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Numero do processo: 13603.905769/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 69 /2 01 2- 11 Fl. 281DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 27.456,54. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.481, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13603.905769/201211 Acórdão n.º 3401003.930 S3C4T1 Fl. 270 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 283DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13603.905769/201211 Acórdão n.º 3401003.930 S3C4T1 Fl. 271 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 285DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13603.905769/201211 Acórdão n.º 3401003.930 S3C4T1 Fl. 272 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720264/2014-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social rege-se pelo art. 150, §4º do CTN, quando constatados pagamentos antecipados e a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
DEPÓSITO JUDICIAL EFETUADO APÓS O PRAZO DE VENCIMENTO SEM INCLUSÃO DA MULTA DE MORA. APLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 5.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício e em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar-lhe parcial provimento para excluir os juros de mora dos lançamentos relativos aos depósitos efetivados em montante integral.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social rege-se pelo art. 150, §4º do CTN, quando constatados pagamentos antecipados e a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DEPÓSITO JUDICIAL EFETUADO APÓS O PRAZO DE VENCIMENTO SEM INCLUSÃO DA MULTA DE MORA. APLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício e em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar-lhe parcial provimento para excluir os juros de mora dos lançamentos relativos aos depósitos efetivados em montante integral. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando constatados pagamentos antecipados e a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DEPÓSITO JUDICIAL EFETUADO APÓS O PRAZO DE VENCIMENTO SEM INCLUSÃO DA MULTA DE MORA. APLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 64 /2 01 4- 44 Fl. 436DF CARF MF Processo nº 16327.720264/201444 Acórdão n.º 3302004.753 S3C3T2 Fl. 437 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício e em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em darlhe parcial provimento para excluir os juros de mora dos lançamentos relativos aos depósitos efetivados em montante integral. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração para constituição de créditos tributários relativos à Cofins, no período de janeiro/2009 a dezembro/2010, com exigibilidade suspensa, por força de medida liminar concedida no MS nº 2006.61.00.0142351 e depósitos judiciais efetuados em montante integral, nos termos do artigo 150, incisos II e IV, do CTN. Conforme Termo de Verificação Fiscal, o Auto de Infração foi lavrado a partir das diferenças observadas entre a planilha de base de cálculo fornecida pela recorrente e os valores declarados em DCTF, considerando que a exigibilidade estava suspensa por força de medida liminar no MS nº 2006.61.00.0142351, bem como por ter depositado judicialmente as quantias controversas (efl. 116). Em impugnação a recorrente aduziu: 1. Preliminarmente, a ausência de concomitância entre a matéria impugnada e o MS nº 2006.61.00.0142351; 2. Em prejudicial, a decadência do direito de constituir o crédito tributário para os fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2009; 3. A improcedência do lançamento em razão da inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 decretada pelo STF; 4. A inaplicabilidade dos juros de mora sobre depósitos judiciais em montante integral. A Décima Turma da DRJ em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1659.885, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 Fl. 437DF CARF MF Processo nº 16327.720264/201444 Acórdão n.º 3302004.753 S3C3T2 Fl. 438 3 PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial importa em renúncia à discussão na via administrativa da matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Deve ser conhecida a impugnação em relação à matéria não discutida no processo judicial. COFINS. DECADÊNCIA. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL. A existência de depósito judicial não afasta a incidência dos juros moratórios. Porém, em caso de decisão judicial final favorável à União, o depósito será transformado em pagamento definitivo considerandose a data da realização do depósito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acatando a alegação de decadência e em razão da exoneração acima do limite estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, o colegiado a quo recorreu de ofício. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas na impugnação, além de pleitear a manutenção do acórdão recorrido quanto à prejudicial de decadência. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os recursos interpostos atendem aos pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Passase, primeiramente, à análise do recurso de ofício. O colegiado a quo exonerou o lançamento relativo aos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2009, por aplicação do artigo 150, §4º do CTN, em razão da confirmação de recolhimentos de Cofins para estes períodos nos valores de R$ 44.825,81 e R$ 83.862,65, respectivamente. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 16327.720264/201444 Acórdão n.º 3302004.753 S3C3T2 Fl. 439 4 Concernente ao prazo decadencial das contribuições para a Seguridade Social, foi editada a Súmula Vinculante nº 8, pelo Supremo Tribunal Federal, de observância obrigatória pela administração pública federal, nos termos do art. 2º da Lei nº 11.417, de 2006: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Portanto, o prazo decadencial para as referidas contribuições sujeitase às regras gerais dos artigos 150 e 173 do CTN. A matéria encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação, caso destes autos. Destarte, nego provimento ao recurso de ofício. Por seu turno, o recurso voluntário pugnou pela ausência de concomitância com o Mandado de Segurança nº 2006.61.00.0142351 e pela insubsistência do lançamento em razão dos julgamentos proferidos pelo STF nos leading cases RREE nº 346.084/PR, nº 357.950/RS, nº 358.273/RS e nº 390.840/MG, concluindo que as receitas oriundas da atividades empresariais típicas não podem ser consideradas faturamento para efeito de incidência da Cofins. Inicialmente, destacase que nas decisões proferidas nos leading cases, restou assentada a sinonímia entre faturamento e receita bruta, abrangendo o produto das atividades típicas no dizer do Ministro Cezar Peluso, ou a atividade precípua da empresa, expressão utilizada pelo Ministro Marco Aurélio, ou ainda, os ingressos que decorram da razão social da empresa, termos utilizados pelo Ministro Carlos Britto. Mencionase, corroborando tal assertiva, o julgamento do agravo regimental no RE 400.4798/RJ, que questiona, dentre outros, a inclusão dos prêmios de seguros recebidos na base de cálculo da COFINS, no qual o Ministro Peluso confirmou a jurisprudência da Suprema Corte ao proferir voto nos seguintes termos: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” Por fim, o alcance do termo faturamento ou receita bruta abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE 585.2351/MG, no qual reconheceuse a Fl. 439DF CARF MF Processo nº 16327.720264/201444 Acórdão n.º 3302004.753 S3C3T2 Fl. 440 5 repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e reafirmouse a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcrevese a ementa: EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso Relator No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de Fl. 440DF CARF MF Processo nº 16327.720264/201444 Acórdão n.º 3302004.753 S3C3T2 Fl. 441 6 serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....”(grifei) Assim, entendo que o ajuizamento de ações questionando genericamente a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 não afasta a incidência das contribuições sobre as receitas das atividades empresariais típicas, nos termos do RE 585.235 1/MG, de reconhecida repercussão geral, cujo julgamento deve ser reproduzido no âmbito deste Conselho, conforme disposto no §2º do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Entretanto, não é o caso destes autos. Verificase que a recorrente impetrou o mandado de segurança mencionado questionando o recolhimento nos moldes do artigo 3º da Lei nº 9.817/1998, alegando a inconstitucionalidade da base de cálculo veiculada no artigo. Ainda, efetivou depósitos judiciais (efls. 45 a 69), cujos valores principais coincidem com os valores lançados neste Auto de Infração, o que, obviamente, demonstra que os valores controvertidos são referentes às receitas decorrentes da intermediação financeira e estão sendo discutidos no referido mandado. Além disso, mencionase o sobrestamento dos recursos especial e extraordinário, em vista, especialmente do RE 609.096/RS, que teve em 03/03/2011, sua repercussão geral reconhecida na matéria referente à incidência de PIS e Cofins sobre as receitas financeiras das instituições financeiras. Assim, a decisão a ser tomada no referido recurso extraordinário pautará o julgamento do MS 2006.61.00.0142351, definindo, ao final, se tais receitas compõem ou não o faturamento ou receita bruta das instituições financeiras, abarcando, portanto, a matéria lançada neste Auto de Infração. O excerto abaixo do voto condutor do acórdão recorrido esclarece a questão: "Cabe observar que o julgamento dos recursos está sobrestado, conforme consulta ao site do TRF/3ª Região (fls. 336 a 341). Nessa consulta, constatase que o sobrestamento foi determinado em razão do RE 609.096/RS (repercussão geral) e dos REsp 2007.61.00.0016866, 2006.61.00.0074205 e 1999.61.00.0295951 (recursos repetitivos). Ressaltese que referidos recursos (especiais e extraordinário) tratam justamente da definição do conceito de faturamento para fins da incidência tributária prevista na Lei nº 9.718/98 no que tange às instituições financeiras, especialmente da inclusão, ou não, das receitas financeiras no referido conceito. Portanto, a base de cálculo da Cofins, no presente caso, será determinada pelo Poder Judiciário, nos autos do mandado de segurança nº 2006.61.00.0142351, não cabendo a este órgão de julgamento administrativo se manifestar sobre a delimitação do conceito de faturamento previsto no art. 3º da Lei nº 9.718/98." Portanto, entendo restar configurada a concomitância relativa à incidência da Cofins sobre as receitas que lastrearam o presente lançamento, devendo ser aplicada a Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o Fl. 441DF CARF MF Processo nº 16327.720264/201444 Acórdão n.º 3302004.753 S3C3T2 Fl. 442 7 mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Destarte, não conheço do recurso voluntário nesta parte. Relativamente à inaplicabilidade dos juros de mora, a DRJ fundamentou o voto assentando que o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não afasta a incidência dos juros de mora. Porém, tal afirmação não corresponde à interpretação pacífica neste conselho sobre a constituição de crédito tributário relativo a juros de mora em depósitos de montantes integrais, que afasta a incidência dos juros de mora, a teor da Súmula CARF nº 05: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir os juros de mora dos lançamentos relativos aos depósitos efetivados em montante integral. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 442DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.017232/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Mauricio Nogueira Righetti.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Mauricio Nogueira Righetti. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 17 23 2/ 20 09 -4 0 Fl. 395DF CARF MF Processo nº 15504.017232/200940 Resolução nº 2402000.631 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 354/388) em face do Acórdão n. 0241.315 9ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (fls. 310/333), que julgou procedente em parte a impugnação de fls. 265/300, mantendo em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 2004; 2005; 2006; 2007 e 2008 no montante de R$ 2.748.103,47 (fls. 04/36) sendo R$ 1.267.184,06 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 530.531,55 de juros de mora calculados até 31/08/2009 e R$ 950.387,86 de multa proporcional calculada sobre o principal com fulcro em apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação das ações da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 e da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 37/63) parte integrante do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 04/36) a fiscalização teve como objeto a operação de alienação da participação societária que a contribuinte PATRÍCIA PORCARO MONTEIRO DE CASTRO CPF 462.882.79668 detinha junto à Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 e à Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 à pessoa jurídica Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 , bem assim à pessoa jurídica BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104 , respectivamente. As ações da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 foram alienadas em 02/02/2004 para a Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 e eram de titularidade de: a) cinco pessoas físicas, denominadas no contrato de Família Porcaro, as quais possuíam 10%, cada uma, das ações representativas do capital da empresa alienada. Entre aquelas pessoas físicas consta a contribuinte PATRÍCIA PORCARO MONTEIRO DE CASTRO CPF 462.882.79668; b) Empresa e Participações Augusto Braga Filho Ltda. CNPJ 25.612.300/0001 52, que era titular de 25% (vinte e cinco por cento) de ações representativas do capital social da empresa alienada; c) Empresa e Administração Paula Maciel Ltda. CNPJ 21.622.428/000146, que igualmente era titular de 25% (vinte e cinco por cento) de ações representativas do capital social da empresa alienada. O preço livremente pactuado entre as partes, incluído a