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Numero do processo: 10980.012272/2005-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2004
IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA (ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96) APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 26, “A presunção
estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Além disso, a Súmula CARF n° 35 estabelece que “O art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.” Tais
posicionamentos devem ser observados por este julgador, conforme
determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.082
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 26, “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Além disso, a Súmula CARF n° 35 estabelece que “O art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” Tais posicionamentos devem ser observados por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10980.012272/200532 Acórdão n.º 920202.082 CSRFT2 Fl. 527 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 02/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Gustavo Gattass de Campos foi lavrado o auto de infração de fls. 246254, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 2001, 2002 e 2004, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) considerou o lançamento procedente (fls. 300310, Volume II). Por sua vez, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10423.309, que se encontra às fls. 379417 (Volume II), cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. ° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10980.012272/200532 Acórdão n.º 920202.082 CSRFT2 Fl. 528 3 DADOS DA CPMF INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO PROCESSO FISCAL O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regemse pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 CTN). NULIDADE DE ATOS EXTINÇÃO DO ÓRGÃO DESCABIMENTO Por terem sido convalidados pela Portaria SRF n° 6.088, de 22 de novembro de 2005, incabível falar em nulidade de intimações, autos de infração, notificações, mandados de procedimento fiscal, formulários e programas geradores de declaração, correspondências e demais documentos, referentes a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), emitidos ou disponibilizados pela Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos da Medida Provisória n° 258, de 21 de julho de 2005. INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n° 2). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma coma presumidos pela lei. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10980.012272/200532 Acórdão n.º 920202.082 CSRFT2 Fl. 529 4 CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS CRÉDITOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00 LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. – DESCONSIDERAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para efeito de determinação dos valores dos rendimentos omitidos, os créditos serão analisados individualmente, observando que não serão considerados, no caso de pessoa física, os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física, e os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência o ano calendário 2003. Intimado do acórdão em 12/11/2008 (fls. 425), o contribuinte, devidamente representado, interpôs recurso especial às fls. 426455, acompanhado dos documentos de fls. 456507 (Volume II), onde alegou, em brevíssima síntese, que: a) Não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. Indicou como paradigmas para esta tese os acórdãos nos 10246.139, 10609.856 e CSRF/0103.267; b) É inadmissível a aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001, que alterou a redação do artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.430/96, passando a permitir a utilização da base de dados da CPMF para lançamento de outros tributos, diversos de tal contribuição. Trouxe como paradigmas os acórdãos nos 10246.231 e 10613.962; c) A conclusão do acórdão recorrido no sentido de que não cabe ao Conselho de Contribuintes pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de uma lei fere o princípio da supremacia da Constituição. Não foram apontados acórdãos supostamente divergentes; d) Requer o conhecimento e o provimento do recurso, para o fim de reformar o acórdão recorrido. Através do despacho n° 920200.229 (fls. 511513), confirmado pelo despacho n° 920200.229 (fls. 514, Volume III) o recurso restou admitido unicamente com relação à possibilidade ou não de tributação pela forma prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e, também, de aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001. Intimada (fls. 521, Volume III), a Fazenda Nacional deixou de se manifestar. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10980.012272/200532 Acórdão n.º 920202.082 CSRFT2 Fl. 530 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido, mas apenas em parte, nos exatos termos dos despachos nos 920200.229 (fls. 511513) e 920200.229 (fls. 514, Volume III). Reitero que o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso para cancelar a exigência relativa ao anocalendário 2003. Com relação às questões que chegam à apreciação deste Colegiado, o recorrente defendeu a reforma da decisão sob os fundamentos de que para a aplicação da presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 é imprescindível a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida, além do que a Lei n° 10.174/2001 não pode ser aplicada retroativamente. Eis as matérias em litígio. Antes de enfrentar o mérito da insurgência do contribuinte, devo ressaltar que, sob minha ótica, este recurso deveria ficar sobrestado, em razão do disposto no § 1°, do artigo 62A, do RICARF. Isso porque o Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF atribuiu repercussão geral à matéria, nos autos do Recurso Extraordinário n° 601.314/SP, Relator Ministro Ricardo Lewandowski e está aplicando aos demais recursos relativos ao tema o disposto no artigo 543 B do Código de Processo Civil – CPC. Cito, apenas como exemplo desta situação, a decisão monocrática proferida pelo Ministro Marco Aurélio, no AI n° 783.389/SP, publicada no DJE de 07/03/2012. Não obstante, na última sessão deste Colegiado, ocorrida em fevereiro de 2012, a maioria resolveu que casos como este devem ser julgados, independentemente do posicionamento adotado pelo STF, restando vencidos, além deste julgador, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Pedro Anan Junior (convocado). Assim, restame seguir este entendimento e trazer o recurso para apreciação. Muito se poderia escrever sobre a possibilidade ou não de utilização da presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e de aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF tais matérias não comportam maiores digressões. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10980.012272/200532 Acórdão n.º 920202.082 CSRFT2 Fl. 531 6 Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 26 tem o seguinte conteúdo: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Já a Súmula CARF n° 35 estabelece que “O art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as Súmulas são de adoção obrigatória pelos Conselheiros. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004961/2001-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jun 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 03/04/2000
RESTITUIÇÃO DO IPI NA IMPORTAÇÃO, PROVA DE ASSUNÇÃO DO ENCARGO
FINANCEIRO (ART. 166, CTN)
Para a restituição do IPI pago indevidamente é condição básica a
prova de assunção do encargo financeiro desse imposto, o que deve
ser providenciado pelo sujeito passivo a partir de apresentação
de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrem
de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo e sua não transferência a terceiros.
Para esse efeito, o pagamento indevido do tributo não é prova nem
tem a ver com o requisito previsto no art. 166 do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3202-000.126
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Os Conselheiros Heroldes Bahr Neto e Rodrigo Cardozo Miranda declararam-se impedidos.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José Luiz Novo Rossari
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 03/04/2000 RESTITUIÇÃO DO IPI NA IMPORTAÇÃO, PROVA DE ASSUNÇÃO DO ENCARGO FINANCEIRO (ART. 166, CTN) Para a restituição do IPI pago indevidamente é condição básica a prova de assunção do encargo financeiro desse imposto, o que deve ser providenciado pelo sujeito passivo a partir de apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo e sua não transferência a terceiros. Para esse efeito, o pagamento indevido do tributo não é prova nem tem a ver com o requisito previsto no art. 166 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Heroldes Bahr Neto e Rodrigo Cardozo Miranda declararam-se impedidos.
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Para esse efeito, o pagamento indevido do tributo não é prova nem tem a ver com o requisito previsto no art. 166 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.. Os Conselheiros Heroldes Bahr Neto e Rodrigo Cardozo Miranda declararam-se impedidos, C-- • • JOSÉ-EU-1Z NOVO ROSSARI - Presidente e Relator FORMALIZADO EM: 13 de julho de 2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Heroldes Balir Neto, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi, Ângela Satori (Suplente) Processo n" 11128 004961/2001-62 S3-C212 Acórchlo o" 3202-00.126 Fl 192 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra a decisão denegatória do pedido de restituição de IPI vinculado à importação no valor de R$ 104..472,14, referente à importação de hexano, objeto de despacho aduaneiro pela Declaração de Importação n u 00/0285408-7, de 3/4/2000, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo-II/SP com base na não comprovação do requisito de assunção do encargo financeiro do tributo, previsto no art.. 166 da Lei ne 5,172/66 (CTN) Para historiar os fatos aproveito e transcrevo o relatório constante do acórdão do órgão julgador, que apreciou a manifestação de inconformidade contra o ato do Chefe do Seort da Alfândega do Porto de Santos/SP, que havia indeferido o pleito da interessada, verbis: "Trata o presente processo de pedido de reconhecimento cie crédito e restituição de tributos, postulado pela contribuinte em razão de recolhimento indevido de 1131, no valor de R$ 104.472,14, referente à DI ne 00/0285408-7, de 03/04/2000, levando em conta a não incidência do referido imposto sobre operações relativas a derivados de petróleo, conforme preceitua o parágrafo 3 do artigo 155 da Constituição Federal. A retificação da DI foi confirmada, conforme despacho do GREI/ SEORT de fls. 41 e consulta ao Siscomex (fls. 142), assim como o recolhimento do valor original do tributo foi confirmado no sistema Sinal (fls. 144/146). Instada a comprovar assunção do encargo financeiro relativo ao 11)I, sem repasse a terceiros dos valores pleiteados, nos termos do artigo 4' c/c artigo 7' da IN/SRF n" 600/2005, o pedido da interessada foi indeferido, no despacho de fls 149, com os seguintes fundamentos: Na cópia do livro diário consta um registro de débito da conta 1249003 e a crédito da conta 1801004, no valor de R$ 104,472,14, idêntico à restituição pleiteada, porém observa-se no cabeçalho que tal registro foi efetuado em março de 2000, enquanto que a DI foi registrada apenas em 03/04/2000 e desembaraçada em 10/04/2000 (fls. 143) e não se trata de despacho antecipado Observa-se que na coluna "Histórico" do referido registro não consta qualquer infbrinação relacionada à referida DI ou relacionada ao presente processo. Através da consulta ao plano de contas (11.s 126), observa-se que a conta debitada às fls. 89 de número 1249003 é denominada "Sistema de vendas e contas a receber", e em relação à conta creditada não há informação disponível no plano de contas apresentada Já na cópia da Conta Razão apresentada (lis 136), na qual identifica-se o valor correspondente ao do 1P1 recolhido (R$ 104.472,14), a conta debitada é 1107900005 — outros impostos e Taxas a Recuperar; Também se verifica que na coluna " Data doc" consta 03.03 2000, e na coluna "Texto" não há qualquer referência à DI em questão ou a este processo; Processo n" 11128 004961/2001-62 S3-C2T2 Acórdão n." 3202-00.126 I' 1 193 Embora o valor recolhido a título de coincidente com os valores encontrados às fls. 89 e 136, na da vincula estes à D1 na 00/0.285408-7 ou ao processo na 11128 004961/2001-6.2; Considerando que ibi concedido ao solicitante prazo suficiente para comprovação da assunção do encargo financeiro. E ao final a autoridade indeferiu o pedido de reconhecimento do direito creditório. Ciente do indeferimento, a interessada protocolizou a manifestação de inconformidade de fl. 156/16.3, em 25/10/2007, alegando, em resumo, que: • Os documentos juntados demonstram haver pagamento do tributo. • Embora o documento de fls. 136 não faça menção ao processo ou à DI, demonstra claramente ao que se refere o lançamento na conta razão "107900005 — outros impostos ou taxas a recuperar", RPE 710 9 04 126 00, o que significa Relatório de Pagamentos Especiais na 710 9 04126 00 0, exatamente o documento juntado às fls. 129, que descreve a operação de importação do derivado de petróleo em questão, a exigência Fiscal do IPI , o valor pago e a data de vencimento do tributo. • Quanto ao registro da Dl e a data do efetivo recolhimento, a Instrução Normativa 69/96 disciplina, no artigo 7 a, que o pagamento dos tributos incidentes na importação deveria ser efetuado previamente ao registro da DI, razão pela qual tal registro foi efetuado no livro diário em data anterior a do registro da DL Nada impede que a requerente faça provisão dos valores a serem despendidos com operações em curto espaço de tempo. • Afirma não existirem dúvidas quanto ao direito creditório requerente, haja vista tratar-se de lesão patrimonial autorizada pelo texto constitucional. • Alega que a requerente não pode se creditar dos valores cobrados a título de IPI e, conseqüentemente, jamais poderia tê-los transferido a terceiros, • Ao final sana a dúvida fiscal quanto à contabilização do pagamento do imposto, alegando que no plano de contas do Sistema Petrobrás e relatório de pagamentos especiais consta a descrição do pagamento efetuado (TI BOW Clipper llexano USA), o vencimento e o total pago, tudo devidamente conferido e assinado pelo responsável da área contábil da Petrobrás. • Diante do exposto, requer o reconhecimento do direito creditório e conseqüentemente deferimento do pedido de compensação. É o relatório." O julgamento foi realizado pela 2" Tunna da DR.1 em São Paulo-II/CE, nos termos do Acórdão DR.1/SPOI1 na 17-18.15.3, DE 14/5/2007 (fis, 169/174), que por unanimidade de votos concluiu por negar o reconhecimento creditório do IPI pretendido pela requerente, tendo para isso considerado que a interessada não apresentou elementos capazes de demonstrar que não houve o repasse do ônus a terceiros. O julgamento foi sintetizado na seguinte ementa: 3 Processo o' 11128.004961/2001-62 S3-C212 Acórdào o "3202-00.126 Fl I 94 'Assunto. Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador.' 03/04/2000 RESTITUIÇÃO Do indeferimento do pedido de reconhecimento de direito creditório cabe recurso à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no prazo de 30 dias. Regimento Interno da SRF; art. 224, 1 (Portaria ME n2 30/05). Instrução Normativa SRF )12 490/04, art. 48, caput e §§ 22 e 52. Assunto.' hnposto sobre a Importação - Data do fato gerador: 03/04/2000 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS O interessado não efetuou a comprovação de não ter se utilizado do IPI pago na importação na dedução de débitos do decorrentes das vendas de produtos industrializados sujeitos à incidência do imposto, e que também não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa. Solicitação Indeferida" A contribuinte recorre às lis, 178/187, alegando que: • demonstrou o lançamento na conta Razão "107900005 — outros impostos e taxas a recuperar": RPE 710 9 04 126 00, o que significa Relatório de Pagamentos Especiais IV 710 9 04126 00 0, exatamente o documento juntado à 11, 129, que descreve a operação de importação do derivado de petróleo em questão, a exigência fiscal do IPI, o valor pago e a data do vencimento do tributo; o comprovou que não causava qualquer estranheza o fato de o tributo em referência ter sido apontado como débito e crédito no Livro Diário em data anterior a do registro da DI (11, 89); nada impedia que fizesse provisão dos valores a serem despendidos com operações em curto espaço de tempo; a ainda que existisse alguma dúvida no que se refere ao direito creditório recorrente, a posição adotada pelo Acórdão recorrido não foi a mais acertada; o se está comprovado o pagamento do tributo exigido de forma indevida, o entendimento deve ser favorável ao contribuinte; a própria fiscalização admitiu o pagamento indevido do tributo; o o bem importado objeto da DI em questão é mercadoria sobre a qual não incide o IPI; significa que não pode a recorrente se creditar dos valores cobrados a titulo de IPI; conseqüentemente, jamais poderia tê-los transferido a terceiros, restando cristalinamente comprovada a assunção do encargo; a seda desnecessária a produção de qualquer prova sobre a assunção do encargo financeiro, pois o ônus de provar que a recorrente não o assumiu é da fiscalização Pelo exposto, requer seja refbnnado o acórdão da URI, modificando-se a decisão que indeferiu o direito ao crédito pleiteado. É o relatório, Processo n" 11128 004961/2001-62 S3-C2T2 Acórdào n." 3202-00,126 Fl. 195 Voto Conselheiro JOSÉ. LUIZ NOVO ROSSARI, Relator O recurso interposto pela interessada é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento Trata-se de recurso contra decisão de primeira instância que denegou o pedido de restituição por entender não satisfeita a comprovação do requisito de assunção do encargo financeiro do imposto, de que trata o art 166 da Lei n il 5.172/66 (CTN). Vê-se que em fase inicial do processo, ainda em nível de apreciação por parte da autoridade local, houve abertura de MPF com o objetivo de prestar as informações necessárias ao cumprimento da diligência solicitada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da Alfândega da Receita Federal no Porto de Santos, de verificação da efetiva assunção do encargo financeiro do imposto. Para efeitos dessa diligência, o Fisco efetuou reiteradas intimações, com os resultados que seguem: a) Termo de Intimação n' 1, de 24/4/2006 (ff 45), em que é solicitada a comprovação da manutenção no Ativo do imposto que pretende recuperar, com cópia das folhas onde constem os lançamentos no livro Diário atualmente: a interessada respondeu que os documentos requeridos ainda não foram localizados e solicitou prorrogação do prazo em 20 dias para atender ao solicitado (fl. 79). b) Termo de Reintimação nn 2, de 16/5/2006 (fl. 80), em que é novamente solicitada a comprovação da manutenção no Ativo do imposto que pretende recuperar, com cópia das folhas onde constem os lançamentos no livro Diário atualmente: a interessada declara que não se credita nem transfere o IPI a terceiros, não possuindo livro de Registro de Apuração do IPI, ficando impossibilitada de fazer tal comprovação; e apresenta à fl. 89 lançamento do valor pleiteado no livro Diário if 1309, encerrado em 31/3/2000, a débito da conta 124900.3, e a crédito da conta 1801004, cujo histórico é descrito como "PE 563051 000000710904126000". c) Termo de Intimação 1-12 .3, de 5/6/2006 (II 113), em que é novamente solicitada a comprovação da manutenção no Ativo do imposto que pretende recuperar, onde constem os lançamentos atuais do livro Diário (reintimação dos Termos anteriores); a interessada apresenta Nota Fiscal de transferência da mercadoria para outro estabelecimento seu, que efetuou a venda do produto para terceiros em 52 operações conforme notas fiscais que discrimina, d) Termo de Reintimação ri 4, de 29/6/2006 (fl. 120), em que é solicitada a apresentação de folhas do livro Razão onde constem os lançamentos da conta "IPI a Recuperar" e, novamente, a comprovação da manutenção em conta do Ativo do imposto que pretende recuperar, onde constem os lançan entos 5 Processo n" 11128 004961/2001-62 53-C212 Acórdão o " 3202-00J26 Fl [96 atuais do livro Diário (reintimação do pedido anterior). Em relação a essa Reintimação não houve resposta da interessada. Em vista dos fatos o Fisco lavrou o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, com ciência à interessada, no qual ficou registrado o desatendimento de todas as intimações e reintimações acima descritas. Trazidas essas informações, cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no art. 166 do CTN I , referente à prova de assunção da encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa e que tem amparo pacífico nas esferas judicial e administrativa, Destarte, não se trata de exigência desmedida do Fisco, porque decorrente de lei expressa nesse sentido. E diversamente do que alega a recorrente, o referido requisito não diz respeito a eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido do imposto. Aliás, resta claro nos autos do processo que o imposto foi pago indevidamente, não tendo havido qualquer manifestação contrária do Fisco quanto a esse fato. A prova de assunção do encargo a que se refere o art. 166 do CIN tem a ver com a apresentação de informações e documentos que demonstrem, de forma inequívoca, que o imposto pago indevidamente pelo contribuinte de direito não foi transferido a terceiros adquirentes da mercadoria. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. A matéria é disciplinada inclusive na Súmula 546 do STF, que prevê a restituição ao primeiro somente quando reconhecida a não recuperação do imposto, 2 O fato de que se trata de operação em que não houve o crédito do IPI não é prova bastante de suporte do encargo para os efeitos pretendidos na norma prevista no CTN, As normas que regem o crédito do IPI são diversas das que tratam da assunção do encargo financeiro, pertinentes à restituição do indébito tributário. De mais, independentemente da possibilidade ou não de crédito fiscal, o encargo financeiro pode ser transferido a terceiros incluído no custo de venda. A recorrente trouxe documentos insatisfatórios para o fim pretendido.. Senão, vejamos: a) Quanto ao lançamento do valor pleiteado no livro Diário d . 1309 (ff. 89), encenado em 31/3/2000, a débito da conta 1249003, e a crédito da conta 1801004, cujo histórico é descrito como "PE 563051 000000710904126000": vê-se que o histórico não traz informações a respeito da operação, enquanto que a conta de débito diz respeito a "sIst VENDAS E CONTAS A RECEBER" de conformidade com a nomenclatura adotada em seu plano de contas, o que não é compatível com registro contábil pertinente a impostos a serem ,'Art 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la," 2 "Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte 'de jure' não recuperou do contribuinte 'de facto' o 'quantum' respectivo." 6 Processo n" 11128 004961/2001-62 s3-C2T2 Aeó: dão o ." 3202-00.126 ri 97 ressarcidos, que requerem conta destacada nesse sentido. Já quanto à conta de crédito não foi apresentada a nomenclatura correspondente; b) A nota fiscal de transferência para outro estabelecimento, bem como a relação de notas fiscais de revenda não fazem prova, visto que para tanto deveria ter havido exame detalhado e correlato com as saídas anteriores à operação de importação, que viesse a demonstrar a inequívoca manutenção de preços habituais; e c) Quanto ao lançamento na conta Razão "107900005 — OUTROS IMP. E TAXAS A RECUPERAR" descrito como "RPE 710 9 04 126 00", que alega significar "Relatório de Pagamentos Especiais ng- 710 9 04126 00 O", pertinente ao documento juntado à fl. 129 que descreve a operação de importação do produto, a exigência fiscal do IPI, o valor pago e a data do vencimento desse tributo: verifica-se se tratar de lançamento que foi efetuado somente em .301612006, anos depois da importação e também em momento posterior às reiteradas intimações feitas pelo Fisco em diligência fiscal para a apuração da assunção do encargo financeiro referente ao imposto pleiteado Mostra também que no balanço anual posterior à operação de importação, feita em 2000, tal valor não constava em conta específica de "impostos e taxas a recuperar" ou conta destacada similar, Vale dizer, o lançamento a débito de impostos a recuperar foi feito havia mais de seis (6) anos após o desembaraço aduaneiro e a entrada da mercadoria em estabelecimento da recorrente; assim, já por ocasião da protocolização do pedido não havia a recorrente feito os lançamentos que seriam apropriados para satisfazer a prova requerida. Destarte, resta claro que os elementos acima apreciados demostram que a recorrente não laborou na adoção de técnica contábil apropriada para satisfazer ao requisito exigido em lei. Finalmente, ao contrário do que entende a recorrente, o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no art. 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis, descabendo a alegação de que tais providências devem ser tomadas pelo sujeito ativo da obrigação tributária, Mesmo assim, o Fisco laborou na instrução do processo a partir de diversas intimações e reintimações, por tempo suficiente para que a interessada viesse a apresentar os elementos e documentos requeridos, conforme se verifica no inicio deste voto, sem que tenha respondido satisfatoriamente aos quesitos. A comprovação do requisito pode não se esgotar em um ou outro quesito aqui apreciado, de forma isolada, no entanto, há necessidade de que o conjunto probatório seja inequívoco no sentido de que o requisito de lei esteja perfeitamente atendido. E as providências da recorrente não dão a convicção suficiente para que se entenda satisfeito o requisito previsto no art. 166 do CTN, condição básica para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado Diante do exposto, voto por que se negue provimento ao recurso, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSAR1 7 Processo o" 11128.004961/2001-62 S.3-C212 Acórdào ii" 3202-00,126 PI 198 8
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001231/2002-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2002
DECISÃO. ANULABILIDADE. INADEQUAÇÃO DA DECISÃO AOS FATOS E AO DIREITO DISCUTIDOS DO PROCESSO.
Há que se anular a decisão que não tem correspondência com os fatos e com o direito discutidos no processo. Recurso da Fazenda Nacional conhecido e provido para a anular a decisão a quo.
Numero da decisão: 9303-001.975
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão nos embargos de declaração, p/ que nova decisão seja proferida pela turma recorrida.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2002 DECISÃO. ANULABILIDADE. INADEQUAÇÃO DA DECISÃO AOS FATOS E AO DIREITO DISCUTIDOS DO PROCESSO. Há que se anular a decisão que não tem correspondência com os fatos e com o direito discutidos no processo. Recurso da Fazenda Nacional conhecido e provido para a anular a decisão a quo.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão nos embargos de declaração, p/ que nova decisão seja proferida pela turma recorrida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 773 1 772 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10665.001231/200241 Recurso nº 153.858 Voluntário Acórdão nº 930301.975 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2012 Matéria IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida NACIONAL DE GRAFITE LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2002 DECISÃO. ANULABILIDADE. INADEQUAÇÃO DA DECISÃO AOS FATOS E AO DIREITO DISCUTIDOS DO PROCESSO. Há que se anular a decisão que não tem correspondência com os fatos e com o direito discutidos no processo. Recurso da Fazenda Nacional conhecido e provido para a anular a decisão a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão nos embargos de declaração, p/ que nova decisão seja proferida pela turma recorrida. Otacílio Dantas Cartaxo _ Presidente da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Fl. 0DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF: Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela DRJ em Santa Maria/RS, uma vez que a decisão nele consubstanciada manteve o indeferimento do direito ao ressarcimento/compensação de créditos básico de IPI apurado no 1º trimestre de 1999 ao 2° trimestre de 2002, apresentado em 19/09/2002, em que a Recorrente visava o aproveitamento com base no art. 11 da Lei 9.779/99 e da Portaria MF número 33/99. Consta dos autos relatório de auditoria fiscal realizada com o objetivo de averiguar a procedência das solicitações de Ressarcimento de IPI relativas aos créditos básicos, com base no artigo 11 da Lei 9.779/99, artigos 165, 178 e 179 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados — RIPI, relativos aos processos administrativos relacionados no quadro abaixo: No Processo Período/Tipo de Crédito Valor Período Fls. 10665.000726/200333 1° TRIM/1998 Presumido 87.976,19 1 10665.000727/200388 2° TRIM/1998 Presumido 79.573,63 1 10665.000729/200377 3° TRIM/1998 Presumido 95.129,56 1 10665.000728/200322 4° TRIM/I 998 Presumido 58.643,31 1 10665.001234/200264 I ° TRIM/1999 e 10/2000 a 2° TRIM/2002 — Presumido 1.192.403,26 10665.001231/200241 1 ° TRIM/1999 A 2° TRIM/2002 — BASIC() 189.844,85 TOTAL 1.703.570,80 A auditoria concluiu que: "os valores do IPI escriturados nos livros de Registro de Apuração de IPI se referem aos insumos utilizados no.processo produtivo de produtos tributáveis, em obediência aos dispositivos legais que excluem a possibilidade do aproveitamento dos Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10665.001231/200241 Acórdão n.