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Numero do processo: 10768.003602/2009-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 9202-005.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 36 02 /2 00 9- 47 Fl. 365DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão da 1ª turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção, consubstanciada no Acórdão n° 2101002.482 que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE AÇÃO TRABALHISTA. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 14/11/2014. Cientificada do acórdão trinta dias após o encaminhamento, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 23/12/2014, o Recurso Especial que visa rediscutir a manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente com recálculo do imposto de renda, para que seja apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Na origem, trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2006, considerado omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrente de ação judicial. Ressaltese que o contribuinte é portador de moléstia grave. Diante do julgado, visa a Fazenda Nacional rever o recorrido e, cientificado o contribuinte, este apresenta contrarrazões questionando a admissibilidade do Recurso Especial ausência de préquestionamento e, caso conhecido, pugna pela manutenção do acórdão a quo. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 9202005.636 CSRFT2 Fl. 366 3 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade, ainda frente a alegação de inadmissibilidade do Contribuinte, que não considera o constante do Acórdão, mas apenas coteja a ementa dos acórdãos, bem como o fato do Regimento Interno deste CARF exigir prequestionamento somente por parte do Contribuinte, cf. art. 67. No mérito: Importante pressuposto para o deslinde da presente questão é a Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. Outrossim, o recurso especial deve ser analisado a partir dos critérios fixados pela Corte Constitucional, de onde exsurge a importância do esclarecimento da sua ratio decidendi, frente ao que entendo absolutamente irrepreensíveis os dispositivos e justificações constantes do Voto Vencedor consubstanciado no Acórdão 280200.713, da lavra do ilustre Conselheiro Rafael Pandolfo, que adoto como razão de decidir: 1.2 A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa Fl. 367DF CARF MF 4 aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. Ressaltou ainda a Ministra que a aplicação dada pela Fiscalização ao art. 12 da Lei nº 7.713/88 viola os princípios da capacidade contributiva, pois a incidência do imposto de renda deve considerar as alíquotas vigentes na data em que verba decorrente dos rendimentos recebidos acumuladamente deveria ter sido paga. Abaixo, transcrevo trechos do voto da Ministra Carmen Lúcia: 19. No presente caso, a retenção do imposto de renda pelo regime de caixa afronta o princípio constitucional da isonomia, pois outros segurados/contribuintes com o mesmo direito receberia tratamento díspares. Como destacado pelos Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli, não se pode imputar ao Recorrido a responsabilidade pelo atraso no pagamento de proventos, sob pena de premiar e incentivar o Fisco no retardamento injustificado no cumprimento de suas obrigações legais. Ademais, a efetivação do direito do contribuinte/segurado, pela via judiciária, conforme ocorrido, passa também pelo restabelecimento da situação jurídica quo ante, o que pressupõe a aplicação das corretas alíquotas. À luz dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, significa dizer que a incidência do imposto de renda deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na data em que essa verba deveria ter sido paga (disponibilidade jurídica, como Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 9202005.636 CSRFT2 Fl. 367 5 advertido pelo Ministro Marco Aurélio), observada a renda auferida no mês pelo segurado. Disso resulta não ser razoável, tampouco proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo, como se dá na espécie examinada. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumuluda. 2. Efeitos da decisão do STF sobre o crédito tributário O crédito tributário debatido no presente recurso foi apurado através da aplicação das alíquotas vigentes no anocalendário do pagamento acumulado dos rendimentos sonegados ao contribuinte, em virtude de decisão judicial trabalhista. Esse pagamento se deu ao longo de 2007 e 2008, e dizia respeito a diferenças que deixaram de ser pagas ao contribuinte em 1994. A alíquota aplicada ao presente caso (27,5%), teve como fundamento legal o art. 1º da Lei nº 11.482/07 e incidiu sobre uma base de cálculo acumulada de R$ 187.546,28. Ocorre que o lançamento foi amparado na intepretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi fulminada pelo STF. Como consequência utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveria ter utilizado, de acordo com o Supremo. O lançamento, portanto, é nulo, como entendeu essa turma em recente julgamento relatado pela Ilustre conselheira Dayse Fernandes Leite: RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do Fl. 369DF CARF MF 6 tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, as tão somente afastar a exigência indevida. (CARF. 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 2 ª Turma Ordinária. Ac: 2202002.725. Rel. Conselheira Dayse Fernandes Leite. Julg.: 12/08/14). Grifo nosso. A nulidade é insanável e não caberia ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento, uma vez que, a teor do art. 2º, parágrafo único, VII e art. 50, ambos da Lei nº 9.784/99, e do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/73, é imprescindível a indicação dos fundamentos de fato e de direito que dão fundamento ao lançamento. Em suma, a modificação do lançamento não pode ser efetuada em sede de julgamento de recurso voluntário, pois o recalculo da obrigação tributária com base em novas alíquotas, implica alteração do critério jurídico que serviu de fundamento ao lançamento, conforme entendimento já adotado por essa Turma: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 MUDANÇA DE MOTIVOS DETERMINANTES. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. A motivação constitui o fundamento do lançamento tributário, ato administrativo vinculado. A adoção, pela decisão recorrida, de fundamento distinto do utilizado pelo auto de infração (infirmado pelo contribuinte), visando à manutenção da relação tributária, revelase inconciliável com o estado democrático de direito. Recurso voluntário provido (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 220201.548. Rel. Rafael Pandolfo. Julg. em 18/01/12.) No âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 241. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária Diort, aos Serviços de Orientação e Análise Tributária Seort e às Seções de Orientação e Análise Tributária Saort competem as atividades de orientação e análise tributária, e em especial: V realizar diligências e proceder ao lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências; Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 9202005.636 CSRFT2 Fl. 368 7 Art. 243. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat e às Seções de Controle eAcompanhamento Tributário Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: IX realizar diligências e proceder o lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências.(grifo nosso) Em outras palavras, cabe às autoridades eleitas pelos supracitados dispositivos a verificação do fato gerador e a quantificação da obrigação tributária que será atribuída ao contribuinte, com base nos critérios jurídicos indicados no lançamento (CTN, art. 142). A contrario sensu, o CARF não é competente para refazer o lançamento quando alterados os critérios jurídicos utilizados pela autoridade lançadora, porquanto não há lei que assim estipule. A função deste Conselho é definida pelo art. 1º do seu Regimento Interno Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobrea aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência desta Turma: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF Ano calendário: 2002. ERRO ESCUSÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Depreendese dos autos que omissão de valores na Declaração de Ajuste Anual da recorrente é fruto de falta de informações prestadas pela Fonte Pagadora, em evidente descumprimento ao disposto no art. 941 do Decreto 3.000/99. INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA LANÇAR MULTA. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazê lo a partir de esteio inaugural. (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 2202002.289. Relator Conselheiro Rafael Pandolfo. Julgado em 17/04/13) Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Fl. 371DF CARF MF 8 Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado. Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Reitero aqui, inicialmente, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória, auferida através de reclamatória trabalhista. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 22, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 9202005.636 CSRFT2 Fl. 369 9 estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Ainda, considerando que a desconstitituição do lançamento propugnada pelo Colegiado a quo levou ao nãoexame de alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte (mais especificamente quanto à isenção alegadamente aplicável aos rendimentos recebidos), de se retornar o feito ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 10108.721374/2014-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/09/2015
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É considerada intempestiva a petição protocolada fora do prazo legal, obstando o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/09/2015 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É considerada intempestiva a petição protocolada fora do prazo legal, obstando o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 10 8. 72 13 74 /2 01 4- 21 Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10108.721374/201421 Acórdão n.º 3302004.718 S3C3T2 Fl. 805 2 Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese parte do relatório da decisão recorrida: "Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa ATACADO FERNANDES DE GENEROS ALIMENTICIOS, IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., CNPJ 05.415.585/000124, no valor de R$ 8.235.479,07 (Oito milhões, duzentos e trinta e cinco mil, quatrocentos e setenta e nove reais e sete centavos) em decorrência de falsidade ideológica nas exportações de produtos para a Bolívia. A autuação fundamentouse no artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, com o seu §1º incluído pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, pela prática das infrações definidas como dano ao erário, no caso o uso de documentos ideologicamente falsos em operações comerciais. Ao amparo do parágrafo 3o do referido artigo 23, foi aplicada a multa equivalente ao preço constante das notas fiscais na exportação, pelo fato da mercadoria que estaria sujeita a pena de perdimento, já ter saído do país." Em impugnação, ... A Décima Primeira Turma da DRJ em São Paulo julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 COMÉRCIO EM CIDADES DE FRONTEIRA O valor de US$ 2.000,00 por nota fiscal na venda de mercadorias a não brasileiros em cidades de fronteira, estipulado pela IN SRF 118/1992, foi colocado na letra da norma como valor limite de venda, valor a ser controlado quando da transposição de fronteira. Não pode desta forma um comprador estrangeiro adquirir mercadorias em valor superior a US$ 2.000,00 e fracionar as mercadorias em notas fiscais distintas para a transposição da fronteira. FALSIDADE IDEOLÓGICA Falsidade Ideológica: o dano ao erário decorrente da falsidade documental prevista no artigo 105 do Decreto Lei 37/66, também é aplicável no caso de constatação de falsidade ideológica, conforme dispõe o parágrafo 3 A do Artigo 689 do Decreto 6759/2009, com redação dada pelo Decreto 8010/2013. PROVA POR PRESUNÇÃO A presunção só é apta a justificar a constituição do fato jurídico tributário se evidenciado o nexo lógico entre o fato provado e o Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10108.721374/201421 Acórdão n.º 3302004.718 S3C3T2 Fl. 806 3 probando. É preciso demonstrar que a ocorrência do indício é prova da concretização da hipótese de incidência. No âmbito do processo administrativo fiscal é admitida a prova por presunção, desde que devidamente demonstrados os indícios precisos, veementes e convergentes, necessários para se inferir a ocorrência do fato gerador do tributo Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. Preliminar de tempestividade do recurso; 2. A insubsistência da decisão de primeira instância, em razão da não comprovação dos fatos imputados, pelo fato de que todo o fundamento foi lastreado em suposições e presunções; 3. A ausência de previsão legal para aplicação da pena de perdimento nas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias nas exportações; 4. A inexistência de dano ao erário. Em 29/09/2015, a recorrente protocolou petição, requerendo a imediata suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a remessa do recurso voluntário a este Conselho. Em 02/10/2015, foi proferido despacho pela Seção de Arrecadação e Cobrança SARAC da Inspetoria da Receita Federal em Corumbá/MS, determinando a expedição de carta cobrança e envio dos autos ao CARF. Diante da expedição da carta cobrança, a recorrente impetrou mandado de segurança, visando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o julgamento final do recurso pelo CARF e reconhecer a tempestividade do recurso administrativo interposto, ou, subsidiariamente, que se reconhecesse a competência do CARF para análise da preliminar de tempestividade, concedendo a suspensão enquanto não ocorrido tal apreciação (efls. 593/595). A liminar foi deferida concedendo a suspensão do crédito tributário até o julgamento pelo CARF, e foi confirmada pela sentença, conforme efls. 585/763. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10108.721374/201421 Acórdão n.º 3302004.718 S3C3T2 Fl. 807 4 Destacase que a recorrente obteve provimento judicial, no qual determinou se a suspensão do crédito tributário, até o julgamento definitivo do recurso voluntário pelo CARF, inclusive no que se refere à preliminar de tempestividade. Passase, assim, à questão da tempestividade da peça recursal. O Acórdão e a intimação do resultado de julgamento foram disponibilizados na data de 02/07/2015, às 11:25:22, com a mensagem de que a data da ciência seria a data em que o destinatário efetuar a consulta à mensagem na Caixa Postal, ou quinze dias após a data de disponibilização, 02/07/2015, caso não ocorresse a consulta à Caixa Postal (efls. 466). O Termo de Abertura de Documento de efls. 468 informou que a recorrente acessou o teor dos documentos apenas em 21/08/2015, enquanto o transcurso do prazo de quinze dias se deu em 17/07/2015, conforme Termo de Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo, às efls. 467. Já a peça recursal foi protocolada em 11/09/2015, conforme efls. 470/471. A ciência dos julgamentos proferidos pela DRJ é regida pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10108.721374/201421 Acórdão n.º 3302004.718 S3C3T2 Fl. 808 5 III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10108.721374/201421 Acórdão n.º 3302004.718 S3C3T2 Fl. 809 6 § 7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) Por sua vez, a Portaria SRF nº 259/2006, especifica: Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: ( Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009 ) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. [...] Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; II registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, no caso do inciso II do art. 4º; ou III de publicação do edital, se este for o meio utilizado. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10108.721374/201421 Acórdão n.º 3302004.718 S3C3T2 Fl. 810 7 A intimação foi realizada por meio eletrônico com disponibilização da documentação na Caixa Postal no módulo ECAC. Depreendese da leitura do inciso III do §2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 12.844/2013, que a abertura dos arquivos na caixa postal será tomada como data de ciência quando ocorrer em momento anterior ao decurso de prazo de quinze dias da disponibilização dos arquivos, abaixo novamente transcrito: § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)(grifos não originais) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) A data da disponibilização ocorreu em 02/07/2015 e o transcurso de quinze dias finalizouse em 17/07/2015. A recorrente, por sua vez, acessou os arquivos em 21/08/2015, posteriormente à data relativa ao transcurso de prazo de quinze dias. Em sua preliminar de tempestividade, a recorrente alega que a mensagem visualizada no sistema não informa sobre a decisão proferida no processo administrativo em que ela é parte e não informa o prazo de trinta dias para pagar ou recorrer ao CARF e que a intimação fazia menção apenas ao prazo de trinta dias sem alusão a qualquer preceito legal e que a ciência eletrônica é relativamente nova e deveria passar por ajustes. Subsidiariamente, pugna, se for o caso, pelo conhecimento de ofício para revisão dos atos administrativos e a aplicação do princípio da verdade material e do informalismo, para superar a intempestividade, e julgar o recurso interposto. Sem razão, a recorrente. O Termo de Registro de Mensagem na Caixa Postal Comunicado (efls. 466) foi anexado ao eprocesso em 02/07/2015 e continha a informação expressa quanto à correta data de ciência a ser considerada, quanto aos documentos disponibilizados, informando, expressamente, Acórdão de Impugnação e a Intimação de Resultado do Julgamento. A mesma informação estava contida no Termo de Ciência Eletrônica (efls. 467), anexado em 18/07/2015, dia seguinte à ciência por decurso de prazo. Assim, os termos anexados eram bem claros quanto ao objetivo de se dar ciência do resultado do acórdão de julgamento da DRJ. Além disso, a intimação era explícita quanto ao prazo de trinta dias para o pagamento ou apresentação de recurso administrativo, cumprindo rigorosamente o disposto no inciso V do artigo 101 do Decreto nº 70.235/1972, 1 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10108.721374/201421 Acórdão n.