totalidade das participações societárias, foi fixado em R$ 154.000.000,00 a ser pago pela Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 nas seguintes condições: i) sinal: R$ 10.000.000,00; ii) complementação do sinal: R$ 10.365.000,00 até o dia 05/05/2004; iii) saldo de R$ 133.635.000,00 em 59 parcelas com vencimentos mensais e sucessivos, sendo a primeira no dia 20/02/2004, proporcionalmente à quantidade de ações e quotas de titularidade de cada um dos alienantes. As parcelas serão corrigidas pelo IGP(M) da Fl. 396DF CARF MF Processo nº 15504.017232/200940 Resolução nº 2402000.631 S2C4T2 Fl. 4 3 FGV e INPC do IBGE desde 20/12/2003 até a data de vencimento de cada uma delas. Cada parcela totaliza R$ 2.265.000,00. Por sua vez, as ações da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 também foram alienadas em 02/02/2004 para a BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104 e eram de titularidade de: a) cinco pessoas físicas, denominadas no contrato de Família Porcaro, as quais possuíam 50% das ações representativas do capital da empresa alienada. Entre aquelas pessoas físicas consta a contribuinte PATRÍCIA PORCARO MONTEIRO DE CASTRO CPF 462.882.79668; b) Família Braga, os quais possuíam 25% das ações representativas do capital social da empresa alienada; c) dos quotistas da Empresa e Administração Paula Maciel Ltda. CNPJ 21.622.428/000146, que possuíam 25% de ações representativas do capital social da empresa alienada. O preço livremente pactuado entre as partes, incluído a totalidade das participações societárias, foi fixado em R$ 6.000.000,00 a ser pago pela BH Parking nas seguintes condições: i) sinal: R$ 572.000,00 a ser pago até o dia 05/05/2004; ii) saldo de R$ 5.428.000,00 em 59 parcelas com vencimentos mensais e sucessivos, sendo a primeira no dia 20/02/2004, proporcionalmente à quantidade de ações e quotas de titularidade de cada um dos alienantes. As parcelas serão corrigidas pelo IGP (M) da FGV e INPC do IBGE desde 20/12/2003 até a data de vencimento de cada uma delas. Cada parcela totaliza R$ 92.000,00. De acordo com os instrumentos particulares de compra e venda de participações societárias e seus anexos, em 02/02/2004 a contribuinte era titular de ações representativas de 10% do capital social da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 que à época era de R$ 41.960.000,00 , bem como era titular dos mesmos 10% do capital social da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 que à época era de R$ 260.000,00. Na data de 02/02/2004, a contribuinte vendeu a totalidade de suas ações do capital social da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 para Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149. Na mesma data, a contribuinte vendeu também a totalidade de suas ações do capital social da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/0001 35 para a BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104. Em ambas transações foi estipulada, nos termos do art. 125 do Código Civil Lei n. 10.406/2002 , condição suspensiva de eficácia dos referidos instrumentos à obtenção prévia da Agencia Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, em conformidade com os contratos de compra e venda de participações societárias e outras avenças (fls. 70/90 e 91/122). Considerando que a Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 foi vendida por R$ 154.000.000,00 coube à contribuinte receber a quantia de R$ 15.400.000,00 (10%). Fl. 397DF CARF MF Processo nº 15504.017232/200940 Resolução nº 2402000.631 S2C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, como a Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 foi vendida por R$ 6.000.000,00 coube à contribuinte receber a quantia de R$ 600.000,00 (10%). Desta forma, verificouse que a contribuinte auferiu ganho de capital nas vendas das participações societárias sob exame correspondente à diferença positiva entre o valor de alienação das citadas quotas e o respectivo custo, conforme discriminado abaixo: Ações Vendidas Valor da Venda (R$) Custo de Aquisição (R$) Ganho de Capital (R$) Cia. São Geraldo 15.400.000,00 4.196.000,00 11.204.000,00 Viação Nacional 600.000,00 260.000,00 340.000,00 O custo de aquisição das ações em apreço foram obtidos conforme o regramento do § 2º. do art. 16 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001. Nas alienações em tela, os percentuais resultantes da relação entre o ganho de capital total e o total da alienação correspondem a 72,75325% referentes à alienação das ações da Cia. São Geraldo e 56,66667% à alienação das ações da Viação Nacional. Tais percentuais devem ser aplicados aos valores de cada parcela recebida nos anoscalendário 2004; 2005; 2006; 2007; e 2008 pelas vendas das participações societárias. O efetivo recebimento das parcelas, por parte da contribuinte, foi comprovado pela documentação bancária fornecida pelas empresas pagadoras. Considerando que, conforme disposição contratual, os preços de aquisições das participações societárias em apreço seriam pagos em parcelas corrigidas e sujeitas a ajustes de acréscimos e reduções de preço, os montantes correspondentes à correção mensal pela média aritmética do IGPM e do INPC deveriam ter sido tributados na fonte pelas empresas, mediante aplicação de alíquotas progressivas, consoante tabelas de cálculo de IRPF vigentes à época dos fatos, e informados pela contribuinte em suas respectivas DIRPF a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, vez que a tributação de tais montantes deveria ter sido realizada em separado da tributação do ganho de capital apurado nas alienações em tela. A Fiscalização da RFB verificou que a contribuinte omitiu, nos anos calendário 2004; 2005; 2006; 2007; e 2008, os ganhos de capital apurados em cada pagamento recebido da Gontijo Participações Ltda. e da BH Parking (BH Holding S/A) obtidos mediante incidência dos percentuais de 72,75% e de 56,66%, respectivamente sujeitos à incidência de IRPF à alíquota de 15% decorrendo, destarte, o lançamento de ofício conforme discriminado no Auto de Infração IRPF (fls. 04/36), observandose as tabelas elaboradas pela fiscalização “Demonstrativo dos Valores Recebidos pela Alienação das Ações do Capital Social da Cia São Geraldo” e “Demonstrativo dos Valores Recebidos pela Alienação das Ações do Capital Social da Viação Nacional”, indicam o valor total, os juros, a parcela que gera incidência do imposto e o ganho de capital efetivo calculado de acordo com a Instrução Normativa n. 84/2001. Em oposição ao fato de a contribuinte ter indicado nas respectivas DIRPF 2005; 2006; 2007; 2008; e 2009, no campo rendimentos isentos e não tributáveis, o artigo 4º., “d” do DecretoLei n. 1.510/1976, que trata da isenção do imposto de renda nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, a autoridade lançadora não considerou tal pretensão, pois o fato gerador ocorreu já na vigência da Lei n. 7.713/88, que revogou a isenção pretendida. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 15504.017232/200940 Resolução nº 2402000.631 S2C4T2 Fl. 6 5 Por fim, a Fiscalização da RFB discorre sobre o lançamento por homologação e sustenta que, na ausência do pagamento previsto no § 1º. do art. 150 do Código Tributário Nacional, aplicase a regra contida no inciso I do artigo 173 do referido Codex. Cientificada do lançamento em 20/10/2009 (fl. 06), a contribuinte, inconformada, apresentou, em 18/11/2009, por meio do seu representante legal, a impugnação de fls. 265/300, aduzindo, em síntese: 1. Preliminar de decadência: 1.1 A tributação relativa aos fatos geradores ocorridos em meses anteriores a outubro de 2004, inclusive, foi alcançada pela decadência. 2. No mérito: 2.1 Isenção do DecretoLei n. 1.510/76 Direito Adquirido: as isenções concedidas sob condição onerosa não podem ser livremente suprimidas. 2.2 Condição Suspensiva: Nos termos da Cláusula 4 dos contratos de alienação das participações societárias da Viação São Geraldo para a Gontijo Participações e da Viação Nacional para a BH Holding, foi estabelecida a condição segundo a qual a eficácia dos contratos de transferência das participações societárias estava subordinada à autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT. Conforme documentos apresentados à 306 e seguintes, as autorizações somente ocorreram em 21/6/2004 e 2/5/2004, com a publicação dos atos no Diário Oficial da União. Alega que nos termos do artigo 116 do CTN, não ocorre fato gerador da obrigação tributária enquanto pendente condição suspensiva. Com isto requer a exclusão dos valores que se refiram a fatos geradores anteriores as datas de 21/6/2004 e 02/05/2004. 2.3 Apuração do Percentual do Ganho de Capital: i) A autoridade lançadora equivocouse quanto à apuração dos valores a serem submetidos à tributação, pois o preço da alienação não é determinado, mas reduzido de acordo com os passivos não conhecidos das empresas alienadas. Ainda que fosse determinado, existe passivo conhecido e quantificado e nos contratos consta disposição expressa para redução. Cita as cláusulas 3.7.2 e 3.6.2 dos contratos de alienação das empresas, para afirmar que de acordo com os anexos “passivos excluídos das negociações”, na empresa Viação São Geraldo havia passivo de R$52.441.476,00 e na Viação Nacional R$5.669.510,00, o que não foi considerado pela fiscalização; ii) Destaca que com a aplicação da redução dos preços, o valor de venda da Viação São Geraldo passaria de R$154.000.000,00 para R$101.558.524,00 e o da Viação Nacional passaria de R$6.000.000,00 para R$330.490,00. Como sua participação era de 10% em ambas as empresas, o ganho de capital ocorreria somente com a alienação da Viação São Geraldo, no percentual de 58,6839% (a Fiscalização da RFB apurou 72,75325%), ocorrendo perda de capital na venda da Viação Nacional; iv) Adverte que mesmo o preço de venda sendo indeterminado, sofrendo reduções por aqueles débitos previstos contratualmente, na data do lançamento, ainda que de forma não definitiva, o valor recebido e objeto de tributação é conhecido. Conforme apurou a própria fiscalização, os valores recebidos foram de R$ 7.467.678,53 (Cia São Geraldo) e de R$ 195.864,09 (Viação Nacional); v) Prossegue no raciocínio e afirma que por faltarem seis parcelas de valor nominal de R$ 226.500,00 totalizando R$1.359.000,00 o que representa 8,82% do preço original (sem considerar as reduções) de R$15.400.000,00 já teria sido liquidado o equivalente a 91,18%, percentual este que deveria ser considerado no custo para apurar o ganho de capital; vi) A tese apresentada serve também para a Viação Nacional, pois como faltam seis parcelas de R$9.200,00, totalizando R$ 55.200,00, Fl. 399DF CARF MF Processo nº 15504.017232/200940 Resolução nº 2402000.631 S2C4T2 Fl. 7 6 ou 9,20% do preço original, já que 90,80% foi liquidado, este percentual deveria ser utilizado no custo para apuração do ganho de capital; vii) Lembra da planilha apresentada em atendimento à intimação, de onde a fiscalização extraiu somente o que lhe interessou, que houve redução do preço no montante de R$6.714.860,08 (Viação São Geraldo) e de R$346.105,76 (Viação Nacional) o que comprova total equívoco da autoridade lançadora; viii) Observa que das 59 parcelas do preço, 6 faltam ser pagas e que os pagamentos foram suspensos em junho de 2008, por mútuo consenso entre as partes, certamente porque os débitos redutores do preço, já naquela data, teriam superado o valor das parcelas restantes. 2.4 Apuração dos juros: i) Também neste aspecto, a defesa alega que houve erro da fiscalização. Em atendimento à intimação foi apresentada planilha demonstrando a data prevista para recebimento, a data do efetivo recebimento, o valor original da prestação, a correção prevista, o ajuste provisório do preço e o valor efetivamente recebido. No documento, somente os valores efetivamente recebidos eram definitivos; ii) A correção era mera previsão, pois havendo a redução de preço, na coluna denominada ajuste provisório, com a consequente diminuição do valor original da prestação, haveria também redução da correção prevista; iii) Critica a metodologia utilizada pela fiscalização ao considerar como juros o valor dos encargos incidentes sobre as parcelas inicialmente contratadas, pois em alguns meses houve pagamentos apenas de juros, sem principal. Cita os meses 04/2008, 06/2008 (Viação São Geraldo) e 09/2006 e 07/2007 para afirmar que a autoridade fiscal cometeu grave equívoco; iv) Ressalta que há impropriedade do procedimento fiscal, pois a correção acumulada dos índices de 02/2004 e 06/2008 se situa na casa dos 29,62% e, em diversos meses de ambas as planilhas da fiscalização trazem juros apurados em valor maior que o valor das parcelas sem juros, o que somente poderia ocorrer se a variação combinada dos índices fosse superior a 100%; v) No seu entendimento, deve haver a decomposição do valor recebido em correção/juros e principal, mediante ajuste para obtenção do valor principal que, acrescido dos índices, resulte no valor recebido. Elabora as fórmulas “Valor Principal=Valor Recebido/(100+Taxa de Correção) e Valor Correção=(Valor Principal x Taxa de Correção)/100”, para apurar os valores que reputa corretos de juros/correção, conforme demonstra às fls. 263/264, que seriam de R$831.429,81 (Cia São Geraldo) e R$25.961,16 (Viação Nacional), contrariamente aos valores de R$1.616.320,56 e de R$62.226,60 apurados no lançamento; vi) Requer, com fundamento no artigo 142 do CTN, o cancelamento do crédito tributário, por evidente erro insanável, pois não houve a correta quantificação do crédito tributário. Ensina que não são todos os erros ou equívocos que podem determinar o cancelamento do auto de infração, mas aqueles evidentes, principalmente ocorridos na mensuração da base imponível, como ocorre no caso em análise; vii) Alocar parte dos juros lançados para ganhos de capital e recalcular o ganho a partir de novos percentuais equivale a fazer novo lançamento, o que é defeso à autoridade julgadora, por este motivo reforça a necessidade de cancelamento do lançamento. 