), cadastrado como impeditivo ao regime no Anexo I da Resolução nº 6/2007 do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), vedação que permaneceu no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94/2011, equivale à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional e enseja a exclusão automática da sistemática simplificada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 05/12/2013 (fls. 79), a tempo, em 03/01/2014, apresenta a interessada Recurso de fls. 82 e 83, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10825.723191/201283 Acórdão n.º 1803002.565 S1TE03 Fl. 91 5 Em mesa para julgamento. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10825.723191/201283 Acórdão n.º 1803002.565 S1TE03 Fl. 92 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. No presente caso, não ficou, a meu ver, comprovado se tratar de mero erro de enquadramento de atividade a inserção, efetuada pela própria Recorrente, em data de 17/09/2012, na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), do Código 86909 01 – Atividades de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Humana (fls. 25), assim detalhado (fls. 31): 5. Sucede que referido código está inteiramente de acordo com as atividades por ela alardeadas em seu sítio na Internet (fls. 41 e 42): Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10825.723191/201283 Acórdão n.º 1803002.565 S1TE03 Fl. 93 7 6. Como bem destacado pela DRF de origem (fls. 50): 9. A inclusão do CNAE 86909/01 junto ao CNPJ, em 2012, não ocorreu por mero equívoco do interessado, pois basta observar os serviços por ele oferecidos em seu sítio internet (www.eduardos.com.br/home.php), tais como aromoterapia, cromoterapia, shiatsu, relaxamento corporal [massoterapia], shantala ayurvedica abyanga ayurvedica pinda [terapias indianas], para constatar que todos estão contidos no citado CNAE, o qual veda a opção pelo Simples Nacional. 10. Este fato descaracteriza sua alegação de que “...jamais teve, em sua atividade social, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Humana...”, e prejudica seu pedido de reinclusão no Simples Nacional. 7. Além disso, o próprio objeto social para o qual se promoveu alteração contratual (fls. 8 a 12) permaneceu com a indicação “massagem”, a qual, implicitamente, abrange várias das atividades do Código 8690901 – Atividades de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Humana (serviços de doin, massoterapia, serviços de reiki, serviços de rolfing, serviços de shiatsu), não sendo, pois, correto dizer que tais atividades não constariam em seu objeto social. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 93DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.008007/99-40
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1988 a 30/11/1991
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Recurso Extraordinário Provido em Parte
Numero da decisão: 9900-000.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 30/11/1991 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Recurso Extraordinário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 80 07 /9 9- 40 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (fls. 266 a 274) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 251 a 263) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. A presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 28/07/1999, de parcelas referentes a contribuição para o FINSOCIAL de janeiro de 1988 a novembro de 1991 (fls. 03 a 51). Referida solicitação foi indeferida, inicialmente, através do r. Despacho Decisório de fls. 75, tendo sido apontado como razão de decidir o transcurso do prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN. De se destacar, a propósito, que a Colenda Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para, verbis, rejeitar a arguição de decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição do Finsocial e determinar a restituição do processo à repartição fiscal competente para apreciar as demais questões de mérito (fls. 143 a 150). A ementa do v. acórdão recorrido, impugnado através do presente recurso extraordinário, é a seguinte: FINSOCIAL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITORIO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13807.008007/9940 Acórdão n.º 9900000.952 CSRFPL Fl. 136 3 declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/1995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%. No caso do autos o pedido foi protocolado em 19 de abril de 1999. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso extraordinário, apontando, em síntese, que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, prescreve com o recurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. Para tanto, apresentou como paradigma v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da relatoria da Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 286 a 287. Sem contrarrazões. É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 4 DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13807.008007/9940 Acórdão n.º 9900000.952 CSRFPL Fl. 137 5 Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear Fl. 295DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 6 a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13807.008007/9940 Acórdão n.º 9900000.952 CSRFPL Fl. 138 7 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 28/07/1999, de parcelas referentes a contribuição para o FINSOCIAL de janeiro de 1988 a novembro de 1991 (fls. 03 a 51). Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em janeiro de 1998 e novembro de 2001, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi formulado em 28/07/1999, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, e tendo em vista especificamente as parcelas referentes a janeiro de 1998 e novembro de 2001, ele afigurase parcialmente tempestivo, restando prescritas as parcelas anteriores a julho de 1989. Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, com retorno dos autos para a repartição de origem para análise do mérito do pedido de restituição e das subsequentes declarações de compensação apresentadas nos autos. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 8 Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 298DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720112/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMPs.