º 930301.975 CSRFT3 Fl. 774 3 créditos de insumos aplicados a produtos/mercadorias comercializados fora do campo de incidência do Imposto de Produtos Industrializados — IPI (não tributados — NT)”. Extraise, também, do referido relatório: "Item 7 As vendas de produtos industrializados com tributação de IPI são destinadas ao mercado interno e representam menos de 1% do total das vendas da empresa, cuja quase totalidade se refere a produtos não tributados NT. Todos os créditos de insumos aplicados nesses produtos tributáveis foram aproveitados no livro Registro de Apuração de IPI, com apuração de pequenos saldos devedores na maior parte dos períodos abrangidos por esta verificação (janeiro/1998 a dezembro de 2002) os quais foram recolhidos corretamente, sem apresentar saldo credor disponível a ressarcir.” No item 8 do relatório do mencionado relatório elaborado pelos auditores da Receita Federal do Brasil, mencionam: "O processo 10665.001231/200241 se refere a créditos básicos de insumos aplicados a produtos "NT", cujo pedido não tem respaldo legal, como citado no item 5 acima, objeto de proposta de indeferimento." A decisão recorrida manteve "in totum” o despacho negatório, sob a fundamentação de que a fabricação e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da COFINS. O inconformismo da Recorrente reside no fato de que o art. 5º do Decretolei 491/69, assegura a manutenção e utilização do crédito do relativo as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. Inobstante seus produtos finais serem considerados "não tributados", é correto o procedimento de escrituração dos créditos do imposto pago na etapa anterior, mediante o destaque contido nos documentos fiscais emitidos pelos fornecedores. Sustenta, também, em suas razões recursais, que ela é adquirente de vários insumos, a titulo de exemplo menciona: "Grafita Natural", "Fluereto de Hidrogênio", "Granalha de Ferro", "Silicatos Metassilicatos", "Sufato de Alumínio", os quais são utilizados no processo de industrialização de grande parte dos produtos finais, e por sua vez são destinados ao mercado externo e, estes classificados como "não tributados", sendo o caso do "Grafite Natural em Pó”, tipificado como sendo NCM 2504.10.00. Entendem a Recorrente (sic) que a legislação aplicável não faz ressalva em relação ao tipo de produto final produzido, de modo que, a fruição do beneficio não encontra condicionada aos produtos tributados pelo IPI, pois a lei se refere tãosó “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais”. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Traz à colação em socorro de sua tese alguns Acórdãos da CSRF, que assegura as empresas exportadoras o direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ainda que adquiridos de fornecedores não contribuintes do PIS/COFINS. [Que digase de passagem,. não é o tema do presente processo] Por derradeiro requer seja conhecido e provido o recurso. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF proferiu decisão (fls. 722/ que foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2002 Os créditos de IPI oriundos das aquisições destacados nos documentos fiscais, devem ser mantidos na escrita fiscal. Recurso provido em parte. A Procuradoria interpôs, às fls. 731/732, embargos declaratórios alegando contradição entre ementa e voto do acórdão. Os embargos foram conhecidos, tendo sido “negado provimento aos embargos interpostos” (fls. 734735), e o novo Acórdão nº 340300.306, recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/03/1999, 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. 0 produtor e exportador de produtos nãotributados no mercado interno tem direito ao crédito presumido de que trata a Lei n. 9.363/96. BASE DE CALCULO. GOZO DE INCENTIVO FISCAL. IPI. EXPORTAÇÃO. A exigência contida no art. 1° da Lei n° 9.363/96 em relação as variáveis que devem compor a base de cálculo é de que tenha incidido as contribuições sociais quando da aquisição dos insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens), adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Embargos Rejeitados. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou, às fls. 738/746, recurso especial por divergência, em face do Acórdão nº 210100.199 aditado pelo Acórdão nº 3403 00.306. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10665.001231/200241 Acórdão n.º 930301.975 CSRFT3 Fl. 775 5 A divergência argüida referese à concessão, ao contribuinte, do direito de apurar crédito presumido de IPI em relação à exportação de produtos NT. O recurso foi admitido pelo presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 768. O sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, admitido conforme acima mencionado, em boa forma. Há uma questão que deve ser enfrentada antes da análise do mérito. Isto porque os embargos de fls. 731/732, que resultaram em novo acórdão, embora rejeitados, deram novo entendimento à matéria, impondo efeitos infringentes e trazendo tema de fato e de direito estranho à discussão do presente processo (crédito presumido do IPI com base na Lei nº 9.363/63). Assim, em virtude da total inadequação do julgado dos embargos consubstanciado no Acórdão 340300.306 da 4ª Câmara da 3ª Turma Ordinária (fls. 734735) ao que se contêm no processo, o qual resultou em recurso especial da PGFN tendo por base o referido Acórdão, entendo que deve ser anulado o Acórdão nº 340300.306 e que o feito seja devolvido à 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF para que profira novo julgamento em sede de embargos, restringindose à matéria objeto da lide, reabrindo depois o prazo para que a PGFN e o Contribuinte se manifestem em termos recursais. Em vista do exposto dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, anulando a decisão consubstanciada no Acórdão nº 340300.306, para que seja proferido novo julgamento, com todos os efeitos daí decorrentes. Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 13933.000037/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE
Correta a decisão denegatória de pedido de ressarcimento quando os valores já foram solicitados em processo anterior.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.868
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE Correta a decisão denegatória de pedido de ressarcimento quando os valores já foram solicitados em processo anterior. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 10/02/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño, Judith do Amaral Marcondes Armando, Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 2 Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS Não Cumulativo Exportação (fls. 01/32), protocolado em 14/04/2005, relativo ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestre de 2003 e 2004, com fundamento na Lei n° 10.637/2002. Posteriormente, em 02/02/2006, a contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação de fls. 39/44, na qual consigna utilização de parcela do referido crédito. A DRF em Ponta Grossa/PR, em cumprimento à liminar concedida no Mandado de Segurança n° 2006.70.09.004151 7/PR (fls. 45/49), determinando que se procedesse, no prazo de trinta dias, ao exame dos pedidos de ressarcimento formulados pela interessada entre dezembro de 2004 a abril de 2005, proferiu, em 14/11/2006, o Despacho Decisório de fls. 50/52, que resolveu por indeferir o pedido de ressarcimento, em face da falta de documentação comprobatória do crédito pleiteado e, por conseguinte, não homologar as compensações constantes da DCOMP de fls. 39/44. A ciência desse despacho foi dada à contribuinte em 21/11/2006 (fl. 54). Em 20/12/2006, a interessada apresentou um pedido de revisão de ofício da referida decisão, à fls. 55/56, o qual foi indeferido, consoante despacho de fls. 64/65, vez que não se vislumbrou qualquer motivo que ensejasse a aplicação do art. 149 do CTN. Além disso, foi destacado que a contribuinte abdicou da faculdade que lhe foi concedida para apresentar manifestação de inconformidade ao despacho decisório de fls. 50/52, conforme previsto no art. 15 do Decreto n° 70.235/72. Às fl. 68, consta o pedido de cancelamento da DCOMP de fls. 39/44; e às fl. 69, o encaminhamento do presente processo à GRA/ARQVO/PR para arquivamento. Prosseguindo, verificase, às fls. 70/75, que a contribuinte também impetrou o Mandado de Segurança n° 2009.70.09.0010560, em que foi deferida a liminar para determinar que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa impulsionasse os dezenove processos administrativos relacionados na inicial (protocolados em 14/06/2007 e 23/11/2007 fls. 71/72), terminando sua instrução e proferindo decisão final em cento e vinte dias, sendo noventa dias para formulação de eventuais exigências necessárias à instrução e trinta dias para prolação de decisão final. Em cumprimento, foram expedidas as intimações de fls. 140/143 e 297/298, para que a contribuinte apresentasse a documentação solicitada necessária ao exame dos mencionados 19 pedidos de ressarcimento, protocolados em 14/06/2007 e 23/11/2007. O que foi atendido, consoante documentos juntados às fls. 145/302. Ocorre que no curso da análise do direito creditório, constatou se que o crédito de PIS solicitado nos Pedidos de Ressarcimento 28886.8826.140607.1.1.087841, 0661.89701.140607.1.1.08 6970, 16320.15805.140607.1.1.089655, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 13933.000037/200571 Acórdão n.º 3201000.868 S3C2T1 Fl. 397 3 08427.51899.140607.1.1.080096, 28478.86164.140607.1.1.08 5619, 25195.79348.140607.1.1.082803, 32255.06329.14067.1.1.081022, 20671.68177.140607.1.1.08 1282 (fls. 108/139), transmitidos em 14/06/2007, é o mesmo daquele formalizado à fls. 01/32, protocolado em 14/04/2005, qual seja, créditos de PIS Não Cumulativo Exportação, relativo ao 1°, 2°, 3° e 4" trimestre de 2003 e 2004. Diante disso, os retrocitados pedidos passaram a ser trabalhados neste processo, razão pela qual foi exarado o Despacho Decisório de fls. 303/305, cuja conclusão foi no sentido de indeferir os pedidos de ressarcimento de fls. 108/139, considerando que já houve a decisão administrativa definitiva quanto ao ressarcimento de PIS não cumulativo do primeiro ao quarto trimestre de 2003 e 2004, pois a interessada não apresentou a manifestação de inconformidade contra o indeferimento m nifesto no Despacho Decisório de lis. 50/52, que originalmente analisou o mesmo pleito. Cientificada do Despacho decisório de fls. 303/305 em 25/09/2009, a contribuinte ingressou, em 23/10/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 307/311, na qual, em síntese, contesta o entendimento de que se repetiu o pedido anterior, indeferido por deficiência na documentação apresentada, sem que houvesse o julgamento do mérito da questão. Defende que o primeiro pedido, se fez coisa julgada, foi de natureza formal, podendo ser renovado a qualquer tempo, desde que não operada a decadência. Requer, assim, seja apreciado o mérito dos pedidos de ressarcimento e reformada a decisão guerreada. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CTA n.º 25.121, de 20/01/2010, fls. 319/320: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE. A duplicidade de pedidos, caracterizada pela apresentação de uma nova solicitação relativa ao mesmo direito creditório, impõe o indeferimento daquele mais recente em face da mencionada duplicidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 4 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O processo discute pedido de restituição de PIS. Como bem apurado pela decisão recorrida, a recorrente neste pleito busca em duplicidade valores já objeto de outro pedido de restituição: Outrossim, temse que, indubitavelmente, a contribuinte pede o mesmo direito creditório nos Pedidos de Ressarcimento 28886.8826.140607.1.1.087841, 0661.89701.140607.1.1.08 6970, 16320.15805.140607.1.1.089655, 08427.51899.140607.1.1.080096, 28478.86164.140607.1.1.08 5619, 25195.79348.140607.1.1.082803, 32255.06329.14067.1.1.081022, 20671.68177.140607.1.1.08 1282, transmitidos em 14/06/2007 e, juntados ao presente processo, às fls. 108/139, pela identidade de pleito (créditos de PIS NãoCumulativo Exportação, relativo ao 1°, 2°, 3 0 e 4° trimestre de 2003 e 20042004). Com efeito, na medida em que a contribuinte apresentou novo pedido relativo ao mesmo direito creditório, não há outra medida a ser adotada que não o indeferimento do segundo pedido, com fundamento na verificação da duplicidade de pedidos. Assim, não pode ser dado provimento ao recurso interposto, muito menos debatido qualquer tema, já que inexiste crédito a ser ressarcido neste processo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 26 de janeiro de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE
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Numero do processo: 10707.000871/2008-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
ANO-CALENDÁRIO:
2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITA - A
ausência de contabilização de receitas da
empresa caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de ofício sobre as
parcelas subtraídas ao crivo do imposto, sem prejuízo da tributação sobre o
lucro apurado. É legítima a imposição de arbitramento quando constatada a
omissão do registro, obtida mediante informação das empresas pagadoras.
PROCEDIMENTO FISCAL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA E
ARBITRAMENTO DE LUCROS - Sendo
a aplicação desses instrumentos
prerrogativa da Fazenda Pública como salvaguarda do crédito tributário, não
pode o contribuinte reclamar a aplicação para furtarse
ao pagamento do justo
valor do imposto.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS.
Aplica-se
as exigência ditas decorrentes o que foi decido em relação à
exigência matriz nos casos de íntima relação de causa e efeito entre elas.