2.5 Redução do Valor do Auto de Infração: Caso esta DRJ entenda ser possível o refazimento do lançamento, requer, pelo princípio da eventualidade, a redução do valor do auto de infração, pela aplicação da metodologia correta demonstrada nos itens anteriores, tanto na apuração do percentual do ganho de capital, quanto no tocante ao cálculo da atualização monetária das parcelas recebidas. O crédito tributário foi mantido em parte no julgamento de primeiro grau consubstanciada no Acórdão n. 0241.315 (fls. 310/333), que sumarizou seu entendimento conforme emenda abaixo reproduzida: Fl. 400DF CARF MF Processo nº 15504.017232/200940 Resolução nº 2402000.631 S2C4T2 Fl. 8 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA QUINQUENAL. Diante da ausência de qualquer pagamento prévio, a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL.PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte.As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido, ainda que, na data da alienação, a participação societária já conte com mais de cinco anos no domínio do alienante. Inaplicável a isenção contida no artigo. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, por se encontrar revogada no momento da ocorrência do fato gerador. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DE LEI VIGENTE. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. Na alienação a prazo, o ganho de capital deve ser apurado como se a venda fosse à vista e o imposto deve ser pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida. IMPLEMENTO DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA. FATO GERADOR. FLUÊNCIA DE JUROS. Na alienação sob condição suspensiva, em que a eficácia do negócio jurídico está condicionada à aprovação de órgão governamental, reputase ocorrido o fato gerador (alienação) na data da homologação. Os pagamentos recebidos em data anterior, inclusive parcela referente a sinal, devem ser considerados para fins fiscais na data do implemento da condição suspensiva, momento em que se inicia a fluência de juros moratórios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS RECEBIDOS A TÍTULO DE REAJUSTE DE PARCELA. Os juros incidentes sobre as parcelas de alienação de ações são tributados mediante a aplicação de alíquotas progressiva do IRPF do ano respectivo em que for recebido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte foi cientificada do Acórdão n. 0241.315 (fls. 310/333) em 11/01/2013 (fls. 352/353) e, irresignada, interpôs Recurso Voluntário em 07/02/2013 (fls. 354/388), tempestivo, portanto, oportunidade em que repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados quando da impugnação (fls. 265/300), inclusive no que diz respeito à preliminar de decadência e às questões de mérito. É o relatório. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 15504.017232/200940 Resolução nº 2402000.631 S2C4T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator O Recurso Voluntário (fls. 354/388) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. No mérito, a recorrente, em sua peça recursal de fls. 354/388, enfrenta o Acórdão n. 0241.315 (fls. 310/333) nas seguintes questões: i) Preliminar de decadência ii) Isenção do DecretoLei n. 1.510/76 Direito Adquirido iii) Condição suspensiva iv) Apuração do percentual do ganho de capital v) Apuração dos juros Não obstante a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente, impõese, antes mesmo de qualquer pronunciamento no âmbito deste processo, um maior aprofundamento no que tange à irresignação da recorrente especificamente quanto à apuração de juros. Muito bem. Na apreciação da apuração de juros, a DRJ/BHE entendeu, conforme sumarizado na ementa do Acórdão n. 0241.315 (fls. 310/333), que os juros incidentes sobre as parcelas de alienação de ações são tributados mediante a aplicação de alíquotas progressiva do IRPF do ano respectivo em que for recebido. "OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS RECEBIDOS A TÍTULO DE REAJUSTE DE PARCELA. Os juros incidentes sobre as parcelas de alienação de ações são tributados mediante a aplicação de alíquotas progressiva do IRPF do ano respectivo em que for recebido." Na peça recursal de fls. 354/388, a recorrente aponta impropriedades da Fiscalização da RFB ao proceder à apuração de juros, considerando como tal valores correspondentes à correção prevista para as parcelas originariamente contratadas que não incluem as reduções em função dos débitos apurados, incidindo ganho de capital. Outrossim, sinaliza, também, equívoco da Fiscalização da RFB ao considerar que a correção acumulada de 02/2004 a 06/2008 situouse na casa dos 29,62%, mas em diversos meses os juros superam esse percentual. Também entende a recorrente que se deve decompor o valor recebido em correção/juros e principal, mediante ajuste no qual obtenhase valor de principal que, acrescido da variação dos índices, resulte no valor recebido. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 15504.017232/200940 Resolução nº 2402000.631 S2C4T2 Fl. 10 9 A recorrente afirma também que nunca, jamais houve pagamento de juros. Entretanto, as empresas adquirentes Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 e BH Holding CNPJ 71.109.268/000104 , quando intimadas pela Fiscalização da RFB informaram a ocorrência de pagamentos aos vendedores de parcela a título de juros. Com efeito, a Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 assim esclarece no Termo de Resposta à Intimação Fiscal n. 198/2009 (fls. 193/197), verbis: "Desta forma é importante ressaltar que o valor efetivamente pago contém uma parcela de principal e uma parcela de encargos financeiros, que não correspondem necessariamente ao valor original da prestação e nem o valor da correção monetária sobre ele calculado. Os valores definitivos somente serão conhecidos após a quitação final do preço." (grifei) De igual teor, ipsis litteris, foram os esclarecimentos prestados pela BH Holding CNPJ 71.109.268/000104 mediante o Termo de Resposta à Intimação Fiscal n. 197/2009 (fls. 202/223), in verbis: "Desta forma é importante ressaltar que o valor efetivamente pago contém uma parcela de principal e uma parcela de encargos financeiros, que não correspondem necessariamente ao valor original da prestação e nem o valor da correção monetária sobre ele calculado. Os valores definitivos somente serão conhecidos após a quitação final do preço." (grifei) Desta forma, não há outra conclusão possível que não seja pela existência sim, de pagamento de juros aos vendedores das empresas alienadas, entre eles, a recorrente. Por sua vez, a DRJ/BHE, com base nos documentos acostados aos autos, afirma que: i) Quanto ao valor da correção recebida, os argumentos da defesa vão de encontro ao elementos constantes dos autos. Alega o contribuinte que a fiscalização considerou como juros o valor do encargo incidente sobre as parcelas originalmente contratadas e que a correção acumulada de 2/2004 a 6/2008 situou se na casa dos 29,62%, mas em diversos meses os juros superam esse percentual. ii) Não há razão nos fundamentos esposados pela defesa. Ainda que nos contratos tenha sido firmado que a incidência de juros ocorreria com base na média aritmética dos índices IGPM e INPC acumulados de 12/2003 até a data de vencimento de cada parcela, o fato de o contribuinte ter recebido parcela de correção em percentual superior ao pactuado não é capaz de elidir o lançamento fiscal. iii) Não tendo o impugnante provado que eventual excesso de juros recebidos em descompasso com o contrato tenha sido devolvido às empresas adquirentes, reputa se ocorrido o fato gerador do imposto pelo auferimento de renda nos exatos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. iv) No documento de fls. 132/135, apresentado pela defesa, do qual constam planilhas com os valores lançados pela fiscalização, o contribuinte adverte que são definitivos “as datas previstas para recebimento, as datas dos recebimentos, o valor original da parcela e o valor efetivamente recebido”. Entretanto, para se chegar ao Fl. 403DF CARF MF Processo nº 15504.017232/200940 Resolução nº 2402000.631 S2C4T2 Fl. 11 10 valor efetivamente recebido de cada empresa foi considerado um valor original, a correção prevista e o ajuste provisório (redução do preço). Não há nenhum elemento nos autos que demonstrem o recebimento de juros em valores inferiores ao contido nas planilhas. v) Observese que nas planilhas elaboradas pela fiscalização, do valor total recebido e reconhecido pelo contribuinte, foram separados aqueles inerentes ao ganho de capital e os correspondentes aos juros. vi) O Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto n° 3.000/1999) em seu artigo 123, §6º, estabelece: "Art.123. Considerase valor de alienação (Lei nº 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): Io preço efetivo da operação, nos termos do § 4º do art. 117; (...) §6º Os juros recebidos não compõem o valor de alienação, devendo sertributados na forma dos arts. 106 e 620, conforme o caso." vii) Assim, os rendimentos recebidos a título de juros/reajuste não integram o valor da alienação, sendo corretamente tributados mediante a aplicação de alíquotas progressiva do IRPF do ano respectivo em que for recebido. O Decreto n. 3.000/1999 RIR/99 , em seu artigo 123, § 6º., estipula que considerase valor de alienação o preço efetivo da operação, nos termos do art. 117, § 4°., e que os juros recebidos não compõem o valor da alienação, devendo ser tributados na forma dos arts. 106 e 620, conforme o caso. Deduzse assim que os rendimentos recebidos a título de juros, bem assim de reajuste de parcelas (correção), sendo corretamente tributados mediante a aplicação de alíquotas progressiva do IRPF do ano respectivo em que for recebido. Entretanto, a Fiscalização da RFB verificou a inexistência de tributação, na fonte, dos juros auferidos pela recorrente, a cargo das pessoas jurídicas adquirentes, bem assim na Declaração de Ajuste Anual. Em decorrência dessa omissão, a Fiscalização da RFB procedeu ao lançamento de IRPF mediante o Auto de Infração de fls. 04/36, observando as alíquotas progressivas. Nesse sentido, assim estabelece o art. 19, § 3°. da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, in verbis: "Art. 19 (omissis) § 1°. e 2°. (omissis) § 3°. Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja a sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (Carnê Leão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. (destaquei) § 4o. (omissis)" A seu turno, a recorrente questiona os valores apurados a título de juros/correção lançados pela Fiscalização, bem assim os cálculos da correção dos recebimentos Fl. 404DF CARF MF Processo nº 15504.017232/200940 Resolução nº 2402000.631 S2C4T2 Fl. 12 11 relativos à alienação da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 e da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135. Para o mister, apresenta as planilhas de fls. 382/384 nas quais evidencia significativas diferenças entre os valores relativos à correção dos recebimentos da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 e da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 por ela demonstrados, nos valores de R$ 831.429,81 e de R$ 25.961,16, respectivamente que totalizam R$ 857.390,97 e aqueles considerados pela Fiscalização da RFB, nos valores de R$ 1.616.320,56 e de R$ 62.226,60, respectivamente que totalizam R$ 1.678.547,16 (fls. 60/63). Isto posto, resta caracterizado que a análise levada a efeito pela DRJ/BHE, acima reproduzida, não se pronunciou, de forma específica, quanto aos valores apresentados nas planilhas de fls. 382/384 questionados pela recorrente desde a impugnação de fls. 265/300 que denunciam relevantes diferenças de valores relativos à correção dos recebimentos em relação àqueles apurados pela Fiscalização da RFB. Entendo que, pela sua relevância, a ausência de pronunciamento do julgador de 1ª. instância, de forma específica, quanto à pertinência (ou não) dos valores apresentados pela recorrente nas planilhas de fls. 382/384, constituise lacuna que macula a apreciação do Recurso Voluntário em tela, uma vez a sua repercussão na apuração do crédito tributário em lide. Lateralmente, o teor do Termo de Resposta à Intimação Fiscal n. 198/2009 (fls. 193/197), bem assim do Termo de Resposta à Intimação Fiscal n. 197/2009 (fls. 202/223), conspiram ainda mais para estabelecer, de vez, perplexidade prejudicial à minha convicção para a análise ampla do Recurso Voluntário (fls. 354/388), impondose a necessidade da conversão deste julgamento em diligência junto à autoridade lançadora, no sentido de que esta pronunciese, de forma detalhada, circunstanciada e por período de apuração, especificamente no que tange à diferença de valores apurados (juros/correção) sujeitos à tabela progressiva (Ajuste Anual) no montante de R$ 1.678.547,16 (fls. 60/63), em face das planilhas apresentadas pela recorrente consignadas às fls. 382/384 do Recurso Voluntário em apreço, onde demonstra valores significativamente diferentes no total de R$ 857.390,97. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 354/388) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à autoridade lançadora, no sentido de esclarecer, de forma detalhada e circunstanciada, as diferenças entre os valores apurados a título de juros/correção nas planilhas de fls. 60/63 do TVF parte integrante do Auto de Infração de fls. 04/36 e aqueles informados pela recorrente nas planilhas de fls. 382/384 do Recurso Voluntário em apreço. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18336.000160/2002-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/08/1999
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. JULGAMENTOS EM DUPLICIDADE. NULIDADE DO SEGUNDO JULGAMENTO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração no sentido de declarar nulo o segundo julgamento, pois a administração pelo princípio da autotutela tem o poder-dever de declarar nulo uma segunda decisão proferida, em atenção aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e da isonomia.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 9303-003.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para anular o Acórdão nº 9303-00.171, de 11 de agosto de 2009, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 13204.000080/2004-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
PIS NÃO-CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO.
Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas corno insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep,
PIS NÃO-CUMULATIVO, DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS DE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS COMO INSUMO. CABIMENTO,
A despesa com combustível, desde que utilizado corno insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, poderá ser usada no cálculo do crédito a ser descontado na apuração do Pis Não-Cumulativo.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS,
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-000.470
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Arno Jerke Júnior, Andréia Lacerda Moneta e Renata Auxiliadora Marcheti, pelo voto de qualidade, que reconheciam, também, em relação às despesas de lavra.
Nome do relator: Jose Luiz Bordiggnon
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PIS NÃO-CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas corno insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep, PIS NÃO-CUMULATIVO, DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS DE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS COMO INSUMO. CABIMENTO, A despesa com combustível, desde que utilizado corno insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, poderá ser usada no cálculo do crédito a ser descontado na apuração do Pis Não-Cumulativo. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas corno insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep, PIS NÃO-CUMULATIVO, DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS DE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS COMO INSUMO. CABIMENTO, A despesa com combustível, desde que utilizado corno insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, poderá ser usada no cálculo do crédito a ser descontado na apuração do Pis Não-Cumulativo. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Amo .lerke Júnior, Andréia Lacerda Moneta e Renata Auxiliadora Marcheti, pelo voto de qualidade, que reconheciam, também, em relação às despesas de lavra, Ma da rotta Cardozo P,r si ente Sose-Láíz--Bordi. on JRelator--/ EDITADO EM: 15/09/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Amo Jerke Júnior, Andréia Dantas Lacerda Moneta, José Luiz Bordignon e Renata Auxiliadora Marcheti, Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de PIS/Pasep não cumulativo no valor de R$ 195,405,08, ,feito pela empresa acima identificada 01. 01), a ser utilizado na compensação dell, 02, 2, A DRF Belém, conforme Parecer Seart n° 729, de 1610,2008, 1`1,s. 73/94 (cópia), procedeu a análise conjunta do presente pleito e de outros mais referentes ao P1S/Pasep e à Cofins não cumulativas, 3. Após diligência realizada pela Fiscalização da Unidade (cópia do Termo nas fls.. 63/72 do presente processo), foi reconhecido o direito ao crédito de P1S/Pasep no valor de R$ 118 966,85, sendo parciahnente homologada a compensação, até o limite do crédito. Cabe destacar que os Anexos (1 a IV) do referido Termo de Diligencia encontram-se no processo n° 13204,000009/2004-16, o qual deverá acompanhar todos os demais analisados conjuntamente 4. Cientificada em 17.11.2008 (AR Ii, 95-v), a interessada apresentou, tempestivamente, em 17.12.2008, manifestação de inconformidade (fl. 21/39), na qual, em síntese: a) Argumenta que as glosas efetuadas desrespeitam o princípio da não cama/atividade, uma vez que os serviços e bens desconsiderados estão intimamente ligados ao processo produtivo da empresa, sendo passíveis de creditamento,- b) Tece considerações acerca da contribuição, destacando que a legislação tratou de prever expressamente as hipóteses em que não há direito ao crédito (art. 3°, § 2', da Lei IP 10.637, de 2002), não devendo 'pairar dúvidas sobre a possibilidade de creditamento da pessoa . jurídica referente aos bens e serviços Processo ri° 13204.00008012004-9I S3-TE01 Acórdão n 3801-00470 Fl 142 utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", c) Ressalta, ao comentar a utilização pela Fiscalização do Parecer Normativo n° 65, de 1979, e da Instrução Normativa Si?? n° 404, de 2004, que "qualquer definição de insumo trazido ao mundo jurídico, seja por veiculo de Instrução Normativa ou Parecer Normativo, contraria a competência que lhe é atribuída pelo Código Tributário Nacional, Acrescenta que tais veículos normativos citados "extrapolam seus poderes, na medida em que tentam inovar o conceito constitucional e legal de insumos"; d) Defende que "o conceito de insinuo está intimamente ligado à idéia de consumo de certo bem ou serviço, de fbrina direta ou indireta, na atividade desenvolvida pela pessoa jurídica para a .fabricação do produto", sendo "a complexidade de bens e serviços aplicados na produção ou fabricação de bens, sem os quais não seria possível a obtenção do produto final e acabado com suas características próprias"; e) Afirma estar claro que os bens e insumos glosados estão intrinsecamente afetos à fabricação do produto caulim, procurando justificar a função de cada item, conforme tabela nas .fi,s. 31/3.2; f) Procura demonstrar o caráter contraditório das conclusões da Fiscalização, na medida em que não teria lógica a adoção de bens ou serviços inúteis à sua produção, aumentando o custo de produção; g) Cita Solução de Consulta expedida no âmbito da Receita Federal do Brasil, sem especificar de qual Região Fiscal, que manifesta juízo no sentido de que "os bens e serviços utilizados como inSIIMOS na prestação de serviços, intrinsecamente relacionado com o objetivo da empresa e com o serviço prestado, podem ser considerados créditos na apuração do PISIPasep não cumulativo"; h) Reforça o entendimento de que a desconsideração dos bens e serviços fere o principio da não cumulatividade previsto na Carta Magna, alertando que o fato de haver sido atribuída ao legislador ordinário a competência de dgfinir os setores de atividade econômica sujeitos à não comutatividade da contribuição, não significa autorização para desvirtuamento do conceito "não-cumulativo"; i) Não se pode interpretar o conceito de illS111110 exclusivamente a partir das legislações de IPI ou ICMS, por .falta de previsão legal e devido a divergência da materialidade desses impostos com relação à contribuição; j) Alerta para a violação do principio constitucional do "não- confisco" sempre que o tributo absorva parcela expressiva da renda ou de propriedade do contribuinte; 10 Por fim, requer a revisão da decisão, sendo enquadrados como illSIMIOS os bens e serviços glosados. A Delegacia de Julgamento de Belém proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 INSUMO. BENS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS, Além das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto emifabricação. INSUMO. SERVIÇOS APLICADOS NA PRODUÇÃO, Geram direito ao crédito os serviços prestados por pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Pasep, domiciliadas no País, que sejam utilizados na linha de produção da empresa.. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício.. 2004 INCONSTITUCIONALIDADE PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais, Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Solicitação Indeferida", Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de 118 a 138, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: o Que o processo produtivo compreende não apenas e tão somente a modificação do mineral até que dele se extraia o caulim, mas sim todas as etapas necessárias à obtenção do produto final o Que, para chegar-se ao produto final comercializável forem necessárias etapas como as aqui já referidas, retirada de vegetação e de solo para alcançar-se o mineral, abertura e conservação de vias Processo n° 13204 000080/2004-91 S3-TE01 Acórdão n." 3801-00.470 FL 143 para que o mineral chegue à linha de produção e transite nesta linha, manutenção das instalações e da mão de obra voltadas à produção, estaremos diante de um processo produtivo com múltiplas etapas, mas ainda assim, um único processo. e Que as despesas decorrentes de todas as etapas representariam desembolsos com insumos para o processo produtivo, sendo, portanto, passíveis de constituição de créditos de PIS, sob a sistemática do regime de apuração não cumulativo dessa contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Trata-se, preliminarmente, das alegações de inconstitucionalidade trazidas pela interessada em sua defesa. Quanto a este aspecto, urna vez que se repetem àquelas apresentadas na peça impugnatória, considero que a matéria foi perfeitamente abordada no Acórdão 01-14.304 — 3" Turma da DRJ/BEL, fls. 97 a 100, adotando-se por este Relatar, com fulcro no art. 50 1 , § 1°, da Lei n° 9.784, de 1999, as disposições nele contidas, Como visto no relatório, a interessada requereu o ressarcimento do PIS/Pasep não cumulativo, referente a 07/2004, no valor de RS 195,405,08, sendo reconhecido o valor de R$ 118.966,85, conseqüentemente a compensação foi homologada até o limite do referido crédito. Examinando-se os autos, verifica-se que o cerne do litígio está na definição de "insumos" para fins de abatimento, como crédito, na apuração do PIS, modalidade "não cumulativa". A glosa dos créditos sobre serviços e de combustíveis (gasolina comum, óleo diesel e óleo combustível) efetuados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (DRF/BEL), conforme o PARECER SEORT/DRF/BEL N° 0729/2008, mantidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), consoante Acórdão 01- 14.304 — 3" Turma, são os relacionados a seguir: (i) serviço de alteamento, (ii) serviço de limpeza e passagem, (iii) serviço de locação, (iv) fornecimento de jantar, (v) serviço de decapeamento, (vi) serviço de lavra, (vii) serviço de transporte, (viii) serviço especializado de vigilância, (ix) serviço de melhorias de estradas, (x) gasolina comum, (xi) óleo diesel e (xii) óleo combustível TP/A-BPF. Art. 50 Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: .) § 1 o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serãorparte integrante do ato. / E 5 6 Às folhas 133/137, a recorrente descreve os serviços que foram objeto de glosa pela DRIVBEL, os quais são aqui transcritos na íntegra: 1. SERVIÇO DE ALTEAMENTO: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeites. Por sua natureza, fica claro que o serviço de alteamento representa importante etapa do processo produtivo em sua fase posterior. correta disposição de rejeitas constitui-se em exigência primordial à atividade produtiva da recorrente, sob pena de ver suas atividades impedidas por falta de condições adequadas para executá-la. Dessa forma, as despesas com remuneração de pessoas jurídicas para a prestação desse serviço são passíveis de constituição de créditos de PIS/COFINS, 2.. SERVIÇO DE LIMPEZA E PASSAGEM: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. Neste quesito, mais uma vez resta patente que a atividade produtiva não se completa sem a desobstrução das vias que permitem o acesso do maquinário às fontes de caulim. Não há sequer que se falar em extração do mineral sem que as máquinas adequadas a isso tenham acesso . franqueado às fontes naturais. Para tanto, torna-se fundamental ao processo produtivo que sejam mantidas as vias de acesso desobstruídas. 3, SERVIÇO DE LOCAÇÃO: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado Fica claro então, que a despesa decorrente da locação destes equipamentos representa verdadeira despesa inerente ao processo de produção do caulim, razão pela qual seria passível de constituição de créditos de COFINS 4 FORNECIMENTO DE JANTAR consiste no serviço de refeitório para os . fiincionários. Em virtude da localização geográfica das atividades extrativistas de minério desenvolvidas pela Recorrente, faz-se necessário fornecer alimentação aos responsáveis pela produção da planta industrial, uma vez não existir alternativa que não esta. O fornecimento de uma segunda refeição diária passa a integrar a atividade produtiva, pois, tratar-se de condição intrínseca a manutenção do fator mão-de- obra da atividade. 5 SERVIÇO DE DECAPEAMENTO: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério Trata-se do primeiro passo necessário à atividade extrativa mineral. Sem a retirada da cobertura vegetal e de solo, não é possível alcançar-se o minério, razão pela qual este serviço constitui parte importante do processo produtivo, sem a qual a extração não se ultima. 