º 3302004.718 S3C3T2 Fl. 811 8 sendo desnecessária a informação do enquadramento legal relativo ao prazo, informação esta de conhecimento amplo no processo administrativo e da própria recorrente, que a informou em sua peça recursal. Ademais, a indicação do enquadramento legal do prazo para interposição de recurso não é requisito essencial para a realização da intimação e caso houvesse discordância quanto ao prazo estipulado, caberia, sim, à recorrente indicar o dispositivo em contrário. Concernente à alegação de que a ciência eletrônica é nova, que deveria passar por ajustes, é inócua, pois a ninguém é dado descumprir a lei por falta de conhecimento2. Frise se, entretanto, que a recorrente teve ciência eletrônica neste próprio processo em 11/09/2014, relativamente à intimação SARAC 39/2014 (efls. 432) e em 17/10/2014, relativamente à intimação SARAC nº 47/2014. Além disso, na informação prestada no Mandado de Segurança nº 001234678.2015.403.6000, a recorrente teve ciência eletrônica de documentos em outros processos, desde 2012, a saber processos nº 10108.722248/201222, 10108.721072/201291 e 10108.720430/201419, sem ter efetuado qualquer contestação quanto à modalidade de ciência recebida, ressaltando que o endereço eletrônico foi autorizado e expressamente consentido pela recorrente, conforme preconizam os §§4º e 5º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972. Quanto as alegações de aplicação do princípio da verdade material, este não é irrestrito e encontra seus limites na preclusão processual, especialmente no prazo para a apresentação de impugnação ou de recursos voluntários, bem como na ausência de contestação de matéria tributável, ou de apresentação de provas, e que tem como grande objetivo garantir o avanço progressivo da relação processual. Neste sentido, citamse decisões desta turma: Acórdão nº 3302002.951: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL. É intempestivo o recurso protocolado na repartição quando expirado o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso não Conhecido. Acórdão nº 3302002.963: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. 2 Art. 3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. (Decretolei nº 4.657/1942 Lei de Introdução às normas de Direito Brasileiro). Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10108.721374/201421 Acórdão n.º 3302004.718 S3C3T2 Fl. 812 9 É considerada intempestiva a petição protocolada fora do prazo legal, obstando o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acórdão nº 3302003.016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2008, 2009, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido Por fim, a recorrente, em memoriais suplementares juntados após o recurso voluntário, acrescenta que poderia ser aplicado, subsidiariamente, o artigo 15 do CPC (Lei 13.105/2015), abaixo transcrito: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Conforme expresso na redação do artigo, somente se aplica o CPC (e este é o entendimento deste relator mesmo na vigência do anterior CPC) na ausência de norma regulatória do processo administrativo, o que não é o caso, pois as intimações são reguladas pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, não havendo que se falar em aplicação supletiva ou subsidiária do CPC. Assim, a data de ciência por decurso de prazo em 17/07/2015 é anterior à data de consulta dos referidos documentos em 21/08/2015, devendo a ciência ser considerada ocorrida nesta data, nos termos do inciso III do §2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972. Tendo o recurso voluntário sido interposto em 11/09/2015, deve ser considerado perempto. Diante do exposto, voto para não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 812DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.001920/2007-82
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ - PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES ACOLHIDO APÓS O PRAZO PARA O ENVIO DA DECLARAÇÃO - NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET De acordo com o entendimento manifestado na decisão de primeira instância, para evitar a multa pelo atraso na entrega da Declaração a Contribuinte deveria ter primeiramente enviado, dentro do prazo legal, uma DIPJ com base no lucro real ou presumido, para, posteriormente, após ter sido incluída retroativamente no Simples, enviar a Declaração Simplificada do exercício de 2005, a qual assumiria a condição de retificadora da DIPJ anteriormente entregue. O art. 4º da IN SRF 166/99 não admite retificação de declaração que tenha por objetivo a mudança no regime de tributação. Em razão dessa norma, se a Contribuinte tivesse adotado o procedimento defendido pela Delegacia de Julgamento, receberia a multa por atraso da mesma forma, porque a Receita Federal tem entendido que uma primeira declaração apresentada num regime tributário inválido/incorreto não evita a intempestividade da segunda declaração (que é apresentada no regime correto). Diante destas circunstâncias, não havia outra providência mais adequada do que a adotada pela Contribuinte, que, em vista da pendência de seu pedido de inclusão retroativa (posteriormente acolhido), utilizou da via postal para registrar a entrega da declaração no prazo legal, encaminhando-a em papel e em mídia eletrônica, já que o RECEITANET não permitia a transmissão da declaração.
Numero da decisão: 1802-000.891
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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O art. 4º da IN SRF 166/99 não admite retificação de declaração que tenha por objetivo a mudança no regime de tributação. Em razão dessa norma, se a Contribuinte tivesse adotado o procedimento defendido pela Delegacia de Julgamento, receberia a multa por atraso da mesma forma, porque a Receita Federal tem entendido que uma primeira declaração apresentada num regime tributário inválido/incorreto não evita a intempestividade da segunda declaração (que é apresentada no regime correto). Diante destas circunstâncias, não havia outra providência mais adequada do que a adotada pela Contribuinte, que, em vista da pendência de seu pedido de inclusão retroativa (posteriormente acolhido), utilizou da via postal para registrar a entrega da declaração no prazo legal, encaminhandoa em papel e em mídia eletrônica, já que o RECEITANET não permitia a transmissão da declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.001920/200782 Acórdão n.º 180200.891 S1TE02 Fl. 48 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Marcelo Assis Guerra e Marco Antônio Castilho. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.001920/200782 Acórdão n.º 180200.891 S1TE02 Fl. 49 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que considerou procedente o lançamento no valor de R$ 1.853,20, a título de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada do exercício 2005, anocalendário 2004. Conforme o auto de infração de fl. 4, o prazo final para a entrega da referida declaração era 31/05/2005, mas ela só foi enviada em 14/12/2005. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 1 a 3, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0618.276 (fls. 34 a 37), a Contribuinte: a. Alega que a empresa foi constituída em 06/08/2003, enquadrandose na condição de EPP, e que somente iniciou suas atividades a partir de maio/2004; b. Afirma que, por ocasião da apresentação de sua DIPJ no início do corrente mês, foi surpreendida da informação de que não está enquadrada no fisco federal como Simples, fato este que não tinha conhecimento, que sempre teve a mais absoluta convicção da total regularidade de seu enquadramento; c. Explica que constatou equívoco involuntário no seu cadastramento ao não se consignar no campo 01 (Eventos), o código 301 — inclusão no Simples por opção da empresa; e que, para tal correção, apresentou requerimento à SRF, dando origem ao processo administrativo n° 10930.001706/200564, cuja decisão foi pelo deferimento do pedido, retroativamente a 11/09/2003; d. Justifica que, em 31/05/2005, tentou entregar a declaração simplificada, não tendo conseguido, pois o sistema RECEITANET2005 acusou erro; e que diante disso, encaminhou à SRF a declaração simplificada impressa e em disquete, conforme AR juntado; e. Entende que, em vista da decisão proferida pela SRF/Londrina, a multa aplicada pelo atraso na entrega da declaração deve ser anulada, pois a empresa ficou impedida de entregar na data, tendo, porém, enviado pelo correio. E além disso, na data da negativa do recebimento, a empresa estava com pedido em andamento. Como mencionado, a DRJ Curitiba/PR considerou, por voto de qualidade, procedente o lançamento, vencido o relator do processo. O voto vencedor que orientou a decisão de primeira instância apresentou os seguintes fundamentos: 13. Considerando que o pedido de inclusão retroativa no Simples, formulado nos autos do processo n° 10930.001706/200564, ainda se encontrava pendente de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.001920/200782 Acórdão n.º 180200.891 S1TE02 Fl. 50 4 decisão em 31/05/2005, razão pela qual não logrou sucesso na tentativa de apresentação da declaração simplificada do exercício de 2005, haja vista não estar à época ainda enquadrada na sistemática do Simples, deveria a interessada cumprir a obrigação acessória mediante apresentação, até o dia 30/06/2005, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ 2005 com base no lucro real ou no lucro presumido, conforme disposto no art. 4° da IN SRF n° 541, de 29 de abril de 2005. 14. Posteriormente, após ter sido incluída retroativamente no Simples, a interessada sujeitouse ao cumprimento de nova obrigação acessória, qual seja, a apresentação da declaração simplificada do exercício de 2005, a qual assumiria a condição de retificadora de eventual DIPJ 2005 anteriormente entregue. 15. Contudo, não tendo apresentado anteriormente nenhuma declaração de informações no exercício de 2005, fica caracterizado o atraso na entrega da DSPJ 2005 Simples, em 14/12/2005, em face de ser a primeira declaração desse exercício. 16. Dessa forma, é de se manter a exigência da multa por atraso da DSPJ 2005 Simples. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 19/06/2008, a Contribuinte apresentou em 24/06/2008 o recurso voluntário de fls. 41 a 45, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando ainda os seguintes argumentos: os fundamentos do voto vencedor que orientou a decisão de primeira instância não merecem acolhimento; no caso de entrega de declaração de imposto de renda pelo lucro presumido, não haveria como retificar a declaração, senão pelo mesmo regime; a declaração simplificada não retificaria a declaração com opção do lucro presumido; como bem dito no voto vencido na primeira instância, item 5, "d", a recorrente encaminhou via correio por A.R a declaração impressa e salva em disquete; a Recorrente ficou impedida de entregar na época própria a referida declaração, porém a fez via correio, o que deveria ser acolhido de ofício; na data em que houve a negativa do recebimento da entrega da referida declaração pelo RECEITANET, a Recorrente estava com o pedido de inclusão retroativa em andamento, conforme o processo administrativo n° 10930.001706/200564, o que, por si só, deveria evitar a negativa no recebimento da declaração. Este é o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.001920/200782 Acórdão n.º 180200.891 S1TE02 Fl. 51 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a exigência de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada do exercício 2005, anocalendário 2004. O prazo final para o cumprimento da obrigação acessória era 31/05/2005, mas a declaração só foi enviada pelos sistemas eletrônicos da Receita Federal em 14/12/2005. Por um equívoco no cadastramento, o CNPJ não indicava para a Contribuinte a condição de empresa enquadrada no Simples. Em razão disto, ela não conseguiu enviar a Declaração Simplificada pelo sistema RECEITANET dentro do prazo regulamentar. Contudo, nessa mesma época havia um pedido de inclusão retroativa no Simples (processo nº 10930.001706/200564), pendente de apreciação, que acabou sendo posteriormente acolhido conforme informação constante à fls. 32/33. Para se resguardar, a Contribuinte encaminhou pelos correios, em 31/05/2005, a Declaração Simplificada impressa em papel e gravada em mídia eletrônica, conforme AR de fl. 12. E após a regularização de sua situação cadastral, conseguiu enviar, em 14/12/2005, a DSPJ pelo RECEITANET, recebendo posteriormente a multa pelo atraso na entrega da declaração. Ao analisar o caso, a Delegacia de Julgamento manifestou, por voto de qualidade, o entendimento de que a Contribuinte deveria ter primeiramente enviado, dentro do prazo legal, uma DIPJ com base no lucro real ou presumido, para, posteriormente, após ter sido incluída retroativamente no Simples, enviar a Declaração Simplificada do exercício de 2005, a qual assumiria a condição de retificadora da DIPJ anteriormente entregue. Não considero correto esse posicionamento. É comum apreciarmos neste Conselho (CARF) autos de infração por atraso na entrega de Declaração quando o Contribuinte adota justamente o procedimento sugerido pela DRJ, lançamentos esses que são mantidos em primeira instância com o argumento de que a legislação não admite retificação de declaração para mudança no regime de tributação (no caso, seria de Real ou Presumido para Simples). A base utilizada nessas decisões de DRJ é extraída da IN SRF 166/99, que impede a retificação de DIPJ quando ela visa promover a mudança no regime de tributação: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.001920/200782 Acórdão n.º 180200.891 S1TE02 Fl. 52 6 sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. § 1o Aplicase o disposto neste artigo às Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIRPJ relativas a anos calendário anteriores a 1998. § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; (...) Art. 4º No caso de DIPJ ou DIRPJ, não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. (grifos acrescidos) Em relação a esses outros casos, tenho manifestado neste colegiado o entendimento de que está havendo uma aplicação equivocada da referida Instrução Normativa. Cabe ressaltar que a partir da Medida Provisória nº 1.99026/99 (atualmente MP nº 2.18949/2001), a retificação de declarações deixou de depender de autorização da Autoridade Administrativa. Por outro lado, também é importante lembrar que desde as leis 9.430/96 (art. 3º) e 9.718/98 (art. 13), a opção pelo Lucro Real Anual ou pelo Lucro Presumido, respectivamente, passou a ser feita logo no início do ano em curso, e em caráter definitivo. Nestes termos, o impedimento trazido pela IN SRF 166/99 encontra sua justificativa na medida em que a opção por um dos regimes se dá num momento bastante anterior à entrega da declaração, em caráter definitivo, e a liberdade para a retificação de Declaração, embora ampla, não poderia servir como meio de burlar a regra da definitividade da opção pelo regime tributário. Portanto, o que é vedado realmente é a mudança no regime de tributação. Mas uma coisa é a apresentação de uma nova DIPJ (retificadora) para a mudança do regime, o que é vedado, “salvo nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado”. Nesse caso, a primeira declaração continua válida, e simplesmente não se aceita a segunda (que é totalmente desconsiderada, para todos os efeitos). Situação distinta é a apresentação de uma nova Declaração não para modificar o regime de tributação, mas justamente para que a DIPJ corresponda a ele, nos casos em que a primeira Declaração adotou regime diferente do que deveria. Nesse segundo caso, a meu ver, haveria uma evidente contradição em aplicar a IN SRF 166/99 de modo a impedir a retificação (sob o argumento de que estaria havendo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.001920/200782 Acórdão n.º 180200.891 S1TE02 Fl. 53 7 mudança de regime) e, ao mesmo tempo, convalidar a segunda declaração para efeito de aplicação da multa por atraso na entrega. Mas é o que tem acontecido, e é o que aconteceria se a Contribuinte tivesse adotado o procedimento recomendado pela DRJ, conforme, inclusive, alegou a Recorrente. No caso concreto, vêse que a multa foi mantida porque a Contribuinte não apresentou uma primeira declaração (que seria considerada inválida), para ser retificada posteriormente (com mudança de regime). Mas se o tivesse feito, também receberia a mesma multa, como indica o próprio Perguntas e Respostas da DIPJ/2005, que pode ser consultado no sítio eletrônico da Receita Federal: 019 Como proceder quando, após a entrega da declaração, a pessoa jurídica constatar que houve falhas ou incorreções nos dados fornecidos? A declaração anteriormente entregue poderá ser retificada, nas hipóteses em que admitida, independentemente de autorização da autoridade administrativa, e terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada. (MP nº 2.18949, de 2001, art.18 e IN SRF nº 166, de 1999, art. 1º). NOTAS: (...) Será considerada intempestiva a DIPJ retificadora com base no lucro real, entregue após o prazo previsto, ainda que a pessoa jurídica tenha entregue, dentro do prazo, declaração com base no lucro presumido, quando vedada por disposição legal a opção por este regime de tributação. 021 Em que hipóteses não será admitida a declaração retificadora? Nas seguintes hipóteses: a. (...) b. quando tiver por objetivo alterar o regime de tributação anteriormente adotado, salvo nos casos determinados pela legislação, para fins de determinação do lucro arbitrado (IN SRF nº 166, de 1999, art. 4º). (grifos acrescidos) Embora o manual não mencione expressamente a mudança de Presumido para Simples (que seria o caso dos autos), a lógica que tem sido empregada pela Receita Federal é uma só, ou seja, a de que uma primeira declaração apresentada num regime tributário inválido/incorreto não evita a intempestividade da segunda declaração (que é apresentada no regime correto). Em vista de todas estas circunstâncias, não vejo outra providência mais adequada do que a adotada pela Contribuinte, que, em vista da pendência de seu pedido de inclusão retroativa (posteriormente acolhido), utilizou da via postal para registrar a entrega da Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.001920/200782 Acórdão n.º 180200.891 S1TE02 Fl. 54 8 declaração no prazo legal, encaminhandoa em papel e em mídia eletrônica, já que o sistema RECEITANET não permitia a transmissão da declaração. Pelo próprio direito de petição previsto no art. 5º, XXXIV, da CF/88, deveria ser resguardado o direito de a Contribuinte ao menos entregar a declaração que julgava correta. Diante da recusa eletrônica no recebimento de sua declaração, ela apenas se utilizou de um meio alternativo para a entrega do documento, sem qualquer prejuízo para a Administração Tributária, pois esta acabou reconhecendo como correto o regime tributário adotado pela Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recuso, para cancelar a multa pelo atraso na entrega da DSPJ. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.925961/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA. IMPOSSIBILIDADE.