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO
NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para
se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº
2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para
discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a
constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida
ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa
dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela
própria Constituição Federal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1803-001.299
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto
que acompanham o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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É legítima a imposição de arbitramento quando constatada a omissão do registro, obtida mediante informação das empresas pagadoras. PROCEDIMENTO FISCAL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA E ARBITRAMENTO DE LUCROS Sendo a aplicação desses instrumentos prerrogativa da Fazenda Pública como salvaguarda do crédito tributário, não pode o contribuinte reclamar a aplicação para furtarse ao pagamento do justo valor do imposto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Aplicase as exigência ditas decorrentes o que foi decido em relação à exigência matriz nos casos de íntima relação de causa e efeito entre elas. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Recurso negado. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10707.000871/200895 Acórdão n.º 1803001.299 S1TE03 Fl. 564 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 1221.957 proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro I RJ, constante das fls. 900 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o presente processo de exigência fiscal formulada à interessada acima identificada, por meio dos autos de infração do imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, de fls. 725/736 e 750/758, nos valores de, respectivamente, R$ 21.874,97 de imposto e R$ 16.406,21 de multa e R$ 21.582,14 de imposto e R$ 32.373,20 de multa; dos autos de infração da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, de fls. 737/747 e 779/786, sendo que o de fls. 737/747 reduziu os valores de contribuição a compensar ou a serem restituídos referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004 ao montante total de R$ 51,99; enquanto o de fls. 779/786 exige crédito tributário no valor de R$ 9.711,97 de contribuição e R$ 14.567,93 de multa; do auto de infração da contribuição para o PIS/Pasep, de fls. 759/768, no valor de R$ 5.845,08 de contribuição e R$ 8.767,56 de multa; e do auto de infração da contribuição para o financiamento daseguridadesocial Cofins, de fls. 769/778, no valor de R$ 26.977,67 de contribuição e R$ 40.466,46 de multa; todos acrescidos, ainda, de juros de mora. 2. O procedimento é decorrente de ação fiscal promovida pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro Defic/RJ, que, relativamente a todos os períodos de apuração trimestrais dos anoscalendário de 2003 e 2004, apurou omissão de receitas e concluiu pelo arbitramento do lucro. O arbitramento se deu em virtude de a interessada, submetida à tributação pela sistemática do lucro presumido, não ter apresentado à fiscalização, quando intimada para tal, os livros e documentos de sua escrituração, sendo que o Livro Caixa apresentado não contempla toda a movimentação financeira. A omissão de receitas, por sua vez, teria sido apurada através de procedimento de circularização junto a clientes da Fl. 564DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10707.000871/200895 Acórdão n.º 1803001.299 S1TE03 Fl. 565 3 interessada, que em atendimento às intimações forneceram as notas fiscais emitidas pela mesma nos anos de 2003 e 2004, tendo sido constatada a omissão de receitas nos montantes de R$ 554.884,89 em 2003 e R$ 344.373,35 em 2004. 3. No termo de verificação e constatação fiscal de fls. 720/723, a fiscalização esclarece que por problemas operacionais no aplicativo "Safira", que emite os autos de • infração, os lançamentos do IRPJ e da CSLL foram desdobrados em dois autos de infração: um contemplando as receitas declaradas pela interessada, sobre o qual se incidiu a multa de oficio no percentual de 75%; e outro com as receitas omitidas, com aplicação de multa de 150%, em virtude de ter sido constatado o evidente intuito de sonegação. Os lançamentos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por terem como único fundamento a omissão de receitas com multa qualificada, foram materializados em um único auto de infração para cada contribuição. 4. Os lançamentos foram assim fundamentados: 4.1. IRPJ: inciso III do art. 530; art. 532 e art. 536 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99). 4.2. CSLL: art. 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 20 da Lei n° 9.249/95; art. 29, inc. II, da Lei n° 9.430/96 e art. 37 da Lei n° 10.637/2002. 4.3. PIS: artigos 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/70; art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95; artigos 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02. 4.4. Cofins: artigos 2°, inciso II e parágrafo único, 3 0, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02. 5. Sobre o arbitramento efetuado com base nas receitas declaradas pela interessada incidiu a multa de ofício no percentual de 75%, conforme determina o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96; enquanto o arbitramento com base nas receitas omitidas foi efetuado com aplicação de multa de 150%, em virtude de ter sido constatado o evidente intuito de sonegação, na forma do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96. 6. Inconformada com a exigência, a interessada impugnou os lançamentos através da petição de fls. 792/810, acompanhada dos documentos de fls. 811/891, na qual alega, em síntese, o seguinte: 6.1. Que já teria ocorrido a decadência parcial do lançamento, atingindo os fatos geradores ocorridos anteriores a junho de 2003, à vista do que dispõe o § 4° do art. 150 do CTN; 6.2. Que o arbitramento levado a efeito pela fiscalização lhe penaliza indevidamente, uma vez que diante do extravio de sua documentação fiscal cumpriu todas as exigências previstas na legislação para se eximir de eventual responsabilidade pecuniária. Alega a interessada que ficou impossibilitada de apresentar a documentação fiscal requerida pela Fazenda Nacional exclusivamente em função do extravio da mesma, e que somente com a falta injustificada de apresentação dos livros e documentos é que estaria sujeita ao arbitramento; 6.3. Que a fiscalização já havia identificado e quantificado, relativamente ao mesmo período de apuração e no mesmo procedimento de fiscalização, diferenças de receitas não lançadas em suas declarações de rendimentos, as quais forma objeto Fl. 565DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10707.000871/200895 Acórdão n.º 1803001.299 S1TE03 Fl. 566 4 de lançamento de oficio. Assim, não haveria qualquer justificativa para o arbitramento do lucro, sob pena de ser compelida ao pagamento do IRPJ e da CSLL em valores maiores que os devidos nos exercícios de 2003 e 2004. Ademais, tendo em vista que a fiscalização logrou apurar suas efetivas receitas, após minucioso trabalho de circularização junto a seus clientes, não cabe a aplicação do arbitramento do lucro, procedimento que é medida extrema e somente deve ser utilizado quando for impossível a apuração dos resultados tributáveis; 6.4. Que a multa aplicada sobre o crédito tributário principal tem efeito confiscatório sobre seu patrimônio. Neste sentido, é inconstitucional, pois contraria o princípio constitucional do nãoconfisco, e deveria ser reduzida para percentual condizente com o estampado no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988”. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro I RJ, na sessão de 27/11/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1221.957 entendendo “por unanimidade de votos, os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro — I, julgar PROCEDENTES os lançamentos efetuados referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, exercícios de 2004 e 2005, para considerar devido o imposto de renda da pessoa jurídica — IRPJ, no valor de originário de R$ 21.874,97 de imposto; assim como reduzidos os valores da contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL a compensar ou a serem restituídos, referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, ao montante total de R$ 51,99. Sobre os valores de créditos tributários exigidos incidirão a multa de oficio no percentual de 75% e demais acréscimos moratórios”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, descabe falar em decadência se a constituição do crédito tributário se deu antes de transcorridos 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores autuados. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. A lei autoriza o Fisco a fixar os lucros tributáveis, mediante arbitramento, quando o contribuinte não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004 DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ, dito principal, deve ser aplicado aos que tenham sido efetuados por mera decorrência daquele. Lançamento Procedente”. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10707.000871/200895 Acórdão n.º 1803001.299 S1TE03 Fl. 567 5 Cientificada da decisão de primeira instância em 19/12/2008 (AR fls. 918), a CAOLIM AZZI LTDA., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1221.957, recorre em 16/01/2009 (919 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da impugnação (fls. 792 e segs). Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Adentrando na questão principal dos autos, vejo que o Recurso Voluntário trata de dois temas: a) Da impossibilidade de utilização do arbitramento; e b) Da impossibilidade de aplicação de multa confiscatória. Porém, a Recorrente não apresenta (nem na impugnação, muito menos no Recurso Voluntário) dados que possam fundamentar a não utilização do arbitramento pela autoridade fiscal. Entendo ser essa a razão que levou a 5ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro I – RJ a “julgar PROCEDENTES os lançamentos efetuados referentes aos anos calendário de 2003 e 2004, exercícios de 2004 e 2005, para considerar devido o imposto de renda da pessoa jurídica — IRPJ, no valor de originário de R$ 21.874,97 de imposto; assim como reduzidos os valores da contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL a compensar ou a serem restituídos, referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, ao montante total de R$ 51,99. Sobre os valores de créditos tributários exigidos incidirão a multa de oficio no percentual de 75% e demais acréscimos moratórios”. Vejo que a Recorrente, não se sabe o porquê, mesmo tendo recebido o Mandado de Procedimento Fiscal n° 06.1.04.002007003600, não apresentou a totalidade dos documentos solicitados pela fiscalização, o que gerou alguns termos de reintimação e embaraço a fiscalização (fls. 467 e segs). E, diante deste cenário, afirma a Recorrente às fls. 489: “Em resposta ao termo de intimação fiscal datado de 16/07á007 e do qual tomamos ciência em 23/07/2007, informamos tempestivamente o seguinte: 1. Os livros fiscais solicitados por V.Sas não poderão ser apresentados, pois encontramse extraviados. Na época, foram cumpridas todas as formalidades previstas no Art. 264 § 1º do RIR mi art. 10 do DecretoLei n°486, de 03/03/1969. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10707.000871/200895 Acórdão n.º 1803001.299 S1TE03 Fl. 568 6 2. Os demonstrativos detalhados das duplicatas emitidas pela empresa e endossadas aos sócios Maria Clara Ferreira Neto Menescal e Sérgio Arthur Menescal, bem como planilhas de cálculos dos rendimentos de aplicações financeiras decorrentes de tais operações, comprovando mediante documentação hábil as datas e valores que acarretaram tais créditos, dos períodos que dispúnhamos, de 01/01/2002 em diante foram encaminhadas a V.Sas em 10/04/2007 e recebidos em 17/04/2007, conforme o AR em nosso poder. 3. As cópias dos cheques emitidos, recibos de depósitos, extratos bancários, etc..., referentes aos mutuantes devem ser solicitados diretamente a eles, pois não temos acesso aos mesmos”. Na verdade esse procedimento da Recorrente em não apresentar os documentos solicitados é reincidente em vários momentos do processo. Por isso outra decisão não coube à autoridade fiscalizadora senão proceder com o arbitramento. O recurso apresentado pela Recorrente, constante das fls. 919 e segs, não contesta os argumentos da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro I – RJ, nem tampouco apresenta elementos que comprovem que a conduta, apontada pela fiscalização como passível de autuação, não tenha ocorrido. Essa posição é reforçada nos documentos juntados ao recurso. Na verdade o mesmo aconteceu quando da impugnação ao lançamento tributário, que não trouxe nenhum argumento, simplesmente requereu afirma não ser possível a utilização do arbitramento; bem como também não ser possível a aplicação de multa confiscatória. Entendo que pela análise dos autos, constatase que ao fisco não coube alternativa senão aquela de arbitrar o lucro, uma vez que o sujeito passivo limitouse a apresentar apenas partes dos livros e documentos solicitados, mesmo sendo reiteradamente intimado para fazêlo. Contudo, vejo que a base de cálculo não merece críticas, uma vez que a fórmula adotada pelo fisco encontra amparo na legislação pátria. Com uma breve análise dos autos percebese que o fisco determinou a base de cálculo considerando como sendo conhecida a renda bruta do sujeito passivo, a partir de informações prestadas pela Recorrente. Diante de tudo que consta nos autos, podemos constatar, smj, que a Recorrente não observou um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal: O Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. O Principio da Legalidade determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe. Já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10707.000871/200895 Acórdão n.º 1803001.299 S1TE03 Fl. 569 7 Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. Assim, na falta de outros elementos, as informações prestadas parcialmente pela Recorrente têm inteiro acolhimento para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de arbitramento do lucro. Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar o arbitramento aplicado pela autoridade fiscalizadora, não vejo como reparar a decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro I – RJ. Por esse motivo e observando tudo que consta nos autos (principalmente da falta de argumentos e provas no recurso), voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter o arbitramento do lucro; e, consequentemente, manter a decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro I – RJ e declarar válida a imposição tributária referente ao IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 569DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
score : 1.0
Numero do processo: 13709.000345/2006-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2007
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 1801-001.084
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Maria de Lourdes Ramirez. Participou do julgamento o Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Maria de Lourdes Ramirez. Participou do julgamento o Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13709.000345/200631 Acórdão n.º 180101.084 S1TE01 Fl. 94 2 Relatório A Recorrente formalizou em 15.05.2003 o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), fl. 01, a partir de 01.01.2006, ao argumento de que preenche os requisitos legais desde o início de suas atividades. vem mui respeitosamente solicitar à V. Sa que se digne autorizar o enquadramento no SIMPLES, embora subsista vedação da atividade da empresa, atendendo Sentença de Mérito obtida pelo SINDELIVRE/RIO na 18ª Vara Federal em Mandado ,de Segurança n.° 99.00094069, já transitado em juizado, favorável aos filiados do SINDELIVRE/RIO no Estado do Rio de Janeiro, conforme cópias que segue em anexo, inclusive declaração de filiação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro — SINDELIVRE/RIO. Cabe ressaltar, que o Mandamus abrange a todos os filiados do SINDELIVRE/RIO. Nestes Termos, P. Deferimento Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 43, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido de inclusão retroativa fundamentado no fato de que a Recorrente não consta na listagem dos associados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro – Sindelivre/Rio (processo nº 10768.007236/9971) e por esta razão não está amparada pela medida judicial. Cientificada em 07.06.2006, fl. 47verso, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 01.09.2004, fls. 5253, e depois de tecer esclarecimentos sobre as fases do processo judicial apresenta as seguintes alegações Não procede o indeferimento [...] A primeira no sentido de que a inclusão solicitada foi indeferida pelo fato de que o juízo a quo (18 vara federal do Rio de Janeiro) do Mandado de Segurança 99.00094069 (que já transitou em julgado) ter decidido em 20/10/2005 "não caber razão ao Sindelivre, quando afirma que todos os seus associados são beneficiários da segurança concedida", mas deixa claro no parágrafo seguinte que desta decisão judicial estava pendente julgamento de Agravo de instrumento interposto pelo Sindelivre/Rio. Todavia, após o indeferimento administrativo acima, o Agravo foi julgado no último dia 23 pela 4a Turma do TRF, a qual julgou o Agravo de Instrumento provido por unanimidade, decidindo que todos os filiados tem direito ao SIMPLES sem limitação temporal (doc.anexo). Cabe para elucidar, citar novamente a Ementa: O entendimento do julgado é de que o Sindicato impetrante, ora agravante, tem o direito liquido e certo ao postulado, uma vez que a natureza da ação no mandado de segurança coletivo aplicase a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13709.000345/200631 Acórdão n.