6. SERVIÇO DE LAVRA: consiste na extração do minério da natureza. Aqui nos deparamos com mais uma etapa no processo produtivo. Se o decapeamento prepara o terreno para extração do minério, a lavra compreende a real retirada do minério de seu depósito natural para posterior beneficiamento e extração do caulim. Uma vez mais, reiteramos não há que se falar de processo produtivo do caulim que não compreenda a preparação do terreno e a extração do minério de suas .fontes naturais. 7. SERVIÇO DE TRANSPORTE • consiste no serviço de transporte de funcionários.. Uma vez mais, ,fica claro o aspecto Processo n" 13204 000080/2004-91 S3-TE01 Acórdão n 3801-00,470 Fl 144 de atividade meio do processo produtivo, sem a qual tal processo não se ultimaria, Trata-se de despesa decorrente da colocação de pessoal junto às áreas produtivas, atividade .fundamental para o próprio processo produtivo. Não há que se conceber produção sem mão de obra a ela vinculada, e para tanto, .faz-se necessário seu deslocamento, 8. SERVIÇO ESPECIALIZADO DE VIGILANCIA.- consiste no serviço de segurança patrimonial Encontramos aqui outro exemplo de atividade sem a qual não conseguiria a Recorrente completar seu processo produtivo.. Dada sua localização geográfica e as características de sua planta produtiva, toma-se necessário o serviço de segurança patrimonial, dentre outras razões por tratar-se de forma de garantir a integridade e o perfeito funcionamento da referida planta. Vem daí a integração deste serviço ao processo produtivo. 9. SERVIÇO DE MELHORIA DAS ESTRADAS: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais. Em consonância aos serviços de limpeza e passagem, .fornecimento de jantar, transporte de funcionários e de vigilância, a devida manutenção das vias de acesso às jazidas representa condição inerente ao processo de produção do caulim, tendo em vista que a produção estaria inviabilizada sem rotas de acesso minimamente adequadas ao acesso de homens e máquinas às . fontes de minério. GASOLINA COMUM: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. Todo o deslocamento de material utilizado no processo produtivo, seja qual lbr sua natureza, é feito por meio de veículos movidos a gasolina. Novamente nos deparamos com nítida despesa totalmente inserida na produção do caulim, pois é da natureza deste processo a utilização de materiais das mais variadas naturezas, exigindo deslocamentos dos mesmos por toda a planta produtiva. 11. ÓLEO DIESEL: utilizado nos caminhões para transporte de caulim. Certo está que todo o processo produtivo do caulim pressupõe o transporte e deslocamento de matéria-prima, produtos intermediários, e produto final entre os diversos setores da produção, seja das áreas de extração para a produção, entre setores desta última, ou ainda da produção para a distribuição. Por sua vez, este transporte no mais das vezes é .feito com a utilização de veículos movidos a combustão de óleo diesel, restando patente sua aplicação no processo de produção da recorrente. 12. ÓLEO COMBUSTÍVEL TP A-BPF: . utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). A descrição da etapa do processo produtivo acima por si só já deixa claro que se trata de etapa do processo de obtenção do caulim a partir do mineral bruto, razão esta pela qual o óleo combustível consumido no processo constitui inSt17710 do mesmo. 7 Defende a recorrente, que todos os serviços e bens acima descritos estão intrinsecamente afetos à fabricação do produto caulim, sendo que a supressão de qualquer serviço ou bem utilizado comprometeria sobremaneira ou mesmo inviabilizaria a qualidade final do produto. Por seu turno, a autoridade julgadora de primeira instância justifica a glosa dos créditos utilizados pela recorrente com os fundamentos abaixo transcritos: "INSUMO BENS UTILIZADOS NA FABRICA çÃo DE PRODUTOS Além das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. INSUMO SERVIÇOS APLICADOS NA PRODUÇÃO Geram direito ao crédito os serviços prestados por pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Pasep, domiciliadas no País, que sejam utilizadas na linha de produção da empresa". Para auxiliar na solução da lide, transcrevo, a seguir, excertos da legislação de regência: Lei n" 10.637, de 31 de dezembro de 2002: Art 32 Do valor apurado na . forma do art. 2 2 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II - bens e serviços, utilizados como instinto na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e hárificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 2 da Lei n2 10 485, de 3 de julho de 2002, devido pelo . fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI Instrução Normativa SRF n" 247, de 21 de novembro de 2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não- cumulativo com a aliquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma &iguala, sobre os valores,' I — das aquisições efetuadas no mês: ) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como instamos: b, na fabricação de produtos destinados à venda; ou b,2) na prestação de serviços. Processo n° 13204 000080/2004-91 Acórdão n ° 3801-00.470 S3-TE01 H 145 § 5" Para os efeitos da alínea "b" do inciso 1 do caput, entende- se como instintos: I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Diante de tudo até aqui exposto, faz-se necessário responder a seguinte questão: Qual é o conceito de insumo aplicável à contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo (art. 3', II, da Lei n° 10.637, de 2002)? Antes de responder a pergunta acima formulada, faz-se necessário tecer algumas considerações sobre a sistemática da não-cumulatividade adotada pela Lei n° 10,637, de 2002. É forçoso reconhecer que a lei instituidora da contribuição em comento não trouxe o conceito de "insumos" e, tampouco, remeteu à utilização subsidiária da legislação de outro tributo para a busca do seu significado. Desse modo, resta-nos a opção de buscar no ordenamento jurídico, em especial na esfera tributária, o referido conceito, É sabido que o IPI e o ICMS usam a sistemática da não-cumulatividade para apurar o valor a ser recolhido a titulo dos referidos tributos. No entanto, a sistemática eleita pelo legislador para a manutenção da "neutralidade tributária" para o Pis/Pasep não-cumulativo difere daquela adotada no caso do IPI e do ICMS. Ou seja, os métodos de apuração são distintos. Para o IPI e o ICMS o método de apuração adotado pelo legislador foi o "Método do Crédito de Imposto" ou "Método de Imposto contra Imposto", traduzindo-se na possibilidade de compensar o montante devido na saída (vendas) com o valor efetivamente recolhido por ocasião da entrada (compras). Já no caso do Pis/Pasep não-cumulativo, a forma de apuração do valor devido é obtido pela utilização do "Método Subtrativo Indireto", que consiste em atribuir crédito fiscal sobre custos/despesas definidas em lei, na mesma proporção da alíquota aplicada sobre as receitas. Partindo-se da explanação apresentada, poder-se-ia chegar a seguinte conclusão: uma vez que existem diferenças metodológicas entre a não-cumulatividade aplicada ao IPI (Método Crédito de Imposto) e ao Pis/Pasep (Método Subtrativo Indireto), o conceito de insumos, para fins da legislação do Pis/Pasep não-cumulativo, não tem a mesma dimensão dada pela legislação do IPI. Desse modo, uma vez que a legislação que trata das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins tem relação direta com o faturamento, o conceito de "insumos" deveria guardar estreita referência com àqueles encontrados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, que assim dispõem: Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 13, § 12» 1- o custo de aquisição de matérias-primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior,' - o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III - os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV- os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção, Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos 110 pe r o do de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto-Lei n2 1,598, de 1977, art, 13, 22).. Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n 2 4..506, de 1964, art. 47). § 1 2 São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n2 4 506, de 1964, art 47, § 12). § 22 As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n!'4,506, de 1964, art. 47, § 22). Mantendo-se essa linha de raciocínio, a conclusão a que se poderia chegar é a de que todos os custos de produção e despesas operacionais incorridos pelo contribuinte com a fabricação de produtos destinados à venda e na prestação de serviços poderiam ser qualificados como "insumos" na acepção do art 3", II, da Lei IV 10,637, de 2002. Nada mais falso, senão vejamos. Para desconstruir esse raciocínio, inicio reproduzindo parte do texto do referido artigo, que assim dispõe: "bens e serviços, utilizados como instinto na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda".. A partir da redação dada pelo legislador no artigo acima referido, é imperioso consignar que o mesmo não trata de qualquer "insumo" genericamente utilizado na cadeia produtiva da empresa, mas especificamente à matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem Ou seja, para que determinado "insumo" possa ser descontado como crédito no 1 O Processo n° 13204.000080/2004-91 S3-TE01 Acórdão o" 3801-00470 F I 146 cálculo do Pis/Pasep não-cumulativo, deve, necessariamente, estar enquadrado no conceito ou de matéria-prima, ou de produto intermediário ou como material de embalagem. Assim, considerando todo o exposto até o momento, é meu pensar que o termo "insumos", no contexto do art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002, se refere àqueles bens e serviços que estão relacionados diretamente com a produção ou fabricação de outros bens ou produtos destinados à venda ou da prestação de serviços. Significa dizer que deve existir um vínculo entre os insumos e seu emprego na produção de um bem ou na prestação de um serviço. Somente dessa forma é que o valor dispendido pode ser usado como crédito na sistemática de apuração do Pis/Pasep não- cumulativo. Portanto, para que o insumo utilizado possa ser aproveitado como crédito na apuração do Pis/Pasep não-cumulativo, deve o mesmo fazer parte do processo produtivo, integrando o produto final ou usado durante o processo de fabricação, ficando demonstrado o desgaste fisico e/ou químico. A conclusão é a mesma quando se trata de prestação de serviço.. No caso presente, a partir da descrição, pela recorrente, da atuação dos insumos não considerados pelo fisco na composição do valor do Pis/Pasep não-cumulativo relativo a julho/2004, acima referidos, no processo produtivo da empresa, fica evidente, segundo a legislação acima colacionada, que o serviço de alteamento, serviço de limpeza e passagem, serviço de locação, fornecimento de jantar, serviço de decapeamento, serviço de lavra, serviço de transporte, serviço especializado de vigilância, serviço de melhorias de estradas, gasolina comum e óleo diesel não se tratam de matéria-prima ou material de embalagem e nem preenchem os requisitos para serem considerados como produtos intermediários. Quanto ao alargamento do sentido do termo "insumos" que a recorrente quer imprimir, é meu pensar que o mesmo não pode prosperar. O acolhimento pela legislação pátria do princípio da não-cumulatividade para o Pis/Pasep, não significa que todos os custos e as despesas da empresa, pertencendo ou não ao processo produtivo ou a prestação de serviço, podem gerar créditos, sem nenhuma limitação, É de se registrar que a Lei instituidora do Pis/Pasep não-cumulativo estabeleceu que, além dos insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, poderão ser descontados créditos calculados em relação a "energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica", "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa" e "edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa". Portanto, se o conceito de "insumos" de que trata o art. 3', II, da Lei n° 10.637, de 2002, abarcasse todos os custos de produção e despesas operacionais incorridos pelo contribuinte com a fabricação de produtos destinados à venda e na prestação de serviços, não faria sentido o legislador listar um conjunto detalhado de despesas e/ou custos passíveis de gerar créditos. Entretanto, no que se refere ao óleo combustível TP/A-BPF, utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagen por 11 evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível), o mesmo deve fazer parte no cálculo do Pis/Pasep não-cumulativo, devendo a glosa desse item ser revista. Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para considerar no cálculo do Pis/Pasep não-cumulativo o valor dispendido a título de óleo combustível TP/A-Bn. É assim que yotó'. / / I To:Sé -Luiz Boreigr 12