Uma vez declarado inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em regime de repercussão geral, o valor da receita financeira não integra a base de cálculo da contribuição, por não integrar o faturamento da pessoa jurídica não financeira.
PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVADO O RECEBIMENTO DE RECEITA FINANCEIRA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de reconhecimento o direito creditório se não provado, com documento hábil e idôneo, o recebimento da receita financeira sobre a qual foi apurada a parcela do PIS e da Cofins alegada como indevida.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Se não comprovadas a certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório mantém-se a não homologação da compensação declarada por ausência de crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.483
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente P.G.SCHMIDT & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez declarado inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em regime de repercussão geral, o valor da receita financeira não integra a base de cálculo da contribuição, por não integrar o faturamento da pessoa jurídica não financeira. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVADO O RECEBIMENTO DE RECEITA FINANCEIRA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de reconhecimento o direito creditório se não provado, com documento hábil e idôneo, o recebimento da receita financeira sobre a qual foi apurada a parcela do PIS e da Cofins alegada como indevida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Se não comprovadas a certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório mantémse a não homologação da compensação declarada por ausência de crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 59 61 /2 00 9- 32 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.925961/200932 Acórdão n.º 3302004.483 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp) em que a contribuinte informou a utilização de indébito de Cofins cumulativa (código 2172), para adimplir débitos de tributos diversos. Foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação, seja em razão de o Darf discriminado na DComp encontrarse totalmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na citada DComp ou não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o crédito utilizado era decorrente da ampliação da base cálculo, determinada pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998, que fora declarada inconstitucional pelo STF no julgamento do RE 357.950; que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996; que apresentou demonstrativo da origem do crédito e afirmou que estava amparada pelo art. 170 do CTN; citou e transcreveu jurisprudência administrativa e judicial; ressaltou o contido no art. 165 do CTN; insistiu no direito à restituição; e, ao final, pediu a homologação da compensação. Sobreveio a decisão de primeira instância em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantida a não homologação da compensação declarada, com base nos fundamentos expressos no Acórdão 06036.854. A contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário constante nos autos, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.481, de Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.925961/200932 Acórdão n.º 3302004.483 S3C3T2 Fl. 4 3 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.924260/200986, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.481): "O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia gira em torno da não homologação da compensação declarada, por inexistência do direito creditório informado. De fato, noticia o Despacho Decisório de fls. 2/4, que, embora localizado nos sistema da RFB, o Darf informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) de fls. 5/8, o pagamento nele discriminado fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação em apreço. Por meio da manifestação de inconformidade de fls. 9/14, a recorrente alegou que a parcela do pagamento utilizado na compensação correspondia a parcela do pagamento da Cofins do mês de fevereiro de 2001, calculada sobre o valor das receitas financeiras recebidas no mês, incluído indevidamente na base de cálculo da contribuição, em razão da decisão do STF que declarara inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998. A questão jurídica, atinente ao ilegal alargamento da base de cálculo, já se encontra superada no âmbito deste Conselho desde o trânsito em julgado da decisão plenária do STF, proferida no âmbito do julgamento da questão de ordem suscitada no RE nº 585.235/RG, realizado sob o regime de repercussão geral, estabelecido no art. 543B do CPC, cujo enunciado da ementa restou a assim redigido, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 28/11/2008) – Grifos não originais. Com o trânsito de julgado da referida decisão, em cumprimento ao disposto no art. 62, § 2º, da Portaria MF 343/2015, que aprovou Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), os fundamentos do referido julgado são de adoção obrigatória por todos membros deste Conselho, logo, aqui adotase o teor da respectiva decisão, para afastar o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998. Entretanto, embora reconhecido como indevido o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, o que, induvidosamente, inclui as receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência, a Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.925961/200932 Acórdão n.º 3302004.483 S3C3T2 Fl. 5 4 recorrente não dignou trazer aos autos prova de que de que auferira o valor da receita financeira alegado. De fato, na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente não apresentou nenhum elemento probatório que confirmasse o recebimento das referidas receitas financeiras e tampouco que tenha incluído o correspondente valor na base de cálculo da contribuição recolhida no mês. Somente com a apresentação da peça recursal em apreço, a recorrente trouxe à colação dos autos o demonstrativo de fls. 44/45, em que discriminado os valores das receitas financeiras, auferidas nos meses de fevereiro de 2001 a dezembro de 2003, bem como os supostos valores originais e atualizados da Cofins indevida, apurados nos citados meses. E com vista à comprovação do valor da receita financeira auferida no mencionado mês, em vez de apresentar cópia das folhas do livro contábil obrigatório (o livro diário), devidamente autenticado no Registro Público de Empresas Mercantis, acompanhado das cópias dos extratos bancários das correspondentes operações financeiras, conforme exige os arts. 1.179 a 1811 da Lei 10.406/2002 (Código Civil de 2002), a recorrente limitouse a apresentar uma folha com os valores de suposta Demonstração de Resultado do mês de fevereiro. A copia do suposto documento não foi extraída do livro Diário e tampouco assinado por profissional da área contábil legalmente habilitado e pelo representante da recorrente, conforme exige o art. 1.184 do Código Civil de 2002, a seguir transcrito: Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1º Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. § 2º Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico 1 "Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. § 1º Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. § 2º É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art. 970. Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios." Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.925961/200932 Acórdão n.º 3302004.483 S3C3T2 Fl. 6 5 em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. (grifos não originais) Assim, como se trata de documento sem autenticidade, sequer assinado por representante legal da recorrente e profissional habilitado, induvidosamente, ele não serve como meio de prova do recebimento dos valores das referidas receitas financeiras discriminados pela recorrente no citado demonstrativo. Além disso, o citado documento não foi apresentado com a manifestação de inconformidade, conforme exige o art. 15 do Decreto 70.235/1972. Assim, ainda que revestisse de meio de prova adequada, o que se admite apenas para argumentar, por força da preclusão determinada no art. 16, § 4º, do citado Decreto, o referido documento não poderia ser admitido como elemento de prova na atual fase processual. Enfim, cabe ainda consignar que, no processo de compensação, a parte autora é o contribuinte que realizou o procedimento compensatório, portanto, nos termos do art. 373, I, da Lei 13.105/2015 (Código Processo Civil), que, na ausência de norma específica, aplicase subsidiariamente ao processo administrativo fiscal (art. 152 do CPC), o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação em apreço era da incumbência da recorrente. No entanto, nas duas oportunidades em que compareceu aos autos, ela omitiu se de apresentar prova adequada que demonstrasse a existência do direito creditório informado. No mesmo sentido, o art. 36 da Lei 9.784/1999, que dispõe sobre o processo administrativo federal, atribui ao autor do feito ou do pedido o ônus da prova constitutiva do seu direito. Logo, uma vez demonstrado que o ônus da prova da existência do crédito compensado era da recorrente, porém, como ela não se incumbiu dessa função deve arcar com as consequências decorrentes da sua omissão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 2 "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.015957/99-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1999
Ementa:
a edição da Lei n° 10.034, de 14 de outubro de 2000 foi alterado o disposto no artigo 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96, no sentido de excepcionar da restrição de que trata o referido artigo as pessoas jurídicas que se dediquem as atividades de creches, pré-escola e estabelecimentos de ensino fundamental.