º 180101.084 S1TE01 Fl. 95 3 A Segunda no sentido de que a requerente não estava filiado a época do ajuizamento da ação e por conseguinte não constar na relação de substituídos do Writ impetrado pelo Sindelivre/Rio, além de na época não existir tal obrigatoriedade de este fato que também não foi contestado no decorrer do processo pela Receita Federal em nenhum momento em que teve oportunidade de fazêlo, já foi superada pelo Acórdão do Agravo acima citado. Com efeito a permanência do administrado no regime do SIMPLES garantida mediante provimento jurisdicional, que concedeu a segurança vindicada naquele remédio heróico, data venia, não pode ser afastada por mero ato administrativo, mas apenas cumprida, sob pena de se estar desrespeitando o mandamento judicial. Nesse sentido é o entendimento do Supremo Tribunal Federal, como se infere da decisão abaixo transcrita, proferida em Reclamação interposta contra autoridade que se reacusara a cumprir decisão judicial: “3. De decisão judicial, trânsito em julgado resulta, resulta em favor de seus • beneficiários título de direito que lei posterior ou ato normativo com força de Lei não podem prejudicar I CF art. 50 XXXVI. 4. Diante da decisão judicial, com plena eficácia, não cabe à administração ou ao destinatário de cumprimento do que decidido, a pretender, no âmbito de sua esfera administrativa ou competência, reabrir discussão sobre a matéria e seu mérito, objeto do decisum.(RCL1728/DF , UNÂNIMESTF).” É portanto aplicável a todos os cursos livres, que preencherem a única condição exigida: a de ser filiado. Logo, não admite, interpretação restritiva em ato meramente administrativo. Por último e para encerrar a contenda, não se pode esquecer que a própria V. Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro I, em diversos Acórdãos, em entendimento contrário ao ora adotado deferiu solicitações de NOVOS FILIADOS do Sindelivre/Rio . [...] Vale ressaltar que tal posição não é isolada, vez que, há diversas outras decisões beneficiando os filiados do Sindelivre/Rio neste E. órgão e que seguiram idêntico entendimento no mesmo sentido, como também em diversas decisões de várias agências da Receita federal em todo Rio de Janeiro. A inclusão deve ser retroativa a janeiro de 2006, pois esta foi a data em que a empresa fez o seu primeiro pedido já embasado pelo mandamus impetrado por seu Sindicato. Conclui Por todo exposto, espera e crê a requerente que a presente Solicitação seja provida, com o conseqüente cancelamento dos indeferimentos anteriores, pois é direito do Administrado amparado que está por decisão judicial já transitada em julgado, a opção retroativa a janeiro de 2006 no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, requerendo desde já as anotações de praxe para a regularidade do contribuinte nesse sistema de tributação. Nestes termos, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1214.422, de 14.06.2007, fls. 6570: “Solicitação Indeferida”. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13709.000345/200631 Acórdão n.º 180101.084 S1TE01 Fl. 96 4 Está ementado Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO CONCESSIVA DE SEGURANÇA. A sentença proferida em mandado de segurança coletivo proposto por entidade sindical só produz efeitos em relação aos membros da entidade que estavam filiados à época do ajuizamento da ação. Notificada em 23.09.2008, fl. 74verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.10.2008, fls. 7580, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera seus argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui Por todo exposto, espera e crê a requerente que a presente Solicitação seja provida, com o conseqüente cancelamento dos indeferimentos anteriores, pois é direito do Administrado amparado que está por decisão judicial já transitada em julgado, a opção retroativa a janeiro de 2006 no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, requerendo desde já as anotações de praxe para a regularidade do contribuinte nesse sistema de tributação. Nestes termos, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que discute a matéria em ação judicial. A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação da do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário. Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13709.000345/200631 Acórdão n.º 180101.084 S1TE01 Fl. 97 5 administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial1. Na sentença proferida em 05.07.1999 no Mandado de Segurança Coletivo nº 99.00094069 impetrado pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro – Sindelivre/Rio está registrado, fls. 1217 Sendo assim, há de se afastar a norma contida no inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9317/96, porque estabelece uma discriminação não agasalhada pela Constituição da República. ISTO POSTO, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para CONCEDER A SEGURANÇA e declarar o direito líquido e certo do impetrante de optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, atendidos os demais requisitos previstos no art. 2°. da Lei n° 9.317/96. Em 30.06.01.2006, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro – Sindelivre/Rio expressamente declarou, fl. 11 Na qualidade de Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre nó ,Estado do Rio de Janeiro SINDELIVRE/R10, situado á Av. Treze de Maio, n° 13 Grupo 901/903 Centro Rio de Janeiro, CEP.: 20.031000, CNPJ.:00.194.259/000110, declaro que. META FÍSICA ACADEMIA LTDA., estabelecida na Rua Harà1do' Lobo, n.° 111 — apto. 101 e 102, Portuguesa, Rio de Janeiro/RJ, CNPJ.: 04.795.265/000184, está devidamente filiado a este sindicato e, portanto tem assegurado o direito de opção pelo enquadramento no Regime Tributário Único (SIMPLES Lei n° 9317/96), conforme decisão Judicial da 18a Vara Federal do Rio de Janeiro em Mandado de Segurança n° 99.00094069, já ratificada pelo Acórdão definitivo da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro. Consta no Agravo de Instrumento nº 2005.02.01.0133993 de 23.05.2006 interposto pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro – Sindelivre/Rio contra da União em face da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 99.00094069, fls. 5455 PROCESSO CIVIL AGRAVO DE INSTRUMENTO MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO WITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA EXTENSÃO ASSOCIAÇÕES FILIADAS AO SINDICATO. O entendimento do julgado é de que o Sindicato impetrante, ora agravante, tem direito líquido e certo ao postulado, uma vez que a natureza da ação no mandado de segurança coletivo, aplicase a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação. Assim, no caso em que a matéria objeto do litígio no presente processo está sob o amparo do Poder Judiciário, não pode a Administração Pública afastar o provimento respectivo, tendo em vista o princípio da inafastabilidade da jurisdição (inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal). 1 Fundamentação legal: inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº1. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13709.000345/200631 Acórdão n.º 180101.084 S1TE01 Fl. 98 6 Restou demonstrado que a ação judicial ajuizada pelo substituto processual da Recorrente (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro – Sindelivre/Rio) tem o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, o que importa desistência do recurso voluntário por ela interposto. Ressaltese que à autoridade preparadora compete a execução da decisão judicial. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 112DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11080.001963/2003-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Prejuízo Fiscal. Diferença IPC/BTNF.
Exercício :1991
Ementa: A legalidade do Decreto n° 332/91 é pacifica na esfera judicial e administrativa, razão pela qual é inquestionável a postergação da compensação do valor que decorreu da aplicação do diferencial IPC/BTNF sobre o saldo de prejuízo fiscal existente em 31.12.90.
Numero da decisão: 9101-001.306
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso especial do contribuinte.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Prejuízo Fiscal. Diferença IPC/BTNF. Exercício :1991 Ementa: A legalidade do Decreto n° 332/91 é pacifica na esfera judicial e administrativa, razão pela qual é inquestionável a postergação da compensação do valor que decorreu da aplicação do diferencial IPC/BTNF sobre o saldo de prejuízo fiscal existente em 31.12.90.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 11080.001963/2003-55 Recurso n° Especial do Contribuinte Acórdão no 9101-001.306 — la Turma Sessão de 24 de abril de 2012 Matéria IRPJ Recorrente TERRAMAR CORRETORA DE MERCADORIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Prejuízo Fiscal. Diferença IPC/BTNF. Exercício :1991 Ementa: A legalidade do Decreto n° 332/91 é pacifica na esfera judicial e administrativa, razão pela qual é inquestionável a postergação da compensação do valor que decorreu da aplicação do diferencial IPC/BTNF sobre o saldo de prejuízo fiscal existente em 31.12.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial do contribuinte. 47 r /HENRIQUE PINHEIRO TORRES — Presidente Substituto Alberto Pinto Souza Júnior — Relator Participaram ainda do presente julgamento: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.. Relatório Trata-se de Recurso Especial do contribuinte interposto em face do acórdão n° 107-08.908, fls. 234 a 243, do qual consta a seguinte ementa: "IRPJ — DIFERENÇA DE CM IPC/BTN CALCULADA SOBRE PREJUÍZOS FISCAIS — DEDUTIBILIDADE — PRAZO E CONDIÇÕES — Se o contribuinte antecipa a dedução da diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF e não se verificam os efeitos da postergação, resta indevidamente reduzido o resultado do período em que a despesa foi antecipada." Com fulcro no art. 5 0 , II, e 7 0 da então vigente Portaria MF 55, de 1998, a recorrente interpôs recurso especial de divergência, a fls. 247 e segs., no qual aduz as seguintes razões para a reforma do acórdão recorrido: a) que o montante da diferença IPC/BTNF 1990 alvo da controvérsia é oriundo e correspondente, na sua integralidade, a valor de saldo de prejuízo fiscal regularmente apurado e configurado no período-base de 1989; b) que o aproveitamento integral do saldo de prejuízo fiscal de 1989, já no ano-calendário de 1991, supostamente violando norma restritiva estipulada no artigo 40 do decreto n° 332/91 e não em qualquer disposição da pertinente e correspondente Lei n° 8.200/91; c) que o acórdão recorrido não está refletindo o melhor direito e legislação pertinente aplicável, conferindo interpretação divergente de posições/julgamentos já anteriormente proferidos e evidenciados pelas Primeira e Oitava Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes, assim como pela CSRF. 0 presidente da 7 Camara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, em despacho proferido a fls. 316/319, admitiu o recurso especial. A recorrida, uma vez cientificada em 01/09/2008 (doc. a fls. 320), do acórdão e do despacho de admissibilidade do recurso especial, apresentou, em 11/09/2008, contrarrazões (doc. a fls. 323 e segs.), nas quais aduz as seguintes razões para a manutenção do julgado: a) que o Supremo Tribunal Federal decidiu, em acórdão recente (RE n.° 201.465-6, MG), que o art. 3 0, I, da Lei 8.200/91, ao dispor um prazo para que os contribuintes pudessem aproveitar a despesa decorrente da diferença de correção monetária IPC/BTNF, não ofende a Constituição Federal de 1988; b) o entendimento firmado no voto condutor do aresto recorrido, ao afastar de pronto os argumentos suscitados pela contribuinte no que tange à não incidência da dedução dos efeitos IPC/BTNF sobre os prejuízos fiscais; c) que relativamente ao argumento que o aproveitamento integral dos prejuízos, sem a observância da limitação de 30%, configuraria postergação do IRPJ, não se trata de fundamento hábil a desmerecer a glosa efetuada pela 2f Processo n° 11080.001963/2003-55 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001306 Fl. 2 fiscalização. Mesmo que a autoridade autuante não tenha apurado a suposta postergação, o Recorrido, por seu turno, não provou que recolheu, posteriormente, o tributo ora exigido; d) conforme muito bem suscitado pelo Eminente Relator do acórdão recorrido, "a partir de 1993 e ate 2001 (fls. 15 item 4) o contribuinte não mais apurou resultado positivo passível de ser reduzido pela parcela do diferencial IPC/BTNF compensável. Logo, não há que se falar em efeitos de postergação do imposto, pelo menos no âmbito do que a fiscalização pode examinar; e) que alegar a postergação do tributo 6, em verdade, alegar que o tributo foi recolhido posteriormente e, portanto, que a cobrança é indevida. Evidentemente, para que se acolha o argumento que o tributo foi recolhido, é imprescindível a prova desse recolhimento; f) se assim não for, a consequência seria a anulação do lançamento em decorrência da presunção de que o Recorrido pagou a contribuição exigida nos anos posteriores, sem que o Recorrido tenha, em momento algum, provado esse recolhimento; g) que é posição pacifica do Superior Tribunal de Justiça que o Decreto n° 332/91 não extrapolou os ditames da Lei n° 8.200/91. É o relatório. Voto 0 recurso especial da Fazenda Nacional atende os requisitos de admissibilidade, razão pela qual conheço do recursos. A legalidade do Decreto n° 332/91, hoje, é incontestável na esfera judicial e administrativa. Nesse sentido, vale trazer a transcrição da ementa do Recurso Especial n° 172121/RS: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO EM SEDE DE APELAÇÃO E EMBARGOS DECLARATÓRIOS. FUNDAMENTOS SUFICIENTES. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 458 E 535 DO CPC. DECRETO 332/91. LEGALIDADE. I - Não vulnera os artigos 458 e 535 do CPC, os acórdãos que, tanto em sede de apelação quanto de embargos de declaração, apresentam quantum satis a fundamentação necessária ao julgamento. II - Tornou-se pacifico na jurisprudência do STJ que, ao regulamentar a Lei n° 8.200/90, o Decreto 332/91 não exorbitou dos termos da legislação regulamentada. Precedente jurisprudencial. III - Recurso desprovido, por maioria. Assim, não procede a alegação da recorrente de que o referido decreto teria P/3 exorbitado os comandos normativos da Lei n° 8.200/91. Não obstante o recurso especial não aborde a questão da postergação do pagamento, para que se afaste qualquer dúvida da inaplicabilidade da Súmula CARF n° 36 ao presente caso, vale a transcrição do seguinte excerto do voto vencedor do acórdão recorrido, no qual o ilustre Relator, Conselheiro Martins Valero, descreve muito bem a situação Mica dos autos, in verbis: "Esse valor encontrado pela aplicação do difèrencial IPC/BTNF, consoante a legislação vigente, só poderia ser aproveitado a partir do ano-calendário de 1993, em seis parcelas anuais. Entretanto referido valor, decorrente do diferencial IPC/BTNF aplicado sobre o saldo de prejuízo a compensar, por não perder a natureza jurídica de prejuízo, havia de se submeter a regra geral de compensação de prejuízos fiscais então vigente, ou seja: os prejuízos fiscais apurados em um período-base só poderiam ser compensados com lucro real positivo apurado nos 4 (quatro) períodos bases subsequ.éntes. Em outras palavras, a legislação autorizava a compensação do diferencial IPC/BTNF dos prejuízos para além da regra dos 4 (quatro) anos-base se a não compensação dentro daquele período se deu, exclusivamente em função da postergação pela Lei n° 8.200/91, não podendo tal compensação ser efetuada posteriormente se o saldo "morreria" por conta da inexistência de lucro real positivo no prazo legal (1990 a 1994). No caso em exame, o saldo de prejuízo fiscal existente em 31.12.90 referia-se ao prejuízo apurado no ano-base de 1987. Logo referido prejuízo só poderia ser compensado até o ano-base de 1991 (4 anos seguintes). Então o valor que decorrer da aplicação do diferencial IPC/BTNF sobre o saldo de prejuízo fiscal existente em 31.12.90 só poderia ser compensado a partir de 1993 se o saldo de lucro real em 1991, após a compensação normal de prejuízos, fosse suficiente para absorver o diferencial não compensado naquela oportunidade, por falta de previsão legal, que só veio com a Lei n° 8.200/91. Nota-se dos autos que, de fato, o contribuinte poderia ter compensado valor maior ern 1991, não fosse a postergação trazida pela Lei n° 8.200/91. Logo o contribuinte teria preservado o direito a compensação dessa parcela contida no montante do diferencial IPC/BTNF a partir de 1993. Ocorre que a partir de 1993 e até 2001 (fls.15 item 4) o contribuinte não mais apurou resultado positivo passível de ser reduzido pela parcela do diferencial IPC/BTNF compensável. Logo, não há se falar em efeitos de posterga cão do imposto, pelo menos no âmbito do que a fiscalização pode examinar. Resta então que houve redução indevida do lucro real no ano-base de 1991, passível de exigências fiscais." As didáticas palavras do Conselheiro Martins Valero, acrescento, apenas que, nos termos da Súmula CARF, caberia ao contribuinte provar a postergação do pagamento - o que não foi feito e nem poderia como bem demonstrado acima, ademais, somente o pagamento postergado que aconteça antes do inicio do procedimento de fiscalização tem o condão de influenciar no valor a ser lançado de oficio, o que também resta demonstrado que não ocorreu. 4 Processo n° 11080.001963/2003-55 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.306 Fl. 3 Em face do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Alberto Pinto Souza Junior - Relator z/ 5
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001185/2007-94
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 2007
PEDIDO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS.