Numero da decisão: 1401-001.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
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Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMP’s. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 12 /2 00 7- 43 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.394 S1C4T1 Fl. 3 2 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.394 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida, em conjunto, no julgamento de um auto de infração e correlatas negativas de restituição de crédito tributário relacionados à operação da Contribuinte na execução do “Projeto Cabiúnas”. Conforme se extrai do relatório do julgamento realizado por esta Turma em 08 de agosto de 2013, “O trabalho fiscal empreendido neste feito originouse na análise do processo nº 19404.000358/200298 e resultou no lançamento fiscal realizado no processo nº 15521.000140/200751, cujo mérito também reflete a discussão travada nos pedidos de compensação analisados nos processos 10725.720028200720, 10725.720029200774, 10725.72003200707, 10725.720031200743, 10725.720109200720, 10725.720110200754, 10725.720111200707, 10725.720112200773 e 10725.720113200798, todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. Disso se extrai que, para evitar contradição nas decisões e coerência no julgamento, tanto o auto de infração quanto as negativas de compensação foram julgadas conjuntamente, tanto assim que os votos constantes de cada um dos processos possui o mesmo conteúdo. Em sede de embargos de declaração, os mesmos processos voltaram à apreciação desta Turma em 27 de agosto de 2014, sendo que este Relator fez consignar, naquela oportunidade que “Assim como no julgamento dos recursos voluntários, o julgamentos dos embargos de declaração serão feitos de forma conjunta”. Interpõe, agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional, novos embargos de declaração, apenas para os processos nº 19404.000358/200298, 10725.720028/200720, 10725.720029/200774, 10725.720030/200707, 10725.720111/200707, 10725.720112/2007 43 e 10725.720113/200798, em que aduz o seguinte: A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sem o trânsito em julgado do Processo Administrativo nº 15521.000140/200751, rejeitou as ponderações contidas nos Embargos de Declaração. Observase que para o correto desfecho do caso, o julgamento do presente feito (...) deveria aguardar a solução definitiva do processo nº 15521.000140/200751, pois ainda há a possibilidade deste ser reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que modificaria a posição adotada nesses autos. Com efeito, o julgamento do presente processo, sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, Fl. 397DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.394 S1C4T1 Fl. 5 4 já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401 001.250. A omissão na análise desse fato dificulta uma possível impugnação do julgamento, e, desse modo, cerceia o direito de defesa da União (Fazenda Nacional). Verificase, portanto, que esse fato repercute no processo, e dele, essa Egrégia Turma não se manifestou. Diante do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que a e. Turma, sanando a omissão, se manifeste acerca do fato apontado Tendo em vista a identidade de matérias e dos fatos, os embargos serão analisados em conjunto. É o relatório, no necessário. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.394 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos são tempestivos, pelo que deles conheço. Argumenta, a Fazenda Nacional, que teria havido omissão nos julgados dos recursos voluntários e dos embargos de declaração, uma vez que “sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401001.250”. Permissa venia, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração de forma conjunta. Não há dúvidas que o mérito de todos os processos supra relacionados estão interligados, sendo que os mesmos somente não foram apensados por conexão nessa instância por ausência de instrumentos hábeis a fazêlo. Não existe, assim, a omissão arguida. Muito ao contrário, atento a relação entre os feitos foi que, nos recursos voluntários foram “todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. E o mesmo se deu com relação aos embargos de declaração, que “feitos de forma conjunta”. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os presentes embargos. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 399DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001127/2003-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.168