Numero da decisão: 1802-001.081
Decisão: cordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marciel Eder da Costa, que dava provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1999 Ementa: a edição da Lei n° 10.034, de 14 de outubro de 2000 foi alterado o disposto no artigo 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96, no sentido de excepcionar da restrição de que trata o referido artigo as pessoas jurídicas que se dediquem as atividades de creches, pré-escola e estabelecimentos de ensino fundamental.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 197 1 196 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.015957/9931 Recurso nº 332.608 Voluntário Acórdão nº 180201.081 – 2ª Turma Especial Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL RUMO INICIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 Ementa: Com a edição da Lei n° 10.034, de 14 de outubro de 2000 foi alterado o disposto no artigo 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96, no sentido de excepcionar da restrição de que trata o referido artigo as pessoas jurídicas que se dediquem as atividades de creches, préescola e estabelecimentos de ensino fundamental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marciel Eder da Costa, que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.015957/9931 Acórdão n.º 180201.081 S1TE02 Fl. 198 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP, que decidiu por unanimidade de votos manter a exclusão da ora Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, fundamentando que à época da exclusão, a Recorrente não atendia os requisitos necessários para a opção ao sistema. Para descrever os fatos transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório n° 153.629, de 09/01/1999 (fls. 36), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei n° 9.317, de 05/12/1996 e alterações posteriores. 2. Em 10/02/1999, insurgindose contra a referida exclusão, a interessada formalizou SRS Solicitação de Revisão da Exclusão à opção pelo Simples (fls. 39) que, examinada pela DRF/SPO/DISIT, foi considerada improcedente. 3. A contribuinte manifesta seu inconformismo (fls. 01/21), por meio de procurador (fls.22), alegando, em síntese, que: 3.1 A matéria trazida à baila é de ordem constitucional e legal, não podendo ser apreciada e decidida com base em dispositivos normativos infraconstitucionais e infralegais; 3.2 A Constituição Federal garante o direito de livre exercício de profissão, bem como a constituição de empresas, de qualquer porte. Garante também às microempresas e empresas de pequeno porte tratamento diferenciado (art. 179); 3.3 A matéria abordada pelo art. 9° da Lei n° 9.317/1996 é manifestamente inconstitucional, visto que, pelo art. 179 da Constituição Federal, caberia à lei a função de definir de forma exclusivamente quantitativa, e não qualitativa, o que sejam microempresas e empresas de pequeno porte; 3.4 A discriminação tributária em virtude da atividade exercida pela empresa fere o princípio constitucional da igualdade (art. 150, II); 3.5 A decisão ora impugnada concluiu que a atividade da escola é assemelhada a do professor; 3.6 A escola não se resume à atividade do professor; para exercer sua atividade necessita um complexo de instalações, de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.015957/9931 Acórdão n.º 180201.081 S1TE02 Fl. 199 3 insumos, de valores às vezes mais expressivos que o custo da mãodeobra do professor; 3.7 O que o dispositivo legal veda é a possibilidade de que profissionais, no exercício de suas profissões, criem uma pessoa jurídica para exercer as suas profissões e venham a se beneficiar do SIMPLES; 3.8 A Entidade Mantenedora Educacional não é uma sociedade de profissionais para o exercício da profissão de professor, mas sim uma sociedade entre empresários, sem exigência de qualificação profissional, e livre para contratar profissionais qualificados e habilitados para o exercício de suas profissões. 4. Em 13/10/1999, esta delegacia (fls. 42) entendeu que a manifestação de inconformidade foi apresentada intempestivamente, tendo devolvido o processo à DRF/SPO, em face do disposto no Ato Declaratório Normativo 15/1996. 5. Em 06/10/2004, a interessada requer (fls. 48/49) que seja apreciada sua manifestação de inconformidade, em virtude da comprovação de sua tempestividade.” A DRJ/SPO indeferiu a solicitação da ora Recorrente através do Acórdão n° 06.160 de 17 de Novembro de 2004, conforme ementa transcrita abaixo: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. Solicitação Indeferida.” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese, os seguintes argumentos, alguns já explicitados anteriormente: a) A Constituição Federal garante a todos o contraditório e a ampla defesa, tanto na esfera judicial quanto na administrativa, conforme o art. 5°, inciso LV. Logo, caberia à esfera administrativa a discussão da constitucionalidade do texto legal em questão; b) A matéria abordada pelo art. 9° da Lei n. 9.317/1996 é manifestamente inconstitucional, visto que, pelo art. 179 da Constituição Federal, caberia à lei a função de definir de forma exclusivamente quantitativa, e não qualitativamente, o que sejam microempresas e empresas de pequeno porte; c) A discriminação tributária em virtude da atividade exercida pela empresa fere o princípio constitucional da igualdade (art. 150, II); d) A atividade da escola não se resume à atividade do professor, uma vez que necessita de um complexo de instalações de insumos, de valores às vezes mais expressivos que o custo da mão de obra do professor; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.015957/9931 Acórdão n.º 180201.081 S1TE02 Fl. 200 4 e) A Lei n° 10.034/2000 menciona que as pessoas jurídicas que se dediquem às atividade de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental, não estão incluídas na vedação do art. 9° da Lei n° 9.317/1996, o que não significa dizer que o ensino médio estava incluído na vedação do referido art. 9°. Os autos foram distribuídos para a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que concluiu pela perempção do recurso apresentado, conforme se verifica pela ementa abaixo transcrita: “SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE/SIMPLES – EXCLUSÃO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NORMAS PROCESSUAIS — PEREMPÇÃO Não se conhece do recurso apresentado após o decurso do prazo consignado no caput do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. RECURSO NÃO CONHECIDO.” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Embargos de fls. 88 e 89, na qual solicitou a reforma do Acórdão proferido. Alegou, em síntese, que o recurso foi encaminhado via Aviso de Recebimento dentro do prazo legal e que a data que comprova a tempestividade do recurso é a data de envio e não a data de recebimento, apresentando provas para corroborar seu fundamento. Os Embargos foram conhecidos e acolhidos para admitir a tempestividade do recurso e determinar que os autos fossem novamente submetidos à apreciação das demais matérias existentes pela Egrégia Corte. É o relatório, passo a decidir. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.015957/9931 Acórdão n.º 180201.081 S1TE02 Fl. 201 5 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, a Recorrente insurgese contra o fundamento da DRJ de que não cabe à esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade de texto legal, alegando que é dever das autoridades administrativas e judiciais analisar o conteúdo amplo e total da defesa e, para tanto, cita o art. 5°, inciso LV da Constituição Federal. Entretanto, tal argumentação não merece prosperar. Não cabe à esfera administrativa a análise da constitucionalidade das leis, sendo esta função exclusiva do Poder Judiciário. A decisão da DRJ retrata muito bem este entendimento, senão vejamos: “Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de inconstitucionalidade ou ilegalidade das normas tributárias, cabendolhe somente observar a legislação em vigor, sendo da competência exclusiva do Poder Judiciário o controle da constitucionalidade ou legalidade das leis ou dos atos normativos.” Nesse sentido, a Súmula nº 02 do CARF é expressa ao afirmar que “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Assim, verificase que é pacífico o entendimento de que não cabe ao CARF o julgamento de questões relativas à inconstitucionalidade e que para esse tipo de questionamento a Recorrente deve se socorrer do Poder Judiciário. Pelos motivos acima expostos, entendo que o julgamento da inconstitucionalidade do art. 9° da Lei n ° 9.317/96 e da quebra do tratamento isonômico restam prejudicados. A exclusão da Recorrente do SIMPLES ocorreu devido ao exercício de atividades assemelhadas a de professor, nos termos do art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96, in verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.015957/9931 Acórdão n.º 180201.081 S1TE02 Fl. 202 6 administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida." A Recorrente alega que a atividade desenvolvida por ela em nada se assemelha à atividade de professor e relata que “A escola não se resume à atividade do professor, nem o professor à atividade da escola. A escola, para exercer sua atividade, necessita um complexo de instalações, de insumos, de valores, às vezes mais expressivos que o custo da mão de obra do professor.” Entendo não assistir razão à Recorrente. A atividade desenvolvida pela Recorrente está dentro das eleitas pelo legislador como excluídas da possibilidade de opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Da leitura do texto legal, concluise que as pessoas jurídicas que prestem serviços de professor ou assemelhado, vale dizer, qualquer tipo de atividade que de alguma forma ministre cursos ou proporcione educação a terceiros, não podem optar pelo Simples. De acordo com o Dicionário Aurélio, assemelhado é aquilo que apresenta semelhança ou que seja parecido; assim, entendo que a atividade da escola é sim assemelhada à atividade do professor, uma vez que tem o mesmo objetivo que é fomentar a educação. A decisão da DRJ segue essa linha de raciocínio e, na sua fundamentação cita o entendimento da Administração Tributária em uma consulta interna sobre essa matéria, vejamos: 19) Qual o alcance da expressão ‘assemelhados’constante do art. 9°, XIII da Lei n° 9.317/96? O referido inciso impede a opção pelo SIMPLES por parte das seguintes PJ: a) que prestem ou vendam serviços relativos às profissões expressamente listadas no citado inciso; b) que prestem ou vendam serviços que sejam assemelhados aos referidos no item a), tendo em vista, que naquele contexto, o termo 'assemelhado' deve ser entendido como qualquer atividade de prestação de serviço que tem similaridade ou semelhança com as atividades enumeradas no referido dispositivo legal, vale dizer, a lista das atividades ali elencadas não é exaustiva.. c) as que prestem serviços profissionais relativos a qualquer profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida,ainda que não expressamente listados no referido inciso.” A edição da Lei n° 10.034/2000, alterou o disposto no art. 9° da Lei n° 9.317/96 e, excetuou da restrição de que trata o inciso XIII às pessoas jurídicas que se dediquem às atividades de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.015957/9931 Acórdão n.º 180201.081 S1TE02 Fl. 203 7 Pela citada legislação, concluo que apenas essas atividades foram excetuadas, pois, se o legislador tivesse a intenção de excetuar também o ensino médio ele o teria feito de forma expressa e, se não o fez, é porque as pessoas jurídicas que se dediquem a esta atividade não podem fazer a opção pelo SIMPLES. Neste sentido, cumpre destacar alguns julgados do antigo Conselho de Contribuintes sobre o assunto: “SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. SIMPLES. EXCLUSÃO. Com a edição da Lei n° 10.034, de 14/10/2000 foi alterado o disposto no artigo 9°, da Lei n° 9.317/96, no sentido de excetuar, da restrição de que trata o inciso XIII do referido diploma legal, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, préescola e estabelecimentos de ensino fundamental. Recurso Voluntário Provido.” (CARF, Acórdão 310200.291, Rec. 129.189, Rel. Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Sessão de 21 de Maio de 2009). “Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples ENSINO MÉDIO.VEDAÇÃO. As pessoas jurídicas cujas atividades sejam de ensino, excluídas as creches, préescolas e ensino fundamental, estão vedadas, pela lei, de optar pelo SIMPLES. As escolas de ensino médio não estão na exceção aberta pela Lei n° 10.034/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (CARF, 3° Conselho de Contribuintes, 3° Turma Especial, Acórdão 39300.003, Rel. Regis Xavier Holanda, Sessão de 29 de setembro de 2008) (grifos nossos) SIMPLES EXCLUSÃO ENSINO MÉDIO: A Lei n.º 10.034/2000 apenas excluiu da restrição de que trata o inciso XIII, do art. 9º, da Lei n.º 9.317/96, as pessoas jurídicas que se dediquem às atividades de creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental, não incluindo o ensino médio. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO (CARF, 3° Conselho de Contribuintes, 1° Câmara, Acórdão 301.31073, Sessão de 18 de março de 2004). Assim, os citados julgados corroboram o entendimento desse julgador. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.015957/9931 Acórdão n.º 180201.081 S1TE02 Fl. 204 8 Com efeito, não merece qualquer reparo a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – SP, mantida por seus próprios termos. Diante de todo o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001180/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DOCUMENTO UTILIZADO COMO FUNDAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Deve ser reconhecida e corrigida a omissão consistente na menção a documento que é utilizado como fundamento para decisão, mas não é adequadamente identificado no Acórdão, dificultando assim, o direito de defesa da parte prejudicada.
Numero da decisão: 2201-003.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, mencionar que o documento que embasa a decisão prolatada encontra-se no arquivo não-paginável anexado à fl. 538 do processo eletrônico.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 17/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DOCUMENTO UTILIZADO COMO FUNDAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Deve ser reconhecida e corrigida a omissão consistente na menção a documento que é utilizado como fundamento para decisão, mas não é adequadamente identificado no Acórdão, dificultando assim, o direito de defesa da parte prejudicada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, mencionar que o documento que embasa a decisão prolatada encontra-se no arquivo não-paginável anexado à fl. 538 do processo eletrônico. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 17/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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OMISSÃO. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DOCUMENTO UTILIZADO COMO FUNDAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Deve ser reconhecida e corrigida a omissão consistente na menção a documento que é utilizado como fundamento para decisão, mas não é adequadamente identificado no Acórdão, dificultando assim, o direito de defesa da parte prejudicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, mencionar que o documento que embasa a decisão prolatada encontrase no arquivo não paginável anexado à fl. 538 do processo eletrônico. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 17/07/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 80 /2 00 8- 31 Fl. 624DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 602/606) apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201002.855 (fls. 575/601), proferido por esta Turma, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977. Não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS. Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 2201003.739 S2C2T1 Fl. 625 3 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. SESC E SEBRAE As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao SESC e SEBRAE. INCRA. EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SALÁRIO EDUCAÇÃO É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ao identificar o vício que justificaria a apresentação de embargos, a PGFN destaca o seguinte trecho do voto condutor do Acórdão: “Apesar de o lançamento referirse a contribuição para terceiros de uma entidade que dizse isenta, o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, apresenta algumas apropriações de recolhimentos para o débito em questão.” Em seguida, afirma a embargante que: O acórdão ora embargado se reporta ao RADA como prova de que houve recolhimento parcial, todavia, não foi possível confirmar a informação no sentido de que há recolhimento parcial da contribuição previdenciária objeto dos autos exatamente nas competências em análise. Muito embora exista menção ao documento, salvo algum equívoco na leitura do processo, não foi possível localizálo, o que enseja cerceamento do direito de defesa da União. Após mencionar a importância da análise dessas informações para o processo e transcrever o enunciado nº 99 da Súmula CARF, concluiu a peticionante no seguinte sentido: Fl. 626DF CARF MF 4 Como fica patente ante a leitura do enunciado, não basta a existência de pagamento de qualquer contribuição previdenciária, é preciso que esses comprovantes de recolhimento se refiram ao tributo específico a que se reporta a autuação. Nesse contexto, cumpre ressaltar e se mostra um tanto espantoso que haja recolhimento no caso dos autos, considerando que entidade que se enquadrava como isenta no período, aspecto que demonstra ainda maior a relevância de que se aponte com clareza qual documento (página/trecho exatos) que respaldam a conclusão do julgado. Pelo despacho de fls. 621/622, os embargos foram admitidos por se considerar que "a decisão embargada foi omissa ao não mencionar a folha dos autos em que se localiza o documento". É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme foi evidenciado no relatório, a decisão embargada considerou comprovada a existência de pagamentos de contribuições previdenciárias em parte do período abrangido pelo auto de infração, razão pela qual aplicou o prazo decadencial de que trata o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Ao fundamentar essa decisão, o aresto vergastado afirma que o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA apresenta várias apropriações de recolhimentos para o débito em questão, e tendo o sujeito passivo sido cientificado do auto de infração em 20/11/2008, declara a decadência das competências 01/2003 a 10/2003. Não tendo localizado a comprovação desses pagamentos, a embargante solicita que se identifique página/trechos exatos que justificariam essa conclusão. Analisandose o processo, vêse que a fls. 547/558 foi prolatada a Resolução nº 2403000.296, de 6 de novembro de 2014, pela qual se determina a juntada ao processo dos seguintes documentos: IPC Instruções para o Contribuinte DAD Discriminativo Analítico do Débito DSD Discriminativo Sintético do Débito DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento RL Relatório de Lançamentos RDA Relatório de Documentos Apresentados RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados Fl. 627DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 2201003.739 S2C2T1 Fl. 626 5 FLD Fundamentos Legais do Débito REPLEG Relatório de Representantes Legais VINCULOS Relatório de Vínculos REFISC Relatório Fiscal A partir da fl. 534, há vários termos de anexação de arquivo nãopaginável. Na fl. 538, está identificado o "termo de anexação de arquivo nãopaginável Debcad 37.156.7424", que contém um conjunto de arquivos, sendo um deles identificado como RADA.pdf. Nele está o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados relativo ao AI Debcad 37.156.7424, onde a fiscalização procura demonstrar como os pagamentos identificados no curso da ação fiscal foram apropriados no lançamento. A primeira informação fornecida nesse arquivo é a abaixo transcrita: Estabelecimento: 00.331.801/000130 Competência: 01/2003 Documentos Apresentados Tipo Quant. DEBCAD C.Pag. Tot. INSS Tot. Terc. Tot. Liq. Tot. c/ Acr. Leg. GPS 35 2100 89.807,46 89.807,46 91.090,09 TOTAL DA COMPETÊNCIA 89.807,46 89.807,46 91.090,09 Apropriação Efetuada Documento Item Levantamento Prioridade Vl. Apropriado EXCL 09.446.7532 Segurados GFE 1 1.141,49 AI 37.156.7424 Empresa REF 3 67.803,35 AI 37.156.7440 Segurados DSE 2 19.769,51 AI 37.156.7459 Segurados CSE 3 1.093,11 TOTAL INSS 89.807,46 Conforme se extrai dessas informações, na competência 01/2003, foram identificadas 35 GPS com código de pagamento 2100, totalizando R$ 89.807,46. Para as competências seguintes, esse documento apresenta as seguintes informações: Comp. 02/2003: 42 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 201.047,64; Comp. 03/2003: 37 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 204.504,71; Comp. 04/2003: 38 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 155.609,46; Fl. 628DF CARF MF 6 Comp. 05/2003: 41 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 213.051,29; Comp. 06/2003: 47 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 251.808,19; Comp. 07/2003: 42 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 256.436,83; Comp. 08/2003: 40 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 247.763,42; Comp. 09/2003: 41 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 437.869,73; Comp. 10/2003: 40 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 234.254,53. No mesmo "arquivo nãopaginável" é possível encontrar o arquivo RDA.pdf, onde estão relacionadas todas as GPS apropriadas no RADA. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, informar à embargante que o documento citado pelo Acórdão embargado como fundamento para a declaração de decadência de parte do lançamento encontrase no arquivo nãopaginável anexado à fl. 538 do processo eletrônico. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 629DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720531/2014-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE QUOTAS DE FUNDOS DE INVESTIMENTOS DE DIREITOS CREDITÓRIOS - FIDC. REGIME FECHADO E ABERTO. LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL. EXCLUSÃO INDEVIDA.