PEDIDO DE RENOVAÇÃO DO CEBAS. TEMPESTIVO. DEMAIS
REQUISITOS LEGAIS. ATENDIDOS. ANISTIA POR FORÇA DE MP.
CERTIFICADO EMITIDO. ISENÇÃO RECONHECIDA.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-00.173
Decisão: ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e
votos que integram o presente julgado, a fim de reconhecer a entidade recorrente o direito a
isenção às contribuições previdencidrias como requerido. Contudo a fiscalização pode a
qualquer momento, desde que verificada irregularidade na continuidade da isenção exercer
suas prerrogativas legais. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima.
Nome do relator: Não Informado
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2007 PEDIDO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. PEDIDO DE RENOVAÇÃO DO CEBAS. TEMPESTIVO. DEMAIS REQUISITOS LEGAIS. ATENDIDOS. ANISTIA POR FORÇA DE MP. CERTIFICADO EMITIDO. ISENÇÃO RECONHECIDA. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2007 PEDIDO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. PEDIDO DE RENOVAÇÃO DO CEBAS. TEMPESTIVO. DEMAIS REQUISITOS LEGAIS. ATENDIDOS. ANISTIA POR FORÇA DE MP. CERTIFICADO EMITIDO. ISENÇÃO RECONHECIDA. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, a fim de reconhecer a entidade recorrente o direito a isenção às contribuições previdencidrias como requerido. Contudo a fiscalização pode a qualquer momento, desde que verificada irregularidade na continuidade da isenção exercer suas prerrogativas legais. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório Trata-se no presente processo de requerimento de reconhecimento de isenção de contribuições sociais previdencidrias, com base no artigo 55 da Lei 8.212/91, fls. 01 e 02, protocolizado em 06/12/2007, capa do processo. O indeferimento do requerimento de isenção se deu devido ao descumprimento do inciso II, do artigo 55, da Lei 8.212/91, conforme Oficio n° 064/GAB/DRF/DIV/MG, de 26/02/2008, tis. 42 e 43. AR, fls. 46. O sujeito passivo tomou conhecimento do indeferimento, em 28/02/2008, O recurso foi protocolizado, em 26/03/2008, estando este materializado pelos documentos, de fls. 47 e 48. 0 recurso é tempestivo e se vez acompanhar dos documentos, de fls. 49 e 50. As razões recursais são assim resumidas. Que o pedido foi indeferido devido a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS, vencido em 31/12/2007; Que a APAE solicitou a renovação do certificado com antecedência como determina o Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS e que por motivos particulares a APAE não pode faze-10 com maior antecedência; • Que o protocolo de renovação deve ser considerado como documento regular, urna vez que o CNAS não tem prazo legal para analisar o pedido de renovação e que por vezes tal análise de renovação pode levar anos, como ocorreu com o pedido de 2004 só deferido em 2007; • Que a concessão da isenção é de fundamental importância para a entidade que tern recursos escassos; • Que a recoi-rente apresentou todos os documentos exigidos pela legislação para obter a isenção; • Finalizando requer: a) a reforma da decisão que indefiriu o pedido de isenção. A Delegacia da Receita Federal do Brasil — RFB apresentou contrarrazóes ao recurso, conforme consta, as fls. 51 e 52, que abaixo resumimos. • Que a empresa tem o CEBAS vigente desde 31/12/2004 e que só pediu a isenção 24 dias antes do vencimento da sua validade e que só solicitou sua renovação 02 dias antes de seu vencimento; Processo n° 10665.001185/2007-94 82-TE03 Acórdão rt.' 2803-00.173 Fl. 60 • Que a RFB tem 30 dias para analisar o pedido de isenção prorrogável por mais 30 dias e que em 06/01/2008 data limite inicial para que a RFB julga-se o pedido de isenção o CNAS ainda não havia recebido o pedido de renovação do CEBAS o que só se deu ern 07/01/2008; • Que o indeferimento se deu por falta do CEBAS e não poderia ser outra; • Que a peça recursal não indica novos elementos capazes de alterar a decisão de indeferimento. A empresa, as fls. 55, informa que o CNAS nos termos do artigo 37, da MP 446/2008 renovou seu certificado CEBAS por intermédio da Resolução N° 7, de 03/02/2009, publicada no DOU, conforme cópia que anexa, as fls. 57. o relatório Voto Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, Relator 0 presente recurso foi interposto tempestivamente, haja vista que conforme AR, de fls. 46, o contribuinte tomou conhecimento do indeferimento em 28/02/2008 e interpôs este em 26/03/2008, fls. 47. Nos autos sob análise não se discute credito tributário, sendo assim desnecessária a exigência de depósito recursal. Presentes os pressupostos de admissibilidade passo ao recurso. Embora a validade do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS da entidade requerente tenha expirado em 30/12/2007, fls. 39. Tenho para mim que as condições para concessão da isenção devem ser aferidas tendo corno marco a data do requerimento e esta foi 06/12/2007 nesta data a entidade preenchia todos os requisitos. E irrelevante o fato argüido pelo órgão fiscal de que apesar de possuidora do certificado corn validade desde 31/12/2004 a entidade só requereu a . isenção 24 dias antes da expiração de tal validade, solicitando sua renovação ao Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS apenas dois dias antes de seu vencimento. Tudo indica que a entidade agiu como prevê as normas requereu a isenção e dentro do ano de validade do CEBAS pediu sua renovação a lei não estabelece um prazo mínimo e ainda que o fizesse deveria estabelecer a sanção para o descumprimento de tal prazo, uma vez Clue isto não compete a Administração, não podendo o indeferimento do pedido ser substitutivo de tal sanção. 0 fato de ter chegado no CNAS o pedido de renovação do CEBAS depois de vencido o prazo para que o órgão fiscal se pronuncia-se sobre a isenção AR, fls. 45 e 45v, também, é irrelevante, pois o que interessa, em regra, para a contagem dos prazos é a data da postagem e não da chegada e o próprio órgão fiscal declara no quinto parágrafo, de fls. 42, que o pedido de renovação foi feito dois dias antes da expiração da validade do CEBAS. Assiste razão a requerente quando diz que não há prazo definido para o CNAS julgar a renovação. Assim sendo, indagamos, na visão di) fisco de quanto tempo seria urna antecedência razoável para requerer a renovação? A titulo de exemplo imaginemos que a requerente em 02/01/2007 solicitasse a renovação ao CNAS e não em 06/12/2007 orno fez. 3 as Sessões, em 16 de agosto de 2010 Teria direito a isenção? E se até essa data o CNAS não tivesse se pronunciado a respeito da - renovação, o que o fisco RFB faria? Sera que novamente indeferiria a isenção? Qual deveria ser o parâmetro de prazo? Fica evidente que qualquer que seja esse parâmetro, a entidade requerente não pode ser penalizada pela omissão de outro órgão da Administração. Alias, o parágrafo 3°, do artigo 3°, do Decreto 2.536/1998, diz "Desde que tempestivamente requerida a renovaci7o, a validade do. Certificado contará da data do termo final do Certificado anterior." . Não fosse esses motivos suficientes a concessão da isenção a Medida Provisória - MP 446/2008 por seu artigo 37 pôs urn p6: de cal sobre o assunto de forma definitiva ao dizer: "Art. 37. Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolizados, que ainda não tenham sido objeto de julgamento por parte do CNAS até a data de publicação desta Medida Provisória, consideram-se deferidos.", o que realmente ocorreu, pois a entidade juntou, as fls. 56 a 58, copia da publicação no DOU da Resolução CNAS N° 07/2009, onde consta: 1669) Processo 17. ° 71010.003141/2007-98 - ASSOCIACJO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS - APAE DE DIV1N6POLIS - DR1N6POLIS/MG — CNP.I. - 20.161.899/0001- 31 - Período de validade desta renovacdo: 31/12/2007 a 30/12/2010 — Pirea de autaccio: SAÚDE. Convem aqui ressaltar qual a validade da norma, haja vista que o Congresso Nacional rejeitou a citada MP para tanto transcreveremos trecho do Parecer CJ/MDS 192/2009 Destarte, com esses argumentos e teses expostas acima voto por CONHECER DO RECURSO para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, a fim de reconhecer a entidade recorrente o direito a isenção das contribuições previdencidrias corno requerido. Contudo a fiscalização pode e deve verificar se os demais requisitos foram preenchidos, pois o presente recurso circunscrevesse apenas ao certificado CEBAS e a qualquer momento verificar regularidade da continuidade da isenção, exercendo suas prerrogativas legais de órgão fiscalizador.
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000328/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para
comproválas.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.302
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para comproválas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 205DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 11444.000328/200716 Acórdão n.º 210101.302 S2C1T1 Fl. 189 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Ausente justificadamente o Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 178/183) interposto em 24 de dezembro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 164/170), do qual o Recorrente teve ciência em 26 de novembro de 2009 (fl. 175), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 2/12, lavrado em 29 de junho de 2007, em decorrência de deduções indevidas de despesas médicas, verificadas nos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1.972. GLOSA DE DEDUÇÕES INDEVIDAS DE DESPESAS MÉDICAS. O direito à dedução de despesas médicas é condicionado à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 164). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 178/183), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 206DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 11444.000328/200716 Acórdão n.º 210101.302 S2C1T1 Fl. 190 3 A presente controvérsia é relativa à glosa de despesas médicas ou odontológicas, girando em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como do respectivo pagamento, no caso, efetuado em dinheiro, conforme afirma o Recorrente. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar os recibos de despesas dedutíveis acostados aos autos pelo fiscalizado, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas ou odontológicas pelo fato de o fiscalizado não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está Fl. 207DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 11444.000328/200716 Acórdão n.º 210101.302 S2C1T1 Fl. 191 4 obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." No presente caso, verificase que o auto de infração foi lavrado em virtude da suposta dedução indevida de despesas médicas e odontológicas, constantes de recibos emitidos nos exercícios de 2003, 2004, 2005 e 2006, por André Ricardo dos Santos, Regina Célia Manfio Marroni Dias e Luiz Carlos Bergamasco, totalizando R$ 52.860,00 para todos os anos calendário. Ocorre, todavia, que os recibos de fls. 47/99, complementados pelas declarações dos médicos e as fichas constantes de fls. 124/134 (frisese que no tocante ao tratamento odontológico existe cópia das fichas dentárias de fls. 124/130 com explicação detalhada dos procedimentos efetuados) cumprem com os requisitos previstos na legislação já citada, autorizando a dedução pleiteada, pois, nesse caso, competiria ao Fisco a prova de que os recibos seriam inidôneos, utilizandose de “elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” o que não foi feito. Nesse caso, aliás, poderia ter sido realizada a fiscalização nos aludidos médicos para verificar se ofereceram à tributação tais rendimentos. Ressaltese, ainda, que o Recorrente apresentou as aludidas provas desde a fiscalização, bem como pleiteou na impugnação que fossem oficiados tais médicos para comprovação da prestação dos serviços. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 208DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 11444.000328/200716 Acórdão n.º 210101.302 S2C1T1 Fl. 192 5 Fl. 209DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 13807.000831/2003-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1999
Ementa: EXAME DO DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA.
INAPLICABILIDADE.
O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
DECLARAÇÃO DIPJ/DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS EXAME DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. EFEITOS.
Não produzem nenhum efeito as declarações DIPJ/DCTFs retificadoras entregues após o exame do pedido de restituição feito pela autoridade administrativa, que foi analisado adequadamente com a situação fática que se apresentava no momento desse exame.
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO. PRECLUSÃO.
Não demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972 e alterações, não há como se examinar os documentos trazidos na fase recursal, face à ocorrência da preclusão.
SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF.
RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO
A parcela do IRRF que compõe o saldo negativo do IRPJ apurado na
declaração DIPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser aproveitada no montante consignado pelos comprovantes de retenção emitidos em nome do beneficiário pelas fontes pagadoras.
O valor do IRRF somente poderá ser aproveitado na declaração DIPJ se os respectivos rendimentos forem, comprovadamente, oferecidos à tributação.
Numero da decisão: 1202-000.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999 Ementa: EXAME DO DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DIPJ/DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS EXAME DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Não produzem nenhum efeito as declarações DIPJ/DCTFs retificadoras entregues após o exame do pedido de restituição feito pela autoridade administrativa, que foi analisado adequadamente com a situação fática que se apresentava no momento desse exame. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO. PRECLUSÃO. Não demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972 e alterações, não há como se examinar os documentos trazidos na fase recursal, face à ocorrência da preclusão. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF. RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO A parcela do IRRF que compõe o saldo negativo do IRPJ apurado na declaração DIPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser aproveitada no montante consignado pelos comprovantes de retenção emitidos em nome do beneficiário pelas fontes pagadoras. O valor do IRRF somente poderá ser aproveitado na declaração DIPJ se os respectivos rendimentos forem, comprovadamente, oferecidos à tributação.