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726393/2012-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2008, 15/02/2008, 18/02/2008, 25/02/2008, 10/03/2008, 21/08/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 20/10/2008, 19/12/2008
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.235
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 63 93 /2 01 2- 09 Fl. 529DF CARF MF Processo nº 11080.726393/201209 Acórdão n.º 3402004.235 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do Acórdão 10043.031, que ao julgar a impugnação cancelou a exação objeto dos autos em montante que, à época da decisão, ultrapassou o limite de alçada. O valor exonerado (principal + multa de ofício), contudo, é inferior ao limite atualmente vigente, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.199, de 26 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10410.720607/201445, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.199): "Como relatado, o valor exonerado objeto do recurso de ofício foi inferior à R$ 2.500.000,00. A Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 (DOU 10/02/2017), estabeleceu que: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Por seu turno, a Súmula CARF, abaixo transcrita, explicita o direito intertemporal para aplicação do teor da transcrita Portaria Ministerial, consoante o brocardo que é princípio do direito adjetivo, qual seja, tempus regit actum. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 11080.726393/201209 Acórdão n.º 3402004.235 S3C4T2 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com efeito, sendo o valor de alçada nesta data inferior à R$ 2.500.000,00, o presente recurso não pode ser conhecido. Diante do exposto, não conheço do recurso de ofício". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 531DF CARF MF
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Numero do processo: 10726.000129/2006-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 10/07/2003 a 08/11/2004
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO.OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, PARÁGRAFOS 2O E 3o DO DECRETO-LEI 1455/77
Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados
Numero da decisão: 3201-002.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Redator Ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 10/07/2003 a 08/11/2004 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO.OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, PARÁGRAFOS 2O E 3o DO DECRETO-LEI 1455/77 Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Redator Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
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ART.23, PARÁGRAFOS 2O E 3o DO DECRETOLEI 1455/77 Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos negouse provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Redator Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 6. 00 01 29 /2 00 6- 90 Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 3 2 Referese o presente processo administrativo a auto de infração para a cobrança de tributos incidentes sobre a importação, com multa qualificada, e multa prevista no artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.235.103,37, referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no parágrafo V do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Depreendese do "Relatório de Fiscalização" que a interessada foi submetida ao procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa SRF n° 228/2002 com o objetivo de se verificar o real adquirente das mercadorias por ela importadas e para se verificar a origem dos recursos utilizados na integralização de seu capital social. Foram analisadas as operações de importação cujas mercadorias tiveram como adquirentes as empresas identificadas entre parêntesis, realizadas ao amparo das Declarações de Importação n° 04/01687559 ( MS Comex Imp. E Exp. Ltda), 03/05819830, 03/06908861, 03/10675078, 04/02151539, 04/03997199, 04/11289220 (Kara Brasile Ltda), 04/01292139, 04/02669821, 04/02274231, 04/03026274, 04/04359803, 04/06159291, 04/08322521 e 04/10142691 (Fashion Box Brasil Moda Ltda). Com relação à integralização do capital social da interessada, especificamente do sócio majoritário, Alfredo de Goye Junior, concluiuse que sua alegação de que os recursos utilizados originaramse de rendimentos de prólabore e alienação de bens não encontra respaldo em sua declaração de rendimentos relativa ao ano calendário de 2002 apresentada à Receita Federal. A interessada não possui local destinado à armazenagem de mercadorias importadas, para posterior revenda. Informações coletadas na sua página da internet demonstra que seu foco de atuação é na área de serviços, não tendo sido encontrada qualquer referência à revenda de mercadorias. A análise das operações de importação identificou, entre outras situações, que: Todas as Declarações de Importação foram registradas como importações por conta própria da Sertrading S.A.; A interessada não mantinha contato com o exportador estrangeiro; Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 4 3 A totalidade dos recursos financeiros utilizados nas operações de importação foi recebida antecipadamente, de terceiros, ao fechamento dos contratos de câmbio respectivos; A Planilha de "fechamento de custos" das importações detalha o valor referente à prestação de serviços realizados pela interessada, sob a rubrica de "comissão'; Entrega imediata das mercadorias importadas às adquirentes, quando do desembaraço aduaneiro, sem passagem por depósito da interessada; Numeração seqüencial das notas fiscais de entrada e saída, demonstrando que havia "comprador certo e determinado' para as mercadorias importadas; Existência de contrato com as adquirentes das mercadorias importadas, no qual se comprometiam a adquirir todas as mercadorias de cada operação. Concluiu a fiscalização que houve: I ocultação dos verdadeiros responsáveis pelas operações, provedores dos recursos utilizados e reais adquirentes das mercadorias importadas; e II interposição fraudulenta, nos termos do § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/1976, pela não comprovação da origem, por parte do sócio pessoa fÍsica, dos recursos utilizados, em 2002, na integralização do capital social da interessada.] Em razão de as mercadorias haverem sido entregues a consumo, com impossibilidade de sua apreensão, foi lavrado o auto de infração do presente processo lançando multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, nos termos do § Y do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. O relatório fiscal informa que será instaurado procedimento para a declaração de inaptidão do contribuinte no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica nos termos do artigo 81, § 1% da Lei 9.430/1996 e art. 34, inciso IV, da IN 568/2005. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fis. 05), a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 1812 a 1859, com os documentos de folhas 1860 a 2000, 2003 a 2226, 2229 a 2479 e 2482 a 2508, anexados. A impugnante faz considerações sobre importações por conta e ordem de terceiros, lembrando que essa modalidade de importação é normatizada pelas Instruções Normativas SRF n° 247/02 e 225/02, bem como pelo ADI SRF n° 07/02. Defende que a presunção constante no artigo 27 da Lei n°10.637/02, no sentido de que a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, é relativa ou condicional, e que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 07/2002 esclarece como Fl. 2684DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 5 4 afastar tal presunção. Alega que preencheu todos os requisitos previstos no ADI o que comprova que "é a legítima proprietária dos bens importados, restando refutada a alegação de ocultação do real adquirente ou dano ao erário e, conseqüentemente, a de ocorrência defraude!!!" (sic) Alega que os contratos de câmbio e os conhecimentos de transporte em seu nome comprovam que os recursos utilizados foram próprios e que as mercadorias eram de sua propriedade. Registra o recebimento de notificações extrajudiciais das empresas compradoras das mercadorias, que se negam a pagar o valor das mercadorias adquiridas, fato que comprova a propriedade das mercadorias, o risco comercial e a não exclusividade das vendas a essas empresas. Defende que possui capacidade financeira para realizar as importações. Traça considerações sobre importações por encomenda, defendendo que essa á modalidade de importação que pratica, e que foi posteriormente explicitada legalmente por meio da Medida Provisória n° 267, convertida na Lei n° 11.281/06, art. 11, e regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 634/2006. Cita a previsão contida no artigo 106 do Código Tributário Nacional que determina as hipóteses de aplicação retroativa da lei. Alega que a autuação se deu com base em meras presunções e indícios, sem prova dos ilícitos. • Refuta todas as alegações da fiscalização, lembrando que manteve contato com o exportador no estrangeiro em conjunto com seus clientes, bem como por meio de mensagens eletrônicas; que realmente registrou as Declarações de Importação em seu nome, porque era a real importadora e adquirente das mercadorias, e que não pode se responsabilizar por ações ou omissões de outras empresas; que a margem de lucro de 3,5 % é razoável para o mercado no qual atua; nega que não tenha como seu objeto social a comercialização de mercadorias e sim apenas a prestação de serviços como alega a fiscalização; admite que falta tecnicidade e conhecimento jurídicos de operações de compra e venda, podendo retificar o termo "comissão", na planilha de custos, que deve ser entendido como "margem de lucr"'; lembra que realiza tanto operações por conta e ordem de terceiros como próprias, fato que pode ter levado à confusão; que usa depósitos de terceiros, como o próprio estatuto social prevê, e que não há impedimentos legais para o feito; a numeração seqüencial das notas fiscais, com as datas coincidentes com o desembaraço das mercadorias não e prova e simples presunção da fiscalização; os conhecimentos de transporte e faturas comerciais são prova de que as mercadorias eram de sua propriedade; os contratos firmados foram na condição de importação própria para compra e venda a encomendante predeterminado; não houve fraude ou simulação • visando o recolhimento de valor menor do IPI ou qualquer modalidade de importação por conta e ordem de terceiros; a Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 6 5 presunção utilizada é relativa, e a cobrança de adiantamentos é prática norma do mercado; não houve interposição fraudulenta e as discrepâncias de origem de recursos do sócio foram sanadas com retificações das Declarações de Impostos de Renda da Pessoa Física. Contesta a acusação de interposição fraudulenta de terceiros, em razão da não comprovação da origem de recursos dos sócio utilizados na integralização do capital social, alegando que a capacidade financeira a ser comprovada é da pessoa jurídica, que não podem ser confundidas como pessoas físicas, tampouco na figura de seus sócios. Observa o princípio fundamente de contabilidade, o princípio da entidade. Registra que foram sanadas os problemas contábeis do sócio, referentes à origem de seus recursos. Defende que não pode ser autuada pois procedeu de acordo com o entendimento externado pelas autoridades administrativas superiores competentes, disposto no ADI SRF n° 07/02, IN SRF n° 225/02 e IN SRF n° 247/02, por força do artigo 101, 1I1, do Decretolei n° 37/66 e do artigo 610, I1, do Decreto n° 4.543/02. Alega que não houve dano ao Erário, pois pagou todos os tributos devidos, inclusive em valores superiores àqueles que incidiriam caso as importações fossem realizadas por conta e ordem de terceiros. Nesse aspecto, informa que muitos dos produtos importados possuem alíquota zero de IPI e que a alíquota média desse tributos é inferior a um por cento. Também não se comprovou dolo, fraude ou simulação. Requer seja julgado improcedente o auto de infração, revogada a aplicação da pena de perdimento e reconsiderado o pedido de inaptidão de seu CNPJ. Protesta pela sustentação oral em todas as fases do processo administrativo A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/07/2003 a 08/11/2004 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Fl. 