A IN SRF nº 25/2001 não autorizava a incidência do IRPJ e da CSLL somente no ano-calendário do resgate das quotas do FIDC, fechado ou aberto.
É correto o procedimento da fiscalização em recompor o lucro real e a base de cálculo do IRPF e da CSLL, indevidamente excluídos na apuração do lucro real, em regime de competência, em relação aos rendimentos mensais de quotas de FIDC.
O art. 14 da IN SRF nº 25/2001, vigente à época, mas revogada em 2009, assegurava a incidência do imposto de renda, na forma do art. 23 da mesma IN. Todavia, o art. 23, previa que o IR deveria ser tratado na forma daquela Seção da IN que, por sua vez, previa a incidência mensal do IR e o recolhimento no mês subsequente (art. 23, § 4º, IN SRF nº 25/2001).
Numero da decisão: 1302-002.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Recorrente TRENDBANK S.A. BANCO DE FOMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE QUOTAS DE FUNDOS DE INVESTIMENTOS DE DIREITOS CREDITÓRIOS FIDC. REGIME FECHADO E ABERTO. LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL. EXCLUSÃO INDEVIDA. A IN SRF nº 25/2001 não autorizava a incidência do IRPJ e da CSLL somente no anocalendário do resgate das quotas do FIDC, fechado ou aberto. É correto o procedimento da fiscalização em recompor o lucro real e a base de cálculo do IRPF e da CSLL, indevidamente excluídos na apuração do lucro real, em regime de competência, em relação aos rendimentos mensais de quotas de FIDC. O art. 14 da IN SRF nº 25/2001, vigente à época, mas revogada em 2009, assegurava a incidência do imposto de renda, na forma do art. 23 da mesma IN. Todavia, o art. 23, previa que o IR deveria ser tratado na forma daquela Seção da IN que, por sua vez, previa a incidência mensal do IR e o recolhimento no mês subsequente (art. 23, § 4º, IN SRF nº 25/2001). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 31 /2 01 4- 54 Fl. 940DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1269.128 de 9 de outubro de 2014, da 6ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da recorrente, registrandose a seguinte ementa: RENDIMENTOS DECORRENTES DE APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. REGIME DE RECONHECIMENTO. As pessoas que apuram lucro real devem reconhecer as receitas decorrentes da valorização das cotas dos Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios segundo o regime de competência. CSLL. LANÇAMENTOS CONEXOS. Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuação fundamentouse nos seguintes termos, resumidos: A atividade operacional preponderante da interessada é a de "comércio de direitos creditórios. No ano de 2009 apurou lucro real anual e excluiu do lucro real e da base de cálculo da CSLL a quantia de R$ 22.765.024,62, referente a valorização de cotas de Fundos (abertos e fechados) de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs). Tal valor foi registrado na contabilidade em conta de receita (cta 01.02.01.005.00001 cotas FIDC), havendo sido devidamente incluído no lucro líquido do período. FIDCs constituem modalidade de fundo de investimento da categoria de renda fixa, cuja carteira é integrada, predominantemente, por direitos creditórios. Podem ser constituídos sob a forma de condomínio aberto ou fechado. A principal diferença entre ambas é que os fundos abertos podem, a qualquer momento, emitir novas cotas e resgatar cotas anteriormente emitidas. Em outras palavras, podese entrar e sair de um fundo aberto a qualquer momento. Nos fundos fechados, entretanto, os cotistas só podem resgatar suas cotas ao término da existência do fundo, de sorte que a negociação das referidas cotas ocorre no mercado secundário (bolsa de valores). Diferentemente dos fundos abertos, submetidos à tributação na Fonte sob o denominado sistema de "come cotas' os fundos de investimentos constituídos sob a forma de condomínio fechado são tributados pelo imposto de renda na fonte apenas por ocasião da alienação, amortização ou resgate de cotas (IN SRF 25/2001, art. 14). Fl. 941DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 4 3 Apesar da distinção entre os regimes de retenção, tanto no caso dos fundos abertos quanto no dos fundos fechados, os rendimentos auferidos (valorização de cotas) estão submetidos, como regra geral, ao regime de competência. A legislação do imposto de renda só autoriza a adoção do regime de caixa, na tributação dos fundos de investimentos, para os investidores residentes ou domiciliados no exterior (IN RFB 25/2001, art. 32) e para as pessoas jurídicas que adotem o lucro presumido ou arbitrado (art. 770, § 3°, II do RIR/1999). Apenas estes podem tributar seus rendimentos (valorização das cotas) por ocasião da alienação ou resgate. A adoção do regime de competência é regra para as pessoas jurídicas que adotem o lucro real, só podendo ser afastada nas hipóteses expressamente previstas. Por todo o exposto concluise que a conduta adotada pela interessada, de reconhecer contabilmente os rendimentos com a valorização das cotas dos FIDCs e posteriormente excluílos, para efeitos de apuração do lucro real, não possui previsão legal, fato este que autoriza a exclusão no valor de R$ 22.765.024,62, feita na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Da compensação de bases tributáveis Considerando que as bases de dados da RFB indicavam saldos acumulados de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL, a base de cálculo apurada por meio da auditoria foi compensada, de ofício, dentro dos limites autorizados por lei, para abatimento do crédito tributário lançado. Os valores compensados constam de demonstrativos juntados aos autos. Do Recurso Voluntário A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 27/01/2015 (fl. 911), via AR. Interpôs recurso voluntário, em 26/02/2015 (fl. 912). Está devidamente representada (fl. 881). Em meio a duras críticas ao relator do acórdão recorrido, a Recorrente ressaltou que repetiu integralmente no Recurso Voluntário, as mesmas razões que apresentou na Impugnação, de 24/06/2014 (fls. 839/860). O Recurso frisa que a autuação seria nula, por não ter observado disposições específicas, como as dos arts. 14 e 23 da IN SRF nº 25/2001 que, em seu entendimento, assegurariam à recorrente o direito de não computar na apuração do lucro real, em regime de competência, os rendimentos mensais das quotas que detinha em Fundos de Investimentos de Direitos Creditórios (FIDCs), alguns abertos e outros fechados. Também contrapôsse à incidência da Taxa Selic sobre valores autuados; sustentou que a multa de ofício de 75% atentaria contra o princípio referente aos efeitos não confiscatórios; asseverou que seria ilegal incidir juros de mora sobre multa de ofício; arguiu sobre a necessidade de realização de recálculos para que sejam considerados os valores relativos ao diferimento de tributos; alegouse, ainda, a necessidade de se considerar o imposto de renda retido na fonte (IRRF). Pediu o provimento do Recurso. É o relatório. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e os recorrentes estão regularmente representados. Conheço do recurso. Da Glosa de Exclusão na Apuração do Lucro Real Na forma apresentada pela Recorrente, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) tem a natureza de aplicação financeira de renda fixa e podem ser constituídos sob a forma de condomínio aberto ou fechado. A principal diferença entre eles é que os fundos abertos podem, a qualquer momento, emitir novas cotas e resgatar cotas anteriormente emitidas. Em outras palavras, podese entrar e sair de um fundo aberto, a qualquer momento. Nos fundos fechados, entretanto, os cotistas só podem resgatar as suas cotas ao término da existência do fundo, de sorte que a negociação de cotas de um fundo fechado se dá no âmbito do mercado secundário, isto é, em bolsa de valores ou mercado de balcão. Os FIDCs estão previstos nas Instruções CVM n° 356/01 e 393/03. Seu funcionamento depende de prévio registro naquele órgão. A Recorrente detinha quotas dos seguintes FIDCs: Trendbank Multicredit Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, CNPJ 10.362.512/000151, foi constituído sob a forma de condomínio aberto e com prazo de duração indeterminado; Trendbank Fomento Fundo de Investimento em Direitos Creditórios CREDITMDC CNPJ 09.072.384/000122, foi constituído sob a forma de condomínio fechado e com prazo de duração indeterminado; Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Trendbank Banco de Fomento Multisetorial, CNPJ: 08.927.488/000109, foi constituído sob a forma de condomínio fechado e com prazo de duração indeterminado; O acórdão recorrido consignou a seguinte interpretação sobre as disposições normativas legais e regulamentares sustentadas pela Recorrente: Diferentemente dos fundos abertos, submetidos à tributação na fonte sob o denominado sistema de "comecotas", os fundos de investimento constituídos sob a forma de condomínio fechado são tributados pelo Imposto de Renda na fonte apenas por ocasião da alienação, amortização ou resgate de cotas (IN SRF n° 25, de 06 de março de 2001, artigo 14). A retenção do Imposto de Renda na fonte tem natureza de antecipação do valor do tributo devido no período de apuração dos rendimentos. O fato de ele incidir apenas na ocasião da alienação, amortização ou resgate de cotas não significa que os rendimentos auferidos (valorização das cotas) possam ser excluídos da apuração do lucro real. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 6 5 A legislação do Imposto de Renda não faz distinção entre fundos de investimento constituídos sob a forma de condomínio aberto ou fechado, exceto em relação à tributação do Imposto de Renda na fonte. Como visto nas disposições normativas mencionadas acima, a legislação tributária estabelece como definitiva a incidência do Imposto de Renda na fonte apenas para os investidores pessoas física e para as pessoas jurídicas optantes pela inscrição no SIMPLES ou isentas; e autoriza o diferimento na tributação do Imposto de Renda dos rendimentos auferidos por investidores residentes ou domiciliados no exterior e para Pessoas Jurídicas tributadas sob a forma do lucro presumido ou arbitrado. Desse modo, em relação às pessoas jurídicas tributadas sob a forma do lucro real, no qual a regra geral é a adoção do regime de competência, não há dispositivo legal que autorize o diferimento da tributação do imposto de renda incidente sob os rendimentos auferidos por aplicações com a natureza de renda fixa como é o caso dos FIDC 's. A valorização das cotas dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, de titularidade do contribuinte fiscalizado, é fato inconteste, registrado em sua escrita contábil (conta n° 01.02.01.005.00001 QUOTAS FIDC), demonstrando a aquisição de disponibilidade jurídica de proventos e a ocorrência de acréscimo patrimonial. A conduta do contribuinte em excluir os rendimentos dos FIDCs na apuração do lucro real do período, resultou diferimento da tributação do IRPJ e da CSLL sem que exista previsão legal para tal. De seu lado, a Recorrente sustenta que o art. 14 da citada IN SRF nº 25/2001, legitimaria a exclusão do lucro líquido apurado no balança encerrado em 31/12/2009, da avaliação de seus investimentos FIDCs no valor de R$22.765.024,62: Art. 14. Os ganhos auferidos na alienação de quotas de fundos de investimento constituídos sob a forma de condomínio fechado, que não admitem resgate de quotas durante o prazo de duração do fundo, são tributados: I de acordo com as disposições previstas no art. 23, quando auferidos: b) por pessoa jurídica em operações realizadas dentro ou fora de bolsa; Art. 23. Os ganhos líquidos auferidos por quaisquer beneficiários, inclusive pessoa jurídica isenta, em operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhados, existentes no País, sujeitandose à incidência do imposto de renda de acordo com as disposições previstas nesta seção; (destaquei) § 1° São consideradas assemelhadas às bolsas de que trata este artigo, as entidades cujo objeto social seja análogo ao das referidas bolsas e que funcionem sob a supervisão e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 7 6 Verificase, conforme destaque acima (sujeitandose à incidência do imposto de renda de acordo com as disposições previstas nesta seção) que a Recorrente equivocouse em afirmar que, a IN SRF nº 25/2001 teria autorizado a exclusão dos rendimentos mensais das quotas de FIDC, fechado. Senão vejamos. O § 4º do transcrito art. 23 da IN SRF nº 25/2001 daquela Seção III Aplicação em Valores Mobiliários de Renda Variável Disposições Gerais é taxativo em prever a incidência mensal do imposto de renda e a data limite para pagamento do tributo, verbis: IN SRF nº 25/2001, art. 23, § 4o. O imposto de que trata este artigo será apurado por períodos mensais e pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da apuração. Assim, não obstante as extensas exposições da Recorrente, não é correto afirmar que, somente no anocalendário do resgate das quotas do FIDCFechado, deverá haver a incidência do imposto de renda na fonte, bem como a inclusão desse rendimento na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A IN SRF nº 25/2001, não confere essa prerrogativa. Dessa forma, foi correto o procedimento da fiscalização em recompor o lucro real e a base de cálculo do IRPF e da CSLL, por falta de amparo legal para a sua sustentação. Não há fundamento, portanto, para atendimento ao pedido da Recorrente, quanto ao cancelamento dos créditos tributários constituídos do IRPJ Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 811 a 833). Em sequência, a Recorrente alega que o cálculo realizado pela fiscalização, ao não admitir a exclusão em questão, também teria que desconsiderar a adição promovida no Lalur, relativamente ao provisionamento do IR diferido e adicionado ao lucro líquido de 2009/2010, no valor de R$5.243.390,95, sob a denominação de IR diferido FIDC (esse valor estaria contido nos R$9.424.479,37 que foi adicionado ao lucro líquido na Ficha 09A, linha 5 da Demonstração do Lucro Real e da Ficha 17, linha 05 do Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da DIPJ de 2010/2009 acostada aos autos. A recorrente, assim, requereu o cancelamento de parte do crédito tributário constituído de IRPJ no valor de R$ 917.593,44 (3.437.653,80 2.520.060,36), da multa de oficio no valor de R$688.195,08 (917.593,44 x 75%) e dos juros de mora no valor de R$367.679,69 (917.593,44 x 40,07%). Do mesmo modo, requereu o cancelamento de parte do crédito tributário constituído da CSLL no valor de R$330.333,63 (1.246.195,37 915.861,74), da multa de oficio no valor de R$247.750,22 (330.333,63 x 75%) e dos juros de mora no valor de R$132.364,69 (330.333,63 x 40,07%). Em que pese os argumentos da Recorrente, verificase que não houve equívoco no procedimento fiscal. Senão vejamos. A Recorrente, na apuração do lucro real, promovia a exclusão dos rendimentos decorrentes da valorização das cotas, com o objetivo de neutralizar a receita reconhecida contabilmente pelo regime de competência, e posteriormente, quando do efetivo resgate das referidas cotas, efetuava a adição, para que, só então, os rendimentos fossem tributados (regime de caixa). Fl. 945DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 8 7 Sendo assim, os referidos R$5.243.390,95 que a Recorrente sustenta que deveriam ser excluídos de base tributável (e que foram objeto