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DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DIPJ/DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS EXAME DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Não produzem nenhum efeito as declarações DIPJ/DCTFs retificadoras entregues após o exame do pedido de restituição feito pela autoridade administrativa, que foi analisado adequadamente com a situação fática que se apresentava no momento desse exame. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO. PRECLUSÃO. Não demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972 e alterações, não há como se examinar os documentos trazidos na fase recursal, face à ocorrência da preclusão. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF. RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO A parcela do IRRF que compõe o saldo negativo do IRPJ apurado na declaração DIPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser aproveitada no montante consignado pelos comprovantes de retenção emitidos em nome do beneficiário pelas fontes pagadoras. O valor do IRRF somente poderá ser aproveitado na declaração DIPJ se os respectivos rendimentos forem, comprovadamente, oferecidos à tributação. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 622 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação de Saldo Negativo de Imposto de Renda relativo ao anocalendário de 1999 objetivando a quitação de débitos, tendo sido anexados ao presente os processos e DCOMP listados as fls. 285, e que se encontram vinculados ao crédito de saldo negativo pleiteado. Verificase às fls. 284/292 despacho decisório deferindo em parte o pedido da contribuinte com fundamento de não ter esta logrado êxito em comprovar integralmente o direito líquido e certo consoante o disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional. Não obstante, não teria a contribuinte oferecido à tributação os rendimentos auferidos em operações de SWAP, razão pela qual o Imposto de Renda Retido na Fonte foi glosado das deduções do Imposto de Renda devido. Foi reconhecido, após o resultado da correção dos valores efetuados pela autoridade fiscal, o montante de R$ 1.059.843,23, após as compensações sem processo. Houve ajuste de campo da DIPJ/2000, qual seja: o IRRF (linha 13 da ficha 13 A) foi alterado de R$ 5.728.796,10 para R$ 5.194.257,91. Notificada do referido despacho decisório a contribuinte, com ele não se conformando, recorreu a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento alegando em síntese que: Fl. 622DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 623 3 A Secretaria da Receita Federal do Brasil não poderia ter efetuado as glosas dos valores de R$ 337.013,72 e R$ 197.524,47 de Imposto de Renda Retido na Fonte referentes ao anocalendário de 1999 em razão da decadência do direito de exame da DIPJ pela autoridade fiscal; O valor das operações de SWAP foi oferecido à tributação na Ficha 07 A, linha 24, da DIPJ/2000 a título de “outras receitas financeiras”; No tocante à glosa de compensação efetuada em duplicidade, a contribuinte admitiu erro no preenchimento das DCTFs em relação às datas de apuração dos débitos, sendo a data correta 31/12/1997 e 31/12/1998, e não 31/12/1999; Afirmou que apresentaria oportunamente a documentação comprobatória da integralidade de seu direito creditório; Requereu ao final a procedência de sua manifestação de inconformidade. Diante das razões apresentadas a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 IRRF. COMPOSIÇÃO. O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no períodobase. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. O IRRF somente será dedutível do imposto devido caso haja a tributação das respectivas receitas financeiras. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. IRPJ. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. Solicitação Indeferida Tal decisão, inicialmente verificando a decadência arguida pela contribuinte, esclarece que o presente caso trata de reconhecimento de direito creditório para fins de compensação de tributos, sendo imprescindível a comprovação de direito líquido e certo para que a compensação seja deferida, não se confundindo com o direito de o Fisco efetuar lançamento tributário, este sim sujeito ao prazo decadencial. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 624 4 No presente caso não houve lançamento tributário na decisão proferida pena autoridade fiscal, mas sim aferição de direito creditório da contribuinte diante dos elementos contidos nos autos, afastando, assim, a alegação de decadência. No mérito, destacou a autoridade julgadora a quo que o IRRF não pode ser compensado com outros tributos ou contribuições, nem objeto de restituição. Ressalta que consoante o artigo 2º da Instrução Normativa nº 210/2002, vigente à época dos fatos, somente poderiam ser utilizados para compensação com débitos da contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado , os créditos de que tratavam os artigos 2º e 3º do referido diploma. O IRRF não se enquadraria em nenhuma das hipóteses, posto que a retenção na fonte é devida por lei, não constituindo, a priori, indébito ou recolhimento a maior. Assevera ainda que, consoante o artigo 770, do Decreto nº 3.000/1999, os rendimentos de aplicações financeiras estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte, integrando o lucro real, presumido ou arbitrado. Desta feita, o IRRF é considerado antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração e, consequentemente, a contribuinte deve deduzir o imposto retido do imposto de renda devido com base no lucro real do período base. Desta sistemática, apenas o saldo negativo de imposto a pagar, que decorra desse confronto na declaração, constituí crédito passível de compensação ou restituição. Pontua que a Lei nº 9.430/96 facultou às empresas optantes pelo lucro real a deduzir do valor devido do imposto o montante recolhido a título de Imposto de Renda na fonte e utilizálo para restituição ou compensação, havendo apuração de saldo negativo. Permite, assim, a legislação federal que a pessoa jurídica deduza do imposto apurado no mês o imposto de renda retido na fonte, com a finalidade de liquidação do débito, desta feita, disciplina o artigo 34 da Lei nº 8.981/1995, que “para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir, o imposto apurado no mês, o Imposto de Renda pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente, bem como os incentivos de dedução do imposto, relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, ValeTransporte, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente e Atividade Audiovisual, observados os limites e prazos previstos na legislação vigente”. O recolhimento do IRRF para fins de dedução do Imposto de Renda devido deverá ser comprovado mediante documentação dos valores dos rendimentos auferidos em aplicações financeiras e o oferecimento de tais valores à tributação. O despacho decisório de fls. 284/292 reconhecera como dedutível os totais informados pela contribuinte em DIRF. Quanto ao argumento de que o valor das operações de SWAP fora oferecido à tributação à título de “outras receitas financeiras”, entendeu a autoridade julgadora a quo que não há, nos autos, qualquer documentação capaz de comprovar tal fato, como, por exemplo, a escrituração da referida operação ou demonstrativo de composição das receitas tributadas. Desta feita, não houve comprovação do direito ao crédito liquido e certo, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, prevalecendose o apurado pela autoridade fiscal. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 625 5 No tocante à glosa de compensação efetuada em duplicidade, a contribuinte admitiu erro no preenchimento das DCTF em relação às datas de apuração dos débitos, não trazendo, novamente aos autos, qualquer documentação comprobatória dos referidos equívocos. (grifo próprio) Ainda, quanto ao requerimento de posterior juntada de documentos afirma não ter sido efetuada até a data do julgamento, devendo tal procedimento obedecer o disposto nos §§ 4º e 5º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Postos tais argumentos, indeferiu a solicitação da contribuinte e não homologou as DCOMP relacionadas ao valor do crédito indeferido. A contribuinte fora intimada da decisão em 9 de abril de 2008, e com ela não se conformando interpôs Recurso Voluntário a este Conselho em 9 de maio de 2008, alegando em síntese que: Não houve manifestação quanto a ponto destacado em sua manifestação de inconformidade; Sustenta preliminar de decadência, alegando que a SRFB não poderia, no ano de 2008, ter reduzido o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, quando da glosa de parcelas do IRRF declarado, diante de ter ocorrido decadência do direito de exame da DIPJ do exercício de 2000, consoante o artigo 899, do RIR/99, sendo este o entendimento deste Conselho, devendo a decisão proferida ser reformada e a glosa de ofício ser declarada nula; No tocante a juntada de documentos, requer sua juntada diante da existência de motivo de força maior, posto que encontrou dificuldade para localizar a documentação pertinente diante de “volumoso arquivo morto”, distribuído em locais diversos, sendo que tal documentação, de volume significativo, referese a períodos de 10 ou mais anos, bem como a existência de fato superveniente, diante de buscar corrigir os erros materiais de preenchimento das DCTF dos 1º, 2º e 4º trimestres de 2000, e do 2º trimestre de 2001, bem como DIPJ do exercício de 2000, procedera em 6 de maio de 2008 retificação de tais DCTF e DIPJ; No mérito, combate a glosa de parte do IRRF declarado, em razão da existência de rendimentos oriundos de operação de SWAP, tendo sido declarados como “outras despesas financeiras” e incluídos no valor total de rendimentos na base de cálculo do IRPJ, e consequentemente, o IRRF respectivo poderia ter sido deduzido na apuração de IRPJ a pagar, como procedera; Destaca que procedeu a Retificação da DIPJ do exercício de 2000, demonstrando os rendimentos oriundos de operações de SWAP, na Ficha 07A, Linha 21, ao invés da Ficha 07A, Linha 24, sendo tal retificação respaldada pela jurisprudência deste Conselho; Aduz ainda que, quanto aos informes de rendimentos do IRRF, reitera os argumentos contidos em sua manifestação de inconformidade, destacando que enfrentou grande dificuldade em localizar a prova documental, apresentando nesta oportunidade cópias autenticadas do rendimentos, demonstrando divergências com as DCTF apresentadas, destacando exemplos das inconsistências; Fl. 625DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 626 6 Quanto à glosa relativa à compensação parcial, alegada em duplicidade pela SRFB, relativa ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, reconhece terem ocorridos erros materiais de preenchimento de parte das páginas das DCTF, fls. 187/240, apontando que cometera erros quando informou como origem dos créditos o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999, ao invés da origem correta de tais créditos, qual seja, saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 1997 e 1998; Aponta a origem e valores dos créditos do saldo negativo de IRPJ dos anos calendário de 1997, 1998 e 1999, indicando a incorporação de empresa detentora de saldo negativo de IRPJ no ano de 1997, acrescidos pelos juros SELIC nos anos de 1998 e 1999, chegandose ao valor total do saldo negativo de IRPJ em 21 de dezembro de 1999; Destaca que houve compensação de tais saldos negativos, consoante demonstração trazida em seu recurso; No tocante à compensação do saldo negativo do anocalendário de 1997, feita em 2000 e 2001, informou incorretamente nas DCTFs correspondentes que a data de apuração do saldo negativo foi 31/12/1999, ao invés de 31/12/1997, anexando aos autos cópias de folhas dos livros diário geral nºs. 10, 11 e 12, do anocalendário 2000, onde constam as compensações realizadas, relativas ao saldo negativo do anocalendário de 1997, bem como as declarações equivocadas e demonstrativo comparativo entre os dados do Diário Geral e das DCTF; Destaca que no anocalendário 2001 informou equivocadamente nas DCTF correspondentes que a data da apuração do saldo negativo era 31/12/1999 ao invés de 31/12/1997, anexando folhas dos livros diário geral nºs 13 e 14, do anocalendário 2001 onde constam as compensações realizadas devidamente contabilizadas, relativamente ao saldo negativo do anocalendário de 1997, bem como cópias das DCTF e demonstrativo comparativo entre os dados do diário geral e das DCTF; Aponta compensação do saldo negativo do anocalendário de 1998, realizada em 2001 e 2002, sendo que no anocalendário de 2001 informou incorretamente nas DCTF que a data da apuração do saldo negativo era 31/12/1999, ao invés de 31/12/1998, o mesmo ocorrendo no ano de 2002, anexando cópias dos livro diário geral, bem como das DCTF e demonstrativo comparativo entre os dados do diário e das DCTF; Ressalta ter demonstrado e comprovado que as compensações sem processo constantes de uma parte das DCTF de fls. 187/240 dos autos, relativas ao período de março de 2000 a julho de 2001, foram realizadas com uma parte do saldo negativo de IRPJ dos anos calendário de 1997 e 1998, e não com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, e por consequência, as compensações realizadas com o saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 1999 são devidas e sem duplicidade; Esclarece que com vistas a corrigir os erros materiais de preenchimento procedeu em 6 de maio de 2008 retificação das DCTF dos anoscalendário de 2000 e 2001, informando as datas corretas de apuração dos créditos oriundos do saldo negativo do IRPJ dos anoscalendário de 1997 e 1998. Assim, carece de sustentação legal e é incorreta e indevida a glosa das compensações realizadas no anocalendário de 2003, relativa ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, devendo a decisão a quo ser integralmente reformada e a glosa de ofício ser declarada nula; Fl. 626DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 627 7 Ao final requer a reforma da decisão combatida e a declaração da nulidade das cobranças de ofício, por trem se processado ao arrepio da legislação de regência e da jurisprudência deste Conselho; Protesta pela juntada posterior de novas provas, documentos e demonstrativos bem como outros elementos que se façam necessários à comprovação de suas alegações. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno, Relator O recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, sustenta a contribuinte ter ocorrido a decadência do direito de o Fisco proceder a exame da DIPJ do exercício de 2000, anocalendário de 1999, uma vez que tal exame se deu no ano de 2008, se impondo assim a nulidade da glosa efetuada pela autoridade fiscal referente as parcelas do IRRF declarado, com fulcro no artigo 899, do RIR/99. Uma análise das sucessivas alterações legislativas na sistemática da compensação, a qual passou a extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, prevendo, inclusive, à semelhança da regra veiculada no art. 150, §4° do CTN, o instituto da homologação tácita. Pois bem. Por meio da Lei n° 10.637/02, foram introduzidas as seguintes alterações no art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de Fl. 627DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 628 8 compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Da leitura do dispositivo legal retro transcrito, inferese que o legislador estabeleceu para a compensação a sistemática do "lançamento por homologação", segundo a qual cumpre ao contribuinte apurar o imposto devido, por meio de Declaração de Compensação. De outro lado, dispõe o artigo 150 do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Dispõe ainda o Decreto nº 3.000/99: Art. 898. O direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1º O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória, indispensável ao lançamento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). Fl. 628DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 629 9 § 2º A faculdade de proceder a novo lançamento ou a lançamento suplementar, à revisão do lançamento e ao exame nos livros e documentos dos contribuintes, para os fins deste artigo, decai no prazo de cinco anos, contados da notificação do lançamento primitivo (Lei nº 2.862, de 1956, art. 29). Art. 899. Nos casos de lançamento do imposto por homologação, o disposto no artigo anterior extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, se a lei não fixar prazo para homologação, observado o disposto no art. 902 (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, § 4º). (...) Art. 903. Não correrão os prazos estabelecidos em lei para o lançamento ou a cobrança do imposto, a revisão da declaração e o exame da escrituração do contribuinte ou a da fonte pagadora do rendimento, até decisão na esfera judiciária, nos casos em que a ação das repartições da Secretaria da Receita Federal for suspensa por medida judicial contra a Fazenda Nacional (Lei nº 3.470, de 1958, art. 23). Dos dispositivos transcritos inferese que o Fisco tem o dever de efetuar o lançamento, ou de proceder à revisão da declaração (lançamento) feita pelo contribuinte em determinado prazo legal. Em não o fazendo em tempo oportuno operase a decadência, não mais podendo agir contra tal limite temporal. Como se verifica do despacho decisório, as fls. 289, a autoridade fiscal apurou “em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte deduzido à linha 13, observouse que o valor de R$ 5.728.796,10, somado ao total de R$ 4.570.986,95 deduzido ao longo do anocalendário, representa um total de R$ 10.299.783,05. Por outro lado, as DIRF entregues pelas fontes pagadoras (fls. 143 a 170) demonstram apenas R$ 10.102.258,58 de imposto retido na fonte.”, emergindo daí uma diferença de R$ 197.524,47. Não obstante, verificou que as DIRFs apresentadas pela contribuinte demonstra que teria sido auferido rendimento oriundo de operações de SWAP no valor de R$ 1.685.070,92, e que tais rendimentos não teriam sido incluídos na base de cálculo do imposto de renda, posto não ter havido o preenchimento linha 21 da Ficha 07A, não podendo o respectivo IRRF ser deduzido na apuração do IR a pagar. Desta feita, subtraiu o IRRF relativo a operações de SWAP do total confirmado em DIRF, ou seja, o importe de R$ 337.013,72, para então chegar ao valor compensável. Evidente que no presente caso procedeuse a revisão extemporânea das declarações apresentadas, já atingidas pela decadência. O não reconhecimento do prazo de decadência implicaria em possibilidade de revisão sem limite temporal a ser realizada pelo Fisco, o que pela sistemática da legislação tributária seria inadmissível, criandose situação de extrema insegurança jurídica. Desta feita é de se reconhecer a decadência suscitada quanto à glosa de IRRF efetuada reformandose a decisão proferida pela autoridade julgadora a quo. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 630 10 Por outro lado, as (03) retificadoras recepcionadas em 06/05/2008, indicadas nos anexos XVIII, XIX e XX, juntadas ao recurso voluntário, que descrevem os erros descritos pela Recorrente, informadas somente após a prolação da decisão de primeira instância, que foi feita em 10 de abril de 2008, tanto assim porque a própria autoridade julgadora, quanto a glosa de compensação efetuada em duplicidade diz que a contribuinte admite erro no preenchimento das DCTFs, em relação às datas de apuração dos débitos, sem, no entanto, mais uma vez não trazer aos autos qualquer documentação que comprove os referidos equívocos cometidos em sua declaração (fls. 370) e que apontam erros na declarações de 2000 e 2001, por esse mesmo motivo de ordem temporal, ou seja, o limite de cinco anos, como acima comentado, não podem ser considerados, em observância à lógica do raciocínio acima fundamentado e também por supressão de instância, em relação ao que tais retificadoras. Desta feita, nesse sentido não há igualmente como acolher a pretensão da Recorrente, ao proceder juntada de retificadoras extemporaneamente a justificar a alegada compensação efetuada em duplicidade. Diante de todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência, a fim de anular a glosa do IRRF nos montantes de R$ 337.013,72 e R$ 197.524,47, referente ao ano calendário de 1999 e dar provimento parcial ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Redator Designado. Em que pese os valiosos argumentos apresentados pelo ilustre relator, peço vênia para discordar do seu entendimento em relação à acolhida da preliminar de decadência do direito do Fisco proceder ao exame, em 2007, da DIPJ do anocalendário de 1999, o que invalidaria a glosa do IRRF procedida pela autoridade fiscal. Conforme já abordado no acórdão recorrido, a compensação, no âmbito do direito tributário, somente pode ocorrer com créditos líquidos e certos, a teor do art. 170 do Código Tributário Nacional. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. No presente caso, o exame do direito creditório relativo ao saldo negativo do IRPJ informado na DIPJ, do anocalendário de 1999, continha a dedução do IRRF retido ao Fl. 630DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 631 11 longo desse ano (além de parcelas relativas à estimativas mensais do IRPJ recolhidas nesse mesmo ano). Já a Fazenda pública, agindo na posição de devedora, tem a obrigação de proceder na verificação do crédito pleiteado pelo contribuinte, devendo examinar todas as parcelas que compõe esse crédito, a fim de confirmar a sua certeza e a liquidez. Entende a defesa que os valores informados na declaração DIPJ/2000, já estariam homologados tacitamente, não mais passíveis de revisão pela autoridade fiscal, face o transcurso do prazo decadencial. Entretanto, tal argumento não pode subsistir. O prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º e 173, parágrafo único, do CTN, referese ao prazo que o fisco tem para efetuar o lançamento/constituição do crédito tributário, conforme claramente se verifica na transcrição dos dispositivos que se segue: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (grifei) No presente caso, não ocorreu lançamento nem constituição do crédito tributário. A autoridade fiscal competente para reconhecimento do direito creditório, informado pelo contribuinte, restringiuse a conferir os valores pleiteados, atestando a sua certeza e liquidez, nos exatos termos do determinado pelo art. 170 do CTN. Também não se trata de revisão de lançamento como quer fazer crer a defesa, porque nada foi “lançado” pelo fisco. O que de fato ocorreu é que o valor do saldo negativo do IRPJ informado pelo contribuinte em Fl. 631DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 632 12 sua DIPJ, passível de restituição/compensação, foi conferido pelo fisco antes de proceder na sua devolução, porque este agora se encontra na posição de devedor e não na posição de credor quando procede no lançamento do crédito tributário. Portanto, são situações fáticas distintas, não se podendo querer aplicar o instituto da decadência para uma situação jurídica estranha para o qual foi criado. No caso em exame, o direito creditório se origina da declaração DIPJ/2000. Já a declaração de compensação (DCOMP), que oferece dito direito creditório em compensação, foi entregue em 2003. Pela tese da recorrente, o fisco teria o prazo de 5 anos a contar do fato gerador para examinar a certeza e liquidez do direito creditório, ou seja, até 31/12/2004. Supondo que o contribuinte entregasse a DCOMP com o referido direito creditório, em 30/12/2004, chegaríamos à hipótese absurda de que o exame desse direito, pela Fazenda pública, teria que ser realizado em apenas 1 dia, sob pena da ocorrência da decadência. Como se vê, não há como prosperar a tese do recorrente, seja ela por uma decorrência lógica ou , ainda, porque, no caso de compensação, o prazo para a homologação tácita ocorre após o prazo de cinco anos da entrega da declaração de compensação (§ 5º do art. 74, Lei 9.430, de 1996 e alterações)) e não da ocorrência do fato gerador. Não obstante a controvérsia estabelecida, pareceme claro que não existe na legislação tributária expressa disposição legal a respeito do prazo para o fisco examinar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. O que existe, e deve ser fielmente respeitado, é o prazo de 5 anos para o fisco proceder ao lançamento/constituição do crédito tributário, hipótese definitivamente não verificada nos presentes autos. Assim, face a inexistência de previsão legal, concluo pela não ocorrência da decadência do fisco proceder na conferência das parcelas que compõem o saldo negativo do IRPJ informadas pelo contribuinte na declaração DIPJ/2000, devendo ser mantidas as glosas referentes ao IRRF. Quanto ao mérito, cabe dizer que o acórdão recorrido fundamentou muito bem a sua decisão. No caso em tela, os valores do IRRF glosados são oriundos da: i) não comprovação do oferecimento à tributação na declaração DIPJ de rendimentos em operações de “swap”, no montante de R$1.685.070,92, IRRF de R$ 337.013,72; e ii) diferença entre o IRRF aproveitado na declaração DIPJ e daquele constante das respectivas DIRFs, IRRF de R$ 197.524,47. A defesa não trouxe aos autos os documentos comprobatórios da integralidade do IRRF retido informado na respectiva DIPJ (comprovantes de retenção emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras), como exige o art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985. A insuficiência de IRRF nos comprovantes de retenção foi inclusive admitida pela própria recorrente, fls. 383, fato que evidencia a correção da glosa perpetrada pela autoridade fiscal. Em relação à falta de comprovação do oferecimento à tributação dos rendimentos em operações de “swap”, acarretando a glosa do IRRF correspondente, o acórdão recorrido assim fundamentou sua decisão: “Apesar de a requerente alegar que o valor das operações de SWAP, no montante de R$ 1.685.070,92, foi oferecido à tributação na Ficha 07 A, Linha 24 da DIPJ/2000, a título de "outras receitas financeiras", não traz aos autos qualquer documentação capaz de comprovar o fato aventado tais como a escrituração da referida operação, demonstrativo de composição das receitas tributadas.” Fl. 632DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 633 13 Por ocasião do recurso apresentado, informa o recorrente que após a emissão/ciência do despacho decisório, visando corrigir erro material de preenchimento da DIPJ, procedeu, na data de 06/05/2008, à retificação da DIPJ/2000, anocalendário de 1999, demonstrando o registro dos rendimentos oriundos de operações de “swap” na Ficha 07A, Linha 21, ao invés da Ficha 07A, Linha 24. No entanto, esse fato vem a confirmar o acerto da decisão prolatada pela autoridade fiscal em seu despacho decisório. O despacho decisório foi exarado com as informações/documentos constantes dos autos na época do exame do direito creditório, sem a retificação da DIPJ providenciada a posteriori pelo recorrente. Não há como alterar o despacho decisório baseado em erros reconhecidos pela própria defesa. Ademais, o exame do pedido de restituição/compensação deve se ater aos documentos e à realidade fática existentes na época da apreciação do pedido pela unidade de origem (DeratSP), realizado em 20/12/2007, e é sobre essa realidade que versa o presente julgamento. Não bastasse isso, a recorrente não trouxe no momento processual adequado (fase impugnatória) as provas que respaldassem a retificação pretendida. Resta claro que a comprovação do oferecimento à tributação na DIPJ dos rendimentos das operações de “swap” não foi trazida pela defesa por ocasião da apresentação de sua manifestação de inconformidade. Com efeito, o § 4º do art. 16, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, estabelece que as provas deverão ser trazidas na fase impugnatória, precluindo o direito em trazêlas em outro momento processual. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se Fl. 633DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 634 14 demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifei) Assim, não demonstrado a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972 e alterações, não há como se examinar os documentos trazidos na fase recursal (livro Diário) devendose, também por esse motivo (preclusão), serem rejeitadas as razões trazidas pela recorrente sobre essa matéria. Por fim, reforço a posição do ilustre relator deste acórdão que não acolheu a pretensão da recorrente em considerar os valores de declarações retificadoras DCTFs, que também foram entregues após a ciência do despacho decisório, a justificar a alegada compensação de créditos do IRPJ efetuada em duplicidade. O contribuinte, inicialmente, havia informado em DCTF a utilização de parte do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1999, ora examinado, na compensação/quitação de tributos federais sem processo (compensação administrativa efetuada na contabilidade, como era permitido à época). Portanto, parte desse saldo negativo do IRPJ já havia sido utilizado na compensação sem processo, razão pela qual o despacho decisório deduziu esse valor ao reconhecer o direito creditório. Já a recorrente alega que errou no preenchimento das DCTFs e que os saldos negativos do IRPJ informados nas DCTFs (em compensação) não se referiam ao anocalendário de 1999 e sim aos anoscalendário de 1997 e 1998, procedendo, após a ciência do despacho decisório em exame, na retificação das respectivas DCTFs. Como já abordado neste voto, pretende a interessada, de forma equivocada, a reforma do despacho decisório alterando uma situação fática após a emissão desse mesmo despacho. Não bastasse isso, quer trazer pretensos créditos do IRPJ (anoscalendário de 1997 e 1998) que sequer foram examinados pela autoridade fiscal, fora dos limites da lide, o que definitivamente não pode ser admitido. No caso da Declaração de Compensação, em que se pretende ver reconhecido um crédito contra a Fazenda, ao mesmo tempo que se pleiteia a extinção de um ou mais débitos, a retificação pretendida somente pode ocorrer antes de qualquer procedimento de ofício. Isso ocorre, antes de tudo, em decorrência da forma como o rito processual se desenvolve. Uma vez efetuado o pedido de restituição, com a informação da origem do crédito e, comprovado que esse crédito não existe, não se poderia agora, após o exame da autoridade administrativa, querer modificar o pedido original, já que as informações contidas da Declaração de Compensação foram corretamente analisadas pelo Despacho Decisório. Em outras palavras, não se pode querer alterar uma situação fática que existiu no momento da entrega da Declaração de Compensação após o exame dessa situação pela autoridade administrativa, que foi efetuado de forma correta com os fatos que se apresentavam no momento desse exame. Assim, não resta dúvida de que no momento da análise da Declaração de Compensação em tela, o valor do crédito do IRPJ, no montante informado pelo interessado, efetivamente não existia, de modo que está correta a decisão proferida no despacho decisório combatido. Em face dos motivos acima expostos, é de se manter a decisão proferida no acórdão recorrido, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 635 15 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 635DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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