2686DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 7 6 Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator ad hoc. Na condição de Presidente Substituto da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III1[1], do RICARF, designo me Redator ad hoc para formalizar o relatório e o voto do presente acórdão, tendo em vista que a Relatora originária, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, não mais integra o Colegiado. Os presentes recursos preenchem as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Como se depreende, o presente processo tem como escopo as declarações de importação n°04/01687559 (MS COMEX IMP. E EXP. LTDA; n° 03/05819830, 03/06908861 03/10675078, 04/02151539, 04/03997199 e 04/11289220 (KARA BRASILE LTDA) ; e n° 04101292139, 04102669821 , 04/02274231 , 04103026274, 04/04359803, 04106159291,04108322521 e 04110142691 (FASHION BOX BRASIL MODA LTDA), nas quais, embora tenham sido declaradas à fiscalização como "por conta própria" , foram requalificadas como "importações por conta e ordem de terceiros", tipificandose a hipótese de interposição fraudulenta, com fundamento no art.23, V, §§§1o, 2o e 3o, do Decretolei n. 1455/76, como se verifica do auto de infração. A legislação aduaneira brasileira conta, atualmente, com três modalidades de importação: a direta, por "conta e ordem" e "por encomenda". Na importação direta, também conhecida como por "conta própria" as mercadorias são adquiridas pelo importador, com recursos próprios, que pode revendêlas ou não no mercado interno. A "importação por conta e ordem" é modalidade de importação que existe ao lado da "importação por encomenda", que implica a terceirização das operações de importação. Com efeito, conforme esclarecimento veiculado na página da Receita Federal na internet, muitas empresas necessitam realizar operações de importação as quais, como é Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 8 7 notório, pressupõem conhecimentos profundos atinentes à legislação tributária e aos controles administrativos. Por essa razão, é vantajosa, estrategicamente, a terceirização dessa atividade a empresas especializadas em comércio exterior, como as tradings companies ou comercial exportadoras, para que as empresas possam envidar esforços no desenvolvimento do foco de seu objeto social. Contudo, para a preservação da segurança pública e garantia do crédito tributário, evitandose situações de interposição fraudulenta ou utilização de "laranjas" na importação, a legislação detalha, minuciosamente, a forma como devem se configurar essas operações, de maneira que a empresa que efetiva a operação de importação, ou seja, que realiza o negócio jurídico de fundo, de compra e venda internacional, seja perfeitamente identificada, além de estabelecer obrigação solidária pelo crédito tributário originado da operação. Assim, na importação por conta e ordem, uma empresa a adquirente interessada em uma determinada mercadoria, contrata uma prestadora de serviços a importadora por conta e ordem para que esta, utilizando os recursos originários da contratante, providencie, dentre outros, o despacho de importação da mercadoria em nome da empresa adquirente. A INSRF 225/2002, assim estabelece que: Art. 5° A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001' Por outro lado, a INSRF 247/2002, no capítulo "Importação por Conta e Ordem de Terceiros", nos arts. 86 a 88, discorrem sobre a estruturação jurídica e sobre obrigações acessórias. Diz o art. 86: Art. 86. O disposto no art. 12 aplicase, exclusivamente, às operações de importação que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I contrato prévio entre a pessoa jurídica importadora e o adquirente por encomenda, caracterizando a operação por conta e ordem de terceiros; II os registros fiscais e contábeis da pessoa jurídica importadora deverão evidenciar que se trata de mercadoria de propriedade de terceiros; e III a nota fiscal de saída da mercadoria do estabelecimento importador deverá ser emitida pelo mesmo valor constante da nota fiscal de entrada, acrescido dos tributos incidentes na importação. § 1 ° Para efeito do disposto neste artigo, o documento referido no inciso III do caput não caracteriza operação de compra e venda. Fl. 2688DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 9 8 § 2 ° A importação e a saída, do estabelecimento importador, de mercadorias em desacordo com o disposto neste artigo caracteriza compra e venda, sujeita à incidência das contribuições com base no valor da operação. II registrar na sua escrituração contábil, em conta específica, Depreendese dos dispositivos que disciplinam a operação, que na importação por conta e ordem, o importador vende ao adquirente das mercadoria apenas a prestação de serviços, sendo a transmissão da propriedade das mercadorias feita diretamente do exportador ao adquirente. Vislumbramse, portanto, duas relações jurídicas: uma de prestação de serviços e outra, de compra e venda internacional. Por outro lado, a importação por encomenda configurase quando uma empresa (encomendante predeterminada) contrata uma empresa importadora, para que esta, com seus próprios recursos, providencie a importação dessa mercadoria e a revenda posteriormente para a empresa encomendante, no mercado interno. Nessa categoria, ocorrerá, da mesma forma, duas relações jurídicas distintas, porém, ambas de compra e venda: uma internacional (importação) e, outra, no mercado interno, após a nacionalização das mercadorias. Determina a Lei n° 11.281, de 20 de fevereiro de 2006: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1 o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n°2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3° Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei n° 11.452, de 27 de fevereiro de 2007) Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 10 9 A interposição nas operações de importação, por si só, não é evento vedado pela legislação; ao contrário, a legislação, especialmente por questões de logística, erigiuse no sentido de disciplinar as formas legítimas de interposição no comércio exterior. A interposição associada ao predicado de "fraudulenta", coibida pelo ordenamento jurídico, é aquela prescrita no Decretolei n. 1455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) §2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluídopela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) § 3 As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei n° 12.350, de 2010) A Lei n. 10.637/2002, por sua vez, estabelece que: art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. De acordo com o tipo legal da "interposição fraudulenta", ocultase o sujeito que adquiriu a mercadoria, figurando em seu lugar, outro sujeito, que se utiliza de recursos financeiros do primeiro, simulandose ser este parte contratante na compra e venda. Com esse artifício, é possível tornarem opacas ao Fisco e das autoridades públicas em geral, situações em que os recursos financeiros tenham origem em ilícitos e que Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 11 10 não tenham sido oferecidos à tributação, operações com empresas vinculadas, a quebra da cadeia do IPI, dentre outras situações. O ordenamento jurídico brasileiro erigiu o tipo legal da interposição fraudulenta de forma que pode se configurar nos casos concretos a partir: i. da presunção do §2° do art.23 do Decretolei n. 1455/76; ii. ou pela comprovação da existência de fraude ou simulação, em conformidade com o disposto no inciso V, do mesmo dispositivo. A interposição fraudulenta fundada na presunção é relativa, isto é, é ônus do contribuinte fazer prova em contrário, demonstrando a capacidade econômica para fazer frente às operações de importação. Por outro lado, nas hipóteses de interposição fraudulenta que não se assentam em tal presunção, deve a fiscalização comprovar a existência de fraude ou simulação, conforme determina o tipo legal e nos limites traçados pela legislação, para "fraude" e "simulação". Portanto, traçadas as linhas gerais das normas jurídicas que gravitam em torno do caso concreto, como última observação, deve se ter em conta que o tipo legal da "interposição fraudulenta" pressupõe a análise profunda do acervo probatório de cada situação descortinada. No caso em apreço, verificase que a fiscalização assentou o auto de infração na presunção pela nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações analisadas, isto é, como pontuou a decisão recorrida, à capacidade econômica do importador relacionada às operações de importação consideradas fraudulentas. Por conseguinte, o relatório da autuação demonstra como se procedeu em cada uma das declarações de importação fiscalizadas, divididas pelos respectivos adquirentes. As empresas MS COMEX, KARA BRASIL LTDA, Fashion Box Modas a fiscalização arrolou diversos indícios de que as operações de importação não teriam sido feitas diretamente pela Recorrente. Em todas as hipóteses, a fiscalização arrolou uma série de indícios de que as operações de importação teriam sido realizadas na modalidade "por conta e ordem de terceiros", que aparentemente, seguem um padrão procedimental da Recorrente. Todavia, não se deve olvidar que a autuação deuse com base na presunção do §2o, do art.23, Decretolei n. 1455/76. Nesse sentido, em todas as operações, que foram individualmente analisadas, de maneira acurada pela fiscalização, houve adiantamento de valores para que a Recorrente procedesse às importações pactuadas. E em sua defesa, a Recorrente afirma que no mercado nacional é usual a cobrança antecipada, mesmo que de um "sinal', um "adiantamento da futura da venda a ser realizada, especialmente quando não se conhece o comprador ou há dúvidas sobre a concessão ou não de "crédito" ao mesmo, seja por meio de parcelamento de valores, prazo de pagamento ou financiamento do Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 12 11 valor a ser pago ao vendedor. Tal operação é conhecida como faturamento antecipado ou venda para entrega futura, mesmo que o valor não sega integral mas apenas parcial, como ocorreu em algumas das operações mencionadas neste auto de infração. Todavia, fez a afirmação de forma genérica, sem apontar quais seriam os contratos que assim se procedeu ou trazer maior detalhamento de operações. O fato é que era seu o ônus da prova da capacidade financeira para a operação, que não restou exercido. Ao contrário, especialmente as cláusulas contratuais com as empresas referidas, aliadas à planilha de repasse de custos, na qual a própria Recorrente denomina o que deveria ser sua margem de lucro, de "comissão", demonstram que agiu como prestadora de serviços. O argumento da recorrente é no sentido de que seria suficiente para afastar a acusação de interposição fraudulenta, o preenchimento de todos os requisitos constantes do ADI SRF 07102, ou seja, o fato de a Recorrente contratar o câmbio recebeu a fatura comercial e o conhecimento de transporte em seu nome, emitiu notas fiscais a título de compra e venda além de contabilizar tal operação como compra e venda de mercadorias de seu estoque. É certo que esses aspectos formais são relevantes, porém, desde que reflitam a forma como se deu o negócio jurídico entre as partes, de maneira que se a compra e venda relacionamse esses documentos, deverá a operação de fundo ser compra e venda. Contudo, na hipótese, erigiuse a partir da presunção e nesse sentido, não logrou fazer prova em contrário a Recorrente, limitandose a trazer argumentos genéricos, sem as respectivas provas, como quando afirma em seu recurso voluntário que Para finalizar, frisamos que nem todas as operações da Recorrente são realizadas sob a condição de adiantamento, até porque a mesma goza de capacidade econômica e financeira para operar no comércio exterior, mas somente por uma questão de minimizar o índice de inadimplemento de clientes (risco comercial). Portanto tratase de compra e venda de mercadorias importadas, e não mera prestação de serviço de importação por conta e ordem de terceiros. Em face do exposto, voto pela improcedência do recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Redator Ad hoc Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 13 12 Fl. 2693DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.000445/00-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
INTIMAÇÃO POR EDITAL.
Não é nula a intimação por edital, quando frustrada a tentativa de intimação por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme previsto na lei.