de lançamento) referemse, na verdade, a outras receitas financeiras, decorrentes de valorização de cotas de fundos que, se considerados pelo regime de competência, deveriam já ter sido tributados em anos anteriores e não foram. Notese que, o valor em questão não se relaciona com a quantia de R$22.765.024,62, que indica e remete, especificamente, à valorização que ocorreu, ao longo do ano de 2009, no preço de resgate das cotas. Dessa forma, não há como acolher o pedido de recálculo de tais valores lançados. Ainda sobre supostos valores não considerados pela fiscalização, a Recorrente adverte que deveriam ter sido considerados no cálculo do IRPJ devido (R$3.437.653,80), o IRFonte (R$102.909,48) e no cálculo da CSLL (R$1.246.195,37) o valor retido na fonte (R$65.703,26). Ressaltou que teria havido erro manifesto e requereu o cancelamento de parte dos créditos tributários constituídos de IRPJ, no valor de R$ 102.909,48, de multa de oficio no valor de R$ 77.182,11 (102.909,48 x 75%), dos juros de mora no valor de RS 41.235,83 (102.909,48 x 40,07%) e da CSLL no valor R$ 65.703,26, de multa de oficio no valor de RS 49.277,45 (65.703,26 x 75%), dos juros de mora no valor de RS 26.327,30 (65.703,26x40,07%). Sobre esses apontamentos, o Acórdão recorrido apresentou os seguintes fundamentos: As retenções acima referidas incidiram sobre receitas diversas das que são objeto destes autos e, conforme afirma a própria interessada, já foram aproveitadas, sendo portanto incabível que sejam novamente utilizadas para abater tributos apurados a partir de receitas não incorporadas naquela DIPJ. Faço ainda registro de que as retenções nos valores pleiteados pela interessada integraram o saldo negativo de IRPJ e de CSLL apurados para o ano de 2009 e o crédito correspondente foi objeto dos Per Dcomps 04384.49457.120413.1.3.020492 e 13617.95569.120413.1.3.038536, sendo que o primeiro deles já foi integralmente deferido. Assim evidenciado e em conformidade com a conclusão da DRJ, concluo que é de se manter o indeferimento do pedido de que sejam aproveitadas as retenções nos valores de R$ R$ 102.909,48 e R$ 65.703,26. Das Alegações sobre a Inaplicabilidade da Taxa Selic e Caráter Confiscatório da Multa de Ofício A Recorrente apresenta tese de que, sobre os valores tributários pagos em atraso, não poderiam incidir juros de mora superior a 1% ao mês. Considera inconstitucional e ilegal a utilização da Taxa Referencial do SELIC, nesses casos. Também requereu o cancelamento da multa de ofício de 75%, por considerá la ilegal e confiscatória. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 9 8 Não há como analisar tias fundamentos da Recorrente, face à Súmula Carf nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalização Na forma demonstrada pela Fiscalização e mantida pela DRJ, não há autorização legal para a Recorrente excluir da base de cálculo do lucro real, em regime de competência, os rendimentos mensais das quotas de Fundos de Investimento de Direitos Creditórios FIDCs, sejam no regime aberto, seja fechado. É correta a conclusão de que é devida a adição dos referidos rendimentos, em conformidade com as disposições legais e normativas reto citadas, colacionadas pela própria Recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 947DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.003314/2003-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO ESCRITURAL. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com o decidido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, artigo 543-C do CPC, não existe previsão legal para a incidência de correção monetária nos pedidos de ressarcimento de crédito escritural de IPI. Tal correção somente seria possível estivesse comprovado a existência de ato de oposição ilegítima, praticado pelo Fisco, no sentido de inviabilizar o aproveitamento do referido crédito.
Numero da decisão: 9303-005.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO ESCRITURAL. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o decidido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, artigo 543C do CPC, não existe previsão legal para a incidência de correção monetária nos pedidos de ressarcimento de crédito escritural de IPI. Tal correção somente seria possível estivesse comprovado a existência de ato de oposição ilegítima, praticado pelo Fisco, no sentido de inviabilizar o aproveitamento do referido crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 33 14 /2 00 3- 82 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 3 2 Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3403001.866, de 29 de novembro de 2012 (fls. 147 a 152 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI acumulado no quarto trimestre de 2002 e requerido em 08.04.2003 pelo estabelecimento matriz do contribuinte, com fundamento nos artigos 11, da Lei nº 9.779/99 e 1º, inciso II, da Lei nº 8.402/92 (fls. 4). Seguiuse ao pedido, declaração de compensação formalizada em 30.07.2003, por meio da qual o contribuinte pretendia empregar os créditos objeto do ressarcimento na extinção de débitos tributários próprios. No despacho decisório que proferiu ao término da análise do pleito, o órgão de origem (fls. 57/60): (i) reconheceu integralmente o direito creditório reivindicado; (ii) verificou da declaração de compensação que a recorrente não acrescera os débitos tributários nela confessados dos correspondentes consectários da mora, não obstante já estivessem vencidos por ocasião da respectiva transmissão; e, em razão desta desconformidade; (iii) homologou parcialmente a compensação, até o limite do crédito reconhecido. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, restringindo sua irresignação ao item (ii) acima exposto. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de o contribuinte corrigir o ressarcimento pela Taxa Selic entre a data de apresentação do pedido de ressarcimento e a data da efetiva utilização do crédito, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2002 DCOMP. DÉBITOS VENCIDOS. ATUALIZAÇÃO. Nos termos do art. 61, da Lei nº 9.430/96, os débitos vencidos indicados em declarações de compensação devem ser acrescidos de juros e multa moratória. IPI. CRÉDITO ESCRITURAL. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. Recurso voluntário provido em parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 154 a 168) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento deferido (sem oposição ilegítima) de crédito presumido do IPI. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 310100.939 e 9303001.724 A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição integral das ementas no corpo da peça recursal. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 170 a 172, sob o argumento que no confronto das decisões ficou comprovada a divergência apontada. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 176 e 177, e não se manifestou. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo devendo ser apreciado quanto ao seu conhecimento. Na decisão atacada o colegiado concedeu a incidência da taxa SELIC sobre o valor reconhecido (sem oposição comissiva ilegítima) do crédito presumido do IPI solicitado em ressarcimento, aplicada a partir da data de protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento. Já no paradigma, diversamente, não foi reconhecido o direito à incidência da taxa SELIC, considerado pelo colegiado não configurada qualquer resistência comissiva desmotivada por parte da Administração que impedisse a interessada de utilizar o valor do crédito solicitado em ressarcimento. O acórdão paradigma 3101.0093 (que não foi analisado no exame de admissibilidade) trata de embargos opostos para retificar o acórdão nº 3101.00743 e negar o recurso voluntário, sendo que este acórdão antes de ser retificado dava provimento parcial ao recurso voluntário fundamentado na decisão proferida pelo Resp 1.035.847. Pesquisando não encontrei este acórdão paradigma no site do CARF e também não consta no andamento processual. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 6 5 Já o acordão 9303.001.724 demonstra que a taxa Selic só deve ser aplicada quando houver previsão legal, que no caso de ressarcimento de IPI não existe tal previsão e que o Resp 1.035.847 trata de creditamento de IPI. Entendo que ficou comprovada a divergência jurisprudencial quanto à utilização obrigatória de decisão do STJ. Portanto, voto pelo conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Do mérito O acórdão recorrido reconheceu o direito ao acréscimo da Taxa SELIC sobre o montante do crédito que lhe foi assegurado parcialmente pelo despacho decisório de fls. 57/60, aplicandose o índice desde a data do protocolo do pedido (08.04.2003) até a data da respectiva utilização, seja ela na transmissão da respectiva DCOMP, seja ela na entrega de numerário em espécie, em havendo excedente para ressarcimento em pecúnia. Adotou para tanto o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS. Entendo que decisão recorrida não merece reparos a fazer na quanto à interpretação que deu da análise de decidido no REsp nº 1.035.847/RS. Nesse sentido transcreve se sua ementa com grifos meus: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 7 6 que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Da leitura do referido julgado, podese concluir que de fato não há previsão legal para a aplicação de índices de correção monetária sobre os créditos escriturais de IPI. No entanto, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. O CARF e também esta CSRF tem aplicado referida decisão nas situações em que as Delegacias da Receita Federal indeferem o ressarcimento por alguma razão de direito que posteriormente venha a ser modificada no decorrer do trâmite do processo administrativo fiscal. Esta situação já foi reconhecida e não é objeto do recurso. Meu entendimento é do reconhecimento da incidência dos juros Selic no ressarcimento do crédito presumido de IPI desde o protocolo do pedido utilizando uma Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 8 7 interpretação um pouco mais abrangente da aplicação do que foi decidido no REsp nº 1.035.847/RS. No entanto, a CSRF tem decido que à concessão dos juros Selic somente se aplica na parte do ressarcimento em que houve uma oposição estatal ilegítima e esta oposição somente é verificada na parte não concedida originalmente e revertida posteriormente no âmbito do julgamento dos processos administrativos correspondentes. Foi o que ocorreu no presente caso. Diante disto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda, mantendo a decisão a quo, que concedeu a incidência da Selic. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. Em seu voto ela manteve o entendimento constante do acórdão recorrido, utilizando para tanto os fundamentos do que foi decidido no REsp nº 1.035.847/RS, julgado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos. A ementa do julgado está transcrita em seu voto, com destaque de que o STJ firmou o entendimento de que não há previsão legal para o reconhecimento da correção monetária nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI. Porém esta correção estaria autorizada nas situações em que o Fisco fizesse oposição ilegítima ao aproveitamento do referido crédito. De fato, esta turma julgadora, vem aplicando este entendimento, até porquê ele tem força vinculante aos julgamentos administrativos, por força do que dispõe o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Porém, para que ele seja aplicado, os fatos ocorridos no processo devem estar consonantes com o que foi decidido pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos. Nesse sentido vale novamente transcrever o que foi decidido no REsp nº 1.035.847/RS: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 10 9 DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. Como bem ressaltou a ilustre relatora em seu voto, no âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 11 10 depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante da decisão do STJ acima citada e transcrita. Assim é necessário que retomemos os fatos ocorridos no presente processo, para verificar se houve a ocorrência de ato ilegítimo por parte do Fisco que obstasse o aproveitamento dos créditos de IPI que se pretendia ver ressarcido. Pois bem, à efl. 04, consta o Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI, apresentado pelo contribuinte, relativo ao 4º trimestre/2002 (out/nov/dez/2002), no montante de R$ 111.593,05. O seu protocolo foi efetuado em 08/04/2003, pouco tempo após o encerramento do trimestre de apuração. Em seguida o próprio contribuinte utiliza o total de seu crédito em compensações da seguinte forma: apresenta declaração de compensação DCOMP, efl. 56, transmitida em 30/07/2003 para compensar débitos do IRRF da 1ª semana de abril/2003 no valor de R$ 28.783,40 e da 5ª semana de maio/2003, no valor de R$ 82.809,65, cuja soma dá o valor exato de R$ 111.593,05, ou seja, no valor exato do ressarcimento que pretendia. Portanto, a primeira conclusão a que se chega é que a possível demora na análise de seu direito não é oponível ao Fisco, pois ele utilizou num espaço de aproximadamente 3 meses todo o seu crédito requerido em compensações de débitos próprios. Em seguida, por meio do Despacho Decisório, efl. 63, o valor integral do seu pedido de ressarcimento foi deferido, porém não foi suficiente para homologação integral da compensação apresentada. Melhor dizendo, o fisco acatou integralmente o seu pedido de ressarcimento, sendo que o crédito deferido já havia sido utilizado num prazo curto, de menos de 3 meses, para compensar débitos próprios do contribuinte. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade quanto ao despacho decisório que não homologou integralmente a sua compensação, fazendo pedido específico relativo à aplicação da correção monetária aos créditos de IPI ressarcidos. Como não há previsão legal para a incidência da correção monetária de créditos escriturais de IPI, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP, efls. 1119/126, indeferiu o seu pedido. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 12 11 O contribuinte apresentou recurso voluntário, sendo que a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, proferiu o Acórdão ora recorrido, no sentido de que seria a hipótese de aplicação da REsp 1.035.847, julgado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, e concedeu a aplicação da taxa Selic sobre os valores dos créditos ressarcidos da data do protocolo do pedido até o seu efetivo aproveitamento. Na oportunidade o relator entendeu aplicável o precedente do STJ, mas não esclareceu qual foi o ato estatal ilegítimo que motivou o deferimento da correção monetária. Da mesma forma atuou a relatora do voto vencido no presente julgamento. Como esclarecido anteriormente, para que seja aplicável o repetitivo do STJ é necessário que se identifique o ato de oposição estatal ilegítimo praticado no presente processo que teria impossibilitado o contribuinte ao aproveitamento do crédito de IPI pleiteado. De fato não existe nenhum. Resumindo o contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de IPI e utilizou quase que de imediato o total de seu crédito para compensar com débitos de sua responsabilidade. O Fisco analisou o seu pedido e deferiu integralmente o crédito solicitado. Assim, não houve qualquer reversão dos montantes do créditos pelas instâncias de julgamento administrativo, até porque não havia o que reverter quanto ao montante do pedido. Portanto, indubitavelmente, o repetitivo do STJ só pode ser aplicado ao presente caso quanto à sua primeira afirmativa, no sentido de que não há previsão legal para a incidência da correção monetária nos pedidos de ressarcimento de créditos escriturais de IPI. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 13 12 Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15578.720048/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a que seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de IRPJ, em relação ao ano-calendário de 2008, até a data de apresentação da DComp nº 34162.67009.240712.1.3.02-4191, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente Substituta.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a que seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de IRPJ, em relação ao ano calendário de 2008, até a data de apresentação da DComp nº 34162.67009.240712.1.3.024191, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente Substituta. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1.121 a 1.143) interposto contra o Acórdão nº 0130.315, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 1.107 a 1.113), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .7 20 04 8/ 20 13 -0 1 Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 15578.720048/201301 Resolução nº 1302000.516 S1C3T2 Fl. 1.260 2 A Manifestação de Inconformidade (fls. 707 a 805) foi apresentada contra o Parecer Seort nº 346/2014 e Despacho Decisório nele embasado (fls. 686 a 695), que não homologaram as compensações declaradas nas Declarações de Compensação (DComp) n° 37394.39519.250712.1.7.024260, 09373.45405.241012.1.3.026206, 22000.38388.161112.1.3.026690, 26448.13785.200613.1.3.020802, 22138.72768.280613.1.3.021737, 27773.17684.180713.1.3.021502, 35631.73080.290813.1.3.027771 e 38087.08104.181213.1.3.022504. O crédito envolvido nas referidas DComp tem por origem saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2008 (fls. 53 a 99) e alterado por meio de lançamento de ofício de que trata o processo administrativo nº 15578.720163/201378. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. Voto Como dito, contra o Recorrente, foi lavrado Auto de Infração que alterou o crédito que deu suporte à apresentação das DComp de que trata o presente processo. Contudo, tanto o Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo, quanto o Acórdão que tratou da impugnação a ele e o Parecer Seort nº 346/2014 consideraram como pagos apenas os valores retidos na fonte e os recolhimentos realizados até o encerramento do exercício. Ocorre que o sujeito passivo sustenta, na DComp que discrimina o crédito (DComp nº 37394.39519.250712.1.7.024260, que retificou a de nº 34162.67009.240712.1.3.024191) e no Recurso Voluntário, a existência de parcelamentos, quitação posterior e compensação de valores de estimativas do IRPJ. O Parecer Seort nº 346/2014 reconhece a existência de parcelamentos, desconsiderandoos por terem sido realizados após o encerramento do exercício. A par disso, o mesmo Parecer afirma que todas as DComp apresentadas pelo Recorrente para compensar estimativas de IRPJ no anocalendário de 2008 foram consideradas como não declaradas, mas, contraditoriamente, relata que os débitos foram inscritos em Dívida Ativa da União. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de IRPJ, tem efeito direto na análise das DComp de que trata o presente processo. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Vitória/ES), para que: a) informese, dos totais de estimativas de IRPJ que compuseram o crédito informado na DComp nº 37394.39519.250712.1.7.024260, quais os montantes que efetivamente foram objeto de pagamento, Dcomp e/ou de parcelamento até a data de apresentação da DComp nº 34162.67009.240712.1.3.024191; Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 15578.720048/201301 Resolução nº 1302000.516 S1C3T2 Fl. 1.261 3 b) detalhese, para cada mês do referido anocalendário, o desfecho de cada uma das DComp eventualmente apresentadas e/ou parcelamentos eventualmente formalizados referentes a estimativas de IRPJ, com indicação do número do processo administrativo correspondente; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado. Chamo a atenção para a relação de decorrência existente entre este processo e o de nº 15578.720163/201378, no âmbito de qual foi solicitada diligência similar à Unidade de origem, os quais deverão ser julgados conjuntamente por este CARF. Destaco, por fim, para a relação de decorrência deste processo com o de nº 15578.720045/201441, referente a multa pela nãohomologação das DComp aqui tratadas, de modo que o julgamento daquele deverá ser realizado após o julgamento de mesma instância deste ou ser realizado conjuntamente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 1261DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.722153/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN.
Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP.
Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170A DO CTN. Nos termos do art. 170A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 21 53 /2 01 3- 75 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 436 2 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10320.722153/201375, em face do acórdão nº 0830.493, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), na sessão de julgamento de 23 de julho de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Tratase de processo no nome do contribuinte em epígrafe, doravante mencionado simplesmente como contribuinte, autuado ou Hospital, por meio do qual foi formalizado crédito tributário incluindo o período 01/2010 a 12/2011. O processo se compõe dos seguintes Autos de Infração: Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.020.6166, no qual foi lançada glosa de compensação indevida de contribuições, informadas em Guias de Recolhimento do Fundo Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 437 3 de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP: b) Auto de Infração nº 51.020.6174, com multa isolada de 150%, no valor de R$ 5.512.221,27. 1 Relatório Fiscal Consta no Relatório Fiscal que: 1. Foram glosados os valores informados pelo contribuinte nas GFIPs das competências 12/2009 a 13/2011 a título de compensação previdenciária, considerados indevidos pela fiscalização. 2. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista a redução do tributo a ser pago nas citadas competências. 3. Nos dispositivos legais que regem a compensação e restituição de pagamento indevido (Código Tributário Nacional – CTN, art. 156, II, e arts. 165 a 169, Lei nº 8.212/1991, art. 89, e Lei Complementar nº 118/2005, art. 3º) está claro que somente é possível a compensação em caso de pagamento, não havendo a possibilidade nos casos em que o tributo supostamente indevido esteja inserido em parcelamento. 4. No caso, não se trata de recolhimento indevido em decorrência de equívoco, mas de pretensão de ver afastada a aplicação da legislação em vigor. Justamente para evitar conflitos decorrentes de decisões judiciárias provisórias, o legislador vedou a compensação de valores questionados judicialmente antes do trânsito em julgado da sentença, o que não foi observado pelo contribuinte. 5. O contribuinte impetrou Mandados de Segurança distribuídos para a 3ª e a 6ª Varas Federais em São Luís/MA, requerendo a concessão de medida liminar que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário referente à contribuição previdenciária incidente sobre o auxíliodoença/acidente pago nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento, salário maternidade, férias e adicional de férias, adicionais noturno, de periculosidade, de insalubridade, de transferência, aviso prévio indenizado, assim como compensação dos valores recolhidos a esse título nos últimos 10 (dez) anos. 6. O MM. Juiz Federal da 6ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão denegou a segurança demandada pelo contribuinte por meio do processo 0041947752010.4.01.3700. O Tribunal Regional Federal – TRF da Primeira Região deu parcialmente provimento ao Recurso de Apelação interposto pelo contribuinte tão somente para suspender a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado e respectiva parcela do 13º proporcional. Foi Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 438 4 ressaltado, ainda, que a repetição dos valores recolhidos deve observar a data do ajuizamento da ação. No caso, como a ação foi ajuizada em 11/11/2010, o prazo de cinco anos deve ser contado do recolhimento indevido, estando prescritos créditos anteriores a 11/11/2005. Foi destacado também na decisão que é vedada a realização da compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial. 7. Há também o processo 000756408.2009.4.01.3700 (número anterior 2009.37.00.77455). A Decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, em 22/02/2010, deu provimento, em parte, ao agravo de instrumento interposto pelo contribuinte, suspendendo a exigibilidade da contribuição previdenciária sobre os valores pagos nos primeiro quinze dias de auxílio acidente e doença e adicional de 1/3 de férias. 8. Em resposta à solicitação do demonstrativo das bases de cálculo que originaram as contribuições compensadas, o contribuinte apresentou planilha onde constam verbas sobre as quais não foi afastada a exigibilidade de contribuição previdenciária patronal, tais como horas extras, adicional noturno, de periculosidade, de insalubridade, de transferência, salário maternidade e férias. 9. Tendo a empresa infringido o art. 170A do CTN, efetuando a compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial, as compensações efetuadas foram glosadas. 10. Considerando, em tese, falsa a declaração de compensação efetuada pelo contribuinte, a Auditora Fiscal aplicou a multa isolada prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991, no percentual de 150%, a qual incidiu sobre os valores indevidamente compensados. Foi aplicada, ainda a multa moratória de 0,33% ao dia limitada a 20%, bem como a taxa SELIC. 11. A Auditoria Fiscal destacou que a responsabilidade pela declaração de compensação é do contribuinte, cabendo a ele certificarse de que, conforme a legislação aplicável, tem realmente o direito de compensarse. 2 Intimação e Impugnação A ciência do contribuinte deuse em 20/08/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado às fls. 163. Em 02/09/2013, o autuado apresentou impugnação, na qual alega, em síntese, que: 1. Foi ajuizada a ação nº 7564082009.4.01.3700 (número antigo 2009.37.00.0077455), distribuída para a 6ª Vara Federal de São LuísMA, atualmente em trâmite perante o TRF da 1ª Região, na qual foi pleiteada a declaração de inexigibilidade das verbas ali discutidas : férias, 1/3 incidente sobre férias, auxílio doença e acidente e saláriomaternidade. Foi pedido também que o Fisco Federal se abstivesse de promover retaliações ao exercício do direito à compensação, tendo a empresa obtido decisões judiciais favoráveis. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 439 5 2. O contribuinte ajuizou a ação nº 004194775.2010.4.01.3700, distribuída para a 3ª Vara Federal em São Luís/MA, pleiteando não ser compelido ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal incidente sobre as seguintes verbas indenizatórias: horas extras (mínimo 50), adicionais noturno (mínimo 20%), de insalubridade (de 10% a 40%), de periculosidade (30%) e de transferência (mínimo de 25%), bem como aviso prévio indenizado e respectiva parcela de 13º salário, ação atualmente em trâmite perante o TRF da 1ª Região. 3. Em ambas as ações acima mencionadas foram proferidas decisões liminares, sentença e acórdão favoráveis ao impugnante, o que por si só suspende a exigibilidade do crédito, nos termos do art. 151 do CTN, sendo a exigência indevida. Em face dessas decisões, não poderia o contribuinte sofrer fiscalização, tampouco ser submetido ao pagamento da suposta infração e da exorbitante multa exigidos. 4. No Auto de Infração, a Auditora Fiscal exige do contribuinte a contribuição previdenciária patronal incidente sobre férias, adicional constitucional de 1/3, salário maternidade, horas extras e adicionais noturno, de periculosidade e insalubridade, indevidamente. 5. Com respeito à competência 07/2010, a Auditora Fiscal equivocouse ao considerar o valor compensado como sendo R$ 267.695,75, quando o correto é R$ 84.133,09, conforme demonstrado na Guia da Previdência Social – GPS do período. O que houve foi apenas um erro material na GFIP, o que acarretou o equívoco da fiscalização. 6. Em relação ao período 08/2011 e 13/2011, houve também equívoco, tendo sido considerado que houve compensação quando tais competências foram objeto de declaração retificadora espontânea enviada em 10/01/2013. 7. Recente decisão da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça – STJ, no Recurso Especial nº 1.322.945/DF, reabriu discussão sobre a inexigibilidade da contribuição previdenciária patronal sobre verbas que não compõem sua base de cálculo, como salário maternidade e férias gozadas. Nessa decisão, o STJ concordou com a tese dos contribuintes, não sendo mais pacífica a jurisprudência em favor da União Federal. Por essa tese, embora a Lei nº 8.212/1991 e a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT tenham conferido natureza salarial às verbas pagas a título de salário maternidade e férias gozadas, elas não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária por força do art. 195, I, “a”, da Constituição Federal, pois não constituem contraprestação por serviços laborais. 8. Da mesma forma, por não consistirem em contraprestação por serviços prestados, não incide a contribuição patronal previdenciária sobre a importância paga nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e sobre o adicional de féria de 1/3. Por sua vez, as verbas indenizatórias (horas extras, adicionais noturno, de Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 440 6 periculosidade, de insalubridade e de transferência) destinamse a indenizar os trabalhadores que se encontram laborando em situações anormais, conforme previsão legal (CLT) e constitucional. Há também previsão constitucional e legal no que tange ao caráter provisório do aviso prévio indenizado. Não se trata, pois, de pagamento pelos serviços prestados. 9. Na verdade, no caso das indenizações por trabalho excedente ou condições adversas, há incidência da contribuição patronal apenas sobre o valor normal, não sobre o valor que corresponde à indenização. 10. No que tange ao terço constitucional de férias, o Fisco Federal faz indevida equiparação entre a contribuição patronal e a contribuição dos segurados empregados, sendo o salário de contribuição base de cálculo apenas destes últimos, não se prestando para apurar a base de cálculo da contribuição patronal, conforme disposto no art. 20 da Lei nº 8.212/1991. Ademais essa indevida exigência é sustentada em dispositivos infralegais, como a Instrução Normativa RFB nº 971/2009, cujos dispositivos são ilegais e inconstitucionais, ocorrendo desrespeito ao princípio da legalidade. 