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 387 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A fiscalização iniciouse a partir de MPF com a finalidade de apurar a origem dos depósitos/creditamentos na conta nº 260266 do Banco Bradesco. O presente contribuinte é falecido, motivo pelo qual, após intimar o juízo da vara onde o inventário estava ocorrendo, procedeuse a reiteradas tentativas de intimação da inventariante, Ana Terezinha Volpi, esposa do contribuinte. Devido ao insucesso na obtenção de informações junto à inventariante, a fiscalização utilizouse de RMF (Requisição Informações sobre Movimentação de Financeira) com o fim de descobrir a origem dos depósitos. Após uma série de RMF’s, a fazenda acabou por descobrir a forma dos depósitos e a cotitular da conta bancária, a senhora Claudia Maria Volpi Santana. Após ser intimada, a contribuinte informou que os saques na conta visavam movimentar as atividades do Posto Vapabuçu. Por considerar insuficientes as explicações concedidas, a Fazenda decidiu lavrar auto de infração. 2 Auto de Infração A fiscalização repartiu o ônus tributário do lançamento entre os dois contribuintes detentores da contaconjunta na qual foi verificada a movimentação atípica. Com base nos valores encontrados na conta bancária nº 26.0266 do Banco Bradesco, foi lançado crédito tributário no valor total de R$ 1.276.239,95, inclusos juros de mora e multa. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação (fls.104141) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) o contribuinte é finado, e está sendo representado por sua viúva, Ana Terezinha Volpi, que é também sua inventariante; b) embora a Lei determine que as obrigações do contribuinte sejam passadas ao espólio, na figura do inventariante, é impossível para o inventariante esclarecer sobre fatos ocorridos mais de 5 anos antes da abertura da sucessão. Além disso, somente é obrigação do inventariante prestar informações referentes aos tributos devidos pelo espólio enquanto espólio, conforme a IN nº 53/98; c) só foi possível chegar a tais valores através de quebra de sigilo bancário; d) além da quebra de sigilo bancário, a fazenda ainda aplicou retroativamente a Lei Complementar 105/01; e) ainda, que as intimações prévias não foram atendidas pois, além da impossibilidade da inventariante conhecer a intimidade bancária do exmarido, as correspondências foram remetidas ao finado, sendo que já era conhecido à época pelo fisco que este não estava mais vivo; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 388 3 f) o sigilo foi quebrado sem a existência de procedimento fiscal prévio, conforme determina o art. 2º do Decreto 3.724/01. A quebra de sigilo bancário ocorreu em 29/03/01, sendo que o Mandado de Procedimento Fiscal que deu origem a este processo é de 13/10/2003; g) os valores eram referentes à movimentação do Posto Vapabuçu, sendo os cheques descontados provenientes de caminhoneiros, que eram descontados em sua conta, mas logo havia o saque da quantia e apenas pequena parcela era retida pelo Posto Vapabuçu Ltda., a título de venda de combustível para estes caminhoneiros. Algumas vezes, os cheques eram diretamente repassados aos fornecedores do posto. Sendo assim, os valores apurados não são rendimento do contribuinte, que era gerente administrativo e sócio majoritário do posto; h) as regras básicas de processo prescrevem que aquele que alega deve provar, não podendo a fazenda se basear em presunções para lançar imposto sobre suposta omissão, quando deveria comprovar valor por valor a existência de omissão; i) inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC. Junto à impugnação, acostou aos autos os seguintes documentos: a) cópias de notas fiscais de fornecedor Ale Combustíveis S/A; b) cheques utilizados para pagar as compras demonstradas nas notas fiscais, com recursos da conta da contribuinte; c) declarações dos caminhoneiros referentes aos recebimentos; d) cópias de cheques utilizados para pagar os caminhoneiros supracitados; 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 5ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade, pelo desprovimento da impugnação (fls. 293/310) – sendo o crédito tributário integralmente mantido. Os fundamentos foram os seguintes: a) não procede o pedido do julgamento conexo com o processo administrativo da contribuinte Claudia Maria Volpi Santana, pois isto deve ocorrer somente para processos do mesmo sujeito passivo que compartilhem os mesmos elementos de prova; b) a quebra de sigilo foi autorizada em processo administrativo de quebra de sigilo (fls. 287292); c) a retroatividade da LC 105/01 é permitida, pois é referente a regras procedimentais; d) foram seguidos os ditames legais, vez que o lançamento é atividade vinculada; e) as provas não