Numero da decisão: 9101-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Não é nula a intimação por edital, quando frustrada a tentativa de intimação por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme previsto na lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 04 45 /0 0- 89 Fl. 731DF CARF MF Processo nº 13811.000445/0089 Acórdão n.º 9101003.048 CSRFT1 Fl. 732 2 Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 16/34) interposto pela MHT SERVIÇO E ADMINISTRAÇÃO LTDA ("Contribuinte") em face da decisão proferida no Acórdão nº 110100.048 (efls. 1/4), pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 13/05/2009, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário. Adoto o relatório da decisão recorrida, claro e objetivo. MHT Serviços e Administração Ltda. requereu a restituição do valor de R$2.548.280,00, relativo a IRPJ do anocalendário de 1999, tendo cedido o direito creditório pleiteado a Chase Manhattan Leasing S.A.. Arrendamento Mercantil, apresentando pleito de compensação do credito com débitos de terceiros. A autoridade competente para decidir os pleitos apurou inconsistência no valor do crédito pleiteado, uma vez que o saldo negativo de IRPJ apurado na declaração é de R$1.223.688,92. Entretanto, na apuração desse saldo, o contribuinte computou estimativas não pagas, mas quitadas por compensação de saldos negativos de anos anteriores. Não comprovados os créditos utilizados nas compensações, foram elas desconsideradas na apuração do saldo negativo. Em decorrência, o saldo negativo passível de ser restituído foi reduzido para R$ 836.178,18 Foi deferida a restituição e homologada a compensação até o limite reconhecido. Frustrada a tentativa de ciência por via postal, a requerente foi cientificada por edital afixado em 27/10/2006 e desafixado em 08/11/2006 (fl. 133). Em 26 de março de 2007 a MHT, incorporada pela Chase Manhattan Holding, foi intimada para regularizar débitos. Em 9 de abril a sucessora requereu adiamento do prazo para manifestação sobre o despacho decisório, alegando que solicitou cópia integral dos autos, mas que ate 05 de abril a repartição encarregada informou que tais copias não estavam prontas. Em 10 de maio de 2007 a sucessora ingressou com manifestação de inconformidade. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo não conheceu a manifestação de inconformidade, por intempestiva. Esclareceu que a intimação que deu origem manifestação de inconformidade não diz respeito ao despacho decisório relativo ao pedido de restituição e compensação, mas comunicava a existência de débitos em aberto, e dava prazo de 15 dias para que a interessada se pronunciasse sobre questões relativas à cobrança. Aduziu que a DRJ não tem competência para se pronunciar sobre cobrança e seus procedimentos. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 13811.000445/0089 Acórdão n.º 9101003.048 CSRFT1 Fl. 733 3 Ciente em 25 de outubro de 2007, a interessada apresentou recurso a este Conselho alegando não ter sido intimada do despacho decisório, que foi enviado para o antigo endereço, uma vez que a MHT fora incorporada pela Chase Manhattan Holding, mudando seu estabelecimento para a Avenida Brigadeiro Faria Lima n° 3.729, 14° andar. Diz que não foram esgotadas as tentativas de intimação, porque poderia ter sido usado o meio eletrônico. Alega nulidade insanável da intimação por edital, invoca o art. 245 do CPC, a Sumula 473 do STF e o art. 53 da Lei n° 9.784, de 1999. Qualifica de absurda a afirmativa de que a DRJ não tem competência para pronunciarse sobre cobrança e seus procedimentos, visto que não tomou ciência do despacho decisório. Aduz que caracteriza cerceamento do direito de defesa o não recebimento da manifestação por estar assinada apenas por procurador, e que deveria ter sido intimada para emendála. Ao apreciar o recurso voluntário interposto pela Contribuinte, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 13/05/2009, no Acórdão nº 1101 00.048 (efls. 1/4), negou provimento ao recurso, nos termos da ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA NÃO CONHECIMENTO. Não é nula a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada quando transcorridos mais de 30 dias da ciência regular da intimação do Despacho Decisório contestado. INTIMAÇÃO POR EDITAL Não é nula a intimação por edital, quando frustrada a tentativa de intimação por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme previsto na lei. A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 16/34). Aduz que em 29/02/2000, a sociedade incorporada, MHT Serviços e Administração Ltda, solicitou restituição de créditos de saldo negativo do IRPJ, e na mesma data procedeu ao Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, no qual o direito creditório pleiteado foi cedido em favor de Chase Manhattan Leasing S.A. Arrendamento Mercantil. Na sequência, a Chase Manhattan Leasing S.A. Arrendamento Mercantil incorporou a MHT Serviços e Administração Ltda, em setembro de 2000. Foi proferido despacho decisório pela Receita Federal em 18/07/2006, deferindo parcialmente o pedido de restituição. Contudo, a intimação da decisão foi encaminhada para o antigo endereço da MHT Serviços e Administração Ltda. E a unidade preparadora, sem esgotar as tentativas de intimação, realizou intimação por meio de edital. Posteriormente, em 26/03/2007, é que a Chase Manhattan Leasing S.A. Arrendamento Mercantil tomou conhecimento do despacho decisório, por meio de outra intimação que determinação a manifestação sobre os débitos em aberto. Então, foi devidamente encaminhada a manifestação de inconformidade, que não foi conhecida pela DRJ, por ter sido considerada intempestiva. Registra que o mérito da discussão é a nulidade de intimação realizada por edital, quando ainda não esgotadas todas as tentativas de intimação do contribuinte por outros meios, seja pessoal, postal ou eletrônico. E, no caso concreto, não demonstrou o Fisco que efetuou a tentativa de intimação por todos os meios, antes de recorrer à intimação via edital. Entende que a intimação por edital, da maneira que foi realizada, constituiu flagrante Fl. 733DF CARF MF Processo nº 13811.000445/0089 Acórdão n.º 9101003.048 CSRFT1 Fl. 734 4 violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da publicidade, razão pela qual padece de vício insanável de nulidade. Requer a anulação da intimação por edital, que seja reconhecida a manifestação de inconformidade e os autos retornem para julgamento na DRJ. O despacho de exame de admissibilidade de efls. 707/710 deu seguimento ao recurso, reconhecendo a existência de divergência em relação ao acórdão paradigma nº 303 35.435. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN apresentou contrarrazões (efls. 714/718), discorrendo que a apreciação do litígio deve levar em consideração que a intimação deuse já com a redação do art. 23 do PAF alterada pela Lei nº 11.196, de 2005, no qual predica que a intimação via edital pode ser realizada caso apenas um dos meios ordinários tenha sido improfícuo. Aduz que se o contribuinte descumpre com sua obrigação legal de manter endereço atualizado perante a Administração Tributária, deve arcar com as consequência do descumprimento da obrigação acessória. Requer pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 707/710, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. Passo ao exame do mérito. A matéria devolvida ao Colegiado consiste em dizer em que condições pode ser realizada a intimação por meio de edital: (1) se restar improfícuo um dos meios ordinários de intimação ou (2) apenas se restarem improfícuos todos os meios ordinários de intimação. Para iniciar a apreciação, devese registrar que a intimação via edital em debate deuse na vigência da redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, ao art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Transcrevo o dispositivo vigente à época dos fatos: Art. 23. Farseá a intimação: 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 13811.000445/0089 Acórdão n.º 9101003.048 CSRFT1 Fl. 735 5 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) É de clareza singular a redação: quando resultar improfícuo um dos meios previstos nos incisos I, II e III do caput do art. 23 do PAF. No caso concreto, é incontroverso que ocorreu intimação por meio postal, que restou improfícua. Assim sendo, não há reparos ao procedimento da unidade preparadora. E mesmo analisandose argumento da Contribuinte, de que a intimação deu se no endereço de empresa que já havia sido incorporada, e por isso não teria tomado ciência do despacho decisório, os fatos não lhe socorrem. Ocorre que a empresa incorporada, que foi a titular do pedido de restituição objeto da decisão proferida no despacho decisório, não atualizou seus registros cadastrais. Vale transcrever excerto do voto da DRJ (efls. 431/432): No presente caso, há uma intimação, para que o sujeito passivo tomasse ciência do Despacho Decisório, feita por meio de edital (fl. 133) e, anteriormente a ela, buscouse, sem sucesso, intimar a Interessada por meio postal em seu domicilio tributário, constante de seu cadastro nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, dos quais consta que, ainda hoje, o seu endereço é na Rua Verbo Divino, 1400 — Parte. Observese que não consta do seu cadastro nem ao menos o fato da empresa ter sido incorporada; ao contrário, consta a informação que a empresa estaria ativa (fls. 298/299).(Grifei) E, conforme bem esclarecido pela decisão da DRJ, a atualização dos dados cadastrais são de obrigação da Contribuinte. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 13811.000445/0089 Acórdão n.º 9101003.048 CSRFT1 Fl. 736 6 Ora, a unidade da Receita Federal, valendose de cadastro da Contribuinte, no qual consta que a empresa que teria sido incorporada (MHT SERVIÇO E ADMINISTRAÇÃO LTDA) estaria ativa, e não teria sido objeto de incorporação, enviou a intimação da decisão para o endereço que constava no cadastro. Não há que se falar, portanto, em nenhuma irregularidade. Assim, restando improfícua a ciência por meio de um dos meios ordinários (no caso, via postal), aplicou o disposto no art. 23, § 1º do PAF, e realizou a intimação por meio de edital. Não tendo havido manifestação da Contribuinte no prazo legal, a decisão do despacho decisório transitou em julgado no contencioso administrativo tributário. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 736DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724154/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA.
Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.
As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade.
No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 2301-005.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração apresentados, para sanar a contradição apontada, rerratificando a ementa e parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA. Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade. No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso.
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CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA. Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade. No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração apresentados, para sanar a contradição apontada, rerratificando a ementa e parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 41 54 /2 01 1- 13 Fl. 605DF CARF MF 2 Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício). Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de embargos de declaração apresentados tempestivamente em 13/05/2014 pela contribuinte contra o acórdão nº 2301004.023, cuja ementa é a seguinte (grifos nossos): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA. Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade. No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso. NORMAS GERAIS. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA. Nos casos de lançamento de ofício deves ser aplicada a multa de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. O percentual de multa será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11065.724154/201113 Acórdão n.º 2301005.074 S2C3T1 Fl. 606 3 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A fim de qualificar a multa nos lançamentos de ofício, duplicandoa, cabe ao Fisco, subsumir o fato verificado nos sujeitos passivos ao disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, em obediência ao devido processo legal. No presente caso, a subsunção não foi feita, motivo da retirada da qualificação da multa, com seu percentual sendo mantido em setenta e cinco por cento. A parte dispositiva do julgado encontrase assim redigida (grifos nossos): Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em desqualificar a multa de ofício, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em manter a qualificação da multa. A Embargante alega existir contradição no acórdão embargado, consistente em ter sido dado provimento ao recurso voluntário – o que implica a inexistência de crédito a ser exigido – ao mesmo tempo em que a multa de ofício restou desqualificada, sendo exigida no percentual de 75% – o que implica a existência de tributo a ser exigido, sobre o qual incide a multa. Ao final, requereu o acolhimento dos embargos, para aclarar que o provimento do recurso voluntário significa o cancelamento integral do crédito tributário, não havendo valor remanescente sobre o qual incida qualquer penalidade. Por meio do despacho exarado em 05/03/2015, o presidente da turma admitiu os presentes embargos para julgamento. É o relatório Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Com razão a Embargante. O provimento do recurso voluntário pelo acórdão embargado englobou toda a exigência de principal. Consequentemente, também deve ser cancelada a cobrança de qualquer multa a ele vinculada. Conclusão Fl. 607DF CARF MF 4 Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos de declaração, com o objetivo de sanar a contradição apontada, mediante a exclusão da exigência de multas proporcionais vinculadas à exigência principal. A ementa e a parte dispositiva do julgado passam a ser a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA. Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade. No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 608DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.906826/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.909
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 82 6/ 20 11 -0 6 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10183.906826/201106 Resolução nº 3201000.909 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10183.906826/201106 Resolução nº 3201000.909 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10183.906826/201106 Resolução nº 3201000.909 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10183.906826/201106 Resolução nº 3201000.909 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 96DF CARF MF
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