11. A jurisprudência dos tribunais superiores é pacífica quanto à não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias. 12. Da mesma forma, o argumento de que o salário maternidade e verbas indenizatórias (horas extras, adicionais noturno, de periculosidade, de insalubridade e de transferência) integram o salário de contribuição não procede, uma vez que este último somente constitui a base de cálculo da contribuição do segurado empregado. 13. Por ter recolhido indevidamente a contribuição previdenciária o impugnante buscou amparo legal e judicial para efetuar compensações, direito reconhecido em decisão judicial e amparado pelo art. 66 da Lei nº 8.383/1991, c/c art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ao final, o impugnante pede que a sua defesa seja recebida, sendolhe atribuído efeito suspensivo, para que seja decretada a total improcedência dos Autos de Infração. Protesta provar o alegado por todos os meios admitidos em direito, notadamente a juntada posterior de documentos e, especialmente, pela realização de perícia técnica, para comprovar suas afirmações. É o relatório." A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR) entendeu pela procedência em parte da impugnação, vindo a exonerar do lançamento os valores na tabela abaixo (fl.352) Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 441 7 Assim, o lançamento se manteve em relação aos seguintes valores (consolidados em 26/07/2012), conforme tabela de mesma folha. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 366/428, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Ação Judicial. Renúncia à via administrativa. No caso aqui discutido, o Hospital impetrou dois mandados de segurança. Um deles foi objeto do Processo nº 4194775.2010.4.01.3700, no qual ele objetiva a declaração de inexistência de relação jurídicotributária apta a ensejar o recolhimento de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de adicional noturno, de periculosidade, de insalubridade e de transferência, bem como a título de aviso prévio indenizado e respectiva parcela correspondente do 13º salário proporcional e horas extras. Pleiteou também o direito de efetuar a compensação dos valores indevidamente recolhidos a tal título nos último 10 (dez) anos, acrescidos dos consectários legais, com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Previdenciária, sem as limitações do art. 170A do CTN, dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005 e do §3º do art. 89 da Lei nº 8.212/1991, afastando as restrições presentes em qualquer norma legal ou infralegal. Requereu, ainda, que fosse determinado que o Fisco se abstivesse de promover a cobrança ou a exigência dos valores da contribuição em questão, não podendo haver quaisquer restrições, autuações fiscais, negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito, imposições de multas, penalidades ou inscrições em órgãos de restrição como o CADIN. A DRJ bem salientou que as alegações apresentadas perante o Poder Judiciário fundamentando a não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 442 8 citadas foram as mesmas agora manejadas no âmbito administrativo. Desse modo, a decisão de primeira instância foi no sentido de que, ao recorrer a contribuinte ao Poder Judiciário, o contribuinte renunciou à instância administrativa, estando ele e o Fisco adstritos ao disposto nas decisões judiciais específicas para o processo, cuja análise se passa a fazer. Em relação ao processo nº 000756408.2009.4.01.3700, o qual impetrado pelo contribuinte para que fosse afastada a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos empregados a título de auxílio doença e auxílio acidente nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento, sobre o salário maternidade, sobre as férias e seu respectivo adicional. Verificase que também neste processo são os argumentos nas ações judiciais fundamentando a não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas mencionadas foram os mesmos apresentados no âmbito administrativo. Não cabe, pois, a avaliação desses aspectos no presente julgamento, diante da renúncia ao contencioso administrativo representada pela interposição da ação judicial. Conforme se verifica dos autos, a contribuinte está discutindo judicialmente a incidência de contribuição previdenciária sobre algumas rubricas, dentre elas os valores pagos nos primeiros 15 dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados e, também, aqueles pagos a título de terço constitucional de férias. No entanto, a Súmula nº 01 deste Conselho assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não conheço das alegações quanto a não incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas em questão, diante da renúncia à instância administrativa. Glosa por compensação indevida. No processo judicial nº 4194775.2010.4.01.3700 o pedido formulado em sede liminar foi indeferido. Na sentença de primeiro grau, emitida em 05/04/2011, foi declarada a inexistência de relação jurídicotributária que autorizasse a cobrança de contribuição previdenciária patronal incidente apenas sobre as seguintes verbas: aviso prévio indenizado e 13º salário calculado sobre o aviso prévio indenizado. Assim, o MM. Juiz decidiu que todas as outras verbas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, ao contrário do que diz o contribuinte na sua defesa. Ademais, ainda quanto a esse primeiro processo, foi autorizada a compensação dos valores recolhidos a tal título, porém não consta na decisão judicial autorização para que a empresa ignorasse o comando insculpido no art. 170A do CTN. Ao contrário, na fundamentação da sentença resta evidente que referida compensação está sujeita ao disposto no art. 170A do CTN e deve ser realizada com débitos oriundos exclusivamente de contribuições patronais incidentes sobre a folha de salário. No Acórdão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região por meio do qual foram julgadas as apelações do contribuinte e da Fazenda Nacional, resta claro que não foi Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 443 9 afastado o cumprimento obrigatório do disposto no art. 170A do CTN, tanto no fundamento quanto no dispositivo: "Fundamentos: [...] Nos termos da Súmula 271 do STF, “concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais, em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria”. No presente caso, o deferimento da compensação tributária na sentença recorrida não violou esse entendimento sumular. A compensação será realizada após o trânsito em julgado da sentença (CTN, art. 170A) e, assim, não produzirá efeito patrimonial no passado. [...] Por outro lado, a Súmula 269 do STF dispõe que “o mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança”. Esse enunciado, igualmente, não foi violado no presente caso, porque não se trata de repetição de indébito, mas, sim, de compensação a ser realizada a partir do trânsito em julgado da sentença. [...] O Superior Tribunal de Justiça decidiu, em regime de recursos repetitivos, que o art. 170A é aplicável às ações ajuizadas depois da entrada em vigência da LC 104/01 (REsp 1.164.452), caso dos autos (11.11.2010) Dispositivo: Ante o exposto: a) nego provimento à apelação do impetrante; b) dou parcial provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial [...]" O acórdão foi publicado em 1º/06/2012, os embargos de declaração foram julgados improcedentes por acórdão publicado em 21/02/2014. Portanto, no período em que foram efetivadas as compensações, não havia se dado ainda o trânsito em julgado, sendo descabido tal procedimento por parte do contribuinte, pois não foram cumpridos nem o art. 170A do CTN, nem as decisões judiciais específicas para o caso. Por sua vez, em relação ao processo nº 000756408.2009.4.01.3700, o Juiz Federal da 6ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão denegou a segurança demandada, em sentença publicada em 18/11/2010. O contribuinte interpôs apelação, a qual foi julgada pelo TRF da Primeira Região por meio de acórdão publicado em 04/07/2011, cuja decisão foi no sentido de afastar a exigibilidade da contribuição previdenciária patronal incidente apenas sobre os valores pagos durante os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou acidente, assim como sobre o adicional de férias (exigível, pois, a contribuição sobre salário maternidade e férias). Foi declarado, ainda, o direito de o contribuinte promover a compensação dos valores indevidamente recolhidos a tal título. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 444 10 Tal qual no outro processo, além de o dispositivo da decisão não mencionar a dispensa da obrigação de observar o art. 170A do CTN, no fundamento encontrase expressamente manifestado o entendimento de que esse dispositivo deve ser obedecido no caso: "[...] A partir deste quadro, devem ser observados os seguintes tópicos quanto ao direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos, levandose em conta a data da impetração do presente “writ”, que no caso se deu em 06/11/2009: a) a disposição contida no art. 170A do CTN (introduzida pela Lei Complementar nº 104/01), a qual determina que a compensação somente poderá ser efetivada após o trânsito em julgado da decisão; [...]" Foram opostos embargos de declaração pela União, cuja omissão alegada restringiuse a matéria relacionada à prescrição do direito de pleitear a repetição do indébito. Os embargos foram inicialmente rejeitados, porém em face da decisão do Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos de que o art. 170A é aplicável às ações ajuizadas depois da entrada em vigência da Lei Complementar nº 104/2001, em retratação, o tribunal emitiu novo acórdão, adequando o julgamento dos embargos de declaração ao entendimento do STJ. A contribuinte interpôs recurso especial em 25/07/2011. Porém, como a publicação do acórdão dos embargos de declaração foi posterior (10/08/2012), o juízo de segunda instância entendeu ser necessária a reiteração do pedido recursal, a teor da súmula 418 do STJ. Não cumprida essa formalidade, restou caracterizada a extemporaneidade do recurso especial, o qual não foi admitido. Dessa forma, quando da efetivação das compensações, não havia se dado ainda o trânsito em julgado também da decisão desse processo, tendo agido o contribuinte em confronto com o art. 170A do CTN e com as decisões judiciais emitidas para o caso. A compensação de valores discutidos judicialmente deve obedecer o que determina o CTN, no artigo 170A: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifouse) No entanto, conforme verificado, a contribuinte procedeu à compensação antes do trânsito em julgado das decisões judiciais, prática vedada pelo art. 170A do Código Tributário Nacional. Assim, o direito da contribuinte escudado pelas ações judiciais ainda não foi definitivamente julgado pela Poder Judiciário, sendo, portanto, indevida a compensação declarada em GFIP nas competências referidas. Observase que na época da realização das compensações os referidos processos ainda não haviam sido definitivamente julgados. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 445 11 Dessa feita, em que pese o fato de haver discussão judicial acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre algumas verbas pagas a empregados, temse que não há nos autos nenhuma decisão judicial que, contrariando a legislação tributária de regência, autorizasse o contribuinte a compensar valores decorrentes de discussão judicial ainda não transitada em julgado com contribuições apuradas, conforme realizou. Portanto, em conformidade com o dispositivo citado, e em respeito à decisão judicial referida pela recorrente, as compensações, objeto de glosa por meio da autuação tratada no presente processo, foram efetuadas sem que, na oportunidade de sua realização, existissem créditos que lhes amparassem, devendo tais glosas serem mantidas. Multa por compensação indevida. A contribuinte realizou compensações consideradas indevidas, por utilizarse créditos antes do trânsito em julgado. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Relativamente à aplicação da multa isolada de 150%, a Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, assim dispõe: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Da leitura destes dispositivos, não resta dúvida no sentido de que a constatação da falsidade da declaração é suficiente para a aplicação da multa isolada de 150%, Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 446 12 sem a necessidade de comprovação de existência de dolo, ou qualquer uma das figuras penais descritas no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. A multa de 150% é cabível não apenas em função da compensação indevida mas pela declaração falsa do contribuinte de possuir créditos em seu favor. Nesse passo, a compensação de créditos tributários inexistentes caracterizaria a falsidade requerida no dispositivo legal acima transcrito, restando perquirir, no presente caso, qual foi a situação que ensejou a glosa das compensações. O Relatório Fiscal fornece os fundamentos para a multa, descrevendo os supostos créditos que o contribuinte teria utilizado para as compensações. Tais compensações foram indevidas. Assim sendo, as importâncias utilizadas como crédito pelo contribuinte não gozavam do pressuposto de liquidez e certeza, levando à conclusão de que este contribuinte compensouse de créditos inexistentes. Por pertinente, transcrevo trecho do voto vencedor da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido no Acórdão nº 9202004.341, em julgamento na Câmara Superior deste Conselho (sessão de 24/08/2016), sobre a aplicação da multa ora examinada: "[...] o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. [...] Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: "Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 447 13 Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da ei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal." [...] Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996. [...] De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. (sem grifos no original.)" Deste modo, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, com relação à multa isolada, considerando que a informação em GFIP de compensações realizadas, sem que o contribuinte encontrese exercendo direito líquido e certo, leva sim, a uma declaração falsa, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Registro, ainda, que esta Turma, em julgamento em 04 de abril de 2017, por maioria de votos, entendeu pela manutenção da multa isolada de 150%, consoante ementa abaixo parcialmente transcrita: "[...] COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 448 14 inexistentes, de fato ou de direito, seja por utilizar créditos prescritos, seja pela compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. [...]" (Acórdão 2202003.786. Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Redatora designada: Conselheira Cecília Dutra Pillar. Sessão de 04/04/2017) Assim, restando evidenciado que na declaração em GFIP houve falsidade da declaração apresentada, está configurada a situação prevista na Lei para a aplicação da penalidade de 150%. Alegações de inconstitucionalidade. Em relação a alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, deixo de apreciála, por força do disposto na Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 448DF CARF MF
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