podem ser juntadas após a impugnação, vez que segundo o art. 16, §4º, preclui, em regra, esta faculdade; Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 389 4 f) a presunção utilizada no lançamento é proveniente de lei, sendo necessária a comprovação da sua existência, cabendo ao contribuinte desqualificar os rendimentos da categoria de tributáveis; g) o contribuinte apenas diz que a origem dos recursos são as operações do Posto Vapabuçu, mas não há comprovação necessária desta relação, e a análise dos livros contábeis da empresa não demonstram tal relação. Ademais, os valores comprovadamente pagos a caminhoneiros nem sequer fazem parte do lançamento, o mesmo vale para os cheques juntados em anexo à declaração da Siderúrgica Bandeirante Ltda.; h) não cabe a órgão administrativo se pronunciar sobre a constitucionalidade da utilização da taxa SELIC; i) jurisprudência judicial e administrativa não vincula a administração tributária, salvo se for coisa julgada em favor do próprio contribuinte; 5 Recurso Voluntário Não satisfeito com o resultado do julgamento, o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário, arguindo: a) a intimação extrapolou no tocante às exigências para o inventariante, que somente tem o dever de prestar as informações relativas aos anoscalendário referentes à duração do processo de inventário; b) o procedimento é nulo, pois foi efetuada quebra de sigilo bancário sem a existência de processo administrativo fiscal. Além disso, a decisão comete o desatino de declarar que o falecido Geraldo da Silva Santana fora cientificado do processo; c) ademais, o sujeito passivo correto deveria ser o Espólio de Geraldo da Silva Santana, não a Srª Ana Teresinha Vulpi. A responsabilidade de terceiros do art. 134 só se aplica quando ocorre ilicitude por parte do terceiro, e o de cujus não pode ser sujeito passivo, pois não mais existe; d) foi desrespeitado o disposto no art. 2º do Decreto 3.724/01, vez que foi efetuada quebra do sigilo bancário antes da abertura do procedimento fiscal; e) a utilização do cadastro da CPMF atingiu períodos anteriores à entrada em vigência da Lei 10.174/01, que permitiu a utilização das informações; f) as informações teriam sido obtidas sem a devida quebra de sigilo bancário por meio judicial; g) a autuação é inválida, pois foi descumprido o disposto no art. 42 da Lei 9.430/96, que determina a prévia intimação dos titulares da conta antes da lavratura de auto de infração, o que não ocorreu, vez que o contribuinte, Geraldo Santana, estava morto à época das intimações, e mesmo assim foi o destinatário destas; h) a fiscalização não comprovou que os depósitos caracterizavam rendimentos omissos; Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 390 5 i) os valores depositados eram provenientes de ação de troca de cheques para caminhoneiros que abasteciam no Posto Vapubuçu Ltda, que davam o cheque para que o contribuinte descontasse, e recebiam o valor do cheque descontado do valor do combustível que havia sido utilizado para abastecer seus veículos de trabalho. A prática era um atrativo para que os profissionais abastecessem no Posto Vapabuçu Ltda. Inclusive, por diversas vezes os cheques eram utilizados para pagar a Fornecedora Ale Combustíveis. j) o que comprova as afirmações é que a própria fiscalização listou como cheques devolvidos seis cheques utilizados por caminhoneiros; k) é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC; É o relatório. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 391 6 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso ora analisado foi interposto no âmbito de procedimento administrativo no qual foi constituído, contra o recorrente, crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda. A autuação utilizou como fundamento a existência de depósitos bancários sem origem comprovada. Para alcançar seu desiderato, a Fiscalização valeuse das informações existentes no cadastro de CPMF do contribuinte, para fatos geradores anteriores à edição da Lei 10.174/01. Além disso, utilizou requisição de movimentação financeira (RMF), após a apuração de omissão de rendimentos em conta conjunta com outra contribuinte. Apenas a co titular da conta teve a quebra de sigilo bancário apreciada e deferida por órgão judicial. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 392 7 sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 393 8 PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte Fl. 393DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 394 9 reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 394DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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